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MANDADO DE INJUNÇÃO Lei nº 13.

300/2016
1. NOÇÕES GERAIS

Introdução
A Constituição Federal previu uma série de direitos e garantias fundamentais. No
entanto, para que alguns deles possam ser plenamente exercidos, é indispensável a
edição de lei ou outro ato normativo regulamentador. Ex: os servidores públicos poderão
exercer greve, mas para isso é necessária uma lei específica regulamentando o direito
(art. 37, VII, da CF/88).

Sempre que um direito (em sentido amplo) não puder ser exercido pelo titular em razão
de ainda não ter sido editada norma regulamentadora, este interessado poderá ingressar
com uma ação chamada de "mandado de injunção" pedindo que o Poder Judiciário
reconheça que o Poder Público está em mora e, então, supra a falta dessa lei ou ato
normativo e possibilite o pleno exercício do direito.

Previsão
Veja como este instrumento foi previsto na CF/88 e na Lei nº 13.300/2016:
Art. 5º (...)
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

Art. 2º Conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Parágrafo único. Considera-se parcial a regulamentação quando forem
insuficientes as normas editadas pelo órgão legislador competente.

Conceito
Podemos assim conceituar o instituto:
Mandado de injunção é...
- uma ação (instrumento processual)
- de cunho constitucional (remédio constitucional)
- que pode ser proposta por qualquer interessado
- com o objetivo de tornar viável o exercício de
- direitos e liberdades constitucionais ou
- de prerrogativas relacionadas com nacionalidade, soberania ou cidadania
- e que não estão sendo possíveis de ser exercidos
- em virtude da falta, total ou parcial, de norma regulamentando estes direitos.

"O mandado de injunção (MI) é instrumento processual instituído especialmente para


fiscalizar e corrigir, concretamente, as omissões do Poder Público em editar as
normas necessárias para tornar efetivos direitos e liberdades constitucionais e
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania (art. 5º, LXXI, da
Constituição)."

Síndrome da inefetividade das normas constitucionais


Se o legislador não edita as normas regulamentadoras necessárias ao exercício dos
direitos constitucionais, há, neste caso, uma omissão inconstitucional, ou seja, um
comportamento omissivo que ofende a própria Constituição.
Essa omissão na edição do regulamento faz com que as normas constitucionais tornem-
se inefetivas (ineficazes, na prática). Quando isso acontece, a doutrina afirma que há um
fenômeno nocivo chamado de "síndrome da inefetividade das normas constitucionais".
O constituinte previu dois instrumentos para resolver a síndrome da falta de
efetividade das normas constitucionais: o mandado de injunção e a ação direta de
inconstitucionalidade por omissão.

Origem do instituto
A doutrina majoritária afirma que o mandado de injunção não encontra similitude no
direito estrangeiro, sendo considerado um instrumento tipicamente brasileiro, com
contornos próprios.

Lei nº 13.300/2016
Antes da edição da Lei do MI, aplicava-se, por analogia, as regras procedimentais do
mandado de segurança.
Com muitos anos de atraso, finalmente foi editada a Lei nº 13.300/2016, que disciplina o
processo e o julgamento dos mandados de injunção individual e coletivo.

Espécies
Existem duas espécies de mandado de injunção:
a) INDIVIDUAL: proposto por qualquer pessoa física ou jurídica, em nome próprio,
defendendo interesse próprio, isto é, pedindo que o Poder Judiciário torna viável o
exercício de um direito, liberdade ou prerrogativa seu e que está impossibilitado pela
falta de norma regulamentadora.
b) COLETIVO: proposto por legitimados restritos previstos na Lei, em nome
próprio, mas defendendo interesses alheios. Os direitos, as liberdades e as
prerrogativas protegidos por mandado de injunção coletivo são os pertencentes,
indistintamente, a uma coletividade indeterminada de pessoas ou determinada
por grupo, classe ou categoria (art. 12, parágrafo único, da LMI). O mandado de
injunção coletivo não foi previsto expressamente pelo texto da CF/88, mas mesmo assim
sempre foi admitido pelo STF e atualmente encontra-se disciplinado pela Lei nº
13.300/2016.

