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ZOUKDERNO

Ailton Zouk
DelPol DF

2016

PRINCÍPIO DA DETERMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DA CERTEZA

- Conhecido como princípio da taxatividade.


- O direito penal não comporta tipo penal aberto.
- O 'Princípio da Determinação' no Direito penal ensina que uma conduta só pode ser
considerada Infração penal, e, consequentemente, gerar uma sanção punitiva ao agente,
caso tal conduta esteja devidamente descrita e determinada pela Legislação como
Infração Penal.
- O legislador, ao querer coibir uma conduta que considere criminosa, deve, segundo esse
princípio, determinar com clareza e precisão qual ou quais os atos, omissões e situações
exatos que, se exatamente praticados, configurarão uma Infração Penal. Do mesmo
modo, deve determinar com parâmetros exatos, caso entenda que deva haver uma
sanção, quais os limites da pena a ser aplicada ao agente. Caso contrário, ficando a
sanção não devidamente determinada, ela não deverá ser aplicada, em respeito a este
Princípio.
- O Princípio da Determinação acaba gerando a outro princípio, o da Taxatividade, uma
vez que, ao exigir que o Tipo penal seja determinado e exato em sua descrição, ele acaba
sendo taxativo ao indicar ao julgador o que configura infração e pode ser punido,
limitando drasticamente a autonomia deste em definir se a conduta efetivamente
praticada é ilícita.
- O Princípio da Determinação é resultado do previsto no Código Penal Brasileiro que,
em seu artigo 1º afirma que: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena
sem prévia cominação legal”.

USO DE DOCUMENTO FALSO (Artigo 304, CP) X NECESSIDADE DE


PÉRICIA.

- Título X do Código Penal (crimes contra a fé pública).


- Artigo 304, CP (uso de documento falso): Fazer uso de qualquer dos papéis falsificados
ou alterados, a que se referem os arts. 297 a 302.
- O juiz com base no acervo probatório contido nos autos pode condenar o agente mesmo
sem a existência de perícia do documento.
- O STJ entende que com outros meios de prova, tais como depoimento do autor do fato,
provas testemunhais já é cabível para haver a condenação, isso se a defesa em momento
oportuno não alegar a falta do exame, sendo portanto dispensável a existência da perícia.
Julgado STJ: HC 307.586 Se; 25/11/2014; Informativo 553.

SUBTRAÇÃO DE SINAL DE TV A CABO X STF e STJ

- Artigo 155, CP (Furto): Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
§ 3º - Equipara-se à coisa móvel a energia elétrica ou qualquer outra que tenha valor
econômico.
- STF entende que sinal de tv não é energia elétrica, e interpretação em contrário seria
“in malam partem”, podendo ser caracterizado, porém como outro ilícito penal previsto
no artigo 33, da Lei 8977 (Lei das telecomunicações).
- Entende o STF que a “grande questão é que o crime tem que ter escala penal e o artigo
35, da Lei 8977, só possui preceito primário, não possuindo preceito secundário. Dessa
forma, “nullu crime nullo poena sine lege”.”
Julgado STJ: HC 97261, 12/04/2011
- Como demanda complemento, ela é uma norma penal em branco. Como não é em
branco o preceito primário e sim no preceito secundário, é denominada norma penal
inversa.
- Para a 5º turma do STJ caracteriza-se SIM furto, tendo em vista ser o sinal de tv uma
energia radiante, tendo decisão sobre o tema em agosto de 2013.
Julgado STJ: HC 30847, 20/08/2013
- Para a 6º turma do STJ, com decisão mais recente (setembro), acabou acompanhando o
entendimento defendido pelo STF e acolheu que não constitui crime.
Julgado STJ: Agravo Regimental em Recurso Especial 1185601 RS

SUBTRAÇÃO ENERGIA ELÉTRICA

Caso hipotético: MP oferta denúncia, mas o agente realiza o pagamento antes do


recebimento da denúncia pelo poder judiciário.
O STJ entende que o pagamento realizado antes do recebimento da denúncia extingue a
punibilidade.
Julgado STJ: HC 252802 Se
- STJ utilizando de analogia “in bona partem”, já que em caso tributário é possível à
extinção por pagamento antes de recebida a denúncia.
OBS: Alteração de medidor de energia não configura furto de energia e SIM
ESTELIONATO.

PRINCÍPIO DA CONTINUIDADE TÍPICO NORMATIVA

- Não ocorre a REVOGAÇÃO FORMA / MATERIAL DA CONDUTA TÍPIFICADA,


ou seja, “abolitio criminis”. Assim sendo, a conduta somente sai de um tipo penal e migra
para outro tipo penal, mantendo a tipicidade da conduta.
Ex: O artigo 214 (atentado violento ao pudor), que passou a existir no artigo 213, CP.

CRIME PROGRESSIVO X PROGRESSÃO CRIMINOSA

- Ocorre o crime progressivo quando o agente, para alcançar o resultado mais


gravoso, passa por outro, necessariamente menos grave. Em outras palavras, o crime
progressivo para ser praticado necessariamente viola norma penal menos grave (várias
lesões corporais são praticadas para o resultado intencional morte).
- Diferencia-se da progressão criminosa porque nesta o agente intenciona praticar
um crime menos grave e o faz, mas depois decide praticar outro mais grave e pratica,
quando se dá a chamada substituição de dolo.
OBS: Em ambos os casos ocorrerá à aplicação do princípio da concussão, ou seja, crime
mais grave absolve crime menos grave.

PORTE DE ARMA DE FOGO X JUSTIÇA FEDERAL

- É possível o deslocamento de competência da justiça estadual para julgamento de


porte ilegal de arma de fogo para a justiça federal, desde que exista conexão com crime
federal.
Súmula 122, STJ.
- Outra situação em que tal possibilidade seria possível é o caso de uma pessoa ser
flagrada portando arma de fogo dentro de aeronave ou navio.

CHAMADO “CARA” NEGATIVA DO DOLO

- Cara negativa do dolo é a denominação dada pelo brilhante penalista Eugênio Raul
Zaffaroni, ao erro de tipo.
- Para o douto, como a presença de erro de tipo, seja ele escusável ou inescusável, sempre
exclui o dolo, a cara negativa do dolo seria o erro de tipo. Ou seja, ocorre como no cara
e coroa, se é cara (erro de tipo) nunca poderá ser coroa (presença de dolo).
Exemplo de erro de tipo invencível: Pessoa sai com veículo de estacionamento de
shopping acreditando que seja seu o veículo (que possui características idênticas e o faz
acreditar que esta conduzindo o seu). Erro de tipo invencível exclui dolo e culpa.

Exemplo de erro de tipo vencível: Pessoa sai com veículo de estacionamento de shopping
sabendo que não é o seu, mas por falta de zelo ainda prossegue na conduta, agindo assim
culposamente. Erro de tipo vencível exclui culpa.

O QUE É “CRIME JABUTICABA”?

- A fruta jabuticaba só existe no Brasil.


- A tortura como crime comum também só existe no Brasil. Em outros países o crime de
tortura só é praticado por autoridades, enquanto no Brasil esse leque é ampliado. Ex: Pai
que vê mãe torturando filho e nada faz, responde por tortura omissão e a mãe responderá
por tortura maus-tratos.
- Ou seja, crime jabuticaba é o crime que só tem previsão no Brasil.

COMPETÊNCIA PARA PROCESSAR E JULGAR O DELITO DE TRÁFICO


INTERNACIONAL DE DROGA

Exemplo: Brasileiro morador de cidade em SP adquire via internet drogas do EUA, que
foi remetida para o endereço informado (residência dele), MAS no percurso do envio ela
é interceptada no aeroporto da cidade do RJ.
Súmula 528, STJ, 13/05/15
- Compete, portanto ao juiz federal da cidade onde ocorreu a apreensão da droga processar
e julgar o crime, independente do endereço de destino ser diverso de onde ocorreu a
apreensão.

DANO AO PATRIMÔNIO PÚBLICO DO DF X STJ

- Artigo 163, III, CP - Destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia:


Dano qualificado
Parágrafo único - Se o crime é cometido:
III - contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de
serviços públicos ou sociedade de economia mista; (Redação dada pela Lei nº 5.346, de
3.11.1967).
- Dano só admite dolo e nunca culpa.
- Dano culposo só existe na Lei de crimes ambientais (Lei 9.605).
- No corpo do artigo 163, III, CP, a previsão legal se refere tão somente a patrimônio da
União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade
de economia mista, DEIXANDO DE FORA PORTANDO o Distrito Federal e empresa
pública, e pelo PRINCÍPIO DA LEGALIDADE não poderia fazer uma analogia “in
malam partem”.
- O STJ analisando caso concreto decidiu que seria dano simples, conforme HC 154051,
6º turma, em 04/12/2013.
- No dano qualificado não cabe termo circunstanciado, mas o delegado lavrará o auto de
prisão em flagrante e arbitrará fiança, tendo em vista que o crime tem pena não superior
a 4 (quatro) anos, artigo 322, CPP.

SITUAÇÃO INFORMANTE JUNTO A LEI 11.343/06

- Artigo 37 da Lei 11.343/06 - Colaborar, como informante, com grupo,


organização ou associação destinados à prática de qualquer dos crimes previstos nos
arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.
- Para ser enquadrado no artigo 37 da referida lei, o agente não poderá fazer parte
da organização / grupo ou estar associado de alguma forma, sendo este mero colaborador
(por exemplo, avisar a chegada da policia e não possuir recebimento de lucros).
- Caso o agente esteja intimamente ligado com a organização / grupo ou estar
associado, este responderá como partícipe, incluso, portanto no artigo 33 e 35 da Lei
11.343/06. OBS: Se o agente colaborar com traficante individual, responderá incurso no
artigo 37 da Lei 11.343/06 em razão da homenagem ao princípio da proporcionalidade.
Analogia, portanto, “in bona partem”.
- O artigo 37 da referida Lei, não se enquadra ao tráfico de droga, logo, não se
equipara a crime hediondo.
SINDROME DE ESTOLCOMO X SEQUESTRO X CARCERE PRIVADO X
VIOLÊNCIA DOMESTICA

- Síndrome de Estocolmo é o nome dado a um estado psicológico particular em que uma


pessoa, submetida há um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até
mesmo sentimento de amor ou amizade perante o seu agressor. A síndrome de Estocolmo
parte de uma necessidade, inicialmente inconsciente.
OBS: Quando o crime é praticado em ambiente familiar, em que ocorrem agressões, sendo
então enquadrada na lei Maria da Penha, pela natureza jurídica, a ação será pública
incondicionada.
Súmula 542, STJ

TIPO PENAL X TIPO JUDICIAL

Tipos legais e tipos judiciais.


- Em qualquer sistema jurídico civilizado do mundo, os tipos são legais, somente o
legislador pode criar, suprimir e modificar os tipos penais, este é o chamado sistema de
tipos legais, do qual nossa ordem jurídica participa.
- Em outros sistemas, em que se admite a analogia, é o juiz que está facultado para
criar os tipos penais, como na reforma nacional-socialista alemã e nos primeiros códigos
soviéticos, praticamente não existem mais.
OBS: Deve-se esclarecer que os sistemas mencionados são de caráter ideal, porque na
realidade nenhum sistema é absolutamente de tipos legais – visto que requereria um
casuísmo que sempre é insuficiente.

TRÁFICO INTERESTADUAL X TRANSPOSIÇÃO DE FRONTEIRA

- Artigo 40, V, da Lei 11.343/06 apresenta uma majorante (causa de aumento de pena) -
As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a dois
terços, se:
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito
Federal.
- A 6º turma do STJ entende que não necessita a transposição de fronteiras para
caracterizar a majorante supra, entretanto a 5º turma do próprio STJ entende que existe a
necessidade da transposição para que possa incidir tal majorante.
- A 1º turma do STF, entretanto acompanha o entendimento da 6º turma do STJ e
entende que não há necessidade da transposição de fronteira para incidir a majorante,
ESTE É O POSICIONAMENTO MAJORITÁRIO.
Julgado STF: HC 122791, 1º turma STF, novembro de 2015
OBS: É necessário que se comprove que a droga seria vendida em outro Estado / DF,
mesmo que não ocorra a transposição.

PRISÃO PREVENTIVA X ATO INFRACIONAL

- Considera-se a 00:00 do dia do aniversário e não a hora de nascimento para


atribuir maioridade a uma pessoa.
- STJ entende que muito embora os atos infracionais não possam ser considerados
para efeitos de reincidência e/ou maus antecedentes, eles podem sim fundamentar a
manutenção ou decretação de prisão preventiva, pelo juiz.
Julgado STJ: HC 289098 SP, 20/05/2014
- Atos infracionais anteriormente praticados não podem ser utilizados /
considerados para efeitos de reincidência ou maus antecedentes, eles podem sim
fundamentar a manutenção ou decretação de prisão preventiva, pelo juiz.
Julgado STJ: HC 47671 MT, 5º turma, 18/12/2014
- Decisão 6ª Turma STJ – RHC 43350, entendeu que os ATOS INFRACIONAIS
podem ser considerados para manutenção.

OBS IMPORTANTE: STJ EM RECURSO EM HC 338936/SP, 6ª Turma em


RECENTE DECISÃO (17/12/2015), muda de posição e diz que não constitui
fundamento idôneo à custódia cautelar, porquanto a vida na época da menoridade não
pode ser levada em consideração para quaisquer fins do Direito Penal, razão pela qual,
no processo por crime, não podem atos infracionais servirem de fundamento à prisão
preventiva.
TORRES DE VIGIA X LAVAGEM DE DINHEIRO

- Nos crimes de lavagem de dinheiro (Lei 9.613), torres de vigia ou "gatekeepers" são as
entidades que atuam ou têm acesso aos caminhos e trilhas pelos quais corre o capital
oriundo da infração penal, como bancos, corretoras de imóveis, contadores, etc. Devido
à sua posição privilegiada, obrigam-se a não colaborar com atos ilícitos e a contribuir na
atividade de vigilância e inteligência do poder público.

