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A Dignidade Moral em Kant

A moral em Kant depende de 2 rupturas importantes. Que fazem do pensamento kantiano


revolucionário. Antes dele o mundo ocidental pariu 2 grandes paradigmas de pensamento moral:
grego e cristão. Não dá para entender Kant sem entender contra quem ele tá falando. É em quem
ele está batendo. É como se estivesse sendo lido por Aristóteles. Rebate argumentos dos gigantes.
Uni. Cósmico ordenado e infinito. (Etica nicomano aristoteles). Pq ordem? Finalidade de ser. É o
telos. Pq tem vento? Existe para refrescar. A causa está na finalidade. A causa do sapo é comer
mosca. Existe uma explicação causal-finalista. Somos parte do universo. Nossa finalidade?
Pergunta aristotélica: o q a vida tem q ter pra ser boa? Ética = pacote do que a vida tem que ter
pra vida ser boa. R=cumprir sua finalidade cósmica. Vento que venta. Maré que mareia. Sapo que
sapeia. E a minha?
R=moss, não tem nada de inútil na natureza. Tudo tem finalidade. Nada melhor do que se
conhecer bem. Se conhecer encontra sua finalidade seu lugar no quebra cabeça cósmica. Conhece-
te a ti mesmo. Aquilo que há em vc de melhor. Talentos naturais. Dons. Vocação. Vê suas virtudes
e descobrirá sua finalidade.
Pacote da vida é quando vc cumpre sua finalidade. Resposta da finalidade está nas virtudes. P
viver bem = identificar suas virtudes. N viver bem = se n puser virtudes a serviço da vida. P viver
bem = desenvolver com excelência suas virtudes. Feliz = fazer o que vc é talentoso. A virtudes é
uma mensagem do universo p te falar qual seu lugar. N buscou seus talentos = fracassou. Ajudou
orfanato? Foda-se. Acabou com a fome na zambia? Foda-se. Era pra desenvolver seu talento de
desenhista. Curou a AIDS, viveu fora de lugar. N cumpriu com sua finalidade.
Pro grego dignidade moral é viver bem. Existe uma coincidência entre a dignidade moral e o
pleno desenvolvimento das virtudes. O fato de você não desenvolver suas virtudes é pecado. Erro
moral. Roubar hj é inaceitável – avaliação negativa devido o que vc fez com o outro. Vc não acha
o outro em Aristóteles. Vc pisa na bola qnd vc pisa na bola com o universo, não com o outro.
Foda-se o outro. Vc pisa na bola qnd faz o que não devia fazer, frustra o universo.
Irrita? Claro. Você é kantiano sem saber. O que é óbvio pra vc foi Kant que propôs. Antes não
era bem assim que se pensava. O fato de vc pisar na bola com alguém não é problema pq o
problema é pisar a bola no universo que é não dar bola para seus talentos que são suas virtudes.
Para Kant não é o talento natural, a virtude, o desenvolvimento dos talentos, não é busca por
excelência que faz vc ser digno. Dá pra viver digna sem desenvolver seus talentos. Esse não é
requisito. Compare Moral e natureza e pensamento grego e moderno. Pensamento grego = moral
é altar do que a natureza nos propõe, elevar a natureza contra as últimas consequências.
Pensamento moderno = a natureza é pulsões, desejos, apetites e moral é a capacidade que a razão
tem de se opor. Prestígio da natureza: pro saco. O seu sentido mudou. Natureza para Aristóteles:
talentos e virtudes. P Kant: impulsos, tesão, desejos. Decidida pelo que então??
BOA VONTADE. Diz Kant. Todo e qualquer talento natural pode ir pro bem ou pro mal. Então
não são intrinsecamente bons nem maus. Avaliar seu talentos não é o caminho. Caminho grego.
A inteligência, beleza, memória, capacidade de abstração, capacidade para cálculos não são boas
em sei. Tudo isso pode ser usado para fazer a bomba atômica e matar japoneses. Importa o destino
dos talentos.
A dignidade moral está na decisão sobre o que fazer com os recursos naturais que são os seus.
Dignidade moral de kant vem depois da de Aristóteles. Para este está no talento e não depois.
Consequência imediata dessa ruptura é a ressignificação moral da ideia de trabalho. Isso significa
que o talento deve ser exercitado, estimulado. Gregos recomendam: vida boa é de exercícios.
