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José Iveraldo Guimarães

Tratamento de
Águas e Efluentes
Tratamento de
Águas e Efluentes
José Iveraldo Guimarães

Tratamento de
Águas e Efluentes

Natal/RN
2014
presidente
PROF. PAULO DE PAULA

diretor geral
PROF. EDUARDO BENEVIDES

diretora acadêmica
PROFA. LEIDEANA BACURAU

diretora de produção de projeto


PROFA. JUREMA DANTAS

FICHA TÉCNICA

gestão de produção de materiais didáticos


PROFA. LEIDEANA BACURAU

coordenação de design instrucional


PROFA. ANDRÉA CÉSAR PEDROSA

projeto gráfico
ADAUTO HARLEY SILVA

diagramação
MAURIFRAN GALVÃO

designer instrucional
ITSUO MACÊDO OKASHITA

revisão de língua portuguesa


ANA AMÉLIA AGRA LOPES

revisão das normas da ABNT


LUÍS CAVALCANTE FONSECA JÚNIOR

ilustração
RAFAEL EUFRÁSIO DE OLIVEIRA

Catalogação da Publicação na Fonte (CIP).


Ficha Catalográfica elaborada por Luís Cavalcante Fonseca Júnior - CRB 15/726.

G963t Guimarães, José Iveraldo.


Tratamento de águas e efluentes / José Iveraldo
Guimarães ; edição e revisão do Instituto Tecnológico
Brasileiro (ITB). – Natal, RN : 2015.
191 p. : il. color.

ISBN 978-85-68100-43-1
Inclui referências

1. Tratamento de água. 2. Distribuição de água.


3. Esgoto sanitário. I. Instituto Tecnológico Brasileiro.
II.Título.

RN/ITB/LCFJ CDU 616


“A água de boa qualidade é como a saúde ou a
liberdade: só tem valor quando acaba.”
(Guimarães Rosa)
Índice iconográfico

Atividades Vocabulário Importante

Mídias Curiosidade Querendo mais?

Você conhece? Internet Diálogos

O material didático do Sistema de Aprendizado itb propõe ao aluno uma linguagem objetiva, sim-
ples e interativa. Deseja “conversar” diretamente, dialogar e interagir, garantir o suporte para o es-
tudante percorrer os passos necessários a sua aprendizagem. Os ícones são disponibilizados como
ferramentas de apoio que direcionam o foco, identificando o tipo de atividade ou material de estudo.
Observe-os na descrição a seguir:

Curiosidade – Texto para além da aula, explorando um assunto abordado. São pitadas de conheci-
mento a mais que o professor pode proporcionar ao aluno.

Importante! – Destaque dado a uma parte do conteúdo ou a um conceito estudado, que seja con-
siderado muito relevante.

Querendo mais – Indicação de uma leitura fora do material de estudo. Vem ao final da competência,
antes do resumo.

Vocabulário – Texto explicativo, normalmente curto, sobre novos termos que são apresentados no
decorrer do estudo.

Você conhece? – Foto e biografia de uma personalidade conhecida pelas suas obras relacionadas
ao objeto de estudo.

Atividade – Resumo do conteúdo praticado na competência em forma de exercício. Pode ser apre-
sentado ao final ou ao longo do texto.

Mídias – Contém material de estudo auxiliar e sugestões de filmes, entrevistas, artigos, podcast e
outros, podendo ser de diversas mídias: vídeo, áudio, texto, nuvem.

Internet – Citação de conteúdo exibido na Internet: sites, blogs, redes sociais.

Diálogos – Convite para discussão de assunto pelo chat do ambiente virtual ou redes sociais.
Sumário
Apresentação institucional 11
Palavra do professor autor 13
Apresentação das competências 15

Competência 01
Caracterizar os sistemas de captação e distribuição de água de uma cidade 19
A Água 20
O sistema de abastecimento de água 22
A estrutura básica da distribuição de água a partir de sua captação 22
A etapa de captação da água bruta 23
A etapa de adução da água bruta 25
As etapas de reservação, distribuição e estações elevatórias 27
Resumo 29
Autoavaliação 30

Competência 02
Caracterizar o processo convencional de tratamento de água 35
Os objetivos do processo convencional de tratamento de águas 36
A escolha do tipo de tratamento da água bruta 37
Determinando e conceituando as etapas do tratamento convencional da água bruta 38
Resumo 43
Autoavaliação 43
Competência 03
Caracterizar as etapas de coagulação, floculação e decantação no
tratamento da água bruta 45
As impurezas presentes na água bruta 48
As partículas sólidas das impurezas da água bruta 49
A origem da cor na água bruta 49
Características da turbidez da água bruta 51
A etapa de coagulação no tratamento da água bruta 51
As substâncias coagulantes 54
A etapa de floculação no tratamento da água bruta 56
A etapa de decantação no tratamento da água bruta 57
Destino do lodo sedimentado no tanque coagulador 58
Quantificação dos agentes coaguladores 59
A eficiência do sistema decantador 61
Resumo 62
Autoavaliação 62

Competência 04
Caracterizar a filtração, desinfecção e inovações tecnológicas no tratamento de água 67
A etapa de filtração do tratamento da água bruta 68
Os sistemas de filtração usados no tratamento da água bruta 69
O sistema de filtração lenta 69
O sistema de filtração rápida 72
O sistema de filtração rápida em função do comportamento hidráulico 74
As características dos sistemas de filtração lenta e rápida 75
O sistema de desinfecção do tratamento da água bruta 76
As substâncias químicas do sistema de desinfecção do tratamento da água bruta 76
O cloro, o flúor e o ozônio usados no tratamento da água bruta 77
A radiação ultravioleta usada no tratamento da água bruta 78
Inovações tecnológicas para tratamento de água 81
Método da Flotofiltração 81
Método da desmineralização por troca iônica 83
Método da osmose reversa 84
Resumo 86
Autoavaliação 86
Competência 05
Caracterizar o Esgoto Sanitário 91
O esgoto sanitário 91
A constituição física, química e biológica do esgoto sanitário 94
As impurezas de natureza física 95
As impurezas de natureza química 96
As impurezas de natureza biológica 97
A microbiota nos esgotos sanitários 97
Resumo 100
Autoavaliação 100

Competência 06
Conceituar as etapas do processo convencional de tratamento de esgotos e efluentes 105
A instalação de sistemas de tratamento de esgotos 106
A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) 106
A Demanda Biológica (ou bioquímica) de Oxigênio (DBO) 107
As tecnologias para remoção das impurezas do esgoto sanitário 108
Resumo 111
Autoavaliação 111

Competência 07
Distinguir o pré-tratamento do processo convencional de tratamento de esgotos 115
O processo de tratamento preliminar 115
O processo de desareamento do tratamento preliminar 119
A caixa de areia do processo de desareamento do tratamento preliminar 120
A remoção do sedimento das caixas de areia 122
Resumo 123
Autoavaliação 124

Competência 08
Caracterizar o Tratamento Primário do Processo Convencional de Tratamento de Esgotos 129
Tratamento Primário do Processo Convencional de Tratamento de Esgotos 129
Estrutura do Decantador Primário 130
Funcionamento do Decantador Primário 133
Processo de Flotação 137
A Flotação ao nível da dimensão das partículas 137
Resumo 139
Autoavaliação 140

Competência 09
Conceituar os tratamentos secundário e terciário do processo convencional
de tratamento de esgotos 143
O conceito de tratamento secundário 144
A classificação do tratamento secundário 144
O Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente (RAFA) 145
Tanque de aeração após o reator anaeróbico 149
Decantadores secundários 150
As lagoas de estabilização 151
A lagoa anaeróbia 152
A lagoa facultativa 153
As características da lagoa facultativa 154
O tratamento terciário 156
A lagoa de maturação 156
O processo de desinfecção na lagoa de maturação 159
Resumo 160
Autoavaliação 160

Competência 10
Caracterizar o tratamento de emissões gasosas e efluentes líquidos industriais 165
A resolução do CONAMA quanto às emissões de poluentes na atmosfera 166
Os poluentes constituintes das emissões 167
Os indicadores de qualidade do ar 168
As técnicas para o tratamento de poluentes atmosféricos 172
As técnicas para o tratamento de poluentes particulados 173
As técnicas para o tratamento de poluentes gasosos 175
Os efluentes líquidos industriais 179
Resumo 183
Autoavaliação 184

Referências 186
Conheça o autor 191
Tratamento de Águas e Efluentes
Apresentação institucional
O Instituto Tecnológico Brasileiro (itb) foi construído a partir do sonho de educadores e
empreendedores reconhecidos no cenário educacional pelas suas contribuições no desen-
volvimento econômico e social dos Estados em que atuaram, em prol de uma educação de
qualidade nos níveis básico e superior, nas modalidades presencial e a distância.
Esta experiência volta-se para a educação profissional, sensível ao cenário de desen-
volvimento econômico nacional, que necessita de pessoas devidamente qualificadas para 11
ocuparem vagas de trabalho e garantirem suporte ao contínuo crescimento do setor pro-
dutivo da nação.
O Sistema itb de Aprendizado Profissional privilegia o desenvolvimento do estudante a
partir de competências profissionais requeridas pelo mundo do trabalho. Está direcionado
a você, interessado na construção de uma formação técnica que lhe proporcione rapida-
mente concorrer aos crescentes postos de trabalho.
No Sistema itb de Aprendizado Profissional o estudante encontra uma linguagem clara
e objetiva, presente no livro didático, nos slides de aula, no Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem e nas videoaulas. Neste material didático, um verdadeiro diálogo estimula a leitura, o
projeto gráfico permite um estudo com leveza e a iconografia utilizada lembra as modernas
comunicações das redes sociais, tão acessadas nos dias atuais.
O itb pretende estar com você neste novo percurso de qualificação profissional, con-
tribuindo decisivamente para a ampliação de sua empregabilidade. Por fim, navegue no
Sistema itb: um estudo prazeroso, prático, interativo e eficiente o conduzirá a um posicio-
namento profissional diferenciado, permitindo-lhe uma atuação cidadã que contribua para
o seu desenvolvimento pessoal e do seu país.
Tratamento de Águas e Efluentes
Palavra do professor autor
Olá!
Vamos iniciar nossos estudos em Tratamento de Águas e Efluentes, e identificaremos
as técnicas que atualmente se utilizam no tratamento da água bruta, com o objetivo de
obter sua potabilidade; assim como, sobre as técnicas utilizadas para o tratamento de
esgotos urbanos e industriais, de maneira que seus efluentes possam ser lançados em ma-
nanciais receptores sem que estes causem qualquer impacto negativo ambiental. Algumas 13
palavras talvez estejam soando diferentes aos seus ouvidos, mas no decorrer dos estudos
informarei seus significados, combinado?
Antes, porém, que você inicie o seu aprendizado sobre essas técnicas do tratamento de
águas e esgotos, eu preciso falar sobre o papel fundamental que caberá a você como um
técnico, no gigantesco esforço que o país faz de levar o saneamento básico para milhões
de brasileiros sem acesso a essa vital necessidade humana. Para tanto vou conversar so-
bre um fato que ocorreu em junho de 2014.
A noite de São João, dia 24 de junho, ainda começava quando o jogo de futebol entre
Grécia e Costa do Marfim terminou com vitória para os gregos, que festejaram a passagem
para as oitavas de final da Copa do Mundo no Brasil, a sua maneira, quebrando pratos, e
mais pratos. Que bom para eles. E o que essa festa tem a ver com o nosso saneamento
básico? Nada. Quer dizer, quase nada. É que ao ver a tristeza no rosto dos jogadores da
Costa do Marfim eu me lembrei de um triste, mas verdadeiro, pronunciamento feito pelo
primeiro-ministro daquele país, Daniel Kablan Duncan, na abertura do Congresso da As-
sociação Africana de Água, em sua capital Yamoussoukro, no mês de fevereiro deste ano.
Ele declarou que cerca de 400 milhões de africanos (50% da população da África) são
privados do acesso à água potável e ao esgoto tratado, e considerava essa tragédia um
imenso obstáculo ao desenvolvimento do continente africano; e confessou que mais de 70
% dos leitos dos hospitais naquele continente estavam ocupados com pessoas acometidas
por doenças relacionadas com a qualidade da água, e com a falta de saneamento. Fiquei
com pena da África.
E aquela lembrança me trouxe outra lembrança: alguns meses antes do pronunciamen-
to do primeiro-ministro africano, o presidente executivo do Instituto Trata Brasil (que pes-
quisa as condições sanitárias do nosso país), o químico industrial Édison Carlos, declarou
em entrevista ao IHU On-Line (Instituto Humanitas Unisinos) que mais de cem milhões de
brasileiros (50% da população do Brasil) não tinham acesso aos serviços de saneamento
básico.
De repente eu constatava que não havia nenhuma diferença entre a nossa triste reali-
Tratamento de Águas e Efluentes

dade e a realidade triste dos africanos. Fiquei com pena do Brasil.


A tragédia está aí. O que fazer então? O que fazer para limpar nossas águas e nossos
esgotos e resgatar o nosso país da barbárie? O dinheiro seria a solução? Não. Dinheiro já
existe há muito tempo. Bilhões de cifrões para tal finalidade. O que falta, conforme o pró-
prio Édison Carlos, é que o saneamento básico no Brasil seja prioridade número 1 das ins-
tituições públicas e, principalmente, da população. E para a operacionalização das tantas
estações de tratamento, que obrigatoriamente serão implantadas, urge que a nação forme
um contingente de técnicos qualificados.
14
E é aí que você se encaixa. O país precisa de você! Ele precisa avidamente de técnicos
que saibam operar as estações de tratamento de água (ETAs) e as estações de tratamento
de esgotos (ETEs).
E ao fazer essa leitura, você começa a se habilitar para ser o técnico tão necessário, tão
requerido. Portanto, seja muito bem-vindo!
Apresentação das competências

Tratamento de Águas e Efluentes


Nosso material é composto por 10 competências, as quais agora serão apresentadas
a você. As competências de 1 a 4 lhe darão o aprendizado sobre as técnicas utilizadas
no tratamento da água bruta, com o objetivo de se obter sua potabilidade; enquanto que
as competências de 5 a 10 levarão o conhecimento técnico sobre como tratar os esgotos
urbanos e industriais, de maneira que seus efluentes possam ser lançados em mananciais
receptores sem que estes causem qualquer impacto negativo ambiental. A seguir vou lhe 15
apresentar de maneira breve, o que vai aprender em cada competência que juntos iremos
desenvolver.
Na primeira competência você definirá o conceito de água e o sistema de abastecimen-
to, assim como caracterizará a estrutura básica da sua distribuição numa cidade a partir
da captação. Aprenderá também, sobre os processos de captação da água bruta com ori-
gens subterrânea e superficial, e sobre as etapas de adução, reservação, distribuição e
instalação de estações elevatórias.
Na segunda competência você irá identificar os objetivos e as características do proces-
so convencional de tratamento da água bruta; e determinará a escolha do tipo de trata-
mento, incluindo o tratamento contra incrustações minerais. E ainda definirá os conceitos
das etapas do tratamento convencional, dentre as quais a coagulação e floculação; decan-
tação; filtração; desinfecção e fluoretação.
Na competência 3, você definirá as características das impurezas presentes na água
bruta, e a classificação de suas partículas sólidas; determinará a origem da cor da água
e como classificá-la; caracterizará a turbidez e o desenvolvimento do tratamento da água,
através das etapas de coagulação, floculação e decantação.
Na próxima competência você irá caracterizar e conceituar as etapas de filtração do
tratamento de água bruta, e distinguirá esses sistemas através do estudo do processo
construtivo dos filtros lentos e rápidos, sobre os processos de desinfecção; e sobre inova-
ções tecnológicas.
Na quinta competência você vai conceituar e caracterizar esgoto sanitário e irá deter-
minar a constituição de suas impurezas, de acordo com a natureza física, química e bioló-
gica; assim como caracterizar as impurezas de natureza física com potencial de alterar a
qualidade das águas, as impurezas de natureza química, classificando-as em substâncias
orgânicas e inorgânicas, e as impurezas de natureza biológica, classificando-as em hete-
rotróficas e autotróficas. Aprenderá também a identificar e caracterizar a microbiota das
águas residuárias.
Na competência 6 você irá determinar se há necessidade de um sistema de tratamento
Tratamento de Águas e Efluentes

de esgoto numa determinada localidade; conceituará a demanda biológica de oxigênio


(DBO), e caracterizará as tecnologias para a remoção das impurezas dos efluentes sani-
tários, e também, as diferentes tecnologias para desinfectar as águas dos esgotos em
etapas definidas do processo convencional do seu tratamento.
Na competência 7 você vai operacionalizar o processo de tratamento preliminar dos
esgotos, o qual contempla inicialmente o sistema de gradeamento. Classificará os tipos
de grades de contenção e comprovará a eficiência do sistema; operacionalizará o processo
de desareamento do tratamento preliminar, caracterizando a caixa de areia, desde seu
16
processo construtivo até a remoção dos seus sedimentos.
Na competência 8 você irá conceituar e caracterizar o tratamento primário do processo
convencional de tratamento de esgotos; distinguirá a estrutura física e funcional do de-
cantador primário, e determinará a necessidade de aplicar os processos de floculação e
flotação.
Na nona competência você definirá os tratamentos secundário e terciário do processo
convencional de tratamento de esgotos, assim como, classificará o tratamento secundário
em sistemas anaeróbico e aeróbico; caracterizará o reator anaeróbico de fluxo ascendente
(RAFA), o tanque de aeração e o decantador secundário. Irá conceituar e classificar lagoas
de estabilização e caracterizará o tratamento terciário, exemplificado com a lagoa de matu-
ração e sobre a eficiência dos tipos de tratamento de esgotos.
Na nossa décima, e ultima competência, você definirá as técnicas e equipamentos para
o tratamento de efluentes gasosos, provindos de atividades industriais (fontes fixas) e de
automotivos; conceituará e classificará os diferentes indicadores de poluição das emis-
sões; assim como caracterizará cada um dos métodos atualmente empregados para a
purificação dos poluentes particulados e gasosos. E, por fim, distinguirá as tecnologias
utilizadas para o tratamento dos efluentes líquidos industriais.
Competência
01
Caracterizar os sistemas
de captação e distribuição de água
de uma cidade
Caracterizar os sistemas
de captação e distribuição de água
de uma cidade
Eu vou confessar a você que hoje flagrei novamente uma demonstração de desperdí-
cio d’água: uma adutora vazava e a água escorria pela avenida como um rio caudaloso.
Um acidente acontecia. É, mas a verdade é que o vazamento se iniciara pela manhã e já
era de tardezinha. Sei que esse fato se torna cada vez mais comum e desimportante em

Tratamento de Águas e Efluentes


nosso mundo, mas não deveria; o que deveria era aumentar a nossa consciência coletiva
em relação à importância da água para a vida e a sua raridade no planeta. Não vou lhe
esconder que estou inquieto, no mínimo muito preocupado. Não comigo, mas com as ge-
rações futuras, com os meus e os seus descendentes. O conhecimento que tenho sobre
a quantidade de água potável disponível no planeta é que me deixa tão em aflição. Mas
vou compartilhá-lo com você para dividirmos a preocupação.

Você bem sabe que 70% da superfície da Terra está coberta por água. Um Planeta
Azul. Vamos fazer uns cálculos básicos no tablet dessas minhas inquietações. Do volu- 19
me total dessa água, 97,5% é salgada (os mares e oceanos) e apenas 2,5% é doce. E
agora me diga se eu não tenho com que me preocupar: 68,9% dessa pequena parcela
de água doce é formada pelas calotas polares, geleiras e a neve que cobre os cumes
das montanhas; 0,9% corresponde à umidade do solo e pântanos; 0,3% aos rios e la-
gos (SETTI, 2001); e os 29,9% restantes são águas doces líquidas, das quais 96% são
águas subterrâneas, conforme demonstrado na imagem a seguir, de custos maiores
para exploração do que as superficiais. Sobre esses números sobrevoa a verdade de
que esse precioso recurso natural é perigosamente finito, e que nós o estamos des-
truindo com poluições, degradações e desperdícios permanentes. E tudo isso por uma
simples falta de educação.

Ah! Sim. Já era bem tarde da noite quando passei novamente pela avenida. O vaza-
mento continuava...
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 1 – Distribuição da água no planeta Terra


Fonte: adaptado de Ministério do Meio Ambiente (2007).

Nessa competência vamos conceituar a água e sistema de abastecimento, assim como


caracterizar a estrutura básica da sua distribuição numa cidade a partir da captação.
Aprenderá também sobre os processos de captação da água bruta com origens subter-
rânea e superficial, e sobre as etapas de adução, reservação, distribuição e instalação de
estações elevatórias.
20

A Água
Vamos agora descrever sobre os processos de purificação da água, e seu tratamento
para que se torne potável e atenda as nossas necessidades diárias de natureza fisiológica
ou de uso nas atividades humanas. E então? Como podemos definir a água de uma manei-
ra bem objetiva?

Iremos defini-la como uma substância de estrutura molecular, formada por dois átomos
de hidrogênio e um de oxigênio, formando um óxido de hidrogênio (H2O), a água, essencial
para a vida, na qual ocorrem os principais processos bioquímicos, como ensinou Larcher
(1995), no seu livro sobre fitoecologia; líquida e incolor, insípida e inodora. Não será de-
Insípida: Que não mais acrescentar que sua parte líquida cobre aproximadamente 70 % da superfície terres-
tem gosto; desti-
tre, sob a forma de lagos, rios e mares. Ilustro a seguir para você, as Ilhas Maurício e sua
tuído de qualquer
sabor. exibição em forma de uma extraordinária cachoeira marinha.
Inodoro: que não
tem cheiro, odor.
Figura 2 – Água formando uma cachoeira marinha em Maurício
Fonte: <http://www.origemedestino.org.br/blog/johannesjanzen/566-cachoeira.
jpg>. Acesso em: 23 out. 2014.

Tratamento de Águas e Efluentes


Gostaria de combinar que não nos deteremos em seus mecanismos de transforma-
ção na natureza movendo o seu ciclo desde a evaporação, passando pela precipitação
até o seu escoamento; nem tampouco sobre suas propriedades físico-químicas. Em com-
pensação, você vai aumentar o seu aprendizado sobre os processos utilizados para sua
purificação, os quais fazem parte de um sistema responsável pelo abastecimento de
água de uma comunidade.

21

Você conhece?
A água seria um mineral? Veja bem, faço essa pergunta, porque os
mineralogistas definem mineral como substância que ocorre na na-
tureza no estado sólido, com uma estrutura química bem definida
em termos de organização geométrica atômica, e pode ser de ori-
gem orgânica ou inorgânica. Por esses critérios o gelo, que é água
sólida, atenderia aos requisitos impostos pelos estudiosos. Mas,
eles não aceitam o fato argumentando que ela se apresenta no
estado líquido nas temperaturas e pressões normais do ambiente.
Não somos advogados da água, mas e o mercúrio? Por acaso ele
também não se apresenta no estado líquido nas condições normais
ambientais? Ah! Ele é uma exceção. Bom, vamos deixar essa dis-
cussão para os especialistas.
O sistema de abastecimento de água
Diante do que já conversamos não seria difícil conceituar um sistema de abastecimen-
to de água para o consumo humano, concorda? E poderíamos até ampliar nosso conhe-
cimento pesquisando sobre as definições elaboradas por autores e instituições. Vamos
iniciar nossas buscas?

O que encontrou? Ah! Uma portaria do Ministério da Saúde. Essa Portaria nº 2.914/2011,
dispõe sobre os procedimentos de controle e vigilância da qualidade da água para consu-
mo humano e seu padrão de potabilidade. E define sistema de abastecimento de água
para consumo humano, como “a instalação composta por um conjunto de obras civis,
materiais e equipamentos, desde a zona de captação até as ligações prediais, destinada
à produção e ao fornecimento coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição.”
Tratamento de Águas e Efluentes

(BRASIL, 2011, extraído da internet).

Internet
Veja a portaria nº 2.0914/2011, no link <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/
22 saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html>.

Os professores Léo Heller e Márcia Casseb (1996, p. 36) em seu trabalho, Abaste-
cimento de Água, registraram que o sistema de abastecimento de água representa “o
conjunto de obras, equipamentos e serviços destinados ao abastecimento de água po-
tável de uma comunidade para fins de consumo doméstico, serviços públicos, consumo
industrial e outros usos.”

A estrutura básica da distribuição de água a


partir de sua captação
Você já sabe que a água antes de chegar a sua casa para ser usada passa por um pro-
cesso de purificação, o qual ocorre em uma Estação de Tratamento de Água (ETA), onde
se realiza a sua purificação. Mas, ela terá que ser captada em sua fonte, um rio, um lago,
uma represa, antes que chegue a essa Estação. Vamos conhecer, então, as etapas que
constituem a estrutura básica que possibilita esse seu percurso.
O abastecimento de água de uma cidade se constitui dos sistemas de captação, de
adução, tratamento, reservação, distribuição e ligações domiciliares, os quais são muito
similares entre si. Você vai me acompanhar numa inspeção que realizaremos pelas etapas
que formam um sistema de abastecimento de água através de instalações já em opera-
ção. Lembre-se que embora os sistemas de captação e adução, assim como aqueles pós-
-tratamentos, não sejam o foco de nossos estudos, creio ser importante que conheça a sua
estrutura e o seu processo de funcionamento.

A etapa de captação da água bruta


Você me pergunta se tudo começa com a captação da água bruta, essa água sem trata-
mento que vem dos rios ou de outros recursos hídricos. Claro! E essa água pode ter origem

Tratamento de Águas e Efluentes


de mananciais subterrâneos ou superficiais. A captação de mananciais subterrâneos, de
aquíferos, se faz através da perfuração de poços profundos. De um modo geral, esse poço
se constitui de um furo na terra com 10 a 30 centímetros de diâmetro; um tubo de reves-
timento para conter as paredes; uma seção final (filtro) do tubo de revestimento perfurada
por onde a água passa para o tubo e uma camada de material arenoso, um pré-filtro, que
preenche o espaço anular entre o poço e seu revestimento, ou filtro; e, evidentemente, uma
bomba para a sucção, como ilustrado no desenho esquemático da imagem.

23

Figura 3 – Desenho esquemático de um poço tubular.


Fonte: <http://www.crea-rs.org.br/site/img/poco.jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.
Para a perfuração normalmente são utilizados dois métodos: a percussão, a qual con-
siste na perfuração da rocha com batidas contínuas de uma ferramenta chamada trépano
ou broca de lavagem; e a rotativa, que se faz com uma broca em movimento rotatório (veja
a ilustração na imagem) ao tempo em que se circula lama no poço.

Trépano: Máquina
para sondagens;
parte da sonda que
fica em contato
com a rocha; broca
de lavagem.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 4 – Perfuratriz rotativa


Fonte: <http://www.petroleoetc.com.br/wp-content/uploads/2010/08/
perfura%C3%A7%C3%A3o.jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.

Atividade 01
De quais etapas básicas se constitui o abastecimento de água potável de
24 uma cidade? Elabore um croqui mostrando o fluxograma do abastecimen-
to de uma cidade.

Vamos agora direcionar nossos estudos para os sistemas de captação em mananciais


superficiais. Porém, para captá-la é necessário o atendimento de alguns condicionantes
básicos. Por exemplo, com relação à seleção da fonte de abastecimento, quais são as ca-
racterísticas requeridas dessa fonte para que ela proporcione um perfeito abastecimento
à comunidade? É importante que esse manancial possua uma vazão capaz de suprir às
necessidades da comunidade. Além de condições não menos importantes como a sua lo-
calização, uma topografia mais adequada e distante de possíveis focos de contaminação.
A captação é feita a partir de uma estação de bombeamento, que retira a água bruta da
fonte e a envia para a ETA, exemplificada com a estrutura montada no rio Tibagi, no Paraná,
vista na imagem.

A sucção da água da fonte é realizada a partir de um sistema de bombeamento instala-


do próximo ao local da captação, a exemplo desse conjunto de bombas da estação do rio
Cachoeira, em Ferradas/Bahia, mostrado na imagem.
Figura 5 – Casa de bombas que captam água
do rio Cachoeira, em Ferradas/Bahia
Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/_3gboq8yjonY/TPAMTi-
j2TaI/AAAAAAAAAXY/N13jRmVBDzg/s1600/26-11-2010-
4189.jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.

E o desenho esquemático da imagem a seguir explicita o sistema de bombeamento em

Tratamento de Águas e Efluentes


sua porção submersa para você não ficar com nenhuma dúvida do processo.

25

Figura 6 – Desenho esquemático de


bombeamento, em porção submersa
Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/bombaxi2.
jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.

A etapa de adução da água bruta


A água bruta captada é bombeada para uma tubulação de ferro, PVC ou aço, uma adu-
tora, até à estação de tratamento de água, processo conhecido por adução Vamos dar
mais clareza aos conceitos de água bruta e adutora, mesmo que você já tenha a compre- Adução: transporte
de água do manan-
ensão dos termos. A Companhia de Saneamento de Minas Gerais, em seu Glossário do
cial ao tratamento
Saneamento, 2013, define água bruta como aquela que se apresenta na forma natural ou da água tratada
ao sistema de
e disponibilizada em rios, riachos, lagos, lagoas, açudes ou aquíferos, ou seja, antes de
distribuição. Fonte:
sofrer qualquer processo de tratamento; a adutora é um conjunto de condutos destinados <http://www.
aguabrasil.icict.
a ligar as fontes de abastecimento de água bruta às estações de tratamento de água, situ-
fiocruz.br/index.
adas além das imediações dessas fontes ou os condutos ligando estações de tratamento, php?pag=sane>.
Acesso em: 27 out.
2014.
situadas nas proximidades dessas fontes a reservatórios distantes que alimentam as re-
des de distribuição, a exemplo dessa estrutura mostrada na imagem.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 7 – Adutora de água bruta sendo


instalada em Minas Gerais.
Fonte: <http://www.copasa.com.br/media2/noticia/Tra-
balhoDTGA%20(1).jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.

Você tem que saber também sobre a importância de análises fisico- químicas da água
bruta, de maneira que seja permanente o monitoramento da sua qualidade. Usualmen-
26 te, os parâmetros ambientais analisados são pH, temperatura, cor, turbidez, alcalinidade,
dureza, matéria orgânica, oxigênio dissolvido, dióxido de carbono, ferro e manganês. O
objetivo do monitoramento desses parâmetros ambientais é detectar possíveis alterações
na água captada.

Importante
Com relação ao abastecimento público de água, a cor, embora seja um
atributo estético da água, não se relaciona necessariamente com proble-
mas de contaminação, mas é padrão de potabilidade. O valor máximo per-
mitido para a cor aparente é de 15 unidades Hazen (1uH = 1 mg Pt-Co/L),
pela Portaria n° 518, de 2004, do Ministério da Saúde. A presença de
cor provoca repulsa psicológica pelo consumidor, pela associação com a
descarga de esgotos.
Atividade 02
Faça uma pesquisa sobre quais tipos de poluições mais comuns alteram
a qualidade ambiental das águas brutas em nosso país. Escreva em nos-
so fórum, de forma resumida, o que você encontrou.

As etapas de reservação, distribuição e


estações elevatórias

Tratamento de Águas e Efluentes


A água bruta coletada em sua fonte é direcionada para a estação de tratamento an-
tes de chegar ao consumidor. Nós vamos conversar mais sobre o sistema de purificação
da água bruta em outra competência, quando serão contempladas as técnicas utilizadas
nesse tratamento. Por enquanto, vejamos então as etapas da reservação, distribuição aos
pontos de consumo, e estações elevatórias.

Depois de tratada, a água é armazenada em reservatórios de distribuição – etapa de


reservação – a exemplo desses tanques da Sabesp - Companhia de Saneamento Básico
27
do Estado de São Paulo - mostrados na imagem que você observa, para, depois, ser levada Reservação: arma-
zenamento da água
até aos reservatórios de bairros, estrategicamente localizados.
entre o tratamento
e o consumo, que
objetiva suprir as
variações horárias
de consumo, ga-
rantir a adequada
pressurização do
sistema de distri-
buição e reservas
de emergência.

Figura 8 – Tanque de reservação de água tratada,


da Sabesp, em São Paulo
Fonte: <http://site.sabesp.com.br/interna/Default.
aspx?secaoId=35>. Acesso em: 24 out. 2014

Na etapa de distribuição, a água sai da reservação para o sistema de adutoras. O


complexo de adutoras da água tratada é constituído por malhas hidráulicas compostas por
tubulações de adução, subadução, redes distribuidoras e ramais prediais como se observa
na imagem. E pode até possuir outros equipamentos auxiliares, tais como reservatórios
de distribuição, estações de bombeamento para regiões mais elevadas, e ainda, outros se
necessários para garantir a continuidade da distribuição da água.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 9 – Instalação de ramais para água tratada,


em via pública/Sorocaba/SP
Fonte: <http://www.sorocaba.com.br/uploads/noti-
cias/1373032259.jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.

Em algumas regiões, devido às condições topográficas é necessária a instalação de es-


28
tações elevatórias para bombear água para locais mais distantes ou mais elevados. Essas
elevatórias são instaladas após as estações de reservação, como o exemplo da estação de
Campinas/SP mostrada na imagem.

