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Miguel Fernandez J Fernandez


Roberto de Araujo
Acácio Elji lto
(.----~~~~--!~:VHO FAZ PARTE DO ACERVO
FP.C UWfoDi MAURÍCIO DE NMSAU, POR !'AVOH,
NÃO k!B(;J~H, HAC}-:URIAR OU CAUSAR
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i QUI\LQUER OUTRO TIPO DE DANO.

I PRf SERVE ESSP. OBRAI

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A994m
627 ,\J.\NUt\1_ DE 11/DH;\t fiJCA
A9941i ,vt'\TDo NITro. Jóse Martiniano de
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MANUAL
DE
HIDRÁULICA
r'

Esta 8~ edição do 1Janual de Hidráulica tem o patrocínio do Centro Estadual de Educação


Tecnológica "Paula Souza"- CEETEPS e da Faculdade de Tecnologia de São Paulo- FATEC,
SP, através da participação de seus docentes co-autores e ainda a colaboração inestimável PROF. DR. JOSÉ MARTINIANO DE AZEVEDO NETfO
dos seguintes professores do Departamento de Hidráulica: (1918- 1991)
Dil'ceu .D':Alkmin Telles "MESTRE DE 'l'ODOS NÓS"
José Tarcísio Ribeiro Engenheiro Civil, formado pela Escola Politécnica
Ariovaldo Nuvolari
da Universidade de São Paulo em 1942
lt'ladimil' Firsoff
Edmundo Pulz
Joaquim Gabriel AI. de Oliveira Neto
com críticas e sugestões, até elaboração de textos, tabelas e gráficos.
MANUAL
DE
HIDRÁULICA
COORDENAÇAO:
HOI!ERTO DE ARAUJO

Co-autores
MIGUEL FERNANDEZ Y FERNANDEZ
"Se tens de lidar com água, consulta Engenheiro Civil, formado pela Escola de Engenharia da Universidade Federal
primeiro a experiência, e depois a razão." do Rio de Janeiro em 1970. Consultor em Engenharia Hidráulica c Saneamento
Leonardo da Vinci
( 1452 - 1519) ROBERTO DE ARAUJO
Engenheiro Civil, formado pela Escola de Engenharia da Universidade ~lackenzie em
':4 Hidráulica é a ciência das 195G. Mestre em Engenharia Hidráulica pela Escola Politécnica da USP (1982}
constantes variáveis."
Desconhecido ACACIO EIJI ITO
Engenheiro Civil, formado pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo em 1967.
"1Uais fácil 1ne foi encontrar as leis com que l\lestre em Engenharia Hidráulica pela Escola Politécnica da USP ( 1983}
se 1novem os co1pos celestes, que estão a
milhões de quilômetros, do que definir as
leis do movimento da água,
que escoa frente aos 1neus olhos."
Galileu Galilei
(1564- 1642)

~
EDITORA EDGARD BLÜCHER LTDA
APRESENTAÇAO DA 8~ EDIÇAO
Em razão de conversas anteriores a respeito do :t>.Ianual de Hidráulica, então em sua 6~ edição,
em 1987 o Pro f Azevedo Netto contactou no Rio de Janeiro por telefone o Eng? I\liguel Fernandez
© 1998 José klartiniano de Azevedo Netto y Fernandez e convidou-o a conduzir uma nova edição do Manual. A razão dessa escolha nunca
foi explicada e o pro f. Azevedo limitou-se a afirmar que era sua decisão.
Miguel Fernandez y Femandez
Nos contactos posteriores, o professorexplicouque em seu desejo a continuidade das edições,
Roberto de Araujo sempre atualizadas, através de co-autores que no futuro escolheriam outros parceiros. Nessas
Acácia Eiji /to 1-euniões foram determinadas as diretrizes da atualização, importando principalmente a não
descaracterização do livro, de modo a manter a identidade com as edições anteriores.
8" ediçüo- 1998 Esse trabalho sob a orientação do professor prosseguiu até 1990, freqüentemente
4ll reimpressüo - 2005 interrompido pelas atividades profissionais de ambos, mesmo sob a pressão perseverante do
edito1; e resultou na cristalização das Unhas principais da revisão. Em junho de 1991, o prof.
É proibida a reprodução total ou parcial Azevedo Netto faleceu, interrompendo essa parceria.
por quaisquer meios Por iniciativa do editoreng?Edgard Blücher, nova parceria foi tentada como eng? Guilhermo
sem autorização escrita da editora A. Alvarez, co-autor das 6~ e~ edições, esta em 1991, novamente interrompida com o falecimento
deste em 1995.
EDITORA EDGARD BL0CHER L11)A.
Por outro lado, desde 1990 os professores do Departamento de Hidráulica da Faculdade de
R11a PedmsoAlmrellga, 1245- cj. 22 Tecnologia de São Paulo (FATEC-SP), do Centro Estadual de Educação Tecnológica "Paula Souza"
04531-0/2- São Paulo, SP- Brasil {CEETEPS), vem se empenhando na modernização de seu Curso Superior de Tecnologia da
Fax: (Oxx/1)3079-2707 Construção Civil~ Modalidade Obras Hidráulicas, ministrado desde 1970, para transformá-lo
em Curso Superior de Tecnologia em Hidráulica e Saneamento. O livro-texto adotado desde o
e-mail: e<litora@blucher.com.br início é o Manual de Hidráulica do prof? Azevedo Netto, que deverá permanecer após a
site: www.bluchcr.com.br implantação do novo curso. Para isso seria necessária uma revisão completa do texto, com a
atualização dos meios e dos procedimentos recomendados. Os equipamentos eletrônicos ora
Impresso 110 Brasil Priutcd iu Bralil
disponíveis dispensam a utilização de ábacos e reduzem o uso de tabelas e gráficos, ainda
im.portantes m.eios!
ISBN 85-212-0277-6 Foi proposto e aceito pelo CEETEPS um projeto acadêmico para tal objetivo e o grupo
constituído ficou sob a coordenação do prof. eng? Roberto de Araujo. Estabelecido o contacto
com o eng? Edgard Blücher, editor do livro, no final de 1995, este acolheu a colaboração oferecida
FICHA CATALOGRÁFICA e convocou o eng? Miguel Fernandez, então depositário dos desejos e planos do autor principal
em relação ao futuro do Manual, para discussão do assunto.
Azevedo Netto, José Martiniano de, 1918-1991. Em reunião de março de 1996, o eng? Miguel transmitiu à nova parceria as diretrizes
Manual de hidráulica/José Martiniano de Azevedo Netto; estabelecidas e entregou os rascunhos dos capítulos já trabalhados por ele; na ocasião, capítulos
coordenação Roberto de Araujo; co-autores Miguel Fcrnandez 1'? ao 7! e 9':'. Posteriormente enviou os capítulos 8':', 10?e 13'!. Os capítulos ll'?e 12'? foram mantidos
y Fernandez, Acácia Eiji Ito- 8-ª edição- São Paulo: Edgard tal como na ?. edição, por ubsoluta falta de tempo.
B1ücher, 1998. Os capítulos 14'! a 20':' bem como os anexos I, 11 e UI foram trabalhados pela equipe do
Departamento de Hidráulica da FATEC-SP, que também se incumbiu da revisão geral de todos os
Bibliografia capítulos.
ISBN 85-212-0277-6 Neste início de 1998 a tarefa foi considerada concluída e os textos entregues ao editm:
I. Engenharia hidráulica 2. Hidráulica I. Araujo, Roberto Constatou-se no entanto, que ao final dessa etapa, não foi atingido o sentimento da revisão estar
de 11. Fernandcz y Fernandez, Miguel TU. Ito, Acácia Eiji completa.
IV. Título. Alguns assuntos resultaram satisfatórios, outros nem tanto. Espera-se que em nova
oportunidade uma sutis fação completa possa ser atingida. Alguns poucos assuntos tratados em_
edições anteriores ficaram fora desta. Também se espera voltar a eles.
05-0894 Para manter este livro útil e atual solícita~se aos usuários e leitores atentos que enviem ao
CDD-627 editor suas críticas, comentários e correções.
Índices para catálogo sistemático: Falta apenas registrar que o empenho c a pertinácia do eng'? Edgard Blücher foram
I. Engenharia hidráulica 627 fundamentais para este trabalho.
2. Hidráulica: Engenharia 627
Os Co-autores
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PREFACIO (

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Raros são os livros técnicos que chegam à 8~ edição.
o "Manual de Hidráulica" do Prof. Dr. José Martiniano de Azevedo Netto atinge esse sucesso;
por durante mais de 40 anos vem sendo consultado por seguidas gerações de técnicos para a
elaboração de projetos de obras hidráulicas e sanitárias.
Hoje é um livro que consta no curriculum de várias escolas de Tecnologia e Engenharia e
representa papel importante na resolução de problemas relacionados aos Recursos Hídricos e ao
Meio Ambiente.
Assim como em edições anteriores, esta também introduz atualizações importantes,
destacando-se os instrumentos de informática, agora ao alcance dos profissionais e alunos da
área.
Com o objetivo de adaptar-se às novas tendências, os assuntos foram 1·eagrupados em número
menor de capítulos, mas sem perder a profundidade, a abrangência e a didática.
Ao mesmo tempo, foram agregados novos assuntos, como p.ex.: Instalações Prediais de Esgoto
Sanitário, Instalações Prediais de Água Pluvial; Irrigação - Princípios, 1\létodos e
Dimensionamento.
Pela primeira vez, nosso querido mestre Azevedo Netto (1918-1991) não está presente
fisicamente em uma atualização e publicação de sua obra. Apesar de ter nos deixado tão cedo,
acredito que aprova e abençoa o resultado obtido por nossos colegas na continuidade de seu
trabalho:
Prof. Roberto de Araujo; coordenador
Eng? Miguel Fernandez y Fernandez
ProL Acácio lto
Com a colaboração dos professores:
Fo~ação ~queda de uma gota de água (Cortesia do Departamento ProL Dr_ Dirceu D'A1kmin Telles
de H1dráullca e Saneamento, Escola de Engenluaia de São Carlos, USP) Prof_ José Tarcísio Ribeiro
Prof. Ariovaldo Nuvolari
Prof_ \Vladimir Firsoff
ProL Edmundo Pulz
Prof. Joaquim Gabriell\1. de Oliveira Neto
Tive o privilégio de conhecer parte dos membros dessa equipe, desde o tempo em que eram
alunos da Escola Politécnica da USP e da Faculdade de Tecnologia do CEETEPS; outros, de
trabalharmos juntos na área de consultoria técnica. Muitos deles foram companh('iros de luta no
Departamento de Hidráulica da FATEC/São Paulo, que dirigí por alguns anos.
Tenho a certeza de que o espírito deste manual continua vivo através do objetivo maior do
nosso saudoso Prof. Azevedo Netto, que é estar sempre compromissado com a "Escola do Fazer".
No futuro, outras edições serão necessárias para adaptá-lo às inovações tecnológicas e
normalização da ABNT. Gostaria que fossem elaboradas seguindo uma filosofia de trabalho que
sempre me orientou durante todos esses anos:
"A vida é a eterna luta em busca da perfeição".
Kokei Uehara
Professor Titular da Escola PoUtécnica da Uni\'ersidade de Sli.o Pfwlo
Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária
CONTEÚDO
i> 1 Princípios Básicos 1
2 Hidrostática. Pressões e Empuxos 23
3 Equilíbrio dos Corpos Flutuantes 41
4 Hidrodinâmica. Princípios gerais do movimento dos fluidos.
Teorema de Bernoulli 45
5 Orifícios, Bocais c Tubos Curtos 63
6 Vertedores 87
Escoan1e11to em Tubulações. Análise dimensional e semellwnça mecânica 109
7
8 Cálculo de Tubulações Sob Pressão 141
9 Condutos Forçados. Posições dos encanamentos, cálculo prático,
materiais e considerações complementares 205
10 Acessórios de Tubulações 225
11 Estações Elevatórias, Bombas e Linhas de Recalque 269
12 Golpe de Aricte. Transiente Hidráulico 325
13 Sistemas de Tubulações. Condutos equivalentes, problemas dos
resel'vatórios, distribuição em marcha, redes 339
Condutos Livres ou Canais. Movimento Uniforme 361
14
Cálculo do Escomnento en1 Canais 405
15
Canais, Cálculo Prático e Considerações Complernentares 417
16
Hidrometria. Processos de 1nedidas hidráulicas 423
17
18 Hidráulica Aplicada a Sistemas Urbanos. Sistemas de abastecimento
de água. Sistenws de esgoto sanitário. Sistemas de água pluvial 465
19 Hidráulica Aplicada a Sistemas Prediais. Instalações prediais de água.
Instalações prediais de esgoto sanitário. Instalações prediais
de água pluvial 563
605
20 Hidráulica Aplicada a Irrigação. Princípios, métodos e dimensionamento
Usina de Marmelos, juiz ~e Fora, MG, primeira hidrelétrica da América do Sul, inaugurada em
05/09/1889, com poténcm de 3x 125 klV. Antes, em 1883, foi instalada a Usina do Ribeirão do
Inferno, em _!JiamanUna, MG, com duas unidades de 48HP para a alimentação de bombas d'água ANEXOS
na e~loraçao de d~am~nt~s,.: Ap6s _essas, em !901 entrou em operação a Usina Edgard de Souza, I Aplicações de Informática em Hidráulica 651
no no Tietê, para distnbu1çao na c1dade de Sao Paulo. Fonte, rcl'ishl "lESA Notíci1ls" ano 11 n º8
dczcnlbro 1980. ' ' ' II Sistema Internacional de Unidades {SI). Grandezas de Interesse
à Hidráulica 652
III Relações de Medidas e Conversões de Unidades 657
Bibliografia recomendada
662
Índice
664
1

NOTAÇÕES, GRANDEZAS
E UNIDADES
NOTAÇÃO GRANDEZA UNIDADE PRINCÍPIOS BÁSICOS
A Seção líquida transversal, seção molhada m'
D,d,d0 Diâmetro m, nun
DN Diâmetro nominal
v Velocidade
m/s
v Volume tn 3
p Pressão Pa, mca, ntH 2 0
p Peso N,kg*
F Força N,kg* 1.1 -CONCEITO DE HIDRÁULICA. SUBDIVISÕES
Q Vazão, descarga I
m 3/s, C/s. f/min
O significado etimológico da palavra Hidráulica é "condução de água" {do grego
h,
J
Perda de carga total
Perda de carga unitária
m l hydor, água e autos, tubo, condução).
m/m
Intensidade de chuvas Entretanto, atualmente, empresta-se ao termo Hidráulica um significado muito
I, 10 Declividade
mm/h, Cfs. ha
m/m I,- mais lato: é o estudo do comportamento da água e de outros líquidos, quer em
repouso, quer em movilnento.
y,h,H Altura de lâmina líquida, altura de carga m
Ru Raio hidráulico m A Hidráulica pode ser assim dividida:
Du Diâmetro hidráulico Hidráulica Geral ou Teórica
m
g Aceleração da gravidade Hidrostática
m/s 2
Tempo, duração de chuvas s,min
Hidrocinemática
Hidrodinâmica
'"
T
Concentração de chuvas
Recorrência de chuvas
min
anos Hidráulica Aplicada ou Hidrotécnica
b,B Largura (canais) m A Hidráu1ica Geral ou Teórica aproxima-se muito da 1\·lecânica dos Fluidos.
L Largura (vertedores) m A Hidrostática trata dos fluidos em repouso ou em equilíbrio, a Hidrocinemática
L, i Comprimento m estuda velocidades e trajetórias, sem considerar forças ou energia, e a
e, k Coeficiente de rugosidade nun Hiq_rodinâmica refere-se às velocidades, às ucclerações e às forças que atuam em
p Potência \V,cv, HP fluidos em movimento.
R,. Número de Heynolds A Hidrodinâmica, face às características dos fluidos reais, que apresentam
F, Número de Froude grande número de variáveis físicas, o que tornava seu equacionamcnto altamente
B Número de Boussinesq compl~xo, até mesmo insolúvel, derivou para a adoção de certas simplificações
c Coeficiente de Hazen-\Villiams tais como a abstração do atrito interno, trabalhando com o denominado "fluido
n Coeficiente de 1\Ianning perfeito", resultando em uma ciência matemática com aplicações práticas bastante
f Coeficiente de resistência, de atrito liinitadas.
Os engenheiros, que necessitavam resolver os problemas práticos que lhes eram
LETRAS GHEGAS USUAIS apresentados, voltaram-se para a experimentação, desenvolvendo fórmulas
"
fl
Tensão tt·ativa
Viscosidade dinâmica
Pa e1npíricas que atendiam suas necessidades.
Pa.s Con1 o progresso da ciência e impulsionada sobretudo por alguns ramos onde
v Viscosidade cinemática se necessitaram abordagens mais acadêmicas, c onde houve disponibilidade de
m 2 /s
y Peso específico recursos para aplicação em pesquisa, e principalmente com o advento dos
N/m3, kg* jml
p 1\.tassa específica computadores, que permitiram trabalhar com sistemas de equações de grande
kg/m 3
o Densidade complexidade, em pouco tempo a Hidrodinâmica desenvolveu-se e é hoje
instrun1ento não apenas teórico-matemático, mas de valor prático indiscutíveL
3
2 PRltiCiPIOS BÁSICOS EVOLUÇÃO DA HIDRÁULICA

A ~idráulica_ Apli~ada ou Hidrotécnica é a aplicação concreta ou prática dos


o primeiro sistema público de abastecilnento de água de que se tem notícia, o
con!tecimentos científicos da 1\!lecânica dos Fluidos e da observação criteriosa dos aqueduto de Jerwan, foi construído na Assíria, 691 a.C.
fenomcnos relacionados à água, quer parada, quer em movimento. Alguns princípios de Hidrostática foram enunciados por Arquimcdest, no seu
As áreas de atuação da Hidráulica Aplicada ou Hidrotécnica são: "Tratado Sobre Corpos Flutuantes", 250 a.C.
• Urbana: A bomba de pistão foi idealizada pelo físico grego Ctesibius e construída pelo
Sistemas de abastecimento de água seu discípulo Hera, 200 a.C.
Sistemas de esgotamento sanitário Grandes aquedutos romanos foram construídos em várias partes do mundo, a
Sistemas de drenagem pluvial partir de 312 a.C. No ano 70 a.C. Sextus Julius Frontinus foi nomeado
Canais Superintendente de Águas de Roma.
Rural: No século XVI, a atenção dos filósofos voltou-se para os problemas encontrados
Sistemas de drenagem nos projetos de chafarizes c fontes monun1entais, tão en1 Inoda na Itália. Assim foi
Sistemas de irrigação que Leonardo 1da Vinci 2 apercebeu-se da in1portância das observações nesse setor.
Sistemas de água potável e esgotos um novo tratado publicado etn 1586 por Stevin 3 , e as contribuições de Galileu\
Instalações prediais: Torricclli5 c Daniel Bernoulli 6 constituíram a base para o novo ramo científico.
Industriais
Dcvein-se a Eulcr7 as primeiras equações gerais para o movimento dos fluidos.
Cmnerciais
Residenciais No seu tempo, os conhecilnentos que hoje constituem a Mecânica dos Fluidos
Públicas apresentavam-se separados em dois campos distintos: a Hidrodinâmica Teórica,
Lazer e paisagismo que estudava os fluidos perfeitos, e a Hidráulica Empírica, em que cada problema
Estradas (drenagem) era investigado isoladamente.
Defesa contra inundações A associação desses dois ramos iniciais, constituindo a l'vlecânica dos Fluidos,

Geração de Energia deve-se principalmente à Aerodinâmica.
Navegação e Obras l'vlarítimas e Fluviais !' Convém ainda mencionar que a Hidráulica sempre constituiu fértil campo para
Os instrmnen.tos utilizados para a atividade profissional de Hidrotécnica são: as investigações e análises n1atemáticas, tendo dado lugar a estudos teóricos que
• analogias freqüentemente se afastavam dos resultados experitnentais. Várias expressões assim_
• cálculos teóricos e empíricos deduzidas tiveram de ser corrigidas por coeficientes práticos, o que contribuiu
• modelos reduzidos físicos para que a Hidráulica fosse cognominada a "ciência dos coeficientes". As
• modelos matemáticos de simulação investigações experimentais tornaram famosos vários físicos da escola italiana,
• hidrologia entre os quais, Vcnturi 8 e Bidone.
• arte Apenas no século XIX, com o desenvolvimento da produção de tubos de ferro
Os acessórios, materiais c estruturas utilizados na prática da Engenharia · fundido, capazes de resistir a pressões internas relativamente elevadas, com o
Hidráulica ou Hidrotécnica são: crescilnento das cidades e a ilnportância cada vez maior dos serviços de
• aterros • dragagens • poços abastecimento de água e, ainda, em conseqüência do emprego de novas máquinas
• barragens • drenas • reservatórios hidráulicas, é que a Hidráulica teve um progresso rápido e acentuado.
• bombas eclusas • tubos e canos As investigações de Reynolds!l, os trabalhos de PrandtP0 e as experiências de
• cais de portos • enrocaJnentos • turbinas Froude 11 forneceram a base científica para esse progresso, originando a I\•Iecânica
• canais • flutuantes • válvulas dos Fluidos n1odcrna.
comportas medidores vcrtedores As usinas hidrelétricas começarmn a ser construídas no final do século passado.
• diques • orifícios • etc. Aos laboratórios de Hidráulica deven1 ser atribuídas as investigações que
1.2- EVOLUÇÃO DA HIDRÁULICA possibililaran1 os descnvolvhnentos 1nais recentes.
O processamento de dados con1 o auxílio de cmnputadores, além de abreviar
Obras hidráulicas de certa importância remontam à Antigüid d N
Me t~ . . t' a e. a cálculos, tem contribuído na solução de problemas técnico-econônlicos para o
. so~o am1a ex1s Iam canais de irrigação construídos na planície situada entre os
projeto c implantação de obras hidráulicas e propiciado a montagem de n1odelos
nos Tigre e Eufrates e, em Nipur {Babilônia), existiam coletores de esgotos desde
de simulação que pern1itcm prever e analisar fenômenos dinânlicos até então
3750 a.C.
. ln1por~antes etnprecndimentos de irrigação também foram executados no
! 11 -Arqulmedcs (287- 212 a.C.) 121 -Leonardo da Vincl (14-52- 1519) I 3] -Simão Stcvin {1548- 1620)
Egi.to, 25 seculos a.C., sob a orientação de Uni. Durante a XII dinastia, realizaram- 14] - Galilcu Galilci {1564- 1642) I 5! -Evangelista 'l'orrice.Jii {1608- 1647) 161 -Daniel Bernoulli (1700- 1783)
~e nnp~rtante~ obras hidráulicas, inclusive o lago artificial Méris, destinado a 17[-Leonardo Euler(1707- 1783) [8\ -Gim.•anni Battista Vcnturi {1746- 1822)
Iegulal'lzar as aguas do baixo Nilo. 191 - Osborne Rcynolds {1842 · 1912) jlOJ- LudwigPrandtl {1875- 1953) 111 [ - William Fraude (1810- 1879)
4 P R l I/ C f P I 0 S

impraticáveis de se proceder, ou feitos cmn tão significativas simplificações, que


B ÁS I C OS í
ll
$11.\BOLOS ADOTADOS E UI/IDADES

todas as necessidades. (Quadro 1.4).


USUAIS
5

comprometiam a confiabilidade ou a economicidade. Tradicionalmente a engenharia, logo a Hidráulica também, usava o


• ado sistema MKS (metro,quilograma,segundo) ou CGC (centímetro, grama,
d enom 111 ' . b, . (MKS) - .
segundo), ou Sistema Gravitaciona), em que as mudades as1cas sao.

INVENÇÕES AUTORES ANO PAÍS


Esgotos 3750 a.C. Babilônia
Drenagem Empédocles 450 a.C. Grécia
Parafuso de Arquimedes Arquin1edes 250a.C. Grécia Fm·ça quilograma-força
Bomba de pistão Ctesibius/Hcro 200/120 a.C. Grécia metro m L
con1primcnto T
Aquedutos rmnanos 150 a.C. Rmna segundo s
Tmnpo
Tennas rmnanas 20a.C. Roma
Barô1netro E.Torrice1li 1643 Itália Entretanto, observou-se que esse siste1na estabelecia uma certa confusão en-
Compressor de ar Otto von Gucriche 1654 Alemanha tre as noções de peso e massa, que do ponto de vista físico são coisas difere~tes. A
Tubos de ferro fundido corpo refere-se à sua inércia e o peso de um corpo refere-se a força
moldado Johan Jordan 1664 França mass a de U 111 ~ .
que sobre este corpo exerce a acel~ração da grav~d~deg. E evtden~e qu.e u1na n1csma
Bomba centrífuga Johan Jordan 1664 França massa de água, digamos um htro em detc1 minada t~mpet atlu a, tem pes~s
l'vláquina a vapor Denis Papin IG80 França
Vaso sanitário Joseph Brmnah 1775 Inglaterra
·r . ntes ao nível do mar ou a 2.000 m acima dele, sendo ~essa ·mesma
d 1 e1 e -
massa mms
1
•• pesa d a "ao n ',•el do mar , onde a aceleração da gravidac1 e e mmor, nao esquecenc o
Turbina hidráulica Benoit Fourneyron 1827 França ~ 1 < < • ,

Prensa hidráulica S.Stevin/J.Bramah 1600/1796 Hol./Ingl. que a aceleração da gravidade também varia co~n,a latitude <.9-uadro 1.6), e ate com
Emprego de hélice John Ericson 1836 Suécia a posição da lua em relação à Terra (exen1plo VlSivel: as maH"s). _
Manilhas cerfnnicas Entre a força {F) c a n1assa de um corpo existe uma relação expressa pe1u equaçao
extrudadas Francis 1846 Inglaterra
(2!llci de Newton):
Tubos conc1·eto armado J3v1onier 1867 França
Usina hidrelétrica EUA
F= k.n1.a
1882
Turbina a vapor A. Parsons/De Lava 1884/1890 Ingl./Suécia onde: k é uma constante;
Submarino J. P. Holland 1898 EUA
n1 é a massa do corpo;
Tubos cilnenfo an1ianto A. lVIazza 1913 Itália
Tubos de ferro fundido Arens/ a é a aceleração a que o corpo está submetido.
centrifugado Dimitri de Lavaud 1917 Brasil Há dois sistemas de unidades que tornam a constante k igual a 1 _<~m): o SI
Propulsão a jato Frank VVhittle 1937 Inglaterra (Sistema Internacional) ou absol-uto e o gravitacional. No absol~t~,_k c tgu~l a 1
TubosdePVC 1947 (um) pela definição da unidade de força e no gravitacional pela defuuçao da untdade
de massa, ou seja:
SISTEl'viA ABSOLUTO => a unidade de força é aquela que, ao agir sobre um
EVENTOS ANO CIDADE corpo com a massa de um quilograma, ocasiona uma. aceleração de um me~ro por
Primeiro sistema de abastecimento de água 1723 Rio de Janeiro- RJ segundo, por segundo, e se denomina "n~wton". A u~11dadc de_mas~a ness~ s1~t:ma
Primeira cidade com rede de esgotos 1864 Rio ele JaneirO- RJ é correspondente a um bloco de platina denonunado qtulogl ama-p1 otot1po,
Primeinl hidrelétrica (para mineração) 1883 Diamantina- I\·IG guardado etn Sevres (Franç<l).
Pl'imeira hidrelétrica (para abastecimento público) 1889 Juiz de Fora -!viG SISTEtvlA GRAVITACIONAL => a unidade de força é igual a uma unida? e de
massa por uma unidade de comprimento por segundo, por ~egundo, logo a ~uudad~
1.3 - SÍl\IBOLOS ADOTAUOS E UNIDADES USUAIS de massa neste sistema é igual a g gramas. Como g vana de lugar pa1a luga1,
As grandezas físicas são comparáveis entre si através de medidas homogêneas, especialmente com a latitude e a altitude, ...
ou seja, referidas à mesma unidade. Ivlelhor explicando, o Sistcn1a Gravitacional torna o ~ ~~al ~ ~nidade pela
Os números apenas, sern dimensão de medida, nada informam em termos definição da unidade de 1nassa. "Se um corpo de peso un1tano cai. h_v~·crncnte, a I
práticos: o que é Inaior, 8 ou 80? A pergunta carece de sentido porque não há termo força unitária atuará c a aceleração serl'i g", logo,~ para_ que a força u1~1tana produza
de comparação. Evidentemente que 8m 3 é mais que 80 litros (80dm 3 ). Poderia ser uma aceleração unitária, a unidade de massa sera eqmvalente aguntdades de peso.
de outra forma: 8kg e 80 kg. No sistema métrico seria:
As "unidades" de grandezas físicas (dimensões de um corpo, velocidade, força,
trabalho ou potência) permitem organizar o trabalho científico e técnico, sendo 1 kgf =unidade de massa x 1 m/s 2 , logo
que com apenas sete grandezas básicas é possível formar u1n sisten1a que abranja unidade de massa~ 1 (kgf) I 1 (m/s 2 ) ~ g (kg)
6 P R I ll C i P I OS

Em outras palavras, a força gravitacional comunica à massa de 1 kg a aceleração


g: lkgf = g 1 kg. O importante é entender que o peso de un1 corpo pode se reduzir a
B AS I C OS r
d
í
'
h
51M3 O L OS ADOTADOS E U ti I DA DE S U SUA I S

unidades para os cálculos relacionados cmn as atividades da hidráulica.


7

zero ao sair da gravidade terrestre, mas sua n1assa permanecerá a mesma. r


Evidentemente a definição de massa pecava por variar em função da aceleração
da gravidade, o que não corresponde à realidade física da grai1deza massa. \ GRAl'IDEZA
Entretanto, as aproximações são boas o suficiente para, de maneira geral, em
problemas pouco sensíveis à variação desse tipo de grandeza, continuarem a ser
i'
!' ÁREA m' L'
usadas, pelo hábito e pelas facilidades advindas principaln1ente do fato de que, a
grosso modo:
! VOLUME m' L'
m/s L'I'-'
VELOCIDADE
1 dm 3 de H 2 0 (um litro de água)~ 1 kgf ACELERAÇÃO m/s 2 LT- 2
gerando a unidade prática de pressão conhecida conto metro de coluna d'água MASSA ESPECÍFICA kg/m 3 M L- 3
(mca), tão difundida entre os técnicos. FREQÜÊNCIA Hz hertz s··l '}'-1

N newton kg·m/s 2 :tvl L ' l2


Por convenção internacional de 1960, foi criado o Sistema Internacional de FORÇA
Unidades (SI}, também conhecido por Sistema Absoluto, legalmente em vigor no pRESSÃO Pa pascal N/m 2 M vtrr-2
joule N·m M L2'12
Brasil e na maioria dos países do mundo, do tipo MLT (rnassa, comprimento, tempo) ENERGIA
POTÊNCIA w watt j/s l'vl L2 '1 3
e não FLT (força, comprimento, tempo) como era o Sistema Gravitacional. p poise 0,1N·s/m 2 lvl L- 1 '1 1
VISCOSIDADE DINÂMICA
As unidades básicas desse sistema são o quilogranta (neste caso seria um VISCOSIDADE CINE11Á'l'ICA St stokes 1Q-4·m2/s L2T-t
quilograma massa), o metro e o segundo. Deve-se atentar para a coincidência de MOMENTO DE INÉRCIA m' L'
nmnendatura entre a antiga unidade peso e a atual de massa, evitando-se assim as TENSÃO SUPERFICIAL N/m lvl T- 2
N/m 3 ML-2'12
confusões daí advindas, infelizmente tão freqüentes. PESO ESPECÍFICO
O SI é composto por sete grandezas básicas:

! OBSERVAÇÃO:
Para calcular o valor de g(cm/s 2 ) em qualquer situação geográfica (latitude e

Cmnprim.ento metro m
i altitude), abstraindo as distorções provocadas pela falta de homogeneidade da
massa do planeta Terra, pode-se utilizar a fórmula (Gamow, 1.0 vol, p.38):
g ~ 980,616- 2,5928 X cos 2<p + 0,0069 X (cos 2<p) 2 - 0,3086 X H
Massa
'fetnpo
lntensidade de corrente
'fetnperatura termodinâmica
Intensidade luminosa
quilograma
segundo
ampere
kelvin
candeia
kg

cd
s
A
K
i onde <p =latitude em graus
H = altitude em quilômetros
No quadro 1.6 a seguir, apresentam-se valores de g calculados para diversas
localidades pela fórmula aci1na mencionada.

I
de matéria Inoi mol
ainda as denmninadas unidades cmnplementares:
plano radiano rad
sólido esterradiano sr

Cabe registrar que, para os fins usuais de engenharia hidráulica, não interessa
i Quito
1vlanaus 3S
o 3 000
80
9,77100
9,78068
a diferença entre o conceito de massa e quantidade de matéria, que vai interessar à La Paz 17 s 4 000 9,77236
física e à química puras. Um "moi" é a quantidade de matéria (ou quantidade de Rio de Janeiro 23 s 1 9, 78814
São Paulo 24S 800 9,78637
substância, nos EUA) de uma amostra ou sisten1a contendo tantas entidades
elementares quantos áton1os existem em 0,012 quilograma de carbono 12. Buenos Aires 35 s 1 9,79729
NewYork 42N 1 9,80345
Nesta edição, será adotado o Sistema Internacional (SI) de Unidades, sen1 Paris 49N 150 9,80700
abandonar entretanto os "usos e costumes" dos técnicos da área, a quem o livro se Ilhas Malvinas 53 s 1 9,81331
destina, estabelecendo também uma "ponte" entre aquele que se inicia no ofício e
o veterano. Portanto, para a realidade latino-americana parece que a melhor aproxiinação
As unidades derivadas do SI são estabelecidas através de trata1nento algébrico para o valor de g é 9, 79 ou 9,80 e não o 9,81 citado nas bibliografias européia e
ou d~Inensional das grandezas físicas básicas. norte-americana. Neste livro, se1npre que for o caso, será utilizado o valor g = 9,80
Apresenta-se a seguir as grandezas n1ais freqüentes, con1 suas respectivas m/s 2 • .
fI
v~

, 9
8 P R I ll C i P I OS 8 AS I C OS PROPRIEDADES DOS FlUIDOS. COUC[ITOS
,

1.4- PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, CONCEITOS a temperatura Observe-se que a pressão de vapor iguala a pressão
confor~~ ~ I a wOoc e que havendo Uilla dhninuição de pressão (por
1.4.1- Definições. Fluidos: líquidos e gases atmosferica norma ' lt assada
I 1
lo em sucção de bombas), a pressão de vapor pode chegar a ser u rap . •
Fluidos são substâncias ou corpos cujas moléculas ou partículas têm a v exen pb , ) a água ]Jassa ao estado de vapor bruscamente, criando o denominado
(para a1xo e • •
propriedade de se mover, umas em relação às outras, sob a ação de forças de mínima
efeito de "cavilação".
grandeza.
~---------------
Os fluidos se subdividem em líquidos e aeriformes {gases, vapores). Em virtude
do pouco uso da expressão aeriforme, serão utilizados neste livro os termos gases
Pressão
ou vapores, indistintmnente, com o conceito de substância aeriforme.
Os Jíquidos têm uma superfície livre, e uma determinada massa de um Hquido, ~r
a uma mesma temperatura, ocupa só um determinado volume de qualquer reci-
piente em que caiba sem sobras. Os líquidos são pouco compressíveis e resistem
pouco a trações e muito pouco a esforços cortantes (por isso se movem facilmente).
Os gases quando colocados em um recipiente, ocupam todo o volume, Calor
específiCO
independente de sua massa ou do tamanho do recipiente. Os gases são altamente ~lo
compressíveis e de pequena densidade, relativamente aos líquidos. \ 2:
GASOSO
O estudo do escoamento de gases (ou vapores) na Hidráulica pratica1nente só
está presente nos proble1nas de enchimento e esvaziamento de tubulações c
reservatórios fechados, quando há que se dar passagem ao ar através de dispositivos o Temperatura ('C)
o Temperatura ('C)
tais como ventosas c respiradores, ou ainda, na análise de problemas de "'"
descolamento de coluna líquida em tubulações por fenômenos transitórios Figura 1.1 _ v;·'triaçiio da pressiio e energia da água conforme n tenlpcratura.
hidráulicos (golpe de aríete).
A forma como um líquido responde, na prática, às várias situações de
solicitação, depende basicamente de suas propriedades físico-químicas, ou seja, de I
sua estrutura molecular e energia interna. A menor partícula de água, objeto da
PHESSÃO DE VAPOH DA ÁGUA
Hidráulica, é uma molécula composta por dois átomos de hidrogênio e um de TEMPERATURA tn.c.a.
o c N/m 2 kgf/m. 2
oxigênio. Entretanto, un1a 1nolécula de água não forma o que em engenharia
0,062
hidráulica se designa como tal. São necessárias muitas moléculas de água juntas, o 83 0,083
para que se apresentem as características prúticas desse composto. A proximidade
dessas moléculas entre si é função da atração que umas exercem sobre as outras, o
que varia com a energia interna e, portanto, com a temperatura e com a pressão.
\ !
10
20
4 813
1 225
2 330
125
239
0,125
0,239
458 0,458
30 4490
Os estados físicos da água (sólido, líquido c gasoso) são resultado da maior ou 12 300 1 259 1,259
50 4,830
menor proximidade e do arranjo entre essas moléculas e, portanto, da energia 47 300 4 830
80
presente em forma de pressão e de temperatura. A medida de energia é o "joule", a 100 101 200 10 330
de calor a "caloria" e a de pressão o "pasca1". Uma caloria é a energia requerida
para aquecer um grama de água, de um grau Kelvin (ou Celsius).
Para passar de um estado físico para outro (ou de uma fase para outra), a água
apresenta uma característica própria, que é a quantidade de calor requerida, sem
correspondente variação de tetnperatura, denominada calor latente de vaporização
(líquido<=> vapor) e calor latente de cristalização (sólido<=> líquido). Ao nível do
n1ar, a 45° de latitude e à temperatura de 20°C, a pressão atmosférica é de 0,1 'MPa
(1,033 kgf/cm 2 ).Nessas condições, se a temperatura de uma massa líquida for elevada
à te1nperatura de 100°C e aí mantida, ela evapora segundo o fenômeno da ebulição 1.4.2 _ l\lassa específica} densidade e peso específico
ou fervura. Em altitudes acima do nível do mar, a pressão atmosférica é tnenor e a
água evapora a temperaturas também menores. (Figura 1.1 ). A massa de um fluido em uma unidade de volume é denmnina~a densidade
absoluta, també1n conhecida como massa espec1T 1ca (kg f m ) ("denslly") ·
3
Denomina-se "pressão de vapor"(ou "tensão de vapor") de um líquido a .
"pressão" na superfície, quando o líquido evapora. Essa "pressão de vapor" varia o peso específico de um fluido é o peso da unidade de volume desse fluido
com a temperatura. O Quadro 1. 7 mostra a variação da pressão de vapor· da água (N/m 3 )("unit wcight"),
11
PRINCÍPIOS BÁSICOS PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, CONCE!iOS
10

Essas grandezas dependem do número de moléculas do fluido na unidade de e substituindo o valor de V na eq. (1) ten1-se:
volume. Portanto, dependem da temperatura, da pressão c do arranjo entre as 1 pd\f
dV=---dp
moléculas. e dp
equação (2)
A água alcança sua densidade absoluta máxima a uma temperatura de 3,98°C, e dp
Já o peso específico da água nessa mesma temperatura também será igual à unidade p dp
em locais onde a aceleração da gravidade seja de 9,80m/s 2 e a pressão de 1 atm (2)- ódulo de elasticidade de vo-
(760mmHg, 10,33mca ou 0,1 MPa). Verifica-se diretan1ente da equaçao ' que o m 2 k f/ 2 (l\1KS)
lume tem dimensões de pressão e é dado, geralmente, em kgf/cm ou g m
Chama-se densidade relativa de um material a relação entre a massa específica
desse material e a massa específica de um outro material tomado como base. No e em N/m' ou Pa (SI). (1 kgf ~ 9,8 N).
a pressão, entretanto, varia
caso de líquidos, essa substância normalmente é a água a 3,98°C. Tratando-se de Para os líquidos, ele varia muito pouco con1
1nuito variável cmn a pressão
gases, geralmente adota-se o ar nas CNTP [Condições Normais de Temperatura(20°C) apreciavelmente com a teinperatura. Os gases tem E
e pressão(1 atm)]. AsSim, a densidade relativa do mercúrio é 13,6 c da água salgada e com a temperatura.
do mar em torno de 1,04 (números adilnensionais) ("specific gravity").

c 0:
. lQ-lO
(m2JN) 10-to
Temperatura lv!assa específica Te1nperatura lVIassa específica (N/ m') 10 8
CC) (kg/m.3) (oC) (kg/m 3 ) 5,13 1,99 50,2
o 19,50
4,93 2,07 48,2
o 999,87 40 992,24 10 20,29
2,15 46,5
2 999,97 50 988 21,07 4,75
20
4 1 000,00 60 983
5 999,99 70 978
dê a uma temperatura
10 999,73 80 972 Suponha-se que certa transformação de um g~s se
15 999,13 90 965 constante e que a mesma obedeça à lei de Boyle. Entao,
20 998,23 100 958
. dp p
30 995,67 E== constante; dm, -=-
p dp p
Em termos práticos, pode-se dizer que a densidade da água é igual à unidade e
que sua massa específica é igual a 1 kg/ f e seu peso específico é 9,8 N/ t. Pela equação (2) tem-se
equação (3)

1.4.3- Cmnpressibilidade
resultado da eq. (3) pode ser assim escrito: ''quando um gás_ se transf?rma
Compressibi1idade é a propriedade que tem os corpos de reduzir seus volumes 0
segundo a lei de Boyle, 0 seu módulo de elasticidade de vohune tguala-se a sua
sob a ação de pressões externas.
pressão, a cada instante".
Considerando-se a lei de conservação da massa, um aumento de pressão p . 1~ ·d desde que não haja grandes variações de temperatura, pode-
corresponde a um aumento de massa específica, ou seja, uma diminuição de volu- aia os tqut os, - (2) d r assim integrada:
se considerar E constante. Entao, a eq. po c se
me. Assin1,
dV~- a Vdp equação (1) ln-"- ~ ~(p- Po) equação (4)
Po C

onde a é o coeficiente de compressibilidade .· - de p com p Como essa variação é nnlito pequena,


A eq. (4) expressa a va11açao . ·
V é o volume inicial
pode-se escrever a expressão aproxunada:
dp é a variação de pressão
O inverso de o: é E (E= 1/o:), denmninado 1nódulo de elasticidade de volume. p~ Po = o:(p~ p 0 ), de onde ve1n p = Po [l+a(p- PoH
Porém, a massa (m) vale Po , d" - de
In = p V= constante
Nos fenômenos em que se pode desprezar o:, te In-se p = Po' que e a con tçao
onde p é a n1assa específica incmnpressibilidade. ~ .
·essibilidade da água é considerada, e1n tennos pratJcos,
Derivando, tem-se N orn1aI men t e, a c Ompi
dV apenas no proble1na de cálculo do golpe de aríete.
V=-p-
dp
pROPRIEDADES DOS flUIDOS, COIICfiTOS
13
12 P R I r1 C i P IOS B AS I C OS

Critél'ios de compressibilidade uma compressão de igual valor absoluto. Isto é, os módulos de elasticidade são
De acordo com o fenô1neno considerado, não se pode prescindir da compres- iguais à depressão e à compressão.
sibilidade de um líquido (golpe de al'ietc), ou, em outro extre1no, pode-se prescindir os gases dissolvidos afetam essa propriedade, quando se trata de grandes
da compressibilidade de um gás (movimento uniforme com baixas velocidades). pressões.
Chamando de "c" a celeridade de propagação do sorn no fluido, sabe-se (New-
ton) que: Excn1plo: 1.1- Suponhamos a água sob urna profundidade, ou seja, sob un1a
carga de 1 000 n1ca. Considerando a água a uma temperatura de 20°C (massa
c~~
\P
ou
específica de 998 kgjm3), com módulo de elasticidade volumétrico de 2,15 x
1QBkgf/m2 ou 21,07 x 1QB N/m 2. A essa profundidade, se considerarmos a água
incompressível, a pressão é de 99,80 kgf/cm 2 (978 N/cm 2 ). Calculando a ma~sa
Portanto, a compressibilidade de um fluido está intimamente relacionada com específica da água a essa pressão, a diferença de pressão pode ser entendida
a celeridade.
como a força do peso por unidade de área, logo:
Na água, a 10°C e à pressão atmosférica ao nível do 1nar: c= 1 425 m/s.
Só se pode considerar p constante ou dp =O se dp =O ou c= oo, m V
dp~F/A ~A ·g~po· A ·g
Nos fenô1nenos do golpe de ariete não se pode considerar p constante, pois
dp :~c O e c é um valor finito. dp ~ 998(kglm') · 1 OOO(m) · 9,80(mls 2 )
Pode-se, entretanto, considerar p constante nos fenômenos que envolvem dp ~ 9 780 400(Nim 2 )
pequenas massas de fluidos, onde se considera c==, ou em fenômenos em que p da equação (1)
varia muito gradualmente, onde se considera dp =O.
dV _dp
Chamando-se de número de Mach (Ma) a relação entre a velocidade de um V E
escoamento "v" e a celeridade de propagação do som no mesmo fluido,
dV ~- (9 780 400121,07 · 10 8 ) ~- 0,004642
li-Ia=~ v
c
Chamando de K a constante da transformação adiabática, pode-se deduzir a sendo
seguinte relação: dV=m_m
V=m e
Po P Po
K -1 2 ),',
P=Pu 1+--Aia Po
[ 2 p sendo p0 = 998kgjnl 3

onde p 0 é a massa específica para v= O.


Para 1Ha = 0,3 e um escoamento de ar (K = 1,4) com velocidade de 100m/s. te1n-
se: p ~ 1 002,65 (kg I m 3 )
p~ 0,967 Pn portanto, houve um acréscimo de densidade de 0,47%:
Nesse caso, igualando-se p a p0 , comete-se un1 erro de aproximadamente 4%. (1 002,65 I 998 ~ 1,00466).
O critério, portanto, para se considerar um gás compressível ou não, depende Da 1nesma fonna, sob uma coluna de água de 200 m, um litro de água nas
do erro que se permita cometer nos cálculos. CNTP reduz-se a 999cm 3 de água na mesma temperatura.
No exemplo acima, o erro foi de 4%, que muitas vezes é inferior aos erros com A água é cerca de 100 vezes 1nais compressível que o aço (variando com o tipo
que se tomam os dados do problema. de aço).

1.4.4- Elasticidade
Berthelot, em 1850, descobriu essa propriedade que têm os líquidos de 1.4.5- Viscosidade f Atrito interno. Líquidos perfeitos. Atrito externo
aumentar seu volume quando se lhes dhninui a pressão. Para os gases, a 1- Viscosidade/Atrito interno
propriedade já era bem conhecida. Quando un1 fluido escoa, verifica-se um movimento relativo entre as suas
Em seguida, Worthington provou que o amnento de volume, devido a uma partículas, resultando um atrito entre as mesmas. Atrito interno ou viscosidade é
certa depressão, tem o mesn1o valor absoluto que a diminuição do volmne, para a propriedade dos fluidos responsável pela sua resistência à deformação.
14
PR!IICiPJOS BÁSICOS
PROPRIEDADES DOS FLUIDOS, CONCEITOS 15
Pode-se definir ainda a viscosidade como a capacidade do fluido e In converter
energia cinética em calor, ou capacidade do fluido em resistir ao cisalhamento
(esforços cortantes). -Tetnperatura jl Tetnperatura ~
"C (N.s/m2 ) 10- 6 "C (N.slm2 ) 10-6
A viscosidade é diretamente relacionada com a coesão entre as partículas do
fluido. Alguns líquidos apresentam essa propriedade com maior intensidade que o 1 791 40 653
outros. Assim, certos óleos pesados escoam mais lentatnente que a água ou o álcool. 2 1674 50 549
4 1566 60 469
Ao se considerarem os esforços internos que se opõem à velocidade de 5 1 517 70 407
deformação, pode-se partir do caso mais simples, representado pela Fig. 1.2. No 10 1 308 80 357
interior de um líquido, as partículas contidas e1n duas lâ1nin8s paralelas de área 15 1144 90 317
(A), moven1-se à distância {M), com velocidades diferentes (v) e (v+ tw). 20 1 008 100 284
30 799

A---.---'-v--.--- A Dividindo-se o valor do coeficiente de viscosidade "J.t" pela massa específica do

Figura 1.2
B--~~~ó-n--~v~+ó~v~•----8 fluido "p ",obtem-se o coeficiente de viscosidade cinemática "v".

