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Superior Tribunal de Justiça

AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.416.333 - SP


(2013/0131254-6)

RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS


AGRAVANTE : ESTADO DE SÃO PAULO
PROCURADOR : JOSIANE CRISTINA CREMONIZI GONÇALES E
OUTRO(S)
AGRAVADO : AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES RIO TURVO
LTDA
ADVOGADO : OSMAR MENDES PAIXÃO CÔRTES E OUTRO(S)
EMENTA

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO.


OMISSÃO INEXISTENTE. INCONFORMISMO. AÇÃO
VISANDO DESCONSTITUIR A COISA JULGADA.
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA
DOS REQUISITOS AUTORIZADORES. SÚMULA 7/STJ.
1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC,
pois o acórdão recorrido adentrou o mérito recursal para verificar a
presença dos requisitos para concessão da tutela antecipada,
concluindo, a despeito da pretensão da agravante, como indevida a
concessão da tutela requerida, mormente porque a mera propositura
de ação para desconstituir a coisa julgada, com base em prova
produzida unilateralmente pela autora, não legitimaria tal
providência.
2. Entendimento contrário ao interesse da parte e
omissão no julgado são conceitos que não se confundem.
3. Na ação rescisória ou na "querella nullitatis", não
existe óbice para que se concedam medidas de natureza cautelar ou
mesmo antecipatória da tutela, cabendo a análise de seus requisitos
caso a caso.
4. No caso dos autos, a questão de fundo da ação
aborda a nulidade de ato jurídico vinculado à indenização de terras
situadas na unidade de conservação ambiental denominada "Parque
Estadual da Serra do Mar", no qual se questiona a justa
indenização, excesso no cálculo do valor de indenizado, ocorrência
de prova falsa e inexistência, sobre o bem, dos poderes inerentes ao
domínio pelo expropriado, mormente quando a propriedade é do
ente expropriante. Tais questões não passam despercebidas por esta
Corte, firmando-se jurisprudência ora pela inexistência de dever
indenizatório, ora por reconhecer valor rescisório à falsidade da
prova, ora pela violação do princípio da justa indenização,
legitimando a desconstituição da coisa julgada inconstitucional.
5. Em atenção ao significativo valor do precatório e à
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questão de fundo tratada na ação proposta pelo ente estadual,
presentes os requisitos para a excepcional concessão de tutela
antecipada. Precedente: REsp 240.712/SP, Rel. Min. José Delgado,
Primeira Turma, julgado em 15.2.2000, DJ 24.4.2000, p. 38.
Agravo regimental provido em parte. Recurso
Especial do ESTADO DE SÃO PAULO provido.

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima


indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA Turma do Superior Tribunal de
Justiça "A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo
regimental para dar provimento do recurso especial do Estado de São Paulo, nos
termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)-Relator(a)." Os Srs. Ministros Og
Fernandes, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com o Sr.
Ministro Relator.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin.

Brasília (DF), 17 de dezembro de 2013(Data do Julgamento).

MINISTRO HUMBERTO MARTINS


Relator

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03/02/2014
Superior Tribunal de Justiça
AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.416.333 - SP
(2013/0131254-6)

RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS


AGRAVANTE : ESTADO DE SÃO PAULO
PROCURADOR : JOSIANE CRISTINA CREMONIZI GONÇALES E
OUTRO(S)
AGRAVADO : AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES RIO TURVO
LTDA
ADVOGADO : OSMAR MENDES PAIXÃO CÔRTES E OUTRO(S)

RELATÓRIO

O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS


(Relator):

Cuida-se de agravo regimental interposto pelo ESTADO DE SÃO


PAULO contra decisão monocrática de minha relatoria que apreciou recurso
especial interposto com o objetivo de reformar acórdão proferido pelo Tribunal
de Justiça do Estado de São Paulo cuja ementa ostenta o seguinte teor (fls.
1300/1304, e-STJ):

"Agravo de instrumento - Ação declaratória de nulidade de


ato jurídico - Decisão agravada que deferiu antecipação de tutela
para eximir a Fazenda Pública do pagamento de precatório
expedido em ação de desapropriação indireta - Inadmissibilidade -
Existência de coisa julgada - Garantia fundamental consagrada no
artigo 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal - Ação
declaratória que envolve matéria fática a ser investigada durante a
instrução do processo, com a observância do contraditório e da
ampla defesa - Inexistência do 'periculum in mora' - Provimento
do recurso."

A decisão agravada não conheceu do recurso especial do agravante,


nos termos da seguinte ementa (fls.1503/1510, e-STJ):

"PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. OMISSÃO


INEXISTENTE. INCONFORMISMO. AÇÃO VISANDO
DESCONSTITUIR A COISA JULGADA. ANTECIPAÇÃO DE
TUTELA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS
AUTORIZADORES. SÚMULA 7/STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO
CONHECIDO."

Nas razões do regimental, o recorrente reitera a alegação de


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violação do art. 535, inciso II, do CPC, porquanto o Tribunal a quo não teria se
manifestado quanto à viabilidade de concessão de tutela em ação de natureza
desconstitutiva da coisa julgada, nos termos do art. 489 do CPC.

Suscita ainda a inaplicabilidade da Súmula 7/STJ, porquanto


possível a concessão da tutela antecipada mesmo diante da existência de coisa
julgada em favor da parte adversa.

Pugna, por fim, pela reconsideração da decisão agravada e pelo


provimento do recurso especial.

É, no essencial, o relatório.

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AgRg no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.416.333 - SP
(2013/0131254-6)

EMENTA

PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO.


OMISSÃO INEXISTENTE. INCONFORMISMO. AÇÃO
VISANDO DESCONSTITUIR A COISA JULGADA.
ANTECIPAÇÃO DE TUTELA. POSSIBILIDADE. AUSÊNCIA
DOS REQUISITOS AUTORIZADORES. SÚMULA 7/STJ.
1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC,
pois o acórdão recorrido adentrou o mérito recursal para verificar a
presença dos requisitos para concessão da tutela antecipada,
concluindo, a despeito da pretensão da agravante, como indevida a
concessão da tutela requerida, mormente porque a mera propositura
de ação para desconstituir a coisa julgada, com base em prova
produzida unilateralmente pela autora, não legitimaria tal
providência.
2. Entendimento contrário ao interesse da parte e
omissão no julgado são conceitos que não se confundem.
3. Na ação rescisória ou na "querella nullitatis", não
existe óbice para que se concedam medidas de natureza cautelar ou
mesmo antecipatória da tutela, cabendo a análise de seus requisitos
caso a caso.
4. No caso dos autos, a questão de fundo da ação
aborda a nulidade de ato jurídico vinculado à indenização de terras
situadas na unidade de conservação ambiental denominada "Parque
Estadual da Serra do Mar", no qual se questiona a justa
indenização, excesso no cálculo do valor de indenizado, ocorrência
de prova falsa e inexistência, sobre o bem, dos poderes inerentes ao
domínio pelo expropriado, mormente quando a propriedade é do
ente expropriante. Tais questões não passam despercebidas por esta
Corte, firmando-se jurisprudência ora pela inexistência de dever
indenizatório, ora por reconhecer valor rescisório à falsidade da
prova, ora pela violação do princípio da justa indenização,
legitimando a desconstituição da coisa julgada inconstitucional.
5. Em atenção ao significativo valor do precatório e à
questão de fundo tratada na ação proposta pelo ente estadual,
presentes os requisitos para a excepcional concessão de tutela
antecipada. Precedente: REsp 240.712/SP, Rel. Min. José Delgado,
Primeira Turma, julgado em 15.2.2000, DJ 24.4.2000, p. 38.
Agravo regimental provido em parte. Recurso
Especial do ESTADO DE SÃO PAULO provido.
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VOTO