Figura 10 – Estação elevatória de água tratada, em Campinas/SP


Fonte: <http://www.sanasa.com.br/imagens/noticias/569_2.jpg>.
Acesso em: 24 out. 2014.
Certamente você entendeu a dinâmica do abastecimento de água de uma comunidade,
desde a captação de água bruta até sua chegada, já tratada, ao consumidor final. Para
finalizar quero lhe mostrar esse desenho esquemático da imagem (de autoria da Copasa,
Companhia de Saneamento de Minas Gerais), que resume o nosso estudo: a água bruta é
captada no rio e bombeada para a estação de tratamento (ETA), e daí para a reservação; e
sai para a distribuição aos consumidores, através de um sistema de adutoras.

Tratamento de Águas e Efluentes


29
Figura 11 –Desenho esquemático do abastecimento
de água numa comunidade
Fonte: <http://www.copasa.com.br/media/captacao_01.jpg>.
Acesso em: 24 out. 2014.

Mídias
Para acrescentar mais informações ao seu aprendizado sugiro que consi-
dere o livro do Professor Milton Tomoyuki Tsutiya, Abastecimento de Água,
o qual apresenta conceitos fundamentais que servirão para orientar os
estudiosos do assunto. Abrange desde a captação da água bruta até a
distribuição da água tratada.

Resumo
Nesta competência você aprendeu que a água é um óxido de hidrogênio essencial para
a vida, e que sistema de abastecimento de água é uma instalação composta por um con-
junto de obras civis, materiais e equipamentos, desde a zona de captação até as ligações
prediais, destinada à produção e ao fornecimento coletivo de água potável, por meio de
rede de distribuição; e acrescentou ao seu aprendizado o conhecimento sobre a estrutura
básica da distribuição de água numa cidade, a partir da sua captação. Aprendeu ainda
sobre os processos de captação da água bruta com origem subterrânea e superficial, e
sobre as etapas de adução, reservação e distribuição da água tratada, com auxílio de equi-
pamentos como as estações elevatórias.

Autoavaliação
1. Assinale a resposta correta.
Tratamento de Águas e Efluentes

a) A água é uma substância que se define como de estrutura molecular formada por dois
átomos de hidrogênio e um de oxigênio, um óxido de hidrogênio essencial para a vida,
na qual ocorrem os principais processos bioquímicos.

b) A água é um mineral que ocorre na natureza no estado sólido nas temperaturas e pres-
sões normais do ambiente.

c) A água e o mercúrio são minerais em estado liquido.

d) A água é um mineral constituído por três átomos de oxigênio.


30

2. A definição: a instalação composta por um conjunto de obras civis, materiais e equipa-


mentos, desde a zona de captação até as ligações prediais, destinada à produção e
ao fornecimento coletivo de água potável, por meio de rede de distribuição refere-se a:

a) Sistema de abastecimento de água para consumo humano.

b) Estação elevatória para distribuição de água.

c) Sistema de sucção com bombas submersas.

d) Sistema de adução.

3. Preencha as lacunas com as respostas corretas.

• A________________ se apresenta na forma natural e está disponibilizada em rios, ria-


chos, lagos, lagoas, açudes ou aquíferos, ou seja, antes de sofrer qualquer processo de
tratamento.

• Um conjunto de condutos destinados a ligar as fontes de abastecimento de água bruta


às estações de tratamento de água, situadas além das imediações dessas fontes é
denominado_______________.

• O processo pelo qual a água, depois de tratada, é armazenada em reservatórios de dis-


tribuição chama-se________________.

a) água bruta; adutora; reservação.

b) água tratada; captação da água; reservação.

c) água bruta; reservação; ciclo de tratamento da água.

d) água subterrânea; reservação; captação de água bruta.

4. A distribuição de água por uma malha hidráulica composta por tubulações de adução,

Tratamento de Águas e Efluentes


subadução, redes distribuidoras e ramais prediais está diretamente relacionada a:

a) Complexo de adutoras da água tratada.

b) Adutora de água bruta.

c) Captação de água subterrânea.

d) Captação de água bruta.

31
5. A função de uma estação elevatória é:

a) Enviar água a locais mais distantes ou mais elevados.

b) Bombear água para a estação de tratamento (ETA).

c) Captar águas pluviais.

d) Filtrar água bruta.


Competência
02
Caracterizar o processo
convencional de tratamento de água
Caracterizar o processo
convencional de tratamento de água
A cidade de Anaheim pertence ao condado de Orange Country situado no sul da Cali-
fórnia, no velho oeste dos Estados Unidos. Até os anos de 1950 sua principal atividade
econômica era o cultivo de laranjas. Um lugar com pouco mais de 200 mil habitantes. Foi
ali que ainda na década de 1960 se instalaram os parques da Disneylândia. A população
rapidamente triplicou. As pessoas e as laranjas cada vez mais exploravam o lençol de água
subterrâneo. Os laranjais sumiram e deram lugar a mais parques temáticos. A população

Tratamento de Águas e Efluentes


chegou aos três milhões e a exploração do aquífero ficou mais intensa. O condado, no meio
do deserto, depende daquela água guardada no subsolo. Mas, o estoque foi se reduzindo
e a possibilidade de contaminação com as águas do Oceano Pacífico foi aumentando. Urgia
uma solução ou seria o fim de Orange Country, o fim da Disneylândia. E a solução chegou
com a construção de uma imensa estação de tratamento de água, uma ETA, a Fábrica de
Água 21, mostrada na imagem (ou Estação para Potabilidade de Esgoto) que utiliza dentre
outras técnicas, membranas e desinfecção com raios ultravioleta. Ela coleta o esgoto da
cidade, purifica-o e devolve a água pura de volta para o aquífero que se reenche (MOURA,
35
2002). Depois, a água retorna das profundezas à superfície tão cristalina que os habitan-
tes e turistas bebem a antiga água de esgoto com muito gosto.

Figura 12 – Estação de tratamento para potabilidade de esgoto,


em Orange County, Califórnia
Fonte: <http://graphics8.nytimes.com/images/2007/11/27/us/conserves-
pan600.jpg>. Acesso em: 24 out. 2014.
Nesta competência você conhecerá os objetivos e a caracterização do processo con-
vencional de tratamento da água bruta; e a determinar a escolha do tipo de tratamento in-
cluindo o tratamento contra incrustações minerais. E ainda incrementará o conhecimento
sobre os conceitos das etapas do tratamento convencional, dentre as quais a coagulação
e floculação; decantação; filtração; desinfecção; e fluoretação.

Os objetivos do processo convencional de


tratamento de água
A água bruta já chegou à estação de tratamento (ETA) através da adutora que a trouxe
desde a captação, e agora passará por um processo de purificação. Vamos lá, pois temos
Tratamento de Águas e Efluentes

que acompanhar todo o processo. Mas, antes de entrarmos na estação eu preciso fazer
algumas considerações que são importantes como informações básicas. Você saberia di-
zer quais os objetivos básicos do tratamento da água bruta? Manutenção de condições
higiênicas? Exatamente!

Nesse processo de higienização ocorre a remoção de bactérias, protozoários, vírus e


outros microorganismos; de substâncias nocivas; redução do excesso de impurezas, e dos
possíveis teores elevados de compostos orgânicos. No entanto, também existem outras
finalidades que devem ser levadas em consideração. Por exemplo, a preservação dos as-
36 pectos estéticos com a remoção dos parâmetros cor, sabor e odor, que eventualmente se
façam presentes; ou a redução de perdas econômicas suavizando ou eliminando qualida-
des corrosivas, turbidez e possíveis concentrações indesejáveis de ferro e manganês. Mas,
como esses componentes entram na constituição da água? A presença desses minerais
nas rochas e sedimentos explica suas presenças na água bruta. Entretanto, também atra-
vés da poluição, meu amigo. Nós poluímos os mananciais com substâncias de natureza
biológica, física e química; e depois gastamos os nossos próprios recursos financeiros para
retirar esses poluentes da água que queremos beber. E esse ciclo se repete e continuará
até chegar o tempo de nos educarmos.

Atividade 01
Quais os objetivos básicos do tratamento da água bruta?
A escolha do tipo de tratamento da água bruta
Na qualidade de um técnico em ambiente você sempre terá em mente, e trabalhará
para isso, que a água fornecida à população, obrigatoriamente, deverá ser saudável e de
boa qualidade. Para tanto, o seu tratamento será realizado após comprovada a sua neces-
sidade com base em inspeções sanitárias e resultados de análises físico-químicas e bioló-
gicas do manancial hídrico (rio, lago, etc.) a ser utilizado como fonte de abastecimento. E é
preciso o seu entendimento para o fato de que a complexidade desse tratamento será em
função da qualidade da água a ser tratada, claro! Você também não acha isso lógico? Ora,
se a água captada não contiver, por exemplo, concentrações de ferro e manganês além
dos limites permitidos por lei, porque ter custos com a sua remoção? É por essa razão que
diversos tipos de tratamento (do tratamento convencional ao mais simplificado, com ape-

Tratamento de Águas e Efluentes


nas cloração e fluoretação) serão aplicados de acordo com a qualidade da água captada.

Curiosidade
Os íons de ferro e manganês em águas destinadas ao abastecimento cau-
sam depósitos, incrustações e possibilitam o aparecimento de bactérias
ferruginosas nocivas nas redes de abastecimento, além de serem respon-
37
sáveis pelo aparecimento de gosto e odor, manchas em roupas e apare-
lhos sanitários e interferir em processos industriais.

Você deve estar me perguntando: sim, mas apenas por curiosidade, e se a água capta-
da contiver concentrações de ferro e manganês além dos limites permitidos por lei? Eu vou
lhe responder agora, mas com brevidade, pois em competências posteriores veremos com
mais detalhes o tipo de tratamento para remoção dessas substâncias. E você tem razão, a
água encontrada na natureza nunca é pura, e comumente apresenta uma diversidade de
substâncias dissolvidas, tais como sais e óxidos apresentando solubilidades diferentes, e
influenciadas pela temperatura, concentração e pH.

Uma água que possua altas concentrações de ferro e manganês, por exemplo, tem de
ser tratada para sua remoção, evitando, assim, consequências indesejáveis com o seu
uso, como o aparecimento de odores e colorações. E mais, quando os limites de solubi-
lidade dessas substâncias são ultrapassados ocorre sua precipitação de forma aderente
nas superfícies de tubulações e equipamentos, para formar as incrustações e processos
corrosivos em equipamentos, como se constata na imagem.
Figura 13 – Incrustações de óxido férrico (esquerda) e manganês (direita),
consequentes da água contaminada.
Fonte: <http://dc149.4shared.com/doc/0zpNe-9s/preview_html_41edb7d9.jpg>.
Tratamento de Águas e Efluentes

Acesso em: 22 out. 2014.

Determinando e conceituando as etapas do


tratamento convencional da água bruta
Nós entendemos que a escolha do tipo de tratamento de uma água bruta captada em
fonte subterrânea ou superficial ocorre em função da qualidade da água a ser purificada.
É certo também que iremos trabalhar com algumas técnicas de tratamento aplicadas atu-
38
almente, porém quero combinar com você que daremos ênfase ao processo convencional,
para que não haja dispersão de entendimento e para que sua dinâmica permaneça muito
bem alicerçada. O processo convencional de tratamento da água bruta, de um modo geral,
consiste de cinco etapas, as quais seriam a coagulação e floculação; decantação; filtração;
desinfecção; e fluoretação. Cada dessas etapas será bem estudada por nós, e iniciaremos
com a sua conceituação.

Comecemos pelo processo de coagulação e floculação, o qual é um dos passos mais


importantes do tratamento da água bruta, pois ajuda a remover eventos de turbidez, cor e
sabor. Observe que apenas pela apresentação dos vocábulos já poderíamos definí-los com
relativa facilidade, mas nem é tão raro encontrarmos suas definições misturando-se entre
si. A coagulação é o fenômeno no qual as impurezas presentes na água se agrupam e se
neutralizam pela ação de reagentes químicos (coagulantes), para em seguida decantarem,
como exemplificado na sequência de desenhos da imagem.
Figura 14 – Sequência do processo de coagulação no
processo de tratamento da água

Tratamento de Águas e Efluentes


Fonte: <http://www.naturaltec.com.br/images/desenhos/coagulantes.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

E floculação? Como você a definiria? Enquanto na coagulação as partículas apenas se


aglutinam, na floculação ocorre uma efetiva produção de flocos, os agregados das partícu-
las finas em suspensão na água, pela ação de outro reagente químico (floculante). Muitas
vezes as palavras não são suficientes para formar uma imagem, para explicitar de forma
satisfatória um determinado evento, e por isso mesmo quero lhe mostrar a imagem, com
um pequeno experimento sobre o processo da floculação. Assim, com certeza, você terá a
compreensão total do fenômeno. No becker da esquerda ocorrem as reações para efetuar- 39
-se a coagulação. Os beckers do centro e da direita mostram a agregação das partículas
coaguladas em flocos que se decantam a cada tempo.

Figura 15 – Processos de coagulação, floculação e decantação (esquerda para a direita)


Fonte: <http://www.qgsquimica.com.br/qgs/img/image006.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

Vamos conceituar o processo de decantação dos flocos formados, mas que na verda-
de é um conceito de física, o qual se aplica a qualquer mistura de sólidos e líquidos. De
qualquer modo, a decantação que ocorre na água bruta após a floculação é um processo
de sedimentação da porção mais densa, contendo os flóculos, para a parte inferior pela
atração da gravidade, como exemplificado na imagem.
Figura 16 – Processo de decantação de partículas em suspensão em água bruta
Fonte: <http://www.coniex.pt/uploads/catalogo/imagens/medium_catalogo_
1337637353_2677.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

A água decantada é encaminhada às unidades filtrantes onde se efetua a filtração,


Tratamento de Águas e Efluentes

terceira etapa do sistema de tratamento da água bruta. É um processo constituído de um


meio poroso granular, normalmente areia, de uma ou mais camadas, instalado sobre um
sistema de drenagem capaz de reter e remover as impurezas ainda presentes na água
coagulada ou floculada produzindo um efluente mais limpo.

Apesar de estudarmos mais detalhadamente o sistema de filtração em compe-


tência posterior, eu vou lhe adiantar que com relação ao sentido de escoamento e à ve-
locidade com que a água atravessa o leito filtrante, a filtração se classifica com relação à

40 taxa de filtração, em lenta e rápida; e de fluxo ascendente e de fluxo descendente, com


relação ao sentido de escoamento. Para você ter a visualização de um sistema de filtração,
a imagem a seguir mostra um desenho esquemático, no qual se sobressaem as camadas
filtrantes de areia fina, grossa, pedrisco e pedra.

Figura 17 – Desenho esquemático mostrando a anatomia de um filtro rápido


Fonte: Aquastores (c2014).
Atividade 01
Qual a diferença entre coagulação e floculação como etapas do tratamento
da água bruta? Deixe sua resposta em nosso fórum.

Após a água passar pelo sistema de filtração e apresentar resultados de suas análises
que comprovem qualidade ambiental de natureza química e física adequada ao consumo
humano, então se inicia a quarta etapa de seu tratamento. A desinfecção é um processo
de purificação da água cujo objetivo é a remoção ou destruição (inativação) de microorga-

Tratamento de Águas e Efluentes


nismos patogênicos presentes e capazes de causar várias doenças. A destruição desses
microorganismos é realizada através da ação de agentes desinfetantes, sejam produtos Patogênico: que
provoca ou pode
químicos ou radiações, como a ultravioleta, exemplificada na imagem, em sistema de puri-
provocar, direta ou
ficação da água já filtrada. indiretamente, uma
doença.

41

Figura 18 – Sistema de purificação da água filtrada por ultravioleta


Fonte: <http://www.hidro-sis.com/wp-content/uploads/2014/02/Large_UV_x.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

A quinta etapa do tratamento da água para consumo humano é a fluoretação. À água


se adiciona compostos à base de flúor, tais como o fluossilicato de sódio e o ácido fluossi-
licico, em dosagem média do íon fluoreto da ordem de 0,8 mg/l (miligramas por litro), de
acordo com a temperatura local. Esse processo é uma medida preventiva de comprovada
eficácia que reduz a prevalência da cárie dental, numa significativa percentagem entre 50
e 65%,em populações expostas desde o nascimento, por um período de aproximadamente
10 anos de ingestão da dose ótima (FUNASA, 2012).

Curiosidade
Os compostos de flúor na água e alimentos quando ingeridos sofrem dis-
sociação iônica em função do ácido clorídrico produzido no estômago. O
íon fluoreto é absorvido, em grade parte, pela mucosa estomacal para em
seguida circular no plasma sanguíneo. Após três horas da absorção 70%
do flúor ingerido é eliminado pela urina; 15% pelas fezes; e 5% pelo suor.
Tratamento de Águas e Efluentes

Os 10% restantes são assimilados pelo organismo. Essa pequena parcela


circulará nos fluidos extra e intracelulares fixando-se posteriormente nos
ossos e dentes em formação. (BUENDIA, 1996).

Na maioria das cidades brasileiras o teor recomendado de flúor nas águas deve ser
de 0,7 mg F/l, aceitando-se uma variação de 0,6 a 0,8 mg F/l. Contudo, esse teor ótimo
depende, fundamentalmente, das médias das temperaturas máximas anuais registradas

42 em cada localidade.Para implantar-se um sistema de fluoretação, dentre outros requisitos


básicos, a escolha do equipamento seria um deles, constituído por bombas dosadoras,
dosadores de nível constante, cone de separação e cilindros de separação. Um exemplo
que eu posso lhe mostrar, apresentado na imagem é o sistema instalado na cidade de
Jussara, no Paraná.

Figura 19 – Sistema de fluoretação de Jussara/PR


Fonte: <http://www.jussara.pr.gov.br/novo_site/noticias/fo-
tos/20090826164841.jpg>. Acesso em: 27 out. 2014.
Mídias
Para incrementar seu aprendizado sobre o tema sugiro o livro dos Profes-
sores Carlos A. Richter e Jose Martiniano de Azevedo Netto, Tratamento de
Água: Tecnologia Atualizada, que apresenta os seus conhecimentos e ex-
periências nos projetos de centenas de estações de tratamento, acompa-
nhando a evolução da ciência do tratamento de água nas últimas décadas.
Oferece ainda algumas inovações técnicas desenvolvidas pelos autores,
como a floculação em meio poroso e em malhas ou grades.

Tratamento de Águas e Efluentes


Resumo
Nesta competência você desenvolveu seu aprendizado sobre a caracterização do pro-
cesso convencional do tratamento da água bruta, a qual contemplou os objetivos de ma-
nutenção de suas condições higiênicas, de preservação dos aspectos estéticos e redução
de perdas econômicas; e a determinar a escolha do tipo de tratamento incluindo aquele
contra incrustações minerais. E ainda aumentou o seu conhecimento sobre os conceitos 43
das etapas do tratamento convencional, dentre as quais: a coagulação e floculação; decan-
tação; filtração; desinfecção; e fluoretação.

Autoavaliação
1. A remoção de cor, sabor e odor da água é um dos objetivos de:

a) Captação de água bruta.

b) Eliminação de qualidades corrosivas da água.

c) Tratamento da água bruta.

d) Fluoretação.

2. O parâmetro básico para a escolha de um determinado sistema de tratamento de água


será:

a) Em função da qualidade da água a ser tratada.


b) Em função da estrutura física da estação de captação.

c) Em função da capacidade de suporte do sistema de adução.

d) Em função do projeto da ETA.

3. O processo convencional de tratamento da água bruta, de um modo geral, consiste em


quais etapas?______________ e _____________; _________________; ______________;
____________ e _____________.

a) coagulação e floculação; fluoretação; decantação; desinfecção e filtração.

b) coagulação e floculação; desinfecção; fluoretação; decantação e filtração

c) coagulação e floculação; decantação; desinfecção; fluoretação e filtração.


Tratamento de Águas e Efluentes

d) coagulação e floculação; decantação; filtração; desinfecção e fluoretação.

4. O processo de tratamento de água, como medida preventiva, que reduz a prevalência


da cárie dental é:

a) Floculação.

b) Fluoretação.
44
c) Decantação.

d) Cloração.

5. O processo de purificação da água cujo objetivo é a remoção ou destruição (inativa-


ção) de microorganismos patogênicos presentes e capazes de causar várias doenças
denomina-se:

a) Fluoretação.

b) Filtração.

c) Desinfecção.

d) Floculação.
Competência
03
Caracterizar as etapas
de coagulação, floculação e decantação, no
tratamento da água bruta
Caracterizar as etapas
de coagulação, floculação e decantação,
no tratamento da água bruta

Em 1502, enquanto os portugueses desembarcavam na Baía da Guanabara e a cha-


mavam de Rio de Janeiro pensando que se tratava de um rio, Leonardo da Vinci, em
Florença observava que a quantidade de água por unidade de tempo escoando em um

Tratamento de Águas e Efluentes


rio era a mesma em qualquer parte, independentemente da largura, profundidade, incli-
nação e outros. Nasciam os fundamentos para se medir vazões: um medidor de vazão é
todo dispositivo que determina o volume de fluido que passa através de uma dada seção
de escoamento por unidade de tempo.

Quase três séculos depois, em 1791, o físico italiano Giovanni Venturi idealizou o seu
tubo de Venturi, somente usado como um medidor de vazão um século após sua invenção,
1887, pelo engenheiro austríaco Clemens Herschel. Na década de 1920, o cientista ameri-
cano Ralph Leroy Parshall, baseado nos estudos de Giovanni Venturi, criou um revolucioná-
47
rio medidor de vazões no campo da irrigação. Com o tempo, o medidor de vazões passou
a ser conhecido como Calha de Parshall. E deixou de ser apenas um medidor de vazões:
atualmente é empregado também como um efetivo misturador de soluções químicas nas
estações de tratamento de água, cujo exemplo é apresentado na imagem.

Figura 20 – Exemplo da Calha de Parshall


Fontes: <https://www.flickr.com/photos/agemeioambiente/5634136841/> ;
<http://www.saaeitapira.com.br/arquivos/imagens/ETA/tx_2.JPG>.
Acesso em: 27 out. 2014.
Nesta competência sobre o tratamento de água você aprenderá as características das
impurezas presentes na água bruta, e a classificação de suas partículas sólidas; a deter-
minar a origem da cor da água e sua classificação; sobre a caracterização da turbidez e o
desenvolvimento do tratamento da água através das etapas de coagulação, floculação e
decantação.

Curiosidade
A medição de vazão de fluidos sempre esteve presente em nosso dia a dia.
Por exemplo, o hidrômetro de uma residência, o marcador de uma bomba
Tratamento de Águas e Efluentes

de combustível, como registraram Cassiolato et al (2008).

As impurezas presentes na água bruta


Quando estudamos o fenômeno da coagulação aprendemos, na sua conceituação, que
ela aglutina as impurezas presentes na água, as quais se agrupam, e se neutralizam pela
48 Aglutinar: fazer ação de reagentes químicos (coagulantes), para em seguida decantarem. Lembra-se? Pois
aderir ou ligar-se
bem, mas por acaso você não teria curiosidade de saber quais impurezas são essas que
fortemente por al-
gum processo físico estão presentes na água bruta? Evidentemente que sim, até porque, sabendo o que está
ou químico
misturado à água, ficará mais claro que tipo de água será tratada, concorda?

No entanto, um fato tem que estar bem compreendido entre nós: toda água na natureza
é considerada como bruta, não que ela não sirva para nosso consumo, apenas que não foi
tratada. Claro que existem mananciais superficiais absolutamente impróprios devido à dis-
solução de detergentes, biocidas, detritos orgânicos, vernizes, tintas, agentes patogênicos,
componentes que alteram a sua qualidade de acordo com as suas características físicas,
químicas e biológicas, como assegurou Von Sperling (1996). E você tem razão em me per-
guntar que características são essas. Vamos estudá-las então?

As partículas sólidas sob a perspectiva física, conforme suas dimensões apresentam-se


em suspensão na água, dissolvidas ou em soluções coloidais sob a perspectiva química
Colóide: O termo são classificadas em orgânicas e inorgânicas; e sob a perspectiva biológica, na forma de
colóide vem do
microrganismos.
grego e significa
"cola".
As partículas sólidas das impurezas da água bruta
Classificamos as partículas sólidas misturadas à água bruta de acordo com o seu tama-
nho. Mas vamos triturar um pouco mais a identificação dessas partículas. Alguns estudio-
sos consideram os sólidos em solução, as partículas de menores dimensões, aquelas com
menos de um nanômetro de diâmetro (um nanômetro (nM) representa a milionésima parte
do milímetro); os sólidos em suspensão aquelas com dimensões superiores a 100 nM
(nanômetros); e as partículas com dimensões situadas numa faixa intermediária entre 1 e
100 nM seriam os sólidos coloidais. Não quero ser irônico, mas vez em quando os autores
querem complicar o simples, tanto que nos resultados das análises de água os colóides
são considerados como sólidos dissolvidos e sólidos em suspensão. Nessa discussão, Von
Sperling, já citado, entra e considera os termos sólidos filtráveis e sólidos não filtráveis

Tratamento de Águas e Efluentes


como os mais adequados para classificar as partículas coloidais da água bruta. E é essa
classificação simples que adotaremos em nosso trabalho.

Não quero ser irônico, mas de vez em quando os autores querem complicar o simples, tanto
que nos resultados das análises de água, os colóides são considerados como sólidos dissol-
vidos e sólidos em suspensão. Nessa discussão, Von Sperling (1996), considera os termos
sólidos filtráveis e sólidos não filtráveis como os mais adequados para classificar as partículas
coloidais da água bruta. E é essa classificação simples que adotaremos em nosso trabalho.

Ainda teremos oportunidade, mais adiante, de voltarmos a este tema sobre os colóides. 49
Porém, neste momento, ainda quero dizer a você que nas soluções coloidais as partículas
dispersas estão em movimento constante e aleatório, e não se depositam sob a ação da
gravidade. Aí está uma característica fundamental para esses nosso trabalho: se as par-
tículas não sedimentam no fundo de um recipiente, teremos que encontrar um meio de
separá-las da água. Pelo que observamos até aqui, estamos constatando que a água bruta Sedimentar: pro-
cesso de formação
é na verdade uma dispersão coloidal, na qual a fase dispersante é líquida (a própria água)
ou acumulação
e a fase dispersada é sólida (colóide ou impureza). É essa fase sólida dispersada na fase de sedimento
em camadas, em
líquida que confere cor, turbidez, sabor e odor à água. Urge, portanto, que nos apressemos
ambiente aquoso
a promover essa separação. ou aéreo, que
inclui a separação
de partículas de
rocha provenientes
do material do
Aí está uma característica fundamental para esses nosso trabalho: se as partí- qual o sedimento é
culas não sedimentam no fundo de um recipiente, teremos que encontrar um derivado.

meio de separá-las da água.


A origem da cor na água bruta
Antes de se iniciar o processo de tratamento vou responder ao seu questionamento so-
bre a origem da cor que colore a água bruta. A presença de significativas concentrações de
matéria orgânica na água bruta apresenta aspectos negativos, dentre os quais a mudança
Matéria Orgânica: de cor, a exemplo da água captada, mostrada na imagem. Pode até não parecer, mas ela
uma mistura de
ocorre do resultado da degradação de substâncias da matéria vegetal.
compostos em vários
estágios de decompo-
sição, os quais resul-
tam da degradação
biológica de resíduos
de plantas e animais,
e da atividade sinté-
tica de microrganis-
Tratamento de Águas e Efluentes

mos. Fonte: <http://


bicen-tede.uepg.br/
tde_busca/arquivo.
php?codArquivo=91>.
Acesso em: 27 out. Figura 21 – Água bruta para tratamento na ETA de Ribeirão da Penha/SP
2014. Fonte: <http://www.saaeitapira.com.br/arquivos/imagens/ETA/tx_1.JPG>.
Acesso em: 27 out. 2014

Mas é preciso atenção ao se estudar as colorações da água bruta, pois elas podem
confundir-se com a turbidez. Por isso mesmo, logo em seguida vamos fazer referência
à turbidez. Tanto assim, para seu conhecimento, que classificaram a cor em verdadeira,
50 quando não se leva em conta a turbidez; e aparente, quando se leva em conta a turbidez.
Duas observações ainda devem ser feitas: a primeira é que a cor tem influência direta na
escolha do método de tratamento da água bruta; e a segunda é que o valor do pH desta
água tem influência direta sobre ela.

Curiosidade
Pesquisas atuais demonstram que, quase sempre, a cor é proveniente de
substâncias orgânicas, as quais após a degradação da matéria vegetal
originam diversas outras substâncias, a exemplo dos ácidos húmicos, que
são substâncias resultantes de reações químicas, fotoquímicas e micro-
biológicas e ocorrem durante a degradação da matéria vegetal, como des-
cobriu os professores Tangerino e Di Bernardo (2005). Estamos excetuan-
do aqui qualquer derrame de tinta ou outro poluente similar, até porque
estas são substâncias inorgânicas.
Características da turbidez da água bruta
Como eu definiria turbidez? Deixe-me ver: de uma maneira bem simplificada, como um
parâmetro físico que é medido pela quantificação da interferência à passagem da luz pro-
vocada pelas partículas em suspensão na água (geralmente visíveis a olho nu), ocasionan-
do a reflexão e a absorção da luz. Agora sou eu que lhe pergunto: de quais fatores depende
a turbidez para ser mais ou menos intensa? Granulometria das partículas? Correto, ou
seja, quanto maiores as partículas, menor será a turbidez, mas também depende da con-
centração das partículas. A verdade é que a turbidez assume grande importância no trata-
mento da água bruta, porque se ela apresentar teores acima dos limites aceitáveis reduzirá
a eficiência do processo de purificação da água, além de alterar o seu sabor e odor. Esses
teores são expressos em NTU, Unidades Nefelométricas de Turbidez, ou em uT, Unidades

Tratamento de Águas e Efluentes


de Turbidez. Por exemplo, a portaria do ministério da saúde 518/2004 determina que a
água destinada ao consumo humano não pode ultrapassar o valor limite de 5uT.

A turbidez assume grande importância no tratamento da água bruta, porque se


ela apresentar teores acima dos limites aceitáveis findará por reduzir a efici-
ência do processo de purificação da água, além de alterar o seu sabor e odor.

51

Atividade 01
Faça uma pesquisa sobre turbidez dando ênfase a sua caracterização e às
metodologias de medição. Deixe sua resposta em nosso fórum!

A etapa de coagulação no tratamento da água bruta


Quando conceituamos o processo de coagulação como etapa de purificação do trata-
mento de água bruta, dissemos que ele aglutina suas impurezas pela ação de reagentes
químicos ou coagulantes. Logo em seguida conceituamos a etapa de floculação, dizendo
que enquanto a coagulação apenas agrupava as micropartículas, a floculação produzia
agregados dessas partículas em suspensão na água (os flocos), para consequente decan-
tação. Agora chegou a hora de praticarmos essas conceituações, e você vai compartilhar
do acompanhamento desse tratamento.

A água bruta, captada e bombeada, chega à estação para passar por sua primeira eta-
pa de purificação, ou seja, a coagulação. Vou tomar como exemplo dessa entrada de água,
a Calha de Parshall da ETA de Bebedouro, em São Paulo. Calma, que vou explicar sobre
esse equipamento. A Calha de Parshall é um dispositivo medidor de vazão de água na for-
ma de um canal aberto com dimensões padronizadas: a água é forçada por uma garganta
relativamente estreita, sendo que o nível da água antes dela é o indicativo da vazão a ser
medida, independendo do nível da água após a garganta.

Curiosidade
Tratamento de Águas e Efluentes

O medidor Parshall,
como também é conhe-
cido, foi desenvolvido
pelo engenheiro Ralph
L. Parshall, na década
de 1920, nos Estados
Unidos, inicialmente
52
para aplicações em irrigações. Atualmente, é um dispositivo usado para
medição de vazão em canais abertos de líquidos fluindo por gravidade,
muito utilizado nas estações de tratamento de água para exercer duas
importantes funções: medir de forma contínua as vazões de entrada e sa-
ída de água; e atuar como misturador rápido, facilitando a dispersão dos
coagulantes na água, durante o processo de coagulação.

Atividade 02
Faça uma pesquisa sobre a origem e o desenvolvimento da Calha de Par-
shall e disponibilize o resultado no fórum.
Para complementar seu aprendizado concluo que o coagulante é adicionado à água
bruta quando ela se encontra em condições adequadas de pH. Você sabe que 7 é o pH
neutro? Abaixo desse valor a água se torna ácida e acima se torna alcalina ou básica. Como
os coagulantes são substâncias ácidas, sua mistura tende a acidificar a água exigindo uma
correção, o que se realiza com a adição de hidróxidos ou óxidos de cálcio (a cal), os quais
são lançados antes da aplicação daqueles coagulantes.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 22 – ÁCalha de Parshall com dosadores de cal (hidróxidos) e coagulantes
Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/parshall_cal.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.
53

Os coagulantes são misturados e dispersados na água bruta rapidamente e uniforme-


mente de tal maneira que cada litro de água a ser tratada receba aproximadamente a
mesma quantidade de reagente no menor tempo possível, já que o coagulante se hidrolisa
(quebra da molécula da água) e começa a se polimerizar, ou seja, a se multiplicarem fra-
ção de segundos após o seu lançamento na água. Polimerização: é a
união de moléculas
Para que ocorra essa mistura instantânea, a Calha de Parshall fornece as condições de um dado com-
posto denominado
necessárias ao promover um turbilhonamento da água com o seu ressalto hidráulico (fenô-
monômero) para
meno que ocorre quando a corrente líquida passa do regime rápido para o tranquilo) como formar um novo
composto designa-
mostrado na imagem. Ali acontece a coagulação química que reduz turbidez, colóides,
do por polímero.
bactérias, cor, ferro, e manganês oxidados e alguma dureza.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 23 – Misturador dos coagulantes no ressalto da Calha


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/parshal0.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

Você deve estar se questionando se apenas a Calha de Parshall seria usada como com-
partimento de coagulação não é verdade? A resposta é não. O processo básico de mistura
é similar em todas as ETAs, porém os reservatórios podem ser bem distintos, a exemplo
deste de uma ETA de Minas Gerais, apresentado na imagem a seguir.

