Anda di halaman 1dari 153

Universidade de São Paulo

Escola Politécnica
Departamento de Engenharia de Construção Civil

ALEXANDRE TEIXEIRA MACHADO

ESTUDO COMPARATIVO DOS MÉTODOS DE ENSAIO


PARA AVALIAÇÃO DA EXPANSIBILIDADE
DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA

Dissertação apresentada à Escola


Politécnica da Universidade de
São Paulo para obtenção do título
de Mestre em Engenharia.

São Paulo
2000
Universidade de São Paulo
Escola Politécnica
Departamento de Engenharia de Construção Civil

ALEXANDRE TEIXEIRA MACHADO

ESTUDO COMPARATIVO DOS MÉTODOS DE ENSAIO


PARA AVALIAÇÃO DA EXPANSIBILIDADE
DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA

Dissertação apresentada à
Escola Politécnica da
Universidade de São Paulo para
obtenção do título de Mestre em
Engenharia.

Área de Concentração:
Engenharia de Construção Civil

Orientador:
Prof. Dr. Vanderley M. John

São Paulo
2000
FICHA CATALOGRÁFICA

Machado, Alexandre Teixeira


Estudo comparativo dos métodos de ensaio para avaliação da
expansibilidade das escórias de aciaria. São Paulo, 2000.
135p.

Dissertação (Mestrado) – Escola Politécnica da Universidade


de São Paulo. Departamento de Engenharia de Construção Civil.

1. Escória de aciaria 2. Produção do aço 3. Expansibilidade


I. Universidade de São Paulo. Escola Politécnica. Departamento
de Engenharia de Construção Civil. II. t
Alexandre Texeira Machado DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho ao meu Deus que me


criou e me deu força para concluí-lo. A meu
querido filho Alexandre, à Karla e à minha
avó Nina, pelo amor e apoio incondicionais
que tanto me sustentaram nesta longa
jornada.
Alexandre Teixeira Machado AGRADECIMENTOS

AGRADECIMENTOS

À Deus, que mostrou o seu infinito amor me sustentando em mais esta


caminhada.

À meu filho Alexandre, à Karla, à minha avó Nina, à meu pai Jairo e à meu
irmão Jairo, que me sustentaram dedicando o amor fraterno em todos os
momentos.

Ao grande amigo, companheiro e professor Adailton Gomes e à sua esposa


Marynize, pois me acolheram dispensando sem medida a sua solidariedade e
amizade.

À amiga e orientadora Prof.ª Maria Alba Cincotto, cuja paciência, amizade e


companheirismo foram imprescindíveis para a execução e conclusão deste
trabalho.

Ao grande amigo Edmundo Burgos Cruz que sem medir esforços contribuiu
para a minha formação e para a execução deste trabalho com a sua amizade,
incentivo e atenção.

Ao Prof. Vanderley John, pela orientação durante a execução deste trabalho.

Aos amigos Jivaldo Matos e a Lucildes Mercury, pela forma acolhedora de agir,
pelo apoio, pelo carinho e pela amizade que dispensaram a mim.

Ao grande amigo Prof. Antônio Figueiredo, pelo incentivo constante e amizade.

Aos amigos, Sérgio Zordan, Juliana de Carvalho, Flávio de Carvalho e,


especialmente a Yêda Póvoas e Adriano Antunes, pelos momentos de
descontração, pelo incentivo e pela amizade que construímos no decorrer das
aflições dos trabalhos que desenvolvemos juntos.

Aos demais amigos que tanto me ajudaram e contribuíram para a realização


deste trabalho: Valdecir Quarcione (IPT), Reginaldo dos Santos (PCC), Dorval
Aguiar (PCC), Mário Takeashi (PCC), Alfredo (PMI), Tico (PMI), Engracia
(PCC) e Paulinho (PCC).
Alexandre Teixeira Machado AGRADECIMENTOS

Aos demais colegas de pesquisa que vivem ou já viveram os conflitos inerentes


a este caminho.

À todos vocês e aos que sempre estiveram ao meu lado incentivando,


sustentando e contribuindo, o meu muito obrigado. Espero ter o privilégio de
estar sempre construindo uma vida melhor ao lado de vocês.

Um forte abraço a todos e muito obrigado,

Alexandre Machado
10/11/00
Alexandre Teixeira Machado SUMÁRIO

SUMÁRIO
LISTA DE FIGURAS...................................................................................................iv
LISTA DE TABELAS..................................................................................................vii
LISTA DE ABREVIATURAS.......................................................................................ix
LISTA DE SÍMBOLOS................................................................................................x
RESUMO
ABSTRACT

CAPÍTULO 1 ................................................................................................................ 1
1. INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 1
1.1. JUSTIFICATIVA ...................................................................................................................... 3
1.2. OBJETIVOS ........................................................................................................................... 4

CAPÍTULO 2 ................................................................................................................ 5
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................... 5
2.1. OS PROCESSOS DE PRODUÇÃO DO AÇO E A FORMAÇÃO DA ESCÓRIA DE ACIARIA ...................... 5
2.2. A ESCÓRIA DE ACIARIA .......................................................................................................... 9
2.3. A EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA .................................................................... 13
2.3.1. A expansão do óxido de cálcio (CaO) ...................................................................... 15
2.3.2. A expansão do óxido de magnésio (MgO) ............................................................... 17
2.3.3. A expansão originada da oxidação do ferro metálico (Fe°) ..................................... 20
2.4.4. A expansão por transformação alotrópica do C2S.................................................... 22
2.4. PARÂMETROS QUE CONTROLAM A EXPANSÃO ....................................................................... 25
2.4.1. Controle da expansão pelo CaO e MgO................................................................... 25
2.4.1.1. Efeito da umidade, temperatura, teor de CO2 e do tempo de estocagem na estabilização
do CaO e MgO na escória de aciaria ........................................................................................... 26
2.4.1.2. Efeito do teor de CaO e MgO na estabilização da escória de aciaria.............................. 28
2.4.1.3. Efeito da granulometria na estabilização do CaO e MgO na escória de aciaria.............. 29
0
2.4.2. Controle da expansão do ferro metálico (Fe ).......................................................... 29
2.4.3. Controle de expansão das transformações alotrópicas do C2S ............................... 30
2.5. AS PRINCIPAIS APLICAÇÕES DA ESCÓRIA DE ACIARIA ............................................................. 31
2.5.1. Uso da escória de aciaria em pavimentação............................................................ 31
2.5.2. Uso da escória de aciaria na fabricação de aglomerante ........................................ 37
2.5.2.1. A escória de aciaria como matéria-prima do clínquer...................................................... 39
2.5.2.2. Na fabricação de cimento alternativo .............................................................................. 41
2.5.2.3. Transformação da escória de aciaria por formação de vidro — forma análoga ao
processo de vitrificação da escória de alto forno.......................................................................... 45

i
Alexandre Teixeira Machado SUMÁRIO

2.5.3. Uso da escória de aciaria na estabilização de solos................................................ 46


2.5.4. Uso da escória de aciaria como fertilizante .............................................................. 47
2.6. MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA ............................. 48

CAPÍTULO 3 .............................................................................................................. 52
3. TRABALHO EXPERIMENTAL............................................................................... 52
3.1. A CARACTERIZAÇÃO DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA.................................................................... 53
3.2. MATERIAIS E MÉTODOS ....................................................................................................... 53
3.2.1. Materiais ................................................................................................................... 54
3.3. MÉTODOS DE CARACTERIZAÇÃO E ENSAIO ........................................................................... 56
3.3.1. Caracterização física da escória de aciaria .............................................................. 56
3.3.3.1. Preparação das amostras para ensaio............................................................................ 56
Moagem e separação da amostra representativa ........................................................................ 57
Análise granulométrica ................................................................................................................. 58
Separação magnética................................................................................................................... 58
Determinação da densidade (NBR 6474/84)................................................................................ 59
3.3.2. Caracterização química e mineralógica da escória de aciaria ................................. 60
3.3.3. Técnicas analíticas de quantificação das fases ....................................................... 61
Caracterização química da escória .............................................................................................. 62
Determinação do teor de CO2 ...................................................................................................... 63
Caracterização por técnicas termoanalíticas................................................................................ 64
Determinação da composição mineralógica................................................................................. 67
3.4. AVALIAÇÃO DA EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA A OXIGÊNIO ............................... 68
3.4.1. Determinação da umidade ótima de compactação .................................................. 70
3.4.2. Determinação da expansibilidade de agregados por reação de hidratação (Método
de ensaio ASTM D 4792/95)............................................................................................... 71
3.4.3. Método ASTM C 1260/94 (Potencial de reatividade a álcalis em agregados −
Método das barras de argamassa) ..................................................................................... 75
3.4.4. Método de ensaio DNER − ME 228/89 e M 192/89 ................................................. 77
Determinação do efeito da umidade ótima de compactação na expansibilidade das escórias
de aciaria...................................................................................................................................... 78
Determinação do efeito da sobrecarga na expansibilidade das escórias de aciaria................ 78
3.4.5. Método de ensaio segundo a NBR 11582/91 (Método das agulhas de Le Chatelier)
............................................................................................................................................ 79
3.5. COMPARAÇÃO ENTRE OS MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DA EXPANSÃO ......................................... 80

CAPÍTULO 4 .............................................................................................................. 82
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS............................................ 82
4.1. CARACTERIZAÇÃO FÍSICA .................................................................................................... 82
4.1.1. Análise granulométrica ............................................................................................. 82
4.1.2. Separação magnética ............................................................................................... 86

ii
Alexandre Teixeira Machado SUMÁRIO

4.1.3. A densidade da escória de aciaria pelo frasco de Le Chatelier (NBR 6474/84) ...... 87
4.2. CARACTERIZAÇÃO QUÍMICA ................................................................................................. 88
4.2.2. Determinação do teor de CO2................................................................................... 89
4.2.3. Caracterização por técnicas termoanalíticas (TG/DTG e DTA) ............................... 91
4.2.4. Caracterização por difração de raios X (DRX) ......................................................... 97
4.3. A EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA .................................................................... 99
4.3.1. Determinação da umidade ótima de compactação para os ensaios de expansão .. 99
4.3.2. Expansibilidade pelo método de ensaio ASTM D 4792/95 .................................... 100
4.3.3. Medida da pelo método mini-Proctor...................................................................... 102
4.3.4. Medida da expansibilidade pelo método de ensaio ASTM C 1260/94................... 103
4.3.5. Medida da expansibilidade pelo método das agulhas de Le Chatelier .................. 106
4.3.6. Fatores que interferem nas medidas da expansibilidade ....................................... 109
4.3.6.1. Efeito da umidade de compactação. ............................................................................. 109
4.3.6.2. Efeito da sobrecarga de ensaio DNER - ME 228/89 e M 192/89................................... 112
4.3.6.3. Efeito das dimensões dos corpos-de-prova .................................................................. 113
4.3.7. Efeito da expansão na composição química e mineralógica da escória de aciaria115

CAPÍTULO 5 ............................................................................................................ 120


5. CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................. 120
5.1. DA CARACTERIZAÇÃO DAS PROPRIEDADES DAS ESCÓRIA DE ACIARIA ................................... 120
5.2. DA EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA................................................................. 122
5.3. DOS FATORES QUE INFLUENCIAM NAS MEDIDAS DA EXPANSIBILIDADE NO MÉTODOS DE SOLOS
............................................................................................................................................... 125
5.4. DO EFEITO DA HIDRATAÇÃO NA EXPANSIBILIDADE DAS ESCÓRIAS DE ACIARIA ....................... 127

CAPÍTULO 6 ............................................................................................................ 128


CONCLUSÕES ........................................................................................................ 128

CAPÍTULO 7 ............................................................................................................ 131


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................ 131

iii
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE FIGURAS

LISTA DE FIGURAS

Figura 1.1. Volume armazenado e pontos de deposição das escórias de aciaria


.................................................................................................................... 2

Figura 2.1. Esquema do processo de produção do aço em conversor a oxigênio


tipo LD ou BOF: (1) carregamento da sucata, (2) carregamento do gusa,
(3) sopro de oxigênio, (4) vazamento do aço e (5) vazamento da escória
(ARAUJO, 1997) ......................................................................................... 7
Figura 2.2. Diagrama de equilíbrio ternário do sistema CaO-SiO2-FeO onde se
mostra a composição aproximada das escórias de aciaria durante o sopro
(NÜRNBERG, 1981) ................................................................................. 11
Figura 2.3. Variação da composição química da escória de aciaria elétrica
oxidada em função da corrida de produção (USIBA, 1998) ...................... 13
Figura 2.4. Diagrama de equilíbrio binário do sistema CaO-SiO2 (NÜRNBERG,
1981)......................................................................................................... 23

Figura 3.1. Fluxograma representativo do trabalho experimental .................... 54


Figura 3.2. Fluxograma da preparação e separação das amostras de escória de
aciaria ....................................................................................................... 56
Figura 3.3. Preparação da amostra representativa: (a) pilha de
homogeneização da escória de aciaria após a moagem; (b) quarteamento
do material para separação da amostra representativa ............................ 57
Figura 3.4. Equipamento para separação magnética da escória de aciaria:
(a) recipiente de alimentação de material; (b) esteira; (c) ímã permanente;
(d) ímã de alto campo; (e) recipiente de captação da porção não metálica
.................................................................................................................. 59
Figura 3.5. Aparelho de ensaio: (a) molde com escória imerso no banho
térmico; (b) molde submerso em água a 80 °C......................................... 73
Figura 3.6. Esquema de disposição da escória na forma, no ensaio de
expansão em água das escórias de aciaria (JIS A 5015/92) .................... 74
Figura 3.7. Representação esquemática dos moldes das barras prismáticas . 75
Figura 3.8. Agulha de Le Chatelier (NBR 11582/91)........................................ 79

Figura 4.1. Curva granulométrica da escória de aciaria utilizada no lote L01 .. 83


Figura 4.2. Curva granulométrica da escória de aciaria utilizada no lote L02 .. 84
Figura 4.3. Classificação dos agregados em função do tamanho das partículas
(GOMES, 2000) ........................................................................................ 85
Figura 4.4. Análise granulométrica a laser do pó de escória de aciaria ........... 86

iv
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE FIGURAS

Figura 4.5. Curvas TG/DTG da escória de aciaria pertencente ao lote L01, sob
atmosfera dinâmica de N2 (200mL/min) e taxa de aquecimento de
10 °C.min-1 ................................................................................................ 91
Figura 4.6. Curvas TG/DTG da escórias de aciaria pertencente ao lote L02, sob
atmosfera dinâmica de N2 (200 mL.min-1) e taxa de aquecimento de 10
°C.min-1 ..................................................................................................... 93
Figura 4.7. Comparação entre as escórias do lote L01 e L02 anidras, em
atmosfera dinâmica de N2 (200 mL min-1) e taxa de aquecimento de 10
°C.min-1 ..................................................................................................... 95
Figura 4.8 Curvas TG/DTG comparativas do hidróxido de cálcio, hidróxido de
magnésio, e da mistura 1 em atmosfera de He (100 mL.min-1) e taxa de
aquecimento de 10 °C.min-1 ...................................................................... 96
Figura 4.9. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L01 − anidra ........... 97
Figura 4.10. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L02 − anidra ......... 98
Figura 4.11. Curva de determinação da umidade ótima de compactação da
escória de aciaria .................................................................................... 100
Figura 4.12. Expansão (em% do comprimento inicial) determinado pelo método
de ensaio ASTM D 4792/95 .................................................................... 101
Figura 4.13. Expansão de corpos-de-prova pequenos sujeitos a cura à 80 oC
tomando-se como referência o método de ensaio ASTM D 4792/95...... 103
Figura 4.14. Expansão de barras prismáticas de argamassa à base da aciaria
do lote L01 .............................................................................................. 104
Figura 4.15. Expansão de barras prismáticas de argamassa à base da aciaria
do lote L02 .............................................................................................. 104
Figura 4.16. Corpos-de-prova elaborados com argamassa de escória de aciaria
e cimento na proporção 1:1,25: (a) antes do ensaio e (b) após o ensaio de
submersão em água a 80 °C por 75 horas ............................................. 105
Figura 4.17. As agulhas de Le Chatelier: (a) antes do ensaio; (b) após o ensaio
de expansibilidade; (c) detalhe da desagregação da argamassa após a
expansão dos corpos-de-prova............................................................... 107
Figura 4.18. Resultados do ensaio pela agulha de Le Chatelier de
expansibilidade do lote L01..................................................................... 108
Figura 4.19. Expansão do lote L01 em função da umidade de compactação 110
Figura 4.20. Efeito da sobrecarga na expansibilidade da escória de aciaria.. 112
Figura 4.21. Efeito das dimensões dos corpos-de-prova nas medidas da
expansibilidade ....................................................................................... 114
Figura 4.22. Curvas TG/DTG da escória de aciaria pertencente ao lote L01
hidratada, sob atmosfera dinâmica de N2 (200 mL.min-1) e taxa de
aquecimento de 10 °C.min-1 .................................................................... 116

v
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE FIGURAS

Figura 4.23. Comparação entre as curvas TG e DTA das escórias de aciaria


anidra e hidratada em atmosfera dinâmica de N2 (200 mL.min-1) e taxa de
aquecimento de 10 °C.min-1 .................................................................... 117
Figura 4.24. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L01 − hidratada... 118

Figura 5.1. Pressão (logarítmica) de decomposição dos carbonatos e hidratos


em função do inverso da temperatura (ROSENQVIST,1983)................. 122

vi
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE TABELAS

LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1. Composição mineralógica típica das escórias LD (LÓPEZ, 1989;


SEKI et al., 1986; MURPHY, 1997; BOYNTON, 1966) ............................. 10
Tabela 2.2. Intervalo da composição química das escórias de aciaria geradas
em diferentes processos (SHOUSUN, 1980; NÜRNBERG, 1981; SEKI et
al., 1986; LÓPEZ, 1989; JIS A 5015/92) ................................................... 12
Tabela 2.3. Características das espécies químicas isoladas antes a após
hidratação (WEAST, 1971) ....................................................................... 14
Tabela 2.4. Verificação da estabilidade segundo o modelo apresentado por
SHOUSUN (1980)..................................................................................... 19
Tabela 2.5. Produtos formados na oxidação do ferro metálico presente na
escória ...................................................................................................... 20
Tabela 2.6. Transformações do silicato de cálcio (2CaO.SiO2) em função da
temperatura de resfriamento (SEKI et al., 1986; TAYLOR, 1997; LEA,
1970)......................................................................................................... 22
Tabela 2.7. Parâmetros que influenciam na expansão das escórias de aciaria25
Tabela 2.8. Tabela comparativa das características do clínquer Portland e do
Cimento Portland em relação à escória de aciaria e à escória de alto forno
(TAYLOR, 1997; LEA, 1971; JOHN 1995) ................................................ 38
Tabela 3.1. Propriedades químicas do cimento utilizado na confecção das
barras prismáticas de argamassa ............................................................. 55
Tabela 3.2. Características físicas do cimento utilizado na confecção das barras
prismáticas................................................................................................ 55
Tabela 3.3. Resumo das técnicas analíticas de caracterização das escórias de
aciaria ....................................................................................................... 61
Tabela 3.4. Resumo dos ensaios de avaliação da expansão executados no
trabalho experimental................................................................................ 69
Tabela 3.5. Variáveis que influenciam na determinação da expansibilidade ... 70
Tabela 3.6. Graduação requerida do agregado ............................................... 76
Tabela 3.7. Resumo dos métodos de determinação da expansibilidade da
escória de aciaria em condições de imersão em água ............................. 81

Tabela 4.1. Média da fração metálica presente na escória de aciaria do lote L01
.................................................................................................................. 87
Tabela 4.2. Determinação da densidade da escória de aciaria a oxigênio pelo
frasco de Le Chatelier ............................................................................... 87

vii
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE TABELAS

Tabela 4.3. Composição química dos lotes de escória de aciaria L01 e L02
analisados e outras composições típicas fornecidas pela mesma
siderúrgica ................................................................................................ 89
Tabela 4.4. Determinação do teor de CO2 presente na escória anidra e na
escória de aciaria hidratada do lote L01 ................................................... 90
Tabela 4.5. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra L01
anidra ........................................................................................................ 92
Tabela 4.6. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra L02
anidra. ....................................................................................................... 93
Tabela 4.7. Expansão dos corpos-de-prova em função da abertura das agulhas
................................................................................................................ 108
Tabela 4.8. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra L01
hidratada ................................................................................................. 116

Tabela 5.1. Comparação das condições experimentais da expansibilidade de


escórias de aciaria a oxigênio em diferentes ensaios. ............................ 123
Tabela 5.2. Comparação da escória entes e após hidratação ....................... 127

viii
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE ABREVIATURAS

LISTA DE ABREVIATURAS

BOF – Blast Oxygen Furnace


EAF – Electric Arc Furnace
LD – Linz-Donawitz
ASTM – American Society for Test and Methods
ILFA – Instituto Latinoamericano Del Fierro y el Acero
DRX – Difração de raios X
MEV – Microscopia Eletrônica de Varredura
TG – Termogravimetria
DTG – Termogravimetria Derivada
DTA – Análise térmica diferencial
RO – R é um cátion bivalente ligado ao oxigênio
NBR – Norma Brasileira Registrada
ODOT – Ohio Department of Transportation
DNER – Departamento Nacional de Estradas e Rodagem
ABNT- Associação Brasileira de Normas Técnicas
EB – Especificação Brasileira
ME – Método de Ensaio
MTO – Ontário Ministry of Transportation
PTM – Pennsylvania Testing Method
PDF – Powder Diffraction File
ME – Método de Ensaio

ix
Alexandre Teixeira Machado LISTA DE SÍMBOLOS

LISTA DE SÍMBOLOS

A – Al2O3

α - Alfa

β - Beta

C - CaO

C2ASH – Silicato aluminato de cálcio hidratado

CSH – Silicato de cálcio Hidratado

C2S – Silicato dicálcico

C3S – Silicato tricálcico

C4AF – Ferro aluminato de cálcio

C3A – Aluminato de cálcio

F – Fe2O3

SAC – Sal de alumínio carbonatado

S – SiO2

λ - Gama

x
Alexandre Teixeira Machado RESUMO

RESUMO

As escórias de aciaria são um dos subprodutos de maior volume gerados nas


usinas siderúrgicas integradas e semi-integradas. Entretanto, a sua aplicação
como matéria-prima para materiais de construção civil é comprometida devido a
sua elevada expansibilidade, principalmente pela hidratação do CaO e MgO livres
e por corrosão do ferro metálico (Fe°). Este trabalho apresenta um estudo
comparativo dos métodos existentes de avaliação da expansibilidade das escórias
de aciaria comparando este fenômeno com as transformações químicas e
mineralógicas do material. Ele esta dividido basicamente em três partes; na
primeira é feita uma caracterização do resíduo, a fim de identificar as suas
características físicas, químicas e microestruturais; na segunda, faz-se uma
avaliação dos métodos atualmente utilizados na determinação da expansibilidade
das escórias de aciaria; e na terceira, são identificadas as transformações que
ocorreram na microestrutura do material, após as reações de hidratação. Por fim,
relaciona-se as transformações ocorridas na hidratação da escória com as
transformações ocorridas em sua microestrutura.

Palavras chaves: Escória de aciaria, produção do aço e expansibilidade.


Alexandre Teixeira Machado ABSTRACT

ABSTRACT

The steel slags are one of the by-products with larger volume generated in
integrated and mini-mill steel plants. However, its application as a raw material for
civil construction is committed due to its high expansibillity, mainly for the hydration
of free calcium and magnesium oxide (CaO and MgO) and for the corrosion of
metallic iron (Fe°). This work presents a comparative study of the existent methods
of steel slags expansibility evaluation, comparing this phenomenon to the chemical
and mineralogical transformations of the material. It is basically divided into three
parts. In the first part, it is made a residue characterization in order to identify their
physical, chemical and microstructure characteristics. The second part, the actual
methods to determinate steel slags expansibillity were evaluated and, in the third
part, the transformations that happened in the materials microstructure were
identified after the hydration reactions. Finally, the changes that happened in slags
hydration had been linked to microstructure transformation.

Key-words: Steel slag, steelmaking, expansibility.


Alexandre Teixeira Machado Capítulo 1

Capítulo 1

1. Introdução

Desde o final do século XIX, as escórias de aciaria, obtidas em fornos elétricos

e conversores a oxigênio, tiveram exclusiva utilização em diversos países como

fertilizante, adicionando fosfato ao solo. Porém, na Europa, em 1982, verificou-

se que as escórias geradas em processos convencionais de produção de aço,

cerca de 8 a 9 milhões de toneladas, não poderiam ser usadas como

fertilizantes por conterem, além do elevado teor de fósforo, metais pesados

(INDUSTRY AND ENVIRONMENT, 1996). Atualmente, esta aplicação, além de

ser pouco explorada, não consome toda a escória gerada, especialmente

devido ao aumento da produção na indústria siderúrgica. Dessa forma, torna-se

necessário o emprego de novas tecnologias a fim de reciclar o grande volume

de escória de aciaria produzida e estocada sem perspectiva de reciclagem

(Figura 1.1).

