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Agente de Polícia e Escrivão

Direito Penal

Prof. Sandro Caldeira


Direito Penal

Professor Sandro Caldeira

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Introdução

NOTAS DO AUTOR

Professor Sandro Caldeira


Especialista em Direito Penal e Processo Penal;
Professor em cursos de graduação e pós graduação em Direito Penal e Processo Penal;
Professor em cursos preparatórios para concursos públicos;
Professor em cursos preparatórios para Exames da OAB;
Especialista em Didática e Metodologia do Ensino Superior;
Articulista e palestrante, com vários trabalhos publicados na imprensa especializada;
Membro do Instituto Panamericano de Política Criminal;
Coaching para preparação jurídica em concursos;
Delegado de Polícia integrante da Assessoria Jurídica da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro.

LIVROS PUBLICADOS

•• Manual de Dicas – Delegado de Polícia Civil e Federal- Passe Em concursos Públicos- Editora
Saraiva – Coautoria;
•• Argumentação Defensiva – Teses de Defesa do Direito Penal – Editora Manaim;
•• Processo Penal Prático – Editora- Manaim; Coautoria;
•• Prova de Ingresso na Defensoria Pública- Editora Espaço Jurídico; Coautoria;
•• Lei de Violência Doméstica Contra a Mulher e Lei de Tóxicos-Lei nº 11.340/2006 e Lei
11.343/2006 – Editora Lumen Juris ; Coautoria;
•• Defensoria Pública- Carreiras DPU e DPE – Editora Saraiva; Coautoria;
•• Prova de Ingresso na Emerj – Editora Espaço Jurídico Coautoria;

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Mídias sociais

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Periscope: @Sandro_Caldeira
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Apresentação

Olá pessoal, tudo certo?


É um grande prazer para mim estar aqui com você para trabalhar a disciplina de Legislação
Especial ao lado do professor Joerberth. Juntos vamos ajudá-lo nessa caminhada rumo à
aprovação no concurso da Polícia Federal.
Já fui concurseiro e sei bem como é a vida de um. Mas te digo uma coisa: todo seu reforço será
recompensado! Estude muito, com dedicação, persistência e tenha fé! Estou aqui para facilitar
sua caminhada. Quero torná-la mais leve, divertida e muito produtiva, através do “Jeito Legal
de Estudar Direito”, que utilizo em minhas aulas!
•• Banca/Organizadora: Cespe/UnB.
Nessa apostila você vai encontrar alguns apontamentos teóricos
Ah! Anote tudo que falarei em minhas aulas, pois tenho muita coisa para compartilhar com
você! Combinado?

Ementa

1. Princípios básicos do Direito Penal


2. Interpretação da lei penal.
3. Aplicação da lei penal
3.1. Lei Penal no Tempo
3.2. Lei Penal no Espaço

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4. Pena cumprida no estrangeiro
5. Eficácia da sentença estrangeira
6. Contagem de prazo
7. Conflito aparente de normas
8. Teoria do Crime
8.1. Fato Típico
8.2. Ilicitude
8.3. Culpabilidade
9. Concurso de Crimes
10. Concurso de Pessoas

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Edital

DIREITO PENAL: 1 Aplicação da lei penal. 1.1 Princípios básicos. Princípios da legalidade e da
anterioridade. 1.2 A lei penal no tempo e no espaço. 1.3 Tempo e lugar do crime. 1.4 Lei penal
excepcional, especial e temporária. 1.5 Territorialidade e extraterritorialidade da lei penal.
1.6 Pena cumprida no estrangeiro. 1.7 Eficácia da sentença estrangeira. 1.8 Contagem de
prazo. 1.9 Frações não computáveis da pena. 1.10 Interpretação da lei penal. 1.11 Analogia.
1.12 Irretroatividade da lei penal. 1.13 Conflito aparente de normas penais. 2 Infração penal:
elementos; espécies; sujeito ativo e sujeito passivo. 3 O fato típico e seus elementos. 3.1 Crime
consumado e tentado. 3.2 Pena da tentativa. 3.3 Concurso de crimes. 3.4 Ilicitude e causas
de exclusão. 3.5 Punibilidade. 3.6 Excesso punível. 3.7 Culpabilidade (elementos e causas de
exclusão). 4 Imputabilidade penal. 5.5 Concurso de pessoas.

BANCA: Cespe

CARGO: Agente de Polícia e Escrivão

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Direito Penal

1. PRINCÍPIOS BÁSICOS DO DIREITO PENAL

Os princípios podem ser explícitos, positivados no ordenamento (escritos em lei ou na


Constituição), ou implícitos, quando advém daqueles expressamente previstos e que são fruto
de interpretação sistemática de determinados dispositivos. Como exemplo dos explícitos, temos
o Princípio da Individualização da Pena, insculpido no artigo 5°, inciso XLVI, da Constituição
Federal, do qual deriva, implicitamente, o da proporcionalidade, devendo-se estabelecer um
equilíbrio entre a gravidade da infração praticada e a severidade da pena, seja em abstrato, seja
em concreto.
Vejamos :

a)Princípio da legalidade /Reserva legal/Estrita legalidade


O princípio da legalidade está previsto no art. 5º, XXXIX da Constituição Federal:
“XXXIX – não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal;”
Entretanto, ele também está previsto no Código Penal, em seu art. 1º:
“Art. 1º Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal.”
Este princípio trata-se de uma real limitação do poder de punir estatal e advém da expressão
em latim: Nullum crimen sine praevia lege. Estabelecendo assim que uma conduta não pode
ser considerada criminosa se antes de sua prática não havia lei nesse sentido.
Assim, se João ingere bebida alcóolica, não comete crime, pois a legislação brasileira
não estabelece que essa conduta seja criminosa. Se no dia seguinte for editada uma Lei
criminalizando a ingestão de bebida alcoólica, João não terá cometido crime, pois quando
praticou o ato, a lei não existia e ela não pode ser aplicada aos fatos acontecidos antes de sua
vigência.
Dimensões do princípio da legalidade:
•• lei escrita e publicada no DOU;
•• lex populi lei emanada do parlamento (o Pres. não pode criar crimes ou aumentar penas
por MP);
•• lei certa, a lei penal deve descrever taxativamente o crime;
•• lei clara, inteligível (palavras que o povo entenda);
•• lei estrita, a lei deve ser interpretada restritivamente: não é possível analogia contra o réu;
•• lei prévia, princípio da anterioridade da lei penal.

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OBS: Antecedente do princípio é a Magna Carta, 1215. Em seu art. 39, estabelecia que nenhum
homem livre poderia ser submetido a julgamento senão pelos seus pares e de acordo com a lei
local (law of land).

b) Princípio da irretroatividade da lei penal


O Princípio da Anterioridade da lei penal culmina no Princípio da Irretroatividade da Lei Penal.
Pode-se dizer, inclusive, que são sinônimos. Entretanto, a Lei Penal pode retroagir, desde que
para beneficiar o réu.
Essa previsão se encontra no art. 5º, XL da Constituição:
“XL – a lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu;”
Bem como no CP:
“Art. 2º (...)
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.”
Constitui um decorrência do princípio da legalidade. Sem a anterioridade não haveria segurança
e liberdade jurídica. Todavia, o art. 5º, inciso XL, CF, faz ressalva expressa sobre a aplicação
retroativa da lei penal mais benéfica. Segundo tal princípio, de regra, a lei penal destina-se
a reger fatos posteriores a sua vigência até a sua revogação. Não retroage, e não tem ultra-
atividade.
Entretanto, há exceções ao presente princípio, quais sejam as leis temporárias ou excepcionais
que, decorrido o seu período de vigência ou cessadas as circunstâncias, ainda assim são
aplicadas (ultrativas) aos fatos cometidos sob sua vigência, e as leis penais benéficas que,
em qualquer situação retroagem. Retirar o caráter de ultratividade das leis temporárias ou
excepcionais significaria anular a força intimidativa de suas disposições.

c) Princípio da vedação á analogia (lex stricta)


Tal característica ou subprincípio da legalidade significa dizer que a lei penal não pode se valer
de analogia quando se fala em norma incriminadora, mas admite a analogia em benefício do
reú.
Norma penal em branco – Conclui-se que o Princípio da Legalidade, como visto, exige a edição
de lei certa, prévia, precisa ou taxativa e determinada ou estrita.
Todavia, existem as NORMAS PENAIS EM BRANCO e estas são aquelas que dependem de outra
norma para que sua aplicação seja possível. Por exemplo: A Lei de Drogas (Lei nº 11.343/06)
estabelece diversas condutas criminosas referentes à comercialização, transporte, posse, etc.,
de substância entorpecente.
Quais seriam as substâncias entorpecentes proibidas? As substâncias entorpecentes proibidas
estão descritas em uma portaria expedida pela ANVISA (Portaria 344). Assim, as normas penais
em branco são legais, não violam o princípio da reserva legal, mas sua aplicação depende da
análise de outra norma jurídica.

