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ANÁLISE DA ESTABILIDADE E DA INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA APLICADA A

ESTACAS DE UM PÍER

Flávia Emilia Siqueira Cabral

Projeto de Graduação apresentado ao


Curso de Engenharia Civil da Escola
Politécnica, Universidade Federal do Rio de
Janeiro, como parte dos requisitos
necessários à obtenção do título de
Engenheiro Civil.

Orientador:
Gilberto Bruno Ellwanger

Rio de Janeiro
Abril de 2016

i
Cabral, Flávia Emilia Siqueira
Análise da Estabilidade e da Interação Solo-Estrutura
Aplicada a Estacas de um Píer/ Flávia Emilia Siqueira
Cabral. - Rio de Janeiro: UFRJ/ Escola Politécnica, 2016.
XIV, 85 p.: il.; 29,7 cm.
Orientador: Gilberto Bruno Ellwanger
Projeto de Graduação - UFRJ/ Escola Politécnica/
Curso de Engenharia Civil, 2016.
Referências Bibliográficas: p. 70-71.
1. Estacas 2. Instabilidade Elástica 3. Interação Solo-
Estrutura I. Ellwanger, Gilberto Bruno. II. Universidade
Federal do Rio de Janeiro, Escola Politécnica, Curso de
Engenharia Civil. III. Análise da Estabilidade e da Interação
Solo-Estrutura Aplicada a Estacas de um Píer.

iii
AGRADECIMENTOS

Primeiramente à Deus, digno de toda honra, por ter me dado a grande


oportunidade de concretização deste sonho.
À minha mãe, Tânia Maria Siqueira de Souza, por todo amor, compreensão e
dedicação em todos esses anos, por sempre ter me incentivado e me ensinado a
nunca desistir dos meus objetivos. Muito obrigada, sem você tenho certeza que nada
disso teria sido possível.
À todos os meus familiares, por todo carinho e apoio recebido.
Ao meu namorado, Felipe Alves do Carmo, por ter sido um grande
companheiro e amigo durante todos esses anos de graduação e por toda paciência e
amor.
Ao meu tio, Wegile Francesconi de Souza, por ter estado sempre por perto me
auxiliando nos momentos de dificuldades, e por ter acreditado em mim. Você foi um
grande irmão.
À Amanda Guimarães, Anna Fagundes e Jéssica Coelho pela amizade, e por
todos os momentos compartilhados durante todos esses anos de faculdade.
À Todos os amigos da Primeira Igreja Batista em Bonsucesso, ao Pr.
Wellington Ferreira Leal, à Antonia Regina Ferreira Leal, à Carolina Ribeiro, Graziela
Vidal e Ingrid Azevedo, pela amizade, pelas orações, por todo o carinho e por todas as
palavras de incentivo.
Aos Engenheiros da Redav Serviços de Engenharia e ao Eng. Davi Antunes
Cabral por todo conhecimento transmitido durante o período de estágio.
Ao meu professor e orientador, Gilberto Bruno Ellwanger por ter acreditado
neste trabalho, pela disponibilidade de orientação e por todo o conhecimento
transmitido.
À todos os professores da Escola Politécnica da UFRJ que durante estes anos
contribuíram para a minha formação como Engenheira e à todos aqueles que mesmo
indiretamente fizeram parte dessa trajetória, muito obrigado.

iv
Resumo do Projeto de Graduação apresentado à Escola Politécnica/ UFRJ como parte
dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Engenheiro Civil.

ANÁLISE DA ESTABILIDADE E DA INTERAÇÃO SOLO-ESTRUTURA APLICADA A


ESTACAS DE UM PÍER

Flávia Emilia Siqueira Cabral

Abril/2016

Orientador: Gilberto Bruno Ellwanger

Curso: Engenharia Civil

Os problemas ligados à instabilidade elástica em estacas não são comuns, isso


porque, na grande maioria das estruturas de obras civis, as mesmas, permanecem
totalmente enterradas. No entanto, a NBR 6122 em seu item 8.6.1 recomenda que,
estacas imersas em solos muito moles ou, que tiverem sua cota de arrasamento acima
do nível do terreno, sejam verificadas quanto aos efeitos de segunda ordem. Neste
sentido, o presente trabalho, se propõe a fazer uma análise de uma estaca vertical e
inclinada, no que se refere à instabilidade elástica e às tensões e deslocamentos
desenvolvidos. Para a realização das análises, buscou-se uma estrutura com estacas
de grande comprimento livre, sendo escolhida, a estrutura de um píer da costa
brasileira. Um estudo paramétrico variando-se o coeficiente de reação do solo também
é realizado, de modo a estimar os efeitos dos mesmos na estabilidade.

Palavras-chave: estacas, instabilidade elástica, interação solo-estrutura.

v
Abstract of Undergraduate Project presented to POLI/ UFRJ as a partial fulfillment of
the requirements for the degree of Engineer.

ANALYSIS OF STABILITY AND SOIL-STRUCTURE INTERACTION APPLIED TO


PILES OF A PIER

Flávia Emilia Siqueira Cabral

April/2016

Advisor: Gilberto Bruno Ellwanger

Course: Civil Engineering

The problems due to elastic instability in piles are not common because in most civil
works structures they remain completely buried. However, the NBR 6122 on your item
8.6.1 recommends that piles immersed in extremely soft soils or long piles that extend
for a considerable distance above the ground line, should be checked for the second-
order effects. In this sense, this work aims to make an analysis of a vertical and
inclined pile, with regard to the elastic instability, tensions developed and
displacements. For the analyzes a structure with large free length was chosen, that is
the structure of a pier on the Brazilian coast. A parametric study by varying the
coefficient of ground reaction is also carried out in order to estimate their effects on
stability.

Keywords: piles, elastic instability, soil-structure interaction

vi
Sumário
1 INTRODUÇÃO....................................................................................................... 1

1.1 Objetivo e escopo ........................................................................................... 2

1.2 Metodologia utilizada ...................................................................................... 2

1.3 Estrutura do trabalho ...................................................................................... 3

2 ASPECTOS GERAIS DAS ESTACAS ................................................................... 4

2.1 Classificação das estacas............................................................................... 4

2.1.1 Método de transferência de cargas axiais e laterais ................................ 6

3 INTERAÇÃO SOLO - ESTRUTURA ...................................................................... 7

3.1 Modelos de solo ............................................................................................. 8

3.1.1 Modelo de Winkler ................................................................................... 8

3.1.2 Modelo contínuo elástico ....................................................................... 10

3.1.3 Modelo contínuo elasto-plástico............................................................. 12

3.1.4 Modelo de Winkler modificado ............................................................... 12

3.2 Reação do solo............................................................................................. 12

3.2.1 O coeficiente de reação vertical do solo (𝐤𝐯) ........................................ 12

3.2.2 O coeficiente de reação horizontal do solo (𝐤𝐡) .................................... 13

3.2.3 Curvas p-y ............................................................................................. 17

3.3 Métodos de análise para estacas flexíveis carregadas lateralmente ............. 18

3.3.1 O método de Davisson e Robinson ....................................................... 19

4 INSTABILIDADE ESTRUTURAL ......................................................................... 22

4.1 A estabilidade do equilíbrio ........................................................................... 23

4.2 Flambagem................................................................................................... 24

4.2.1 Carga crítica de flambagem ................................................................... 24

4.2.2 Influência da vinculação na carga crítica ............................................... 25

4.2.3 Comprimento efetivo de flambagem ...................................................... 26

4.3 Análise não linear ......................................................................................... 27

4.3.1 Não linearidade física ............................................................................ 28

4.3.2 Não linearidade geométrica ................................................................... 29

vii
4.4 Análise pelo processo P- Delta ..................................................................... 29

5 INTERAÇÃO SOLO ESTRUTURA EM ESTACAS ISOLADAS ............................ 30

5.1 Efeito da carga axial na estabilidade considerando a análise de interação


solo-estrutura .......................................................................................................... 30

5.1.1 Considerações para o coeficiente constante com a profundidade ......... 30

5.1.2 Considerações para o coeficiente de reação horizontal variando com a


profundidade........................................................................................................ 41

6 ESTUDO DE CASO ............................................................................................. 44

6.1 Descrição ..................................................................................................... 44

6.2 Concepção do modelo estrutural .................................................................. 45

6.2.1 Rigidez da ligação à superestrutura....................................................... 45

6.2.2 Material da estaca ................................................................................. 46

6.2.3 Determinação do coeficiente de reação horizontal do solo e rigidez das


molas 46

6.2.4 Ações .................................................................................................... 47

6.2.5 Modelo de estaca vertical e Inclinada .................................................... 48

6.2.6 Carga admissível e capacidade de carga do terreno ............................. 49

7 ANÁLISES E RESULTADOS ............................................................................... 49

7.1 Estaca vertical .............................................................................................. 49

7.1.1 Esforços obtidos .................................................................................... 50

7.1.2 Tensões e deformações ........................................................................ 52

7.1.3 Carga crítica de flambagem ................................................................... 53

7.1.4 Estudo paramétrico................................................................................ 54

7.1.5 Avaliação da sensibilidade de variação da carga crítica supondo


deslocamentos maiores ....................................................................................... 57

7.1.6 Avaliação da sensibilidade de variação da carga crítica supondo que o


comprimento cravado no solo seja menor............................................................ 58

7.1.7 Avaliação da influência da corrente sobre os deslocamentos da estaca 59

7.2 Estaca inclinada ........................................................................................... 60

7.2.1 Esforços obtidos .................................................................................... 60

viii
7.2.2 Tensões e deformações ........................................................................ 61

7.2.3 Carga crítica .......................................................................................... 62

7.2.4 Estudo paramétrico................................................................................ 63

8 DIMENSIONAMENTO ......................................................................................... 66

9 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS ...................... 68

10 BIBLIOGRAFIA ................................................................................................ 70

ix
Lista de Figuras

Figura 1.1 – Ruínas do edifício Raimundo Farias na cidade de Belém – PA


(1987). (Disponível em: http://pastorlaerciocastro.blogspot.com.br/. Acesso em
09/02/2016). ................................................................................................................. 2
Figura 2.1 – Deslocamentos da estaca (a) e mobilização do atrito lateral (b) para
quatro níveis de carregamento aplicados. (FONTE: Velloso e Lopes, 2010). ............... 6
Figura 2.2 – Tensões despertadas no solo contra o deslocamento lateral da
estaca (Fonte: Velloso e Lopes, 2010) .......................................................................... 7
Figura 2.3 – Mecanismo de ruptura devido ao carregamento lateral .................... 7
Figura 3.1 – Modelo de Winkler (a) e coeficiente de reação vertical (b). (Fonte:
Velloso e Lopes, 2010) ................................................................................................. 9
Figura 3.2 – Modelo de Winkler de Winkler estendido para estacas. (Fonte:
Velloso e Lopes, 2010) ................................................................................................. 9
Figura 3.3 – Modelo contínuo elástico (Fonte: Velloso e Lopes, 2010) .............. 10
Figura 3.4 – Modelo de coeficiente de reação horizontal do solo para areias, real
x admitido (adaptado de Prakash e Sharma, 1990). ................................................... 15
Figura 3.5 – Modelo de coeficiente de reação horizontal do solo para areias, real
X admitido (adaptado de Prakash e Sharma, 1990). ................................................... 17
Figura 3.6: Curvas p-y definidas para cada camada de solo. (Fonte: Fundações
vol II VELOSO E LOPES, 2002). ................................................................................ 18
Figura 3.7: Comprimentos adotados no método de Davisson e Robinson (1965).
(Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES, 2002) ................................................... 19
Figura 3.8: Coeficientes para flambagem do método de Davisson e Robinson
(1965) para Kh constante. (Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES, 2002) ......... 20
Figura 3.9: Coeficientes para flambagem do método de Davisson e Robinson
(1965) para Kh = nh.z. (Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES, 2002)............... 20
Figura 4.1: Equilíbrio estável (a), equilíbrio instável (b) e equilíbrio indiferente (c).
(FONTE: Reis e Camotim, 2001) ................................................................................ 24
Figura 4.2: Comprimentos efetivos de flambagem (FONTE: Stability of Structures
- Elastic, inelastic, fracture and damage theories (1991) ............................................. 27
Figura 4.3: Aspecto do diagrama momento-curvatura. (FONTE: NBR 6118:2014)
................................................................................................................................... 28
Figura 5.1: Comportamento da rigidez relativa estaca-solo variando-se o
coeficiente de reação horizontal do solo. .................................................................... 35
Figura 5.2: Variação da carga crítica em função do comprimento e do coeficiente
de reação do solo (condição de topo livre).................................................................. 35

x
Figura 5.3: Variação da carga crítica em função do comprimento e do coeficiente
de reação do solo (condição de topo engastado)........................................................ 36
Figura 5.4: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento
da estaca para estacas com topo livre. ....................................................................... 37
Figura 5.5: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento
da estaca para estacas com topo engastado com translação possível. ...................... 37
Figura 5.6: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento
da estaca. ................................................................................................................... 38
Figura 5.7: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento
da estaca. ................................................................................................................... 38
Figura 5.8: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo
livre (kh=5000 kN/m²). ................................................................................................ 39
Figura 5.9: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo
livre (kh=10000 kN/m²)................................................................................................ 39
Figura 5.10: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo
livre (kh=20000 kN/m²)................................................................................................ 40
Figura 5.11: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na
situação de topo engastado (kh=5000 kN/m²) . .......................................................... 40
Figura 5.12: Valores de carga crítica obtidas para os diferentes métodos na
situação de topo engastado (kh=10000 kN/m²). .......................................................... 40
Figura 5.13: Valores de carga crítica obtidas para os diferentes métodos na
situação de topo engastado (kh=20000 kN/m²). .......................................................... 41
Figura 5.14: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na
situação de topo livre (nh=11000 kN/m³). ................................................................... 43
Figura 5.15: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na
situação de topo engastado (nh=11000 kN/m³). ......................................................... 43
Figura 6.1: Visualização em 3D do modelo espacial do píer de navios no
programa SAP 2000. .................................................................................................. 44
Figura 6.2: Modelos de estaca vertical e inclinada no programa SAP2000. ....... 48
Figura 7.1: Direções globais do programa SAP 2000 e deslocamentos globais. 50
Figura 7.2: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca
vertical. ....................................................................................................................... 51
Figura 7.3: Deformada da estaca Vertical. ......................................................... 52
Figura 7.4: Dados da análise de flambagem no programa SAP2000 v.17 ......... 53
Figura 7.5: Comparativo entre o esforço cortante e o momento fletor para
diferentes valores de kh. ............................................................................................. 55

xi
Figura 7.6: Diagramas de esforço cortante e momento fletor no trecho em solo
para estaca vertical. .................................................................................................... 55
Figura 7.7: Deformada da estaca para diferentes valores de kh. ....................... 56
Figura 7.8: Comparativo entre os valores de carga crítica para estaca vertical. . 57
Figura 7.9: Valores de carga crítica para deslocamentos maiores do conjunto. . 58
Figura 7.10: Valores de carga crítica para deslocamentos maiores do conjunto.59
Figura 7.11: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca
inclinada. .................................................................................................................... 61
Figura 7.12: deformada da estaca inclinada. ..................................................... 62
Figura 7.13: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca
inclinada. .................................................................................................................... 63
Figura 7.14: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante no trecho em
solo para estaca inclinada........................................................................................... 64
Figura 7.15: Deformada da estaca inclinada para os valores de kh estabelecidos.
................................................................................................................................... 65
Figura 7.16: Comparativo entre os valores de carga crítica para estaca vertical.
................................................................................................................................... 66

