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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Minas Gerais

Campus Formiga
Curso de Engenharia Elétrica

GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Arthur Camargos
Carlos Antônio Rufino Júnior
Dione Weverton dos Reis Araujo
Leandro Lemos
Marco AntonioLaini

Formiga - MG
Setembro – 2010
Arthur Camargos
Carlos Antônio Rufino Júnior
Dione Weverton dos Reis Araujo
Leandro Lemos
Marco AntonioLaini

GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Trabalho da disciplina de Eletrotécnica


Industrialapresentado ao Instituto Federal de
Educação, Ciência e Tecnologia de Minas
Gerais – Campus Formiga como resultado
de pesquisa a respeito de Geração
Distribuída.

Área de Concentração: Eletrotécnica


Industrial.

Orientador: Prof. MSc. Renan Souza Moura.

Formiga - MG
Setembro – 2013
RESUMO

As alterações no setor de energia elétrica no Brasil têm oferecido novas


oportunidades de instalações de geração distribuída para auto-suprimento de
indústrias e também têm introduzido novas variáveis e parâmetros nos estudos de
viabilidade dessas instalações.
A geração distribuída vem ganhando importância no mercado de energia,
especialmente em países desenvolvidos. Além disso, os crescentes investimentos
em fontes renováveis contribuem com a queda nos custos destas tecnologias, como,
por exemplo, painéis fotovoltaicos e aerogeradores de pequeno porte, e, ao mesmo
tempo, torna-as mais acessíveis aos consumidores finais. O presente trabalho
inicialmente conta brevemente a historia do surgimento do conceito de geração
distribuída, seus aspectos positivos e negativos na sua implementação, suas
tecnologias e as atuais normas regulativas que está em vigor no Brasil até o atual
momento.

Palavras-chave: Geração Distribuida. Smart Grid, Distribuição de energia elétrica.


LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Energias disponíveis para algumas região brasileira ................................ 16


Figura 2 - Potencial de produção de energia no setor sucroalcooleiro no Sudeste. .. 17
Figura 3 - Modelo esquemático de uma microturbina. .............................................. 24
Figura 4 - Microturbina de 30 kW. ............................................................................. 25
Figura 5 - Foto de um sistema de energia eólica. ..................................................... 26
Figura 6 - Como funciona a energia fotovoltaica. ...................................................... 27
Figura 7 - Esquema de um motor stirling. ................................................................. 28
Figura 8 - Composição acionaria da Brasil PCH. ...................................................... 38
Figura 9 - PCHs que compõe o grupo Brasil PCH. ................................................... 39
Figura 10 - Localização das hidrelétricas do grupo Brasil. ........................................ 40
Figura 11 - Estrutura de montagem do painel. .......................................................... 41
Figura 12 - Painel fotovoltaico instalado no estacionamento do IEE. ........................ 42
Figura 13 - Setores envolvidos no âmbito do conceito de Smart Grid. ...................... 50
Figura 14 - Gráfico de custo médio da energia gerada por tecnologia. ..................... 60
Figura 15 - Spin Cell. ................................................................................................. 61
LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Emissões de algumas tecnologias de geração de energias não


renovaveis. ................................................................................................................ 19
Tabela 2 - Emissões de algumas tecnologias de geração de energias renováveis. . 20
Tabela 3 - Tecnologias para a GD. ........................................................................... 29
Tabela 4 - Classificação de tecnologias de emprego comum em geração distribuída.
.................................................................................................................................. 32
Tabela 5 - Classificação de tecnologias de emprego comum em geração distribuída.
.................................................................................................................................. 33
Tabela 6 - Comparação das características das fontes alternativas de energia
elétrica. ...................................................................................................................... 35
Tabela 7 - Estimativas de custos e eficiências de sistemas de armazenamento. ..... 35
Tabela 8 - Estimativas de custos e eficiências de sistemas de armazenamento. ..... 36
Tabela 9 - Resultados da pesquisa. .......................................................................... 37
Tabela 10 - Características do painel APX-50........................................................... 41
Tabela 11 - Agentes de geração distribuída. ............................................................. 44
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 6
2. OBJETIVOS .......................................................................................................... 7
3. CONTEXTO HISTÓRICO...................................................................................... 8
4. GERAÇÃO DISTRIBUÍDA ..................................................................................... 9
4.1. DEFINIÇÃO LEGAL ....................................................................................... 9
4.2. LEGISLAÇÃO E MARCO REGULATÓRIO BRASILEIRO ............................. 9
5. BARREIRAS DE UMA IMPLANTAÇÃO DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA .............. 11
5.1. QUESTÕES REGULATÓRIAS .................................................................... 11
5.2. CUSTO DAS TECNOLOGIAS ..................................................................... 11
5.3. PROCEDIMENTOS DE OPERAÇÃO E PROTEÇÃO .................................. 12
6. GERAÇÃO DISTRIBUIDA NO BRASIL ............................................................... 13
7. BENEFÍCIOS DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA ...................................................... 18
8. ASPECTOS NEGATIVOS DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA................................... 21
9. IMPACTOS AMBIENTAIS ................................................................................... 22
10. PRINCIPAIS TECNOLOGIAS DA GERAÇÃO DISTRIBUIDA ......................... 23
10.1. MICRO TURBINAS A GÁS .......................................................................... 23
10.2. EÓLICA ........................................................................................................ 26
10.3. FOTOVOLTAICA.......................................................................................... 27
10.4. ARMAZENAMENTO DE ENERGIA ............................................................. 28
10.5. MOTOR STIRLING ...................................................................................... 28
11. FATORES QUE DEVERÃO SER ANALISADOS PARA UMA AVALIAÇÃO
TÉCNICA – ECONÔMICA......................................................................................... 30
12. CLASSIFICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE GD ............................................ 32
13. TENDÊNCIAS DE UMA MAIOR DIFUSÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA .... 34
14. APLICAÇÕES PRÁTICAS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA .............................. 37
14.1. SETOR SUCROALCOOLEIRO PAULISTA ................................................. 37
14.2. BRASIL PCH ................................................................................................ 38
14.3. SISTEMAS FOTOVOLTAICOS CONECTADOS Á REDE ........................... 40
14.4. GERADORES DE ENERGIA NO HORÁRIO DE PONTA ............................ 42
15. COMERCIALIZAÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA ..................................... 44
15.1. AGENTES COMERCIALIZADORES DA GERAÇÃO DISTRIBUIDA ........... 44
15.2. MOMENTO PARA O FOMENTO Á GD ....................................................... 45
15.2.1. CENARIO FACILITADOR ...................................................................... 46
15.2.2. BENEFÍCIOS ......................................................................................... 46
15.3. LEILÕES ...................................................................................................... 47
16. NOVAS TECNOLOGIAS NA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA ................................. 48
16.1. SMART GRID ............................................................................................... 49
16.1.1. IMPLANTAÇÃO DO CONCEITO DE SMART GRID ............................. 49
16.1.2. MEDIÇÃO ELETRÔNICA E COMUNICAÇÃO....................................... 51
16.1.3. SENSORIAMENTO ............................................................................... 53
16.1.4. COMPUTAÇÃO ..................................................................................... 54
16.1.5. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO .................................................... 54
16.2. INOVAÇÃO NA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA .................................................. 59
17. CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................. 62
18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................ 63
1. INTRODUÇÃO

As alterações em curso no modelo do Setor Elétrico Brasileiro têm introduzido


mecanismos de competição entre os agentes, quer do lado da demanda quer do
lado da oferta. A livre negociação dos contratos entre distribuidoras e consumidores
de energia tem motivado novas conceituações de modalidades de compra e venda
de energia. Assim, um cliente que produz parte da demanda de energia que
consome, pode comercializar excedentes, contratar certa quantidade de energia,
que rotineiramente necessita ou, ainda, contratar uma reserva de energia para
“backup”, para atendê-lo quando houver alguma contingência no seu próprio sistema
de produção.
O crescimento da população e o desenvolvimento tecnológico contínuo
exigem uma demanda de energia cada vez maior. Assim, quando o aumento na
demanda ultrapassa os limites do sistema, é necessária a construção de novas
unidades de geração de grande ou pequeno porte bem como o sistema que suporte
a transmissão e distribuição desta nova parcela de energia gerada.
Este modelo começou a ser questionado com o surgimento de novas
tecnologias que reduzem o custo da energia gerada (MONTEIRO, 2005). Aliado à
dificuldade crescente de financiamento de grandes centrais de geração estão os
problemas relacionados ao impacto ambiental associado à implantação destas
grandes centrais. Todos estes fatores contribuíram para a valorização da geração
distribuída (INATOMI, 2000). A seguir será abordada uma breve contextualização
histórica sobre a geração distribuída GD e seus conceitos.

6
2. OBJETIVOS

Este trabalho tem como objetivo conhecer sobre o estado da arte da geração
distribuída, suas vantagens, desvantagens, aspectos econômicos, ambientais,
barreiras de implementação e estudar alguns casos práticos aplicados no Brasil e no
mundo.
Pesquisar e aprender sobre a Norma Regulamentadora nº 10, quanto aos
procedimentos, deveres e obrigações tanto do empregador, quanto do empregado, e
apresentar a turma da Disciplina de Distribuição de Energia Elétrica do segundo
semestre de 2013 do curso de Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Minas
Gerais.

7
3. CONTEXTO HISTÓRICO

O termo geração distribuída pode parecer novo, mas sua concepção não é
tão recente assim. Thomas A. Edison concebeu e instalou o primeiro sistema de
geração de energia em Nova York no ano de 1882
(www.geniosmundiais.blogspot.com.br). Na rua chamada Pearl Street ele construiu a
primeira central de geração que fornecia energia para lâmpadas incandescentes de
cerca de cinquenta e nove clientes em uma área um pouco maior de um quilometro
quadrado (www.geniosmundiais.blogspot.com.br).
Essencialmente, este é o conceito mais simples de geração distribuída, uma
fonte geradora localizada próxima à carga. Com o desenvolvimento dos
transformadores, o uso da corrente alternada logo conquistou seu espaço
possibilitando o atendimento de cargas distantes do ponto de geração. Assim se
consagrou o modelo de grandes centrais de geração com extensas linhas de
transmissão e distribuição de energia (LORA, 2002).

8
4. GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

4.1. DEFINIÇÃO LEGAL

Apesar da legislação anterior e das antigas práticas no setor elétrico


brasileiro, a GD somente tornou – se tema registrado na legislação brasileira com o
Decreto n.º 5.163/2004, da seguinte forma (Brasil, 2004):

Art. 14. Para os fins deste Decreto, considera – se geração distribuída à


produção de energia elétrica proveniente de empreendimentos de agentes
concessionários, permissionários ou autorizados, incluindo aqueles tratados pelo art.
8º da Lei n.º 9.07418, de 1995, conectados diretamente no sistema elétrico de
distribuição do comprador, exceto aquela proveniente de empreendimento;

I – hidrelétrico com capacidade instalada superior a 30 MW; e

II – termelétrico, inclusive de co–geração, com eficiência energética inferior a


setenta e cinco por cento, conforme regulação da ANEEL, a ser estabelecida até
dezembro de 2004.
Parágrafo único. Os empreendimentos termelétricos que utilizem biomassa ou
resíduos de processo como combustível não estarão limitados ao percentual de
eficiência energética prevista no inciso II do caput.