54

Figura 24 – Tanque misturador de coagulantes em Minas Gerais.


Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/-TX41-QNVBa8/TtZOawYZRPI/
AAAAAAAAACs/N29rV8H1Ugw/s320/Capt_
CoagulacaoG.jpg>. Acesso em: 27 out. 2014.

As substâncias coagulantes
Vamos agora conhecer quais as substâncias coagulantes utilizadas e como a mistura se
processa quimicamente. Mas saiba que esses coagulantes não atuam sozinhos; eles são
acompanhados de substâncias auxiliares na aglutinação das impurezas da água. Vamos
classificá-las em três tipos de reagentes: os coagulantes propriamente ditos, na forma de
compostos de ferro ou de alumínio, que produzem hidróxidos, os quais englobam as partí-
culas coloidais; os coadjuvantes, na forma de compostos de sílica, por exemplo, que dão
origem a núcleos densos para os flocos; e os alcalinizantes, que fornecem a alcalinidade Sílica: composto
oxigenado (SiO2)
necessária para a coagulação e posterior floculação.
do silício encontra-
do em minerais,
Não custa repetir que naquele turbilhonamento, no compartimento de mistura, acon-
areias e silicatos.
tecem as reações químicas que vão formar os flocos de partículas. Saiba você, que essas
partículas de impurezas presentes na água bruta apresentam geralmente carga elétrica
superficial negativa, impedindo que se aproximem uma das outras. Elas se repelem, mas a
coagulação acaba com essa intriga. Quando o coagulante sulfato de alumínio, por exemplo,
entra no tanque de mistura geram partículas elétricas positivas que promovem a atração
dos colóides, como exemplificado na imagem. Porém os flocos formados, bem como as

Tratamento de Águas e Efluentes


impurezas ainda dispersas, não têm peso suficiente para se sedimentarem. A água com
seus conglomerados coloidais fluem do sistema coagulador para outros compartimentos
no qual essas partículas ganharão peso.

55

Figura 25 – Reação e atração entre as partículas coloidais.


Fonte: <http://tratamentodeefluentes.files.wordpress.
com/2013/11/9.png?w=300&h=86>. Acesso em: 27 out. 2014.

Os agentes químicos coaguladores são insolúveis na água. O sulfato de alumínio


(Al(OH)3) é um bom exemplo de coagulante, cujas reações químicas que ocorrem durante
o processo de coagulação podem ser demonstradas da seguinte maneira:

Quando o sulfato é lançado na água imediatamente geram partículas atômicas eletrica-


mente positivas, os íons positivos, ou cátions, como se vê na equação 01.

Al2(SO4)3 → 2 Al3+ + 3 SO42- (equação 01)


O sulfato na água se decompõe e surgem os íons positivos de alumínio (Al3+). Uma
pequena quantidade desses íons positivos neutraliza as impurezas de carga negativa pre-
sentes na água e a quantidade restante reage com o íon hidroxila (OH-) da água, formando
o hidróxido de alumínio, de acordo com a equação 02.

Al2(SO4)3 + 6 H2O → 2 Al(OH)3 + 6 H+ + 3 SO42- (equação 02)

Observe que o sulfato Al2(SO4)3 reage com a água e forma moléculas de hidróxido
de alumínio (Al(OH)3), o qual se apresenta como um colóide eletricamente positivo e que
neutraliza os colóides eletricamente negativos componentes das impurezas. Observando
mais atentamente a consequência da reação de hidrólise (quebra da molécula da água)
concluímos que resultou num aumento de íons de hidrogênio (H+). E o valor do pH desce,
tornando a água ácida. É por essa razão que se adiciona à água, no tanque de coagulação,
Tratamento de Águas e Efluentes

os hidróxidos, para provocar o retorno da alcalinidade.

A etapa de floculação no tratamento da água bruta


Nesses novos compartimentos, denominados floculadores, continuam a ocorrer as rea-
ções, porém não mais num ambiente de turbilhonamentos vigorosos como no coagulador,
e você pode visualizá-los na imagem, que mostra um exemplo.

56

Figura 26 – Tanques de mistura lenta, ou floculadores, da Copasa/MG


Fonte: <http://4.bp.blogspot.com/-hKbystR1a_g/TtZOqM5LjmI/AAAAA-
AAAAC0/uJ-OevhuRxA/s320/Flocula%25C3%25A7%25C3%25A3o.jpg>.
Acesso em: 27 out. 2014.

A mistura agora se dá de maneira lenta, mas proporcionando o contato constante entre


as partículas: é o processo da floculação, cujo objetivo é a formação de flocos sedimentá-
veis (mais pesados), numa sequência de floculação e decantação.

Esses flocos se apresentam agora no floculador com aspecto gelatinoso, como pode
observar na imagem, sendo essa uma característica que lhe proporciona a capacidade de
aglutinar partículas em sua superfície, e assim eles vão ficando maiores e mais pesados.
Mas, não esqueça que eles são partículas microscópicas que foram se juntando até se tor-
narem visíveis, na forma dos flocos. É neste momento que a água se escoa para os tanques
de decantação - os decantadores.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 27 – Flocos formados em tanque de floculação
Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/-jzklKyi0784/UogRfWk4JxI/AAAAAAAA-
By0/wptfIsJIPso/s400/flocula%C3%A7ao-esta%C3%A7ao-tratamento-de-
-agua.png>. Acesso em: 27 out. 2014.

A etapa de decantação no tratamento da água bruta


Você saberia dizer por que a distância entre os floculadores e os decantadores é pe-
quena? Vou lhe dizer. É para que se diminua o risco da quebra dos flocos formados, e não
57
ocorra qualquer sedimentação durante o percurso da água floculada. Nos tanques de de-
cantação, a água fica em repouso durante cerca de três a quatro horas, e os flóculos mais
densos vão sedimentando e formando uma camada de material gelatinoso no fundo do
decantador. A imagem lhe dá uma visão de tanque de decantação no tempo da espera da
sedimentação das partículas.

Figura 28 – Decantador da ETA de Bebedouro/SP, ao tempo da sedimentação


Fonte: <http://www.saaeb.bebedouro.sp.gov.br/home/images/
stories/servicos/eta2_decantadores.jpg>. Acesso em: 27 out. 2014.
a distância entre os floculadores e os decantadores é pequena [...] para que se
diminua o risco da quebra dos flocos formados e não ocorra qualquer sedimen-
tação durante o percurso da água floculada.

Após a decantação, a água livre das partículas que sedimentaram no fundo do decanta-
dor flui pelo vertedouro, para seguir em direção às etapas de filtração e desinfecção.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 29 – Vertedouro em decantador da ETA de Bebedouro/SP


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/calhadec.jpg>.
58 Silte: fragmen-
Acesso em: 27 out. 2014.

tos de rocha ou
partículas detríticas
menores que um
Normalmente, mais da metade das impurezas sedimentadas ficam retidas no fundo
grão de areia,
que entram na do decantador na forma de um lodo gelatinoso. Periodicamente faz-se a retirada, lavagem
formação do solo
e limpeza desses compartimentos. Sua remoção é imprescindível para a manutenção da
ou de uma rocha
sedimentar. qualidade da água superficial enviada às etapas de tratamento seguintes. E você está que-
rendo me perguntar. Qual o destino deste lodo?

Destino do lodo sedimentado no tanque coagulador


O lodo sedimentado é o conglomerado resultante de todas as impurezas que estavam
Húmico: ácido
resultante da na água bruta original, somado às substâncias que foram acrescentadas durante o período
decomposição de compreendido entre a captação e a decantação. Uma análise qualitativa revelaria a pre-
matéria orgânica,
particularmente de sença de hidróxido de alumínio, hidróxido e óxido de cálcio, siltes, argilas, areia, material
plantas mortas. húmico, microorganismos. Um estudo quali-quantitativo de Aboy (1991), por exemplo, en-
controu na sua constituição química alumínio em maior percentagem, mas também cálcio,
ferro, potássio, magnésio, enxofre, fósforo. A água, no entanto, entra na sua composição
como o principal constituinte. Porém, há sempre o perigo dele conter agente químico ou
biológico que possa causar danos ao ambiente ou ao homem, e por essa razão sua dispo-
sição sempre está sendo discutida. Entendeu? Não se sabe ao certo o melhor local onde se
possa descartá-lo. Seria melhor deixá-lo num aterro sanitário ou enterrá-lo em área próxi-
ma à ETA ou ainda usá-lo na recuperação de áreas degradadas, em gramados, em jardins.
Para isso, você sabe, ele teria que ser tratado para eliminar microrganismos patogênicos e
a possibilidade de apodrecer com produção de odores (LIMA, 2010, p. 48).

Enquanto não decidem definitivamente sobre o destino do lodo gelatinoso do fundo do


tanque de decantação, ele está sendo seco e tratado, para descarte ou utilização.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 30 – Exemplo de lodo seco tratado em ETA de Araraquara (SP).
Fonte: <http://www.adjorisc.com.br/polopoly_fs/1.998307.1323342178!/ 59
image/3041345949.gif_gen/derivatives/horizontal_w600h435/3041345949.gif>.
Acesso em: 27 out. 2014.

Diante do que compartilhamos até agora, concluímos que para acontecerem as etapas
de coagulação, floculação e decantação é necessário adicionar-se à água bruta alguns
agentes químicos. Mas, para que essas operações tenham sucesso é preciso calcular cor-
retamente as quantidades das substâncias a serem ofertadas. Você poderá um dia ser o
técnico responsável por essa operação e por isso mesmo é que vamos trabalhar em coo-
peração mais estreita ainda nos nossos exercícios seguintes.

Lembra-se que na Calha de Parshall misturamos os coagulantes? Claro que sim, mas
como se calcula a quantidade desses coagulantes a ser ofertada numa corrente de água?
Apenas para melhorar o entendimento, vamos antes definir dois parâmetros com os quais
iremos trabalhar: soluto, o produto que é dissolvido na água bruta; e solvente, a água bruta
na qual se dissolve o produto.

Quantificação dos agentes coaguladores


A questão na nossa ETA está posta da seguinte maneira: a vazão do fluxo de água
passando pela garganta da Calha de Parshall varia ao longo do dia, e, evidentemente, que
influenciará nas dosagens dos agentes coaguladores. Porém, trataremos uma vazão (V) da
ordem de 10 litros por segundo (10 L/s); o coagulante (soluto) a ser usado será o sulfato
de alumínio [Al2(SO4)3]; a concentração em peso por volume do sulfato seria de 50%; e a
concentração requerida para o tratamento, apenas como exemplo, seria de 10 miligramas
por litro (10 mg/L). Diante dos dados, questiona-se qual será a quantidade da solução a
ser ofertada a cada segundo para se obter a concentração 10 mg/L e tratar a vazão de 10
litros/segundo?

Vamos equacionar a questão. Se o soluto está em concentração de 50% em peso/volu-


me, esta relação equivale a 1 grama de soluto: 2 mililitros de solução. Por exemplo:
Tratamento de Águas e Efluentes

CONCENTRAÇÃO PESO/VOL. [Al2(SO4)3] A 50%

PESO VOLUME
1g ou 1.000mg 2ml
50g ou 50.000mg 100ml
500g ou 500.000mg ou 0,5kg 1000ml ou 1l

RELAÇÃO DE 1:2 (um para dois)

60 • Se a concentração de sulfato requerida para o tratamento da água será de 10 miligra-


ma/litro, quantos miligramas serão necessários para lançar em 10 litros de água ( V = 10
L/s) ? Diante dos dados façamos os cálculos.

CONCENTRAÇÃO PESO/VOL. [Al2(SO4)3] A 50%

PPESO de Al2(SO4)3 em mg VOLUME H2O em L/s


10 1
X 10

Usaremos agora a regra de três simples, um processo prático (matemático) que envolve
quatro valores, quando queremos descobrir um valor e temos apenas três deles.

1X =10 x 10

X = 100/1

X = 100 mg

• Logo, serão necessários 100 miligramas de Al2(SO4)3 para tratar 10 litros de água
bruta/segundo.
Sabendo-se que precisamos de 100 miligramas de sulfato para tratar 10 litros de
água, e a nossa solução de sulfato está com a concentração de 500.000 mg/L, eu lhe
pergunto: qual a quantidade desta solução será necessária para se obter uma concen-
tração de 10 mg/L?

500.000mg de Al2(SO4)3 para 1.000ml H2O

100mg de Al2(SO4)3 para Xml de H2O, ou seja,

500.000 X=100 x 1000

X= 100.000/500.000

Tratamento de Águas e Efluentes


X= 0,2 ml

• Portanto, será necessário dosar 0,2 ml da solução em cada segundo para se obter
uma concentração de 10 mg/L, e assim tratar uma vazão de 12 litros por segundo de
água bruta. Ou 17,28 litros da solução por dia.

A eficiência do sistema decantador


Estamos nos perguntando agora como podemos medir a eficiência de um sistema de 61
decantação deste, sobre o qual tanto estudamos? A resposta não poderia ser outra: atra-
vés de cálculos de hidráulica. E o engenheiro afirmaria que o decantador é tanto mais efi-
caz quanto maior o seu tempo de escoamento (Ti) aproximar-se do tempo de retenção (T).
Ela se caracteriza pelo fator de deslocamento f, expresso em percentagem, ou seja, f = 100
Ti/T, onde o valor de f não deve ser inferior a 40%. Mas, eu lhe confesso que a eficiência
do processo pode ser determinada de uma maneira mais prática: medindo-se a turbidez da
água direcionada para os filtros. Melhor, não?

Atividade 03
O sulfato de alumínio comprado pela ETA para sua utilização no processo
de coagulação, continha no rótulo de sua embalagem a informação de que
na solução com volume de dois litros havia um quilograma de coagulante
(Al2(SO4)3). Qual a sua concentração em peso por volume?
Mídias
Esta obra do Professor Carlos Richer, Água: Métodos e Tecnologia de Tra-
tamento, editada pela Editora Blucher, será importante para seu embasa-
mento sobre o tema. Demonstrando vasta experiência no desenvolvimento
da tecnologia de tratamento de água, o professor Richer trata, em sua
obra, com didática e conhecimento da realidade, sobre os conceitos bási-
cos da química e a definição dos processos de tratamento da água bruta
contemplando suas etapas básicas. Boa leitura.
Tratamento de Águas e Efluentes

Resumo
Neste estudo você aprendeu sobre as etapas do tratamento convencional da água bru-
ta; as características das impurezas presentes e a classificação de suas partículas sólidas,
de acordo com o tamanho; como determinar a origem da cor e sobre sua classificação em
cor verdadeira e aparente; a caracterizar a turbidez da água bruta. E para aumentar seu
aprendizado, acompanhou o desenvolvimento do tratamento da água através das etapas
62
de coagulação, caracterizando a Calha de Parshall, floculação e decantação, com a discus-
são sobre o destino do lodo sedimentado nos coaguladores.

Autoavaliação
1. Preencha as lacunas com as respostas corretas:

A água bruta é uma dispersão coloidal na qual considera-se que a fase dispersante é a
parte ___________e a fase dispersa é a parte_________.

A cor da água bruta às vezes pode ser confundida com a turbidez, para separar suas indi-
vidualidades, quando se leva em conta a turbidez, classificaram-na em ________________
e quando não se leva em consideração a turbidez em _______________.

a) sólida; líquida; aparente; verdadeira.

b) líquida; sólida; verdadeira; aparente.

c) sólida; gasosa; verdadeira; aparente.

d) líquida; gasosa; aparente; verdadeira.


2. A etapa de purificação do tratamento de água bruta em que as impurezas se aglutinam
pela ação de reagentes químicos é a definição de:

a) Floculação

b) Decantação

c) Coagulação

d) Desinfecção

3. Preencha a lacuna com a resposta correta.

A etapa de purificação do tratamento de água bruta em que se produzem agregados


de micropartículas em suspensão (flocos) para consequente decantação chama-

Tratamento de Águas e Efluentes


-se______________.

a) Floculação

b) Coagulação

c) Decantação

d) Desinfecção

63
4. Preencha as lacunas com as respostas corretas.

Após o processo da coagulação, a água escoa em direção aos______________. Para


que se diminua o risco da quebra dos flocos formados e não ocorra qualquer sedimen-
tação durante o percurso da água floculada é necessário que a distância entre esses
dois processos seja ______________.

a) Coagualdores; grande.

b) Floculadores; grande.

c) Decantadores; pequena.

d) Floculadores; pequena.

5. O sulfato de alumínio comprado pela ETA para sua utilização no processo de coagulação
da água bruta continha no rótulo de suas embalagens a informação de que na solução,
com volume de dois litros, havia um quilograma de coagulante (Al2(SO4)3). A sua con-
centração em peso por volume é de:
Tratamento de Águas e Efluentes

64
c) 50%
b) 75%

d) 25%
a) 100%
Tratamento de Águas e Efluentes
Competência
04 65

Caracterizar a filtração,
desinfecção e inovações tecnológicas
no tratamento de água
Caracterizar a filtração,
desinfecção e inovações tecnológicas
no tratamento de água
Em 1799 Londres convivia com um crônico e insuportável mal cheiro, que se exalava de
um amontoado de mais de dois milhões de seres humanos e seus dejetos. Dejetos e lixo es-
corriam para o rio Tamisa e sujava o mar, dia após dia. Naquele ano e nas margens daquele
rio moribundo nasceu James Simpson, que cresceu assistindo a sua longa agonia. Tornou-se

Tratamento de Águas e Efluentes


engenheiro e começou a pesquisar uma maneira de tornar a sua água poluída em condi-
ções de ser usada pela população. Um dia, em 1826, construiu três tanques com tijolos.
Dois deles serviriam de decantadores de água, e o terceiro, com 93 m2, ele o transformaria
num filtro de areia: montou um dreno no fundo do tanque e sobre ele uma camada de areia
com espessura de 60 centímetros; e sobre ela colocou uma camada de pedregulhos com a
mesma espessura. Detalhando a experiência de James, o seu filtro primordial consistia da
captação de água suja do Tamisa que era conduzida até aos dois tanques de sedimentação,
e ali ficaria armazenada para a deposição das impurezas; em seguida a água passaria ao
terceiro tanque onde seria filtrada lentamente, de cima para baixo, pelo filtro de areia através 67
da força gravitacional. A experiência foi repetida inúmeras vezes e em todas elas a água se
tornava potável. Ele inventara o sistema de filtração lenta para água bruta. Quase setenta
anos depois, em 1892, a região na qual se localizavam as cidades alemãs de Hamburgo e
Altona sofreram um surto de cólera. A cidade de Hamburgo, desprovida de qualquer sistema
de tratamento para filtrar e purificar sua água assistiu estarrecida a angustiante morte de
milhares de seus habitantes; enquanto que a cidade de Altona já possuía um sistema de
purificação da sua água, e nenhum de seus habitantes faleceu em consequência da doença.

Mais de um século depois da tragédia de Hamburgo, mais de 40 milhões de brasilei-


ros não têm acesso à água tratada (IBGE, 2008); nem sequer por um simples filtro, feito
aquele de James Simpson.

Nesta competência seu aprendizado será sobre a conceituação da etapa de filtração


do tratamento de água bruta, quando conhecerá a sua classificação em filtração lenta e
rápida; caracterizará os sistemas, através do estudo do processo construtivo dos filtros
lentos e rápidos; sobre a classificação do sistema de filtração rápida em função do com-
portamento hidráulico; sobre as características dos sistemas de filtração lenta e rápida e
também aprenderá sobre as inovações tecnológicas.
A etapa de filtração do tratamento da água bruta
Se eu lhe perguntasse o que é filtração tenho certeza que me daria uma definição.
Mas, vou me adiantar e lhe dizer que a filtração da água bruta, após o tratamento da
etapa de decantação, é um processo físico em que ela atravessa um leito filtrante consti-
tuído de camadas de areias de diferentes granulometrias, cascalho grosso, e em alguns
filtros o antracito (carvão mineral), para remoção de partículas e microorganismos ainda
remanescentes e deixá-la com padrões de potabilidade, de acordo com o que dispõe a
Portaria do Ministério da Saúde, nº 2914/2001, (BRASIL, 2001).

Porém, nem sempre a filtração é um processo posterior ao tratamento químico. Você


deve estar pensando o porquê, mas num instante eu lhe explico. Acontece que depen-
dendo do tipo de água captada para ser beneficiada, ela pode ter a filtração como um
Tratamento de Águas e Efluentes

dos primeiros processos de tratamento, por exemplo, quando a sua fonte não tem níveis
elevados de poluição, de sólidos em suspensão.

Nós vamos nos dedicar ainda à anatomia dos filtros, mas tenho que me adiantar um
pouco e revelar que esse pré-tratamento utiliza filtros com meio granular constituído de
pedregulhos, de granulometria crescente do topo ao fundo (DI BERNARDO; VALENZUELA,
1992). É por essa razão que o local de captação determina o tipo de tratamento da água
bruta. Se ela se apresentar, por razões específicas, com concentrações de microrganis-
68 mos, teores de turbidez e de sólidos suspensos relativamente altos, de maneira que
impeçam de algum sistema de filtração funcionar adequadamente, o tratamento deverá
ser o convencional a partir do processo de coagulação química.

Os sistemas filtrantes podem ser de taxa de filtração lenta e de filtração rápida, como
já aprendemos. E eu terei um grande prazer em apresentá-los a você.

Curiosidade
Dentre os dispositivos legais que regulamentam sobre o controle de quali-
dade da água de abastecimento do país destacam-se: o Decreto nº 5440,
de 04 de maio de 2005, da Presidência da República, que estabelece
as definições e procedimentos sobre o controle de qualidade da água de
sistemas de abastecimento, e institui mecanismos e instrumentos para
divulgação de informação ao consumidor, sobre a qualidade da água
para consumo humano. Fonte: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2004-2006/2005/Decreto/D5440.htm>. Acesso em: 28 out. 2014.; e
a Portaria nº 2.914, de 12 de dezembro de 2011, do Ministério da Saúde,
estabelece os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e
vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de
potabilidade, e dá outras providências. Fonte: <http://bvsms.saude.gov.
br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt2914_12_12_2011.html>. Acesso em:
28 out. 2014.

Os sistemas de filtração usados no tratamento


da água bruta

Tratamento de Águas e Efluentes


Você acompanhou o tratamento da água bruta desde a sua captação até o processo de
decantação. Mas a água ainda não está limpa, pois contém impurezas constituídas de flo-
cos mais leves e partículas não floculadas, microorganismos isolados, detritos orgânicos,
que precisam ser removidos. Então a água flui do sistema de decantação para um sistema
de filtração como mostra o desenho esquemático da imagem.

69

Figura 31 – Desenho esquemático do fluxo decantação/filtração


Fonte: <http://www.aguadechuva.com/artigosuteis/topico5/
biofiltrolentodeareiafunasa_arquivos/image002.jpg>. Acesso em: 28 out. 2014.

Como lhe prometi vamos conhecer os sistemas de filtração lenta e rápida. Para dife-
renciá-los teremos que saber as características de cada um deles, e é isso mesmo que
faremos a partir de agora.

O sistema de filtração lenta


Para que você tenha um conhecimento bem efetivo da estrutura de um filtro lento,
nada melhor do que conhecer o seu processo construtivo. Vamos colocar a planta de um
modelo em esquema vertical a nossa frente, e verificaremos a sua anatomia, apresentada
na imagem que segue.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 32 – Desenho esquemático vertical de um filtro lento


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Image004.gif>.
Acesso em: 28 out. 2014.

O processo de filtração lenta, instalado após a decantação é detentor de significativa


eficiência para remoção das impurezas que ainda permaneceram. Mas tem uma desvan-
tagem. Ele funciona com baixas taxas de filtração (permitido pela NBR 12.216/1992 até

70 6 m3/m2/dia) e apenas quando a turbidez não é elevada (em concentração de até 50


partes por milhão - ppm). Uma de suas características específicas é que as impurezas
concentram-se, essencialmente, no topo da camada filtrante de areia, formada por micro-
organismos (bactérias, fungos, protozoários) e eventuais detritos orgânicos; esse evento é
de fundamental importância na dinâmica da filtração biológica.

Curiosidade
Essa concentração forma uma fina camada orgânica, denominada
schmutzdecke, (termo alemão, que significa, em tradução livre, cobertu-
ra protetora, mas que a usam para denominar a membrana gelatinosa
formada pelas impurezas depositadas na superfície arenosa do filtro). E
na schmutzdecke, habitam bactérias especialistas em executar a filtração
biológica, a qual consiste na decomposição da amônia em outros compos-
tos nitrogenosos menos tóxicos: nitritos e nitratos.
A engenharia nos dá opções de medidas de construção de filtros de natureza lenta, as
quais vou lhe repassar começando com a altura livre sobre a superfície da água que pode
ser entre 0,25 e 0,30 metros; a altura da coluna d’água entre a superfície do leito filtrante
e o início da altura livre pode ser entre 0,85 e 1,40 metros: observe que no nosso exemplo
ela é de 1,20 metros; a altura da camada de areia seria de 0,90 a 1,10 metros: em nosso
modelo ela tem 1,00 metros; a altura da camada de pedregulho (ou cascalho) seria de
0,25 a 0,50 metros; e a altura do dreno principal de 0,20 a 0,60 metros.

Vamos parar os nossos estudos por um breve momento porque eu preciso fazer uma
observação. Essa altura da camada filtrante de areia a partir de 0,90 metros é inerente a
um filtro lento, e pode alcançar, em alguns casos, a espessura de até 1,5 metros, porém,
não é permitida pela NBR 12.216/1992 que a espessura seja menor do que 0,90 metros.
Feita a observação continuemos.

Tratamento de Águas e Efluentes


A disposição das tubulações de drenagem, no chão do filtro e sob a camada de cascalho,
forma uma malha constituída de um dreno principal com derivações secundárias espaçadas e
perfuradas (malha em forma de espinha de peixe), com diâmetros entre 0,05 a 0,15 metros.
Quando periodicamente se faz a limpeza dos filtros deixa-se à mostra a estrutura drenante.

E ainda para uma maior visualização sobre esse tipo de drenagem, também lhe apre-
sento a imagem que segue, com um exemplo da espinha de peixe para escoamento da
água de um campo de futebol.
71

Figura 33 – Infográfico de malha de drenagem de campo de futebol


Fonte: <http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?p=111226617>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Claro que toda essa construção será feita dependendo das dimensões do filtro. E tem
mais um fator importante com relação à capacidade de drenagem: ela deve ser projetada
para velocidades baixas em cerca de 0,30 metro/segundo para o dreno principal e 0,20
metro/segundo para os drenos laterais. Você deve estar se perguntando qual a altura
de um filtro desses. Sua altura total seria de 2,50 a 3,60 metros. Neste ponto de nossos
estudos eu lhe pergunto quais características poderíamos considerar como próprias de
um filtro lento?

Além da sua baixa taxa de infiltração, e da formação da schmutzdecke, temos que dar
atenção à areia utilizada. Não se pode usar qualquer tipo de areia na construção do filtro.
Primordialmente ela não pode conter matéria orgânica impregnada; a sua granulometria
Granulometria: é deve estar entre 0,25 e 0,35 mm de diâmetro (tamanho efetivo), conforme determina a
uma técnica pela
NBR 12.216/1992; e o seu coeficiente de uniformidade é menor que 3.
qual os diversos
tipos de solos são
Se a forma do grão influencia na eficácia da filtração? Com certeza! Um estudo de SA-
agrupados e desig-
nados em função BOGAL-PAZ (2007) demonstrou que quanto mais irregular a geometria do grão, melhor
Tratamento de Águas e Efluentes

dos diversos diâme-


desempenho tem a filtração.
tros de partículas
que os compõem.

Atividade 01
Relacione as características da areia usada como leito filtrante no sistema
de filtração lenta e informe a resposta no fórum.
72

Você já entendeu que esse tipo de filtro tem sua aplicabilidade em tratamento de água
com turbidez baixa e de pequenas vazões. Apesar de suas limitações, ele é muito eficaz
na remoção de bactérias (95%); de turbidez (100%); de ferro (até 60%); e significativa
percentagem de cor e sabor. E você precisa saber ainda que o número de filtros numa ETA
depende de fatores como a taxa de filtração, o consumo per capita, a população da cidade,
e de um coeficiente do dia de maior consumo. De posse desses dados, os engenheiros
fazem os cálculos que determinam o número de filtros necessários.

Filtros rápidos. Vamos para eles então? E vamos rápido!

O sistema de filtração rápida


E os filtros rápidos? Esses são assim chamados por terem uma taxa de filtração muito
elevada, da ordem 120 a 360 m3/m2/dia, dezenas de vezes maior, do que aquela dos fil-
tros lentos. As grandes cidades os exigiram. Os filtros lentos não atenderiam à demanda das
grandes populações devido a sua pequena vazão. Seriam necessárias extensas áreas para
abrigar a quantidade desses filtros requeridos e áreas nas metrópoles são caras demais.

Você certamente encontrará nas diversas ETAs do país, diferentes composições e dis-
posições dos materiais filtrantes utilizados nos filtros rápidos. Eles podem ser construídos
com uma camada dupla de areia e cascalho, igualmente a um filtro lento; ou com uma
camada tripla constituída de antracito, um carvão mineral; de areia; e não raro de uma ter-
ceira, de cascalhos, ou pedregulhos, ou seixos, como queiram chamar as pedras britadas.

A diferença para o filtro lento está na medida das espessuras de suas camadas, na
granulometria de seus grãos, na construção de um fundo falso sob a camada de suporte,
e ainda no sistema de lavagem.

Do mesmo modo que tomamos um modelo para destrinchar a anatomia do filtro lento

Tratamento de Águas e Efluentes


faremos também com um modelo de filtro rápido. Você pode observar neste filtro do nosso
modelo que as camadas filtrantes são constituídas de areia e pedregulhos.

73

Figura 34 – Desenho esquemático vertical de um filtro lento


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Image004.gif>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Vamos por partes. Observe que a altura entre a superfície do leito de areia e a superfície
da água está sugerida de um a dois metros; a altura da camada de areia de 0,60 a 0,80
metros; e a altura da camada de pedregulho estratificado de 0,30 a 0,60 metros. De acor-
do com cálculos de engenharia hidráulica a altura do fundo falso pode ser de 0,50 a 0,90
metros, de acordo com o projeto do filtro de Azevedo Neto et al (2003). Você absorveu que
na filtração lenta a formação da Schmutzdecke propicia as condições adequadas para a
filtração biológica. No entanto, essa mesma película biológica faz com que a filtração me-
cânica ocorra com maior intensidade no topo da superfície do filtro; evento esse causado
pelo pequeno tamanho efetivo dos grãos da areia (0,25 a 0,35 mm) que não permite um
escoamento fácil daquelas impurezas. E o que acontece com essa percolação durante a
filtração rápida?
O tamanho efetivo dos grãos da areia do filtro rápido, também de acordo com a NBR
12.216/1992, é de 0,45 a 0,50 mm, e, portanto, permite que a retenção das impurezas
ocupe o meio filtrante ao longo de toda a sua profundidade; e o coeficiente de uniformida-
de de cerca de 1,6 metros. Agora, você vai conhecer a classificação desse tipo de filtro de
acordo com o comportamento hidráulico. Como assim? Comportamento hidráulico?

Você conhece?
Coeficiente de uniformidade (U): é a relação entre o diâmetro da aber-
tura da peneira que permite a passagem de 60% (D60) do material po-
Tratamento de Águas e Efluentes

roso, e é a abertura da peneira que permite a passagem de 10% (D10)


do mesmo material: (U = dp60/ dp10). Quanto menor o valor de U, mais
uniforme será o material, mais profunda será a retenção das impurezas
e maior será a carreira de filtração (tempo decorrente entre uma limpeza
e outra do filtro).