Espécies de ausência de norma regulamentadora


Essa falta da norma regulamentadora pode ser:
a) TOTAL: quando não houver norma alguma tratando sobre a matéria;
b) PARCIAL: quando existir norma regulamentando, mas esta regulamentação for
insuficiente e, em virtude disso, não tornar viável o exercício pleno do direito,
liberdade ou prerrogativa prevista na Constituição.

A possibilidade de MI em caso de omissão parcial foi uma importante previsão do


parágrafo único do art. 2º da Lei nº 13.300/2016 e que será bastante explorada nas
provas de concurso.

Natureza da norma regulamentadora


O mandado de injunção só cabe quando houver falta de norma regulamentadora, ou
seja, de um ato normativo de caráter geral e abstrato.
O ato normativo que está faltando pode ser de duas espécies:
a) ADMINISTRATIVO: quando o responsável pela sua edição é um órgão, entidade ou
autoridade administrativo. Ex: um decreto, uma resolução administrativa etc. Obs: se o
que estiver faltando for um ato administrativo material, não será caso de mandado de
injunção.
b) LEGISLATIVO: quando o direito constitucional está inviabilizado pela falta de uma
lei.

Diferenças entre mandado de injunção e ação direta de inconstitucionalidade


por omissão

MANDADO DE INJUNÇÃO ADI POR OMISSÃO


Natureza e finalidade Natureza e finalidade.
Trata-se de processo no qual é discutido A finalidade é declarar que há uma
um direito subjetivo. A finalidade é omissão, já que não existe determinada
viabilizar o exercício de um direito. Há, medida necessária para tornar efetiva
portanto, controle concreto de uma norma constitucional.
constitucionalidade. Estamos diante, portanto, de processo
objetivo, em que há controle abstrato
de constitucionalidade.
Cabimento Cabimento
Cabível quando faltar norma Cabível quando faltar norma
regulamentadora de direitos e regulamentadora relacionada com
liberdades constitucionais e das qualquer norma constitucional de
prerrogativas inerentes à nacionalidade, eficácia limitada.
à soberania e à cidadania.

Legitimados ativos Legitimados ativos


MI individual: pessoas naturais ou Os legitimados da ADI por omissão
jurídicas que se afirmam titulares dos estão descritos no art. 103 da CF/88.
direitos, das liberdades ou das
prerrogativas.
MI coletivo: estão previstos no art. 12
da Lei nº 13.300/2016.
Competência Competência
A competência para julgar a ação Se relacionada com norma da CF/88:
dependerá da autoridade que figura no STF.
polo passivo e que possui atribuição Se relacionada com norma da CE: TJ.
para editar a norma.

Efeitos da decisão Efeitos da decisão


Reconhecido o estado de mora Declarada a inconstitucionalidade por
legislativa, será deferida a injunção omissão, o Judiciário dará ciência ao
para: Poder competente para que este adote
I - determinar prazo razoável para que as providências necessárias.
o impetrado promova a edição da Se for órgão administrativo, este terá
norma regulamentadora; um prazo de 30 dias para adotar a
II - estabelecer as condições em que se medida necessária.
dará o exercício dos direitos, das Se for o Poder Legislativo, não há prazo.
liberdades ou das prerrogativas
reclamados ou, se for o caso, as
condições em que poderá o interessado
promover ação própria visando a
exercê-los, caso não seja suprida a
mora legislativa no prazo determinado.
Obs: será dispensada a determinação a
que se refere o inciso I quando
comprovado que o impetrado deixou de
atender, em mandado de injunção
anterior, ao prazo estabelecido para a
edição da norma.

Mandado de injunção estadual


É possível que exista mandado de injunção no âmbito estadual, desde que isso seja
previsto na respectiva Constituição Estadual (art. 125, § 1º, da CF/88).

2. LEGITIMIDADE

Assim como ocorre no mandado de segurança, a nomenclatura no mandado de injunção


é impetrante (requerente) e impetrado (requerido).

Legitimidade ATIVA do mandado de injunção INDIVIDUAL


São legitimados para impetrar mandado de injunção individual:
 as pessoas naturais; ou
 as pessoas jurídicas

... que se afirmam titulares dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.

