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República de Angola

Ministério da Educação
Instituto Médio comercial de Luanda

O EMPREENDEDORISMO

Luanda, 2018.
O EMPREENDEDORISMO EM LUANDA

Prova de Aptidão
profissional Apresentado á
comissão de Avaliação do
instituto Médio Comercial de
Luanda como um dos
requisitos para a obtenção
de Nível Técnico Médio de
Contabilidade, sob a
orientação do Professor
Manuel Indo.

Luanda, 2018
FICHA TÉCNICA
DEDICATÓRIA

Dedicamos este trabalho as nossas famílias e ao nosso Deus pai todo


poderoso.
Agradecimentos

Agradecemos á Deus em primeiro lugar por ter nos dado saúde e


disposição para podermos realizar este trabalho e chegarmos até o dia hoje, a
nossa família principalmente aos nossos pais pelo suporte que nos deram para
conceder esta tarefa, ao Institulo Médio Comercial de Luanda, ao orientador,
unidade pesquisada aos nossos colegas pelo companheirismos e a dedicação.
EPÍGRAFE
INTRODUÇÃO
CAƤĺTULO I:FUNDAMENTAÇÃO TÉORICA
1.1 EMPREENDEDOR E EMPREENDEDORISMO

Empreendedorismo é o processo de iniciação de implementar novos


negócios ou mudanças em empresas já existentes. É um termo muito usado no
âmbito empresarial e muitas vezes está relacionado com a criação de empresas ou
produtos novos, normalmente envolvendo inovanções e riscos.

Pessoas como Bill Gates e Steve Jobs são consideradas empreendedoras


por terem inovado no ramo da técnologia como no desenvolvimentode sistemas
operacionais, no caso de Bill Gates.

O empreendedorismo está muito relacionado com a questão de inovação na


qual há determinado objectivo de se criar algo dentro de um sector ou produzir algo
novo. Diversas startups,por exemplo, inovam-se dentro de um sector existente uma
grande startup hoje, que teve inovações dentro de um sector existente, Uber que
deu novas possibilidades no mercado dos taxis.

O termo empreendedor (entrepeneur) é de origem francesa e


significa“assumir riscos e começar algo novo”. Já o termo empreendedorismo tem
sua criação atribuída ao escritor e economista Richard Cantillon (séc. XVII), pois foi
um dos primeiros a distinguir o empreendedor (pessoa que assume riscos) do
capitalista (fornecedor de capital).

Em 1814, o economista francês Jean-Baptiste Say usou o


termo“empreendedor”para identificar o indivíduo que transfere recursos econômicos
de um setorde baixa produtividade para um setor de produtividade mais elevada. O
autor enfatizou ainda a importância do empreendedor para o bom funcionamentodo
sistema econômico.

Schumpeter (1984), economista austríaco, defendeu o papel do


empreendedor e seu impacto sobre a economia. Ele definiu o termo como alguém
com desejo e potencial de converter uma nova ideia ou invenção em uma inovação
bem sucedida, tendo como principal tarefa a “destruição criativa”. Para o autor, o
empreendedor é capaz de modificar a economia introduzindo novos produtos ou
serviços no mercado.Um empreendedor é capaz de conceder a algo já existente
uma nova funcionalidade.

Constantemente empenha-se em descobrir oportunidades para inovar,sem


medo de assumir riscos. Aquele que empreende, alem de ser capaz de detectar
oportunidades rentáveis, também busca informações e conhecimentos,pois entende
que esse é o caminho para o êxito do seu negócio.

Para Chiavenato (2005), ser empreendedor é ser uma pessoa com


sensibilidadee “tino” fnanceiro para os negócios; é ser dinâmico e realizador de
propostas;é alguém que inicia e opera um negócio para realização de uma ideia ou
um projeto pessoal, assumindo riscos, responsabilidades e, enfm, inovando em sua
area de actuação. Os empreendedores são individuos que tem a capacidadede
criar algo novo,sucesso em seu negocio,estas pessoas são ousadas,aprendem
com os erros e encaram seu negocio como um desafio a ser superado;tem
facilidade para resolverem problemas que podem influenciarem seu
empreendimento,e mais,identificam oportunidades que possibilitam melhores
resultados;são ousadas usadas usadas,aprendem com os erros e encaram seu
negocio como um desafio a ser superado;tem facilidade para
Segundo Carvalho (1996, p.79-82),os empreendedores são indivíduos que
têm a capacidade de criaralgo novo, assumindo responsabilidades em função de
um sonho, o deobter sucesso em seu negócio, estas pessoas são
ousadas,aprendemcom os erros e encaram seu negócio como um desafo a ser
superado;têm facilidade para resolverem problemas que podem influenciarem
seuempreendimento, e mais, identifcam oportunidades que possibilitam melhores
resultados; são pessoas incansáveis na procura deinformações interessadas em
melhorias para o seu setor ou ramo deatividade, elevando ao máximo sua gestão.