PROVA IRRITUAL

- A prova irritual, que também não pode ser confundida com a prova atípica, é uma prova
típica colhida sem a observância do procedimento da lei. A diferença fundamental entre
a prova atípica e a prova irritual se dá entre a existência do procedimento probatório no
ordenamento jurídico. A prova atípica não está mencionada no ordenamento e/ou seu
procedimento não está regulado na lei (posição ampliativa), já a prova irritual está
tipificada na lei, só que, no caso concreto, não foram seguidos os cânones da norma.

PROVA FORA DA TERRA

- Prova (de) fora da terra é uma classificação possível de ser encontrada, por exemplo, no
manual de processo penal de Fernando Capez. Esse meio de prova é assim classificado
quando é produzido perante juízo distinto daquele em que se processo o feito, como
acontece no caso do artigo 222, caput e § 1o, do CPP (Carta Precatória). - Interessante
registrar que a produção de prova “fora da terra” não é incompatível com o princípio
inserido expressamente no CPP na reforma de 2008 da identidade física do juiz, haja vista
se tratar de postulado inserido na ordem jurídica a partir de uma lei ordinária, razão pela
qual é admitida sua exceção, desde que também prevista em instrumento normativo de
mesma natureza (ou superior), como é o caso da carta precatória, também regulamentada
no Código de Processo Penal, como medida excepcional.

TRÁFICO PRIVILEGIADO X CRIMES HEDIONDOS


- O artigo 33 da Lei 11.343/06, tipifica o crime de tráfico. É um tipo penal misto
alternativo ou também chamado de conteúdo variado, tendo em vista que em seu bojo
aloca vários verbos.
- A lei 11.343/06 traz um beneficio para aquele que acabou de ingressar no tráfico
(portanto não integrando organização criminosa, não sendo reincidente e possuir bons
antecedentes), aplicando-se assim a causa de diminuição de pena, o que se denomina
TRÁFICO PRIVILEGIADO.
- O artigo 2º da Lei 8072 (crimes hediondos), traz a figura dos crimes equiparados
a hediondos.
Súmula 512, STJ, diz que a aplicação da causa de diminuição de pena do artigo 33, § 3º
da Lei 11.343/06, não afasta a hediondez do crime de tráfico de droga.

HOMICIDIO QUALIFICADO PRIVILEGIADO X CRIME HEDIONDO

- A corrente majoritária, na doutrina e na jurisprudência, com a qual concordamos,


assinala o oposto. De acordo com esse posicionamento, não é possível considerar o
homicídio privilegiado-qualificado como crime hediondo por duas razões. Em um
primeiro momento, por obediência ao princípio da legalidade penal, vertente taxatividade,
porquanto o artigo 1o, inciso I da lei de crimes hediondos trata apenas do homicídio
qualificado, nada trazendo sobre o homicídio privilegiado. Dessa forma, como a
legalidade assume contornos de garantia para o réu, não se poderia ampliar a previsão dos
crimes hediondos para uma modalidade não prevista pelo legislador, sob pena de analogia
em prejuízo do acusado.

- A segunda razão que impede o reconhecimento da figura do homicídio


privilegiadoqualificado como crime hediondo é de cunho político-criminal: observando-
se ideais de prevenção geral e especial, a serem observados como finalidades da pena não
se justificam que o crime com motivos nobres seja submetido a tratamento especialmente
gravoso pelo Ordenamento. Sob a perspectiva da prevenção geral, negativa
(intimidatória) ou positiva (confiança na proteção de bens jurídicos), a sanção do crime
qualificado, com a diminuição da reprovação e a previsão do regime de execução comum
já cumpre a finalidade, uma vez que a sanção aplicada ao caso concreto é suficiente. A
sociedade tende a se "comover" quando a motivação ao crime é considerada moralmente
aceita, de maneira que se satisfaz com a quantidade de punição. No que tange à prevenção
especial, a inocuização e reinserção social do condenado, o regime comum também tem
potencialidade para cumprir as finalidades que se queiram, uma vez que esse sujeito, que
cometeu o crime em motivos menos reprováveis do que aqueles considerados hediondos.

- Observa-se, então, uma preponderância às circunstâncias subjetivas que levaram


o autor a cometer o crime, ainda que, objetivamente falando, os meios e modos possam
ser considerados mais gravosos. Os precedentes desse entendimento são fartos. Apenas
para exemplificar, podemos citar: HC 153728 / SP, HC 144196 / MG, HC 43043 / MG,
todos do Superior Tribunal de Justiça.

* HOMICIDIO PRIVILEGIADO

- O homicídio para ser privilegiado o agente tem que estar sob DOMINIO de forte
emoção. Se o examinador inserir a palavra “INFLUÊNCIA” ou qualquer outra parecida,
NÃO PROCEDE O PRIVILEGIO.

TRÁFICO DE DROGA PRIVILEGIADO X QUANTIDADE DE DROGA


APREENDIDA

- Se o agente esta associado à atividade criminosa + realiza a venda, ele perde o


direito ao privilegio, mas se este agente somente comercializa mesmo que respondendo a
outra ação penal por comercialização, ele ainda sim terá direito ao privilegio.
- Associação para o tráfico não é equiparado a hediondo conforme já explicitado ao
longo do “Zoukderno”.
Para configurar associação, tem que ter estabilidade na atividade, não apenas atos
eventuais, respondendo pelo artigo 33, lei 11.343/06, em concurso de pessoas. - Fato de,
por exemplo, realizarem tratativa, mesmo sem ter contato com a droga, os agentes podem
ser presos por associação.
- STJ e STF entendem que a quantidade de droga apreendida no caso concreto pode
revelar que existe dedicação na atividade criminosa, evitando assim a aplicação da
diminuição de pena por privilegio.
A quantidade de droga somente não é elemento suficiente para caracterizar o tráfico de
droga.
O ônus da prova é sempre de quem acusa (MP), no sentido de comprovar que a quantidade
da droga apreendida era para tráfico, posicionamento do STJ.
- A vedação da conversão da pena privativa de liberdade por restritiva de direito foi
considerada INCONSTITUCIONAL em controle difuso de constitucionalidade, sendo
possível, portanto a conversão desde que atendido os requisitos do artigo 44, lei 11.343.

PENA DE MORTE X PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DA EVOLUÇÃO


REACIONÁRIA

- Revolução Francesa, XVIII, nasce à declaração universal dos direitos do homem e


cidadão.
- Direitos de 1º geração: direito negativo, limitação do poder estatal.
- Direitos de 2º geração: direito sociais, lazer, educação, saúde e outros.
- Direitos de 3º geração: direitos difusos, coletivos, meta-individuais, supra individuais.
- Direitos de 4º geração: Existe divergência doutrinaria quanto a esta geração. Roberto
Bobbio entende ser o direito da engenharia genética. Já o professor Paulo Bonavides
entende que seria a participação do povo.
OBS: Existe ainda questionamento quanto à nomenclatura utilizada. Acreditam que o
termo geração não é o correto por determinar inicio e fim, acreditando assim que o correto
seria dimensão ou evolução.
- O maior bem jurídico protegido constitucionalmente é a VIDA, existindo exceções
muito especificas para aplicação da pena de morte.
- A CR posterior, mesmo sendo derivado do poder originário (ilimitado), não poderia
desvincular do principio supra constitucional, inclusive internacional. É o denominado
principio do não retrocesso, fazendo com que direitos garantidos não sejam perdidos. -
O professor Paulo Bonavides chama o principio do não retrocesso de “principio da
vedação da evolução reacionária”.
- A nomenclatura dada é variada, e por isso o examinador pode utilizar das seguintes:
* principio do não retrocesso;
* principio da vedação da evolução reacionária;
* principio do não regresso;
* efeito Cliquet (é a impossibilidade de abolir direitos).

HOMICIDIO PROCUSTIANO X PRODITORIUM X ALEIVOSIANO X


TESEUNIANO CONDICIONAL
- Procusto, também denominado de Polipémon, era um personagem mitológico que
vivia nas montanhas de Elêusis, na Ática. Ao se deparar com um viajante, convidava este
para repousar em sua casa e oferecia uma cama para que o mesmo se deitasse. Os
hóspedes, acreditando tratar-se de um convite amigável, acatavam a vênia e deitavam
para repousar.
Procusto então observava se o viajante era menor ou maior que o tamanho da cama. Caso
o mesmo fosse menor, ele amarrava os membros inferiores e superiores deste e esticava-
os, até produzir a morte.
Caso a vítima fosse maior que o tamanho do leito, Procusto matava a vítima dilacerando
seus membros e cortando a cabeça.
Em ambos os casos, aproveitava-se do fato da vítima acreditar que estava em um local
seguro para repouso, o que facilitava a sua ação homicida.

- Por analogia, alguns doutrinadores mais clássicos utilizavam-se do termo


homicídio procustiano como sinônimo de homicídio praticado com emprego de traição,
dissimulação ou emprego de meio cruel. Outros nomes utilizados são PRODITORUIM e
ALEIVOSIANO, tendo o mesmo sinônimo.

- No atual ordenamento penal brasileiro, o termo seria utilizado como sinônimo de


homicídio qualificado nos termos do art. 121, § 2°, III e/ou IV do Código Penal,
dependendo do caso concreto.

- Ainda na mitologia grega, Teseu, em sua última viagem, prendeu Procusto na


própria cama que este utilizava para matar suas vítimas e cortou a sua cabeça e pés, como
forma de vingar todas as mortes que este havia praticado ao longo do tempo.
Assim, também por analogia, o termo homicídio teseuniano passou a ser utilizado como
sinônimo de homicídio motivado por um desejo de vingança.

OBS: Importante destacar que o posicionamento jurisprudencial dominante é no sentido


que o homicídio motivado por vingança não é considerado como hipótese de crime
qualificado, devendo ser tipificado nos termos do caput do art. 121 do CP.
OBS: A morte é considerada efetivada com a cessação da atividade encefálica (art. 3º, lei
9434/97).

OBS: O agente (autor do fato), já começa a responder por homicídio mesmo a vitima
sendo mantida por aparelhos, mas já sem atividade cerebral.

HC 126.292 STF X EFEITO CLIQUET NO DIREITO PENAL

- Decisão do STF no sentido de que após decisão do colegiado em 2º grau, o acusado já


poderia cumprir a execução provisória da pena.
- A CR garante o principio da não culpabilidade / presunção de inocência.
- Em 2009 a própria corte máxima entendia não ser possível a execução provisória da
pena.
- Ressaltamos que a prisão cautelar sempre foi possível independente de quantos recursos
ainda possam ser manejados.
- Em recente decisão (fevereiro 16), mitigando o principio da presunção de inocência,
albergado em outros países que admitem a execução provisória da pena após julgamento
de 2º grau. No caso, atualmente o STF entendeu que a sociedade deveria sim ser
resguardada, utilizando-se do garantismo positivo.

BAGATELA PRÓPRIA X IMPRÓPRIA

- Bagatela própria é aquela em que para o direito tem que haver relevância,
possuindo tipicidade formal e material, além dos requisitos estabelecidos pelo STF, como
mínima lesividade da conduta; inofensividade do delito e outros.
Aqui exclui a tipicidade.

- Ao contrário do que frequentemente se verifica em sede doutrinária, não se pode


confundir os conceitos entre os princípios da Desnecessidade da Pena e os da
Insignificância. Enquanto esse envolve aspectos da tipicidade material, o primeiro se
vincula ao caráter de causa excludente da punição concreta do fato, ou seja, de dispensa
de pena (em razão de sua desnecessidade, como o próprio nome indica, à luz do caso
concreto analisado).
- Trata-se, em última análise, da chamada infração bagatelar imprópria. Ao
contrário da própria, vinculada à insignificância, ela nasce relevante ao Direito Penal –
porque existe um efetivo desvalor da conduta e do resultado, mas depois se verifica que
a incidência de qualquer pena no caso concreto apresentar-se-ia completamente
desconectada e irrelevante.
- Ressalte-se que tais observações não são produtos de invenções incoerentes e teses
carentes de substratos, mas antes uma apreciação direta do texto legal do Código Penal
Brasileiro, a partir de uma interpretação consonante com o espírito e postulados
constitucionais vigentes.

SINDROME DA MULHER DE POTIFAR

- A relação do Direito Penal com a Síndrome da Mulher de Potifar, importante


figura jurídica, que trata da mulher que rejeitada faz denúncia apócrifa com a intenção de
punir a pessoa que a rejeitou. A figura, com aspecto de história bíblica e viés de matéria
para acordar acadêmico de Direito, é mais comum do que sonha nossa vã filosofia. - Com
o advento da Lei 12.015/2009, que juntou na tipificação do art. 213 do Código
Penal as condutas de estupro e atentado violento ao pudor, a Síndrome da Mulher de
Potifar ganhou força, já que o crime de estupro passou a não exigir em todas as suas
modalidades a conjunção carnal para se configurar. Evidentemente, que ambas as
condutas, tanto a de estupro quanto a de atentado violento ao pudor, são condutas tratadas
como crimes hediondos, nos termos da Lei 8.072/1990. Coisa que torna a situação do
falso autor do delito extremamente delicada, fazendo com que o mesmo seja jogado no
rol dos culpados sem direito ao devido processo legal.

- Cabe ao Estado aplicar a Lei Penal, dando àqueles a quem é devida a reprimenda
justa. Sob este viés, faltou no Código Penal reprimenda no título dos crimes contra os
costumes relacionado à punição da mulher que se utiliza dos artifícios da Síndrome da
Mulher de Potifar. Todavia, ele não faz isso, deixa ao operador do Direito a missão de
vasculhar no Código a norma aplicada ao caso. Assim, os erros são frequentes na
aplicação do crime de calúnia, previsto no art. 138 do Código Penal, tendo em vista que
é crime caluniar alguém imputando-lhe falso crime. No entanto, não para por aí a conduta
da mulher a qual nos referimos, já que ela também fez mover a máquina pública. Sua
conduta é mais grave, na verdade, é crime contra a administração da justiça. Trata-se do
crime de denunciação caluniosa, previsto, por sua vez, no art. 339 do Diploma citado.