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As Normas Penais em Branco podem ser:


•• Norma penal em branco própria (ou em sentido estrito ou heterogênea): o seu
complemento normativo não emana do legislador (Câmara dos Deputados ou Senado),
mas sim de fome normativa diversa (Anvisa).
•• Norma penal em branco imprópria (ou em sentido amplo ou homogênea): o complemento
normativo, neste caso, emana do próprio legislador, ou seja, da mesma fonte de produção
normativa. Por motivos de técnica legislativa, o complemento poderá ser encontrado no
próprio diploma legal ou em diploma legal diverso.

d) Princípio da intervenção mínima/ Ultima Ratio


Esse princípio estabelece que a criminalização de uma conduta só se legitima se constituir meio
necessário para a proteção de determinado bem jurídico.
Se para o restabelecimento da ordem jurídica violada forem suficientes medidas civis ou
administrativas, são estas que devem ser empregadas e não as penais. Por essa razão, diz-
se ser o Direito Penal é a ultima ratio, isto é, deve atuar somente quando os demais ramos
do direito revelarem-se ineficazes ou incapazes de dar a tutela devida a bens relevantes do
indivíduo e da própria sociedade.
O STF já se pronunciou sobre o tema:
O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a privação da
liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam quando estritamente
necessárias à própria proteção das pessoas, da sociedade e de outros bens jurídicos que lhes
sejam essenciais, notadamente e naqueles casos em que os valores penalmente tutelados se
exponham a dano, efetivo ou potencial, impregnado de significativa lesividade. O direito penal
não se deve ocupar de condutas que produzam resultado, cujo desvalor – por não importar
em lesão significativa a bens jurídicos relevantes – não represente, por isso mesmo, prejuízo
importante, seja ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social.
(STF, HC 92463/RS, rel. Min. Celso de Mello. 2ª turma, j. 16/10/2007)
Aspectos relevantes da Intervenção mínima (também chamados por alguns de princípios):
•• fragmentariedade
O Direito Penal só deve proteger os bens jurídicos mais relevantes (ex: vida)
•• subsidiariedade.
A atuação do Direito penal restringe-se às hipóteses em que outros ramos do Direito e os meios
estatais de controle social se mostraram insuficientes, impotentes para o controle da ordem
pública.

e) Princípio da ofensividade ou da lesividade


Não há crime sem lesão ou perigo concreto de lesão ao bem jurídico (nullum crimen sine
iniuria). Uma vez acolhido esse princípio, não há espaço para o perigo abstrato no Direito Penal.

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É preciso que a ofensa seja relevante (princípio da alteridade – não se pune atitude meramente
interna do agente).

f) Princípio da humanidade
O presente princípio decorre da dignidade humana, princípio consagrado no art. 1º, III, CF/88.
Nenhuma pena pode ser cruel, desumana ou degradante, art. 5º XLV, CF/88.

g) Princípio da individualização da pena


Garante ao acusado a individualização da pena imposta pelo Estado, de acordo com os critérios
legais. A Constituição Federal preconiza, em seu art. 5º. inciso XLVI, que:
A lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes:
a) privação ou restrição da liberdade;
b) perda dos bens;
c) multa;
d) prestação social alternativa;
e) suspensão ou interdição de direitos.
Tendo o juiz chegado à conclusão de que o fato praticado é típico, ilícito e culpável, dirá qual a
infração praticada pelo agente e começará a individualizar a pena, de acordo com as regras do
art. 59 (circunstâncias judiciais) e 68 (cálculo da pena), ambas do Código Penal.

h) Princípio da responsabilidade pessoal ou da intranscendência


Não existe no Direito Penal responsabilidade é pessoal. Cada um responde pelo ato que
praticou, na medida de sua culpabilidade.

i) Princípio do ne bis in idem


Não se admite uma dupla punição pelo mesmo fato. Neste sentido, o STJ editou a sumula 241:
A reincidência penal não pode ser considerada como circunstância agravante e a,
simultaneamente, como circunstância judicial.

j) Princípio da insignificância/Bagatela
O princípio da insignificância, também, conhecido como princípio da bagatela dispõe que
Direito Penal não deve se ocupar de assuntos irrelevantes, incapazes de lesar o bem jurídico
tutelado pela norma.

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Funciona como causa de exclusão da tipicidade material do delito.


O STF estabelece vetores para sua aplicação. São eles:
•• a mínima ofensividade da conduta,
•• a ausência de periculosidade social da ação,
•• reduzido grau de reprovabilidade do comportamento e
•• inexpressividade da lesão jurídica.

OBS: Jurisprudência do STF:


EMENTA: PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA IDENTIFICAÇÃO DOS VETORES CUJA PRESENÇA
LEGITIMA O RECONHECIMENTO DESSE POSTULADO DE POLÍTICA CRIMINAL – CONSEQÜENTE
DESCARACTERIZAÇÃO DA TIPICIDADE PENAL EM SEU ASPECTO MATERIAL – DELITO DE FURTO –
"RES FURTIVA" NO VALOR (ÍNFIMO) DE R$ 87,00 (EQUIVALENTE A 18,7% DO SALÁRIO MÍNIMO
ATUALMENTE EM VIGOR) – DOUTRINA – CONSIDERAÇÕES EM TORNO DA JURISPRUDÊNCIA
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – PEDIDO DEFERIDO. O FATO INSIGNIFICANTE, PORQUE
DESTITUÍDO DE TIPICIDADE PENAL, NÃO LEGITIMA A ADOÇÃO, CONTRA O AGENTE, DE MEDIDAS
DE PERSECUÇÃO PENAL. – O fato insignificante, por constituir evento destituído de tipicidade
material, não assume relevo de natureza jurídico-penal, mostrando-se insuscetível, por isso
mesmo, de medidas de persecução penal por parte do Estado. Precedentes. O POSTULADO
DA INSIGNIFICÂNCIA E A FUNÇÃO DO DIREITO PENAL: "DE MINIMIS, NON CURAT PRAETOR".
– O sistema jurídico há de considerar a relevantíssima circunstância de que a privação da
liberdade e a restrição de direitos do indivíduo somente se justificam quando estritamente
necessárias à própria proteção das pessoas, da sociedade e de outros bens jurídicos que lhes
sejam essenciais, notadamente naqueles casos em que os valores penalmente tutelados se
exponham a dano impregnado de significativa lesividade. – O direito penal não se deve ocupar
de condutas que produzam resultado cujo desvalor – por não importar em lesão significativa
a bens jurídicos relevantes – não represente, por isso mesmo, prejuízo importante, seja
ao titular do bem jurídico tutelado, seja à integridade da própria ordem social. O PRINCÍPIO
DA INSIGNIFICÂNCIA QUALIFICA-SE COMO FATOR DE DESCARACTERIZAÇÃO MATERIAL DA
TIPICIDADE PENAL. – O princípio da insignificância – que deve ser analisado em conexão com os
postulados da fragmentariedade e da intervenção mínima do Estado em matéria penal – tem
o sentido de excluir ou de afastar a própria tipicidade penal, examinada na perspectiva de seu
caráter material. Doutrina. – Tal postulado – que considera necessária, na aferição do relevo
material da tipicidade penal, a presença de certos vetores, tais como (a) a mínima ofensividade
da conduta do agente, (b) a nenhuma periculosidade social da ação, (c) o reduzidíssimo grau
de reprovabilidade do comportamento e (d) a inexpressividade da lesão jurídica provocada
– apoiou-se, em seu processo de formulação teórica, no reconhecimento de que o caráter
subsidiário do sistema penal reclama e impõe, em função dos próprios objetivos por ele visados,
a intervenção mínima do Poder Público. – A aplicação do princípio da insignificância, por excluir
a própria tipicidade material da conduta atribuída ao agente, importa, necessariamente, na
absolvição penal do réu (CPP, art. 386, III), eis que o fato insignificante, por ser atípico, não
se reveste de relevo jurídico-penal. Precedentes. (STF, HC 97048/RS, rel. Min. Celso de Mello,
julgamento 14/04/2009) Grifo não original

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2. INTERPRETAÇÃO DA LEI PENAL

Interpretar significa buscar o preciso significado de um texto, palavra ou expressão, delimitando


o alcance da lei, guiando o operador para a sua correta aplicação. Até mesmo as leis dotadas de
maior clareza dependem de interpretação, já que é a partir daí que se abstrai sua transparência.

