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COMENTÁRIOS À LEI DE EXECUÇÕES FISCAIS,

CONFORME O NCPC

Porto Alegre
OAB/RS
2016
Paulo Caliendo
(Coordenador)

COMENTÁRIOS À LEI DE EXECUÇÕES FISCAIS,


CONFORME O NCPC

Cristiane De Marchi
Diego Galbinski
Eduardo Luís Kronbauer
Eduardo Muxfeldt Bazzanella
Fábio Tomkowski
Fernando Bortolon Massignan
João Ricardo Fahrion Nüske
Juliana Rodrigues Ribas
Juliana Sirotsky Soria
Larissa Laks
Marco Félix Jobim
Martin da Silva Gesto
Paulo Caliendo
Veyzon Campos Muniz

Porto Alegre
OAB/RS
2016
Copyright © 2016 by autores
Todos os direitos reservados
1ª edição

Capa: Carlos Pivetta


Impressão: OAB/RS

C725

Comentários à Lei de Execuções Fiscais, conforme o NCPC/


Paulo Caliendo, (Coordenador); Cristiane De
Marchi...[et al.]. 1ª ed. Porto Alegre: OAB/RS. 2016.
571p. 17x24 cm.
ISBN online: 978-85-62896-04-0
ISBN impresso: 978-85-62896-03-3

1.Execução Fiscal. 2.Comentários.3. Jurisprudência. I.


Paulo Caliendo. II. Título.
(Bibliotecária Jovita Cristina G. dos Santos CRB10/1517)

CDU 347.952.46
Bibliotecária Jovita Cristina G. dos Santos CRB10/1517
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Levenzon, Marília Longo do Nascimento, Marise Gomes Siqueira,
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Ricardo Borges Ranzolin, Roberto Hecht Junior, Rodrigo Cassol
Lima, Rolf Hanssen Madaleno, Rosangela Maria Herzer dos
Santos, Sergio Leal Martinez, Simone Somensi, Sulamita
Terezinha Santos Cabral, Tânia Regina Maciel Antunes, Tarcisio
Vendruscolo, Telmo Ricardo Abrahão Schorr, Teresa Cristina
Fernandes Moesch, Vitor Hugo Loreto Saydelles, Walter Jobim
Neto.

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Vieira Brehm, Carazinho - Tailor José Agostini, Casca - Adair
Giácomo Baccin, Caxias do Sul - Graziela Cardoso Vanin, Cerro
Largo - Eugênio Schoffen, Cruz Alta - Jorge Marchesan Júnior,
Dom Pedrito - Malise de Freitas Lins, Encantado - Nei Antônio di
Domênico, Encruzilhada do Sul – Jani Dame Rodrigues, Erechim
– Alessandro Bonatto, Espumoso - Fernando Schmitz Audino,
Esteio – Higidio Dassi, Estrela - Gentil Bartolomeu Cruz Krahl,
Farroupilha - Rafael Gustavo Portolan Colloda, Frederico
Westphalen - Antônio Luiz Pinheiro, Garibaldi - César Cauê
Schaeffer Ongaratto, Getúlio Vargas - Eliandro dos Santos, Giruá
- Tisa Oliveira Ferreira, Gravataí - Marco Aurélio da Silva
Coimbra, Guaíba - Márcio André Orso Macedôneo, Guaporé -
Francisco Lucio Salvagni, Ibirubá - Pedro Luiz Rebelato,
Igrejinha - Carine Santos Martini, Ijuí - Flavio Roberto S.
Friedrich, Itaqui - Mauro Rodrigues Oviedo, Jaguarão - Luiz
Pradelino Mendes Júnior, Julio de Castilhos - Margareth Mário da
Rosa, Lagoa Vermelha - Gladimir Antônio Casarin, Lajeado -
Alessandra Glufke, Lavras do Sul- Mario Antônio Mazzine da
Silveira, Marau - Vanilde Maria Tibolla Nadin, Montenegro-
Sepé Tiaraju Rigon de Campos, Não-Me-Toque - Patrícia Huppes,
Nonoai -Jairo José Reck, Nova Petrópolis- Áurea Comelli Born,
Nova Prata - Alcione Grazziotin, Novo Hamburgo - Maria
Regina Wingert Abel, Osório – Enri Endress Martins, Palmeira
das Missões - Ségio Manoel Vieira, Panambi - Erni Arthur
Vollbrecht, Passo Fundo - Luciano de Araújo Migliavacca,
Pelotas -Paula Grill Silva Pereira, Pinheiro Machado- Odete
Brum Teixeira, Piratini - Patrick Farias Pereira, Quaraí -
Margarete da Silva Murillo, Rio Grande- Everton Pereira de
Mattos, Rio Pardo - Marlei Salete Flores, Rosário de Sul - Cesar
Augusto Prevedello, Salto do Jacuí - Antônio Paulo dos Santos,
Sananduva - Raul Lourenço De Lima, Santa Cruz do Sul -
Ezequiel Vetoretti, Santa Maria - Péricles Lamartine Palma da
Costa, Santa Rosa - Gilberto Kieling, Santa Vitória do Palmar -
Leandra Soares Teixeira, Santana do Livramento - Marcelo
Meneses Borba, Santiago - José Marcelo Lemos Palmeiro, Santo
Ângelo - João Olavo Daltrozo, Santo Antônio da Patrulha - Júlio
Cesar Sant'anna de Souza, Santo Augusto - Adir Schreiber, São
Borja - Moyses Nascimento Lopes, São Francisco de Assis - Jari
Antônio Guizolfi Espig, São Gabriel - Miguel Neme Kodayssi,
São Jerônimo – Endrigo Durgante Oliveira Biscaino Nunes, São
José do Norte - Jonas Alves Penteado, São José do Ouro -
Rosemara Carneiro da Costa, São Leopoldo - Rita Maria Geremia
Pavoni, São Lourenço do Sul - Danny Christ Vargas, São Luiz
Gonzaga - Neiva Terezinha Genro Ojopi, São Sebastião do Caí -
Evaldo Kievel, São Sepé - Tiago Freitas Santos, Sapiranga -
Lucas Medeiros Schilling, Sapucaia do Sul - Roger Eridson
Dorneles, Sarandi - Jorge André Ortolan, Sobradinho- Vilson
Roberto Pohlmann, Soledade - Carina Ruas Balestreri, Tapejara -
Odimar Eduardo Iaskievicz, Tapera - Samuel Martins Pinto,
Tapes - Paulo Ricardo de Souza Duarte, Taquara - Maria Dalva
de Oliveira, Taquari - Maricel Pereira de Lima, Torres - Ivam
Roque Sá Brocca, Tramandaí - Amanda do Nascimento da
Silveira, Três de Maio - Herton Luís Mülbeier, Três Passos -
Roberto Mazzini Bordini, Triunfo - Carolina Chika Dutra,
Tupanciretã - Mario Cesar Portinho Vianna, Uruguaiana -
Mauricio Felix Blanco, Vacaria- Teodoro Stedile Ribeiro,
Venâncio Aires - Marcos Joaquim Thiel, Veranópolis- Olavo
Crestani, Viamão - Nilson Pinto da Silva
Apresentação

Agradecimentos

A presente obra é resultado das pesquisas de um grupo de


advogados e acadêmicos, que participam do Grupo de Pesquisas
Avançadas em Direito Tributário (GTax/PUCRS). O objetivo desta
é dotar a advocacia, os pesquisadores, magistrados, procuradores e
interessados, de um material analítico e sistemático do regime de
execução fiscal no país, em conformidade com as alterações do
novo CPC.
O novel diploma processual incorporou inúmeras
alterações defendidas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB),
de tal modo que nada mais justo que apresentar esse estudo pela
Escola Superior de Advocacia (ESA/RS). Desde o início o projeto
recebeu o apoio enlevado por parte da Diretoria da ESA e,
especialmente, de sua Diretora, Dra. Rosângela Herzer dos Santos,
do Vice-Diretor Marcos Eberhardt e dos demais integrantes da
Diretoria. Destacado foi o apoio imediato do Presidente da
OAB/RS, Dr. Ricardo Breier, a essa iniciativa, bem como do
Presidente do Conselho Federal, Dr. Cláudio Lamachia.
A obra, conforme sempre destacou o Presidente Ricardo
Breier, auxiliar o estímulo a três importantes pilares de sustentação
da Ordem: a defesa da cidadania, a dignificação da advocacia e o
fortalecimento do advogado. A cidadania precisa de informações
claras e confiáveis sobre a execução fiscal. A constrição de bens
particulares para solver débitos para com a Fazenda Pública, exige
o delicado equilíbrio entre o interesse fiscal e os direitos do
contribuinte. A proteção do cidadão é missão institucional da
advocacia, mas somente haverá advocacia forte se os advogados
estiverem preparados, fortalecidos e dignificados em sua função
constitucional.

Relevância do tema

As execuções fiscais representam o maior grupo de ações


no contencioso judicial no país, contudo, seu grau de eficácia é
muito baixo. Conforme estudos do IPEA, realizados em 20111,
somente em 15,7% dos casos há penhora de bens, mas em apenas
um terço dessas há apresentaçaõ voluntá ria de bens pelo devedor.
Somente em 3,8% dos processos existe a oposição de exceção de
pre-executividade, e apenas 6,5% dos devedores opõem embargos à
execução. Não existem dados atualizados após a grande recessão de
2016, mas, certamente, os números devem ser ainda piores.
A execução fiscal é movida pela Procuradoria da Fazenda
Nacional (PGFN) em 50,3% dos casos no país. Em 8,9% a PGFN
representa autarquias e fundações públicas federais. Ao todo a
União é parte autora em 59,2% das ações. Os Conselhos
Profissionais representam a significativa parcela de 36,4%, do
volume geral de execuções fiscais2. As pessoas jurídicas
representam 60,5% das partes, que compõe o polo passivo das

1
IPEA, CNJ. Custo Unitário do Processo de Execução Fiscal na Justiça Federal.
Relatório de Pesquisa. Brasília: Ipea/CNJ, 2011.
2
IPEA, CNJ. Custo Unitário do Processo de Execução Fiscal na Justiça Federal.
Relatório de Pesquisa. Brasília: Ipea/CNJ, 2011, p. 17.
execuções, contra 39,5% de pessoas físicas. O elevado volume de
execuções contra pessoas físicas se explica, em parte, pelo volume
de execuções de conselhos profissionais. As contribuições de
conselhos profissionais são a principal matéria dos executivos,
representando o percentual de 37,3%, em comparação com os
27,1% dos impostos federais e 25,3% das contribuições sociais.
As contribuições profissionais representam em média um
valor de execução muito mais baixo, do que as ações movidas pela
PGFN. Aqueles buscam em média R$ 1.540,74 contra os R$
26.303,81 perseguidos pela procuradoria. Considerando-se o
elevado custo das execuções fiscais caberia questionar a adequação
e conveniência do modelo atual. O alto custo de movimentação da
sofisticada máquina administrativa da jurisdição exige a indagação
sobre a existência de outros meios alternativos de cobrança, de
possíveis soluções colaborativas ou de melhorias na eficiência
fiscal.
Não podemos esquecer que a insegurança jurídica e a
inflação de normas inconstitucionais produzem uma litigiosidade
sistêmica, que amplificam as controvérsias judiciais. Em parte, o
volume de execuções fiscais é prova cabal da péssima qualidade do
sistema tributário, tóxico às empresas e ofensivo aos direitos
fundamentais do contribuinte. Tentar somente melhorar a eficiência
da execução fiscal, sem atentar para a qualidade normativa é
apenas atacar as consequências dos problemas e não as causas da
excessiva litigiosidade tributária em nosso país.
Outra conclusão desse estudo indica que a localização
imediata do executado é fundamental para o êxito da execução.
Quando o devedor não é imediatamente localizado na primeira
tentativa, as chances caem para meros 34,8% dos casos, ou seja,
um pouco mais que um terço. Em 36,9% dos casos, o devedor não
é encontrado; em 28,8% dos casos é citado pelo Oficial de Justiça;
em 26,6%%, pelos correios e, em 6,4%, há citação por edital. O
estudo não apresenta uma informação diferenciada para pessoas
físicas e jurídicas. Diversas indagações permanecem. Afinal, a
característica pessoal do executado influencia esses percentuais?
Seria a citação das pessoas jurídicas mais simples do que das
pessoas físicas? Ou seria justamente o contrário. Tampouco,
sabemos se o objeto da cobrança é relevante. É mais fácil localizar
devedores de impostos ou de contribuições ou não há distinção? Os
devedores de contribuições corporativas são mais fáceis de
localizar ou são mais resilientes? Essas respostas são fundamentais
para se pensar em melhorias no processo de execução.
Os dados referentes às garantias são ainda mais chocantes
em somente 15% dos casos, há penhora de bens e em apenas um
terço desses casos, há apresentação voluntária de bens pelo
devedor. Apenas, e isso é um dado gritante, somente 6,4% dos
devedores opõem embargos à execução. Trata-se de um percentual
muito baixo, que mereceria um estudo analítico sobre as razões
dessa evasão judicial. Será que os contribuintes consideram débitos
sem defesa? Será que a modalidade de lançamento influencia?
Seriam os débitos confessados a razão dessa ausência de defesa ou
os contribuintes, pura e simplesmente, não possuem condições
financeiras para contratação de um advogado, que proceda a uma
defesa adequada?
Para o Fisco a situação não é melhor. O mesmo estudo
destaca que, no caso da Justiça Federal, a penhora bens do devedor
de forma a satisfazer integralmente os interesses da União, tende ao
irrisório percentual de 2,8% dos casos, os quais são levados a leilão
judicial com ou sem êxito. Destes, em somente 0,3% dos casos, o
pregaõ consegue satisfazer integralmente o dé bito, enquanto a
adjudicaçaõ dos bens do executado extingue a dıv́ ida em apenas
0,4% dos casos3. São números verdadeiramente chocantes.
A execução fiscal é um processo caro, lento e sofisticado
e, pior, ineficiente. Onde estão as causas da ineficiência? O estudo
não responde, mas auxilia no caminho da análise. Diversas
hipóteses podem ser levantadas: será que a execução fiscal é
intentada quando o débito já é muito superior ao patrimônio do
contribuinte? Será que as elevadas multas e juros impedem o
pagamento do principal? Será que o débito decorre de opções
fiscais erradas do contribuinte, por “desastre empresarial”, em
razão de crises econômicas ou de outros fatos decorrentes da ação
desastrada do próprio Estado na economia? Tratam-se de questões
seríssimas, que fogem ao lugar comum da visão do contribuinte
como malfeitor e da procuradoria como ineficiente.
O estudo demonstra que em três quintos dos processos
consegue-se citar o devedor, mas, destes, somente um quarto
possuem garantia mediante penhora e em somente uma sexta parte
há o leilão. Ao final, uma décima parte destes resulta em

3
CUNHA, Alexandre dos Santos; KLIN Isabela do ValleetPESSOA, Olı́via Alves
Gomes. Custo e tempo do processo de execuç ão fiscal promovido pela
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Brasilia: IPEA, 2011, p. 06-07.
arrecadação de bens para pagamento do débito. Haverá algo de
muito errado no processo de execução fiscal ou no sistema
tributário nacional? Cabe fazer uma ressalva, esses números por si
só podem ser enganadores, dado que há o pagamento integral do
débito em 33,9% de todos os casos e em 45% dos casos em que há
citação pessoal do executado.
Assim, não há como se afirmar que a execução em si seja
ineficaz. Ela o é, quando proposta contra devedor insolvente. Nos
casos em que os bens do executado são muito inferiores ao débito,
a execução não produz os efeitos desejados. Existem fortes indícios
que isso ocorre quando ela tem sido proposta tardiamente ou
quando o montante de juros e multa torna a execução impossível de
ser satisfeita.
Os erros na cobrança transparecem nos principais casos de
baixa. Em 27,7%, ou seja, em quase um terço dos casos há extinção
por prescrição ou decadência. Em 17% dos casos, ou seja, quase
uma em cada cinco execuções possuem o cancelamento da
inscrição do débito e em 11,5% há a extinção processo sem
julgamento do mérito. Somente em 1,3% dos embargos há o
julgamento favorável ao executado. Se somarmos estes casos
individuais teremos que em 57,5%, ou seja, em quase 60% das
execuções houve a extinção por problemas na própria execução.
Note-se que esses números são muito impactantes. Duas
grandes situações acabam ocorrendo, ou o pagamento espontâneo
do débito pelo contribuinte, quando do ajuizamento da execução
fiscal ou a derrubada da cobrança na grande maioria das execuções
propostas. Seria muito importante poder distinguir os casos de
execuções promovidas pelos conselhos profissionais, pela PGFN
ou pelas autarquias.
Igualmente, importante seria a análise de quando a
execução é contra devedor pessoa física, jurídica ou por espécie
tributária. Esses dados permitiriam uma radiografia completa da
execução fiscal no país.
Muitos questionamentos ainda permanecem em aberto,
mas certamente algumas indagações preocupantes já surgem: por
que os contribuintes não optam por um pagamento facilitado, sem
multas, juros, encargos fiscais e sucumbências, perante a
administração fiscal? Será que o Fisco não encontra formas de
incentivar o pagamento voluntário? Por que muitas execuções são
baixadas por erros na instrução (prescrição, decadência, extinção
sem julgamento do mérito, entre outras), acarretando ônus
adicionais de sucumbência contra administração pública e
onerando o contribuinte a contratar defesa para a ação executiva?
A importância do tema é indubitável e os estudos tornam-
se imperiosos, pela Advocacia, pelo Governo e pela Universidade.

Breve Evolução Histórica

O regime judicial de cobrança de créditos fiscais é a marca


histórica de nosso sistema processual. As primeiras normas sobre
execução fiscal aparecem desde o surgimento do Reino de
Portugal, incorporadas às Ordenações Manoelinas, Afonsinas e
Filipinas. O processo de execução fiscal possui natureza judicial,
no Brasil, desde a Resolução Imperial de n° 28, de 17/03/1876. O
Brasil se distanciaria do modelo português de execução
administrativa, que remonta às Ordenações, e seguirá até aos dias
de hoje, em Portugal.
A doutrina anterior sobre as execuções fiscais é antiga e
profícua em análise. Podemos destacar, dentre as tantas obras que
poderiam ser citadas, o “Manual do Procurador dos feitos da
Fazenda Nacional”, de Agostinho Marques Perdigão Malheiros, de
1869; o “Novo manual do procurador dos feitos da Fazenda
Nacional”, de Herculano de Souza Bandeira, de 1888 e “Ações
Executivas”, de Afonso Dionísio da Gama, de 1930. Diversas obras
foram publicadas após a edição do Decreto-lei n. 960, de
17.12.1938, dentre as quais se destacam: “Execuções Fiscais”, de
Mário Accioly, de 1936 e 1939; “Direito Fiscal”, de João Martins
de Oliveira, de 1943; “Teoria e Prática do processo fiscal”, de
Roque Gadelha de Mello, 1946; “Da Fazenda Pública em juízo”,
de Castro Nunes, de 1950; “Processo Executivo Fiscal”, de Raul
Loureiro, de 1953; “Do Direito Processual Tributário”, de Hélio
Ivo Dória, de 1963; “A defesa do contribuinte no processo de
executivo fiscal”, de Valmir Pontes e “Tratado das execuções;
execução fiscal”, de Silva Pacheco, de 1967.
A edição do CPC de 1973 viu surgir uma plêiade de
grandes estudos sobre a matéria. Renomados autores se debruçaram
em detalhe sobre o novel regime das execuções fiscais, sob o
modelo técnico do novo CPC. Autores do porte de Eduardo
Domingos Botallo, “Dívidas Fiscais, II, processo judicial”, de
1968; José Afonso da Silva, com “Execução Fiscal”, de 1975e
Arnaud de Abreu e Lima, “Do Processo tributário”, 1976. Aliomar
Baleeiro não se furtou de tratar do tema em seu “Direito Tributário
Brasileiro”, 1974, em sua 4a. Edição.
A publicação da Lei n. 6.830, de 1980 provocou um
verdadeiro frenesi intelectual, com mais de três dezenas de livros e
artigos significativos. Seria demasiado listar todas as obras
relevantes do período, somente até a edição da Constituição de
1988. Assim, mesmo assumindo o risco de faltar com a devida
homenagem a um ou outro importante jurista, citamos
exemplificativamente alguns dos mais importantes estudiosos do
diploma legal: Orlando Fida, “Prática e Jurisprudência do
Executivo Fiscal”, de 1980; Roberto Corrêa, “A Nova Lei de
Execução Fiscal Anotada”, de 1980; Milton Flaks,“Comentários à
Lei da Execução Fiscal”, 1981; Ives Gandra da Silva Martins,
“Curso de Direito Tributário”, 1982; J. Virgílio Castelo Branco
Rocha Filho; “Execução Fiscal”, de 1982; Iran de Lima, “A
Dívida Ativa em Juízo”, de 1984; Luiz Fernando Gama Pellegrini,
com a sua “Ação de Execução Fiscal”, de 1986; Luiz Antonio
Nunes et Simone da Silva Thallinger, “Execução Fiscal –
Jurisprudência”, de 1988; Ronaldo Cunha Campos, com a obra
“Ação de Execução Fiscal”, de 1989; Humberto Theodoro Jr., “Lei
de Execução Fiscal”, 1993; entre tantos outros.
A doutrina atual é rica em obra da melhor qualidade sobre
o tema, destacando-se autores como Leandro Paulsen, Éderson
Garin Porto, Hugo de Brito Machado, Hugo de Brito Machado
Segundo, Ives Gandra da Silva Martins, Arnaldo Sampaio de
Moraes Godoy, Humberto Theodoro Jr.; José da Silva Pacheco;
Vladimir Passos de Freitas e James Marins.
Esta obra pretende se inserir nessa rica tradição,
contribuindo com a análise em mais um importante momento da
doutrina processual nacional, decorrente da edição do Novo Código
de Processo Civil (NCPC).

Objetivos da Presente Obra

O Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938,


consolidará o afastamento da tradição de cobrança administrativa
dos créditos públicos e regulamentará a cobrança judicial da Dívida
Ativa da Fazenda Pública. O CPC terá aplicação subsidiária às
execuções fiscais.
A lei de execução fiscal terá natureza nacional, judicial e
receberá aplicação subsidiária por parte do CPC. Será nacional
porque irá se dirigir ao processo de cobrança de créditos tributários
federais, estaduais, distritais e municipais. Será judicial e terá
regime de execução diversa das demais formas de dívidas civis.
Somente durante breve período, durante a vigência do CPC de
1973, e antes da Lei de Execução Fiscal (Lei n° 6.830/80), haverá
um regime unificado a todas as execuções, civis e fiscais. O
modelo de lei especial será adotado com a nova Lei e mantido até
os dias de hoje.
O modelo nacional distanciou-se da tradição portuguesa,
de execução administrativa. Atualmente, contudo, face aos
resultados irrisórios da execução fiscal, levantam-se vozes em
favor da “desjudicialização”, negando a nossa firme e consolidada
tradição, em prol de novos rumos. Diversos questionamentos ao
atual modelo são opostos. Cabe questionar, quais seriam os
fundamentos constitucionais dessa radical proposta? Há
concordância prática desta para com os princípios de amplo acesso
ao judiciário e de ampla defesa? Em suma, trata-se de uma matéria
de maior interesse para a sociedade, para o empresariado,
advogados, juízes e procuradores. Somente um olhar técnico e
sereno será capaz de lançar luzes em um tema tão delicado.
Outro questionamento importante que deve ser observado
é sobre a necessidade de uma lei especial para tratar da execução
fiscal? Será que as normas do CPC seriam suficientes para tratar da
matéria? Cremos que não, a especificidade da execução fiscal exige
uma norma especial.
O presente texto aborda o método que deve ser utilizado
para a solução de aparentes antinomias entre a norma processual
geral e a norma especial de execução fiscal. Dois critérios serão
analisados e testados: especialidade e cronologia. O conflito entre
eles exigirá a aplicação de um metacritério de solução. Elementos
finalísticos e sistemáticos serão necessários para manter a coerência
material do sistema. Notadamente devem ser observados a
premissa de vedação sacrifícios particulares não-expressamente
determinados pelo legislador. Outros princípios merecerão uma
atenção redobrada, tais como o princípio da proporcionalidade e da
subsidiariedade.
Por fim, cabe destacar que o impacto do NCPC nas
execuções fiscais será profundo. Os presentes comentários
detalharão as modificações relevantes em cada um dos artigos
comentados. A principal alteração observada está na mudança de
modelo: substitui-se o antigo modelo formalista-tecnicista por uma
abordagem pragmática-substancial. A noção de primazia do
interesse público é substituída pela diretriz de prevalência dos
direitos fundamentais.
Acreditamos que a presente obra irá auxiliar
definitivamente a cidadania, a advocacia e os advogados; a
encontrarem a melhor forma de equacionar o delicado equilíbrio
entre o interesse fiscal e a proteção do cidadão-contribuinte.
Paulo Caliendo
Coordenador
Sumário

Apresentação
Paulo Caliendo... ................................................................................... 11
A aplicaç̧ão da Lei n° 13.105/15 na Lei de Execuç̧ões Fiscais -
Marco Fé lix Jobim ............................................................................... 24
Art. 1º - Paulo Caliendo... .................................................................... 36
Arts. 2° a 3° - Martin da Silva Gesto... ..................................................... 62
Art. 4° - Paulo Caliendo .................................................................... 114
Arts. 5° a 7° - Eduardo Luı́ s Kronbau... ............................................. 139
Arts. 8º a 10º - Fernando Bortolon Massignan................................. ......172
Arts. 11º a 13º - Fá bio Tomkowski .................................................... 228
Arts. 14º a 16º - Larissa Laks... .......................................................... 266
Arts. 17º a 19º - Cristiane De Marchi... ..................................................318
Arts. 20 a 22 - Joã o Ricardo Fahrion Nüske .................................... 366
Arts. 23º a 25º - Veyzon Campo Muniz... .......................................... 394
Arts. 26º a 28º - Juliana Rodrigues Ribas... ...........................................419
Arts. 29º a 31º - Eduardo Muxfeldt Bazzanella ................................. 451
Arts. 32º a 36º - Juliana Sirotsky Soria... ........................................... 482
Arts. 37º a 40º - Diego Galbinski... .........................................................512
24

A aplicação da Lei n°° 13.105/15 na Lei de Execuções Fiscais.


Marco Félix Jobim*

A Lei de Execuções Fiscais ou Lei n°6.8301, datada de


22 de setembro do ano de 1980, que dispõe sobre a cobrança
judicial de dívida ativa da Fazenda Pública e outras
providências, em vigor após 90 dias de sua publicação, deve
sofrer grandes alterações no seu conteúdo processual, tendo em
vista a recente edição de um Código de Processo Civil brasileiro
renovado e que permite um maior imbricamento entre as
legislações citadas.
A história de uma nova lei processual civil inicia a se
consolidar já em 2009, com o Ato n° 379, do então Presidente
do Senado Federal José Sarney, quando institui a comissão de
juristas que se encarregaria da elaboração de um Anteprojeto de
Lei que tratasse da nova legislação processual civil brasileira,

*
Mestre, Doutor e pós-doutorando em Direito. Advogado e Professor da
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul na graduação e pós-
graduação lato e stricto sensu.
1
Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6830.htm>.
Acesso em: 6 set. 2016.
25

sendo a comissão Presidida pelo então Ministro do Superior


Tribunal de Justiça Luiz Fux, hoje à frente do Supremo Tribunal
Federal, acompanhado de estudiosos de peso no que se refere ao
Direito Processual Civil brasileiro, como Teresa Arruda Alvim
Wambier, Adroaldo Furtado Fabrício, Benedito Pereira Filho,
Bruno Dantas, Elpídio Nunes, Humberto Theodoro Júnior,
Jansen Almeida, José Miguel Medina, José Roberto Bedaque,
Marcus Vinícius Coelho e Paulo Cezar Carneiro.
Em 8 de junho de 2010 foi, finalmente, apresentado no
Congresso Nacional o Anteprojeto de novo Código de Processo
Civil brasileiro, convertido no Projeto de Lei do Senado n°
166/2010, tendo seu relatório final sido aprovado em 1º de
dezembro e o Projeto de Lei dia 15 do mesmo mês e ano, sendo,
então, remetido para a Câmara de Deputados, no qual foi
recebido como Projeto de Lei n° 8.046/10. Durante a tramitação
no Congresso Nacional, houve troca de relator2, sendo tal fator
importante para os rumos que o projeto tomaria até sua sanção
presidencial, em março de 2015, com vigência para março de
2016, sendo que, não basta a mudança da legislação para que o
Direito Processual estampe as cores de um modelo democrático
de Direito, nas palavras de Rodrigo Mazzei3, mas precisa, ainda,
de muito trabalho, o que, esperançosamente, se espera.

2
ROQUE, Andre Vasconcelos; PINHO, Humberto Dalla Bernadina de
(Coord.). O projeto do novo Código de Processo Civil: uma análise
crítica. Brasília: Gazeta Jurídica, 2013. p. vi. Relatam os coordenadores o
retorno e saída do Deputado Sérgio Barradas Carneiro e a entrada do
Deputado Paulo Teixeira na relatoria.
3
MAZZEI, Rodrigo. Breve história (ou ‘estória’) do direito processual civil
brasileiro: das ordenações até a derrocada do Código de Processo Civil de
26

Nem havia ainda a nova legislação processual civil


brasileira vencido a vacatio legis e já era remendada pela Lei
n°13.256/2016 que resgatou, dentre os temas tratados, o retorno
da admissibilidade dos Recursos Especial e Extraordinário ao
Tribunal a quo e a não mais obrigatoriedade de ordem
cronológica dos processos, estampada no artigo 12, inserido no
capítulo das Normas Fundamentais do Processo. Com isso,
mesmo que de forma sucinta, narra-se um pouco da vida das
legislações em vigor de ambos os processos, devendo agora ser
pensado o que o Poder Judiciário aplicará do CPC/2015 nas
Execuções Fiscais.
As Execuções Fiscais são parte de um Direito
Processual maior que pode-se denominar de Processo
Tributário, que acaba por tratar de questões atinentes à execução
fiscal e às ações tributárias. O contexto tem trazido uma
variedade de autores destinados a disciplinarem a matéria.
Dentre as obras que podem ser referidas estão Processo
Tributário, de Hugo Machado de Brito4; Direito Processual
Tributário, de Marcelo Campos5; Manual da Execução Fiscal,

1973. In: DIDIER JR., Fredie (Coord.). Novo CPC doutrina selecionada:
parte geral. Organização de Lucas Buril de Macêdo; Ravi Peixoto;
Alexandre Freire. Salvador: Juspodivm, 2015. v. 1. p. 35-63. p. 63.
4
Dentre as obras de maior destaque, recomenda-se: BRITO, Hugo Machado
de. Processo tributário. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
5
Isso pode ser confirmado com estudos coletivos como: CAMPOS, Marcelo.
Direito processual tributário: a dinâmica da interpretação: estudos em
homenagem ao professor Dejalma de Campos. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2008. Dentre o rol de articulistas estão: Adilson Rodrigues Pires,
Agostinho Toffoli Tavolaro, Alexandre Barros Castro, Ana Flávia Messa,
Angélica Arruda Alvim, Arruda Alvim, Augusto Fantozzi, Aurélio Pitanga
Seixas Filho, Eduardo Arruda Alvim, Edvaldo Brito, Hugo de Brito
Machado, Ivan Tauil Rodrigues, Ives Gandra da Silva Martins, José
27

de Éderson Garin Porto6; Curso avançado de processo


administrativo tributário, organizado por Rafael Borin e
Rafael Nichele7; O novo CPC e seu impacto no Direito
Tributário, de Paulo Cesar Conrado e Juliana Furtado Costa
Araujo8 e A prova do processo administrativo tributário, de
Marcio Pestana9. Ainda, pela leitura de algumas obras, pode-se
tirar pelo menos dois grandes entendimentos: (i) da existência de
um processo administrativo tributário10 e; (ii) da existência de
um processo judicial tributário11, o que denotam a grandiosidade
de assuntos que existem inseridos dentro do processo tributário.
Com o advento do Código de Processo Civil de 2015
deve-se atentar para o capítulo II, da parte geral, que aborda o
tema da aplicação das normas processuais, nos artigos 13, 14 e
15 da legislação, sendo esta o objeto de nossa reflexão ao referir
que na ausência de normas que regulem processos eleitorais,
trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código

Eduardo Soares de Melo, José Souto Maior Borges, Kiyoshi Harada, Leon
Fredja Szklarowsky, Marco Aurélio Greco, Maria Rita Gradilone Sampaio
Lunardelli, Marilene Martins Rodrigues, Sacha Calmon Navarro Coelho e,
claro, o próprio coordenado Marcelo Campos.
6
PORTO, Éderson Garin. Manual da execução fiscal. 2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010.
7
BORIN, Rafael; NICHELE, Rafael. Curso avançado de processo
administrativo tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012.
8
CONRADO, Paulo Cesar; ARAUJO, Juliana Furtado Costa (Coord.). O
novo CPC e seu impacto no Direito Tributário. São Paulo: Fiscosoft,
2015. Embora esteja referido no título o direito tributário, os artigos dão
conta do processo tributário.
9
PESTANA, Marcio. A prova no processo administrativo tributário. Rio
de Janeiro: Elsevier, 2007.
10
BORIN, Rafael; NICHELE, Rafael. Curso avançado de processo
administrativo tributário. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012.
11
ROCHA, Mauro Luís. Processo judicial tributário. 8. ed. São Paulo:
Impetus, 2012.
28

lhes serão aplicada supletiva e subsidiariamente, não


encontrando no CPC/1973norma de igual ou parecido teor, mas
que, como defende Guilherme Rizzo Amaral12, em nada altera o
já estado de coisas anterior, uma vez que é o processo civil
quem rege os processos regidos por leis especiais.
Duas são as formas de se aplicarem as normas
processuais civis no processo tributário, sendo elas a de forma
subsidiária e a supletiva. Conforme aduzem Teresa Arruda
Alvim Wambier, Mara Lúcia Lins Conceição, Leonardo Ferres
da Silva Ribeiro e Rogerio Licastro Torres de Mello13, a
aplicação de forma subsidiária é aquela realizada quando não há
omissão na legislação fiscal, sendo que a lei processual civil
servirá para melhoria daquela, enquanto que na aplicação
supletiva, há uma omissão na lei, devendo ser inserida a norma
do CPC/2015, respeitando, por evidente, o que está disposto na
Lei n°6.830/80.

12
AMARAL, Guilherme Rizzo. Comentários às alterações do novo CPC.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015. p. 79.
13
WAMBIER, Teresa Arruda Alvim; CONCEIÇÃO, Maria Lúcia Lins;
RIBEIRO, Leonardo Ferres da Silva; MELLO, Rogério Licastro Torres de.
Primeiros comentários ao novo Código de Processo Civil: artigo por
artigo. 2. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016. p. 84. Referem:
“Aplicação subsidiária X aplicação supletiva. Não se trata de aplicar as
normas processuais aos processos administrativos, trabalhistas e eleitorais
quando não houver normas, nestes ramos do direito, que resolvam a
situação. 1.1. A aplicação subsidiária ocorre também em situações nas
quais não há omissão. Trata-se, como sugere a expressão ‘subsidiária’, de
uma possibilidade de enriquecimento, de leitura de um dispositivo sob
outro viés, de extrair-se da norma processual eleitoral, trabalhista ou
administrativa um sentido diferente, iluminado pelos princípios
fundamentais do processo civil. 1.2. A aplicação supletiva é que ocorre
apenas quando há omissão”.
29

A abertura para tal aplicação subsidiária do CPC/2015


na Lei de Execuções Fiscais, além de estar no já mencionado
artigo 15 daquele texto processual, encontra guarida no artigo 1º
da lei tributária ao expor que“a execução judicial para cobrança
da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e,
subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil”.
O estudo sistemático do CPC/2015 encontra esteira no
capítulo I do livro I, que foi intitulado pelo legislador de “Das
normas fundamentais do processo civil”, na qual elenca, entre
os artigos 1º e 12, alguns princípios, regras, postulados e valores
que merecem a atenção neste momento14 de ainda muita
discussão sobre o texto processual publicado. Esta é uma frase
de peso: não se compreende o CPC/2015 sem que antes se
entenda o alcance do que quis o legislador com as Normas
Fundamentais do Processo, ou seja, são elas a condição de
possibilidade, o fio condutor de compreensão do significado do
texto processual. Brevemente, serão referidas quais são elas para
que se tenha a base de releitura da própria Lei de Execuções
Fiscais.
De início, cabe elencar o artigo 1º15 do novo CPC que,
ao dispor sobre o que aparenta ser consenso na doutrina

14
Cumpre esclarecer que ainda há poucas produções bibliográficas sobre o
projeto do novo Código de Processo Civil sendo que, dentre as que
existem, uma das mais recomendadas, embora ainda feita na época em que
somente existia o anteprojeto, é: MARINONI, Luiz Guilherme;
MITIDIERO, Daniel. O projeto do CPC: críticas e propostas. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 2010.
15
“Art. 1º. O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado
30

brasileira,16 refere que “o processo civil será ordenado,


disciplinado e interpretado conforme as normas da Constituição
da República Federativa do Brasil, observando-se, ainda, as
disposições deste Código”, sendo que, após, consagra dois
princípios vigentes no atual Código de 1973, sendo eles o do
dispositivo17 e do impulso oficial18 no artigo 2º,19 “[...] ao referir
que o processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve
por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”, para,
após, listar, no artigo 3º20 que “[...] não se excluirá da apreciação
jurisdicional ameaça ou lesão a direito”, complementando o
artigo com outros dois parágrafos, o § 1º, referindo que “[...] é
permitida a arbitragem,21 na forma da lei”, e o § 2º que “o

conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na


Constituição da República Federativa do Brasil, observando-se as
disposições deste Código”.
16
Uma referência, apenas para não passar em branco a afirmação, pode ser a
de Luiz Guilherme Marinoni, ao afirmar que toda lei deve estar em
conformidade com a Constituição Federal e, especialmente, como refere,
com os direitos fundamentais. Ler íntegra em MARINONI, Luiz
Guilherme. Teoria geral do processo. 8. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2014. p. 21.
17
Sobre o referido princípio, recomenda-se a leitura de LOPES, Maria
Elizabeth de Castro. O juiz e o princípio dispositivo. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2006.
18
Sobre o tema, recomenda-se a leitura de PORTANOVA, Rui. Princípios
do processo civil. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2005. O
autor trabalha o princípio nas páginas 153 a 156.
19
“Art. 2º. O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por
impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei”.
20
“Art. 3º. Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a
direito. § 1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2º O Estado
promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos. § 3º
A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de
conflitos deverão ser estimulados por magistrados, advogados, defensores
públicos e membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo
judicial”.
21
Englobando o tema, leia-se SALLES, Carlos Alberto de; LORENCINI,
31

Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual


dos conflitos”, tendo no § 3º a explicação de como se pode
concretizar o anterior,22 com “[...] a conciliação, a mediação e
outros métodos23 de solução consensual de conflitos deverão ser
estimulados por magistrados, advogados, defensores públicos e
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo
judicial”. Após, no artigo 4º,24 resolve expor que “as partes têm
direito de obter em prazo razoável a solução integral do
processo, incluída a atividade satisfativa” e no artigo 5º,25
resolve consagrar que “aquele que de qualquer forma participa
do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé”.
Depois, no texto do artigo 6º,26 consigna que: “Todos os sujeitos
do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em
tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.”. Já no artigo

Marco Antônio Garcia Lopes; ALVES DA SILVA, Paulo Eduardo


(Coord.). Negociação, mediação e arbitragem: curso básico para
programa de graduação em Direito. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo:
Método, 2012. Os coordenadores e diversos outros articulistas refletem
sobre temas de resolução alternativa de conflitos, em especial a
arbitragem.
22
Sobre as técnicas de resolução de conflitos como as apontadas no texto,
recomenda-se a leitura de CALMON, Petrônio. Fundamentos da
mediação e da conciliação. Rio de Janeiro: Forense, 2007.
23
Sobre métodos inovadores de resolução de conflitos, recomenda-se a
leitura de KEPPEN, Luiz Fernando Tomasi; MARTINS, Nadia Bevilaqua.
Introdução à resolução alternativa de conflitos: negociação, mediação,
levantamento de fatos, avaliação técnica independente. Curitiba: JM
Livraria Jurídica, 2009.
24
“Art. 4º. As partes têm direito de obter em prazo razoável a solução
integral do processo, incluída a atividade satisfativa”.
25
“Art. 5º. Aquele que de qualquer forma participa do processo deve
comportar-se de acordo com a boa-fé”.
26
“Art. 6º. Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que
se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva”
32

7º,27 consagra que: “É assegurada às partes paridade de


tratamento em relação ao exercício de direitos e faculdades
processuais, aos meios de defesa, aos ônus, aos deveres e à
aplicação de sanções processuais, competindo ao juiz zelar pelo
efetivo contraditório” e complementa esse artigo com a redação
do artigo 8º,28 ao aduzir que: “Ao aplicar o ordenamento jurídico,
o juiz atenderá aos fins sociais e às exigências do bem comum,
resguardando e promovendo a dignidade da pessoa humana e
observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência”. No artigo 9º,29 a lei prevê que “não
se proferirá decisão contra uma das partes sem que esta seja
previamente ouvida”, explicando, no parágrafo único e incisos,
que há exceções quando afirma que “o disposto no caput não se
aplica”, “I. à tutela provisória de urgência”; “II. às hipóteses de
tutela da evidência previstas no art. 309, incisos II e III”; “III. à
decisão prevista no art. 699”, no artigo 10,30 consagrou-se a não
surpresa,31 ao expor que: “O juiz não pode decidir, em grau

27
“Art. 7º. É assegurada às partes paridade de tratamento no curso do
processo, competindo ao juiz velar pelo efetivo contraditório”.
28
“Art. 8º. Ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a
dignidade da pessoa humana e observando a proporcionalidade, a
razoabilidade, a legalidade, a publicidade e a eficiência”.
29
“Art. 9º. Não se proferirá decisão contra uma das partes sem que esta seja
previamente ouvida. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica à
tutela antecipada de urgência e às hipóteses de tutela antecipada da
evidência previstas nos incisos III e IV do art. 306”.
30
“Art. 10. Em qualquer grau de jurisdição, o órgão jurisdicional não pode
decidir com base em fundamento a respeito do qual não se tenha
oportunizado manifestação das partes, ainda que se trate de matéria
apreciável de ofício”.
31
É a consagração do Überraschungsentscheidung, segundo refere Nelson
Nery Junior, ao dizer que não podem as partes ser surpreendidas por
33

algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual


não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda
que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício” e,
finalmente, no artigo 1132 desses princípios iniciais, entendeu-se
por afirmar a existência dos princípios da publicidade e da
fundamentação das decisões judiciais ao elencar que “todos os
julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e
fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade”,
havendo a ressalva no parágrafo único dos casos de segredo de
justiça.
No artigo 12,33 apesar de fazer parte do capítulo I e se
tratar de normas fundamentais do processo, parece que não se

decisão fundada em fato ou circunstância de que a parte não tenha tomado


conhecimento. NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do processo na
Constituição Federal: processo civil, penal e administrativo. 9. ed. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2009. p. 221.
32
“Art. 11. Todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade. Parágrafo
único. Nos casos de segredo de justiça, pode ser autorizada somente a
presença das partes, de seus advogados, defensores públicos ou do Ministério
Público”.
33
“Art. 12. Os juízes e os tribunais atenderão, preferencialmente, à ordem
cronológica de conclusão para proferir sentença ou acórdão. § 1º A lista de
processos aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição
para consulta pública em cartório e na rede mundial de computadores. § 2º
Estão excluídos da regra do caput: I – as sentenças proferidas em
audiência, homologatórias de acordo ou de improcedência liminar do
pedido; II – o julgamento de processos em bloco para aplicação de tese
jurídica firmada em julgamento de casos repetitivos; III – o julgamento de
recursos repetitivos ou de incidente de resolução de demandas repetitivas;
IV – as decisões proferidas com base nos arts. 482 e 930; V – o julgamento
de embargos de declaração; VI – o julgamento de agravo interno; VII – as
preferências legais e as metas estabelecidas pelo Conselho Nacional de
Justiça; VIII – os processos criminais, nos órgãos jurisdicionais que
tenham competência penal; IX – a causa que exija urgência no julgamento,
assim reconhecida por decisão fundamentada. § 3º Após elaboração de
lista própria, respeitar-se-á a ordem cronológica das conclusões entre as
34

trata de um princípio propriamente dito, tendo em vista que


aparenta ter um caráter mais de regra, bastando se deparar com
a leitura do texto que aufere que “os órgãos jurisdicionais
deverão obedecer à ordem cronológica de conclusão para
proferir sentença ou acórdão” sendo que, até mesmo, nos
parágrafos do artigo, há maiores especificidades a serem
lembradas, como no § 1º, que atesta que “a lista de processos
aptos a julgamento deverá estar permanentemente à disposição
para consulta pública em cartório e na rede mundial de
computadores”, o que não acaba nele, havendo mais e mais
especificidades a seguir. Essa sistematização de como será a
ordem processual nos Tribunais confere densificação ao texto
que poderá ser interpretado mais por subsunção do que com
ponderação, concedendo, pois, ares de regra ao dispositivo.34
Aqui, desde já, cumpre a referência de que o texto não é de
consonância, mesmo entre os entusiastas da lei, como pondera
Lúcio Delfino35 ao expor ser o referido artigo, assim como o

preferências legais. § 4º Após a inclusão do processo na lista de que trata o


§ 1º, o requerimento formulado pela parte não altera a ordem cronológica
para a decisão, exceto quando implicar a reabertura da instrução ou a
conversão do julgamento em diligência. § 5º Decidido o requerimento
previsto no § 4º, o processo retornará à mesma posição em que
anteriormente se encontrava na lista. § 6º Ocupará o primeiro lugar na lista
prevista no § 1º ou, conforme o caso, no § 3º, o processo: I – que tiver sua
sentença ou acórdão anulado, salvo quando houver necessidade de
realização de diligência ou de complementação da instrução; II – quando
ocorrer a hipótese do art. 1.037, inciso II”.
34
Sobre o tema, consultar ÁVILA, Humberto. Teoria dos princípios: da
definição à aplicação dos princípios jurídicos. 15. ed. São Paulo:
Malheiros, 2014.
35
Conferir a íntegra em: DELFINO, Lúcio. O art. 153 do novo CPC vai
contra o advogado militante. Disponível em:
http://www.conjur.com.br/2014-ago-01/lucio-delfino-artigo-153-cpc-
35

artigo 153 do mesmo texto processual, textos que atentam contra


o advogado diligente, o que, nas suas palavras, não encontra,
sequer, assento constitucional, contrariando o artigo 133 da
Constituição Federal.
A Lei de Execuções Fiscais, como não deveria deixar
de ser, sofre mudanças paradigmáticas com referido capítulo,
sendo que, o aplicador do Direito que assim não compreender,
estará fadado a continuar aplicando uma lei sem as atualidades
necessárias que são necessárias para a oxigenação das
legislações esparsas com conteúdo processual, como é a Lei
n°6.830/80. Ainda, há que ser destacado que as Normas
Fundamentais não se esgotam nos primeiros 12 artigos do
CPC/2015, encontrando algumas delas fora do catálogo inicial
ou na própria Constituição da República Federativa do Brasil.
O Código de Processo Civil de 2015 está em vigor
desde o dia 18 de março de 2016, sendo que, inegavelmente, ele
se presta a auxiliar todos os demais ramos do Direito Processual
(em que pese aqui existir forte corrente do Processo Penal, razão
pela qual a afirmação vai relativizada), e, em especial, serve de
base para o Processo Tributário, de forma subsidiária e
supletiva. Devemos realizar o máximo esforça para que o
CPC/2015 seja uma realidade e étambém a partir de sua
aplicação nas leis esparsas que tal desiderato pode ser
alcançado.

advogado-diligente?utm_source=dlvr.it&utm_medium=twitter. Acesso:
07.08.2014.
36

COMENTÁRIOS AO ART. 1°°


Paulo Caliendo*

Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa


da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e
respectivas autarquias será regida por esta Lei e,
subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Encontramos no Reino de Portugal, as primeiras


normas sobre execução fiscal, que marcaram o nosso
desenvolvimento nacional.
O surgimento do Reino de Portugal se fez acompanhar
de normas sobre a administração pública e execução de dívidas.
Dom Afonso V editou o primeiro Código de Leis da Era
moderna, conhecido como Ordenações Afonsinas (1446), que

*
Professor Titular do PPGD da PUCRS. Doutor em Direito pela PUCSP.
Coordenador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito
Tributário da PUCRS. Advogado.
37

previu o caráter subsidiário do Direito Romano e do Direito


Canônico, com prevalência do Direito Nacional.
A fiscalidade real, no século XIV, fundava-se em dois
órgãos distintos: a Casa dos Contos e a Vedoria da Fazenda. A
esta última, competia a cobrança das rendas e tributos da Coroa.
Os Contos representavam a forma de contabilidade das receitas
e despesas régias. O Título III do Livro I tratava, justamente,
“Dos Vedores da Fazenda” e determinava que competia a estes
agirem de ofício quando encontrassem coisa sonegada ao Régio
Erário. Não existiam, contudo, regras claras sobre a execução
fiscal. Era criada a competência, mas não existia ainda o
procedimento.
As Ordenações Manuelinas (1513-1605) surgiram no
período de crescimento do Império Português e correspondiam
às exigências de uma administração eficiente da Justiça e das
Finanças régias. Concomitantemente com a reforma das
Ordenações do Reino, foram editados diversos forais, tais como
os Artigos das Sisas (1512), o Regimento dos Contadores das
Comarcas (1514) e o Regimento das Ordenaco̧ ̃es da Fazenda
(1516).
As Ordenações Filipinas (1595) previam um
procedimento próprio para a execução fiscal no Reino de
Portugal. Este regramento estava previsto no “Livro 2 Tit.53:
Das execuções, que se fazem nos que devem à Fazenda do Rei”.
O procedimento previa a prisão de devedores e a execução de
seus bens e fazendas, bem como as de seus fiadores e
abonadores. Somente após a prisão é que seriam aceitos os
38

embargos, com as razões. Algumas garantias eram previstas, tais


como: a citação da esposa e do marido; execução em um ato
apenas e o procedimento do pregão, para venda e arrematação
dos bens executados.
O período colonial assistiu à edição de regras
específicas, sobre a execução fiscal, com a Carta de Lei, de
1761, e o Alvará, de 16.12.1774.
No Brasil, a execução fiscal foi regulada após a
Independência, com a Lei n° 242, de 29.11.1842, já sob a égide
da Constituição de 1824. Este diploma vigorou até a edição
republicana do Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938.
O Decreto-lei n° 960, de 17 de dezembro de 1938,
dispôs sobre a cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda
Pública, em todo o território nacional.

Decreto-lei n° 960, de 17 de LEF


dezembro de 1938
Art. 1º. A cobrança A execução judicial
judicial da dívida ativa da para cobrança da Dívida Ativa
Fazenda Pública (União, da União, dos Estados, do
Estados, Municípios, Distrito Distrito Federal, dos
Federal e Territórios), em Municípios e respectivas
todo o território nacional, será autarquias será regida por esta
feita por ação executiva, na Lei e, subsidiariamente, pelo
forma desta lei. Código de Processo Civil.
39

A principal distinção entre os dois diplomas consiste na


exigência de aplicação subsidiária do CPC às execuções fiscais.

Remissões Legais: Resolução Imperial, de 28 de


dezembro de 1876 (Consolidação Ribas); Decreto-lei n° 960, de
17.12.1938; CPC/1939; CPC/1973; LC n° 118/2005; Lei n°
11.383/2006; PL nº 5.080/2009, apensado ao PL nº 2.412/2007;
PLs nos 5081/2009, 5082/2009; PLC n° 469/2009; PL n°
5.080/2009 e CPC/2015.

2. Conceitos Principais

Natureza Judicial

O processo de execução fiscal possui natureza judicial,


no Brasil, desde a Resolução Imperial de n° 28, de 17/03/1876.
O Brasil se distanciaria do modelo português de execução
administrativa, que remonta às Ordenações, e seguirá até aos
dias de hoje, em Portugal.
As Ordenações previram regras de execução
administrativa, fundadas na noção de garantia do interesse do
Erário Público para, somente após, se garantirem os direitos do
executado. Esse modelo será seguido com a ampliação de
direitos ao executado durante toda a legislação posterior;
contudo, Portugal manteve a execução fiscal sob a égide do
Código Português de Procedimento Tributário (CPPT). A
legitimidade para condução do processo é do órgão exequente.
40

Os embargos, aqui denominados de “oposição”, possuem


natureza administrativa, e a reclamação da decisão somente é
admitida após: “só conhecerá das reclamações quando, depois
de realizadas a penhora e a venda, o processo lhe for remetido a
final” (art. 278º-1, CPPT). Ressalte-se que não há, nesse
sistema, o rigor nacional do título executivo fiscal, tal como
previsto em nossa Certidão de Dívida Ativa.
O Brasil distanciou-se, claramente, do modelo de
cobrança administrativa. O primeiro passo em direção diversa
ocorreu com a edição do famoso Decreto n° 737, de 25 de
novembro de 1850, que regulava o Processo Comercial. Este
estabeleceu a divisão do processo em quatro grandes espécies:
ordinário, sumário, especial e executivo. O reconhecimento do
processo executivo, como uma fase processual própria, alterava
a sistemática vigente sob a ordem das Ordenações Filipinas que
previam, no Livro III, a divisão do processo em ordinário,
sumário e sumaríssimo ou oral. O modelo comercial foi
estendido aos processos civis por meio do Decreto n° 9.549, de
1886. Este determinou: “Art. 1º São applicaveis ao processo
civil: § 1º As disposições contidas nos Titulos 1º, 2º e 3º da 2ª
parte do Regul. n. 737 de 25 de Novembro de 1850 sobre as
cartas de sentença, Juiz e partes competentes para a execução,
liquidação de sentenças, penhora e arrematação”.
A Resolução Imperial, de 28 de dezembro de 1876,
promulgou a Consolidação das Leis do Processo Civil,
denominada de Consolidação Ribas, em homenagem ao
Conselheiro Ribas.
41

O Decreto-lei n° 960, de 17.12.1938, veio consolidar a


execução fiscal sob a égide da Constituição de 1937. A
exigência de uma norma moderna de execução fiscal já era
prevista na Constituição de 1934. Este Decreto-Lei uniformizou
a execução fiscal no País e consagrou a possibilidade de
interposição de embargos judiciais à execução fiscal, como meio
de defesa do executado.
Essa norma vigorou durante a vigência do Código de
Processo Civil, de 1939, e somente foi revogada integralmente
pelo CPC de 1973. A redação do art. 76 do Decreto-lei n°
960/1938 aparentemente poderia fazer surgir a dúvida sobre a
vigência dessa norma durante a vigência do CPC, de 1939.
Preceituava esse artigo que: “As justiças dos Estados, do
Distrito Federal e do Território do Acre, enquanto não for
promulgado o Código de Processo Civil, aplicarão
subsidiariamente, no processo e julgamento das causas a que se
refere esta lei, a legislação vigente”. A leitura mais atenta do
dispositivo espanca qualquer dúvida. O enunciado não afirmava
que o DL n° 960/1938 iria vigorar até à promulgação do novo
CPC, mas que seria aplicado, subsidiariamente, a esse Decreto, a
legislação processual vigente, até que fosse promulgado o novo
CPC. O dispositivo tratava das normas processuais de aplicação
subsidiária à execução e não sobre o termo final de vigência do
DL n° 960/1938.
A certificação da vigência do DL n° 960/1938 é
declarada pelo próprio CPC, de 1939. Este surgiu em um
momento em que o País reclamava a existência de um moderno
42

Código de Processo, em substituição aos modelos anteriores.


Relatava a “Exposição de Motivos do CPC” de 1939, que, após
a nova Constituição: “... as primeiras leis de processo que foram
decretadas trouxeram um cunho novo; os frutos que já estão
dando revelam o acerto da orientação adotada”. Dentre as novas
leis, destacava-se: “Também a lei destinada a regular a cobrança
da dívida ativa da Fazenda Pública, em vigor desde 1º de janeiro
deste ano, foi informada pelos mesmos princípios e, sem
sacrifício da defesa dos executados, vai permitindo ao erário um
meio rápido e seguro de rehaver os seus créditos”. O Código
anunciava, por esse meio, a recepção do DL n° 960/1938 e o
reconhecimento de sua natureza especial, mantendo dois
sistemas separados para as execuções.
O CPC de 1973 unificou todas as execuções, civis e
fiscais, em torno do Código e, finalmente, a Lei de Execução
Fiscal (Lei n° 6.830/80) consagrou definitivamente o modelo de
cobrança judicial em uma lei especial.1 Desse modo, a nossa
história demonstra, claramente, afiliação à ideia de que a
execução fiscal deve ocorrer sob a égide do Poder Judiciário,
afastando-se, manifestamente, do modelo de execução
administrativa. Desde a Independência nacional, houve rechaço
explícito ao modelo português, ainda vigente, de execução sob a
égide da autoridade administrativa.
Hodiernamente, surge o questionamento sobre a
oportunidade e conveniência da adoção do modelo

1
Sobre a revogação integral de todas as disposições do DL n° 960/1938,
veja-se RE 94.071.
43

administrativista de cobrança do crédito tributário. Esse


movimento tem sido conhecido como “desjudicialização” da
execução fiscal, em um movimento de claro desvio em relação à
nossa tradição histórica.
A proposta consta no Projeto de Lei nº 5.080/2009,
apensado ao Projeto de Lei nº 2.412/2007. Podem-se citar,
ainda, os PLs nos 5081/2009, 5082/2009 e PLC n° 469/2009.
Dentre algumas das propostas apresentadas no PL n°
5.080/2009, destacam-se, conforme a Justificativa da Advocacia
Geral da União (AGU):
1) a realizaçã o de determinados atos de
execuçã o (constriçã o patrimonial e
avaliaçã o de bens) diretamente pela
Administraçã o Tributá ria;
2) a realizaçã o do ajuizamento da execuçã o
fiscal por parte da Fazenda Pú blica somente
se houver efetiva constrição patrimonial;
3) a utilizaçã o de meios eletrônicos, como a
internet, para a prá tica de atos de
comunicaçã o, constriçã o de bens e
alienaçã o;
4) a possibilidade de constriçã o de valores
depositados em contas bancá rias
diretamente pela Fazenda Pú blica; e
5) a concentraçã o da defesa do contribuinte
nos embargos, com a instituiçã o de
mecanismos de preclusã o que buscam evitar
a renovaçã o de litı́ gios já decididos em
juı́ zo.

O Projeto de execução administrativa choca-se


frontalmente com o texto Constitucional. O art. 5o da CF/88
estabelece o direito fundamental à tutela efetiva, ao determinar
no inc. XXXV que: “a lei não excluirá da apreciação do Poder
44

Judiciário lesão ou ameaça a direito”. Trata-se de um direito


subjetivo a ser exercido perante o Poder Judiciário, sendo
vedada a intromissão indevida da Administração. Nem poderia o
Poder Fiscal realizar a tutela executiva em seu próprio benefício,
sem ofender diretamente o direito ao devido processo legal. Não
haveria imparcialidade da administração na realização desses
atos. A busca da efetividade da tutela executiva não pode ser
alcançada com o sacrifício dos direitos fundamentais do
contribuinte ao devido processo judicial, em sentido material e
formal. Deve ser ressaltada a exigência de respeito inabalável ao
princípio da separação dos poderes, que impede que a
administração exerça a tutela executiva.
Outro questionamento importante: há necessidade de
uma lei especial para tratar da execução fiscal? Será que as
normas do CPC não seriam suficientes para tratar da matéria?
Cremos que a especificidade da execução fiscal exige norma
especial.
Existem três argumentos para suportar esse
entendimento. O primeiro decorre da natureza especial da tutela
executiva na execução fiscal. Trata-se de um processo que
ocorre entre partes assimétricas (no caso, o Estado e o
contribuinte), e não entre partes iguais, como no processo civil.
A Fazenda Pública possui diversas prerrogativas que não são
estendidas aos contribuintes, tais como: prazo em dobro;
reexame necessário em caso de sentença desfavorável;
intimação pessoal do representante da Fazenda, e o modo de
45

pagamento por meio de precatórios e requisições de pequeno


valor.
Em segundo lugar, a natureza do título executivo é
distinta. De um lado, na execução civil está se cobrando uma
dívida privada, enquanto que a execução fiscal possui, como
objeto, a cobrança de um crédito público.
Por último, não há identidade de princípios
fundamentais. A tutela executiva orienta-se, dentre os diversos
princípios aplicáveis, pelo princípio: a) da execução equilibrada
(art. 612, CPC); b) da proporcionalidade e adequação dos meios
executivos (art. 8o., CPC); c) da lealdade e boa-fé (art. 14, CPC)
e d) da responsabilidade (art. 776, CPC). Na execução fiscal,
dois princípios aparecem em contraposição: a supremacia do
interesse público e a proteção ao contribuinte; contudo, estes
devem estar orientados pelos princípios gerais do Processo
Civil. Não pode a execução fiscal estar à margem dos princípios
constitucionais, aplicáveis ao processo em geral.

Relação com o CPC: aplicação subsidiária

Um grande problema, oriundo da existência de uma


norma especial para reger a execução fiscal, decorre das
indagações de sua relação com as normas gerais de Processo
civil. O modelo de um duplo sistema é aquele em que ocorre a
convivência de normas gerais e especiais e surge com o período
abrangido pela vigência do DL n° 960/1938 e do CPC, de 1939.
46

O CPC, de 1973, adotará um modelo unitário até ao surgimento


da Lei n° 6.830/1980.
O DL n° 960/1938 afirmou a aplicação subsidiária do
CPC, de 1939, em seu art. 76, que determinava: “As justiças dos
Estados, do Distrito Federal e do Território do Acre, enquanto
não for promulgado o Código de Processo Civil, aplicarão
subsidiariamente, no processo e julgamento das causas a que se
refere esta lei, a legislação vigente” (grifos nossos). A partir da
publicação do CPC de 1939, este se tornou norma de aplicação
subsidiária obrigatória para as execuções fiscais, em substituição
às normas estaduais, locais ou processuais anteriores.
A Lei n° 6830/1980 se constituirá em norma especial
para as execuções fiscais, mantendo o CPC, de 1973, como
norma subsidiária. Desse modo, a execução fiscal ganhará
algumas regras específicas em relação ao modelo geral.
Determina expressamente o art. 1o. que: “A execução judicial ...
será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de
Processo Civil” (grifos nossos). A omissão na LEF será suprida
pelo recurso às normas processuais do CPC.
A presença de um duplo sistema de normas exige a
aplicação de critérios de solução de antinomias materiais e
temporais. Havendo norma especial, diversa da norma geral,
qual deverá prevalecer? Se houver edição posterior de norma
geral diversa, qual será a precedência?
Na presença de conflitos materiais, deve-se aplicar o
critério da especialidade, que determina que a lei especial
derroga a lei geral (lex specialis derogat generalis). Caso
47

ocorra a alteração de norma geral, deve-se verificar a coerência


entre esta e a norma especial. Assim, apesar de ser aplicável o
critério da especialidade para a solução de antinomias materiais,
deve-se observar, igualmente, o critério cronológico de que a lei
posterior derroga a lei anterior (lex posterior derogat legi
priori). Esse é o sentido do § 1o. art. 2o da Lei de Introdução às
Normas do Direito Brasileiro: “§ 1o. Não se destinando à
vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique
ou revogue”.
O conflito entre dois critérios, igualmente relevantes
(especialidade e cronologia), caracteriza-se como um conflito de
segundo grau e exige a aplicação de um metacritério de solução.
A primeira forma de solução seria identificar a existência da
precedência de um critério sobre o outro. A hierarquia entre
critérios pode, por analogia, utilizar-se do critério hierárquico
lex superior derogat lex inferior, ou seja, nesse caso estar-se-ia
admitindo que um critério é superior ao outro. Cremos que, se
não houver dispositivo legal expresso, convencionando uma
escolha, não há como afirmar ab initio essa prevalência. De
modo geral, tais critérios são aplicados por adequação ao caso e
não por relações de superioridade-inferioridade.
A escolha da prevalência da cronologia sobre a
especialidade poderia gerar a regra “a lei geral posterior
derroga a lei especial anterior” (lex generali posterior derogat
legi speciali priori). A escolha da prevalência da especialidade
sobre a cronologia poderia implicar a regra “a lei especial
anterior derroga a lei geral posterior” (lex speciali priori
48

derogat lex generali posteriori). Nenhuma das duas regras


admite universalização para todos os casos, ou seja, se aplica
integralmente sem exceções. Tal conclusão se demonstra pelo
fato de que nenhuma das duas soluções garante a coerência e
unidade do ordenamento jurídico. Não se pode afirmar, de modo
absoluto, que a lex posterior seja lex inferior a lex speciali. Tal
fato geraria um conflito aparente de terceiro grau e assim ad
infinitum. O Direito não pode comprometer-se com soluções
irrazoáveis.
Sendo assim, somente podemos admitir que, não
havendo uma solução imanente de prevalência, então deve-se
encontrar soluções de adequação conforme o caso. Tal
conclusão decorre do conceito de antinomia que exige o conflito
entre normas aplicáveis ao mesmo caso; contudo, as normas
jurídicas não expressam, apenas, comandos para regular
determinados comportamentos: elas veiculam igualmente
finalidades a serem alcançadas, valores e princípios. Se uma
regra geral é portadora de um novo modelo processual, de novos
princípios e valores implícitos, os mesmos casos deverão ser
interpretados de um modo diverso.
Tal situação ocorre claramente no momento atual, em
que a LEF foi elaborada sob a égide de um modelo processual
tecnicista-formalista, e o NCPC possui uma abordagem
pragmático-material, ou seja, em um outro modelo. Não se trata
de um conflito entre uma mera regra geral perante uma regra
especial, mas de uma nova norma geral, portadora de nova
concepção, perante uma norma especial ainda sob a égide do
49

antigo modelo. Nesse caso, o uso dos tradicionais critérios e


metacritérios de solução do concurso aparente de normas devem
ceder espaço para critérios de coerência.
Alguns autores propõem como solução a aplicação da
Teoria do Diálogo das Fontes. Esta propõe um método de
solução, fundado na ideia de coordenação entre as normas do
sistema jurídico, de tal modo que a solução deve ser buscada
com base na convivência das normas e não apenas na sua
retirada do mundo jurídico (revogação). O restabelecimento da
coerência normativa dar-se-ia pela prevalência das finalidades
normativas. Essa teoria, adotada pela Profa. Cláudia Lima
Marques, é exemplificada no caso do conflito entre o CDC e o
CC, em que a solução adequada ocorre pela prevalência das
normas gerais supervenientes mais favoráveis ao consumidor
sobre as normas especiais vigentes2.
Em nosso entender, deve ser procurada uma orientação
mais segura para a solução de conflitos de segunda ordem.
Sugerimos, a título de exame, o uso de um critério finalístico
para a solução dessa antinomia. A norma portadora de princípios
mais amplos deve preferir à norma de aplicação mais restrita.
Assim, uma norma geral mais favorável ao contribuinte deve
preferir a uma norma especial mais restritiva. Uma norma geral
menos onerosa ao executado deve preferir a uma norma especial
mais gravosa, e assim por diante. O critério finalístico deve ser
utilizado para restabelecer a coerência normativa pelo
reencontro da ratio do ordenamento jurídico, pela análise da

2
REsp 1.184.765.
50

eficácia normativa e não apenas de sua estrutura. Como


exemplo, poderíamos citar a recepção da LEF pelo novo texto
constitucional, ou pelo NCPC. O intérprete deve encontrar
formas de manter o texto especial anterior e, ao mesmo tempo,
garantir a máxima eficácia possível do novo texto geral. Trata-se
da aplicação do critério de subsidiariedade, em que a norma
especial, na condição de norma subsidiária da norma geral, deve
obediência a esta. A aplicação da norma especial deve procurar
garantir a adequada produção de efeitos do texto geral da norma
geral. Assim, a solução pode dar-se não apenas pela mera
revogação da norma, mas igualmente pela sua reinterpretação
conforme.

Do conflito entre a LEF e o CPC, de 1973

A LEF possuía poucos casos de conflitos com o CPC,


de 1973. Havia uma coerência geral entre os dois textos. Ambos
eram elaborados sob o mesmo modelo processual formalista e
tecnicista. Ambos haviam sido editados sob o mantra do
princípio da supremacia do interesse público sobre o privado e
sob a égide de uma Constituição outorgada.
Apenas alguns casos podem ser relatados de conflito
aparente, dentre os quais podemos citar:
- a diferença na ordem de bens submetidos à
penhora no art. 11 da LEF e no art. 655 do CPC;
- as regras do CPC sobre a duplicidade de leilões se
aplicam às execuções fiscais; assim, se o primeiro leilão não
51

tiver lance superior ao previsto (REsp 201.384/SP), será nula a


arrematação por preço vil (REsp 94.796/SP);
- aplica-se o art. 284 do CPC, que possibilita a
emenda da inicial, em face da ausência de disposição expressa
no art. 1o. da LEF (REsp 251.213/SP);
- diversidade de prazos, para a contagem do prazo,
para oposição de embargos. Havendo norma na LEF expressa
(art. 16, inc. II), não se pode falar em aplicação subsidiária do
CPC.

Tal situação será, substancialmente, diferente com a


alteração produzida pela Lei n° 11.383/2006, que trouxe
modificações às normas de execução de título extrajudicial.
Do conflito entre a LEF e a Lei n. 11.383/2006

A Lei n°11.382/2006 alterou a sistemática da execução


de título extrajudicial do CPC/73. A necessidade de
compatibilização da LEF com essas novas alterações surge em
diversos dispositivos. Citamos, a título de exemplos, os
seguintes casos: i) início do prazo para embargos; ii) atribuição
de efeitos suspensivos aos embargos, e iii) da necessidade de
garantia do juízo para interposição de embargos.
O início do prazo para embargos está estabelecido no
art. 738 do CPC, com a redação da Lei n° 11.382/2006, e no art.
16 da LEF. Esta última determina o prazo de 30 (trinta) dias
para o oferecimento de embargos, contados da juntada da prova
de fiança, ou da intimação da penhora. O CPC, diversamente,
52

passou a estabelecer o prazo de 15 dias, contado da juntada, aos


autos, do mandado de citação. No presente caso, não há omissão
da lei especial sobre o assunto, não cabendo cogitar-se da
aplicação subsidiária do CPC. Tampouco há, no novo
dispositivo geral, norma menos gravosa ao executado, que
justifique o afastamento da regra especial. Nesse caso, prevalece
a norma da LEF, perante a alteração conduzida pela Lei n°
11.382/20063.
O segundo ponto de divergência, entre a LEF e a Lei n°
11.382/2006, é quanto à atribuição automática de efeitos
suspensivos aos embargos à execução fiscal. A nova regra
processual no art. 739-A determinou, expressamente, que “os
embargos do executado não terão efeito suspensivo” e os
condicionou à presença de relevantes fundamentos, presença de
grave dano de difícil ou incerta reparação ao executado, ou
desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito
ou caução suficientes. Note-se que, nesse caso, inexistia regra
expressa na LEF quanto à atribuição de efeitos às execuções
fiscais.
A doutrina e a jurisprudência se dividiram quanto ao
tema. De um lado, há autores que defendem que, em presença de
omissão na LEF, deve-se aplicar o CPC alterado. Nesse sentido,
encontramos José Eduardo Soares de Mello. Em sentido oposto,
defendem que a LEF garante o efeito suspensivo automático
Ives Gandra da Silva Martins, Hugo de Brito Machado. Para

3
Parecer da PGFN n. 1732/2007 e REsp. repetitivo 1.112.416/MG.
53

esses autores, existem dispositivos expressos na LEF, que


determinam que a execução fiscal somente prosseguirá nos
casos de embargos não opostos ou rejeitados. Dispõe,
expressamente, a LEF, em seu art. 16 que: “o executado
oferecerá embargos, no prazo de 30 (trinta) dias, contados: § 1º -
Não são admissíveis embargos do executado antes de garantida
a execução”. Os embargos exigem a prestação de garantia, e
esta, por sua vez, determina a suspensividade da execução. O
art. 19 determina que: “não sendo embargada a execução ou
sendo rejeitados os embargos, no caso de garantia prestada por
terceiro, será este intimado, sob pena de contra ele prosseguir a
execução nos próprios autos [...]”. Concordamos com esse
posicionamento. A aplicação do novo regime processual geral
altera a sistemática da LEF e produz efeito restritivo de direitos
do executado, motivo pelo qual não poderia ser aplicado.
O STJ definiu seu entendimento no julgamento do
REsp repetitivo 1.272.827-PE, no sentido de estender os efeitos
do art. 739-A do CPC às execuções fiscais.
Por fim, cabe analisar a exigência de garantia do juízo
para interposição de embargos. O art. 737 do CPC, de 1973,
determinava que: “não são admissíveis embargos do devedor
antes de seguro o juízo [...]”. Essa regra foi abolida pela Lei n.
11.382/2006. Questiona-se se essa nova regra seria extensível às
execuções fiscais. Cremos que sim. Lembremo-nos de que o
sistema executivo processual estava unificado sob a égide do
CPC, de 1973, sendo posteriormente destacado, em duas normas
diversas, com a edição da Lei n. 6.830/80. A norma especial
54

praticamente não detinha conflitos aparentes com o CPC


vigente, nem quanto aos princípios e nem quanto aos principais
dispositivos. A Lei n. 11.382/2006 criou um novo modelo
executivo e, como tal, deve ser interpretada pelo critério
finalístico dessas novas regras e não apenas pelos critérios
clássicos de especialidade e cronologia. A norma geral mais
benéfica deve ser extensível às normas especiais, porque estas
são subsidiárias àquelas.
Não foi essa a interpretação que prevaleceu. O STJ, no
julgamento do REsp 1.272.827/PE, em sede de repetitivo,
pacificou o tema, determinando que, para a concessão do efeito
suspensivo, sejam demonstrados o fumus boni juris e o
periculum in mora. Cabe ressaltar que a OAB ingressou com
uma Ação de Declaração de Inconstitucionalidade (ADI 5165),
objetivando declarar inconstitucionalidade parcial, sem redução
do texto do art. 739-A, do CPC, em sua aplicação às execuções
fiscais.

Do conflito entre a LEF e o NCPC

O impacto do NCPC nas execuções fiscais será


profundo e merece uma análise detida. Os presentes comentários
à LEF detalharão cada modificação relevante em cada um dos
artigos comentados, de tal sorte que pretendemos, neste
momento, tão somente verificar as principais mudanças gerais
do regime da tutela executiva pelo novo NCPC e suas aplicações
55

à LEF e, de outro lado, os critérios interpretativos de solução de


conflitos aparentes de normas.
O NCPC incorporou inúmeras inovações ao modelo
processual vigente, especialmente no sentido de adequar o
processo aos fundamentos da Constituição de 1988. Passa-se de
um modelo processual, formalista-tecnicista, para um modelo
pragmático-substancial. A noção de primazia do interesse
público é substituída pela diretriz de primazia dos direitos
fundamentais. O interesse público deve ser relido pela ótica da
realização da dignidade da pessoa humana, em todos os seus
aspectos.
Destacam-se, como pilares dessa nova visão, a busca da
solução consensual dos conflitos; o direito de obter, em prazo
razoável, a solução integral do mérito, incluída a atividade
satisfativa; a consagração da boa-fé das partes no processo; o
direito a uma decisão de mérito, justa e efetiva; a garantia do
direito à paridade de tratamento em relação ao exercício de
direitos e faculdades processuais, aos meios de defesa, aos ônus,
aos deveres e à aplicação de sanções processuais; o
reconhecimento do princípio da proporcionalidade, da
razoabilidade e da eficiência como meios de controle dos atos
processuais.
Diversas são as novas regras inovadoras, previstas no
NCPC, que terão impacto sobre a execução fiscal, em que
podemos listar exemplificativamente: o dever de fundamentação
das decisões, sob pena de nulidade; respeito à ordem
cronológica de conclusão, para proferir sentença ou acórdão;
56

faculdade dos advogados em promover a intimação do advogado


da outra parte, por meio do correio, juntando aos autos, a seguir,
cópia do ofício de intimação e do aviso de recebimento,entre
outras tantas novidades.
O impacto do NCPC sobre a LEF dá-se em um duplo
efeito: primeiro, pela mudança dos princípios gerais que regem a
tutela executiva e, segundo, pelas novas regras introduzidas.
A nova Parte Geral do NCPC tem aplicabilidade
imediata e abrangente sobre todos as leis processuais vigentes,
inclusive sobre a LEF. A execução fiscal deve ficar atenta a essa
mudança de modelo e incorporar, em sua interpretação, uma
perspectiva de supremacia dos direitos fundamentais.
O NCPC determina que a sua aplicação ocorrerá nos
casos de omissão normativa, inclusive nos processos fiscais, de
forma supletiva e subsidiária (“art. 15. Na ausência de normas
que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou
administrativos, as disposições deste Código lhes serão
aplicadas supletiva e subsidiariamente”). Nada impede que a
nova norma seja aplicada, inclusive, nos casos de presença de
regra especial antinômica.
As novas regras introduzidas devem ser analisadas pelo
critério de conformidade com a finalística do NCPC. Assim,
deve-se aplicar uma análise em testes de conformidade. A nova
norma geral deve ser aplicada apesar da presença de norma
especial diversa? A manutenção da regra especial perante a
norma geral implicará ofensa ao novo regime processual? O
afastamento da regra geral poderá implicar um resultado
57

incoerente com o novel modelo processual? No caso de ausência


de norma especial, a norma geral é adequada para tratar da
matéria específica? Trata-se de questões de difícil solução a
priori, que exigirão o trabalho árduo de concreção judicial.

Do conflito entre a LEF e o CTN

A LEF pode ter conflitos com outras normas no


Ordenamento Jurídico e não apenas com o CPC. Um exemplo
claro dessa situação ocorre no atrito entre a LEF e as disposições
do CTN.
As relações entre a LEF e o CTN não são regidas pelo
critério da hierarquia, como aparentemente poder-se-ia pensar.
O STF decidiu, em inúmeras ocasiões (RE 377.457), que
inexiste relação de hierarquia entre leis ordinárias e leis
complementares. Esse entendimento deve ser respeitado nessa
análise, apesar de termos posicionamento diverso. Para a Corte
Suprema, as relações entre essas normas são de especialidade e
não de hierarquia, e o critério a ser utilizado é do/da lex specialis
derogat legi generali. Na presença de duas normas especiais de
mesma hierarquia, e que versem sobre os mesmos fatos
jurídicos, deve ser aplicado, novamente, um critério de
resolução de conflitos. Nesse caso, a solução de segundo grau
deve utilizar-se do critério cronológico. Na presença de duas
normas especiais de igual estatura, deve prevalecer aquela mais
recente.
58

Como exemplo, podemos citar o caso da alteração da


Lei Complementar nº 118, de 9 de setembro de 2005, que
alterou o art. 185 do CTN e passou a dar novo tratamento ao
caso da fraude fiscal. O novo dispositivo passou a dispor da
seguinte forma:
Art. 185 – Presume-se fraudulenta a
alienação ou oneração de bens ou rendas,
ou seu começo, por sujeito passivo em
débito para com a Fazenda Pública, por
crédito tributário regularmente inscrito
como dívida ativa.
Parágrafo único. O disposto neste artigo
não se aplica na hipótese de terem sido
reservados, pelo devedor, bens ou rendas
suficientes ao total pagamento da dívida
inscrita.
O novo texto suprimiu a expressão "em fase de
execução", retirando a exigência desse requisito para a
configuração da fraude. Antecipou-se o termo inicial da
presunção de fraude para o momento da inscrição em dívida
ativa. O STJ decidiu a matéria, em sede de repetitivos, no
julgamento do REsp 1.141.990/PR, de modo que se aplica
imediatamente o novo regime após a entrada em vigor da norma.
Não é possível aplicar a nova redação do art. 185 do CTN às
situações anteriores à entrada em vigor da norma, com base no
princípio tempus regit actum4.

Legitimidade activa ad causam

4
EDcl no AgRg no Ag 1.019.882/PR.
59

A legitimidade activa ad causam se distingue da


legitimidade ad processum. O direito material à capacidade
postulatória ativa em um processo, e o segundo caso trata da
capacidade para realizar determinados atos processuais. Trata-se
de um dos requisitos para o que era entendido pela doutrina de
capacidade de agir.
Possuem legitimidade ativa ad causam: União,
Estados, Distrito Federal, Municípios e respectivas autarquias.
Essa regra não se aplica às autarquias que exerçam funções
tipicamente econômicas, como, por exemplo, o Banco Regional
de Desenvolvimento Econômico (BRDE).
Possuem, igualmente, legitimidade os Conselhos
Profissionais para a cobrança de suas respectivas contribuições,
conforme a Súmula n° 66 do STJ, que determina que: “compete
a justiça federal processar e julgar execução fiscal promovida
por conselho de fiscalização profissional”. Os Conselhos têm
essa prerrogativa processual em decorrência de sua natureza
autárquica5. O STJ já decidiu pela impossibilidade de simples
exclusão, de seus quadros, profissionais registrados que estejam
inadimplentes6.
A OAB ainda não tem a sua natureza completamente
definida. O STF, no julgamento da ADI 3.026, de Relatoria do
Min. Eros Grau, entendeu que esta não se caracteriza como
autarquia, ou como órgão da Administração Pública Federal
indireta. As anuidades da OAB não possuem natureza

5
ADIN 1.717-6/DF e MS 22.643-9-SC.
6
REsp 552.894/SE.
60

tributária7. As contribuições da OAB devem ser cobradas por


meio de execução disciplinada no CPC e não pela LEF8.
As Fundações são consideradas como entidades
autárquicas e têm legitimidade ativa para ingressar com a
execução fiscal. São qualificadas como entidades
governamentais dotadas de capacidade administrativa,
integrantes da administração descentralizada.
Não têm legitimidade ad causam as empresas públicas
e as sociedades de economia mista. Essa vedação permanece
mesmo no caso das empresas concessionárias ou
permissionárias dos serviços públicos, mesmo para a realização
de serviços essenciais e contratados na modalidade licitatória. A
delegação dos serviços por si só não implica na ampliação do
direito material à postulação de direito em juízo. Caso diverso é
o da possibilidade de representação judicial em juízo, por parte
de um terceiro. Nesse caso, a legitimidade ativa permanece,
sendo exclusiva do ente público e ocorre uma autorização para a
representação processual, com base em convênio, ou por outro
ato administrativo.
A Caixa Econômica Federal (CEF) pode atuar na
condição de substituto processual da União, para realizar a
cobrança de FGTS, nos termos do art. 2o. da Lei nº 8.844/949.

7
EREsp 503.252/SC, Rel. p/ acórdão Min. Castro Meira.
8
REsp 447.124/SC.
9
“Art. 2º Compete à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional a inscrição em
Dívida Ativa dos débitos para com o Fundo de Garantia do Tempo de
serviço - FGTS, bem como, diretamente ou por intermédio da Caixa
Econômica Federal, mediante convênio, a representação Judicial e
extrajudicial do FGTS, para a correspondente cobrança, relativamente à
61

Não possuirá as prerrogativas processuais da Fazenda Pública,


tais como prazo processual em dobro, ou intimação pessoal10.
As instituições privadas podem transferir seus créditos
para a administração pública11, para que estas realizem a
execução fiscal desses créditos.

Interessados

O STJ sumulou o entendimento pela desnecessidade de


intervenção do MP nas execuções fiscais, em face do caráter
patrimonial e disponível dessas demandas, conforme dispõe a
Súmula 189 do STJ.

contribuição e às multas e demais encargos previstos na legislação


respectiva” (Redação dada pela Lei nº 9.467, de 1997).
10
REsp 1.117.438/RS.
11
EREsp 537.559.
62

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 2°° E 3°°


Martin da Silva Gesto∗

Art. 2º - Constitui
Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como
tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março
de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas
gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos
Municípios e do Distrito Federal.
§ 1º - Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às
entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida
Ativa da Fazenda Pública.
§ 2º - A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a
tributária e a não tributária, abrange atualização monetária,
juros e multa de mora e demais encargos previstos em lei ou
contrato.


Mestre em Direito pela PUCRS. Pós-Graduado em Direito Público pela
PUCRS. Pesquisador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em
Direito Tributário – PUCRS. Conselheiro do CARF. Advogado licenciado.
63

§3º - A inscrição, que se constitui no ato de controle


administrativo da legalidade, será feita pelo órgão
competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e
suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por
180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta
ocorrer antes de findo aquele prazo.
§ 4º - A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na
Procuradoria da Fazenda Nacional.
§ 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:
I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que
conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;
II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e
a forma de calcular os juros de mora e demais encargos
previstos em lei ou contrato;
III - a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual
da dívida;
IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à
atualização monetária, bem como o respectivo fundamento
legal e o termo inicial para o cálculo;
V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida
Ativa; e
VI - o número do processo administrativo ou do auto de
infração, se neles estiver apurado o valor da dívida.
§ 6º - A Certidão de Dívida Ativa conterá os mesmos
elementos do Termo de Inscrição e será autenticada pela
autoridade competente.
64

§ 7º - O Termo de Inscrição e a Certidão de Dívida Ativa


poderão ser preparados e numerados por processo manual,
mecânico ou eletrônico.
§ 8º - Até a decisão de primeira instância, a Certidão de
Dívida Ativa poderá ser emendada ou substituída,
assegurada ao executado a devolução do prazo para
embargos.
§ 9º - O prazo para a cobrança das contribuições
previdenciárias continua a ser o estabelecido no artigo 144
da Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960.
1. Evolução legislativa e remissões legais

O artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais – LEF (Lei nº


6.830, de 22 de setembro de 1980) apresenta em seu caput
remissão a Lei nº 4.320/64 ao disciplinar que constitui Dívida
Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não
tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as
alterações posteriores. A referida legislação estatuiu normas
gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos
orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e
do Distrito Federal. Pretendeu o legislador, portanto, definir o
que seria a Dívida Ativa da Fazenda Pública.
Analisando o artigo 9º da legislação que se fez
referência no caput do dispositivo em questão (Lei nº 4.320/64),
verifica-se que nela há um conceito de tributo, definido como
sendo tributo “a receita derivada instituída pelas entidades de
direito público, compreendendo os impostos, as taxas e
65

contribuições nos termos da constituição e das leis vigentes em


matéria financeira, destinando-se o seu produto ao custeio de
atividades gerais ou especificas exercidas por essas entidades”.
Ainda, estabeleceu a mencionada legislação no § 2º do artigo 39,
incluído pelo Decreto Lei nº 1.735/79, que Dívida Ativa
Tributária“é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza,
proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos
adicionais e multas”, e por sua vez, que Dívida Ativa não
Tributária se compreende“os demais créditos da Fazenda
Pública, tais como os provenientes de empréstimos
compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de
qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros,
laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais,
preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos,
indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis
definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de
obrigações em moeda estrangeira, de subrogação dehipoteca,
fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras
obrigações legais”.
O Decreto-Lei nº 960, de 17 de dezembro de 1938, que
foi a primeira consolidação no Brasil de normas atinentes a
execução fiscal, disciplinava em seu artigo 1º que por dívida
ativa entende-se a proveniente de impostos, taxas, contribuições
e multas de qualquer natureza; foros, laudêmios e alugueres;
alcances dos responsáveis e reposições. Ainda, disciplinou o
referido Decreto-Lei que a dívida proveniente de contrato será
cobrada pela mesma forma, quando assim for convencionado.
66

Também em referência a Lei nº 4.320/64, destaca-se o


§ 2º do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais, por ter esse
origem na redação do § 4º do art. 39 da Lei nº 4.320/64, incluído
pelo Decreto Lei nº 1.735/79, que assim dispõe: “A receita da
Dívida Ativa abrange os créditos mencionados nos parágrafos
anteriores, bem como os valores correspondentes à respectiva
atualização monetária, à multa e juros de mora e ao encargo de
que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de outubro de
1969, e o art. 3º do Decreto-lei nº 1.645, de 11 de dezembro de
1978”. Ainda, importa referir que o § 4º do art. 2º da Lei de
Execuções Fiscais possui idêntica redação do § 5º do art. 39 da
Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, incluído pelo Decreto Lei
nº 1.735/79. Sendo a Lei de Execuções fiscais de 1980, denota-
se que houve uma reprodução do texto legal que havia sido
incluído no ano anterior.
O Código Tribunal Nacional – CTN (Lei nº 5.172, de
25 de outubro de 1966) também serviu de inspiração ao
legislador para este fazer a redação do § 5º do art. 2º da Lei de
Execuções Fiscais. A redação deste foi uma evolução legislativa
do art. 202 do CTN, que segue abaixo transcrito:
Art. 202. O termo de inscrição da dívida
ativa, autenticado pela autoridade
competente, indicará obrigatoriamente:
I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos
co-responsáveis, bem como, sempre que
possível, o domicílio ou a residência de um e
de outros;
II - a quantia devida e a maneira de calcular
os juros de mora acrescidos;
67

III - a origem e natureza do crédito,


mencionada especificamente a disposição
da lei em que seja fundado;
IV - a data em que foi inscrita;
V - sendo caso, o número do processo
administrativo de que se originar o crédito.
Parágrafo único. A certidão conterá, além
dos requisitos deste artigo, a indicação do
livro e da folha da inscrição.