V=~
p
A segunda lâmina tenderá a acelerar a primeira e a primeira a retardar a Esse coeficiente ten1 a vantagem de não depender da unidade de massa.
segunda.
A unidade de viscosidade cinen1ática no (SI) tem a dimensional [L 2 T~ 1 } e
A força tangencial (F) decorrente dessa diferença de velocidade será exprime-se em m2js, e no (l'"lKS) tem a mesma dilnensional, exprimindo-se em cm 2 /s e
proporcional ao gradiente de velocidade (igual à velocidade de deformação angu- denomina-se stoke, abreviação Sl.
lar).

óv
F=JIA- equação (5)
nn Tetnperntura v Te1nperatura u
"C (m_ 2 I s) 10-!J "C (m 2 I s) t0- 9

Onde "J.t" é um coeficiente característico do fluido, em determinada o 1 792 40 657


2 1 673 50 556
temperatura e pressão, que se denomina coeficiente de viscosidade dinâmica ou
4 1 567 60 478
viscosidade. A eq. (5) também é conhecida cmno equação da viscosidade de New- 70 416
5 1 519
ton. A viscosidade varia bastante com a temperatura e pouco com a pressão. 10 1308 80 367
O coeficiente de viscosidade dinâmica ou absoluta, ou simplesmente, 15 1146 90 328
viscosidade, tem a dimensional 20 1007 100 296

ML·l T- 1 no (SI), e FL- 2 T no (MKS) Os fluidos que obedecem a essa equação de proporcionalidade, eq. (5): ou seja,
quando há uma relação linear entre o valor da t:nsão de cis~l~1amento aphca~la e~
velocidade de deformação resultante, quer dizer, o coeficiente de viscostdadt:
No sistema (SI), a unidade de "~l" denomina-se pouiscuille, abreviatura "PC", e dinâmica "~1" constante, são denominados fluidos newtonianos, incluindo-se a
no sistema ("MKS), denomina-se poise, abreviatura "P".
água, líquidos finos asse1nelhados c os gases de tnaneira geral.
Entretanto, não cteven1 ser esquecidos os fluidos denominados não-
1 Pl = 1 N·s/m 2 ncwtonianos, que não obedecem a essa lei de proporcionalidade e são muito
1P ~ 0,1 N·s/m 2 encontrados nos problemas reais de engenharia civil, tais como la1nas e lodos em
100 centipoise =I P = 1 gjcm·s geral. Os fluidos não-newtonianos apresentam uma relação não linear :_ntre o valor
da tensão de cisalhamento aplicada e a velocidade de deformaçao angular.
Basicamente, há três tipos de fluidos não-newtonianos:
Para a água a 20°C e 1 atm, te1n-se "~l" = 10· 3 N.s/m 2 = 1 centipoise
Tipo (1) viscosidade q~e não varia com o estado de agi!ação. Embora não
Por essa facilidade de a água ter a viscosidade igual à unidade nas CNTP, ela é
obedeça à proporcionalidade linear da eq (5), obedece a equaçoes semelhantes en1
usada con1o padrão de viscosidade, exprimindo-se a viscosidade de outros fluidos
e1n relação à mesma. que, por exemplo, o coeficiente de viscosidade cinemática está elevado a un1a
potência.
PROPRIEDADES DOS flUIDOS, CONCEITOS
17
16 PRI/lCiP10S BÁSICOS

Tipo (2} "tixotrópicos", em que a viscosidade cai cmn o aumento da agitação.


Em bombeamentos, podem ser tratados cmno newtonianos desde que introduzidos
no sistema a partir de certa velocidade ou agitação. Exemplo: lodos adensados de
estações de tratamento de esgotos.
Tipo (3) "dilatante", em que a viscosidade aumenta com o aumento da agitação.
Exemplo: algumas pastas industriais, o melado da cana de açúcar.
A Fig. 1.3 melhor ilustra o assunto.
Figura1.3 -Diagnuna cisalhamentoxdeforn-;:"'.çiio

Tensão de Plástico ideal


clsalhamento

Fluido não newtoniana


Figura 1.4
Fluido newtoniana
Figura 1.5- A) Eixo/entrada
B) Rolor C) LÜJllidu em ucelentçiio
D) Cm·caç~l E) Saída

Tensão de
escoamento
Etn alguns problemas particulares, pode-se, sem grave erro, considerar o fluido
sem viscosidade c incompressível. Essas duas condições servem para definir o que
se chama líquido perfeito, em que a densidade é uma constante e existe o estado
Velocidade de deformação isotrópico de tensões em condições de movimento.
o fluido perfeito não existe na prática, ou seja, na natureza, sendo portanto
Como se pode observar pelas tabelas dos Quadros 1.11 e 1.12, a viscosidade uma abstração teórica, mas en1 um grande número de casos é prático considerar a
varia consideravelmente com a temperatura e, portanto, essa é uma variável água como tal, ao menos para cálculos expeditos.
importantíssima a ser levada em consideração nos cálculos. A bibliografia registra
3 -Atrito externo
a diminuição de capacidade de vazão de poços da orde1n de até 30%, quando a
Chama-se atrito externo à resistência ao deslizamento de fluidos, ao longo de
temperatura da água se aproxima dos 4°C, facilmente entendida se observarn1os
que o escoan1ento em meio poroso {Iatninar e com muita superfície de contato), superfícies sólidas.
como é o caso da maioria dos aqüfferos subterrâneos, é sobre1naneira afetado pela Quando um líquido escoa ao longo de uma superfície sólida, junto à mesma
viscosidade. existe sempre uma can1ada fluida, aderente, que não se movimenta.
De maneira geral, para os líquidos, a viscosidade cai com o aumento da Nessas condições, deve-se pois entender que o atrito externo é uma
temperatura e para os gases sobe com o aumento da 1nesma. conseqüência da ação de freio exercida por essa camada estacionária sobre as demais
O atrito interno pode ser evidenciado pela seguinte experiência: imprimindo- partículas em movhnento.
se a um cilindro contendo um líquido um movimento de rotação em torno do seu Na experiência anterior, Fig. 1.4, o movimento do líquido é iniciado graças ao
eixo, dentro de pouco tetnpo, todo o líquido passa a participar do mesmo atrito externo que se verifica junto à parede do recipiente.
n1ovimento, assumindo a forma parabólica. A bon1ba centrífuga utiliza-se desse Um exemplo importante é o que ocorre com o escoamento de um líquido em
principio. Figs. 1.4 e 1.5, respectivatnente. um tubo. Forma-se junto às paredes uma película fluida que não participa do
2 -Líquidos perfeitos movilnento. Junto à parede do tubo, a velocidade é zero, sendo máxima na parte
Um fluido e111 repouso goza da propriedade da isotropia, isto é, em torno de central, Fig. 1.6.
un1 ponto os esforços são iguais e111 todas as direções. En1 conseqüência dos atritos e, principalmente, da viscosidade, o escoamento
de u111 líquido numa canalização somente se verifica com certa perda de energia,
Num fluido e111 n1ovimento, devido à viscosidade, há anisotropia na
distribuição dos esforços. perda essa designada por pel'da de carga.
19
pROPRIEDADES DOS fLUIDOS, COIICEilOS
18 PRiflCÍPIOS BÁSICOS
atraídas para o interior do líquido tenderem a tornar a área da superfície un1
míniUlO. É o fenômeno da tensão superficial.
As propriedades de adesão, coesão e tensão superficial são responsáveis pelos
conhecidos fenômenos de capilaridade, Fig. 1.8.
A elevação do líquido, num tubo de pequeno diâmetro, é inversamente
proporcional ao diihnetro. Como tubos de vidro e de plástico são freqüentemente
cn1pregados para 1nedir pressões (piezômetros), é aconselhável o e1nprego de tubos
Figura 1.6 de diâmetro superior a 1 em, para que sejam desprezíveis os efeitos de capilaridade.
Nun1 tubo de 1 mm de diâmetro, a água sobe cerca de 35cm.
A tensão superficial "t" tem dimensional [M1'· 2 ] no (SI), exprilne·se en1 N/m e
varia com a temperatura. O Quadro 1.13, mostra os valores de tensão superficial
Perda para a água doce normal a diferentes tetnperaturas.
de
} carga

Temperatura <
Temperatura 1
o c (N/ml w- 2 o c (N/m) 10- 2
(a)
50 6,778
o 7,513
60 6,622
2 7,515
F/gura1.7-(a)sem
de carga escoamento·· princípio dos 'asas
, conJunicantes, (b) con1 escomnento: perda 70 6,453
10 7,375
80 6,260
20 7,230
90 6,070
30 7,069
1.4.6- Coesão, adesão e tensão supel'ficial 11 100
esfo~~;·~:~~: ~ro~rfie~ade _permite às partículas fluidas resistirem a pequenos
sao. mmaçao de um gota d'água deve-se à coesão. Esses valores variam ainda com o material eventualmente dissolvido na água.
?uando u~ ~íquido está em contato cmn um sólido, a atração exercida el Por exetnplo, os sais tninerais normaln1ente aumenta1n a tensão superficial e

Pn~~lpe~i~l~:q~ot'dsoolOido ~~de molécul~s ;~ compostos orgânicos, como o sabão e o álcool, além dos ácidos en1 geral, diminuem
s:_r maior c:!ue a atração existente entre as
. co I I e entao a adesao. a tensão superficial da água que os dissolve.
f 1. - Quanto á adesão de um líquido a um sólido, esta pode ser "positiva"(sólidos
verdad~ira el~stica. Is~o entr~ ~ol~ cr::l:;a~o ~~ ~~~
Na superfície de um líquido em contato com 0 ar há
pelfcula é devido à atração as hidrófilos) ou "negativa''(sólidos hidrófobos), Fig. 1.9.
· ·
ser maiOr que a atraçao exercida pelo ar .e ao fato de as moléculas super ICiais r~ ----·--- - - - -- -- - --·- - - - - -~--·--- ----·------·
Figura 1.9

~/ _ .k'- -'- «~______::ç


_____,A~r~G- ot- a
Figura 1.8
2,5 1
l1 0 00
.E
o
ó 2,0
.o
E
o
\
1\ 1'-
]M}& ·
'
. jh
;.
Agua
6.~
Sólido hidrófobo, a> 90'
""

por exemplo: parafina (a= 107')


'""' ____

Sólido hidrófilo, a< 90'


por exemplo: vidro (a = 25')
de água

u 1,5
e \ \ .........
o;
E í'J, ~ô ~ ~ U/a i o
«tt 1,0
o ..... ~!>e ..;;..: A adesão da água con1 a prata é praticatnente neutra, sendo a.=- 90° nas CNTP.
" lo

r--- ,..... ~ ;.:ç


A capilaridade dos solos finos é bastante conhecida e deve-se às características de
seus cornpostos, sendo a adesão de tal forn1a forte que só se separa a água por
0,5
o 0,05 o 10 o, 15 0,20 0,25 0,30 0,35 0,40 0,45 50
--c;,~~~~~-p~~h~:~E~I~e~va~ç~ã~o~o~u~d~e~p~re:s~s~ã~o~da~c~o~lu~n~a~.~c~m~----------~
0

~'
evaporação.
O cálculo da altura (h) que un1líquido sobe ou desce em um capilar de diâmetro
Capilaridade: A água l}l?lha_ o vidro (ade_são maior), elevando-se. interno (d), Fig.1.10, suficientemente pequeno para desprezar-se o volume de água
O mercuno nao molha o vrdro (coesão maior), rebaixando-se acima ou abaixo do plano de tangência do menisco, é feito. da seguinte fonna:
20 PR!/ICÍP!OS BÁSICOS Dos fLUIDOS COilCEtTOS 21
PROPRIEOAO Es ·

, ·as 0 volume de gás dissolvido em un1 determinado volume


Figura 1.10 d Em ou t ras Pala'
< 1• • • _ • • • • • •
Adesão ~ tante se não houver vanaçao de tempe1ahua, pots, um mcte1nento
de água e cons ~ d" 1 ·
- d" ünui 0 volume de gás dissolvido e passa a ser posstve 1 Isso ver mais
de pressao m _ . . . ;
gás. Ao diminuir apressao, ocorre o u1Verso, hbei ando-segas. .
Plano tangente Essa propriedade é uma causa do desprendimento de ar c o aparecnnento de
NA ao "menisco" bolhas de ar nos pontos altos das tubulações.
hl
! j
Nas CNTP, a água dissolve o ar em até cerca de 2% de seu volume.

p !.4.8 -Tensão de vapor


Dependendo da pressão a que está submetido, um Jíquido entra em ebuli~ã~ a
detenni·nada <
temperatura·' variando a pressão, varia a temperatura
o
de ebuhçao.
- .,.

4 r·sena Por exe1nPIO , a água entra em ebulição à temperatura de 100 C quando . apressao
. e
h onde: ",:" é a tensão superficial , 2 kgfjcm2 (1 atm), mas também pode ferver a te1npcraturas mms batxas se a
r·d 1 033
"a" é o ângulo de contato (adesão) pressão tambéin for menor.
"y" é o peso específico da água Então, todo líquido tem temperaturas de saturação de \~apor {tl.) (qtwn_do entra
em ebulição), que conespondem biunivocamente a pressoes de saturaçao deva-
O equilíbrio na Fig.l.lO se dá quando o peso (P) da coluna líquida deslocada por ou simplesmente tensões de v~1por (]J,.).
igualar as forças de coesão e adesão. Essa propriedade é fundamental na análise do fenôn1eno da cavitação {Capítulo
A água elevada em um capilar está abaixo da pressão atmosférica, daí ser 11), pois quando um líquido inicia~ ebulição, inicia-se também a cavilação.
impossível pretender que ela possa verter de alguma forma, o que aliás criaria
uma forma de moto-contínuo, o que é inconcebíveL

r.. ('C) p 1,(kgf/cm 2 )


1.4. 7- Solubilidade dos gases 50 0,1258
1 0,00669
Os lfquidos dissolvem os gases. Em particular, a água dissolve o ar, en1 3 0,00772 55 0,1605
proporções diferentes entre o oxigênio c nitrogênio, pois o oxigênio é mais solúvel. 5 0,00889 60 0,2031
10 0,01251 65 0,2550
O volume do gás dissolvido é proporcional à pressão do gás, e o volume é o 0,3178
15 0,01737 70
mesmo que o gás ocuparia no estado livre (não dissolvido), mas sujeito à mesma 0,3931
20 0,02383 75
pressão (Henry). 80 0,4829
25 0,03229
QUAQJ!b 1.'!41 ; - Cqeficiente de soluUilitladé de gases na ágúa doCê, ~ 30 0,04580 85 0,5894
~ " > ~- .:~ , _ eJi1 :ln9 de gás po1:: ~ns de água, no I\ÍVcl dQ Il).p.r ~ ' . 35 0,05733 90 0,7149
40 0,07520 95 0,8619
20°C
45 0,09771 100 1,0332
Ar 0,03
compilado de C. Natajx (bjbliogwfia)
Acido clorídrico 5,60
Ácido sulfúrico 5,00
Cloro 5,00
Gás carbônico (C0 2 ) 1,87 0,92
Hidrogênio 0,023 0,020
Monóxido de carbono (CO) 0,04
Oxigênio 0,053 0,033
Nitrogênio 0,026 0,017

Água doce 14,6 12,8 11,3 10,2 9,2 8,4 7,6


Água domar 11,3 10,0 9,0 8,1 7,4 6,7 6,1
compilada de A. Lencastre
22 23

'
H I DROSTATICA
PRESSOES E EMPUXOS

2.1- CONCEITOS DE l'RESSÃO E El\IPUXO


Quando se considera a pressão, im.plicitamente relaciona-se uma força à
unidade de área sobre a qual ela atua.
Considerando-se, no interior de certa massa líquida, uma porção de volume V,
limitada pela superfície A (Fig. 2.1), se dA representar um elemento de área nessa
superfície e dF a força que nela atua (perpcndiculannente), a pressão será
dF
P= dA

Considerando-se toda a área, o efeito da

~
pressão produzirá uma força resultante que se
chama empuxo, sendo, ás vezes, chamada de
pressão total. Essa força é dada pelo valor da

~
seguinte integral:
E~ f.pdA
Figura 2.1
Se a pressão for a mesma em toda a área, o
empuxo será
E=pA.
Modelo hidráulico de rio, realizado no Laboratório de Hi-
dráulica de São Paulo (rio Tietê entre Osasco e Santana do
Parnaíba) (CortC>sia do Centro Tecnológico de Hidráulica de
2.2- LEI DE PASCAl.*
São Paulo, Cl'H) Enuncia-se

"En1 qualquer ponto no interior de um líquido e1n repouso, a pressão é


a mesma em todas as direções."

Para demonstrá-la, pode-se considerar, no interior de um líquido, u1n prisma


hnaginário de dimensões elen1entares: Iai-gura dx, altura dy e comprimento
unitário. A Fig.2.2 mostra as pressões nas faces perpendiculares ao plano do papel.
O prisma estando em equilíbrio, o somatório das forças na direção de X deve
ser nulo.

* Estabelecida por Leonardo da Vinci


24 HIDROSTÁTICA. PRESSÕES E EMPUXOS LEI DE STEVI!l: PRESSÃO DEVIDA A UMA COLUiiA LÍQUIDA 25

Figura2.2 ....,_ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ ___.


Figura 2.3- Principio da prensa
hidráulica. O diâmetro do
ê1nbolo 1naior iguala-se a seis
vezes o difünetro do êrnbolo
menor. A relação de áreas é,
Logo, portanto, 36:1. Se for aplicada
uma força F 1 =50 kg, a pressão
Pxd.Y= Psds sen 9 do fluido tJ·ansmitü·á ;w êmbolo
nwior uinll força F 2 que se1·á
Como sen e= dy/ds,
36xP,,istoé 1800kg.
vern que
dv
p"dy = p,ds~'~,
· ds
e, portanto, 2.3 -LEI DE STEVIN: PRESSÃO DEVIDA A Ul\IA COLUNA LÍQUIOA
Imaginando-se, no interior de um líquido em repouso, um prisma ideal e consi-
Para a direção Y, derando-se todas as forças que atuam nesse prisma segundo a vertical, deve-se ter
(Fig. 2.4)
IY,.~ O,
ydxdv e, portanto,
p,,dx
.
= p ds cos O+dy = p dS cos 0+
5 5
2
·
p,A +yhA- p 2 A ~O,
Como o prisnw tetn dimensões elementares, o último termo (peso) sendo (y é o peso específico do líquido), obtendo-se
diferencial da segunda orden1, pode ser desprezado; assim, sendo cos O= dx I ds,
clx
p,.dx = p 5 d s - = p 5 dX
· ds h
Logo, lei que se enuncia:
Py=Ps•
e, portanto, "A diferença de pressões entre dois pontos
Px=Py= Ps da massa de um líquido em equilíbrio é-
A prensa hidráulica, tão conhecida, é uma importante aplicação (Figs. 2.2 e 2.3). igual à ·diferença de profundidade
tnultiplicada pelo peso específico do
A, líquido."
F2 =~X-,
A'
onde Para a água, y = 1 kg* f dm 3 =: 10 4 N/tn 3
F 1 = esforço aplicado; Figura2.4
F 2 = força obtida;
Portanto o n{unero de decímetros da diferença de profundidades equivale ao
A 1 = seção do êmbolo menor;
llÚJnero de quilogran1as força por decímetro quadrado da diferença de pressões.
A 2 = seção do êmbolo tnaior.
26 HIDROSTÁTICA. PRESSÕES E EMPUXOS MEDIDA DAS PRESSÕES 27

pa
!!!!!!

à+ Yh ..E"-
A

Figura2.8
Figura2.6

Figura2.7

interessa conhecer é a diferença de pressões. A pressão atmosférica, agindo


igualmente em todos os pontos, muitas vezes não precisa ser considerada. Seja,
por exemplo, o caso mostrado (Fig. 2.8) no qual se deseja conhecer a pressão exercida
pelo líquido na parede de um reservatório.
De ambos os lados da parede, atua a pressão atmosférica, anulando-se no ponto
A. Nessas condições, não será necessário considerar a pressão atmosférica para a
solução do problema.
Entretanto é importante lembrar que, nos problemas que envolvetn o estudo
de gases, a pressão atmosférica sempre deve ser considerada.

Figura 2.5- Prensa hidráulica para 450 toneladas (Cortesia


Pir."ltininga S. A, São Paulo) 2.5 -1\IEDIDA IJAS PRESSÕES
O dispositivo tnais shnples para medir pressões é o tubo piezométrico ou,
2.4 - INFLUÊNCIA DA PRESSÃO ATI\IOSFÉIUCA
simplesmente, piezômetro. Consiste na inserção de um tubo transparente na
A pressão na superfície de utn líquido é exercida pelos gases que se encontram canalização ou recipiente onde se quer medir a pressão.
acima, geralmente à pressão atlnosférica.
O líquido subirá no tubo piezométrico a uma altura h, correspondente à pressão
Levando-se etn conta a pressão atmosférica, têm-se (Fig. 2.6), interna (Fig. 2.9).
Pt ~ Pa +"(h, Nos piezôtnetros com mais de 1 em de diâmetro, os efeitos da capilaridade são
P 2 ~ P 1 +yh' ~ P, + y(h +h'). desprezíveis.
A pressão atmosférica varia com a altitude, em-respondendo, ao nível do mar, Um outro dispositivo é o tubo de U, aplicado, vantajosamente, para medir
a un1a coluna de água de 10,33 m. A coluna de mercúrio seria 13,6 vezes menor, ou pressões muito pequenas ou demasiadamente grandes para os piezômetros
seja, O, 760 m (Fig.2. 7). (Fig.2.10).
Em m.uitos problen1as relativos às pressões nos líquidos, o que geralmente Para tnedir pequenas pressões, geralmente se etnpregam a água, tetracloreto
28 HIDROSTÁTICA_ PRESSÕES E EMPUXOS MEDIDA DAS PRESSÕES 29

_]~_
h

-----
c 8

D
Figura.2.11
Figura2.9 Figura2.10

de carbono, tetrabrometo de acetileno e benzina como líquidos indicadores, ao


passo que o mercúrio é usado, de preferência, no caso de pressões elevarias.
No exemplo indicado (Fig.2.10), as pressões absolutas seriam:
etnA, Po
en1 B, Pa+"f'lJ
en1 C, Pa + y' h
emD, P.1 + y' h- yz Figura2.12
onde
r= peso específico do líquido ern D;
y' =peso específico do mercúrio ou do líquido indicador. A pressão relativa é inferior ·à atmosférica local e a indicação manométrica seria
Para a determinação da diferença de pressão, empregam-se manômetros negativa. Entretanto, nesse ponto, a pressão absoluta é positiva, correspondendo a
diferenciais (Fig.2.11). alguns tnetros de coluna de água.
Pc =PA+l1t"fl+h3y3=PD=PE+h2y2 As unidades usuais de pressão são as seguintes:
=hlyl +113y3 -112"(2.
.·. pE- PA 1 atm"' 10,33 mca"' 1 kgfjcm 2 "' 9,8 · 10 4 Njm 2 "' 0,098 MP a
Para a medida de pressões pequenas pode-se empregar o tnanômetro de tubo 1 atm = 10 5 N/In 2 = 0,1 MPa
inclinado, no qual se obtém uma escala ampliada de leitura (Fig.2.12),
Na práti~a. empregam-se, freqüentemente manômetros metálicos (Bourdon) PM
para a verificação c controle de pressões. As pressões indicadas, geralmente são as .f.~ manométrica positiva
locais e se denominam manométricas. PAN ; Pressão atmosférica normal
Não se deve esquecer essa condição, isto é, que os manôtnetros indicam valores
_____ F:_Al_ _ _ _ _ _ ~ Pressão atmosférica local
relativos, referidos à pressão atmosférica do lugar onde são utilizados (pressões
manométricas).
1 atmosféra) ~- ------ -:------r ~á~~o-p:r~i:~- - - --

I
Assim, por exemplo, seja o caso de uma canalização, etn cujo ponto 1 (Fig.
760mm mercúrio
2.13) a pressão medida iguala 15 111 de coluna de água (valor positivo), em relação à
10,33 mca.
pressão atmosférica ambiente. Se a pressão atlnosférica no local corresponder a 9
1 kg f/cm 2 '::l"' Leitura
mca, a pressão absoluta naquela seção da canalização será de 24 mca.
0,1 MPa J:o barométrica
local ~completo
A pressão atmosférica normal, ao nível do mar, equivale a 10,33 n1ca, sendo
menor nos locais mais elevados. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a pressão
atmosférica local é aproxiinadamente igual a 9,5 Inca (800 m de altitude).
O ponto 2 (Fig. 2.13), situado no interior de utn cilindro, está sob vácuo parcial. Figura. 2.1!1- Diagmma de pressões absolutas e relatil'as
S 0 B R E UM A S U P E R F! C I E P L A ll A 1 M E R S A 31
30 HIDROSTÁTICA, PRESSÕES E EI,IPUXOS

2o6- El\IPUXO EXERCIDO POR Ul\1 LÍQUIDO SOBRE UI\IA SUPERFÍCIE Exercício 2.1 - Qual o empuxo
PLANA ll\IERSA I exercido pela água em uma cornporta
Freqüentemente, o engenheiro encontra problemas relativos ao projeto de :5,00 vertical, de 3 x 4m, cujo topo se encon-
estruturas que devem resistir às pressões exercidas por líquidos. Tais são os projetos I tra a 5m de profundidade? (Fig. 2.15)
de comportas, registros, barragens, tanques, canalizações, etc. r~ 9,8 lO' N/m 3 (água)
o

--IEJ3.00
O problen1a será investigado em duaS partes. F~yM

2.6.1- Grandeza e direção do entpuxo 4,00 Figura2.15 F~ 9,8 · 10 3 · 6,5 o 12 ~ 764 400 N
A Fig. 2.14 mostra uma área de forma irregular, situada em um plano que faz
urn ângulo e com a superfície livre do líquido. A resultante das pressões não está aplicada no
Para a determinação do e1npuxo que atua em Uin dos lados da mencionada centro de gravidade CG da figura, porém um pouco
figura, essa área será subdividida em elementos dA, localizados à profundidade abaixo, num ponto que se denornina centro de
genérica h e a uma distância J' da interseção O. pressão CP (Fig. 2.16)0
A força agindo em dA será
dF~ pdA ~ yhdA ~ yy sen 8 dA.

Cada uma das forças dF será normal à respectiva área.


A resultante ou o en1puxo (total) sobre toda a área, também normal, será dado
por Figura 2.16
F~ f dF ~ !A y y sen 6 dA ~ y sen e !A y dA. 2.6.2- Detertninação do centl'o (\e pl'essão
/A y dA é o momento da área em relação à interseção O; portanto A posição do centro de pressão pode ser determinada, aplicando-se o teorema
~\· y dA = A.Y. dos momentos, ou seja, o momento da resultante em relação à interseção O deve
exptessâo onde .V é a distância do centro de gravidade da área até O, e A a área total. igualar-se aos momentos das forças elementares dF {Fig. 2.17).
F= Y.VseneA. F\'
• fJ
~f dFv
'

Como Na dedução anterior,


.Vsen 8=11, dF~yysen 6dA,
F=y,Ysen 8A.
F~ yhA Substituindo,
O empuxo exercido sobre uma superfície plana imersa é um grandeza tensorial rf' sen 8AyP =/A yy sen 8dAy = y sen 8 /Ay 2 dA.
perpendicular à superfície e é igual ao produto da área pela pressão relativa ao Logo,
centro de gravidade da área.
Lx2cZA I
o AJr = A.Y'
expressão em que I é o momento de inércia em relação ao eixo-interseção. J\•lais
comumente, conhece-se o momento de inércia relativo ao eixo que passa pelo centro
' ' de gravidade, sendo conveniente a substituição.
h I= J 0 +.J\V 2 (teorema de Huygens)

Io+A.Yz . - r,
Ay .. y p =y+--
A.Y
~- ----- - - .. CG ---- - - --- --- ,','
•CP. - - - - - - - - - - - - ''
' , ',9!..
------------ '- ' Como lo = 1(2, quadrado do raio de giração (da área relativa ao eixo, passando
B B A
' pelo centro de gravidade), tem-se, ainda,
' '
K'
v.
-V+-
•y p - .
Figura2.14
32 IIIOROSTATICA. PRESSÕES E E1.1PUXOS E~lPUXO EXERCIDO POR UM LIQUIDO SOBRE UMA SUPERFÍCIE PLAIIA IMERSA 33

O centro de pressão está sempre QUADhO~.t"'..::::." Moinent~sdéinércia(I0).~-eá(t:l)~ce~llJsaCift·avldade(Ci#( · - ~, ~::1


abaixo do centro de gravidade a uma '• • ,, fi~U'I;.lS* '" ~ <"' ~' "';"'
u,_~~p~·~~~·P:i'!l\~ ~ .. - ~ , ,, - ~ ,J - " - _, • ~" ~ ·,_:p , - ~ , .~2 "~:
K' Figura e lo A CG
distância igual a medida no pla-
no da área.
.Y
No Quadro 2.1 estão indicadas
as expressões correspondentes aos
Retângulo


,..
:d
! ...
:ao
;---t>--1

_2_bd 3
12
bd
x~Y,b
.v~Y,d

:d ···~··
momentos de inércia das principais
Triângulo x=>{b
figuras. _!_bd 3 .!bd
'' isósceles .I .... ,...._.,. ___ )': 36 2 .v~Y,d
.-
Figura 2.17 r·

O(~) ;rd' ;r(/'


Círculo :d -- -- x~y~:Y,
L 64 4
Exercício 2.2- Determinar a posição do centro de pressão para o caso da
comporta indicada no exercício anterior (Fig.2.15). (/
~ ;r(/' x=-
v -
. P--
-)'+_0_
AV
I Semicírculo
L d s·~:-~~~,
0,00686d 4 --
8
2
.l'- 0.42441,

I~-
bd' r~ rrr 4
-- nr' X=l'

l?+-~f
Do Quadro 2.1 --
0 12 Semicírculo
{{ 8
Eixo vertical 2 y = 0,4244,.

_!_x4x3 3 -
Logo, l' ~6,50+l1o<02_ __ 6,50+_9_~6,615 m A~-----b-- ---~8
b
• P 3x4x6,5 78
Parábola
'\!)
i" i'•"
!!__h3
2 "2
-· h -
b
2
.Y=-

y=h
2
?<
Exercício 2.3 -Nu1na barrage1n de concreto está instaladn un1a cmnporta
circular de ferro fundido com 0,20 m de raio, à profundidade indicada
(Fig. 2.18).
Elipse oC J:0o aa 3 b
--
4
Jfab
x=a
y=b

F~ 1TlA; " 1-- --b- - ..j


" : B+b
1~ 1 000kgf/m 3;
li~ 4,20; Trapézio
isósceles
\"7
:; !d
'\T~Ir d'

36
B 2 +4Bb+ b 2
B+b
B+bxd
2
x=--
4
(/ B+2b
y=-·---
A= nx0,20 2 =0,1257 m 2 . 3 B+b
F~ 1 000x4,20x0,1257~528 kgfc=5172 N 1------ 8---- -..J
"'Relativos aos mxos 0-0 ou A-B. Indteados (eixos neutros)
,..----~~---~----..

Exercício 2.4- Uma caixa de água de 800 litros n1ede 1,00 x 1,00 x 0,80.
Determinar o empuxo que atua em uma de suas paredes laterais e o seu ponto
de aplicação. (Fig.2.19).
F~ y ]JA- 10 3 X 0,40 X 1.00 X 0.80- 329 kgf- 3 136 N

J onde Ji- = 0,40 m, b

y
P
~bd 3
~0,40+-1_2_ _ ~0AO+
bd 0,40
= l,OOm e d

1x1,00x0,80
12x0,80x0,40x1,00
J

=
,
P
=

0,80m. Logo,
r+_!,__
J

3
A-'
y

0,512
0,40+-- ~ 0,40+0,133 ~ 0,533m.
3,840
34 HIDROSTÂTICA. PRESSÕES E fi.!PUXOS APLICAÇÃO: CÁLCULO DE PEQUEflOS MUROS DE RETEUÇÃO E BARRAGf.NS 35

2.7 -APLICAÇÃO: CÁLCULO DE PEQUENOS l\IUROS DE RE'l'llNÇÃO


E BARRAGENS Exercício 2.5 - Numa fazenda deseja-se construir uma pequena barragem
retangular de pedra, assentada sobre rocha. Altura da barragem e
Seja, por eXemplo, um pequeno parmnento vertical de alvenaria e de forma profundidade da água: 1,20 m. Determinar a espessura de modo a satisfazer
retangular, Fig.2.20, sujeito apenas a tomban1ento. as condições de estabilidade.
a) Cálculo do empuxo.

