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A internet das coisas na indústria

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TECNOLOGIA DA INFORMA‚ÌO
Copyright © 2018 - Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação
e Comunicação (ISI-TICs) CNPJ 037892720001-00 - Todos os direitos reservados

Líder da pesquisa:
Eronides da Silva Neto, ISI-TICs

Time da pesquisa:
Adriano Gomes, ISI-TICs
Alysson Bispo Pereira, ISI-TICs
Cynthia Cavalcanti, CIN-UFPE
Ernani Azevedo, ISI-TICs
Filipe Calegario, ISI-TICs
João Tragtenberg, ISI-TICs
Rafael Macieira, ISI-TICs
Sérgio Soares, ISI-TICs
Sílvio Meira. ISI-TICs

Projeto Gráfico e Diagramação:


Edilene Mendes, ISI-TICs
Yvana Alencastro, ISI-TICs

isi.tics@pe.senai.br

Como referenciar:

ISI-TICS. A Internet das Coisas na Indústria: A criação de novos modelos de negócios


a partir da transformação da interação entre consumidor, produto e indústria. Recife:
Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Comunicação, 20 p.,
2018.

INSTITUTO SENAI DE INOVAÇÃO PARA TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO


E COMUNICAÇÃO. A Internet das Coisas na Indústria:
A criação de novos modelos de negócios
a partir da transformação da interação entre consumidor, produto e
indústria. Recife, 2018.
1. INTERNET - INDÚSTRIA
2. INDÚSTRIA BRASILEIRA - TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO
I. Título

CDD - 004.678
Apresentação
Neste primeiro documento, de uma série que o Instituto SENAI de Inovação para
Tecnologias da Informação e Comunicação (ISI-TICs) está preparando, apresen-
tamos uma visão geral sobre a motivação da aplicação das tecnologias digitais
nas indústrias e empresas brasileiras. Em especial, trazemos a Internet das Coi-
sas (IoT) como uma das principais tecnologias digitais com grande potencial para
criação de novos modelos de negócio e aumento da produtividade na indústria
brasileira.

Este material é resultado de um conjunto de pesquisas e trabalhos realizados


no ISI-TICs relacionadas à aplicação da Internet das Coisas (IoT, do inglês Internet
of Things) e Inteligência Artificial nas indústrias brasileiras. Outros artigos relacio-
nados a esse assunto estão disponíveis no portal do Instituto.

Em uma rápida avaliação, buscamos identificar os principais tópicos que des-


crevem com poucas palavras o que é IoT e seu uso como ferramenta fundamen-
tal na modernização das empresas e indústrias. Além disso, uma visão geral das
ferramentas de conectividade na indústria, tecnologias de comunicação para IoT
e possíveis casos de uso são apresentados.

Ao final, apresentamos cases envolvendo IoT já implementados nos projetos


de inovação desenvolvidos com a indústria brasileira pelo ISI-TICs. Desta forma,
temos neste documento uma referência e uma motivação para todos aqueles
interessados na modernização de suas empresas.
Sumário
1. A necessidade de modernização
2. A indústria conectada: da comunicação M2M para a IoT
3. O uso da Internet das Coisas na indústria brasileira
4. Os casos de uso

Referências
A internet das coisas na indústria

1. A necessidade de modernização

A partir do advento da Indústria 4.0, termo utilizado para o uso combinado


das tecnologias operacionais e digitais (Deloitte, 2016), torna-se necessária
a modernização das empresas e indústria brasileira em geral para compe-
titividade e sobrevivência no mercado nacional e internacional. O uso em
conjunto da automação industrial, sistemas ciber-físicos e conceitos da tec-
nologia da informação, como Internet das Coisas e computação na nuvem,
permitem novos métodos e aplicabilidades para a indústria convencional.
Na maioria dos países desenvolvidos, novas tecnologias e soluções estão
sendo desenvolvidas, gerando assim plataformas de monitoramento e acio-
namento de dispositivos, análise dos dados e tomada de decisão na cadeia
de produção. A consequência direta é a criação de novos modelos de ne-
gócio, principalmente a partir do uso das ferramentas digitais na indústria.