1
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 1

Figura 1.1. Volume armazenado e pontos de deposição das escórias de


aciaria

A construção civil, por ser um grande consumidor de recursos naturais e de

seus próprios resíduos, também constitui um potencial consumidor de

subprodutos e resíduos provenientes de outras indústrias, tais como a

siderúrgica.

A reciclagem, ou utilização de subprodutos, além de reduzir a extração

predatória de recursos naturais, minimiza a deposição de resíduos em aterros e

a quantidade de emissões gasosas, como o CO21, que agridem o meio

ambiente.

As escórias de alto-forno e de aciaria constituem uns dos principais resíduos ou

subprodutos gerados pelas usinas siderúrgicas integradas e semi-integradas.

Estima-se que em 1998 tenham sido geradas aproximadamente 6 milhões de

1
Tal como ocorre no caso do emprego de escória de alto forno como substituto do calcário na

fabricação de cimentos.

2
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 1

toneladas de escória de alto forno e 4 milhões de escória de aciaria, para uma

produção de cerca de 26 milhões de aço bruto.

1.1. Justificativa

Diferentemente do que ocorre com as escórias de alto-forno, as escórias de

aciaria têm seu emprego limitado como material de construção civil, seja como

agregado para construção de ferrovias ou rodovias, seja como matéria-prima

para a fabricação de cimento. A principal limitação no uso dessa escória é a

sua elevada instabilidade volumétrica, provocada pela hidratação do MgO

reativo e do CaO livre quando em contato com a umidade.

Devido a essa instabilidade volumétrica, no Brasil − assim como em outros

países − têm sido adotados diversos métodos de avaliação da expansibilidade

das escórias de aciaria, classificando-as para uma determinada finalidade em

função do seu grau de expansão. Entretanto, de acordo com EMERY (1978),

muitos dos métodos desenvolvidos têm se mostrado demorados, custosos e de

difícil execução na avaliação desse fenômeno.

3
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 1

1.2. Objetivos

Os objetivos deste trabalho são:

1. avaliar diferentes métodos para estimar a expansibilidade da escória de

aciaria;

2. propor diretrizes para o desenvolvimento de um método mais adequado

para as condições brasileiras;

3. relacionar a expansão com a composição química e mineralógica do

material;

4. esclarecer o fenômeno da hidratação e expansão das escórias de aciaria.

4
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Capítulo 2

2. Revisão Bibliográfica

2.1. Os processos de produção do aço e a formação da escória

de aciaria

Os diferentes processos utilizados na produção, ou refino, do aço influenciam a

composição química e as demais propriedades físico-químicas da escória.

Esses processos baseiam-se nas reações de oxidação de elementos, tais

como C, Mn, P e Si, até os níveis especificados no produto final (ILFA, 1995).

Basicamente existem três processos de produção de aço, caracterizados pelo

emprego de diferentes fornos de refino: o Siemens-Martin (OH), o conversor a

oxigênio (LD ou BOF) e o forno de arco elétrico (EAF)1.

No processo do tipo OH, hoje praticamente em desuso, adiciona-se a sucata

metálica juntamente com o calcário e o minério de ferro e injeta-se oxigênio

para provocar a fusão e a agitação do banho metálico. Na fase do refino,

adiciona-se o CaO principalmente para remoção do fósforo. A produtividade

desse processo é baixa, 300 ton de aço em um período de 5 a 14 horas.

OH − Open Hearth; BOF – Blast Oxygen Furnace; EAF − Electric Arc Furnace
1

5
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Comparativamente, no processo BOF, a mesma quantidade de aço é obtida

em apenas 30 a 45 minutos de sopro.

O processo de refino do aço em conversores a oxigênio (processo LD ou BOF)

tem por objetivo reduzir os teores de carbono do ferro gusa de 4 % para 0,1 %,

e também de outros elementos como o silício, enxofre ou fósforo. Neste

processo, conforme mostrado na Figura 2.1, a sucata e o gusa líquido, em

temperaturas de 1300 a 1450 °C, são adicionados ao conversor, que é então

colocado na posição vertical, e uma lança é introduzida, injetando oxigênio

gasoso em alta velocidade (ARAUJO, 1997). Após a fusão completa do metal

no conversor, adiciona-se a cal virgem por meio de um silo montado sobre o

forno.

Ao final do processo de refino, o conversor é basculado para a posição

inclinada, a fim de separar a escória do aço líquido, devido às diferenças de

densidade. Após vazada, a escória é conduzida no pote para o pátio de

deposição, onde é resfriada lentamente, seja ao ar ou por aspersão de água

(MONTGOMERY e WANG, 1991; KNELLER et al., 1994; JIS A 5015/92). Num

ciclo de produção típico, são produzidas até 250 t de aço por corrida em um

intervalo de tempo de 30 a 65 minutos (MILLER et al., 1998; ARAUJO, 1997).

6
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Figura 2.1. Esquema do processo de produção do aço em conversor a


oxigênio tipo LD ou BOF: (1) carregamento da sucata, (2)
carregamento do gusa, (3) sopro de oxigênio, (4) vazamento do
aço e (5) vazamento da escória2 (ARAUJO, 1997)

No processo de produção do aço, a cal virgem juntamente com o oxigênio,

atuam como agentes que removem as impurezas como C, Si e P. Além de

CaO, cujo consumo médio é de 24 a 32 kg/ton, adiciona-se, também, o

dolomito (CaCO3.MgCO3), entre 30 e 35 kg/ton, para proteger o recobrimento

refratário do forno. Portanto, a escória é o produto resultante da combinação de

CaO e MgO com os elementos a serem retirados do ferro gusa e da sucata

metálica. (MONTGOMERY e WANG, 1991; BURGOS et al., 1999; NEHMI,

1980; KNELLER et al., 1994; PURCELL e KOTZ, 1990; ARAUJO, 1997)

2
A cal (CaO) pode ser adicionada com a sucata metálica ou após o sopro de oxigênio sobre o
metal fundido. Entretanto, esta ordem depende do processo de produção de cada siderúrgica.
7
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

As principais reações do refino oxidante, que ocorrem no conversor a oxigênio,

são mostradas nas equações a seguir (NEHMI, 1980):

C(s) + 1/2 O2(g) → CO(g) [1]

2P + 5O + CaO(s) → CaO.P2O5(s) [2]

2 Si + O2 + 2 CaO(s) → 2 CaO.SiO2(s) [3]

O processo de produção do aço em forno elétrico (EAF) consiste na fusão de

sucata de aço, gerada por um arco elétrico, formado entre o aço e os eletrodos

de grafita ou carvão amorfo. Após a fusão da sucata, injeta-se oxigênio através

de uma lança, a fim de promover a reações de oxidação do C, Si e P (reações

[1], [2], [3]). Do mesmo modo que no conversor LD, a adição do CaO e MgO e,

normalmente, a fluorita (CaF2) promovem as reações de refino que conduzem

à formação de escória constituída de silicatos e óxidos (LEE & LEE, 1995;

ARAUJO, 1997). Nessas escórias, devido ao elevado teor dos elementos de

liga presentes na sucata de aço, outros óxidos também podem ser

encontrados, tais como TiO2, e Cr2O3.

As escórias de aciaria elétrica podem ser classificadas em duas categorias, a

oxidante e a redutora, de acordo com as características da atmosfera do forno

durante o refino. A escória oxidante é produzida pela injeção do oxigênio no

aço fundido para a oxidação do C, Si e P. A redutora é gerada após o

vazamento da oxidada, pela adição de CaO e CaF2, para promover a

desulfuração do aço líquido e a adição de elementos de liga (KAMON et al.,

8
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

1993; JIS A 5015/92).

Tanto nas usinas integradas, que usam o conversor a oxigênio, como nas

usinas semi-integradas, que usam forno de arco elétrico, são geradas de 100 a

150 kg de escória por tonelada de aço líquido. No Brasil, em 1998, para uma

produção de 25 milhões de toneladas de aço, estima-se, portanto, que foram

produzidas 2,53 milhões de toneladas de escória de aciaria a oxigênio

(BURGOS et al., 1999; IBS, 1998).

Com base na descrição anterior, resume-se que existem três processos

principais para refino do aço: o Siemens-Martin (OH), o conversor a oxigênio

(LD ou BOF) e o forno de arco elétrico (EAF). Estes processos de refino têm

por objetivo a remoção do C, Mn, P e Si até os teores exigidos para cada

aplicação. Nesses processos, o oxigênio funciona como agente oxidante, e o

CaO como elemento escorificante no fluxo de refino. Tanto o processo OH

como o LD geram escórias oxidantes, enquanto que o processo EAF forma

dois tipos de escória: oxidante e redutora.

2.2. A escória de aciaria

Como mencionado anteriormente, a escória de aciaria é um resíduo, ou sub-

produto, originado no processo de produção do aço. Portanto, é constituída por

uma mistura de óxidos de cálcio e de magnésio, silicatos de cálcio, ferro

metálico, além de outras espécies químicas que aparecem em menor escala

(Tabela 2.2). No final do processo de refino, após a oxidação do fósforo e do

9
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

silício, parte da cal e do magnésio presentes na escória precipitam, ao

ultrapassar os limites de solubilidade da escória fundida. O fato explica os

elevados teores de CaO e MgO reativos presentes na escória (Figura 2.2). Do

ponto de vista mineralógico, as escórias de aciaria são compostas, em média,

por β- silicato dicálcico (larnita), ferrita cálcica, wüstita (FeO), cal livre (CaO),

periclásio (MgO), portlandita (Ca(OH)2) e calcita (CaCO3), entre outras

espécies químicas citadas na Tabela 2.1.

Tabela 2.1. Composição mineralógica típica das escórias LD (LÓPEZ,


1989; SEKI et al., 1986; MURPHY, 1997; BOYNTON, 1966)

Fase mineral Fórmula Ponto de fusão (°C)


Silicato dicálcico − Larnita (β− C2S) β − 2CaO.SiO2 2130
Silicato tricálcico (C3S) 3 CaO.SiO2 1900
Silicato de magnésio β − 2MgO.SiO2 -
Ferrita dicálcica 2 CaO.Fe2O3 1430
Mervinita Ca3Mg(SiO4)2 -
Diopsita Ca Mg(SiO3)2 -
Brown millerita 4CaO.Al2O.Fe2O3 1410
Bredigita α − 2CaO.SiO2 -
Gelenita CaO.Al2O3.SiO2
Óxidos de alumínio e magnésio MgO.Al2O3 -
Wüstita (óxido de ferro) FeO -
Periclásio (óxido de magnésio) MgO 2800
Óxido de cálcio CaO 2570

A Figura 2.2 mostra a seqüência de formação da escória. Nesta figura, verifica-

se que no início do sopro (A ou B) a escória é formada por elevados teores de

FeO e SiO2, sendo que os teores de CaO aumentam à medida que o CaO

sólido adicionado vai sendo dissolvido na escória líquida. Para maiores teores

de CaO, observa-se que vão sendo precipitados ao limite de solubilidade dos

10
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

silicatos (C2S e C3S) e, principalmente do CaO, que constitui a cal livre não

dissolvida na escória de aciaria (NÜRNBERG, 1981; BURGOS,1999).

Figura 2.2. Diagrama de equilíbrio ternário do sistema CaO-SiO2-FeO onde


se mostra a composição aproximada das escórias de aciaria
durante o sopro (NÜRNBERG, 1981)

Além das fases não metálicas, a escória contém uma grande quantidade de

partículas de aço ou ferro metálico que ficam incorporadas à escória no sopro

de oxigênio. Estas partículas também podem contribuir para a instabilidade

volumétrica das escórias, através da geração de produtos de corrosão e

oxidação, além de reduzirem o rendimento do processo de produção do aço

(BURGOS et al., 1999).

Na Tabela 2.2, é mostrado o intervalo da composição química típica das

escórias de aciaria geradas por diferentes processos de produção do aço.

11
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Tabela 2.2. Intervalo da composição química das escórias de aciaria


geradas em diferentes processos (SHOUSUN, 1980;
NÜRNBERG, 1981; SEKI et al., 1986; LÓPEZ, 1989; JIS A
5015/92)

Tipo de
Fe CaO CaO
Processo escória Fe2+ SiO2 MgO MnO P2O5
(total) (total) (Livre)
gerada
14,0 8,4 40,0 0,0 9,0 1,0 3,0 0,0
Conversor Oxidante − − − − − − − −
a oxigênio 26,0 15,6 50,0 7,0 16,0 9,6 8,0 5,0
(BOF ou 0,7 48,0 32,0 10,0
K-BOP*
LD**) − - − Nd − − - 0,02
(oxidante)
0,9 54,0 33,0 11,0
15,0 9,8 28,0 12,0 6,4 3,0
Oxidante − − − 1,4 − − − 0,7
Forno
17,0 15,7 40,0 26,0 18,0 9,3
elétrico
0,0 47,6 19,7 7,0 1,0
(EAF)
Redutora − Nd − Nd − − − -
1,5 51,0 27,0 15,0 2,0
*
Processo de conversor a oxigênio para produção de aço inoxidável.
**
O conversor a oxigênio é mais conhecido no Brasil como conversor LD.

Conforme a Tabela 2.2, a composição química das escórias de aciaria variam

em função dos processos de produção e da matéria-prima utilizada em cada

corrida. A título de exemplo, a Figura 2.3 mostra o intervalo de variação da

composição química da escória de aciaria produzida pela USIBA-BA (Usina

Siderúrgica da Bahia) em forno de arco elétrico. Os dados apresentados são

referentes a uma seqüência de 12 corridas num dia típico de produção e

destacam a elevada variação na composição química, principalmente quanto

aos teores de CaO, SiO2 e FeO.

12
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

70

60

Composição (%)
50

40

30

20

10

0
CaO SiO2 Al2O3 MgO TiO2 FeO MnO P2O5 S Cr2O3

Máximos 58,56 28,42 6,41 9,87 0,5 32,94 5,03 0,844 0,244 0,508

Mínimos 34,12 14,98 2,38 6,69 0,33 0,98 0,08 0,318 0,00001 0,045

Compostos

Figura 2.3. Variação da composição química da escória de aciaria elétrica


oxidada em função da corrida de produção (USIBA, 1998)

Dessa forma, observa-se que a escória de aciaria é um subproduto da

fabricação do aço e que possui uma elevada variação na sua composição

química e mineralógica, em função da matéria− prima e do processo de

produção empregado. As espécies químicas, identificadas na escória de

aciaria, são conseqüência das variações ocorridas nos processos de refino do

aço, na forma de resfriamento da escória e na sua armazenagem após o

resfriamento.

2.3. A expansibilidade das escórias de aciaria

As escórias de aciaria possuem características expansivas devido,

principalmente, à hidratação da cal livre (CaO) e do periclásio (MgO), além da

mudança nas formas alotrópicas do C2S e da corrosão e oxidação do ferro

metálico residual (PANIS, 1975; KAMON et al., 1993; WANG e XIE, 1980;

13
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

HEATON, 1989).

Na Tabela 2.3, são apresentadas as variações volumétricas em função das

transformações ocorridas nas principais espécies químicas presentes na

escória de aciaria.

Tabela 2.3. Características das espécies químicas isoladas antes a após


hidratação (WEAST, 1971)

Densidade M.mol Vol. Molar Variação de


No Fórmula Nome
(g/cm3) (g/mol) (cm3/mol) volume (%)*
Em relação
1 MgO Periclásio 3,58 40,31 11,26
ao MgO
2 Mg(OH)2 Brucita 2,36 58,33 24,72 119,5
Em relação
3 CaO Cal 3,38 56,08 16,59
ao CaO
Portlandit
4 Ca(OH)2 2,24 74,09 33,08 99,4
a
Calcita 2,93 100,09 34,16 105,9
5 CaCO3
Aragonita 2,71 100,09 36,93 122,6
CaCO3.
6 Dolomita 2,87 184,41 64,25 287,3
Mg CO3
Ferro Em relação
7 Fe0 7,86 55,85 7,11
(metálico) ao Fe0
8 FeO Wüstita 5,70 71,85 12,61 77,4
9 Fe2O3 Hematita 5,24 159,69 30,48 328,7
10 Fe(OH)2 Hidróxido 3,40 89,86 26,43 271,7
11 FeO(OH) Goetita 4,28 88,85 20,76 192,0
*
Valores calculados a partir do volume e da densidade absoluta das espécies químicas isoladas

Observa-se na Tabela 2.3, que, nas transformações, seja por hidratação (2, 4,

10 e 11) e carbonatação (5), seja por oxidação (8 e 9), ocorre um significativo

aumento de volume em relação às dimensões originais do cristal. Este

fenômeno conduz à expansão destrutiva na escória de aciaria.

14
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

2.3.1. A expansão do óxido de cálcio (CaO)

Conforme a Tabela 2.3, ao se hidratar, o óxido de cálcio livre (CaO) forma o

hidróxido de cálcio (Ca(OH)2), cujo cristal tem maior volume. O processo de

hidratação deste óxido ocorre de acordo com a equação [1].

CaO(s) + H2O(l) → Ca(OH)2 (s) [1]

Na hidratação do óxido de cálcio (CaO), há um aumento de 99 % em volume e

de 54 % em superfície. A variação de volume, em alguns casos, leva à

pulverização do material devido às tensões criadas pelas diferenças de volume

molar (Tabela 2.3) (CINCOTTO, 1977; WEAST, 1971).

A cal livre é a principal responsável pela expansibilidade nas escórias de

aciaria (NOUMAN et al., 1992). A quantidade de CaO total presente na escória

de aciaria do tipo LD varia entre 39 e 50 % da massa de escória, dos quais até

7 % se encontram no estado livre, conforme mostrado na Tabela 2.2

(NÜRNBERG, 1981). Considerando que 7 % do CaO presente na escória de

aciaria está no estado livre, tem-se que aproximadamente 43 % do CaO

presente na escória está combinado na forma de silicatos ou em solução sólida

com, principalmente, o Mn, o Fe e com o Mg.

Adicionalmente, observa-se que existem nas escórias de aciaria duas formas

de cal (CaO): residual e precipitada − esta última aparece durante o

resfriamento e solidificação da escória. A cal residual é classificada em função

do tamanho dos seus grãos, que variam de 3 a 10 µm. A cal precipitada, que é

15
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

normalmente encontrada nos contornos do C2F ou nos cristais de C3S, é

caracterizada pelo tamanho de partículas, que são de, aproximadamente, 4 µm

(GEISELER, 1988 apud MONTGOMERY e WANG, 1991; GOLDRING e

JUCKES, 1997).

A quantificação do teor de cal livre na escória pode ser feita através das

técnicas de termogravimetria (TG)/termogravimetria derivada (DTG), por

difração de raios X ou mesmo por dissolução em etilenoglicol ou em açúcar −

sabe-se que a cal livre é solúvel tanto em solução de açúcar a 10 %, quanto

em solução de etilenoglicol. (KNELLER, et al., 1994; NBR 7227/82;

MONTGOMERY e WANG, 1991; YU e GONG, 1980).

Como o elevado teor de cal livre é o principal responsável pelo problema da

expansão das escórias de aciaria, existem diversos estudos que visam limitar o

seu teor como critério de classificação e aplicação das escórias. Tem-se

mostrado que, em teores menores que 7 %, a cal livre não é prejudicial à

durabilidade de pavimentos que utilizam a escória de aciaria. Em alguns casos,

admite-se até um teor de 11,6 %, afirmando-se que argamassas que utilizam

estas escórias como agregado não apresentam instabilidade dimensional

(GEISELER e SCHLOSSER, 1988 e DUDA, 1989 apud MONTGOMERY e

WANG, 1991). Porém, outros autores refutam esse critério, preferindo adotar

como limite de tolerância um teor de cal livre entre 4 e 5 % (CONJEAUD,

GEORGE e SORRENTINO, 1981 apud MONTGOMERY e WANG, 1991) Para

o cimento Portland, por exemplo, a quantidade de cal livre (CaO)está limitada

ao intervalo de 3 a 5 % para que não ocorra uma expansão destrutiva do

16
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

concreto endurecido (TAYLOR, 1997). METHA e MONTEIRO (1994) observam

que o óxido de cálcio livre raramente esta presente em quantidades

significativas no cimento Portland, porém, quando isto ocorre, é conseqüência

do mau proporcionamento das matérias-primas ou deficiência do processo de

produção do cimento. Contudo, o que tem se verificado na prática, é que as

escórias de aciaria exibem uma elevada instabilidade dimensional gerada,

principalmente, por elevados teores de cal livre − acima de 7 %.

2.3.2. A expansão do óxido de magnésio (MgO)

No processo de refino do aço, o uso do dolomito ou o desgaste do

revestimento refratário do forno promovem a presença de MgO na escória que,

em contato com a umidade, hidrata-se lentamente conforme a equação [2].

MgO(s) + H2O(g,l) → Mg(OH)2(s) [2]

Ao se hidratar, o óxido de magnésio (MgO) forma o hidróxido de magnésio ou

brucita (Mg(OH)2). Segundo WEAST (1971), nessa transformação, o cristalito

do hidróxido de magnésio pode aumentar de volume em até 119,54 % do

volume inicial do cristalito de MgO (Tabela 2.3). Esse aumento volumétrico

gera expansão devido às tensões criadas pela diferença de volume molar entre

o óxido e o hidróxido.

A escória de aciaria possui um teor de magnésio que pode variar até 10 %.

Esta espécie química pode se apresentar na forma livre, como periclásio

17
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

(MgO), ou quimicamente combinado em solução sólida com outros óxidos.

Quando a fração de MgO, presente na escória de aciaria, está quimicamente


3
combinado na forma da monticelita (CMS = CaO.MgO.SiO2) e da merwinita

(C3MS2 = 3CaO3.MgO.SiO2) é químicamente estável (SHOUSUN, 1980;

TAYLOR, 1997).

Adicionalmente, o MgO pode estar associado a outras formas cristalinas à base

de óxidos de Fe e Mn. Essas associações do MgO representam a fase RO da

escória, onde R é um cátion divalente, e apresentam comportamento estável,

conforme já verificado por SHOUSUN (1980) por tratamento em autoclave a

uma pressão de 8 atm.

SHOUSUN (1980) afirma que no caso da fase RO, à qual o MgO está

associado em solução sólida, a estabilidade do material depende da proporção

MgO/(FeO + MnO) . Considera-se, portanto, como uma composição instável, a

que apresente esta razão maior ou igual a um, e estável, quando esta

apresenta valor menor que um. Segundo MONTGOMERY e WANG (1991),

deve-se considerar que a relação apresentada por SHOUSUN (1980) está

baseada na premissa de que o MgO pode formar solução sólida com o FeO e

MnO. Observa-se que (Tabela 2.4) a razão apresentada por SHOUSUN (1980)

é menor do que um para a maior parte das escórias de aciaria, tomando-se por

base os intervalos de composição química mostrados na Tabela 2.2. Portanto,

a maioria das escórias de aciaria possuem um comportamento instável quando

3
Adota-se, aqui, a notação simplificada clássica na química dos cimentos: C - CaO; M - MgO,
S - SiO2.
18
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

sujeitas às condições de hidratação sob temperatura e pressão elevados

(SHOUSUN, 1980).

Tabela 2.4. Verificação da estabilidade segundo o modelo apresentado


por SHOUSUN (1980)

MgO
Processo de formação da escória
(FeO + MnO)
Conversor a oxigênio LD ou BOF 0,10 − 0,45
Oxidada 0,50 − 0,72
Forno elétrico (EAF)
Reduzida −

Na escória de aciaria LD, acredita-se que o magnésio livre é resultado,

principalmente, da dissolução incompleta do dolomito durante o refino. Para

controlar o problema, os pesquisadores sugerem que o dolomito seja

adicionado no estágio inicial do processo de fabricação do aço e que o

tamanho do grão seja o menor possível, para facilitar a dissolução e a reação

completa desse óxido (MONTGOMERY e WANG, 1991).

A determinação do magnésio nas escórias de aciaria pode ser feita através das

técnicas de difração de raios X, ou análise térmica por termogravimetria (TG) /

termogravimetria derivada (DTG).

Normalmente, o teor de magnésio livre em uma matéria prima é limitado em

função das especificações e da aplicação final do produto. Como exemplo,

pode-se citar que, a fim de evitar a expansão do MgO livre na produção de

clínquer, a quantidade de óxido de magnésio é usualmente limitada entre 4 e 5

%, podendo chegar até 6,5 %, conforme a NBR 5732/91. Uma parte substitui o

cálcio nos compostos do clínquer, e o excesso acima de 2 % cristaliza-se

19
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

como periclásio (óxido de magnésio livre). Este último, através de reação com

a água na hidratação do cimento, causa expansão destrutiva do material

(TAYLOR, 1997).

2.3.3. A expansão originada da oxidação do ferro metálico (Fe°)

A escória de aciaria possui em sua composição um alto teor de ferro metálico

que fica retido no sopro ou no vazamento do aço líquido. Este metal, após os

processos de corrosão e oxidação, inicialmente pode aparecer sob a forma dos

íons Fe+2, Fe+3. (LEE e LEE, 1995). As principais reações de corrosão ou

oxidação e a formação básica desses produtos de oxidação podem ser vistas

nas equações da Tabela 2.5.