2.1. Formas de interpretação

a) Quanto à origem: pode ser legislativa, doutrinária ou jurisprudencial.


b) Quanto ao modo: pode ser gramatical/literal, teleológica, quando se busca a vontade
da mensagem legislativa, ou histórica, quando se busca interpretação conforme os
fundamentos históricos daquela lei.
c) Quanto ao resultado: Pode ser declaratória, restritiva ou extensiva.

2.2. Interpretação extensiva

Discute-se se podemos ou não interpretar em prejuízo do réu, discussão esta que gera opiniões
divergentes, mas prevalece que poderia ser feita interpretação extensiva em prejuízo do réu
(arma no crime de roubo).

2.3. Interpretação analógica

A interpretação extensiva não pode ser confundida com a interpretação analógica.


Na interpretação analógica (ou intra legem), o Código, atendendo ao princípio da legalidade,
detalha todas as situações que quer regular e, posteriormente, permite que aquilo que a elas
seja semelhante possa também ser alcançado pelo tipo penal (art. 121, § 2º, inciso I do CP).

2.4. Integração Da Lei Penal (Analogia)

Analogia não se confunde com interpretação analógica ou extensiva. Aqui há uma lacuna legal
de fato. Diante do princípio da legalidade, como não há lei regulando tal fato, a analogia só
pode ser utilizada em favor do réu, conforme vimos acima.

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3. APLICAÇÃO DA LEI PENAL

3.1 lei penal no tempo

Em relação a Lei penal no tempo vigora o tempus regit actum, ou seja: aplica-se a lei vigente na
data do fato.
“Art. 2º. Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixar de considerar crime,
cessando em virtude dela, a execução e os efeitos penais da sentença condenatória.
Parágrafo único. A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos
anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado”

Hipóteses de conflitos de leis no tempo:


a) Novatio legis in pejus – lei nova que surge para piorar a situação do réu de alguma forma
b) Novatio legis incriminadora
c) abolitio criminis – Supressão da figura criminosa, excepcionando a regra da irretroatividade
da lei penal alcançando os fatos pretéritos, excetuando-se a teoria da Atividade.

Consequências:
(i) Cessando em virtude dela a execução, assim extinguindo a punibilidade a qualquer tempo.
Podemos concluir que a Lei abolicionista não respeita sequer a coisa julgada;
(ii) Cessando em virtude dela os efeitos penais da sentença condenatória, porém os efeitos
extrapenais (arts. 91 e 92, CP) permanecem.
b) lex mitior (Novatio legis in mellius) Lei penal posterior ainda que não descrimine o fato,
mas favorece o agente, diminuindo a pena (art 2º, P. ún., CP) retroage, excetuando-se a
Teoria da Atividade e igualmente não respeita a coisa julgada.
Em resumo, temos as situações abaixo:
TEMPO DA REALIZAÇÃO DO FATO LEI POSTERIOR
Fato atípico Criação do crime. Lei irretroativa (art. 1º CP)
Era crime Aumenta a pena. Lei irretroativa (art. 1º CP)
Era crime Supressão da figura criminosa Lei retroage (art. 2º, caput, CP)
Era crime Diminui a pena. Igualmente retroage (art. 2º, § 2º, CP)

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OBS: Lei excepcional ou temporária:
a) Lei temporária (temporária em sentido estrito) – é aquela que tem fixado em seu texto o
tempo de sua vigência. Não se confundido com a Lei Excepcional ou temporária em sentido
amplo; e
b) lei excepcional (temporária em sentido amplo) – é aquela que atende a transitórias
necessidades estatais, como: guerras, calamidades, epidemias e etc., perdurando por todo
o tempo excepcional.
Trata-se de leis ultra-ativas, pois aplicam-se aos fatos ocorridos em sua vigência, ainda que não
mais vigorem.
OBS: Tempo do crime
Art. 4º CP. Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro
seja o momento do resultado.
Adotou-se a teoria da ATIVIDADE.
Atenção: Se liga na música jurídica sobre “Lei Penal no Tempo” – acesse: www.
professorsandrocaldeiramusicas.com faça o download e divirta-se estudando

3.2. Lei penal no espaço

Aplicação da lei penal no espaço refere-se à aplicação da lei penal brasileira no território, pois,
a sanção penal pressupõe atividade jurisdicional e esta atividade, precípua do poder judiciário
pressupõe, por sua vez, soberania nacional, já que nosso país não pode exercer sua força estatal
sobre outro território (Argentina, por ex.).
Vale destacar que com relação ao lugar para fins de aplicação de lei penal brasileira, aplica-se
a Teoria da Ubiquidade, pois, considera-se como lugar do crime tanto no lugar onde ocorreu a
conduta, quanto o lugar onde se ocorreu ou deveria ocorrer o resultado (art. 6º CP).

Territorialidade
A questão a ser discutida neste tema, incialmente, é o que será território nacional para fins
penais. Assim, o art. 5º do CP e seus parágrafos nos respondem, considerando território
nacional:
a) os navios ou aeronaves brasileiros públicos ou, se privados, estiverem a serviço do governo
brasileiro, aplica-se a lei penal brasileira aonde quer que estejam;
b) se privados, quando em alto mar ou espaço aéreo correspondente, seguem a lei da
bandeira que ostentam; e
c) quanto aos estrangeiros em território brasileiro, desde que públicos, não são considerados
parte de nosso território (princípio da reciprocidade).
Contudo, ainda na aplicação da lei penal no lugar ou espaço, há o princípio da extraterritorialidade
consagrado no art. 7º do CP, o qual define os casos de aplicação da lei penal brasileira fora

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do território nacional. Esta extraterritorialidade pode ser: incondicionada, condicionada ou


hipercondicionada.
OBS: Lugar do crime
Art. 6º Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou
em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
O Código penal adotou assim, a teoria da UBIQUIDADE ou MISTA em relação ao lugar do crime.

Extraterritorialidade:

a) Extraterritorialidade incondicionada (art. 7º, I e § 1º do CP)


Aplica-se a lei penal brasileira, ainda que o agente seja punido e condenado no estrangeiro
nos crimes contra a vida ou liberdade do Presidente, contra o Patrimônio Público, contra a
administração pública por quem está em serviço e genocídio, quando o agente for brasileiro
ou domiciliado no Brasil. Assim é possível ele ser processado, condenado e cumprir pena em
ambos, isto posto, questiona-se sobre o bis in idem.
A partir daí, o art. 8º prevê que a pena estrangeira atenua a pena brasileira se diferentes as
penas e as computa caso idênticas. Não impedindo, mas atenuando o bis in idem.

b) Extraterritorialidade condicionada (art. 7º, II e § 2º do CP)


Aplica-se a lei penal brasileira a crimes no estrangeiro quando:
b.1) praticados por brasileiro no estrangeiro;
b.2) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade
privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados;
b.3) por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir;
No caso concreto, a brasileira mata um cidadão português em Lisboa.
Aplica-se a lei penal brasileira? Sim, desde que reunidas as condições:
a) entrar o agente no território nacional;
b) o fato também deve ser punível no país aonde tenha sido praticado;
c) o crime deve estar dentre aqueles que o Brasil autoriza a extradição;
d) não pode ter sido absolvido ou cumprido pena no estrangeiro, inclusive não pode ter
sido perdoado ou ter extinta a sua punibilidade, seja de acordo com a lei brasileira, ou
estrangeira, aplicando-se a mais favorável;
Extraterritorialidade hipercondicionada (art. 7º, §§ 3º e 2º do CP) – Aplica-se a Lei Brasileira
ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro, se reunidas as condições do §2º citadas
acima, acrescidas de pedido ou negativa de extradição ou se houve requisição do Ministro da
Justiça.