~ .• F'=chxy -~--"
2
F =YaYI:l, h ch y
2 ' 2 a i = 2 250 Kgf/m 3 (alvenaria de pedra)
b) Determinação do ponto de aplicação .
3
.Y,=Y+ Ic:_=E_+ cb =.!.!_+.!.!_=4h=3_h
Ay 2 h 2 6 6 3
· 12xcJJx~
2
c) Dimensionamento do muro Exercício 2.6- Cálculo de uma pequena barragem de seção triangular.
O muro deve resistir ao etnpuxo da água. Como se trata de alvenaria que não a) Cálculo do e1npuxo
deve trabalhar à tração, a resultante das forças F e P deve cair no terço médio da
base (S = 2/3b). Tomando os momentos com relação ao ponto O, F= llc yh = 112 yc
2 2
b h b) Determinação do ponto de aplicação.
P-+F-~M·
2 3 .
bchy' P~ 0
1 11 cll:1 11 ]I 2
:v1,=v+-=-+ =-+-=-h.
(y' =peso específico de alvenaria) . Ay 2 12xch~ 2 6 3
2
L~ Ch2y a ~ • ,
c) Peso do muro.
~~~
r
2 (Ya =peso especifico da agua)
h
P=bx-xcxy'
b 2 ch y' ch 3 r 2 2
M ~---::--'--+~~-" ~liR~-bxbch
2 6 3
r'·,
{y' =peso específico de alvenaria de pedra).

1/ r~
2
b r' 2 2
-2-+~6-· ~3b y';
Flgura2.21
d} Dimensionamento do muro.
1
-b 2 h'
y' =____L_.·. b = ~'
_:_L_ Para não haver esforços de
6 6 r' tração na alvenaria, a resul-
tante R deverá cair no terço
médio, isto é, no máximo em B

(AB~%).
Do triângulo de forças, têm-se
F F~BD;

P~GD.

Como

Figura2.20
36 HIDROSTÁTICA PRESSÕES E EMPUXOS APliCAÇÃO CÃLCULO DE PEQUE/lOS MUROS DE RETEIIÇÃO E BARRAGEIJS 37

e
b

GD= * (CG do triângulo),


a) O< p < l· (O< b <H)
a=-
a·· O~a ~ 1, (O<;b<;B')

- np(1 + 3p J+ ~ n'p'(p' + 10p + 5):; 4(1::: p)


F b
-=-.ouP b=F·h.
p h fJ 2(1- p) '
Portanto, substituiildo-se os valores de P e F,
onde o produto bp:::;: I (para que n :::;: B~).
b·b·!!_·c·r'= h2yc h Daí resulta a 1'ab.2.1.
2 2 '

b' = h'r ... b =h


r'
rr.
VY'
B
Figura2.22
D Tabela 2.1

Valores de f3 para os seguintes valores de p


n 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9
Exercício 2. 7 - Deseja-se executar uma pequena barragem de concreto
simples sobre uma camada de rocha. Calcular a largura mínima da base, para 1,0 0,990 0,966 0,934 0,905 0,886 0,881 0,892 0,917 0,954
que a barragem resista pelo seu próprio peso, ao tombamento devido ao 1,1 0,985 0,956 0,922 0,895 0,883 0,888 0,910 0,947 0,995
empuxo da água. Altura da barragem e profundidade da água: 1,30m. 1,2 0,980 0,946 0,912 0,889 0,885 0,900 0,933 0,981 -

1,3 0,974 0,938 0,904 0,886 0,891 0,916 0,960 - -


b- __11_- 1,30 1,30 = 1,30 = m
0 84
../2:4 0,898 0,899 0,936 0,990 -
-f!- Jf~~~ 1,4 0,970 0,930 0,886 -
1, 55 ' .
1,5 0,965 0,923 0,894 0,889 0,911 0,958 - - -

b) v= O, isto é, b =O.
Exercício 2.8- Na seção mostrada da Fig. 2.23, efetuar o cálculo de B/ mínimo.
(y'= peso específico do material do muro: y= peso específico da água) 1
fJ
EC=h,
2
~-<1 +a+1
EB=H. Dessa relação, resulta a Tab. 2.2.
Procedendo de forma sen1elhante ao que foi visto no Exercício 2.6, tem-se
Tabela 2.2
B'=fJHH, a 0,0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 0,7 0,8 0,9 1,0

sendo que os valores de f3 são fixados da seguinte forma: p 1,000 0,958 0,929 0,909 0,898 0,894 0,898 0,909 0,929 0,958 1.000

11 c) p =I, isto é, 11 =H
p= H' O<;p<;1; (O<;JJ<;hH) Figura2.28
p =I e b = B~(seção retangular).
b r:;;; Observando os diversos casos para cálculo de p, pode-se concluir que,
considerando J3 = 1, o erro introduzido é pequeno e o cálculo de B~ (mínimo)
n~hrr·
é feito a favor da segurança. Daí a fórmula para o cálculo da largura da base
com n ~I a fim de que H de pequenos muros (sejam quaisquer as formas das seções) resultar

B'=HJF
y'

{condição para estabilidade da cabeça}; A Obsen•.1ção. Cooperou com os cálculos desse item o aluno da 5 8 • Série Civil- opção Hidráulica
I B'
e Saneamento, da Escola de Engenharia de São Carlos da USP- Vlademir C. Villela.
EMPUXO SOBRE SUPERF(CIES CURVAS 39
38 HIDROSTÁTICA PRESSÕES E EMPUXOS

Exercício 2.11 _ u 1na barragen1 com 4 m de altura e 10 m de extens~o


Exercício 2.9 ~Um segmento parabólico ACD de base 2b e de altura a está
apresenta um perfil parabólico a montante. Calcular a resultante da açao
imerso em água, em posição vertical, coincidindo a sua base com a superfície
SS' do líquido. Determinar o empuxo c o centro de pressão. das águas.
BD .LAC; S---~--A·-~-b_~~~-~C~~sr'
P, ~ yhA~ 1 OOOx2x4xl0~80 OOOkgf;
AC ~ 2b; --~~""~ ;~:_\
p =~(!000x4x!Ox1,50)~40000kgf;
~ ~~
0

BD a. \c)};i,' 'f;;if';'
-" 3 ---·-
Considere~se uma faixa de espessura R ~ ~40 ooo' +80 ooo' ~ 89 400kgf;
elementar dx, comprilnento LN e 2
área dA. FazendoD!vl =X,LN estará a y ~ -4,00 ~ 2,67m;
• p 3
uma profundidade a - x
x0
s~ s
~-DC ~-xl,50=0,94m,
.
dA~ (LN) dx. 8 8
Flgura2.24
De acordo com uma das proprie- .Yo =0,4x4 = l,60m.
dades da parábola,

T _ 2bi.~· 2brx
Ll\ - .;;; ' dA = ------r- dx.
vu

F ~r f.'' 2~(a- x)&dx ~ Jl.yba',


uva . 15
O centro de pressão encontra-se a uma profundidade J'p·
"2b · ,- 32yba"
y
. I'
=r
f.o.[,
~(a-xfl.\lxdx=--
105
,

Como
Figura2.26

2.8- El\IPUXO SOBRE SUPERFÍCIES CURVAS


Nos casos práticos de Engenharia, quando se estuda o empuxo exercido sobre
superfícies curvas, freqüenten1ente é n1ais conveniente considerarem-se as
componentes horizontais e verticais das forças. Considere1nos, por exemplo, o caso
da barragem, indicada na Fig. 2.25. Geralmente, a equação da curva do paramento
interno é desconhecida, pois se adota um perfil prático.
Nessas condições, é preferível considerarem-se as componentes F e H' do
empuxo (igual e de sentido contrário a R). Para isso, basta considerar o volume de
oi
líquido abc. O peso 11', aplicado no centro de gravidade de abc, pode ser facilmente O;
detenninado.

O empuxo F, que age sobre "''
ab', pode ser calculado pela H
expressão Figura 2.27- Perfil de
uma grande barragen1
F~ y/}A. nwstrando a composição
A combinação dessas duas das forças. As dimensões
estão indicadas em m
forças (F e H') pode ser obtida
pelos princípios da Mecânica. 'I O
~
'
...... - - - - - -198,00------ -.-,
40 HIDROSTÁTICA PRESSÓES E EMPUXos 41

-;;~~~~~~~ Figura 2.28- Vista gemi d11 Usina de ]u1Ji/


/ ConJplexo de Urubupungá, rio Paraná a,
Potência 1400000kl\'{Cortesia das ·
Centrais Elétricas de São Paulo)

EQUILÍBRIO DOS CORPOS


FLUTUANTES

Figura 2.29- Vista geral da Usina •'Um corpo imerso em um fluido sofre uma fol'ça de baixo para cima, denominada
Xavantes,l'io Panuwpanerna. empuxo, igual ao peso do volume do fluido deslocado". Quando o "empuxo" é maior
Potência 400 000 kW (Cortesia das que o peso do corpo, este flutua. Arquimedes (287 a.C.}
C<mlrais Elétricus de São Paulo)

3.1 - CORI'OS FLUTUANTES. CARENA


Corpos flutuantes são aqueles cujos pesos são inferiores aos pesos dos volumes
1 • BOULDER, Co/orado Rlver, Arizona- Nevada
de líquido que eles podem deslocar. Pelo teorema de Arquimedes, eles sofrem um
2 - GRAND COULEE, Columbia River- Washington
impulso igual e de sentido contrário ao peso do líquido deslocado, permanecendo
3 - OWYHEE, Ovvyhee River, Oregon - ldaho
4 - ARROWROCK, Boise River-ldaho na superfície líquida.
5 - SHOSHONE, Shoshone River-Wyoming En1 outras palavras; para que um corpo flutue, sua densidade aparente média
6 - PAAKEA, Co/orado River, Arizona- California deve ser 1nenor que a do líquido: o peso total do corpoiguula-se ao volume subnwrso
7 - ELEPHANT BUTTE, Rio Grande, New Mexico multiplicado pelo peso específico do líquido.
8 - HORSE MESA, Salt River, Arizona Chama-se carena ou querena à porção imersa do flutuante.
9 - ROOSEVELT, Salt River, Arizona
10- PATHFINDER, North Plalle, River WY O centro de gravidade da parte submersa, que se denomina centro de carenu,
(C), é o ponto de aplicação do empuxo.
Nos navios, geralmente C encontra-se de 20 a 40% do cf}lado.
Define-se calado como sendo a distância entre a quilha do navio e a linha de
flutuação h, (Fig.3.1).
94
(
3.2- EQUILÍBRIO ESTÁVEL
Diz-se que um corpo está em equilíbrio estável quando qualquer mudança de
posição, por menor que seja, introduz forças ou momentos tendentes a fazer o corpo
retornar à sua posição primitiva.
O equilíbrio sempre senl estável no caso dos corpos flutuantes cujo centro de
gravidade (G) ficar abaixo do centro de carena, o que pode acontecer no caso de
2 3 4 5 6 7 8 9 corpos tarados, lastreados ou não-homogêneos.
Entretanto o equilíbrio estável não se verifica apenas no caso indicado, havendo
ainda outras condições de equilíbrio estável, mesmo com o centro de gravidade
acima do centro de carena.
~~;~ ~::<7e~::; de dez grandes barragens norte-arnericanas, co1n alluras ern Jn (algvrnas Se, en1 conseqüência de uma ação qualquer (ventos, vagas, etc.), o flutuante
sofrer uma pequena oscilação, o centro de carena também se deslocará; pois, embora
EQUlliBRIO DOS CORPOS flUTUAIITES pOSIÇÃO DO MEIACEIITRO 43
42
Na prática, a altura metacêntrica geraln1ente é mantida entre 0,30 a 1,20 m.

Alguns valores práticos da altura tnetacêntrica (tn)

Transatlânticos 0,30 a 0,60


Torpedeiros 0,40 a 0,60
Cruzadores 0,80 a 1,20
Iates a vela 0,90 a 1,20

A posição do metacentro pode ser determinada pela expressão aproxhnada de


Duhan1el.
Pigura9.1

onde

o volume da parte sub1nersa do corpo permaneça o mesmo, a sua forma variará I~ momento de inércia da área que a superfície livre do líquido intercepta
mudando o seu centro de gravidade (os volumes AA'O e BB'O, (Fig.3.1) se no flutuante (superfície de flutuação), sendo relativo ao eixo de
equivalem}. inclinação (eixo sobre o qual se supõe que o corpo possa virar);
Supondo-se que o corpo tenha sofrido mna oscilação de ângt1lo €1, o centro de V= volume de carena.
carena deslocar-se-á de C para C'. A vertical que passa por C' interceptará a linha
primitiva em um ponto.fi.J. Para valores pequenos de €1, A1 é denominado metacentro. Para que o equilíbrio de um flutuante seja estável, é preciso que 1\·IC > CG.
O ponto 1\1 representa o limite acima do qual G não deve passar (daí a sua Além do metacentro considerado na seção transversal, há o mctacentro no
denominação, pois significa meta= limite). O metacentro é o centro de curvatura sentido do compriinento, de menos importância, cuja determinação é análoga.
da trajetória de C no mon1ento em que o corpo com.eça a girar.
Podem ser consideradas três classes de equilíbrio para os corpos flutuantes. Exercício 3.1 -Seja um prisma retangular de madeira com as dilnensões
a) Equilíbrio estável. Quando AI está acima do centro de gravidade G. Nessas indicadas na (Fig. 3.2) e de densidade 0,82. Pergunta-se se o prisma flutuará
condições, qualquer oscilação provocada por força externa estabelece o ou não, em condições estáveis, na posição mostrada na figura.
binário peso-etnpuxo, que atuará no sentido de fazer o flutuante retornar
à posição primitiva.
b) Equílíb1·io instável. Quando A1 está abaixo de G, sistema instável de forças. 0,20m

1
c) Equilíbrio indiferente. No caso em que o mctacentro coincide com_ o centro
~,.,.,..,-=+-------h~~

-~28m'- h~'_,_-_!_~.1.F~ _:.J_ ~


de gravidade do corpo.

3.3- POSIÇÃO DO l\IETACENTRO


Para ângulos pequenos (até cerca de 15°), a posição de 1)1 varia pouco, sendo a
sua distância 1\1G praticatnente constante.
A altura metacêntríca é, pois, uma tnedida de estabilidade, constituindo uma
importante característica de qualquer etnbarcação ou estrutura flutuante.
Valores muito altos da altura tnetacêntrica não são desejáveis, porque Calcula-se o volun1e de carena,
cmTespondem à oscilação muito rápida das embarcações c estruturas flutuantes \T ~ 0,20 X 0,16 X z;
(períodos curtos de balanço). Em navios, esse movimento rápido, além de trazer da mesma forma, o peso do prisma,
condições de desconforto, pode prejudicar as estruturas.
p ~ 0,20 X 0,16 X 0,28 X 0,82
Por outro lado, valores muito baixos de 111G devetn ser evitados, uma vez que
\T X 1,00 ~P,
pequenos erros na distribuição de cargas ou a presença de água nas embarcações,
podem provocar condições de instabilidade. 1,00 X 0,20 X 0,16 X Z ~ 0,20 X 0,16 X 0,28 X 0,82
44 EQUilÍBRIO DOS CORPOS fLUTUAIITEs 45

Logo,
Z ~ 0,28 X 0,82 ~ 0,2296;

CG=ll__2:_= h-z = 0,28-0,2296 0,0252m; ~

2 2 2

1 1
2

3
HIDRODINAMICA
I=-bd 3 =-0 20x0 16 • PRINCÍPIOS GERAIS DO MOVIMENTO DOS FLUIDOS.
12 12 ' ' '
TEOREMA DA ENERGIA DE BERNOULLI
-I 0,20x0,163
MC=- 0,0093m;
V 12x 0,20x 0,16 x0,2296
portanto
MC<CG.
Desse modo o corpo não flutuará em condições estáveis na posição indicada.
O prisma tombará, passando para uma posição estável (base 0,20 x 0,28 e 4.1 -1\IOVIi\IENTO DOS FLUIDOS PERFEITOS
altura 0,16).
A Hidrodinâmica tem por objeto o estudo do movimento dos fluidos.
Consideremos um fluido perfeito em movimento, referindo as diversas posições
dos seus pontos a um sistema de eixos retangulares Ox, Oy, Oz.
O n1ovilnento desse fluido ficará perfeitamente determinado se, em qualquer
instante t, forem conhecidas a grandeza e a direção da velocidade v relativa a
qualquer ponto; ou, então, o que vem a ser o mesmo, se forem conhecidas as
componentes "x• l~l'' V2 , dessa velocidade, segundo os três eixos considerados.
Alén1 disso, há a considerar, também, os valores da pressão p e da massa
específica p, que caracterizam as condições do fluido em cada ponto considerado.
O problema relativo ao escoamento dos fluidos perfeitos comporta, portanto,
cinco incógnitas ''x, v~,, ''z, p e p, que são funções de quatro variáveis
independentes, X, J', z e t. A resolução do problema exige, pois, um sistema de
cinco equações.
As cinco equações necessárias compreendem: as três equações gerais do
movimento, relativas a cada um dos três eixos; a equação da continuidade, que
exprime a lei de conservação das massas; e um equação complementar, que leva
em conta a natureza do fluido.
São dois os métodos gerais para a solução desse problema: o método de
Lagrange, que consiste en1 acompanhar as ptutículas em movimento, ao longo das
suas trajetórias, e o de Euler, que estuda, no decorrer do tempo e em determinado
ponto, a variação das grandezas mencionadas.
O Jnétodo de Euler é o adotado neste manual, por ser n1ais simples e cômodo.

4.2- VAZÃO OU DESCARGA


Chmna-se vazão ou descarga, numa determinada seção, o voltnne de líquido
que atravessa essa seção na unidade de tempo.
Na prática a vazão é expressa em m 3/s ou em outras unidades múltiplas ou
submúltiplas. Assim, para o cálculo de canalizações, é comum empregarem-se litros
por segundo; os perfuradores de poços c fornecedores de bmnbas costumam usar
litros por hora.
46 H I ORO O lll  1.1 ICA 47
LINHAS E TUBOS DE CORR[UTE

4.3 -CLASSIFICAÇÃO DOS 1\lOVIJ\IENTOS 4.5- LINHAS E TUBOS DE COHRENTE


Em u n líquido em movilnento, consideran1-se linhas de corrente as linhas
1
acelerado orientadas segundo a velocidade do líquido c que gozam da propriedade de não
{ retardado serem atravessadas por partículas do fluido.
Em cada ponto de uma corrente passa, en1 cada instante t, uma partícula de
fluido, animada de un1 velocidade v. t\_~_l~i!lhas de cmTet!1e sã<?, p_oi~, a~ ~U~'.Y-ª$ quç,
1v~ovi~1ento ~ermane11te é aquele cujas características (força, velocidade no mesmo instante t considerado, mantên1-se t~ogen~~~--~~_!Lt_Q._@~_Q_§__J)OJlto.s __ à_
pressao) sao funçao exclusiva de ponto e independem do tempo. Com o moviment' 0 ~velocidade v. Pelo próprio conceito, essas curvas não P_?den1 cmy:n·-se .
permanente, a vazão é constante em um ponto da corrente. Admitindo-se que o campo de velocidade 'T seja contínuo, pode-se considerar
. As caractcrí_sticas d? Inovimento não permanente, além de 1nudarem de ponto um tubo de corrente cmno uma figura imaginária, limitada por linhas de corrente.
pai a ponto, vanan1 de mstante em instante, isto é, são função do tempo. Os tubos de corrente, sendo formados por linhas de corrente, gozan1 da
O movimento permanente é unifol'me quando a velocidade 1nédia permanece propriedade de não poderem ser atravessados por partículas de fluido: as suas
~ons~ante ao longo da corrente. Nesse caso, as seções tTansversais da corrente são
paredes podem ser consideradas in1permeáveis. .
tguats. No caso contrário, o movimento pennanente pode ser acelerado ou Un1 tubo de corrente, cujas dimensões transversais sejam infinitesimais,
retardado.
constitui o que se chan1a filete de corrente.
Utn rio po~c servir para ilustração. Há trechos regulares em que o movimento Esses conceitos são de grande utilidade no estudo do escoan1ento de líquidos.
pode sc_r considerado permanente e uniforme. Em outros trechos (estreitos
corredenas, etc.), o movimento, embora permanente (vazão constante), passa a se;
acelerado. Durante as enchentes ocorre o movimento não permanente: a vazão
altera-se.

Figura4.3 Figura4.4

4.4- REGil\IES DE ESCOAl\IENTO


P: observação dos líquidos em movimento leva-nos a distinguir dois tipos de
movunento, de grande importância: 4.6- EQUAÇÕES GEnAIS DO MOVIMENTO
a) regime laminar (tranqüilo ou lamelar); Seja um cubo elen1entar, de dimensões infinitamente pequenas, dx, dy e dz,
b) regim~ turbulento (agitado ou hidráulico). situado no interior da massa de um fluido en1 movimento, sendo as suas arestas
paralelas aos eixos cartesianos (Fig. 4.5).
A massa do fluido contida nesse cubo imaginário será
pdx dydz = m
As forças externas que atuam. sobre essa n1assa fluida são:
a) as que dependem do volmne considerado, como, por exemplo, o peso, c
Figura4.2 que podetn ser expressas pelas suas componentes X, Y e Z, relativas à
unidade de massa;
Com o regime laminar, as trajetórias das partículas em movin1ento são bem
b) as que estão relacionadas à superfície das seis faces do cubo e que são
definidas e não se cruzam.
devidas à pressão exercida pelo fluido externo.
O regilne turbulento caracteriza-se pelo movimento desordenado das
Designando-se porp a pressão sobre a face nonnal a Ox (ABCD), a pressão sobre
partículas.
48 H I OROOIIlÃ,,! ICA EQUAÇÀO DA CO!lTIIIUIDADE 49

a face oposta seria igual a p mais a Otl


z sua diferencial relativa ao desloca-
d 2 x dv dv . __ av x+v -av
mento dx (variação de p na direção -----"'+v ---"+v -'
dt 2 - dt ·" ax J' dy z dez
x):
Nessas condições, as equações gerais do movimento podem ser apresentadas.
p+ '(fx dx
p+ dp dx.
Jx
As ações externas sobre as faces
normais a Ox e de superfície dy dz
o são opostas, dando uma resultante: equação (1)
X

y
Figura4.5
ou, ainda,
Sendo m a massa de uma partícula em tnovimento, a a sua aceleração e F a !_dp=X-(v dv"'+v dv"'+v dv_.,+d""")
força atuante, pode-se escrever m ·a= F. pdx xax .'"J.v zaz at
Com relação ao eixo Ox, apresenta-se a seguinte equação geral: !_dp=Y-(v dvx+v Jv.,.+v av ... +Jvx)
p iJy ·' Jx Y Jy • iJz Jt
d 2x equação (2)
m-- =LF".
dt 2 . _!_dP=z-(v a,rz+v avz+v avz+d''z)
paz -~ ax y dy z az dt

p d x d y d z·dt ~ Jp d xd.v d z,
d'x =p d xdydzX-Jx que são as três equações de Euler.
2
Para a solução do problema restam, ainda, duas equações, dadas nos itens a
onde o prinwiro membro representa a inércia; o primeiro termo do segundo seguir.
membro, a ação da força F~ o segundo tern1o do mesmo, a resultante da ação da
pressão.
4. 7- EQUAÇÃO DA CONTINUIDADE
Ou, simplificando e estendendo aos outros eixos Oy e Oz:
Admitindo~sc que a massa específica pdo fluido, que atravessa o cubo elementar
(Fig. 4.5), varia com o tempo t, a massa que, em deternlinado instante, é igual a p
dx dy dz, após um intervalo de tempo dt altera-se,
que são as equações gerais do movimento, onde J
- ( p dx dv dz) dt;
Jt .
d'x
e ou, ainda,
dt 2 •

são as componentes ou projeções da aceleração da partícula considerada. ap dxdvdzdt. equação (3)


Jt .
Essas três projeções são as derivadas totais das três componentes da velocidade
(vx, l~~·· vz) em relação ao tempo t: Por outro lado, pode-se considerar que, em um intervalo de tempo dt, entra
pela face ADCD do cubo elementar a massa
p l'x dy dz dt equação(4)

saindo pela face oposta uma outra massa:


pois

dx (Px dv cquaç.io (5)


F =-:.--~--'
X dt (}( 2 dt >
A diferença algébrica dessas expressões ({4) e (5)) dará, para essas faces,
E, co1no v_,..= f (x,y, z, t), pode-se exprimir
J
dv av x_ + __
= __ av x___
dx + --'---+
av dy __av x _dz - - (pv )dxdydzc/1
__
;I" Jy X

dt Jt Jx dt iJy dt iJz dt
50 IIIORODlllÂMICA 51
EQUAÇÃO COMPLEMEtlTAR

Analogamente, para as faces normais a Oy e a Oz, as diferenças algébricas


resultam, respectivamente, em
Exercício 4.1 -Verificou-se que _a _velocida~e .econômica p<~ra uma extensa
a linha de recalque é 1,05 m/s. A vazao necessana a ser fornecida pela bombas
- ay (pv,.)dxdydzdt é de 450m3/hora. Determinar o diâm.etro da linha.
a
- - (pv )dxdvdzdt 450m 3 /hora
az z •
Q~ 60x60
0,125m3 /s ou 125(/s.

Comparando-se esses resultados com a expressão (3), encontra-se que


Q 0,125 2
Q=Av:.A=-=--=0,119m,
ap a a a v 1,05
~dx<(vdzdt+-,(p
u t aX
1',) dxdvdz

dt +-(PI'
iJy Y
) dxdvdz

dl+-(pv
(}z z
) dxd)'dzdt

~o

ou, simplificando: 1 D,
-rr ~ -pÜ,ng_- 0, 39m.
0, 119m' ·.. D-
4 "
ap + a(pv,) + a{pv,) + a{pv,) ~o
equação (6} No n1ercado encontram-se os seguintes diâmetros comerciais:
at ax ay az
350 mm, A= 0,0962 m 2
que é a equação da continuidade, que exprime a lei da conservação das massas. 400 mm, A~ 0,1257 m 2
Para os líquidos incompressíveis, p =constante. 450 mm, A= 0,1590 m 2 •
av
__
.<
dv. a v
+ --'- + --" =o
Adotando-se 400 mm (16"), a velocidade resultará em
iJ X i) J' () z (QuaJ"ta equação)
v= Q = 0,125
A 0,1257
=1,0m/s.
Considerando-se o trecho de um tubo de corrente, indicado na Fig.4.6, com as
seçõesA 1 eA 2 e velocidades respectivas v 1 e v 2 , a quantidade de 1íquido de massa É o diân1etro que mais se aproxima da condição econômica. Se fosse adotado
específica p que passa pela primeira seção, na unidade de tempo, será:
0 diâmetro imediatamente inferior (350 mm), a velocidade se elevaria para
1,30 m/s, aumentando a potência das bombas e o consumo de eletricidade.

Para a outra seção, teríamos Exercício 4.2- Em um edifício de 12 pavimentos, a vazão máxima provável,
devida ao uso de diversos aparelhos, em uma coluna de distribuição de 60
dn12 mm de diâmetro, é de 7,5 Iitros/s.
-----;jf = P2 v 2A2.
Determinar a velocidade de escoamento
Tratando~se de mm'iinento pel'manente, a quantidade de líquido entrando na
seçãoA 1 iguala-se à que sai por A 2 , 0,0075m3 /s
Q=AV :. v= Q 2,65m.js.
A 0,00283
Pt At vt =P2 A2 v2
E, ainda, praticamente, se o líquido for considerado incompressível p = p . Essa velocidade é admitida pelas normas para o diân1etro de 60 mn1 (NBR
1 2 5626).
De um modo geral,

4.8- EQUAÇÃO COl\IPLEl\IENTAR {I'elativa ao estado do fluido)


onde A última equação da Hidrodinânlica, necessária ao sistema de cinco equações
é obtida considerando-se uma característica particular do fluido.
Q =vazão (m3js);
Assim, por exemplo, no caso dos fluidos homogêneos e incmnpressíveis,
v= velocidade média na seção (m/s);
p =constante.
A =área da seção de escoamento (In2).
Para os gases perfeitos, tem-se a equação geral

Essa equação é de grande ilnportância em todos os problemas da !!._ gRT.= constante


Hidrodinâmica. p
Entretanto essa últhna equação introduziria uma sexta variável: a temperatura.
52 H I O R O D J tl à MICA TEOREMA DE B[RfiOULLI PARA LÍQUIDOS PERFEITOS 53

Para evitar nova incógnita, pode-se recorrer a uma equação que defina apenas uma Resultando, para o movimento, da eq. (9):
condição especial do fluido en1 movimento.
1 v2
No caso de um gás perfeito, por exemplo, poder-se-ia admitir a temperatura -dp~-gdz-d­
p z
constante, resultando
Dividindo-se por g,
E. constante.
~; +du; )~o.
(Quinta equação)
p
dr.+
4.9 -JIIOVIJ\IENTO PERMANENTE c 01110 pg = y(peso específico), dividindo-se todos os termos por ds(dx, dy, dz).
As Eqs. (2) podem ser escritas da seguinte forma: obtém-se
1 Jp dv~.
--~Y---· • equação (7)
p ily dt
Multiplicando-se as eqs.(7) por dx, dy e dz, respectivainente, e somando-se,
obtém-se p v'
z+-+-= constante
r 2g
~dp = Xdx + Yd,V +Zdz-(v, dvx +vy dF). + vz dv z> equação (8) A Fig. 4.6 mostra parte de um tubo de corrente, no qual escoa um líquido de
peso específico y. Nas duas seções indicadas, de áreasA 1 e A 2 , atuam as pressões ]J 1
Ou, ainda,
ep , sendo as velocidades, respectivamente, v 1 e v 2 •
2

equação {9)
------------------.
A1 A'1
que é a equação de Euler, escrita de forma diversa das eqs.(2) e para movimento ~

permanente. ~

~
Observa-se, aqui, que a transformação das (7) para (8) só foi possível porque ~ e-
foram desprezadas as variações de "x• vy e "z com o tempo, isto é, ~

~
__ JF- ' e __
()v , - Jv ,
~
ilt • ilt ilt
Ou seja, porque o movimento foi, por hipótese, considerado permanente.
Diz-se que um movimento é permanente quando as partículas que se sucedem
em um mesmo ponto apresentam, nesse ponto, a mesma velocidade, possuem a
mesma massa específica c estão sujeitas à mesma pressão.

4.10- CASO l'il.R'I'ICULAU: FLUIDO Elll REI'OUSO


Fazendo-se v= O, encontra-se Plano de referência
1 Figura4.6
~dp=Xdx+Ydy+Zdz f'lJlWÇiio (10)
p
que é a equação fundamental da Hidrostática.
As partículas, inicialmente em Al' nun1 pequeno intervalo de tempo, passan1 a
A~ I>
enquanto que as A 2 movem-se para A' 2 • Tudo ocorre como se, nesse intervalo
4.11- 'I'EOREJ\IA DE BERNOULLI PARA LÍQUIDOS PERFEITOS ~e ten1po, o líquido passasse de A 1 A' 1 paraA 2 A' 2 •
O teorema de Bernoulli decorre da aplicação da equação de Euler aos fluidos Serão investigadas apenas as forças que produzein trabalho, deixando-se de
sujeitos à ação da gravidade (líquidos), e1n movimento permanente. considerar aquelas que atuam normalmente à superfície lateral do tubo, de acordo
Nessas condições, com o teorema das forças vivas "variação da força viva em um sistema iguala o
t~~balho total de todas as forças que age1n sobre o sistema".
54 H I O R O O 1 fi ÀM 1 CA DEMONSTRAÇÕES EXPER!MEIJTA!S DO TEOREMA DE B ERilOUlll 55

conjunto ou separadamente. As rodas de água com admissão por cima (Fig.4. 7)


Assim, considerando-se a variação da energia cinética ( ~ n1v 2 ) em·oveitan1 a energia de posição (carga gemnétrica). Já nas rodas Pelton utiliza-se a
api ·
energia cinética medtante - ct e Ja
a açao · t os que tnct
· ·ct etn so b re as pas.
'
----
1
21n2v2
2
-znJ
1
v,
1
2
:=
1
2n1v
2
et1uação(ll)

Sendo o líquido incompressívcl,


A 1 ds 1 =A 2 ds 2 =V (Figura 4.6)
onde V= volume do 1íquido e a soma dos trabalhos das forças externas (einpuxo e
gravidade, pois não há atrito por se tratar de líquido perfeito) será
}) 1 A 1 ds 1 - p 2 A 2 ds 2 +"(V (Z 1 - Z 2 ). equação (12)
Igualando eq.(ll) e eq.(12) temos

_!L_ V(v~- vi)= V(p 1 - p 2 ) + yV(Z 1 - Z 2 )


2g
Figura 4.7
de modo que, simplificando,

4.12- DEI\IONSTRAÇÕES EXI'ERII\IENTAIS llO TEOREMA


DE BERNOULLI
v21 p v22 P Em 1875, Froude apresentou interessantes experiências ilustrativas do teorema
- +----..!...+z = - +____!._+Z 2 = constante de Bernoulli.
2g r ' 2g r
Uma delas consiste numa canalização horizontal e de diâmetro variável, que
O conhecido e ünportantíssin1o teorema de Bernoulli, que pode ser enunciado: parte de un1reservatório (vaso) de nível constante, Fig. 4.8.
"Ao longo de qualquer linha de corrente é constante a smna das alturas Instalando-se piezômetros nas diversas seções, verifica-se que a água sobe a
cinética (\'2 /2g), piezométrica (p/y) e geométrica (Z)." alturas diferentes; nas seções de menor diâmetro, a velocidade é maior e, portanto,
também é maior a carga cinética, resultando menor carga de pressão.
O teorema de Bernoulli não é senão o princípio da conservação da energia. Como as seções são conhecidas, podem-se verificar a distribuição e a constância
Cada um dos termos da equação representa um forma de energia: da carga total (soma das alturas).
v' Outra experiência curiosa consiste nos vasos que ainda levam o nome de seu
2
g = energia cinética (força viva para o peso unitário); idealizador.
Dois vasos providos de bocais são justapostos, a água passando do primeiro
p
energia de pressão ou piezométrica; para o segundo vaso (Fig.4.9}.
r A pressão exercida pelo líquido na seção (2) é dada pela altura JJ 2 c, na seção
z~ energia de posição ou potencial. (1), admite-se que cmTcsponda a uma altura 11 1 .
É importante notar que cada un1 desses termos pode ser expresso em metros, Pelo teorema de Bernoulli, tomando-se o eixo dos bocais como referência,
constituindo o que se denomina carga.
v2 1112 /s2
-2 ~ - --,- ~m (carga de velocidade ou dinâmica);
g ms1
Construindo-se a seção {1) de maneira que
p
r
kgf/m 2
kgf/m3 ~ m (carga de pressão);
,,
'
___L=
2g
H
Z=n1~ m (carga geométrica ou de posição).
Há máquinas hidráulicas que aproveitam essas diferentes formas de energia (isto é, a seção (1) pode ser tal que toda a carga H seja reduzida à energia
cinética), resultará h 1 = O e a pressão, nesse ponto, será a atmosférica.
56 H I D R O O I 11 Ã M I C A DEMO 11 S TRAÇÓ E$ E X PER! M [ 11 TAIS DO TE O REM A DE B E R ti OU l l l 57

í23.s2 r-
=~ 3
,.,~ yo~- ~,7,84 ~2,8m/s

'!'
I,'
i:r_l'.
Q ~A 1 • v 1 ~ 0,0100 x 2,8 ~ 0,028m 3/s (ou~ 28!/s).

' '
' '
1 - A 1 = 100cm 2
p = O,Skgf/cm
2

.&
y
2 -A2= 50cm2
p = 3,38kgf/cm2
(j) 100,00

F~o
At
Figura 4.8 i,.,__________;P;,;'____P;;,';.. ____;P;;;';.,____.J

Nessas condições, os viiS{)s poderão ser separados afastando-se os bocais; a água


Figura4.10
continuará a passar de um vaso para o outro, sen1 escapar para o exterior.

1 ~.'.·~ Exercício 4.4- De uma pequena barragem, parte uma canalização de 250
mm de diâmetro, com poucos 1netros de extensão, havendo depois uma
/. Nfvel mais alto
Nfve/ mais alto
~~~~\\ s redução para 125 mm; do tubo de 125 mm, a água passa para a atmosfera sob

,~'
•:if2·~~
a forma de jato. A vazão foi 1nedida, encontrando-se 105 fls .
.-· ;
1
1
.
'.'...' .•.·,.f.·
..·.•. ,;, In .. .•.'
.~- .

I ;h:;;"·-- ;·,. (i) "~-;-,

f Figura4.9

Exercício 4.3 -A água escoa pelo tubo indicado IH\ Fig. 4.10, cuja seção varia
do ponto 1 para o ponto 2, de 100 cm 2 para 50 c1n 2 . Em 1, a pressão é de 0,5
kgf/cm 2 e a elevação 100, ao passo que, no ponto 2, a pressão é de 3,38 kgf/
cm 2 na elevação 70. Calcular a vazão em litros por segundo.

_t
p
v' +-----.-!..+z 1'
v·t +--.--s._+z.
=-2
Calcular a pressão na seção inicial da tubulação de 250 nun; a altura de água
2g
2
r ' 2g
2
r '2 H na barragem; a potência bruta do jato.
~+ 5 OOOkgf/m +lOO = ~ + _33 800 + 70
2g 1 000kgf/m 3 2g 1 000
v2 v2
2
- 1 +5+100=- +33,8+70
2g 2g
v~ l'~
--~~!OS -103,8 ~ 1,2
P2
y =O (descarga na atmosfera)
p 1 _v~ vi
2g 2g y--2g- 2g'
v~- v~ =2x9,8 x 1,2 = 23,52
0,105 0,105
Comov= Q ,,, =~~-=2,14m/s, =8,53m/s.
Como a seção no ponto 1 tem uma área duas vezes maior que a do ponto 2, A' 0,0491 0,01227
com a mesma vazão, a velocidade no ponto 2 será duas vezes maior. De acordo
Logo, a pressão é calculada como sendo
cmn a equação da continuidade,
Q=A 1 ·V 1 =A 2 ·v2 •• l'2 =2v 1
p, ~ 8•53' - 2•142 ~3,71-0,23~3,48m
Substituindo, r 19,6 19,6
HIDROOIIlÂMICA EXTENSÃO DO TEOREI.IA DE BERUOULLI AOS CASOS PRÁTICOS 59
58
da mesma forma, calcula-se a altura de água.
Exercício 4.6- Em u1n canal de concreto, a profundidade é de 1,20 nl c as
v'1 águas escoa1n com utna velocidade média de 2,40 m/s, até um certo ponto,
H=p' + - =3,48+0,23=3,71rn; onde, devido a uma queda, a velocidade se eleva a 12 m/s, reduzindo-se a
r 2g
profundidade a 0,60 111. Desprezando as possíveis perdas por atrito,
Determina-se, por sua vez, a potência bruta do jato. determinar a diferença de nível entre as duas partes do canal (Fig. 4.13).
QXH = 105x3,7l vz1 v2
Potência= 5,2 cv -
2
+0+(}'+1,20)=- +0+0,60
75 75 2g . 2g
2 2
2,40
- - + 1 20 +J'----+
- 12,00 o 60
19,6 ' 19,6 ' .
Exercício 4.5 - Uma tubulação vertical de 150 tn1n de diâmetro apresenta,
em um pequeno trecho, uma seção contraída de 75 mm, onde a pressão é de Logo_
1 atm. A três metros acima desse ponto, a pressão eleva-se para 14,7 1nca. 0,30 + 1,20 + J' ~ 7,40 + 0,60_
Calcular a velocidade e a vazão. (Fig. 4.12). .l' ~ 8,00 - 1,50 ~ 6,50 m_
Se a velocidade na tubulação, propriam_ente dita, for v 1 , a velocidade v 2 , na
garganta, será muito superior. 4.13 -EXTENSÃO DO TEOREMA DE BERNOULLI AOS CASOS
A PRÁTICOS
v2 1
=- xv 1 =4v 1 , Na dedução do teorema de Bernoulli foram feitas várias hipóteses:
A,
a) o escoa1nento do líquido se faz sem atrito: não foi considerada a influência
v; +14,7+3= (42g
v 1)
2
+10,3+0, '
~+17,7= lGv,' +10,3, lSv~ = 74 da viscosidade;
2g 2g 2g 2g '' b) o movimento é permanente;
c) o escoamento se dá ao longo de um tubo de corrente (de dimensões
v 1 --~2x9,S~-310
- • lll_I s, v2 = 4v 1 = 12,4nJ./s, infinitesiinais);
15 d) o líquido é incompressível.
3
Q = A 1v 1 = 0,0177x3,10= 0,055tn /s. A experiência não confirn1a rigorosamente o teore1na de Bernoulli, isto porque
os fluidos reais (naturais) se afastam do modelo perfeito. A viscosidade c o atrito
externos são os principais responsáveis pela diferença; em conseqüência das forças
de atrito, o escoamento smnente ocorre com uma perda de energia: a perda de
carga (a energia se dissipa sob a forma de calor).
Por isso se introduz na equação de Bernoulli um termo corretivo br (perda de
----1 --- --- p 1 = 14,7 mca carga). 2 p v' p
~+......!.+z o=-2 +~+Zz+hr.
' r
3,00 75mm

II
--·2----- -- ----- P2 == 1 atm::. 10,3 mca

· ..
e._ Figura 4.12 Figura4.13
Figura4.15
60 Hl D ROD I rlÃI,IICA [XT[r!SÃO DO lEOREMA DE BERIIOULLI AOS CASOS PRÁliCOS 61

Além da correção acima, um outra deve ser mencionada: a dedução foi feita
para um tubo de corrente considerando-se determinada velocidade para cada seção.
Na prática, porém, o que se verifica é a variação de velocidade de ponto para ponto
numa tncsma seção. Nessas condições, o que se tem não é uma velocidade única, ,,,
rnas sim uma distribuição de velocidades. Daí uma correção para o termo v 2/2g: 0+ 0+4,5 =_L_+ 0+ O+ (O, 75 + 1,25),
19,6
"'P
a-' + -
1 2
+Z =a-
vzp
+~+Z. +h
2g r I 2g r 2 r \'f~ 2,5 X 2 X 9,8 ~ 49,
onde Vc=7mjs,

o.= coeficiente de correção (coeficiente de Coriolis); a velocidade terá o mesmo valor em qualquer ponto do trecho@-©,já que
v 1 =velocidade média na seção igual a Q/11 1 . 0 diâmetro é constante.

O valor de o: varia entre 1 e 2; será 1 quando houver mna velocidade única na JC(O, 15)2
Q=AF= -X7=0,124m3 js
seção, e 2 quando, em uma canalização, a velocidade variar parabolicmnente de O 4
junto às paredes do tubo, até o seu valor máximo no centro. Comumente, o valor Para determinar a pressão em@, pode-se aplicar Bernoulli entre os pontos
desse coeficiente está próximo da unidade, sendo, por isso, omitido em r:nuitos
problemas da prática.
@e@.
O enunciado geral do teorema de Bernoulli fica sendo, portanto: v~ PA Z
-+-+
v~ p~
4: =-+-+ZB+lll'"
2gy '2gy ""
"Para um escoamento contínuo e permanente, a carga total de energia,
em qualquer ponto de uma linha de corrente é igual à carga total em 7 02
0+0+0= • +Pn +1,8+0,75
qualquer ponto ajusante da mesma linha de corrente, 1nais a perda de 19,6 r
carga entre os dois pontos".
p8 = -5,05 mca
A adoção no enunciado acima da "linha de corrente" visa muumizar a Observe-se ql.1e o limite de pressão negativa possível é o de rompimento da
necessidade da introdução do coeficiente de correção u. achna explicado. Ou seja, coluna líquida, ou seja, o da formação de vapor ou tensão de vapor, que nas
medindo~se sempre as energias no centro do tubo, por exemplo, se o diâmetro e a CNTP é de 1 atm (-10,33 mca). Nas condições reais não é bom aproximar-se
rugosidade forem iguais, não é necessário o coeficiente a. desse valor, que só se atinge teoricamente, pois vibrações ou temperaturas
No exercício a seguir, informam-se as perdas de carga (arbitradas) porque a acima das normais podem impedir o funcionamento de um sifão assim
forma de encontrá-las é descrita em capítulo posterior. A perda de carga nesse calculado.
problema seria função do diâmetro (conhecido), do comprimento (não informado) Se, por acaso, verifica-se que um sifão calculado con1 pressão relativa negativa
e da rugosidade interna do tubo (não informado). e1n seu ponto mais alto (pressão absoluta abaixo de 10,33 mca, nas CNTP)
funciona assim tnesmo, deve-se observar que a saída do sifão (extremidade
Exercício 4. 7- Tome-se o sifão da Fig. 4.16. Retirado o ar da tubulação por de jusante) não trabalha à seção plena, portanto, a perda de carga não é a de
algum meio mecânico ou estando a tubulação cheia, abrindo-se {C) pode-se cálculo nessa velocidade, logo nem a vazão. Nesse caso, o sifão funciona por
estabelecer condições de cscoanwnto, de (A) para (C), por força da pressão acaso. A condição de funcionar com pressão negativa absoluta abaixo de -
atnwsférica. Supondo a tubulação com diârnetro de 150 mm, calcular a vazão 10,33 Inca é impossível de ser atendida.
e a pressão no ponto {B), admitindo que a perda de carga no trecho AB é O, 75
111 e no trecho nc é 1,25 111.

B
NA
l

Figura4.16
62 63

ORIFÍCIOS,
BOCAIS E TUBOS CURTOS

5.1- ESCOAMENTO El\1 ORIFÍCIOS (I'oronomia)


5.1.1- Classificação dos orifícios
Orifícios são perfurações, gerahnente de forma geon1étrica definida, feitas
abaixo da superfície livre do líquido en1 paredes de reservatórios, tanques, canais
ou canalizações. As aberturas feitas até a superfície do líquido constituem
vertedores (Fig. 5.2) .
.------·--··--

TriJs Marias, no rio São Francisco, foi um marco llnportantc da


engenharia de barragens no Brasil. Em sua época foi um projeto
de repercussão mundial, pelas suas dimensões- a maior
barragem de terra da América Latina e a quinta do Inundo. Seu
objetivo inicial foi a regularização do rio São Francisco, para fins Figura 5.1- Ilustração de um orifído Figura 5.2 -Esquema de um vertedor
de :melhoria das condições de navegação. (Fonte: IES1l Notícias).
Os orifícios podem ser classificados quanto à forma, em circulares, retangulares,
etc.; quanto às suas din1ensões relativas, em pequenos e grandes.
São considerados pequenos os orifícios cujas dimensões são Inuito menores
que a profundidade etn que se encontran1: dimensão vertical igual ou inferior a
um terço da profundidade.
Para os orifícios pequenos de área inferior a 1/10 da superfície do recipiente,
pode-se desprezar a velocidade v 1 do líquido (Fig. 5.1).
Já, quanto à natureza da parede, podem ser classificadas em orifícios em parede
delgada e orifícios en1 parede espessa.
A parede é considerada delgada quando o jato líquido apenas toca a perfuração
em un1a linha que constitui o perímetro do orifício (Fig. 5.3.a). Numa parede
espessa, verifica-se a aderência do Jato (Fig.5.3.c).
64 ORHICIOS, BOCAIS E TUBOS CURTos [SCOAMEIITO EM ORIFÍCIOS
65

Os orifícios e1n parede delgada são obtidos em chapas finas ou pelo corte em a Se designar JJor coeficiente de contração da veia a relação entre a área
Cost um.-
bisei. O acabamento em bisei não é necessário se a espessura e da chapa é inferior -ao contraída e a área do orifício:
d a seç.
a 1,5 vezes o diâmetro d do orifício suposto circular (ou à menor dimensão, se 0
orifício tiver outra forma (Fig. 5.3.b). C = A2
c A
Ao contrário, se e for maior que uma vez e meia o diâinctro, o jato poderá se
colar ao interior da parede, classificando-se o orifício como em parede espessa. Valor médio prático de Cc é 0,62, Tab.S.l. Teoricamente, o valor de C c é igual a

_!!.__ para orifícios longos, abertos em paredes delgadas, Fig. 5.5.


Jf+2

•rabela 5.1 - Ofifícios circulares em paredes delgadas.


Coeficientes de contração Cc
Diâmetro do orifício, cn1
Carga
h,m 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0

0,20 0,685 0,656 0,626 0,621 0,617


0,40 0,681 0,646 0,625 0,619 0,616
0,60 0,676 0,644 0,623 0,618 0,615
0,80 0,673 0,641 0,622 0,617 0,615
1,00 0,670 0,639 0,621 0,617 0,615
(a) (b) (c)
1,50 0,666 0,637 0,620 0,617 0,615
2,00 0,665 0,636 0,620 0,617 0,615
Figura 5.8- (a) Parede delgada biselad11. (b) P.-u·ede delgada: c< 1,5 d. (c) Parede espess11: e> 1,5 d 0,634 0,620 0,616 0,615
3,00 0,663
5,00 0,663 0,634 0,619 0,616 0,61•1
Se o valor de e estiver compreendido entre 2 e 3 vezes o diâmetro d, teremos o 10,00 0,662 0,633 0,617 0,615 0,614
caso de um bocal. -~
~-!li- """'--·
O jato que sai de um orifício chama-se veia líquida. Sua trajetória é parabólica Tratando-se de água e orifícios circulares, a seção contraída encontra-se a uma
(como a de todo corpo pesado animado de velocidade inicial}. distância da face interna do orifício aproximadamente igual à metade do diâmetro
do orifício.
5.1.2 ~Orifícios pequenos e1n paredes delgadas: teorema de Torricelli Adicionando-se à água uma substância que permita mostrar a trajetória das
Experimentalmente, constata-se que os filetes líquidos tocmn as bordas do partículas líquidas, verifica-se que os filetes, a princípio convergentes, tornam-se
orifício e continuam a convergir, depois de passarem pelo mesmo, até uma seção paralelos ao passar pela seção contraída.
A 2 , na qual o jato tem área sensivelmente n1cnor que a do orifício. Essa seção A 2 é No caso de orifícios pequenos, pode-se admitir, sem erro apreciável, que todas
denominada seção contraída (vena contracta}. as partículas atravessam o orifício animadas da mesma velocidade, sob a mesma
_ _ ______
,, ,

carga h.
A1 VI pa Aplicando-se o teorema de Bernoulli às se<;ões 1 e 2 (Fig. 5.4) e tomando-se o
eixo de orifício como referência,

v2 p v2 P·
h
~~ +.....1!.+11=~' +~'
2g· y 2g y
Como nesse caso, a seção A do orifício é muito pequena em relação a A" a
Vt p2
velocidade F 1 é desprezível em face de l-'1 ,

vi~2g(h+p.;p,)

v,
Figura. 5.4 Figura. 5.5
66 ORIFiCIOS. BOCAIS E TUBOS CURTOS 67

No caso 1nais comum em que a veia líquida se escoa na atmosfera, ;:; podc-se aplicar um coeficiente ligeiramente maior: O, 70.
1
Pz = Pa•
Tabela 5.2 - Orifícios circulares em_ paredes delgadas.
vt =~2gb, Coeficiente de velocidade Cv
expressão do conhecido teorema de Torricelli. Diâmetro do orifício, cn1
Carga
Cada partícula, ao atravessar a seção contraída, teria uma velocidade idêntica lJ,IU 2,0 3,0 4,0 5,0 6,0
à da queda livre, desde a superfície livre do reservatório até o plano de referência
passando pelo centro do orifício. ' 0,20 0,954 0,964 0,973 0,978 0,984
vt é a velocidade teórica, que não leva cn1 conta as perdas sempre existentes. 0,40 0,956 0,967 0,976 0,981 0,986
Na realidade, porém, 0,60 0,958 0,971 0,980 0,983 0,988
0,80 0,959 0,972 0,981 0,984 0,988
\'2 < l't 1,00 0,958 0,974 0,982 0,984 0,988
e por isso se introduz un1 coeficiente de correção, o coeficiente de redução de 1,50 0,958 0,976 0,984 0,984 0,988
velocidade; 2,00 0,956 0,978 0,984 0,984 0,988
3,00 0,957 0,979 0,985 0,986 0,988
C ,, = v2 5,00 0,957 0,980 0,987 0,986 0,990
v, 10,00 0,958 0,981 0,990 0,988 0,992

sempre menor que a unidade.


O valor médio de c,. é 0,985 (Tab. 5.2). Tabela 5.3 - Orifícios circulares em paredes delgadas.
Coeficiente de descarga Cd*
v 2 =C,.v1 =C,.~2gh. Diâmetro do orifício, em
Carga
A vazão será, então, dada por 11,111 2,00 3,00 4,0 5,0 6,0

0,20 0,653 0,632 0,609 0,607 0,607


substituindoA 2 e V ,
2 0,651 0,625 0,610 0,607
0,40 0,607
0,60 0,648 0,625 0,610 0,607 0,608
Q ~ AC,.C,.~2gh. 0,80 0,645 0,623 0,610 0,607 0,608
Designando-se por coeficiente de descarga ou de vazão ao produto C" C 1,, 1,00 0,642 0,622 0,610 0,607 0,608
1,50 0,638 0,622 0,610 0,607 0,608
Cd=C"C1., 2,00 0,636 0,622 0,610 0,607 0,608
(fórmula geral para pequenos orifícios), 3,00 0,634 0,621 0,611 0,607 0,608
5,00 0,634 0,621 0,611 0,607 0,608
sendo, 10,00 0,634 0,621 0,611 0,607 0,609
h =carga sobre o centro do orifício (m); .. O valor médio geralnJcmte adotado en1 problemas e 0,61
A = área do orifício (m 2 );

cd =coeficiente de descarga.
Na prática, é adotado o valor médio de Cd dado na Tabela 5.3.
Para orifícios e1n geral,
5.1.3- Fenôn1eno da inversão do jato
cd = c" C 1
• = o,62 x 0,985 = o,61,
É urn fenômeno curioso o que ocorre com a forma dos jatos (seção transver-
Ca • 0,61. sal). A forn1a dos jatos passa por estágios que se sucedem a partir da seção contraída.
A Tab.5.3 apresenta valores de Cd para pequenos orifícios, aplicáveis em Assim, por exemplo, se o orifício tiver uma forma elíptica, o jato deixará o
questões que envolvem maior precisão. orifício com essa forma; numa seção posterior, o jato passará a ter a forma circular
Também as adufas c comportas podem ser consideradas como orifícios. No c, mais adiante, voltará a assumir a seção elíptica, porém com o eixo rnaior em
caso de comportas con1 contração completa, o coeficiente Cd equivale a 0,61: nas correspondência ao eixo primitivamente menor (Fig. 5.6).
comportas con1 contração incompleta, por influência do fundo ou das paredes A Fig.5. 7 mostra seções de jatos produzidos por orifícios de forma triangular e
laterais, o coeficiente varia de 0,65 a O, 70, podendo atingir valores ainda mais quadrada.
elevados em condições favoráveis. O valor prático usual de Cd é 0,67. Para as adufas,
;E$'COAMENTO EM ORfFiCIOS

A carga para esse trecho elementar será

o~o~c:G=>~=I}= dQ ~ C"L dh,J2i-J;


A descarga de todo o orifício será obtida integrando-se essa e~
Ihnites ]1 1 e 11 2 (cargas correslJOlHlentcs ao topo e à base do orifíc-::t_.....,~~=:::: -----==----=
D~o~v-~y h, c-c- c-Jh' Ih 2 c-,
~==~

Q=
J CdLdh._;2gh =CdL-.j2g
111 "'
--.Julh=-CdL\12g(h;l2
3

o~o~o~o Substituindo-se o valor


Figura 5.6 Figura 5.7

5.1.4- Orifícios afogados abertos etn paredes verticais delgadas.


Diz-se que um orifício está afogado quando a veia escoa em tnassa líquida (Fig.
5.8). Nesse caso, ocorre, ainda, o mesmo fenô1neno de contração da veia. 5.1.6- Contração incon1plcta da veia
A expressão de Torricelli pode ser ___ , ____________ Para posições particulares dos orifícios, a contração da veia 1~ '<::cc-==c-
mantida, porém a carga h deve ser consi- modificada, ou 1nesmo suprimida, alterando-se a vazão. < ----=- ~ - - :'
derada como a diferença entre as cargas de Para que a contração seja con1pleta, produzindo-se en1 todo 0 c
montante e jusantc (11 1 - h 2 ). é preciso que o orifício esteja localizado a un1a distância do fundo~·
Os coeficientes de descnrga serão laterais, pelo Inenos igual a duas vezes a sua menor diinensão.
ligeiramente inferiores aos indicados para No caso de orifícios abertos, junto ao fundo ou às pare _ __
orifídos com descarga livre. Em muitos indispensável uma correção. Nessas condições, aplica-se um coe fiei~c ~ ~~
problemas da prática, essa diferença é Cd corrigido. ~-----:::a_ " t ""
desprezÍ\'Pl. Para orifícios retangulares,
I<'igura5.8
C'd~ C" (I+ 0,15k),

5.1.5- Orifícios de grandes dimensões. Orifícios sob cargas reduzidas --------~- ---------
Tratando-se de orifícios grandes, já não se pode admitir que todas as partículas

lJU
que os atravessam estejam animadas da mesma velocidade, porquanto não se pode
considerar nma carga única {h). A carga é variável de faixa para faixa.
O estudo pode ser feito considerando-se o grande orifício cmno dividido em
um grande número de pequenas faixas horizonlais, de altura infinitamente
pequena, para as quais pode ser aplicada a expressão estabelecida para os orifícios b b
pequenos.
Sejam_ Figura 5.10

L = largura do
onde
orifício
h = carga sobre mn k _ . perímetro da parte em que há supressão
trecho elementar, de penmctro total do onhcJO
espessura dh. A Fig 5.10 inclui os seguintes casos:

k~--b- k = 2a+b
2{a+b)' 2{a+b).
Para orifícios circulares,
Figura 5.9
70
@nsi;;;::;~l:< !! "'' J~:;:<'~~=-~~~5J
ORIFÍCIOS, BOCAIS E TUBOS CURiOS ESCOAI.I[fl10 EM ORIFÍCIOS 71

Para orifícios junto a uma parede lateral, k = 0,25; para orifícios junto ao fundo No caso de comportas, o valor do coeficiente e1n geral_ se inclui entre 0,6 e 0,8.
k 0,25; para orifícios junto ao fundo c a uma parede lateral, k = 0,50; para orifício~
Adml"t"tn do -se como valor comum O, 7, encontra-se para calculo da perda de carga
=
junto ao fundo e a duas paredes laterais, k =O, 75.
em comportas: ht = 2\'ig ·
5.1. 7- Vórtice ou vórtcx
A vazão é dada pela expressão conunn: Q = 0,7~2gH (onde H é a altura do nível
O vórtex é o redemoinho que se observa quando um líquido escoa por um
orifício aberto no fundo de un1 tanque raso. d'água en1 relação ao centro da comporta). No caso de comportas afogadas, H é a
diferença entre os níveis d'água de montante e de jusante.
O primeiro investigador a descrever o fenômeno foi Venturi.
~---=----=:-·-----·--------c-~·-c---c-------.
O vórtex se forma quando a profundidade (carga) é inferior a cerca de trCs Comporta Adufa de parede
vezes o diâmetro do orifício.
Telar

'Guia

LUva

Figura 5.11 Figura 5.12- Fotogmfia de um vórllce Anéis

É curioso notar que o sentido de movimento é diferente para cada hemisfério, Sede
sendo o de ponteiros de relógio para o hemisfério sul (desprezada a influência de B
causas perturbadoras).
A formação de vórtice é inconveniente para o escoamento, pois o arraste de ar
Figura 5.18
causado pelo redeinoinho, além de reduzir a vazão, provoca ruídos e posterior
acúmulo de ar em pontos altos das canalizações, prejudicando também o
5.1.9- Escomnento com nível variável
funcionamento de eventuais motobombas instaladas a jusante.
Nos casos já considerados, a carga 11 foi admitida invariável. Se não for mantido
o nível constante, a altura h passará a diminuir com o tempo, em conseqüência do
5.1.8- Perda de carga nos orifícios, adufas c cmnportas próprio escoamento pelo orifício. Com a redução da carga, a descarga através do
Se não existissem perdas nos orifícios, a velocidade v 2 do jato igualar-se-ia à orifício também irá decrescendo. O problema que se apresenta na prática consiste
velocidade teórica v 1 (Torricelli). em se determinar o tempo necessário para o esvaziamento de um recipiente ou de
A perda de carga que ocorre na passagcn1 por um orifício, corresponderá, um tanque.
portanto, à diferença de energia cinética Sendo
A = a área do orifício
AR= a área do reservatório (superfície);
Como t =o tempo necessário para o seu esvaziamento, em segundos.
Num pequeno intervalo dt, a vazão será
v'
c,,= ___g_,
v,
Q = CaA~2gh (pequenos orifícios)

111 ~(;e -1);;. e o volume de líquido descarregado,

expressão da perda de carga, aplicável também às adufas c comportas.