Tabela 2.5. Produtos formados na oxidação do ferro metálico presente na


escória

Formação Produto
formado
Reações de oxidação
Fe0 + 1/2O2 → FeO Wüstita
2Fe0 + 3/2O2 → Fe2O3 Hematita
3Fe0 + 2O2 → Fe3O4 Magnetita
Reações de corrosão
Fe2+ + 2 OH- → Fe(OH)2 Hidróxido ferroso
4 Fe(OH)2 + O2 + 2H2O → 4 Fe(OH)3 Hidróxido férrico

Os estados de oxidação e corrosão mais comuns são +2 (ferroso) e +3

20
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

(férrico). Porém, compostos com números de oxidação fracionário, como o

Fe3O4, podem ser considerados como misturas de dois estados de oxidação,

como óxido de ferro II- ferro III ou [FeO. Fe2O3]. No estado de oxidação +2, o

ferro está como íon Fe++, sendo facilmente oxidado ao estado +3 pelo oxigênio

do ar.

Os estágios de corrosão e oxidação do ferro metálico contribuem para

transformações volumétricas na escória pelas diferenças de volume molar dos

produtos de oxidação e corrosão (Tabela 2.3). Esta variação de volume molar

pode gerar uma expansão de 77 % a 329 % em relação à forma metálica (Fe°).

O teor de ferro total na escória representa cerca de 15 % a 20 % da sua

composição média (NÜRNBERG, 1981). Desse teor, 70 % nas escórias

geradas em conversores LD (SHOUSUN, 1980) e, 20 % a 35 % no processo

EAF (LEE e LEE, 1995) estão, principalmente, na forma bivalente (FeO). Este

teor elevado de ferro favorece a formação da solução sólida com o Mg ou com

o Mn. Quando a razão MgO/(FeO + MnO) é menor que um, predomina o Fe ou

o Mn, o que gera um aumento nas dimensões e no espaçamento basal do

cristal. Quando esta proporção é maior que um, a fase RO, de periclásio ou do

tipo periclásio ferroso, é volumetricamente instável. Todavia, quando a

proporção é menor que um, forma-se também a wüstita, Mg- wüstita ou Mg-

Mn-wüstita, que possui um comportamento estável, o que não acontece na

maioria das escórias de aciaria (Tabela 2.4).

21
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

2.4.4. A expansão por transformação alotrópica do C2S

O silicato dicálcico ou ortosilicato de cálcio (2CaO2.SiO2 ou C2S) ocorre em

quatro hábitos cristalinos distintos. As fases polimorfas do C2S (2CaO.SiO2)

são conhecidas como do tipo α, α’, β e γ


. A relação entre essa seqüência de

transformações é mostrada na Tabela 2.6. Há uma mudança volumétrica

associada a estas alterações de fase que são derivadas do α-C2S, com

progressiva redução da simetria, a qual surge pelas mudanças de orientação

do SiO44- com pequeno movimento dos íons Ca2+. As mudanças de fase β→ γ

podem promover uma elevada expansão volumétrica da escória, gerando a

pulverização dessa fase não metálica (SEKI et al., 1986; TAYLOR, 1997).

Tabela 2.6. Transformações do silicato de cálcio (2CaO.SiO2) em função


da temperatura de resfriamento (SEKI et al., 1986; TAYLOR,
1997; LEA, 1970)

Aumento Temperatura (°C)


Fase Densidade de Sistema
Líquida (δ) volume: cristalino Transformação Estabilização
(%)**
α > 1425
Transformação

3,07 0 Trigonal 2130*


α’ 3,31 -7,82 Ortorrômbico 1425 1425-1160
β 3,28 0,91 Monoclínico 1160 – 680 680 – 500
γ 2,97 10,44 Ortorrômbico < 500 < 500
*
Considerado o ponto de fusão do C2S (NÜRNBERG, 1981).
**
Valores calculados a partir da variação da densidade apresentada na literatura. O sinal
negativo indica que se obteve uma pequena redução no volume do cristal.

A estrutura dos cristais acontece em uma distribuição espacial de tetraedros de

22
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

SiO44-, diferindo pelo número de coordenação do íon Ca2+. Na forma γ


-C2S, a

estrutura do cristal é similar à olivina ((Mg, Fe)2SiO4). A transformação cristalina

β→ γconduz à instabilidade volumétrica da escória que se pulveriza, além de

ser pouco reativa em água à temperatura ambiente (TAYLOR, 1997).

A transformação α’→ λ pode ocorrer sem gerar a fase β-C2S entre 780 °C e 850

°C. Estas transformações de fase podem ser facilmente explicadas através do

diagrama binário de transformação de fases, mostrado na Figura 2.4 (SEKI et

al., 1986; TAYLOR, 1997).

Figura 2.4. Diagrama de equilíbrio binário do sistema CaO-SiO2


(NÜRNBERG, 1981)

Na Figura 2.4, observa-se que a forma α-C2S ocorre em temperaturas entre

1420 e 2130 °C. A temperaturas mais baixas, próximas de 690 oC, o silicato

23
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

dicálcico passa para a forma β ou para a forma α´. Logo após, abaixo de 500

ºC, a forma β, em alguns casos, é metaestável. Já no estado sólido, à

temperatura de 725 ºC, a forma β altera-se para a forma γ


. Esta última

transformação é instável e implica aumento de volume (TAYLOR, 1997) de 10

a 14 % (PANIS, 1975; SEKI et al., 1986; LEA, 1970). Ela ocorre lentamente no

estado sólido, causando o fenômeno de expansão e pulverização da escória.

Na transformação da forma alotrópica α→ α’, não ocorre a desagregação

porque a transformação ocorre com a escória ainda no estado líquido. Porém,

de acordo com o diagrama mostrado na Figura 2.4, observa-se que a

temperaturas de 700 a 750 °C pode ocorrer também a transformação α’→ γ


.

Este fenômeno acontece à medida que o material ganha resistência,

acompanhada por uma expansão volumétrica, o que causa a desintegração e

pulverização do material.

De acordo com as variações das densidades das formas alotrópicas

apresentadas por SEKI et al. (1986), Tabela 2.6, os valores de expansão nas

transformações β→ γ e α´→ γ são próximos de 10,44 % e 11,45 %,

respectivamente.

De acordo com o descrito anteriormente, a expansibilidade das escórias de

aciaria é resultante do processo de hidratação do óxido de cálcio livre e do

óxido de magnésio reativo. Adicionalmente pode ocorrer a expansão das

escórias, devido aos processos de corrosão e oxidação do ferro metálico e das

transformações alotrópicas do C2S no resfriamento lento das escórias. Estes

24
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

processos geram uma instabilidade volumétrica nas escórias de aciaria,

provocando expansão que pode chegar a até 14 % do seu volume inicial.

2.4. Parâmetros que controlam a expansão

Na Tabela 2.7, destacam-se alguns dos fatores e dos mecanismos que

influenciam diretamente a expansão ou a estabilização da escória de aciaria.

Tabela 2.7. Parâmetros que influenciam na expansão das escórias de


aciaria

Parâmetros que influenciam na


Espécies químicas Mecanismo
expansão
• Teor da espécie no estado livre
• Umidade
CaO e MgO • Temperatura Hidratação
• Teor de CO2
• Tamanho dos grãos de escória
• Teor de Fe°
• Umidade
Fe0 • Tempo de exposição ao ar Oxidação
• Teor de oxigênio no resfriamento
• Tamanho dos grãos de escória
• Velocidade de resfriamento
• Impurezas iônicas Transformação
C2S
• Temperatura de resfriamento alotrópica
• Basicidade das escórias

2.4.1. Controle da expansão pelo CaO e MgO

Na estabilização da cal livre (CaO) e do MgO reativo nas escórias de aciaria,

destaca-se o efeito da umidade, da temperatura, do teor de CO2 do

25
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

ambiente, do tamanho dos grãos de escória, do tempo de estocagem do

material, além do teor dos óxidos de cálcio e magnésio.

2.4.1.1. Efeito da umidade, temperatura, teor de CO2 e do tempo de

estocagem na estabilização do CaO e MgO na escória de aciaria

A estabilização da escória de aciaria está diretamente associada à formação de

produtos estáveis, seja por hidratação do CaO e MgO ou carbonatação dos

produtos hidratados gerados por estes óxidos. A hidratação e a carbonatação

nas escórias de aciaria geram estabilidade volumétrica, visto que os compostos

formados são volumétricamente estáveis, em virtude do tempo de estocagem e

do grau de exposição do material à umidade, temperatura e teor de CO2.

Dessa forma, o material deve estar sujeito a condições que permitam, ao longo

do tempo, a hidratação ou carbonatação completa dessas espécies químicas

(THOMAS, 1978; REGOURD, 1980).

Nesse sentido, o tempo de estocagem, ou tempo de envelhecimento do

material em ambiente com umidade, são fatores principais que influenciam na

estabilização do CaO e MgO reativos. O tempo de envelhecimento da escória

de aciaria refere-se, principalmente, ao tempo de exposição da escória na pilha

de estocagem. De acordo com SEKI et al. (1986), as escórias de aciaria,

quando expostas a ação das intempéries, estabilizam-se num período mínimo

de 3 meses. Já a norma japonesa, JIS A 5015/924, apresenta valores

4
A norma japonesa JIS A 5015/92 fixa condições gerais para aplicação da escória siderúrgica.
26
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

característicos de cura para a escória de aciaria, que variam de 3 a 6 meses,

desde que a expansão dos corpos de prova, submersos em água, seja menor

que 0,6 %. Contudo, o ODOT (Ohio Department of Transportation) exige, como

critério de uso da escória de aciaria em sub-base de rodovias, um

envelhecimento do material de, no mínimo, 6 meses − porém não apresenta

critério de expansão em água desse material.

Acredita-se, ainda, que os graus de expansão das escórias de aciaria possam

ser estimados em função da quantidade de CaO e MgO que, mesmo após o

período de exposição do material à umidade, à temperatura e ao CO2 do ar,

ainda continuam reativos. GUPTA et al. (1994) mostram que o teor de cal livre

reativa remanescente na escória, mesmo após longos períodos de

permanência na pilha de estoque, não representa uma informação segura do

tempo de estabilização do material, devido à influencia de outras espécies

químicas.

Dos dados apresentados é possível sugerir duas condições a serem atendidas

para aumentar a velocidade de cura da escória de aciaria: a) reduzir a

granulometria do material para aumentar a superfície de contato da escória

com a água e facilitar a atividade nas reações de hidratação; b) aumentar o

teor de umidade do meio até a saturação.

Os diversos estudos sobre o tempo de estabilização das escórias de aciaria

apontam principalmente para a estabilização por hidratação do CaO e MgO.

Contudo, os autores não apresentam as condições nas quais o material é

27
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

submetido à estabilização, pois, se o material estiver exposto a um ambiente

seco, não ocorrerá a formação de produtos hidratados e não correrá

conseqüentemente a sua estabilização.

2.4.1.2. Efeito do teor de CaO e MgO na estabilização da escória de aciaria

Os fatores mais importantes de estabilização da escória de aciaria são: o teor

de CaO e MgO e as transformações ocorridas na hidratação do material.

GUPTA et al. (1994) verificaram que, por exemplo, a ação da umidade e do

CO2 na pilha de estoque não é uniforme e não permite que toda a cal livre seja

estabilizada durante o tempo de estocagem. Neste caso, inclusive, podem

ocorrer variações no teor de cal livre em função da profundidade da pilha de

estocagem. Os autores mostram que, em uma pilha de estoque de escória de

aciaria, a quantidade de cal livre pode aumentar com a profundidade da pilha,

variando de 0,1 a 2,1 % de CaO livre de 0 a 2 m de profundidade da pilha,

respectivamente. A presença do hidróxido de cálcio (Ca(OH)2) e do carbonato

de cálcio (CaCO3) é justificada pela ação da umidade e maior teor de CO2 na

camada superficial da pilha.

Adicionalmente, verificou-se que existe o que os autores chamam de cal

residual nas escórias de aciaria. Esta fase da cal foi principalmente encontrada

no interior das pilhas de estocagem e não sofreu alteração volumétrica com o

tempo (KNELLER et al., 1994; MONTGOMERY e WANG, 1991; GOLDRING e

JUCKES, 1997). Segundo KNELLER et al. (1994), o fato é justificado devido ao

28
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

encapsulamento do CaO por silicatos. Esse processo protege o CaO dos

efeitos da água contida nos poros da escória e do CO2 do ambiente.

2.4.1.3. Efeito da granulometria na estabilização do CaO e MgO na escória

de aciaria

O tamanho dos grãos de escória de aciaria têm influência sobre esta atividade

de estabilização, devido ao grão mais fino facilitar a interação escória− ar

(MONTGOMERY e WANG, 1991). SEKI et al. (1986) verificaram que a finura

dos grãos de escória pode influenciar, inclusive, no tempo de estabilização do

material. Os autores concluíram que, à medida que o módulo de finura

aumenta, a estabilização das escórias pode ocorrer entre 4 e 12 semanas, em

condições de temperatura e umidade ambiente − à proporção que o agregado

torna-se mais fino, o módulo de finura diminui. Após esse período, a escória

pode ser utilizada seguramente como agregado, porém o seu uso para

diferentes finalidades ainda não está confirmado por causa da possível

instabilidade volumétrica das demais espécies químicas que a compõem.

2.4.2. Controle da expansão do ferro metálico (Fe0)

Para controle da expansão do ferro metálico, é necessário se verificar as

condições de exposição da escória, já que a oxidação e a corrosão do ferro

metálico estão associados a condições como: o tempo de exposição ao ar, o

teor de oxigênio no resfriamento e o tamanho dos grãos de escória. A

29
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

expansão das escórias por oxidação do ferro metálico acontece,

principalmente, na mudança do estado de oxidação +2 (Fe++) para o estado +3

pelo oxigênio do ar. Adicionalmente, a partir da exposição da escória à

umidade, considera-se, em condições ambientes, principalmente a expansão

por formação de produtos de corrosão, a partir do ferro metálico, que gera o

Fe(OH)2 (hidróxido ferroso) ou o 4 Fe(OH)3 (hidróxido férrico) (SIENKO,1968).

2.4.3. Controle de expansão das transformações alotrópicas do C2S

Para controlar a transformação alotrópica β→ γdo C2S, podem-se destacar

alguns fatores que impedem a formação da fase γe o efeito deletério gerado

nesta transformação. Entre eles destacam-se: a velocidade de resfriamento da

escória e a presença de outras espécies químicas nesse fenômeno.

No resfriamento lento das escórias de aciaria, ocorrem transformações

alotrópicas α, α’β e γ
, segundo esta ordem de transformação. No resfriamento

rápido da escória, não ocorre a completa formação do C2S, impedindo a

nucleação dos cristais e dificultando a formação da fase γ


.

A forma alotrópica γ apresenta expansão na solidificação. Portanto, é

necessário manter a forma β estável e, para tanto, além de um resfriamento

brusco da escória, podem-se adicionar íons que funcionam como

estabilizadores na estrutura cristalina desse silicato, tais como o Al3+, Ba2+, P5+,

B3+, Mo4+ ou mesmo o Fe3+. Estas adições têm por objetivo estabilizar a forma

β− C2S por substituições na estrutura cristalina, gerando estruturas isomorfas

30
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

estáveis, além de conservar as propriedades hidráulicas e cimentícias da

escória de aciaria. (SEKI et al, 1986; YU-JI e GONG-XIN, 1980; MURPHY et al,

1997; DZIARMAGOWSKI et al, 1992). Porém a literatura não mostra,

seguramente, como ocorre esta estabilização, constatando-se, assim, a

necessidade de estudos que determinem métodos confiáveis de estabilização

dessa forma alotrópica.

2.5. As principais aplicações da escória de aciaria

As escórias de aciaria podem ser usadas principalmente como agregados para

concreto asfáltico, base e sub-base de estradas, estabilização de solos,

fertilizante ou matéria prima para produção de cimentos (PIRET, J.;

DRALANTS, 1984).

Atualmente no Brasil, cerca de 44 % da escória de aciaria é destinada à sub-

base de rodovias e 56 % é estocada (IBS, 1998). Dessa maneira, verifica-se

uma produção de escória em torno de 4 milhões de toneladas anuais e

aproximadamente 2,24 milhões de toneladas são estocadas sem destinação

imediata.

2.5.1. Uso da escória de aciaria em pavimentação

A principal opção de reciclagem da escória de aciaria é como camada inferior

na construção de estradas ou, em menor escala, como substituto do agregado

em misturas asfálticas. A escória de aciaria possui elevada variabilidade

31
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

tanto decorrente da matéria− prima, como dos processos de produção e, na

maioria das vezes, não atende aos critérios de qualidade exigidos para o uso

como agregado.

Um critério para utilização da escória de aciaria em pavimentação e como sub-

base de pavimentos é a estabilidade volumétrica “in situ”. Nesse sentido, as

normas rodoviárias DNER – PRO 263/94 e EM 262/94 prescrevem que a

expansão do agregado de escória de aciaria não deve ser superior a 3 % −

para o uso em pavimentos rodoviários. A norma rodoviária EB − 2103 (ABNT,

1991), tomada como referência para a norma do DNER5, é mais rigorosa e

especifica, para a utilização em sub-base de pavimentos, que o agregado não

deve ter uma expansão superior a 1 %, e para o uso em base de pavimentos,

este valor deve ser inferior a 0,5 %. Contudo, a presença de cal (CaO) e

magnésia (MgO) livres na escória conduzem a uma expansão superior ao

especificado por essas normas.

O agregado produzido com escória de aciaria consiste de partículas ásperas,

angulares e duráveis, o que o torna apropriado para aplicação em

pavimentação, além de apresentar melhores características de superfície em

relação ao agregado de pedra calcária, normalmente utilizado. A escória

apresenta maior resistência à derrapagem, maior resistência ao impacto e ao

desgaste superficial (FERRAND e EMERY, 1995; MURPHY et al., 1997; KHAN

e WAHHAB, 1998). Além disso, segundo NOUMAN et al. (1992), as escórias

DNER − Departamento Nacional de Estradas de Rodagem


5

32
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

de aciaria possuem as vantagens de poderem ser 100 % trituradas na

gradação requerida e, geralmente, permitirem melhor trabalhabilidade e

compacidade, favorecendo assim a durabilidade do pavimento.

Em contrapartida, o uso de agregados de escória pode levar a problemas de

segregação e à decapagem do pavimento, devido à baixa afinidade com o

betume e a areia. Além disso, a textura superficial áspera das partículas dos

agregados de escória resulta num material bastante absorvente e poroso,

aumentando o consumo de cimento asfáltico na mistura e elevando o custo

final do concreto asfáltico (KHAN e WAHHAB, 1998; FERRAND e EMERY,

1995).

Contrariando o que alguns autores afirmam, estudos mais recentes têm

mostrado que, na maioria das vezes, o desempenho dos pavimentos que

contêm escória de aciaria é baixo. MURPHY et al. (1997) mostram que os

pavimentos onde foi utilizada a escória de aciaria como agregado têm

apresentado fissuração, fácil lixiviação do cimento asfáltico (quando aplicada

na superfície do pavimento) e baixa estabilidade volumétrica, quando

comparado às misturas com agregados naturais. Estes problemas provocaram,

em algumas regiões do mundo, a proibição do seu uso como agregado na

construção de estradas. Porém, segundo os dados levantados por SOLOMON

(1994), muitos projetos ainda têm envolvido o uso da escória de aciaria em

pavimentos rodoviários, utilizando-a como agregado em condições especiais.

A experiência feita em Ontário, nos anos 70, mostra a viabilidade do uso da

33
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

escória de aciaria em concreto asfáltico. Os resultados do comportamento do

concreto asfáltico obtidos em laboratório, comprovam que misturas que contêm

escória de aciaria como agregado apresentam propriedades superiores em

relação às misturas convencionais. As misturas asfálticas que utilizam escória

de aciaria têm sido largamente usadas em países como os Estados Unidos,

Inglaterra, Japão e Canadá, particularmente em áreas onde existem usinas de

produção de aço (NOUMAN et al., 1992). Em meados dos anos 80, superfícies

contendo agregados de escória de aciaria começaram a mostrar sinais de

deterioração prematura tanto que, em alguns locais, o pavimento necessitou de

reabilitação antes do tempo previsto. Em 1991, o MTO (Ontario Ministry of

Transportation) iniciou, então, uma avaliação de campo. O estudo mostrou que

pavimentos que continham 100 % de escória de aciaria como agregado

deterioraram-se mais rápido do que os correspondentes contendo apenas

agregados naturais. A análise posterior confirmou as expectativas e estes

efeitos criaram uma barreira, impedindo o uso da escória de aciaria como

agregado asfáltico (HAJEK e BRADBURY, 1996).

Desse modo, é possível constatar que é técnicamente viável o uso da escória

de aciaria como agregado para pavimentação. Nesse sentido, por exemplo,

têm-se adotado medidas alternativas para se contornar o problema da

expansibilidade por hidratação do CaO e MgO, como o envelhecimento do

material através de reações de hidratação aceleradas, ou mesmo a redução da

granulometria para facilitar essas reações. Porém, não é consensual, entre as

agências produtoras de misturas asfálticas, que essas práticas sejam

34
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

eficientes.

Nesse sentido, recomenda-se a realização de testes para avaliação das suas

características, visando à sua utilização como agregado, entre os quais

podemos citar:

1. análise petrográfica: para a determinação da possível presença de

impurezas nocivas ao desempenho final do material;

2. hidratação em autoclave: para avaliação rápida do potencial de

expansibilidade;

3. expansão volumétrica: para avaliação da expansibilidade em condições

de hidratação por submersão em água;

4. imersão em mistura asfáltica: para verificação da estabilidade da mistura

asfáltica quente, na qual a escória de aciaria é utilizada como agregado.

Apesar das limitações existentes, o uso da escória de aciaria como agregado

asfáltico, em substituição aos agregados naturais tradicionalmente utilizados

vem crescendo acentuadamente. Esta mudança promove o aparecimento de

novas patologias nos pavimentos e induzem, de maneira crescente, à

realização de estudos na área da tecnologia de pavimentos. Entre os

fenômenos patológicos mais comuns encontradas em pavimentos asfálticos,

além da expansibilidade do agregado de escória, destaca-se a formação da

tufa. Este fenômeno acontece a partir da lixiviação do concreto asfáltico e

posteriormente pela hidratação da cal livre com a umidade superficial do

35
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

pavimento. O teor elevado de cal livre (CaO) na composição das escórias,

quando expostas à umidade, pode transformar-se em Ca(OH)2 e

posteriormente em CaCO3. Alguns fatores podem acelerar as reações de

formação de tufa6, tais como: a reatividade da escória com a água, a área

superficial (tamanho das partículas), a porosidade do material (absorção da

escória), a quantidade de água à qual ela é exposta e o teor de CO2 na

atmosfera. O fenômeno de formação da tufa, após a precipitação do carbonato

de cálcio, provoca o entupimento da drenagem do pavimento (GUPTA et al.,

1994). O fenômeno de formação da tufa pode ser descrito pelas equações

químicas apresentadas a seguir:

CaO + H2O → Ca(OH)2 [1]

CO2 + H2O → H2CO3. [2]

2 H2CO3 + Ca(OH)2 → Ca(HCO3)2 + 2H2O. [3]

Ca(HCO3)2 → CaCO3 ↓ + H2O ↑ + CO2↑ [4]

Após a reação de hidratação da cal livre, formando o hidróxido de cálcio [1], o

dióxido de carbono (CO2) da atmosfera e da exaustão dos automóveis

combina-se com a água da chuva e com a umidade, formando o ácido

carbônico [2]. Este último reage com o hidróxido de cálcio, formando o

6
É denominado como tufa a precipitação do carbonato de cálcio (CACO3) na drenagem dos
pavimentos após a solubilização do CaO da escória de aciaria em água e subseqüente
carbonatação.
36
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

bicarbonato de cálcio [Ca(HCO3)2], o qual se dissolve em água, conforme a

reação [3].

Nos drenos e nas caixas de drenagem, a água dessa solução, rica em

bicarbonato de cálcio, evapora pelo aumento da temperatura, liberando

também o dióxido de carbono (CO2) para a atmosfera [4]. Esta condição leva à

precipitação do carbonato de cálcio e, portanto, à formação da tufa, conforme a

reação [4]. Este fenômeno é favorecido por elevadas temperaturas que

aumentam a deposição de tufa. Portanto, a sua precipitação é maior nos

meses de verão e menor nos meses de inverno, uma vez que, em baixas

temperaturas, o CO2 remanescente na solução favorece a dissolução do

hidróxido de cálcio.

2.5.2. Uso da escória de aciaria na fabricação de aglomerante

Em virtude da sua composição, a escória de aciaria pode ser utilizada como

matéria-prima na produção de clínquer Portland (SERSALE, 1986); como

cimento alternativo — fabricado a partir da mistura da escória de aciaria com a

escória de alto forno e gipsita; na produção do cimento Portland, in natura,

substituindo parte do clínquer (MONTGOMERY e WANG, 1991), ou após

tratamento térmico, semelhante ao que acontece com a escória de alto forno

para a formação de vidro (MURPHY et al., 1997). As principais características

da escória de aciaria em comparação com o clínquer e cimento Portland e a

escória de alto forno são mostradas na Tabela 2.8.