O EXMO. SR. MINISTRO HUMBERTO MARTINS


(Relator):

Conforme consignado na decisão agravada, reitera-se que não há


violação do art. 535 do CPC, pois o acórdão recorrido adentrou o mérito recursal
para verificar a presença dos requisitos para concessão da tutela antecipada.

Neste diapasão, concluiu a Corte Paulista como indevida a


concessão da tutela requerida, mormente porque a mera propositura de ação para
desconstituir a coisa julgada – querella nullitatis –, com base em prova
produzida unilateralmente pela autora não legitimaria tal providência. É o que se
infere dos seguintes excertos do voto condutor do acórdão recorrido:

"No mais, preservado o respeito ao convencimento do MM.


Juiz de Direito prolator da r. decisão agravada, tem-se pelo
provimento do recurso.
No caso, as peças trasladadas comprovam, à saciedade, que
a agravante obteve êxito em ação de desapropriação indireta há
muito transitada em julgado, ou seja, em 27.5.1996, bem como que
espera, desde 1998, o pagamento do precatório número de ordem
558/98.
Portanto, em favor da agravante verifica-se a existência de
coisa julgada, garantia fundamental consagrada no artigo 5º,
inciso XXXVI, da Constituição Federal.
Porém, em oposição ao cumprimento do referido julgado,
ingressou a Fazenda Pública, apenas em 2009, com ação
declaratória de nulidade de ato jurídico, alegando, desta feita, a
impossibilidade de se localizar o imóvel de forma segura e a
precariedade do título de domínio da agravante, dentre outras
considerações a respeito de fraudes nas perícias realizadas e
aplicação da teoria de relativização da coisa julgada.
Tais argumentos motivaram o MM. Juiz de Direito a deferir a
medida de antecipação de tutela, para sustar o pagamento do
precatório já referido, até a solução final da ação declaratória,
deixando-se impressionar pela prova documental apresentada,
unilateralmente, pela agravada, no sentido de que estaria a
colocar em dúvida a exata localização do imóvel, existindo, ainda,
o 'periculum in mora'.
Com a devida vênia, se é certo que a teoria da relativização
da coisa julgada autoriza, em tese, diante de situações
excepcionais, o ajuizamento da 'actio nullitatis', para a
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desconstituição da coisa julgada, não menos certo é, por outro
lado, que não há como se vulgarizar tal instituto, a ponto de se
permitir, em sede de antecipação de tutela, mitigar-se ou negar
valor a autoridade do julgado, ou ao princípio da segurança nas
relações jurídicas.
Assim sendo, entende-se que o simples ajuizamento da
referida ação, não se mostra suficiente para autorizar a medida
deferida em primeira instância, com base em prova documental
produzida unilateralmente pela Fazenda Pública, impondo-se
melhor investigação dos fatos durante a instrução do processo,
com observância dos princípios do contraditório e da ampla
defesa.
Ademais, sem cabimento falar-se em 'periculum in mora',
para o fim de eximir a Fazenda Pública do cumprimento de
precatório expedido em 1998, ou seja, há mais de uma década, até
agora não satisfeito, principalmente, em se considerando os
parcelamentos constitucionais já concedidos e, também, as
disposições da recente Emenda Constitucional nº 62, de
09.12.2009.
Não obstante, eventual depósito não significa imediato
levantamento, o que deverá ser apreciado no momento oportuno."

Vê-se, pois, na verdade, que no presente caso a questão não foi


decidida conforme objetivava o recorrente, uma vez que foi aplicado
entendimento diverso. Contudo, entendimento contrário ao da parte não se
confunde com omissão.

A propósito, "é pacífica a jurisprudência do Superior Tribunal de


Justiça no sentido de que não viola o art. 535 do CPC, tampouco nega a
prestação jurisdicional, o acórdão que, mesmo sem ter examinado
individualmente cada um dos argumentos trazidos pelo vencido, adota,
entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a
controvérsia, (...) não se podendo confundir omissão com decisão contrária aos
interesses da parte" (REsp 1.061.770/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira
Turma, julgado em 15.12.2009, DJe 2.2.2010).

No mesmo sentido, destaco:

"AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO EM RECURSO


ESPECIAL. EMBARGOS À EXECUÇÃO. NEGATIVA DE
PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. INOCORRÊNCIA. JUNTADA
DAS PEÇAS NECESSÁRIAS À COMPREENSÃO DA
CONTROVÉRSIA. PRECEDENTES.
1.- Não há falar em omissão, contradição ou obscuridade no
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Acórdão recorrido, que apreciou todas as questões que lhe foram
submetidas de forma fundamentada, ainda que de modo contrário
aos interesses do Recorrente.
(...)
4.- Agravo Regimental improvido."
(AgRg no AREsp 213.860/RS, Rel. Ministro SIDNEI
BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19.3.2013, DJe
25.3.2013.)

"EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO


REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO.
CONCURSO PÚBLICO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO
OCORRÊNCIA. CURSO DE FORMAÇÃO DE FUZILEIROS
NAVAIS. EXCLUSÃO DO CANDIDATO POR CONDUTA
ANTI-SOCIAL. MERA OCORRÊNCIA POLICIAL SEM
COMPROVAÇÃO DOS FATOS. MOTIVAÇÃO INIDÔNEA.
INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA PRESUNÇÃO DE
INOCÊNCIA.
1. Não há vício consistente em omissão, contradição ou
obscuridade quando o Tribunal de origem decide,
fundamentadamente, todas as questões postas ao seu crivo. O mero
inconformismo da parte com o julgamento contrário à sua
pretensão não caracteriza falta de prestação jurisdicional.
(...)
3. Embargos de declaração acolhidos para corrigir
contradição, sem efeitos modificativos."
(EDcl no AgRg no REsp 1.099.909/RS, Rel. Ministro
MARCO AURÉLIO BELLIZZE, QUINTA TURMA, julgado em
7.3.2013, DJe 13.3.2013.)