De acordo com Bernardi (2010), a ideia de um empreendimento surge da


observação, da percepção e da análise de atividades, tendências
edesenvolvimentos,na cultura, na sociedade, nos hábitos sociais e de consumo.
Assim tambémas oportunidades detectadas, racional ou intuitivamente, nas
necessidades enas demandas prováveis (atuais e futuras), bem como nas
necessidades não atendidas, para o autor, defnem o conceito de empreendimento.
A EVOLUÇÃO DAS PERSPECTIVAS TEÓRICAS E O ENSINO DE
EMPREENDEDORISMO

A perspectiva teórica utilizada para análise do fenômeno empreendedor


constitui o fundamento das metodologias utilizadas para seu ensino, em virtude dos
pressupostos ontológicos e epistemológicos subjacentes (Alvarez & Barney, 2013;
Shane, 2012). O foco inicial de pesquisa em empreendedorismo buscou identificar
características distintivas da personalidade do empreendedor e teve como
referência os estudos de McClelland (1961). Esta abordagem consiste em observar,
descrever e mensurar as características do empreendedor (Tasic & Andreassi,
2008) e utiliza aulas expositivas e empreendedores de sucesso convidados como
principais metodologias de ensino. Suas limitações referem-se à ausência de
variáveis ambientais em seus modelos, à necessidade de se reconhecer a
complexidade do fenômeno quanto à definição de empreendedores e não
empreendedores, e ao conceito de sucesso associado a critérios exclusivamente
econômicos (Neck & Greene, 2011; Sarasvathy & Venkataraman, 2011; Vesper &
Gartner, 1997). A perspectiva processual, atualmente predominante, aborda o
fenômeno como um processo linear e tem como objetivo analisar, prever e planejar
as etapas do processo de criação de novos negócios. O nível de análise é da firma
e as metodologias de ensino mais utilizadas são o estudo de caso e o
desenvolvimento de planos de negócio (Christensen & Carlile, 2009; Eckhardt &
Shane, 2013; Gartner, 1988). Sua principal limitação é o pressuposto da linearidade
e previsibilidade, ou seja, de que seguidas corretamente as etapas do processo de
planejamento, a probabilidade de sucesso do negócio tende a aumentar (Lange,
Mollov, Pearlmutter, Singh, & Bygrave, 2004). Além disso, a perspectiva processual
não permite aferir como a interação entre empreendedores e a oportunidade ocorre
(Dimov, 2011), motivo pelo qual a perspectiva cognitiva surge com o objetivo de
identificar estruturas de conhecimento ou modelos mentais utilizados para avaliação
de oportunidades e criação e desenvolvimento de negócios (Mitchell et al., 2002).
Sob a perspectiva cognitiva, algumas metodologias de ensino utilizadas são os
estudos de caso, as simulações, a pesquisa sistemática (Fiet & Patel, 2006) e a
identificação de oportunidades (DeTienne & Chandler, 2004). Todavia, a
abordagem cognitiva não resolve a discussão ontológica a respeito da natureza
objetiva (Kirzner, 1979; Shane, 2012) ou subjetiva (Alvarez & Barney, 2007, 2013)
do construto oportunidade, o que limita o desenvolvimento do empreendedorismo
como área de conhecimento (Dimov, 2011; Sarasvathy, 2004; Venkataraman,
Sarasvathy, Dew, & Forster, 2012).

Surge então a necessidade de nova abordagem do fenômeno


empreendedor, e neste contexto emerge a perspectiva do empreendedorismo como
método. Sob a perspectiva do empreendedorismo como método, as oportunidades
são definidas como o resultado das ações e interações dos indivíduos com o
ambiente externo (Sarasvathy & Venkataraman, 2011). O objeto de análise é a
relação do empreendedor com as coisas e/ou pessoas necessárias para que essas
oportunidades existam, e a unidade de análise passa a incluir variáveis
relacionadas às ações dos empreendedores e sua interação com os stakeholders
por meio das quais é possível explorar essas oportunidades. O foco da análise é na
interação entre elementos do ambiente interno do empreendedor (cognição do
empreendedor) e elementos do ambiente externo (mercado, instituições,
stakeholders) (Venkataraman et al., 2012).

O conceito de artefatos é central a esta perspectiva e implica na


possibilidade de os indivíduos utilizarem seu conhecimento para agir sobre
oportunidades. Em um ambiente em que não se pode prever ou controlar o futuro, a
atenção volta-se para os mecanismos, estratégias, técnicas e princípios que
empreendedores utilizam para agir de maneira empreendedora, tecendo a rede de
relacionamentos e identificando recursos que permitirão criar e explorar
oportunidades (Neck & Greene, 2011; Sarasvathy & Venkataraman, 2011). De
maneira análoga, o ensino de empreendedorismo foca nos mecanismos de criação
de artefatos empreendedores, ou seja, estratégias, técnicas e mecanismos
utilizados por empreendedores para criação de novos negócios e novos mercados.
Enquanto Venkataraman, Sarasvathy, Dew e Forster (2012) apresentam uma
ampla lista de mecanismos de criação de artefatos, Neck e Greene (2011) sugerem
quatro metodologias de ensino no contexto do empreendedorismo como método.
Dentre os mecanismos enunciados, destaca-se o desenvolvimento da teoria de
effectuation (Sarasvathy, 2001a), lógica relevante no contexto de desenvolvimento
do empreendedorismo como área de conhecimento. (Sarasvathy & Venkataraman,
2011)
Não se pode perder de vista que o objetivo principal do ensino de
empreendedorismo é, em última instância, contribuir para a geração de emprego e
renda. Assim, compreender a evolução das técnicas de ensino e conhecer seus
fundamentos teóricos permite ao docente uma análise crítica sobre a metodologia
utilizada, suas fragilidades e suas contribuições para os objetivos de aprendizado
(McMullan & Long, 1987; Rideout & Gray, 2013). Mas a pluralidade de abordagens
e a dificuldade de avaliação dessas metodologias são fatores limitantes à
legitimidade do exercício da docência na área. Ao mesmo tempo, o oferecimento de
disciplinas de empreendedorismo continua crescendo e políticas públicas são
constantemente direcionadas para estimular o empreendedorismo e o
desenvolvimento de conteúdo empreendedor (Duval-Couetil, 2013; Katz, 2003).

