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João Carlos Moreira Eustáquio de Sene

Geografia
Geral e do Brasil
Espaço geográfico e globalização

Manual do
Professor

1
Geografia - Ensino Médio

João Carlos Moreira Eustáquio de Sene

Geografia
Geral e do Brasil
Espaço geográfico e globalização

Manual do
Professor
João Carlos Moreira
Bacharel em Geografia pela Universidade de São Paulo
Mestre em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo
Professor de Geografia das redes pública e privada de ensino por quinze anos
Advogado (OAB/SP)

Eustáquio de Sene
Bacharel e licenciado em Geografia pela Universidade de São Paulo
Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo
Professor de Geografia das redes pública e privada de Ensino Médio por quinze anos
Professor de Metodologia do Ensino de Geografia na Faculdade de Educação da
Universidade de São Paulo por cinco anos

3ª edição
São Paulo • 2016
1
Geografia - Ensino Médio
Diretoria editorial
Lidiane Vivaldini Olo
Gerência editorial
Luiz Tonolli
Editoria de Ciências Humanas
Heloisa Pimentel
Edição
Rosimar Alves do Rosário,
Lucas Abrami, Mariana Renó Faria (estag.)
Gerência de produção editorial
Ricardo de Gan Braga
Arte
Andréa Dellamagna (coord. de criação),
Erik TS (progr. visual de capa e miolo),
Claudio Faustino (coord.), Yong Lee Kim (edição),
Luiza Massucato (assist.) e Lima Estúdio Gráfico (diagram.) Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Revisão
Hélia de Jesus Gonsaga (ger.),
Rosângela Muricy (coord.), Ana Curci, Heloísa Schiavo, Moreira, João Carlos
Paula Teixeira de Jesus, Patrícia Travanca, Geografia geral e do Brasil : espaço geográfico
e globalização : ensino médio / João Carlos
Vanessa de Paula Santos,
Moreira, Eustáquio de Sene. -- 3. ed. --
Brenda Morais e Gabriela Miragaia (estagiárias) São Paulo : Scipione, 2016.
Iconografia
Sílvio Kligin (superv.), Denise Durand Kremer (coord.),
Carlos Luvizari, Claudia Bertolazzi e Evelyn Torrecilla Obra em 3 v.
(pesquisa), Cesar Wolf e Fernanda Crevin (tratamento de imagem)
Ilustrações 1. Geografia (Ensino médio) I. Sene, Eustáquio
Allmaps, A. Robson, Cassiano Röda, Douglas Galindo, de. II. Título.
Erika Onodera, José Rodrigues, Luis Moura, Luiz Iria,
Mario Kanno, Osni de Oliveira, Paulo Manzi e Paulo Nilson
Cartografia
Alexandre Bueno, Eric Fuzii, Julio Dian,
Loide Edelweiss Iizuka, Marcelo
Seiji Hirata e Portal de Mapas
Foto da capa: Caverna Ryusen-do, em Tohoku, Japão, 2013.
JTB Photo/Universal Images Group Editorial/Getty Images 16-02098 CDD-910.712
Protótipos Índices para catálogo sistemático:
Magali Prado
1. Geografia : Ensino médio 910.712
Direitos desta edição cedidos à Editora Scipione S.A.
Avenida das Nações Unidas, 7221, 1o andar, Setor D
Pinheiros – São Paulo – SP – CEP 05425-902
Tel.: 4003-3061
www.scipione.com.br / atendimento@scipione.com.br

2016
ISBN 978 85 262 9913 9 (AL)
ISBN 978 85 262 9914 6 (PR)
Cód. da obra CL 713370
CAE 566 761 (AL) / 566 762 (PR)
3a edição
1a impressão
Impressão e acabamento

2
APrESENTAçãO

O
s meios de comunicação estão cada vez mais presentes em nosso dia a dia. Com isso, rece-
bemos diariamente uma enorme quantidade de informações via internet, televisão, rádio,
jornais e revistas: crises políticas e econômicas, catástrofes naturais, problemas socioam-
bientais, desigualdades sociais, guerras, migrações, novas tecnologias, entre muitos outros temas.
O processo de globalização tem seus alicerces ancorados na revolução técnico-científica e na
modernização dos sistemas de transportes e telecomunicações, que “encurtam” as distâncias e
tornam o tempo cada vez mais “acelerado”. Dessa forma, as informações surgem e desaparecem de
repente. Quando começamos a compreender determinado acontecimento, ele é esquecido – como
se deixasse de existir –, e outro logo ganha destaque. Tal é a instantaneidade dos eventos que pare-
ce não existir passado nem continuidade histórica. Por isso, muitas vezes, sentimo-nos impotentes
diante da dificuldade de compreender o que acontece no Brasil e no mundo.
Para ajudá-lo a encarar esse desafio, criamos esta coleção. Ela foi elaborada com base no vo-
lume único da obra, que já está no mercado desde 1998 e passou por diversas reformulações e
atualizações.
O volume 1 apresenta um pouco de teoria e método da Geografia, seus conceitos mais importan-
tes e um breve histórico da disciplina. Nele são abordados também os fundamentos da Cartografia,
imprescindível para ler e interpretar mapas, cartas, plantas e gráficos. São ainda estudados os temas
da Geografia física, com destaque para a dinâmica da natureza, sua relação com a sociedade e os
crescentes desequilíbrios ecológicos. Esse volume é concluído com o estudo da legislação ambiental
e das conferências internacionais sobre meio ambiente.
No volume 2 são estudadas as diversas fases do capitalismo até a atual etapa informacional,
marcada pela globalização em suas várias dimensões; as diferenças entre os países quanto ao de-
senvolvimento humano; a ordem geopolítica e econômica internacional, assim como a inserção do
Brasil nela; e os principais conflitos armados da atualidade. São também abordados os processos de
industrialização dos países desenvolvidos e emergentes mais importantes; e, na última Unidade, o
comércio e os serviços no mundo.
Fechando a coleção, o volume 3 apresenta como principais temas o processo de industrialização,
a estrutura das atividades terciárias e a evolução da política econômica no Brasil. São apresentadas
também a produção, a distribuição e o consumo de energias renováveis e não renováveis no mundo
e no Brasil, associando-as às condições ambientais; as características, os movimentos migratórios
e a estrutura da população mundial e brasileira. O volume é concluído com a abordagem dos aspec-
tos mais importantes da urbanização e da produção agropecuária no mundo e em nosso país.
Esperamos ajudá-lo a compreender melhor o frenético mundo em que vivemos e auxiliá-lo a
acompanhar as transformações que o moldam e o tornam diferente a cada dia, para que você possa
nele atuar como pessoa e cidadão consciente.
Os Autores

3
Sumário
Introdução: Um pouco de teoria da Geografia
Síntese histórica: Breve história do pensamento 4. Região .... .... .... .... ... ..... ... ..... ... ..... . ... . ... . ... . .. 17
geográfico . .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 10 5. Renovação metodológica . .... .... .... .... .... ... ..... .. 19
1. Espaço geográfico e paisagem . .. .. .. .. .. . ... . ... . .... . 12
Atividades ..... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . 21
2. Lugar . . . . . . . . . . . . . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . .. . . 14
Pensando no Enem ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... 15 Vestibulares de Norte a Sul .. . ... . ... . ... . . 22
3. Território . . . . .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . .. 16 Caiu no Enem .. ..... ... ..... ......................... 25

Unidade 1: Fundamentos de Cartografia


Capítulo 1: Planeta Terra: coordenadas, 3. Projeções cartográficas ... .... ... ..... ... ..... ... ..... . 60
Conformes, 60 • Equivalentes, 62 • Equidistantes, 63 •
movimentos e fusos horários ................ 27
Afiláticas, 63
1. Formas de orientação . . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . .... . 29 4. Diferentes visões do mundo ... .... ... ..... ... ..... ... 64
2. Coordenadas . . . . .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . .. . . . . .. 31 Atividades .. .... ... ..... ... ..... ... ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... 67
Geográficas, 31 • Alfanuméricas, 33
3. Movimentos da Terra e estações do ano .. .. .. .. . .. 34 Capítulo 3: Mapas temáticos
Infográfico: Insolação da Terra . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36 e gráficos .... ..... ... ..... ... .............................. 68
4. Fusos horários . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . . .. 38
1. Cartografia temática . .... .... ... ..... ... ..... ... ..... .. 70
Fusos horários brasileiros, 41
2. Gráficos . .... .... ... ..... ... ..... ... ..... ... ..... . ... . ... . .. 76
Pensando no Enem .. . ... . ... . ... . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 43
Atividades . ... ..... ... ..... ... ..... .. ... . ... . ... . ... . ... . ... . . 78
5. Horário de verão .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . .. 44
Dialogando com as disciplinas: O horário de
Capítulo 4: Tecnologias modernas
verão e os relógios biológicos . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 46
Atividades . . . . . . . . . .. . ... . ... . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 48 utilizadas pela Cartografia ..................... 79
1. Sensoriamento remoto . .... .... ... ..... ... ..... ... ..... . 81
Capítulo 2: representações cartográficas, Fotografia aérea, 83 • Imagem de satélite, 84

escalas e projeções .. . ... ........................... 49 2. Sistemas de posicionamento e navegação por


satélites .... .... ... ..... ... ..... ... ..... ... ..... . ... . ... . ... 86
1. Representação cartográfica . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... ... 51
3. Sistemas de informações geográficas .. .... .... .... 88
Evolução tecnológica, 51 • Tipos de produtos
cartográficos, 53 Atividades ..... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . 91
Pensando no Enem .. . ... . ... . ... . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 55 Vestibulares de Norte a Sul . . . . . . . . . . . . . . . . 92
2. Escala e representação cartográfica .. .. .. .. .. .. .. .. 56 Caiu no Enem ... ..... ... ..... .. ... . ... . ... . ... . ... . 100

Unidade 2: Geografia física e meio ambiente


Capítulo 5: Estrutura geológica ... . ........ 103 Atividades . ... ..... ... ..... ... ..... .. ... . ... . ... . ... . ... . ... . 124
Infográfico: Teoria da formação e evolução Capítulo 6: Estruturas e formas do relevo ... 125
da Terra . .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 104
1. Geomorfologia .... .... .... .... .... .... ... ..... ... ..... . . 127
1. A formação da Terra . .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . .... 106
2. A classificação do relevo brasileiro . .... .... .... ... . 130
Pensando no Enem ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108
Outras formas do relevo, 134
Tipos de rocha, 109
2. Estrutura da Terra . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . .... 112 Pensando no Enem ... ..... ... ..... . ... . ... . ... . ... . ... 136
3. Deriva continental e tectônica de placas . .. . ... . . 113 3. O relevo submarino ... .... .... .... .... .... ... ..... ... .. 137
Infográfico: Tsunamis . . ... . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 120 4. Morfologia litorânea ... .... .... ... ..... ... ..... ... ..... 139
4. As províncias geológicas . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . .... 122 Atividades .. .... ... ..... ... ..... ... ... . ... . ... . ... . ... . ... . .. 142

4
Capítulo 7: Solos .. .. .. .. ... . ... . ... . ... . ... . ........ 143 Capítulo 11: Biomas e formações vegetais:
1. A formação do solo .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . 145 classificação e situação atual . ..... ..... ... 218
Fatores de formação dos solos, 146
Infográfico: Cobertura vegetal original ... . ... . . 220
2. Conservação dos solos .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... 148
1. Principais características das
Fertilidade do solo, 150
formações vegetais ......................................................... 222
Pensando no Enem ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . .. 151
Tundra, 223 • Floresta boreal (taiga), 223 • Floresta
Voçorocas, 152 • Movimentos de massa, 152 • Conservação subtropical e temperada, 223 • Floresta equatorial e tropical,
dos solos em floresta, 153
223 • Mediterrânea, 224 • Pradarias, 224 • Estepes, 224
Atividades . .. .. . . .. . ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 154 Deserto, 224 • Savana, 225 • Vegetação de altitude, 225
2. A vegetação e os impactos
Capítulo 8: Climas . .. .. ... . ... . ... . ... . ... . ... ....... 155
do desmatamento .... ... ..... ... ..... ... ..... ... ..... . 226
1. Tempo e clima . .. .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . . 157 3. Biomas e formações vegetais do Brasil ... .... .... 230
2. Fatores climáticos . .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . .... 158 As características das formações vegetais brasileiras, 231
Latitude, 158 • Altitude, 159 • Albedo, 160 • Massas
Pensando no Enem ... ..... ... ..... . ... . ... . ... . ... . .. 236
de ar, 160 • Continentalidade e maritimidade, 161
Correntes marítimas, 162 • Vegetação, 163 • Relevo, 164 4. A legislação ambiental e as unidades de
3. Atributos ou elementos do clima ... . ... . ... . ... . ... 165 conservação .. .... .... .... .... .... ... ..... ... ..... ... ... . . 237
Temperatura, 165 • Umidade, 165 • Pressão atmosférica, 168 Histórico das leis ambientais brasileiras, 237 • O Código
Dialogando com as disciplinas: A Física por trás Florestal, 240 • As unidades de conservação, 241
das mudanças climáticas . . ... . ... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 170 Pensando no Enem ... ..... ... ..... . ... . ... . ... . ... . .. 243
Pensando no Enem ... . ... . ... . ... . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. 173 Atividades ..... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . ... . ... . ... . . 244
4. Tipos de clima . .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . . .. 174
5. Climas no Brasil .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... . ... ... 176 Capítulo 12: As conferências em
Atividades . . . . . . . ... . ... . ... . ... . ... .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 179 defesa do meio ambiente .. ..... ..... ... ..... . 246
Infográfico: Evolução das técnicas de
Capítulo 9: Os fenômenos climáticos
transformação do espaço geográfico . ... . ... . ... . 248
e a interferência humana ..................... 180
1. Interferências humanas nos ecossistemas ... ... 250
1. Interferências humanas no clima . .. .. .. .. .. .. .. ... . 182
2. A importância da questão ambiental .. .... .... .... 251
O efeito estufa e o aquecimento global, 182
Redução da camada de ozônio, 183 3. A inviabilidade do modelo consumista de
Infográfico: Efeito estufa .. . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . 184 desenvolvimento .. .... ... ..... ... ..... ... ..... ... ..... . 252
Ilhas de calor, 186 • As chuvas ácidas, 187 4. Estocolmo-72 ... .... .... .... .... .... ... ..... ... ..... .. .. 254
Pensando no Enem .. . ... . ... . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . .. . . 189 5. O desenvolvimento sustentável .... .... .... ... ..... 255
2. Fenômenos naturais .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . ... . ... . .... .. 190 Pensando no Enem ... ..... ... ..... . ... . ... . ... . ... . ... 256
Inversão térmica, 190 • El Niño, 191 6. Rio-92 .... .... .... .... .... .... ... ..... ... ..... .. ... . ... . ... . 257
3. Principais acordos internacionais .. .. .. .. . ... . .... .. 194 7. Rio + 10 ... ... ..... ... ..... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . 258
O Protocolo de Kyoto e o MDL, 194 • As Conferências
8. Rio + 20 .... .... .... .... .... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . 259
das Partes, 196
Dialogando com as disciplinas: Terra e
Atividades . .. .. . . . ... . ... . ... . ... . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... 197
propriedade ... ... ..... ... ..... ... .... . ... . ... . ... . ... . ... 260
Capítulo 10: Hidrografia . . ... . ... . ... . ... . ....... 198 Atividades ... ..... ... ..... ... ..... .. ... . ... . ... . ... . ... . ... . 262

1. Pode faltar água doce? .. . ... . ... . ... . ... . ... . ... . .... 200 Vestibulares de Norte a Sul . ... . ... . ... . ... . 263
2. As águas subterrâneas .. .. .. . ... . ... . ... . ... . ... . .... . 201 Caiu no Enem . ..... ... ..... ... ... . ... . ... . ... . ... . ... . . 277
O poço e a fossa, 203
Pensando no Enem ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . .. . 206
3. Redes de drenagem e bacias hidrográficas .. ... .. 207 Sugestões de leitura, filmes,
Bacias hidrográficas brasileiras, 211
Infográfico: O rompimento das barragens em e sites .................................................................. 283
Minas Gerais .. . ... . ... . ... . ... . ... . . . . . . . . . . . . . . . . . . ... 214 Bibliografia ..................................................... 287
Atividades . . . . . . . .. . ... . ... . ... . ... . .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. .. . 216

5
Como é fácil explicar este projeto! Lembro quando fui
ver o local. O mar, as montanhas do Rio, uma paisagem
magnífica que eu devia preservar. E subi com o edifício,
adotando a forma circular que, a meu ver, o espaço
requeria. O estudo estava pronto, e uma rampa
levando os visitantes ao museu completou
o meu projeto."
Oscar Niemeyer (1907-2012), arquiteto.

6
INTRODUÇÃO
Um pouco de teoria da Geografia
Elder Vieira Salles/Shutterstock/Glow Images

Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), em 2013.


O MAC de Niterói, como é conhecido, foi projetado por Oscar
Niemeyer e inaugurado em 1996. As impressões do arquiteto
quando visitou o local onde o edifício seria erguido: “O mar, as
montanhas do Rio, uma paisagem magnífica que eu devia
preservar.” (leia novamente a frase completa na página ao lado).
Na realidade, ele não preservou a paisagem que encontrou e sim
a modificou com sua obra.

7
A
o longo da História, o ser humano foi transformando gradativamente a na-
tureza com o objetivo de garantir a subsistência do grupo social a que per-
tencia e melhorar suas condições de vida. Com isso, o espaço geográfico foi
sendo produzido, ficando cada vez mais artificializado. Pela ação do trabalho huma-
no, novas técnicas foram desenvolvidas e gradativamente incorporadas ao território.
De um meio natural, as sociedades avançaram para um meio cada vez mais técnico,
principalmente a partir da primeira Revolução Industrial (século XVIII).
Um dos pensadores que abordam a relação, no capitalismo, entre ciência e
técnica é o filósofo alemão Jürgen Habermas. Ele mostra que, já no final do sécu-
lo XIX, no contexto da segunda Revolução Industrial, esse sistema econômico
começou a mobilizar a ciência para a criação de novas técnicas. No atual momen-
to do capitalismo, em que ocorre uma revolução técnico-científica, ou revolução
informacional, a ciência vem sendo ainda mais mobilizada para a criação de téc-
nicas de produção e de circulação cada vez mais eficientes. A incorporação dessas
técnicas ao território, com a intenção de aumentar a produtividade econômica e
acelerar a circulação por redes que abrangem o espaço nacional, regional e mundial,
produziu o que o geógrafo Milton Santos chamou de meio técnico-científico-in-
formacional. Esse conceito busca definir o meio geográfico que dá sustentação à
globalização, o atual período de expansão do capitalismo.
Renato Soares/Pulsar Imagens

Oca na aldeia moikarakô, na


Terra Indígena Kayapó, no
município de São Félix do
Xingu (PA), em 2015. Esta foto
mostra uma habitação que,
embora construída com
materiais retirados
diretamente da natureza,
como troncos e palmeiras, é
fruto do trabalho humano e
incorpora técnicas
construtivas próprias dessa
sociedade. Quando a
comparamos com prédios de
uma grande cidade, como
mostra a foto das páginas 16
e 17, percebemos que as
cidades também resultam da
transformação da natureza
pelo trabalho humano, porém
com mais mediações e
incorporação de técnicas
modernas.

8 Introdução
Poucas áreas da superfície terrestre ainda não sofreram transformações
Antrópico: do grego an-
antrópicas, e mesmo naquelas aparentemente intocadas, como muitas no interior thropos, ‘homem’, como
da floresta Amazônica ou do continente antártico, o território está delimitado e sujei- espécie. É nesse sentido
antropológico que utiliza-
to à soberania nacional ou a acordos internacionais. Portanto, mesmo em um meio
remos o termo “homem”
natural, aparentemente intocado, existem relações políticas e econômicas que nem ao longo do livro. Assim,
sempre são visíveis na paisagem. Além disso, no interior da floresta Amazônica (ou de uma transformação antró-
pica na natureza é provo-
outras florestas tropicais) existem diversas sociedades indígenas, algumas ainda iso- cada pela espécie humana
ladas da sociedade moderna, que, embora vivam bastante integradas ao meio natural, vivendo em sociedade.
causam alguma transformação antrópica, produzindo, dessa forma, seu espaço.
Para compreender melhor as relações sociedade-sociedade e sociedade-natu-
reza materializadas no espaço geográfico, é importante estudar seus recortes con- Como toda ciência, a
Geografia possui
ceituais – a paisagem, o lugar, o território e a região – e seus recortes analíticos – as
alguns conceitos-chave
escalas geográficas (as escalas cartográficas serão estudadas no Capítulo 2 deste capazes de sintetizar a
volume). sua objetivação, isto é, o
ângulo específico por
São esses conceitos-chave que dão identidade à Geografia como uma ciência
meio do qual a
humana e, ao mesmo tempo, permitem compreender o mundo sob a ótica dessa sociedade é analisada,
disciplina (veja o que diz sobre isso o geógrafo Roberto Lobato Corrêa). É por isso ângulo que confere à
Geografia a sua
que os parâmetros curriculares do Ministério da Educação (MEC) e as propostas
identidade e a sua
curriculares das Secretarias Estaduais de Educação propõem o estudo desses con- autonomia relativa no
ceitos na Geografia escolar. âmbito das ciências
sociais. Como ciência
social, a Geografia tem
como objeto de estudo a
sociedade, que, no
entanto, é objetivada via
cinco conceitos-chave
que guardam entre si
forte grau de
parentesco, pois todos
se referem à ação
humana modelando a
superfície terrestre:
paisagem, espaço,
região, lugar e
território.
Adaptado de: CORRÊA,
Roberto Lobato. Espaço, um
conceito-chave da Geografia.
In: CASTRO, Iná Elias de;
GOMES, Paulo Cesar da
Costa; CORRÊA, Roberto
Lobato (Org.). Geografia:
conceitos e temas.
Rio de Janeiro: Bertrand
Brasil, 1995. p. 16.

9
SÍNTESE HISTÓRICA
Breve história do pensamento geográfico

D
esde a Antiguidade, muitos pensadores elabora- ensino nascentes na Europa do século XIX que exigiu a
ram estudos considerados geográficos, embora o criação de cursos universitários voltados para a forma-
conhecimento fosse disperso e desarticulado. ção de professores da escola básica. No Brasil, a Geogra-
Passaram-se séculos até esse conhecimento ser organi- fia tornou-se disciplina escolar a partir de 1837, com a
zado como uma disciplina científica, mas, diferentemen- fundação do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, e só viria
te do que muitos pensam, a Geografia escolar não é de- a se tornar disciplina acadêmica quase cem anos depois,
rivada da Geografia acadêmica. Ao contrário, foi a com a criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras
presença da disciplina nos currículos dos sistemas de da Universidade de São Paulo, em 1934.

Heródoto Eratóstenes Estrabão

• Analisaram a dinâmica
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Library/Keystone

dos fenômenos naturais.


• Elaboraram descrições

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Library/Keystone
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Library/Keystone

de paisagens.
• Estudaram a relação
homem-natureza.

484 a.C. - 420 a.C. 275 a.C. - 194 a.C. 63 a.C. - 24 d.C.
Grécia Grécia Grécia
Busto de Heródoto no Museu Busto de Eratóstenes, Ilustração de Estrabão feita
Arqueológico Nacional, em local desconhecido. em 1584 por Andre Thevet,
Nápoles (Itália). sacerdote e escritor francês.

Cláudio Ptolomeu Immanuel Kant


• Em sua obra Sintaxe • Um dos primeiros
matemática e Geografia, pensadores a se
Veneranda Biblioteca
Ambrosiana/De Agostini/
Glow Images

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Library/Keystone

encontram-se preocupar com a


importantes registros sistematização do
geográficos, cartográficos conhecimento
e astronômicos. Seus geográfico.
conhecimentos • Desenvolveu reflexões
ajudaram na produção sobre os conceitos de
de mapas mais precisos, espaço e tempo.
c. 100 - 180 fundamentais para a 1724 - 1804
expansão marítima do
Grécia Alemanha
final do século XV.
Retrato de Claudio Ptolomeu Busto de Immanuel Kant feito em
feito por Antonio Maria Crespi mármore por Friedrich Hagemann
(1580-1630). Pinacoteca (1773-1806), Museu Hamburger
Ambrosiana, Milão (Itália). Kunsthalle, Hamburgo (Alemanha).

Alexander von Humboldt Karl Ritter


A primeira cátedra de
• Fez diversas viagens Geografia foi criada na
exploratórias, entre as Universidade de Berlim,
quais uma para a
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Library/Keystone

bilwissedition/
akg-images/Latinstock

América do Sul e América em 1825, e foi ocupada


Central (1799-1804). por Karl Ritter. Em 1870
• Na obra Cosmos,
composta de cinco
somente três
volumes publicados
universidades alemãs
entre 1845 e 1862 que ofereciam o curso de
registram anos de Geografia – Berlim,
1769 - 1859 estudos geográficos, 1779 - 1859
Breslau e Göttingen –,
Alemanha tentou fazer uma Alemanha
síntese da parte mas em 1890
Retrato de Alexander von Karl Ritter, autoria
Humboldt feito por Henri Lehmann terrestre do Cosmos. desconhecida, c. 1900. praticamente todas as
(1814-1852), coleção privada. universidades do país
passaram a oferecê-lo.
Fundadores da Geografia como ciência, Humboldt e Ritter iniciaram
a sistematização de seus fundamentos teórico-metodológicos.

10 Introdução
Primeiro curso A Geografia
acadêmico de no currículo
Geografia
• A Universidade de do Colégio Pedro II
Berlim foi criada em
1810 por Wilhelm von
A institucionalização Humboldt, irmão de

Reprodução/Biblioteca
Nacional, Rio de Janeiro, RJ.
Alexander von

Kiev.Victor/Shutterstock/
Glow Images
da Geografia Humboldt, e foi palco
acadêmica e escolar de concorridas palestras
sobre sua obra Cosmos.
Século XIX Em homenagem aos
Europa dois, desde 1949
chama-se Universidade
Humboldt de Berlim, e o 1837
perfil de seus rostos Brasil
1825 aparece no símbolo da
instituição. O Imperial Colégio Pedro II,
Alemanha criado em 1837, passou a
Edifício da Universidade funcionar no antigo
Friedrich Ratzel Humboldt, em Berlim. Seminário de São Joaquim,
Foto de 2014.
Paul Vidal de no Rio de Janeiro (RJ).
La Blache
• Um dos principais
bilwissedition/
akg-images/Latinstock

formuladores da Geografia.
• Definiu a Geografia como
ciência humana, embora na
prática a tenha tratado como Harlingue/Roger Viollet/
Agência France-Presse • Criticou o método
ciência natural. descritivo e defendeu
• Considerou a influência que que a Geografia se
preocupasse com a
as condições naturais
1844 - 1904 exercem sobre a humanidade relação homem-meio.
Alemanha como um objeto de estudo
da disciplina.
Ratzel, autoria
desconhecida, c. 1900. • Seus discípulos radicalizaram 1845 - 1918
suas ideias, dando origem ao França
“determinismo geográfico”. La Blache, autoria
desconhecida,
década de 1910.

Milton Santos Yves Lacoste


• Sua obra A Geografia
• Um dos primeiros, no – isso serve, em primeiro
Brasil, a defender a lugar, para fazer a guerra
Mônica Zarattini/
Agência Estado

Boyan Topaloff/Agência
France-Presse

renovação crítica da balançou as estruturas


Geografia. da Geografia tradicional
• Desenvolveu a reflexão ao denunciá-la como
teórica da Geografia instrumento ideológico
brasileira e acabou a serviço de interesses
ganhando o prêmio políticos e econômicos
Vautrin Lud (1994), dominantes. Ao mesmo
1926 - 2001 concedido anualmente 1929 - tempo, indicou
em reconhecimento ao caminhos para a
Brasil trabalho de um França renovação crítica da
Milton Santos durante eminente geógrafo. disciplina.
entrevista em São Paulo (SP),
em 2000.

Primeiro curso
“O Departamento de Geografia da Faculdade de universitário
Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP tem sua
de Geografia
Cecilia Bastos/ Jornal da USP -
Serviço de Comunicação Social

origem no ano de 3, na antiga subseção de


Geografia e História da Faculdade de Filosofia,
em nosso país
Ciências e Letras. Naquele ano, o primeiro ensino 1934
universitário de Geografia foi inaugurado com a Brasil
cátedra de Geografia, sob a responsabilidade do
professor Pierre Deffontaines, que veio especialmente Prédio do
da França para ocupá-la. Em 3, a cátedra passou Departamento de
para a responsabilidade do professor Pierre Monbeig.” Geografia da
O Departamento de Geografia. Disponível em: FFLCH-USP, na Cidade
<www.geografia.fflch.usp.br>. Acesso em: 3 jun. 2015. Universitária, em São
Paulo (SP), em 2015.

Um pouco de teoria da Geografia 11


Durante a Guerra Fria,
os laboratórios do
1 Espaço geográfico e paisagem
Pentágono chegaram a
cogitar a produção de A paisagem é a aparência da realidade geográfica, aquilo que nossa percepção
um engenho, a bomba auditiva, olfativa, tátil e, principalmente, visual capta. Embora as paisagens materia-
de nêutrons, capaz de
aniquilar a vida
lizem relações sociais, econômicas e políticas travadas entre os grupos humanos, elas
humana em uma dada nem sempre são percebidas. Desvendá-las requer observação, percepção e pesquisa,
área, mas preservando sendo esse o caminho para que o espaço produzido pelo homem seja apreendido em
todas as construções.
O presidente Kennedy
sua essência. Podemos dizer, então, que o espaço geográfico é formado tanto pela
afinal renunciou a sociedade quanto pela paisagem permanentemente construída e reconstruída por
levar a cabo esse ela. Reveja a foto que abre esta Introdução, na página 7. Repare que, embora em nos-
projeto. Senão, o que
na véspera seria ainda
so dia a dia a paisagem seja associada muitas vezes à natureza, ela também expressa
o espaço, após a a sociedade. Ou seja, a paisagem é composta tanto de elementos culturais, construídos
temida explosão seria pelo trabalho humano, quanto de elementos naturais, resultantes da ação dos pro-
apenas paisagem. Não
tenho melhor imagem
cessos da natureza. O espaço geográfico materializa todos esses elementos mais as
para mostrar a relações humanas que se desenvolvem na vida em sociedade. Observe o mapa con-
diferença entre esses ceitual na página a seguir.
dois conceitos.
Para ilustrar essas relações e evidenciar a diferença entre paisagem e espaço, Milton
Adaptado de: SANTOS, Milton.
A natureza do espaço. São Santos afirmou que, se eventualmente a humanidade fosse extinta, teríamos o fim da
Paulo: Hucitec, 1996. p. 85.
sociedade e, consequentemente, do espaço geográfico, mas ainda assim a paisagem
construída permaneceria. Apesar de didática, há um problema nessa ideia: se a huma-
nidade desaparecesse, quem chamaria a paisagem de paisagem? Perceba que o homem
Consulte o site de desenvolve as técnicas, cria as coisas e também os conceitos que as definem. Não é
Milton Santos e o do
projeto Gênesis, de possível dissociar o trabalho, o pensamento e a linguagem, que são características in-
Sebastião Salgado. Veja trinsecamente humanas. Por isso, o psicólogo bielorrusso Lev Vygotsky (1896-1934)
orientações na seção
Sugestões de leitura, afirmou em suas obras que a relação do homem com o mundo se dá mediada por fer-
filmes e sites. Veja ramentas (trabalho) e símbolos (linguagem). Além disso, caso a humanidade deixasse
também a indicação dos
filmes O mundo sem de existir, com o passar do tempo as formas construídas se degradariam pela ação do
ninguém, Eu sou a lenda
e Na natureza selvagem.
intemperismo e por falta de manutenção. Ou seja, ao longo do tempo nem a paisagem
resistiria ao fim da sociedade.
Marcos Amend/Shutterstock/Glow Images

Vista aérea de trechos da floresta


Amazônica e do rio Negro no Parque
Nacional de Anavilhanas (AM), 2014.
Esse parque foi criado para preservar o
arquipélago fluvial de Anavilhanas, assim
como para permitir o estudo e a
preservação desse bioma. Observe que se
trata de uma paisagem natural
aparentemente intocada, mas sua própria
preservação é fruto da ação humana.

12
Conceitos-chave
da Geografia

espaço geográfico

composto
de

em em
natureza relação à sociedade associação à paisagem

materializa-se materializa-se
pode ser
nos nos

elementos elementos
naturais da culturais da natural cultural
paisagem paisagem

composta composta
Cienpies Design/Shutterstock/Glow Images

de de

elementos elementos
naturais culturais

produzidos produzidos
pelas pelo

forças da trabalho
Mapa conceitual organizado pelos autores com o software Cmap Tools, natureza humano
desenvolvido pelo Institute for Human and
Machine Cognition (IHMC). Florida, Estados Unidos, 2015.
Disponível em: <http://cmap.ihmc.us/>. Acesso em: 30 dez. 2015.

13
2 Lugar
As pessoas vivem no lugar, por isso esse conceito é o ponto de partida para a
compreensão do espaço geográfico em escala nacional, regional ou mundial. É no
lugar que as pessoas se relacionam, estabelecendo laços afetivos com parentes,
amigos, colegas, vizinhos e também com a paisagem. É no lugar que são construídas
as relações de cooperação, embora também as de conflito. É nele, portanto, que
construímos nossa identidade cultural e socioespacial.
Para compreender o espaço geográfico e os conceitos dele desdobrados, preci-
samos entender as relações sociais e as marcas deixadas pelos grupos humanos na
paisagem dos lugares. A rigor, precisamos entender as relações próprias da nature-
za, as relações próprias da sociedade e, de forma integrada, as relações entre a
sociedade e a natureza. É a isso que a Geografia, como ciência, se dedica, e é por
isso que estudamos essa disciplina na escola.
É interessante perceber que a compreensão do espaço geográfico e de seus
recortes conceituais também implica trabalhar com os recortes analíticos, isto é,
com a noção de escala geográfica. Observe o mapa conceitual na página 18 e per-
ceba que na compreensão socioespacial há uma correlação entre os recortes
conceituais e os analíticos. Assim, as escalas geográficas podem ser:
• local: exige a operacionalização do conceito de lugar, associado ao conceito de
paisagem;
• nacional: implica a operacionalização do conceito de território controlado pelo
Estado-nação, que pode ser trabalhado também nas esferas estadual ou provincial
e municipal;
• regional: demanda trabalhar com o conceito de região em extensões variáveis em
termos de área;
• mundial: abrange todo o globo terrestre; por isso, também é chamada de esca-
la global, pois permite análises socioespaciais bastante panorâmicas e integradas.

Taiguara Rangel/Globo Comunicação e Participações S.A.


Festa do Bode Rei realizada em
Cabaceiras (PB), em 2013. Essa
cidade do Sertão do Cariri foi
cenário de mais de trinta
filmes, minisséries e novelas
– entre os quais O Auto da
Compadecida –, por isso ficou
conhecida como “Roliúde
Nordestina” (veja matéria em:
<http://g1.globo.com/
jornal-nacional/
noticia/2013/12/roliude-
nordestina-atrai-diretores-de-
cinema-por-causa-do-clima.
html>. Acesso em: 4 set. 2015).
Cabaceiras é um exemplo de
lugar que mescla elementos
locais, como a festa em
homenagem ao bode,
importante criação local, e
elementos globais, como a
referência a Hollywood,
Califórnia (Estados Unidos),
em virtude da vocação
cinematográfica da cidade.

14 Introdução
Pensando no Enem
parentesco, amizade, trabalho, etc. –, mas também pela
Portadora de memória, a paisagem ajuda a construir relação subjetiva que cada um constrói com a paisagem
os sentimentos de pertencimento; ela cria uma local. Essa relação das pessoas com o lugar e sua paisa-
atmosfera que convém aos momentos fortes da gem, principalmente em momentos de festas e comemo-
vida, às festas, às comemorações. rações, garante o sentimento de pertencimento a que se
CLAVAL, P. Terra dos homens: a Geografia.
São Paulo: Contexto, 2010 (adaptado).
refere o geógrafo francês Paul Claval. Por isso, é importan-
te pensar que a paisagem não é apreendida apenas pela
visão, embora este seja o principal sentido a apreendê-la.
No texto é apresentada uma forma de integração da pai- Quem, por exemplo, já não criou alguma ligação com a
sagem geográfica com a vida social. Nesse sentido, a pai- paisagem de um lugar pela contemplação de uma vista
sagem, além de existir como forma concreta, apresenta que lhe agrada, pelo cheiro do perfume de alguma flor
uma dimensão desse lugar, pelo canto de um pássaro, pela sirene de uma
a) política de apropriação efetiva do espaço. fábrica ou ainda pela emoção de uma festa? Ou seja, a
b) econômica de uso de recursos do espaço. paisagem, assim como o lugar do qual ela é parte, possui
c) privada de limitação sobre a utilização do espaço. uma dimensão concreta, feita pela natureza ou pelo tra-
d) natural de composição por elementos físicos do espaço. balho humano, e uma dimensão simbólica, feita de per-
e) simbólica de relação subjetiva do indivíduo com o espaço. cepção individual, de subjetividade. Assim, cada pessoa
percebe e vivencia a paisagem de um modo particular.
Resolução Portanto, a resposta correta é a alternativa E.
A questão exige a compreensão de um conceito-chave da Esta questão trabalha com a Competência de área 1 –
Geografia – a paisagem –, assim como sua percepção, sua Compreender os elementos culturais que constituem as
vivência. Como vimos, o lugar, que é um recorte do espaço identidades e, entre outras habilidades, com a de área
geográfico, é feito de suas relações sociais e sua paisa- H5 – Identificar as manifestações ou representações da
gem. Assim, o vínculo das pessoas com um lugar é cons- diversidade do patrimônio cultural e artístico em dife-
truído não apenas pelas relações sociais estabelecidas – rentes sociedades.

Cavalhadas de Pirenópolis (GO), em 2012. Essa


festa de origem portuguesa é uma encenação

Thomaz Vita Neto/Pulsar Imagens


ao ar livre das batalhas entre mouros e
cristãos (saiba mais em:
<www.pirenopolis.tur.br/cultura/folclore/
festa-do-divino/cavalhadas/a-encenacao-das-
cavalhadas>. Acesso em: 4 set. 2015).
Este é um bom exemplo da integração da
paisagem geográfica com a vida social e a
história, criando identidades e sentido de
pertencimento a um lugar, tema tratado pela
questão do Enem.

15
Dialogando
com filosofia 3 Territ—rio
A relação entre o Estado e o espaço é central na obra Antropogeografia, a mais
A sociedade que
importante de Friedrich Ratzel. Segundo ele, a partir do momento em que uma
consideramos, seja
grande ou pequena, sociedade se organiza para defender um território, transforma-se em Estado. Daí se
desejará sempre depreende que o território é o recorte do espaço geográfico sob o controle de um
manter sobretudo a
poder instituído – o Estado nacional e suas esferas subnacionais. Porém, há situações
posse do território
sobre o qual e graças em que outros agentes podem controlar um território, por exemplo, um grupo ter-
ao qual ela vive. rorista ou de narcotraficantes, muitas vezes, em disputa com um Estado legalmen-
Quando esta
te constituído.
sociedade se organiza
com esse objetivo, ela Ao criticar o método descritivo e defender que a Geografia se preocupasse com
se transforma em a relação homem-meio, posicionando o ser humano como agente que sofre influência
Estado.
da natureza e que também age sobre ela, transformando-a, Paul Vidal de La Blache
RATZEL, Friedrich. Geografia
do homem (antropogeogra-
inaugurava uma corrente teórica conhecida como “possibilismo”, em contraposição
fia). In: MORAES, Antonio ao “determinismo”. Ambas foram influenciadas pelo positivismo e posteriormente
Carlos R. Ratzel. São Paulo:
Ática, 1990. p. 76. rotuladas de “Geografia tradicional”. A Geografia lablachiana, embora tenha avan-
çado em relação à visão naturalista de Ratzel, não rompeu totalmente com ela;
continuou sendo uma ciência dos lugares, não dos homens, empenhada em descre-
Positivismo: corrente filo-
sófica criada pelo francês ver os aspectos visíveis da realidade.
Auguste Comte (1798- Assim, até meados do século XX, a maioria dos geógrafos limitava-se a descrever
-1857). Valoriza apenas a
verdade positiva, isto é,
as características físicas, humanas e econômicas das diversas formações socioespaciais,
concreta, objetiva. Na bus- procurando estabelecer comparações e diferenciações entre elas; e era assim que a
ca de leis que expliquem a Geografia aparecia nos materiais didáticos. Nesse período, desenvolveu-se a Geogra-
realidade, propõem a ob-
servação e a pesquisa em- fia regional, fortemente influenciada pela escola francesa, e o conceito de região ga-
pírica. Há uma separação nhou importância na análise geográfica.
entre sujeito e objeto.

Prédios no bairro de Shinjuku, Tóquio (Japão), em 2015.