xii
Lista de Tabelas

Tabela 3.1: Valores típicos do coeficiente de reação vertical para areias e argilas
recomendados por Terzaghi, 1955 (adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010). .......... 13
Tabela 3.2: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para areias
recomendados por Terzaghi, 1955 (adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010) ........... 16
Tabela 3.3: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para areias
abaixo do nível d‟ água (REESE et al., 1974 adaptado de Prakash e Sharma, 1990) . 16
Tabela 3.4: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para argilas moles
(adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010). ................................................................. 16
Tabela 3.5: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para argilas
sobreadensadas recomendados por Terzaghi, 1955 (adaptado de VELLOSO E
LOPES, 2010)............................................................................................................. 17
Tabela 5.1: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas com topo livre (Kh=5000 kN/m²). .... 32
Tabela 5.2: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas com topo livre (Kh=10000 kN/m²). .. 32
Tabela 5.3: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas com topo livre (Kh=20000 kN/m²). .. 33
Tabela 5.4: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas de topo engastado com translação
possível (Kh=5000 kN/m²). ......................................................................................... 33
Tabela 5.5: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas de topo engastado com translação
possível (Kh=10000 kN/m²). ....................................................................................... 34
Tabela 5.6: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas de topo engastado com translação
possível (Kh=20000 kN/m²). ....................................................................................... 34
Tabela 5.7: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas de topo livre (nh=11000 kN/m²)....... 42
Tabela 5.8: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e
Robinson para estacas parcialmente enterradas de topo engastado com translação
possível (nh=11000 kN/m²). ........................................................................................ 42
Tabela 6.1: Envoltória dos esforços no ELS e ELU para estacas verticais......... 48
Tabela 6.2: Envoltória dos esforços no ELS e ELU para estacas inclinadas. ..... 48
Tabela 6.3: Valores de carga de referência. ...................................................... 49
Tabela 7.1: Deslocamentos impostos no topo da estaca vertical. ...................... 49

xiii
Tabela 7.2: Carga crítica calculada pelo método de Davisson e Robinson. ....... 54
Tabela 7.3: Valores máximos de tensão axial na estaca vertical para os
diferentes valores de kh estabelecidos. ...................................................................... 56
Tabela 7.4: Deslocamentos impostos no topo da estaca inclinada. ................... 60
Tabela 7.5: Valores máximos de tensão axial na estaca inclinada para os
diferentes valores de kh. ............................................................................................. 64
Tabela 8.1: Valores adotados para o dimensionamento. ................................... 67
Tabela 8.2: Área de armadura de aço CA-50 calculada para as estacas vertical e
inclinada. .................................................................................................................... 67
Figura 8.1: Ábaco de interação adimensional para seção circular com d‟/D=0,05.
................................................................................................................................... 68

xiv
1 INTRODUÇÃO
O objetivo principal deste trabalho é o de examinar o comportamento das
estacas da estrutura de um píer tanto no que se refere, à instabilidade elástica, quanto
à interação solo-estrutura.
As estacas são elementos de fundação que nas estruturas gerais são
projetados verticalmente para trabalhar à compressão, no entanto, as estacas de
estruturas portuárias, como é o caso dos píers de navios, precisam resistir à ação de
esforços diversos gerados por sobrecargas, peso próprio, carregamentos laterais de
atracação, amarração, correntes, e etc. Em algumas soluções, elas são projetadas na
posição inclinada para melhor resistirem aos carregamentos laterais que podem atingir
grandes magnitudes.
Para atender às especificações de calado dos navios as estruturas dos píers
de navios costumam avançar mar adentro, atingindo lâminas d‟água de profundidade
considerável. Dessa forma, as estacas dos píers de estruturas portuárias atingem
grandes comprimentos, trabalhando parcialmente cravadas no solo, tendo em algumas
situações um comprimento livre maior que seu comprimento cravado e atravessando
espessas camadas de solo de baixa resistência. Para esse tipo de estrutura a
verificação do estado-limite último de instabilidade torna-se indispensável no projeto,
bem como o entendimento de como o solo reage frente a este fenômeno que também
está associado ao desenvolvimento de deslocamentos laterais, um dos critérios que é
levado em conta no dimensionamento das fundações profundas.
Em obras portuárias, o estaqueamento representa uma parcela preponderante
do custo da obra, definindo muita das vezes o vencedor de uma licitação. Cabe ao
engenheiro, identificar entre as diversas opções, uma solução econômica e ao mesmo
tempo segura face às exigências em jogo, ficando claro que os devidos cuidados
devem ser tomados no projeto dessas estruturas, porque o aumento de seus
comprimentos e esbeltez levam aos perigos de falha por instabilidade.
Os acidentes decorrentes dos fenômenos de instabilidade em fundações são
repentinos e catastróficos. Um exemplo é o caso do acidente que levou à ruína um
edifício residencial na cidade de Belém (PA) em 1987 deixando 39 vítimas (Figura
1.1), mostrando que esse tema tem grande relevância. O caso foi estudado
(BATTISTA e LOPES, 1987) e o relatório técnico atribuiu a causa do acidente à
flambagem lenta reológica do conjunto pilar-estacas. As características reológicas da
flambagem estavam relacionadas a um depósito de argila orgânica mole presente no
solo local.

1
Assim, neste trabalho, ênfase é dada ao papel fundamental da avaliação da
instabilidade de elementos de fundação profunda esbelta e ao mecanismo de
interação entre estes elementos e o solo.

Figura 1.1 – Ruínas do edifício Raimundo Farias na cidade de Belém – PA (1987). (Disponível em:
http://pastorlaerciocastro.blogspot.com.br/. Acesso em 09/02/2016).

1.1 Objetivo e escopo


O objetivo do presente trabalho é fazer uma análise da estabilidade e interação
solo estrutura de uma estaca isolada extraída de uma estrutura real de um píer de
navios, observando o comportamento da mesma no que diz respeito às tensões,
deslocamentos e esforços envolvidos para diferentes resistências do solo. A estaca
estudada é de grande comprimento, sendo classificada como estaca flexível. Não faz
parte do escopo deste trabalho a consideração do efeito de grupo.

1.2 Metodologia utilizada


Para a realização deste trabalho, foi utilizada uma estrutura real de píer de
navios, a qual foi modelada no programa SAP2000 v.17.0. O modelo espacial da
estrutura do píer e boletins de sondagem típicos da região foram fornecidos, servindo
como base para a realização deste trabalho.
Para simplificar as análises, foram escolhidas duas estacas como objeto de
estudo. As estacas escolhidas representam aquelas mais solicitadas para a condição

2
mais desfavorável de combinação de carregamentos. Para as estacas escolhidas
foram desenvolvidos modelos isolados que levam as informações da estrutura original
através de deslocamentos impostos, e das restrições de apoio. Todas as análises
foram feitas utilizando o programa SAP2000.
Também foram elaboradas planilhas Mathcad, a fim de obter resultados que
propiciam a conclusão quanto à confiabilidade das análises realizadas no programa
que serve de base para este estudo.

1.3 Estrutura do trabalho


No segundo capítulo, é feita uma rápida introdução sobre as características
gerais das estacas, abordando sobre sua classificação e como trabalham sobre a ação
dos carregamentos axiais e transversais.
O terceiro capítulo apresenta uma breve descrição sobre os modelos de
representação do solo numa análise de interação solo-estrutura, coeficientes de
reação do solo e métodos de análise disponíveis na literatura, considerando estacas
longas, isto é, flexíveis.
O quarto capítulo apresenta uma descrição sobre o fenômeno da instabilidade.
Nele, é feita uma revisão do mecanismo de flambagem apenas do ponto de vista
estrutural, abordando temas relacionados como carga crítica e condições de contorno
impostas pelos apoios. Neste capítulo, também são abordados os aspectos da análise
não linear, mais especificadamente a análise P-Delta e P-Delta com grandes
deslocamentos.
No quinto capitulo, é realizado um estudo para estacas verticais considerando
a variação de seu comprimento, e análises são feitas observando-se o comportamento
da reação do solo e a estabilidade do elemento de fundação sob a ação do
carregamento axial.
No sexto capítulo, é apresentada a estrutura do píer utilizada no estudo de
caso e são feitas as considerações para o desenvolvimento do mesmo.
O sétimo capítulo traz as análises e os resultados feitos para estaca vertical e
inclinada, fazendo paralelamente, um estudo paramétrico variando as características
de resistência do solo.
O oitavo capítulo traz uma verificação do dimensionamento das estacas que
foram estudadas neste trabalho.
O nono capítulo trata das conclusões desenvolvidas na elaboração deste
trabalho, indicando também sugestões para trabalhos futuros.
Por fim, o décimo capítulo apresenta a bibliografia associada a este trabalho.

3
2 ASPECTOS GERAIS DAS ESTACAS
As estacas são elementos estruturais de fundação profunda que se
assemelham muito aos pilares em sua forma de trabalho; sua principal função é a de
transferir cargas ao terreno, mas podem ter outros usos como para resistir a forças de
cisalhamento em encontro de pontes ou muros de arrimo, compactação de solos
granulares, servindo também como escora a outras estruturas e etc. Quanto à
geometria, podem ser projetadas na vertical ou inclinadas.
De acordo com a NBR 6122:2010 - Projeto e execução de fundações, as
estacas são elementos de fundações profundas, os quais transmitem a carga ao
terreno pela base (resistência de ponta) ou por sua superfície lateral (resistência de
fuste) ou por uma combinação das duas, devendo sua ponta ou base estar assente
em profundidade superior ao dobro de sua menor dimensão em planta, e no mínimo
3,0m. As estacas são inteiramente executadas por equipamentos ou ferramentas sem
que haja, em qualquer fase de sua execução, descida de pessoas.

2.1 Classificação das estacas


Segundo LOPES (2002), as fundações profundas podem ser classificadas
segundo vários critérios dentre os quais se destacam:
 Tipo de material: (madeira, concreto, aço, mistas);
 Deslocamento do solo associado ao processo de instalação/execução: (Neste
sentido a norma inglesa de fundações - Code of Practice CP 2004:1972 –
agrupa as estacas segundo o grau de deslocamentos em estacas de grande
deslocamento, pequeno deslocamento e sem deslocamento);
 Método de transferência de carga: (classificação de TERZAGHI e PECK
(1967), onde são agrupadas em estacas de atrito e estacas de ponta);
 Processo executivo: (estaca tipo Franki, estaca raiz, estaca escavada, e etc);

No entanto, os aspectos relevantes a este trabalho se referem à classificação


feita por DAVISSON (1970), MATLOCK e REESE (1960) e outros autores para
estacas carregadas lateralmente, em função do comprimento e da rigidez relativa
estaca-solo.
A rigidez relativa estaca-solo é definida pelas equações (Eq. 2.1) e (Eq. 2.2)
para K h constante e variável com a profundidade, respectivamente. O coeficiente K h , é
chamado coeficiente de reação horizontal e será abordado com maiores detalhes no
capítulo 3 deste trabalho.

4
4 Ep . I p
R= (Eq. 2.1)
Kh

5 Ep . I p
T= (Eq. 2.2)
nh

onde:
Ep = módulo de elasticidade do material
Ip = momento de inércia da seção transversal da estaca
K h = coeficiente de reação horizontal (dimensão FL−2 )
nh = taxa de crescimento do coeficiente de reação horizontal (dimensão FL−4 )
R = rigidez relativa estaca-solo para coeficiente de reação horizontal constante
T = rigidez relativa estaca-solo para coeficiente de reação horizontal variável com a
profundidade

Assim, a seguinte classificação é adotada:


L L
> 4 𝑜𝑢 > 4 → 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎 𝑓𝑙𝑒𝑥í𝑣𝑒𝑙;
R T
L L
2 < < 4 𝑜𝑢 2 < < 4 → 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎 𝑖𝑛𝑡𝑒𝑟𝑚𝑒𝑑𝑖á𝑟𝑖𝑎;
R T
L L
< 2 𝑜𝑢 < 2 → 𝑒𝑠𝑡𝑎𝑐𝑎 𝑟í𝑔𝑖𝑑𝑎.
R T

onde:
L = comprimento cravado da estaca no solo

Esta classificação é importante, porque mostra que o comportamento é


influenciado diretamente pela rigidez da estaca e do solo. Uma estaca classificada
como rígida tem os deslocamentos devidos a uma rotação do corpo rígido, já uma
estaca flexível tem os deslocamentos devidos à sua flexão. As estacas classificadas
como flexíveis podem ser analisadas como infinitamente longas no que se refere ao
L L
comportamento lateral, pois as soluções para T = 4 são as mesmas que para T
= 10 e

infinito. Para este grupo de estacas é utilizada a teoria de viga sobre base elástica.
Neste trabalho, será dada ênfase ao estudo de uma estaca que pode ser considerada
flexível.

5
2.1.1 Método de transferência de cargas axiais e laterais
Dependendo do comprimento e esbeltez das estacas, e do tipo de
carregamento a que está sujeita, a transferência de carga da estaca para o solo pode
se dar de maneiras diferentes. Como neste trabalho o alvo de estudo compreende as
estacas longas, todas as considerações feitas se referem a este tipo de estaca.
Para carregamentos axiais, em estacas longas e esbeltas, a estaca começa a
se deslocar em sua parte superior (Figura 2.1-a). Quando os níveis de carregamento
vão aumentando outras partes começam a se deslocar e assim o atrito lateral é
mobilizado de cima para baixo (Figura 2.1-b). Como a mobilização do atrito lateral não
depende de deslocamentos muito grandes, somente quando o atrito se esgota a ponta
começa a ser mobilizada (VELOSO E LOPES, 2002).

Figura 2.1 – Deslocamentos da estaca (a) e mobilização do atrito lateral (b) para quatro níveis de
carregamento aplicados. (FONTE: Velloso e Lopes, 2010).

Para carregamentos laterais em estacas longas e esbeltas, o comportamento é


semelhante, isto é, os deslocamentos vão se desenvolvendo inicialmente na parte
superior, porém nestas estacas a magnitude dos deslocamentos é significativa e seu
dimensionamento é, na maioria dos casos condicionado a estes deslocamentos. O
atrito se desenvolve transversalmente (Figura 2.2).
Para estas estacas, a ruptura ocorre quando a resistência à ruptura ou
plastificação é atingida a uma dada profundidade, pelo surgimento de uma rótula
plástica na seção de momento máximo. No entanto, o dimensionamento deve ser
abordado das duas maneiras: para as cargas de trabalho (compatibilidade de
deslocamentos) e dimensionamento para a carga de ruptura (geotécnica e estrutural).

6
Figura 2.2 – Tensões despertadas no solo contra o deslocamento lateral da estaca (Fonte: Velloso e
Lopes, 2010)

Figura 2.3 – Mecanismo de ruptura devido ao carregamento lateral

3 INTERAÇÃO SOLO - ESTRUTURA


No dia-a-dia da prática de projeto de estruturas gerais, um procedimento ainda
muito comum no meio técnico é fazer a análise da superestrutura separadamente da
infraestrutura. Este tipo de procedimento, ainda que muito utilizado, pode levar a
valores de deslocamentos globais e reações na estrutura muito diferentes dos reais
porque ao modelar os apoios da estrutura supondo-os indeformáveis ou infinitamente
rígidos estamos admitindo que sua fundação não sofrerá deslocamentos, o que é
muito diferente do comportamento real dos solos, pois estes constituem um meio
deformável.
Sabemos que a segurança das estruturas está fortemente ligada ao correto
projeto de suas fundações, assim, uma análise de interação solo-estrutura torna-se
uma ferramenta muito útil para avaliar os deslocamentos da estrutura de uma forma
integrada e realista.
Segundo VELLOSO e LOPES (2004), uma análise de interação solo-estrutura
tem por objetivo fornecer os deslocamentos reais da fundação, da estrutura e seus
esforços internos. Esses esforços podem ser obtidos diretamente pela análise da
interação ou, indiretamente por meio das pressões de contato. As pressões de contato
são as pressões na interface estrutura/solo.

7
3.1 Modelos de solo
Em uma análise de interação solo-estrutura, uma das etapas fundamentais é a
escolha adequada do modelo para representação do solo. Segundo VELLOSO e
LOPES (2002), existem dois modelos principais: o Modelo de Winkler e o Modelo do
meio contínuo, sendo que este último pode ser elástico ou elasto-plástico.
No Modelo de Winkler e no Modelo contínuo elástico, é considerado
simplificadamente o comportamento linear do solo, enquanto que no modelo contínuo
elasto-plástico, considera-se o comportamento não linear-físico do solo. A seguir, é
feita uma breve descrição de cada modelo e suas implicações quando adotados em
uma análise de interação solo estrutura.

