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Aula 07

Jurisprudências STF e STJ: Leis Penais, Direito Penal e Processo Penal p/ Carreiras
Policiais

Professores: Alexandre Herculano, Vinicius Silva


Jurisprudências (STF e STJ) L. Penais, D. Penal e D. Processual Penal p/ Carreiras Policiais.
Teoria e Exercícios
Professores - Alexandre Herculano e Vinícius Silva

Aula 07 – prisões e liberdade provisória (parte 3) e


Teoria Geral da Pena (parte 3). Lei nº 9.503/97 (Crimes
de Trânsito) e Lei nº 9.605/98 (Crimes Contra o Meio
ambiente).

SUMÁRIO PÁGINA
1. Prisões (parte 3) 1
2. Teoria Geral da Pena (Parte 3) 7
3. Lei nº 9.503/97 (Crimes de Trânsito) 13
4. Lei nº 9.605/98 (Crimes Contra o Meio ambiente) 24
5. Questões propostas 27
6. Questões comentadas 38
7. Gabarito 67

1. Prisões e liberdade provisória (parte 3)


Vamos iniciar a nossa aula com um julgado muito relevante para quem
pensa em carreiras policiais. Ele versa sobre a possibilidade de flagrante
realizado por pessoa que não seja agente da autoridade policial.
Você sabe a diferença entre o flagrante obrigatório e o facultativo?
Vejamos o que diz o CPP em seu art. 301:
Art. 301. Qualquer do povo poderá e as
autoridades policiais e seus agentes
deverão prender quem quer que seja
encontrado em flagrante delito.

Veja, portanto, que a prisão é obrigatória para os agentes de polícia que


se encontrem devidamente em serviço, afinal de contas não podemos
querer que um policial mesmo de folga e à paisana seja um super-herói
camuflado.

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O STJ, por meio de decisão de sua 5ª Turma já teve a chance de se


manifestar acerca da legalidade da prisão em flagrante realizada por um
agente público que não seja membro de nenhuma corporação policial.
Vejamos:

.BUSCA E APREENSÃO REALIZADA POR AGENTES DESPROVIDOS DE


ATRIBUIÇÃOPARA O ATO. ALEGAÇÃO FUNDADA EM MATÉRIA
JORNALÍSTICA. FLAGRANTECONDUZIDO E TESTEMUNHADO POR
POLICIAIS MILITARES. POSSIBILIDADE DEQUALQUER DO POVO EFETUAR
A PRISÃO EM FLAGRANTE DELITO. INOCORRÊNCIADE NULIDADE. (...) 3.
Em arremate, vale assinalar que ainda que a busca e apreensão na casa
do paciente e a sua custódia tivessem sido efetivadas por policiais
ambientais ou agentes do IBAMA, não se poderia considerar tais pessoas
desprovidas de atribuição para as medidas, porque, como já ressaltado à
saciedade, a hipótese cuida de flagrante de crimes permanentes, sendo
que o artigo 301 do Código de Processo Penal autoriza qualquer do povo a
prender quem quer que seja encontrado em situação flagrancial. 4.
Habeas corpus não conhecido. (STJ - HC: 244016 ES 2012/0110058-
3, Relator: Ministro JORGE MUSSI, Data de Julgamento:
16/10/2012, T5 - QUINTA TURMA, Data de Publicação: DJe
05/11/2012)

Veja que esse julgado é muito importante para quem se prepara


para os cargos de agente, investigador, delegado e policial militar, pois
retrata uma situação muito comum que são os flagrantes de crimes
permanentes, como o tráfico de drogas, do art. 33, da Lei 11.343/06, ou
se extorsão mediante sequestro, dentre outros cuja consumação se
protrai no tempo.
Portanto, ainda que sejam agentes desprovidos de atribuição
específica para atuar naquela esfera de investigação, a prisão em

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flagrante é plenamente regular, por conta da interpretação que se faz do


art. 301, do CPP.
Entendido esse primeiro julgado, vamos para o segundo da nossa
aula de hoje, que versará sobre a necessidade de fundamentar a
inaplicabilidade das medidas cautelares diversas da prisão para que seja
deferida a medida de prisão preventiva do investigado em inquérito
policial.
O STJ já havia mencionado isso em julgados da 5ª Turma, e o STF,
corroborando essas ideias firmou também entendimento de que para a
decretação da prisão preventiva é necessário que as medidas diversas da
prisão, elencadas no art. 319 (incisos) e 320 (caput) mostrem-se
insuficientes.
Essa inovação se deu com a alteração das prisões cautelares
promovidas pela Lei n°. 12.403/11, que elevou a prisão cautelar como a
última medida a ser tomada pelo juiz, quando decretada antes do trânsito
em julgado da ação.
As medidas cautelares diversas da prisão estão previstas nos arts.
319 e 320 e vieram para o processo penal de modo a garantir que a
prisão seja a ultima ratio, no que diz respeito a cautelares.
Ou seja, o juiz, quando decide, e a autoridade policial, quando
representa, devem pautar o exercício de suas funções pela concessão de
uma medida cautelar diversa da prisão sempre que for suficiente para o
caso concreto.
As medidas cautelares diversas da prisão são concedidas de forma
incidental, no curso do processo ou no decorrer das investigações é nessa
última fase que estaremos inseridos, o nosso curso vai tratar das medidas
quando no decorrer do inquérito policial, na maioria das vezes.
A lei 12.403/2011 foi a responsável pela introdução no código de
processo penal dessas medidas e seu regramento acabou com a antiga
bipolaridade que havia no processo penal, quando o assunto eram as
cautelares.

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Antes da referida lei, havia duas possibilidades, que eram a prisão


cautelar e a liberdade provisória, com ou sem fiança. No entanto, após a
edição da referida lei o juiz poderá decretar a prisão cautelar ou a
liberdade provisória com ou sem fiança, cumulada com outra medida
cautelar.
Essa última previsão foi a inovação da lei e acabou com a velha
bipolaridade das cautelares.
Outro ponto relevante é o fato de que as medidas cautelares
diversas da prisão podem servir como instrumento de contracautela ou de
cautela, pois podem substituir uma prisão em flagrante ou preventiva, por
exemplo, ocasião em que estarão tendo natureza de contracautela; ou
podem ser decretadas em face de um investigado solto, momento em que
estarão servindo de instrumento de cautela.
Vejamos o que decidiu o STF, corroborando a tese do STJ, decidiu a
respeito:
MEDIDA CAUTELAR ALTERNATIVA À PRISÃO. INCIDÊNCIA DA LEI N.
12.403/2011. TEMA PARCIALMENTE DIRIMIDO PELO TRIBUNAL A QUO.
CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS SOMENTE ACERCA DA
INAFIANÇABILIDADE DO DELITO. ILEGALIDADE CONFIGURADA. ORDEM
CONCEDIDA NESSE PONTO. 1. Com a inovação legislativa introduzida
pela Lei n. 12.403/2011, o Código de Processo Penal passou a capitular
diversas providências substitutivas à prisão, sendo essa aplicada apenas
quando aquelas não se mostrarem suficientes a repressão e a
reprovabilidade do delito. (...)
(STF - HC: 113910 RJ, Relator: Min. DIAS TOFFOLI, Data de
Julgamento: 11/06/2012, Data de Publicação: DJe-115 DIVULG
13/06/2012 PUBLIC 14/06/2012)

O nosso terceiro julgado da aula a ser comentado é o que versa


acerca da possibilidade de liberdade provisória nos casos de crime de
tráfico de drogas.

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Sabemos que o tráfico de drogas, crime elencado no art. 33, da Lei


11.343/06 é rotulado como equiparado a hediondo e, nesse sentido,
trata-se de um crime inafiançável, de acordo com a própria Constituição
Federal de 88.
XLIII - a lei considerará crimes
inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou
anistia a prática da tortura, o tráfico
ilícito de entorpecentes e drogas afins, o
terrorismo e os definidos como crimes
hediondos, por eles respondendo os
mandantes, os executores e os que,
podendo evitá-los, se omitirem

Veja que uma das vedações aos crimes hediondos e aos


equiparados, como o tráfico é a concessão de fiança.
Assim, como não é possível a fiança, surge a dúvida se seria um
curso em que se poderia cogitar a possibilidade de concessão de liberdade
provisória, uma vez que, na maioria das vezes, quando o juiz concede a
liberdade provisória ele o faz por meio da concessão de fiança.
Assim, em 2012 o STF declarou inconstitucional o art. 44, da Lei
11.343/06. Vejamos.
Habeas corpus. 2. Paciente preso em flagrante por infração ao art. 33,
caput, c/c 40, III, da Lei 11.343/2006. 3. Liberdade provisória. Vedação
expressa (Lei n. 11.343/2006, art. 44). 4. Constrição cautelar mantida
somente com base na proibição legal. 5. Necessidade de análise dos
requisitos do art. 312 do CPP. Fundamentação inidônea. 6. Ordem
concedida, parcialmente, nos termos da liminar anteriormente deferida.
(STF - HC: 104339 SP, Relator: Min. GILMAR MENDES, Data de
Julgamento: 10/05/2012, Tribunal Pleno, Data de Publicação:
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-239 DIVULG 05-12-2012 PUBLIC 06-
12-2012)

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O julgado acabou por estabelecer que a liberdade provisória é


possível, o que não se admite é a fiança como modo de obtenção da
liberdade provisória, ou seja, o preso em flagrante por tráfico de drogas
pode ser colocado em liberdade provisória sem o menor problema, o que
não se admite é que a fiança seja o modo de atingi-la.
Para finalizar os julgados acerca de prisões e liberdade provisória
vamos verificar o que rolou no informativo 800, do STF, onde o tema da
liberdade provisória mediante o pagamento de fiança foi discutida e a
Suprema Corte decidiu que caso ao flagranteado tenha sido concedida
liberdade provisória, mediante o recolhimento de fiança, na hipótese de
não pagamento, o flagranteado deve ser colocado em liberdade, pois a
decisão de liberdade provisória mediante o pagamento de fiança que não
possa adimplida pelo possível autor do delito é, na prática, uma decisão
de manutenção da prisão.
Assim decidiu o STF.

O indivíduo foi preso em flagrante pela prática do crime de tráfico de


drogas. O magistrado concedeu liberdade provisória com a fixação de 2
salários-mínimos de fiança. Como não foi paga a fiança, o indivíduo
permaneceu preso. A Defensoria Pública impetrou habeas corpus e o STF
deferiu a liberdade provisória em favor do paciente com dispensa do
pagamento de fiança. Os Ministros afirmaram que era injusto e
desproporcional condicionar a expedição do alvará de soltura ao
recolhimento da fiança. Segundo entendeu o STF, o réu não tinha
condições financeiras de arcar com o valor da fiança, o que se poderia
presumir pelo fato de ser assistido pela Defensoria Pública, o que
pressuporia sua hipossuficiência. Assim, não estando previstos os
pressupostos do art. 312 do CPP e não tendo o preso condições de pagar
a fiança, conclui-se que nada justifica a manutenção da prisão cautelar.
STF. 1ª Turma. HC 129474/PR, Rel. Min. Rosa Weber, julgado em
22/9/2015. Retirado do site www.dizerodireito.com.br.

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Verifique que o STF entendeu ser inviável a fiança acima da


capacidade financeira do flagranteado, devendo ser dispensada para a
expedição do alvará de soltura.
Entendemos que o STF não quer condicionar a liberdade provisória
a um valor monetário, até porque a razão da fiança é garantir que o autor
do delito não fuja, ou se furte à aplicação da lei penal, ela não tem a
função de ser uma contraprestação à liberdade.

2. Teoria Geral da Pena (parte 3)

Vamos agora passar ao estudo da teoria geral da pena no que diz


respeito a alguns aspectos ligados à outros temas que diferem da
aplicação e dosimetria da pena.
Vamos falar de pena de multa e o concurso formal.
2.1 Pena de multa
Vamos iniciar com uma súmula, e quando falamos de súmula, a sua
probabilidade de cair em um concurso é muito grande, ou seja, fique
ligado para suas provas de concursos policiais.
A súmula de que estamos falando é a Súmula 521 – STJ, que versa
sobre a legitimidade para execução da pena de multa no caso de sentença
condenatória.
Você sabe que uma das penas que pode ser imposta ao condenado
por sentença penal é a de multa. Os tipos penais em seus preceitos
secundários preveem não apenas as penas privativas de liberdade, mas
também penas de multa, em vários deles temos essa previsão, o que
pode gerar dúvida no aluno é o fato de que essa multa pode ser não paga
pelo condenado. E aí? Quem vai cobrar essa multa? É possível cobrar essa
multa? Como?
A súmula 521, do STJ nos mostra algo importante em relação a
isso. Vejamos.