Art. 3º São legitimados para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas


naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das
prerrogativas referidos no art. 2º e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade
com atribuição para editar a norma regulamentadora.

O art. 3º da Lei do MI, ao reconhecer legitimidade ativa às pessoas "que se afirmam


titulares", adota a "teoria da asserção". Para essa teoria, a legitimidade ad causam deve
ser analisada à luz das afirmações feitas pelo autor na petição inicial, devendo o julgador
considerar a relação jurídica deduzida em juízo in status assertionis, isto é, à vista do
que se afirmou. Em outras palavras, se o autor afirma que é titular daquele direito, para
fins de legitimidade deve-se tomar essa afirmação como sendo verdadeira. Ao final do
processo, pode-se até reconhecer que ele não é realmente titular, mas aí já será uma
decisão de mérito. Para fins de reconhecimento de legitimidade e processamento da
ação, basta que o autor se afirme titular.

Legitimidade ATIVA do mandado de injunção COLETIVO


Os legitimados ativos do mandado de injunção coletivo estão previstos no art. 12 da LMI
e variam de acordo com a tutela requerida. Vejamos:

Legitimado Situação
quando a tutela requerida for especialmente
relevante para a defesa da ordem jurídica, do
I - MINISTÉRIO PÚBLICO
regime democrático ou dos interesses sociais ou
individuais indisponíveis.
II - PARTIDO POLÍTICO para assegurar o exercício de direitos, liberdades
(com representação no e prerrogativas de seus integrantes ou
Congresso Nacional) relacionados com a finalidade partidária.
III - ORGANIZAÇÃO para assegurar o exercício de direitos, liberdades
SINDICAL, ENTIDADE DE e prerrogativas em favor da totalidade ou de
CLASSE OU ASSOCIAÇÃO parte de seus membros ou associados, na forma
(legalmente constituída e em de seus estatutos e desde que pertinentes a suas
funcionamento há pelo menos finalidades, dispensada, para tanto, autorização
1 ano) especial.
quando a tutela requerida for especialmente
relevante para a promoção dos direitos humanos
IV - DEFENSORIA PÚBLICA e a defesa dos direitos individuais e coletivos dos
necessitados, na forma do inciso LXXIV do art. 5º
da CF/88.

Obs: repare que o rol dos legitimados ativos do mandado de injunção coletivo é maior do
que os legitimados que podem propor mandado de segurança coletivo (art. 21 da Lei nº
12.016/2009), sendo de se destacar a legitimidade do MP e da Defensoria Pública.

Obs2: os direitos, as liberdades e as prerrogativas protegidos por mandado de injunção


coletivo são os pertencentes, indistintamente, a uma coletividade indeterminada de
pessoas ou determinada por grupo, classe ou categoria (art. 12, parágrafo único).

Legitimidade PASSIVA (tanto do individual, como do coletivo)


O mandado de injunção deverá ser impetrado contra:
• o Poder,
• o órgão ou
• a autoridade

... que tenha atribuição para editar a norma regulamentadora.

O mais comum é que o direito, liberdade ou prerrogativa esteja sendo inviabilizado pela
falta de uma lei. Nestes casos, a omissão seria, em regra, do Poder Legislativo.
É importante ressaltar, no entanto, que se esta lei é de iniciativa reservada do chefe do
Poder Executivo, do Supremo Tribunal Federal, do Procurador Geral da República etc, a
omissão, em princípio, não será do Poder Legislativo, já que os parlamentares não
poderão iniciar o projeto de lei tratando sobre o tema. Em tais exemplos, se ainda não
houver projeto de lei tramitando no Congresso Nacional, o mandado de injunção deverá
ser impetrado contra o Presidente da República, contra o Presidente do STF ou contra o
PGR para que eles apresentem a proposição ao parlamento.
Se já houver projeto de lei tramitando, mas este ainda não ter sido votado, temos aí
uma mora do Poder Legislativo em deliberar o assunto. Trata-se da chamada inertia
deliberandi. Logo, o mandado de injunção será contra o Congresso Nacional.
Algumas outras vezes, a norma faltante é um ato normativo infralegal (exs: um decreto,
uma resolução, uma instrução normativa). Em tais hipóteses, o mandado de injunção
deverá ser impetrado contra o órgão ou autoridade que tenha a atribuição para editar o
mencionado ato. Ex: mandado de injunção contra o CONTRAN pela não-edição de uma
determinada resolução de trânsito.