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4. PENA CUMPRIDA NO ESTRANGEIRO

“Art. 8º A pena cumprida no estrangeiro atenua a pena imposta no Brasil pelo mesmo crime,
quando diversas, ou nela é computada, quando idênticas. “

5. EFICÁCIA DE SENTENÇA ESTRANGEIRA

“ Art. 9º CP. A sentença estrangeira, quando a aplicação da lei brasileira produz na espécie as
mesmas consequências, pode ser homologada no Brasil para:
I – obrigar o condenado à reparação do dano, a restituições e a outros efeitos civis;
II – sujeitá-lo a medida de segurança
Parágrafo único. A homologação depende:
a) para os efeitos previstos no inciso I, de pedido da parte interessada;
b) para os outros efeitos, da existência de tratado de extradição com o país de cuja autoridade
judiciária emanou a sentença, ou, na falta de tratado, de requisição do Ministro da Justiça.

6. CONTAGEM DE PRAZO

“ Art. 10 CP. O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os
anos pelo calendário comum.”
OBS: Contagem de prazo1:
No que diz respeito à contagem dos prazos, o art. 10 do CP estabelece uma regra diversa
daquela existente no § 1º do art. 798 do CPP.
Surge, portanto, pelo confronto dos dois dispositivos legais a distinção entre o prazo penal e o
processual penal. Todos os prazos, como regra geral, que digam respeito ao normal andamento
do processo deverão ter essa natureza, ou seja, serem considerados processuais, a exemplo
do prazo concedido ao MP para o oferecimento da denúncia, bem como aqueles destinados a
defesa prévia, as alegações finais etc. Há prazos, contudo, que dizem respeito diretamente ao
direito de liberdade dos cidadãos. Esses prazos, pela sua natureza, deverão ser considerados
prazos penais, a exemplo da contagem da decadência, do cumprimento da pena, da prescrição
etc2.
1 Lei nº 810/49 – Art. 1º Considera-se ano o período de 12 (doze) meses contado do dia do início ao dia e mês
correspondentes do ano seguinte; 2º Considera-se mês o período do tempo contado do dia do início ao dia
correspondente do mês seguinte e 3º Quando no ano ou mês do vencimento não houver o dia correspondente ao
do início do prazo, este findará no primeiro dia subsequente.
2 Segundo GUILHERME DE SOUZA NUCCI, “Se o instituto for previsto tanto no Código Penal, quanto no de Processo
Penal, prevalece a contagem como se fosse prazo penal, o que é mais benéfico ao réu. Ex: decadência (art. 103, CO;
art. 38 do CPP).

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Além dessa distinção entre os prazos penal e processual penal, o art. 10 do CP determina que
os dias, os meses e os anos sejam contados pelo calendário comum, isto é, pelo calendário
conhecido como gregoriano.

7. CONFLITO APARENTE DE NORMAS

Trata-se de conflito que se estabelece entre duas ou mais normas aparentemente aplicáveis
ao mesmo fato. Fala-se em conflito porque mais de uma pretende regular o fato, todavia é
aparente, porque, na verdade, apenas uma delas acaba sendo aplicada à hipótese.
Antes de tudo, vale observar que não se confunde Conflito Aparente de Normas com Sucessão
de Leis no Tempo, pois, no primeiro temos em tese a aplicação de duas normas vigentes, mas
no segundo, temos a aplicação de uma norma vigente em sucessão a uma norma revogada.
Desta forma, como elementos do Conflito Aparente de Normas, temos: (i) unidade de fato; e
(ii) pluralidade de normas vigentes com aparente aplicação.
A solução deste conflito se dá com aplicação de alguns princípios:
a) Especialidade (Lex specialis derogat legi generali) – Tal princípio está disposto no art. 12
do CP, determinando o afastamento da lei geral para aplicação da lei especial. Especial é a
norma que possui todos os elementos da geral e mais alguns, denominados especializantes.
Logo, a lei especial prevalece sobre a geral.
b) Subsidiariedade (Lex primaria derogat legi subsidiariae) – Um lei vigente pode ter caráter
subsidiário em relação a outra principal. Esta relação de subsidiariedade se pauta no grau
de gravidade de cada uma das normas. A subsidiariedade pode ser expressa ou tácita.
c) Consunção (Lex consumens derogat legi consumptae) – Igualmente pode ser chamado
de Princípio da Absorção. Aqui o crime previsto em uma norma se trata de fase de outro
crime, sendo assim absorvido. Aplica-se tal princípio em quatro casos:
(i) Crime Progressivo – Se dá quando o agente busca um resultado criminoso, mas não
tem como alcançá-lo sem passar por outro crime;
(ii) Progressão Criminosa – Se dá quando o agente inicialmente pretende praticar
um crime, mas no meio da execução do crime inicial busca um resultado criminoso
diferente e mais grave, o qual ofenda o mesmo bem jurídico;
(iii) Antefactum impunível – São fatos anteriores que estão na linha de execução do crime
desejado, mas não se trata de fato estritamente necessário para aquele crime final; e
(iv) Postfactum impunível – São fatos posteriores que se tratam de exaurimento do crime
inicial, já consumado.

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8. TEORIA DO CRIME

INTRODUÇÃO

No Brasil, Infração penal é gênero, o qual comporta duas espécies: crime (delito) e contravenção
penal (crime anão, delito liliputiano ou crime vagabundo).
Crime durante toda evolução do direito possuiu diversos conceitos, mas a doutrina, diante
da fração de atos e momentos dentro de um crime, adotou o conceito analítico de crime,
facilitando seu estudo, definindo-o como:

“FATO TÍPICO, ILÍCITO E CULPÁVEL”


A partir da reunião desses três substratos do crime acima citados, surge a punibilidade, que é o
jus puniendi ou direito de punir do Estado.

8.1. FATO TÍPICO

Fato típico é o primeiro substrato do crime, que se define por fato humano antissocial,
consistente em uma conduta produtora de um resultado, com ajuste formal e material a um
tipo penal.

8.1.1. ELEMENTOS DO FATO TÍPICO


a) Conduta
b) Resultado
c) Nexo causal
d) Tipicidade

a) Da Conduta
Espécies de conduta
A voluntariedade do crime apresenta as formas de dolosa ou culposa, comissiva ou omissiva.

a.1) Crime doloso


Dolo define-se por vontade consciente dirigida a realizar ou aceitar realizar a conduta prevista
no tipo penal incriminador.