No entanto, a redação do art. 202 do CTN remonta ao


Decreto-Lei nº 960, de 17 de dezembro de 1938, onde
estabeleceu-se as condições para considerar uma dívida líquida e
certa, devendo ela consistir em quantia fixa e determinada,
sendo necessário ainda estar regularmente inscrita em livro
próprio na repartição fiscal. Dentre os requisitos, estão que a
certidão de dívida deveria conter: a) a sua origem e natureza; b)
a quantia devida; e) o nome do devedor e, sempre que possível,
o seu domicílio, ou residência; d) o livro, folha e data em que foi
inscrita; e) o número do processo administrativo, ou do auto de
infração, quando deles se originar a dívida.
Contudo, deve ser observado o disposto no Código
Tribunal Nacional, o qual estabelece em seu artigo 203 que a
omissão de quaisquer dos requisitos previstos no artigo anterior
(qual seja, o artigo 202, que possui similar redação ao §5º do
artigo 2º da LEF), ou o erro a eles relativo, são causas de
nulidade da inscrição e do processo de cobrança dela decorrente.
Ainda, trata o referido dispositivo legal que a nulidade poderá
ser sanada até a decisão de primeira instância, mediante
substituição da certidão nula, devolvido ao sujeito passivo,
68

acusado ou interessado o prazo para defesa, que somente poderá


versar sobre a parte modificada.
Remissões Legais: Artigo 39 da Lei nº 4.320/64; artigo 144 da
Lei nº 3.807/60 e artigos 174, 202 e 203 do CTN.

2. Conceitos Principais

Nos termos do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais,


constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como
tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de
1964 e alterações posteriores. Desta forma, podem ser inscritos
em dívida ativa todas dívidas que se constituem de tributos, os
quais seriam, adotando-se a quinquipartite (ou pentapartida), os
impostos, as taxas, as contribuições especiais, as contribuições
de melhoria e os empréstimos compulsórios, bem como aquelas
dívidas de natureza não tributária, tais como foros, laudêmios,
alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de
serviços prestados por estabelecimentos públicos, multas pelo
exercício de poder de polícia, indenizações, multas contratuais,
entre outros.
Para os autores Paulsen, Ávila e Sliwka12, a
importância da distinção entre créditos tributários e os não
tributários se dá em razão de que quanto aos créditos tributários
há dispositivos da Lei de Execuções Fiscais que são
inaplicáveis, diante da prevalência das normas gerais de direito

12
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 187.
69

tributário constantes no Código Tributário Nacional. Necessário


referir que o CTN, embora seja originariamente uma lei
ordinária, recebeu a referida lei posteriormente o status de lei
complementar.
Faz jus a menção que o § 2º do art. 4º da Lei de
Execuções Fiscais determina que se aplicam à Dívida Ativa da
Fazenda Pública, de qualquer natureza, as normas relativas a
responsabilidade prevista na legislação tributária, civil e
comercial, sendo disposto no § 4º do mesmo artigo que se aplica
à Dívida Ativa da Fazenda Pública de natureza não tributária o
disposto nos artigos 186 e 188 a 192 do Código Tributário
Nacional. Portanto, tem-se, por determinação legal, a
possibilidade de aplicação dos dispositivos do CTN em relação a
responsabilidade e privilégios.
O § 2º do artigo 2º da Lei de Execuções Fiscais define a
composição da Dívida Ativa da Fazenda Pública, abrangendo
ela, seja de natureza tributária ou não tributária, atualização
monetária, juros e multa de mora, bem como demais encargos
previstos em lei ou contrato. Conforme já mencionado, a
redação do § 4º do art. 39 da Lei nº 4.320/64, incluído pelo
Decreto Lei nº 1.735/79, já tratava desta matéria, sendo, pela
referida legislação, a receita da Dívida Ativa abrangida pelo
valor principal da dívida, bem como os valores correspondentes
à respectiva atualização monetária, à multa e juros de mora e ao
encargo de que tratam o art. 1º do Decreto-lei nº 1.025, de 21 de
outubro de 1969, e o art. 3º do Decreto-lei nº 1.645, de 11 de
dezembro de 1978. Desse modo, “a dívida, apurada com todos
70

os seus acréscimos, torna a denominação de dívida


consolidada”13.
A Súmula CARF nº 4 consolidou a jurisprudência dos
julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no
sentido de que a partir de 1º de abril de 1995, os juros
moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados
pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de
inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Era
também neste caminho a Súmula nº 4 do antigo 3º Conselho de
Contribuintes. Tal entendimento já se encontra consolidado
também nos Tribunais Regionais Federais, bem como no
Superior Tribunal de Justiça, possuindo já acórdão julgado sob a
sistemática do dispositivo 543-C do CPC/73
(REsp1.073.846/SP, Relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado em
25/11/2009, DJe 18/12/2009).
Desse modo, aos créditos tributários em atraso,
aplicável a utilização da taxa Selic14 para efeito de correção
monetária e juros. A taxa Selic, expressa sob a forma anual com

13
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 196.
14
Para o Banco Central do Brasil, define-se taxa Selic como a taxa média
ajustada dos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de
Liquidação e de Custódia (Selic) para títulos federais. Para fins de cálculo
da taxa, são considerados os financiamentos diários relativos às operações
registradas e liquidadas no próprio Selic e em sistemas operados por
câmaras ou prestadores de serviços de compensação e de liquidação (art. 1°
da Circular n° 2.900, de 24 de junho de 1999, com a alteração introduzida
pelo art. 1° da Circular n° 3.119, de 18 de abril de 2002).
71

duas casas decimais, é calculada de acordo com a seguinte


fórmula15:

n: número de operações que compõem a


base de cálculo;
Rj: valor financeiro da recompra/revenda
da j-ésima operação compromissada; e
Ij: valor financeiro da compra/venda da
j-ésima operação compromissada.

Assim, a taxa Selic constitui índice para atualizar,


conjuntamente, a dívida tributária (tributos federais) tanto em
correção monetária,quanto em juros de mora, não devendo ser
esta cumulada com outros índices de atualização ou taxa de
juros.
Ainda sobre a questão dos juros moratórios, há a
Súmula CARF nº 5, a qual dispõe que são devidos juros de mora
sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento,
ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir
depósito no montante integral. Logo, o não recolhimento aos
cofres públicos de determinado tributo, ainda que por força de
uma decisão judicial, ensejará a incidência de juros sobre o valor
não pago, a menos que o valor sub judice esteja integralmente

15
A metodologia de cálculo da taxa Selic encontra-se atualmente
regulamentada pelo Banco Central do Brasil, nos termos da Circular n°
3.671, de 18 de outubro de 2013.
72

depositado em juízo. Caso o depósito não seja integral, denota-


se razoável que os juros somente incidam sobre o saldo devedor
não depositado, ou haveria enriquecimento sem causa por parte
do Fisco.
Quanto a multa que irá compor a dívida consolidada,
deverá ela ser não-confiscatória, não sendo razoável que a multa
de ofício supere o valor do próprio tributo (ou seja, multa de
ofício superior a 100%), sob pena de possuir ela efeito de
confisco. A multa moratória, sendo esta a decorrente do atraso
pelo pagamento do tributo, igualmente deve atender a limites da
razoabilidade, não podendo assumir caráter abusivo, sendo o
limite de 20%, estabelecido pelo art. 61, § 2º, da Lei nº
9.430/96, situado na divisa entre a punição severa e o excesso
vedado16.
Em relação a incidência de juros sobre a multa, o
Conselho Administrativo de Recursos Fiscais possui decisões
para ambas as correntes. Assim, entendendo por afastar a
incidência de juros sobre a multa, temos o Acórdão nº 1102-
00.060 (julgado na sessão de 28/08/2009), onde a Conselheira
Sandra Maria Faroni, bem sintetiza a argumentação que permite
a conclusão pela não incidência dos juros sobre a multa de
ofício, vejamos:
A obrigação tributária pode ser principal,
consistindo em obrigação de dar (pagar
tributo ou multa) e acessória, obrigação de

16
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 202.
73

fazer (deveres instrumentais). De acordo


com o art. 139 do CTN, o crédito tributário
decorre da obrigação principal e tem a
mesma natureza desta. Portanto,
compreendem-se no crédito tributário o
valor do tributo e o valor da multa.
O Decreto-lei n° 1.736/79 determinou a
incidência dos juros de mora sobre o "valor
originário", definindo como "valor
originário" o débito, excluídas apenas as
parcelas relativas a correção monetária,
juros de mora, multa de mora e encargo do
DL 1.025/69. Ou seja, não previu a exclusão
da multa de oficio.
O art. 161 do CTN determina que o crédito
não integralmente pago no vencimento é
acrescido de juros de mora, seja qual for o
motivo determinante da falta, ressalvando
apenas a pendência de consulta formulada
dentro do prazo legal para pagamento do
crédito. Seu § 1° determina que, se a lei não
dispuser de forma diversa, os juros de mora
são calculados à taxa de um por cento ao
mês.
No caso de multa por lançamento de oficio,
seu vencimento é no prazo de 30 dias
contados da ciência do auto de infração.
Assim, o valor da multa lançada, se não
pago no prazo de impugnação, sujeita-se
aos juros de mora.
Além dos artigos 2° e 3° do DL 1.736/79,
tratam dos juros de mora os seguintes
dispositivos de leis ordinárias: Lei 8.383/91,
art. 59; Lei 8.981/95, art. 13; Lei 9.430/96,
art. 5°, § 3°, art. 43, parágrafo único e art.
61, § 3°, Lei n° 10.522/2002, (cuja origem
foi a MP 1.621-31/98), arts. 29 e 30.
O artigo 61 da Lei 9.430/96 regula a
incidência de acréscimos moratórios sobre
débitos decorrentes de tributos e
contribuições cujos fatos geradores
ocorrerem a partir de 01 de janeiro de 1997,
não alcançando, pois, a multa por
lançamento de oficio, uma vez que:
74

(a) a multa não decorre do tributo, mas do


descumprimento do dever legal de pagá-lo;
(b) entendimento contrário implicaria
concluir que sobre a multa de oficio incide a
multa de mora.
O artigo 30 da Lei 10.522/2002 determina a
submissão, a partir de 10 de janeiro de
1997, a juros de mora calculados segundo a
Selic, dos débitos cujos fatos geradores
tenham ocorrido até 31 de dezembro de
1994 e que não tenham sido objeto de
parcelamento, e dos créditos inscritos na
Dívida Ativa da União.
Em síntese, em se tratando de débitos de
tributos cujos fatos geradores ocorreram a
partir de 1° de janeiro de 1995 só há
dispositivo legal autorizando a cobrança de
juros de mora à taxa SELIC sobre multa no
caso de multa lançada isoladamente; não
porém quando ocorrer a formalização da
exigência do tributo acrescida da multa
proporcional. Nesse caso, só podem incidir
juros de mora à taxa de 1%, a partir do
trigésimo dia da ciência do auto de
infração, conforme previsto no § 1° do art.
161 do CTN.

Neste sentido, também há decisão da Câmara Superior


de Recursos Fiscais, conforme se verifica pelo Acórdão nº 9101-
00.722 (1ª. Turma da CSRF), julgado na sessão de 8 de
novembro de 2010, de relatoria da Conselheira Karem Jureidini
Dias. A fundamentação do referido acórdão da 1ª. Turma da
CSRF é de que a regra veiculada pelo art. 61 da Lei n° 9.430/96
refere-se à incidência de acréscimos moratórios sobre “débitos
decorrentes de tributos e contribuições”, sendo certo que a
penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição,
mas do descumprimento do dever legal de declará-lo e/ou pagá-
75

lo, de onde se extrai a conclusão de ser inaplicável os juros de


mora a taxa Selic sobre a multa de oficio. Assim, a conclusão é
de que a taxa Selic só incidirá sobre multas isoladas, aplicadas
nos termos do art. 43 da Lei nº 9.430/97.
Por outro lado, em sentido diverso, pela incidência de
juros sobre a multa de ofício, temos o acórdão nº 9303-003.477
(3ª. Turma da CSRF), de relatoria do Conselheiro Henrique
Pinheiro Torres, julgado em 26/02/2016, onde se compreendeu
que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo
à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento,
está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic
até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de
pagamento. Por oportuno, transcreve-se trecho do voto do
Conselheiro Márcio Henrique Sales Parada, redator designado
do acórdão nº 2202-003.379 (2ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara
da 2ª. Seção do CARF), julgado em 10/05/2016, onde são
apresentados os fundamentos desta corrente doutrinária:
De acordo com o artigo 113, § 1º do CTN, a
obrigação principal surge com a ocorrência
do fato gerador, tem por objeto o
pagamento de tributo ou penalidade
pecuniáriae extingue-se juntamente com o
crédito dela decorrente.
Entendo que obrigação e crédito tributário
são duas faces da mesma moeda, sendo que
o crédito nada mais é que a própria
obrigação, tornada líquida, certa e exigível,
pelo lançamento.
Nesse sentido, o artigo 139 do Códex estatui
que o crédito tributário decorre da
obrigação principal e tem a mesma natureza
desta. Mais adiante, o artigo 161 traz que o
crédito não integralmente pago no
76

vencimento é acrescido de juros de mora,


seja qual for o motivo determinante da falta.
Enquanto as obrigações acessórias têm por
objeto as prestações positivas (fazer) ou
negativas (deixar de fazer), a obrigação
principal constitui-se sempre em "dar" uma
importância em moeda. Mesmo sabendo que
"multa" (sanção) não é tributo, conforme
conceito disposto no artigo 3º do CTN, o
legislador quis que a obrigação de dar, ou
seja, aquela dita principal, tivesse como
objeto tanto o tributo quanto a multa, dita
"penalidade pecuniária". Está escrito no §
1º do artigo 113.
Assim, "crédito tributário", que tem a
mesma natureza da obrigação que o
precede, também conforme expresso no
artigo 139, engloba tanto o tributo, quanto a
multa, que a ele se vincula.
E esse "crédito tributário", ou seja, tanto o
tributo quanto a multa, será acrescido de
juros de mora, quando não pago no
vencimento, como também está expresso no
artigo 161.
A única diferença reside no termo a quo
para aplicação dos juros. Sobre o tributo,
desde o seu vencimento, na forma da lei;
sobre a multa, desde a constituição do
crédito, pelo lançamento, com a lavratura
do auto de infração.
Não é possível que o valor da multa fique
congelado no tempo. Assim, conclui-se que
a multa fiscal de natureza punitiva integra a
obrigação tributária principal (art. 113) e,
assim, o crédito tributário (artigo 139),
estando sujeita à incidência de juros de
mora (artigo 161, todos do CTN).

Estando o débito constituído, necessário que seja


realizada a inscrição deste em dívida ativa, nos termos do § 3º
do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, para que o ente público
77

possa proceder a cobrança deste débito, através de uma


execução fiscal. Deste modo, procede-se a inscrição, que nos
termos da lei se constitui no ato de controle administrativo da
legalidade. Ela será realizada pelo órgão competente para apurar
a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para
todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da
execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. Por
sua vez, o § 4º do mesmo artigo determina que a Dívida Ativa
da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda
Nacional.
Verifica-se que a Lei de Execuções Fiscais apresenta
texto contrário ao Código Tribunal Nacional. Ocorre que o CTN
estabelece no art. 174, parágrafo único inciso I que a prescrição
do crédito tributário se interrompe pelo despacho do juiz que
ordenar a citação, conforme redação dada pela Lei
Complementar nº 118/2005. Com isso, temos que aos créditos
de natureza tributária não se aplica a suspensão da prescrição
por 180 dias prevista no dispositivo da LEF, por manifesta
contrariedade ao Código Tributário Nacional. O Superior
Tribunal de Justiça possui tal inteligência, sendo já
jurisprudência consolidada no referido Tribunal: “Na execução
fiscal decorrente de crédito não tributário, incide as disposições
da LEF atinentes à suspensão e à interrupção da prescrição.”
(EREsp 981480/SP, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira
Seção, julgado em 12.8.2009, DJe 21.8.2009). Por oportuno,
observa-se que se o despacho que ordenou a citação é anterior
ao início da vigência da LC nº 118/2005 (09.06.2005), prevalece
78

a redação anterior do inciso I do parágrafo único do art. 174,


onde somente a citação válida interrompe a prescrição.
Por meio da Portaria MF nº 75, de 22 de março de
2012, o Ministro da Fazenda determinou a não inscrição na
Dívida Ativa da União de débito de um mesmo devedor com a
Fazenda Nacional de valor consolidado igual ou inferior a R$
1.000,00 (mil reais) e o não ajuizamento de execuções fiscais de
débitos com a Fazenda Nacional, cujo valor consolidado seja
igual ou inferior a R$ 20.000,00 (vinte mil reais). Com isso,
majorou-se o limite previsto na Portaria MF nº 49, de 1º de abril
de 2004 (na vigência desta, o limite para não ajuizamento de
execuções fiscais era de R$ 10.000,0017), a qual restou
revogada. Manteve a Portaria MF nº 75/12 o cancelamento de
débitos até R$ 100,00. Salienta-se que a respectiva Portaria
estabelece que entende-se por valor consolidado o resultante da
atualização do respectivo débito originário, somado aos
encargos e acréscimos legais ou contratuais, vencidos até a data
da apuração (art. 1º, § 2º). Destaca-se, por fim, que os limites
estabelecidos no caput do art. 1º da Portaria não se aplicam
quando se tratar de débitos decorrentes de aplicação de multa
criminal (art. 1º, § 1º).
O § 5º do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais estabelece
os requisitos nos quais o Termo de Inscrição de Dívida Ativa

17
Sobre o tema, faz jus a referência que a Lei nº 11.941/09 determinou em
seu art. 14 que: “Ficam remitidos os débitos com a Fazenda Nacional,
inclusive aqueles com exigibilidade suspensa que, em 31 de dezembro de
2007, estejam vencidos há 5 (cinco) anos ou mais e cujo valor total
consolidado, nessa mesma data, seja igual ou inferior a R$ 10.000,00 (dez
mil reais).”
79

deverá conter, sendo eles: I - o nome do devedor, dos


corresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou
residência de um e de outros; II - o valor originário da dívida,
bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora
e demais encargos previstos em lei ou contrato; III - a origem, a
natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida; IV - a
indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização
monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo
inicial para o cálculo; V - a data e o número da inscrição, no
Registro de Dívida Ativa; e VI - o número do processo
administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o
valor da dívida.
Paulsen, Ávila e Sliwka18, abordando a questão do
termo de inscrição em dívida ativa, definem este da seguinte
forma:
É o documento que formaliza a inclusão de
dívida no cadastro de dívida ativa. Tal
inscrição altera o status da dívida. Em se
tratando de tributos administrados pela
Secretaria da Receita Federal, e.g., o
crédito é lançado e cobrado pela Receita
Federal e, apenas na hipótese de o devedor
prosseguir na inadimplência, é enviado à
Procuradoria da Fazenda Nacional para
inscrição em dívida ativa e cobrança
judicial através de execução fiscal.
Tratando sobre a necessidade de inclusão na Certidão
de Dívida Ativa (CDA) do nome do devedor, dos

18
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 226.
80

corresponsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou


residência de um e de outros, os autores Paulsen, Ávila e
Sliwka19 lecionam quanto a hipótese de terceiro interessado não
constar na CDA:
Não constando do título o nome do
responsável tributário, não pode ser
simplesmente citada para pagamento. Tem-
se admitido que omissão seja suprida
mediante incidente processual com
indicação dos fatos e dos fundamentos
jurídicos geradores da responsabilidade
para justificar a responsabilidade. Neste
caso, impede que se oportunize o
contraditório. O mais adequado, contudo,
seria remeter o Fisco à apuração em
processo administrativo regular e, na
hipótese de inclusão da responsabilidade,
há produção de título em que conste o nome
do responsável, ou fundamento legal da
responsabilidade e o número do processo
em que apurada a responsabilidade para
amparar execução válida.

Deste modo, neste entendimento, deve ser suspensa a


execução fiscal enquanto será apurado emprocesso
administrativo se há ou não responsabilidade do devedor. Tão
somente redirecionar a execução fiscal, sem prévio processo
administrativo, logo, sem oportunidade de contraditório ao
devedor, não parece ser meio adequado para determinar a
responsabilidade de terceiro interessado. Acrescenta-se que o
incidente processual de desconsideração da personalidade

19
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e
execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto
Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 231.
81

jurídica, previsto no artigo 133 do CPC/201520 é aplicável as


execuções fiscais, não sendo válidas as críticas de que para cada
execução fiscal seria possivelmente necessário um incidente,
haja vista a expressiva necessidade de redirecionamento dos
débitos em execuções fiscais que se encontram frustradas.
Ocorre que o direito do contribuinte não pode ser suprimido,
devendo sua responsabilidade ser apurado em processo
administrativo, ou, no caso de fatos supervenientes, por
incidentes de desconsideração da personalidade jurídica.
Merece relevância mencionar que, nos termos do § 8º
do art. 2º da Lei de Execuções Fiscais, até a decisão de primeira
instância, a Certidão de Dívida Ativa poderá ser emendada ou
substituída, assegurado ao executado a devolução do prazo para
embargos. Assim, mesmo que os embargos sejam
improcedentes, não poderá haver substituição ou emenda pelo
exequente. A jurisprudência, todavia, restringe à hipótese de
correção de erro material ou formal, sendo inviável a
substituição da CDA nos casos em que haja necessidade de se
alterar o próprio lançamento21, sendo vedada a modificação do
sujeito passivo da execução22.

20
Art. 133 do CPC/2015: “O incidente de desconsideração da personalidade
jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, quando
lhe couber intervir no processo.”
21
Neste sentido: REsp 829.455/BA, Rel. Min. Castro Meira, DJ. De 7.8.200;
AgRg no REsp 823.011/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ de 3.8.2006; REsp
667.186/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 6.6.2006; e REsp 750.248/BA,
Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ 29.6.2007)
22
Súmula 392 do STJ: “A Fazenda Publica pode substituir a certidão de
dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se
tratar de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do
sujeito passivo da execução.” (DJ-e7-10-2009)
82

Por fim, estabelece o § 9º do art. 2º da Lei de


Execuções Fiscais que o prazo para a cobrança das contribuições
previdenciárias continua a ser o estabelecido no artigo 144 da
Lei nº 3.807, de 26 de agosto de 1960. Estabelece o referido
artigo que o direito de receber ou cobrar as importâncias que
lhes sejam devidas, prescreverá, para as instituições de
previdência social, em trinta anos. Todavia, a jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça, forte na linha de pensar adotada
pelo STF, revela-se uníssona em admitir o prazo prescricional
trintenário para a cobrança das contribuições previdenciárias, no
período correspondente entre a EC n°8/77 e a Constituição
Federal de 198823, prevalecendo o entendimento24 que com o
advento da Emenda Constitucional n° 8/77, o prazo
prescricional para a cobrança das contribuições previdenciárias
passou a ser de trinta anos, pois que foram desvestidas da
natureza tributária, prevalecendo os comandos da Lei n°
3.807/60.
Portanto, com o advento da Constituição da República
de 1988, as contribuições voltaram a possuir natureza jurídica de
tributo (art. 149 e art. 195), aplicando-se a estas, as disposições
do Código Tributário Nacional a partir de então (da forma que
eram anterior a EC nº 8/77), concernentes aos prazos
decadencial e prescricional. Assim, em relação a prescrição,
aplicável o artigo 174 do CTN (prescrição quinquenal), e em

23
Neste sentido: REsp 924.257/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/09/2007, DJ 27/09/2007, p. 238.
24
REsp 510.839/MG, DJ de 6/2/2007.
83

relação a decadência, o disposto no artigo 173, I ou artigo 150, §


4, ambos do CTN, conforme o caso. Salienta-se que a Súmula
Vinculante nº 08 é no sentido que: “são inconstitucionais o
parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os
artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e
decadência de crédito tributário”.
Assim, pela legislação aplicável em vigor quanto a
decadência, necessário verificar quando aplicável o disposto no
artigo 173, inciso I e quando é atraído o disposto no art. 150, §
4º, ambos do CTN para fins de contagem do prazo decadencial.
Pelo acórdão do Superior Tribunal de Justiça de nº
973.733/SC25, pode-se concluir que se configurado o
lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do
tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o
lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do
CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato
gerador. Ainda, existindo a declaração de débito, ainda que sem
o pagamento antecipado, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do
CTN, operando-se a decadência em cinco anos, contados da data
do fato gerador26. Todavia, se inexistir a antecipação do
pagamento e a declaração de débito, aplica-se a regra do art.
173, I, do CTN, contando-se o prazo de cinco anos a partir do

25
REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado
em 12/08/2009, DJe 18/09/2009
26
Neste sentido, v.g., o acórdão nº 3202-001.605 (2ª Turma Ordinária da 2ª
Câmara da 3ª. Seção do CARF, julgado em 15/04/2015, Rel. Conselheira
TATIANA MIDORI MIGIYAMA).
84

primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento


poderia ter sido efetuado.

3. Jurisprudência

Dívida não tributária inscrita em Dívida Ativa da União

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO


DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. EMBARGOS À
EXECUÇÃO FISCAL. CÉDULA RURAL HIPOTECÁRIA.
MP Nº 2.196-3/01. CRÉDITOS ORIGINÁRIOS DE
OPERAÇÕES FINANCEIRAS CEDIDOS À UNIÃO. MP
2.196-3/2001. DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. VIOLAÇÃO DO
ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA (...) 1. Os créditos
rurais originários de operações financeiras, alongadas ou
renegociadas (cf. Lei n. 9.138/95), cedidos à União por força da
Medida Provisória 2.196-3/2001, estão abarcados no conceito de
Dívida Ativa da União para efeitos de execução fiscal - não
importando a natureza pública ou privada dos créditos em si -,
conforme dispõe o art. 2º e § 1º da Lei 6.830/90 (...) Acórdão
submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ
08/2008.
(REsp 1123539/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010)

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CESSÃO DE


CRÉDITO RURAL. MP 2.196/2001. TITULARIDADE DA
UNIÃO. POSSIBILIDADE DE INSCRIÇÃO EM DÍVIDA
ATIVA E COBRANÇA COM BASE NA LEI 6.830/80.
PRECEDENTES. 1. Hipótese de execução fiscal destinada à
cobrança de valores provenientes de operações de alongamento
de dívidas originárias de crédito rural, ao amparo da Lei
9.138/95, posteriormente repassados à União, nos termos do art.
2º da MP 2.196/2001. 2. A Segunda Turma desta Corte firmou o
entendimento de que: (a) "a cessão de crédito difere da novação
da dívida, por não implicar a extinção da obrigação cedida, mas
apenas operar uma substituição subjetiva na obrigação"; (b)
85

inexiste "mácula na cobrança dos créditos por intermédio da


execução fiscal", pois "a execução fiscal é instrumento de
cobrança das entidades referidas no art. 1º da Lei 6.830/80, não
importando a natureza pública ou privada dos créditos em si"
(REsp 1.022.746/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe
de 22.9.2008). 3. Recurso especial provido, para que se dê
prosseguimento à execução fiscal, afastada a condenação da
Fazenda Pública ao pagamento de honorários, relativamente à
exceção de pré-executividade.
(REsp 1086169/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe 15/04/2009)

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. DNER.


INDENIZAÇÃO POR DANOS AO PATRIMÔNIO
DECORRENTES DE ACIDENTE AUTOMOBILÍSTICO.
INADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. PRECEDENTES DO
STJ. 1. Cinge-se a questão à possibilidade de cobrança,
mediante inscrição em dívida ativa pelo DNER, de danos
causados em Rodovia Federal. 2. Na hipótese, descabe utilizar a
via da Execução Fiscal para ressarcimento de dano causado em
decorrência de acidente automobilístico em via pública, por não
se enquadrar no conceito de dívida ativa não tributária do art. 39
da Lei 4.320/1964. Precedentes do STJ. 3. Recurso Especial não
provido.
(REsp 719.583/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2009, DJe 02/02/2010)

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO - EXECUÇÃO


FISCAL - DÍVIDA ATIVA - DNER - INDENIZAÇÃO POR
DANOS AO PATRIMÔNIO DECORRENTES DE ACIDENTE
AUTOMOBILÍSTICO - DÍVIDA ATIVA NÃO-TRIBUTÁRIA
– IMPROPRIEDADE - EXERCÍCIO EXORBITANTE DE
COMPETÊNCIA - VIA PROCESSUAL INADEQUADA. I -
Dívida Ativa da Fazenda Pública, definida como não-tributária,
é a que resulta qualquer outro crédito da Fazenda Pública,
inscrita no setor administrativo competente, após apuração na
forma prevista na legislação de regência; decorre do exercício
do poder de império, exercido na modalidade do poder de
polícia, e da atividade legalmente conferida à autoridade de
direito público.
86

II - Não é cabível a utilização da via de inscrição da dívida ativa


no DNER, para propositura do executivo fiscal visando obter
ressarcimento de dano causado ao patrimônio da autarquia em
virtude de acidente automobilístico. III - A competência da
Procuradoria-Geral do DNER para apurar liquidação e certeza
de créditos de qualquer natureza, para inscrevê-los em dívida
ativa e cobrá-los, é restrita àqueles (créditos) inerentes às
atividades da autarquia. IV - Recurso improvido.
(REsp 330.703/RS, Rel. Ministro GARCIA VIEIRA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/10/2001, DJ 19/11/2001,
p. 242)

EMBARGOS INFRINGENTES. DIREITO


ADMINISTRATIVO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.
BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PERCEPÇÃO INDEVIDA.
DÍVIDA ATIVA. INSCRIÇÃO. POSSIBILIDADE.
PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. REGULARIDADE.
PRESCRIÇÃO. INOCORRÊNCIA. 1. Evidenciada mediante
procedimento administrativo regular a percepção indevida de
benefício previdenciário, a Administração deve inscrever em
dívida ativa as quantias apuradas para a subseqüente propositura
da ação de execução fiscal. 2. Desnecessário em casos tais o
ajuizamento de ação de conhecimento para a apuração do ilícito
imputado e a quantificação dos montantes devidos, tendo em
conta a prerrogativa da Administração de averiguar, com
observação à legalidade e ao devido processo legal, as
irregularidades contra si cometidas. 3. Versando a espécie sobre
dívida ativa de caráter não tributário, o prazo prescricional
qüinqüenal da pretensão de execução tem curso a contar da
ocasião em que o INSS teve conhecimento da fraude, critério
que no caso dos autos faz por afastar a prescrição.
(TRF4, EINF 2003.04.01.037425-6, SEGUNDA SEÇÃO,
Relatora MARGA INGE BARTH TESSLER, D.E. 22/02/2008)

EXECUÇÃO FISCAL FUNDADA EXCLUSIVAMENTE EM


CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. OPERAÇÃO BANCÁRIA
DE CARÁTER PRIVADO. IMPROPRIEDADE DO
EXECUTIVO FISCAL. PRETENDIDA CONVERSÃO EM
EXECUÇÃO COMUM. IMPOSSIBILIDADE. INICIAL NÃO
APARELHADA COM TÍTULO EXECUTIVO
87

EXTRAJUDICIAL.O executivo fiscal aparelhado apenas com


certidão de inscrição em dívida ativa e que foi julgado inviável
nas circunstâncias não é conversível em execução comum diante
da ausência de título executivo enquadrável no artigo 585 do
Código de Processo Civil. Recurso especial não conhecido.
(REsp 106.120/PR, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA,
QUARTA TURMA, julgado em 16/12/1999, DJ 27/03/2000, p.
106)

Aplicabilidade da Taxa Selic

EXECUÇÃO DE SENTENÇA. TAXA DE JUROS. NOVO


CÓDIGO CIVIL. VIOLAÇÃO À COISA JULGADA.
INEXISTÊNCIA. ART. 406 DO NOVO CÓDIGO CIVIL.
TAXA SELIC. 1. Não há violação à coisa julgada e à norma do
art. 406 do novo Código Civil, quando o título judicial
exequendo, exarado em momento anterior ao CC/2002, fixa os
juros de mora em 0,5% ao mês e, na execução do julgado,
determina-se a incidência de juros previstos nos termos da lei
nova.
2. Atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o
referido dispositivo [ art. 406 do CC/2002 ] é a taxa referencial
do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, por ser
ela a que incide como juros moratórios dos tributos federais
(arts. 13 da Lei 9.065/95, 84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei
9.250/95, 61, § 3º, da Lei 9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02)'
(EREsp 727.842, DJ de 20/11/08)" (REsp 1.102.552/CE, Rel.
Min. Teori Albino Zavascki, sujeito ao regime do art. 543-C do
CPC, pendente de publicação). Todavia, não houve recurso da
parte interessada para prevalecer tal entendimento. 3. Recurso
Especial não provido.
(REsp 1111117/PR, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO,
Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES,
CORTE ESPECIAL, julgado em 02/06/2010, DJe 02/09/2010)

CIVIL. JUROS MORATÓRIOS. TAXA LEGAL. CÓDIGO


CIVIL, ART. 406. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. 1.
Segundo dispõe o art. 406 do Código Civil, "Quando os juros
moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa
estipulada, ou quando provierem de determinação da lei, serão
88

fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do


pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional". 2. Assim,
atualmente, a taxa dos juros moratórios a que se refere o referido
dispositivo é a taxa referencial do Sistema Especial de
Liquidação e Custódia - SELIC, por ser ela a que incide como
juros moratórios dos tributos federais (arts. 13 da Lei 9.065/95,
84 da Lei 8.981/95, 39, § 4º, da Lei 9.250/95, 61, § 3º, da Lei
9.430/96 e 30 da Lei 10.522/02). 3. Embargos de divergência a
que se dá provimento.
(EREsp 727.842/SP, Rel. Ministro TEORI ALBINO
ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 08/09/2008, DJe
20/11/2008)

Taxa Selic. Aplicabilidade condicionada após falência.

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO


ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ALEGADA NULIDADE DAS
CDA'S. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE
RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA
FÁTICO-PROBATÓRIA. SÚMULA 7/STJ. JUROS
MORATÓRIOS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. MASSA
FALIDA. ARTIGO 557, DO CPC. NEGATIVA DE
SEGUIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. CABIMENTO. 1.
A verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de
Dívida Ativa demanda exame de matéria fático-probatória,
providência inviável em sede de Recurso Especial. Aplicação da
Súmula 07/STJ. O Tribunal de Apelação é soberano no exame
dos fatos e provas nos quais a lide se alicerça. Tendo decidido a
Eg. Corte Estadual que "Analisando-se a Certidões de Dívida
Ativa - CDAs ns. 1998.01949.47, 1998.01967.29,
1998.01971.05, 1998.01997.44, 1998.02014.04, 1998.02017.49,
1998.02033.69, 1998.02059.06, 1998.02084.09 e 1998.02094.80
- é fácil constatar que preenchem os requisitos do art. 202 do
Código Tributário Nacional e do art. 2º da Lei n. 6.830/80, pois
contém o nome do devedor, seu domicílio, a quantia devida e a
maneira de calcular os juros de mora acrescidos, a origem do
crédito tributário e a disposição de lei em que é fundado e a data
em que as dívidas foram inscritas", não cabe ao Superior
Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 2. Os juros
89

moratórios anteriores à decretação da quebra são devidos pela


massa independentemente da existência da saldo para
pagamento do principal. Entretanto, após a quebra, a
exigibilidade fica condicionada à suficiência do ativo. 3. Neste
sentido, é cediço no Eg. STJ que: "I - Como já definiu a
jurisprudência desta Corte e do Colendo Supremo Tribunal
Federal, a multa fiscal moratória tem característica de pena
administrativa. Neste panorama, é vedada a sua inclusão no
crédito habilitado em falência e, por extensão, em face do artigo
34 da Lei nº 6.024/1974 que determina a aplicação subsidiária
da Lei de falências, também é interditada a inclusão de tal verba
na liquidação extra-judicial. II - O mesmo entendimento não se
aplica aos juros de mora anteriores à decretação da liquidação-
extrajudicial, os quais são devidos, bem assim os posteriores que
somente serão excluídos se o ativo apurado for insuficiente para
pagamento do passivo." (Resp 532539/MG, publicado no DJ de
16.11.2004). 4. A taxa SELIC é aplicável como sucedâneo dos
juros de mora, motivo pelo qual, na execução fiscal contra a
massa falida, a incidência da referida taxa deve seguir a mesma
orientação fixada para a aplicação dos juros moratórios, qual
seja: a partir de 1º de janeiro de 1996 e até a decretação da
quebra, e, após esta data, apenas se o ativo for suficiente para o
pagamento do principal, na forma do art. 26 da Lei de Falências.
5. A jurisprudência da Primeira Seção é pacífica no sentido de
que são devidos juros da taxa SELIC em compensação de
tributos e mutatis mutandis, nos cálculos dos débitos dos
contribuintes para com a Fazenda Pública, porquanto raciocínio
diverso importaria tratamento anti-isonômico, uma vez que a
Fazenda restaria obrigada a reembolsar os contribuintes por esta
taxa SELIC, ao passo que, no desembolso os cidadãos exonerar-
se-iam desse critério, gerando desequilíbrio nas receitas
fazendárias (ERESP 36554/SC). 6. Desta sorte, afastadas as
alegações no sentido da ilegitimidade da aplicação da Taxa
SELIC no campo tributário e diante da existência de norma
estadual aplicável à espécie (Lei Estadual 10.297/96),
determinando que, para o cálculo de juros de mora, seriam
aplicáveis os mesmos critérios para cobrança dos débitos fiscais
federais, é de ser mantido íntegro o acórdão recorrido, que
acertadamente reconheceu como devida a incidência do referido
indexador sobre os débitos de ICMS objeto da execução
90

embargada. 7. Ausência de prequestionamento, no Tribunal de


origem, da alegada nulidade da decisão singular que teria sido
proferida sem a intimação do síndico para participar do feito e
defender os interesses da massa falida, quedando-se inerte a
parte no que atine à necessária oposição de embargos de
declaração para provocar o pronunciamento acerca do tema. 8.
Agravo regimental desprovido.
(AgRg no REsp 761.755/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2007, DJ 27/08/2007,
p. 191)

Multa benigna mais benéfica. Inteligência do art. 106, II, do


CTN. Redução da multa para 20% em razão da Lei nº
11.941/09 que deu nova redação ao art. 35 da Lei nº8.212/91.

TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.


VÍNCULO EMPREGATÍCIO. DESCARACTERIZAÇÃO.
SÚMULA 7. REDUÇÃO DE MULTA PARA 20%. LEI
SUPERVENIENTE N. 11.941/09. POSSIBILIDADE. 1. A
contribuição para o SEBRAE constitui contribuição de
intervenção no domínio econômico (CF art. 149) e, por isso, é
exigível de todos aqueles que se sujeitam às Contribuições ao
SESC, SESI, SENAC e SENAI, independentemente do porte
econômico, porquanto não vinculada a eventual contraprestação
dessa entidade. 2. O art. 35 da Lei n. 8.212/91 foi alterado pela
Lei 11.941/09, devendo o novo percentual aplicável à multa
moratória seguir o patamar de 20%, que, sendo mais propícia ao
contribuinte, deve ser a ele aplicado, por se tratar de lei mais
benéfica, cuja retroação é autorizada com base no art. 106, II, do
CTN. 3. Precedentes: REsp 1.189.915/ES, Rel. Ministra Eliana
Calmon, Segunda Turma, julgado em 1º.6.2010, DJe 17.6.2010;
REsp 1.121.230/SC, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda
Turma, julgado em 18.2.2010, DJe 2.3.2010. Agravo regimental
improvido.
(AgRg no REsp 1216186/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2011, DJe
16/05/2011)

Suspensão da prescrição por 180 dias aplicável somente às


dívidas não tributárias.
91

TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - PRESCRIÇÃO -


ART. 2º, § 3º, DA LEI 6.830/80 (SUSPENSÃO POR 180
DIAS) - NORMA APLICÁVEL SOMENTE ÀS DÍVIDAS
NÃO TRIBUTÁRIAS. 1. A norma contida no art. 2º, § 3º da Lei
6.830/80, segundo a qual a inscrição em dívida ativa suspende a
prescrição por 180 (cento e oitenta) dias ou até a distribuição da
execução fiscal, se anterior àquele prazo, aplica-se tão-somente
às dívidas de natureza não-tributárias, porque a prescrição das
dívidas tributárias regula-se por lei complementar, no caso o art.
174 do CTN. 2. Embargos de divergência não providos.
(EREsp 657.536/RJ, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 26/03/2008, DJe 07/04/2008)

CDA com menção genérica de multa. Ausência da descrição


do fato constitutivo da infração.

TRIBUTÁRIO - EXECUÇÃO FISCAL - CDA - AUSÊNCIA


DE DESCRIÇÃO DO FATO CONSTITUTIVO DA
INFRAÇÃO - PREJUÍZO À AMPLA DEFESA - NULIDADE.
1. A CDA é título formal, cujos elementos devem estar bem
delineados, a fim de dar efetividade ao princípio constitucional
da ampla defesa do executado. 2. Diante disso, torna-se
obrigatória a descrição do fato constitutivo da infração, não
sendo suficiente a menção genérica a "multa de post geral",
como origem do débito a que se refere o art. 2º, § 5º, III, da Lei
6.830/80. 3. Recurso especial não provido.
(REsp 965.223/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008, DJe 21/10/2008)

Nome do responsável tributário consta na CDA.

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL SUBMETIDO


À SISTEMÁTICA PREVISTA NO ART. 543-C DO CPC.
EXECUÇÃO FISCAL. INCLUSÃO DOS
REPRESENTANTES DA PESSOA JURÍDICA, CUJOS
NOMES CONSTAM DA CDA, NO PÓLO PASSIVO DA
EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE. MATÉRIA DE
DEFESA. NECESSIDADE DE DILAÇÃO PROBATÓRIA.
EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE. INVIABILIDADE.
92

RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A orientação da


Primeira Seção desta Corte firmou-se no sentido de que, se a
execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o
nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova
de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias
previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de
atos "com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social
ou estatutos". 2. Por outro lado, é certo que, malgrado serem os
embargos à execução o meio de defesa próprio da execução
fiscal, a orientação desta Corte firmou-se no sentido de admitir a
exceção de pré-executividade nas situações em que não se faz
necessária dilação probatória ou em que as questões possam ser
conhecidas de ofício pelo magistrado, como as condições da
ação, os pressupostos processuais, a decadência, a prescrição,
entre outras. 3. Contudo, no caso concreto, como bem observado
pelas instâncias ordinárias, o exame da responsabilidade dos
representantes da empresa executada requer dilação probatória,
razão pela qual a matéria de defesa deve ser aduzida na via
própria (embargos à execução), e não por meio do incidente em
comento. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito à
sistemática prevista no art. 543-C do CPC, c/c a Resolução
8/2008 - Presidência/STJ.
(REsp 1104900/ES, Rel. Ministra DENISE ARRUDA,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2009, DJe 01/04/2009)
Nome do responsável tributário não consta na CDA.

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL.


REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO-GERENTE QUE
FIGURA NA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA COMO CO-
RESPONSÁVEL. POSSIBILIDADE. DISTINÇÃO ENTRE A
RELAÇÃO DE DIREITO PROCESSUAL (PRESSUPOSTO
PARA AJUIZAR A EXECUÇÃO) E A RELAÇÃO DE
DIREITO MATERIAL (PRESSUPOSTO PARA A
CONFIGURAÇÃO DA RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA). 1. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa
em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota
fundamentação suficiente para decidir de modo integral a
controvérsia posta. 2. Não se pode confundir a relação
processual com a relação de direito material objeto da ação
executiva. Os requisitos para instalar a relação processual
93

executiva são os previstos na lei processual, a saber, o


inadimplemento e o título executivo (CPC, artigos 580 e 583).
Os pressupostos para configuração da responsabilidade
tributária são os estabelecidos pelo direito material,
nomeadamente pelo art. 135 do CTN. 3. A indicação, na
Certidão de Dívida Ativa, do nome do responsável ou do co-
responsável (Lei 6.830/80, art. 2º, § 5º, I; CTN, art. 202, I),
confere ao indicado a condição de legitimado passivo para a
relação processual executiva (CPC, art. 568, I), mas não
confirma, a não ser por presunção relativa (CTN, art. 204), a
existência da responsabilidade tributária, matéria que, se for o
caso, será decidida pelas vias cognitivas próprias, especialmente
a dos embargos à execução. 4. É diferente a situação quando o
nome do responsável tributário não figura na certidão de dívida
ativa. Nesses casos, embora configurada a legitimidade passiva
(CPC, art. 568, V), caberá à Fazenda exeqüente, ao promover a
ação ou ao requerer o seu redirecionamento, indicar a causa do
pedido, que há de ser uma das situações, previstas no direito
material, como configuradoras da responsabilidade subsidiária.
5. No caso, havendo indicação dos co-devedores no título
executivo (Certidão de Dívida Ativa), é viável, contra os sócios,
o redirecionamento da execução. Precedente: EREsp 702.232-
RS, 1ª Seção, Min. Castro Meira, DJ de 16.09.2005. 6. Recurso
especial a que se dá provimento.
(REsp 923.742/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2007, DJ 14/05/2007,
p. 268)

Chancela mecânica ou eletrônica do termo de inscrição em


dívida ativa.

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CERTIDÃO


DE DÍVIDA ATIVA. CHANCELA MECÂNICA OU
ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE. 1. O Superior Tribunal de
Justiça pacificou entendimento de que é possível a subscrição
manual, ou por chancela mecânica ou eletrônica, do termo de
inscrição em dívida ativa da União, da certidão de dívida ativa
dele extraída e da petição inicial em processo de Execução
Fiscal. 2. Agravo Regimental não provido.
94

(AgRg no REsp 873.108/RS, Rel. Ministro HERMAN


BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/09/2008,
DJe 19/12/2008)

Substituição da CDA.

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO.
EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. CERTIDÃO DE DÍVIDA
ATIVA (CDA). SUBSTITUIÇÃO, ANTES DA PROLAÇÃO
DA SENTENÇA, PARA INCLUSÃO DO NOVEL
PROPRIETÁRIO. IMPOSSIBILIDADE. NÃO
CARACTERIZAÇÃO ERRO FORMAL OU MATERIAL.
SÚMULA 392/STJ. 1. A Fazenda Pública pode substituir a
certidão de dívida ativa (CDA) até a prolação da sentença de
embargos, quando se tratar de correção de erro material ou
formal, vedada a modificação do sujeito passivo da execução
(Súmula 392/STJ). 2. É que: "Quando haja equívocos no próprio
lançamento ou na inscrição em dívida, fazendo-se necessária
alteração de fundamento legal ou do sujeito passivo, nova
apuração do tributo com aferição de base de cálculo por outros
critérios, imputação de pagamento anterior à inscrição etc., será
indispensável que o próprio lançamento seja revisado, se ainda
viável em face do prazo decadencial, oportunizando-se ao
contribuinte o direito à impugnação, e que seja revisada a
inscrição, de modo que não se viabilizará a correção do vício
apenas na certidão de dívida. A certidão é um espelho da
inscrição que, por sua vez, reproduz os termos do lançamento.
Não é possível corrigir, na certidão, vícios do lançamento e/ou
da inscrição. Nestes casos, será inviável simplesmente
substituir-se a CDA." (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila
e Ingrid Schroder Sliwka, in "Direito Processual Tributário:
Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da
Doutrina e da Jurisprudência", Livraria do Advogado, 5ª ed.,
Porto Alegre, 2009, pág. 205). 3. Outrossim, a apontada ofensa
aos artigos 165, 458 e 535, do CPC, não restou configurada,
uma vez que o acórdão recorrido pronunciou-se de forma clara e
suficiente sobre a questão posta nos autos. Saliente-se, ademais,
que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os
95

argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos


utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como
de fato ocorreu na hipótese dos autos. 4. Recurso especial
desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do
CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1045472/BA, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 25/11/2009, DJe 18/12/2009)

Substituição da CDA. Alteração do sujeito passivo.


Impossibilidade.

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IPTU. CDA.


SUBSTITUIÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. SUB-ROGAÇÃO.
IMPOSSIBILIDADE. 1. Não se admite a substituição da CDA
para alteração do sujeito passivo dela constante, por não se tratar
de mero erro formal ou material, mas de alteração do próprio
lançamento. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido.
(AgRg no Ag 992.425/BA, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 03/06/2008, DJe 16/06/2008)

Substituição da CDA. Revisão do lançamento.


Impossibilidade.

TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS.


SUBSTITUIÇÃO DA CDA. ALTERAÇÃO NO
LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. 1. A substituição da
Certidão da Dívida Ativa, nos termos do § 8º do art. 2º da Lei nº
6.830/80, pode ser realizada para correção de erro material ou
formal do título executivo, porém não é permitida nas hipóteses
de ocorrência de revisão do próprio lançamento tributário: AgRg
no Ag 815732/BA, 1ª T., Min. Denise Arruda, DJ de
03.05.2007; REsp 773640/BA, 2ª T., Min. Herman Benjamin,
DJ de 11.02.2008. 2. Recurso especial improvido.
(REsp 701.429/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO
ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/03/2008,
DJe 26/03/2008)

Substituição da CDA. Extinção dos embargos sem


condenação em honorários.
96

RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS "A" E "C" - RECURSO


ESPECIAL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL -
SUBSTITUIÇÃO DA CDA - PRETENDIDA CONDENAÇÃO
EM HONORÁRIOS - IMPOSSIBILIDADE. Constatada a
ocorrência de erro formal na CDA, conseqüentemente
substituída pela Fazenda Nacional, ajuizou a empresa novos
embargos. Dessa forma, outra solução não restava ao magistrado
senão extinguir os primeiros embargos sem a condenação ao
pagamento da verba advocatícia, uma vez que o inconformismo
acerca da execução fiscal ainda virá a ser apreciado. A simples
substituição da Certidão de Dívida Ativa, com a reabertura de
prazo para oposição de embargos, não enseja a condenação da
Fazenda Pública ao pagamento de honorários, pois apenas à
decisão final do processo caberá fazê-lo. Recurso especial
improvido.
(REsp 408.777/SC, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO,
SEGUNDA TURMA, julgado em 18/11/2004, DJ 25/04/2005,
p. 263)

Desnecessidade de instrução da execução fiscal com


memória de cálculo.

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. NULIDADE DA CDA.


PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO
MONETÁRIA. ÔNUS DE PROVA. MULTA DE MORA.
JUROS. TAXA SELIC. PENHORA. AVALIAÇÃO. 1. É válida
a CDA que, preenchendo os requisitos legais, permite a
identificação de todos os aspectos do débito, inclusive da forma
de cálculo dos consectários moratórios. 2. É cabível a cobrança
de juros, multa e correção monetária sobre os tributos
inadimplidos, dado que são parcelas acessórias de natureza e
com finalidades distintas. 3. Não é necessária a instrução da
execução fiscal com memória de cálculo do débito ou cópias do
processo administrativo, bastando a apresentação da Certidão de
Dívida Ativa. 4. Nos termos da Súmula nº 436 do STJ, "a
entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito
fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra
providência por parte do fisco". 5. É do embargante o ônus de
ilidir a presunção de certeza e liquidez que milita em favor da
dívida regularmente inscrita 6. A finalidade punitiva e
97

dissuasória da multa justifica a sua fixação em percentuais


elevados sem que com isso ela assuma natureza confiscatória. 7.
É legítima a correção monetária do débito e a cobrança de juros
pela taxa SELIC. 8. É cabível que, através dos embargos, o
executado insurja-se contra a avaliação do bem constrito, desde
que comprove que o seu valor é superior àquele que consta do
auto de penhora. 9. Não havendo fundada dúvida acerca do
valor atribuído ao bem penhorado, deve ser rejeitada a pretensão
de reavaliação.
(TRF4, AC 5004342-29.2015.404.7102, SEGUNDA TURMA,
Relator LUIZ CARLOS CERVI, juntado aos autos em
13/07/2016)

Multa moratória. Redução.

TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


NULIDADE CDA. INOCORRÊNCIA. MULTA.
CABIMENTO. BACENJUD. ESGOTAMENTO DE
DILIGÊNCIAS NA BUSCA DE BENS PENHORÁVEIS.
DESNECESSIDADE. (...) 2. O crédito constituído mediante
declaração dispensa a necessidade de lançamento, procedimento
administrativo e notificação, não havendo falar em cerceamento
de defesa. Nesse sentido a Súmula 436 do STJ: "A entrega de
declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal
constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra
providência por parte do fisco". 3. O Supremo Tribunal Federal
tem admitido a redução de multa moratória imposta com base
em lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcionado,
feição confiscatória. No caso, a multa fixada não tem caráter
confiscatório, atendendo às suas finalidades educativas e de
repressão da conduta infratora. 4. Não há qualquer ilegalidade
na aplicação da multa em comento, no percentual de 20%,
porquanto de acordo com os dispositivos legais aplicáveis à
hipótese (art.61, §§1º e 2º, da Lei nº 9.430/96). 5. Não sendo
nomeados bens à penhora pelo executado ou havendo nomeação
insatisfatória, é possível à União requerer imediatamente a
utilização do BACENJUD, simplesmente porque é meio para
viabilizar a penhora de numerário, na forma do art. 655, § 6º, do
CPC. 6. Resta descabida a condenação da União em custas,
98

porquanto não sucumbente na demanda. 7. Apelação da


embargante desprovida. Provido o recurso da União.
(TRF4, AC 0005805-96.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA,
Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 12/07/2016)

Decadência (art. 150, § 4º vs. art. 173, I, do CTN):

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO
PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO
ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO
CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO
INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO
CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS
150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo
decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito
tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do
exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido
efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento
antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o
mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou
simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do
débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel.
Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008;
AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino
Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp
276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ
28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do
Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo
de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e,
consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco
regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra
da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos
ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao
lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o
pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi,
"Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max
Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do
99

prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo


disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro
dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia
ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia
do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que
se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação,
revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente
dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex
Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo
decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no
Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de
Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito
Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs..
396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e
Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São
Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na
origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por
homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado
das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo
contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no
período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a
constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em
26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos
tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo
decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento
de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão
submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução
STJ 08/2008.
(REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas
100

PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código


Tributário Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed.
Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013.

PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA,


Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2012.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
101

Art. 3º - A Dívida Ativa regularmente inscrita goza da


presunção de certeza e liquidez.
Parágrafo Único - A presunção a que se refere este artigo é
relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do
executado ou de terceiro, a quem aproveite.

1. Evolução legislativa e remissões legais

Nos termos do artigo 784, inciso IX, do novo Código


de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), a
certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente
aos créditos inscritos na forma da lei, é título extrajudicial,
sendo o rito de execução previsto em legislação especial - Lei de
Execuções Fiscais (Lei nº 6.830, de 22 de setembro de 1980), a
qual prevê também que a inscrição regular em dívida ativa goza
de presunção de certeza e liquidez.
Em relação aos créditos de natureza tributária, já havia
tal previsão no artigo 204 do Código Tributário Nacional, o qual
possui redação muito similar a expressa na Lei de Execuções
Fiscais. Desse modo, com o disposto no art. 3º da LEF, os
débitos de natureza não tributária submetidos ao rito da LEF
também possuem presunção de certeza e liquidez, tal qual os de
natureza tributária.
Merece ser observado que o Decreto-Lei nº 960, de 17
de dezembro de 1938, legislação que disciplinava a cobrança
judicial da dívida ativa da Fazenda Pública até o advento da
102

LEF, em seu artigo 2º, já estabelecia que “considera-se líquida e


certa quando consistir em quantia fixa e determinada, a dívida
regularmente inscrita em livro próprio, na repartição fiscal”.
Verifica-se que ocorreu, portanto, uma evolução
legislativa, pois o dispositivo da LEF (art. 3º, caput e parágrafo
único), adotando a redação do artigo 204 do CTN, tratou a
certeza e liquidez da dívida ativa como presunção, sendo esta
relativa, podendo ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do
executado ou de terceiro interessado.

Remissões Legais: Artigo 204 do CTN.

2. Conceitos Principais

A presunção de certeza e liquidez da dívida ativa,


prevista na Lei de Execuções Fiscais, é juris tantum, podendo
esta ser ilidida se for apresentada prova inequívoca. Desta
forma, caberá ao devedor apontar e comprovar os vícios,
formais ou materiais, da inscrição, ou ainda, da declaração ou do
lançamento que lhe deram origem e que comprometeram sua
higidez1.
Portanto, somente poderá ser ilidida, ou seja,
contestada, refutada, combatida, a presunção de certeza e
liquidez com a demonstração, por prova inequívoca, de que o
título não é certo ou que este é ilíquido. No entendimento de
1
PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário
Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013, p. 1292.
103

Araken de Assis2, faz-se necessário que as provas apresentadas


não provoquem dúvidas no juiz, devendo ser compreendido por
prova inequívoca aquela que leva o juiz ao estado de certeza
acerca do fato posto em questão, contraposta à prova semiplena.
Deverá, assim, o executado ou o terceiro interessado, trazer os
autos a prova necessária para provar seu direito, sendo seu o
ônus de afastar a referida presunção.
Desta forma, trata-se de ônus probatório do executado
(ou de terceiro a quem aproveite) em demonstrar que a Certidão
de Dívida Ativa não possui os requisitos necessários (certeza e
liquidez) para a sua exigibilidade, devendo proceder através da
oposição de embargos ou, ainda, a depender de quais alegações
irá realizar, utilizar-se de exceção de pré-executividade.
Incumbe destacar que o art. 2º da Lei de Execuções Fiscais
apresenta uma série de condições necessárias para a validade da
Certidão de Dívida Ativa, especialmente no § 5º do referido
dispositivo.
Para Éderson Porto3, quando bem fundamentado o
pedido, a presunção deve ser ilidida, apresentando o autor,
exemplificativamente, as situações de quando demonstrado, por
parte do contribuinte, que já houve o adimplemento da dívida,
ou ainda, a demonstração de que a CDA versa sobre hipótese à
margem da incidência tributária. Ainda, refere o autor que o
pagamento parcial do débito por parte do devedor não importa

2
ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2007, p. 1004-1005.
3
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010, p. 53.
104

em iliquidez do título quanto a incorreção não se refere ao


principal, mas sim à correção monetária4.
Quando a suspensão da exigibilidade do crédito do
crédito tributário como impedimento ao prosseguimento ou,
ainda, a propositura de execução fiscal, Paulsen, Ávila e Sliwka5
lecionam que tendo a execução pressuposto de certeza, liquidez
e exigibilidade do crédito exequendo, sendo tais características
atributos indispensáveis do título executivo (no caso, da CDA),
estando suspensa a exigibilidade do crédito tributário (nos
termos do art. 151, do CTN), resta impedido o ajuizamento de
execução fiscal, ou, caso já ajuizada, o seu prosseguimento,
devendo ser suspensa.

3. Jurisprudência relacionada

Ausência da notificação do contribuinte. Não cabimento da


extinção da execução fiscal de ofício.

EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE PROVA DA


NOTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE. A dívida ativa possui
presunção de certeza e liquidez, não cabendo a extinção da
execução fiscal, de ofício, pela falta de comprovação da
notificação da parte executada.
(TRF4, AC 5004193-88.2015.404.7116, SEGUNDA TURMA,
Relator LUIZ CARLOS CERVI, juntado aos autos em
13/07/2016)

4
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010, p. 57.
5
PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder.
Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2012, p. 262.
105

Presunção de certeza e liquidez. Necessidade de prova


inequívoca.

TRIBUTÁRIO. EXCEÇÃO DE PRÉ-EXECUTIVIDADE.


REQUISITOS DA CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. 1. A
certidão de dívida ativa exeqüenda é título executivo revestido
de presunção de liquidez e de certeza, a qual somente pode ser
elidida por meio de prova robusta e não por meras alegações
(TRF/4, apelação cível nº 5013228-50.2011.404.7201, Segunda
Turma, de minha relatoria, 27/11/2012), o que, aliás, vem
consagrado no artigo 204 do Código Tributário Nacional e no
art. 3º da Lei de Execuções Fiscais. 2. In casu, as CDAs
discriminam a origem do tributo, o exercício a que se refere, a
natureza da dívida, a data do vencimento, o termo inicial da
atualização monetária e dos juros de mora, o valor inscrito, a
forma de constituição e a fundamentação legal.
(TRF4, AC 0006781-06.2016.404.9999, PRIMEIRA TURMA,
Relator ALTAIR ANTONIO GREGÓRIO, D.E. 20/07/2016)

TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


NULIDADE CDA. INOCORRÊNCIA. MULTA.
CABIMENTO. BACENJUD. ESGOTAMENTO DE
DILIGÊNCIAS NA BUSCA DE BENS PENHORÁVEIS.
DESNECESSIDADE. 1. Não há falar em nulidade do título
executivo, porquanto presentes os requisitos legais e indicada a
legislação pertinente a cada acréscimo. Ademais, a dívida ativa
regularmente inscrita é dotada de presunção juris tantum de
certeza e liquidez, só podendo ser afastada por prova
inequívoca. (...)
(TRF4, AC 0005805-96.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA,
Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, D.E. 12/07/2016)

EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS. FGTS.


REDIRECIONAMENTO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR.
CDA. NULIDADE NÃO CONFIGURADA. PAGAMENTO
DIRETO AOS EMPREGADOS. ACORDO
TRABALHISTA. MULTA. CONFISCO NÃO
CARACTERIZADO. ENCARGO LEGAL. 1. A dissolução
irregular, no entender da jurisprudência desta Corte e do
Superior Tribunal de Justiça, é fundamento bastante para atrair a
106

responsabilidade dos sócios pelas obrigações remanescentes da


empresa executada. 2. Não há falar em iliquidez da CDA,
porquanto presentes os requisitos legais e indicada a legislação
pertinente a cada acréscimo. Ademais, a dívida ativa
regularmente inscrita é dotada de presunção juris tantum de
certeza e liquidez, só podendo ser afastada por prova
inequívoca. 3. O pagamento do FGTS feito diretamente aos
empregados, quando da rescisão do contrato de trabalho ou no
contexto de reclamatória trabalhista, é medida que vem sendo
admitida na jurisprudência para o efeito de eximir a empresa do
dever de efetuar novamente o pagamento do principal. No caso,
porém, tal pagamento não restou devidamente comprovado nos
autos. 4. A multa é devida em razão do descumprimento da
obrigação de realizar os depósitos de FGTS, nos estritos
percentuais da lei de regência. Não se realiza a hipótese de
confisco quando aplicado o índice de 10%. Precedente do STF
no sentido de que multas aplicadas até o limite de 100% não
configuram confisco (ADI nº 551 - voto do Ministro Marco
Aurélio). 5. Nas execuções fiscais promovidas pelo FGTS incide
o encargo legal no percentual de 10% sobre o valor do débito
em cobrança, previsto no artigo 2º, § 4º, da Lei n.º 8.844/94, na
redação dada pela Lei n.º 9.964/00, e destina-se a cobrir todas as
despesas, inclusive honorários advocatícios, com a cobrança
judicial da dívida ativa. Logo, não há falar em ilegalidade.
(TRF4, AC 0007398-63.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA,
Relator CLÁUDIA MARIA DADICO, D.E. 15/07/2016)

Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do


executado.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. ICMS. EMBARGOS


À EXECUÇÃO FISCAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E DE
LIQUIDEZ DA CDA. DESCONSTITUIÇÃO.
POSSIBILIDADE. CRÉDITOS ESCRITURAIS. CRÉDITO
FÍSICO. PROVA PERICIAL. RECURSO ESPECIAL QUE
NÃO APONTA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO DO
CONVÊNIO INTERESTADUAL ICMS 66/1988. LC 87/1996
NÃO VIGENTE À ÉPOCA DOS FATOS. SÚMULA 284/STF.
INTERPRETAÇÃO DE LEI ESTADUAL.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 280/STF. 1. Cuida-se, na
107

origem, de Embargos à Execução Fiscal que buscam


desconstituir certidão de dívida ativa para cobrança de ICMS
lançado por suposto creditamento indevido na aquisição de
insumos. 2. A presunção de certeza e de liquidez da CDA não é
absoluta e pode ser afastada nos Embargos à Execução Fiscal
cujo ônus da prova compete ao executado. Precedentes do STJ.
3. Os fatos geradores em questão são anteriores à entrada em
vigor da LC 87/1996 e se referem aos anos de 1992 a 1996.
Aplicam-se ao caso as disposições do Convênio Interestadual
ICMS 66/1988, as quais serviram de fundamento para o acórdão
recorrido. 4. No presente caso, não há como superar a preliminar
suscitada pela parte recorrida, no sentido de que o Recurso
Especial do Estado do Rio de Janeiro em momento algum faz
referência a violação de dispositivo do Convênio ICMS
66/1988, mas se limita a invocar normas da Constituição
Federal, da Lei Estadual 2.657/1996 e da LC 87/1996, que,
repita-se, não se encontrava em vigor à época dos fatos. (...) 8.
Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não
provido.
(REsp 1425740/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 22/09/2015, DJe 03/02/2016)

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. TAXA. CDA.


CERTEZA E LIQUIDEZ. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART.
535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULA 211 DO STJ. (...) 3. O TRF foi enfático em aduzir
que o INSS consta na certidão de dívida ativa como proprietário
do imóvel, portanto o recorrente deve fazer prova suficiente para
ilidir a presunção de liquidez e certeza de que goza a CDA. 4.
Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não
provido.
(REsp 1586235/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/05/2016, DJe 25/05/2016)

Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do


executado ou de terceiro a quem aproveite.

ADMINISTRATIVO. AUTO DE INFRAÇÃO. INMETRO.


LEI Nº 9.933/99. PORTARIA. LEGALIDADE. MULTA.
MEDIÇÃO COM ERROS DE PESAGEM. PREJUÍZO AO
108

CONSUMIDOR. - Não havendo qualquer irregularidade no


procedimento administrativo, porquanto demonstrado que não
houve afronta ao princípio do devido processo legal, já que as
decisões administrativas foram fundamentadas e as penalidades
impostas respaldadas por lei (art. 8º da Lei 9.933/99), não há que
se falar em afastamento da multa imposta. - A Dívida Ativa
regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez
(art. 3º da Lei nº 6.830/80), sendo que a referida presunção é
relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do
executado ou de terceiro, a quem aproveite (parágrafo único do
art. 3º da Lei nº 6.830/80). Ocorre, in casu, que a empresa
executada não produziu qualquer prova de suas alegações. Aqui
cumpre referir que as CDAs que deram origem à execução
possuem todos os requisitos previstos em lei (artigo 2º, § 5º, da
Lei nº 6.830/80).
(TRF4, AC 0006416-49.2016.404.9999, TERCEIRA TURMA,
Relator RICARDO TEIXEIRA DO VALLE PEREIRA, D.E.
20/07/2016)

Presunção de liquidez e certeza. Juntada processo


administrativo. Ônus da prova do executado.

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL.


INDEFERIMENTO DA PERÍCIA. CERCEAMENTO DE
DEFESA. REEXAME DE FATOS E PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PROCESSO
ADMINISTRATIVO FISCAL. PRODUÇÃO DE CÓPIAS.
ÔNUS DO EMBARGANTE. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E
DE LIQUIDEZ DA CDA. (...) 2. A Certidão de Dívida Ativa
goza de presunção de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é
do contribuinte, cabendo a ele, ainda, a juntada do processo
administrativo, caso imprescindível à solução da controvérsia. 3.
"A despeito da possibilidade de o magistrado determinar a
exibição de documentos em poder das partes, bem como a
requisição de processos administrativos às repartições públicas,
nos termos dos arts. 355 e 399, II, do CPC, não é possível instar
a Fazenda Pública a fazer prova contra sí mesma, eis que a
hipótese dos autos trata de execução fiscal na qual há a
presunção de certeza e liquidez da CDA a ser ilidida por prova a
cargo do devedor." (REsp 1.239.257/PR, Rel. Ministro
109

MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA,


julgado em 22/03/2011, DJe 31/03/2011.) Agravo regimental
improvido.
(AgRg no REsp 1523774/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/06/2015, DJe
26/06/2015)

Presunção de liquidez e certeza. Nome do sócio constando na


CDA. Ônus da prova do executado em demonstrar que não
ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no
art. 135 do CTN.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
EXECUÇÃO FISCAL. REDIRECIONAMENTO DA DÍVIDA
EXECUTADA. NOME DO SÓCIO CONSTANTE NA CDA.
PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. TEMA
SUBMETIDO À SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC
(RESP 1.104.900/ES). FUNDAMENTO DA CORTE DE
ORIGEM INATACADO, NAS RAZÕES DO RECURSO
ESPECIAL. SÚMULA 283 DO STF. INOVAÇÃO
RECURSAL, EM SEDE DE AGRAVO REGIMENTAL.
IMPOSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO. I. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do
Recurso Especial 1.104.900/ES (Rel. Ministra DENISE
ARRUDA, DJe 01/04/2009), proclamou o entendimento de que,
"se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas
o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova
de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias
previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de
atos 'com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social
ou estatutos". II. O fundamento adotado pela Corte de origem
para negar provimento ao Agravo legal, interposto pelo ora
agravante - no sentido de que não poderia se manifestar sobre os
argumentos relativos à falência da empresa executada e à
necessidade de penhora no rosto dos autos, no Juízo Falimentar,
na medida em que a análise de tais alegações importaria em
supressão de instância -, não foi objeto de ataque, no Recurso
Especial, devendo incidir, nesse ponto, o óbice da Súmula
283/STF. III. Descabe a esta Corte emitir juízo de valor, em
110

Agravo Regimental, sobre tese que não foi objeto do Recurso


Especial, por se tratar de inovação recursal, vedada, em razão da
preclusão consumativa. Precedentes do STJ: AgRg no REsp
1.493.605/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 15/12/2014; AgRg
nos EDcl no AREsp 573.892/AL, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe de 12/12/2014. IV.
Agravo Regimental improvido.
(AgRg no AREsp 65.920/PB, Rel. Ministra ASSUSETE
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2016,
DJe 17/03/2016)

Presunção de liquidez e certeza. Ônus da prova do


executado. Impossibilidade de reexame probatório no STJ
(Súmula 7).

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE


VIOLAÇÃO DOS ARTS. 165, 458 E 535 DO CPC.
EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS DO DEVEDOR.
CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. PRESUNÇÃO DE
CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DA PROVA DO
CONTRIBUINTE. REEXAME DE FATOS E PROVAS.
IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA
DA SÚMULA 211/STJ. (...) 2. Nos termos da jurisprudência
pacífica do STJ, a Certidão de Dívida Ativa goza de presunção
de certeza e liquidez, cujo ônus de ilidi-la é do contribuinte,
cabendo a ele, ainda, a juntada dos documentos imprescindível à
solução da controvérsia. 3. A aferição dos requisitos essenciais à
validade da CDA demanda, em regra, reexame do conjunto
fático-probatório dos autos, o que é inviável em Recurso
Especial ante o óbice da Súmula 7/STJ. (...) Agravo regimental
improvido.
(AgRg no REsp 1565825/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/12/2015, DJe
10/02/2016)

TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM


RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. CDA.
NULIDADE. REEXAME PROBATÓRIO. SÚMULA 7/STJ. 1.
111

É assente o entendimento de que a inscrição da dívida ativa gera


a presunção de liquidez e certeza desde que contenha todas as
exigências legais, inclusive a indicação da natureza da dívida,
sua fundamentação legal, bem como a forma de cálculo de juros
e de correção monetária. 2. Na hipótese, tendo o Tribunal de
origem aferido que a CDA apresentou os elementos legais aptos
a lhe tornar líquida, certa e exigível, infirmar tais conclusões,
sobretudo acerca da destinação dos produtos adquiridos pela
recorrente, se destinados à doação ou à venda, demandaria a
incursão na seara fático-probatória dos autos, tarefa essa
soberana às instâncias ordinárias, o que impede o reexame na
via especial, ante o óbice da Súmula 7 deste Tribunal. 3. Agravo
regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AREsp 646.902/ES, Rel. Ministro OG FERNANDES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 03/06/2015)

Inversão do ônus probatório. Inaplicabilidade.

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA


TRABALHISTA. ÔNUS PROBATÓRIO. PROVA
INEQUÍVOCA. DESCONSTITUIÇÃO DA CDA. ART. 41 DA
CLT. PRAZO PARA REGISTRO. INTERPRETAÇÃO
SISTEMÁTICA. DUPLA JORNADA: INVIABILIDADE. 1. In
casu, não há que se falar em inversão do ônus da prova, tendo
em vista que a empresa autuada logrou êxito em produzir prova
inequívoca capaz de ilidir a presunção de certeza e liquidez de
que goza a Certidão de Dívida Ativa. (...). 4. Recurso de
apelação e reexame necessário improvidos.
(TRF4, AC 2000.04.01.124155-0, QUARTA TURMA, Relator
JOEL ILAN PACIORNIK, DJ 29/01/2003)

Fundamentação legal e dispositivo revogado. Extinção da


execução.

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS


À EXECUÇÃO. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA.
FUNDAMENTO LEGAL. DISPOSITIVO REVOGADO. ART.
23, CLT. NULIDADE. A certidão de dívida ativa é prova pré-
constituida que pode ser elidida por prova inequívoca a cargo do
sujeito passivo. É nula a certidão exeqüenda cujo fundamento
112

legal do débito é dispositivo expressamente revogado. Impõe-se


o provimento dos embargos com declaração de extinção da
execução sem exame de mérito. Remessa oficial improvida.
(TRF4, REO 96.04.44476-0, TURMA DE FÉRIAS, Relatora
MARGA INGE BARTH TESSLER, DJ 05/04/2000)

Prova inequívoca apresentada. Infirmada a presunção de


liquidez e certeza. Extinção da execução.

CDA. PRESUNÇÃO DE LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA


INEQUÍVOCA. - A mera leitura de documentos bancários
dispensa a atuação de perito não requerido pela parte para
demonstração de pagamento. - Infirmada a presunção de
liquidez e certeza do título de maneira inequívoca, em parcela
não destacável da dívida, não há como prosseguir a execução. -
Verba honorária estabelecida em 10% do valor atualizado da
execução.
(TRF4, AC 2001.04.01.064367-2, PRIMEIRA TURMA,
Relatora MARIA LÚCIA LUZ LEIRIA, DJ 19/11/2003)

4. Temas Relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

ASSIS,Araken de. Manual de Execução. 11. ed. São Paulo:


Revista dos Tribunais, 2007.

PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código


Tributário Nacional à luz da doutrina e da jurisprudência. 15. ed.
Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2013.

PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA,


Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
113

jurisprudência. 7. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do


Advogado, 2012.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
114

COMENTÁRIOS AO ART. 4°°


Paulo Caliendo*

Art. 4º - A execução fiscal poderá ser promovida contra:


I - o devedor;
II - o fiador;
III - o espólio;
IV - a massa;
V - o responsável, nos termos da lei, por dívidas, tributárias
ou não, de pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito
privado; e
VI - os sucessores a qualquer título.
§ 1º - Ressalvado o disposto no artigo 31, o síndico, o
comissário, o liquidante, o inventariante e o administrador,
nos casos de falência, concordata, liquidação, inventário,
insolvência ou concurso de credores, se, antes de garantidos
os créditos da Fazenda Pública, alienarem ou derem em

*
Professor Titular do PPGD da PUCRS. Doutor em Direito pela PUCSP.
Coordenador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito
Tributário da PUCRS. Advogado.
115

garantia quaisquer dos bens administrados, respondem,


solidariamente, pelo valor desses bens.
§ 2º - À Dívida Ativa da Fazenda Pública, de qualquer
natureza, aplicam-se as normas relativas à responsabilidade
prevista na legislação tributária, civil e comercial.
§ 3º - Os responsáveis, inclusive as pessoas indicadas no § 1º
deste artigo, poderão nomear bens livres e desembaraçados
do devedor, tantos quantos bastem para pagar a dívida. Os
bens dos responsáveis ficarão, porém, sujeitos à execução, se
os do devedor forem insuficientes à satisfação da dívida.
§ 4º - Aplica-se à Dívida Ativa da Fazenda Pública de
natureza não tributária o disposto nosartigos 186e188 a 192
do Código Tributário Nacional.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O Decreto-Lei n° 960, de 17.12.1938, possuía regra


específica quanto à legitimidade passiva na execução fiscal.
Determinava, o art. 4º, a seguinte listagem de legitimados:
Art. 4º. A ação poderá ser proposta contra:
I – o devedor;
II – os sucessores, herdeiros ou legatários,
in solidum, dentro das forças da herança, ou
do legado;
III – a massa falida;
IV – o fiador;
V – o responsável, na forma da lei, por
dívida da firma ou sociedade;
VI – o sucessor no negócio, por dívida do
antecessor, quando a ela obrigado;
VII – os sócios do devedor, nas
arrematações e vendas de bens havidos da
116

Fazenda;
VIII – o devedor do devedor, quando, no ato
da penhora, confessar a dívida e assinar o
auto;
IX – o adquirente, quando a dívida gravar a
coisa adquirida;
X – o comprador ou possuidor de bens
alienados em fraude de execução.
O CTN, de 25.10.1966, definiu, de modo claro, os
casos de responsabilidade por transferência, ou por substituição,
nos seus arts. 130-135.
O CPC, de 1973, unificou os processos de execução,
comum e fiscal, sob um regime único. Neste diploma, haverá
uma disposição mais sintética dos legitimados passivamente,
passando o texto a dispor da seguinte forma:

Art. 568. A execução atingirá:


I - o devedor, reconhecido como tal, no
título executivo;
II - o espólio, os herdeiros, ou os sucessores
do devedor;
III - o novo devedor que assumiu, com o
consentimento do credor, a obrigação
resultante do título executivo;
IV - o fiador judicial;
V - o responsável tributário, assim definido
na legislação própria.

A LEF alterou aspectos importantes do regime único do


CPC, de 1973, primeiro alargando a legitimidade passiva não
somente para o fiador judicial, mas para qualquer fiador,
incluindo-se ao caso aquele de natureza convencional. A LEF
não manteve a redação do CPC, quanto ao devedor. Nesse
diploma, enunciava expressamente que a execução atingiria
117

“devedor, reconhecido como tal no título executivo” e manteve


a redação, dirigindo-se tão simplesmente ao “devedor”. Tal
alteração não provocará nenhuma mudança substancial, dado
que a execução fiscal deve ser promovida contra o devedor
constante na Certidão de Dívida Ativa (CDA). Uma das grandes
polêmicas atuais é quanto à possibilidade do direcionamento da
execução fiscal contra alguém, que não conste no título
executivo. Cremos que não, mas a jurisprudência tem divergido
sobre o tema.

Remissões Legais: Sobre a responsabilidade tributária, vejam-


se os arts. 126-139, do CTN. Sobre a arguição de ilegitimidade
passiva, vejam-se os art. 338 e 339, do NCPC. Sobre a
capacidade processual, dispõe o art. 70, do NCPC, e sobre o
devedor patrimonial, art. 790, do NCPC.

2. Conceitos Principais

A LEF enuncia todos os que possuem legitimidade


passiva na execução fiscal. O texto enuncia tanto os legitimados
originários quanto os que possuem legitimação passiva
superveniente (responsáveis por sucessão), ou extraordinária
(fiador, ou responsável por transferência). A legitimidade
passiva originária dirige-se ao devedor que consta no título
executivo desde o momento de sua formação. A legitimidade
superveniente aplica-se aos casos em que houve transferência do
débito, após a formação do título. Vejamos cada um dos casos:
118

2.1. Devedor
Considera-se devedor o contribuinte, ou o responsável
pessoalmente pelo débito tributário, devidamente inscrito em
CDA. O contribuinte é aquele que possui relação pessoal e
direta com o fato gerador previsto em lei, ou seja, quem o
praticou (art. 121, inc. I, do CTN). O responsável tributário
também pode ser considerado devedor nos termos do art. 4o, inc.
I, da LEF, nos casos em que a sua responsabilidade é pessoal.
Assim, determina o art. 128, do CTN, as duas grandes espécies
de responsabilidades: por substituição e por transferência (“Art.
128:Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir
de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a
terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva
obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou
atribuindo-a a este em caráter supletivo do cumprimento total ou
parcial da referida obrigação”).
O entendimento acima é razoável, dado que o art. 4o ao
mencionar os responsáveis no § 3º, afirma que “os bens dos
responsáveis ficarão, porém, sujeitos à execução, se os do
devedor forem insuficientes à satisfação da dívida”. Note-se que
esse dispositivo somente se dirige aos responsáveis por
transferência e não aos responsáveis por substituição. O CTN
esclarece que os contribuintes são excluídos do polo passivo, no
caso de responsabilidade por substituição, não se cogitando em
executar os bens do devedor, que não mais é parte na relação
jurídico-tributária. Esse é o caso, por exemplo, da
responsabilidade tributária, por substituição, nas retenções de
119

Imposto de Renda1. O STJ, equivocadamente, em nosso


entender, decidiu contra legem ao dispor que o contribuinte
mantém a responsabilidade pelo tributo no caso de omissão da
fonte de retenção, reincluindo a responsabilidade do
contribuinte2.
A transmissão da dívida, por ato inter vivos, a qualquer
título transmite o direito material subjacente e altera o polo
passivo da execução, que se dirigirá ao novo devedor, tal como
no caso da assunção de dívida (art. 299, CC) e na novação
subjetiva por substituição de devedor (art. 360, inc. II, CC).

2.2. Fiadores, espólio e massa

Fiadores

A fiança pode ser legal, convencional, ou judicial. A


fiança é uma espécie de garantia pessoal, ou fidejussória, em
que uma pessoa garante satisfazer ao credor uma obrigação
assumida pelo devedor, caso este não cumpra determinada
obrigação, conforme o art. 818 do CC. A fiança judicial ocorre
no curso do processo, e a convencional decorre de contrato de
fiança. O CC consagra o benefício de ordem em seu art. 827, ou
seja, determina que, primeiro, seja cobrado o devedor para,
somente após, se excutirem os bens do fiador (“Art. 827: O
fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito a exigir,

1
STJ - AgRg no AREsp 230.161/RS.
2
Resp 380.081 – SC; REsp n. 573052, REsp n. 644223 e REsp n. 424.225.
120

até a contestação da lide, que sejam primeiro executados os bens


do devedor”).
O CC determina que o fiador que alegar o benefício de
ordem, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo
município, livres e desembargados, quantos bastem para solver
o débito. Esse benefício não é absoluto e pode ser afastado se o
fiador renunciou a ele expressamente (art. 794, § 3o, do CPC:
“O disposto no caput não se aplica se o fiador houver
renunciado ao benefício de ordem”), se ele se obrigou como
principal pagador ou devedor solidário, ou se o devedor for
insolvente ou falido. A regra do benefício de ordem está prevista
no CPC e se aplica, subsidiariamente, à LEF.
Determina o art. 794, do CPC, que o “fiador, quando
executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam
executados os bens do devedor situados na mesma comarca,
livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à
penhora”. O direito de regresso do fiador está previsto no § 2o.
do art. 794. Este determina que, o fiador que pagar a dívida,
poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo.
Poderá (o fiador) cobrar, nos mesmos autos da execução fiscal,
o devedor principal? Cremos que sim.

Espólio

O espólio e os sucessores são responsáveis por sucessão


dos débitos tributários. A morte acarreta tanto a transmissão de
direitos quanto a das obrigações do falecido aos herdeiros e
121

legatários. São, pessoalmente responsáveis, o sucessor a


qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo
de cujus, até à data da partilha, ou adjudicação, limitada, essa
responsabilidade, ao montante do quinhão do legado ou da
meação (art. 131, inc. II), e o espólio, pelos tributos devidos
pelo de cujus, até à data da abertura da sucessão (art. 131, inc.
III). O direito de saisine transfere os direitos do de cujus, mas
igualmente as obrigações deste. Surge, então, o questionamento
sobre a possibilidade de redirecionamento da execução fiscal
para o espólio. Há grande discussão sobre a possibilidade de
execução contra pessoa não expressamente mencionada na
CDA.
Deve-se diferenciar duas situações: se a morte precedeu
ou não à execução. Se a morte precedeu à execução, não é
possível redirecionar, com base na Súmula n° 392, do STJ, que
determina: “A Fazenda Pú blica pode substituir a certidaõ de
dívida ativa (CDA) até a prolaçaõ da sentença de embargos,
quando se tratar de correçaõ de erro material ou formal, vedada
a modificação do sujeito passivo da execuçaõ ”. Esse
entendimento deve ser analisado com cuidado, especialmente
por ser muito difícil o conhecimento do Fisco, em relação à
ocorrência da morte do contribuinte. Assim, por exemplo, se
este estava em viagem ao Exterior, ou em local remoto. Nada
justifica, contudo, que, se o Fisco tinha conhecimento ou
condições de certificar-se, não agiu com diligência e ingressou,
erroneamente, com a execução fiscal contra o falecido.
122

O STJ decidiu que o espólio pode ingressar na


execução fiscal, mesmo não constando na CDA, no caso de a
morte ter ocorrido no curso da execução fiscal3. Tal
possibilidade decorre, justamente, do direito de saisine.

Massa

O termo massa denomina a universalidade de bens que


surge com a decretação da falência, da insolvência, ou
liquidação. A massa possui legitimidade passiva e ativa ad
causam, conforme preceitua o CPC, art. 12: “Serão
representados em juízo, ativa e passivamente: (...) III – a massa
falida, pelo sindico;”.
O redirecionamento da execução fiscal, para a massa
falida, tem semelhança com o redirecionamento para o espólio,
mas são casos distintos. Tal como no caso do espólio, duas
situações podem surgir perante um marco temporal definido.
Nesse caso, trata-se do ajuizamento da execução fiscal, antes ou
depois da decretação da falência. Se a empresa já teve a falência
decretada, a execução deveria ter sido proposta contra a massa
falida, e não mais contra a empresa, na pessoa do administrador
da massa.
O STJ tem decidido que, nesse caso, não se trata de
erro material a ensejar a extinção do processo sem julgamento
do mérito. Este é o caso de mera irregularidade, sanável durante
o processamento do feito, não se configurando substituição do

3
REsp 1.222.561/RS.
123

polo passivo, ou redirecionamento da execução, estando


afastada a aplicação da Súmula n° 392, do STJ4.
Cabe diferenciar a legitimidade ad causam, da massa
falida, da representação processual, ou seja, legitimidade ad
processum que deve ser assumida pelo administrador judicial.
Conforme determina o art. 22, III, c, da Lei n° 11.101/09, “Art.
22:Ao administrador judicial compete, sob a fiscalização do juiz
e do Comitê, além de outros deveres que esta Lei lhe impõe:
(…) III – na falência: (…) c) relacionar os processos e assumir a
representação judicial da massa falida;”.
Note-se que se trata de solução distinta daquela prevista
no caso do espólio. Esse entendimento restou consagrado no
julgamento do Recurso Especial, em sede de repetitivos5.

