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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM HISTÓRIA


CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES
DISCIPLINA: TEORIA E METODOLOGIA DA HISTÓRIA
DOCENTE: DURVAL MUNIZ | DISCENTE: JÉSSICA GUEDES
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SANTOS, Douglas. A reinvenção do espaço. UNESP, 2002.
A percepção moderna do espaço vem da pintura, fruto da técnica e posteriormente
da pintura. Os desdobramentos que materializaram esse imaginário nos povos modernos
foi o sistema heliocêntrico e as grandes navegações. O autor fala em Foucault, Lefebvre,
Lacoste, David Harvey e Milton Santos para compreender a discussão do espaço,
obviamente, de formas distintas se apropriam no que concerne à produção do espaço.
Como Kant fará contribuições ao espaço inventado na modernidade. O ponto de partida
dessa reflexão é a geografia. A questão central que o autor quer discutir é o que é o
Espaço, e ainda, o que é o Espaço Geográfico. O esforço na construção conceitual. Há,
no que concerne a categoria do espaço para a geografia uma necessidade de identidade
epistêmica, que vai além de identificar o objeto.
Santos, tratará do significado de metafísica – quanto a discussão espacial, pois
entende que como tal ele, o espaço, não exista – trata ainda, do corte epistêmico do
entendimento de espaço da forma como nos referimos, ele não existe. Compreende que é
preciso deslocar o caráter de imanência e discuti-lo no seio das relações sociais em que
há um devir, visto, pois, que essa relação se dá de modo dialógico, criando e recriando o
espaço. O discurso não é possível ser pensado sem o ato, é preciso levar em conta suas
definições, suas diferenças, mas sobretudo sua intrínseca relação. Ressalta que o Ocidente
cria cortes epistemológicos e que esse corte faz do objeto um pedaço da totalidade, algo
em si, sem se dar conta que a própria linguagem usada para identificar um fenômeno já
é identidade evocativa de um jogo de semelhantes. O corte no real é arbitrário visto que
faz parte de um todo, é preciso entender a totalidade é uma forma que já vem como olhar
de quem o observa, o analisa. É nessa construção que o autor vai se debruçar, tentar
compreender como as partes, que compõem um todo, se operacionalizam como
linguagem (criação do simbólico) e como histórico (discurso). O autor atenta ao jogo
conceitual, que foi construído à luz do que pretende discutir – e do que é construído como
Geografia - o que é Geografia; a ideia é tratar o significado das categorias topológicas
(território, região, paisagem, espaço). Se atém, ainda, ao discurso geográfico que é

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construído em torno de duas linguagens: a cartografia e o texto discursivo, diz de como
se dá a leitura do mundo, através dos mapas, e que isto é uma construção ideológica, que
parte de uma leitura de mundo, muito embora seja algo essencialmente descritivo.
Consideremos a relação entre o espaço e o tempo. Os dois infinitos simultâneos e
atuais se diferenciam e se cruzam na representação. Cada um se representa no outro e
somente se representa através do outro. (LEFEBVRE, 1983. p.50 APUD SANTOS, 2002.
p. 26). É assertivo compreender que a relação espaço/tempo estão plasmadas um no outro,
um só consegue ser representado através do outro. Nossa relação com o tempo e o espaço
se dão através das formas de produção, uma vez que a sociedade burguesa fez dessa
relação uma forma de sistematizá-la à produção, o que faz nossa percepção ser alterada
em relação ao mundo feudal. O autor, portanto, vai discutir, justamente, como essa nova
identificação com a criação do espaço métrico muda a nossa relação espaço/tempo e, por
conseguinte o discurso científico.
Douglas Santos propõe identificar a radicalidade descoberta nos séculos XV e
XVI, que, segundo o autor, foi a revolução geográfica mais importante da história da
humanidade: A colonização. Para tanto, enfrentará as continuidades e descontinuidades
do espaço/tempo dentro de uma sociedade burguesa. A paisagem da colônia é alterada
pela violência do sistema produtivo colonial com o “descobrimento”, o colonialismo,
através das capitanias hereditárias, consolida a destruição das matas deste novo lugar que
vai servir à expansão europeia. Esta destruição da paisagem, no processo de expansão
territorial tentava homogeneizar a paisagem e de fazer dos povos nativos escravos com a
intenção de dominar e modificar o espaço. Kepler revoluciona o significado dos lugares,
pois elege o sol para a morada de Deus, muda o locacional para o espacial. A partir de
suas conclusões matemáticas, embasadas por Copérnico e Ticho Brahe, Kepler entrava
num dilema de supor que Deus não era perfeito, se assim se comprovasse que os
movimentos da Terra não eram circulares e sim elípticos. Isto denota uma forma de
apreender o “mundo”, pois está clara a noção de perfeição do século XVI: o mundo
circular, lido com uma harmonia matemática. Esta harmonia, tem profundo nível de
abstração e constitui uma ideia de que “espaço e tempo” são coisas em si, imutáveis às
modificações do Universo e que se explica numa metalinguagem matemática, agora o
espaço/tempo são absolutos.
Galileu, se aproxima da discussão de Kepler quando trata do perigoso
questionamento da perfeição de Deus – inclusive, escreve à Igreja para legitimar suas
posições – o cerne da questão é justamente o de que Deus não expressa sua perfeição na