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Elementos do dolo:
a) Elementos volitivo: vontade; e
b) Elemento intelectivo: consciência da conduta e do resultado.
Espécies de dolo:
a) Dolo direto / determinado / intencional / imediato / incondicionado – Configura-se
quando o agente prevê determinado resultado, dirigindo a sua conduta na busca de realizá-
lo.
b) Dolo indireto ou indeterminado – O agente com sua conduta não busca resultado certo e
determinado.
Possui duas formas:
i) Dolo alternativo, que ocorre quando o agente prevê pluralidade de resultados dirigindo
a sua conduta na busca de realizar qualquer um deles, com a mesma intensidade de
vontade; e
ii) Dolo eventual, no qual o agente prevê pluralidade de resultados, dirigindo sua conduta
na busca de realizar algum deles, assumindo o risco de realizar os demais.
c) Dolo geral ou erro sucessivo – O agente, supondo ter produzido o resultado visado, realiza
nova conduta com finalidade diversa, sendo que esta é que acaba efetivamente produzindo
o evento do início desejado (Agente acha que matou enforcando, mas não atingiu o
resultado de fato e enterra a vítima, matando-a ao enterrá-la).
d) Dolo de 2º grau/de consequências necessárias – Todas as consequências, mesmo que
não perseguidas diretamente ou até mesmo lamentadas, o agente prevê inevitáveis. Ex.:
o agente quer matar seu desafeto que logo embarcará num voo para Londres. Para tanto,
coloca uma bomba para explodir o avião quando estiver nas alturas. Mata-se o desafeto e
os demais passageiros, assim, a morte do desafeto é do primeiro grau e dos demais é de
segundo grau.
e) Dolo direto de 3º grau (dolo de dupla consequência necessária). É a consciência e vontade
de produzir um resultado como consequência necessária do efeito colateral necessário
da conduta. Trata-se da inevitável violação de bem jurídico em decorrência do resultado
colateral produzido a titulo de dolo direto de segundo grau. Percebe-se que a existência
de dolo direto de terceiro grau pressupõe a existência de dolo direto de segundo grau.
Exemplo: o agente, para matar seu inimigo (fim proposto), coloca uma bomba no avião
em que ele se encontra, vindo a matar, além de seu inimigo (dolo direto de primeiro grau),
todos os demais que estavam a bordo como consequência necessária do meio escolhido
(dolo direto de segundo grau). Entretanto, uma das pessoas a bordo estava grávida, de
sorte que da sua morte decorreu necessariamente o aborto (dolo direito de terceiro grau).
Em resumo, a morte da gestante é um efeito colateral necessário da conduta. Por sua
vez, o aborto é o resultado como consequência necessária do efeito colateral necessário
da conduta. No exemplo, o agente deve ter consciência da gravidez para responder pelo
resultado 3.”

3 Marcelo André de Azevedo e Alexandre Salim. Direito Penal Parte Geral. 5 ed. Juspodivm.

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a.2) Crime culposo
Previsto no inciso II do art. 18, CP, consiste numa conduta voluntária que realiza um fato ilícito
não querido pelo agente, mas que foi por ele previsto (culpa consciente) ou lhe era previsível
(culpa inconsciente) e que podia ser evitado se o agente atuasse com o devido cuidado (art. 33
CPM).

Elementos da culpa
a) Conduta humana voluntária.

b) Violação de um dever de cuidado objetivo (modalidades de culpa):

i) Imprudência, quando o agente atua com precipitação ou afoiteza;

ii) Negligência, quando ocorre ausência de precaução; e

iii) Imperícia, quando o agente atua com falta de aptidão técnica para o exercício de arte
ofício ou profissão.

c) Resultado.

d) Nexo causal entre conduta e resultado.

e) Previsibilidade.

Espécies de culpa:
a) Culpa própria – As espécies de culpa abaixo são espécies de Culpa Própria, pois o Agente
não quer e não assume o risco de produzir o resultado.

a1) Culpa consciente/com previsão/ex lascivia – O Agente prevê o resultado, mas espera
que ele não ocorra, supondo poder evitá-lo.

a2) Culpa inconsciente/sem previsão/ex ignorantia – O agente não prevê o resultado,


pois há apenas a previsibilidade, ou seja, era previsível.

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b) Culpa imprópria ou culpa por extensão, assimilação ou equiparação – Ocorre quando o


Agente, por erro evitável, fantasia certa situação de fato, supondo estar agindo acobertado
por uma excludente de ilicitude. Assim, temos um tratamento culposo a um crime doloso.

Obs: crime preterdoloso – Crime doloso – agravado culposamente (ex.: lesão corporal seguida
de morte) – apenas nesta hipótese há crime preterdoloso.

Elementos do crime preterdoloso:


a) Conduta dolosa visando determinado resultado;
b) Resultado culposo mais grave do que o projetado; e
c) Nexo causal entre conduta e resultado.
OBS.: quando o resultado mais grave advém de caso fortuito ou força maior, não é imputado ao
agente (causa superveniente independente).

Crimes omissivos
O agente infringe um tipo mandamental (o direito penal protege bens jurídicos determinando
a realização de condutas valiosas), não fazendo o que a lei determina, caracterizando o crime
praticado por omissão.
A norma mandamental que manda agir pode decorrer:
a) Do próprio tipo penal (arts. 135, 269, CP), no qual o agente tem o dever genérico de agir –
OMISSÃO PRÓPRIA ou PURA;
b) De uma cláusula geral – norma geral anuncia quando a omissão é penalmente relevante
(art. 13, CP), no qual o agente responde por crime comissivo por omissão (ex.: mãe que
deixa de alimentar o filho responde por homicídio doloso ou culposo, pois não evitou o
resultado, sendo equiparada ao causador) – OMISSÃO IMPRÓPRIA ou IMPURA.

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b) RESULTADO
Trata-se da consequência da conduta, podendo ser um resultado:
a) NATURALÍSTICO OU MATERIAL

b) FORMAL (Extorsão 158 CP)

c) CRIMES DE MERA CONDUTA (ex.: Omissão de socorro 135 CP)

CONCLUSÃO – Nem todos os crimes tem resultado naturalístico. Os crimes materiais têm; os
crimes formais dispensam; e os crimes de mera conduta não têm.
Causalidade – O estudo da causalidade busca concluir se o resultado é um fato que ocorreu
daquela conduta e se pode ser atribuído ao autor, inserindo-se na sua esfera de autoria, por ter
sido ele o agente do comportamento. O art. 13, caput, do CP adotou a Teoria da causalidade
simples, pois todo fato humano sem o qual o resultado não teria ocorrido é causa.
Concausas – Pluralidade de condutas e/ou eventos concorrendo para o mesmo resultado.
Podem ser:
ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES (AI) – A causa efetiva do resultado (CE) não se origina da
conduta ou do evento concorrente.
RELATIVAMENTE INDEPENDENTES (RI) – A CE do resultado se origina, direta ou indiretamente,
da conduta ou evento concorrente.
Ambas as espécies acima podem ser:
a) PREEXISTENTE – A CE é anterior à conduta ou evento concorrente.
b) CONCOMITANTE – A CE é simultânea à conduta ou evento conflitante.
c) SUPERVENIENTE – A CE é posterior à conduta ou evento conflitante.

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CONCLUSÃO – Até a Concausa Relativamente Independente Preexistente ou Concomitante,


trabalha-se com Causalidade Simples do art. 13, caput, diferentemente ocorre na Concausa
relativamente independente Superveniente que aplica o art. 13, § 1º e sua Causalidade
Adequada, isto é, somente haverá imputação do evento se, no conjunto das causas, fosse a
conduta do agente, consoante as regras de experiência comum, a mais adequada à produção
do resultado ocorrido.

ERRO DE TIPO
INTRODUÇÃO – Previsto no artigo 20 do CP, dizendo:
“Art. 20 – O erro sobre elemento constitutivo do tipo legal de crime exclui o dolo, mas permite
a punição por crime culposo, se previsto em lei.”
CONCEITO – Falsa representação da realidade, erro que recai sobre as elementares,
circunstâncias ou qualquer dado ligado tipo.

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TIPICIDADE PENAL

EXCLUDENTES SUPRALEGAIS DA TIPICIDADE


a) Princípio da Insignificância (exclui a tipicidade material)
Depende, segundo o STF (Min. Celso de Mello HC98152), da presença de 4 vetores (RONI),
sendo:
•• Reduzidíssimo grau de Reprovabilidade do comportamento
•• Ofensividade mínima da conduta,
•• Nenhuma periculosidade social da ação, e
•• Inexpressividade da Lesão jurídica provocada

b) consentimento do ofendido (pode excluir a tipicidade formal ou a ilicitude)


Se o dissenso/dissentimento compõe o tipo penal ex.: estupro, o consentimento exclui a
tipicidade formal, pois neste caso, não haverá estupro e sim sexo consentido.

c) Adequação social (exclui a tipicidade material)


A Doutrina minoritária aplica para condutas aceitas por nossa sociedade como o crime de Casa
de Prostituição (art. 229 do CP), Violação de Direito Autoral (vulgo pirataria do art. 184 do CP) e
Jogo do Bicho (art. 50 do DL 3.688/41), mas os tribunais superiores a rechaçam (Sum STJ 502 e
STF HC104467/RS de 2011).
O Erro de Tipo pode ser Essencial, quando o agente age sem plena consciência da conduta,
errando sobre as elementares do tipo penal, assim, sempre excluindo o dolo pela falta de
consciência, ou Acidental, quando o agente apesar de agir com consciência sobre a conduta,
erra sobre dados secundários do tipo penal.