3.1.1 Modelo de Winkler


Uma maneira simples de avaliar os deslocamentos em estacas submetidas a
carregamentos laterais é considerando a teoria da flexão de uma viga assente sobre
base elástica desenvolvida por WINKLER (1867). Segundo a teoria de Winkler, uma
viga sujeita a um carregamento transversal e assente sobre base elástica sofre
deflexões ao longo do seu comprimento, e como resultado, uma reação distribuída e
de sentido oposto é exercida pelo solo sobre a viga (Figura 3.1-a).
Winkler foi quem primeiro propôs a representação do solo como um sistema de
molas lineares, independentes entre si, com pequenos espaçamentos entre elas,
trabalhando no regime elástico. Essa representação é conhecida como Modelo de
Winkler, Hipótese de Winkler, Modelo de Molas, ou ainda Modelo do Fluido Denso,
uma vez que o comportamento é similar ao de uma membrana assente sobre um
fluido denso.
Pela Hipótese de Winkler, a reação por unidade de comprimento resultante do
solo sobre a viga é função do deslocamento daquele ponto da viga na direção
correspondente.
O solo é representado por um “coeficiente de reação” que pode ser constante
ou variar com a profundidade.
Assim, para uma viga sobre base elástica submetida a carregamentos
transversais, o Modelo de Winkler prevê que as pressões de contato (q) são
proporcionais aos deslocamentos verticais (w), (Eq. 3.1), como pode ser visto na
Figura 3.1-b.

q = kv w (Eq. 3.1)

8
onde:
k v = coeficiente de reação vertical do solo, coeficiente de recalque, módulo de reação
ou coeficiente de mola.

Figura 3.1 – Modelo de Winkler (a) e coeficiente de reação vertical (b). (Fonte: Velloso e Lopes, 2010)

Para o caso de uma estaca submetida a carregamento horizontal, podemos


utilizar uma extensão da hipótese de Winkler formulada para o estudo de vigas de
fundação (Figura 3.2). Assim, as pressões de contato (p) são proporcionais aos
deslocamentos horizontais (y), (Eq. 3.2), para o caso de carregamento horizontal.

q = kh . y (Eq. 3.2)

onde:
k h = coeficiente de reação horizontal ou módulo de reação horizontal.

Figura 3.2 – Modelo de Winkler de Winkler estendido para estacas. (Fonte: Velloso e Lopes, 2010)

A equação diferencial que descreve o modelo de Winkler é dada pela equação


(Eq. 3.3).
d4 y
EP . I P . + p. d = 0 (Eq. 3.3)
dz 4

9
onde:
p = kh . y
y = deslocamento lateral da estaca
p = pressão lateral do solo sobre a estaca
d = diâmetro da estaca
k h = coeficiente de reação horizontal

TIMOSHENKO (1947) resolveu a equação diferencial (Eq. 3.3) para várias


condições de contorno. Por se tratar de um modelo discreto, no Modelo de Winkler, a
natureza contínua do solo é ignorada, sendo essa uma das grandes desvantagens do
modelo. Outra desvantagem está relacionada às dificuldades de obtenção do
coeficiente de reação horizontal do solo, o mesmo não é uma propriedade do solo, e
depende das dimensões da fundação. Porém, devido à sua simplicidade de aplicação
a problemas práticos de engenharia, uma considerável gama de trabalhos foi
desenvolvida ao longo do tempo, e diversos pesquisadores do assunto deixaram suas
contribuições e muitas correlações empíricas estão disponíveis para a determinação
do coeficiente, como pode ser visto em notável trabalho de THERZAGHI (1955).
A escolha deste método nas modelagens para análise de interação solo-
estrutura que serão feitas neste trabalho se justificam por ser um método de fácil
aplicação muito difundido no meio técnico e que apresenta respostas satisfatórias para
os principais tipos de fundação.

3.1.2 Modelo contínuo elástico


O modelo contínuo elástico foi originalmente proposto por POULOS (1971a,
1972c), sendo baseado na teoria da elasticidade. Neste modelo, o solo é considerado
como um meio ideal, homogêneo e isotrópico, sendo representado por dois
parâmetros elásticos, o módulo de elasticidade (𝐸𝑠), e o coeficiente de Poisson (𝑣)
(Figura 3.3).

Figura 3.3 – Modelo contínuo elástico (Fonte: Velloso e Lopes, 2010)

Na solução (POULOS, 1971a e 1972c), foram considerados dois casos: estaca


com ponta livre e ponta fixa. No modelo, o desenvolvimento de tensões de

10
cisalhamento horizontal não são levados em conta e é considerada a aderência entre
o solo e a estaca na superfície da mesma.
A equação diferencial que governa o problema da estaca embutida em meio
homogêneo é dada pela equação (Eq. 3.3) apresentada anteriormente.
Os deslocamentos do solo para os pontos ao longo da estaca são relacionados
com as pressões do solo pela matriz de flexibilidade adimensional conforme é
mostrado pela equação (Eq. 3.4). A matriz de flexibilidade do solo é o resultado da
integração das expressões de Mindlin feita por DOUGLAS E DAVIS (1964) sobre uma
área retangular para o caso de deslocamento horizontal de um ponto no interior de
uma massa semi-inifinita de solo sob carga horizontal pontual.
d
y = I . {p} (Eq. 3.4)
Es s

onde:
Es = módulo de elasticidade do solo
Is = matriz de flexibilidade adimensional do solo

Assim a pressão pode ser escrita como (Eq. 3.5):


Es −1
p = I . {y} (Eq. 3.5)
d s

Substituindo a equação (Eq. 3.4) na equação (Eq. 3.5), obtém-se (Eq.3.6):


d4 y −1
EP . I P . + Es . I s . {y} = 0 (Eq. 3.6)
dz 4

A equação (Eq. 3.6) é a equação diferencial que foi utilizada por POULOS
(1972a, 1970) e resolvida pelo método das diferenças finitas para obtenção dos
deslocamentos e rotações no topo da estaca.
A representação do solo como um meio contínuo elástico é bastante
satisfatória do ponto de vista teórico, porque leva em conta a natureza contínua do
solo. Porém, o modelo elástico é uma aproximação idealizada do solo real, pois para
que seja válida a hipótese de material elástico, os acréscimos de tensão e as
deformações devem ser pequenas de tal forma que o estado de tensões esteja muito
distante da ruptura. A maior dificuldade no emprego do modelo contínuo reside na
dificuldade de se obter o módulo de elasticidade apropriado do solo em um problema
prático, por isso, requer maior experiência de campo.

11
3.1.3 Modelo contínuo elasto-plástico
A solução exata do problema de uma estaca embutida em uma massa de solo
com comportamento elasto-plástico é de difícil solução na mecânica do contínuo;
assim, o modelo elasto-plástico requer uma solução por aproximação numérica. Uma
das suas formas de implementação é utilizando o Método dos Elementos Finitos, por
exemplo. No modelo elasto-plástico, o comportamento do solo é modelado até a
ruptura. No geral, em raras aplicações, é considerado este tipo de modelo, por não
apresentar um caráter prático, pois requer uma grande quantidade de manipulação de
dados de alto custo de processamento, o que inviabiliza a sua aplicação em
problemas práticos.

3.1.4 Modelo de Winkler modificado


Uma das formas de considerar o comportamento não linear físico dos solos é
utilizando uma expansão do modelo de Winkler, chamado Winkler Modificado. Neste
modelo, as molas lineares dão lugar a molas com comportamento não linear e o
comportamento do solo é modelado até a ruptura por um conjunto de molas que
representam o comportamento lateral, axial e de ponta do solo.
Este modelo tem vasta aplicação na indústria offshore onde se justifica sua
aplicação pela sua facilidade de implementação e pelas exigências de modelagem não
linear do solo.

3.2 Reação do solo


O entendimento do mecanismo pelo qual a estaca transfere carga ao solo é de
fundamental importância numa análise de interação solo estrutura, porém trata-se
também de um assunto complexo, porque este mecanismo não depende apenas das
características do solo, como também do elemento de fundação (diâmetro, rigidez) e
como ele se comporta sob a ação dos carregamentos que o solicitam (LOPES, 2002).
Como visto anteriormente, na teoria de vigas sobre base elástica, a reação do
solo é proporcional aos deslocamentos, sendo essa relação de proporção expressa
pelo coeficiente de reação. Esse conceito foi introduzido por Winkler em 1867.

3.2.1 O coeficiente de reação vertical do solo (𝐤 𝐯 )


O coeficiente de reação vertical do solo pode ser obtido por meio de ensaio de
placa, tabelas de valores típicos e correlações ou pelo cálculo do recalque da
fundação real. O coeficiente obtido pelo ensaio de placa é dado pela relação entre a

12
pressão em qualquer ponto da superfície de contato e o deslocamento vertical
produzido devido à aplicação de uma carga conforme mostra a equação (Eq. 3.7)

q
kv = (Eq. 3.7)
w

O valor do coeficiente k v pode ser obtido estimando-o por valores típicos


fornecidos na literatura, como é o caso dos valores apresentados na Tabela 3.1,
fornecida por Terzaghi (1955) para um para uma placa quadrada. Um cuidado no uso
desses valores é o de se fazer as devidas correções de dimensões e de forma, pois os
valores de k v também variam em função das dimensões da estrutura.

Tabela 3.1: Valores típicos do coeficiente de reação vertical para areias e argilas recomendados por
Terzaghi, 1955 (adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010).

Argilas Rija Muito Rija Dura

Faixa de valores [kgf/cm³] 1,6-3,2 3,2-6,4 >6,4

Valor proposto 2,4 4,8 9,6


Med.
Areias Fofa Compacta
Compacta
Faixa de valores [kgf/cm³] 0,6-1,9 1,9-9,6 9,6-32
Areia acima do NA 1,3 4,2 16
Areia Submersa 0,8 2,6 9,6

3.2.2 O coeficiente de reação horizontal do solo (𝐤 𝐡 )

O coeficiente de reação horizontal do solo (𝑘𝑕 ) é expresso pela razão entre a


pressão (força por unidade de área) e o deslocamento horizontal associado, como
mostra a equação (Eq. 3.8), assim o coeficiente de reação horizontal tem a dimensão
de força por unidade de volume [FL−3 ].

pa
kh = (Eq. 3.8)
y

O valor de 𝑘𝑕 pode ser obtido por ensaios de placas, ensaios pressiométricos


ou tabelas de valores típicos e correlações empíricas. A definição dos valores de 𝑘𝑕
para o caso de estacas costuma ser um problema mais complexo do que para o caso
de vigas assentes sobre base elástica porque, para estas, pode-se admitir que a viga
está em repouso sobre uma camada de solo uniforme; já para o caso de estacas, a

13
mesma pode atravessar diversas camadas de solo com naturezas distintas, sendo que
em alguns solos, as características elásticas podem variar sensivelmente com a
profundidade (VELLOSO E LOPES, 2010). Para o caso de solos com coeficiente de
reação horizontal crescente com a profundidade, seu valor pode ser obtido pelas
equações (Eq. 3.9) ou (Eq. 3.10).

k h = mh . z (Eq. 3.9)

z
k h = nh . (Eq. 3.10)
B
onde:
mh = taxa de crescimento do coeficiente de reação horizontal com a
profundidade [FL−4 ].
nh = taxa de crescimento do coeficiente de reação horizontal com a profundidade
incluindo a dimensão transversal [FL−3 ].
z = profundidade em solo.
B = diâmetro da seção transversal da estaca.

TERZAGHI (1955) em seu trabalho sugeriu estimar o coeficiente de reação


horizontal do solo por uma relação entre o módulo de elasticidade do solo e a
dimensão transversal da estaca. O autor propõe, em seus trabalhos, que
deslocamentos a uma distância maior do que 3B da estaca não tem influência sobre o
comportamento à flexão, obtendo a relação expressa na equação (Eq. 3.11).

E
k h = 0,74. (Eq. 3.11)
B

Outros autores como PYKE e BEIAKE (1985), baseados em análises feitas


pela Teoria da Elasticidade, sugerem tomar para o valor do módulo de elasticidade, o
valor secante, obtendo-se a expressão para k h da equação (Eq. 3.12).

E
k h = 2. (Eq. 3.12)
B

Contudo, há que se levar em conta que o módulo de elasticidade depende das


condições de drenagem e do nível de carregamento. De forma prática, considera-se
que em solos argilosos saturados tem-se uma condição não drenada para
carregamento rápido, mas, em uma situação em que a carga é mantida, deve ocorrer

14
drenagem no longo prazo, e um correto cálculo de deslocamentos deve levar em conta
os parâmetros não drenados, pois os mesmos levam a deslocamentos maiores.
Outro ponto importante, e que vale ser ressaltado, é que em alguns trabalhos,
o coeficiente de reação horizontal pode estar expresso incorporando a dimensão
transversal da estaca e, nestes casos, tem a unidade de força por unidade de área
[𝐹𝐿−2 ], (Eq. 3.13):

Kh = kh . B (Eq. 3.13)

Nos subitens a seguir, são apresentados alguns valores típicos do coeficiente de


reação horizontal para areias, argilas moles e argilas rijas.

3.2.2.1 Areias
Para areias, TERZAGHI (1955), recomendou considerar o coeficiente de
reação horizontal diretamente proporcional à profundidade (Figura 3.). No entanto, a
hipótese de que o coeficiente de reação horizontal cresce linearmente com a
profundidade deve ser sempre verificada, e pode ser feito com o auxílio do ensaio
SPT. O perfil de solo, também pode apresentar variações da compacidade entre
camadas e, neste caso, adota-se um coeficiente de reação horizontal diferente para
cada camada.

Figura 3.4 – Modelo de coeficiente de reação horizontal do solo para areias, real x admitido (adaptado de
Prakash e Sharma, 1990).

TERZAGHI (1955) recomendou o uso de valores típicos para areias, os quais


podem ser vistos na Tabela 3.2.

15
Tabela 3.2: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para areias recomendados por Terzaghi,
1955 (adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010)

nh (MN/m³)
Compacidade Acima do Abaixo
NA do NA
Fofa 2,2 1,3
Medianamente
6,6 4,4
compacta
Compacta 18,0 11,0

Outro trabalho onde podem ser encontrados valores típicos para o coeficiente
de reação horizontal é o de REESE et al. (1974). A Tabela 3.3 apresenta os valores
propostos pelos autores para areias abaixo do nível d‟ água.

Tabela 3.3: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para areias abaixo do nível d‟ água
(REESE et al., 1974 adaptado de Prakash e Sharma, 1990)

Compacidade nh (MN/m³)
Fofa 5,4
Medianamente
16,3
compacta
Compacta 33,9

3.2.2.2 Argilas moles


Para argilas moles normalmente adensadas é admitida a condição não
drenada e a hipótese de que o coeficiente de reação horizontal cresce com a
profundidade, a qual deve ser sempre verificada.
Terzaghi (1955) não fornece valores típicos para argilas moles, e na literatura,
há algumas poucas sugestões de valores para solos argilosos moles. A Tabela 3.4
apresenta uma faixa de valores de nh para argilas moles.

Tabela 3.4: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para argilas moles (adaptado de VELLOSO
E LOPES, 2010).

Tipo de solo Valores de nh


(kN/m³)
Solos orgânicos recentes (vasa,
10
lodo, turfa, etc.)

Argila orgânica, sedimentos


60
recentes

Argila siltosa mole, sedimentos


consolidados (normalmente 80
adensados)

16
3.2.2.3 Argilas rijas
Para argilas muito sobreadensadas, onde k h poderia ser considerado
constante com a profundidade (Figura 3.5), Terzaghi (1955), em seus trabalhos,
sugere valores típicos. Observa-se que os valores são os mesmos obtidos para o
coeficiente de reação vertical obtido pelo ensaio com placas horizontais de 1‟x1‟.

Figura 3.5 – Modelo de coeficiente de reação horizontal do solo para areias, real X admitido (adaptado de
Prakash e Sharma, 1990).

A Tabela 3.5 apresenta os valores de k h propostos pelo autor.

Tabela 3.5: Valores típicos do coeficiente de reação horizontal para argilas sobreadensadas
recomendados por Terzaghi, 1955 (adaptado de VELLOSO E LOPES, 2010).