3. COMPETÊNCIA

Competência originária
As regras de competência para impetrar o mandado de injunção são disciplinadas na
própria Constituição Federal e variam de acordo com o órgão ou a autoridade
responsável pela edição da norma regulamentadora. Confira:

Competência Quando a atribuição para elaborar a norma for do(a)(s) ...


• Presidente da República
• Congresso Nacional
• Câmara dos Deputados
STF • Senado Federal
(art. 102, I, "q") • Mesas da Câmara ou do Senado
• Tribunal de Contas da União
• Tribunais Superiores
• Supremo Tribunal Federal.
órgão, entidade ou autoridade federal, excetuados os casos de
STJ
competência do STF e dos órgãos da Justiça Militar, da Justiça Eleitoral,
(art. 105, I, "h")
da Justiça do Trabalho e da Justiça Federal.
Juízes e Tribunais da Justiça órgão, entidade ou autoridade federal nos assuntos de sua competência.
Militar, Justiça Eleitoral, Justiça
do Trabalho
órgão, entidade ou autoridade federal, se não for assunto das demais
"Justiças" e desde que não seja autoridade sujeita à competência do STJ.
Juízes Federais e TRFs Ex: compete à Justiça Federal julgar MI em que se alega omissão do
Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) na edição de norma de trânsito
que seria de sua atribuição (STJ MI 193/DF).
órgão, entidade ou autoridade estadual, na forma como disciplinada pelas
Juízes estaduais e TJs
Constituições estaduais.

Competências recursais envolvendo MI expressamente previstas na CF/88


• Compete ao STF julgar, em recurso ordinário, o mandado de injunção decidido em
única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão (art. 102, II, "a", da
CF/88).
• Compete ao TSE julgar o recurso interposto pelo autor contra a decisão do TRE que
denegar mandado de injunção (art. 121, § 4º, V).

4. PROCEDIMENTO

Regramento
O procedimento do mandado de injunção é disciplinado pela Lei nº 13.300/2016. Caso
ela não preveja solução para alguma situação, o intérprete deverá aplicar,
subsidiariamente, as regras contidas na Lei do Mandado de Segurança (Lei nº
12.016/2009) e no novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).

Petição inicial
A petição inicial do mandado de injunção deverá preencher os requisitos previstos nos
arts. 319 e 320 do CPC/2015.
Se a inicial não cumprir os requisitos legais ou apresentar defeitos e irregularidades
capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz ou Relator deverá determinar que o
impetrante, no prazo de 15 (quinze) dias, emende-a ou complete-a, devendo o
magistrado indicar com precisão o que deve ser corrigido ou completado (art. 321 do
CPC/2015). Se o autor não cumprir a diligência, a petição inicial será indeferida.

Petição inicial deve indicar o impetrado e a pessoa jurídica


Na petição inicial, o autor deverá indicar não apenas o órgão impetrado, mas também a
pessoa jurídica que ele integra ou está vinculado (art. 4º da LMI).
Ex: se o mandado de injunção é proposto em razão da demora do Presidente da
República em encaminhar projeto de lei ao Congresso Nacional, a ação deverá indicar o
Presidente (órgão impetrado) e também a União (pessoa jurídica que ele integra).
Trata-se de regra semelhante à existente para o MS (art. 6º da Lei nº 12.016/2009).

Indeferimento da petição inicial


A petição inicial do mandado de injunção deverá ser desde logo indeferida quando a
impetração for:
• manifestamente incabível; ou
• manifestamente improcedente.

Manifestamente incabível: ocorre quando faltar algum pressuposto processual. Aplica-se


aqui as hipóteses previstas no art. 330 do CPC/2015. Ex: parte manifestamente
ilegítima.

Manifestamente improcedente: ocorre quando o mérito do pedido for claramente


improcedente. Ex: se a lei requerida já foi editada. Aplica-se aqui também as causas de
improcedência liminar previstas no art. 332 do CPC/2015.