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CLASSIFICAÇÃO:
a) ESSENCIAL – Pode ser Evitável ou Inevitável, o que altera suas consequências jurídicas.

SE INEVITÁVEL SE EVITÁVEL
Exclui dolo (não há consciência) Exclui dolo (não consciência)
Exclui a culpa (não há previsibilidade) Mas pune a culpa, pois há previsibilidade.

b) ACIDENTAL – erro recai sobre dados secundários do tipo penal. No erro de tipo acidental
a intenção criminosa do agente é manifesta, incidindo naturalmente a responsabilidade
penal do agente, pois não há exclusão de dolo, tampouco a culpa, não isentando agente de
pena.

ESPÉCIES DE ERRO DE TIPO ACIDENTAL


a) SOBRE O OBJETO – Não há previsão legal, sendo analisado apenas pela doutrina. Define-se
quando o agente, por erro, representa mal o objeto material visado, atingindo outro que
não o desejado. Ex.: o agente quer subtrair televisão LCD, mas acaba subtraindo monitor
de computador.

CONSEQUENCIAS – Não exclui dolo ou culpa, não o isentando de pena, responde por
furto, considerando-se o objeto atingido e não o objeto visado, aplicando-se a teoria da
concretização.

b) SOBRE A PESSOA – Previsto no art. 20, § 3º, CP. Ocorre quando o agente, por erro, representa
mal a pessoa que busca ofender, ofendendo pessoa diversa (erro de representação da
vítima e não de execução).

CONSEQUENCIAS – Não exclui o dolo e culpa e logicamente não isenta o agente de pena. De
acordo com a lei o agente responde pelo crime, considerando-se as condições e qualidades
da vítima virtual (pretendida e não atingida – Teoria da Equivalência.)

c) NA EXECUÇÃO (ABERRATIO ICTUS) – Previsto no art. 73 do CP. O agente por acidente ou


erro na execução acaba atingindo pessoa diversa da pretendida, embora corretamente
representada.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS EM RELAÇÃO AO ERRO QUANTO À PESSOA:

ERRO QTO A PESSOA (ART. 20, § 3º, CP) ERRO NA EXECUÇÃO (ART. 73, CP)
Representa mal, mas executa bem. Representa bem, mas executa mal.

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CONSEQUÊNCIAS:

ABERRATIO COM RESULTADO SIMPLES ABERRATIO COM RESULTADO DUPLO/


COMPLEXO
Não exclui dolo nem culpa e responde o agente O agente responde pelos dois crimes, em
pelo resultado pretendido, aplicando a Teoria da concurso formal próprio ou impróprio, aplicando-
Equivalência. se as suas regras, a depender do caso.

d) RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (aberratio criminis ou delicti) – Previsto no artigo


74, CP. O agente por erro na execução atinge bem jurídico diverso, gerando o resultado
diverso do pretendido. Ex.: A quer destruir o carro de B. Arremessa uma pedra contra o
veículo mas acaba atingindo seu proprietário que vem a falecer.

PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE:

ABERRATIO ICTUS (ART. 73, CP) ABERRATIO CRIMINIS (ART 74, CP)
Apesar do erro, atinge o mesmo bem jurídico de O Agente em razão do erro, atinge bem jurídico
pessoa diversa diverso.
Resultado pretendido=resultado produzido (com Resultado produzido é diferente do pretendido
pessoa diversa)
Relação pessoa/pessoa ou coisa/coisa Relação coisa/pessoa

CONSEQUÊNCIAS:

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8.2. ILICITUDE

CONCEITO – Entende-se a relação de contrariedade entre o Fato Típico e o ordenamento jurídico


como um todo, não existindo qualquer exceção determinando, incentivando ou permitindo a
conduta típica. Adotamos a teoria da Indiciariedade ou Ratio Cognoscendi.
DESCRIMINANTES OU JUSTIFICANTES (causas excludentes da ilicitude) – Estão divididas em
legais e supralegais, sendo as legais presentes na parte geral do CP (art. 23), Parte especial (art.
128 aborto permitido), Legislação Penal Ambiental e ainda na CRFB (imunidade parlamentar

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para alguns seria descriminante, apesar de prevalecer que a imunidade parlamentar exclui
tipicidade).
Igualmente temos uma descriminante supralegal: consentimento do ofendido.

ESPÉCIES DE EXCLUDENTES LEGAIS:


a) ESTADO DE NECESSIDADE (EN) (Artigos 23, I e 24 do CP) – Considera-se em EN, quem
pratica um fato típico sacrificando um bem jurídico, sendo este o único meio para salvar
de perigo atual, desde que tal perigo não tenha sido provocado por quem o invoca, direito
próprio ou de terceiro cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
b) ESTRITO CUMPRIMENTO DO DEVER LEGAL (artigo 23, III, CP) – Conceitua-se assim:
“Os agentes públicos no desempenho de suas atividades, não raras, vezes devem agir
interferindo na esfera privada dos cidadãos, exatamente para assegurar o cumprimento
da lei em sentido lato. Podendo redundar em agressão a bens jurídicos”.
Dentro de limites aceitáveis, tal intervenção é justificada pelo ECDL (Ex.: Flagrante
obrigatório, art. 301, CP).
c) EXERCÍCIO REGULAR DE DIREITO (art. 23, III, 2ª parte, CP) – Conceitua-se: “O ERD
compreende ações do cidadão comum, autorizadas pela existência de direito definido em
lei e condicionadas à regularidade do exercício desse direito”.
d) CONSENTIMENTO DO OFENDIDO – Pode servir como causa de excludente de ilicitude
supralegal, desde que presentes os seguintes requisitos:
a) O Dissentimento da vítima não pode figurar como elemento do tipo, pois nesse caso
exclui-se a tipicidade (ex.: estupro);
b) Ofendido deve ser capaz;
c) Consentimento válido (livre e consciente);
d) Consentimento sobre bem disponível;
e) Bem próprio;
f) Consentimento antes ou durante a execução; e
g) Consentimento deve ser expresso, apesar de haver doutrina que admita o
consentimento tácito.
h) Saber que age com o consentimento do ofendido

8.3. CULPABILIDADE

CONCEITO – A culpabilidade é o terceiro substrato do crime. Juízo de reprovação extraído da


análise do sujeito e como se posicionou diante do episódio com o qual se envolveu (a tipicidade,
ilicitude e culpabilidade são pressupostos da pena e, portanto, requisitos do crime – Teoria
Tripartite)