2.3. Responsabilidade do adquirente e os tributos com natureza


propter rem.

O problema da legitimidade ad causam surge no caso


dos tributos com natureza propter rem, tal como no caso do
IPTU. Digamos que o imóvel tenha sido alienado antes do
ajuizamento da execução fiscal. Nesse caso, haverá o
redirecionamento para o novo proprietário? O STJ tem
entendido que não: somente será possível a alteração do polo
passivo quando a alienação ocorrer após execução fiscal6. Cabe

4
RESP 1.359.273/SE.
5
REsp 1.372.243-SE.
6
REsp 705.793/SP.
124

ressaltar que, em nosso sistema, a transferência da propriedade


somente ocorre com a transcrição da alienação no Cartório de
Registro de Imóveis7.
Nos casos de alienação após o ajuizamento da execução
fiscal, é possível redirecionamento para o novo proprietário,
mantendo-se a penhora sobre o bem alienado, por força do art.
130 do CTN, que determina: “Os cré ditos tributá rios relativos a
impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domı́nio ú til ou
a posse de bens imó veis, e bem assim os relativos a taxas pela
prestaçaõ de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições
de melhoria, subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes,
salvo quando conste do tı́tulo a prova de sua quitaçaõ ”.

2.4. Responsável Tributário

Para o CTN, o sujeito passivo da obrigação tributária é


o contribuinte, por força do art. 121 do CTN, que determina:
“Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa
obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária”. O
contribuinte é aquele que possui relação pessoal e direta com a
situação que constitua o respectivo fato gerador e será
denominado de responsável em decorrência de disposição legal.
Um dos casos especiais de responsabilidade tributária
está determinado no art. 135, do CTN, que estabelece a
responsabilidade de terceiros, especialmente dos sócios.
Determina o dispositivo que: “Art. 135. São pessoalmente

7
AgRg no REsp 1.125.171/SP.
125

responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações


tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes
ou infração de lei, contrato social ou estatutos: (...) III - os
diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de
direito privado.”
A dissolução irregular, por sua vez, está prevista como
uma das causas da responsabilidade dos sócios, por força do art.
134, do CTN, que assim determina: “Art. 134. Nos casos de
impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação
principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este
nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem
responsáveis: (...) VII - os sócios, no caso de liquidação de
sociedade de pessoas”.
A responsabilidade solidária dos sócios aparece,
igualmente, na Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de
2006, que institui o Estatuto Nacional da Microempresa e da
Empresa de Pequeno Porte, determinando, no art. 9º, que: “(...) §
5⁰ - A solicitação de baixa na hipótese prevista no § 3o. deste
artigo importa responsabilidade solidária dos titulares, dos
sócios e dos administradores do período de ocorrência dos
respectivos fatos geradores”.
No caso de dívidas previdenciárias, foi revogado o art.
13 da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, pela Lei nº 11.941,
de 2009, que determinava:
O titular da firma individual e os sócios das
empresas por cotas de responsabilidade
limitada respondem solidariamente, com
seus bens pessoais, pelos débitos junto à
126

Seguridade Social. Parágrafo único. Os


acionistas controladores, os
administradores, os gerentes e os diretores
respondem solidariamente e
subsidiariamente, com seus bens pessoais,
quanto ao inadimplemento das obrigações
para com a Seguridade Social, por dolo ou
culpa.

O STJ, por sua vez, firmou entendimento de que a


aplicação do art. 135, do CTN, deve ser feita de forma restritiva,
tão somente aos casos de responsabilidade pessoal dos sócios na
violação de lei comercial, estatuto, contrato social, ou na
dissolução irregular.
Quanto à dissolução irregular, entende o STJ que a
existência de indícios do encerramento irregular das atividades
da empresa executada autoriza o redirecionamento do feito.
Para o STJ, no curso de execução fiscal é permitido o
redirecionamento para o patrimônio do sócio-gerente da
empresa. Quando a empresa não for encontrada no endereço
constante no contrato social, arquivado na junta comercial, sem
comunicar onde está operando, será considerada
presumidamente desativada, ou irregularmente extinta. Entende
o STJ, contudo, que o simples inadimplemento de obrigação
tributária não configura infração à lei e automático
redirecionamento da execução, bem como é necessário
diferenciar as situações nas quais ocorre a dissolução da
sociedade e quando há apenas inatividade, ou uma operação
reduzida.
127

Havendo a dissolução irregular, entretanto, opera-se a


inversão do ônus da prova, cabendo ao sócio-gerente provar não
ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder8. Para o
STJ a não localização da empresa executada no seu endereço
constitui indício de dissolução irregular, autorizando o
redirecionamento fiscal à pessoa do sócio-gerente9.
O STJ pacificou o entendimento de que o mero
inadimplemento do tributo não consiste em infração legal ou
tributária a ensejar a responsabilização pessoal do débito do
sócio. Somente nos casos em que o administrador agiu com
infração à lei, ao contrato social, ou aos estatutos, ou com
excesso de poderes, é que será possível o redirecionamento da
execução.
A jurisprudência tem se contentado com a existência de
indícios para o redirecionamento da execução, tais como a
ausência de bens para penhora, abandono do estabelecimento (o
que não se confunde com a mera mudança de sede da pessoa
jurídica) e cessação das atividades.

Da dissolução irregular

A paralisação das atividades da empresa, aliada ao fato


da não quitação de seus débitos fiscais, tem o condão de atestar

8
STJ, REsp 1.004.500/PR, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJ
25/02/2008.
9
STJ, EAREsp 947.618/MG, 1ª Turma, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ
19/12/2007.
128

a dissolução irregular e autorizar a desconsideração de sua


personalidade jurídica.
São indícios, de extinção irregular, o distrato sem
conhecimento da junta comercial e a ausência de patrimônio
para fazer face aos débitos pendentes10; despatrimonialização da
empresa e aumento significativo do patrimônio dos sócios11, e a
ausência de contas bancárias com saldo positivo em nome da
pessoa jurídica12. Não se pode aceitar o redirecionamento
mediante indícios ou evidências frágeis como certidões de
oficiais de justiça, estabelecimento cerrado e outras
circunstâncias inseguras quanto ao elemento subjetivo para
caracterizar a possibilidade de presunção da dissolução
irregular13.
A possibilidade do redirecionamento da execução fiscal
à pessoa do sócio relaciona-se à forma de demonstração da
inatividade. São sinais de dissolução irregular: a baixa irregular
que autoriza a responsabilidade solidária de seus sócios; a
mudança de endereço constante no contrato social, sem
comunicar onde está operando; a dissolução irregular
(presumida) e o esvaziamento patrimonial com mudança de
objeto social, de ramo de atividade, e após, a fiscalização
procedida pela Receita Federal, ocorrida em 200414.

10
TRF4 – AG - 2009.04.00.025934-5 e TRF3 AG 318015 e 151997.
11
TRF3 - 2000.02.01.048678-8 RJ.
12
TRF4 - AI 2009.04.00.017695-6.
13
TRF4 – AI 2009.04.00.017695-6.
14
TRF4 - AI - 2008.04.00.032879-0 SC.
129

Da confusão patrimonial

A jurisprudência identificou a situação de confusão


patrimonial quando empresas familiares, de mesmos
controladores, possuem identidade de quadro societário e
evidente unidade gerencial. Tal situação se agrava quando os
seus estabelecimentos estão sediados em endereços
coincidentes, com mesmo telefone de contato15. Para a
jurisprudência, a confusão patrimonial e a administração comum
caracterizam empresa única16 .
São indícios de confusão patrimonial as alterações
contratuais, cessões de cotas e empréstimos, realizados entre os
sócios, com as pessoas jurídicas e com terceiros, demonstrando
existir muito mais do que um simples inadimplemento de
tributos, impondo a solidariedade de diretores, gerentes ou
representantes de pessoas jurídicas, de direito privado, pelo não
recolhimento do tributo.
Outros indícios citados na jurisprudência são:
- a outorga de poderes amplos de gestão, administrativa
e financeira, constando no instrumento do mandato, inclusive a
prerrogativa de pagar impostos e de depositar e retirar quaisquer
quantias junto a bancos17;

15
TRF4 – AI 2008.04.00.043979-3 – SC e TRF3 AI 347682, TRF2
2008.02.01.005491.7- RJ e TRF3 AI 363546.
16
TRF4 - AI - 2008.04.00.032879-0 SC.
17
TRF4 - AI - 2008.04.00.026970-0 RS.
130

- manipulação de resultados financeiros, identidade dos


nomes-fantasia dos administradores e a transferência de
empregados denunciam confusão patrimonial18;
- é indício de fraude a constituição da pessoa jurídica
para substituir pessoa jurídica que se extinguiu, com o fim de
fraudar credores19.

Da desconsideração inversa

A desconsideração inversa ocorre quando as dívidas do


sócio são transferidas à sociedade, da qual o sócio detém
absoluto controle, de tal modo que exista um uso instrumental
da sociedade, para fugir às suas obrigações comerciais20.

Da prática de delitos

Há possibilidade de desconsideração da personalidade


jurídica quando existir a prova de delitos, tal como a presença de
um esquema de sonegação fiscal21.Se a pessoa jurídica serve
como instrumento para a prática de delitos, como sonegação
fiscal, entre outros, cabe a desconsideração da personalidade
jurídica. Se existir a prática reiterada de infrações penais e
tributárias, então será autorizada a desconsideração da
personalidade jurídica. O mesmo ocorrerá se a pessoa jurídica

18
TRF4 - AI - 2007.04.00.016643-7 PR.
19
TRF4 - AG - 97.04.39581-7 SC.
20
TRF3 MS 256802.
21
TRF3 AI– 314276 e ACR 22340.
131

fizer uso de declarações falsas, interposição de empresas de


fachadas, inclusive off-shores do Uruguai, utilizando-se de
laranjas e testas-de-ferro, para sonegar impostos. Então será
possível o redirecionamento22.
Em virtude da radicalidade da medida, tem se
entendido que a desconsideração da personalidade jurídica exige
procedimento específico e as garantias constitucionais do devido
processo legal, contraditório e ampla defesa.

Da responsabilidade do Grupo Econômico

Para a caracterização de Grupo Econômico, é


necessário que as empresas realizem, conjuntamente, a situação
configuradora do fato jurídico tributário. Não basta o mero
interesse econômico: deves ser apresentados um conjunto de
beneficiários, fonte de riqueza comum, fluxo de riquezas da
fonte oculta para os beneficiários e esquema oculto, vinculando
os beneficiários e o fluxo de riqueza.
O conceito de Grupo Econômico, usualmente utilizado,
é o de empresas que possuem similitude de objetos sociais que
visam a atingir uma finalidade comum, que possuem quadro
societário semelhante, que tenham fluxo de riqueza entre si, que
tenham beneficiários do êxito da operação em comum.
A inteligência do Judiciário, nas diversas esferas, é pelo
cuidado na caracterização do Grupo Econômico, havendo,

22
AI - 2007.04.00.040939-5 – PR.
132

inclusive, decisões estabelecendo requisitos rigorosos para a sua


configuração.
O STJ compreende que as empresas de um mesmo
grupo econômico devem ter interesse comum e operação
comercial em conluio, para que uma empresa seja
responsabilizada por ato de outra.
3. Jurisprudência relacionada

PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC.


INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS
QUESTÕES RECURSAIS. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE
RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM
DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E
RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
FONTE PAGADORA. SÚMULA 83/STJ.
1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a
prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão
deduzida, como se depreende da análise do acórdão recorrido.
Na verdade, a questão não foi decidida conforme objetivava a
recorrente, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É
sabido que o juiz não fica obrigado a manifestar-se sobre todas
as alegações das partes, nem a ater-se aos fundamentos
indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus
argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para
fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu.
2. A jurisprudência desta Corte firmou entendimento no sentido
de que a responsabilidade pelo recolhimento do imposto de
renda é a fonte pagadora, ainda que decorrentes de decisão
judicial.
Precedentes. AgRg no AREsp 212.526/RS, Rel. Min. MARCO
BUZZI, QUARTA TURMA julgado em 25/2/2014; AgRg no
REsp 1360966/RS, Rel. Min.
SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 25/2/2014;
AgRg no AREsp 89.511/RS, Rel. Min. PAULO DE TARSO
SANSEVERINO, TERCEIRA TURMA, julgado em 7/5/2013;
AgRg no Ag 1.392.900/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL
133

MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 5/5/2011; REsp


1.083.005/PB, Rel. Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 18/11/2010; REsp 514.374/PR, Rel. Min. JOÃO
OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em
1º/3/2007. Incidência da Súmula 83/STJ.
Agravo regimental improvido.
(AgRg no AREsp 230.161/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2014, DJe
30/10/2014)
RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPORTÂNCIAS
PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA
TRABALHISTA. IMPOSTO DE RENDA.
RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E
RECOLHIMENTO DO IMPOSTO.
A falta de cumprimento do dever de recolher na fonte, ainda
que importe em responsabilidade do retentor omisso, não exclui
a obrigação do pagamento pelo contribuinte, que auferiu a
renda, de oferecê-la à tributação, por ocasião da declaração
anual, como aliás, ocorreria se tivesse havido recolhimento na
fonte.
Em que pese ao erro da fonte não constituir fato impeditivo de
que se exija a exação daquele que efetivamente obteve
acréscimo patrimonial, não se pode chegar ao extremo de, ao
afastar a responsabilidade daquela, permitir também a cobrança
de multa deste.
Recurso especial improvido.
(REsp 644.223/SC, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO,
SEGUNDA TURMA, julgado em 02/12/2004, DJ 25/04/2005,
p. 311)

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL PROPOSTA


CONTRA DEVEDOR JÁ FALECIDO. CARÊNCIA DE
AÇÃO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ALTERAÇÃO DO
PÓLO PASSIVO DA EXECUÇÃO PARA CONSTAR O
ESPÓLIO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 392/STJ.
1. O exercício do direito de ação pressupõe o preenchimento de
determinadas condições, quais sejam: a) a possibilidade jurídica
do pedido; b) o interesse de agir; e c) a legitimidade das partes.
No caso em análise, não foi preenchido o requisito da
legitimidade passiva, uma vez que a ação executiva foi ajuizada
134

contra o devedor, quando deveria ter sido ajuizada em face do


espólio. Dessa forma, não há que se falar em substituição da
Certidão de Dívida Ativa, haja vista a carência de ação que
implica a extinção do feito sem resolução do mérito, nos termos
do art. 267, VI, do Código de Processo Civil. O
redirecionamento pressupõe que o ajuizamento tenha sido feito
corretamente.
2. Mesmo quando já estabilizada a relação processual pela
citação válida do devedor, o que não é o caso dos autos, a
jurisprudência desta Corte entende que a alteração do título
executivo para modificar o sujeito passivo da execução não
encontrando amparo na Lei 6.830/80. Sobre o tema, foi editado
recentemente o Enunciado n. 392/STJ, o qual dispõe que "A
Fazenda Pública pode substituir a certidão de dívida ativa
(CDA) até a prolação da sentença de embargos, quando se tratar
de correção de erro material ou formal, vedada a modificação do
sujeito passivo da execução".
3. Naturalmente, sendo o espólio responsável tributário na forma
do art. 131, III, do CTN, a demanda originalmente ajuizada
contra o devedor com citação válida pode a ele ser redirecionada
quando a morte ocorre no curso do processo de execução, o que
não é o caso dos autos onde a morte precedeu a execução.
4. Recurso especial não provido.
(REsp 1222561/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe
25/05/2011)

PROCESSUAL CIVIL, CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO


ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. FALÊNCIA. INDICAÇÃO
DO DEVEDOR SEM A MENÇÃO "MASSA FALIDA".
VÍCIO SANÁVEL.
1. A pessoa jurídica já dissolvida pela decretação da falência
subsiste durante seu processo de liquidação, sendo extinta,
apenas, depois de promovido o cancelamento de sua inscrição
perante o ofício competente. Inteligência do art. 51 do Código
Civil.
2. O ajuizamento de execução fiscal sem a menção "massa
falida" não importa erro quanto à identificação da pessoa
jurídica devedora, mas, apenas, mera irregularidade que diz
135

respeito à sua representação processual e que pode ser sanada


durante o processamento do feito.
3. Não é o caso de substituição da CDA, nem redirecionamento
da execução fiscal, sendo, portanto, inaplicável a Súmula
392/STJ.
4. Recurso especial provido.
(REsp 1359273/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA
FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro BENEDITO GONÇALVES,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/04/2013, DJe 14/05/2013)

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO


ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA.
ART. 543-C DO CPC. RESOLUÇÃO N. 8/2008 DO
STJ.EXECUÇÃO FISCAL AJUIZADA CONTRA PESSOA
JURÍDICA EMPRESARIAL.FALÊNCIA DECRETADA
ANTES DA PROPOSITURA DA AÇÃO
EXECUTIVA.CORREÇÃO DO POLO PASSIVO DA
DEMANDA E DA CDA. POSSIBILIDADE, A TEOR DO
DISPOSTO NOS ARTS. 284 DO CPC E 2º, § 8º, DA LEI N.
6.830/80.HOMENAGEM AOS PRINCÍPIOS DA
CELERIDADE E ECONOMIA
PROCESSUAL.INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DA
ORIENTAÇÃO FIXADA PELA SÚMULA 392 DO
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA.
1. Na forma dos precedentes deste Superior Tribunal de Justiça,
"a mera decretação da quebra não implica extinção da
personalidade jurídica do estabelecimento empresarial.
Ademais, a massa falida tem exclusivamente personalidade
judiciária, sucedendo a empresa em todos os seus direitos e
obrigações. Em consequência, o ajuizamento contra a pessoa
jurídica, nessas condições, constitui mera irregularidade, sanável
nos termos do art. 284 do CPC e do art. 2º, § 8º, da Lei
6.830/1980" (REsp 1.192.210/RJ, Rel. Min. Herman Benjamin,
Segunda Turma, DJe 4/2/2011).
2. De fato, por meio da ação falimentar, instaura-se processo
judicial de concurso de credores, no qual será realizado o ativo e
liquidado o passivo, para, após, confirmados os requisitos
estabelecidos pela legislação, promover-se a dissolução da
pessoa jurídica, com a extinção da respectiva personalidade. A
massa falida, como se sabe, não detém personalidade jurídica,
136

mas personalidade judiciária - isto é, atributo que permite a


participação nos processos instaurados pela empresa, ou contra
ela, no Poder Judiciário. Nesse sentido: REsp 1.359.041/SE,
Rel.
Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18/6/2013,
DJe 28/6/2013; e EDcl no REsp 1.359.259/SE, Rel. Ministro
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em
2/5/2013, DJe 7/5/2013.
3. Desse modo, afigura-se equivocada a compreensão segundo a
qual a retificação da identificação do polo processual - com o
propósito de fazer constar a informação de que a parte executada
se encontra em estado falimentar - implicaria modificação ou
substituição do polo passivo da obrigação fiscal.
4. Por outro lado, atentaria contra os princípios da celeridade e
da economia processual a imediata extinção do feito, sem que se
facultasse, previamente, à Fazenda Pública oportunidade para
que procedesse às retificações necessárias na petição inicial e na
CDA.
5. Nesse sentido, é de se promover a correção da petição inicial,
e,igualmente, da CDA, o que se encontra autorizado, a teor do
disposto, respectivamente, nos arts. 284 do CPC e 2º, § 8º, da
Lei n. 6.830/80.
6. Por fim, cumpre pontuar que o entendimento ora consolidado
por esta Primeira Seção não viola a orientação fixada pela
Súmula 392 do Superior Tribunal Justiça, mas tão somente
insere o equívoco ora debatido na extensão do que se pode
compreender por "erro material ou formal", e não como
"modificação do sujeito passivo da execução", expressões essas
empregadas pelo referido precedente sumular.
7. Recurso especial provido para, afastada, no caso concreto, a
tese de ilegitimidade passiva ad causam, determinar o retorno
dos autos ao Juízo de origem, a fim de que, facultada à
exequente a oportunidade para emendar a inicial, com base no
disposto no art.
284 do CPC, dê prosseguimento ao feito como entender de
direito.
Acórdão submetido ao regime estatuído pelo art. 543-C do CPC
e Resolução STJ 8/2008.
137

(REsp 1372243/SE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA


FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG FERNANDES,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/12/2013, DJe 21/03/2014)

EXECUÇÃO FISCAL. IPTU. ALIENAÇÃO DO IMÓVEL


ANTERIOR AO AJUIZAMENTO DA AÇÃO.
REDIRECIONAMENTO DO FEITO EXECUTÓRIO
CONTRA O ATUAL PROPRIETÁRIO. IMPOSSIBILIDADE.
CDA NULA. EXTINÇÃO DO PROCESSO SEM
JULGAMENTO DO MÉRITO.
I - A hipótese em questão diz respeito a execução fiscal relativa
a dívida de IPTU e taxas, concernente aos exercícios de 1996 e
1997, em que a Fazenda Pública Municipal requer a inclusão no
pólo passivo de pessoa física que adquiriu imóvel da empresa
executada no ano de 1995.
II - A sentença a quo julgou extinto o processo, sem julgamento
de mérito, com base no art. 267, inciso VI, do CPC, em razão da
ilegitimidade passiva ad causam da executada, ora recorrida.
III - É inviável a substituição do sujeito passivo no curso da lide,
após a constatação da ilegitimidade passiva ad causam,
ensejadora da extinção do processo sem exame do mérito,
conforme inteligência do art. 267, inciso VI, do CPC. A
substituição da Certidão de Dívida Ativa é permitida até o
momento em que for proferida decisão de primeira instância,
somente quando se tratar de erro formal ou material, e não em
casos que impliquem alteração do próprio lançamento.
Precedentes: AgRg no Ag nº 732.402/BA, Rel. Min. JOSÉ
DELGADO, DJ de 22/05/06; REsp nº 829.455/BA, Rel. Min.
CASTRO MEIRA, DJ de 07/08/06 e REsp nº 347.423/AC, Rel.
Min. ELIANA CALMON, DJ de 05/08/02.
IV - Recurso especial improvido.
(REsp 705.793/SP, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2007, DJe 07/08/2008)
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU.
LEGITIMIDADE PASSIVA DO PROMITENTE VENDEDOR.
ART. 34 DO CTN. RECURSO REPETITIVO JULGADO.
1. Entendimento desta Corte no sentido de que o promitente
comprador é legitimado para figurar no polo passivo
conjuntamente com o proprietário, qual seja, aquele que tem a
propriedade registrada no Cartório de Registro de Imóveis, em
138

demandas relativas à cobrança do IPTU. Precedente: REsp


1.110.551/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira
Seção, DJe 18.6.2009 - julgado mediante a sistemática prevista
no art. 543-C do CPC e na Resolução STJ n.08/08, como
representativo da controvérsia.
2. Na espécie, não houve transcrição da alienação no Cartório de
Registro de Imóveis competente, de forma que o promitente
vendedor, proprietário do bem, também é legitimado para
figurar no pólo passivo da execução fiscal.
3. Agravo regimental não provido com aplicação de multa de
1% (um por cento) sobre o valor corrigido da causa, na forma do
art. 557, § 2º, do CPC.
(AgRg no REsp 1125171/SP, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
04/05/2010, DJe 21/05/2010)
TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.
REDIRECIONAMENTO. SÓCIO-GERENTE DA EMPRESA.
INAPLICABILIDADE DO VETO DA SÚMULA 7/STJ.
DISSOLUÇÃO IRREGULAR PRESUMIDA.
1. É assente nesta Corte que, se a empresa não for encontrada no
endereço constante do contrato social arquivado na junta
comercial, sem comunicar onde está operando, será considerada
presumidamente desativada ou irregularmente extinta.
2. O simples inadimplemento de obrigação tributária não
configura infração à lei e automático redirecionamento da
execução.
3. Nos casos em que a sociedade é limitada para fins de
responsabilização dos sócios, impõe-se discernir entre empresa
que se dissolve irregularmente daquela que continua a operar.
4. O ônus da prova inverte-se quando há dissolução irregular da
empresa, cabendo ao sócio-gerente provar não ter agido com
dolo, culpa, fraude ou excesso de poder.
5. Recurso especial provido.
(REsp 1004500/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 12/02/2008, DJ 25/02/2008,
p. 1)

4. Temas relacionados
Não há temas relacionados.
139

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 5°° A 7°°


Eduardo Luís Kronbauer*

Art. 5º - A competência para processar e julgar a execução


da Dívida Ativa da Fazenda Pública exclui a de qualquer
outro Juízo, inclusive o da falência, da concordata, da
liquidação, da insolvência ou do inventário.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Conforme consta na Exposição de Motivos nº 223


(Anteprojeto da Lei de Execuções Fiscais), item 40, a finalidade
do art. 5º é de “preservar o princípio da preeminência do crédito
da Fazenda Pública23”. Dessa forma, a cobrança do crédito

*
Mestrando em Direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande
do Sul – PUC/RS. Pós-Graduado em Direito Tributário pela Pontifícia
Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS e Instituto de
Estudos Tributários – IET/RS. Membro do Grupo Avançado de Estudos
Tributários – GTAX. Associado Júnior do Instituto de Estudos Tributários
– IET. Advogado.
23
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo:
Saraiva, 1998. Art. 5º. p. 110-111.
140

fazendário não está submetida a juízos universais como o


instituto da Falência24. Ademais, a questão já é tratada no art.
187 do Código Tributário Nacional, o qual dispõeque a cobrança
do crédito tributário “não é sujeita a concurso de credores ou
habilitação em falência, recuperação judicial, concordata,
inventário ou arrolamento”.
A Súmula nº 40 do extinto Tribunal Federal de
Recursos assim referia:
A execução fiscal da Fazenda Pública
Federal será proposta perante o Juiz de
Direito da comarca do domicílio do
devedor, desde que não seja ela sede de
Vara da Justiça Federal.

Acerca da preferência do crédito tributário, o art. 186


do CTN também exclui os créditos inscritos na dívida ativa da
Fazenda Pública do concurso de qualquer tipo de créditos25,
ressalvados os “decorrentes da legislação do trabalho ou do
acidente do trabalho”.
Ao ajuizar a execução fiscal, a Fazenda deve levar em
consideração o domicílio do contribuinte. Nos termos do art.
127 do Código Tributário Nacional26, o domicílio do sujeito

24
LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações Tributárias. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 32.
25
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2005, p. 68.
26
“Art. 127. Na falta de eleição, pelo contribuinte ou responsável, de
domicílio tributário, na forma da legislação aplicável, considera-se como
tal:
I - quanto às pessoas naturais, a sua residência habitual, ou, sendo esta incerta
ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade;
II - quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às firmas individuais, o
lugar da sua sede, ou, em relação aos atos ou fatos que derem origem à
obrigação, o de cada estabelecimento;
141

passivo pode ser: i) o eleito pelo contribuinte ou pelo


responsável; ii) quanto às pessoas naturais, a sua residência
habitual, ou, sendo esta incerta ou desconhecida, o centro
habitual de sua atividade, iii) quanto às pessoas jurídicas de
direito privado ou às firmas individuais, o lugar da sua sede, ou,
em relação aos atos ou fatos que derem origem à obrigação, o de
cada estabelecimento; ou, iv) quanto às pessoas jurídicas de
direito público, qualquer de suas repartições no território da
entidade tributante.
A Lei nº 13.105/2015 (novo Código de Processo Civil)
traz disposições expressas dispondo que, quando autores a
União, os Estados ou o Distrito Federal, da mesma forma, a
competência é a do domicílio do réu27.

III - quanto às pessoas jurídicas de direito público, qualquer de suas


repartições no território da entidade tributante.
§ 1º Quando não couber a aplicação das regras fixadas em qualquer dos
incisos deste artigo, considerar-se-á como domicílio tributário do
contribuinte ou responsável o lugar da situação dos bens ou da ocorrência
dos atos ou fatos que deram origem à obrigação.
§ 2º A autoridade administrativa pode recusar o domicílio eleito, quando
impossibilite ou dificulte a arrecadação ou a fiscalização do tributo,
aplicando-se então a regra do parágrafo anterior.”
27
Art. 46 (...)
§ 5º A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua
residência ou no lugar onde for encontrado.
Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja
autora a União.
Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no
foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a
demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal.
Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja
autor Estado ou o Distrito Federal.
Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação
poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato
ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do
respectivo ente federado.
142

Com fulcro no art. no art. 109, § 3º da Constituição


Federal, a Lei de Organização da Justiça Federal (Lei nº
5.010/1966), em seu art. 15, I, previa que as execuções fiscais da
União seriam processadas e julgadas pelos Juízes Estaduais nas
comarcas em que não estivesse em funcionamento varas da
Justiça Federal. Contudo, com a edição da Lei nº 13.043/2014,
ficou revogado o dispositivo que previa a competência delegada
da Justiça Estadual, e as execuções fiscais ajuizadas pela
Fazenda Pública Federal devem ser propostas perante o juízo
federal.
Em relação às execuções fiscais em que forem parte a
Previdência Social e seus beneficiários, a competência é o Juízo
Federal de 1ª instância do foro do domicílio do segurado ou
beneficiário. Entretanto, em não havendo, no local, vara da
Justiça Federal, a execução fiscal será distribuída ao juízo
estadual, conforme art. 109, §3º da Constituição Federal.

2. Conceitos Principais

Importante destacar que a Lei de Falências (Lei nº


11.101/2005) não prevê mais o instituto da concordata,
substituindo-o pela “recuperação judicial”, nos termos dos
artigos 47 a 4928.

28
PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid Schroder.
Direito Processual Tributário: Processo administrativo fiscal e execução
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2007.
143

Dívida Ativa da Fazenda Pública: Conforme definido


por Aliomar Baleeiro, a dívida ativa tributária é a que “resulta
de impostos, taxas, contribuições de melhoria e parafiscais,
assim como das penalidades pecuniárias delas derivadas, desde
que regularmente inscritas na forma do art. 202 [do CTN] e
esgotado o prazo para pagamento nas repartições ou agentes
desta(...)29”.
O conceito de dívida ativa é definido, nestes termos,
pelo art. 201 do CTN:
Art. 201. Constitui dívida ativa tributária a
proveniente de crédito dessa natureza,
regularmente inscrita na repartição
administrativa competente, depois de
esgotado o prazo fixado, para pagamento,
pela lei ou por decisão final proferida em
processo regular.

Segundo Leandro Paulsen, o Termo de Inscrição em


Dívida Ativa é o “documento que formaliza a inclusão da dívida
do contribuinte no cadastro de Dívida Ativa, ou seja, o crédito
tributário definitivamente constituído, mas que permanece em
aberto, em face da ausência de pagamento pelo contribuinte, é
inscrito em dívida ativa30”.

3. Jurisprudência relacionada31

29
BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio de
Janeiro: Forense, 1971 – p. 556.
30
PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010 – p. 208-209.
31
Informações retiradas da obra: FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de
execução fiscal comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980:doutrina,
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002.
144

Súmulas do STJ:
Súmula 33: “A incompetência relativa não pode ser declarada de
ofício”;
Súmula 58: “Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de
domicílio do executado não desloca a competência já fixada”;
Sumula 66: “Compete à Justiça Federal processar e julgar
execução fiscal promovida por conselho de fiscalização
profissional”.

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. EXECUÇÃO FISCAL. ART. 578, § ÚNICO DO CPC.
MUDANÇA DE DOMICÍLIO ANTERIOR AO
AJUIZAMENTO DA AÇÃO. FORO COMPETENTE.
RESSALVA DO PONTO DE VISTA DO RELATOR.
1. A competência para a propositura da execução fiscal
subsume-se aos foros concorrentes explicitados no art. 578 do
CPC, verbis: "Art. 578. A execução fiscal (art. 585, Vl) será
proposta no foro do domicílio do réu; se não o tiver, no de sua
residência ou no do lugar onde for encontrado.
Parágrafo Único. Na execução fiscal, a Fazenda Pública poderá
escolher o foro de qualquer um dos devedores, quando houver
mais de um, ou o foro de qualquer dos domicílios do réu; a ação
poderá ainda ser proposta no foro do lugar em que se praticou o
ato ou ocorreu o fato que deu origem à dívida, embora nele não
mais resida o réu, ou, ainda, no foro da situação dos bens,
quando a dívida deles se originar." 2. Consectariamente, o
devedor não tem assegurado o direito de ser executado no foro
de seu domicílio, salvo se nenhuma das espécies do parágrafo
único se verificar. (ERESP n.º 787.977/SE, Primeira Seção, DJ.
25.02.2008).
(Precedentes: REsp 1128139/MS, Rel. Ministra ELIANA
CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 01/10/2009, DJe
09/10/2009; REsp 1062121/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 21/09/2009;
145

REsp 905.943/MS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA,


PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/02/2009, DJe 26/02/2009;
REsp 460.606/SE, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA
TURMA, DJ 23/05/2005; REsp 254.199/MS, Rel. Ministro
FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA, DJ 24/06/2002)
3. A Súmula 58 do E. STJ não se aplica em data anterior à
propositura da ação fiscal, oportunidade em que vige a regra do
art. 578 do CPC.
4. In casu, restou assentado no acórdão recorrido que, não
obstante o domicílio atual da recorrida seja em Santa Cruz do
Sul/RS, fora antes, à época do processo administrativo fiscal, o
Município de São Félix do Xingu, no Estado do Pará, local em
que situado o imóvel objeto da dívida tributária em tela, in
verbis: "Ao que se vê, à época da discussão do crédito no PA
10218.000248/2001-78, a agravada possuía domicílio em
Belém/PA.
Porém, antes do ajuizamento da EF, alterou seu domicílio para
Santa Cruz do Sul-RS.
4 - Os documentos apresentados pela agravante não são
suficientes para comprovar que a executada tenha, atualmente,
domicílio em Belém/PA. Ademais, consta na decisão agravada
que o domicílio da executada no auto de infração (não
apresentado neste agravo) é Santa Cruz do Sul/RS, nestes
termos: “No caso em análise, a excipiente alega que tem
domicílio no município de Santa Cruz do Sul/RS e que tal
informação constou do auto de infração lavrado em face do não
recolhimento do ITR incidente sobre a propriedade Fazenda
Santa Cruz.
Com efeito, conforme se verifica do referido documento juntado
às fl. 07/14, há indicação de que o endereço do excipiente era o
mesmo por ele informado na inicial desse incidente, isto é, Rua
28 de Setembro, n. 1.808, Centro, Santa Cruz do Sul/RS, sendo
que ali também consta outro endereço, este porém do imóvel
tributado, localizado no município de São Félix do Xingu, neste
Estado” (grifei).
5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do
art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1120276/PA, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 09/12/2009, DJe 01/02/2010)
146

PROCESSO CIVIL. COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL.


A execução fiscal proposta pela União e suas autarquias deve
ser ajuizada perante o Juiz de Direito da comarca do domicílio
do devedor, quando esta não for sede de vara da justiça federal.
A decisão do Juiz Federal, que declina da competência quando a
norma do art. 15, I, da Lei nº 5.010, de 1966 deixa de ser
observada, não está sujeita ao enunciado da Súmula nº 33 do
Superior Tribunal de Justiça.
A norma legal visa facilitar tanto a defesa do devedor quanto o
aparelhamento da execução, que assim não fica, via de regra,
sujeita a cumprimento de atos por cartas precatórias. Recurso
especial conhecido, mas desprovido.
(REsp 1146194/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA
FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro ARI PARGENDLER,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/08/2013, DJe 25/10/2013)

A execução fiscal não está submetida ao juízo universal da


falência, e o deferimento da recuperação judicial não tem
força para suspender a execução fiscal, contudo, deferida a
recuperação, os atos de constrição dos bens da empresa
devedora devem ocorrer no juízo da recuperação judicial:

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO


CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL E
RECUPERAÇÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA DO JUÍZO
UNIVERSAL. EDIÇÃO DA LEI N. 13.043, DE 13.11.2014.
PARCELAMENTO DE CRÉDITOS DE EMPRESA EM
RECUPERAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA MANTIDA.
1. O juízo onde se processa a recuperação judicial é o
competente para julgar as causas em que estejam envolvidos
interesses e bens da empresa recuperanda.
2. O deferimento da recuperação judicial não suspende a
execução fiscal, mas os atos de constrição ou de alienação
devem-se submeter ao juízo universal.
3. A edição da Lei n. 13.043, de 13.11.2014, por si, não implica
modificação da jurisprudência desta Segunda Seção acerca da
147

competência do juízo da recuperação para apreciar atos


executórios contra o patrimônio da empresa.
4. No caso concreto, o deferimento do processamento da
recuperação e a aprovação do correspondente plano são
anteriores à vigência da Lei n. 13.043/2014.
5. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no CC 129.290/PE, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS
FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe
15/12/2015)

AGRAVO REGIMENTAL NO CONFLITO DE


COMPETÊNCIA. RECUPERAÇÃO JUDICIAL. EXECUÇÃO
FISCAL. PRÁTICA DE ATOS QUE COMPROMETAM O
PATRIMÔNIO DA EMPRESA RECUPERANDA.
IMPOSSIBILIDADE. COMPETÊNCIA DO JUÍZO
UNIVERSAL. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 97
DA CF E DE DESRESPEITO À SÚMULA VINCULANTE N.
10/STF. DECISÃO MANTIDA.
1. Inexiste ofensa à cláusula de reserva de plenário (art. 97 da
CF) e desrespeito à Súmula Vinculante n. 10/STF na decisão
que reconhece a competência do Juízo da recuperação judicial
para o prosseguimento de execução fiscal movida contra a
empresa recuperanda. Esta Corte Superior entende que não há
declaração de inconstitucionalidade nesse caso, e sim
interpretação sistemática dos dispositivos legais sobre a matéria.
Precedentes.
2. Apesar de a execução não se suspender em face do
deferimento do pedido de recuperação judicial (art. 6º, § 7º, da
Lei n. 11.105/2005, art. 187 do CTN e art. 29 da Lei n.
6.830/1980), submetem-se ao crivo do juízo universal os atos de
alienação voltados contra o patrimônio social das sociedades
empresárias em recuperação, em homenagem ao princípio da
preservação da empresa.
3. No caso concreto, a edição da Lei n. 13.043/2014 - que
acrescentou o art. 10-A à Lei n. 10.522/2002 e disciplinou o
parcelamento de débitos de empresas em recuperação judicial -
não descaracteriza o conflito de competência.
4. Agravo regimental a que se nega provimento.
148

(AgRg no CC 136.844/RS, Rel. Ministro ANTONIO CARLOS


FERREIRA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 26/08/2015, DJe
31/08/2015)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL.


CONFLITO POSITIVO DE COMPETÊNCIA. JUÍZO DE
DIREITO E JUÍZO FEDERAL. FALÊNCIA. EXECUÇÃO
FISCAL. NÃO CABIMENTO DE SUSPENSÃO.
NECESSIDADE DE CONJUGAÇÃO DE REGRAS E
PRINCÍPIOS. ATOS DE CONSTRIÇÃO JUDICIAL E
ALIENAÇÃO DE ATIVOS APÓS A DECRETAÇÃO DA
QUEBRA. NECESSIDADE DE ENVIO DOS VALORES
AUFERIDOS PARA O JUÍZO UNIVERSAL.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DA FALÊNCIA PARA
REALIZAÇÃO DE CONCURSO DE CREDORES E RATEIO
DOS BENS ARRECADADOS ENTRE OS CREDORES.
RECONHECIMENTO DE PREJUDICIALIDADE EXTERNA
HOMOGÊNEA. NECESSIDADE DE SUSPENSÃO DO
PROCESSO. ART. 265, IV, "A", DO CPC.
1. Embora as execuções fiscais não se suspendam com o
deferimento da falência, caso realizados atos de constrição
judicial anteriormente à quebra, devem ser liquidados e,
somente após auferidos, os valores deverão ser revertidos à
massa falida para apuração da ordem legal de classificação
creditícia.
2. É possível a suspensão de um dos processos em consequência
do reconhecimento da prejudicialidade externa homogênea,
quando a procedência de uma das ações influenciar diretamente
o resultado da outra, como no caso em que a procedência da
ação rescisória afetará necessariamente a apuração do valor a ser
destinado à massa falida pelo juízo da execução fiscal.
3. Agravo regimental desprovido.
(AgRg no CC 137.123/PR, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE
NORONHA, SEGUNDA SEÇÃO, julgado em 28/10/2015, DJe
03/11/2015)

4. Temas Relacionados

Falências e Recuperação Judicial


149

O tema é tratado na Lei nº 11.101/05, a qual não prevê


mais o instituto da concordata, mas, em seu lugar, a recuperação
judicial, nos termos dos artigos 47 a 49.
O art. 5º da LEF afasta a execução da dívida ativa da
Fazenda de qualquer juízo universal ou coletivo, estendendo a
norma disposta no art. 187 do CTN às execuções de créditos
com natureza não tributária32. Todavia, nos casos em que tenha
sido deferida a recuperação judicial, os atos de constrição ou
expropriação dos bens do devedor devem ser realizados pelo
juízo da recuperação, conforme o entendimento do STJ acima
mencionado.

5. Referências bibliográficas

BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio


de Janeiro: Forense, 1971.

CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal:Doutrina e


Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São
Paulo: Saraiva, 1998.

FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal


comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina,
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2002.

LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações


Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.

32
FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal comentada e
anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, prática, jurisprudência. 4 ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, pp. 144/145.
150

PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2010.

PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2014.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2005
151

Art. 6º - A petição inicial indicará apenas:


I - o Juiz a quem é dirigida;
II - o pedido; e
III - o requerimento para a citação.
§ 1º - A petição inicial será instruída com a Certidão da
Dívida Ativa, que dela fará parte integrante, como se
estivesse transcrita.
§ 2º - A petição inicial e a Certidão de Dívida Ativa poderão
constituir um único documento, preparado inclusive por
processo eletrônico.
§ 3º - A produção de provas pela Fazenda Pública independe
de requerimento na petição inicial.
§ 4º - O valor da causa será o da dívida constante da
certidão, com os encargos legais.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A Lei de Execuções Fiscais foi uma das primeiras


manifestações legislativas do direito positivo a tratar de
procedimentos eletrônicos ou virtuais no âmbito judicial1.
O art. 6º dispõe, de forma taxativa, em seus incisos, os
requisitos formais exigidos ao ajuizamento da execução fiscal.
Trata-se de uma exceção ao art. 319 do Código de Processo
Civil (art. 282 do CPC de 1973), na medida em que a inicial é

1
FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal comentada e
anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina, prática, jurisprudência. 4 ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2002, p. 161.
152

simplificada, tendo como elementos indispensáveis apenas: o


pedido, a menção ao juízo e o requerimento para a citação2.
A justificação da presente norma, nos termos dos itens
41 a 43, foi a de simplificar a norma disposta no art. 282 do
CPC de 1973, “para atender a dinamização da cobrança, sem
prejuízo da defesa, considerando-se também as vantagens
decorrentes da utilização do processamento eletrônico na
inscrição da Dívida Ativa (...). Noutro dizer, a petição inicial,
como prevista no art. 6º da LEF, acolhe o princípio da economia
processual, sem prejuízo do princípio do devido processo legal
(...)”3.
A Fazenda Pública Federal, nos termos do art. 53 da
Lei n° 8.212/1991, além dos requisitos previstos no referido
artigo da LEF, pode indicar bens de propriedade do devedor
passíveis de penhora. A consequência disso é a
indisponibilidade imediata dos bens4.
Em virtude da aplicação subsidiária do CPC, nos
termos dos artigos 327 e 7805, é admissível a cumulação de

2
PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid Schroder.
Direito Processual Tributário: Processo administrativo fiscal e execução
fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. 4ª ed. Porto Alegre: Livraria do
Advogado, 2007, p. 255.
3
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo:
Saraiva, 1998. Art. 5º, p. 140-141.
4
LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações Tributárias. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 2003 p. 34.
5
“Art. 327. É lícita a cumulação, em um único processo, contra o mesmo
réu, de vários pedidos, ainda que entre eles não haja conexão.
§ 1o São requisitos de admissibilidade da cumulação que:
I - os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - seja competente para conhecer deles o mesmo juízo;
III - seja adequado para todos os pedidos o tipo de procedimento.
153

pedidos em execução fiscal promovida contra o mesmo devedor,


devendo estar a petição inicial instruída com as respectivas
certidões referentes a cada débito. Contudo, para a cumulação, é
indispensável que os créditos tenham relação e vínculo entre si.

2. Conceitos Principais

Certidão de Dívida Ativa: Nas palavras de James


Marins “a autotutela da Administração tributária encerra-se com
a formação do título executivo extrajudicial, que se procede
através da inscrição do crédito tributário definitivamente
lançado e não pago (...) corporificando a denominada Certidão
de Dívida Ativa – CDA que aparelhará a execução fiscal”6.A
CDA é requisito imprescindível à inicial executória.
Produção de Provas: Quando se pensa em prova, a
primeira percepção, de forma intuitiva, é a ideia de um elemento
formal ou material que tenha a capacidade de demonstrar a

§ 2o Quando, para cada pedido, corresponder tipo diverso de procedimento,


será admitida a cumulação se o autor empregar o procedimento comum,
sem prejuízo do emprego das técnicas processuais diferenciadas previstas
nos procedimentos especiais a que se sujeitam um ou mais pedidos
cumulados, que não forem incompatíveis com as disposições sobre o
procedimento comum.
§ 3o O inciso I do § 1o não se aplica às cumulações de pedidos de que trata o
art. 326.”
“Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas
em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para
todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento.”
6
MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro:
Administrativo e Judicial.7ª ed. São Paulo: Dialética, 2014, p. 775.
154

veracidade de alguma afirmação. A prova demanda a


racionalização do processo de descoberta da verdade7.
A prova, gramaticalmente, é definida como aquilo que
demonstra que uma afirmação ou fato são verdadeiros. Pode ser
relacionada, ainda, com questões relacionadas à evidência e à
comprovação8. À Fazenda, conforme disposto no parágrafo, é
permitida a produção de prova mesmo que não requerido na
inicial.

3. Jurisprudência relacionada

Súmula 559 do STJ: “Em ações de execução fiscal, é


desnecessária a instrução da petição inicial com o demonstrativo
de cálculo do débito, por tratar-se de requisito não previsto no
art. 6º da Lei n. 6.830/1980.”

7
“A ideia de prova evoca, naturalmente, e não apenas no processo, a
racionalização da descoberta da verdade. Realmente, a definição clássica de
prova liga-se diretamente àquilo ‘que atesta a veracidade ou a autenticidade
de alguma coisa; demonstração evidente’. Tem-se (ou, tinha-se) essa ideia
para a ampla maioria das ciências, e a ciência processual clássica não foge à
regra. Também o juiz, na atividade cognitiva do processo, tradicionalmente
visto como alguém que tem por função precípua a reconstrução dos fatos a
ele narrados, aplicando sobre esses a regra jurídica abstrata contemplada
pelo ordenamento positivo(...).(MARINONI, Luiz Guilherme.
ARENHARDT, Sérgio Cruz. MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo
Civil. Vol. 2 – Tutela dos direitos mediante procedimento comum. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2015 – pp. 242/243.
8
Definições de prova no Dicionário Houaiss:
“1 aquilo que demonstra que uma afirmação ou um fato são verdadeiros;
evidência, comprovação
2 ato que dá uma demonstração cabal (de afeto, fidelidade etc.);
manifestação, sinal (...)
5 experiência científica; demonstração, experimento”.
155

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA. PRESUNÇÃO


DE CERTEZA E LIQUIDEZ. EXTRAÇÃO ELETRÔNICA
DA CDA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE DO TÍTULO
EXECUTIVO. INCRA. TAXA SELIC. MULTA. 1. Consoante
disposto no art. 3º da Lei nº 6.830/80, a dívida ativa
regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez. A
CDA que fundamenta o executivo fiscal preenche todos os
requisitos exigidos no art. 2º. § 5º da LEF, sendo desnecessária a
juntada do demonstrativo analítico do débito. 2. Consoante
disposto no art. 2º, § 7º, da LEF, "o Termo de Inscrição e a
Certidão de Dívida Ativa poderão ser preparados e numerados
por processo manual, mecânico ou eletrônico." 3. O art. 6º, § 2º,
da LEF estabelece que "a petição inicial e a Certidão de Dívida
Ativa poderão constituir um único documento, preparado
inclusive por processo eletrônico." 4. A contribuição ao INCRA
enquadra-se na categoria de contribuição de intervenção no
domínio econômico, pois o instituto atua para fiscalizar e
promover a realização da função social da propriedade rural.
Assim, não foi revogada pela lei de custeio da seguridade social.
A jurisprudência da Primeira Seção desta Corte afasta o critério
da referibilidade, entendendo que pode ser exigida inclusive de
empresas urbanas. 5. Aplicabilidade da Taxa SELIC, a teor do
disposto no artigo 13 da Lei nº 9.065/95. 6. A multa fixada em
20% não se configura confiscatória, sendo admissível em face
do art. 35 da lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº
11.941/91. 7. Apelação improvida.
(AC 50054211520124047113, JOEL ILAN PACIORNIK, TRF4
- PRIMEIRA TURMA, D.E. 04/03/2016.)

PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC.


INEXISTÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL. BENEFÍCIO
PREVIDENCIÁRIO CONCEDIDO MEDIANTE SUPOSTA
FRAUDE. NÃO INCLUSÃO NO CONCEITO DE DÍVIDA
ATIVA NÃO TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE CIVIL.
NECESSIDADE DE AJUIZAMENTO DE AÇÃO PRÓPRIA.
CDA. REQUISITOS.
1. Entende-se pela aplicação do art. 557 do CPC, quando a
quaestio juris já foi iterativamente ventilada na jurisprudência e
guarda sintonia com o entendimento dominante desta Corte e do
Supremo Tribunal Federal.
156

2. Insurge-se o INSS contra acórdão que manteve extinta a


execução fiscal fundada em Certidão de Dívida Ativa, para
restituição de valores referentes a benefícios previdenciários
concedidos mediante suposta fraude, por não se incluir no
conceito de dívida ativa tributária.
3. Conforme jurisprudência pacificada no STJ, não se inclui no
conceito de dívida ativa não tributária, hábil a ensejar a
execução fiscal, o valor supostamente devido à Fazenda Pública
em decorrência de fraude na concessão de benefício
previdenciário.
Agravo regimental improvido.
(AgRg no AREsp 225.034/BA, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/02/2013, DJe
19/02/2013)

TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. NECESSIDADE DE


EXPRESSA MENÇÃO, NO MANDADO DE PENHORA, DO
PRAZO PARA EMBARGOS.
1. Cinge-se a controvérsia a saber se há necessidade de expressa
menção do prazo legal e do termo inicial para interposição dos
Embargos à Execução no mandado de intimação, sob pena de
nulidade.
2. A respeito do tema, a jurisprudência mais recente do Superior
Tribunal de Justiça tem se orientado no sentido de que "no
processo de execução fiscal, para que seja o devedor
efetivamente intimado da penhora, é necessária a sua intimação
pessoal, e deve constar, expressamente, como requisito no
mandado, a advertência do prazo para o oferecimento dos
embargos à execução" (...)
3. Com efeito, é exatamente porque a intimação é feita na pessoa
do empresário que o mandado deve registrar, expressamente, o
prazo de defesa, de modo que o cidadão comum possa
dimensionar o espaço temporal de que dispõe para constituir
advogado com vistas à defesa técnica que lhe asseguram os
princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa 4.
Embargos de Divergência providos.
(EREsp 1269069/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/04/2014, DJe 17/06/2014)
157

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL


SUBMETIDO AO RITO DOS REPETITIVOS (ART. 543-C
DO CPC). (...). EXIGÊNCIA DE INDICAÇÃO DO CPF/RG
DO EXECUTADO NA PETIÇÃO INICIAL.
DESNECESSIDADE. REQUISITOS NÃO PREVISTOS NA
LEI Nº 6.830/80 (LEI DE EXECUÇÃO FISCAL). PREVISÃO
EXISTENTE NA LEI Nº 11.419/06 (LEI DE
INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL).
PREVALÊNCIA DA LEI ESPECIAL (LEI Nº 6.830/80).
NOME E ENDEREÇO DO EXECUTADO SUFICIENTES À
REALIZAÇÃO DO ATO CITATÓRIO. FIXAÇÃO DA TESE,
EM REPETITIVO, DA DISPENSABILIDADE DA
INDICAÇÃO DO CPF E/OU RG DO DEVEDOR (PESSOA
FÍSICA) NAS AÇÕES DE EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO
DO FISCO PROVIDO.
1. Conhece-se do especial apenas pelo autorizativo da letra "a",
vez que a invocada divergência jurisprudencial não restou
evidenciada.
Não se presta o especial, ademais, para revisar alegado maltrato
a regramento constitucional.
2. O tribunal de origem prestou a jurisdição de forma completa,
não se descortinando, por isso, a aventada ofensa ao art. 535 do
CPC.
3. Nas instâncias ordinárias, decidiu-se pelo indeferimento da
petição inicial de ação de execução fiscal movida pelo
município de Manaus-AM, sob o argumento da falta de
indicação, pelo exequente, do número do CPF da pessoa física
executada.
4. Tal exigência, contudo, não se acha prevista na legislação
especial que rege o procedimento executivo fiscal, a saber, a Lei
nº 6.830/80, cujo art. 6º, ao elencar os requisitos da petição
inicial, não prevê o fornecimento do CPF da parte executada,
providência, diga-se, também não contemplada no art. 282, II,
do CPC.
5. A previsão de que a petição inicial de qualquer ação judicial
contenha o CPF ou o CNPJ do réu encontra suporte,
unicamente, no art. 15 da Lei nº 11.419/06, que disciplina a
informatização dos processos judiciais, cuidando-se, nessa
perspectiva, de norma de caráter geral.
158

6. Portanto, e sem que se esteja a questionar a utilidade da


indicação do CPF da pessoa física executada já na peça
inaugural, certo é que não se pode cogitar de seu indeferimento
com base em exigência não consignada na legislação específica
(Lei nº 6.830/80-LEF), tanto mais quando o nome e endereço da
parte executada, trazidos com a inicial, possibilitem, em tese, a
efetivação do ato citatório.
7. Em caso assemelhado, também decidido em sede de
repetitivo, a 1ª Seção do STJ concluiu por afastar a exigência de
que a exordial da execução se fizesse acompanhar, também, da
planilha discriminativa de cálculos, isto porque "A petição
inicial da execução fiscal apresenta seus requisitos essenciais
próprios e especiais que não podem ser exacerbados a pretexto
da aplicação do Código de Processo Civil, o qual, por conviver
com a lex specialis, somente se aplica subsidiariamente" (REsp
1.138.202/ES, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/02/2010).
8. Outrossim, a existência de atos normativos do Conselho
Nacional de Justiça (Resoluções 46/07 e 121/10) e de verbete do
Tribunal local (Súmula 02/TJAM), prevendo a indicação do
CPF/CNPJ dos litigantes já no pórtico das ações em geral, não
se prestam, só por si, a legitimar o indeferimento da petição
inicial em ações de execução fiscal, sem prejuízo da vinda
desses dados cadastrais em momento posterior.
9. Tese fixada para os fins do art. 543-C do CPC: "Em ações de
execução fiscal, descabe indeferir a petição inicial sob o
argumento da falta de indicação do CPF e/ou RG da parte
executada (pessoa física), visto tratar-se de requisito não
previsto no art. 6º da Lei nº 6.830/80 (LEF), cujo diploma, por
sua especialidade, ostenta primazia sobre a legislação de cunho
geral, como ocorre frente à exigência contida no art. 15 da Lei nº
11.419/06".
10. Recurso especial do fisco municipal parcialmente conhecido
e, nessa extensão, provido para, no caso concreto, determinar-se
o regular prosseguimento da execução fiscal.
(REsp 1450819/AM, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/11/2014, DJe 12/12/2014)
159

4. Temas Relacionados

Não há temas relacionados relevantes para o referido


artigo.

5. Referências bibliográficas

BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio


de Janeiro: Forense, 1971.

CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal:Doutrina e


Jurisprudência.Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São
Paulo: Saraiva, 1998.

FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal


comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina,
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2002.

LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações


Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.

MARINONI, Luiz Guilherme. ARENHARDT, Sérgio Cruz.


MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo Civil. Vol. 2:Tutela
dos direitos mediante procedimento comum. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 2015.

MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro:


Administrativo e Judicial.7ª ed. São Paulo: Dialética, 2014.

PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
160

PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência.4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2005.
161

Art. 7º - O despacho do Juiz que deferir a inicial importa em


ordem para:
I - citação, pelas sucessivas modalidades previstas no artigo
8º;
II - penhora, se não for paga a dívida, nem garantida a
execução, por meio de depósito, fiança ou seguro garantia;
III - arresto, se o executado não tiver domicílio ou dele se
ocultar;
IV - registro da penhora ou do arresto, independentemente
do pagamento de custas ou outras despesas, observado o
disposto no artigo 14; e
V - avaliação dos bens penhorados ou arrestados.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A justificativa do dispositivo, segundo Humberto


Theodoro Junior, citado por Miriam Câmera1, é a busca por
racionalidade no procedimento executivo, evitando, desta forma,
sucessivos e desnecessários retornos dos autos ao juiz. Enfatiza-
se a desburocratização processual mediante o preceito do art. 7º.
Porém, o despacho inicial não induz, imediatamente, à
conclusão de que haja o julgamento de forma preliminar, mas o
mero recebimento para que a petição inicial seja processada2.

1
CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal: Doutrina e
Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São Paulo:
Saraiva, 1998.
2
Idem, Ibidem.
162

O despacho inicial, nos termos do art. 7º caput, é a


sinalização de deferimento da petição inicial, que poderá ser
expresso no despacho. Contudo, isto não indica, de plano, o
deferimento. Destaca-se que o juiz pode decretar a inépcia da
inicial posteriormente, em momento posterior à apresentação de
embargos à execução.
Por outro lado, caso entenda o juiz, pela incompletude
da petição inicial, pode ele determinar que o exequente corrija,
nos termos do art. 801 do Código de Processo Civil, aplicado de
forma subsidiária.

2. Conceitos Principais

Citação: Ato que objetiva cientificar o devedor do


processo de execução. Pode ser por correio, oficial de justiça, ou
caso não encontrado o devedor, por edital. (ver art. 8º).
Efetivada a citação, o prazo para pagamento é de cinco dias, ou,
neste mesmo prazo, o devedor poderá oferecer garantia,
requisito à apresentação dos embargos à execução.
Arresto: O arresto aqui mencionado não se confunde
com o previsto no art. 301 do CPC (tutela de urgência),
lembrando que não existe mais previsão na legislação processual
civil sobre a anteriormente conhecida medida cautelar de
arresto.
O arresto incide quando o executado que possui bens
passiveis de restrição não possui domicilio certo.
163

Penhora: É o ato de constrição de um bem de


propriedade do devedor, que, a partir da formalização da
penhora, não poderá mais realizar a transferência daqueles bens
penhorados. Sobre a citação, penhora, arresto, registro da
penhora ou do arresto e avaliação, assim explica José da Silva
Pacheco:
Mesmo que não diga, tem-se como dita, se
houver primeiro despacho de recebimento
da inicial, a ordem para a realização dos
atos especificados. Trata-se de ordem para
a prática desses atos, que requer: a) o
cumprimento por parte das pessoas
competentes; b) a prática ou realização
efetiva do ato de conformidade com as
normas legais; c) a comprovação de tal
prática nos respectivos autos da execução
fiscal.
Assim, a citação pode ser feita por qualquer
das modalidades previstas no art. 8º, a cujos
comentários nos reportamos; a penhora ou
arresto, de conformidade com os arts. 10 e
11 desta lei; o registro da penhora ou
arresto, consoante o disposto no art. 14,
como veremos; a avaliação, conforme o art.
13, que será comentado mais adiante3.
Portanto, o despacho inicial, a princípio, deferindo a
inicial, dá impulso à fase inicial do processo de execução,
autorizando a realização da citação, da penhora ou arresto, da
avaliação, dos registros do ato no órgão apropriado, e, ainda,
normalmente, determina os honorários advocatícios no caso de
apresentação de embargos.

3
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal. 8 ed.
São Paulo: Saraiva, 2001, p. 113.
164

3. Jurisprudência relacionada

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.


PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. CITAÇÃO
POR EDITAL. REQUISITOS.
1. A jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça firmou o
entendimento de que, em sede de execução fiscal, frustrada a
localização do executado por oficial de justiça, estaria o credor
autorizado a requerer a citação por edital, independentemente
dos requisitos previstos no art. 231 do CPC.
2. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1180602/MG, Rel. Ministra DIVA MALERBI
(DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO),
SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2016, DJe 05/05/2016)

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
EXECUÇÃO FISCAL. INTIMAÇÃO DO ARRENDADOR
PARA O PAGAMENTO DO IPVA. SUPRESSÃO DA
NOTIFICAÇÃO, NOS MOLDES DO ART. 213 DO
REGULAMENTO DE NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
DO ESTADO DE SANTA CATARINA. AFRONTA AOS
PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA E DO
CONTRADITÓRIO.
FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO, NAS RAZÕES DO
RECURSO ESPECIAL. INCIDÊNCIA DA SÚMULA
283/STF. ALEGADA AFRONTA AOS ARTS. 145 E 204 DO
CTN E 3º DA LEI 6.830/80. AUSÊNCIA DE
PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO STF.
ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM QUE, DIANTE DO
ACERVO PROBATÓRIO DOS AUTOS, CONCLUIU QUE O
ENTE PÚBLICO PROCEDEU À INTIMAÇÃO DO
ARRENDADOR, POR MEIO DE EDITAL, SEM A PRÉVIA
COMPROVAÇÃO DA TENTATIVA DE NOTIFICAÇÃO
PESSOAL OU POR CARTA REGISTRADA, COM AVISO
DE RECEBIMENTO. ALEGAÇÃO DA REGULAR
NOTIFICAÇÃO EDITALÍCIA.
IMPOSSIBILIDADE DE REEXAME DE FATOS E PROVAS.
SÚMULA 7 DO STJ.
165

AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO.


I. Agravo Regimental, interposto em 09/03/2016, contra decisão
publicada em 02/03/2016.
II. No caso dos autos, a Corte de origem declarara a
inexigibilidade do crédito tributário, em face do reconhecimento
da ausência de notificação regular do arrendador, para fins de
pagamento do IPVA devido pelo arrendatário, na forma do art.
213 do Regulamento de Normas Gerais de Direito Tributário do
Estado de Santa Catarina.
III. Não merece prosperar o Recurso Especial, quando a peça
recursal não refuta determinado fundamento do acórdão
recorrido, suficiente para a sua manutenção, em face da
incidência da Súmula 283 do STF ("é inadmissível o recurso
extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de
um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles").
IV. No caso, a parte recorrente não impugnou a fundamentação
do acórdão relativa à afronta aos princípios da ampla defesa e do
contraditório, pela supressão da regular notificação do
arrendador, para pagamento do IPVA, em virtude de o
lançamento tributário, com o encaminhamento do carnê para
pagamento, ser feito ao arrendatário.
V. O acórdão recorrido, ao dirimir a controvérsia, não expendeu
juízo de valor sobre os arts. 145 e 204 do CTN e 3º da Lei
6.830/80, que tratam, respectivamente, da alteração do
lançamento, após a notificação do sujeito passivo, e da
presunção de certeza e liquidez da Certidão da Dívida Pública,
invocados na petição do Recurso Especial. De fato, por simples
cotejo das razões recursais e dos fundamentos do acórdão,
percebe-se que a tese recursal, vinculada aos citados dispositivos
legais, tidos como violados, não foi apreciada, no voto condutor,
não tendo servido de fundamento à conclusão adotada pelo
Tribunal de origem.
VI. Nesse contexto, a pretensão recursal esbarra em vício formal
intransponível, qual seja, da ausência de prequestionamento
- requisito viabilizador da abertura desta instância especial -,
atraindo o óbice da Súmula 282 do Supremo Tribunal
Federal ("é inadmissível o recurso extraordinário, quando não
ventilada, na decisão recorrida, a questão federal suscitada"), na
espécie.
166

VII. O entendimento da Corte Especial do Superior Tribunal de


Justiça é firme quanto à imprescindibilidade da oposição de
Embargos Declaratórios, para fins de prequestionamento da
matéria, mesmo quando a questão federal surja no julgado
recorrido (STJ, EREsp 99.796/SP, Rel. Ministro EDUARDO
RIBEIRO, DJU de 04/10/1999), não tendo sido opostos
declaratórios ao acórdão recorrido.
VIII. No mais, considerando a fundamentação do acórdão
objeto do Recurso Especial, no sentido de que o ente público
não comprovou a intimação do arrendador, por meio de
notificação pessoal ou carta registrada, com aviso de
recebimento, antes de proceder à sua intimação, por meio de
edital, na forma exigida pelo art. 213 do Regulamento de
Normas Gerais de Direito Tributário do Estado de Santa
Catarina, os argumentos utilizados pela parte recorrente -
relativos à regular notificação do arrendador, por meio da
citação por edital, e consequente afronta ao art. 333, II, do CPC,
pelo fato de caber ao arrendador a prova acerca da ausência de
sua intimação - somente poderiam ter sua procedência
verificada mediante o necessário reexame de matéria fática,
não cabendo a esta Corte, a fim de alcançar conclusão diversa,
reavaliar o conjunto probatório dos autos, em conformidade com
a Súmula 7/STJ.
IX. Agravo Regimental improvido.
(AgRg no AREsp 522.810/SC, Rel. Ministra ASSUSETE
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/04/2016,
DJe 19/04/2016)

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
EXECUÇÃO FISCAL. IPVA. CITAÇÃO POR EDITAL.
CONDIÇÃO DE CABIMENTO. EXAURIMENTO DE
TODOS OS MEIOS POSSÍVEIS À LOCALIZAÇÃO DO
DEVEDOR. ENTENDIMENTO FIRMADO EM RECURSO
REPETITIVO.
NULIDADE. REVISÃO. REEXAME DE PROVAS DOS
AUTOS. SÚMULA 7 DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL
IMPROVIDO.
I. Não há falar, na hipótese, em violação ao art. 535 do
CPC, porquanto a prestação jurisdicional foi dada na medida da
167

pretensão deduzida, de vez que os votos condutores do acórdão


recorrido e do acórdão dos Embargos Declaratórios apreciaram
fundamentadamente, de modo coerente e completo, as
questões necessárias à solução da controvérsia, dando-lhes,
contudo, solução jurídica diversa da pretendida.
II. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, no
julgamento do Recurso Especial 1.103.050/BA, de relatoria
do Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI (DJe de
06/04/2009), sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou
entendimento de que, nos termos do art. 8º da Lei 6.830/80,
a citação por edital, na execução fiscal, somente é cabível
quando esgotadas as outras modalidades de citação ali
previstas: a citação por correio e a citação por Oficial de Justiça.
III. No caso, o Tribunal de origem analisou o contexto
fático-probatório dos autos e concluiu que não se teria
demonstrado o esgotamento de todas as diligências para a
localização do executado. Diante desse quadro, o acórdão
recorrido somente poderia ser modificado mediante o reexame
dos aspectos concretos da causa, o que é obstado, no âmbito
do Recurso Especial, pela Súmula 7 desta Corte. Precedentes do
STJ: AgRg no REsp 1.321.174/AM, Rel. Ministro CASTRO
MEIRA, SEGUNDA TURMA, DJe de 07/10/2013; AgRg
no AREsp 255.057/SP, Rel. Ministro OLINDO MENEZES
(Desembargador Convocado do TRF/1ª Região), PRIMEIRA
TURMA, DJe de 08/10/2015; AgRg no REsp 1.416.022/MG,
Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA
TURMA, DJe de 26/08/2015.
IV. Agravo Regimental improvido.
(AgRg no AREsp 119.369/SC, Rel. Ministra ASSUSETE
MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/03/2016,
DJe 17/03/2016)

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL.


ARRESTO VIA BACEN JUD. POSSIBILIDADE. MEDIDA
CAUTELAR FISCAL. INDISPONIBILIDADE DE ATIVO
FINANCEIRO. MEDIDA EXCEPCIONAL. VEDAÇÃO
INEXISTENTE. REEXAME DE FATOS E PROVAS.
INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ.
1. O sistema BACEN JUD pode ser utilizado para efetivar não
apenas a penhora on line, como também o arresto prévio nesse
168

caso, chamado de arresto prévio on line, bastando para tanto que


estejam presentes os requisitos inerentes a toda medida cautelar,
quais sejam, o risco de dano e o perigo da demora. Precedentes.
2. O art. 4º, § 1º, da Lei n. 8.397/02 que disciplina a medida
cautelar fiscal, preparatória ou incidental põe a salvo do
gravame da indisponibilidade os bens de pessoa jurídica que não
integrem o seu ativo permanente. Todavia, em situações
excepcionais, quando não forem localizados no patrimônio do
devedor bens que possam garantir a execução fiscal, o STJ
admite a decretação de indisponibilidade de bens de pessoa
jurídica, ainda que estes não constituam o seu ativo permanente.
3. Hipótese em que analisar se, no caso dos autos, é cabível a
indisponibilidade de bens que não constituam o ativo
permanente das pessoas jurídicas executadas, requer,
necessariamente, o reexame de fatos e provas, o que é vedado ao
STJ, em recurso especial, por esbarrar no óbice da Súmula
7/STJ.
Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1536830/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/08/2015, DJe
01/09/2015)

AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL.


TRIBUTÁRIO. CONCURSO DE CREDORES.
INEXISTÊNCIA. PRETERIÇÃO DE CRÉDITO
TRIBUTÁRIO. OFENSA AO ART. 186 DO CTN. NÃO
OCORRÊNCIA. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO
ART.
711 DO CPC.
1. É pacífica a necessidade de pluralidade de penhoras sobre o
mesmo bem para que seja instaurado o concurso de preferências,
estendendo-se essa regra aos casos de arresto, para fins do art.
711 do CPC, considerando que essa providência constritiva
traduz medida protetiva de resguardo de bens suficientes para a
garantia da execução, passível de posterior conversão em
penhora, sendo, inclusive a ela equiparado pelo art. 11 da LEF.
Precedentes.
2. "A instauração do concurso de credores pressupõe pluralidade
de penhoras sobre o mesmo bem. Assim, discute-se a
preferência quando há execução fiscal e recaia a penhora sobre o
169

mesmo bem, excutido em outra demanda executiva" (REsp


654.779/RS, Rel. Min. LUIZ FUX, Primeira Turma, DJ
28/3/2005).
Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1360140/RS, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe
12/02/2015)

4. Temas Relacionados

Honorários Advocatícios

Nos termos do art. 85 do Código de Processo Civil, §3º,


os honorários, nas ações em que é parte a Fazenda Pública,
deverão ser estipulados com base nos incisos previstos no artigo
mencionado, e os seguintes percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido até 200
(duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 200
(duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois
mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 2.000
(dois mil) salários-mínimos até 20.000
(vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 20.000
(vinte mil) salários-mínimos até 100.000
(cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por
cento sobre o valor da condenação ou do
170

proveito econômico obtido acima de


100.000 (cem mil) salários-mínimos.
Nestes termos, o juiz, ao despachar no deferimento da
inicial, também definirá os honorários advocatícios, atendendo
sempre os limites previstos no art. 85 do NCPC.

5. Referências bibliográficas

BALLEIRO, Aliomar. Direito Tributário Brasileiro. 3ª ed. Rio


de Janeiro: Forense, 1971.

CÂMERA. Mirian Costa Rebollo. Execução Fiscal – Doutrina


e Jurisprudência. Coordenação Vladmir Passos de Freitas. São
Paulo: Saraiva, 1998.

CONRADO, Paulo Cesar. Processo Tributário. São Paulo:


Quartier Latin, 2004.

FERNANDES, Odmir, e outros. Lei de execução fiscal


comentada e anotada: Lei 6.830, de 22.09.1980: doutrina,
prática, jurisprudência. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais,
2002.

LOPES, Mauro Luís Rocha. Execução Fiscal e Ações


Tributárias. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003.

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal. 8 ed.São Paulo: Saraiva, 2001.

PAULSEN, Leandro. Curso de Direito Tributário. 3ª ed. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2010.

PAULSEN, Leandro. ÁVILA, Rene Bergman. SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência.4ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.
171

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. Porto


Alegre: Livraria do Advogado, 2005.
172

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 8 A 10º


Fernando Bortolon Massignan∗

Art. 8º – O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco)


dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos
indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a
execução, observadas as seguintes normas:
I – a citação será feita pelo correio, com aviso de recepção, se
a Fazenda Pública não a requerer por outra forma;
II – a citação pelo correio considera-se feita na data da
entrega da carta no endereço do executado, ou, se a data for
omitida, no aviso de recepção, 10 (dez) dias após a entrega
da carta à agência postal;
III – se o aviso de recepção não retornar no prazo de 15
(quinze) dias da entrega da carta à agência postal, a citação
será feita por Oficial de Justiça ou por edital;


Mestre em Direito pela PUCRS. Especialista em Direito Tributário pela
Fundação Getúlio Vargas. Professor de cursos de Pós-Graduação em
Direito. Pesquisador do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em
Direito Tributário – PUCRS. Membro da FESDT. Advogado.
173

IV – o edital de citação será afixado na sede do Juízo,


publicado uma só vez no órgão oficial, gratuitamente, como
expediente judiciário, com o prazo de 30 (trinta) dias, e
conterá, apenas, a indicação da exequente, o nome do
devedor e dos corresponsáveis, a quantia devida, a natureza
da dívida, a data e o número da inscrição no Registro da
Dívida Ativa, o prazo e o endereço da sede do Juízo.
§ 1º – O executado ausente do País será citado por edital,
com prazo de 60 (sessenta) dias.
§ 2º – O despacho do Juiz, que ordenar a citação, interrompe
a prescrição.

1. Evolução legislativa e Remissões Legais

O artigo 8º da LEF normatiza a angularização do


processo de execução fiscal, elencando as formas de citação do
executado.
Refere-se, desde já, que embora o artigo 8º tenha
relação com o artigo 2464 do Código de Processo Civil de 2015,

4
“Art. 246. A citação será feita:
I – pelo correio;
II – por oficial de justiça;
III – pelo escrivão ou chefe de secretaria, se o citando comparecer em
cartório;
IV – por edital;
V – por meio eletrônico, conforme regulado em lei.
§ 1o Com exceção das microempresas e das empresas de pequeno porte, as
empresas públicas e privadas são obrigadas a manter cadastro nos sistemas
de processo em autos eletrônicos, para efeito de recebimento de citações e
intimações, as quais serão efetuadas preferencialmente por esse meio.
§ 2o O disposto no § 1o aplica-se à União, aos Estados, ao Distrito Federal,
aos Municípios e às entidades da administração indireta.
174

os critérios para se realizar a citação na execução fiscal seguem


a lei especial, no caso a LEF.
Impõe-se ainda destacar que, para que se faça uma
correta aplicação do artigo 8º, deve-se interpretá-lo de acordo
com o artigo 127 do Código Tributário Nacional, o qual define
os critérios acerca do domicílio tributário. Nesse sentido, dispõe
o art. 127 do CTN que a eleição do domicílio tributário é direito
conferido ao contribuinte, sendo que, em caso de sua omissão, a
eleição se sujeita a três regras específicas, quais sejam: quanto
às pessoas naturais, a sua residência habitual ou, sendo essa
incerta ou desconhecida, o centro habitual de sua atividade
(inciso I); quanto às pessoas jurídicas de direito privado ou às
firmas individuais, o lugar da sua sede ou, em relação aos atos
ou fatos que derem origem à obrigação, o de cada
estabelecimento (inciso II); quanto às pessoas jurídicas de
direito público, qualquer de suas repartições no território da
entidade tributante (inciso III).
Constam ainda no artigo 127 duas regras de exceção
que determinarão como domicílio fiscal o local da situação dos
bens ou da ocorrência dos fatos que deram origem à obrigação
tributária. Essas exceções dispõem sobre os casos em que o
contribuinte, ou não elegeu domicílio tributário e sua situação
não se enquadra nas descritas nos incisos I a III, ou no caso em

§ 3o Na ação de usucapião de imóvel, os confinantes serão citados


pessoalmente, exceto quando tiver por objeto unidade autônoma de prédio
em condomínio, caso em que tal citação é dispensada.”
175

que se identifique que o contribuinte elegeu domicílio com a


finalidade de dificultar o acesso da fiscalização5,6.

Remissões Legais: art. 127 do CTN; arts. 8º da Lei n°6.830/80;


arts. 246 e 251 do NCPC.

2. Conceitos principais

É com a citação do executado que a relação processual


se inicia7, sendo que a norma estabelecida no artigo 8º
estabelece a forma como deve ocorrer a citação e as diversas
hipóteses para a contagem dos prazos processuais que se
iniciam, conforme se passa a expor.

2.1 Forma da citação

Em relação à forma, a Lei de Execuções Fiscais


estipula como regra para realização da citação a via postal com

5
Definiu o STJ na oportunidade do REsp 437.383/MG, de relatoria do
Ministro José Delgado, que deve a autoridade documentar e justificar a
ocorrência das hipóteses previstas nesse parágrafo.
6
Refere-se que nos casos em que se constate que o envio da correspondência
tenha sido realizado para domicílio diferente da última opção do
contribuinte, será seu direito obter a reabertura de prazo, uma vez que a
indicação realizada pela Fazenda se configura como uma presunção
relativo. NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução
Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de
acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais. p. 177.
7
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder.
Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e
Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Livraria do
Advogado: Porto Alegre, 2012. p. 326.
176

aviso de recebimento8. Assim, uma vez realizada a entrega da


correspondência no domicílio fiscal do contribuinte, presume-se
válida9, independentemente de ter sido recebida por terceira
pessoa.

2.2. Citação recebida por terceira pessoa

Embora se presuma válida a citação recebida por


terceira pessoa que não o executado, tal situação gera reflexos
para o momento da penhora, a qual demandará como requisito
formal que a intimação seja realizada sob a forma pessoal, nos
termos do artigo 12, §3º, da LEF.10
Sob essa mesma hipótese, sendo o caso de execução
contra pessoa jurídica, vigora na LEF o princípio da
instrumentalidade, segundo o qual se reputa válida a citação

8
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal.2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010, p. 104.
9
Nesse sentido o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro editou a
Súmula nº 118 no seguinte sentido: “CITAÇÃO POSTAL. PESSOA
JURÍDICA. VALIDADE DO ATO. “A citação postal comprovadamente
entregue à pessoa física, bem assim na sede ou filial da pessoa jurídica, faz
presumir o conhecimento e a validade do ato”. Referência: Súmula da
Jurisprudência Predominante nº 2006.146.00004 – Julgamento em
09/10/2006 – Votação: unânime – Relator: Desembargador Marcus Tullius
Alves. Disponível em http://portaltj.tjrj.jus.br/web/guest/sumulas-118.
Acesso em 19.05.2016.
10
“Art. 12. Na execução fiscal, far-se-á a intimação da penhora ao
executado, mediante publicação, no órgão oficial, do ato de juntada do
termo ou do auto de penhora. [...] § 3º – Far-se-á a intimação da penhora
pessoalmente ao executado se, na citação feita pelo correio, o aviso de
recepção não contiver a assinatura do próprio executado, ou de seu
representante legal.”
177

recebida por pessoa sem poderes instituídos em Contrato


Social/Estatuto11.

2.3. Citação por mandado

Mesmo que o legislador tenha privilegiado a citação


por via postal na LEF, o artigo 8º outorga poderes à Fazenda
Pública para solicitar que a citação ocorra por meio de oficial de
justiça, hipótese que lhe impõe o ônus argumentativo de
justificar essa escolha.
Ainda que ausente o pedido da Fazenda, tal poder é
atribuído ao juízo para que determine, ex officio, que a citação se
dê por meio de oficial de justiça nos casos em que se identifique
que o executado se encontra em zona não atendida pela Empresa
Brasileira de Correios e Telégrafos.12
O NCPC, em seu artigo 255, promoveu significativos
avanços para permitir que a citação nas regiões metropolitanas13
e comarcas contíguas sejam realizadas pelo oficial de justiça da
comarca em que a execução foi proposta, evitando desnecessária
morosidade de envios de cartas precatórias.

11
Nesse sentido: SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REsp 1494315/RS,
Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, Segunda Turma, julgado em
05/02/2015, DJe 20/03/2015. Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?src=1.1.3&aplicacao=processos.e
a&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&num_registro=201402821797.
Acesso em: 20.07.2016.
12
MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e anotada.Salvador:
JusPodivm, 2015.
13
A competência para estabelecer a região metropolitana é atribuída aos
Estados, não cabendo ao CNJ ou à Justiça Federal, aos quais cabe apenas a
definição de comarca.
178

2.4. Citação por edital e por hora certa

A Lei de Execuções Fiscais permite, igualmente, que a


citação seja realizada por Edital, prevendo, de forma expressa
que uma vez frustrada a citação postal o ato poderá ser realizado
por oficial de justiça ou por edital.14
Impõe-se referir que, embora a literalidade da Lei de
Execuções Fiscais indique a citação por edital como uma
faculdade do ente fazendário, firmou-se o entendimento no STJ
no sentido da necessidade de se esgotar as demais formas de
citação, nos termos da Súmula 41415.
Refere-se, por outro lado, que em respeito ao princípio
da especialidade,no âmbito da execução fiscal, os requisitos
previstos no artigo 252 do CPC/201516 são mitigados, bastando
a comprovação da não localização do executado em seu
14
Conforme será demonstrado no tópico relativo à jurisprudência, restou
consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que a citação
por edital na execução fiscal somente é cabível quando frustradas as demais
modalidades (Súmula 414). Assim é ônus da Fazenda demonstrar o
esgotamento das diligências para o fim de citar o executado por via postal
ou oficial de Justiça. AgRg nos EREsp 756.911/SC, Relator Min. Castro
Meira, DJ 03.12.2007. REsp 837.050/SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJ
18.09.2009.
15
Sobre a possibilidade de citação por edital nas Execuções Fiscais, vide
Súmula 414A: “citação por edital na execução fiscal é cabível quando
frustradas as demais modalidades”. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/docs_internet/VerbetesSTJ_asc.txt. Acesso em:
20.05.2016.
16
“Art. 252. Quando, por 2 (duas) vezes, o oficial de justiça houver
procurado o citando em seu domicílio ou residência sem o encontrar,
deverá, havendo suspeita de ocultação, intimar qualquer pessoa da família
ou, em sua falta, qualquer vizinho de que, no dia útil imediato, voltará a fim
de efetuar a citação, na hora que designar.
Parágrafo único. Nos condomínios edilícios ou nos loteamentos com controle
de acesso, será válida a intimação a que se refere o caput feita a funcionário
da portaria responsável pelo recebimento de correspondência.”
179

domicílio fiscal por oficial de justiça, mesmo que em tentativa


única17.
Uma vez realizada a citação por Edital, entende-se
aplicável o disposto no artigo 72, inciso II, do NCPC, o qual
prevê a necessidade de nomeação de curador especial no caso de
réu citado por edital que quede revel, aplicando-se o teor da
Súmula 196 do Superior Tribunal de Justiça.18
A citação também será realizada por edital quando o
executado for domiciliado no exterior, conforme estipula de
forma expressa o §1º do artigo 8º. No âmbito da Execução
Fiscal, a citação editalícia prescinde de aresto, sendo que os
prazos para essa modalidade se estendem para que o executado
seja representado, estabelecendo-se 30 dias para o domiciliado
no Brasil e de 60 dias para o executado domiciliado no
exterior.19
Embora a citação por edital seja a única espécie de
citação ficta prevista na Lei de Execuções Fiscais, há precedente
do STJ no sentido da possibilidade de se realizar a citação por
hora certa na execução fiscal.20

17
Informativo de Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça 0510 –
Período: 18 de dezembro de 2012.
18
Súmula 196: “Ao executado que, citado por edital ou por hora certa,
permanecer revel, será nomeado curador especial, com legitimidade para
apresentação de embargos”. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/docs_internet/VerbetesSTJ_asc.txt. Acesso em:
20.05.2016.
19
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal.2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010, p. 105.
20
Nesse sentido, RESP 673.945/SP, Relator Ministro Castro Filho. Terceira
Turma. Julgado em 25.09.2006. DJ 16.10.2006. Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
180

2.5. Contagem de prazo a partir da citação

Identificada a forma como deve ser realizada a citação


do executado, o artigo 8º trata também de como deverá ser
realizada a contagem do prazo de cinco dias para oferecimento
de bens à penhora ou pagamento da dívida.
Para os casos em que a citação tenha sido realizada de
forma regular, existindo comprovante de entrega no endereço do
executado, o dies a quo será o da data do efetivo recebimento da
citação. Por outro lado, nos casos em que não é possível
identificar qual foi a data desse recebimento, a lei estabelece
duas hipóteses sucessivas.
Define o inciso II que caso o Aviso de Recebimento
seja omisso quanto à data de entrega, considerar-se-á o início do
prazo em dez dias contados da entrega da carta à agência postal.
Impõe-se esclarecer que essa hipótese sucessiva contida no
inciso II trata de uma presunção relativa, sendo possível ao
executado demonstrar que, por eventual desídia da Empresa de
Correios e Telégrafos ou por motivo de força maior, a citação
ocorreu após o décimo dia da entrega na agência postal, fator
que imporá ao juízo a reabertura do prazo para oferecimento de
bens.21

TA&sequencial=650857&num_registro=200400960502&data=20061016&
formato=PDF. Acesso em: 18.05.2016.
21
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 176.
181

Realizada a citação, deverá o executado, no prazo de


cinco dias, realizar o pagamento da dívida atualizada com juros
e correção monetária calculados na forma indicada na Certidão
de Dívida Ativa ou oferecer bens à penhora.

2.6. Casos de pagamento e parcelamento

Para a realização do pagamento, há discussão acerca da


compatibilidade com a forma prevista no art. 916 do novo
CPC22 que possibilita a sua realização em seis parcelas e se tal
hipótese seria compatível com os artigos 155-A e 171 do CTN.
Segundo Leandro Paulsen, não há incompatibilidade na
utilização do artigo 916 do CPC23 com a exigência de lei

22
“Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente
e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução,
acrescido de custas e de honorários de advogado, o executado poderá
requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas
mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao
mês.
§ 1o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos
pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 (cinco) dias.
§ 2o Enquanto não apreciado o requerimento, o executado terá de depositar as
parcelas vincendas, facultado ao exequente seu levantamento.
§ 3o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão
suspensos os atos executivos.
§ 4o Indeferida a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o
depósito, que será convertido em penhora.
§ 5o O não pagamento de qualquer das prestações acarretará
cumulativamente:
I – o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do
processo, com o imediato reinício dos atos executivos;
II – a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das
prestações não pagas.
§ 6o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa renúncia ao
direito de opor embargos
§ 7o O disposto neste artigo não se aplica ao cumprimento da sentença”.
23
Relativo ao artigo 745-A do CPC/1973.
182

específica para o parcelamento tributário de que trata o artigo


155-A do CTN, uma vez que se refere a uma solução nos autos
de processo executivo, não sendo modalidade de parcelamento
administrativo, o qual exigiria lei específica.24
Por fim, há a possibilidade de o executado realizar
parcelamento ordinário perante o órgão exequente, o qual, uma
vez cumpridos os requisitos previstos em lei, suspenderá a
execução fiscal, que, em caso de desistência, poderá prosseguir,
sendo afastada tese de novação de dívida.25

2.7 Interrupção da prescrição:

Consta no § 2º do artigo 8º que o despacho que ordena


a citação interrompe o prazo prescricional da cobrança
fazendária.
A discussão acerca dessa norma cinge-se da análise do
artigo 146, III, b, da Constituição Federal26, o qual estipula de
forma expressa que normas gerais em matéria tributária relativas
à prescrição e decadência dependem de Lei Complementar.