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Súmula 521-STJ: A legitimidade para a execução fiscal de multa


pendente de pagamento imposta em sentença condenatória é exclusiva
da Procuradoria da Fazenda Pública. STJ. 3ª Seção. Aprovada em
25/03/2015, DJe 6/4/2015.

Assim, podemos afirmar que a execução fiscal decorrente da multa


não paga é de competência da Procuradoria da Fazenda.
No caso da Justiça Federal, em multas oriundas de ações penais
públicas a competência para buscar a satisfação do crédito decorrente da
imposição da multa é da PFN, ou seja, da Procuradoria da Fazenda
Nacional.
O segundo julgado versando acerca da pena de multa é bem atual,
do ano de 2015 também, assim como a súmula acima, vamos falar sobre
a extinção da punibilidade e da sua dependência com o adimplemento da
pena de multa.

Imagine a situação em que um apenado foi condenado a uma pena


privativa de liberdade de 5 anos de reclusão e a uma pena de multa de
100 dias multa.

Se o apenado cumprir toda a pena privativa de liberdade, o seu


defensor pode ingressar em juízo pleiteando a extinção da sua
punibilidade.

O juiz, por sua vez, extingue a pena privativa de liberdade pelo seu
integral cumprimento; porém imagine que o magistrado tenha
determinado que fosse oficiada à Procuradoria da Fazenda para que fosse
executada a pena de multa por meio de uma execução fiscal em face do
apenado e que essa seria uma condição para que se operasse a extinção
da punibilidade.
Essa atitude do juiz está incorreta!

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Nos casos em que haja condenação a pena privativa de liberdade e


multa, cumprida a primeira (ou a restritiva de direitos que eventualmente
a tenha substituído), o inadimplemento da sanção pecuniária não obsta o
reconhecimento da extinção da punibilidade.
Assim, o que é levado em consideração para a extinção da
punibilidade é o cumprimento da pena privativa de liberdade ou
eventualmente restritiva de direitos.
A pena de multa é considerada dívida de valor e, portanto, possui
caráter extrapenal, de modo que sua execução é de competência
exclusiva da Procuradoria da Fazenda Pública (Súmula 521-STJ).
Assim, cumprida a pena privativa de liberdade (ou restritiva de direitos),
extingue-se a execução penal e, se restar ainda pendente o pagamento
multa, esta deverá ser cobrada pela Fazenda Pública, no juízo
competente, tendo se esgotado, no entanto, a jurisdição criminal. STJ. 3ª
Seção. REsp 1.519.777-SP, Rel. Min. Rogerio Schietti Cruz, julgado
em 26/8/2015 (recurso repetitivo) (Info 568).
2.2 Concurso Formal
Continuando, vamos comentar agora mais um julgado que versa
agora sobre o instituto jurídico do concurso formal.
Imagine a situação em que um agente delituoso entre em um órgão
público e, mediante o uso de arma de fogo, saia subtraindo os pertences
de todos os servidores, que naquela ocasião, somavam 20 pessoas.
A pergunta que se faz é se ele seria processado por 20 roubos
circunstanciados pelo uso da arma de fogo em concurso formal?
A resposta é sim! O agente delituoso responderá pelo crime em
comento por 20 vezes em concurso formal, pois mediante uma única ação
subtraiu os pertences de 20 pessoas distintas.
Esse foi o entendimento corroborado pelo STJ no seguinte julgado.
(...) Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas
distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal
próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios

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distintos. (...) (HC 197.684/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,


Sexta Turma, julgado em 18/06/2012)

O agente delituoso seria processado por roubo em concurso formal


próprio, conforme o próprio entendimento acima exposto.
O que o STJ leva em consideração para definir o crime como em
situação de concurso formal também é o fato de ele estar inserido em
uma situação de subtração de patrimônios distintos. Vejamos.

Ocorre concurso formal quando o agente, mediante uma só ação, pratica


crimes de roubo contra vítimas diferentes, ainda que da mesma família,
eis que caracterizada a violação a patrimônios distintos. Precedentes. (...)
(HC 207.543/SP, Rel. Min. Gilson Dipp, Quinta Turma, julgado em
17/04/2012)

Para finalizar os estudos acerca do concurso formal na


jurisprudência do STF e do STJ vamos trazer mais dois entendimentos
atuais acerca do concurso formal e as infrações de menor potencial
ofensivo e também em relação ao instituto da suspensão condicional do
processo.
a) Concurso formal e suspensão condicional do processo:
A suspensão condicional do processo é um instituto despenalizador
previsto no art. 89 da Lei n°. 9.099/95 e somente pode ser aplicada para
os réus que estejam sendo acusados de crimes cuja pena mínima seja
igual ou inferior a 1 (um) ano, independentemente de serem crimes cuja
pena máxima supere os 2 anos que caracterizam as infrações de menor
potencial ofensivo.
Por exemplo, a pena para o crime de furto simples é de 1 a 4 anos.
Logo, é possível a suspensão condicional, no entanto, não se trata de um
crime de menor potencial ofensivo.

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Até aqui tudo tranquilo, o problema começa a nascer quando a


pessoa comete três crimes de furtos simples em concurso formal, o que
fazer? É possível beneficiar esse agente delituoso com o instituto da
suspensão condicional do processo?
A jurisprudência entende que não é possível, nesses casos, a
aplicação do referido instituto, deve-se considerar a pena do crime já com
o acréscimo decorrente do concurso formal. Vejamos.

Súmula 243-STJ: O benefício da suspensão do processo não é


aplicável em relação às infrações penais cometidas em concurso
material, concurso formal ou continuidade delitiva, quando a pena
mínima cominada, seja pelo somatório, seja pela incidência da
majorante, ultrapassar o limite de um (01) ano.

É a própria súmula de jurisprudência que nos mostra a


impossibilidade de aplicação.

b) Crime continuado e Juizado Especial:

A competência para julgamento de ações penais pelo Juizado


Especial Criminal está inserida nas contravenções penais e nos crimes a
que a lei comine pena máxima não superior a 2 anos (art. 61 da Lei n.°
9.099/95).
Vamos então imaginar a situação em que o agente delituoso
praticou, em uma situação de concurso formal, 2 crimes cuja a pena
máxima para cada um deles é de 2 anos.
A pergunta que se faz é se seria possível o julgamento dos crimes
pelo juizado especial criminal?
A resposta para a pergunta é não! A jurisprudência do STJ é assente
nesse sentido. Vejamos.

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A pena considerada para fins de fixação da competência do Juizado


Especial Criminal será o resultado da soma, no caso de concurso material,
ou a exasperação, na hipótese de concurso formal ou crime continuado,
das penas máximas cominadas aos delitos. Assim, se desse somatório
resultar uma pena superior a 02 anos, fica afastada a competência do
Juizado (HC 143.500/PE, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho,
Quinta Turma, julgado em 31/05/2011).

c) Crime continuado
Para finalizar o estudo acerca da teoria da pena em relação na
jurisprudência do STF e do STJ, vamos verificar o que os tribunais
superiores decidiram acerca da continuidade delitiva nos crimes de
extorsão e roubo.
Os crimes de roubo e extorsão, embora sejam de mesma natureza, são
considerados de espécies diferentes. Por essa razão, não é possível
reconhecer continuidade delitiva entre eles, ainda que praticados em
conjunto. STJ. 6ª Turma. HC 77.467-SP, Rel. Min. Nefi Cordeiro,
julgado em 2/10/2014 (Info 549).

Do julgado acima podemos aferir que embora os crimes de roubo e


extorsão sejam crimes contra o patrimônio, são delitos distintos e em
razão disso é inadmissível o reconhecimento da continuidade delitiva
nesses casos.
Se fossem crimes de mesma natureza e de mesma espécie, seria
possível o reconhecimento da continuidade delitiva, no entanto, a
doutrina e a jurisprudência entendem que não se tratam de crimes de
mesma espécie, o que veda a aplicação do instituto.

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3. Lei nº 9.503/97 (Crimes de Trânsito)

Pessoal, os crimes de trânsito ora são classificados como crimes


de dano ora como crimes de perigo. Dano é alteração de um bem, sua
diminuição ou destruição; a restrição ou sacrifício de um interesse
jurídico. Perigo é a probabilidade de dano, não a simples possibilidade
(Heleno Cláudio Fragoso, Direção perigosa, Revista de Direito penal, 13-
14:145, Rio de janeiro, jan./jun.1974). Ainda quanto aos crimes de
perigo, sob aspecto objetivo, constitui o conjunto de circunstancia que
possam fazer surgir o dano; subjetivamente, é integrado pelo juízo do
julgador sobre a probabilidade de dano, calcado na experiência daquilo
que normalmente acontece em determinadas situações e circunstâncias.
(Heleno Claudio Fragoso, lições de direito penal; a nova parte geral, 8.
ed., Rio de janeiro, Forense, 1985, p.173, n.142).
Na legislação de trânsito, mais especificamente no capítulo dos
crimes de trânsito, encontramos crimes de dano, apenas os culposos,
previstos nos arts. 302 e 303, que se referem aos homicídios culposos e
lesão corporal culposa, e encontramos também crimes de perigo,
previstos nos arts. 304 ao 312, ora de perigo em concreto ora de perigo
em abstrato, em ambos os casos sempre dolosos. O perigo concreto é
aquele que precisa ser comprovado, isto é, deve ser demonstrada a
situação de risco corrida pelo bem juridicamente protegido. O policial
presente na situação de perigo irá reconhecê-lo por uma valoração
subjetiva da probabilidade de superveniência de um dano, como excesso
de velocidade, trânsito com veículos sobre calçadas. Nos crimes de
perigo em abstrato ou presumido juris et de jure, a situação de
perigo não precisa ser provada, pois a lei contenta-se com a simples
prática da ação que pressupõe perigosa.
Para Guilherme de Souza Nucci, crime de trânsito é a denominação
dada aos delitos cometidos na direção de veículos automotores cometidos
na direção de veículos automotores, desde que sejam de perigo –
abstrato ou concreto – bem como de dano, desde que o elemento

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subjetivo constitua culpa. Não se admite a nomenclatura de crime de


trânsito para o crime de dano, cometido com dolo. Portanto, aquele
que utiliza seu veículo para, propositadamente, atropelar e matar seu
inimigo comete homicídio – e não simples crime de trânsito; e mais
continua o ilustre mestre: “constitui-se de perigo abstrato a figura típica
penal cuja probabilidade de ocorrência do dano (perigo) é presumida pelo
legislador, independendo de prova no caso concreto. Exemplo: entregar
direção de veículo automotor a pessoa não habilitada (art. 310) é crime
de perigo abstrato. Basta a prova da conduta e presume-se o perigo. Por
outro lado, considera-se crime de perigo concreto a figura típica que,
fazendo previsão da conduta, exige prova da efetiva probabilidade de
dano a bem jurídico tutelado. Exemplo: dirigir veículo automotor sem
estar devidamente habilitado, gerando perigo de dano (art. 309). É
indispensável que acusação, além de descrever na denúncia ou queixa a
conduta (dirigir o veículo), faça menção à concreta possibilidade de dano
(invadindo a contramão ou subindo na calçada e quase atingindo
pedestres, por exemplo).”
Aos crimes cometidos na direção de veículos automotores, previstos
no Código de Trânsito, aplicam-se as normas gerais do Código Penal e do
Código de Processo Penal, se o próprio CTB não dispuser de modo
diverso, bem como a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, no
que couber.
Em se tratando de crimes de trânsito aplica-se em primeiro lugar o
CTB, devendo o CP e o CPP preencher suas lacunas. Dos onze (11)
delitos de trânsito previstos no CTB, pelo menos nove (09) são
crimes de menor potencial ofensivo ( possuem pena máxima até
dois (02) anos). Os crimes de menor potencial ofensivo são
regulamentados pela lei 9099/95. Nesta lei temos um procedimento
administrativo sumário (Termo Circunstanciado de Ocorrência – TCO) e
um processo penal super veloz, com uma série de possibilidades acordos
ou transações para evitar o transtorno de sofrer um condenação criminal.
Este processo ocorre no JECRIM (Juizado especial criminal).