4.2. LEGISLAÇÃO E MARCO REGULATÓRIO BRASILEIRO

Da legislação em vigor podem – se destacar algumas leis, decretos e


resoluções que afetam de alguma forma o desenvolvimento da GD no Brasil.

 Lei nº 9.074 se deu em 10 de setembro de 1996, quando publicado o Decreto


nº. 2003 (PLANALTO, 2005), que regulamenta a produção de energia elétrica
por produtor independente e por autoprodutor. O produtor independente
recebeu autorização para produzir para o mercado e o autoprodutor recebeu
autorização para produzir energia para uso próprio.

9
 Lei nº. 9.648, de 27 de maio de 1998 (PLANALTO, 2005), instituiu incentivos
á geração elétrica de pequenas centrais hidrelétricas – PCH’s. Estabeleceu
que o potencial hidráulico de potência superior a 1 MW e igual ou inferior a 30
MW, destinado á produção independente ou á autoprodução, pode ser
autorizado pela ANEEL, sem caráter oneroso e ainda concedeu percentual de
redução não inferior a 50 % a ser aplicado aos valores das tarifas de uso dos
sistemas elétricos de transmissão e distribuição. Além disso, permitiu a
comercialização de energia elétrica com consumidores cuja carga seja maior
ou igual a 500 kW.
 Em 18 de Maio de 1999, a ANEEL publica a Resolução nº 112 (ANEEL,
2005), que estabelece os requisitos necessários á obtenção de Registro ou
Autorização para implantação, ampliação ou repotenciação de centrais
geradoras termoelétricas, eólicas e de outras fontes alternativas de energia.
 A Lei nº. 10.848, de 2004, considerada o novo marco regulatório do setor
elétrico, foi a Lei que introduziu a geração distribuída oficialmente no país. O
Decreto nº. 5.163, de 2004, regulamentou essa matéria, definindo a geração
distribuída, como já foi citado acima.
 O PRODIST (Procedimentos de Distribuição) define geração distribuída como
sendo geração de energia elétrica, de qualquer potência, conectadas
diretamente no sistema elétrico de distribuição ou através de instalações de
consumidores, podendo operar em paralelo ou de forma isolada e
despachadas – ou não – pelo ONS (PRODIST – Módulo 1, 2005).

10
5. BARREIRAS DE UMA IMPLANTAÇÃO DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

5.1. QUESTÕES REGULATÓRIAS

Talvez este seja um dos maiores desafios para a GD atualmente. Os


procedimentos de conexão não estão normalizados e a falta de normas impede a
padronização, deixando os clientes à mercê de normas específicas de cada
concessionária.
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou hoje
(17/04) regras destinadas a reduzir barreiras para instalação de geração distribuída
de pequeno porte, que incluem a micro geração, com até 100 KW de potência, e a
mini geração, de 100 KW a 1 MW. A norma cria o Sistema de Compensação de
Energia, que permite ao consumidor instalar pequenos geradores em sua unidade
consumidora e trocar energia com a distribuidora local. A regra é válida para
geradores que utilizem fontes incentivadas de energia (hídrica, solar, biomassa,
eólica e cogeração qualificada).
Pelo sistema, a unidade geradora instalada em uma residência, por exemplo,
produzirá energia e o que não for consumido será injetado no sistema da
distribuidora, que utilizará o crédito para abater o consumo dos meses
subsequentes. Os créditos poderão ser utilizados em um prazo de 36 meses e as
informações estarão na fatura do consumidor, a fim de que ele saiba o saldo de
energia e tenha o controle sobre a sua fatura.
Desta forma, existe um incentivo nestas novas regras em relação aos
financiamentos para compra destas novas tecnologias, mas não há uma requisitos
técnicos e operacionais definidos pela proprietária da rede de distribuição local,
requisitos estes até o momento sem padronização regulamentar.

5.2. CUSTO DAS TECNOLOGIAS

O alto custo das tecnologias utilizadas na GD se apresenta como um dos


fatores que impossibilitam um maior crescimento no mercado, desestimulando os
11
investidores do setor. Também há de se mencionar a dificuldade, por parte das
empresas de pequeno porte, de obtenção de financiamentos para a aquisição de
equipamentos. O custo da eletricidade gerada com o sistema de geração distribuída
ainda é alto se comparado com o das distribuidoras, o que desestimula os
investimentos na mesma. Também há que se considerar que algumas das
tecnologias são importados, sendo o custo de manutenção elevado, devido à
necessidade de ser realizada por técnicos do fabricante.

5.3. PROCEDIMENTOS DE OPERAÇÃO E PROTEÇÃO

O planejamento da operação apresenta maiores dificuldades operativo devido


a fluxos de energia bidirecionais. Com os novos arranjos aumenta as dificuldades de
operação (mudando os tempos de sincronização com outros dispositivos da rede,
restrições de religamento durante manutenções) (WILLIS & SCOTT, 2000).

Como o sistema de distribuição é essencialmente radial, a inserção de


geradores poderia mudar esta configuração, migrando para um sistema em anel. A
proteção convencional largamente utilizada não é adequada para detectar fluxo
bidirecional de potência e outras condições provenientes desta reconfiguração do
sistema. Portanto, toda a proteção deverá ser reconfigurada para esta nova
condição.

Muitas concessionárias não estão preparadas para conectar unidades de GD,


devido à falta de estudos sobre o impacto desta interconexão na rede e também por
falta de adequação técnica do sistema (o mesmo não foi concebido para a GD).
Como exemplo, uma grande quantidade de conexões implica em um aumento
considerável do fluxo de potência na rede e da contribuição na potência de
curtocircuito.

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6. GERAÇÃO DISTRIBUIDA NO BRASIL

O Setor de Energia Elétrica Brasileiro começou a ser reestruturado a partir de


1993, mas somente dois anos mais tarde, com a aprovação da lei que trata da
concessão dos serviços públicos, obteve as condições necessárias para se
organizar de forma competitiva.
Em 1996, iniciou-se a fase de concepção do novo modelo, sob a coordenação
da Secretaria Nacional de Energia do Ministério de Minas e Energia, que deveria ser
caracterizado pelo financiamento através de recursos públicos, BNDES – Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, e privado, concessionárias
divididas por atividade: geração, transmissão, distribuição e comercialização, livre
concorrência, competição na geração e comercialização, consumidores livres,
preços livremente negociados.

Assim, foram concebidas:

 A ANEEL, autarquia vinculada ao Ministério das Minas e Energia, que tem por
finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e
comercialização de energia elétrica, zelando pela qualidade dos serviços
prestados, pela universalidade de atendimento aos consumidores e pelo
estabelecimento das tarifas;
 O ONS - Operador Nacional do Sistema Elétrico, para operar, supervisionar e
controlar a geração e a transmissão de energia elétrica no Brasil, a fim de
otimizar custos e garantir a confiabilidade do Sistema, sendo também,
responsável pela administração operacional e financeira dos serviços de
transmissão e das condições de acesso à rede;
 O Mercado Atacadista de Energia Elétrica – MAE instituído através da
assinatura de um contrato de adesão multilateral, o Acordo de Mercado, para
ser o ambiente onde se processam a contabilização e a liquidação
centralizada no mercado de curto prazo.

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No Brasil, a geração de energia é de origem hidráulica, localizando-se,
portanto, em regiões quase sempre distantes dos centros consumidores. Com isto,
são necessárias grandes extensões de linhas de transmissão e outras instalações
para repartir e distribuir a energia nos centros de consumo. Vale lembrar que a
natureza da energia elétrica inspirou desenvolvimentos tecnológicos que
recomendam que a transmissão a longas distâncias se faça em voltagem muito
superior à tensão de uso final, o que requer instalações de subestações para a
transformação de tensão.
Assim o atendimento ao consumidor pode ser traduzido pela necessária
existência de um sistema de transmissão e de distribuição extenso e complexo,
suportado por uma estrutura de instalações e equipamentos que, além de
representar importantes investimentos e exigir ações permanentes de operação e
manutenção, estão como qualquer produto tecnológico, sujeito a falhas.
As gerações distribuídas atenuam os efeitos das interrupções nos dois
aspectos em que são usualmente quantificados: a duração e a frequência. Desde a
década de setenta, as concessionárias brasileiras de distribuição de energia elétrica
vem registrando indicadores de continuidade de serviço, que expressam a duração,
através do DEC - Duração Equivalente de Interrupção de Carga e a frequência,
através do FEC - Frequência Equivalente de Interrupção de Carga.
O DEC é a duração média em um período das interrupções de energia
ocorridas em uma determinada região, ponderada pela correspondente quantidade
de consumidores afetados, em cada uma das interrupções. Assim por exemplo, no
Estado de São Paulo existem dezenas de conjuntos de consumidores, cujo valor do
DEC anual, na grande maioria, situa-se entre 5 horas/ano a 30 horas/ano (GOUVEA
et al., 2001).
De forma análoga é definido o FEC, para a frequência de interrupção de
energia.
A geração distribuída melhora substancialmente o DEC dos consumidores de
sua área de influência, dado que contribui para a manutenção do serviço em
situações de desligamentos da rede de transmissão ou mesmo de distribuição,
quando da ocorrência de defeitos ou de desligamento para manutenção preventiva
ou para a execução de obras de expansão.

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Também, a frequência das interrupções, medida pelo FEC, é fortemente
atenuada com a presença de gerações distribuídas. Muitas interrupções de caráter
temporário, como aquelas causadas por interferências momentâneas como
descargas atmosféricas no sistema de transmissão, têm efeitos praticamente
neutralizados na medida em que a geração distribuída é uma alternativa de
suprimento que permanece operando durante a perturbação no sistema supridor.
A geração distribuída se reveste de particular importância em situações de
colapso do sistema supridor. Estas situações, embora pouco frequentes, podem
ocorrer por alguma falha que acarreta o desligamento de grande extensão do
sistema. Fica, também, evidente o benefício de fontes distribuídas em períodos de
condições climáticas adversas que possam trazer racionamento de energia elétrica.
As gerações distribuídas atuam como reservas de contingência, operando
independentemente das fontes remotas que abastecem o sistema, ou das estruturas
de transmissão que o servem.
Existem casos em que se faz um contrato entre a concessionária de energia e
o consumidor que possui geradores de emergência instalados, para que os mesmos
sejam utilizados para a geração de energia nos horários de pico, via incentivos
oferecidos para a redução da demanda nesses horários. A geração de emergência
pode ser utilizada como parte de uma estratégia que minimiza custos de demanda e
maximiza a confiabilidade (CEPEL, 2002).
Tendo em vista os benefícios da geração distribuída no Brasil, pode se
resumir alguns benefícios da geração distribuída para os consumidores, investidores
e para a sociedade, a figura aa mostra as áreas brasileiras e os recursos disponíveis
para a implementação da geração distribuída para cada região.