24
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid
Schroder. Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal
e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Livraria do
Advogado: Porto Alegre, 2012. p. 324.
25
REsp 1526804/CE, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma,
julgado em 21/05/2015, DJe 30/06/2015. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?tipo_visualizacao=RES
UMO&livre=1526804&b=ACOR&thesaurus=JURIDICO. Acesso em:
24.07.2016.
26
“Art. 146. Cabe à lei complementar: [...] III – estabelecer normas gerais
em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: [...] b) obrigação,
lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”.
183

Nesse sentido, sendo a LEF lei ordinária, tal comando


foi considerado inconstitucional por negar vigência ao artigo
146, III, b,da CF, oportunidade em que o STF limitou sua
aplicação às dívidas não tributárias.27
No entanto, após a promulgação da LC 118/05, que
alterou o artigo 174, I, do CTN para definir como marco
interruptivo o despacho que ordena a citação, nosso sistema
passou a repetir, agora por meio de Lei Complementar, a norma
definida pelo §2º do art. 8º da LEF.
O NCPC prevê em seu artigo 240, §1º, que a
interrupção da prescrição dar-se-á com o despacho que ordena a
citação, o qual, mesmo que proferido por juízo incompetente,
retroagirá à data da propositura da ação.
Tal comando ainda depende da análise de sua
constitucionalidade em face do mesmo artigo 146, III, b,da CF,
em razão de a contagem ser explicitada por norma de lei
ordinária.
Em âmbito infraconstitucional, entretanto, para o STJ é
válida a norma prevista no CPC. Nesse sentido, na oportunidade
do julgamento do REsp 1.120.295/SP, o qual foi realizado sob o
rito do artigo 543-C do CPC de 1973 (art. 240 do NCPC),
definiu-se o mesmo critério para fins de execuções fiscais,
fixando que o despacho de cite-se retroage à data da propositura
da execução fiscal.

27
Informativo STJ 0465 de 28 de fevereiro a 4 de março de 2011. Disponível
em: https://ww2.stj.jus.br/jurisprudencia/externo/informativo/. Acesso em:
20.07.2016.
184

Embora se tenha consagrado esse entendimento sob o


rito de recurso repetitivo, entendemos que ele conflita com o
artigo 146, III, b,da Constituição Federal e com o artigo 174 do
CTN.

3. Jurisprudência relacionada

Súmula 196 do STJ:

“Ao executado que, citado por edital ou por hora certa,


permanecer revel, será nomeado curador especial, com
legitimidade para apresentação de embargos”.

Citação. Recebimento por terceira pessoa

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE


OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. CITAÇÃO. DOMICÍLIO
DO CONTRIBUINTE. TERCEIRA PESSOA. VALIDADE.
1. Constato que não se configurou a ofensa ao art. 535, I e II, do
Código de Processo Civil, uma vez que o Tribunal de origem
julgou integralmente a lide e solucionou a controvérsia, tal como
lhe foi apresentada. A parte recorrente deixou de apontar, de
forma clara, o vício em que teria incorrido o acórdão
impugnado. Assim, é inviável o conhecimento do Recurso
Especial nesse ponto, ante o óbice da Súmula 284/STF.
2. No processo de Execução Fiscal é válida a citação postal
entregue no domicílio correto do devedor, apesar de ser recebida
por terceiros. Precedentes: AgRg no AREsp 189.958/SP, Rel.
Ministra DIVA MALERBI (DESEMBARGADORA
CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, DJe
13/03/2013; AgRg no Ag 1318384/RS, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe
10/11/2010 e AgRg no REsp 1178129/MG, Rel. Ministro
BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe
20/08/2010.
3. Recurso Especial provido.
185

(REsp 1494315/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,


SEGUNDA TURMA, julgado em 05/02/2015, DJe 20/03/2015).

Interrupção da prescrição e inconstitucionalidade

INCONSTITUCIONALIDADE PARCIAL. PRESCRIÇÃO


TRIBUTÁRIA. RESERVA. LC.
Trata-se de incidente de inconstitucionalidade dos arts. 2º, § 3º,
e 8º, § 2º, da Lei n. 6.830/1980 (Lei de Execuções Fiscais –
LEF) suscitado em decorrência de decisão do STF. A Fazenda
Nacional, invocando a Súmula Vinculante n. 10-STF, interpôs
recurso extraordinário (RE) contra acórdão deste Superior
Tribunal, alegando, essencialmente, a negativa de aplicação do
art. 8º, § 2º, da LEF sem declarar a sua inconstitucionalidade, o
que constitui ofensa ao art. 97 da CF/1988. O STF deu
provimento ao recurso da Fazenda para anular o acórdão e
determinou, em consequência, que fosse apreciada a
controvérsia constitucional suscitada na causa, fazendo-o, no
entanto, com estrita observância do que dispõe o art. 97 da
CF/1988. Portanto, coube definir, nesse julgamento, a questão
da constitucionalidade formal do § 2º do art. 8º da LEF, bem
como, dada a sua estreita relação com o tema, do § 3º do art. 2º
da mesma lei, na parte que dispõe sobre matéria prescricional.
Essa definição teve como pressuposto investigar se, na data em
que foram editados os citados dispositivos (1980), a
Constituição mantinha a matéria neles tratada (prescrição
tributária) sob reserva de lei complementar (LC). Ressaltou, a
priori, o Min. Relator que a recente alteração do art. 174 do
CTN, promovida pela LC n. 118/2005, é inaplicável à hipótese
dos autos, visto que o despacho que ordenou a citação do
executado deu-se antes da entrada em vigor da modificação
legislativa, incidindo ao fato o art. 174 do CTN na sua redação
originária. Observou, também, ser jurisprudência pacífica deste
Superior Tribunal que o art. 8º, § 2º, da LEF, por ser lei
ordinária, não revogou o inciso I do parágrafo único do art. 174
do CTN, por ostentar esse dispositivo, já à época, natureza de
LC. Assim, o citado art. 8º, § 2º, da LEF tem aplicação restrita
às execuções de dívidas não tributárias. Explicou que a mesma
orientação é adotada em relação ao art. 2º, § 3º, da LEF, o qual,
pela mesma linha de argumentação, ou seja, de que lei ordinária
186

não era apta a dispor sobre matéria de prescrição tributária, é


aplicável apenas a inscrições de dívida ativa não tributária.
Também apontou ser jurisprudência pacificada no STJ que tem
respaldo em recentes precedentes do STF em casos análogos,
segundo a qual, já no regime constitucional de 1967 (EC n.
1/1969), a prescrição e a decadência tributária eram matérias
reservadas à lei complementar. Asseverou, ainda, que,
justamente com base nesse entendimento, o STF julgou
inconstitucional o parágrafo único do art. 5º do DL n.
1.569/1977, editado na vigência da referida EC, tratando de
suspensão de prazo prescricional de créditos tributários (Súmula
Vinculante n. 8-STF). Dessa forma, concluiu que as mesmas
razões adotadas pelo STF para declarar a inconstitucionalidade
do citado parágrafo único determinam a inconstitucionalidade,
em relação aos créditos tributários, do § 2º do art. 8º da LEF
(que cria hipótese de interrupção da prescrição), bem como do §
3º do art. 2º da mesma lei (no que se refere à hipótese de
suspensão da prescrição). Ressaltou, por fim, que o
reconhecimento da inconstitucionalidade deve ser parcial, sem
redução de texto, visto que tais dispositivos preservam sua
validade e eficácia em relação a créditos não tributários objeto
de execução fiscal e, com isso, reafirmou a jurisprudência do
STJ sobre a matéria. Ante o exposto, a Corte Especial, ao
prosseguir o julgamento, acolheu, por maioria, o incidente para
reconhecer a inconstitucionalidade parcial dos arts. 2º, § 3º, e 8º,
§ 2º, da Lei n. 6.830/1980, sem redução de texto. Os votos
vencidos acolhiam o incidente de inconstitucionalidade em
maior extensão. Precedentes citados do STF: RE 106.217-SP,
DJ 12/9/1986; RE 556.664-RS, DJe 14/11/2008; RE 559.882-
RS, DJe 14/11/2008; RE 560.626-RS, DJe 5/12/2008; do STJ:
REsp 667.810-PR, DJ 5/10/2006; REsp 611.536-AL, DJ
14/7/2007; REsp 673.162-RJ, DJ 16/5/2005; AgRg no REsp
740.125-SP, DJ 29/8/2005; REsp 199.020-SP, DJ 16/5/2005;
EREsp 36.855-SP, DJ 19/6/1995; REsp 721.467-SP, DJ
23/5/2005; EDcl no AgRg no REsp 250.723-RJ, DJ 21/3/2005;
REsp 112.126-RS, DJ 4/4/2005, e AgRg nos EDcl no REsp
623.104-RJ, DJ 6/12/2004. (AI no Ag 1.037.765-SP, Rel. Min.
Teori Albino Zavascki, julgada em 2/3/2011).
187

Interrupção da prescrição e data da propositura da Execução


Fiscal

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.
PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO DE O FISCO COBRAR
JUDICIALMENTE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TRIBUTO
SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR ATO DE
FORMALIZAÇÃO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE (IN
CASU, DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS).
PAGAMENTO DO TRIBUTO DECLARADO.
INOCORRÊNCIA. TERMO INICIAL. VENCIMENTO DA
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA DECLARADA.
PECULIARIDADE: DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS
QUE NÃO PREVÊ DATA POSTERIOR DE VENCIMENTO
DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL, UMA VEZ JÁ DECORRIDO
O PRAZO PARA PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO
PRESCRICIONAL A PARTIR DA DATA DA ENTREGA DA
DECLARAÇÃO.
1. O prazo prescricional quinquenal para o Fisco exercer a
pretensão de cobrança judicial do crédito tributário conta-se da
data estipulada como vencimento para o pagamento da
obrigação tributária declarada (mediante DCTF, GIA, entre
outros), nos casos de tributos sujeitos a lançamento por
homologação, em que, não obstante cumprido o dever
instrumental de declaração da exação devida, não restou
adimplida a obrigação principal (pagamento antecipado), nem
sobreveio quaisquer das causas suspensivas da exigibilidade do
crédito ou interruptivas do prazo prescricional (Precedentes da
Primeira Seção: EREsp 658.138/PR, Rel. Ministro José
Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministra Eliana Calmon, julgado em
14.10.2009, DJe 09.11.2009; REsp 850.423/SP, Rel. Ministro
Castro Meira, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008; e AgRg
nos EREsp 638.069/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki,
julgado em 25.05.2005, DJ 13.06.2005).
2. A prescrição, causa extintiva do crédito tributário, resta assim
regulada pelo artigo 174, do Código Tributário Nacional, verbis:
188

"Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve


em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.
Parágrafo único. A prescrição se interrompe: I – pela citação
pessoal feita ao devedor;
I – pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução
fiscal;
(Redação dada pela LCP nº 118, de 2005)
II – pelo protesto judicial;
III – por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor;
IV – por qualquer ato inequívoco ainda que extrajudicial, que
importe em reconhecimento do débito pelo devedor."
3. A constituição definitiva do crédito tributário, sujeita à
decadência, inaugura o decurso do prazo prescricional
quinquenal para o Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial
do crédito tributário.
4. A entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários
Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS
– GIA, ou de outra declaração dessa natureza prevista em lei
(dever instrumental adstrito aos tributos sujeitos a lançamento
por homologação), é modo de constituição do crédito tributário,
dispensando a Fazenda Pública de qualquer outra providência
conducente à formalização do valor declarado (Precedente da
Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543-C, do CPC:
REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado
em 22.10.2008, DJe 28.10.2008).
5. O aludido entendimento jurisprudencial culminou na edição
da Súmula 436/STJ, verbis: "A entrega de declaração pelo
contribuinte, reconhecendo o débito fiscal, constitui o crédito
tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do
Fisco."
6. Consequentemente, o dies a quo do prazo prescricional para o
Fisco exercer a pretensão de cobrança judicial do crédito
tributário declarado, mas não pago, é a data do vencimento da
obrigação tributária expressamente reconhecida.
7. In casu: (i) cuida-se de créditos tributários atinentes a IRPJ
(tributo sujeito a lançamento por homologação) do ano-base de
1996, calculado com base no lucro presumido da pessoa
jurídica; (ii) o contribuinte apresentou declaração de
rendimentos em 30.04.1997, sem proceder aos pagamentos
189

mensais do tributo no ano anterior; e (iii) a ação executiva fiscal


foi proposta em 05.03.2002.
8. Deveras, o imposto sobre a renda das pessoas jurídicas,
independentemente da forma de tributação (lucro real,
presumido ou arbitrado), é devido mensalmente, à medida que
os lucros forem auferidos (Lei 8.541/92 e Regulamento do
Imposto de Renda vigente à época – Decreto 1.041/94).
9. De acordo com a Lei 8.981/95, as pessoas jurídicas, para fins
de imposto de renda, são obrigadas a apresentar, até o último dia
útil do mês de março, declaração de rendimentos demonstrando
os resultados auferidos no ano-calendário anterior (artigo 56).
10. Assim sendo, não procede a argumentação da empresa, no
sentido de que: (i) "a declaração de rendimentos ano-base de
1996 é entregue no ano de 1996, em cada mês que se realiza o
pagamento, e não em 1997"; e (ii) "o que é entregue no ano
seguinte, no caso, 1997, é a Declaração de Ajuste Anual, que
não tem efeitos jurídicos para fins de início da contagem do
prazo seja decadencial, seja prescricional", sendo certo que "o
Ajuste Anual somente tem a função de apurar crédito ou débito
em relação ao Fisco." (fls. e-STJ 75/76).
11. Vislumbra-se, portanto, peculiaridade no caso sub examine,
uma vez que a declaração de rendimentos entregue no final de
abril de 1997 versa sobre tributo que já deveria ter sido pago no
ano-calendário anterior, inexistindo obrigação legal de
declaração prévia a cada mês de recolhimento, consoante se
depreende do seguinte excerto do acórdão regional: "Assim,
conforme se extrai dos autos, a formalização dos créditos
tributários em questão se deu com a entrega da Declaração de
Rendimentos pelo contribuinte que, apesar de declarar os
débitos, não procedeu ao devido recolhimento dos mesmos, com
vencimentos ocorridos entre fevereiro/1996 a janeiro/1997 (fls.
37/44)."
12. Consequentemente, o prazo prescricional para o Fisco
exercer a pretensão de cobrança judicial da exação declarada, in
casu, iniciou-se na data da apresentação do aludido documento,
vale dizer, em 30.04.1997, escoando-se em 30.04.2002, não se
revelando prescritos os créditos tributários na época em que
ajuizada a ação (05.03.2002).
13. Outrossim, o exercício do direito de ação pelo Fisco, por
intermédio de ajuizamento da execução fiscal, conjura a
190

alegação de inação do credor, revelando-se incoerente a


interpretação segundo a qual o fluxo do prazo prescricional
continua a escoar-se, desde a constituição definitiva do crédito
tributário, até a data em que se der o despacho ordenador da
citação do devedor (ou até a data em que se der a citação válida
do devedor, consoante a anterior redação do inciso I, do
parágrafo único, do artigo 174, do CTN).
14. O Codex Processual, no § 1º, do artigo 219, estabelece que a
interrupção da prescrição, pela citação, retroage à data da
propositura da ação, o que, na seara tributária, após as alterações
promovidas pela Lei Complementar 118/2005, conduz ao
entendimento de que o marco interruptivo atinente à prolação do
despacho que ordena a citação do executado retroage à data do
ajuizamento do feito executivo, a qual deve ser empreendida no
prazo prescricional.
15. A doutrina abalizada é no sentido de que: “Para CÂMARA
LEAL, como a prescrição decorre do não exercício do direito de
ação, o exercício da ação impõe a interrupção do prazo de
prescrição e faz que a ação perca a 'possibilidade de reviver',
pois não há sentido a priori em fazer reviver algo que já foi
vivido (exercício da ação) e encontra-se em seu pleno exercício
(processo)”. Ou seja, o exercício do direito de ação faz cessar a
prescrição. Aliás, esse é também o diretivo do Código de
Processo Civil: 'Art. 219. A citação válida torna prevento o
juízo, induz litispendência e faz litigiosa a coisa; e, ainda
quando ordenada por juiz incompetente, constitui em mora o
devedor e interrompe a prescrição. § 1º A interrupção da
prescrição retroagirá à data da propositura da ação.' Se a
interrupção retroage à data da propositura da ação, isso significa
que é a propositura, e não a citação, que interrompe a prescrição.
Nada mais coerente, posto que a propositura da ação representa
a efetivação do direito de ação, cujo prazo prescricional perde
sentido em razão do seu exercício, que será expressamente
reconhecido pelo juiz no ato da citação. Nesse caso, o que
ocorre é que o fator conduta, que é a omissão do direito de ação,
é desqualificado pelo exercício da ação, fixando-se, assim, seu
termo consumativo. Quando isso ocorre, o fator tempo torna-se
irrelevante, deixando de haver um termo temporal da
prescrição." (Eurico Marcos Diniz de Santi, in "Decadência e
191

Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Ed. Max Limonad, São


Paulo, 2004, págs. 232/233)
16. Destarte, a propositura da ação constitui o dies ad quem do
prazo prescricional e, simultaneamente, o termo inicial para sua
recontagem sujeita às causas interruptivas previstas no artigo
174, parágrafo único, do CTN.
17. Outrossim, é certo que "incumbe à parte promover a citação
do réu nos 10 (dez) dias subsequentes ao despacho que a
ordenar, não ficando prejudicada pela demora imputável
exclusivamente ao serviço judiciário" (artigo 219, § 2º, do
CPC).
18. Consequentemente, tendo em vista que o exercício do direito
de ação deu-se em 05.03.2002, antes de escoado o lapso
quinquenal (30.04.2002), iniciado com a entrega da declaração
de rendimentos (30.04.1997), não se revela prescrita a pretensão
executiva fiscal, ainda que o despacho inicial e a citação do
devedor tenham sobrevindo em junho de 2002.
19. Recurso especial provido, determinando-se o
prosseguimento da execução fiscal. Acórdão submetido ao
regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1120295/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 12/05/2010, DJe 21/05/2010)

Citação por hora certa na Execução Fiscal

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CITAÇÃO


COM HORA CERTA EM PROCESSO DE EXECUÇÃO
EXTRAJUDICIAL. POSSIBILIDADE.
Conforme disposto no artigo 277 do Código de Processo Civil,
ocorre a citação com hora certa quando há suspeita de ocultação
por parte do réu, procurado três vezes em sua residência. Essa
forma de citação é aplicável tanto ao processo de conhecimento,
quanto aos demais processos, incluindo-se o de execução, por
força da subsidiariedade prevista no artigo 598 do mesmo
estatuto.
Recurso especial provido.
(REsp 673.945/SP, Rel. Ministro CASTRO FILHO,
TERCEIRA TURMA, julgado em 25/09/2006, DJ 16/10/2006,
p. 365)
192

Parcelamento e novação

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO


FISCAL. PARCELAMENTO DA DÍVIDA. EXTINÇÃO DA
EXECUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NOVAÇÃO. NÃO
OCORRÊNCIA.
1. Trata-se, na origem, de Execução Fiscal proposta pela
Fazenda Nacional contra a recorrida, que, posteriormente à
execução, aderiu a programa de parcelamento e refinanciamento
de débitos tributários.
O presente executivo fiscal foi extinto com amparo no artigo
794, II, do Código de Processo Civil, assinalando o Tribunal de
origem tratar-se de parcelamento de novação da dívida, o que
desconstitui eventual penhora ou constrição judicial
implementada nos autos.
2. Em termos gerais, a Lei 10.684/2003 prevê a possibilidade de
parcelamento em até 180 prestações mensais e sucessivas dos
débitos inscritos na Receita Federal ou na Procuradoria-Geral da
Fazenda Nacional, independente de apresentação de garantia ou
de arrolamento de bens, mantidas aquelas decorrentes de outros
parcelamentos ou de Execução Fiscal, sendo que a exclusão do
sujeito passivo do parcelamento implica exigibilidade imediata
da totalidade do crédito confessado e ainda não pago e
automática execução da garantia prestada, quando existente,
restabelecendo-se, em relação ao montante não pago, os
acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da
ocorrência dos respectivos fatos geradores.
3. Para que ocorra a novação, é necessário que estejam previstos
três requisitos, sendo dois objetivos e um subjetivo, quais sejam:
a) obrigação anterior, b) nova obrigação substitutiva da anterior
e c) animus novandi. Dessa forma, perfectibilizados os
elementos caracterizadores da novação, substitui-se a dívida
primitiva por nova, extinguindo-se os acessórios e garantias que
porventura existam, salvo estipulação em contrário. Precedentes
do STJ.
4. No que tange ao elemento subjetivo da novação, é
indispensável a comprovação expressa do animus novandi,
porquanto esta não se presume. Precedente: REsp 166.328/MG,
Rel. Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma,
julgado em 18.3.1999, DJ 24.5.1999, p. 172
193

5. No caso concreto, além da não ocorrência do animus novandi,


não há formação de nova obrigação substitutiva da anterior, já
que a exclusão do sujeito passivo do parcelamento implica
exigibilidade imediata da totalidade do crédito confessado e
ainda não pago e automática execução da garantia prestada, se
porventura existir, conforme inteligência dos artigos 11 e 12 da
Lei 10.684/2003.
6. Assim, por força da legislação pertinente, a adesão ao
programa de parcelamento não implica novação, tampouco
extinção do processo executivo, mas tão somente sua suspensão,
pois, nos moldes do artigo 151, I, do Código Tributário
Nacional, o parcelamento consiste apenas na faculdade dada ao
credor optante para suspender a exigibilidade do crédito
tributário, de modo a adimpli-lo de forma segmentada. Nesse
sentido: AGRMC 1519/SP, Rel. Min. Garcia Vieira, DJ
5.4.1999; Resp n.º 434.217/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJ
4.9.2002.
7. Como consectário lógico da não ocorrência da novação,
quando do deferimento do pedido de parcelamento, tem-se a
manutenção das garantias que o crédito tributário anteriormente
possuía, permanecendo incólumes eventuais penhoras ou
constrições judiciais implementadas nos autos da Execução
Fiscal. É o que se infere do artigo 4º, V, da Lei 10.684/2003.
8. Recurso Especial provido.
(REsp 1526804/CE, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 21/05/2015, DJe 30/06/2015)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e


anotada.Salvador: JusPodivm, 2015.

NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo
194

por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei n. 6830.12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA,


Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2012.

PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
195

Art. 9º – Em garantia da execução, pelo valor da dívida,


juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de
Dívida Ativa, o executado poderá:
I – efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em
estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização
monetária;
II – oferecer fiança bancária ou seguro garantia; (Redação
dada pela Lei nº 13.043, de 2014)
III – nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo
11; ou
IV – indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e
aceitos pela Fazenda Pública.
§ 1º – O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer
bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do
respectivo cônjuge.
§ 2oJuntar-se-á aos autos a prova do depósito, da fiança
bancária, do seguro garantia ou da penhora dos bens do
executado ou de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 13.043,
de 2014)
§ 3oA garantia da execução, por meio de depósito em
dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, produz os
mesmos efeitos da penhora. (Redação dada pela Lei nº
13.043, de 2014)
§ 4º – Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo
32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária
e juros de mora.
196

§ 5º – A fiança bancária prevista no inciso II obedecerá às


condições pré-estabelecidas pelo Conselho Monetário
Nacional.
§ 6º – O executado poderá pagar parcela da dívida, que
julgar incontroversa, e garantir a execução do saldo
devedor.

1. Evolução legislativa e Remissões Legais

O artigo 9º da Lei de Execuções Fiscaisregulamenta a


forma como deverá ser realizada a penhora, ou seja, superada a
opção pelo pagamento, há a necessidade de que o executado
garanta a execução por meio de penhora para que tenha direito
de oferecer Embargos à Execução Fiscal.
A norma legal guarda relação estreita com o artigo 835
do Código de Processo Civil, sendo o mesmo aplicado sob
forma sistemática.
Há relação também com a Lei n°9.703/98, a qual
disciplina os depósitos judiciais e extrajudiciais atinentes aos
tributos de competência da União. A Lei n°11.429/06 dispõe
sobre os depósitos judiciais referentes aos tributos Estaduais e
distritais. Por fim, a Lei n°10.819/03 regulamenta depósitos
judiciais de tributos de competências dos municípios.1

1
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015, p. 185.
197

2. Principais conceitos

Realizada a citação do executado, a lei lhe concede


cinco dias para garantir a dívida ou realizar o pagamento. De
acordo com a norma legal, é necessário proceder em garantia
integral da dívida, incluindo juros e multas, ou seja, mesmo nos
casos em que o executado pretenda apenas discutir as
incidências de juros e multa, deverá responsabilizar-se por esses
mesmos valores para garantir a execução2.
Nas próximas seções, passamos a analisar a forma
como deverá ser realizada a garantia da dívida.

2.1. Depósito bancário

A primeira opção de garantia da dívida é o depósito


bancário, que deverá ser realizado perante instituição vinculada
ao juízo.
Uma vez realizado o depósito, caberá à instituição
bancária efetuar a correção monetária relativa aos valores
recolhidos, nos termos da Súmula n°179 do Superior Tribunal
de Justiça.3

2
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2015.
3
Súmula 179 do Superior Tribunal de Justiça: “O estabelecimento de crédito
que recebe dinheiro, em deposito judicial, responde pelo pagamento da
correção monetária relativa aos valores recolhidos”. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/SCON/SearchBRS?b=SUMU&livre=@docn=%27000
000179%27. Acesso em: 24.07.2016.
198

O depósito integral do débito é causa de suspensão da


exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, II,
do Código Tributário Nacional4. Assim, uma vez realizado o
depósito, haverá direito potestativo do executado em obter
certidão positiva com efeitos de negativa (art. 206 do CTN).5
A garantia da dívida por meio de depósito tem os
mesmos efeitos da penhora, sendo possível ao executado
oferecer Embargos à Execução Fiscal, os quais, se foram
julgados procedentes, permitirão ao contribuinte o direito
levantamento do depósito e, caso venham a ser julgados
improcedentes, o valor será convertido em renda e extinguirá a
obrigação nos termos do artigo 156, VI, do CTN.6

2.2. Fiança bancária

No mesmo prazo de cinco dias, poderá o executado


oferecer fiança bancária com a finalidade de garantir a execução.
A fiança bancária é regulamentada pela Resolução
n°724/1982 do Conselho Monetário Nacional (CMN), sendo
que, para o caso de cobrança de débitos federais, consta

4
“Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] II – o
depósito do seu montante integral; [...]”.
5
“Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de
que conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança
executiva em que tenha sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade
esteja suspensa”.
6
“Art. 156. Extinguem o crédito tributário: [...] VI – a conversão de depósito
em renda; [...].”
199

regulamentação adicional por parte da PGFN em sua Portaria


n°644/2009.7
A legislação, tanto do CMN como da PGFN, estipula
uma série de requisitos formais para que a fiança bancária seja
aceita, e dentre eles se podem citar a exigência de cláusula de
atualização do débito; a cláusula de solidariedade com renúncia
ao benefício de ordem; o prazo de validade.
Assim como o depósito, a fiança bancária permite a
apresentação de embargos à execução, sendo que, caso o
executado não o apresente ou tenha os embargos julgados
improcedentes, caberá ao garantidor fidejussório o pagamento
da dívida no prazo de 15 dias.

2.3. Seguro-garantia:

A possibilidade de oferecimento de seguro-garantia à


penhora foi introduzida na LEF por meio da Lei n°13.043/14,
sendo que antes dessa inserção legal havia entendimento do STJ
de que a referida modalidade não poderia ser utilizada para
garantir a Execução Fiscal.8

7
BRASIL. Ministério da Fazenda. Portaria PGFN n°° 644 de 01 de abril de
2009. Disponível em: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-
uniao/todos-os-servicos/portarias/Portaria_PGFN_644_2009.pdf. Acesso
em: 01.06.2016.
8
Nesse sentido, consta o entendimento dos precedentes AgRG no AREsp
266.570/PA, 2ª Turma, Rel. Ministro Hermann Benhamin, DJe 18.03.2013;
AREsp 317.817/PE, rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 26.06.2013.
TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO
RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. SEGURO GARANTIA
JUDICIAL. INVIABILIDADE NO REGIME DA LEI 6.830/1980.
PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL NÃO PROVIDO. 1.
200

Em efeito, a discussão acerca da possibilidade de


utilização de seguro-garantia veio a pleno a partir da
promulgação da Lei n°11.382/2006, que introduziu no então
vigente Código de Processo Civil a sua possibilidade nos termos
do artigo 656, §2º, do CPC/73.9 Diante dessa previsão, passou-
se a questionar a viabilidade de utilização do seguro-garantia no
âmbito da Execução Fiscal, a qual, naquele momento, diante da
omissão na LEF, dependia de aceitação do juízo e da própria
Fazenda.
A partir da expressa previsão de sua viabilidade no
ordenamento jurídico, a discussão judicial perdeu seu objeto,
sendo que a própria PGFN regulamentou, por meio da Portaria
PGFN n°164/2014, os requisitos necessários para que se proceda
no oferecimento dessa espécie de garantia. Sob a perspectiva
lógica, refere-se que, uma vez cumpridos os requisitos previstos
na portaria, é gerado, em favor do executado, direito subjetivo
de a penhora recair sobre o seguro-garantia, ou seja, independe
de aceitação do juízo ou da fazenda pública.
Por fim, impende referir que o novo Código de
Processo Civil prevê de forma expressa no §2º do artigo 835

A orientação consolidada das Turmas que integram a Primeira Seção do


STJ é no sentido que não é possível a utilização do "seguro garantia
judicial" como caução à execução fiscal, por ausência de norma legal
específica, não havendo previsão do instituto entre as modalidades previstas
no art. 9º da Lei 6.830/1980. 2. Agravo regimental não provido. AgRg no
REsp 1.423.411/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 05/06/2014, DJe 11/06/2014 Disponível em:
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp?livre=266570&b=ACO
R&p=true&t=JURIDICO&l=10&i=2. Acesso em: 20.07.2016.
9
Com correspondência nos artigos 835, §2º, e 848, parágrafo único, do Novo
CPC.
201

que, para fins de substituição da penhora, a fiança e o seguro


equiparam-se a dinheiro10, desde que seja estipulada em valor
não inferior ao do débito constante na inicial acrescidos de trinta
por cento.

2.4. Nomeação de bens à penhora na ordem do artigo 11

O inciso III do artigo 9º regulamenta a ordem de


preferência dos bens a serem oferecidos em penhora, e dispõe
que não sendo exercido o direito de oferecimento, a penhora
recaíra sobre qualquer bem integrante do patrimônio do
executado, exceto sobre os que a lei declare absolutamente
impenhoráveis, os quais serão abordados alhures.
A ordem de preferência para penhora seguirá o disposto
no artigo 11 da LEF, a qual tem a seguinte redação:
Art. 11 – A penhora ou arresto de bens
obedecerá à seguinte ordem:
I – dinheiro;
II – título da dívida pública, bem como título
de crédito, que tenham cotação em bolsa;
III – pedras e metais preciosos;
IV – imóveis;
V – navios e aeronaves;
VI – veículos;
VII – móveis ou semoventes; e
VIII – direitos e ações.

A mens legis da ordem de indicação de bens é,


logicamente, buscar garantir a execução com bens de maior

10
Acerca da equivalência entre seguro garantia e dinheiro, vide CONRADO,
Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo: Noeses, 2015. p. 204. De
acordo com o Novo CPC.
202

liquidez para, quando oportuno, saldar o débito cobrado. O


artigo de referência tem relação com o artigo 835 do Código de
Processo Civil que elenca formas adicionais de garantia, tais
como a prevista no inciso XII, referida como direitos aquisitivos
derivados de promessa de compra e venda e de alienação
fiduciária em garantia.
O entendimento jurisprudencial já havia se firmado em
relação à ordem de preferência da penhora no sentido de
permitir a aplicação do artigo 655 do CPC/1973,11 tendo
tendência certa da manutenção desse entendimento em relação
ao novel diploma legal antes referido.
Uma vez oferecidos pelo executado os bens, caberá ao
juízo determinar que seja firmado termo de penhora, sendo que
se a garantia for firmada por meio de oficial de justiça será
firmado auto de penhora a ser observado pelo juízo.
Caso a Fazenda entenda que os bens oferecidos não se
prestam para garantir a dívida objeto da execução, impõe-se
ônus argumentativo ao exequente para justificar sua recusa.

2.5. Bens de terceiros

A Lei de Execuções Fiscais permite a indicação de bens


oferecidos por terceiros, nos termos do artigo 9º, IV.
Em relação ao caso, o terceiro não se torna devedor
solidário ou subsidiário, mas apenas o bem oferecido como

11
ED 1.077.039/RJ, Primeira Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques,
Relator para o acórdão Min. Herman Benjamin, DJe 12/04/2011.
203

garantia responde, dentro dos seus limites, pela dívida


executada.12
Caso o bem oferecido pelo terceiro tratar-se de imóvel,
estipula o §1º do artigo 9º a necessidade em se obter a anuência
do cônjuge.

2.6. Formas alternativas de penhora: precatórios e debêntures

Além das formas prescritas na Lei, é possível observar


uma crescente discussão acerca da utilização de meios
alternativos de penhora, como por meio de oferecimento de
precatórios ou debêntures.
A discussão acerca da garantia por meio desses créditos
ainda está longe de ser pacificada, mas há posicionamento de
que o artigo 11 da LEF tem caráter relativo, devendo observar as
circunstâncias e o interesse das partes no caso concreto.13 Nesse
sentido, a recusa por parte do exequente, da nomeação à penhora
de crédito previsto em precatório pode ser justificada em relação
à conveniência,14 mas, jamais, por argumento de
impenhorabilidade do precatório.15

12
NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 187.
13
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2010. p. 116.
14
Nesse sentido é a Súmula 406 do STJ: A Fazenda Pública pode recusar a
substituição do bem penhorado por precatório. (Súmula 406, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, REPDJe 25/11/2009, DJe 24/11/2009).
15
Nesse sentido, EREsp 881.014/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ
17.03.08.
204

Por outro lado, a jurisprudência é uníssona ao orientar


que a ordem definida no artigo 11 da LEF deve ser seguida. Sem
querer antecipar a discussão a ser realizada no artigo específico,
consigna-se o entendimento de Ederson Porto de que a recusa da
penhora sobre precatório é ilógica e fere o princípio da
moralidade insculpido no artigo 37 da Constituição Federal,
pois, a um só tempo, o credor do Estado que aguarda há anos o
pagamento do seu precatório, ao ser executado pelo mesmo ente
da federação, não poder utilizar o seu crédito para garantir o
juízo16.
Por fim, aponta-se a existência de jurisprudência
permitindo que o oferecimento de penhora seja realizado sobre
debêntures, no entanto, diante da inexistência de indicação legal,
a posição jurisprudencial do STJ é no sentido de que cabe ao
exequente avaliar a admissibilidade do bem em razão de sua
liquidez.17

2.7. Pagamento do saldo incontroverso e garantia parcial

Restou permitido por meio do artigo 9ºdaLei de


Execuções Fiscais que o executado realize o pagamento do saldo
que entender incontroverso e ofereça garantia em relação à
parcela que pretende discutir.

16
PORTO, Ederson Garin, op. cit.,p. 118.
17
STJ AgRg no AREsp 848279/SP. Primeira Turma. 26/04/2016. Refere-se
ainda o Informativo 0344, de 11 a 15 de fevereiro de 2008, que registrou o
direito da Fazenda de negar a indicação de debêntures da Eletrobras em
razão de sua baixa liquidez.
205

3. Jurisprudência Relacionada

Súmula 179 do Superior Tribunal de Justiça:

“O estabelecimento de credito que recebe dinheiro, em deposito


judicial, responde pelo pagamento da correção monetária
relativa aos valores recolhidos”.

Ordem de penhora e preferência na Execução Fiscal

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO


CIVIL. PENHORA. ART.655-A DO CPC. SISTEMA BACEN-
JUD. ADVENTO DA LEI N.º 11.382/2006.
INCIDENTE DE PROCESSO REPETITIVO.
I – JULGAMENTO DAS QUESTÕES IDÊNTICAS QUE
CARACTERIZAM A MULTIPLICIDADE. ORIENTAÇÃO –
PENHORA ON LINE.
a) A penhora on line, antes da entrada em vigor da Lei n.º
11.382/2006, configura-se como medida excepcional, cuja
efetivação está condicionada à comprovação de que o credor
tenha tomado todas as diligências no sentido de localizar bens
livres e desembaraçados de titularidade do devedor.
b) Após o advento da Lei n.º 11.382/2006, o Juiz, ao decidir
acerca da realização da penhora on line, não pode mais exigir a
prova, por parte do credor, de exaurimento de vias extrajudiciais
na busca de bens a serem penhorados.
II – JULGAMENTO DO RECURSO REPRESENTATIVO –
Trata-se de ação monitória, ajuizada pela recorrente, alegando,
para tanto, titularizar determinado crédito documentado por
contrato de adesão ao “Crédito Direto Caixa”, produto oferecido
pela instituição bancária para concessão de empréstimos. A
recorrida, citada por meio de edital, não apresentou embargos,
nem ofereceu bens à penhora, de modo que o Juiz de Direito
determinou a conversão do mandado inicial em título executivo,
diante do que dispõe o art. 1.102-C do CPC.
- O Juiz de Direito da 6ª Vara Federal de São Luiz indeferiu o
pedido de penhora on line, decisão que foi mantida pelo TJ/MA
ao julgar o agravo regimental em agravo de instrumento, sob o
fundamento de que, para a efetivação da penhora eletrônica,
206

deve o credor comprovar que esgotou as tentativas para


localização de outros bens do devedor.
- Na espécie, a decisão interlocutória de primeira instância que
indeferiu a medida constritiva pelo sistema Bacen-Jud, deu-se
em 29.05.2007 (fl. 57), ou seja, depois do advento da Lei n.º
11.382/06, de 06 de dezembro de 2006, que alterou o CPC
quando incluiu os depósitos e aplicações em instituições
financeiras como bens preferenciais na ordem da penhora como
se fossem dinheiro em espécie (art. 655, I) e admitiu que a
constrição se realizasse preferencialmente por meio eletrônico
(art. 655-A).
RECURSO ESPECIAL PROVIDO (REsp 1112943/MA, Rel.
Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado
em 15/09/2010, DJe 23/11/2010)

Penhora e oferecimento de precatório

RECURSO FUNDADO NO CPC/73. TRIBUTÁRIO.


EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO DE PRECATÓRIO À
PENHORA. RECUSA DA FAZENDA PÚBLICA.
POSSIBILIDADE. RESP 1.337.790/PR, JULGADO SOB O
RITO DO ART. 543-C DO CPC. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO
DA MENOR ONEROSIDADE . INEXISTÊNCIA.
1. O Plenário do STJ, na sessão de 09.03.2016, definiu que o
regime recursal será determinado pela data da publicação da
decisão impugnada (Enunciado Administrativo n. 2/STJ). Logo,
no caso, aplica-se o CPC/73.
2. A Primeira Seção deste STJ, ao julgar o REsp 1.337.790/PR,
submetido ao rito do art. 543-C do CPC, ratificou o
entendimento no sentido de que é legítima a recusa por parte da
Fazenda de precatório nomeado à penhora, ante a não-
observância da ordem legal do art. 11 da Lei nº 6.830/80.
3. Outrossim, no mesmo julgado repetitivo, firmou-se a
compreensão pela "inexistência de preponderância, em abstrato,
do princípio da menor onerosidade para o devedor sobre o da
efetividade da tutela executiva".
4. Agravo regimental improvido. AgRg no REsp 1548083/SP,
Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 02/06/2016, DJe 08/06/2016.
207

Penhora e oferecimento de debêntures

STJ – Informativo nº 0344

Período: 11 a 15 de fevereiro de 2008.


PENHORA. TÍTULOS. DUVIDOSA LIQUIDAÇÃO.
Em sede de execução fiscal movida pela Fazenda Nacional em
desfavor da empresa recorrente, o juiz indeferiu o pedido de
suspensão do executivo fiscal e reconheceu como ineficaz a
indicação à penhora de títulos da Eletrobrás. O Min. Relator
esclareceu que o crédito tributário, por ser privilegiado, ostenta a
presunção de sua veracidade e legitimidade (art. 204, CTN). A
decorrência lógica da referida presunção é que o crédito
tributário só pode ter sua exigibilidade suspensa na ocorrência
de uma das hipóteses estabelecidas no art. 151 do mesmo
diploma legal. O ajuizamento de ação anulatória de débito fiscal
desacompanhada de depósito no montante integral não tem o
condão de suspender o curso de execução fiscal já proposta.
Entendeu o Min. Relator que os títulos que consubstanciam
obrigações da Eletrobrás revelam-se impróprios à garantia do
processo de execução, visto que de liquidação duvidosa. No
caso, a empresa executada pretendeu substituir a penhora não
por debêntures, mas por títulos que consubstanciam obrigações
ao portador emitidas pela Eletrobrás, pelo que não está a
exequente obrigada a aceitá-los, visto se revelarem impróprios à
garantia do processo de execução em razão de sua liquidação
duvidosa. Precedentes citados: REsp 216.318-SP, DJ 7/11/2005;
REsp 747.389-RS, DJ 19/9/2005; REsp 764.612-SP, DJ
12/9/2005; AgRg no Ag 606.886-SP, DJ 11/4/2005; REsp
677.741-RS, DJ 7/3/2005; REsp 969.099-RS, DJ 5/12/2007;
AgRg no REsp 669.458-RS, DJ 16/5/2005; REsp 885.062-RS,
DJ 29/3/2007, e REsp 776.538-RS, DJ 19/12/2005. REsp
842.903-RS, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 12/2/2008.

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973.
APLICABILIDADE. ARGUMENTOS INSUFICIENTES
PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA.
208

EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA DE DEBÊNTURES DA


COMPANHIA VALE DO RIO DOCE. RECUSA PELA
FAZENDA PÚBLICA. POSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA
SÚMULA N. 83/STJ.
I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão
realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado
pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado.
Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de
1973.
II – É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça
segundo o qual é legítima a recusa da Fazenda Pública à oferta
de debêntures da Companhia Vale do Rio Doce – CVRD como
garantia da execução fiscal.
III – O recurso especial, interposto pela alínea a e/ou pela alínea
c, do inciso III, do art. 105, da Constituição da República, não
merece prosperar quando o acórdão recorrido encontra-se em
sintonia com a jurisprudência dessa Corte, a teor da Súmula n.
83/STJ.
IV – A Agravante não apresenta, no regimental, argumentos
suficientes para desconstituir a decisão agravada.
V – Agravo Regimental improvido.
(AgRg no AREsp 848.279/SP, Rel. Ministra REGINA
HELENA COSTA, PRIMEIRA TURMA, julgado em
26/04/2016, DJe 13/05/2016)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.


209

5. Referências bibliográficas

BRASIL. Ministério da Fazenda. Portaria PGFN n°° 644 de 01


de abril de 2009. Disponível em:
http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-uniao/todos-os-
servicos/portarias/Portaria_PGFN_644_2009.pdf. Acesso em:
01.06.2016

CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo:


Noeses, 2015. De acordo com o Novo CPC.

MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e


anotada.Salvador: JusPodivm, 2015.

NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei n. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA,


Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2012.

PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.
210

Art. 10 – Não ocorrendo o pagamento, nem a garantia da


execução de que trata o artigo 9º, a penhora poderá recair
em qualquer bem do executado, exceto os que a lei declare
absolutamente impenhoráveis.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Dispõe o artigo 10 da LEF que, caso não se tenha


realizado a garantia ou paga a dívida, a penhora recairá sobre
qualquer bem do executado, exceto os absolutamente
impenhoráveis.
O artigo ora sob análise possui relação com o artigo
184 do Código Tributário Nacional,1 com os artigos 833 e 8342
do novo Código de Processo Civil e com a Lei n°8.009 de 1990.

Art. 833. São impenhoráveis:


I – os bens inalienáveis e os declarados, por
ato voluntário, não sujeitos à execução;
II – os móveis, os pertences e as utilidades
domésticas que guarnecem a residência do
executado, salvo os de elevado valor ou os
que ultrapassem as necessidades comuns
correspondentes a um médio padrão de
vida;

1
“Art. 184. Sem prejuízo dos privilégios especiais sobre determinados bens,
que sejam previstos em lei, responde pelo pagamento do crédito tributário a
totalidade dos bens e das rendas, de qualquer origem ou natureza, do sujeito
passivo, seu espólio ou sua massa falida, inclusive os gravados por ônus
real ou cláusula de inalienabilidade ou impenhorabilidade, seja qual for a
data da constituição do ônus ou da cláusula, excetuados unicamente os bens
e rendas que a lei declare absolutamente impenhoráveis”.
2
Os quais se referem aos artigos 649 e 650 do CPC de 1973.
211

III – os vestuários, bem como os pertences


de uso pessoal do executado, salvo se de
elevado valor;
IV – os vencimentos, os subsídios, os soldos,
os salários, as remunerações, os proventos
de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e
os montepios, bem como as quantias
recebidas por liberalidade de terceiro e
destinadas ao sustento do devedor e de sua
família, os ganhos de trabalhador autônomo
e os honorários de profissional liberal,
ressalvado o § 2o;
V – os livros, as máquinas, as ferramentas,
os utensílios, os instrumentos ou outros bens
móveis necessários ou úteis ao exercício da
profissão do executado;
VI – o seguro de vida;
VII – os materiais necessários para obras
em andamento, salvo se essas forem
penhoradas;
VIII – a pequena propriedade rural, assim
definida em lei, desde que trabalhada pela
família;
IX – os recursos públicos recebidos por
instituições privadas para aplicação
compulsória em educação, saúde ou
assistência social;
X – a quantia depositada em caderneta de
poupança, até o limite de 40 (quarenta)
salários-mínimos;
XI – os recursos públicos do fundo
partidário recebidos por partido político,
nos termos da lei;
XII – os créditos oriundos de alienação de
unidades imobiliárias, sob regime de
incorporação imobiliária, vinculados à
execução da obra.
§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à
execução de dívida relativa ao próprio bem,
inclusive àquela contraída para sua
aquisição.
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput
não se aplica à hipótese de penhora para
pagamento de prestação alimentícia,
212

independentemente de sua origem, bem


como às importâncias excedentes a 50
(cinquenta) salários-mínimos mensais,
devendo a constrição observar o disposto no
art. 528, § 8o, e no art. 529, § 3o.
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade
prevista no inciso V do caput os
equipamentos, os implementos e as
máquinas agrícolas pertencentes à pessoa
física ou a empresa individual produtora
rural, exceto quando tais bens tenham sido
objeto de financiamento e estejam
vinculados em garantia a negócio jurídico
ou quando respondam por dívida de
natureza alimentar, trabalhista ou
previdenciária.

Art. 834. Podem ser penhorados, à falta de


outros bens, os frutos e os rendimentos dos
bens inalienáveis.

Guarda relação também com o artigo 185-A do CTN3,


segundo o qual, se não forem encontrados bens passíveis de
penhora, poderá ser decretada a indisponibilidade dos bens e
direitos do executado.

2. Conceitos principais

2.1 A penhora e os bens considerados absolutamente


impenhoráveis

3
“Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não
pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem
encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de
seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio
eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência
de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que,
no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial”.
213

Segundo a literalidade do artigo 10 da LEF, uma vez


realizada a citação do executado e não havendo o pagamento
nem a garantia da execução no prazo de cinco dias, será
realizada penhora sobre bens suficientes para garantia da
execução, com exceção dos absolutamente impenhoráveis.
Assim, consta previsão de forma expressa na LEF de
que os bens considerados por lei como absolutamente
impenhoráveis não poderão ser objeto de penhora. Tal
disposição nos remete ao artigo 1º da Lei n° 8.009/90 que
estabelece que o imóvel residencial próprio do casal, ou da
entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer
tipo de dívida, estendendo-se a impenhorabilidade aos móveis
que guarnecem a casa.
Discute-se em âmbito jurisprudencialse há necessidade
de o bem constar em nome do executado, ou se, mesmo bens em
nome de pessoa jurídica que sejam residência dos executados
estão protegidos pela abrangência da lei.4
O STJ tem se posicionado, nos casos em que se
verifique que a empresa é familiar e que seus sócios residem em
imóvel de sua propriedade, a favor de que a impenhorabilidade
se estende ao imóvel,5 mesmo que registrado em nome da

4
PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA, Ingrid Schroder.
Direito Processual Tributário: Processo Administrativo Fiscal e
Execução Fiscal à Luz da doutrina e da Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre:
Livraria do Advogado, 2012. p. 350.
5
Nesse sentido, REsp 1024394/RS, Rel. Ministro Humberto Martins,
Segunda Turma, julgado em 03/04/2008. Disponível em:
http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/doc.jsp?livre=1024394&b=AC
OR&p=true&t=JURIDICO&l=10&i=3. Acesso em: 20.07.2016.
214

empresa. Reflete-se no entendimento a busca de se garantir o


mínimo existencial como direito fundamental do executado.
O ônus probatório para a demonstração de que se trata
de bem de família é do executado.6
Diante desse entendimento, se afasta a
impenhorabilidade sobre bens que não sejam para a moradia
familiar como é o caso de terreno inocupado7, a não ser que
sobre o mesmo exista uma expectativa evidente do direito à
moradia, como seria o caso da construção da casa própria.8

2.1. Renúncia à impenhorabilidade

Seguindo esse entendimento, extrai-se da


jurisprudência que a impenhorabilidade do bem de família é
matéria de ordem pública, cujo escopo é dar segurança à família,
não tendo o devedor sequer direito disponível de oferecer o bem
em penhora9.

2.2. Único imóvel locado

Uma vez evidenciado que o tema relativo ao bem de


família trata-se de matéria de ordem pública, há amparo
jurisprudencial para o fato de que, mesmo que o imóvel esteja

6
AgRg no REsp 1436962/SE, Rel. Ministro Og Fernandes, Segunda Turma,
julgado em 05/06/2014, DJe 24/06/2014
7
Nesse sentido, REsp 619.722/RS, Rel. Min. José Delgado, abr./2004.
8
REsp. 410.450/SP, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes Direito, jun./2002.
9
AgRg no REsp 813.546/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão. Rel. Ministro
Luiz Fux, Primeira Turma, 10/04/2007.
215

locado, a impenhorabilidade é garantida caso demonstrado que a


renda é revertida para a subsistência ou a moradia da família.10,11

2.3. Vaga de garagem

Atualmente tem-se o entendimento de que a penhora


pode recair sobre vaga de garagem quando esta, mesmo que
vinculada ao bem de família, possua matrícula própria.

2.4. Bens que guarnecem a residência

Os bens que guarnecem a residência também são


impenhoráveis, salvo o automóvel, as obras de arte e os adornos
suntuosos.12

2.5. Bens essenciais ao desenvolvimento de atividade de


microempresa, empresa de pequeno porte e firma individual

Seguindo a mesma linha de entendimento de que os


bens necessários à subsistência da entidade familiar são
impenhoráveis, tem-se estendido a impenhorabilidade para os

10
Nesse sentido é a Súmula 486 do STJ: “É impenhorável o único imóvel
residencial do devedor que esteja locado a terceiros, desde que a renda
obtida com a locação seja revertida para a subsistência ou a moradia da sua
família”. (Súmula 486, CORTE ESPECIAL, julgado em 28/06/2012, DJe
01/08/2012).
11
O ônus de comprovar que a renda é subvertida em benefício da unidade
familiar é do executado, sob pena da penhora ser possível. Nesse sentido foi
o julgado AgRg nos EREsp 401.518/PR.
12
Rcl. 4.374/MS, Rel. Ministro Sidnei Beneti, Segunda Seção, julgado em
23/02/2011, DJe 20/05/2011.
216

bens necessários à atividade de microempresa, empresa de


pequeno porte e firma individual, quando reste demonstrada a
subsistência familiar.
Acertam os tribunais quando dão eficácia aos Direitos
Fundamentais, tais como a dignidade da pessoa humana, à vida,
ao trabalho e a proteção à família.13
O artigo 833 do CPC define que “os livros, as
máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da
profissão do executado”são impenhoráveis.
Por outro lado, impõe-se referir que o imóvel em que se
situa a empresa é, de forma excpecional, aceito para fins de
penhora, quando inexistentes outros bens passíveis de penhora e
desde que o bem não seja servil à residência dos sócios. Tal
entendimento não é pacífico, impondo a análise dos diversos
princípios postos em aplicação.14

2.6. Depósitos até 40 salários mínimos em caderneta de


poupança e fundos de investimento

O artigo 833 também prevê a impenhorabilidade de


depósitos com limite de até 40 salários mínimos. O STJ já teve
oportunidade de enfrentar a matéria e desde então afirma que
esses valores não precisam estar necessariamente em caderneta

13
AgRg no REsp n 1.381.709/PR. Rel. Min. Mauro Campbell Marques.
Segunda Turma. Julgado em 05/09/2013.
14
REsp 857.327/PR, Rel. Min. NANCY ANDRIGHI, Terceira Turma.
Julgado em 21/08/2008.
217

de poupança, estendendo-se a impenhorabilidade para as contas


de investimentos e contracorrentes.15

3. Jurisprudência relacionada

Bem imóvel vinculado à empresa familiar

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE TERCEIRO.


EXECUÇÃO FISCAL MOVIDA EM FACE DE BEM SERVIL
À RESIDÊNCIA DA FAMÍLIA. PRETENSÃO DA
ENTIDADE FAMILIAR DE EXCLUSÃO DO BEM DA
EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE JURÍDICA E
LEGITIMIDADE PARA O OFERECIMENTO DE
EMBARGOS DE TERCEIRO. É BEM DE FAMÍLIA O
IMÓVEL PERTENCENTE À SOCIEDADE, DÊS QUE O
ÚNICO SERVIL À RESIDÊNCIA DA MESMA. RATIO
ESSENDI DA LEI Nº 8.009/90.
1. A lei deve ser aplicada tendo em vista os fins sociais a que ela
se destina. Sob esse enfoque a impenhorabilidade do bem de
família visa a preservar o devedor do constrangimento do
despejo que o relegue ao desabrigo.
2. Empresas que revelam diminutos empreendimentos
familiares, onde seus integrantes são os próprios partícipes da
atividade negocial, mitigam o princípio societas distat singulis,
peculiaridade a ser aferida cum granu salis pelas instâncias
locais.
3. Aferida à saciedade que a família reside no imóvel sede de
pequena empresa familiar, impõe-se exegese humanizada, à luz
do fundamento da república voltado à proteção da dignidade da
pessoa humana, por isso que, expropriar em execução por
quantia certa esse imóvel, significa o mesmo que alienar bem de
família, posto que, muitas vezes, lex dixit minus quam voluit.
4. In casu, a família foi residir no único imóvel pertencente à
família e à empresa, a qual, aliás, com a mesma se confunde,
quer pela sua estrutura quer pela conotação familiar que

15
REsp 1582264/PR, Rel. Min. REGINA HELENA COSTA, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016
218

assumem determinadas pessoas jurídicas com patrimônio


mínimo.
5. É assente em vertical sede doutrinária que "A
impenhorabilidade da Lei nº 8.009/90, ainda que tenha como
destinatários as pessoas físicas, merece ser aplicada a certas
pessoas jurídicas, às firmas individuais, às pequenas empresas
com conotação familiar, por exemplo, por haver identidade de
patrimônios." (FACHIN, Luiz Edson. "Estatuto Jurídico do
Patrimônio Mínimo", Rio de Janeiro, Renovar, 2001, p. 154).
6. Em consequência "(...) Pequenos empreendimentos
nitidamente familiares, onde os sócios são integrantes da família
e, muitas vezes, o local de funcionamento confunde-se com a
própria moradia, DEVEM BENEFICIAR-SE DA
IMPENHORABILIDADE LEGAL." [grifo nosso] 7. Aplicação
principiológica do direito infraconstitucional à luz dos valores
eleitos como superiores pela constituição federal que autoriza
excluir da execução da sociedade bem a ela pertencente, mas
que é servil à residência como único da família, sendo a empresa
multifamiliar.
8. Nessas hipóteses, pela causa petendi eleita, os familiares são
terceiros aptos a manusear os embargos de terceiro pelo título
que pretendem desvincular, o bem da execução movida pela
pessoa jurídica.
9. Recurso especial provido.
(REsp 621.399/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
TURMA, julgado em 19/04/2005, DJ 20/02/2006, p. 207)

RECURSO ESPECIAL. IMPENHORABILIDADE DE BEM


DE FAMÍLIA. EMBARGOS A EXECUÇÃO DECORRENTE
DE AÇÃO DE DESPEJO POR FALTA DE PAGAMENTO,
EM QUE PENHORADOS BENS DE SÓCIOS DA
LOCATÁRIA, POR DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA. IMÓVEL PENHORADO EM
QUE RESIDEM OS SÓCIOS, CUJO ENDEREÇO NA JUNTA
COMERCIAL É O MESMO DA SOCIEDADE
DESCONSIDERADA. INSUFICIÊNCIA DESSE ELEMENTO
PARA A DESCARACTERIZAÇÃO DE BEM DE
RESIDÊNCIA. PENHORA, ADEMAIS, SUBSISTENTE, DE
OUTRO IMÓVEL, SITUADO EM OUTRA CIDADE.
IMPENHORABILIDADE RECONHECIDA.
219

1. Não prejudica a impenhorabilidade referente a bem de família


(Lei 8.009/90) o fato de o imóvel, que se caracteriza
evidentemente como residência dos devedores, não fiadores,
mas atingidos diante de desconsideração da pessoa jurídica,
constar como endereço na Junta Comercial, da pessoa jurídica
desconsiderada, que resta devedora de verbas locatícias após
despejo por falta de pagamento.
2. Imóvel que evidentemente não se coaduna com utilização
comercial (hotel) e residencial ao mesmo tempo, dadas as
reduzidas dimensões (100m2), e que, ainda, manteria a condição
de impenhorável ainda que se tratasse de utilização mista,
segundo jurisprudência assente nesta Corte.
3. Recurso Especial provido e embargos à execução, interpostos
pelos sócios, julgados procedentes.
(REsp 1326415/SP, Rel. Ministro SIDNEI BENETI,
TERCEIRA TURMA, julgado em 23/10/2012, DJe 14/11/2012)

Bem de família e ônus da prova

PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL.


IMPENHORABILIDADE DE BEM DE FAMÍLIA.
AUSÊNCIA DE PROVAS. SÚMULA 283/STF. SÚMULA
7/STJ.
1. A falta de combate a fundamento específico do aresto
recorrido justifica a aplicação da Súmula 283/STF.
2. A análise tendente à investigação das condições da
impenhorabilidade do bem demandaria a análise das provas dos
autos, providência obstada pela Súmula 7/STJ.
3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1436962/SE, Rel. Ministro OG FERNANDES,
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/06/2014, DJe 24/06/2014)
3.1 Presunção de fraude à execução após a inscrição de débito
em dívida ativa, após o advento da LC 118/05: “PROCESSUAL
CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE
CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. DIREITO
TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE TERCEIRO.
FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE BEM
POSTERIOR À CITAÇÃO DO DEVEDOR. INEXISTÊNCIA
DE REGISTRO NO DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO –
220

DETRAN. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO JURÍDICO.


INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. ARTIGO 185 DO CTN,
COM A REDAÇÃO DADA PELA LC N.º 118/2005.
SÚMULA 375/STJ. INAPLICABILIDADE.
1. A lei especial prevalece sobre a lei geral (lex specialis
derrogat lex generalis), por isso que a Súmula n.º 375 do
Egrégio STJ não se aplica às execuções fiscais.
2. O artigo 185, do Código Tributário Nacional – CTN,
assentando a presunção de fraude à execução, na sua redação
primitiva, dispunha que: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a
alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por
sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em
fase de execução.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na
hipótese de terem sido reservados pelo devedor bens ou rendas
suficientes ao total pagamento da dívida em fase de execução."
3. A Lei Complementar n.º 118, de 9 de fevereiro de 2005,
alterou o artigo 185, do CTN, que passou a ostentar o seguinte
teor: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração
de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito
para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente
inscrito como dívida ativa. Parágrafo único. O disposto neste
artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados, pelo
devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da
dívida inscrita."
4. Consectariamente, a alienação efetivada antes da entrada em
vigor da LC n.º 118/2005 (09.06.2005) presumia-se em fraude à
execução se o negócio jurídico sucedesse a citação válida do
devedor; posteriormente a 09.06.2005, consideram-se
fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a
inscrição do crédito tributário na dívida ativa.
5. A diferença de tratamento entre a fraude civil e a fraude fiscal
justifica-se pelo fato de que, na primeira hipótese, afronta-se
interesse privado, ao passo que, na segunda, interesse público,
porquanto o recolhimento dos tributos serve à satisfação das
necessidades coletivas.
6. É que, consoante a doutrina do tema, a fraude de execução,
diversamente da fraude contra credores, opera-se in re ipsa, vale
dizer, tem caráter absoluto, objetivo, dispensando o concilium
221

fraudis. (FUX, Luiz. O novo processo de execução: o


cumprimento da sentença e a execução extrajudicial. 1. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2008, p. 95-96 / DINAMARCO, Cândido
Rangel. Execução civil. 7. ed. São Paulo: Malheiros, 2000, p.
278-282 / MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito
tributário. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 210-211 /
AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 11. ed. São
Paulo: Saraiva, 2005. p. 472-473 / BALEEIRO, Aliomar.
Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense,
1996, p. 604).
7. A jurisprudência hodierna da Corte preconiza referido
entendimento consoante se colhe abaixo: “O acórdão
embargado, considerando que não é possível aplicar a nova
redação do art. 185 do CTN (LC 118/05) à hipótese em apreço
(tempus regit actum), respaldou-se na interpretação da redação
original desse dispositivo legal adotada pela jurisprudência do
STJ”. (EDcl no AgRg no Ag 1.019.882/PR, Rel. Ministro
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 06/10/2009,
DJe 14/10/2009) "Ressalva do ponto de vista do relator que tem
a seguinte compreensão sobre o tema: [...] b) Na redação atual
do art. 185 do CTN, exige-se apenas a inscrição em dívida ativa
prévia à alienação para caracterizar a presunção relativa de
fraude à execução em que incorrem o alienante e o adquirente
(regra aplicável às alienações ocorridas após 9.6.2005);”. (REsp
726.323/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 04/08/2009, DJe 17/08/2009) "Ocorrida a
alienação do bem antes da citação do devedor, incabível falar
em fraude à execução no regime anterior à nova redação do art.
185 do CTN pela LC 118/2005". (AgRg no Ag 1.048.510/SP,
Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em
19/08/2008, DJe 06/10/2008) “A jurisprudência do STJ,
interpretando o art. 185 do CTN, até o advento da LC 118/2005,
pacificou-se, por entendimento da Primeira Seção (EREsp
40.224/SP), no sentido de só ser possível presumir-se em fraude
à execução a alienação de bem de devedor já citado em
execução fiscal”. (REsp 810.489/RS, Rel. Ministra Eliana
Calmon, Segunda Turma, julgado em 23/06/2009, DJe
06/08/2009)
8. A inaplicação do art. 185 do CTN implica violação da
Cláusula de Reserva de Plenário e enseja reclamação por
222

infringência da Súmula Vinculante n.º 10 verbis: "Viola a


cláusula de reserva de plenário (cfe. artigo 97) a decisão de
órgão fracionário de tribunal que, embora não declare
expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
do poder público, afasta sua incidência, no todo ou em parte."
9. Conclusivamente: (a) a natureza jurídica tributária do crédito
conduz a que a simples alienação ou oneração de bens ou
rendas, ou seu começo, pelo sujeito passivo por quantia inscrita
em dívida ativa, sem a reserva de meios para quitação do débito,
gera presunção absoluta (jure et de jure) de fraude à execução
(lei especial que se sobrepõe ao regime do direito processual
civil); (b) a alienação engendrada até 08.06.2005 exige que
tenha havido prévia citação no processo judicial para
caracterizar a fraude de execução; se o ato translativo foi
praticado a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da
Lei Complementar n.º 118/2005, basta a efetivação da inscrição
em dívida ativa para a configuração da figura da fraude; (c) a
fraude de execução prevista no artigo 185 do CTN encerra
presunção jure et de jure, conquanto componente do elenco das
"garantias do crédito tributário"; (d) a inaplicação do artigo 185
do CTN, dispositivo que não condiciona a ocorrência de fraude
a qualquer registro público, importa violação da Cláusula
Reserva de Plenário e afronta à Súmula Vinculante n.º 10, do
STF.
10. In casu, o negócio jurídico em tela aperfeiçoou-se em
27.10.2005, data posterior à entrada em vigor da LC 118/2005,
sendo certo que a inscrição em dívida ativa deu-se anteriormente
à revenda do veículo ao recorrido, porquanto, consoante
dessume-se dos autos, a citação foi efetuada em data anterior à
alienação, restando inequívoca a prova dos autos quanto à
ocorrência de fraude à execução fiscal.
11. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido
ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º
08/2008.” (REsp 1141990/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX,
PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010)

(Im)possibilidade de renúncia sobre o bem de família

TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO


ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.IMPENHORABILIDADE
223

DE BEM ÚTIL E NECESSÁRIO PARA A CONTINUIDADE


DE MICROEMPRESAS, EMPRESAS DE PEQUENO PORTE
E FIRMAS INDIVIDUAIS. POSSIBILIDADE
EXCEPCIONAL. INDICAÇÃO DO BEM À PENHORA PELO
EXECUTADO. RENÚNCIA AO BENEFÍCIO LEGAL. NÃO
OCORRÊNCIA.
1. Pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que os
bens úteis ou necessários às atividades desenvolvidas por
pequenas empresas, onde os sócios atuam pessoalmente, são
impenhoráveis, na forma do disposto no art. 649, V, do CPC 2.
"Inobstante a indicação do bem pelo próprio devedor, não há
que se falar em renúncia ao benefício de impenhorabilidade
absoluta, constante do artigo 649 do CPC. A ratio essendi do
artigo 649 do CPC decorre da necessidade de proteção a certos
valores universais considerados de maior importância, quais
sejam o Direito à vida, ao trabalho, à sobrevivência, à proteção à
família. Trata-se de defesa de direito fundamental da pessoa
humana, insculpida em norma infraconstitucional" (REsp
864.962/RS, DJe de 18.2.2010, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques).
3. Agravo regimental não provido.
(AgRg no REsp 1381709/PR, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
05/09/2013, DJe 11/09/2013)

Imóvel da sociedade empresária – penhorabilidade

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. IMÓVEL PROFISSIONAL.
BEM ABSOLUTAMENTE IMPENHORÁVEL. NÃO
CARACTERIZAÇÃO. ARTIGO 649, IV, DO CPC.
INAPLICABILIDADE. EXCEPCIONALIDADE DA
CONSTRIÇÃO JUDICIAL.
1. A penhora de imóvel no qual se localiza o estabelecimento da
empresa é, excepcionalmente, permitida, quando inexistentes
outros bens passíveis de penhora e desde que não seja servil à
residência da família.
2. O artigo 649, V, do CPC, com a redação dada pela Lei
11.382/2006, dispõe que são absolutamente impenhoráveis os
224

livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os


instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao
exercício de qualquer profissão.
3. A interpretação teleológica do artigo 649, V, do CPC, em
observância aos princípios fundamentais constitucionais da
dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho e
da livre iniciativa (artigo 1º, incisos III e IV, da CRFB/88) e do
direito fundamental de propriedade limitado à sua função social
(artigo 5º, incisos XXII e XXIII, da CRFB/88), legitima a
inferência de que o imóvel profissional constitui instrumento
necessário ou útil ao desenvolvimento da atividade objeto do
contrato social, máxime quando se tratar de pequenas empresas,
empresas de pequeno porte ou firma individual.
4. Ademais, o Código Civil de 2002 preceitua que: "Art. 1.142.
Considera-se estabelecimento todo complexo de bens
organizado, para exercício da empresa, por empresário, ou por
sociedade empresária."
5. Consequentemente, o "estabelecimento" compreende o
conjunto de bens, materiais e imateriais, necessários ao
atendimento do objetivo econômico pretendido, entre os quais se
insere o imóvel onde se realiza a atividade empresarial.
6. A Lei 6.830/80, em seu artigo 11, § 1º, determina que,
excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre o
estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, regra especial
aplicável à execução fiscal, cuja presunção de
constitucionalidade, até o momento, não restou ilidida.
7. Destarte, revela-se admissível a penhora de imóvel que
constitui parcela do estabelecimento industrial, desde que
inexistentes outros bens passíveis de serem penhorados
[Precedentes do STJ: AgRg nos EDcl no Ag 746.461/RS, Rel.
Ministro Paulo Furtado (Desembargador Convocado do TJ/BA),
Terceira Turma, julgado em 19.05.2009, DJe 04.06.2009; REsp
857.327/PR, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma,
julgado em 21.08.2008, DJe 05.09.2008; REsp 994.218/PR, Rel.
Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em
04.12.2007, DJe 05.03.2008; AgRg no Ag 723.984/PR, Rel.
Ministro José Delgado, Primeira Turma, julgado em 04.05.2006,
DJ 29.05.2006; e REsp 354.622/SP, Rel. Ministro Garcia Vieira,
Primeira Turma, julgado em 05.02.2002, DJ 18.03.2002].
225

8. In casu, o executado consignou que: "Trata-se de execução


fiscal na qual foi penhorado o imóvel localizado na rua Marcelo
Gama, nº 2.093 e respectivo prédio de alvenaria, inscrito no
Registro de Imóveis sob o nº 18.082, único bem de propriedade
do agravante e local onde funciona a sede da empresa individual
executada, que atua no ramo de fabricação de máquinas e
equipamentos industriais. (...) Ora, se o objeto social da firma
individual é a fabricação de máquinas e equipamentos
industriais, o que não pode ser feito em qualquer local,
necessitando de um bom espaço para tanto, e o agravante não
possui mais qualquer imóvel – sua residência é alugada – como
poderá prosseguir com suas atividades sem o local de sua sede?
Excelências, como plenamente demonstrado, o imóvel
penhorado constitui o próprio instrumento de trabalho do
agravante, uma vez que é o local onde exerce, juntamente com
seus familiares, sua atividade profissional e de onde retira o seu
sustento e de sua família. Se mantida a penhora restará cerceada
sua atividade laboral e ferido o princípio fundamental dos
direitos sociais do trabalho, resguardados pela Constituição
Federal (art. 1º, IV, da CF). Dessa forma, conclusão outra não há
senão a de que a penhora não pode subsistir uma vez que recaiu
sobre bem absolutamente impenhorável."
9. O Tribunal de origem, por seu turno, assentou que: "O inc. V
do art. 649 do CPC não faz menção a imóveis como bens
impenhoráveis. Tanto assim que o § 1º do art. 11 da L
6.830/1980 autoriza, excepcionalmente, que a penhora recaia
sobre a sede da empresa. E, no caso, o próprio agravante admite
não ter outros bens penhoráveis. Ademais, consta na matrícula
do imóvel a averbação de outras seis penhoras, restando,
portanto, afastada a alegação de impenhorabilidade. Por fim,
como bem salientou o magistrado de origem, o agravante não
comprovou a indispensabilidade do bem para o desenvolvimento
das atividades, limitando-se a alegar, genericamente, que a
alienação do bem inviabilizaria o empreendimento."
10. Consequentemente, revela-se legítima a penhora, em sede de
execução fiscal, do bem de propriedade do executado onde
funciona a sede da empresa individual, o qual não se encontra
albergado pela regra de impenhorabilidade absoluta, ante o
princípio da especialidade (lex specialis derrogat lex generalis).
226

11. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime


do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1114767/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Corte Especial,
julgado em 02/12/2009, DJe 04/02/2010)

Impenhorabilidade de investimentos até 40 Salários Mínimos

PROCESSUAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. CPC


DE 1973. APLICABILIDADE. REGRA DE
IMPENHORABILIDADE. ARTIGO 649, X, DO CPC. LIMITE
DE QUARENTA SALÁRIOS MÍNIMOS. INTERPRETAÇÃO
EXTENSIVA. CABIMENTO.
I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão
realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado
pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado.
Assim sendo, in casu, aplica-se o Código de Processo Civil de
1973.
II – A impenhorabilidade da quantia de até quarenta salários
mínimos poupada alcança não somente as aplicações em
caderneta de poupança, mas também as mantidas em fundo de
investimentos, em conta-corrente ou guardadas em papel-
moeda, ressalvado eventual abuso, má-fé, ou fraude, a ser
verificado de acordo com as circunstâncias do caso concreto.
Precedentes.
III – Recurso Especial improvido.
(REsp 1582264/PR, Rel. Ministra REGINA HELENA COSTA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/06/2016, DJe 28/06/2016)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.


227

5. Referências bibliográficas

CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal. 2. ed. São Paulo:


Noeses, 2015. De acordo com o Novo CPC.

MOURA, Arthur. Lei de Execução Fiscal: comentada e


anotada.Salvador: JusPodivm, 2015.

NOLASCO, Rita Dias; GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2015.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei n. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; AVILA, Rene Bergmann; SLIWKA,


Ingrid Schroder. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à Luz da doutrina e da
Jurisprudência. 7. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2012.

PORTO, Ederson Garin.Manual da Execução Fiscal. 2. ed.


Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010.

SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de


Execução Fiscal. In: FILHO, João Aurino de Melo
(coord.).Execução Fiscal Aplicada: Análise pragmática do
processo de execução fiscal. 4. ed. Ed. JusPodivm, 2015.
228

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 11 A 13


Fábio Tomkowski*

Art. 11 - A penhora ou arresto de bens obedecerá à seguinte


ordem:
I - dinheiro;
II - título da dívida pública, bem como título de crédito, que
tenham cotação em bolsa;
III - pedras e metais preciosos;
IV - imóveis;
V - navios e aeronaves;
VI - veículos;
VII - móveis ou semoventes; e
VIII - direitos e ações.

*
Doutorando em Direito Econômico, Financeiro e Tributário pela USP.
Mestre em Fundamentos Constitucionais do Direito Público e Privado pela
PUCRS. Pesquisador visitante na Faculdade de Direito de Harvard, e no
Instituto Max Planck de Direito Tributário e Finanças Públicas, em
Munique. Especialista em Direito Tributário pela PUCRS e em Processo
Civil pela UFRGS. Curso de Direito Constitucional Comparado na
Sapienza Università di Roma.
229

§ 1º - Excepcionalmente, a penhora poderá recair sobre


estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, bem como
em plantações ou edifícios em construção.
§ 2º - A penhora efetuada em dinheiro será convertida no
depósito de que trata o inciso I do artigo 9º.
§ 3º - O Juiz ordenará a remoção do bem penhorado para
depósito judicial, particular ou da Fazenda Pública
exequente, sempre que esta o requerer, em qualquer fase do
processo.
1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O processo de execução fiscal passou por diversas


fases. A primeira delas, com o Decreto Lei nº 960/38, que
regulou de maneira mais específica a matéria de cobrança de
débito tributário. Foi tratado, também, no Código de Processo
Civil de 1973, que buscou unificar toda a legislação referente a
processo civil, bem como seus ritos, em um único código. Após,
com o surgimento da Lei nº 6.830/80, a execução fiscal passou a
ter nova lei específica para tutelá-la.
Especificamente no que se refere à penhora, no Decreto
Lei nº 960/38, que é o que mais se assemelha com a atual Lei nº
6.830/80, e que, na parte que não contradiz esta lei mais recente,
ainda está em vigor, o assunto é tratado de forma menos
detalhada, sendo estabelecido, por exemplo, que a penhora
deverá recair em bens que bastem para o pagamento do
principal, dos juros e da multa (art. 13). Estabelece, também,
quais os elementos que deveriam constar no auto de penhora,
230

sob pena de responsabilização de quem o lavrasse (art. 14). A


coisa penhorada sempre deveria ser depositada nas mãos do
executado, quando se tratar de um imóvel (art. 15), ou, quando
se tratar de bem móvel, títulos ou dinheiro, o depósito poderia
ser feito em mãos do devedor, desde que a Fazenda Pública não
se opusesse a isso. Caso a Fazenda não concordasse, o depósito
deveria ser feito em mãos do depositório oficial ou de
depositário nomeado pelo juiz, nos locais onde não houvesse o
primeiro.
Já na lei posterior, qual seja, a Lei nº 6830/80, a
penhora, no processo de execução fiscal, é tratada de maneira
bem mais detalhada, contando com dispositivo listando a ordem
de preferência dos bens a serem penhorados (art. 11), como se
dará a intimação (art. 12) e como se dará a avaliação dos bens
(art. 13). Além disso, o novo Código de Processo Civil (Lei nº
13.105/15), assim como ocorria no Código de Processo Civil
antigo (Lei nº 5.869/73), complementa o procedimento de
cobranças de créditos tributários pela Fazenda Pública.

Remissões Legais: arts. 13, 14 e 15, do Decreto Lei nº 960/38;


arts. 11, 12 e 13, da Lei nº 6.830/80; Lei nº 13.105/15 e Lei nº
5869/73.

2. Conceitos Principais

A Lei de Execuções Fiscais, por se tratar de lei


especial, possui prevalência frente ao CPC, não se aplicando a
231

ela o que dispõe o referido código, quando se tratar de matéria


conflitante entre ambas.
Desse modo, pode o executado nomear bens à penhora,
observando a ordem de preferência estabelecida pelo artigo 11,
da LEF. Todavia, deve-se lembrar que o artigo 53, da Lei nº
8.212/911, prevê uma exceção, qual seja, a de que, para
execuções fiscais ajuizadas por entes federais, o exequente terá o
direito de indicar bens à penhora.
Em decorrência de no artigo 11, VIII, da LEF, ser
tratado expressamente de “direitos e ações”, pode-se afirmar ser
possível a utilização de precatórios emitidos contra a exequente2
ou outra pessoa de direito público, havendo, no entanto, a
possibilidade de recusa, por parte da Fazenda Pública, de
substituição do bem penhorado por precatório. Nesse sentido a
Súmula 406, do Superior Tribunal de Justiça: “A Fazenda
Pública pode recusar a substituição do bem penhorado por

1
“Art. 53. Na execução judicial da dívida ativa da União, suas autarquias e
fundações públicas, será facultado ao exeqüente indicar bens à penhora, a
qual será efetivada concomitantemente com a citação inicial do devedor.
§ 1º Os bens penhorados nos termos deste artigo ficam desde logo
indisponíveis.
§ 2º Efetuado o pagamento integral da dívida executada, com seus
acréscimos legais, no prazo de 2 (dois) dias úteis contados da citação,
independentemente da juntada aos autos do respectivo mandado, poderá ser
liberada a penhora, desde que não haja outra execução pendente.
§ 3º O disposto neste artigo aplica-se também às execuções já processadas.
§ 4º Não sendo opostos embargos, no caso legal, ou sendo eles julgados
improcedentes, os autos serão conclusos ao juiz do feito, para determinar o
prosseguimento da execução.”
2
CARNEIRO DA CUNHA, Leonardo José. Diversas execuções fiscais.
Penhora de precatório a ser pago pelo próprio exequente. Parcelamento.
Liberação da primeira parcela. Desconstituição da penhora sobre o valor da
primeira parcela. Poder liberatório das parcelas vincendas. Princípio da
menor gravosidade. RDDP nº 76, jul/09, p. 135.
232

precatório”. Além do mais, conforme entendimento do mesmo


tribunal, a Fazenda Pública não está obrigada nem mesmo a
aceitar a indicação de precatório como garantia, por ser
considerado como sendo mera expectativa de recebimento de
bem no futuro, ou seja, equipara-se o precatório não a dinheiro
ou fiança bancária, mas a mero direito de crédito. Nessa
perspectiva, a Fazenda Pública poderá recusar a substituição da
penhora com fundamento nas hipóteses previstas nos artigos 11
e 15, da LEF, ou no artigo 848, do novo Código de Processo
Civil, quais sejam: i) ela não obedecer à ordem legal; ii) ela não
incidir sobre os bens designados em lei, contrato ou ato judicial
para o pagamento; iii) havendo bens no foro da execução, outros
tiverem sido penhorados; iv) havendo bens livres, ela tiver
recaído sobre bens já penhorados ou objeto de gravame; v) ela
incidir sobre bens de baixa liquidez; vi) fracassar a tentativa de
alienação judicial do bem; ou vii) o executado não indicar o
valor dos bens ou omitir qualquer das indicações previstas em
lei.
Da leitura do artigo 186 do CTN e do artigo 30, da
LEF, pode-se extrair a conclusão de que são passíveis de
responder pelo pagamento do crédito tributário os bens gravados
por ônus real ou cláusula de inalienabilidade ou
impenhorabilidade, salvo aqueles que a “lei declare como sendo
absolutamente impenhoráveis”, ou seja, para que um bem seja
impenhorável, tal impenhorabilidade deve constar
expressamente em lei, independendo de ato de vontade.
233

Todavia, pode haver dúvida quando da leitura do


dispositivo do artigo 833, I, do novo Código de Processo Civil,
que prevê que “os bens inalienáveis e os declarados, por ato
voluntário, não sujeitos à execução” são impenhoráveis. No
entanto, a interpretação a ser dada ao artigo 186, do CTN, por se
tratar de lei especial, é de que deve haver previsão expressa de
impenhorabilidade do bem para que ele seja impenhorável, em
outras palavras, o dispositivo do artigo 833, I, do novo CPC, não
será oponível na execução fiscal. Os demais bens previstos no
artigo 8333, do novo CPC, todavia, serão impenhoráveis. Nesse

3
“Art. 833. São impenhoráveis:
I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à
execução;
II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a
residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as
necessidades comuns correspondentes a um médio padrão de vida;
III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo
se de elevado valor;
IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os
proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem
como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao
sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e
os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2o;
V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do
executado;
VI - o seguro de vida;
VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem
penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que
trabalhada pela família;
IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação
compulsória em educação, saúde ou assistência social;
X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40
(quarenta) salários-mínimos;
XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político,
nos termos da lei;
XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime
de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra.
234

sentido, conforme bem exposto por Ederson Porto, muito


embora da leitura dos dispositivos da LEF se perceba que o
legislador buscou ampliar a responsabilidade do executado,
estendendo-a para além dos limites de que dispõe o CPC, deve-
se adequá-lo à Constituição Federal, bem como aos princípios
gerais do Direito.4
Caso o valor dos bens penhorados não seja suficiente
para cobrir o valor do débito, a Fazenda Pública poderá requerer
que seja realizado reforço de penhora. Cabe ressaltar que esse
pedido deverá ser feito expressamente, não podendo o juiz, de
ofício, determinar a substituição do bem ou o reforço da
penhora, nos moldes do artigo 15, II, da LEF e 8745 c/c 8506, do
novo CPC.