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"Os juizados especiais não são competentes para julgar processos


relativos aos crimes tipificados nos arts. 303, 306 e 308 do CTB, por não
se enquadrarem no conceito de 'menor potencial ofensivo'."

É oportuno lembrar que uma infração penal de maior potencial tem


como regra a investigação via inquérito policial (procedimento
administrativo mais detalhado que o TCO) e este será encaminhado a
Vara Criminal pelo Ministério Público no oferecimento da denúncia. Os
artigos 302 e 306 tratam de crimes em que não há a aplicação da lei
9099/95. Com isso, lembre-se sempre: o embriagado (306) e o condutor
que mata no trânsito (302) sempre entram na VARA...ou seja, na VARA
CRIMINAL.
Destacamos, aqui, o § 1o do art. 291 do CTB, pois nesta parte é
de grande importância fazermos o estudo detalhado, vejamos:
"Aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa
o disposto nos arts. 74, 76 e 88 da Lei no 9.099, de 26 de setembro
de 1995, exceto se o agente estiver: (Renumerado do parágrafo
único pela Lei nº 11.705, de 2008)
I - sob a influência de álcool ou qualquer outra
substância psicoativa que determine dependência; (Incluído pela
Lei nº 11.705, de 2008)
II - participando, em via pública, de corrida, disputa ou
competição automobilística, de exibição ou demonstração de
perícia em manobra de veículo automotor, não autorizada pela
autoridade competente; (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)
III - transitando em velocidade superior à máxima
permitida para a via em 50 km/h (cinqüenta quilômetros por
hora). (Incluído pela Lei nº 11.705, de 2008)"

Os dispositivos, acima, inseridos pela Lei Seca (11.705/08) tratam


basicamente da lesão corporal culposa no trânsito. Vamos a sua análise:

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pela pena prevista no artigo 303 ( Lesão corporal culposa praticada na


direção de veículo automotor), em regra, temos um crime de menor
potencial ofensivo – pena de 06 meses a 02 anos.

Assim, aplica-se aos crimes de trânsito de lesão corporal culposa:

 a composição dos danos civis, que será reduzida a escrito


e, homologada pelo Juiz mediante sentença irrecorrível, terá
eficácia de título a ser executado no juízo civil competente;
 a transação penal, que é a proposta do Ministério Público
em aplicar de imediato pena restritiva de direitos ou multa;
e
 exigência de representação da vítima para que haja a
ação penal.

Porém, como vimos na Lei Seca acima, os três benefícios acima


não existem se o agente estiver:

 sob a influência de álcool ou qualquer outra substância


psicoativa que determine dependência;
 participando, em via pública, de corrida, disputa ou
competição automobilística, de exibição ou
demonstração de perícia em manobra de veículo automotor,
não autorizada pela autoridade competente;
 transitando em velocidade superior à máxima permitida
para a via em 50 km/h (cinquenta quilômetros por hora).

Nestes casos deverá ser instaurado inquérito policial para a


investigação da infração penal.

Uma novidade, trazida pela Lei 12.971/2014, é que a suspensão


ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo

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automotor pode ser imposta isolada ou cumulativamente com outras


penalidades, logo, o legislador suprimiu a parte que dizia que a
suspensão podia ser imposta como penalidade principal, fiquem
atentos!

A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a


permissão ou a habilitação, para dirigir veículo automotor, tem a
duração de dois meses a cinco anos. Transitada em julgado a
sentença condenatória, o réu será intimado a entregar à autoridade
judiciária, em quarenta e oito horas, a Permissão para Dirigir ou a
Carteira de Habilitação. Veremos à frente que caso não entregue, o
condutor estará cometendo um crime!

A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a


permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor não se inicia
enquanto o sentenciado, por efeito de condenação penal, estiver
recolhido a estabelecimento prisional.

Em qualquer fase da investigação ou da ação penal, havendo


necessidade para a garantia da ordem pública, poderá o juiz, como
medida cautelar, de ofício, ou a requerimento do Ministério Público ou
ainda mediante representação da autoridade policial, decretar, em
decisão motivada, a suspensão da permissão ou da habilitação para
dirigir veículo automotor, ou a proibição de sua obtenção.

Da decisão que decretar a suspensão ou a medida cautelar, ou


da que indeferir o requerimento do Ministério Público, caberá recurso
em sentido estrito, sem efeito suspensivo.

A suspensão para dirigir veículo automotor ou a proibição de se


obter a permissão ou a habilitação será sempre comunicada pela
autoridade judiciária ao Conselho Nacional de Trânsito - CONTRAN, e ao

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órgão de trânsito do Estado em que o indiciado ou réu for domiciliado ou


residente.

Se o réu for reincidente na prática de crime previsto no CTB, o


juiz aplicará a penalidade de suspensão da permissão ou habilitação para
dirigir veículo automotor, sem prejuízo das demais sanções penais
cabíveis.

A penalidade de multa reparatória consiste no pagamento,


mediante depósito judicial em favor da vítima, ou seus sucessores, de
quantia calculada com base no disposto no Código Penal, sempre que
houver prejuízo material resultante do crime. Contudo, não poderá
ser superior ao valor do prejuízo demonstrado no processo.

Na indenização civil do dano, o valor da multa reparatória será


descontado.

São circunstâncias que sempre agravam as penalidades dos


crimes de trânsito ter o condutor do veículo cometido a infração:

 com dano potencial para duas ou mais pessoas ou com grande


risco de grave dano patrimonial a terceiros;
 utilizando o veículo sem placas, com placas falsas ou
adulteradas;
 sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação;
 com Permissão para Dirigir ou Carteira de Habilitação de
categoria diferente da do veículo;
 quando a sua profissão ou atividade exigir cuidados especiais
com o transporte de passageiros ou de carga( no caso de
carga, só vai agravar, ok?);
 utilizando veículo em que tenham sido adulterados
equipamentos ou características que afetem a sua segurança

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ou o seu funcionamento de acordo com os limites de velocidade


prescritos nas especificações do fabricante;
 sobre faixa de trânsito temporária ou permanentemente
destinada a pedestres.

Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que


resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá
fiança, se prestar pronto e integral socorro àquela.

Bem pessoal, como vimos acima existem alguns fatores que


agravam a pena e vamos ver outros que aumentam, contudo vocês vão
perceber que em alguns casos tanto vai agravar como aumentar, logo,
quando forem iguais, aplica-se as agravantes para os demais crimes,
exceto para homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de
veículo automotor, que já possuem os aumentos das penas em parágrafo
específico, ok?

Crimes em espécie

Os crimes de trânsito estão previstos nos artigos 302 a 312 do CTB


e são os seguintes:
 Homicídio culposo na direção de veículo automotor (art.
302);

 Lesão corporal culposa na direção de veículo automotor (art.


303);

"Arts. 302 e 303 do CTB (Lei 9.503/1997). (...) Condenado o


paciente, em concurso formal, pela prática dos crimes de homicídio
culposo e lesões corporais culposas no trânsito, inviável a aplicação da
transação penal ao caso."

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 Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente, de


prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo
diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da
autoridade pública (art. 304);

 Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para


fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser
atribuída (art. 305);

 Conduzir veículo automotor com capacidade psicomotora


alterada em razão da influência de álcool ou de outra
substância psicoativa que determine dependência (art.
306);

 Violar a suspensão ou a proibição de se obter a permissão


ou a habilitação para dirigir veículo automotor (art. 307);

 Participar, na direção de veículo automotor, em via pública,


de corrida, disputa ou competição automobilística não
autorizada pela autoridade competente, gerando situação de
risco à incolumidade pública ou privada (art. 308);

 Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida


Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado
o direito de dirigir, gerando perigo de dano (art. 309);

 Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo automotor


a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com o
direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu
estado de saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não
esteja em condições de conduzi-lo com segurança (art.
310);

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 Trafegar em velocidade incompatível com a segurança nas


proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e
desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou
onde haja grande movimentação ou concentração de
pessoas, gerando perigo de dano (art. 311);

 Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico


com vítima, na pendência do respectivo procedimento
policial preparatório, inquérito policial ou processo penal, o
estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a
erro o agente policial, o perito, ou juiz (art. 312).

Seguindo, é importante vocês saberem que a Lei nº 13.281/2016


acrescentou um artigo ao CTB afirmando que, se o juiz condenar o réu
por crime de trânsito e substituir a pena privativa de liberdade por
restritiva de direitos, neste caso ele deverá, obrigatoriamente, fixar, como
pena restritiva de direitos, a "prestação de serviço à comunidade ou a
entidades públicas". Ou seja, existem seis espécies de pena restritiva de
direitos listadas no Código Penal. No entanto, em caso de condenação por
crime de trânsito, o magistrado deverá aplicar a prestação de serviço à
comunidade ou a entidades públicas, prevista no inciso IV do art. 44 do
CP.
Além disso, a Lei, que entrará em vigo a partir de novembro, já
impõe que essa prestação de serviços ocorra em uma das seguintes
atividades:
 trabalho, aos fins de semana, em equipes de resgate dos
corpos de bombeiros e em outras unidades móveis
especializadas no atendimento a vítimas de trânsito;
 trabalho em unidades de pronto-socorro de hospitais da rede
pública que recebem vítimas de acidente de trânsito e
politraumatizados;

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 trabalho em clínicas ou instituições especializadas na


recuperação de acidentados de trânsito;
 outras atividades relacionadas ao resgate, atendimento e
recuperação de vítimas de acidentes de trânsito.

Seguindo, e aprofundando mais nas decisões, é preciso saber que


art. 309 do Código de Trânsito Brasileiro, que reclama decorra do fato
perigo de dano, derrogou o art. 32 da Lei das Contravenções Penais no
tocante à direção sem habilitação em vias terrestre. (Súmula 720.)
Já a permissão ou entrega de direção de veículo automotor a
pessoa não habilitada, tipificada no art. 310 do Código de Trânsito
Brasileiro, classifica-se como crime de perigo abstrato, que prescinde do
resultado naturalístico.
Outra informação importante, é sobre condução de veículo
automotor sob efeito de álcool, tipificado no art. 306 do CTB: "(...) a
taxatividade objetiva determinada pela nova redação do art. 306 do
Código de Trânsito Brasileiro, que fixou como indesejável a dosagem igual
ou superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue, deve ser
atendida mediante a realização de um dos testes de alcoolemia previstos
no Decreto 6.488/2008, que são: exame de sangue ou teste em
aparelho de ar alveolar pulmonar". Seguindo, neste mesmo artigo: "a
objetividade jurídica do delito tipificado na mencionada norma transcende
a mera proteção da incolumidade pessoal, para alcançar também a tutela
da proteção de todo corpo social, asseguradas ambas pelo incremento dos
níveis de segurança nas vias públicas. Mostra-se irrelevante, nesse
contexto, indagar se o comportamento do agente atingiu, ou não,
concretamente, o bem jurídico tutelado pela norma, porque a
hipótese é de crime de perigo abstrato, para o qual não importa o
resultado.
Segundo o STF, no tipo penal sob análise, basta que se comprove
que o acusado conduzia veículo automotor, na via pública,

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apresentando concentração de álcool no sangue igual ou superior a 6


decigramas por litro para que esteja caracterizado o perigo ao bem
jurídico tutelado e, portanto, configurado o crime. Por opção legislativa,
não se faz necessária a prova do risco potencial de dano causado pela
conduta do agente que dirige embriagado, inexistindo qualquer
inconstitucionalidade em tal previsão legal.
Seguindo, o homicídio na forma culposa na direção de veículo
automotor (art. 302, caput, do CTB) prevalece se a capitulação atribuída
ao fato como homicídio doloso decorre de mera presunção ante a
embriaguez alcoólica eventual. A embriaguez alcoólica que conduz à
responsabilização a título doloso é apenas a preordenada, comprovando-
se que o agente se embebedou para praticar o ilícito ou assumir o risco
de produzi-lo.
A jurisprudência firmou-se no sentido de que não há crime de
desobediência quando a inexecução da ordem emanada de servidor
público estiver sujeita à punição administrativa, sem ressalva de sanção
penal. Hipótese em que o paciente, abordado por agente de trânsito, se
recusou a exibir documentos pessoais e do veículo, conduta prevista no
CTB como infração gravíssima, punível com multa e apreensão do veículo
E para fecharmos, é preciso saber que o crime mais grave de
lesões corporais culposas, qualificado pela falta de habilitação para dirigir
veículos, absorve o crime menos grave de dirigir sem habilitação (arts.
303, parágrafo único, e 309 do CTB). O crime de lesões corporais
culposas é de ação pública condicionada à representação da vítima por
expressa disposição legal (arts. 88 e 91 da Lei 9.099/1995). Na hipótese
em que a vítima não exerce a faculdade de representar, ocorre a extinção
da punibilidade do crime mais grave de lesões corporais culposas,
qualificado pela falta de habilitação, não podendo o paciente ser
processado pelo crime menos grave de dirigir sem habilitação, que, num
julgado, restou absorvido.