Art. 332. Nas causas que dispensem a fase instrutória, o juiz, independentemente da
citação do réu, julgará liminarmente improcedente o pedido que contrariar:
I - enunciado de súmula do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça;
II - acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça
em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de
assunção de competência;
IV - enunciado de súmula de tribunal de justiça sobre direito local.

Antes de indeferir a petição inicial, o magistrado deve aplicar o disposto no art. 321 do
CPC/2015, dando oportunidade à parte para sanar o vício. Nesse sentido: Enunciado 392
do FPPC.

Recurso contra o indeferimento da petição inicial


• Se o indeferimento da petição inicial for feito pelo JUIZ (em 1ª instância): será
realizado por meio de sentença, que desafia apelação, admitindo-se até que o
magistrado faça juízo de retratação, se assim entender (art. 331 do CPC/2015).

• Se o indeferimento ocorrer por decisão monocrática do RELATOR (em processos de


competência originária do Tribunal): o recurso cabível é o agravo interno.

Muito cuidado neste ponto. O agravo interno de que trata esta situação é o previsto no
art. 6º, parágrafo único, da Lei nº 13.300/2016, não se aplicando, portanto, o art. 1.021
do CPC/2015. Isso é importante porque o agravo interno previsto no CPC/2015 tem
prazo de 15 dias, mas a Lei do MI, que é especial, fixa o prazo reduzido de 5 dias.

Agravo interno do CPC/2015: 15 dias.


Agravo interno da Lei do MI: 5 dias.

Art. 6º (...) Parágrafo único. Da decisão de relator que indeferir a petição inicial, caberá
agravo, em 5 (cinco) dias, para o órgão colegiado competente para o julgamento da
impetração.
Obs: aqui também são dias úteis. Isso porque a LMI não traz regra diferente, devendo-
se, portanto, aplicar o art. 219 do CPC/2015.

Cópias da petição inicial e dos documentos


O autor deverá apresentar a petição inicial e os documentos que a instruem
acompanhados de tantas vias (cópias) quantos forem os impetrados (art. 4º, § 1º da
LMI).
Se a petição for transmitida por meio eletrônico (processo eletrônico), não serão
necessárias as cópias.

Documento em repartição pública ou na posse de autoridade ou de terceiro


O autor, na petição inicial, poderá alegar que não conseguiu juntar determinado
documento que seria necessário para que ele provasse suas alegações em virtude de ele
se encontrar nos arquivos de um órgão público ou em poder de autoridade ou de terceiro
e de não ter conseguido obter uma certidão ou cópia. Em tal situação, o autor deverá
requerer que o juízo requisite do órgão, da autoridade ou do terceiro que apresente este
documento. Veja:
Art. 4º (...)
§ 2º Quando o documento necessário à prova do alegado encontrar-se em repartição ou
estabelecimento público, em poder de autoridade ou de terceiro, havendo recusa em
fornecê-lo por certidão, no original, ou em cópia autêntica, será ordenada, a pedido do
impetrante, a exibição do documento no prazo de 10 (dez) dias, devendo, nesse caso,
ser juntada cópia à segunda via da petição.
§ 3º Se a recusa em fornecer o documento for do impetrado, a ordem será feita no
próprio instrumento da notificação.

Providências a serem tomadas após o recebimento da petição inicial (art. 5º)


Recebida a petição inicial, o juiz ou Relator dará um despacho ordenando:
I - a notificação do impetrado (ex: Presidente da República) sobre o conteúdo da petição
inicial, devendo-lhe ser enviada a segunda via apresentada com as cópias dos
documentos, a fim de que, no prazo de 10 (dez) dias, preste informações;
II - a ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa
jurídica interessada (ex: AGU), devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para
que, querendo, ingresse no feito.

Manifestação do MP (art. 7º)


Após terminar o prazo para o impetrado prestar as suas informações, tendo ele
apresentado ou não, será ouvido o Ministério Público, que deverá oferecer parecer no
prazo de 10 dias.