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Figura 1 - Energias disponíveis para algumas região brasileira
Fonte: COGEN, 2013.

6.1. POTENCIAIS DE RECURSOS PARA GD EM MINAS GERAIS

Minas Gerais apresenta boas perspectivas para uso de tecnologias de


geração distribuída. O estado é muito atuante no setor siderúrgico principalmente na
área do triângulo, havendo assim a possibilidade de que as usinas usufruírem dos
gases de alto forno para autoconsumo ou produção independente, aliviando a
demanda nos horários de pico e potencialmente atuando em paralelo com o sistema.
Ainda no campo de cogeração, o estado de Minas Gerais possui um potencial
considerável para produção de eletricidade a partir do bagaço de cana, podendo
este ser um participante mais considerável em cenários futuros. A Figura 2 mostra o
potencial para esse tipo de geração no estado.

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Figura 2 - Potencial de produção de energia no setor sucroalcooleiro no Sudeste.
Fonte: CEMIG, 2012.

Outra grande falda em Minas é o potencial hidráulico, que constitui a principal


fonte da matriz mineira com aproximadamente 93% da capacidade de geração,
tendo presença de 43 usinas hidrelétricas, 94 pequenas centrais hidrelétricas e 71
centrais geradoras hidrelétricas. A análise de recursos para o estado de Minas
Gerais permite afirmar que a Geração Distribuída de energia já é uma realidade na
região, principalmente pela grande importância no setor siderúrgico, sendo possível
a aplicação de cogeração, e também pelos recursos hídricos, contando com uma
significativa presença de pequenas centrais hidrelétricas. A perspectiva para Minas é
boa, tendo em vista, em um panorama futuro, os recursos eólico e solar.

17
7. BENEFÍCIOS DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

As vantagens atribuídas á GD, em relação ás opções convencionais de geração


de grande porte, são as seguintes:

Do lado do consumidor:

 Alguns investidores se interessam pela GD porque seu sistema elétrico não


pode tolerar variações de frequência e/ou tensão, bem como interrupções no
abastecimento. Essa eventual qualidade e confiabilidade superiores do
abastecimento através da tecnologia de GD são aspectos que podem
justificar custos unitários de produção relativamente maiores (RODRIGUEZ,
2002).
 Do ponto de vista econômico, o investimento próprio em GD interessa ao
consumidor se a eletricidade gerada tiver um custo menor do que o
abastecimento via empresa concessionária, ou via um comercializador
(RODRIGUEZ, 2002).

Do lado do setor elétrico

 Para uma empresa concessionária, a GD pode ser economicamente atraente


em função das reduções de custo que ela possibilita. A geração distribuída
reduz perdas nas linhas de transmissão e distribuição, proporciona maior
estabilidade á tensão elétrica, reduz perdas reativas de potência e adia
investimentos em subestações de transformação e em capacidade adicional
para transmissão (HOFFet al., 1996a, citado por RODRIGUEZ, 2002).
 Unidades de menor capacidade ajustam – se melhor a taxas variáveis de

18
crescimento da demanda, reduzindo o risco associado a erros de
planejamento que podem resultar em sobre capacidade, e, também, podem
proporcionar uma boa dose de flexibilidade a oscilações de preço ao sistema
elétrico (RODRIGUEZ, 2002).
 Nas regiões onde o potencial de expansão dos sistemas de transmissão ou
distribuição é limitado, por exemplo, por razões políticas e ambientais
(RODRIGUEZ, 2002).

Do lado da sociedade

 Contribui para aumentar o mix na geração, levando a uma maior segurança


do suprimento energético (RODRIGUEZ, 2002).
 Permite a promoção do desenvolvimento local através do uso de recursos
próprios da região em que a instalação está inserida, além da dinamização
das atividades econômicas e geração de empregos em função da maior
produção industrial e do maior volume de serviços (RODRIGUEZ, 2002).
A minimização dos impactos ambientais associado á GD, seja pelo porte da
instalação ou ausência ou menor impacto quanto ás emissões líquidas de dióxido de
carbono, no caso do uso de fontes renováveis (ver Tabelas 1 e 2).

Tabela 1 - Emissões de algumas tecnologias de geração de energias não renovaveis.

CO2
SO2 NOx CO2 equivalente
Tecnologia
(kg/GWh) (kg/GWh) (t/GWh) para Metano
(t/GWh)

UTE a
carvão 630 – 1370 630 – 1560 830 – 920 1240
mineral
Nuclear N.D N.D N.D 28 – 54
Ciclos
45 – 140 650 – 810 370 – 420 450
combinados
Fonte: Akermann et al. (1999)

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Tabela 2 - Emissões de algumas tecnologias de geração de energias renováveis.
PCHs 24 – 29 46 – 56 10 – 12 2
Eólica
4,5 m/s 18 – 32 26 – 43 19 – 34 N.D
5,5 m/s 13 – 20 18 – 27 13 – 22 N.D
6,5 m/s 10 – 16 14 – 22 10 – 17 11

Fotovoltaica

Monocristalino 230 – 295 270 – 340 200 – 260 N.D

Policristalino 260 – 330 250 – 310 190 – 250 228

Amorfo 135 – 175 160 – 200 170 – 220 N.D


Fonte: Akermannet al. (1999)

Notas:
1 – Inclui tanto emissões diretas, relativas á produção de eletricidade, como
emissões indiretas (manufatura, exploração e transporte dos insumos energético,
etc.)
2 – N.D: Informação não disponível.

A geração distribuída não possui apenas benefícios é possível citar alguns


aspectos negativos desta tecnologia.

20
8. ASPECTOS NEGATIVOS DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

As dificuldades de inserção em escala da GD são devidas, entre outros


motivos, á dificuldade de compatibilidade com as redes distribuídas. Podem ser
citados alguns aspectos negativos da geração distribuída, segundo Rodrigues
(2006), citado por Severino (2008):

 A grande complexidade, incluindo a técnica, no nível de operação do


despacho centralizado.
 A existência de impactos importantes nos procedimentos de operação e de
controle da rede de distribuição.
 A necessidade de integração e de gerenciamento da GD junto ás redes de
distribuição.
 A necessidade de integração e de gerenciamento da GD junto ás redes de
distribuição existentes, que têm grau de complexidade dependente da rede e
da fonte de GD a ser instalada; e isso requer análise caso – a – caso e impõe
custo adicional.
 O impacto que a presença da GD causa nos sistemas de proteção das atuais
redes de distribuição.
 A necessidade de monitoração constante da qualidade de energia.
 A necessidade de novas configurações da rede de distribuição a fim de
incorporar e explorar a GD já no seu planejamento.
 As dificuldades de se elaborarem normas claras e abrangentes face ás
especificidades de cada rede e da própria GD.
Os elevados custos envolvidos, que, apesar de decrescentes com o
desenvolvimento das tecnologias de GD, notadamente são maiores que os custos
da maioria das opções de geração distribuída.

21
9. IMPACTOS AMBIENTAIS

As tecnologias que compõem o sistema de Geração Distribuída não podem


ser classificadas de uma forma geral quanto à questão ambiental, pois, de um modo
genérico, não são todas as possibilidades de GD que possuem status de
ambientalmente corretas em um contexto, principalmente, por sistemas queutilizam
de biomassa. Todavia, a partir da mesma temática e do aspecto mais debatido na
atualidade, o aquecimento global, o conjunto das tecnologias leva a emissões
significativamente menores do que as baseadas no carvão e no petróleo, devido à
diversificação de fontes primárias e tecnologias.
O conceito de geração descentralizada, no entanto, não pode ser associado a
aspectos ambientais, uma vez que a análise de impactos se torna muito complexa e
envolve diversos fatores, dependendo do recurso a ser utilizado; portanto os
impactos ao meio ambiente devem ser analisados e avaliados em cada aplicação.
Porém os impactos ambientais são classificados em cada situação para uma visão
mais abrangente, quanto a emissões, alagamento, desmatamento e poluição sonora
e ou visual. A GD, como um conceito novo de eficientização energética e nova
distribuição de fontes geradores na matriz, traz o contexto de reduzidos impactos
ambientais na bagagem, visando a fontes renováveis e alternativas de energia, por
exemplo, a biomassa, as células a hidrogênio, a energia solar, os aproveitamentos
hídricos de pequeno porte e a energia eólica.

22
10. PRINCIPAIS TECNOLOGIAS DA GERAÇÃO DISTRIBUIDA

O alto custo das tecnologias utilizadas na GD se apresenta como um dos


fatores que impossibilitam um maior crescimento no mercado, desestimulando os
investidores do setor. O emprego de turbinas a gás no Brasil ainda apresenta um
alto custo de investimento, bem como o emprego de tecnologias emergentes como
as células combustíveis. Também há de se mencionar a dificuldade, por parte das
empresas de pequeno porte, de obtenção de financiamentos para a aquisição de
equipamentos. O custo da eletricidade gerada com o sistema de geração distribuída
ainda é alto se comparado com o das distribuidoras, o que desestimula os
investimentos na mesma. Também há que se considerar que algumas das
tecnologias são importadas, sendo o custo de manutenção elevado, devido à
necessidade de ser realizada por técnicos do fabricante.

10.1. MICRO TURBINAS A GÁS

As micro turbinas a gás são uma nova tecnologia de geração distribuída, cuja
base de desenvolvimento são as turbinas a gás empregadas em turbo compressores
automotivos. Tipicamente têm uma única parte em movimento e possuem
refrigeração por ar. Possuem potência de saída na faixa de 30 – 300 kW, podendo
ser integradas em um único conjunto para atender cargas maiores. Atualmente a
eficiência está entre 20 a 30 %.(RODRIGUEZ, 2002).
Geralmente são aplicadas em hospitais, cogeração, sistemas de emergência
(arranque rápido), sistemas isolados e para a produção em horas de ponta para
regularização tarifária. O funcionamento do dispositivo pode se dar por meio de
vários combustíveis, dentre eles: gasolina, gás natural, gás propano liquefeito (GLP),
biogás, gás de poços de petróleo, diesel e querosene.
As principais vantagens do equipamento são: a ausência de líquidos
refrigerantes e lubrificantes, a pouca manutenção exigida, altos rendimentos quando
operam em paralelo com a rede ou isoladamente, os vários módulos operarem em

23
paralelo entre si e com a rede sem a necessidade de sincronismo, tempos de
arranque rápido, níveis de emissões muito baixos e o controle totalmente
automatizado.
O sistema é composto por uma turbina de combustão que inclui um compressor,
um recuperador, um combustor e um gerador, conforme mostra a Figura 4:

Figura 3 - Modelo esquemático de uma microturbina.