Ao fundo, o monte Fuji, o mais alto do território japonês.
Localizado a cerca de 100 km a sudoeste da capital, pode
ser visto em dias claros.
Observe que nesta paisagem aparecem elementos
culturais e naturais. Metrópoles, como Tóquio, não são
propriamente um lugar, e sim um conjunto de lugares
nos quais a vivência diária é fragmentada.

16
4 Região
Em Geografia, a região pode ser conceituada como uma de- Região do Triângulo Mineiro (MG)
terminada área da superfície terrestre, com extensão variável,
que apresenta características próprias e particulares que a di-
ferenciam das demais. Desde então o conceito de região ficou
associado à categoria particularidade e pode ser definido por
diversos critérios. A região pode ser natural,, quando o critério
de distinção é a paisagem natural, ou geográfica,, se
a diferenciação for econômica, política, social ou

Banco de imagens/Arquivo da editora


cultural. No passado as regiões eram relativa-
mente isoladas, e os estudos de Geografia re-
gional eram dominantes. Atualmente, com o
avanço da globalização e da sociedade informacional,
em um mundo organizado em redes, as regiões se moderniza- 0 165 330
ram e estabelecem cada vez mais relações entre si – as conexões km

aumentaram significativamente –, o que tem reduzido o isola- Triângulo Mineiro


Organizado pelos autores.
mento e a diferenciação entre elas.
Uma região geográfica
Embora tenha um importante papel no desenvolvimento da ciência geográfica, tanto pode ser maior que
a Geografia tradicional nos legou um ensino escolar centrado na memorização. o território de um Estado
Essa estrutura perdurou até a segunda metade do século XX, quando a descrição nacional, como a área
abrangida pelos territórios
das paisagens, com seus fenômenos naturais e sociais, passou a ser realizada de dos países da América
forma mais eficiente e atraente pela televisão. A partir daí, os geógrafos foram Latina, como pode ser
obrigados a buscar novos objetos de estudo que permitissem à Geografia sobrevi- menor que este, como
mostra o mapa.
ver como disciplina escolar no ensino básico e como ramificação das ciências huma-
nas em nível universitário.
jiratto/Shutterstock/Glow Images

17
Conceitos-chave
da Geografia

espaço geográfico
analisado/
vivenciado por

escalas
local regional
geográficas

lugar região

abriga nacional pode ser

relações
paisagens natural geográfica
sociais

critério critério

paisagem paisagem
natural cultural

território abriga

sob o
poder do(s)

Estado outros
nacional agentes meio geográfico

em disputa composto
com de

meio meio meio técnico-


incorporação incorporação de
natural de técnica técnico ciência e técnica -científico-
-informacional
Mapa conceitual organizado pelos autores com o software Cmap Tools, desenvolvido pelo Institute for Human and Machine
Cognition (IHMC). Flórida, Estados Unidos, 2015. Disponível em: <http://cmap.ihmc.us>. Acesso em: 30 dez. 2015.

18
5 Renova•‹o metodol—gica
Como vimos, durante anos a Geografia foi influenciada pelo positivismo, mas
Obtenha mais
após a Segunda Guerra Mundial começou uma renovação teórico-metodológica que informações sobre o livro
A Geografia: isso serve, em
atingiu inicialmente a Geografia acadêmica e depois teve desdobramentos na primeiro lugar, para fazer
Geografia escolar. Uma vertente crítica da renovação foi influenciada pelo marxis- a guerra na seção
Sugestões de leitura,
mo, e outra, conservadora, pelo neopositivismo. filmes e sites.
A vertente marxista da renovação teve como um dos pioneiros o geógrafo fran-
cês Yves Lacoste, que em 1976 publicou A Geografia: isso serve, em primeiro lugar,
para fazer a guerra. Nesse livro, ele denunciou a existência da “Geografia dos Esta-
dos-maiores” – a serviço do Estado e do capital, ou seja, a Geopolítica – e da “Geo-
grafia dos professores” – ensinada nas salas de aula de universidades e escolas bá- Dialogando
sicas e materializada em trabalhos acadêmicos e manuais didáticos. com filosofia

Segundo Lacoste, a Geografia dos professores acabava servindo para


Marxismo: corrente filosófica fundada
mascarar o papel da Geopolítica e seus vínculos com os poderosos, com pelo alemão Karl Marx (1818-1883).
os interesses dominantes. No Brasil, um dos pioneiros nesse processo de Como método de interpretação, tendo
se baseado sobretudo nas categorias
renovação crítica foi o geógrafo Milton Santos, principalmente com uma
“materialismo histórico” e “luta de clas-
de suas primeiras obras: Por uma Geografia nova, lançada em 1978. Veja ses”, por meio das quais enfatizava a
imagem abaixo. determinação material da existência
humana e a necessidade da revolução
Enquanto a renovação na França e no Brasil teve forte influência do como via de transformação social, in-
pensamento de esquerda, sobretudo do marxismo (na Alemanha a maior fluenciou a Revolução Russa de 1917.
Com o tempo se constituíram correntes
influência veio de pensadores neomarxistas), nos Estados Unidos e no
neomarxistas que buscaram atualizar o
Reino Unido a contraposição à corrente tradicional foi a Geografia prag- pensamento de Marx, como a teoria
mática ou quantitativa. Essa vertente da renovação, orientada metodo- crítica, fundada na década de 1930 pelo
filósofo alemão Max Horkheimer (1895-
logicamente pelo neopositivismo, condenava o atraso tecnológico da -1973) e que ficou mais conhecida como
Geografia tradicional, passando a utilizar sistemas matemáticos e com- “Escola de Frankfurt”. O principal her-
deiro dessa corrente de pensamento é
putacionais na interpretação do espaço geográfico. Essa corrente tecni-
o filósofo Jürgen Habermas (1929-).
cista e utilitarista, que em geral mascarava os conflitos e as contradições
Neopositivismo: no início do século XX,
sociais denunciados pelos geógrafos críticos, era uma perspectiva con- um grupo de filósofos austríacos conhe-
servadora, a serviço da manutenção do status quo (do latim, ‘atual esta- cido como “Círculo de Viena”, sob a lide-
rança de Rudolf Carnap (1891-1970),
do das coisas’). buscou ir além das propostas de Comte
e propôs a verificação empírica e o for-
malismo lógico como base da ciência.
ra Edusp

Na tentativa de unificar as ciências na-


turais e humanas com base na lingua-
pirus
ão/Edito

gem da Física, desenvolveu o empirismo


/Editora Pa

lógico, método também chamado de


Reproduç

positivismo lógico ou neopositivismo.


Reprodução

ros de
Ao lado, dois liv
auto res qu e
ra a
contribuíram pa
ão de co nceitos
divulgaç
Geografia
relacionados à
rtir da
e seu ensin pa
o a
de 19 70 .
década

Um pouco de teoria da Geografia 19


O fim da União Soviética e do socialismo real reduziu a influência do marxismo
Dialogando
com filosofia nas ciências humanas, abrindo caminho para a ampliação da influência de outras
correntes filosóficas na Geografia, como a fenomenologia, aumentando o leque
Fenomenologia: corrente da renovação teórico-metodológica da disciplina.
filosófica desenvolvida pelo
alemão Edmund Husserl Atualmente, consolida-se a certeza de que a Geografia é uma disciplina funda-
(1859-1938). Esse método mental para a compreensão do mundo contemporâneo, de seu meio geográfico e
de interpretação valoriza o
de seus problemas sociais, econômicos e ambientais. Mais do que tudo, é uma dis-
sujeito e busca apreender
a essência dos fenômenos ciplina crucial para a formação de cidadãos conscientes e trabalhadores mais bem
por meio da consciência e preparados para a sociedade do conhecimento.
da vivência; contrapondo-
-se ao neopositivismo, va- Como vimos, cabe à Geografia – acadêmica e escolar – compreender as relações
loriza a intuição, a percep- próprias da natureza, as relações próprias da sociedade e, de forma mais abran-
ção e a subjetividade. A
gente e integrada, as relações entre a sociedade e a natureza e suas consequências
adoção por muitos geó-
grafos dessa corrente filo- socioambientais. Isso se dá, como vimos, por meio de seus próprios conceitos e,
sófica, junto de outras, em uma perspectiva interdisciplinar, também de muitos conceitos emprestados
como o existencialismo,
caracterizou a chamada de outras disciplinas: Filosofia, História, Sociologia, Economia, Ciência Política,
Geografia humanista. Antropologia, Ecologia, Física, etc., como veremos ao longo deste livro.

João Prudente/Pulsar Imagens

Orientados pela professora, estudantes exploram aparelho que simula os movimentos de translação e de rotação da Terra,
fundamentais para compreender, respectivamente, a sucessão das estações do ano e de dias e noites, como veremos no próximo
capítulo. Escola Estadual Professora Leila Mara Avelino, em Sumaré (SP), em 2014.

20 Introdução
Atividades
atenção!
Compreendendo conteúdos Não escreva no seu livro!

1. Observe o mapa conceitual da página 13 e defina com suas palavras os conceitos de paisagem e espaço geográfico
apontando suas diferenças e convergências.

2. Observe o mapa conceitual da página 18 e defina com suas palavras os conceitos de lugar, território e região. Dê um
exemplo de cada.

3. Com base no que você estudou na Introdução, explique o significado de escala geográfica.

Desenvolvendo habilidades
4. Com a orientação do(a) professor(a), reúna-se em grupos para o desenvolvimento das duas atividades a seguir.
Primeiro, façam cada uma delas sozinhos e, depois, discutam com os colegas do grupo a fim de encontrar conver-
gências ou divergências em suas respostas. Para finalizar, façam os ajustes que julgarem necessários.
Agora, observem a foto das páginas 16 e 17 e leiam, a seguir, o trecho extraído do livro A natureza do espaço, de
Milton Santos. Aproveitem e releiam o trecho do mesmo livro na página 12.

Paisagem e espaço não são sinônimos. A paisagem é o conjunto de formas que, num dado momento, exprimem as heranças que
representam as sucessivas relações localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas mais a vida que as anima.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo: Hucitec, 1996. p. 83.

a) Como o autor distinguiu os conceitos de espaço geográfico e paisagem?


b) A foto das páginas 16 e 17 retrata uma paisagem e também um espaço geográfico. Que elementos indicam isso?
5. Leia, a seguir, um trecho do livro O lugar no/do mundo, de Ana Fani, professora do Departamento de Geografia da
FFLCH-USP. Observe a imagem abaixo e, em seguida, responda às questões.

O lugar é a base da reprodução da vida e pode ser analisado pela tríade habitante-identidade-lugar. A cidade, por exemplo,
produz-se e revela-se no plano da vida e do indivíduo. Este plano é aquele do local. As relações que os indivíduos mantêm
com os espaços habitados se exprimem todos os dias nos modos do uso, nas condições mais banais, no secundário, no
acidental. É o espaço passível de ser sentido, pensado, apropriado e vivido através do corpo.
Como o homem percebe o mundo? É através de seu corpo, de seus sentidos que ele constrói e se apropria do espaço e do mundo.
O lugar e a porção do espaço apropriável para a vida – apropriada através do corpo, dos sentidos, dos passos de seus
moradores –, é o bairro, é a praça, é a rua, e nesse sentido poderíamos afirmar que não seria jamais a metrópole ou mesmo a
cidade lato sensu, a menos que seja a pequena vila ou cidade – vivida/conhecida/reconhecida em todos os cantos.
Adaptado de: CARLOS, Ana Fani Alessandri. O lugar no/do mundo. São Paulo: FFLCH, 2007. p. 17-18.

a) Com base na leitura do texto e na observação da imagem, como o conceito de lugar pode ser entendido?
b) Por que, segundo a autora, uma metrópole não pode ser considerada um lugar?
c) Como é o lugar onde vocês vivem? O que está bom e o que pode ser melhorado? Discutam atitudes coletivas
que podem melhorar a vida da comunidade do lugar.
Gerson Gerloff/Pulsar Imagens
Pessoas reunidas no
distrito de Vale Vêneto,
município de São João
Polêsine (RS), durante
a realização da XXX
Semana Cultural
Italiana de Vale Vêneto,
em 2015.

21
Vestibulares de Norte a Sul atenção!
Não escreva no seu livro!

enquanto o conceito de “lugar” corresponde a


Testes uma fração do espaço, onde se vive o cotidiano e
se cria uma identidade.
1. NE (UFBA)
(32) Os atuais avanços tecnológicos alcançados pelas

Reprodução/Prova UFBA
novas geotecnologias — entre as quais o monito-
ramento por imagens de satélites e o geoprocessa-
mento — possibilitam aos países do hemisfério
norte prever e controlar a extensão dos estragos
provocados pelas grandes catástrofes naturais.
(64) A concepção de “natureza”, na abordagem geo-
gráfica contemporânea, assume uma posição
privilegiada, como agente determinante inexorá-
vel da vida, ou seja, todos os mecanismos gera-
dores do ambiente são responsáveis pela adap-
tação, ou não, do homem a uma região.

2. SE (UFU-MG) A Geografia se expressou e se expressa


a partir de um conjunto de conceitos que, por vezes,
são considerados erroneamente como equivalentes,
a exemplo do uso do conceito de espaço geográfico
Em relação ao estudo da Geografia – considerando-se como equivalente ao de paisagem, entre outros.
suas peculiaridades conceituais e suas abordagens
Considerando os conceitos de espaço geográfico, pai-
direcionadas para os vetores sociedade-natureza –,
sagem, território e lugar, assinale a alternativa incor-
pode-se afirmar:
reta.
(01) A Geografia é uma ciência peculiar, pois, à luz do
a) A paisagem geográfica é a parte visível do espaço
presente, procura desvendar e reconstituir o pas-
e pode ser descrita a partir dos elementos ou dos
sado das condições físicas originais de uma de-
objetos que a compõem. A paisagem é formada
terminada região, estabelecendo, assim, diversas
apenas por elementos naturais; quando os ele-
analogias entre fatos e fenômenos estruturais
diferentes numa mesma localidade. mentos humanos e sociais passam a integrar a
paisagem, ela se torna sinônimo de espaço geo-
(02) O conceito de espaço geográfico abrange, na reali-
gráfico.
dade, tudo que o homem imprime na natureza ao
longo do tempo, deixando marcas do seu trabalho b) O espaço geográfico é (re)construído pelas socieda-
e da sua cultura, modificações permanentes que des humanas ao longo do tempo, através do traba-
vão criando uma nova imagem das regiões. lho. Para tanto, as sociedades utilizam técnicas de
(04) A paisagem geográfica constitui a expressão do que dispõem segundo o momento histórico que
jogo de relações entre os processos endógenos e vivem, suas crenças e valores, normas e interesses
exógenos, acrescidos dos culturais, ou seja, reúne econômicos. Assim, pode-se afirmar que o espaço
uma série de elementos naturais, humanizados geográfico é um produto social e histórico.
e artificiais, que se encontram em diferentes es- c) O lugar é concebido como uma forma de tratamen-
tágios de transformação. to geográfico do mundo vivido, pois é a parte do
(08) A localização é um dos princípios básicos da espaço onde vivemos, ou seja, é o espaço onde mo-
Geografia, que permite deduzir que duas cida- ramos, trabalhamos e estudamos, onde estabele-
des posicionadas na mesma faixa zonal neces- cemos vínculos afetivos.
sariamente não se encontram em latitudes e d) Historicamente, a concepção de território associa-se
hemisférios semelhantes, podendo estar situa- à ideia de natureza e sociedade configuradas por
das, simultaneamente, em domínios naturais um limite de extensão do poder. A categoria terri-
opostos. tório possui uma relação estreita com a de paisa-
(16) O conceito de “território”, sob o prisma geográfi- gem e pode ser considerada como um conjunto de
co, está ligado às relações de poder, ou seja, àque- paisagens contido pelos limites políticos e adminis-
les aspectos relacionados, entre outros, à política, trativos de uma cidade, estado ou país.

22 Introdução
3. S (UFRGS-RS) Leia a letra da canção Ora bolas, de Pau- A partir do texto citado, é correto afirmar que
lo Tatit e Edith Derdyk. a) a escala matemática permite a compreensão dos
Oi, oi, oi, espaços nas escalas do lugar, da região, do território
Olha aquela bola, nacional bem como estas se articulam.
A bola pula bem no pé, b) o espaço possui múltiplas dimensões e a com-
No pé do menino. preensão dos fenômenos espaciais requer um estu-
Esse menino é meu vizinho. do que considere as diferentes escalas geográficas.
Onde ele mora? c) os fenômenos mundiais se sobrepõem e definem
Mora lá naquela casa. a cultura do lugar, que, com a globalização, perdeu
Onde está a casa? sua importância.
A casa tá na rua. d) as paisagens humanas que compõem o território,
Onde está a rua? em uma sociedade globalizada, tendem a inviabili-
Tá dentro da cidade. zar os fluxos de ideias, pessoas e mercadorias.
Onde está a cidade?
Tá do lado da floresta. 5. S (UEM-PR) Espaço, lugar, território e paisagem cons-
Onde é a floresta? tituem conceitos dos estudos geográficos. Sobre o
A floresta é no Brasil. significado desses termos para a Geografia, assinale
Onde está o Brasil? o que for correto.
Tá na América do Sul, 01) O território constitui para a Geografia apenas o
No continente Americano cercado de oceano domínio político de um Estado dentro de um de-
E das terras mais distantes, terminado espaço geográfico. Território e espaço,
De todo o planeta. portanto, têm exatamente o mesmo significado.
E como que é o planeta? 02) O espaço geográfico, ou simplesmente espaço, é
O planeta é uma bola, analisado levando em conta os lugares, as regiões,
Que rebola lá no céu. os territórios e as paisagens.
Oi, oi, oi, 04) Tudo aquilo que vemos e que nossa visão alcan-
Olha aquela bola. ça é a paisagem. A dimensão da paisagem é a
TATIT, Paulo. Ora bolas. Canções de brincar. dimensão da percepção, o que chega aos nossos
São Paulo: Palavra Cantada, 1996. 1 CD-ROM. sentidos.
08) A paisagem é o conjunto das formas construídas
A canção aborda uma temática importante para com- pelo homem moderno em função de recursos
preender a produção do espaço geográfico e essa te- tecnológicos. O espaço é composto por essas
mática pode ser definida como formas e pela vida que as anima. Portanto, pai-
a) migração intraurbana. sagem e espaço são sinônimos, têm o mesmo
b) diferentes níveis de escala geográfica. significado.
c) transformações na paisagem natural. 16) O lugar é um espaço produzido ao longo de um
d) formação do espaço urbano. determinado tempo. Apresenta singularidades, é
e) integração econômica no continente americano. carregado de simbolismo e agrega ideias e senti-
dos produzidos por aqueles que o habitam.
4. SE (UFSJ-MG)
6. SE (Unimontes-MG) Considerando as relações de
A materialidade artificial pode ser datada, exatamente,
afetividade e identidade que as pessoas passam
por intermédio das técnicas: técnicas da produção, do
a estabelecer através de vivências e vínculos cria-
transporte, da comunicação, do dinheiro, do controle, da
dos, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1998)
política e, também, técnicas da sociabilidade e da subjeti-
entendem que essa categoria geográfica permite
vidade. As técnicas são um fenômeno histórico. Por isso, é
que ocorra a comunicação entre o homem e o
possível identificar o momento de sua origem. Essa datação
mundo. O texto faz referência a qual categoria
é tanto possível à escala de um lugar quanto à escala do
geográfica?
mundo. Ela é também possível à escala de um país, ao con-
siderarmos o território nacional como um conjunto de a) Lugar.
lugares. b) Região.
SANTOS, Milton. A natureza do espaço. São Paulo:
c) Território.
Hucitec, 1996. p. 46. d) Espaço.

Um pouco de teoria da Geografia 23


7. NE (UEPB) A figura mostra o muro que separa o Mé-

Reprodução/UEPB-PB, 2010.
xico dos Estados Unidos nas proximidades de Tijuana.
Assinale a alternativa que traz a categoria geográfica
que melhor explica a presença desse elemento de se-
paração entre os dois países.
a) Paisagem, por ser um elemento geográfico que es-
tá ao alcance visual da população desses países.
b) Espaço, pois explica as relações sociedade/natureza
e as contradições presentes na construção históri-
ca desses dois países.
c) Território, pois estabelece a linha divisória de apro-
priação e delimitação dos poderes entre duas na-
ções.
d) Lugar, pois representa o zelo e a necessidade de
preservação do povo americano pelo país ao qual
pertence, vive suas relações cotidianas e dedica o
sentimento patriótico.
e) Região, pois a cidade de Tijuana é o mais importan-
te centro metropolitano de influência na região de
fronteira entre o México e os Estados Unidos.

Foto disponível em:


<http://dignidaderebelde.blogspot.
com/2009/03/o-muro-da-vergonha.html>.
Acesso em: 29 jul. 2014.

Questão atenção!
Não escreva no seu livro!

8. SE (Unesp-SP) Observe as figuras.


Passado Presente

Imagens: Reprodução/Unesp-SP, 2007.

Adaptado de: GIOMETTI, Analúcia et al. (Org.). Pedagogia cidadã: ensino de Geografia. 2006.

Faça uma análise espaço-temporal da paisagem, identificando quatro transformações feitas pelo homem.

24 Introdução
Caiu no Enem atenção!
Não escreva no seu livro!

1. No dia 1o de julho de 2012, a cidade do Rio de Janeiro e) incorporação de novos elementos produtivos
tornou-se a primeira do mundo a receber o título da oriundos da atividade rural resultou em uma rela-
Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Cultural. ção com a cadeia produtiva industrial, subordinan-
A candidatura, apresentada pelo Instituto do Patrimônio do a cidade ao campo.
Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi aprovada duran-
3. Ninguém vive sem ocupar espaço, sem respirar, sem ali-
te a 36a Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial.
mentar-se, sem ter um teto para abrigar-se e, na Moderni-
O presidente do Iphan explicou que “a paisagem carioca
dade, sem o que se incorporou na vida cotidiana: luz, tele-
é a imagem mais explícita do que podemos chamar de civi-
fone, televisão, rádio, refrigeração dos alimentos, etc.
lização brasileira, com sua originalidade, desafios, contradi-
A humanidade não vive sem ocupar espaço, sem utilizar-se
ções e possibilidades”. A partir de agora, os locais da cidade
cada vez mais intensamente das riquezas naturais que são
valorizados com o título da Unesco serão alvo de ações in-
tegradas visando à preservação da sua paisagem cultural. apropriadas privadamente.

Disponível em: <www.cultura.gov.br>. RODRIGUES, A. M. Desenvolvimento sustentável: dos conflitos de


Acesso em: 7 mar. 2013. (Adaptado.) classes para os conflitos de gerações. In: SILVA. J. B. et al. (Org.). Panorama
da Geografia brasileira. São Paulo: Annablume, 2006 (fragmento).
O reconhecimento da paisagem em questão como
O texto defende que duas mudanças provocadas pe-
patrimônio mundial deriva da
la ação humana na Modernidade são:
a) presença do corpo artístico local.
a) a alteração no modo de vida das comunidades e a de-
b) imagem internacional da metrópole.
limitação dos problemas ambientais em escala local.
c) herança de prédios da ex-capital do país.
b) o surgimento de novas formas de apropriação dos
d) diversidade de culturas presente na cidade.
territórios e a utilização pública dos recursos naturais.
e) relação sociedade-natureza de caráter singular.
c) a incorporação de novas tecnologias no processo
2. Os últimos séculos marcam, para a atividade agrícola, com a produtivo e a aceleração dos problemas ambientais.
humanização e a mecanização do espaço geográfico, uma d) o aumento do consumo de bens e mercadorias e a
considerável mudança em termos de produtividade: chegou- utilização de mão de obra nas unidades produtivas.
-se, recentemente, à constituição de um meio técnico-cientí- e) o esgotamento das reservas naturais e a desacele-
fico-informacional, característico não apenas da vida urbana, ração da produção de bens de consumo humano.
mas também do mundo rural, tanto nos países avançados
como nas regiões mais desenvolvidas dos países pobres.
4. Dubai é uma cidade-estado planejada para estarrecer os vi-
sitantes. São tamanhos e formatos grandiosos, em hotéis e
SANTOS, M. Por uma outra globalização: do pensamento único
centros comerciais reluzentes, numa colagem de estilos e
à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2004 (adaptado).
atrações que parece testar diariamente os limites da arqui-
A modernização da agricultura está associada ao de- tetura voltada para o lazer. O maior shopping do tórrido Orien-
senvolvimento científico e tecnológico do processo te Médio abriga uma pista de esqui, a orla do Golfo Pérsico
produtivo em diferentes países. Ao considerar as novas ganha milionárias ilhas artificiais, o centro financeiro anun-
relações tecnológicas no campo, verifica-se que a cia para breve a torre mais alta do mundo (a Burj Dubai) e
a) introdução de tecnologia equilibrou o desenvolvi- tem ainda o projeto de um campo de golfe coberto! Coberto
mento econômico entre o campo e a cidade, refle- e refrigerado, para usar com sol e chuva, inverno e verão.
tindo diretamente na humanização do espaço
Disponível em: <http://viagem.uol.com.br>.
geográfico nos países mais pobres. Acesso em: 30 jul. 2012 (adaptado).
b) tecnificação do espaço geográfico marca o mode-
No texto, são descritas algumas características da
lo produtivo dos países ricos, uma vez que preten-
dem transferir gradativamente as unidades indus- paisagem de uma cidade do Oriente Médio. Essas ca-
triais para o espaço rural. racterísticas descritas são resultado do(a)
c) construção de uma infraestrutura científica e tec- a) criação de territórios políticos estratégicos.
nológica promoveu um conjunto de relações que b) preocupação ambiental pautada em decisões go-
geraram novas interações socioespaciais entre o vernamentais.
campo e a cidade. c) utilização de tecnologia para transformação do espaço.
d) aquisição de máquinas e implementos industriais, d) demanda advinda da extração local de combustí-
incorporados ao campo, proporcionou o aumento veis fósseis.
da produtividade, libertando o campo da subordi- e) emprego de recursos públicos na redução de desi-
nação à cidade. gualdades sociais.

Um pouco de teoria da Geografia 25


1
UNIDADE

Fundamentos de
Cartografia
Você já utilizou um GPS ou um mapa digital? Sabia que esses
recursos tecnológicos contribuíram bastante para o aperfei-
çoamento e popularização da Cartografia, disciplina encarre-
gada de produzir mapas, plantas e outros produtos cartográfi-
cos que representam a superfície terrestre ou parte dela?
Muitas vezes não nos damos conta de como a Cartografia está
presente em nosso cotidiano: no celular, na internet, no jornal,
na televisão, no guia de ruas, na planta do metrô, etc.; pense
em algumas situações diárias em que você a utiliza.
Agora, vamos conhecê-la melhor? Como a Cartografia vai nos
ajudar muito no estudo de diversos temas da Geografia e nos
orientar em nossa viagem de descoberta dos conhecimentos
geográficos, vamos estudá-la logo no início.

26
Planeta Terra:

1
CAPÍTULO
coordenadas,
movimentos e
fusos hor‡rios
Luke Dodd/Science Photo Library/Latinstock

Constelação do Cruzeiro do Sul.

27
©2010 Bill Watterson/Dist. by Atlantic Syndication/Universal Uclick
WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo: Yukon ho! São Paulo: Conrad, 2008. p. 56.

N
a tirinha, Calvin e Haroldo estão nos Estados Unidos e planejam ir a
Yukon, um território localizado no noroeste do Canadá. Para ir até lá,
saindo do estado de Washington, por exemplo, é necessário atravessar
toda a província canadense da Colúmbia Britânica, ou seja, cerca de 1 500 qui-
lômetros em linha reta, e bem mais que isso indo de carro. Eles consultaram
um globo terrestre para terem uma ideia da distância e do tempo de viagem.
Será que foi uma boa opção?
Situar-se no espaço geográfico sempre foi uma preocupação dos grupos
humanos. Nos primórdios, isso acontecia em virtude da necessidade de se
Cartografia: segundo a
Associação Cartográfica
deslocar para encontrar abrigo e alimentos. Com o passar do tempo, as socie-
Internacional, Cartografia dades se tornaram mais complexas e surgiram muitas outras necessidades.
é a “disciplina que trata da Isso explica a crescente importância da Cartografia.
concepção, produção, dis-
Além das tradicionais representações cartográficas feitas em papel, já po-
seminação e estudo de
mapas”. Para Fraser Taylor, demos utilizar sistemas de mapas digitais; para nos orientarmos na cidade ou
cartógrafo da Universida- na estrada, é possível usar aparelhos GPS (Sistema de Posicionamento Global).
de Carleton (Canadá), é a É importante também nos situarmos no tempo em relação às horas e às
“disciplina que trata da
organização, apresenta- estações do ano, o que suscita perguntas como: “Se aqui são 15 horas, que
ção, comunicação e utili- horas serão em Londres? E em Nova York?”;
zação da geoinformação “Por que todo ano o governo implanta o
nas formas gráficas, digi-
tal ou tátil, incluindo todos
horário de verão?”. Para respon-
os processos, desde o tra- der a essas e a outras per-
tamento dos dados até o guntas, precisamos estu-
uso final na criação de
dar os movimentos da
mapas e produtos relacio-
nados com a informação Terra, as estações do
espacial”. ano, as coordenadas
geográficas, os fusos
horários. É o que fare-
mos a seguir.

28 Capítulo 1
1 Formas de orientação N

Banco de imagens/Arquivo da editora


Norte

O ser humano sempre necessitou de referências para se orientar no Noroeste Nordeste


(NW) (NE)
espaço geográfico: um rio, um morro, uma igreja, um edifício, à direita,
à esquerda, acima, abaixo, etc. Mas, para ter referências um pouco mais
precisas, inventou os pontos cardeais e colaterais, como mostra a figu- W
Oeste
E
Leste
ra ao lado.
A rosa dos ventos indica os pontos cardeais e colaterais e aparece
Sudoeste Sudeste
no mostrador da bússola, que tem uma agulha sempre apontando pa- (SW) (SE)

ra o norte magnético (veja a foto abaixo).


S
O uso da bússola associada à rosa dos ventos permite encontrar Sul

rumos em mapas, desde que ambos estejam com a direção norte apon- Pontos cardeais: N, E, S, W
tada corretamente. Assim, o usuário pode encontrar os outros pontos Pontos colaterais: NE, SE, SW, NW

cardeais e os colaterais, orientando-se no espaço geográfico. Organizado pelos autores.

Atualmente, com o avanço tecnológico, é muito mais preciso se A rosa dos ventos possibilita encontrar a
orientar pelo GPS. Mas, se alguém não dispõe de uma bús- direção de qualquer ponto da linha do
horizonte (numa abrangência de 360°).
sola nem de um aparelho GPS, é possível se orientar de O nome foi criado no século XV por
forma aproximada no espaço geográfico? Sim, é navegadores do mar Mediterrâneo em
possível. Leia o texto a seguir para entender associação aos ventos que impulsionavam
suas embarcações.
como se faz isso.

A bússola foi inventada pelos chineses


provavelmente no século I, porém só foi
utilizada no século XIII em embarcações
s er

venezianas. A partir do século XV, foi


gig

fundamental para orientar os marinheiros


n/
Sh

tt
u

er
st
oc
k /G
nas Grandes Navegações.
low
Imag e s

Outras leituras M anzi


/Arq uivo da
editora. Organizad
o pelo
s au
tor
ulo es
Pa .

Orientação pelo Sol


Um dos aspectos mais importantes para a utilização eficaz
e satisfatória de um mapa diz respeito ao sistema de orien- Norte
O Sol se põe. O Sol nasce.
tação empregado por ele. O verbo orientar está relacionado
com a busca do oriente, palavra de origem latina que signi-
esquerda
fica ‘nascente’. Assim, o “nascer” do sol, nessa posição, rela-
Oeste Leste
ciona-se à direção (ou sentido) leste, ou seja, ao oriente. direita
esquerda
Possivelmente, o emprego dessa convenção está ligado a
um dos mais antigos métodos de orientação conhecidos. Esse
método se baseia em estendermos nossa mão direita [braço di-
reito] na direção do nascer do sol, apontando, assim, para a direção
Sul
leste ou oriental; o braço esquerdo esticado, consequentemente, se pro-
longará na direção oposta, oeste ou ocidental; e a nossa fronte estará Segundo Fitz, “deve-se tomar
voltada para o norte, na direção setentrional ou boreal. Finalmente, as cuidado ao fazer uso dessa
costas indicarão a direção do sul, meridional, ou ainda, austral. A repre- maneira de representação, já que,
dependendo da posição
sentação dos pontos cardeais se faz por leste (E ou L); oeste (W ou O);
latitudinal do observador, nem
norte (N); e sul (S). A figura apresenta essa forma de orientação. sempre o Sol estará exatamente
FITZ, Paulo Roberto. Cartografia básica. São Paulo: Oficina de Textos, 2008. p. 34-35. na direção leste”.

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 29


Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul.”
Gilberto Gil (1942), cantor e compositor.

Você já percebeu que, quando uma pessoa está mostrado na foto de abertura deste capítulo, é utili-
perdida em algum lugar, costuma-se dizer que ela está zado como uma forma de orientação? A canção
“desnorteada” (perdeu o norte) ou “desorientada”1 (per- “Oriente”, de Gilberto Gil, sugere isso. Presente no
deu o oriente)? Perceba que tanto o verbo “orientar” álbum Expresso 2222, de 1972, os versos acima foram
como o substantivo “orientação” derivam da palavra compostos pelo artista na Espanha. A letra dessa mú-
“oriente”. sica simboliza a saudade que Gilberto Gil sentia do
Além da orientação pelo Sol, como mostra o tex- Brasil. Nela, o Cruzeiro do Sul adquire uma conotação
to da página anterior, é possível orientar-se também mais ampla: a da busca pela redescoberta de sua dis-
pelas estrelas. Você sabia que o Cruzeiro do Sul, tante terra natal. Leia o texto a seguir.

Para saber mais

Orientação pelas estrelas


À noite, no hemisfério meridional, é possível en-
contrar a direção sul aproximada observando a cons-

Paulo Manzi/Arquivo da editora. Elaborada pelos autores.


Constelação do
telação do Cruzeiro do Sul. Para isso, é necessário pro- Cruzeiro do Sul
longar 4,5 vezes o tamanho do braço maior dessa braço
constelação e, a partir deste ponto, traçar uma perpen- maior
dicular em direção ao horizonte, como se pode ver na
ilustração ao lado. Mas isso só vale para o hemisfério
meridional, onde o Cruzeiro do Sul pode ser observado.

s
No hemisfério boreal, para encontrar a direção

ze
ve
norte aproximada, basta localizar a estrela Polaris (tam-

4,5
do
bém chamada de Polar ou do Norte) e projetá-la no
n
polo ga
horizonte: às costas do observador estará o sul; à di-
n
olo

celeste
pr

reita, o leste, e à esquerda, o oeste. Essa estrela encon- sul


tra-se no firmamento num ponto sobre o polo norte,
como se fosse uma extensão do eixo da Terra; por isso, ponto
aos nossos olhos permanece fixa no céu. A Polaris é a cardeal
sul horizonte
estrela mais brilhante da constelação de Ursa Menor
e pode ser facilmente observada. Por séculos, orientou
os navegantes no hemisfério norte (ela só pode ser
Sul
vista daí), antes da invenção de instrumentos que dis-
pensam a observação do céu.
O Cruzeiro do Sul está representado em bandeiras
nacionais de diversos países meridionais, como o Brasil, Leste
Oeste
a Austrália e Papua-Nova Guiné.
Norte
Consulte o site do Centro de Divulgação
da Astronomia da USP e o da Fundação
Planetário da Cidade do Rio de Janeiro. Veja
orientações na seção Sugestões de leitura,
filmes e sites.

1 Com o passar do tempo, essas expressões, além da conotação geográfica, ganharam também um sentido figurado de cunho psicológico, como
sinônimos de “confusão mental”, “perplexidade”.

30 Capítulo 1
2 Coordenadas
As coordenadas nos auxiliam na localização preci- Conhecer apenas a latitude de um ponto, porém,
sa de elementos no espaço geográfico. Elas podem ser não é suficiente para localizá-lo. Se procurarmos, por
geográficas ou alfanuméricas. exemplo, um ponto 20° ao sul do equador, encontrare-
mos não apenas um, mas infinitos pontos situados ao
Geográficas longo do paralelo 20° S. Por isso, é necessária uma se-
O globo terrestre, como podemos ver nas figuras gunda coordenada que nos permita localizar um de-
a seguir, pode ser dividido por uma rede de linhas ima- terminado ponto.
ginárias que permitem localizar qualquer ponto em sua Para determinar a segunda coordenada, a longi-
superfície. Essas linhas determinam dois tipos de coor- tude, foram traçadas linhas que cruzam os paralelos
denadas: a latitude e a longitude, que em conjunto são perpendicularmente. Essas linhas, que também cru-
chamadas de coordenadas geográficas. Num plano zam o equador, são denominadas meridianos (do la-
cartesiano, como você já deve ter aprendido ao estudar tim meridiánus, ‘de meio-dia, relativo ao meio-dia’).
Matemática, a localização de um ponto é determinada Observe na figura a seguir que os meridianos são
pelo cruzamento das coordenadas x e y; numa esfera, semicircunferências que têm o mesmo tamanho e
o processo é semelhante, mas as coordenadas são me- convergem para os polos.
didas em graus. Como referência, convencionou-se internacional-
As coordenadas geográficas funcionam como “en- mente adotar como meridiano 0° o que passa pelo
dereços” de qualquer localidade do planeta. O equador Observatório Real de Greenwich, nas proximidades
corresponde ao círculo máximo da esfera, traçado num de Londres (Inglaterra), e o meridiano oposto, a 180°,
plano perpendicular ao eixo terrestre, e determina a ser chamado de “antimeridiano”. Esses meridianos
divisão do globo em dois hemisférios (do grego hemi, dividem a Terra em dois hemisférios: ocidental, a
‘metade’, e sphaera, ‘esfera’): o norte e o sul. A partir do oeste de Greenwich, e oriental, a leste. Assim, os de-
equador, podemos traçar círculos paralelos que, à me- mais meridianos podem ser identificados por sua
dida que se afastam para o norte ou para o sul, dimi- distância, medida em graus, ao meridiano de
nuem de diâmetro. A latitude é a distância em graus Greenwich. Essa distância é a longitude, e varia de
desses círculos, chamados paralelos, em relação ao 0° a 180° tanto para leste (E) quanto para oeste (W).
equador, e varia de 0° a 90° tanto para o norte (N) quan-
to para o sul (S). Meridianos (longitudes)
O trópico de Câncer e o trópico de Capricórnio são
linhas imaginárias situadas à latitude aproximada de
23° N e de 23° S, respectivamente. Os círculos polares
Banco de imagens/Arquivo da editora
ch
reenwi

também são linhas imaginárias, situadas à latitude apro-


ximada de 66° N e de 66° S.
Meridiano de G

Na figura, o círculo polar Antár- Paralelos (latitudes)


60° W
45° W

tico não aparece por causa da


75° E
30° W

Polo Norte
60° E
45° E
15° W

Cír
30° E

culo P 75° N ico


15° E

posição da representação olar Árt


60° N
da Terra.
45° N
Tr
ó pi
co d 30° N
e Cânce
r

15° N
E qu
ador

Tró Adaptado de: NATIONAL Geographic Student Atlas of the World.


pico 15° S
de Cap
ricórnio 3rd ed. Washington, D.C.: National Geographic Society, 2009. p. 8.
Reprodução sem escala.
30° S

45° S

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 31


Se procurarmos, por exemplo, um ponto de coorde- Para localizar com exatidão um ponto no território,
nadas 51° N e 0°, será fácil encontrá-lo: estará no cruza- indicam-se as medidas em graus (o), minutos (’) e se-
mento do paralelo 51° N com o meridiano 0°. Consultan- gundos (”). As coordenadas geográficas do Observató-
do um mapa, verificaremos que esse ponto está muito rio de Greenwich, por exemplo, são 51° 28’ 38’’ N e
próximo do Observatório de Greenwich, na Inglaterra. 0° 00’ 00’’. Perceba que sem a latitude, identificamos
o meridiano de Greenwich, mas não o obser-
Grade de paralelos e meridianos vatório inglês que foi utilizado como referên-
(coordenadas geográficas) cia para a definição do meridiano zero.
75° N
Latitude 51º 30’ N

Danita Delimont/Gallo Images/Getty Images


Longitude 0º 60° N
Londres

h
45° N

c
reenwi
30° N
Meridiano de G

15° N
60° W
45° W

90° E
75° E
30° W

60° E
45° E
15° W

30° E
15° E


Adaptado de: NATIONAL

Geographic Student Atlas of


15° S
the World. 3rd ed. Washington,
D.C.: National Geographic
30° S
Society, 2009. p. 8. ra

Reprodução sem escala. 45° S ito


ed
da
ivo
rqu
ns/A
Banco de image

Observatório Real de Greenwich, nas


proximidades de Londres (Reino Unido),
em foto de 2012. Os turistas costumam
tirar fotografias com um pé no
hemisfério ocidental e outro no
hemisfério oriental. No detalhe, a linha
do meridiano 0° traçada nas
dependências desse observatório.
No chão, há a identificação da longitude
de diversas cidades.