(Vol ~ QX t)"
72 ORIFÍCIOS, BOCAIS E TUBOS CURlOs 73

Nesse mesmo intervalo de tempo, o nível de água no reservatório baixará de ''""·'""'" circular (afogado):
dh, o que cmTesponde a um volume de líquido
Q ~ C"AJ2g(ll 1 -11, ~ 0,026 ~ 0,61 x A x ~2 x 9,8x(2,6-0,6).
ARdlJ.
As duas expressões que dão o volume são iguais Logo,
A 0,026 ~ 0,026 ~o.oo 7 m'.
dt 0,61 X ~39,2 3,82

Integrando-se a expressão acima, entre dois níveis h 1 e l1 2 , "d' ~o.oo1 :.d~ f4-;;0,0o7" ~~o.oos9.
AR fhl h-112d1J, t
4
d
v"
= 0,094In (9,4cm).
CdAj2g hJ

Para o esvaziamento completo 11 2 =O e h 1 =h, Exercício 5.2 - Em uma estação de tratamento de água, existem dois
decantadores de 5,50 x 16,50 me 3,50 m de profundidade (Fig. 5.15). Para
t limpeza e reparos, qualquer uma dessas unidades pode ser esvaziada por
meio de uma comporta quadrada de 0,30 m de lado, instalada junto ao fundo
expressão aproximada, uma vez que depois de certo tempo de escomnento o orifício do decantador. A espessura da parede é de 0,25 111.
deixaria de ser "pequeno". Substituindo-se os valores Calcular a vazão inicial na comporta e determinar o tempo necessário para o
esvazian1ento do decantador
cd = o,61,
fii =4.43, Q =CdA)2gh1 -
c;1 =0,62
encontra-se 2
A =0,30x0,30=0,09m
111 = 3,35tn

Q ~ 0,62x0,09~9.sx3.3S ~ 0,452m3/s ~ 452 1/s


Exercício 5.1- Em uma fábrica encontra-se a instalação indicada no esquema que é a vazão inicial na comporta. Vejamos o tempo necessário:
(Fig.5.14), compreendendo dois tanques de chapas metálicas, em comunicação
t~ 2AR jh
por um orifício circular de diâmetro d. Determinar o valor máxilno de d,
para que não haja transbordamento no segundo tanque. C"A,fii
Orifício quadrado (com supressão em uma face): 1~ 2x90,75 . 5.35
0,62x0,09x~9,8
Q ~ c;,A,figi~. l = 1345 s, ou seja, cerca de 22,5 minutos (solução aproximada)
c;, ~c"(l+0,15kl.

l
k= b 0,10 =0,25,
2(a+b) 2(0,10+0,10)
c;1 = o,6t o +0,15 x o,z5) = o,633.
/2;, 9-,-8 X 0,85
Q "'""'0,633 X 0, 10 2 16,50
5,50
= 0,00633 x 4,08 = 0,026m:t;s (26fjs).

Planta

• - - Comporta
o
o 0,10x0,10
"'......:~J-""2,0;::;:,0_. ...I o
L 2,00
Figura 5.14 FJgura5.15
74 ORIIICIOS, t50CAIS [ TUBOS CURTOs
ESTUDO oOS BOCAIS 75

convergentes
Exercício 5.3 - Qual será o efeito (momento) dos jatos que deixam um cônicos { divergentes
í
distribuidor rotativo de 4 braços de 60 em, com bocas de 1 em de diâmetro?
Pressão de trabalho= 20 rnca (Fig. 5.16). Denomina-se, ainda, bocal-padrão ao bocal cujo c01nprin1ento iguala-se a 2,5
vezes 0 seu diâmetro c bocal de Borda ao bocal reentrante de comprimento padrão.
Q=C<IA~2gh,
=O,ülJTO,Olt ~2x9,8x20 5 .2.2 _vazão nos bocais
•l Aos bocais aplica-se a fórmula geral, deduzida para os orifícios pequenos,
=0,00lm:1/sou 1 f/s

F =LQv=R
g
R = pQy =_I_Qv, cotno v= )2gh 5.2.3 - Bocais cilíndricos
g A contração da veia ocorre no interior dos bocais cilíndricos.
1 000 ,- .
R ~--0,001',12X9,8x20 =2kgf Nos bocais-padrão, a veia pode colar-se ou não às suas paredes. Fechando-se o
9,8
M = 4 x2x0,60 ~::: 4,8kgf · m ·"------'~ato tubo de modo a enchê-lo, fazemos com que a veia fique colada, resultando mn jato
"tota1"(ocupando inteiramente a seção de saída).
É interessante observar que o bocal reentrante de Borda corresponde à menor
R+-
vazão: coeficiente de descarga 0,51 (teoricamente encontra-se Cd = 0,5 para veia
---------------FI-gu-ra_5.1u6"__~::::::::::::::::::::::::::::::::::::~_j livre)
5.2 - ESTUDO DOS BOC1\IS O bocal cilíndrico externo, com veia aderente, eleva a vazão: Cd = 0,82.
5.2.1- Classificação dos bocais
Os bocais ou tubos adicionais são constituídos por pe<;as tubulares adaptadas
aos orifícios. Servl•m parn dirigir o jato. O Sl'U co1nprimenlo deve estar
compl'et•ndido entre vez e meia (1,5) l' três(:~) vezes o seu di[ünetro. De um rnodo
geral. e pan1 comprimentos maiores. consideram-se comprimentos de 1,5 a 3 D
como bocais: de 3 a 500 D como tubos muitos curtos; de 500 a 4 000 D
(apmximadamentc) como tubuhH,;õcs curtas; c acima dt• 4 000 D como tubulações
J
longas.
O estudo de orifícios em parede espessa é feito do mesmo modo que o estudo
dos bocais.

Figura 5.17

Os bocais costumam ser classificados em:


. , . { interiores ou reentrantes Figura 5.18 Figura 5.19 (a) Bocal cônico simples. (b)
Cl 1In(1l'ICOS
Bocal cônico com exlreinidade cilfiull'ica.
exteriores
(c) Bocal convexo. (d) Bocal tipo Rouse
76 ORiflCIO~ BOCAl~ f IUBOS CURTOs [$TUDO oDS BOCAIS
71

5.2.4- Bocais cônicos _subdivisão de carga e1n u1n bocal. Perda de carga
27
5..
Com os bocais cônicos aumenta-se a vazão. Experimentalmente verifica-se que Da carga total H, que atua sobre um bocal cilfndrico.' cerca de ~/3 se converte
nos bocais convergentes, a descarga é máxima para e= J 3°30': Cri= 0,94. ' em velocidade, correspondendo o terço restante a energta despendida na entrada
Os tubos divergentes com a pequena seção inicial convergente. conforme mostra do bocal.
a Fig. 5.18 denominam-se Venturi, por terem sido estudados pelo investigador Considerando-se, por excn1plo, o caso ilustrado na Fig. 5.21 de um tanque com
italiano. As experiências de Venturi demonstram que um ângulo de divergência ma altura de água de 10 m em relação ao eixo de um bocal. cujo cmnprimento de I
de 5", combinado com o comprimento do tubo igual a eercu de nove vezes o diâmetro ~,30m iguala-se a três diâmetros (0,10 m).
da seção estrangulada, permite os mais altos coeficientes de descarga.
Q ~CrlAbgH
cd =0,82
5.2.5- Bocais c agulhetas A = O, 00785m
2

Na prática, os bocais são construídos para vanas finalidades: combate a


incêndios, operações de limpeza, serviços de construção, aplicações agrícolas, Q ~ 0,82x0,00785 ~2x9,8x10 ~ 0,090m'/s
tratamento de água, máquinas hidráulicas, etc. I(
Logo
Quatro tipos são usuais, e acham-se mostrados na Fig. 5.19.
Q 0,090
O coeficiente de descarga (C), geralmente, está compreendido entre 0,95 e 0,98. v-=-= 11,46m/s
A 0,00785
Os bocais dC' incêndio, normalmentl:', têm diâmetro de saída dp 25 a 37,5mm.
A carga h correspondente a essa velocidade será

v- 2 1146 2
5.2.6- Experiênein de VC'nturi 11 = - ~ - · - - = 6, 70m
2g 2x9,8
Pareci:' paradoxal o fato deu va~ão se elevar com a udit;âo de um bocal; com 0
bocal, novos pontos pura perda de enL•rgitl são criados. A explie<u;ão foi dada por Cmnparando-se esse valor de 11 com a carga inicialmente disponível (H= 10m),
Vt:>nturi numa célebre PXperil·ncin. verifica-se que cerca de dois terços de H (66,6% ou, aproximadamente, 6, 70 m)
converte-se em velocidade, enquanto que o terço restante (33,3% ou 3,30 m)
A pressân m6dia existente na coroa de d('pn•ssâo, que t•nvolvP n \'Pia líquida
corresponde à energia despendida na entrada do bocal.
dentro do bocal. {• nwnor que a pressão atmosférica. Isso foi vt•rificndo por Ven-
turi. qtH' introduziu naquela pm·tp um tuho de vidro. conform<' mostra a Fig. !1.20. Essa perda (1/3 H) é equivalente à Inctade de ]l (h = 2/3 H), sendo portanto
Observa-se que o valor O. 75h tem um limite teórico de l alm (lO mca). igual a
Ness<1s condições. a descarga. que num orifício ocorreria contnl a pressão ,,2
0,5-
atmosférica, com a adição de um bocal passa a ser feila contra uma pressão menor, 2g
elevando-se a vazão. A cxistêncin do bocal permite a formação P manutenção da Designando-se por h, a perda de carga,
coroa de depressão.
hr =H-11,

Como, confonne 5.1.2,

~~~ ~ l""~
e

l-I :co 10m

_!__ ------
7
Figura 5.20 Figura5.21 expressão da perda de carga nos bocais idêntica a dos orifícios.
78 ORifiCIOS BOCAIS E TUBOS CURTOS TUBOS CURTOS SUJEITOS A DESCARGA LIVRE 79

5.2.8 -Comparação entre a perda de carga em um bocal normal e a perda em QUADRO ~,1 _.:,Bocais: coeficientes Ill~dios " \" _ ,. ,~ . " , ,,
un1 bocal con1 entrada arredondada
Para os bocais com. uns, Fig. 5.22a, em que o valor n1.édio de C\, é 0,82, a perda Casos
na entrada vem_ a ser
2 2 2
2 Valores m_édios para
h= -1- 1 ) -v- = ( - - v v _ " v
1 - 1 ) -=(1,5-1)--0,.lO~
r ( c~ 2g 0.82z 2g 2g 2g, 0,62 0,985 0,61 orifícios comuns em
parede delgada
\'z
ou seja, g.

u
GO% de

:::::~------
2

lJ :>..,-- 0,52 0,98 0,51 Veia livre

:::,,,,~~~~t_oo-

rJ o
;:::'''-.occ- 1,00 O, 75 O, 75 Veia colada

a b
'
c
- -----.1-
Figura 5.22 _.----r-~---_:::- 0,62 0,985 0,61 Veia lh'!'e (valores médios)
Empregando-se bocais com hordas lwm nnedondadas (Fig·. 5.22 b). consegue-
se eh•\·ar o \'alor de C\ até O.!IH. rt>sul!nndo

::~~~~~!;:o:o:,:::::: -_-
., .,
,.- v-
{1,04-1)-=0.04-

ou ;:qwnas el'rea de 4~: da carga de velocidade. o que mostra a conveniência de haver


2g '2.g
::----i 1,00 0,82 0,82 Veia colada

melhores eondh;ões de entrada.


A forma geométrica ideal é a de uma tratl'iz*. N.a p1·átie.a. porén1., uma curvatura
Bordas arredondadas
ideal constitui um rPfinamento que raramente pode ser rcaliz'ado. Entretanto as 1,00 0,98 0,98 acompanhado os filetes
condh;ües podem ser bastante melhoradas nos casos de tubuli.H;ões. Pmpregando- líquidos
se nn sua extremidade inicinluma peça de redução de diiinwtro (Fig. .S.22 c).

Tnheln 5.4 ·- AlennceJná:Xilntldosjalos(requillles)


(Tmns. AS.C.E. vol. X.XI ), m 5.3- TUBOS CURTOS SUJEITOS À DESCARGA LIVRB

!
AJ(·ilnec horizonlnl
Ângulode32"
~.:na horizm~tnl*~. ___ __
I Aknncc vertical
Ang\tlo{il'{iOc·
cmnu horizontal..,.,
5.3.1- Natureza do problen1a
Um p1·oblema que se apresenta ao engenheiro com relativa freqüência é o que
diz respeito à determinação da vazão de tubos relativamente curtos com descarga
P:ressilo -- ~J2_iún_wtrod~.~~<~ais ~·- -~: "!?Ifu11~!!~~~~~~~aJ~ livre. Para citar os exemplos 1nais comuns, basta n<encionar certos tipos de
1'" 11/4" 11/2'' 1"" 1 1/4" 1 1/2" extravasadores, canalizações para o esvaziamento de tanques, descargas de
(2,5tm) (3,15cm) (3,75cm) (2,5tm) . (3.l~cm) (:~.75~m)
canalizações, bueiros, instalações industriais, etc.
l<lmca 11,3 11,9 12,2 10,7 11,0 11,3 Muito embora esse problema não exija tratan1.ento complexo, a sua solução
20mca 16,8 18,9 20,1 19,5 19,8 21,0
nem sempre tem sido bem colocada pelos profissionais que dele se ocupam.
42 mca 20,5 22,8 24,4 24,0 25,6 26,6
28,7 29,3
Observa~se freqüentemente a aplicação de fórmulas estabelecidas para as tubulações
56Inca 23,2 25,6 26,9 27,2
--'--~-___] (encanamentos longos), sem os cuidados exigidos pela particularidade do caso em
u Angulo tVlll <lllunznnl<ll que pprnJJfealcance nuíxirnn questão.
* Tralriz- Clli't'a.pllwa cujas l<lllgenles lelll igual conlpriiHenlo.
81
DESCARGA LIVRE
80 ORJFICIOS, BOCAIS E TUBOS CURTos

Analisando-se o problema sob o aspecto mais geral, encontram-se, para L,_ o


orifícios; L= D, orifícios; L= 2D, bocais; L= 3D, bocais. ' (
Quando o comprin1ento L ultrapassa E, comO
(
um grande núnwro de vezes o diâmetro D,
v'
encontra-se o caso das tubulações 2g 1, ~c"J2gH,
L>nD. 1
Teoricamente, o valor de n não deve ser c,.~ ~l+k'
inferior a 40 nos casos mais favoráveis,
k ~-1--1,
devendo exceder 250 nos casos mais co-
muns. Merriman considerava o compri-
mento 500 x D como limite inferior para as
tubulações propriamente ditas.
Figura5.24
oh ~(~~ -1);;.
. - que permite o cálculo da perda de carga em um orifício, em
5.3.2- Tubos muito curtos - ·· expressao . -
De qualquer maneira, verifica-se a existência de uma certa gama de valores, . I a entrada de uma canahzaçao.
Um boca ou n ~ . . . C - O 82
valor pratico pai a bocais, \'- • •
compreendida entre 3 x D e nD, que excede os bocais e cujas condições não d
caracterizan1 as tubulações normais. Toman o-se o ( 1 ) ,,, v'
Geralmente se considera tubos muito curtos aqueles cujo comprimento supera O] F 0,82' -1 2g ôó 0,50 2g.
o dos bocais {3 x D) e não excede o das tubulações curtas {500 x D).
As fórmulns gerais para os encanamentos são aplic<iveis aos tubos ou tubulações
de comprimento superior a 100 x D, devendo-se considerar as perdas de entrada e t tbulações retilíneas ~
de velocidade parn as tubulações cujo comprimento seja inferior a cerca de 4 000 x 5.3.4- Pel'das nas l~ t bo ou de uma simples tubulação retilínea, alem
D. Para essa zona poden1 ser definidas as tubulações curtas. Tratancto~se, porenl, de um ( u 5 '12 ) da carga correspondente à velocidade
·d localizada na entrada O,. v g e <
Erros grosseiros podem resultar da aplicação descuidada de fórmulas obtidas da pei a . - . I perda por atrito ao longo das peças (h f)
para canalizações de grande comprimento aos tubos muito curtos. Enquanto que (l'2j2g) existe aHH a a
naquel<1s predominam os atritos ao longo das linhas, nesses prevalecem a energia \'2 \'2
convertida em velocidade e as perdas localizadas, entre as quais a de entrada. H =0 5-+~+h,,
' 2g 2g
A influência das diversas perdas nas tubulações em função da relação v2 f Lv 2 (fórmula Universal -veja capítulo 8)
comprimento/diâmetro (L/D) pode ser evidenciada pela 'fab. 5.5, de valores médios H=15-+~-,
' 2g D 2g
calculados para tubos de 0,30 m de diâmetro, com uma carga inicial de 30m.

Tabela 5.5 2gH~


(1,5+/-L) v D
2
... ,,~
i2g[f-
~1,5+/ D
L.

Coinpriiuento
expresso CIH 5 50 100 1000 10000
diâmetros

Carga de velocidade* 62% 41% 29% 5% 0,5%


Perda JW. entrada 32% 20% 15% 2% 0,3%
Perda nos tubos 6% 39% 56% 93~- 99,3%

,. E1U tennos da carga disponível H

5.3.3- Perda de carga nos orifícios e bocnis que também poderá ser escrita da forma
No caso de um orifício, a carga total equivale à energia de velocidade do jato
Q~ ~A_ _ ~2gH
acrescida da perda na saída:

~ c2-,.
_!___ +f!-_
n
82 SUJEITOS À DESCARGA LIVRE 83
ORifiCIOS. BOCAIS [TUBOS CURTOs
TUBOS CURTOS

Como

~
vcr+'n
1 2 3
Os valores do coeficiente de atritofvariam com a velocidade média do líquido
e com o diâmetro da cana1ização, para as mesmas condições de temperatura e de
rugosidade das paredes. O aumento de velocidade corresponde a um decréscimo
no valor de f.
No caso ·de tubos muito curtos, com descarga livre, a dificuldade reside na
fixação do valor adequado de_(. não somente porque, ao se procurar determinar a Figura5.25
vazão, a velocidade é desconhecida, como também devido ao fato de não se contar
com valores experimentais correspondentes às grandes cargas e velocidades
elevadas. c 01n o escomne nto lmninar• isto é • com a distribuição parabólica de velocidades,
v2
5.3.5- Condições de entrada nos tubos a energia cinética será igual a 2 Zg ·

Examinando-se as condições de entrada nos tubos sob o ponto de vista teórico, v2 2v


2

verifica-se que o regime normal de escoamento somente é atingido após um certo No percurso n1encionado, a energia cinética passará, portanto, de -
2g
a--.
2g
percurso inicial. Ao fim desse trecho de transição é que se pode encontrar uma
distribuição de velocidades capaz de caracterizar um regime de escoamento. Daí a
necessidade de se considerar os dois casos que ocorrem na prática: o escoamento S.S.'l _ Escoantento em regitne turbulento _ .
em regime laminar e o escoamento em regime turbulento.
Com o escoa 1nento tul·btilento • as condições de regime serao alcançadas mais
Nenhuma das fórmulas práticas estabelecidas para encanamentos, a rigor, rapidamente que no caso anterior. . .
poderia ser aplicada para as condições que prevalecem nesse trecho inicial.
·
T eoncatnen te , adini"te -se que • a partir da aresta de entrada (0),
· constltm-se d un1a
i
1 ~ laminar camada essa que vai se tornan o ma s
e
camada em que o escoame1 1 0 • • . t
5.3.6 ~Escoamento cn1 regilnc laminar , um valor crítico z a partir do qual a espessura se reduz repentinan1en e
espessa a te • ~ (f' I 1 inar)
Nesse caso, se a seção de entrada no tubo for bem arredondada, de 1nodo a a um valor relativamente pequeno (ó), que se mantem constante 1 me am_ ·
evitar contrações, todas as partículas do líquido entrarão no tubo c começarão a
escoar por ele com a mesma velocidade, exceção feita para uma camada muito Em z, origina-se uma catnada que limita o escoamento turbulento em regime,
pequena junto às paredes do tubo, que sofrerá a sua influência. cuja espessura aumenta muito rapidamente. .
De início, portanto, as partículas vão escoar praticamente com a mesma No ponto em que convcrgen1 essas novas carnudas (considerando o perfil de
um tubo conforme mostrado no
v2
velocidade v, sendo - a energia cinética da massa. desenho), as condições de regime
2g são atingidas em toda a seção de
À medida que as partículas forem escoando ao longo do tubo, os filetes que escoamento. As condições de
ocupam a parte central vão tendo o seu movimento acelerado, ao passo que as equilíbrio nesse caso são alct~n­
partículas mais pt·óximas das paredes ficam retardadas. Como se trata de regime çadas após um percurso multo
laminar, o perfil normal de velocidades é parabólico c as condições de equilíbrio, 1nenor que no caso anterior,
teoricamente, somente seriam atingidas após uma distância infinita. podendo-se estimar em 20 a 40
diâmetros, a contar da borda de
Praticamente, Prandtl e Tietjens indicam que o perfil de equilíbrio é obtido entrada. Devido à curvatura
após um percurso,
acentuada do trecho zt, o regime
L~ 0,13 R.D estabelece-se n1uito mais rapi-
Para R e= 1 800, por exemplo (número de Reynolds), damente do que se verificaria
L~ 234D. Pigura5.26 para zt'.
84 ORIFICIOS. BOCAIS [TUBO~ 85
TUBO s
5.3.8 ~Processo expedito de cálculo da vazão
En1 vista das dificuldades que se aprcscntmn para o tratazncnto do problema Tabela 5.6 Valores práticos de Cd
con1 o máxhno rigor teórico, apresenta-se vantajoso para o engenheiro Azc,•edo Netto* Bazard Eytelwein Fanning**
0 L/D
processo expedito de cálculo, que se considera a seguir.
0,33 0,38
A detenninação da vazão de tubos n1.uito curtos, sujeitos à descarga livre, 300
0,44
pode ser feita aplicando-se a expressão geral de descarga nos bocais; assiln 200 0,39
0,42 0,48
150
0,47 0,50 0,55
100
0,49 0,52 056 (
90
onde 0,52 0,54 o:5a
80
0,57 0,60
Q =vazão, en1 n1 3js; 70 0,54
0,56 0,60 0,60 0,62
A= seção de escoan1ento (área útil elo tubo), en1 m~; 60
0,58 0,63 0,63 0,64
g = 9,8 n1js 2 : 50
0,66 0,66 0,67
40 0,64
H= carga inicial disponível, en1 111. 0,70 0,70 0,70 0,70
30
0,73 0,73 0,73 0,73
20
O coeficiente de descarga Cd {ou coeficiente de velocidade C) dependerá 15 0,75 0,75 0,75
do conlprilncnto relativo do tubo, isto é, de I--/D. 10 0,77 0,77 0,77
Para orifícios etn paredes delgadas,
"
* \T.·llores obtulos con1 tubos de pequeno d~amctJo
L u \T.·llores obtidos co1n tubos de ferro fundulo de D = 0,30 1n
··- < o.s. cri= O. fi 1;
/)

Para os bocais. esse valor se eleva, 5.3.9 _Descarga de bueiros


Os bueiros são condutos relativamente curtos c geralmente tTabalham afogados .
!:._=2 u:L c,""O.B2. .,
As expencncms· d a Un't\•et·st'dade
~ . de Iowa , .EUA
~ , indicaram que o coeficiente de
D
descarga é função da relação comprnnento/dmmetro (L/D).
Pal'a os bueiros de concreto, até 15 m de comprimento, recomendam-se os
Para os tubos 1nuito curtos, o valor dt_• Cd vai ci<."lTl'S<-"Pndo, à l11l'dida que se
elen1 a relac.·ão L/D, em con:-;eqüência da influl•ncia dos atritos in!Prnos e externo valores para Cd dados na Tab.5. 7.
(punxk• dos tubos).
Tabela 5.7- Coeficientes de descarga para bueiros
Eyiehvein obteve os seguintes l"l'sullados con1 tubos novos dt:• feno fundido,
de 0.:30 de diâinelro, ensaiado~ con1 un1 carga inicial de 30 111: COlV.IPRli\,IENTOS DIÂlV.IETROS (m)
o (m) L 0,30 0,45 0,60 0,90 1,20 1,50 1,80

3,00 0,86 0,89 0,91 0,92 0,93 0,94 0,94


L
- ··· "" 1 O, cd =0.77: Bueiros com 6,00 0,79 0,8•1 0,87 0,90 0,91 0,92 0,93
/)
entrada 9,00 0,73 0,80 0,83 0,87 0,89 0,90 0,91
_lo= chanfrada 0,76 0,80 0,85 0,88 0,89 0,90
D 20. 12,00 0,68
15,00 0,65 0,73 0,77 0,83 0,86 0,88 0,89
I-_-
D- 30, cd =o. 70:
3,00 0,80 0,81 0,80 0,79 0,77 0,76 0,75
L Bueiros con1 6,00 0,74 0,77 0,78 0,77 0,76 0,75 0,74
D =40, C, 1 = O,GG:
entrada 9,00 0,69 0,73 0,75 0,76 0,75 0,74 0,74
_lo-GO viva 12,00 0,65 0,70 0,73 0,7•1 0,74 0,74 0,73
D- , C.t = O,GO.
15,00 0,62 0,68 0,71 0,73 0,73 0,73 0,72

Outras pesquisas formn conduzidas por Bazard e Fanning há tnuitos anos. O capítulo 18 trata do dimensionamento de bueiros, considerando outras
variáveis.
Na Tab.5.6, estão con1parados os valores práticos disponíveis para o
coeficiente cd.
86
87

VERTEDORES

o.lic-nEFINIÇÃO. APLICAÇÕES

~
L :wJ,;wQ$1.
Figura 6.2
li
Figura 6.1

Furnas. no rio Grande, com seu extraordinário potencial, evitou Os vertedores podem ser definidos como simples paredes, diques ou aberturas
o estrangulamento econtJmico da região Centro-Sul e assimllou
o infcio de uma polftica dinâmica no seto.í- de energia.
sobre as quais mn líquido escoa. O termo aplica-se, também, a obstáculos à passagem
Inaugurada em 1968, foi durante algum tempo a maior da corrente c aos extravasares das represas.
hidrelétrica da América Latina. Seu grande reservatório Os vertedores são , por assim dizer, orifícios sem a borda "''n•erõnr.
permitiu a regularização que viabilizou o desenvolvimento do
enonne potencial do rio, em várias usinas a jus ante (Fonte lESA
Notícias).

Figura 6.3- VerledoJ· de


uma pequena barragc1n de
elevação de nível.
88 VERTEOORES VERHDORE S
RETANGULARES DE PAREDE DELGADA 89

I-lá muito que os vertedores tên1 sido utilizados, intensiva e satisfatoriamente


na medição de vazão de pequenos cursos de água e condutos livres, assim como n~
controle do escoamento em galerias e canais, razão por que o seu estudo é de grande
importância.

6.2- TERJ\IINOLOGIA
A borda horizontal denom~na-se crista, ou soleira, Fig. 6.4. As bordas verticais
(
constituem as faces do vertedor. A carga do vertedor, H, é a altura atingida pelas Figura 6.5
águas, a contar da cota da soleira do vertedor. Devido à depressão (abaixamento)
da lâmina vertente junto ao vcrtedor, a carga H deve ser medida a montanteya uma
distância aproximadamente igual ou superior a 5H.

Face Crista ou soleira


z
~,ç~orij;-
i_ - - __ __I__
__l_H_
d~5H h
Veia ou
lâmina vertente

L
j L'

Figura 6.6. Vertedorcs: scrn contnlçõcs, corn unw contração e coin duas contrações

Figura 6.4 6.4- VER'I'EDORES UETANGULllRES DE PAREDE DELGAilA E SEI\I


U.3- CLASSIFICAÇÃO DOS VER'I'EDORES CONTRAÇÕES
Assumindo as mais variadas formas e disposições, os vertedores apresentam
comportamentos os mais diversos, sendo muitos os fatores que podem servir de A Fig.6. 7 1nostra um vertedor retangular de paredes delgadas com contrações
base à sua classificação. e outro sem contrações.

1. Forma
(a) simples (retangulares, trapezoidais, triangulares. etc.):
(b) compostos {seções combinadas).
2. Altura relativa da soleira
(a) vertcdores completos ou livres {p > p');
(b) vertedores incompletos ou afogados (p < p').
3. Natureza da parede
(a) vertedores e1n parede delgada (chapas ou madeira chanfrada};
(b) vertedorcs em parede espessa (e> 0,66H), (Fig.6.5)
4. Largura relativa
(a) vertcdores sem contrações laterais (!., = B);
(b) vertedores contraídos (L< B) (com uma contração e com duas Examinando-se o movimento da água em um vertedor (Fig. 6.8), observa-se
contrações). que os filetes inferiores, a montante, elevan1-se, tocam a crista do vertedor e so-
brelevam-se ligeiramente, a seguir. A superfície livre da água e os filetes próximos
É considerado contraído o vertedor cuja largura é menor que a do canal de
acesso (Fig. 6.6). baixam. Nessas condições, verifica-se um estreitamento da veia, como acontece
com os orifícios.
90 VERHDOREs IA oAS CONTRAÇÕES 91
JtlflU É''C
Para os orifícios de grande dimensões (5.1.5), foi deduzida a seguinte fórmula:
Tba1e 6a1. - Vertedores retangulares en1 parede delgada, sem
Q~~CaLJ2if<JJii' -1~1'). contrações.
3 Fól'lnula de Francis, vazão por Inelro linear de soleira*
Fazendo-se Q. Cfs Altura H, em Q. t(s
Altura H, em.
}J 1 =o, 9,57 25 230,0
3
h 2 =H.
4 14,72 30 302,3

Q~~CdLJ2i{H 213 , 5 20.61 35 381,1


6 27,05 40 465,5
34,04 555,5
I Q~K I-li'!' I· 7
8 41,58
45
50 650,6
onde 9 49,68 55 750,5
10 58,14 60 855,2
11 67,12 65 964.2
12 76,53 70 1077,7
13 86,24 75 1195,1
Para o valor médio Cd = 0,62. 14 96,34 80 1 316,5
2 15 106,90 85 1442,0
K ~-x0,62x4,43~1,83.
3 20 164,50 90 1571,0

,. Para os \'Cl'ledores co1n largu1·a znenorou 1nalor que UlllJnetro, nJultJplJcain-se os


6.5- FORI\IULAS PRÁTICAS valores da vazão pela Iargu1·a real

Encontra-se um grande número de fórmulas propostas para essa dassc de


vertedor. Serão indicadas apenas as mais usuais.
6.6- INFLUÊNCIA DAS CONTRAÇÕES
Essas fórmulas são válidas para os vcrtedores, nos quais atua a pressão atmos- AB contrações ocorrem nos vertedores cuja largura é inferior a do canal em que se
férica sob a lâmina vertente (espaço H' ocupado pelo ar, Fig. 6.8). Na fórmula de encontram instalados (L < B).
Francis está desprezada a velocidade de chegada da água.
Francis, após muitas experiências, concluiu que tudo se passa como se no vertedor
com contrações a largura fosse reduzida.
6.5.1 ~ Fónnula de Francis
Segundo Francis, deve-se considerar na aplicação da fórmula um valor corrigido
para L. Para uma contração,
L' ~L- 0,1 li.
sendo Q dada em m 3 /s. L e H em m.
Para duas contrações,
A Tab.6.1 inclui valores calculados pela fórmula de Francis para um metro de
largura de vertedor. L'=L-0,2H.

6.5.2 - FÓt'Inula da Sociedade Suíça de Engenheiros e Arquitetos Para o caso de duas contrações, Fig. 6.9, a fórmula de Francis passa a ser:

Q-[1816
- '
1,816 l
+ 1000H+1,6 1+0,5[__1i___]'
H+p
m3t2

6.5.3- Fórmula de Bazin (sem levar e1n conta a velocidade de chegada da água). Para que os resultados obtidos
.---------------------, com a aplicação dessa fórmula se aproximen1 dos valores reais, é preciso que H/p < 0,5
e que lif L< 0,5.
Q~[o,405+ 0 003

li
]1+0,55[__1i___]' ·UfJ2gH
li+p
As correções de Francis também têtn sido aplicadas a outras expressões, incluindo--
.se entre essas a própria fórmula de Bazin.
(

92 93
IA DA fORMA DA VEJA

,,, ,, .,. _ ,VER'CEDOR 'l'RAPEZOIDAL DE CIPOJ,J,E'C'CI


L .• _ Cipolletti proc~rou ~etet~minar un~- vertedor trapezoidal que compensasse o
deçréscimo de vazao devJdo as contraçoes. I
Veia ' Q- Q, + 2 Q,,

A inclinação das faces foi esta-


H belecida de rnodo que a descarga (
através das partes "triangulares"
do vertcdor correspondesse ao
decréschno de descarga, devido
às contrações laterais, com a van-
tagem de evitar a correção nos
0,1H L-0,2 H 0,1H
cálculos.
rygura 6.13
Para essas condições, o talude resulta 1:4 (1 horizontal para 4 vertical).
Figura 6.9 Figura 6.10

Fi[{llnl 6.1/ · lnstalw;ilo pe1~


6.8- INFLUÊNCIA DA VEI,OCIDADE DE CHEGADA DA ÁGUA
IJHliU'llle ele u1n 1·ertedor de
pm·ede delg;ulu, be1n l'enti- A f6rmula de Francis que leva em conta a velocidade da água no canal de
lado e co1n duns coJllrnções acesso é a seguinte:

[ ')3/2 - [.",_
Q~J,838 H +I'__
2g 2g
')'"
onde v é a velocidade no canal.
Em muitos casos na prática, essa influência é desprezada. Ela deve ser conside-
rada nos casos em que a velocidade de chegada da água é elevada, nos trabalhos em
que se requer grande precisão e sempre que a seção do canal de acesso for superior
a 6 vezes a área de escoamento no vcrtedor (aproximadamente L x H).

6.9- INFLUÊNCIA DA FORJ\IA DA VEIA


Nos vertedores em que o ar não penetra no espaço H' (Fig. 6.8), abaixo da
lâmina vertente pode ocorrer uma depressão, modificando-se a posição da veia e
alterando-se a vazão.
Essa influência pode se verificar em vertedores sem contrações ou em verte-
dores contraídos, como o indicado na Fig. 6.14, nos quais o prolongamento das
faces encerra totalmente a veia vertente, isolando o espaço lV. Nessas condições,
a lâmina líquida pode tomar u1na das seguintes formas:
a) Jâ1nina deprimida;
b) lâmina aderente,
c) lâmina afogada.
Figum 6.12- Detalhe Quando se emprega um vertedor para medir vazões, deve-se evitar a ocorrência
do 1'ertedor
dessas condições particulares.
95
94 VERTE DOREs TE o O R 1 R I A ri G U L A R

Lâmina deprinüda. O ar é arrastado pela água, ocorrendo um vácuo


a)
parcial em l\', que modifica a posição da veia, Fig. 6.15 b.
Lâmina aderente. Ocorre quando o ar sai totalmente, Fig. 6.15 c.
b)
Em qualquer desses casos, a vazão é superior à prevista ou dada pelas fónllulas
indicadas.
c) Lântina afogada. Quando o nível de água a jusante é superior ao da
a)
soleira, Fig. 6.15 d.
p' > p.

Nos vertedores afogados, a vazão diminui à medida que aumenta a


Figura 6.14- Planttl
submergência.
De acordo com os dados do U.S. of Board Watcrways, a vazão desses vcrtedores
a
b) pode.ser estiinada com base nos valores relativos à descarga dos vertedores livres,
aplicando-se u1n coeficiente de redução. .

Tabela 6.2- Coeficiente para verte dores afogados

Coeficiente 11/11 Coeficiente


11/H
c)
1,000 0,5 0,937
0,0
Figura 6.16- Fotografia de 0,6 0,907
0,1 0,991
b laboratório 1nostnmdo u dcprcssiio e 0,856
0,2 0,983 0,7
a aderência da l'cia líquida
0,972 0,8 0,778
0,3
0,956 0,9 0,621
0,4

Sendo h a altura da água acima da soleira, medida a jusante.


JJ~p'-p.

6.10- VERTEDOR TRIANGULAR


c
Os vertedores triangulares possibilitam n1.aior precisão na medida de cargas
correspondentes a vazões reduzidas. São geralmente trabalhados em chapas
metálicas. Na prática, somente são e1npregados os que têm forma isósceles, sendo
mais usuais os de 90°.

Para esses vertedores, adota-se a fórmula de


Thon1pson,
Q~ 1,4H512,

d
onde Q é a vazão, dada en1 m 3 js, e H, a carga, dada em
Figura 6.18 m.
---
.·.
--
~-:::
--
--
O coeficiente dado {1,4), na realidade, pode assumir valores entre 1,40 e 1,46.
~·c: p- Figura 6.17- Nos ve1·tedores Para Q em Cjs e H en1 em.
-- -- --- triangulares não existe soleil'a
-- --
-- - horizontal; a influência da
--
----
-
- Q ~ 0,014 . H 512
l'elocidade de chegada da água
é desprezfvel, sendo perfeita a
Fi :a 6.15 ventilação da }{jminn l'ertente. A Tab. 6.3 inclui as vazões já calculadas para as cargas mais comuns.
96
V[RTEDORES OE PAREDE ESPESSA
97

Tabela 6.3 - V~rtedores triangulares para paredes delgada c lisa. onde


Fonuula de Thon1pson L= 1r De
As experiências levadas a efeito na Universidade de Cornell mostram que n =
Altura li, em Q, r;s Altura H, em Q, C/s !,42 e que o coeficiente K depende do diâmetro do tubo.
3 0,22 17 16,7
4 0,42 ~ai ores de De, en1 m [(
18 19,2
5 0,80 19 22,0 (
6 1,24 20 0,175 1,435
25,0
7 1,81 21 0,25 1.440
28,3
8 2,52 22 0,35 1,455
31,8
9 3,39 23 0,50 1,465
35,5
10 4,44 24 0,70 1,515
39,5
11 5,62 25 43,7
12 6,98 30 69,0 Para os valores de H, compreendidos entre 1/5De e 3D e, o tubo funciona con1o
13 8,54 35 101,5 orifício, com interferências provocadas pelo movimento do ar (formação de vórtice).
14 10,25 40 141,7
15 12,19 45
Os tubos verticais, instalados nos reservatórios para funcionar cmno ladrões
190,1
16 14,33 50 247,5
apresentam as seguintes descargas para essas condições da lâmina vertente: ·

6.11- VERTEDOR CIRCULAR (EI\1 PAREDE VERTICAL) Valores de D, 111111 Q,f/s


, O vertedor. de
. se çao
- ctrcu
· I ar, embora raramente empregado, oferece
como 12 a 54
200
\ antagem a facthdade de execução e não requer o nivelamento da soleira.
300 32 a 154
A equação de vazão de um vertedor circular é a seguinte: 400 64 a 320
Q = 1,518 DU,flfl3 HI,B07 500 108 a 530
600 174 a 870
Q em m 3/s, De H em m
No capítulo 19 deste livro há mais informações sobre tubos verticais
funcionando como condutores de água pluvial (tese do proL C.F. Pimenta da
EPUSP).

C'\ 6,13- VERTEDOUES DE PAUEUE ESPESSA

WE Um vertedor é considerado de parede espessa, quando a soleira é


suficientemente espessa para que na veia aderente se estabeleça o paralelismo dos
filetes.
De Aplicando a expressão de Torricelli,
Figura 6.19- \-é1"ledor circultw Figura 6.20- Vertcdor tubular

e
6.12- VERTEDOR TUBULAR, TUBOS VERTICAIS LIVUES
Os tubo~ verticais instalados em tanques, reservatórios, caixas de á ua, etc. Q~LllMH-hJ f'lJilllÇiiO (1)

~-oc~e~rn f~ncwna_r como.::ertedores de soleiras curvas, desde que a carga s~ja infe- ou, para a largura unitária L= 1,
1101 a qmnta pai te do dtametro externo (Fig. 6.20).

H<De
5
Nesse caso, aplica_se uma fórinula do tipo No princípio da vazão máxima, de Bélanger "11 se estabelece de forma a oca-
Q~KLH" sionar uma vazão máxima". Com essa base pode-se pesquisar o valor máximo de Q.
98 99
VERTEDO!l[s PRO PO RC \O IJ A I S
V[RTEDORES
Derivando {H }Jt .. h:l) e igualando
a zero, Tabela 6.4 -Perfil Crcager
2H h- 31!"
2IJ ~ 31!.
~O,
X l' X y X ,.
Substituindo esse valor , na e- 0,0 0,126 0,6 0,060 1,7 0,870
quação (I) 0,1 0,036 0,8 0,142 2,0 1,220
0,2 0,007 1,0 0,257 2,5 1,960
0,3 o.ooo 1,2 0,397 3,0 2,820
0,4 0,007 1,4 0,565 3,5 3,820
- Figura 6.21
2
Q~L--H2g-II
3 \ I I
3 '
De acordo com as experiências de
Creager e Escande, podem_ ser adotados
os valores da Tab. 6.4 para uma carga
H= 1m. Para outros valores de H, basta
Q ~ 3~ vr2gL
3
H'"
'
n1ultiplicar as coordenadas indicadas
pelos mesn1os. Nas condições ideais de
projeto, pode-se aplicar a seguinte
Q ~ 1,71LH'" expressão:
Q '= 2,2L Ji3! 2 •
expressão confirmada na prática.

Figura 6.23- Perfil Creagcr pnm barrugens

6.15- VERTEDOltES PUOI'OUCIONAIS


Os vertedores proporcionais são executados com uma forma especial para a
qual a vazão varia, proporcionalmente, con1 a altura da lâmina líquida (primeira
--- potência de H). São, por isso, também denominados vertedores de equação linear.
. -------------- Aplicam-se vantajosamente em alguns casos de controle das condições de
escoamento em canais, particularmente em canais de seção retangular, en1 estações
de tratamento de esgotos, etc.
\fertedor Sutro

Figura 6.24 -
Verledor Sulro

Figura 6.22- \'ertcdores <I e /JilH'rle e.~-JJL'S"'' onde


(corl esul
· d o Centro
' TeenohJgico de Hjdniulicu · ·' dt• Sllu Pau/o)
Q =vazão, m 3 /s;
a= altura mínirna, m;
6.14- EXTRAVASOUES DAS BARRAGENS
b =largura de base, m;
No traçado da seção transversal dos extravaso.,. " .. .
ou no estudo do jJerfJ'I <la ,. . b · 1 (CS ou Sdngi .tdoui os das represas, 1-1 =altura da água, m.
< s pl opnas arragens que fu .· · y H
adotar a forma mais satisfatória t d ncwnam alugadas, pi·ocm·a-se A form_a das paredes do verledor é
A fon . - ,· . . < <, en o-se CJn vista o escoamento da lâmina vertente.
dada por
. na Ide~l e aquelu que favorece a vazão ou descur a e • . .
Impede a ocorrencia <lc .. . ~ g que, dO n1esn1o ten1po,
e 1e1 1os nocivos a estrutu .. t · ,
~
-
<
pulsações da veia, as vibrações, etc. l d, aiS como o v acuo parcial, as :'( 2 ,
.:._=1-- arctg L.
b 1r a
O traçado da crista deve ser feito pan a vazã 0 , .
maior carga admissível. < < < maxima esperada, isto é, para a
101
100 VI:_ RT E.DO!'![s VERTE DOREs pRO p O RC 1 O ll AIS

-
Tabela 6.5- Sutro -
0,14t
~--------- ..
~ ~-

___ _
Estuda-se o abastecimento de água para un1a granja que conta com 10 pessoas,
5
cavalos, 15 vacas e 200 galinhas.
N imediações existe um pequeno córrego, cujas águas, analisadas pelo DAE,
y/a x/IJ yja xjlJ y/a x/b 8
NA fo:·am consideradas satisfatórias. Como a sede se encontra em nível mais
elevado, pretende-se instalar um ariete hidráulico {carneiro hidráulico) para
0,1 0,805 1,0 0,500 10,0 0,195
elevar as águas. Eficiência admitida para o aparelho: 60%. A vazão do córrego
0,2 0,732 2,0 0,392 12;0 0,179
foi determinada por meio de um vertedor triangular, cuja carga (H'} igualou-
0,3 0,681 3,0 0,333 14,0 0,166
0,4 0,641 4,0 0,295 16,0 0,156 se a 5,5 em.
0,5 0,608 5,0 0,268 18,0 0,147 a) Quantidade ele água a ser consumida
0,6 0,580 6,0 0,247 20,0 0,140 10 pessoas x 100 €/dia 1 000
0,7 0,556 7,0 0,230 25,0 0,126
0,8 0,536 8,0 0,216 30,0 0,115 5 cavalos x 40 200
0,9 0,517 9,0 0,205 35,0 0,107 15 vacas x 40 600
200 galinhas x10/100 20
Figura 6.25 ~ Vcrtcdoi' Di Ri eco 1 820 €/dia

l'ertcdor Di Ricco ( forma aproximada) 1821


q ~ - - ~ 75,9 f/hora
24
Q ~K L f,;( H+~"} b) Quantidade de água necessária para funcionan1ento do aparelho:

Exprt>ssão válida para lâminas compreendidas l~ntre 2.5n e toa e para H 1


Q~qx-x­
b I]
10 L
-s:- <25.
3 <I 127-97 1
Q=75,9 fjhx x- --=1265 f/hora
sendo L. 1-l e a dados em metros. 100-97 0,60

c) Escolha do carneiro
Tabela 6.6- Valores de K (Di Hieeo) Consultando-se um catálogo de aparelhos brasileiros da Cia. Lidgerwood,
L/a 3
(Tab. 11.2) encontra-se para
5 7 10 15 20
H 30 _
K 2,094 2,064 2,044 2,022 1.H97 1,!_178 h=T,a proporçao 10 :1
--- ---
recomendam-se: aparelho nº 5, canos de carga: 50 nnn, canos de descarga: 25
mm, água necessária por Ininuto: 35 litros, água elevada por hora: 881itros.
Exercício 6.1- Excl'cícios de aplicação
O rendimento será dado por

~ qH ~ 10q ~ 10x88 ~ 42 %
11
Qh Q 35x60
d) Verificação da quantidade disponível de água
Resta apenas verificar se o regato tem uma vazão suficiente para o emprego
do aparelho selecionado. Para tanto, foi instalado no curso de água um
vertedor triangular tipo Thompson que acusa 0,055 m.
H'~0,055 m
97,00 Q~ 1,4 H 512
___________r ~ 1,4 X 0,055 5/2
~ 1,4 X 0,0007
;~~5"3"-"
1 O"-"x2Ch'-__.:1 Antigo curso do córrego
Figura 6.26 = 1 E/sou 60 t'/min, n1ais do que suficiente para cobrir a demanda.
102
rf.RIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÀO DOS VERTEDORf$ 103

Exercício 6.2 - Está sendo projetado o serviço de abastecimento de água


-·: para uma cidade do interior. A população atual é 3 200 habitantes; a futura,
'-, 5 600 habitantes. O volume médio de água por habitante é de 200 f/dia, sendo
25% 0 aumento de consumo previsto para os dias de maior consumo.
pensou-se em captar as águas de um córrego que passava nas proximidades
da cidade e, para isso, procurou-se determinar a sua descarga nu1na época
desfavorável do ano, tendo sido empregado um vertedor retangular, executado
em madeira chanfrada e com 0,80 m de largura (largura média do córrego=
1,35 m). A água elevou-se a 0,12 m acima do nível da soleira do vcrtcdor.
Verificar se esse manancial é suficiente; adote um coeficiente de segurança
igual a 3, pelo fato de ter sido feita mna única medição de vazão.
, Calcula-se o vohnne de água per capita no dia de maior consumo,
200 x 1,25 ~ 250 f/dia.
sendo o nún1ero de habitantes 5 600 e com base no resultado do cálculo ante-
rior, detennina-sc o volmne total necessário:
5 600 habitantes x 250 f/dia~ 1 400 000 f/dia.
Por sua vez, a vazão em f'/s é
1 400 000 • 86 400,.; 16 f/s,
e a vazão medida,
Q ~ 1 838 (L- 0,2 H) H31 2 ,
Q~ 1 838 (0,80- 0,2 x 0,12) 0,12"" ~ 0,059 m"/s ~59 C/s.

\ Esse córrego, mesmo com um coeficiente de segurança 3, tinha a vazão


necessária para abastecer tal cidade.

-~ ,·, "'.' 6,17- CRITÉRIOS GERAIS DE CLASSIFICAÇÃO DOS VEHTEDORES


O fato de se apresentarem os vertedores com as mais variadas forrnas e
disposições explica, em parte, a falta de generalização e sistematização comum ao
tratmnento do assunto pelos tratadistas.

I,,-~-~
' N
Muitos são os fatores que podem 11
Q
servir de base à classificação
dos vertedores.
1. Forma
a) simples;
h) cmnpostos.
I
2
2. Natureza das paredes
a) en1 parede delgada;
b) em parede espessa.
3. Forma da lâmina vertente
a) de lâmina livre;
b) de lâmina alterada.
4. Largura
Figura 6.28- a) contraídos~
(cortesia do em Jabonttó!·Jo para Jnediçlio de l'azões
de Sao Paulo) b) se1n contrações.
Figura 6.29
104 S [X PO 1/ E !l C I A I S 105
V[RTEDORE

5. Perfil da soleira Substituindo-se x pelo seu valor na equação (3)


a) arredondados;
b) de crista viva
Q
2Cd,f2i H""'iP fH y'IP ( 1
cttv Jo Ht/p
_1'H_)>1' d(x_)
H
6. Altura da soleira
a) completos ou livres:
b) incompletos ou afogados. Fazendo-se y/II = z
7. Posição da parede 2Cd-J2[i H3/2+l/Pfzl/p(l-z)''2dz
Q equação (4)
a) de parede vertical;
b) de parede inclinada. c>lp r'------------~---------------_
8. Posição do l'ertedor em relação à corrente
· 1 g1·al euleriana de primeira espécie, ou
a) normais; me · d a a•
função beta*, que pode ser relaciOna
b) laterais.
função gama,
9. Perfil do fundo
a) em nível;
b) em degrau.
_ 2Cd_.J2i .
r ( 1)r (3)-
1+-
P 2 H312+1tp
10. Normalização
a) padrão ou standard
Q- c•rv (5 1)
r-+-
2 p
b) particulares (
os valores de r podem ser rapidamente calculados, baseando-se nas
6.11!- VllRTEDORES EXPONENCIAIS propriedades
r (u +I)~ ur (u) (para u > 0);
A forma dos vertedores, especialmente dos vertedores de parede delgada,
constitui o objeto deste capítulo. r (u + 1) = u!
Ei1tre os vertedores de forma simples são particularmente interessantes os Por exemplo, o cálculo de r (2, 75) seria feito
denominados exponenciais. r (2,75) ~r (I+ 1,75) ~ 1,75 r (1,75) ~ 1,75 x 0.920 ~ 1,61.
Os vertedores exponenciais são aqueles para os quais a forma da soleira é
expressa por Tabela 6. 7- Valores de u!
Y= CxP
u {U + 1} r(u+l)=u!
Variando-se o valor do expoente p, varia-se a forma do vertedor. Assim, para p
= 1, tem-se o vertedor triangular: fazendo-se p = 2 resulta a forma parabólica. Na
Fig.6.29 foram considerados os valores mais comuns de p.
o.o 1,0 1,000
0,1 1.1 0,951
0,2 1,2 0,918
Equação gentl de vazão 0,3 1,3 0,898
0,4 1,4 0.887
Seja um vertedor de forma 0,5 1,5 0,886
y = CxP. elJIIRfÜO (2) 0,6 1,6 0,893
0,7 1,7 0,909
0,8 1,8 0.931
equaçiio (3) 0,9 1,9 0,962
1,0 2,0 1,000
Considerando-se uma faixa de altura infinitamente pequena, a vazão eleine11tar
será: • A integrtll eulel'iana de prilneira espécie ou funçiio beta é expressa poJ·
1
jJ{a,b)l xa-~(1- x}!>·ldx
dQ ~ Cd{2x dy)~2g (!1- y);
sendo a e b constantes. A função gama é definida por
e a vazão total,
(u>O)

fp_tre ns funções {Je r; subsiste .'lrelação fJ(a b)= l{a}l{b}


' l{a+b)
106 107
EUTRE OS EXPOE/ITES mE n
A fórmula geral, que dá a vazão dos vertedores, pode ser escrita
é denominado fator de forma.
Q=k 1 Hn ~em 1' ·
onde
equaçlio (5) valores d e m superiores a 2 • resultarão vertedores com so euas convexas.

k
2C, [2;·( + H-m
1
Forma n p
' C'"T(5+I)
2 p
Vertedores m

~
sendo Cd o coeficiente de descarga, cujo valor médio é 0,61.
Retangular 1 1,5

6.19- RELAÇÃO ENTRE OS EXI'OENTES n E l'


Comparando-se as eqs. (4) e (5) resulta Triangular
w 2 2,5 1

3
2 p
1
-+-==on
equação (6)

Para n = 1, p = -2; é o caso do vertedor proporcional, para o qual Q varia com a


Proporcional JL 0,5 - 2

~
primeira potência de H.
Parabólico 1,5 2 2

,---
Os vertcdores podem ser projetados de forma a resultar, para Q, urna variação

v
segundo qualquer potência de H. Na prática, porém, não se toma para n valor infe-
rior ou exatamente igual à unidade,
pois, nesse caso, a largura da base Semi cúbico 2,5 3 2/3
Figura 6.31
do vertedor assumiria valor infi-
nito.
Contudo, como é particular~
mente interessante e desejável 1 6.21- RELAÇÃO ENTRE OS I>XPOI>NTES m E n
tomar n praticamente igual à
unidade, de modo a resultar para a J A relação de escoamento sendo
v= k 3 H 112 ecJuaçiio (8)
vazão um variação linear com a l e comparando-se as eqs. (7) e (8) com a expressão (5) chega-se a
profundidade H, costumam-se
empregar formas ajustadas do
f
1
vertedor proporcional. Com esse h I Q=A·v :. k'H " ~ k,k.lim->
~ ~
111
:. m = n ~2 elJUí!ÇàO (9)

objetivo pode-se substituir a área


compreendida sob a curva, a partir
I e k1= k2 k3
de um certo valor de x, pela área / Área I Teoricamente, porlanto, o valor de n deve superar 0,5, condição necessária
Soleira

l'12
equivalente, cortnda sob a soleira I X
para que haja a luz do vertedor.
teórica
teórica, Fig. 6.31. É uina forma i·-~"-.
aproximada, conhecida como verte-
dor Rettgcr. i
=1 Exercício 6.3 _Achar a equação da soleira de un1 vertedor para o qual n
1,75 e H~ 0,305, sendo Q ~ 22,71/s.
=

'- S_ol~ira
Tais vertedores têm tido em- ~ Aplicando-se a eq. (4) com os valores dados c Cd = 0,6.
prego generalizado para controlar - ~ """"""''~----=d
a velocidade em canais, particularmente em caixas de areia de estações
depuradoras, e para manter as descargas desejáveis de certos equipamentos para a
2Cd~gH"'•>t"r(1+f, )r(~)
Q-
dosagem e aplicação de produtos químicos.
- c>tpra+f,)
6.20- FATOR DE FORJ\IA
n=~+_!_=l,75
A área ocupada pela lâtnina.vertente pode ser expressa por: 2 p
A =k 2 Hm t_•quação (7) .', p~4
109
108

1
c'" 2x0,6x.J2/io,305'·" r( +HH)
0,0227 r(5
-+- 1)
2 4
c•t• ~ 2x0,6x4,43x0,305'·". r(1+0,25)r(l+0,50)
0,0227 r(1+1,75)
ESCOAMENTO EM
c'"~ 1,2x4,43x0,1252. 0,908x0,886
0,0227 1,61
TUBULAÇOES
C11 4 ~ 14,65. ANÁLISE DIMENSIONAL E SEMELHANÇA MECÂNICA
c ~ 46 000.
J' = CxP.
V = 46 000x 4 ,

que é a equação da soleira .

Exercício 6.4 ~ Determinar a equação da curva de um vertedor exponencial 7.1 -INTRODUÇÃO. DEFINIÇÕES
de vazão equivalente a de um vertedor circular de diân1etro 0,457 m. A maioria das aplicações da Hidráulica na Engenharia diz respeito à utilização
A equação de vazão de um vertedor circular, em unidades métricas, é
de tubos. Tubo é um conduto usado para transporte de fluidos, geralmente de seção
Q = 1,518 vo.693 Hl,B07 transversal circular. Quando funcionando com a seção cheia (seção plena), em geral
Q = 1,518 x 0,4570,693 Hl,807 estão sob pressão maior que a atmosférica c, quando não, funcionam como canais
e a equação que dará um vertedor exponencial é com superfície livre, assunto a ser tratado em capítulos posteriores. Em ambos os
casos, as expressões aplicadas ao escoamento têm a mesma forma geral, cmno se
-
Q-=zcd,jigH3/2+ltp'l
ri' 1 + _l_)r(:l)
P 2 verá adiante.

c"p (5 1)
r-+-
2 p
Igualando as equações

1,518 X 0,457°-'"' H''"'~ 1


2Cd.J2/iH'"'"P r( + * }-0.) :Y.-

l
c"pr(%+*) ,' ------1------- ·--.___
Para que haja igualdade, Pressão·-........._
3 1
1,807 ~ -+- :. p~ 3,26
2 p A-A

1,51Bxo.4570·{H}3 =
c-(
2Cd>J2gr 1+- r ·-
1)(3)
P
2

c"pr( %+*)
0, ~ 2X 0,6 X 4,43 X 0,898 X 0,886
8824
C 0•307 x 1, 687

~
Co.3o7 = 1,20x4,43x0,898x0,886
0,8824x 1,687
0"· 307 ~ 2,841
c ~30 8-B
Fi~à7.1
y =CxP,
V = 30x3,26
Considera-se forçado o conduto no qual o líquido escoa sob pressão diferente
que é a equação procurada. da atmosfé~·ica. A canalização funciona, sempre, totalmente cheia e o conduto é
sempre fechado (Fig. 7.1).
110 ESCOAI,,EfiiO EM TUBULAÇàEs [N C tAS 0 E R E Y tl O L D S
MO V t M E 11 TOS L A 1.~ ! rJ A R E TU RBUL E rt TO 111

Os condutos livres apresentam, em qualquer ponto da superfície livre, pressão . - ém ainda registrar a palavra~. que vem a ser un1 conjunto de
igual à atmosférica. Nas condições-limite, e1n que um conduto livre funcion conv ~ . ct· -
interligadas em. vanas treçoes.
totalmente ·cheio, na linha de corrente junto à gera triz superior do tubo, a pressã~
deve igualar-se à pressão atmosférica (Fig. 7.2). Funcionan1 sempre por gravidade.
Na prática, as canalizações podem ser projetadas e executadas para funcionarem
como condutos livres ou como encanamentos forçados.
Os condutos livres são executados com declividades preestabelecidas, exigindo
nivelamento cuidadoso.
As canalizações de distribuição de água nas cidades, por Figura 7.3-Antlgo aqueduto
p, do Rio de janeiro, concluído
exemplo, sempre devem funcionar como condutos forçados. Nesse en1 1750. Por esse conduto
caso, os tubos são fabricados para resistir à pressão interna I livre eram aduzidas as águas
estabelecida. do l'io Cal"ioca pm·a o
abastecimento da cidade.
Os rios e canais constituem o melhor exemplo de condutos
~

~
Postel'iormente, essa obra foi
livres. Os coletores de esgoto, normalmente também funcionam ~

~
aproveitada COlllO ponte para
como condutos livres. • ~
a passage1n de bondes.
Os condutos forçados incluem
encanamentos, Figura 7.2
canalizações ou tubulações sob pressão,
canalizações ou tubulações de recalque,
canalizações ou tubulações de sucção,
sifões verdadeiros,
sifões invertidos,
colunas ou "shafts",
canalizações forçadas das usinas hidrelétricas {"penslocks").
barriletes de sucção ou descarga,
Os condutos livres compreendem
Figura 7.4 -
canaletas, Adutom de Cotiu,
calhas, tral'essiu sobre o
drenas, canal do rio
inteceptores de esgoto, Pinlleil"os, Silo
Paulo, SP
pontes - can~is, (Cortesia do
coletores de esgoto, Centro
galerias, Tecnológico de
túneis- canais, Hidn.íulica de Silo
Paulo)
canais,
cursos de água naturais. 7.2- EXPERIÊNCIAS DE REYNOLDS: i\IOVI!\IENTOS LA!\IINAR
Porque distinguir tubo, tubulação, cano e encanamento? Pelo uso prático di.ldo E TURBULENTO
a cada un1:
Osborne Reynolds (1883) procurou observar o comportamento dos líquidos
úTubo. Uma só peça, geralmente cilíndrica e de cornprimento limitado pelo tamanho em escoatnento. Para isso, Reynolds empregou um dispositivo semelhante ao
de fabricação ou de transporte. De um modo geral, a palavra tubo aplica-se ao material esquema apresentado nas Figs. 7.5 e 7.6, que consiste em un1 tubo transparente (A)
fabricado de diâmetro não muito pequeno. Exemplo: tubos de ferro fundido, tubos de inserido em um recipiente com paredes de vidro (B). A entrada do tubo, alargada
concreto, tubos de aço, tubos PVC, tubos de po1ietilcno. em forma de sino, evita turbulências parasitas.
oTubulação. Conduto constituído de tubos (várias peças) ou tubulação contínua Nessa entrada localiza-se um ponto de introdução de utn corante.
fabricada no local. É o termo usado para o trecho de um aqued1.üo pronto e acabado.
Sinônimos: canalização, encanamento, tubulagem. A vazão pode ser regulada pela torneira existente na sua extremidade (C).
~cano. Peça geralmente cilíndrica. Designação dada mais con1umente ao mate- Abrindo-se gradualmente a torneira, primeiramente pode-se observar a
rial de pequeno diâmetro. Exemplos: canos de chumbo, de aço galvanizado, de PVC, formação de utn filamento colorido retilíneo, (Fig. 7. 7a). Com esse tipo de
etc. Termo mais usado em instalações prediais. movimento, as partículas fluidas apresentam trajetórias bem definidas, que não
''os C ASOS CORREI!TlS 113
112 ESCOAMEIITO EM TUBULAÇó[s
Of ESCOAI,IE!lTO

ideais de laboratório, já se tem obser-


vado o regiine laminar com valores de
R superiores a 40 000; entretanto,
n~ssas condições, o regime é muito
instável, bastando qualquer causa
perturbadora, por pequena que seja,
para n1odificá-lo. Na prática, admite-se
que tais causas pertubadoras sempre es-
tejam presentes.
B
A Para os encanamentos, o escoa-
mento em regime laminar ocorre e é
estável para valores do número de
Reynolds inferiores a 2 000. Entre esse
valor e 4 000 encontra-se uma zona
Figura 7.7
crítica, na qual não se pode determinar
urança a perda de carga nas canalizações.
Figura 7.5- Reynolds realizm)(/o Figura 7.~- Detalhe do conl se g . - , pre
Ulna de suas experiências esco;unento do corante.
Nas condições práticas, 0 movimento da água em cana 1tzaçoes e se1n
turbulento.
se cruzam. É o regime definido como laminar ou Jamclar (no interior do líquido
podem ser imaginadas lâminas ou Jamelas em movimento re1ativo).
_ CONCiliTO GllNERAUZADO DO NÚ!\IERO DE REYNOLDS
Abrindo-se mais o obturador, elevam-se a descarga e a velocidade do líquido. o 7.S ' l . l d t.
filamento colorido pode chegar a difundir-se na massa líquida, em conseqüência 0 'mero de Reynolds é um parâmetro que leva em conta ave o~lC a ~~en IC o
do movimento desordpnado d<ls partículas. A velocidade apresenta em qualquer f] 'do~~~e escoa e 0 ;naterial que 0 envolve, uma dimensão linear típica (dtametro,
instante uma componente transversal. UI
profundidade, etc.) e a viscos ida d e c1nema
· 't'Ica d o fluido··

Tnlregime é denominado turbulento (Fig.7.7b e c). ,,L


R,.~-;;
Revertendo-se o processo, isto é, fechando-se gradualmente o registro, a
velocidade vai sendo reduzida gradativamente; existe um certo valor de F para o No caso de escoamento em tubos de seção circula!.' (canalizações,
qual o escoamento passa de turbulento para laminar, restabelecendo-se o filete encanamentos), considera-se 0 diâmetro como dimensão típica, resultando a
colorido e regular. expressão já indicada anteriormente,
A velocidade para a qual essa transição ocorre denomina-se velocidade crítica \•D
inferior, e é menor que a velocidade na qual o escoamento passa de laminar para R,.=--;_;-
turbulento.
Para as seções não-circulares, pode-se tomar
Hcynolds, após suas investigações teóricas c experimentais, trabalhando com
diferentes diâmetros e temperaturas, concluiu que o melhor critério para se 4Ruv
Re=--V-
determinar o tipo de movimento em uma canalização não se prende exclusivamente
ao valor da velocidade, mas ao valor de uma expressão sem dimensões, na qual se sendo RH o raio hidráulico {veja Capítulo 14}. .
eonsidera, também, a viscosidade do líquido.
Tratando-se de canais ou condutos livres, considera-se a profundidade como
vD termo linear, assin1,
R.,=~
vH
R~-
que é o número de Reynolds, onde e V
F= velocidade do fluido (m/s), Nesse último caso, 0 valor crítico inferior de Rc é, aproximadamente, 500.
D =diâmetro da canalização (In),
u =viscosidade cincmática (n1 2 js).
7.4- REGil\IE DE ESCOA!\IENTO NOS CASOS CORRENTES
Qualquer que seja o sistema de unidades empregadas, o valor de Re será o
n1eSillO. Na prática, 0 escoamento da água, do ar e de outros fluidos pouco viscosos se
verifica e 1n regime turbulento, como é fácil demonstrar. .
Se o escoamento se verificar com Re superior a 4 000, o movbnento nas
condições correntes, em tubos comerciais, sempre será turbulento. Em condições A velocidade média de escoamento, em canalizações de água, geralmente vana
114 ESCOAI.~EIITO EM lUBULA 115
C Õ Es
ei~ torno de 0,90 m/s (entre 0,5 e 2 mjs). Seja a temperatura média da água •tdm' .
20 C. Para essa temperatura, a viscosidade cinemática é • Ihda
u ~ 0,000001 m 2 /s (1 . w-")
Em un~a canalização de diâmetro relativamente pequeno como por e. hr
5 O mm, tenamos ' xetnplo,
v~
R,.= vD = _9,90x0,05 2g
45 000
v 0,000001
Valor bem
. •acima• de 4 000 . p ai·a d" ·
Iatnetros n1morcs, os valores de R s .·
b cn1 supenores. e Citam

O contrário se verifica quando se tratar de líquidos muitos viscosos como 'l


pesados, etc. ' o eos
2
Z2
Excrcíci~ 7.1 ----:: Um.a tubulação nova de aço com 10 em de diâmetro cond
75_7 n? fdw de oleo combustível pesado à temperatura de 33 °C. Pergunta-~~
3

0 1 e_gtme de escoamento é laminar ou turbulento? Informa-se a viscosid d.


do oleo pesado para 3 3 o c: a e
}~~inar é devida inteirmnente à viscosidade. Ernbora essa perda de energia seja
comumente designada como perda por fricção ou por atrito, não se deve supor que
Q = 757 tn"!d'lU= 757
86.400 = 0,0088m:lf.s ela seja devida a tnna forma de atrito como a que ocorre com os sólidos. Junto às
A= JrD2 = Jr0,102- 2 paredes dos tubos não há movimento do fluido. A velocidade se eleva de zero até o
-0,0078fim seu valor máxhno junto ao eixo do tubo. Pode-se assim imaginar uma série de cmnadas
4 4
_ Q em movimento, com velocidades diferentes e responsáveis pela dissipação de energia.
Q -_ A \ , ·.· \ , - -=
O. 00880
"" I 10nl/S
A 0.00785 ' . Quando o escoamento se faz em regime turbulento, a resistência é o efeito
v = 0.000077m 2 js combinado das forças devidas à viscosidade e à inércia. Nesse caso, a distribuição
R = 1, 10 x O, 10 _ de velocidades nu canalização depende da turbulência, maior ou menor, c esta é
,. 0.000077 = l 400 influenciada pelas condições das paredes. Un1 tubo com paredes rugosas causaria
Portanto o movimento é laminar. maior turbulência.
A experiência tem demonstrado que, enquanto no regime laminar a perda por
resistência é uma função da primeira potência da velocidade, no movimento
7.5 - PEUDAS DE CAUGA: CONCEITO E N1\TUUEZA turbulento ela varia, aproximadamente, com a segunda potência da velocidade.
_ fl: adoção de um modelo perfeito para os fluidos
n~o Int!·oduz erro apreciável nos problemas da
7.6- CLASSII'ICAÇÃO DAS I'EUilAS llE CAUGA
Hl(lrostatica. Ao contrário, no estudo dos fluidos em
movimento não se pode prescindir da viscosidade e Na prática, as canalizações não são constituídas exclusivamente por tubos
seus efeitos. retilíneos e de mesmo diâmetro. Usualmente, incluem ainda peças especiais e
conexões que, pela forma e disposição, elevam a turbulência, provocmn atritos e
, No escoamento de óleos, bem como na condução
causam o choque de partículas, dando origem a perdas de carga. Alén1 disso,
da agua ou mesmo do ar, a viscosidade é importante
fator a ser considerado.
Quando, ?or exemplo, um líquido flui de (1) para
I~------~
apresentmn-se nas canalizações outras singularidades, como válvulas, registros,
medidores, etc., também responsáveis por perdas dessa natureza.
Devem ser consideradas, pois, as perdas apresentadas a seguir.