Resistência à Valores
Faixa de valores
compressão recomendados
Kh (MN/m²)
simples (MN/m³) Kh (MN/m²)
0,02 - 0,04 0,7 - 4 0,8
0,1 - 0,2 3 - 6,5 5
0,2 - 0,4 6,5 - 13 10
>0,4 >13 20

3.2.3 Curvas p-y


Em seus trabalhos, VELLOSO E LOPES (2010) mencionam que com o
desenvolvimento da indústria offshore, amplas pesquisas foram desenvolvidas em
estacas carregadas lateralmente, com o intuito de desenvolver modelos capazes de
descrever o comportamento do solo até a ruptura. Para a correta representação do
comportamento do solo, tornou-se necessária, a introdução de molas não lineares, e
sua implementação nos modelos de interação solo-estrutura, se deu, com o uso das
“curvas p-y”.
O método das curvas p-y, apresenta-se como uma extensão do modelo de
Winkler, com o diferencial de que a relação entre a reação desenvolvida pelo solo e o

17
deslocamento da estaca é não linear. Um ponto importante no uso destas curvas, é
que as mesmas são definidas para cada camada de solo (Figura 3.6), permitindo uma
mobilização diferente da resistência lateral do solo em função do deslocamento sofrido
pela estaca e uma melhor representação do comportamento do solo em cada camada.
As curvas p-y são recomendadas pelas normas API RP 2A-WSD (2007) e ISO 19902
(2007), sendo normalmente definidas para solos coesivos e não coesivos,
separadamente.

Figura 3.6: Curvas p-y definidas para cada camada de solo. (Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES,
2002).

3.3 Métodos de análise para estacas flexíveis carregadas lateralmente


Estudos foram desenvolvidos ao longo do tempo por diversos autores para
prever os deslocamentos e solicitações nas estacas classificadas como flexíveis e
carregadas lateralmente, a grande maioria delas foram tratadas como vigas de
comprimento semi-infinito. Alguns trabalhos se basearam na teoria de Winkler, outros
na teoria da elasticidade e teoria da plasticidade. Destacam-se os trabalhos de
HETENYI (1946), descrito por POULOS (1980) que obteve uma solução fechada
utilizando o coeficiente de reação horizontal constante, para estacas de ponta livre e
engastada em solos argilosos.
Para um coeficiente de reação horizontal variando linearmente com a
profundidade MICHE (1930) foi o primeiro a estudar o problema adotando o tratamento
de viga sobre base elástica. MATLOCK e REESE (1960), também estudaram o caso
para K h variável com a profundidade chegando a equações para o cálculo dos
deslocamentos e momentos ao longo da estaca.

18
Para curvas p-y destaca-se o método de cálculo desenvolvido por DUNCAN
19T al (1994).
Será dada ênfase aqui ao método de Davisson e Robinson por fazer parte das
comparações feitas nesse trabalho.

3.3.1 O método de Davisson e Robinson


DAVISSON e ROBINSON (1965) propuseram um método de fácil aplicação
para calcular a carga crítica e fazer a verificação da flambagem de estacas ou
tubulões considerados longos/flexíveis e submetidos a forças axiais, transversais, e
momentos fletores. De forma a simplificar os cálculos, consideraram que o
comprimento do elemento estrutural pode ser dividido em duas partes como pode ser
visto na Figura 3.7. A primeira, correspondendo ao comprimento livre da estaca (Lu ) e
a segunda parte correspondendo ao comprimento cravado necessário para conduzir a
uma haste rigidamente engastada (Ls ). A haste rigidamente engastada terá
comprimento total dado pela equação (Eq. 3.14) de forma que Le tenha os mesmo
deslocamentos e carga crítica de flambagem da estaca original.

Le = Lu + Ls (Eq. 3.14)

Figura 3.7: Comprimentos adotados no método de Davisson e Robinson (1965). (Fonte: Fundações vol II
VELOSO E LOPES, 2002)

19
Pelo método, o comprimento (Ls ) pode ser obtido a partir das curvas propostas
pelos autores mostradas nas Figuras 3.8 e 3.9; estas curvas foram obtidas por
DAVISSON E ROBINSON (1965) adotando a solução dada por HETENYI (1946) para
uma viga de comprimento semi-infinito sobre base elástica.

Figura 3.8: Coeficientes para flambagem do método de Davisson e Robinson (1965) para Kh constante.
(Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES, 2002)

Figura 3.9: Coeficientes para flambagem do método de Davisson e Robinson (1965) para Kh = nh.z.
(Fonte: Fundações vol II VELOSO E LOPES, 2002)

Os autores propuseram, em seus trabalhos, dois casos para análise,


diferenciando-os na forma de considerar o coeficiente de reação horizontal do solo. No
primeiro caso, considera-se que o coeficiente de reação horizontal do solo é
constante; no segundo caso, o coeficiente de reação horizontal do solo varia com a
profundidade conforme a equação (Eq. 3.15), sendo que o valor do coeficiente de
reação horizontal do topo da estaca até o nível do terreno é nulo.
Para o primeiro caso, a equação diferencial da viga sobre base elástica (Eq.
3.15) foi reescrita utilizando as grandezas presentes nas equações (Eq. 2.1), (Eq. 3.
16) e (Eq. 3.17).

20
d4 y d2 y
Ep . I p 4 + Vt + Kh y = 0 (Eq. 3.15)
dz dz 2

z
L= (Eq. 3.16)
R

Vt . R2
U= (Eq. 3.17)
E p . Ip
onde:
Ep = módulo de elasticidade do material da estaca;
Ip = momento de inércia da seção da estaca;
Vt = carga axial;
K h = coeficiente de reação horizontal corrigido pela seção da estaca: K h = k h B;
y = deslocamento horizontal da estaca;
z = profundidade em solo;
R = rigidez relativa estaca-solo para k h constante.
L = comprimento cravado da estaca.

Para a resolução do primeiro caso, os autores introduziram grandezas


adimensionais, como pode ser verificado nas equações (Eq. 3.17), (Eq. 3.18) e (Eq.
3.19).
L
Lmáx = (Eq. 3.17)
R

LS
SR = (Eq. 3.18)
R

Lu
JR = (Eq. 3.19)
R
onde:
SR e JR = parâmetros adimensionais do método;
Lu = comprimento livre da estaca;
Lmáx = máximo comprimento para consideração da estaca como sendo flexível;
LS = comprimento cravado necessário para considerar uma haste rigidamente
engastada;

21
Para a solução no segundo caso, os procedimentos adotados no primeiro caso
foram repetidos. As grandezas expressas nas equações (Eq. 2.2), (Eq. 3.20) e (Eq.
3.21) foram utilizadas na equação da viga sobre base elástica e as seguintes
grandezas adimensionais introduzidas, como mostrado nas equações (Eq. 3.22), (Eq.
3.23) e (Eq. 3.24).
z
Z= (Eq. 3.20)
T

Vt . T 2
V= (Eq. 3.21)
Ep . I

L
Zmáx = (Eq. 3.22)
T

LS
ST = (Eq. 3.23)
T

Lu
JT = (Eq. 3.24)
T
onde:
T = Rigidez estaca-solo para k h variável com a profundidade;
ST e JT = parâmetros adimensionais do método;
Z = comprimento cravado da estaca;
Zmáx = máximo comprimento para consideração da estaca como sendo flexível;

A carga crítica de flambagem proposta por DAVISSON E ROBINSON (1965) é


dada pela equação (Eq. 3.25).
π2 . Ep . Ip
Vcrit = (Eq. 3.25)
4R2 (SR + JR )2

4 INSTABILIDADE ESTRUTURAL
Os problemas ligados à instabilidade estrutural estão relacionados ao caso de
peças lineares esbeltas submetidas a cargas axiais de compressão ou a uma
combinação de cargas axiais e transversais.
Em estruturas gerais, as estacas trabalham submetidas a esforços de
compressão, e em casos muito particulares podem trabalhar submetidas a esforços de
tração ex.: blocos de ancoragem, fundação de torres de transmissão elétrica e etc.

22
Embora estejam sujeitas a fenômenos de instabilidade, as estacas não
costumam falhar por instabilidade, isso porque, normalmente o fenômeno não ocorre
em estacas que permaneçam totalmente enterradas. No entanto, Granholm, em 1929,
mostrou que a flambagem pode acontecer em estacas de dimensões normais que
atravessam solos muito moles. Segundo (FLEMING et al.,2009) há dois contextos
principais onde a flambagem em estacas pode acontecer: um deles é durante sua
instalação e ou outro é sob condições de trabalho quando a carga axial pode estar
próxima à carga crítica de flambagem, ocorrendo geralmente em estacas que
atravessam depósitos de solos moles. O EUROCODE 7 em seu item 7.8 recomenda
que estacas esbeltas que atravessem a água ou espessos depósitos de solo de baixa
resistência sejam verificadas quanto à flambagem, sendo essa verificação dispensada
quando a resistência ao cisalhamento do solo excede 10kPa. Semelhantemente, a
NBR 6122:2010 em seu item 8.6.1 exige que as estacas executadas em solos sujeitos
à erosão, imersas em solos muito moles ou que tiverem sua cota de arrasamento
acima do nível do terreno, sejam verificadas quanto à flambagem.
Com o passar dos anos, as estacas foram ficando cada vez mais esbeltas, e
cada vez mais situações surgiram na engenharia, onde se tornou necessário o
emprego de estacas que se estendem por uma distância considerável do nível do
terreno, como é o caso das estacas de píers de navios, sendo necessária a verificação
da instabilidade em seu projeto.
Nos próximos tópicos, os conceitos fundamentais ao entendimento da
instabilidade estrutural e suas implicações para o projeto de peças lineares será
abordado com maiores detalhes.

4.1 A estabilidade do equilíbrio


Uma maneira simples de compreender como se processa a estabilidade
estrutural é associá-la ao conceito de equilíbrio. A estabilidade do equilíbrio é um
conceito básico da Mecânica dos corpos rígidos que pode ser facilmente
compreendido através do problema clássico de uma esfera rígida em repouso sobre
uma superfície lisa e submetida à ação do seu próprio peso (REIS E CAMOTIM,
2001). Se a esfera estiver repousando sobre uma superfície côncava (Figura 4.1-a)
dizemos que o equilíbrio é estável; se a esfera estiver repousando sobre uma
superfície convexa (Figura 4.1-b) o equilíbrio é instável; por outro lado se a esfera
repousa sobre uma superfície horizontal (Figura 4.1-c) o equilíbrio é indiferente.

23
(a) (b) (c)
Figura 4.1: Equilíbrio estável (a), equilíbrio instável (b) e equilíbrio indiferente (c). (FONTE: Reis e
Camotim, 2001)

Este conceito, embora formulado para sistemas rígidos, pode ser estendido
para estruturas com comportamento elástico ou elasto-plástico. Assim, a estabilidade
de uma peça estrutural pode ser avaliada através do comportamento da estrutura após
sofrer a ação temporária de uma força arbitrária. Se ela retorna à sua configuração
inicial quando termina a ação diz-se que a estrutura é estável, caso contrário a
estrutura é instável. É importante observar que o equilíbrio instável faz com que a
estrutura se afaste cada vez mais da posição original de equilíbrio até que assuma
uma nova posição de equilíbrio (REIS E CAMOTIM, 2001).

4.2 Flambagem
Flambagem é o nome dado à instabilidade por flexão transversal que ocorre
em peças esbeltas submetidas à compressão axial, fazendo com que a barra sofra
deflexões laterais. As falhas por flambagem costumam ser repentinas e catastróficas.
Por ser um tipo de instabilidade elástica, a ruptura da peça ocorre sem que a mesma
tenha atingido o limite de escoamento do material, daí surgindo o conceito de carga
crítica de flambagem.
A evolução dessa instabilidade se dá ao longo de uma trajetória de equilíbrio e
ocorre na transição entre uma configuração de equilíbrio estável e instável, recebendo
o nome de instabilidade bifurcacional. Essa instabilidade se caracteriza pela existência
de uma trajetória de equilíbrio que se inicia na origem do diagrama carga
deslocamento, um ponto de bifurcação (carga crítica), e uma trajetória de pós
encurvatura.

4.2.1 Carga crítica de flambagem


A carga crítica de flambagem é a máxima carga axial que uma coluna ideal
pode suportar antes de atingir o colapso por flambagem e a configuração indeformada
da estrutura deixar de ser estável.

24
As peças esbeltas submetidas a carregamentos de compressão, no geral são
chamadas de colunas. Quando existem carregamentos transversais são chamadas de
vigas-coluna. Leonhard Euler, em 1757, estudou as colunas e foi o primeiro a deduzir
a expressão da carga crítica de flambagem utilizando a equação diferencial da linha
elástica para uma coluna ideal apoiada em pinos submetida a carregamento axial
(NASH, 2001). O cálculo é realizado na posição deformada da coluna.
Para a coluna ideal adotam-se as seguintes simplificações:
 A coluna é perfeitamente reta antes do carregamento;
 A coluna é feita de material homogêneo;
 O material do qual é feita a coluna é elástico-linear;
 A carga é aplicada pelo centróide;
 A coluna flete em um único plano;

A expressão obtida por Euler é dada na equação (Eq. 4.1)

π2 . E. I
Pcr = (Eq. 4.1)
L2
onde:
Pcr = carga crítica;
E = módulo de elasticidade do material da coluna;
I = momento de inércia da seção da coluna;
L = comprimento da coluna;

O valor expresso pela equação (Eq. 4.1) corresponde ao menor valor de carga
capaz de gerar a instabilidade na coluna. Aumentando-se valor de carregamento para
além de Pcr , a coluna poderia encontrar outras posições de equilíbrio estável e
respectivamente, outras configurações de deformada (modos de flambagem). Para
fins de projeto, os valores que interessam são aqueles para os quais 𝑃𝑐𝑟 é mínimo.

4.2.2 Influência da vinculação na carga crítica


As vinculações tem influência significativa no cálculo da carga crítica, isso
porque, interferem diretamente na deformada da coluna. Semelhantemente à forma
como foi deduzida a equação (4.1), a mesma foi deduzida por Euler para condições de
contorno diferentes, obtendo diferentes formatos da linha elástica de flambagem como
pode ser visto na Figura (4.2). Nos casos em que a estrutura é hiperestática,

25
naturalmente estas equações tornam-se mais complexas, e necessitam de métodos
numéricos de resolução para se chegar ao valor da carga crítica.

4.2.3 Comprimento efetivo de flambagem


O comprimento efetivo de flambagem pode ser entendido como o comprimento
entre dois pontos de momento fletor nulo de uma coluna na sua posição deformada
(HIBBELER, 2010). Para o caso da coluna biapoiada, o comprimento efetivo de
flambagem coincide com o comprimento total da coluna, porém, alterando-se as
vinculações esse valores se alteram. Ao invés de especificar o comprimento efetivo da
coluna, muitas normas de projeto fornecem fórmulas que empregam um coeficiente
adimensional K chamado de coeficiente de flambagem, em algumas literaturas é
chamado por fator de comprimento efetivo (HIBBELER, 2010), um exemplo é a NBR
8800:2008, sendo o comprimento efetivo definido pela equação (Eq. 4.2). A expressão
para carga crítica é reescrita como na equação (Eq. 4.3).

Lef = KL (Eq. 4.2)

π2 . E. I
Pcr = (Eq. 4.3)
(KL)2
onde:
K = coeficiente de flambagem
Lef = comprimento efetivo de flambagem

Como as expressões para carga crítica, estes valores estão definidos apenas
para os tipos mais comuns de vinculação. Para serem obtidos os valores de K para
outras vinculações uma alternativa seria calcular o valor do comprimento efetivo entre
pontos de momento nulo ou, de posse do valor da carga crítica, obtê-lo pela equação
(Eq. 4.3).
Alguns valores do coeficiente K podem ser vistos na Figura 4.2.

26
Figura 4.2: Comprimentos efetivos de flambagem (FONTE: Stability of Structures - Elastic, inelastic,
fracture and damage theories (1991)

O coeficiente K é um importante parâmetro, porque indica o quanto uma


estrutura responde aos efeitos da instabilidade para um carregamento axial de
compressão, variando em função das condições de contorno. Dessa forma, valores
grandes de K envolvem maiores comprimentos de flambagem e menores cargas
críticas, enquanto que para valores menores de K temos menores comprimentos de
flambagem e carga crítica maior.