Oli Scarff/Getty
Images

32
Alfanuméricas

Rubens Chaves/Acervo do fotógrafo


Também podemos utilizar as coordenadas alfanu-
méricas para localizar algo em um mapa ou em uma
planta. Elas não são tão precisas como as coordenadas
geográficas, mas auxiliam na localização de elementos
da paisagem, como uma rua, uma praça, um teatro, uma
estação de trem ou de ônibus, num guia de uma cidade.
Se um turista quiser localizar algum desses elemen-
tos, basta consultar a lista dos principais pontos de
interesse, que aparecem em guias turísticos acompa-
nhados de sua respectiva coordenada, e localizá-los na
planta turística da cidade. Imagine que você é esse tu-
rista e quer visitar o Teatro Municipal, na praça Ramos
de Azevedo, em São Paulo, além de outras atrações
Trecho do centro histórico da cidade de São Paulo (SP),
interessantes próximas dali. Veja suas coordenadas e
em foto de 2012. Em primeiro plano aparece o viaduto
localize-o na planta urbana a seguir. do Chá, que cruza o vale do Anhangabaú; ao fundo, o
Teatro Municipal e, à sua frente, a praça
Ramos de Azevedo.
Planta turística do centro de São Paulo (SP)

Adaptado de: SÃO PAULO TURISMO S.A. (SPTURIS). Mapas:


principais atrações, 2012. Disponível em: <www.spturis.com/
download/arquivos/folder-mapas-v11.pdf>. Acesso em: 6 set. 2015.

0 150 m
Reprodução/SEMPLA, São Paulo, SP.
PrinciPais atrações
1 Basílica e Mosteiro de São Bento C3 14 Edifício Martinelli C3 26 Monumento Duque de Caxias B2 39 Palácio do Anhangabaú (Ed. Matarazzo) –
2 Biblioteca Mário de Andrade B4 15 Estação e Jardim da Luz C1 27 Mosteiro da Luz / Museu de Arte Sacra D1 Prefeitura C4
3 Bolsa de Mercadorias e Futuros BM&F C3 16 Estação Júlio Prestes B1 28 Museu Anchieta D4 40 Pateo do Collegio D4
4 Bolsa de Valores de São Paulo 17 Estação Pinacoteca C1 29 Museu da Cidade – Solar da Marquesa D4 41 Pinacoteca do Estado C1
(Espaço Bovespa) C3 18 Faculdade de Direito da Universidade 30 Museu da Língua Portuguesa C1 42 Pirâmide dos Piques (Obelisco)
5 Catedral Metropolitana da Sé C4 de São Paulo (USP) – Largo São Francisco C4 31 Museu do Teatro Municipal B3 (instalada no largo da Memória) B4
6 Casa no 1 D4 19 Monumento Fonte dos Desejos C3 32 N. Sra. da Consolação (Igreja) A4 43 Sala São Paulo B1
7 Centro Cultural Banco do Brasil C4 20 Galeria do Rock B3 33 N. Sra. do Rosário dos Homens Pretos (Igreja) C3 44 Largo Santa Ifigênia C2
8 CIT (Central de Informações Turísticas) Olido C3 21 Galeria Olido C3 34 O Beijo (estátua instalada no largo 45 Santo Antônio (Igreja) C4
9 Conjunto Cultural da Caixa D4 22 Monumento Glória Imortal aos Fundadores São Francisco) C4 46 Sebos (entre a rua 24 de maio e a av. São João) B3
10 Edifício Altino Arantes (Torre do Banespa) C3 de São Paulo D4 35 Ordem Terceira de São Francisco (Igreja) C4 47 Shopping Light C4
11 Edifício Copan B4 23 Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo E1 36 Ordem Terceira do Carmo (Igreja) D4 48 Teatro Municipal C3
12 Edifício Caetano de Campos B3 24 Marco Zero – Praça da Sé D4 37 Palácio da Justiça D4 49 Viaduto do Chá C4
13 Edifício Itália (terraço com vista panorâmica) B3 25 Mercado Municipal D2 38 Palácio das Indústrias – Catavento E3 50 Viaduto Santa Ifigênia C3

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 33


3 Movimentos da Terra e estações do ano
Não se sabe exatamente quando o ser humano Em 21 ou 22 de dezembro (a data e a hora de início
descobriu que a Terra é esférica. Os antigos gregos, das estações variam de um ano para outro, conforme
observando a sombra da Terra sobre a Lua durante os mostra a tabela na página ao lado), o hemisfério sul
eclipses, já tinham certeza da esfericidade de nosso recebe os raios solares perpendicularmente ao trópico
planeta. O desaparecimento progressivo das embarca- de Capricórnio; dizemos, então, que está ocorrendo o
ções que se distanciavam no horizonte do mar também solstício de verão. O solstício (do latim solstitium, ‘Sol
fornecia argumentos aos defensores dessa ideia. estacionário’) define o momento do ano em que os
Eratóstenes, astrônomo e matemático grego, foi o raios solares incidem perpendicularmente ao trópico
primeiro a calcular, há mais de 2 mil anos, com precisão, de Capricórnio, dando início ao verão no hemisfério sul.
a circunferência da Terra. A diferença entre a circunfe- Depois de incidir nessa posição, parecendo estacionar
rência calculada por Eratóstenes (40 000 quilômetros) por um momento, o Sol inicia seu movimento aparen-
e a determinada hoje, com o auxílio de métodos muito te (visto da Terra parece que é o Sol que se movimenta)
mais precisos (40 075 quilômetros, no equador), como em direção ao norte. Esse mesmo instante marca o
se vê, é bem pequena. solstício de inverno no hemisfério norte, onde os raios
A esfericidade do planeta é responsável pela exis- estão incidindo com inclinação máxima.
tência das diferentes zonas climáticas (polares, tempe- Seis meses mais tarde, em 20 ou 21 de junho, quan-
radas e tropicais), pois os raios solares atingem a Terra do metade do movimento de translação já se comple-
com diferentes inclinações e intensidades. Próximo ao tou, as posições se invertem: o trópico de Câncer passa
equador, os raios solares incidem perpendicularmente a receber os raios solares perpendicularmente (solstí-
sobre a superfície, porém, quanto mais nos afastamos cio), dando início ao verão no hemisfério norte e ao
dessa linha, mais inclinada é essa incidência. Consequen- inverno no hemisfério sul (observe a figura sobre a
temente, a mesma quantidade de energia se distribui variação da insolação ao longo do ano no infográfico
por uma área cada vez maior, diminuindo, portanto, sua das páginas 36 e 37).
intensidade. Esse fato torna as temperaturas progressi- Em 20 ou 21 de março e em 22 ou 23 de setembro,
vamente mais baixas à medida que nos aproximamos os raios solares incidem sobre a superfície terrestre
dos polos (observe a incidência de raios solares na Terra perpendicularmente ao equador. Dizemos então que
no infográfico das páginas 36 e 37). estão ocorrendo os equinócios (do latim aequinoctium,
O eixo da Terra é inclinado em relação ao plano de ‘igualdade dos dias e das noites’), ou seja, os hemis-
sua órbita ao redor do Sol (movimento de translação). férios estão iluminados por igual. No mês de março
Uma consequência desse fato é a ocorrência das esta- iniciam-se o outono no hemisfério sul e a primavera no
ções do ano, conforme se pode ver no infográfico das hemisfério norte; no mês de setembro, o inverso (pri-
páginas 36 e 37. mavera no sul e outono no norte).
Fotos: Adam Brzuszek/Shutterstock/Glow Images
Árvore em Moszna (Polônia), 2010 e 2011.

Primavera Verão Outono Inverno

34
O dia e a hora do início dos solstícios e dos equinó- em todo o planeta, com exceção dos polos, que têm 24
cios mudam de um ano para outro; consequentemen- horas de crepúsculo. Quando é dia de solstício de verão
te, a duração de cada estação também varia. Consulte em um hemisfério, ocorrem o dia mais longo e a noite
na primeira tabela as datas e os horários (hora de Bra- mais curta do ano nessa metade da Terra; no mesmo
sília) dos solstícios e equinócios no hemisfério sul para momento, no outro hemisfério, sob o solstício de inver-
os anos de 2017 a 2021. no, acontecem a noite mais longa e o dia mais curto.
Em virtude da inclinação do eixo terrestre, os raios Observe a ilustração no infográfico das páginas 36 e 37.
solares só incidem perpendicularmente em pontos lo- Como é possível observar no infográfico que mostra
calizados entre os trópicos (a chamada zona tropical), a variação da insolação ao longo do ano, no equador não
que, por isso, apresentam temperaturas mais elevadas. há variação no fotoperíodo, mas à medida que nos
Nas zonas temperadas (entre os trópicos e os círculos afastamos dele, essa dife-
Crepúsculo: claridade no
polares) e nas zonas polares, o Sol nunca fica a pino, rença surge. Conforme au- céu entre o fim da noite
porque os raios sempre incidem obliquamente. menta a latitude, tanto para e o nascer do sol ou entre
o pôr do sol e a chegada
Outra consequência da inclinação, associada ao mo- o norte como para o sul, os
da noite.
vimento de rotação da Terra, é a duração desigual do dias ficam mais longos no Fotoperíodo: período em
dia e da noite ao longo do ano. Nos dois dias de equinó- verão e mais curtos no inver- que um ponto qualquer
da superfície terrestre
cio, quando os raios solares incidem perpendicularmen- no, como pode ser observa- fica exposto à incidência
te ao equador, o dia e a noite têm 12 horas de duração do na última tabela. dos raios solares.

Estações do ano
Equinócio de Solstício de Equinócio de Solstício de
Ano outono inverno primavera verão
Dia Hora Dia Hora Dia Hora Dia Hora

2017 20 mar. 07:29 21 jun. 01:24 22 set. 17:02 21 dez. 14:28

2018 20 mar. 13:15 21 jun. 07:07 22 set. 22:54 21 dez. 20:22

2019 20 mar. 18:58 21 jun. 12:54 23 set. 04:50 22 dez. 02:19

2020 20 mar. 00:50 20 jun. 18:43 22 set. 10:31 21 dez. 08:02

2021 20 mar. 06:37 21 jun. 00:32 22 set. 16:21 21 dez. 13:59


Adaptado de: INSTITUTO DE FÍSICA DA UFRGS. Astronomia e Astrofísica. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/sol/estacoes.htm>. Acesso em: 7 set. 2015.

Duração do dia (em horas) nos solstícios dos hemisférios norte e sul
21 dez. 2014 21 jun. 2015
Localidade Latitude • inverno (norte) • verão (norte)
• verão (sul) • inverno (sul)
Tromso (Noruega) 69° 40’ 00’’ N 00 h 00 24 h 00
Londres (Reino Unido) 51° 30’ 00’’ N 07 h 50 16 h 38
Tóquio (Japão) 35° 41’ 06’’ N 09 h 45 14 h 35
La Concordia (Equador) 0° 00’ 00’’ 12 h 07 12 h 07
Cidade do Cabo (África do Sul) 33° 55’ 00’’ S 14 h 25 09 h 54
Puerto Willians (Chile) 54° 55’ 59’’ S 17 h 22 07 h 11
Antártida 67° 24′ 51″ S 24 h 00 00 h 00
Adaptado de: UNITARIUM. World Time Clock. Disponível em: <http://time.unitarium.com>. Acesso em: 7 set. 2015.

Consulte o site do Observatório Astronômico Frei Rosário, da UFMG. Veja orientações na


seção Sugestões de leitura, filmes e sites. Veja também, nessa seção, a indicação do livro
O ABCD da Astronomia e Astrofísica, de Jorge Horvath, e do Atlas geográfico escolar, do IBGE.

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 35


INFOGRÁFICO
Insolação da Terra

A
insolação é a quantidade de energia emitida pelo
Sol (radiação eletromagnética) que incide sobre a
Terra, nos provendo de luz e calor. Atinge a super-
fície terrestre de forma desigual, por causa da esfericida-
As estações
de do planeta, da inclinação de seu eixo, do movimento Durante o movimento de translação há dois
solstícios e dois equinócios que permitem dividir o
de rotação – alternância dia-noite – e do movimento de ano em quatro estações com características
translação – alternância das estações. climáticas diferentes e bem definidas nas zonas
temperadas: primavera (primeiro verão), estação
amena que antecede o verão (período mais
quente), seguido pelo outono (período da colheita)
e depois inverno (período de hibernação),

Variação da insolação
associado ao frio.

ao longo do ano
A inclinação do eixo da Terra em relação ao plano de sua órbita 20 OU 21 DE JUNHO
em torno do Sol determina, de um lado, dias mais longos e maior SOLSTêCIO dia polar
insolação no hemisfério em que está ocorrendo o verão e, de
outro, dias mais curtos e menor insolação no hemisfério em que Hemisfério norte
está ocorrendo o inverno. início do verão
no 66°30Õ
ite
cur
ta
no dia
ite lo ngo
ed
ia c
om
m esm 23°30’
no a dur
ite a ção
lon
ga
Hemisfério sul dia 0°
curt
início do inverno o

Incidência da radiação 23°30’

solar na Terra 66°30’

Em razão da esfericidade do planeta, uma mesma quantidade de noite polar


energia solar incide sobre áreas de tamanhos diferentes nas
proximidades do equador e dos polos. À medida que aumenta a
latitude e, portanto, a inclinação dos raios solares em relação à
superfície terrestre, a área de incidência vai se ampliando. No
esquema abaixo, pode-se observar esse fenômeno.

Incidência solar no
solstício de dezembro

Círculo Polar Ártico

Trópico de Câncer

Equador
Trópico de Capricórnio

Círculo Polar Antártico

36 Capítulo 1
Ilustrações: Mario Kanno/Arquivo da editora

20 OU 21 DE MARÇO
EQUINÓCIO
Hemisfério norte
início da primavera

no 66°30’
ite
e d ia
com
no m esm
ite a du
e dia raçã
com o
no me 23°30’
ite sma
e d ia dur
com ação
m esm 21 OU 22 DE DEZEMBR0
a du 0°
raçã SOLSTÍCIO
o
23°30’
Hemisfério norte
início do inverno
66°30’ Hemisfério sul
início do outono
noite polar
66°30’

23°30’ dia
cur
to
0° no no i
ite te l
e on g
dia a
com
23°30’ m esm
dia a dur
lon ação
go
Hemisfério sul noi
início do verão te cu r t
a
66°30’

22 OU 23 DE SETEMBRO dia polar


EQUINÓCIO
Hemisfério norte
início do outono

no 66°30’
ite
e dia
no com
ite m esm
e dia a dur
com ação
no m
ite esm 23°30’
e dia a du
com raçã
o
m esm
a du r 0°
ação
23°30’

66°30’
Hemisfério sul
início da primavera

Adaptado de: OXFORD Atlas of the World. 2nd ed. New York: Oxford University Press, 2014. p. 72. Ilustração esquemática, sem escala.
Não há proporcionalidade nos tamanhos do Sol e da Terra nem na distância entre eles.

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 37


4 Fusos hor‡rios
Em razão do movimento de rotação da Terra, em Em 1884, 25 países se reuniram na Conferência
um mesmo momento, diferentes pontos longitudinais Internacional do Meridiano, realizada em Washington,
da superfície do planeta têm horários diversos. capital dos Estados Unidos. Nesse encontro ficou
Desde que foi inventada uma forma de marcar o decidido que as localidades situadas num mesmo
tempo com o relógio de Sol, cada localidade passou a fuso adotariam um único horário. Foi também acor-
adotar seu próprio horário. Lugares muito próximos dado pela maioria dos delegados dos países partici-
em termos de longitude chegavam a apresentar dife- pantes (a República Dominicana votou contra, a
renças de minutos em seus horários. No século XIX, França e o Brasil se abstiveram) que o meridiano que
com o desenvolvimento do transporte ferroviário e o passa por Greenwich seria a linha de referência para
consequente aumento da circulação de pessoas e mer- definir as longitudes e acertar os relógios em todo o
cadorias, isso começou a causar grandes transtornos. planeta.
Por isso, em um encontro da Sociedade Geodésica Para estabelecer os fusos horários, definiu-se o se-
Internacional, realizado em 1883 em Roma (Itália), foi guinte procedimento: o fuso de referência se estende
decidida a criação de um sistema internacional de de 7° 30’ para leste a 7° 30’ para oeste do meridiano de
marcação do tempo. Greenwich, o que totaliza uma faixa de 15 graus. Por-
Para isso, foram definidos os fusos horários. Divi- tanto, a longitude na qual termina o fuso seguinte a
dindo-se os 360 graus da esfera terrestre pelas 24 horas leste é 22° 30’ E (e, para o fuso correspondente a oeste,
de duração aproximada do movimento de rotação2, 22° 30’ W). Somando continuamente 15° a essas longi-
resultam 15 graus. Portanto, a cada 15 graus que a Ter- tudes, obteremos os limites teóricos dos demais fusos
ra gira, passa-se uma hora, e cada uma dessas 24 divi- do planeta.
sões recebe o nome de fuso horário. Observe a figura As horas mudam, uma a uma, à medida que pas-
a seguir; ela mostra o movimento de rotação, as datas samos de um fuso a outro. No entanto, como as linhas
e os fusos horários. que os delimitam atravessam várias unidades políti-
Meridiano
de Greenwich
co-administrativas, os países fizeram adaptações es-
tabelecendo, assim, os limites práticos dos fusos.
Nesses casos, os limites dos fusos coincidem com os
limites político-administrativos, na tentativa de man-
ter, na medida do possível, um horário unificado num
determinado território, evitando transtornos provo-
cados pela diferença de horas em áreas muito po-
voadas e/ou integradas economicamente. A China,
por exemplo, apesar de ser cortada por três fusos
Paulo Manzi/Arquivo da editora

teóricos, adotou apenas um


Linha horário (+8 h) para o país intei-
Internacional de
Mudança de Data ro. Alguns poucos países utili-
OOCC DDI I

zam um horário intermediário,


ÍÍÍN
EEAA CC
EE
ÍN

CCCCOO OO

O AN N
O O
NN

A
O
OCCEE II como a Índia, que adota um fuso de +5 h 30min em
O ÍÍ F
F
ACC
PPA relação a Greenwich, e a Venezuela, que adotou em
2008 um fuso de –4 h 30 min.

Na imagem, são representados movimento de rotação,


datas e fusos horários da Terra. O planeta tem,
Adaptado de: NATIONAL Geographic simultaneamente, duas datas, que mudam em dois pontos: no fuso em
Student Atlas of the World. 3rd ed.
Washington, D.C.: National que for meia-noite e no fuso oposto ao meridiano de Greenwich, por
Geographic Society, 2009. p. 13. onde passa a Linha Internacional de Mudança de Data.
Ilustração esquemática sem escala.

2 Uma volta completa da Terra em torno de seu eixo dura 23 horas, 56 minutos e 4 segundos.

38 Capítulo 1
No caso dos fusos teóricos, bastaria, para de- Porém, com a adoção dos limites práticos, em al-
terminar a diferença de horário entre duas loca- guns territórios os fusos podem medir mais ou me-
lidades, saber a distância leste-oeste entre elas, nos que os tradicionais 15°, como se pode verificar
em graus, e dividi-la por 15 (medida de cada fuso). no mapa a seguir.

Mundo: fusos hor‡rios


+12 –12 –11 –10 –9 –8 –7 –6 –5 –4 –3 –2 –1 0 +1 +2 +3 +4 +5 +6 +7 +8 +9 +10 +11 +12 –12

Banco de imagens/Arquivo da editora


OCEANO GLACIAL
ÁRTICO

Círculo Polar Ártico


rai
fe
a-

go ira
nd

m -fe
go
gu

60º

Do nda
in
Se

in
m

u
Do

ta Seg
Berlim Moscou

Da
Vancouver Londres
ata

de
Paris
Linha Internacional de Mudança d e D

Linha Internacional de Muda n ça


Madri Pequim
Nova York
Nova Tóquio
Los Angeles OCEANO Argel Teerã Seul
30º Délhi OCEANO
ATLÂNTICO Cairo
Trópico de Câncer PACÍFICO
Hong Kong
Cidade do México Dacar
Manila
Adis-
Equador Bogotá -Abeba
Meridiano de Greenwich (GMT)


OCEANO Nairóbi
Jacarta
PACÍFICO Lima OCEANO
Trópico de Capricórnio La Paz ÍNDICO
São Paulo
30º
Buenos Aires Cidade Sydney
do Cabo Melbourne
Horário fracionado 0 1 435 2 870
em meia hora
km

60º 180º 150º 120º 90º 60º 30º 0º 30º 60º 90º 120º 150º 180º

Adaptado de: OXFORD Atlas of the World. 21st ed. New York: Oxford University Press, 2014. p. 73.

O mapa-múndi de fusos mostra que as horas au- dessa linha estará sempre um dia adiante em relação à
mentam para leste e diminuem para oeste, a partir de metade a leste. Com isso, ao se atravessar a Linha de Da-
qualquer referencial adotado. Isso ocorre porque a Terra ta indo do leste para o oeste é necessário aumentar um
gira do oeste para o leste. Como o Sol nasce a leste, à dia.
medida que nos deslocamos nessa direção, estamos Por exemplo, numa hipotética viagem de São Paulo
indo para um local onde o Sol nasce antes; portanto, (Brasil) para Tóquio (Japão) via Los Angeles (Estados Uni-
nesse lugar as horas estão “adiantadas” em relação ao dos), um avião entrou no fuso horário da Linha
local de onde partimos. Quando nos deslocamos para de Data às 10 horas de um domingo; ime-
oeste, entretanto, estamos nos dirigindo a um local on- diatamente após cruzar essa linha, ainda
de o Sol nasce mais tarde; logo, nesse lugar as horas no mesmo fuso, continuarão sendo 10
estão “atrasadas” em relação ao nosso ponto de partida. horas, mas do dia seguinte, uma segun-
Além da mudança das horas, tornou-se necessário da-feira (identifique essa rota no mapa
definir um meridiano para a mudança da data no mun- acima). Já na viagem de volta ocorrerá o
NOVA YORK
do. Na Conferência de 1884, ficou estabelecido que o contrário, pois essa será do oeste para o les-
Fotos: sextoacto/Shutterstock/Glow Images

meridiano 180°, conhecido como antimeridiano porque te, e quando o avião cruzar a Linha de Da-
está exatamente no extremo oposto a Greenwich, se- ta deve-se diminuir um dia. Esse exemplo
ria a Linha Internacional de Mudança de Data (ou sim- pode causar certa estranheza: estamos
plesmente Linha de Data). acostumados a observar, no planisfério
O fuso horário que tem essa linha como meridiano centrado em Greenwich, o Japão situado
central tem uma única hora, como todos os outros, entre- a leste, mas como o planeta é esférico, po-
LONDRES
tanto em dois dias diferentes. A metade situada a oeste demos ir a esse país voando para o oeste.

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 39


Como observamos no mapa de fusos horários, na Perceba que a referência aqui considerada foi a Linha
página anterior, a partir do meridiano de Greenwich, de Data, assim a metade do fuso situada a leste dela
as horas vão aumentando para o leste e diminuindo está a oeste em relação a Greenwich (portanto, no
para o oeste. Entretanto, diferentemente do que mui- hemisfério ocidental), e a outra metade, situada a oes-
tas vezes se pensa, ao atravessar a Linha de Data indo te dela, está a leste do meridiano principal (no hemis-
para o leste deve-se diminuir um dia e, ao contrário, fério oriental). Lembre-se: a definição dos pontos car-
indo para o oeste, aumentar um dia. deais (e colaterais) depende sempre de um referencial.
Como se pode observar no mapa, assim como os Leia a seguir o trecho do livro A volta ao mundo em
meridianos que definem os fusos horários civis, a Li- 80 dias, romance ficcional do escritor francês Júlio Ver-
nha Internacional de Mudança de ne lançado em 1873, e observe novamente o mapa de
Data também adota limites prá- fusos horários da página anterior. Phileas Fogg, prota-
ticos, caso contrário alguns gonista da história, apostou com seus amigos que faria
países-arquipélago do Pacífi- uma viagem ao redor do mundo em 80 dias e retorna-
co, como Kiribati, teriam dois ria a Londres em 21 de dezembro de 1872. Porém, ele
dias diferentes em seus ter- chegou um dia antes. Por que isso ocorreu?
ritórios. Observe também
que na metade do fuso locali- Consulte o site do Time
and Date. Veja orientações
zada a leste da Linha Internacio- na seção Sugestões de
nal de Mudança de Data é domingo leitura, filmes e sites.
e na metade a oeste, segunda-feira.

Fotos:Balefire/
Shutterstock
Outras leituras

Capítulo XXXVII
Em que fica provado que Phileas Fogg nada ganhou
fazendo a volta ao mundo, a não ser a felicidade
[...]
Phileas Fogg tinha completado a volta ao mundo em oitenta dias!...
Phileas Fogg tinha ganhado sua aposta de vinte mil libras!
E agora, como é que um homem tão exato, tão meticuloso, tinha podido cometer este erro de dia? Como
se acreditava no sábado à noite, 2 de dezembro, ao desembarcar em Londres, quando estava na sexta, 20
de dezembro, setenta e nove dias somente após sua partida?
Eis a razão deste erro. Bem simples.
Phileas Fogg tinha, “sem dúvida”, ganhado um dia sobre seu itinerário — e isto unicamente porque tinha
feito a volta ao mundo indo para leste, e teria, pelo contrário, perdido este dia indo em sentido inverso, ou
seja, para oeste.
Com efeito, andando para o leste, Phileas Fogg ia à frente do Sol, e, por conseguinte, os dias diminuíam
para ele tantas vezes quatro minutos quanto os graus que percorria naquela direção. Ora, temos trezentos
e sessenta graus na circunferência terrestre, e estes trezentos e sessenta graus, multiplicados por quatro
minutos, dão precisamente vinte e quatro horas — isto é, o dia inconscientemente ganho. Em outros termos,
enquanto Phileas Fogg, andando para leste, viu o Sol passar oitenta vezes pelo meridiano, seus colegas que
tinham ficado em Londres só o viram passar setenta e nove vezes.
VERNE, Júlio. A volta ao mundo em 80 dias. Domínio público. p. 760-762.
Disponível em: <www.dominiopublico.gov.br/download/texto/ph000439.pdf>
Acesso em: 3 jul. 2015.

40 Capítulo 1
Fusos horários brasileiros No entanto, grande parte da população do Acre não
ficou satisfeita com essa mudança, porque ela causava
No Brasil, até 1913 as cidades tinham sua própria
transtornos em seu dia a dia. Por exemplo: de manhã,
hora. Por exemplo, segundo o Observatório Nacional,
muitos estudantes e trabalhadores saíam de casa com
“quando na Capital Federal, atual cidade do Rio de Ja-
o céu ainda escuro. Por isso, num plebiscito realizado em
neiro, eram 12 horas, em Recife eram 12h33 e em Porto
31 de outubro de 2010, mesmo dia em que se votou para
Alegre eram 11h28”. Com o desenvolvimento dos trans-
presidente da República, a maioria da população decidiu
portes isso começou a provocar muita confusão, tor-
pela volta do antigo fuso. O eleitor acriano respondeu à
nando-se necessária a adoção de fusos horários. Em 18
seguinte pergunta: “Você é a favor da recente alteração
de junho de 1913, o então presidente Hermes da Fon-
do horário legal promovida em seu estado?”. Do total de
seca sancionou um Decreto (n. 2 784) criando quatro
eleitores, 56,9% votaram pelo não, e com isso abriu-se a
fusos horários no país, situação que perdurou até 2008.
possibilidade de tramitação de uma nova lei no Congres-
Apesar da adoção do fuso horário prático, dois estados
so Nacional, regulamentando o desejo da maioria da
brasileiros — Pará e Amazonas — permaneceram “cor-
população do Acre. Em 30 de outubro de 2013, foi apro-
tados ao meio”.
vada a Lei n. 12 876, que revogou a legislação de 2008 e
Em 24 de abril de 2008, foi aprovada uma lei (n.
reintroduziu o fuso –5 horas (essa mudança entrou em
11 662) que eliminou o antigo fuso de –5 horas em re-
vigor em 10 de novembro de 2013).
lação a Greenwich e reduziu a quantidade de fusos
horários brasileiros para três. O sudoeste do estado do
Amazonas e todo o estado do Acre, que antes estavam
no fuso –5 horas, foram incorporados ao fuso –4 horas.
O estado do Pará deixou de ter dois fusos horários e
seu território ficou inteiramente no fuso –3 horas em
relação a Greenwich.
Cartazes evidenciam o descontentamento
com a mudança no fuso horário do Acre.
Como se infere do cartaz à direita, os
Reprodução/http://www.oriobranco.net fusos horários são estabelecidos tendo
como referência a natureza, isto é, o
movimento de rotação da Terra e a
alternância dia-noite.

41
Observe o mapa abaixo. Nele, podemos ver que e dos estados da região Nordeste, localizados no se-
o estado do Acre e o sudoeste do estado do Amazo- gundo fuso.
nas voltaram a fazer parte do quarto fuso brasileiro Esse fato, além de exigir cuidados com o planeja-
(–5 horas em relação a Greenwich e –2 horas em re- mento de viagens e horários diferenciados para o fun-
lação ao horário de Brasília, diferença que aumenta cionamento de bancos, correios e repartições públicas,
para 3 horas quando o horário de verão está em vi- contribui para que, em muitos estados brasileiros, os
gor). Perceba que não houve mudança com o estado programas de televisão transmitidos ao vivo do Sudes-
do Pará, que permanece inteiramente no segundo te sejam recebidos em diferentes horários (mais cedo)
fuso brasileiro (UTC* –3 horas). em outras regiões. Por exemplo, um telejornal produ-
Agora, compare o mapa de fusos horários com o zido e exibido em São Paulo ou Rio de Janeiro às 20h
que mostra os estados brasileiros em que vigora o locais (Hora Oficial) é visto na maior parte do Amazonas
horário de verão (na página 44) e perceba que, du- às 19h (no sudoeste deste estado e no Acre, às 18h).
rante sua vigência, a hora oficial do país se iguala ao Quando entra em vigor o horário de verão no fuso de
horário do nosso primeiro fuso e que o horário dos Brasília, o programa passa a ser visto respectivamente
estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que às 18h e às 17h, quando a maioria das pessoas ainda
estão no terceiro fuso, iguala-se ao horário do Pará está voltando do trabalho.

Brasil: fusos hor‡rios Ð 2013


Banco de imagens/Arquivo da editora

OCEANO Arquipélago
ATLÂNTICO de São Pedro
e São Paulo
RR
AP
Equador

Arquipélago
de Fernando
a
AM
de Noronha
ras (em relação
PA MA O fuso UTC –2 ho de ilh as
CE clusiv o
RN Atol das
Rocas
Greenwich) é ex
PI PB oc eâ ni ca s.
AC PE ras corresponde
AL O fuso UTC –3 ho
RO TO asília, a Hora
SE ao horário de Br
MT BA Oficial do Brasil.
fusos UTC –4 e
DF O limite entre os
im aginária que se
GO –5 é uma linha ga,
icípio de Tabatin
alonga do mun as, at é
MG az on
no estado do Am
Ilhas de
MS Trindade e
OCEANO ES Porto Acre,
PACÍFICO SP
Martim Vaz o município de
do do Ac re.
RJ no esta
PR Trópico d
e Capricór
nio
SC

RS

0 500 1 000
km

–5 horas –4 horas –3 horas –2 horas


Adaptado de: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Divisão Serviço da Hora. Fusos horários no Brasil.
Disponível em: <http://pcdsh01.on.br>; IBGE. Fusos Horários.
Disponível em: <http://7a12.ibge.gov.br/images/7a12/mapas/Brasil/brasil_fusos_horarios.pdf>.
Acesso em: 7 set. 2015.

Consulte mapas de fusos horários e acerte o relógio de acordo


com a Hora Legal Brasileira no site do Observatório Nacional.
Veja orientações na seção Sugestões de leitura, filmes e sites.

* Sigla em inglês para Tempo Universal Coordenado, que é definido com base em relógios atômicos muito precisos. O fuso do meridiano de
Greenwich é UTC 0.

42 Capítulo 1
Pensando no Enem
O sistema de fusos horários foi proposto na Conferência isto é, está a menos três horas em relação ao meridiano
Internacional do Meridiano, realizada em Washington, em de Greenwich (UTC 0). Como Pequim situa-se a oriente,
1884. Cada fuso corresponde a uma faixa de 15° entre dois no fuso UTC +8, conclui-se que está 11 horas adiantadas
meridianos. O meridiano de Greenwich foi escolhido para em relação à hora de Brasília (ou a capital brasileira está
ser a linha mediana do fuso zero. Passando-se um meri- 11 horas atrasadas em relação ao horário vigente na ca-
diano pela linha mediana de cada fuso, enumeram-se 12 pital chinesa, como propõe o problema). Assim, se a
fusos para leste e 12 fusos para oeste do fuso zero, obten- abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim teve início às
do-se, assim, os 24 fusos e o sistema de zonas de horas. 20h8min do dia 8 de agosto de 2008, os telespectadores
Para cada fuso a leste do fuso zero, soma-se 1 hora, e, do Amapá, assim como todos os brasileiros que vivem
para cada fuso a oeste do fuso zero, subtrai-se 1 hora. sob a hora do fuso UTC –3, viram o início dessa cerimô-
A partir da Lei n. 11 662/2008, o Brasil, que fica a oeste de nia às 9h8min do mesmo dia. Portanto, a alternativa que
Greenwich e tinha quatro fusos, passou a ter somente três responde corretamente ao problema proposto é a A. Ob-
fusos horários. serve o mapa de fusos horários práticos na página 39 e
visualize o raciocínio feito para a resolução dessa ques-
Em relação ao fuso zero, o Brasil abrange os fusos 2, 3 e 4. tão do Enem. Perceba que a China, por sua extensão les-
Por exemplo, Fernando de Noronha está no fuso 2, o es- te-oeste, poderia ter quatro fusos horários (assim como
tado do Amapá está no fuso 3 e o Acre, no fuso 4. o Brasil), mas, por razões práticas, todo o país adota a
hora vigente no fuso UTC +8 (hora de Pequim).
A cidade de Pequim, que sediou os XXIX Jogos Olímpicos Perceba que, quando essa questão foi cobrada na prova
de Verão, fica a leste de Greenwich, no fuso 8. Conside- do Enem, ainda estávamos sob a vigência da Lei n.
rando-se que a cerimônia de abertura dos jogos tenha 11  662/2008: “A partir da Lei n. 11  662/2008, o Brasil,
ocorrido às 20h8min, no horário de Pequim, do dia 8 de que fica a oeste de Greenwich e tinha quatro fusos, pas-
agosto de 2008, a que horas os brasileiros que moram no sa a ter somente três fusos horários.”. No entanto, como
estado do Amapá devem ter ligado seus televisores para vimos, com a aprovação da Lei n. 12  876/2013, o país
assistir ao início da cerimônia de abertura? passou a ter novamente quatro fusos horários, voltando
a) 9h8min, do dia 8 de agosto. à situação que vigorou de 1913 a 2008.
b) 12h8min, do dia 8 de agosto.
c) 15h8min, do dia 8 de agosto.
d) 1h8min, do dia 9 de agosto.
e) 4h8min, do dia 9 de agosto.

Resolução
Considerando a Matriz de Referência do Enem, essa
questão contempla a Competência de área 6 – Com-
preender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas
interações no espaço em diferentes contextos históricos
e geográficos, especialmente a habilidade H27 – Anali-
sar de maneira crítica as interações da sociedade com o
meio físico, levando em consideração aspectos históri-
cos e/ou geográficos.
Esta questão cobra, especificamente, a habilidade de se
situar no sistema internacional de fusos horários e de
estabelecer correspondências de horas em diferentes lu-
gares do globo terrestre. Como foi dito no enunciado e
pode ser observado no mapa da página 42, o estado do
Amapá situa-se no fuso UTC –3 (hora oficial do Brasil),

O relógio da Igreja Nossa Senhora de Fátima marca


7h17min em Santana (AP), onde o dia está
amanhecendo (foto de 2012). Nesse mesmo momento,
em Pequim (China), são 18h17min e está escurecendo.
Rogério Reis/Pulsar Imagens

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 43


5 Horário de verão Brasil: horário de verão – 2014/2015

Banco de imagens/Arquivo da editora


A origem do horário de verão data do início do século OCEANO
RR ATLÂNTICO
XX. No Brasil, foi adotado pela primeira vez em 1931, no Equador
AP

governo Getúlio Vargas. Tinha como objetivo economizar
energia, mas não foi adotado permanentemente desde AM PA MA CE
RN
então. Somente a partir de 1985 ele passou a ser implanta- PI PB
PE
AC
do, todos os anos, em parte do território nacional. Com a TO AL
RO SE
publicação do Decreto n. 6 558, de 8 de setembro de 2008, MT
BA

DF
o horário de verão passou a ter caráter permanente nos
GO
estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, entre ze- MG
OCEANO MS ES
ro hora do terceiro domingo de outubro e zero hora do PACÍFICO
SP RJ
icórnio
terceiro domingo de fevereiro do ano seguinte, exceto Trópico
de Capr PR

quando este último coincidir com o Carnaval (neste caso, SC


RS
seu término é postergado para o domingo seguinte). Nesse Estados em que
vigora o horário 0 640 1 280
período, nos estados em que é implantado o horário de de verão
km
50º O
verão, os relógios são adiantados em 1 hora em relação à
Adaptado de: OBSERVATÓRIO NACIONAL. Divisão Serviço da Hora.
Hora Legal Brasileira. Veja o mapa ao lado. Hora Legal Brasileira. Mapa com o horário de verão 2014/2015.
Como é possível observar no mapa, o horário de Disponível em: <http://pcdsh01.on.br>. Acesso em: 14 set. 2015.

verão é adotado apenas nos estados brasileiros mais


distantes da linha do equador, onde a diferença de fo- O artigo 2º do Decreto 6 558/2008 chegou a sofrer duas
alterações para justificar a adoção do horário de verão na
toperíodo permite que essa medida proporcione eco-
Bahia e em Tocantins em anos alternados, mas, com a
nomia no consumo de energia elétrica. publicação do Decreto 8 112/2013, apenas os estados
Observe no gráfico a seguir que nos meses finais destacados no mapa continuam a adotá-lo.
e iniciais do ano, o dia é mais longo que a noite (so-
bretudo nos estados mais ao sul do país), e isso signi- por exemplo, ao adiantarmos os relógios em uma ho-
fica que o sol ali nasce antes das 6h e se põe depois ra, o sol passa a nascer aproximadamente entre 6h e
das 18h. Nas proximidades do trópico de Capricórnio, 6h30min e a se pôr entre 19h30min e 20h.

Duração da luminosidade natural em algumas capitais brasileiras


Duração da Banco de imagens/Arquivo da editora

luminosidade do
dia (em horas)

15h07
Porto Alegre
2
14h52
14h38
8
São Paulo
4
14h24
14h09
9 Rio de Janeiro
13h55
5 Brasília

13h40
0
Recife
6
13h26
2
13h12
Belém
elém
m
12h57
57
12h43
43
12h28
8
12h14
4
12h00
1º set. 21 set. 11 out. 31 out. 20 nov. 10 dez. 30 dez. 19 jan. 08 fev. 28 fev. 20 mar. Dias do ano
Adaptado de: OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). Expectativa dos benefícios com a implantação do
horário de verão 2007-2008. Rio de Janeiro, 2008. p. 5. Disponível em: <www.ons.org.br/analise_carga_demanda/
horario_verao.aspx>. Acesso em: 14 set. 2015.

44 Capítulo 1
Assim, em sua maioria, as pessoas saem do tra- elétrica total é pequena, no entanto, representa mui-
balho ou da escola e chegam em casa antes de escu- to no horário de pico, como se constata pelos números
recer, quando ainda não há necessidade de iluminação da tabela a seguir. Por exemplo, a redução da deman-
artificial. A economia de energia nesse período é sig- da de energia no horário de pico no subsistema Su-
nificativa por ser este o horário de pico do consumo, deste/Centro-Oeste equivaleu ao dobro do consumo
pois, ao chegar em casa, as pessoas também ligam de Brasília nesse período.
chuveiros e aparelhos elétricos. A economia de energia

Redução de demanda durante o horário de verão no Brasil – 2014/2015


Redução do Redução do
Percentual Percentual
Subsistemas consumo total consumo no horário
de economia de economia
abrangidos (Megawatts médios de pico (18h-21h)
(%) (%)
– MWmed) (Megawatts – MW)
Sudeste + Centro-Oeste 200 – 2 035 –

Sul 65 – 645 –

Sudeste + Centro-Oeste + Sul 265 0,5 2 680 4,5


Adaptado de: OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). In: Portal Brasil. Horário de verão proporcionou economia de 265 MW médios. Brasília,
12 mar. 2015. Disponível em: <www.brasil.gov.br/infraestrutura/2015/03/horario-de-verao-proporcionou-economia-de-265-mw-medios>. Acesso em: 4 jun. 2015.