No cenário brasileiro, as principais tecnologias digitais (Figura 1) usadas e


citadas pelos gestores (CNI, 2017) como responsáveis pela digitalização são:

• Projetos de manufatura por computador CAD (Computer-Aided Design) e


CAM (Computer-Aided Manufacturing);

• Automação digital para controle de processos;

• Monitoramento e controle remoto da produção com sistemas MES (Manufac-


turing Execution System) e SCADA (Supervisory Control and Data Acquisition).

Projetos de manufatura Automação digital para Monitoramento e controle


por computador controle de processos remoto da produção com
CAD e CAM sitemas MES e SCADA

Figura 1 – Tecnologias Digitais para a indústria

Quanto ao número de empresas industriais que utilizam tais tecnologias, a


sondagem especial da CNI (Confederação Nacional da Indústria) de 2016 mos-
trou que apenas 48% das empresas pesquisadas reconhecem pouco menos
da metade das dez tecnologias digitais mais utilizadas naquele momento.

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A internet das coisas na indústria

A falta de informação por parte dos gestores a respeito das tendências


pode incorrer na perda de possíveis investimentos, e no consequente de-
créscimo do retorno financeiro em atividades-chave como eficiência da pro-
dução, manutenção preditiva e marketing. Parte das novas soluções e sua
consequente aplicação na indústria são motivadas a partir do estabeleci-
mento das diversas tecnologias digitais descritas a seguir:

• Big Data: termo amplamente utilizado para nomear conjuntos de dados


muito grandes e complexos, que aplicativos de processamento de da-
dos tradicionais ainda não conseguem processar. Os desafios dessa área
incluem: ferramentas para captura, análise, processamento, compartilha-
mento, armazenamento e segurança na transmissão dos dados;

• Computação em nuvem: refere-se à utilização da memória, capacidade


de processamento e armazenamento de servidores compartilhados e in-
terligados por meio da internet;

• Internet das Coisas: pode ser definida como o conjunto de tecnologias


habilitadoras para a conexão de qualquer tipo de objeto à rede de com-
putadores;

• Prototipagem rápida: definida como o conjunto de instrumentos que per-


mitem operações de fabricação digital. Destaca-se a impressão 3D (ma-
nufatura aditiva), como forma de tecnologia de fabricação aditiva na qual
um modelo tridimensional é criado por sucessivas camadas de material.
Outros exemplos de ferramentas são as máquinas de corte a laser e má-
quinas fresadoras CNC. Atualmente é muito utilizada devido à redução
no tempo de desenvolvimento de protótipos.

A chamada manufatura avançada ou Indústria 4.0 é construída em cima


dessas tecnologias e, como consequência da sua aplicação, surge a criação
de novos modelos de negócio.

Novos modelos de negócios são criados a partir da digitalização da in-


dústria, objetivando a integração de cadeias de valor, integração do produto,
oferta de novos serviços ao consumidor e a consequente digitalização dos tra-
dicionais modelos de negócio. Outra possibilidade com a IoT na indústria é o
acesso e acompanhamento para os responsáveis pela gestão da produção, a
partir de informações coletadas durante todo o ciclo de fabricação do produto.
De maneira semelhante, o consumidor poderá ter novas ferramentas que po-
dem permitir o auxílio de suprimentos para máquinas/dispositivos e análise de
desempenho dos produtos (como consumo de energia).

A análise industrial, ilustrada na Figura 2, pode ser resumida pela coleta, pro-
cessamento e uso dos dados gerados a partir dos sistemas de sensoriamento
em operações industriais e ao longo de todo o ciclo de vida do produto. Envolve
métodos tradicionais de captura de dados e sua modelagem estatística, tornan-

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A internet das coisas na indústria

do assim, a IoT e a análise da informação (big-data analytics) fundamentais para


identificação de padrões, desde o funcionamento das máquinas à possível clas-
sificação de padrões e etapas do processo de produção.