74 O sistema de filtração rápida em função do


comportamento hidráulico
Se o fluxo da água a ser filtrada percorre as camadas filtrantes de cima para baixo, o
filtro é considerado como de fluxo descendente; e se o fluxo for de baixo pra cima ele é
considerado de fluxo ascendente. Seja qual for o tipo de filtro rápido, sua carreira de filtra-
ção (tempo de operação entre uma lavagem e outra) situa-se entre 20 e 30 horas. Neste
tempo, ocorre progressiva perda de carga e diminuição de sua capacidade de filtração
porque seus interstícios entre os grãos estão sendo obstruídos e é preciso que passe por
Interstício: peque- um processo de lavagem.
no intervalo entre
as partes de um Você deve estar se perguntando. Como se realiza essa lavagem? Volte até a imagem
todo; que separa
anterior. Observe que no lado direito do filtro existe uma tubulação de água de lavagem
moléculas, células,
no nosso caso, os que desce e entra na câmara do fundo falso. Em contracorrente a água provoca uma tur-
grãos do filtro.
bulência suficiente para desprender as impurezas retidas nos grãos do leito filtrante. Até aí
está entendido? A água sobe, desprende as partículas e fica suja. Não é assim? E depois?
Bom, depois ela transborda para uma calha, que a direciona de volta ao início da estação
como água bruta para ser repurificada. Veja na imagem a lavagem de um filtro rápido em
funcionamento com a água fluindo para a calha coletora.
Figura 35 – Lavagem de um filtro rápido na ETA Gravatá em Campina Grande/PB
Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/lavando2.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Tratamento de Águas e Efluentes


As características dos sistemas de filtração
lenta e rápida
Vamos resumir as principais características dos sistemas de filtração lenta e rápida,
com o objetivo de fixar ainda mais o nosso conhecimento.

Parâmetro Filtro Lento Filtro Rápido


Taxa de filtração Até 6 m3/m 2/dia. 120 a 360 m3/m 2/dia
Profundidade (espessura) do leito
0,90 a 1,10 metro
0,60 e 0,80 metro 75
filtrante de areia
Tamanho efetivo de grãos 0,25 a 0,35 mm 0,45 a 0,50 mm
Coeficiente de uniformidade Menor que 3,0 1,4 a 1,6
Duração da carreira de filtração
20-60 dias 1-3 dias
(tempo) entre limpezas
Penetração da matéria em suspensão Superficial Profunda

Método de limpeza Raspagem da camada superficial Lavagem a contracorrente

Tratamento químico Nenhum Na coagulação

Profundidade do leito de areia 0,90 a 1,10 metro 0,60 a 0,80 metro

Profundidade do leito de cascalho 0,25 a 0,50 metro 0,30 a 0,60 metro

Quadro 1 – Características dos filtros lentos e rápidos


Fonte: autoria própria (2014).

E essa água filtrada? Qual o seu destino? A água clarificada, após a filtração, pode até
parecer limpa, porém ela ainda possui remanescentes de impurezas incluindo microorga-
nismos que podem ter potencial de afetar a saúde humana. Em razão desse fato, ela fluirá
para mais uma etapa de tratamento na qual se eliminará eventuais agentes patogênicos
ainda presentes: a desinfecção.
O sistema de desinfecção do tratamento da
água bruta
Observe nesse esquema fluxométrico do tratamento da água bruta, que a última etapa
é a sua desinfecção, antes de poder ser distribuída à população.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 36 – Esquema fluxométrico de uma ETA até o processo de desinfecção


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/Image001.gif>.
Acesso em: 28 out. 2014.

O sistema de desinfecção de uma água bruta consiste na adição de agentes quími-


cos desinfetantes e esterilizantes, com a finalidade de remoção ou eliminação de microor-
ganismos patogênicos presentes na água, capazes de causar várias doenças. Dentre as
substâncias químicas utilizadas nesta etapa do tratamento da água podemos elencar, por
76 exemplo, o hidróxido de cálcio/sódio, o cloro, o flúor e o ozônio; e também como eficiente
esterilizante, a radiação ultravioleta.

As substâncias químicas do sistema de


desinfecção do tratamento da água bruta
Antes de estudarmos a caracterização das substâncias do sistema de desinfecção, pre-
cisamos saber a diferença entre um desinfetante e um esterilizante. A desinfecção exter-
mina microorganismos, porém existem algumas formas contra as quais nem sempre tem
ação efetiva, como por exemplo, esporos de bactérias. A cal hidratada, o hidróxido de cálcio
Ca(OH)2 é um exemplo de substância com função desinfetante, além de possuir a capaci-
dade de corrigir o pH da água; ao contrário da esterilização, que é um processo químico ou
físico que realmente elimina todos os tipos de vida.

Para a execução dessa etapa utilizam-se equipamentos que necessitam ser especifica-
dos e dimensionados; há a necessidade da seleção do tipo do desinfetante a ser aplicado;
de se calcular a dosagem correta a ser ofertada; de se verificar a demanda em diferentes
ocasiões, dentre outros.
O cloro, o flúor e o ozônio usados no tratamento
da água bruta
A substância desinfetante/esterilizante mais utilizada nas estações de tratamento de
água é o cloro, em diversas formas como o cloro gasoso (Cl)2, o dióxido de cloro (ClO2), o
hipoclorito de cálcio [Ca(ClO)2], ou sódio (líquido/sólido).

O cloro tem uma vantagem sobre vários outros tipos de desinfetantes que você
precisa levar sempre em conta: além de ser um produto de alta viabilidade econômica,
quando adicionado à água, em suas diversas formas, apresenta concentrações residuais
que permanecem na água, até esta chegar na casa do consumidor final, garantindo o seu
padrão microbiológico. Tudo isto que estamos falando se resume na certeza de que a água
que vamos beber está pura. Agora vamos saber sobre o flúor.

Tratamento de Águas e Efluentes


O flúor é um desinfetante também elencado por nós e utilizado na etapa do tratamento
da água. A sua aplicação contribui para a redução da incidência de cárie dentária em até
60%, se as crianças ingerirem desde o seu nascimento quantidades adequadas do íon flu-
oreto (CHAVES, 1977). No Brasil há a recomendação de uma concentração a ser usada da
ordem de 0,6 a 0,7 mg/L. Acontece que esse valor pode variar de acordo com a variação
das temperaturas locais podendo alcançar 0,8 mg/L. A Sabesp, Companhia de Saneamen-
to Básico de São Paulo, adiciona flúor em sua água e a distribui a partir de tanques de
armazenamento. 77

Curiosidade
O flúor, veiculado pela água, é absorvido pelo organismo e exerce
efeito no fortalecimento dos dentes. Para a fluoretação, os derivados
do flúor mais utilizados na fluoretação são o fluorsilicato de sódio ou
ácido fluorsilícico.

Eu preciso que você preste muita atenção sobre esse desinfetante com o qual vamos
trabalhar agora, o ozônio, porque ele é o meio mais potente no processo de desinfecção
para tratamento de água. Você sabe o que é o ozônio? Temos que conhecer um pouquinho
de química básica para chegarmos ao ozônio. Mas, não é nada de complicado.

O oxigênio que existe na nossa atmosfera, esse mesmo que nós respiramos, toma
conta desse céu azul na forma de uma molécula composta de dois de seus átomos, o que
chamamos de molécula di-atômica, (O2); A molécula de oxigênio (O2) é formada pelo com-
partilhamento de dois pares eletrônicos por cada átomo da ligação.

A nossa atmosfera tem várias camadas. Nós estamos mergulhados na primeira, a tro-
posfera. Acima dela está a segunda camada, a estratosfera, que se eleva até à fronteira da
camada de ozônio, em vermelho, que você visualiza na imagem.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 37 – Camadas da atmosfera


Fonte: <http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2009/02/
camadas-da-atmosfera-300x196.jpg>. Acesso em: 28 out. 2014.

78 Nessa camada, o ar é muito leve e a maioria do oxigênio flutua como átomos separados,
porque a radiação ultravioleta da luz solar bombardeia e divide a molécula di-atômica (O2),
muito comuns na camada de baixo da nossa troposfera. Também resultam átomos livres
de oxigênio a partir de óxidos de enxofre ou nitrogênio para a formação de moléculas de
oxigênio com três átomos, o ozônio (O3). O ozônio formado absorve a radiação ultravioleta
e libera novamente as moléculas diatômicas e os átomos livres, num refazimento do ciclo,
que se continua e se continua. Entendeu?

Figura 38 – Moléculas e átomos de oxigênio reagindo para formar o ozônio


Fonte: <http://www.explicatorium.com/images/formacao_molecula_ozono.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.
Mas o ozônio também se forma nessa nossa troposfera. Durante as tempestades ele é
produzido em grandes quantidades devido às elevadas descargas elétricas provenientes
dos relâmpagos.

Então, já aprendemos como fabricar o ozônio. É só descarregar uma corrente elétrica


num ambiente saturado de oxigênio que ela quebra as ligações das suas moléculas for-
mando ozônio em consequência, numa reprodução do que faz a natureza. Na verdade,
esse processo industrial é denominado de efeito corona.

Curiosidade

Tratamento de Águas e Efluentes


No campo da eletricidade, descarga de corona, ou efeito corona (ME-
TCALF; EDDY, 1991), ocorre quando uma descarga elétrica silenciosa
produz uma forte ionização do ar nas proximidades de um condutor,
e faz surgir uma luminosidade azulada nos pontos onde o raio de cur-
vatura seja muito pequeno. O oxigênio liberado por esse efeito produz
as moléculas triatômicas do ozônio. E esse fenômeno é muito comum
em linhas de transmissão com sobrecarga.

79

Eu sei que agora você está querendo saber como o ozônio destrói os microorganismos
presentes na água e porque ele é mais letal do que o cloro, acertei? Vou te explicar, o cloro
penetra na bactéria por difusão, através da sua membrana e atua sobre elementos vitais
como o DNA e RNA. O ozônio destrói a parede celular e elimina os microorganismos em
tempo muito menor, ação que você pode acompanhar na montagem mostrada na imagem.

Figura 39 – Bactéria sadia (1); Parede celular da bactéria sendo atacada


pelo Ozônio (2); Oxidação da Parede celular da bactéria (3); Ruptura e
destruição da bactéria (4,5,6)
Fonte: <http://www.snatural.com.br/img/image008(5).jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.
Importante
Numa comparação com o cloro, o ozônio é 20 vezes mais efetivo; 100
vezes mais solúvel; tem um espectro bactericida mais amplo; é efetivo
contra vírus; não tem efeito residual, enquanto que o cloro deixa resíduos
que formam compostos tóxicos (DANIEL; CAMPOS, 1992.

A radiação ultravioleta usada no tratamento da


água bruta
Tratamento de Águas e Efluentes

A radiação ultravioleta também é utilizada como instrumento no processo de purifica-


ção da água bruta. O que é radiação ultravioleta? Está bem, eu vou lhe responder de uma
maneira breve, mas suficiente para o entendimento nesse momento. Para conceituarmos
esse tipo de radiação temos que entender da radiação eletromagnética, a qual se constitui
de ondas que se autopropagam pelo espaço. Parte de todo o espectro e é conhecida como
faixa de radiação da luz visível, aquela vista pelos olhos dos animais. Vamos direto para a
classificação dessa radiação eletromagnética de acordo com a frequência das ondas em
80
ordem crescente de sua duração (T): ondas de rádio, micro-ondas, radiação terahertz (raios
T), radiação infravermelha, luz visível, radiação ultravioleta, raios X e raios gama.

A radiação ultravioleta (UV) ou raio ultravioleta é a radiação eletromagnética com um


comprimento de onda menor que a da luz, visível e maior que a dos raios X, como se cons-
tata na imagem.

Figura 40 – Radiação eletromagnética mostrando a


luz visível e a radiação UV
Fonte: <http://bussoladeplasma.files.wordpress.com/2013/02/uv.png?w=630>.
Acesso em: 28 out. 2014.
Olha aí a radiação UV com o seu comprimento de onda entre 100 e 400 nanômetros
(1nanômetro [nm] = 0.000000001 metro).

Observe que ela está classificada em UV- A (400/315 nm), UV- B (315/280 nm) e em
UV- C (280/100 nm). É importante sabermos essa classificação porque quanto menor o
comprimento de onda maior será a ação letal da radiação. Assim, a radiação UV - C tem
maior poder energético. Tanto poder que a natureza impede que ela chegue naturalmente
Nanômetro
do sol até à superfície do planeta. Mas ela pode ser produzida artificialmente, e aqui che- (milimicro): é uma
gamos ao uso dessa radiação para esterilização da água. subunidade do
metro, correspon-
Para tanto basta expô-la à radiação UV - C, que ela atuará como um potente germi- dente a 1×10−9
metro, ou seja,
cida sem afetar a qualidade da água, sem causar efeito residual na rede de tubulação um milionésimo
e superando, em eficiência, desinfetantes químicos no combate aos microorganismos, de milímetro ou
um bilionésimo do

Tratamento de Águas e Efluentes


incluindo os vírus. metro. Tem como
símbolo nm.

Inovações tecnológicas para tratamento de água


Eu sei, você sabe, todos sabemos que a aplicação de novas tecnologias é a solução
mais adequada para que o processo de purificação da água bruta seja cada vez mais efi-
caz. E a cada dia novas técnicas são desenvolvidas e aperfeiçoadas, porém nem sempre
já estão disponíveis para usufruto da população; as razões são as mais variadas, custos
altos ou técnica ainda em desenvolvimento ou outros motivos. No entanto, algumas delas
81
estão em operação mesmo em escala de menor alcance, a exemplo da flotofiltração, des-
mineralização por troca iônica ou dessalinização por osmose reversa, entre outras. Você as
conhece? Vamos conhecer agora!

Método da Flotofiltração
A flotofiltração é uma tecnologia de clarificação e filtração de água por ar, dissolvido
para fins de potabilidade ou industriais, que une os processos de coagulação, floculação,
flotação e filtração, já conhecidos por você. Os aperfeiçoamentos adicionados a essas téc-
nicas é que proporcionaram maior eficácia na separação de partículas com baixa densida-
de, como bactérias, algas, cistos de protozoários e flocos de hidróxido de alumínio ou ferro,
resultantes do processo de coagulação; além de também remover cor e turbidez.

Esses sólidos tão leves constituem um sério problema para os processos convencio-
nais, pois são de difícil decantação. Por isso, a flotação por ar dissolvido se torna uma
alternativa tão atrativa para obter-se a potabilidade da água bruta.
Vamos entrar um pouco mais nos detalhes dessa tecnologia que se propõe a remover
da água esses sólidos suspensos dissolvidos e partículas de baixa densidade, a partir da
formação de flocos volumosos, porém leves.

O processo se inicia com a água a ser tratada entrando no misturador hidráulico para
receber agentes químicos coaguladores. Com os coagulantes adicionados ela flui para a
unidade de floculação, a qual consiste de um tanque cilíndrico dotado de agitador eletro-
mecânico. Com suas impurezas floculadas, a água chega ao flotofiltro - a unidade de flota-
ção e filtração descendente.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 41 – Estação compacta de flotofiltração


Fonte: <http://www.hemfibra.com.br/site/
82 resource/download/flotfiber.pdf>. Acesso em: 28 out. 2014.

O processo de separação dessas impurezas consiste no seu arraste para a superfície


pela adesão aos flocos de pequeninas bolhas de ar, mas desta vez produzidas pela redu-
Percolar: movimen-
to lento da água ção brusca da pressão da água saturada com ar, proveniente dos tanques de saturação.
no subsolo, ou por
Os flocos se acumularão na superfície formando um manto de lodo, que é periodicamente
entre grãos, ou
fluxo laminar desta raspado. Abaixo deste manto de lodo encontra-se a água, já bastante clarificada que irá
água
cair na unidade de filtração descendente (no interior do flotador) e percolar no material
filtrante, onde será removida alguma partícula remanescente.

Importante
A água saturada com ar é misturada à água floculada numa câmara de
expansão que antecede os flotofiltros, momento no qual o excesso de ar
comprimido dissolvido na água de recirculação se desprende na forma de
microbolha, aderindo quase que instantaneamente aos flocos, que são ar-
rastados à superfície, dando origem a um manto de lodo, periodicamente
removido por raspadores superficiais para descarte e desaguamento.

Método da desmineralização por troca iônica


O tratamento da água com a desmineralização por troca iônica é absolutamente quími-
co. Acontece que a água mesmo submetida aos processos de tratamento por clarificação e
filtração apresenta-se praticamente isenta de sólidos em suspensão, embora ainda não seja

Tratamento de Águas e Efluentes


um composto quimicamente puro, pois apresenta sais e ácidos, além de algumas outras
substâncias dissolvidas. Os sais e ácidos não se dissolvem na água como moléculas, mas
se dissociam nela em partículas bem menores, eletricamente carregadas, chamadas íons.

Muitas indústrias precisam de uma água para seu uso operacional isenta de sais de
cálcio, de magnésio ou de compostos deles. Para se obter uma água com tal qualidade
aplica-se o tratamento da permutação iônica, ou seja, da desmineralização por troca iôni-
ca. Na imagem você conhece as instalações de uma planta de desmineralização por troca
iônica no município de Campo Florido, em Minas Gerais.
83

Adsorção: pro-
cesso pelo qual
Figura 42 – Estação compacta de desmineralização por troca iônica átomos, moléculas
Fonte: <http://www.yete.com.br/yete/images/stories/ ou íons são retidos
sistemas/troca-ionica.jpg>. Acesso em: 28 out. 2014.
na superfície de
sólidos através
de interações de
Por essa técnica os íons dissolvidos na água entram em contato com substâncias só- natureza química
lidas insolúveis pelas quais são adsorvidos e permutados por outros íons. Essa troca de ou física

íons, somente pode ser efetuada com íons de mesma carga elétrica, isto é, cátions por
cátions e ânions por ânions.
As substâncias responsáveis por essas permutas são resinas obtidas sinteticamente,
em forma de pequenos grânulos, com diâmetro da ordem de 0,5 mm, denominadas resi-
nas permutadoras de íons ou, mais comumente, resinas trocadoras catiônicas e aniônicas
(derivadas de poliestirenos) exemplificadas na imagem.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 44 – Resinas permutadoras de íons


derivadas de poliestirenos.
Fonte: <http://www.naturaltec.com.br/images/troca-ionica-cinetica.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Método da osmose reversa


O fenômeno de osmose natural, vital para os sistemas biológicos, envolve a ação da
água quando duas soluções de concentrações diferentes são separadas por uma membra-
84
na semipermeável. Eu lhe falei sobre sistemas biológicos porque me lembrei das nossas
células. A água pura, ou solução diluída, flui para o interior celular, que contém uma solu-
ção mais concentrada, passando por uma membrana impermeável, como você observa
na imagem. Nesse momento, o nível da solução mais concentrada (no interior) fica mais
elevado do que o nível da solução menos concentrada (no exterior). A diferença entre esses
dois níveis denominamos de pressão osmótica. Entendido? E o que seria osmose reversa?

Figura 45 – Imagem ilustrativa do princípio da osmose


Fonte: <http://www.elessia.com/pt/wp-content/uploads/2013/05/OSMOSEpt.png>.
Acesso em: 28 out. 2014.
No caso da osmose reversa o fluxo através da membrana acontece exatamente ao con-
trário: a solução mais concentrada flui no sentido da solução menos concentrada, atraves-
sando a membrana que absorve o sal e componentes nocivos à saúde humana e deixa
passar apenas a água limpa. Porém, é necessário que haja uma pressão superior à pres-
são osmótica do lado da solução mais concentrada. Isso significa que a água pura pode ser
separada de uma água contaminada filtrada através de uma membrana semipermeável,
e que na prática essa pressão requerida pode ser obtida através de uma bomba. Está aí
o princípio da osmose reversa, aliás, é um conhecido processo da dessalinização, o qual
está ilustrado na imagem.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 46 – Imagem ilustrativa do princípio da osmose reversa 85
Fonte: <http://www.elessia.com/pt/wp-content/uploads/2013/05/OSMOSEpt.png>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Mídias
Você aumentará o seu conhecimento sobre o tratamento de água com
o livro Ensaios de Tratabilidade de Água e dos Resíduos Gerados em Es-
tações de Tratamento de Água, da editora Rima, dos professores Luiz Di
Bernardo, Angela Di Bernardo e Paulo Luiz Centurione Filho, que apresenta
suas experiências com ensaios de tratabilidade de águas de abastecimen-
to e dos resíduos gerados nas estações de tratamento. Ao longo dos seis
capítulos são discutidos fundamentos de química, características biológi-
cas, químicas e físico-químicas das águas; sobre os principais produtos
químicos usados no tratamento de água; e sobre os processos, operações
e tecnologias de tratamento.
Resumo
Nesta competência você aprendeu sobre a conceituação da etapa de filtração do tra-
tamento de água bruta, quando conheceu a sua classificação em filtração lenta e rápida;
sobre a caracterização desses sistemas através do estudo do processo construtivo dos
filtros lentos e rápidos; sobre a classificação do sistema de filtração rápida em função do
comportamento hidráulico; aprendeu a distinguir as características dos sistemas de filtra-
ção lenta e rápida; a caracterizar os sistemas de desinfecção à base de hidróxido, cloro,
flúor, ozônio e radiação ultravioleta; e conheceu inovações tecnológicas desenvolvidas para
o processo de tratamento da água bruta.

Autoavaliação
Tratamento de Águas e Efluentes

1. Com relação à altura da camada filtrante de areia não é permitida, conforme a NBR
12.216/1992, a sua espessura não pode ser menor do que___________.

a) 0,90 metros

b) 0,50 metros

c) 0,60 metros

86 d) 0,85 metros

2. Qual a forma geométrica dos grãos de areia de um filtro que demonstrou comprovada
influência na eficácia da filtração?

a) Regular

b) Esférica

c) Oval

d) Irregular

3- Os filtros rápidos são caracterizados por terem uma taxa de filtração com valo-
res entre___________________, dezenas de vezes maior do que aquela dos fil-
tros______________.

a) 100 a 120 m m3/m2/dia; lentos.

b) 120 a 360 m3/m2/dia; lentos.


c) 120 a 360 m3/m2/dia; rápidos.

d) 100 a 120 m m3/m2/dia; rápidos.

4. Dependendo do comportamento hidráulico, o filtro rápido pode ser classificado em:

a) De fluxo horizontal e intermitente

b) De fluxo turbilhonante e vertical

c) De fluxo descendente e ascendente

d) De fluxo contínuo

Tratamento de Águas e Efluentes


5. A etapa de tratamento de uma água bruta que consiste na adição de agentes químicos
desinfetantes e esterilizantes para eliminar agentes patogênicos chama-se:

a) Filtração lenta

b) Osmose reversa

c) Desinfecção

d) Filtração rápida

87
Competência
05 89

Caracterizar
o Esgoto Sanitário
Caracterizar
o Esgoto Sanitário
Chimbote é uma cidade de intensa atividade pesqueira, atualmente com cerca de
400 mil habitantes, a 430 km ao norte de Lima, no Peru. Diariamente, o sol se põe lá
para os confins do Pacífico, por entre os mastros dos barcos de sua frota que balança
defronte ao cais da Baía de Chimbote. Nem tudo, porém, era peixe ou poesia no final dos
anos 80: a população sofria com o saneamento básico extremamente precário. As águas
residuárias não eram tratadas, os esgotos escorriam com excrementos pelas ruelas e a

Tratamento de Águas e Efluentes


água para o consumo cotidiano, em grande parte, chegava através de caminhões que a
traziam de origens bem duvidosas. O povo clamava por uma mudança daquelas condi-
ções, mas o governo nunca que lhe atendera.

Em janeiro de 1991, Maria de la Soledad amanheceu com uma diarreia aguda. Mais
tarde vieram os vômitos. Em poucos dias foi perdendo peso e começou a sentir câimbras
com frequência. Seus vômitos constantes entravam nas tubulações e se despejavam nas
ruas e chegavam às águas das praias. Os olhos escuros e brilhantes de Maria de La So-
ledad pouco a pouco foram perdendo sua cintilação, até que um dia ficaram turvos como 91
as águas de Chimbote. Sua família também adoeceu. Seus vizinhos também adoeceram.
As ruas adoeceram. A cidade adoeceu. Em mais um pouco de tempo e milhares estavam
mortos. De Maria de La Soledad ficou apenas a soledad. Chegara o vibrião da cólera.

Nesta competência você vai aprender a conceituar esgoto sanitário e a determinar a


constituição de suas impurezas de acordo com a natureza física, química e biológica; assim
como caracterizar as impurezas de natureza física com potencial de alterar a qualidade
das águas; as impurezas de natureza química classificando-as em substâncias orgânicas
e inorgânicas; e as impurezas de natureza biológica classificando-as em heterotróficas e
autotróficas. Identificará e classificará também a microbiota das águas residuárias.

O esgoto sanitário
Eu sei que você já observou inúmeras vezes a água que utilizamos em nossa residên-
cia ou em casas comerciais misturar-se aos detergentes, aos sabões, às gorduras, às
fezes e urina e a muitas outras substâncias, antes de sumir nas tubulações das instala-
ções hidráulicas. Essa água, antes tão limpa e agora tão alterada na sua composição, é o
que chamamos de esgoto sanitário ou doméstico. Mas, eu gostaria que nós tivéssemos
um real aprendizado sobre a conceituação desse resíduo líquido.

Eu poderia lhe pedir que fizesse uma pesquisa sobre essa definição para discutirmos
esse tema um pouco mais adiante, porém, quero compartilhar essa missão com você.
Sendo assim, procure saber o que o Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA),
Esgoto doméstico:
dispôs sobre o assunto e eu buscarei esse conceito em outras fontes. Combinado?
despejo líquido re-
sultante do uso da
água para higiene e
necessidades fisio- A água que utilizamos em nossa residência, ou em casas comerciais, misturar-
lógicas humanas.
-se aos sabões, aos detergentes, às gorduras, às fezes e urina, e a muitas outras
substâncias, antes de sumir nas tubulações das instalações hidráulicas. Essa
água, antes tão limpa e agora tão alterada na sua composição, é o que chama-
Tratamento de Águas e Efluentes

mos de esgoto sanitário ou doméstico.

Vejo que encontrou uma Resolução do Conama que faz referência à definição de esgo-
to sanitário. Vamos analisá-la? Resolução Conama Nº 430, de 13 de maio de 2011, que
dispõe sobre as condições e padrões de lançamento de efluentes, complementa e altera a
Resolução Conama Nº 357, de 17 de março de 2005. Aqui está: Capítulo I (Das Definições),
Artigo 4º, VII: esgotos sanitários são uma denominação genérica para despejos líquidos
residenciais, comerciais, águas de infiltração na rede coletora, os quais podem conter par-
92
cela de efluentes industriais e efluentes não domésticos.

Observe que além das águas residuais sobre as quais já nos referimos, essa definição
inclui águas de infiltração, conforme ilustrado na imagem. Você saberia dizer que águas
são essas? Claro que sim, mas vou me adiantar porque preciso fazer uma complementa-
ção sobre elas: seriam todas as águas provenientes do subsolo, indesejável ao sistema
separador e que penetra nas canalizações.

Figura 47 – Água residuária formada por esgoto


doméstico, industrial e águas de infiltração.
Fonte: <http://images.slideplayer.com.br/2/366609/slides/slide_5.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.
A complementação a qual me referi diz respeito ao sistema separador. Para nossa me-
lhor compreensão sobre o complexo de drenagem urbana, vamos classificar os efluentes
em doméstico, industrial e pluvial. E esse complexo de drenagem pode constituir-se de
um sistema unitário, com a função de encaminhar os esgotos pluviais, domésticos e in- Pluvial: relativo à
dustriais para um único coletor, mas com custos de implantação muito elevados devido à chuva

necessária tecnologia de tratamento ou de um sistema coletor misto, que recebe o esgoto


sanitário e uma parte de águas pluviais, cuja implantação requer um custo menor, porém
tem a desvantagem da possibilidade de extravasamentos e/ou rompimentos das tubula-
ções em épocas chuvosas, ou de um sistema separador no qual os esgotos domésticos,
industriais e pluviais são coletados de forma individualizada.

Tratamento de Águas e Efluentes


93

Figura 48 – Sistema coletor misto que recebe o esgoto


sanitário e uma parte de águas pluviais
Fonte: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAAisAAJ-9.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.

Eu e você definimos esgotos sanitários através da Resolução Conama nº 430/2011 e a


Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em sua norma NBR 9.648/86, conceitua
esgoto sanitário como o despejo líquido constituído de esgotos doméstico e industrial, água
de infiltração e a contribuição pluvial parasitária. E você deve estar se perguntando, o que
seria contribuição pluvial parasitária? É a parcela do escoamento superficial das águas das Contribuição
chuvas, absorvida pela rede de esgoto sanitário. Como isso é possível? Através de ligações pluvial parasitária:
parcela de despe-
de tubulações pluviais de residências ou condomínios à rede de esgoto; de ligações abando- sa fluvial superfi-
nadas; de interligações de galerias de águas pluviais à rede de esgoto e por aí vai. cial absorvido pela
rede coletora de
esgoto sanitário.
Importante
Os esgotos domésticos, normalmente, são constituídos de líquido (apro-
ximadamente 99,9%) e o restante (0,1%) de material sólido (VON SPER-
LING, 1996), caracterizado por matéria orgânica e minerais em solução
e suspensão, além de uma microbiota composta por bactérias e outros
Microbiota: organismos patogênicos e não patogênicos. Essa composição dependerá
comunidade de mi- dos usos das águas de abastecimento e varia com o clima, os hábitos e
croorganismos que
habita determinado as condições socioeconômicas da população, assim como da presença
ecossistema. de efluentes industriais, infiltração de águas pluviais, etc. Quase sempre
Tratamento de Águas e Efluentes

fazem parte de sua constituição objetos de higiene pessoal, tecidos, ca-


belos, e outros materiais.

Atividade 01
94
Quais os tipos de sistemas coletores das drenagens urbanas com relação
aos efluentes domésticos, industriais e pluviais? Comente sua resposta
em nosso fórum.

A constituição física, química e biológica do


esgoto sanitário
Nós iremos trabalhar com os métodos aplicados para a retirada dos efluentes domésti-
cos (esgotos) os seus constituintes de natureza física, química e biológica, com o objetivo
de devolver à água suas condições originais. Ou próximo dessas condições, de maneira
que ela possa ser reaproveitada ou não causar qualquer impacto ambiental negativo ao
corpo receptor. Mas, antes vamos conhecer os compostos que formam esses esgotos, e
preciso que você assimile e aprenda, pois esse será um conhecimento crucial para o en-
tendimento das etapas de seu tratamento.

Já aprendemos que o esgoto sanitário é formado por águas parasitárias, de infiltrações,


e residuais, oriundas de residências, condomínios, bares, restaurantes, aeroportos, rodovi-
árias, hotéis, farmácias, shoppings, hospitais, postos de saúde, escolas; além de despejos
industriais, previamente tratados e enquadrados aos padrões de lançamento na rede pú-
blica. Sim, mas quais são mesmo esses constituintes? Você deve estar perguntando.

As impurezas de natureza física


Ao fazermos referência aos constituintes de natureza física, você pode até imaginar que
estaríamos falando apenas sobre latas, garrafas plásticas, tecidos, papelões, objetos de
uso pessoal. Na verdade, estamos querendo determinar nesses efluentes, quais substân-
cias afetam as características da água, a exemplo da cor, da turbidez, dos níveis de sólidos
em suas diversas frações, da temperatura, do sabor e do odor, independentemente de sua
natureza química ou biológica. Por exemplo, que partículas sólidas suspensas ou em esta-

Tratamento de Águas e Efluentes


do coloidal alteram essas características, sejam orgânicas ou inorgânicas?

Estado coloidal? Está bem. Então, antes de continuar nossos estudos vamos entender
o que são esses colóides, pois têm grande importância na composição dos esgotos (já
temos um conhecimento prévio sobre partículas coloidais desde a competência 3, quando
estudamos a caracterização das partículas sólidas das impurezas da água bruta). Eles são
micropartículas com dimensões da ordem de micra, dispersos no efluente e representa-
dos, dentre outros, por resíduos de sabonetes, xampus, cremes de barbear ou dentais,
produtos de maquiagem, cosméticos, leite, café, manteiga, maionese, sangue, mel, cre- 95
mes vegetais, géis, queijos, geleias de frutas.

Curiosidade
Nas soluções coloidais as partícu-
las dispersas estão em movimen-
to constante e irregulares e não se
depositam sob a ação da gravida-
de. Os colóides dispersam forte-
mente a luz, pois as partículas dispersas têm tamanhos semelhantes
ao comprimento de onda da luz visível. Este fenômeno é chamado
Efeito de Tyndall e permite distinguir as soluções verdadeiras das so-
luções coloidais, pois as primeiras são transparentes, e não disper-
sam a luz (solução amarela).
Nesta constituição de natureza física dos esgotos sanitários, também são encontrados
outras substâncias como a celulose (das fábricas de papel), anilinas (matéria-prima de
corantes, vernizes e até herbicidas), taninos (dos curtumes); além de areia, silte, argila,
detritos orgânicos.

As impurezas de natureza química


Você também há de concordar que a composição química do esgoto sanitário depende-
rá do local de sua origem (residências, condomínios, indústrias, etc.) e até das condições
socioeconômicas da comunidade. Porém, de um modo geral, com relação à constituição
dessas impurezas, irá descobrir que elas são representadas por substâncias orgânicas
e inorgânicas solúveis. No dia em que você fizer ou acompanhar uma análise de deter-
Tratamento de Águas e Efluentes

minação dessa fração orgânica, concluirá que os compostos mais comuns ali presentes
serão proteína e amido, oriundos de fezes humanas; uréia, ácido úrico, provenientes de
urina; gorduras, com origem nas cozinhas e fezes humanas; fenóis, comuns nos efluentes
de indústrias de detergentes (TAKAMATSU, 1995; PETROVIC, 2000), corantes, cosméticos,
produtos farmacêuticos (SANTOS, 2004), de processos agroindustriais (LUIZ et al, 2004;
BRUNO, 2007); dentre inúmeras outras atividades.