Nas proximidades do equador, a medida não é ado- verão, como mostram as imagens de satélite a seguir.
tada porque a variação de fotoperíodo, quando existe, O horário de verão é um recurso adotado em mui-
é muito pequena. Caso se adotasse o horário de verão tos países para evitar sobrecarga no sistema de produ-
nessas regiões, a energia economizada à noite seria ção e distribuição nos períodos de pico do consumo,
gasta pela manhã quando as pessoas acordassem. Os uma vez que a energia elétrica em seu estado final não
estados da região Nordeste situados mais a leste tam- pode ser armazenada, ou seja, ela precisa ser consumi-
bém não se beneficiariam com a adoção do horário de da à medida que é gerada.

Fotos: Reprodução/www.ons.org.br/analise_carga_demanda/horariodeverao.aspx
Brasil, às 19 horas Brasil, às 19 horas
de 21/10/2012, sem de 21/10/2012, com
horário de verão. horário de verão.

OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO (ONS). Término do horário de verão 2012/2013. Rio de Janeiro, 2013. p. 7.
Disponível em: <www.ons.org.br/analise_carga_demanda/horario_verao.aspx>. Acesso em: 4 jun. 2015.

Segundo o relatório da
ONS: “No Nordeste, ape
beneficiariam mais efe nas parte da Bahia, Ma
tivamente, no início do ranhão e parte do Ceará
mais a leste dessa região horário de verão, uma vez se
, próxima ao litoral, já ser que nos demais estado
Isso acontece porque a ia noite com ou sem a s, na parte
porção oriental da região implantação do horário
razões práticas tenha sid Nordeste está no fuso de verão.
o colocada no fuso UTC horário teórico UTC –2,
–3 (hora de Brasília); por embora por
tanto, aí escurece mais
cedo”.

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 45


Dialogando
com as disciplinas

V
ocê já parou para pensar em como tudo está relacionado em nosso cotidiano? Se
Nesta seção, a
Geografia dialoga pensarmos nas disciplinas que aprendemos na escola, todas as coisas que acon-
com a Biologia. tecem em nosso dia a dia carregam consigo um pouco de cada uma delas. A di-
visão do conhecimento por disciplina permite um estudo mais aprofundado e específico
sobre cada assunto. Mas não podemos nos esquecer de que, na realidade, os conheci-
mentos não são isolados; pelo contrário, eles se complementam e se relacionam.
Ao realizar as atividades a seguir, observe como a Geografia interage com outras disci-
plinas. Quando essas relações são estabelecidas, o aprendizado fica ainda mais interes-
sante e significativo.

O horário de verão e os relógios biológicos


Até o início do século XVIII, acreditava-se que os mecanismos corporais ocorriam em
resposta a estímulos ambientais. Pensava-se, por exemplo, que o sono seria estimulado
ao anoitecer, quando há uma queda da incidência solar. Algumas experiências, no en-
tanto, começaram a confrontar essas ideias. Observou-se, por exemplo, que as pessoas,
mesmo ficando por um longo período dentro de uma caverna, na ausência total de luz,
mantinham um ciclo de sono e vigília a cada período de 25 horas. Fatos como esse de-
monstraram que os seres vivos possuem oscilações cíclicas comportamentais e fisioló-
gicas, reguladas por mecanismos internos, os chamados “relógios biológicos”. Foi assim
que, a partir de meados do século XX, nasceu a Cronobiologia, uma disciplina científica
reconhecida internacionalmente, responsável por estudar os ciclos ou ritmos biológicos.
Leia o texto a seguir, que trata desse assunto:

Os ritmos biológicos são classificados em três grupos. Os circadianos (do latim circa, “próximo”; diem,
“dia”) são aqueles ritmos endógenos que expressam um período de aproximadamente 24 horas [...]. Um
exemplo é o nosso ritmo de atividade-repouso, diversos ritmos hormonais, o ritmo de temperatura corporal,
etc. Todos repetem o ciclo a cada 24 horas. Os ritmos infradianos são aqueles que ocorrem em períodos
maiores que 28 horas. Um exemplo clássico é a reprodução estacional de alguns animais (com um período
próximo de um ano); o período menstrual da mulher, de 28 dias; ritmos circalunares típicos de espécies que
vivem próximo a costas; etc. Já os ritmos ultradianos são aqueles que têm duração menor que 20 horas. [...]
nosso nível de consciência e atenção mostra marcados ritmos ultradianos: durante o sono, temos alternân-
cias regulares de diferentes fases [...], ao mesmo tempo que durante o dia temos picos de elevada atenção,
alternando com períodos de menor atenção ou até sonolência (a duração dessas alternâncias é de aproxi-
madamente 90 minutos). [...]
Adaptado de: GOMES, Marcos. Cronobiologia: os ritmos da vida. Revista Educação.
Disponível em: <http://revistaeducacao.uol.com.br/textos/0/cronobiologia-os-ritmos-da-vida-241624-1.asp>.
Acesso em: 22 jul. 2015.

Alguns territórios adotam o horário de verão para garantir que no período de maior
insolação a luminosidade diária fique prolongada, contribuindo para a economia de
energia elétrica. Com base nos conhecimentos sobre ciclos biológicos apontados pela
Cronobiologia e no que você estudou neste capítulo, responda:

1. Quando viajamos para algum lugar que apresenta diferença de fuso horário, é comum
que os nossos estados de fome, sono e vigília fiquem alterados.

46 Capítulo 1
a) Explique por que isso ocorre.
b) Essas alterações também podem ser percebidas com o adiantamento do relógio
no horário do verão? Cite exemplos.

2. Os ciclos circadianos são controlados por mecanismos corporais internos, ou seja,


são endógenos. Um dos ritmos corporais mais fáceis de se demonstrar é o da tem-
peratura corporal. A nossa temperatura central é considerada constante, em torno
dos 36,5 °C, e não varia muito mais do que 1 °C em condições normais. Essas oscilações
são cíclicas e podem ser previstas. Observe os gráficos.

Resultado de medidas da temperatura Variação da temperatura corporal após


central de um homem adulto jovem e a realização de exercício físico intenso
sadio ao longo de um dia e alimentação calórica

Gráficos: Banco de imagens/Arquivo da editora


Temperatura central (24h) Temperatura central (24h)

°C ¡C
Sono secundário Sono principal Sono secundário Sono principal
38 38
Efeito “exercício”

37 37

36 36

35 35
Efeito “feijoada”
34 vig’lia 34 vigília

33 33
0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 22 24
tempo (horas) tempo (horas)

Disponível em: <www.crono.icb.usp.br/fig1.htm>. Acesso em: 31 jul. 2014. Disponível em: <www.crono.icb.usp.br/fig6.htm>. Acesso em: 31 jul. 2014.

• Com base nos resultados apresentados nos gráficos, é possível concluir que fato-
res comportamentais e ambientais interferem na regulação dos ciclos endógenos?
Justifique sua resposta.

3. Meça sua temperatura a cada quatro horas durante três dias. Organize os dados em
uma tabela e construa gráficos similares aos da atividade anterior.
a) Compare o seu gráfico com os de seus colegas e responda: variações internas,
como a temperatura, podem diferir de indivíduo para indivíduo?
b) De acordo com a variação de temperatura observada no gráfico que você construiu,
procure classificar sua rotina diária em matutina (maior ritmo de atividade duran-
te a manhã) ou vespertina (maior ritmo de atividade à tarde e à noite). Seus cole-
gas possuem ciclos de maior atividade diferentes dos seus?

4. Considere uma pessoa “vespertina” que costuma sair de casa às 7 horas da manhã.
a) A que horário do ciclo natural ela passa a sair durante o horário de verão?
b) Que implicações isso poderá causar em sua rotina diária?

Planeta Terra: coordenadas, movimentos e fusos horários 47


atenção!
Atividades Não escreva no seu livro!

Compreendendo conteúdos
1. Explique as consequências da esfericidade do planeta, da inclinação do eixo terrestre e do movimento de translação
para a insolação e as estações do ano.

2. Explique a diferença entre os limites teóricos e práticos nos fusos horários.


3. Aponte a finalidade da adoção do horário de verão. Por que o Brasil não o adota em todos os estados?

Desenvolvendo habilidades
4. Observe o mapa-múndi ao lado e responda: Mapa-múndi de Mercator
a) Quais são as coordenadas geográficas dos 160° 120° 80° 40° 0° 40° 80° 120° 160°

pontos A, B e C?

Banco de imagens/Arquivo da editora


b) Em que hemisférios estão localizados es-
ses pontos?
60°
c) Se na longitude 0° os relógios marcam 14h, C
que horas são nos pontos A, B e C? 40°
d) Que horas são no ponto A quando está em B
20°
vigor o horário de verão brasileiro?

5. Releia o trecho do livro A volta ao mundo em A 20°


80 dias na página 40 e responda:
40°
a) Por que Phileas Fogg, protagonista da ficção
de Júlio Verne, fez sua viagem de volta ao
60°
mundo em 79 dias, e não em 80 dias, como 0 2 350 4 700
km
está no título do livro?
b) Por que o personagem só se deu conta
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.) Atlas du 21e siècle édition 2012.
disso quando retornou a Londres? Groningen: Wolters-Noordhoff; Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 8.

6. Faça as atividades propostas a seguir:


Dialogando
a) Imagine que você está visitando São Paulo (SP) e pretende conhecer alguns pontos de com LÍNGUA PortUGUesA,,
HistóriA e Arte
interesse cultural da cidade. Você comprou ingresso para assistir a uma apresentação
da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), na Sala São Paulo, e quer aproveitar para conhecer a
Estação Júlio Prestes, que fica ao lado. Antes, porém, decide ver uma exposição de pinturas na Pinacoteca do
Estado e dar uma olhada no prédio da Estação da Luz, onde funcionava o Museu da Língua Portuguesa*. Consultando
a legenda das principais atrações na planta turística do centro de São Paulo (consulte-a na página 33), você
descobre o número de cada uma delas, assim como sua respectiva
coordenada alfanumérica. Agora basta localizá-las e explorar o que
Marcos Bezerra/Futura Press

elas têm a oferecer.


b) Pesquise nos sites indicados a seguir para saber mais sobre a Sala
São Paulo, a Osesp e a Pinacoteca: <www.salasaopaulo.art.br>;
<http://osesp.art.br> e <www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/>.
Veja exposições do Museu da Língua Portuguesa e acompanhe sua
reconstrução em: <www.museulp.org.br>. Acesso em: 18 abr. 2016.

A Sala São Paulo, sede da Osesp, é Consulte o site da São Paulo


Turismo. Veja orientações na
um local de concertos inaugurado seção Sugestões de leitura,
em 1999 numa ala do edifício que filmes e sites.
abriga a estação ferroviária Júlio
Prestes (foto de 2015).

* Em 21 de dezembro de 2015, o museu foi destruído em um incêndio. O governador do estado de São Paulo se comprometeu com sua
reconstrução, mas não definiu a data de início da obra.

48 Capítulo 1
2
CAPÍTULO Representações
cartográficas,
escalas e projeções
Reprodução/Biblioteca Britânica, Londres, Inglaterra.

Mapa do Saltério, presente no Livro


de Salmos, século XIII.

49
P
ara localizarmos um determinado lugar, devemos utilizar a repre-
sentação mais adequada à nossa necessidade. Por exemplo, para
encontrar uma rota de viagem por terra, o ideal é utilizar um mapa
rodoviário, e não o mapa-múndi ou o globo, como fizeram Calvin e Harol-
do no quadrinho do capítulo anterior. Como o globo terrestre é feito numa
escala muito pequena, o lugar para onde pretendiam ir lhes pareceu per-
to (a escala é considerada pequena quando se reduzem muito os elemen-
tos representados). Imagine quantas vezes o planeta Terra (e os elemen-
tos sociais e naturais que o compõem) foi reduzido para caber num globo
como o que eles consultaram ou num planisfério do tamanho desta folha!
Como veremos, por meio de vários exemplos, o uso da escala adequada
é fundamental para a localização exata do local procurado.
O globo terrestre, embora mantenha as características do planeta
em termos de formas e distâncias, tem utilização prática reduzida: é di-
fícil transportá-lo em viagens ou fazer medidas em sua superfície. Por
isso, os cartógrafos inventaram projeções que permitem representar o
planeta esférico numa superfície plana. O problema é que qualquer pro-
jeção provoca algum tipo de distorção. Por que isso ocorre?
Em um planeta esférico em movimento no espaço sideral não existe
acima nem abaixo. No entanto, a maioria dos mapas impressos apresen-
tam o norte na parte de "cima".
Por que quase sempre vemos o hemisfério norte em destaque nos
mapas? Podemos, em vez disso, mostrar o hemisfério sul em destaque?
Ou mesmo o leste ou o oeste? Poderíamos representar o Brasil no centro
do mapa-múndi? Você acharia isso estranho? Essas são questões que
serão esclarecidas neste capítulo.

Turista consulta planta de Buenos Aires


em frente à Casa Rosada, sede do Poder
Executivo da Argentina (foto de 2013).

Sarah Morgan/Flickr Vision/Getty Images

50 Capítulo 2
1 Representação cartográfica
A leitura do mundo precede a leitura da palavra.Ó
Paulo Freire (1921-1997), educador brasileiro mundialmente reconhecido.

Evolu•‹o tecnol—gica Além das coordenadas geográficas ou alfanumé-


ricas (localização) e da indicação dos pontos cardeais
O mapa é uma das mais antigas formas gráficas de (orientação) um mapa precisa ter:
comunicação, precedendo a própria escrita. Na história
humana, parafraseando Paulo Freire, a leitura do mun- • título – informa os fenômenos representados;
do e sua representação gráfica precederam a leitura • legenda – mostra o significado dos símbolos utili-
da palavra. Mesmo hoje, a leitura do mundo, em sen- zados;
tido amplo, muitas vezes precede a leitura de textos • escala – indica a proporção entre a representação e
escritos sobre ele. Em Geografia, como vimos na Intro- a realidade, e permite calcular as distâncias no terre-
dução, a observação da paisagem é o primeiro proce- no com base em medidas feitas no mapa.
dimento para a compreensão do espaço geográfico, Os primeiros mapas foram esculpidos em pedra
seguido do registro do que foi observado – daí a im- ou argila. Na página seguinte, você verá o mais antigo
portância do mapa. mapa de que se tem registro: o mapa de Ga-Sur (1). Ele
Em um mapa, os elementos que compõem o es- foi encontrado em 1930 nas ruínas dessa cidade,
paço geográfico são representados por pontos, linhas, situada a cerca de 300 quilômetros ao norte da antiga
texturas, cores e textos, ou seja, são usados símbolos Babilônia. Ele é um esboço rústico esculpido num pe-
próprios da Cartografia. Diante da complexidade do daço de argila cozida de 8 cm × 7 cm. Estima-se que
espaço geográfico, algumas informações são sempre esse mapa tenha sido feito por volta de 2500 a.C. na
priorizadas em detrimento de outras. Seria impossível Mesopotâmia, pelos sumérios. Observe, também na
representar todos os elementos – físicos, econômicos, página seguinte, uma interpretação desse mapa (2).
humanos e políticos – num único mapa. Seu objetivo Com o tempo, os mapas passaram a ser desenhados
fundamental é permitir o registro e a localização dos em tecido, couro, pergaminho ou papiro. Com a invenção
elementos cartografados e facilitar a orientação no da imprensa, começaram a ser gravados em originais de
espaço geográfico. Portanto, qualquer mapa será pedra ou metal e, em seguida, impressos
sempre uma simplificação da realidade para atender em papel. Hoje, são processados em
ao interesse do usuário. Observe a imagem. computador e podem ser anali-
sados diretamente na tela.
Philippe Huguen/Agência France-Presse

Pessoas observam o
mapa político da
França, na cidade de
Lille, em 2014.

51
Observe, no mapa (4), a localização das ruínas de O aprimoramento dos satélites e dos computado-
Ga-Sur. Ele foi elaborado com base na imagem de sa- res permitiu grandes avanços nas técnicas de coleta,
télite (3) que o acompanha, um recurso tecnológico processamento, armazenamento e representação de
atual bastante utilizado para a confecção de mapas, informações da superfície terrestre, causando grande
como estudaremos no Capítulo 4. impacto nos processos de elaboração de mapas e nos
conceitos da Cartografia.
Consulte o site do Instituto Brasileiro de
Geografia e Estatística (IBGE). Veja orientações
na seção Sugestões de leitura, filmes e sites.

Reprodução/Arquivo do autor
1 2
Reprodução/Museu de Bagdá, Iraque.

Mapa de Ga-Sur, esculpido pelos sumérios em um pedaço de argila cozida, e uma interpretação dele.

Imagem de satélite: Bagdá e ruínas de Mapa: Bagdá e ruínas de Ga-Sur


Ga-Sur e Babilônia (Iraque) e Babilônia (Iraque)
GOOGLE MAPS BRASIL. Disponível em: <http://maps.google.com.br>. Acesso em: 5 jun. 2015.

Banco de imagens/Arquivo da editora


3 4
TURQUIA

Al Mawsil

Ibil IRÃ

SÍRIA
Kirkuk

35º N A

IRAQUE

Samarra

0 70 140

Bagdá km

Al-Hillah
B

A imagem de satélite e o mapa a que deu origem (ao A: Nuzi (Ruínas


de Ga-Sur) 45º L
lado) mostram um trecho do Iraque no qual se pode
observar Bagdá e as indicações dos lugares onde B: Ruínas da antiga Adaptado de: GOOGLE MAPS BRASIL. Disponível em:
Babilônia <http://maps.google.com.br>. Acesso em: 16 set. 2015.
estão as ruínas de Ga-Sur (A), ao norte da capital
Estradas
iraquiana, e as ruínas da antiga Babilônia (B), ao sul.

52
Tipos de produtos cartográficos identificar a posição planimétrica – fenômenos geográ-
ficos representados no plano, na horizontal – e a altimé-
Os mapas podem ser classificados em topográficos
trica – representação vertical, altitude do relevo – de
(ou de base) e temáticos. Num mapa topográfico, re-
alguns elementos visíveis do espaço. Mapas e cartas
presenta-se a superfície terrestre o mais próximo pos-
topográficas são resultantes de levantamentos sis-
sível da realidade, dentro das limitações impostas pela
temáticos feitos por órgãos governamentais ou em-
escala pequena. Na carta topográfica, feita em escala presas privadas. Os mapas topográficos servem de
média ou grande, há mais precisão entre a representa- base para os mapas te-
ção e a realidade. Observe abaixo um trecho de uma máticos. Levantamento sistemático:
folha da Carta Topográfica do Brasil. Trata-se da repro- conjunto de medidas plani-
Um mapa temático métricas e altimétricas pre-
dução de uma parte do município de Garuva, no esta- contém informações sele- cisas de uma parte da super-
do de Santa Catarina. cionadas sobre determi- fície terrestre que atendem
Na carta topográfica, as variáveis da superfície da a uma série de regras fixas,
nado fenômeno ou tema
como a precisão da escala,
Terra são representadas com maior grau de detalha- do espaço geográfico: na- do traçado das coordenadas
mento e a localização é mais precisa. Isso torna possível turais – geologia, relevo, e das curvas de nível.

Reprodução/Arquivo da editora
Trecho da carta de Garuva (SC)

Adaptado de: IBGE. Secretaria de Planejamento da Presidência da República. Garuva (SC). Folha SG-22-Z-B-II-1. Rio de Janeiro, 1981.

VIAS DE CIRCULAÇÃO OUTROS ELEMENTOS PLANIMÉTRICOS


Estradas de rodagem Linha transmissora de energia
Estrada pavimentada Igreja Escola
Estrada sem pavimentação
Caminho ELEMENTOS DE VEGETAÇÃO
Trilha Mata Floresta Cerrado
Prefixo de estrada: Federal Estadual

Escala 1: 50 000

Representações cartográficas, escalas e projeções 53


vegetação, clima, etc. – ou so- Brasil: alfabetização – 2010
ciais – população, agricultura, 50º O

indústrias, urbanização, etc.

Banco de imagens/Arquivo da editora


Boa Vista OCEANO
Nesse tipo de mapa, a precisão ATLÂNTICO
AP
RR
planimétrica ou altimétrica tem Equador Macapá

Belém
importância menor; as repre-
São Luís
Manaus
sentações quantitativa e quali- Fortaleza
Teresina
tativa dos temas selecionados AM PA MA
CE RN Natal
são mais relevantes. PB
João
PI Pessoa
Observe ao lado um AC
Porto Velho
PE Recife
Rio Branco Palmas AL Maceió
exemplo de mapa temático. SE
RO TO Aracaju
Ele mostra o percentual da MT
BA
Salvador
população alfabetizada no
Cuiabá DF
território brasileiro. Brasília

GO Goiânia MG
Belo
MS Horizonte ES
OCEANO Campo Vitória
PACÍFICO Grande
Consulte o site do SP RJ
Laboratório de Rio de Janeiro
apricórnio São Paulo
Trópico de C PR
Cartografia Tátil e Escolar
Curitiba
(LABTATE), do
Departamento de Pessoas alfabetizadas de 5 anos SC Florianópolis
Geociências da de idade ou mais (%)
Universidade Federal de até 60,0 RS
Porto Alegre
Santa Catarina (UFSC). 60,1 até 70,0
0 410 820
Veja orientações na seção 70,1 até 80,0
Sugestões de leitura, 80,1 até 90,0 km
filmes e sites. mais de 90,1

Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 120.

Para saber mais

Representação do relevo em carta topográfica


As curvas de nível (ou isoípsas) correspondem à inter- ou a mecanização agrícola. Como você pode perceber, a to-
secção entre o terreno e um conjunto de planos horizon- pografia interfere na ocupação do espaço geográfico.
tais imaginários, separados por altitudes iguais. São, por-
Cassiano Röda/Arquivo da editora
tanto, linhas que unem os pontos do relevo que têm a representação
mesma altitude. Traçadas na carta, permitem a visualiza- tridimensional

ção da declividade (inclinação) do relevo. Veja a sua repre-


sentação ao lado. 120 m
100 m
80 m
Quanto maior a declividade, mais próximas as curvas 60 m
40 m
20 m
de nível aparecem representadas; quanto menor a decli- 0m

representação
vidade, maior o afastamento entre elas. Observe na Carta plana
Topográfica do Brasil (na página anterior) que a distribui- (visão vertical)

ção das curvas de nível e a organização da rede de drena-


gem (os rios, representados por linhas azuis) indicam as
diferentes declividades das vertentes.
A maior ou menor declividade do relevo torna os solos
mais ou menos suscetíveis à erosão ou a escorregamentos;
facilita ou dificulta a construção de cidades, rodovias, ferro-
Adaptado de: ROBINSON, Arthur Howard et al. Elements of Cartography.
vias ou oleodutos; favorece ou não a instalação de fábricas 6th ed. New York: John Wiley & Sons, 1995. p. 509.

54 Capítulo 2
Pensando no Enem
Um determinado município, representado na planta abai- interior de cidades onde há poucos terrenos disponíveis,
xo, dividido em regiões de A a I, com altitudes de terrenos pois isso pode agravar a poluição e o trânsito. O ideal é que
indicadas por curvas de nível, precisa decidir pela locali- ele seja instalado numa área fora da cidade (mas não mui-
zação das seguintes obras: to distante, porque necessita de mão de obra) e onde haja
1. Instalação de um parque industrial; um bom sistema de transportes que permita a chegada de
matérias-primas e o escoamento dos bens produzidos.
2. Instalação de uma torre de transmissão e recepção.
Considerando tudo isso e os elementos mostrados na
planta, o melhor local para a instalação de um parque in-

Allmaps/Arquivo da editora
dustrial é a área I do município, ao lado da rodovia.
40 A B C
A instalação de uma torre de comunicação deve ficar nas
30 proximidades da cidade, mas num terreno de altitude
20 mais elevada para que seu funcionamento seja mais efi-
10 D F ciente; portanto, o melhor local para sua instalação é a
E
área E. Assim, a alternativa que responde corretamente
ao problema proposto é a C.
G H I Considerando a Matriz de Referência do Enem, esta ques-
tão contempla a Competência de área 2 – Compreender as
1: 100 000
Cidade Rio transformações dos espaços geográficos como produto
Vegetação Rodovia
das relações socioeconômicas e culturais de poder, espe-
cialmente a habilidade H6 – Interpretar diferentes repre-
sentações gráficas e cartográficas dos espaços geográficos.
Considerando impacto ambiental e adequação, as regiões Contempla também a Competência de área 6 – Compre-
onde deveriam ser, de preferência, instaladas indústrias e ender a sociedade e a natureza, reconhecendo suas inte-
torres, são, respectivamente: rações no espaço em diferentes contextos históricos e
a) E e G. c) I e E. e) E e F. geográficos, especialmente a habilidade H27 – Analisar
b) H e A. d) B e I. de maneira crítica as interações da sociedade com o meio
físico, levando em consideração aspectos históricos e/ou
geográficos. Cobra especificamente a habilidade de ler e
Resolução
interpretar uma planta, principalmente no que tange a
Um parque industrial deve ser preferencialmente instala- leitura de curvas de nível, e de refletir sobre as possibilida-
do em um terreno com topografia plana para evitar gran- des de ocupação do território, considerando o relevo e ou-
des cortes ou aterros, que podem expor a área à erosão. tras variáveis socioeconômicas e espaciais e as conse-
Não é adequada a instalação de um parque industrial no quências socioambientais dessa ocupação.
Ale Ruaro/Pulsar Imagens

Vista aérea de montadora de tratores,


caminhões, ônibus e utilitários em Caxias
do Sul (RS), 2013. Observe que essa fábrica
está instalada em um terreno de
topografia baixa e relativamente plana,
situada em um parque industrial na borda
da área urbana do município, ao lado do
acesso à rodovia RS-453.

55
2 Escala e representação cartográfica
Inicialmente é importante fazer uma distinção en- de fenômenos locais necessita de plantas em escala gran-
tre escala geográfica e escala cartográfica. Como vimos de, já a análise de fenômenos mundiais exige mapas em
no capítulo introdutório, a primeira define a escala da escala pequena. Ou seja, quanto maior a escala de análi-
análise geográfica, o recorte espacial: local, regional, se geográfica, menor a escala cartográfica, e vice-versa.
nacional ou mundial. Como veremos agora, a segunda É impossível encontrar uma rua de qualquer cidade
define a escala de representação, ou seja, indica a re- brasileira em um mapa-múndi ou no mapa político do
lação entre o tamanho dos objetos representados na Brasil, como o que aparece abaixo. A escala utilizada
planta, carta ou mapa e o tamanho deles na realidade nessa representação – 1 : 34 000 000 – é pequena, ne-
(veja indicação de sites na seção Sugestões de leitura, la 1 cm equivale a 340 quilômetros e até mesmo uma
filmes e sites, nos quais é possível observar represen- metrópole se torna apenas um ponto.
tações em diversas escalas). Para representar uma rua, é preciso usar uma es-
A seguir, ao estudarmos a escala cartográfica e suas cala grande, na qual seja possível visualizar os quartei-
relações matemáticas, vamos perceber sua permanente rões, como a de 1 : 10 000 (leia o texto “Usando a esca-
relação com a escala geográfica. Por exemplo, a análise la”, na página ao lado, e depois observe a carta da
cidade do Rio de Janeiro, na página 59). Perceba que,
Brasil: divisão política dependendo da escala utilizada, um mesmo fenômeno
espacial, por exemplo, a cidade do Rio de Janeiro, pode
Banco de imagens/Arquivo da editora

55º O
ser representado como ponto (no mapa desta página)
Boa Vista ou como área (na carta e na planta da página 59).
AMAPÁ
RORAIMA
Equador Macapá

Belém
São Luís
Manaus Fortaleza

AMAZONAS MARANHÃO Teresina RIO GRANDE


PARÁ
CEARÁ DO NORTE
Natal
PARAÍBA João Pessoa
PIAUÍ
PERNAMBUCO Recife
ACRE
Rio Branco Porto Velho Palmas ALAGOAS
Maceió
02_M003_1GGB18S: SERGIPE
TOCANTINS Aracaju
RONDÔNIA reaproveitamento, com emendas,BAHIA de
mapa que mostra a divisão política
MATO GROSSO Salvador
do Brasil do Múltiplo Geografia,
Cuiabá DF
parte 1, volume único,
Brasíliap. 50.
GOIÁS OCEANO
MINAS ATLÂNTICO
Goiânia GERAIS
MATO GROSSO
DO SUL Belo Horizonte
ESPÍRITO SANTO
Campo Grande Vitória
OCEANO
PACÍFICO SÃO PAULO
RIO DE JANEIRO
São Paulo
Rio de Janeiro
pricórnio
Trópi co de Ca PARANÁ
Curitiba

SANTA CATARINA
Florianópolis
RIO GRANDE
DO SUL
Porto Alegre
0 340 680
km
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar.
6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 90.

Em um mapa feito nesta escala, mesmo as capitais dos estados ficam reduzidas a pontos, até mesmo as duas maiores cidades do
país: São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ), com 11,9 milhões e 6,5 milhões de habitantes, respectivamente (estimativa do IBGE de 2014).

56 Capítulo 2
Para saber mais
Dialogando
com MateMática

Usando a escala
Vamos desenvolver um exemplo de como a escala Portanto:
pode ser usada. Para acompanhar, observe novamente o
d = D/N
trecho da carta de Garuva (SC), apresentada na página 53,
e considere as seguintes convenções: Finalmente, supondo que temos a distância na super-
fície terrestre e na carta e queremos saber o denominador
Escala = 1/N
da escala:
N = denominador da escala.
D = distância na superfície terrestre. D = 4 km
d = distância no documento cartográfico. d = 8 cm
Escala = ?
Suponhamos o seguinte problema: 1 cm — N
Um motorista, vindo pela BR-376, após entrar na 8 cm — 4 km
BR-101, percorrerá que distância até cruzar o oleoduto da Nx8=1x4
Petrobras? Na carta apresentada, essa distância mede N = 4/8
cerca de 8 centímetros. N = 0,5 km (que equivale a 50 000 cm)
Temos: Escala = 1 / N
Escala da carta = 1/50 000 (N = 50 000), pode-se ler Escala = 1 / 50 000 ou 1 : 50 000
também 1 : 50 000 (um por cinquenta mil).
Logo, 1 centímetro na carta equivale a 50 000 centí- Portanto:
metros ou 500 metros ou 0,5 quilômetro na superfície
terrestre. N=D/d
Assim, temos o denominador da escala já convertido
para quilômetro, a distância na carta e queremos saber a Uma escala pode ser expressa de duas formas:
distância na superfície terrestre. • numérica:

1 : 50 000
N = 0,5 km d = 8 cm D=?
• gráfica:
Aplicando uma regra de três simples:
500 m 0 500 m 1000 m 1500 m 2000 m 2500 m
1 cm — 0,5 km D = 8 x 0,5
8 cm — D D = 4 km
Em alguns mapas, abaixo da escala (numérica ou
Portanto: gráfica) ainda há um lembrete, por exemplo: “1 cm
no mapa corresponde a 0,5 quilômetro no terreno”.
D=dxN
Para medir em uma carta ou mapa a extensão de li-
nhas sinuosas, como rodovias, ferrovias, rios, etc., utiliza-
Resposta do problema: a distância a ser percorrida
-se um curvímetro, como aparece na foto.
pelo motorista é de 4 quilômetros.
Não dispondo desse aparelho, um mo- n st
ock
Agora vamos supor que temos a distância na super- y/L
a ti
do prático de fazer medidas, em- ar
br
fície terrestre, o denominador da escala e queremos en-
Li
to

bora não muito preciso, é esten-


ho

contrar a distância na carta:


P
ce

der um barbante sobre o traço


ien
/Sc

de, por exemplo, uma rodovia,


Stevie Horrell

D = 4 km 1 cm — 0,5 km
medi-lo com uma régua e,
N = 0,5 km d — 4 km
considerando a escala, fazer
d=? d x 0,5 = 1 x 4
o cálculo da distância; ou en-
d = 4/0,5
tão, se houver escala gráfica,
d = 8 cm
esticá-lo diretamente sobre ela.

Representações cartográficas, escalas e projeções 57


Outras leituras

Conheça a definição do IBGE para diferentes tipos • identificar as cidades vizinhas do Rio, como Niterói,
de representação cartográfica. deverá consultar um mapa do estado do Rio de Janei-
Observe que o uso de planta, carta ou mapa está ro na escala pequena – 1 : 1 000 000.
diretamente associado à necessidade do usuário. Se uma Note, nas imagens a seguir, que, conforme a esca-
pessoa tem a intenção de: la vai gradativamente ficando menor, ocorre um au-
• procurar uma rua, como a São Clemente, no bairro de mento da área representada e uma diminuição do grau
Botafogo, a opção será por uma planta da cidade do de detalhamento dos elementos cartografados. Ob-
Rio de Janeiro na escala grande – 1 : 10 000; serve que nessas representações cartográficas não há
• localizar os bairros do entorno, como o Leme, deverá legenda porque o objetivo é apenas destacar as dife-
utilizar a carta da cidade do Rio de Janeiro na escala rentes escalas.
média – 1 : 50 000; le o n
ello
cal
ve
tti/
Sh
ut
te
rs
to
c

Representação

k/
Globo

G
lo
w
Im
cartográfica

ag
es
Globo
Representação cartográfica sobre
uma superfície esférica, em escala
pequena, dos aspectos naturais e ar-
tificiais de uma figura planetária,
com finalidade cultural e ilustrativa.

Imagem sem escala.

Mapa
Mapa (características):

Banco de imagens/Arquivo da editora


Paty do Alferes
TERESÓPOLIS
• representação plana;
Miguel Araras
Governador Portela Pereira Cascatinha
Dedo de Deus
• geralmente em escala pequena; Conrado
PETRÓPOLIS 1695
Guapimirim
0

Eng. Paulo
80

• área delimitada por acidentes naturais (bacias, Xerém Santo Aleixo


de Frontin R
Inhomirim
0

Tinguá
50

Paracambi
io
M

planaltos, chapadas, etc.), [limites] político-ad- Piabetá


acac

20 0 Imbarié
u

10 0 Magé
ministrativos; Japeri EFC
B Cava Campos
Guia de
• destinado a fins temáticos, culturais ou ilustra- Elísios Suruí
Queimados Pacobaíba
BELFORD Baía de
Seropédica ROXO DUQUE DE Guanabara Itambi
tivos. NOVA IGUAÇU CAXIAS
A I. Paquetá
aquetá
Mesquita Monjolo
A partir dessas características pode-se gene- NILÓPOLIS SÃO JOÃO DE
I. do Governador
vernador
MERITI SÃOO GONÇAL
GONÇALO O
Olinda
ralizar o conceito: São Mateus Neves Ipiíba
Rio Guandu-Mirim EF I. do Fundão
undão
CB S
Sete Pontes
ete Pontes
“Mapa é a representação no plano, normal- EFC
B
NITERÓI
mente em escala pequena, dos aspectos geográfi- Campo RIO DE JANEIRO
Santa Cruz Parq. Nac. Inoã
Grande
da Tijuca P de
Pão Itaipu
cos, naturais, culturais e artificiais de uma área Açúcar
Pta. de Itaipu
Pta. do 23º S
tomada na superfície de uma figura planetária, Restinga de
Marambaia Lago de
Arpoador
Pontal de Jacarepaguá I. Cagarras
delimitada por elementos físicos, político-admi- Barra de
Guaratiba Sernambetiba
I. Rasa
I. Rasa de
nistrativos, destinada aos mais variados usos te- Guaratiba
50
50

1:1 000 000 OCEANO ATLÂNTICO 43º O


máticos, culturais e ilustrativos.”
Adaptado de: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico.
5. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 11.

58 Capítulo 2
Carta (características):
• representação plana; • limites das folhas constituídos por linhas conven-
• escala média ou grande; cionais;
• desdobramento em folhas articuladas de maneira • destinada à avaliação precisa de direções e distân-
sistemática; cias, e à localização de pontos, áreas e detalhes.

Carta
Da mesma forma que da conceituação de mapa,
Banco de imagens/Arquivo da editora

LARANJEIRAS Est.
Flamengo
67 Palácio pode-se generalizar:
Guanabara x 71
“Carta é a representação no plano, em escala
Morro Morro
Novo Mundo da Viúva média ou grande, dos aspectos artificiais e naturais
Morro de uma área tomada de uma superfície planetária,
Dona Marta o
subdividida em folhas delimitadas por linhas con-
g

Mirante
tafo

Enseada vencionais – paralelos e meridianos – com a finali-


Praia de Bo

0 196
30 de
Hospital
Botafogo dade de possibilitar a avaliação de pormenores, com
METRÔ

BOTAFOGO grau de precisão compatível com a escala.”


Planta
Prefeitura
Est. Morro do
Botafogo Pasmado

UFRJ
Hospital IME

100
x 57 20 0 241
Cemitério
Morro
Morro
São João 10 0 da Babilônia
Batista
Morro da Morro
ro de São LEME
Saudade João
oão Batista
0
20 1: 40 000

Adaptado de: FERREIRA, Graça Maria Lemo Lemos.


os. Moderno atlas geográfico.
geográf
5. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 11.
Planta

Planta

Banco de imagens/Arquivo da editora


Rua M
a rquês
de
Olinda
A planta é um caso par
particular de carta. A re-
METRÔ

ntas

g o
o Da

das
fogo

uma área muito limi-


presentação se restringe a um
f o
s Un i
g
Bambina

Bota

an-Tia

t a

tada e a escala é gr
grande, consequentemente o
Avenida das Naçõe

B o
Viaduto S

número de ddetalhes é bem maior. Rua Visconde de Ouro Preto


d e

Enseada
“Carta que representa uma área de extensão
“Car de
Rua

P r a i a

Botafogo
de

suficientemente restrita para que a sua curva-


sufic
Barreto

tura não precise ser levada em consideração, e Alfredo Gomes


Rua Prof.
que, em consequência, a escala possa ser consi-
Muniz

bral

derada constante.”
s Ca

Casa de
lvare

Rui Barbosa Av
Clemente .R
Rua São epór
ter Nestor Moreira
ro Á

Praça
Ped

Pimentel
ia

Duarte
Pra
t o
Rua

du

Pasteur
B O T A F O G O Av.
Via

Veja a indicação do livro


Cartografia básica, de Paulo ESTAÇÃO átria
BOTAFOGO da P
Tún

s
la

ue
Roberto Fitz, e o Atlas geográfico ário
s
rte

lunt rig Morro do


e

od
Po
l do

a Vo Pasmado
escolar, do IBGE, na seção Ru ar oR
eu

Álv
m
Pas

lo
Sugestões de leitura, filmes e sites. Pro
f.
ar
to
ma

1: 12000 v. aB
Ru
do
A

Adaptado de: FERREIRA, Graça Maria Lemos. Moderno atlas geográfico.


5. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 11.

IBGE. Noções básicas de Cartografia. Rio de Janeiro, 1999. p. 21. (Manuais técnicos em Geociências; 8).

Representações cartográficas, escalas e projeções 59


3 Projeções cartográficas

Cassiano Röda/Arquivo da editora


Adaptado de: IBGE. Noções básicas de Cartografia. Rio de Janeiro,
1999. p. 13. (Manuais técnicos em Geociências; 8).
superfície
terrestre

Uma projeção cartográfica é o resultado de um con- a


junto de operações que permite representar no plano,
elipsoide
tendo como referência paralelos e meridianos, os fenô- b

menos que estão dispostos na superfície esférica. Quan-


a Diâmetro equatorial: 12 756 km
do vista do espaço sideral, a Terra parece ser uma esfera b Diâmetro polar: 12 713 km
perfeita, mas nosso planeta apresenta uma superfície
irregular e é levemente achatado nos polos. Por isso, os superfície
topográfica
cartógrafos, geógrafos e outros profissionais que produ- terras
emersas
zem mapas fazem seus cálculos utilizando uma elipse, superfície
do elipsoide
que ao girar em torno de seu eixo menor forma um volu-
me, o elipsoide de revolução. Segundo o IBGE, “o elipsoide
é a superfície de referência utilizada nos cálculos que
fornecem subsídios para a elaboração de uma represen-
tação cartográfica”. Observe a ilustração ao lado. O elipsoide de revolução é uma superfície teórica regular,
Ao fazerem a transferência de informações do elip- criada para fins cartográficos, que evidencia o
achatamento nos polos terrestres. Na figura, que não
soide para o plano, os cartógrafos se deparam com um está em escala, esse achatamento está bastante
problema insolúvel: qualquer que seja a projeção ado- exagerado: na realidade a diferença entre o diâmetro
tada, sempre haverá algum tipo de distorção nas áreas, equatorial e o polar é de apenas 43 quilômetros.

nas formas ou nas distâncias da superfície terrestre


representadas. Não há distorção perceptível somente dependendo das propriedades geométricas presen-
em representações de escala suficientemente grande, tes na relação globo terrestre/mapa-múndi. Além
como é o caso das plantas, nas quais não é necessário disso, podem ser agrupadas em três categorias prin-
considerar a curvatura da Terra. cipais, dependendo da figura geométrica emprega-
As projeções podem ser classificadas em con- da em sua construção: cilíndricas (as mais comuns),
formes, equivalentes, equidistantes ou afiláticas, cônicas, azimutais ou planas. Observe-as a seguir.