37
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Tabela 2.8. Tabela comparativa das características do clínquer Portland e


do Cimento Portland em relação à escória de aciaria e à escória
de alto forno (TAYLOR, 1997; LEA, 1971; JOHN 1995)

Produto Características principais e composição


Clínquer de
• C3S, C2S, C3A, C4AF
cimento
• Elevada atividade hidráulica
Portland
Cimento • C3S, C2S, C3A, C4AF + Sulfatos
Portland • Elevada atividade hidráulica
• Totalmente vítrea
Escória de alto • Óxidos : SiO2, CaO, Fe2O3, Al2O3
forno • Reativa desde que sejam utilizados ativadores como a
Cal (CaO - do cimento Portland), silicatos e carbonatos.
• Baixo teor de C2S
Escória de
• Não vítrea
aciaria (LD)
• Baixa hidraulicidade

A análise por difração de raios X indica que o CaO, na escória de aciaria, pode

formar o C2S e a mervinita (C3MS2) enquanto no clínquer Portland, forma C2S,

C3S, C3A e C4AF. O alumínio apresenta-se normalmente na forma de óxido

(Al2O3) e o ferro encontra-se, principalmente, em solução sólida e na forma

elementar como Fe°, enquanto que, no cimento e clínquer Portland, aparecem

combinados como aluminato de cálcio ferro aluminatos de cálcio.

Alguns autores citam que a escória de aciaria, assim como a escória de alto

forno, desenvolvem a sua atividade hidráulica, ativada por uma base, como o

óxido de cálcio (CaO), ou um sulfato, como o sulfato de cálcio (CaSO4) ou

mesmo pelo silicato de sódio (x SiO2 y Na2O) (MONTGOMERY e WANG, 1991;

JOHN, 1995). Contudo, a de aciaria tem grande quantidade de óxido de cálcio

livre (CaO), dispensando o ativador natural, o que pode ser considerado um

38
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

ponto favorável para a sua utilização como um componente na produção de

cimentos.

Os trabalhos publicados sobre este tipo de reciclagem são discutidos nos itens

seguintes.

2.5.2.1. A escória de aciaria como matéria-prima do clínquer

Uma vez que a composição das escórias de aciaria, expressa em óxidos, é

semelhante ao encontrado na composição do cimento Portland, essas escórias

podem ser utilizadas para compor a matéria-prima de produção do clínquer,

reduzindo o custo de energia, o consumo de matérias-primas naturais e a

emissão de CO2 para a atmosfera. Atualmente, essa utilização é pouco

explorada, por falta de tecnologia desenvolvida para esta finalidade. A variação

na composição química e o baixo controle de qualidade da escória de aciaria

geram dificuldades para este emprego.

Apesar de a escória de aciaria possuir os mesmos elementos presentes no

clínquer de cimento Portland, isto é, Si2+, Al3+, Fe2+ e Ca2+, os teores desses

elementos, expressos em óxidos, são consideravelmente diferentes. Uma

importante diferença é o teor de ferro muito superior ao desejável na sua

composição, nas formas bivalente (FeO) e trivalente (Fe2O3) e, principalmente,

por encontrar-se também no estado elementar (Fe°) (MONTGOMERY e

WANG, 1991; TAYLOR, 1997).

39
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Dessa forma, a utilização da escória de aciaria como matéria-prima para o

clínquer é limitada devido a sua composição química não atender aos

requisitos para esta aplicação, quanto aos teores de CaO, MgO, Al2O3, Fe2O3 e

SiO2. Neste sentido, existem os módulos que precisam ser considerados, tais

como: módulo de saturação de cal (CaO) (LSF), de sílica (SR) e de alumina

(AR), de acordo com as relações mostradas a seguir (TAYLOR, 1997; LEA,

1971):

a) (LSF) = CaO/ (2,8 SiO2 + 1,2 Al2O3 + 0,65 Fe2O3)

b) (SR) = SiO2 / (Al2O3 + Fe2O3)

c) (AR) = Al2O3 / Fe2O3

Segundo TAYLOR (1997) e LEA (1971), no clínquer Portland os valores de

(AR) podem variar de 1,0 a 4,0, o (SR) de 2,0 a 3,0 e o (LSF) de 0,92 a 0,98.

De acordo com a composição química típica da escória, observa-se que ela

não atende a estes requisitos, necessitando, portanto, de um ajuste na sua

composição química a fim de permitir a sua utilização como matéria-prima na

fabricação de cimentos.

Neste objetivo, SERSALE et al (1986) fizeram alguns testes para avaliar a

possível utilização da escória de aciaria como matéria prima na farinha, em

substituição parcial ao calcário. O autor mostra que uma substituição de 30 %

de calcário por escória de aciaria pode ter um efeito positivo nas propriedades

do cimento produzido, melhorando inclusive a sua resistência. No entanto, para

este propósito, a composição química da farinha foi corrigida, de modo a

40
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

atender aos limites fixados dos módulos para a formação do clínquer: o LSF

ficou em 0,95, o AR em 1,00 e o SR em 2,17.

A fim de minimizar os problemas gerados na fabricação do clínquer pela

grande variação química e mineralógica da escória de aciaria,

DZIARMAGOWSKI et al. (1992) e PIRET, J. e DRALANTS (1984), estudaram o

ajuste da composição química da fase não metálica, por adição de outras

espécies químicas como o Al2O3 e o SiO2.

O uso da escória, na produção do clínquer, depende, de modo geral, da

redução da quantidade de ferro metálico existente e do ajuste da composição

química, da basicidade expressa pela relação CaO/SiO2 e da dissolução do

MgO tal que o teor livre remanescente, na forma de periclásio não ultrapasse

5 %.

2.5.2.2. Na fabricação de cimento alternativo

Estudos que mostram a fabricação de cimento de escória de aciaria já

possuem uma história de mais de 10 anos. Esses trabalhos apontam para o

equilíbrio químico da escória de aciaria, a fim de agregar a este resíduo

propriedades cimentícias. Na década de 70, foram feitos estudos preliminares

para esta finalidade e concluiu-se que a estabilidade do cimento de escória

está restrita à estabilização dos constituintes expansivos, a cal livre (CaO livre)

e o periclásio (MgO livre). Para isso, os autores sugeriram, para a estabilização

do MgO, através da adição de uma quantidade de escória de alto forno ou

41
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

outro material silicoso semelhante (SHOUSUN, 1980). No entanto, estes

estudos não especificam as proporções das adições necessárias para a

estabilização e tão pouco esclarecem como este fenômeno acontece na

microestrutura do material.

Por outro lado, GEORGE e SORRENTINO (1980) concluíram que a

substituição do fundente (CaO) por um material obtido pela combinação CaO,

MgO, Al2O3 e o Fe2O3, em proporções especificas, adicionada ao conversor no

momento do refino, resultaria em uma escória com baixo teor de cal livre e

propriedades hidráulicas adequadas à fabricação do cimento. Contudo, os

dados apresentados por estes autores não esclarecem o processo de

estabilização da escória de aciaria em virtude das adições utilizadas.

Quanto ao elevado teor de FeO na escória de aciaria, mostrou-se que a

solução sólida formada pela wüstita (FeO) com o manganês e o magnésio, não

possui propriedade cimentícia, além de não se combinar totalmente com outras

espécies químicas no resfriamento da escória fundida, quando do tratamento

de estabilização. Quando o ferro está na forma de wüstita, dissolve até 27 % de

CaO, diminuindo, dessa maneira, a quantidade de cálcio disponível para

formação do silicato tricálcico, que possui natureza hidráulica. Em

contrapartida, a wüstita (FeO), que por oxidação converte-se em hematita

(Fe2O3) ou magnetita (Fe3O4), ao combinar-se com o CaO, pode formar a

ferrita cálcica ou um ferro aluminato que possui natureza hidráulica (MURPHY

et al., 1997).

42
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

O cimento de escória de aciaria, conforme MONTGOMERY e WANG (1991),

pode ser também produzido pela mistura com escória de alto forno, admitindo a

cal livre como o ativador da escória de alto forno, participando da formação do

C-S-H, responsável pela resistência mecânica e, ao mesmo tempo, reduzindo a

sua capacidade expansiva. Entretanto, à temperatura ambiente, isto não foi

verificado na prática,sendo, portanto, uma solução mais objetiva, a mistura feita

com as escórias ainda no estado líquido.

Outros autores mostram que uma substituição de 10 % da escória de aciaria no

cimento resulta em uma economia de energia e matéria-prima, sem prejuízo do

desempenho final do cimento. A fim de comprovar este fato, MONTGOMERY e

WANG (1991) constataram que são aceitáveis as propriedades mecânicas e as

características físicas de um cimento composto com escória de aciaria, escória

de alto forno e gipsita nas proporções: 45 %, 45 %, e 10 %, respectivamente.

Esse cimento apresentou baixa expansão: 0,10 % aos 10 dias, 0,14 % aos 14

dias, além de uma elevada resistência à compressão, quando comparado ao

cimento Portland comum, que em um ano aumentou de 152 % para 166 %,

com relação à resistência aos 28 dias (45,8 MPa aos 28 dias). No entanto, não

há referência à presença de ferro metálico na escória estudada por estes

autores.

KAMON et al. (1993), por sua vez, mostraram a viabilidade técnica da

utilização da escória de aço inoxidável como matéria prima para a produção de

cimento com adição de sal de alumínio e carbonato (SAC). A composição

básica desse produto é: cimento Portland comum (CPC); Ca(OH)2; Al2(SO4)3;

43
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Na2CO3; nas proporções, 50 : 30 : 15 : 5, respectivamente (base em massa

seca). Os efeitos do aluminato SAC são:

a) formação de etringita e outros produtos reativos e cristalização do excesso,

por reação com a água do poro do material;

b) controle do valor do pH das misturas endurecidas.

O uso dos SACs acelera a formação dos silicato de cálcio hidratado (C-S-H) e

do sílico-aluminato de cálcio hidratado (C2ASH). Esses produtos hidratados

contribuem para o desenvolvimento da resistência das misturas com a escória

e evitam a perda da resistência, devido à expansão volumétrica.

YU e GONG (1980) mostraram ainda que diferentes adições de gipsita

aumentam a resistência da pasta de cimento nas primeiras idades, mas

exercem pouco efeito na resistência final. Todavia, a gipsita em excesso

diminui a resistência do material. Isto foi explicado por duas razões principais:

a) os aluminatos e os cristais de C3S formados na escória fundida são densos

e hidratam-se lentamente e, b) as soluções sólidas de C2S e C2F têm fraca

atividade hidráulica ou baixa propriedade cimentícia. Porém, minerais contendo

aluminatos e alumino-ferritas têm boa propriedade hidráulica e elevado poder

aglomerante.

A gipsita muda os hidratos de aluminato e alumino-ferrita para agulhas de um

complexo poli-hidratado de poli-sulfo-aluminato. Mais tarde, isso acelera a

hidratação do C3S e aumenta a resistência nas primeiras idades, mas não tem

efeito no tempo e na estabilidade do cimento. As escórias com quantidade

44
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

calculada de C3S acima de 40 % e cal livre abaixo de 3 %, misturadas com 5 %

a 8 % de gipsita, podem ser moídas para a obtenção de cimento de escória.

Cimentos com esta composição apresentaram estabilidade dimensional no

decorrer do tempo. Após endurecidos, embora as resistências fossem baixas

nas primeiras idades, esses cimentos apresentaram boa resistência à abrasão

e impermeabilidade.

2.5.2.3. Transformação da escória de aciaria por formação de vidro —

forma análoga ao processo de vitrificação da escória de alto forno.

Como visto anteriormente, para se viabilizar a utilização da escória de aciaria

como aglomerante, como adição ao clínquer de cimento Portland, são

necessários ajustes na composição química da escória ainda líquida.

Outro ponto importante é que, resfriando-se a escória bruscamente com água,

pode-se obter, em condições específicas, um material amorfo. Apesar da

elevada relação CaO/SiO2 da escória, entre 3 e 4, que não induz à formação

de vidro, o resfriamento brusco deve ser suficiente para inibir a nucleação e o

crescimento do cristal. Este fenômeno é mais comum nas escórias ácidas,

como nas escórias de alto forno, nas quais a relação CaO/SiO2 é baixa.

Contudo, este procedimento é pouco estudado e não está provada a sua

eficiência nas escórias de aciaria.

Entre os muitos fatores que diminuem a resistência da pasta de cimento de

escória, podemos citar, além da ausência do C3S, o efeito de uma estrutura

45
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

cristalina instável e a influência de outros minerais presentes na escória.

2.5.3. Uso da escória de aciaria na estabilização de solos

As escórias de aciaria também podem ser utilizadas como agregado pétreo ou

como aditivo na estabilização de solos, a fim de aumentar a resistência deles.

Como agregado inerte, é muito usado na Argentina, onde há carência desse

tipo de material, o que propicia a aplicação tanto para escórias de aciaria como

para escórias de alto forno. As características da escória de aciaria que

conferem um uso adequado para a estabilização de solos são as seguintes

(LÓPEZ, 1989): a) elevada rugosidade superficial; b) excelente coeficiente de

forma; c) elevada angulosidade; d) elevada resistência ao desgaste.

Entretanto, o uso das escórias de aciaria na estabilização de solos ainda é

bastante limitado, devido à sua baixa estabilidade volumétrica, o que impede a

aplicação em solos que necessitam de controle da rigidez.

A escória de aciaria também é utilizada para o desenvolvimento da resistência

à lixiviação dos solos. Dessa forma, ela pode estar associada a um composto

de cimento, cal (CaO), sulfato de alumínio (Al2(SO4)3) e carbonato de sódio

(Na2CO3) (KAMON et al., 1989, 1990 apud KAMON, NONTANANANDH e

KATSUMI, 1993).

46
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

2.5.4. Uso da escória de aciaria como fertilizante

Devido aos elevados teores de CaO e P2O5, as escórias de aciaria também

podem ser utilizadas como fertilizantes ou aditivo no cultivo de plantas ou

algas. Contudo, a presença de alcalis e de chumbo (Pb) tem limitado o seu uso

devido a problemas de toxidade (LÓPEZ, 1989).

A composição química das escórias usadas como fertilizante muitas vezes

necessita ser ajustada para atender os requisitos de fabricação de fertilizantes

tipo Ca-Mg, cujo principal requisito é a quantidade de CaO, que deve ser maior

que 45 %, 5 % de carbono e baixa concentração de FeO, Fe2O3, MnO e óxidos

de cromo (DZIARMAGOWSKI et al., 1992). Na composição química da escória

de aciaria, geralmente existem elementos essenciais para o cultivo de algas,

tais como o P, Si, Fe e Mn.

O enriquecimento no cultivo de populações de fitoplânctons, com escória de

aciaria, poderá ter um efeito alternativo, tanto na composição das espécies,

como na produção (NAKAMURA et al., 1998). De acordo com os autores, como

a escória de aciaria não tem nitrogênio em sua composição, o uso da escória

de aciaria como nutriente no cultivo de algas, pode ser viabilizado pelo

enriquecimento de uma solução de escória com o nitrogênio. Este

procedimento não causa dano ao meio ambiente e, além disso, traz o benefício

da alternativa de aplicação desse resíduo.

47
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

2.6. Métodos de avaliação da expansibilidade das escórias de

aciaria

Devido às limitações do uso da escória de aciaria, principalmente pelo seu

elevado grau de expansibilidade, vários métodos para a avaliação e

quantificação desse fenômeno têm sido desenvolvidos no decorrer dos anos.

Contudo, os métodos tradicionalmente utilizados foram adaptados para atender

aos requisitos de compacidade e estabilidade volumétrica em solos para

pavimentação. A utilização desses métodos é justificada, pois a principal

utilização da escória de aciaria é como agregado para base e sub-base de

rodovias.

Porém, além de estarem surgindo novas aplicações para a escória de aciaria

que exigem um controle mais rigoroso do fenômeno, deve-se considerar que a

sua expansão ocorre devido à sua elevada reatividade com a água, havendo,

portanto, a necessidade de um método que considere esse efeito.

Os métodos tradicionais tomam como base a norma ASTM D 698, que

prescreve o ensaio de compactação de solos determinado pela relação entre a

água contida no solo e a unidade de massa seca do solo, traduzido na curva de

compactação. Estes ensaios utilizam corpos-de-prova cilíndricos, e as medidas

de expansão são lidas nos corpos-de-prova submersos em água e estimadas

em função do aumento no seu comprimento vertical. As adaptações desse

método foram feitas através da norma japonesa JIS A 5015/92, na Pensilvânia

48
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

com o método PTM 130/78 e pelo método ASTM D 4792/95. No Brasil, esse

método é adaptado pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem

(DNER) nas normas ME 228/89 e M 192/89.

Dos métodos tradicionalmente utilizados os mais importantes são:

a) a norma JIS A 5015/92 — apresenta um método de ensaio e critérios de

expansão para as escórias de aciaria. Nele os corpos-de-prova são

submersos em água e sujeitos a ciclos de aquecimento diário de 6 horas, a

uma temperatura de 80 °C;

b) o método de ensaio do Departamento de Transportes da Pensilvania no

PTM 130/78, adaptado pelo DMA-1/DER–MG/92 (Departamento de

estradas de Rodagem de Minas Gerais)- de acordo com o DNER – DPT

49/64 — consiste na imersão em água quente (71 ± 3)°C de corpos-de-

prova cilíndricos e na leitura vertical da sua variação volumétrica;

c) ASTM D 4792/95 (Potential Expansion of Aggregates from Hydration

Reactions). Consiste na imersão dos corpos-de-prova em água à

temperatura de (71 ± 2) °C e na leitura da variação volumétrica dos mesmos

em função do aumento vertical do corpo-de-prova.

Outros métodos alternativos para a avaliação da expansibilidade de concretos

também podem ser adaptados para a avaliação da expansibilidade nas

escórias de aciaria, levando-se em consideração a elevada reatividade do

material, tais como:

49
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

a) o método ASTM 1260/94, de avaliação do potencial da reatividade a álcali

de agregados;

b) o método NBR 11582/91, para determinação da expansibilidade nas

agulhas de Le Chatelier em cimento Portland.

Os métodos de avaliação de agregados baseiam-se, em sua maioria, na

determinação da expansão por penetração de água no material, e têm por base

adaptações da avaliação da expansibilidade em solos ou concretos. Contudo,

não é feita uma caracterização química a fim de correlacioná-la com o aumento

de volume das escórias de aciaria.

As diferenças nos procedimentos apresentadas pelos métodos de ensaio

podem ser evidenciadas a partir da grande dispersão dos resultados de

expansão da escória de aciaria apresentados por diversos autores.

Observou-se, através do método ASTM D 4792/95, que escórias de aciaria

com densidade entre 3,53 e 3,58 g/cm3, teores de CaO total de 41,5 % e 45,3

%, e com teores de cal livre entre 3,0 % e 4,7 %, apresentam um grau de

expansão de 1 %, em 168 horas de ensaio (COOMARASAMY e WALZAK,

1995).

GUMIERI et al. (1999), através do método de ensaio JIS A 5015/92, verificaram

que escórias de aciaria do tipo LD, com densidade de 3,57 g/cm3, teores de

CaO total de 40,9 % e um teor de cal livre de 5,8 %, apresentaram graus de

expansão intermediários, de 1,5 %, em 240 horas e 2,0 %, em 720 horas.

50
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 2

Por outro lado, EMERY (1978), utilizando um procedimento baseado no

método de Proctor (ASTM D 698/91), verificou que o grau de expansão da

escória de aciaria com densidade entre 3,2 e 3,5 g/cm3 e 3,3 % de CaO livre foi

dos mais elevados, entre 5 % e 9 %, a 82 °C e entre 1,5 % e 4,0 %, a 60 °C,

em 168 horas.

Essas diferenças são decorrentes da diversidade de condições experimentais

dos métodos de ensaio e da grande heterogeneidade do material. Contudo,

todas as técnicas utilizadas constatam a instabilidade dimensional das escórias

do tipo LD e a necessidade de critérios mais rígidos de avaliação do fenômeno.

51
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Capítulo 3

3. Trabalho experimental

Neste capítulo, será apresentada a metodologia adotada para caracterização

física e química das escórias de aciaria, bem como a avaliação do seu

potencial de expansão. Para tal, foram utilizadas amostras de dois lotes de

escória de aciaria a oxigênio, fornecidos por uma das siderúrgicas nacionais.

Estes foram preparados, caracterizados e submetidos ao ensaio de

expansibilidade pelo método ASTM D 4792/95 (Potencial de expansão de

agregados em reações de hidratação) e pelo método prescrito na norma

DNER − ME 228/89 e M 192/89. Adicionalmente, utilizaram-se os métodos

adaptados para determinação da expansão em concretos: ASTM C 1260/94,

para determinação do potencial de reatividade álcali− agregados e

NBR 11582/91, para determinação da expansibilidade por Le Chatelier. Nas

avaliações da expansibilidade, a escória foi utilizada como agregado. Apesar

das dificuldades de se quantificarem as diferentes fases da escória de aciaria,

foi feita uma tentativa de relacionar os resultados de expansibilidade com o teor

de cada uma das espécies químicas identificadas.

52
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

3.1. A caracterização das escórias de aciaria

A caracterização das escórias de aciaria fez-se de acordo com as técnicas de

ensaio mostradas na literatura descrita no capítulo 2. A quantidade de CaO

presente na escória de aciaria foi estimada por difração de raios X, como

mostrado por MONTGOMERY e WANG (1991) e COOMARASAMY e WALZAK

(1995), associada ao método da termogravimetria (TG/DTG) e ao ensaio com o

etilenoglicol (KNELLER et al., 1994; NBR 7227/82). A identificação dos

compostos na escória foi realizada por análise térmica (TG/DTG e DTA) e por

difração de raios X.

O tratamento das amostras seguiu o procedimento adotado por GOLDRING e

JUCKES (1997) e consistiu na moagem e classificação do material, à medida

que os trabalhos laboratoriais evoluíram. Acredita-se que a pré− moagem

provoque alterações no material, em conseqüência do aumento na superfície

específica de exposição ao ar. Contudo, a moagem do material foi realizada em

todo o lote coletado, a fim de se fazer a separação de uma amostra

representativa.

3.2. Materiais e métodos

Nesta etapa do trabalho, são descritos os materiais utilizados e a metodologia

adotada para caracterização e determinação da expansibilidade das escórias

de aciaria, conforme mostrado na Figura 3.1.

53
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

ESCÓRIA DE ACIARIA

Caracterização Fisico-química e Microestrutural Avaliação da Expansibilidade

Química Física Microestrutural ASTM D 4792/95


(CBR convencional)

DNER ME 228/89 e M 192/89


Análise Química Classificação granulométrica Difração de raios X (DRX) (Mini-CBR)
(Etilenoglicol e FRX)

Análise Térmica Densidade Determinação do efeito


(TG/DTG) da sobrecarga de ensaio

Separação Magnética Determinação do efeito da


Umidade de compactação

DTA ASTM C 1260/94


(Transformações de fase) (Barras prismáticas)

NBR 11582/91
(Agulhas de Le Chatelier)

Efeito do tamanho dos CPs


(ASTM D 4792/95 X Mini-CBR)

ANÁLISE DA RELAÇÃO
COMPOSIÇÃO QUÍMICA X PROPRIEDADES FÍSICAS

CONCLUSÕES

Figura 3.1. Fluxograma representativo do trabalho experimental

3.2.1. Materiais

Para avaliar a expansibilidade das escórias de aciaria a oxigênio, dois lotes L01

e L02 foram submetidos à caracterização física e química. A escória do lote

L01, com idade aproximada de 225 dias, permaneceu durante os primeiros três

dias na pilha de estocagem na siderúrgica e, no restante do tempo, (223 dias)

foi mantida em tambor de PVC, contendo um elevado teor de umidade. Por

outro lado, a escória do lote L02, proveniente da mesma siderúrgica, com idade

de, aproximadamente, 150 dias na época do ensaio, permaneceu armazenada

em ambiente seco.

Na confecção das barras prismáticas de argamassa, de acordo com o método

de ensaio ASTM C 1260/94, utilizou-se cimento do tipo CP II- F, que foi

54
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

passado na peneira de No 20, para a retirada dos grãos que apresentavam

sinais de hidratação. A composição química e as propriedades físicas do

cimento são mostrados na Tabela 3.1 e na Tabela 3.2.

Tabela 3.1. Propriedades químicas do cimento utilizado na confecção das


barras prismáticas de argamassa

Óxidos
CPII-F
Nome Fórmula
Anidro silícico SiO2 18,44
Óxido de ferro Fe2O3 3,25
Óxido de alumínio Al2O3 4,10
Óxido de cálcio CaO 58,20
Óxido de magnésio MgO 6,11
Óxido de sódio Na2O 0,18
Óxido de potássio K2O 0,74
Trióxido de enxofre SO3 1,91
Óxido de cálcio livre CaOlivre 1,62
Perda ao fogo 6,52
Resíduo insolúvel (RI) 2,12

Tabela 3.2. Características físicas do cimento utilizado na confecção das


barras prismáticas

Resíduo na peneira 0,075mm (%) 1,8


Finura
Área especifica (m2/kg) 466,0
Início (min) 179,0
Tempo de pega
Fim (min) 277,0
Massa específica (g/cm3) 3,10

55
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

3.3. Métodos de caracterização e ensaio

3.3.1. Caracterização física da escória de aciaria

3.3.3.1. Preparação das amostras para ensaio

A preparação das amostras para a caracterização da escória de aciaria e para

os ensaios de expansão do lote L01 de escória seguiu o fluxograma mostrado

na Figura 3.2.