CRIME DE PLÁSTICO OU CRIME PLÁSTICO

- Pelo que consta, a expressão foi cunhada originariamente pelo Dr. Maximiliano
Roberto Ernesto Führer, jurista e Promotor de Justiça do Estado de São Paulo, no seu
livro História do Direito Penal - Crime Natural e Crime de Plástico.
- A jurista acima faz uma diferenciação entre os denominados crimes naturais, que
são aquelas condutas que sempre foram consideradas como crimes independentemente
do momento histórico ou do ordenamento jurídico observado e os crimes de plástico,
correspondentes às condutas que só são consideradas como relevantes para fins de
tipificação penal em um delimitado momento histórico e a luz das peculiaridades de
determinadas sociedades.
- Assim sendo, condutas como homicídio, lesão corporal, furto ou roubo, são
considerados crimes naturais por estarem tipificados na regra dos ordenamentos jurídicos
das diversas nações e se postergarem como delitos ao longo do tempo.

Em outras palavras: homicídio, por exemplo, de regra sempre foi considerado como
crime, desde os primórdios do Direito Penal, seja no Brasil ou fora dele, sendo
considerado um crime natural.

- Já os delitos de plástico seriam aqueles que são criados para se adequarem a um


momento histórico e a luz das particularidades de uma determinada sociedade,
funcionando como uma espécie de resposta à legislativa aos anseios específicos por tutela
penal.

Traduzindo: são condutas que normalmente não era objeto de tipificação do ordenamento
jurídico, mas que passam a ser consideradas como crimes como forma de promover a
tutela de uma situação específica ou de dar uma resposta para a coletividade.

Exemplo: o crime de marketing de embosca, tipificado na Lei Geral da Copa do Mundo,


que não está mais em vigor, foi criado apenas para atender as particularidades do
momento histórico em que o Brasil sediava a Copa do Mundo de Futebol.
Outro exemplo: a conduta de invasão de dispositivo informático alheio, tipificado ao teor
do art. 154-A do CP, que passou a ser considerado crime após a repercussão social de
fatos ocorridos com uma conhecida atriz de televisão.

Estas expressões - crime natural e crime de plástico - sejam nomenclaturas que buscam
se referir as ideias de tipos penais originários e tipos penais evolutivos, derivadas do
positivismo jurídico.

FLAGRANTE POSITIVO X FLAGRANTE NEGATIVO

- Flagrante positivo é quando existe acervo probatório suficiente para autuar o agente. -
Flagrante negativo é quando não existe acervo probatório suficiente para autuar o agente
na conduta a este atribuída.

PONTE DE OURO X PONTE DE PRATA

- São previstos alguns institutos que tenham como objetivo precípuo evitar a
consumação de um crime cuja execução já se iniciou. Entre todos, podemos destacar o
arrependimento eficaz e a desistência voluntária, os quais, consoante os ensinamentos do
penalista Von Liszt, consubstanciariam a chamada “ponte de ouro do direito penal”,
ou seja, o caminho passível de ser percorrido por aquele que iniciou rumo ao ilícito penal
para, corrigindo seu percurso, retornar à seara da licitude.

- De acordo com o criminalista nascido em Viena, a ponte de ouro do direito penal


seria composta dos institutos do arrependimento eficaz e desistência voluntária, ambos
hoje trazidos no artigo 15 do CPB. Vejamos:

Art. 15 – O agente que, voluntariamente, desiste de prosseguir na execução ou impede


que o resultado se produza, só responde pelos atos já praticados.

Para Liszt, no momento em que o agente transpõe a linha divisória entre os atos
preparatórios impunes e o começo da execução punível, incorre na penal cominada
contra a tentativa. Semelhante fato não pode mais ser alterado, suprimido ou anulado
retroativamente, Pode, porém, a lei, por considerações de política criminal, construir um
ponte de ouro para a retirada do agente que já se tornara passível de pena.
Apesar de intensa discussão acerca da natureza jurídica dos referidos institutos, havendo
defensores da classificação como (1) causa pessoal de extinção da punibilidade (ex:
Zaffaroni), (2) causa de exclusão da culpabilidade (ex: Claus Roxin), prevalece na
doutrina e jurisprudência pátria a concepção de (3) causa de exclusão da tipicidade.

Avançando em seus estudos, o mesmo Franz Von Liszt identificou como ponte de prata
do direito penal outro importante instituto, qual seja o arrependimento posterior.
Perceba que se trata de um caminho a ser adotado pelo agente criminoso, ofertado pela
legislação visando também à redução de danos da conduta delituosa que, não obstante
não evitar que o réu responda pelo crime perpetrado, autoriza uma minoração das
circunstâncias, viabilizando que o processamento se dê como se tentativa fosse. Ele não
será beneficiado com a exclusão da tipicidade (ponte de ouro), mas o será com a (causa
de) redução da pena! Vejamos o que nos diz o atual artigo 16 do Código Penal Brasileiro:

Art. 16 – Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o
dano ou restituída à coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços.

Como regra, em interpretação ao dispositivo colacionado supra, a ponte de prata do


direito penal surge, em crimes cometidos sem violência ou grave ameaça (1), desde que,
antes do recebimento da denúncia (2), por ato voluntário (3) o agente tenha reparado o
dano ou restituída à coisa (4).

OBS: Basta imaginarmos um crime de furto em que o agente devolva o objeto subtraído
antes do recebimento da denúncia. Ele será beneficiado pela ponte de ouro (art. 15
CPB)? Não, pois o resultado já foi produzido. Mas sem dúvidas ele poderá se valer da
ponte de prata, já que preenchidos todos os requisitos do instituto do arrependimento
posterior!
AUTO DE RECONHECIMENTO DE PESSOAS

- O STF reconhece a obrigatoriedade na participação do acusado no auto de


reconhecimento, que por lógica é diferente da não obrigatoriedade na participação do auto
de reconstituição, tendo em vista que a pessoa não pratica nenhuma ação, apenas
TOLERA.
TRÁFICO NO INTERIOR DE TRANSPORTE PÚBLICO

- Para ocorrer à incidência da majorante do artigo 40, III, da Lei 11.343/06, ao agente não
basta portar droga no interior de transporte público, ele tem que realizar a conduta
“vender” no interior do transporte. Este é o ENTENDIMENTO do STJ.
OBS: Se o examinador perguntar: “...segundo letra da lei...”, sempre deverá responder o
que a Lei diz, e nesse caso, o fato de portar consigo em transporte público já é o suficiente
para incidir a majorante.

ATO INFRACIONAL X ECA X REPRESENTAÇÃO DA VÍTIMA

- Mesmo que a vítima de ato infracional análogo a crime que exija representação, não
deseje prosseguir com a representação junto ao DelPol, este lavrará procedimento tendo
em vista que o ato infracional análogo a crime, não necessita de representação, diferente
do crime portanto. No caso, o Estado tem o dever de corrigir o menor infrator.

CRIME PROFISSIONAL e CRIME/DELITO DE CIRCULAÇÃO

- Crime Profissional é qualquer delito praticado por aquele que exerce uma
profissão, utilizando-se dela para a atividade ilícita. Assim, o aborto praticado por
médicos ou parteiras, o furto qualificado com chave falsa ou rompimento de obstáculos
por serralheiro, etc.
- Delito de circulação é o “Praticado por intermédio do automóvel” (Damásio E. de
Jesus).

APLICABILIDADE DA LEI PENAL BENEFICA DURANTE A VACATIO


LEGIS

- Entendimento majoritário (STF), reza que uma lei que está no período de vacatio legis
ainda não está vigor, portanto não se aplica, ainda que mais benéfica.
ROUBO e POSTERIOR ESTELIONATO X STJ

Exemplo: Agente rouba bolsa de transeunte e dentre os itens que existiam na bolsa, era o
documento de identidade dela e um talonato de cheque.
Aproveitando-se do acesso que possuía a assinatura da mesma, falsifica a sua assinatura
no cheque e vai até estabelecimento bancário tentar saca-lo. Caixa percebe o nervosismo
e chama policia.
Preso em flagrante, DelPol lavrá os procedimentos necessários e encaminha para o juiz
que remete ao MP. Este o denúncia pelo crime de roubo e tentativa de estelionato. A
defesa alega que não poderia o MP denuncia-lo no crime de tentativa de estelionato tendo
em vista que se trataria de “pos factum”, portanto mero exaurimento do crime. - Para o
STJ não tem que se falar em “pos factum” impunível, tendo em vista que são bens
jurídicos distintos, vitimas distintas e designíos autônomos.
Assim, deve o mesmo responder por roubo e tentativa de estelionato em concurso material
de crimes.
Julgado STJ: HC 309939, 5º turma, 28/05/2015

LESÃO CORPORAL GRAVISSIMA (deformidade permanente) X CIRURGIA


REPARADORA

- Art. 129, § 2º, CP - Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem:

§ 2º Se resulta:

IV - deformidade permanente.

- O termo “gravíssima” é originaria da doutrina, não constando dessa forma no CP.


Exemplo: Denúncia proposta pelo MP, mesmo se no curso da ação a vítima realizar
cirurgia reparadora, que elimine ou diminui a deformidade, para a doutrina retira a
qualificadora, considerando que a lesão não existe mais.
- Para o STJ, mesmo que realizada a cirurgia reparadora, eliminando ou diminuindo a
deformidade, haverá a incidência da qualificadora, tendo em vista que deformidade
ocorre no momento da lesão, materializando o crime e sua qualificadora.
Julgado STJ: HC 306677 RJ, 19/04/2015
ARTIGO 310 CTB (entregar veículo a quem não possui habilitação) X STJ

- Para a 6º turma do STJ, entende que o simples fato de entregar a pessoa não
habilitada (artigo 310, CTB), é crime de perigo abstrato.

- Responde quem entrega, mas se quem conduz não age em desconformidade, este
não responde por crime. Já se quem conduz age causando perigo, responderá pelo artigo
309, CTB.

OBS: Quem entrega o veículo precisa ter conhecimento de que este que conduz não tem
habilitação ou não tem capacidade psicomotora ou ainda não está alcoolizado.

Julgado STJ: REsp 1468099 MG, 19/03/2015

CRIME DE HERMENEUTICA

- No ano de 1896 o então governador do RS, que era taxado como “presidente” editou lei
estadual que tratava de questões penais (mais precisamente sobre tribunal do júri). - Juiz
singular, entretanto, entendendo que não deveria aplicar a lei editada pelo governador
do RS por ser inconstitucional, acabou por não aplicar no caso concreto. Situação levou
o governador a levar o caso para o PGR que ofertou denúncia contra o juiz. Ocorreu a
condenação do magistrado, mas o douto Rui Barbosa recorreu ao STF. - As decisões
sempre refletirão um entendimento pautado na convicção pessoal e na interpretação das
leis. O crime de hermenêutica, combatido por Rui Barbosa, que lançou a seguinte
vetusta advertência: "Para fazer do magistrado uma impotência equivalente, criaram a
novidade da doutrina, que inventou para o Juiz os crimes de hermenêutica,
responsabilizando-o penalmente pelas rebeldias da sua consciência ao padrão
oficial no entendimento dos textos. Esta hipérbole do absurdo não tem linhagem
conhecida: nasceu entre nós por geração espontânea. E, se passar, fará da toga a mais
humilde das profissões servis, estabelecendo, para o aplicador judicial das leis, uma
subalternidade constantemente ameaçada pelos oráculos da ortodoxia cortes" (Obras
Completas de Rui Barbosa, Vol. XXIII, Tomo III, p. 228).
- Ou seja, é a invenção de tentar criminalizar o juiz por julgar com base em seus
convencimentos ao interpretar a lei que irá aplicar no caso concreto. - Neste julgamento
o Brasil iniciou o controle difuso de constitucionalidade.
- O juiz neste caso concreto deixou de aplicar a lei no caso concreto por
inconstitucionalidade.
O QUE É CRIME DE COLARINHO AZUL?

Um crime de colarinho azul refere-se a uma pessoa de uma classe inferior que comete um
crime.

O QUE SIGNIFICA A “SÍNDROME DE ALICE” NO DIREITO PENAL?

- O que significa a “síndrome de Alice” no Direito Penal?


Em sua obra “Crime e Castigo – Reflexões Politicamente Incorretas” (ed. Millenium),
Ricardo Dip denomina de “Síndrome de Alice” as tentativas de transformar o Direito
Penal num “mundo de fantasias”, isto é, num “direito penal de fantasia”. A “síndrome de
Alice” consiste justamente em imaginar que o Direito Penal conseguirá resolver o
problema da violência e da criminalidade.
- Na verdade, os complexos fenômenos da violência e da criminalidade somente podem
ser enfrentados por meio de um amplo processo de inclusão social. Como o Direito
Penal não resolve problemas sociais termina não servindo para diminuir a violência,
apesar das expectativas em sentido contrário.
- E são essas expectativas fantasiosas que Ricardo Dip denomina de “Síndrome de Alice”!

CRIME DE RUA

- São delitos que a sociedade pode visualizar/testemunha sendo cometidos na rua.


- Crimes que ocorrem com habitualidade.
Exemplo: Furto, Roubo, agressão (lesões corporais).

CIFRAS ROSAS

- São crimes cometidos por homofobia.

O QUE É DENOMINADO CRIME SEM AÇÃO?

