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Em “A ciência do concreto” Levi-Strauss diz que “a riqueza em palavras abstratas não é só

um apanágio das línguas civilizadas.” E então dá como exemplo a língua do noroeste da América do
Norte que usa as palavras abstratas para apontar qualidades dos seres e das coisas.
Enquanto um certo observador pensa que o índio denomina e conceitua de acordo com suas
necessidades, para Levi-Strauss os termos abstratos não estão em função de capacidades
intelectuais, mas dos interesses de cada sociedade particular.
A agricultura para mercado e o saber botânico não devem ser comparados. Para Malinowski,
o interesse pelas plantas e animais totêmicos era inspirado pela queixa de seus estômagos,
cometendo assim um erro simétrico.
Um biólogo, ao falar sobre uma população das Filipinas, afirma que o conhecimento chega
inclusive aos hábitos e costumes de cada espécie.
Os indígenas demonstram interesse também pelas plantas que não lhes são úteis devido as
relações de significação que os ligam aos animais. E então, o conhecimento do meio biológico tem
impressionado os pesquisadores, pois denotam atitudes que diferenciam os indígenas de seus
visitantes brancos. Nesse sentido, podemos concluir que “as espécies animais e vegetais não são
conhecidas na medida em que sejam úteis, elas são classificadas úteis ou interessantes porque são
primeiro conhecidas.”
O primeiro objetivo de tal ciência não é de ordem prática, pois ela responde as exigências
intelectuais. É a partir do agrupamento de coisas e de seres que se introduz um princípio de ordem
no universo. É a classificação que estabelece relações de significação. A exigência de ordem está na
base do pensamento primitivo “na medida em que está na base de qualquer pensamento.”
O pensamento mágico não é uma estréia, um começo, um esboço, parte de um todo ainda
não realizado; forma um sistema bem articulado, independente do sistema que constituirá a ciência.
Para Levi-Strauss, ao invés de opor magia e ciência, deveria se colocar em paralelo as duas formas
de conhecimento, pois diferem do ponto teórico prático (...), mas não pelo gênero de operações
mentais que ambos supõem e que diferem menos em natureza que em função dos tipos de
fenômenos a que se aplicam. Ambas manifestam resultados práticos diferenciados.
“Esta ciência do concreto devia ser, essencialmente, limitada a outros resultados que os
prometidos às ciências exatas e naturais, mas não foi menos científica e seus resultados não foram
menos reais.”
Segundo o autor, o pensamento mítico se exprime a partir do auxílio de um repertório cuja
composição é heteróclita e que apesar de extenso, permanece não obstante limitado. Ele compara
com uma espécie de bricolage intelectual. Os elementos da reflexão mítica se situam entre preceitos
e o conceitos. Há o intermediário entre a imagem e o conceito, que é o signo que pode ser definido
por Saussure a respeito dessa categoria formada pelos signos linguísticos, como um laço entre uma
imagem e um conceito que representam respectivamente, os papeis de significante e significado.
“O bricoleur se dirige a uma coleção de resíduos de obras humanas”, ou seja, um
subconjunto da cultura. A característica do pensamento mítico é elaborar conjuntos estruturados
utilizando resíduos e fragmentos de acontecimentos.
Assim, a relação entre diacronia e sincronia está invertida, pois o pensamento mítico elabora
estruturas ordenando os acontecimentos enquanto que a ciência cria sem cessar suas hipóteses e
teorias. Mas não se trata de duas fases da evolução do saber, pois os dois passos são válidos.
Já a arte se introduz entre o conhecimento científico e o pensamento mágico, pois o artista
tem por sua vez, algo de cientista e de bricoleur. O mito aparece como sistemas de relações
abstratas e como objeto de contemplação estética, assim, o ato criador que gera o mito é simétrico e
inverso ao que se encontra na origem da obra de arte.