Quanto ao mérito, contudo, entendo que o regimental enseja


provimento. Explico.

A pretensão do Estado de São Paulo se volta contra o


indeferimento da tutela antecipada para a suspensão do pagamento de precatório,
alegando sua viabilidade nas ações que visam desconstituir a coisa julgada.

Na ação rescisória ou na manejada pela parte – a "querella


nullitatis" – não existe óbice para que se concedam medidas de natureza cautelar
ou mesmo antecipatória da tutela, cabendo a análise de seus requisitos caso a
caso. A verificação destes requisitos, em regra, encontra óbice na Súmula 7/STJ.

A título de exemplo: AgRg no AREsp 329.257/SP, Rel. Ministro


HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25.6.2013, DJe
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13.9.2013; AgRg no AREsp 22.443/SP, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 5.3.2013, DJe 11.3.2013.

Porém, a questão dos autos apresenta peculiaridade.

Conforme destacado pelo agravante – e reconhece a própria parte


agravada na sua inicial (fls. 5, e-STJ) –, a questão de fundo tratada na "querella
nullitatis" aborda a nulidade de ato jurídico vinculado à indenização de terras
situadas na unidade de conservação ambiental denominada "Parque Estadual da
Serra do Mar", fundamentando suas argumentações desconstitutivas, em resumo
(fl. 1133, e-STJ):

"Hipótese em que o Estado terá de pagar indenização com


posterior aquisição de bem imóvel. Aquisição esta, porém, que não
poderá se ultimar. Bem imóvel não localizável para fins de
Registro Imobiliário (Georreferenciamento de imóveis rurais).
Objeto da indenização que se constitui em bem incerto. Não
cabimento de pagamento. Sobreposição a Terras Devolutas. Parte
do imóvel já era propriedade do Estado. Enriquecimento sem
causa e ilícito. Superfaturamento indenizatório. Conflito entre
princípios constitucionais (Justa Indenização do art. 5º, XXIV
versus Segurança Jurídica)"

Em demandas deste porte, em que se questiona a justa indenização,


excesso no cálculo do valor de indenizado, ocorrência de prova falsa e
inexistência, sobre o bem, dos poderes inerentes ao domínio pelo expropriado,
mormente quando a propriedade é do ente expropriante, tais questões não passam
despercebidas por esta Corte, firmando-se jurisprudência ora pela inexistência de
dever indenizatório, ora por reconhecer valor rescisório à falsidade da prova, ora
pela violação do princípio da justa indenização, legitimando a desconstituição da
coisa julgada inconstitucional.

Vejamos:

"ADMINISTRATIVO. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR


DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. DECRETO ESTADUAL
10.251/1977. CRIAÇÃO DO PARQUE ESTADUAL DA SERRA DO
MAR. LIMITAÇÕES PREEXISTENTES EM DECORRÊNCIA DE
OUTRAS NORMAS. INDENIZAÇÃO INDEVIDA.
PRECEDENTES.
1. A jurisprudência do STJ firmou-se no sentido de que a
criação do Parque Estadual da Serra do Mar, pelo Decreto
Estadual 10.251/1977, do Estado de São Paulo, não acrescentou
nenhuma limitação às previamente estabelecidas em outros atos
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normativos (Código Florestal, Lei do Parcelamento do Solo
Urbano etc), os quais, à época da edição do referido decreto, já
vedavam a utilização indiscriminada da propriedade.
2. É indevida indenização em favor dos proprietários dos
terrenos atingidos pelo ato administrativo em questão, salvo se
comprovada limitação administrativa mais extensa que as já
existentes. Hipótese não configurada nos autos.
3. Recurso especial provido."
(REsp 1.194.368/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON,
SEGUNDA TURMA, julgado em 6.6.2013, DJe 13.6.2013.)

"RECURSO ESPECIAL. AÇÃO DECLARATÓRIA DE


NULIDADE DE ATOS JURÍDICOS. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL
PELO ESTADO A NON DOMINO. ÁREA PERTENCENTE A
TERCEIRO. PROCEDÊNCIA. TÍTULOS DE DOMÍNIO
DECLARADOS NULOS. POSTERIOR AÇÃO DE
DESAPROPRIAÇÃO QUE NÃO CONVALIDOU, RATIFICOU OU
RETITULOU OS TÍTULOS DE PROPRIEDADE VICIADOS.
AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA
TRANSITADA EM JULGADO. AUSÊNCIA DE DISCUSSÃO A
RESPEITO DA VALIDADE DOS TÍTULOS DE DOMÍNIO. COISA
JULGADA MATERIAL NÃO VERIFICADA. TÍTULO JUDICIAL
PREJUDICADO E SEM EXECUTIVIDADE POR FALTA DE
EFICÁCIA. RELATIVIZAÇÃO DE COISA JULGADA. PRINCÍPIO
CONSTITUCIONAL DA 'JUSTA INDENIZAÇÃO'. APLICAÇÃO
EM FAVOR DO ESTADO.
1. Alienada pelo Estado, a non domino, área menor inserida
em área muito superior pertencente a terceiro - esta objeto de
posterior desapropriação direta -, o próprio ente público ajuizou
'ação declaratória de nulidade de atos jurídicos', buscando anular
o título passado a non domino e desconstituir condenação
transitada em julgado imposta em ação de indenização de
desapropriação indireta proposta pelo adquirente da terra
encravada.
2. Enfrentadas no acórdão recorrido, o qual foi objeto
também de embargos de declaração na origem, todas as questões
jurídicas trazidas nos embargos infringentes, não se pode acolher
a alegada violação do art. 535 do CPC, mesmo que o Tribunal a
quo não tenha feito menção expressa a determinados dispositivos
legais.
3. A alienação de imóvel feita pelo Estado a non domino é
nula por falta de legitimidade negocial do alienante, não a
convalidando, de forma automática, a posterior ação de
desapropriação (utilidade pública por interesse social) ajuizada
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por órgão do mesmo ente federativo contra o verdadeiro
proprietário do bem. Cabe ao desapropriante, com base no
interesse social, decidir pela retitulação ou ratificação - ou
nenhuma delas -, do título de domínio na pessoa em favor de quem
a propriedade foi transferida ilegalmente. Prevalece, no caso, o
interesse público sobre o privado, daí que não houve, neste feito,
ratificação ou retitulação do imóvel respectivo.
4. Nas hipóteses em que a ação de indenização por
desapropriação indireta esteja assentada no título de domínio - é
esta a hipótese dos autos -, a declaração de nulidade do referido
título contamina a propriedade e afasta o direito indenizatório na
forma como postulado. Isso porque o autor da indenizatória,
juridicamente, não teria sido prejudicado em relação a imóvel de
sua propriedade e porque o título, aqui reconhecido como nulo,
não serviria mais para definir o imóvel cuja avaliação seria a base
da reparação.
5. Concretamente, a ação de indenização por desapropriação
indireta já foi julgada procedente, com trânsito em julgado,
estando, agora, em execução. Diante desse quadro
fático-processual, não se pode, simplesmente, declarar a
inexistência da ação ou anular por completo o respectivo processo,
o qual tinha como base um título de domínio que, à época,
encontrava-se hígido. Deve-se limitar o presente julgamento a
afastar os efeitos da sentença exequenda, a sua executividade, por
prejudicialidade e perda da eficácia.
6. O eventual direito à indenização no caso em debate, sabido
que o título de domínio possui vícios não sanados com a
desapropriação direta efetuada por entidade estatal, deve ser
postulado em ação de indenização comum, por perdas e danos,
não em 'desapropriação indireta', regido por normas
extremamente mais benéficas em termos de apuração de valores,
destinadas a legítimos proprietários.
Impõe-se, assim, a relativização da coisa julgada diante do
princípio constitucional da 'justa indenização', direcionado ao
desapropriado e ao desapropriante.
7. Inexistência de coisa julgada material a respeito da
validade do título, tema não discutido em outros processos.
8. Recurso especial conhecido e provido em parte."
(REsp 1.279.932/AM, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,
SEGUNDA TURMA, julgado em 27.11.2012, DJe 8.2.2013.)