E a fração inorgânica? De quais substâncias ela se compõe? Certamente você diria que
96 de substâncias minerais, principalmente, e você está correto! A matéria inorgânica contida
nos esgotos é realmente formada por minerais dissolvidos mais areia, silte e argila. Essa
areia provém da lavagem de ruas e de águas de infiltração. Conforme os estudos de Bettiol
(2004), e de Machado (2001), na composição do esgoto sanitário são detectados metais
pesados, substâncias nutrientes, tais como nitrogênio, fósforo, potássio, além de outros ele-
mentos a exemplo do enxofre, do magnésio, do cálcio, do magnésio, do manganês e do ferro.

Lembre-se que o esgoto sanitário se compõe de 99,9% de água e 0,1% de sólidos.


Dessa pequena percentagem de resíduos sólidos, 70% correspondem às substâncias
orgânicas das quais fizemos referência; e 30% às substâncias inorgânicas que acaba-
mos de identificar.

Atividade 02
Por quais substâncias são representadas as impurezas de um esgoto sani-
tário de acordo com a sua natureza química? Responda no fórum.
As impurezas de natureza biológica
Aqui estamos agora para identificar os componentes de natureza biológica presentes
nas impurezas do esgoto sanitário. E conforme Ariovaldo Nuvolari (2011), eles seriam mi-
croorganismos representados por bactérias, fungos, protozoários, vírus, algas e helmintos,
um tipo de verme. Neste momento, você precisa saber que esses microorganismos (que
podemos denominar de microbiota) atuam na natureza com maneiras distintas para obter
energia e poder reproduzir-se: maneiras (ou metabolismos) essenciais para a transforma-
ção das substâncias que compõem o esgoto. E por essas diferenças foram classificados
em heterotróficos, aqueles que se alimentam da matéria orgânica em decomposição, a
exemplo das bactérias, fungos e protozoários; e os autotróficos, aqueles que produzem o
seu próprio alimento, a exemplo das algas.

Tratamento de Águas e Efluentes


Também é fundamental para nossos estudos, o conhecimento de que os microorganis-
mos heterotróficos podem ser aeróbios que utilizam o oxigênio para respiração; anaeró-
bios que vivem em ambientes sem oxigênio e facultativos, que vivem com ou sem oxigênio.

A microbiota nos esgotos sanitários


A identificação das bactérias presentes no esgoto sanitário adquire significativa rele-
vância, porque (além de serem as principais protagonistas do seu tratamento), dentre elas 97
podem proliferar agentes patogênicos, (CEOLATO, 2007). Em pesquisas realizadas já foram
observadas, por exemplo, espécies de Coliformes e Salmonellas, como demonstrou Sil-
va (2009). As bactérias filamentosas, nesse sistema também proliferam, principalmente
quando o sistema torna-se enriquecido com sulfitos e ácido acético, como demonstrou
Jenkin et al (1983).

Figura 49 – Bactérias filamentosas presentes em esgotos sanitários


Fonte: <http://player.slideplayer.com.br/3/1230737/data/images/img23.jpg>.
Acesso em: 28 out. 2014.
E por falar em microorganismos filamentosos presentes em esgotos, não poderíamos
esquecer os fungos, devido a sua importância nas biodegradações do sistema. Eles cons-
tituem um grupo de organismos heterotróficos, eucarióticos (com núcleo definido), despro-
vidos de clorofila, e, portanto, não realizam fotossíntese. São geralmente filamentosos e
multicelulares, possuem parede celular rígida e se reproduzem por meio de esporos. Por
essa sua versatilidade biológica são utilizados em processos industriais, como registrados
por Guimarães et al (2006) e Adrio (2003).

Klein e Paschke (2004) publicaram uma pesquisa na qual demonstraram que apesar
deles possuírem a capacidade de utilizar praticamente qualquer fonte de carbono como
alimento, cada espécie apresenta uma necessidade nutricional diferente.

Muitas espécies foram identificadas taxonomicamente por Ulfig (2007), em seus es-
Tratamento de Águas e Efluentes

tudos, como parte da microbiota dos esgotos sanitários, a exemplo do fungo Aspergillus
fumigatus, mostrado como ilustração na imagem.

98

Figura 50 – Fungo filamentoso da espécie Aspergillus fumigatus


Fonte: <http://www.alunosonline.com.br/upload/conteudo_
legenda/e01a5b5d8b6f64113ddac66eb3e08ee3.jpg>. Acesso em: 28 out. 2014.

Você está fazendo uma viagem fantástica pelo mundo microscópico dos esgotos sani-
tários. Claro que podemos nos deparar com outros organismos, como os protozoários que
se alimentam de bactérias e são sensíveis indicadores biológicos, pois se eles morrem
é porque o ambiente está contaminado com metais tóxicos ou até mesmo os rotíferos,
diminutos organismos multicelulares, cuja presença atesta um eficiente tratamento das
águas residuais. Mas vamos deter um pouquinho mais de tempo, nessa outra importante
impureza de natureza biológica deste mesmo ambiente: as microalgas.

As microalgas
Já falamos sobre as microalgas, mas muito superficialmente. As algas são plantas aquá-
ticas que crescem em águas doces e marinhas, e podem ser macroscópicas e microscó-
picas. As microscópicas são unicelulares, e seu tamanho é medido em micrômetros, a
milésima parte do milímetro. Compõem o plâncton e são consideradas responsáveis pela
produção da maior parte do oxigênio de nossa atmosfera. E além de toda essa importância
para a vida na terra, também formam a base da cadeia alimentar em todos os mananciais
hídricos do planeta. Essas minúsculas plantas foram classificadas em vários grupos como
as cianofíceas, as clorofíceas, as euglenofíceas, as cromofíceas.

Pois bem, de todas as microalgas que habitam as águas residuais, as mais numerosas
pertencem ao grupo das cianofíceas, também conhecidas como cianobactérias (DI BER-
NARDO, 1995). E você saberia a razão pela qual esse grupo de algas predomina sobre
os outros grupos? A razão é que as cianofíceas são adaptadas às condições de poluição,
como as existentes nos esgotos sanitários. Estou lhe mostrando essas ilustrações para que

Tratamento de Águas e Efluentes


reconheça esses organismos quando encontrá-los sob o microscópio.

99

Figura 51 – Células da microalga cianofícea Anabaena circinalis


Fonte: <http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/algas/imagens/ccianob32.jpg>

Mídias
Para ampliar seus conhecimentos sobre os assuntos que compartilhamos
neste estudo, sugiro que você leia o livro Tratamento de Esgotos Domés-
ticos (6ª edição, ABTE) de Eduardo Pacheco Jordão & Constantino Arruda
Pessoa, apresentado em 26 capítulos, os quais abordam o tema de forma
detalhada, dando ao leitor uma perfeita visão das características das águas
residuárias, além de outros assuntos correlatos.
Resumo
Nessa competência você aprendeu a conceituar esgoto sanitário e a determinar a cons-
tituição de suas impurezas, de acordo com a natureza física, química e biológica; caracteri-
zou as impurezas de natureza física com potencial de afetar as características das águas,
a exemplo da turbidez ou da cor; aprendeu sobre como caracterizar as impurezas de natu-
reza química classificando-as em substâncias orgânicas (identificando os seus compostos
mais comuns) e inorgânicas compostas por minerais e areia; sobre as impurezas de natu-
reza biológica classificando-as em heterotróficas (aeróbios, anaeróbios e facultativos) e au-
totróficas. E incrementou seu aprendizado com a identificação e caracterização da micro-
biota das águas residuárias representada por bactérias, fungos, microalgas, protozoários.
Tratamento de Águas e Efluentes

Autoavaliação
1. O enunciado da seguinte definição: denominação genérica para despejos líquidos re-
sidenciais, comerciais, águas de infiltração na rede coletora, os quais podem conter
parcela de efluentes industriais e efluentes não domésticos, corresponde a:

a) Sistema separador

b) Águas de infiltração
100
c) Esgotos sanitários

d) Aterro sanitário

2. O esgoto sanitário é formado por águas:

a) De ribeirões

b) De rios e estuários

c) Parasitárias, de infiltrações, e residuais

d) De lagoas e açudes

3. A definição: micropartículas com dimensão de até um micrômetro (milionésima parte de


um milímetro) dispersos num efluente, corresponde a:

(a) Moléculas de ozônio


b) Bioflocos

c) Sulfetos

d) Colóides

4. Assinale com um X no respectivo parêntese uma característica de partículas coloidais.

a) São transparentes, e não dispersam a luz

b) Dispersam fortemente a luz

c) Não alteram a qualidade da água

d) São macroscópicas

Tratamento de Águas e Efluentes


5. O esgoto sanitário é constituído por:

a) 40% de substâncias sólidas e 60% de líquidas

b) 20% de impurezas biológicas 80% de químicas

c) 99,9% de água e 0,01% de sólidos.

d) 30% de areia e 70% de líquidos.


101
Competência
06
Conceituar as etapas
do processo convencional de tratamento
de esgotos e efluentes
Conceituar as etapas
do processo convencional de
tratamento de esgotos e efluentes
Sabemos que é preciso haver uma relação bem estreita entre o crescimento de uma
população e o crescimento dos problemas com a saúde pública. Um exemplo contun-
dente desse fato, a história nos ensina, foi o crescimento populacional da Londres, e de
outras cidades inglesas, no século XIX, a partir do advento da Revolução Industrial. Em

Tratamento de Águas e Efluentes


consequência, surtos epidêmicos de doenças relacionadas à falta de higiene, de sanea-
mento básico, tornaram-se recorrentes. Temos que ter em mente, no entanto, que naque-
la época se desconhecia o mundo da microbiologia e a correlação entre certas doenças e
qualidade das águas. Porém, foi nessa mesma época, e diante dos cenários calamitosos,
que a Inglaterra iniciou pesquisas no âmbito do saneamento básico. Em decorrência
surgiram as primeiras medidas saneadoras: os esgotos começaram a ser lançados em
galerias pluviais dando origem ao sistema unitário de drenagem.

No Brasil, na metade daquele século, em 1857, o imperador D. Pedro II mandou


105
construir a primeira rede de esgotos do país, no Rio de Janeiro, como historiou Nuvolari
(2011). Apesar desse pioneirismo o Brasil perdeu a corrida nesse tipo de desenvolvi-
mento. Vinte e dois anos após a ação pioneira do imperador, em 1879, em Memphis no
Tenessee, EUA, instalou-se o sistema separador com construções de canalizações exclu-
sivas para esgotos, como relatou Azevedo Netto, em 1993. A partir daí, os países mais
desenvolvidos na época principiaram o tratamento dos esgotos urbanos.

O Brasil estancou durante cem anos no campo do saneamento básico. Somente a


partir dos anos 1970 se iniciaram tímidas ações no sentido do tratamento das águas
residuais. Tão tímidas que até hoje não andam, apenas se arrastam como se fossem
atores desimportantes no cenário da administração pública.

Nesta competência você irá determinar a necessidade ou não de se instalar um sis-


tema de tratamento de esgoto numa determinada localidade; aprenderá a conceituar a
demanda biológica de oxigênio (DBO) e reconhecerá as tecnologias para a remoção das
impurezas dos efluentes sanitários e as diferentes tecnologias para desinfectar as águas
dos esgotos em etapas definidas do processo convencional do seu tratamento.
A instalação de sistemas de tratamento de esgotos
Eu vou lhe fazer uma pergunta que pode até parecer estranha, mas ela tem uma razão
de ser. Todo esgoto sanitário bruto, isto é, sem qualquer tratamento, lançado num corpo
receptor (rio, estuário), poderá causar uma poluição que ameace a saúde pública ou o am-
biente? Vamos refletir um pouco antes de responder.

Na verdade, nem sempre. Tudo vai depender da relação que exista entre a carga poluente
e a vazão do rio, por exemplo. Se as vazões máximas de esgoto lançadas forem significativa-
mente menores do que as vazões do rio ocorrerão processos de diluição, os quais evitarão
impactos letais ao ambiente. Neste caso, precisará que a comunidade existente às margens
desse rio, instale um sistema de tratamento desse esgoto? Claro que não. Não será necessá-
rio gastar o dinheiro do contribuinte. Porém, você, como consultor do prefeito para assuntos
Tratamento de Águas e Efluentes

de meio ambiente, teria que fazer ponderações e informar que pelo menos um pré-tratamen-
to com a remoção de sólidos grossos, isso você aconselharia! E para que sua decisão fosse
tecnicamente fundamentada realizaria uma bateria de análises, tanto de natureza hidráulica
como de natureza química e biológica, das águas dos efluentes e do rio receptor.

E agora vamos para o outro lado da questão. E se a vazão do corpo receptor for menor
que a vazão dos efluentes sanitários? Então, você já saberia o que fazer: instalar um siste-
ma de tratamento dos efluentes do esgoto sanitário.

106
A Estação de Tratamento de Esgoto (ETE)
Em algum momento você verá a sigla ETAR para designar estação de tratamento de
esgotos, e vai questionar: ora, ora, e não era ETE? ETAR significa Estação de Tratamento
de Águas Residuais, enquanto que ETE quer dizer Estação de Tratamento de Esgotos. Tudo
a mesma coisa. A ETE é uma estrutura operacional do sistema de esgotamento sanitário
que trata as águas residuais de origem doméstica/industrial, através de processos físicos,
químicos e biológicos, para a remoção de suas impurezas poluentes. O objetivo da ETE é
devolver ao meio ambiente (rio, estuário, mar) o esgoto purificado em condições de aten-
der os padrões de qualidade exigidos pela legislação ambiental (Resolução nº 357/2005)
(CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE, 2005).

Atividade 01
Faça uma pesquisa sobre a legislação ambiental que determina os pa-
drões de qualidade do efluente sanitário tratado, que tem de ser devolvido
ao ambiente. Informe sua resposta em nosso fórum.

Você sabe, pelo que estudamos até este momento, que o objetivo do tratamento dos
esgotos é remover a matéria orgânica, os sólidos suspensos, os nutrientes e os organismos
patogênicos neles contidos. Então, nos resta saber quais processos são utilizados para
realizar essa remoção. Antes, porém, vou lhe apresentar um parâmetro de importância
fundamental e de presença permanente no sistema de tratamento dos esgotos.

Tratamento de Águas e Efluentes


O objetivo do tratamento dos esgotos é remover a matéria orgânica, os sólidos
suspensos, os nutrientes e os organismos patogênicos neles contidos.

A Demanda Biológica (ou bioquímica) de


Oxigênio (DBO)
As águas dos mares, dos rios, dos lagos, enfim, dos mananciais hídricos do planeta,
107
possuem oxigênio em dissolução na sua massa, originado da atmosfera e da respiração da
flora aquática. É esse oxigênio que os peixes absorvem para respirar através de suas guel-
ras, e outros seres, como as algas e bactérias, também o utilizam para suas necessidades
metabólicas. Sua quantidade dissolvida na água (concentração) é medida em miligrama
por litro (mg/L). Os esgotos têm pouco oxigênio dissolvido e por essa razão em algumas Metabólicas:
conjunto de trans-
etapas do seu tratamento é necessário injetá-lo artificialmente, como veremos adiante.
formações, num
organismo vivo, pe-
Todo ser vivo é constituído de elementos químicos tais como: carbono, nitrogênio, oxi-
las quais passam
gênio, hidrogênio, fósforo, cálcio, potássio, ferro e muitos outros. E eles formam compostos as substâncias
que o constituem:
mais complexos como: vitaminas, carboidratos, lipídios, aminoácidos, proteínas, os quais
reações de síntese
formam órgãos que compõem os organismos animais e vegetais. E quando um desses (anabolismo)
e reações de
seres vivos morre, toda essa matéria orgânica organizada entra em decomposição. Esse
desassimilação
trabalho de decompor, de degradar a matéria orgânica é realizado principalmente pelas (catabolismo) que
liberam energia.
bactérias (por isso o fenômeno é denominado de biodegradação ou degradação biológica),
fazendo-a retornar aos seus elementos básicos estruturais (carbono, nitrogênio, hidrogê-
nio, oxigênio... com liberação de CO2 e H2O).

Mas para fazer esse serviço as bactérias “cobram uma taxa na moeda” do oxigênio, que
está dissolvido na água (no caso dos ambientes aquáticos). E cobram caro, pois não é um
serviço fácil e rápido, ao contrário, é complexo e muito lento, com a duração de semanas,
meses e até anos, dependendo da estrutura bioquímica da matéria. Para cada quantidade
de matéria orgânica decomposta elas consomem, isto é, respiram, equivalente quantidade
de oxigênio dissolvido; elas exigem, cobram, procuram, demandam essa quantidade de
oxigênio como sua remuneração. É isso que é DBO: a demanda (a procura) biológica (pe-
las bactérias) do oxigênio dissolvido na água. Quanto mais decompõem a matéria, mais
oxigênio procuram para consumir, (quando estudarmos os esgotos industriais especifica-
mente, veremos que ocorre um consumo de oxigênio de natureza química denominada
DQO, demanda química de oxigênio).

A análise da DBO numa amostra de água determina quanto de oxigênio foi consumido
ao longo de um determinado tempo e o valor encontrado é correlacionado como a provável
Tratamento de Águas e Efluentes

quantidade de matéria orgânica decomposta pelas bactérias contida naquela amostra.


Como o processo de degradação orgânica é demorado, com um tempo da ordem de sema-
nas, convencionou-se que um período de cinco dias para observar o consumo de oxigênio
daria uma ideia da quantidade de matéria orgânica contida nas amostras de água (ROCHA;
FAKUDA, 1973).

108
Curiosidade
Os limites legais de concentração da DBO para os corpos de água doce,
de acordo com as suas classes dispostas pela Resolução Conama nº
357/2005 estão discriminados a seguir:

Classes dos Corpos D’água Concentração de DBO (mg/L)


Classe 1 3
Classe 2 5
Classe 3 10

As tecnologias para remoção das impurezas do


esgoto sanitário
O sistema convencional de tratamento do esgoto adota diferentes tecnologias para de-
purar os seus efluentes, cujo fluxo se constitui de etapas bem definidas, iniciando com o
tratamento preliminar ou pré-tratamento, que tem a finalidade de remover os grandes só-
lidos, argila, areia, óleos e graxas, através dos processos de gradeamento e desarenação.

A etapa seguinte do fluxo, o tratamento primário se constitui de processos físico-quí-


micos para a remoção de partículas sólidas pequenas em suspensão, com a utilização
de unidades de floculação/sedimentação, reduzindo a matéria orgânica oriunda do trata-
mento preliminar. Sinto que você está querendo saber sobre aquelas impurezas que não
sedimentam, os óleos e as graxas, por exemplo. Essas substâncias de menor densidade
ainda presentes nas águas efluentes, também são removidas da sua superfície durante
esse tratamento primário.

A terceira etapa consiste do tratamento secundário, no qual acontece a remoção da


matéria orgânica remanescente por meio de reações bioquímicas aeróbias (na presença

Tratamento de Águas e Efluentes


de oxigênio), e anaeróbias, efetuadas por bactérias que não necessitam de oxigênio para
sua respiração. Aproveito o momento para lhe dizer que, comumente, existem três tipos
de equipamentos anaeróbios: o tanque séptico, o filtro anaeróbio e o reator UASB ou de
fluxo ascendente. Vamos dar agora algumas características do tanque séptico e do filtro Reator UASB: é
uma tecnologia
biológico, porque mais adiante iremos nos prender mais detalhadamente sobre o reator de
de tratamento
fluxo ascendente. biológico de es-
gotos baseada na
No tanque séptico, (NBR 13969/1997), ocorrem os processos de decantação (prin- decomposição ana-
eróbia da matéria
cipal ação), flotação, desagregação e digestão parcial dos sólidos sedimentáveis (lodo),
orgânica. 109
onde microorganismos biodegradam parte da matéria orgânica contida no efluente com
consequente formação de gás metano e CO2, como mostrado no desenho esquemático
da imagem. Não é um sistema muito eficiente (removem de 40 a 70% de DBO), mas seu
produto pode ser enviado para um pós-tratamento no qual se complemente a remoção da
matéria orgânica dissolvida.

Figura 52 – Tanque séptico de câmara simples


Fonte: <http://4.bp.blogspot.com/_3nB0hoztg4w/SmJBO4
x8QCI/AAAAAAAAAOA/sttgmsro1QA/s320/septic.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.
E quanto ao filtro anaeróbico? Já conhecemos sua dinâmica desde a competência 4,
quando estudamos o funcionamento do filtro rápido usado no tratamento da água. Nesta
espécie de reator a matéria orgânica é decomposta por microorganismos presentes nas
frestas do leito fixo, através do qual os esgotos fluem e depois apresentam efluentes cla-
rificados e com baixa concentração de matéria orgânica. Conforme dados da Naturaltec
podem alcançar uma eficiência de redução de DBO da ordem de 40 a 70%; sólidos sedi-
mentáveis de 60 a 90%; e de sólidos suspensos superior a 70%. Observe na imagem a sua
anatomia semelhante ao filtro rápido.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 53 – Filtro anaeróbico retangular de fluxo ascendente


Fonte: <http://www.naturaltec.com.br/images/tanque-septico.jpg>.
Acesso em: 29 out. 2014.
110
O tratamento terciário consiste da remoção de poluentes tóxicos ou não, biodegradá-
veis ou eliminação adicional de poluentes não degradados na fase secundária; também
nominado de desinfecção, elimina organismos patogênicos com o uso agentes químicos e
radiações.

Esses processos de tratamento são básicos para o tratamento de efluentes sanitários,


porém temos que ter em mente que diferentes procedimentos podem ser utilizados para
cada situação ou necessidade, que venha a ser apresentada.

Mídias
O livro Princípios Básicos do Tratamento de Esgotos, de Marcos Von Sper-
ling, editora UFMG, é o segundo da série intitulada Princípios do Tratamento
Biológico de Águas Residuárias. Neste volume são abordados conceitos e
princípios básicos associados aos diversos processos e sistemas de depura-
ção de efluentes. A compreensão destes conceitos é de grande importância
para uma visão integrada do tratamento de esgotos. Os tópicos enfocados
contemplam dentre outros, princípios da remoção da matéria orgânica e
princípios de sedimentação.

Resumo
Nesta competência você aprendeu a determinar a necessidade ou não de se instalar
um sistema de tratamento de esgoto numa determinada localidade de acordo com os es-

Tratamento de Águas e Efluentes


tudos de vazão dos efluentes e do corpo receptor; a conceituar a demanda biológica de
oxigênio (DBO), e as tecnologias para a remoção das impurezas dos efluentes sanitários;
e a caracterizar as diferentes tecnologias de depuração das águas dos esgotos em etapas
definidas do processo convencional do seu tratamento.

Autoavaliação
1 - No caso em que a vazão do corpo receptor for menor que a vazão dos efluentes sanitá-
rios de uma cidade, o fato está indicando a necessidade de se instalar um sistema de
111
_______________________________.

a) vazão dos efluentes.

b) tratamento dos efluentes do esgoto sanitário.

c) diluição.

d) análise.

2 - A quantidade de oxigênio consumido na degradação da matéria orgânica no meio aquá-


tico por processos biológicos nomina-se:

a) Demanda química de oxigênio.

b) Biodegradação.

c) Demanda biológica de oxigênio.

d) Decomposição de um ser vivo.


3 - A tecnologia do tratamento de esgoto que tem a finalidade de remover os grandes sóli-
dos, argila, areia, óleos e graxas nomina-se:

a) Decantação.

b) Desinfecção.

c) Pré-tratamento.

d) Floculação.

4 - A terceira etapa do tratamento convencional de efluentes sanitários consiste do


_____________________, no qual acontece a remoção da matéria orgânica remanes-
cente por meio de reações bioquímicas _______________ (na presença de oxigênio), e
Tratamento de Águas e Efluentes

______________, (na ausência de oxigênio).

a) tratamento secundário; aeróbias; anaeróbias.

b) tratamento primário; anaeróbias; aeróbias.

c) tratamento secundário; anaeróbias; aeróbias.

d) tratamento primário; aeróbias; anaeróbias.

112 5- O tratamento de esgotos que elimina organismos patogênicos com o uso agentes quími-
cos e radiações nomina-se:

a) Tratamento secundário.

b) Filtração aeróbica.

c) Filtração anaeróbica.

d) Tratamento terciário.
Competência
07
Distinguir o pré-tratamento
do processo convencional de
tratamento de esgotos
Distinguir o pré-tratamento
do processo convencional de
tratamento de esgotos
O céu de Natal, no estado do Rio Grande do Norte, chovia uma chuva fina, persistente
e fria. O gerente da ETE de Natal e eu fazíamos uma breve inspeção em todas as insta-
lações da estação de tratamento. Desde a afluência do esgoto oriundo dos bairros até o
seu lançamento no rio Potengi, já livre das impurezas que lhe invadira.

Tratamento de Águas e Efluentes


Na etapa de pré-tratamento eu observava o lixo recolhido nas grades de retenção des-
filando na esteira rolante, até cair na caçamba. Não sei bem a razão, mas por um instan-
te eu estava ali, em silêncio, querendo adivinhar as histórias de vida dos ex-proprietários
de cada um daqueles objetos. Uma escova de dente, restos de fraldas, sandália, copos
descartáveis, saco plástico, embalagens de biscoitos, pedaços de papelão, latinhas de
refrigerante, uma pequena boneca de plástico com o rosto já desfigurado, carteiras de
cigarros, recipientes plásticos, um pedaço de madeira, um resto de tecido, um sapato de
criança, folhas de plantas, coisas de todos os tipos...
115
Nesta competência você irá ordenar o processo de tratamento preliminar dos esgo-
tos, o qual contempla inicialmente o sistema de gradeamento. Nessa etapa de tratamen-
to irá classificar os tipos de grades de contenção e comprovar a eficiência do sistema; irá
operacionalizar o processo de desareamento do tratamento preliminar, caracterizando a
caixa de areia desde seu processo construtivo à remoção dos seus sedimentos.

O processo de tratamento preliminar


Você vai acompanhar a partir de agora o fluxo do esgoto bruto durante suas fases de
tratamento a partir de sua chegada na ETE. E o seu aprendizado se dará, inicialmente,
na ETE do Sistema Central de Natal/RN, que tem capacidade de tratar uma vazão média
Afluente: curso de
de 450 litros de esgoto por segundo. No entanto, não nos deteremos tão somente nessa
água, cujo volume
ETE; estaremos presentes em outras estações de outras localidades, observando as di- ou descarga contri-
bui para aumentar
versas etapas de tratamento e eventuais diferenças de equipamentos instalados.
outro, no qual
desemboca.
O afluente vem dos diversos bairros da cidade ao chegar à ETE entra em canais que
o direcionam à primeira etapa de tratamento, a qual recebe a designação de pré-trata-
mento ou tratamento primário.

Essa etapa inicial contempla os processos de gradeamento, desareamento (muitos


autores empregam o termo desarenamento), e medição de vazão. A sua finalidade é
separar os sólidos de dimensões maiores e a areia; proteger bombas, aeradores, ras-
padores de lodo, comportas, válvulas, etc.; reduzir obstruções em canalizações, calhas,
caixas de manobra, poços de elevatórias e pré-condicionar o esgoto bruto de forma favo-
rável aos processos de tratamento secundário e terciário.

O gradeamento remove os sólidos com diâmetro superior a 10 milímetros, como mate-


riais plásticos, embalagens, pedaços de madeira, latas de refrigerantes, animais mortos,
etc. Essas grades são constituídas de barras de ferro, ou aço, paralelas, posicionadas
transversalmente no canal de chegada dos efluentes na estação de tratamento; funcio-
Tratamento de Águas e Efluentes

nam como uma barreira, um macrofiltro para esse lixo presente. Mas, devem permitir o
escoamento dos efluentes sem produzir grandes perdas de carga, e podem ser operacio-
nalizadas manual ou automaticamente. Apenas para fixarmos essas observações vamos
visualizar um desses equipamentos, como mostra o desenho esquemático da imagem.
Observe que o corte lateral no desenho mostra com clareza a parte interna do sistema,
submersa nas águas do afluente do esgoto e também vemos sua parte externa.

116

Figura 54 – Corte lateral de uma grade de retenção de impurezas


Fonte: <http://s3.amazonaws.com/magoo/ABAAAA1MAAE-0.jpg>.
Acesso em: 29 out. 2014.

Observe que o fluxo do canal passa pela grade onde serão retidas as impurezas. Essas
grades são classificadas de acordo de com o espaçamento entre as barras: as denomina-
das grades grossas têm espaçamento de 40 a 100 milímetros; as grades médias de 20 a
40 milímetros; as grades finas possuem espaçamento para partículas com dimensões de
10 a 20 milímetros; e pode se utilizar ainda grades ultrafinas de 3 a 10 milímetros. Todo
o lixo retido nas grades (grossas, médias e finas), cujo aspecto da sua retenção pode ser
visualizado na imagem, é retirado (manual ou mecanicamente) quando a seção obstruída
atinge cerca de 50% do total e posteriormente descartado em local adequado.

Figura 55 – Lixo presente no afluente retido no sistema de gradeamento

Tratamento de Águas e Efluentes


Fonte: <http://4.bp.blogspot.com/-Ve7QCq5E-uc/T04NbfMOHFI/AAAAAAAADL8/
AqKrORiwys0/s320/sacolasplasticasesgoto.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.

Esse sistema de gradeamento possui um dispositivo mecanizado de remoção do ma-


terial retido, que é composto de um rastelo mecânico, tipo pente, cujos dentes (de ferro
ou aço) se entrepõem nos espaços entre as barras da grade. Esse imenso pente de ferro
é acionado por um dispositivo constituído de correntes (ou com mecanismo hidráulico) e
remove as impurezas da grade de retenção.

Como você constata na imagem em seguida, ao chegar na parte superior o material


117
rastelado é depositado sobre uma esteira rolante que o descarrega numa caçamba. De-
pendendo do modelo de operação da ETE, esse material pode sofrer processo de lavagem,
secagem ou ser submetido à ação de substâncias químicas antes do envio a aterros sani-
tários ou incineradores.

Figura 56 – Remoção das impurezas das grades pelo rastelo mecânico


Fonte: <http://www.sigma.ind.br/images/products/foto6113.jpg>.
Acesso em: 29 out. 2014.
Atividade 01
Faça uma breve descrição do processo de gradeamento da etapa de tra-
tamento preliminar do esgoto sanitário e socialize o que você aprendeu
no fórum.
Tratamento de Águas e Efluentes

Curiosidade
A Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, Sabesp,
em 2010 realizou um estudo qualitativo e quantitativo sobre os resíduos
retidos nas grades de contenção. Os resultados mostraram que em grade
grossa (espaçamento de 80 mm) foram retirados 1.300 Kg/mês de resí-
duos dos quais 61% constituíam-se de fibras e fiapos; 21% de tecidos e
celulose; e 18% de plástico/borrachas pré-moldados, cotonetes, elásticos,
118 etc. Em grade média (espaçamento de 25 mm) foram retirados 1000 Kg/
mês dos quais 26% representados por cabelos e fibras indicando significa-
tiva diminuição deste resíduo nesse estágio; e o restante com material de
fraldas descartáveis, absorventes e de panos de limpeza. E em grade fina
(espaçamento de 6 mm) 45% constituíam-se de fibras, 20% de gorduras,
pontas de cigarros (7%), cascas de baratas, embalagens de biscoitos e
outros produtos complementaram a carga coletada.

Para detalhar um pouco mais sobre as grades de retenção, com relação ao espaçamen-
to entre as barras e às suas espessuras, veremos o quadro em seguida.

Tipo de Grade Espaçamento entre Barras (mm) Espessuras Mais Usuais (mm)
10 e 13
40
10 e 13
Grossa 60
80 10 e 13
100
10 e 13
Tipo de Grade Espaçamento entre Barras (mm) Espessuras Mais Usuais (mm)
20 8 e 10
Média 30 8 e 10
40 8 e 10
10 6,8 e 10
Fina 15 6,8 e 10
20 6,8 e 10

Ultrafina < 10 -

Quadro 2 – Tipos de grade, espaçamentos e dimensões das barras


Fonte: autoria própria (2014).

Em relação à eficiência do sistema de gradeamento, vejamos alguns dados revelados

Tratamento de Águas e Efluentes


no Curso de Tratamento de Esgoto da Câmara Técnica de Saneamento (CT-SA), São Paulo,
dos Comitês PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí), resumidos no quadro em seguida e
veremos que, diante dos resultados apresentados, a eficiência aumenta com as barras de
espessura menor e espaçamento maior entre elas.

Eficiência do Sistema de Gradeamento


Espessura das Espaço Entre as Espaço Entre as Espaço Entre as
Barras (mm) Barras (20 mm) Barras (25 mm) Barras (30 mm)
6 75% 80% 83,4%
8 73% 76,8% 80,3%
119
10 67,7% 72,8% 77%
13 60% 66,7% 71,5%

Quadro 3 – Eficiência do Sistema de Gradeamento


Fonte: autoria própria (2014).