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4. Lei nº 9.605/98 (Crimes Contra o Meio ambiente)

Sabemos que é possível a responsabilidade penal das pessoas


jurídicas por crimes ambientais. O art. 225, § 3º, CF/88 prevê o seguinte:

"Art. 225 (...) § 3º As condutas e atividades consideradas lesivas


ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a
sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de
reparar os danos causados."

A Lei n.° 9.605/98, regulamentando o dispositivo constitucional,


estabeleceu:

"Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas


administrativa, civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos
casos em que a infração seja cometida por decisão de seu representante
legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício
da sua entidade.
Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não
exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo
fato."

Qual é a posição do STF e o STJ sobre o tema? Atualmente, o STJ


e o STF adotam que é possível a responsabilização penal da pessoa
jurídica por delitos ambientais independentemente da responsabilização
concomitante da pessoa física que agia em seu nome.

Outra coisa, segundo o entendimento atual da jurisprudência, é


possível a responsabilização penal da pessoa jurídica por delitos

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ambientais independentemente da responsabilização concomitante da


pessoa física que agia em seu nome.

A jurisprudência não mais adota a chamada teoria da "dupla imputação".

Seguindo, a Lei de Crimes Ambientais prevê o seguinte delito:

"Art. 48. Impedir ou dificultar a regeneração natural de florestas e


demais formas de vegetação:
Pena-detenção, de seis meses a um ano, e multa."

Para que se configure esse delito, é necessário que a conduta do


agente tenha se dado em área de preservação permanente? NÃO. A
tipificação da conduta descrita no art. 48 prescinde de a área ser de
preservação permanente. Isso porque o referido tipo penal descreve como
conduta criminosa o simples fato de "impedir ou dificultar a regeneração
natural de florestas e demais formas de vegetação".

Outra informação importante, a Lei de Crimes Ambientais prevê o


seguinte delito:

"Art. 54. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que


resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que
provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da
flora: Pena- reclusão, de um a quatro anos, e multa.

Em que consiste o delito: O agente causa poluição que:


 resulta em danos à saúde humana (crime de dano);
 pode resultar danos à saúde humana (crime de perigo);
 provoca mortandade de animais (crime de dano);
 provoca a destruição significativa da flora (crime de dano).

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Para que se configure esse delito, é necessária a realização de


perícia? Sim. É imprescindível a realização de perícia oficial para
comprovar a prática do crime previsto no art. 54 da Lei 9.605/98.

Seguindo, estudamos o princípio da insignificância no início do


curso. Assim, é preciso saber que é possível aplicar o princípio da
insignificância para crimes ambientais.
O STF entendeu que não existia, num caso concreto, o requisito da
justa causa a propiciar o prosseguimento da ação penal, especialmente
pela mínima ofensividade da conduta do agente, pela ausência de
periculosidade social da ação, pelo reduzido grau de reprovabilidade do
comportamento e pela inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Dessa forma, apesar de a conduta do denunciado amoldar-se à
tipicidade formal e subjetiva, o STF entendeu que não havia a
tipicidade material, consistente na relevância penal da conduta e no
resultado típico, em razão da insignificância da lesão produzida no bem
jurídico tutelado.
A jurisprudência do STF é no sentido da aplicabilidade do princípio
da insignificância aos crimes ambientais, tanto com relação aos de perigo
concreto — em que haveria dano efetivo ao bem jurídico tutelado —,
quanto aos de perigo abstrato.

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5. Questões propostas

01. (Juiz Federal TRF5 – 2011) Caracteriza-se o concurso formal


quando praticados crimes de roubo mediante uma só ação, exceto se as
vítimas forem distintas.

02. (PCCE – Delegado de Polícia – 2015) Quando o agente, mediante


uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.
Trata-se da definição legal do
a) concurso formal.
b) concurso material.
c) concurso material benéfico.
d) princípio da consunção
e) crime continuado.

03. (CESPE – TJSE – Analista Direito – 2014) Julgue os itens


subsecutivos, acerca de crime e aplicação de penas. Na hipótese de crime
continuado ou permanente, deve ser aplicada a lei penal mais grave se
esta tiver entrado em vigor antes da cessação da continuidade ou da
permanência.

04. (CESPE – PCAL – Delegado de Polícia – 2012) O acréscimo da


pena em razão do crime continuado é fixado de acordo com o iter criminis
percorrido pelo agente, porquanto na continuidade delitiva, os vários
delitos que a integram são considerados como crime único.

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05. (FUNIVERSA – Delegado de Polícia – 2015) Com base na


legislação, na jurisprudência e na doutrina majoritária, julgue o item
abaixo, no que se refere a prova, prisão preventiva, liberdade provisória e
excludente de ilicitude.
Não se admite liberdade provisória em crime hediondo.

06. (FUNIVERSA – PCGO – Papiloscopista – 2015) A respeito da


prisão, segundo o CPP e o entendimento do STJ, assinale a alternativa
correta.
a) A prisão preventiva justifica-se caso demonstrada sua real
indispensabilidade para assegurar a ordem pública, a ordem econômica, a
instrução criminal ou a aplicação da lei penal, quando houver prova de
autoria, de acordo com o CPP.
b) A prisão cautelar deve ser considerada exceção, uma vez que, por
meio dessa medida, priva-se o réu de seu jus libertatis antes do
pronunciamento condenatório definitivo, consubstanciado na sentença
transitada em julgado.
c) A prisão preventiva, enquanto medida de natureza cautelar, pode ser
utilizada como instrumento de punição antecipada do indiciado ou do réu.
d) A prisão cautelar confunde-se com a prisão penal, objetivando infligir
punição àquele que sofre a sua decretação, embora se destine a atuar em
benefício da atividade estatal desenvolvida no processo penal.
e) A privação cautelar da liberdade individual resulta impossível em
virtude de expressa cláusula inscrita no próprio texto da Constituição da
República, sob pena de conflitar com a presunção constitucional de
inocência.

07. (VUNESP – PCCE – Delegado de Polícia – 2015) De acordo com o


art. 289-A, § 1o do CPP,
a) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão de- terminada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que

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fora da competência territorial do juiz que o expediu, mas desde que o


juiz do local da prisão seja previamente comunicado e lance seu “cumpra-
se”.
b) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que
fora da competência territorial do juiz que o expediu.
c) apenas o agente policial lotado em unidade sujeita à competência
territorial do juiz que expediu o mandado de prisão poderá efetuar a
prisão determinada no respectivo mandado fora da competência territorial
do juiz que o expediu, mas desde que o mandado seja registrado no
Conselho Nacional de Justiça.
d) apenas o agente policial lotado em unidade sujeita à competência
territorial do juiz que expediu o mandado de prisão poderá efetuar a
prisão determinada no respectivo mandado fora da competência territorial
do juiz que o expediu.
e) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, mas
apenas no território de competência do juiz que o expediu.

08. (UESPI – Delegado de Polícia – 2014) Na atual processualística


penal, com as modificações implementadas pela Lei nº 12.403/11, pode-
se afirmar que
a) a prisão preventiva poderá ser decretada de ofício pelo juiz no curso da
ação penal ou na fase pré-processual.
b) a prisão temporária, assim como a prisão preventiva, está submetida à
presença do fumus comissi delicti e ao periculum libertatiss.
c) o princípio da provisionalidade das prisões cautelares refere-se à
adequação e proporcionalidade da imposição da medida.
d) a prisão em flagrante, uma vez comunicada ao magistrado e por ele
convalidada, manter-se-á eficaz.
e) a prisão preventiva não existe sem prévio flagrante.

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09. (VUNESP – PCSP – Delegado de Polícia – 2014) Em relação ao


tema prisão, é correto afirmar que
a) o emprego de força para a realização da prisão será permitido sempre
que a autoridade policial julgar necessário, não existindo restrição legal.
b) a prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora,
respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade de domicílio.
c) a prisão cautelar somente ocorre durante o inquérito policial.
d) em todas as suas hipóteses, é imprescindível a existência de
mandado judicial prévio.
e) a prisão preventiva somente ocorre durante o processo judicial.

10. (UEG – GO – PCGO – Delegado de Polícia – 2013) Segundo o


Código de Processo Penal, a fiança não será concedida nos crimes

a) punidos com detenção, se houver no processo prova de ser o réu


vadio.
b) punidos com reclusão que provoquem clamor público.
c) cometidos com violência ou ameaça contra a pessoa.
d) de racismo e nos definidos como hediondos.

11. (2015 – FCC - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Técnico Judiciário) São


crimes previstos no Código Brasileiro de Trânsito (Lei nº
9.503/1997), dentre outros,
A) praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor;
afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída; deixar o
condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro
à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de
solicitar auxílio da autoridade pública.
B) avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória;
deixar de sinalizar qualquer obstáculo à livre circulação, à segurança de
veículo e pedestres, tanto no leito da via terrestre como na calçada, ou

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obstaculizar a via indevidamente; trafegar em velocidade incompatível


com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de
embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde
haja grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo
de dano.
C) praticar homicídio doloso na direção de veículo automotor; afastar-se o
condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade
penal ou civil que lhe possa ser atribuída; conduzir o veículo com
dispositivo antirradar.
D) participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida,
disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada;
avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória;
praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor.
E) praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor; usar no
veículo equipamento com som em volume ou frequência que não sejam
autorizados pelo CONTRAN; participar, na direção de veículo automotor,
em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística não
autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à
incolumidade pública ou privada.

12. (2015 – VUNESP - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil de 1a


Classe) Assinale a alternativa correta no tocante à Lei no
9.503/97 (CTB).
A) A conduta de dirigir veículo automotor em via pública, sem a devida
permissão para dirigir ou habilitação, configura crime (art. 309), gerando
ou não perigo de dano.
B) A única possibilidade de configuração do crime de embriaguez ao
volante (art. 306) é por meio da constatação de concentração igual ou
superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue, ou igual ou superior
a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar.

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C) Mesmo sem resultar dano potencial à incolumidade pública ou privada,


é crime (art. 308) participar, na direção de veículo automotor, em via
pública, de disputa ou competição automobilística não autorizada pela
autoridade competente (“racha”).
D) O condenado por lesão corporal culposa na direção de veículo
automotor (art. 303), além da pena privativa de liberdade sujeitar-se-á,
obrigatoriamente, à pena criminal de suspensão ou proibição de obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo auto- motor.
E) É crime (art. 311) trafegar em velocidade incompatível com a
segurança nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.

13. (Questão inédita) Julgue as sentenças abaixo com relação a


aplicação da Lei 9.099/95 aos crimes de trânsito:
I- Todos os delitos de trânsito são considerados crimes de menor
potencial ofensivo.
II- O instituto “composição civil dos danos” apenas é aplicável no
homicídio culposo e na lesão corporal culposa, cometidos na
direção de veículo automotor.
III- Inovou a lei seca, pois retira da lesão corporal culposa
causada na direção de veículo automotor, a possibilidade de
aplicação da “composição civil dos danos”, “transação penal” e a
necessidade de “representação”, se combinadas com algumas
circunstâncias específicas.
A) Apenas I está correta.
B) Apenas II está correta.
C) Apenas III está correta.
D) Apenas I e II estão corretas.
E) Apenas I, e III estão corretas.