Mapas: Allmaps/Arquivo da editora


Na projeção azimutal ou plana, a
Observe que na projeção cilíndrica Na projeção cônica, o globo parece Terra parece ser tangenciada em
o globo terrestre parece estar estar envolvido por um cone de qualquer ponto por um pedaço de
envolvido por um cilindro de papel papel no qual são projetados os papel no qual são projetados os
no qual são projetados os paralelos paralelos e os meridianos. paralelos e os meridianos. Quando
e os meridianos. o globo é tangenciado num dos
polos, dizemos que se trata de uma
projeção polar.

Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 21.

Conformes
Projeção conforme é aquela na qual os ângulos neste caso o equador, é que se verifica distorção mí-
são idênticos aos do globo, seja em um mapa-múndi, nima. Quanto maior o distanciamento a partir dessa
seja em um mapa regional. Nesse tipo de projeção, linha imaginária, maior é a distorção. Por essa razão,
as formas terrestres são representadas sem distor- quando se utiliza esse tipo de projeção, geralmente
ção, porém com alteração do tamanho de suas áreas. só são reproduzidos os territórios situados até 80°
Apenas nas proximidades do centro de projeção, de latitude.

60 Capítulo 2
A mais conhecida projeção conforme é a de O mapa-múndi de Mercator, no qual a Europa apa-
Mercator, cartógrafo e matemático belga cujo nome rece numa posição central, superior e, por se situar em
verdadeiro era Gerhard Kremer (1512-1594). Em 1569, altas latitudes, proporcionalmente maior do que é na
época em que os europeus comandavam a Expansão realidade, acabou se transformando no principal repre-
Marítima, Mercator abriu novas perspectivas para a sentante da visão eurocêntrica do mundo. Durante sé-
Cartografia, ao construir uma projeção cilíndrica con- culos, foi uma das projeções
forme que imortalizou seu codinome (veja-a a seguir). mais usadas na elaboração
Essa representação foi elaborada para facilitar a nave- de planisférios e, apesar do
gação, pois possibilitava representar com precisão, no surgimento posterior de
mapa, a rede de coordenadas geográficas e os ângulos muitas outras, ainda
obtidos pela bússola. hoje é bastante usada.

Projeção de Mercator original

Michael Rosskothen/
Shutterstock/Glow Images

De Agostini/Getty Images

WHITFIELD, Peter. The Image of the World: 20 Century of World Maps. London: The British Library, 1994. p. 66-67.

Projeção de Mercator atual


W E Banco de imagens/Arquivo da editora
180º 160º 140º 120º 100º 80º 60º 40º 20º 0º 20º 40º 60º 80º 100º 120º 140º 160º 180º
N 80º

60º
Quando representada na
projeção de Mercator, a
Groenlândia parece ser maior 40º
que o Brasil e até mesmo que a
América do Sul. O mapa 20º

originalmente feito por



Mercator, como se pode ver
acima, não mostrava os 20º
continentes de forma precisa
como este planisfério, 40º
produzido de acordo com a 0 3 730 7 460

projeção por ele criada, mas km

com as técnicas cartográficas S 60º


Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012. Groningen: Wolters-Noordhoff;
disponíveis atualmente. Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 8.

Representações cartográficas, escalas e projeções 61


Equivalentes
Num mapa-múndi ou regional com projeção equi- após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que, nes-
valente, as áreas mantêm-se proporcionalmente idên- sa época, eram considerados subdesenvolvidos, situa-
ticas às do globo terrestre, embora as formas estejam dos em grande parte ao sul das regiões mais desenvol-
deformadas em comparação com a realidade. Um exem- vidas. Em alguns países, essa projeção chegou a ser
plo desse tipo de projeção é o mapa-múndi de Peters, impressa de forma invertida em relação à convenção
elaborado pelo historiador e cartógrafo alemão Arno cartográfica dominante, mostrando o sul em destaque.
Peters (1916-2002) e publicado pela primeira vez em 1973. O mapa-múndi de Hobo-Dyer, outra projeção equiva-
Observe-a abaixo. lente, também representa o mundo de forma “inverti-
Embora essa projeção não tenha rompido comple- da”, como se pode ver no final da página.
tamente com a visão eurocêntrica, acabou dando des-
taque aos países de baixa latitude, o que atendeu aos
Consulte o site da Oxford Cartographers.
anseios dos Estados que se tornaram independentes Veja orientações na seção Sugestões de
leitura, filmes e sites.

Projeção de Peters
W E
160º 120º 80º 40º 0º 40º 80 º 120º 160º

N
60 º

40 º

20 º

Nessa projeção parece que os


continentes e países foram

alongados nos sentidos
norte-sul. Há uma distorção
20 º
em suas formas, mas todos
mantêm seu tamanho
proporcional. Por exemplo, a
40 º Groenlândia, embora
0 3 730 7 460
irreconhecível, aparece bem
km
60 º menor que o Brasil e a América
S do Sul, como é na realidade.
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012. Groningen: Wolters-Noordhoff;
Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 8.

Projeção de Hobo-Dyer
Esse mapa-múndi é uma
S
projeção cilíndrica equivalente, 60°
Mapas: Banco de imagens/Arquivo da editora

semelhante à de Peters, e foi 50°

criado em 2002 para mostrar 40°

uma visão alternativa do mundo. 30°

Foi encomendado por Bob 20°

Abramms e Howard Bronstein, 10° 0 3 560 7 120


respectivamente, fundador e
0° km
presidente da empresa ODT Maps
10°
(sediada em Amherst, Estados
Unidos), ao cartógrafo inglês 20°

Mick Dyer. O nome da projeção 30°


resulta da junção das duas 40°

sílabas iniciais dos nomes de 50°

Howard e Bob com o sobrenome 60°


N
de Mick. Está centrada na África e 180º 160º 140º 120º 100º 80º 60º 40º 20º 0° 20º 40º 60º 80º 100º 120º 140º 160º 180º
mostra o sul em destaque. E W
Adaptado de: ODT MAPS. Hobo-Dyer Equal Area: the World Turned Upside Down.
Disponível em: <http://odtmaps.com>. Acesso em: 16 set. 2015.

62 Capítulo 2
Equidistantes
Nos mapas-múndi com projeção azimutal ou plana Projeção azimutal com centro no polo norte
equidistante, a representação das distâncias entre as re- 180º

Mapas: Banco de imagens/Arquivo da editora


giões é precisa. Elaborada pelo astrônomo e filósofo fran-
150º 150º
cês Guillaume Postel (1510-1581) e publicada no ano de sua
morte, adota como centro da projeção um ponto qualquer
do planeta para que seja possível medir a distância en-
120º 120º
tre esse ponto e qualquer outro. Por isso, esse tipo de
projeção é utilizado especialmente para definir rotas
aéreas ou marítimas.
A projeção equidistante mais comum é centra-
90º 90º
da em um dos polos, geralmente o polo norte, co-
mo podemos ver no mapa ao lado. No centro da
projeção pode-se situar a capital de um país, uma
base aérea, a sede de uma empresa transnacional,
60º 60º
etc. Entretanto, ela apresenta enormes distorções
nas áreas e nas formas dos continentes, que aumentam
com o afastamento do ponto central.
30º 30º

Afiláticas 0º 0 1 670 3 340


km
Atualmente é comum a utilização de projeções com menores
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012.
índices de distorção para o mapeamento da superfície terrestre, Groningen: Wolters-Noordhoff; Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 9.

como a de Robinson (observe o mapa abaixo). Essa projeção afi-


Na projeção azimutal equidistante, as
lática não preserva nenhuma das propriedades de conformidade, distâncias só são precisas se traçadas
equivalência ou equidistância, mas em compensação não distor- radialmente do centro – no caso dessa, o
ce o planeta de forma tão acentuada como as projeções que vimos polo norte – até um ponto qualquer do
mapa (na página 66 veremos uma projeção
anteriormente; por isso, tem sido uma das mais utilizadas para plana centrada em Brasília-DF).
mostrar o mundo em atlas escolares e mapas de divulgação.

Projeção de Robinson
180º 150º 120º 90º 60º 30º 0º 30º 60º 90º 120º 150º 180º

0 3 190 6 380
km

Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 24.

Essa projeção foi desenvolvida em 1961 pelo geógrafo e cartógrafo norte-americano Arthur H.
Robinson (1915-2004). Segundo o IBGE: “É uma projeção afilática (não é conforme nem
equivalente nem equidistante) e pseudocilíndrica (não possui nenhuma superfície de projeção,
porém apresenta características semelhantes às da projeção cilíndrica)”.

Representações cartográficas, escalas e projeções 63


4 Diferentes visões do mundo
Nosso planeta é um só, mas, como vimos, pode ser foi reservada à imagem de Cristo benzendo o mundo
representado de formas diferentes ou visto de pers- ladeado por anjos, e a parte "debaixo", aos dragões, que
pectivas diversas. podem ser associados ao demônio.
Como os mapas são feitos por profissionais que Um dos primeiros mapas-múndi foi elaborado em
vivem no território de um Estado e têm diferentes va- 1508 por um cartógrafo de Florença, chamado Francesco
lores culturais, costumam expressar um ponto de vista Rosseli (observe-o abaixo). Esse mapa não tinha preci-
particular, além de interesses geopolíticos e econômi- são nenhuma nem mostrava a Oceania, continente que
cos; em contrapartida, também podem expressar um ainda não era conhecido dos europeus. Um pouco mais
questionamento desses interesses. tarde, em 1569, foi elaborado um dos mapas-múndi
O mapa mostrado na abertura deste capítulo, por mais importantes da História, o mapa de Mercator,
exemplo, representa o mundo sob um ponto de vista cujas características vimos na página 61.
religioso. Produzido na Europa medieval, num momen- Esses primeiros mapas-múndi, especialmente o de
to em que a Igreja católica exercia grande poder sobre Mercator, colocavam a Europa em destaque: no "centro"
a sociedade, esse mapa traz vários elementos da cren- do mapa e o hemisfério norte, onde está localizada, na
ça e dos valores cristãos, aplicados ao mundo que se parte de "cima". Os europeus estavam explorando o
conhecia até então. A cidade de Jerusalém está no cen- mundo e fundando colônias; portanto, era natural que
tro da representação, e o oriente, onde se encontraria ao representar o planeta se vissem dessa forma.
o paraíso (no medalhão estão representados Adão e
Eva, separados pela “árvore da ciência do bem e do Conforme você já viu, os mapas não têm parte de cima
mal”, plantada por Deus no Jardim do Éden, e uma pe- ou de baixo. No entanto, para explicar a representação
dessas páginas temos de recorrer a estes termos para
quena maçã, seu fruto proibido), aparece em destaque, ajudar a visualização. Por isso essas expressões serão
na parte de "cima" do mapa. A parte de "cima" do mapa grafadas entre aspas.

Mapa-múndi de Rosseli
Reprodução/(c) National Maritime Museum, Greenwich, Reino Unido.

WHITFIELD, Peter. The Image of the World: 20 Centuries of World Maps. London: The British Library, 1994. p. 50-51.

Antes das Grandes Navegações existiam um planeta ou um globo terrestre e vários “mundos”, considerando “mundo” como
o espaço geográfico conhecido por determinado povo; a partir daí, com as viagens transoceânicas, os diversos povos da Terra
foram aos poucos entrando em contato, e hoje se pode dizer que planeta, globo e mundo são sinônimos. Original sem escala.

64 Capítulo 2
O eurocentrismo era tido original da palavra orientação (“direcionar-se para
Etnocentrismo: tendência de
a materialização carto- um indivíduo ou povo a valo-
o oriente”), como vimos no capítulo anterior.
gráfica do etnocentris- rizar sua cultura e a julgar as Assim, o fato de o norte aparecer na parte de “cima”
mo europeu. Mas não outras negativamente por dos mapas, com a Europa no “centro”, é apenas mais uma
serem diferentes da sua.
devemos nos esquecer convenção. Entretanto, a visão eurocêntrica do mundo
de que a Terra é um planeta esférico, em movimento acabou se consolidando em 1884, ano em que se realizou
no espaço sideral; portanto, nele não existe nem acima a Conferência Internacional do Meridiano. Como estuda-
nem abaixo. mos no capítulo anterior, nesse encontro foi acordado
Antes das Grandes Navegações, os cartógrafos ita- que o meridiano principal, o zero da longitude, seria o
lianos, influenciados pelos árabes, costumavam colocar meridiano de Greenwich, portanto, o “centro” do mundo.
o sul na parte de “cima”, como mostra o mapa abaixo, Nada impede que o mundo seja visto de outras
feito em 1459 pelo monge veneziano Fra Mauro (mapas perspectivas e, em cada país, os atlas sejam produzidos
com o sul em destaque voltaram a ser produzidos, como valorizando sua localização no globo. Por exemplo, nos
ilustra a projeção de Hobo-Dyer, vista na página 62). Estados Unidos, gerações de estudantes cresceram
Os cartógrafos árabes costumavam representar o vendo seu país em destaque no mapa-múndi (projeção
mundo com o sul “acima” e com o centro em Meca, a de Mercator). Como antes aconteceu com os europeus,
principal cidade sagrada da religião islâmica. Como além de estar no “centro” do mundo, o território norte-
mostra a imagem da abertura, até o leste ou oriente já -americano ainda aparecia ampliado. Tal representação
chegou a ganhar destaque, como era comum nos ma- era uma metáfora da superioridade geopolítica dos Es-
pas elaborados na Idade Média, de onde surgiu o sen- tados Unidos no período pós-Segunda Guerra.

Mapa de Fra Mauro

Rep
r od
u çã
o/B
i bl
iot
ec
aN
az
io
na
le
M
a

rc
ia
na
,V
en
ez
a,
Itá
lia
.

Observe que as terras em


torno do mar
Mediterrâneo, região mais
conhecida na época pelos
europeus, têm contornos mais
próximos da realidade (localize a
Itália e a península Ibérica);
entretanto, quanto mais distante da
Europa, maior a deformação. Original
sem escala.

WHITFIELD, Peter. The Image of the World: 20 Centuries of World Maps. London: The British Library, 1994. p. 33.

Representações cartográficas, escalas e projeções 65


Os japoneses, que se recuperaram da derrota na geográfico escolar, os japoneses fixaram como “cen-
Segunda Guerra, também costumam representar o tro” da projeção a longitude de Tóquio (139°41'30" E) e
planeta com seu país situado no “centro”. Como mos- não a de Londres (0°00'00"), como aparece nos mapas
tra o mapa-múndi abaixo, publicado em um atlas eurocêntricos.

A visão nipocêntrica do mundo

Reprodução/(c) Mapa-múndi Atlas Japonês


Este mapa-múndi consta
de um atlas geográfico
Escala não indicada no original.
escolar japonês de 1993.

O Brasil no centro de uma projeção cartográfica Projeção azimutal equidistante centrada


azimutal apareceu em 1981 no livro Conjuntura políti- em Brasília
ca nacional: o Poder Executivo & geopolítica do Brasil,
*

Banco de imagens/Arquivo da editora


do general Golbery do Couto e Silva (1911-1987), um dos
expoentes do pensamento geopolítico do regime mi-
litar (1964-1985). Há outro mapa com o Brasil repre-
Polo ÁSIA
sentado assim num livro do geógrafo Cêurio de Norte
Oliveira, publicado em 1993 (observe-o ao lado). 50º
Mais recentemente, mapas-múndi com o Bra- AMÉRICA
DO EUROPA 120º
sil em destaque podem ser encontrados no NORTE

Atlas geográfico escolar do IBGE. Entretanto,


ÁFRICA
uma visão brasileira do mundo nunca foi r Brasília
u ado
muito difundida e acabamos nos habituando Eq 120º 73º 20º 30º 0º

a ver o planeta da perspectiva eurocêntrica.


170º 80º
Com isso, podemos concluir que não há 140º

uma forma certa ou errada de representar o 50º


Polo
mundo, mas cada uma delas expressa um pon- Sul

to de vista de um Estado nacional ou de um


povo. A Cartografia expressa, em cada um de seus
produtos, um ponto de vista sobre o mundo, uma OCEANIA

versão da realidade geográfica. 0 4 300 8 600


Brasília
Latitude 15°47'03" S km
* Na projeção azimutal não é necessária a rosa dos Longitude 47°55'24" W
Adaptado de: OLIVEIRA, Cêurio de. Curso de Cartografia
ventos porque o norte está indicado no próprio mapa. moderna. 2. ed. Rio de Janeiro: IBGE, 1993. p. 63.

66 Capítulo 2
atenção!
Atividades Não escreva no seu livro!

Compreendendo conteúdos
1. Aponte as diferenças fundamentais entre mapa, carta e planta.
2. Explique para que serve a escala e como ela pode aparecer em uma representação cartográfica.
3. Aponte as distorções verificadas nas seguintes projeções: Mercator, Peters e azimutal.
4. Explique por que o mundo pode ser visto de diferentes perspectivas cartográficas. Dê exemplos.

Desenvolvendo habilidades
5. Observe as representações cartográficas do Rio de Janeiro nas páginas 58 e 59. Imagine que você está na esquina
das ruas Marquês de Olinda e Muniz Barreto e quer pegar o metrô.
a) Quantos metros aproximadamente você teria de caminhar até a Estação Botafogo?
b) Qual das representações observadas permite responder a essa pergunta?

6. Retome a planta da página 33 e continue sua viagem imaginária por São Paulo. Agora você está na Estação da Luz
e decide conhecer o Teatro Municipal. Você poderia ir de metrô, mas resolveu ir a pé.
a) Qual é o caminho mais rápido entre esses dois pontos de interesse cultural?
b) Que distância aproximadamente você caminharia? É possível ir a pé ou é necessário pegar o metrô?
c) Caso decidisse ir de metrô, como faria?

7. Observe, abaixo, o trecho da folha de Macapá (AP) na Carta Topográfica do Brasil, compare-o com Dialogando
o trecho da folha de Garuva (SC) na página 53 e solucione os problemas apresentados a seguir. com MateMática

Reprodução/Objetiva Digital

Adaptado de: IBGE. Ministério do Planejamento e Orçamento. Macapá (AP). Folha NA-22-Y-D-VI. Rio de Janeiro, 1995.

a) Constate que em Macapá a distância reta entre o início da rodovia 010 e a Colônia Penal é de 4 centímetros. Na
realidade, essa distância é de 4 quilômetros. Com esses dados, descubra em que escala essa carta foi construída.
b) Que diferença você observa ao comparar esse trecho da folha de Macapá com o trecho da folha de Garuva?
c) Na folha de Garuva, identifique a porção do espaço representado mais favorável à prática da agricultura meca-
nizada ou à instalação de indústrias e explique o porquê de sua opção.
d) Uma pessoa que queira localizar um endereço na cidade de Macapá pode utilizar essa carta? Caso considere que
não possa, qual seria a opção? Para auxiliar na reflexão, veja novamente as representações cartográficas do Rio
de Janeiro.

Representações cartográficas, escalas e projeções 67


3
CAPÍTULO Mapas temáticos
e gráficos

Costa/Leemage/
eemage/
Agência France-Presse

Gerhard Mercator em gravura


feita em 1574 por Frans Hogenberg.

68
V
ocê já se deu conta da quantidade de vezes que se deparou com diversos
tipos de mapas e gráficos? Se ainda não, fique atento e procure reparar
neles. Você vai perceber que os mapas, principalmente os temáticos,
assim como os gráficos, estão muito presentes em nosso dia a dia. Eles repre-
sentam com imagens e números os diversos fenômenos socioespaciais, como
a produção de energia, o consumo de bens duráveis (veja gráfico de colunas),
o crescimento populacional (veja gráfico de barras), as formas do relevo, os
tipos de clima, a previsão de tempo (veja mapa), entre muitos outros exemplos.
Gráficos e mapas são importantes para facilitar as ações planejadas por
governos e outros agentes sociais sobre os serviços públicos, a produção agrí-
cola, a organização de parques industriais e de siste-

Gráficos: Banco de Imagens/Arquivo da editora


mas de transportes, bem como de muitos outros EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO BRASILEIRA
aspectos que estruturam o espaço geográfico. Se
Ano
ficar atento, perceberá que diariamente nos depara-
1872 9930478
mos com variados tipos de mapas temáticos e gráfi-
cos nos noticiários televisivos, na internet e em livros, 1900 17438 434
jornais e revistas. Para entendê-los e extrair deles 1950 51944 397
todas as informações dos fenômenos representados,
1960 70191 370
é importante que nos familiarizemos com esse tipo
de linguagem, aprendendo a decodificar seus símbo- 1970 93139 037

los e convenções. É o que faremos a seguir. 1980 119 002706

1991 146 825475


Banco de Imagens/Arquivo da editora

Brasil: previs‹o do tempo (20/1/2015)


2000 173 448346
Alessandro Passos da Costa/Arquivo da editora

50° O

AP
2013 201 032714
RR Equador

OCEANO 2020 212 077375*


AM ATLÂNTICO
PA
MA
RN
2030 223 126917*
CE
PI PB
AC PE
AL
2042 228 350024*
RO TO
SE

MT BA 2050 226 347688*


DF

GO
2060 218 173888*
OCEANO N
PACÍFICO
MS MG
ES 50 000 000 100 000 000 150 000 000 200 000 000 250000000 População
Nublado SP
com pancada O L
rnio RJ
de chuva Trópico de Capricó
Adaptado de: IBGE. In: EXAME.COM. 29 ago. 2013.
Nublado com PR
possibilidade S Disponível em: <http://exame.abril.com.br/brasil/
de chuva SC
0 710 1420 noticias/o-passado-e-o-futuro-da-populacao-brasileira>.
Nublado
RS Acesso em: 15 set. 2015. *Projeção.
Predomínio
km
de sol

Bens duráveis nas casas dos brasileiros (2013)


Adaptado de: INPE. Centro de previsão
de tempo e estudos climáticos. 98,8 97,2
Disponível em: <www.cptec.inpe.br>.
Acesso em: 20 jan. 2015. 75,8 72,4
58,3
53,1 50,1
43,6
36,8
19,9
2,7

Adaptado de: IBGE. PNAD resultados 2013. In:


GLOBO.COM. G1 Economia. Disponível em: Fogão Televisão Rádio DVD Máquina Somente Computador Carro Celular Motocicleta Somente
<http://g1.globo.com/economia/ de lavar celular e fixo fixo
pnad-resultados-2013/index.html>. % de casas com o item em 2013

Acesso em: 15 set. 2015.

Mapas temáticos e gráficos 69


1 Cartografia temática
Para representar esses fenômenos, podemos utili-
zar pontos, linhas ou áreas, dependendo da forma como
Mapas codificam o milagre se manifestam no espaço geográfico. Eles podem ser
da existência.” cartografados em mapas diferentes ou juntos, num
Nicholas Crane (1954-), geógrafo britânico, autor de mesmo mapa. (Leia o texto em Outras leituras, na pá-
Mercator: o homem que mapeou o planeta.
gina seguinte, para saber mais sobre os métodos de
representação.)
Todo mapa “responde” a certas perguntas sobre os
A Cartografia temática facilita o planejamento de
elementos nele representados. A primeira pergunta
intervenções realizadas pelo poder público e por em-
que geralmente fazemos ao observar um mapa é: on-
presas privadas, porque auxilia a compreender a orga-
de se localiza determinado fenômeno? Como vimos no
nização dos fenômenos socioespaciais. Por exemplo, o
início da Unidade, para respondê-la, o mapa apresenta
planejamento em uma cidade é mais efetivo a partir
uma rede de coordenadas. A segunda pergunta é: qual
do registro da ocupação de seu solo em cartas temáti-
é o tamanho do fenômeno representado? Como tam-
cas, nas quais há a distribuição de sua população, as
bém já vimos, para isso toda representação cartográ-
áreas sujeitas a alagamento ou escorregamento, entre
fica tem uma escala.
outros fenômenos.
Os mapas podem, entretanto, mostrar mais do que
É importante lembrar que os fenômenos socioes-
a localização dos fenômenos e sua proporção. Podem
paciais estão interligados; logo, a intervenção num
mostrar diversos aspectos da existência humana em aspecto da realidade interfere em outros. Por exemplo:
sua vida em sociedade, assim como variados aspectos a ocupação de encostas íngremes é perigosa, como se
da natureza. Podem representar, em diferentes escalas observa no mapa, que mostra áreas suscetíveis a es-
geográficas, os fenômenos sociais e naturais em sua corregamentos em Caraguatatuba. Esse município do
diversidade: litoral do estado de São Paulo tem parte de seu terri-
• qualitativa: responde à pergunta “o quê?” e repre- tório na planície litorânea e parte na encosta da serra
senta os diferentes elementos cartografados – cida- do Mar, onde estão as áreas com maior risco de escor-
des, rios, indústrias, climas, cultivos, etc. – em diver- regamento e que, por isso, não devem ser ocupadas.
sos tipos de mapas;
• quantitativa: elucida a dúvida sobre Áreas suscetíveis a escorregamento no
município de Caraguatatuba (SP)
“quanto?” e indica, por exemplo, a po-
45° 25’ O
pulação urbana e o tamanho das cida-

Banco de imagens/Arquivo da editora


Muito alta Média
des, o total da produção industrial, en- Alta Baixa/nula
tre outros aspectos, permitindo a Rodovias
Limite municipal
comparação entre territórios diferentes;
• de classificação: registra a ordenação 23° 36’ S

e a hierarquização de um fenômeno
num determinado território, por
exemplo, a ordem das cidades no ma- OCEANO
ATLÂNTICO
pa da hierarquia urbana brasileira ou
a ordem de altitudes no mapa hipso-
métrico;
• dinâmica: mostra a variação de um fe-
nômeno ao longo do tempo e sua mo- 0 5 10

vimentação no espaço geográfico: o km

fluxo de população no território brasilei- Adaptado de: MARCELINO, Emerson Vieira. Mapeamento de áreas susceptíveis a escorregamento no
ro, o fluxo de mercadorias no comércio município de Caraguatatuba (SP) usando técnicas de sensoriamento remoto. Dissertação de Mestrado do
Curso de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto. São José dos Campos: INPE, 2004. p. 178. Disponível em:
internacional, entre outros. <www.obt.inpe.br/pgsere/Marcelino-E-V-2003/publicacao.pdf>. Acesso em: 15 set. 2015.

70 Capítulo 3
Veja a indicação do livro Mapas da geografia e Cartografia temática,
de Marcello Martinelli, na seção Sugestões de leitura, filmes e sites.
Outras leituras

Os métodos de representação da Cartografia temática


Representações qualitativas Representações ordenadas
As representações qualitativas em mapas são em- As representações ordenadas em mapas são indi-
pregadas para mostrar a presença, a localização e a cadas quando os fenômenos admitem uma classificação
extensão das ocorrências dos fenômenos que se dife- segundo uma ordem, com categorias deduzidas de in-
renciam pela sua natureza e tipo, podendo ser classifi- terpretações qualitativas, quantitativas ou de datações.
cados por critérios estabelecidos pelas ciências que Conforme os fenômenos se manifestam em pon-
estudam tais fenômenos. tos, linhas ou áreas no mapa, utilizamos respectiva-
Conforme os fenômenos se manifestam em pon- mente pontos, linhas e áreas, que terão uma variação
tos, linhas ou áreas no mapa, utilizamos respectiva- visual com propriedade perceptiva compatível com a
mente pontos, linhas e áreas, que terão uma variação ordenação: a ordem visual. [...]
visual com propriedade de perspectiva compatível com
Variação de valor em pontos: Variação de valor em linhas:
a diversidade: a seletividade visual.
Na manifestação pontual usamos preferencial-

Ilustrações: Cassiano Röda/Arquivo da editora


mente a variação de forma ou de orientação. Variação de valor em áreas:
a) Texturas de pontos:

Forma:

Orientação: b) Texturas de linhas:

Para facilitar a memorização dos signos [símbolos], Cores:


Amarelo Laranja Vermelho Marrom
principalmente nos mapas para crianças, podemos ex-
plorar a analogia entre sua forma e o que eles represen-
tam. São os “símbolos” evocativos ou icônicos:
Representações quantitativas
Algodão Milho Trigo Uva As representações quantitativas em mapas são em-
pregadas para evidenciar a relação de proporcionalidade
Na manifestação linear convém usar basicamente entre objetos (B é quatro vezes maior que A). Essa relação
a variação de forma: deve ser transcrita por uma relação visual de mesma
natureza. A única variação visual que transcreve corre-
Forma: tamente esta noção é a de tamanho.
Conforme os fenômenos se manifestem em pontos,
linhas ou áreas no mapa, utilizamos respectivamente
pontos, linhas e áreas que terão uma variação com pro-
priedade perceptiva compatível com a proporcionalida-
de: a proporcionalidade visual.
Na manifestação zonal, a cor tem maior eficácia. Na Na manifestação pontual, modulamos o tamanho do
impossibilidade de poder contar com a cor, devemos em- local de ocorrência. Essa solução é ideal para a representa-
pregar texturas diferenciadas compostas de elementos ção de fenômenos localizados com efetivos elevados, como
pontuais ou lineares, do mesmo valor visual (uma textura é o caso da população urbana. O tamanho de uma forma
não pode ficar mais escura que a outra). escolhida – o círculo, por exemplo – é proporcional à in-
[...] tensidade da ocorrência em valores absolutos. Para resol-
ver essa representação, aplicamos o Método das Figuras
Cores: Geométricas Proporcionais. As áreas das figuras serão
Violeta Azul Verde Amarelo Laranja Vermelho
proporcionais às quantidades a serem representadas.
Na manifestação linear, variamos a espessura da
Texturas com elementos pontuais:
linha proporcionalmente à intensidade do fenômeno.
Dessa maneira, podemos representar a intensidade de
Texturas com elementos lineares: fluxo entre dois pontos.
MARTINELLI, Marcello. Cartografia temática: cadernos de mapas.
São Paulo: Edusp, 2003. p. 27, 28, 36, 54 e 55.

Mapas temáticos e gráficos 71


Vejamos agora alguns exemplos de América do Sul: mineração e indústria
mapas temáticos.
50º O

Mapas: Banco de imagens/Arquivo da editora


Construído sobre uma base cartográ- Caracas

fica que mostra os limites políticos da Paramaribo

América do Sul, o mapa ao lado evidencia Bogotá

os recursos minerais e energéticos dos Equador



Quito
países sul-americanos, indicando sua di- Belém

versidade, distribuição e tamanho relativo Carajás


Recife
das reservas. Para representar fenômenos
pontuais como esses, o mais adequado é
Lima
Salvador
utilizar símbolos com formas, cores e ta- OCEANO La Paz
Belo
manhos diferentes. Cidades, indústrias, PACÍFICO Horizonte
OCEANO
ATLÂNTICO
portos, aeroportos, hidrelétricas, etc. são
outros exemplos de fenômenos pontuais.
Antofagasta
Rio de Tróp
São Paulo Janeiro ico
Carvão Cap de
ricó
Vale relembrar, entretanto, que, depen- Petróleo
rnio

Chumbo e zinco
dendo da escala, um fenômeno pontual Rosário
Porto Alegre
Prata
poder virar zonal. Por exemplo, num mapa Gás natural
Valparaíso
Buenos Aires
Santiago
Ferro
de escala pequena como este, uma cidade
Manganês
é um ponto; mas numa planta de escala Cobre
Estanho
grande, a mesma cidade será representa- Ouro
da como uma área. Bauxita
Nitrato
Indústria de 0 705 1 410
Observe que no mapa também estão alta tecnologia
Principais km
cartografadas as principais regiões industriais regiões
industriais
da América do Sul, um fenômeno zonal.
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012.
Groningen: Wolters-Noordhoff; Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 154.

Para cartografar fenômenos lineares França: rede de tráfego ferroviário – 2010


como tipos diferentes de ferrovias, mos- 0°

tradas no mapa da França ao lado, foram Calais Dunkerque


Canal da Mancha
utilizadas linhas diferenciadas por cores. 50º N
Cherbourg Lille

Mas como o mapa mostra esse tema de Brest


Le Havre Amiens

Caen Rouen
forma proporcional, essas linhas têm lar- Quimper
Reims
Rennes
guras e tonalidades diferentes, expres- OCEANO Vannes Chartres PARIS
Metz
ATLÂNTICO
sando maior ou menor volume de passa- Angers Le Mans
Orléans
Troyes Nancy
Nantes Tours
geiros e mercadorias transportados por Vierzon
Langres
Estrasburgo

Poitiers Mulhouse
dia. Rodovias, hidrovias, oleodutos, redes La Rochelle
Nevers
Dijon
Belfort
Besançon
de alta-tensão, etc. são outros exemplos Angoulême Limoges

de fenômenos lineares. Bordeaux


Clermont-
-Ferrand Lyon
Annecy
Tr‡fego de trens St-Étienne
(número médio de Agen Valence Grenoble Modane
trens por dia) Dax Rodez
Linhas de alta velocidade Montauban Briançon
Toulouse Gap
201 ou mais
Tarbes Nîmes Avignon
101 – 200 Montpellier
51 – 100 Foix Nice
Narbone
h
enwic

25 – 50 Marselha
Observe que nesse mapa também Outras linhas
Perpignan
re

estão cartografados fenômenos 200 ou mais


de G

100 – 200 Mar Mediterrâneo Bastia


pontuais proporcionais: Paris,
diano

50 – 100
maior entroncamento ferroviário 25 – 50
Meri

0 135 270 Ajaccio


do país, Lyon, Bordeaux e outras Menos de 25
km
cidades francesas.
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012.
Groningen: Wolters-Noordhoff; Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 24.

72 Capítulo 3
O mapa abaixo registra a densidade demográfica Há outros fenômenos zonais que também apare-
da América do Sul, um fenômeno zonal que foi orde- cem registrados em mapas por meio de cores; no en-
nado pelas diferentes quantidades de pessoas por tanto, sem que haja hierarquia entre elas. Veja alguns
km2, cuja distribuição foi destacada com o uso de co- exemplos nos quais as cores são diferenciadas somen-
res – as áreas são pintadas de modo que se estabele- te para distinguir as classificações dos fenômenos: tipos
ça uma hierarquia entre as cores (da mais clara para de clima na zona tropical (ver página 158); tipos climá-
a mais escura, à medida que aumenta a densidade; ticos do Brasil (página 177); compartimentação do re-
veja outro exemplo de fenômeno zonal ordenado no levo brasileiro (páginas 131 e 132); formações vegetais
mapa-múndi hipsométrico da página 127). Formações do mundo (páginas 220 e 221).
vegetais, tipos climáticos, compartimentação do re- As cidades ou regiões metropolitanas podem ser
levo, cultivos agrícolas, reservas indígenas, etc. são representadas por pontos simples (fenômeno qualita-
outros exemplos de fenômenos zonais. tivo), se o que se pretende é apenas localizá-las no es-
paço geográfico. Também podemos destacar o tama-
América do Sul: densidade demográfica e
principais aglomerações urbanas nho de suas populações (fenômeno quantitativo), como
foi feito no mapa ao lado, que
Banco de imagens/Arquivo da editora

50º O
mostra a densidade demográ-
Barranquilla Maracaibo
fica e as principais aglomera-
Caracas
ções urbanas da América do
Barquisimeto Sul, ou enfatizar a relação hie-
Medellín
Bogotá rárquica entre elas (fenômeno
Cali ordenado). A relação hierárqui-
Equador
0º ca entre as cidades pode ser
Quito Belém
Manaus
Fortaleza estabelecida com base em di-
Guayaquil versos critérios: tamanho da
população, infraestrutura de
Recife
comércio e serviços, influência
na rede urbana nacional ou
Lima
Brasília Salvador mundial, etc. Observe o mapa
Goiânia
da página seguinte. Ele mostra
OCEANO
Belo Horizonte a hierarquia urbana brasileira.
PACÍFICO
Assunção Rio de Janeiro
ó rnio São Paulo
apric
de C
pico Curitiba
Tró
Córdoba
Porto Alegre
Rosário
Santiago
OCEANO
Montevidéu
Buenos Aires ATLÂNTICO

atenção!
Não escreva no seu livro!

Habitantes por km2


Menos de 1
1 – 10
10 – 50
50 – 100
100 ou mais

Aglomerações com mais de


5 milhões de habitantes
Aglomerações com 1 a 5 milhões Veja que esse mapa também
de habitantes registra um fenômeno pontual
0 555 1 110 Cidades com 500 mil a 1 milhão proporcional: as maiores
de habitantes aglomerações urbanas da
km
América do Sul.
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012. Groningen: Wolters-Noordhoff;
Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 155.

Mapas temáticos e gráficos 73


Brasil: hierarquia urbana Também é possível representar car-
55º O
tograficamente fenômenos dinâmicos
no espaço e no tempo. Por exemplo, po-
Boa Vista AP
RR Macapá Equador
de-se mostrar o grau de destruição da

mata Atlântica desde o começo da ocu-
São Luís
Belém
Fortaleza pação do território brasileiro ou a movi-
AM Manaus
PA MA
Teresina
CE
RN Natal mentação da população desde o início
PI PB João Pessoa do processo de industrialização do país.
AC TO PE Recife
Rio Branco Porto Velho AL Maceió Os mais conhecidos exemplos de
Palmas SE
RO Aracaju
MT
BA mapas que representam fenômenos di-
Salvador
Cuiabá Brasília nâmicos são aqueles que mostram fluxos
DF
Goiânia
MG OCEANO de pessoas ou mercadorias em diversas
Belo ATLÂNTICO
GO
Campo
Grande
Horizonte escalas geográficas. Como vimos ante-
ES
OCEANO
PACÍFICO MS
Ribeirão
Preto Campinas
Vitória riormente, além das direções, podem ser
RJ
Hierarquia urbana
Londrina SP Rio de Janeiro
Trópico d
registradas as quantidades proporcionais
São Paulo e Capric
órnio
Metrópole global
PR São José dos Campos
Curitiba Santos
desses fluxos, utilizando para isso dife-
SC Florianópolis rentes larguras de linhas ou setas. Obser-
Metrópole nacional
Metrópole regional
RS
Porto Alegre ve, no mapa abaixo, as principais rotas
0 500 1 000
Centro regional
km
aéreas internacionais.
Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 152.

Principais rotas aéreas internacionais e maiores aeroportos

Mapas: Banco de imagens/Arquivo da editora


160º O
140º O
120º O

180º


Honolulu
20° S

20° S
Cidade do México Los Angeles
Phoenix São Francisco
40° S

40° S
AMÉRICA Houston Denver Las Vegas
OCEANO
OCEANO Salt
CENTRAL Dallas Lake Seattle PACÍFICO OCEANIA
60° S

PACÍFICO Atlanta
St. Louís City
Minneapolis ALASCA Sydney
Miami Tóquio
Orlando Chicago Sapporo
Detroit CANADÁ
Washington Osaka

100° L 120° L
JAPÃO E
80° O

Newark Toronto Fukuoka


Nova York Boston
Seul COREIA DO SUL
CARIBE
40° O

Pequim
Hong
AMÉRICA RÚSSIA Kong
DO SUL
60° S

Bangcoc
EUROPA CHINA Cingapura
Londres Amsterdã
40° S

40° S

Paris Frankfurt SUDESTE


Zurique
Madri DA ÁSIA
OCEANO Roma
20° S

ATLÂNTICO
20° S

SUL
DA ÁSIA
NORTE

DA ÁFRICA ORIENTE
MÉDIO
OCEANO
Maiores aeroportos OESTE DA ÍNDICO
0° ÁFRICA 0°
Número de passageiros LESTE DA
(internacional e doméstico) ÁFRICA
por ano
Observe que esse mapa
Mais de 25 milhões
registra os maiores
15 – 25 milhões
20° S SUL DA 20° S aeroportos do mundo em
10 – 15 milhões ÁFRICA
número de passageiros,
Principais rotas aéreas em 2009, e o número de
Número de voos internacionais
por ano voos internacionais por
ano. Nele, observamos
60º L
40º L
20º L

Mais de 50 milhões
elementos lineares
10 – 50 milhões proporcionais.
5 – 10 milhões
Adaptado de: ATLAS of the World. 18th ed. New York: Oxford University Press, 2011. p. 107. Mapa sem escala.

74 Capítulo 3
Há um tipo particular de mapa temático, em que as representado. Esse tipo de “mapa” – de fato, um carto-
áreas dos países são mostradas em tamanhos propor- grama – é chamado de anamorfose geográfica. Veja um
cionais à importância de sua participação no fenômeno exemplo a seguir.