4.3 Análise não linear


O comportamento de uma estrutura sob a ação de carregamentos pode ser
modelado de diversas maneiras, sendo de grande importância para um engenheiro de
estruturas saber identificar os efeitos que estas ações provocam na estrutura com
relação aos deslocamentos, tensões e deformações.
Dependendo do problema que se deseja estudar, um tipo de análise ou mais
podem ser adotados, no entanto, em todas elas as seguintes condições devem ser
atendidas:
 Condições de compatibilidade
 Condições de equilíbrio
 Leis constitutivas dos materiais
 Relações cinemáticas (relações deformação-deslocamento)

A análise linear de estruturas é o tipo de análise mais simples e mais utilizado


no projeto de estruturas, pois estas em sua maioria exibem um comportamento linear

27
sob a hipótese de pequenos deslocamentos. A análise não linear, por outro lado, é
uma análise onde se tenta otimizar o comportamento da estrutura avaliando a sua
resposta de forma incremental ou iterativa. Essa análise é mais sofisticada e traz
resultados mais seguros.
Existem duas formas de considerar o comportamento não linear em estruturas:
a não linearidade física e a não linearidade geométrica.

4.3.1 Não linearidade física


A não linearidade física é caracterizada pelo material não apresentar uma
relação tensão-deformação linear, ou seja, quando o material não segue a lei de
Hooke. Essa não linearidade altera as relações constitutivas, gerando equações mais
complexas, onde o módulo de elasticidade do material varia para valores de tensões
diferentes.
O concreto e o aço são dois materiais muito utilizados na construção civil e que
apresentam relação tensão deformação bem diferentes. O aço é considerado um
material elástico linear antes de atingir seu patamar de escoamento, já o concreto
armado apresenta um comportamento tipicamente não linear devidos aos efeitos de
fissuração, fluência, escoamento das armaduras e outros fatores de menor
importância.
Em projeto, para fins de consideração dos efeitos da não linearidade física em
peças submetidas a esforço normal, é usado o diagrama momento-curvatura. O
diagrama é gerado para um dado valor de força normal e uma taxa de armadura, com
o auxílio de programas computacionais.
A relação momento-curvatura apresenta o aspecto da Figura 4.3

Figura 4.3: Aspecto do diagrama momento-curvatura. (FONTE: NBR 6118:2014)

28
4.3.2 Não linearidade geométrica
A não linearidade geométrica é caracterizada pela violação da hipótese de
pequenos deslocamentos, de forma que a geometria da estrutura deformada é muito
diferente da estrutura não deformada, gerando equações de equilíbrio muito
diferentes. O que faz com que esse efeito aconteça é que para valores grandes de
deslocamentos horizontais (deflexões) a carga axial gera esforços de momento
adicionais, conhecidos como momentos de segunda ordem. Essa não linearidade é
computada nas relações deformação-deslocamento e nas equações de equilíbrio.
Uma análise linear de estruturas não permite identificar ou estudar fenômenos
de instabilidade, o que resulta do fato de a natureza destes fenômenos ser
geometricamente não linear (REIS E CAMOTIM, 2001); dessa forma, introduziu-se o
conceito de matriz de rigidez geométrica ou matriz de rigidez de estabilidade
(VENÂNCIO, 1975).
Neste trabalho apenas os efeitos da não linearidade geométrica serão
considerados.

4.4 Análise pelo processo P- Delta


P-Delta é o nome que se dá ao efeito de acréscimo de momentos (momentos
de segunda ordem) provenientes da deslocabilidade horizontal da estrutura, podendo-
se dizer que P-Delta é um tipo de análise não linear geométrica. No que concerne às
análises, quando esses efeitos são significativos, faz-se uma análise pelo processo P-
Delta para considerar esses efeitos e suas magnitudes.
O processo P-Delta é um processo iterativo. Em algumas literaturas recebe o
nome de método da carga lateral fictícia, justamente porque no método procura-se
transformar os efeitos dos deslocamentos em cargas laterais fictícias para então
proceder a uma nova análise. Nas etapas do processo, primeiramente calculam-se os
deslocamentos iniciais da estrutura original (análise de primeira ordem), para um dado
carregamento externo. Depois, com a geometria dada por estes deslocamentos,
calculam-se as forças nodais. Como a estrutura não apresenta um comportamento
linear, as forças nodais não ficam em equilíbrio com o carregamento externo; para que
estivessem, deveria existir uma força fictícia horizontal. Esta força fictícia é então
aplicada para a última configuração de deslocamentos obtida e novos deslocamentos
são encontrados. Para esse novo deslocamento, as forças nodais são calculadas
novamente e mais uma vez se verifica que estas não se equilibram com as forças
externas. Este processo é repetido até que a diferença entre os carregamentos
fictícios obtidos a cada iteração atinja uma precisão desejada, onde se diz que a
estrutura está numa posição de equilíbrio. (VENÂNCIO, 1975).

29
5 INTERAÇÃO SOLO ESTRUTURA EM ESTACAS ISOLADAS
Para entender o comportamento de uma estaca isolada e do solo quando
realizamos uma análise de interação solo-estrutura utilizando a hipótese de Winkler,
foram montados modelos tridimensionais de estacas verticais de comprimentos
variados utilizando o Programa SAP2000. As análises foram feitas utilizando molas
lineares espaçadas a cada 1 metro. Nas análises, todos os comprimentos utilizados,
conduzem à classificação de estaca flexível feita por Davisson (1970). Para a
computação da rigidez da mola foi empregado o coeficiente de reação horizontal do
solo fazendo as devidas correlações com a seção transversal e profundidade. Para
efeito de comparação com o método de Davisson e Robinson, o coeficiente de rigidez
vertical do solo na ponta da estaca não foi adotado, a estaca foi considerada
totalmente restringida na ponta à translação e à rotação em torno do eixo Z global,
sendo o eixo Z coincidente com a direção axial da estaca. As molas foram adotadas
nas direções X e Y global do modelo. Todas as análises foram feitas tanto para o caso
de estaca com topo livre para transladar e rotacionar, como para topo engastado com
translação possível.

Os dados da seção e do material utilizados nos modelos são os seguintes:


∅ = 1,00 m
A = 0,785 m2
I = 0,049 m4
fck = 20MPa
Camisa metálica 12,5 mm
Aço ASTM A36
Eequivalente = 21318000 kPa

O cálculo do módulo de Elasticidade equivalente encontra-se no Anexo A deste


trabalho, devidamente justificado.

5.1 Efeito da carga axial na estabilidade considerando a análise de


interação solo-estrutura

5.1.1 Considerações para o coeficiente constante com a profundidade


A avaliação da carga crítica de flambagem das estacas foi realizada variando-
se o comprimento das mesmas e considerando sempre uma profundidade cravada
constante. Para a validação dos resultados obtidos, foi feita uma comparação entre os

30
valores que seriam obtidos utilizando o Método de Davisson e Robinson descrito no
capítulo 3 deste trabalho. Também foram elaboradas planilhas Mathcad e o cálculo
utilizando as expressões clássicas de Euler. Nestas análises, considerou-se sempre
que o material de que é feita a estaca segue a Lei de Hooke.
As planilhas para o cálculo da carga crítica em Mathcad foram elaboradas
utilizando os conceitos da análise matricial de estruturas. O cálculo da carga crítica é
feito considerando-se a matriz de rigidez do elemento e a matriz de rigidez geométrica
para levar em conta os efeitos da não linearidade geométrica. Inicialmente considera-
se uma carga unitária; os valores de carga crítica são obtidos encontrando os
autovalores para os quais o determinante da matriz (resultado da soma da matriz de
rigidez com a matriz de rigidez geométrica), seja um vetor nulo. Neste trabalho, são
considerados apenas os valores de carga crítica que levam ao primeiro modo de
flambagem. O desenvolvimento da planilha em Mathcad pode ser visto no anexo C
deste trabalho.
Nas análises, foram estudadas as condições de coeficiente de reação
constante e variável com a profundidade. Para K h constante, foram adotados os
valores típicos para argilas sobreadensadas recomendados por Terzaghi (1955), que
estão mostrados na Tabela 3.5 do capítulo 3. Nas análises utilizando nh , foram
adotados os valores para areias recomendados por Terzaghi (1955) que estão
mostrados Tabela 3.2 do capítulo 3. Os valores de carga crítica de flambagem obtidos
pelos diversos métodos, para topo livre, podem ser vistos nas Tabelas 5.1 a 5.3, e
para topo engastado, nas tabelas 5.4 a 5.6. Todos os cálculos relativos ao método de
Davisson e Robinson foram baseados nas expressões apresentadas no item 3.3.1
deste trabalho. Em todas as tabelas que são apresentadas a seguir, a carga crítica
calculada utilizando as consagradas expressões de Euler, é o resultado do uso das
referidas expressões para o comprimento equivalente, obtidas pelo método de
Davisson e Robinson.

31
Tabela 5.1: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas com topo livre (Kh=5000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo livre


Kh 5000 [kN/m²] R 3,80 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 4,73 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 3,15 1,44 5,47 17,47 8459 8459 8919 8943
31 13 3,42 1,44 5,47 18,47 7568 7568 7962 7983
32 14 3,68 1,44 5,47 19,47 6810 6810 7151 7168
33 15 3,94 1,44 5,47 20,47 6161 6161 6457 6472
34 16 4,21 1,44 5,47 21,47 5601 5601 5859 5872
35 17 4,47 1,44 5,47 22,47 5113 5113 5341 5351
36 18 4,73 1,44 5,47 23,47 4687 4687 4888 4897
37 19 5,00 1,44 5,47 24,47 4312 4312 4490 4498
38 20 5,26 1,44 5,47 25,47 3980 3980 4138 4145
39 21 5,52 1,44 5,47 26,47 3685 3685 3826 3833
40 22 5,78 1,44 5,47 27,47 3421 3421 3549 3554
41 23 6,05 1,44 5,47 28,47 3185 3185 3300 3305
42 24 6,31 1,44 5,47 29,47 2973 2973 3076 3081
43 25 6,57 1,44 5,47 30,47 2781 2781 2875 2879
44 26 6,84 1,44 5,47 31,47 2607 2607 2692 2696
45 27 7,10 1,44 5,47 32,47 2449 2449 2527 2530
46 28 7,36 1,44 5,47 33,47 2305 2305 2376 2379
Tabela 5.2: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas com topo livre (Kh=10000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo livre


Kh 10000 [kN/m²] R 3,20 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 5,63 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 3,75 1,44 4,60 16,60 9369 9369 9919 9954
31 13 4,06 1,44 4,60 17,60 8335 8335 8800 8829
32 14 4,38 1,44 4,60 18,60 7463 7463 7860 7883
33 15 4,69 1,44 4,60 19,60 6721 6721 7062 7082
34 16 5,00 1,44 4,60 20,60 6084 6084 6379 6396
35 17 5,32 1,44 4,60 21,60 5534 5534 5791 5805
36 18 5,63 1,44 4,60 22,60 5055 5055 5280 5292
37 19 5,94 1,44 4,60 23,60 4636 4636 4834 4845
38 20 6,25 1,44 4,60 24,60 4266 4266 4442 4451
39 21 6,57 1,44 4,60 25,60 3940 3940 4096 4104
40 22 6,88 1,44 4,60 26,60 3649 3649 3788 3796
41 23 7,19 1,44 4,60 27,60 3389 3389 3514 3521
42 24 7,50 1,44 4,60 28,60 3156 3156 3269 3275
43 25 7,82 1,44 4,60 29,60 2947 2947 3048 3054
44 26 8,13 1,44 4,60 30,60 2757 2757 2849 2854
45 27 8,44 1,44 4,60 31,60 2586 2586 2669 2673
46 28 8,75 1,44 4,60 32,60 2429 2429 2506 2509

32
Tabela 5.3: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas com topo livre (Kh=20000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo livre


Kh 20000 [kN/m²] R 2,69 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 6,69 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 4,46 1,44 3,87 15,87 10253 10253 10881 10927
31 13 4,83 1,44 3,87 16,87 9074 9074 9598 9636
32 14 5,21 1,44 3,87 17,87 8087 8087 8530 8561
33 15 5,58 1,44 3,87 18,87 7252 7252 7630 7656
34 16 5,95 1,44 3,87 19,87 6540 6540 6865 6887
35 17 6,32 1,44 3,87 20,87 5929 5929 6209 6228
36 18 6,69 1,44 3,87 21,87 5399 5399 5643 5659
37 19 7,06 1,44 3,87 22,87 4937 4937 5151 5164
38 20 7,44 1,44 3,87 23,87 4532 4532 4720 4732
39 21 7,81 1,44 3,87 24,87 4175 4175 4341 4352
40 22 8,18 1,44 3,87 25,87 3858 3858 4006 4016
41 23 8,55 1,44 3,87 26,87 3576 3576 3709 3717
42 24 8,92 1,44 3,87 27,87 3324 3324 3443 3450
43 25 9,30 1,44 3,87 28,87 3098 3098 3205 3211
44 26 9,67 1,44 3,87 29,87 2894 2894 2991 2996
45 27 10,04 1,44 3,87 30,87 2710 2710 2797 2802
46 28 10,41 1,44 3,87 31,87 2542 2542 2622 2626
Tabela 5.4: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas de topo engastado com translação possível (Kh=5000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo engastado e translação possível


Kh 5000 [kN/m²] R 3,80 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 4,73 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 3,15 1,51 5,73 17,73 32838 32838 34637 34823
31 13 3,42 1,51 5,73 18,73 29426 29426 31080 31236
32 14 3,68 1,51 5,73 19,73 26519 26519 28023 28155
33 15 3,94 1,51 5,73 20,73 24023 24023 25382 25494
34 16 4,21 1,51 5,73 21,73 21863 21863 23088 23183
35 17 4,47 1,51 5,73 22,73 19982 19982 21085 21077
36 18 4,73 1,51 5,73 23,73 18334 18334 19328 19399
37 19 5,00 1,51 5,73 24,73 16881 16881 17779 17840
38 20 5,26 1,51 5,73 25,73 15595 15595 16406 16459
39 21 5,52 1,51 5,73 26,73 14450 14450 15185 15231
40 22 5,78 1,51 5,73 27,73 13427 13427 14094 14135
41 23 6,05 1,51 5,73 28,73 12509 12509 13115 13161
42 24 6,31 1,51 5,73 29,73 11681 11681 12234 12267
43 25 6,57 1,51 5,73 30,73 10934 10934 11439 11467
44 26 6,84 1,51 5,73 31,73 10255 10255 10718 10744
45 27 7,10 1,51 5,73 32,73 9638 9638 10063 10086
46 28 7,36 1,51 5,73 33,73 9075 9075 9466 9486

33
Tabela 5.5: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas de topo engastado com translação possível (Kh=10000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo engastado e translação possível


Kh 10000 [kN/m²] R 3,20 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 5,63 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 3,75 1,51 4,82 16,82 36496 36496 38923 39185
31 13 4,06 1,51 4,82 17,82 32516 32516 34639 34855
32 14 4,38 1,51 4,82 18,82 29153 29153 31012 31191
33 15 4,69 1,51 4,82 19,82 26285 26285 27918 28068
34 16 5,00 1,51 4,82 20,82 23821 23821 25259 25385
35 17 5,32 1,51 4,82 21,82 21688 21688 22959 23066
36 18 5,63 1,51 4,82 22,82 19829 19829 20956 21048
37 19 5,94 1,51 4,82 23,82 18199 18199 19203 19281
38 20 6,25 1,51 4,82 24,82 16762 16762 17659 17727
39 21 6,57 1,51 4,82 25,82 15489 15489 16293 16352
40 22 6,88 1,51 4,82 26,82 14356 14356 15078 15130
41 23 7,19 1,51 4,82 27,82 13342 13342 13994 14040
42 24 7,50 1,51 4,82 28,82 12433 12433 13023 13063
43 25 7,82 1,51 4,82 29,82 11613 11613 12148 12184
44 26 8,13 1,51 4,82 30,82 10871 10871 11359 11391
45 27 8,44 1,51 4,82 31,82 10199 10199 10644 10672
46 28 8,75 1,51 4,82 32,82 9587 9587 9994 10024
Tabela 5.6: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas de topo engastado com translação possível (Kh=20000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo engastado e translação possível


Kh 20000 [kN/m²] R 2,69 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Lmáx 6,69 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JR SR Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 4,46 1,51 4,05 16,05 40068 40068 42932 43282
31 13 4,83 1,51 4,05 17,05 35507 35507 37953 38236
32 14 5,21 1,51 4,05 18,05 31683 31683 33783 34016
33 15 5,58 1,51 4,05 19,05 28445 28445 30259 30451
34 16 5,95 1,51 4,05 20,05 25679 25679 27255 27415
35 17 6,32 1,51 4,05 21,05 23297 23297 24675 24809
36 18 6,69 1,51 4,05 22,05 21233 21233 22442 22556
37 19 7,06 1,51 4,05 23,05 19431 19431 20498 20595
38 20 7,44 1,51 4,05 24,05 17849 17849 18794 18878
39 21 7,81 1,51 4,05 25,05 16452 16452 17294 17367
40 22 8,18 1,51 4,05 26,05 15214 15214 15966 16029
41 23 8,55 1,51 4,05 27,05 14110 14110 14785 14840
42 24 8,92 1,51 4,05 28,05 13122 13122 13730 13778
43 25 9,30 1,51 4,05 29,05 12234 12234 12783 12826
44 26 9,67 1,51 4,05 30,05 11434 11434 11931 11970
45 27 10,04 1,51 4,05 31,05 10709 10709 11162 11196
46 28 10,41 1,51 4,05 32,05 10051 10051 10464 10495

34
Para valores de K h constantes, é observado que à medida que o valor do
coeficiente de reação horizontal do solo cresce, a rigidez relativa estaca-solo
decresce, o que faz com que, a profundidade necessária para se considerar uma
estaca rigidamente engastada no solo seja menor (Figura 5.1).