§ 1o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao


próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição.
§ 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de
penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de
sua origem, bem como às importâncias excedentes a 50 (cinquenta)
salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto no art.
528, § 8o, e no art. 529, § 3o.
§ 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os
equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a
pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais
bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia
a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar,
trabalhista ou previdenciária”.
4
PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2ª Edição. Porto
Alegre: Livraria do Advogado. 2010, p. 120.
5
“Art. 874. Após a avaliação, o juiz poderá, a requerimento do interessado e
ouvida a parte contrária, mandar:
I - reduzir a penhora aos bens suficientes ou transferi-la para outros, se o
valor dos bens penhorados for consideravelmente superior ao crédito do
exequente e dos acessórios;
II - ampliar a penhora ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o
valor dos bens penhorados for inferior ao crédito do exequente”.
235

Nos termos do artigo 8547, do novo Código de


Processo Civil, é possibilitado ao juiz, para tornar possível a

6
“Art. 850. Será admitida a redução ou a ampliação da penhora, bem como
sua transferência para outros bens, se, no curso do processo, o valor de
mercado dos bens penhorados sofrer alteração significativa”.
7
“Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em
aplicação financeira, o juiz, a requerimento do exequente, sem dar ciência
prévia do ato ao executado, determinará às instituições financeiras, por
meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema
financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes
em nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado
na execução.
§ 1o No prazo de 24 (vinte e quatro) horas a contar da resposta, de ofício, o
juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade excessiva, o
que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo.
§ 2o Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será
intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo, pessoalmente.
§ 3o Incumbe ao executado, no prazo de 5 (cinco) dias, comprovar que:
I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis;
II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros.
§ 4o Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3o, o juiz
determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade irregular ou
excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro)
horas.
§ 5o Rejeitada ou não apresentada a manifestação do executado, converter-se-
á a indisponibilidade em penhora, sem necessidade de lavratura de termo,
devendo o juiz da execução determinar à instituição financeira depositária
que, no prazo de 24 (vinte e quatro) horas, transfira o montante indisponível
para conta vinculada ao juízo da execução.
§ 6o Realizado o pagamento da dívida por outro meio, o juiz determinará,
imediatamente, por sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora
do sistema financeiro nacional, a notificação da instituição financeira para
que, em até 24 (vinte e quatro) horas, cancele a indisponibilidade.
§ 7o As transmissões das ordens de indisponibilidade, de seu cancelamento e
de determinação de penhora previstas neste artigo far-se-ão por meio de
sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro
nacional.
§ 8o A instituição financeira será responsável pelos prejuízos causados ao
executado em decorrência da indisponibilidade de ativos financeiros em
valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como na hipótese
de não cancelamento da indisponibilidade no prazo de 24 (vinte e quatro)
horas, quando assim determinar o juiz.
§ 9o Quando se tratar de execução contra partido político, o juiz, a
requerimento do exequente, determinará às instituições financeiras, por
meio de sistema eletrônico gerido por autoridade supervisora do sistema
236

penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira,


desde que requerido pelo exequente, sem cientificar previamente
o executado, determinar às instituições financeiras para que
tornem indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do
executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor da
execução e devendo o executado ser intimado na pessoa de seu
advogado, ou no caso de não possuir, pessoalmente. Não há
óbice, no entanto, para que, no prazo de 24 horas a contar da
resposta, verificando que a indisponibilidade é excessiva, seja
determinado pelo juiz o cancelamento da mesma, devendo a
instituição cumprir a determinação no prazo de 24 horas.
Após a indisponibilidade, caberá ao executado, no
prazo de 5 dias, comprovar que: i) as quantias tornadas
indisponíveis são impenhoráveis; ii) ainda remanesce
indisponibilidade excessiva de ativos financeiros, nos termos do
§3º, do mesmo dispositivo, caso em que, sendo comprovada
alguma dessas hipóteses, o juiz determinará o cancelamento de
eventual indisponibilidade irregular ou excessiva, devendo ser
cumprido o cancelamento, pela instituição financeira, no prazo
de 24 horas.
Caso rejeitada ou não apresentada a manifestação do
executado, a indisponibilidade será convertida em penhora, sem
necessidade de lavratura de termo, cabendo ao juiz da execução
determinar à instituição financeira depositária que, no prazo de

bancário, que tornem indisponíveis ativos financeiros somente em nome do


órgão partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha dado
causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe exclusivamente a
responsabilidade pelos atos praticados, na forma da lei”.
237

24 horas, transfira o montante indisponível para conta vinculada


ao juízo da execução (§5º).
Já se o pagamento da dívida se der por outro meio,
deverá o juiz determinar, imediatamente, a notificação da
instituição financeira para que, também no prazo de 24 horas,
cancele a indisponibilidade (§6º), sendo responsável, a
instituição financeira, pelos prejuízos causados ao executado
que decorram da indisponibilidade de ativos financeiros em
valor superior ao indicado na execução ou pelo juiz, bem como
na hipótese de não cancelamento da indisponibilidade no prazo
de 24 horas, quando assim determinar o juiz (§7º).
Quando a execução for contra partidos políticos, o juiz,
a requerimento do exequente, irá determinar às instituições
financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido por
autoridade supervisora do sistema bancário, que tornem
indisponíveis ativos financeiros somente em nome do órgão
partidário que tenha contraído a dívida executada ou que tenha
dado causa à violação de direito ou ao dano, ao qual cabe
exclusivamente a responsabilidade pelos atos praticados, na
forma da lei (§9º).
Para James Marins, deve-se, portanto, para que se possa
determinar de bloqueio de valores via BACENJUD, observar os
seguintes critérios concomitantes: “i) citação regular; ii)
transcurso in albis do prazo para nomeação de bens à penhora;
iii) insucesso da Fazenda Pública em encontrar bens
penhoráveis.” Ou seja, com relação a este último item, deverá a
Fazenda Pública, após a citação regular e após o transcurso do
238

prazo para nomeação de bens à penhora, demonstrar que as


diligências realizadas pelo procurador fazendário com intuito de
localizar bens penhoráveis foram sem sucesso. De tal modo, o
previsto no artigo 185-A, do CTN8, não visa fazer com que o
juiz realize o papel da exequente de apontar os bens do
executado que possam ser objeto de constrição judicial.9
Já para Furlan, segundo o próprio Superior Tribunal de
Justiça, não existe perante o ordenamento jurídico qualquer
obrigatoriedade de esgotamento na procura de outros bens para
que se possa efetuar o bloqueio de dinheiro da parte executada,
pois há a primazia do dinheiro como bem penhorável por
excelência.10
Cabe lembrar que, conforme Paulsen, os títulos da
dívida pública federal, estadual e municipal, reconhecidos pelo
próprio emitente, que tenham vencimento futuro e certo e sejam
negociados através do Sistema Especial de Liquidação e

8
“Art. 185-A. Na hipótese de o devedor tributário, devidamente citado, não
pagar nem apresentar bens à penhora no prazo legal e não forem
encontrados bens penhoráveis, o juiz determinará a indisponibilidade de
seus bens e direitos, comunicando a decisão, preferencialmente por meio
eletrônico, aos órgãos e entidades que promovem registros de transferência
de bens, especialmente ao registro público de imóveis e às autoridades
supervisoras do mercado bancário e do mercado de capitais, a fim de que,
no âmbito de suas atribuições, façam cumprir a ordem judicial.
§ 1o A indisponibilidade de que trata o caput deste artigo limitar-se-á ao valor
total exigível, devendo o juiz determinar o imediato levantamento da
indisponibilidade dos bens ou valores que excederem esse limite.
§ 2o Os órgãos e entidades aos quais se fizer a comunicação de que trata
o caput deste artigo enviarão imediatamente ao juízo a relação discriminada
dos bens e direitos cuja indisponibilidade houverem promovido”.
9
MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro
(Administrativo e Judicial). 5a ed. Dialética, 2010, p. 702.
10
FURLAN, Anderson. Revista Dialética de Direito Tributário nº 152,
maio-2008, p. 28.
239

Custódia (SELIC) ou da Central de Custódia e Liquidação


Financeira de Títulos (CETIP), que integrem o Sistema
Financeiro Nacional, podem ser idôneos à garantia do juízo, e de
nomeação válida , como, por exemplo, LFT’s (Letras
Financeiras do Tesouro), NFTs (Notas Financeiras do Tesouro)
e LTNs (Letras do Tesouro Nacional).11
Já os títulos da dívida pública não reconhecidos pelos
emitentes e sem cotação em bolsa não têm sido aceitos, visto
serem de difícil liquidez.
Nos moldes do artigo 84512, do novo Código de
Processo Civil, a penhora será efetuada onde se encontrem os
bens, mesmo que estes estejam sob a posse, a detenção ou a
guarda de terceiros.
Os precatórios, por sua vez, conforme exposto, podem
ser indicados à penhora enquanto direitos, especialmente os
precatórios federais, em razão de sua absoluta liquidez e certeza
de pagamento, equiparando-se ao dinheiro para fins de
preferencia de penhora.13

11
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência.
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 360.
12
“Art. 845. Efetuar-se-á a penhora onde se encontrem os bens, ainda que
sob a posse, a detenção ou a guarda de terceiros.
§ 1o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando
apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos
automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, serão
realizadas por termo nos autos.
§ 2o Se o executado não tiver bens no foro do processo, não sendo possível a
realização da penhora nos termos do § 1o, a execução será feita por carta,
penhorando-se, avaliando-se e alienando-se os bens no foro da situação”.
13
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência.
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 367.
240

A penhora dos bens imóveis, independente do local em


que se encontrem, quando apresentada a respectiva matrícula,
bem como a penhora de veículos automotores, quando
apresentada certidão que ateste a sua existência, serão realizadas
por termo nos autos (§1º). No caso em que o executado não tiver
bens no foro do processo, não sendo possível que se realize a
penhora nos termos do §1º, a execução será feita por carta,
sendo penhorados, avaliados e alienados os bens no foro da
situação (§2º).
Caso haja intenção do executado de obstruir a
realização da penhora dos bens, tal fato será comunicado pelo
oficial de justiça ao juiz, solicitando-lhe ordem de
arrombamento (artigo 846, do NCPC). Caso seja deferido o
pedido de arrombamento pelo juiz, dois oficiais de justiça
cumprirão o mandado, arrombando cômodos e móveis em que
se presuma estarem os bens, lavrando auto circunstanciado de
tudo isso, auto esse que será assinado por duas testemunhas
presentes à diligência (§1º), lembrando que, nos casos em que o
magistrado julgar ser necessário, requisitará força policial a fim
de auxiliar os oficiais no cumprimento da diligência (§2º). Os
oficiais de justiça lavrarão em duplicata o auto da ocorrência,
entregando uma via ao escrivão ou ao chefe de secretaria para
ser juntada aos autos e a outra à autoridade policial a quem
couber a apuração criminal de eventuais delitos de
desobediência ou resistência (§3º), devendo constar do auto da
ocorrência o rol de testemunhas, com a respectiva qualificação
(§4).
241

Como medida excepcional, após exaurido os demais


meios para garantir o crédito executado, é possível a penhora do
faturamento, conforme artigo 866, do novo CPC14. No caso de
adoção de tal medida, deve-se nomear depositário, o qual além
de submeter à aprovação o modo pelo qual se dará a efetivação
da constrição, deverá, ainda, prestar contas mensalmente,
entregando ao exequente as quantias recebidas para o
pagamento da dívida. Tal percentual de penhora do faturamento,
todavia, não poderá inviabilizar o prosseguimento das atividades
da empresa, visto que isso não é bom nem para o executado,
nem para o Fisco, pois é do exercício da atividade do executado
que sairão os recursos para pagar o débito.
Conforme Paulsen, o juiz irá determinar o depósito à
disposição do Juízo, na maioria das vezes, mediante ofício à
instituição financeira do executado que lá possua conta corrente,

14
“Art. 866. Se o executado não tiver outros bens penhoráveis ou se, tendo-
os, esses forem de difícil alienação ou insuficientes para saldar o crédito
executado, o juiz poderá ordenar a penhora de percentual de faturamento de
empresa.
§ 1o O juiz fixará percentual que propicie a satisfação do crédito exequendo
em tempo razoável, mas que não torne inviável o exercício da atividade
empresarial.
§ 2o O juiz nomeará administrador-depositário, o qual submeterá à aprovação
judicial a forma de sua atuação e prestará contas mensalmente, entregando
em juízo as quantias recebidas, com os respectivos balancetes mensais, a
fim de serem imputadas no pagamento da dívida.
§ 3o Na penhora de percentual de faturamento de empresa, observar-se-á, no
que couber, o disposto quanto ao regime de penhora de frutos e
rendimentos de coisa móvel e imóvel”.
242

a fim de que transfira o montante para a conta vinculada à


execução.15
3. Jurisprudência relacionada

Prevalência da Lei de Execuções Fiscais frente ao Código de


Processo Civil. Desnecessidade de indicação do CNPJ do
executado na petição inicial.

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL


SUBMETIDO AO RITO DOS REPETITIVOS (ART. 543-C
DO CPC). DISSÍDIO PRETORIANO NÃO
CARACTERIZADO. NEGATIVA DE PRESTAÇÃO
JURISDICIONAL DECLARATÓRIA NÃO EVIDENCIADA.
INCOMPETÊNCIA DO STJ PARA REVISÃO DE
MATÉRIA CONSTITUCIONAL NA VIA RECURSAL
ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EXIGÊNCIA DE
INDICAÇÃO DO CNPJ DO EXECUTADO NA PETIÇÃO
INICIAL. DESNECESSIDADE. REQUISITO NÃO
PREVISTO NA LEI Nº 6.830/80 (LEI DE EXECUÇÃO
FISCAL). PREVISÃO EXISTENTE NA LEI Nº 11.419/06
(LEI DE INFORMATIZAÇÃO DO PROCESSO JUDICIAL).
PREVALÊNCIA DA LEI ESPECIAL (LEI Nº 6.830/80).
NOME E ENDEREÇO DO EXECUTADO SUFICIENTES À
REALIZAÇÃO DO ATO CITATÓRIO. FIXAÇÃO DA
TESE, EM REPETITIVO, DA DISPENSABILIDADE DA
INDICAÇÃO DO CNPJ DO DEVEDOR (PESSOA
JURÍDICA) NAS AÇÕES DE EXECUÇÃO FISCAL.
RECURSO DO FISCO PROVIDO. 1. Conhece-se do especial
apenas pelo autorizativo da letra "a", vez que a invocada
divergência jurisprudencial não restou evidenciada. Não se
presta o especial, ademais, para revisar alegado maltrato a
regramento constitucional. 2. O tribunal de origem prestou a
jurisdição de forma completa, não se descortinando, por isso, a
aventada ofensa ao art. 535 do CPC. 3. Nas instâncias
ordinárias, decidiu-se pelo indeferimento da petição inicial de
15
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência.
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 374.
243

ação de execução fiscal movida pelo município de Manaus-AM,


sob o argumento da falta de indicação, pelo exequente, do
número do CNPJ da pessoa jurídica executada. 4. Tal
exigência, contudo, não se acha prevista na legislação
especial que rege o procedimento executivo fiscal, a saber, a Lei
nº 6.830/80, cujo art. 6º, ao elencar os requisitos da petição
inicial, não prevê o fornecimento do CNPJ da parte requerida,
providência, diga-se, também não contemplada no art. 282, II,
do CPC. 5. A previsão de que a petição inicial de qualquer
ação judicial contenha o CPF ou o CNPJ do réu encontra
suporte, unicamente, no art. 15 da Lei nº 11.419/06, que
disciplina a informatização dos processos judiciais, cuidando-
se, nessa perspectiva, de norma de caráter geral. 6. Portanto, e
sem que se esteja a questionar a utilidade da indicação de
tais dados cadastrais já na peça inaugural dos processos em
geral, certo é que não se pode cogitar de seu indeferimento
com base em exigência não consignada na legislação fiscal
específica (in casu, a Lei nº 6.830/80-LEF), tanto mais
quando o nome e o endereço da parte executada, trazidos
com a inicial, possibilitem, em tese, a efetivação do ato citatório.
7. Em caso assemelhado, também decidido em sede de
repetitivo, a 1ª Seção do STJ concluiu por afastar a exigência
de que a exordial da execução se fizesse acompanhar, também,
da planilha discriminativa de cálculos, isto porque "A petição
inicial da execução fiscal apresenta seus requisitos essenciais
próprios e especiais que não podem ser exacerbados a pretexto
da aplicação do Código de Processo Civil, o qual, por conviver
com a lex specialis, somente se aplica subsidiariamente" (REsp
1.138.202/ES, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 01/02/2010). 8.
Outrossim, a existência de atos normativos do Conselho
Nacional de Justiça (Resoluções 46/07 e 121/10), como
também de verbete do Tribunal local (Súmula 02/TJAM),
prevendo a indicação do CPF/CNPJ dos litigantes já no pórtico
das ações em geral, não se prestam, só por si, a legitimar o
indeferimento da petição inicial em ações de execução fiscal,
sem prejuízo da vinda desses dados cadastrais em momento
posterior. 9. Tese fixada para os fins do art. 543-C do CPC:
"Em ações de execução fiscal, descabe indeferir a petição inicial
sob o argumento da falta de indicação do CNPJ da parte
executada (pessoa jurídica), visto tratar-se de requisito não
244

previsto no art. 6º da Lei nº 6.830/80 (LEF), cujo diploma,


por sua especialidade, ostenta primazia sobre a legislação de
cunho geral, como ocorre frente à exigência contida no art. 15
da Lei nº 11.419/06". 10. Recurso especial do fisco municipal
parcialmente conhecido e, nessa extensão, provido para, no
caso concreto, determinar-se o regular prosseguimento da
execução fiscal. (Recurso Especial 145509/AM, Rel Min.
SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
12/11/2014, DJe 02/02/2015)

Dever de, em regra, o executado nomear bens à penhora,


observada a ordem legal. É dele o ônus de comprovar a
imperiosa necessidade de afastá-la.

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO


DE BENS À PENHORA. PRECATÓRIO. DIREITO DE
RECUSA DA FAZENDA PÚBLICA. ORDEM LEGAL.
SÚMULA 406/STJ. ADOÇÃO DOS MESMOS
FUNDAMENTOS DO RESP 1.090.898/SP (REPETITIVO),
NO QUAL SE DISCUTIU A QUESTÃO DA SUBSTITUIÇÃO
DE BENS PENHORADOS. PRECEDENTES DO STJ. 1.
Cinge-se a controvérsia principal a definir se a parte executada,
ainda que não apresente elementos concretos que justifiquem a
incidência do princípio da menor onerosidade (art. 620 do CPC),
possui direito subjetivo à aceitação do bem por ela nomeado à
penhora em Execução Fiscal, em desacordo com a ordem
estabelecida nos arts. 11 da Lei 6.830/1980 e 655 do CPC. 2.
Não se configura a ofensa ao art. 535 do Código de Processo
Civil, uma vez que o Tribunal de origem julgou integralmente a
lide e solucionou a divergência, tal como lhe foi apresentada. 3.
Merece acolhida o pleito pelo afastamento da multa nos termos
do art. 538, parágrafo único, do CPC, uma vez que, na
interposição dos Embargos de Declaração, a parte manifestou a
finalidade de provocar o prequestionamento. Assim, aplica-se o
disposto na Súmula 98/STJ: "Embargos de declaração
manifestados com notório propósito de prequestionamento não
têm caráter protelatório". 4. A Primeira Seção do STJ, em
julgamento de recurso repetitivo, concluiu pela possibilidade de
a Fazenda Pública recusar a substituição do bem penhorado por
precatório (REsp 1.090.898/SP, Rel. Ministro Castro Meira, DJe
245

31.8.2009). No mencionado precedente, encontra-se como


fundamento decisório a necessidade de preservar a ordem legal
conforme instituído nos arts. 11 da Lei 6.830/1980 e 655 do
CPC. 5. A mesma ratio decidendi tem lugar in casu, em que se
discute a preservação da ordem legal no instante da nomeação à
penhora. 6. Na esteira da Súmula 406/STJ ("A Fazenda Pública
pode recusar a substituição do bem penhorado por precatório"),
a Fazenda Pública pode apresentar recusa ao oferecimento de
precatório à penhora, além de afirmar a inexistência de
preponderância, em abstrato, do princípio da menor onerosidade
para o devedor sobre o da efetividade da tutela executiva. Exige-
se, para a superação da ordem legal prevista no art. 655 do CPC,
firme argumentação baseada em elementos do caso concreto.
Precedentes do STJ. 7. Em suma: em princípio, nos termos do
art. 9°, III, da Lei 6.830/1980, cumpre ao executado nomear
bens à penhora, observada a ordem legal. É dele o ônus de
comprovar a imperiosa necessidade de afastá-la, e, para que essa
providência seja adotada, mostra-se insuficiente a mera
invocação genérica do art. 620 do CPC. 8. Diante dessa
orientação, e partindo da premissa fática delineada pelo Tribunal
a quo, que atestou a "ausência de motivos para que (...) se
inobservasse a ordem de preferência dos artigos 11 da LEF e
655 do CPC, notadamente por nem mesmo haver sido alegado
pela executada impossibilidade de penhorar outros bens (...)" -
fl. 149, não se pode acolher a pretensão recursal. 9. Recurso
Especial parcialmente provido apenas para afastar a multa do
art. 538, parágrafo único, do CPC. Acórdão submetido ao
regime do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/2008 do STJ.
(Recurso Especial 1337790/PR, Rel Min. HERMAN
BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/06/2013, DJe
07/10/2013)

Substituição do bem penhorado por precatório. Não equiparação


do precatório a dinheiro ou fiança bancária, mas sim a direito de
crédito.

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO
CPC. RESOLUÇÃO STJ N.º 08/2008. EXECUÇÃO FISCAL.
SUBSTITUIÇÃO DE BEM PENHORADO POR
246

PRECATÓRIO. INVIABILIDADE. 1. "O crédito representado


por precatório é bem penhorável, mesmo que a entidade dele
devedora não seja a própria exeqüente, enquadrando-se na
hipótese do inciso XI do art. 655 do CPC, por se constituir em
direito de crédito" (EREsp 881.014/RS, 1ª Seção, Rel. Min.
Castro Meira, DJ de 17.03.08). 2. A penhora de precatório
equivale à penhora de crédito, e não de dinheiro. 3. Nos termos
do art. 15, I, da Lei 6.830/80, é autorizada ao executado, em
qualquer fase do processo e independentemente da aquiescência
da Fazenda Pública, tão somente a substituição dos bens
penhorados por depósito em dinheiro ou fiança bancária. 4. Não
se equiparando o precatório a dinheiro ou fiança bancária, mas a
direito de crédito, pode o Fazenda Pública recusar a substituição
por quaisquer das causas previstas no art. 656 do CPC ou nos
arts. 11 e 15 da LEF. 5. Recurso especial representativo de
controvérsia não provido. Acórdão sujeito à sistemática do art.
543-C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. (Recurso
Especial 1090898/PR, Rel Min. CASTRO MEIRA, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 31/08/2009)

Ônus do executado da demonstração da utilidade ou necessidade


do bem para o exercício de suas atividades profissionais.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


REGIMENTAL. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO DE
BENS À PENHORA. POSSIBILIDADE DE RECUSA DA
FAZENDA PÚBLICA. INOBSERVÂNCIA DA ORDEM
LEGAL. RESP. 1.337.790/PR, JULGADO SOB O RITO DO
ART. 543-C DO CPC. IMPENHORABILIDADE DE BEM.
AUSÊNCIA DE PROVA. ÓBICE DA SÚMULA 7/STJ. 1. A
Primeira Seção deste STJ, ao julgar o REsp 1.337.790/PR,
submetido ao rito do art. 543-C do CPC, ratificou o
entendimento no sentido de que seria legítima a recusa de bem
nomeado à penhora por parte da Fazenda, caso não fosse
observada a gradação legal, não havendo falar em violação do
art. 620 do CPC, uma vez que a Fazenda Pública pode recusar a
substituição por quaisquer das causas previstas no art. 656 do
CPC ou nos arts. 11 e 15 da LEF. 2. O acórdão recorrido
considerou que seria ônus do executado comprovar a utilidade
ou a necessidade do bem para o exercício de suas atividades
247

profissionais, e que a parte recorrente não comprovou a


impenhorabilidade dos veículos em debate (fl. 436). Assim,
rever estas conclusões demandaria, necessariamente, novo
exame do acervo fático-probatório constante dos autos,
providência vedada em recurso especial, conforme o óbice
previsto na Súmula 7/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega
provimento. (Recurso Especial 1438083/SC, Rel Min. SÉRGIO
KUKINA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/04/2014, DJe
08/05/2014)

Impossibilidade de deferimento ex officio de reforço ou


substituição de penhora pelo juíz.

TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.
DETERMINAÇÃO DE REFORÇO DE PENHORA PELO
JUIZ EX OFFICIO. IMPOSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE
REQUERIMENTO PELA FAZENDA EXEQUENTE, IN
CASU. INSUFICIÊNCIA DA PENHORA.
ADMISSIBILIDADE DOS EMBARGOS. VIOLAÇÃO DO
ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. O reforço da
penhora não pode ser deferido ex officio, a teor dos artigos 15,
II, da LEF e 685 do CPC. (Precedentes: REsp 958.383/PR, Rel.
Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em
18/11/2008, DJe 17/12/2008; REsp 413.274/SC, Rel. Ministro
JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA,
julgado em 01.06.2006, DJ 03.08.2006; REsp 394.523/SC, Rel.
Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA
TURMA, julgado em 06.04.2006, DJ 25.05.2006; REsp
475.693/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA,
julgado em 25.02.2003, DJ 24.03.2003; REsp nº 396.292/SC,
Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, DJ de 03.06.2002; REsp nº
53.652/SP, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, DJ de
06.02.1995; REsp nº 53.844/SP, Rel. Ministro HÉLIO
MOSIMANN, DJ de 12.12.1994) 2. O artigo 15, da Lei nº
6.830/80, dispõe que: Art. 15 - Em qualquer fase do processo,
será deferida pelo Juiz: I - ao executado, a substituição da
penhora por depósito em dinheiro ou fiança bancária; e II - à
Fazenda Pública, a substituição dos bens penhorados por outros,
248

independentemente da ordem enumerada no artigo 11, bem


como o reforço da penhora insuficiente. (grifo nosso) 3. A seu
turno, o art. 685 do CPC prevê, verbis: "Art. 685. Após a
avaliação, poderá mandar o juiz, a requerimento do interessado e
ouvida a parte contrária: I - reduzir a penhora aos bens
suficientes, ou transferi-la para outros, que bastem à execução,
se o valor dos penhorados for consideravelmente superior ao
crédito do exeqüente e acessórios; Il - ampliar a penhora, ou
transferi-la para outros bens mais valiosos, se o valor dos
penhorados for inferior ao referido crédito. 4. Destarte,
consoante a dicção dos artigos 15, II, da LEF e 685 do CPC, não
é facultada ao Juízo a determinação de substituição ou reforço
da penhora, ao fundamento de insuficiência do bem constrito. 5.
É que o princípio do dispositivo, que vigora no Processo Civil,
pressupõe que as atividades que o juiz pode engendrar ex officio
não inibem a iniciativa da parte de requere-las, não sendo
verdadeira a recíproca. Em conseqüência, por influxo desse
princípio, nas atividades que exigem a iniciativa da parte, o juiz
não pode agir sem provocação. 6. In casu, verifica-se que o
Juízo singular não determinou o reforço da penhora ex officio,
mas motivado por requerimento expresso da Fazenda Estadual
nas alegações preliminares da impugnação aos embargos à
execução (fls. e-STJ 309), litteris: "Antes de refutar os
argumentos que embasam os embargos à execução opostos,
cumpre ressaltar que o Juízo não está garantido, ante a patente
insuficiência da penhora. Isto porque o valor do bem penhorado
(R$ 15.000,00) é nitidamente inferior ao valor do débito (R$
77.033,42), conforme se depreende dos anexos extratos. Por
outro lado, a ausência de depositário nomeado também
configura irregularidade que obsta o recebimento dos embargos
à execução, vez que a constrição é imperativa a autorizar a
oposição daqueles. E, se o auto de penhora não está regular, não
se pode considerar o Juízo garantido. Assim, os Embargos à
execução não deveriam ter sido recebidos, com fundamento no
artigo 16, § 1º da Lei 6.830/80. Entretanto, considerando a atual
fase processual, requer a ampliação da penhora, até o limite do
débito atualizado, bem como a nomeação de depositário, sob
pena de rejeição dos Embargos à Execução com base no
dispositivo legal indicado." 7. Outrossim, em face do auto de
penhora e avaliação (fls. e-STJ 226), bem como da ocorrência
249

de intimação do executado acerca da penhora efetivada, ressoa


inequívoco o preenchimento dos requisitos do art. 685 do CPC,
a legitimar a decisão de ampliação da penhora. O voto condutor
do aresto recorrido consignou que: "A execução teve seu trâmite
normal até a fase de embargos, onde a MMª Juíza a quo
verificou que a penhora não havia se aperfeiçoado diante da
ausência de nomeação de depositário, bem como a divergência
entre o montante do débito e o valor do bem penhorado,
determinando a regularização da penhora efetivada e a intimação
dos executados para reforço da penhora, sob pena de rejeição
dos embargos. Como o executado foi intimado da penhora e
recusou o encargo de fiel depositário, uma vez ter alienado o
imóvel há mais de 5 (cinco) anos, circunstância que
impossibilitou qualquer reforço da penhora -, outra alternativa
não restou senão a co-responsabilização dos sócios." 8. O art.
667 do CPC é inaplicável ao caso sub judice, o qual não versa
sobre segunda penhora, mas mera e simplesmente sobre reforço
da primeira penhora, obviamente insuficiente, ante a divergência
entre o valor do bem constrito - cerca de R$ 15.000,00 - e o do
crédito exequendo - em torno de R$ 77.000,00. É cediço que
somente se procede a uma segunda penhora se a primeira for
anulada; se executados os bens; o produto da alienação não
bastar para o pagamento do credor; se o exequente desistir da
primeira penhora, por serem litigiosos os bens, ou por estarem
penhorados, arestados ou onerados, nos termos do art. 656 do
CPC, sendo certo que o caso sub examine não se amolda a
qualquer dessas hipóteses. 9. A insuficiência de penhora não é
causa bastante para determinar a extinção dos embargos do
devedor, cumprindo ao magistrado, antes da decisão
terminativa, conceder ao executado prazo para proceder ao
reforço, à luz da sua capacidade econômica e da garantia pétrea
do acesso à justiça. (Precedentes: REsp 973.810/RS, Rel.
Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado
em 28/10/2008, DJe 17/11/2008; REsp 739.137/CE, Rel.
Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado
em 23/10/2007, DJ 22/11/2007; AgRg no Ag 635829/PR, Rel.
Ministro CASTRO MEIRA, DJ 18/04/2005; REsp 758266/MG,
Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 22/08/2005)
10. In casu, contrariamente ao alegado pelos recorrentes, o Juízo
singular não procedeu à extinção da ação de embargos à
250

execução; ao revés, fundamentando o decisum nos princípios da


economia processual e da instrumentalidade das formas,
determinou, a requerimento da exequente, o reforço da penhora
e a regularização de atos processuais, tão logo verificada a
ausência de nomeação do depositário, bem assim a divergência
entre o montante do débito e o valor do bem penhorado (fls e-
STJ 349/350). 11. O pleito de imediato prosseguimento dos
embargos, à revelia da referida decisão judicial, não merece
acolhimento, haja vista que, conquanto a insuficiência
patrimonial do devedor seja justificativa plausível à apreciação
dos embargos à execução sem que o executado proceda ao
reforço da penhora, deve ser a mesma comprovada
inequivocamente. Nesse sentido, in verbis: "Caso o devedor não
disponha de patrimônio suficiente para a garantia integral do
crédito exequendo, cabe-lhe comprovar inequivocamente tal
situação. Neste caso, dever-se-á admitir os embargos,
excepcionalmente, sob pena de se violar o princípio da isonomia
sem um critério de discrímen sustentável, eis que dar
seguimento à execução, realizando os atos de alienação do
patrimônio penhorado e que era insuficiente para garantir toda a
dívida, negando ao devedor a via dos embargos, implicaria
restrição dos seus direitos apenas em razão da sua situação de
insuficiência patrimonial. Em palavras simples, poder-se-ia
dizer que tal implicaria em garantir o direito de defesa ao "rico",
que dispõe de patrimônio suficiente para segurar o Juízo, e negar
o direito de defesa ao "pobre", cujo patrimônio insuficiente
passaria a ser de pronto alienado para a satisfação parcial do
crédito. Não trato da hipótese de inexistência de patrimônio
penhorável pois, em tal situação, sequer haveria como
prosseguir com a execução, que restaria completamente
frustrada." (Leandro Paulsen, in Direito Processual Tributário,
Processo Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da
Doutrina e da Jurisprudência, Ed. Livraria do Advogado, 5ª ed.;
p. 333/334) 12. À míngua de menção, nas instâncias ordinárias
acerca da comprovação de insuficiência patrimonial a justificar a
recusa dos recorrentes à ampliação da penhora determinada pelo
Juízo da execução, impõe-se-lhes a regularização dos atos
processuais tendentes ao prosseguimento dos embargos à
execução, máxime em face do consignado no acórdão recorrido
(fls. e-STJ 433), litteris: "(...) Outrossim, a execução fiscal tem
251

por objetivo a cobrança de ICMS declarado e não pago; ao que


consta, o agravado, além de ter sido sócio fundador da empresa
executada, ficou à testa do negócio, de modo que
evidentemente teve proveito decorrente do não repasse do valor
correspondente ao tributo aos cofres públicos. E, além do mais,
dissolvida irregularmente a empresa, foram seus sócios
incluídos na lide e penhorados bens de sua propriedade. A
pretensão da agravada encontra fundamento nos artigos 135,
inciso III, do Código Tributário Nacional e 4º, inciso V, da Lei
de Execução Fiscal. E, em tese, cabível é a responsabilização
dos sócios pelas obrigações fiscais da empresa resultantes de
atos praticados com infração da lei, considerando-se como tal a
dissolução irregular da sociedade sem o pagamento dos
impostos devidos, hipótese que é a dos autos." 13. O art. 535 do
CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora
sucintamente, pronuncia-se de forma clara e suficiente sobre a
questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está
obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte,
desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes
para embasar a decisão. 14. Recurso a que se nega provimento.
Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da
Resolução STJ 08/2008. (Recurso Especial 1127815/SP, Rel
Min. LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/11/2010,
DJe 14/12/2010)

Penhora do faturamento. Medida excepcional.

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO


FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA POR
FATURAMENTO DA EMPRESA. AUSÊNCIA DE
CONCORDÂNCIA DA FAZENDA PÚBLICA.
IMPOSSIBILIDADE. 1. A substituição da penhora por outro
bem que não o dinheiro ou a fiança bancária - no caso dos autos,
faturamento da empresa - somente poderá ser feita com a
anuência da Fazenda Pública, o que não ocorreu na espécie.
Inteligência do art. 15, I, da Lei 6.830/1980. 2. Orientação
reafirmada pela Primeira Seção, no julgamento do REsp.
1.090.898/SP, submetido ao rito do art. 543-C do CPC, e na
edição da Súmula 406/STJ. 3. É assente no STJ o entendimento
de que a penhora sobre o faturamento da empresa somente é
252

admitida em caráter excepcional, o que evidencia tratar-se de


hipótese diversa da referente ao dinheiro, que é listado em
primeiro lugar no art. 11 da LEF. 4. Agravo Regimental não
provido. (Recurso Especial 1354656/RS, Rel Min. HERMAN
BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/02/2011,
DJe 15/03/2011)

Ordem preferencial de bens penhoráveis não pode, em princípio,


ser quebrada, salvo se houver anuência da Fazenda Pública ou se
a constrição comprovadamente comprometer a continuidade da
atividade econômica. Ônus da prova do executado.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO


FISCAL. PEDIDO DE SUBSTITUIÇÃO DE BEM
PENHORADO, COM QUEBRA DA ORDEM LEGAL DE
PREFERÊNCIA. RECUSA. ARTS. 11 DA LEI 6.830/80 E 655
DO CPC. DIREITO DA FAZENDA EXEQUENTE.
MITIGAÇÃO DA PREFERÊNCIA LEGAL QUE DEPENDE
DE PROVA DO EFETIVO COMPROMETIMENTO DA
CONTINUIDADE DA ATIVIDADE ECONÔMICA DA
EXECUTADA. PRECEDENTES DO STJ.
PREQUESTIONAMENTO. CARACTERIZAÇÃO. AGRAVO
REGIMENTAL IMPROVIDO. I. O prequestionamento resta
configurado em hipótese na qual o acórdão recorrido afirma que,
havendo parcelamento tributário, a substituição da penhora on
line, via BACENJUD, pode ser substituída pela penhora de bem
imóvel, mesmo diante da recusa da Fazenda Pública, e, no seu
Recurso Especial, o ente fazendário sustenta que sua anuência é
imprescindível, em todos os casos. II. A ordem preferencial de
bens penhoráveis, estabelecida no art. 11 da LEF e no art. 655
do CPC, não pode ser, em princípio, quebrada, salvo haja
concordância da Fazenda exequente, ou, efetuada a constrição,
comprovar-se que se revela seriamente comprometida a
continuidade da atividade econômica da executada. Precedentes
do STJ. III. O ônus da prova de que, com a constrição de bens, o
prosseguimento da atividade econômica estará seriamente
comprometido, é da executada. Precedentes. IV. Com efeito, "a
Primeira Seção do STJ, no julgamento do REsp 1.337.790/PR,
Rel. Min. Herman Benjamin, consolidou entendimento segundo
o qual é legítima a recusa da Fazenda Pública de bem oferecido
253

à penhora quando não observada a ordem prevista nos arts. 655


do CPC e 11 da Lei n. 6.830/80. O princípio da menor
onerosidade do devedor, insculpido no art. 620 do CPC, tem de
estar em equilíbrio com a satisfação do credor, sendo indevida
sua aplicação de forma abstrata e presumida, cabendo ao
executado fazer prova do efetivo prejuízo" (STJ, AgRg no REsp
1.469.455/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS,
SEGUNDA TURMA, DJe de 09/02/2015). V. Agravo
Regimental improvido. (AgRg no REsp 1495386/RS, Rel
Min(a). ASSUSETE MAGALHÃES, SEGUNDA TURMA,
julgado em 18/08/2015, DJe 09/09/2015)

Penhora de títulos da dívida pública não listada em bolsa.


Licitude da recusa pela Fazenda Pública.

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. NOMEAÇÃO


DE BENS À PENHORA. TÍTULO DA DÍVIDA PÚBLICA
ESTADUAL. DESRESPEITO À ORDEM DO ART. 11 DA
LEI 6.830/1980. PRINCÍPIO DA MENOR ONEROSIDADE.
SÚMULA 7/STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. ALÍNEA
"C". NÃO DEMONSTRAÇÃO DA DIVERGÊNCIA.
RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO. MULTA. 1. Hipótese
em que o Tribunal local consignou que "não obedecida a ordem
prevista no art. 11 da Lei n. 6.830/80 e sendo os títulos da dívida
pública estadual ofertados à penhora carentes de cotação em
bolsa, é licito ao credor recusar os títulos como garantia da
execução e incensurável a decisão que acolhe tal negativa". 2. O
ordenamento jurídico em vigor não prevê direito subjetivo de
fazer prevalecer, de modo generalizado e ao arrepio do rol
estabelecido nos arts. 11 da LEF e 655 do CPC, sob o pretexto
de observância ao princípio da menor onerosidade, a penhora
deste ou daquele bem. Fosse assim, a ordem firmada nos citados
dispositivos não teria sentido. 3. A jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça reconhece que é legítima a recusa, por parte
da Fazenda Pública credora, da nomeação feita pelo executado,
quando esta não observa a ordem legal de preferência. 4. O STJ
pacificou o entendimento de que a análise de possível afronta ao
princípio da menor onerosidade da execução (art. 620 do CPC)
requer reexame de matéria fático-probatória, inadmissível na via
estreita do Recurso Especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. 5.
254

Com relação ao dissídio jurisprudencial, a divergência deve ser


comprovada, cabendo a quem recorre demonstrar as
circunstâncias que identificam ou assemelham os casos
confrontados, com indicação da similitude fática e jurídica entre
eles. 6. Como a parte agravante insiste em se insurgir contra a
tese pacificada sob a sistemática do art. 543-C do CPC, deve ser
aplicada a sanção prevista no art. 557, § 2°, do CPC. 7. Agravo
Regimental não provido, com aplicação de multa.(AgRg no
AREsp 609054/SC, Rel Min. HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 05/03/2015, DJe 31/03/2015)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

CARNEIRO DA CUNHA, Leonardo José. Diversas execuções


fiscais. Penhora de precatório a ser pago pelo próprio exequente.
Parcelamento. Liberação da primeira parcela. Desconstituição da
penhora sobre o valor da primeira parcela. Poder liberatório das
parcelas vincendas. Princípio da menor gravosidade. RDDP nº
76, jul/09.

FURLAN, Anderson. Revista Dialética de Direito Tributário


nº 152, maio-2008.

MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro


(Administrativo e Judicial). 5a ed. Dialética, 2010.

PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo


Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e
Jurisprudência. 7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2012.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2ª


Edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2010.
255

Art. 12 - Na execução fiscal, far-se-á a intimação da penhora


ao executado, mediante publicação, no órgão oficial, do ato
de juntada do termo ou do auto de penhora.
§ 1º - Nas Comarcas do interior dos Estados, a intimação
poderá ser feita pela remessa de cópia do termo ou do auto
de penhora, pelo correio, na forma estabelecida no artigo 8º,
incisos I e II, para a citação.
§ 2º - Se a penhora recair sobre imóvel, far-se-á a intimação
ao cônjuge, observadas as normas previstas para a citação.
§ 3º - Far-se-á a intimação da penhora pessoalmente ao
executado se, na citação feita pelo correio, o aviso de
recepção não contiver a assinatura do próprio executado, ou
de seu representante legal.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Com relação ao artigo 12, da LEF, não há, no Decreto


Lei nº 960/32, dispositivo similar, pois trata o referido Decreto
Lei somente acerca da citação da Execução Fiscal e de como
deveria ser realizada a penhora, contando o prazo inicial para
Embargos à Execução, 10 dias da data da penhora (art. 16).

Remissões legais: art. 16, do Decreto Lei nº 960/38.


256

2. Conceitos Principais

Segundo Araken de Assis, para que se possa realizar a


intimação por meio da imprensa oficial, é necessário que haja
advogado constituído nos autos. Caso contrário, deverá ocorrer a
intimação por mandado, caso em que estará dispensada a
intimação por meio da imprensa oficial. Cabe lembrar, no
entanto, que nem sempre, mesmo quando haja advogado
constituído nos autos, será imprescindível a intimação pelo
órgão oficial, visto que esta poderá ser realizada por meio de
oficial de justiça.1
Conforme lembra Paulsen, normalmente, o oficial de
justiça penhora os bens e já nomeia o próprio executado como
depositário, intimando-o a respeito do prazo para interposição de
embargos à execução fiscal, tomando a assinatura no próprio do
auto de penhora.2
Caso ocorra alguma irregularidade na intimação, a
penhora não restará prejudicada, pois a intimação da penhora
não integra o ato executivo em si.3
Com relação ao §2o, após a entrada em vigor do Código
Civil de 2002, a necessidade de intimação do cônjuge no caso de
penhora que recaia sobre imóvel se dará somente nos casos de

1
ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11 ed. São Paulo: RT, 2007, p.
1043.
2
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo
Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e Jurisprudência.
7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2012, p. 374.
3
ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11 ed. São Paulo: RT, 2007, p.
1043.
257

casamento em regime de comunhão parcial, comunhão universal


e de participação final nos aquestos, nos termos do artigo 16474,
do Código Civil. No caso de casamento com separação total de
bens, há total liberdade entre o patrimônio dos cônjuges,
inclusive para alienar ou gravar imóvel, fulcro no artigo 1687,
do Código Civil, ou seja, nesse caso, não será necessária a
intimação do cônjuge.

3. Jurisprudência relacionada

Em caso de insuficiência de penhora, dever de intimar o devedor


para oportunizar a indicação de bens e direitos a fim de reforçar
a penhora.

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO


ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. GARANTIA DO JUÍZO.
REFORÇO DA PENHORA. INTIMAÇÃO DA PARTE
EXECUTADA. NECESSIDADE. 1. Penhorados bens e
direitos e constatada pelo magistrado a insuficiência da
garantia, deve-se intimar o devedor para que proceda ao
reforço da penhora, oportunizando-lhe a indicação de
bens/direitos necessários a essa finalidade, à luz dos arts. 9º e 11
da LEF, sem prejuízo, contudo, da faculdade de o exequente
requerer o reforço da garantia e apontar, por conta própria, os
meios pelos quais será realizado (BACEN JUD, penhora de bem
imóvel etc). 2. "É defeso ao juiz determinar de ofício o
reforço da penhora, realizada validamente no executivo fiscal,

4
“Art. 1.647. Ressalvado o disposto no art. 1.648, nenhum dos cônjuges
pode, sem autorização do outro, exceto no regime da separação absoluta:
I - alienar ou gravar de ônus real os bens imóveis;
II - pleitear, como autor ou réu, acerca desses bens ou direitos;
III - prestar fiança ou aval;
IV - fazer doação, não sendo remuneratória, de bens comuns, ou dos que
possam integrar futura meação.
Parágrafo único. São válidas as doações nupciais feitas aos filhos quando
casarem ou estabelecerem economia separada.”
258

a teor dos artigos 15, II, da LEF e 667 e 685 do CPC" (REsp
475.693/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ
24/03/2003). 3. Nessa linha, se o reforço da penhora depende
do requerimento da Fazenda exequente, não pode o oficial
de justiça, sem a correspondente ordem judicial, proceder à
penhora no rosto de autos de processos em trâmite na justiça
estadual com o fim de reforçar a garantia do juízo da execução.
4. Recurso especial provido. (REsp 1519685/RS, Rel Min.
GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em
19/04/2016, DJe 28/04/2016)

Não avaliação de bem. Irregularidade formal sanável a qualquer


tempo.

EXECUÇÃO FISCAL. TERMO DE PENHORA. NOMEAÇÃO


DE BENS PELO DEVEDOR. ASSINATURA DO JUIZ E
AVALIAÇÃO DO BEM CONSTRITADO. AUSÊNCIA.
IRREGULARIDADE. INTIMAÇÃO DO DEVEDOR. PRAZO
PARA OPOSIÇÃO DOS EMBARGOS DO DEVEDOR.
TERMO A QUO. AVALIAÇÃO. REFORÇO DA PENHORA.
VIOLAÇÃO A LEI FEDERAL NÃO CONFIGURADA -
PRECEDENTES. I - O termo de penhora constitui-se em uma
das modalidades de documentação da penhora no direito pátrio.
Sendo ato de competência do escrivão, a ausência de assinatura
do juiz ao termo de penhora não o infirma, máxime se inexiste
sanção que comine a respectiva nulidade. II - Considera-se
intimado o devedor que, assistido por advogado, munido de
poderes especiais, nomeia bens à penhora e assina o respectivo
termo de penhora, passando à qualidade de fiel depositário, já
que, nesta oportunidade toma ciência iniludível da constrição
patrimonial, e, portanto, deflagra a fluência do termo a quo para
oposição dos embargos do devedor. III - A não avaliação do
bem constritado no termo de penhora não invalido o ato, mas
constitui-se em irregularidade formal, sanável a qualquer tempo
pelo reforço da penhora, nos termos do art. 15, III, da LEF.
(REsp 95955/MG, Rel Min(a). NANCY ANDRIGHI,
SEGUNDA TURMA, julgado em 15/08/2000, DJe 11/09/2000)

Imprescindível intimação do cônjuge meeiro da penhora.


259

“PROCESSO CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL -


PENHORA - BEM DE FAMÍLIA - PROVA - INTIMAÇÃO
DO CÔNJUGE NECESSÁRIA AUTORIZAÇÃO OU
PARTICIPAÇÃO - DESNECESSIDADE. 1. É do credor a
responsabilidade pela localização de bens penhoráveis do
devedor. Dizendo-se comprovada, pelo acórdão, a utilização do
imóvel penhorado como residencial, cabia ao credor demonstrar
a existência de outros bens penhoráveis e, se imóveis de
utilização residencial, solicitar a penhora daquele de menor
valor. 2. É imprescindível a intimação do cônjuge da penhora
incidente sobre imóvel do casal. Art. 12, § 1º, da LEF. 3. É
desnecessária a autorização ou a participação do cônjuge nos
embargos à execução, bastando à validade do processo sua
intimação da penhora. 4. Recurso especial não provido. (REsp
1026276/PB, Rel Min(a). ELIANA CALMON, SEGUNDA
TURMA, julgado em 07/10/2008, DJe 04/11/2008)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11 ed. São Paulo:


RT, 2007.

PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: Processo


Administrativo Fiscal e Execução Fiscal à luz da Doutrina e
Jurisprudência. 7a ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2012.
260

Art. 13 - O termo ou auto de penhora conterá, também, a


avaliação dos bens penhorados, efetuada por quem o lavrar.
§ 1º - Impugnada a avaliação, pelo executado, ou pela
Fazenda Pública, antes de publicado o edital de leilão, o Juiz,
ouvida a outra parte, nomeará avaliador oficial para
proceder a nova avaliação dos bens penhorados.
§ 2º - Se não houver, na Comarca, avaliador oficial ou este
não puder apresentar o laudo de avaliação no prazo de 15
(quinze) dias, será nomeada pessoa ou entidade habilitada a
critério do Juiz.
§ 3º - Apresentado o laudo, o Juiz decidirá de plano sobre a
avaliação.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Com relação à avaliação dos bens penhorados, no


Decreto Lei nº 960/38, quando não houvesse avaliadores
privativos, a avaliação deveria ser feita por dois avaliadores
designados pelo juiz, sendo que um deles seria indicado pela
Fazenda (art. 26), o que difere do modo como é feito
atualmente, em que, via de regra, o próprio oficial de justiça
realiza a avaliação. Os avaliadores, nos termos do Decreto
citado, de certa forma semelhante ao que está previsto na Lei nº
6.830/80, deveriam consignar no laudo as razões que motivaram
aquela valoração do bem (art. 28). Outro fato que chama atenção
é que não deveria haver nova avaliação, salvo em caso de erro
ou dolo dos avaliadores ou caso existisse ônus ou defeito na
261

coisa que fosse desconhecido até então (art. 29). Além do mais,
caso houvesse divergência entre os avaliadores, seria tomado
como base o preço médio entre as avaliações (art. 30).
Atualmente, caso não concorde com o valor indicado, poderá o
juiz, de ofício, determinar que seja realizada nova avaliação do
bem.

Remissões legais: arts. 26, 28, 29 e 30, do Decreto Lei nº


960/38.

2. Conceitos Principais;

A avaliação do bem penhorado deverá constar no termo


ou no auto de penhora. Esse termo será lavrado pelo escrivão ou
chefe da secretaria e o valor dos bens ali constante decorre da
transposição da quantia apontada pela parte executada ao
nomear de maneira válida.
A elaboração do auto de penhora, por sua vez, é de
competência do oficial de justiça, devendo este mensurar de
maneira provisória o valor do bem, podendo o oficial realizar
pesquisa acerca do valor de mercado.
No entanto, o valor indicado pelo oficial de justiça não
vincula o órgão judiciário, pois, mesmo que não haja
impugnação pelas partes, o juiz poderá, de ofício, determinar
que seja realizada nova avaliação.
Entendendo as partes que o valor indicado não esteja
condizente com o valor real do bem, caberá impugnação por
262

qualquer uma delas, desde de que fundamentadamente e antes


da publicação, conforme artigo 873, do novo CPC1.
Após apresentada a impugnação, o juiz ouvirá a outra
parte, nomeando avaliador oficial para que realize nova
avaliação. Qualquer que seja o sentido da manifestação, será ela
decisão interlocutória, cabendo interposição de recurso de
agravo.
Em caso de inexistência de avaliador judicial na
comarca, poderá ser nomeado perito pelo juiz, o qual deverá
estar habilitado para exercer a função. É facultado às partes,
ainda, que formulem quesitos e indiquem assistentes técnicos,
devendo constar no laudo os elementos previstos no artigo 8722,
do novo CPC.
Em seguida, depois de apresentado o laudo, com ou
sem parecer dos assistentes técnicos, decidirá o juiz de plano, ou
1
“Art. 873. É admitida nova avaliação quando:
I - qualquer das partes arguir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na
avaliação ou dolo do avaliador;
II - se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou
diminuição no valor do bem;
III - o juiz tiver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem na primeira
avaliação.
Parágrafo único. Aplica-se o art. 480 à nova avaliação prevista no inciso III
do caput deste artigo.
2
Art. 872. A avaliação realizada pelo oficial de justiça constará de vistoria e
de laudo anexados ao auto de penhora ou, em caso de perícia realizada por
avaliador, de laudo apresentado no prazo fixado pelo juiz, devendo-se, em
qualquer hipótese, especificar:
I - os bens, com as suas características, e o estado em que se encontram;
II - o valor dos bens.
§ 1o Quando o imóvel for suscetível de cômoda divisão, a avaliação, tendo
em conta o crédito reclamado, será realizada em partes, sugerindo-se, com a
apresentação de memorial descritivo, os possíveis desmembramentos para
alienação.
§ 2o Realizada a avaliação e, sendo o caso, apresentada a proposta de
desmembramento, as partes serão ouvidas no prazo de 5 (cinco) dias.”
263

seja, sem necessidade de manifestação prévia das partes.


Todavia, como lembra Araken de Assis, é razoável que se
possibilite vista às partes a fim de não haver violação do
contraditório.3
A relevância da avaliação se dá em virtude de que será
com base nela que a Fazenda Pública poderá adjudicar os bens
constritados; determinará, também, a necessidade ou não de
penhora de outros bens do devedor, caso a constrição não seja
suficiente para garantir a execução. Poderá, ainda, ser fator
determinante para que seja reduzida a penhora, caso o valor dos
bens penhorados sejam superiores ao valor da execução, nos
termos do artigo 874, do novo CPC4.

3. Jurisprudência relacionada

Nova avaliação por peritos. Possibilidade. Nomeação pelo


juiz.

PROCESSUAL CIVIL - RECURSO ESPECIAL - EXECUÇÃO


FISCAL - AGRAVO DE INSTRUMENTO - PENHORA -
AVALIAÇÃO - IMPUGNAÇÃO - NOVA AVALIAÇÃO POR
PERITOS - POSSIBILIDADE. I - O art. 13, § 1º, da LEF
determina que havendo impugnação, pelo executado ou pela
Fazenda Pública, da avaliação do bem penhorado feita por
oficial de justiça e antes de publicado o edital do leilão, caberá
3
ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11 ed. São Paulo: RT, 2007, p.
1046.
4
“Art. 874. Após a avaliação, o juiz poderá, a requerimento do interessado e
ouvida a parte contrária, mandar:
I - reduzir a penhora aos bens suficientes ou transferi-la para outros, se o
valor dos bens penhorados for consideravelmente superior ao crédito do
exequente e dos acessórios;
II - ampliar a penhora ou transferi-la para outros bens mais valiosos, se o
valor dos bens penhorados for inferior ao crédito do exequente.”
264

ao juiz nomear avaliador oficial, com habilitação específica,


para proceder a nova avaliação do bem penhorado. II -
Consoante jurisprudência desta Corte, não é lícito ao juiz
recusar o pedido. III - Precedentes: REsp nº 316.570/SC, Rel.
Min. GARCIA VIEIRA, DJ 20/08/01 e RSTJ 147/127. IV -
Recurso especial provido. (REsp 737692/RS, Rel Min.
FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em
06/12/2005, DJe 06/03/2006)

Nova avaliação de bens já penhorados. Desnecessidade para


reforço de penhora. Faculdade do juiz deferir ampliação de
penhora.

RECURSO ESPECIAL - ALÍNEA "A" - EXECUÇÃO FISCAL


- - BENS CONSTRITOS NOTORIAMENTE INSUFICIENTES
PARA A SATISFAÇÃO DO DÉBITO - REFORÇO DA
PENHORA NÃO-PRECEDIDO DE NOVA AVALIAÇÃO
DOS BENS JÁ PENHORADOS - POSSIBILIDADE -
AUSÊNCIA DE EIVA NO JULGADO. É consabido, à luz do
disposto no artigo 15, inciso II, da LEF que o reforço da penhora
será permitido, desde que os bens já penhorados sejam
insuficientes para garantir a execução. Se é possível aferir, a
partir da avaliação dos bens já penhorados, que o débito fiscal
corresponde a mais que o triplo do valor dos bens constritos,
consoante se verifica dos termos do v. acórdão recorrido, não há
razão para que se indefira o reforço da penhora em razão da
ausência de nova avaliação dos bens penhorados, mormente
levando-se em consideração a sua depreciação natural. "É
facultado ao Juiz deferir a ampliação da penhora, desde que de
plano se mostrem insuficientes à garantia do Juízo os bens já
penhorados, independentemente da avaliação oficial. Admite-se
ao Magistrado a adoção de medidas cautelares urgentes no
sentido de assegurar o cumprimento da decisão exeqüenda"
(REsp 439.016/DF, Relator Min. Barros Monteiro, DJU
14/06/2004). Recurso especial improvido. (REsp 406948/RS,
Rel Min(a). FRANCIULLI NETTO, SEGUNDA TURMA,
julgado em 22/06/2004, DJe 18/10/2004)
265

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

ASSIS, Araken de. Manual de Execução. 11 ed. São Paulo:


RT, 2007.

PORTO, Ederson Garin. Manual da Execução Fiscal. 2ª


Edição. Porto Alegre: Livraria do Advogado. 2010.
266

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 14 A 16

Larissa Laks∗

Art. 14 - O Oficial de Justiça entregará contrafé e cópia do


termo ou do auto de penhora ou arresto, com a ordem de
registro de que trata o artigo 7º, inciso IV:
I - no Ofício próprio, se o bem for imóvel ou a ele
equiparado;
II - na repartição competente para emissão de certificado de
registro, se for veículo;
III - na Junta Comercial, na Bolsa de Valores, e na sociedade
comercial, se forem ações, debênture, parte beneficiária,
cota ou qualquer outro título, crédito ou direito societário
nominativo.


Doutoranda em Direito Tributário, pela PUC/RS. Mestre em Direito
Tributário, pela UFRGS/RS. Pós-Graduada em Direito Empresarial, pela
Fundação Getúlio Vargas. Professora do curso de Pós-Graduação em
Direito e Gestão Tributária da UNISINOS. Integrante do Conselho de
Pareceristas da Revista de Finanças Públicas, Tributação e
Desenvolvimento e da Revista Quaestio Juris. Pesquisadora do GTAX –
Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito Tributário – PUC/RS.
Advogada.
267

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O ‘caput’ do art, 14 faz remissão ao art.7º, IV, da Lei


de Execuções Fiscais, o qual dispõe que a ordem de registro da
penhora a ser cumprida pelo oficial de justiça deve ser expedida
pelo juízo competente quando da prolação do despacho que
deferir a petição inicial, o qual deve também conter ordem para
a realização da penhora ou do arresto de bens. Segundo o art. 7º,
IV: “Art. 7º - O despacho do Juiz que deferir a inicial importa
em ordem para: IV- registro da penhora ou do arresto,
independentemente do pagamento de custas ou outras despesas,
observado o disposto no artigo 14”.
Diversamente do que ocorre nos procedimentos de
execução cível1, onde o ônus de registrar a penhora incumbe ao
credor, nas execuções fiscais a atribuição de levar a registro as
penhoras, através da entrega da contrafé e de cópia do termo ou
auto de penhora ou arresto incumbe ao oficial de justiça, que
deve registrar a penhora ou arresto, conforme também se
depreende da leitura do ‘caput’do art. 14.
A penhora constitui uma das modalidades de garantia
da execução, sendo admitidas pela sistemática prevista na Lei n°
6.830/80 outras modalidades de garantia do juízo, a exemplo do
depósito, da fiança e do seguro-garantia. A penhora, portanto, é

1
Conforme regra inscrita no art. 844 da Lei nº 13.105, de 2015. que instituiu
o novo Código de Processo Civil: “Art. 844. Para presunção absoluta de
conhecimento por terceiros, cabe ao exequente providenciar a averbação do
arresto ou da penhora no registro competente, mediante apresentação de
cópia do auto ou do termo, independentemente de mandado judicial.”
268

realizada mediante determinação do juízo, nas hipóteses em que,


após a citação do devedor, se constate que o mesmo não realizou
o pagamento da dívida e tampouco utilizou-se das outras
modalidades de garantia do juízo previstas no art. 7º, II da Lei n°
6.830/80.2

Remissões Legais: art. 185 do CTN; arts. 7º e 30 Lei n°


6.830/80; LC 118/2005; arts. 591; 789 e 792 do NCPC.

2. Conceitos Principais

O registro da penhora poderá, portanto, ser efetuado a


partir do despacho do juízo que defere a inicial, não havendo
necessidade de um mandado específico para tanto, sendo
suficiente a cópia do despacho inicial. Importa ressaltar que o
registro da penhora não é um pressuposto da existência da
mesma, mas sim de eficácia perante terceiros, uma vez que o
registro visa a dar ciência a terceiros da constrição, assim como
permitir a identificação de eventuais fraudes à execução.
Em relação à prevenção de fraudes nos processos de
execução fiscal, contudo, sinale-se após a edição da Lei
Complementar nº 118/20053, o STJ já pacificou entendimento

2
Segundo o art. 7º, II da Lei n° 6.830/1980: “O despacho do Juiz que deferir
a inicial importa em ordem para: II - penhora, se não for paga a dívida, nem
garantida a execução, por meio de depósito, fiança ou seguro garantia. A
esse respeito, vide ainda CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de
acordo com o novo CPC, São Paulo: Noeses, 2015, p.192 e 206.
3
A Lei Complementar nº 118/05 alterou o Código Tributário Nacional,
passando a conferir nova redação ao art. 185 do CTN, pelo qual: “Art.
269

no sentido de que o registro da penhora é irrelevante para a


caracterização de fraude no âmbito das execuções fiscais,
antecipando-se o momento da presunção de fraude para a
inscrição em dívida ativa4
Em relação ao registro da penhora de imóveis, dispõe o
art. 14, I que o registro deva ser efetuado no registro próprio,
que é o Cartório de Registro de Imóveis. O registro, contudo,
não se constitui como requisito de validade e eficácia do ato de
penhora e serve apenas para dar conhecimento a terceiros da
constrição efetivada.5
Já o registro da penhora de veículos deve ser realizado
na repartição de trânsito competente para a emissão de
certificado de propriedade do veículo. Neste tópico, convém
referir que a criação do Sistema Eletrônico de Restrições
Judiciais (Renajud), que se constitui num sistema on line de
restrição judicial de veículos criado pelo Conselho Nacional de
Justiça – CNJ, interligando o Judiciário ao Departamento
Nacional de Trânsito (Denatran) – o registro de penhora de

185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou


seu começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública, por
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa. Parágrafo único.
O disposto neste artigo não se aplica na hipótese de terem sido reservados,
pelo devedor, bens ou rendas suficientes ao total pagamento da dívida
inscrita.”
4
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com o
novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 248.
5
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com
o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 250.
270

veículos tornou-se mais célere e eficaz.6 Esta ferramenta permite


que juízes e servidores do Poder Judiciário devidamente
cadastrados estejam aptos a efetivar de imediato ordens judiciais
que implicam restrições os veículos, a exemplo do registro da
penhora ou de impedimentos de transferências. Contudo,
importante referir que a penhora realizada através do RENAJUD
não se constitui como nova modalidade constritiva, ou tampouco
como uma “penhora on-line de veículos”, uma vez que a
penhora do veículo continua sendo executada mediante a
lavratura do respectivo auto, sendo o RENAJUD apenas uma
ferramenta que possibilita a inserção dessa informação junto ao
RENAVAM através da internet.7
Entretanto, da mesma forma que em relação aos
imóveis, o registro da penhora não se constitui como condição
de existência da penhora, servindo para dar publicidade da
constrição perante terceiros.8
Ainda, em relação às hipóteses disciplinadas pelo
art.14, III da Lei n° 6.830/80, convém referir que o registro de
penhora de ações, debêntures e partes beneficiárias, cotas ou
quaisquer outros títulos, créditos ou direitos societários

6
Informação obtida em: http://www.cnj.jus.br/sistemas/informacoes-sobre-
bens-e-pessoas/20557-renajud. Acesso em 14/04/2016.
7
SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de Execução Fiscal,
p. 289 a 346, p. 319. In: Execução Fiscal Aplicada: análise pragmática do
processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª
edição, Ed. Jus Podium.
8
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à Luz
da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo com
o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p.250.
271

nominativos devem ser feitos na Junta Comercial, na Bolsa de


Valores e na sociedade comercial.

3. Jurisprudência relacionada

Presunção de fraude à execução após a inscrição de débito


em dívida ativa, após o advento da LC n°°118/05

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. DIREITO TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE
TERCEIRO.FRAUDE À EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO
DE BEM POSTERIOR À CITAÇÃO DO DEVEDOR.
INEXISTÊNCIA DE REGISTRO NO DEPARTAMENTO DE
TRÂNSITO - DETRAN. INEFICÁCIA DO NEGÓCIO
JURÍDICO. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA.ARTIGO 185
DO CTN, COM A REDAÇÃO DADA PELA LC N.º 118/2005.
SÚMULA 375/STJ. INAPLICABILIDADE.
1. A lei especial prevalece sobre a lei geral (lex specialis
derrogat lex generalis), por isso que a Súmula n.º 375 do
Egrégio STJ não se aplica às execuções fiscais.
2. O artigo 185, do Código Tributário Nacional - CTN,
assentando a presunção de fraude à execução, na sua redação
primitiva, dispunha que: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a
alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu começo, por
sujeito passivo em débito para com a Fazenda Pública por
crédito tributário regularmente inscrito como dívida ativa em
fase de execução.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na
hipótese de terem sido reservados pelo devedor bens ou rendas
suficientes ao total pagamento da dívida em fase de execução."
3. A Lei Complementar n.º 118, de 9 de fevereiro de 2005,
alterou o artigo 185, do CTN, que passou a ostentar o seguinte
teor: "Art. 185. Presume-se fraudulenta a alienação ou oneração
de bens ou rendas, ou seu começo, por sujeito passivo em débito
para com a Fazenda Pública, por crédito tributário regularmente
inscrito como dívida ativa.
272

Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na


hipótese de terem sido reservados, pelo devedor, bens ou rendas
suficientes ao total pagamento da dívida inscrita." 4.
Consectariamente, a alienação efetivada antes da entrada em
vigor da LC n.º 118/2005 (09.06.2005) presumia-se em fraude à
execução se o negócio jurídico sucedesse a citação válida do
devedor; posteriormente à 09.06.2005, consideram-se
fraudulentas as alienações efetuadas pelo devedor fiscal após a
inscrição do crédito tributário na dívida ativa.
5. A diferença de tratamento entre a fraude civil e a fraude fiscal
justifica-se pelo fato de que, na primeira hipótese, afronta-se
interesse privado, ao passo que, na segunda, interesse público,
porquanto o recolhimento dos tributos serve à satisfação das
necessidades coletivas.
6. É que, consoante a doutrina do tema, a fraude de execução,
diversamente da fraude contra credores, opera-se in re ipsa, vale
dizer, tem caráter absoluto, objetivo, dispensando o concilium
fraudis. (FUX, Luiz. O novo processo de execução: o
cumprimento da sentença e a execução extrajudicial. 1. ed. Rio
de Janeiro: Forense, 2008, p. 95-96 / DINAMARCO, Cândido
Rangel. Execução civil. 7. ed.São Paulo: Malheiros, 2000, p.
278-282 / MACHADO, Hugo de Brito.Curso de direito
tributário. 22. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p.210-211 /
AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 11. ed. São
Paulo: Saraiva, 2005. p. 472-473 / BALEEIRO, Aliomar.
Direito Tributário Brasileiro. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense,
1996, p.604).
7. A jurisprudência hodierna da Corte preconiza referido
entendimento consoante se colhe abaixo: “O acórdão
embargado, considerando que não é possível aplicar a nova
redação do art. 185 do CTN (LC 118/05) à hipótese em apreço
(tempus regit actum), respaldou-se na interpretação da redação
original desse dispositivo legal adotada pela jurisprudência do
STJ”.(EDcl no AgRg no Ag 1.019.882/PR, Rel. Ministro
Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 06/10/2009,
DJe 14/10/2009) "Ressalva do ponto de vista do relator que tem
a seguinte compreensão sobre o tema: [...] b) Na redação atual
do art. 185 do CTN, exige-se apenas a inscrição em dívida ativa
prévia à alienação para caracterizar a presunção relativa de
fraude à execução em que incorrem o alienante e o adquirente
273

(regra aplicável às alienações ocorridas após 9.6.2005);”.(REsp


726.323/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda
Turma, julgado em 04/08/2009, DJe 17/08/2009) "Ocorrida a
alienação do bem antes da citação do devedor, incabível falar
em fraude à execução no regime anterior à nova redação do
art.185 do CTN pela LC 118/2005".(AgRg no Ag 1.048.510/SP,
Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em
19/08/2008, DJe 06/10/2008) “A jurisprudência do STJ,
interpretando o art. 185 do CTN, até o advento da LC 118/2005,
pacificou-se, por entendimento da Primeira Seção (EREsp
40.224/SP), no sentido de só ser possível presumir-se em fraude
à execução a alienação de bem de devedor já citado em
execução fiscal”.(REsp 810.489/RS, Rel. Ministra Eliana
Calmon, Segunda Turma, julgado em 23/06/2009, DJe
06/08/2009)
8. A inaplicação do art. 185 do CTN implica violação da
Cláusula de Reserva de Plenário e enseja reclamação por
infringência da Súmula Vinculante n.º 10 verbis: "Viola a
cláusula de reserva de plenário (cf, artigo 97) a decisão de órgão
fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a
inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público,
afasta sua incidência, no todo ou em parte."
9. Conclusivamente: (a) a natureza jurídica tributária do crédito
conduz a que a simples alienação ou oneração de bens ou
rendas, ou seu começo, pelo sujeito passivo por quantia inscrita
em dívida ativa, sem a reserva de meios para quitação do débito,
gera presunção absoluta (jure et de jure) de fraude à execução
(lei especial que se sobrepõe ao regime do direito processual
civil); (b) a alienação engendrada até 08.06.2005 exige que
tenha havido prévia citação no processo judicial para
caracterizar a fraude de execução; se o ato translativo foi
praticado a partir de 09.06.2005, data de início da vigência da
Lei Complementar n.º 118/2005, basta a efetivação da inscrição
em dívida ativa para a configuração da figura da fraude; (c) a
fraude de execução prevista no artigo 185 do CTN encerra
presunção jure et de jure, conquanto componente do elenco das
"garantias do crédito tributário"; (d) a inaplicação do artigo 185
do CTN, dispositivo que não condiciona a ocorrência de fraude
a qualquer registro público, importa violação da Cláusula
274

Reserva de Plenário e afronta à Súmula Vinculante n.º 10, do


STF.
10. In casu, o negócio jurídico em tela aperfeiçoou-se em
27.10.2005 , data posterior à entrada em vigor da LC 118/2005,
sendo certo que a inscrição em dívida ativa deu-se anteriormente
à revenda do veículo ao recorrido, porquanto, consoante
dessume-se dos autos, a citação foi efetuada em data anterior à
alienação, restando inequívoca a prova dos autos quanto à
ocorrência de fraude à execução fiscal.
11. Recurso especial conhecido e provido. Acórdão submetido
ao regime do artigo 543-C do CPC e da Resolução STJ n.º
08/2008. (Recurso Especial nº 1141990/PR, Rel. Ministro LUIZ
FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe
19/11/2010)
4. Temas Relacionados

A caracterização de fraude à execução nos processos de


execução fiscal
Conforme o julgado supratranscrito, proferido nos
autos do Recurso Especial nº 1.141.990/PR, julgado em
19/11/2010 sob a sistemática dos recursos repetitivos, o Superior
Tribunal de Justiça passou a entender pela inaplicabilidade da
regra contida na Súmula 375 do STJ, publicada no DJe de
30/03/2009, que dispunha que: “O reconhecimento da fraude à
execução depende do registro da penhora do bem alienado ou da
prova de má-fé de terceiro adquirente.”
Portanto, a partir do julgamento do RESP
1.141.990/PR, o STJ modificou sua posição e passou a entender
que os atos praticados pelo devedor no intuito de se desfazer de
patrimônio que potencialmente serviriam à garantia da
275

execução, sem deixar bens suficientes à garantia do débito,


caracterizam-se como fraude à execução.9
Esta mudança de posicionamento se deu em função da
alteração legislativa decorrente da LC n° 118 de 9 de fevereiro
de 2005, que deu nova redação ao art. 185 do Código Tributário
Nacional, cuja nova redação preceitua que: “Presume-se
fraudulenta a alienação ou oneração de bens ou rendas, ou seu
começo, por sujeito passivo em débito para com a Fazenda
Pública, por crédito tributário regularmente inscrito como dívida
ativa.”10

9
GODOI, Marilei Fortuna. Fraude à Execução, p. 347 a 389, p. 348. In:
Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução
fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.
10
GODOI, Marilei Fortuna. Fraude à Execução, p. 347 a 389, p. 349. In:
Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução
fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium,
menciona nesse contexto que: “Observe-se que a nova redação do art. 185
do CTN instituída pela LC 118/05 suprimiu do dispositivo a expressão “em
fase de execução”. Até a modificação em questão, a jurisprudência do STJ
exigia que o débito já estivesse em fase de execução fiscal para legitimar a
presunção legal da ocorrência da fraude, ou seja, não bastava a inscrição do
crédito tributário em dívida ativa como atualmente se admite no texto legal,
devendo-se perquirir, ainda, pela efetivação da cobrança judicial do crédito
com a citação válida do executado. Além disso, antes da referida
modificação, além da citação válida, exigia-se a necessária averbação nos
cartórios públicos, da certidão de ajuizamento da ação de execução ou da
constrição efetivada, interpretação esta que buscava a proteção ao
adquirente de boa-fé , o qual não teria condições de ter conhecimento da
litigiosidade do bem na hipótese de esta ainda não estar registrada. Nesse
sentido, observe-se o exemplo do julgado proferido nos autos do Recurso
Especial nº 1137103/RN, cuja ementa refere que: “AGRAVO
REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL.
REGISTRO DA PENHORA DO BEM IMÓVEL ALIENADO.
INEXISTÊNCIA. FRAUDE À EXECUÇÃO. INCARACTERIZAÇÃO.
SÚMULA Nº 375/STJ. INCIDÊNCIA ÀS EXECUÇÕES FISCAIS.
AGRAVO IMPROVIDO. 1. "O reconhecimento da fraude à execução
depende do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do
terceiro adquirente. " (Súmula do STJ, Enunciado nº 375). 2. Agravo
regimental improvido.”, julgado em 23 de março de 2010, publicado no
276

Nesse contexto, a nova redação do art. 185 do Código


Tributário Nacional, combinada ao disposto no art. 792, V, do
NCPC, determinaria que a dilapidação de patrimônio pelo
devedor, após a inscrição em dívida ativa do crédito tributário,
seria uma conduta passível de enquadramento como ato de
fraude à execução fiscal. Em realidade, portanto, a legislação
vigente objetiva à proteção do crédito público, desde o momento
da inscrição em dívida ativa, de forma a assegurar que o devedor
não possa frustrar a cobrança do crédito fazendário através de
atos de dilapidação do patrimônio, os quais, uma vez praticados,
serão considerados ineficazes.11

5. Referências bibliográficas.

CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o


novo CPC, São Paulo: Noeses, 2015, p.192 e 206.

GODOI, Marilei Fortuna. Fraude à Execução, p. 347 a 389. In:


Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de
execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª
edição, Ed. Jus Podium.

NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais.

DJe de 16/04/2010, Disponível em:


https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?tipoPesquisa=tipoPesquisaNumer
oRegistro&termo=200900795107&totalRegistrosPorPagina=40&aplicacao
=processos.ea.
11
GODOI, Marilei Fortuna. Fraude à Execução, p. 347 a 389, p. 349. In:
Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução
fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.
277

SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de


Execução Fiscal, p. 289 a 346, p. 319. In: Execução Fiscal
Aplicada- análise pragmática do processo de execução fiscal,
Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus
Podium.
278

Art. 15 - Em qualquer fase do processo, será deferida pelo


Juiz:
I - ao executado, a substituição da penhora por depósito em
dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia; e (Redação
dada pela Lei nº 13.043, de 2014)
II - à Fazenda Pública, a substituição dos bens penhorados
por outros, independentemente da ordem enumerada no
artigo 11, bem como o reforço da penhora insuficiente.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A atual redação do art.15, I, dada pela Lei n° 13.043 de


2014, permite que o juiz defira a substituição da penhora por
depósito em dinheiro, fiança bancária e seguro garantia, tendo
ampliado as possibilidades de substituição da penhora para
incluir o seguro-garantia, as quais, pela redação anterior,
restringiam-se à hipótese de depósito em dinheiro e fiança
bancária.
Esta possibilidade está inscrita no art. 835 § 2º1 do
novo Código de Processo Civil, que equipara a fiança bancária e
o seguro garantia ao depósito em dinheiro, autorizando a
substituição deste por qualquer das outras duas modalidades de
garantia. Esta inovação permite que se afirme que o novo CPC
relativizou a superioridade da garantia em dinheiro, que passaria

1
“Art. 835 § 2o Para fins de substituição da penhora, equiparam-se a
dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial, desde que em valor
não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento”.
279

a conviver em igualdade de condições com a fiança bancária e o


seguro garantia.
O que pertine que se discuta, no âmbito destes
comentários, é se a alteração promovida pelo novo Código de
Processo Civil alcança ou não o processo executivo fiscal2, uma
vez que a LEF possui rol próprio de bens penhoráveis, e que a
posição privilegiada do dinheiro não foi alterada segundo os
critérios da execução fiscal, regida por lei especial, à qual,
segundo disposição contida no art. 1º da Lei n° 6.830/80,
aplicam-se as disposições da lei processual civil em caráter
subsidiário.3
Além disso, segundo o art. 15, II, a Fazenda Pública
teria o direito subjetivo de pleitear a substituição da penhora,
independentemente da ordem inscrita no art. 11 da referida lei,
bem como o reforço da penhora.
O aparente antagonismo entre a possível faculdade do
devedor de substituir a penhora por depósito em dinheiro, fiança
bancária e seguro garantia inscrita no inciso I do art. 15 e a
faculdade outorgada à Fazenda Pública de requerer reforço ou
substituição de penhora inscrita no art. 15, II faz com que seja
oportuna análise conjunta dos dispositivos, conforme adiante se
observa.

2
MELO FILHO, João Aurino. Formalidades e Procedimento na apresentação
de bens para garantia da execução fiscal, p. 247/287, p. 281. In: Execução
Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução fiscal,
Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.
3
Segundo o art. 1º da Lei n° 6.830/80: “A execução judicial para cobrança da
Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e
respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo
Código de Processo Civil”.
280

Remissões legais:art. 9º, II § 2º, 3º e 5º e 11 e 19 da Lei n°


6.830/80; 151, II do CTN; art. 805 do NCPC.

2. Conceitos Principais:

A fiança bancária é uma modalidade de garantia dos


débitos fiscais prevista no art. 15, I da Lei n° 6.830/804, a qual
deve ter valor 30% superior ao do débito5, devendo ter prazo
indeterminado, dada a longa duração dos processos de execução
fiscal, e conter expressamente previsão de atualização pela taxa
SELIC. Além disso, nos termos do art.129 § 3º da Lei
6015/1973, a fiança deve ser registrada e arquivada no registro
de títulos e documentos.6

4
Em nível federal, a matéria é regrada pela Portaria PGFN nº 644, de 1º de
abril de 2009, alterada pela Portaria nº 1378, de 16 de outubro de 2009, e
pela Portaria nº 367, de 8 de maio de 2014, estabelecendo requisitos para a
aceitação da garantia pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional,
servindo de parâmetro para as execuções fiscais nos demais entes
federativos. Disponível em: http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-
da-uniao/todos-os-servicos/portarias/Portaria_PGFN_644_2009.pdf.
Acesso em 17/04/2016.
5
Conforme art. 835 § 2º do NCPC: “Para fins de substituição da penhora,
equiparam-se a dinheiro a fiança bancária e o seguro garantia judicial,
desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido
de trinta por cento.”
6
A ausência de cumprimento da formalidade de registro, contudo, não
poderia ser alegada pelo fiador para se escusar da obrigação assumida, uma
vez que a fiança se trata de contrato onde a pessoa garante se compromete a
satisfazer ao credor uma obrigação assumida pelo devedor, caso este não a
cumpra. Segundo MELO FILHO, João Aurino,. Formalidades e
Procedimento na apresentação de bens para garantia da execução fiscal, p.
247/287, p. 277. In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do
processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª
edição, Ed. Jus Podium.
281

Segundo o rol de bens penhoráveis descritos no art. 11


da Lei n° 6.830/80, a garantia em dinheiro ocupa a primeira
posição, o que decorre naturalmente da liquidez desta espécie de
garantia7. Nesse contexto, diante da redação do art. 15, I da Lei
n°6.830/80, que permite a substituição da penhora tanto por
depósito em dinheiro, como por fiança ou seguro garantia, muito
se discute em relação ao direito subjetivo da parte executada de
pleitear a referida substituição, assim como da eventual
equiparação das formas de garantia do débito em execução,
inclusive considerando que o art. 9º § 3o da Lei n°6.830/80 refira
que a garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro,
fiança bancária ou seguro garantia, produza os mesmos efeitos
da penhora.
Nesse contexto, convém que se mencione que a fiança
bancária e o seguro garantia são formas de assecuração do juízo
distintas do depósito em dinheiro, uma vez que apenas o
depósito em dinheiro permite a suspensão da exibilidade do
crédito tributário, conforme art. 151, II do CTN8, e a exclusão de

7
MELO FILHO, João Aurino. Formalidades e Procedimento na apresentação
de bens para garantia da execução fiscal, p. 247/287, p. 278. In: Execução
Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução fiscal,
Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.
8
“Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II
- o depósito do seu montante integral; III - as reclamações e os recursos,
nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV -
a concessão de medida liminar em mandado de segurança; V – a
concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de
ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) ; VI – o
parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) . Parágrafo único. O
disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações
assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso,
ou dela consequentes”.
282

responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora


previstas no art. 9º § 4º da Lei n° 6.830/80.
Em relação à fiança bancária, convém referir que,
mesmo nas hipóteses em que se trate de garantia idônea, o fiador
pode não honrar seu compromisso e impor óbices ao pagamento
do débito, o que demanda o redirecionamento do processo de
execução contra o fiador, situação esta que gera uma série de
atos processuais que não existiriam no caso de depósito em
dinheiro, que seria automaticamente convertido em pagamento
definitivo.9 Por esta razão, muitos advogam que a suposta
equivalência da fiança bancária em relação ao do depósito em
dinheiro não procede, e que uma garantia fidejussória não
poderia ser equiparada a uma garantia em dinheiro10, devendo
esta possibilidade ser restrita à situações me que o devedor
comprove prejuízos concretos para que se autorize a substituição
da garantia em dinheiro pela fidejussória.
Já no que pertine ao seguro-garantia, convém referir
que esta modalidade de garantia passou a ser prevista pela Lei
n°11.382/2006, que alterou o art. 656 do antigo Código de
Processo Civil (CPC), passando a prever a garantia das
execuções em geral através de seguro-garantia, o que suscitava

9
MELO FILHO, João Aurino. Formalidades e Procedimento na apresentação
de bens para garantia da execução fiscal, p. 247/287, p. 278. In: Execução
Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de execução fiscal,
Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium
10
SILVA E CASTRO, Rafael. Por uma execução fiscal de resultados: a
juridicidade da imposição da penhora de dinheiro preferencialmente à carta
de fiança bancária e a única legítima exceção a esta regra. Revista
Dialética de Direito Tributário nº 190, julho de 2011. São Paulo:
Dialética, p. 94-109.
283

discussões relativas à sua aplicação às execuções fiscais, sendo a


jurisprudência majoritária até então posicionada no sentido da
impossibilidade de sua aceitação no âmbito das execuções
fiscais.11 Utilizando a regra contida no art. 1º da LEF, contudo, o
entendimento mais razoável é de que esta modalidade de
garantia só passou a ser aceita em termos de execuções fiscais
desde a alteração no art. 15,I da Lei n° 6.830/1980,
implementada pela Lei n°13.043, de 2014, que passou a prever
ao executado a possibilidade de substituição da penhora também
por seguro-garantia.12
O objeto peculiar do seguro garantia consiste na
obrigação, assumida pelo segurador, (emissor da apólice), em
face de um segurado (credor da apólice), de garantir o
cumprimento de uma determinada obrigação devida pelo
tomador da apólice (aquele que contrata o seguro, devedor da
obrigação).13

11
Nesse sentido a decisão do Agravo Regimental no Agravo em Recurso
Especial nº 266.570/PA. Relator: Min. Herman Benjamin. Decisão
Unânime. Brasília, 12 de março de 2013, DJe 18.03.2013.
12
A regulamentação do oferecimento de seguro garantia é regida pela
Circular da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) nº 477, de 30
de setembro de 2013, disponível em:
http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo
=31460. Acesso em 16/04/2016 e, em âmbito federal, atualmente pela
Portaria PGFN 164 de/14. Disponível em: nº
http://www.pgfn.fazenda.gov.br/divida-ativa-da-uniao/todos-os-
servicos/informacoes-e-servicos-para-pessoa-fisica/averbacao-de-causa-
suspensiva-de-exigibilidade-ou-
garantia/Portaria_no_164_de_27_de_Fevereiro_2014.pdf. Acesso em
16/04/2016.
13
O seguro-garantia funciona como uma espécie de seguro, enquadrável no
conceito descrito no art. 757 do Código Civil, pelo qual: “Pelo contrato de
seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir
284

Depois de contratado, o procedimento do seguro-


garantia se assemelha ao da fiança bancária, uma vez que, não
havendo pagamento pelo tomador/devedor quando intimado
pelo juízo, deve ser acionada a seguradora para que, em quinze
dias, efetue o pagamento da dívida, nos termos do art. 19 da Lei
n° 6.830/80.
Contudo, considerado o risco de a seguradora não
cumprir com o avençado, e a necessidade de que, nesta hipótese
o credor deva redirecionar a execução contra este terceiro, o que
demandaria diversos atos processuais que não existiriam na
hipótese de garantia em dinheiro, muitos advogam, à
semelhança do que ocorre em relação à fiança bancária, que o
seguro-garantia não poderia se equiparar à garantia em dinheiro,
devendo a possibilidade de substituição da penhora por seguro-
garantia ser restrita á situações em que o devedor comprove
prejuízos concretos para que se autorize a substituição da
garantia em dinheiro pelo seguro-garantia.14
Segundo o art. 15, II, ainda, poderá a Fazenda Pública,
da mesma forma que ocorre com o devedor, a qualquer tempo
requerer ao juízo a substituição da penhora no processo de
execução fiscal ou seu reforço, independentemente da ordem

interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou coisa, contra riscos


predeterminados.”
14
MELO FILHO, João Aurino. Formalidades e Procedimento na
apresentação de bens para garantia da execução fiscal, p. 247/287, p. 285.
In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de
execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed.
Jus Podium.
285

estabelecida no art. 11 da Lei n° 6.830/8015 para a penhora ou


arresto de bens, desde que o pedido seja formulado antes da
arrematação ou adjudicação.16
Entretanto, tal pedido deve ser devidamente
fundamentado, não podendo a substituição de bens requerida
pela Fazenda Pública não pode se dar de forma desmedida, para
que se observem garantias mínimas ao contribuinte.17 Exemplos
de justificativas plausíveis seriam: a impossibilidade de
localização dos bens oferecidos; a existência de gravames sobre
o bem; o fato de o bem estar situado em outra comarca, entre
outros.18
Ademais, sinale-se que a possibilidade de substituição
ou reforço de penhora a requerimento da Fazenda Pública deve
ser analisada pelo juízo à luz de da regra que preceitua que a
execução seja realizada segundo o interesse do credor,
atualmente consolidado no art. 797 do novo Código de Processo

15
Nesse contexto, pertinentes as palavras de Ederson Porto, quando refere
que: “Nesse aspecto, a LEF confere à Fazenda outro privilégio que, salvo
melhor juízo, não respeita a garantia constitucional da isonomia. Ao
devedor é devida obediência estrita ao art.11 que dispõe a ordem de
nomeação dos bens, não podendo substituir os bens oferecidos à execução,
exceto quando substituídos por depósito em dinheiro ou fiança (art.15, inc.
I, da LEF). A Fazenda é livre a indicação de bens, assim como lhe é lícito ‘
a qualquer tempo, substituir os bens ou exigir reforço de penhora.”
PORTO, Ederson Garin, Manual da Execução Fiscal, Porto Alegre:
Livraria do Advogado editora, 2005, p. 94.
16
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 280.
17
PORTO, Ederson Garin, Manual da Execução Fiscal, Porto Alegre:
Livraria do Advogado Editora, 2005, p. 94.
18
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 260.
286

Civil, e segundo o princípio que determina que a execução se


processe do modo menos gravoso para o devedor (inscrito no
antigo art. 620 do Código de Processo Civil de 1973), devendo
eventual deferimento pelo magistrado do pleito de reforço ou
substituição de penhora formulado pela Fazenda Pública
necessariamente sopesar estes princípios de proteção aos
interesses do credor e impedimento de imposição ônus
excessivo ao devedor.19

3. Jurisprudência relacionada

Possibilidade de substituição da garantia em dinheiro por


fiança bancária: A atual jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça condiciona a hipótese à aceitação pela Fazenda Pública e
à demonstração de prejuízo pelo devedor com a manutenção da
garantia em dinheiro, para que se comprove os pressupostos do
processamento da execução segundo o princípio da menor
onerosidade para o devedor.20 Nesse contexto, o julgamento dos
Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 1.077.039/RJ,
cuja ementa refere que:

PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA.


EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA DE
DINHEIRO POR FIANÇA BANCÁRIA. INTELIGÊNCIA

19
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 261.
20
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p.345.
287

DOS ARTS. 9º, §§ 3º, e 4º, e 15, I, DA LEI 6.830/1980. 1.