1.2 VANTAGENS E DESVANTAGENS AO SE TORNAR EMPREENDEDOR

A maioria dos empreendedores abre o seu negócio sem o devido


planejamento,e, infelizmente acabam fechando as suas portas nos três primeiros
anos de existência. Chiavenato (2008, p. 15) descreve os principais fatores e
causas mais comuns para o fracasso do empreendedorismo, sendo estes:
-A incompetência do empreendedor;
-Falta de experiência gerencial;
-Lucros insuficientes;
- Juros elevados;
-Perda de mercado;
- Mercado consumidor restrito
-Pouca competitividade;
-Recessão economica;
-Vendas insuficientes
-Dificuldades de administração de estoque
-Localização inadequada;
-Dívidas e cargas tributarias demasiadas;
-Capital e ativos insuficientes.

É necessário avaliar algumas barreiras de um novo empreendimento. Por


conta disso, Chiavenato (2008, p. 21) lista alguns elementos demonstrando os
pontos fundamentais de desvantagens no empreendedorismo. E numerando esses
pontos, temos:

- Esqueça o tempo de oito horas de jornada, os fins de semana e os feriados,


pelo menos no transcorrer de alguns meses ou, até mesmo, anos.

- Existe a probabilidade de o empreendedor deteriorar seu investimento de


capital financeiro e quem sabe o dinheiro de outras pessoas que também
contribuíram com a entrada de numerário para o desenvolvimento do negócio.

- Possivelmente, o empreendedor não poderá contar com um ganho regular


ou nem mesmo com algum ganho durante o momento inicial do empreendimento,
até porque se trata
do início do negócio.

- O empreendedor assumirá um enorme papel de responsabilidades. Terá de


tomar decisões, muitas vezes sem o conhecimento de seus cooperados
(colaboradores), em todas as
dificuldades e decisões importantes do negócio.

- O empreendedor terá de realizar o que gosta, isso é extremamente


importante para sua realização pessoal, e mais o que não adora para tocar seu
próprio empreendimento.

- Todo o tempo e todas as forças terão de ser aproveitadas e


concentradas.Devendo se concentrar nessa missão. Isso diminuirá a atenção
disponível para a família e para os amigos.

Para Chiavenato (2008, p. 15), observa-se que nos novos negócios a


mortalidade prematura é tão alta que por muitas vezes driblar tais fatores negativos
se tornam cansativos para quem luta contra eles. Conforme o autor, os riscos na
abertura do seu negócio são grandes e perigos não faltam. Assim, quem decide
abrir a sua empresa, deverá ter muita cautela e jogo de cintura para enfrentar os
possíveis obstáculos encontrados no caminho.Outra realidade do empreendedor é
que ele promove a visão com paixão entusiástica. Há, entretanto, um único senão:
essa promoção da visão com tanta paixão, dura apenas pouco tempo,
considerando que o forte do empreendedor não é o planejamento estratégico. O
empreendedor é adaptativo por natureza. O seu planejamento é moldado às
contingências do ambiente, as ações, em grandeparte das vezes, são ações do tipo
apaga-incêndio. DANTAS (2008, p. 10).

Conforme Marcondes e Bernardes (2004) antes de criar uma empresa, se


faz necessário que o empresário tenha alguém que o oriente sobre o
empreendimento e o alerte sobre os perigos das decisões erradas e
comportamentos inadequados. Dessa forma, observa-se que o monitoramento do
negócio com a ajuda de alguém que entenda sobre o mundo dos
empreendimentos, é uma escolha fundamental para o sucesso do empreendimento.
Em relação a esse aspecto, cabe destacar que o SEBRAE possui meios de
assessoramento para os micros e pequenos empresários.Existem muitas razões
pelas quais muitas pessoas constituem os seus próprios negócios e assumem os
riscos, se seguir cuidadosamente as instruções possivelmente conseguirá sua
independência laboral e financeira. São alguns ingredientes para o empreendedor
começar a pensar em seu próprio negócio: cautela, bom senso e não ter pressa.
(CHIAVENATO, 2008, p. 24) Ao montar seu próprio negócio o empreendedor
assume a responsabilidade e os riscos pelo seu desenvolvimento e sobrevivência,
e em compensação usufrui de algumas vantagens. Para Chiavenato (2008, p. 17) a
lista a seguir apresenta algumas razões pelas quais as pessoas se engajam em
negócios:

- forte desejo de ser seu próprio patrão, de ter independência e não receber
ordens de outros, fundamentando-se apenas em seu talento pessoal. A isso
se dá
o nome de espírito empreendedor;

- oportunidade de trabalhar naquilo que gosta, em vez de trabalhar como


subalterno apenas para ter segurança de um salário mensal e férias a cada
ano;
- sentimento que pode desenvolver sua própria iniciativa sem o guarda-chuva
do
patrão;

- desejo pessoal de reconhecimento e de prestígio;

- poderoso impulso para acumular riqueza e oportunidade de ganhar mais


que
quando era simples empregado;

- descoberta de uma oportunidade que outros ignoram ou subestimaram;

- desafio de aplicar recursos próprios e habilidades pessoais em um


ambiente
desconhecido.