~~~~
(2), n~l 7anahzação indicada 11a Fig. 7.9, parte da
energ:a tnicial se dissipa sob a forma de calor; a soma a) Perda por resistência ao longo dos condutos. Ocasionada pelo movin1ento
?as tre~ cargas em (2) (teorema de Bernoulli) não se da água na própria tubulação.

~
Iguala ~ carga total em (1). A diferença h r, que se Admite-se que essa perda seja uniforme em qualquer trecho de un1a canalização
denomma perda de carga, é de grande importância de dimensões constantes, independentemente da posição da canalização. Por isso
no. problemas de engenharia e por isso tem sido Figura 7.8 Fotogmfia tambén1 podem ser chamadas de perdas contínuas.
obJeto de muitas investigações. nJostrando filan1cntos b) Perdas locais, localizadas ou acidentais. Provocadas pelas peças especiais e
colorídos p1l1'a dh'ersos valo:res
A resistência ao escoamento no caso do regime demais singularidades de uma instalação.
do ntímcro de Reynolds.
116
[ S C O A 1.~ f rl T O [ H TU , CARGA AO LO liGO DAS CA!IAL!ZAÇÓES. RESISTÉtiCIA AO ESCOAIHIITO 117
, ' BULA
hssas perdas são relativamente importantes no c
peças especiais; nas canaJizações longas o~ ' J •
d .
e canalizações curtas c .
comparado ao da perda peJa resist~ •.. ' seu' a m requcmtemente é desprez~ Oll}
;so . . . i.te as equações (1) e (2) tenham aplicação prática, é necessário c,Onhccer
_ Pai a~ , Fo•' Chezv por volta de 1775 que observou que a pe1·da de carga pela
, enc1a ao escoamento. IVeJ, k ., ' ''p"e , n.
d água sob·'pressão em tubos variava mais ou menos com o quadrado
passage~d de da a'gua ou seja, atribuiu o valor "2"para "n". Posteriormente, por
7o 7 -I'ERIJJ\ DE CAUGA AO 1 , - da v eloCld a e Darcy
' • e Wdsbach
' · sugeriram
. .
um novo apnmornmento para a equaçao-
AO ESCOAJ\IENTO .ONGO IJAS CANALIZAÇOESo UESISTê"
'"CIA, volta e'd 1850
ra ' do "p" igual a" 1", c multiplicando numerador e denominador por "2g'':
(1), consl e • 11
Poucos problemas merecer t t - L-v 2
o da determinação das perdas::~ c::~g: ~~:~l~:~l~~zfor~m tão i~v~stigados quanto h ~(k"o2g)-- ecJuação (3)
( D-2g
apresentam ao estudo analítico d t- •- • • açoes. As dificuldades que
, . . a ques ao sao tantas que Icvaran se Chamando (k". 2g) de "f" ou coeficiente de atrito, obtém-se a fórmula de cálculo
as Inve.stigações experimentais. Assim foi c , . " 1 os pesquisadores
conduzidas por Darcy e outros in t' i JUe, apos •numeras experiênci de tubulações conhecida como fórmula de Darcy-\,Veisbach ou ainda "fórmula Uni-
se ctue a resJost" . . ves Igac ores, com tubos de seção circular c as
encia ao escoamento da água é • • onciuJu. versal":
a} diretamente
. pr opmcwna
. · •
1 ao comprnnento da canalização (rrDL) Lv 2

b) Inversamente prop 0 r ·
ht =f-- ClJURÇiiO (4}
_
"
cwna 1 numa potenciado diâmetro ('JDm) · D2g
c) fun·ç-ao de uma potência da velocidade média (Fn}. . que já tem aplicabilidade prática ao exprimir a perda cte carga em função da
d) var~avel com a natureza das paredes dos tub (. .· velocidade na tubulação, e ter homogeneidade dünensional.
regune turbulento(k'). os I ugosJdade). no caso do
Entretanto. a fórmula de "Darcy" apresenta dificuldades:
<.') independente da posição do tubo: Em escoanwnto turbulento, que ocorre quase sempre na prática, a perda
a)
f) independente da pressão interna sob a qual o líquido es .. de carga não varia exatamente com o quadrado da velocidade, mas sim
g) função de uma Jot"n .·. . . - .~od. com uma potência que varia normalmente entre 1, 75 a 2. Para contornar
fluido {JllpY. I e CI.t d.t I elaçao entre a viscosidade e a densidade do essa dificuldade, corrige-se o valor de "f", de forma a compensar a
incorreção na fórmula.
Para uma tubulação, a perda de carga pode ser expressa como
Considerando que v=Q/ A, v =-Q--,esc "Q", "f'' e "L" forem conhecidos,
h,. =o: k' X !r DL X _I_ x\' x(jl_)'
11 b) 2
nD /4
.· Oo ~ p tem-se que a equação (4) resulta em h r= a/D 5 , ou seja, a perda de carga é
sunpl!ftcando ao fazer 111 = p + l: inversamente proporcional à 5a. potência do diâtnetro, o que não se verifica
na prática, pois as experiências demonstram que o expoente de (D) é
próximo de 5,25. Tal dificuldade é mais uma vez ajustada no valor de "f".
c) O coeficiente de atrito "f', que pelo visto acaba sendo uma função da
fazendo k = k'n { !!_ )' rugosldade do tubo, da viscosidade e da densidade do líquido, da velocidade
p c do diâmetro, apesar de todas as pesquisas a respeito, não teve seu valor
L v" estabelecido através de uma fórmula. Assim, seu valor será sempre obtido
hr=k--
D" ('Cflli!Çiio (I} de tabelas e gráficos, onde são anotados pontos observados na prática e
sendo {1) a l'(jttnção básica para a }JC>rda dp c· , J·· , por experiências, e onde são interpolados os valores intermediários, com
. ·~lgcl em tubulaçoes, eonsidl•ramlo
-
desprezíveis na IJI'tÍtic·l (otl o OI "i a limitação de que correspondem a determinada situação de temperatura,
< UH' UH os no coefJcJent · "k") o·
de densidade e viscosichde d· . . . . . (' ·os eleitos das variações rugosidade, etc., difíceis de se reproduzirem exatamente.
A _ • "agu.t n.ts temperaturas e velocidades usuais
equat,.·ao ( 1) Lmnbém pode ser escrita assim: . ' Tais dificuldades, no entanto, não devem ser tomadas como invalidação do
método, que atende muito bem às necessidades normais da engenharia, 1nas con1o
hr
-D''=kv" campo aberto à pesquisa e desenvolvimento, para que se chegue a resultados
J., NJIIl!('oiO (2)
teóricos os mais próxilnos da realidade, ampliando a aplicação da hidráulica.
vem:Designando-se }1 1/L por]' isto é 'a perd a dC' carga unitária {por m de canalização)
7.7.1 ~Natureza das paredes dos tubos: rugosidade
. o DP o1 ~ k o F" ou Do 1 ~ 'P (1') Analisando-se a natureza ou rugosidade das paredes, devem ser considerados:
O coeficiente k considera as condições dos tub -
empíricas propostas iJal"l d o o i os (questao complexa). As fórmulas a) o material empregado na fabricação dos tubos;
· ' ' e 1Cl n11nac as condi.- f, h) o processo de fabricação dos tubos;
substituem na Jlrática essa e, _ çoes e a ormula Universal,
' • • xpressao geral. c) o comprhuento de cada tubo e nútnero de juntas na tubulação;
118 , ,_, I ;lt>uLAçors DE CARGA AO LOr~GO OAS CAriAL!ZAÇÕES. RESIST[JICJA AO ESCOAf.\EtlTO 119

d) a técnica de <ISSL'nlanwnlo: tubos não metálicos costumam apresentar capacidade constante ao longo
o estudo de conserV<H.;ão das paredes dos tubos:
0
t•) s po a menos de algum fenômeno de incrustação específica, o mesmo
fi a existencia <le rt'vt'Siimenlos l'SjWciais: do tem •
ocorrendo com os tubos de cobre.
g) o empn•go dt• medidas protetoras durnnle o funcionamento.
Assim por exemplo. um tubo de vidro l• mais liso t.> ofen.-'t'e CO!Hli~·ões m. _ Jlroblentas práticos de cncanantentos
ravorave1s
· · <lO L't-a_·mtmt'nlo que un1 tubo dt• ll'JTO
. . .
lundHio. Umu eanalizat"iio de aço.ms 7. 7' 3
h iludo opõe maior n•sislência ao eseonnwnto qut• tlJll<l luhulat;âo de ~u;o solda~~- Nos problemas de encanamentos são quatro os elementos hidráulicos: D, f, v c Q.
Por outro lado. os tubos de ferro fundido ou de a~,.·o. por e.\emplo, quando 11 ~ As equações disponíveis são duas:
. . - o
vos. o I en•n·~n rt•sJslenciu In:·nt:r ao t•scoamt•nlo que qt~an_do usa<l~>s. Com o tempo, a) equação da continuidade, Q =Av
t•sse tubos saotllacados por lt•nomenos dl' natureza quJmJca relatJvos nos minerais b) equação de resistência, DJ =<f' v (representada na prática por uma
preenlt•s na úgua,e na sua supprfít'ie interna podem surgir proluhl'!'Úncins "tubér-
(_·ulos .. ou n_•en I rúneias (fenÜnH•no da corrosão). Essas colHI i<;la•s agrava m-st• com fórmula empírica).
0 Sendo quatro as variáveis e duas equações, o problema será determinado se
lt'IHIH.' (Fig. 1.10c). i\•lodernnmente. tem sido t•mpregados revestimentos internos
especwis com o objetivo dl' eliminar ou minorar esses fentnnenos. forem dados dois elen1entos hidráulicos. Apresentam~se, então, os tipos de
Ou I ro fenünwno que pode oeorrer nas canaliza<;ões l• u deposh;ào progressiva de problemas a resolver fornecidos no Quad. 7.1.
suhstúneias contidas nas úguas t' tt form<.H;ào de cam<Hlas aderentes- incrustações
- qlH' reduzt•m o diúnll'lro útil dos tuhos t• alteram a sua rugosidadt• (Fig. 7.10b).
Essu-; iiHTIISitH:<lPs VPrilicam-sr• no caso dt• üguas muito durHs. t·om kon·s el<'vactos
dt· et'rlas impurezas. O mui~ l'(Jilllllll r'· a dt'posh:ilo pn1gTt•ssi\·a dt' ctikio Plll <Íguas Tipos Dados Incógnitos Observações
t·;.lleün·as.
D·J Q·v
D·Q Calcula~se v= Q/A

()(g()Q
II j·v
Jli D·\' J·Q Calcula-se Q =A/v
IV J·Q D·v
v J. ,. D·Q
1· u..: t1 r :1 • 11- VI Q·v D·J Calcula-se A = Q/v
\ff:lliH'III'~

ll-'1 qf[ll'/"1!1"1'"
Tubo novo Incrustação Canos ao Tuberculização
111/1'1"/lil du Nos três primeiros tipos de problemas Cl11 que é conhecido D, a solução é
I 11 hn imediata.
()_.., f a lon •:-. il ponlados dt•\"t•m M'l" t·ons idt•nu los q U<Hldo st · p ro_idH Jll i ns l ;dm;ões O quarto tipo de problema é particularmente importante: é o caso das linhas
hitlntulic<~s. adutoras, etc., para as quais Q é fornecida por dados estatísticos e f decorre da
topografia.
7. 7.'! Inl'lui•neia (lo t'll\'l'llwdmt•nlo dos tuho~ Nos problen1as tipo IV calcula-se D cmn a equação de resistência, DJ = qnT, No
tipo l' a solução pode ser por tentativas ou pela equação de resistência.
.1-.,J,,!,. I ,--.,,~!""·1,. d,, :~l!".' ,1-,_ I»!J,J-,.,," ,J,, f, ,-,-,, I,,,,Ji,J,,, .. ,,.,, '~'''" ,.,,.,.,ti•lH'tllOS No sexto tipo de problema pode-se calcular D com a equação da continuidade,
'··i'''';1;< ·,;,; ,!i~\illillin,l.; ]),_ .,,,1,,],,,""' ,., recaindo-se no segundo caso. Vide soluções dos problemas na seção 9.8

Ta\Jt·la /.I C<tpacidade d<1:-. canalizal'tJl':-, dt.' feiTo l' a~:u.


(St•lll i"<'\'l'Siilllt'lllO JH'l'llHilH'Il(P inll'nlo)

)) = ...... lO" )()""


ldatll' ( IOOmm) ( LlOmm) (:~.)() mm) (-100 mm) t.lOIImm) (7:)0 mm)

lli\HJS 1\t!VOS Q !()(}';: I 00 l{ll) I{){) 1110 J{){)


HjliÍ:-. I!J <IIHI.'o Q HL H"'·> };.) !I! i H li P,j
apús 20 anos Q mr;: 7':!. T.J /S /{i 71
<IJHls :~o anos Q~ SB't: {)2 liS fi7 !iH {j!) Figura 7.11- lJ1crustaçõcs Figura 7.12- Tubulação de ferro, de
apc'1s 40 anos Q :}()';' :>S SB fil (i~ li:: decon-entes de ceJ·tas ünpurczns de grande diâmetro, nwstl-ando os efeitos
apcis .){)anos água (dureza) da luberculízaçiio
Q" ---1-:n ---1-!l :)4 :)(i :li :)! l
120
ESCOAMENTO EM TUBUlAÇÕES r PERDAS DE CARGA lOCAliZADAS

Substituindo-se esse valor na eq. (5),


121

7.8- PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS


Essas perdas são denominadas locais, localizadas, acidentais ou singulares, pelo
fato de decorrerem especificamente de pontos ou partes bem determinadas da
tubulação, ao contrário do que acontece cotn as perdas em conseqüência do
escoamento ao longo dos encanamentos.
vf- 2v-t v2 + ,,~ equaçiio (7}
2g
7.8.1 -Perda de carga devida ao alargantento brusco de seção
expressão que entre nós é conhecida como o teorema de Borda-Bélanger, en1
É clássica a dedução da expressão relativa à perda de carga devida ao alarga- homenagem a Borda, que deduziu essa expressão (1766), e a Bélanger, que retomou
mento brusco, partindo-se do teorema de Bernoulli e considerando-se o impulso esses estudos e expôs a sua teoria (1840):
das forças que atuam nas seções e a variação da quantidade de movilnento.
"Em qualquer alargamento brusco de seção, há uma perda de carga local
A Fig. 7.13 mostra, esquematicamente, 1nedida pela altura cinética correspondente à perda de velocidade".
Turbilhões
um alargamento brusco de seção.
A velocidade v l' na seção menor, será
bem maior que a velocidade v 2 , havendo,
portanto, partículas fluídas mais velozes pt~~ A1-:'~ 7.8.2- Ex]n·essão geral das perdas localizadas
Substituindo o valor de v 2 em função de v 1 na equação (7}, encontra-se, ainda,
(<mimadas da velocidade v 1) que se chocam ~~
com partículas mais lentas de velocidade v 2 •
Na parte inicial da seção alargada forma-se Figura 7.13
·~;..
um anel de turbilhões que absorve energia. ~.,;,;:;;.;;.;,;;;;___________...1
Geralmente se considera que na parte inicial da seção alargada ainda atue a
pressão p" admitindo-se que a pressão p 2 seja medida a jusante da zona ~e turbi- ,,2
lhões. Considerando-se essas seções e aplicando-se o teorema de Bernoulh, llr = K -1
2g
&+~+z=p2 + v2 +Z+l1r
' 2
De um modo geral, todas as perdas localizadas podem ser expressas sob a form.a
y 2g y 2g
expressão donde se obtém a perda de carga 11f> v'
hf~K·-
2g
llr~;; -;; -(1~2 -~1 ) equação (5)
equação geral para a qual o coeficiente K pode ser obtido experimentalmente para
cada caso.
Considerada a unidade de tempo, a quantidade de fluido que escoa é Q (vazão). Esse trabalho experimental vem sendo realizado, há vários anos, por
A resultante que atua da direita para a esquerda será engenheiros interessados na questão, por fabricantes de conexões c válvulas c pelo
(p,- p,)A, laboratórios de Hidráulica. !vlerecem especial menção as investigações de Giesecke,
e a variação da quantidade de movimento; da Crane Company e do Laboratório de Hidráulica de l\Hinchen, assim como as
observações mais recentes da lvlarinha dos EUA.
; : (vi- v2) Verificou-se que o valor de K é praticamente constante para valores do número
de Reynolds superiores a 50 000. Conclui-se, portanto, que para os fins de apJicação
Igualando-se essas duas expressões (a variação da quantidade de movimento prática pode-se considerar constante o valor de K para determinada peça, desde
deve igualar-se ao impulso das forças), que o escoamento seja turbulento, independentemente do diâmetro da tubulação
c da velocidade e natureza do fluido.
A Tab. 7.3 apresenta os valores aproximados de K para as peças e perdas 1nais
comuns na prática. É um quadro elaborado com bases nos dados disponíveis mais
seguros e fidedignos.

*Essa expressão lel'a a resultados ligeiJ·mnente inferiores aos expcrinwntais, razão por que
Saint-Venant propôs Ulll ienno corretivo COinplenlenlar, con1 buse nos dados expel'inwntais de
Borda. Posterionnente, Ha110k, ArclJeJ' e outros inl'Cstigadores propusermn correções nwis
equação (6} lógicas e exatas, que, não obstante, ne1n seinpre são considerada·s na prática.
122 ESCOAI.\EIITO EM TUBUlAÇÕES PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS 123

a descarga for feita ao ar livre, haverá um jato na saída da canalização, perdendo-se


Í Tabela 7.2- Valores aproximados de I( (perdas localizadas)
precisamente a energia de velocidade: K = 1. Se a canalização entrar e1n u1n reser-
I l'eça K Peça K
vatório, caixa ou tanque, haverá um alargamento de seção, caso em que a perda
corresponderá a um valor de K compreendido entre 0,9 e 1.
Ampliação gradual 0,30* Junção 0,40
I Bocais 2,75 Medidor Venturi 2,50**
I Comporta aberta 1,00 Redução gradual 0,15*
I Controlador de vazão 2,50 Saída de canalização 1.00
Cotovelo de 90° 0,90 Tê, passagem direta 0,60
I
Cotovelo de 45° 0,40 Tê, saída de lado 1,30
I Crivo
Curvade90°
0,75
0,40
'l'ê, saída bilateral
Válvula de ângulo aberta
1,80
5,00 1 Figura 7.15
I Curvade45° 0,20 Válvula de gaveta aberta 0,20
Curva de 22,5° 0,10 Válvula borboleta aberta 0,30
I Entrada normal en1 canalização 0,50 Válvula--de-pé 1,75
Entrada de Borda 1.00 Válvula de retenção 2,50 7.8.5- Perda de carga e In curvas
I
Existência de pequena derivação 0,03 Válvula de globo aberta 10.00 Um erro cmnum é a falsa concepção que muitos fazem, imaginando que todos
I * COJn base na \'elocidade nltlior (seçiio nwnor) Velocidade 1.00 os cotovelos ou curvas de raios mais longos sempre causam perdas menores do
u Relativa à \'elodd;Jdena c,'ln;Jii;mçiio que os de raio mais curto. Na realidade, existe um raio de curvatura c um desen-
volvimento ótimos para cada curva, veja Tab. 7. 3.
7.8.3- Pcl'da de carga na entrada de u1na canalização (saída de reservatório).
A perda de carga que se verifica na entrada de un1a canalização (saída de Tabela 7. 3 -Curvas de 90"'
l!servatórios, tanques, caixas, etc.) dependerá bastante das condições que
caracterizam o tipo da entrada. RelaçãoR/D 1 11/2 2 4 6 8

A disposição mais comum, denon1inada normal, é aquela em que a canalização valores de K 0,48 0,36 0,27 0,21 0,27 0,36
( '1z um ângulo de 90° com as paredes ou com o fundo dos reservatórios, constituindo
uma aresta viva. Para essas condições, o valor de K é bem determinado, podendo
l ér tomado igual a 0,5.
7.8.6- Perda de carga en1 válvulas de gaveta
( No caso de tubulação reentrante, constituindo a entrada clássica de Borda
AB válvulas de gaveta, também conhecidas como registros, (ver iten1 10.2.1 deste
(designação dada em homenagem ao grande hidráulico do século XVIII), as condições
livro), podem oferecer uma grande resistência ao escoamento. :rvlesmo quando total-
( ío desfavoráveis e K assume um valor igual a 1. Se as entradas forem arredondadas, o
mente abertos, haverá uma perda de carga sensível devido à sua própria construção.
( -·~Jlor de K cairá sensivelmente, igualando-se a 0,05 sempre que for obedecida a forma
ue sino. A entrada arredondada ideal teria a forma de uma tratriz (K = 0,04). Para as válvulas de gaveta totalmente abertas, o valor de K pode variar desde
! Na prática, sempre que as proporções da obra justificarem, poderão ser 0,1 até 0,4, conforme as características de fabricação: 0,2 é um dado Inédio repre-
'llelhoradas as condições da entrada, instalando-se uma redução no início da sentativo.
( _..tbulação (vide 5.2.8). As experiências de \'Vcisbach levaram aos resultados relativos a válvulas de
gaveta parcialmente abertas; tais resultados acham-se mostrados na Tab. 7. 4.
--~--~-----~ ~~~----------

Tabela 7. 4 -Valores de K para registros


d/D s/S* K

7/8 0,948 0,07


(a) (b) (c) (d) 6/8 0,856 0,26
5/8 0,740 0,81
Figura '1.14- {a) Reentrante ou de Borda; K = 1. (b) Nornwl; K = 0,5.{c) Forma de sino; 4/8 0,609 2,06
K = 0,05. (d) Concordância com um pcçtl adicional (redução), K = 0,10 3/8 0,466 5,52
2/8 0,315 17,00
\
1/8 0,159 97,80
7.8.4- Pet·da de cal'ga na saída das canalizações (entrada em reset•vatórios)
\ Duas situações podem ocorrer no ponto de descarga das canalizações (Fig. 7.15). . - da Tab. 7.5
sjS = v1de obsen'açao Figura 7.16
124 f S C O A r.! E ti TO EM TU B U L A Ç õ [ S p[ROAS OE CARGA LOCALIZADAS 125

7.8.7- Perda de cm·ga em válvula-borboleta o Prof. c. F. Pimenta dá os seguintes valores para K, em função do ângulo de
(
As válvulas-borboleta são de aplicação cada vez mais generalizada em obras ampliação da peça:
.•idráulicas. (
f!, 5" wo 20° 40° 60° 80° 120°
O valor de K dependerá do ângulo 8, de abertura, sendo aplicáveis os valores
da Tab. 7.5. -~~---~·~~-··-~~-~-·~--
J( 0,13 0,17 0,42 0,90 1,10 1,08 1,05

Figura 7.18

~~-f~-~ 7.8.10- Perda de carga cnt tês e junções


c ~-::
{
'<
Qun_<ii·o 7.2, ' L
' >l
Relação de
Figura 7.17 Esquen1a J(d J(s
vazões
q~Q/3 0,25 0,05
Kd
Tabela 7.5- Valores de f( para válvulas-borboleta ~
q~QJ2 0,40 0,30
oq~~~~~o q~2QJ3 0,50 0,55
ô

so
s/S*

0,913
J(

0,24
ô

40°
s/S*

0,367
J(

10,80
q q~Q - 0,90

100 0,826 0,52 45° 0,293 18,70 q~Q/3 0,00 0,90


15°
20°
25°
0,741
0,658
0,577
0,90
1,54
2,51
50°
55°
60°
0,234
0,181
0,134
32,60
58,80
118,00
o ~c;;ur=~~oq
~ q~QJ2
q
q~Q
~2Q/3
0,01
0,12
-
0,92
1,00
1,30
(

300 0,500 3,91 65° 0,094 25fl,OO q


35' 0,426 6,22 70° 0,060 750,00
- de are11s efetivas dn abertUI'tl de pass11gen1 q~Q/3 0,18 desprezível (
'"s/S c relaçao ~
q~Q/2 0,11 0,11
Oq-•~;;?~o
e da tulml<1ção de seção circular
q~2Q/3 0,04 0,2G
45' ~ ...
7.8.8- Perda de carga devida ao estreitatnento de seção q~Q - 0,38
;<
A perda decorrente da redução brusca de diâtnetro, de uma scçãoA 1 para uma
~eção A 2 , é dada por
q~Q/3 desprezível 0,55
~
q~Q/2 0,02 0,45
JJ, =K~'
v'
o-·~~-oq
~
q~2QJ3 0,12 0,32
2g 45'
q~Q - 0,40
.:;endo "
K~ .±(1- A,)9 AI
7.8.11 -:Método dos comJH'imcntos l'irtuais
Un1 n1étodo relativamente recente para se levar em conta as perdas localizadas
é o dos comprilnentos virtuais de canalização. Uma canalização que compreende
Se a redução de diâmetro for gradual, a perda será menor. Nesse caso, o valor
diversas peças especiais e outras singularidades, sob o ponto de vista de perdas de
de K, geralmente, está compreendido entre 0,04 e 0,15.
carga equivale a um encanamento retilíneo de comprimento maior. É nessa simples
idéia que se baseia um novo método de grande utilidade na prática para a
7.8.9- Perda de carga de\'ida ao alargatnento gradual de seção consideração das perdas locais.
Verifica-se, experimentalmente, que os valores de K dependem da relação en- O método consiste em se adicionarem à extensão da canalização, para simples
fre os diârnetros inicial e final, bem como do comprimento da peça. Para as peças efeito de cálculo, comprimentos tais que correspondarn à mesma perda de carga
usuais, encontra-se que que causariam as peças especiais existentes na canalização. A cada peça especial
corresponde un1 certo comprimento fictício e adicional. Levando-se em
consideração todas as peças especiais e demais causas de perda, chega~se a un1
cmnprimento virtual de canalização.
'
r
'

'
ESCOAME!lTO Er,, TUBULAÇÕES PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS 127

( As perdas de carga ao longo das canalizações podem ser determinadas pelu \


00\IS:Jd OdliO'ÓNlEil:l
t1nula de Darcy-\.Veisbach (seção 7.7)
I
I :IOVlMlYh

Para determinado encanamento, L e D são constantes e, como o coeficiente de


rito f não tem dimensões, a perda de carga será igual ao produto de um nú1nero
I
v'
-·o pela carga de velocidade Zg,

h; = I nv'- ,
2g
Por outro lado, as perdas acidentais tên1 a seguinte expressão geral:

h 1 =K-,
v'
2g
Observa-se, portanto, que a perda de carga na passagen1 por conexões, válvulas,
varia com a mesma função dn velocidade existente para o caso de resistência
• escoamento em trechos retilíneos de encanamentos. É devido a essa feliz
( .ttidade que se pode exprinlir as perdas localizadas em função de cmnprimentos
t' '1Jneos de canalização. Pode-se obter o comprimento virtual de canalização, que
nesponde a uma perda de carga equivalente à perda local, fazendo-se
(