ACOMPANHAMENTO E
TOMADA DE DECISÕES

SENSORIAMENTO

ANÁLISE DE DADOS
Figura 2: Etapas da análise industrial

Outra grande inovação é o desenvolvimento de produtos conectados aos


consumidores e, de alguma forma, conectados à fábrica (conexão digital
entre a máquina e produto) para envio de informações e possível relatório
estatístico de uso. Como consequência do armazenamento de informações
dos objetos conectados, o surgimento de serviços no armazenamento em
nuvem (cloud storage) passam a ser fornecidos aos usuários de forma trans-
parente.

Assim, a partir do Software como um Serviço (SaaS), Plataforma como um


Serviço (PaaS) e Infraestrutura como Serviço (IaaS), exemplos de novos mode-
los de negócio provenientes da Internet das Coisas podem ser citados:

• Ativos como serviços: modelo em que a empresa define a partir das infor-
mações coletadas de maneira remota o quanto o consumidor é cobrado
com base na utilização real de determinada ferramenta e/ou produto;

• Venda de informações/diagnóstico de uso: a partir das informações co-


letadas pelos dispositivos da camada de sensoriamento, empresas po-
dem realizar o processo de data analysis e em seguida fornecer relatórios
sobre o uso de determinado produto ou equipamento;

• Controle de suprimentos: uma vez que os dispositivos da internet das


coisas monitoram equipamentos, pessoas e ambientes, aplicações en-
volvendo o controle da matéria-prima usada por determinada empresa
pode ser realizado. Permitindo, assim, uma maior agilidade na logística,
venda e consequente produção industrial.

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A internet das coisas na indústria

2. A indústria conectada:
da comunicação M2M para a IoT

O desenvolvimento da comunicação M2M (machine to machine) foi o iní-


cio do processo de integração dos elementos mecânicos e máquinas na
indústria. Os sistemas M2M possuem o objetivo específico de proporcionar
comunicação direta entre dois equipamentos. Atualmente, os sistemas de
automação industrial possuem a supervisão de um elemento adicional na
comunicação entre duas máquinas, o conhecido Controlador Lógico Pro-
gramável, do inglês Programmable Logical Controller (PLC).

Projetado para processo de automação e controle remoto dentro do ambien-


te industrial, os primeiros sistemas M2M não possuíam qualquer tipo de conexão
à internet, ficando assim restritos à comunicação ponto a ponto. De maneira
diferente, a Internet das Coisas pode ser definida como a comunicação máquina
a máquina via Internet, permitindo não só a comunicação de qualquer tipo de
objeto, desde carros a máquinas industriais ou bens de consumo, como tam-
bém calçados e roupas. A partir do compartilhamento dos dados e informações
obtidas de sensores, decisões e análises estratégicas podem ser realizadas.

No cenário industrial, IoT começa a ser vista como uma alternativa para en-
frentar a dificuldade no aumento da produtividade, através do monitoramento
em tempo real da produção e também na criação de novos modelos de ne-
gócio. A partir de sistemas de computação orientado por sensores, torna-se
mais fácil a tomada de decisões e, consequente, o controle da manutenção
de máquinas. A estimativa é de que em 2020 mais de 50 bilhões de disposi-
tivos estejam conectados à internet (McKinsey Company, 2017), permitindo
assim a formação de um ecossistema de objetos e pessoas conectadas.

A Figura 3 ilustra a relação do número de objetos conectados e popu-


lação mundial ao longo do tempo. A partir do grande volume de objetos
conectados, a padronização de plataformas compostas por aplicações, dis-
positivos e serviços de gerenciamento será necessária.

Figura 3: Comparativo da população mundial e o número de objetos conectados

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A internet das coisas na indústria

O conceito de IoT, como discutido anteriormente, é mais amplo que


apenas um objeto conectado à internet de qualquer maneira. Cada dispo-
sitivo da IoT possui funções e tarefas específicas, sendo estas ativadas em
comunicação direta com dispositivos similares, em uma rede local, ou di-
retamente através da internet. Visando a captura de informações, a etapa
de sensoriamento torna-se a camada mais baixa da Internet das Coisas, se-
guida da conexão e análise de dados como a ferramenta final para tomada
de decisões. A Figura 4 detalha a arquitetura geral do uso da internet das
coisas, desde o sensoriamento e conexão dos dispositivos até a análise dos
dados coletados e aplicações finais.