- Também chamado de crime de mera suspeita / crime sem ação / e crime de mera posição.
Ou seja, crime por simplesmente suspeita.
- Crime de perigo abstrato.
- O autor é punido pela mera suspeita despertada. Em nosso ordenamento jurídico, só há
uma forma que se assemelha a esse crime, que é a contravenção penal prevista no art.
25 da LCP (posse de instrumentos usualmente empregados para a prática de crime
contra o patrimônio, por quem já tenha sido condenado por esse delito).
- O STF julgando o Recurso Extraordinário 583523, entendeu que o artigo é
INCONSTITUCIONAL, justamente por não ser possível utilizar antecedentes como
forma de criminalizar uma situação em que não ocorreu ação.
- Embora seja inconstitucional o artigo 25, a vadiagem e mendicância ainda se encontram
em vigor, mas caíram em desuso por conta da mudança da realidade econômica e social
do País.

TRAMITAÇÃO DE INQUÉRITO POLICIAL X STF

- Inquérito policial é um procedimento administrativo com uma roupagem inquisitorial.


Via de regra ele não comporta contraditório e ampla defesa.
- Inquérito policial não é PROCESSO JUDICIAL e sim PROCEDIMENTO
ADMINISTRATIVO.
- A exceção, Lei 6815 (lei de investigação de expulsão de estrangeiro), durante o
inquérito policial terá garantido o direito de contraditório e ampla defesa.
- Ao fim, o delegado apresenta relatório que em regra não pode conter juízo de valor,
salvo na Lei 11.343/06, em que o delegado deverá motivar a classificação do delito. -
Prazo normal para conclusão do IP, artigo 10 CPP, 10 dias (preso em flagrante ou
preventiva) e 30 dias (solto).
- Envio do IP tendo como destinatário final o juiz de direito.
- LOMP / RJ determinava o envio do IP da autoridade policial diretamente para os
membros do MP. Assim ocorreu o julgamento da ADI 2886 (julgado em 03/04/2014,
informativo 741), em quando apreciado pelo STF, este entendeu que ofender o artigo
24, §1º CR.

PERDÃO JUDICIAL NO HOMICIDIO CULPOSO E LESÃO CORPORAL


CULPOSA
- Perdão Judicial tem natureza jurídica de extinção de punibilidade (art. 107, IX, CP). -
Perdão judicial, está previsto no art. 121, § 5º, CP, tratado como ato unilateral e é
diferente do perdão judicial da ação penal privada, em que este é um ato bilateral.
Ex: Pai que esqueceu filho em carro e este veio a falecer por asfixia.
- MAJORITARIAMENTE o termo “... poderá...” deve ser entendido como “... deverá...”
para o juiz, obedecendo obviamente os requisitos.
- A doutrina e jurisprudência entendem que em caso de homicídio culposo na condução
de veículo automotor, responderá pelo art. 302, CTB, mesmo no código de trânsito não
prevendo o perdão judicial, por analogia “in bonam partem”, se aplicaria atendidos os
requisitos.
Para o STJ é necessário vinculo afetivo.
Agravo REsp 14551 DF, de 06/06/2014
- No caso do agente que ingere bebida alcóolica e se envolve em acidente, vindo a
acompanhante a falecer, responder por homicídio doloso por dolo eventual segundo
STF, mesmo no CTB prevendo o crime de homicídio culposo qualificado por ingestão
de substância que altera os sentidos.
- No caso de lesão corporal, por exemplo, de um acidente, tendo dois passageiros, o
perdão judicial é possível se o agente provocador tiver uma lesão muito grave, poderá
ser aplicada.

ARQUIVAMENTO IMPLICITO E INDIRETO DO INQUERITO POLICIAL

- Arquivamento implícito é o fenômeno através do qual o titular da ação penal pública


(Ministério Público), deixa de incluir na denúncia algum fato investigado ou algum dos
indiciados, sem justificação ou expressa manifestação deste procedimento, sendo que
esse arquivamento irá se consumar quando o juiz não se pronunciar com relação aos
fatos omitidos na peça de acusação. O arquivamento implícito tem duplo aspecto.
Subjetivo, quando a omissão refere-se a um ou mais indiciados, e objetivo, quando
concernente a fatos investigados não considerados na decisão.

- Já o arquivamento indireto surge quando o membro do Ministério Público se vê sem


atribuição para oficiar em um determinado feito e o magistrado, por sua vez, se diz com
competência para apreciar a matéria. O arquivamento indireto nada mais é do que uma
tentativa por parte do membro do Ministério Público de arquivar a questão em uma
determinada esfera.

- Pode o Juiz enviar os autos para o PGE / PGR utilizando do artigo 28 do CPP.

OBS: Ambas as possibilidades não estão previstas no sistema processual brasileiro.

TEORIA DA REITERAÇÃO NÃO CUMULATIVA DE CONDUTAS DE


GÊNERO DISTINTO

- O principio da insignificância nasce com KLAUS ROXIN.

- A 6º turma do STJ, entende que as condições pessoais negativas do Autor (reincidência,


antecedentes e outros), ou seja, a reiteração criminosa impede a aplicação do principio
da insignificância para crime de descaminho.

- a 5º Turma do STJ tem posicionamento contrário ao da 6º turma, dessa forma


entendendo ser possível.

- Assim, o STF entende que a via ordinária (primeiro grau), por estar mais próxima ao
fato, deverá avaliar a aplicação ou não do principio. Mas o STF estabeleceu parâmetros
que devem ser observados.

- No HC 844120 SP, o STF estabeleceu os requisitos mínimos:

REQUISITOS OBJETIVOS:

• Mínima ofensividade da conduta;

• Nenhuma periculosidade da ação;

• Reduzido grau do comportamento;

• Inexpressividade do valor do bem jurídico.


- A doutrina ainda fala de requisitos subjetivos, por exemplo, o valor que o bem representa
para vítima.

- Em 2014, julgamento de agente com vários delitos de natureza diversos, ocorreu junto
ao STF (HC 114723, 26 de agosto de 2014).

Reiteração cumulativa:
É quando vários atos são realizados por mais inexpressiva quando fracionados, no final,
somando-se deixa de ser insignificante.

Reiteração não cumulativa de condutas do mesmo gênero:

É quando vários atos são realizados em momentos diversos, mas no mesmo gênero.

OBS: LFG entende ser possível somente se não for verificado no caso concreto o “modus
vivendi” do agente.

Reiteração não cumulativa de condutas de gênero distinto:

São vários atos realizados em momentos distintos, de gêneros diferentes. O STF


entendeu ser possível a aplicação do principio da insignificância.

TEORIA DA COCULPABILIDADE AS AVESSAS OU INVERSA

- De acordo com Eugenio Raul Zaffaroni, coculpabilidade é a corresponsabilidade do


Estado no cometimento de determinados delitos, praticados por cidadãos que possuem
menor âmbito de autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto,
principalmente no que se refere a condições sociais e econômicas do agente, o que enseja
menor reprovação social.
- Nesse sentido, ainda que cometessem o mesmo crime, a pena de uma pessoa de alto
nível social e econômico, portadora de ensino superior, seria maior do que a sanção
imposta a uma pessoa de baixo nível cultural e econômico. Zaffaroni defende que neste
último caso o Estado seria corresponsável pelo delito, pois não ofereceu condições de
aprimoramento cultural e econômico ao agente.
- Duas correntes diferem no que seria a concepção da coculpabilidade:
A primeira perspectiva de que trata a teoria da coculpabilidade às avessas se
traduz no abrandamento à sanção de delitos praticados por pessoa com alto poder
econômico e social, como no caso dos crimes de colarinho branco (crimes contra a ordem
econômica e tributária). Exemplo prático disto no Brasil é a extinção da punibilidade pelo
pagamento da dívida nos crimes contra a ordem tributária.
A segunda vertente se revela na tipificação de condutas que só podem ser
praticadas por pessoas marginalizadas. Exemplos disto são os artigos 59 (vadiagem) e 60
(mendicância – revogado pela lei 11.983/2009), da Lei de Contravenções Penais.
Dispõe o artigo 59: Entregar-se alguém habitualmente à ociosidade, sendo válido para o
trabalho, sem ter renda que lhe assegure meios bastantes de subsistência, ou prover à
própria subsistência mediante ocupação ilícita: Pena - prisão simples, de quinze dias a
três meses. Percebam que se trata de um crime discriminatório, direcionado justamente
às pessoas que a coculpabilidade busca resguardar.
- O STJ / STF não admite a coculpabilidade, muito menos a coculpabilidade invertida.
- Não existe a previsão explicita, mas existe a previsão implícita para o Zaffaroni.

O QUE É CONCAUSA?

- Concausa nada mais é do que o concurso de fatores (preexistentes, concomitantes ou


supervenientes) que, paralelamente ao comportamento do agente, são capazes de
modificar o curso natural do resultado. Ou seja, são fatores externos à vontade do
agente, mas que se unem a sua conduta. Assim, têm-se duas causas: a do agente e esses
fatores que com a dele convergem. Desta feita, em relação a esses fatores, pode-se
afirmar que existem duas modalidades de causas: as dependentes e as independentes.

FINANCIAMENTO ART. 36 X TRÁFICO ART. 33 X STJ

- O agente que responde pelo art. 36, da Lei 11.343/06, terá uma reprimenda maior.
- É possível a associação para a prática do financiamento que incorre no artigo 35, da lei
11.343/06.
- É possível o agente financiar e vender ao mesmo tempo, e o STJ já decidiu que
não responde pelo art. 33 e 36 da Lei 11.343/06, e sim tipificando o art. 33 do aumento
de pena do art. 40 da lei 11.343/06.
Julgado STJ 6º, turma, REsp 1290296 Paraná, 17/11/2013, Informativo 534
- A doutrina diz que não há possibilidade de jogar na associação a pessoa que
financia e o traficante.
- Não é possível falar em concurso de crime entre eles, e sim enquadra-los no art.
33 C/C aumento de pena do art. 40 da Lei 11.343/06.
VUNERABILIDADE NOS CRIMES CONTRA A DIGNIDADE SEXUAL NA
VISÃO DO STJ
- Art. 217-A, CP: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de
14 (catorze) anos.
- A manifestação do menor de 18 (dezoito) anos, é irrelevante para o direito.
- Em regra a ação é pública condicionada à representação.
- Se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou vulnerável, será pública incondicionada.
Vulnerabilidade RELATIVA ou ABSOLUTA?
A vulnerabilidade ao qual se refere o artigo 225, CP, é a absoluta / completa / permanente
na visão do STJ.
Julgado em HC 276510 RJ
Para o STJ a vulnerabilidade transitória será ação penal pública
condicionada à representação, aguardando, portanto a vítima retornar a consciência para
manifestar sua vontade.
- Documento hábil para comprovar a idade de uma pessoa será a certidão de nascimento,
mas o STJ entende que na ausência deste, não será impeditivo para verificar a idade de
uma pessoa se de outros meios o juiz puder realizar a verificação, por outras provas.
Ex: depoimentos, fotos, histórico escolar e outros.
Julgado Agravo Regimental em REsp 12700 Acre
- O STJ lançando mão do principio da proteção integral e do principio da proteção
deficiente do Estado, fazendo alusão ao artigo 227 da CR (dever de proteção familiar),
bem como o comando de criminalização, a vulnerabilidade absoluta independente se o
meio social em que vive a menor de 14 anos aceita tal conduta/pratica ou não, muito
menos seus familiares uma relação MENOR X MAIOR.
Julgado STJ em REsp 1480881 Piaui – Vulnerabilidade absoluta.

ALTERAÇÃO REALIZADA PELA LEI 13.257/2016 CPP


- Altera o CPP nos artigos:
Os arts. 6o, 185, 304 e 318 do Decreto-Lei no 3.689, de 3 de outubro de 1941
(Código de Processo Penal), passam a vigorar com as seguintes alterações:

Art. 6o.

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem


alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos
filhos, indicado pela pessoa presa.

Art. 185.

§ 10. Do interrogatório deverá constar a informação sobre a existência de filhos,


respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual
responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

Art. 304.

§ 4o Da lavratura do auto de prisão em flagrante deverá constar a informação sobre


a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma deficiência e o nome e o
contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa.

Art. 318.

IV - gestante;

V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;

VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12


(doze) anos de idade incompletos.

ART. 33 + 35 X 33, § 4º DA LEI 11.343/06

- Associação para o tráfico não é considerado tráfico, portanto não é crime equiparado a
crime hediondo.
- Associação é crime permanente.
- Art. 33, da lei 11.343/06 possui verbos incriminadores / criminalizantes.
- Art. 33, § 4º, da lei 11.343/06, trata do tráfico privilegiado, não sendo possível a
concessão do indulto.
- Pode o agente ser condenado incurso nos artigos 33 e 35 da lei 11.343/06.
- O STJ analisando caso concreto decidiu pela NÃO aplicabilidade do indulto no tráfico
privilegiado, pois o privilégio não afasta a tipicidade.
Súmula 512, STJ.
- O STJ também decidiu que NÃO pode ser aplicada a causa de diminuição de pena
(tráfico privilegiado), artigo 33, §4º, da lei 11.343/06, na hipótese do réu ser condenado
por tráfico e associação na mesma ação penal.
Julgado REsp 1199671, 26 de fevereiro de 2013

O QUE É DENOMINADO DIREITO OU SISTEMA PENAL SUBTERRÂNEO

- Para que o agente cumpra sua pena, ela é submetida ao sistema penal / legal /
formal. - Segundo o professor Zaffaroni, o sistema penal subterrâneo é exercido pelas
agências de criminalização que pode ser agência primaria (ex: politica – poder legislativo;
poder executivo eventualmente – criam leis), bem como agência secundária (ex:
judiciário, policia, penitenciária – aplicadores da lei).
- O sistema penal subterrâneo não possui agência, institucionaliza a pena de morte,
desaparecimentos, torturas, sequestros, exploração do jogo, da prostituição, entre outros
delitos.
- É o sistema utilizado por milicianos, por exemplo, em que ele mesmo apura, julga,
condena e aplica a pena.
- O agente público, neste caso usando a figura de um delegado de policia, pratica
tortura ou qualquer ato à margem da lei e de maneira violenta e arbitrária contra um autor
de um delito, contando com a participação ativa ou passiva, em maior ou menor grau, dos
demais operadores que compõem o sistema penal. Ocorrendo assim a acusação, processo
e condenação tudo ocorrendo, por exemplo, dentro de uma delegacia de policia,
vilipendiando o sistema legal e a legislação.
- Portanto, para o professor Zaffaroni, o direito penal subterrâneo é aquele em que
é praticada infração penal por agente do Estado (por exemplo, na apuração de um delito)
não seguindo os ditames legais. Também denominado direito penal às escuras, não
seguindo o garantismo penal.