O processo de desareamento do tratamento


preliminar
Você vai observar que após a passagem através das grades de retenção, o esgoto livre
dos sólidos de maiores dimensões é direcionado para a etapa seguinte de tratamento, o
desareamento. Esse fluxo está carregando em sua massa de esgoto, areia, argila, além
de partículas menos densas de matéria orgânica. No desareamento serão removidos, em
tanques nominados caixas de areia, os grãos de areia, de diatomita e outros componen-
tes minerais com diâmetro de 0,2 a 0,4 milímetros, através da técnica de sedimentação.
Como já sabemos, a remoção desse tipo de impureza diminui a possibilidade de obstrução
e processos de abrasão nos tanques, tubulações, orifícios e sifões da ETE, além de facilitar
o transporte do líquido. Vamos detalhar esse processo.
No desareamento serão removidos, em tanques nominados caixas de areia, os
grãos de areia, de diatomita e outros componentes minerais com diâmetro de 0,2
a 0,4 milímetros, através da técnica de sedimentação.

A caixa de areia do processo de desareamento


do tratamento preliminar
A caixa de areia é o local no qual acontece a remoção de grãos pelo processo de se-
dimentação dessas partículas. Nela, de acordo com as dimensões e densidades das par-
tículas, decantam ao fundo do tanque. Os formatos dos tanques podem ser retangulares
Tratamento de Águas e Efluentes

ou outras formas, sem aeração e com aeração. Nesse nosso estudo iremos nos deter em
desareadores retangulares e sem aeração. Por exemplo, veja esse croqui da imagem.

120

Figura 57 – Croqui de desareador retangular sem aeração


Fonte: <http://www.dec.ufcg.edu.br/saneamento/es10_11.gif>.
Acesso em: 29 out. 2014.

Observe na figura superior da imagem, vista de cima para baixo, que a caixa tem uma
comporta de entrada do efluente que passou pelas grades de contenção. O seu fluxo é
direcionado no sentido das setas para o medidor de vazão, a Calha de Parshall. E você
vê que existe outro canal em paralelo, canal de reserva, separado por uma divisória, e
detentora de uma comporta de entrada e outra de saída. Essa construção atende a uma
recomendação da norma brasileira NB - 570, para que nos sistemas com remoção manual
do material decantado, (existem sistemas de remoção mecanizada) devem ser projetados
dois canais paralelos, com o objetivo de não se interditar a operação, posto que enquanto
se utiliza um deles, do outro pode se fazer a retirada do sedimento. Na figura, como você
pode constatar, está construído no solo da caixa um depósito para a areia depositada. E
para você ter uma visualização total do conjunto operacional com grades grossas e finas
e caixas de areia, eu lhe trouxe, como exemplo, esse sistema compacto de uma pequena
ETE. (BERTONCINI, 2008).

Figura 58 – Sistema compacto de gradeamento e desareação


Fonte: <http://www.apta.sp.gov.br/estrutura.php>. Acesso em: 29 out. 2014.

Tratamento de Águas e Efluentes


Veja na próxima imagem caixas de areia de uma ETE com grande capacidade de trata-
mento, em funcionamento, com os seus canais em paralelo. Antes de seguirmos o fluxo do
tratamento, eu preciso lhe informar sobre um fator muito importante para o sucesso desse
processo de desareação. Trata-se da velocidade do efluente durante seu trajeto nos canais.

121

Figura 59 – Caixas de areia em funcionamento, com os seus canais em paralelo


Fonte: <http://www.sigma.ind.br/images/products/foto6033.jpg>.
Acesso em: 29 out. 2014.

A velocidade média do esgoto ao longo da caixa de areia tem de ser cerca de 0,30 me-
tros por segundo. Apesar de sofrer variações em sua vazão, ela é mantida através de uma
Calha de Parshall instalada ao final do canal, em sua jusante.

Não iremos mais nos estender sobre a Calha de Parshall, pois a estudamos suficiente- Jusante: o sentido
da correnteza num
mente na competência 3, quando vimos a etapa de coagulação do tratamento da água bru- curso de água (da
ta. Então, voltando ao fluxo do esgoto no canal da caixa, você saberia dizer uma razão para nascente para a
foz).
que essa velocidade média se obrigue a permanecer em cerca de 0,30 metro/segundo?

Acredito que sim, mas vamos juntos resolver o enigma. O que aconteceria se a
velocidade do fluxo caísse abaixo de 0,15 metro/segundo? Lembra-se que um dos cons-
tituintes do efluente são partículas de matérias orgânicas, menos densas que os grãos
de areia, e deverão ser removidas em etapa posterior? Pois bem, na velocidade de 0,30
metro/segundo essas partículas não decantam, porém ao cair a velocidade para menos de
0,15 metro/segundo a matéria orgânica vai ao fundo e entra em decomposição liberando
odores mal cheirosos. E se a velocidade for superior a 0,40 metro/segundo? Nesse caso,
o fluxo promoveria um arresto dos grãos de areia diminuindo a sua quantidade retida.

A remoção do sedimento das caixas de areia


Como já dissemos, a remoção de areia pode ser realizada manual ou mecanicamente.
A remoção mecânica é realizada por dispositivos transportadores de areia, que removem
continuamente a areia acumulada em depósitos, especificamente projetados, dentre os
Tratamento de Águas e Efluentes

quais esteiras, caçambas, raspadores, parafusos de rosca sem fim. O parafuso eleva o ma-
terial coletado até ao ponto de lançamento em uma tubulação que desce para a caçamba
de recepção. Esses processos você visualiza melhor nas imagens que seguem.

122

Figura 60 – Ao final dos canais a abertura Figura 61 – Tubulação de descarga do


estreita da Calha de Parshall sedimento da caixa de areia em
Fonte: <http://www.controlpumps.com.br/ caçamba de transporte.
pr%C3%A9-tratamento.php>. Fonte: autoria própria (2012).
Acesso em: 29 out. 2014.

Você acredita que seja possível avaliar matematicamente o desempenho de uma caixa
de areia? Pode crer que sim. Determina-se essa avaliação pela vazão média do efluente
(Q), através de uma equação bem simples, na qual se usa a razão VA/VE (volume de se-
dimento removido/volume de efluente tratado) (CAMMAROTA, 2011). Parte-se do conheci-
mento resultante de experiências de que a relação mais eficaz seria de 2 a 4 m3 de areia
(sedimento) para cada 100 mil m3 de esgoto tratado. Assim, teríamos:
Q = VA/VE

VA = volume de sedimento removido

VE = volume de efluente tratado

Q = vazão média do efluente.

Para resumir o processo do pré-tratamento de esgotos eu lhe apresento um fluxograma,


resgatado do trabalho da analista ambiental Guss (2011).

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 62 – Tubulação de descarga do sedimento da
caixa de areia em caçamba de transporte
Fonte: <http://www.josianeguss.com/2011/11/tratamento-de-esgoto-parte-ii.html>.
Acesso em: 29 out. 2014.

123

Mídias
Mais um livro do Professor Marcos Von Sperling, Introdução à Qualidade das
Águas e ao Tratamento de Esgotos, DESA-UFMG, é de leitura bem agradável,
porém de forma científica e tecnologicamente segura para ser utilizado por
profissionais no tratamento de esgotos e no controle da poluição das águas.

Resumo
Nesta competência você aprendeu a operacionalizar o processo de tratamento prelimi-
nar dos esgotos, o qual contempla inicialmente o sistema de gradeamento, classificando
as grades em grossas, médias e finas, de acordo com o espessamento das barras e o
espaçamento entre elas. Constatou a eficiência do sistema de gradeamento através da
relação espessamento/espaçamento. Também aprendeu a operacionalizar o processo de
desareamento do tratamento preliminar, caracterizando a caixa de areia desde seu pro-
cesso construtivo à remoção dos seus sedimentos, e aplicando o sistema do parafuso de
rosca sem fim.

Autoavaliação
1. Qual é o processo de tratamento do esgoto que utiliza canais específicos chamados de
caixas de areia?

a) Rastelo.

b) Média.

c) Desareamento.
Tratamento de Águas e Efluentes

d) Aresto.

2. É o dispositivo mecânico que remove o lixo retido nas grades de contenção.

a) Rastelo.

b) Média.

c) Desareamento.
124
d) Aresto.

3. O sistema de remoção manual de sedimentos nas caixas de areia deve ser projetado
com dois canais:

a) perpendiculares.

b) paralelos.

c) transversais.

d) diagonais.

4. Se a velocidade média do efluente na caixa de areia for inferior a 0,15 metro/segundo


a matéria orgânica nele contida sofre um processo de:

a) Desareamento.
b) Gradeamento.

c) Decantação.

d) Remoção.

5. O que aconteceria se a velocidade do fluxo do esgoto no canal da caixa caísse abaixo de


0,30 metro/segundo?

a) A matéria orgânica flutua.

b) O fluxo promoveria um arresto dos grãos de areia diminuindo a sua quantidade retida.

Tratamento de Águas e Efluentes


c) A velocidade abaixo de 0,15 é a ideal para a queda do fluxo.

d) A matéria orgânica vai ao fundo e entra em decomposição.

125
Competência
08
Caracterizar o Tratamento
Primário do Processo Convencional de
Tratamento de Esgotos
Caracterizar o Tratamento
Primário do Processo Convencional de
Tratamento de Esgotos
Nesta competência você aprenderá a conceituar e caracterizar o tratamento primário
do processo convencional de tratamento de esgotos; a conhecer a estrutura física e fun-
cional do decantador primário; e a determinar a necessidade de aplicar os processos de
floculação e flotação.

Tratamento de Águas e Efluentes


Aquela água bruta que veio do rio ou do lago e que tanto exigiu de trabalho e custo
para ser purificada (processo esse de purificação que hoje faz parte de seu aprendi-
zado) chega cristalina em nossas vidas. Ela então faz a nossa higiene pessoal, a nossa
alimentação, a limpeza de nossos utensílios e de nossas casas, e depois vai embora,
suja, malcheirosa, em forma de esgoto. E esse esgoto escorre pelas tubulações, pelas
redes coletoras, levando as nossas impurezas, até chegar às estações de tratamento,
as ETEs. E como já vimos passa pelas grades de retenção, deixando o lixo para trás,
fluindo para as caixas de areia nas quais deposita o sedimento granuloso mais denso
que vinha transportando. Em fluxo, ainda contendo partículas poluentes, segue em 129
frente no rumo dos decantadores primários depositando ali os detritos orgânicos. Ele
completará o seu percurso antes de voltar a ser água bruta outra vez, como pode você
vislumbrar pelo fluxograma da figura a seguir. Depois dos decantadores primários con-
tinuaremos em seu encalço.

Figura 63 – Fluxograma do tratamento de esgoto até chegar ao corpo receptor


Fonte: adaptado de <http://www.fec.unicamp.br/~bdta/esgoto/fluxograma.JPG>. Acesso em: 30 out. 2014.

Tratamento Primário do Processo Convencional


de Tratamento de Esgotos
Depois que o esgoto passa pelo tratamento preliminar ainda possui inalteradas as suas
características poluidoras. Nessas condições terá que sofrer um tratamento primário atra-
vés do qual serão separados os agentes poluentes sedimentáveis e flotantes (flutuantes),
em decantadores, deixando-o mais despoluído para seguir ao tratamento secundário. Nes-
sa etapa primária podem ser removidos de 40 a 70% dos sólidos em suspensão e cerca
de 25% a 50% da demanda biológica de oxigênio (DBO). No entanto, esse processo de
ação física, em alguns casos, poderá ser auxiliado pela adição de agentes químicos com o
objetivo de promover os eventos de coagulação/floculação tornando as partículas maiores
e mais facilmente decantáveis. As principais técnicas nesse tratamento primário, portanto,
são a sedimentação, coagulação/floculação e flotação (IMHOFF, 1999).

Mas, esse tratamento primário, que acontece em decantadores primários, em algumas


ETEs, é substituído por reatores anaeróbicos de manta de lodo. Sobre eles nos deteremos
na competência sobre o tratamento secundário.
Tratamento de Águas e Efluentes

Depois que o esgoto passa pelo tratamento preliminar ainda possui inaltera-
das as suas características poluidoras. Nessas condições terá que sofrer um
tratamento primário através do qual serão separados os agentes poluentes se-
dimentáveis e flotantes (flutuantes), em decantadores, deixando-o mais despo-
luído para seguir ao tratamento secundário. Nessa etapa primária podem ser
removidos de 40 a 70% dos sólidos em suspensão e cerca de 35% da Demanda
Biológica de Oxigênio (DBO).
130

Estrutura do Decantador Primário


Após o tratamento da etapa preliminar, com os processos de gradeamento e desare-
amento, o esgoto, sem estar mais com grandes sólidos e sem partículas granulosas, flui
para os decantadores primários (os quais serão alvo de nossos estudos), onde os poluen-
tes em suspensão sedimentarão iniciando o tratamento primário. Esse sedimento é nor-
malmente nominado de lodo; e, portanto, lodo será nosso vocábulo para esse sedimento.

Sei que está me perguntando: e o que são os decantadores primários?

Você já os conhece desde o tratamento da água bruta. Lembra-se que a água de-
pois do processo da floculação chegava a uns tanques para repouso de alguns dias com o
objetivo da decantação de suas partículas? Pois é, aqueles eram os decantadores. E tan-
ques com funções similares serão nominados agora de decantadores primários (retangu-
lares, circulares ou outras formas) porque receberão o primeiro efluente do pré-tratamento
para a decantação de suas partículas orgânicas mais pesadas. Inicialmente vamos estudar
o seu processo construtivo. Veja desenho esquemático de um modelo na Figura 64.
Figura 64 –Desenho esquemático de um modelo de
decantador primário
Fonte: <http://www.bioproject.com.br/bioproject-2011/

Tratamento de Águas e Efluentes


removedor-lodo-tracao-central_clip_image002.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.

O decantador primário basicamente se compõe de um tanque (circular no nosso exem-


plo) equipado com uma ponte rotativa, ou rotatória (passarela em azul claro); um braço
raspador de lodo (em vermelho) interligado à ponte rotatória; uma coluna central com rola-
mento e o anel deflector de afluentes (em marron escuro). Observe que a ponte, numa das
suas extremidades, está apoiada na parede do tanque sobre um carrinho de tração, com
rodas, que se movimenta circularmente, como vê na Figura 65, e que arrasta o raspador 131
de lodo pelo chão do tanque. Logo abaixo da ponte e acima da superfície da água existe
uma lâmina que tem a função de raspara espumas quando ocorre a flotação, processo que
estudaremos mais adiante.

Figura 65 – Carrinho de tração, com rodas, que se movimenta circularmente.


Fonte: <gestionambientalveterinaria.blogspot.com.br>. Acesso em: 29 out. 2014.
Atividade 01
De quais componentes principais se compõe um decantador primário?

Na outra extermidade, no meio do tanque, ela se apoia na coluna central através de um


rolamento. Para que o entendimento sobre essa estrutura construtiva do decantador se
torne mais clara ainda, vamos examinar essa planta da Figura 66 (GUSS, 2011apud VON
SPERLING, 2005).
Tratamento de Águas e Efluentes

132

Figura 66 –Planta de um modelo de decantador primário


Fonte: adaptado de Von Sperling (2005).

Ao estudar essa planta, você constata componentes já referidos como a ponte rotatória,
o anel deflector na coluna central e o raspador de lodo. Porém, importantes constituin-
tes estão sendo revelados: o vertedor de saída do efluente tratado(que flui sobre a borda
para uma calha que circunda o tanque); o duto de entrada do esgoto a ser tratado(preste
atenção que o esgoto entra em fluxo ascendente através da coluna central);a camada de
lodo acumulada no fundo do decantador; e o duto de saída desse lodo sedimentado. No
entanto, o sistema não estaria completo sem o componente que vou lhe mostrar nesse
decantador da Figura 67.

Você está vendo a ponte rotatória sobre a coluna central (com a balaustrada amarela) e
o sistema raspador de lodo rente ao chão interligado a ela. Mas, você não tinha visto ainda
esse poço do qual se eleva a coluna central. Ele é o poço do lodo. É para onde converge
todo o lodo sedimentado no decantador; embaixo dele está acoplado o duto de sua saída
que você viu na planta da Figura 66. Muito bem. Posto que você já conhece a intimidade
estrutural do decantador primário, agora vai aprender a intimidade do seu funcionamento.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 67 –Decantador primário com a ponte rotatória, raspador e poço de lodo
Fonte: <http://www.environquip.com.br/img/img_ponte.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.

Funcionamento do Decantador Primário


O efluente chega ao tanque por um duto de entrada subindo pela parte interna da
coluna central, a qual possui aberturas para tal, e é despejado para o centro do decan- 133
tador. Neste momento, o efluente é barrado e defletido pelo anel defletor central (veja na
Figura 65 as setas indicando o sentido dessa deflecção) e então se inicia a decantação
propriamente dita, com a mais uniforme distribuição da água no tanque. Quanto maior a
quantidade de partículas decantando-se mais clarificada se torna a água em tratamento.
O movimento rotatório do raspador de lodo conduz o material sedimentado para o poço de
lodo, e daí será remetido para uma caixa de homogeneização, de onde pode ser efetuado
seu descarte final.

Você deve estar se questionando: o efluente está continuamente entrando no tan-


que e continuamente sofrendo o processo de decantação das partículas sedimentáveis,
então vai chegar um momento em que a água começa a transbordar. Exatamente isso o
que acontece. Mas acontece também, que você observou a existência de um vertedor de
saída do efluente tratado, que flui sobre a borda para uma calha, ou canaleta, que circunda
o tanque. Nesse caso, nada melhor para dissipar qualquer dúvida do que ir até a uma ETE
e presenciar o funcionamento desse processo. Estamos na ETE de Natal. (Veja que neste
seu decantador azul da imagem IM80) existe um espaço entre a parede de concreto e o
tanque com o efluente: é a calha para onde verte a água clarificada, a qual segue para a
etapa seguinte de tratamento através da tubulação também mostrada (em preto).
Atividade 02
Se o efluente está continuamente entrando no tanque e continuamente
sofrendo o processo de decantação das partículas sedimentáveis, então,
o que acontecerá nesse momento? O esgoto ficou mais clarificado?
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 68 –Decantador primário, em Natal, com seu vertedouro


134 Fonte: Paulo Eduardo (2012).

Agora sigamos para outro exemplo, ilustrado com a imagem Figura 69, no qual se evi-
dencia mais ainda o vertedouro e a canaleta receptora circundando todo o decantador.

Figura 69 –Decantador primário, com sua canaleta receptora do efluente


Fonte: <http://www.acquaeng.com.br/wp-content/uploads/2011/11/foto-3-300x225.jpg>.
Acesso em: 29 out. 2014.
Sei que você gostaria de estudar um decantador com seu vertedouro em plena ope-
ração. Não se avexe não, pois já está diante de um deles. Pode estudar à vontade. Neste
decantador, a água que sedimentou suas impurezas verte para a canaleta de recepção
como mostrado na imagem Figura 70.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 70 –Decantador primário, com sua canaleta receptora do efluente
Fonte: <http://3.bp.blogspot.com/_i53k-ChgDIw/TAkO_VQe7iI/AAAAAAAAAFU/
TlntAEE6KZ0/s1600/13.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.

135
Importante
A norma brasileira NB-570 (NBR 12209, 1992) dispõe que os decanta-
dores primários devem ser dimensionados com base na vazão máxima
horária de efluente, e que para vazões superiores a 250 litros/segundo
mais de um decantador deverá ser instalado. E a área de decantação
será determinada a partir da taxa de escoamento superficial, sobre
a qual existem recomendações de 30 a 60 m3/m2/dia com tempo de
retenção hidráulica de 1,5 a 3,0 horas. A adoção da taxa de escoamento
superficial para os decantadores primários está condicionada a uma va-
zão de até 60 m3/m2/dia apenas para tratamento primário; de até 80
m3/m2/dia, mas fluindo para filtros biológicos; de até 120 m3/m2/dia
seguida de lodos ativados.

Você constatou que esse processo, até o momento, foi exclusivamente de ação física
contemplando fluxos de água e decantação de partículas. Mas, ele pode ser auxiliado por
ações químicas, como já observado na conceituação do tratamento primário. Do mesmo
modo como ocorreu no tratamento da água bruta, coagulantes e floculantes químicos po-
dem possibilitar a obtenção de partículas de maiores dimensões e, consequentemente,
mais facilmente sedimentáveis. Veja na imagem Figura 71 um aspecto do efluente no
decantador após a adição de floculante.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 71 –Aspecto de decantador primário após adição de floculante


Fonte: <http://dc353.4shared.com/doc/vRzq4XgD/
preview_html_m75bdee9d.png>. Acesso em: 29 out. 2014.

Eu vou lhe alertar para um fato que pode acontecer durante o tratamento primário. O
esgoto poderá conter, num determinado momento, uma concentração anormal de óleos e
136 graxas. E o processo de separação desses poluentes não pode mais ser apenas a decanta-
ção. Terá que ser a flotação. E o que viria a ser a flotação?

A flotação é um processo para separar líquidos de sólidos com microbolhas de


ar que levam as impurezas suspensas à superfície (DI BERNARDO; SABOGAL, 2008). As
impurezas flutuam porque as microbolhas se prendem às partículas de óleos e graxas
aglutinando-se num conglomerado para formar uma espuma (ou escuma) na superfície da
água, exemplificado na imagem Figura 72.

A flotação é um processo para separar líquidos de sólidos com microbolhas de


ar que levam as impurezas suspensas à superfície (DI BERNARDO; SABOGAL,
2008). As impurezas flutuam porque as microbolhas se prendem às partículas
de óleos e graxas aglutinando-se num conglomerado para formar uma espuma
(ou escuma) na superfície da água.
Figura 72 –Microbolhas presas às partículas
de óleos e graxas formando espuma
Fonte: <http://www.francap.ind.br/pirobox_images/image1.jpg>.
Acesso em: 30 out. 2014.

Processo de Flotação

Tratamento de Águas e Efluentes


Você concordaria comigo se eu lhe dissesse que a flotação é um processo inverso da de-
cantação? Acredito que sim, porque enquanto na decantação as partículas sólidas a serem
separadas são mais densas que o meio líquido e sedimentam no fundo do decantador, na
flotação o material a ser separado ou é menos denso ou se torna menos denso e se acumula
na superfície do tanque. Para que esse processo aconteça é preciso que haja uma injeção de
oxigênio na massa d’água, e por essa razão, os aeradores são imprescindíveis. E você deve
estar se perguntando como esse evento acontece ao nível da dimensão das partículas.

137
A Flotação ao nível da dimensão das partículas
Tudo se inicia com os aeradores misturando o oxigênio do ar com a água. No entanto,
espere só um instante. Visto que trabalharemos com a dissolução do ar na massa d’água,
através de sua introdução pelos aeradores, vamos fazer uma brevíssima pausa para con-
versarmos sobre eles: você já presenciou algum deles em operação? Existem vários tipos,
a exemplo desse aí demonstrado na imagem Figura 73 em pleno funcionamento, com um
motor centralizado entre os flutuantes.

Figura 73 –Aeradores em funcionamento no processo de flotação


Fonte: <http://www.sigma.ind.br/images/products/foto6028.jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.
Basicamente um aerador é constituído de um motor elétrico, em vermelho no infográfi-
co da imagem Figura 74, acoplado a um redutor de velocidade cujo eixo de saída se inter-
liga à turbina (rotor) de aeração, em cinza-escuro.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 74 – Modelo de aerador, com seus componentes essenciais


Fonte: <http://www.ecosan.com.br/public/images/web/conteudo/
produtos/thumbs/aerador_hb.jpg>. Acesso em: 29 out. 2014.

Esse rotor, ao girar, bombeia o líquido para cima transferindo-o ao longo de suas lâmi-
nas, numa trajetória radial ascendente, proporcionando grandes superfícies para oxige-
nação. O aerador também tem como importantes componentes os flutuadores, em cinza-
-claro; além de peças estruturais internas. Sua importância está em oxigenar o efluente
para oxidar a matéria orgânica nele contida, proporcionando condições favoráveis para o
138 crescimento de microorganismos, além de promover uma efetiva mistura do lodo, evitando
pontos de sedimentação.

Mas, como é mesmo que o evento da flotação acontece ao nível da dimensão das par-
tículas? A maioria das partículas presentes no efluente, como já vimos, é mais densa que
o líquido, e para que não se sedimente injeta-se o ar com os aeradores. As bolhas de ar
formadas, como se fossem bolinhas de encher, acoplam-se nas partículas tornando-as me-
nos densas forçando-as a subir à superfície, ou seja, a flotar, a flutuar, como exemplificado
na imagem Figura 75.

Figura 75 – Modelo exemplificando a atração de


partículas na flotação e bolhas flutuantes.
Fonte: <http://tecmin.files.wordpress.com/2011/04/
flotation-11.jpg?w=199&h=300>. Acesso em: 29 out. 2014.
A camada sobrenadante formada na superfície do tanque, contendo os poluentes de
natureza coloidal, pode então ser removida por ação mecânica, como você observa na
imagem Figura 76, quando a espuma formada é lançada para a canaleta circular de saída.

Figura 76 – Remoção de bolhas

Tratamento de Águas e Efluentes


sobrenadantes no processo de flotação
Fonte: <http://www.alunosonline.com.br/upload/conteudo/images/
tanque-de-flotacao.jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.

Após o tratamento no decantador primário, o efluente, com ou sem espuma flui através
de seus vertedouros para o tratamento secundário com o objetivo de remover os poluentes
ainda presentes, principalmente os de origem orgânica.

139

Atividade 03
Após conhecer a dinâmica dos processos do tratamento primário do esgo-
to, como você definiria o fenômeno da flotação?

Resumo
Nesta competência você aprendeu a conceituar e a caracterizar o tratamento primário
do processo convencional de tratamento de esgotos, etapa na qual podem ser removidos
de 40 a 70% dos sólidos em suspensão, e cerca de 35% da demanda biológica de oxigênio
(DBO; a conhecer a estrutura física e funcional do decantador primário, que basicamente
se compõe de um tanque equipado com uma ponte rotativa, um braço raspador de lodo,
um braço raspador de espuma, uma coluna central com rolamento e anel deflector de
afluentes e um carrinho de tração. Aprendeu como se processa a separação das impurezas
do esgoto através do transbordamento por vertedouros; e a determinar a necessidade de
aplicar os processos de floculação e flotação.
Autoavaliação
Preencha as lacunas com as respostas corretas.

1 - Nos decantadores primários ocorrerá a separação dos agentes poluentes através do


processo de ______________.

a) floculação

b) aeração

c) decantação

d) flotação
Tratamento de Águas e Efluentes

2 - O sedimento do decantador é normalmente denominado de _____________.

a) Lodo

b) espuma

c) floco

d) dejeto

140 3 - O tratamento primário é basicamente de natureza física, porém pode surgir a necessi-
dade de se aplicar agentes químicos com o objetivo de promover-se a _____________.

a) aeração

b) flotação

c) floculação

d) decantação

4 - O processo de separação de óleo e graxas do esgoto pode ser realizado pelo processo
de _______________.

a) decantação

b) flotação

c) aeração

d) floculação
5 - A camada sobrenadante formada na superfície do decantador, pelo processo da flota-
ção, pode ser removida por ação _____________.

a) química

b) radial ascendente

c) sedimentar

d) mecânica

Tratamento de Águas e Efluentes


141
Competência
09
Conceituar os tratamentos
secundário e terciário do processo
convencional de tratamento de esgotos
Conceituar os tratamentos
secundário e terciário do processo
convencional de tratamento de esgotos
Em meados do século XIX o Rio de Janeiro era a capital de um império. Mas, não era
tão bom assim, nem tão bonito de ser visto. Suas precárias condições sanitárias, de hi-
giene deixavam-no malcheiroso, imundo e com alta periculosidade para seus habitantes.
A bela cidade natural se enfeava com os esgotos a céu aberto; com as montanhas de

Tratamento de Águas e Efluentes


lixo que se erguiam pelas ruas; com os rios e as praias entulhados pela imundície. Essas
primitivas condições de saneamento alimentavam as epidemias de varíola, tifo, febre
amarela, que exterminavam milhares de vidas (MARQUES, 1995). Até existiam tímidas
intervenções de saneamento básico, como os serviços noturnos dos tigres, não os felinos
africanos, mas, escravos que transportavam na cabeça tonéis cheios de dejetos huma-
nos para lançá-los no cais do centro.

Por conta desses surtos epidêmicos letais, o imperador D. Pedro II resolveu agir e
criou a Lei nº 884/1856, que autorizava ao governo contratar uma empresa de serviço
145
de limpeza e de esgoto para a capital. Pela primeira vez no Brasil esboçava-se uma políti-
ca para o saneamento da cidade. O Rio de Janeiro se tornaria então, a terceira cidade no
mundo, depois de Londres e Hamburgo, a instalar uma rede de esgotos sanitários (MOT-
TA et al, 2011). Com a implantação dessa política pioneira, certamente o Brasil do futuro
seria um país absolutamente dotado de saneamento básico em todo o seu território.

O futuro não confirmou essa certeza. Um século e meio depois da decisão de D. Pedro
II, 100 milhões de brasileiros não têm acesso ao saneamento básico. Mesmo que um
secretário de meio ambiente, do próprio Rio de Janeiro, tenha expressado que o sanea-
mento é a linha divisória entre a civilização e a barbárie.

Nesta competência você aprenderá a conceituar os tratamentos secundário e terciário


do processo convencional de tratamento de esgotos, assim como classificar o tratamento
secundário em sistemas anaeróbico e aeróbico; a caracterizar o Reator Anaeróbico de
Fluxo Ascendente (RAFA), o tanque de aeração e o decantador secundário. Conceituará e
classificará lagoas de estabilização e caracterizará o tratamento terciário exemplificado
com a lagoa de maturação; e sobre a eficiência dos tipos de tratamento de esgotos.
O conceito de tratamento secundário
Você acompanhou atentamente os eventos da fase primária e percebeu que o efluente,
ao fluir para o tratamento secundário, ainda contém poluentes remanescentes, principal-
mente de origem orgânica. Este tratamento consiste num processo biológico, onde a ma-
téria orgânica é consumida por microorganismos nos chamados reatores biológicos. Estes
reatores normalmente encontram-se em tanques com grande quantidade de microorganis-
mos aeróbios, anaeróbios e facultativos. Sua eficiência na remoção dos poluentes alcança
valores da ordem de 95%.

Vou explicar minunciosamente a dinâmica desse tratamento: as bactérias presentes


nos esgotos se alimentam da matéria orgânica e a transforma em gás carbônico (o CO2),
água e o material celular delas próprias. Aliás, nós já conversamos sobre a mecânica des-
Tratamento de Águas e Efluentes

se processo na competência 6, quando estudamos o conceito de Demanda Biológica (ou


bioquímica) de Oxigênio (DBO).

A decomposição da matéria orgânica (ou biodegradação) exige a presença de oxigê-


nio (mas também de outras condições ambientais como temperatura, pH e tempo de
contato, por exemplo). O objetivo principal desse tratamento é conseguir um efluente
com qualidade tal que possa ser lançado no corpo receptor sem causar qualquer impacto
negativo ao ambiente; ao mesmo tempo em que atende aos limites de qualidade impos-
146 tos pela legislação ambiental.

Internet
A Resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, dispõe sobre a
classificação dos corpos de água e diretrizes ambientais para o seu enqua-
dramento, bem como estabelece as condições e padrões de lançamento
de efluentes. Leia os artigos 24 e 25, no endereço eletrônico: <http://
www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf>.

A classificação do tratamento secundário


O tratamento dos esgotos fundamenta-se no resultado em termos de qualidade de seu
efluente final, e por essa razão ele se classifica de acordo com seus níveis de eficiência.
Assim, já vimos o tratamento preliminar (o tratamento primário) e agora trabalharemos
com o secundário. Apenas para reforçarmos o nosso aprendizado, o tratamento primário
foi responsável pela remoção de sólidos de maiores dimensões e materiais granulados,
através de processos mecânicos e físicos, basicamente.

O tratamento secundário, no entanto, consiste de um processo biológico, como já sabe-


mos desde sua conceituação, que objetiva a degradação da matéria orgânica em reatores
biológicos, os quais são tanques densamente habitados por bactérias. Chamo sua atenção
para o fato de que o tratamento secundário pode ser realizado através de dois processos:

1 – Dos sistemas anaeróbicos, com bactérias anaeróbicas, dentre os quais se destacam


os reatores anaeróbicos de fluxo ascendente, RAFA, ou UASB, do inglês Up flow Anaero-
bic Sludge Blanket, os tanques sépticos, os filtros anaeróbicos, e as lagoas anaeróbicas.

2 – E dos sistemas aeróbicos, com bactérias aeróbias, dentre os quais destacam-se os de

Tratamento de Águas e Efluentes


lodo ativado, os filtros biológicos e as lagoas facultativas.

Esses sistemas são empregados de acordo com as adequações de cada ETE para as
condições qualitativas dos esgotos a serem tratados. Mas, você já aprendeu sobre os tan-
ques sépticos, os filtros anaeróbicos e os aeróbicos, pois os estudamos no capítulo 6 quan-
do tratamos das tecnologias para a remoção de impurezas. Porém, vamos caracterizar
os sistemas que utilizam os reatores anaeróbicos e as lagoas anaeróbicas, relativos ao
147
sistema anaeróbico; e os que usam as lagoas facultativas, relativas ao sistema aeróbico.