DETECÇÃO DE DADOS
2
Captura de informações de sensores
Armazenamento de dados locais

CONEXÃO DO DISPOSITIVO 2
1 DETECÇÃO
3
COMUNICAÇÃO
Dispositivos IoT DE DADOS
3 Foco no transporte das
Conectividade informações através das
Inteligência Embarcada CONEXÃO DO
redes de IoT
DISPOSITIVO COMUNICAÇÃO
Operações de Edge
e cloud computing
1

4
VALOR ANÁLISE
HUMANO DE DADOS
VALOR HUMANO ANÁLISE DE DADOS
6 VALOR DE
4
Decisões inteligentes DADOS Análise de big data
Benefícios para gestores 6
5

VALOR DE DADOS
5
Análise para tomada de decisões
Figura 4: Etapas da Internet das Coisas Fonte: Adaptada de https://www.i-scoop.eu/internet-of-things/

Diferentes requisitos, tecnologias e custos de implementação


são características do processo de implementação e desenvolvimento de
soluções envolvendo IoT. Como consequência, uma criteriosa análise en-
volvendo os diferentes requisitos da aplicação, tecnologia de conectividade
e consequente custo de desenvolvimento e implantação em uma empresa.

A divisão das tecnologias de IoT pode ser realizada a partir dos diferentes
tipos de rede de computadores, adaptando-se assim às redes de objetos
conectados. Na prática, por mais que as redes se diferenciem pela topo-
logia, os meios físicos definem a aplicação para cada ambiente e aplicação
específica. A tabela 1 resume as características e aplicações de algumas
das tecnologias usadas na IoT.

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A internet das coisas na indústria

Tecnologia Característica Ambiente de uso Aplicações

Wi-Fi Permite conexão de qualquer Indoor Monitoramento e


tipo de objeto para monitora- (LAN) acionamento em ambientes
mento e acionamento a partir residenciais e que possuam
de conexão contínua. cobertura de rede wireless.

Bluetooth Baixo consumo de energia Indoor Aplicações baseadas na


Low Energy (BLE) para transmissão de dados (PAN) proximidade de um usuário
em altas velocidades, a uma região ou dispositivo
operação de beacon: conexão fixo e troca de informações
com smartphones. entre pessoas e objetos.

LoRa e Sigfox Baixo consumo de energia Outdoor Dispositivos de medição


(LPWAN) para transmissão em longas (WAN) (utilities), monitoramento e
distâncias e janelas de tempo acionamento de dispositivos
definidas para envio e em grandes regiões
recebimento de informações.

Tabela 1: Características e aplicações de tecnologias para a IoT

Para objetos conectados em ambientes internos, como uma casa co-


nectada, pode-se utilizar a tecnologia Bluetooth Low Energy (BLE) para co-
nexão com dispositivo central (gateway) conectado à internet. Outra op-
ção, bastante conhecida para aplicações indoor, é o uso da própria rede
de internet wireless (Wi-Fi) para a interconexão dos objetos. Considerando
o cenário para comunicação em ambientes externos (outdoor), outras ca-
racterísticas como eficiência energética e baixo custo de transmissão por
dispositivo caracterizam a escolha da tecnologia para o desenvolvimen-
to do projeto. As novas tecnologias, definidas como LPWAN (Low Power
Wide Area Network), como Sigfox e LoRa habilitam tais funcionalidades e
a estrutura de rede habilitadora para aplicações em IoT.

Sensores e dispositivos inteligentes presentes em todos os ambientes


de uma fábrica, empresa ou até mesmo conectando o produto à fábrica:
este é o objetivo da Internet Industrial das Coisas (IIoT). Apesar de obje-
tivos bem definidos, a IIoT, assim como a IoT, apresenta a complexidade
para a implantação devido a padrões ainda não definidos. Além disso, a
adaptação dos diversos dispositivos aos novos protocolos e tecnologias
de comunicação pode adicionar um maior tempo ao desenvolvimento da
solução em IIoT.

No contexto dos diferentes dispositivos conectados, a partir das dis-


tintas topologias de redes, diferentes classes de dispositivos são defini-
das objetivando às aplicações específicas de cada tecnologia. A Figura
5 ilustra dispositivos de diferentes topologias de comunicação conecta-
das à internet, visando às aplicações da IoT e seus respectivos tipos de
serviço.