A dinâmica da população mundial: estimativa para 2030


COREIA
DO

Banco de imagens/Arquivo da editora


DINAMARCA NORUEGA FINLÂNDIA
CANADÁ NORTE

SUÉCIA ESTÔNIA
LETÔNIA MONGÓLIA
REINO COREIA
IRLANDA PAÍSES LITUÂNIA DO JAPÃO
UNIDO BAIXOS BELARUS SUL
ALEMANHA POLÔNIA
ESTADOS CHINA
UNIDOS BÉLGICA 8
6 7 RÚSSIA
UCRÂNIA
SUÍÇA 4 5 ROMÊNIA

TAIWAN
FRANÇA 3
BULGÁRIA 9 CASAQUISTÃO
11 QUIRGUISTÃO HONG
10 KONG

GRÉCIA
USBEQUISTÃO

ESLOVÊNIA
ITÁLIA
TAJIQUISTÃO

CROÁCIA
REP. DOMINICANA TURQUIA

MACEDÔNIA
ESPANHA TURCOMENISTÃO
MÉXICO HAITI PORTUGAL LAOS

SÉRVIA
ALBÂNIA
CHIPRE

AFEGANISTÃO
NEPAL CAMBOJA
CUBA LÍBANO

TAILÂNDIA
MIANMAR
SÍRIA

ISRAEL
GUATEMALA HONDURAS IRAQUE
JAMAICA PORTO RICO IRÃ

VIETNÃ
EL SALVADOR NICARÁGUA JORDÂNIA
FILIPINAS
COSTA RICA
TRINIDAD E TUNÍSIA 2
PANAMÁ TOBAGO ARGÉLIA ARÁBIA
MARROCOS SAUDITA EAU *

BANGLADESH
LÍBIA
EGITO
COLÔMBIA OMÃ PAQUISTÃO
VENEZUELA KUWAIT

MALÁSIA
MAURITÂNIA MALI NÍGER CHADE IÊMEN BAHREIN
EQUADOR RCA** CATAR
SENEGAL
CAMARÕES

ERITREIA ÍNDIA
GÂMBIA CINGAPURA
BRASIL SUDÃO ***
PERU DJIBUTI
GUINÉ- NIGÉRIA
-BISSAU GUINÉ PAPUA-NOVA GUINÉ
GABÃO CONGO

ETIÓPIA
BOLÍVIA SERRA LEOA REPÚBLICA
LIBÉRIA DEMOCRÁTICA
DO CONGO INDONÉSIA
URUGUAI
CHILE

BURKINA 1
PARAGUAI FASSO COSTA SOMÁLIA
BENIN
TOGO

GANA
DO QUÊNIA
MARFIM
ANGOLA

ARGENTINA TIMOR-LESTE
UGANDA
NAMÍBIA
RUANDA AUSTRÁLIA
BURUNDI
SRI LANKA
BOTSUANA TANZÂNIA
ZÂMBIA
NOVA
ZIMBÁBUE MADAGASCAR ZELÂNDIA
MALAUÍ

ÁFRICA
DO SUL
MAURÍCIO
MOÇAMBIQUE
LESOTO
SUAZILÂNDIA

Estimativa da população em 2030


(em milhões de habitantes)
100
50
10
1
1. Guiné Equatorial 8. Moldávia
2. Cisjordânia e Gaza 9. Geórgia
Taxa de crescimento demográfico
anual no período 2000-2030 (%) 3. Bósnia-Herzegovina 10. Armênia
Mais de 2 4. Áustria 11. Azerbaijão
1,51 – 2 5. Hungria * Emirados Árabes Unidos
1 – 1,50 ** República Centro-Africana
6. República Tcheca
0 – 0,99
7. Eslováquia *** O Sudão do Sul
Menos de 0 separou-se do Sudão em 2011.

Adaptado de: INSTITUT FRANÇAIS DES RELATIONS INTERNATIONALES. Rapport annuel mondial
sur le système économique et les estratégies Ramses 2011. Paris: Ifri/Dunod, 2010. p. 299.

Numa anamorfose, os elementos representados não aparecem em escala cartográfica e não há


fidelidade nas formas territoriais. Em contrapartida, é mais fácil perceber o peso da participação
de cada país no fenômeno representado (a população mundial em 2030, neste caso), pois essa
participação é proporcional ao tamanho mostrado.

Consulte os mapas temáticos disponíveis nos portais do


IBGE, da Seção Cartográfica da ONU, da Biblioteca
Perry-Castañeda da Universidade do Texas (Estados
Unidos) e do Worldmapper da Universidade de Sheffield
(Reino Unido). Veja orientações na seção Sugestões de
leitura, filmes e sites.

Mapas temáticos e gráficos 75


Dialogando
2 Gráficos com MateMática

Um gráfico estabelece relação entre as informações a partir da origem o. Observe que nos gráficos cada par
da realidade que podem ser expressas numericamente. dessas variáveis x e y define um ponto p.
Há diversos tipos de gráficos, e eles são utilizados para Observe no gráfico de linha abaixo que indicamos no
expressar dados estatísticos de forma mais simples, rá- eixo x os meses do ano (tempo), e no y, os índices de in-
pida e clara do que as tabelas. flação (valores), conforme os dados da tabela (ao lado
No sistema de coordenadas cartesianas, desenvolvi- do gráfico). Cada mês corresponde a um índice, defi-
do pelo filósofo e matemático francês René Descartes nindo os diversos pontos p. Qual visualização dos índi-
(1596-1650), são utilizadas duas variáveis: uma marcada ces mensais de inflação ao longo do ano de 2014 é mais
sobre o eixo x (abscissa) e outra sobre o eixo y (ordenada), simples e rápida: a do gráfico ou a da tabela?

Brasil: inflação em 2014 (IPCA – percentual no mês) Brasil: inflação em 2014 – IPCA
(Índices mensais e anual)
IPCA (%) Mês Porcentagem

A. Robson/Arquivo da editora
1,0
0,92
0,8 0,78 Janeiro 0,55
0,69 0,67
0,6 0,57 0,51 Fevereiro 0,69
0,55 0,46
0,40
0,4 0,42 Março 0,92
0,25
0,2
0,01 Abril 0,67
0,0
iro

iro

ço

ril

to

Maio 0,46
ai

nh

lh

br

br

br

br
ab

os
ar
ne

re

ju

tu

m
ju
m

ag
ve
ja

te

ou

ve

ze
fe

se

de
no

Junho 0,40
IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. Série histórica do IPCA.
Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/ Julho 0,01
inpc_ipca/defaultinpc.shtm>. Acesso em: 10 jun. 2015.
Agosto 0,25
Gráficos de linhas são indicados para representar séries estatísticas cronológicas,
como a taxa de inflação ao longo de um ano ou de décadas. Perceba que no Setembro 0,57
gráfico a visualização da variação mensal da inflação é simples e rápida. Outubro 0,42
Novembro 0,51
IPCA: O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo
IBGE e utilizado pelo Banco Central para a fixação das metas de inflação no Dezembro 0,78
Brasil, mede a variação mensal de preços ao consumidor para as famílias com
rendimento entre um e quarenta salários mínimos, independentemente da
Ano 6,41
fonte de renda. A pesquisa de preços abrange nove regiões metropolitanas – Adaptado de: IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao
Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Consumidor. Série histórica do IPCA. Disponível em: <www.
Fortaleza e Belém –, além de Brasília e do município de Goiânia. Com base na ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/
inpc_ipca/defaultinpc.shtm>. Acesso em: 10 jun. 2015.
média desses índices regionais, o IBGE obtém o IPCA-Brasil.

Para a elaboração de gráficos cartesianos, além de Climograma de Cuiabá (MT)


linhas, podemos utilizar barras ou colunas. O climogra- 400 40
Banco de imagens/Arquivo da editora

ma, por exemplo, combina essas duas possibilidades ao


utilizar colunas para expressar o índice pluviométrico, e
300 30
linhas, para a variação da temperatura ao longo do ano.
Precipitação (em mm)

Temperatura (°C)

Observe o climograma de Cuiabá, em Mato Grosso.


200 20

Nesse climograma, as colunas expressam a


100 10
quantidade de chuva de cada mês, mensurada em
milímetros (valores à esquerda do gráfico). A linha
mostra a variação da temperatura média (em grau Celsius),
mês a mês ao longo do ano (valores à direita). 0 0
J F MA M J J A S O N D

Adaptado de: SIMIELLI, Maria Elena. Geoatlas.


34. ed. São Paulo: Ática, 2013. p. 118.

76 Capítulo 3
Os índices de inflação no Brasil em 2014 também foram expressos por meio de gráficos de colunas e de barras.

Brasil: inflação em 2014 (IPCA – percentual no mês)


IPCA (%) Inflação no ano: 6,41% janeiro 0,55 Inflação no ano: 6,41%
1,00

Gráficos: Banco de imagens/Arquivo da editora


0,92 fevereiro 0,69
0,90
março 0,92
0,80 0,78
abril 0,67
0,70 0,69 0,67
maio 0,46
0,60 0,55 0,57
0,51 junho 0,40
0,50 0,46
0,42 julho 0,01
0,40
0,40
agosto 0,25
0,30 0,25 setembro 0,57
0,20
outubro 0,42
0,10
0,01 novembro 0,51
0,00
o o o il o o o o o o o o dezembro 0,78
eir reir arç abr mai junh julh gost mbr tubr mbr mbr
jan feve m a ete ou ove eze 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,70 0,80 0,90 1,00 IPCA (%)
s n d
Adaptado de: IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. Série histórica do IPCA.
Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm>. Acesso em: 10 jun. 2015.
Gráficos de colunas (à esquerda) ou de barras (à direita) podem ser usados para representar qualquer série estatística.

No gráfico de setores, popularmente conhecido co- Brasil: matrículas na Educação Básica por
mo “gráfico de pizza”, os diferentes valores são repre- etapas e modalidades de ensino – 2014
sentados por “fatias” de um círculo e proporcionais ao Total de alunos matriculados: 49 771 371*
total do fenômeno representado. É indicado para ressal-
tar as partes em que se divide determinado fenômeno educação infantil 15,7%
Ensino
(veja exemplo ao lado). Para traçar cada uma dessas EJA** Ensino Médio 2,6% Fundamental
57,1%
partes, adota-se como ponto de origem o centro do cír- EJA** Ensino Fundamental 4,5%
culo. A soma de todos os valores representados (100%) educação especial 1,7%
corresponde ao círculo inteiro (360°). Pode-se descobrir
educação profissional 2,7%
o valor de cada setor aplicando uma regra de três simples
e depois construir o gráfico usando um transferidor: Ensino Médio 16,6%

Adaptado de: INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS


EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA (INEP). Sinopse Estatística da Educação
total – 360o Básica 2014. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/basica-censo-
escolar-sinopse-sinopse>. Acesso em: 10 jun. 2015.
setor – xo
* O percentual total passa um pouco de 100% porque há matrículas
simultâneas no Ensino Médio e na Educação Profissional, e a maioria
dos alunos de Educação Especial está matriculada em classes comuns.
Além dos gráficos citados, que são os mais utilizados, ** Educação de Jovens e Adultos.

há outros, como o polar, baseado na representação polar


Brasil: inflação em 2014 (IPCA – percentual no mês)
ou trigonométrica dos pontos num plano. É ideal para
Inflação no ano: 6,41%
mostrar séries que apresentam determinada periodicida- janeiro
de: o consumo de energia elétrica no mês ou no ano, por dezembro 0,55%
fevereiro
exemplo. Observe novamente os índices da inflação bra- 0,78% 0,69%
novembro março
sileira em 2014, agora num gráfico polar, ao lado. 0,92%
0,51%

Neste gráfico polar, os valores de cada mês outubro abril


foram ligados com uma linha, e a figura que 0,42% 0,67%
surgiu foi colorida para facilitar a visualização.
setembro maio
0,57% 0,46%

Consulte o livro Gráficos e mapas: construa-os você agosto junho


julho 0,40%
mesmo, de Marcello Martinelli, e crie gráficos no site 0,25%
Create a Graph, mantido pelo Departamento de 0,01%
Educação dos Estados Unidos. Veja orientações na seção IBGE. Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor. Série histórica do
Sugestões de leitura, filmes e sites. IPCA. Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/
precos/inpc_ipca/defaultinpc.shtm>. Acesso em: 10 jun. 2015.

Mapas temáticos e gráficos 77


Atividades
atenção!
Compreendendo conteúdos Não escreva no seu livro!

1. Defina mapa temático e explique qual é a relevância da Cartografia temática.


2. Aponte quais são os métodos de representação da Cartografia temática.
3. O que é anamorfose geográfica? Dê um exemplo.

Desenvolvendo habilidades
4. Com base no que foi estudado no capítulo e na leitura do texto a seguir, extraído do livro Narraciones, do escritor
argentino Jorge Luis Borges (1899-1986), responda às questões propostas.

Do rigor na ciência
Naquele império, a arte da cartografia alcançou tal perfeição que o mapa de uma só província ocupava toda uma
cidade, e o mapa do império, toda uma província. Com o tempo, esses mapas desmedidos não satisfaziam e os colégios
de cartógrafos levantaram um mapa do império, que tinha o tamanho do império e coincidia ponto por ponto com ele.
Menos apegadas ao estudo da cartografia, as gerações seguintes entenderam que esse extenso mapa era inútil e não
sem impiedade o entregaram às inclemências do Sol e dos invernos. [...]
Adaptado de: BORGES, Jorge Luis. Narraciones. 16. ed. Madrid: Cátedra, 2005. p. 133. Traduzido pelos autores.

a) Por que um mapa que quisesse representar tudo o que existe num determinado território – seus aspectos polí-
ticos, físicos, humanos e econômicos –, além de inviável, seria inútil?
b) Por que, em um produto cartográfico (mapa, carta ou planta), os elementos do espaço geográfico necessaria-
mente devem aparecer reduzidos? Como se garante a proporção entre o fenômeno real e sua representação?

5. Observe novamente cada um dos quatro gráficos que mostram os índices mensais da inflação Dialogando
com MateMática
brasileira de 2014, compare-os e responda:
Qual deles é mais fácil de ler e expressa mais claramente os índices de inflação? Justifique sua resposta.

6. Que gráficos são mais indicados para representar as informações da tabela abaixo? Construa, em um papel milime-
trado, dois gráficos: um para o total em milhões de toneladas e outro para o percentual sobre o consumo mundial.

Os dez maiores consumidores de energia – 2012


Total Percentual
Países
(em milhões de toneladas métricas equivalentes de petróleo) (% sobre o consumo mundial)
China 2 894 22,3
Estados Unidos 2 141 16,5
Índia 788 6,1
Rússia 757 5,8
Japão 452 3,5
Alemanha 313 2,4
Brasil 282 2,2
Coreia do Sul 263 2,0
França 252 1,9
Canadá 251 1,9
Outros países 4 598 35,4
Mundo 12 991 100,0
Adaptado de: THE WORLD BANK. World Development Indicators 2015. Washington, D. C.: The World Bank, 2015.
Disponível em: <http://wdi.worldbank.org>. Acesso em: 15 set. 2015.

78 Capítulo 3
4
CAPÍTULO Tecnologias
modernas utilizadas
pela Cartografia
Utah Images/Nasa/Alamy/Glow Images

Satélite do GPS em órbita


da Terra. Imagem da Nasa
(sem data no original).

79
A
s tecnologias de informação e co-
Fernando Gonsales/Acervo do cartunista

municação criadas nas últimas dé-


cadas (satélites, computadores,
câmeras digitais e internet, por exemplo)
têm possibilitado a utilização de novas
técnicas de coleta e processamento de
dados do espaço geográfico. Novos hori-
zontes se abriram para a Cartografia, e os
mapas estão cada vez mais precisos. Di-
Jornal Hoje em Dia, 2007.
versas operações, que no passado eram caras e demoradas, hoje são feitas
com muita rapidez e a um custo cada vez menor.
Equipamentos fotogramétricos, imagens captadas por satélites, mapas
Consulte os sites digitais, sistema de posicionamento global (GPS) e sistemas de informações
do Google Earth e geográficas (SIG) são recursos tecnológicos que têm contribuído para a popu-
do Google Maps. Veja
orientações na seção larização da Cartografia.
Sugestões de leitura, Neste capítulo, vamos estudar as características básicas do sensoriamento
filmes e sites.
remoto, do GPS e dos SIG.
A possibilidade de utilizar uma combinação de mapas digitais e informações
georreferenciadas para localização de endereços, como faz o Google Maps (um
tipo de SIG), e de observar a superfície da Terra por meio de programas de voo
virtual, como faz o Google Earth, demonstra um grande avanço tecnológico.
Esses programas permitem observar a superfície da Terra desde escalas pe-
quenas (pouco detalhadas) até escalas grandes (ricas em detalhes) com um
simples ajuste do zoom.
One World
Google Earth/DigitalGlobe

Trade Center

National September 11
Memorial & Museum

Imagem do Google Earth mostrando o centro financeiro de Nova York


(Estados Unidos), em 2015. Nela é possível observar detalhes como o
traçado de ruas e a forma das construções. Observe o edifício One
World Trade Center e o National September 11 Memorial & Museum,
construído em homenagem às vítimas do atentado terrorista de 2001.
Duas fontes de água ocupam o lugar das antigas torres gêmeas.

80 Capítulo 4
1 Sensoriamento remoto
Dialogando
com FÍSICA

Sensoriamento remoto é o conjunto de técnicas de eletromagnética, os raios gama são os que apresen-
captação e registro de imagens a distância, sem conta- tam a maior frequência e o menor comprimento.
to direto com o elemento registrado, por meio de dife- Os sensores podem ser passivos ou ativos. Um sen-
rentes tipos de sensor. O olho humano é um tipo de sor é considerado passivo quando só recebe radiação,
sensor e serviu de referência para a construção de sen- como as máquinas fotográficas e imageadores que
sores eletrônicos que equipam satélites, por exemplo. equipam a maioria dos satélites; e é considerado ativo
Em qualquer tipo de sensor, as imagens são cap- quando emite ondas e as recebe de volta, como o radar.
tadas por meio da radiação eletromagnética que se
situa entre o espectro visível e o de micro-ondas. Se- Hz (Hertz): unidade de medida de frequência. Quilo-hertz
gundo o Instituto de Física da Universidade Federal (kHz), mega-hertz (MHz) e giga-hertz (GHz) são múltiplos
do hertz (Hz).
do Rio Grande do Sul (IF-UFRGS), “o espectro eletro-
Radiação ionizante: radiação que possui energia sufi-
magnético é a distribuição da intensidade da radiação ciente para arrancar elétrons de átomos (ionização) e
eletromagnética com relação ao seu comprimento de modificar as moléculas. Em altas doses, pode danificar
as células humanas e de outros seres vivos, causando
onda ou frequência”. Como se observa no esquema mutações genéticas e doenças, como o câncer, poden-
abaixo, entre todas as ondas do espectro da radiação do até levar à morte.

Paulo Manzi/Arquivo da editora


frequência muito
extremamente

ondas de rádio

infravermelha

ultravioleta
frequência

raios gama
luz visível
radiação

radiação

raios X
baixa

baixa

micro-ondas

10 102 104 106 108 1010 1012 1014 1016 1018 1020 1022 1024 1026

kHz MHz GHz frequência

radiação não ionizante radiação ionizante

Adaptado de: SAUSEN, Tania Maria. Desastres naturais e geotecnologias: sensoriamento remoto. São José dos Campos: INPE, 2008. p. 13. (Cadernos didáticos n. 2);
HSW International. Como tudo funciona. Disponível em: <http://informatica.hsw.uol.com.br/radiacao-dos-telefones-celulares1.htm>. Acesso em: 11 jun. 2015.

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 81


A energia solar é refletida pela superfície da Terra podem ser fotografadas por câmeras acopladas a ae-
como ondas de calor, que podem ser captadas por sen- ronaves, registrando assim seus elementos naturais e
sores de satélites, e como ondas visíveis em cores, que sociais. Observe o esquema abaixo.

Esquema de sensoriamento remoto passivo

Paulo Nilson/Arquivo da editora


sensor remoto
a bordo do satélite
(registra a radiação)

fonte de
radiação tra
(energia) ns
m
is

ra

a
o

tid
di

do

fle si
ão

na
re
l
in

ão
cid


en

di
te

ra

antena de
recepção

objeto

Adaptado de: SAUSEN, Tania Maria. Desastres naturais e geotecnologias: sensoriamento remoto. São José dos Campos: INPE, 2008. p. 9. (Cadernos didáticos n. 2).

Existe ainda outra possibilidade de sen- Esquema de sensoriamento remoto ativo


soriamento remoto: um radar acoplado a um
avião ou satélite emite micro-ondas, que são

Paulo Nilson/Arquivo da editora


em

refletidas de volta pela Terra, permitindo o


iss

vertical ao terreno
ão

registro de sua superfície pelo mesmo equi-


reflexão de

de

pamento, como ilustra o esquema ao lado.


on
da
s
ondas

faixa de imageamento
Adaptado de: FITZ, Paulo Roberto.
Geoprocessamento sem complicação.
São Paulo: Oficina de Texto, 2008. p. 112.

As micro-ondas sofrem menos interferência das físicos e humanos da superfície terrestre, tais como:
nuvens do que as ondas do espectro visível e infraver-
melho, possibilitando fazer imagens de radar mesmo
• relevo, rios, florestas, desmatamento e incêndios
florestais;
em dias nublados ou à noite, algo impossível para sen-
sores passivos. • áreas de cultivo, sistemas de transporte, cidades e
As aerofotos e as imagens de satélite e de radar indústrias;
são fundamentais para a produção de mapas, cartas • dinâmica da atmosfera, como massas de ar, furacões
e plantas, pois revelam muitos detalhes dos aspectos e tornados.

82 Capítulo 4
Fotografia aérea
Embora as primeiras imagens aéreas da superfície Enquanto o avião sobrevoa linhas paralelas, cha-
da Terra tenham sido tiradas de balões, ainda no sécu- madas linhas de voo, previamente estabelecidas, a uma
lo XIX, o sensoriamento remoto só se desenvolveu a velocidade constante e orientado pelo GPS, a câmera
partir da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), com a fotográfica acoplada a seu piso vai tirando, na vertical,
utilização de aviões. Nessa época, os interesses milita- fotografias do terreno. Essas fotos aéreas registram as
res propiciaram um grande avanço na aerofotograme- coordenadas geográficas da área tomada e são parcial-
tria, que consiste em captar imagens da superfície mente sobrepostas, em intervalos regulares. Além de
terrestre com equipamentos fotográficos especiais uma sobreposição longitudinal de 60%, como mostra
acoplados ao piso de um avião. Observe a seguir a ilus- a ilustração, há outra lateral, de 30%. Essas sobreposi-
tração, que mostra esse processo de obtenção de fo- ções são necessárias para obter uma imagem com me-
tografias aéreas. lhor qualidade na etapa seguinte. Nessa fase do pro-
cesso de produção de imagens aéreas, as fotos passam
por restituidores, que são aparelhos que restituem as

Paulo Manzi/Arquivo da editora


linha de voo
informações contidas nas fotografas, corrigindo even-
plano de
fotografias altura do voo tuais imperfeições.
Atualmente, as fotos aéreas são feitas com câmeras
digitais, e os equipamentos de restituição e produção
de imagens são computadorizados, o que contribui
para deixar o processo mais rápido e mais preciso, além
de mais barato. A maioria dos mapas topográficos ain-
superposição
longitudinal da é produzida por meio da aerofotogrametria, porque
(aprox. 60%) ela é bastante precisa e detalhada. Entretanto, novos
avanços no sensoriamento remoto advieram do uso de
satélites e computadores.
Arquivo/Aeroimagem

foto 1 foto 2

Adaptado de: IBGE. Atlas geográfico escolar. 6. ed. Rio de Janeiro, 2012. p. 27.

Consulte o site da empresa Base


Aerofotogrametria. Veja
orientações na seção Sugestões de
leitura, filmes e sites.

cala de
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Aerofot a por
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(AC
Branco

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 83


Imagem de satélite
Onze anos mais tarde, em 1972, a Nasa lançou o
A Terra é azul!" primeiro satélite de observação terrestre, da série
Landsat. A partir de então, órgãos governamentais,
Yuri Gagarin (1934-1968),
cosmonauta russo. como o United States Geological Survey (USGS), dos
Estados Unidos, o Institut National de L’Information
O primeiro satélite artificial, o Sputnik 1 (‘Satélite 1’, Géographique et Forestière (IGN), da França, e o Instituto
em russo), foi lançado em 1957 pelos soviéticos, mas só Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), do Brasil,
emitia um sinal sonoro. Esse satélite foi o precursor dos passaram a ter imagens de todo o planeta à disposição.
satélites de telecomunicação. O sétimo satélite da série Landsat foi lançado em
Em 1961, o programa espacial soviético lançou ao es- 1999 e em 2015 ainda funcionava; juntando-se a ele, o
paço a Vostok 1 (‘Oriente 1’, em russo), a primei- Landsat 8, mais moderno, foi lançado em fevereiro de
ra missão espacial tripulada. A espaço- 2013 e está em operação desde maio daquele ano.
nave levava a bordo Yuri Gagarin, Além do Landsat, há satélites de diversos países
cosmonauta russo, que foi o na órbita da Terra rastreando permanentemente sua
primeiro ser humano a ob- superfície, como os da série francesa Spot (Sistema
servar a Terra do espaço Probatório de Observação da Terra), da Agência Espa-
sideral, numa viagem cial Europeia (ESA), Envisat, também da ESA, Radarsat,
orbital de 1 h 48 min. da Agência Espacial Canadense (os dois últimos são
equipados com sensores ativos) e CBERS (sigla em in-
glês para Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terres-
tres). Observe, a seguir, uma imagem feita por um
desses satélites.
Images

CBERS/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais


w
/Glo
tock
er s
tt
hu
s/S
en
em
Cl
l
ce
ar
M

Esta imagem, feita em 2007 pelo


satélite CBERS 2-B, mostra trecho
do município de Pimenta Bueno
(RO), na confluência de dois rios
(vista na parte superior da
imagem), próximo ao município de
Ji-Paraná (RO). O território de
Pimenta Bueno sofreu um
acelerado processo de ocupação
agrícola ao longo das três últimas
décadas. Na imagem, as áreas em
verde são remanescentes de
cerrados, florestas ou áreas em
regeneração, e as áreas em rosa
são solos expostos.

Adaptado de: INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS ESPACIAIS (INPE). Satélite Sino-Brasileiro de


Recursos Terrestres (CBERS). Censor CCD/CBERS 2-B. Rondônia. 26/9/2007. Disponível em: <www.
cbers.inpe.br/galeria_imagens/imagens_cbers2.php>. Acesso em: 11 jun. 2015. (Imagem sem escala).

84 Capítulo 4
O projeto CBERS é resultado de um acordo tecno- Um dos exemplos mais conhecidos da utilização
lógico entre o Brasil e a China. Foi desenvolvido por de imagens de satélites é a previsão do tempo. Satéli-
meio da cooperação entre o INPE e a CAST (sigla em tes meteorológicos captam imagens das massas de ar,
inglês para Academia Chinesa de Tecnologia Espacial), visíveis por meio das formações de nuvens, em inter-
que resultou no lançamento de cinco satélites desde valos regulares de tempo. Com essas imagens são feitas
1999: CBERS 1, 2, 2-B, 3 e 4. No início de 2016, apenas animações que auxiliam os meteorologistas a prever
o CBERS 4 estava em operação. chuvas, períodos de seca ou passagem de furacões
(fundamental para a atuação da Defesa Civil). Alguns
dados obtidos em estações e balões meteorológicos
também ajudam os especialistas nessa tarefa. Observe
a seguir duas imagens de satélite utilizadas na previsão
do tempo.

DSA/INPE
Imaginechina/AP Images/Glow Images

Foguete Longa Marcha 4B com o CBERS 4 a bordo decola


do Centro de Lançamento de Satélites de Taiyuan, situado
a 760 quilômetros a sudoeste de Pequim (China), em 7 de
dezembro de 2014.

Consulte sites do INPE – páginas do Satélite


Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS) e do Centro
de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) –, da

DSA/INPE
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e
da Agência Espacial Europeia (ESA). Veja orientações na
seção Sugestões de leitura, filmes e sites.

As imagens feitas por satélites são convertidas em


dados numéricos e enviadas a uma estação terrestre,
onde são processadas por computadores. Com essas
informações, podem ser produzidas, com grande rapi-
dez, diversas imagens digitais da superfície do planeta,
incluindo os mapas. Usualmente, confeccionam-se
mapas temáticos, de escala pequena, nos quais o que
mais interessa são os temas representados; os topo-
gráficos, de escala grande, como as cartas, em que se
exige mais precisão, continuam sendo feitos principal-
mente com base em fotos aéreas.
A utilização de satélites para sensoriamento remo-
Imagens do satélite GOES 13, operado pela National Oceanic
to apresenta outra grande vantagem: a de registrar a and Atmospheric Administration (NOAA), dos Estados Unidos,
sequência de eventos ao longo do tempo. Imagens de mostra o deslocamento de massas de ar na América do Sul.
uma mesma área podem ser registradas em intervalos Ambas as imagens foram feitas no dia 10/1/2016: a primeira, às
8h, e a segunda, às 16h. Observe o quanto a massa de ar se
regulares, o que permite acompanhar a ocorrência de deslocou em algumas horas. (Imagens sem escala).
muitos fenômenos.

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 85


2 Sistemas de posicionamento
e navegação por satélites
Um sistema global de posicionamento e navega- O Glonass começou a ser desenvolvido em 1976, ain-
ção é composto de três segmentos: da na época da União Soviética, e o primeiro satélite do
• espacial: constelação de satélites em órbita da Terra; sistema foi lançado em 1982. Com o fim da antiga super-

• controle terrestre: estações de monitoramento e potência em 1991 e a profunda crise pela qual passou a
Rússia ao longo daquela década, o programa ficou para-
antenas de recepção na superfície;
• usuários: aparelhos receptores móveis ou acoplados
lisado e tornou-se obsoleto. No início dos anos 2000, a
Agência Espacial da Rússia (Federal Space Agency) reto-
a veículos terrestres, aéreos ou aquáticos.
mou os investimentos no programa: novos satélites fo-
Esse complexo sistema serve para localizar com
ram desenvolvidos e gradativamente lançados ao espa-
precisão um objeto ou pessoa, assim como fornecer
ço. Em 2011 o sistema tornou-se plenamente operacional
sua velocidade (caso esteja em movimento) na super-
fície terrestre ou num ponto qualquer próximo a ela. e passou a cobrir todo o planeta. Em junho de 2015, con-
Inicialmente, foi projetado para uso militar, mas atual- tava com 28 satélites orbitando a Terra (24 em operação
mente apresenta diversos usos civis. e o restante de reserva) a 19 100 quilômetros de altitude.
Em 2015 havia dois desses sistemas em operação Os satélites do GPS e do Glonass cumprem órbitas
plena: um norte-americano, o Navstar/GPS (Naviga- fixas e estão dispostos de modo que, de qualquer pon-
tion Satellite with Time and Ranging/Global Posi- to da superfície terrestre ou próximo a ela, seja possível
tioning System), e um russo, o Glonass (Global Navi- receber ondas de rádio de pelo menos quatro deles. Os
gation Satellite System). Ambos começaram a ser receptores fixos ou móveis captam essas ondas e cal-
desenvolvidos no contexto da Guerra Fria, época da culam as coordenadas geográficas do local em graus,
corrida armamentista entre os Estados Unidos e a ex- minutos e segundos. Além da latitude e da longitude,
tinta União Soviética. obtêm-se a altitude do ponto de leitura, o que facilita
O GPS começou a ser desenvolvido em 1973 pelo a confecção e atualização de mapas topográficos, e a
Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Em 1978 hora local com exatidão.
foi lançado um primeiro satélite experimental; no en-

Maksim Blinov/Sputnik
tanto, somente em 1995, dois anos após o lançamento
do 24o satélite, o sistema atingiu a capacidade opera-
cional plena. Em junho de 2015 o GPS dispunha de 31
satélites girando em torno da Terra (há no mínimo
24 satélites em operação e o restante de reserva, acio-
nados para substituir algum que esteja em manuten-
ção). Esses satélites – um deles pode ser visto na ima-
gem de abertura deste capítulo – orbitam o
planeta em seis planos distintos (são GP
SL
ib
Aparelho portátil de posicionamento e
ra
ry
quatro por plano) a 20 200 quilôme- /G navegação com base no Glonass
ps

apresentado na 9a Exposição de Transporte


.g

tros de altitude, como se pode


ov

da Rússia, realizada em Moscou,


observar no esquema ao lado, capital do país, em 2015.
que mostra a constelação de
satélites do GPS.

Consulte o site oficial do GPS e


Adaptado de: GPS.GOV. Official U.S. Government leia a entrevista com o presidente
Information About the Global Positioning System do Glonass na Gazeta Russa. Veja
(GPS). Space Segments. Satellite Orbits. Disponível em: orientações na seção Sugestões de
<www.gps.gov/systems/gps/space>. leitura, filmes e sites.
Acesso em: 13 jun. 2015. (Ilustração sem escala).

86 Capítulo 4
Os nomes de empresas e/ou marcas que aparecem nesta página e na seguinte foram utilizados com finalidade didática,
sem intenção de recomendar produtos ou induzir seu consumo. Eles estão contextualizados e sua omissão pode comprometer
o entendimento do tema abordado.
Sistemas globais de posicionamento e navegação O GPS também está disponível em alguns automó-
semelhantes ao GPS e ao Glonass estão sendo desen- veis mais caros fabricados no Brasil e no exterior. Os
volvidos tanto pela China, o BeiDou Navigation Satellite veículos saem de fábrica equipados com computador
System, como pela União Europeia, o Galileo Navigation. de bordo conectado ao GPS e com mapas rodoviários e
O BeiDou (‘Ursa Maior’, em chinês) é um sistema de guias de cidades armazenados em sua memória, o que
satélites controlado pela CNSA (China National Space permite ao motorista uma orientação contínua por
Administration). Esse sistema começou a funcionar em meio dos satélites do sistema. Locadoras de automóveis,
2000 e desde então oferece serviços de posicionamento e taxistas e muitas pessoas dispõem de veículos equipa-
navegação para o território chinês. A partir de 2012, passou dos com GPS, o que facilita a circulação, especialmente
a oferecer esses serviços também a todo o continente na intrincada rede de ruas e avenidas das grandes cida-
asiático. A previsão é de que até 2020 a constelação de 30 des. Essa tecnologia também já é encontrada em apli-
satélites esteja completa, quando cobrirá todo o planeta. cativos para celular, como o Waze. Além da orientação
O Galileo é desenvolvido e operado pela ESA (Euro- por GPS, esse programa de uso comunitário fornece
pean Space Agency) e até 2015 tinha lançado seis satélites informações – alimenta-
Consulte o site do Waze e o
(os dois primeiros em 2011). A previsão é que esse sistema das em tempo real pelos da FlightAware. Veja
próprios usuários – sobre orientações na seção Sugestões
de posicionamento e navegação entre em operação em de leitura, filmes e sites.
2016 e que até 2020 esteja com todos os 30 satélites as condições do trânsito.
programados em órbita, funcionando plenamente. Órgãos governamentais brasileiros vêm utilizando
O potencial estratégico-militar dos sistemas de po- imagens de satélites e o GPS para:
sicionamento e navegação ficou demonstrado na Guer- • identificar com exatidão os limites de fazendas impro-
ra do Golfo (1991), em guerras mais recentes, como no dutivas a serem desapropriadas para reforma agrária;
Afeganistão (2001-2014), e em ataques ao Estado Islâmi- • controlar queimadas em florestas e desmatamentos;
co (2015). Nessas ocasiões, os alvos a serem atingidos
pelas forças armadas norte-americanas, fixos ou móveis,
• demarcar limites fronteiriços, entre outras finalidades.
Outras aplicações práticas do sistema GPS são o
puderam ser localizados com grande precisão. Da mes-
planejamento de rotas e o rastreamento de veículos
ma forma, os mísseis teleguiados, lançados de aviões ou terrestres, principalmente carretas que transportam
embarcações de guerra, eram “orientados” pelo GPS. cargas valiosas (em caso de roubo, é possível localizá-las
Outros usos civis do GPS e do Glonass são obser- com precisão, o que possibilita uma ação mais rápida
vados na agricultura de precisão, nos automóveis e e eficaz da polícia). O sistema pode ser utilizado tam-
em aplicativos de navegação e geolocalização para bém para o rastreamento de veículos marítimos e aé-
celulares, tablets, etc. reos. O programa FlightAware, por exemplo, permite o
A agricultura de precisão tem utilizado uma com- rastreamento de aviões em tempo real.
binação de GPS com SIG. Por exemplo, com mapas di-
gitais que contêm informações sobre a fertilidade do
Sérgio Dotta Jr/Acervo do fotógrafo

solo e utilizando o GPS, um agricultor pode distribuir a


quantidade ideal de adubo em cada pedaço da área
cultivada, o que proporciona eficácia e economia. Há
tratores que já vêm equipados de fábrica com compu-
tador de bordo com SIG instalado e conectado ao GPS.
Entretanto, o alto custo dessa tecnologia ainda limita
sua maior disseminação na agricultura, principalmente
nos países pobres.

Agricultura de precisão: prática agrí-


cola que utiliza tecnologias de georre-
ferenciamento, como GPS, SIG, senso-
riamento remoto, para fazer o manejo O GPS tem sido utilizado para rastrear veículos de carga e até
do solo com mais rigor, buscando au- mesmo automóveis de passeio. Caminhão em empresa de
mentar a produtividade e a rentabili- logística em São Paulo (SP) exibe adesivo alertando que é
dade da propriedade rural. monitorado por satélite. Foto de 2016.

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 87


3 Sistemas de informações geográficas
Um sistema de informações geográficas (SIG) é Os SIG permitem coletar, armazenar, processar, recu-
composto de uma rede de equipamentos (hardware) e perar, correlacionar e analisar diversos dados espaciais, a
de programas (software) que processam dados geor- partir dos quais são produzidas informações geográficas
referenciados, isto é, situados no território, localizados expressas em mapas, gráficos, tabelas, etc. Observe a re-
por coordenadas geográficas e identificados por GPS. produção do mapa no fim da página, feito com o ArcGis 10.1.
Observe a ilustração abaixo. Entretanto, o mais impor- Os dados espaciais são coletados separadamente e
tante nesse sistema são as pessoas: os técnicos que sobrepostos em camadas (layers), o que possibilita sua
alimentam o banco de dados, processando-os e produ- integração/correlação para produzir as informações
zindo informações a partir deles, assim como os usuá- geográficas para o usuário (veja a figura abaixo). Trata-se
rios finais que utilizam essas informações para tomada de poderoso instrumento de apoio ao planejamento
de decisões. territorial, servindo para diversos fins, como organizar a
Há diversos SIG no mundo. O mais utilizado é o ocupação e o uso do solo urbano e rural, ou para a pro-
ArcGIS, do Environmental System Research Institute (Es- teção de florestas, como vimos no mapa abaixo.
ri), com sede na Califórnia (Estados Unidos). No Brasil,
além dos programas estrangeiros, a maioria pagos, como Representação das camadas de um SIG
o ArcGIS, os usuários têm à disposição, gratuitamente, Camadas de dados

Paulo Manzi/Arquivo da editora


o Sistema de Processamento de Informações Georrefe-
Fonte de dados
renciadas (Spring) e o TerraView, criados pelo INPE.
dados de
ruas
Os componentes de um SIG
pessoas dados de
A. Robson/Arquivo da editora

construções

dados de
vegetação

dados
software integrados
Rede Adaptado de: NATIONAL Geographic Education. Geographic Information
System (GIS). Disponível em: <http://education.nationalgeographic.com/
education/photo/new-gis/?a_a=1>. Acesso em: 19 jun. 2015.

hardware Florestas protegidas na Amazônia brasileira


Reprodução/Programa de Áreas Protegidas da Amazônia/
World Wide Fund for Nature
dados

procedimentos

Adaptado de: LONGLEY, Paul A. et al. Sistemas e ciência da


informação geográfica. 3. ed. Porto Alegre:
Bookman, 2013. p. 25.

Legenda traduzida:
Área de Proteção Ambiental (APA);
Outras áreas protegidas; Florestas (2000);
Outras formações vegetais (2000);
Áreas desmatadas (até 2010).
BARROSO, Mario; SOARES, Mariana; SHAPIRO, Aurélie. Protected Forest in the Amazon. World Wide Fund for
Nature. In: Esri Map Book Volume 29. Redlands, California: Esri Press, 2014. p. 17. (Mapa sem escala no original).

88 Capítulo 4
O uso dos SIG evidencia as diversas possibilidades sobreposição manual de informações espaciais para
de coleta e processamento de dados espaciais com a auxiliar na tomada de decisões.
utilização da informática. Entretanto, como mostra o
Consulte o portal do Sistema de Processamento de
texto a seguir, antes mesmo do desenvolvimento de Informações Georreferenciadas (Spring). Veja
computadores e mapas digitais, já era possível a orientações na seção Sugestões de leitura, filmes e sites.
Reprodução/<www.inpe.br>

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INPE com
feito pelo do satélite
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Este SIG p a çõ e s, como
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gem),
vê na ima
, etc.
vegetação

Veja a indicação do livro Geoprocessamento


sem complicação, de Paulo Roberto Fitz, na
Outras leituras seção Sugestões de leitura, filmes e sites.