LOTE DE ESCÓRIA DE ACIARIA


(150 kg)

Moagem em moinho de mandíbula e de rolo

Quarteamento
(150 kg)

Amostra representativa
(150 kg)

Moagem em moinho de bolas ENSAIOS FÍSICOS

Sub-amostra Representativa Ensaios de Expansão Análise Granulométrica


(30 kg) (50 kg) (5 kg)

Separação Magnética Densidade


Análise granulométrica a laser (20 kg) ( 0,5 kg)

ENSAIOS QUÍMICOS

Análise Química DRX Análise Térmica


(200 g) (100 g) (100 g)

Figura 3.2. Fluxograma da preparação e separação das amostras de


escória de aciaria

A amostra do lote L02 já se encontrava moída e classificada, o que tornou

desnecessária a moagem e preparação desse lote.

56
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Moagem e separação da amostra representativa

A moagem da escória de aciaria foi executada em moinhos de mandíbula e

rolo, sendo este último utilizado com a finalidade de se obter uma

granulometria mais fina e aumentar a área específica do material. Em seguida,

quarteou-se todo o material de acordo com o método adotado para separação

de amostra representativa de solos, fazendo-se uma pilha de homogeneização

e amostragem (Figura 3.3). Em seguida, separaram-se três frações da pilha

que, reunidas, num total de 30 kg, foram designadas como sub-amostra

representativa do lote. O restante do material, cerca de 120 Kg, foi separado

em sacos de 10 Kg e estocado em um tambor de PVC em lugar seco.

(a) (b)

Figura 3.3. Preparação da amostra representativa: (a) pilha de


homogeneização da escória de aciaria após a moagem;
(b) quarteamento do material para separação da amostra
representativa

57
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Análise granulométrica

A determinação da distribuição granulométrica das escórias foi executada a

partir de uma fração da amostra e da sub− amostra representativa. As amostras

foram preparadas com granulometria de fácil moagem e que permitissem uma

elevada superfície específica de hidratação do CaO e do MgO. Determinou-se

a classificação granulométrica no peneiramento por via úmida, com as peneiras

de abertura de 3,36 a 0,037 mm, e a laser. Esta última, teve por finalidade a

caracterização do material utilizado na análise química, na análise térmica e na

difração de raios X.

Separação magnética

A separação magnética teve por objetivo a verificação da quantidade de

material magnético presente na escória. Para tal, adotou-se o procedimento de

separação em solos, por meio do qual o material é posto numa esteira rolante e

submetido a dois campos magnéticos. O primeiro campo é gerado por um ímã

permanente, onde fica retido todo o material predominantemente metálico. O

segundo é composto de um ímã de alto campo, que separa o material

contendo pequenas frações magnéticas.

Como foi mostrado na Figura 3.4, o material é depositado num recipiente (a) e,

por vibração, posto em uma fina camada na esteira rolante (b), a fim de ser

facilitada a separação do material metálico. O material é transportado através

da esteira rolante, passando pelo ímã permanente (c) e pelo ímã de alto

58
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

campo (d). O material considerado não metálico é coletado num recipiente

plástico (e).

(a)
(d) (c)

(e) (b)

Figura 3.4. Equipamento para separação magnética da escória de aciaria:


(a) recipiente de alimentação de material; (b) esteira; (c) ímã
permanente; (d) ímã de alto campo; (e) recipiente de captação
da porção não metálica

Determinação da densidade (NBR 6474/84)

Para a determinação da densidade da escória de aciaria, foi utilizado como

referência o método proposto na NBR 6474/84 para a determinação da massa

específica do cimento Portland e de outros materiais em pó em frasco

volumétrico de Le Chatelier. Neste método, adiciona-se ao frasco de Le

Chatelier uma quantidade de xilol, utilizado por não ser reativo com as

escórias, até a marca de 1 cm3. Submerge-se o frasco em banho

termoregulador até a obtenção do equilíbrio térmico. Anota-se, então, a leitura

inicial do líquido (Vi) − a temperatura do banho, 25 °C, não deve variar mais

que 0,5 °C. A quantidade de escória a ser adicionada ao frasco é determinada

59
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

a partir do volume a ser alcançado pelo líquido, devendo ficar entre as marcas

de 18 e 24 cm3, variando de 50 a 70 g. Adicionada a amostra de massa m, o

frasco é submerso novamente no banho, até se alcançar um novo equilíbrio

térmico, e faz-se a leitura do volume final (Vf) na escala graduada. O valor da

densidade (λ) é determinado pela relação m / (Vf - Vi).

3.3.2. Caracterização química e mineralógica da escória de aciaria

Nesta etapa do trabalho, quantificou-se a composição da escória de aciaria em

forma de óxidos e de compostos. A quantificação em forma de óxidos foi feita

através da análise quantitativa total por fluorescência de raios X (FRX), do teor

de cal (CaO) livre pelo etilenoglicol (NBR 7227/89), por técnicas termoanalíticas

como a termogravimetria (TG) / termogravimetria derivada (DTG) e a

determinação do teor de CO2 por gasometria (para quantificação dos

carbonatos presentes no material), conforme a norma MB - 3377 (ABNT, 1990).

Para a caracterização da escória de aciaria por compostos, fez-se uma

avaliação qualitativa por difração de raios X (DRX) e por análise térmica

diferencial (DTA).

O teor de MgO foi determinado associando-se as técnicas de fluorescência de

raios X à análise comparativa das curvas DTG da escória anidra e da escória

hidratada. A determinação do Fe° e da composição mineralógica foi feita por

difração de raios X (DRX).

Para a execução dos ensaios de teor de CO2 e determinação do teor de cal

60
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

livre pelo etilenoglicol, as amostras foram inicialmente peneiradas e

aproveitada a fração passante na peneira No 20, sendo descartado o material

retido, essencialmente metálico.

3.3.3. Técnicas analíticas de quantificação das fases

Nesta etapa do trabalho, aplicaram-se algumas técnicas de caracterização da

escória de aciaria do ponto de vista mostrado na literatura. A Tabela 3.3

apresenta um resumo dos ensaios realizados para a identificação da

composição química da escória de aciaria.

Tabela 3.3. Resumo das técnicas analíticas de caracterização das


escórias de aciaria

Técnica Mecanismo
Resultado
analítica
Análise química
Análise quantitativa total Análise quantitativa total
por
expressa em porcentagem das espécies químicas
fluorescência de
de óxidos (em peso). presentes na escória.
raios X
Dissolução da amostra em
Análise química
etilenoglicol seguida de Determinação do teor de
pelo etilenoglicol
titulação em solução CaOlivre
(NBR 7227/89)
padrão de HCl.
Determinação do anidrido Determinação do teor de
Gasometria carbônico (CO2) pela carbonatos em função do
(MB 3377/90) absorção do CO2 pelo teor de CO2 presente na
Ba(OH)2 amostra
Estabilidade e Determinação do teor das
Análise térmica decomposição térmica dos espécies químicas a partir
(TG/DTG e DTA) compostos presentes na da decomposição térmica
amostra de escória. do material.
Determinação da
composição mineralógica
Difração de raios Determinação qualitativa da
em função das distâncias
X (DRX) composição mineralógica.
interplanares das estruturas
cristalinas.

61
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Caracterização química da escória

A caracterização química da escória foi feita por fluorescência de raios X e por

análise química em etilenoglicol.

A fluorescência é causada pela absorção da energia radiante e reemissão de

uma parte dessa energia sob a forma de radiação, sendo que a radiação

emitida tem comprimento de onda maior do que a absorvida. O princípio de

incidência do feixe e da identificação dos elementos presentes na amostra

seguem o mesmo princípio da lei de Bragg. Na determinação quantitativa, é

medida a intensidade de uma raia característica do elemento em análise. A

composição química global de ambos os lotes de escória de aciaria foi

determinada por fluorescência de raios X, em equipamento modelo PHILIPS

PW− 2404.

Para a determinação do teor de cal livre, utilizou-se como referência o método

de ensaio prescrito na NBR 7227/82. Esta norma especifica a determinação do

óxido de cálcio livre por dissolução em etilenoglicol e subseqüente titulação em

solução padronizada de ácido clorídrico (HCl), utilizando-se a fenolftaleina

como indicador de pH. Deve-se considerar que este método não diferencia

óxido (CaO) de hidróxido [Ca(OH)2] e não determina o cálcio que está

quimicamente combinado em solução sólida com o FeO e o MnO, ou na forma

de silicatos. Em conseqüência disso, este estudo foi complementado através

da análise térmica e difração de raios X.

62
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Determinação do teor de CO2

A determinação do teor de CO2 foi realizada por gasometria em aparelho tipo

Orsat modificado, após a descarbonatação da amostra. Refere-se como Orsat

modificado pois, no método original Orsat, o objetivo é a quantificação dos

teores de carbono, nitrogênio e oxigênio presentes na amostra e, neste caso,

foi determinado somente o teor de carbono na forma de anidrido carbônico

(CO2). Este ensaio foi baseado no método prescrito pela norma MB 3377

(ABNT, 1990).

No forno de calcinação ocorre a decomposição dos carbonatos presentes na

amostra, conforme a equação [6].

CaCO3(s) → CaO(s) + CO2↑ [6]

Por arraste, o N2 leva o CO2 da reação de decomposição [6] até um frasco

lavador, onde o gás é seco pelo ácido sulfúrico (H2SO4). Em seguida, a mistura

gasosa − nitrogênio e gás carbônico − é medida através de uma bureta

volumétrica e obtém-se o volume inicial (V1). Como parte final do procedimento,

o gás é lavado numa solução de hidróxido de bário (Ba(OH)2), pelo qual o CO2

é absorvido, formando o carbonato de bário (BaCO3). Faz-se, então, a medida

final (V2). A diferença entre essas medidas (V1-V2) corresponde ao volume de

CO2 liberado pela amostra (CINCOTTO 1977)

63
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Caracterização por técnicas termoanalíticas

Esta análise é especialmente usada para os estudos quantitativos das

alterações térmicas sofridas pela amostra, principalmente nos produtos de

hidratação como a portlandita (Ca(OH)2) e brucita (Mg(OH)2). Esta técnica

envolve a caracterização do material através das curvas de termogravimetria/

termogravimetria derivada (TG/DTG) e análise térmica diferencial (DTA).

A termogravimetria é uma técnica de análise térmica em que a variação de

massa da amostra é determinada em função da temperatura e do tempo de

ensaio, quando submetida a uma programação controlada de temperatura. As

variações de massa do material são medidas em função da temperatura

através de uma termobalança de alta precisão. As curvas geradas fornecem

informações quanto à estabilidade térmica da amostra, dos compostos

intermediários, assim como da composição do produto final. A termogravimetria

derivada (DTG) é uma derivada da curva TG da variação de massa em relação

ao tempo. Dessa forma, são obtidas as curvas que correspondem à derivada

primeira da curva TG, onde os picos delimitam os máximos das áreas

proporcionais às alterações de massa sofridas pela amostra (MATOS, 1998).

A análise térmica diferencial (DTA) é uma técnica na qual a diferença de

temperatura entre uma determinada amostra e o material de referência

(termicamente estável) é medida em função da temperatura. As variações de

temperatura são devidas às transições de entalpia ou reações endotérmicas ou

exotérmicas. Geralmente, o evento endotérmico é caracterizado por picos

64
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

descendentes e o exotérmico por picos ascendentes (IONASHIRO e GIOLITO,

1997).

As técnicas termoanalíticas permitem a identificação dos fenômenos térmicos

que podem ocorrer num determinado material, tais como: fusão, ebulição,

inversão e destruição na estrutura cristalina, sublimação e vaporização,

reações de desidratação, dissociação ou decomposição, reações de oxidação

e redução entre outras reações químicas ou físicas. Geralmente, as transições

de fase − desidratação, redução e algumas reações de decomposição −

produzem efeitos endotérmicos, uma vez que a cristalização, a oxidação e

algumas decomposições produzem efeitos exotérmicos (KNELLER et al.,

1994).

Observa-se, a partir dos resultados mostrados por KNELLER et al. (1994), por

MATOS (1998) e por MACHADO et al. (1999), que a maioria das curvas

termogravimétricas (TG) indicam, para as escórias de aciaria, dois estágios

principais de perda de massa. O primeiro estágio da reação é causado por uma

liberação da hidroxila da água combinada, conforme as reações [7] e [8]. O

segundo estágio de decomposição dos carbonatos segue-se na liberação do

dióxido de carbono, conforme as reações [9] e [10]. Os teores de Ca(OH)2 e de

CaCO3 podem ser também confirmados pelos resultados obtidos por extração

e titulação em etilenoglicol (KNELLER et al., 1994).

65
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Mg (OH)2 → MgO + H2O↑ (200 °C – 400 °C) [7]

Ca(OH)2 + calor → CaO + H2O↑ (400 °C – 550 °C) [8]

CaCO3 → CaO + CO2 ↑ (550 °C – 850 °C) [9]

MgCO3 → MgO + CO2 ↑ (850 °C – 950 °C) [10]

As curvas TG/DTG e DTA apresentadas no presente trabalho, foram obtidas

em um analisador térmico simultâneo da marca NETZSCH, modelo STA 4091.

Executou-se o ensaio em cadinho de platina, com uma massa de amostra em

torno de 200 mg em atmosfera dinâmica de N2 (200 mL min-1) e taxa de

aquecimento de 10 °C min-1. Antes do ensaio, já com a amostra no analisador,

fez-se vácuo e, em seguida, varreu-se o sistema com N2 para a retirada da

umidade e do ar, mantendo-se o fluxo constante desse gás durante 10 minutos

antes do início do ensaio. Este procedimento tem por finalidade manter o

sistema isento de O2 e, conseqüentemente, evitar o fenômeno de oxidação em

elevadas temperaturas.

Adicionalmente, para orientar a análise dos resultados, foram feitas curvas

termogravimétricas (TG/DTG) das principais espécies químicas presentes na

escória de aciaria (Ca(OH)2, Mg(OH)2 e CaCO3). Estas curvas foram obtidas a

partir da termobalança TGA-50 (Shimadzu). Executou-se o ensaio em cadinho

1
Ensaio executado no Laboratório de Processamento Pirometalúrgico da divisão de metalurgia

do IPT.

66
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

de platina, atmosfera dinâmica de He (100 mL.min-1) e uma taxa de

aquecimento de 10 °C.min-1.

Determinação da composição mineralógica

Alguns compostos inorgânicos apresentam uma estrutura de átomos e

moléculas regularmente distribuídos, denominada estrutura cristalina. As

estruturas cristalinas que não apresentam um arranjo regular de átomos e

moléculas são classificadas como estruturas amorfas, como é o caso do vidro.

A técnica de difração de raios X tem por finalidade a identificação da

composição cristalina de um determinado material2.

A identificação é baseada na interação dos raios X com a amostra. As células

cristalinas são constituídas por planos cristalinos, diretamente relacionados

com o raio atômico de cada um dos átomos e seus tipos de ligação. Cada

mineral tem, portanto, um conjunto de distâncias, chamado distâncias

interplanares. Os picos que aparecem no difratograma são as distâncias

interplanares características dos minerais presentes. Para a identificação

desses minerais, foi utilizado um banco de dados que contém todos os

minerais cristalinos existentes, chamado ICDD-PDF (Powder Diffracton File). A

limitação dessa técnica ocorre para minerais isomorfos (com mesma estrutura

2
Texto elaborado a partir treinamento específico no Instituto de Geociências da Universidade

de São Paulo sob coordenação do M.sc Flávio de Carvalho − responsável pelo laboratório de

difração de raios X.
67
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

atômica) e para minerais com distâncias atômicas parecidas ou bastante

heterogêneos, como o caso da maioria dos resíduos sólidos, já que podem

gerar sobreposição de picos. Porém, a importância desta técnica é a detecção

da composição mineralógica em reticulados muito finos e impossíveis de serem

vistos em microscópio óptico.

A provável composição mineralógica das amostras de escória de aciaria foi

determinada em equipamento Siemens D 5000, sob as condições 30 a 650 (2θ),

com um passo de 0,05 e um tempo para cada ponto de 1 seg. Os dados foram

tratados pelo programa de computador Diffrac AT plus.

A título de exemplo, na caracterização da escória de aciaria por difração de

raios X (DRX), verificou-se a ocorrência de duas fases de cal, a pura (cal livre)

e a combinada em solução sólida. Nesta última, o CaO apresenta-se

combinado com o FeO da seguinte forma: CaO + x % FeO (0 < x < 10 % em

massa). Estas formas podem ser identificadas por difração de raios X (DRX). O

CaO livre é identificado com 2θ = 2,41 e o CaO em estado de solução sólida

com 2θ = 2,38. (MONTGOMERY e WANG, 1991; YU e GONG, 1980).

3.4. Avaliação da expansibilidade das escórias de aciaria a

oxigênio

Conforme se mostrou na Figura 3.1, na determinação do potencial expansivo

das escórias de aciaria, foram utilizados três métodos de ensaio

68
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

tradicionalmente adotados para esta finalidade: ASTM D 4792/95, DNER ME

228/89 e DNER M 198 e dois ensaios adaptados para determinação do

potencial de expansão de cimentos: ASTM C 1260/94 e a NBR 11582/91. O

resumo dos ensaios realizados e das principais condições estabelecidas são

descritos na Tabela 3.4.

Tabela 3.4. Resumo dos ensaios de avaliação da expansão executados no


trabalho experimental

Tempo
Condições de Lote
de *
Método preparação dos N de
ensaio
corpos-de-prova escória
(h)
ASTM D 4792
Ensaios Tradicionais

(CBR ≅ 320 Na umidade ótima (6 %) 2 1


convencional)

Na umidade ótima (6 %) 2
DNER ME 228/89
e ME 192/89 ≅ 320 1
Nas umidades de
(Mini CBR)
compactação de 1
2, 4, 8 e 10 %
Álcali-Agregado Traço de argamassa de
Adaptados

(barras ≅ 70 1 : 2,5 6 1e2


Ensaios

prismáticas) (cimento : escória)


Traço de argamassa de
Agulhas de Le
≅ 320 1 : 2,5 6 1
Chatelier
(cimento : escória)
*
N= Número de corpos-de-prova por ensaio

Adicionalmente, foram verificados também os procedimentos especificados nos

métodos de ensaio tradicionais, tais como: o efeito da sobrecarga de ensaio, o

efeito da umidade de compactação e o efeito das condições de contorno dos

corpos de prova. A metodologia adotada nessas verificações é apresentada na

Tabela 3.5.

69
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Tabela 3.5. Variáveis que influenciam na determinação da expansibilidade


nos ensaios tradicionais

Método
Variável Condições de Lote
adotado Tempo de
analisada preparação dos N* de
como ** ensaio (h)
corpos-de-prova escória
referência
Nas umidades de
U.O 320 compactação de 1 1
DNER ME 2, 4, 8 e 10 %
228/89 e ME Na umidade ótima
192/89*** S 320
(6 %)
2 1
(Mini CBR)
Na umidade ótima
C.C 320 1 1
(6 %)
*
N é o número de corpos-de-prova utilizados no ensaio
**
U.O = umidade ótima de compactação; S = sobrecarga de ensaio; C.C. = Condições de
Contorno
Após a moldagem os corpos-de-prova foram submersos em água a 80 °C.
***

3.4.1. Determinação da umidade ótima de compactação

Este método de ensaio foi desenvolvido para solos argilosos e adaptado para

determinação da umidade de compactação das escórias de aciaria, visando ao

seu uso em pavimentação. Este procedimento foi adotado, conforme

especificado pelas normas ASTM D 4792/95 e DNER ME 228/89 e M 192/89.

Neste método, separam-se amostras com teores de umidade variando

normalmente de 1 % e se determina a umidade na qual o material apresenta

maior compactação. Como procedimento de ensaio, colocou-se uma amostra

de escória dentro de um cilindro com 49,5 mm de diâmetro e altura de 50 mm.

70
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Em seguida, aplicou-se uma energia de compactação intermediária3 e obteve-

se, para um determinado teor de umidade, a densidade do solo seco.

Aumentando a quantidade de água e mantendo constante a energia de

compactação, a densidade aumentou até preencher os vazios possíveis. Nesse

ponto, obteve-se a máxima densidade seca. Ao adicionar-se mais água, esta

não encontra espaços vazios e parte da energia de compactação é absorvida

por esse excesso, pois desenvolve pressões que tendem a separar as

partículas. Dessa forma, tem-se uma menor densidade seca pelo aumento de

espaços vazios na amostra (SENSO, 1979; SOUZA, 1980). Portanto, a

finalidade da compactação de solos é deixar um mínimo possível de vazios de

forma que, quando sujeitos a um carregamento, apresentem menor

deformação (HACHICH et al., 1996).

3.4.2. Determinação da expansibilidade de agregados por reação de

hidratação (Método de ensaio ASTM D 4792/95)

O objetivo desse ensaio é a determinação da expansibilidade de agregados por

hidratação em água. O método de ensaio ASTM D 4792/95 foi adaptado para a

avaliação do potencial de expansão das escórias de aciaria. Neste caso, os

corpos de prova foram moldados em cilindros com dimensões

3
Corpos-de prova moldados em 5 camadas com 12 golpes de soquete (2.270 g) por camada.

71
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

(15,24 ± 0,07) cm de diâmetro e altura de (11,64 ± 0,05) cm, como mostrado na

Figura 3.5a.

Este método de ensaio consiste em avaliar a expansão volumétrica de

amostras compactadas, seguindo os procedimentos gerais do método de

ensaio ASTM D 1883 (no Brasil é conhecido como NBR 9895/87). Para

acelerar as reações de expansão por hidratação do CaO e MgO, as amostras

são submersas em água, a (80 ± 3)°C, por um mínimo de sete dias.

A compactação dos corpos-de-prova é baseada na determinação da densidade

máxima, usando o método de ensaio ASTM D 698/91 (método de umidade

característica de compactação: DNER − ME 228/89), conforme descrito no

item 3.4.1.

Neste ensaio, a classificação granulométrica do material é realizada da

seguinte forma: passa-se o material por uma peneira de 75 mm e descarta-se o

material retido. O passante na peneira de 75 mm e retido na peneira de 19 mm

vai ser substituído por uma quantidade igual de material passante numa

peneira de 19 mm e retida numa de 4,75 mm.

72
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

(a) (b)

Figura 3.5. Aparelho de ensaio: (a) molde com escória imerso no banho
térmico; (b) molde submerso em água a 80 °C

A escória foi homogeneizada e adicionada uma quantidade de água necessária

para a máxima compactação, de acordo com o método prescrito na DNER −

ME 228/89, obtendo-se o valor de umidade de compactação de 6 %. A energia

de compactação utilizada foi intermediária, com preenchimento do molde em

cinco camadas e aplicação de 12 golpes para cada camada, com o soquete

padrão do ensaio CBR (2.270 g). Em seguida, os corpos de prova foram

submersos em água a (80 ± 2) °C e determinada a expansão axial durante,

aproximadamente, 320 horas, conforme aparelho mostrado na Figura 3.6.

73
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Figura 3.6. Esquema de disposição da escória na forma, no ensaio de


expansão em água das escórias de aciaria (JIS A 5015/92)

Depois que as amostras foram imersas em água quente por 30 minutos, para

permitir a expansão térmica dos aparatos, fez-se a leitura inicial no relógio

comparador. As leituras subseqüentes foram feitas, em média, 4 vezes por dia.

O valor da expansão foi determinado através da equação [1]

E (%) = (Li – Lf) x 100 [1],


Li

onde, Li e Lf são, respectivamente, as leituras inicial e final do relógio

comparador, em milímetros. Os cálculos do percentual de expansão diária foi

obtido dividindo-se as diferenças entre as leituras diárias registradas e as

medidas iniciais, através do aumento da amostra em relação à altura do corpo-

de-prova (± 116,43 mm).

74
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

3.4.3. Método ASTM C 1260/94 (Potencial de reatividade a álcalis em

agregados − Método das barras de argamassa)

O método de ensaio ASTM C 1260/94 permite a avaliação no período de 16

dias do potencial expansivo das reações álcali-sílica de agregados em barras

de argamassa. O agregado deve ter a classificação granulométrica de acordo

com a mostrada na Tabela 3.6. Com esse material, confeccionam-se barras

prismáticas de argamassa na proporção de 1 : 2,25 (cimento : agregado − em

massa), em moldes prismáticos de (2,5 x 2,5 x 28,5) cm4. A norma especifica o

uso de uma proporção a/c (água / cimento) de 0,47. O equipamento utilizado

nas moldagens dos corpos-de-prova esta esquematizado na Figura 3.7.