I '

KD
L~-

12- Valores práticos


A Tab. 7.6 inclui valores para os comprimentos fictícios correspondentes às
!case perdas mais freqüentes na canalizações. Os dados apresentados foram em
( .tde parte calculados pelo prof. Azevedo Netto, com base na fórmula de Darcy-
( 'sbach e1n sua apresentação americana, tendo sido adotados valores precisos de
,.;m parte eles se baseiam também_ 11os resultados das investigações feitas por
< >ridndes no assunto, tais como os departamentos especializados do Governo
~rleral Norte-Americano, da Crane Co., etc.
\
Os comprimentos equivalentes, etnbora tenham sido calculados para
dações de ferro e aço, poderão ser aplicados com aproximação razoável ao caso
)<.:encanamentos de cobre ou latão.
I
As imprecisões e discrepâncias resultantes do en1prego generalizado desse
odo e dos dados apresentados são, provavelmente, menos consideráveis que as
determinações relativas à rugosidade interna dos tubos e resistência ao
(_.Jamento, asshn como à sua variação na prática.
\ O ábaco incluso, original da Crane Co., foi convertido ao sistema Inétrico e
Iblicado por cortesia daquela companhia (Fig. 7.19).
!
128 ESCOAI.IE11TO EM TUBULAÇÕES
l PERDAS DE CARGA LOCALizADAS
129
(

Tabela 7. 7- Perdas localizadas expressas em (


7.8.13 ~Nova sitnplificação
Considerando-se os comprimentos L, apresentados na Tab. 7.6, para determinar diâmetros de canalização retilínea (
(comprhnentosequivalentes)
perda e dividindo~se esses comprimentos pelos diâmetros das canalizações, verifica-
se que os resultados apresentam uma variação relativamente pequena. Assim é Comprilncnto.'ie:\:pres.'ios
que os dados relativos às perdas em cotovelos de 90°, de raio médio, levam a valores emdifunel.I'Os
(nº. dediâinclros)
de LfD variando desde 26 (para 12") até 31 (para 3/4"). Peça
Nessas condições, as informações contidas na Tab. 7.6 poderão ser condensadas Ampliação gradual 12
'omando-se os comprimentos equivalentes expressos em diâ1netros das Cotovelo de goo 45
(
l·nnalizações. A Tab. 7. 7 inclui os dados recomendados por Azevedo Netto. Cotovelode45o 20
Curva de goo 30 Curvas de aço en1 segn1entos
Curvade45° 15
l!.'nhadanonnal 17 30° 2 segmentos 7
~---~--~----·~---~- -- -·-·---- 35
Figura 7.19- Perdas de cHrga localizadas (Crane Co.) Entrada de Borda 45° 2 segmentos 15
Jnnção 30 45° 3 segmentos 10
Redução gradual 6 2 segmentos 25
60°

8-
Registro de gaveta, aberto 8 15
60° 3 segmentos
Regish·o de globo, aberto 350
goo 2 segn1.entos 65
Registro de ângulo, aberto 170
35 90° 3 segtnentos 25
~Saída de canalização
20 goo 4 seg;mentos 15
'l'ê, passagem direita
Tê, saída de lado 50
Válvula de globo
Tê,saída bilateral 65
Válvula-de-péecrivo 250

~y- -®- D Válvula de retenção 100


40' IOOOmm
L 36' 900mm
Tê, saída bilateral lOO.Om Exercício 7.2- Uma canalização de ferro dúctil com 1800 m de comprimento

~
30' 750mm
e 300 mm de diâmetro está descarregando em um reservatório, 60tjs. Calcular
24' 600mm a diferença de nível entre a represa e o reservatório, considerando todas as
40,0m 20' SOOmm
perdas de carga. Verificar quanto as perdas locais representam da perda por
Válvula de ângulo
30,0m atrito ao longo do encanamento (em%). Há na linha apenas 2 curvas de 90o, 2
!~ ~- ,..
16' 400mm
de 45° c 2 registros de gaveta (abcrtos)(Fig. 7.20}.
--úJJ ur-
20.0m 350mm
Entrada de borda 12' 300mm

Tê, saída lateral


ou,coto~-
/ ':"''''j m•/•
10,0m

s.om
4,0m
10'

,.
2SOmm

200mm

150mm
'~j}[fll· Entrada normal
3,0m
s· 125mm
- ~
2,0m
Tê reduzido 112 4' IOOmm

~~
ou cotovelo 90'
l,Om a· 75mm
Figura 7.20

\8]-!Bl· Cotovelo 45 • 0,5m


0,4m
2 1h"

2'
63mm
50mm velocidade na canalização é
Tê reduzido 1/4

~
ou cotovelo 90', raio médio 0,3m 11/?. 3Smm v"" Q = 0,060 = 0,85m/s
0,2m 1 1{4 32mm A 0,0707

~ !Bl·
0 852
!' 25mm
;C_= • ""0,037m
·• 0, 1m 2g 2X9,8
Tê passagem direta ou 3/4" 19mm ,,'
cotovelo de 90', raio longo As perdas de carga acidentais serão determinadas em função de 2 g- Calcula-
Válvula de gaveta ,,2~
13mm
se a entrada na canalizacão.
131
130 ESCOAMEIITO [1.\ TUBULAÇÕES PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS

Exercício 7.3 -Analisar as perdas locais no ramal de 3/4" que abastece o


v'
1,0-~0,037 chuveiro de uma instalação predial. Verificar qual a porcentagem dessas
2g
perdas en1 relação à perda por atrito ao longo do ramal (Fig. 7.21).
detenninam-se 2 curvas de 90°, Aplicando-se o método dos con1primentos equivalentes às perdas acidentais,
2 X 0,40 X 0,037 ~ 0,030 (1) -Tê, saída do lado 1,4 m de canalização
assim como 2 curvas de 45°, (2) -Cotovelo, 90° O, 7
2 X 0,20 X 0,037 ~ 0,015 (3) -Registro de gaveta aberto 0,1
e 2 registros de gaveta-abertos, (4) -Cotovelo, 90° O, 7
(5) -Tê, passagem direta 0,4
2 X 0,20 X 0,037 = 0,015
(6) -Cotovelo, 90° O, 7
mais a saída da canalização= 0,037 (7) -Registro de gaveta aberto 0,1
Lh 1 ~ 0, 134m (8) -Cotovelo, 90° 0,7
(9) -Cotovelo, 90° 0,7
5,5 m
Essas perdas, portanto, não atingem 14 em.
Verifica-se, portanto, que as perdas localizadas em-respondem ou equivalem
A perd~ por atrito ao longo do encanamento pode ser encontrada na Tab.
a un1 comprimento adicional de 5,50 m.
8.14 (Formula de Hazen-VVilliams}:
A perda por atrito é devida ao comprimento real da canalização, isto é,
COlll Q ~ 60 C/s,
0,35 + 1,10 + 1,65 + 1,50 + 0,50 + 0,20 ~ 5,30m.
e D = 0,30 m.
~----···-·-··- ·-------
Encontra-se para C= 100:
Como as perdas localizadas
f= 0,41m /100m= 0,0041m/m -:::::::::::::
__________________ - equivalen1 à perda en1 5,50 n1 de
h r= ]L= 0,0041 X 1 800 = 7,38m encanamento retilíneo, são n1ais
Reservatório
r A perda de carga total será a diferença de nível entre a represa e o reservatório, 8
elevadas do que as perdas ao longo
9 0,50
I dos 5,30 m de canalização.
"'~ 0,134 + 7,38 ~ 7,514 m
0,~~- 1,50
%
5,50x 100 = 104 %
Para essa canalização, as perdas locais representarão 1 0,35 2 5,30
I R 7
I R 3 As perdas singulares representam,
R
I ~
I ,% ~ Lh,
--xlOO 0,134x100
182 % 1 '10 pois, 104% da perda por atrito.
h, 7,38 ' 4
I 1,65
isto ~· cerca de 2% da perda por atrito. Em casos conw esse, de canalizações 6
B~ 5
relativamente longas com pequeno número de peças especiais, funcionando Figura 7.21
I cmn ve_locidades baixas, as perdas locais são desprezíveis em face da perda
I por atnto.
I A própria variação do valor perdido por atrito, segundo as diferentes fórmulas
que poderiam ser adotadas para o seu cálculo, justificaria tal afirmação. Se, 7.3.14- hnportância rclatil'a das perdas localizadas
por exemplo, ao invés da fórn1ula de Hazen-\•Villiams, fosse adotada a fórmula As perdas localizadas podem ser desprezadas nas tubulações longas cujo
Universal, resultaria para e= 1,50mm comprimento exceda cerca de 4.000 vezes o diâmetro (item 5.3.2). São ainda
f~ 0,0038 (Tab. 8.14b) desprezíveis nas canalizações em que a velocidade é baixa e o número de peças
11'1 =f X L= 0,0038 6,84m X 1 800 = especiais não é grande.
As perdas localizadas corrcsponderiam apenas a: Assim, por exemplo, as perdas localizadas podem não ser levadas em conta
i
I nos cálculos das linhas adutoras, redes de distribuição, ele.
0,134x10o_ , Tratando-se de canalizações curtas, bem como de encanan1enlos que incluem
% 6 84 - 19
' 6% grande número de peças especiais, é importante considerar as perdas acidentais.
I Tal é o caso das instalações prediais e industriais, dos encanamentos de recalque e
O ~contrário se verifica no caso de instalações prediais, nas quais o grande
r nun1ero de peças especiais é causa dEi perdas consideráveis. dos condutos forçados das usinas hidrelétricas.
132

7.8.15 -Cuidados no caso de velocidades n1uito elevadas


ESCOAMEIITO EM TUBULAÇÕES

É n1uito importante assinalar que, no caso de tubulações funcionando cmn


\'elocidades elevadas, as perdas de carga localizadas passan1 a ter valores que chegam
a ultrapassar os valores das perdas ao longo das linhas.
r
I
A ll Á LI SE O IM ( 11 S lO I/ A L

7.9.2 _ AJllicação do tcorcnta de Buckingha. .n~ ao . . c~so geral de uni fluido


que se 111 ovilnenta rclativantcntc a u1na superftcie sohda .
Neste caso, o fenômeno depende das seguintes grandezas d1menswnms:
. .

2
133

(
R = resistência (atrito) da parede sólida à passagem do fluido {kg*/m );
1
viscosidade do fluido (kg*s/m 2 )~
(
Exercício 7.4 - Um conduto forçado de 1,20 m de diâmetro e 150 m de massa específica do fluido (kg/m 3 ) ou (kg*s 2 /m 4 );
extensão parte de uma cânwra de extravasão para conduzir 4,5m 3 js de água velocidade relativa entre o fluido e a superfície sólida (m/s);

r extravasada para um rio cujo nível esht 6,50m abaixo do nível máximo que
as águas poderão atingir na câmara. Na linha existem 4 curvas de 90°. Verificar
as condições hidráulicas.
V=
D~ dimensão linear cnracterísticas da superfície sólida; define a fonna
geon1étrica (m);
grandeza linear característica da rugosidade da superfície sólida (altura
(

Consultando-se a Tab. 8.14a encontra-se:


das asperezas) (m);
Velocidade''~ 3,98m/s; -
v'
~0,807m;J ~ 1,41m/100m (C~ 100) aceleração local· da gravidade (m/s 2);
2g módulo de elasticidade de volume (kg* /m 2 );
Perdas localizadas: De= 4 x 0,4 + 1 + 0,5 = 3,1 a= tensão superficial (kg* /m).
h',~ 3,1 x 1,20 ~ 3,72m (64%)
Perda ao longo da linha: Escolhem-se aqui as grandezas p, F, D como grandezas fundamentais, em termos
h, ~ 1,41 x 1,5 ~ 2,12m (36%) das quais se exprimirão nove grandezas dimensionais. Assim,
Perdas totais: 5,84m (o diâmetro é satisfatório) R1= .11 • pai • va2 'Da3

7.9 -ANÁLISE DUII~NSIONAL c 01110 0 primeiro e o segundo termos têm as mesmas dimensões de fol'ça,
A interpretação de vários fenômenos comuns à Hidráulica, a análise dos con1primento e tempo, podem-se igualar essas dimensões.
modelos reduzidos e a comparação entre experimentos realizados no passado, tais A tabela seguinte facilita esse trabalho.
t·omo determinac;iiu da perda de carga em tubos e canais, fica grandemente
racilitada pela análise dimensional. A análise dimensional conduz à forma adequada F L T
rle uma equação, mas não leva a resultados numéricos.
R, 1 -2 o
7.9.1- Teorenta de Buckinghant -4a 1 2a 1
A análise dimensional repousa sobre o seguinte teorema, que recebeu o nmne
prtl

vn2
"•o a2 -(1.2
de teorema de Buckingham (ou teorema dos n).
1JU3 o a, o
Sejam n grandezas físicas e constantes dimensionais e k o número total de
grandezas fundamentais, em termos das quais se exprimem aquelas n grandezas.
Se um fenômeno físico puder ser considerado como uma função Desse modo, igualando os expoentes das grandezas básicas,
a. 1 = 1,
F (Gt> G 2 , ... , G,) =O -4a 1 + a 2 + a.J = -2, :. a 3 = 4a. 1 - a 2 -2
das n grandezas G; interdependentes, também poderá ser considerado como uma 2CI.l -((2 =o :. (1.2 = 2a.,
função adimensional
({J (Jrl' Jr2, ... , n,l-k) = o Portanto
a. 1 = 1,
de n-k parâmetros adimensionais n; independentes. quaisquer, da forma
a 2 =2,
a 3 =0.
onde L1; é u1n n(nnero puro.
Observa-se aqui que só o teorema dos n não dá a relação entre os varws Então 0 adin1ensional de R 1 será À= ~. tambén1 chmnado ntunero índice
adimensionais. Entretanto, conhecendo os adirnensionais de um certo fenômeno, pv2
a experiência pode dar esses adimensionais em números puros, que, devidamente de resistência ou H'iederstandzabl.
apresentados, podem fornecer a relação procurada. Da niesn1a forn-.a, encontra1n-se os adilnensionais dados a seguir.
A fl Á L I SE O I M E li SI O NA l
135
134 ESCOAMENTO EM TUBULAÇÕES

pvD vl.-~-==~-------------------------,
Re :::::-------;;- (da viscosidade); ( Reynolds)
w ---- ---·-·--- ~
vl
e . 2g
D (da rugos1dade);
p,
,,, y
Fr = gD (da aceleração da gravidade); (Fraude)

---
2 (do n1ódulo de elasticidade);
P''
(J
--,--- (da tensão superficial). Figura 7.22
p I' 0
Assiln, o fenômeno em questão, que poderia ser descrito por urna relação
·ntre nove grandezas dhnensionais Contudo, pelo teorema de Bernoulli (Cap. 4), a perda de carga
F(R, )1, p, 1', D, e,g, E, u) ~O,
h,~ M ~e;·+ z, )-(~ +z,}
1oderá tatnbém ser descrito por urna relação entre seis grandezas
Assiin,
tldin1ensionais:
(
AM
R, ~r---.
P L

Ao valor A dá-se o nmne de raio hidráulico RH ou raio rnédio,


p
7.9.3- Pct·da de carga em tubos. Movhnento unifol'Jnc
A
(
A experiência Inostra que a perda de carga en1 tubos, veiculando utn fluido R 11 =p·
( ''Icon1pressível con1 tnovimento uniforrne (caso particular da aplicação do
{eorema dos n, feita aqui), pode ser expressa apenas en1 função das seguintes No caso de n1ovünentounifonne, o valor ~ 1 recebe a designação de declividade
( randezas din1ensionais: R 2 , Jl, p, v, D, e. Poderá, então, a perda de carga ein
( r'IUestão ser expressa através dos nú1neros adimensionais: R tfpv2 , pvD/Jt, e/D. . ~ . li[ -
Pode-se expressar a perda de carga etn tubos, veiculando fluido incmn-
p1ezon1etnca f = LM1 = L. Entao
( ressíve1 etn Inovhnento unifonne, por
ou
!.!.J..2 ~ if> (PI'D .'!._) elJuaçiio (8)
R, ~pgRHJ.
pv Jl 'D · Substituindo-se na eq. (8) o valor de R 1 dado acilna ve1n
gR~J ~tJ>(p.v.D ,!!..), equaçiio (9)
.9.4 ~ nxpressão de R 1 • Fórmula Universal v~ Jl D
Seja um duto cilíndrico veiculando UDHl vazão constante de fluido
OU,COlll

(.. 1COinpressível, sendo Do diâtnetro; A= n D ' ; P (perín1etro 111.0lhado) = rrD. equaç.1o {10}
4
I resulta
Por equilíbrio de forças que agem sobre o fluido, ten1-se (na direção do
ovünento)
(p 1 - p 2 )A + yAL sen a=R 1 PL,
;( ~V>(p:D, ~}
expressão geral adimensional que relaciona a declividade piezométrica ( f) e,
zt ~z2
.as sen a =-L---, e
portanto, a perda de carga (Lill = JL) cmn R e e D ·
Pode-se dizer que, praticamente, todas as fórmulas experin1entais para o cálculo
de perdas de cargas podem derivar daí.
136 f SC OA 1.1 [fiTO [ M TU BU L AÇÕES SEMELHA/IÇA MECÃII!CA 137 (

A chamada fórmula Universal deriva diretamente dessa expressão. 7.9.7- Fóruntla de Hazen-\Villianis
Da eq. {10) vem Das experiências de Hazen-Wil1iams tem-se a seguinte expressão para a equação (9):
í
_!_ = 10•643 D-M 7 (Hazen-\.Yilliams)
QJJl5 c1)3s

Para tubos de seção circular, Ru = D; lembrando-se que


Os valores de C são dados e1n função do material dos tubos e do tempo de uso.
4
Llh ~h,~ JL, 7.9.8- Fónnula de I,oiseuillc
!PJ11-SC
Para movimentos laminares, o valor de À, tanto experimental como deduzido
L v2 teoricamente, é
1>11=8?.-~.
D2g
Ora, fazendo-se f= BA, tem-se a chamada fórmula Universal.
2
L v
h f = M1 =f-~ (Universal), Substituindo-se na eq. {10), vem
D2g
onde
gDJ f= 32 li I' (Poiseuille)
f=BÀ=~'( R,, ~J 4v 2 ' yD'
Observa-se que a fórmula de Poiseuille, é válida para R(.< 2 000; mas, devido a
Os valores de f são, em geral, dados por diagramas e ábacos, tais como o
perturbações que causam turbulência no movirnento, a mesma deve ser aplicada
diagrama de Moody e o ábaco de Rousse (Cap. 8), proveniente também da análise
com maior segurança paraRe< 1 000.
dimensional.

7.10- SEMELHANÇA I\IECÂNICA


7.fl.5- Fóntula de Chézy
Conhecendo quais são os adimensionais de um certo fenômeno, podem-se
Da eq. (10) vem
comparar dois experimentos desse fenômeno, mesmo que feitos em escalas
geométricas diferentes, desde que todos os adimensionais sejam iguais numa escala
e noutra.

Fazendo-se C~ Jf ,
vem
Assim, um escoamento de água, em um tubo de seção circular, é semelhante
ao escoamento de ar também em um tubo circular, de diâmetro diverso, desde que
sejant iguais o número-índice de resistência {À), o número de Reynolds (Rc), e a
I'= C [li;"], (Chézy) equação (11)
- e
relaçao D.
que é a fórmula de Chézy, de caráter tão geral quanto a fórmula Universal, com a
\·antagem de o coeficiente de Chézy ter sido obtido por inúmetos experimentadores, Essa semelhança é entendida na medida em que, calculando-se em um caso
t·ntre os quais 1vlanning, Ganguillet c Kutter, que exprimiram a rugosidade, não só (por exemplo, água), experimentalmente, vazões, velocidades, perdas de carga, etc.,
pela altura das asperezas (c), mas pelo seu efeito global. têm-se no outro caso {ar), por correlação, as vazões, velocidndes, perdas de carga,
etc.
7.9.6 -l"órmula de Chézy cont coeficiente de Manning No caso, diz-se que o experimento é um modelo para deduzir certos valores
(em geral difíceis de experimentar) de um protótipo.
lvlanning, adotando o coeficiente de rugosidade de Ganguillet e Kutter, chegou
à seguinte expressão para o coeficiente C de Chézy:
7.10.1 - Caso Jmrticulai' ent que o n(nnero de Re~'liOlds é o adintensional umis
C=.!_Rlt6 hnportante
n " Para a construção de um modelo {em geral reduzido) de um protótipo, deve-se
Subtituindo-se na eq. (11} e lembrando a equação da continuidade, Q =Av, tem- selecionar o adhnensional mais iinportante e dele tirar todas as escalas de
se
correlação. Observa-se, aqui, que essa correlação pode ter o que se chama distorção
n~ = ARi/' (lvlanning)
de escala, devido à impossibilidade de serem considerados iguais todos os
adimensionais do fenômeno no 1nesmo modelo .
...jJ
138 ESCOAI.lEIITO EM

Assim, se o índice (1) for relacionado ao protótipo e o índice (2) ao modelo, ter-se~á
Ptv,D,::::: P2VzDz
TUBULAÇÕES
r
·~.
,,ffé'

I
S E 1.1 E L H A li Ç A M E C Â li I C A

No último caso deve.se contentar com a escala d ~( ~: )"'


139

p, Jlt A 1'ab. 7.8 dá os valores das relações de escala, de diversas grandezas, entre o
ou modelo e o protótipo que funcionam com o mesmo fluido.
vtDt = l'2D2
Vt v2 Tabela 7.8
Seja d =(escala gemnétrica). Então a escala de velocidade será Relações de Rc F,
~=v2d-t. Velocidades d'' dl/2

l't VI
Cmnpritnentos d d
Tetnpos d' cfl/2
A escala das vazões será Acelerações d'' 1
Massas d' d'
Q2 = A2v2 == d2(Vz) d-t = Vz d. Forças 1 d'
Qt Atvt Vt Vt Pressões d·2 d
Vazões d d5/2

7.10.2 -Caso particula•· etn que o nútnero de Froude é o adimensional ntais Quantidades de n1ovimento 1 d'
hnportante Potências d'' d7/2

No caso anterior em que as relações entre forças de viscosidade e forças de


inércia têm maior importância no fenômeno, o adimensional selecionado é o Exercício 7.5 ~Deseja-se ensaiar utn vertedor de uma barragem de lOOn1 de
número de Reynolds. já no caso em que as relações entre forças de peso e forças de altura através de utn modelo em escala 1:50. Pretende-se saber se a lâmina
inércia são de maior importância, o adimensional selecionado é o número de vertente no protótipo age com pressão n1aior que a atil"iosférica sobre o
Fraude. vertedor. Dar a vazão do modelo. A vazão do protótipo 6 de 1 000 m 3/s,
Assim, De acordo com o tratamento geral feito no ite1n 7.10, os adimensionais que
influem nesse caso (movimento relativo entre fluido e superfície sólida) são
, ,e e <>
ou A,R.,, 1'r,~.--, e - - , - .
D p·v p-v D
v: v; Os adimensionais mais importantes, devido à grande predominância das forças
Dt Dz' de peso em relação às forças de viscosidade, de tensão superficial, etc., são
Daí a escala de velocidade e a escala de vazões
F e !!___
' D
O número-índice selecionado será o número de Fraude (Fr)• sendo que o valor

de !!__ será aproximado o mais possível pela confecção de superfícies tão lisas
D
7.10.3- Caso pat·ticular enl que huportmn tanto o nínnero de H.cynolds, co1no quanto for realizável em laboratório. Assim, as escalas desejadas são a de
9 núJnet·o de Froude vazão, d51 2, c a de pressões, d.
Nesse caso deven1 valer simultaneamente Mas
V2 = V2 d-t. 1
VI Ut
d::::- =0 02, d" 12 = 5,66x 10-5 •
50 '
Daí
v2:::::d'/2. Q2 ~ d'l' Q 1 ~ 5,66 x 10· 5 x 1 000 ~ 0,0566 m 3/s,
v, Q 2 ~ 56,6 C/s,
Isso só é possível em dois casos: ou d = 1 e u 1 = u 2 (escala natural, mesmo fluido), Pt = 50p2.
Conhecendo-se as pressões p 2 do modelo, têm-se as pressões p 1 do protótipo.
' Vz_d3/2 .
ou-~
A altura do modelo seTá 2 1n (1:50).
v,
140
Ensino Supe~roau Juridico
141

CÁLCULO DE TUBULAÇOES
SOB PRESSAO

8.1- INTRODUÇÃO
No projeto de uma tubulação, a questão principal é determinar a quantidade
de energia necessária para "empurrar" a quantidade de água desejada entre un1
ponto e outro dessa tubulação.
Engenheiros e pesquisadores que se ocuparam da questão, buscaram sen1prc
encontrar uma fórmula prática que permitisse a solução desse problema.
Normalmente, num abastecimento de água por gravidade, os dados conhecidos
são a carga disponível e a vazão desejada, c a incógnita é o diâmetro do tubo. Ivias
qualquer combinação de parâmetros conhecidos ou por determinar é freqüente
no dia-a-dia dos engenheiros. Por exemplo, c1n geração hidrelétrica é comum
conhecer a vazão necessária para a turbina, a altura geométrica entre o nível de
água a n1ontante e ajusante e a perda de carga máxima admissível, sendo a incógnita
novamente o diâmetro.
Estreito, contrufda ein seguida a Furnas e Jogo ajusante desta,
inaugurada em 1969, permitiu um reforço substancial de
energia-para a área mais industrializada do Brasll na ocasião.
Recorde em prazo de implantação e em economia (Fonte: lESA
8,2- O 1\IÉ'I'ODO EI\IPÍRICO E A l\IULTIPLICIDADE DE FÓRMULAS
Notícias). Conforme visto no item 7.7, a fórmula de Darcy-\·Veisbach ou fórmula Univer-
sal, apresenta o inconveniente de precisar de aferição de um coeficiente/que nem
sempre é transladável de uma situação para outra, o que torna sua utilização
problemática.
Assiln, diversos engenheiros e pesquisadores dedicaram-se a lançar os dados
observados na prática em gráficos e tentar desenvolver equações empíricas a partir
dos meS1110S.
A fórmula empírica consagrada pelo uso é a fórmula de Hazen-\.Yillimns (ou
\.Yilliams-Hazen) que, pela tradição de bons resultados e simplicidade de uso via
tabelas, há de permanecer em uso por muito tempo no meio dos engenheiros, em
que pese a can1panha pelo abandono das fórn1ulas en1píricas e tentativas de
obrigatoriedade do uso do método científico. Tal colocação de obrigatoriedade de
fórmula, já incluída em diversas normas brasileiras, parece ser exigência
desnecessária que extrapola os objetivos de normalização.
As fórmulas empíricas, normalmente só se aplicam ao líquido em que foram
\
ensaiadas, a temperaturas sc1nclhantes, uma vez que não incluem termos relativos
às propriedades físicas do líquido (fluído).
CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO
0 MÉTODO EMPÍRICO E A MULTIPLICIDADE 0[ fÓRMULAS 143
142

Ta1nbém é importante anotar que tais fórmulas assumem que o escoamento é canalizações, depois de postas em serviço, são ensaiadas de modo conveniente para
sempre turbulento, que é o que ocorre na prática com raríssimas exceções, pata as a determinação das suas características hidráulicas; mesmo assim os resultados do
quais o leitor deverá estar atento. seu funcionamento, invariavelmente, são classificados como bons.
As fórmulas empíricas, são fórmulas monômias, por isso facilmente calculadas Como os resultados obtidos com o emprego de fórmulas diferentes chegan1 a
e tabeladas. variar de 100%, Fanning, em_ seu tratado, ponderou: "Graves erros podem provir do
uso pouco racional c inconveniente das fórmulas. O conhecimento completo da
O grande número de fórmulas existentes para o cálculo de canalizações
origenl de uma fórmula é essencial para a segura aplicação prática".
certamente impressiona e põe em dúvida aqueles que se iniciam nesse setor da
hidráulica aplicada. No presente capítulo serão feitas algumas considerações, con1.o contribuição
para o n1elhor esclarecimento do assunto e fixação de critérios mais racionais para
Desde a apresentação da fórmula de Chézy, em 1775, que representou a primeira
a escolha de mna fónnula.
tentativa para exprimir algebricamente a resistência ao longo de un1 conduto,
·inúrneras foram as expressões propostas para o mesmo fim, tnuitas das quais ainda
hoje são reproduzidas e encontradas nos 1nanuais de Hidráulica. No preparo deste 8.2.2- Fórntula de Darcy
capítulo foram compulsadas numerosas fórmulas, podendo-se dizer que existam Darcy teve o grande mérito de ter sido o primeiro investigador a coi1siderar a
mais de cem. natureza e o estado das paredes dos tubos, isto é, foi quem primeiro apresentou
Parece mesmo ter havido época e1n que todos os engenheiros hidráulicos - uma fórmula moderna na atual acepção da palavra.
uns mais, outros menos - preocupava1n-se no sentido de apresentar fórmulas Foi Darcy um verdadeiro gênio da Hidráulica; com base em apenas duzentas
. próprias, ou, pelo menos, de prestigiar fórn1ulas "nacionais". Como curiosidade, observações, obteve uma fórmula cuja utilidade e aplicação têm sido reconhecidas
mantém-se nesta edição o Quadro 8.1 a seguir, onde se listam as supostas 40 fót·mu- e asseguradas há cerca de 150 anos.
las principais: Analisando os próprios dados do antigo diretor da Repartição de Águas de Paris,
\ 'o'~, • ' ',·~~<,·~~"''
verifica-se que, para ele, o expoente n da velocidade na expressão geral
QUAD.!lO 8.1-·Algttmas fór~nulas práticas : < ~• ;-~, • "-;, '·" !t7~ \,- }
• p ,• • e ""~~'-'•:~ v"
J~k-
Ano Autor País Ano Autor País D"
está cmnpreendido entre 1, 76 e 2. Entretanto, em sua fórmula, Darcy, como os
I 1775 Chézy França 21 1877 Fanning Estados Unidos
demais pesquisadores de sua época, adotou o expoente 2. Considerando-se que
2 1779 Dubuat França 22 1877 Hamilton Smith Estados Unidos
3 1791 Woltmann Alemanha 23 1878 Colombo França
aquele hidráulico tinha em vista estabelecer uma fórmula prática, para uso
4 1796 Eytekweub Alemanha 24 1878 Darrach Estados Unidos generalizado, e que no seu tempo eran1. desconhecidas as réguas de cálculo e a
5 1800 Coulomb França 25 1880 Ehrmann Alemanha Nomografia, assim como eram praticamente inexistentes as tabelas, a orientação
6 1802 Eisenmann Alf'manha 26 1880 Iben Alemanha tomada por Darcy veio a seu crédito (embora os oficiais de Napoleão já usassem
7 1804 Prony França 27 1881 Franck Alemanha réguas para a solução rápida dos problemas de balística, somente em 1859 surgiu a
8 1825 D'Aubuisson França 28 1883 Heynolds Inglaterra régua logarítmica de :Manheim,}.
9 1828 Tadini Itália 29 1884 Thrupp Inglaterra
Um fato pouco conhecidq e que demostra o bom-senso c o espírito cuidadoso
10 1845 Weisbach Alemanha 30 1886 Unwin Estados Unidos
de Darcy é os seus dados e observações geralmente se referirem a tubos novos.
11 1851 Saint Venant França 31 1887 Stearbs-Brusch Estados Unidos
12 1854 Hagen Alemanha 32 1889 Geslain França
Todavia ele soube admitir, com critério razoável, o fenômeno do envelhecimento
13 1855 Dupuit França 33 1889 'futton Inglaterra dos tubos, dobrando os seus coeficientes.
14 1855 Lcslie Inglaterra 34 1890 Manning Irlanda
15 1855 Darcy França 35 1892 Flamant França 1- Apresentação alen1ã da Fórmula de Darcy (Forchcimer}:
16 1867 Ganguillet-Kutter Suíça 36 1896 Lang Alemanha
17 1867 Levy França 37 1898 Fornié França Com relação à expressão geral de resistência oposta ao escoamento (iten17. 7):
18 1868 Bresse França 38 1902 11iram-Mills Estados Unidos D ·f~ rp(v),
19 1868 Gauckler França 39 1903 Christen Estados Unidos Darcy admitiu: rp (v)= kv2.
20 1873 Lampe Alemanha 40 1903" Hazen-\Villiams Estados Unidos
A fónnula de Darcy pode ser escrita:
*Verificada em 1920 e em 1994.
J~KQ' equaçlio (la)

8.2.1- Critério para a adoção de urna fól'lnula


equação ( 1 b)
Evidentemente, uma expressão não deve ser adotada simplesmente por Inativos
je sünpatia pelo nome do autor, pela sua escola ou país de origem, ou, ainda, pelo
equação (1c)
fato de a fónnula já ter sido empregada com "bons resultados". Raramente as
144
CÁlCULO DE TUBUlAÇÕES SOB PRESSÃO
0 MÉTODO EMPÍRICO [A MUlTIPLICIDADE DE fÚRMULAS 145
A Tab. 8.1 apresenta os valores de K, K' e K".
o"ndc 11, =perda de carga (m);
f =coeficiente de atrito; I '
Ta?cla ~-1 ~Valores para os coeficientes "J(" na fórnulla de Darcy~Forchehner
pma tu >os de feno e de aço, conduzindo água fria L =comprimento da canalização (m);
Diâmf'lros v =velocidade média (m/s);
K K' K" g =aceleração da gravidade (9,8 m/s 2 ).
{mm) Tubos usados Tubos novos
10 116 785 000,0000 58 392 500,0000 B 263 800,0000
Tabela 8.2 ~Valores do coeficiente de atrito "f" na fórmula de Darcy
20 12 732,0000 (apres_entação an1ericana), para tubos novos de ferro fundido e de aço,
2 338 500,0000 1 169 250,0000 516 490,0000
30 3 183,0000 conduzindo água fria
250 310,0000 125 155,0000 102 022,0000
40 1414,7000
52 560,0000 26 280,0000 32 281,0000
50 795,8000 Diâmetro Velocidade média em m/s
15 874,0000 7 937,0000 13 222,0000
60 509,3000 nominal
6 021,0000 3 011,0000 6 376,4000 0,20 0,40 0,60 0,80 1,00 1,50 2,00 3,00
75 353,6800 (mm)
1 990,0000 995,0000 2 730,0000
100 230,0000
412,4000 206,2000 826,3800 13 0,041 0,037 0,034 0,032 0,031 0,029 0,028 0,027
125 127,3200
133,0000 66,5000 344,0000 19 0,040 0,036 0,033 0,031 0,030 0,028 0,027 0,026
150 81,9000 0,025
50,6400 25,3200 163,2400 25 0,039 0,034 0,032 0,030 0,029 0,027 0,026
200 56,5900 0,037 0,033 0,031 0,029 0,029 0,027 0,026 0,025
11,5700 5,7900 51,6490 38
250 31,8310 50 0,035 0,032 0,030 0,028 0,027 0,026 0,026 0,024
3,7050 1,8530 21,1550 (
300 20,3720 75 0,034 0,031 0,029 0,027 0,026 0,025 0,025 0,024
1,4680 O, 7340 10,2020
350 14,1470 100 0,033 0,030 0,028 0,026 0,026 0,025 0,025 0,023
0,6704 0,3852 5,5070
400 10,3940 150 0,031 0,028 0,026 0,025 0,025 0,024 0,024 0,022
0,3413 0,1707 3,2280
450 7,9580 200 0,030 0,027 0,025 0,024 0,024 0,023 0,023 0,021
0,1880 0,0940 2,0150 0,028 0,026 0,024 0,023 0,023 0,022 0,022 0,020
500 6,2880 250
0,1104 0,0552 1,3220 300 0,027 0,025 0,023 0,022 0,022 0,021 0,021 0,019
550 5,0930
0,0683 0,0342 0,9030 350 0.026 0,024 0,022 0,022 0,022 0,021 0,021 0,018
600 4,2100
0,04•10 0,0220 0,6380 400 0,024 0,023 0,022 0,021 0,021 0,020 0,020 0,018 (
3,5370
450 0,024 0,022 0,021 0,020 0,020 0,020 0,020 0,017
500 0,023 0,022 0,020 0,020 0,019 0,019 0,019 0,017
Exercício 8.1 - ~ara o abastecimento de água de uma grande fábrica será 550 0,023 0,021 0,019 0,019 O,D18 0,018 0,018 0,016
executada t~ma h~ha adutora com tubos de ferro fundido numa extensão de 600 0,022 0,020 0,019 0,018 O,D18 0,017 0,017 0,015
~ 100 m. Dmwnswnar a canalização com capacidade de 25 t;s. o nível de
agua na barragem de captação é 615 rn e a cota da canalização na entrada do Tabela 8.3 -Valores do coeficiente de atrito "f" na fórmula de Darcy
reservatório de distribuição é de 599,65 m. • (apresentação atuericana), para tubos usados de ferro fundido e de aço e para
tubulações de concreto, conduzindo água fria
L~2100m

h,= 615- 599,65 15,35 m Diâmetro Tubos de aço e de ferro I


Tubos de concreto
=
nominal Com lÔ anos de uso _~ Velhos .J
novos ou velhos
f H, 15,35 velocidade 1nédia em m/s
~L~ ~0,0073m/m
2100 (1nm) 0,50 . 1,00 1,50 3,00 !qualquer 0,50 1,00 1,50
Q ~ 25 f/s ~ 0,025 m 3 /s 25 0,054 0,053 0,052 0,051 0,071 - - --
50 0,048 0,047 0,046 0,045 0,059 - - -
São dados f c Q; a incógnita é D (problema tipo IV). Calcula-se: 75 0,044 0,043 0,042 0,041 0,054 - - -

100 0,041 0,040 0,039 0,038 0,050 - - -

f -- KQ , ... K -f- ~ -0,0073


- - ~ 11 7 150 0,037 0,036 0,035 0,034 0,047 - - -
Q' 0,025' ' 200 0,035 0,034 0,033 0,032 0,044 - - -

250 0,033 0,032 0,031 0,030 0,043 - - -


Para esse valor de K, encontra-se, na Tab. 8.1, D = 0,20 m (tubos usados) 300 0,031 0,031 0,030 0,029 0,042 0,030 0,029 0,027
350 0,030 0,030 0,029 0,028 0,041 0,028 0,027 0,026
400 0,029 0,029 0,028 0,027 0,040 0,027 0,026 0,025
2 ~Apresentação a1nericana da Fórmula de Darcy 450 0,028 0,028 0,027 0,026 0,038 0,026 0,025 0,024
1'\'lodernmncnle apresenta-se a expressão de Da;·cy com a seguinte forma: 500 0,023 0,027 0,026 0,025 0,037 0,025 0,024 0,023
550 0,026 0,026 0,025 0,024 0,035 0,025 0,023 0,022
Lv 2 600 0,025 0,0~4 0,023 0,022 0,032 0,024 0,022 0,021
11, ~f--
D2g equação (2) Obs.: para manqueims de borracha adotar 0,02:::; f:::; 0,03
CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO 0 M[TODO EMPÍRICO E A MUt11PLICIDADE DE FÓRMULAS 147

Exercício 8.2 ~Uma estação elevatória recalca 220 ('js de água através de mna 8.2.4 _ Cmnparação de algumas fórmulas práticas
canalização antiga, de aço, de 500 n1m de diâmetro e 1 600 m de extensão.
v"
Estimar a economia mensal de energia elétrica que será feita, quando essa Seja a expressão geral para perda de carga unitária J -k
canalização for substituída por uma linha nova, de aço, com revestimento D"

I interno especial. Custo da energia elétrica $ 0,10/k"Vh. Para movin1ento laminar, n = 1 e p = 2; para moviinento francamente turbulento
n= 2ep= 1.
A =0, 196m2 Q 0,220
J v=-=--
A 0,196
=113mjs
'
No Quadro 8.2, estão comparadas algumas das expressões propostas, sob esse
aspecto (relação entre os expoentes de "v" e "D"):
I Para a canalização antiga, f= 0,037 e, para a tubulação nova, f= 0,019, valor
_I que manterá devido à existência do revestimento especial.
A perda de carga nas condições iniciais (tubulação velha) é:
2
Autor** Expoentes de Somados
h 1 =0,0 37 1600xl,l3 = 75,6 = 7 71111 "v" "D"
0,50x19,6 9,8 '
Para a tubulação nova resultará: Darcy 2 1 a·
0,019
h1 = 0,0 7,71=3,96m Lev-y~Vallot 2 1,33 3,33
37
A diferença de altura de recalque será, portanto, de 3, 75 In, o que cmTesponde
a uma potência de: Manning 2 1,33 3,33

P~Qxllx ~220x3,75x 0 •736 ~8 085kW


0 736
• (teórica) Fla1nant 1,75 1,25 3
75 75 '
Levando-se em conta o rendiinento do conjunto motor-bomba, estimado em \'Ut
70%,
Biegeleisen-Bukm\•sky ]=k.'i Di.! 1,9 1,1 3

P ~ 8 085-- ~ 11 550W ~ 11,55kW


1
o, 70 Lawford 1,87 1,127 2,997
Economia diária de 11,55kW x $0,10/kWh x 24 h/dia ~ $ 27, 72/dia;
Econmnia mensal de $ 831,60. Scobey 2 1,25 3,25

v1.sH
8.2.3- Outras fórmulas para tubulações e seus Iiinites de aplicação
Fair, \'\'hipple e Hsiao J ~k --
8 D1.12
1,88 1,12 3
Cada fórmula de resistência costuma ser apresentada com a indicação dos
imites para a sua aplicação fixando-se, geralmente, os diâmetros míniino c máxiino.
Esses valores, algumas vezes estabelecidos pelos próprios autores das expressões, Hazen-'Nilliams 1,17 .~.02
oram outras vezes fixados pelos engenheiros interessados na sua aplicação. (~)Na expn'ssão de Dlli"CJ~ a
1 Tais limites, entretanto, não têm o significado absoluto que freqüentemente (''*) Esliio relacionadas <I penas

lhes é atribuído e sobretudo não são con1paráveis. Enquanto algmnas fórmulas seu valor histórico.
Jram estabelecidas com base em poucas dezenas de dados, outras decorrera1n da
( "nálisc de alguns milhares de observações. Prony, por exemplo, baseou-se em 51 8.2.5 -Inconvenientes das primeiras fórtnulas
experiências; Weisbach, em 63; Darcy, em 200; Flamant, em 552; enquanto Hazen A fónnula de Darcy há muitos anos completou seu centenário; a de Levy é
! \Villian1s serviram-se de alguns n1ilhares de dados. Entre os limites fixados para apenas 10 anos mais nova; a de I\,Ianning resultou de uma simplificação da expre"são
!\fórmula de Darcy estariam con1preendidos dados cmnpulsados por Hazen e Wil- de Ganguillet-Kutter, fórmula essa que remonta a 1867.
l -.ams, num total muito superior a 200. Flamant baseou-se em observações feitas con1 Evidentemente, no decorrer de tantos anos a indústria dos materiais e a técnica
1 · 'tbos de até 90 em de diâmetro; não obstante, a sua fónnula tem sido Tecmnendada de fabricação dos tubos evoluíram bastante. A superfície interna dos tubos
para canalizações de maior diâmetro. As investigações conduzidas por Hazen e V\'ill- apresenta-se n1ais homogênea e mais favorável ao escoamento. Evoluiram os
1 ~ms incluíram dados sobre condutos desde 25 mm de diâmetro até cerca de 4,5 m.
processos de revestimento c ainda mais, com a produção de tubos n1ais longos,
148 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O l.l[TOOO fl,tPÍRICO E A MUlTIPliCIDADE DE FORMUlAS 149
reduziu-se o número de juntas. propuseram, em 1903, un1a fónnula prática que pode ser escrita
. Por outro l~do, defini:·am-se me:hor as características das águas a transportar, (
to1 no~l-~de dina1 s c?nhecido o fcnomeno da corrosão e pôde-se controlar a
\'1.85

agTcssivi a c c1as aguas. J-k


- Dl,l7
equação (3)