Fonte: BONA, 2004.

As microturbinas operam da seguinte forma: o ar é aspirado e forçado para


dentro da turbina a alta velocidade (microturbinas operam com velocidade de
rotação entre 50000 rpm e 70000 rpm) e pressão; o ar é misturado ao combustível e
queimado na câmara de combustão onde o processo de queima é controlado para
se obter a máxima eficiência e baixos níveis de emissão; os gases produzidos na
combustão sofrem expansão nas palhetas da turbina que está realizando trabalho;
os gases produzidos na combustão interna sofrem expansão nas palhetas da turbina
que está realizando trabalho; os gases não aproveitados são emitidos na atmosfera.
O equipamento possui um controlador digital de potência que controla a
operação da microturbina e todos os subsistemas. O controlador digital desempenha
as funções de conversão de potência, convertendo a tensão em frequência variável
do gerador em tensão CC e então para corrente em frequência constante ou tensão
CC variável. Durante a partida, o controlador opera como inversor de frequência
durante o resfriamento para dissipar o calor armazenado no recuperador e na
estrutura, a fim de proteger os vários componentes da microturbina.
Outro componente importante da tecnologia é o sistema integral de controle
de entrada de combustível. O sistema padrão é projetado para combustíveis
24
baseados em hidrocarbonetos gasosos pressurizados. Outros modelos estão
disponíveis para combustíveis gasosos de baixa pressão, combustíveis gasosos
com baixo poder calorífico, com componentes corrosivos e combustíveis líquidos.
As microturbinas podem operar conectadas á rede ou isoladas. Quando
conectada a rede da concessionária está presente. Durante as interrupções do
fornecimento pela concessionária no ponto onde a microturbina esteja conectada,
esta detecta a interrupção e imediatamente se desconecta da rede. Quando há o
retorno do fornecimento, a microturbina pode reiniciar automaticamente e fornecer
energia para as cargas conectadas. No modo conectado á rede, a microturbina é
somente uma fonte de corrente. Assim, tanto a frequência quanto a tensão da rede
são as referências para a operação deste equipamento.
Operando no modo isolado da rede, cargas podem ser supridas diretamente,
e a microturbina é uma fonte de tensão e corrente. Um sistema com baterias fornece
energia para partida e o gerenciamento de demanda transitória.
O elemento – chave do equipamento é o recuperador, que é utilizado para pre
aquecer o ar na entrada da turbina, aumentando a sua temperatura de operação,
obtendo assim um aumento da eficiência global do sistema. O calor é transmitido
dos gases de exaustão para o ar de admissão.

Figura 4 - Microturbina de 30 kW.


Fonte: BONA, 2004.
25
As turbinas de combustão usadas na geração distribuída, tipicamente,
têmentre 1 – 30 MW de capacidade instalada, atingindo eficiência entre 24 – 35 %.
Com o passar dos anos esta tecnologia está cada vez mais se tornando viável, com
redução de custos unitários. (RODRIGUEZ, 2002).

10.2. EÓLICA

É o aproveitamento da energia cinética contida nos ventos para a geração de


eletricidade, com o uso de turbinas eólicas, tem sido largamente utilizado na
complementação dos parques energéticos. O preço de implantação vem caindo
cada dia mais com a baixa no preço dos aerogeradores (RODRIGUEZ, 2002). O
custo “zero” de seu combustível (ventos), baixo custo de manutenção, o curto
espaço de tempo necessário para sua instalação e operação, entre outros fatores,
vêm consolidando o espaço da energia eólica entre as demais fontes de energia.
(RODRIGUEZ, 2002).

Figura 5 - Foto de um sistema de energia eólica.


Fonte: www.reativanarede.blogspot.com.br/2013/03/energia-eolica-mercado-promissor-para.html

26
10.3. FOTOVOLTAICA

É uma tecnologia de geração de energia elétrica altamente modular e sem


emissão de poluentes e ruídos durante seu funcionamento. O gerador fotovoltaico é
composto por módulos onde se encontram as células fotovoltaicas que produzem
energia elétrica na forma de corrente contínua quando sobre elas incide a luz solar.
Porém o custo ainda é relativamente alto. (RODRIGUEZ, 2002)

Figura 6 - Como funciona a energia fotovoltaica.


Fonte: www.ufjf.br/labsolar/2011/05/26/condicionamento

27
10.4. ARMAZENAMENTO DE ENERGIA

É utilizada por investidores que possuem sistemas elétricos sensíveis á


variação de tensão e/ou frequência, bem como interrupções no abastecimento. Para
estes fins é uma solução econômica.
Em algumas versões, os sistemas são constituídos por baterias e por motor
Diesel para fazer frente a interrupções prolongadas (RODRIGUEZ, 2002).

10.5. MOTOR STIRLING

Trata – se de motores de combustão externa e de ciclo fechado, muito


conhecido por sua simplicidade de funcionamento. A combustão do motor stirling é
contínua, permitindo uma queima mais completa e eficiente do combustível; assim o
dispositivo pode ser considerado pouco poluente quando comparado a motores de
ciclo Diesel e Otto. Os motores stirling são bem atrativo para fontes alternativas
devido ás possibilidades de utilização de vários tipos de combustíveis, dentre eles
estão: gás natural, óleo combustível, biomassa, diesel, gasolina, álcool, solar, entre
outros.

Figura 7 - Esquema de um motor stirling.


Fonte: www.mspc.eng.br/tecdiv/topDiv140.shtml

28
As principais tecnologias podem ser classificadas com relação à capacidade
em cada módulo:

Tabela 3 - Tecnologias para a GD.


Capacidade típica disponível
Tecnologia
por módulo
Não – renováveis
Turbina a gás de ciclo combinado 35 MW - 400 MW
Motores a combustão interna 5 KW - 10 MW
Turbina a combustão 1 MW - 250 MW
Microturbina 35 kW - 1 MW
Renováveis
Pequena hidrelétrica 1 MW - 100 MW
Micro - hidrelétrica 25 kW - 1 MW
Turbina eólica 200 W - 3 MW
Arranjo fotovoltaico 20 W - 100 kW
Térmica - solar 1 MW - 80 MW
Biomassa (exemplo: gaseificação) 100 kW - 20 MW
Célula a combustível: PAFC 200 kW - 2 MW
Célula a combustível: MCFC 250 kW - 2 MW
Célula a combustível: PEMFC 1 kW - 250 kW
Célula a combustível: SOFC 250 kW - 5 MW
Geotérmica 5 MW - 100 MW
Energia dos oceanos 100 kW - 1 mW
Motor stirling 2 kW - 10 kW
Bateria 500 kW - 5 MW
Fonte: ACKERMANN, Thomas; Andersson, Goran; Soder, Lennart. What is
distributed generation? In: International Symposium on Distributed Generation:
Power Systems and Market Aspects, Estocolmo, Suécia, jun. 2001b. Citado e
modificado por Severino 2008.

29
11. FATORES QUE DEVERÃO SER ANALISADOS PARA UMA AVALIAÇÃO
TÉCNICA – ECONÔMICA

Em uma avaliação técnica os principais fatores que deverão ser levados em


consideração para implantação de um sistema híbrido de geração distribuída
(SHGD) são:

(a) As condições e possibilidades operacionais do SHGD e de seus


componentes;

(b) as condições históricas recentes de suprimentos dos insumos essenciais á


produção energética do sistema – radiação solar e água potável;

(c) as previsões de consumo de energia elétrica do local onde será


implantado o sistema, cabe aqui lembrar que deverá ser levado em
consideração à possibilidade de expansão do sistema.

 Deve – se avaliar as condições geográficas e a proximidade do ponto


de carga.
 Deve – se calcular o rendimento global do SHGD e do rendimento
individual de cada sistema.
Realizar a quantificação, por estimação, da condição de geração de energia
firma, em quilowatt-hora, para situações operativas contempladas pelo despacho
programado.

 Verificação dos aspectos da qualidade de energia elétrica, bem como a


instalação de medidores dos parâmetros de qualidade de energia elétrica.
 Levantamento de normas técnicas e leis que regulamentam a qualidade de
energia gerada através da geração distribuída.

Em uma avaliação econômica os principais fatores que deverão ser levados


em consideração para implantação de um sistema híbrido de geração distribuída
(SHGD) são:
30
 Todos os custos devem ser conhecidos ou, ao menos, bem estimados.
 Deve – se analisar planilhas de custos de implantação de todos os
equipamentos que serão utilizados no projeto.
 Calcular o custo de implantação em US$/kW, considerando a possibilidade
de replicação do sistema.
 Deve – se levar em consideração os conceitos pertinentes á matemática
financeira para a consideração do valor do dinheiro no tempo e os
indicadores e índices econômicos divulgados por órgãos governamentais e
por instituições privadas especializadas de reconhecida credibilidade.
 Deve – se levar em consideração também as incertezas relacionadas ao
projeto.

31
12. CLASSIFICAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DE GD

Severino (2008) classificou a GD distribuída sob o foco da associação entre


fonte primária de energia e tecnologia empregada, produzindo diagramas como o
mostrado na Tabela 3.1.

Tabela 4 - Classificação de tecnologias de emprego comum em geração distribuída.


Pequeno Intermediário Grande
Fonte de
Tecnologia Interface 100 kW – 1
combustível < 100 kW > 1MW
MW
Combustível
Pequenas turbinas Conexão
fóssil e X
a gás direta
biogás
Motores recíprocos
Combustível
com geradores Conexão
fóssil e X X X
síncronos ou de direta
biogás
indução
Combustível
Conexão
Geotérmica fóssil e X X
direta
biogás
Conexão
PCHs Renovável X X
direta
Eólica Renovável Inversor X X X

Fotovoltaica Renovável Inversor X X


Fonte: RODRÍGUEZ, Carlos Roberto Cervantes. Mecanismos regulatórios, tarifários e econômicos na
geração distribuída: o caso dos sistemas fotovoltaicos conectados á rede.
(a) SMES é a sigla de superconductingmagneticenergystorange – armazenamento de energia magnética
em condutor.
2002. 118f. Dissertação (Mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos) – Faculdade de
Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2002.