Admite-se o presente recurso, porquanto adequadamente
demonstrada a divergência atual das Turmas que compõem a
Seção de Direito Público do STJ a respeito da pretendida
equiparação do dinheiro à fiança bancária, para fins de
substituição de garantia prestada em Execução Fiscal,
independentemente da anuência da Fazenda Pública. 2. O
legislador estabeleceu a possibilidade de garantia da Execução
Fiscal por quatro modos distintos: a) depósito em dinheiro, b)
oferecimento de fiança bancária, c) nomeação de bens próprios à
penhora, e d) indicação de bens de terceiros, aceitos pela
Fazenda Pública. 3. O processo executivo pode ser garantido por
diversas formas, mas isso não autoriza a conclusão de que os
bens que as representam sejam equivalentes entre si. 4. Por esse
motivo, a legislação determina que somente o depósito em
dinheiro "faz cessar a responsabilidade pela atualização
monetária e juros de mora" (art. 9º, § 4º, da Lei 6.830/1980) e,
no montante integral, viabiliza a suspensão da exigibilidade do
crédito tributário (art. 151, II, do CTN). 5. Nota-se, portanto,
que, por falta de amparo legal, a fiança bancária, conquanto
instrumento legítimo a garantir o juízo, não possui
especificamente os mesmos efeitos jurídicos do depósito em
dinheiro. 6. O fato de o art. 15, I, da LEF prever a possibilidade
de substituição da penhora por depósito ou fiança bancária
significa apenas que o bem constrito é passível de substituição
por um ou por outro. Não se pode, a partir da redação do
mencionado dispositivo legal, afirmar genericamente que o
dinheiro e a fiança bancária apresentam o mesmo status. 7.
Considere-se, ainda, que: a) o art. 5º da Lei de Introdução ao
Código Civil estabelece padrão de hermenêutica ("o juiz
atenderá aos fins sociais a que ela se dirige"); b) o processo de
Execução tem por finalidade primordial a satisfação do credor;
c) no caso das receitas fiscais, possuam elas natureza tributária
ou não-tributária, é de conhecimento público que representam
obrigações pecuniárias, isto é, a serem quitadas em dinheiro; e
d) as sucessivas reformas feitas no Código de Processo Civil (de
que são exemplos as promovidas pelas Leis 11.232/2005 e
11.382/2006) objetivam prestigiar justamente a eficiência na
entrega da tutela jurisdicional, a qual deve ser prestada, tanto
quanto possível, preferencialmente em espécie. 8. Em
288

conclusão, verifica-se que, regra geral, quando o juízo estiver


garantido por meio de depósito em dinheiro, ou ocorrer penhora
sobre ele, inexiste direito subjetivo de obter, sem anuência da
Fazenda Pública, a sua substituição por fiança bancária. 9. De
modo a conciliar o dissídio entre a Primeira e a Segunda
Turmas, admite-se, em caráter excepcional, a substituição de um
(dinheiro) por outro (fiança bancária), mas somente quando
estiver comprovada de forma irrefutável, perante a autoridade
judicial, a necessidade de aplicação do princípio da menor
onerosidade (art. 620 do CPC), situação inexistente nos autos.
10. Embargos de Divergência não providos. (Embargos de
Divergência em Recurso Especial nº 1.077.039/RJ, rel. Min.
Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 12.04.2011)

Com base no precedente criado pelo julgamento do


EREsp 1.077.039/RJ, a que se refere a ementa supratranscrita,
posteriormente a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça
foi sendo consolidada no sentido de que a fiança bancária e a
penhora em dinheiro não se equivalem, e que a eventual
substituição da penhora de numerário por garantia fidejussória
deva ser admitida em casos excepcionais, em regra com
anuência da Fazenda Pública e nas situações em que
comprovada a necessidade de aplicação do princípio da menor
onerosidade, consolidado no art. 805 do novo Código de
Processo Civil21.
Nesse sentido, os julgados proferidos no AgRg no
AgRg na MC 22986/RJ22, cuja ementa refere que:

21
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p.255.
22
No mesmo sentido, o julgado proferido no AgRg no Resp 1447892/SP,
2ªT, Min. Mauro Campbell Marques, DJe 12.08.2014. Disponível em: ,
https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?termo=1447892&aplicacao=proce
289

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO


REGIMENTAL. MEDIDA CAUTELAR. AUSENTE JUÍZO
DE ADMISSIBILIDADE NA ORIGEM. APRECIAÇÃO POR
ESTA CORTE. EXCEPCIONALIDADE. EXECUÇÃO
FISCAL. GARANTIA DO JUÍZO. OFERTA DE FIANÇA
BANCÁRIA. RECUSA. PENHORA ON-LINE . VULTOSA
QUANTIA. PONDERAÇÃO DOS ELEMENTOS DA CAUSA.
PRESENÇA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES.
SUSPENSÃO EM PARTE DO ACÓRDÃO IMPUGNADO.
QUESTIONAMENTOS ESPECÍFICOS. ADMISSIBILIDADE
DO RECURSO ESPECIAL. VALORAÇÃO JURÍDICA DOS
FATOS. QUESTÃO A SER DETIDAMENTE ANALISADA
POR OCASIÃO DO JULGAMENTO DE MÉRITO.
RETENÇÃO DO APELO NOBRE. OBRIGATORIEDADE
AFASTADA. PERICULUM IN MORA. DEMONSTRAÇÃO.
LIMINAR MANTIDA. 1. Em hipóteses excepcionais, é cabível
o deferimento da medida cautelar por esta Corte antes de
firmado o juízo de admissibilidade na origem, especialmente
quando, na origem, foi indeferido pedido idêntico ao argumento
de usurpação da competência dos Tribunais Superiores sobre o
tema de mérito: recusa do credor ao oferecimento de fiança
bancária em favor do bloqueio de ativos financeiros. 2. Ao
analisar o EREsp 1.077.039/RJ, a Primeira Seção afastou a
equiparação do dinheiro à fiança bancária, para fins de

ssos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&chkordem=DESC&chkMort
o=MORTO. Acesso em 14/04/2016, cuja ementa refere que:
TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.
EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA DE DINHEIRO
POR FIANÇA BANCÁRIA SEM ANUÊNCIA DO FISCO.
IMPOSSIBILIDADE. ARTS. 9º, §§ 3º e 4º, e 15 DA LEI 6.830/1980.
PRECEDENTE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. 1. A Primeira Seção
desta Corte, ao apreciar os EREsp 1.077.039/RJ (Rel. p/ acórdão Min.
Herman Benjamin, DJe de 12.4.2011), pacificou entendimento no sentido
de que, em se tratando de execução fiscal garantida por meio de depósito
em dinheiro, a sua substituição por fiança bancária, em regra, sujeita-se à
anuência da Fazenda Pública, admitindo-se, excepcionalmente, tal
substituição quando comprovada a necessidade de aplicação no disposto no
art. 620 do CPC (princípio da menor onerosidade), o que não restou
demonstrado no caso concreto. 2. Não foi trazido argumento capaz de
alterar o entendimento da decisão agravada, motivo pelo qual deve ser
mantido por seus próprios fundamentos. 3. Agravo regimental não
provido.”
290

substituição de garantia prestada em execução fiscal, concluindo


inexistir direito subjetivo do devedor sem anuência da Fazenda
Pública. 3. Neste mesmo julgado, entretanto, restou admitida a
substituição dos bens (dinheiro por fiança bancária) em
obséquio do princípio da menor onerosidade, disciplinado no
art. 620 do CPC. 4. Se é certo que a execução é processada com
o objetivo de garantir os interesses da parte credora (art. 612 do
CPC), não se pode descurar da figura do devedor e, de modo
peremptório, objetar garantia por este oferecida em prol da
liquidez que o dinheiro oferece. 5. A ponderação dos elementos
da causa é imprescindível, pena de determinação de medida que
pode trazer repercussões significativas à atividade empresarial
antes mesmo de exaurido o devido processo legal. Argumento
de que a prevalência da penhora on-line não pode ser absoluta,
sobretudo nas espécies que não se referem propriamente à
substituição de dinheiro por fiança bancária. 6. No caso dos
autos, após a incorporação das empresas, o que foi determinante
para a inclusão da pessoa jurídica insurgente no polo passivo da
execução fiscal, apresentou-se Carta de Fiança Bancária a fim de
garantir o juízo para oferecimento de defesa em execução que
ultrapassa a quantia de 26 milhões de reais. O magistrado de
piso aceitou a garantia ofertada, afastando os vícios levantados
pelo Fisco, ao passo que a Corte regional, embora tenha
entendido que foram observadas as condições estabelecidas nas
normas vigentes, reputou-a insuficiente por desatendida a ordem
de preferência e porque a fiança bancária não é instrumento que
conduz à suspensão da exigibilidade do crédito tributário. 7.
Ordem de preferência legal, diferenciação entre suspensão da
exigibilidade e garantia do juízo, bem como validade da recusa
da Fazenda Pública em aceitar carta de fiança bancária idônea
em detrimento do depósito em dinheiro são questões a serem
respondidas oportunamente. Presentes, por ora, os requisitos
necessários à concessão do pleito liminar. Decisão da
Presidência reconsiderada. 8. Agravo regimental direcionado
exclusivamente à falta de competência desta Corte para
apreciação do pleito cautelar e dos requisitos de admissibilidade
do apelo especial, além da necessidade de retenção do recurso e
da inexistência do periculum in mora. 9. Insurgência nobre
interposta por ambas as alíneas do permissivo constitucional,
constando do acórdão impugnado (agravo regimental provido) –
291

e da decisão anterior que negava provimento ao agravo de


instrumento da Fazenda Nacional – as premissas fáticas
necessárias à solução da controvérsia na via especial. À primeira
vista, em juízo prelibatório, típico caso de valoração jurídica dos
fatos, o que não encontra empecilho na Súmula 7 desta Corte.
10. Processo de execução em que se discute exatamente a
respeito da garantia do juízo, estando suspensos os embargos à
execução por ordem do magistrado singular, a afastar a
obrigatoriedade de retenção do recurso especial (art. 542, § 3º,
do CPC). 11. Periculum in mora configurado pela determinação
de cumprimento do acórdão impugnado, podendo levar à
penhora de valor superior a R$ 26.000.000,00 (vinte e seis
milhões de reais), o que representa parcela significativa do
orçamento despendido mensalmente pela sociedade empresária
com pessoal e com terceiros na consecução do contrato social.
12. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no
AgRg na MC 22986/RJ, 2ª T. Min. Og Fernandes, DJe
10.09.2014)

Substituição de bens na Execução Fiscal: O Superior Tribunal


de Justiça demonstra em seus julgados que a substituição de
bens a pedido da Fazenda Pública deva ser justificada e
cotejada com a garantia de processamento da execução sem a
imposição de ônus excessivo ao devedor. Nesse sentido, os
seguintes julgados:

TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE


INSTRUMENTO. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO
DA PENHORA. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO.
PRECEDENTES. Nega-se provimento ao agravo regimental,
em face das razões que sustentam a decisão agravada, sendo
certo que não cabe a substituição da penhora, por parte da
Fazenda, sem que haja uma fundamentação adequada a justificar
tal procedimento, conforme entende a jurisprudência desta
Corte. (AgRg no Agravo de Instrumento nº 480.173 - RS, Rel:
Min. Francisco Falcão, DJe. De 26/03/2003)
292

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL.


SUBSTITUIÇÃO DA PENHORA REQUERIDA PELA
FAZENDA PÚBLICA. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA.
INDEFERIMENTO 1. O Princípio da Economicidade que
indica que a execução seja levada a efeito de forma menos
onerosa para o devedor, aplica-se à execução fiscal, como norma
supralegal, temperando os eventuais abusos engendrados com
respaldo no artigo 15, II, da Lei de Execuções Fiscais. 2. Dispõe
o artigo 15, inciso II, da Lei de Execuções Fiscais, que a
Fazenda Pública poderá, em qualquer fase do processo
executivo fiscal, requerer a substituição de bens constritos.
Contudo, tal norma processual deve ser interpretada em
consonância com o artigo 620 do Lei Adjetiva Civil. 3. Compete
ao juiz aferir se o exequente, ao pleitear a substituição do bem
penhorado, fundamentou justificadamente sua recusa à
indicação dos bens feita pelo executado. 4. Agravo de
instrumento desprovido.(Agravo de Instrumento nº 463.044/SP,
Rel. Min. Luiz Fux, DJe 26.02.2003)

4. Temas relacionados

Possibilidade de substituição de bens penhorados por


precatório: Segundo a súmula 406 do STJ: “A Fazenda Pública
pode recusar a substituição de bem penhorado por precatório,
entendimento este também já consolidado na jurisprudência do
STJ, inclusive sob a forma dos recursos repetitivos, no
julgamento do REsp 1.090.898/SP.23 O entendimento do STJ

23
Resp nº 1.090.898/SP, Relator Min. Castro Meira, DJe 31.08.2009,
Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
TA&sequencial=901904&num_registro=200802071417&data=20090831&
formato=PDF. Acesso em 30/04/2016, cuja ementa refere que:
“PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE
CONTROVÉRSIA. ART. 543-C DO CPC. RESOLUÇÃO STJ N.º
08/2008. EXECUÇÃO FISCAL. SUBSTITUIÇÃO DE BEM
PENHORADO POR PRECATÓRIO. INVIABILIDADE. 1. "O crédito
representado por precatório é bem penhorável, mesmo que a entidade dele
293

relativo à possibilidade de recusa a ser apresentada pela Fazenda


Pública em relação a oferta de precatório para substituição de
bem penhorado decorre do entendimento segundo o qual o
precatório não se equipara a dinheiro ou à fiança bancária, mas a
direito de crédito, assim como da necessidade de se preservar a
ordem de penhoras estabelecida pelo art.11 da Lei n°
6830/1980.24

5. Referências bibliográficas.

MELO FILHO, João Aurino. Formalidades e Procedimento na


apresentação de bens para garantia da execução fiscal, p.
247/287. In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do
processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho,
2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.

NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. – Lei 6830comentada artigo

devedora não seja a própria exeqüente, enquadrando-se na hipótese do


inciso XI do art. 655 do CPC, por se constituir em direito de crédito"
(EREsp 881.014/RS, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 17.03.08). 2.
A penhora de precatório equivale à penhora de crédito, e não de dinheiro. 3.
Nos termos do art. 15, I, da Lei 6.830/80, é autorizada ao executado, em
qualquer fase do processo e independentemente da aquiescência da Fazenda
Pública, tão somente a substituição dos bens penhorados por depósito em
dinheiro ou fiança bancária. 4. Não se equiparando o precatório a dinheiro
ou fiança bancária, mas a direito de crédito, pode o Fazenda Pública recusar
a substituição por quaisquer das causas previstas no art. 656 do CPC ou nos
arts. 11 e 15 da LEF. 5. Recurso especial representativo de controvérsia não
provido. Acórdão sujeito à sistemática do art. 543-C do CPC e da
Resolução STJ n.º 08/2008.”
24
SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de Execução Fiscal.
Formalidades e Procedimento na apresentação de bens para garantia da
execução fiscal, p. 289/346, p. 321. In: Execução Fiscal Aplicada-
análise pragmática do processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de
Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.
294

por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais, p. 280.
PORTO, Ederson Garin, Manual da Execução Fiscal, Porto
Alegre: Livraria do Advogado editora, 2005, p. 94.

SANDRI, Marcos Paulo. Penhora de Bens no Processo de


Execução Fiscal. Formalidades e Procedimento na apresentação
de bens para garantia da execução fiscal, p. 289/346. In:
Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo de
execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª
edição, Ed. Jus Podium.

SILVA E CASTRO, Rafael. Por uma execução fiscal de


resultados: a juridicidade da imposição da penhora de dinheiro
preferencialmente à carta de fiança bancária e a única legítima
exceção a esta regra. Revista Dialética de Direito Tributário
nº 190, julho de 2011. São Paulo: Dialética, p. 94- 109.
295

Art. 16 - O executado oferecerá embargos, no prazo de 30


(trinta) dias, contados:
I - do depósito;
II - da juntada da prova da fiança bancária;
II - da juntada da prova da fiança bancária ou do seguro
garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014)
III - da intimação da penhora
§ 1º - Não são admissíveis embargos do executado antes de
garantida a execução.
§ 2º - No prazo dos embargos, o executado deverá alegar
toda matéria útil à defesa, requerer provas e juntar aos
autos os documentos e rol de testemunhas, até três, ou, a
critério do juiz, até o dobro desse limite.
§ 3º - Não será admitida reconvenção, nem compensação, e
as exceções, salvo as de suspeição, incompetência e
impedimentos, serão argüidas como matéria preliminar e
serão processadas e julgadas com os embargos.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O “caput” do art. 16 prevê o prazo de 30 dias para que


o executado exerça sua defesa, pela via dos embargos à
execução. Ponto importante no que se refere à contagem deste
prazo, após a entrada em vigor do novo Código de Processo
Civil Lei nº 15.105, de 16 de março de 2015), é o de saber se o
296

referido prazo de 30 dias deva ser contado em dias corridos ou


em dias úteis.1
Segundo o art. 218 do Novo Código de Processo Civil,
os atos processuais deverão ser realizados nos prazos prescritos
em lei, sendo que segundo o art. 219 do mesmo diploma legal,
na contagem de prazos em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz,
computar-se-ão somente os dias úteis, sendo que, segundo o
parágrafo único deste artigo, esta regra seria aplicável somente
aos prazos processuais.
Nesse contexto, seria possível o argumento no sentido
de que o art. 16 da Lei de Execuções Fiscais se caracteriza como
lei especial, que institui o rito especial dos embargos à execução
e determina o marco inicial da contagem deste prazo de 30 dias
a partir do depósito; da juntada da prova da fiança bancária ou
do seguro garantiaou da penhora, devendo, portando,
considerando a fixação do prazo por lei especial ser a referida
contagem do prazo de 30 dias formulada em dias corridos.
Contudo, salvo melhor juízo, este entendimento não pode
prosperar, uma vez que a regra que determinava a contagem
deste prazo de 30 dias de forma contínua, incluídos finais de
semana e feriados, fora estabelecida pelo Código de Processo
Civil de 1973, pelo revogado art. 178.2

1
“Art. 218. Os atos processuais serão realizados nos prazos prescritos em
lei. Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo
juiz, computar-se-ão somente os dias úteis. Parágrafo único. O disposto
neste artigo aplica-se somente aos prazos processuais.”
2
Segundo o art. 178 do NCPC: “O prazo, estabelecido pela lei ou pelo juiz, é
contínuo, não se interrompendo nos feriados”.
297

Assim, a interpretação mais correta, formulada segundo


uma interpretação conjunta dos arts. 16 da Lei n°6.830/1980 e
218 e 219 do Código de Processo Civil vigente formularia um
posicionamento no sentido de que, a despeito de a Lei de
Execuções Fiscais ser lei especial, e de o art.218 do CPC vigente
dispor que “os prazos serão aqueles estabelecidos em lei”, o
entendimento mais adequado preceitua que o art.218 estabeleça
o respeito ao prazo de 30 dias estabelecido pela Lei n°6.830/80,
que inclusive, diverge do prazo de embargos à execução em
matéria cível3. Contudo, considerando que a LEF não estabelece
forma de contagem especial para o prazo de embargos à
execução de 30 dias, tratando apenas do marco inicial para esta
contagem nos incisos I, II e III do art. 16, deva a contagem deste
prazo de 30 dias seguir o novo regramento para a contagem de
prazos processuais imposto pelo art. 219 do NCPC, que
preceitua que a referida contagem deva considerar apenas os
dias úteis, e não os dias corridos, conforme previa a sistemática
do Código revogado.
Este entendimento, inclusive, pode ser deduzido do
disposto no art. 1º da Lei n°6.830/80, o qual preceitua a
aplicação da lei processual civil de forma subsidiária4 à Lei de
Execuções Fiscais, uma vez considerado que a LEF não trata
especificamente da forma de contagem do prazo processual para

3
Segundo o art. 915 do NCPC: “Os embargos serão oferecidos no prazo de
15 (quinze) dias, contado, conforme o caso, na forma do art. 231”.
4
“Art. 1º - A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será
regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil”.
298

a oposição de embargos à execução, de forma a ser aplicável o


disposto no art. 219 do NCPC, subsidiariamente, o que demanda
que esta contagem se faça, pela nova sistemática do CPC
vigente, em dias uteis.
Outro ponto de destaque é a alteração das formas de
garantia do juízo aceitas pela Lei de Execuções Fiscais, o que já
foi objeto de comentário no tópico anterior, quando se tratou do
art. 15,I da Lei n°6.830/80, uma vez que a nova redação trazida
pela Lei nº 13.043, de 2014 passou a prever a hipótese de
apresentação de seguro-garantia para fins de substituição da
penhora e garantia da execução.
Ainda, em relação ao marco inicial de contagem do
prazo de 30 dias úteis para oposição de embargos à execução,
interessante que sejam abordadas as hipóteses descritas nos
incisos I, II e III do ‘caput’ do art. 16 da Lei n°6.830/80, em
comento.
Segundo o inciso I, portanto, o prazo de 30 dias tem sua
contagem iniciada a partir do depósito efetuado pelo executado
para garantia do juízo, em relação ao que havia, no Superior
Tribunal de Justiça, certa divergência, pois parte das decisões
entendia que o prazo se iniciava na data do efetivo depósito, e
parte entendia que o prazo se iniciava a partir da intimação do
executado acerca da redução a termo do próprio depósito.5
Contudo, atualmente haveria uma tendência de ser pacificado o

5
CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal, p. 691/732,
p. 706. In: In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo
de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed.
Jus Podium.
299

entendimento de que o marco inicial de contagem do prazo para


embargar começa com a intimação do executado da redução a
termo, tanto do depósito quanto da carta de fiança ofertada.
Relativamente à contagem do prazo para embargos a
partir da intimação da penhora, verifica-se que a contagem do
prazo para embargar deva ser feita a partir da intimação do
devedor de que a parte exequente tenha aceito os bens nomeados
à penhora e da redução da penhora a termo nos autos.
Outrossim, nas hipóteses em que ocorra substituição ou reforço
de penhora, verifica-se que o prazo para embargos deva ser
contado a partir da primeira penhora válida efetivada, não sendo
o prazo reaberto a partir de reforços ou substituições desta
penhora, admitindo-se, contudo, novos embargos apenas em
relação aos aspectos formais ou à eventual nulidade da nova
penhora realizada.6

Remissões Legais: art. 178 Lei n°5.869/1973; arts. 218 e 219 e


835 § 2º, art. 15,II e art. 38 da Lei n°6.830/1980; Lei n°15.105;
Lei nº 13.043, de 2014; arts. 170 e 170-A do Código Tributário
Nacional.

2. Conceitos Principais

Segundo o § 1º do art.16 da Lei n°6.830/1980, não são


admissíveis embargos do executado antes da garantida da

6
CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal, p. 691/732,
p. 706/707. In: In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do
processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª
edição, Ed. Jus Podium.
300

execução. Verifica-se, portanto, que neste tópico, a Lei de


Execuções Fiscais exige maior segurança do crédito fazendário,
ao somente admitir a oposição do devedor após a chamada
“segurança do juízo”, se comparada ao processo de execução
comum, regido pelo novo Código de Processo Civil, pelo qual
se admite a oposição de embargos do devedor sem a
correspondente garantia do juízo, regra inscrita no art. 914 do
NCPC.7
Em realidade, e possível afirmar que a exigência de
garantia do juízo constitui uma espécie de condição
extravagante exigida nos processos de execução fiscal,
inexistente na maioria das ações (inclusive nos embargos em
matéria cível), exigência esta que decorreria da presunção de
veracidade que qualifica as certidões de dívida ativa, os títulos
executivos expedidos pelo Fisco Federal, Estadual e Municipal
que constituem a prova do débito cobrado através dos processos
de execução fiscal.8
Segundo dispõe o § 2º do art.16, na ocasião da oposição
de embargos à execução, o devedor deve alegar toda a matéria
útil à sua defesa, devendo, assim como requerer provas e juntar
aos autos os documentos e rol de testemunhas, até três, ou, a
critério do juiz, até o dobro desse limite. Os embargos
constituem, portanto, a maior forma de defesa do devedor dentre

7
Segundo o art. 914 do NCPC: “O executado, independentemente de
penhora, depósito ou caução, poderá se opor à execução por meio de
embargos.”
8
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o novo CPC,
São Paulo: Noeses, 2015, p.232.
301

as demandas descritas no art. 38 da LEF9, pois permitem a


discussão todos e quaisquer argumentos relativos ao débito com
vistas à desconstituição do título executivo e da presunção de
certeza e liquidez da dívida em execução.10
Ainda, segundo o § 3º do art. 16 em comento, verifica-
se que em sede de embargos à execução não se admite
reconvenção, nem compensação, o que se justifica não só em
razão do disposto no referido § 3º, mas em razão da necessidade
de se cumprir o disposto nos arts. 170 e 170-A do Código
Tributário Nacional11, que condicionam a possibilidade de
compensação à certeza e liquidez do crédito particular envolvido
e à observância da estrita legalidade em matéria de
compensação. Nesse contexto, pertinente que se observe que o
judiciário não pode se subsumir no papel da Administração
Tributária, autorizando procedimentos de compensação novos

9
Segundo o art. 38 da Lei ° 6.830/1980: “A discussão judicial da Dívida
Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei,
salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito
ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito
preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos
juros e multa de mora e demais encargos”.
10
CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal, p. 691/732,
p. 716. In: In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo
de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed.
Jus Podium
11
Segundo os arts. 170 e 10-A do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições
e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à
autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários
com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo
contra a Fazenda pública. Art. 170-A. É vedada a compensação mediante o
aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito
passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.”
302

que deveriam ser pleiteados pela via de processo administrativo


competente.12
Contudo, convém que se faça ressalta para a
necessidade que seja admitida a alegação em sede de embargos
à execução da compensação já realizada, em relação ao débito
cobrado pelo fisco na execução embargada, vez que este tipo de
alegação se refere diretamente à liquidez e certeza do título e são
formas de extinção do crédito tributário13, tema que já foi,
inclusive, julgado pelo STJ pela sistemática dos recursos
repetitivos.14
Além disso, quando se aborda o tema dos embargos na
atualidade, não se pode deixar de referir que uma das grandes
alterações legislativas a respeito do tema, que foi trazida pela
Lei nº 11.382/2006, que alterou o Código de Processo Civil para
introduzir o art 739-A15, o qual suprimiu a automaticidade do
efeito suspensivo aos embargos do devedor, segundo uma nova
ótica processual que reflete pretensões de maior efetividade ao

12
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 285/ 286.
13
CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal, p. 691/732,
p. 717. In: In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática do processo
de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo Filho, 2015, 4ª edição, Ed.
Jus Podium.
14
Recurso Especial nº 1.008.343 – SP, Rel. Min Luiz Fux. Dje 01/02/2010.
Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
TA&sequencial=934833&num_registro=200702750399&data=20100201&
formato=PDF. Acesso em 23/04/2015.
15
Segundo o art. 739-A do Código de Processo Civil de 1973 (Lei
5869/1973): “Os embargos do executado não terão efeito suspensivo.”
303

processo de execução.16 A nova sistemática introduzida pela Lei


n°11.382/2006 foi mantida pelo Novo Código de Processo Civil,
uma vez que o art. 919, caput, refere que: “Os embargos à
execução não terão efeito suspensivo.”
Nesse contexto, convém referir que, desde a reforma
promovida em 2006 no Código de Processo Civil de 1973,
passou-se a discutir se os embargos à execução, no âmbito das
execuções fiscais, teriam ou não efeito suspensivo17, uma vez
que a Lei n°6.830/1980 não trata especificamente do tema,
sendo o efeito suspensivo aplicável nas execuções fiscais até a
reforma do Código de Processo Civil promovida em 2006
decorrente da aplicação subsidiária da Lei processual aos
executivos fiscais, conforme permissivo constante do art.1º da
Lei n°6.830/1980.
É possível que se refira que a sistemática da não
automaticidade do efeito suspensivo aos embargos pareça ferir a
sistemática do devido processo legal, a qual seria muitas vezes
supervalorizada na cultura jurídica nacional, formada após o
período de ditadura militar. Contudo, o entendimento mais
acertado seria o de que o devedor não teria preterido seu direito

16
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o novo CPC,
São Paulo: Noeses, 2015, p.168.
17
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o novo CPC,
São Paulo: Noeses, 2015, p.169, refere acerca do tema que: “A notabilidade
de tal questão é, assim temos, de fácil percepção: a fluência do processo de
execução, mesmo com o ajuizamento pelo devedor de ação incidental de
embargos, impede que o tráfego inexorável do tempo esvazie a
operatividade da tutela executiva...Sob a perspectiva do credor,
incensurável a proposta, pois. Mas e à luz do devedor, possível dizer o
mesmo? Sim, parece-nos que sim.”
304

à defesa coma supressão da automática eficácia suspensiva dos


embargos à execução, posto que seu direito à concessão de
eventual efeito suspensivo devesse ser avaliado segundo os
fundamentos jurídicos apresentados para tanto.18
O possível fundamento da reforma promovida pela Lei
11.382/2006 seria, portanto, decorrente da necessidade de
concessão de maior operatividade aos processos executivos,
uma vez que o decurso do tempo e o efeito suspensivo
automático concedido aos embargos do devedor muitas vezes
esvaziariam a instrumentalidade do processo executivo,
permitindo que o devedor praticasse diversos atos no sentido de
desfazer-se de patrimônio e impedir a efetividade do processo.
Outro fundamento para a alteração legislativa em relação ao
atual não automático efeito suspensivo dos embargos residiria
na especial qualificação dos títulos executivos enquanto
documentos detentores de especial presunção em relação à
liquidez e certeza da obrigação a eles subjacente19, sendo que a
concessão de efeitos suspensivos aos embargos, nesse contexto,
dependeria de fundamentos relevantes que seriam

18
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 291.
19
Conforme determina o art. 204 do CTN (Lei nº 5172/1966): “Art. 204. A
dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem
o efeito de prova pré-constituída. Parágrafo único. A presunção a que se
refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo
do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.”
305

condicionantes para que se determine a suspensão dos efeitos do


fluxo executório.20
Contudo, sob o ponto de vista do executado, é natural
que se argumente que a ausência de efeito suspensivo aos
embargos, assim como as penhoras de numerário ou de bens
podem muitas vezes causar danos irreparáveis aos negócios ou à
vida do devedor. Nesse contexto, o § 1º do revogado art. 739-A
do Código de Processo Civil de 1973 e o atual § 1º do art.919 do
NCPC preveem que o juiz possa atribuir efeito suspensivo aos
embargos, nas hipóteses em que o prosseguimento da execução
possa causar ao executado grave dano de difícil ou incerta
reparação, desde que a execução já esteja garantida por penhora,
depósito ou caução suficientes. A decisão que aceita ou não o
pedido de efeito suspensivo formulado pelo embargado é
considerada interlocutória, atacável por meio de agravo de
instrumento.
A automática aplicação do 739-A do Código de
Processo Civil de 1973 e da ausência de efeito suspensivo aos
embargos à execução fiscal foi muito discutida na doutrina e na
jurisprudência pátrias até que o tema foi decidido em sede de
recurso repetitivo pelo STJ21, ocasião em que o entendimento
consolidado foi no sentido da aplicabilidade do dispositivo às

20
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o novo CPC,
São Paulo: Noeses, 2015, p. 171.
21
Recurso Especial nº 1.272.827/PE, Rel. Min Mauro Campbell Marques.
DJe 31.05.2013. Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
TA&sequencial=1237146&num_registro=201101962316&data=20130531
&formato=PDFAceso em 31.04.2016.
306

execuções fiscais, posição esta que tende a ser mantida agora na


vigência do novo Código de Processo Civil, uma vez que a regra
foi mantida pelo § 1 do atual art.919.
O julgado proferido no Recurso Especial em sede de
Recursos repetitivos se respalda numa análise histórica e
sistemática da legislação processual, referindo que, quando da
publicação da Lei de Execuções Fiscais, que não trata da
automática concessão de efeito suspensivo aos embargos, não
vigia a regra que impunha o automático efeito suspensivo aos
embargos, alteração que somente foi promovida com a Lei nº
8.953, que inseriu o art. 739 § 1º no CPC de 1973 e o inciso I do
art. 791. Nesse contexto, portanto, a interpretação do STJ é no
sentido de que antes desta reforma nenhuma lei previa o efeito
suspensivo aos embargos, de forma que a revogação da regra
relativa ao automático efeito suspensivo aos embargos efetuada
na lei processual civil, com vistas a promoção de efetividade
material às execuções, devesse também ser aplicada no âmbito
dos executivos fiscais, também em decorrência da primazia do
crédito público sobre o privado.22
Outrossim, convém que se observe que, a despeito de
não ser deferido efeito suspensivo aos embargos à execução, o
entendimento mais recomendável é o de que os atos executivos
podem prosseguir, sem o levantamento de valores em dinheiro

22
Vide Recurso Especial nº 1.272.827/PE, Rel. Min Mauro Campbell
Marques. DJe 31.05.2013. Disponível em:
https://ww2.stj.jus.br/processo/revista/documento/mediado/?componente=I
TA&sequencial=1237146&num_registro=201101962316&data=20130531
&formato=PDFAceso em 31.04.2016.
307

ou a conversão do depósito em renda, o que exigiria o trânsito


em julgado da decisão desfavorável ao devedor.23

3. Jurisprudência Relacionada:

Acerca do termo inicial de contagem do prazo para oposição


de embargos quando da garantia do juízo através de fiança
bancária

PROCESSUAL CIVIL. GARANTIA DA EXECUÇÃO POR


MEIO DE FIANÇA BANCÁRIA. TERMO INICIAL DO
PRAZO PARA OPOSIÇÃO DE EMBARGOS. INTIMAÇÃO
DO EXECUTADO. 1. Não obstante o art. 16, I, da Lei 6.830/80
disponha que o executado oferecerá embargos no prazo de 30
(trinta) dias, contados do depósito, a Corte Especial, ao julgar os
EREsp 1.062.537/RJ (Rel. Min. Eliana Calmon, DJe de
4.5.2009), entendeu que, efetivado o depósito em garantia pelo
devedor, é aconselhável seja ele formalizado, reduzindo-se a
termo, para dele tomar conhecimento o juiz e o exeqüente,
iniciando-se o prazo para oposição de embargos a contar da data
da intimação do termo, quando passa o devedor a ter segurança
quanto à aceitação do depósito e a sua formalização. 2.
Semelhantemente, em se tratando de garantia da execução
mediante oferecimento de fiança bancária, a Quarta Turma, ao
julgar o REsp 621.855/PB, sob a relatoria do Ministro Fernando
Gonçalves, deixou consignado que o oferecimento de fiança
bancária no valor da execução não tem o condão de alterar o
marco inicial do prazo para os embargos do devedor, porquanto,
ainda assim, há de ser formalizado o termo de penhora, do qual
o executado deverá ser intimado, e, partir de então, fluirá o lapso
temporal para a defesa (DJ de 31.5.2004, p. 324). 3. Esta Turma,
ao julgar o REsp 851.476/MG (Rel. Min. Humberto Martins, DJ
de 24.11.2006, p. 280), depois de observar que o art. 16 da Lei
n. 6.830/80, em seu inciso II, refere-se à juntada da prova da
fiança bancária como termo inicial para a oposição de embargos

23
NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução Fiscal à
Luz da Jurisprudência. – Lei 6830 comentada artigo por artigo de acordo
com o novo CPC. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 293.
308

à execução, decidiu que, nada obstante, tal inciso deve ser


interpretado de maneira conjugada com o III do mesmo artigo,
requestando a lavratura do termo de penhora, da qual o
executado deve ser intimado para que flua o prazo para
apresentação de embargos à execução. 4. É certo que a Lei n.
6.830/80 não se refere à necessidade de intimação da Fazenda
Pública a propiciar a aceitação ou recusa da garantia da
execução fiscal por meio de fiança bancária. Mas, consoante
decidido pela Primeira Turma, no julgamento do REsp
461.354/PE (Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 17.11.2003, p. 206),
quando o juiz da execução intima o exequente para referida
finalidade, instaura-se um incidente processual, motivo pelo
qual, em face do princípio do devido processo legal, a parte
executada deve ser intimada do ato ensejador de sua defesa.
Trata-se de situação processual que não possui expressa
previsão legal, implicando a integração legislativa mediante a
aplicação da regra geral dos prazos processuais, segundo a qual
o termo a quo se perfaz no primeiro dia útil seguinte após a
intimação (art. 184, § 2º, do CPC). Instaurado um incidente
processual para propiciar a aceitação ou recusa da fiança
bancária oferecida como garantia da execução fiscal, somente a
partir da intimação da parte executada inicia-se a contagem do
prazo de 30 (trinta) dias para a oposição dos embargos, haja
vista que referido incidente posterga a efetiva garantia do juízo à
aceitação da exequente. 5. Recurso especial provido. (Recurso
Especial nº 1.254.544/SC. 2ª Turma, Relator: Ministro Mauro
Campbell Marques, DJe de 25/08/2011)

Relativamente à limitação da possibilidade de novos


embargos limitados à questões formais da penhora, quando
efetuada a substituição da penhora ou oferecido reforço de
penhora

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO.
EMBARGOS DO EXECUTADO. EXECUÇÃO FISCAL.
PENHORA DO FATURAMENTO DA EMPRESA APÓS A
OCORRÊNCIA DE LEILÃO NEGATIVO DO BEM
ANTERIORMENTE PENHORADO. NOVOS EMBARGOS.
309

POSSIBILIDADE. DISCUSSÃO ADSTRITA AOS


ASPECTOS FORMAIS DA PENHORA. ARTIGO 538,
PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. EXCLUSÃO DA MULTA
IMPOSTA. SÚMULA 98/STJ. 1. A anulação da penhora
implica reabertura de prazo para embargar, não assim o reforço
ou a redução, posto permanecer de pé a primeira constrição,
salvo para alegação de matérias suscitáveis a qualquer tempo ou
inerente ao incorreto reforço ou diminuição da extensão da
constrição. 2. É admissível o ajuizamento de novos embargos de
devedor, ainda que nas hipóteses de reforço ou substituição da
penhora, quando a discussão adstringir-se aos aspectos formais
do novo ato constritivo (REsp 1.003.710/SP, Rel. Ministro João
Otávio de Noronha, Quarta Turma, julgado em 12.02.2008, DJ
25.02.2008; AgRg na MC 13.047/MT, Rel. Ministra Nancy
Andrighi, Terceira Turma, julgado em 09.08.2007, DJ
27.08.2007; REsp 257.881/RJ, Rel. Ministro Carlos Alberto
Menezes Direito, Terceira Turma, julgado em 19.04.2001, DJ
18.06.2001; REsp 122.984/MG, Rel. Ministro Ari Pargendler,
Terceira Turma, julgado em 15.09.2000, DJ 16.10.2000; REsp
114.513/RS, Rel. Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma,
julgado em 29.06.2000, DJ 18.09.2000; REsp 172.032/RS, Rel.
Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, Quarta Turma, julgado
em 06.05.1999, DJ 21.06.1999; REsp 109.327/GO, Rel.
Ministro Cesar Asfor Rocha, Quarta Turma, julgado em
20.10.1998, DJ 01.02.1999; e REsp 115.488/GO, Rel. Ministro
Nilson Naves, Terceira Turma, julgado em 09.06.1997, DJ
25.08.1997). 3. A penhora supostamente irregular é,
hodiernamente, matéria passível de alegação em embargos, o
que, outrora, reclamaria simples pedido.....” (Recurso Especial
nº 1.126.307/MT. Relator: Ministro Luiz Fux. DJe 04/02/2010)

Em relação à necessidade de alegação de toda matéria útil à


defesa do executado pela via dos embargos à execução

AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.


EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MATÉRIA ÚTIL À
DEFESA. NECESSIDADE ARGÜIÇÃO NO MOMENTO DO
AJUIZAMENTO DOS EMBARGOS DO DEVEDOR.
ARTIGO 16, § 2º, DA LEI 6.830/80. 1. O executado, quando do
ajuizamento dos embargos à execução fiscal, deve alegar toda
310

matéria útil à defesa, à luz do disposto no § 2º, do artigo 16, da


Lei 6.830/80, revelando-se inadmissível posterior inovação
argumentativa, salvante na hipótese de superveniência de fato
constitutivo, modificativo ou extintivo do direito...(Agravo
Regimental no Recurso Especial nº 948717/RJ. Relator:
Ministro Luiz Fux. DJe 10.09.2010)

Em relação à impossibilidade de alegações de compensação


no bojo dos embargos à execução, com ressalva para a
alegação em relação às compensações pretéritas do débito
que fundamenta a cobrança

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO.
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. COMPENSAÇÃO
TRIBUTÁRIA PRETÉRITA ALEGADA COMO MATÉRIA
DE DEFESA. POSSIBILIDADE. ARTIGO 16, § 3º, DA LEF,
C/C ARTIGOS 66, DA LEI 8.383/91, 73 E 74, DA LEI
9.430/96. (Recurso Especial nº 1.008.343 – SP, Rel. Min Luiz
Fux. Dje 01/02/2010)

Acerca da ausência de efeito suspensivo aos embargos à


execução fiscal, julgado proferido em sede de julgamento de
recurso repetitivo sob a vigência do art. 739-A do CPC de
1973

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO


REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. APLICABILIDADE DO ART. 739-A, §1º, DO CPC ÀS
EXECUÇÕES FISCAIS. NECESSIDADE DE GARANTIA DA
EXECUÇÃO E ANÁLISE DO JUIZ A RESPEITO DA
RELEVÂNCIA DA ARGUMENTAÇÃO (FUMUS BONI
JURIS) E DA OCORRÊNCIA DE GRAVE DANO DE
DIFÍCIL OU INCERTA REPARAÇÃO (PERICULUM IN
MORA) PARA A CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO
AOS EMBARGOS DO DEVEDOR OPOSTOS EM
EXECUÇÃO FISCAL. 1. A previsão no ordenamento jurídico
pátrio da regra geral de atribuição de efeito suspensivo aos
embargos do devedor somente ocorreu com o advento da Lei n.
311

8.953, de 13, de dezembro de 1994, que promoveu a reforma do


Processo de Execução do Código de Processo Civil de 1973 (Lei
n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - CPC/73), nele incluindo o
§1º do art. 739, e o inciso I do art. 791. 2. Antes dessa reforma, e
inclusive na vigência do Decreto-lei n. 960, de 17 de dezembro
de 1938, que disciplinava a cobrança judicial da dívida ativa da
Fazenda Pública em todo o território nacional, e do Código de
Processo Civil de 1939 (Decreto-lei n. 1.608/39), nenhuma lei
previa expressamente a atribuição, em regra, de efeitos
suspensivos aos embargos do devedor, somente admitindo-os
excepcionalmente. Em razão disso, o efeito suspensivo derivava
de construção doutrinária que, posteriormente, quando
suficientemente amadurecida, culminou no projeto que foi
convertido na citada Lei n. 8.953/94, conforme o evidencia sua
Exposição de Motivos - Mensagem n. 237, de 7 de maio de
1993, DOU de 12.04.1994, Seção II, p. 1696. 3. Sendo assim,
resta evidente o equívoco da premissa de que a LEF e a Lei n.
8.212/91 adotaram a postura suspensiva dos embargos do
devedor antes mesmo de essa postura ter sido adotada
expressamente pelo próprio CPC/73, com o advento da Lei n.
8.953/94, fazendo tábula rasa da história legislativa. 4. Desta
feita, à luz de uma interpretação histórica e dos princípios que
nortearam as várias reformas nos feitos executivos da Fazenda
Pública e no próprio Código de Processo Civil de 1973,
mormente a eficácia material do feito executivo a primazia do
crédito público sobre o privado e a especialidade das execuções
fiscais, é ilógico concluir que a Lei n. 6.830 de 22 de setembro
de 1980-Lei de Execuções Fiscais - LEF e o art. 53, §4º da Lei
n. 8.212, de 24 de julho de 1991, foram em algum momento ou
são incompatíveis com a ausência de efeito suspensivo aos
embargos do devedor. Isto porque quanto ao regime dos
embargos do devedor invocavam - com derrogações específicas
sempre no sentido de dar maiores garantias ao crédito público -
a aplicação subsidiária do disposto no CPC/73 que tinha redação
dúbia a respeito, admitindo diversas interpretações doutrinárias.
5. Desse modo, tanto a Lei n. 6.830/80 - LEF quanto o art. 53,
§4º da Lei n. 8.212/91 não fizeram a opção por um ou outro
regime, isto é, são compatíveis com a atribuição de efeito
suspensivo ou não aos embargos do devedor. Por essa razão, não
se incompatibilizam com o art. 739-A do CPC/73 (introduzido
312

pela Lei 11.382/2006) que condiciona a atribuição de efeitos


suspensivos aos embargos do devedor ao cumprimento de três
requisitos: apresentação de garantia; verificação pelo juiz da
relevância da fundamentação (fumus boni juris) e perigo de
dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora). 6.
Em atenção ao princípio da especialidade da LEF, mantido com
a reforma do CPC/73, a nova redação do art. 736, do CPC dada
pela Lei n. 11.382/2006 - artigo que dispensa a garantia como
condicionante dos embargos - não se aplica às execuções fiscais
diante da presença de dispositivo específico, qual seja o art. 16,
§1º da Lei n. 6.830/80, que exige expressamente a garantia para
a apresentação dos embargos à execução fiscal. 7. Muito embora
por fundamentos variados - ora fazendo uso da interpretação
sistemática da LEF e do CPC/73, ora trilhando o inovador
caminho da teoria do "Diálogo das Fontes", ora utilizando-se de
interpretação histórica dos dispositivos (o que se faz agora) -
essa conclusão tem sido a alcançada pela jurisprudência
predominante, conforme ressoam os seguintes precedentes de
ambas as Turmas deste Superior Tribunal de Justiça. Pela
Primeira Turma: AgRg no Ag 1381229 / PR, Primeira Turma,
Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, julgado em 15.12.2011; AgRg
no REsp 1.225.406 / PR, Primeira Turma, Rel. Min. Hamilton
Carvalhido, julgado em 15.02.2011; AgRg no REsp 1.150.534 /
MG, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado
em 16.11.2010; AgRg no Ag 1.337.891 / SC, Primeira Turma,
Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 16.11.2010; AgRg no REsp
1.103.465 / RS, Primeira Turma, Rel. Min. Francisco Falcão,
julgado em 07.05.2009. Pela Segunda Turma: AgRg nos EDcl
no Ag n. 1.389.866/PR, Segunda Turma, Rei. Min. Humberto
Martins,DJe de 21.9.2011; REsp, n. 1.195.977/RS, Segunda
Turma, Rei. Min. Mauro Campbell Marques, julgadoem
17/08/2010; AgRg no Ag n. 1.180.395/AL, Segunda Turma,
Rei. Min. CastroMeira, DJe 26.2.2010; REsp, n, 1.127.353/SC,
Segunda Turma, Rei. Min. Eliana Calmon, DJe 20.11.2009;
REsp, 1.024.128/PR, Segunda Turma, Rei. Min. Herman
Benjamin, DJe de 19.12.2008. 8. Superada a linha
jurisprudencial em sentido contrário inaugurada pelo REsp. n.
1.178.883 - MG, Primeira Turma, Rel. Min. Teori Albino
Zavascki, julgado em 20.10.2011 e seguida pelo AgRg no REsp
1.283.416 / AL, Primeira Turma, Rel. Min. Napoleão Nunes
313

Maia Filho, julgado em 02.02.2012; e pelo REsp 1.291.923 /


PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em
01.12.2011. 9. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao
regime do art. 543-C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008.
(Recurso Especial nº 1.272.827/PE, Rel. Min Mauro Campbell
Marques. DJe 31.05.2013)

4. Temas relacionados

Ação Anulatória e Embargos à Execução Fiscal: A


jurisprudência é firme no sentido de que, na hipótese de o
contribuinte ajuizar uma ação anulatória, acobertada pelo manto
da coisa julgada, não poderá deduzir a mesma pretensão através
dos embargos à execução fiscal, não sendo tampouco
admissíveis nesta a apresentação de argumentos que poderiam
ter sido alegadas na ação anteriormente ajuizada e não o foram.
No mesmo sentido, na hipótese de ajuizamento de embargos à
execução acobertados pelo manto da coisa julgada, não são
admissíveis as mesmas alegações em sede de ação anulatória,
conforme julgados que seguem:

RECURSO ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL E PROCESSO


JUDICIAL TRIBUTÁRIO ANTIEXACIONAL. EMBARGOS
À EXECUÇÃO FISCAL. TRÂNSITO EM JULGADO DA
DECISÃO QUE JULGOU ANTERIOR AÇÃO ANULATÓRIA
DO LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ACÓRDÃO REGIONAL
QUE INOBSERVOU EFICÁCIA PRECLUSIVA DA COISA
JULGADA ESTABELECIDA NA AÇÃO ANULATÓRIA.
NULIDADE. (Recurso Especial nº 1.039.079/MG. Relator:
Ministro Luiz Fux. DJe 17.12.2010)

PROCESSUAL CIVIL. ICMS. OPERAÇÕES DE


FORNECIMENTO DE BEBIDAS E ALIMENTAÇÃO. LEI
ESTADUAL PAULISTA N. 8.198/92. CERTIDÃO DA
314

DÍVIDA ATIVA. ILIQUIDEZ. EXTINÇÃO DA EXECUÇÃO


FISCAL. AÇÃO ANULATÓRIA. EMBARGOS DO
DEVEDOR JULGADOS IMPROCEDENTES. SENTENÇA
DE MÉRITO TRANSITADA EM JULGADO. EFICÁCIA
PRECLUSIVA DA COISA JULGADA MATERIAL.
VIOLAÇÃO AO 535 DO CPC E JULGAMENTO ULTRA
PETITA . INEXISTÊNCIA. ...4. Transitada em julgado
sentença de mérito que julgou improcedentes embargos à
execução, nos quais discutiu-se a liquidez e certeza dos títulos
executivos ante as disposições da Lei n. 8.198/92, mostra-se
inviável o reexame da matéria em sede de ação anulatória – que
pretende a desconstituição do título executivo pelo mesmo
argumento –, por estar a questão protegida pelo manto da coisa
julgada em face do julgamento definitivo dos embargos do
devedor. 5. Extinto o processo sem julgamento de mérito em
face da existência de coisa julgada material, resta prejudicado e
exame das demais matérias trazidas no recurso especial...
(Recurso Especial nº 617.918/SP, Rel. Min. João Otávio
Noronha, DJ 02.08.2007)

Entretanto, admite-se o ajuizamento de ação anulatória


ou de exceção de pré-executividade24, mesmo após o transcurso
do prazo para embargos à execução, desde que acompanhados
do depósito do montante integral quando se pretenda a
suspensão da execução, condicionada à hipótese de não
ocorrência de coisa julgada em relação à matéria que se pretenda
alegar em função do direito constitucional subjetivo de ação
que assiste ao devedor, devendo o conteúdo das alegações a
serem apresentadas ser “novo” ou inexistente à época da
oposição dos embargos, para que não esteja caracterizada a

24
CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o novo CPC,
São Paulo: Noeses, 2015, p. 246/250.
315

existência de coisa julgada em relação a estes argumentos.


Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ART. 526 DO CPC.


SÚMULA 07/STJ. AÇÃO DECLARATÓRIA C/C
ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL PROPOSTA
DURANTE A TRAMITAÇÃO DE EXECUÇÃO FISCAL.
POSSIBILIDADE, QUANDO A AÇÃO AUTÔNOMA,
DESACOMPANHADA DO DEPÓSITO, NÃO PRETENDE A
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO
EXEQÜENDO. 1. É vedado o reexame de matéria fático-
probatória em sede de recurso especial, a teor do que prescreve a
Súmula 7 desta Corte. 2. Se é certo que a propositura de
qualquer ação relativa ao débito constante do título não inibe o
direito do credor de promover-lhe a execução (CPC, art. 585, §
1º), o inverso também é verdadeiro: o ajuizamento da ação
executiva não impede que o devedor exerça o direito
constitucional de ação para ver declarada a nulidade do título ou
a inexistência da obrigação, seja por meio de embargos (CPC,
art. 736), seja por outra ação declaratória ou desconstitutiva. 3.
Para dar à ação declaratória ou anulatória anterior o tratamento
que daria à ação de embargos, no tocante ao efeito suspensivo
da execução, é necessário que o juízo esteja garantido. 4. Entre
ação de execução e outra ação que se oponha ou possa
comprometer os atos executivos, não há prejudicialidade, mas
evidente laço de conexão (CPC, art. 103), a determinar, em
nome da segurança jurídica e da economia processual, a reunião
dos processos, prorrogando-se a competência do juiz que
despachou em primeiro lugar (CPC, art. 106). Nesse sentido:
REsp 557.080/DF, 1ª T., de minha relatoria, DJ de 07/03/2005;
REsp 887607/SC, 2ª T., Ministra Eliana Calmon, DJ de
15.12.2006; REsp 747389/RS, 2ª T., Min. Castro Meira, DJ de
19/09/2005; REsp 834.028/RS, 1ª T., Ministro José Delgado, DJ
de 30/6/06. 5. Na hipótese dos autos, em que a recorrente
ajuizou ação declaratória de inexistência de relação jurídico-
tributária cumulada com anulatória de débito fiscal sem
qualquer pretensão de suspensão da exigibilidade do crédito
tributário, deve ser respeitado seu direito subjetivo de ação,
razão pela qual o acórdão que determinou a extinção do
316

processo sem resolução do mérito merece reforma. 6. Recurso


especial parcialmente conhecido e, nesta parte, provido.
(Recurso Especial nº 854.942/RJ. Rel. Min Teori Zavascki. DJe
26.03.2007)

Exceção de pré-executividade x embargos: Da mesma forma,


as matérias já discutidas em sede de embargos à execução não
podem ser rediscutidas pela via da exceção de pré-
executividade, sendo a recíproca verdadeira, de modo que a
matéria decidida via exceção de pré-executividade não possa ser
novamente apresentada como argumento através de embargos à
execução:

RECURSO ESPECIAL - EXCEÇÃO DE PRÉ-


EXECUTIVIDADE - ALEGAÇÃO DE FALTA DE HIGIDEZ
DOS TÍTULOS DE CRÉDITO QUE EMBASAM AS
EXECUÇÕES - MATÉRIA DECIDIDA NOS EMBARGOS À
EXECUÇÃO, COM TRÂNSITO EM JULGADO -
INVIABILIDADE - SUPERVENIÊNCIA DE EDIÇÃO DOS
ENUNCIADOS NS. 233 E 258 DO STJ - IRRELEVÂNCIA -
RECURSO IMPROVIDO. I - A exceção de pré-executividade
consubstancia meio de defesa idôneo para o efeito de suscitar
nulidades referentes às condições da ação executiva ou a seus
pressupostos proce94- 109ssuais, notadamente aos vícios
objetivos do título executivo, concernentes à certeza, liquidez e
exigibilidade, desde que o vício apontado seja cognoscível de
ofício pelo juiz e dispense dilação probatória. Deve-se
consignar, também, que a anterior oposição de embargos do
devedor, por si só, ou mesmo a sua abstenção, não obstam que o
devedor, posteriormente, utilize-se da exceção de pré-
executividade, na medida em que este meio de defesa veicula
matéria de ordem pública; II - Entretanto, a independência da
exceção de pré-executividade em relação aos embargos à
execução não é absoluta. Isso porque, ao devedor não é dado
rediscutir matéria suscitada e decidida nos embargos de devedor,
com trânsito em julgado, por meio de exceção de pré-
317

executividade que, como é de sabença, não possui viés


rescisório; III - Efetuado o cotejo entre o teor da decisão
prolatada nos embargos à execução, transitada em julgado, com
a pretensão exarada na exceção de pré-executividade, sobressai
evidenciado que a pretensão do devedor consiste, tão-somente,
em rediscutir matéria que se encontra preclusa sob o manto da
coisa julgada, ao insubsistente e irrelevante fundamento de que a
questão restou (posteriormente, ressalte-se) pacificada na
jurisprudência pátria de forma diversa a da decida. (Recurso
Especial nº 798.154/PR, rel. Min. Massami Uyeda, DJe
11/05/2012)

5. Referências bibliográficas.

CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal,


p. 691/732. In: Execução Fiscal Aplicada- análise pragmática
do processo de execução fiscal, Coord. João Aurino de Melo
Filho, 2015, 4ª edição, Ed. Jus Podium.

CONRADO, Paulo Cesar. Execução Fiscal de acordo com o


novo CPC, São Paulo: Noeses, 2015.

NOLASCO, Rita Dias e GARCIA, Victor Menezes. Execução


Fiscal à Luz da Jurisprudência. – Lei 6830comentada artigo
por artigo de acordo com o novo CPC. São Paulo: Revista dos
Tribunais, p. 293.
318

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 17 A 19

Cristiane De Marchi*

Art. 17 - Recebidos os embargos, o Juiz mandará intimar a


Fazenda, para impugná-los no prazo de 30 (trinta) dias,
designando, em seguida, audiência de instrução e
julgamento.
Parágrafo Único - Não se realizará audiência, se os
embargos versarem sobre matéria de direito, ou, sendo de
direito e de fato, a prova for exclusivamente documental,
caso em que o Juiz proferirá a sentença no prazo de 30
(trinta) dias.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Com base na Constituição Federal de 1967, em seu


artigo 51, §2º, o Presidente encaminhou ao Congresso Nacional,
para ser apreciado e votado no prazo de 40 (quarenta) dias,
acompanhado da Exposição de Motivos nº 232, dos Ministros da
Fazenda e da Desburocratização, enviada em 20 de junho de
319

1980, projeto de Lei nº 14, de 1980, dispondo sobre a cobrança


judicial da dívida ativa da Fazenda Pública e dando outras
providências. Os principais objetivos almejados com aquele
modelo proposto de execução do crédito público consistiam em
garantir maiores privilégios e garantias à Fazenda Pública na
satisfação dos seus créditos, bem como agilizar e racionalizar a
cobrança da Dívida Ativa.
Na Exposição de Motivos n°232, em seu item 69,
explicava-se que “o artigo 17, ao alterar o prazo da impugnação
dos embargos de devedor, leva em conta o privilégio
estabelecido pelo art. 188 do Código de Processo Civil. O
disposto no parágrafo único, complementando o caput, observa
o princípio do art. 740 do mesmo Código.”
O artigo permaneceu igual ao apresentado no PL nº 14,
de 1980.
O prazo para o juiz proferir sentença era de 10 dias,
tendo sido dilatado para 30 dias.
Sob a égide do regime do Decreto-lei nº 960/38 (art. 22,
com redação do DL n°474/69) e do CPC de 1939, já se cogitava
do julgamento antecipado da lide em embargos à execução
fiscal, reafirmado pela LEF e pelo CPC de 1973.
* Mestranda em Direito (Fundamentos Constitucionais do Direito
Público e do Direito Privado) pela Pontifícia Universidade Católica do Rio
Grande do Sul – PUC/RS. Especialista em Direito Tributário, pela Fundação
Getúlio Vargas - FGV, e em Gestão de Tributos e Planejamento Tributário
Estratégico, pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul –
PUC/RS. Bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível
Superior - CAPES. Membro do GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em
Direito Tributário da PUC/RS.Advogada.
320

O prazo para manifestação da Fazenda Pública era de


10 (dez) dias, sob a vigência do Decreto–Lei nº 960/38, em seu
artigo 18. Com o advento do CPC de 1973, foi elevado para 40
(quarenta) dias, em razão do entendimento de que a impugnação
aos embargos equivale à contestação em um processo cognitivo
ordinário, e que ao prazo do artigo 740 se aplicava a regra do
artigo 188 do CPC. Com a vinda da Lei de Execução Fiscal, o
prazo aplicado é o nela previsto, por ser lei especial e específica
à Fazenda Pública.1

Remissões Legais:Decreto-lei n°960, de 17.12.1938;


CPC/1939; CPC/1973; LC n°118/2005; Lei nº 11.383/2006; PL
nº 5.080/2009, apensado ao PL nº 2.412/2007; PLs nºs
5.081/2009 e 5.082/2009; PLC nº 469/2009; PL nº 5.080/2009 e
NCPC (Lei nº 13.105/2015).

2. Conceitos principais

Embargos intempestivos e manifestamente protelatórios


serão indeferidos liminarmente, bem como nos casos de
indeferimento da petição inicial e improcedência liminar do
pedido (artigo 918 do NCPC). Considera-se conduta atentatória
à dignidade da justiça embargos protelatórios, cabendo inclusive
multa ao embargante, em favor do exequente, em valor não
superior a 20% do débito atualizado em execução, nos termos do

1
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981. p. 237-238.
321

artigo 744, parágrafo único, do NCPC. Tais previsões se


aplicam aos embargos à execução fiscal.2
Os embargos são distribuídos por dependência e
autuados em apartado, devendo ser instruídos com cópias das
peças processuais relevantes, que podem ser declaradas
autênticas pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade
pessoal, conforme previsão do parágrafo primeiro do artigo 914
do NCPC (mesma previsão no CPC/1973, artigo 736, parágrafo
único). Essa autuação em separado serve também para que a
execução fiscal possa prosseguir, eis que, em regra, não há mais
suspensão automática do executivo fiscal pelo recebimento dos
embargos.
Suspensão da execução fiscal em decorrência do
recebimento dos embargos: inexistência de regra na LEF. Por
força do artigo 1º, portanto, se aplica subsidiariamente o CPC. A
partir de 14 de fevereiro de 1995, por meio da Lei n°8.953, de
13/12/1994 (vigência em 60 dias da data de publicação), foi
inserido o parágrafo primeiro no artigo 739 no CPC, que
previa: “Os embargos serão sempre recebidos com efeito
suspensivo”. Essa era a regra geral. Por meio da Lei n°11.382,
de 07 de dezembro de 2006 (lei que modificou diversos
dispositivos do CPC/1973), a regra inserida foi de ausência de
efeito suspensivo nos embargos, podendo, sob preenchimento
de determinados requisitos, ser atribuído efeito suspensivo pelo

2
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência.
6 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010. p. 357.
322

juiz da causa.3Atualmente, pelo novo CPC, a regra de não


possuírem, os embargos, efeito suspensivo, continua igual,
tendo sido um pouco modificada a redação do novo dispositivo
(artigo 9194 do NCPC), mas que, materialmente, prevê os
mesmos requisitos para a concessão (em comparação ao
parágrafo primeiro do artigo 739-A, do CPC/1973).
A suspensão da execução fiscal tem como único
fundamento impedir o prosseguimento dos atos executórios
praticados contra o devedor, não influindo na manutenção de
medidas coercitivas indiretas postas pela Fazenda credora.
Também não se confunde suspensão da execução fiscal com
suspensão da exigibilidade do crédito tributário, eis que essa

3
“Art. 739-A. Os embargos do executado não terão efeito suspensivo.
(Incluído pela Lei nº 11.382, de 2006).
§ 1o O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo
aos embargos quando, sendo relevantes seus fundamentos, o
prosseguimento da execução manifestamente possa causar ao executado
grave dano de difícil ou incerta reparação, e desde que a execução já esteja
garantida por penhora, depósito ou caução suficientes”. (Incluído pela Lei
nº 11.382, de 2006). (grifei)
4
“Art. 919. Os embargos à execução não terão efeito suspensivo.
§ 1º O juiz poderá, a requerimento do embargante, atribuir efeito suspensivo
aos embargos quando verificados os requisitos para a concessão da tutela
provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito
ou caução suficientes. (grifei)
§ 2º Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos
efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou
revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada.
§ 3º Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito
apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte
restante.
§ 4º A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos
executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram
quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao
embargante.
§ 5º A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de
substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens.”
323

última, elencada no artigo 151 do CTN, impede tanto a cobrança


do crédito tributário, por meio coercitivo direto (como é o caso
da execução fiscal), como por meio coercitivo indireto
(inscrição no CADIN, não liberação de certidão de regularidade
fiscal, etc...).5
Intimação da Fazenda para impugnação: prazo de 30
dias, a contar da intimação pessoal do procurador da Fazenda ou
de vista dos autos, nos termos do artigo 25 da LEF. A redação
do artigo 17 é a mesma do artigo 740 do CPC/1973, com a
dilatação do prazo de 10 para 30 dias.6A regra de início de
contagem dos prazos é a mesma do Código de Processo Civil7
(NCPC, artigo 224 – exclui-se o dia do começo e inclui-se o dia
do vencimento).
Prazo de 30 dias: por ser lei especial, aplica-se esse
prazo previsto na LEF, e não o prazo em quádruplo do artigo
188 do CPC/1973. Com o novo CPC, acabou o prazo em
quádruplo para as respostas da Fazenda Pública, e o prazo em
dobro que era previsto apenas para os recursos, em regra, passa
a vigorar para praticamente todas as manifestações nos
processos cíveis (art. 183, que estabelece que a Fazenda Pública
goza de prazo em dobro para todas as suas manifestações
processuais, e que a contagem dos prazos terá início a partir da

5
CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal. In Execução
Fiscal Aplicada. Análise pragmática do processo de execução fiscal.
MELO FILHO, João Aurino (coord.) e CHUCRI, Augusto Newton et all.
Bahia: Editora Jus Podvim, 2012. p. 392.
6
NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. Cobrança Judicial da
Dívida Ativa da União, Estados e Municípios. São Paulo: Ltr, 1981. p. 259.
7
CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada: Lei n.
6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980, p. 29.
324

intimação pessoal de seus representantes legais, sendo possível


que essa intimação ocorra por remessa dos autos, carga destes
ou por meio de intimação por via eletrônica - art. 183, § 1º).
Esse prazo em dobro somente deixará de ser aplicado quando a
lei, de forma expressa, determinar prazo diferente e próprio para
a Fazenda Pública (art. 183, § 2º), como é o caso da execução
fiscal.
A impugnação do exequente (Fazenda) é, a grosso
modo, a contestação contra a ação do embargante.8 Na ausência
de impugnação, não se aplicam os efeitos da revelia em relação
à Fazenda Pública, em razão da vedação expressa de aplicação
quando se tratam de direitos indisponíveis, nos termos do artigo
345, II, do NCPC (art. 320, II, CPC/1973). Isso porque a
Fazenda Pública está submetida a um regime especial e
específico, que a difere das demais pessoas que figuram como
parte requerida em processos judiciais, pois se está defendendo
interesses indisponíveis, que prevalecem sobre o interesse
particular. Ademais, os atos praticados pela Administração
Pública são dotados de presunção de legitimidade e veracidade,
recaindo à parte autora (embargante) o dever de provar o
contrário. Por essas razões, alguns efeitos não poderão ser
produzidos, como, por exemplo, serem considerados verdadeiros
os fatos alegados pelo autor (art. 344, do NCPC) ou o juiz
conhecer diretamente do pedido, proferindo sentença (art. 355,
II, do NCPC), já que a revelia só ocasiona o julgamento

8
NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. Cobrança Judicial da
Dívida Ativa da União, Estados e Municípios. p. 259.
325

antecipado da lide quando presente a presunção de veracidade


dos fatos alegados, que os tornam incontroversos.
Como direitos indisponíveis estão abrangidos os
créditos tributários, sendo que somente a lei pode permitir a
disposição de bens públicos (artigo 97, inciso VI, do CTN).9
Nesse sentido é a Súmula 256 do extinto TFR: “Revelia.
Fazenda Pública. Falta de impugnação aos embargos do
devedor. CPC, arts. 319 e 320, II. A falta de impugnação dos
embargos do devedor não produz, em relação à Fazenda Pública,
os efeitos de revelia”.
Da realização de audiência: versando os embargos
sobre matéria de direito, ou, sendo de direito e de fato, a prova
for exclusivamente documental, não haverá audiência, caso em
que o Juiz proferirá a sentença no prazo de 30 (trinta) dias.
Barbosa Moreira observava que essa hipótese equipara-se à do
“julgamento conforme o estado do processo” ou com a extinção
pura e simples deste, ou com o “julgamento antecipado da
lide”.10
A desnecessidade de audiência, no caso de embargos à
execução fiscal, vem sendo uma regra, eis que praticamente a
matéria versa sobre direito exclusivamente, e quando se trata de
direito e de fato, a prova, em geral, é praticamente documental.
A prova documental, em princípio, deve ser produzida
pela embargante, cabendo a requisição judicial em caso de

9
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981. p. 238.
10
MOREIRA, José Joaquim Barbosa. O Novo Processo Civil Brasileiro. 2
ed. V. II, Rio de Janeiro: Forense, 1978. p. 165
326

negativa de fornecimento pelo Poder Público ou na


impossibilidade de sua obtenção.11

3. Jurisprudência relacionada

Sobre a suficiência de prova documental e desnecessidade de


audiência em embargos à execução fiscal:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DESNECESSIDADE


DE PRODUÇÃO DE PROVA. JULGAMENTO
ANTECIPADO DA LIDE. LIVRE CONVENCIMENTO DO
MAGISTRADO. ACERVO DOCUMENTAL SUFICIENTE.
NÃO-OCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA.
ICMS. EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESAS AÉREAS. PREÇO
CONTROLADO PELO GOVERNO FEDERAL (DAC).
REPASSE DE ENCARGO FINANCEIRO AO CONSUMIDOR
FINAL. INEXISTÊNCIA. ART. 166 DO CTN. NÃO-
APLICAÇÃO, IN CASU. LEGITIMIDADE ATIVA.
1.(..).
2. Quanto à necessidade da produção de provas, o juiz tem o
poder-dever de julgar a lide antecipadamente, desprezando a
realização de audiência para a produção de provas ao constatar
que o acervo documental é suficiente para nortear e instruir seu
entendimento. É do seu livre convencimento o deferimento de
pedido para a produção de quaisquer provas que entender
pertinentes ao julgamento da lide.
3. Nos termos da reiterada jurisprudência do STJ, “a tutela
jurisdicional deve ser prestada de modo a conter todos os
elementos que possibilitem a compreensão da controvérsia, bem
como as razões determinantes de decisão, como limites ao livre
convencimento do juiz, que deve formá-lo com base em
qualquer dos meios de prova admitidos em direito material,
hipótese em que não há que se falar cerceamento de defesa pelo
julgamento antecipado da lide” e que “o magistrado tem o

11
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência.
6 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 361.
327

poder-dever de julgar antecipadamente a lide, desprezando a


realização de audiência para a produção de prova testemunhal,
ao constatar que o acervo documental acostado aos autos possui
suficiente força probante para nortear e instruir seu
entendimento.” (REsp nº 102303/PE, Rel. Min. Vicente Leal, DJ
de 17/05/99). Inexistência de cerceamento de defesa em face do
indeferimento de prova pleiteada.
4. (...)
7. Recurso especial provido.
(REsp 902.327/PR, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/04/2007, DJ 10/05/2007,
p. 357)

Casos de embargos à execução fiscal protelatórios e


aplicação de multa:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RENOVAÇÃO DE


EMBARGOS À EXECUÇÃO. EMBARGOS À EXECUÇÃO
EXTINTOS. EXCESSO DE EXECUÇÃO NÃO
DEMONSTRADO. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS DE
CÁLCULO - IMPOSSIBILIDADE- DECISÃO TRANSITADA
EM JULGADO.
1. Os embargos à execução devem apontar em termos objetivos
e de forma fundamentada em que reside a incorreção do cálculo;
não se prestam a modificar o quantum devido alegações
genéricas, desacompanhadas de prova que embase a pretensão.
2. Os tribunais têm entendimento sedimentado no sentido de
reconhecer cabível a correção da conta de liquidação, mesmo
após o trânsito em julgado da sentença que a homologou, tão-
somente, quando se trata de erro aritmético, o qual pode ser
corrigido de ofício ou a requerimento do interessado, e não
quando se questiona o critério de cálculo utilizado na conta. 3.
Verifica-se, no caso, que o apelante não apresentou nenhum erro
material que pudesse levar à correção da conta, na verdade,
pretende um novo julgamento para a causa, rediscutindo os
próprios cálculos apresentados.
4. Aos embargos à execução meramente protelatórios deve ser
aplicada a multa de que trata o art. 600, II, do CPC. Fixo a
multa, in casu, em 10% sobre o valor da causa.
5. Apelação a que se nega provimento.
328

(TRF-1 - AC: 14550 MG 1999.01.00.014550-6, Relator:


DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA,
Data de Julgamento: 02/11/2009, SÉTIMA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF1 p.211 de 13/11/2009)

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À


EXECUÇÃO FISCAL - SUCESSÃO - REQUISITOS DA CDA
- EMBARGOS MERAMENTE PROTELATÓRIOS.
I - Meras alegações e cópias simples de documentos que
absolutamente nada provam não ser a embargante sucessora da
executada.
II - O título executivo goza de presunção de legitimidade, pois a
embargante não demonstrou a falta de preenchimento dos
requisitos da CDA, exigidos pelo artigo 203 do CTN e pelos §§
5º e 6º, do artigo 2º da Lei nº 6.830/80.
III - Embargos à execução meramente protelatórios, motivo pelo
qual se nega provimento à apelação.
(TRF-3 - AC: 21928 SP 90.03.021928-1, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL JOHONSOM DI SALVO,
Data de Julgamento: 17/04/2007, PRIMEIRA TURMA)

TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL.


SELIC. APLICABILIDADE. SALÁRIO-EDUCAÇÃO.
CONTRIBUIÇÕES AO SENAI. MULTA DO ART. 740,
PARÁGRAFO ÚNICO DO CPC AFASTADA.
(...).
4. A discussão de matérias recorrentes na jurisprudência não
caracteriza, por si só, os embargos manifestamente protelatórios
de que trata o art. 740, parágrafo único, do CPC, cabendo afastar
a multa aplicada na sentença.
5. Afastada condenação da embargante em honorários
advocatícios em razão da incidência, no débito, do encargo-
legal.
(TRF4, AC 5002809-40.2016.404.9999, SEGUNDA TURMA,
Relator OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, juntado aos autos
em 11/05/2016)

EMBARGOS À EXECUÇÃO MERAMENTE


PROTELATÓRIOS. ENFOQUE DE ASPECTOS
IRRELEVANTES DESTITUÍDOS DE FUNDAMENTOS.
329

1. O embargante limitou-se a trazer aos autos argumentação


vazia e desprovida de provas, demonstrando apenas sua
pretensão de impedir o seguimento normal do processo
executivo fiscal.
2. Embargos protelatórios. 3. Apelo Improvido.
(TRF-5 - AC: 114685 AL 0011420-31.1997.4.05.0000, Relator:
Desembargador Federal Magnus Augusto Costa Delgado
(Substituto), Data de Julgamento: 18/08/1998, Segunda Turma,
Data de Publicação: DJ DATA-09/10/1998 PÁGINA-603)

A suspensão da execução pela atribuição de efeito suspensivo


aos embargos não é a regra; necessita de garantia da
execução e se aplicam os requisitos previstos no CPC para a
concessão do efeito suspensivo. Nesse sentido:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO


REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. APLICABILIDADE DO ART. 739-A, §1º, DO CPC ÀS
EXECUÇÕES FISCAIS. NECESSIDADE DE GARANTIA DA
EXECUÇÃO E ANÁLISE DO JUIZ A RESPEITO DA
RELEVÂNCIA DA ARGUMENTAÇÃO (FUMUS BONI
JURIS) E DA OCORRÊNCIA DE GRAVE DANO DE
DIFÍCIL OU INCERTA REPARAÇÃO (PERICULUM IN
MORA) PARA A CONCESSÃO DE EFEITO SUSPENSIVO
AOS EMBARGOS DO DEVEDOR OPOSTOS EM
EXECUÇÃO FISCAL.
1. A previsão no ordenamento jurídico pátrio da regra geral de
atribuição de efeito suspensivo aos embargos do devedor
somente ocorreu com o advento da Lei n. 8.953, de 13, de
dezembro de 1994, que promoveu a reforma do Processo de
Execução do Código de Processo Civil de 1973 (Lei n. 5.869, de
11 de janeiro de 1973 - CPC/73), nele incluindo o §1º do art.
739, e o inciso I do art. 791.
2. Antes dessa reforma, e inclusive na vigência do Decreto-lei
n.960, de 17 de dezembro de 1938, que disciplinava a cobrança
judicial da dívida ativa da Fazenda Pública em todo o território
nacional, e do Código de Processo Civil de 1939 (Decreto-lei n.
1.608/39), nenhuma lei previa expressamente a atribuição, em
330

regra, de efeitos suspensivos aos embargos do devedor, somente


admitindo-os excepcionalmente. Em razão disso, o efeito
suspensivo derivava de construção doutrinária que,
posteriormente, quando suficientemente amadurecida, culminou
no projeto que foi convertido na citada Lei n. 8.953/94,
conforme o evidencia sua Exposição de Motivos - Mensagem n.
237, de 7 de maio de 1993, DOU de 12.04.1994, Seção II, p.
1696.
3. Sendo assim, resta evidente o equívoco da premissa de que a
LEF e a Lei n. 8.212/91 adotaram a postura suspensiva dos
embargos do devedor antes mesmo de essa postura ter sido
adotada expressamente pelo próprio CPC/73, com o advento da
Lei n. 8.953/94, fazendo tábula rasa da história legislativa.
4. Desta feita, à luz de uma interpretação histórica e dos
princípios que nortearam as várias reformas nos feitos
executivos da Fazenda Pública e no próprio Código de Processo
Civil de 1973, mormente a eficácia material do feito executivo a
primazia do crédito público sobre o privado e a especialidade
das execuções fiscais, é ilógico concluir que a Lei n. 6.830 de 22
de setembro de 1980 - Lei de Execuções Fiscais - LEF e o art.
53, §4º da Lei n.8.212, de 24 de julho de 1991, foram em algum
momento ou são incompatíveis com a ausência de efeito
suspensivo aos embargos do devedor. Isto porque quanto ao
regime dos embargos do devedor invocavam - com derrogações
específicas sempre no sentido de dar maiores garantias ao
crédito público - a aplicação subsidiária do disposto no CPC/73
que tinha redação dúbia a respeito, admitindo diversas
interpretações doutrinárias.
5. Desse modo, tanto a Lei n. 6.830/80 - LEF quanto o art. 53,
§4º da Lei n. 8.212/91 não fizeram a opção por um ou outro
regime, isto é, são compatíveis com a atribuição de efeito
suspensivo ou não aos embargos do devedor. Por essa razão, não
se incompatibilizam com o art. 739-A do CPC/73 (introduzido
pela Lei 11.382/2006) que condiciona a atribuição de efeitos
suspensivos aos embargos do devedor ao cumprimento de três
requisitos: apresentação de garantia; verificação pelo juiz da
relevância da fundamentação (fumus boni juris) e perigo de
dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora).
6. Em atenção ao princípio da especialidade da LEF, mantido
com a reforma do CPC/73, a nova redação do art. 736, do CPC
331

dada pela Lei n. 11.382/2006 - artigo que dispensa a garantia


como condicionante dos embargos - não se aplica às execuções
fiscais diante da presença de dispositivo específico, qual seja o
art. 16, §1º da Lei n.6.830/80, que exige expressamente a
garantia para a apresentação dos embargos à execução fiscal.
7. Muito embora por fundamentos variados - ora fazendo uso da
interpretação sistemática da LEF e do CPC/73, ora trilhando o
inovador caminho da teoria do "Diálogo das Fontes", ora
utilizando-se de interpretação histórica dos dispositivos (o que
se faz agora) - essa conclusão tem sido a alcançada pela
jurisprudência predominante, conforme ressoam os seguintes
precedentes de ambas as Turmas deste Superior Tribunal de
Justiça. Pela Primeira Turma: (...) Pela Segunda Turma (...).
8. Superada a linha jurisprudencial em sentido contrário
inaugurada pelo REsp. n. 1.178.883 - MG, Primeira Turma, Rel.
Min. Teori Albino Zavascki, julgado em 20.10.2011 e seguida
pelo AgRg no REsp 1.283.416 / AL, Primeira Turma, Rel. Min.
Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 02.02.2012; e pelo
REsp 1.291.923 / PR, Primeira Turma, Rel. Min. Benedito
Gonçalves, julgado em 01.12.2011.
9. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do
art. 543-C, do CPC, e da Resolução STJ n. 8/2008.
(REsp 1272827/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/05/2013, DJe
31/05/2013)

AGRAVO REGIMENTAL - TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL


CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - SUSPENSÃO
DO PROCESSO EXECUTIVO - AGRAVO DE
INSTRUMENTO - EFEITO SUSPENSIVO AOS EMBARGOS
- REQUERIMENTO DO EMBARGADO E COMPROVAÇÃO
DE QUE O PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO FISCAL
PODERÁ LHE CAUSAR GRAVE DANO DE DIFÍCIL OU
INCERTA REPARAÇÃO - REQUISITOS - CÓDIGO DE
PROCESSO CIVIL, ART. 739-A - AUSÊNCIA - AGRAVO
DE INSTRUMENTO PROVIDO - AGRAVO REGIMENTAL
DENEGADO - AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO AOS
FUNDAMENTOS DA DECISÃO - SUPERIOR TRIBUNAL
DE JUSTIÇA, SÚMULA Nº 182 - APLICABILIDADE. (...)
332

1 - É pacífico e torrencial o entendimento dominante nos


tribunais pátrios de que "após a entrada em vigor da Lei nº
11.382/2006, a atribuição de efeito suspensivo aos Embargos à
Execução, conforme se depreende do art. 739-A e seu § 1º, do
CPC, depende de requerimento do embargante e comprovação,
por relevantes fundamentos, no sentido de que o prosseguimento
da execução possa causar ao executado grave dano de difícil ou
incerta reparação".
(...) 5 - Agravo Regimental denegado.
6 - Decisão confirmada.
(TRF-1 - AGA: 74103 TO 0074103-95.2009.4.01.0000, Relator:
DESEMBARGADOR FEDERAL CATÃO ALVES, Data de
Julgamento: 18/05/2010, SÉTIMA TURMA, Data de
Publicação: 04/06/2010 e-DJF1 p.227)

AGRAVO LEGAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO -


EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - SUSPENSÃO DO
PROCESSO - APLICAÇÃO SUBSIDIÁRIA DO ART. 739-A,
§ 1º, DO CPC - REQUISITOS CUMPRIDOS.
1. A Lei de Execução Fiscal não dispõe expressamente quanto à
atribuição de efeito suspensivo ao processo executivo pela
simples interposição dos embargos do devedor, razão pela qual
deve ser aplicado subsidiariamente o Código de Processo Civil.
2. Com o advento da Lei nº 11.382/06, a atribuição de efeito
suspensivo aos embargos à execução está condicionada aos
requisitos do § 1º do artigo 739-A do Código de Processo Civil.
3. No caso concreto, foram cumpridos todos os requisitos
constantes do § 1º do artigo 739-A do CPC. Há garantia do
montante em cobrança, formalizada por penhora de bens da
empresa (fls. 277/279), a embargante requereu a atribuição de
efeito suspensivo aos embargos (fl. 65) e é evidente a
possibilidade de dano de difícil reparação, haja vista que a
executada estaria sujeita à alienação judicial dos bens
penhorados, os quais são essenciais para o desenvolvimento de
sua atividade econômica.
4. Precedentes jurisprudenciais. 5. Agravo legal desprovido.
(TRF-3 - AI: 20904 SP 0020904-02.2012.4.03.0000, Relator:
DESEMBARGADORA FEDERAL CECILIA MARCONDES,
Data de Julgamento: 18/07/2013, TERCEIRA TURMA)
333

Sobre a inocorrência dos efeitos da revelia, em face da


ausência de impugnação da Fazenda Pública aos embargos à
execução fiscal:

PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. EMBARGOS


À EXECUÇÃO FISCAL. JUROS OPERACIONAIS STN.
PRESTAÇÕES AUTÔNOMAS. ALONGAMENTO DE
DÍVIDAS RURAIS. IMPUGNAÇÃO. REVELIA. FAZENDA
PÚBLICA. CERTIDÃO DE DÍVIDA ATIVA. REQUISITOS.
1. A jurisprudência de nossas Cortes, seja por força da súmula
256 do extinto TFR, seja em face do disposto no art. 320, II, do
CPC, converge no sentido de que a falta de impugnação não
acarreta os efeitos da revelia.
2. (...).
(TRF4, AC 5003340-31.2014.404.7014, TERCEIRA TURMA,
Relator FERNANDO QUADROS DA SILVA, juntado aos
autos em 25/05/2016)

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À


EXECUÇÃO FISCAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO.
EFEITOS DA REVELIA. FAZENDA PÚBLICA.
INEXISTÊNCIA. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA.
INDEVIDA A APLICAÇÃO DA TRD. SUBSTITUIÇÃO
PELOS ÍNDICES LEGAIS VIGENTES À ÉPOCA.
1. A ausência de impugnação na ação de embargos à execução
não produz, em relação à Fazenda Pública, os efeitos da revelia.
Precedente.
2.(...). 4. Remessa oficial parcialmente provida para dar parcial
provimento aos embargos à execução.
(TRF-1 - REO: 213335720014019199 GO 0021333-
57.2001.4.01.9199, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL
LEOMAR BARROS AMORIM DE SOUSA, Data de
Julgamento: 02/08/2013, OITAVA TURMA, Data de
Publicação: e-DJF1 p.518 de 16/08/2013)

4. Temas Relacionados

Custas para ajuizamento de embargos à execução fiscal:


despesas que incidem - artigo 82 do NCPC (artigo 19 do
334

CPC/1973) – conforme legislação de cada Estado. Na esfera


federal, os embargos à execução fiscal estão dispensados do
recolhimento de custas, conforme artigo 7º da Lei n°9.289, de
04 de julho de 1996.
Se os embargos são julgados improcedentes, a
execução prossegue, ainda que interposta apelação (pois, em
regra, a mesma é recebida apenas com efeito devolutivo (art.
1012, §1º, inciso III, NCPC), a menos que se dê efeito
suspensivo à apelação, nos termos do artigo 1012, caput, do
NCPC, em caso de risco de irreversibilidade - nesse sentido,
STJ: RESP 514.286/RJ, rel. Min. Teori Zavaski, 1ª Turma,
unânime, mar/2004.
Importante salientar que há dois entendimentos sobre o
prosseguimento da execução, no caso de embargos julgados
improcedentes e pendentes de julgamento de recurso sem efeito
suspensivo: a) prosseguimento se dá até o momento da
satisfação do crédito (artigo 19, 24 e 32, §2º, da LEF), ou seja: a
adjudicação, levantamento da quantia depositada ou conversão
em renda depende do trânsito em julgado da sentença na ação de
embargos à execução – entendimento superado (era unânime na
1ª Turma do STJ: REsp nº 371649/RS, AgREsp nº 277852/SP,
REsp nº 243245/SP, REsp nº 172320/RS, REsp nº 440823/RS e
REsp nº 417924/SP); b) prosseguimento da execução com a
satisfação do crédito ocorre normalmente, com a execução em
caráter definitivo, resolvendo-se em perdas e danos eventual
procedência final dos embargos à execução fiscal –
entendimento pacificado:
335

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL.


INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO A QUO.
EXECUTIVO FISCAL. EMBARGOS. EXECUÇÃO
PROVISÓRIA. SENTENÇA DE PROCEDÊNCIA PARCIAL.
EFEITO DEVOLUTIVO. PROSSEGUIMENTO DO FEITO
ENQUANTO PENDENTE DE APRECIAÇÃO RECURSO DE
APELAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. NOVO
ENTENDIMENTO. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
INEXISTÊNCIA DE SUA DECRETAÇÃO DE OFÍCIO.
INTERPRETAÇÃO DOS ARTS. 8º, IV, DA LEI Nº 6.830/80,
219, § 4º, DO CPC, E 174, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
PRECEDENTES.
1. (...)
4. O art. 587 do CPC, na parte em que dispõe ser definitiva a
execução quando fundada em título extrajudicial, deve ser
interpretada com os limites postos pelo § 1º do art. 739 do CPC,
conforme a Lei nº 8.953/94, ao afirmar serem sempre recebidos
com efeito suspensivo os embargos interpostos pelo devedor
executado.Surge como construção interpretativa lógica a
conclusão de que a execução será definitiva, tão-somente,
quando não forem interpostos embargos do devedor ou estes
tenham sido julgados definitivamente, quer quanto ao mérito,
quer por via de rejeição liminar. Pendente apelação contra a
sentença que julga improcedentes, ou parcialmente procedentes,
embargos do devedor, a execução não é definitiva, mas
provisória, não podendo chegar, portanto, a atos que importem
alienação. A alienação de bens penhorados antes do julgamento
da apelação proposta poderá acarretar dano de difícil reparação,
uma vez que, caso provido o recurso, não poderá obter de volta
os bens alienados, tendo em vista os direitos assegurados ao
adquirente de boa-fé. Este entendimento predominou, de modo
unânime na 1ª Turma (REsp nº 371649/RS, AgREsp nº
277852/SP, REsp nº 243245/SP, REsp nº 172320/RS, REsp nº
440823/RS e REsp nº 417924/SP).
5. Houve, porém, modificação de entendimento da
jurisprudência do STJ, conforme julgados da 1ª, 2ª e 6ª Turmas,
a saber: AgREsp 619828/RS; AGA 544193/RJ; REsp
245004/RS; REsp 468113/SP; REsp 593401/SP; REsp
514280/RJ e REsp 515273/RS.
6. (...) 9. Agravo regimental não-provido.
336

(AgRg no REsp 977.922/MG, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,


PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/11/2007, DJ 22/11/2007,
p. 222)

RECURSO ESPECIAL - ALÍNEAS "A" E "C" - EXECUÇÃO


FISCAL - EMBARGOS À EXECUÇÃO IMPROCEDENTES -
INTERPOSIÇÃO DE APELAÇÃO - EXECUÇÃO
DEFINITIVA - REMOÇÃO DOS BENS PENHORADOS -
POSSIBILIDADE - DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL
CONFIGURADA QUANTO A ESSE ASPECTO –(...). É
pacífica a orientação deste Sodalício no sentido de que o caráter
definitivo da execução fiscal não é modificado pela interposição
de recurso contra sentença que julgar improcedentes os
embargos. "Tal definitividade abrange todos os atos, podendo
realizar-se praça para a alienação do bem penhorado com a
expedição da respectiva carta de arrematação" (REsp
144.127/SP, Rel. Min. Waldemar Zveiter, DJU 01.02.1999).
Prosseguirá a execução fiscal, pois, até o seu termo, inclusive
com a possibilidade de remoção dos bens penhorados. Se, ao
término do julgamento dos recursos interpostos da sentença de
improcedência dos embargos, recebidos apenas no efeito
devolutivo, a solução da lide for favorável ao executado,
resolve-se em perdas e danos. Precedentes: ERESP 399618/RJ,
Relator Min. Francisco Peçanha Martins, DJU 08/09/2003, e
AGREsp 182.986/SP, Relatora Min. Eliana Calmon, DJU
18.03.02.
(...) Recurso especial provido em parte para que, reconhecido o
caráter definitivo da execução, tenha a ação regular
prosseguimento.
(REsp 527.354/RS, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2004, DJ 25/10/2004,
p. 288)

5. Referências bibliográficas

CHUCRI, Augusto Newton. Dos Embargos à Execução Fiscal.