~ Essas considerações mostram as inconveniências do emprego de muitas das denominada fórmula de Hazen--Williains (Allen Hazen, engenheiro civil e
formulas estabelecidas há muito tempo. sanitarista, e Gardner S. \-\7illiams, professor de Hidráulica) que goza de grande
o_ en~Jrego das primeiras fórmulas está condicionado à classificação das aceitação, devido ao amplo uso e às confirmações experimentais.
canahzaçoes em uma de duas classes: tubos novos e tubos usados. Os resultados A fórmula de Hazen-\Villiams, con1 o seu fator numérico em unidades SI, é a
geralmente variam de 1 para 2, isto é, os coeficientes para tubos em uso são duas seguinte:
vezes maiores do que os para tubos novos. Resta perguntar quando um tubo deixa I= 10,643 Q1.85. c 1.85. D -4.87 equação (4)
de ser novo e se uma tubulação de 10 anos é velha. O número limitado de (
observ~ções não permitia uma classificação rnelhor ou un1a apreciação 1nais precisa onde: Q =vazão (m 3 /s);
do fenomeno conhecido como o "envelhecimento dos tubos". D =diâmetro (m);
Cu~pre lembrar que tais inconvenientes, que pode1n ser atribuídos à velha f =perda de carga unitária (n1jm)
expr~ssao de Da~'Cy, são removidos quando se considera a nova apresentação de C =coeficiente adimensional que depende da natureza (material e estado)
sua formula, mms conhecida como apresentação americana ou fórmula de Darcy- das paredes dos tubos, Quadro 8.3.
~~~~- . A fórmula tambétn pode ser escrita explicitando-se a vazão ou a velocidade:
Q = 0,279 CD 2.63/ 0,5-t eqtwçiio (5)
8.2.6- Contribuição da estatística. Uma fónnula média
O trntamento estatístico dos inúmeros dados existentes sobre o assunto _ rrD 2
cmno Q=Av=--v
~·esult.ndos das observações e experin1entações realizadas pelos diversos 4
In:'e~hgadores- mostra que o expoente de v varia entre cerca de 1, 7 a 2. Um valor substituindo em (5) tem-se:
medw podE" ser assumido em torno de 1,85. As próprias experiências de Darcy levam
v= 0,355 CD o.H3 /u.s-t cquaçiio (6)
a valores dE' n compreendidos entre 1, 76 e 2. ·
onde v= velocidade (m/s)
Reynolds, que teve a primazia de investigar as velocidade-1imite entre os re-
gimes de escoamento laminar e turbulento, chegou à conclusão de que o expoente No final deste capítulo (item 8.4), estão apresentadas as Tabelas (8.14a) com o
n assume o valor da unidade para o movimento laminar e que, para os movimentos resultado dos cálculos pela fórmula de Hazen-\'\'illiams para os diâmetros cmnerciais
tur?ulentos que ocorrem na prática, n depende da rugosidade da parede dos tubos, e velocidades usuais e para diferentes valores do coeficiente C.
oscilando entre 1,73 e 2. Para os tubos muito lisos, n é cerca de 1,75 ao passo que, A disposição dos vários aspectos da fórmula, tal como está apresentada no
para grandes turbulências, em tubos fortemente "incrustados", n = 2. Quadro 8.4, é de grande conveniência na prática.
Com base nessas considerações e no que indica a análise dimensional conclui-
se que uma fórmula "racionalizada" para a determinação da perda de ~arga nas 8.2.8- Vantagens da fórmula de Hazen-\Villiams
tubulações seria
É uma fórmula que resultou de nm estudo estatístico cuidadoso, no qual fo-
v_l+x ram considerados os dados experimentais disponíveis, obtidos anteriormente por
J~k-- um grande nún1ero de pesquisadores, bem cmno dados de observações dos próprios
vz-x
autores.
onde, p:u~ o movimento 100% turbulento, o valor experimental de x seria 1 c, para A expressão de Hazen-VVilliams é teoricamente correta: a soma dos expoentes
as condtçoes correntes, com movimento turbulento, oscilaria de O, 70 a 1; tomando- p e n, que é 3,02, apresenta uma diferença desprezível sobre o valor teórico.
se, para o último caso, o valor médio de x = 0,85, resultaria a seguinte expressão:
Os expoentes da fórmula foram estabelecidos de tnaneira a resultarem as
\'1.85 menores variações do coeficiente numérico C para tubos de mesmo grau de
J~k-- rugosidade. Em conseqúência, o coeficiente C é, tanto quanto possível e praticável,
D'-15
uma função quase que exclusiva da natureza das paredes.
8.2. 7- Fórnnlla de Hazen-,Villiams A grande aceitação que teve a fónnula permitiu que fosse1n obtidos valores
Depois _de feitas essas considerações, é curioso notar que dois pesquisadores be1n determinados do coeficiente C. Nessas condições, pode-se estimar o
n~rte-~men~anos, ap~s cuidadoso exan)e estatístico de dados obtidos por mais de envelhecimento dos tubos.
tnnta 1nvest1gadores, Inclusive os de Darcy e os decorrentes de pesquisas próprias, É uma fórmula que pode ser satisfatoriamente aplicada para qualquer tipo de
150 CÁlCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÀO O METODO EMP!RICO E A MULTIPLICIDADE DE fORMULAS 151

conduto e de material*. Os seus linlites de aplicação são os n1ais largos: diâmetro 8.2.9 _o envelhecimento das tubulações de ferro fundido e aço
de 50 a 3 500 mm c velocidades até 3 m/s, ou seja, praticamente todos os casos do Ensaios e verificações feitos em linhas de aço e de ferro fundido, n1uito bem
dia-a-dia aí se enquadram. executadas e em que foram empregados tubos de boa qualidade, sem revesthnento
interno, mostrarmn que, para o início de funcionamento, o coeficiente C assu1ne
valores nas vizinhanças de 140. Pouco depois, entretanto, esse valor cai para 130 e
llo coeficienie CSugerjdo tlai~ a fól'~nd~ ~d~~~ ~
3
QUADRO 8.3 - Vaíor ' - '"' com 0 decorrer do tempo passa a valores cada vez mais baixos. A tendência de o
HazeJb\Villiatus - " ~ ~ - h ~ "
ferro entrar em solução e a presença de oxigênio dissolvido na água - fatores
" ~ ~ l\ ~ :- -' ~'"

Usados Usados prilnordiais da corrosão -são respo~sáveis p~la formação de tubércul?s na


Tubos Novos ±10 ±20 superfície interna dos tubos. Da reduçao da seçao e do aumento da rugos1dade
anos anos resultmn a dilninuição da capacidade de transporte da canalização e o decréschno
Aço corrugado {chapa ondulada) 60 de C.
Aço galvanizado roscado 125 100 Tal fenômeno da tuberculização, que se caracteriza por formações esponjosas
Aço rebitado, novos 110 90 80 duras que crescem como se fossem corais e que, uma vez bern secas se "esfarelatn"
Aço soldado, comum (revestimento betuminoso) 125 110 90 com relativa facilidade, é algumas vezes erroneamente designado por incrustação.
Aço soldado com revestünento epóxico 140 130 115
Chumbo 130 120 120 O termo incrustação deve ser reservado ao fenômeno da constituição de
Cimento-amianto 140 130 120 camadas ou crostas devidas a certas substâncias presentes em quantidades
Cobre 140 135 130 excessivas na água, que vão se depositando ou aderindo às paredes dos tubos,
Concreto, bom. acabamento 130 especialmente os tubos metálicos, diminuindo o diâmetro interno do tubo. O caso
Concreto, acabmnento cornmn 130 120 110 típico de incrustação ocorre quando a água transportada pelo tubos apresenta
Ferro fundido, revestimento epóxico 140 130 120 elevados teores de cálcio, por exemplo, águas de terrenos calcários, bastante
Ferro fundido, revesthnento de argmnassa de chnento 130 120 105
Grés cerâmico, vidrado (manilhas) 110 110 110 freqüentes.
Latão 130 130 130 Entre os vários fatores (*) que afetam a corrosão, o pH tem uma grande
Madeira, en1 aduclas 120 120 110 influência, conforme se pode constatar no Quadro 8.5.
Tijolos, condutos bem exeeutados 100 95 90
Vidro 140 140 140 '/ 7 - " - ~ ,, ~:.- - :: ' ~ ~ ' "i:~

Plástico {PVC) 140 135 130 QUADRO 8.5- Pet\da de cápacidad~ de tubulaÇões de fer1·o fuhUidO nãõ;.: ,,
- revestido intm•namente ao fim de 30 anos (C ihic~al: 135 R--±\.
Obs.: o engenheiro projetista ao adotar um coeficiente C deve se preca\'ercontra ''alares
acima daqueles aqui indicados, n1es1no que indicado nos catálogos dos fabricantes de ' OU 100%) ' ' • c' , , , c , " :,
" ' ' - k ' ~ ~-
tubulações. Ocorre que os valores indicados nos n1Mlogos são nonnalmente olJtidos e1n
condições de laboratório e na pnític.1 influenciam também outros fatores, tais como o efeito Percen tagc1n
das juntas, h1lta de alinha1nento na montagen1, irregularidades ou recalques no terreno, pHda água Valor de C da capacidade
qualidade da água, etc. inicial
6,0 20 15
QUADRO 8.4-Fónnüla de Hazen.,\Vuíiain~ no sisteJpa~Si ::~ ~
>, • ,,_ >
"'~ ,,- ~,/~,~: ~~: ~~ :~
- -
6,5 52 40
7,5 85 65
Para C= 100 v= 35,5 D o,63 f o,s4 Relações
__k_ ~ [100 ]1,852 7,0 72 55
Q = 27,88 D 2,63 f O,S4 para 8,0 91 70
,1,852 valores quais- fc~Ioo C
(*)Alguns dos fatm es que afetam a em rosão: potencial de oxidação do material (ent1 opw).
/~0,00135-'­
D1.167
quer
de C v
Dc~oo =
[c]'"
100
8
sobretensão, oxigênio dissolvido, CO., alcalinidade, presença de substância inibidonls ou
capazes de fonnar películas. homoge-neidade da superfície dos tubos, velocidade da água,
temperatura, existência de residuais de sulfato de alumínio. doro, etc.
Q1,852
J~0,0021-­ __
I'c
__ c
D4,87 8.2.10- Escolha criteriosa do coeficiente C
\' C=lOO 100 A fórmula de Hazen-\.Yilliams, sendo das mais perfeitas, requer, para a sua
__&___ c aplicação criteriosa, maior cuidado na adoção do coeficiente C. A escolha negligente
desse coeficiente ou a fixação de um valor médio invariável reduz de muito a
QC=lOO 100
precisão que se pode esperar de tal fórmula.
Para tubos de ferro ou de aço, o coeficiente C é uma função do tempo, de tnodo
(*)A fórmula de Hazen-Williams pode ser aplicada a condutos livres ou condutos forçados; tem que o seu valor deve prever a vida útil que se espera na canalização.
sido empregada para cm1alizações de águas e esgotos. Seus autmes basearam-se em experiências com
>s seguintes materig.is (tubos): aço, cimento, chumbo, estanho, ferro forjado ("wroughtiron"), ferm Para avaliações expeditas, pode-se usar, para tubos metálicos, C= 100. Tal valor
fundido, latão, madeira, tijolos e vidro. corresponde, aproxin1adamente, à situação da tubulação en1 quinze a vinte anos,
152 CÁLCULO DE TUBULAÇÕ~S SOB PRESSÃO 0 MÉTODO EUPiRICO E A I.IUlTIPLICIOADE DE FÓRMULAS 153

portanto dentro da vida útil esperada, quando ainda deverá estar funcionando para
as vazões de cálculo. Tal desempenho pode ser melhorado se periodicmnentc for c
feita uma "limpeza" na tubulação. ·ral limpeza periódica é muito pouco usual na 13
América Latina, até porque os projetos não a prevêem e depois passa a ser muito
ot\.

:~
difícil fazê-Ia, pois não são instalados os acessórios necessários para facilitar a
operação, especialmente a colocação e retirada do "pig" de limpeza. !vlcnos usual 12
ainda é a recomposição do revestimento interno. ·rambém pouco se faz em tcnnos
de controle de qualidade eficaz para a corrosividade da água. 11 :'
A Tabela 8.4, obtida das investigações de Hazen e \Villiams, é de grande utilidade
nas aplicações práticas, especialmente quando se calculam canalizações de certa
importância. Nas observações que serviram de base predominaram águas "moles", 90 /"-...~ ~
em sua maioria não tratadas quimicamente. Os valores apresentados resultam das
condições mais con1uns. Para águas "in natura", muito agressivas, ou para águas
ao
" I"-.' t--...
~
~ !'-...
~ ~ t--..
tratadas e não bem controladas, o envelhecimento dos tubos poderá ser mais rápido.
Para águas muito bem controladas, o decréscimo de C é mais lento.
" .....___
~ !::---.. t----
Na Fig. 8.1 estão con1parados os dados disponíveis de diversos investigadores, 70 !'..."- 1:::-0 t--.._ r----..
relativos ao envelhecimento de tubulações de ferro fundido. Pode-se notar que as ........ -.....:: t-.._"'-.... ........_ DN 1000
condições adotadas por Hazen e \Villiams, bem próximas das investigações de
60 .......... -.......:: t---..
. . __ 1--. DN 500
Cm·ter, são bastante razoáveis, não constituindo condições extremas, mas, bem ao DN 250
contrário, dados médios.
:----... "'-.... :::'-----:: DN 200

Na Figura 8.2 estão representados os valores indicados na Tab. 8.4. O aumento 50


DN 100 r----.... DN 150

o 5 10 15 20 25 30 35 40 50
de rugosidade, a redução de diâmetro e as dimensões relativas dos tubérculos Anos Figura 8.2
maiores para os tubos de menor diâmetro, causam, para estes, um envelhecimento
mais rápido.
Tabela 8.4 --Valores do coeficiente C segundo os dados analisados por Jiazen-
\\'illhuus. Tubos de ferro fundido setn revcstilncnto interno(*)
Diâmetro
100 150 200 250 300 350 400 450 500 GOO 750 900 1 050 1 500
c (mm)
130 - Anos
~
('"*) 140 140 140 140 140 140 140 140 140 140 140 140 !40 140
120
~ ·..........f._.-····
----- ~"· in
--..::.:: •• - t Lo
o
5
130
117
130
118
130
119
130
120
130
120
130
120
130
120
130
120
130
120
130
120
130
121
130
122
130
122
130
122
\ 10 106 108 109 110 110 110 111 112 112 112 113 113 113 113
110 \ ·· .. ~o in. ~ Yr. 15 96 100 102 103 103 103 104 104 105 105 106 106 106 106
•• •• 4 )'.::ra, 20 88 93 94 96 97 97 98 98 99 99 100 100 100 100
"< •.s: 25 81 86 89 91 91 91 92 92 93 93 94 94 94 95
\ 0. ~"<><· --- 30 75 80 83 86 86 90
90
~- ... te, 85 87 87 88 89 90 90 91

ao " f\""'
'-._•
t--.. "'
.__ :----: ~n
......
0--
~
...... _
35
40
45
50
70
64
60
56
75
71
67
63
78
74
71
67
80
76
73
70
82
78
75
71
82
78
76
72
83
79
76
73
84
80
77
73
85
81
77
74
85
81
78
75
86
82
78
76
86
83
79
76
87
83
80
77
88
84
81
78
K"•s, .
70 ••-.....: ( ) Valmes do coefiCientes C - de aço:
para tubulaçoes
a) Com juntas "lock-bar", adotar os mesmos coeficientes indicados para os tubos de ferro
/:'.A
...._ ~c. fundido;
60
,___ b) Soldadas, tmnar cotno valores de C os valores indicados para tubos de ferro fundido 5 anos
n1ais velhos;
c) Rebitados, tomar como valores de C os valores indicados para tubos de ferro fundido 10

50
r-- anos mais velhos;
d) Cmn revestimentos especiais, admitir 130.
o 40 50

1..--------------Amnfio•s-------------...!1
5 10 15 20 25 30 35 ("'*)O valor 140 correspondente ao início de funcionamento de linhas muito ben1 executadas,
com tubos de boa qualidade.
Figura 8.1
154 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O M[TOOO EMPiRlCO E A MULTIPLICIDADE DE fÓRMULAS 155

Portanto, note~se que para uma mes1na rugosidade de parede interna do tubo, A Tab. 8. 7 apresenta um. coeficiente prático K para o cálculo de uma nova perda de
t1a fórmula de Hazen~Williams, um tubo de 1naior diâtnetro deverá ter un1 carga quando já é conhecida a perda de carga para C= 100:
1 çoeficiente C ligeiramente maior que o de u1n tubo de diâmetro menor. Isso significa JCqq ~ KLC 100
<:tue ao estudar alternativas de diâmetros diferentes usando Hazen-\"'illiams, para
.'ier rigoroso o engenheiro deve atribuir a tubos de diâmetros diferentes, diferentes Exeinplo: Uma linha de recalque com 500 mm de diâmetro funcionando cotn
valores de C, valendo-se para isso de sua experiência, da Fig. 8.2 e da 1'ab. 8.4. 220 1/s de vazão e C= 100, ten1 uma perda de carga de 3,50 mjkm. Se com
mna limpeza interna da tubulação o C chegar a 130, a perda de carga vai se
Tabela 8.5- Correspondência aproxhnmla entre os valores de f reduzir cmno segue:
(fórmula Universal) e o coeficiente C da e:\vressão de Jc 130 ~ K Jc 100 ~ 0,615 x 3,50 ~ 2,15 mjkm
Hazen-,Villiams. Para C= 100 (valores de j}
D V=Ü,50 V= l,QQ V= 1,50
(mm) (m/s) (m/s) (m/s)
Exercício 8.3- Numa cidade do interior, o número de casas atinge a 1 340 c,
50 0,049 0,044 0,042
segundo a agência de estatística regional, a ocupação 1nédia dos domicilias
100 0,043 0,039 0,037
gira em torno de 5 pessoas por habitação. A cidade já conta con1 um serviço
150 0,040 0,036 0,034
200 0,038 0,034 O,O:l2
de abastecimento de água, localizando-se o n1anancial na encosta de u1na
300 0,036 0,032 0,030 serra, em nível mais elevado do que o reservatório de distribuição de água
400 0,034 0,031 0,029 na cidade. O diâmetro da linha adutora existente é de 150 mm, sendo os tubos
500 0,033 0,030 0,028 de ferro fundido com bastante uso. O nível de água no ponto de captação
600 0,032 0,029 0,027 flutua em torno de cota 812,0 msnmm (metros sobre o nível médio do mar);
o nível de água Inédio no reservatório de distribuição é 776,00 msnmm; o
comprimento da linha adutora é 4 240m.
Tabela 8.6 -Correspondência aproximada entre os coeficientes C de
Verificar se o volume de água aduzido diariamente pode ser considerado
Hazcn-"'illiams e n de 1\:lanning, J( de Striclder e ydc Bazin
satisfatório para o abastecimento atual da cidade, admitindo-se o consumo
c 40 60 80 90 100 110 120 130 140 individual1nédio cmno sendo de 200 litros por habitante por dia, aí incluídos
n 0,031 0,021 0,016 0,014 0,013 0,012 0,011 0,010 0,009 todos os usos da cidade, rnesmo aqueles não domésticos, e que nos dias de
K 35 50 60 70 75 85 90 100 110 n1aior calor a demanda é cerca de 25% maior que a média.
r 1,75 1,30 0,45 0,23 0,20 0,17 0,12 0,06 0,04

I Tabela 8.7- Fatores de correspondência Kpara os diferentes valores de C na


fórmula de Hazen-\Villiams(*)

,I
l
c K
40 5,457
41 5,213
42 4,986
c
55
56
57
K
3,026
2,927
2,832
c
70
71
72
K
1,936
1,886
1,837
c
85
86
87
K
1,351
1,322
1,294
c
100
101
102
K
1,000
0,982
0,964
c
115
116
ll7
K
0,772
0,760
0,748
c
130
131
132
K
0,615
0,606
0,598
c
145
146
147
K
0,503
0,496
0,490
I
N A '"'9'"' = 776,00
Estação de
tratamento e
reseNatório

I 43 4,773
H 4,574
45 4,388
58
59
60
2,742
2,657
2,576
73
74
75
1,791
1,747
1,704
88
89
90
1,267
1,241
1,215
103
104
105
0,947
0,930
0,914
118
119
120
0,736
O, 725
0,713
133
134
0,590
0,582
135 0,574
148
149
150
0,484
0,478
0,472 4240m
I 46 4,213
47 4,048
61
62
2,498
2,424
76
77
1,662
1,623
91
92
1,191
1,167
106
107
0,898
0,882
121
122
O, 703
0,692
136 0,566
137 0,558
151
152
0,466
0,460
Para a rede
I 48 3,894 63 2,353 78 1,584 93 1,144 108 0,867 123 0,682 138 0,551 !53 0,455
de distribuição

I 49 3,748
50 3,610
64
65
2,285
2,221
79
80
1,547
1,512
94
95
1,121
1,100
109
110
0,852
0,838
124
125
0,671
0,661
139
140
0,543
0,536
!54
!55
0,449
0,444
I 51 3,480
52 3,357
66
67
2,159
2,099
81
82
1,477
1,444
96
97
1,079
1,058
111
112
0,824
0,811
126
127
0,652
0,642
141
142
0,529
0,522
156
157
0,439
0,434
Solução:
Cálculo do consumo no dia de maior demanda:
1 53 3,241 68 2,043 83 1,412 98 1,038 113 0,797 128 0,633 143 0,516 158 0,429
5 habitantes 200f
I 54 3,130 69 1,988 84 1,381 99 1,019 114 0,785 129 0,624 144 0,509 !59 0,424 1 340 domicílios x x x 1,25 = 1 675 000 · f /dia~ 1 675m 3/dia
domicílio hab. X dia
1 ("')Os valores acima são aplicados para a correção de resultados de perda de carga], a partir
de C= 100 para valores de C diferentes de 100, conforme explicado a seguir. a vazão, dita instantânea, ou seja, na unidade de tempo de segundo é:
156 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O MtTODO EI.1PiRICO [A MULTIPLICIDADE DE FÓR1.\ULAS 157

:-:--"-1:"6"-7,_5_,o,.o,.o_.,f.t.l,.d,ia,__ ~ 19,4. f/s ~ 0,0194 m'fs conhecidos os diâmetros e as vazões (logo a velocidade também). É incógnita
86 400 segundos/dia a perda de carga, que será função do coeficiente d:
rugosidade. Pela Tab. 8 ..4
resultam os coeficientes C ao longo dos anos, relaciOnados no quadro a seguir f
Usando os dados da adutora existente, calcula-se a carga total disponível; '
Pela fórmula explicitada para J: f = 10,643 Ql,85 c- n- 1 85

4 87
• ;
812 m - 776 m =36m
para C= 130, vem que: f= 10,643 x 1,0 1•85 x 130- 1•85 x 1,0- 4 •87 = 0,0013069 m/m
e a perda de carga unitária máxima possível:
0 que resulta em uma perda de carga total de 5 900 x 0,0013069 = 7,71 m;
_H _ 36m para C~ 100 f~ 10,643 X 1,01. 85 X 100- 1•85 X I,00- 4 •87 ~ 0,0021236 mfm
J- - O, 0085 · mjm
L 4 240m e uma perda de carga total de 5.900 m x 0,0021236 m/m = 12,53 m;
e a velocidade necessária para fazer passar essa vazão pela seção do tubo e assim por diante. A tabela a seguir mostra os resultados, e portanto a
seria: variação de altura manométrica que as bombas deverão vencer para que vazão
não se altere ao longo desse período:
3
v= Q 0,0194m_ /s 0,0194m_ 3 /s
1,0978m/s 11, (m)
A nxD /4 2
JrX0,150 2 /4 Idade Valor de C

Aplicando a fórmula de 'r\'illiams-Hazen: Inicial 130 7,71


Como o tubo é considerado velho, adote-se C= 100 10 anos 113 9,99
Conhecidos De J, são incógnitas v e Q porque só se conhecem as velocidades 20 anos 100 12,53
e vazões necessárias, mas não se sabe se a configuração implantada permite •.'1
30 anos 90 15,22
passar essa vazão.
Escolhendo primeiro a formula de \VH explicitada para Q:
o uso da Tab. 8.7leva aos mesmos resultados, a partir de C= 100.
Q ~ 0,279 CD ''"'f
0.54, logo
Q ~ 0,279 x 100 x 0,1502 •63 x 0,00850·" ~ 0,014475 m 3/s ~14,47 · C/s,
8.2.11 -Fórmulas en1píricas para encana1nentos de pequeno diân1eti·o
vazão insuficiente para as necessidades de 19.4 C/s (cerca de 30% abaixo).
A fórmula de Hazen-\·Villiams tem sido preconizada para tubulações de 50 mm
Entretanto, pela quantidade de parâmetros "avaliados" e pela facilidade de de diâmetro, ou maiores.
medir a vazão em uma configuração como essa (basta fechar a saída do
Para canos de pequeno diâmetro (1/2 a 2 polegadas), Fair-"Vhipple-Hsiao (1930),
reservatório vazio e medir o tempo para encher determinado volume), deve-
após um grande número de experiências, conduzidas segundo a técnica mais
se proceder a uma avaliação de bom senso sobre o quê e quando fazer.
avançada e sob um controle perfeito, propuseram fónnulas especiais do tipo da
Se fosse escolhida a fórmula explicitada para v: fórmula de Hazcn-,Villiams, que têm sido aceitas e recmnendadas como as tnais
V= 0,355 CD 0 · 63J 0 •54 , logo satisfatórias.
\' = 0,355 X 100 X 0,150 2 •6 3 X 0,0085°· 5 .J = 0,81856 111/S, velocidade insuficiente, Foram experimentados tubos de cobre,latão, metal admiralty, aço galvanizado,
porque menor que a necessária (< 1,0978 111/s). Uma das soluções para ferro galvanizado, aço e ferro nu, tanto para água fria como para água quente.
aumentar a vazão seria a limpeza da tubulação, aumentando o valor de C. As investigações de Fair-,Vhipple-Hsiao tiveram grande oportunidade, bem f(
cmno reconhecida utilidade, de levar a fórmulas seguras para o dimensionamento
Exercício 8.4 - Para a adução de água da Represa do Guarapiranga para a das pequenas canalizações, incluindo as que conduzem água quente.
Estação de Tratamento do Alto de Boa Vista, em São Paulo, foram construídas O saudoso engenheiro Eduardo Eurico de Oliveira, no estudo que fez de um (
várias linhas paralelas, com tubos de ferro fundido con1 1 m de diâmetro projeto de regulamento para as instalações domiciliares de abastecirnento de ágl1a
nominal e 5 900 m de comprimento em cada linha. Cada linha deve conduzir do Rio de Janeiro, já havia recomendado a fórmula de Fair-,·Vhipple-Hsiao, tendo
1 000 C/s sob bmnbeamento. As cotas dos níveis de água na tomada e na qualificado os trabalhos experimentais dos seus autores como a "melhor orientação
chegada da ETA são aproximadamente iguais. prática".
Estimar as perdas de carga para as seguintes épocas: inicial, após 10, após 20 Para encanamentos de aço galvanizado e água fria, a fórmula é a seguinte:
e após 30 anos de funcionamento, admitindo que não haverá limpeza da
tubulação.
J~0.002021 Q""
D4,8B
ou Q~ 27,113 xf"·532 xD 2 •59 '
Solução:
O problema é resolvido para uma linha, já que são todas iguais. São Para tubos de cobre ou latão e água fria, as fónnulas de Fair-'o\'hipple-Hsiao
158 CÁLCUlO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O MÉTODO Er,IPÍRICO E A MULTIPLICIDADE DE fÓRMULAS 159
são:
25 llllll (1") 32 mm (1 1/ 38nun (1 1 /
19 lUill (3/4") 4 ") 2 ")
Ql,75
f~ 0,000874-~ Q (lfs) v (m/s) f(m/m) v(m/s) J(m/m) ''(m/s) f(m/nl) v(m/s) J(m/m_)
D4,75 •
0,20 0,705 0,0693 0,407 0,0188 0,249 0,0058 0,176 0,00257
ou 0,776 0,0818 0,448 0,0222 0,274 0,0069 0,194 0,00304
0,22
Q = 55,934 D2,7t4 /o.s1t 0,24 0,846 0,0953 0,489 0,0259 0,298 0,0080 0,212 0,00354
I 0,26 0,917 0,1096 0,530 0,0298 0,323 0,0092 0,229 0,00407
1.75 0,28 0,988 0,1248 0,570 0,0339 0,348 0,0105 0,247 0,00464
Q
e para água qüente Q = 63,281 D 2 •714 JD· 571 ou f=- 0,000704-~ 1,058 0,1408 0,611 0,0382 0,373 0,0118 0,265 0,00523
D4.75 0,30
0,32 1,129 0,1577 0,652 0,0428 0,398 0,0133 0,282 0,00586
com Q (m 3 /s), D (m) e f(m/m). 0,34 1,199 0,1753 0,693 0,0476 0,423 0,0147 0,300 0,00652
0,36 1,270 0,1938 0,733 0,0526 0,448 0,0163 0,317 0,00720
A norma brasileira para instalações prediais recomenda as fórmulas de Fair-
0,38 1.340 0,2130 0,774 0,0578 0,472 0,0179 0,335 0,00792
\Vhipple-Hsiao nas seguintes formas:
0,40 1,411 0,2330 0,815 0,0633 0,497 0,0196 0,353 0,00866
Para tubos hidraulicamente rugosos (aço carbono galvanizado ou não): 0,42 1,481 0,2538 0,856 0,0689 0,522 0,0213 0,370 0,00943
f~ 19,8. lO'· Q'·". D·4.88 0,44 1,552
1,622
0,2753
0,2976
0,896
0,937
0,0748
0,0808
0,547
0,572
0,0231
0,0250
0,388
0,406
0,01023
0,01106
0,46
Para tubos hidraulicftmente lisos (plástico, cobre ou ligas de cobre); 0,48 1,693 0,3206 0,978 0,0871 0,597 0,0269 0,423 0,01191
f~ 8,63 . 10 6 . Q'·". v-'-'' 0,50 1,763* 0,3443 1,019 0,0935 0,622 0,0289 0,441 0,01280
0,55 1,940 0,4068 1,120 0,1105 0,684 0,0342 0,485 0,01512
sendo f em kPa/m, Q em f/se D em n1m.
0,60 2,116 0,4737 1,222 0,1286 0,746 0,0398 0,526 0,01760
Outra fórmula que também é usada para tubulações de pequeno diâmetro é a 0,65 2,293 0,5449 1,324 0,1480 0,808 0,0458 0,573 0,02025
de Flamant (1892): 0,70 2,469 0,6204 1,426 0,1685 0,870 0,0522 0,617 0,023(\6
0,75 2,645 0,7000 1,528 0,1901 0,933 0,0588 0,661 0,02ü01
Df ~b' (";? 0,80
0,85
2,822
2,998
0,7837
0,8714
1,630
1,732
0,2128
0,2366
0,995
1,057
0,0659
0,0733
0,705
0,749
0,02913
0,03239
4 fn 0,90 3,174 0,9631 1,833 0,2615 1,119 0,0810 0,794 0,03579
ou f= 4b · v1.7 5 • n-'- 25 com v {m/s), D (m) e f (m_jm) 0,95 1,935 0,2875 1,181 0,0890 0,838 0,03934
sendo: 1,00 2,037* 0,3145 1,243 0,0974 0,882 0,04304
1,10 2,241 0,3716 1,368 0,1150 0,970 0,05085
b = 0,00023 para canos de ferro ou de aço usados 1,20 2,445 0,4327 1,492 0,1339 1,058 0,05921
b = 0,000185 para canos de ferro e aço novos 1,30 2,648 0,4978 1,616 0,1541 1,146 0,06812
1,40 2,852 0,5667 1,741 0,1754 1,234 0,07755
b = 0,000140 para canos de chumbo 1,50 3,956 0,6394 1,865 0,1979 1,323 0,08750
b = 0,000130 para canos de cobre 1,60 1,989 0,2216 1,411 0,09797
1,70 2,114 0,2464 1,499 0,10893
b = 0,000120 para canos de plástico (PVC, etc.)
1,80 2,238 0,2723 1,587 0,12039
A Tab. 8.8 é para b = 0,00023. Para outros materiais basta multiplicar] por {b/ 1,90 2,362 0,2994 1,675 0,13234
0,00023). 2,00 2,487* 0,3275 1,763 0,14477
-- 2,10 2,611 0,3567 1,852 0,15767
Tabela 8.8- Fórmula de Flamant (1892) 2,20 2,735 0,3869 1,940 0,17104
Tubos de pequenos diâ1netros- ferro e aço galvanizado 2,30 2,860 0,4182 2,028 0,18488
19 mm(3/4") 2,40 2,984 0,4505 2,116 0,19917
25 mm (1") 32 Jll]ll (1 1/t") 38mm (1 1/ 2 ") 2,50 3,108 0,4839 2,204 0,21392
Q (lfs) v (m/s) f (m/m) v(m/s) f{m/m) v(m/s) J(m/m) v(m/s) f(m/m) 2,60 2,293 0,22912
2,70 2,381 0,24476
0,02 0,071 0,0012 0,041 0,0003 0,025 0,0001 0,018 0,00005 2,80 2,469 0,26085
0,04 0,141 0,0041 0,081 0,0011 0,050 0,0003 0,035 0,00015 2,90 2,557 0,27737
0,06 0,212 0,0084 0,122 0,0023 0,075 0,0007 0,053 0,00031 3,00 2,645* 0,29432
0,08 0,282 0,0139 0,163 0,0038 0,099 0,0012 0,071 0,00052 3,10 2,733 0,31171
0,10 0,353 0,0206 0,204 0,0056 0,124 0,0017 0,088 0,00077 3,20 2,822 0,32951
0,12 0,423 0,0283 0,244 0,0077 0,149 0,0024 0,106 3,30 0,34774
0,00105 2,910
0,14 0,494 0,0371 0,285 0,0101 0,174 0,0031 0,123 3,40 2,998 0,36639
0,00138
0,16 0,564 0,0469 0,326 0,0127 0,199 0,0039 0,141 0,00174 3,50 3,086 0,38546
0,18 0,635 0,0576 0,367 0,0156 0,224 0,0048 0,159 0,00214 *Limite: v rná:x< 14 W{D~In)
160 CÁLCULO DE TUBULAÇÓ[S SOB PRESSÃO O MÉTODO ClEtiTiFlCO. A "FÓRMULA UtllVERSAL" 161

8.3 -O MÉTODO CIENTÍI'ICO. A "FÓRl\IULA UNIVERSAL" número de Reynolds qualifica o regime de escoamento en1 laminar,
0
As abor~agens científicas referentes às relações físicas que regem o escoamento turbulento ou numa forma de transição.
em, tubulaçoes data~n de tneados do século XVIII, com Chezy e depois no século Para os encanamentos, o escoamento em regime laminar ocorre e é es.tável
XIX com Darcy e \Vetsbach, conforme abordado no item 7. 7, resultando na fórmula ara valores do número de Reynolds inferiores a 2 000. Com. valores superwres
~ 4 000, 0 escoamento se aproxima do regime turbulento (ver Item 7.2).
L·v 2 Entre esses dois valores, encontra-se a denominada zona crítica.
hf=f-- equação (7)
D-2g
o regime completamente turbulento só é atingido com valores ainda mais
elevados do nún1ero de Reynolds, existin~~· po.rtanto, uma segunda zona
8.3.1 -Considerações sobre a fónnula intennediária, conhecida como zona de trans1çao (Fig. 8.3}.
Convém observar que na fórmula [eq. 7], o coeficiente de atrito f não tem Os valores do coeficiente de
dimensões, ~endo função do número de Reynolds. Como L/D é uma relação entre atrito (f) são obtidos en1 função do
duas quantidades de dhnensões lineares, ela também constitui um número número de Reynolds e da rugo-
adimensional. sidade relativa, tendo-se em vista
Turbulento o regime de escoamento.
Portanto essa equação exprhne o fato de a perda de carga em determinado
encanamento ser igual ao produto de un1 nún1ero puro pela carga de velocidade
(v2/2g).
A fórmula de Darcy-\Veisbach é aplicável aos problen1as de escoamento dê
laminar
qualquer líquido (água, óleos, gasolina, etc.) em encanamentos. Com restrições
ela se aplica também às questões que envolve1n o movimento de fluidos aeriformes'
'(
como se verá adiante. '
A fórmula [eq. 7] também pode ser apresentada em função da vazão Q(m3 js), fazendo-
se a substituição de
Figura 8.3
Q'
8.3.3- Natureza da }Jerda de carga
O fato de algumas vezes designar-se a perda de carga por JWrda por utrito, ou,
ainda, por resistência oferecida pelo encanamento ao escoamento, tem levado a
h1 =O 0827 fLQ' interpretações não muito corretas. A perda de carga não deve ser suposta ou
e(Jilação (8) imaginada corno sendo uma espécie de atrito semelhante ao que se verifica quando
' D5
dois sólidos em contato se deslocam um sobre o outro.
A perda de pressão em kgf/ m 2 (encanamento horizontal) seria:
Ao contrário, não há movimento ou deslocamento do fluido em contato com
p, - p, = o,oB27 rf L;!' e(JUação (9)
as paredes dos tubos, mesmo porque, junto a essas paredes, estabelece-se uma
D camada aderente estacionária.
sendo: p 1 =pressão inicial, em kgf/ 1112 No regime de escoamento laminar, o que se verifica é tão somente uma
p 2 =pressão final, ern kgf/ m2 deformação contínua da massa fluída, sendo a viscosidade ou atrito interno do
fluido responsável pela perda de carga.
r =peso específico do fluido, em kgf/ m3
No caso do escoamento turbulento, o movimento é agitado, complexo e de difícil
descrição. As partículas no seu movimento irregular ocupam as mais variadas
8.3.2 O coeficiente de atrito f posições numa seção do tubo; verifica-se, continuamente, a mistura de toda a tnassa
O coeficiente de atrito f, sem dhnensões, é função do número de Reynolds e fluída. A resistência ao escoamento turbulento é devida ao efeito combinado das
da rugosidadc relativa. A espessura ou altura e das asperezas (rugosidade) dos forças relativas à inércia c à viscosidade do fluido.
tubos pode ser avaliada determinando-se valores para e/D.
Nos problemas de escoamento de fluidos e1n canalizações, considera-se como 8.3.4 Camada limite, zona de turbulência e fihne laminar
valor de e a rugosidade equivalente, isto é, a rugosidade correspondente ao mesmo Quando um fluido escoa sobre uma superfície, observa-se a existência de uma
valor de f que se teria para asperezas constituídas por grãos de areia, tais cmno os camada de fluido contígua a essa superfície, onde se verifica a variação de
experimentados por Nikuradse, com valores elevados do número de Reynolds (ver 8.3.6). velocidade do fluido para a superfície. Essa camada foi concebida por Ludwig
O 1.\f:TODO C1EUTiF!CO, A "fÓRMULA UtliV[RSAl' 163
162 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÀO

Prandtl (1904} e notada pela primeira vez por Hele-Shaw, tendo sido designada por aumenta tão rapidamente que o perfil normal de velocidade é obtido a uma
camada limite. distância relativamente curta (Fig. 8.5).
A Fig. 8.4 mostra o escoamento de um fluido ao longo de uma chapa. A partir Nota-se portanto que, no escoan1ento de fluidos en1 canalizações, existe sempre
da aresta inicial da chapa, constitui-se uma camada de escoamento laminar (camada uma camada laminar, n1esmo no caso de regimes turbulentos. A espessura dessa
limite} que vai aumentando en1 espessura até un1 ponto crítico. À medida que camada depende do número de Reynolds, sendo mais fina para os valores tnais
aumenta a espessura da camada lilnite, decresce a sua estabilidade, até um ponto elevados de R<'.
T, de transição, onde se rompe o seu equilíbrio. A camada laminar é de grande importância nas questões relativas à rugosidade
dos tubos, assim cmno nos problemas referentes ao escoamento de calor.

8.3.5- Tubos lisos c tubos rugosos


Na realidade, não existe mna superfície perfeitatnente lisa; qualquer superfície
exan1inada sob um bon1 microscópio mostra uma certa rugosidade. Entretanto,
diz~se que uma superfície é aerodinamicamente lisa, quando as asperezas que
caracterizan1 a sua rugosidade não se projetam alén1 da camada laminar (Fig. 8.6)
Figura 8.4
-- - ~ - Limite da

A partir desse ponto crítico, a espessura da camada laminar se reduz a um


valor õ, que se n1antém aproximadamente constante (subcamada laminar ou filme
I~~laminar
----------------------------------4--camada

lantinar). No ponto T, tem início uma catnada turbulenta, cuja espessura vai
aumentando rapidamente.
A espessura da ca1nada limite pode ser definida como sendo a dimensão I (a)
correspondente a 99% do seu limite assintótico. É nessa camada que se verifica a
maior parte da deformação viscosa. I ~ limiteda
' No caso dos encanamentos, também prevalecem condições análogas à descrita. ~--fa~~~~
Se o escoamento na tubulação for laminar, o fluido percorrerá uma distância
relativamente grande, até que o perfil normal das velocidades seja atingido, isto (b)
porque é necessário que a camada limite (mostrada na Fig. 8.4, de O a T) continue Figura 8.6
a se expandir até atingir as vizinhanças do eixo do tubo.
Tratando-se de escoamento turbulento, o ponto crítico Tocorre a uma pequena Quando as superfícies são de tal forn1a rugosas que apresentam protuberâncias
distância da entrada; a partir desse ponto, a espessura da camada turbulenta que ultrapassam o filme laminar e se projetam na zona turbulenta, elas provocam
o aumento desta, resultando daí uma perda mais elevada para o escoamento.
Se as rugosidades forem muito menores que a espessura da can1ada, não
afetarão a resistência ao escoamento; todas as superfícies que apresentarem essas
condições poderão ser consideradas igualmente lisas. É por isso que, na prática,
tubos feitos com certos materiais, tais como vidro, chumbo e latão, podem
apresentar as mesmas perdas de carga, perdas essas idênticas às que seriatn obtidas
no caso de superfícies lisas ideais. Conclui-se, também, que não hú interesse en1 se
fazer com que as superfícies internas dos tubos sejam mais lisas do que um certo
limite.
Define-se con1o rugosidade absoluta e a medida das saliências da parede do
tubo, ou seja, se houver protuberâncias de 1 111111, essa é a rugosidade absoluta. A
~.~~~~~~~ rugosídade relativa é a divisão da rugosidade absoluta pelo diâmetro do tubo: ejD.
O problema prático que surge da aplicação desses conceitos é que a rugosidade
-.:::>-· absoluta nunca é única, sendo as saliências dos tubos de diversos tamanhos e
distribuições, e esse número acaba sendo obtido por uma conta de trás para frente,
Turbulento onde se chega a um valor médio para a rugosidade absoluta, o que acaba tendo
Figura8.5
precisão científica só para as condições de medição.
164 CALCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÀO O MÉT000 CIEfiTÍFICO. A "FÓRMULA UUIVERSAL" 165

8.3.6- Experiêncius de Nikuradse


Em 1933, J. Nikuradse divulgou, na Alemanha, os resultados de uma série de
investigações que marcaram um passo decisivo na n1oderna mecânica dos fluidos.
Utilizando tubos de três tamanhos diferentes, Nikuradse produziu nos n1esn1os
uma rugosidade artificial, cimentando, na superfície interna, grãos de areia de
tamanho conhecido e, obtendo a mesma rugosidade relativa para os três tubos. (
Pôde, então, verificar que, para um determinado valor do número de Reynolds (R e),
o coeficiente de resistência (f) era idêntico para as três tubulações. As experiências Escoamento laminar Ra"" 1.500
foram repetidas para cinco valores da rugosidade relativa. Elas vieram provar que
é válido o conceito de rugosidade relativa e que é correta a expressão

\
para o tipo de rugosidade ensaiado.
Experiências mais recentes conduzidHs pelo Instituto Tecnológico de Illinois,
com tubos de rugosidade artificial (roscas), vieram mostrar que f é também uma
função da disposição, arranjo ou espaçamento das asperezas, assim como da sua
forma.

a.:~.7- Hcgime laminar, R('< 2 000 experim.entais de qualquer natureza; só inclui dados relativos às propriedades do
O escoamento é calmo, regular; os filetes, retilíneos. O perfil das velocidades fluido (viscosidade, peso específico).
tem a forma parabólica; a velocidade máxima no centro é igual a duas vezes a A equação (11) mostra, ainda, que a perda por atrito nesse caso é independente
velocidade média (Fig. 8. 7). da rugosidade das paredes dos tubos. A experiência comprova esse fato.
Para o escoarnento laminar, aplica-se a equação conhecida como de Hagen~ o regime laminar raramente ocorre na prática, exceção feita para o escoamento
Poiseuille. de certos fluidos bastante viscosos, tais como determinados óleos pesados, n1elaços
e caldas, ou, então, para o caso de tubos capilares ou escoamento em meios porosos.
128·VLQ
h, equaçiio (10)
o escoamento do sangue nos tecidos do organismo constitui um exemplo
nD 4 g
interessante.
determinada, experimentalmente, por Hagen (1839) e, independentemente, por A eq. (10) tmnbém pode ser escrita:
Poiseuillc (1840). A sua dedução analítica foi feita posteriormente por \Viedermann,
t•m 1856. Jl· v
J=32 pg·D' outra forma da fórmula de Poiseuille.
Verifica-se que, para o escoamento laminar, a perda de carga é proporcional à