32
Tabela 5 - Classificação de tecnologias de emprego comum em geração distribuída.
Intermediário
Fonte de Pequeno Grande
Tecnologia Interface 100 kW – 1
combustível < 100 kW > 1MW
MW
Combustível
Células a
fóssil e Inversor X X X
combustível
renovável
Solar – Conexão
Renovável X X X
térmica direta
Armazenamen
Rede elétrica Inversor X X X
to em baterias
Armazenamen
to em volantes Rede elétrica Inversor X X
de inércia
SMESa Rede elétrica Inversor X X

Microturbinas Combustíveis
Inversor X X
fósseis
Fonte: RODRÍGUEZ, Carlos Roberto Cervantes. Mecanismos regulatórios, tarifários e econômicos na
geração distribuída: o caso dos sistemas fotovoltaicos conectados á rede.
(a) SMES é a sigla de superconductingmagneticenergystorange – armazenamento de energia magnética
em condutor.
2002. 118f. Dissertação (Mestrado em Planejamento de Sistemas Energéticos) – Faculdade de
Engenharia Mecânica, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2002.

Após a classificação das tecnologias existentes, pode – se classificar alguns


setores que são promissores para a geração distribuída.

33
13. TENDÊNCIAS DE UMA MAIOR DIFUSÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

É possível identificar quatro segmentos de razoável potencial futuro, em


função de suas vantagens econômicas:
 Na prática da cogeração,
 Quando a estrutura tarifária possibilitar ganhos ao consumidor, mesmo que
os custos da GD sejam superiores aos custos médios ou marginais da
geração centralizada,
 No atendimento de consumidores de alto custo para o sistema elétrico,
 Onde a GD puder adiar investimentos nas linhas de transmissão e
distribuição e melhorar a confiabilidade dos sistemas já existentes.
A análise feita por Pfeifenbergeret al. (1998) tem por base uma estimativa de
custos e de eficiências de várias tecnologias de geração e de sistemas de
armazenamento, cujos dados são reproduzidos na Tabela 3, a seguir. Como pode
ser constatado, com exceção das quatro situações acima citadas, é ainda
necessária uma significativa redução dos custos de capital, das tecnologias de GD
para torná – las competitivas com as opções convencionais de geração centralizada.
A Tabela 3 compara as tecnologias, de modo que uma tecnologia se torna
mais viável que a outra a partir das condições específicas de cada projeto. Para
avaliar cada tipo de tecnologia é preciso levar em consideração aspectos como:
Investimento de capital, custo de implantação, condições geográficas, impacto
ambiental e legislação pertinente. Sendo assim analisar o retorno financeiro de cada
tecnologia se torna uma missão difícil, tendo em vista, que há variação de custo de
implementação específica de cada caso.

34
Tabela 6 - Comparação das características das fontes alternativas de energia elétrica.
Solar - Oceânica Oceânica Geotérm
Avaliação Fotovoltaica Hidrelétrica Eólica
térmica (térmica) (marés) ica
Investimento muitíssimo
Alto alto muito alto moderado muito alto baixo
de capital alto
Custo muito
Moderado moderado muito baixo baixo desconhecido pequeno
operacional pequeno
Eficiência 15% 5% - 10% 80% 42% 7% 25% 100%
Poluição Nenhuma calor nenhuma visual nenhuma nenhuma baixa
US$
Custo US$ 0,25 US$ 0,16 / US$ 0,04/kWh a
desconhecido desconhecido baixo
nivelado / kWh kWh 0,04/kWh US$
0,05/kWh
Impacto
Moderado Alto muito alto baixo desconhecido moderado baixo
ambiental
muito já alguns
Alta escala muito caro possível possível alguns locais
caro comprovado locais
Baixa escala Não Difícil baixa queda sim não não não
Capacidade depende da 2.000 MW a 1.000
1.000 MW variável sem limite 250 MW
unitária área 6.000 MW MW
Fonte: REIS, Lineu Belico dos; SILVEIRA, Semida (Org.). Energia elétrica para o desenvolvimento sustentável:
introdução de uma visão multidisciplinar. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2001. Citado por SEVERINO, 2008.
(a) O custo nivelado aqui informado é o custo da energia calculado com base no custo nivelado, que considera o
tempo de construção e o período de vida útil do empreendimento e a taxa de juros utilizada para a consideração
do efeito do dinheiro no tempo.

A Tabela 4 compara o investimento de sistemas de armazenamento com as


estimativas de custo e eficiência.

Tabela 7 - Estimativas de custos e eficiências de sistemas de armazenamento.

Capacidade de
Eficiência Investimento
Tecnologia armazenamento
[%] [US$/kWh]
típica

Sistema centralizado

Centrais de
75 10 horas 1300 – 1800
bombeamento

Sistemas de
80 8 – 36 horas 400 – 600
ar comprimido
Fonte: Pfeifenbergeret al. (1998)

35
Tabela 8 - Estimativas de custos e eficiências de sistemas de armazenamento.

Capacidade de
Eficiência Investimento
Tecnologia armazenamento
[%] [US$/kWh]
típica

Recursos híbridos

Baterias 75 0,5 – 4,0 horas 1000 – 1800

Supercondutores
90 1 – 5 minutos 1000 – 2000
magnéticos

Volantes
80 2 min – 2 horas 1000 – 3000
mecânicos
Fonte: Pfeifenbergeret al. (1998)

A partir de uma análise da viabilidade de implantação, é possível analisar as


aplicações práticas de um investimento em geração distribuída.

36
14. APLICAÇÕES PRÁTICAS DE GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Existem vários casos de aplicação da geração distribuída no Brasil e no


Mundo. Dentre eles podem ser citados os seguintes casos:

14.1. SETOR SUCROALCOOLEIRO PAULISTA

Souza et al (2006) conduziu uma pesquisa onde analisou cinco usinas do


setor sucroalcooleiro paulista, que devido aos elevados custos de comercialização
de eletricidade tanto para aquisição para uso próprio quanto para venda do
excedente produzem energia elétrica através de ciclos termodinâmicos, tendo o
bagaço de cana de açúcar como combustível para realizar o processo.
A coleta de dados primários pelo autor foi feita através de entrevistas com
representantes de cada usina, por motivo de sigilo e por pedido dos entrevistados,
os nomes das usinas não são mencionados.
Os resultados da pesquisa estão contidos na Tabela 5, a seguir.
Tabela 9 - Resultados da pesquisa.
Usina A Usina B Usina C Usina D usina E
Comercialização do
sim não sim não sim
baguaçu in natura
Principal uso do Geração de
Geração de EE Geração de EE Geração de EE Geração de EE
bagaço EE
Geração para Geração para Geração para Geração para Geração para
Estratégia Principal autossuficiência autossuficiência autossuficiência autossuficiênc autossuficiência
presente e futura presente e futura presente ia presente presente e futura
Venda de
sim sim não não sim
excedentes
Capacidade ocioso Sim - Investimento Sim - Investimento Sim - Investimento
estratégica de em "máquinas em "máquinas não não em "máquinas
geração grandes" grandes" grandes"
Estratégia para Sim - Planeja estocar
geração firme (base bagaço para geração não não não não
anual) EE anual
Uso da palha Em teste Em teste Sem previsão Em estudo Sem previsão
Grupo possui Geração
Geração de 30 % do total de
Promove outra unidade excedente é
EstratégiasEspecífic Excedentes é bagaço
integração Vertical próxima que estratificaà
as estratégica à imagem comercializados
para trás fornece estabilização da
social do grupo in natura
bagaço receita global
Créditos de carbono Em negociação Sem previsão Sem previsão Sem previsão Em Estudo
Fonte: Souza et al, 2006, adaptado.

37
Analisando os dados contidos na tabela 6, nota-se que de modo geral a
estratégia das usinas pesquisadas é a tendência auto-suficiência em energia
elétrica. As que exploram mais a comercialização de excedentes tem em mente uma
futura expansão de sua capacidade produtiva, o que aumentara sua demanda de
energia no futuro. Devido à queda do custo do investimento por capacidade de
geração de eletricidade instalado, as usinas também veem o sobre investimento na
geração como uma forma de aproveitamento de capital.
Em economia, capacidade ociosa de produção é aquela não completamente
utilizada, ou seja, capacidade em excesso (HANSEN e MOWEN, 2001), nota-se
então que três das cinco usinas entrevistadas tem como estratégia um investimento
em maquinas pesadas no caso de capacidade ociosa de produção para aumentar a
quantidade de eletricidade gerada, reduzindo assim seu custo de produção e
viabilizando ainda mais a cogeração.

14.2. BRASIL PCH

A empresa Brasil PCH S.A. é uma associação do Petróleo Brasileiro S.A. -


PETROBRAS, Eletroriver S.A., BSB Energética S.A. e JOBELPA S.A. com o objetivo
de gerar energia elétrica por meio da construção e operação de pequenas centrais
hidrelétricas (PCHs).
A composição acionaria da empresa pode ser vista na Figura 1.

Figura 8 - Composição acionaria da Brasil PCH.


Fonte: www.brasilpch.com.br

38
A Brasil PCH possui uma subsidiaria integral chamada PCH Participações
S.A., constituída de 13 sociedades criadas em meados de 2004 por meio do
Programa de Incentivo as Fontes alternativas de Energia Elétrica (PROINFA).

A energia produzida pelas 13 PCHs será adquirida pela Eletrobrás em


contratos de 20 anos de duração. O somatório da energia produzida pelas 13
unidades que compõe o grupo totalizam 291 MW de potencia instalada (
www.brasilpch.com).
As PCHs que fazem parte do grupo podem ser vistas na Figura 2.

Figura 9 - PCHs que compõe o grupo Brasil PCH.


Fonte: www.brasilpch.com
39
A localização das PCHs pode ser vistas na Figura 3.

Figura 10 - Localização das hidrelétricas do grupo Brasil.


Fonte: www.brasilpch.com

14.3. SISTEMAS FOTOVOLTAICOS CONECTADOS Á REDE

Um estudo de caso contemplando a viabilidade técnica e econômica da


instalação de um painel fotovoltaico de 3KW no estacionamento do Instituto de
Eletrotécnica e Energia (IEE) foi conduzido por Junior (2005). Sua proposta foi
construir uma cobertura em parte do estacionamento do IEE, sendo a estrutura com
suporte de alumínio para resistir às condições metrológicas que o sistema ficaria
exposto. Devido às condições favoráveis obtidas no estudo, à implementação do
projeto foi realizada.
40
O modulo escolhido foi o APX-50 do fabricante Astropower, que possui uma
potência nominal de 50 W cada placa, a escolha desses módulos foi tomada devido
a uma análise de custo de instalação. A Figura 6 ilustra o suporte de montagem.

Figura 11 - Estrutura de montagem do painel.


Fonte: JUNIOR, 2005.

Os dados do painel APX-50 pode ser visto na Tabela 5.