Exercício é o mecanismo de desenvolvimento para a excelência. Cesar Cielo, Picasso e Neimar
não trabalham. Se exercitam. Para os gregos vc tem 2 ou 3 que são excelentes, e o resto deve viver
a serviço desses 2 ou 3. É um pensamento de índole aristocrática. Aqueles que são naturalmente
dotados de talento são superiores ao demais. Devem viver para exercitar os talentos e os carentes
de talentos devem viver a serviço desses virtuosos. O trabalho para os gregos é confinado às
pessoas de menor valor. As pessoas moralmente menos dignas.
Quando vc muda a maneira de pensar. Que a dignidade moral não tem a ver com o talento mas
como vc vai mexer seus pauzinhos para funcionar no mundo e o trabalho deixa de ser
exclusividade de gente indigna e passa a ser condição de boa execução de boas decisões morais.
Trabalho resignificado: não é de gente inferior, o que conta é o que vc vai fazer com seu talento.
Seu trabalho que conta. O trabalho agora é elemento distintivo de um cara apreciável. Não tem
talento, mas a sua dignidade é “vou fazer o que dá” e isso lhe atribui grande dignidade moral.
Compensa a falta de talento. O trabalho é redentor. Pega o cara condenado à indignidade: burro,
perneta, feio, mas o trabalho agora tem uma chance de entrar no mundo dos bons. Nobre no
mundo aristocrático: faço tudo menos trabalho. Curioso: o trabalho enobrece o homem. Uma coisa
que ele não faz é enobrecer. O que caracteriza o nobre é não trabalhar. Não enobrece ninguém. A
emergência surge na decadência da nobreza. Aberrante sociológico, histórico, filosófico.
Sócrates, jogador de futebol. Clássico exemplo nobre no mundo do futebol. Extremamente
talentoso e sem nenhuma vocação para o sofrimento. O meio de campo da democracia corintiana:
3 elementos. Biro-biro, Zenom e Sócrates. Zenom é o pai fundador dos estoicos. Sócrates é
Sócrates. Biro-biro só pode ser carregador de piano. Para Sócrates não correr. Para que Zenom
pudesse alisar seu bigode, Biro-Biro corria pra lá e pra cá. Grosso, porém esforçado. Gregos
diriam de Biro-Biro: PFFF...Ó o nome. Se liga, fraco. Modernos: Compensa no esforço o que o
talento natural lhe falta.
São Paulo. Paulo Henrique Ganso é o talentoso vagabundo. Nobre grego. Mata a bola, contempla.
Precisa correr, marcar. Pedir para ele se esforçar é pedir que o vento vente ao contrário que o sapo
voe. Talentoso, mas zero de dedicação e esforço. No mesmo time, Aluízio Boi Bandido. Não são
do mesmo mundo. Ganso é fidalgo e elegante. Boi bandido é medonho joga com a mão quebrada,
ele cai de cara. Ele não tem talento natural, mas perguntando ao Murici se tiver que abrir mão de
um dos dois do Ganso. O Aluizio fez bem a prova de recuperação, faz do trabalho a chave da sua
dignidade moral. É a Vitória de Kant sobre Aristóteles. Triunfo da dignidade moderna sobre
dignidade do grego. Sucumbir à falta de talento. Virou esporte de carrceiros. Romário é nobre.
Tim Maia. Cássia Eller. João Gilberto não é Luan Santana. Avaliações opostas para Kant e
Aristóteles. Gustavo Lima: 1 bilhão de shows por mês.
Quando vc entrar na Unilever ou no Santander vc lembrará de Kant. Reunião com 600 gerentes
do itaú. Talento natural não tem essa não. É pra ralar filhote. Sabe quantos querem entrar aqui?
Tem 5 milhões de candidatos, se não ralar sua bunda vc tá fora. Novo jeito de enxergar a vida.
Empreendedorismo. Há também supertalentosos que ralam pra caralho e sem talentos e
vagabundos.
Segunda consequência é a ideia de igualdade. No mundo grego não tem nada de igualdade.
Aristóteles nem usa essa palavra. Não tem porque tem. O que conta é a diferença na moral grega
e não a igualdade. P gregos: desigualdade de distribuição de talentos. (Para gregos e qualquer
pessoa lúcida, da beleza à inteligência à astúcia à força à tudo). Tem gente que não sabe falar.
Incapazes de falar. Não adianta. Tem gente que é muito boa. Em todas as atividades. A
desigualdade de talentos é colada na desigualdade de moral, é a mesma coisa. Natureza está ligada
à moral. Por ser desigualmente talentosos somos desigualmente dignos.