Para Bernardi (2003, p. 66) “entre muitas motivações e razões objetivas para
empreender encontram-se predominantemente as seguintes”:
- necessidade de realização;
- implementação de idéias;
- independência;
- fuga da rotina profissional;
- maiores responsabilidades e riscos;
- prova de capacidade;
- auto-realização;
- maior ganho;
- status;

TIPOS DE EMPREENDEDORES

Tipo 1 — O Empreendedor Nato (Mitológico) Geralmente são os mais


conhecidos e aclamados. Suas histórias são brilhantes e, muitas vezes, começaram
do nada e criam grandes impé- rios. Começam a trabalhar muito jovens e adquirem
habilidade de negociação e de vendas. Em países ocidentais, esses
empreendedores na- tos são, em sua maioria, imigrantes ou seus pais e avós o
foram. São visionários, otimistas, estão à frente do seu tempo e comprometem-se
100% para realizar seus sonhos. Suas referências e exemplos a seguir são os
valores familiares e religiosos, e eles mesmos acabam por se tor- nar uma grande
referência. Se você perguntar a um empreendedor nato quem ele admira será
comum lembrar da figura paterna/materna ou algum familiar mais próximo ou, em
alguns casos, não haver algum exem- plo específico para citar. Exemplos: Bill
Gates, Andrew Carnegie, Sílvio Santos, Irineu Evangelista de Souza (Barão de
Mauá) etc.

Tipo 2 — O Empreendedor que Aprende (Inesperado) Este tipo de


empreendedor tem sido muito comum. É normalmen- te uma pessoa que, quando
menos esperava, se deparou com uma opor- tunidade de negócio e tomou a
decisão de mudar o que fazia na vida para se dedicar ao negócio próprio. É o caso
clássico de quando a opor- tunidade bate à porta. É uma pessoa que nunca pensou
em ser empreen- dedor, que antes de se tornar um via a alternativa de carreira em
gran- des empresas como a única possível. O momento de disparo ou de to- mada
de decisão ocorre quando alguém o convida para fazer parte de uma sociedade ou
ainda quando ele próprio percebe que pode criar um negócio próprio. Geralmente
demora um pouco para tomar a deci- são de mudar de carreira, a não ser que
esteja em situação de perder o emprego ou já tenha sido demitido. Antes de se
tornar empreendedor, acreditava que não gostava de assumir riscos. Tem de
aprender a lidar com as novas situações e se envolver em todas as atividades de
um negó- cio próprio. Quem está pensando em uma alternativa à aposentadoria
muitas vezes se encaixa nesse tipo.

Tipo 3 — O Empreendedor Serial (Cria Novos Negócios) O empreendedor


serial é aquele apaixonado não apenas pelas em- presas que cria, mas
principalmente pelo ato de empreender. É uma pessoa que não se contenta em
criar um negócio e ficar à frente dele até que se torne uma grande corporação.
Como geralmente é uma pessoa dinâmica, prefere os desafios e a adrenalina
envolvidos na criação de algo novo a assumir uma postura de executivo que lidera
grandes equi- pes. Normalmente está atento a tudo o que ocorre ao seu redor e
adora conversar com as pessoas, participar de eventos, associações, fazer
networking. Para esse tipo de empreendedor, a expressão “tempo é di- nheiro” cai
como uma luva. Geralmente tem uma habilidade incrível de montar equipes,
motivar o time, captar recursos para o início do negócio e colocar a empresa em
funcionamento. Sua habilidade maior é acreditar nas oportunidades e não
descansar enquanto não as vir implementadas. Ao concluir um desafio, precisa de
outros para se man- ter motivado. Às vezes se envolve em vários negócios ao
mesmo tempo e não é incomum ter várias histórias de fracasso. Mas estas servem
de estí- mulo para a superação do próximo desafio.

Tipo 4 — O Empreendedor Corporativo O empreendedor corporativo tem


ficado mais em evidência nos úl- timos anos, devido à necessidade das grandes
organizações de se reno- var, inovar e criar novos negócios. São geralmente
executivos muito competentes, com capacidade gerencial e conhecimento de
ferramen- tas administrativas. Trabalham de olho nos resultados para crescer no
mundo corporativo. Assumem riscos e têm o desafio de lidar com a falta de
autonomia, já que nunca terão o caminho 100% livre para agir. Isso faz com que
desenvolvam estratégias avançadas de negociação. São há- beis comunicadores e
vendedores de suas idéias. Desenvolvem seu networking dentro e fora da
organização. Convencem as pessoas a faze- rem parte de seu time, mas sabem
reconhecer o empenho da equipe. Sabem se autopromover e são ambiciosos. Não
se contentam em ga- nhar o que ganham e adoram planos com metas ousadas e
recompen- sas variáveis. Se saírem da corporação para criar o próprio negócio po-
dem ter problemas no início, já que estão acostumados com as regalias e o acesso
a recursos do mundo corporativo.

Tipo 5 — O Empreendedor Social O empreendedor social tem como missão


de vida construir um mundo melhor para as pessoas. Envolve-se em causas
humanitárias com comprometimento singular. Tem um desejo imenso de mudar o
mundo criando oportunidades para aqueles que não têm acesso a elas. Suas
características são similares às dos demais empreendedores, mas a dife- rença é
que se realizam vendo seus projetos trazerem resultados para os outros e não para
si próprios. Os empreendedores sociais são um fenô- meno mundial e,
principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil, têm um papel social
extremamente importante, já que através de suas ações e das organizações que
criam preenchem lacunas deixa- das pelo poder público. De todos os tipos de
empreendedores é o único que não busca desenvolver um patrimônio financeiro, ou
seja, não tem como um de seus objetivos ganhar dinheiro. Prefere compartilhar
seus recursos e contribuir para o desenvolvimento das pessoas.