SIG
Uma das funções mais amplamente utilizadas dos sistemas de informação geográfica é a sobreposição
de informação, que permite realizar uma análise integrada dos dados. Os primeiros registros que se têm
da sobreposição de mapas em forma manual são: a sobreposição de mapas para mostrar os movimentos
das tropas na Batalha de Yorktown () da revolução americana; o Atlas da Estrada de Ferro da Irlanda,
que mostrava em um mesmo mapa-base a população, o fluxo de tráfego, a geologia e a topografia das
áreas onde passava a estrada de ferro (); e, talvez o exemplo mais conhecido, o do Dr. Snow, que em
4 correlacionou a distribuição dos poços de água da cidade de Londres e os registros de casos de cólera,
e verificou que a maioria dos casos estavam concentrados em torno de um único poço, confirmando a hi-
pótese de que a água é o agente transmissor da doença.
No início, os sistemas de informação geográfica estavam restritos a um pequeno número de pesquisa-
dores e de aplicações, devido às limitações de hardware e software. Hoje, esta tecnologia tem crescido rapi-
damente e tem aplicações para diversas áreas, tais como manejo de recursos naturais, análise ambiental,
saúde pública, planificação urbana e regional, mapeamento de desastres naturais, dentre outros. O cresci-
mento acelerado do uso dos sistemas de informação geográfica está relacionado com o aumento da de-
manda de informação e os desenvolvimentos da tecnologia da computação.
Adaptado de: LACRUZ, Maria Silvia Pardi; SOUZA FILHO, Manoel de Araújo de. Desastres naturais e geotecnologias:
sistemas de informação geográfica. São José dos Campos: INPE, 2009. p. 5-6.

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 89


O primeiro SIG foi o Canadian Geographic Informa- • cadastrar propriedades, empresas e moradores, com
tion System, criado nos anos 1960 pelo governo canaden- grande número de informações, tornando mais rápi-
se para processar os dados espaciais coletados pelo In- dos e eficientes os programas de atendimento;
ventário de Terras daquele país. Mas foi a partir dos anos • mapear áreas de proteção ambiental e monitorar
1980/1990, com o desenvolvimento dos computadores, desmatamentos e queimadas.
das imagens de satélites e do GPS, que essa tecnologia Os SIG também têm sido muito utilizados para as
teve grande impulso. No Brasil, em 2008, o governo criou pessoas se situarem e se locomoverem nas grandes
a Infraestrutura Nacional de Dados Espaciais (INDE), co- cidades. Com ele, é possível descobrir a distância entre
ordenada pela Comissão Nacional de Cartografia (Con- dois pontos, identificar rotas de circulação e itinerários
car), para integrar as informações georreferenciadas es- de ônibus, localizar endereços, etc. Como vimos ante-
palhadas pelos diversos riormente, combinados com aparelhos GPS, os SIG têm
Consulte o portal da órgãos e instituições do
Infraestrutura Nacional de sido cada vez mais utilizados em navegadores de bordo
Dados Espaciais (INDE). Veja Estado brasileiro, facili- de automóveis e até mesmo em aparelhos celulares.
orientações na seção Sugestões
de leitura, filmes e sites.
tando a distribuição e o As empresas que trabalham com pesquisas de
acesso a elas. opinião, de comportamento, de intenção de voto, etc.
Os SIG podem ser utilizados para: conseguem resultados muito mais rápidos e precisos
• planejar investimentos em obras públicas, como a com a utilização de um SIG. As informações coletadas
canalização de um córrego, um novo viaduto, um são rapidamente apresentadas em tabelas, gráficos
hospital, entre outras, e avaliar seus resultados; e mapas integrados, servindo de base para as decisões
• planejar a distribuição dos serviços prestados pelo a serem tomadas. Os SIG têm sido utilizados no turis-
poder público no território municipal, como a coleta mo, tanto no planejamento das atividades de lazer
e a destinação do lixo, assim como avaliar seus pos- quanto na localização de atrações turísticas em plan-
síveis impactos – sociais e ambientais – e os custos; tas digitais que servem para orientar os viajantes. Têm
• facilitar o levantamento de imóveis no município sido empregados ainda para orientar usuários de
para o controle da arrecadação de taxas e impostos, transporte coletivo em grandes cidades, como ilustra
como o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e a imagem abaixo.
o Imposto Territorial Rural (ITR); Para descobrir trajetos na cidade de São
• planejar o sistema de transportes coletivos, buscan- Paulo (SP), consulte o sistema da SPTrans, e
para manipular mapas interativos, acesse o SIG
do melhorar sua oferta e qualidade, e organizar o IBGE. Veja orientações na seção Sugestões de
leitura, filmes e sites.
tráfego urbano;

Reprodução/<www.sptrans.com.br>

e
transport
u a l é a opção de esembarca
Q d
ara quem o do Tietê,
público p ro d o v iá ri
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aulo, c
em São P de e Sã
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o sistem u s , a s sim com
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metrô e o d e
estimad
o tempo om
e o gasto c
viagem s .
ge n
as passa

90 Capítulo 4
atenção!
Atividades Não escreva no seu livro!

Compreendendo conteúdos
1. Observe o espectro de radiação eletromagnética e os esquemas de sensoriamento remoto nas páginas 81 e 82.
Depois, responda:
a) O que você entende por sensoriamento remoto? b) Explique seu funcionamento e dê exemplos.

2. Explique o que é, como funciona e qual é a utilidade:


a) do GPS e do Glonass; b) dos SIG.

Desenvolvendo habilidades
3. Leia novamente o quadrinho da abertura do capítulo e responda:
• Com as coordenadas geográficas disponíveis, na realidade, as crianças não conseguiriam encontrar o que
procuram. Por quê?

4. Observe o mapa-múndi abaixo e responda às perguntas a seguir.


Planeta Terra ˆ noite
Craig Mayhew e Robert Simmon/Nasa

NASA Earth Observatory. Earth at night 2012. Disponível em: <http://earthobservatory.nasa.gov/Features/NightLights/>.


Acesso em: 27 abr. 2016. (Imagem sem escala no original).
Esse mapa é uma montagem de imagens do satélite Suomi-NPP, da Nasa, feitas em 2012 durante 312 órbitas terrestres.

a) De que forma essas imagens foram captadas para compor CBERS/Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais

o mosaico que formou o mapa-múndi?


b) Observe a tabela da página 78 e correlacione-a com o
mapa-múndi acima, localizando os países listados (se achar
necessário, para facilitar a localização, utilize como refe-
rência um mapa-múndi político). Que correlações você
encontrou entre as informações da tabela e as do mapa?
c) A imagem acima não é totalmente condizente com a
realidade. Por quê?

5. Observe a imagem de um trecho do município de Aripuanã,


feita pelo satélite CBERS 2-B, e responda às questões. Esse mu-
nicípio fica no noroeste do Mato Grosso, próximo à divisa com
os estados do Amazonas e de Rondônia, na região Amazônica.
a) O que representam, na imagem, as cores verde e rosa?
CBERS/INPE. Censor CCD/CBERS 2-B. Mato Grosso, 26 set. 2007.
b) Tendo em vista o que foi observado na imagem, descreva um Disponível em: <www.cbers.inpe.br/galeria_imagens/imagens_cbers2.
importante uso que se pode fazer das imagens de satélites. php>. Acesso em: 19 jun. 2015. (Imagem sem escala).

Tecnologias modernas utilizadas pela Cartografia 91


Vestibulares de Norte a Sul atenção!
Não escreva no seu livro!

O ponto A está localizado a 40° latitude norte e a


Testes 100° longitude oeste, praticamente, no centro dos
Estados Unidos da América.
1. CO (UnB-DF) A necessidade de orientação no espaço
O ponto B está localizado a 10° longitude sul e a 40°
terrestre esteve presente na humanidade desde as
latitude oeste, na região Nordeste do Brasil.
sociedades primitivas. A observação de corpos celes-
O ponto C está localizado na linha do equador e a
tes foi a base para a elaboração de técnicas simples
20° longitude leste, no continente africano.
de localização, muito usadas desde a Antiguidade.
Embora tais técnicas não tenham sido totalmente O ponto D está localizado a 60° latitude norte e a
100° longitude leste, no continente asiático.
abandonadas, atualmente dispõe-se de sofisticada
tecnologia, sendo possível a uma pessoa, com um O ponto E está localizado a 20° longitude sul e a
instrumento do tamanho de um telefone celular, ob- 130° latitude leste, na Austrália.
ter quase que instantaneamente a latitude e a lon- 3. SE (UFU-MG) A Terra é inclinada em relação ao plano
gitude do ponto onde se encontra. Com referência da sua órbita ao redor do Sol e no seu próprio eixo.
aos recursos utilizados pelo homem para se localizar Essa inclinação, somada ao movimento de translação,
no espaço terrestre e ao seu conhecimento acerca da é responsável pela formação das estações do ano, co-
posição e da movimentação da Terra no Sistema So- mo demonstra a figura abaixo.
lar, julgue os itens abaixo.

Allmaps/Arquivo da editora
Círculo Ártico
O Sol nasce sempre no mesmo ponto Trópico de Câncer Equinócio
21-22 de março
do horizonte, o qual convencionou-se Equador Sol vertical no equador
Trópico de Capricórnio
chamar de leste.
Ao contrário do que ocorre com a utili-
zação de outros meios, o uso da bússo- 23,5°

la é uma forma precisa de orientação.


A Lua, assim como o Sol, nasce a leste Sol
e põe-se a oeste, permitindo o estabe-
lecimento dos pontos cardeais, de for- Solstício
Solstício 21-22 de
ma aproximada. 21-22 de junho dezembro
Sol vertical na Sol vertical
O uso da constelação do Cruzeiro do Sul Latitude 23,5° N na Latitude
23,5° S
como forma de localização só é possível
Equinócio
no hemisfério sul. 22-23 de setembro
Sol vertical no equador

2. NE (UFPB) Observe o mapa abaixo: Adaptado de: PEREIRA, A. R. et al. Agrometeorologia: fundamentos
e aplicações práticas. Guaíba: Agropecuária, 2002.

Mapa-múndi de Mercator A análise da figura indica que, entre os dias


Banco de imagens/Arquivo da editora

W E
a) 21 e 22 de dezembro, como o hemisfério sul está
180° 160° 140°
N 80°
120° 100° 80° 60° 40° 20° 0° 20° 40° 60° 80° 100° 120° 140° 160° 180°
recebendo os raios solares perpendicularmente ao
trópico de Capricórnio, e o centro do hemisfério
D
60°
está voltado para o Sol, a estação do ano que ocor-
A re no hemisfério sul é o inverno.
30°
b) 21 e 22 de junho, ocorre o solstício de verão no he-

N
C misfério sul e, no hemisfério norte, o solstício de
B
E
inverno.
30°
O L
0 5 150 10 300 c) 21 e 22 de março, os raios solares incidem sobre a
S 60°
S km superfície da Terra perpendicularmente ao equador,
quando se inicia a primavera ou o outono, ou seja,
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21e siècle. Paris: ocorre concomitantemente o equinócio no hemis-
Éditions Nathan/VUEF, 2002. p. 170. fério norte e sul.
d) 22 e 23 de setembro, ocorre o equinócio de prima-
Considerando a localização dos pontos A, B, C, D e E, vera no hemisfério norte e, no hemisfério sul, o
julgue os itens a seguir: equinócio de outono.

92 Unidade 1
4. S (UFSM-RS) Observe a figura: 5. SE (Fuvest-SP) Leia o texto e observe o mapa.
Fusos hor‡rios

Allmaps/Arquivo da editora

Banco de imagens/Arquivo da editora


Polo Norte
Raio tangente Cír DA
TA
cul DE
oP A
ola NÇ
rÁ DA
rtic U
Raio oblíquo o

M
INV

DE
Tró ER

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Raio oblíquo ÇA
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Cír RÃ o UD
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ola LIN
H
rA 180° 150° 120° 90° 60° 30° 0° 30° 60° 90° 120° 150° 180°
ntá
Raio tangente rt ico 0 4 440 8 880
km
Polo Sul
LUCCI, E. A.; MENDONÇA, C.; BRANCO, A. L. Geografia geral e do Brasil – Adaptado de: DE AGOSTINI, 2011.
ensino médio. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2005. p. 366.

Considerando uma estaca fixada verticalmente no Em 1884, durante um congresso internacional, em


chão, ao meio-dia, no início do verão do hemisfério sul, Washington, EUA, estabeleceu-se um padrão mundial
em diferentes cidades do Brasil, analise as afirmativas: de tempo. A partir de então, ficou convencionado que
I. Na cidade de Belém, a sombra projeta-se na direção o tempo padrão teórico, nos diversos países do mundo,
norte, porque a luz do sol percorre o trópico de Ca- seria definido por meridianos espaçados a cada 15°,
pricórnio. tendo como origem o meridiano de Greenwich, Ingla-
II. Em Goiânia, a sombra projeta-se na direção sul, pois, terra (Reino Unido).
no solstício de verão do hemisfério Sul, os raios so- Com base no mapa e nas informações acima, conside-
lares percorrem o trópico de Câncer.
re a seguinte situação: João, que vive na cidade de
III. Em Porto Alegre, a sombra projeta-se na direção
Pequim, China, recebe uma ligação telefônica, às 9h
sul, fazendo com que os cômodos das residências
da manhã de uma segunda-feira, de Maria, que vive
situadas na face norte recebam insolação, enquan-
to as voltadas para a face sul ficam à sombra. na cidade de Manaus, Brasil. A que horas e em que dia
Está(ão) correta(s) da semana Maria telefonou?
a) apenas I. a) 21h do domingo.
b) apenas II. b) 17h do domingo.
c) apenas I e III. c) 21h da segunda-feira.
d) apenas II e III. d) 17h da terça-feira.
e) I, II e III. e) 21h da terça-feira.

6. SE (Uerj)
WATTERSON, Bill. Calvin e Haroldo:
Yukon ho! São Paulo: Conrad, 2008.

Fundamentos de Cartografia 93
atenção!
Não escreva no seu livro!

Na tirinha, Calvin e o tigre Haroldo usam um globo ter- Sobre esse tipo de projeção, podemos afirmar que
restre para orientar sua viagem da Califórnia, Estados a) representa as áreas de latitudes médias e a conser-
Unidos, para o território do Yukon, no extremo norte vação das formas e dos ângulos continentais.
do Canadá. Considerando as áreas de origem e destino b) mostra um mundo igual para as pessoas e as na-
da viagem pretendida, nota-se que o tigre comete um ções, apresentando, pois, um conteúdo político e
erro de interpretação no último quadrinho. social.
Esse erro mostra que Haroldo não sabe que o globo c) conserva as formas das massas e a proporcionali-
terrestre é elaborado com base no seguinte elemento dade dos diversos continentes.
da linguagem cartográfica: d) representa distâncias e direções exatas a partir de
a) escala pequena. um centro, revelando, dessa forma, um conteúdo
b) projeção azimutal. geopolítico.
c) técnica de anamorfose.
d) convenção equidistante. 9. N (UFT-TO) A estrutura fundiária no Brasil está concen-
trada nas mãos de uma pequena parcela da população,
7. S (UFRGS-RS) Considere as afirmações abaixo sobre criando assim os conflitos por terra. Diante deste pro-
escala cartográfica. blema, o mapa abaixo mostra a distribuição territorial
I. Em um mapa, a menor distância entre duas cidades mais conflitante em 2009 no território brasileiro. Assi-
é representada por 5 cm. Sabendo-se que a distân- nale a alternativa correta.
cia real entre ambas é de 250 km, em linha reta, o
Brasil: conflitos por terra
mapa foi elaborado na escala 1 : 5 000 000.

Banco de imagens/Arquivo da editora


II. Sabendo-se que duas cidades distam uma da outra
150 km em linha reta, em um mapa de escala
1 : 1 000 000, a distância gráfica entre as duas cida-
des é de 10 cm.
III. Foram elaborados dois mapas do município de Por-
to Alegre; um na escala 1 : 100 000 e outro na esca-
la 1 : 25 000. O mapa na escala 1 : 25 000 apresenta
maior grau de detalhamento no traçado dos ele-
mentos representados.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. d) Apenas II e III.
b) Apenas II. e) I, II e III.
c) Apenas I e III.

8. NE (UFRN) As figuras a seguir foram construídas uti- Número de conflitos


lizando a projeção do tipo azimutal equidistante. 33

Projeção azimutal equidistante 14


2
Banco de imagens/Arquivo da editora

1
ÁFRICA

0 590 1 180 1 770


EUROPA
Quil™metros
ÁSIA EUROPA
ÁSIA Equador Adaptado de: FERREIRA, Graça M. Lemos. Moderno atlas geográfico.
1 2 2. ed. São Paulo: Moderna, 1993. p. 1.
AMÉRICA
Equador
AMÉRICA ÁFRICA OCEANIA
OCEANIA A região no Brasil com maior número de conflitos por
terra é a:
a) região Norte.
1 - Pearl Harbor 2 - Délhi b) região Nordeste.
c) região Centro-Oeste.
SENE, E. de; MOREIRA, J. C. Geografia geral e do Brasil: espaço geográfico e d) região Sudeste.
globalização. São Paulo: Scipione, 2003. p. 446. e) região Sul.

94 Unidade 1
10. NE (UFC-CE) A tabela a seguir apresenta o número de ha- Com base na disponibilidade do recurso natural repre-
bitantes das capitais estaduais da região Norte do Brasil. sentada no gráfico, o país com maior potencial para
expansão do seu setor agropecuário é:
Capital estadual Número de habitantes
a) Índia
Belém 1 408 847 b) China
Boa Vista 249 853 c) Brasil
Macapá 344 153 d) Estados Unidos
Manaus 1 646 602
Palmas 178 836 12. CO (UEG-GO) Suponha que o seguinte gráfico repre-
Porto Velho 369 345 senta a evolução populacional de uma determinada
Rio Branco 290 639 região do globo.
IBGE. Contagem da população 2007. Disponível em:
<www.ibge.gov.br/cidadesat/default.php>. Acesso em: 29 jul. 2014.
Evolução populacional

Gráficos: Allmaps/Arquivo da editora


Os dados da tabela podem ser representados em um 140
mapa temático, instrumento utilizado em estudos
120
comparativos para representar fenômenos que dife-
rem em quantidade. A legenda desse mapa necessita 100

Pop. (milhões)
de uma representação pontual por formas geométri-
80
cas. Assinale a alternativa que indica a representação
gráfica correta dos dados da tabela. 60

a) Formas geométricas diferentes, de tamanhos dife-


40
rentes para cada capital.
b) Formas geométricas diferentes, de tamanhos iguais 20

para todas as capitais.


0
c) Formas geométricas iguais para capitais com mais de 1950 1960 1970 1980 1990 2000 2010
1 000 000 de habitantes e diferentes para as demais.
d) Formas geométricas iguais, de tamanhos diferentes,
a de maior tamanho representando Belém e a de Com base no gráfico, é correto afirmar:
menor, Palmas. a) o maior crescimento percentual foi no período de
e) Formas geométricas iguais, de tamanhos diferentes, 1980 a 1990 e o menor foi entre 1950 e 1960.
a de maior tamanho representando Manaus e a de b) no período de 1960 a 1970 houve um crescimento
menor, Palmas. absoluto maior que no período de 1980 a 2010.
11. SE (Uerj) c) a queda da população entre os anos 1960 e 1980 foi
superior àquela registrada entre 1970 e 1980.
A ampliação da oferta de alimentos é um dos maiores
desafios da humanidade para as próximas décadas. d) o crescimento percentual no período de 1950 a
2010 foi de 50%, enquanto entre 1990 e 2000 foi
Estoque de terra arável
de 4%.
300
milhões de hectares

250 Utilizada Disponível 13.NE (UFPI) O sensoriamento remoto é uma técnica


utilizada pela Cartografia para analisar e interpretar
200 o espaço geográfico. Marque a alternativa que indica
corretamente o material utilizado por essa técnica.
150 a) Telescópio, bússola e clinômetro.
b) Astrolábio, satélites e altímetro.
100 c) Fotos aéreas, imagens de radar e de satélites.
d) Cartas marítimas, cartas náuticas e radares.
50 e) Termógrafos, bússolas e curvímetros.

0 14. SE (Fuvest-SP) Considere os exemplos das figuras e


Estados Brasil Índia China União Austrália Tailândia
Unidos Europeia analise as frases a seguir, relativas às imagens de sa-
Adaptado de: <dailyreckoning.com>. Acesso em: 14 set. 2015. télites e às fotografias aéreas.

Fundamentos de Cartografia 95
atenção!
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Imagem de satélite Com base na afirmação, na análise do mapa e nos

INPE/LANDSAT/CBERS-2.
conhecimentos sobre a localização geográfica dos lu-
gares e suas relações espaciais, pode-se afirmar:
(01) I e II situam-se em hemisférios contrários, em função
de suas respectivas posições longitudinais, porém
apresentam ambientes climáticos semelhantes.
(02) III apresenta, pela sua posição geográfica, menor
grau de latitude em relação a I e maior grau de
longitude em relação a II.
Fotografia aérea (04) A intersecção entre as coordenadas geográficas –
Base Aerofotogrametria.
latitude e longitude –, medidas em graus, permite a
localização de qualquer lugar na superfície terrestre.
(08) O Sistema de Posicionamento Global (GPS) calcu-
la a posição dos satélites por meio de sinais e
determina, com exatidão, a localização de qual-
quer ponto na superfície da Terra, fornecendo a
altitude do lugar e as coordenadas geográficas.
(16) As relações entre os diversos lugares do espaço
geográfico ocorrem por meio de fluxos e/ou de
I. Um dos usos das imagens de satélites refere-se à redes, que se espalham por todo o planeta, em
confecção de mapas temáticos de escala pequena, escalas hierárquicas e densidades diferenciadas.
enquanto as fotografias aéreas servem de base à
(32) O controle do continente asiático pelo imperialis-
confecção de cartas topográficas de escala grande.
mo europeu, no século XIX, foi dificultado devido
II. Embora os produtos de sensoriamento remoto es- ao desconhecimento, por parte dos exploradores,
tejam, hoje, disseminados pelo mundo, nem todos das técnicas e dos equipamentos necessários à
eles são disponibilizados para uso civil. orientação geográfica.
III. Pelo fato de poderem ser obtidas com intervalos
regulares de tempo, dentre outras características, 16. N (UFT-TO) As queimadas no Brasil são problemas ambien-
as imagens de satélites constituem-se em ferra- tais oriundos, sobretudo, das práticas da agricultura que
mentas de monitoramento ambiental e instrumen- causam prejuízos ao meio ambiente e à saúde da popu-
tal geopolítico valioso. lação. Com base no mapa a seguir, que mostra as queima-
Está correto o que se afirma em: das no Brasil num determinado período de 2010, segundo
o INPE (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), assinale
a) I, apenas. d) I e III, apenas.
a alternativa correta que indica quais os biomas mais afe-
b) II, apenas. e) I, II e III.
tados na área de alta concentração das queimadas.
c) II e III, apenas. Banco de imagens/Arquivo da editora

15. NE (UFBA) Cada ponto do espaço geográfico possui uma


localização que pode ser rigorosamente determinada.
Banco de imagens/Arquivo da editora

160° 140° 120° 100° 80° 60° 40° 20° 0° 20° 40° 60° 80° 100° 120° 140°160° 180°
80° OCEANO GLACIAL ÁRTICO 80°
Círculo Polar Ártico
60° 60°

I
40° 40°
A OCEANO
Trópico de Câncer M ATLÂNTICO
20° 20°
É

Meridiano de Greenwich

II
R

OCEANO
IC

Equador III PACÍFICO


A

0° 0°
OCEANO OCEANO
PACÍFICO ÍNDICO
20° 20°
Trópico de Capricórnio

40° 40°

60° Círculo Polar Antártico OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO 60°


Registro de queimadas
80° 80°
160° 140° 120° 100° 80° 60° 40° 20° 0° 20° 40° 60° 80° 100° 120° 140°160° 180°
Nenhum registro
Média concentração
0 4 775 9 550 0 705 1 410
Alta concentração
km km

96 Unidade 1
a) Caatinga, Campos, Floresta Amazônica. Fundamentado na ilustração, nos conhecimentos re-
b) Cerrado, Floresta Amazônica, Caatinga. lativos à questão da orientação sobre o espaço geo-
c) Cerrado, Mata de Araucária, Vegetação Litorânea. gráfico e na observação das diferentes posições do Sol
d) Floresta Amazônica, Campos, Mata de Araucária. na linha do horizonte, em diferentes períodos do ano,
e) Vegetação do Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga. sobre uma cidade localizada em latitudes médias,
a) identifique em que hemisfério se localiza a cidade
17. S (UEL-PR) Observe a figura a seguir:
mostrada na ilustração, explicando o motivo pelo
qual o Sol, ao meio-dia, em 21 de junho, encontra-se
Luís Moura/Arquivo da editora

posicionado no ponto mais alto da linha do hori-


zonte.
13 km 13 km b) identifique, na cidade apresentada na figura, as
estações do ano e os períodos de solstício ou
equinócio em
21 de março 23 de setembro
300 km Período Período
c) cite duas consequências geográficas ligadas à tra-
jetória da luz do Sol, na linha do horizonte, ao se
deslocar no sentido de I para II.
3 500 km
19. CO (UFG-GO) Analise a figura e o texto apresentados
FURLAN, S. A. Técnicas de Biogeografia. In: VENTURI, L. A. B. (Org.). a seguir.
Praticando geografia: técnicas de campo e laboratório em geografia e
análise ambiental. São Paulo: Oficina de Textos, 2005. p. 99-130. Como funciona o Sistema de Posicionamento
A figura expressa uma técnica de análise espacial Global (GPS)

Allmaps/Arquivo da editora
vital para o estabelecimento da análise geográfica Satélite 3 3
Satélite
Satélite 2
e diz respeito a: Satélite 1
a) Diferentes topografias de um mapa. Satélite 4

b) Diferentes estratigrafias paisagísticas.


c) Diferentes quilometragens rodadas.
d) Diferentes escalas espaciais. Receptor
e) Diferentes perfis longitudinais.

Questões

18. NE (UFBA)
Adaptado de: AGÊNCIA ESPACIAL EUROPEIA.
Posições do sol ao meio-dia Disponível em: <www.ambiente.gov.ar/archivos/web/geoinformacion/
File/como_funciona_GPS_750.jpg>. Acesso em: 7 out. 2011.

Atualmente existem três categorias de equipamen-


tos GPS em uso: o recreacional (ou navegador), o topo-
gráfico e o geodésico. Para os dois últimos, é necessário
processar as informações antes de usá-las.
Disponível em: <www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/
noticia_visualia.php?id_noticia=1343&id_pagina=1>.
Acesso em: 4 nov. 2011. (Adaptado).

Considerando-se o exposto a respeito desse recur-


so tecnológico:
a) caracterize o funcionamento do sistema GPS
(Global Positioning System);
b) indique duas informações que podem ser obti-
das por meio de um aparelho GPS.

Fundamentos de Cartografia 97
atenção!
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CO (UEG-GO) Figura C

Mapas: Banco de imagens/Arquivo da editora


Para responder às questões 20 e 21 utilize as figuras Jun
Jundiaí EFSJ
Várzea
a seguir. Paulista Francisco be

l
Ita

na
Morato

na
do
Figura A rra

Ba
Franco Mairiporã Se
Santa

do
Cajamar da Rocha Isabel

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Se
Ru Igreja do Pátio
a Dir Caieiras Arujá
do Colégio Santana do
eit
a Parnaíba
Guarulhos
Rua José Bonifác Itaquaquecetuba B
io
São Miguel EFC
Caixa Econômica Barueri Carapicuíba Paulista
a

Largo de Federal Praça


caiuv

São Francisco Osasco da Sé Itaquera Poá


Jandira Suzano
Itapevi Guaianazes
o Bo

Faculdade de Direito
MARCO
Cotia SÃO Ferraz de
ZERO PAULO Vasconcelos
uintin

São Francisco
São Caetano do Sul
Ru Metrô Sé Largo Nossa
Rua Q

a Ria Embu
chu Praça da Senhora do Carmo Santo Mauá
elo Sé André
Catedral Praça Clóvis
Metropolitana Diadema Ribeirão Pires
Beviláqua Itapecerica
de São Paulo da Serra São Bernardo Rio Grande
do Campo da Serra
a
ulin Palácio da EFSJ
a Pa
Don Praça Dr. Justiça
uto Corpo de
Viad João Mendes Embu-Guaçu do o
Bombeiros rra mb
Seuilo
de

Q
a
erd
23 de Maio

Fórum Cubatão
Lib

João Mendes Jr.


ida

Rua da Glória

ESCALA 1 : 1000 000


en

Rua
Av

C onde
ida

de S
arzed
0 10 20 30 km
Aven

as
1 cm – 10 quilômetros

ESCALA 1 : 10 000 Adaptado de: FERREIRA, Graça M. Lemos. Moderno atlas geográfico. 2. ed.
São Paulo: Moderna, 1993. p. 1.
0 100 200 300 m
1 cm – 100 metros
20. Tomando o centro da Praça da Sé como referência (figu-
ra A), quais são as direções cardeais e/ou colaterais a
Figura B
serem seguidas por uma pessoa que tenha que se des-
Jaraguá GUARULHOS locar (em linha reta) até os seguintes locais?
a) Largo de São Francisco;
Pirituba
Casa Verde b) Catedral Metropolitana;
Vila Maria c) Corpo de Bombeiros;
Campo de Marte
d) Rua Conde Sarzedas.
Vila Guilherme

Perdizes
Estação
da Luz
21. Para representar a realidade num mapa é necessário
Consolação
Estação
Roosevelt
estabelecer uma correspondência entre as dimen-
Praça
da Sé Alto da sões do terreno e as do papel. Isso é feito por meio
Mooca
Pinheiros da escala que expressa o quanto a realidade foi “re-
SÃO PAULO duzida” para caber no mapa. Tendo como referência
Butantã

Vila as figuras A, B e C, construídas em escalas 1 : 10 000,


Mariana Ipiranga
1 : 250 000 e 1 : 1 000 000, respectivamente, respon-
Parque
Ibirapuera da ao que se pede.
a) Classifique as figuras em escala grande, média e
SÃO CAETANO pequena.
DO SUL
Aeroporto de
Congonhas
b) Explique o que ocorre à medida que a escala do
mapa diminui. Em sua resposta, leve em considera-
ESCALA 1 : 250 000 ção a correlação entre o tamanho da escala, a área
0 2,5 5 7,5 km passível de representação e a possibilidade de de-
1 cm – 2,5 quilômetros talhamento ou a necessidade de generalização da
informação representada.

98 Unidade 1
22. SE (Vunesp-SP)
Analise o mapa anamórfico.
Mortalidade infantil

Allmaps/Arquivo da editora
Disponível em: <www.worldmapper.org>. Acesso em: 29 jul. 2014.

Explique essa representação cartográfica e mencione dois exemplos de regiões geográficas mundiais com maiores
e dois com menores taxas de mortalidade infantil.

23. SE (Unicamp-SP)

Cassiano Röda/Arquivo da editora


As cartas e as fotografias tomadas de avião ou de satélites
[...] representam porções muito desiguais da superfície
terrestre. Algumas cartas topográficas representam, me-
diante deformações calculadas e escolhidas, toda a super-
fície do globo, outras, a extensão de um continente, outras
ainda, a de um Estado, de uma aglomeração urbana; algu-
mas cartas representam espaços de bem menor enverga-
dura; uma pequena cidade, uma aldeia. Há planos de bair-
ros e mesmo de habitação. [grifo nosso]
Adaptado de: LACOSTE, Yves. Os objetos geográficos. In: Seleção de textos,
n. 18, São Paulo: AGB, 1988. p. 9.

a) Quais os principais elementos cartográficos que


ocasionam as “deformações calculadas e escolhi-
das” mencionadas pelo autor?
b) Seguindo a sequência de raciocínio do autor na delimi- Adaptado de: AGÊNCIA ESPACIAL EUROPEIA. Disponível em: <www.
tação geográfica, que vai da superfície do globo à ha- ambiente.gov.ar/archivos/web/geoinformacion/File/como_funciona_
GPS_750.jpg>. Acesso em: 7 out. 2011.
bitação, indique quais as escalas cartográficas mais
apropriadas aos estudos geográficos nesses dois casos.
a) Qual a finalidade do GPS? Como esses satélites em
24. SE (Unicamp-SP) A ilustração a seguir representa a órbita transmitem os dados para os aparelhos re-
constelação de satélites do Sistema de Posicionamen- ceptores localizados na superfície terrestre?
to Global (GPS) que orbitam em volta da Terra. b) O que são “latitude” e “longitude”?

Fundamentos de Cartografia 99
Caiu no Enem atenção!
Não escreva no seu livro!

1. Quando é meio-dia nos Estados Unidos, o Sol, todo mundo a) norte / sul. d) oeste / leste.
sabe, está se deitando na França. Bastaria ir à França num b) sul / norte. e) oeste / oeste.
minuto para assistir ao pôr do sol. c) leste / oeste.
SAINT-EXUPÉRY, A. O pequeno príncipe.
Rio de Janeiro: Agir, 1996. 4. Um leitor encontra o seguinte anúncio entre os clas-
sificados de um jornal:
A diferença espacial citada é causada por qual carac-
terística física da Terra? VILA DAS FLORES
a) Achatamento de suas regiões polares. Vende-se terreno plano medindo
b) Movimento em torno de seu próprio eixo. 200 m2. Frente voltada para o
c) Arredondamento de sua forma geométrica. Sol no período da manhã.
Fácil acesso.
d) Variação periódica de sua distância do Sol.
(443) 0677-0032
e) Inclinação em relação ao seu plano de órbita.

2. Pensando nas correntes e prestes a entrar no braço que Interessado no terreno, o leitor vai ao endereço indi-
deriva da Corrente do Golfo para o norte, lembrei-me de cado e, lá chegando, observa um painel com a planta
um vidro de café solúvel vazio. Coloquei no vidro uma no- a seguir, onde estavam destacados os terrenos ainda
ta cheia de zeros, uma bola cor rosa-choque. Anotei a po- não vendidos, numerados de I a V:
sição e data: latitude 49°49’ N, longitude 23°49’ W.

Formato Comunicação/Arquivo da editora


Tampei e joguei na água. Nunca imaginei que receberia
uma carta com a foto de um menino norueguês, seguran- Rua dos Cravos

do a bolinha e a estranha nota.


N
KLINK, A. Parati: entre dois polos. São Paulo: III

Rua das Margaridas


Rua dos Jasmins

Rua das Rosas


Companhia das Letras, 1998. (Adaptado.) I II

No texto, o autor anota sua coordenada geográfica,


que é
V
a) a relação que se estabelece entre as distâncias re- IV

presentadas no mapa e as distâncias reais da su-


perfície cartografada. Rua das Hortências

b) o registro de que os paralelos são verticais e con- 0 10 20 m

vergem para os polos, e os meridianos são círculos


imaginários, horizontais e equidistantes.
c) a informação de um conjunto de linhas imaginárias Considerando as informações do jornal, é possível afir-
que permitem localizar um ponto ou acidente geo- mar que o terreno anunciado é o:
gráfico na superfície terrestre. a) I. c) III. e) V.
d) a latitude como distância em graus entre um pon- b) II. d) IV.
to e o meridiano de Greenwich, e a longitude como
a distância em graus entre um ponto e o equador.
5. O projeto Nova Cartografia Social da Amazônia ensina
indígenas, quilombolas e outros grupos tradicionais a em-
e) a forma de projeção cartográfica, usada para nave-
pregar o GPS e técnicas modernas de georreferenciamen-
gação, onde os meridianos e paralelos distorcem a
to para produzir mapas artesanais, mas bastante precisos,
superfície do planeta.
de suas próprias terras.
3. “Em casa que não entra Sol entra médico.” LOPES, R. J. O novo mapa da floresta. Folha de S. Paulo,
7 maio 2011 (adaptado).
Esse antigo ditado reforça a importância de, ao cons-
truirmos casas, darmos orientações adequadas aos A existência de um projeto como o apresentado no
dormitórios, de forma a garantir o máximo conforto texto indica a importância da Cartografia como ele-
térmico e salubridade. mento promotor da
Assim, confrontando casas construídas em Lisboa (ao a) expansão da fronteira agrícola.
norte do trópico de Câncer) e em Curitiba (ao sul do b) remoção de populações nativas.
trópico de Capricórnio), para garantir a necessária luz c) superação da condição de pobreza.
do Sol, as janelas dos quartos não devem estar volta- d) valorização de identidades coletivas.
das, respectivamente, para os pontos cardeais: e) implantação de modernos projetos agroindustriais.

100 Unidade 1
6. Existem diferentes formas de representação plana da

Reprodução/ENEM 2015
superfície da Terra (planisfério). Os planisférios de Mer-
cator e de Peters são atualmente os mais utilizados.
Apesar de usarem projeções, respectivamente, con-
forme e equivalente, ambas utilizam como base da
projeção o modelo:
Mercator

Mapas: Allmaps/Arquivo da editora

Peters Duarte, P. A. Fundamentos de cartografia. Florianópolis: UFSC, 2002.

a) 1/50
b) 1/5 000
c) 1/50 000
d) 1/80 000
e) 1/80 000 000

8. As diferentes representações cartográficas trazem


consigo as ideologias de uma época. A representação
destacada se insere no contexto das Cruzadas por
a) d)
O L
O L

Reprodução/ENEM 2015
b) e) O

O L

c)
QUEIROZ FILHO, A. P.; BIASI, M. Técnicas de cartografia.
In: VENTURI, L. A. B. (Org.) Geografia: práticas de campo,
laboratório e sala de aula. São Paulo: Sarandi, 2011 (adaptado).
O L

a) revelar aspectos da estrutura demográfica de um povo.


b) sinalizar a disseminação global de mitos e preceitos
políticos.
7. As figuras representam a distância real (D) entre du- c) utilizar técnicas para demonstrar a centralidade de
as residências e a distância proporcional (d) em uma algumas regiões.
representação cartográfica, as quais permitem esta- d) mostrar o território para melhor administração dos
belecer relações espaciais entre o mapa e o terreno. recursos naturais.
Para a ilustração apresentada, a escala numérica e) refletir a dinâmica sociocultural associada à visão
correta é de mundo eurocêntrica.

Fundamentos de Cartografia 101


2
UNIDADE

Geografia física e
meio ambiente
Aguardar crédito

No município onde você mora o relevo é plano ou há elevações


que dificultam, por exemplo, um passeio de bicicleta ou skate?
Você mora perto de praia ou de floresta, ou mora em um municí-
pio onde quase não se vê mais vegetação? Chove bastante onde
você mora ou é seco na maior parte do ano?

Você sabia que todos esses elementos da natureza, entre outros,


são trabalhados na Geografia física? Durante o estudo desta
Unidade, procure relacionar os aspectos descritos em cada capí-
tulo às características do município onde mora, para que você
possa conhecê-lo melhor. Repare como o ser humano interage
constantemente com a natureza, tanto transformando-a con-
forme suas necessidades quanto adaptando-se àquilo que não
há como mudar nela.

102
5
CAPÍTULO
Estrutura geológica

Giovanni Isolino/Agência France-Presse

Fluxos de lava escorrendo do


vulcão Etna, na Sicília (Itália).
Foto de 2013.

103
INfOgráfICO
Teoria da formação e evolução da Terra

11
Há cerca de 4,6 bilhões
de anos, uma densa 22 3 4
nuvem de gás e poeira A radioatividade das Há aproximadamente Com o passar de milhões
se contraiu e formou o rochas fez com que a 4 bilhões de anos, a de anos, a crosta terrestre
Sol. Outras partes dessa Terra recém-consolidada crosta terrestre se tornou mais espessa, e
nuvem formaram derretesse. O ferro e o começou a adquirir os vulcões entraram em
partículas sólidas de níquel se fundiram, forma. No princípio, erupção e começaram a
gelo e rocha, que se formando o núcleo da havia grande número emitir gases, que
uniram e deram origem Terra, enquanto na de pequenas plaquetas formaram a atmosfera.
aos planetas. superfície flutuavam sólidas, que flutuavam O vapor de água se
oceanos de rochas na rocha fundida. condensou, constituindo
incandescentes. os oceanos. As rochas
mais antigas da Terra
datam dessa época.

Milhões de anos atrás


4 560 4 000 3 000
2 000

Este infográfico nos dá uma ideia da evolução do planeta


Terra, desde sua origem, há aproximadamente 4,6 bilhões de anos,
até os dias atuais. Ao longo deste capítulo você vai perceber que
para o estudo desse tema a noção de tempo que temos – dias,
meses, anos, séculos – não é suficiente; é preciso pensar em termos
de eras geológicas, o que envolve milhões de anos.

Adaptado de: THE DORLING Kindersley Illustrated Factopedia. London: Dorling Kindersley, 1995. p. 38-39.