Figura 3.7. Representação esquemática dos moldes das barras


prismáticas

4
As dimensões do molde segue o especificado na NBR 8490/84

75
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Após a moldagem, os corpos-de-prova permaneceram em cura durante

(24 ± 2) horas em câmara úmida, com 95 % de umidade relativa, a 25 ± 2 °C.

Posteriormente, foram submersos em água aquecida a 80 ± 2 °C. Neste

método de avaliação, o aumento do comprimento das barras submergidas é

monitorado ao longo do tempo de ensaio. O grau de expansibilidade foi

determinado pela relação entre a variação do comprimento durante o ensaio e

o comprimento inicial dos corpos de prova (Equação [1]). Nas leituras da

variação de comprimento, as barras foram retiradas do banho e, num intervalo

de tempo inferior a 15 segundos, fez-se a leitura. Este procedimento foi

adotado pois, quando a barra de argamassa permanece por um tempo superior

a 15 segundos fora do banho térmico e expostas ao ar, começa a apresentar

pequena retração por perda de água através da evaporação.

Tabela 3.6. Graduação requerida do agregado

Abertura da peneira #
Massa (%)
Passa Retido
o
4,75 mm (N 4) 2,36 mm (No 8) 10
2,36 mm (No 8) 1,18 mm (No 16) 25
1,18 mm (No 16) 600 µm (No 30) 25
600 µm (No 30) 300 µm (No 50) 25
300µm (No 50) 150 µm (No 100) 15

76
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

3.4.4. Método de ensaio DNER − ME 228/89 e M 192/895

Para execução desses ensaios, adotaram-se os procedimentos prescritos no

métodos DNER – ME 228/89 e M 192/89. Estes métodos estabelecem um

processo de determinação do índice suporte Califórnia (CBR) e da

compactação de solos em equipamento miniatura, respectivamente. O método

proposto pelo DNER – ME 228/89 contém um procedimento de compactação

dinâmica de solos em equipamento miniatura, cilíndricos, com 49,5 mm de

diâmetro e 50 mm de altura. O método de ensaio M 192/89 estabelece o

procedimento para a determinação do índice de suporte mini - CBR, utilizando-

se uma energia intermediária. Esta energia de compactação é executada em

corpos-de-prova na densidade máxima, com aplicação de 5 golpes de soquete

leve (2.270 g). No ensaio de imersão, o corpo-de-prova permanece submerso

em uma lâmina de água, até que 5 mm dela fique sobre o molde, verificando-

se, assim, a expansão destes através de um dispositivo de leitura vertical.

Este ensaio foi adaptado para a determinação da expansibilidade das escórias

de aciaria em tempo muito superior ao proposto pelo método. É especificado

pela norma um período de imersão de apenas 20 horas, porém o ensaio foi

adaptado e executado em um período de tempo de, aproximadamente, 320

horas (Tabela 3.4).

5
Também conhecido como Mini- Proctor.

77
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

Adicionalmente, observou-se pelo método DNER − ME 228/89 e M 192/89 o

efeito da umidade ótima de compactação e da sobrecarga especificados nos

métodos tradicionais na avaliação da expansibilidade da escória.

• Determinação do efeito da umidade ótima de compactação na

expansibilidade das escórias de aciaria

Foram moldados corpos-de-prova com 0, 2, 4, 6, 8 e 10 % de umidade na

compactação. Para este ensaio, utilizaram-se corpos-de-prova cilíndricos de

mesmas dimensões descritas no método de ensaio DNER – ME 228/89 −

determinação de compactação de solos em equipamento miniatura, conforme

os procedimentos descritos no item 3.5.1.

• Determinação do efeito da sobrecarga na expansibilidade das

escórias de aciaria

Nos ensaios tradicionais para determinação da expansibilidade das escórias de

aciaria (ASTM D 4792/95 e DNER ME 228/89), utilizou-se uma sobrecarga de

ensaio nas medidas axiais da expansão dos corpos de prova. Verificou-se que

esta sobrecarga (490 g) tem influência nas medidas da expansibilidade e

mostra a existência de uma tensão de expansão gerada pela escória durante a

hidratação. O ensaio foi executado sob as mesmas condições descritas na

norma DNER – ME 228/89, com a determinação da compactação de solos em

equipamento miniatura − em corpos de prova com e sem sobrecarga.

78
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

3.4.5. Método de ensaio segundo a NBR 11582/91 (Método das agulhas de

Le Chatelier)

O ensaio que utiliza as agulhas de Le Chatelier foi executado de acordo com o

procedimento prescrito no método de ensaio NBR 11582/91. Para tanto,

moldaram-se corpos-de-prova cilíndricos com 30 mm de diâmetro e 30 mm de

altura, fendidos segundo uma geratriz, onde se estendem duas agulhas de

150 mm de comprimento, com a extremidade em bisel (Figura 3.8). A

expansibilidade dos corpos-deprova foi determinada pela medida do

afastamento das extremidades das agulhas em função do aumento no diâmetro

do cilindro.

Figura 3.8. Agulha de Le Chatelier (NBR 11582/91)

Na confecção dos corpos-de-prova, utilizou-se uma argamassa confeccionada

de acordo com o método ASTM C 1260/94. Após a moldagem, as agulhas

foram submersas em água à temperatura de (23 ± 2) °C, por um período de 24

horas. Em seguida, foram submersas novamente em água a uma temperatura

de (80 ± 2) °C. O método de ensaio NBR 11582/91 − Determinação da

Expansibilidade de Le Chatelier − recomenda, para cura a quente, ciclos em

que a água entre em ebulição e seja assim mantida durante três horas. No

entanto, neste trabalho as agulhas foram permanentemente submersas na

79
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

temperatura de (80 ± 2) °C, procedimento adotado, tendo em vista a

necessidade de manter as mesmas condições dos demais ensaios e para

melhor comparação dos resultados.

3.5. Comparação entre os métodos de avaliação da expansão

Os métodos tradicionais utilizados na avaliação da expansibilidade das

escórias de aciaria (ASTM D 4792/95, DNER – ME 228/89 e DNER – M

192/89) são muito semelhantes e estão baseados no ensaio de expansibilidade

de solos destinados a pavimentação. Entretanto, não se conhece com maior

profundidade a fundamentação científica desses métodos. Os adaptados para

concretos têm-se mostrado como alternativas para a medida da

expansibilidade, porém, como o seu uso para avaliação das escórias de aciaria

é recente, os critérios de avaliação por estes métodos ainda carecem de

estudos mais aprofundados.

A utilização dos métodos padronizados para determinação da compactação e

expansão de solos justifica-se, principalmente, por causa do uso das escórias

de aciaria em pavimentação. Para esta finalidade, as escórias precisam

atender aos requerimentos de utilização, tais como compactação e estabilidade

volumétrica.

Todavia, nenhum dos métodos acima citados considera as diferentes taxas de

expansão das espécies químicas presentes nas escória de aciaria, o que pode

levar a resultados equivocados. A Tabela 3.7 resume os métodos analisados

80
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 3

no presente trabalho, juntamente com a suas principais características.

Tabela 3.7. Resumo dos métodos de determinação da expansibilidade da


escória de aciaria em condições de imersão em água

Dimensão máxima
Tempo Condições
Método característica da Molde
(Dias) de cura
escória (mm)
Cilíndrico de φ
Submerso
ASTM D (15,24 ± 0,07) cm
7 em água Nd3
4792/95 e uma altura de
(70 ± 3) oC
(11,64 ± 0,05) cm

Submerso
ASTM Prismático de (2,5
3 em água a 4,8
1260/94 x 2,5 x 28,5) cm
80 °C

DNER– Cilíndrico de
Submerso
ME diâmetro (φ) de
12 em água a 2,0
228/89 e 4,95 cm e altura
80 °C
M 192/891 de 5,0 cm
Até haver Cilíndrico de
Submerso
NBR estabilização diâmetro de 3,0
em água a Nd
11582/91 da abertura cm (φ) e altura de
80 °C
das agulhas 3,0 cm
1
Foi tomado como referencia o método de ensaio ASTM D 4792/95.
2
Varia de 20 a 24 horas.
3
Nd (não determinado)

81
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Capítulo 4

4. Resultados e discussão dos resultados

Neste capítulo apresenta-se os resultados da caracterização física e química

da escória de aciaria e da avaliação da sua expansibilidade por diferentes

métodos de ensaio.

4.1. Caracterização física

Como caracterização física, são apresentados os resultados obtidos nas

etapas de moagem, preparação e classificação granulométrica, a separação

magnética, a densidade e a umidade ótima de compactação da escória em

estudo.

4.1.1. Análise granulométrica

A determinação da distribuição granulométrica dos lotes de escória foi

executada por via úmida a partir da amostra representativa do lote. O material

destinado à análise química foi submetido a uma segunda moagem em moinho

de bolas e fez-se a análise granulométrica através da técnica a laser.

Para as amostras do lote L01, uma fração da amostra representativa da escória

82
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

foi utilizada tanto para a análise granulométrica quanto para a análise química.

Os resultados da classificação granulométrica da escória de aciaria estão

mostrados na Figura 4.1.

100
Retido acumulado (%)

80

60

40

20

0
0,01 0,1 1 10

Abertura de malha(mm)

Figura 4.1. Curva granulométrica da escória de aciaria utilizada no lote


L01

A distribuição granulométrica mostrada na Figura 4.1 é característica de um

agregado miúdo semelhante a uma areia grossa com módulo de finura de 2.92.

Na Figura 4.2, pode-se observar a classificação granulométrica da escória do

lote L02. Este material foi utilizado para a caracterização química desse lote e

no ensaio de expansibilidade em barras prismáticas, especificado na norma

ASTM C 1260/94.

83
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

100
Retido acumulado (%)
80

60

40

20

0
0,01 0,10 1,00
Abertura de malha(mm)

Figura 4.2. Curva granulométrica da escória de aciaria utilizada no lote


L02

A distribuição granulométrica do lote L02, mostrada na Figura 4.2 apresenta a

escória de aciaria como um agregado fino, módulo de finura de 1,69.

Portanto, em função do tamanho de partículas, observa-se que o agregado do

lote L02, em relação ao lote L01, possui provavelmente uma superfície

específica maior, sendo assim mais reativo quando em contato com água.

A classificação granulométrica de agregados em função do tamanho das

partículas é mostrado na Figura 4.3.

84
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

0,075 mm 4,8 mm

Concretos e argamassa
Pulverulento Agregado miúdo Agregado graúdo
(NBR 7211, 1983)

Solos / Geotecnia
Argila Silte Areia Pedregulho
(NBR 6502, 1995)

2 µm 0,06 mm 2,0 mm

maioria argilominerais maioria minerais não argilosos


maioria de partícula lamelares maioria de partículas granulares

Figura 4.3. Classificação dos agregados em função do tamanho das


partículas (GOMES, 2000)

Conforme apresentado na Figura 4.3, observa-se que a escória de aciaria

utilizada nos ensaios de expansão (dimensão máxima característica de

3.36 mm) é classificada, segundo a NBR 7211/83 como agregado miúdo, e

como pedregulho segundo a NBR 6502/95. Comparando esta figura com os

resultados apresentados nas Figura 4.1 e Figura 4.2, observa-se que a

dimensão do agregado de escória utilizado nos ensaios de expansão, se

aproxima mais do especificado na versão original da norma ASTM D 698 —

solos argilosos, que o especificado na normas tradicionais, adaptadas para a

escória de aciaria. Visto que, tanto na norma japonesa JIS A 5015 quanto no

ASTM D 4792 é especificada uma distribuição granulométrica com dimensão

máxima característica que varia de 19 a 25 mm.

Na Figura 4.4 tem-se a curva granulométrica do pó de escória de aciaria, obtido

a partir da moagem de uma fração da amostra representativa do lote L01. Este

material foi utilizado para caracterização química da escória anidra e da escória

hidratada. Deve-se ressaltar que no momento da moagem, parte da fração

85
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

metálica da escória, geralmente o material retido na peneira No 20, foi

descartado por não ser possível a sua moagem.

Figura 4.4. Análise granulométrica a laser do pó de escória de aciaria

4.1.2. Separação magnética

Após a moagem de todo o lote L01, uma fração representativa do material foi

submetido a separação magnética. A separação magnética foi executada em

dois níveis de campo magnético — ímã permanente e ímã de alto campo.

Constatou-se que 59,2 % do material é predominantemente metálico e possui

partículas metálicas impregnadas na fração não metálica (Tabela 4.1).

Contudo, nos demais ensaios, manteve-se a composição original da escória

considerando que haveria uma perda elevada de material não metálico, que

permanece preso à fração metálica descartada.

86
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Tabela 4.1. Média da fração metálica presente na escória de aciaria do lote


L01
Campo magnético de separação Fração retida (%)
Ímã permanente 6,8
Ímã de alto campo (i = 6,20 A) 52,5
Material não magnético 40,8

4.1.3. A densidade da escória de aciaria pelo frasco de Le

Chatelier (NBR 6474/84)

Após a separação magnética, foi feita a determinação da densidade tanto para

as frações metálicas e não metálicas quanto para a escória de composição

original, utilizada nos ensaios de expansibilidade. Estes resultados são

mostrados na Tabela 4.2.

Tabela 4.2. Determinação da densidade da escória de aciaria a oxigênio


pelo frasco de Le Chatelier
Fração da amostra Média
Massa Vi (mL) Vf (mL) γ
(g/mL)
de escória (g/ml)
Fração magnética 93,9 0,7 19,8 4,9 4,9
Fração fracamente 65,0 0,6 18,4 3,7
3,7
magnética 70,0 0,5 19,7 3,7
Material utilizado 66,2 1,1 19,9 3,5
nos ensaios de 70,1 0,8 20,6 3,5 3,5
expansibilidade 69,3 0,7 20,2 3,6

De acordo com os resultados apresentados na observa-se que a separação

magnética é um método pouco preciso para a separação da fração metálica da

não metálica nas escórias de aciaria. Visto que, a escória de aciaria possui um

valor de massa específica muito superior aos agregados naturais, como a areia

e pedregulho, cujas massas específicas variam de 2,0 a 3,0 g/ml (METHA e

87
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

MONTEIRO, 1994). Tendo em vista os resultados da densidade da fração

magnética (4,9 g/mL), da não magnética (ou fracamente magnética) (3,7 g/mL),

e do ferro metálico (7,95 g/mL), constata-se que, a elevada densidade da

escória de aciaria é conseqüência do elevado teor de ferro metálico que,

mesmo após esta separação, ainda permanece impregnado à fração não

metálica da escória de aciaria. Uma vez que, segundo a literatura, a fração não

metálica da escória de aciaria é constituída basicamente por silicatos,

hidróxidos de cálcio e magnésio, carbonatos de cálcio e magnésio e um baixo

teor de fosfatos e aluminatos que têm a estrutura cristalina bem definida e as

densidades semelhantes ao agregado natural. Em virtude disto, e devido a

dificuldade de separação da fração metálica da não metálica, foi utilizado nos

ensaios de expansão a escória com a sua composição original.

4.2. Caracterização química

Conforme mencionado no capítulo anterior, a caracterização química foi

realizada através da análise química global da escória e da determinação da

composição mineralógica.

A determinação do teor de cal livre na escória teve como resultado um teor de

4,7 % para o lote L01 e 6,5 % para o lote L02. Os resultados dessas análises

estão apresentados na Tabela 4.3, na qual é possível observar tanto a

composição química global, quanto o teor de cal livre de ambos os lotes.

88
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Tabela 4.3. Composição química dos lotes de escória de aciaria L01 e L02
analisados e outras composições típicas fornecidas pela
mesma siderúrgica

Espécies químicas (% massa)


Escória
LD Cal
Fetotal CaO SiO2 Al2O3 P2O5 MgO MnO S
livre
L01 23,0 37,5 12,0 3,2 1,2 9,3 5,6 - 4,7

L02 21,0 41,4 10,0 1,7 1,6 9,6 5,6 - 6,5


Típico do
21,9 39,6 11,3 1,5 1,5 9,6 6,0 0,06 -
processo*
*
Média de diferentes lotes da mesma siderúrgica (BURGOS et al, 1999).

Observa-se , a partir dos resultados apresentados na Tabela 4.3 o elevado teor

de Fe e CaO e MnO que constitui a escória de aciaria. O elevado teor de CaO,

cerca de 40 %, favorece a precipitação do CaO durante o refino e a ocorrência

dessa espécie no estado livre − teores de 4,7 e 6,5 %.

Adicionalmente, em função do teor de SiO2 e de CaO, originada na matéria-

prima do refino, pode-se calcular a basicidade (CaO/SiO2) desses lotes de

escória, que resulta em valores que variam aproximadamente entre 3 e 4.

Estes resultados caracterizam um tipo de escória básica e, em virtude da

elevada basicidade, não permite a formação de vidro quando resfriada

bruscamente.

4.2.2. Determinação do teor de CO2

O teor de carbonatos presente na escória de aciaria foi determinado por

89
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

gasometria, em função do teor de CO2 liberado na decomposição térmica do

material, segundo o método proposto na ABNT − MB 3377/90. Estes resultados

são mostrados na Tabela 4.4. Verificou-se uma pequena quantidade de

anidrido carbônico liberado, indicando um baixo teor de carbonatos na escória

de aciaria estudada.

Tabela 4.4. Determinação do teor de CO2 presente na escória anidra e na


escória de aciaria hidratada do lote L01
Teor de CO2
Amostra Média
(%)
0,920
Anidra 0,843 0,920
0,997
1,023
Hidratada 1,077 1,004
0,911

Este ensaio foi executado em atmosfera dinâmica de N2 para três amostras de

escória anidra e três de escória hidratada. Na escória hidratada, observou-se

um teor de carbonatos 9,13 % superior à anidra. A carbonatação das amostras

hidratadas é maior em decorrência do maior teor de produtos hidratados

presente neste material.

A presença de carbonatos na escória também foi confirmada pela dissolução

do material em ácido clorídrico, visto que a reação da amostra de escória com

o ácido clorídrico (HCl) apresentou efervescência característica da reação do

ácido com os carbonatos. Foi observado também um precipitado, sólido, de cor

esbranquiçada que, segundo JONES (1987), é característica do teor SiO2

presente no material.

90
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

4.2.3. Caracterização por técnicas termoanalíticas (TG/DTG e

DTA)

Nesta etapa do trabalho a termogravimetria (TG) / termogravimetria derivada

(DTG) e a análise térmica diferencial (DTA) foram usadas com a finalidade de

caracterizar as escórias de aciaria através do seu comportamento sob

tratamento térmico, detalhando eventuais reações.

Na Figura 4.5, observa-se as curvas TG/DTG de perda de massa do lote de

escória L01.

Figura 4.5. Curvas TG/DTG da escória de aciaria pertencente ao lote L01,


sob atmosfera dinâmica de N2 (200mL/min) e taxa de
aquecimento de 10 °C.min-1

91
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Os valores das principais perdas de massa desse material são mostrados na

Tabela 4.5.

Tabela 4.5. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra


L01 anidra
Intervalo de Perda de
Espécie química Nomenclatura
temperatura (°C) massa (%)
H2Olivre Água livre 25 − 150 0,80
Mg(OH)2 Brucita 150 − 468 0,63
Ca(OH)2 Portlandita 468 − 517 0,77
Carbonatos de cálcio
CaCO3 ou MgCO3 517 − 733 0,61
ou magnésio
Outras perdas 733 − 1550 0,17
Total 25 − 1550 2,98

Observa-se, na Tabela 4.5, que a perda de massa total da amostra anidra na

faixa de temperatura de 25 a 1550 °C é de 2,98 %. Esse valor, para as escórias

de aciaria, é característico da perda de água livre da decomposição da brucita,

da portlandita e dos carbonatos de cálcio e magnésio. Esses produtos

hidratados, encontrados no material considerado anidro, são decorrentes da

forma de resfriamento da escória e da exposição do material à umidade do ar

durante a estocagem. Os 0,17 %, observados entre as temperaturas de

1300 °C a 1550 °C deve-se, principalmente, à decomposição térmica dos

carbonatos, porém este evento não foi detectado nos estudos com escorias de

aciaria.

Na Figura 4.6, observa-se as curvas TG/DTG da escória do lote L02. Da

mesma forma que no lote L01, a partir de 200 °C, observa-se a decomposição

do hidróxido de magnésio [Mg(OH)2], pico definido em 450 °C, e do hidróxido

92
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

de cálcio [Ca(OH)2], em 550 °C.

Figura 4.6. Curvas TG/DTG da escórias de aciaria pertencente ao lote L02,


sob atmosfera dinâmica de N2 (200 mL.min-1) e taxa de
aquecimento de 10 °C.min-1

As principais perdas de massa identificadas no lote L02 são mostradas na

Tabela 4.6.

Tabela 4.6. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra


L02 anidra.
Intervalo de Perda de
Espécie química Nomenclatura
temperatura (°C) massa (%)
H2Olivre Água livre 25 − 200 0,64
Mg(OH)2 Brucita 200 − 350 0,69
Ca(OH)2 Portlandita 350 − 550 0,85
Carbonatos de cálcio
CaCO3 ou MgCO3 550 − 850 0,51
ou magnésio
Total 25 − 1550 2,69

93
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Na Figura 4.7 é apresentado de forma comparativa o comportamento térmico

das escórias dos lotes L01 e L02. Como foi dito anteriormente, a escória do lote

L01 permaneceu exposta à umidade, por um período maior de tempo, o que

justifica a redução nas perdas de massa total de 2,98 % para 2,69 %,

respectivamente. O fato se deve às reações de hidratação ocorridas no período

de estocagem, que justifica a maior quantidade de produtos de hidratação

encontrados na escória do lote L01 em relação às escórias do lote L02. Dessa

forma, pode-se confirmar o efeito do grau de exposição da escória à umidade e

ao CO2 do ar.

Em ambos os lotes de escória, observa-se uma menor perda de massa, a partir

da temperatura de 850 °C até 1300 °C, com pico geralmente definido em

1100 °C. Acredita-se que nesse trecho da curva esteja registrada a perda de

massa referente à decomposição do carbonato de cálcio (CaCO3), decorrente

da exposição do material à umidade e ao CO2 do ar.

De maneira geral, em relação ao lote L01, de 850 °C até 1550 °C, observa-se

uma menor perda de massa, devido, principalmente, a decomposição dos

carbonato de cálcio.

Na curva DTA apresentada na Figura 4.7 são observados cinco picos

endotérmicos característicos. O primeiro, a 200 °C, se deve à saída da água

livre presente na escória. O segundo, em 450 °C, corresponde ao início de

decomposição dos produtos hidratados; o terceiro, em 1200 °C, decorrente da

fusão do material; o quarto, em 1550 °C, a mudança nas condições de

94
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

temperatura no equipamento e o quinto, no resfriamento, corresponde ao ponto

de solidificação da escória. Estes eventos podem ser confirmados a partir do

diagrama de fase ternário da escória em função dos seus constituintes

principais (CaO – FeO – SiO2).

Figura 4.7. Comparação entre as escórias do lote L01 e L02 anidras, em


atmosfera dinâmica de N2 (200 mL min-1) e taxa de aquecimento
de 10 °C.min-1

No perfil das curvas DTA das escórias dos lotes L01 e L02 (Figura 4.7),

observa-se grande similaridade no comportamento térmico que envolve as

reações de decomposição, fusão e solidificação da escória, confirmando a

identidade química de ambos os lotes.

Para melhor identificação dos resultados apresentados nas curvas da escória

de aciaria, foram feitas, separadamente, curvas TG/DTG do hidróxido de cálcio,

hidróxido de magnésio e de uma mistura contendo hidróxidos de cálcio e

95
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

magnésio e carbonato de cálcio. Na Figura 4.8, pode-se observar que a

decomposição a do hidróxido de cálcio acontece na faixa de temperatura de

400 °C e 550 °C, enquanto que o hidróxido de magnésio entre 340 °C e 430 °C

e o carbonato de cálcio se decompõe à temperatura de 530 °C a 850 °C.

Observa-se na curva do hidróxido de cálcio uma perda de massa característica

do carbonato de cálcio. O fenômeno ocorreu pela exposição do material ao

CO2 do ambiente. A curva designada como mistura 1 refere-se a uma

composição de hidróxido de cálcio, hidróxido de magnésio e carbonato de

cálcio, nas proporções de 1 : 1: 0,5, respectivamente.