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criatura (imagens e figuras pré-concebidas) e sim na natureza que se ajusta à linguagem
matemática, é ela que nos faz compreender o Universo; O livro é o Universo, a linguagem
é a matemática. Galileu, como Kepler, Copérnico, Giordano Bruno não faziam de sua
ciência e de assertivas, acerca do Universo, para questionar a existência de Deus, esta não
era, nem de longe, sua proposta. O que se configurava ali, com as descobertas em torno
da harmonia matemática, que eles provaram é a e que a Terra não era um lugar especial
no Universo, uma vez que era assim que a Igreja a explicava; A perfeição de Deus se
manifestava na Terra através dos homens, o que negava Galileu ao saber da semelhança
de outras estrelas com a Terra. O que está se configurando no século XVII é um projeto
de criação, que agora, terá que ser revisto, a Terra não está mais em um centro fixo da
Terra, como diz o Livro de Josué, o fato é que esse processo dará identidade ao mundo
burguês. Todas essas apreensões do mundo, dá a física moderna a nossa concepção de
tempo e espaço e, por conseguinte a ideia de ciência e verdade, embasada no ato científico
e na ferramenta/linguagem que é utilizada para a leitura do mundo: a matemática. Com
Galileu, há uma mudança na postura do sujeito que observa. A partir de sua observação
a identidade de um objeto só existe na relação “em si” e “para o outro”; a significação
dos objetos e a definição da sua identidade como tal, não será mais definida para o ser-
enquanto-ser, não há mais uma identidade em si, como acreditava a metafísica
aristotélica. O que se busca com isso é de que a “razão” – e isso não significa dizer que o
período anterior a este fora irracional, a questão que Douglas Santos quer suscitar é a de
que o século XVII constrói uma outra razão - supera o “empirismo ingênuo”.
Estamos, portanto, relacionando-nos com um certo tipo de razão, na qual o sujeito quer
redefinir o significado do objeto pela mudança efetiva de sua relação com ele. (SANTOS,
2002.p. 138) Toda essa elucidação e entendimento de razão, dá a saber do nosso
entendimento, hoje, de ciência, a noção mais inerente do que é verdadeiro ou não em
nossa estrutura discursiva.
Descartes, que esteve integrado ao processo de hegemonização do
desenvolvimento europeu e de como se deu tal assimilação, vai tratar do como e por quê
o conhecimento científico desloca e redimensiona o sujeito. Descartes acreditava que
havia uma confusão discursiva quanto ao conhecimento – que se confrontava com a
tradição feudal – e, por sua vez, acreditava que somente a matemática poderia solucionar
esta confusão. A matemática, lhe foi dito através do Anjo da verdade, que era a chave
única e necessária para desvendar os segredos da natureza. Em Meditações, vai tratar
desde a dúvida como elemento que motiva a ciência, à prova da existência de Deus.