Atividade 01
Defina tratamento secundário de esgotos e conceitue os sistemas através
dos quais ele pode ser realizado. Informe sua resposta no fórum.

O Reator Anaeróbio de Fluxo Ascendente (RAFA)


Eu vou resumir para você o que um RAFA faz: ele remove cerca de 70% da DBO (leia-se
matéria orgânica) do efluente que entra nele, e produz biogás (essencialmente metano) a
partir do lodo e dos sólidos em suspensão, e o princípio do seu funcionamento também é
muito simples: flui-se o esgoto para um tanque fechado e lotado de bactérias anaeróbicas
(que vivem na ausência relativa de oxigênio) que farão o serviço de transformar a matéria
orgânica em metano (como já dissemos), em gás carbônico e água. Veja os desenhos es-
quemáticos das imagens (que se complementam com informações) mostrando esse fun-
cionamento básico de reator anaeróbio. Observe que o afluente chega ao reator fluindo na
sua porção inferior. A matéria orgânica que ele traz cria um leito de lodo que se deposita
em seu solo, sobre o qual se forma a manta de lodo. Considero importante lhe falar um
pouco mais sobre essa manta de lodo.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 77 – Esquema simplificado de um reator


148 RAFA, com entrada e saída de efluente
Fonte: <http://tratamentodeefluentes.files.wordpress.com/2013/11/7.
png?w=300&h=237>. Acesso em: 30 out. 2014.

Figura 78 – Esquema simplificado de um reator RAFA, com manta de lodo


Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-surWszZ9NnA/Thh9po3E73I/
AAAAAAAAAHo/UR-_GhG_BB8/s400/imagem3.JPG>. Acesso em: 30 out. 2014.
Os resíduos da digestão anaeróbica aglutinam-se com a matéria orgânica continua-
mente e geram uma manta entrelaçada dessas partículas, denominada de manta de lodo,
que fica em suspensão, conforme visto na imagem anterior. E ele vai funcionar como um
biofiltro anaeróbio.

Com todas as reações bioquímicas acontecendo, a matéria orgânica se degrada libe-


Digestão Anaeró-
rando o biogás, o qual sobe na corrente ascendente e sai para a atmosfera (para aproveita- bia: é um processo
mento ou queima), enquanto o efluente tratado flui pela saída a ele destinada para a etapa biológico no qual
diferentes tipos de
seguinte de tratamento. Na imagem que segue, você acompanha o sistema de reatores microorganismos,
anaeróbicos da ETE de Natal. O complexo de tubulações que você vê é responsável pelos na ausência de oxi-
gênio, promovem a
fluxos dos efluentes, e ainda pelo fluxo dos gases. biodegradação da
matéria orgânica
em produtos mais

Tratamento de Águas e Efluentes


simples como
metano e gás
carbônico.

Figura 79 – Sistema de reatores anaeróbicos da ETE de Natal


Fonte: autoria própria (2014).
149
Sob esta laje de concreto e do complexo de dutos, o reator é compartimentado em
seções. Ele é equipado com chicanas verticais, que impõem ao esgoto um movimento
sequencial descendente e ascendente, como se constata na imagem, ao se acompanhar
o sentido das setas. Este movimento garante o contato permanente com o leito de lodo no
fundo da unidade, assim como a diminuição da concentração de matéria orgânica de uma
seção para outra. Na última seção ocorre o movimento ascendente do esgoto cuja parte
líquida flui para a etapa seguinte de tratamento e o biogás é canalizado para a queima.

Curiosidade
Os custos de construção de reatores RAFA, de acordo com Campos
(1999), foi calculado em 25 dólares /habitante, excluindo o valor do
terreno e com relação aos custos de operação os cálculos identificaram
um valor de 1,50 dólar/habitante /ano.
Você vai me permitir citar Chemicharo (1997), que assemelhou esse reator com chica-
nas a um tanque séptico com múltiplas seções. E foi feliz na comparação.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 80 – Reator anaeróbico compartimentado


Fonte: <http://www.scielo.br/pdf/esa/v9n4/v9n4a02.pdf>.
Acesso em: 30 out. 2014.

A digestão anaeróbia é, atualmente, o método mais usual de tratar o lodo para transfor-
má-lo também em biogás, como registrou Neething e Chung (1989). Nesse processo, todos
150 os resíduos no esgoto de origem animal ou vegetal são biodegradáveis anaerobiamente.

Importante
No reator anaeróbio não há consumo de oxigênio durante a transforma-
ção da matéria orgânica, e o produto final é, basicamente, o gás carbono
(CO2) e o metano (CH4). No entanto, para a obtenção desses produtos
finais ocorrem quatro tipos de reações químicas: a hidrólise, onde as pro-
teínas são convertidas em aminoácidos, os carboidratos em açucares e
as gorduras em ácidos graxos; a acidogênese, uma reação de fermen-
tação, que transforma os produtos solúveis da hidrólise em substâncias
mais simples; a acetogênese, que produz o acetato; e a metanogênese,
etapa final do processo de biodegradação, realizada por um tipo específi-
co de bactéria que produz o metano e o CO2.
Tanque de aeração após o reator anaeróbico
O efluente que sai do reator anaeróbico segue para o tanque de aeração (reator bioló-
gico aerado) que tem a finalidade de remover a matéria orgânica e os nutrientes remanes-
centes do tratamento no reator anaeróbio. Essa parte da matéria orgânica dissolvida e em
suspensão será removida no reator aeróbio, através do processo de lodos ativados. Desse
tanque de aeração o efluente seguirá para o decantador secundário. Mas, antes disso,
vamos identificar o que acontece no tanque de aeração.

No reator, o esgoto é oxigenado através de aeradores, para que ocorram as reações


bioquímicas de remoção da matéria orgânica, pela ação das bactérias aeróbias e, em de-
terminadas condições, até remoção da matéria nitrogenada.

Tratamento de Águas e Efluentes


Atividade 02
Faça uma breve caracterização de um reator aeróbio fazendo sua distin-
ção de um reator anaeróbio e informe sua conclusão em nosso fórum.

Nesse tratamento, as bactérias transformam a matéria orgânica presente em seu alimen-


151
to e fonte de energia e para isso usam o lodo ativado. A aeração vigorosa no reator promove
uma floculação de partículas orgânicas com microorganismos, evitando a decantação des-
ses flocos, que formam o lodo ativado e a misturá-las homogeneamente, além de suprir a bio-
ta com oxigênio. Para sua visualização examine o desenho esquemático de um floco de lodo
ativado constituído de partículas coloidais, protozoários e bactérias apresentado na imagem.

Figura 81 – Desenho esquemático de um floco de lodo ativado


Fonte: <https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRL11
vqcoxdGDIeLREKwkhINa8rG1g5qkh7OklDGJaViTQRhwlz>. Acesso em: 30 out. 2014.
Importante
Alguns fatores ambientais influenciam o tratamento biológico de esgotos
por lodo ativado, dentre eles o pH, que deverá permanecer entre 6,0 e
8,0, pois entre 3,0 e 5,0 poderá haver excessiva proliferação de fungos
e entre 8,0 e 10,00 estará comprometida a transparência do efluente;
a temperatura, que estará adequada entre 20 e 30 0C; o oxigênio, cuja
concentração deverá ser mantida entre 1 e 4; a relação C (carbono): N
(nitrogênio): P (fósforo) deverá ser mantida em 100: 5: 1, ou seja, deverá
resguardar-se o equilíbrio químico de para cada 100 gramas de matéria
Tratamento de Águas e Efluentes

orgânica (DBO) em forma de carbono (C), presente no efluente são ne-


cessárias 5 gramas de nitrogênio (N) e 1grama de fósforo (P).

No tanque de aeração, ou seja, no reator aeróbio por lodo ativado, a remoção dos po-
luentes presentes tem uma eficiência da ordem de até 95%. Agora, o fluxo levará o efluente
tratado nesse reator para o decantador secundário.
152

Decantadores secundários
Você já conhece um decantador primário e, portanto, também conhece um decantador
secundário. Estruturalmente são iguais. São os mesmos que estudamos durante o trata-
mento primário do processo convencional; têm o mesmo objetivo de separar os sólidos
em suspensão presentes no esgoto, por decantação e fluir efluente clarificado. As seme-
lhanças terminam por aí. Os decantadores secundários recebem um efluente muito rico
em lodo ativado produzido no tanque de aeração. Os sólidos em suspensão sedimentam
ocorrendo a sua separação do líquido clarificado que transborda pelas bordas do tanque,
como pode ver na imagem, para seguir à etapa seguinte de tratamento.
Figura 82 – Decantador secundário vertendo água clarificada
Fonte: <http://wikimapia.org/4162277/pt/

Tratamento de Águas e Efluentes


Decantadores#/photo/109450>. Acesso em: 30 out. 2014.

Quanto mais o lodo sedimenta mais concentrado ele fica no fundo do tanque. E por
esse lodo ser rico em microorganismos biodegradadores, ele pode retornar ao tanque de
aeração para manter a relação alimento/microorganismos capaz de biodegradar a matéria
orgânica com maior eficácia. A água clarificada escorre pela canaleta e entra no fluxo rumo
ao processo de desinfecção por radiação ultravioleta (ou uma lagoa de maturação), antes
de ser lançada no corpo receptor.
153

As lagoas de estabilização
Assim como o reator anaeróbico, a lagoa anaeróbica é um dos sistemas utilizados no
tratamento secundário de esgotos, e sobre o qual vamos agora dedicar nossa atenção. An-
tes, porém, de chegarmos a ele devemos entender bem o que são lagoas de estabilização,
nas quais os esgotos entram em uma extremidade e saem na oposta e cujo processo se
fundamenta nos princípios da respiração e da fotossíntese. A matéria orgânica sedimenta
em seu chão, formando um leito de lodo com tendência a se estabilizar.

Elas são opções de tratamento de esgotos em muitas localidades de pequenas popu-


lações, onde as companhias de saneamento não têm muitos recursos; suas instalações
Anaerobiose: con-
são de baixo custo e com projeto muito simples. Os seus tanques construídos em solo im- dições ambientais
permeabilizado, rodeados por taludes e que recebem continuamente esgotos (o que man- com ausência de
oxigênio.
tém as condições de anaerobiose), os quais permanecem neles por demorado tempo de
retenção proporcionam processos naturais de biodegradação e redução da concentração
de microorganismos. Podemos classificá-las em lagoa anaeróbia, facultativa (tratamento
secundário) e de maturação (tratamento terciário).
A lagoa anaeróbia
As lagoas de estabilização são eficientes na remoção de poluentes, mas somente po-
dem ser instaladas em localizações com terrenos de baixo custo e para comunidades de
baixa densidade populacional, devido ao seu requerimento de grandes áreas para sua
construção e longo tempo de retenção dos esgotos.

As lagoas anaeróbicas possuem grandes dimensões e profundidades com altura útil


da ordem de três a seis metros. São projetadas de maneira que o esgoto entre por uma
das extremidades do tanque no sentido favorável ao vento para que o material em sus-
pensão percorra o trajeto até à extremidade oposta, durante o qual ocorrerão as reações
biológicas do processo.

Você já deve ter percebido que os mecanismos de transformação da matéria orgânica,


Tratamento de Águas e Efluentes

que se manifestaram lá nos reatores biológicos, também deverão estar presentes na lagoa
anaeróbica. Desse modo, nas condições de anaerobiose (sem oxigênio) da lagoa, a matéria
orgânica inicia a biodegradação pela ação de bactérias facultativas, aquelas que vivem
tanto em condições aeróbias quanto em anaeróbias. Inicialmente são formados os aceta-
tos, lembra-se? Como exemplo o ácido acético; depois os gases metano e carbônico; além
de ocorrerem transformações do nitrogênio orgânico em molecular; dos fosfatos orgânicos
em inorgânicos e outras reações.
154

Importante
Ocorrem três tipos de reações bioquímicas na lagoa anaeróbica: a fer-
mentação ácida (acidogênese) realizada por bactérias facultativas
(gêneros como Clostridium, Lactobacilus) que atuam entre os estratos
anaeróbios e aeróbios transformando as proteínas, os lipídios e os car-
boidratos em ácidos fórmico, acético, propiônico, butírico, valérico, lác-
tico, etanol, amônia e gases CO2 e H2 em pH de 4,5 a 8,5; a fermen-
tação metânica realizada por bactérias metanogênicas (gêneros como
Methanospirilum, Methanobacterium) que atuam no estrato anaeróbio
transformando ácidos orgânicos em amônia, CO2 e H2, em pH entre 6,8 e
7,2; e a oxidação aeróbia, realizada por bactérias que atuam no estrato
aeróbio com presença da luz solar e de oxigênio dissolvido, transforman-
do carboidratos e proteínas em CO2 e amônia, em pH entre 7,0 e 9,0.
E para que elas aconteçam é necessário um determinado tempo de retenção do esgoto
na lagoa, que varia entre três a seis dias. Metcalf e Eddy (1991) explicam que, em condi-
ções ótimas, normalmente é fácil conseguir de forma contínua eficiências de remoção de
DBO superiores a 70%. Os processos biológicos essenciais que nela acontecem e que in-
terferem diretamente na remoção da matéria orgânica presente, os quais vamos detalhar
agora; o primeiro desses processos é a fotossíntese, que ocorre pela ação da radiação
solar no estrato aeróbio da lagoa através de microalgas e gera oxigênio para oxidar mate-
rial orgânico fecal do esgoto; esse mesmo estrato no qual se realiza por ação bacteriana a
oxidação aeróbia da matéria orgânica. Examine mais de perto a disposição das camadas
da massa líquida que você vai constatar sob o estrato aeróbio, o estrato anaeróbio assen-
tado sobre o leito de lodo. E é nesse estrato, onde a concentração de oxigênio se desfaz,
que se desenvolvem as reações de fermentação para a digestão anaeróbica.

Tratamento de Águas e Efluentes


Curiosidade
Os processos de fotossíntese e oxidação aeróbia na lagoa anaeróbica
são complementares, porque os produtos de uma reação são reagentes
da outra. A combinação dos dois processos resulta na remoção de po- 155
luentes orgânicos numa sequência de eventos: inicialmente ocorre a
conversão da matéria orgânica em microalgas através da absorção dos
compostos e elementos produzidos; a biomassa de microalgas flocula
espontaneamente, sedimenta e passa a compor a camada de lodo no
fundo da lagoa onde é digerida ou transformada em material orgânico
não biodegradável.

A lagoa facultativa
A lagoa facultativa é um tipo de lagoa de estabilização que, igualmente à anaeróbica,
possui geometria retangular e grandes dimensões, as quais dependem de fatores, por
exemplo, as condições ambientais do esgoto a ser tratado. Do mesmo modo, recebe o
afluente por uma de suas extremidades e o descarta no lado oposto. No entanto, tem uma
diferença fundamental. Você saberia dizer qual seria? Difere quanto à profundidade. En-
quanto a lagoa anaeróbia possui uma profundidade útil entre 3 e 6 metros, a facultativa
tem uma profundidade útil de 1,0 a 2,5 metros. Existe outra diferença relativa ao tempo
de retenção hidráulica: de 3 a 6 dias na lagoa anaeróbica e de 15 a 20 dias na facultativa.

Durante esse tempo de retenção ocorre uma sequência de eventos bioquímicos que
contribui para a purificação do esgoto. Parte de sua matéria orgânica em suspensão se-
dimenta para constituir o leito de lodo, que sofre um processo de biodegradação por mi-
croorganismos anaeróbicos. A matéria orgânica dissolvida, junto com a matéria orgânica
em partículas de pequenas dimensões, não sedimenta, e permanece dispersa na massa
líquida, onde sua decomposição se dá por bactérias facultativas, que, como você já sabe,
têm a capacidade de sobreviver tanto na presença quanto na ausência de oxigênio.

As características da lagoa facultativa


Tratamento de Águas e Efluentes

Com certeza você sabe a razão pela qual nominam essa lagoa de facultativa. Deve-se
às bactérias facultativas que podem sobreviver em ambientes tanto aeróbios quanto ana-
eróbios, características do estrato da lagoa, que é uma mistura desses ambientes. Você
aprendeu que as condições aeróbias presentes nesse tipo de ecossistema concentram-se
no estrato superior das águas e as condições anaeróbias predominam nas camadas pró-
ximas ao fundo da lagoa. Para sua visualização, as condições descritas são mostradas no
desenho esquemático da imagem.

156

Figura 83 – Desenho esquemático definindo as zonas aeróbia,


facultativa e anaeróbia na lagoa facultativa
Fonte: <http://player.slideplayer.com.br/2/366614/data/images/
img10.png>. Acesso em: 30 out. 2014.

Vamos procurar desvendar cada passo da ecologia do processo de tratamento do esgo-


to. A matéria orgânica em suspensão (a DBO em partículas maiores) presente no efluente
(bruto) que entra na lagoa inicia sua sedimentação para constituir o leito de lodo na zona
anaeróbia, onde sofre sua transformação pela ação das bactérias anaeróbias. Porém, a ma-
téria orgânica em dissolução (DBO solúvel) e em suspensão (mas composta por partículas
microscópicas, menos densas que a água) não decanta e continua dispersa na massa líquida
superior, ou seja, na zona aeróbia. E esse tipo de matéria orgânica para ser transformada,
para ser degradada, para ser removida da água, há necessidade da presença de oxigênio.

Agora preste bem atenção nessa etapa do processo. Uma parte desse oxigênio tão
necessário entra na água vinda da atmosfera, mas a maior quantidade é fornecida pela
fotossíntese das microalgas. E para haver a fotossíntese dessas micro plantas, tem que
existir iluminação solar e gás carbônico, além de água. Essa afirmação pode ser resumida
na equação simples da fotossíntese:

CO2 + H2O + Energia Solar ==> Matéria Orgânica + O2

As plantas usam o gás carbônico, a água e a radiação solar para fabricar sua matéria

Tratamento de Águas e Efluentes


orgânica e liberar o oxigênio como subproduto. A água e a energia solar nós sabemos de
onde vêm, mas eu lhe pergunto: e de onde vem esse gás carbônico? Ele surge como pro-
duto da respiração das bactérias, porque para decompor a matéria orgânica biodegradável
(matéria orgânica morta) elas precisam consumir o oxigênio produzido pela fotossíntese e
dissolvido na água. E como resultado dessa ação bacteriana resultam água mais energia
e o gás carbônico (CO2). Vamos resumir essas ações na equação simples da respiração,
a qual se apresenta exatamente contrária à da fotossíntese. Observe que nesse estrato
aeróbio da lagoa acontece um equilíbrio entre o consumo e a produção de oxigênio e gás
157
carbônico.

Matéria Orgânica + O2 ==> CO2 + H2O +Energia

Você sabe que quanto maior a profundidade de um corpo d’água menor a penetração
dos raios de sol em direção ao fundo e, consequentemente, menor a ocorrência de fotos-
síntese e menor a concentração de oxigênio (MENESES, 2006). Nessa camada da coluna
d’água, abaixo da zona aeróbia, ocorre uma mistura de condições ambientais aeróbicas
e anaeróbicas (VON SPERLING, 2005), a denominá-la de zona facultativa. E nessa zona
facultativa a matéria orgânica é degradada por bactérias facultativas porque, como você
sabe, elas sobrevivem com ou sem oxigênio.

Em conclusão, as lagoas facultativas dependem da fotossíntese para a obtenção do oxi-


gênio necessário ao seu funcionamento. E por essa razão esse tipo de tratamento requer
imensas áreas para sua instalação e para que a captação da luz solar seja a maior e mais
adequada possível. Sua eficiência pode alcançar valores da ordem de 90% na remoção de
DBO, conforme Mendonça (1990).
Atividade 03
Qual a diferença fundamental entre a lagoa anaeróbica e lagoa facultati-
va? Descreva a dinâmica de funcionamento de cada uma dessas lagoas
de estabilização e vá ao fórum comentar sua resposta.

O tratamento terciário
Tratamento de Águas e Efluentes

Chegamos ao tratamento terciário, que nem sempre está presente em nossas esta-
ções (ETEs), apesar de sua importância para a purificação dos esgotos. Ele tem como
finalidade principal a remoção de microorganismos patogênicos que persistem no esgoto
através de métodos fisico-químicos e desinfecção, porém também é capaz de remover
poluentes químicos. Atualmente existem processos avançados de tratamento dos efluen-
tes líquidos a nível terciário, mas ainda não são aplicados em massa no tratamento de
esgotos e sim no de efluentes de industriais (que estudaremos mais adiante), a exemplo
da osmose reversa, da troca iônica, para remover partículas dissolvidas remanescentes
158 dos tratamentos anteriores; da microfiltração, nano filtração, para remover material em
suspensão. Os processos de ozonização para excluir compostos orgânicos e a desin-
fecção por biocidas, e de radiação ultravioleta para eliminar organismos patogênicos,
já estudamos anteriormente na desinfecção da água bruta. Desta vez o nosso objetivo
é caracterizar o processo de tratamento terciário de esgotos mais comum utilizado nos
municípios do país: a lagoa de maturação.

A lagoa de maturação
Vamos caracterizar uma lagoa de maturação. De imediato podemos dizer que esse tipo
de lagoa de tratamento recebe um efluente de tratamentos anteriores já com a DBO prati-
camente estabilizada e o oxigênio dissolvido por toda a massa líquida. Por isso sua função
é muito mais de desinfecção do que de estabilização de matéria orgânica.

Aprendemos que a profundidade é um parâmetro que diferencia a lagoa anaeró-


bia da lagoa facultativa. E o que diferencia esses dois tipos de lagoas da lagoa de
maturação? Também a profundidade. Enquanto aquelas são mais profundas, a de
maturação tem uma lâmina d’água com profundidade pequena entre a 0,80 e 1,50
metros. E você saberia qual a razão desse fato? É para que toda a massa líquida rece-
ba o máximo de insolação possível e de maneira que a radiação ultravioleta alcance
as regiões mais profundas da lagoa. Quer saber também qual razão da necessidade
da insolação? Veremos em poucos momentos, mas antes temos que saber sobre o
dimensionamento requerido para essas lagoas. Por serem mais rasas são obrigadas
a exigir grandes áreas para implantação, a exemplo da lagoa instalada em Maragogi/
AL, apresentada na imagem.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 84 – Lagoa de maturação instalada em Maragogi/AL
Fonte: <http://www.casal.al.gov.br/wp-content/uploa- 159
ds/2011/05/maragogi.png>. Acesso em: 30 out. 2014

No entanto, é preciso que você saiba que o dimensionamento dessas áreas não é deter-
minado aleatoriamente; ele é calculado em função de alguns parâmetros, dentre os quais
o tempo de retenção hidráulica que, por sua vez, é determinado pela vazão média dos
esgotos da comunidade. Retenção hidráuli-
ca: tempo em que
Para você ter um conhecimento maior sobre as dimensões requeridas por uma la- o efluente perma-
goa de maturação vamos utilizar os estudos de Melo e Lindner (2013), que dimen- nece estagnado na
lagoa sofrendo os
sionaram as lagoas anaeróbia, facultativa e de maturação, do município de Campos processos bioquími-
Novos, em Santa Catarina. cos e físicos para
a purificação do
Não caberá aqui o desenvolvimento das equações desses cálculos de dimensio- esgoto.

namento, porém conheceremos os exemplos dessas dimensões, que são apresenta-


das no quadro.
Comprimento (m) Largura (m) Área Total (m2)
Dimensão das
Lagoas LA LF LM LA LF LM LA LF LM

Dimensões da área
de implantação 26,00 139,20 64,70 15,60 47,2 14,7 405 6570 951

Ao nível do espelho 24,80 138,00 63,50 14,40 46,0 13,5 357 6348 857
d’água
Ao nível da
20,80 136,00 62,50 10,40 44,0 12,5 216 5984 781
profundidade média
Ao nível do solo 16,80 134,00 61,50 6,40 42,0 11,5 107 5628 707

Quadro 3 – Eficiência do Sistema de Gradeamento


Fonte: autoria própria (2014).

Gostaria de compartilhar com você a análise desse quadro; Nós já sabemos que os
Tratamento de Águas e Efluentes

tamanhos de uma lagoa de estabilização dependem, essencialmente, da vazão média dos


esgotos de uma comunidade. Concluímos então, logicamente, que o tamanho da popula-
ção determinará o tamanho da lagoa de tratamento do seu esgoto. Mas vamos ao quadro.
Observe que nele estão registrados três tipos de medidas relativas à lagoa construída: ao
nível da superfície d’água, ao nível da profundidade média e ao nível do solo. E porque
isso? Devido ao formato da sua construção. Para melhor entendimento eu lhe apresento
essa planta da imagem que segue, mostrando a geometria do tanque que configura a me-
tade de um hexágono. Além da medição da área ao nível do espelho da água fez-se tam-
160
Hexágono: figura bém medição da área à altura da metade do paredão oblíquo, e a última medição ao nível
geométrica com
do chão, com menores comprimentos e larguras. De posse desses dados também haverá
seis lados.
mais facilidade em se calcular o volume da lagoa, por exemplo.

Figura 85 – Geometria da lagoa de maturação


Fonte: <http://1.bp.blogspot.com/-qfIRo9u6nog/Ui9248KNn-I/
AAAAAAAABls/7o0UbuE6TMs/s500/green1.bmp>. Acesso em: 30 out. 2014.

Tomando o exemplo do quadro, constatamos de imediato que a lagoa de maturação


possui dimensão intermediária entre a dimensão da lagoa anaeróbica (a menor) e a lagoa
facultativa (a maior). Essa estrutura de ETE com relação às dimensões das suas lagoas de
estabilização é uma constante. Veja, por exemplo, as instalações da ETE instalada pela Sa-
besp, em Monte Aprazível, apresentada na imagem. Pode observar que a lagoa anaeróbia,
à esquerda, é menor (17.000 m3); a facultativa, no centro, é a maior (57.000 m3); e a de
maturação, à direita, é a de dimensões intermediárias, com capacidade para 25.000 m3.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 86 – ETE de Monte Aprazível/SP - L. anaeróbica (esquerda);
L. facultativa (centro); e L. de maturação (direita).
Fonte: <http://meioambiente.monteaprazivel.sp.gov.br/fotos/
diretivas/esgoto_tratado/02.jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.

E se observarmos com mais atenção ainda, vamos concluir que existe uma relação em
cada uma das lagoas entre o comprimento e a largura (C/L). Na lagoa anaeróbia a relação
C/L se aproxima de 2,0; na facultativa, de 3; e na de maturação, se aproxima de 5. Eu lhe
informo que essa relação é constante nas construções de lagoas de estabilização.
161

O processo de desinfecção na lagoa de maturação


Vários fatores naturais atuam como agentes de desinfecção na lagoa de maturação a
exemplo da temperatura, dos eventuais compostos tóxicos presentes, o pH, a insolação.
A insolação assume grande importância porque ela trás a radiação ultravioleta. Como são
rasas, a luz solar penetra em toda a massa d’água facilitando a atividade de fotossíntese,
a produção de oxigênio, elevação de pH e o bombardeio de radiação ultravioleta. A conjuga-
ção desses fatores é letal para bactérias e vírus. É por essa razão que é elevadíssima a efi-
ciência de remoção dos microorganismos patogênicos, da ordem de 99,99% (MARA,1996).
E informo também que ela é muito eficiente na remoção de nitrogênio e fósforo. Pinto e
Onoyama (1991), mostraram com seus estudos que a remoção de nutrientes pela lagoa de
maturação é influenciada por sua pequena profundidade.

Cada das etapas de tratamento que estudamos, representadas pelos tipos prelimi-
nar, primário, secundário e terciário, possui valores estimativos de eficiência, mostra-
dos no quadro.

M.O.*- Matéria Orgânica; S.S.* - Sólidos Suspensos.


Tipo de
Objetivo Equipamentos
Tratamento
Remoção física de sólidos maiores e material
Preliminar Grades e caixas de areia.
granuloso.
Remoção física e bioquímica dos sólidos Fossas sépticas, reatores anaeróbicos,
Primário decantadores primários.
sedimentáveis.

Secundário Remoção bioquímica da matéria orgânica. Lodos ativados, lagoas de estabilização.

Remoção de microorganismos patogênicos e Ozônio, radiação ultravioleta, agentes


Terciário químicos.
nutrientes.

Quadro 6 – Objetivos e equipamentos dos tipos de tratamento


Fonte: autoria própria (2014).
Tratamento de Águas e Efluentes

Mídias
O livro que sugiro como leitura complementar é Reuso de Água, dos Pro-
fessores Pedro Caetano Sanches Mancuso e Hilton Felício dos Santos,
editado pela USP. Ele traz uma contribuição significativa ao processo de
aperfeiçoamento e melhoria dos sistemas de gestão de recursos hídri-
cos, saneamento ambiental e, consequentemente, das condições de de-
senvolvimento em bases mais sustentáveis. Destina-se a agregar conhe-
162 cimentos essenciais ao atendimento e aplicações do reuso de água. Um
livro para quem se interessa por este tema.

Resumo
Nesta competência você conceituou os tratamentos secundário e terciário do proces-
so convencional de tratamento de esgotos, assim como classificou em sistemas anaeró-
bico e aeróbico; caracterizou o reator anaeróbico de fluxo ascendente (RAFA), o tanque
de aeração (reator aeróbio) e o decantador secundário; também conceituou e classificou
as lagoas de estabilização no tratamento secundário em anaeróbia e facultativa, e no
tratamento terciário a lagoa de maturação; e determinou a eficiência de cada um dos
tratamentos estudados.

Autoavaliação
1- No tratamento preliminar do tratamento de esgotos os equipamento utilizados para a
remoção das impurezas são:

a) Fossas sépticas e ozônio

b) Grades e caixas de areia

c) Lodos ativados

d) Lagoas de estabilização

2- A remoção de microorganismos patogênicos e nutrientes é o objetivo da etapa de trata-


mento:

a) Preliminar

Tratamento de Águas e Efluentes


b) Primário

c) Secundário

d) Terciário

3- Lodos ativados e lagoas de estabilização são equipamentos do tipo de tratamento se-


cundário de esgotos que tem como objetivo específico:

a) Remoção física de sólidos maiores e material granuloso.


163
b) Remoção física e bioquímica dos sólidos sedimentáveis.

c) Remoção bioquímica da matéria orgânica.

d) Remoção de microorganismos patogênicos e nutrientes.

4 - Complete as lacunas com a palavra que mais se adeque:

• Um dos tratamentos de desinfecção que se utiliza nas ETEs faz-se com a radiação
__________.

• Do tanque de aeração o __________ segue para o tratamento no tanque secundário.

• O reator anaeróbio de fluxo ____________ remove cerca de 70% da DBO do efluente e


produz biogás a partir do lodo em biodegradação.

• O lodo ativado é rico em microorganismos ___________________.

a) ultravioleta; efluente; ascendente; biodegradadores.

b) ultravioleta; lodo; descendente; vivos.


c) ultravioleta; microorganismo; ascendente; vivo.

d) ultravioleta; efluente; descendente; vivo.

5 - Após ser tratado no decantador secundário, o efluente segue para a etapa de:

a) Desinfecção.

b) Ativação.

c) Biodegradação.

d) Fotossíntese.
Tratamento de Águas e Efluentes

164
Competência
10
Caracterizar o tratamento
de emissões gasosas e efluentes
líquidos industriais
Caracterizar o tratamento
de emissões gasosas e efluentes
líquidos industriais
No final de julho de 2007 ocorreu o lançamento de efluentes líquidos industriais sem
qualquer tratamento no rio Jundiaí, em Natal/RN, matando e contaminando os organis-
mos daquele ecossistema.

Às cinco horas da manhã daquele sábado, dia 28 de julho, o pescador Jeferson

Tratamento de Águas e Efluentes


saía do rio com sua sacola carregada com seis tainhas e retornava para casa, onde
Damiana, sua mulher, o esperava para comer peixes. Ela estava grávida de sete meses,
feliz, torcendo para que se passasse ligeirinho os dois meses até à chegada do bebê.
Tratadas, as tainhas foram preparadas e cozidas com tomates, cebola, colorau, pimen-
tão, sal e água, um escaldarel, como chamavam aquele prato os ribeirinhos. No meio da
manhã, lá para as nove horas, a mesa foi servida e o casal comeu o escaldarel.

Ao meio-dia, Jeferson começou a sentir calafrios e ter febre alta. As dores abdominais
surgiram logo em seguida e teve uma forte disenteria. Os sintomas se agravaram com o 167
surgimento de sangue. No início da tarde, Damiana começou a sentir os mesmos sinto-
mas. Os dias que se seguiram foram de agonia e sofrimento.

Na tarde da segunda-feira, 30 de julho, Damiana não sentiria mais sua menina (sim, seria
uma menina) mexer-se em seu ventre. Ainda com os mesmos sintomas da intoxicação, fortes
contrações tomaram conta da mulher; levada ao Hospital diagnosticou-se que não se ouvia
mais o coração do bebê; a criança estava morta e os médicos induziram Damiana ao parto.

[...] Parece que às margens do Jundiaí, as crianças nascem mais para brincar nos
céus como anjos do que para pescar em suas águas como pessoas.