Tipo 6 — O Empreendedor por Necessidade O empreendedor por


necessidade cria o próprio negócio porque não tem alternativa. Geralmente não tem
acesso ao mercado de trabalho ou foi demitido. Não resta outra opção a não ser
trabalhar por conta própria. Geralmente se envolve em negócios informais,
desenvolvendo tarefas simples, prestando serviços e conseguindo como resultado
pouco retorno financeiro. É um grande problema social para os países em
desenvolvimento, pois apesar de ter iniciativa, trabalhar arduamente e buscar de
todas as formas a sua subsistência e a dos seus familiares, não contribui para o
desenvolvimento econômico. Na verdade, os empreendedores por necessidade são
vítimas do modelo capitalista atual, pois não têm acesso a recursos, à educação e
às mínimas condições para empreender de maneira estruturada. Suas iniciativas
empreendedoras são simples, pouco inovadoras, geralmente não contribuem com
impostos e outras taxas, e acabam por inflar as estatísticas empreendedoras de
países em desenvolvimento, como o Brasil. Sua existência em grande quantidade é
um problema social que, no caso brasileiro, ainda está longe de ser resolvido.

Tipo 7 — O Empreendedor Herdeiro (Sucessão Familiar) O empreendedor


herdeiro recebe logo cedo a missão de levar à frente o legado de sua família.
Empresas familiares fazem parte da estrutura empresarial de todos os países, e
muitos impérios foram construídos nos últimos anos por famílias empreendedoras,
que mos- traram habilidade de passar o bastão a cada nova geração. Mais
recentemente, porém, tem ocorrido a chamada profissionalização da gestão de
empresas familiares, através da contratação de executivos de mercado para a
administração da empresa e da criação de uma estrutura de governança
corporativa, com os herdeiros opinando no conselho de administração e não
necessariamente assumindo cargos executivos na empresa. O desafio do
empreendedor herdeiro é multiplicar o patrimônio recebido. Isso tem sido cada vez
mais difícil. O empreendedor herdeiro aprende a arte de empreender com exemplos
da família, e geralmente segue seus passos. Muitos começam bem cedo a
entender como o negócio funciona e a assumir responsabilidades na organização, e
acabam por assumir cargos de direção ainda jovens. Alguns têm senso de
independência e desejo de inovar, de mudar as regras do jogo. Outros são
conservadores e preferem não mexer no que tem dado certo. Esses extremos, na
verdade, mostram que existem variações no perfil do empreendedor herdeiro. Mais
recentemente, os próprios herdeiros e suas famílias, preocupados com o futuro de
seus negócios, têm optado por buscar mais apoio externo, através de cursos de
especialização, MBA, programas especiais voltados para empresas familiares, com
o objetivo de não tomar decisões apenas com base na experiência e na história de
sucesso das gerações anteriores.

Tipo 8 — O “Normal” (Planejado) Toda teoria sobre o empreendedor de


sucesso sempre apresenta o planejamento como uma das mais importantes
atividades desenvolvidas pelos empreendedores. E isso tem sido comprovado nos
últimos anos, já que o planejamento aumenta a probabilidade de um negócio ser
bem sucedido e, em conseqüência, leva mais empreendedores a usarem essa
técnica para garantir melhores resultados. O empreendedor que “faz a lição de
casa”, que busca minimizar riscos, que se preocupa com os pró- ximos passos do
negócio, que tem uma visão de futuro clara e que traba- lha em função de metas é
o empreendedor aqui definido como o “normal” ou planejado. “Normal” do ponto de
vista do que se espera de um empreendedor, mas não necessariamente do que se
encontra nas esta- tísticas gerais sobre a criação de negócios (a maioria dos
empreendedores ainda não se encaixa na categoria “normal”). Então, o empreende-
dor normal seria o mais completo do ponto de vista da definição de empreendedor e
o que a teria como referência a ser seguida, mas que na prática ainda não
representa uma quantidade considerável de em- preendedores. No entanto, ao se
analisar apenas empreendedores bem- sucedidos, o planejamento aparece como
uma atividade bem comum nesse universo específico, apesar de muitos dos bem-
sucedidos tam- bém não se encaixarem nessa categoria.

No próximo capítulo serão apresentados os resultados do estudo com os


empreendedores de sucesso. Todos os tipos de empreendedores aqui definidos,
com exceção do tipo 6 (empreendedor por necessida- de), foram contemplados na
amostra e, por isso, o estudo pode ser con- siderado bastante completo.
1.4 SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE EMPREENDEDORES
E EMPRESÁRIOS

Muitas vezes o termo empreendedor e o termo empresário são usados como


sinônimos no dia-a-dia, porém existem diferenças conceituais e prática entre eles.
Nem todo empreendedor é empresário, enquanto nem todo empresário é
empreendedor, no entanto, o ideal é ser empresário empreendedor, o que
certamente facilita a sobrevivência no mundo dos negócios. O empreendedor
costuma ter boas ideias, não somente quando cria uma empresa, mas durante toda
a existência dela, tendo a iniciativa de renová-la sempre. Já o empresário é
sinônimo de cautela. Ele consegue a empresa porque a montou, comprou ou
herdou, mas sua atuação limita-se a administrála da maneira em que ela está
montada. Possui um estilo conservador. O empreendedor tem a capacidade de
enxergar objetivos com clareza e traçar planos para atingi-los em prazo pré-
estabelecido, tendo a capacidade de identificar oportunidades nos locais mais
improváveis. Ele sabe montar um projeto e ainda colocá-lo em prática, mesmo que,
para isso, ele corra riscos, o que exige tolerância às frustrações e motivação diante
dos desafios. Segundo Dornelas (2005), os empreendedores são pessoas
diferenciadas, que possuem motivação singular, apaixonadas pelo que fazem, não
se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas,
referenciadas e imitadas, querem deixar um legado. Um empresário com
personalidade empreendedora é de fundamental importância para a empresa,
porque para momentos em que seja necessário dar equilíbrio à mesma ou depois
de uma mudança na organização, certamente suas características como
empresário não criaria nenhum tipo de instabilidade, além de poder contar com a
criatividade e inovação pertinentes aos empreendedores em momentos de
dificuldades.