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ELEMENTOS DA CULPABILIDADE:
a) IMPUTABILIDADE – É a capacidade de condições pessoais que conferem ao sujeito ativo
a capacidade de discernimento e compreensão para entender seus atos e determinar-se
conforme esse entendimento. Traz como reflexo a imputação, ou seja, possibilidade de se
atribuir a alguém a responsabilidade pela prática de uma Infração Penal.
HIPÓTESES DE INIMPUTABILIDADE – Sem definir o que seja Imputabilidade (conceito
positivo), o CP enumera as hipóteses de Inimputabilidade (conceito negativo), sendo:
I) INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DE ANOMALIA PSÍQUICA (art. 26, caput, CP) – O conceito de
doença mental do artigo 26 deve ser tomada na maior amplitude de sua abrangência, ou
seja, qualquer enfermidade que venha a debilitar as funções psíquicas. Como consequência,
o inimputável será denunciado, sofrerá o processo, mas será absolvido com a aplicação
de Medida de Segurança (Espécie de Sanção Penal – Absolvição Imprópria).
CUIDADO: O art. 26, § único não traz caso de inimputabilidade, mas de imputabilidade com
responsabilidade penal diminuída (semi-imputável). Neste caso, o agente será denunciado,
sofrerá o processo, mas terá pena diminuída ou sofrerá MS (Sistema Vicariante ou Unitário).
CUIDADO 2: Outro ponto que merece destaque é o fato de que apesar de haver corrente
em sentido contrário, PREVALECE QUE A SEMI-IMPUTABILIDADE É COMPATÍVEL
COM AS CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS (AGRAVANTES OU CAUSAS DE AUMENTO) OU
QUALIFICADORAS SUBJETIVAS DO CRIME LIGADAS AO MOTIVO DO CRIME OU ESTADO
ANÍMICO DO AGENTE, pois não interfere no dolo.
II) INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DA IDADE DO AGENTE (art. 27, CP) – Nesta hipótese,
adota-se o sistema biológico da culpabilidade, pois basta ser menor de 18 anos para ser
inimputável, não importando a sua capacidade de entendimento e autodeterminação no
momento da conduta.
III) INIMPUTABILIDADE EM RAZÃO DA EMBRIAGUEZ (art. 28, § 1º, CP) – Proveniente de caso
fortuito (agente ignora o caráter inebriante da substância que ingere) ou força maior (o
agente é obrigado a ingerir a substância).
OBS.: Embriaguez conceitua-se pela intoxicação aguda e transitória, causada pelo álcool ou
substancias de efeitos análogos, podendo progredir de uma ligeira excitação até o estado
de paralisia e coma.

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TIPO DE PROVENIÊNCIA GRAU CONSEQUÊNCIA


EMBRIAGUEZ
Caso fortuito: Agente Completa: Não tem capa- Isenta o agente de pena
desconhece o cidade de entendimento (art. 28, §1º), excluindo a
caráter inebriante da e autodeterminação imputab.
EMBRIAGUEZ
substância
ACIDENTAL Incompleta: Reduzida a Diminui a pena do
Força maior: É
capacidade de entend. e agente.(art. 28, § 2º)
obrigado a ingerir a
autodet.
substância
Completa: Não tem capa- Não isenta o agente de
cidade de entendimento pena e nem reduz pena.
Voluntária: O agente e autodeterminação
EMBRIAGUEZ
quer se embriagar.
NÃO ACIDENTAL Incompleta: Reduzida a
Culposa: Negligência.
capacidade de entend. e
autodet.
Completa: Não tem capa- Art. 26, caput
cidade de entendimento (equiparado a doente
EMBRIAGUEZ e autodeterminação mental)
DOENTIA
PATOLÓGICA Incompleta: Reduzida a Art. 26, § único (equipa-
capacidade de entend. e rado a semi-imputável)
autodet.
Completa: Não tem capa- Não isenta o agente de
cidade de entendimento pena e é agravante (art.
EMBRIAGUEZ Embriaguez como e autodeterminação 61, II, “l”, CP)
PREORDENADA meio para se praticar
o crime Incompleta: Reduzida a
capacidade de entend. e
autodet.

OBS.: Sabendo que na embriaguez completa o agente não tem capacidade de entendimento e
autodeterminação, como concluir que era imputável, pressuposto da punição, na embriaguez
não acidental ou preordenada?
A imputabilidade pressupõe a capacidade de entendimento e autodeterminação. Aplica-se,
no caso de embriaguez preordenada ou não acidental, a Teoria da actio libera in causa (ato
transitório revestido de inconsciência decorre de ato antecedente que foi livre na vontade,
transferindo-se para este momento anterior a constatação da imputabilidade).
b) POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE – Trata-se do segundo elemento da culpabilidade,
representa a capacidade de consciência do agente imputável de que atua em
contrariedade ao ordenamento jurídico (o agente sabe ou tem condições de saber que o
seu comportamento é ilícito).

CAUSA DE EXCLUSÃO
ERRO DE PROIBIÇÃO – Previsto no art. 21, CP.

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CUIDADO

ERRO DE TIPO ERRO DE PROIBIÇÃO


O agente não sabe o que faz. O agente sabe o que faz, mas desconhece sua
ilicitude.
Atira no mato achando que estava matando um Marido chega em casa e se não encontrar a janta
animal, mas era uma pessoa, logo não sabia que feita, acredita poder bater na mulher, pois era
matava alguém. seu direito.

ii) OBEDIÊNCIA HIERÁRQUICA – Previsto no art. 22, 2ª parte do CP. Possui os seguintes
requisitos:
a) Ordem de superior hierárquico, que se define pela manifestação de vontade do titular de
uma função pública a um funcionário que lhe é subordinado. Nunca abrangendo outro tipo
de subordinação senão esta pública, ou seja, excluindo alguns exemplos típicos: filho e pai,
padre e bispo...
b) Ordem não manifestamente ilegal, devendo ser entendida segundo as circunstâncias do
fato e as condições de inteligência e cultura do subordinado.

CONSEQUÊNCIAS:
A consequência varia de acordo com a ordem que pode ser:

ILEGAL LEGAL NÃO CLARAMENTE ILEGAL


Superior e subordinado Superior e subordinado estão Superior responde, como autor
respondem no Estrito cumprimento do mediato e subordinado é isento
dever legal de pena (Carandiru).

RESUMO:
CULPABILIDADE E DIRIMENTES (CAUSAS DE EXCLUSÃO)

ELEMENTOS DA CULPABILIDADE DIRIMENTES


a) anomalia psíquica
b) Menoridade; e
IMPUTABILIDADE
c) Embriaguez acidental completa.
(Rol Taxativo)
Erro de proibição Inevitável, sendo uma hipótese
POTENCIAL CONSCIÊNCIA DA ILICITUDE
taxativa.
a) Coação Moral Irresistível; e
b) Obediência hierárquica.
EXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA
(Rol exemplificativo, ou seja, existem causas
supralegais de excludentes de ECD)

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9. CONCURSO DE CRIMES

CONCEITO – Dá-se o concurso de crimes, quando o agente, com uma ou várias condutas
realiza pluralidades de crimes. Está disposto nos arts. 69 (concurso material), 70 (formal) e 71
(continuidade delitiva), do CP.
ATENÇÃO: pode ocorrer entre crimes de qualquer espécie, pois ocorre nos crimes comissivos,
omissivos, dolosos, culposos, consumados, tentados, simples, qualificados, delitos e
contravenções.

ESPÉCIES:

CONCURSO MATERIAL/REAL DE CRIMES – Previsto no art. 69 do CP.


“Art. 69. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes, idênticos ou não, aplicam-se cumulativamente as penas privativas de liberdade em que
haja incorrido. No caso de aplicação cumulativa de penas de reclusão e de detenção, executa-
se primeiro aquela.
§ 1º Na hipótese deste artigo, quando ao agente tiver sido aplicada pena privativa de liberdade,
não suspensa, por um dos crimes, para os demais será incabível a substituição de que trata o
art. 44 deste Código.
§ 2º Quando forem aplicadas penas restritivas de direitos, o condenado cumprirá
simultaneamente as que forem compatíveis entre si e sucessivamente as demais.”
REQUISITO – Pluralidade de condutas (ex.: A depois de estuprar B foge e assalta um veículo
para garantir a impunidade, respondendo pelo estupro e roubo em concurso material).

ESPÉCIES DE CONCURSO MATERIAL:


a) Concurso material homogêneo, com a pluralidade de crimes da mesma espécie.
b) Concurso material heterogêneo, com crimes de espécies distintas.

REGRAS DE FIXAÇÃO DA PENA – Adotamos neste caso o sistema do cúmulo material, ou seja, o
juiz primeiramente individualiza as penas de cada crime, somando todas ao final (ex.: A, depois
de furtar o veículo de B, tentou estuprá-lo, sendo impedido por populares). Neste caso, o juiz
individualiza a pena de cada crime e soma-as.

CONCURSO FORMAL/IDEAL DE CRIMES – Previsto no art. 70 do CP.