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A internet das coisas na indústria

TECNOLOGIAS PARA A
INTERNET DAS COISAS

PAN
Personal Area Network

LAN
Local Area Network

WAN

Wide Area Network

Powerline Ethernet Wi-Fi Sigfox


Bluetooth Ethernet LoRa
Zigbee 4G/LTE
NFC 3G/GPRS
RFID 2G/GSM/EDGE/CDMA
6LoWPAN Z-Wave Wimax

Figura 5: Diferentes tecnologias de comunicação para a IoT Fonte: www.postscapes.com/internet-of-things-technologies/

Para a implantação dos dispositivos de IoT na indústria, algumas classes


podem ser definidas considerando o cenário de aplicação. Em geral, os dis-
positivos podem ser divididos baseados na sua complexidade e consequen-
te custo unitário. A depender da aplicação, o tipo de comunicação poderá
ser cabeado, em vez da tendência wireless. A Figura 6 ilustra as possíveis
categorias (classes) para os dispositivos da IIoT.

Classe 4
Concentrador de
informações
Classe 3
Dispositivos com
conexão direta à
Classe 2 internet para controle
Dispositivos com de sensores e atuadores
conexão à internet
para operações de
1
Custos do dispositivo

Classe
processamento
Dispositivos de
automação digital com
sensores para controle
de processos

Poder de processamento computacional


Figura 6: Classes dos dispositivos conectados a IoT

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A internet das coisas na indústria

O dispositivo de IoT mais simples, Classe 1, seria aquele responsável por


tarefas de automação digital com sensores para controle de processos. Um
exemplo prático é um termostato em uma sala que determina o acionamento
de operação técnica responsável. O dispositivo da Classe 2 seria uma exten-
são natural do anterior, com uma conexão direta à internet para possível mo-
nitoramento remoto e criação de um banco de dados a partir das informações
coletadas. No possível modelo do dispositivo da classe 3, a presença, tanto de
elementos que coletam informações (sensores) como também de atuadores
para auxiliar no processo de automação digital.

Diferentemente das três classes anteriormente listadas, a quarta classe pode


ser entendida como um dispositivo mais complexo responsável por concentrar
informações de outros dispositivos, das classes 2 e 3, e poder processar e passar
a informação para a nuvem. Esses, por sua vez, são os chamados gateways ou
concentradores, que são bastante utilizados em tecnologias de radiofrequên-
cia. Outro diferencial de tais dispositivos é a possível presença de algoritmos
de inteligência artificial para reconhecimento de padrões dos dados, auxiliando
assim o envio de mensagens para a nuvem.

3. O uso da Internet das Coisas


na indústria brasileira

Segundo a Sondagem Especial da CNI, até 2016, 48% das indústrias brasileiras
usavam alguma das tecnologias digitais. Particionando o uso entre grandes e
pequenas, 63% das grandes empresas usam alguma das tecnologias, enquanto
que a porcentagem de uso pelas pequenas e médias empresas (PMEs) resulta
em 25%. No caso específico de operações de monitoramento e controle remoto
da produção, 5% das empresas usam sistemas do tipo SCADA/MES e apenas
4% utilizam alguma aplicação envolvendo IoT.

Tentando entender o cenário atual da Internet Industrial nas manufaturas bra-


sileiras, a Associação Brasileira de Internet Industrial (ABII) também realizou uma
pesquisa com dados até o ano de 2016. Das 84 empresas entrevistadas, apenas
29% conhecem a IIoT. Outro resultado importante é que apenas 35% das em-
presas entrevistadas possuíam algum projeto de IIoT no momento da pesquisa.

O estudo mostrou que 45%, quase metade dos participantes, não têm
intenção de implementar algum projeto de IIoT. Considerando o triênio
2017/2018/2019, foi possível observar que a IIoT começa definitivamente a
figurar nos planos dos executivos das empresas de manufaturas. Com 19%
dos entrevistados afirmando que seria implementado algum projeto em
2017, 23% em 2018 e 10% em 2019.