CARACTERÍSTICAS DOS EMPREENDEDORES

O empreendedorismo está cada vez mais se tornando essencial nas atitudes


diárias dentro de uma empresa. Em um período em que a duração dos empregos
formais está menor e, os mais diversos setores industriais comerciais são
caracterizados por expressiva volatilidade, o empreendedorismo ao ser aplicado
diariamente, passa a ser um importante diferencial para fortalecer a capacidade de
superar desafios. Para Leite (2002), ser empreendedor significa ter capacidade de
iniciativa, imaginação fértil para conceber as ideias, flexibilidade para adaptálas,
criatividade para transformá-las em uma oportunidade de negócio, motivação para
pensar conceitualmente e a capacidade para ver, perceber a mudança como uma
oportunidade. Algumas características são decisivas para identificar um indivíduo
empreendedor. De acordo com SEBRAE (2007), observando o modo como agem,
as características dos empreendedores são as seguintes:
a) Iniciativa: agir espontaneamente antes de ser forçado pelas
circunstâncias;
b) Busca de oportunidades: reconhecer e saber aproveitar oportunidades
novas e pouco comuns, precisa estar atento e capaz de perceber, no momento
certo, as oportunidades de negócio que o mercado oferece;
c) Persistência: não desistir diante das dificuldades encontradas, nunca
deixar de ter esperança e lutar para ver seus projetos realizados;
d) Busca de informação: valorizar a informação e buscá-la pessoalmente
para elaborar um plano ou tomar decisões, buscar conhecimentos em livros, cursos
ou até mesmo com pessoas que tenham experiência no setor;
e) Preocupação com a alta qualidade do trabalho: interesse em manter um
alto nível de qualidade nos produtos ou serviços prestados;
f) Eficiência: preocupação em reduzir o custo, os recursos necessários e o
tempo para realizar as tarefas;
g) Autoconfiança: Acreditar na própria habilidade e capacidade;
h) Persuasão: habilidade de convencimento diante dos demais;
i) Uso de estratégias de influência: tendência a pensar e definir formas para
influenciar os demais;
j) Reconhecimento das próprias limitações: admitir suas limitações
aprendendo com os próprios erros;
k) Comprometimento com os contratos de trabalho: comprometimento
pessoal para cumprir contratos firmados;
l) Assertividade: apresentar os problemas aos outros de forma direta e tomar
decisões fortes no papel de oposição;
m) Monitoramento: acompanhamento do trabalho dos outros para assegurar
que o trabalho satisfaz as expectativas relativas a procedimento, planejamento e
qualidade;
n) Perícia: experiência ou capacitação prévia em áreas relacionadas ao
próprio negócio, pois quanto mais dominar o ramo em que atua, maiores serão as
chances de êxito;
o) Planejamento Sistemático: uso de análise lógica para desenvolver planos
específicos para a tomada de decisões;
p) Resolução de problemas: habilidade para mudar de estratégia quando se
torna necessário identificar novas soluções para os problemas.

¨o empreendedor é uma pessoa capaz de demonstrar um


comportamento inovador, criando uma satisfação para seu cliente. É
considerada uma pessoa que identifica as oportunidades de negócios,
nichos de mercados, estabelece metas, corre riscos calculados, busca novas
informações, realiza um planejamento e monitoramento sistemático, é
persistente, comprometido, persuasivo, exige qualidade, possui
independência e autoconfiança. O empreendedor deve ser capaz de tomar
decisões corretas no momento exato, estar bem informado, analisar
friamente a situação e avaliar as alternativas para poder escolher a solução
mais adequada. Precisa ter iniciativa de agir objetivamente e confiança em si
mesmo.¨ (Drucker, 1986)

o empreendedor, em essência, é a pessoa que tem a capacidade de


idealizar e realizar coisas novas. Pense em qualquer pessoa empreendedora
que conheça e você identificará nela a capacidade de imaginar e fazer as
coisas acontecerem. Outras pessoas, ao contrário, podem ser apenas
criativas ou apenas implementadoras, sem a habilidade de combinar esses
dois traços básicos de comportamento. Além de ser líder, incentivando as
pessoas a alcançarem as metas definidas, precisa definir e produzir
condições de relacionamento equilibradas entre a equipe de trabalho. È
necessário que tenha talento e um certo inconformismo diante das atividades
rotineiras para transformar simples ideias em negócios efetivos.
(MAXIMILIANO,2006)

REDES SOCIAIS E EMPREENDEDORISMO (NETWORKING)