“Art. 70. Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma
delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se,

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entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam
de desígnios autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Parágrafo único. Não poderá a pena exceder a que seria cabível pela regra do art. 69 deste
Código.”
Esta regra foi criada com o fim de beneficiar o réu, que com uma só conduta produz vários
resultados.

REQUISITOS:
a) Unidade de conduta, que pode ser dividida em pluralidade de atos.
b) Pluralidade de crimes.
Ex.: A conduzindo seu automóvel, com manifesta negligência, perde o controle de direção e
atropela B e C, causando-lhes a morte. assim, há responde pelo art. 302 do CTB em concurso
formal, pela conduta única com pluralidade de resultados.
Ex. 2: A entre no coletivo e mediante grave ameaça subtrai os pertences pessoais dos
passageiros. a praticou roubo, em conduta única, desdobrada em vários atos.

ESPÉCIES DE CONCURSO FORMAL:


a) Concurso Formal Homogêneo, cujos crimes decorrentes da mesma conduta são da mesma
espécie.
b) Concurso Formal Heterogêneo, cujos crimes são de espécies distintas (ex.: naquele
atropelamento, um pedestre morre e outro não).
c) Concurso Formal Próprio, Perfeito ou Normal, que neste caso, o agente apesar de provocar
dois ou mais resultados, não tem intenção independente em relação a cada crime, ou seja,
não há desígnios autônomos.
d) Concurso Formal Impróprio, Imperfeito ou Anormal, quando o agente age com desígnios
autônomos em cada um dos crimes, logo, só cabe nos crimes dolosos, abrangendo inclusive
o dolo eventual.

REGRAS DE APLICAÇÃO DA PENA:


a) No Concurso Formal Próprio – O juiz aplica a pena mais grave dentre as cominadas para
os vários crimes praticados pelo agente e em seguida majora-se esta pena de um quantum
anunciado em lei, ocorrendo o sistema da exasperação. Conforme exemplo dado acima
do atropelamento em concurso formal homogêneo, o juiz trabalha apenas com uma das
penas e depois de agravar ou atenuar, aplica a exasperação, aumentando-a de 1/6 até a
metade, lembrando que quanto maior o número de infrações, maior deve ser o aumento.
ATENÇÃO: No caso de Concurso Formal Próprio, conforme o art. 70 § único do CP, não pode
ser aplicada a exasperação, caso a soma das penas dos crimes seja menor que o aplicado

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naquele instituto, ocorrendo o CÚMULO MATERIAL BENÉFICO (ex.: A atira para matar B.
Depois do disparo, culposamente fere C, nesse caso A responde pelo homicídio de B e
lesões leves culposas de C. Sendo a pena do homicídio De 6 a 20 anos e da lesão de 2 meses
a um ano, temos um Concurso Formal Próprio Heterogêneo, pois são crimes diferentes e
sem desígnios autônomos, caso apliquemos a exasperação, ele pode ter no mínimo 6 anos
mais 1/6 da pena mais grave, que seria 7 anos, contudo, se aplicarmos o cúmulo material,
ele responde por no mínimo 6 anos e dois meses.
b) Concurso Formal Impróprio – Nesse caso o agente atua com desígnios autônomos,
aplicando-se o sistema do cumulo material, somando-se as penas dos crimes praticados.
CONTINUIDADE DELITIVA OU CRIME CONTINUADO – Previsto no art. 71 do CP. Vale
lembrar que Zaffaroni rotula esta espécie de concursos como Concurso Material Atenuado
ou Falso Crime Continuado, por entender que sob o aspecto objetivo, o crime continuado
e o concurso material são idênticos, mas por razões de política criminal, por ficção jurídica,
criou-se tal instituto, considerando que só crime mais grave foi praticado pelo agente,
majorando a sua pena de 1/6 a 2/3.
“Art. 71. Quando o agente, mediante mais de uma ação ou omissão, pratica dois ou mais
crimes da mesma espécie e, pelas condições de tempo, lugar, maneira de execução e outras
semelhantes, devem os subseqüentes ser havidos como continuação do primeiro, aplica-
se-lhe a pena de um só dos crimes, se idênticas, ou a mais grave, se diversas, aumentada,
em qualquer caso, de um sexto a dois terços.”
No Caput acima, temos o Crime Continuado Genérico e no § único, temos o Crime
Continuado Especifico.

CRIME CONTINUADO GENERICO OU CRIME CONTINUADO COMUM – Previsto no


Caput do art. 70.

REQUISITOS:
a) Pluralidade de condutas.
b) Pluralidade de condutas de crimes da mesma espécie, que são crimes previstos no mesmo
tipo, protegendo igual bem jurídico, conforme entende o STF. Logo, não é possível de
continuidade delitiva no caso de roubo e extorsão, que apesar de protegeram o mesmo
bem jurídico, não estão no mesmo tipo penal, bem como não pode haver continuidade nos
crimes de roubo e latrocínio, que apesar de estarem no mesmo tipo, o latrocínio também
protege a vida.

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10. CONCURSO DE PESSOAS

CONCEITO – Número plural de pessoas concorrendo para o mesmo evento.

CLASSIFICAÇÃO DO DELITO QUANTO AO CONCURSO DE PESSOAS:


CONCURSO EVENTUAL OU MONOSUBJETIVO – Crime que pode ser cometido por uma ou
várias pessoas e é a regra no CP.
Sendo praticado por um número plural, temos Autor + Partícipes ou vários Autores (Coautores).
CONCURSO NECESSÁRIO OU PLURISSUBJETIVO – Crime que só pode ser praticado por um
número plural de agentes, pois o concurso passa a ser elementar do tipo.

AUTORIA
CONCEITO E TEORIAS – O conceito depende da Teoria adotada, mas adotamos no CP a Teoria
Objetiva, a qual afirma que Autor é quem pratica o verbo nuclear do tipo penal.
COAUTOR – Nada mais é do que o número plural de autores.
PARTÍCIPE – Entende-se por Partícipe, aquele que é coadjuvante do crime (fato determinado
praticado por Autor conhecido e individualizado).

ESPÉCIES:
a) Partícipe Moral – Induzir ou instigar, sendo fazer nascer ideia e reforçar ideia já existente,
respectivamente.
b) Partícipe Material – Auxiliar materialmente na prática do delito.

ATENÇÃO: A adequação típica será possível graças à norma de extensão pessoal do artigo 29,
do CP.

ELEMENTOS DA PARTICIPAÇÃO:
a) Eficácia causal; e
b) Consciência de participação na ação de outrem.

TEORIA PARA PUNIÇÃO DO PARTÍCIPE:


Teoria da Acessoriedade Média ou Limitada – A punição do Partícipe depende de conduta
típica e ilícita do Autor.

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PERGUNTA DE CONCURSO – Caio, mediante coação moral irresistível, obriga Tício a matar
Mévio.
Caio é autor de Homicídio? Não, pois não realizou o núcleo do tipo.
Caio é partícipe de Homicídio? Não, pois seu comportamento não é acessório.
Conclusão: Caio é Autor mediato.
AUTOR MEDIATO – Considera-se Autor mediato aquele que sem realizar diretamente a conduta
prevista no tipo, comete o fato punível por meio de outra pessoa, usada como seu instrumento.
Apesar de aproximar-se do conceito de Partícipe, com ele não se confunde, pois não se trata de
conduta acessória.

REQUISITOS DO CONCURSO DE PESSOAS:


a) Pluralidade do Agente.
b) Relevância causal das várias condutas (nexo causal).
c) Liame subjetivo entre os agentes (nexo psicológico).
Deve o concorrente estar animado da consciência que coopera e colabora para o ilícito,
convergindo a sua vontade como ponto comum da vontade dos demais participantes.
Liame subjetivo não significa necessariamente, acordo de vontades, reclamando apenas a
vontade de participar e cooperar na ação de outrem, ou seja, vontade unilateral.
Havendo pluralidade de agentes concorrendo para o mesmo evento, mas sem liame subjetivo,
não ocorrerá o Concurso de Pessoas, mas sim ocorre Autoria Colateral ou Autoria Incerta.
d) Identidade de infração Penal

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