Tabela 10 - Características do painel APX-50


Módulo
Unidades
Astropower / APX 50
Potência máxima (Pmax) 50 Wp
Tensão de máxima potência (Vmp) 16,7 V
Corrente de máxima potência (Imp) 3 A
Corrente de curto circuito (Isc) 3,6 A
Tensão de circuito aberto (Voc) 21,5 V
Peso 8,5 kg
Largura 661 mm
Comprimento 994 mm
Área 0,65 m²
Temperatura Nominal de operação da
45 ºC
Célula

Fonte: JUNIOR 2005


41
Foi então feito três conjuntos de placas, sendo que cada um possuía uma
potencia nominal de 1KW, uma tensão continua de 167 V e uma corrente continua
de 6A. Estes valores são obtidos nas condições de irradiância incidente de 1000
W/m2 e temperatura das cédulas de 25o.

O sistema montado e em pleno funcionamento pode ser visto na Figura 6.

Figura 12 - Painel fotovoltaico instalado no estacionamento do IEE.


Fonte: JUNIOR, 2005.

14.4. GERADORES DE ENERGIA NO HORÁRIO DE PONTA

A empresa Dalkia (www.dalkia.com), realizou a instalação de geradores a gás


natural, no hospital Vitoria Apart Hospital (www.vitoriaaparthospital.com.br),
localizado no município de Serra (ES), com previsão de retorno financeiro no valor
de um milhão de reais por ano devido à geração de energia durante o horário de
ponta. As projeções são que os novos geradores, a gás natural, reduzam em 13% a
conta de luz do hospital. O projeto custou cerca de dois milhões de reais e inclui três
geradores, que somam capacidade de 2 MW. Na operação, funcionam apenas duas
unidades geradoras (1,1 MW). Os equipamentos gerarão energia para consumo em
horário de pico. Nesse intervalo, segundo a Dalkia, a energia comprada da

42
concessionária chega a ser 70% mais cara que a produzida pelo gerador próprio. O
objetivo, no médio prazo, é que o projeto seja capaz de suprir a demanda da
instituição em 100% do tempo, em caso de emergência
(www.vitoriaaparthospital.com.br).

43
15. COMERCIALIZAÇÃO DA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Ainda neste ano de 2013, segundo o COGEN, existem dois editais abertos
para Chamada pública para compra de energia elétrica. A Empresa Energética de
Mato Grosso do Sul (ENERSUL) abre o edital para que a energia seja entregue no
centro de gravidade da região sudeste e da região Centro Oeste por um período que
pode variar de 01/12/2013 a 31/12/2017 ou 01/12/2013 a 31/12/2021 de acordo com
o contrato firmado ( ENERSUL,2013).
Existe ainda, um edital vigente da Eletricidade e Serviços S.A. (ELEKTRO),
para fins de contratação de energia elétrica proveniente de empreendimentos de
GD, de forma a assegurar publicidade, transparência e igualdade de acesso aos
interessados, na modalidade de “chamada publica”, com fundamento na Lei n°
10.848/04, no Decreto n° 5.163/04 e nas Resoluções ANEEL n°s 165/05, 167/05 e
169/05 (ELEKTRO, 2013).

15.1. AGENTES COMERCIALIZADORES DA GERAÇÃO DISTRIBUIDA

A Associação de Indústrias de Cogeração de Energia (COGEN, 2013)


realizou um levantamento de alguns contratos de cogeração de energia, onde se
observa a potência média fornecida pela empresa contratada e o preço do MWh. A
tabela X traz alguns contratos.

Tabela 11 - Agentes de geração distribuída.


Preço
Concessionária Contrato (MWmed)
(R$/MWh)
ESCELSA ESCELSAGD 17,74 178,16
CELESC GD‐ ELÓI BRUNETTA 0,68 157,07
CELESC GD‐ TECNOVOLT 5,22 162,39
CELESC GD‐ SALTOJAURU 1,37 110,24
CELESC GD‐Desverticalização 25,57 272,95
ENERGISA EMG ZONADA MATA (GD) 22,57 192,37
CELTINS CELTINS Alvorada ‐GD 1,1 215,23
CELTINS CELTINS Isamu Ikeda ‐GD 22,3 215,23
CELTINS Socibe‐GD 2,2 215,23
Fonte: COGEN, 2013.
44
Segue a seguir, uma parte do contrato firmado pela ANEEL da empresa
geradora SIBOCE e a Concessionária CELTINS:

“Extrato do Contrato de Concessão de Geração n° 003/2006 – ANEEL.


Contratante: A União, por intermédio da Agência Nacional de Energia Elétrica-
ANEEL, inscrita no CNPJ/MF sob o no 02.270.669/0001-29. Contratadas:
SocibeEnergia S.A., inscrita no CNPJ/MF sob o no02.131.646/0001-33, na
qualidade de concessionária, Tocantins Energia S.A., inscrita no CNPJ/MF sob o
no04.149.487/0001-20, na qualidade de Acionista Controlador da concessionária
e Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins –CELTINS, inscrita no
CNPJ/MF sob o no25.086.034/0001-71, na qualidade de cedente anuente.
Processos nos 27100.001353/1986-26 e 48500.002815/2004-43. Objeto:
Regular a concessão de geração de energia elétrica para o Aproveitamento
Hidrelétrico Agro Trafo, localizado rio Palmeiras, Município de Dianópolis, Estado
de Tocantins, cuja concessão foi outorgada pela Portaria no103 de 06 de julho
de 1987, inicialmente a Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins –
CELTINS e transferida à empresa Socibe Energia S.A., nos termos das
Resoluções no 09, de 05 de setembro de 2005, e no698, de 27 de setembro de
2006, em cumprimento ao que estabelece a Lei no10.848, de 15 de março de
2004, que dispõe sobre a segregação de atividades de distribuição no serviço
público de energia elétrica. Destinação da energia: A energia elétrica produzida
na Usina Hidrelétrica destinar-se-á ao serviço público de energia elétrica. Prazo
da Concessão: UHE Agro Trafo – 12 de julho de 2017. Signatários: pela
Contratante, Jerson Kelman, Diretor-Geral da ANEEL; pelas Contratadas: Socibe
Energia S.A., concessionária, Valdir Jonas Wolf, por procuração e Water Pedro
Bordini, por procuração; Tocantins Energia S.A., acionista controlador, Valdir
Jonas Wolf, por procuração e Water Pedro Bordini, por procuração; e
Companhia de Energia Elétrica do Estado do Tocantins – CELTINS, cedente
anuente, Valdir Jonas Wolf, por procuração e Water Pedro Bordini, por
procuração. Testemunhas: Rosângela Lago e juliette Queiroz Monsã. Data da
Assinatura: Brasília, 3 de outubro de 2006.”

15.2. MOMENTO PARA O FOMENTO Á GD

Visando a necessidade nacional de implantação de novas técnicas e


tecnologias para a geração e distribuição de energia, a COGEN, Cita alguns
cenários e benefícios que esta tecnologia pode acarretar ao sistema elétrico
brasileiro.

45
15.2.1. CENARIO FACILITADOR

 Disponibilidade de novos projetos hidrelétricos na região amazônica,


uma vez que poderiam ser exploradas usinas a fio d’água, existem
grandes troncos de transmissão, pois as áreas de utilização de energia
são afastadas e por tanto existe uma .fragilidade para a segurança do
sistema
 Empreendimentos vencedores nos leilões de energia: A maior parte do
dos investimentos da Geração Distribuída estão localizadas no subi
mercado do nordeste e existem garantias físicas alocadas nesta região.
 A geração distribuída é uma tendência mundial o que acarreta na
redução do custo das tecnologias de geração de menor escala.
 Novo conceito de redes inteligentes (smartgrid)
 Menores restrições ambientais.

15.2.2. BENEFÍCIOS

 Potencial de geração distribuída pouco explorado: Contribui na


diversificação da matriz energética e do setor elétrico.
 Dispersão de impactos ambientais
 Causa novos investimentos o que gera emprego, desenvolvimento
econômico e por sua vez causa estabilidade na produção pela indústria
nacional.
 Eficiência no uso de fontes energéticas: Valorização das fontes de custo
variável unitário (CVU) nulo e baixo impacto ambiental.
 Agilidade no crescimento e atendimento da demanda, uma vez que não
serão feitos grandes investimentos nem mobilidade de estrutura para
atender determinada região carente de energia.

46
15.3. LEILÕES

A importância de se comercializar a energia feita pela geração distribuída, os


motivos para fomento da tecnologia e os numerosos benefícios trazidos por esta
tecnologia, faz com que a Associação de indústria de cogeração de energia, A
COGEN, proponha um novo conceito de leilões GD. Estes conceitos são:

 Realizar anualmente, leilões de energia proveniente das gerações


distribuídas, para atender a necessidade de contratação de energia pelas
distribuidoras;
 Que a MME defina e estabeleça as diretrizes e atribuições para a EPE,
ANEEL e CCEE;
 Atendimento às necessidades das distribuidoras por área elétrica;
 Que os projetos contratados sejam alocados preferencialmente nas
distribuidoras que estão conectados.
 A MME deveria estabelecer o preço teto para a geração distribuída (Pgd).

47
16. NOVAS TECNOLOGIAS NA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Quando se olha para a historia das redes de energia elétrica, nota-se que
existe uma grande estagnação no que se refere a novas tecnologias aplicadas na
maneira como a energia elétrica é fornecida ao consumidor.
As redes não evoluíram o suficiente para acompanhar os desafios e as
mudanças modernas, como ameaças à segurança, possibilidade de uso de energia
alternativa intermitente, metas de economia de energia para redução de picos de
demanda e controles digitais para aumentar a confiabilidade e abreviar a
restauração são alguns dos exemplos de desafios que terão que ser enfrentados
nos próximos anos.
A situação mais indesejável em uma rede elétrica é a interrupção do
fornecimento e esta falha pode durar varias horas gerando vários prejuízos tanto a
concessionaria quanto ao consumidor, isso sem contar os perigos que esta situação
pode gerar para as pessoas, ficar sem iluminação nas ruas, estar dentro de
elevadores no momento da falha. Com isto pode-se ver que inovações tecnológicas
que aumente a confiabilidade do sistema é um desejo de todos.
Uma situação que nos mostra o quanto estamos atrasados neste setor é que
em uma época que o uso da automação e das telecomunicações faz parte do
cotidiano das pessoas, as empresas de distribuição ainda dependem dos clientes
parar ser notificadas de uma falta de energia. Isso faz com que haja um atraso
considerável no reestabelecimento da energia e consequentemente uma baixa
confiabilidade do sistema.
Nos dias de hoje devido à dificuldade de construção de grandes usinas é
evidente a necessidade de gerar energia o mais próximo das cargas quanto
possível, esta geração em geral será na forma de pequenas geradoras e na forma
de consumidores que gerem sua própria energia e possa vender o seu excedente a
outros consumidores (GRUPO DE TRABALHO DE REDES ELÉTRICAS
INTELIGENTES, 2010).
Dado esta situação é necessário uma rede de distribuição de energia
inteligente, onde se possa ter um controle tanto da energia entregue aos

48
consumidores quanto a energia injetada na rede através dessas pequenas unidades
geradoras.
O conceito de Smart Grid se apresenta como uma tecnologia que permite o
uso eficiente da energia elétrica e, assim, configura-se como uma importante
ferramenta.