"AGRAVO REGIMENTAL EM EMBARGOS DE


DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE
SIMILITUDE. SÚMULA Nº 168/STJ. PRETENSÃO DE REEXAME
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DO RECURSO ESPECIAL. INCABIMENTO.
1. Inexiste divergência jurisprudencial entre os acórdãos que
decidem questão relativa à indenização por desapropriação
indireta na hipótese de venda do imóvel a terceiros em momento
posterior à criação de parque estadual, e o acórdão que decide
pelo incabimento da indenização na hipótese em que uma empresa
reserva para si bem de outra empresa, da qual tinha controle
acionário, após a criação de parque estadual.
2. A jurisprudência da Primeira Seção desta Corte de Justiça
firmou-se em que, nas hipóteses em que já incidiam as restrições
administrativas decorrentes da criação do parque ecológico no
momento da venda do imóvel, é incabível a indenização a título de
desapropriação indireta, não havendo falar, em casos tais, em
sub-rogação do direito à indenização da empresa antes
controlada.
3. O puro e simples reexame do recurso especial e de seu
cabimento não se coaduna com a natureza jurídica dos embargos
de divergência, cuja finalidade é a uniformização de teses jurídicas
dissidentes.
4. Agravo regimental improvido."
(AgRg nos EREsp 765.872/SP, Rel. Ministro HAMILTON
CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14.4.2010, DJe
27.4.2010.)

"PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. FAIXA DE


FRONTEIRA. BEM DA UNIÃO. ALIENAÇÃO DE TERRAS POR
ESTADO NÃO TITULAR DO DOMÍNIO. AÇÃO DE
DESAPROPRIAÇÃO. 'TRÂNSITO EM JULGADO'. AÇÃO CIVIL
PÚBLICA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE DE ATO JUDICIAL.
PRETENSÃO QUERELA NULLITATIS. CABIMENTO.
ADEQUAÇÃO DA VIA ELEITA. RETORNO DOS AUTOS À
CORTE REGIONAL PARA EXAME DO MÉRITO DAS
APELAÇÕES.
1. O INCRA ajuizou ação de desapropriação por interesse
social para fins de reforma agrária contra Antônio Mascarenhas
Junqueira e outros, objetivando a aquisição da posse e do domínio
do imóvel denominado 'Gleba Formosa', com área de 14.000 ha
(quatorze mil hectares), situado no Município Mato Grossense de
Vila Bela da Santíssima Trindade. O processo transitou em julgado
e, por ordem judicial, o INCRA emitiu diversas TDAs para
indenização da terra nua e fez o pagamento de alguns precatórios,
estando a dívida quitada apenas em parte. Nesse ínterim, a
autarquia expropriante propôs a presente ação civil pública contra
o Estado do Mato Grosso e diversos particulares nominados na
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petição inicial para evitar a ocorrência de dano grave ao
patrimônio público federal, com o objetivo de obter: (a) a
declaração de nulidade de registros imobiliários decorrentes de
titulações feitas a non domino pelo Estado réu sobre terras
devolutas situadas na faixa de fronteira do Brasil com a Bolívia, de
plena titularidade federal desde a Constituição de 1891 até os dias
atuais; (b) o reconhecimento judicial de que não é devida qualquer
indenização decorrente de ação expropriatória anteriormente
ajuizada pelo INCRA contra os particulares que figuram como
réus nesta ação; e (c) a condenação ao ressarcimento de todos os
valores que tenham sido pagos indevidamente com base no título
judicial extraído da desapropriação.
2. O Juízo de 1º Grau julgou procedentes os pedidos
formulados na ação. O TRF da 1ª Região reformou a sentença por
entender que "a ação civil pública (...) não tem serventia para
buscar a anulação de venda de terras devolutas por
Estado-membro, posteriormente desapropriadas e com sentença
passada em julgado, até mesmo porque não é sucedâneo serôdio
da ação rescisória não proposta no biênio legal"(fl.1556).
3. A Sra. Ministra Eliana Calmon, relatora do caso, negou
provimento aos dois recursos especiais, por entender que, 'em
respeito à coisa julgada e à segurança jurídica, incabível a ação
civil pública, que, pela via transversa, busca declarar nulo o título
de domínio, rescindir o julgado na ação de desapropriação e
condenar os particulares a devolverem valores recebidos em
cumprimento de uma ordem judicial'.
4. Do regime jurídico da faixa de fronteira e da natureza do
vício decorrente de alienação por quem não detém o domínio.
4.1. O domínio público sobre a porção do território nacional
localizada na zona de fronteira com Estados estrangeiros sempre
foi objeto de especial atenção legislativa, sobretudo constitucional.
As razões dessa preocupação modificaram-se com o tempo,
principalmente quando da sucessão do regime imperial para o
republicano, mas sempre estiveram focadas nos imperativos de
segurança nacional e de desenvolvimento econômico.
4.2. A faixa de fronteira é bem de uso especial da União
pertencente a seu domínio indisponível, somente autorizada a
alienação em casos especiais desde que observados diversos
requisitos constitucionais e legais.
4.3. Compete ao Conselho de Defesa Nacional, segundo o art.
91, § 1º, III, da CF/88, propor os critérios e condições de
utilização da faixa de fronteira. Trata-se de competência firmada
por norma constitucional, dada a importância que a CF/88, bem
como as anteriores a partir da Carta de 1891, atribuiu a essa
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parcela do território nacional.
4.4. Nos termos da Lei 6.634/79, recepcionada pela CF/88, a
concessão ou alienação de terras públicas situadas em faixa de
fronteira dependerá, sempre, de autorização prévia do Conselho de
Segurança Nacional, hoje Conselho de Defesa Nacional.
4.5. O ato de assentimento prévio consiste em uma
autorização preliminar essencial para a prática de determinados
atos, para o exercício de certas atividades, para a ocupação e a
utilização de terras ao longo da faixa de fronteira, considerada
fundamental para a defesa do território nacional e posta sob
regime jurídico excepcional, a teor do disposto no § 2º do art. 20,
da Constituição Federal. É por meio do assentimento prévio que o
Estado brasileiro busca diagnosticar a forma de ocupação e
exploração da faixa de fronteira, a fim de que se possam
desenvolver atividades estratégicas específicas para o
desenvolvimento do país, salvaguardando a segurança nacional.
4.6. A faixa de fronteira não é somente um bem imóvel da
União, mas uma área de domínio sob constante vigilância e alvo
de políticas governamentais específicas relacionadas, sobretudo,
às questões de segurança pública e soberania nacional.
4.7. A importância da área deve-se, também, à relação
estreita que mantém com diversas outras questões igualmente
relevantes para o Governo Federal, entre elas: (a) questões
indígenas, pois, segundo informações da Secretaria de Patrimônio
da União, 30% da faixa de fronteira é ocupada por terras
indígenas, já demarcadas ou não; (b) questões fundiárias
relacionadas à grilagem e conflito de terras; (c) questões sociais
da mais alta relevância, como a invasão de terras por movimentos
sociais e a exploração de trabalhadores em regime de
semi-escravidão; (d) questões criminais referentes ao narcotráfico,
tráfico de armas, descaminho, crimes ambientais - como a
exploração ilegal de madeira e a venda ilícita de animeis silvestres
- assassinato de lideranças indígenas, de trabalhadores rurais, de
posseiros, de sindicalistas e até de missionários religiosos; (e)
questões de Direito Internacional relacionadas à necessidade de
integração regional com os países membros do Mercosul e das
demais organizações de que o Brasil seja parte.
4.8. Qualquer alienação ou oneração de terras situadas na
faixa de fronteira, sem a observância dos requisitos legais e
constitucionais, é "nula de pleno direito", como diz a Lei 6.634/79,
especialmente se o negócio imobiliário foi celebrado por entidades
estaduais destituídas de domínio.
4.9. A alienação pelo Estado a particulares de terras
supostamente situadas em faixa de fronteira não gera, apenas,
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prejuízo de ordem material ao patrimônio público da União, mas
ofende, sobretudo, princípios maiores da Constituição Federal,
relacionados à defesa do território e à soberania nacional.
4.10. O regime jurídico da faixa de fronteira praticamente
não sofreu alterações ao longo dos anos desde a primeira
Constituição Republicana de 1891, razão porque pouco importa a