Figura 4.8 Curvas TG/DTG comparativas do hidróxido de cálcio,


hidróxido de magnésio, e da mistura 1 em atmosfera de He
(100 mL.min-1) e taxa de aquecimento de 10 °C.min-1

96
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

4.2.4. Caracterização por difração de raios X (DRX)

Os principais compostos cristalinos encontrados na escória de aciaria, tanto

para o lote L01 como para o lote L02, foram: larnita (Ca2SiO4); hematita

(Fe2O3); wüstita (FeO); silicato de cálcio, ferro e magnésio

(Ca2Fe1,2MgO0,4Si0,4O5− CMIS); gismondina (CaAl2Si2O8.4H2O); óxido de cálcio

(CaO); portlandita (Ca(OH)2). Na Figura 4.9 e na Figura 4.10 é mostrada a

composição mineralógica da escória de aciaria anidra, lotes L01 e L02. CMIS


Larnita

Wüstita
Hematita
Gismondina

Larnita

CMIS
Larnita
Gismondina

Wüstita
Wüstita
Gismondina

CaO
Hematita

Larnita

Hematita
Larnita

Larnita
Larnita

CaO

CaO
CMIS

7 10 20 30 40 50 60

2-Theta - Scale

Figura 4.9. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L01 − anidra

As escórias dos lotes L01 e L02 possuem, respectivamente, 23 % e 21 % de

Fetotal (Tabela 4.3), contudo, observa-se que níveis mais altos de oxidação do

ferro (Fe2O3) aparecem de forma mais intensa no difratograma da escória do

97
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

lote L02 (Figura 4.24). Existem duas hipóteses que podem justificar o fato: a

primeira é que, embora a escória do lote L01 tenha permanecido mais tempo

exposta à umidade e ao ar, a escória do lote L02 pode ter sofrido corrosão

mais facilmente, devido à sua granulometria de estocagem ser mais fina; a

segunda hipótese é que o ferro pode estar mais quimicamente combinado no

lote L01 que no lote L02, gerando menos produtos de oxidação e corrosão.

Com relação às outras espécies químicas presentes na escória pode-se afirmar

que ambos os lotes possuem características mineralógicas semelhantes. Foi

observado também que o material anidro possui um baixo teor de produtos

hidratados, confirmados no baixo valor da perda de massa apresentada nas

curvas TG/DTG (Figura 4.7).


Hematita

Wüstita

Hematita
Larnita

CMIS

Wüstita
Wüstita
Gismondina

Larnita

Hematita
Larnita

Hematita
CMIS

CaO
Gismondina

CaO
Larnita
Gismondina
Hematita

Hematita

Larnita
Larnita
CaO
Larnita
CMIS

4 10 20 30 40 50 60

2-Theta - Scale

Figura 4.10. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L02 − anidra

98
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

4.3. A expansibilidade das escórias de aciaria

Nas avaliações do potencial expansivo da escória de aciaria utilizou-se os

métodos de ensaio indicado pela ASTM D 4792/95, potencial de expansão de

agregados por reações de hidratação, o método proposto pelo DNER – ME

228/89 e M 192/89, o método proposto pela NBR 11582/91, determinação da

expansibilidade de Le Chatelier, e o método de ensaio álcali− agregado,

tomando-se como referência o método de ensaio da ASTM 1260/94.

4.3.1. Determinação da umidade ótima de compactação para os

ensaios de expansão

De acordo com o procedimento proposto nos métodos de ensaio

ASTM D 4792/95 e DNER ME 228/89 e M 192/89, para a moldagem dos

corpos-de-prova foi determinada a umidade ótima de compactação tomando-se

como referência o método de ensaio ASTM D 698/91. De acordo com o perfil

da curva de compactação, conforme a Figura 4.11, a escória tem um

comportamento semelhante a um solo arenoso. Neste caso, o valor de

umidade ótima de compactação adotada foi de 6 %, pois os corpos-de-prova

com umidade inferior ao da umidade ótima apresentaram elevada

pulverulência, e os com umidade superior a 6 % desagregaram, impedindo a

sua manipulação e compactação.

99
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.11. Curva de determinação da umidade ótima de compactação da


escória de aciaria

De acordo com os resultados apresentados na curva de compactação,

observa-se a diferença entre a densidade máxima de compactação (γ= 2,38) e

mínima (γ= 2,28) é de apenas 4 % e não pode ser considerada representativa.

4.3.2. Expansibilidade pelo método de ensaio ASTM D 4792/95

Os resultados da expansão acumulada dos dois corpos-de-prova em função do

tempo, obtidos no método de ensaio ASTM D 4792/95 da escória de aciaria do

lote L01, são apresentados na Figura 4.12.

O método de ensaio proposto pela ASTM D 4792/95 foi adaptado com relação

à granulometria do material. A distribuição granulométrica da escória utilizada

neste ensaio é a mostrada na Figura 4.1.

100
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.12. Expansão (em% do comprimento inicial) determinado pelo


método de ensaio ASTM D 4792/95

Na Figura 4.12 destacam-se dois estágios principais: o primeiro, que

compreende o trecho até as primeiras 60 horas, corresponde à hidratação

inicial da escória com uma expansão média de 3,5 %. No segundo estágio,

entre 60 e 270 horas, o material apresenta uma expansão da ordem de 2 %.

Desse ponto até as 320 horas ocorre um pequeno aumento volumétrico com

uma diferença entre 270 e 320 horas de apenas 0,1 %.

Após a execução desse ensaio, observou-se que a escória aglomera sendo

difícil a desmoldagem do corpo-de-prova devido a sua adesão às paredes do

molde, apesar de ter sido aplicada vaselina como desmoldante, como sugerido

pela norma. Contudo, para retirada do material para as análises da escória

hidratada, foi necessário utilizar um ponteiro e uma marreta para quebrar os

torrões que estavam presos dentro do molde.

101
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

4.3.3. Medida da pelo método mini-Proctor

Este ensaio consistiu em uma adaptação do ASTM D 4792/95 ao equipamento

miniatura especificado no método DNER — ME 228/89 e M 192/89, conhecido

no Brasil como mini-Proctor. As condições de moldagem, cura e granulometria

foram as mesmas utilizados na execução dos ensaios no método ASTM D

4792/95. O principal objetivo na execução desse ensaio, foi a determinação da

influência das dimensões dos corpos-de-prova nas medidas da expansão. Os

resultados da expansão da escória de aciaria em função do tempo são

mostrados na Figura 4.13.

No ensaio foram utilizados dois corpos-de-prova com a finalidade de verificar a

reprodutibilidade dos resultados. Na Figura 4.13 pode-se observar dois trechos

distintos: o primeiro, nas primeiras 50 horas, é registrada uma expansão de

4,8 %, o segundo, de 50 até 320 horas, observa-se uma acréscimo de

expansão de apenas 1,6 %. Verifica-se também que os corpos-de-prova se

comportam de maneira similar e as pequenas diferenças de comportamento

ocorridas não são significativas.

102
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.13. Expansão de corpos-de-prova pequenos sujeitos a cura à


80 oC tomando-se como referência o método de ensaio ASTM D
4792/95

4.3.4. Medida da expansibilidade pelo método de ensaio

ASTM C 1260/94

Este ensaio é uma adaptação do método da reatividade álcali-agregado, que

tem por objetivo detectar o potencial de expansão devido a essas reações em

concreto. Adotou-se como referência o método de ensaio ASTM 1260/94. Este

método prevê o uso de argamassa confeccionada com escória de aciaria na

proporção de 1 : 2,5 (cimento : escória de aciaria).

Os resultados obtidos nos ensaios de expansibilidade das escórias de aciaria

dos lotes L01 e L02 estão apresentados, respectivamente, na Figura 4.14 e na

Figura 4.15. Conforme se observa nas figuras citadas, para a determinação da

103
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

expansibilidade da escória do lote L01 foram empregados o dobro de corpos-

de-prova (6 amostras) que no caso da escória do lote L02 (3 amostras), tendo

em vista o maior tempo de exposição à umidade a que foi submetido o primeiro

lote.

Figura 4.14. Expansão de barras prismáticas de argamassa à base da


aciaria do lote L01

Figura 4.15. Expansão de barras prismáticas de argamassa à base da


aciaria do lote L02

104
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Na Figura 4.14 e na Figura 4.15 é possível observar que a variação do grau de

expansão, tanto dos corpos-de-prova com escória do lote L01, como dos

corpos-de-prova confeccionados com escória do lote L02, foi semelhante em

ambos os casos. Nos resultados apresentados distinguem-se basicamente três

estágios característicos: no primeiro, observa-se uma rápida elevação do grau

de expansão, no segundo, a expansão dos corpos-de-prova permanece

praticamente constante e no terceiro, o grau de expansão aumenta, atingindo

valores até 14 % de expansão. Tal como se observa na Figura 4.16, neste

último estágio o grau de expansão foi tão intenso que, inclusive, conduziu à

desintegração total das barras em tempos pouco maiores que 50 horas de

ensaio (Figura 4.16b).

(a) (b)

Figura 4.16. Corpos-de-prova elaborados com argamassa de escória de


aciaria e cimento na proporção 1:1,25: (a) antes do ensaio e (b)
após o ensaio de submersão em água a 80 °C por 75 horas

105
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Nos gráficos mostrados na Figura 4.14 e Figura 4.15 constata-se também que,

apesar do comportamento similar, os corpos-de-prova confeccionados com as

escórias de aciaria do lote L02 apresentaram maiores graus de expansão que

os preparados com a escória do lote L01. Tal diferença foi da ordem de 1,0 a

4,0 % no intervalo de 2 a 70 horas.

No lote L01, entre 30 e 50 horas, quando os corpos-de-prova apresentavam

expansão na faixa de 1,2 a 2,0 %, começaram a apresentar fissuras visíveis a

olho nú.

No lote L02, apesar de ambos corpos-de-prova terem apresentado fissuras, o

grau de expansão dos diferentes corpos-de-prova foi muito similar, variando de

1,8 a 4,0 % entre 30 e 50 horas.

Entre 50 e 70 horas, período correspondente ao terceiro estágio, em ambos os

lotes de escória, a expansão prosseguiu tendo ocorrido inclusive a ruptura dos

corpos-de-prova. A grande variabilidade observada neste estágio se deve as

fissuras que provocam inclusive empenamentos nos corpos-de-prova.

4.3.5. Medida da expansibilidade pelo método das agulhas de

Le Chatelier

Para o ensaio com as agulhas de Le Chatelier foi utilizada uma argamassa de

acordo com o proporcionamento dos materiais especificado no método

ASTM C 1260/94 (Potencial da reatividade álcali-sílica em agregados). Como

106
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

aglomerante, utilizou-se um cimento tipo CP II - F e como agregado miúdo na

mistura, a escória de aciaria. O aspecto das agulhas antes e após o ensaio de

expansão são mostrados na Figura 4.17.

(b)

(a) (c)

Figura 4.17. As agulhas de Le Chatelier: (a) antes do ensaio; (b) após o


ensaio de expansibilidade; (c) detalhe da desagregação da
argamassa após a expansão dos corpos-de-prova

Ao final do ensaio (após 320 horas) verificou-se um aumento médio na abertura

das agulhas de Le Chatelier que variou de 6,96 a 61,43 mm. Dessa forma, foi

verificado que o aumento de volume foi muito superior que a expansão de

cimento Portland, pois o limite de abertura das agulhas, prescrito na norma

NBR 5732/91, não deve ser superior a 5 mm. Os resultados da variação da

abertura das agulhas em função do tempo, em corpos-de-prova compostos

com escória de aciaria, são mostrados na Figura 4.18.

107
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.18. Resultados do ensaio pela agulha de Le Chatelier de


expansibilidade do lote L01

Conforme se observa na Figura 4.18, destaca-se basicamente quatro áreas

principais que caracterizam a instabilidade volumétrica das escórias de aciaria.

Os resultados da expansão do diâmetro dos corpos-de-prova em função da

abertura das agulhas e do tempo são mostrados na Tabela 4.7.

Tabela 4.7. Expansão dos corpos-de-prova em função da abertura das


agulhas
Tempo Abertura média das Diâmetro interno do Expansão
(horas) agulhas (mm) cilindro (mm) (%)
0 0,00 30,00 0,0
70 6,96 30,51 1,7
150 46,79 32,00 6,7
250 57,45 32,48 8,3
320 61,43 33,69 9,0

Na primeira região, de 0 a 70 horas, observa-se um pequeno grau de

expansão, em torno de 1,7 % no diâmetro da agulha. Na segunda região,

108
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

de 70 a 150 horas, começam a aparecer fissuras, onde se registra a maior

expansão dos corpos-de-prova, cerca de 6,7 %. Na terceira região, entre 150 e

250 horas, observa-se que as amostras começam a se estabilizar, e o grau de

expansão cai para 1,6 %. Na quarta região, de 250 a 321 horas, os corpos-de-

prova sofreram intensa fissuração e as diferenças de expansão caem cerca de

0,7 %, resultando numa expansão total de 9,0 %. A partir deste estágio, as

leituras tornaram-se imprecisas devido à elevada desagregação do material.

4.3.6. Fatores que interferem nas medidas da expansibilidade

Para verificação dos efeitos dos equipamento e do procedimento de ensaio

especificados nos métodos ASTM D 4792/95 e DNER - ME 228/89 sobre a

expansão dos corpos-de-prova, fez-se a determinação da influência do

tamanho dos corpos-de-prova, do efeito da umidade de compactação ou

umidade ótima de compactação e do efeito da sobrecarga de ensaio em

corpos-de-prova moldados com escória de aciaria. Os resultados destas

determinações são mostrados nos sub itens a seguir.

4.3.6.1. Efeito da umidade de compactação.

O método de avaliação da expansibilidade das escórias de aciaria, conforme as

normas JIS A 5015/92, o ASTM D 4792/95 e o PTM 130/78 prescrevem a

determinação da umidade ótima de compactação como requisito para

moldagem dos corpos-de-prova que serão submetidos ao ensaio de

109
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

expansibilidade. Porém não justificam como esta umidade influencia na

expansibilidade nas escórias de aciaria. Seguindo as recomendações desses

métodos, fez-se a determinação da umidade ótima de compactação dos

corpos-de-prova submetidos aos ensaios de expansibilidade cujos resultados

são apresentados na Figura 4.11.

Na Figura 4.19 são representados graficamente os resultados de expansão em

função do tempo, para diferentes condições de compactação.

Figura 4.19. Expansão do lote L01 em função da umidade de compactação

Os resultados (Figura 4.19) mostram que os corpos-de-prova com 2,4 e 6,0 %

de umidade possuem expansões similares, com uma variação volumétrica

entre 6,3 a 6,5 %. Os corpos-de-prova com umidade de 10,0 e 8,0 %

apresentaram uma expansão inferior e variando de 4,0 a 4,9 %. Observa-se

também que nas condições seca (0 %) e saturada (8 a 10 %), correspondentes

às piores condições de compactação — nessas condições não foi possível a

110
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

manipulação dos corpos-de-prova devido à elevada desagregação do material.

De acordo com os resultados obtidos (Figura 4.19) , verifica-se que a umidade

de compactação não apresenta efeito significativo na medida de

expansibilidade da escória em estudo, mesmo porque, a curva de umidade

ótima de compactação (Figura 4.11) demonstra um comportamento

característico de solo arenoso, variação da densidade com a umidade é de

somente de 0,1 a 1,0 % (NOGAMI, 1995).

Comparando a Figura 4.11 com os dados apresentados na Figura 4.19,

observa-se que os corpos-de-prova com 0, 2, 4, 6, 8 e 10 % de umidade de

compactação apresentaram 2,38, 2,32, 2,29, 2,28, 2,29 e 2,33 g/cm3 de massa

específica aparente, respectivamente. Esses resultados mostram que os

corpos-de-prova que possuem maiores massas específicas apresentam menor

expansão e os de densidades intermediárias possuem expansão maior. O

fenômeno pode ser explicado: tendo em vista que nos corpos-de-prova menos

adensados ocorre mais facilmente a penetração da água de hidratação do

material, e apresentam valores de expansão superiores nas primeiras idades.

Todavia, os resultados da expansibilidade dos corpos-de-prova com diferentes

teores de umidade de compactação são bem próximos, com variação nos

resultados da ordem de 4 a 6,5 %, que são aceitáveis para a avaliação da

expansibilidade em solos e em conseqüência da elevada heterogeneidade do

material.

A partir dos resultados, constata-se que o procedimento de verificação da

111
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

umidade de compactação pouco influenciou nas medidas de expansibilidade do

material e que no caso de materiais reativos, como a escória de aciaria, deve-

se adotar procedimentos e critérios diferenciados de ensaio em relação aos

ensaios tradicionais.

4.3.6.2. Efeito da sobrecarga de ensaio DNER - ME 228/89 e M 192/89

Os ensaios realizados tiveram por objetivo verificar a influência que a

sobrecarga1, utilizada nos equipamentos de avaliação da expansibilidade,

exerce sobre a expansão dos corpos-de-prova moldados com escória de

aciaria. Os resultados obtidos são apresentados na Figura 4.20 em termos da

variação do graus de expansibilidade e em função do tempo de ensaio.

10
Expansão (%)

0
0 50 100 150 200 250 300
Tempo (horas)
S/sobrecarga Média com sobrecarga

Figura 4.20. Efeito da sobrecarga na expansibilidade da escória de aciaria.

1
Segundo o método, a sobrecarga de ensaio para estas condições é de 500 g
112
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Na Figura 4.20, observa-se uma significativa diferença na expansão dos

corpos-de-prova com sobrecarga em relação aos corpos-de-prova sem

sobrecarga. O fenômeno demostra duas condições distintas: (a) sob

determinadas condições de confinamento, as escórias podem apresentar uma

tensão de expansão que pode ser inibida dependendo da carga utilizada no

ensaio ou nas condições de uso e (b) diante de determinada pressão os

produtos de expansão tendem a se formar nos poros, diminuindo a

expansibilidade aparente.

4.3.6.3. Efeito das dimensões dos corpos-de-prova

Nesta etapa, fez-se a comparação entre os resultados obtidos em corpos

cilíndricos utilizados no ítem 4.3.2 em relação ao ensaio proposto em

equipamento miniatura mostrado no ítem. 4.3.3. Os resultados preliminares

mostram que, mantendo-se a mesma granulometria e as mesmas condições de

temperatura no ensaio, as dimensões dos corpos-de-prova influenciam na

determinação da expansibilidade das escórias. Estes resultados são mostrados

na Figura 4.21.

113
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.21. Efeito das dimensões dos corpos-de-prova nas medidas da


expansibilidade

Os resultados apresentados na Figura 4.21 foram obtidos a partir das médias

de dois corpos-de-prova pelo ASTM D 4792/95 e dois corpos-de-prova

ensaiados a partir do método DNER - ME 228/89 e M 192/89. Estes resultados

mostram que as amostras de escória moldadas no mini-CBR (ou mini-Proctor)

tiveram maior expansão que as moldadas no CBR tradicional. Este fato não

acontece com solos, e permite se constatar a três ocorrências:

(a) em todos os casos, a expansão nas escórias de aciaria acontece,

principalmente, por reações químicas e não por entrada de água, como

ocorre em solos argilosos;

(b) as condições de contorno influenciam na determinação da expansão das

amostras de escória: corpos-de-prova com dimensões reduzidas permitem

uma maior interação da escória com a umidade ambiente facilitando as

114
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

reações de hidratação. Os corpos-de-prova com maiores dimensões

dissipam mais facilmente as tensões de expansão geradas pelas reações

de hidratação da escória, reduzindo, dessa forma, o valor final da expansão.

4.3.7. Efeito da expansão na composição química e

mineralógica da escória de aciaria

Foi programado para a análise química e para a difração de raios X (DRX), que

as amostras seriam aproveitadas a partir da escória hidratada pelo método

ASTM D 4792/95. Dessa forma, fez-se a verificação do efeito da hidratação da

escória da aciaria a fim de relacionar este efeito com a expansão apresentada

nos ensaios de expansibilidade.

Conforme a Figura 4.22, observa-se o efeito da hidratação da escória de

aciaria. Esta escória foi hidratada por um período de tempo de,

aproximadamente, 320 horas, submersa em água a (80 ± 3) °C nas condições

do ensaio apresentadas no método indicado na ASTM D 4792/95.

Nas curvas apresentadas na Figura 4.22, as perdas de massa características

da decomposição dos produtos de hidratação formados a partir da exposição

do material em ambiente saturado de água por um longo período de tempo.

Na Tabela 4.8 pode-se observar as principais perdas de massa em função da

variação da temperatura no ensaio.

115
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Figura 4.22. Curvas TG/DTG da escória de aciaria pertencente ao lote L01


hidratada, sob atmosfera dinâmica de N2 (200 mL.min-1) e taxa
de aquecimento de 10 °C.min-1

Tabela 4.8. Tabela resumo dos eventos determinados na TG da amostra


L01 hidratada
Intervalo de Perda de
Espécie química Nomenclatura
temperatura (°C) massa (%)
H2Olivre Água livre 25 − 150 0,69
Mg(OH)2 Brucita 150 − 450 1,14
Ca(OH)2 Portlandita 450 − 630 1,55
Carbonatos de cálcio
CaCO3 ou MgCO3 630 − 1300 1,54
ou magnésio
Outras perdas 1300 − 1550 0,37
Total 5,29

Ao comparar os perfis das curvas TG/DTG da escória anidra (Figura 4.5) com

os da escória hidratada (Figura 4.23), pode-se confirmar o fenômeno de

hidratação através das diferenças de perda de massa. Quantitativamente, na

116
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

escória anidra a perda de massa é de 2,96 %, enquanto que após a expansão

esse percentual pode variar de 5,27 a 5,29 %, o que representa um aumento

de 78 % no teor de água combinada em relação à escória anidra, devido a

formação de produtos hidratados.

Na Figura 4.23 é feita uma análise comparativa das curvas TG e DTA da

escória de aciaria anidra e hidratada. Observa-se principalmente as diferenças

de perda de massa nas curvas TG e as variações de entalpia registradas nas

curvas DTA através dos picos exotérmicos. As principais transformações

observadas na curva DTA e a decomposição dos produtos de hidratação, até

550 °C e as mudanças de fase − inicio da fusão a 1200 °C e o inicio da

solidificação, no resfriamento do material, a 1300 °C.

Figura 4.23. Comparação entre as curvas TG e DTA das escórias de


aciaria anidra e hidratada em atmosfera dinâmica de N2 (200
mL.min-1) e taxa de aquecimento de 10 °C.min-1

117
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

Na análise comparativa dos padrões de difratograma de raios X da escória

anidra (Figura 4.9) em relação a escória hidratada (Figura 4.24), observa-se a

presença de produtos de hidratação como a portlandita (Ca(OH)2) e a

gismondina (CaAl2Si2O8.4H2O).
Portlandita

Gismondina

Portlandita

Portlandita
Wüstita
Larnita

Hematita
Gismondina

CMIS
CMIS

Larnita
Larnita
Gismondina

Wüstita

Wüstita
Hematita

Hematita
CaO

Larnita

Hematita
Larnita
Larnita
CMIS

CaO

CaO

7 10 20 30 40 50 60

2-Theta - Scale

Figura 4.24. Padrão de DRX da escória de aciaria do lote L01 − hidratada

Analisando os resultados obtidos por estas duas técnicas analíticas observa-se

que as transformações com perda de massa nas termperaturas de 150 a

750 °C podem ser atribuídas às reações de decomposição do Ca(OH)2 e

Mg(OH)2, além dos MgCO3e CaCO3, tendo em vista que essas transformações

coincidem com os valores de temperatura decomposição mostrados nas curvas

118
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 4

TG desses compostos em estado puro (Figura 4.8). Tais resultados são

sustentados pelos resultados da DRX além da análise do teor de CO2.

Portanto, com base nestes resultados, constata-se que a expansibilidade das

escórias de aciaria pode ser atribuída de fato a hidratação do CaO e MgO livres

além do efeito do CO2 do ambiente que favorece a carbonatação do material.

119
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

Capítulo 5

5. Considerações finais

Conforme os resultados apresentados, confirmou-se que a elevada

expansibilidade da escória de aciaria a oxigênio, deve ser atribuída

principalmente à hidratação do CaO e MgO reativos e a carbonatação dos

produtos hidratados gerados. As diferenças encontradas entre os resultados

obtidos nos ensaios de expansão são justificadas pela elevada

heterogeneidade do material, pelas transformações ocorridas no tempo de

exposição ao ambiente e pelas diferentes condições prescritas nos métodos de

avaliação da expansão.

5.1. Da caracterização das propriedades das escória de aciaria

Verificou-se que a utilização de uma única técnica para caracterização da

escória de aciaria, fornece resultados limitados quanto à composição do

material. De acordo com o apresentado neste estudo, acredita-se que para a

caracterização da escória de aciaria seja necessário associar diferentes

técnicas analíticas, por exemplo, aos resultados da DRX, foram relacionados

os obtidos nas análises térmicas e na fluorescência de raios X.

A título de exemplo, cita-se que, nos difratogramas de raios X, foi verificada a

120
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

sobreposição de picos que gerou dúvidas na sua interpretação. Entretanto,

após a análise conjunta dos resultados, gerados pelas demais técnicas

analíticas, e conhecendo as condições de geração e armazenamento das

escórias, tornou-se possível interpretação mais detalhada dos resultados

apresentados pela técnica de difração de raios X.

Com relação à análise térmica, a literatura aponta, além das características do

equipamento, outro fator que pode influenciar nos resultados, tal como a

pressão atmosférica no interior da termobalança. Acredita-se que, devido a

isso, sejam justificadas as diferenças entre as curvas do presente trabalho e as

apresentadas na literatura. Neste sentido, o trabalho de ROSENQVIST (1983)

esclarece este fenômeno e mostra que essas temperaturas de decomposição

de hidratos e carbonatos no estado puro podem variar em função da pressão à

qual é submetida a amostra. Os resultados deste autor, são apresentados na

Tabela 5.1 e permitem verificar as diferenças de temperatura de decomposição

das espécies químicas existentes na escória de aciaria, em função da

atmosfera da termobalança utilizada.