PRINCIPIO DA MATERIALIZAÇÃO DO FATO NO DIREITO PENAL

- O princípio da materialização do fato significa que o Estado só pode incriminar


penalmente condutas humanas voluntárias que se exteriorizem por meio de concretas
ações ou omissões, isto é, de fatos. Esses fatos devem consistir em condutas suscetíveis
de percepção sensorial.

- Do princípio da materialização ou exteriorização do fato se depreendem,


basicamente, duas consequências:

a) em primeiro lugar, que ninguém pode ser castigado por seus pensamentos,
desejos ou meras cogitações;

b) em segundo lugar, que a forma de ser do sujeito, seu estilo de vida, suas
convicções pessoais, sua ideologia ou sua própria personalidade não pode servir de
fundamento para a responsabilidade criminal ou mesmo para sua agravação.

O QUE É POPULISMO PENAL / DIREITO PENAL MIDIATICO

Em que consiste o populismo penal?


- O populismo penal é um discurso e, ao mesmo tempo, uma prática punitiva (um método,
um procedimento ou um movimento de política criminal), paralelo (com características
próprias) e, ao mesmo tempo, complementar de tantos outros discursos punitivistas
(movimento da lei e ordem, tolerância zero, direito penal do inimigo etc.), e,
concomitantemente, uma doença das democracias contemporâneas (busca-se o apoio ou
o consenso popular para suas erráticas e antidemocráticas teses), inventado pelo
ultraliberalismo norte-americano e inglês (anos 70), que é neoliberal na economia
(combate ao EBES), neointervencionista no plano internacional e neoconservador no
campo penal, e usado como estratégia (dentre tantas outras) de combate ao estado de
mal-estar econômico, quase universal (instabilidade laboral, desemprego, redução
salarial, desigualdade, pobreza etc.), gerado pelo neoliberalismo econômico (Estado
mínimo, Estado penal) ou agravado por ele naquelas partes do planeta marcadas pelas
densas heranças escravagistas, aristocratas e oligárquicas locais, como é o caso do
Brasil, [discurso punitivista] que se exprime por meio de um novo direito penal
autoritário, hiperpunitivista e neoconservador (novo frente aos regimes de Stalin, Hitler,
aos fascismos, ditaduras etc.), [discurso] que foi espalhado para o mundo, a partir dos
anos 70, pelo ultraliberalismo norte-americano e inglês, que criou ou incrementou a
doença (estado de mal-estar econômico), fabricando, ao mesmo tempo, o “remédio” do
populismo penal, que procura se legitimar (busca de consenso ou apoio popular), nas
democracias contemporâneas (no Brasil o populismo penal nasceu junto com a
redemocratização – 1985), por meio do medo e da insegurança (ou seja: do pânico
moral), que é explorado, dramatizado e difundido pela criminologia midiática, para o
endurecimento constante da lei penal (revigoramento persistente do poder punitivo),
mesmo onde os índices de criminalidade estejam caindo sob a promessa de que, com
isso, vai resolver o problema social enfocado em cada momento, em razão do efeito
dissuasório da pena e da condenação (confia-se em utopias reacionárias, como a do
tolerância zero).
- O populismo penal constitui a base prática e discursiva da política pública mais
irresponsável dos governos democráticos, porque confia em algo que não funciona nada
bem (justiça repressiva), para a solução de um gravíssimo problema social, que é a
insegurança pública (comparação com a dengue).
- Ele pressupõe:
a) um determinado tipo de democracia, que se caracteriza pela busca de apoio popular ao
endurecimento penal, bem como pelo uso (a instrumentalização) do direito penal (do
poder punitivo) como “arma política e eleitoreira”.
- E se caracteriza:
a) pela degeneração do funcionalismo penal de Durkheim e de Luhmann, levada a
cabo no campo penal por G. Jakobs (com seu direito penal do inimigo);
b) pela transformação da demanda populista por mais castigo em vingança (que é
uma festa – Nietzsche), que se vê favorecida por uma técnica (mnemotécnica) também
explicada por Nietzsche;
c) pela difusão do medo e da insegurança pela criminologia midiática, que assume o
papel, a partir da exploração e espetacularização do medo e da insegurança, de (a)
empreendedora moral do castigo ou mesmo (b) de uma mídia;
d) pela transformação da segurança social (dos direitos sociais) e individual
(segurança do cidadão frente ao Estado) em segurança pública, que no fundo é a
segurança do Estado e do modelo sócio-econômico que o comanda, que não se confunde
com o conceito de segurança nacional das ditaduras;
e) pela absoluta ineficácia preventiva das suas medidas (nenhum tipo de crime
diminuiu de 1985 para cá, visto que o populismo penal acredita no efeito dissuasório da
pena e da condenação).
- O processo (o discurso) do populismo penal:
(a) se alimenta e se incrementa diuturnamente com a “sensação de impotência” do
cidadão (amedrontado, inseguro, desnorteado) que, ao demandar vingança, transforma
sua impotência em prepotência;
(b) ganha visibilidade concreta com a atuação populista dos agentes executivos do
poder punitivo (policiais e agentes penitenciários), que dão vida ao novo direito penal
autoritário;
(c) e se torna patológico, escatológico e nazista quando conta com o apoio dos juízes
(que deveriam funcionar como semáforo vermelho de contenção dos abusos do Estado de
Polícia).
- O produto final gerado pelo populismo penal (o direito penal autoritário e prepotente
produzido por ele) é atécnico, irracional, desproporcional (excessivo), desarrazoado,
demagógico, antigarantista, hiperpunitivo, neoconservador, reacionário, simbólico (em
termos de prevenção de crime), propagandístico, desigual, discriminatório,
fundamentalista, racista, nada empírico, muito intuitivo, falso, tendencioso,
manipulador, paranoico, enganoso, ineficiente e vingativo.
- O populismo penal é um engodo da democracia (porque é totalmente ineficiente em
termos preventivos).
- Ele promete resultados mágicos, como fim da insegurança, fim do medo, fim da
delinquência, ou seja, uma ilusória cura para um problema social muito grave (que é a
insegurança e o medo), assim como utopias reacionárias (tolerância zero, que leva a crer
na criminalidade zero - Ferrajoli), por meio de uma infinidade de discursos sedutores,
como lei e ordem, tolerância zero, inocuização, emergencialismo, guerra contra as
drogas, guerra contra o crime organizado, guerra contra o terrorismo, three strikes and
you are out, direito preventivo da sociedade de riscos, direito penal do inimigo, polícia
operativa (do extermínio) etc.
- Partindo de uma crença mágica, de que funciona o efeito dissuasório da pena e da
condenação (metáfora do homem das cavernas).
- Dentre tantos outros, são efeitos práticos do populismo penal:
a) a produção de uma inflação legislativa desorganizada e irracional (quase 100 leis
penais de 80 para cá);
b) a desconfiguração (deformação) do direito penal liberal típico do Estado de Direito
(perigo abstrato presumido, dolo eventual no lugar dos crimes culposos,
responsabilidade coletiva etc.);
c) a criação ou imposição de penas completamente desproporcionais (CP, art. 180, § 1º)
(fundamentalismo punitivo);
d) a exacerbação da rejeição social do preso e do egresso (que se transforma em zumbi);
e) o incremento da criminalidade em razão da ineficácia preventiva de novos crimes (ou
seja: não redução dos crimes), ao contrário, em alguns momentos, há inclusive a
produção de mais crimes (o populismo penal apresenta também efeitos criminógenos)
(metáfora do elefante e dos ratos);
f) a não solução do problema social enfocado, em razão da inapetência do Estado e da
sociedade (que deixam de buscar as soluções necessárias, factíveis, inteligentes e
razoáveis para o seu devido equacionamento).
g) o encarceramento massivo (e inusitado), sobretudo dos pobres (daí o caráter classista
e racista do populismo penal conservador clássico – Ferrajoli), que nos últimos anos,
no entanto, começaram a ter também a companhia de alguns poderosos (por força do
efeito deslizante da mídia e do populismo disruptivos), cumprindo todos os culpados,
no entanto, o papel de “bodes expiatórios”, cujas sanções seletivas tranquilizam
momentaneamente o sentimento de vingança e de impotência do cidadão.

DESNECESSIDADE DE MANDADO JUDICIAL PARA ENTRADA EM


RESIDÊNCIA PARA PRISÃO EM FLAGRANTE X PRISÃO EM FLAGRANTE

- Mandado de prisão pode ser cumprida a noite, o que não pode é entrar na casa para
cumprir, salvo os casos previstos no Art. 5º, XI, CR. Exemplo: Autor que se encontra
em barzinho ou em frente a sua residência.
- 1ª corrente (majoritária), entende ser possível entrar na residência e prender o autor do
fato que se evadiu, em flagrante.
CR, 5º, XI, não faz diferença entre flagrante próprio e impróprio.
- 2ª corrente, apostando no constitucionalismo moderno entende que a CR deve ser
interpretado de maneira teleológica, buscando a intenção do legislador, e no caso em
tela o legislador se referiu ao flagrante clássico (aquele que está praticando ação ou
acabou de praticar). Art. 150, III, CR, embasa ainda mais esse posicionamento de
somente se falar do flagrante próprio.
- Art. 290, § 1º, CPP, explica o que seria “perseguição policial”. A perseguição comporta
alguns pequenos intervalos.
- O termo “logo após” é interpretado como IMEDIATISMO.
- Não possui um lapso temporal de perseguição, se a perseguição é continua, não importa
o tempo.
- Flagrante presumido/assimilado/ficto está previsto no IV, 302, CPP, aquele encontrado
com instrumentos, papeis e outros que presuma ter praticado o ato criminoso. O
encontro desses objetos não pode ser casual, tem que haver conhecimento prévio por
parte da policia acerca da situação.
Julgado STF, HC 102646/Paraná.
STF em 2010 entendeu que dispensava mandado judicial qualquer que fosse a natureza
para que ocorra a entrada domiciliar em caso de prisão em flagrante. Acompanhando
assim a corrente majoritária.
Julgado STF, HC 91189