14. (Questão inédita) Julgue as sentenças abaixo com relação aos


crimes de trânsito:

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I – Quem comete homicídio culposo, na direção veicular, terá sua


pena dobrada, caso pratique em faixa de pedestres ou na calçada;
II – O crime de dirigir sem habilitação derrogou a contravenção
penal que tratava da mesma infração penal, sendo ainda
considerado contravenção penal dirigir embarcações sem possuir
a devida habilitação, conforme súmula 720 do STF.
III – Comete o crime de omissão de socorro descrito no Código
Penal, o condutor que está passando pelo local e deixa de socorrer
pessoa ferida.
A) Apenas I está correta.
B) Apenas II está correta.
C) Apenas III está correta.
D) Apenas I e II estão corretas.
E) Apenas II e III estão corretas.

15. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia - Específicos ) Com


relação à legislação especial, julgue o item que se segue.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite que a prova da
embriaguez ao volante deve ser feita, preferencialmente, por meio de
perícia (teste de alcoolemia ou de sangue), mas esta pode ser suprida, se
impossível de ser realizada no momento ou em vista da recusa do
cidadão, pelo exame clínico e, mesmo, pela prova testemunhal em casos
excepcionais.

16. (CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008) De acordo


com o CTB, assinale a opção correta acerca das ações penais por
crimes cometidos na direção de veículos automotores.
A) Em nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de
disposições previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais
criminais.
B) A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação
para dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade

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principal, mas sempre de forma isolada, sendo vedada a aplicação


cumulativa com outras penalidades.
C) A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou
a habilitação para dirigir veículo automotor tem a duração de dois anos.
D) Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a
entregar à autoridade judiciária, em 24 horas, a permissão para dirigir ou
a CNH.
E) Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que
resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá
fiança, se ele prestar pronto e integral socorro àquela.

17. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Nos crimes ambientais, a responsabilidade penal da pessoa jurídica será
sempre reflexa, e, de acordo com entendimento consolidado na doutrina e
na jurisprudência dos tribunais superiores, a pessoa jurídica não poderá
ser responsabilizada por crime culposo, salvo quando essa infração for
imputada única e exclusivamente ao ente moral.

18. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Admite-se a aplicação das circunstâncias agravantes genéricas previstas
no CP aos crimes ambientais e, de igual modo, a aplicação das agravantes
genéricas ambientais aos delitos comuns da lei ambiental em apreço, em
face do princípio da subsidiariedade, preconizado de forma expressa em
ambos os diplomas legais.

19. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens

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Nos crimes ambientais, a concessão do sursis (comum e especial) segue


idênticos requisitos do CP; neles, são igualmente cabíveis o sursis etário e
o sursis humanitário nas condenações não superiores a quatro anos.

20. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Os crimes ambientais, em relação aos entes morais, são plurissubjetivos
ou de concurso necessário; contudo, não se pode imputar
concomitantemente a mesma infração penal a pessoa física e a pessoa
jurídica, sob pena de ofensa ao princípio do no bis in idem.

21. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Na fixação da pena por delitos ambientais, o juiz deverá levar em conta,
de forma preponderante, os bons ou maus antecedentes ambientais do
infrator e, apenas supletivamente, os outros antecedentes.

22. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.
Devido à importância crescente atribuída ao meio ambiente, a lei que
dispõe sobre as sanções penais e administrativas aplicáveis a condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente instituiu penas mais rigorosas para
as pessoas físicas, prestigiando as penas de encarceramento como regra
geral.

23. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.

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A pena de prestação de serviços à comunidade nos crimes ambientais


inclui prestação de serviços em entidades assistenciais, hospitais, escolas
e orfanatos.

24. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.
As pessoas jurídicas estão sujeitas a responder por crimes ambientais nas
modalidades dolosa ou culposa, cometidos por decisão de seu
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse
ou benefício da entidade.

25. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, julgue os
itens.
O valor pago a título de pena de prestação pecuniária não será deduzido
do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator.

26. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, julgue os
itens.
Se ao crime ambiental for aplicada pena privativa de liberdade inferior a
quatro anos, deverá ocorrer sua substituição por pena restritiva de
direito.

27. (CESPE - 2012 - TJ-AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária)


Acerca das leis penais extravagantes, julgue os itens
subsecutivos, de acordo com o magistério doutrinário e
jurisprudencial dominantes.
A uma empresa pública que tenha causado dano ambiental a uma
unidade de conservação é admitida a aplicação de pena de prestação de
serviços à comunidade.

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28. (CESPE - 2012 - PC-AL - Delegado de Polícia) Nos crimes


ambientais, é viável e possível a prorrogação do prazo de suspensão
condicional do processo, por mais um ano além do máximo previsto, que
é de quatro anos, dependendo a declaração de extinção da punibilidade
de laudo que comprove ter o acusado adotado todas as providências
inerentes à reparação integral do dano.

29. (CESPE - 2012 - TRE-RJ - Analista Judiciário - Área Judiciária)


A respeito das disposições do Estatuto da Criança e do
Adolescente, dos crimes contra o meio ambiente e dos direitos do
consumidor, julgue os itens que se seguem.
Não se aplica o princípio da insignificância às infrações penais que atinjam
o meio ambiente, uma vez que não se pode mensurar de forma segura o
grau de lesão ambiental.

30. (CESPE - 2012 - AGU – Advogado) Com base nos termos da


legislação que trata da responsabilização por danos ambientais,
julgue os itens seguintes.
Tratando-se de matéria ambiental, admite-se a desconsideração da
pessoa jurídica sempre que sua personalidade seja obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

31. (CESPE - 2012 - TJ-PI – Juiz) Com base no que dispõe a lei que
trata dos crimes ambientais, julgue os itens acerca da
responsabilidade por dano ambiental.
As pessoas jurídicas de direito público não podem ser responsabilizadas
administrativamente por dano ambiental.

32. (CESPE - 2008 - PGE-ES - Procurador de Estado) Com relação


ao direito penal julgue o item.

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Juvenal, penalmente responsável, com intuito comercial e sem


autorização legal, extraiu grande quantidade de areia em área
pertencente à União, tendo sido flagrado pela fiscalização ambiental no
momento da extração. Nessa situação, Juvenal responderá por crime de
usurpação do patrimônio da União, em concurso formal com crime contra
o meio ambiente, ambos decorrentes de uma única conduta.

33. (CESPE - 2009 - IBRAM-DF – Advogado) Acerca dos institutos


de direito ambiental, julgue os itens subsequentes.
Considere que Alzirina tenha queimado madeira imprestável em sua
chácara no Lago Norte da capital federal, o que causou um incêndio no
Parque Nacional de Brasília. Nesse caso, de acordo com a Lei dos Crimes
Ambientais, além de outras cominações, ocorreu crime contra a flora, na
modalidade culposa.

6. Questões Comentadas

01. (Juiz Federal TRF5 – 2011) Caracteriza-se o concurso formal


quando praticados crimes de roubo mediante uma só ação, exceto se as
vítimas forem distintas.

Resposta: incorreto.
Comentário:
Inclusive quando as vítimas forem distintas, uma vez que os patrimônios
serão diferentes e é isso que consta como requisito para a caracterização
do concurso formal, nos termos da jurisprudência verificada na parte
teórica da nossa aula de hoje. Relembrando:
(...) Praticado o crime de roubo mediante uma só ação contra vítimas
distintas, no mesmo contexto fático, resta configurado o concurso formal
próprio, e não a hipótese de crime único, visto que violados patrimônios

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distintos. (...) (HC 197.684/RJ, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior,


Sexta Turma, julgado em 18/06/2012)

Assim, quando praticados em face de patrimônios distintos, resta


configurada a hipótese de concurso formal, uma vez que não será
considerado crime único.

02. (PCCE – Delegado de Polícia – 2015) Quando o agente, mediante


uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não,
aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade.
Trata-se da definição legal do
a) concurso formal.
b) concurso material.
c) concurso material benéfico.
d) princípio da consunção
e) crime continuado.

Resposta: item A.
Comentário:
A resposta é simples, e pode ser retirada da própria letra fria do Código
Penal, vejamos o que diz o art. 70, do CP.
Concurso formal

Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só


ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave
das penas cabíveis ou, se iguais, somente
uma delas, mas aumentada, em qualquer
caso, de um sexto até metade. As penas
aplicam-se, entretanto, cumulativamente, se

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a ação ou omissão é dolosa e os crimes


concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo
anterior.

Ou seja, a banca simplesmente copiou o conteúdo do caput do art. 70, do


Código Penal, conceituando em seu enunciado o Concurso Formal. Veja
que é importante também a leitura da letra da lei para matar uma
questão de prova de carreiras policiais, inclusive de Delegado de Polícia.
Comentando o conceito de cada uma das demais alternativas:
Concurso Material (art.69, do C.P.):
Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas
privativas de liberdade em que haja incorrido. No caso de aplicação
cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-se primeiro
aquela.
Concurso Material Benéfico (art.70, parágrafo único, do C.P.):
Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste
Código.
Princípio da Consunção: a norma definidora de um crime constitui meio
necessário ou fase normal de preparação ou execução de outro crime, ou
seja, há consunção quando o fato previsto em determinada norma é
compreendido em outra, mais abrangente, aplicando-se somente esta.
Nesse sentido, o crime consumado absorve o crime tentado, o crime de
perigo é absorvido pelo crime de dano.
Crime Continuado (art. 71 C.P.):
Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois
ou mais crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar,
maneira de execução e outras semelhantes, devem os subsequentes ser
havidos como continuação do primeiro, aplica-se-lhe a pena de um só dos
crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada, em
qualquer caso, de um sexto a dois terços.

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03. (CESPE – TJSE – Analista Direito – 2014) Julgue os itens


subsecutivos, acerca de crime e aplicação de penas. Na hipótese de crime
continuado ou permanente, deve ser aplicada a lei penal mais grave se
esta tiver entrado em vigor antes da cessação da continuidade ou da
permanência.

Resposta: correto.
Comentário:
Basta lembrar do conteúdo da Súmula 711 do Supremo Tribunal Federal:
"A lei penal mais grave aplica-se ao crime
continuado ou ao crime permanente, se a sua
vigência é anterior à cessação da
continuidade ou da permanência."

04. (CESPE – PCAL – Delegado de Polícia – 2012) O acréscimo da


pena em razão do crime continuado é fixado de acordo com o iter criminis
percorrido pelo agente, porquanto na continuidade delitiva, os vários
delitos que a integram são considerados como crime único.

Resposta: incorreto.
Comentário:
O iter criminis é utilizado para a fixação do grau de redução do delito
tentado. Assim, o caminho do crime é utilizado para aplicar o fator de
redução da tentativa. Quanto mais próximo da consumação chegar o
crime, menor será o fator de redução.
Por outro lado, para o crime continuado, utiliza-se a quantidade de
infrações para definir o acréscimo de pena resultante do instituto.

05. (FUNIVERSA – Delegado de Polícia – 2015) Com base na


legislação, na jurisprudência e na doutrina majoritária, julgue o item

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abaixo, no que se refere a prova, prisão preventiva, liberdade provisória e


excludente de ilicitude.
Não se admite liberdade provisória em crime hediondo.