Hitler vc concorda? Concordo. Desigualdade de natureza é fundamento da desigualdade moral.
Muitas correntes da neurociência buscam esse discurso com a nova roupagem.
Essa desigualdade fundamenta uma desigualdade política. Inferiores pois pisam na bola com o
cosmo. Ajude quem contribui pelo menos.
O que mudou? Mudou porque descobrimos que somos todos talentosos! Não somos dementes.
Continuamos heterogêneos. Houve um descolamento entre a natureza e a ética. Ser naturalmente
desigualmente talentosos nada tem a ver com sermos ou não dignos.
Em que medida esse descolamento e a moral tem a ver com igualdade? Por que a igualdade surge?
Se vc diz que moral é talento não tem igualdade. Quando vc diz que não é talento, é o que então?
A moral é a decisão o que fazer com o talento. É o uso da razão para dar uma dimensão prática
dos talentos. A moral tá na decisão. Nos argumentos que uso para decidir como usar meus
talentos. A ideia de igualdade entrou aqui por uma suposição. Que todos os homens são
capacitados para decidir o que fazer com seus talentos. A moral mudou de lugar, logo, a igualdade
passou a ser uma característica que até então não existia. Existe um momento de igualdade:
possibilidade que todos temos de usar a razão para dar à razão a melhor destinação. Nesse
momento nos igualamos. Em relação à nossa liberdade de disposição da natural. 1788. Vésperas
da Revolução Francesa. Se a moral fosse o talento natural não teria igualdade, como é o uso da
razão, nesse momento somos todos iguais: na liberdade que temos para decidir o que fazer da
nossa vida. A igualdade decorre da liberdade que temos para decidir o que fazer da nossa vida.
Liberté, Igualité, Fraternité. A igualdade só aparece pq não somos escravos de nossos talentos,
escravos de um programa existencial definido por natureza, escravos do que o universo espera de
nós, pelo contrário, é a liberdade para escolher o melhor uso possível dos talentos. Por sermos
livres, somos iguais.
Essa igualdade do momento decisório desaparece logo em seguida. Alguns utilizarão
competentemente a razão e lhe farão bom uso. Outros não. Talentos desiguais. Igualdade
decisória. Vidas desiguais. No meio do caminho existe uma liberdade de uso da razão que
contamina a todos e é isso que faz um atributo da moral para não mais sair. Equidade no direito.
Nada ofende mais a moral que privilégios e tratamento desigual.
Tratar desigualmente os desiguais na medida de sua desigualdade. AO bom tocador de flauta, a
melhor flauta. AO bom nadador o melhor calção. Ao melhor cantor o melhor microfone. Tratando
os desiguais na medida de sua desigualdade. Princípio da moral kantiana: tratarei igualmente os
desiguais pouco importante a medida da sua desigualdade, pois temos uma igualdade de razão
para encontrar o que é devido. Talentos se equivalem do ponto de vista moral por não estarem
nos seus talentos.
Confusão entre a moral aristocrática que perdura e a moral kantiana. A gente dá ouvidos a
celebridades sobre assuntos morais e decisões políticas, só pq elas tem talentos que nada tem a
ver com moral.
Terceira consequência: surgimento da ideia de humanidade. Coletivo de homens. Sempre houve
a totalidade de homens no mundo e nunca teve essa ideia. Surge com esse paradigma de
pensamento que por isso poderíamos chamar de humanismo ético. O homem pela primeira vez se
sentiu fazendo parte de um grupo só: que nos faz a todos iguais, a possibilidade do uso devido da
razão, a boa vontade, no sentido da conduta compatível com o que é devido, dever.
Dado que todos nós temos a possibilidade de pensar e com isso identificar aquilo que nos é devido
fazer, todos nós pertencemos ao grupo que podem fazer isso: o grupo daqueles que descolam a
vida da natureza e podem deliberar mesmo na contramão da natureza. O gato gateia, o vento
venta, mas eu não humanizeio, eu sou livre. Apesar de desejo e tesão, isso não é determinante da
minha vida, porque a minha vida moral é descolada da natureza. A ideia de humanidade surge
nessa possibilidade de transcender as pulsões naturais. Surge a partir daí. O que unem dois homens
não é sexo, joelho, isso sempre teve. O que reúne dentro do mesmo grupo é perceber que ele é
livre em relação a sua natureza, ele transcende sua natureza. A antropologia de Rousseau e a moral
de Kant são as condições filosóficas para o surgimento da ideia de humanidade.