primeira potência da velocidade. Substituindo-se na equação (10) o valor

"D' 8.3.8- Rcgiine turbulento


Q=Av=~~''
4 o escoan1ento é agitado e o comportamento com tubos lisos é diverso daquele
resulta: que se verifica com tubos rugosos.
Em 1930, Theodore Von Kármán estabeleceu tuna fórmula teórica, relacionando
6•1vLv 64u Lv 2 os valores de f e de R e para os tubos lisos
}1{ =---- ---~-

2gD' Dv D2g
eqwlçiio (12}
Comparando-se a expressão acima com a fónnula de Darcy-\Veisbach (equação
7), verifica-se que
Essa equação é válida para os tubos lisos e para qualquer valor de R<',
64v cmnpreendido entre o valor crítico e = (f= O). É teoricamente correta e os seus
f CCJIIRÇliO (11)
Dv' resultados tên1 sido comprovados experimentalmente.
Observa-se que essa fórmula não envolve fatores en1píricos ou coeficientes Para os tubos rugosos funcionando na zona de turbulência compJeta, Nikuradse
encontrou
166 CÁLCULO DE lUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O M Ê f O O O C I E N T Í F I C O. A " F Ó R I,\ U L A U ll I V [ R SAL " 167

j D
r; ""'1,74+2 _Iog - equação (13)
vf 2e Rugosidade relativa elO
Os valores de f obtidos para tubos rugosos são maiores do que os obtidos pela
Eq. (12).
Convém notar que a Equação (13) não inclui o número de Rcynolds e que,
portanto, para um certa canalização de detenninado diâmetro D, o valor de f
dependerá apenas da rugosidade.
Para a região compreendida entre as condições precedentes, isto é, entre o caso
de tubos lisos e a zona de turbulência completa, C. F. Colebrook propôs, em 1938, lt I
uma equação semi-empírica, ou seja,
li

equ.-•çiio (14}

Essa equação tende para a equação (12) dos tubos lisos quando "e/3, 7D" torna-
se muito pequeno, assim como tende para a Eq. (13) quando se reduz o valor de
"2,51/ Re ..f]".
Nessas condições, quando a espessura do filme laminar for grande, comparada
à altura das projeções rugosas, a perda no encanamento será a mesma que resultaria
se a canalização fosse muito lisa.

R~
4 6 a to' 2 4 6 8 to• 2 4 6 8 to~ 2 4 6 8 10~

"i/////11 711~1[~ ll/111!11 :'j//////11':


2

0,15

'H'\11111 'I I I f/, ;/[ '~~· 2 0o;)~ , ~I I III/I ' I


1111. I

1
0.10

: .Yf : I IA. I I //, /<O I


4
Jeem;M
li'
. 1/1
-~
I _,_ f I 17 i.IJ/1 ' I 1,~f-1. 11 //I ' I I I
ó
: ~..1/1
"'E "'
: :
'11 ·,q I f t"fH/1 ' I I I "'""
~..,
-gL
o
~-0_

' : : 'l;:, I 7' 't"i'fh , f I i'f õ 2


; ; ' I I f.IJI I
f-
J' :
;
:
: ~- flliH++i-l+i-1+++-1-H+++++JH-+-I~e\1\0
--j -;,;<).{
\f: - -- -
; Diagrama
Jr 0o;J"''
2
;
;
;
de
Rouse ;
;
~
i;;,..
fif
: I I I 11111 : ; ~
g 8 8ó
ó

.~t:
ó

"w' ·'· 2
1.1111111 ·'·
4 6 8 to' 2 4 6 8 to' ·'· 2 4
' 8 "
·'· 2 4
Coeficiente de atrito f

Figura 8.8 -Diugnuna. de Rouse Figura 8,9- Diagrama de 1Uoody


168 CAlCULO OE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O MÉTODO CIENTÍFICO. A "FÓRMULA UIIIVERSAL" 169

8.3.9- Diagranms de Stanton, Rouse e Moody


A equação de Colebrook pode ser convenientemente representada nu1n
diagram.a, tomando-se, nos eixos, valores de f (ou de 1/{J e R e {f) e os valores de
D/e aparece1n como uma famflia de curvas [Harpa de Nikuradse (Fig. 8.3)].
Diagramas desse tipo foram publicados por Huntcr Rouse e L. F. Moody. Outro
diagraJna semelhante foi originalmente divulgado por Stanton.
Na Fig. 8.8, encontra-se o diagrama de Rouse, e na Fig. 8.9 o de Ivloody, de grande
utilidade na solução geral dos problemas de escoamento em tubos.
Ao final deste capítulo (item 8.4), est~\ apresentada a Tab. 8.14 (b), com o
resultado dos cálculos pela fórmula Universal (Colebrook), para os diâmetros
comerciais e velocidade usuais e para diferentes valores de rugosidade absoluta e.

8.3.10- Problemas tipo: sua solução con1 o cntprcgo dos diagramas de Rouse e
l\foody
o Quadro 8.6 auxilia o encaminhamento dos vários tipos de problemas. Con~
sideram-se como conhecidos os dados complementares relativos à natureza e
condições do fluido que permitam conhecer a sua viscosidade (u), bem como as
características da tubulação: comprimento {L), material, estado e aspereza (e).

Exercício 8.5 -(Problema-tipo I);


Uma tubulação de aço rebitado, com 0,30 m de diâmetro e 300 m de
comprimento, conduz 130 ('js de água a 15,5°C. A rugosidade do tubo é 0,003 m.
Detenninar a velocidade média e a perda de carga .
.,::; Solução:
so A viscosidade cinemática da água a 15,5°C = 0,000001132m 2 /s ('fab. 8.10)
u
Q 0,130
R~-
vD 1,8•1X0,30
490 000 = •1,9 X 10~
l'=-=---=1,84m/s

~ ~;
A 0,0707 e V 0,000001132

e 0,003
- ~ - - = 0,01, e pelo diagrama: j= 0,038 {!vloodv)
r.:; ll
D ~3 '
u L"'
~?
2 2
o:" =f Lv = 0,038x300x1,84 h 1 =6,55m
111
D2g 0,30x2x9,8

C! "'~ CJ

" ci "'~
Exercício 8.6- (Problema-tipo IJ)
Dois reservatórios estão ligados por uma canalização de ferro fundido
CJ CJ Q (e= 0,000260 m) com 0,15 m de diâmetro e 360m de extensão. Determinar a
velocidade e a vazão no momento em que a diferença de nível entre os dois
" " reservatórios igualar-se a 9,30 m. Admitir a temperatura da água con1o sendo
de 26,5°C.
Solução:
Pela Tabela 8.10, tira-se a viscosidade u da água a essa temperatura:
u ~ 0,000000866 m 2 (s
170 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO O M Ê TO O O C I E ll T j f I C O. A • F Ó R M U l A U rl I V E R SAL .. 171

então:
R ,fJ ~ f2ghrD; ~ {2;9,8x9,3-;;u:;:5'- Exercício 8.8 -(Problema-tipo IV)
e { Dv2 {36o X 0, 000000866 2 Uma canalização nova de aço com 150m de comprilnento transporta gasolina
a 1Q°C (u = 0,000000710 m 2 /s) de um tanque para outro, com uma velocidade
D 0,15 média de 1,44 mfs. A rugosidade dos tubos pode ser achnitida igual a 0,000061
e 580
e 0,000260 m. Determinar o diâmetro e a vazão da linha, conhecida a diferença de nível
entre os dois depósitos, que é de 1,86 1n.
pelo diagrama: f= 0,023 (Rouse)
Solução:
v= ~ 1 D2g = (9,30x0,15x2x9,8 v= 1,80m/s
Admitindo iniciahnente
\ n ~ 0,023x360
fLv
2
0,025x150xl,44 2
=0 025=> D 1 =-<"~= 0,214m
Q ~Av~ 0,01777x 1,80~ 0,031m'/s ft ' hj2g 1,86x2x9,8

1 44 0 214
Exercício 8. 7- (Problema-tipo III) l = vDl = • X • -435 000:=::4,4x10"
e: I "' 1 v O, 000000710
Determinar o diâmetro necessário para que um encanamento de aço (e =
0,000046 rn) conduza 19 C/s de querosene a 10°C (u = 0,00000278_ m 2/s), com e 0,000061 85 1 d'
""':::7""'~o,ooo2 e, pe o wgrarna: j 2 = 0,017 (lVIoody)
uma perda de carga que não exceda 6 n1 em 1 200 m de extcnsao. Calcular D, 0,214
velocidade e perda de carga para o diâmetro adotado.
0,017x150x1,44' R _ ••.D, 1,44x0,145 :=:: x 105
D, 0 , 145 n1e . - 29
1,86x2x9,8 '2 v 0,000000710 '
Solução:
Assumindo f 1 = 0,03, e
D,
0,000061
0,145
=o ,00 o42 e, pe 1o d'tagrama: f,~ 0,018 (Moody)

D 1 =0,179In 0,018 x 150x 1,442


D3 = 0,153m
1,86x2 x 9,8
ou seja, muito próximo do diâmetro comercial de 150 mm, resultado que
4Q 4x0,019 será aceito.
R<'~ = -lr~D",;_v_ ~ -lr-X-;Oc-,,-17;9Ç-"x'"o",O~O~O:cO;cO;c2;c7;c:c8 U,. 1 ~ 48 600 o= 4, 9 -10~
A vazão será:
Q ~ A•• ~ 0,0177 x 1,44 ~ 0,0255 m 3 /s ~ 25,5 f/s
e 0,000046 =0,000257 e, pelo diagrama: h= 0,022 (l'vloody)
D1 0,179
8.3.11- Observações sobre o emprego da fórmula Universal
_' /o,022x8xL2Üox0,019 2 O emprego da fórmula Universal tem-se ampliado, embora ainda não exista
D.,- ., =0,168111 um conhecimento satisfatório a respeito da variação dos valores dos coeficientes
- 6xrr-x9,8
de rugosidade (e). i:vfuitos engenheiros não se sentem seguros, principalmente
quando consideram o caso de tubulações sujeitas à tubcrculização ou a incrustações
~ 4 0 019
x • -52.000~5,2·10' internas.
R<' 2 lf X 0,168 X 0,00000278
A maioria dos dados divulgados sobre esses coeficientes corresponde a tubos
noFos ou a canalizações não sujeitas ao fenômeno do "envelhecimento", e por isso
e 0,000046 ~o.ooo 27 e, pelo diagrama: f,= 0,022 (Moody) muitos técnicos têm sido levados a cometer enganos na avaliação do comportamento
D, 0,168 hidráulico de tubulações.
As Tabs. 8.9 e 8.11 que se apresentam a seguir revelam a grande variabilidade
Portanto o diâmetro 0,168 n1 seria suficiente. Entretanto o diâmetro cmnercial de valores para o coeficiente e, mostrando ao mesmo tempo os valores sugeridos.
n1ais próxilno é 0,20 m, este será o adotado. A velocidade resultará, então, Na prática, essas incertezas sobre as temperaturas a adotar e as rugosidades
reais a encontrar anulam em grande parte as vantagens teóricas do uso das fórn~ulas
,, = 0, 019 = 0,605m/s e hf = 2,58m "científicas" sobre as empíricas, pois a ordetn de grandeza das imprecisões remetem
0,0314
ambos os tnétodos a uma mesma faixa de soluções.
172 CÁLCULO DE TUBULAÇÓES SOB PRESSÀO 0 MÊTODO CIENllfiCO, A "FÓRMULA UNIVERSAL"

A norma NBR12 215 (NB 591) da ABNT (Associação Brasileira de Normas


Técnicas) prefere o uso da fórmula "Universal" para o cálculo de adutoras em
sistemas de distribuição de água. Esse é um assunto que transcende os objetivos
de uma normalização técnica e que deve ficar a critério do projetista, uma vez que
a-metodologia de trabalho e de cálculo é da nlçada do engenheiro autor do projeto
e, como visto anteriormente, na prática as imprecisões do uso de fórmulas empíricas
não alteram a ordem de graÍldeza em relação às imprecisões dos parâmetros a adotar
na fórmula Universal; e o uso das fórn1ulas empíricas é mais ágiL

Tabela 8.9- Rugosidadc dos tubos (valores de e em nwtros)*


(ver também a Tab. 8.11),

Material Tubos novos 'l'ubos velhos**

Aço galvanizado 0,00015 a 0,00020 0,0046


Aço rebitado 0,0010 a 0,0030 0,0060
Aço revestido 0,0004 0,0005 a 0,0012
Aço soldado 0,00004 a 0,00006 0,0024
Chumbo lisos lisos
Cin1ento-an1ianto 0,000025
Cobre ou latão lisos lisos
Concreto ben1 acabado 0,0003 a 0,0010
Concreto ordinário 0,0010 a 0,0020
Ferro fmjado 0,0004 a 0,0006 0,0024
Ferro fu mlido 0,00025 a 0,00050 0,0030 a 0,0050
Ferro fundido com revestimento asfáltico 0,00012 0,0021
.1\Iadeira en1 aduelas 0,0002 a 0,0010
I'vlanilhas cerâmicas 0,0006 0,0030
Vidro lisos*** lisos***
Phlstico lisos lisos

"Pnra os tubos Usos, o valor de e é 0,00001 011 nu·nos


""Dados indic:Idospor R. tE Powell
""" Correspondcrn aos nwiores valores de D/c

Tabela 8.10- Viscosidade cinemática da água (u)


Tetnperatura Viscosidade cinemática Ten1peratura Viscosidade dnemática
'C m 2 /s o c m 2 /s
o 0,000001792 20 0,000001007
2 0,000001673 22 0,000000960
4 0,000001567 24 0,000000917
6 0,000001473 26 0,000000876
8 0,000001386 28 0,000000839
10 0,000001308 30 0,00000080•1
12 0,000001237 32 0,000000772
14 0,000001172 34 0,000000741
16 0,000001112 36 0,000000713
18 0,000001059 38 0,000000687

Veja tambétn a Quadro 1.12


174 CÁLCULO DE lUBULAÇÓES SOB PRESSÃO O M f_ TO O 0 C! [ti Ti f ! C O. A • f Ó R M U lA U 11 ! V E R SAL • 175

Tabela 8.12- Viscosidade cinemática de alguns fluidos (u)


Essa expressão evidencia a importância do pH da água no fenôtneno da
corrosão.
Peso Viscosidade
Fluido Tentperatura específico cinemática Tabela 8.13- pH da água x a (mmjano)
o c kg*/n• 3 m 2 /s
5,5 0,00305
5 737 0,000000757
6,0 0,00203
10 733 0,000000710
Gasolina 15 728 0,000000681 6,5 0,00113
20 725 0,000000648 7,0 0,00063
25 720 0,000000621
7,5 0,00038
30 716 0,000000596
8,0 0,00020
5 865 0,00000598 8,5 0,00011
10 861 0,00000516
858 0,00000448 9,0 0,00006
Óleo 15
combustível 20 855 0,00000394
25 852 0,00000352 Também é justo considerar variações e1n função do tipo de aço ou de ferro
30 849 0,00000313
fundido considerado. Por outro lado, os fenômenos de corrosão relacionados com
0,0000137
a diferença de eletronegatividade dos terrenos cruzados pela tubulação, correntes
5 1,266
10 1,244 0,0000141 elétricas parasitas, etc., norn1almente combatidos pela proteção externa do tubo c
Ar 15 1,222 0,0000146 pela proteção catódica, não apresentam relação direta com o aumento da rugosidade
(Pressão atmosférica) 20 1,201 0,0000151 das tubulações.
25 1,181 0,0000155 Outros critérios existem e são igualmente válidos, como os de Langelier,
30 1,162 0,0000160 entretanto nenhum superará o estudo real das características da água, a observação
de situações correlatas na região em estudo e o acompanhamento da tubulação em
8.3.12- Envelhcchnento dos tubos questão ao longo dos anos.
As tubulações, especialrn.enle as de ferro e as de aço, estão sujeitas ao fenômeno
do envelhecimento. Em geral, após algum tempo, os tubos vão se tornando mais 8.3.13- Condições de entrada nas canalizações
rugosos em conseqüência de efeitos da corrosão ou da incrustração nas paredes
As fórmulas apresentadas para o escoamento em regime laminar (eq.ll) e em
internas. regime turbulento (eq.13) e (eq.14) não são válidas para a parte inicial dos
Para levar em conta o aumento da rugosidade com o tempo, Colcbrook e '·Vhite encanamentos. No caso de regime lam.inar, por exemplo, em um encanamento que
estabeleceram uma relação linear que pode ser expressa por parta de um reservatório, se a entrada na canalização for bem feita, de modo a
e= e 0 +a· t , evitar contrações, todas as partículas do fluido tenderão inicialmente a escoar con1
onde: e 0 =altura das rugosidades nos tubos novos (m); a mesma velocidade, exceto aquelas de uma camada muito fina, junto às paredes.
Nesse primeiro instante, o perfil das velocidades é uma reta e a energia cinética é
c =altura das rugosidades nos tubos após t anos (m);
dada por v 2 /2g.
t = tempo, em anos;
A m_cdida que o escoamento vai se processando ao longo da tubulação, as
a =taxa de crescitnento das asperezas, em mjano. partículas n1ais próximas das paredes vão sendo retardadas, enquanto que as mais
Tratando-se de canalizações de água, a taxa de crescimento a depende centrais vão tendo o seu movilnento acelerado até que seja atingido o perfil de
consideravelmente da qualidade da água e, portanto, varia com as condições locais. equilíbrio (parábola), como se vê na Fig. 8.5.
Para algumas partes dos Estados Unidos foran1 determinados valores para a. A distância necessária para se atingir na prática as condições de equiJíbrio pode
De acordo com as investigações feitas, os valores varimn de 0,0006 a 0,00006 n1/ ser estimada pela relação:
ano para a região dos Grandes Lagos e Bacia do l'vlississipi c de 0,0004 a 0,002 m/ x = 0,58 ReD e geralmente supera 50 diâmetros.
ano para a parte leste dos EUA.
A perda supletnentar nesse trecho é, aproximadamente, igual a [1,16. v2j2g]
Segundo a experiência inglesa, na falta de dados experimentais seguros, o
No caso do escoamento turbulento, o equilíbrio se estabelece a mna distância
envelhecimento dos tubos de ferro fundido pode ser estimado para as condições
muito menor, a cerca de 10 a 30 diâmetros da entrada no encanamento:
tuédias, aJ~~icando-se a seguinte ~xpTessão:
X= 0,8 RC0,25D
2 logo:= 6,6- pH , onde o coeficiente a. é dado e1n mm/ano.
O M[TOOO CIENTiFICO, A "fÜRI.IULA Url!VERSAL" 177
176 CALCULO OE TUBULAÇÕES·SOB PRESSÃO

8.3.14 ~Escoamento de líquidos 1nuito viscosos 8.3.15- Escoamento de gases


É importante determinar o núrnero de Reynolds para verificar o regime de o peso específico dos gases varia diretainentc com a pressão a que estão
escoamento (laminar ou turbulento). submetidos, e inversamente com a temperatura absoluta, de acordo com a equação
dos gases perfeitos:
O número de Reynolds é dado por:
r =__E_ onde
onde R('= diâmetro da canalização (In); RT'
v= a velocidade média do fluido (m/s); y= peso específico, em (kgf/m 3 ) T= temperatura absoluta, (t + 273°)
u =viscosidade cinemática (m2js} p =pressão, em (kgf/n1 2 ) R= constante do gás
Na '1'ab.8.12 encontram-se valores da viscosidade cinemática para diversos o escoan1e11to de gases praticamente sempre é acompanhado de variação de
fluidos e diferentes temperaturas. Deve-se atentar para o caso de escoamento de pressão e, conseqüentemente, de alteração do peso específico. Para os gases, a
fluido não-newtoniana, quando a teoria desenvolvida neste capítulo não se aplica. equação da continuidade deve ser escrita em termos de peso ou massa:
Ver item 1.4.5 e, para Inaiores detalhes, consultar bibliografia {Daughcrty anel Yt ·AI. \ 1 ="(2 ·A2. "2
7

Franzini, etc.} · Constata-se portanto que, se em um conduto de seção circular com diâmetro
uniforme e sob temperatura constante a pressão absoluta cair para a metade do
Exercício 8.9 (escoaniento laminar) valor inicial, o peso específico do gás també1n será reduzido a 50% e, conse-
qüentemente, a velocidade deverá elevar-se ao dobro.
Calcular a perda de carga devida ao escoamento de 22,5 Cjs de óleo pesado
(934 kg*j m 3 ), com mn coeficiente de viscosidade cinemálica de 0,0001756 Sempre que a variação de pressão de um ponto para outro não for elevada, a
m 2/s, através de uma canalização nova de aço de 150 mm de diâmetro nmni- alteração de peso específico será pequena, podendo-se aplicar as expressões gerais
nal e 6 100 m de extensão. de resistência, estabelecidas para o escoamento de fluidos incompressíveis.
Esse é um caso que freqüentemente se verifica em canalizações curtas ou em
Q 0,0225 Dt• 0,150x1,27
V=~= ·~--=1,27m/s; R,. 1085 condutos de baixa velocidade, onde
A 0,0177 v 0,0001756
Portanto o regime de escoamento é larninar, podendo ser aplicada a equação P2. }0,90
( 10). p,
Com_ tnaior rigor poderia ser limitada a variação de pressão a apenas 4% (p 2 =
~ 128vLQ _ 128x0,0001756x6 100x0,0225 0,96 p 1), o que traria um erro da ordem de 2% nos resultados. Em tais condições, a
/ 1, - 198m de coluna de óleo
l!D 4g KX0,150 4 x9,8 linha de carga é admitida como sendo retilínea (Fig. 8.10), sendo aplicável a fórmula
ou Universal do escoamento de fluidos incompressívcis.
198 x 934 =o 185 OOOkgf/m 2

Exercício 8.10- (escoatncnto de ar): U1n duto de aço de 150 n1m de diâmetro
nominal e 30m de extensão será utilizado para fornecer 275 f/s de ar à pressão
atmosférica e a 15 °C. Calcular a perda de pressão.
Q 0,275 Dt• 0,15xl5,5
\'=-= ---=15,5mjs; R~- 1,6xl05
A 0,01767 ' v 0,0000146
e~ 0,000046m

D 0,15 Distância ao longo da tubulação- L


e

111=--~
0,000046

fLv 2
3 250, e pelo diagrama: f= 0,019 , então:

0,019x30xl5,5 2
47m
'--------------------------.I Figura 8.10
Os problemas nesse caso são resolvidos de maneira idêntica à que se adota
D2g 0,15x19,6 para as questões relativas ao escoa1nento de líquidos, podendo-se admitir o peso
(47 metros de coluna de ar ou pouco n1enos de 6 centímetros de coluna de específico constante e, se for desejada maior precisão, levar em conta o seu valor
água). médio. O valor de 11, será dado em metros de coluna de un1líquido imaginário, de
MÉTODO C!EUTiFICO. A "FÓRMULA UlliVERSAL" 179
178 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO

peso específico idêntico ao do gás. A rugosidacle relativa será a mesma indicada ~


para o movin1ento dos 1íquidos nas tubulações, mantendo-se praticamente Essa expressão difere da anterior apenas pelo fator Pt + P2.
constantes os valores de R e e de f Os diagratnas de Rouse e de 1\·Ioody aplicam-se
A artir dela podem-se verificar as diferenças que resultaria1n da aplicação da
tanto aos fluidos compressíveis como aos incompressíveis. p expressão aos problemas em cons1'd eraçao -
primeira
Se, ao contrário do que vem sendo admitido, a queda de pressão for acentuada
as expressões da Hidráulica não poderão mais ser aplicadas, exigindo o problen~~ 2pl 1,02 {erro de 2%)
um tratamento mais complexo. Nesse caso, a linha de carga será representada por Para P2 ""O, 96PI' c=>
Pt +0,9Gp 1
uma curva (Fig. 8.11).
2p,
Tal é o caso das tubulações em que a perda de carga (p 1 - p 2 ) representa uma e para: P2 ""0,90pl, c=> 1,05 (erro de 5%)
p, +0,90pl
porção importante da pressão inicial Pt> o que gerahnente ocorre nos C01Hlutos
longos e nas canalizações con1 pressões e velocidades elevadas. Deve-se observar que, para a gama de pressões correntes a que estão submetidos
Para a solução desse problema, a tubulação em questão poderia ser subdividida os gases, 0 coeficiente de viscosidade absoluta é praticamente constante. Cmno a
em trechos, para efeito de cálculos, trechos estes para os quais pudesse ser aplicado velocidade varia inversamente com o peso específico, o nún1ero de Reynolds
o critério precedente. Isso corresponderia à substituição da curva representativa permanece constante ao longo das tubulações e, conseqüente1nente, o coeficiente
da linha de carga por inúmeros trechos retos. Em cada mn desses trechos, seria de atrito f mantén1-se com igual valor ao longo dos condutos. A viscosidade
achnissível adotar valores médios para o peso específico e para a velocidade média cinemática varia inversamente com as pressões.
de escoamento. Esse método de cálculo, contudo, além de ser aproximado, poderá o escoamento em condições adiabáticas ocorre, na prática, somente nos casos
se tornar bastante trabalhoso no caso de tubulações de grande extensão. em que se torna conveniente o isolamento térmico das tubulações. Os casos m.ais
comuns são os dos condutos de vapor de água e de fluidos refrigerantes, con1o, por
exemplo, a amônia.
P' Como na maioria dos casos correntes os encanamentos são relativamente
curtos, as perdas de pressão são reduzidas, podendo-se mais uma vez aplicar as
expressões já mencionadas. Todavia há casos em que esse tratamento simplificado
Q
do problema não pode ser admitido. Uma análise simples, poré-m bem feita, das
I condições de escoamento em tais casos, encontra-se na Mecânica dos Fluidos, de R.
o C. Binder, Prentice Halllnc. New York, 1947, pp. 189-197.
""
~
Q_
A rigor, o escoamento de um gás pode não ser adiabático e nem realmente
isotérmico. Para que as condições fossem isotérmicas, seria necessário que as trocas
de calor se fizessem com uma determinada velocidade e de acordo co1n uma lei
preestabelecida. As condições da prática aproximam.-se mais do escoamento
Distância ao longo da tubulação - L isotérmico, quando a temperatura a1nbientc excede a temperatura do fluido.
Figura 8.11 Assim cmno existem para as questões de escoamento da água fórmulas práticas
simplificadas, para os condutos de gás foram propostas c têm sido aplicadas diversas
O estudo geral do escoamento de gases, sob o ponto de vista teórico, abrange expressões. Inclue1n-se entre essas a fórniula de Biel,
dois casos extremos:
a) Escoamento isoténnico. Tubulações não-protegidas termicamente, onde o 0637u0 · 18 -'
f ~-·-----,onde Q está en1 (m 3 js),
Ql.J2;j
prevalece a temperatura ambiente, considerada uniforn1e.
b) Escoamento adiabático. Tubulações perfeitamente protegidas, onde não assim como a fórmula de Aubery (para escoamento de gás de ilunünaçâo, em
ocorrem trocas de calor. canalizações de ferro fundido),
Na prática, o escoamento de gases aproxima-se mais das condições isotérmicas,
1 625QIJ)S
uma vez que as tubulações 1netálicas são instaladas sem proteção especial. llr "" D~,92
Admitindo-se, portanto, a expansão isotérmica, pode-se deduzir a expressão
seguinte(*). onde h 1 é dado cn1 mm de água/km: Q, em m 3 /h; e D, em em.

A Comgás de São Paulo adota a fórmula de Dr. Pote para os cálculos relativos às
canalizações de baixa pressão da rede de distribuição:
~Ralph \V. Powell- An Elementary Text in Hydraulics and Fluid Mechanics, 'l'he Macmillan Co. Ncw
York.pp. 166-167.
180 CÂLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO
PARA AS FÓRMULAS DE HAlEN-I'Illllld,,S f UtliVERSAl (COLEBROOK) 181
TABElAS

Q ~ 0,6659f-Ifiil
dL
Diâm_etro 50nun (0,002 m 2)
Q =vazão de gás, em (m 3/hora); d =densidade do gás em relação ao ar;
D =diâmetro da canalização, em (em} L= extensão da canalização, en1 (m}. 80 90 !00 I! O 120 130 140
H= perda de carga, em (mca)
_~.oo_ 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05

8.4 -TABELAS I'AllAAS FÓRMULAS DE HAZEN~WILLIAI\IS E UNIVEU~


SAL (COLEBUOOK)
A Tabela 8.14a apresenta o resultado dos cálculos pela fórmula de Hazen-\r\'ill- 0,35 0,28 0,28 0,25 0,23 0,22 0,20 0,18 0,17 0,14 0,14 0,14_ 0,13
iams para os diâmetros comerciais e velocidades usuais e para diferentes valores 0,75 0,63 0,60 0,56 0,49 0,49 0,41 0,40- 0,35 0,30 0,30 0,28 0,27
do coeficiente "C". 1,27 1,1_~ 1,02 0,99 0,84 1),85 0,71 0,69 0,60 0,50 0,52 0,47 0,45
A Tabela 8.14b apresenta o resultado dos cálculos pela fórmula Universal 1,92 1,74 1,55 1,54 1,27 1,33 1,07 1,06 0,91 0,76 0,78 0,71 0,68
(Colebrook) para os mesmos diâmetros cmnerciais e mesmas velocidades usuais e 2,70 2,49 2,17 2,21 1,78 1,90 1,50 ),51 1,27 1,Ó7 1,!0 0,99 0,96
para diferentes valores de e (rugosidade absoluta). Optou-se por calcular a tabela à 3,59 _3,39 2,89 3,01 2,37 2,58 1,99 2,05 1,69 1,43 1,46 - 1,31 1,27
temperatm·a de 4°C (densidade e viscosidade máximas da água), porque assim 4,60 4,42 3,70 3,92 3,04 3,36 2,55 2,66 2,17 1,83 1,87 1,68 1,63
estaremos a favor da segurança quanto à capacidade dos tubos, além do que, mesmo 5,72 5,59 4,60 4,95 3,78 4,24 3,17 3,36 2,70 2,29 2,33 2,08 2,03
e1n países tropicais, há dias ou noites em que é justo esperar temperaturas dessa 6,95 6,69 5,59 6,11 4,60 5,22 3,85 4,13 3,28 2,80 2,83 2,54 2,46
ordem para a água. 8,29 8,33 6,67 7,38 5,48 6,31 4,60 4,99 3,91 3,36 3,37 3,03 2,94
9,74 9,91 7,83 8,78 6,44 7,50 5,40 5,92 4,60 3,96 3,96 3,57 3,45
Apresentadas lado a lado, as tabelas proporcionam ao usuário imediata 7,47 4,60
11,30 11,62 9,08 10,30 8,80 6,26 6,93 5,33 4,62 4,14 4,01
comparação dos resultados obtidos pela fórmula empírica largamente utilizada de
12,96 13,48 !0,42 11,91 8,57 10,19 7,18 8,03 6,12 5,33 5,27 4,77 4,60
Hazen-Williams e a fórmula Universal.
14,72 15,46 11,84 13,70 9,74 11,69 8,16 9,20 6,95 6,09 5,99 5,43 5,22
Além disso, o usuário da fórmula de Hazen-V~'illiams, poderá inferir dessa 16,59 17,59 13,34 15,58 !0,98 13,29 9,20 10,46 7,83 6,89 6,75 6,13 5,89
comparação desvios do coeficiente C, em função do diâmetro e da velocidade, 18,56 19,85 14,93 17,58 12,28 15,00 10,29 11,79 8,76 7,75 7,J5 6,88 6,59
conforme já explicado em 8.2.10. 20,64 22,25 16,59 19,70 13,65 16,81 11,44 13,21 9,74 8,65 8,40 7,67 7,32
22,81 24,78 18,34 21,94 15,09 18,72 12,65 14,71 10,77 9,61 9,23 8,50 8,09
25,08 27,46 20,17 24,31 16,59 20,73 13,91 16,28 !!,84 10,61 10,21 9,37 8,90
27,46 30,26 22,08 26,79 18,16 22,85 15,22 17,94 12,96 11,67 ll,l7 10,28 9,74
29,93 33,21 24,06 29,40 19,80 25,07 16,59 19,67 14,12 12,77 12,16 11,24 10,62
32,49 36,29 26,13 32,12 21,49 27,39 18,02 21,49 15,34 13,92 13,22 12,24 11,53
35,16 39,51 28,27 34,97 23,26 29,81 19,49 23,39 !G,59 15,13 14,31 13,27 12,47
37,92 42,87 30,49 37,94 25,08 32,34 21,03 25,36 17,90 16,38 15,43 14,36 13,45
40,78 46,36 32,79 41,03 26,97 34,97 22,61 27,42 19,24 17,68 16,59 15,48 14,46
43,73 49,99 35,16 44,24 28,93 37,71 24,25 29,55 20,64 19,03 17,79 16,64 15,51
46,78 53,75 37,61 47,57 30,94 40,54 25,94 31,77 22,08 20,43 19,03 17,85 16,59
49,92 57,65 40,13 51,02 33,02 43,48 27,68 34,07 23,56 21,88 20,31 19,09 17,71
53,15 61,69 42,73 54,59 35,16 46,52 29,47 36,45 25,08 23,38 21,63 20,38 18,85
91,71 56,48 65,87 45,41 58,28 37.36 49,67 31,32 38,90 26,65 24,93 22,98 21,71 20,03
97,72 59,90 70,18 48,16 62,10 39,62 52,92 33,21 41,44 28,27 26,53 24,37 23,09 21,25
103,92 63,41 74,63 50,98 66,03 41,95 56,27 35,16 44,06 29,93 28,18 25,80 24,50 22,49
110,31 67,02 79,22 53,88 70,09 44,33 59,72 37,16 46,76 31,63 29,88 27,27 25,96 23,77
116,89 70,71 83,94 56,85 74,27 46,78 63,28 39,21 49,53 33,37 31,63 28,77 27,45 25,08
J?3,66 74,50 88,80 59,90 78,57 49,28 66,94 41,31 52,39 35,16 33,43 26,43
130,63 78,38 93,80 63,02 51,85 70,7_0 43,46 53,33 36,99 35,27 27,80
7,6 .98,93 66,21 - 74,56 45,66 58,35 38,86 _37,17 29,21
7,8 57,16 -7?.53 47,91 61,45 40,78!- 30,65
8,0 59,90 82,60 50,21 64,63 42,73 32,12
8,2 62,70 86,77 52,56 61,88 44,73 33,62
182 CÁLCULO DE TUBULAÇÕES SOB PRESSÀO TABELAS PARA AS fÓRMULAS DE l1AZE/I-I'IlLLIAI.1S E UlliVERSAL (COLEBROOK) 183

( Continuação da Tabela 8.14


] Continuação da Tabela 8.14

Perdas de carga em rneh·os por 100 metros Diâmetro 60mm (0,003 m 2 ) Perdas de carga e1n tnetros por 100 metros Diâmeti·o 75mm (0,005 m 2 )

Coeficiente C Coeficiente C
(Hazcn-Williams] 80 90 100 110 120 130 140 {Hazen-Williams] 80 90 100 110 120 130 140
Rug?sid~~ee --_4,00_ 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05 ~:!}~ftilg&J~~d_c e: 4 00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
(mm)[Colebrook] Jf~ntot~bf\ookl •
;"", ,c,•,_•,•-,.- •

Vazão Vel. V'/2g Vazão Vcl. 1"/2g .


(1/s) (m/s) (m) (f/s) m/s) (m)
0,6 0,21 0,0023 Q~3? 0,31 . 0,24 0,25 0,21 0,20 0,19 0,17 0,15 0,15 0,12 0,13 0,12 0,11 1,2 0,27 0,0038 o,38 0,37 0,28 0,30 0,25 0,25 0,22 0,21 0,18 . 0,18 0,14 0,15 0,14 0,13
0,8 0,28 0,0041 0,57 0,52 p,42 0,42 Q,37. 0,35 O,a3 0,29 0,27 0,25 0,20 0,21 0,19 0,19 1,4 0,32 0,0051 _0,51 0,50 0,38 0,40 0,34 0,33 0,30 0,28 0,25 0,24 0,19 0,20 0,18 0,18
1,0 0,35 0,0064Q,88 0,79 0,65 0,64 o;5a · 0,52 0,50 0,44 0,41 0,37 0,31 0,32 0,29 0,28 1,6 0,36 o.oo67. o,~6 0,64 0,50 0,51 0,45 0,42 0,39 0,35 0,32 0,30 Í1,24 0,26 0,23 0,23
1,2 0,42 0,0092 1,27 1,11 0,~3 0,89 0,83 0,73 0,!~- 0,62 0,58 0,52 0,43 0,45 0,40 0,39 1,8 0,41 0,0085 0,84 0,79 0,63 0,61 0,56 0,52 0.49 0,44 0,40 0,37 0,30 0,32 0,28 0,28
1,4 0,50 0,0125 1,12 1,48 1,26 1,19 - 1,13 0,98 0,98 0,82 0,19 0,70 0,57 0,60 0,53 0,52 2,0 0,45 0,0104 1,04 0,96 0,77 0,78 0,69 0,64 0,60 0,53 0,49 0,46 0,37 0,39 0,34 0,34
1,6 0,50 0,0163 2,25 1,89 -1,65 1,52 1,47 1,25 1,27 1,05 1,02 0,89 0,13 0,77 0,68 0,61 2,2 0,50 0,0126 1,25 1,15 0,93 0,93 0,84 0,76 0,73 0,64 0,59 0,54 0,44 0,47 0,41 0,41
1,8 0,64 0,0207 2,85 2,35 2,08 1,89 1,86 1,56 1,60 1,30 1,29 1,11 0,91 0,96 0,85 0,83 2,4 0,54 0,0150 1,49 1,35 1,11 1,09 0,99 0,89 0,86 0,75 0,70 0,64 0,51 0,55 0,48 0,48
2,0 0,71 0,0255 3,51 2,86 2,57 2,30 2,29 1,89 1,97 1,59 1,59 1,35 1,11 1,16 1,03 1,01 2,6 0,59 0,0177 1,75 1,57 1,30 1,26 1,17 1,04 1,01 0,87 0,82 0,74 0,60 0,64 0,55 0,56
2,2 0,78 0,0309 4,25 3,41 3,10 2,74 2,77 2,26 2,38 1,89 1,91 1,61 1,33 1,39 1,22 1,21 2,8 0,63 0,2005 2,03 1,80 1,51 1,45 1,35 1,l!1 1,17 1,00 0,95 0,85 0,68 0,73 0,64 0,64
2,4 0,85 0,0367 5,05 4,01 3,69 3,22 3,29 2,65 2,83 2,22 2,26 1,89 1,57 1,63 1,44 1,42 3,0 0,68 0,0235 2,32 2,01 1,73 1,64 1,55 1,35 1,34 1,13 1,09 0,96 0,78 0,83 0,72 0,72
2,6 0,92 0,0131 5,93 4,65 4,33 3,74 3,86 3,07 3,32 2,58 2,65 2,19 1,83 1,89 1,67 1,65 3,2 0,72 0,0267 2,64 2,30 1,96 1,85 1,76 1,52 1,53 1,28 1,23 1,09 0,88 0,94 0,81 0,82
2,8 0,99 0,0500 6,87 5,33 5,02 4,29 4,47 3,53 3,84 2,96 3,06 2,52 2,11 2,17 1,92 1,89 3,4 0,77 0,0302 2,98 2,58 2,21 2,07 1,98 1,70 1,72 1,43 1,39 1,22 0,99 1,05 0,91 0,91
3,0 1,06 0,0574 7,88 6,06 5,16 4,87 5,13 4,01 4,41 3,36 3,51 2,86 2,40 2,47 2,18 2,15 3,6 0,81 0,0338 3,34 2,86 2,48 2,30 2,22 1,89 1,93 1,59 1,55 1,35 1,10 1,17 1,01 1,02
3,2 1,13 0,0653 8,97 6,83 6,55 5,49 5,83 4,52 5,01 3,79 3,99 3,22 2,12 2,78 2,46 2,42 3,8 0,86 0,0317 3,72 3,17 2,76 2,55 2,47 2,09 2,14 1,76 . 1,73 1,49 1,22 1,29 1,12 1,12
3,4 1,20 0,0737 10,12 7,64 7,39 6,14 6,58 5,05 5,65 4,24 4,49 3,61 3,05 3,11 2,76 2,71 4,0 0,91 0,0418 4,12 3,48 3,06 2,80 2,71 2,30 2,37 1,93 1,91 1,64 1,34 1,42 1,23 1,23
3,6 1,27 0,0826 11,35 8,49 8,28 6,83 1,37 5,62 6,33 4,71 5,03 4,01 3,40 3,46 3,97 3,01 4,2 0,95 0,0161 4,55 3,81 3,37 3,06 3,02 2,52 2,61 2,11 2,11 1,80 1,47 1,55 1,35 1,35
3,8 1,34 0,0921 12,64 9,39 9,22 7,55 8,21 6,21 7,05 5,20 5,60 4,43 3,78 3,82 3,40 3,33 4,4 1,00 0,0506 4,99 4,15 3,70 3,34 3,31 2.75 2,87 2.30 2,31 1,96 1,61 1,69 1,47 1,47
4,0 1,41 0,1020 14,00 10,32 10,21 8,30 9,09 6,83 7,81 5,72 6,20 4,87 4,17 4,20 3,74 3,66 4,6 1,04 0,0553 5,45 4,51 4,04 3,63 3,62 2,98 3,13 2,50 2,52 2,13 1,75 1,84 1,60 1,60
4,2 1,49 0,1125 15,44 11,30 11,26 9,08 10,02 7,47 8,60 6,26 6,83 5,33 4,58 4,60 4,10 4,01 4,8 1,09 0,0602 5,94 4,88 4,40 3,92. 3,94 3,23 3,41 2,71 2,74 2,30 1,90 1,99 1,73 1,73
4,4 1,56 0,1234 16,91 12,31 12,35 9,90 10,99 8,15 9,43 6,83 7,49 5,81 5,01 5,01 4,48 4,37 5,0 1,13 0,0653 6,44 5,26 4,77 4,23 4,27 3,48 3,70 2,92 2,97 2,48 2,05 2,14 1,86 1,81
4,6 1,63 0,1349 18,51 13,37 13,50 10,75 1'2,01 8,81 10,31 7,41 8,17 6,31 5,45 5,44 4,87 4,74 5,2 1,18 O,ü706 6,96 5,66 5,16 4,55 4,62 3,74 4,00 3,14 3,21 2,67 2,21 2,30 2,01 2,01
4,8 1,70 0,1469 20,15 14,47 14,69 11,63 13,07 9,57 11,22 8,02 8,89 6,83 5,92 5,89 5,28 5,13 5,4 1,22 0,0761 7,51 6,07 5,57 4,88 4,98 4,01 4,31 3,37 3,46 2,86 2,38 2,47 2,15 2,15
5,0 1,77 0,1594 21,87 15,60 15,94 12,55 14,18 10,32 12,17 8,65 9,64 7,36 6,41 6,35 5,71 5,54 5,6 1,27 0,0819 8,07 6,49 5,98 5,22 5,35 4,29 4,63 3,60 3,11 3,06 2,55 2,64 2,31 2,30
5,2 1,84 0,1724 23,65 16,78 17,24 13,49 15,33 11,10 13,16 9,30 10,42 7,92 6,91 6,83 6,15 5,95 5,8 1,31 0,0878 8,66 6,93 6,42 5,57 5,74 4,58 4,96 3,84 3,98 3,27 2,73 2,82 2,46 2,46
5,4 1,91 0,1859 25,50 17,99 18,59 14,47 16,53 11,90 14,18 9,98 11,23 8,49 7,44 7,32 6,60 6,38 6,0 1,36 0,0940 9,27 7,38 6,87 5,93 6,14 4,88 5,31 4,09 4,26 3,48 2,91 3,00 2,63 2,62
5,6 1,98 0,1999 27,42 19,25 19,99 15,48 17,78 12,73 15,25 10,67 12,07 9,08 7,98 7,83 7,08 6,83 6,2 1,40 0,1004 9,89 7.84 7,33 6.30 6,56 5.19 5,67 4,35 4,54 3,10 3,10 3,19 2,79 2,78
5,8 2,05 0,2145 29,41 20,54 21,44 16,51 19,07 13,59 16,35 11,39 12,94 9,69 8,54 8,36 . 7,57 7,29 6,4 1,45 0,1070 10,54 8.31 7,81 6,68 6,99 5,50 6,04 4,61 4,84 3,92 3,29 3,38 2,97 2,95
6,0 2,12 0,2295 31,48 21,87 22,91 17,58 20,40 14,47 17,50 12,13 13;35 10,32 9,12 8,90 8,07 7,76 6,6 1,49 0,1138 11,21 8,80 8,30 7,08 7,43 5,82 6,42 4,88 5,14 4,15 3,50 3,58 3,14 3,12
6,2 2,19 0,2451 33,61 23,24 24,49 18,69 21,78 15,37 18,68 12,89 14,78 10,91 9,72 9,46 8,60 8,24 6,8 1,54 0,1208 11,90 9,30 8,81 7.~8 7,88 6.15 6,81 5,16 5,45 4,39 3,70 3,78 3,33 3,30
6,4 2,26 0,2611 35,81 24,65 26,09 19,82 23,20 16,30 19,90 13,67 15,74 11,63 10,34 10,03 9,13 8,74 7,0 1,58 0,1280 12,61 9,81 9,34 7,89 8,35 6,49 7,22 5.44 5,77 4,63 3,92 3,99 3,51 3,48
6,6 2,33 0,2117 38,ü8 26,09 27,75 20,98 24,67 17,26 21,16 14,47 16,73 12,31 10,98 10,62 9,69 9,26 7,2 1,63 0,1354 13,34 10,34 9,88 8,31 8,83 6,84 7,63 5,73 6,11 4,88 4,13 4,21 3,71 3,67
6,8 2,41 0,2948 40,42 27,58 29,45 22,17 26,19 18,24 22,45 15,29 17,75 13,01 11,64 ll,22 10,26 9,78 7,4 1,68 0,1430 14,09 10,88 10,43 8,75 9,33 7,20 8,06 6,03 6,45 5,13 4,36 4,43 3,90 3,86
7,0 2,48 0,3124 42,83 29,10 31,20 23,40 27,75 19,25 23,79 16,13 18,81 13,73 12,31 11,84 10,84 10,32 7,6 1,72 0,1508 14,86 11,43 11,00 9,19 9,84 7,50 8,50 6,34 6,80 5,39 4,59 4,65 4,11 4,05
7,2 2,55 0,3305 45,31 30,66 33,01 24,65 29,35 20,28 25,16 17,00 19,89 14,41 13,01 12,47 11,44 10,81 7,8 1,77 0,1589 15,65 ll,99 11,59 9,64 10,36 7,93 8,95 6,05 7,16 5,66 4,83 4,88 4,31 4,25
7,4 2,62 0,3491 37,86 32,25 31,87 25,93 31,00 21,33 26,58 17,88 21,00 15,22 13,72 13,12 12,06 11,44 8,0 1,81 0,1671 16,46 12,57 12,19 10,10 10,90 8,31 9,41 6,97 7,52 5,93 5,07 5,11 4,53 4,46
7,6 2,69 0,3683 50,48 33,88 36,77 27,24 32,69 22,41 28,03 18,79 22,15 15,99 14,46 13,79 12,70 12,02 8,2 1,86 0,1756 17,30 13,16 12,80 10,58 11,45 8,70 9,89 7,29 7,90 6,21 5,32 5,35 4,75 4,61
7,8 2,76 0,3879 53,11 35,55 38,13 28,59 34,43 23,52 29,52 19,71 23,32 16,78 15,21 14,47 13,35 12,61 8,4 1,90 0,1843 18,15 13,76 13,44 11,06 12,01 9,10 10,37 7,63 8,29 6,49 5,57 5,60 4,97 4,88
8,0 2,83 0,4080 55,93 37,26 -40,74 29,96 36,22 24,65 31,05 20,66 24,52 17,58 15,98 15,16 14,01 13,22 8,6 1,95 0,1931 19,02 14,37 14,08 11,55 12,59 9,51 10,87 7,97 8,69 6,78 5,83 5,85 5,20 5,10
8,2 2,90 0,4287 58,76 39,01 42,80 31,36 38,05 25,80 32,61 21,63 25,76 18,41 16,77 15,87 14,70 13,84 8,8 1,99 0,2022 19,92 14,99 14,74 12,06 13,18 9,92 11,38 8,31 9,09 7,08 6,10 6,10 5,43 5,32
8,4 2,97 0,4499 61,66 40,79 44,91 32,79 39,92 26,98 34,22 22,61 27,02 19,25 17,58 16,60 15,39 14,47 9,0 2,04 0,2115 20,83 15,63 15,42 12,57 13,78 10,34 11,90 8,67 9,51 7,38 6,37 6,36 5,67 5,54
(
CÀLCULO 0[ TUBULAÇÕES SOB PRESSÃO TABELAS PARA AS FÓf!MULAS DE HAZEfi-\'IILLIAMS E U!l!VfRSAL (COLlBROOK) 185
184

Continuação da Tabela 8.14 Continuação da Tabela 8 14

Diâmetro lOOmm (0,008m 2) Perdas de carga em m.etros por 100 tnetros Diâmetro 150mm (0,018 m 2)
Perdas de carga em 1netros por 100 meh·os

Coeficiente C Coeficiente C
100 110 120 130 140 [Hazen-Williams) 80 90 100 110 120 130 140
{Hazen-\\'illiams} 80 90
Rugosldadc e 4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05 fJ{l!~g~_Sí_~_.idcf , 4,00 2,00 1,50 1,00 0,50 0,10 0,05
(nlm)[Colebrook] t(i)lmHí:<ilebrookJ
Vazão Vel. \
11
/2g Vazão Vel. l"/2g .
(1/s) (m/s) (m) ((/s) m/s) (m)

0,24 0,21 0,20 0,17 0,17 0,13 0,15 0,13 0,13 5,0 0,28 0,0041 0~15 0,18 0,12 0,14 0,11 0,12 0,10 0,10 0,08 0,08 0,06 0,07 0,06 0,06
2,5 0,32 0,0052 0,34 0,36 0,26 0,29 0,23
0,37 0,40 0,33 0,33 0,29 0,28 0,24 0,24 0,19 0,20 0,18 0,18 6,5 0,37 0,0069 0,25 0,29 0,20 0,2-1 0,18 0,19 0,16 0,16 0,13 0,14 0,10 0,12 0,10 O, lO
3,0 0,38 0,0074 0,49 0,50
0,54 0,45 0,44 0,40 0,37 0,33 0,32 0,25 0,27 0,23 0,24 8,0 0,45 0,0104 0,38 0,43 0,30 0,35 0,27 0,28 0,24 0,24 0,20 0,20 0,15 0,17 0,15 0,15
3,5 0,45 0,0101 0,66 0,67 0,50
0,69 0,59 OM 0,52 0,48 0,42 0,40 0,32 0,35 0,30 0,30 9,5 0,54 0,0147 0,54 0,59 0,42 0,47 0,38 0,39 0,3! 0,33 0,28 0,28 0,21 0,24 0,20 0,21
4,0 0,51 0,0132 0,86 0,86 0,65
0,86 0,74 0,71 0,65 0,59 0,53 0,50 0,40 0,43 0,37 0,38 11,0 0,62 0,0197 0,72. 0,77 0,56 0,62 0,51 0,51 0,45 0,43 0,37 0,37 0,28 0,32 0,26 0,27
4,5 0,57 0,0167 1,09 1,07 0,82
0,92 0,86 0,80 0,72 0,66 0,61 0,48 0,53 0,45 0,46 12,5 0,71 0,0255 0,93 0,98 0,72 0,70 0,65 0,65 0,58 0,54 0,48 0,46 0,35 0,40 0,33 0,35
5,0 0,64 0,0207 1,34 1,30 1,02 1,01
1,24 1,11 1,02 0,97 0,86 0,79 0,73 0,58 0,63 0,53 0,55 14,0 0,79 0,0320 1,17 1,21 0,90 0,97 0,82 0,80 0,12 0,67 0,60 0,57 0,44 0,49 0,41 0,43
5,5 0,70 0.0250 1,63 1,55 1,23
1,20 1,15 1,01 0,94 0,86 0,68 0,74 0,63 0,64 15,5 0,88 0,0392 1,43 1,46 1,10 1,18 !,00 0,97 0,88 0,81 0,73 0,69 0,53 0,60 0,49 0,52
6,0 0,76 0.0297 1,93 1,82 1,46 1,46 1,32
1,69 1,54 1,39 1,35 1,17 1,10 0,99 0,79 0,86 0,73 0,75 17,0 0,96 0,0472 1,72 1,74 1,33 1,40 1,20 1,15 1,06 0,96 0,87 0,82 0,64 0,71 0,59 0,62
6,5 0,83 0.0349 2,27 2.11 1,71
1,60 1,56 1,34 1,27 1,14 0,91 0,98 0,84 0,86 18,5 1,05 0,0559 2,04 2,03 1,57 1,63 1,43 1,34 1,25 1,13 1,03 0,96 0,75 0,83 0,69 0,72
7,0 0,89 0,0405 2,63 2,42 1,99 1,94 1,79
2,21 2,05 1,82 1,79 1,52 1,46 1,30 1,04 1,12 0,95 0,97 20,0 1,13 0,0653 2,38 2,34 1,84 1,89 1,66 1,55 1,46 1,30 1.21 1,11 0,87 0,95 0,80 0,83
7,5 0,95 0,0465 3,02 2,75 2,28
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10,:} 1.14 fl.09ll 5,91 5,12 4,46 4,12 4,01
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