7,00
Rigidez relativa estaca solo

6,00 800; 6,01


5,00
4,00
(R) [m]

5000; 3,80
3,00 10000; 3,20
20000; 03
2,00
1,00
0,00
0 5000 10000 15000 20000
Kh [kN/m²]

Figura 5.1: Comportamento da rigidez relativa estaca-solo variando-se o coeficiente de reação horizontal
do solo.

Dos resultados obtidos nas análises, foi observado que, a carga crítica de
flambagem da estaca aumenta quando o coeficiente de reação horizontal do solo
aumenta, mas decresce quando aumentamos o seu comprimento livre (Figura 5.2 e
Figura 5.3).

Estaca com topo livre 30 m


31 m
11000
32m
10000 33 m
34 m
9000
35 m
Carga Crítica [kN]

8000 36 m
7000 37 m
38 m
6000
39 m
5000 40 m
41 m
4000
42 m
3000 43 m
2000 44 m
5000 10000 15000 20000 45 m
Coeficiente de reação horizontal Kh [kN/m²] 46 m

Figura 5.2: Variação da carga crítica em função do comprimento e do coeficiente de reação do solo
(condição de topo livre).

35
Estaca com topo engastado / translação possível 30 m
31 m
45000
32m
41000 33 m
37000 34 m
Carga Crítica [kN] 35 m
33000
36 m
29000 37 m
38 m
25000
39 m
21000 40 m
17000 41 m
42 m
13000
43 m
9000 44 m
5000 10000 15000 20000 45 m
Kh [kN/m³] 46 m

Figura 5.3: Variação da carga crítica em função do comprimento e do coeficiente de reação do solo
(condição de topo engastado).

A partir dos valores de carga crítica obtidos da análise no programa SAP 2000,
foram calculados valores possíveis para K (coeficiente de flambagem) utilizando as
expressões de Euler. Nas figuras seguintes (Figura 5.4 e Figura 5.5), pode ser
observada a variação de K em função do comprimento da estaca. O cálculo exato de
K pode ser feito determinando-se o ponto de inflexão da linha elástica da estrutura na
condição deformada. Da mesma forma que o comprimento equivalente, a posição do
ponto de inflexão depende da interação elástica entre o elemento que faz o
contraventamento da estaca e a profundidade de engastamento em solo. Dos gráficos
já citados, nota-se que os valores de K para estaca com ponta livre variam no intervalo
1,0 < 𝐾 < 2,0, e os valores de K para estaca com ponta engastada variam no intervalo
0,5 < 𝐾 < 1,0. Essa variação do valor de K é valida para os valores de coeficiente de
reação horizontal do solo estudados e comprimento cravado da estaca.

36
Figura 5.4: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento da estaca para estacas
com topo livre.

Figura 5.5: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento da estaca para estacas
com topo engastado com translação possível.

A variação da carga crítica em função dos coeficientes de flambagem e do


coeficiente de reação do solo é apresentada nas figuras a seguir (Figura 5.6 e Figura
5.7). Como esperado, a carga crítica calculada para os diversos casos, apresenta
valores maiores quando o coeficiente de reação horizontal do solo é maior. Para
valores maiores de carga crítica, o coeficiente de flambagem é menor.

37
Figura 5.6: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento da estaca.

Figura 5.7: Variação do coeficiente de flambagem em relação ao comprimento da estaca.

Através dos resultados obtidos nas análises, nota-se que os métodos de Euler
e Davisson e Robinson apresentam resultados semelhantes. Isso se deve ao fato de
que, ao calcular a carga crítica utilizando as expressões de Euler, tanto para estacas
com topo engastado e livres para transladar, quanto para estacas com topo totalmente
livre, foi utilizado o comprimento equivalente dado por Davisson e Robinson; logo os
valores dão exatamente iguais. Já utilizando o programa SAP2000 e a planilha
Mathcad, os resultados observados foram muito próximos, apresentando diferenças
muito pequenas. A diferença encontrada se deve ao fato de o programa SAP2000
calcular a carga crítica contabilizando o efeito das deformações por esforço cortante, o
qual não foi considerado na elaboração da planilha Mathcad. Fazendo uma
modificação da seção da estaca no programa SAP2000 para que não sejam

38
contabilizadas as deformações por cortante, verificou-se que os resultados são
exatamente iguais.
Pode se observar pelas Figuras 5.8 a 5.13 que os dois grupos de resultados
apresentados acima, isto é, Euler e Davisson e Robinson, SAP2000 e planilhas
Mathcad, apresentaram uma diferença que diminui à medida que o comprimento livre
da estaca aumenta. Pode-se dizer que o valor do comprimento equivalente Le é uma
função das condições de contorno da estaca no topo e na base e da distribuição de K h
ao longo da estaca, e que à medida que o comprimento aumenta, a influência do solo
no cálculo da carga crítica diminui, tomando como base o mesmo solo.

Figura 5.8: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo livre (kh=5000 kN/m²).

Figura 5.9: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo livre (kh=10000 kN/m²).

39
Figura 5.10: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos para topo livre (kh=20000 kN/m²).

Figura 5.11: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na situação de topo engastado
(kh=5000 kN/m²) .

Figura 5.12: Valores de carga crítica obtidas para os diferentes métodos na situação de topo engastado
(kh=10000 kN/m²).

40
Figura 5.13: Valores de carga crítica obtidas para os diferentes métodos na situação de topo engastado
(kh=20000 kN/m²).

5.1.2 Considerações para o coeficiente de reação horizontal variando


com a profundidade
As análises para k h variável com a profundidade foram feitas utilizando os
valores propostos por Terzaghi (1955) para areias, dando ênfase aos coeficientes para
areias abaixo do nível da água, por questões de aplicação a este trabalho e
comparações com as análises futuras que serão realizadas, onde o terreno é
submerso. Os resultados podem ser vistos nas Tabelas 5.7 a 5.8, onde são
apresentados os valores obtidos para nh = 11000 kN/m3 .
Foi verificado que o comportamento é semelhante ao abordado para K h
constante, em relação ao valor de carga crítica e os possíveis valores de K. Nas
Figuras 5.14 a 5.15 são apresentadas as comparações entre os métodos utilizados na
situação de topo livre e topo engastado com translação possível.
Observa-se que os valores obtidos utilizando: o método de Davisson e
Robinson, a expressão de Euler e o valor dado pelo programa SAP, são muito
próximos. Os resultados obtidos pela planilha Mathcad elaborada, são maiores que
aqueles calculados pelos outros métodos. Porém, pode ser observado que, à medida
que o comprimento da estaca aumenta, a tendência é de aproximação entre os
valores.

41
Tabela 5.7: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas de topo livre (nh=11000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo livre


nh 11000 [kN/m³] T 2,49 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Zmáx 7,24 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JT ST Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 4,83 1,80 4,48 16,48 9511 9511 9504 10819
31 13 5,23 1,80 4,48 17,48 8454 8454 8450 9545
32 14 5,63 1,80 4,48 18,48 7563 7563 7562 8484
33 15 6,03 1,80 4,48 19,48 6807 6807 6806 7590
34 16 6,43 1,80 4,48 20,48 6158 6158 6158 6830
35 17 6,84 1,80 4,48 21,48 5598 5598 5599 6179
36 18 7,24 1,80 4,48 22,48 5111 5111 5112 5617
37 19 7,64 1,80 4,48 23,48 4685 4685 4686 5127
38 20 8,04 1,80 4,48 24,48 4310 4310 4311 4700
39 21 8,44 1,80 4,48 25,48 3978 3978 3980 4323
40 22 8,85 1,80 4,48 26,48 3683 3683 3685 3990
41 23 9,25 1,80 4,48 27,48 3420 3420 3422 3694
42 24 9,65 1,80 4,48 28,48 3184 3184 3186 3430
43 25 10,05 1,80 4,48 29,48 2972 2972 2973 3193
44 26 10,45 1,80 4,48 30,48 2780 2780 2781 2979
45 27 10,86 1,80 4,48 31,48 2606 2606 2607 2787
46 28 11,26 1,80 4,48 32,48 2448 2448 2449 2613

Tabela 5.8: Valores de carga crítica obtidos pelo método de Davisson e Robinson para estacas
parcialmente enterradas de topo engastado com translação possível (nh=11000 kN/m²).

Método de Davisson e Robisson - estaca com topo engastado e translação possível


nh 11000 [kN/m³] T 2,49 [m] Carga crítica [kN]
L 18 [m] Zmáx 7,24 [m] (Comparação entre os Métodos)
Ltotal [m] Lu [m] JT ST Ls [m] Le [m] Davisson Euler SAP2000 Mathcad
30 12 4,83 1,80 4,48 16,48 38044 38044 37675 42994
31 13 5,23 1,80 4,48 17,48 33815 33815 33537 37977
32 14 5,63 1,80 4,48 18,48 30254 30254 30042 33785
33 15 6,03 1,80 4,48 19,48 27227 27227 27063 30246
34 16 6,43 1,80 4,48 20,48 24632 24632 24505 27234
35 17 6,84 1,80 4,48 21,48 22392 22392 22291 24648
36 18 7,24 1,80 4,48 22,48 20444 20444 20364 22413
37 19 7,64 1,80 4,48 23,48 18739 18739 18675 20467
38 20 8,04 1,80 4,48 24,48 17239 17239 17187 18764
39 21 8,44 1,80 4,48 25,48 15912 15912 15870 17264
40 22 8,85 1,80 4,48 26,48 14733 14733 14698 15937
41 23 9,25 1,80 4,48 27,48 13680 13680 13652 14757
42 24 9,65 1,80 4,48 28,48 12736 12736 12713 13704
43 25 10,05 1,80 4,48 29,48 11887 11887 11867 12758
44 26 10,45 1,80 4,48 30,48 11120 11120 11103 11901
45 27 10,86 1,80 4,48 31,48 10424 10424 10410 11139
46 28 11,26 1,80 4,48 32,48 9792 9792 9781 10443

42
Figura 5.14: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na situação de topo livre
(nh=11000 kN/m³).

Figura 5.15: Valores de carga crítica obtidas pelos diferentes métodos na situação de topo engastado
(nh=11000 kN/m³).

43
6 ESTUDO DE CASO

6.1 Descrição
As estacas que servem de base para as análises efetuadas neste trabalho,
foram obtidas de um projeto existente de uma estrutura real de píer de navios. Optou-
se por estudar as estacas desse tipo de estrutura, por serem peças estruturais
esbeltas de grande comprimento livre, e que atravessam solos de baixa resistência,
estando sujeitas, portanto, aos fenômenos de instabilidade que é o objeto de estudo
desse trabalho.
O píer estudado é um típico projeto de estrutura de píer da costa Norte do
Brasil, e se destina à atracação de navios graneleiros. A estrutura do píer tem 195 m
de comprimento por 16,5 m de largura. No total, são 121 estacas, sendo 56 inclinadas
e 65 verticais.
Uma imagem do modelo espacial da estrutura do píer, construído no programa
SAP 2000 v.17, pode ser vista na Figura 6.1. No modelo, a superestrutura do píer está
no plano XY e as estacas tem seu eixo paralelo ao eixo Z. Estacas e vigas da
superestrutura, foram representadas por elementos de “frame” e as lajes, por
elementos de “shell”. As estacas foram restringidas na ponta à translação e rotação no
eixo Z, e molas foram dispostas no comprimento cravado da estaca para representar a
interação solo-estrutura.

Figura 6.1: Visualização em 3D do modelo espacial do píer de navios no programa SAP 2000.

44
Como o foco deste trabalho está no estudo de uma estaca, sua interação com
a estrutura e o solo, e não no comportamento de toda a estrutura, as estacas foram
modeladas separadamente, utilizando os dados de comprimento, ligações e
deslocamentos do projeto real original.
Quanto aos carregamentos, o projeto original considera diversas combinações
de cargas, das quais, foram considerados: o peso próprio da estrutura, a sobrecarga,
carregamentos de atracação e amarração, cargas móveis geradas por guindastes que
fazem a movimentação de cargas no píer, efeitos de variação da temperatura e
correntes. As estacas escolhidas para as análises representam aquelas mais
solicitadas, considerando a combinação mais crítica de carregamento.
Para isolar a estaca da superestrutura do píer de navios, foram obtidos os
valores de rigidez no nó de ligação da estaca com a superestrutura do píer, de forma a
representar a rigidez desta ligação. Os deslocamentos no nó de ligação das estacas à
superestrutura do píer foram obtidos, a princípio, da análise linear estática.

6.2 Concepção do modelo estrutural

6.2.1 Rigidez da ligação à superestrutura


Para obter o valor da rigidez do nó de ligação entre a estaca e a superestrutura
do píer, adotou-se um procedimento simplificado. Foram aplicados uma força e um
momento unitários no nó nas direções dos eixos globais X, Y e Z. Em seguida,
realizou-se uma análise estática, pela qual foi possível a obtenção dos deslocamentos
no nó da estrutura. Entende-se por flexibilidade, o deslocamento que surge numa dada
direção, quando uma força unitária é aplicada nesta direção, sendo a mesma o inverso
da rigidez. Assim, foram obtidos os valores da flexibilidade da estrutura no nó de
ligação com a superestrutura para as direções enunciadas, e após, os valores de
rigidez puderam ser encontrados tomando-se o inverso do vetor de flexibilidade.
Os valores obtidos estão sintetizados no vetor da equação (7.1) e os mesmos
são dados em kN/m e kNm/rad. Observa-se que os valores de rigidez à rotação em
torno dos eixos X, Y e Z, tem ordem de grandeza 107 , podendo-se admitir que a
ligação da estaca ao píer está totalmente impedida à rotação em torno dos eixos.
9,0909 𝑥 104
7,1429 𝑥 104
1,0942 𝑥 106
Rigideznó =
1,0495 𝑥 107
1,1179 𝑥 107
2,3170 𝑥 107
(Eq. 7.1)

45
6.2.2 Material da estaca
A estaca em estudo é do tipo tubada de seção circular com diâmetro total de
1,0 m e camisa metálica de 12,5 mm. O comprimento total da estaca é de 46,0 m,
sendo 18,0 m em solo e 28,0 m livre. Para as estacas do modelo admitiu-se o concreto
com resistência a compressão simples (𝑓𝑐𝑘 ) de 20 MPa, classe IV de agressividade
ambiental, cobrimento nominal de 5,0 cm e o aço ASTM A36 com tensão de
escoamento (𝑓𝑦𝑘 ) de 250MPa, módulo de elasticidade (𝐸𝑠 ) de 210GPa, e coeficiente
de Poisson (𝑣) de 0,30 para as camisas metálicas. Para as armaduras foi considerado
o aço CA-50. Nas análises, considerou-se que as estacas são de concreto com seção
de 1,00 m de diâmetro, por questões de equivalência com o modelo completo do píer.