No mundo aristocrático não era assim, não tinha ideia de humanidade. A ideia pressupõe
descolamento da tirania da natureza e igualdade que antes era completamente absurda.

A ruptura de Kant com o pensamento cristã. Muito mais delicada. Se Kant não era grego, óbvio,
a ruptura com o pensamento cristão é pisando em ovos. Kant é cristão. É formado em teologia.
Preparação sacerdotal evangélica luterana. Rompe com algumas coisas do pensamento filosófico
cristão. Mas era um devoto.
Tradicionalmente os fiéis cristão devem respeitar certas regras pois assim obedecem a Deus.
Fundamento último da moral cristã é teológico: deus quer. Kant propõe um fim desse fundamento
teológico da ética. Para Kant, Deus é uma questão de fé. Fé é ter certeza sobre coisas que não
podemos demonstrar. Ética é certeza sobre coisas que devemos e podemos demonstrar. Deus e
Ética são duas coisas diferentes. Um é certeza sem demonstração, outro certeza com
demonstração. Não pode a ética ter fundamento em deus pois isso significaria aceita-las sem
demonstração, e isso fere o pensamento humanístico.
Crítica que Kant faz às tentativas de demonstrações de deus. São idiotas. 1) São frágeis e
equivocadas pois deus não se deixa demonstrar; 2) imagina se não fossem frágeis. Se de fato
conseguíssemos demonstrar, nesse caso deus deixaria de ser uma questão de fé e estaríamos assim
blasfemando contra um dos principais dogmas do cristianismo que é ter fé em deus. Demonstrar
deus é blasfemar contra o que mais deus pediu. Se fosse possível, claro, mas não é.
Como demonstrar a ética sem deus? A religião nos limites da simples razão (Immanuel Kant).
Fim do fundamento teológico. A ética não pode ter fim último em deus pois deus não se deixa
demonstrar.
Se obedeces a deus, obedece por que? 1) Ou porque quer se dar bem quando morrer. 2) porque
vai que, né. Aposta de Pascal. Esse vai que né é uma esperança. Fé, esperança e amor. Virtudes
cristãs. Agradece a deus pelo que vai ganhar depois. Pensa-se numa vantagem futura, garantir
meu prazer eterno ou então é por medo. De duas uma: ou por esperança de se dar bem ou medo
de se dar mal. Esperança e temor são dois lados da mesma moeda. O temor de se dar mal é a
esperança de se dar bem.
Se age bem por causa disso isso aí vc é uma bosta: egoísta, interesseiro, pequeno. Vou comer uma
óstia para ganhar uma semana no paraíso. Dignidade tem como primeira característica:
desinteresse. Fundar uma vida digna na vontade de deus é fazer de você uma espécie de
barganheiro de quinta com a divindade. Ajudei a velhinha atravessar a rua, vê se tá olhando aí.
Talvez compensa aquela vez que...juntei 5...para orgia.
A ideia do desinteresse é indissociável com a ideia de descolamento da natureza. Obedecer por
causa de deus, não se sai da moral utilitarista de Stuart Mill: aumentar prazer e diminui a dor (só
trocar por paraíso e inferno). Não descolou da natureza, não saiu muito da animalidade. É agir
como um coelho que quer trepar. Tem 500 coelhinhas nuas num luar ali. O Coelho vai babando.
Você põe o que vc quiser. Tem virgem, uva, pasta de dente, camisa. Utilitarismo.
Isso tá impregnado no senso comum.
Anciã cuidada pela sobrinha. Stuart Mill, e a moral, ela agiu bem? Aumentou a felicidade no
mundo. Sem dúvida. É um consequencialista. E vc Kant, ela agiu bem? Não dá pra responder.
Nas duas grandes teorias utilitarismo e kantismo ninguém olha pro que o cara fez: cuidar da velha.
Mills olha para depois e Kant olha para antes (por que?). Pode ser do caralho ou asqueroso.
Asqueroso quando a velha é rica e você tá de olho para quando ela morrer. Quando ela é bem
legal: interessado na boa vida.
Novela atrás de novela o vilão é o agir interessadamente. O mocinho é quem age
desinteressadamente: Gandhi, Madre Teresa, Clóvis. Não pensa na glória, na fama, no dinheiro.
Nada. Desinteresse é o primeiro grande atributo da moral kantiana.
O cara te dá carona e cobra alguma coisa. Paia. Vc não para para qualquer um. Mesmo preço do
taxi? Uma beijoca? Imoral! Digno seria agir sem interesse.