A TEORIA DA "RATIO COGNOSCENDI" E A DÚVIDA DO JUIZ SOBRE AS


EXCLUDENTES DE ILICITUDE

- Sobre a relação (ou o grau de relação) entre o fato típico e a ilicitude formaram-se várias
correntes doutrinárias, com repercussões práticas no âmbito processual, especialmente,
na questão do ônus da prova e do princípio do in dubio pro reo. Dentre as teorias referidas
podemos destacar:
a) Teoria da autonomia ou absoluta independência pela qual a tipicidade não tem
qualquer relação com a ilicitude, de tal sorte que ocorrido o fato típico, não se pode
afirmar que ele é presumidamente ilícito, ainda que seja uma presunção relativa (isso
ocorreu no tempo do causalismo e, sobretudo, na construção de Beling, em 1906);
b) Teoria da indiciariedade ou da "ratio cognoscendi" pela qual se há fato típico,
presume-se, relativamente, que ele é ilícito; o fato típico é o indício da ilicitude
(Mayer, 1915), que deve ser afastada mediante prova em contrário, a cargo (leia-se
ônus) da defesa. Ao contrário da primeira corrente, não há aqui uma absoluta
independência entre esses dois substratos do crime, mas uma relativa
interdependência;
c) Teoria da absoluta dependência ou "ratio essendi": cria o conceito de tipo total do
injusto, levando a ilicitude para o campo da tipicidade. Em outras palavras, a ilicitude é
a essência da tipicidade, numa absoluta relação de dependência entre esses elementos do
delito. Não havendo ilicitude, não há fato típico (Mezger, 1930);
d) Teoria dos elementos negativos do tipo: tem o mesmo resultado prático da teoria
anterior, embora com ela não se confunda (como, aliás, faz parcela da doutrina), porque
construída sob-bases diferentes. Por essa teoria, o tipo penal é composto de elementos
positivos ou expresso (que são as clássicas elementares do tipo penal) mais elementos
negativos ou implícitos do tipo (causas excludentes de ilicitude). Para que o fato seja
típico os elementos negativos - excludentes de ilicitude - não podem existir. Aqui também
há uma absoluta relação de dependência entre fato típico e ilícito, um pressupondo a
existência do outro (Merkel etc.).
- Pois bem. No Brasil, em que pesem entendimentos em contrário, a doutrina e a
jurisprudência majoritárias ainda se inclinam pela segunda das teorias apontadas, qual
seja, a teoria da indiciariedade ou da "ratio cognoscendi" (que foi ratificada,
posteriormente por Welzel). Em termos práticos, significa afirmar que ocorrido o fato
típico, ele é presumidamente ilícito (presunção relativa). Por essa teoria não é ônus da
acusação provar a inexistência de causa excludente de ilicitude, mas tão somente que o
fato é típico. Cumpre à defesa provar a existência da descriminante e, portanto, a licitude
do fato típico e, consequentemente, a inexistência de crime.
- O raciocínio doutrinário até aqui referido parece correto e adequado à teoria da
indiciariedade. Mas no campo processual, essa teoria da "ratio cognoscendi" deve ser
analisada à luz do princípio do estado de inocência e de seu corolário principal, o princípio
"in dubio pro reo”. Isso significa dizer que para ser absolvido o acusado não precisa
provar a existência da excludente de ilicitude, mas tão somente demonstrar a
probabilidade da ocorrência da causa justificante.
- Na precisa lição do saudoso Borges da Rosa, a acusação tem o ônus de apresentar
provas de certeza, mas a defesa tem o ônus de apresentar apenas provas de probabilidade,
de verossimilhança, de credibilidade, que causem dúvida (dúvida razoável) ao juiz,
justamente porque tem a seu favor o axioma do "in dubio pro reo", intimamente ligado à
dignidade da pessoa humana, a impedir condenações de pessoas inocentes. No dizer de
Vicente Greco Filho, o ônus da defesa é um ônus diminuído, mitigado. O ônus da defesa
tem "tamanho" menor do que o ônus da acusação. - Com efeito, ao criar dúvida no juiz
sobre a existência ou não da descriminante, a defesa já cumpriu integralmente seu ônus
probatório, é dizer, já afastou a certeza necessária sobre a ilicitude do comportamento
típico que deve haver para que se possa condenar. Dito de outra forma, se o juiz, com as
provas apresentadas na instrução pela defesa, estiver ao final da demanda em dúvida sobre
a existência ou não da descriminante, isso significa que a defesa cumpriu seu ônus de
provar a excludente, mediante um juízo de probabilidade, suficiente para afastar a
presunção da ilicitude do fato típico imposta pela teoria da ratio cognoscendi.
- A propósito, o saudoso Mirabete, ao analisar a questão do ônus da prova,
acertadamente coloca que "com a adesão do Brasil à Convenção Americana sobre
Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica), conforme Decreto n. 678, de 611-
92, vige no país a regra de que 'toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se
presuma sua inocência enquanto não se comprove legalmente sua culpa (art. 8º, 2, da
Convenção). Dessa forma, atribuída à acusação o dever de provar a culpa do réu, impõe-
se sua absolvição mesmo na hipótese de restar dúvida quanto à procedência das
alegações da defesa " (destaques nossos).
- Realmente, se a defesa conseguir demonstrar a probabilidade de ter ocorrido uma
situação justificante do fato típico a ensejar dúvida inafastável no julgador, estará mantido
o estado de inocência estabelecido constitucionalmente (art. 5º, LVII da CF) e no Pacto
mencionado, devendo o juiz absolver o acusado. A presunção de ilicitude do fato típico
determinada pela teoria da "ratio cognoscendi" estará afastada e a constitucional
presunção de inocência mantida, equação da qual deverá redundar à improcedência da
demanda penal.
- Esse entendimento se reforça ainda mais com as recentes alterações do Código de
Processo Penal. O art. 386, V, do CPP dispunha que o juiz deveria absolver o réu quando
existisse circunstância excludente do crime. O atual art. 386, VI do CPP (inciso alterado
pela Lei 11.690 /2008) dispõe agora que o juiz deve absolver o acusado quando “existirem
circunstâncias que excluam o crime ou isentem o réu de pena, ou mesmo se houver
fundada dúvida sobre suas existências”. Parece-nos absolutamente claro que se a defesa
criar para o juiz a dúvida sobre a existência ou não da excludente de ilicitude terá
cumprido integralmente seu ônus probatório, devendo o juiz absolver o réu por expressa
determinação do art. 386, inciso VI, parte final, do CPP. Aliás, o raciocínio é válido para
qualquer situação: seja porque o réu fez alguma prova que gerou a dúvida, seja porque a
acusação não afastou de forma inequívoca a dúvida sobre a existência da excludente. Em
qualquer hipótese de dúvida, cabe ao juiz absolver.
- É certo que para a absolvição sumária do acusado, o novo artigo 397, I, do CPP
(com redação determinada pela Lei 11.719 /08) exige a "existência manifesta de causa
excludente da ilicitude do fato"; mas para a absolvição após regular instrução, basta,
conforme referido, "fundada dúvida sobre a existência" da causa justificante. Essa
sistemática adotada pelas reformas do Código de Processo Penal, a propósito, é
plenamente justificável. A absolvição sumária enseja um juízo precário de mérito que
equivale a uma quase rejeição da inicial acusatória, sem qualquer aprofundamento na
instrução processual, sem sequer a produção de provas pela acusação. Somente, portanto,
uma evidência sobre a existência da excludente trazida pela defesa nessa fase inicial do
processo pode autorizar, prematuramente, a absolvição do acusado.
- Diferentemente se passa ao final da instrução probatória. Se após o esgotamento
de todas as fases possíveis do procedimento remanescer a dúvida no magistrado sobre a
existência ou não de excludente de ilicitude, isso equivale à falta de provas para condenar,
devendo ser aplicado o princípio "in dubio pro reo "(estampado, expressamente, também
no art. 386, VI , parte final, do CPP , especificamente quanto às justificantes e dirimentes).
- Não é correto, portanto, afirmar, como se tem dito, que se o juiz estiver em dúvida
se houve ou não, v.g, situação de legítima defesa, deve condenar o acusado, pois a defesa
tinha o ônus de provar a existência da excludente e não a provou. E se não cumpriu seu
ônus não pode se prevalecer do princípio "in dubio pro reo".
- Se a defesa provar a existência da excludente de ilicitude é óbvio que a absolvição
se impõe; mas se demonstrar a probabilidade da excludente de ilicitude ter ocorrido,
ensejando dúvida no julgador, isso já basta para a improcedência da ação penal. Essa nos
parece à equação acertada entre a teoria penal da ratio cognoscendi e a questão do ônus
probatório quanto às excludentes de ilicitude e a mais adequada ao constitucional
princípio do estado de inocência e de seu consectário lógico, o princípio "in dubio pro
reo".
- Tudo quanto acaba de ser dito vale integralmente para a decisão dos jurados (no
Tribunal do Júri). Em caso de dúvida, impõe-se a absolvição do réu.

SÍNDROME DE LONDRES

- Na síndrome de Londres os reféns passam a discutir, discordar do comportamento


dos sequestradores gerando uma antipatia que, muitas vezes, lhes poderá ser fatal.
- A denominação Síndrome de Londres surgiu após o evento ocorrido na
Embaixada Iraniana, localizada na cidade de Londres, onde seis terroristas árabes
iranianos tomaram como reféns 16 diplomatas e funcionários iranianos, 3 cidadãos
britânicos e 1 libanês, durante o período de 30 de abril a 5 de maio de 1980.
- No grupo de reféns, havia um funcionário iraniano chamado Abbas Lavasani, que
discutia, com frequência, com os terroristas dizendo que jamais se dedicaria ao Aiatolá e
que seu compromisso era com a justiça da revolução islâmica. O clima entre Lavasani e
os terroristas era o pior possível até que, em determinado momento do sequestro, quando
decidiram que um dos reféns deveria ser morto para que acreditassem nas suas ameaças,
os sequestradores escolheram Lavasini e o executaram.

ALTERAÇÃO REALIZADA PELA LEI 13.228/2015 CP

Art. 1o Esta Lei modifica o art. 171 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940
- Código Penal, com o propósito de estabelecer causa de aumento de pena na hipótese
de estelionato cometido contra idoso.
Art. 2o O art. 171 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,

passa a vigorar acrescido do seguinte § 4o:

Art. 171.
Estelionato contra idoso
§ 4o Aplica-se a pena em dobro se o crime for cometido contra idoso.

TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA

- “Teoria da Cegueira Deliberada”, também conhecida como “Willful Blindness


Doctrine” (Doutrina da cegueira intencional), “Ostrich Instructions” (Instruções de
avestruz), “Conscious Avoidance Doctrine” (Doutrina do ato de ignorância consciente),
entre outros nomes.

- Trata-se de teoria desenvolvida pela Suprema Corte dos Estados Unidos, que a tem
aplicado em situações nas quais o agente finge não enxergar a ilicitude da procedência
de bens, direito e valores com a intenção deliberada de auferir vantagens.

- Trata-se de uma metáfora que compara o agente público ao avestruz, que enterra sua
cabeça na terra para não tomar conhecimento de algo que ocorre ao seu redor, no caso
do agente, a natureza ou extensão do ilícito em curso.

- Para que ocorra a aplicação da Teoria da Cegueira Deliberada, é necessário que o


agente tenha conhecimento de que os bens, direitos ou valores sejam provenientes de
crimes e, ainda, que tenha agido de modo indiferente a esse conhecimento, e tal
evidência deve restar minimamente comprovada nos autos.

- Com isso, sua aplicação busca punir aquele que se coloca, de modo intencional, em
estado de ignorância ou desconhecimento para não saber com detalhes as
circunstâncias fáticas de uma situação suspeita, o que demanda ao menos a existência
de um contexto probatório neste sentido. Em outras palavras, o Judiciário deverá
aplicar tal teoria com parcimônia, sob pena de se resvalar na odiosa responsabilidade
penal objetiva.

- Para que a teoria seja aplicada três requisitos fundamentais devem ser analisados,
segundo propõe Ramon Ragués i Vallès, quais sejam:

a) Suspeita justificada do sujeito sobre a concorrência de sua conduta à atividade. É


o agente que deixa de obter essa consciência voluntariamente, pode haver casos,
inclusive, em que o agente cria barreiras ao conhecimento para não obter o conhecimento
pleno do que suspeita;

b) disponibilidade de informações que possam aclarar o conhecimento do agente.


Nesse caso, documentos, provas e indícios devem estar ao alcance do indivíduo de tal
modo, que ele possa concluir que o crime seria facilmente descoberto. Para que a teoria
da cegueira deliberada possa ser aplicada deve haver voluntariedade e intenção de se
manter na ignorância, quando há possibilidade de se obter o conhecimento;
c) há, por fim, um terceiro requisito, subjetivo, citado por Ragués i Vallès, que é a
intenção da manutenção do estado de ignorância visando a proteção do agente da
descoberta do delito e futura condenação, de tal modo que sempre poderá alegar que nada
sabia a respeito.

- Ragués resume os requisitos acima da seguinte maneira: “Em síntese, a cegueira


deliberada somente é equiparada ao dolo eventual nos casos de criação consciente e
voluntária de barreiras que evitem o conhecimento de indícios sobre a proveniência ilícita
de bens, nos quais o agente represente a possibilidade da evitação recair sobre atos de
lavagem de dinheiro”.

- Baseado no que foi exposto, conclui, com muita propriedade, André Luís
Callegari e Ariel Barazzetti Weber, entendimento do qual, concorda-se, a preocupação
para que uma conduta culposa não seja punida como se dolosa fosse – principalmente no
que tange ao dolo eventual no delito de lavagem de dinheiro, por não ser pacífico na
doutrina -, utilizando, para tanto, a cegueira deliberada. Desafio a ser enfrentado pela
doutrina e pelo judiciário brasileiro.
DICAS RÁPIDAS

1 – O que é FAMULATO?
R = É a relação do furto praticado pelo empregado em relação aos bens do empregador.
Pode caracterizar furto qualificado, desde que haja abuso de confiança (art. 155, § 4º, II,
CP). A relação empregatícia, por si só, não atrai a qualificadora.

2 – Remição pela leitura


R = Embora não esteja prevista expressamente na lei, a 6ª turma do STJ, julgando o HC
312486), reconheceu a possibilidade de remição da pena pela leitura.

3 – Quais crimes comportam PRISÃO TEMPORÁRIA?


R = Todos os crimes previstos no art. 1º, III, da Lei 7.960/89, vejamos:
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°);
b) seqüestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e 2°);
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°);
e) extorsão mediante seqüestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo único);
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação com o art. 223, caput, e parágrafo
único);
h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223 caput, e parágrafo único);
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou medicinal qualificado pela morte
(art. 270, caput, combinado com art. 285);
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;
m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro de 1956), em qualquer de sua
formas típicas;
n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de 1976);
o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de junho de 1986).

4 – O exercício regular do direito e o estrito cumprimento do dever legal EXCLUI


qual elemento do crime?
R = Visão tradicional diz que é causa de exclusão da ilicitude; Teoria da imputação
objetiva diz que exclui a tipicidade; Teoria da tipicidade conglobante diz que exclui a
tipicidade; e na Teoria dos elementos negativos do tipo, diz ser causa de exclusão da
tipicidade.
5 – O que são CIFRAS DOURADAS?
R = São infrações penais praticadas pela elite não reveladas ou apuradas, como a
sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e etc...

6 – Qual o crime diante da subtração de coisas achadas com o cadáver?


R = 1ª corrente entende que ocorreu violação de sepultura – art. 210, CP, considerando
que os bens deixados com o cadáver são considerados abandonados. 2ª corrente entende
que ocorreu furto qualificado pelo arrombamento, tendo em vista que a partir da morte,
os bens deixados são imediatamente transferidos aos herdeiros.

7 – É possível a policia investigar ligações registradas na memória do celular


apreendido sem ordem judicial?
R = STJ e STF afirmam que a policia pode utilizar nas investigações as ligações
registradas na memória do telefone celular apreendido SEM NECESSIDADE DE
ORDEM JUDICIAL.

8 – PRISÃO PREVENTIVA não pode ser cumprida em regime mais gravoso que o
fixado na sentença.

9 – O que é interceptação telefônica por prospecção? É válida?


R = É a interceptação realizada para saber se o individuo está praticando algum delito.
Não é permitida, pois a interceptação telefônica exige: “indícios razoáveis da autoria ou
participação em infração penal” (art. 2º, I, da Lei 9.296/96). Em outras palavras, trata-se
de medida destinada à comprovação de um delito que já foi identificado por indícios. Em
razão disso, a lei impede a decretação da interceptação com base em meras suspeitas ou
para investigar uma infração que ainda não ocorreu.

10 – A lesão jurídica resultante do crime de furto não pode ser considerada


insignificante quando o valor dos bens subtraídos perfaz mais de 10% do salário
mínimo vigente à época dos fatos.

11 – O que é CRIMES ESPÚRIOS?