Resposta: incorreto.
Comentário:
O STF tem se manifestado no sentido de que o fato de o crime ser
hediondo, por si só, não impede a concessão da liberdade provisória, na
medida em que qualquer prisão imposta antes do trânsito em julgado de
sentença penal condenatória, por ser dotada de natureza acautelatória, só
pode ser determinada excepcionalmente, e, quando estiver demonstrada
a sua necessidade a partir de dados concretos constantes dos autos.
Com o advento da Lei nº 11.464/07, em vigor desde 29 de março de
2007, foi suprimida a proibição de concessão de liberdade provisória sem
fiança aos crimes hediondos e equiparados, então prevista no art. 2,
inciso II, da Lei nº 8.072/90. Mas a Lei 11.464/07 também derrogou em
parte o art. 44 da Lei nº 11.343/06, seja porque com ela é incompatível,
seja porque cuidou inteiramente da matéria.
Assim é o entendimento da jurisprudência, inclusive mostrada na parte
teórica da aula de hoje. Vejamos.
Habeas corpus. 2. Paciente preso em flagrante por infração ao art. 33,
caput, c/c 40, III, da Lei 11.343/2006. 3. Liberdade provisória. Vedação
expressa (Lei n. 11.343/2006, art. 44). 4. Constrição cautelar mantida
somente com base na proibição legal. 5. Necessidade de análise dos
requisitos do art. 312 do CPP. Fundamentação inidônea. 6. Ordem
concedida, parcialmente, nos termos da liminar anteriormente deferida.
(STF - HC: 104339 SP, Relator: Min. GILMAR MENDES, Data de
Julgamento: 10/05/2012, Tribunal Pleno, Data de Publicação:
ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-239 DIVULG 05-12-2012 PUBLIC 06-
12-2012)

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06. (FUNIVERSA – PCGO – Papiloscopista – 2015) A respeito da


prisão, segundo o CPP e o entendimento do STJ, assinale a alternativa
correta.
a) A prisão preventiva justifica-se caso demonstrada sua real
indispensabilidade para assegurar a ordem pública, a ordem econômica, a
instrução criminal ou a aplicação da lei penal, quando houver prova de
autoria, de acordo com o CPP.
b) A prisão cautelar deve ser considerada exceção, uma vez que, por
meio dessa medida, priva-se o réu de seu jus libertatis antes do
pronunciamento condenatório definitivo, consubstanciado na sentença
transitada em julgado.
c) A prisão preventiva, enquanto medida de natureza cautelar, pode ser
utilizada como instrumento de punição antecipada do indiciado ou do réu.
d) A prisão cautelar confunde-se com a prisão penal, objetivando infligir
punição àquele que sofre a sua decretação, embora se destine a atuar em
benefício da atividade estatal desenvolvida no processo penal.
e) A privação cautelar da liberdade individual resulta impossível em
virtude de expressa cláusula inscrita no próprio texto da Constituição da
República, sob pena de conflitar com a presunção constitucional de
inocência.

Resposta: item B.
Comentário:
Vamos verificar o que o autor Renato Brasileiro de Lima escreve a
respeito das prisões cautelares em sua obra.
“Prisão cautelar (carcer ad custodiam) é aquela decretada antes do
trânsito em julgado de sentença penal condenatória com o objetivo de
assegurar a eficácia das investigações ou do processo criminal.
Em um Estado que consagra o princípio da presunção de não
culpabilidade, o ideal seria que a privação da liberdade de locomoção do
imputado somente fosse possível por força de uma prisão penal, ou seja,
após o trânsito em julgado de sentença penal condenatória

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A prisão cautelar deve estar obrigatoriamente comprometida com a


instrumentalização do processo criminal. Trata-se de medida de natureza
excepcional, que não pode ser utilizada como cumprimento antecipado de
pena, na medida em que o juízo que se faz, para sua decretação, não é
de culpabilidade, mas sim de periculosidade. Como anota o Min. Celso de
Mello, a prisão cautelar, que tem função exclusivamente instrumental,
não pode converter-se em forma antecipada de punição penal. A privação
cautelar da liberdade - que constitui providência qualificada pela nota da
excepcionalidade - somente se justifica em hipóteses estritas, não
podendo efetivar-se, legitimamente, quando ausente qualquer dos
fundamentos legais necessários à sua decretação pelo Poder Judiciário.
Tendo em conta a função cautelar que lhe é inerente - atuar em benefício
da atividade estatal desenvolvida no processo penal - a prisão cautelar
também não pode ser decretada para dar satisfação à sociedade, à
opinião pública ou à mídia, sob pena de se desvirtuar sua natureza
instrumental.”

07. (VUNESP – PCCE – Delegado de Polícia – 2015) De acordo com o


art. 289-A, § 1o do CPP,
a) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que
fora da competência territorial do juiz que o expediu, mas desde que o
juiz do local da prisão seja previamente comunicado e lance seu “cumpra-
se”.
b) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que
fora da competência territorial do juiz que o expediu.
c) apenas o agente policial lotado em unidade sujeita à competência
territorial do juiz que expediu o mandado de prisão poderá efetuar a
prisão determinada no respectivo mandado fora da competência territorial
do juiz que o expediu, mas desde que o mandado seja registrado no
Conselho Nacional de Justiça.

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d) apenas o agente policial lotado em unidade sujeita à competência


territorial do juiz que expediu o mandado de prisão poderá efetuar a
prisão determinada no respectivo mandado fora da competência territorial
do juiz que o expediu.
e) qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, mas
apenas no território de competência do juiz que o expediu.

Resposta: item B
Comentário:
A alternativa correta encontra-se do item B, nos termos do art. 289-A,
§1º, do CPP. Vejamos:
Art. 289-A. O juiz competente providenciará o imediato registro do
mandado de prisão em banco de dados mantido pelo Conselho Nacional
de Justiça para essa finalidade.
§ 1o Qualquer agente policial poderá efetuar a prisão determinada no
mandado de prisão registrado no Conselho Nacional de Justiça, ainda que
fora da competência territorial do juiz que o expediu.

08. (UESPI – Delegado de Polícia – 2014) Na atual processualística


penal, com as modificações implementadas pela Lei nº 12.403/11, pode-
se afirmar que
a) a prisão preventiva poderá ser decretada de ofício pelo juiz no curso da
ação penal ou na fase pré-processual.
b) a prisão temporária, assim como a prisão preventiva, está submetida à
presença do fumus comissi delicti e ao periculum libertatis.
c) o princípio da provisionalidade das prisões cautelares refere-se à
adequação e proporcionalidade da imposição da medida.
d) a prisão em flagrante, uma vez comunicada ao magistrado e por ele
convalidada, manter-se-á eficaz.
e) a prisão preventiva não existe sem prévio flagrante.

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Resposta: item B.
Comentário:
A) INCORRETA
Art. 311, CPP - Em qualquer fase da investigação policial ou do processo
penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no
curso da ação penal, ou a requerimento do Ministério Público, do
querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial.
Ou seja, na fase de investigação, apenas a requerimento do MP ou por
representação do Delegado de Polícia poderá ser decretada a prisão
preventiva.
B) CORRETA. Assim como qualquer medida cautelar no processo penal,
para ser concedida é necessária a presença desses dois elementos.
C) INCORRETA. No que se refere ao princípio da provisionalidade,
disposto nos §§ 4° e 5° do artigo 282 do Código de Processo Penal, este
traz a possibilidade das medidas cautelares serem substituídas ou
revogadas, quando houver modificação na situação fática.
O princípio da provisioriedade ou precariedade define que as cautelares
devem ter tempo programado para sua duração, principalmente quando a
cautelar aplicada for a prisão, já que afeta o direito de liberdade do ser
humano.
D) INCORRETA. De acordo com a nova sistemática das prisões cautelares,
a prisão em flagrante deve ser convertida em prisão preventiva ou então
relaxada diante da presença de qualquer irregularidade.
Não se concebe mais a manutenção da prisão em flagrante, após
comunicada ao juiz.
E) INCORRETA
A prisão preventiva pode ser decretada em qualquer fase da investigação
ou do processo.
Requisitos:
Fumus commissi delicti: Prova da existência do crime (materialidade)
+ indícios suficientes de autoria.

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Periculum libertatis: Garantia da ordem pública, garantia da ordem


econômica, conveniência da instrução criminal, assegurar a aplicação da
lei ou descumprimento de qualquer das obrigações impostas por força de
outras medidas cautelares - Art. 319, CPP

09. (VUNESP – PCSP – Delegado de Polícia – 2014) Em relação ao


tema prisão, é correto afirmar que
a) o emprego de força para a realização da prisão será permitido sempre
que a autoridade policial julgar necessário, não existindo restrição legal.
b) a prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora,
respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade de domicílio.
c) a prisão cautelar somente ocorre durante o inquérito policial.
d) em todas as suas hipóteses, é imprescindível a existência de mandado
judicial prévio.
e) a prisão preventiva somente ocorre durante o processo judicial.

Resposta: item B.
Comentário:
a) ERRADO - CPP, Art. 284. Não será permitido o emprego de força, salvo
a indispensável no caso de resistência ou de tentativa de fuga do preso
b) CORRETO - CPP, Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em
flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade
judiciária competente, em decorrência de sentença condenatória
transitada em julgado ou, no curso da investigação ou do processo, em
virtude de prisão temporária ou prisão preventiva. (Redação dada pela Lei
nº 12.403, de 2011).
§ 1o As medidas cautelares previstas neste Título não se aplicam à
infração a que não for isolada, cumulativa ou alternativamente cominada
pena privativa de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
§ 2o A prisão poderá ser efetuada em qualquer dia e a qualquer hora,
respeitadas as restrições relativas à inviolabilidade do domicílio. (Incluído
pela Lei nº 12.403, de 2011).

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c) ERRADO - CPP, Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título


deverão ser aplicadas observando-se a: (Redação dada pela Lei nº
12.403, de 2011).
I - necessidade para aplicação da lei penal, para a investigação ou a
instrução criminal e, nos casos expressamente previstos, para evitar a
prática de infrações penais; (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
II - adequação da medida à gravidade do crime, circunstâncias do fato e
condições pessoais do indiciado ou acusado. (Incluído pela Lei nº 12.403,
de 2011).
§1o As medidas cautelares poderão ser aplicadas isolada ou
cumulativamente. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011)
§2o As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de ofício ou a
requerimento das partes ou, quando no curso da investigação criminal,
por representação da autoridade policial ou mediante requerimento do
Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).
d) Errado. CPP, Art. 301. Qualquer do povo poderá e as autoridades
policiais e seus agentes deverão prender quem quer que seja encontrado
em flagrante delito.
e) Errado. CPP, art. 313. A decretação da prisão preventiva, desde que
presentes o fumus boni iuris e o periculum in mora (qualquer das
circunstâncias autorizadoras do art. 312 do CPP: garantia da ordem
pública, da ordem econômica, como garantia da instrução criminal, para
assegurar a aplicação da lei penal, descumprimento de outra medida
cautelar). Ademais, a primeira situação que admite a prisão preventiva
ocorre quando o crime imputado ao investigado/acusado é doloso e
punido com pena privativa de liberdade superior a quatro anos (p. ex.
roubo). A anterior redação do dispositivo admitia a decretação da prisão
preventiva em qualquer crime punido com reclusão ou detenção (quando
se tratava de indicado vadio ou quando existia dúvida sobre a sua
identidade e ele não fornecia elementos para esclarecê-la). Agora,
independentemente da espécie de pena (reclusiva ou detentiva) é
possível a restrição da liberdade, desde que o delito seja doloso e punido

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com uma sanção superior a quatro anos. Outrossim, o art. 301 explana
que qualquer do povo poderá e as autoridades policiais e seus agentes
deverão prender quem quer que seja encontrado em flagrante delito.

10. (UEG – GO – PCGO – Delegado de Polícia – 2013) Segundo o


Código de Processo Penal, a fiança não será concedida nos crimes
a) punidos com detenção, se houver no processo prova de ser o réu
vadio.
b) punidos com reclusão que provoquem clamor público.
c) cometidos com violência ou ameaça contra a pessoa.
d) de racismo e nos definidos como hediondos.

Resposta: item D.
Comentário:
São crimes insusceptíveis de graça e anistia assim como inafiançáveis –
3TH (TERRORISMO + TRAFICO + TORTURA + HEDIONDO)
O que se tem que tomar cuidado é para não vedar a liberdade provisória
nesses casos, pois a liberdade provisória pode ser levada a efeito, ainda
que sem o recolhimento de fiança.