Na Figura 5.1 observa-se que, variando a pressão abaixo de 1 atm, ocorrem

variações significativas nas temperaturas de decomposição das espécies

químicas. Nas temperaturas abaixo de 200 °C podemos ter a decomposição

térmica do FeCO3 e do Mg(OH)2, acima de 400 °C do MgCO3 e, a partir de

900 °C, do CaCO3. Dessa forma, observa-se que é necessário, na utilização

das técnicas analíticas, considerar os fatores que podem influenciar nos

121
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

resultados, a partir do registro das condições impostas na execução do ensaio.

Figura 5.1. Pressão (logarítmica) de decomposição dos carbonatos e


hidratos em função do inverso da temperatura
(ROSENQVIST,1983)

Segundo diversos autores, as escórias de aciaria provenientes do processo a

oxigênio mostram variações significativas em sua composição química e

mineralógica. Ao comparar os diferentes resultados obtidos do presente

trabalho com outros encontrados na literatura, foi confirmado, como já citado e

observado na análise dos resultados, a elevada variação nos teores da

composição do material e a sua elevada heterogeneidade,.

5.2. Da expansibilidade das escórias de aciaria

A fim de analisar os resultados obtidos através de diferentes métodos adotados

no presente trabalho é apresentado na Tabela 5.1 um resumo das condições

de cada ensaio e os graus de expansão encontrados nas diferentes pesquisas.

122
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

Tabela 5.1. Comparação das condições experimentais da expansibilidade


de escórias de aciaria a oxigênio em diferentes ensaios.

Características da
T Tempo escória Expansão
Autor Método
(°C) (h) Densidade Cal livre (%)*
3
(g/cm ) (%)
ASTM C
80 60 3,5 4,7-6,5 3,4 − 7,5
1260/94
ASTM D
80 319 3,5 4,7-6,5 4,7 − 5,0
4792/95
Presente trabalho DNER-ME
228/89 e 80 337 3,5 4,7-6,5 6,3 − 6,4
M 192/89**
NBR
80 321 3,5 4,7-6,5 1,7 − 9,0
11582/91
COOMARASAMY ASTM D
71 168 3,5-3,6 3,0-4,7 1,0
e WALZAK (1995) 4792/95
GUMIERI et al JIS A
80 720 3,6 5,8 2,0
(1999) 5015/92
ASTM D 60 168 3,2-3,5 3,3 1,5 − 5,0
EMERY (1978)
698 80 168 3,2-3,5 3,3 5,0 − 9,0
*
Valores da expansibilidade máxima no final do ensaio.
**
Foi tomado como referência o método de ensaio ASTM D 4792.

Conforme observa-se na Tabela 5.1 as principais diferenças entre os métodos

de determinação da expansibilidade das escórias de aciaria estão no tempo, na

temperatura de exposição ao banho em água aquecida, tamanho e forma

geométrica do corpo de prova, no critério de avaliação do grau de expansão do

material e na distribuição granulométrica do material ensaiado.

Os métodos mais tradicionais, ASTM D 4792/95 e DNER ME — 228/89 e M

192/89 adotam procedimentos oriundos da medida de expansão em solos e

forneceram resultados lentos. Os métodos adaptados da tecnologia de

concreto e cimento, ASTM 1260/94 e NBR 11582/91, apresentam-se como

alternativas mais rápidas e de fácil execução na avaliação desse fenômeno.

123
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

Comparando os resultados desses métodos tradicionais (ASTM D 4792/95 e

DNER ME — 228/89 e M 192/89), podemos encontrar diferenças significativas

nos valores de expansão que limitaram-se a variar de 3,5 a 9,0 %. Em solo

argiloso a expansão é por adsorção de água, no entanto para as escórias de

aciaria, a expansão é divida à reatividade do material com a água, favorecida

pela temperatura de ensaio.

Os ensaios JIS A 5015/92, ASTM D 4792/95, DNER ME — 228/89 e M 192/89

e ASTM D 698 resultaram em medidas de expansão inferiores, em tempo de

ensaio semelhante, aos obtidos nos ensaios de concreto adaptados —

ASTM C 1260/94 e NBR 11582/91. Uma provável causa da maior expansão

nas barras de argamassa, é o menor número de poros inter-partículas devido a

interação da escória com a pasta de cimento. Os ensaios tradicionais têm

como princípio a imersão de corpos-de-prova cilíndricos com material

compactado e a utilização de sobrecarga no ensaio.

Na tentativa de correlacionar a expansão, determinada no ensaio ASTM D

4792/95, com a composição química das escórias verificou-se (Tabela 5.2) que

a expansão teórica-experimental, devido ao CaO e MgO, em função da perda

de massa registrada é de 4,3 % e 2,8 %, respectivamente. Estes valores

somados, resultam numa expansão teórica-experimental total de 7,2 %. Porém

o valor encontrado neste ensaio foi de 5,12 %. Este fenômeno pode ser

justificado pela elevada porosidade da amostra associada a tensão gerada pela

sobrecarga, que dissipa a expansão entre os grãos inibindo a medida da

expansão na direção axial, constatando, dessa forma, a imprecisão na medida

124
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

da expansão por este método.

As agulhas de Le Chatelier (NBR 11582/91) mostraram-se pouco precisas na

avaliação da expansibilidade das escórias. A expansibilidade medida por este

método foi estimada em função do diâmetro do cilindro e da abertura das

agulhas e chegou-se a valores de expansão que variam de 1,7 a 9,0 % para

uma abertura de agulha de 7,0 a 61,4 mm, em tempo total de ensaio de,

aproximadamente 321 horas. A expansão da escória obtida por este método,

foi superior a obtida pelos métodos tradicionais: DNER — ME 228/89 e M

192/89 com expansão de 6,3 a 6,4 % e o ASTM D 4792/95 com expansão de

4,7 a 5,0 %, executados em períodos de tempo e em condições de temperatura

e granulometria similares.

Nas barras prismáticas (ASTM 1260/94), contata-se que os graus de expansão

de escórias de aciaria contendo teores de cal livre de 4,7 a 6,5 % atingiram

valores maiores que os determinados nos demais métodos, em tempos de

imersão inferiores. Comparando os valores de expansibilidade obtidos pelo

método de barras (ASTM 1260/94) com os valores encontrados nos métodos

tradicionais (de 4,7 a 5,0 %, em 320 horas), pôde-se chegar a valores

compatíveis (3,4 a 7,5 %) em tempos de ensaio inferior, de 60 horas.

5.3. Dos fatores que influenciam nas medidas da

expansibilidade no métodos de solos

Além da temperatura e das diferenças na distribuição granulométrica, pode-se

125
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

identificar alguns fatores que influenciam neste processo: à utilização de

sobrecarga de ensaio (Figura 4.22) — reduzindo a expansibilidade dos corpos-

de-prova, e o confinamento do material no molde cilíndrico — impedindo o

acesso da água no interior do cilindro e reduzindo a velocidade de hidratação

da escória, além do tamanho dos corpos-de-prova que mostrou ser outro fator

que interfere nessas medidas, o que é confirmado quando se observa as

diferenças na expansão devido à influência das condições de contorno dos

moldes — os corpos-de-prova menores (Mini Proctor) provavelmente absorvem

menos as tensões geradas na formação de produtos de hidratação e refletem

este fenômeno no valor de expansão superior. O resultado apresentado na

Figura 4.23 que mostra a influencia da geometria dos corpos-de-prova nessas

medidas de expansão.

Nas barras prismáticas, foi verificado também que o cimento, utilizado na

confecção das barras, após endurecido exerce pouca influência nas medidas

da expansão. Contudo faz-se necessária deste efeito nas medidas da

expansão e a interação do cimento com a escória de aciaria. Os dados da

expansão das barras mostram que em tempos bastante inferiores de ensaio

(60 horas), em relação aos ensaios tradicionais, pode-se obter resultados

rápidos, confiáveis e compatíveis aos resultados dos ensaios em moldes

cilíndricos

126
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 5

5.4. Do efeito da hidratação na expansibilidade das escórias de

aciaria

Nas escórias de aciaria, os resultados mostram que existe formação de

produtos de hidratação [Ca(OH)2 e Mg(OH)2] e carbonatação [CaCO3],

confirmados tanto nas curvas TG/DTG (Tabela 5.2) como nos difratogramas de

raios X (DRX) (Figura 4.10 e Figura 4.11). A escória do lote L01 apresentou um

teor de CO2 de 0,92 % quando anidra e 1,0 % quando hidratada (Tabela 4.4). A

determinação do efeito da hidratação na escória de aciaria é mostrado na

Tabela 5.2 através da perda de massa da água combinada nestas reações.

Tabela 5.2. Comparação da escória entes e após hidratação


Espécie Perda de massa (%)
Nomenclatura
química Anidra Hidratada
H2Olivre Água livre 0,80 0,69
Mg(OH)2 Brucita 0,63 1,14
Ca(OH)2 Portlandita 0,77 1,55
CaCO3 ou Carbonatos de cálcio
0,61 1,54
MgCO3 ou magnésio
Outras perdas 0,17 0,37
Total 2,98 5,29

Os teores de carbonatos determinados por gasometria são compatíveis aos

resultados obtidos, por decomposição dos carbonatos, mostradas nas curvas

TG/DTG do mesmo lote de escória, 0,61 % para a escória anidra e 0,94 % para

a hidratada. Também pode-se observar o acréscimo no teor de água

combinada na escória em virtude do processo de hidratação do material.

127
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 6

Capítulo 6

6. Conclusões

O grau de expansão das escórias de aciaria a oxigênio, determinado pelos

métodos adaptados de expansibilidade em cimentos, como o método ASTM

1260/94, de avaliação da expansão pela reatividade álcali-agregado em barras

prismáticas de argamassa, conduziu a resultados similares aos determinados

pelos métodos tradicionais JIS A 5015/92 e ASTM D 4792/95 e DNER ME

228/89 e M 192/89 mas em tempos de ensaio inferiores. A partir desses dados,

conclui-se que:

a) os graus de expansão determinados pelo método de barras para escórias

de aciaria a oxigênio contendo teores de 4,7 a 6,5 % de CaO livre atingiram

valores de 3,5 a 7,5 % em intervalos de tempo de 70 horas, inferiores à

metade dos adotados nesses ensaios convencionais (160 horas). Dessa

forma o método adaptado ASTM 1260/94 apresenta-se como uma

alternativa mais rápida e simples na determinação da expansibilidade das

escórias de aciaria;

b) o método de ensaio ASTM D 4792/95, assim como o DNER — ME 228/89 e

M 192/89 apresentam-se como uma forma de avaliação da expansibilidade

das escórias bastante lenta e de difícil execução. Constatou-se que os

128
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 6

procedimentos exigidos por estes ensaios, como a determinação de

umidade ótima, a utilização de sobrecarga e o tamanho dos corpos de

prova, influenciam diretamente nos resultados apresentados, gerando

conclusões equivocadas quanto ao potencial expansivo das escórias além

de necessitar de uma quantidade muito grande de material para esta

determinação. A determinação da umidade de compactação mostrou-se

como mais um fator de atraso na sua execução e que exerce pouco efeito

sobre a expansibilidade dos corpos de prova moldados com escórias de

aciaria. Neste caso, a diferença na expansibilidade máxima da mínima foi

apenas 2 %. Os resultados encontrados mostram que a umidade ótima de

compactação é aplicada a solos com um comportamento previamente

conhecido e que para as escórias de aciaria, que expandem em meio

aquoso devido a reações de hidratação, não mostra efeito significativo.

Considerando as características de cada método de ensaio de expansibilidade,

pode-se ressaltar que o aspecto mais importante do método de barras

prismáticas adotado, é o fato do máximo grau de expansibilidade de ambas

escórias em todos os ensaios, ter sido atingido em tempos inferiores à metade

ou um terço dos tempos gastos no ensaios tradicionais. Adicionalmente, deve-

se salientar a facilidade de execução do ensaio, não havendo a necessidade

de verificação da umidade ótima de compactação, de grandes quantidades de

escória e de aparelhos exclusivos de ensaio.

129
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 6

Dessa forma, verifica-se que o método de barras prismáticas, dentre os

métodos avaliados, apresenta-se como o método mais conveniente na

avaliação da expansibilidade das escórias de aciaria devido as condições de

preparação do corpo de prova, menor quantidade de material utilizado, rapidez

na obtenção dos resultados e facilidade execução do ensaio.

130
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 7

Capítulo 7

7. Referências bibliográficas

ARAUJO, A. L. Manual de siderurgia — produção. São Paulo, Editora Arte &


Ciência, 1997 V.1.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland;
Determinação da expansiblidade de Le Chatelier — NBR 11582. Rio de
Janeiro, 1991.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland e
Outros Materiais em Pó; Determinação da Massa Específica — NBR
6474. Rio de Janeiro, 1984.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland;
Determinação de Óxido de Cálcio livre pelo Etilenoglicol — NBR 7227.
Rio de Janeiro, 1982.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Solo; Índice Suporte
Califórnia — Método de Ensaio — NBR 9895. Rio de Janeiro. 1987.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Argamassas
Endurecidas para Alvenaria Estrutural; Retração por Secagem — NBR
8490, 1984.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento Portland
Comum; Especificações — NBR 5732. Rio de Janeiro, 1991.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Materiais para sub-
base ou base de pavimentos estabilizados granulométricamente — EB −
2103. Rio de Janeiro, 1991.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Cimento portland e
matérias-primas; Determinação de anidrido carbônico (CO2) por gasometria
— MB 3377. Rio de Janeiro, 1990.
AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard test
method for potential alkali reactivity of aggregates (Mortar-Bar Method)
— ASTM C 1260. 1994.
AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Standard test
method for potential expansion of aggregates from hydration reactions
— ASTM D 4792. 1995.

131
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 7

AMERICAN SOCIETY FOR TESTING AND MATERIALS. Test method for


laboratory compaction characteristics of soils using standard effort
(12,400 ft-lbf/ft3 (600 kN-m/m3)) — ASTM D 698, 1991.
BOYNTON, R. S. Chemistry and technology of lime and limestone. New York
Interscience Publishers, John Wiley & Sons, 1966.
BURGOS, E.C. et al. Pyrometallurgical treatment of bof slags for the
production of construction materials and refining fluxes. In: JAPAN-BRAZIL
SYMPOSIUM DUST PROCESSING-ENERGY-ENVIRONMENT IN
METALLURGICAL INDUSTRIES, 1. Proceeding. São Paulo, 1999.
CINCOTTO, M. A. Estudo da composição química da cal hidratada
produzida no estado de São Paulo. São Paulo, 1977, 45p. Dissertação
(Mestrado) — Escola Politécnica, Universidade de São Paulo.
COOMARASAMY, A.; WALZAK, T.L. Effects of moisture on surface chemistry
of steel slags and steel slag-asphalt paving mixes. Transportation
Research Record. n.1492, p 85-95,Jul. 1995.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS E RODAGEM. Compactação
de solos em equipamento miniatura — DNER – ME 228. 1989.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS E RODAGEM. Determinação
do índice de suporte Mini-CBR e da expansão de solos compactados
com equipamento miniatura — DNER – M 192. 1989.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS E RODAGEM. Emprego de
Escórias de Aciaria em Pavimentos Rodoviários — DNER - PRO 263
1994.
DEPARTAMENTO NACIONAL DE ESTRADAS E RODAGEM. Escórias de
Aciaria para Pavimentos Rodoviários; Especificação do Material —
DNER − EM 262. 1994.
DZIARMAGOWSKI, M. et al. Reduction of converter slag in electric arc
furnace. Ironmaking and Steelmaking. v 19, n 1, p 45-9, 1992.
EMERY, J. J. Utilization des scories d´aciérie dans la construction des
autoroutes canadiennes. Revue de Métallurgie, p 303-10, mai, 1978.
FERRAND, B.; EMERY, J. Recent improvements in quality of steel slag
aggregate. Transportation Research Record. n 1486, p137-41, Jul. 1995.
GEORGE, C.M.; SORRENTINO, F.P. Valorization of basic oxygen steel slags.
In: INTERNATIONAL CONGRESS ON THE CHEMISTRY OF CEMENT, 7,
Paris, 1980. Proceedings. v.2, p. 39-44.
GOMES, Adailton de Oliveira. Influência dos Argilominerais nas
Propriedades das Argamassas de Revestimento em Salvador: uma
contribuição à qualidade ambiental. Salvador, 2000: 248 p. Dissertação
(Mestrado em Engenharia Ambiental Urbana) — Escola Politécnica,
Universidade Federal da Bahia.

132
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 7

GOLDRING, D.C.; JUCKES, L.M. Petrology and stability of steel slags. British
Steel plc, Middlesbrough, UK. Ironmaking and Steelmaking. v 24, 6 ed,
p.447-456, 1997.
GUMIERI, A.G.; PAGNUSSAT, D.T.; DAL MOLIN, D. Estudo da
expansibilidade de escórias de aciaria visando a utilização em concreto. In:
CONGRESSO BRASILEIRO DE CIMENTO. s.l. Anais. 1999.
GUPTA, J.D. et al. Characterization of base and subbase iron and steel slag
aggregates causing deposition of calcareous tufa in drains. Transportation
Research Record. n 1434, p. 8-16, Jul. 1994.
HACHICH, W. et al. Fundações: teoria e prática. São Paulo, Pini, 1996.
HAJEK, J.J.; BRADBURY, A. Pavement performance modeling using canadian
strategic highway research program bayesian statistical methodology.
Transportation Research Record. n 1524, p 160-70, Sep. 1996.
HEATON, B.S. Steelworks slag road pavement test sections. Australian
Road Research. v.19, n 2, 145-54 p, Jun. 1989,.
INSTITUTO BRASILEIRO DE SIDERURGIA — IBS. A Siderurgia em
Números, Rio de Janeiro, 1998.
INSTITUTO BRASILEIRO DE SIDERURGIA — IBS: http://www.ibs.org.br.
INSTITUTO LATINO AMERICANO DEL FIERRO Y EL ACERO — ILFA.
Reciclaje de Escorias de Aceria — Manual II. 1995.
INDUSTRY AND ENVIRONMENT. Construction and the environment: facts
and figures. Paris, UNEP IE, v.19, n. 2 April-June, 1996. p. 4-9.
IONASHIRO, M.; GIOLITO, I. Nomenclatura, padrões e apresentação dos
resultados em análise térmica. São Paulo — Instituto de Química da
Universidade de São Paulo, Jan. 1980.
INDUSTRIAL STANDARDIZATION IN JAPAN. Escória siderúrgica para
construção de estradas — JIS A 5015, 1992.
JOHN, V.M. Cimentos de escória de alto forno ativada com silicato de
sódio. São Paulo, 1995. 199p. Tese (Doutorado) — Escola Politécnica,
Universidade de São Paulo.
JONES, M. P. Applied mineralogy: a quantitativa approach — Mineralogy
Determinative. s.ed. London, UK; Norwell, MA, USA: Graham & Trotman,
1987. 253p.
KAMON, M.; NONTANANANDH, S.; KATSUMI, T. Utilization of stainless-steel
slag by cement hardening. Japanese Society of soil Mechanics and
Foundation Engineering. v 33, n 3, p 118-129, Sep. 1993.
KHAN, M.; WAHHAB, H.I.A.A. Improving slurry seal performance in eastern
saudi arabia using steel slag. Construction and Building Materials, v.12,
n 4, p 195-201, Jun. 1998.

133
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 7

KNELLER, W. et al. Determination of original free lime content of weathered


iron and steel slags by thermogravimetric analysis. Transportation
Research Record, n. 1434, 1994.
LEE, F.T.; LEE, C.H. Study on the reduction behavior of FeO in EAF slag.
Steel Times International. p 20-25, Jan. 1995.
LEA, F. M. The chemistry of cement and concrete, 3.ed. New York,
Chemical Publishing CO. 1970.
LÓPEZ, F.A.; FORMOSO A.; MEDINA F. Escórias LD. coproductos de la
industria siderúrgica — I Parte. Compositión, tratamiento y aplicaciones.
Revista de Metalurgia. v.25, n. 4, P.247-54, 1989.
MATOS, J.R. Análise térmica: potencialidades e versatilidades. São Paulo,
1998. 189p. Tese (Livre Docência) — Instituto de Química — Departamento
de química analítica, Universidade de São Paulo.
MEHTA, P.K., MONTEIRO, P. Concreto. estrutura, propriedades e materiais.
São Paulo, Pini, 1994.
MILLER, T. W. et al. The making, shaping and treating of steel. Pitsburgh, The
AISE Steel Foundation, — 11.ed, v1, cap. 9, p. 475-478, 1998. In: URL:
http://www.aise.org/pubsing/msts.htm.
MONTGOMERY, D.G.; WANG, G. Preliminary laboratory study of steel slag for
blended cement manufacture. Material Forum. v 15, n 4, p 374-82. 1991.
MURPHY, J.N.; MEADOWCROFT, T.R.; BARR, P.V. Enhancement of the
cementitious properties of steelmaking slag. Canadian Metallurgical
Quarterly. v 36, n 5, p 315-331, Dec. 1997.
NAKAMURA, Y. et al. Positive growth of phytoplankton under conditions
enriched with steel-making slag solution. ISIJ-International. v 38, n 4, p 390-
398, 1998.
NEHMI, V. A. Química inorgânica metais e não metais. 13 ed, São Paulo,
1980.
NOUMAN, A. A. et al. The use of steel slag in asphaltic concrete. ASTM-
Special-Technical-Publication. n 1147, Philadelphia, PA, USA. p 3-18.
1992.
NÜRNBERG, K. Slag Atlas. Composition and structure of iron and
steelmaking slags, Germany. Committee for Fundamental Metallurgy. s. ed.
1981.
PANIS A. Les scories LD. Silicates industriels, n 4-5, p. 253-58. avr /
mai, 1975.
PIRET, J.; DRALANTS, A. Utilization of LD slag by reduction in the liquid state
production of portland clnker and hot metal. Cement, bétons, plânters,
chaux, v 748, n 3, p. 3-7. 1984.

134
Alexandre Teixeira Machado Capítulo 7

PENNSYLVANIA TESTING METHOD — PTM 130. Método de Ensaio para


Avaliação do Potencial de Expansão de Escória de Aciaria. maio 1978.
Adaptado pelo Departamento de Estradas e Rodagem de Minas Gerais —
DMA –1 /DER − MGG − 1982.
PURCELL, K.F.; KOTZ, C.J. Chemistry and chimical reactivity. USA, 2 ed.
Dez. 1990.
REGOURD, M. Ciments speciaux et ciments avec additions. In:
INTERNATIONAL CONGRESS ON THE CHEMISTRY OF CEMENT, 8.
Proceeding. Rio de Janeiro, 1980. v1, p 199-222.
ROSENQVIST, T. Principles of extrative metalurgy. São Paulo, Ed.
MaGraw-Hill Book Co, 1983.
SEKI, A. et al. Development of dusting prevention stabilizer for stainless steel
slag. Kawasaki Steel Technogy Report. n 15, p 16-21, Oct. 1986.
SENSO, W. Pavimentação. 2 ed. Grêmio Politécnico, São Paulo, 1979.
SERSALE, R. et al. A study on the utilization of an Italian steel slag. 8o
CONGRESSO INTERNACIONAL DE QUÍMICA DO CIMENTO. Anais. Rio
de Janeiro, 1986. v2, p 194-98
SHOUSUN, L. Effect of MgO in steel slag on soundness of cement. In:
INTERNATIONAL CONGRESS ON THE CHEMISTRY OF CEMENT.
Proceedings. Paris, s.ed. 1980. v 2, p. 39-44.
SIENKO, M.J.; PLANE, R.A. Química. 2 ed. São Paulo, Nacional, 1968.
SOLOMON C. Slag – Iron and steel. 1994. In:
URL:http://minerals.er.usgs.gov/minerals/pubs/commodity/iron_&_steel_slag/
790494.pdf.
SOUZA, M.L. Pavimentação rodoviária. 2 ed. Rio de Janeiro, DNER —
Instituto de Pesquisas Rodoviárias, 1980.
TAYLOR, H.F.W. Cement chemistry. 2 ed. New York, Thomas Telford, 1997.
THOMAS G. H. Expériences britanniques d´utilisation des scories LD comme
revêtements routiers. Revue de Métallurgie, Paris, 329-334p, mai. 1978.
USIBA: Visita técnica. Jun, 1998.
YU-JI, W.; GONG-XIN, X. Research on the main mineral phase and its
cementitous properties of oxygen converter slag (O.C.S). In:
INTERNATIONAL CONGRESS ON THE CHEMISTRY OF CEMENT.
Proceedings. Paris, s. ed., 1980. v 2, p 39-44.
WEAST, R.C. HandBook of chemistry and physics. 52 ed. Cleveland, 1971.
WELLS S. L. et al. Expansive characteristics of hydrated limes and the
development of an autoclave test for soundness. Journal Research of the
National Bureau of Standards. v.41, Sep. 1948.
WILLARD H. H.; MERRITT, L. L.; DEAN J. A. Instrumental Methods of
analisys. 5 ed. New York, 1974.

135