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A internet das coisas na indústria

Os principais motivadores para a aplicação de IoT nas empresas bra-


sileiras, segundo a pesquisa da ABII, estão ilustradas na Figura 7. De maneira
geral, a resposta para mensurar o poder da aplicação da Internet das Coisas
em qualquer empresa está na avaliação do que pode ser conectado na in-
ternet, como isso seria útil na atividade final e consequente criação de novos
modelos de negócio. Considere o exemplo prático de microempresários que
produzem algum tipo de hortaliça. Seria bastante útil monitorar os parâmetros
para o cultivo ideal, implicando assim em uma possível aplicação de sensores
nas plantações e posterior análise a partir de algoritmos inteligentes.

Principais Redução do custo 37%


motivadores
para aplicação Vantagem competitiva 29%
de IoT
Aumento do faturamento 25%

Aumento da qualidade 25%

Acelerar desenvolvimento/ Novos produtos 18%

17%

Redução do estoque 16%

Redução de pessoal 15%

Figura 7: Principais fatores motivadores para a aplicação de IoT no Brasil Fonte: Pesquisa sobre adoção da Internet Industrial no Brasil, ABII

Os casos de uso realizados pelas empresas deixam ainda mais claro os


benefícios mais buscados pela digitalização e consequente aplicação de
IoT no cenário nacional. O estudo “Internet das Coisas (IoT): um pilar chave
no processo de digitalização”, da Pyramid Research, mostra os principais
casos de IoT já implementados ou a serem implementados após 2016 no
Brasil (Figura 8).

Principais casos de Controle de ativos e pessoas


IoT implementados
nos próximos 12 meses
após 2016 Sistemas de segurança inteligentes

Sistemas inteligentes de automação

Sistemas preditivos para campanhas de marketing

Gerenciamento de supply-chain e warehouse

Controle e monitoramento remoto

%
de implementações Sistemas de pagamento inteligente

0 51 0 15 20 25 30 35 40

Figura 8: Casos implementados no Brasil Fonte: Internet das Coisas (IoT): um pilar chave no processo de digitalização”, da Pyramid Research

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A internet das coisas na indústria

Na contramão dos que já implementam ou planejam uma solução nos


próximos meses, 21% das empresas afirma que a principal barreira interna
para a adoção de soluções em IIoT é a falta de certezas com relação ao re-
torno do investimento (ROI). Em seguida, a cultura da empresa ser conserva-
dora (20%) e as dificuldades de infraestrutura no Brasil (12%), são apontadas
como os desafios para implementação de projetos de IIoT (ABII, 2017).

4. Casos de Uso

Inserida no contexto de transformação digital das empresas, a Internet das


Coisas tem como seus cases de maior sucesso na indústria a conexão entre
fábrica e produto e interconexão de elementos mecânicos isolados (Pyramid
Research, 2016). Isso transforma tanto a cadeia de produção, quanto o pro-
duto final em ferramentas de coleta de dados. Atualmente, grande parte das
indústrias brasileiras não está instrumentada para o acesso em tempo real
de sua produção, disponibilidade de equipamentos e dos dados de produ-
tividade. Diferente de um processo de telemetria convencional, o monitora-
mento com as ferramentas de IoT possuem um menor custo de implemen-
tação e maior agilidade.

Utilities
O setor de utilities, que considera a eletricidade, água e o gás, ou seja, as
empresas dos setores de produção, comercialização e distribuição desses
bens, é amplamente beneficiado pelos novos dispositivos inteligentes para
medição individual. Um case na área de utilities, desenvolvido para a Em-
presa SEIP 7 pelo ISI-TICs em conjunto com o ISI Microeletrônica, é o projeto
Smart Water Network (SWAN), que fornece um acompanhamento do consu-
mo de utilities de baixo custo e simples implementação. Apesar de aplicável
a qualquer utility, o foco inicial do SWAN é a medição do consumo de água,
mais especificamente detecção de vazamentos e consumos fora do padrão.
Seu diferencial fica por conta da aplicação multi-domínio, podendo ser apli-
cado a indústrias, residências, agricultura e comércio.