Nas últimas décadas tem-se assistido a um progresso na literatura sobre as
origens do empreendedorismo: de uma abordagem centrada nos traços de
personalidade, factores psicológicos e variáveis demográficas, tem-se passado
para uma abordagem que encara o empreendedorismo como processo
socioeconómico (Granovetter, 1985 cit in Fontes, Sousa, & Videira, 2009) integrado
em estruturas de rede (ibidem), abandonando-se a tradicional visão do
empreendedor como um indivíduo isolado. Nesta perspectiva, o capital social e as
redes sociais avocam um papel de destaque no empreendedorismo, considerando-
se que a formação e o desenvolvimento da empresa são facilitados (ou
condicionados) pelas redes sociais dos seus fundadores (redes pessoais) e pelo
contexto social em que a empresa está inserida (redes inter-organizacionais). Estas
redes permitem contornar algumas das restrições que o empreendedor enfrenta no
processo de criação, facilitando a obtenção de recursos na sua envolvente. Na
análise da importância das redes sociais no processo de empreendedorismo, tem
sido dada particular atenção às novas empresas de base tecnológica, onde
geralmente o conhecimento científico e tecnológico se encontra na génese da
oportunidade e na base da vantagem competitiva. Como a aquisição e a exploração
de conhecimento são processos sociais (Kogut e Zander, 1992 cit in Fontes, Sousa,
& Videira, 2009), argumenta-se que, através da interacção social, é possível
aumentar a profundidade, amplitude e eficiência das trocas de conhecimento (Lane
e Lubatkin, 1998 cit in Fontes, Sousa, & Videira, 2009). Por outro lado, quando a
empresa não tem reputação estabelecida ou quando o valor das suas tecnologias
não está provado, a rede social pode fornecer credibilidade (Powell et al., 1996 cit
in Fontes, Sousa, & Videira, 2009). Assim, as redes sociais através da promoção do
capital social apresentam-se como uma mais-valia na hora do empreendedor iniciar
o seu investimento, não só porque se apresentam como fontes de informação
privilegiadas mas também como fontes de suporte para esse duro início. Sendo
uma das fontes de capital social, as redes sociais vêm promover aquilo que
Bourdier define ao longo de toda a sua análise deste conceito, este acentua a
conversibilidade das diversas formas de capital (capital económico, capital cultural e
capital social) e a redução, em última instância, de todas essas formas a dinheiro,
definido como trabalho humano acumulado. Assim, os actores podem alcançar,
através do capital social, acesso directo a recursos económicos (empréstimos
subsidiados, informações de negócios, mercados protegidos); podem aumentar o
seu capital cultural através de contactos com especialistas ou com pessoas cultas
(i. e., capital cultural incorporado); ou, em alternativa, podem filiar-se em instituições
que conferem credenciais valorizadas (i. e., capital cultural institucionalizado)
(Portes, 2000). Assim sendo, podemos concluir que poderá ser através das redes
sociais que o empreendedor vai buscar capital económico e capital cultural que lhe
permite fazer face às dificuldades inerentes ao processo de implementação, gestão
e definição da estratégia organizacional iniciais.

Na educação básica e profissional, o ensino do empreendedorismo está se


consolidando, especialmente pela adesão a projetos baseados na pedagogia
empreendedora desenvolvida por Fernando Dolabela8, seja como disciplina ou
mesmo conhecimento extracurricular transdisciplinar com presença marcante do
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE),
Organizações Não Governamentais (ONG) ou, mesmo, de entidades ligadas à
divulgação do empreendedorismo, como a Junior Achievement (JA) e Empresa
Junior dentro das escolas.

Também é expressivo o número de pesquisas de mestrado e doutorado que


descrevem acerca da necessidade de se educar os trabalhadores para serem
empreendedores. Eis alguns exemplos: Pereira (2001) apresenta procedimentos
metodológicos para o desenvolvimento e a atualização de habilidades do sujeito
empreendedor, notadamente do jovem universitário, que precisa ser formado com
uma nova mentalidade para atender e se adequar às mudanças do mundo atual.
Miranda (2002) elaborou uma metodologia para introdução do ensino de
empreendedorismo nos cursos técnicos de nível médio. Wolf (2004) descreve
acerca da aceitação do aprendizado do empreendedorismo como facilitador do
sucesso profissional de alunos do ensino médio. Bastos et al (2006) entendem que
o projeto do empreendedorismo na escola básica como matéria extracurricular,
transdisciplinar, permite incorporar ao ensino curricular obrigatório outros
conhecimentos que provoquem nos jovens novos comportamentos e novas
posturas a partir do ideal empreendedor. Friedlaender (2004) e Santos (2002)
reforçam a necessidade de formar para o empreendedorismo, pois o empreendedor
sabe buscar as oportunidades, tem iniciativa, é persistente e comprometido com
seu projeto. Também é exigente consigo mesmo e sabe que enfrentará riscos,
estabelece e procura cumprir metas, busca informações e sabe utilizá-las, sabe
usar a arte da comunicação e persuasão e é independente e autoconfiante.

Entre os diversos autores que sustentam a ideia de educar os atuais e


futuros
trabalhadores para o empreendedorismo, indubitavelmente, Fernando
Dolabela é o que mais
se destaca em função das diversas proposições e trabalhos práticos que
apresenta e
desenvolve. (DOLABELA, 1999)

Dolabela organizou vários materiais e atividades para alunos e professores,


tais como livros, artigos, cadernos de exercícios, software, seminários, cursos,
oficinas. O autor destaca que o mundo atual passa por rápidas e profundas
¨transformações que exigem um novo posicionamento da escola. Nesse contexto, a
tarefa da educação empreendedora seria, principalmente, a de fortalecer os valores
empreendedores na sociedade, a capacidade individual e coletiva de gerar valores
para toda a comunidade, de inovar, de ser autônomo e de buscar a
sustentabilidade. A tese do autor é a de que o atual modelo educacional
fundamenta-se numa cultura que visa preparar crianças, jovens e adultos,
exclusivamente, para conseguir um emprego. Contrário a esse modelo, que
considera anacrônico, o autor insiste na necessidade de se praticar os princípios do
empreendedorismo na escola como um meio para mudar o paradigma educacional.
A meta principal da pedagogia empreendedora é inserir o empreendedorismo na
educação básica, além de procurar articulá-lo com a construção de tecnologias de
desenvolvimento social local sustentável. (DOLABELA, 2003)