In:Execução Fiscal Aplicada. Análise pragmática do processo
de execução fiscal. MELO FILHO, João Aurino (coord.) e
337

CHUCRI, Augusto Newtonet all. Bahia: Editora Jus Podvim,


2012.

CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada:


Lei n. 6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980.

FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio


de Janeiro: Forense, 1981.

MOREIRA, José Joaquim Barbosa. O Novo Processo Civil


Brasileiro. 2 ed. V. II, Rio de Janeiro: Forense, 1978.

NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. Cobrança


Judicial da Dívida Ativa da União, Estados e Municípios. São
Paulo: Ltr, 1981.

PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo


administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 6 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado
Editora, 2010.
338

Art. 18 - Caso não sejam oferecidos os embargos, a Fazenda


Pública manifestar-se-á sobre a garantia da execução.

1. Evolução Legislativa e Remissões legais

No Projeto de Lei nº 14, de 1980 (PL da LEF), o artigo


18 possuía redação um pouco diferente: “Caso não sejam
oferecidos embargos, o Juiz decidirá de plano e, em seguida,
abrirá vista à Fazenda Pública para se manifestar sobre a
garantia da execução.” O Congresso suprimiu essa expressão
“decidirá de plano”, eis que consoante a sistemática do
CPC/1973, no processo de execução só há decisão quando
ocorrem embargos.1
Na Exposição de Motivos n°232, em seu item 70,
explica-se que “O artigo 18 abre à Fazenda Pública mais uma
oportunidade de verificação da garantia da execução.”
Trata-se de procedimento a dar regular andamento ao
executivo fiscal, eis que a satisfação integral do crédito
tributário depende da suficiência da penhora.

Remissões Legais: Decreto-lei n°960, de 17.12.1938;


CPC/1939; CPC/1973; LC 118/2005; Lei nº 11.383/2006; PL nº
5.080/2009, apensado ao PL nº 2.412/2007; PLs nºs 5.081/2009
e 5.082/2009; PLC nº 469/2009; PL nº 5.080/2009 e NCPC (Lei
nº 13.105/2015).

1
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981. p. 238-239.
339

2. Conceitos principais

Transcorrido o prazo sem ajuizamento de embargos, tal


será certificado nos autos. No caso, abre-se vista à Fazenda
Pública ou autarquia, a fim de manifestar-se sobre os meios
assecuratórios ou sobre a penhora.2
A intimação da embargada far-se-á conforme indicado
no artigo 25 da LEF e, em caso de processo eletrônico,
conforme previsão da Lei n° 11.419/2006, artigo 4º, §6º.
A Fazenda Pública, no exame da garantia ofertada ou
na penhora realizada, poderá arguir, nesse momento também,
eventual necessidade de substituição da penhora, na hipótese de
haver outros bens livres e desembaraçados para a garantia da
execução (neste tópico, ver artigo 15, inciso II, da LEF), bem
como a ampliação da penhora, no caso de ser notoriamente
insuficiente (quanto a isso, há a ressalva sobre a possibilidade de
ajuizamento dos embargos – ver artigo 16, §1º, da LEF). Poderá,
inclusive, pedir a sua redução, com a efetiva conformação ao
valor da dívida e seus acessórios.
Antigamente, era de costume a Fazenda Pública
solicitar a remessa dos autos à contadoria do Foro para fins de
cálculo do débito ou liquidação (para apuração do principal,
juros, correção monetária, honorários advocatícios, etc...).3
Atualmente, isso é desnecessário, eis que a Fazenda Pública,

2
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal(Lei n.
6830, de 22-9-1980). 5 ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 207.
3
CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada: Lei n.
6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980,p. 30.
340

tanto federal, como estadual ou municipal, em geral, traz o


cálculo da dívida atualizado aos autos, tanto na inicial, como no
decorrer do tramite processual, sempre que necessário.
Caso não seja ajuizado embargos, no prazo legal
previsto na LEF (artigo 17), ao contribuinte lhe é dado o direito
de interpor ação declaratória ou desconstitutiva/anulatória de
débito fiscal, no tramite do processo de execução fiscal, em
observância ao princípio da ampla defesa, conforme
entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça.
A ação anulatória e os embargos à execução fiscal
possuem requisitos específicos. Porém, as duas medidas podem
ser concomitantes. Nessa situação, deve ser reconhecida
litispendência entre os embargos à execução e a ação anulatória
(ou declaratória de inexistência de débito ajuizada
anteriormente), se identificadas, nos dois processos, as mesmas
partes, causa de pedir e pedido. A ação que for julgada
anteriormente fará com que a outra seja extinta, sem julgamento
de mérito, em razão da coisa julgada, pois a eficácia preclusiva
da res judicata impede seja reexaminado o resultado da questão
decidida em processo anterior com transito em julgado (a
mesma conclusão vale nos casos em que a decisão anterior,
transitada em julgado, tenha sido apreciada em julgamento de
exceção de pré-executividade).4

4
MELO FILHO, João Aurino de. Ação anulatória como meio de defesa em
face de execução fiscal. In: Execução Fiscal Aplicada. Análise pragmática
do processo de execução fiscal. MELO FILHO, João Aurino (coord.) e
CHUCRI, Augusto Newton et all. Bahia: Editora Jus Podvim, 2012. p. 418.
341

3. Jurisprudência relacionada

É direito do contribuinte interpor ação declaratória ou


desconstitutiva de débito fiscal, no trâmite do processo de
execução fiscal, independentemente do ajuizamento de
embargos:

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. NEGATIVA DE


PRESTAÇÃO JURISDICIONAL NÃO CONFIGURADA.
IPTU. AÇÃO ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL.
PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. AÇÃO ANULATÓRIA
EM OPOSIÇÃO A EXECUÇÃO FISCAL. VIABILIDADE.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. MATÉRIA FÁTICA.
SÚMULA 07/STJ.
1. Visando a ação anulatória a se opor à execução fiscal, o termo
a quo da prescrição não pode ser anterior à propositura da
referida execução.
2. Se é certo que a propositura de qualquer ação relativa ao
débito constante do título não inibe o direito do credor de
promover-lhe a execução (CPC, art. 585, § 1º), o inverso
também é verdadeiro: o ajuizamento da ação executiva não
impede que o devedor exerça o direito constitucional de ação
para ver declarada a nulidade do título ou a inexistência da
obrigação, seja por meio de embargos (CPC, art. 736), seja por
outra ação declaratória ou desconstitutiva. Nada impede,
outrossim, que o devedor promova pedido de nulidade do título
ou a declaração de inexistência da relação obrigacional.
3. (...) 4. Agravo regimental improvido.
(AgRg no REsp 1054833/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO
ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/06/2011,
DJe 02/08/2011)

É pacífico nas Turmas que integram a Primeira Seção do


Superior Tribunal de Justiça o entendimento no sentido de
reconhecer a litispendência entre os embargos à execução e a
ação anulatória ou declaratória de inexistência do débito
342

proposta anteriormente ao ajuizamento da execução fiscal,


se identificadas as mesmas partes, causa de pedir e pedido:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO


REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL.
LITISPENDÊNCIA ENTRE AÇÃO ANULATÓRIA E
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. POSSIBILIDADE, SE
RECONHECIDA A TRÍPLICE IDENTIDADE.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. JUÍZO DE EQUIDADE.
REVISÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ.
1. (...)
2. "É pacífico nas Turmas que integram a Primeira Seção desta
Corte o entendimento no sentido de que deve ser reconhecida a
litispendência entre os embargos à execução e a ação anulatória
ou declaratória de inexistência do débito proposta anteriormente
ao ajuizamento da execução fiscal, se identificadas as mesmas
partes, causa de pedir e pedido, ou seja, a tríplice identidade a
que se refere o art. 301, § 2º, do CPC" (REsp 1.156.545/RJ, Rel.
Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
28/04/2011). No mesmo sentido: AgRg nos EREsp
1.156.545/RJ, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira
Seção, DJe 04/10/2011; REsp 1.040.781/PR, Rel. Ministra
Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 17/3/2009; REsp
719.907/RS, Primeira Turma, Rel. Ministro. Teori Albino
Zavascki, DJe de 5.12.2005.
3. Os invocados dispositivos da LEF (arts. 18, 19 e 24) não
contem comando normativo capaz de infirmar o fundamento do
acórdão atacado, o que atrai a aplicação da Súmula 284/STF.
Isso porque tais artigos não tratam diretamente dos institutos da
litispendência ou da conexão entre ações, mas dos efeitos da
oposição dos embargos na tramitação da execução respectiva.
Lado outro, na espécie, a mesma garantia prestada nos embargos
(depósito integral do débito exequendo) já poderia ter sido
apresentada anteriormente e suspendido a exigibilidade do
crédito tributário, nos termos do art. 151, II, do CTN.
4. (...). 5. Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 208.266/RJ, Rel. Ministro BENEDITO
GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/05/2013,
DJe 14/05/2013)
343

Havendo conexão entre a ação anulatória e a execução fiscal,


a competência para processar e julgar os dois processos é do
juízo prevento (pelo antigo CPC, prevento é o juiz que
despachou em primeiro lugar – art. 106; pelo NCPC,
prevento é o juízo do registro ou da distribuição da inicial –
artigos 58 e 59):

PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. AÇÃO


ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. CONEXÃO.
JULGAMENTO SIMULTÂNEO. COMPETÊNCIA. Havendo
conexão entre execução fiscal e ação anulatória de débito fiscal,
impõe-se a reunião dos processos, de modo a evitar decisões
conflitantes; espécie em que, ajuizada primeiro a execução
fiscal, o respectivo juízo deve processar e julgar ambas as ações.
Agravo regimental não provido.
(AgRg no AREsp 129.803/DF, Rel. Ministro ARI
PARGENDLER, PRIMEIRA TURMA, julgado em 06/08/2013,
DJe 15/08/2013)

Os processos só não serão reunidos, em caso de conexão,


quando a reunião implicar alteração de competência
absoluta:

TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AÇÃO DE


EXECUÇÃO FISCAL E AÇÃO ANULATÓRIA DE
DÉBITO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. REUNIÃO.
VARA ESPECIALIZADA. COMPETÊNCIA ABSOLUTA.
INTIMAÇÃO. CONTRIBUINTE PRESO NO MESMO DIA.
AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA
282/STF. FUNDAMENTAÇÃO CONSTITUCIONAL.
COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO STF.
1. (...) 5. O STJ entende pela impossibilidade de serem reunidas
execução fiscal e ação anulatória de débito precedentemente
ajuizada, quando o juízo em que tramita esta última não é Vara
Especializada em Execução Fiscal, nos termos consignados nas
344

normas de organização judiciária. Precedentes: CC 105.358/SP,


Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Primeira Seção, DJe
22/10/2010; CC 106.041/SP, Rel. Ministro Castro Meira,
Primeira Seção, DJe 9/11/2009 e AgRg no REsp 1463148/SE,
Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe
8/9/2014.6. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa
parte, não provido.
(REsp 1587337/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/05/2016, DJe 01/06/2016)

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MANDADO DE


SEGURANÇA ANTERIORMENTE IMPETRADO.
DIFERENÇA NOS PEDIDOS. LITISPENDÊNCIA NÃO
CONFIGURADA. SUSPENSÃO DO PROCESSO.
1. Não há litispendência, mas sim conexão, quando, malgrado
haja identidade de objeto e de causa de pedir entre dois
processos, exista substancial diferença nos pedidos formulados,
de tal maneira que o provimento jurisdicional de um deles não
produza efeitos imediatos sobre o outro.
2. Visando a evitar decisões contraditórias, é impositiva a
suspensão do processo quando a sentença de mérito depender do
julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou
inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal
de outro processo pendente, nos termos do artigo 265, IV, a, do
CPC.
(TRF-4 - AC: 50408080820134047000 PR 5040808-
08.2013.404.7000, Relator: RÔMULO PIZZOLATTI, Data de
Julgamento: 12/05/2015, SEGUNDA TURMA, Data de
Publicação: D.E. 12/05/2015)

EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONEXÃO.


REUNIÃO DE PROCESSOS. ANULATÓRIA. SUSPENSÃO.
PREJUDICIALIDADE EXTERNA. LITISPENDÊNCIA.
OCORRÊNCIA.
1. A Segunda Seção desta Corte entende que, sendo firmada a
competência em razão da matéria e, portanto, de natureza
absoluta, não se deve proceder à reunião de ação anulatória e
execução fiscal. Precedentes.
2. Ainda que fosse o caso de haver prejudicialidade externa, a
suspensão do processo, que tem por fim evitar decisões
345

conflitantes, não se projeta no tempo indefinidamente, devendo


obedecer ao prazo máximo de 1 ano (artigo 265, § 5º, do CPC).
3. O mérito dos embargos constitui-se em reprodução do teor da
ação anulatória anteriormente ajuizada - afirmado pela própria
parte, inclusive -, na qual alega a nulidade da autuação que
constituiu o crédito tributário executado, formando a tríplice
identidade caracterizadora da litispendência. Precedentes.
4. Embargos à execução extintos de ofício, em razão da
litispendência, restando prejudicados o agravo retido e a
apelação.
(TRF-3 - AC: 51571 SP 2008.03.99.051571-8, Relator: JUIZ
CONVOCADO RUBENS CALIXTO, Data de Julgamento:
07/07/2011, TERCEIRA TURMA)

4. Temas Relacionados

Tendo sido ajuizada ação anulatória ou negativa de


débito, sem o depósito do montante integral do crédito
tributário, não fica o Fisco inibido de promover a execução para
cobrança do que lhe é devido. Só inibe o ajuizamento de
execução fiscal se houver, em ação anterior ajuizada pelo
contribuinte, o deferimento da suspensão da exigibilidade do
crédito tributário, conforme previsão do artigo 151 do CTN,
com o depósito do montante integral do débito fiscal (inciso II),
de forma que a exigibilidade do tributo permanece suspensa até
solução definitiva da ação (trânsito em julgado):

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO


ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.
543-C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À
EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO.
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO
TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À
346

PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO


AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA.
1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do
artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do
crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal
por parte da Fazenda Pública. (Precedentes: (...) )
2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito
tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco,
de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior
ao lançamento, com a lavratura do auto de infração.
3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as
seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido
crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a
lavratura do auto de infração e aplicação de multa:
exigibilidade-autuação;b) a inscrição em dívida ativa:
exigibilidade-inscrição;c) a cobrança judicial, via execução
fiscal: exigibilidade-execução.
4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do
depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação
anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de
relação jurídico-tributária, ou mesmo no de mandado de
segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal,
têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim
como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o
ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá
ser extinta.
5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do
depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito
em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito
tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na
esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: "Depois
da constituição definitiva do crédito, o depósito, quer tenha sido
prévio ou posterior, tem o mérito de impedir a propositura da
ação de cobrança, vale dizer, da execução fiscal, porquanto fica
suspensa a exigibilidade do crédito.(...) Ao promover a ação
anulatória de lançamento, ou a declaratória de inexistência de
relação tributária, ou mesmo o mandado de segurança, o autor
fará a prova do depósito e pedirá ao Juiz que mande cientificar a
Fazenda Pública, para os fins do art. 151, II, do Código
Tributário Nacional. Se pretender a suspensão da exigibilidade
347

antes da propositura da ação, poderá fazer o depósito e, em


seguida, juntando o respectivo comprovante, pedir ao Juiz que
mande notificar a Fazenda Pública. Terá então o prazo de 30
dias para promover a ação. Julgada a ação procedente, o
depósito deve ser devolvido ao contribuinte, e se improcedente,
convertido em renda da Fazenda Pública, desde que a sentença
de mérito tenha transitado em julgado" (MACHADO, Hugo de
Brito. Curso de Direito Tributário. 27ª ed., p.205/206).
6. (...) 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante
integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional
proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a
extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto
suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário.
10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime
do art.543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.
(REsp 1140956/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 03/12/2010)

Inexistência de equiparação de fiança bancária com


depósito do montante integral do tributo devido, para fins de
suspensão da exigibilidade:

TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO


DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO CPC. CAUÇÃO E
EXPEDIÇÃO DA CPD-EN. POSSIBILIDADE. SUSPENSÃO
DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ART.
151 DO CTN.INEXISTÊNCIA DE EQUIPARAÇÃO DA
FIANÇA BANCÁRIA AO DEPÓSITO DO MONTANTE
INTEGRAL DO TRIBUTO DEVIDO PARA FINS DE
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. SÚMULA 112/STJ.
VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC, NÃO
CONFIGURADA. MULTA. ART. 538 DO CPC.
EXCLUSÃO.
1. A fiança bancária não é equiparável ao depósito integral do
débito exequendo para fins de suspensão da exigibilidade do
crédito tributário, ante a taxatividade do art. 151 do CTN e o
teor do Enunciado Sumular n. 112 desta Corte, cujos
precedentes são de clareza hialina: (...)
348

12. Recurso especial parcialmente provido, apenas para afastar


a multa imposta com base no art. 538, § único do CPC. Acórdão
submetido ao regime do art. 543-C do CPC e da Resolução STJ
08/2008.
(REsp 1156668/DF, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 24/11/2010, DJe 10/12/2010)

5. Referências bibliográficas

CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada:


Lei n. 6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980.

FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio


de Janeiro: Forense, 1981.

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal(Lei n. 6830, de 22-9-1980). 5 ed. São Paulo: Saraiva,
1996. p. 207.
349

Art. 19 - Não sendo embargada a execução ou sendo


rejeitados os embargos, no caso de garantia prestada por
terceiro, será este intimado, sob pena de contra ele
prosseguir a execução nos próprios autos, para, no prazo de
15 (quinze) dias:
I - remir o bem, se a garantia for real; ou
II - pagar o valor da dívida, juros e multa de mora e demais
encargos, indicados na Certidão de Dívida Ativa pelos quais
se obrigou, se a garantia for fidejussória.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Na exposição de Motivos n°232, em seu item 71,


explica-se que “O art. 19, por sua vez, oferece ao terceiro
prestador da garantia, antes da alienação judicial, a possibilidade
de evitar a perda do bem objeto dessa garantia ou, quando esta
for fidejussória, ilidir a execução contra ele próprio.”
O artigo permaneceu igual ao apresentado no PL nº 14,
de 1980.

Remissões Legais:Decreto-lei n°960, de 17.12.1938;


CPC/1939; CPC/1973; LC n°118/2005; Lei nº 11.383/2006; PL
nº 5.080/2009, apensado ao PL nº 2.412/2007; PLs nºs
5.081/2009 e 5.082/2009; PLC nº 469/2009; PL nº 5.080/2009 e
NCPC (Lei nº 13.105/2015).
350

2. Conceitos principais

De acordo com o art. 9º, IV, da Lei nº 6.830/80, em


garantia da execução fiscal, o executado poderá indicar à
penhora bens oferecidos por terceiros, desde que aceitos pela
Fazenda Pública. Nos termos, ainda, do art. 11 da LEF, o
dinheiro ocupa o primeiro lugar na ordem preferencial de bens
penhoráveis.
O novo CPC, em seu artigo 779, IV, substituiu a
expressão “fiador judicial” por “fiador do débito constante em
título extrajudicial”, ampliando o rol de fiadores com
legitimidade passiva, incluindo os fiadores convencionais (o que
termina com a discussão anterior: se o fiador convencional seria
também sujeito passivo na execução, já que o CPC/1973 usava a
expressão “fiador judicial”).
O novo CPC trouxe uma novidade referente a este
tema: foi admitida a execução promovida contra o responsável
titular do bem vinculado por garantia real ao pagamento do
débito (artigo 779, V).
Sobre ser parte no processo, para Flacks1, os terceiros
que oferecem bens “respondem com seus bens, mas sem serem
partes, em princípio, na relação processual executória”.
Portanto, isso resulta, para o autor, que os terceiros não podem
embargar a execução, mas tem direito a“ingressar como
assistentes em eventual procedimento de embargos, visto terem

1
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981,p. 243.
351

interesse jurídico na vitória do embargante, interesse esse que


decorre da responsabilidade assumida perante o credor”.
Para Assis2, inobstante a diferença, no plano material,
entre devedor e responsável, obrigado e garante, tanto um
quanto o outro são igualmente partes legítimas passivas. E não
há dúvida de que este é o melhor entendimento, inclusive pela
expressa disposição do NCPC, de que o fiador é passivamente
legitimado para a execução (art. 779, IV – “fiador do débito
constante em título extrajudicial”).
O fiador é responsável pelo débito. Salvo estipulação
em contrário, tem o direito de exigir que sejam primeiro
executados os bens do devedor, indicando os bens situados na
mesma comarca, livres e desembaraçados (art. 827 do Código
Civile art. 794, caput e §1º, do NCPC). É o chamado benefício
de ordem, que não lhe aproveita nos seguintes casos: a) se a ele
renunciou; b) se obrigou-se como principal pagador ou devedor
solidário; c) se o devedor for insolvente ou falido (art. 828 do
Código Civil e artigo 794, §3º, NCPC).
Para a garantia fidejussória, denominava-se fiador
judicial aquele que presta, no curso do processo, garantia em
favor de uma das partes. O CPC prevê diversas hipóteses em
que as partes são obrigadas a prestar caução real ou fidejussória,
para o cumprimento de certas obrigações, o que não seria
diferente em se tratando de execução fiscal. Embora não perca a
qualidade de fiador, a sua posição é semelhante ao do devedor

2
ASSIS, Araken de. Comentários ao Código de Processo Civil. Rio de
Janeiro, Forense, 2000. v. VI. p. 211.
352

principal (é sujeito passivo na execução – art. 779, IV, do


NCPC, e art. 568, IV, do CPC/1973), e se defende mediante
embargos à execução fundada em título executivo extrajudicial.3
Sendo terceiro, não pode opor embargos de devedor,
mas pode, nos próprios autos da execução fiscal, apresentar
reclamação sobre pontos específicos do procedimento de
expropriação do seu bem, como vícios e nulidades da penhora,
avaliação e arrematação, cabendo a oposição, se for o caso, de
embargos específicos, como embargos à penhora ou à
arrematação.4 Não pode o terceiro, é claro, discutir a
regularidade da dívida fiscal ou a legitimidade do título (CDA),
pois é garantidor da dívida, mas estranho à relação processual
executória anterior.5
O caso mais comum de nomeação de bem de terceiro
ocorre quando os sócios oferecem bem próprio para garantir
execução ajuizada contra a pessoa jurídica, ou quando essa
última oferece bem para garantir dívida de sócio – situação que
deve passar pela autorização da maioria dos sócios, conforme
previsão do artigo 1.015 do Código Civil.6
Há entendimento no sentido de que não se deve afastar
a possibilidade de fiança parcial – crédito ser garantido em parte
3
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. p. 241.
4
MELO FILHO, João Aurino de.Formalidades e procedimento na
apresentação de bens para garantia da execução fiscal. In Execução Fiscal
Aplicada. Análise pragmática do processo de execução fiscal. MELO
FILHO, João Aurino (coord.) e CHUCRI, Augusto Newton et all. Bahia:
Editora Jus Podvim, 2012, p. 179.
5
FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981,. p. 242.
6
MELO FILHO, João Aurino de.Formalidades e procedimento na
apresentação de bens para garantia da execução fiscal. p. 179.
353

por penhora e, em outra parte, por fiança; neste caso, o fiador


responderá na proporção do montante garantido.7 Porém,
tratando-se de fiança bancária, o entendimento majoritário é de
que o garante deve honrar a obrigação depositando o valor
integral do crédito fiscal (valor da dívida, juros, multa e demais
encargos), conforme dispõe o inciso II do artigo 19, não se
admitindo temporária ou quantitativamente limitada a garantia8.
Não sendo embargada a execução fiscal ou sendo os
embargos rejeitados (e entenda-se aqui, também, os embargos
julgados improcedentes), será intimado o terceiro vinculado à
garantia por ele prestada a, no prazo de 15 dias: a) remir o bem,
se for garantia real; b) pagar a dívida atualizada, se for garantia
fidejussória.
O artigo 19, I, refere-se à garantia real, embora o artigo
9º, que trata dos meios assecuratórios, não cogite de hipoteca,
penhor, anticrese, ou qualquer outra garantia real, mas
simplesmente de penhora, que é meio executivo, inconfundível
com hipoteca ou outra garantia real. Contudo, há que se
entender que a remição é possível, no caso de penhora. Sendo
arrematados ou adjudicados os bens, pode o devedor, a todo
tempo, remir a execução, pagando ou consignando a
importância da dívida, mais juros, custas e honorários. Podendo

7
PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência.
6 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010, p. 363.
8
ASSIS, Araken de. Manual da Execução. 11 ed. São Paulo: RT, 2007. p.
1.053.
354

o executado, com mais razão pode o terceiro, que ofereceu a


garantia ou ofereceu bens à penhora.9
A remição consiste em resgatar o bem, por meio de
depósito em juízo do valor em dinheiro equivalente ao valor
pelo qual se efetuou a penhora, ou seja, o valor do termo de
penhora ou, se for o caso, da avaliação judicial realizada.10
Corrêa afirma que o termo remir seria uma impropriedade
técnica, sendo mais correto dizer que o terceiro pode “liberar” o
bem imóvel dado em garantia e libertar-se da fiança, mediante o
pagamento da importância total.11
Sobre o prosseguimento da execução contra o terceiro,
a mesma pode ocorrer das seguintes formas: a) tratando-se de
fiança bancária, tem-se ela como vencida e não paga; nesse caso,
tem-se que citar o banco para pagar e, para que haja execução
fiscal, é preciso inscrever a dívida ativa contra o fiador; b)
tratando-se de garantia real (por ex., hipoteca ou penhor),
prossegue-se com a execução nos próprios autos, ou mediante
execução fiscal, após o registro da dívida; c) prossegue-se a
arrematação, como se os bens fossem do executado. Nos casos
descritos nas alíneas ‘a’ e ‘b’, o terceiro deve ser citado na
execução fiscal em questão; no caso da alínea ‘c’, a execução

9
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal(Lei n.
6830, de 22-9-1980). 5 ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 209-210.
10
THEODORO JUNIOR, Humberto. Lei de execução fiscal: comentários e
jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 58.
11
CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada: Lei n.
6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980, p. 31.
355

prossegue, independente de citação, prevalecendo apenas a


intimação determinada pelo caput deste artigo 19 da LEF.12
Como regra geral do CPC, tendo pago a dívida, o fiador
passa a ter legitimidade ativa para executar o afiançado nos
autos do mesmo processo (artigo 794, §2º, NCPC e art. 595, §
único, do NCPC). Essa regra, contudo, não se aplica no caso de
execução fiscal, eis que se trata de execução cuja legitimidade
ativa só é cabível ao credor do crédito fiscal – ente público ou
autarquia (também por isso possui rito próprio, definido pela
LEF, com aplicação apenas subsidiária do CPC, no que não lhe
for incompatível).
Portanto, o pagamento do crédito por terceiro não lhe
dá direito a prosseguir com a execução fiscal na qualidade de
sub-rogado em face do executado, eis que a relação jurídica
surgida não se confunde com a relação anterior, de natureza
processual tributária. Tal hipótese é incompatível com o rito da
execução fiscal previsto na LEF, pois este, além de ter seu
trâmite em vara especializada (exceto em comarcas onde
inexiste vara especializada), prevê prerrogativas próprias para os
entes públicos, não desfrutáveis por credores privados; só é
cabível nos casos de cobrança da dívida ativa da União, dos
Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas
autarquias (art. 1ª da LEF). Havendo o pagamento pelo terceiro,
previsto no artigo 19 da LEF, há a extinção do crédito fiscal

12
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal(Lei n.
6830, de 22-9-1980). 5 ed. São Paulo: Saraiva, 1996, p. 210-211.
356

(tributário ou não), devendo o terceiro buscar a tutela do seu


direito em via própria, que não a execução fiscal.

3. Jurisprudência relacionada

O bem de terceiro, para ser penhorado, deve ser aceito pela


Fazenda Pública:

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO


FISCAL. INEFICÁCIA DA INDICAÇÃO À PENHORA DE
BENS DE TERCEIRO NÃO ACEITOS PELA FAZENDA
PÚBLICA. ADMISSIBILIDADE DA PENHORA DE ATIVOS
FINANCEIROS DO EXECUTADO ATRAVÉS DO SISTEMA
BACENJUD.
1. De acordo com o art. 9º, IV, da Lei nº 6.830/80, em garantia
da execução fiscal, o executado poderá indicar à penhora bens
oferecidos por terceiros, desde que aceitos pela Fazenda Pública.
Nos termos, ainda, do art. 11 da Lei de Execuções Fiscais, o
dinheiro ocupa o primeiro lugar na ordem preferencial de bens
penhoráveis.
2. No caso concreto, é fato incontroverso nos autos que o
executado indicou à penhora bens móveis pertencentes a uma
sociedade empresária da qual ele é sócio, sociedade esta que
nem sequer figura como parte no processo de execução. É
igualmente incontroverso nos autos que a Procuradoria da
Fazenda Nacional, ao discordar da indicação de bens à penhora
feita pelo executado, o fez sob o argumento de que tal indicação
não observou a ordem preconizada pelo art. 11 da Lei de
Execuções Fiscais (Lei nº 6.830/80), bem como se trata de bens
localizados em cidade distante da sede do juízo da execução
fiscal. Além de recusar os bens de terceiro indicados à penhora,
a Procuradoria da Fazenda Nacional ainda requereu a penhora
de ativos financeiros do executado através do Sistema BacenJud.
Em assim procedendo, a Procuradoria da Fazenda Nacional
utilizou-se da faculdade que lhe foi conferida pela Lei nº
6.830/80 e pelo Código de Processo Civil.
357

3. Recurso especial provido para declarar ineficaz a indicação à


penhora dos bens de terceiro e para deferir o pedido de penhora
de ativos financeiros do executado.
(REsp 1413166/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 03/12/2013, DJe
10/12/2013)

Impossibilidade de sub-rogação do terceiro, que pagou a


dívida fiscal, nos próprios autos da execução fiscal, devendo
buscar a cobrança, contra o executado, em ação diversa:

TRIBUTÁRIO. INSS. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA.


ARREMATAÇÃO DO BEM POR TERCEIRO. EXTINÇÃO
DO CRÉDITO FISCAL E DA EXECUÇÃO PELO
PAGAMENTO. PEDIDO DE SUB-ROGAÇÃO.
INCOMPATIBILIDADE ENTRE O REQUERIMENTO DO
RECORRIDO E O RITO DA LEI DE EXECUÇÃO FISCAL.
1. Trata-se de execução fiscal em que empresa devedora do
INSS teve bem penhorado e posteriormente arrematado pela
recorrente. Como esse mesmo bem estava simultaneamente
constritado ao INSS, por preferência, em outro feito, o
recorrente teve que depositar o valor devido pela empresa
devedora à autarquia previdenciária para obter a sua liberação.
2. Dessa forma, requereu o recorrente a sub-rogação nos direitos
de crédito do INSS para prosseguir cobrando seu crédito junto à
devedora nos próprios autos da execução fiscal, conforme
previsão dos artigos 567, inciso III e 673, §2º, do CPC.
3. Ocorre que a sub-rogação que o recorrente pretende realizar é
incompatível com o rito da execução fiscal, pois este tem curso
em vara especializada e só é cabível nos casos de cobrança da
dívida ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e respectivas autarquias (art. 1ª da LEF). Sendo
assim, a empresa recorrente deverá buscar a tutela do seu
alegado direito na via própria, já que a execução fiscal foi
extinta pelo pagamento do crédito fiscal, tributário ou não.
4. Recurso especial não provido.
(REsp 640.893/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/11/2009, DJe
358

03/12/2009)

PROCESSUAL CIVIL: AGRAVO DE INSTRUMENTO.


EXECUÇÃO FISCAL. PAGAMENTO DE CREDITO POR
TERCEIROS INTERESSADOS. PEDIDO DE
PROSSEGUIMENTO DA EXECUÇÃO EM RAZÃO DA
SUB-ROGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
I –O prosseguimento do credito exequendo por terceiros
interessados, não lhes dá o direito de prosseguir com a execução
fiscal na qualidade de sub-rogados em face da executada, eis que
a relação jurídica daí surgida não se confunde com a anterior, de
natureza processual tributária executiva.
II - Agravo Improvido.
(TRF-3 - AG: 37388 SP 93.03.037388-0, Relator: JUIZ ARICE
AMARAL, Data de Julgamento: 03/12/1996, Data de
Publicação: DJ DATA:19/02/1997 PÁGINA: 7506)

Para usufruir do direito de remição deve ser cumprido os


prazos e requisitos previstos pelo Código de Processo Civil:

PROCESSUAL CIVIL. FALTA DE


PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ.
DISSÍDIO PRETORIANO. SÚMULA 13/STJ. EXECUÇÃO
FISCAL. PENHORA.
ARREMATAÇÃO. DIREITO DE REMIÇÃO. PEDIDO
FORMULADO APÓS A REVOGAÇÃO DO ART. 787 DO
CPC PELA LEI Nº 10.382/06. INVIABILIDADE.
1.(...)
3. Consagrado o princípio da aplicação imediata da lei
processual pelo art. 1.211 do CPC, resta induvidoso que as
alterações introduzidas pela Lei nº 11.382/06 atingem tanto os
processos não iniciados quanto aqueles em curso, que se
encontram pendentes.
4. A supressão da faculdade relativa à remição de bens prevista
nos arts. 787 e 790 do CPC operou efeitos instantâneos, de
modo que o requerimento de resgate deduzido após a vigência
da Lei nº 11.382/06 não possuía respaldo legal à época de sua
apresentação, devendo ser rejeitado prontamente.
359

5. Mostra-se desimportante a circunstância de que o edital de


leilão foi confeccionado e publicado anteriormente à vigência da
Lei nº 11.382/06, uma vez que não é esse o ato jurídico que
permitiria à parte interessada o exercício do direito de remição.
6. Recurso especial conhecido em parte e provido.
(REsp 1022476/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 04/09/2008)

Possibilidade de legitimação de descendentes de sócio de


empresa para remir bens em execução proposta contra a
pessoa jurídica:

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. REMIÇÃO DE


BENS PENHORADOS. ART.787 E 789 DO CPC.
LEGITIMIDADE. FILHO DE SÓCIO DA EMPRESA
EXECUTADA.SOCIEDADE ANÔNIMA. CARÁTER
FAMILIAR. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO DE
CLÁUSULA CONTRATUAL (SÚMULA 5/STJ) E DE
REEXAME DE PROVA (SÚMULA 7/STJ). RECURSO
ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO.
1. Em homenagem ao princípio da execução menos gravosa e ao
caráter familiar da sociedade executada, a jurisprudência deste
Sodalício vem admitindo a legitimação do filho de sócio para
remir bens em execução proposta contra a pessoa jurídica.
2. (...)
3. Recurso especial não conhecido.
(REsp 857.638/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/10/2006, DJ 26/10/2006,
p. 288)
PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. BEM
ARREMATADO. REMIÇÃO.PAGAMENTO DO PREÇO.
TÍTULOS DA ELETROBRÁS. IMPOSSIBILIDADE.
- É indiscutível o direito dos descendentes pleitearem a remição
de bem penhorado em sede de execução fiscal. Todavia, esse
direito não é absoluto, há que se observar os requisitos legais
exigidos, dentre eles o depósito do preço, de forma a atender a
satisfação do credor.
- Recurso especial conhecido mas improvido.
360

(REsp 705.153/RS, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA


MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/10/2005, DJ
21/11/2005, p. 196)

Possibilidade de remição da execução em virtude de


parcelamento, desde que haja aceite expresso da Fazenda
Pública credora:

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. LEILÃO.


ARREMATAÇÃO. REMIÇÃO. PARCELAMENTO. ARTS.
651 DO CPC E 10 DA LEI 10.522/02 (ALTERADA PELA LEI
10.637/02).
1. Tratam os autos de agravo de instrumento, com pedido de
efeito suspensivo, interposto por Comercial e Industrial Pereira
Ltda em face de decisão que indeferiu requerimento de remição
da execução ajuizada pela Fazenda Nacional. Concedido o efeito
suspensivo, agravou regimentalmente a Fazenda. O Tribunal a
quo deu provimento ao agravo e julgou prejudicado o
regimental, entendendo aceitável a remição da execução com
amparo na Lei 10.637/02, que possibilita o parcelamento em até
60 meses, acaso defira-o a Fazenda.
Inconformada, esta movimentou recurso especial alicerçada na
alínea “a” do permissivo constitucional, apontando violação do
art. 651 do CPC, sustentando que a remição da execução
contemplada nesse dispositivo legal não permite que seja
efetuada de modo parcelado, mas somente através do pagamento
instantâneo e integral do crédito exeqüendo e demais
consectários legais. Contra-razões defendendo que a Lei
10.637/02 prevê o parcelamento de débitos em até 60 vezes,
cujo deferimento constitui atribuição exclusiva da autoridade
fazendária.
2. O teor do art. 651 do CPC é claro ao limitar o direito de
remição da execução à arrematação do bem constrito, a qual se
torna definitiva e irretratável nos moldes previstos no art. 694 do
mesmo diploma processual, por ocasião da assinatura do auto de
arrematação pelo juiz, pelo escrivão, pelo arrematante e pelo
porteiro ou pelo leiloeiro, e não pela expedição da carta de
arrematação.
361

3. Deve ser prestigiada a solução que o tribunal a quo talhou à


controvérsia, pois, com vistas nos arts. 651 do CPC e 10 da Lei
10.522/02, deixou claro que só se considerará remida a execução
após a manifestação positiva da Fazenda Nacional sobre o
pedido de parcelamento.
4. Recurso especial improvido.
(REsp 643.234/SC, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/09/2004, DJ 08/11/2004,
p. 187)

4. Temas Relacionados

Possibilidade de fiança bancária somente por terceiro, não


pelo devedor principal (no caso de dívida fiscal de Banco):

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. ARTIGO 105,


INCISO III, "A", DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA.
FIANÇA BANCÁRIA PRESTADA PELO BANCO-
DEVEDOR. INCABÍVEL. ARTIGOS 9º, II, DA LEI N.
6.830/80, 1.481 DO CÓDIGO CIVIL E 109 DO CÓDIGO
TRIBUTÁRIO NACIONAL.
No âmbito do Direito Tributário, faculta-se ao executado
oferecer fiança bancária em garantia da execução fiscal (art. 9º,
II, da Lei n. 6.830/80).
A fiança civil e a fiança bancária são institutos de mesma
natureza.
Com efeito, "a fiança bancária não sofre quaisquer desvios ao
regime geral, devendo, como aquela, ser expressamente
declarada pela forma exigida para a obrigação principal" (cf.
Matias, Armindo Saraiva, "Garantias bancárias", in Revista de
Direito Mercantil, n. 107, Malheiros, São Paulo, julho-
setembro/1997, p. 13).
Dessarte, a natureza do instituto da fiança pressupõe que ela seja
ofertada por terceiro, porquanto ela se destina a assegurar o
cumprimento de obrigação de outrem. A fiança bancária, nesse
sentido, pressupõe três pessoas distintas: o credor, o devedor-
afiançado, ou executado, e o banco-fiador, ou garante.Incabível,
362

portanto, a prestação de fiança bancária, para garantia do


processo de execução fiscal, pelo próprio banco devedor, in
casu, a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL.
Recurso especial não conhecido.
(REsp 183.648/SP, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO,
SEGUNDA TURMA, julgado em 26/03/2002, DJ 01/07/2002,
p. 277)

Possibilidade de substituição de penhora em dinheiro por


fiança bancária, como medida excepcional, no caso concreto,
em observância ao princípio da menor onerosidade ao
devedor:

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO


REGIMENTAL. MEDIDA CAUTELAR. AUSENTE JUÍZO
DE ADMISSIBILIDADE NA ORIGEM. APRECIAÇÃO POR
ESTA CORTE. EXCEPCIONALIDADE. EXECUÇÃO
FISCAL. GARANTIA DO JUÍZO. OFERTA DE FIANÇA
BANCÁRIA. RECUSA. PENHORA ON-LINE. VULTOSA
QUANTIA. PONDERAÇÃO DOS ELEMENTOS DA CAUSA.
PRESENÇA DOS REQUISITOS AUTORIZADORES.
SUSPENSÃO EM PARTE DO ACÓRDÃO IMPUGNADO.
QUESTIONAMENTOS ESPECÍFICOS. ADMISSIBILIDADE
DO RECURSO ESPECIAL. VALORAÇÃO JURÍDICA DOS
FATOS. QUESTÃO A SER DETIDAMENTE ANALISADA
POR OCASIÃO DO JULGAMENTO DE MÉRITO.
RETENÇÃO DO APELO NOBRE. OBRIGATORIEDADE
AFASTADA. PERICULUM IN MORA. DEMONSTRAÇÃO.
LIMINAR MANTIDA.
1. (...)
2. Ao analisar o EREsp 1.077.039/RJ, a Primeira Seção afastou
a equiparação do dinheiro à fiança bancária, para fins de
substituição de garantia prestada em execução fiscal, concluindo
inexistir direito subjetivo do devedor sem anuência da Fazenda
Pública.
3. Neste mesmo julgado, entretanto, restou admitida a
substituição dos bens (dinheiro por fiança bancária) em
363

obséquio do princípio da menor onerosidade, disciplinado no


art. 620 do CPC.
4. Se é certo que a execução é processada com o objetivo de
garantir os interesses da parte credora (art. 612 do CPC), não se
pode descurar da figura do devedor e, de modo peremptório,
objetar garantia por este oferecida em prol da liquidez que o
dinheiro oferece.
5. A ponderação dos elementos da causa é imprescindível, pena
de determinação de medida que pode trazer repercussões
significativas à atividade empresarial antes mesmo de exaurido
o devido processo legal. Argumento de que a prevalência da
penhora on-line não pode ser absoluta, sobretudo nas espécies
que não se referem propriamente à substituição de dinheiro por
fiança bancária.
6. No caso dos autos, após a incorporação das empresas, o que
foi determinante para a inclusão da pessoa jurídica insurgente no
polo passivo da execução fiscal, apresentou-se Carta de Fiança
Bancária a fim de garantir o juízo para oferecimento de defesa
em execução que ultrapassa a quantia de 26 milhões de reais. O
magistrado de piso aceitou a garantia ofertada, afastando os
vícios levantados pelo Fisco, ao passo que a Corte regional,
embora tenha entendido que foram observadas as condições
estabelecidas nas normas vigentes, reputou-a insuficiente por
desatendida a ordem de preferência e porque a fiança bancária
não é instrumento que conduz à suspensão da exigibilidade do
crédito tributário.
7. Ordem de preferência legal, diferenciação entre suspensão da
exigibilidade e garantia do juízo, bem como validade da recusa
da Fazenda Pública em aceitar carta de fiança bancária idônea
em detrimento do depósito em dinheiro são questões a serem
respondidas oportunamente. Presentes, por ora, os requisitos
necessários à concessão do pleito liminar. Decisão da
Presidência reconsiderada.
8. Agravo regimental direcionado exclusivamente à falta de
competência desta Corte para apreciação do pleito cautelar e dos
requisitos de admissibilidade do apelo especial, além da
necessidade de retenção do recurso e da inexistência do
periculum in mora.
9. Insurgência nobre interposta por ambas as alíneas do
permissivo constitucional, constando do acórdão impugnado
364

(agravo regimental provido) - e da decisão anterior que negava


provimento ao agravo de instrumento da Fazenda Nacional - as
premissas fáticas necessárias à solução da controvérsia na via
especial. À primeira vista, em juízo prelibatório, típico caso de
valoração jurídica dos fatos, o que não encontra empecilho na
Súmula 7 desta Corte.
10. Processo de execução em que se discute exatamente a
respeito da garantia do juízo, estando suspensos os embargos à
execução por ordem do magistrado singular, a afastar a
obrigatoriedade de retenção do recurso especial (art. 542, § 3º,
do CPC).
11. Periculum in mora configurado pela determinação de
cumprimento do acórdão impugnado, podendo levar à penhora
de valor superior a R$ 26.000.000,00 (vinte e seis milhões de
reais), o que representa parcela significativa do orçamento
despendido mensalmente pela sociedade empresária com
pessoal e com terceiros na consecução do contrato social.
12. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no AgRg na MC 22.986/RJ, Rel. Ministro OG
FERNANDES, SEGUNDA TURMA, julgado em 02/09/2014,
DJe 10/09/2014)

5. Referências bibliográficas

ASSIS, Araken de. Comentários ao Código de Processo Civil.


Rio de Janeiro, Forense, 2000. v. VI.

ASSIS, Araken de. Manual da Execução. 11 ed. São Paulo:


RT, 2007.

CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada:


Lei n. 6.830, de 22.09.1980. São Paulo: Saraiva: 1980.

FLACKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio


de Janeiro: Forense, 1981.

MELO FILHO, João Aurino de.Formalidades e procedimento na


apresentação de bens para garantia da execução
fiscal.In:Execução Fiscal Aplicada. Análise pragmática do
processo de execução fiscal. MELO FILHO, João Aurino
365

(coord.) e CHUCRI, Augusto Newton et all. Bahia: Editora Jus


Podvim, 2012. p. 179.

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal(Lei n. 6830, de 22-9-1980). 5 ed. São Paulo: Saraiva,
1996.

PAULSEN, Leandro. Direito Processual Tributário: processo


administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 6 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado
Editora, 2010.

THEODORO JUNIOR, Humberto. Lei de execução fiscal:


comentários e jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 1995. p. 58.
366

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 20 A 22


João Ricardo Fahrion Nüske∗

Art. 20 - Na execução por carta, os embargos do executado


serão oferecidos no Juízo deprecado, que os remeterá ao
Juízo deprecante, para instrução e julgamento.
Parágrafo Único - Quando os embargos tiverem por objeto
vícios ou irregularidades de atos do próprio Juízo
deprecado, caber-lhe-á unicamente o julgamento dessa
matéria.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O Brasil, em sua época pós-independência, teve a


execução fiscal primeiramente regulada pela Lei nº 242 de 29 de
novembro de 1842 e, posteriormente, através do Decreto-lei nº


Mestrando em Direito Tributário, pela PUC/RS. Pós-Graduado em Direito
Previdenciário, pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio Grande
do Sul. Pós-Graduando em Direito Tributário pela PUC/RS. Pesquisador do
GTAX – Grupo de Pesquisas Avançadas em Direito Tributário – PUC/RS.
Advogado.
367

960 de 1938. Neste último, há referência expressa aos embargos


de terceiro, no sentido de que se “opostos no juízo deprecado
antes da devolução da precatória serão nele processados e
julgados”. Esta limitação aos atos do juízo deprecado, o
restringindo a praticar somente as medidas requeridas pelo juízo
deprecante, veio expressa no artigo 71 do mesmo diploma,
determinando que o “juiz deprecado se limitará a praticar as
medidas expressamente deprecadas, mandando juntar aos autos
as alegações ou documentos que forem oferecidos pelas partes”.
Posteriormente o Decreto-lei nº 5.455 de 1943 passou a
prever a competência do juízo deprecado também quando
concluírem pela incompetência manifesta do juízo deprecante
ampliando, assim, os poderes do juízo deprecado que, até então
se cingia a praticar as medicas determinadas pelo juízo
deprecante.
A revogação do Decreto-lei nº 960/1938 somente veio a
ocorrer com o advento do Código de Processo Civil – CPC – de
1973 (Lei nº 5.869/73) que buscou unificar as execuções fiscais
e civis.
O CPC de 1973, na redação original do artigo 747,
assegurava que “Na execução por carta, os embargos do devedor
serão oferecidos, impugnados e decididos no juízo requerido
(art. 658)”.
Diante da redação ambígua, quanto à competência para
julgamento dos embargos do devedor, já que o termo “juízo
requerido” enseja a interpretação de ser tanto o juízo deprecante
quanto o juízo deprecado, o legislador da Lei de Execuções
368

Fiscais – LEF - (Lei n° 6.830) em 1980 buscou corrigir a


referida discussão, através da redação dada ao artigo 201.
Com esta redação original da LEF, o legislador corrigiu
a ambiguidade havida no CPC de 1973, assegurando
expressamente para quem seriam oferecidos os embargos e em
qual hipótese o juízo deprecado seria competente para o
julgamento. Diante da completude da redação do artigo 20 da
LEF o mesmo permanece inalterado.
O Código de Processo Civil (art. 747), todavia, teve sua
redação alterada através da Lei nº 8.953/94 que, baseando-se na
correção trazida pela LEF, inseriu a previsão de que os
embargos serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo
deprecado, mas a competência para julgá-los será do juízo
deprecante, salvo se versarem unicamente sobre vícios ou
defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens.
Diante disso, restou solucionada a discussão travada
sobre a competência para o julgamento dos embargos do
executado no Código de Processo Civil, passando a LEF e o
CPC/1973 a alinhar a disposição sobre a matéria.
Com o advento do Novo Código de Processo Civil,
através da Lei n° 13.105 de 16 de março de 2015, passou-se a ter
uma redação ainda mais precisa sobre a matéria no artigo 914,
§2º que assim dispôs: “Na execução por carta, os embargos

1
“Art. 20 - Na execução por carta, os embargos do executado serão
oferecidos no Juízo deprecado, que os remeterá ao Juízo deprecante, para
instrução e julgamento. Parágrafo Único - Quando os embargos tiverem por
objeto vícios ou irregularidades de atos do próprio Juízo deprecado, caber-lhe
-á unicamente o julgamento dessa matéria.”
369

serão oferecidos no juízo deprecante ou no juízo deprecado, mas


a competência para julgá-los é do juízo deprecante, salvo se
versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da
avaliação ou da alienação dos bens efetuadas no juízo
deprecado”.
A mudança na redação deste artigo pelo NCPC teve
como foco, especialmente, a determinação de que a competência
para julgamento dos embargos será do juízo deprecado, quando
versar o objeto sobre defeitos da penhora, avaliação ou
alienação efetuadas pelo próprio juízo deprecado,
acompanhando entendimento jurisprudencial já firmado sobre o
tema.
Saliente-se, aqui não haver equivalência entre a
previsão constante na LEF e àquela no Código de Processo
Civil, uma vez que, nos executivos fiscais, o oferecimento dos
embargos será sempre no juízo deprecado, enquanto que, nas
execuções sujeitas ao Código de Processo Civil, os embargos
poderão ser oferecidos tanto no juízo deprecante quanto no
deprecado.

Remissões Legais: Lei nº 242 de 1842; Decreto-lei nº 960 de


1938; Decreto-lei nº 5.455 de 1943; Lei nº 5.869/73; Súmula 46
do STJ; Súmula 32 do TFR; art. 914, § 2º da Lei n° 13.105 de
2015.
370

2. Conceitos Principais

2.1. Execução por Carta e Competência para recebimento e


julgamento dos Embargos à Execução

Nas execuções fiscais, em havendo necessidade de


expedição de carta precatória para realização de penhora,
avaliação e alienação de bens (atos executivos), situações nas
quais o executado somente possui bens em outras comarcas,
poderá o mesmo apresentar embargos perante o juízo deprecado
que, por sua vez, possui competência para recebê-los e
encaminha-los para o juízo deprecante, se assim for o caso.
Na hipótese do previsto no artigo 20 da Lei de
Execuções Fiscais, o recebimento dos embargos será sempre de
competência do juízo deprecado que, em versando a matéria
sobre vício dos atos praticados pelo próprio juízo deprecado,
também deterá a competência para instrução e julgamento dos
embargos – independentemente de remessa ao juízo deprecante.
Todavia, sendo a matéria arguida nos embargos diversa
dos atos praticados pelo juízo deprecado, deverá o mesmo
remeter os autos ao juízo deprecante para instrução e
julgamento, sendo deste a competência para tanto, conforme a
regra geral, constituindo-se a competência do juízo deprecado
uma exceção.
Saliente-se aqui que a competência do juízo deprecado
para instrução e julgamento dos embargos somente ocorre nas
hipóteses em que os atos executórios impugnados tenham sido
371

por ele praticados. A jurisprudência pátria já sedimentou o


entendimento de que nas hipóteses em que o bem sobre o qual
recair a penhora for indicado expressamente pelo juízo
deprecante, a este será atribuída a competência para julgamento
dos embargos. Assim, conclui-se que a competência somente
será do juízo deprecado nas hipóteses em que o mesmo tiver
plena liberdade para a prática dos atos executórios, sem
indicação de bens pelo juízo deprecante. Do contrário, a
competência para julgamento dos embargos seguirá a regra geral
da Lei de Execuções Fiscais, competindo ao juízo deprecante.
Divergência sobre a competência surge quando os
embargos apresentados impugnam tanto os atos praticados pelo
juízo deprecante, quanto àqueles do juízo deprecado, visto que
cada qual possui competência específica para cada matéria. Em
que pese a Súmula 46 do Superior Tribunal de Justiça tentar
elucidar e uniformizar a questão, a doutrina ainda debate a
competência para ojulgamento2. Leandro Paulsen, ao comentar a
Lei de Execuções Fiscais em sua obra, apresenta uma análise
restritiva da referida súmula, no sentido de que a competência
será do juízo deprecante na hipótese dos embargos versarem
também sobre matéria diversa daquela de competência do juízo
deprecado. Isto porque, o texto sumular afirma ser a
competência do juízo deprecado para hipóteses dos embargos
versarem unicamente sobre os vícios ou defeitos da penhora,

2
Súmula 46 – “Na execução por carta, os embargos do devedor serão
decididos no juízo deprecante, salvo se versarem unicamente vícios ou
defeitos da penhora, avaliação ou alienação dos bens”. (CORTE ESPECIAL,
julgado em 13/08/1992, DJ 24/08/1992)
372

avaliação ou alienação de bens e, desta forma, em havendo


outras matérias arguidas, a competência para instrução e
julgamento seria do juízo deprecante.
Corrente diversa, todavia, afirma ser necessário haver
um duplo julgamento dos embargos, sendo o primeiro pelo juízo
deprecado – estritamente no que tange aos atos executórios por
ele praticados – e, posteriormente, deverá haver a remessa dos
embargos ao juízo deprecante para julgamento do restante das
matérias.
A repartição de competência entre juízo deprecante e
juízo deprecado também é influenciada pela competência
delegada do artigo 109, §3º da Constituição Federal, visto que o
artigo 1.213 do Código de Processo Civil assegura a
possibilidade de a carta precatória ser cumprida pela Justiça
Estadual. Frisa-se tratar aqui de uma nítida competência
delegada, em que o juízo estadual pratica os atos executórios
como delegado do juízo federal e, assim sendo, eventual recurso
interposto será de competência do Tribunal Regional Federal.
Entendimento contrário a este implicaria a possibilidade de
haver dois tribunais competentes para o julgamento do mesmo
feito, situação esta incompatível com a segurança jurídica.
Em que pese tenha havido alteração na redação do
artigo 1.213 do CPC – que passou a constar no artigo 237 do
Novo Código de Processo Civil - não houve interferência direta
nas execuções fiscais, mantendo-se o entendimento já firmado
pela jurisprudência e pelo Código de Processo Civil de 1973.
373

3. Jurisprudência relacionada
Penhora determinada pelo juízo deprecante com indicação
expressa de bem

CONFLITO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO FISCAL POR


CARTA PRECATÓRIA. PENHORA DE BEM INDICADO
PELO JUÍZO DEPRECADO. EMBARGOS DE TERCEIRO.
APLICAÇÃO DA SÚMULA N.º 33 DO TFR.
COMPETÊNCIA DO JUÍZO DEPRECADO. 1. À luz do
princípio insculpido no enunciado sumular n.º 33 do antigo
Tribunal Federal de Recursos, sedimentou-se nesta Corte
Superior o entendimento de que o julgamento de embargos de
terceiro opostos à penhora efetuada em cumprimento a carta
precatória é da competência do juízo deprecado, salvo se o bem
em questão fora previamente indicado pelo juízo deprecante. 2.
Precedentes: CC n.º 46.430/SP, Primeira Seção, Rel. Min.
Castro Meira, DJ de 06/06/2005; CC n.º 46.152/PE, Segunda
Seção, Rel. Min. Nancy Andrighi, DJ de 03/11/2004; e CC n.º
20.818/MT, Segunda Seção, Rel. Min. Barros Monteiro, DJ de
16/09/2002. 3. In casu, a realização da penhora do bem objeto
dos embargos de terceiro foi determinada pelo Juízo deprecado,
ora suscitado, e não pelo deprecante, razão pela qual é daquele e
não deste a competência para o processamento dos referidos
embargos. 4. Conflito conhecido para declarar competente o
Juízo de Direito do Serviço Anexo das Fazendas Públicas da
Comarca de Jundiaí-SP, ora suscitado. (STJ, Conflito de
Competência nº 39384/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz
Fux, julgado em 24/08/2005.)

Conflito de competência quando da carta precatória enviada


pelo juízo federal ao estadual

CONFLITO NEGATIVO DE COMPETÊNCIA. EXECUÇÃO


FISCAL PROPOSTA PELA UNIÃO NA JUSTIÇA FEDERAL.
CARTA PRECATÓRIA À JUSTIÇA ESTADUAL.
DELEGAÇÃO DE JURISDIÇÃO FEDERAL. ATOS
EXECUTIVOS PRATICADOS PELO JUÍZO DEPRECADO.
374

AGRAVO DE INSTRUMENTO. COMPETÊNCIA DO


TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. "As cartas precatórias
citatórias, probatórias, executórias e cautelares, expedidas pela
Justiça Federal, poderão ser cumpridas nas comarcas do interior
pela Justiça Estadual" (CPC, art. 1213). Trata-se de hipótese de
delegação enquadrável no § 3º do art. 109 da Constituição
Federal. Entendimento em sentido contrário, de que o juiz de
direito não estaria investido de delegação federal, levaria à
conclusão de que o eventual recurso contra seus atos deveriam
ser julgados pelo Tribunal de Justiça do respectivo Estado. Isso
importaria atribuir a tribunal estadual uma delegação de
competência não prevista, nem como exceção, pela Carta
Constitucional. Importaria também afirmar que, para a mesma
execução fiscal, dois tribunais seriam competentes: um para os
recursos contra atos do juiz deprecante e outro para os do juiz
deprecado. 2. No presente caso, o juízo estadual, deprecado que
foi nos termos do art. 1.213 do CPC, atua como delegado da
Justiça Federal. É, portanto, para esse efeito, juiz federal,
cabendo ao TRF respectivo julgar os recursos interpostos. 3.
Conflito conhecido e declarada a competência do TRF da 1ª
Região, o suscitante. (STJ, Conflito de Competência nº
60660/BA, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki,
julgado em 27/09/2006.)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas.

LEVENHAGEN, Antônio José de Souza. Comentários ao


Código de Processo Civil, São Paulo: Atlas, 1987.

MELLO, Rafael Corte (org).; GIORGI JR, Romulo Ponticelli


(org) & SILVA, Jaqueline Mielke (prefácio). Novo Código de
Processo Civil Anotado. Charleston, SC, EUA: CreateSpace
Independent Publishing Plataform, 2015.
375

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, São Paulo: Saraiva, 1988.

PAULSEN, Leando; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito processual tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência, Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.
376

Art. 21 - Na hipótese de alienação antecipada dos bens


penhorados, o produto será depositado em garantia da
execução, nos termos previstos no artigo 9º, inciso I.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A previsão de alienação antecipada dos bens


penhorados veio expressa inicialmente no CPC de 1973, em seu
artigo 670, contemplando como hipóteses àquelas em que os
bens estiverem sujeitos a deterioração ou depreciação ou
quando houver manifesta vantagem, salientando-se que os
executivos fiscais, até a edição da Lei n° 6.830/80 eram
regulados pelo Código de Processo Civil. Em que pese não
haver previsão expressa quanto à destinação do produto da
alienação, resta pacificado pela doutrina que a penhora, que
antes recaía sobre o bem, passará a recair sobre o produto da
alienação.
Posteriormente a Lei nº 6.830/80 (Lei de Execuções
Fiscais) em seu artigo 21, na sua redação original, buscou
regulamentar as hipóteses em que necessária a alienação
antecipada de bens, determinando expressamente o depósito do
produto para garantia da execução.
O referido dispositivo adveio como meio de assegurar
ao dinheiro, decorrente da alienação, o mesmo tratamento dado
aos depósitos realizados em espécie, observado o disposto no
377

artigo 32 da LEF1. Ademais, a referência expressa ao artigo 9º, I


assegurou que o valor depositado seja considerado para fins de
garantia da execução pelo total indicado na Certidão de Dívida
Ativa, ficando garantida a atualização monetária do depósito
pela instituição financeira.
Diante da omissão legislativa quanto às hipóteses de
alienação antecipada de bens objetos de penhora, cabe a
aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, conforme
assegurado pela lei de executivos fiscais em seu artigo 1º. Isto
porque a redação do artigo 21 da Lei de Execuções Fiscais não
regulou a venda antecipada de bens, mas, tão-somente, o
depósito dos valores decorrentes, fazendo-se necessária a
utilização das hipóteses previstas no CPC para a venda de bens,
no curso da demanda judicial.2
Desta feita, o artigo 670 do CPC de 1973 elenca as
hipóteses em que cabível a alienação antecipada, como no
casodos bens “sujeitos a deterioração ou depreciação; houver
manifesta vantagem”.
Por sua vez, o artigo 1.113 do CPC/19733 ampliou o rol
trazido pelo artigo acima, elencando como hipótese de alienação

1
“Art. 32 - Os depósitos judiciais em dinheiro serão obrigatoriamente feitos:
I - na Caixa Econômica Federal, de acordo com o Decreto-lei nº 1.737, de 20
de dezembro de 1979, quando relacionados com a execução fiscal proposta
pela União ou suas autarquias; II - na Caixa Econômica ou no banco oficial
da unidade federativa ou, à sua falta, na Caixa Econômica Federal, quando
relacionados com execução fiscal proposta pelo Estado, Distrito Federal,
Municípios e suas autarquias.”
2
PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal, São
PauloSaraiva, 1988, p. 231
3
“Art. 1.113. Nos casos expressos em lei e sempre que os bens depositados
judicialmente forem de fácil deterioração, estiverem avariados ou exigirem
378

de bens que estiverem avariados e/ou exigirem grandes despesas


para sua guarda, assim como assegura a alienação de
semoventes. Veda-se, contudo, a alienação para situações em
que alguma das partes se obriga a satisfazer ou garantir as
despesas de conservação.
Considerando a remissão expressa da Lei de Execuções
Fiscais ao depósito em dinheiro (Art. 9º, I) há uma referência,
assim ao artigo 32 do mesmo diploma legal, não havendo
aplicação do artigo 1.116 do Código de Processo Civil de 1973
(atual artigo 731 do NCPC).
O Novo Código de Processo Civil (Lei n° 13.105/15)
passou a prever no artigo 852 uma nova redação no que tange à
situação de alienação antecipada dos bens penhorados,
assegurando que o “juiz determinará a alienação antecipada dos
bens penhorados quando: I – se tratar de veículos automotores,
de pedras e metais preciosos e de outros bens móveis sujeitos à
depreciação ou à deterioração. II – houver manifesta vantagem”.

Remissões legais: Lei nº 5.869/73; art. 1º e 9º, I e 32 da Lei n°


6.830/80; art. 731 e 852 e 853 e 1.113 da Lei n° 13.105 de 2015.

grandes despesas para a sua guarda, o juiz, de ofício ou a requerimento do


depositário ou de qualquer das partes, mandará aliená-los em leilão. § 1o
Poderá o juiz autorizar, da mesma forma, a alienação de semoventes e outros
bens de guarda dispendiosa; mas não o fará se alguma das partes se obrigar a
satisfazer ou garantir as despesas de conservação. § 2o Quando uma das
partes requerer a alienação judicial, o juiz ouvirá sempre a outra antes de
decidir.”
379

2. Conceitos Principais

2.1. Alienação antecipada de bens e a aplicação subsidiária do


Código de Processo Civil

Nos casos de alienação antecipada de bens em ações de


execução fiscais há uma necessária utilização subsidiária do
Código de Processo Civil e, no caso da Lei n° 13.105/15 – Novo
Código de Processo Civil – a redação trazida passou a ensejar
questionamentos.
Isto porque, o legislador, ao determinar expressamente
a alienação de veículos automotores, pedras e metais preciosos,
adotou uma presunção de que a demora na alienação destes bens
acarretaria uma depreciação ou deterioração dos mesmos.
Ocorre, todavia ser necessária uma admissibilidade de uma
prova em contrário, apta a demonstrar que economicamente
seria melhor postergar a venda dos bens, fazendo com que a
presunção trazida pelo Novo Código de Processo Civil seja iuris
tantum.
Nesse sentido, a obra de Luís Alberto Reichelt defende
a tese de que o fato do legislador utilizar o termo determinar, ao
se referir à alienação antecipada de veículos, pedras e metais
preciosos, não significa que o juiz esteja obrigado a realizar esta
alienação antecipada, sendo possível o indeferimento da
alienação quando comprovado documentalmente uma possível
valorização futura dos bens.
380

Fato diverso ocorre com aqueles bens cuja


desvalorização ao longo do tempo se mostra notória, como é o
caso de equipamentos de informática que, diante de uma
obsolescência decorrente dos avanços tecnológicos, enseja a
alienação antecipada dos mesmos, como é o atual entendimento
do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
Percebe-se, assim que, em que pese o atual Código de
Processo Civil trazer como presumida a desvalorização de
determinados bens, é possível também a inclusão de outros
tantos que possuam notória perda de valor ao longo do tempo.
Na vigência do Código de Processo Civil de 1973 o
Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento de ser ônus da
parte que requer a alienação antecipada comprovar a
possibilidade de depreciação ou deterioração.4 Ademais, o
Tribunal Regional Federal da 4ª Região possui entendimento no
sentido de ser plenamente viável a alienação antecipada de bens
nas hipóteses em que a depreciação do bem é notória, como é o
caso dos equipamentos de informática5.
Todavia, com a alteração da redação do código, que
assumiu uma presunção iuris tantum a respeito da depreciação
de determinados bens, não cabe mais à parte requerente da
alienação comprovar a sua necessidade, em face de uma
possível depreciação. Desta forma caberia, agora, à parte
requerida comprovar nos autos e, de forma casuística que não há

4
Recurso Especial nº 962.794
5
Agravo de Instrumento nº 2005.04.01.028492-6
381

risco de depreciação dos bens, em especial daqueles cuja perda


de valor possui presunção assegurada pelo NCPC.
Referido entendimento, todavia, não é pacífico na
doutrina brasileira, como se depreende da doutrina de Daniel
Amorim de Assumpção Neves, o qual assegura que a redação
trazida pelo Novo Código de Processo Civil em seu artigo 852
prevê uma hipótese de presunção absoluta para a alienação
antecipada de bens. Fundamenta, no seguinte sentido:
A primeira conclusão é que estão excluídos
dessa hipótese os bens imóveis. A segunda é
que os bens especificamente indicados
devem ser alienados antecipadamente,
independentemente de comprovação do
perigo de deterioração ou depreciação no
caso concreto. Entendo que o legislador
criou uma hipótese de presunção absoluta
para a alienação antecipada de tais bens,
considerando abstratamente o perigo do
tempo sobre eles, não interessando para
tanto as circunstâncias do caso concreto.6
Em que pese esta divergência doutrinária quanto ao
tema da presunção de depreciação de determinados bens
trazidos expressamente no Código de Processo Civil, não é
possível deixar de se analisar casuisticamente a necessidade de
alienação de bens, em especial, diante da garantia do
contraditório prevista no artigo 853 do Código de Processo Civil
de 2015.
A própria jurisprudência do Superior Tribunal de
Justiça já se posicionou no sentido de ser necessária a intimação

6
NEVEZ, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual
Civil, Rio de Janeiro: JusPodivm, 2016.
382

da parte contrária para manifestação quanto à alienação judicial


de bens penhorados. Dessa forma, sendo necessária a oitiva da
parte contrária quanto à alienação antecipada de bens, assegura-
se a esta a comprovação da dispensa da referida alienação,
podendo comprovar a inocorrência de depreciação dos bens e,
assim, afastar a presunção trazida pelo Novo Código de
Processo Civil.

3. Jurisprudência relacionada

Ônus processual do requerente da alienação antecipada para


comprovação dos requisitos

DIREITO CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO


ESPECIAL. LOCAÇÃO. EXECUÇÃO DE TÍTULO
EXECUTIVO JUDICIAL. BENS NOMEADOS A PENHORA.
ALIENAÇÃO JUDICIAL DETERMINADA SEM A PRÉVIA
MANIFESTAÇÃO DA PARTE EXECUTADA. NULIDADE.
EXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E
PROVIDO.
1. A alienação judicial dos bens penhorados, quando requerida
por uma das partes, deverá ser precedida da manifestação da
parte contrária. Inteligência dos arts. 670, parágrafo único, e
1.113, §2º, do CPC. 2. Recurso especial conhecido e provido.
(STJ, Recurso Especial nº 962.794/RS, Quinta Turma, Rel. Min.
Arnaldo Esteves Lima, julgado em 11/12/2008)

Possibilidade de alienação antecipada diante da notória


desvalorização dos bens

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO


FISCAL. ALIENAÇÃO ANTECIPADA. 1. Diante da notória
depreciação que os equipamentos de informática se sujeitam,
383

perfeitamente enquadrável a hipótese de alienação antecipada


prevista no artigo 670 do CPC. 2. A alegação genérica de que
referido equipamento é indispensável nas suas atividades, por
outro lado, não basta para caracterizar a ocorrência de dano
irreparável. (TRF4, Agravo de Instrumento nº
2005.04.01.028492-6, Segunda Turma, Rel. Des. Marga Inge
Barth Tessler, julgado em 03/11/2005)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados

5. Referências bibliográficas.

MACEDO, Elaine Harzheim (Coord).; MIGLIAVACCA,


Carolina Moraes (Coord). Novo Código de Processo Civil
Anotado. Porto Alegre - RS: OAB RS, 2015.

NEVEZ, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito


Processual Civil, Rio de Janeiro: JusPodivm, 2016.

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, São Paulo: Saraiva, 1988.

PAULSEN, Leando; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito processual tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência, Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.
384

Art. 22 - A arrematação será precedida de edital, afixado no


local de costume, na sede do Juízo, e publicado em resumo,
uma só vez, gratuitamente, como expediente judiciário, no
órgão oficial.
§ 1º - O prazo entre as datas de publicação do edital e do
leilão não poderá ser superior a 30 (trinta), nem inferior a 10
(dez) dias.
§ 2º - O representante judicial da Fazenda Pública, será
intimado, pessoalmente, da realização do leilão, com a
antecedência prevista no parágrafo anterior.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

Inicialmente, no período pós-independência do Brasil, o


Decreto-Lei nº 960 de 1938 já possuía previsão expressa quanto
à publicação de edital para fins de arrematação, com redação
extremamente semelhante à atual da LEF. Previa-se no artigo 33
que a “arrematação será precedida de editais, afixados no local
do costume, na sede do juízo, e publicados na imprensa três
vezes pelo menos, devendo a última publicação ser feita em dia
próximo ao fixado para a praça. Em sua redação original,
referido artigo garantia também a indicação nos editais da
natureza e o estado dos bens; sendo imóveis, sua situação,
características e confrontações; o preço da avaliação; o dia, hora
e local da praça”.
Posteriormente, com o advento do Decreto Lei nº 474
de 1969 eliminou-se a necessidade de indicações específicas
385

sobre os bens, mantendo-se somente a previsão de que a


“arrematação será precedida de edital, afixado no local do
costume, na sede do Juízo, e publicado na forma do artigo 72”.
O artigo 72, por sua vez, previa que as publicações da referida
lei seriam feitas em jornal local, dentre os de maior circulação,
salvo se houver órgão oficial encarregado da divulgação do
expediente forense na capital do estado.
Com esta modificação, não mais era necessária a
publicação por três vezes na imprensa, bastando a publicação de
edital e a publicação no jornal local de maior circulação, caso
não houvesse publicação de expediente forense na capital do
estado, hipótese em que a publicação deveria ser por ele
realizada.
Os prazos a serem observados na publicação do edital
para arrematação inicialmente eram de 30 dias para a primeira
praça; de 10 dias para a segunda e, quando forem bens móveis,
estes prazos seriam contados pela metade, na redação original
do artigo 34 do Decreto Lei n° 960 de 1938. Posteriormente,
com o Decreto Lei n° 474 de 1969 a redação do artigo 34 foi
alterada, mantendo-se os prazos não superiores a 30 dias nem
inferiores a 10 entre as datas de publicação do edital e da praça.
Houve a exclusão da previsão legal de que a contagem dos
prazos seja pela metade nos casos de bens móveis, todavia,
incluiu-se a possibilidade do juiz fixar em dobro os prazos
legais, de acordo com as peculiaridades locais.
Com o advento do Código de Processo Civil de 1973,
unificou os procedimentos executórios fiscais e civis, o artigo
386

686 previa expressamente a publicação de edital para a


arrematação de bens. O artigo 687 previa a obrigatoriedade de
que o edital fosse “afixado no átrio do edifício do fórum e
publicado, em resumo, uma (1) vez no órgão oficial do Estado, e
duas (2) em jornal local diário, se houver. Enquanto que em seu
parágrafo primeiro definia o prazo, observando que entre a
primeira publicação e a praça ou leilão mediará o prazo de dez
(10) dias, se os bens forem de valor igual ou inferior a duzentas
(200) vezes o salário mínimo em vigor na sede do juízo à data
da avaliação e a de vinte (20) dias se de maior valor”.
Posteriormente a Lei n° 6.830/1980 passou a
regulamentar as execuções fiscais, desvinculando as mesmas do
Código de Processo Civil.
O “caput” do artigo 22 assegura que a arrematação dos
bens em alienação será precedida de edital, prevendo
expressamente a obrigatoriedade de que o mesmo seja posto na
sede do juízo e, de forma resumida, publicado como expediente
judiciário no órgão oficial.
Em que pese a previsão expressa da forma em que se
dará a publicação de edital pela Lei de Execuções Fiscais, faz-se
necessária a aplicação subsidiária do Código de Processo Civil
em inúmeras questões atinentes à intimação do executado, à
publicação em jornais de grande circulação, dentre outras.
O próprio texto do artigo 22 prevê a afixação do edital
na sede do juízo, entendendo se tratar do local em que tramita a
execução fiscal que ensejou a realização do leilão, buscando
garantir uma maior abrangência da publicação, bem como
387

atingir aos terceiros interessados na alienação do bem que, em


geral, se situa na mesma comarca do executado. Com o advento
da internet o Novo Código de Processo Civil passou também a
prever no artigo 887, §2º que o edital será publicado na rede
mundial de computadores (Internet), em sítio designado pelo
juízo da execução, com a descrição detalhada e ilustrada dos
bens; representando manifesto avanço da legislação e
permitindo uma maior eficácia dos leilões.
A redação trazida pelos parágrafos 1º e 2º do artigo 22
da LEF apresenta-se manifestamente concisa e por vezes não
abrange a totalidade de situações que tendem a ocorrer nas
alienações através de leilão, de forma que passa a ser necessária
a aplicação do disposto no Código de Processo Civil, naquilo em
que a LEF apresenta-se omissa, como na forma de intimação do
executado.

Remissões Legais: art. 33 e 34 do Decreto-Lei nº


960/38;Decreto-Lei nº 474/69; art. 686 e 687 da Lei nº 5.869/73;
art. 22 da Lei n° 6.830/80; art. 887, §2º e 3º da Lei n° 13.105 de
2015.

2. Conceitos Principais

2.1. Publicação de Edital e publicação em jornal de grande


circulação
388

A previsão legal do “caput” do artigo 22, além de


assegurar a publicação de edital afixado na sede do juízo
possibilita, também, a publicação em jornal de grande circulação
através de uma aplicação do artigo 887, §3º do Código de
Processo Civil. Assim, embora não haja previsão legal na Lei de
Execuções Fiscais exigindo a publicação em jornais de grande
circulação, não há vedação para tanto, inclusive recomendando-
se, em especial, a fim de visar a uma maior publicidade do
edital.
Com a reforma do Código de Processo Civil, à previsão
de possibilidade de publicação em jornal de grande circulação
foi acrescentada a publicação na rede mundial de computadores.

2.2. Prazos para publicação de Edital

O parágrafo 1º do artigo 22, por sua vez, prevê os


prazos mínimo e máximo que poderão transcorrer entre a
publicação do edital e a realização do leilão, não podendo ser
inferior a 10 dias nem superior a 30 dias. Saliente-se que, neste
caso, por não se tratar de prazo processual, não há a aplicação
do disposto no artigo 219 do Código de Processo Civil de 20151
e, sendo o prazo previsto de forma expressa, não há interferência
da mudança trazida pelo artigo 887 do Código de Processo Civil
de 2015.

1
“Art. 219. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz,
computar-se-ão somente os dias úteis. Parágrafo único. O disposto neste
artigo aplica-se somente aos prazos processuais.”
389

No caso dos prazos mínimo e máximo para a realização


de leilão, a jurisprudência já sedimentou entendimento de que o
descumprimento dos mesmos acarreta a nulidade da
arrematação, devendo ser comprovado o prejuízo pela parte que
requereu a nulidade.2

O parágrafo 2º do artigo 22 da LEF, por sua vez,


determina a intimação pessoal do representante judicial da
Fazenda Pública sobre a realização do leilão, observando-se o
mesmo prazo previsto no parágrafo 1º do mesmo artigo.

Discussão decorrente deste parágrafo situa-se na


necessidade ou não de intimação pessoal do devedor quanto à
realização de leilão dos bens penhorados. O Superior Tribunal
de Justiça, através da Súmula n° 121, sedimentou o
entendimento quanto à necessidade de intimação pessoal do
devedor sobre o dia e a hora da realização do leilão. Ocorre que,
ao se analisar a decisão que deu origem à aprovação da súmula,
percebe-se que entendeu o STJ pela aplicação subsidiária do
artigo 687, §5º do Código de Processo Civil de 1973.

Com a reforma do Código de Processo Civil, a previsão


do antigo artigo 687, §5º passou a ser incluída no artigo 889, e
com a previsão de que o executado será intimado por meio de
seu advogado e, caso não haja um mandatário constituído, por
meio de carta registrada, edital ou outro meio idôneo. Saliente-
se, inclusive, que o parágrafo único deste artigo trouxe a

2
MATTOS E SILVA, Bruno. Execução Fiscal. Rio de Janeiro: Forense,
2001, p. 83.
390

previsão para os casos em que o réu seja revel, quando a


intimação do leilão se dará por meio do próprio edital de leilão.

Todavia, em que pese haver uma aplicação subsidiária


do atual artigo 889 do CPC, não é possível a aplicação do
previsto no “caput” do artigo, qual seja, de que o executado será
intimado com pelo menos cinco dias de antecedência, tendo em
vista que há prazo expresso constante no artigo 22 da Lei de
Execuções Fiscais. Desta forma, há uma aplicação subsidiária
somente no que tange à forma de intimação do executado, ou
seja, por meio de seu advogado, por carta registrada, por edital
ou por outro meio.

3. Jurisprudência Relacionada

Aplicação da alteração legal aos processos em andamento

PROCESSO CIVIL - EXECUÇÃO FISCAL -


ARREMATAÇÃO - CIENTIFICAÇÃO POR EDITAL -
INEXISTÊNCIA DO ESGOTAMENTO DOS MEIOS DE
LOCALIZAÇÃO DO DEVEDOR - SÚMULA 121/STJ - ART.
687, § 5º, DO CPC - REDAÇÃO DADA PELA LEI
11.382/2006 - VIGÊNCIA POSTERIOR AO FATO DA
NULIDADE. 1. A Súmula 121 do Superior Tribunal de Justiça
permanece válida ao determinar que a cientificação do devedor
deva ser feita pessoalmente. Caso não seja possível a intimação
pessoal e após esgotados os meios de localização do devedor,
admite-se a cientificação da realização do leilão por edital.
Precedentes de ambas as Turmas de Direito Público. 2. O art.
687, § 5º, do CPC, com redação dada pela Lei 11.382/2006 tem
aplicação imediata a partir de sua vigência. O ato que gerou a
nulidade lhe é anterior e, portanto, o novo enunciado é
inaplicável à hipótese. 3. Recurso especial não provido. (STJ,
391

Recurso Especial nº 107.763-4/SC, Segunda Turma, Rel. Min.


Eliana Calmon, julgado em 09/12/2008)

Intimação pessoal do executado nos termos do artigo 687,


§3º do CPC faz-se necessária devendo-se se esgotar as
tentativas

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. DECISÃO DE


SUBIDA DO RECURSO ESPECIAL. NÃO IMPUGNAÇÃO.
PRECLUSÃO. EXECUÇÃO FISCAL. ART. 687, § 5º, DO
CPC (REDAÇÃO DA ÉPOCA). TENTATIVAS DE
INTIMAÇÃO PESSOAL FRUSTRADAS. INTIMAÇÃO POR
EDITAL. ESGOTAMENTO DE TODOS OS MEIOS DE
LOCALIZAÇÃO DO DEVEDOR. PRINCÍPIO DA
INSTRUMENTALIDADE DAS FORMAS. 1. Da decisão que
determina a subida do recurso especial é possível recorrer,
quando a impugnação se volta contra a admissibilidade do
próprio agravo. Entretanto, deixando transcorrer in albis o prazo
para infirmar tal provimento, não interpondo o recurso
competente à análise de sua irresignação, a matéria se torna
preclusa. 2. Se as circunstâncias fáticas da causa estão
totalmente descritas nos fundamentos do acórdão, é possível,
consequentemente, extrair conclusão diversa à firmada pelo
Tribunal de origem, sem que isso implique reexame de provas.
Inaplicabilidade da Súmula 7/STJ. 3. No caso dos autos, fica
evidente que antes da primeira e da segunda praça, houve duas
tentativa de intimação pessoal do executado, ambas frustradas,
além da intimação de seu procurador, e que houve a publicação
do edital. Tentou-se por todos os meios realizar a intimação da
praça, iniciando-se pela intimação por carta com AR. Após essa
tentativa, foram executadas diversas outras, por todos os meios
previstos no CPC, sem que o devedor comparecesse aos autos,
esgotando-se todos os meios previstos para sua localização. 4.
No termos do art. 234 do CPC, a finalidade da intimação é dar
ciência a alguém dos atos e termos do processo para que faça ou
deixe de fazer alguma coisa. 5. Ainda que se entenda que
ocorreu irregularidade formal, não se pode afirmar que o não
392

comparecimento do devedor aos autos tenha ocorrido por


defeito nas diversas tentativas de intimação, o que impede a
decretação da nulidade dos atos praticados ante a ausência de
comprovação de prejuízo decorrente desses atos, de modo que a
finalidade do art. 687 do CPC foi cumprida. Agravo regimental
improvido. (STJ, Agravo Regimental no Recurso Especial nº
127.041-4/RS, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins,
julgado em 08/10/2013)

Anulação de leilão por inobservância dos prazos legais


depende da demonstração de prejuízo

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL.


AÇÃO DE FALÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE. NÃO
OCORRÊNCIA. NULIDADE. ARREMATAÇÃO. DEFEITO
SUPERVENIENTE. PREJUÍZO AOS CREDORES E À
MASSA FALIDA. NÃO DEMONSTRAÇÃO. BOA-FÉ DO
ARREMATANTE. PRESUNÇÃO. 1- Agravo de instrumento
distribuído em 16/9/2010. Recurso concluso ao Gabinete em
17/7/2013. 2- Controvérsia que se cinge em definir se é nula a
arrematação de imóveis integrantes do acervo patrimonial da
massa falida em virtude de o mesmo advogado ter atuado tanto
na defesa dos interesses da massa como, em momento posterior,
em favor do arrematante dos bens. 3- Ausentes os vícios do art.
535 do CPC, rejeitam-se os embargos de declaração. 4- A
ciência processual contemporânea, que coloca em evidência o
princípio da instrumentalidade das formas, recomenda que
somente seja decretada a nulidade de atos processuais quando se
verificar a existência de prejuízo. 5- A arrematação de bens
imóveis por 70% do valor atualizado da avaliação, sem qualquer
impugnação das partes diretamente interessadas, não representa,
por si só, prejuízo à massa falida ou aos respectivos credores. 6-
Atos processuais perfectibilizados não são passíveis de
invalidação por motivos supervenientes. 7- O acórdão recorrido
não aponta a existência de elementos aptos a ensejar o
reconhecimento da má-fé do arrematante. 8- Recurso especial
393

provido. (STJ, Recurso Especial nº 1.422.926/SP, Terceira


Turma, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 24/04/2014)

4. Temas relacionados

Não há temas relacionados.

5. Referências bibliográficas

MACEDO, Elaine Harzheim (Coord).; MIGLIAVACCA,


Carolina Moraes (Coord). Novo Código de Processo Civil
Anotado. Porto Alegre - RS: OAB RS, 2015.

MELLO, Rafael Corte (org).; GIORGI JR, Romulo Ponticelli


(org) & SILVA, Jaqueline Mielke (prefácio). Novo Código de
Processo Civil Anotado. Charleston, SC, EUA: CreateSpace
Independent Publishing Plataform, 2015.

PACHECO, José da Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, São Paulo: Saraiva, 1988.

PAULSEN, Leando; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA, Ingrid


Schroder. Direito processual tributário: processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência, Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2014.
394

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 23 A 25


Veyzon Campos Muniz∗

Art. 23 – A alienação de quaisquer bens penhorados será


feita em leilão público, no lugar designado pelo Juiz.
§ 1º - A Fazenda Pública e o executado poderão requerer
que os bens sejam leiloados englobadamente ou em lotes que
indicarem.
§ 2º - Cabe ao arrematante o pagamento da comissão do
leiloeiro e demais despesas indicadas no edital.
1. Evolução legislativa e Remissões Legais

Trata-se de dispositivo presente desde a concepção da


Lei de Execuções Fiscais. O caput do artigo 23 aduz
expressamente que a alienação de bens penhorados, em sede de
Execução Fiscal, será feita através de leilão público. Trata-se de


Doutorando em Direito Público, pela Universidade de Coimbra (Portugal).
Mestre em Direito e Bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais, pela PUCRS.
Pós-Graduado em Direito Tributário, pela Universidade Paulista, e em
Direito Público, pela Escola Superior da Magistratura Federal do Rio
Grande do Sul. Professor universitário no Curso de Direito das Faculdades
Integradas de Taquara. Advogado licenciado peara o exercício de cargo
público.
395

uma modalidade de alienação judicial, a ser efetuada por


leiloeiro oficial, nos termos da lei, ou de serventuário da justiça
designado, à prática, mediante lances de qualquer interessado à
aquisição dos bens, móveis ou imóveis, penhorados, adjudicados
judicialmente ou recebidos em dação de pagamento pela
Fazenda Pública. Tem-se, assim, legalmente estabelecida a
necessidade de ser a venda dos bens penhorados no processo de
execuçãoefetuado mediante oferta pública, de modo que
qualquer pessoa tenha a possibilidade de adquiri-los.
A nomeação de leiloeiro constitui-se como faculdade
do juiz e das partes, devendo observar o seu credenciamento
perante o órgão judiciário e o exercício de prática
profissionalnão inferior a três anos, como estabelece o artigo
880, parágrafos e seguintes, da Lei nº 13.105/2015 – Novo
Código de Processo Civil. Destaca-se que na arrematação em
leilão público, embora haja o custo de comissão do leiloeiro, os
débitos enunciados em edital sub-rogam-se ao preço, incidindo o
artigo 130, caput e parágrafo único, do Código Tributário
Nacional1.
Com efeito, os parágrafos 1º e 2º do artigo 23
informam, respectivamente, a possibilidade de loteamento
(divisão em agrupamentos) dos bens que constituem objeto da

1
In verbis: “Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato
gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e
bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais
bens, ou a contribuições de melhoria, subrogam-se na pessoa dos
respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua
quitação. Parágrafo único. No caso de arrematação em hasta pública, a sub-
rogação ocorre sobre o respectivo preço”.
396

hasta pública e a responsabilidade do arrematante pelo


pagamento das despesas inerentes a sua realização. Importante
salientar que o Superior Tribunal de Justiça, em sentido
sumulado, pacificou o entendimento que: “Na Execução Fiscal,
haverá segundo leilão, se no primeiro não houver lanço superior
à avaliação” (Súmula 128, DJ 23/03/1995).