data em que for realizada a alienação de terras, devendo sempre
ser observada a necessidade de proteção do território nacional e
da soberania do País.
5. Da nulidade absoluta e da pretensão querela nullitatis
insanabilis.
5.1. O controle das nulidades processuais, em nosso sistema
jurídico, comporta dois momentos distintos: o primeiro, de
natureza incidental, é realizado no curso do processo, a
requerimento das partes, ou de ofício, a depender do grau de
nulidade. O segundo é feito após o trânsito em julgado, de modo
excepcional, por meio de impugnações autônomas. As pretensões
possíveis, visando ao reconhecimento de nulidades absolutas, são a
ação querela nullitatis e a ação rescisória, cabíveis conforme o
grau de nulidade no processo originário.
5.2. A nulidade absoluta insanável - por ausência dos
pressupostos de existência - é vício que, por sua gravidade, pode
ser reconhecido mesmo após o trânsito em julgado, mediante
simples ação declaratória de inexistência de relação jurídica (o
processo), não sujeita a prazo prescricional ou decadencial e fora
das hipóteses taxativas do art. 485 do CPC (ação rescisória). A
chamada querela nullitatis insanabilis é de competência do juízo
monocrático, pois não se pretende a rescisão da coisa julgada, mas
apenas o reconhecimento de que a relação processual e a sentença
jamais existiram.
5.3. A doutrina e a jurisprudência são unânimes em afirmar
que a ausência de citação ou a citação inválida configuram
nulidade absoluta insanável por ausência de pressuposto de
existência da relação processual, o que possibilita a declaração de
sua inexistência por meio da ação querela nullitatis.
5.4. Na hipótese, pelo que alegam o INCRA e o Ministério
Público Federal, as terras foram alienadas a particulares pelo
Estado do Mato Grosso que não detinha o respectivo domínio, já
que se trata de área supostamente situada na faixa de fronteira,
bem pertencente à União desde a Carta Constitucional republicana
de 1891. Ocorre que a ação de desapropriação foi proposta contra
os particulares que receberam do Estado do Mato Grosso terras
que não lhe pertenciam, jamais tendo participado do feito o
legítimo titular do domínio - a União.
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5.5. A União não participou do feito expropriatório e, ainda
que tivesse participado, a simples alegação de que a área
expropriada lhe pertence gera dúvida razoável quanto a uma das
condições da ação, especificamente o interesse processual, pois,
provado o domínio federal, desaparece a utilidade do processo, já
que impossível desapropriar o que é própio.
5.6. A pretensão querela nullitatis pode ser exercida e
proclamada em qualquer tipo de processo e procedimento de
cunho declaratório. A ação civil pública, por força do que dispõe o
art. 25, IV, "b", da Lei n.º 8.625/93 (Lei Orgânica do Ministério
Público), pode ser utilizada como instrumento para a anulação ou
declaração de nulidade de ato lesivo ao patrimônio público.
5.7. A ação civil pública surge, assim, como instrumento
processual adequado à declaração de nulidade da sentença, por
falta de constituição válida e regular da relação processual.
5.8. A demanda de que ora se cuida, embora formulada com
a roupagem de ação civil pública, veicula pretensão querela
nullitatis, vale dizer, objetiva a declaração de nulidade da relação
processual supostamente transitada em julgado por ausência de
citação da União ou, mesmo, por inexistência da própria base
fática que justificaria a ação desapropriatória, já que a terra
desapropriada, segundo alega o autor, já pertencia ao Poder
Público Federal.
6. Do conteúdo da ação de desapropriação e da ausência de
trânsito em julgado quanto às questões relativas ao domínio das
terras desapropriadas.
6.1. A ação de desapropriação não transitou em julgado
quanto à questão do domínio das terras expropriadas - até porque
jamais foi discutida nos autos do processo -, mas tão somente
quanto ao valor da indenização paga. Não houve, portanto,
trânsito em julgado da questão tratada na presente ação civil
pública. Apenas os efeitos desta, se julgados procedentes os
pedidos, poderão, por via indireta, afetar o comando indenizatório
contido na sentença da ação expropriatória já transitada em
julgado.
6.2. A inexistência de coisa julgada material quanto à
discussão sobre o domínio das terras desapropriadas afasta o
fundamento de que se valeu o acórdão recorrido para extinguir o
processo sem resolução de mérito por inadequação da via eleita.
Com efeito, a ação civil pública é o instrumento processual
adequado para se obter a declaração de nulidade de ato, ainda
que judicial, lesivo ao patrimônio público, sobretudo quando
consagra indenização milionária a ser suportada por quem já era
titular do domínio da área desapropriada.
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7. Da ausência de coisa julgada quando a sentença ofende
abertamente o princípio constitucional da "justa indenização" - A
Teoria da Coisa Julgada Inconstitucional.
7.1. O princípio da "justa indenização" serve de garantia não
apenas ao particular - que somente será desapossado de seus bens
mediante prévia e justa indenização, capaz de recompor
adequadamente o acervo patrimonial expropriado -, mas também
ao próprio Estado, que poderá invocá-lo sempre que necessário
para evitar indenizações excessivas e descompassadas com a
realidade.
7.2. Esta Corte, em diversas oportunidades, assentou que não
há coisa julgada quando a sentença contraria abertamente o
princípio constitucional da "justa indenização" ou decide em
evidente descompasso com dados fáticos da causa ("Teoria da
Coisa Julgada Inconstitucional").
7.3. Se a orientação sedimentada nesta Corte é de afastar a
coisa julgada quando a sentença fixa indenização em
desconformidade com a base fática dos autos ou quando há
desrespeito explícito ao princípio constitucional da "justa
indenização", com muito mais razão deve ser "flexibilizada" a
regra, quando condenação milionária é imposta à União pela
expropriação de terras já pertencentes ao seu domínio
indisponível, como parece ser o caso dos autos.
8. A Primeira Seção, por ambas as Turmas, reconhece na
ação civil pública o meio processual adequado para se formular
pretensão declaratória de nulidade de ato judicial lesivo ao
patrimônio público (querela nullitatis). Precedentes.
9. O provimento à tese recursal não implica julgamento sobre
o mérito da causa, mas apenas o reconhecimento de que a ação
civil pública é o instrumento processual adequado ao que foi
postulado na demanda em razão de todo o substrato fático narrado
na inicial. Assim, ultrapassada a preliminar de inadequação da
via, caberá à Corte regional, com total liberdade, examinar o
recurso de apelação interposto pelos ora recorridos.
10. Recursos especiais providos."
(REsp 1.015.133/MT, Rel. p/ Acórdão Ministro CASTRO
MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 2.3.2010, DJe
23.4.2010.)

"PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO RESCISÓRIA. ART. 485, II, V


E VI, DO CPC. AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA. ÁREA
DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPETÊNCIA. ART. 95
DO CPC. INDENIZABILIDADE. JUROS COMPENSATÓRIOS.
PERCENTUAL. MC NA ADIN 2.332/2001. EFICÁCIA DA MP N.°
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1.577/97 ATÉ A DECISÃO QUE SUSPENDEU OS EFEITOS DA
EXPRESSÃO CONSTANTE DO ART. 15-A, DO DECRETO-LEI
N.° 3.365/41. FALSIDADE IDEOLÓGICA DA PERÍCIA. LAUDO
PERICIAL APARTADO DA REALIDADE FÁTICA ENCARTADA
NOS AUTOS( ART. 485, VI, DO CPC).
(...)
17. A prova falsa apta a fundamentar a rescisão do julgado
deve ser aquela na qual se embasou o decisum atacado. Assim,
consoante tivemos oportunidade de asseverar, "isto significa dizer
que a prova falsa há de ser a causa imediata daquele resultado
obtido; por isso, se a despeito dela o juiz chegaria à conclusão a
que chegou, a falsidade probatória de per si não é suficiente ao
acolhimento do pedido rescisório". (Curso de Direito Processual
Civil. Rio de Janeiro, Editora Forense, 2001, p. 735).
18. Entrementes, a jurisprudência desta Corte no exame de
hipótese análoga, em sede de Ação Rescisória ajuizada com
supedâneo no art. 485, VI, do CPC, entendeu que 'o laudo técnico
incorreto, incompleto ou inadequado que tenha servido de base
para a decisão rescindenda, embora não se inclua perfeitamente
no conceito de 'prova falsa' a que se refere o art. 485, inciso VI, do
CPC, pode ser impugnado ou refutado na ação rescisória, por
falsidade ideológica.', assentando, ainda, que "a falsidade da
prova pode ser atribuída tanto à perícia grafotécnica (falsidade
ideológica) como às duas notas promissórias (falsidade
documental), sendo possível perquirir a ocorrência da prova falsa,
sem adentrar na intenção de quem a produziu, quer inserindo
declaração não verdadeira em documento público ou particular
(falsidade ideológica), quer forjando, no todo ou em parte,
documento particular (falsidade material)." RESP 331550/RS,
Relatora Ministra NANCY ANDRIGHI, DJ 25.03.2002.
19. Deveras, in casu, razão assiste ao Estado de São Paulo
no que pertine à falsidade ideológica da perícia. Isto porque, o
cotejo entre o laudo efetuado na ação originária e o laudo pericial
(fls. 433/568), coadjuvado pelos esclarecimentos (fls. 831/840),
ambos realizados pelo perito judicial nomeado na presente
rescisória, revela evidente descompasso entre o laudo pericial,
embasador do decisum rescindendo, e a realidade fática encartada
nos autos, máxime porque realizado à revelia de fatos essenciais
ao deslinde da controvérsia (fl. 476), in casu, a localização da área
objeto de desapropriação, fato ensejador de apuração de quantum
indenizatório divorciado da realidade e, por isso, conducente ao
reconhecimento de sua falsidade, com supedâneo no art. 405, VI,
do CPC.
20. Acerca do descompasso observado na descrição do
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imóvel, colacionamos excertos do laudo realizado pelo perito
judicial nomeado na presente rescisória (fls. 433/568) e dos
esclarecimentos por ele apresentados, verbis: "No presente estudo
observamos uma série de desconformidades que devem ser
consideradas com relação a uma futura indenização do imóvel
estudado:
- A primeira desconformidade é que o imóvel jamais foi
ocupado ou explorado pelo Requerido ou por seus sucessores,
onde nem os moradores mais antigos da região jamais ouviram
falar destes supostos proprietários;
- A segunda é que o Lote 13 descrita na planta de fls. 18
(Vide Anexo 7.4) está posicionado no interior dos limites do
Parque Estadual da Serra do Mar, porém, no interior da Gleba E e
não no interior da Gleba G conforme atesta ao seu título de
domínio;
- A terceira é que a descrição topográfica da planta de fls. 18
(Vide Anexo 7.4) considerada como a oficial, não tem qualquer
combinação cartográfica com a Gleba G, ou seja, as suas cotas
planialtimétricas não têm correspondência no interior dos limites
desta Gleba;
- A quarta é que o perfil da planta de fls. 18 (Vide Anexo 7.4)
não combina com a Gleba G, mas com a Gleba E, o que demonstra
ter ocorrido um engano do engenheiro que a confeccionou; e - A
quinta é que fica evidente que ocorreu um engano com relação a
demarcação do Lote 13 da Gleba G, que em nosso entendimento
tem uma correlação mais evidente com a planta de fls. 02 (Vide
Anexo 7.4) do processo da Secretaria de Agricultura. (fls. 476 do
apenso) (...) "O imóvel estudado encerra uma dimensão de 100,00
hectares e tem o seu valor indenizatório composto de terra nua e
dos produtos florestais. As benfeitorias não tem valor uma vez que
elas não foram edificadas pelo Requerido (Espólio de Agostinho
Martins Rodrigues).
Assim obtivemos os seguintes valores: a) Valor da Terra Nua
Valor da Terra Nua do Imóvel de R$ 185.950,00 b) Valor da
Cobertura Florestal Valor da Cobertura Florestal do Imóvel de R$
168.280,98 *Obs. Em nosso entendimento o valor do mercado do
imóvel é apenas da terra nua, uma vez que a pesquisa imobiliária
realizada já considerava áreas com a floresta nativas, assim: Valor
total do imóvel de R$ 185.950,00 (cento e oitenta e cinco mil,
novecentos e cinqüenta reais)" (apenso fl. 475).
21. Ademais, na inicial o autor afirma a expedição de
precatório no ano 2000 no valor de R$3.414.340,55 (fls. 07), valor
extremamente superior ao apurado pelo laudo produzido na
presente rescisória. (R$ 185.950,00) á fl. 475, cuja causa de
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excesso na apuração decorreu do fato de o laudo inicial ter sido
elaborado à luz de área de terra estranha à desapropriação
versada nos autos.
22. Consectariamente, comprovando à saciedade a falsidade
ideológica da prova (art. 485, VI, do CPC), como ocorre no caso
dos autos, é mister concluir-se pela procedência do pedido neste
particular.
23. Ação Rescisória parcialmente procedente para,
reconhecendo a falsidade da prova, desconstituir parcialmente o
acórdão rescindendo (Resp 47.015/SP), fixando o montante
indenizatório no valor de R$ 185.950,00, consoante apurado pelo
laudo pericial apresentado na ação sub examine (fls.475),
mantidos os encargos de juros e correção monetária, condenando
o Réu ao pagamento das custas processuais e honorários
advocatícios, estes arbitrados em 10 % sobre o valor atribuído à
causa (R$ 27.111,22), devidamente atualizado."
(AR 1.291/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 23.4.2008, DJe 2.6.2008.)

"PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DÚVIDAS


SOBRE A TITULARIDADE DE BEM IMÓVEL INDENIZADO EM
AÇÃO DE DESAPROPRIAÇÃO INDIRETA COM SENTENÇA
TRANSITADA EM JULGADO. PRINCÍPIO DA JUSTA
INDENIZAÇÃO. RELATIVIZAÇÃO DA COISA JULGADA.
1. Hipótese em que foi determinada a suspensão do
levantamento da última parcela do precatório (art. 33 do ADCT),
para a realização de uma nova perícia na execução de sentença
proferida em ação de desapropriação indireta já transitada em
julgado, com vistas à apuração de divergências quanto à
localização da área indiretamente expropriada, à possível
existência de nove superposições de áreas de terceiros naquela,
algumas delas objeto de outras ações de desapropriação, e à
existência de terras devolutas dentro da área em questão.
2. Segundo a teoria da relativização da coisa julgada, haverá
situações em que a própria sentença, por conter vícios insanáveis,
será considerada inexistente juridicamente. Se a sentença sequer
existe no mundo jurídico, não poderá ser reconhecida como tal, e,
por esse motivo, nunca transitará em julgado.
3. 'A coisa julgada, enquanto fenômeno decorrente de
princípio ligado ao Estado Democrático de Direito, convive com
outros princípios fundamentais igualmente pertinentes. Ademais,
como todos os atos oriundos do Estado, também a coisa julgada se
formará se presentes pressupostos legalmente estabelecidos.
Ausentes estes, de duas, uma: (a) ou a decisão não ficará
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acobertada pela coisa julgada, ou (b) embora suscetível de ser
atingida pela coisa julgada, a decisão poderá, ainda assim, ser
revista pelo próprio Estado, desde que presentes motivos
preestabelecidos na norma jurídica, adequadamente interpretada.'
(WAMBIER, Tereza Arruda Alvim e MEDINA, José Miguel Garcia.
'O Dogma da Coisa Julgada: Hipóteses de Relativização', São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2003, pág. 25)
4. 'A escolha dos caminhos adequados à infringência da
coisa julgada em cada caso concreto é um problema bem menor e
de solução não muito difícil, a partir de quando se aceite a tese da
relativização dessa autoridade - esse, sim, o problema central,
polêmico e de extraordinária magnitude sistemática, como
procurei demonstrar. Tomo a liberdade de tomar à lição de Pontes
de Miranda e do leque de possibilidades que sugere, como: a) a
propositura de nova demanda igual à primeira, desconsiderada a
coisa julgada; b) a resistência à execução, por meio de embargos a
ela ou mediante alegações incidentes ao próprio processo
executivo; e c) a alegação incidenter tantum em algum outro
processo, inclusive em peças defensivas.'(DINAMARCO, Cândido
Rangel. 'Coisa Julgada Inconstitucional' ? Coordenador Carlos
Valder do Nascimento - 2ª edição, Rio de Janeiro: América
Jurídica, 2002, págs. 63-65)
5. Verifica-se, portanto, que a desconstituição da coisa
julgada pode ser perseguida até mesmo por intermédio de
alegações incidentes ao próprio processo executivo, tal como
ocorreu na hipótese dos autos.
6. Não se está afirmando aqui que não tenha havido coisa
julgada em relação à titularidade do imóvel e ao valor da
indenização fixada no processo de conhecimento, mas que
determinadas decisões judiciais, por conter vícios insanáveis,
nunca transitam em julgado. Caberá à perícia técnica, cuja
realização foi determinada pelas instâncias ordinárias, demonstrar
se tais vícios estão ou não presentes no caso dos autos.
7. Recurso especial desprovido."
(REsp 622.405/SP, Rel. Ministra DENISE ARRUDA,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 14.8.2007, DJ 20.9.2007, p.
221.)