A solução SWAN conta também com técnicas de inteligência artificial para


detectar e apontar possíveis vazamentos no sistema de distribuição, além da
aprendizagem do consumo das unidades e uma indicação de melhores prá-
ticas de consumo com base na informação coletada. Outra característica que
diferencia o medidor SWAN de modelos similares é a presença de comunica-
ção LoRaWAN, o que permite um baixo consumo de energia e longo alcance
de comunicação entre o medidor e a estação base coletora de informações
(gateway), permitindo assim sua aplicação gerenciada em cenários de grande
extensão territorial que demandem menores investimentos em manutenção.

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A internet das coisas na indústria

Embalagens Logísticas Inteligentes


Outro case desenvolvido pelo ISI-TICs e o ISI Materiais Avançados para a
Empresa Reciclapac pode ser caracterizado na área de logística. Este pro-
jeto elaborou um sistema de rastreamento de produtos a partir de emba-
lagens inteligentes. O extravio de embalagens, ainda que o produto tenha
seguido seu ciclo esperado, pode representar um alto custo para os for-
necedores. A solução para gerenciamento das embalagens e produtos foi
realizada a partir de tecnologias de IoT.

O projeto da Reciclapac baseou-se no gerenciamento de embalagens a


partir da geolocalização em tempo real utilizando a tecnologia Sigfox para
transmissão de dados. Como nova tecnologia habilitadora da IoT, o Sigfox
possui baixo consumo de energia e alto range de comunicação, permitin-
do o rastreamento da carga e sua embalagem. Além da geolocalização,
outro diferencial do Reciclapac é o gerenciamento de informações asso-
ciadas às embalagens.

MInA - Minha Indústria Avançada


O programa Indústria Mais Avançada, continuação do Brasil Mais Produti-
vo, produziu o projeto Minha Indústria Avançada (www.mina.com.br), uma
solução patrocinada pelo SENAI que foi desenvolvida em parceria com
a empresa HarboR Informática Industrial. O MInA é uma plataforma na
nuvem que utiliza hardware comercial de coleta de dados de sensores,
exigindo apenas um link de internet para ser usado. Seu diferencial é a
instalação rápida, em três etapas que podem ser completadas em uma
semana: instalação e conexão dos sensores, cadastro dos dados e treina-
mento dos usuários.

O MInA permite a contagem da produção, a detecção de paradas de


forma automática e também registrar problemas de qualidade. Com es-
ses dados é possível acompanhar e avaliar a produção em tempo real de
forma simples e rápida.

A solução não exige um hardware específico, e pode ser também


utilizada em celulares ou tablets. O foco é na plataforma de software,
responsável por processar os dados coletados e transformá-los em in-
formações úteis para orientar ações que podem ser tomadas imediata-
mente e reduzir perdas. A plataforma também gera automaticamente
indicadores usados por supervisores, diretores e gerentes de produção
e manutenção,

Pequenas e Médias Indústrias e a IoT


O projeto Pequenas e Médias Indústrias e a Internet das Coisas
(PMI+IoT) é uma plataforma técnico-teórica voltada para a adoção de

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A internet das coisas na indústria

conceitos de Indústria 4.0 em ambientes de pequeno e médio portes.


O arcabouço foi desenvolvido em parceria pelo ISI-TICs, o Instituto
SENAI de Inovação em Microeletrônica, especializado em solu-
ções customizadas em eletrônica dedicada e eficiente e a Ikewai,
empresa proponente da ideia e atuante na consultoria de inovação,
tendo participação financeira em startups e empresas que desejam
acelerar seu crescimento. A proposta consiste num “passo a passo” de
como avaliar e intervir na linha de produção da indústria tirando provei-
to de conceitos como conectividade e gerenciamento.

Com a diretriz de implantação, as indústrias de pequeno porte conse-


guem segmentar e priorizar seus processos em etapas mais gerenciáveis.
Em resumo, a plataforma PMI+IoT consiste de um dashboard e uma API
para integração facilitada com sensores e atuadores. Tornando-se a base
necessária para cada etapa da produção segmentada (Segurança física,
Aquisição de insumos, Fabricação manual, Fabricação mecanizada, Ava-
liação da produção e Comercialização). O acompanhamento através da
plataforma técnica permite favorecer a produção personalizada, evitando
desperdício de insumos e fomentando o uso eficiente de recursos, além
de conter uma heurística de avaliação que indica quais partes do proces-
so produtivo pesaram mais na qualidade final do produto.