2. Conceitos principais

Marinoni, Arenhart e Mitidiero ao versarem sobre a


caracterização do leilão público asseveram que: “A alienação
judicial [dar-se-á] por meio de leilão, que pode tomar a forma de
leilão por iniciativa particular ou judicial, eletrônico ou
presencial, que deve observar, em qualquer caso, o contido nos
arts. 879 a 903, CPC”, observando, ainda que, “sempre, [deve-
se ter em conta] o contido na parte geral do capítulo dos
Procedimentos Especiais de Jurisdição Voluntária (arts. 719 a
725, CPC) e, no que se refere à alienação, o procedimento
previsto pelos art. 879 a 903, CPC”.2
Outrossim, visando o pleno entendimento do
dispositivo em comento, destaca-se que, conforme conceituam
Bertoldi e Ribeiro: “Os leiloeiros são agentes auxiliares do
comércio que têm a incumbência de efetuar a venda, por meio
de oferta pública, de bens alheios que lhes são confiados para tal

2
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO,
Daniel. Novo código de processo civil comentado. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2015, p. 705.
397

fim, mediante pagamento de comissão que deverá ser estipulada


por escrito”.3

3. Jurisprudência relacionada

Possibilidade de arrematação do bem penhorado pelo credor


(Fazenda Pública) e por valor inferior ao de avaliação em
segundo leilão

PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO


FISCAL. EMBARGOS À ARREMATAÇÃO. VALOR
INFERIOR AO DE AVALIAÇÃO. POSSIBILIDADE.
EXISTÊNCIA DE FUNDAMENTO NÃO EXAMINADO.
RETORNO DOS AUTOS À ORIGEM. 1. As regras gerais do
CPC aplicam-se subsidiariamente ao processo de execução
fiscal relativamente ao ponto em que verificada omissão total ou
parcial da Lei 6.830/80. 2. A LEF trata da arrematação nos arts.
22 e 23, que fixam apenas regras relativas ao edital (publicação,
local e prazo), ao leilão (prazo, intimação e forma) e ao
pagamento da comissão do leiloeiro e demais despesas indicadas
no edital. A par da matéria tratada nesses dispositivos, todas as
demais questões atinentes à arrematação que não encontram
disciplina na Lei 6.830/80 devem observar as regras do CPC,
por força do que dispõe o artigo primeiro da LEF. 3. O § 2º do
art. 690 do CPC é expresso em admitir que o próprio credor
venha a arrematar os bens penhorados. 4. Como não há previsão
na Lei 6.830/80, e o CPC autoriza o credor a participar do
certame, conclui-se que a Fazenda Pública pode arrematar o
bem penhorado, ante a inexistência de qualquer
incompatibilidade entre a regra do art. 690, § 2º, do CPC e o
processo de execução fiscal. 5. Nos termos do art. 686, VI, do
CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo de execução

3
BERTOLDI, Marcelo M.; RIBEIRO, Márcia Carla Pereira. Curso
avançado de direito comercial. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,
2006, p. 91.
398

fiscal, é possível que o bem penhorado seja arrematado, em


segundo leilão, pelo lance de maior oferta, ainda que o valor
ofertado seja inferior ao de avaliação, parâmetro que somente
precisa ser observado no primeiro leilão. Assim, se o bem
penhorado não obtiver, em primeiro leilão, oferta igual ou
superior ao valor da avaliação, será realizado um novo
praceamento, quando então o bem será alienado àquele que
apresentar o maior lance, independentemente do valor da
avaliação. A única restrição, nesse último caso, está na regra
do art. 692 do CPC, que rejeita o lance que ofereça "preço vil".4
6. "Na execução fiscal haverá segundo leilão, se no primeiro
não houver lanço superior à avaliação" (Súmula 128/STJ). 7.
Para a Fazenda Pública valem as seguintes diretrizes: (a) poderá
adjudicar o bem penhorado, pelo valor de avaliação, antes de
realizado o leilão (art. 24, I, da LEF); (b) caso não adjudique o
bem nessa oportunidade, poderá participar do certame. No
primeiro leilão, o bem não será arrematado por lance inferior ao
preço de avaliação. No segundo, poderá arrematar o bem por
valor inferior ao de avaliação, desde que ofereça a melhor
proposta, devendo-se observar somente se o preço ofertado não
foi vil (art. 686, VI, c/c 692 do CPC); (c) realizado o leilão, a
Fazenda Pública ainda poderá adjudicar o bem: pelo valor da
avaliação, se não houve licitante (leilão negativo); ou pelo valor
da melhor proposta, se houve licitante (leilão positivo) - (art. 24,
II e III da LEF). 8. No caso, os embargos à arrematação
embasam-se em duplo fundamento: (a) impossibilidade de
arrematação do bem penhorado por valor inferior ao
estabelecido na avaliação; e (b) nulidade da arrematação por
ofensa ao art. 692 do CPC, que veda a transferência do bem por
preço vil. O acórdão recorrido acolheu a primeira tese,
deixando, por conseqüência, de examinar a segunda. Nesses
termos, o recurso deve ser provido para que os autos retornem à
Corte local, onde deverá ser examinado o outro fundamento. 9.
Recurso especial provido em parte. (REsp 1070369/SP, Rel.
Ministra ELIANA CALMON, Rel. p/ Acórdão Ministro

4
Observa-se que o artigo 692 do CPC em destaque é equivalente ao artigo
891do Novo Código de Processo Civil (In verbis: “Art. 891. Não será
aceito lance que ofereça preço vil”).
399

CASTRO MEIRA, Segunda Turma, julgado em 14/10/2008,


DJe 18/11/2008, grifou-se.)
Base de cálculo da comissão do leiloeiro

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. BASE DE


CÁLCULO DA COMISSÃO DO LEILOEIRO. VALOR DA
ARREMATAÇÃO. OCORRÊNCIA DE REMIÇÃO.
COMISSÃO INDEVIDA. VEDAÇÃO À REFORMATIO IN
PEJUS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE VIOLAÇÃO AO ART.
535 DO CPC. 1. O Tribunal a quo pronunciou-se de forma
motivada para a solução da lide, declinando os fundamentos
jurídicos que embasaram sua decisão. Ademais, não se exige do
magistrado que se reporte de modo específico a determinados
preceitos legais que não compõem a base jurídica adotada para
sua decisão nem que se detenha a analisar pontualmente todas as
alegações expendidas pela parte. 2. Em regra, a base de cálculo
da comissão a ser paga pelo arrematante ao leiloeiro é o valor
da arrematação, nos termos do art. 24, parágrafo único, do
Decreto n. 21.981/1932 c/c o art. 705, IV, do Código de
Processo Civil.53. O direito subjetivo à comissão exsurge
quando efetivamente realizada a hasta ou leilão, com a
consequente arrematação do bem, cabendo ao arrematante o
dever de efetuar o pagamento da referida remuneração.
Inexistente a arrematação, o leiloeiro faz jus somente à
percepção das "quantias que tiver desembolsado com anúncios,
guarda e conservação do que lhe for entregue para vender,
instruindo a ação com os documentos comprobatórios dos
pagamentos que houver efetuado, por conta dos comitentes e
podendo reter em seu poder algum objeto, que pertença ao
devedor, até o seu efetivo embolso" (art. 40 do Decreto n.
21.981/1932). Precedentes. 4. No caso, porém, é fato
incontroverso a não ocorrência de arrematação, uma vez que a
dívida foi remida pelo devedor logo após a realização da
primeira praça - em caráter condicional. Nessa linha de
intelecção, ante a não efetivação do leilão e a inexistência de
previsão expressa no edital acerca de eventual comissão devida

5
A saber, o Decreto nº 21.981/1932 regula a profissão de leiloeiro no
território nacional.
400

se acaso suspensa ou anulada a hasta pública, não é devido


nenhum pagamento ao pregoeiro a título de prestação de
serviços. 5. Não obstante, tendo em vista que o recurso especial
foi intentado exclusivamente pelo leiloeiro, em consonância
com o princípio da vedação à reformatio in pejus, mantém-se a
decisão que arbitrou os seus honorários em 2,5% sobre o valor
do débito. 6. Recurso especial não provido. (REsp 1179087/RJ,
Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Quarta Turma,
julgado em 22/10/2013, DJe 04/11/2013, grifou-se.)
4. Temas relacionados

Leilão judicial nas execuções fiscais da dívida ativa do INSS


e da União

Nos termos da Lei nº 8.212/1991, que dispõe sobre a


organização da Seguridade Social e institui seu Plano de
Custeio, alterada pela Lei nº 9.528/1997, fica estabelecido, no
artigo 98, que nas execuções fiscais da dívida ativa do Instituto
Nacional do Seguro Social – INSS, “o leilão judicial dos bens
penhorados realizar-se-á por leiloeiro oficial, indicado pelo
credor, que procederá à hasta pública: I - no primeiro leilão, pelo
valor do maior lance, que não poderá ser inferior ao da
avaliação; II - no segundo leilão, por qualquer valor, excetuado
o vil”. O referido artigo, igualmente, se aplica às execuções
fiscais da dívida ativa da União, consoante o parágrafo 11
incluído pela Lei nº 10.522/2002.
O parágrafo 1º do artigo 98 da Lei nº 8.212/1991
apresenta a possibilidade do juiz, a requerimento do credor,
autorizar o parcelamento do pagamento do valor da arrematação,
na forma prevista para os parcelamentos administrativos de
401

débitos previdenciários. Devendo todas as condições do


parcelamento constar do edital de leilão, nos termos do
parágrafo 2º.
Estabelece-se, ainda, que o débito do executado será
quitado na proporção do valor de arrematação (parágrafo 3º) e
que o arrematante deverá depositar, no ato, o valor da primeira
parcela (parágrafo 4º). Com efeito, o parágrafo 5º do dispositivo
em comento informa que:
realizado o depósito, será expedida carta de
arrematação, contendo as seguintes
disposições: a) valor da arrematação, valor
e número de parcelas mensais em que será
pago; b) constituição de hipoteca do bem
adquirido, ou de penhor, em favor do
credor, servindo a carta de título hábil para
registro da garantia; c) indicação do
arrematante como fiel depositário do bem
móvel, quando constituído penhor; d)
especificação dos critérios de reajustamento
do saldo e das parcelas, que será sempre o
mesmo vigente para os parcelamentos de
débitos previdenciários.

Em caso de inadimplemento de qualquer das parcelas


mensais, no vencimento, o saldo devedor remanescente vence
antecipadamente, acrescendo-se 50% de seu valor a título de
multa, e, imediatamente, inscrevendo-se o inadimplente em
dívida ativa (parágrafo 6º).
Atenta-se, oportunamente, que, em caso de ausência de
licitantes no primeiro ou no segundo leilões a que se refere
o caput, o INSS pode adjudicar o bem por 50% do valor da
avaliação (parágrafo 7º) e que se o bem adjudicado não puder
402

ser utilizado pelo INSS ou se for de difícil venda, poderá ser


negociado ou doado a outro órgão ou entidade pública que
demonstre interesse na sua utilização (parágrafo 8º). Não
havendo interesse na adjudicação, poderá o juiz, de ofício ou a
requerimento do credor, determinar sucessivas repetições da
hasta pública (parágrafo 9º) e, a pedido do credor, o leiloeiro
oficial poderá ficar como fiel depositário dos bens penhorados e
realizar a respectiva remoção (parágrafo 10).
Ao seu turno, o artigo 99 do mesmo diploma legal aduz
que o INSS providenciará alienação do bem no prazo de 70 dias
(parágrafo único), podendo contratar leiloeiro oficial para
promover a venda administrativa dos bens.

Possibilidade de reembolso das despesas pelo leiloeiro em


caso de hasta pública frustrada

AGRAVO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. EXECUÇÃO


FISCAL. LEILÃO CANCELADO POR FORÇA DE
PARCELAMENTO. DESPESAS DO LEILOEIRO. DEVER
DE REEMBOLSO. Se, por um lado, a comissão do leiloeiro
somente é devida na hipótese de realização da hasta pública, por
outro, quando suspenso ou cancelado o leilão, o leiloeiro deve
receber o reembolso das despesas comprovadamente suportadas,
valores estes que eventualmente poderão, inclusive, ser obtidos
por meio judicial, conforme o disposto no art. 40 do Decreto nº
21.981/32.AGRAVO DESPROVIDO. (Agravo Regimental
70067267948, Rel. Desembargadora MARILENE
BONZANINI, Vigésima Segunda Câmara Cível, Tribunal de
Justiça do RS, julgado em 26/11/2015, DJ 02/02/2015.)
403

5. Referências bibliográficas

BERTOLDI, Marcelo M.; RIBEIRO, Márcia Carla Pereira.


Curso avançado de direito comercial. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2006.

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz;


MITIDIERO, Daniel. Novo código de processo civil
comentado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.
404

Art. 24 – A Fazenda Pública poderá adjudicar os bens


penhorados:
I - antes do leilão, pelo preço da avaliação, se a execução não
for embargada ou se rejeitados os embargos;
II - findo o leilão:
a) se não houver licitante, pelo preço da avaliação;
b) havendo licitantes, com preferência, em igualdade de
condições com a melhor oferta, no prazo de 30 (trinta) dias.
Parágrafo Único – Se o preço da avaliação ou o valor da
melhor oferta for superior ao dos créditos da Fazenda
Pública, a adjudicação somente será deferida pelo Juiz se a
diferença for depositada, pela exequente, à ordem do Juízo,
no prazo de 30 (trinta) dias.

1. Evolução legislativa e Remissões Legais

O caput do artigo 24 da Lei de Execuções Fiscais,


originário do texto legal, apresenta a possibilidade (e não
obrigatoriedade) da Fazenda Pública adjudicar bens penhorados
em situações específicas: a primeira (inciso I), na hipótese de
antes do leilão, pelo preço da avaliação, caso a execução não
tenha sido embargada ou tenham sido rejeitados os embargos à
execução; a segunda (inciso II), na hipótese de encerrado o
leilão, sem licitantes, pelo preço da avaliação (alínea a), ou,
havendo licitantes, mediante preferência, em igualdade de
condições à melhor oferta (alínea b). Importante salientar que
caso o bem não seja adjudicado pela Fazenda, o produto da
405

arrematação passa a ser destinado ao pagamento da dívida


tributária, respeitando-se credores com privilégio maior – como,
por exemplo, os credorestrabalhistas ordinários.
Por sua vez, como leciona Harada, o parágrafo único do
artigo em comento condiciona o deferimento do pedido de
adjudicação pela Fazenda Pública ao depósito da diferença, no
caso de a avaliação ou o valor da melhor oferta ser superior ao
dos créditos tributários em execução. Assevera o doutrinador:
“Trata-se de preceito justo, que evita o enriquecimento da
Fazenda em detrimento da perda patrimonial do executado”.1

2. Conceitos principais

A partir das lições de Câmara, tem-se a adjudicação


como “ato executivo, através do qual são expropriados bens do
patrimônio do executado, os quais haviam sido objeto de
penhora, transferindo-se tais bens diretamente para o patrimônio
do exequente. Nesta hipótese, como claramente se vê, haverá
apenas uma expropriação, satisfativa, ao contrário do que se dá
no pagamento por entrega de dinheiro, em que ocorrem duas
expropriações (liquidativa e satisfativa)”.2
Percebe-se que o bem penhorado é o objeto da
adjudicação e a transferência de seu domínio se dá em favor da

1
HARADA, Kiyoshi. Lei de execução fiscal. Aspectos polêmicos.
Disponível em:
[http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/21083-21084-1-
PB.pdf], 2007, acesso em 02/05/2016.
2
CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual civil, vol. 2.
Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006, p 332.
406

credora (Fazenda Pública). Com efeito, nas palavras de


Theodoro Junior, a adjudicação “pressupõe sempre a iniciativa
do próprio credor, já que tendo direito a receber quantia certa de
dinheiro, não pode ser compelido, contra sua vontade, a receber
coisa diversa”.3

3. Jurisprudência relacionada

Distinção entre arrematação e adjudicação

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. IPTU.


ARREMATAÇÃO DE IMÓVEL EM HASTA PÚBLICA.
AQUISIÇÃO ORIGINÁRIA. ADJUDICAÇÃO. VIOLAÇÃO
DO ART. 130, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN.
OCORRÊNCIA. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PROPTER
REM. EXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE
TRIBUTÁRIA. 1. Discute-se nos autos se o credor-exequente
(adjudicante) está dispensado do pagamento dos tributos que
recaem sobre o imóvel anteriores à adjudicação. 2. Arrematação
e adjudicação são situações distintas, não podendo a analogia ser
aplicada na forma pretendida pelo acórdão recorrido, pois a
adjudicação pelo credor com dispensa de depósito do preço não
pode ser comparada a arremate por terceiro. 3. A arrematação
em hasta pública extingue o ônus do imóvel arrematado, que
passa ao arrematante livre e desembaraçado de tributo ou
responsabilidade, sendo, portanto, considerada aquisição
originária, de modo que os débitos tributários anteriores à
arrematação sub-rogam-se no preço da hasta. Precedentes:
REsp 1.188.655/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe
8.6.2010; AgRg no Ag 1.225.813/SP, Rel. Min. Eliana Calmon,
Segunda Turma, DJe 8.4.2010; REsp 909.254/DF, Rel. Min.
Mauro Campbell Marques, Segunda Turma DJe 21.11.2008. 4.

3
THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito processual civil, vol.
2. Rio de Janeiro: Forense, 2006, p 343.
407

O adquirente só deixa de ter responsabilidade pelo pagamento


do débitos anteriores que recaiam sobre o Bem, se ocorreu,
efetivamente, depósito do preço, que se tornará a garantia dos
demais credores. De molde que o crédito fiscal perquirido pelo
fisco é abatido do pagamento, quando da praça, por isso que,
encerrada a arrematação, não se pode imputar ao adquirente
qualquer encargo ou responsabilidade. 5. Por sua vez, havendo a
adjudicação do imóvel, cabe ao adquirente (credor) o pagamento
dos tributos incidentes sobre o Bem adjudicado, eis que, ao
contrário da arrematação em hasta pública, não possui o efeito
de expurgar os ônus obrigacionais que recaem sobre o Bem. 6.
Na adjudicação, a mutação do sujeito passivo não afasta a
responsabilidade pelo pagamento dos tributos do imóvel
adjudicado, uma vez que a obrigação tributária propter rem (no
caso dos autos, IPTU e taxas de serviço) acompanha o Bem,
mesmo que os fatos imponíveis sejam anteriores à alteração da
titularidade do imóvel (arts. 130 e 131, I, do CTN). 7. À luz do
decidido no REsp 1.073.846/SP, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira
Seção, DJe 18.12.2009, "os impostos incidentes sobre o
patrimônio (Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
e Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana -
IPTU) decorrem de relação jurídica tributária instaurada com a
ocorrência de fato imponível encartado, exclusivamente, na
titularidade de direito real, razão pela qual consubstanciam
obrigações propter rem, impondo-se sua assunção a todos
aqueles que sucederem ao titular do imóvel." Recurso especial
provido. (REsp 1179056/MG, Rel. Ministro HUMBERTO
MARTINS, Segunda Turma, julgado em 07/10/2010, DJe
21/10/2010, grifou-se.)

Prazo para oferecimento de embargos à arrematação

PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. EMBARGOS À


ARREMATAÇÃO. ART. 746, PARÁGRAFO ÚNICO, DO
CPC. PRAZO. TERMO INICIAL. ART. 24, II, "B", DA LEI
6.830/80. 1. O prazo para oposição de embargos à arrematação,
nos termos do art. 738 c/c 746 do CPC, é de 10 (dez) dias, até o
advento da Lei 11.382/2006, que o reduziu para 5 (cinco) dias.
408

2. Em se tratando de execução fiscal, o termo inicial para


oferecimento desses embargos inicia-se não a partir da
assinatura do auto de arrematação (regra geral - art. 694 do
CPC), mas após decorridos os 30 (trinta) dias de que trata o
art. 24, II, "b", da Lei 6.830/80, quando a arrematação pela
Fazenda Pública torna-se perfeita e irretratável. 3. Recurso
especial provido. (REsp 872.722/SP, Rel. Ministra ELIANA
CALMON, Segunda Turma, julgado em 03/06/2008, DJe
06/08/2008, grifou-se.)

Adjudicação pelo valor do edital em face da inexistência de


licitantes no segundo leilão

PROCESSO CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. ARREMATAÇÃO


PELA FAZENDA PÚBLICA. VALOR INFERIOR AO DO
EDITAL. AUSÊNCIA DE LICITANTES.
IMPOSSIBILIDADE. ART. 24, II, DA LEF. DIVERGÊNCIA
PREJUDICADA. SÚMULA 83/STJ. 1. Na execução fiscal,
inexistindo licitantes no segundo leilão, a Fazenda Pública deve
adjudicar o bem pelo valor do edital, não podendo arrematar o
bem por valor inferior ao da avaliação. 2. Inteligência dos arts.
24, II, da LEF e do art. 714 do CPC na redação anterior à Lei
11.382, de 2006. 3. Esta Corte fixou o entendimento de que a
arrematação por valor inferior à metade do valor da avaliação é
considerado preço vil. Precedentes da 2ª, 3ª e 6ª Turmas do STJ.
4. Recurso pela divergência prejudicado. Súmula 83 do STJ. 5.
Recurso especial provido. (REsp 1044168/SP, Rel. Ministra
ELIANA CALMON, Segunda Turma, julgado em 28/10/2008,
DJe 17/11/2008, grifou-se.)

4. Temas relacionados

Adjudicação em sede de execução fiscal de créditos


tributários do ITR
409

Nos termos da Lei nº 9.393/1996, que dispõe sobre o


Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR e sobre o
pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida
Agrária,fica estabelecido, no artigo 18, que “na execução de
dívida ativa, decorrente de crédito tributário do ITR, na hipótese
de penhora ou arresto de bens, previstos no artigo 11 da Lei de
Execuções Fiscais, preferencialmente, o imóvel rural será
penhorado ou arrestado, não tendo recaído a penhora ou o
arresto sobre dinheiro”.
O parágrafo 1º do artigo 18 da Lei nº 9.393/1996
informa que, no caso do imóvel rural penhorado ou arrestado, na
lavratura do termo ou auto de penhora, deverá ser observado,
para efeito de avaliação, o Valor da Terra Nua declarado e o
disposto no artigo 14 do mesmo diploma. Assim, a Fazenda
Pública pode, ouvido o Instituto Nacional de Colonização e
Reforma Agrária – INCRA, adjudicar, para fins fundiários, o
imóvel rural penhorado, se a execução não for embargada ou se
rejeitados os embargos (parágrafo 2º), passando esse a integrar o
patrimônio daquela autarquia, sendo a carta de adjudicação e o
registro imobiliário expedidos em nome do INCRA (parágrafo
4º).
Atentando-se, por conseguinte, que o parágrafo 3º do
artigo em comento aduz que “o depósito da diferença de que
trata o parágrafo único do artigo 24 da Lei de Execuções Fiscais,
poderá ser feito em Títulos da Dívida Agrária, até o montante
equivalente ao valor da terra nua declarado”.
410

Hierarquia dos créditos frente ao produto da arrematação

TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO.


PREFERÊNCIA LEGAL. NÃO-EXERCÍCIO DA
ADJUDICAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. ARREMATAÇÃO.
PRODUTO. SUBROGAÇÃO. TRIBUTO. 1. O crédito
tributário somente é preterido por i) créditos decorrentes da
legislação trabalhista até o valor de 150 salários mínimos; ii)
créditos decorrentes de acidente de trabalho; iii) créditos
extraconcursais; iv) créditos com garantia real até o valor da
garantia no processo falimentar e v) importâncias restituíveis na
falência. 2. O crédito tributário prefere ao crédito
quirografário, de modo que exercitada a faculdade do credor de
não adjudicar o bem constrito, havendo alienação judicial o
preço da arrematação subroga-se no crédito tributário. 3.
Recurso especial provido. (REsp 1143950/RS, Rel. Ministra
ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em
09/03/2010, DJe 22/03/2010, grifou-se.)
411

5. Referências bibliográficas

CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de direito processual


civil, vol. 2. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2006.

HARADA, Kiyoshi. Lei de execução fiscal. Aspectos


polêmicos. Disponível em:
[http://www.egov.ufsc.br/portal/sites/default/files/anexos/21083-
21084-1-PB.pdf], 2007, acesso em 02/05/2016.

THEODORO JUNIOR, Humberto. Curso de direito


processual civil, vol. 2. Rio de Janeiro: Forense, 2006.
412

Art. 25 – Na execução fiscal, qualquer intimação ao


representante judicial da Fazenda Pública será feita
pessoalmente.
Parágrafo Único – A intimação de que trata este artigo
poderá ser feita mediante vista dos autos, com imediata
remessa ao representante judicial da Fazenda Pública, pelo
cartório ou secretaria.

1. Evolução legislativa e Remissões Legais

Trata-se de dispositivo pelo qual se observa privilégio


concedido à Fazenda Pública, em sede de Execuções Fiscais,
desde a concepção da legislação comentada. É assegurado o
direito de intimação pessoal dos representantes do Fisco nos
processos de execução, facultando-se à autoridade judicial a
promoção de intimação do advogado público mediante vista,
com a remessa imediata dos autos a ele, através dos
serventuários da justiça competentes.
Entretanto, importante salientar que o Superior
Tribunal de Justiça, em sentido sumulado, pacificou
entendimento acerca da intimação pessoal do devedor para fim
de ciência do leilão, nos seguintes termos: “Na Execução Fiscal
o devedor deverá ser intimado, pessoalmente, do dia e hora da
realização do leilão” (Súmula 121, DJ 06/12/1994).
Outrossim, atenta-se que embora haja a determinação
legal de intimação pessoal do advogado público, não se
determina expressamente o modo pelo qual tal o procedimento
413

deve ocorrer. Assim, admite-se a flexibilização dos meios de


comunicação processuais destinados aos representantes judiciais
da Fazenda Pública, em consonância ao parágrafo 2º do artigo 6º
da Lei nº 9.028/1995, senão vejamos: “Art. 6º. A intimação de
membro da Advocacia-Geral da União, em qualquer caso, será
feita pessoalmente. […] § 2º - As intimações a serem
concretizadas fora da sede do juízo serão feitas,
necessariamente, na forma prevista no art. 237, inciso II, do
Código de Processo Civil”.
Com efeito, o disposto no artigo referido (237, CPC) é
encontrado no Capítulo IV (das intimações) do Livro IV (dos
atos processuais) do Novo Código de Processo Civil, pelo qual
se prevê que as intimações sempre que possível se realizem, por
meio eletrônico. Nesse particular, Marinoni, Arenhart e
Mitidiero, oportunamente, asseveram: “o novo Código [...] não
suplanta o direito à intimação pessoal, na medida em que a
intimação eletrônica no processo eletrônico é igualmente
pessoal. E mais: é também nos autos, porque dá acesso a todo o
seu conteúdo”.1

2. Conceitos principais

Marinoni, Arenhart e Mitidiero definem intimação


como: “ato pelo qual se dá ciência a alguém dos atos

1
MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO,
Daniel. Novo código de processo civil comentado. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2015, p. 287.
414

processuais para que faça ou deixe de fazer alguma coisa. A


ciência inequívoca do participante do processo a respeito de
determinado ato processual pode, contudo, fazer dispensável a
sua intimação (STJ, 4ª Turma, REsp 61.409/PR, rel. Ruy
Rosado de Aguiar, j. 10.10.1995, DJ 18.12.1995, p. 44.578). A
diferença básica entre a citação e a intimação é que a primeira dá
ciência ao demandado da propositura da ação, ao passo que a
segunda se refere aos demais atos do processo e pode ter por
destinatário qualquer um que participe do processo”.2
Ainda, Marinoni e Mitidiero indicam que a intimação
da Fazenda Pública na Execução Fiscal “tem que ser pessoal por
oficial de justiça (art. 25, Lei 6.830, de 1980, STJ, 1ª Turma,
REsp 215.551/PR, rel. Min. Francisco Falcão, rel. para acórdão
Min. Luiz Fuz, j. em 27.04.2004, DJ 04.12.2006, p. 263)”.
Ademais, “não havendo na comarca ou subsecção judiciário
órgão de publicação dos atos oficiais e tendo o advogado
domicílio na sede do juízo na sede do juízo, a intimação deve ser
realizada pelo escrivão ou chefe de secretaria nos autos, quando
o advogado comparecer ao cartório ou secretaria”.3
3. Jurisprudência relacionada

Intimação do representante da Fazenda Nacional por carta


com aviso de recebimento

2
Ibidem, p. 286.
3
MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Código de processo
civil comentado artigo por artigo. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2008, p. 235.
415

PROCESSUAL CIVIL. INÉRCIA DA EXEQUENTE.


ABANDONO DA CAUSA. EXTINÇÃO DE OFÍCIO.
POSSIBILIDADE. MATÉRIA DECIDIDA NO RESP
1.120.097/SP (ART. 543-C DO CPC). EXECUÇÃO FISCAL
QUE TRAMITA EM COMARCA DIVERSA DAQUELA EM
QUE SEDIADO O ÓRGÃO DE REPRESENTAÇÃO
JUDICIAL DA FAZENDA NACIONAL. INTIMAÇÃO POR
CARTA, COM AVISO DE RECEBIMENTO. LEGALIDADE.
1. "A inércia da Fazenda exequente, ante a intimação regular
para promover o andamento do feito e a observância dos
artigos 40 e 25 da Lei de Execução Fiscal, implica a extinção
da execução fiscal não embargada ex officio, afastando-se o
Enunciado Sumular 240 do STJ, segundo o qual 'A extinção do
processo, por abandono da causa pelo autor, depende de
requerimento do réu'''. 2. Orientação reafirmada no julgamento
do REsp.1.120.097/SP, sob o rito dos recursos repetitivos (art.
543-C do CPC). 3. É válida a intimação do representante da
Fazenda Nacional por carta com aviso de recebimento (art.
237, II, do CPC) quando o respectivo órgão não possui sede na
Comarca de tramitação do feito. Precedentes do STJ. 4. Recurso
Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido.
Acórdão sujeito ao regime do art. 543-C do CPC e do art. 8º da
Resolução STJ 8/2008. (REsp 1352882/MS, Rel. Ministro
HERMAN BENJAMIN, Primeira Seção, julgado em
12/06/2013, DJe 28/06/2013, grifou-se.)

Intimação pessoal do representante judicial de Conselho de


Fiscalização Profissional

ADMINISTRATIVO. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543-C DO
CPC). EXECUÇÃO FISCAL. CONSELHO DE
FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. INTIMAÇÃO PESSOAL.
ART. 25 DA LEI 6.830/80. RECURSO CONHECIDO E
PROVIDO. 1. Em execução fiscal ajuizada por Conselho de
Fiscalização Profissional, seu representante judicial possui a
prerrogativa de ser pessoalmente intimado, conforme disposto
no art. 25 da Lei 6.830/80. 2. Recurso especial conhecido e
416

provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543-C do CPC e


da Resolução STJ 8/08. (REsp 1330473/SP, Rel. Ministro
ARNALDO ESTEVES LIMA, Primeira Seção, julgado em
12/06/2013, DJe 02/08/2013, grifou-se.)

Intimação no segundo grau de jurisdição

PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO


FISCAL E EMBARGOS DO DEVEDOR. INTIMAÇÃO
PESSOAL DO REPRESENTANTE DA FAZENDA PÚBLICA
MUNICIPAL. PRERROGATIVA QUE TAMBÉM É
ASSEGURADA NO SEGUNDO GRAU DE JURISDIÇÃO. 1.
O representante da Fazenda Pública Municipal (caso dos
autos), em sede de execução fiscal e respectivos embargos,
possui a prerrogativa de ser intimado pessoalmente, em virtude
do disposto no art. 25 da Lei 6.830/80, sendo que tal
prerrogativa também é assegurada no segundo grau de
jurisdição, razão pela qual não é válida, nessa situação, a
intimação efetuada, exclusivamente, por meio da imprensa
oficial ou carta registrada. 2. Recurso especial provido.
Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543-C do CPC, c/c a
Resolução 8/2008 - Presidência/STJ. (REsp 1268324/PA, Rel.
Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, Corte Especial,
julgado em 17/10/2012, DJe 21/11/2012, grifou-se.)
4. Temas relacionados

Intimação eletrônica

Dispõe o artigo 270 do Novo Código de Processo Civil


que: “As intimações realizam-se sempre que possível, por meio
eletrônico, na forma da lei”. A Resolução nº 185/2013 do
Conselho Nacional de Justiça, ao seu turno, ao define, em seu
artigo 3°, inciso VI, o sentido da expressão “meio eletrônico”
como “ambiente de armazenamento ou tráfego de informações
417

digitais” e, no parágrafo 1° do seu artigo 19, estabelece que


apenas seja considerada vista pessoal da Fazenda Pública “os
atos de comunicação que viabilizem o acesso a integra do
processo correspondente”, remetendo à Lei nº 11.419/2006, que
dispõe sobre a informatização do processo judicial.4

Intimação quanto à penhorae comparecimento espontâneo

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. NECESSIDADE DE


INTIMAÇÃO ESPECÍFICA QUANTO À PENHORA MESMO
NO CASO DE COMPARECIMENTO ESPONTÂNEO DO
EXECUTADO.O comparecimento espontâneo do executado
aos autos da execução fiscal, após a efetivação da penhora,
não supre a necessidade de sua intimação acerca do ato
constritivo com a advertência do prazo para o oferecimento
dos embargos à execução fiscal.A ciência da penhora sucedida
pelo comparecimento espontâneo do executado não pode ser
equiparada ao ato formal de intimação, que deve se revestir da
necessária solenidade da indicação do prazo para oposição dos
pertinentes embargos. Afinal, a intimação é um ato de
comunicação processual da mais relevante importância, pois é
dela que começam a fluir os prazos para que as partes exerçam
os seus direitos e faculdades processuais. Precedente citado:
AgRg no REsp 1.201.056-RJ, Segunda Turma, DJe 23/9/2011.
AgRg no REsp 1.358.204-MG, Rel. Min. Arnaldo Esteves
Lima, julgado em 7/3/2013. (Informativo STJ nº 0519,
Primeira Turma, de 28/05/2013, grifou-se.)
4
Estabelece a Lei nº 111.149/2006: “Art. 9º. No processo eletrônico, todas as
citações, intimações e notificações, inclusive da Fazenda Pública, serão
feitas por meio eletrônico, na forma desta Lei. § 1o As citações, intimações,
notificações e remessas que viabilizem o acesso à íntegra do processo
correspondente serão consideradas vista pessoal do interessado para todos
os efeitos legais. § 2o Quando, por motivo técnico, for inviável o uso do
meio eletrônico para a realização de citação, intimação ou notificação, esses
atos processuais poderão ser praticados segundo as regras ordinárias,
digitalizando-se o documento físico, que deverá ser posteriormente
destruído.”
418

5. Referências bibliográficas

MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz;


MITIDIERO, Daniel. Novo código de processo civil
comentado. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2015.

MARINONI, Luiz Guilherme; MITIDIERO, Daniel. Código de


processo civil comentado artigo por artigo. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2008.
419

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 26 A 28


Juliana Rodrigues Ribas*

Art. 26 - Se, antes da decisão de primeira instância, a


inscrição de Dívida Ativa for, a qualquer título, cancelada, a
execução fiscal será extinta, sem qualquer ônus para as
partes.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

O Decreto-Lei n°960 de 17.12.1938 já previa a


ausência de ônus de custas processuais para a Fazenda Pública
quando vencida, nos termos de seu artigo 69: “A Fazenda,
quando vencida, não ficará sujeita a pagar custas aos
serventuários do juízo”. O princípio da sucumbência foi
introduzido no ordenamento jurídico brasileiro por intermédio
da Lei n°4.632/65 e incorporado pelo Código de Processo Civil
ulterior (1973). A Lei n°6.830/80 busca, neste contexto, em seu

*
Advogada. Mestranda em Direito na área de Fundamentos Constitucionais
do Direito Público e do Direito Privado da PUCRS. Membro do Grupo de
Pesquisas Avançadas em Direito Tributário – GTAX.
420

dispositivo 26, afastar a regra da sucumbência, positivando mais


um privilégio da Fazenda Pública na relação processual1.

Remissões Legais: Artigos 2º, §9º, 39 da Lei n°6.830/80; 85, §


10 e 90 do Código de Processo Civil de 2015.

2. Conceitos Principais

Em uma análise morfológica do artigo, Sakakihara


identificao antecedente da norma como “cancelamento da dívida
ativa antes da decisão de primeira instância", e o consequente “a
extinção da execução fiscal sem qualquer ônus para as partes”2.
Nesse sentido, o antecedente compreende o
cancelamento da dívida ativa, título executivo extrajudicial
objeto da execução fiscal, o que lhe revoga eficácia, portanto a
extingue. Note-se a existência de critério temporal: que este
ocorra em momento anterior à “decisão de primeira instância”.
Aplicando a lógica do processo executivo, conclui-se que o
cancelamento deve ocorrer, portanto, antes da decisão dos
embargos do devedor previstos no art. 16, ou das ações previstas
no art. 38, ambos da mesma lei.

1
FORNACIARI JR., Clito. Apontamentos sobre a execução fiscal. In:
MARTINS, Ives Gandra da S.; BRITO, Edvaldo Pereira de. (Orgs.).
Direito tributário: direito processual administrativo e judicial.São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2011, p. 208.
2
SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 26. In: FREITAS, Vladimir
Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e jurisprudência. São Paulo:
Saraiva, 1998, p. 430.
421

É possível interpretar o consequente da norma como


isenção de responsabilidade do ônus da execução, não
compreendendo ele as custas e honorários advocatícios, como o
faz Theodoro Jr.3. Para o autor, admitir entendimento contrário,
“repugna aos mais comezinhos princípios de tratamento
igualitário das partes na relação processual”4.
No entanto, a Exposição de Motivos da Lei n° 6.830/80
dispôs que “o preceito do art. 26 visa explicar que, no caso
previsto, não ocorre a sucumbência. A hipótese não se confunde
com a improcedência da execução fiscal”5. Conforme referido,
procurou o legislador afastar a regra de sucumbência
estabilizada pelo CPC de 19736. Seria possível, juridicamente,
fazê-lo?
No ano inaugural da LEF, o Supremo Tribunal Federal
firmou entendimento confirmando a possibilidade de lei especial

3
THEODORO JR., Humberto. A cobrança da dívida ativa da fazenda pública
segundo a lei 6.830, de 22.09.1980. In: MARTINS, Ives Gandra da S.;
BRITO, Edvaldo Pereira de. (Orgs.). Direito tributário: direito processual
administrativo e judicial. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, p.
343.
4
Idem.
5
Exposição de Motivos do Projeto de Lei n. 14, de 1980-CN.
6
Em linha argumentativa semelhante, Nicacio, ao analisar o dispositivo logo
após sua promulgação, afirmou que “além de incrementar a
irresponsabilidade funcional, fere o princípio fundamental de igualdade de
todos perante a lei, inclusive quanto ao tratamento processual. [...] Por
outro lado, o preceito conflita abertamente com o art. 107 da Constituição
que estabelece que ‘as pessoas jurídicas de direito público responderão
pelos danos que seus funcionários, nessa qualidade, causarem a terceiros’.
Extinta a execução, poderão os executados mover ação contra a Fazenda
Pública, respectiva, para ressarcimento dos prejuízos sofridos, em virtude
da irresponsabilidade do funcionário que, sem o efetivo ‘controle
administrativo da legalidade’, ou irregularmente, determinou a inscrição da
dívida. [...]NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. São
Paulo: LTr, 1981, p. 275-276.
422

derrogar preceitos do Código de Processo Civil de 1973.


Salienta-se que o fez de forma generalista, não contemplando
especificamente o privilégio da Fazenda ante o princípio da
sucumbência, conforme RE 83.432, de relatoria do ministro
Leitão de Abreu, DJ. 6.6.80.
No entanto, ao longo dos anos, a jurisprudência dos
tribunais, ao analisar os casos específicos de desistência da ação
pela Fazenda, observou o limite do privilégio processual
característico do procedimento especial executivo, bem como o
início do abuso de tal direito, nos casos de reconhecimento
tácito da tese dos embargos de devedor.
Considerando a possibilidade auferida pela LEF, de
retificação ou alteração da CDA até o momento da sentença de
primeiro grau (conforme art. 5º, § 8º), o seu cancelamento por
parte da Fazenda, após a oposição de embargos, significa o
reconhecimento tácito da defesa do contribuinte.
Considerando a sucumbência como o “fato objetivo da
derrota na causa e suporte fático para o arbitramento de
honorários, trata-se do princípio da causalidade: quem deu causa
à demanda, sem razão, paga as despesas, nestas os honorários”7.
Por esta razão, necessário se faz o pagamento dos
honorários advocatícios aos procuradores do embargante, bem
como o ressarcimento das custas processuais porventura pagas

7
FISCHMANN, Gerson. Anotações aos artigos 82 a 97. In: OAB. Novo
código de processo civil anotado. Porto Alegre: OABRS, 2015.
423

por ele. Dessa forma, vencida a Fazenda, “deve ressarcir as


despesas feitas pela parte contrária”8.
A partir da lógica de ressarcimento de despesas do
executado, e considerando os vícios decorrentes da proliferação
de execuções fiscais descabidas, bem como a aceitação
jurisprudencial de defesa do executado em momento anterior à
penhora por meio de exceção de pré-executividade, coube aos
Tribunais decidirem se a citada regra de sucumbência da
Fazenda seria aplicada nos casos de cancelamento após a
oposição dessa9. O Superior Tribunal de Justiça, nesse sentindo,
pacificou entendimento quanto ao dever de pagamento de
honorários advocatícios nas situações nas quais haja
manifestação na execução, conforme Súmula n°153.
O ônus da Fazenda Pública defendido pela
jurisprudência pátria possui exceção nos casos de anistia fiscal,
prevista nos artigos 180 a 182 do Código Tributário Nacional,
após a propositura da execução fiscal, tendo em vista que não
deslumbrada a situação de sucumbência.
Salienta-se que o consequente da norma em estudo, é a
ausência de ônus para ambas as partes. Ou seja, nas palavras de
Flaks, “que nenhuma despesa poderá ser exigida do executado
para o cancelamento da execução ou de seus efeitos nos
registros próprios (distribuidor, registro de imóveis, juntas

8
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal, Lei N.
6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 288. Disponível em: VitalSource
Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
9
Conforme MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo Tributário.8
ed. São Paulo: Atlas, 2015, p. 305. Disponível em: VitalSource Bookshelf
Online. Acesso em: 10/05/2016.
424

comerciais etc.)”10. Correa acrescenta que “se o executado teve


despesas, poderá, comprovando-as e pela forma adequada,
ressarcir-se delas”11.
O Código de Processo Civil de 2015 (NCPC)
regulamenta o princípio da sucumbência no artigo 8512 e
seguintes. Fischmann, ao comentar os novos dispositivos
processuais, verifica que o princípio “alcança a hipótese de
extinção por perda do objeto, quando os honorários devem ser
arbitrados em observância ao princípio da causalidade e devidos
por quem deu causa ao processo. (§ 10, art. 85)13”. Note-se a
consagração do princípio da causalidade, inédito no
ordenamento pátrio14. O caput do artigo inova elucidando o
advogado da parte vencedora como o destinatário dos
honorários, ao contrário do disposto no artigo correspondente do
CPC de 197315.
O artigo 90 do NCPC prevê expressamente o ônus
nesses casos16: “Art. 90. Proferida sentença com fundamento em

10
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, p. 262.
11
CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada: Lei n.
6.830, de 22.9.1980. São Paulo: Saraiva, 1980, p. 36.
12
“Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado
do vencedor.”
13
FISCHMANN, Gerson. Anotações aos artigos 82 a 97. In: OAB. Novo
código de processo civil anotado. Porto Alegre: OABRS, 2015.
14
NEVES, Daniel Assumpção. Novo CPC - Código de Processo Civil - Lei
13.105/2015. 2. ed. São Paulo: Método, 2015. Disponível em: VitalSource
Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
15
“Art. 20. A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas
que apreciou e os honorários advocatícios”.
16
Cabral comenta que, “se for parcial a desistência, a renúncia ou o
reconhecimento, a responsabilidade pelas despesas e pelos honorários será
425

desistência, em renúncia ou em reconhecimento do pedido, as


despesas e os honorários serão pagos pela parte que desistiu,
renunciou ou reconheceu”.
Por último, observa-se, no dispositivo ora comentado, a
criação de nova hipótese de extinção da execução, supletiva aos
casos previstos no art. 15617 do Código Tributário Nacional e ao
art. 92418 do CPC de 201519. Sublinha-se a obrigatoriedade de
sentença declaratória de extinção20.

3. Jurisprudência Relacionada

proporcional à parcela reconhecida, à qual se renunciou ou da qual se


desistiu”. REDONDO, Bruno Garcia. Comentário ao artigo 90. In:
CABRAL, Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.). Comentários ao
Novo Código de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2015. Disponível
em: VitalSource Bookshelf Online.
17
“Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a
compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a
decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento
antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no
artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos
termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa
irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não
mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em
julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e
condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001)”
18
“Art. 924. Extingue-se a execução quando: I - a petição inicial for
indeferida; II - a obrigação for satisfeita; III - o executado obtiver, por
qualquer outro meio, a extinção total da dívida; IV - o exequente renunciar
ao crédito; V - ocorrer a prescrição intercorrente”.
19
Conforme SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 26. In: FREITAS,
Vladimir Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e jurisprudência.
São Paulo: Saraiva, 1998, p. 432. SILVA, Américo Luís M. A Execução
da Dívida Ativa da Fazenda Pública. 3. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2011, p. 937.
20
Conforme PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução
Fiscal, Lei N. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 287. Disponível
em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
426

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. EMBARGOS.


EXECUÇÃO FISCAL. RECONHECIMENTO DO PEDIDO.
A Seção firmou entendimento de que os honorários
advocatícios são devidos nos casos em que a Fazenda Pública
reconhece a procedência do pedido no âmbito dos embargos
à execução fiscal. Asseverou-se não ser aplicável à hipótese o
disposto no art. 19, § 1º, da Lei n. 10.522/2002, uma vez que
referida regra - voltada a excepcionar a condenação em
honorários advocatícios - tem incidência apenas aos processos
submetidos ao rito previsto no CPC. Segundo se afirmou, nos
procedimentos regidos pela LEF deve ser observado comando
normativo próprio para dispensa de honorários à Fazenda
Pública, nos termos do disposto no art. 26 da referida legislação.
A questão, portanto, de aparente conflito de normas se soluciona
mediante a aplicação do princípio da especialidade. Por
conseguinte, destacou-se que a interpretação da norma especial
já está sedimentada no enunciado da Súmula 153 desta Corte:
"A desistência da execução fiscal, após o oferecimento dos
embargos, não exime o exequente dos encargos da
sucumbência". Concluiu-se, assim, que a Fazenda Pública deve
arcar com a verba honorária, em face do princípio da
causalidade, porquanto foi ela quem injustamente deu causa à
oposição dos embargos de declaração pelo contribuinte. (EREsp
1.215.003-RS, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgados em
28/3/2012, grifamos).

Súmula n°153 do Superior Tribunal de Justiça: “A desistência


da execução fiscal, após o oferecimento dos embargos, não
exime o exequente dos encargos da sucumbência”.

HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DESISTÊNCIA.


EXECUÇÃO FISCAL. EXCEÇÃO. PRÉ-EXECUTIVIDADE.
É cabível a condenação da Fazenda Pública em honorários
advocatícios na hipótese de desistência da execução fiscal
após a citação e do oferecimento da exceção de pré-
executividade. Deve suportar o ônus em razão do caráter
contencioso do incidente e de ter-lhe dado causa. Mostra-se
427

irrelevante a ausência de embargos à execução (Súm. n. 153-


STJ), porquanto houve contratação de advogado que, inclusive,
peticionou nos autos. Precedentes citados: EREsp 80.257-SP, DJ
25/2/1998, AgRg no Ag 198.906-SP, DJ 24/5/1999; REsp
212.019-RJ, DJ 13/8/2001, e AgRg no Ag 482.503-PB, DJ
30/6/2003.(REsp 508.301-MG, Rel. Min. Luiz Fux, julgado
em 26/8/2003, grifamos).

TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO


REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. DÉBITO
TRIBUTÁRIO ALCANÇADO PELA SUPERVENIENTE
REMISSÃO. ART. 31 DA LEI N. 10.522/2002. AUSÊNCIA
DE INTERESSE DE AGIR. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS
INDEVIDOS. PRECEDENTE.
1. Hipótese em que o débito tributário foi alcançado pela
remissão tributária a que se refere o art. 31 da Lei n.
10.522/2002, após o ajuizamento da demanda e da
demonstração, pela contribuinte, dos requisitos necessários ao
benefício fiscal. Ausência superveniente do interesse de agir. 2.
A superveniente remissão do crédito tributário torna os
honorários indevidos: a) pelo credor, porque, à época da
propositura, a ação tinha causa justificada; b) pelo devedor,
porque o processo foi extinto sem a caracterização da
sucumbência. Precedente (REsp 90.609/SP, Rel. Ministro Ari
Pargendler, Segunda Turma, julgado em 9/3/1999, DJ
19/4/1999). 3. Agravo regimental a que se nega provimento.
(AgRg no REsp 1417499/PE, Rel. Ministra DIVA MALERBI
(DESEMBARGADORA CONVOCADA TRF 3ª REGIÃO),
SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2016, DJe 31/03/2016)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO


RECURSO ESPECIAL. AÇÃO INDENIZATÓRIA.
VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, II, DO CPC. OMISSÃO
INEXISTENTE. ANÁLISE DA VIOLAÇÃO DE
DISPOSITIVOSNÃO PREQUESTIONADOS.
IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 211/STJ. DANOS MORAIS
DECORRENTE DE COBRANÇA INDEVIDA DE DÉBITO
EM EXECUÇÃO FISCAL. CABIMENTO. PRECEDENTES
DO STJ.
428

1. O acórdão recorrido abordou, de forma fundamentada, todos


os pontos essenciais para o deslinde da controvérsia, razão pela
qual não há que se falar na suscitada ocorrência de violação do
art. 535 do Código de Processo Civil. 2. O prequestionamento
não exige que haja menção expressa dos dispositivos
infraconstitucionais tidos como violados, entretanto, é
imprescindível que no aresto recorrido a questão tenha sido
discutida e decidida fundamentadamente, sob pena de não
preenchimento do requisito do prequestionamento,
indispensável para o conhecimento do recurso. Incidência da
Súmula 211/STJ. 3. O entendimento jurisprudencial do STJ
é no sentido de ser legítima a fixação de reparação por danos
morais decorrentes da propositura indevida de ação de
execução fiscal, quando evidenciado o abalo moral, como no
caso em questão. 4. Nesse sentido: AgRg no Ag 1.163.571/RJ,
2ª Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJe 3.5.2010; REsp
904.330/PB, 1ª Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 3.11.2008;
REsp 773.470/PR, 2ª Turma, Rel. Ministra Eliana Calmon, DJ
02/03/2007, p. 280 RDDT vol. 140, p. 127. 5. Agravo
regimental não provido.
(AgRg no REsp 1433534/RJ, Rel. Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em
24/04/2014, DJe 02/05/2014, grifamos)

4. Temas relacionados

O Código de Processo Civil de 2015 inovou ao


determinar a obrigatoriedade de aferição de honorários ao
advogado da parte vencedora21. Além disso, estabelece regras

21
REDONDO, Bruno Garcia. Comentário ao artigo 85. In: CABRAL,
Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.). Comentários ao Novo Código
de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2015. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
429

específicas para a atribuição de honorários advocatícios nos


casos nos quais a Fazenda Pública foi parte 22, veja-se:
Art. 85. A sentença condenará o vencido a
pagar honorários ao advogado do vencedor.
§ 3o Nas causas em que a Fazenda Pública
for parte, a fixação dos honorários
observará os critérios estabelecidos nos
incisos I a IV do § 2o e os seguintes
percentuais:
I - mínimo de dez e máximo de vinte por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido até 200
(duzentos) salários-mínimos;
II - mínimo de oito e máximo de dez por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 200
(duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois
mil) salários-mínimos;
III - mínimo de cinco e máximo de oito por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 2.000
(dois mil) salários-mínimos até 20.000
(vinte mil) salários-mínimos;
IV - mínimo de três e máximo de cinco por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 20.000
(vinte mil) salários-mínimos até 100.000
(cem mil) salários-mínimos;
V - mínimo de um e máximo de três por
cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de
100.000 (cem mil) salários-mínimos.
§ 4o Em qualquer das hipóteses do § 3o:
I - os percentuais previstos nos incisos I a V
devem ser aplicados desde logo, quando for
líquida a sentença;
II - não sendo líquida a sentença, a
definição do percentual, nos termos

22
Conforme LAMACHIA, Claudio P.P. Anotações aos artigos 82 a 97. In:
OAB. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre: OABRS,
2015.
430

previstos nos incisos I a V, somente


ocorrerá quando liquidado o julgado;
III - não havendo condenação principal ou
não sendo possível mensurar o proveito
econômico obtido, a condenação em
honorários dar-se-á sobre o valor
atualizado da causa;
IV - será considerado o salário-mínimo
vigente quando prolatada sentença líquida
ou o que estiver em vigor na data da decisão
de liquidação.
§ 5o Quando, conforme o caso, a
condenação contra a Fazenda Pública ou o
benefício econômico obtido pelo vencedor
ou o valor da causa for superior ao valor
previsto no inciso I do § 3o, a fixação do
percentual de honorários deve observar a
faixa inicial e, naquilo que a exceder, a
faixa subsequente, e assim sucessivamente.
§ 6o Os limites e critérios previstos nos §§ 2o
e 3o aplicam-se independentemente de qual
seja o conteúdo da decisão, inclusive aos
casos de improcedência ou de sentença sem
resolução de mérito.
§ 7o Não serão devidos honorários no
cumprimento de sentença contra a Fazenda
Pública que enseje expedição de precatório,
desde que não tenha sido impugnada.
Conforme se pode constatar, o § 3º não inova
emrelação aos critérios para fixação de honorários, em relação
ao art. 2023 do CPC de 1973, mas ao criar percentuais
específicos para a hipótese.

23
“Art. 20. A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas
que antecipou e os honorários advocatícios. Esta verba honorária será
devida, também, nos casos em que o advogado funcionar em causa
própria. (Redação dada pela Lei nº 6.355, de 1976) § 1º O juiz, ao decidir
qualquer incidente ou recurso, condenará nas despesas o vencido. (Redação
dada pela Lei nº 5.925, de 1.10.1973) § 2º As despesas abrangem não só as
custas dos atos do processo, como também a indenização de viagem, diária
de testemunha e remuneração do assistente técnico. (Redação dada pela
431

Sobre o § 5º, Neves exemplifica: “por exemplo, numa


condenação de 50.000 salários mínimos em que o juiz sempre
fixe pelo menor percentual legalmente previsto – como
infelizmente costuma ocorrer com indesejada frequência –, a
condenação de honorários será de 1.964 salários mínimos (20 da
primeira faixa; 144 da segunda faixa; 900 da terceira faixa e 900
da quarta faixa)”24.

5. Referências bibliográficas

CORRÊA, Roberto. A Nova Lei de Execução Fiscal Anotada:


Lei n. 6.830, de 22.9.1980. São Paulo: Saraiva, 1980.

FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio


de Janeiro: Forense, 1981.

FISCHMANN, Gerson. Anotações aos artigos 82 a 97. In:


OAB. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre:
OABRS, 2015.

Lei nº 5.925, de 1.10.1973) § 3º Os honorários serão fixados entre o


mínimo de dez por cento (10%) e o máximo de vinte por cento (20%) sobre
o valor da condenação, atendidos: (Redação dada pela Lei nº 5.925, de
1.10.1973) a) o grau de zelo do profissional; (Redação dada pela Lei nº
5.925, de 1.10.1973) b) o lugar de prestação do serviço; (Redação dada pela
Lei nº 5.925, de 1.10.1973) c) a natureza e importância da causa, o trabalho
realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. (Redação
dada pela Lei nº 5.925, de 1.10.1973) § 4o Nas causas de pequeno valor,
nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for
vencida a Fazenda Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os
honorários serão fixados consoante apreciação eqüitativa do juiz, atendidas
as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei
nº 8.952, de 13.12.1994)”
24
NEVES, Daniel Assumpção. Novo CPC - Código de Processo Civil - Lei
13.105/2015. 2. ed. São Paulo: Método, 2015. Disponível em: VitalSource
Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
432

FORNACIARI JR., Clito. Apontamentos sobre a execução


fiscal. In: MARTINS, Ives Gandra da S.; BRITO, Edvaldo
Pereira de. (Orgs.). Direito tributário: direito processual
administrativo e judicial. São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2011.

MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo


Tributário.8 ed. São Paulo: Atlas, 2015, p. 305. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.

NEVES, Daniel Assumpção. Novo CPC - Código de Processo


Civil - Lei 13.105/2015. 2. ed. São Paulo: Método, 2015.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. São


Paulo: LTr, 1981.

LAMACHIA, Claudio P.P. Anotações aos artigos 82 a 97. In:


OAB. Novo código de processo civil anotado. Porto Alegre:
OABRS, 2015.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei N. 6830. 12.ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA,


Ingrid S. Direito Processual Tributário:processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 8. Ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2014.

REDONDO, Bruno Garcia. Comentário ao artigo 85. In:


CABRAL, Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.).
Comentários ao Novo Código de Processo Civil. Rio de
Janeiro: Forense, 2015. Disponível em: VitalSource Bookshelf
Online. Acesso em: 10/05/2016.
433

SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 26. In: FREITAS,


Vladimir Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e
jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 1998.

THEODORO JR., Humberto. A cobrança da dívida ativa da


fazenda pública segundo a lei 6.830, de 22.09.1980. Revista de
Processo (RePro), v. 22, n. 9, abr.-jun. 1981.
434

Art. 27 - As publicações de atos processuais poderão ser


feitas resumidamente ou reunir num só texto os de diferentes
processos.
Parágrafo Único - As publicações farão sempre referência ao
número do processo no respectivo Juízo e ao número da
correspondente inscrição de Dívida Ativa, bem como ao
nome das partes e de seus advogados, suficientes para a sua
identificação.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A redação do parágrafo único é resultante da Emenda n.


53 ao Projeto de Lei n° 14/1980, de redação do Deputado
Adroaldo Campos: “O Código de Processo Civil, anterior e
atual, sempre exigiu que da publicação constasse o nome das
partes e também de seus advogados, de forma suficiente para
sua identificação. Recompõe-se, pois, essa salutar exigência,
prevista no § 1º do art. 236 do Código de Processo Civil”.
Flaks relata que o artigo positiva prática forense já
adotada na época da promulgação da LEF, explica que “essas
indicações visam a facilitar a localização do processo, uma vez
que o executado pode estar respondendo a várias execuções
fiscais perante o mesmo juízo1”.

1
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, p. 264.
435

Remissões Legais: Arts. 269 a 275 e 280 do NCPC; art. 5.º da


Lei n°11.419/2006.

2. Conceitos Principais

O art. 27 trata de faculdade do cartório no ato de


organização de suas publicações. Constitui regra procedimental
com o intuito de facilitar o acompanhamento processual. O
cartório pode organizar suas publicações, por exemplo, “pela
denominação dos atos principais, tais como citação, intimação
da penhora, edital de leilão, etc. sob cada uma das rubricas
podem conter-se as indicações referidas a diversos processos de
execução fiscal2”.
A Exposição de Motivos da LEF indica a economia
processual como objetivo da norma, que positiva antiga praxe e
visa “evitar confusões”3. Flaks identifica o dispositivo como
mais um privilégio processual da Fazenda, no que tange à forma
e conteúdo das publicações4, nas situações de inúmeros
ajuizamentos contra o mesmo contribuinte5.
Hoje encontra-se ultrapassada pelos avanços
tecnológicos e organizacionais dos cartórios judiciais. As

2
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal, Lei N.
6830. 12 . ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 292. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
3
Idem.
4
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981.
5
CARNEIRO, Claudio. Processo tributário – Administrativo e judicial.4
ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 242. Disponível em: VitalSource
Bookshelf Online. Acesso em: 10. mai. 2016
436

intimações no CPC de 2015 estão localizadas nos artigos 269 a


275. Sua nulidade, nos casos de não observância dos requisitos
legais, no artigo 280. O caput do art. 270 estabelece a
preferência pela intimação por meio eletrônico: “Art. 270. As
intimações realizam-se, sempre que possível, por meio
eletrônico, na forma da lei”. Tais intimações serão realizadas em
portal eletrônico próprio para advogados cadastrados, numa
cumulação com o art. 5º da Lei 11.419/06. Caso não seja
possível a utilização do meio eletrônico, o art. 272 indica a
publicação em órgão oficial, dispositivo que substitui o art. 236
do CPC de 1973.
Observa-se nos parágrafos que seguem o caput do art.
272, preocupação com a ampla defesa e o contraditório6.
Característica marcante da nova codificação processual, a figura
do advogado é mais uma vez reconhecida, sendo-lhe facultada a
opção de requerimento de intimação somente em nome da
Sociedade de Advogados (art. 272, §1º).
O §2º do art. 272 inclui um elemento à regra do
parágrafo único do art. 27 em contento: a inclusão do número de
inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil,ou do número da
inscrição da sociedade, sob pena de nulidade da intimação. Os
parágrafos subsequentes dispõem requisitos acerca da grafia do
nome das partes e advogados (§§ 3º e 4º), acrescentando rigidez

6
SOUSA, José Augusto Garcia. Comentário ao artigo 272. In: CABRAL,
Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.). Comentários ao Novo Código
de Processo Civil. Rio de Janeiro: Forense, 2015. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10. mai. 2016.
437

à regra do antigo código, que aceitava a redação suficiente para


identificação da parte7.
Em último caso, se recorre a intimação em cartório,
pelo correio, ou por oficial de justiça, conforme arts. 273 a 275.

3. Jurisprudência Relacionada:

PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C,
DO CPC. INTIMAÇÃO. NÚMERO DE INSCRIÇÃO DO
ADVOGADO NA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL
- OAB. DESNECESSIDADE. SUFICIÊNCIA DOS NOMES
DAS PARTES E DO ADVOGADO. ARTIGO 236, § 1º, DO
CPC. ALEGADA HOMONÍMIA NÃO CONFIRMADA PELO
ACÓRDÃO REGIONAL.
1. A intimação é o ato pelo qual se dá ciência à parte ou ao
interessado dos atos e termos do processo, visando a que se faça
ou se abstenha de fazer algo, revelando-se indispensável, sob
pena de nulidade, que da publicação constem os nomes das
partes e de seus advogados, dados suficientes para sua
identificação (artigo 236, § 1º, do CPC). 2. A regra é a de que a
ausência ou o equívoco quanto ao número da inscrição do
advogado na Ordem dos Advogados do Brasil - OAB não
gera nulidade da intimação da sentença, máxime quando
corretamente publicados os nomes das partes e respectivos
patronos, informações suficientes para a identificação da
demanda[...]. 3. Nada obstante, é certo que a existência de
homonímia torna relevante o equívoco quanto ao número da
inscrição na OAB, uma vez que a parte é induzida em erro,
sofrendo prejuízo imputável aos serviços judiciários. 4.
Contudo, a alegação do recorrente, no sentido da existência de

7
Conforme CPC de 1973, “Art. 236. No Distrito Federal e nas Capitais dos
Estados e dos Territórios, consideram-se feitas as intimações pela só
publicação dos atos no órgão oficial. § 1o É indispensável, sob pena de
nulidade, que da publicação constem os nomes das partes e de seus
advogados, suficientes para sua identificação”.
438

advogado homônimo, não restou corroborada pelo Tribunal do


origem, segundo o qual: "Em que pese o número de registro na
Ordem dos Advogados do Brasil do causídico que patrocina o
feito estar errado, é evidente a validade do ato em que consta o
nome correto e completo daquele - além do número do processo
e o tipo de ação -, pois suficiente para seu real conhecimento.
Cumprido o requisito legal de existência de dados suficientes
a permitir a inequívoca identificação, é de ser afastada a
alegada nulidade da intimação. Impende ressaltar que, em
consonância com os termos do art. 244, do Código de Processo
Civil, só haveria invalidade se o vício existente tornasse
impossível de o ato cumprir sua finalidade, ou seja, tornasse
impossível ao destinatário a ciência da intimação publicada, o
que, in casu, como antes mencionado, inocorreu." 5. Recurso
especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo
543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp
1131805/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, CORTE ESPECIAL,
julgado em 03/03/2010, DJe 08/04/2010, grifamos)

AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. PROCESSUAL CIVIL. PRAZO RECURSAL.
INTEMPESTIVIDADE. IRREGULARIDADE NA
INTIMAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. PRECLUSÃO.
1. Intempestivo o agravo regimental interposto fora do prazo de
5 (cinco) dias previsto nos arts. 557, § 1º, do Código de
Processo Civil e 258 do Regimento Interno do Superior Tribunal
de Justiça. 2. A alegação de nulidade por suposta
irregularidade na intimação deve ser suscitada pela parte
interessada na primeira oportunidade que tenha para se
manifestar nos autos, sob pena de preclusão. 3. Agravo
regimental não conhecido. (AgRg no AREsp 180.286/RJ, Rel.
Ministro RICARDO VILLAS BÔAS CUEVA, TERCEIRA
TURMA, julgado em 10/06/2014, DJe 18/06/2014, grifamos)

4. Temas Relacionados

Em 2016, diversas instâncias do Judiciário se


encontram adaptadas à realidade do processo eletrônico. O novo
439

Código Processual Civil materializa um momento de transição


histórica: a virada para o virtual. Seus dispositivos elegem a
plataforma eletrônica como regra geral, elencando os
instrumentos do meio físico como secundários. Dessa forma, o
NCPC não ignora a realidade do Judiciário atual, mas o estrutura
para o futuro.

5. Referências bibliográficas

CARNEIRO, Claudio. Processo tributário – Administrativo e


judicial.4 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 242. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.

FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio


de Janeiro: Forense, 1981.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei N. 6830. 12 . ed. São Paulo: Saraiva, 2008.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA,


Ingrid S. Direito Processual Tributário:processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 8. Ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2014.

SOUSA, José Augusto Garcia. Comentário ao artigo 270. In:


CABRAL, Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.).
Comentários ao Novo Código de Processo Civil. Rio de
Janeiro:Forense, 2015. Disponível em: VitalSource Bookshelf
Online. Acesso em: 10/05/2016.
440

Art. 28 - O Juiz, a requerimento das partes, poderá, por


conveniência da unidade da garantia da execução, ordenar a
reunião de processos contra o mesmo devedor.
Parágrafo Único - Na hipótese deste artigo, os processos
serão redistribuídos ao Juízo da primeira distribuição.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

A reunião de execuções com a finalidade de economia


processual pode ser observada desde o século XIX, consoante o
Decreto Imperial n° 9.885 de 1888: “Art. 5º As contas correntes,
certidões e documentos (art. 2º), serão especiaes, isto é, um para
cada devedor; juntando-se, porém, a uma só petição, para serem
ajuizados, todos os que forem relativos a um só devedor,
comtanto que a divida seja, de origem identica”.
O Decreto que regia as execuções fiscais até a
promulgação da LEF, Dec. n°960/38, previa: “Art. 5º. As
dívidas relativas ao mesmo devedor, desde que conexas ou
consequentes, serão cumuladas em um pedido, glosadas nas
custas de qualquer procedimento que tenha sido indevidamente
ajuizado”.
Conforme a Exposição de Motivos da LEF, o art. 28
projeta a norma do art. 5731 do CPC/1973, “com aplicação dos

1
“Art. 573. É lícito ao credor, sendo o mesmo o devedor, cumular várias
execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, desde que para todas
elas seja competente o juiz e idêntica a forma do processo”.
441

princípios referentes ao processo de conhecimento (arts. 102 a


106)”2.

Remissões Legais: Art. 9 da LEF, arts. 102-106 e 573 do


CPC/1973, arts. 55, 58, 780 do CPC/2015.

2. Conceitos Principais

A Lei n° 6.830/80, vista como um todo, procura


agilizar o processo executivo “procurando reduzir atos,
simplificá-los, na medida do possível, suprimir a participação de
auxiliares do Juízo”3. O art. 28 é coerente com tais princípios e
visa a economia processual.
Flaks, ao analisar a norma executiva quando da sua
promulgação, observa a preservação da vigência do dispositivo
do Código Processual Civil (573) para a realidade da execução
fiscal4. O que a LEF estabelece, para o autor, é uma alternativa
para os casos nos quais as execuções são propostas em separado,
qual seja: “a faculdade de reunir os processos, desde que
atendidos certos pressupostos, independentemente da

2
Exposição de Motivos do Projeto de Lei n. 14, de 1980-CN.
3
FORNACIARI JR., Clito. Apontamentos sobre a execução fiscal. In:
MARTINS, Ives Gandra da S.; BRITO, Edvaldo Pereira de. (Orgs.).
Direito tributário: direito processual administrativo e judicial. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2011, p. 209.
4
Entendimento compartilhado por Américo Luís M. Silva, décadas depois:
“no caso da execução fiscal, aplica-se integralmente o art. 573 do Código
de Processo Civil”. SILVA, Américo Luís M. A Execução da Dívida
Ativa da Fazenda Pública. 3. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2011, p. 365.
442

conexidade das causas. Essa faculdade é estendida ao executado,


pois este também pode ter interesse na reunião”5.
Ressalta-se que o CPC/2015 não altera o conteúdo da
norma do art. 573 do antigo código, embora modifique sua
redação, veja-se: “Art. 780. O exequente pode cumular várias
execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o
executado for o mesmo e desde que para todas elas seja
competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento”.
O bem jurídico tutelado pela norma é a unidade da
garantia da execução fiscal. Tal unidade não significa um único
bem, ou uma única espécie de garantia. Nesse sentido,
Sakakihara salienta a possibilidade de “que as diversas
execuções reunidas sejam garantidas pela penhora, não de um
único bem, mas de diferentes bens, que constituem, em
conjunto, uma unidade de garantia. Em razão dessa unidade, o
produto da alienação de cada um desses bens será utilizado
indistintamente para o pagamento de cada uma das execuções”6.
Note-se o dever de provocação das partes para a
reunião dos processos executivos. Tal provocação pode ser
indeferida, pois se trata de faculdade, não dever do juiz, o
qualpode recusar se achar inconveniente. Para o deferimento do
pedido, além da unidade da garantia, é preciso que os processos

5
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, p. 268.
6
SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 26. In: FREITAS, Vladimir
Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e jurisprudência. São Paulo:
Saraiva, 1998, p. 448.
443

estejam em curso na mesma comarca, em momento processual


anterior à decisão final dos embargos opostos7.
A reunião se dará em forma de apensamento, eletrônico
ou físico, mantendo a individualidade de cada processo. A
redistribuição será feita ao Juízo da primeira distribuição. Dessa
forma, “todos os atos processuais, a partir de então, poderão ser
praticados apenas num deles, como se formassem um único
processo. Os atos de comunicação e mandados em geral devem,
evidentemente, fazer referência a todos os processos reunidos”8.
Nessa esteira, as intimações dos atos processuais deverão
respeitar o disposto no art. 27 da mesma lei especial.
Trata-se de uma cumulação superveniente de processos,
não de conexão9 ou cumulação objetiva de pedidos10.

3. Jurisprudência Relacionada;

Súmula n° 515 do Superior Tribunal de Justiça: A reunião de


execuções fiscais contra o mesmo devedor constitui faculdade
do Juiz.

7
PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução Fiscal, Lei N.
6830. 12 . ed. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 294.. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.
8
SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 28. In: FREITAS, Vladimir
Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e jurisprudência. São Paulo:
Saraiva, 1998, p. 449.
9
Carneiro identifica a natureza jurídica de conexão no art. 28. CARNEIRO,
Claudio. Processo tributário: Administrativo e judicial. 4 ed. São Paulo:
Saraiva, 2013, p. 242. Disponível em: VitalSource Bookshelf Online.
Acesso em: 10/05/2016.
10
Nicacio identifica natureza jurídica semelhante à cumulação objetiva de
pedidos. NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. São Paulo:
LTr, 1981, p. 278.
444

PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL


REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543-C, DO
CPC. CUMULAÇÃO SUPERVENIENTE. REUNIÃO DE
VÁRIAS EXECUÇÕES FISCAIS CONTRA O MESMO
DEVEDOR. ART. 28 DA LEI 6.830/80. FACULDADE DO
JUIZ.
1. A reunião de processos contra o mesmo devedor, por
conveniência da unidade da garantia da execução, nos termos do
art. 28 da Lei 6.830/80, é uma faculdade outorgada ao juiz, e
não um dever. [...]. 2. O artigo 28, da lei 6.830/80, dispõe: "Art.
28 - 0 Juiz, a requerimento das partes, poderá, por conveniência
da unidade da garantia da execução, ordenar a reunião de
processos contra o mesmo devedor." 3. A cumulação de
demandas executivas é medida de economia processual,
objetivando a prática de atos únicos que aproveitem a mais de
um processo executivo, desde que preenchidos os requisitos
previstos no art. 573 do CPC c/c art. 28, da Lei 6.830/80, quais
sejam: (i) identidade das partes nos feitos a serem reunidos; (ii)
requerimento de pelo menos uma das partes (Precedente: Resp
217948/SP, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ 02/05/2000) ; (iii)
estarem os feitos em fases processuais análogas; (iv)
competência do juízo. 4. Outrossim, a Lei de Execução Fiscal
impõe como condição à reunião de processos a conveniência da
unidade da garantia, vale dizer, que haja penhoras sobre o
mesmo bem efetuadas em execuções contra o mesmo devedor,
vedando, dessa forma, a cumulação sucessiva de procedimentos
executórios, de modo que é defeso à Fazenda Pública requerer a
distribuição de uma nova execução, embora contra o mesmo
devedor, ao juízo da primeira. 5. Não obstante a possibilidade de
reunião de processos, há que se distinguir duas situações,
porquanto geradoras de efeitos diversos: (i) a cumulação inicial
de pedidos (títulos executivos) em uma única execução fiscal,
por aplicação subsidiária das regras dos arts. 292 e 576 do CPC,
em que a petição inicial do executivo fiscal deve ser
acompanhada das diversas certidões de dívida ativa; (ii) a
cumulação superveniente, advinda da cumulação de várias ações
executivas (reunião de processos), que vinham, até então,
tramitando isoladamente, consoante previsão do art. 28, da Lei
6.830/80. 6. A cumulação de pedidos em executivo fiscal único
revela-se um direito subjetivo do exequente, desde que
445

atendidos os pressupostos legais. [...] 7. Ao revés, a reunião de


diversos processos executivos, pela dicção do art. 28, da LEF,
ressoa como uma faculdade do órgão jurisdicional, não se
tratando de regra cogente, máxime em face do necessário juízo
de conveniência ou não da medida, o que é aferível
casuisticamente. 8. O Sistema Processual Brasileiro, por seu
turno, assimila esse poder judicial de avaliação da cumulação de
ações, como se observa no litisconsórcio recusável ope legis
(art. 46, parágrafo único do CPC) e na cumulação de pedidos
(art. 292 e parágrafos do CPC). 9. In casu, restou assentada, no
voto condutor do acórdão recorrido, a inobservância aos
requisitos autorizadores da cumulação de demandas executivas,
verbis: "O julgador de piso fundamentou sua decisão no fato de
que o número excessivo de executivos fiscais, em fases distintas,
importará em tumulto no processamento dos mesmos, verbis:
"Tendo em vista o número excessivo de executivos fiscais com
fases distintas, conforme informação de fl. 37/44, indefiro o
pedido de reunião dos feitos pela dificuldade que causaria ao
processamento dos mesmos." Não há qualquer demonstração,
por parte da exequente, de que todas as ações se encontram na
mesma fase procedimental, de modo que, em juízo de cognição
sumária, se afigura correta a decisão do magistrado." 10.
Recurso Especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do
art. 543-C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp
1158766/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO,
julgado em 08/09/2010, DJe 22/09/2010, grifamos)

PROCESSUAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO CONTRA


DECISÃO QUE DETERMINOU A REUNIÃO DE TODAS AS
EXECUÇÕES FISCAIS, REFERENTES À COBRANÇA DE
ICMS, AJUIZADAS CONTRA A AGRAVANTE. OFENSA
AO ART. 28 DA LEI N.º 6.830/80-LEF. NÃO OCORRÊNCIA.
RECURSO ESPECIAL IMPROVIDO.
- Embargos que versam fatos semelhantes e se montam em
fundamentos idênticos, por serem conexos, devem ser
reunidos, levando com eles as respectivas execuções. Tal
reunião em nada ofende o Art. 28 da Lei 6.830/80.
- Aplicação teleológica do contido no dispositivo legal,
levando ao entendimento de que "a unidade de garantia da
446

execução", não traduz propriamente a necessidade da


existência de uma única penhora para todos os processos,
mas a unificação de todas as garantias sob o controle de um
mesmo Juízo.
- Recurso especial improvido.
(REsp 422.395/SP, Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE
BARROS, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13/08/2002, DJ
19/12/2002, p. 339, grifamos)

PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO CONTRA AGRAVO DE


INSTRUMENTO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO
FISCAL. ART. 28 DA LEI 6.830/80. APENSAMENTO DE
PROCESSOS CONTRA O MESMO DEVEDOR.
FACULDADE DO JUIZ. DESPACHO SEM CONTEÚDO
DECISÓRIO. INTERPOSIÇÃO DE AGRAVO.
IRRECORRIBILIDADE. MATÉRIA PACIFICADA.
PRECEDENTES COM AS MESMAS PARTES.
IRRESIGNAÇÃO MANIFESTAMENTE INFUNDADA.
MULTA. LEI N. 9.576/98.
- O despacho do juiz que determina o apensamento de
processos de execução fiscal contra o mesmo devedor não
tem conteúdo decisório, revelando-se de mero expediente.
- A Agravante em suas razões recursais utilizou-se dos mesmos
argumentos já mencionados nas irresignações anteriores,
deixando de apresentar novos fundamentos que possam elidir a
decisão ora agravada, que por oportuno, já foi em outras
oportunidades apreciadas por esta Corte, litigando, inclusive, as
mesmas partes deste processo. Revela-se, portanto,
manifestamente infundado o agravo que insiste em discutir
questão reiteradamente superada no âmbito desta Corte, a
merecer a multa prevista no §2º do art.557, do CPC, com
alterações introduzidas pela Lei nº 9.756/98.
- Agravo desprovido, impondo ao recorrente a multa no valor
equivalente a 1% (um por cento) sobre o valor atualizado da
causa.
(AgRg no Ag 239.377/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI,
SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2000, DJ 15/05/2000,
p. 152, grifamos)
447

4. Temas Relacionados

Em que pese o art. 28 não tratar dos casos de


cumulação de pedidos e conexão no executivo fiscal, tais
modalidades são possíveis.
O art. 292 do CPC/73 previa a possibilidade de
cumulação de pedidos na peça executória. O código de 2015 não
modificou o conteúdo da norma anterior, veja-se:
Art. 327. É lícita a cumulação, em um único
processo, contra o mesmo réu, de vários
pedidos, ainda que entre eles não haja
conexão.
§ 1o São requisitos de admissibilidade da
cumulação que:
I - os pedidos sejam compatíveis entre si;
II - seja competente para conhecer deles o
mesmo juízo;
III - seja adequado para todos os pedidos o
tipo de procedimento.

Na realidade executiva fiscal, é possível executar


diversas Certidões de Dívida Ativa no mesmo processo.
A conexão é uma possibilidade de alteração da
competência relativa nos casos em que o “pedido ou a causa de
pedir, elementos individualizadores da demanda (ao lado do
elemento partes), mostrarem-se idênticos”11, visando a
promoção de segurança jurídica aliada à economia processual12.

11
TORRES, Artur. Anotações aos artigos 54 a 6. In: OAB. Novo código de
processo civil anotado. Porto Alegre: OABRS, 2015.
12
GALDINO, Flavio. Comentário ao artigo 54. In: CABRAL, Antonio
Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.). Comentários ao Novo Código de
Processo Civil. Forense, 2015. Disponível em: VitalSource Bookshelf
Online. Acesso em: 10/05/2016.
448

Os processos, nesse contexto, serão reunidos para decisão


conjunta. A figura está prevista no art. 55 do CPC de 2015:
Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou
mais ações quando lhes for comum o
pedido ou a causa de pedir.
§ 1o Os processos de ações conexas
serão reunidos para decisão conjunta,
salvo se um deles já houver sido
sentenciado.
§ 2o Aplica-se o disposto no caput:
I - à execução de título extrajudicial e à
ação de conhecimento relativa ao
mesmo ato jurídico;
II - às execuções fundadas no mesmo
título executivo.
§ 3o Serão reunidos para julgamento
conjunto os processos que possam gerar
risco de prolação de decisões
conflitantes ou contraditórias caso
decididos separadamente, mesmo sem
conexão entre eles.
A conexão de causas se dá em inúmeras situações: i) no
caso de “execuções embargadas sobre o idêntico fundamento de
fato e/ou direito, exigindo julgamento em simultaneus processos
para evitar decisões contraditórias”13; ii) “execução proposta
contra a empresa e aquela intentada, por reflexo, contra sócio,
impondo-se a reunião dos processos para julgamento
simultâneo”14; iii) entre ação anulatória e execução fiscal.

13
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de Execução Fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, p. 266.
14
SILVA, Américo Luís M. A Execução da Dívida Ativa da Fazenda
Pública. 3. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,
2011, p. 367.
449

5. Referências bibliográficas

CARNEIRO, Claudio. Processo tributário: administrativo e


judicial. 4 ed. São Paulo: Saraiva, 2013, p. 242. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.

FORNACIARI JR., Clito. Apontamentos sobre a execução


fiscal. In: MARTINS, Ives Gandra da S.; BRITO, Edvaldo
Pereira de. (Orgs.). Direito tributário: direito processual
administrativo e judicial.São Paulo: Editora Revista dos
Tribunais, 2011.

GALDINO, Flavio. Comentário ao artigo 55. In: CABRAL,


Antonio Passo, CRAMER, Ronaldo (orgs.). Comentários ao
Novo Código de Processo Civil. Forense, 2015. Disponível em:
VitalSource Bookshelf Online. Acesso em: 10/05/2016.

NEVES, Daniel Assumpção. Novo CPC - Código de Processo


Civil - Lei 13.105/2015. 2. ed. São Paulo: Método, 2015.
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

NICACIO, Antonio. A Nova Lei da Execução Fiscal. São


Paulo: LTr, 1981.

PACHECO, José Silva. Comentários à Lei de Execução


Fiscal, Lei N. 6830. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2008..
Disponível em: VitalSource Bookshelf Online. Acesso em:
10/05/2016.

PAULSEN, Leandro; ÁVILA, René Bergmann; SLIWKA,


Ingrid S. Direito Processual Tributário:processo
administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e da
jurisprudência. 8. Ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado,
2014.

SAKAKIHARA, Zuudi. Comentário ao art. 26. In: FREITAS,


Vladimir Passos de (Coord.). Execução Fiscal: doutrina e
jurisprudência. São Paulo: Saraiva, 1998.
450

SILVA, Américo Luís M. A Execução da Dívida Ativa da


Fazenda Pública. 3. ed. rev. atual. e ampl. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 2011.

TORRES, Artur. Anotações aos artigos 54 a 6. In: OAB. Novo


código de processo civil anotado. Porto Alegre: OABRS, 2015.
451

COMENTÁRIOS AOS ARTS. 29 A 31


Eduardo Muxfeldt Bazzanella*

Art. 29 – A cobrança judicial da Dívida Ativa da Fazenda


Pública não é sujeita a concurso de credores ou habilitação
em falência, concordata, liquidação, inventário ou
arrolamento.
Parágrafo Único – O concurso de preferência somente se
verifica entre pessoas jurídicas de direito público, na
seguinte ordem:
I – União e suas autarquias;
II – Estados, Distrito Federal e Territórios e suas autarquias,
conjuntamente e pro rata;
III – Municípios e suas autarquias, conjuntamente e pro
rata.

1. Evolução Legislativa e Remissões Legais

*
Mestre em Direito pela PUCRS. Especialista em Direito Tributário pelo
IBET. Especialista em Administração de Empresas pela UFRGS.
Pesquisador no Grupo Avançado de Pesquisas Tributárias – GTAX.
Advogado.
452

Durante o regime das ordenações, e posteriormentena


Consolidação Ribas, a Fazenda não chamava credores, mas estes
poderiam instaurar o concurso no juízo da execução, no caso de
inexistência de bens suficientes para satisfação da totalidade do
crédito.Sob a vigência da Consolidação José Higino, havia a
discussão quanto às leis locais e os Códigos de Processo de
Estaduais estabelecerem o direito de prelação com relação aos
tributos de suas competências. O entendimento dominante é que
as Fazendas Estaduais e Municipais se sujeitavam ao concurso e
deveriam habilitar seus créditos como credores quirografários1.
O Decreto-lei nº 960/38 dispensou a Fazenda de
concurso ou habilitação, reafirmou a primazia dos créditos
fazendários e a ordem de precedência dos créditos (União,
Estados e Municípios). Nesse ponto, vale lembrar que os
privilégios da Fazenda eram considerados como concernentes ao
direito comum, pois somente na Constituição de 1946 é que a
União se tornou competente para legislar sobre normas gerais
financeiras, compreendidas nelas, as tributárias. A preferência
absoluta acabou cedendo lugar aos créditos trabalhistas na Lei nº
4.839/652.
Anteriormente à Lei de Execuções Fiscais, o Código de
Processo Civil de 1973 adotou o mesmo procedimento para
todos os títulos executivos, de tal sorte que, até o advento da lei,
os privilégios da Fazenda eram reduzidos a: a) auto constituição

1
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de execução fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, passim.
2
FLAKS, Milton. Comentários à Lei de execução fiscal. Rio de Janeiro:
Forense, 1981, p. 9.
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do título; b) reexame obrigatório em segundo grau das sentenças


desfavoráveis; c) prazos especiais para seus representantes; d)
preferência dos créditos; e) não se sujeitar a concurso ou
habilitação3.

Remissões Legais:Arts. 186, 187, 188, CTN; Art. 45, I, NCPC;


Art. 5°, § 7°, Lei nº 11.101/05.

2. Conceitos Principais

O art. 29 da Lei n°6.830/80 reproduziu integralmente


os art. 60 do Decreto-lei n°960/38 e 187 do CTN. Não há
sujeição da Fazenda ao concurso de credores, processo de
insolvência, falência, recuperação judicial, liquidação,
inventário ou arrolamento. Mesmo na existência desses
processos, a Fazenda pode propor ação de execução fiscal no
juízo competente, sem qualquer necessidade de deslocamento da
competência para o juízo universal ou obrigaç