Sentença ou acórdão
Esgotado o prazo para manifestação do MP, com ou sem parecer, os autos serão
conclusos para decisão (sentença ou acórdão).

Liminar
A Lei nº 13.300/2016 não prevê a possibilidade de concessão de medida liminar.
Antes da regulamentação, o STF já possuía precedentes afirmando não ser cabível
liminar.

5. EFICÁCIA OBJETIVA DA DECISÃO

Um dos pontos mais polêmicos a respeito do mandado de injunção diz respeito aos
efeitos da decisão que julga esta ação. Sobre o tema, existem as seguintes correntes:

5.1) CORRENTE NÃO-CONCRETISTA


Segundo esta posição, o Poder Judiciário, ao julgar procedente o mandado de injunção,
deverá apenas comunicar o Poder, órgão, entidade ou autoridade que está sendo
omisso.
Para os defensores desta posição, o Poder Judiciário, por conta do princípio da separação
dos Poderes, não pode criar a norma que está faltando nem determinar a aplicação, por
analogia, de outra que já exista e que regulamente situações parecidas.
É uma posição considerada mais conservadora e foi adotada pelo STF (MI 107/DF) até
por volta do ano de 2007.

5.2) CORRENTE CONCRETISTA


Para esta corrente, o Poder Judiciário, ao julgar procedente o mandado de injunção e
reconhecer que existe a omissão do Poder Público, deverá editar a norma que está
faltando ou determinar que seja aplicada, ao caso concreto, uma já existente para outras
situações análogas.
É assim chamada porque o Poder Judiciário irá "concretizar" uma norma que será
utilizada a fim de viabilizar o direito, liberdade ou prerrogativa que estava inviabilizada
pela falta de regulamentação.

I – Quanto à necessidade ou não de concessão de prazo para o impetrado, a posição


concretista pode ser dividida em:

a) Corrente concretista direta: o Judiciário deverá implementar uma solução para


viabilizar o direito do autor e isso deverá ocorrer imediatamente (diretamente), não
sendo necessária nenhuma outra providência, a não ser a publicação do dispositivo da
decisão.

b) Corrente concretista intermediária: ao julgar procedente o mandado de injunção,


o Judiciário, antes de viabilizar o direito, deverá dar uma oportunidade ao órgão omisso
para que este possa elaborar a norma regulamentadora. Assim, a decisão judicial fixa
um prazo para que o Poder, órgão, entidade ou autoridade edite a norma que está
faltando.
Caso esta determinação não seja cumprida no prazo estipulado, aí sim o Poder Judiciário
poderá viabilizar o direito, liberdade ou prerrogativa.

II – Quanto às pessoas atingidas pela decisão, a corrente concretista pode ser dividida
em:

a) Corrente concretista individual: a solução "criada" pelo Poder Judiciário para sanar
a omissão estatal valerá apenas para o autor do MI.
Ex: na corrente concretista intermediária individual, quando expirar o prazo, caso o
impetrado não edite a norma faltante, a decisão judicial garantirá o direito, liberdade ou
prerrogativa apenas ao impetrante.

b) Corrente concretista geral: a decisão que o Poder Judiciário der no mandado de


injunção terá efeitos erga omnes e valerá para todas as demais pessoas que estiverem
na mesma situação. Em outras palavras, o Judiciário irá "criar" uma saída que viabilize o
direito, liberdade ou prerrogativa e esta solução valerá para todos.
Ex: na corrente concretista intermediária geral, quando expirar o prazo assinalado pelo
órgão judiciário, se não houver o suprimento da mora, a decisão judicial irá garantir o
direito, liberdade ou prerrogativa com eficácia ultra partes ou erga omnes.

5.3 POSIÇÃO ADOTADA NO DIREITO BRASILEIRO

Qual é a posição adotada pelo STF?


A Corte inicialmente consagrou a corrente não-concretista. No entanto, em 2007 houve
um overruling (superação do entendimento jurisprudencial anterior) e o STF adotou a
corrente concretista direta geral (STF. Plenário. MI 708, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado
em 25/10/2007).

A Lei nº 13.300/2016 tratou sobre o tema?