104 Capítulo 5
mpo
lógica do te
Escala geo
Época
Período
Observe a duração de Éon Era Holoceno
(ou Recente) 0,01
cada Era e compare este gráfico com
Quaternário Pleistoceno 1,8
o texto do quadro das páginas 106
e 107, intitulado “O ‘ano-Terra’”. Plioceno 5,3
Neógeno

Cenozoica
Mioceno 23,0

Terciário
Oligoceno 33,3
ceno
Paleógeno Eo 55,8
Paleoceno 65

ANOS
Fanerozoico
Cretáceo 146

Mesozoica
Jurássico

MILHÕES DE
200

Triássico 251

Permiano 299
5
Carbonífero 359
Há aproximadamente

Paleozoica
3,5 bilhões de anos, a Devoniano 416

maior parte da crosta Siluriano 444


terrestre já estava
formada, mas a Ordoviciano 488
configuração dos
Cambriano 542
continentes era muito
diferente da atual.

Proterozoico
2 500

Arqueano
Hadeano 3 850

4 566

Adaptado de: TEIXEIRA, Wilson et al.


(Org.). Decifrando a Terra. 2. ed. São
Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 292.
Ilustração esquemática sem escala.

1 000 6
A Terra continua em
transformação.
A crosta está dividida em
enormes placas, cujas
bordas se modificam
542 constantemente.
Os continentes estão
Eras geológicas 251 sempre em movimento,
como resultado das forças
Pré-Cambriana 65 do interior da Terra.
Paleozoica
Mesozoica
Cenozoica Atualmente

Ilustrações: Mario Kanno/Arquivo da editora

Estrutura geológica 105


1 A formação da Terra

Na natureza nada se cria,


nada se perde, tudo se transforma.Ó
Antoine Lavoisier (1743-1794), químico francês.

O planeta Terra está em constante transformação, tanto em seu interior quanto


na superfície. Durante sua formação, como se pode ver nas ilustrações do infográfico
da página anterior, a configuração da crosta terrestre era completamente diferente
da que observamos hoje. Essas transformações continuam acontecendo porque o
planeta possui muita energia em seu interior e a superfície da crosta terrestre sofre
a ação permanente de forças externas, como chuva, vento e o próprio ser humano,
que constrói cidades, desmata, refloresta, extrai minérios, faz aterros e represas,
desvia rios, etc.

O “ano-Terra”
Tempo histórico
Mês Dia Eventos
Janeiro 1o Formação da Terra.

Março 2 Mais antigas evidências de vida.

Consolidação dos primeiros continentes.


Junho 14
Termina o Arqueano e inicia o Proterozoico.

Primeiros organismos eucariontes


Julho 24
(células mais complexas, com núcleo).

Outubro 12 Eucariontes começam a se diversificar.

Início da Era Paleozoica.


Novembro 18
Os grandes continentes (como Gonduana) se formam.

Dezembro 3 Primeiros répteis.

12 Início da Era Mesozoica e da deriva continental.

20 Início da separação entre América e África.

A extinção dos dinossauros e outros organismos marca o fim


26
Ilustrações: Banco de imagens/Arquivo da editora

da Era Mesozoica e início da Cenozoica.

Às 19h12min: surgimento dos primeiros membros de nosso


31
gênero (Homo), na África.

Às 23h59min57s: Cabral chega ao Brasil.

Às 23h59min59s: inicia o século XX.


Adaptado de: TEIXEIRA, Wilson et al. (Org.). Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 621-623.

106 Capítulo 5
Tempo geológico
Algumas mudanças de origem natural são facilmente percebidas. Por exemplo,
Idade
(em milhões de anos)
terremotos e erupções vulcânicas são fenômenos que podem provocar alterações
imediatas na paisagem. Outras mudanças, como o afastamento dos continentes ou o
4 560 processo de formação das grandes cadeias montanhosas, denominado orogênese,
3 800 ocorrem em um intervalo de tempo tão longo que não conseguimos percebê-las em
nosso curto período de vida. Por isso, falamos em tempo geológico, que é medido em
2 500
milhões de anos (reveja a escala da página 105).
2 000 Para entendermos melhor os 4,6 bilhões de anos de idade da Terra, observe o es-
quema ao lado, em que o tempo geológico é comparado, proporcionalmente, ao tem-
1 000
po histórico, medido em meses, anos, décadas, séculos ou milênios.
450 Embora os seres humanos tenham surgido há muito pouco tempo quando pen-
350 samos na escala geológica, alguns cientistas consideram que as transformações
provocadas na superfície do planeta, principalmente após a Revolução Industrial,
248
justificariam a criação de uma nova época, denominada Antropoceno.
140 A criação dessa nova época e sua in-
serção na escala do tempo geológico Orogênese: do grego oros, que signifi-
65
depende da IUGS (sigla em inglês da ca ‘montanha’, e genesis, ‘origem’. Cor-
2 União Internacional de Ciências Geoló- responde a processos tectônicos que
deformam e elevam a crosta terrestre,
500 anos gicas), na qual uma comissão estuda es- dando origem a grandes cadeias mon-
sa possibilidade desde 2008. tanhosas.
100 anos

Outras leituras Fóssil: vestígio de seres orgâ-


nicos (vegetais ou animais)
encontrados nas rochas. Nas
A coluna do tempo geol—gico estruturas sedimentares, as
camadas superiores e os
A coluna do tempo geológico é dividida em éons, Inglaterra, onde estão ex- fósseis são mais recentes,
enquanto nas camadas in-
eras, períodos e épocas. Essa divisão não é arbitrária, postas rochas dessa ida-
feriores são mais antigos. O
ela reflete grandes acontecimentos que ocorreram nas de. O nome Carbonífero estudo dos fósseis permite
histórias geológica e biológica da Terra. Assim, os éons refere-se aos depósitos de identificar a idade de um
Arqueano e Proterozoico correspondem a grupos de carvão que se encontram terreno e inferir sua posição
na coluna geológica.
rochas ígneas e metamórficas que formam grande acima das rochas devo-
volume da crosta continental, com um registro fóssil nianas. O nome Permiano foi dado porque as rochas
escasso, composto somente de seres microscópicos. desta idade situavam-se próximas à província de Perm,
No final do Proterozoico é que começaram a aparecer na Rússia. A Era Paleozoica termina com o maior even-
os primeiros seres multicelulares. Já o éon Fanerozoico to de extinção em massa de todos os tempos.
significa ‘vida visível’, refletindo a fase em que a vida A Era Mesozoica (‘vida do meio’) inclui os períodos
se tornou abundante no planeta. Triássico, Jurássico e Cretáceo. O nome Triássico tem a
Cada uma das três eras do éon Fanerozoico – Pa- ver com a divisão em três camadas das rochas dessa
leozoica, Mesozoica e Cenozoica – ilustra um momento idade na Alemanha, que se sobrepunham às rochas
especial da história da Terra e o limite entre as eras é paleozoicas. Jurássico faz referência às montanhas Jura,
pautado por eventos de extinção em massa. Dentro da na Suíça; já Cretáceo vem do termo latim Creta, que
era Paleozoica (‘vida antiga’) estão vários períodos. significa ‘giz’, relativo às rochas da França e Inglaterra.
O nome Cambriano vem de Cambria, que é o nome A Era Cenozoica significa ‘vida recente’. Ela inicia
latino para Gales, onde suas rochas foram primeira- depois da grande extinção que marcou o final do Pe-
mente estudadas. Ordoviciano vem de Ordovices, que ríodo Cretáceo.
é o nome de uma antiga tribo celta. Siluriano homena- Adaptado de: SOARES, Marina Bento. Tempo geológico. Departamento de
Paleontologia e Estratigrafia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
geia a tribo dos Silures, que habitava uma região de Disponível em: <www.ufrgs.br/paleodigital/Tempo_geologico1.html>.
Gales. Devoniano é uma homenagem a Devonshire, na Acesso em: 2 jul. 2015.

Estrutura geológica 107


Pensando no Enem
1. Para o registro de processos naturais e sociais, devem a) a grande atividade vulcânica, ocorrida há milhões
ser utilizadas diferentes escalas de tempo. Por exem- de anos, eliminou essas aves do hemisfério norte.
plo, para a datação do Sistema Solar, é necessária uma b) na origem da vida, essas aves eram capazes de voar,
escala de bilhões de anos, enquanto para a história do o que permitiu que atravessassem as águas oceâni-
Brasil basta uma escala de centenas de anos. cas, ocupando vários continentes.
Assim, para os estudos relativos ao surgimento da c) o ser humano, em seus deslocamentos, transportou
vida no planeta e para os estudos relativos ao essas aves, assim que elas surgiram na Terra, distri-
surgimento da escrita, seria adequado utilizar, buindo-as pelos diferentes continentes.
respectivamente, escalas de: d) o afastamento das massas continentais, formadas
pela ruptura de um continente único, dispersou es-
a) milhares de anos; centenas de anos.
sas aves que habitavam ambientes adjacentes.
b) milhões de anos; centenas de anos.
e) a existência de períodos glaciais muito rigorosos, no
c) milhões de anos; milhares de anos.
hemisfério norte, provocou um gradativo desloca-
d) bilhões de anos; milhões de anos.
mento dessas aves para o sul, mais quente.
e) bilhões de anos; milhares de anos.
Resolução
Resolução
O afastamento dos continentes iniciou-se há aproxima-
A alternativa correta é a E. Para analisar os processos da
damente 225 milhões de anos, época da história geoló-
natureza, temos de considerar basicamente três escalas
gica em que o planeta já possuía variados tipos de for-
de tempo: biológico, que pode ser associado ao tempo
mações vegetais e formas de vida animal. Com a deriva
de vida dos seres humanos; histórico, medido em deze-
continental, muitos animais e vegetais que se desenvol-
nas, centenas e milhares de anos; e geológico, que en-
veram em determinada situação foram separados e pas-
volve toda a história geológica do planeta Terra, com
saram por processos evolutivos bastante diversos, o que
aproximadamente 4,6 bilhões de anos.
promoveu grande diferenciação entre espécies com a
Há alterações nos processos naturais visíveis no tempo
mesma origem ancestral. Portanto, a alternativa correta
biológico, como a erosão e os terremotos; outros são im-
é a D.
perceptíveis para os seres humanos, como o afastamen-
Considerando a Matriz de Referência do Enem, essas ques-
to dos continentes.
tões trabalham a Competência de área 6 – Compreender a
2. No mapa, é apresentada a distribuição geográfica de sociedade e a natureza, reconhecendo suas interações no
aves de grande porte e que não voam. espaço em diferentes contextos históricos e geográficos,
principalmente a habilidade H30 – Avaliar as relações en-
Banco de imagens/Arquivo da editora

tre preservação e degradação da vida no planeta nas dife-


rentes escalas.

© Mauricio de Sousa/Mauricio de
Sousa Produ•›es Ltda.

Ema Avestruz
Emu

Há evidências mostrando que essas aves, que podem


ser originárias de um mesmo ancestral, sejam, portan-
to, parentes. Considerando que, de fato, tal parentes-
co ocorra, uma explicação possível para a separação
geográfica dessas aves, como mostrada no mapa,
poderia ser:

Horácio. Disponível em: <http://turmadamonica.uol.com.br/>. Acesso em: 24 abr. 2016.

108 Capítulo 5
Tipos de rocha
Calvin e Haroldo by Bill Watterson

© Bill Watterson/Dist. By Atlantic


Syndication/Universal Uclick
O melhor de Calvin. Bill Watterson. Disponível em: <http://deposito-de-tirinhas.tumblr.com/post/36880830702/por-bill-waterson-via-estadao>. Acesso em: 24 abr. 2016.

As rochas são agregados sólidos naturais compos- O termo magmática vem de magma, massa na-
tos de um ou mais minerais e podem ser classificadas, tural fluida com temperatura elevada, encontrada no
segundo sua formação, em magmáticas (ou ígneas), interior da Terra. O termo ígnea vem da palavra lati-
metamórficas e sedimentares. na ignis, ‘fogo’. Existem vários tipos de rocha mag-
Há aproximadamente 3,8 bilhões de anos, a maté- mática, dependendo da constituição química do
ria incandescente da qual era formada a Terra começou magma e de como ele se consolidou. Observe, a se-
a esfriar e a se solidificar, formando a crosta terrestre. guir, o esquema que mostra o processo de formação
Consolidaram-se, assim, as primeiras rochas, chamadas desse tipo de rocha.
magmáticas ou ígneas.
Rochas Extrusão (lava)
extrusivas
O magma atinge a superfície
terrestre em forma de lava
pela erupção de um vulcão e
Fabio Colombini/Museu de Ciências
Naturais, Caxias do Sul, RS.

se esfria rapidamente.
Sempre que isso ocorre,
não conseguimos
distinguir, a olho nu, os Intrusão Rocha
minerais componentes sedimentar
de uma rocha. Esse é o
caso do basalto.

basalto
Rochas
intrusivas Rocha metamórfica
O magma esfria lentamente e se
solidifica dentro da crosta terrestre.
Cassiano Röda/Arquivo da editora

Nessas rochas, os
minerais se agrupam e Litosfera
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

formam cristais (placa continental)


visíveis a olho nu, como
na maioria dos granitos
utilizados na
construção civil, nos
quais conseguimos ver
Manto
três componentes:
quartzo, feldspato e
Cristal: corpo que apre-
cristais de mica.
granito senta formas geométricas,
constituído por faces pla-
nas e arestas retilíneas.

Adaptado de: PRESS, Frank et al. Para entender a Terra.


4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. p. 106. Ilustração esquemática sem escala.

Estrutura geológica 109


1
As rochas metamórficas, assim como as magmáticas, formam-se no interior
da crosta terrestre. A pressão e a temperatura muito elevadas, os fortes atritos, ou
a combinação química de dois ou mais minerais transformam a estrutura das rochas
já formadas, o que dá origem às rochas metamórficas, como o mármore, a ar-
Leonardo Carneiro/
Arquivo da editora

dósia, o quartzito e o gnaisse. Esse processo não deve ser confundido com a
fusão de rochas, que só ocorre no manto, camada abaixo da crosta onde as
temperaturas são mais elevadas.
Nos primórdios da história geológica do planeta, a crosta terrestre era
formada por rochas magmáticas e metamórficas. Os minerais que as compõem,
2
no processo de consolidação, formaram cristais. Por isso, essas rochas também
Igor Terekhov/Shutterstock/Glow Images

são, em conjunto, chamadas cristalinas.


É preciso lembrar que esse processo de formação de rochas está sempre acon-
tecendo, pois faz parte da dinâmica da Terra. No entanto, não podemos observá-lo,
pois é um processo lento que ocorre no interior da crosta, diferentemente das
erupções vulcânicas, em que a solidificação da lava ocorre na superfície.
O terceiro tipo de rocha presente na crosta terrestre são as sedimentares,
constituídas de sedimentos. Conforme a superfície da Terra se resfriava, gases
como nitrogênio, oxigênio, hidrogênio e outros foram liberados e formaram a
atmosfera. A partir de então começaram a ocorrer as chuvas, e com elas iniciou-se
3 o processo de intemperismo químico, importante agente no processo de
formação das rochas sedimentares. Observe o esquema abaixo, que mostra
Fabio Colombini/Acervo do fotógrafo

o processo de formação desse tipo de rocha.


Na foto 1, exemplo de gnaisse, que se origina do metamorfismo (transformação)
do granito, rocha magmática. Na foto 2, pia de mármore. O mármore se origina
da transformação do calcário, rocha sedimentar que aparece na foto 3.
Esse metamorfismo altera cor, textura e dureza das rochas, entre outras
transformações. As rochas metamórficas são muito utilizadas na construção
civil como material de acabamento, como pisos e revestimentos.

1 O intemperismo decompõe e desagrega 5 A compactação física e


partículas de rocha, o que propicia a a transformação
2 Ao longo de milhões de anos, formação dos solos, conforme química das partículas
as partículas de rocha foram estudaremos no Capítulo 7. dos sedimentos deram
transportadas pela ação do origem às rochas
vento e das águas. sedimentares, como o
Esse processo que envolve arenito e o calcário.
intemperismo, transporte e Grande parte dos
sedimentação, chamado fósseis é encontrada
erosão, ocorre continuamente. aprisionada nas
rochas sedimentares.
1
Rocha magmática
2

3 As partículas de rocha são 5


depositadas como camadas
de sedimento no solo e na
água. Lui
3
sM
ou
ra/Ar
qu
ivo
da
4 Ao longo do tempo, camadas paralelas de edi
tor
a
sedimentos se formaram, originando
grandes depósitos sedimentares. Muitos 4 Rocha
desses depósitos soterraram antigos sedimentar
ambientes aquáticos, como lagos e oceanos.
Rocha
metamórfica

Adaptado de: GROTZINGER, John; JORDAN, Tom. Para entender a Terra. 6. ed.
Porto Alegre: Bookman, 2013. p. 121. Ilustração esquemática sem escala.

110 Capítulo 5
Outras leituras Mohamed Abd El G
hany
/Re
ute
r s/L
ati
n st
o ck

Paleontologia = Arqueologia?
Ciências-irmãs com enfoques diferentes
A Paleontologia é uma especialidade interdisciplinar que faz
uso de qualquer evidência, direta ou indireta, de organismos ex-
tintos em rochas sedimentares, para compreender a história
geológica da vida e da Terra. Ainda contribui, de maneira funda-
mental, para nosso entendimento dos ambientes, arranjos geográ-
ficos, biodiversidade e ecossistemas do passado e permite ordenar
e correlacionar temporalmente rochas estratificadas no mundo in-
teiro. Às vezes, o leigo confunde a Arqueologia com a Paleontologia, duas
ciências-irmãs, que utilizam as mesmas técnicas de investigação, mas que rinho
Fóssil ma rto
diferem nos objetos que estudam. Os paleontólogos concentram-se no registro a do no dese
encontr d o e ste
a su
fóssil de organismos extintos, geralmente do passado remoto, enquanto os ar- do Saara, 16).
(Egito, 20
queólogos investigam evidências das culturas humanas, bem mais recentes, do Cairo é u m a
as,
Entre outr e ss a
principalmente dos últimos 10 mil anos. q u e
prova de
O limite de 10 mil anos adotado para distinguir entre objetos arqueológicos esteve no
região já
mar.
e paleontológicos é uma escolha de conveniência, pois existem exceções tanto fundo do
na Arqueologia – as belas pinturas em cavernas da Europa – como na Paleonto-
logia – ossadas de animais extintos em cavernas e cacimbas [poços] no Brasil.
Mesmo assim, esta data reveste-se de grande significância temporal porque
coincide, aproximadamente, com o advento do Holoceno, a mais recente época
geológica, que se iniciou no término da última fase glacial do Pleistoceno. A
melhora no clima global do Holoceno favoreceu a expansão demográfica que
desencadeou grandes transformações culturais, culminando na civilização glo-
balizada do presente [...]. O registro arqueológico da grande jornada humana, ao
Rubens Chaves/Pulsar Imagens As rochas sedimentares
contrário do registro paleontológico, compreende, comumente, artefatos e ossos podem apresentar-se
humanos associados a restos de animais e plantas comuns até hoje preservados estratificadas, ou seja, em
em materiais pouco consolidados (solos, sedimentos, escombros, etc.). Essa asso- camadas com idade e
ciação frequente facilita a reconstituição não somente das relações entre os composição diferentes.
Pesquisando essas
homens da época, mas entre o homem e a natureza também. estratificações, os geólogos
FAIRCHILD, Thomas. R.; TEIXEIRA, Wilson; BABINSKI, Marly. Geologia e a descoberta da magnitude do tempo. conseguem identificar as
In: TEIXEIRA, Wilson et al. (Org.). Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 291.
variações climáticas que se
processaram no decorrer
da história geológica de
determinada região. Na
foto de 2013, a antiga
pedreira no Parque do
Varvito, em Itu (SP). Essa
rocha sedimentar é um
testemunho de que essa
região do planeta passou
por um período de
glaciação entre os Períodos
Carbonífero e Permiano.

111
2 Estrutura da Terra
Vimos os tipos de rocha que formam a crosta terrestre, que é apenas uma pequena parte do planeta.
Na figura a seguir, podemos observar sua estrutura completa.

Modelo baseado na composição Modelo baseado no comportamento


química das camadas

Cassiano Röda/Arquivo da editora


mecânico dos materiais
Crosta Crosta
oceânica (6-12 km) continental (25-70 km) Litosfera

Nas figuras, você pode Manto superior Astenosfera


observar cortes 75-100 km
Zona de transição
esquemáticos mostrando as
670 km
camadas do interior do
planeta, de acordo com dois
modelos: o primeiro baseado Manto
na composição química das inferior Mesosfera
camadas e o outro, no
comportamento mecânico
dos materiais, como sua 2 900 km
resistência e dureza. A Núcleo Núcleo
descoberta das variações da externo externo
composição e das
características físicas dos
materiais que constituem o Zona de Zona de
transição transição 5 120 km
interior da Terra foi possível
por meio do estudo da Núcleo Núcleo Endosfera
velocidade de propagação de interno interno
ondas sísmicas e a sua
forma de transmissão,
liberadas nos terremotos ou 6 378 km
em explosões controladas. Adaptado de: ENCICLOPÉDIA do estudante: ciências da Terra e do Universo. São Paulo:
Moderna, 2008. p. 23. Ilustração esquemática sem escala.

Nós o batemos, muito quente e cheio de energia em


Onda sísmica: onda de choque que se
irradia em círculos concêntricos a partir do seu interior, numa mesa. A casca fica totalmente ra-
foco de um abalo sísmico, o epicentro. chada, mas continua presa à clara. Assim é a crosta
terrestre. Ela não é inteiriça como a casca de um ovo
Didaticamente, o planeta Terra pode ser comparado
cru, mas rachada como a de um ovo cozido batido
a um ovo, não em termos de forma, mas de proporção de
numa mesa. Os vários pedaços de casca rachada se-
suas estruturas: sua casca, extremamente fina, seria a
riam as placas tectônicas. Seus limites disformes, as
crosta terrestre; a clara seria o manto; e a gema, o núcleo.
rachaduras, seriam as falhas geológicas – rupturas nas
A crosta terrestre possui espessura média de 25 km
(por volta de 6 km em algumas partes do assoalho oceâ- camadas rochosas da crosta – que delimitam as pla-
nico e de 70 km nas regiões de cadeias montanhosas). cas, detalhadas na página 116.
O manto, com 2 900 km de espessura média, é for- A litosfera (do grego lithos, que significa ‘pedra’,
mado por magma pastoso e denso, em estado de fusão. ‘rocha’) compreende as rochas da esfera terrestre, da
O núcleo é formado predominantemente por níquel crosta (continental e oceânica), e é formada por placas
e ferro. É subdividido em duas partes: o núcleo externo, rígidas e móveis, as placas tectônicas. Logo abaixo
em estado de fusão, e o núcleo interno (a parte mais dela, encontramos a astenosfera (do grego sthenos,
densa do planeta, também chamado de nife). Este, ape- ‘sem força’, ‘fraco’), que é constituída por rochas par-
sar das elevadas temperaturas, encontra-se em estado cialmente fundidas. Ao contrário da litosfera, é uma
sólido, em razão da alta pressão no centro da Terra. camada menos rígida e com temperaturas mais ele-
Vamos imaginar agora que o “ovo” de nossa com- vadas. São essas características que dão mobilidade
paração foi cozido e acabamos de retirá-lo do fogo. às placas tectônicas.

112 Capítulo 5
3 Deriva continental e tect™nica de placas
Ilustrações: Ba
nco de im
No século XVI, quando foram confeccionados os primeiros age
ns/
Arq
uiv
mapas-múndi com relativa precisão, observou-se a coin- o
da

ed
ito
cidência entre os contornos da costa leste sul-americana

ra
OCEANO
e da costa oeste africana. Surgiram, então, hipóteses de PANTALASSA
Mar de
Tétis
que os continentes não estiveram sempre em suas atuais
posições. Entretanto, somente em 1915 o deslocamento
dos continentes foi apresentado como tese científica (a
teoria da deriva continental) por um meteorologista alemão Há 225 milhões de anos
chamado Alfred Wegener (1880-1930). Ele propôs que há cerca (fim do Período Permiano).

de 200 milhões de anos teria existido apenas um continente,


a Pangeia (‘toda a terra’), que em determinado momento
começou a se fragmentar.
Alexander du Toit (1878-1948), geólogo que lecionou Mar de
Tétis
na Universidade de Johannesburgo, na África do Sul, foi
um dos maiores defensores da teoria de Wegener.
Ele considerava que a Pangeia se dividiu primeiramen-
te em dois grandes continentes, a Laurásia, no hemis- Há 180 milhões de anos
(início do Período Jurássico).
fério norte, e Gonduana, no hemisfério sul, que con-
tinuaram a se fragmentar, originando os continentes
atuais. Observe as ilustrações ao lado, que mostram
essa sequência.
Além de se basear na coincidência entre os contornos
das costas atlânticas sul-americana e africana, Wegener tinha
outro argumento para defender sua teoria: as semelhanças
entre os tipos de rocha e de fósseis de plantas e animais encon-
trados nos dois continentes, separados pelo oceano Atlântico, Há 135 milhões de anos
(início do Período Cretáceo).
ou seja, por milhares de quilômetros. A presença de fósseis
idênticos ao longo dessas costas era a prova que faltava
para demonstrar que, no passado, África e América do Sul
formaram um único continente. A descoberta de fósseis
de plantas tropicais na Antártida também indicava que
essa área, atualmente coberta de gelo, já esteve bem mais
próxima do Equador.

Há 65 milhões de anos
(início do Período Terciário).

Consulte o
site do IBGE e
do Instituto
Astronômico e
Geofísico – USP.
Veja orientações
na seção
Adaptado de: CHARLIER, Jacques
Sugestões de (Dir.). Atlas du 21e siècle édition 2012.
leitura, filmes Groningen: Wolters-Noordhoff;
e sites. Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 179.
Atualmente Ilustração esquemática sem escala.

Estrutura geológica 113


Apesar das evidências, a teoria proposta por We- Somente na década de 1960, mais de trinta anos
gener não foi bem recebida pela comunidade científica depois da morte de Wegener, o tema voltou a ser abor-
da época. Isso ocorreu principalmente porque ele não dado. O desenvolvimento de novas tecnologias permi-
conseguiu explicar a força que fraturou a litosfera e tiu o mapeamento do fundo do oceano por meio de
impulsionou os continentes. Havia um clima de inten- expedições submarinas. Tal mapeamento levou à des-
so debate sobre a questão na época, e os físicos con- coberta de evidências que comprovaram a deriva con-
venceram a maioria dos geólogos de que as camadas tinental e ao desenvolvimento da teoria da tectônica
da Terra eram muito rígidas para que a deriva conti- de placas. Leia, a seguir, em Outras leituras, um texto
nental ocorresse. que retrata esse processo.

Outras leituras

Expansão do assoalho oceânico


A evidência geológica [da deriva continental] não convenceu os céticos, os quais mantiveram que a
deriva continental era fisicamente impossível. Ninguém havia proposto, ainda, uma força motora plausível
que pudesse ter fragmentado a Pangeia e separado os continentes. Wegener, por exemplo, pensava que os
continentes flutuavam como barcos sobre a crosta oceânica sólida, arrastados pelas forças das marés, do
Sol e da Lua. Porém, sua hipótese foi rapidamente rejeitada porque pode ser demonstrado que as forças da
maré são fracas demais para mover continentes.
A mudança revolucionária ocorreu quando os cientistas deram-se conta de que a convecção do manto
da Terra poderia empurrar e puxar os continentes à parte, formando uma nova crosta oceânica, por meio
do processo de expansão do assoalho oceânico. [...]
Essas evidências emergiram como um resultado da intensa exploração do fundo oceânico ocorrida após
a Segunda Guerra Mundial. O geólogo marinho Maurice “Doc” Ewing demonstrou que o fundo oceânico do
Atlântico é composto de basalto novo, e não de granito antigo, como alguns geólogos haviam pensado. Além
disso, o mapeamento de uma cadeia submarina de montanhas chamada Dorsal Mesoatlântica levou à des-
coberta de um vale profundo na forma de fenda, ou rifte, estendendo-se ao longo de seu centro. Dois dos
geólogos que mapearam essa feição foram Bruce Heezen e Marie Tharp, colegas de Doc Ewing na Universi-
dade de Colúmbia. “Achei que poderia ser um vale em rifte”, Tharp disse anos mais tarde. A princípio, Heezen
descartou a ideia [...], mas logo descobriram que quase todos os terremotos no oceano Atlântico ocorreram
próximos ao rifte, confirmando o palpite de Tharp. Uma vez que a maioria dos terremotos é gerada por falha-
mento tectônico, esses resultados indicaram que o rifte era uma feição tectonicamente ativa. Outras dorsais
mesoceânicas com formas e atividades sísmicas similares foram encontradas nos oceanos Pacífico e Índico.
No início da década de 1960, Harry Hess, da Universidade de Princeton, e Robert Dietz, da Instituição
Scripps de Oceanografia, propuseram que a crosta separa-se ao longo de riftes nas dorsais mesoceânicas e
que o novo fundo oceânico forma-se pela ascensão de uma nova crosta quente nessas fraturas. O novo
assoalho oceânico – na verdade, o topo da nova litosfera criada – expande-se lateralmente a partir do rifte
e é substituído por uma crosta ainda mais nova, num processo contínuo de formação de placa.
GROTZINGER, John; JORDAN, Tom. Para entender a Terra. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2013. p. 28-29.

Como vimos no texto acima, Hess e Dietz defen- de placas. Ao se determinar a idade de algumas rochas
deram que a movimentação do manto carrega consigo retiradas do fundo do mar, obteve-se a evidência que
as grandes placas tectônicas que compõem a crosta faltava para comprovar as duas teorias. À medida
terrestre. Essas placas se deslocam sobre a astenosfera que aumentava a distância entre o local onde as amos-
e provocam a deriva dos continentes. tras foram retiradas e a Dorsal Atlântica (cadeia de monta-
Na década de 1960, a exploração de petróleo em alto- nhas submersa no meio do oceano Atlântico), tanto para
-mar ajudou a confirmar a expansão do assoalho oceânico, leste quanto para oeste, aumentava também a idade das
corroborando a teoria da deriva continental e da tectônica rochas, como se pode observar no mapa a seguir.

114 Capítulo 5
Essa descoberta prova que há uma falha no assoalho oceânico, dividindo-o em duas enormes placas que se
afastam uma da outra, provocando o alargamento do fundo do mar, a ampliação do oceano Atlântico e um dis-
tanciamento maior entre os continentes localizados em seus dois extremos.
Distribuição das idades As idades geocronológicas do oceano Atlântico
geocronológicas do fundo
oceânico num trecho entre a 40° O

Banco de imagens/Arquivo da editora


América do Norte e a África.
Note que, quanto mais
próximas da Dorsal Atlântica,
menor é a idade das rochas Açores
5
15
(em milhões de anos). AMÉRICA 5
DO NORTE
NOR 13

180
81

63
Bermudas

53
Placa

38
0
Trópico de Câncer

18

9
9
Africana

38
AMÉRICA

53
ica

5
15

63

81
5
DO NORTE
nt

Placa

13
EUROPA
t

lA Norte-

5
13

155
-Americana
rsa

Trópico de Câncer
Do

CUBA
ÁFRICA

PORTO RICO ÁFRICA

Equador

AMÉRICA
DO SUL
Trópico de Capricórnio Eixo da Dorsal Atlântica

OCEANO
Sentido do movimento
ATLÂNTICO AMÉRICA das placas tectônicas 0 680 1 360
DO SUL
OCEANO 180 Idade em milhões de anos km
PACÍFICO 0 2 375 km
Adaptado de: TASSINARI, Colombo C. G. Tectônica global. In: TEIXEIRA, Wilson et al. (Org.).
40° O
Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 84.

Agora, observe o esquema abaixo. Ele representa o movimento do manto terrestre.

Luís Moura/Arquivo da editora


O material quente
do manto ascende.
Próximo da superfície se
resfria, levando as placas
a se formar (por meio do
endurecimento da
litosfera) e divergir.
placa

Quando há placa
convergência de
placas, uma placa
resfriada é
arrastada sob a
placa vizinha.

Adaptado de:
Em seguida, ela afunda na PRESS, Frank et
al. Para entender
astenosfera e arrasta material
a Terra. 4. ed.
de volta para o manto, dando Porto Alegre:
início a um novo processo. Bookman, 2006.
corrente de convecção p. 39. Ilustração
esquemática sem
escala.

O material magmático do manto movimenta-se deslizar lateralmente entre si (placas conservativas).


lentamente, formando correntes de convecção, respon- Para entender como esses processos ocorrem, observe
sáveis pelo deslocamento das placas tectônicas. Ao se as ilustrações a seguir. Elas representam de maneira
mover, as placas podem se chocar (placas convergen- esquemática o que ocorre com as bordas das placas
tes), se afastar (placas divergentes) ou simplesmente tectônicas conforme o tipo de contato entre elas.

Estrutura geológica 115


Ilustrações: Mario Kanno/Arquivo da editora
Bordas convergentes
Placas continentais
A placa continental
penetra sob outra,
também continental,
resultando em
metamorfismo,
terremotos e
dobramentos.

Zona de metamorfismo

Placas oceânicas

A placa oceânica
sobrepõe-se a outra
(movimento de
Fossa subducção) e se
forma uma fossa.

Zona de subducção

Placas oceânica e
continental
A placa oceânica, que é
mais densa, mergulha sob
a continental, formando
uma zona de subducção no
assoalho marinho e uma
Fossa fossa marinha; na placa
continental ocorre o
levantamento de
montanhas.

Zona de subducção

Bordas
divergentes
O magma é expelido para a
Placas oceânicas superfície (no caso, o fundo
do oceano) e transformado
em rocha, constituindo
Crista novas bordas, uma de cada
lado, que formam as
dorsais oceânicas.

Zona de expansão

Bordas
conservativas
Duas placas
continentais ou
oceânicas

A placa se desloca em relação à outra, em decorrência de movimentos


tectônicos, ao longo de uma falha; nesses casos, as bordas se mantêm.
Adaptado de: SALGADO-LABOURIAU, Maria Lea. História ecológica da Terra. São Paulo: Edgard Blücher, 2005. p. 78. Ilustrações esquemáticas sem escala.

116 Capítulo 5
Atualmente, a crosta terrestre é constituída por sete as placas fossem em menor número, conforme vimos na
grandes placas tectônicas e outras menores. Há milhões página 113. Observe no mapa a seguir a distribuição geo-
de anos, no início de sua movimentação, é provável que gráfica das placas tectônicas hoje conhecidas.

Placas tect™nicas
0° OCEANO GLACIAL ÁRTICO

Banco de imagens/Arquivo da editora


Círculo Polar Ártico
Placa da Grécia
e Turquia HIMALAIA
ALPES Placa Euro-Asiática
Placa
Norte-Americana
MONTANHAS
ROCHOSAS OCEANO
Placa PACÍFICO
Placa do Irã Placa
Trópico de Câncer da das
Placa do Arábia Filipinas
Placa Caribe Placa
Placa do Pacífico
do Pacífico de Cocos Placa Africana
Equador

Meridiano de Greenwich

OCEANO Placa OCEANO


Sul-Americana ÍNDICO
PACÍFICO
Trópico de Capricórnio Placa Placa Indo-Australiana
de Nazca

OCEANO
ATLÂNTICO

ANDES
Placa Antártica

Círculo Polar Antártico


Regiões de atividade sísmica intensa
Regiões sujeitas a tremores de terra
e
Vulcões em atividade
Adaptado de: CHARLIER, Jacques (Dir.). Atlas du 21
siècle édition 2012. Groningen: Wolters-Noordhoff; Principais locais de terremotos após 1900
Paris: Éditions Nathan, 2011. p. 178. Sentido do movimento das placas 0 2 480 4 960
Limites das placas tectônicas km

Observe que as regiões de atividade sísmica intensa estão sobre limites de placas. O mesmo ocorre com a quase totalidade dos
vulcões ativos, como o que você viu na abertura deste capítulo. Isso acontece porque, nas zonas de encontro dessas placas, a
crosta é mais frágil, permitindo o escape de magma, que dá origem aos vulcões. Além disso, em razão do movimento das placas,
a crosta fica sujeita a abalos sísmicos.
Jeff Schmaltz, LANCE/EOSDIS MODIS/GSFC/NASA

Como vimos nas ilustrações da página ao lado, na


faixa de contato entre placas convergentes, por exemplo,
as placas Sul-Americana e de Nazca, a placa oceânica,
mais densa, mergulha sob a continental. Esse fenômeno,
conhecido como subducção, dá origem às fossas mari-
nhas, como a de Atacama, no oceano Pacífico.
Ao mergulhar em direção ao manto, a placa oceâni-
ca é destruída, porque se funde novamente. Já a placa
continental, em razão da pressão da placa que mergu-
lhou, soergue-se, dobra-se ou enruga-se. É justamente
nessas porções menos rígidas da crosta que ocorrem,
desde pelo menos a Era Mesozoica, os movimentos oro-
genéticos. Foi assim que se originaram as grandes ca-
deias montanhosas do planeta, formadas pelo enruga-
mento ou pelo soerguimento de extensas porções da
crosta. No caso das placas Sul-Americana e de Nazca, por
exemplo, o encontro entre elas deu origem à cordilheira
dos Andes. Quando localizadas no oceano, as placas tec-
Os topos das cadeias oceânicas podem formar arcos de ilhas
tônicas podem formar cadeias montanhosas submersas vulcânicas, como ocorre com o arquipélago do Havaí (Estados
ao se encontrarem. Unidos). Foto de 2014.

Estrutura geológica 117


Nos limites convergentes há ainda outro tipo de dorsal. É o caso das placas Norte-Americana e Africa-
evento geológico envolvendo duas placas cujos limites na, cujo contato se dá no meio do oceano Atlântico,
são continentais. Nesse caso, ao se encontrarem, a mais formando a Dorsal Atlântica, mostrada no mapa da
densa penetra sob a menos densa, porém as placas não página 115.
vão em direção ao manto, elas se dobram e dão origem Quando as placas deslizam lateralmente entre si,
a cadeias montanhosas. É o caso do Himalaia, entre as como fazem a placa Norte-Americana e a do Pacífico,
placas Euro-Asiática e Indo-Australiana, região de fortes não ocorre destruição nem formação de crosta. Trata-
abalos sísmicos e metamorfismo. -se de placas conservativas, que, como o próprio nome
Na zona de encontro entre duas placas divergentes, sugere, não produzem grandes alterações de relevo,
o magma aflora lentamente, formando ao longo de embora provoquem falhas e terremotos, como mos-
milhares de anos uma cadeia montanhosa chamada tram as fotos.

Kevin Schafer/Minden Pictures/Biosphoto/Agência France-Presse

O deslizamento das placas


Norte-Americana e do
Pacífico provoca terremotos
e grandes prejuízos nas
cidades atingidas, como
Oakland (Califórnia),
mostrada nesta foto
de 1989.

Falha de San Andreas, na Califórnia (Estados Unidos), em


2014. As setas indicam descolamento conservativo das placas.
Esta falha é a zona de contato entre a placa Norte-Americana e
a do Pacífico.

Lloyd Cluff/Corbis/Latinstock

118
O vulcanismo e os abalos sísmicos, que também são Os vulcões e terremotos têm um grande poder
responsáveis por alterações do relevo, estão associados destrutivo (veja no infográfico das páginas 120 e 121
à tectônica de placas. A ascensão do magma à superfície como se formam os tsunamis). No entanto, o avanço
dá origem aos vulcões, montanhas com formato de cone das técnicas de detecção, o treinamento da população
e alturas variadas. O vulcão Etna, no sul da Itália, por exem- que vive em áreas de risco e sua rápida retirada pelo
plo, tem 3 280 m de altura, dos quais 3 070 m são consti- governo em caso de erupções vulcânicas e tsunamis,
tuídos de material oriundo de suas próprias erupções. bem como o desenvolvimento de novas tecnologias de
O Mauna Loa, no Havaí, atinge aproximadamente 9 000 m construção criadas para amenizar o impacto de abalos
de altura total, e sua base está a cerca de 5 000 m abaixo sísmicos, evitaram a morte de milhares de pessoas nas
do nível do mar, no oceano Pacífico. últimas décadas, em diversos países.
Marc
o Res
tivo
Consulte o site do Global /De
mo
tix
/ Co
Volcanism Program e do rb
is
Incorporated Research Institutions /L

at
of Seismology (Iris). Veja

in
tos
ck
orientações na seção Sugestões de
leitura, filmes e sites.

Erupção e emissão de cinzas na cratera


sudeste do Etna em Catania (Itália), em 2015.

Vulcão Etna em Catania


(Itália), em 2015. Giova
nni Is
olino/A
gênci
a Fran
ce-Pre
sse

119
INFOGRÁFICO
Tsunamis
Adaptado de: Superinteressante. Disponível em:
<http://super.abril.com.br/ondas-atingem-mais-de-30-me-
A ocorrência de terremotos ou