11. (2015 – FCC - TRT - 9ª REGIÃO (PR) - Técnico Judiciário) São


crimes previstos no Código Brasileiro de Trânsito (Lei nº
9.503/1997), dentre outros,
A) praticar lesão corporal culposa na direção de veículo automotor;
afastar-se o condutor do veículo do local do acidente, para fugir à
responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser atribuída; deixar o
condutor do veículo, na ocasião do acidente, de prestar imediato socorro
à vítima, ou, não podendo fazê-lo diretamente, por justa causa, deixar de
solicitar auxílio da autoridade pública.
B) avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória;
deixar de sinalizar qualquer obstáculo à livre circulação, à segurança de
veículo e pedestres, tanto no leito da via terrestre como na calçada, ou

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obstaculizar a via indevidamente; trafegar em velocidade incompatível


com a segurança nas proximidades de escolas, hospitais, estações de
embarque e desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde
haja grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando perigo
de dano.
C) praticar homicídio doloso na direção de veículo automotor; afastar-se o
condutor do veículo do local do acidente, para fugir à responsabilidade
penal ou civil que lhe possa ser atribuída; conduzir o veículo com
dispositivo antirradar.
D) participar, na direção de veículo automotor, em via pública, de corrida,
disputa ou competição automobilística não autorizada pela autoridade
competente, gerando situação de risco à incolumidade pública ou privada;
avançar o sinal vermelho do semáforo ou o de parada obrigatória;
praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor.
E) praticar homicídio culposo na direção de veículo automotor; usar no
veículo equipamento com som em volume ou frequência que não sejam
autorizados pelo CONTRAN; participar, na direção de veículo automotor,
em via pública, de corrida, disputa ou competição automobilística não
autorizada pela autoridade competente, gerando situação de risco à
incolumidade pública ou privada.

Comentários:
São crimes elencados no CTB:
 Art. 302. Praticar homicídio culposo na direção de veículo
automotor;
 Art. 303. Praticar lesão corporal culposa na direção de veículo
automotor;
 Art. 304. Deixar o condutor do veículo, na ocasião do acidente,
de prestar imediato socorro à vítima, ou, não podendo fazê-lo
diretamente, por justa causa, deixar de solicitar auxílio da
autoridade pública;

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 Art. 305. Afastar-se o condutor do veículo do local do acidente,


para fugir à responsabilidade penal ou civil que lhe possa ser
atribuída;
 Art. 307. Violar a suspensão ou a proibição de se obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor imposta
com fundamento neste Código;
 Art. 309. Dirigir veículo automotor, em via pública, sem a devida
Permissão para Dirigir ou Habilitação ou, ainda, se cassado o
direito de dirigir, gerando perigo de dano;
 Art. 310. Permitir, confiar ou entregar a direção de veículo
automotor a pessoa não habilitada, com habilitação cassada ou com
o direito de dirigir suspenso, ou, ainda, a quem, por seu estado de
saúde, física ou mental, ou por embriaguez, não esteja em
condições de conduzi-lo com segurança;
 Art. 311. Trafegar em velocidade incompatível com a segurança
nas proximidades de escolas, hospitais, estações de embarque e
desembarque de passageiros, logradouros estreitos, ou onde haja
grande movimentação ou concentração de pessoas, gerando
perigo de dano;
 Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente
automobilístico com vítima, na pendência do respectivo
procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo
penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a
erro o agente policial, o perito, ou juiz.
Gabarito: A.

12. (2015 – VUNESP - PC-CE - Escrivão de Polícia Civil de 1a


Classe) Assinale a alternativa correta no tocante à Lei no
9.503/97 (CTB).
A) A conduta de dirigir veículo automotor em via pública, sem a devida
permissão para dirigir ou habilitação, configura crime (art. 309), gerando
ou não perigo de dano.

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B) A única possibilidade de configuração do crime de embriaguez ao


volante (art. 306) é por meio da constatação de concentração igual ou
superior a 6 decigramas de álcool por litro de sangue, ou igual ou superior
a 0,3 miligrama de álcool por litro de ar alveolar.
C) Mesmo sem resultar dano potencial à incolumidade pública ou privada,
é crime (art. 308) participar, na direção de veículo automotor, em via
pública, de disputa ou competição automobilística não autorizada pela
autoridade competente (“racha”).
D) O condenado por lesão corporal culposa na direção de veículo
automotor (art. 303), além da pena privativa de liberdade sujeitar-se-á,
obrigatoriamente, à pena criminal de suspensão ou proibição de obter a
permissão ou a habilitação para dirigir veículo auto- motor.
E) É crime (art. 311) trafegar em velocidade incompatível com a
segurança nas proximidades de escolas, gerando perigo de dano.

Comentários:
Na letra “A”, tem que gerar o perigo de dano. Na letra “B”, existem outros
meios de prova. Já na letra “C”, tem que gerar o perigo de dano. Na letra
“D”, o examinador erra ao mencionar “obrigatoriamente”. E na letra “E”,
que é a nossa respostas, temos que saber que os tipos penais que contêm
as expressões “gerando perigo de dano”, são tipos penais de perigo
concreto, só haverá o crime se houver perigo de ofensa ao bem tutelado
no caso concreto, conforme esse crime descrito.
Gabarito: E.

13. (Questão inédita) Julgue as sentenças abaixo com relação a


aplicação da Lei 9.099/95 aos crimes de trânsito:
I- Todos os delitos de trânsito são considerados crimes de menor
potencial ofensivo.
II- O instituto “composição civil dos danos” apenas é aplicável no
homicídio culposo e na lesão corporal culposa, cometidos na
direção de veículo automotor.

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III- Inovou a lei seca, pois retira da lesão corporal culposa


causada na direção de veículo automotor, a possibilidade de
aplicação da “composição civil dos danos”, “transação penal” e a
necessidade de “representação”, se combinadas com algumas
circunstâncias específicas.
A) Apenas I está correta.
B) Apenas II está correta.
C) Apenas III está correta.
D) Apenas I e II estão corretas.
E) Apenas I, e III estão corretas.

Comentários:
Então, nem todos os crimes são de menor potencial ofensivo. E a
composição é aplicada no caso de lesão corporal.
Gabarito: C.

14. (Questão inédita) Julgue as sentenças abaixo com relação aos


crimes de trânsito:
I – Quem comete homicídio culposo, na direção veicular, terá sua
pena dobrada, caso pratique em faixa de pedestres ou na calçada;
II – O crime de dirigir sem habilitação derrogou a contravenção
penal que tratava da mesma infração penal, sendo ainda
considerado contravenção penal dirigir embarcações sem possuir
a devida habilitação, conforme súmula 720 do STF.
III – Comete o crime de omissão de socorro descrito no Código
Penal, o condutor que está passando pelo local e deixa de socorrer
pessoa ferida.
A) Apenas I está correta.
B) Apenas II está correta.
C) Apenas III está correta.
D) Apenas I e II estão corretas.
E) Apenas II e III estão corretas.

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Comentários:
No caso do inciso I, terá sua pena aumentada de um terço à metade, os
demais itens estão corretos.
Gabarito: E.

15. (CESPE - 2011 - PC-ES - Escrivão de Polícia - Específicos ) Com


relação à legislação especial, julgue o item que se segue.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça admite que a prova da
embriaguez ao volante deve ser feita, preferencialmente, por meio de
perícia (teste de alcoolemia ou de sangue), mas esta pode ser suprida, se
impossível de ser realizada no momento ou em vista da recusa do
cidadão, pelo exame clínico e, mesmo, pela prova testemunhal em casos
excepcionais.

Comentários:
Está longe de ser pacífico esse entendimento no STJ. Acontece que a
questão é uma cópia da decisão de turma do STJ. Porém, tal decisão foi
em 2010. No ano seguinte, em setembro de 2011, alguns meses após
essa prova, a mesma turma mudou seu entendimento. Logo, na época a
questão estava Certa, e depois ficou errada. Mas hoje com a Nova “Lei
Seca”, não deixaria de estar correta novamente, ok?
Gabarito: C.

16. (CESPE – POLICIA RODOVIÁRIA FEDERAL – 2008) De acordo


com o CTB, assinale a opção correta acerca das ações penais por
crimes cometidos na direção de veículos automotores.
A) Em nenhuma hipótese se admite a aplicação aos crimes de trânsito de
disposições previstas na lei que dispõe sobre os juizados especiais
criminais.

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B) A suspensão ou a proibição de se obter a permissão ou a habilitação


para dirigir veículo automotor pode ser imposta como penalidade
principal, mas sempre de forma isolada, sendo vedada a aplicação
cumulativa com outras penalidades.
C) A penalidade de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou
a habilitação para dirigir veículo automotor tem a duração de dois anos.
D) Transitada em julgado a sentença condenatória, o réu será intimado a
entregar à autoridade judiciária, em 24 horas, a permissão para dirigir ou
a CNH.
E) Ao condutor de veículo, nos casos de acidentes de trânsito de que
resulte vítima, não se imporá a prisão em flagrante, nem se exigirá
fiança, se ele prestar pronto e integral socorro àquela.

Comentários:
Na letra “A”, já vimos que admite sim. Na letra “B”, vimos que a
penalidade de suspensão pode ser cumulativa. Na letra “C”, a penalidade
de suspensão ou de proibição de se obter a permissão ou a habilitação,
para dirigir veículo automotor, tem a duração de dois meses a cinco
anos. Na letra “D”, a entrega da carteira será em 48h. A letra “E” está
correta e é a literalidade do art. 301 do CTB.
Gabarito: E.

17. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Nos crimes ambientais, a responsabilidade penal da pessoa jurídica será
sempre reflexa, e, de acordo com entendimento consolidado na doutrina e
na jurisprudência dos tribunais superiores, a pessoa jurídica não poderá
ser responsabilizada por crime culposo, salvo quando essa infração for
imputada única e exclusivamente ao ente moral.

Comentários:

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A CF, no art. 225: "Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente


equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de
vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo
e preservá- lo para as presentes e futuras gerações. (...) § 3º - As
condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente
sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais
e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos
causados."
Assim, a própria Lei no seu art. 3º deixa claro a responsabilização,
vejamos "As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa,
civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a
infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua
entidade. Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas jurídicas não
exclui a das pessoas físicas, autoras, co-autoras ou partícipes do mesmo
fato."
Gabarito: E.

18. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Admite-se a aplicação das circunstâncias agravantes genéricas previstas
no CP aos crimes ambientais e, de igual modo, a aplicação das agravantes
genéricas ambientais aos delitos comuns da lei ambiental em apreço, em
face do princípio da subsidiariedade, preconizado de forma expressa em
ambos os diplomas legais.

Comentários:
Pessoal, o art. 12 do CP diz: "As regras gerais deste Código aplicam-se
aos fatos incriminados por lei especial, se esta não dispuser de modo
diverso." Já a Lei 9.605/98, no art. 79, menciona: "Aplicam-se

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subsidiariamente a esta Lei as disposições do Código Penal e do Código de


Processo Penal."
Assim, a parte geral da lei de crimes ambientais contém regras próprias e
específicas. Regras diferentes das regras gerais do CP. E, pelo princípio da
especialidade, essas regras gerais prevalecem sobre as regras gerais do
CP e do CPP. No que a lei penal ambiental for omissa, por sua vez,
aplicam-se subsidiariamente as regras do CP, CPP e da Lei 9.099/95. Isso
é o que está no art. 79 da Lei Ambiental. Outra coisa, a Lei nº 9.605/98
contém disposições específicas sobre as circunstâncias agravantes e
atenuantes nos crimes ambientais.

Gabarito: E.

19. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Nos crimes ambientais, a concessão do sursis (comum e especial) segue
idênticos requisitos do CP; neles, são igualmente cabíveis o sursis etário e
o sursis humanitário nas condenações não superiores a quatro anos.

Comentários:
Meus caros, segundo a doutrina os crimes ambientais cabem as três
espécies de sursis, são eles: o simples é cabível para as condenações de
até 2 anos, já na Lei 9.605 será cabível para as condenações de até 3
anos; o especial no Código Penal é cabível nas condenações de até 2
anos, já na Lei 9.605 cabe nas condenações de até 3 anos e o agente fica
sujeito a condições referentes à proteção do meio ambiente e por último;
o humanitário é o mesmo do Código Penal, que é o caso do maior de 70 anos
ou razões de saúde.
Gabarito: E.

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20. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Os crimes ambientais, em relação aos entes morais, são plurissubjetivos
ou de concurso necessário; contudo, não se pode imputar
concomitantemente a mesma infração penal a pessoa física e a pessoa
jurídica, sob pena de ofensa ao princípio do no bis in idem.