A história que você acabou de saber foi retirada do livro Jundiaí, o Rio dos Bagres Mortos
(GUIMARÃES, 2012), que denunciou o crime ambiental.

Nesta competência você caracterizará o tratamento de emissões gasosas e efluentes


líquidos industriais; conceituará os indicadores de qualidade do ar; conceituará e carac-
terizará as técnicas empregadas no tratamento de poluentes atmosféricos particulados e
gasosos, e também os processos de tratamento dos efluentes líquidos industriais.
A resolução do CONAMA quanto às emissões de
poluentes na atmosfera
O seu aprendizado sobre o tratamento de emissões gasosas na atmosfera terá que
conter o conhecimento básico das determinações da Resolução CONAMA 382/2006, que
dispõe sobre os limites máximos permitidos dessas emissões lançadas por fontes fixas de
emissão, e sobre outros critérios mínimos.

Para o estabelecimento dos seus limites foram considerados, dentre outros fatores, a
adoção de tecnologias (equipamentos de controle) dessas emissões, técnica e economi-
camente viáveis e acessíveis, e já desenvolvidas em escala que permitam sua aplicação
prática; e o grau de saturação dos poluentes (ou capacidade de suporte) da região onde se
encontra o empreendimento.
Tratamento de Águas e Efluentes

Curiosidade
• Fonte fixa de emissão: qualquer instalação, equipamento ou proces-
so, situado em local fixo, que libere ou emita matéria para a atmos-
168 fera, por emissão pontual ou fugitiva.
• Equipamento de controle de poluição do ar: dispositivo que reduz as
emissões atmosféricas.

Você deve estar perguntando se não daria para definir mais especificamente esses fa-
tores, não é verdade? Claro que dá! Porém, eu gostaria de embasar muito bem esse nosso
conhecimento, conceituando nossa maior protagonista: a própria emissão, que é o lan-
çamento na atmosfera, de qualquer forma de matéria, seja ela sólida, líquida, ou gasosa.

E para detalhar isso, vamos classificar em: emissão fugitiva, que acontece de uma ma-
neira difusa, efetuada por uma fonte desprovida de dispositivo projetado para dirigir ou
controlar seu fluxo; e emissão pontual, efetuada por uma fonte provida de dispositivo para
dirigir ou controlar seu fluxo, como dutos e chaminés.
Atividade 01
Faça uma pesquisa sobre a Resolução CONAMA 382/06 e, baseado nela,
caracterize os poluentes mais comuns lançados na atmosfera pelas ati-
vidades humanas, estabelecendo os seus limites máximos de emissão e
informe sua pesquisa em nosso fórum.

Os poluentes constituintes das emissões

Tratamento de Águas e Efluentes


É importante que você saiba quais e o que são os poluentes mais comuns lançados à
atmosfera pelas atividades humanas, antes que passemos a estudar os equipamentos e
as técnicas utilizadas para o seu tratamento. Mas, só para exercício entre nós, como você
definiria uma substância poluente da atmosfera? Você diria que é aquela que se apresenta
com uma concentração capaz de torná-la nociva a nossa saúde? Perfeito! Você acertou. Só
vou acrescentar que também possui a capacidade de causar impactos ambientais.

Sabemos que a nossa atmosfera está saturada com uma grande variedade de subs-
tâncias poluentes e o nível dessa poluição é medido pela quantidade dessas substâncias.
169
Mas, exatamente por essa relação ser extensa, não é tão fácil fazer uma classificação.

Para facilitar o estudo desses poluentes vamos adotar a sua classificação conforme os
critérios do professor John Seinfield (2006), que as divide em dois grupos: os poluentes
primários, aqueles emitidos diretamente pelas fontes emissoras, a exemplo dos compos-
tos orgânicos voláteis (COVs), como os solventes clorados (clorofórmio, cloro metileno), o
monóxido de carbono e o dióxido de enxofre, entre outros; e os poluentes secundários,
aqueles formados na atmosfera através da reação química, com interferência da radiação
ultravioleta, entre os COVs e os óxidos de enxofre/nitrogênio, por exemplo, para formar
oxidantes fotoquímicos tais como o ozônio, e outros.

Curiosidade
Os compostos orgânicos voláteis podem contribuir na formação dos
oxidantes fotoquímicos produzidos pela sua reação com os óxidos de
nitrogênio e enxofre, por exemplo, na presença de luz solar. O principal
produto desta reação é o ozônio, que se utiliza como parâmetro indicador
da presença de oxidantes fotoquímicos na atmosfera. É a presença des-
ses poluentes que forma a névoa, o smog fotoquímico, responsável pela
diminuição da visibilidade na atmosfera como você visualiza na imagem.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 87 – Smog fotoquímico, névoa de poluentes sobre a cidade


Fonte: <http://revistaplaneta.terra.com.br/media/images/large/2014/03/13/
img-357096-imperio-da-poluicao.png>. Acesso em: 30 out. 2014.

170
Em meio a esses poluentes primários e secundários um grupo deles é adotado univer-
salmente como indicador de qualidade do ar. Sua escolha se deve tão somente à frequên-
cia de ocorrência e de seus efeitos nocivos: material particulado (MP), dióxido de enxofre
(SO2), monóxido de carbono (CO), oxidantes fotoquímicos, hidrocarbonetos (HC) e óxidos
de nitrogênio. Vamos fazer uma breve conceituação desses indicadores.

Os indicadores de qualidade do ar
Quando falamos em material particulado não estamos nos referindo a uma única subs-
tância, mas a um conjunto de poluentes constituído de fumaças, poeiras e outras partícu-
las sólidas e líquidas suspensas na atmosfera. Certamente você vai se deparar nos seus
estudos e no exercício do seu trabalho, com vários desses compostos, tecnicamente nomi-
nados como Partículas Totais em Suspensão (PTS), Partículas Inaláveis (MP10), Partículas
Inaláveis Finas (MP2,5) e Fumaça (FMC). As fontes desses poluentes são as mais diversas,
tais como processos industriais, queima de biomassa, ressuspensão de poeira do solo e
escapamentos dos veículos automotores.
Porém, esse material particulado pode originar-se também em plena atmosfera (refe-
rência já feita anteriormente) como resultado de reações químicas no ar, a partir de gases
como óxidos de nitrogênio (NOx), o dióxido de enxofre (SO2) e compostos orgânicos voláteis
(COVs), que são emitidos principalmente em atividades de combustão.

Curiosidade
As partículas totais em suspensão (PTS) possuem um diâmetro aerodi-
nâmicos menores que 50 micrômetros e parte delas são inaláveis e pre-
judiciais à saúde; as partículas inaláveis (MP10) possuem um diâmetro

Tratamento de Águas e Efluentes


aerodinâmico menor que 10 micrômetros, e aquelas com tamanhos en-
tre 0 e 10 micrômetros podem causar danos ao sistema respiratório; as
partículas inaláveis finas (MP25) possuem um diâmetro aerodinâmico
menor que 2,5 micrômetros e também podem afetar o sistema respira-
tório; e a fumaça (FMC) é um material particulado resultante dos proces-
sos de combustão e está diretamente relacionado ao teor de fuligem na
atmosfera.

171

Atividade 02
Faça uma pesquisa sobre o material particulado e suspenso na atmosfera
dando-lhe uma conceituação e elencando os principais poluentes com as
principais características. Informe sua resposta no fórum.

Você já foi apresentado ao dióxido de enxofre (SO2)? Ele é uma substância resultante
da queima de combustíveis que contém enxofre, a exemplo do diesel, da gasolina e é um
dos responsáveis pela formação da chuva ácida. Tecnicamente, a chuva ácida possui, ge-
ralmente, um pH inferior a 4,5 (a 20 °C). Estou falando em chuva ácida, mas esqueci de
perguntar se você já a conhece. De qualquer modo, posso acrescentar que é um fenômeno
que ocorre devido à poluição atmosférica promovida por óxido de nitrogênio, dióxido de car-
bono e o dióxido de enxofre. O dióxido de enxofre se aglutina com as gotículas das nuvens
e reage quimicamente formando o ácido sulfuroso (H2SO3), como mostrado na equação
a seguir:

SO2 + H2O → H2SO3

E esse mesmo ácido sulfuroso pode oxidar-se para formar o ácido sulfúrico
(H2SO4). Enfim, a partir do dióxido de enxofre se originam ácidos que caem sobre a terra
com efeitos negativos sobre os organismos aquáticos, sobre os equipamentos, sobre os
monumentos, esculturas e sobre a flora.

Outro indicador da qualidade do ar é o monóxido de carbono (CO). A queima de carvão


também promove a sua liberação. Esse gás tóxico é produzido pela queima incompleta dos
combustíveis de origem orgânica, dos combustíveis fósseis como o carvão, o querosene,
a gasolina, e por isso mesmo, sua maior concentração acontece nas grandes metrópoles
Tratamento de Águas e Efluentes

com as imensas e vegetativas frotas de veículos automotores (CETESB, 2012).

Curiosidade
Quando o monóxido de carbono é inalado ocorre a formação do complexo
químico hemoglobina-monóxido, em lugar do hemoglobina-oxigênio, que
172
se forma quando inspiramos o oxigênio, no glóbulo vermelho. A morte
da pessoa acontece quando 67% das hemoglobinas estão acopladas ao
monóxido (SILVA, 2005).

Eu já lhe apresentei esses indicadores, os oxidantes fotoquímicos, quando classifica-


mos os poluentes atmosféricos. Aprendemos que eles se originam de reações químicas
entre compostos orgânicos voláteis (produzidos na queima incompleta de combustíveis e
evaporação de solventes) e óxidos de enxofre e nitrogênio, entre outras substâncias. Des-
sas reações vimos nascer o ozônio, por exemplo, como mostrado nas equações a seguir.

NO2 → (UV) → NO + O

O + O 2 → O3

Assim, o dióxido de nitrogênio (NO2), sob ação da radiação ultravioleta, se dissocia em


óxido nítrico (NO) e oxigênio (O). Este átomo de oxigênio liberado reage com uma molécula
diatômica (O2) para formar o ozônio (O3).

Eu sei que você já conhece os hidrocarbonetos (HC), mesmo assim vamos juntos exa-
minar mais de perto as características desses poluentes atmosféricos. Eles são constituí-
dos de carbono e hidrogênio apresentando-se na forma de gases, partículas finas ou gotas.
Apenas para relembrar os conhecimentos básicos da química orgânica está na imagem a
fórmula espacial do mais simples dos hidrocarbonetos, o metano (CH4), um gás incolor e
de pouca solubilidade na água, mas altamente inflamável quando em contato com o ar.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 88 – Molécula do gás metano
Fonte: <http://wmnett.com.br/quimica/wp-content/uploads/2012/04/
image681.png>. Acesso em: 30 out. 2014

173
Curiosidade
Os hidrocarbonetos podem ser classificados com relação a sua estrutura
molecular em alcanos, alcenos, alcinos, ciclanos, alcadienos, aromáti-
cos, e com relação às emissões como poluentes podem ser classificados
em hidrocarbonetos totais (THC), hidrocarbonetos não metano (NMHC),
e metano (CH4). Eles se originam de processos industriais e naturais,
assim como dos veículos automotivos.

São dois os mais importantes óxidos de nitrogênio que se apresentam como poluentes
atmosféricos: o monóxido de nitrogênio (NO) e o dióxido de nitrogênio (NO2) que, segundo
Manahan (1994), são designados coletivamente por NOx. Você até que poderia perguntar
de onde eles surgem. Olha, a atmosfera tem na sua composição cerca de 78% de nitro-
gênio, 21% de oxigênio, 1% de argônio e outros componentes com menores quantidades.
Então, você também concorda que dentro das câmaras de combustão dos automotivos
deverão existir consideráveis quantidades de oxigênio e nitrogênio, correto? E como no in-
terior dessas câmaras ocorrem elevadíssimas temperaturas criam-se condições propícias
para a combinação desses compostos originando os monóxidos (NO) e os dióxidos (NO2).
E também devo lhe informar que esses casos podem ser produzidos por queimadas e ins-
talações industriais.

Mas, eu lhe confesso que não temeria o NO liberto na atmosfera se ele permanecesse
solitário, puro. E você quer saber por quê? Porque ele seria um gás inofensivo que não
causaria nenhum dano a nossa saúde. Entretanto,

não é isso o que acontece. Logo que surge dentro da câmara, ele procura um átomo de
oxigênio para unir-se, e dessa união resulta o dióxido de nitrogênio (NO2), como você pode
constatar na equação seguinte: 2 NO + O2 → 2 NO2. Agora, esse gás é danoso. Diferente do
incolor monóxido, ele se apresenta com uma coloração vermelho-acastanhada.
Tratamento de Águas e Efluentes

Com relação aos efeitos sobre nossa saúde, ele tem um cheiro forte e irritante; e provo-
ca ardor nos olhos, no nariz, nas mucosas, além de danos nas células.

As técnicas para o tratamento de poluentes


atmosféricos
Você aprendeu sobre as características dos principais poluentes atmosféricos lançados
174 pelas atividades humanas, e chegou o momento de conhecer as técnicas e os equipamen-
tos utilizados para amenizar essas emanações. Mas, como definiríamos essas técnicas?
Vamos buscar uma definição oficial, na Resolução nº 316/2002, que dispõe sobre procedi-
mentos e critérios para o funcionamento de sistemas de tratamento térmico de resíduos.
E quando falo sobre tratamento térmico estou me referindo a todo e qualquer processo
industrial cuja operação em seus fornos, por exemplo, se efetue acima da temperatura
mínima de oitocentos graus Celsius.

As melhores técnicas disponíveis, segundo a resolução já referida são: o estágio mais


eficaz e avançado de desenvolvimento das diversas tecnologias de tratamento, beneficia-
mento e de disposição final de resíduos, bem como das suas atividades e métodos de ope-
ração, indicando a combinação prática destas técnicas que levem à produção de emissões
em valores iguais ou inferiores aos fixados por esta Resolução, visando eliminar e, onde
não seja viável, reduzir as emissões em geral, bem como os seus efeitos no meio ambiente
como um todo.

E aproveitando a presença dessa resolução, que trata da normatização de emissões de


poluentes para a atmosfera, nesse nosso estudo temos que atentar sempre sobre essas
técnicas de eliminação ou mitigação, para que as emissões de particulados e gasosos não
ultrapassem os limites definidos pela legislação ambiental. Você deve estar concordando
com esse alerta, até porque o seu descumprimento resulta em autos de infração, multas e
interdição da indústria; além de acarretar processos judiciais devido as impropriedades na
segurança do trabalho ou danos à saúde, por exemplo.

Para facilitar nosso aprendizado vamos considerar dois tipos de técnicas para o trata-
mento dos poluentes atmosféricos: uma relacionada aos poluentes particulados e a outra
relacionada aos poluentes gasosos.

As técnicas para o tratamento de poluentes


particulados

Tratamento de Águas e Efluentes


Você já aprendeu que os particulados são um conjunto de poluentes constituído de
fumaças, poeiras e outras partículas sólidas misturadas a um gás que é lançado na atmos-
fera. Existem determinadas opções para a separação de poluentes particulados que se
lançariam no ar. Uma delas é através da centrifugação dos gases contendo as partículas
induzida pelo escoamento rotativo no interior de um equipamento conhecido por ciclone,
que lhe apresento na imagem.

175

Figura 89 – Equipamento ciclone para depuração de gases


Fonte: <http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/
thumb/a/a2/SeparadorCiclonico.jpg/300px-SeparadorCiclonico.jpg>.
Acesso em: 30 out. 2014.

Os gases entram tangencialmente na câmera do ciclone, de formato cônico. As partí-


culas são mais densas que os gases. Assim, durante a rotação no interior do ciclone as
partículas se chocam nas paredes, perdem a velocidade e caem no fundo do equipamento
de onde são retiradas. E os gases escapam através do tubo central do ciclone. Esse tipo de
tratamento é muito usual em usinas de cimento e mineração.
Porém, para conter essas emissões a melhor opção, principalmente por sua vantajosa
relação custo/benefício, são os filtros de manga, os quais são utilizados em larga escala
pelas unidades industriais. O que são filtros de manga? Eu vou responder, porém antes
quero lhe apresentar um desses equipamentos, ilustrado na imagem, para sua maior com-
preensão das caracterizações e conceituações que serão desenvolvidas. Ou melhor ainda,
ao descrever o equipamento serão também definidos os filtros de manga.
Tratamento de Águas e Efluentes

Figura 90 – Desenho esquemático de um filtro de mangas


(esquerda); e um sistema de filtração real (direita)
Fonte: <http://bernauer.com.br/site/imagens/funcionamento.png>; <http://
images.nei.com.br/lg/258183.jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.

176 Veja você, à esquerda, um desenho esquemático de um filtro de mangas. Observe que
o efluente gasoso contaminado com os poluentes particulados entra na lateral da câmara,
conforme indicado pela seta vermelha, e se dirige diretamente para as mangas. O gás pas-
sará pela porosidade do tecido ou outro material, que constitui a manga e sairá na parte
superior da câmara, já limpo das impurezas. Essas partículas, que foram filtradas, serão
posteriormente coletadas na parte inferior do cone, indicado pela seta. Agora, à direita da
imagem, você vê as mangas de filtro num sistema de filtração real.

Como você observou, cada manga de filtro tem um formato cilíndrico e é fabricado com
diferentes materiais, de acordo com os requerimentos dos poluentes. Nos seus estudos
e desenvolvimento profissional, certamente você encontrará os mais diferentes tipos de
mangas de filtro, algumas convencionais de poliéster, feltro, metálicas e plissadas.

Curiosidade
Os filtros de manga, usados nas indústrias, geralmente são compostos
de três partes básicas: moega (na parte inferior, no duto de entrada do
ar/gás sujo, onde o material coletado é depositado), carcaça (onde ficam
as mangas fixadas em uma chapa plana que as sustenta, faz ainda a
vedação entre a carcaça e a parte superior do filtro) e o Plenum (câmara
superior por onde sai o ar/gás limpo, no duto de saída, e onde ficam os
sistemas de limpeza periódica das mangas). (MEIO FILTRANTE, 2008).

As técnicas para o tratamento de poluentes


gasosos

Tratamento de Águas e Efluentes


Você já entendeu que existe um trabalho contínuo na busca do controle da poluição
atmosférica. Para tanto, os estudiosos sempre estão desenvolvendo técnicas e equipa-
mentos com a finalidade de eliminar, mitigar, diluir os poluentes lançados na atmosfera
através da filtração do ar. Vamos então conhecer as principais metodologias e seus
equipamentos de combate aos gases poluentes, a exemplo da adsorção, absorção e
oxidação catalítica desses gases. Comecemos pelo tratamento através da oxidação
catalítica dos gases.

Aliás, o que é oxidação catalítica? É uma reação química muito simples que retira 177
gases poluentes dos efluentes gasosos de automotivos ou industriais, como os hidrocar-
bonetos, através da sua oxidação, transformando-os nos vapores não tóxicos do CO2, N2 e
água, por exemplo. Nesta reação utiliza-se uma substância catalisadora, isto é, que acelera
a reação, mas permanece intacta ao seu final.

Porém, vamos por partes. Primeiro temos que entender o que é oxidação e o que
é catálise, para chegarmos à oxidação catalítica. A oxidação é o estado em que um
elemento químico perde elétrons para outro (ou compartilha). Por exemplo, quando
queimamos carvão, o carbono (C) será oxidado ao reagir com o oxigênio (O2), cedendo
elétrons para o oxigênio, e forma o gás carbônico liberando energia: C + O2 → CO2 +
energia. No desenho esquemático você observa que os átomos de oxigênio, com seus
elétrons vermelhos, recebem (compartilham) os elétrons amarelos do átomo de carbo-
no, numa união covalente.
Covalente: número
total de elétrons
que um átomo
pode compartilhar
com outro (ou seja,
o total de ligações
covalentes que ele
pode formar).
Figura 91 – Ligação covalente do gás carbônico (CO2)
Fonte: <http://wmnett.com.br/quimica/wp-content/uploads/2011/08/ima-
ge431.png>. Acesso em: 30 out. 2014.
Tratamento de Águas e Efluentes

Você já teve algumas pistas do que vem a ser catálise. Sintetizando, a catálise num
processo de purificação do ar é a aceleração da velocidade das reações que ali aconte-
cem, em razão da adição de uma substância, o catalisador. Em verdade a catálise seria a
ação deste catalisador, o qual pode ser removido do meio após completada a separação
dos poluentes.

Desse modo concluímos que o processo de purificação do ar através da oxidação ca-


talítica consiste na transformação de poluentes gasosos, tais como os hidrocarbonetos,
178 através da sua oxidação, em gases inofensivos, com o auxílio de um catalisador químico.
Um catalisador, de uma maneira geral, pode ser constituído por um composto cerâmico ba-
nhado em metais preciosos (Paládio, Platina e Ródio) altamente eficazes na transformação
dos gases poluentes, como o modelo da imagem.

Figura 92 – Estrutura e funcionamento de catalisador para oxidação catalítica


Fonte: <http://magooart.com.br/files/2013/02/como-funciona-o-catalisador.
jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.

Outra técnica de tratamento dos efluentes gasosos poluentes que lançamos na atmos-
fera é o processo da absorção. Você definiria o que é absorção? Uma esponja encharcada
de água é um bom exemplo de absorção de um líquido por um sólido. Esse é o processo:
a fixação de um líquido por um sólido ou a fixação de um gás por um líquido. Dê-me um
exemplo da fixação de um gás por um líquido. Ótimo. Realmente, o gás carbônico em refri-
gerantes ou água é um bom exemplo, o qual está materializado na imagem.

Tratamento de Águas e Efluentes


179
Figura 93 – Estrutura e funcionamento de catalisador
para oxidação catalítica
Fonte: <http://magooart.com.br/files/2013/02/como-funciona-
o-catalisador.jpg>. Acesso em: 30 out. 2014.

Pronto, você já entendeu o princípio do método. No controle de poluição do ar, a ab-


sorção envolve a remoção de um contaminante gasoso de uma corrente gasosa por sua
dissolução em um líquido.

Para resumir podemos dizer que esse processo de absorção consiste na passagem
dos gases poluentes, mediante sua dissolução, através de líquidos absorvedores (também
conhecidos por lavadores) que removem ou purificam os poluentes. Vários são os equipa-
mentos usados nesse processo. Pode ser uma coluna com pratos ou recheios, por exemplo.

Esses equipamentos consistem de um cilindro com pratos perfurados distribuídos em


seu interior. Como pode observar na imagem, o gás em ascensão promove uma resistência
à passagem do líquido (descendente) de forma a manter um acúmulo em cada prato, onde
há um contato entre as fases (o gás e o líquido, geralmente, escoam em contracorrente).
Figura 94 – Coluna de absorção com pratos
Fonte: <http://dc337.4shared.com/doc/_7WdvSab/preview_
Tratamento de Águas e Efluentes

html_m7b77e302.gif>. Acesso em: 30 out. 2014.

Curiosidade
A coluna de absorção com recheios consiste de um cilindro, semelhante
à coluna de absorção com material de enchimento (em lugar de pratos)
constituído por peças de metal, plástico, cerâmicas, teflon, vidro, aço
180 inoxidável, carvão entre outros materiais nominados de anéis de Ras-
chig, selas Berl, selas Intalox, anéis Pall, anéis Ballast.

Também se desenvolveu a técnica de tratamento dos efluentes gasosos poluentes por


adsorção. Sabemos que adsorção é a adesão de moléculas de um fluido (o adsorvido) a
uma superfície sólida (o adsorvente); e que os sólidos porosos como o carvão ativado são
ótimos adsorventes. Na adsorção química as moléculas (ou átomos, ou íons) unem-se à su-
perfície do adsorvente através da formação de ligações químicas (geralmente covalentes).

Você sabe o que é o carvão ativado? Pois bem. Antes de qualquer outra informação,
o carvão ativado é carbono com intensa porosidade microscópica. Por suas características
singulares é usado com eficácia na filtração de gases tóxicos e poluentes, e é obtido a partir
de sua queima em baixas concentrações de oxigênio sob temperaturas de 800 a 1.000 °C.

Os chamados filtros de carvão ativado são utilizados em cartuchos descartáveis cuja


constituição é mostrada na imagem. Observe que o ar (do fluido que se quer tratar) penetra
por um lado, percolados por uma camada de particulados (aerossóis), uma segunda cama-
da filtrante do próprio carvão ativado, e uma terceira de um pó de carvão. E só então o gás
tratado flui para a atmosfera.
Figura 95 – Filtro de carvão ativado para purificação de gases
Fonte da imagem: <http://static.hsw.com.br/gif/gas-mask1.gif>.
Acesso em: 30 out. 2014.

Tratamento de Águas e Efluentes


Curiosidade
A matéria-prima da qual o carvão ativado é fabricado, obrigatoriamente tem
que possuir alta concentração de carbono, a exemplo da casca de coco,
antracito, turfa, resíduos de petróleo, ossos de animais e restos de cortiça.

181

Os efluentes líquidos industriais


Você bem sabe que durante o seu processo produtivo as indústrias geram efluentes que
podem impactar o meio ambiente. E esses efluentes têm que ser quantificados quanto ao
volume gerado e qualificados quanto a sua natureza química, física e biológica, e analisa-
dos sobre a potencialidade de toxicidade, para que se escolha o tipo de tratamento antes
que sejam lançados ao ambiente. Vamos definir o efluente industrial? Vejamos a definição
da Norma Brasileira NBR 9800/1987, que o conceitua como um lançamento líquido pro-
veniente do processo operacional de uma unidade industrial, de águas de refrigeração
poluídas, águas pluviais poluídas e esgoto doméstico.

Quanto aos processos de tratamentos, você vai observar que já são nossos co-
nhecidos, pois trabalhamos com eles quando estudamos os métodos e tecnologias
para purificar a água bruta e os efluentes urbanos. Vejamos, por exemplo, alguns tipos
de contaminantes oriundos das indústrias e os respectivos processos de tratamentos
elencados no quadro.
Sólidos suspensos Gradeamento, desareamento, decantação, coagulação, flotação.
Partículas orgânicas biodegradáveis Reatores biológicos, lodos ativados (filtração biológica).
Agentes patogênicos Cloração, ozonação, radiação ultravioleta, lagoas de maturação.
Remoção biológica e bioquímica, adição de sais metálicos, preci-
Fósforo pitação química.
Orgânicos voláteis Adsorção por carvão ativado.
Óxidos de nitrogênio e cianetos Cloração, oxidação catalítica.
Metais pesados Precipitação química, troca iônica.

Quadro 7 – Exemplos de contaminantes e processos de tratamento


Fonte: autoria própria (2014).

Com os exemplos apresentados no quadro, você irá concluir que os tratamentos dos
Tratamento de Águas e Efluentes

efluentes industriais podem ser classificados de acordo com a natureza física, química ou
biológica: as propriedades físicas dos poluentes incluindo o tamanho das suas partículas,
e o seu peso específico, determinarão qual processo físico de tratamento deverá ser utiliza-
do, a exemplo do gradeamento, da decantação, da flotação, etc.; as propriedades químicas
determinarão qual processo químico será utilizado, se coagulação, troca iônica, oxidação,
etc.; enquanto que a escolha do processo biológico de tratamento, anaeróbio ou aeróbio,
será determinado pela natureza dos agentes biológicos e pode contemplar os processos
por lodos ativados, lagoas aeradas, biodiscos, valas de oxidação, etc.
182
Por ser um efluente líquido industrial de alta periculosidade para o ambiente e a saúde
humana, vamos escolher a indústria da mineração do ouro como exemplo de um proces-
so de tratamento. A indústria aurífera utiliza em sua operacionalização o cianeto, e seus
efluentes contém elevadas concentrações dessa substância tornando-a tóxica necessitan-
do, portanto, de sua remoção. Como fazê-lo? Qual o processo mais adequado?

Para remover o cianeto presente nos efluentes antes de seus lançamentos no corpo re-
ceptor, ele será tratado pelo processo físico-químico da oxidação através da ação de fortes
oxidantes, tais como o hipoclorito de sódio ou o peróxido de hidrogênio (H2O2), a popular
água oxigenada.

O peróxido de hidrogênio oxida o cianeto livre (CN-) a cianato (CNO-), conforme


reação de Kepa et al, 2008, apresentada a seguir.

CN– + H2O2 → CNO– + H2O

Sei que você está ansioso para perguntar: e esse cianato não será também prejudicial
ao ambiente? O íon cianato (CNO-) que resulta do tratamento se apresenta centenas de
vezes menos tóxico do que o cianeto (CN-). Além de ser relativamente inofensivo, ele pode
ainda ser eliminado totalmente por uma reação de hidrólise.
E para concluir esse nosso aprendizado, apresento a você um exemplo do fluxograma de
uma estação de tratamento de efluentes industriais através de um processo físico-químico.

Tratamento de Águas e Efluentes


Figura 96 – Fluxograma do tratamento de efluentes industriais por
processo físio-químico Fonte: <http://assets.cimm.com.br/noticias/imagem/
Image/materialdidatico01_11.gif>. Acesso em: 30 out. 2014.

Mídias
183
Uma leitura de grande aprendizado é o livro do professor Petrônio Lerche
Vieira (em parceria com outros técnicos) Gás Natural: benefícios ambien-
tais no Estado da Bahia, da Bahiagás, sobre as emissões de poluen-
tes para a atmosfera. Telefones e e-mail para contato: (71) 3206 6000/
3206.6001/ documenta@bahiagas.com.br. O livro Manual de Tratamen-
to de Efluentes Industriais, do professor José Eduardo Cavalcanti (Editora
J.E. Cavalcanti) trata dos efluentes líquidos industriais com informações
sobre as potencialidades e limitações dos vários processos de depura-
ção de diferentes tipos de águas residuais industriais e sobre a elabora-
ção de estudos e projetos dos sistemas de tratamento.

Resumo
Nesta competência você aprendeu a definir e classificar os poluentes das emissões ga-
sosas em primários e secundários; a conceituar os indicadores de qualidade do ar a exem-
plo dos materiais particulados, dióxido de enxofre, monóxido de carbono, oxidantes foto-
químicas, hidrocarbonetos e óxidos de nitrogênio; a conceituar e caracterizar as técnicas
empregadas no tratamento de poluentes atmosféricos particulados e gasosos; e aprendeu
a conceituar e caracterizar os processos de tratamento dos efluentes líquidos industriais.

Autoavaliação
Preencha as lacunas com as respostas corretas.

1 - As Partículas Totais em Suspensão (PTS), Partículas Inaláveis (MP10), Partículas Ina-


láveis Finas (MP2,5) e Fumaça (FMC) são poluentes da atmosfera conhecidos em seu
conjunto como ______________.

a) material particulado
Tratamento de Águas e Efluentes

b) compostos orgânicos voláteis

c) poluentes primários

d) oxidantes fotoquímicos

2 - O material particulado pode originar-se também em plena atmosfera (referência já fei-


ta anteriormente) como resultado de reações químicas no ar, a partir de gases como
184 óxidos de nitrogênio (NOx), dióxido de enxofre (SO2), e_________________, que são
emitidos principalmente em atividades de combustão.

a) ozônio

b) solventes clorados

c) a presença da luz

d) compostos orgânicos voláteis (COVs)

3 - Em nossos estudos consideramos dois tipos de técnicas para o tratamento dos poluen-
tes atmosféricos: uma, relacionada aos__________________; e a outra relacionada aos
poluentes gasosos.

a) poluentes secundários

b) poluentes particulados

c) poluentes primários

d) poluentes gasosos
4 - Dentre os indicadores de qualidade do ar elegemos seis poluentes para nossos estudos
sequenciados como material particulado (MP), dióxido de enxofre (SO2), monóxido de
carbono (CO), oxidantes fotoquímicos, hidrocarbonetos (HC) e___________________ .

a) solventes clorados

b) compostos orgânicos voláteis

c) óxidos de nitrogênio

d) oxidantes fotoquímicos

5. Enumere a segunda coluna de acordo com a primeira, usando a correspondência entre


elas quanto a cada poluente possível de estar presente nos efluentes industriais, com

Tratamento de Águas e Efluentes


uma técnica de tratamento mais adequada.

1 ) Sólidos suspensos ( ) cloração;

2) Cianeto ( ) precipitação química;

3) Agentes patogênicos ( ) decantação

4) Fósforo ( ) oxidação

a) 3, 4, 1, 2.

b) 1, 3, 4, 2. 185

c) 2, 4, 3, 1.

d) 3, 1, 2, 4.
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Conheça o autor

Tratamento de Águas e Efluentes


José Iveraldo Guimarães
Iveraldo Guimarães é biólogo marinho, especialista em carcinologia, com pós-graduação
em universidades e centros de pesquisa nos Estados Unidos, na França e Bélgica. Desde
sempre dedicou-se à biologia e à atividade do cultivo de camarões, da qual é um dos pesqui-
sadores pioneiros. E na sua mania de pioneirismo fez parte da equipe que criou a Universida-
de Potiguar. Atualmente é consultor de empresas e atua na elaboração de projetos e estudos
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ambientais. Autor de artigos e livros técnicos e de literatura, dentre os quais Fundamentos de
Larvicultura de Camarões Marinhos, Iniciação ao Cultivo de Camarões Marinhos, Jundiaí, o
Rio dos Bagres Mortos, Os Veleiros do Infinito, O Vendedor de Poesias.