Procurou-se apresentar a formação dos trabalhadores para o


empreendedorismo como ideologia, tomando-se como referência a compreensão
de Marx e Engels e outros marxistas, de modo especial, Gramsci (1977, 1979) e
Mészáros (2007). Para esses autores, as ideologias são representações da
realidade, expressam concepções de mundo que servem à legitimação do status
quo e reproduzem a sociabilidade capitalista, de modo que se torna necessário
analisá-las para construir formas de resistência e de mudança social. Na introdução
de Contribuição à crítica da economia política (1977) e em A ideologia alemã
(2001), Marx e Engels destacam que a ideologia se faz presente na superestrutura
da vida social que, por sua vez, encontra sua base na produção da existência.
Gramsci (1977, 1979) concebe que a ideologia, como a própria vida, é espaço de
realização da política e a articula a diversos outros conceitos como senso comum,
bom senso e consciência filosófica. Para o autor, o senso comum, difuso e
incoerente, poderia ser o início de uma trajetória para se chegar ao senso crítico,
porém, a compreensão da realidade simplesmente pelo senso comum é restrita e
superficial. Analisar a ideologia imbricada no senso comum é desafio para os que
lutam contra a ordem estabelecida nas fileiras da contra-hegemonia, na produção
de uma contraideologia em prol de um projeto emancipatório.

István Mészáros (2007), por sua vez, refuta veementemente a tese dos
ideólogos do capital que difundem a falácia do fim das ideologias. Discordando
veementemente, o autor sustenta que “em nossa sociedade tudo está „impregnado
de ideologia‟, quer percebamos, quer não” (MÉSZÁROS, 2007, p. 57). Portanto,
nesse contexto histórico regido pela perversa lógica da propriedade privada e da
cultura liberal, é imprescindível conhecer como a sociedade capitalista opera
tentando naturalizar suas contradições, uma vez que apresenta “suas próprias
regras de seletividade, preconceito, discriminação e até distorção sistemática como
„normalidade‟, „objetividade‟ e „imparcialidade científica‟” (MÉSZÁROS, 2007, p.
57). Nas sociedades de classe, como é a capitalista, o discurso ideológico é
utilizado para levar as pessoas a aceitarem as relações sociais vigentes sem
questioná-las.

IMPORTÂNCIA DO EMPREENDEDOR NA ECONOMIA

De acordo com ANDRADE FILHO (2000), redução dos níveis de emprego é,


dentre os diversos problemas que hoje afligem a_ sociedade mundial, um dos mais
claramente percebidos. Seja pelo desenvolvimento tecnológico, pela globalização,
pelos processos de redução das estruturas internas e terceirização em pequenas
empresas públicas e privadas, a busca de soluções para ocupar a população
economicamente ativa é prioridade nas agendas de líderes e governos mundiais.
Diversos autores consideram o estímulo a formação de empreendedores um
ingrediente vital no desenvolvimento das nações no atual cenário mundial. E, mais
do que teorias acerca do tema, diversas formas de incentivos ao
empreendedorismo podem ser vistas atualmente. O presente capítulo procura
mostrar o papel do empreendedor na economia. A partir destas perspectivas são
discutidas as formas pelas quais são percebidos os programas de formação de
empreendedores. A reduçao dos níveis de emprego formal em todos os setores da
economia e níveis das organizações é um dos maiores problemas da sociedade
mundial. Nos niveis inferiores (pessoal operacional) os crescentes índices de
automação de processos vêm reduzindo em escalas nunca antes vistas, o número
de postos de trabalho. Também nos níveis intermediários (representados pelas
tradicionais gerências e Supervisões), também são afetados cada vez mais pelos
eficientes sistemas de informação que desenvolvem atividades antes realizadas por
grupos de pessoas. Muito mais rápidos e eficientes, agrupam, tratam e
disponibilizam as informações vitais à tomada de decisões, principalmente de
ordem rotineira, para um grupo cada vez menor de decisores (REZENDE et al.,
1996).

Importante agente econômico na geração de emprego e renda, o


empreendedor é também um produtor e prestador de serviços à comunidade.
Através de seus empreendimentos, identifica, desenvolve e fornece bens e
serviços, atendendo a necessidade e desejos de indivíduos e organizações. A
velocidade da mudança de valores, hábitos e costumes das pessoas geram
constantemente, novas oportunidades de negócios. Estas tendências de
comportamento, estudadas por Naisbitt (1994), criam nichos de mercado nem
sempre lucrativos e com escala insuficiente para atrair os recursos e esforços das
grandes organizações. Tais tendências transforman-se em excelentes
oportunidades de negócios para os novos empreendedores. São eles que
identificam as novas oportunidades, mobilizam e direcionam recursos para o
alcance de seus objetivos pessoais e atendimento destes novos mercados.
(ANDRADE FILHO, 2000, p.15)

Ao identificar e atender as necessidades do mercado, através da criação e


desenvolvimento de novos negócios, o empreendedor expande sua
importância de gerador de soluções em trabalho e renda. Além de atender as
sociedades, govemos, mercados e organizações, o empreendedor deixa de ser um
problema para estes grupos, pois busca sua liberdade pessoal, econômica a sua
felicidade. O empreendedor é, em sua própria essência, além de um energizador
social. Um provedor de soluções para si mesmo. (Longenecker, 1997)