R = São os crimes OMISSIVOS IMPRÓPRIOS, em que o agente, por ter relação especial
com a vítima ou com a situação geradora do perigo, tem o dever de agir para impedir o
resultado, sob pena de, não atuando quando lhe era possível atuar, ser responsabilizado
pelo resultado. SÃO CRIMES que somente podem ser praticados pelos chamados
“garantidores”.

12 – Há concurso formal de crimes quando duas armas de fogo são apreendidas no


mesmo contexto fático?
R = Segundo entendimento do STJ, não existe concurso formal de crimes quando duas ou
mais armas de fogo forem apreendidas no mesmo contexto, mas crime único. O bem
juridicamente tutelado é apenas um. (HC, STJ, 104.669/RJ)

13 – O HOMICÍDIO HÍBRIDO (qualificado – privilegiado), NÃO é crime hediondo.

14 – O fato de o denunciado por roubo ter confessado a subtração do bem, negando,


porém, o emprego de violência ou grave ameaça, é circunstância que não enseja
a aplicação da atenuante da confissão espontânea (art. 65, III, “d”, CP). Isso
ocorre porque o réu não reconhece o crime que lhe é imputado, condição de
incidência da atenuante em tela. É uma tentativa de desclassificar a conduta para
o crime de furto. (HC 301063, 5ª Turma STJ)

15 – O que é crime de catálogo?


R = Crime de catálogo é aquele para a investigação dos quais se permite autorizar a
interceptação telefônica.

16 – É possível a prisão a partir da decisão de segunda instância, conforme mudança


de jurisprudência do STF.

17 – VIGILÂNCIA ELETRÔNICA não torna impossível, por si só, o crime de furto


cometido no interior do estabelecimento comercial. (REsp 1385621)

18 – CABE HC contra medidas protetivas previstas na lei MARIA DA PENHA.


19 – Quem pode conceder fiança?
R = O delegado de policia pode conceder fiança:
Em até 24 hrs após a prisão em flagrante + A pena máxima prevista seja de até 4 anos.
Autoridade judiciaria concede:
A qualquer tempo (momento) – durante IP ou no curso do processo, mesmo que não se
trate de prisão em flagrante + Não importa a pena prevista.

20 – O consentimento da vítima ou sua experiência em relação à conjunção carnal


não tem relevância jurídico-penal para descaracterizar o crime de estupro de
vulnerável, tipificado ao teor do artigo 217-A, CP.

21 – A suspensão condicional do processo e a transação penal não aplicam na


hipótese de delitos sujeitos ao rito da lei MARIA DA PENHA. (STJ súmula 536)

22 – O que são CRIMES VAGOS?


R = São aqueles que têm como sujeito passivo a coletividade.

23 – O PRINCÍPIO DA OBRIGATORIEDADE, no que diz respeito ao instituto da


ação penal pública incondicionada, estabelece que uma vez identificada à
hipótese de atuação, não pode o MP recusar-se a dar inicio à ação penal.

24 – A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR contra a mulher é caracterizada


pela ação ou omissão que ocasione morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico, além do dano moral, patrimonial, ocorrido em espaço de convívio
permanente ou esporádico de pessoas, com ou sem vinculo familiar.

25 – Qual é o objeto do HABEAS DATA?


R = Ação de Habeas data tem como objeto o acesso à informação ou a retificação desta.
Admite-se que além do pedido de acesso a informação, seja solicitada também a
retificação desta, quando realizada de forma inadequada ou em falta com a verdade. Só é
permitido informações de caráter pessoal.

26 – O que é o PRINCÍPIO DA ALTERIDADE?


R = Também em sintonia com o princípio da insignificância veda a incriminação de
conduta meramente subjetiva ou que não ofenda a nenhum bem jurídico. Por exemplo: a
tentativa de suicídio ou a autolesão não serão considerados crimes se não provocarem
outros danos materiais a terceiros e se não houver intenção de fraude contra seguradora.
27 – Segundo entendimento do STJ a natureza e a quantidade de droga apreendida
só podem ser considerados uma única vez quando da dosimetria da pena.

28 – O que se entende por TORPEZA BILATERAL?


R = A fraude bilateral configura-se quando os 2 indivíduos que participam do negócio
tem interesses ilícitos. No caso do estelionato, a vítima também age com má-fé visando à
obtenção da vantagem. Exemplo: aquele que é ludibriado pelo agente e compra uma
máquina pensando que ela faz dinheiro falso. Ambos os envolvidos agem, pois,
ilicitamente.
Entendimento anterior do STF acreditava não ser possível a instauração de ação quando
verificada a torpeza bilateral. Atualmente, a corrente majoritária afirma: Mesmo quando
há torpeza bilateral, resta configurado o crime de estelionato, porque a norma penal não
exigiu a boa fé da vítima. Por isso, o que interessa é saber se realmente a vítima foi
enganada e se sofreu um prejuízo patrimonial, ainda que esta tivesse por intuito enganar
o próprio agente criminoso. Essa é a orientação que prevalece na doutrina e nos tribunais
superiores. STF – HC 33015

29 – NÃO CABE controle abstrato de constitucionalidade por violação de norma


infraconstitucional interposta, sem ocorrência de ofensa direta à constituição.

30 – Para o reconhecimento da pratica de falta disciplinar no âmbito da execução


penal, é imprescindível a instauração de procedimento administrativo pelo
diretor do estabelecimento prisional, assegurado o direito de defesa, a ser
realizado por advogado constituído ou defensor público nomeado. (STJ, súmula
533).

31 – Segundo corrente majoritária, arma desmuniciada configura crime?


R = Configura, pois o crime de posse ou porte de arma são CRIMES DE PERIGO
ABSTRATO. (STJ, 6ª Turma, 158835/RS e STF, 2ª Turma, HC 95073/MS) 32 – Ações
de REPARAÇÃO DE DANOS À FAZENDA PÚBLICA decorrente de ilícito civil
estão sujeitas à prescrição, ou seja, SÃO PRESCRITÍVEIS. (RE
669069/MG)

33 – O que é PUBLICATIO?
R = É a retirada de determinada atividade da seara privada, transportando-a para o seio
do direito público. Não podendo particular exercer, sem que haja delegação do poder
público.

34 – A INFILTRAÇÃO depende de autorização judicial e está prevista na lei


11.343/06 (art. 53,I) e na lei 12.850/95 (art. 13).

35 – A EFICÁCIA SUBJETIVA DA SENTENÇA COLETIVA abrange os


substituídos domiciliados em todo o território nacional desde que a ação tenha
sido: a) proposta por entidade associativa de âmbito nacional; b) contra a União;
e c) contra DF.

36 – O que se entende por FILTRAGEM CONSTITUCIONAL?


R = Filtragem constitucional é uma releitura da norma legal anterior ao novo texto
constitucional à luz da nova constituição. Se a norma legal fosse posterior à nova
constituição, haveria a interpretação conforma a Constituição, que é diferente de filtragem
constitucional.
Filtragem é mais do que recepção. É um plus. Não se verifica apenas se a norma é
compatível com a nova constituição, mas também, como essa norma compatível deve ser
interpretada, lida.

37 – CARTÃO DE CRÉDITO é hoje documento particular e a sua falsificação


caracteriza crime do artigo 298, parágrafo único do CP.

38 – Em que consiste a INTERVENÇÃO PREDISPOSTA DA AUTORIDADE?


R = a policia, ao saber que ocorrerá um crime, toma as providências necessárias para
prender o agente, sem induzimento nem instigação no que diz respeito à pratica criminosa.
Esse instituto também é conhecido como FLAGRANTE ESPERADO. A prisão é válida,
porque não se trata de flagrante provocado. (STF, súmula 145)

39 – A existência de IP ou de ações penais sem trânsito em julgado NÃO PODEM


ser considerados como maus antecedentes para fins da dosimetria da pena.
(STF, plenário. RE 591054/SC)

40 – NÃO SE APLICA o princípio da insignificância


no caso de
CONTRABANDO, tendo em vista o desvalor da conduta do agente. (HC 110964, 2ª
Turma, STF)

41 – A roleta-russa consiste na utilização de uma arma, com um projetil, que


deverá ser disparada sucessivamente pelos participantes em sua própria
direção, rolando o tambor cada um em sua vez. Neste caso, havendo morte, os
sobreviventes respondem por participação em suicídio.

42 – Queixa-crime deve ser oferecida em face de todos que compartilharam notícia


caluniadora.

43 – Qual o conceito de ACESSÓRIO DE ARMA DE FOGO?


R = São todos os complementos que podem modificar, aprimorar ou alterar o
funcionamento de uma arma de fogo. Ex: silenciador.

44 – CADÁVER pode ser objeto de FURTO?


R = O cadáver, em princípio, não pode ser objeto de furto, mas sua subtração encontra
adequação ao tipo do art. 211 (destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele). Se,
entretanto, o cadáver encontra-se em posse legitima de pessoa física ou jurídica, poderá
ocorrer o crime de furto (ex: cadáver que pertence à faculdade de medicina).

45 – A INSIGNIFICÂNCIA é inaplicável ao art. 290 do COM, consoante STF


entende.
46 – A agressão do namorado contra a namorada, mesmo cessado o relacionamento,
mas que ocorra em decorrência dela está inserido na hipótese do art. 5º, III, da
Lei 11.340/06, caracterizando a violência doméstica, conforme entendimento do
STJ.
47 – Quando é permitido o uso de algemas?
R = Só é licito o uso de algemas quando for PERIGOSO, ocorrer RESISTÊNCIA e
possibilidade de FUGA.

48 – Presentes a materialidade e a autoria, afigura-se típica, em relação ao crime


previsto no artigo 184, § 2º, CP, a conduta de expor à venda cds e dvds piratas.

49 – Não se tipifica crime material contra ordem tributária, previsto no art. 1º, I a
IV, da lei 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Súmula Vinculante
nº 24 do STF.

50 – O que é CRIME FALHO?


R = É sinônimo de tentativa perfeita ou acabada. É uma forma de tentativa na qual o
agente esgota todo o caminho executório para o crime, de acordo com seu planejamento,
mas não ocorre a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade.

51 – De acordo com o entendimento DOUTRINÁRIO, é possível descontar o tempo


de prisão provisória de um processo, cuja sentença foi absolutória, em outro
processo de decisão condenatória, desde que o crime pelo qual o réu foi
condenado tenha sido praticado antes da prisão no processo em que foi absolvido.

52 – Consuma-se o crime de FURTO com a posse de fato da res furtiva, ainda que
por breve espaço de tempo e seguida de perseguição do agente, sendo prescindível
a posse mansa e pacifica ou desvigiada. (STJ, 3ª Seção, REsp 1.524.450/ RJ)

53 – Quais são os ATRIBUTOS DO PODER DE POLICIA?


R = Discricionariedade, coercibilidade e autoexecutoriedade.

54 – É pública incondicionada a ação penal por crime de sonegação fiscal. (STF


súmula 609)
55 - Consuma-se o crime de ROUBO com a inversão da posse do bem, mediante
emprego de violência ou grave ameaça, ainda que por breve espaço de tempo e
seguida de perseguição do agente e recuperação da coisa roubada. (STJ, 3ª Seção,
REsp 1.499.050/ RJ)

56 – A homologação da transação penal prevista no art. 76 da Lei 9.099/95 NÃO


FAZ COISA JULGADA MATERIAL e, descumpridas suas cláusulas, retoma-se a
situação anterior, possibilitando-se ao MP a continuidade da persecução penal
mediante oferecimento da denúncia OU requisição de IP.

57 – A REINCIDÊNCIA ESPECÍFICA é exigida nos crimes hediondos para a


obtenção do LIVRAMENTE CONDICIONAL e NÃO para a PROGRESSÃO de
regimes.

58 – Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não se


realize o agente a subtração de bens da vítima. (Súmula 610, STF)

59 – É CRIME exigir cheque caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem


como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição
para o atendimento médico-hospitalar EMERGENCIAL.

60 – DETRAÇÃO PENAL é o cômputo, na pena privativa de liberdade e na medida


de segurança, do tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de
prisão administrativa e o de internação em hospital de custódia e tratamento ou
estabelecimento similar.

61 – Os ATOS ADMINISTRATIVOS cujos efeitos se exaurirem não podem ser


revogados, visto que a revogação não retroage, limitando-se a impedir que o ato
continue a produzir seus efeitos.

62 – O poder de policia se divide-se em 4 fases: a) ordem de policia administrativa;


b) consentimento de policia administrativa; c) fiscalização de policia
administrativa e, d) sanção de policia administrativa.
63 – O que se entende por AUTORIA INCERTA?
R = Conhecida também como autoria com resultado incerto: se dá quando, na autoria
colateral, não se descobre quem produziu o resultado ofensivo ao bem jurídico. Exemplo:
vários policiais disparam suas armas contra vítima comum e não se descobre quem
efetivamente foi o autor do disparo letal. Como fica a responsabilidade penal nesse caso?
Diante da impossibilidade de se descobrir o autor do disparo letal, todos devem responder
por tentativa de homicídio (apesar da morte da vítima). Punir todos por homicídio
consumado é um absurdo porque apenas um dos disparos foi letal. Deixálos impunes
tampouco é admissível. Logo, a solução nesse caso menos ruim é a consistente em punir
todos por tentativa. No caso de autoria incerta no crime culposo (no exemplo das duas
pessoas que autonomamente começaram a rolar pedras do alto de uma colina, culminando
com a morte de um transeunte, que foi atingido por uma delas, não se descobrindo qual
exatamente atingiu a vítima) a solução penal é outra: não há como punir os dois pela
tentativa porque não existe tentativa em crime culposo. Também não há como puni-los
(ambos) pelo crime culposo consumado. Logo, a impunidade de ambos é inevitável.

64 – O poder de policia, em sentido restrito, é a faculdade de que dispõe a


administração para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e
direitos individuais, em beneficio da coletividade ou do próprio Estado. Assim,
tais limitações são impostas coercitivamente pelo Estado à atividade privada e à
propriedade.