SIM. Aumentando a polêmica em torno do assunto, a Lei nº 13.300/2016 determina,
como regra, a aplicação da corrente concretista individual intermediária. Acompanhe:

Primeira providência é fixar prazo para sanar a omissão:


Se o juiz ou Tribunal reconhecer o estado de mora legislativa, será deferida a injunção
(= ordem, imposição) para que o impetrado edite a norma regulamentadora dentro de
um prazo razoável estipulado pelo julgador.

Segunda etapa, caso o impetrado não supra a omissão:


Se esgotar o prazo fixado e o impetrado não suprir a mora legislativa, o juiz ou Tribunal
deverá:
• estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das liberdades ou das
prerrogativas reclamados; ou
• se for o caso, as condições em que poderá o interessado promover ação própria
visando a exercê-los.

Exceção em que a primeira providência poderá ser dispensada:


O juiz ou Tribunal não precisará adotar a primeira providência (fixar prazo) e já poderá
passar direto para a segunda etapa, estabelecendo as condições, caso fique comprovado
que já houve outro(s) mandado(s) de injunção contra o impetrado e que ele deixou de
suprir a omissão no prazo que foi assinalado nas ações anteriores.
Em outras palavras, se já foram concedidos outros mandados de injunção tratando sobre
o mesmo tema e o impetrado não editou a norma no prazo fixado, não há razão lógica
para estipular novo prazo, devendo o juiz ou Tribunal, desde logo, estabelecer as
condições para o exercício do direito ou para que o interessado possa promover a ação
própria.

Em suma:
Desse modo, em regra, a Lei nº 13.300/2016 determina a adoção da corrente
concretista intermediária (art. 8º, I). Caso o prazo para a edição da norma já tenha sido
dado em outros mandados de injunção anteriormente propostos por outros autores, o
Poder Judiciário poderá veicular uma decisão concretista direta (art. 8º, parágrafo
único).

Veja o texto do art. 8º, que é o ponto mais importante da Lei nº 13.300/2016:
Art. 8º Reconhecido o estado de mora legislativa, será deferida a injunção para:
I - determinar prazo razoável para que o impetrado promova a edição da norma
regulamentadora;
II - estabelecer as condições em que se dará o exercício dos direitos, das
liberdades ou das prerrogativas reclamados ou, se for o caso, as condições em
que poderá o interessado promover ação própria visando a exercê-los, caso não
seja suprida a mora legislativa no prazo determinado.
Parágrafo único. Será dispensada a determinação a que se refere o inciso I do
caput quando comprovado que o impetrado deixou de atender, em mandado de
injunção anterior, ao prazo estabelecido para a edição da norma.

E quanto à eficácia subjetiva, a Lei nº 13.300/2016 adotou a corrente individual


ou geral?
Em regra, a corrente individual.
• No mandado de injunção individual, em regra, a decisão terá eficácia subjetiva limitada
às partes (art. 9º).
• No mandado de injunção coletivo, em regra, a sentença fará coisa julgada
limitadamente às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da
categoria substituídos pelo impetrante (art. 13).

Excepcionalmente, será possível conferir eficácia ultra partes ou erga omnes


A Lei nº 13.300/2016 afirma que poderá ser conferida eficácia ultra partes ou erga
omnes à decisão, quando isso for inerente ou indispensável ao exercício do direito, da
liberdade ou da prerrogativa objeto da impetração (art. 9º, § 1º).
Essa possibilidade se aplica tanto para o MI individual como para o coletivo (art. 13).

6. COISA JULGADA NO MANDADO DE INJUNÇÃO COLETIVO

A Lei nº 13.300/2016 traz uma regra específica sobre a coisa julgada no mandado de
injunção coletivo:
Art. 13. No mandado de injunção coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente
às pessoas integrantes da coletividade, do grupo, da classe ou da categoria substituídos
pelo impetrante, sem prejuízo do disposto nos §§ 1º e 2º do art. 9º.
Parágrafo único. O mandado de injunção coletivo não induz litispendência em relação aos
individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante que não
requerer a desistência da demanda individual no prazo de 30 (trinta) dias a contar da
ciência comprovada da impetração coletiva.