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Descartes pretende construir uma epistemologia e, para tanto, quer negar para poder
afirmar. (SANTOS, 2002. p 143). O que há é uma ruptura do sujeito com o objeto, para
Descartes é preciso exaurir todas as certezas para se ter uma nova certeza, e ainda, que o
sentido nos engana, que a construção discursiva fundada na experiência é, por definição,
enganosa. É preciso sair desse sentido, sensorial, para entender o sujeito através da única
ferramenta capaz de não se enganar: a matemática. Há com isso, uma dimensão de
separação da forma da certeza – seja o corpo e alma, Deus e homem, sujeito e objeto –
para uma abstração pura, que se desloca do objeto (Kepler) para o sujeito, que pensa o
objeto, que é em si e para si, a priori do conhecimento, a máxima de pensar, logo existir,
parte de um conhecimento apriorístico, inerente ao ato de pensar. O sujeito deve abordar
seu objeto a partir da certeza, a certeza é a ferramenta de leitura do sujeito, o que de
nenhum modo põe por terra os sentidos, mas os faz subsumidos à razão, esta forma de
pensar dá vazão ao conhecimento científico ocidental.
O domínio das latitudes e longitudes no processo expansão territorial, foram de
suma importância e que mudaram a experiência expansionista. Havia um investimento
português, francês para que pesquisadores desenvolvessem mapas precisos, a cartografia
tornou-se uma questão para a Europa expansionista. Essa relação cartográfica que se
empreende se refere ao espaço, como categoria, e esta é fundamental para entendermos
as novas relações sociais.
E, pelo que vemos até aqui, tal como a ideia de tempo, a de espaço também se
apresenta como uma categoria articuladora e fundamental das novas relações
sociais [...] o espaço se expressará na imagem cartografada multiescalar do
mundo e na realocação do imaginário quanto à localização das cidades, rios,
continentes e planetas. (SANTOS, 2002. p.160)

O espaço e tempo em Newton é tomada por particularidades, como o tempo e o


espaço absoluto, no qual o primeiro é o tempo que passa sem relação externa a algo, como
a hora, o dia, mês, ano; já o espaço absoluto é àquele da natureza, sempre semelhante e
imóvel. O tempo absoluto flui e o espaço absoluto é imóvel. (SANTOS, 2002. p.165).
Newton toma as concepções de Galileu, acrescentando a questão da “relatividade” em
contraposição ao “absoluto” (tempo/espaço absoluto e tempo/espaço relativo); Ele parte
do fenomênico: a terra se move.
Para Kant a relação de construção do espaço se dá a partir da sociedade burguesa,
seus modos de produção, o tempo fabril.
Kant, para os limites que nos impusemos desde o princípio, é o fim de uma
época e, portanto, o início de outra. Com ele e, veremos isso mais adiante, e
com sua época, termina definitivamente o período de amadurecimento do
modo de produção capitalista e consolida-se a indústria fabril como o modelo

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acabado de mundo. (SANTOS, 2002, p. 174).

O conhecimento toma dois caminhos a serem percorridos, segundo Kant. Um a posterior,


que consiste numa relação empírica entre objeto e sensação, e ainda um outro, a priori
que é independente da relação sujeito- fenômeno e que se encontra na intuição pura e
entende como pura aquilo que as representações não pertencem às sensações, uma
intuição pura. Acerca do espaço, como categoria, Kant vai afirmar que a noção de espaço
é um pressuposto das representações externas, mas que ainda assim existe como realidade
externa e o que nós vemos são as coisas dispostas no espaço, para ele há um espaço a
priori e para ele, isto fundamenta todos os fenômenos externos e toma uma dimensão
absoluta.
Douglas Santos faz essa discussão do “eu” e do “outro” partindo de como a ciência
muda, inventa, reinventa o espaço e a nossa relação com ele e de como essa dimensão
espacial cria outros parâmetros e nos empurra – através da expansão europeia – a
Globalização. O espaço kantiano, como receptáculo, a priori, tornou-se a forma como
concebemos a ciência moderna, embora esta premissa tenha sido constituída anterior a
ele, se consolida com o seu pensamento.