16.1. SMART GRID

O termo Smart Grid (rede inteligente) foi usado pela primeira vez em 2005 em
um artigo escrito por S. Massoud Amin e Bruce F. Wollenberg, publicado na revista
IEEE P&E, com o título de "Toward A Smart Grid" (TOWARD A SMART GRID,
2005).
Apesar de existir uma grande discussão a respeito da definição de Smart
Grid, pode-se definir que a ideia é utilizar elementos digitais e de comunicações nas
redes que transportam a energia. Esta nova tecnologia vai possibilitam o envio de
uma gama de dados e informações para os centros de controle, onde eles serão
tratados e utilizados na operação e controle do sistema como um todo (FALCÃO,
2010).

16.1.1. IMPLANTAÇÃO DO CONCEITO DE SMART GRID

Para ser implantado o conceito de Smart Grid é necessário um investimento


em diversas áreas, com uma grande transformação na infraestrutura. Esta
transformação deve incluir, instalação de camadas digitais, como softwares e
capacidade de processamento de dados, que são a essência da rede inteligente, e
mudanças na comercialização, necessárias para ampliar o número de acessantes.

49
Figura 13 - Setores envolvidos no âmbito do conceito de Smart Grid.
Fonte: CEMIG, 2012

Para a modernização da rede, alguns conceitos devem estar associados:

 Confiabilidade;
 Eficiência;
 Segurança;
 Questões ambientais:
 Competitividade.

As principais funções requeridas em uma rede inteligente são:

 Auto recuperação;
 Motivar consumidores a serem mais participativos;
 Resistir a ataques físicos e cibernéticos;
 Fornecer uma energia de melhor qualidade;

50
 Permitir vários tipos de geração e armazenagem de energia;
 Maior envolvimento do mercado;
 Permitir uma maior utilização de geração intermitente de energia.
Com a introdução de sensores e controles automatizados, a rede poderá ser
capaz de antecipar, detectar e resolver problemas na qualidade do serviço e suas
interrupções.
Com a medição em tempo real e a comunicação bidirecional, os
consumidores poderão ser recompensados pelos seus esforços em economizar
energia.
Um dos principais objetivos é uma maior participação do consumidor, pois
estarão incorporados os aparelhos domésticos e o comportamento do usuário na
utilização deles, permitindo um melhor controle por parte deste no seu consumo,
reduzindo os custos nas tarifas das concessionárias. Com a implantação do sistema
algumas vantagens serão dadas aos consumidores como a opção de escolher a
fornecedora de energia, opção de vender energia às concessionarias, entre outras.
Várias formas de geração poderão ser alocadas na rede, como células-
combustíveis, renováveis, além de outras fontes de geração distribuída. Essas
fontes estarão mais próximas dos centros de cargas e permitirão aos consumidores
não só a compra dessa energia, bem como a venda de seu excedente.
As tecnologias envolvidas nesse conceito podem ser divididas em grupos:
medição eletrônica, comunicação, sensoriamento e computação.

16.1.2. MEDIÇÃO ELETRÔNICA E COMUNICAÇÃO

Um dos componentes principais é o medidor inteligente, responsável pela


maioria das tarefas em uma rede inteligente. Capaz de processar dados e enviar
comandos para vários outros equipamentos, permitindo a integração de toda a
cadeia de fornecimento.
Além de medir o consumo em intervalos programados, o medidor se utiliza de
uma combinação de tecnologias, monitorando a qualidade da energia.

51
Uma de suas vantagens é que ele possui comunicação bidirecional, ou seja,
pode-se receber e enviar dados. Várias tecnologias podem ser usadas para tais fins,
como ZigBee, PLC (Power Line Communications), rede Mesh, GRPS (General
Packet Radio Service).
No Brasil, a ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) instaurou a
Audiência Pública nº 043/2010 para discutir o modelo de medidor a ser instalado nas
residências e estabelecimentos comerciais e industriais atendidos em baixa tensão.
Nesta audiência foram discutidas as grandezas medidas aos quais deveriam
abranger, no mínimo, a energia ativa, reativa e a tensão de fornecimento. Como
funcionalidades, a Agência propõe que os medidores possam registrar o inicio e a
duração das interrupções, apurarem DRP (Duração Relativa da Transgressão de
Tensão Precária) e DRC (Duração Relativa da Transgressão de Tensão Crítica),
registrar até quatro postos tarifários, além de outras a critério de cada
concessionária.
Ainda foi proposto um sistema de comunicação que tenha capacidade de ser
bidirecional, fazer leituras, suspensão e religação do fornecimento remotas.
O medidor inteligente ou Smart Meter tem função fundamental em um sistema
Smart Grid. Ele tem as seguintes funções:

 Medir tensão de entrada;


 Medir corrente consumida ou corrente gerada;
 Calcular a energia consumida ou gerada;
 Realiza o corte ou religamento da energia;
 Armazenar os dados lidos por um período;
 Entregar os valores a central de supervisão;
 Oferecer uma opção de leitura local pelo consumidor e pelo agente da
companhia da concessionária de energia.

Os valores da leitura de tensão e corrente são fatores críticos e determinam a


classe de precisão do medidor. A classe deve ser indicada pela concessionária.
Segundo o estudo realizado na cidade de San Diego (San Diego Smart Grid
Study), os SmartMeters devem trazer os seguintes benefícios:

 Redução de custos de operação e leitura, manutenção preditiva,


52
autocorreção, redução de falta de energia;
 Recuperação mais rápida e eficiente quando houver interrupções;
 Diminuir os apagões e interrupções de energia local;
 Monitoramento em tempo real e resposta;
 Possibilidade de controle interno para os consumidores;
 Possibilidade de integração de sistemas alternativos de energia em
 cogeração;

16.1.3. SENSORIAMENTO

A instalação de sensores ao longo de todo o sistema de distribuição de


energia elétrica é outro passo para que a rede se torne realmente inteligente. A auto
recuperação, uma das responsáveis pela diminuição de clientes atingidos por faltas
de energia, é beneficiada com o sensoriamento da rede.
Os sensores são responsáveis por enviar as informações para a central de
controle da concessionária e prover dados para a tomada de decisão dos
operadores da rede. A automatização será uma realidade e o religamento de áreas
não afetadas poderá ser feito mais rapidamente, eliminando o desconforto dos
usuários e aumentando a receita.
Com a instalação de sensores na rede de distribuição e substituição dos
transformadores atuais por transformadores inteligentes, as concessionárias de
energia poderão monitorar os equipamentos e fazer a manutenção, a troca
preventiva, e chaveamentos automáticos para manobras técnicas. Com sensores
espalhados pela rede de distribuição e com a implantação de subestações
automatizadas será possível o restabelecimento da energia mais rapidamente e de
forma mais eficaz no caso de interrupções de energia, não precisando que os
próprios clientes avisem da falta de energia como acontece no modelo atual.

53
16.1.4. COMPUTAÇÃO

O processamento dos dados recebidos por todos os equipamentos da rede irá


aumentar substancialmente, por isso, torna-se necessário que os centros de controle
das distribuidoras sejam capazes de transformá-los em informações úteis para os
operadores.

16.1.5. PESQUISA E DESENVOLVIMENTO

A implantação de redes inteligentes tem avançado em várias partes do


mundo. Muitos países têm se dedicado a estudos sobre essa tecnologia com
investimento de volumosos recursos, e alguns já iniciaram a instalação dessas
redes, com destaque para Itália, Estados Unidos, Japão e alguns outros países
europeus.
No início de 2000, um projeto desenvolvido na Itália para a larga instalação de
medição eletrônica, chamado de Telegestore Project, previu a utilização de cerca de
27 milhões de medidores eletrônicos com capacidade para comunicação via PLC,
que é transmissão de dados via cabo de energia.
Hoje, inúmeros países já estão modernizando suas infraestruturas de rede.
Os Estados Unidos lançaram um pacote de estímulos de cerca de US$ 4 bilhões,
para financiar projetos de redes inteligentes. Alguns estados, como o Texas, já
iniciaram a troca dos medidores e estão instalando grandes redes de
telecomunicações para transporte de dados, além de estimularem a participação do
consumidor com a criação de um portal na internet.
O Ministério de Minas e Energia - MME, com a edição da Portaria nº 440, de
15 de abril de 2010, criou um Grupo de Trabalho para analisar e identificar ações
necessárias para subsidiar o estabelecimento de políticas públicas para a
implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente. Esse grupo de
trabalho era composto por representantes do MME, da Empresa de Pesquisa
Energética – EPE, do Centro de Pesquisas de Energia Elétrica da Eletrobrás –

54
CEPEL, da Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL e do Operador Nacional
do Sistema – ONS.
As principais conclusões acerca dessa portaria se dão quanto ao
desenvolvimento das tecnologias de Smart Grid ao longo do mundo, e também no
Brasil. Um resumo sobre os estudos de cada país é apresentado a seguir:

16.1.5.1. ALEMANHA

Na Alemanha, em um projeto de cooperação com a Microsoft, a YelloStrom,


um fornecedor de gás e energia elétrica com cerca de 1,4 milhões de consumidores,
apresentou um programa para implantar medidores inteligentes em todo seu
mercado no ano de 2008.
A empresa RWE iniciou um projeto piloto com a implantação de medidores
inteligentes para 100.000 unidades consumidoras residenciais, com o objetivo de
desenvolver um medidor com "padrão aberto", que pode funcionar com todos os
programas comuns de faturamento e também integrar medidores de água e gás.
A empresa EnBW anunciou um projeto piloto com 1.000 unidades
consumidoras para testar medidores inteligentes e interfaces com os consumidores.
O objetivo do projeto é instalar medidores externamente e disponibilizar um display
com representações gráficas de consumo, incluindo a comparação com domicílios
de referência. O sistema ainda pode ser ligado ao computador pessoal da
residência, disponibilizando interfaces com mais informações e funcionalidades ao
consumidor.

16.1.5.2. FINLÂNDIA

Na Finlândia, a partir de iniciativas voluntárias, um conjunto de empresas


(Vattenfal, Fortum, E.O!, Vantaa Energia) iniciou a instalação em massa de novos
medidores. O parque de medição em 2008 possuía 35% de medidores eletrônicos.
Um relatório do Centro de Pesquisa Técnica da Finlândia (TechnicalResearchCentre

55
ofFinland), parcialmente baseado em um questionário enviado às empresas de
distribuição, indicava que até o ano de 2010 cerca de 50% dos medidores na
Finlândia seriam lidos automaticamente.