6.2.3 Determinação do coeficiente de reação horizontal do solo e rigidez


das molas
O solo da região ocupada pelo píer apresenta uma estratigrafia típica de solo
marinho observada na região Norte do Brasil. Dois boletins de sondagens de simples
reconhecimento associadas ao SPT, típicos desta região, e executados nas
proximidades da área de projeto podem ser vistos no Anexo B deste trabalho.
No primeiro boletim que é apresentado, a lâmina d‟ água é de 27,22 m até o
leito marinho. O material é classificado como uma argila orgânica arenosa muito mole
entre as cotas -27,22 m e -35,92 m de profundidade. Entre as cotas -35,92 m e -50,15
m a classificação do material é de areia siltosa compacta a muito compacta, sendo a
última cota, o limite de sondagem.
No segundo boletim que é apresentado, a lâmina d‟ água é de 28,60 m até o
leito e o material é classificado como uma argila orgânica arenosa muito mole entre as
cotas -26,80 m e -33,86 m de profundidade. Entre as cotas -33,86 m e -50,10 m a
classificação do material é de areia siltosa com seixo, compacta a muito compacta,
sendo a última cota, o limite de sondagem.
Para estimar o coeficiente de reação horizontal do solo e determinar o módulo
de reação das molas, foram utilizadas as informações dos boletins de sondagem. No
modelo em SAP foram determinadas duas camadas de solo, cada uma apresentando
9 metros de comprimento, sendo a primeira de argila mole e a segunda de areia
compacta a muito compacta. Admitiu-se que a argila tem coeficiente de reação
horizontal (k h ) de 100 kN/m3 constante com a profundidade, pois trata-se de uma
argila orgânica de um material transportado aluvionar que não apresenta ganho de
resistência com a profundidade. Para a areia, foi admitido um coeficiente de reação
horizontal (nh ) de 10000 kN/m3 variando linearmente com a profundidade. Nos dois

46
casos, as molas foram dispostas a cada metro em um comprimento total de 18 m. O
valor da rigidez da mola, para o caso de variação linear com a profundidade, foi obtido
multiplicando-se o valor de k h pela dimensão transversal da estaca e pelo
comprimento de influência, já corrigido, a cada metro.

6.2.4 Ações
No projeto do píer, os carregamentos considerados estão em acordo com a
NBR 9782:1987 - Ações em Estruturas Portuárias, Marítimas ou Fluviais -
Procedimento, e são os seguintes:
 Peso próprio da estrutura: para as peças de concreto armado, foi considerado
um peso específico de 25 kN/m³. Nas peças estruturais de aço, tais como
revestimento das estacas, foi considerado um peso específico de 78,5 kN/m³
 Sobrecarga: Foi considerada uma sobrecarga uniforme de 30 kN/m² atuando
em toda a extensão da área do píer, conforme definido na tabela 1 da NBR
9782 para cais ou píer de granéis sólidos.
 Esforços de Atracação: as cargas de atracação máxima foram definidas para
defensa do tipo cônica com reação máxima de 1300 kN.
 Esforços de amarração: os cabeços de amarração utilizados no projeto
possuem capacidade de 1500 kN.
 Variação de temperatura: foi considerada uma variação de temperatura de
±15° C.
 Cargas Móveis: A estrutura sustenta um guindaste de pórtico, que opera
apoiado sobre trilhos fixados na laje do píer. O trem tipo especificado, atuando
por metro linear é de 190 kN/m.

As cargas atuantes foram combinadas para a verificação dos estados Limites


de Serviço (ELS) e Estado Limite Último (ELU) no estaqueamento. Nas combinações
foram utilizados os coeficientes preconizados pela NBR 9782:1987. As tabelas a
seguir (Tabela 6.1 e Tabela 6.2) mostram, em resumo, as envoltórias dos esforços nos
estados limite de serviço (ELS) e limite último (ELU) para estacas verticais e
inclinadas. Apenas as estacas inclinadas apresentaram esforços de tração. A
envoltória dos esforços foi calculada considerando todas as estacas do píer.

47
Tabela 6.1: Envoltória dos esforços no ELS e ELU para estacas verticais.

Estado Limite de Serviço (ELS) Estado Limite Último (ELU)


Nd [kN] Md [kNm] Vd [kN] Nd [kN] Md [kNm] Vd [kN]
Ndm áx -3494 136 7 Ndm áx -4683 186 10
Mdm áx -2492 223 11 Mdm áx -3392 301 14
Vdm áx -2492 223 11 Vdm áx -3392 301 14

Tabela 6.2: Envoltória dos esforços no ELS e ELU para estacas inclinadas.

Estado Limite de Serviço (ELS) Estado Limite Último (ELU)


Nd [kN] Md [kNm] Vd [kN] Nd [kN] Md [kNm] Vd [kN]
Ndm áx -3717 648 83 Ndm áx -4931 848 107
Ndm ín 627 324 66 Ndm ín 851 415 85
Mdm áx -3717 648 83 Mdm áx -4931 848 107
Vdm áx -3717 648 83 Vdm áx -4931 848 107

onde:
Ndmáx = esforço normal máximo de cálculo;
Ndmin = esforço normal mínimo de cálculo;
Mdmáx = momento fletor máximo de cálculo;
Vdmáx = esforço cortante máximo de cálculo.

6.2.5 Modelo de estaca vertical e Inclinada


Na figura 6.2 estão apresentados os modelos construídos no programa
SAP2000 para a estaca vertical e inclinada.

Figura 6.2: Modelos de estaca vertical e inclinada no programa SAP2000.

48
6.2.6 Carga admissível e capacidade de carga do terreno
A carga estrutural ou carga admissível foi calculada adotando-se os limites de
carga estabelecidos da NBR 6122, a qual admite que se adote a metodologia dos
valores de Projeto “LRFD” ou o Método das tensões admissíveis. No método das
tensões admissíveis, as cargas são definidas a partir das cargas de ruptura, divididas
por um único fator de segurança; aqui adotado FS = 2,0. A Tabela 6.3 apresenta os
valores de carga admissível para as duas metodologias citadas, porém, a carga
adotada como carga de referência será aquela calculada por tensões admissíveis. O
valor de capacidade de carga do terreno, obtido do projeto original, foi determinado
pelo Método de Aoki-Velloso.
Tabela 6.3: Valores de carga de referência.

Carga estrutural [kN] 5700


Carga admissível [kN] 3927
Capacidade de carga [kN] 7500

7 ANÁLISES E RESULTADOS
Para as análises, foram escolhidas duas estacas, uma vertical e uma inclinada
de inclinações 1:5, ambas com comprimento na direção vertical de 46 m. As duas
estacas escolhidas representam as estacas mais carregadas, axialmente, do modelo.
Para ambas as estacas foram feitas análises do tipo linear e o foi considerado o efeito
P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos, para avaliar os efeitos da não
linearidade geométrica nos resultados.
.

7.1 Estaca vertical


Para desacoplar a estaca estudada da estrutura do píer levando as
informações de carga do modelo, foram impostos os deslocamentos da estrutura do
píer completo no nó de ligação. Os valores impostos nas direções globais do
Programa SAP2000 estão sintetizados na Tabela 7.1. Um esquema mostrando as
direções globais do programa SAP 2000 e os deslocamentos adotados nas
respectivas direções está mostrado na Figura 7.1.

Tabela 7.1: Deslocamentos impostos no topo da estaca vertical.

Deslocamentos impostos [m] e [rad]


U1 -0,0054 R1 0,00036
U2 0,0285 R2 -0,00035
U3 -0,0095 R3 -0,00017

49
Figura 7.1: Direções globais do programa SAP 2000 e deslocamentos globais.

onde:
U1 = Deslocamento global na direção X global;
U2 = Deslocamento global na direção Y global;
U3 = Deslocamento global na direção Z global;
R1 = Rotação global na direção X global;
R 2 = Rotação global na direção Y global;
R 3 = Rotação global na direção Z global.

7.1.1 Esforços obtidos


Para as estacas verticais, foram obtidos os diagramas de Momento Fletor e
Esforços cortantes apresentados na Figura 7.1, utilizando uma análise linear, as
análises P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos e mantendo-se um mesmo
valor de k h . Como pode ser visto nos resultados expostos nos itens a seguir, as
análises P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos apresentam uma diferença de
69% nos resultados dos esforços cortantes na estaca na região de comprimento livre e
de 12% nos valores de momento fletor. No trecho em solo, as diferenças percentuais
foram de 3 e 4% para esforço cortante e momento fletor, em relação à análise linear.
Assim pode-se dizer que no trecho livre os valores para as diferentes análises
divergem e nos trechos em solo esses valores convergem.

50
Figura 7.2: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca vertical.

Os diagramas da Figura 7.2 mostram que os esforços cortantes que agem na


estaca em seu comprimento livre são pequenos, apesar de o píer apresentar um
grande deslocamento lateral decorrente da grande magnitude das cargas que agem
transversalmente. Grande parte do carregamento lateral é absorvido pelas vigas de
bordo, onde estão posicionadas as defensas, sendo redistribuído para as estacas. O
esforço cortante atinge seu máximo valor no intervalo de comprimento da estaca em
areia (37 a 46 m), sendo absorvido pelo solo logo após 44 metros. Pode se estimar,
que após atingir 46 metros de profundidade, se a estaca se estendesse, os esforços
cortantes apresentariam variações mínimas até se anular, isso porque, a partir de uma

51
dada profundidade, os valores de deslocamentos são muito pequenos. O trecho em
argila mole (28 a 37 m) quase não contribui na resistência lateral do terreno.
Os valores dos momentos fletores caem rapidamente no trecho da estaca em
areia. O trecho em argila mole parece não influenciar em muito os valores.
O esforço axial obtido foi de 3458 kN, valor menor que a carga admissível de
referência de 3927 kN, considerando fator de segurança FS = 2,0.
.

7.1.2 Tensões e deformações


A máxima tensão de compressão obtida foi de −5931 kN/m2 . A Figura 7.3
mostra os deslocamentos da estaca na direção transversal ao píer, onde o valor
máximo é de 0,0285 m. A análise P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos não
apresentou diferenças maiores do que 2% em relação à análise linear no que diz
respeito aos deslocamentos.

Figura 7.3: Deformada da estaca Vertical.

52
7.1.3 Carga crítica de flambagem
A estaca foi submetida a uma carga unitária no SAP2000, sendo analisada no
modo de flambagem (Buckling Load Case Type) (Figura 7.4). O programa fornece o
fator „Buckling Factor’, que multiplicado pela carga aplicada, resulta no valor da carga
crítica de flambagem elástica. Na modelagem da ligação da estaca ao píer foram
consideradas molas com a rigidez nas direções x e y informadas no item 6.2.1.

Figura 7.4: Dados da análise de flambagem no programa SAP2000 v.17

O valor obtido para a carga crítica de flambagem no SAP2000 foi de:


Pcr .SAP = 27280 kN
Uma verificação do cálculo da carga crítica de flambagem pode ser vista no
Anexo C deste trabalho, desenvolvido por meio de planilha Mathcad, de onde se
obtém o valor:
Pcr .Mathacad = 27806 kN

Pelo método de Davisson e Robinson, obteríamos o valor de carga crítica dado


na Tabela 7.2, no entanto, este valor corresponde a uma estaca apenas restringida à
rotação. Pode ser observado que o valor da carga crítica cai bruscamente quando se
admite que a estrutura está livre para deslocar.

53
Tabela 7.2: Carga crítica calculada pelo método de Davisson e Robinson.

T (m) Zmáx (m) JT ST LS (m) Le (m) Pcrit


2,487 4,021 14,48 1,8 4,48 40,48 6304

7.1.4 Estudo paramétrico


Neste item, é feito um estudo paramétrico variando-se as características do
solo de fundação, a fim de examinar a influência da resistência do solo na estabilidade
do elemento estrutural e na estrutura como um todo, bem como, suas implicações nos
valores dos esforços, tensões e deslocamentos envolvidos. Para a realização das
análises, o valor do coeficiente de reação horizontal do solo foi modificado de um fator
de redução ou ampliação; aqui utilizados 0,5 e 2,0 respectivamente. Todos os valores
apresentados nos itens a seguir, correspondem aos valores da análise P-Delta.

7.1.4.1 Esforços obtidos


A Figura 7.5 apresenta os diagramas de esforço cortante e momento fletor para
os diferentes valores de k h . Os esforços obtidos das análises mostram que, ao dobrar
o valor do coeficiente de reação horizontal do solo, os esforços cortantes, apresentam
um aumento de aproximadamente 15% em seus valores máximos, se comparados ao
valor original, e o cortante cai rapidamente para seu valor mínimo no trecho enterrado.
Ao reduzir o coeficiente de reação horizontal à metade, observa-se uma queda
de aproximadamente 24% nos valores do esforço cortante.
Nos diagramas de momentos fletores, observa-se que sendo maior o
coeficiente de reação horizontal do solo, mais rapidamente os momentos se anulam
na estaca. A diferença percentual entre os valores é de 41% no trecho que apresenta
maior variação tanto para os valores de k h reduzidos à metade quanto para os valores
de k h dobrados.
Para melhor visualização das diferenças entre os gráficos, na Figura 7.6, são
apresentados os diagramas no trecho em solo.

54
Figura 7.5: Comparativo entre o esforço cortante e o momento fletor para diferentes valores de kh.

Figura 7.6: Diagramas de esforço cortante e momento fletor no trecho em solo para estaca vertical.

55
7.1.4.2 Tensões de deformações
A figura 7.7 apresenta os deslocamentos da estaca para as variações do
coeficiente de reação horizontal do solo. Para os valores de k h adotados, houve uma
diferença de aproximadamente 2% nos deslocamentos máximos, em relação ao valor
original. Os valores máximos de tensão obtidos encontram-se resumidos na tabela 7.3

Tabela 7.3: Valores máximos de tensão axial na estaca vertical para os diferentes valores de kh
estabelecidos.

Tensões [kN/m²]
kh 0,5*kh 2*kh
-5887 -5997 -5800

Figura 7.7: Deformada da estaca para diferentes valores de kh.

56
7.1.4.3 Carga crítica de flambagem
A carga crítica de flambagem também foi calculada variando-se o coeficiente
de reação horizontal do solo. Os valores encontrados estão sintetizados na Figura 7.8.
Nota-se uma diminuição no valor da carga crítica quando admitimos um solo menos
resistente. A diferença entre os resultados é de aproximadamente 4%.

28500 Estaca vertical


Carga Crítica [kN]

02; 28234
28000
27500
01; 27280
27000
26500 0,5; 26406
26000
0,5 1 1,5 2
Fator multiplicador do kh

Figura 7.8: Comparativo entre os valores de carga crítica para estaca vertical.

7.1.5 Avaliação da sensibilidade de variação da carga crítica supondo


deslocamentos maiores
Adicionalmente, realizaram-se análises supondo serem maiores os
deslocamentos impostos no topo da estaca vertical. A intenção aqui é de estimar em
que proporção a carga crítica é afetada pela imposição de deslocamentos maiores do
que aqueles previstos para a estrutura. O gráfico da Figura 7.9 mostra a variação da
carga crítica para os diferentes valores de coeficiente de reação horizontal adotados e
para os diferentes valores de deslocamentos. Admitiu-se que os deslocamentos
pudessem ser respectivamente, 2, 5 e 10 vezes maiores que o deslocamento original.
Como pode ser observado, os valores de carga crítica variam e tendem a
decrescer para deslocamentos maiores, bem como, para valores menores do
coeficiente de reação horizontal do solo. A diferença percentual, para um mesmo
deslocamento, variando-se o coeficiente de reação horizontal do solo é de 3,4%,
comparando-o com o valor original. Entre valores de deslocamentos, a diferença
percentual é de 0,5% do valor da carga crítica, quando o deslocamento é dobrado, 2%
quando o deslocamento é multiplicado por cinco e 4 % quando multiplicado por dez.

57
Variação da carga crítica x deslocamentos do píer
4
2.82310
Valores da carga crítica [kN] 2 5

4
2.74910

kh

kh0.5 4
2.67510

kh.2.0

4
2.60110

4
2.52610
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
f
Fatores m ultiplicadores do des locam ento

Figura 7.9: Valores de carga crítica para deslocamentos maiores do conjunto.