Comentários:
Os crimes plurissubjetivos só podem ser praticados por mais de um
agente. Ex.: bigamia, rixa e quadrilha. Para a doutrina não é possível
punir apenas a pessoa jurídica. Só que esse não é o entendimento do
STF, pois defende ser possível punir a pessoa jurídica isoladamente,
mesmo com a absolvição do gerente administrativo financeiro da empresa
pela comprovação de que ele não foi coautor ou partícipe do delito.
Gabarito: E.

21. (CESPE - 2013 - DPE-RR - Defensor Público) Acerca dos crimes


contra o meio ambiente, previstos na Lei n.º 9.605/1998, julgue
os itens
Na fixação da pena por delitos ambientais, o juiz deverá levar em conta,
de forma preponderante, os bons ou maus antecedentes ambientais do
infrator e, apenas supletivamente, os outros antecedentes.

Comentários:
A lei ambiental fixa a pena-base, se utilizando das circunstancias judiciais
do art. 6º, da Lei. Inicialmente, o art. 6º, I, LCA se refere às
consequências para a saúde pública e para o meio ambiente, já o inciso
II se refere aos antecedentes ambientais. Por fim, o inciso III determina
a consideração da situação econômica do infrator nos casos de pena de
multa. Para calcular a multa o juiz leva em conta a situação econômica do
infrator mais o prejuízo do dano causado pelo crime.

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Gabarito: C.

22. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.
Devido à importância crescente atribuída ao meio ambiente, a lei que
dispõe sobre as sanções penais e administrativas aplicáveis a condutas e
atividades lesivas ao meio ambiente instituiu penas mais rigorosas para
as pessoas físicas, prestigiando as penas de encarceramento como regra
geral.

Comentários:
A pena de privação de liberdade para as pessoas físicas não é a regra,
pois conforme art. 7º da Lei de crimes ambientais, só serão aplicadas se a
pena aplicada for igual ou superior a 4 anos.
Gabarito: E.

23. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.
A pena de prestação de serviços à comunidade nos crimes ambientais
inclui prestação de serviços em entidades assistenciais, hospitais, escolas
e orfanatos.

Comentários:
Vejamos o texto do art. 9º:
“Art. 9º A prestação de serviços à comunidade consiste na atribuição ao
condenado de tarefas gratuitas junto a parques e jardins públicos e
unidades de conservação, e, no caso de dano da coisa particular, pública
ou tombada, na restauração desta, se possível”.
Gabarito: E.

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24. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, assinale
a opção correta.
As pessoas jurídicas estão sujeitas a responder por crimes ambientais nas
modalidades dolosa ou culposa, cometidos por decisão de seu
representante legal ou contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse
ou benefício da entidade.

Comentários:
A responsabilidade ambiental é objetiva, independendo de dolo ou culpa.
Gabarito: E.

25. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, julgue os
itens.
O valor pago a título de pena de prestação pecuniária não será deduzido
do montante de eventual reparação civil a que for condenado o infrator.

Comentários:
Então, diz o art. 12 da Lei: "A prestação pecuniária consiste no
pagamento em dinheiro à vítima ou à entidade pública ou privada com
fim social, de importância, fixada pelo juiz, não inferior a um salário
mínimo nem superior a trezentos e sessenta salários mínimos. O valor
pago será deduzido do montante de eventual reparação civil a que for
condenado o infrator."
Gabarito: E.

26. (CESPE - 2013 - TRF - 2ª REGIÃO - Juiz Federal) Acerca dos


crimes ambientais e de suas respectivas sanções penais, julgue os
itens.

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Se ao crime ambiental for aplicada pena privativa de liberdade inferior a


quatro anos, deverá ocorrer sua substituição por pena restritiva de
direito.

Comentários:
O art. 7º da lei, no inciso I, menciona: "as penas restritivas de direitos
são autônomas e substituem as privativas de liberdade quando: I - tratar-
se de crime culposo ou for aplicada a pena privativa de liberdade
inferior a quatro anos;"
Gabarito: C.

27. (CESPE - 2012 - TJ-AC - Técnico Judiciário - Área Judiciária)


Acerca das leis penais extravagantes, julgue os itens
subsecutivos, de acordo com o magistério doutrinário e
jurisprudencial dominantes.
A uma empresa pública que tenha causado dano ambiental a uma
unidade de conservação é admitida a aplicação de pena de prestação de
serviços à comunidade.

Comentários:
Vejamos o art. 21 da Lei em questão:
"Art. 21. As penas aplicáveis isolada, cumulativa ou alternativamente às
pessoas jurídicas, de acordo com o disposto no art. 3º, são:
I - multa;
II - restritivas de direitos;
III - prestação de serviços à comunidade."
Gabarito: C.

28. (CESPE - 2012 - PC-AL - Delegado de Polícia) Nos crimes


ambientais, é viável e possível a prorrogação do prazo de suspensão
condicional do processo, por mais um ano além do máximo previsto, que
é de quatro anos, dependendo a declaração de extinção da punibilidade

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de laudo que comprove ter o acusado adotado todas as providências


inerentes à reparação integral do dano.

Comentários:
Então, assim permite o inciso II do art. 28. "As disposições do art. 89 da
Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995, aplicam-se aos crimes de
menor potencial ofensivo definidos nesta Lei, com as seguintes
modificações: (...) II - na hipótese de o laudo de constatação comprovar
não ter sido completa a reparação, o prazo de suspensão do processo
será prorrogado, até o período máximo previsto no artigo referido
no caput, acrescido de mais um ano, com suspensão do prazo da
prescrição;"
Gabarito: C.

29. (CESPE - 2012 - TRE-RJ - Analista Judiciário - Área Judiciária)


A respeito das disposições do Estatuto da Criança e do
Adolescente, dos crimes contra o meio ambiente e dos direitos do
consumidor, julgue os itens que se seguem.
Não se aplica o princípio da insignificância às infrações penais que atinjam
o meio ambiente, uma vez que não se pode mensurar de forma segura o
grau de lesão ambiental.

Comentários:
É possível a aplicação no contexto dos delitos contra o meio ambiente.
STJ: "A apanha de apenas quatro minhocuçus não desloca a competência
para a Justiça Federal, pois não constitui crime contra a fauna, previsto
na Lei 5.197/67, em face da aplicação do PRINCÍPIO DA
INSIGNIFICÂNCIA, uma vez que a conduta não tem força para atingir o
bem jurídico tutelado" (CC 20.312-MG, 3ª Seção, rel. Fernando
Gonçalves, j.01.07.1999, v.u., DJ23.08.1999, p.72).
Gabarito: E.

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30. (CESPE - 2012 - AGU – Advogado) Com base nos termos da


legislação que trata da responsabilização por danos ambientais,
julgue os itens seguintes.
Tratando-se de matéria ambiental, admite-se a desconsideração da
pessoa jurídica sempre que sua personalidade seja obstáculo ao
ressarcimento de prejuízos causados à qualidade do meio ambiente.

Comentários:
De acordo com a teoria menor, a desconsideração se dá pela simples
prova da insolvência, não necessitando a demonstração do desvio de
finalidade da pessoa jurídica ou a confusão patrimonial, que são os
requisitos da teoria maior.
Gabarito: C.

31. (CESPE - 2012 - TJ-PI – Juiz) Com base no que dispõe a lei que
trata dos crimes ambientais, julgue os itens acerca da
responsabilidade por dano ambiental.
As pessoas jurídicas de direito público não podem ser responsabilizadas
administrativamente por dano ambiental.

Comentários:
Vejamos a literalidade do art. 3º, pois não há a distinção:
"Art. 3º As pessoas jurídicas serão responsabilizadas administrativa,
civil e penalmente conforme o disposto nesta Lei, nos casos em que a
infração seja cometida por decisão de seu representante legal ou
contratual, ou de seu órgão colegiado, no interesse ou benefício da sua
entidade."
Gabarito: E.

32. (CESPE - 2008 - PGE-ES - Procurador de Estado) Com relação


ao direito penal julgue o item.

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Juvenal, penalmente responsável, com intuito comercial e sem


autorização legal, extraiu grande quantidade de areia em área
pertencente à União, tendo sido flagrado pela fiscalização ambiental no
momento da extração. Nessa situação, Juvenal responderá por crime de
usurpação do patrimônio da União, em concurso formal com crime contra
o meio ambiente, ambos decorrentes de uma única conduta.

Comentários:
Existe a possibilidade do concurso formal entre crime contra o meio
ambiente e o crime de usurpação do patrimônio da União. Não se trata de
conflito aparente de normas. Apesar da Lei não 8.176/91 não estar no
programa, coloquei essa questão para vermos o crime do art. 55 da Lei
9.605/98. Vejamos um quadro sobre as principais diferenças sobre
concurso material e formal, retirado da doutrina:

Concurso material Concurso formal

Requisitos: Requisitos:
- mais de uma ação ou omissão; - uma só ação ou omissão;
- dois ou mais crimes. - dois ou mais crimes

Consequências:
- aplicação da penas mais grave,
aumentada de 1/6 até metade.
Consequências: - aplicação de somente uma das
- aplicação cumulativa das penas penas, se iguais, aumentada de 1/6
privativas de liberdade. até metade;
- aplicação cumulativa das penas, se
a ação ou omissão é dolosa, e os
crimes resultam de desígnos
autônomos, independentes.

É dividido em: É dividido em:


Homogêneo– crimes idênticos. Homogêneo: crimes idênticos.

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Ex. mata a vítima e a testemunha; Consequência: aplicação de uma


Heterogêneo– crimes diferentes. pena (já que iguais), aumentada de
Ex. estupra a vítima e depois a 1/6 a metade.
mata. Heterogêneo: crimes diferentes.
Obs. distinção sem relevância Consequência: aplicação da pena
na prática. mais grave, aumentada de 1/6 a
metade.
O concurso material homogêneo ou
heterogêneo, ainda, se divide em:
Próprio (perfeito): ocorre quando:
a) Conduta culposa c/resultado
culposo:
Conduta culposa na origem, sendo
todos os resultados imputados a titulo
de culpa ou
b) Conduta dolosa c/resultado
culposo:
Conduta dolosa, mas o resultado é
imputado a titulo de culpa. Ex.: o
agente querendo almejar seu
desafeto, contra ele arremessa uma
garrafa que o acerta, mas também
atinge outra pessoa
Consequências:
Aplica-se uma pena (se homogêneo)
ou a mais grave (se heterogêneo),
aumentada de 1/6 até metade
Impróprio (imperfeito):
Ocorre quando o agente atua com
desígnios autônomos, querendo,
dolosamente, a produção de ambos

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os resultados. Exemplo: o agente


pretende com um único disparo
matar A, B e C.
Consequência: cumulação das penas.

Gabarito: C.

33. (CESPE - 2009 - IBRAM-DF – Advogado) Acerca dos institutos


de direito ambiental, julgue os itens subsequentes.
Considere que Alzirina tenha queimado madeira imprestável em sua
chácara no Lago Norte da capital federal, o que causou um incêndio no
Parque Nacional de Brasília. Nesse caso, de acordo com a Lei dos Crimes
Ambientais, além de outras cominações, ocorreu crime contra a flora, na
modalidade culposa.

Comentários:
Vejamos a literalidade do art. 40:
“Causar dano direto ou indireto às Unidades de Conservação e às áreas
de que trata o art. 27 do Decreto nº 99.274, de 6 de junho de 1990,
independentemente de sua localização.
Pena - reclusão, de um a cinco anos.
§ 1º. Entende-se por Unidades de Conservação as Reservas Biológicas,
Reservas Ecológicas, Estações Ecológicas, Parques Nacionais, Estaduais
e Municipais. Áreas de Proteção Ambiental, Florestas Nacionais, Estaduais
e Municipais, Áreas de Relevante Interesse Ecológico e Reservas
Extrativistas ou outras a serem criadas pelo Poder Público.
§ 2º. A ocorrência de dano afetando espécies ameaçadas de extinção no
interior das Unidades de Conservação será considerada circunstância
agravante para a fixação da pena.
§ 3º. Se o crime for culposo, a pena será reduzida à metade.”
Gabarito: C.

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01.E 02.A 03.C 04.E 05.E


06.B 07.B 08.B 09.B 10.D
11.A 12.E 13.C 14.E 15.C
16.E 17.E 18.E 19.E 20.E
21.C 22.E 23.E 24.E 25.E
26.C 27.C 28.C 29.E 30.C
31.E 32.C 33.C

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