7. SUPERVENIÊNCIA DA NORMA REGULAMENTADORA

Suponha que determinado autor ajuizou mandado de injunção questionando a


ausência de norma que seria necessária para o exercício de seu direito. Durante
a tramitação, antes de ser prolatada a decisão, o Poder Público supre a omissão
e edita a norma faltante. O que acontece neste caso?
O mandado de injunção fica prejudicado e o processo deverá ser extinto sem resolução
de mérito (art. 11, parágrafo único, da LMI).

Imagine agora que determinado autor ingressou com mandado de injunção que
foi julgado procedente e o Poder Judiciário, após conferir prazo ao impetrado,
diante de sua omissão, "criou" uma norma para assegurar o direito ao
requerente. Anos mais tarde, é finalmente editada a lei que regulamenta esse
direito. A situação deste autor continuará sendo regida pela norma "criada"
pela decisão judicial ou pela nova lei que foi publicada?
Pela nova lei. A partir do momento em que entra em vigor, a norma regulamentadora
que estava faltando passa a reger todas as situações que ela disciplinar, mesmo que já
tenha havido decisão transitada em julgado em mandado de injunção "criando" outra
solução para o caso concreto.

E os efeitos jurídicos produzidos antes da vigência da norma serão afetados


pela lei editada?
Como regra, não. Em regra, a lei editada não modifica os efeitos que a decisão do MI já
produziu. A norma produz efeitos apenas a partir de sua vigência.
Há, no entanto, uma exceção: a norma regulamentadora superveniente produzirá
efeitos ex tunc caso ela seja mais favorável ao beneficiário (autor do MI que foi julgado
procedente no passado).

Veja o que previu a Lei nº 13.300/2016:


Art. 11. A norma regulamentadora superveniente produzirá efeitos ex nunc em relação
aos beneficiados por decisão transitada em julgado, salvo se a aplicação da norma
editada lhes for mais favorável.

8. AÇÃO DE REVISÃO

A Lei nº 13.300/2016 prevê a possibilidade de ser proposta ação de revisão da decisão


concessiva do mandado de injunção. Confira:
Art. 10. Sem prejuízo dos efeitos já produzidos, a decisão poderá ser revista, a pedido de
qualquer interessado, quando sobrevierem relevantes modificações das circunstâncias de
fato ou de direito.
Parágrafo único. A ação de revisão observará, no que couber, o procedimento
estabelecido nesta Lei.
Não confundir com ação rescisória
Não se trata de ação rescisória. O objetivo aqui não é desconstituir a coisa julgada que
foi formada, mas sim o de rediscutir a aplicabilidade da decisão oferecida pelo Poder
Judiciário diante da modificação das circunstâncias de fato e de direito.

Mudança nos elementos fáticos ou jurídicos


A revisão da decisão está condicionada à comprovação de que houve uma mudança
relevante nas circunstâncias de fato ou de direito que motivaram a solução dada pelo
Poder Judiciário.

Efeitos jurídicos permanecem intactos


Caso a ação de revisão seja julgada procedente, os efeitos jurídicos já produzidos pela
decisão no MI permanecem hígidos.

Competência
Será competente para a ação de revisão o juízo que proferiu a decisão no mandado de
injunção.

9. OBSERVAÇÕES FINAIS

MI julgado improcedente por falta de provas poderá ser reproposto


O indeferimento do pedido por insuficiência de prova não impede a renovação da
impetração, desde que fundada em outros elementos probatórios (art. 9º, § 3º).

Em geral, são propostos vários mandados de injunção individuais tratando


sobre o mesmo tema (ex: diversos servidores públicos que dependem de uma
lei para viabilizar um direito constitucional). Após ser julgado procedente o
primeiro MI, aplicando-se uma norma para o caso concreto, é possível que o
Tribunal "aproveite" essa decisão para os demais processos?
SIM. Transitada em julgado a decisão que julgou procedente o mandado de injunção,
seus efeitos poderão ser estendidos aos casos análogos por decisão monocrática do
relator (art. 9º, § 2º, da LMI).

Márcio André Lopes Cavalcante


Professor. Juiz Federal. Foi Defensor Público, Promotor de Justiça e Procurador do
Estado.