7.1.6 Avaliação da sensibilidade de variação da carga crítica supondo


que o comprimento cravado no solo seja menor

Para observar o comportamento da estaca supondo que não há a contribuição


do solo no entorno, ou que o comprimento cravado seja menor, foram extraídos os
resultados da planilha Mathcad, para valores de carga crítica, obtidos extraindo as
molas do modelo gradativamente. Um gráfico com a variação da carga crítica em
função do número de molas está apresentado na Figura 7.10. O gráfico apresenta os
resultados para as análises no programa SAP 2000 e aqueles obtidos pelo uso das
planilhas Mathcad.
Dos resultados, observa-se que retirando as molas iniciais do modelo, isto é,
aquelas que correspondem às camadas mais superficiais, a variação no valor da carga
crítica é bem pequena, 3%, até chegar à mola de número 10. Este resultado mostra
que a contribuição do trecho em argila orgânica tem pouca influência no valor da carga
crítica. A partir da mola de número 10, ao retirar gradativamente as molas que agora
representam o trecho em areia, os valores de carga crítica caem mais rapidamente
chegando a reduzir o valor em menos da metade do valor inicial. Ao retirar a última
mola a estaca fica hipostática.

58
Valores de carga crítica eliminado as molas.
4
310
4 10 1
2.810
4
2.610
4
2.410
Valores de carga crítica [kN]

4
2.210
4
210
4
1.810
Mathcad 4
1.610
4
SAP2000 1.410
4
1.210
4
110
3
810
3
610
3
410
3
210
0
18 17 16 15 14 13 12 11 10 9 8 7 6 5 4 3 2 1 0
molas
Número de molas do modelo

Figura 7.10: Valores de carga crítica para deslocamentos maiores do conjunto.

7.1.7 Avaliação da influência da corrente sobre os deslocamentos da


estaca
Foi avaliada a influência de um carregamento de corrente, variando
linearmente com a profundidade, sobre os deslocamentos da estaca. A influência foi
avaliada em termos dos deslocamentos provocados sobre uma estaca e não no
deslocamento do conjunto. O carregamento foi obtido considerando uma corrente de
1m/s agindo na direção de maior deslocamento do píer (transversalmente ao píer) e o
cálculo feito considerando a equação de Morison (Eq. 7.1). O valor do coeficiente de
arrasto adotado foi de 1,0 e a massa específica da água de 1,025𝑥103 𝑘𝑁 𝑚3 . O valor
da carga linearmente distribuída calculado foi de 0,5125 𝑘𝑁 𝑚.

1
q = ρ. cd . v 2 (Eq. 7.1)
2

onde:
q = carga linearmente distribuída sobre a estaca
ρ = massa específica da água
cd = coeficiente de arrasto
v = velocidade da corrente

59
Das análises observou-se que a diferença máxima produzida nos resultados para uma
análise P-Delta é de 0,07%.

7.2 Estaca inclinada


As estacas inclinadas trabalham predominantemente como elementos de
treliça, resistindo a esforços axiais (tração e compressão). No geral, as cargas
horizontais não são absorvidas por flexão. No entanto, também serão analisadas para
avaliar o seu comportamento.
Os valores impostos nas direções globais do Programa SAP, estão sintetizados
na Tabela 7.4, para a estaca inclinada.

Tabela 7.4: Deslocamentos impostos no topo da estaca inclinada.

Deslocamentos impostos [m] e [rad]


U1 -0,0064 R1 0,0003
U2 0,0319 R2 0,00015
U3 -0,0053 R3 0,00021

7.2.1 Esforços obtidos


A Figura 7.11 apresenta o diagrama de esforço cortante e momento fletor
obtidos para a estaca inclinada. Pelos diagramas nota-se que a distribuição dos
esforços cortantes é muito semelhante àquela obtida para a estaca vertical. O Máximo
momento ocorre na ligação da estaca ao píer, os mesmos vão se dissipando no solo
no trecho em areia; o trecho em argila quase não contribui para a resistência. Em
todas as análises são apresentados os valores obtidos pela análise linear, P-Delta e P-
Delta com grandes deslocamentos. A análise P-Delta apresentou uma diferença de
15% para esforço cortante e de 20% para momento fletor no trecho livre em relação à
análise linear. No trecho em solo, essa diferença foi de 28 e 26% para esforço cortante
e momento fletor respectivamente. Uma diferença percentual de menos de 2% foi
obtida da análise P-Delta em relação à análise P-Delta com grandes deslocamentos,
tanto no trecho em solo como no trecho livre.

60
Figura 7.11: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca inclinada.

7.2.2 Tensões e deformações


A tensão máxima desenvolvida na estaca foi de 10960 kN/m2 . Os
deslocamentos na estaca estão apresentados na Figura 7.12. O máximo
deslocamento é de 0,032 m.

61
Figura 7.12: deformada da estaca inclinada.

7.2.3 Carga crítica


A carga crítica que levaria a estaca à absorção dos esforços por flexão foi
calculada, para a estaca inclinada foi atribuída uma carga unitária no topo da estaca e
a mesma foi avaliada no modo (Buckling Load Case Type). Obteve-se o seguinte valor
de carga crítica:
Pcr .SAP = 23221 kN

O valor máximo de carga axial obtido das análises foi de 4534 kN. Mostrando
que a estaca encontra-se distante da ruptura por flambagem.

62
7.2.4 Estudo paramétrico

7.2.4.1 Esforços obtidos


A figura 7.13 mostra, em resumo, os diagramas de momento fletor e esforço
cortante na estaca inclinada para k h variável. Semelhantemente às análises feitas
para estaca vertical, os esforços cortantes e momento fletor apresentam variações
maiores no trecho enterrado em areia. Para o dobro de k h a diferença é da ordem de
26% do valor original em relação a esforços cortantes. Para a metade do valor de k h a
diferença é da ordem de 6%. Os momentos para ambos apresentaram variações em
torno de 50%.

Cortantes [kN] Momentos [kNm]


-340 -260 -180 -100 -20 60 140 220 -700 -500 -300 -100 100 300 500
0 0
2 2
4 4
6 6
8 8
10 10
12 12
14 14
Comprimento da estaca [m]

Comprimento da estaca [m]

16 16
18 18
20 20
22 22
24 24
26 26
28 28
30 30
32 32
34 34
36 36
38 38
40 40
42 42
44 44
46 46

Estaca 2*kh kh 0.5*kh Estaca 2*kh kh 0.5*kh

Figura 7.13: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante para a estaca inclinada.

63
Para melhor visualização dos esforços no comprimento enterrado, os
diagramas foram plotados apenas no trecho referido, como mostra a Figura 7.14.

Figura 7.14: Diagrama de momentos fletores e esforço cortante no trecho em solo para estaca inclinada.

7.2.4.2 Tensões e deformações


A figura 7.15 apresenta a deformada da estaca inclinada. Os valores máximos
de deslocamento apresentaram uma diferença de cerca de 3% em relação aos valores
originais. Para a estaca inclinada, nota-se que, para a metade do valor de k h os
deslocamentos são maiores no trecho central da estaca, já para o dobro de k h os
valores não divergiram. A Tabela 7.5 apresenta os valores de tensão em resumo.

Tabela 7.5: Valores máximos de tensão axial na estaca inclinada para os diferentes valores de kh.

Tensões [kN/m²]
kh 0,5*kh 2*kh
-10960 -11671 -11021

As tensões axiais desenvolvidas na estaca inclinada são maiores do que


aquelas desenvolvidas na estaca vertical. Isto ocorre porque, estas estacas trabalham
resistindo a esforços de compressão advindos dos carregamentos laterais que são
exercidos sobre a estrutura do píer, além dos carregamentos verticais. Em todos os
casos as tensões não ultrapassam o limite da resistência à ruptura e escoamento dos
materiais: concreto e aço respectivamente.

64
Figura 7.15: Deformada da estaca inclinada para os valores de kh estabelecidos.

7.2.4.3 Carga crítica


A carga crítica que levaria a estaca à flexão foi calculada variando-se o
coeficiente de reação horizontal do solo e apresentou os valores que estão
apresentados na Figura 7.16. Semelhantemente à estaca vertical, nota-se uma
diminuição no valor da carga crítica quando admitimos um solo menos resistente. A
diferença entre o valor de carga crítica obtida para o coeficiente de reação horizontal
original e o seu valor dobrado é de 2% e a diferença entre o valor original e a metade
deste mesmo valor é de 4%.

65
24000 Estaca inclinada

Carga Crítica [kN]


02; 23687
23500
01; 23221
23000

22500
0,5; 22214
22000
0,5 1 1,5 2
Fator multiplicador do kh

Figura 7.16: Comparativo entre os valores de carga crítica para estaca vertical.

8 DIMENSIONAMENTO
Adicionalmente, foi feita uma verificação do dimensionamento utilizando o
ábaco adimensional proposto por Hampshire nas notas de aula da disciplina „Concreto
Armado 3‟ (2014). Para isso, foram calculados os parâmetros 𝜂 (esforço normal
adimensionalizado) e 𝜇 (momento adimensionalizado), para entrada no ábaco; os
resultados são dados em termos da porcentagem mecânica de armadura (𝜔), válidos
para CA-50.
O ábaco utilizado corresponde ao ábaco adimensional para seção circular com
d′
D
= 0,05 que pode ser visto na Figura 8.1 Os parâmetros utilizados estão descritos

nas equações a seguir (Eq. 8.1), (Eq.8.2) e (Eq. 8.3).

Nd
η= 2 (Eq. 8.1)
d . fcd

𝑀𝑑
𝜇= 3 (Eq. 8.2)
𝑑 . 𝑓𝑐𝑑

ω. d2 . fcd
As = (Eq. 8.3)
fyd
onde:
Nd = esforço normal de cálculo;
Md = momento fletor de cálculo;
d = diâmetro da seção;
fcd = resistência de cálculo do concreto;
fyd = resistência de cálculo do aço;

66
As = área de aço calculada.
A tabela 8.1 apresenta os valores adotados no cálculo e a Tabela 8.2 os
resultados obtidos, em resumo, para estaca vertical e estaca inclinada. As ações
tabeladas já correspondem aos valores de cálculo. O momento apresentado é a
resultante dos momentos. Como a seção é circular, pôde ser considerada a flexão
composta reta.

Tabela 8.1: Valores adotados para o dimensionamento.

Valores Utilizados
D [m] 1,00
d' [m] 0,05
d [m] 0,95
d'/D 0,05
fcd [kN/m²] 14286
fyd [kN/cm²] 43,5

Tabela 8.2: Área de armadura de aço CA-50 calculada para as estacas vertical e inclinada.

Estaca Vertical Inclinada


Nd [kN] -4683 -4931
Md [kNm] 190 848
η -0,363 -0,382
μ 0,016 0,069
ω 0 0,25
As [cm²] 39,27* 74,13
*valor corresponde à armadura mínima.

A armadura estabelecida em projeto é de As.adotado = 28∅20 para estaca vertical e


inclinada, o que corresponde a As.adotado = 87,96 cm2 .
A armadura mínima é de As.mínimo = 0,5% Ac = 39,27 cm2

67
Figura 8.1: Ábaco de interação adimensional para seção circular com d‟/D=0,05.

9 CONCLUSÕES E SUGESTÕES PARA TRABALHOS FUTUROS

Neste trabalho, buscou-se examinar o comportamento de uma estaca de uma


estrutura de píer que possui grande comprimento livre e um trecho considerável
imerso em solo de baixa resistência. O comportamento foi avaliado com relação à
carga crítica axial que leva à instabilidade da estrutura e com relação à carga lateral;
paralelamente, foi desenvolvido um estudo paramétrico para verificar a sensibilidade
dos resultados obtidos quando o solo de fundação apresenta resistências diferentes. O
comportamento lateral foi avaliado por meio da imposição de deslocamentos no topo
da estaca, e a estabilidade avaliada estimando-se a carga crítica de flambagem da
estaca. As análises feitas com o auxílio do Programa SAP2000 v.17, possibilitaram a
obtenção de conclusões. Assim, baseado nos resultados apresentados no corpo deste
trabalho, pode se concluir que:
Com relação ao elemento estrutural, as estacas verticais não apresentam
acréscimos de deslocamentos maiores que 2% em relação à análise linear, quando
comparada às análises P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos. Quando
avaliadas com relação à carga crítica de flambagem, apresentaram carga menor que a

68
carga necessária para levar a estaca à instabilidade. Para as estacas verticais, o fator
de segurança em relação à carga crítica foi de 8.
As estacas inclinadas apresentaram maior sensibilidade aos deslocamentos.
As análises P-Delta e P-Delta com grandes deslocamentos apresentaram uma
diferença de 37% em relação à análise linear, nos valores máximos de momentos
fletores, e de 32% nos valores máximos de esforço cortante. A carga axial máxima
obtida é menor que a carga de flambagem de um fator de 5.
Com relação ao solo de fundação, observou-se que o trecho em argila mole
apresenta pouca contribuição para a resistência lateral. O trecho em areia é
responsável por resistir aos esforços laterais provenientes da estrutura.
Em relação ao estudo paramétrico, observou-se que, aplicando os fatores de
redução e ampliação do coeficiente de reação horizontal do solo, os valores de
cortante e momento sofreram variações de 24% e 41%, respectivamente, para o
coeficiente reduzido à metade, enquanto que para o dobro do valor do coeficiente
apresentaram variação de 15 e 41%.
Em todas as análises conclui-se e recomenda-se que, a análise P-Delta seja
sempre ser feita para avaliar os esforços internos e deslocamento da estaca e do
conjunto.

Como sugestão para trabalhos futuros tem-se:

- aplicação dos critérios relativos às curvas p-y e t-z.

69
10 BIBLIOGRAFIA

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de Aço e de Estruturas Mistas de Aço e Concreto de Edifícios. Rio de Janeiro: ABNT,
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Portuárias, Marítimas ou Fluviais - Procedimento. Rio de Janeiro: ABNT, 1987.

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70
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VENÂNCIO, F.F., 1975, Analise Matricial de Estruturas. Estática. Dinâmica.


Estabilidade. Rio de Janeiro. Almeida Neves Editores Ltda.

71
ANEXOS
Anexo A

72
Given

 Pa Le 
L a  
 Ea A a 

 Pc Le 
L c  
 Ec A c 
L a L c

Pa  Pc P


Solução  Find Pa Pc L a L c 
 1.619 10 3 
 
 0.998 
Solução  
6 
 2.89  10 
 6 
 2.89  10 

Cálculo do módulo de elasticidade equiv alente

P Le
Eequivalente 
A t  Solução
3
7
Eequivalente  2.1318 10

73
Anexo B

74
75
76
77
78
79
Anexo C

Cálculo da Carga Crítica da Estaca


Unidades: L - m; M - kg; F - kN

O objetivo desta planilha é calcular a carga crítica de uma estaca.

Na montagem do problema considera-se a violação da hipótese de que a estrutura deformada da


estaca não difere sensivelmente da geometria da não deformada. Assim, é desenvolvido um cálculo
matricial considerando a não linearidade geométrica da estrutura. O solo é representado por molas.
No cáculo da rigidez da mola é considerado o coeficiente de reação horizontal do solo

Dad os d e Entrad a:

E  21287000 2 ])
(módulo de elasticidade [kN/m

  0.3 (coeficiente de P oisson)

nglno  3 (número de graus de liberdade por nó)

  90graus (ângulo entre eixo X global e eixo x local [º])

Pr op rie dade s da Es taca:

D  1.00 (diâmetro da estaca [m])

2
 D
A  A  0.785 (área da estaca [m2 ])
4
4
 D
I  I  0.049 (momento de inércia da seção 4[m
])
64

P  1 (carregamento arbitrado inicialmente [kN/m²])

Infor m açõ es d o Mo delo Num ér ico

nglelm  2  nglno
Número de graus de liberdade por elemento: nglelm  6

Coordenadas dos nós do modelo:

CN  RE ADP RN( "C:\Users\Flavia\Desktop\coordenadas_estaca.txt"


)

Número de nós do modelo:nno  rows ( CN) nno  47

ngl  nno nglno


Número de graus de liberdade da estrutura:

ngl  141

80
81
82
83
84
Re dução da Matriz d e Rig idez Elás tica e de Rigid ez Geom étrica p ara o s Grau s
de Libe rd ade n ão Re str ing idos

Livre( A b )  m  1
for l  1  ngl
n1
for c  1  ngl


if b  b
c 
l
0

C A
m n l c
nn1
m  m  1 if b 0
l
C

KE  Livre( Kee cc ) KG  Livre( Kge cc )

Cálculo d os Autovalor es /Car ga Cr ítica

  sort ( genvals ( KEKG) )

 1 2.781·104
2 5.581·104
3 ...

A carga crítica é representada pelo menor valor encontrado de ?


4
Pcr   Pcr  2.7806 10 kN
1

85