Conclusão

Definitivamente, a aplicação da IoT na indústria abrirá um grande núme-


ro de oportunidades e, como mostrado neste documento, criará novos
modelos de negócio. Porém, em conjunto com toda a inovação, surge a
necessidade por padrões e execução do projeto de maneira correta. O
desenvolvimento de IoT para o mercado e indústria, de uma maneira ge-
ral, exige o conhecimento prévio das tecnologias e dispositivos, além da
experiência no desenvolvimento de projetos de inovação.

O Instituto SENAI de Inovação para Tecnologias da Informação e Co-


municação oferece soluções práticas para as demandas de aplicação da
Internet das Coisas em empresas ligadas à indústria e MPEs de maneira
geral. Criado em agosto de 2013 como uma unidade do SENAI Pernam-
buco, tem como objetivo estabelecer TICs/Softwares como o principal
fator de competitividade da Indústria Brasileira e modificar os atuais re-
ferenciais competitivos desta indústria através da inovação em sistemas
computacionais. Acesse nosso site isitics.com e conheça mais sobre nos-
sas áreas de atuação.

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A internet das coisas na indústria

Referências
CNI, Indústria 4.0: novo desafio para a indústria brasileira. Sondagem Es-
pecial, v. 17, n. 2, abr. 2016. Disponível em https://bit.ly/2q25ahT. Acesso
em 03 de outubro de 2017.

McKinsey Company, The Internet of Things: mapping the value beyond


the hype, 2015. Disponível em https://bit.ly/2CDJnSL. Acesso em 17 de
novembro de 2017.

ABII, Pesquisa sobre adoção da Internet Industrial no Brasil, 2017. Dispo-


nível em https://bit.ly/2EgzdaR. Acesso em 11 de janeiro de 2018.

Pyramid Research, Internet das coisas (IoT): um pilar chave no processo


de digitalização. White Paper, 2016. Disponível em https://bit.ly/2FYGjli .
Acesso em 9 de novembro de 2017.

FAPESP, O Brasil da Internet das Coisas e a corrida da indústria 4.0. Dis-


ponível em https://bit.ly/2Efli9K. Acesso em 26 de outubro de 2017.

Deloitte, Industry 4.0 and manufacturing ecosystems: Exploring the


world of connected enterprises. White Paper. Disponível em https://bit.
ly/2IopIfV. Acesso em 26 de janeiro de 2018.

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A internet das coisas na indústria

Portfólio de Competências do ISI-TICs

Pesquisa prospectiva de novas tecnologias em TICs


Computação em nuvem (XaaS)
Segurança da Informação
Big Data
Soluções em TIC para Internet de tudo (e.g. das Coisas: IoT)

Design de novos conceitos de TICs


Novas tecnologias de conectividade
Segurança, compartilhamento e privacidade
Desenvolvimento e prova de conceito de novas tecnologias ou aplicações
Criação, gestão e uso seguro da informação

Desenvolvimento de soluções customizadas intensivas e softwares


Engenharia de softwares (teoria, métodos, plataformas e ferramentas) para garantia de qualidade e
produtividade
Bioinformática

Integração de Sistemas de TIC complexos


Sistemas de sistemas

Trabalhe Conosco
Os Institutos SENAI de Inovação têm como principal objetivo aumentar a produtividade e a competitivi-
dade da indústria brasileira, com a criação de soluções ágeis, inovadoras e sob medida para indústrias de
grande, médio e pequeno porte. Visto que a Internet das Coisas é um dos principais pilares da Indústria
4.0, a sua aplicação como ferramenta chave no processo de digitalização das empresas é uma realidade.
Estamos iniciando novos projetos com frequência e, por isso, sempre surgem novas oportunidades para
a adesão de pesquisadores à nossa equipe. Sempre divulgamos as vaga em nossas páginas e mídias
sociais:

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A internet das coisas na indústria

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