16.1.5.3. HOLANDA

A implantação do novo sistema de medição deverá ser concluída até 2015,


quando todos os consumidores (cerca de 13 milhões de unidades consumidoras)
terão medidores inteligentes.

16.1.5.4. IRLANDA DO NORTE

Tem-se verificado um expressivo aumento no número de medidores pré-


pagos instalados. O índice de falhas em medidores é muito pequeno, e diversas
vantagens para comerciantes já começam a ser percebidas, principalmente nos
custos de faturamento. Como resultado, tarifas mais baratas estão sendo oferecidas
(2,5% de desconto).

16.1.5.5. PORTUGAL

A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos – ERSE – aprovou, em


dezembro de 2007, um documento com as funcionalidades mínimas e o plano de
substituição dos medidores de energia elétrica, constituindo-se em uma proposta
apresentada ao governo de Portugal. Pelo documento aprovado, a ERSE propõe
que, após a realização de algumas etapas prévias, a instalação em massa do novo
sistema de medição seja efetuada admitindo um período de seis anos para a
implantação (entre 2010 e 2015).
Sobre o reflexo nas tarifas, admitindo-se um período de seis anos para o
decurso do plano de substituição, com início em 2010, o impacto estimado nos anos
56
mais significativos implicará, em média, um acréscimo aproximado de cerca de 3 %
no total da tarifa.

16.1.5.6. ESTADOS UNIDOS

Em 2006, a Pacific Gas& Electric Company – PG&E – começou a


modernização dos medidores de gás e energia elétrica. Pelos planos da
distribuidora, até 2011 o sistema de medição inteligente estaria disponível para
todos os consumidores de gás e energia elétrica, atendidos pela empresa. Conforme
definido durante a implantação do projeto, o medidor pode continuar a ser lido
manualmente, porém a telemetria e outros benefícios estarão disponíveis durante a
finalização da implantação do sistema.
A implantação pela San Diego Gas& Electric – SDG&E começou em meados
de 2008 e foi até o fim de 2010, quando se estima que foram instalados cerca de 1,4
milhões de novos medidores para consumidores de energia elétrica (além de quase
1 milhão para unidades consumidoras de gás).
A empresa Southern California Edison Company – SCE – estabeleceu que,
entre 2009 e 2015, serão adotados novos medidores de energia elétrica no sul da
Califórnia e, com isso, 5,3 milhões de medidores eletrônicos serão instalados.

16.1.5.7. AUSTRÁLIA

No estado de Nova Gales do Sul (New South Wales) foi anunciado que, a
partir de 2008, todas as unidades consumidoras, cerca de 2,2 milhões, iriam receber
medidores inteligentes com displays eletrônicos. O projeto, que prevê dez anos para
implantação, possibilitará o controle de demanda e energia por meio de tarifas
binômias com diferenciação horária. Cerca de 160 mil equipamentos já tinham sido
instalados em 2008 pela distribuidora Energy Austrália, o que demonstrou que 83%
dos consumidores utilizaram menos energia elétrica. O experimento utilizou uma

57
grande variedade de tecnologias de comunicação: GPRS, PLC e até mesmo
WiMAX.

16.1.5.8. BRASIL

Desde 2008, a ANEEL vem estudando a regulamentação de uso de medição


eletrônica em unidades consumidoras em baixa tensão. O regulamento consistiria
em exigir novas funcionalidades dos sistemas de medição, que seriam capazes de
integrar-se a sistemas de telecomunicações e informática para compor uma rede
inteligente.
Os medidores são necessários, mas não suficientes, para as redes
inteligentes. Esses equipamentos devem fazer parte de uma rede dotada de
infraestrutura de comunicação, processamento, teleinformática e outros. Ou seja,
deve-se prover a rede de recursos não totalmente disponíveis nas redes atuais.

a) Programa Cidade do Futuro – Cemig


O Programa Cidade do Futuro é de responsabilidade da Cemig, e consiste na
automação das redes de distribuição e modernização do sistema elétrico na cidade
de Sete Lagoas – Minas Gerais. O projeto piloto, ainda em fase de implantação,
prevê a substituição dos medidores convencionais por dispositivos inteligentes, que
permitem o monitoramento e o planejamento do consumo de energia, além de uma
plataforma de telecomunicações e sistemas computacionais, para a transmissão de
informações em tempo real.
Pelo projeto apresentado, os 3800 consumidores que passarem pela
substituição na primeira fase do projeto, poderão gerenciar seu consumo online,
além de ser possível monitorar o gasto energético dos equipamentos utilizados e
assim planejar o melhor horário para usar a energia, visando um consumo mais
eficiente e econômico.
O projeto final prevê a implantação de uma rede inteligente em todo o
município, com a instalação final de 95.000 medidores inteligentes, adequação de
três subestações, instalação e substituição dos equipamentos de medição nos 24

58
alimentadores da rede de baixa tensão, adequação de tecnologia de
telecomunicações e monitoramento da geração distribuída.

b) Projeto InovCIty – EDP


A cidade de Aparecida, no interior de São Paulo, será a primeira cidade
brasileira totalmente atendida por medidores eletrônicos de energia. O projeto, de
responsabilidade da operadora portuguesa EDP, prevê a instalação de 15300
medidores, em todos os domicílios do município. Assim, a leitura manual, como é
feita atualmente, poderá ser substituída pelo envio em tempo real das informações
de cada consumidor.
Segundo o vice-presidente do grupo EDP, Miguel Setas, até julho de 2014,
toda a rede de Aparecida funcionará com o smart grid grátis. O grande incentivo por
parte da empresa é ter um controle maior de fraudes e roubos de energias, que são
muito frequentes.

c) Projeto AES Eletropaulo – Barueri – SP


A maior iniciativa de estruturação de redes inteligentes está em pleno
desenvolvimento. O projeto em execução na cidade de Barueri, região metropolitana
de São Paulo prevê mais de R$ 70 milhões em investimentos no novo modelo de
distribuição de energia elétrica da cidade, que quando completo, beneficiará cerca
de 250 mil pessoas.
A cidade de Barueri foi escolhida pela distribuidora Eletropaulo por
apresentar as características de uma metrópole, com uma grande diversidade de
clientes, com consumidores residenciais, empresas e indústrias. Dessa forma, todos
os clientes terão os medidores inteligentes, e também poderão visualizar o consumo
de energia, mesmo à distância. As conclusões tiradas em Barueri servirão de base
para a implantação do projeto em toda a área de concessão da companhia.

16.2. INOVAÇÃO NA GERAÇÃO DISTRIBUÍDA

Quando se fala em geração distribuída, umas das principais apostas no que


se refere a futuro é a utilização de painéis fotovoltaicos. As vantagens em se utilizar
59
esta geração são muitas, mas o principal motivo da tecnologia não ser amplamente
implantada é o fato do seu custo ainda ser elevado em relação as outras formas de
geração de nergia(COMPANHIA ENERGÉTICA DE MINAS GERAIS, 2012).
Uma série de estudos foi realizada pela IEA (International Energy Agency)
juntamente com a NEA (Nuclear Energy Agency) com o objetivo de projetar custos
de produção de eletricidade provenientes de diversas fontes; a análise contou com
seletos grupos de especialistas de dezenove países (INTERNATIONAL ENERGY
AGENCY, 2010).
A partir da pesquisa realizada pela IEA, os custos médios da energia gerada
por cada tecnologia é apresentado a seguir na figura xx:

Figura 14 - Gráfico de custo médio da energia gerada por tecnologia.


Fonte: CEMIG, 2012, modificado.

Nota-se que o custo da energia solar é muito superior às outras gerações de


energia, mas existe um esforço muito grande de pesquisadores e empresas para
desenvolver novas tecnologias que viabilizem a utilização da energia solar. Entre
essas pesquisas se destaca o novo arranjo feito pela V3 Solar.
Uma inovação de uma empresa norte americana, V3 Solar, sediada na
Califórnia foi a responsável pela pesquisa e o desenvolvimento do Spin Cell (espécie
de painel fotovoltaico giratório, em formato de cone).

60
Figura15 - Spin Cell.
Fonte: http://v3solar.com/spin-cell.

A V3 Solar promete que a nova tecnologia produz energia solar 300% mais
barata do que a gerada pelos métodos convencionais, pois o equipamento é mais
eficiente no aproveitamento da luz do sol para a produção de energia
(http://v3solar.com/spin-cell).

A empresa garante que testes preliminares comprovaram que a tecnologia é


capaz de produzir 20 vezes mais eletricidade, durante o mesmo período e com o uso
da mesma quantidade de células fotovoltaicas de placas e painéis estáticos
(http://v3solar.com/spin-cell).

61
17. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Não há dúvidas quanto à importância da energia para o desenvolvimento,


seja do ponto de vista de uma indústria ou mesmo do ponto de vista de uma nação.
Ambos dependem da energia disponível para assegurar seu desenvolvimento
presente e garantir seu sucesso no futuro.
Observou-se, entretanto, que, no tocante às normas, no momento o Brasil
encontra-se em descompasso quando em comparação com outros países, tendo em
vista que ainda não possui uma norma específica e padronizada para a conexão de
GD em sistemas de distribuição de baixa tensão. Tal situação dificulta, inclusive, o
desenvolvimento dessas tecnologias no país, uma vez que não existe incentivo para
a GD, por exemplo, por meio de tarifas feed-in ou atrativos para a geração elétrica a
partir de fontes renováveis. Tampouco se concede a autorização ao consumidor final
para a operação em paralelo destas fontes.
Concluímos que o Brasil, ainda que dono de um grande potencial energético,
precisa caminhar muito ainda para que o uso deste potencial seja maximizado.
Caminhar no sentido de promover um ambiente regulatório, comercial e técnico que
facilite e incentive a implantação da GD.

62
18. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANEEL, Agência Nacional de Energia Elétrica , Procedimentos de Distribuição de


Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional – PRODIST, Módulo 1 – Introdução,
Dezembro de 2005.

ANÁLISE DOS IMPACTOS AMBIENTAIS NA PRODUÇÃO DE ENERGIA DENTRO


DO PLANEJAMENTO INTEGRADO DE RECURSOS Departamento de Engenharia
de Construção Civil e Urbana – Escola Politécnica – Universidade de São Paulo.

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distribuída. Enc. Energ. Meio Rural. 2004

Brasil PCHs, Brasil Pequenas Centrais Hidrelétricas S.A.Disponível em


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Paulo (SP) : Associação de Indústrias de Cogeração de Energia (COGEN) , 2013.

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br/A_Cemig_e_o_Futuro/inovacao/Alternativas_Energeticas/Documents/Alternativas
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COGEN, Associação de Indústrias de Cogeração de Energia,


comercialização.Disponível em <http://www.cogen.com.br/info- com_merc_gd.asp>
Acesso em Setembro 2013.

63
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