"PROCESSUAL CIVIL. DESAPROPRIAÇÃO. SERRA DO


MAR. AÇÃO RESCISÓRIA. PROVA PERICIAL FALSA. FALTA
DE CORRESPONDÊNCIA ENTRE O OBJETO PERICIADO E O
LAUDO PRODUZIDO. FORTES INDÍCIOS. APURAÇÃO NO
ÂMBITO DA AÇÃO. NOVA PERÍCIA. DEFERIMENTO.
1. É admissível Ação Rescisória fundada no art. 485, VI, do
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CPC, em que se alega a falsidade da prova pericial em razão da
falta de correspondência entre o objeto analisado e o laudo
produzido.
2. Hipótese em que os autos estão instruídos com elementos
que apontam fortes indícios de falsidade.
3. Precatório de R$ 372.875.673,00 (valores de fevereiro de
2002), referente à área de 3.300 ha afetados pela criação do
Parque Estadual da Serra do Mar.
4. No âmbito do Direito Público, é técnica e juridicamente
descabida a distinção, para fins de aplicação do art. 485, VI, do
CPC, entre "falsidade" e "erronia".
5. Desnecessário, na Ação Rescisória, perquirir a atitude ou
estado de espírito do perito, se houve simples erro ou deliberada
intenção de prejudicar a cognição do Judiciário, importando
apenas aferir a correspondência entre o conteúdo do laudo
pericial e a realidade que se propôs a apurar e relatar.
6. Indeferir a produção de nova perícia na Ação Rescisória,
apesar dos fortes indícios, constantes dos autos, de ilegalidade e de
flagrante atentado à realidade do mercado, seria negar ao autor a
possibilidade de comprovar suas alegações, como autorizado pelo
art. 485, VI, do CPC.
7. Agravo Regimental provido."
(AgRg na AR 3.290/SP, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO
CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em
12.9.2007, DJe 10.11.2009.)

Neste diapasão, entendo que, em atenção ao significativo valor do


precatório e à questão de fundo tratada na ação desconstitutiva proposta pelo ente
estadual, presentes os requisitos para a excepcional concessão de tutela
antecipada.

Neste sentido:

"PROCESSUAL CIVIL. TUTELA ANTECIPADA. EFEITOS.


COISA JULGADA.
1. Efeitos da tutela antecipada concedidos para que sejam
suspensos pagamentos de parcelas acordados em cumprimento a
precatório expedido.
2. Alegação, em sede de Ação Declaratória de Nulidade, de
que a área reconhecida como desapropriada, por via de Ação
Desapropriatória Indireta, pertence ao vencido, não obstante
sentença trânsito em julgado.
3. Efeitos de tutela antecipada que devem permanecer até
solução definitiva da controvérsia.
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4. Conceituação dos efeitos da coisa julgada em face dos
princípios da moralidade pública e da segurança jurídica.
5. Direitos da cidadania em face da responsabilidade
financeira estatal que devem ser asseguradas.
6. Inexistência de qualquer pronunciamento prévio sobre o
mérito da demanda e da sua possibilidade jurídica.
7. Posição que visa, unicamente, valorizar, em benefício da
estrutura social e estatal, os direitos das partes litigantes.
8. Recurso provido para garantir os efeitos da tutela
antecipada, nos moldes e nos limites concedidos em primeiro
grau."
(REsp 240.712/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO,
PRIMEIRA TURMA, julgado em 15.2.2000, DJ 24.4.2000, p. 38.)

Ante o exposto, dou provimento em parte ao agravo regimental e,


consequentemente, ao recurso especial, para determinar a suspensão do
pagamento do precatório 558/98 até o julgamento da "querella nullitatis".

É como penso. É como voto.

MINISTRO HUMBERTO MARTINS


Relator

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CERTIDÃO DE JULGAMENTO
SEGUNDA TURMA

AgRg no AgRg no
Número Registro: 2013/0131254-6 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.416.333 / SP

Números Origem: 0387118292009 109192009 387118292009 3871182920098260000 9366405900


994093871188
PAUTA: 10/12/2013 JULGADO: 17/12/2013

Relator
Exmo. Sr. Ministro HUMBERTO MARTINS
Presidente da Sessão
Exma. Sra. Ministra ELIANA CALMON
Subprocuradora-Geral da República
Exma. Sra. Dra. ELIZETA MARIA DE PAIVA RAMOS
Secretária
Bela. VALÉRIA ALVIM DUSI
AUTUAÇÃO
RECORRENTE : ESTADO DE SÃO PAULO
PROCURADOR : JOSIANE CRISTINA CREMONIZI GONÇALES E OUTRO(S)
RECORRIDO : AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES RIO TURVO LTDA
ADVOGADO : OSMAR MENDES PAIXÃO CÔRTES E OUTRO(S)
ASSUNTO: DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO -
Intervenção do Estado na Propriedade - Desapropriação Indireta

AGRAVO REGIMENTAL
AGRAVANTE : ESTADO DE SÃO PAULO
PROCURADOR : JOSIANE CRISTINA CREMONIZI GONÇALES E OUTRO(S)
AGRAVADO : AGROPECUÁRIA E PARTICIPAÇÕES RIO TURVO LTDA
ADVOGADO : OSMAR MENDES PAIXÃO CÔRTES E OUTRO(S)

CERTIDÃO
Certifico que a egrégia SEGUNDA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão
realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão:
"A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental para dar
provimento do recurso especial do Estado de São Paulo, nos termos do voto do(a) Sr(a).
Ministro(a)-Relator(a)."
Os Srs. Ministros Og Fernandes, Mauro Campbell Marques e Eliana Calmon votaram com
o Sr. Ministro Relator.
Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin.

Documento: 1288354 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 03/02/2014 Página 2 4 de 24