65 – O § 1º, do artigo 155, do CP, prevê que a pena do crime de furto será aumentada
de um terço, se o crime for cometido durante o repouso noturno. A causa de
aumento de pena prevista no § 1º, pode ser aplicada tanto para os casos de furto
simples (caput), como para hipóteses de furto qualificado (§ 4º).
Não existe nenhuma incompatibilidade entre a majorante prevista no § 1º, e as
qualificadoras do § 4º. São circunstâncias diversas, que incidem em momentos da
aplicação da pena.
Assim, é possível que o agente condenado por furto qualificado (§ 4º) e, na terceira
fase da dosimetria, o juiz aumente a pena em 1/3 se a subtração ocorreu durante o
repouso noturno. (STJ, 5ª turma, AgRg no AREsp 741.482/MG)
66 – O crime de induzimento, instigação ou auxilio ao suicídio, previsto ao teor do
artigo 122, CP, apenas se consuma com o resultado morte ou lesão grave da
vitima, sendo o fato considerado atípico caso não ocorra nenhuma desses
resultados.

67 – No crime de homicídio NÃO HÁ incompatibilidade na coexistência de


circunstâncias objetivas que QUALIFICAM o crime e as que o tornam
PRIVILEGIADO.

68 – No crime CULPOSO NÃO existe a TENTATIVA porque NÃO HÁ DOLO de


consumação.

69 – NÃO existe FORO PRIVILEGIADO para ação de IMPROBIDADE


ADMINISTRATIVA, decide 2ª Turma.

70 – É possível concurso de agentes em CRIMES CULPOSOS?


R = SIM é perfeitamente possível.
Considerando o concurso de agentes em crime culposo, na modalidade co-autoria, ele se
faz perfeitamente possível vez que duas pessoas podem perfeitamente, por meio de
condutas culposas, quebrando com o dever objetivo de cuidado, agredirem bem
juridicamente tutelado. Neste caso, os envolvidos responderão conjuntamente pela
infração. SÃO CO-AUTORES, pois não se admite a figura do PARTÍCIPE no concurso
de agentes em crime culposo.

71 – Se o denunciado pelo crime de descaminho fizer o pagamento integral da dívida


tributária, haverá extinção da punibilidade?
R = NÃO. Segundo entendimento atual do STJ, o pagamento do tributo devido NÃO
extingue a punibilidade do crime de descaminho. (STJ, 5ª Turma, RHC 43.558/SP)

72 – NÃO SE CONFIGURA o crime de posse ilegal de arma de fogo (art. 12, Lei
10.726/03), a conduta do agente que mantém sob guarda, no interior de sua
residência arma de fogo de uso permitido com o REGISTRO VENCIDO. Se o
agente já procedeu ao registro de arma, a expiração do prazo é mera
irregularidade administrativa que autoriza a apreensão do artefato e aplicação
de multa. A conduta, no entanto, não caracteriza ilícito penal. (STJ, Apn 686/AP.
STJ, 5ª Turma, HC 294.078/SP)

73 – Poderes da administração pública são: a) hierárquico; b) policia; c) disciplinar;


d) discricionário; e) vinculado e, f) normativo.

74 – O que se entende por TEORIA SINTOMÁTICA no direito penal?


R = Ou “a preconizada pela Escola Positiva”. Nucci assevera que a Teoria Sintomática
preconizada pela Escola Positiva, entende que o fundamento de punição da tentativa
concentra-se na análise da periculosidade do agente. Poder-se-ia punir os atos
preparatórios, não se necessitando reduzir a pena, de caráter eminentemente preventivo.

Críticas à Teoria Sintomática (ou “a preconizada pela Escola Positiva”): Sobre esta teoria,
Zaffaroni e Pierangeli pontificam que outros, limitam-se a fixar-se no autor e a
fundamentar a punição da tentativa na periculosidade do autor. Este critério –
eminentemente positivista – tampouco funciona dentro de nosso sistema penal, porque
levaria à punição a tentativa inidônea, não punível no Código (art. 17).

75 – Não se aplica o princípio da INSIGNIFICÂNCIA para o crime de posse/porte


de droga para consumo pessoal (art. 28, lei 11.343/06). (STJ, 6ª Turma, RHC
35.920/DF)

76 – O que são ações afirmativas?


R = Ações afirmativas são políticas focais que alocam recursos em benefício de pessoas
pertencentes a grupos discriminados e vitimados pela exclusão sócio-econômica no
passado ou no presente. Trata-se de medidas que têm como objetivo combater
discriminações étnicas, raciais, religiosas, de gênero ou de casta, aumentando a
participação de minorias no processo político, no acesso à educação, saúde, emprego,
bens materiais, redes de proteção social e/ou no reconhecimento cultural.
Entre as medidas que podemos classificar como ações afirmativas podemos mencionar:
incremento da contratação e promoção de membros de grupos discriminados no emprego
e na educação por via de metas, cotas, bônus ou fundos de estímulo; bolsas de estudo;
empréstimos e preferência em contratos públicos; determinação de metas ou cotas
mínimas de participação na mídia, na política e outros âmbitos; reparações financeiras;
distribuição de terras e habitação; medidas de proteção a estilos de vida ameaçados; e
políticas de valorização identitária.

77 – É possível medida provisória por GOVERNADORES e PREFEITOS? R = Sim


é possível pelo principio da SIMETRIA, mas desde que haja previsão EXPRESSA na
respectiva constituição estadual ou lei orgânica do município ou DF.
78 – A TIPICIDADE MATERIAL, também é afastada pela ALTERIDADE.

79 – O que é ABIGEATO?
R = Abigeato é uma espécie de crime de furto que envolve a subtração de animais,
principalmente domesticados, como animais de carga e animais para abate, no campo e
fazendas. A captura de animais selvagens normalmente não é associada com o mesmo
tipo penal.

80 – Qualquer pessoa (e não somente MP e Autoridade Policial), poderá representar


À autoridade administrativa competente para que seja instaurada investigação
destinada a apurar a prática de ato de improbidade (art. 14, Lei
8.429/92).

81 – O MP poderá impetrar HC caso entenda que o réu, em processo penal, esteja


sofrendo constrangimento ilegal na sua liberdade de ir e vir.

82 – O que é HOMICÍDIO CONSENSUAL OU PIEDOSO?


R = Consiste na eliminação da vida sem padecimento ou dor, a título de caridade ou
misericórdia, quando averiguada e perfeitamente declarada a total impossibilidade de
restabelecimento de pessoa acometida por doença incurável (enfermidade terminal ou em
agonia), chamada também de eutanásia. Não há amparo legal para a ação no Brasil, à
semelhança da maioria dos países. Seu antônimo é chamado distanásia ou cacotanásia:
estertor lento, morte dolorosa, com dor e angústia.
83 – O que é a TEORIA DO CENÁRIO DA BOMBA RELÓGIO?
R = Essa teoria, muito utilizada nos Estados Unidos ("the ticking time bomb scenario").
CONCEITO: a presente teoria tem o escopo de relativizar a proibição da tortura (que, na
nossa Constituição, está no artigo 5o, III). Segundo a teoria, se bombas relógio são
instaladas em determinados locais, não havendo outros meios de se localizar as bombas
ou desarmá-las, a tortura do terrorista responsável é justificável.
HISTÓRICO: Essa teoria apareceu pela primeira vez no romance de Jean Larteguy, "Les
Centurions", de 1960, escrito durante a brutal ocupação francesa da Argélia. O herói do
livro descobre um plano iminente para explodir bombas em toda a Argélia e deve correr
contra o relógio para impedir.
SUPREMA CORTE AMERICANA: O Ministro da Suprema Corte Antonin Scalia disse
em uma recente entrevista que "o uso de técnicas de interrogatório duras agora
amplamente condenadas como tortura pode não ser inconstitucional. Segundo a teoria do
"cenário da bomba relógio", seria difícil excluir o uso da tortura para obter informações
de suspeitos de terrorismo, se milhões de vidas estão em jogo.

84 – Quais os requisitos da PRISÃO PREVENTIVA?


R = A prisão preventiva é um instrumento processual que pode ser utilizado pelo juiz
durante um inquérito policial ou já na ação penal, devendo, em ambos os casos, estarem
preenchidos os requisitos legais para sua decretação. O artigo 312 do Código de Processo
Penal aponta os requisitos que podem fundamentar a prisão preventiva, sendo eles: a)
garantia da ordem pública e da ordem econômica (impedir que o réu continue praticando
crimes); b) conveniência da instrução criminal (evitar que o réu atrapalhe o andamento
do processo, ameaçando testemunhas ou destruindo provas); c) assegurar a aplicação da
lei penal (impossibilitar a fuga do réu, garantindo que a pena imposta pela sentença seja
cumprida).

85 – A competência para legislar em DIREITO PENAL, CIVIL, EMPRESARIAL,


ELEITORAL e em DIREITO DO TRABALHO é PRIVATIVA DA UNIÃO.

86 – A violência desportiva é considerada fato atípico, por influxo da TEORIA DA


IMPUTAÇÃO OBJETIVA. A violência é inerente a determinadas práticas
esportivas, como o boxe, logo, se o Estado permite e regulamenta o boxe, não
pode, ao mesmo tempo, considerar a sua prática um fato típico, isto é, definido
em lei como crime.

87 – É possível a prisão em flagrante EM CRIMES HABITUAIS?


R = Sabe-se que o crime habitual é aquele que exige a reiteração de atos reveladores de
um modo de vida do agente. A prática de um ato isoladamente não é hábil a consumar o
crime, sendo considerado um indiferente penal, pois o fato é típico em seu conjunto.
Configurando-se, apenas, com a prática de vários atos, suficientes para caracterizar o tal
estilo de vida.
Assim, entendem a doutrina e a jurisprudência pela IMPOSSIBILIDADE do flagrante em
crime habitual.
VALE registrar que outra parte da doutrina e jurisprudência entende pela
POSSIBILIDADE do flagrante nos crimes habituais, desde que a reiteração da prática
esteja devidamente comprovada (recolhidas provas de habitualidade).

88 – AGU deve representar a UNIÃO judicialmente e extrajudicialmente bem


como assessorar juridicamente todo o PODER EXECUTIVO FEDERAL.

89 – Os crimes de abuso de autoridade previstos na lei 4.898/65, são julgados


pela justiça comum, ainda que praticados por militar em serviço.

90 – A lei 96.13/98 (lei de lavagem de dinheiro), é de terceira geração, já que


qualquer infração penal pode ser antecedente ao crime de lavagem de capitais.

91 – Em ação penal decorrente da prática de corrupção passiva praticada por


membro vitalício do MPE, não é possível determinar a perda do cargo com
fundamento no art. 92, I, “a”, CP. As regras sobre a perda do cargo de MPE estão
previstas na lei 8.625/93, que, por ser norma especial, prevalece sobre o CP (norma
geral). (STJ, 5ª, Turma, REsp 1.251.621/AM)

92 – Tanto STJ quanto STF entendem que o descaminho é crime tributário


FORMAL. Logo, para que seja proposta ação penal por descaminho, não é
necessária a prévia constituição definitiva do crédito tributário.
Não se aplica a súmula 24 - STF.
O crime se consuma com a simples conduta de iludir o Estado quanto ao pagamento
dos tributos devidos quando da importação ou exportação de mercadorias. STJ, 6ª
Turma, REsp 1.343.463/Ba. STF, 2ª, Turma, HC 122325)

93 – Ainda que o descaminho seja delito de natureza FORMAL, a existência de


decisão administrativa ou judicial favorável ao contribuinte – anulando o auto de
infração, o relatório de perdimento e o processo administrativo fiscal –
caracteriza questão prejudicial externa facultativa, que autoriza a suspensão do
processo penal (art. 93, CPP). (STJ, 6ª, Turma, Informativo 552)

94 – No processo penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua


deficiência só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu. (Súmula 523,
STF)

95 – O que é confissão qualificada?


R = Ocorre à confissão qualificada (ou confissão parcial) quando o agente confessa a
autoria do fato, mas nega parte da imputação ou invoca alguma excludente da ilicitude
ou da culpabilidade.
Esta postura do agente afasta a incidência da atenuante de confissão espontânea prevista
no art. 65, III, ‘d’, do CP?
Na doutrina há posição em ambos os sentidos, sendo que ilustro este post com a menção
de que Celso Delmanto entende que deve incidir a atenuante, enquanto que Mirabete
entende que não.
A jurisprudência, antes também divergente, hoje admite a confissão qualificada,
podendo-se, portanto, responder a pergunta no sentido de que, NÃO, o fato do réu
confessar a autoria do fato criminoso, mas invocar uma excludente de
ilicitude/culpabilidade, não obsta o reconhecimento da atenuante da confissão
espontânea. (5ª Turma do STJ, REsp 1163090. STF, 1ª Turma, HC 82337)

96 – A utilização da internet para a obtenção de senha e realização de saques da


conta bancária da vítima configura furto qualificado pelo emprego de fraude e
o lugar do crime será onde se localiza a respectiva agência.
97 – Embora o cumprimento do mandado de busca e apreensão domiciliar deva ser
efetivado durante o dia (6 h às 18 h), nada impede que, iniciado, se estenda pela
noite, havendo razoabilidade ao encerramento da diligência.

98 – A competência para processar e julgar o crime de uso de documento falso é


firmada em razão da entidade ou órgão ao qual foi apresentado o documento
público, não importando a qualificação do órgão expedidor. (STJ, 3ª seção)

99 – Admite-se aplicação do principio da insignificância nos casos de crimes


ambientais.

100 – Deixar de prestar assistência (ou pedir socorro), à criança abandonada ou


extraviada, pessoa inválida, ferida, desamparada ou em grave e eminente perigo
configura OMISSÃO DE SOCORRO. Ressalta-se que não haverá crime se
houver risco pessoal para realizar a ação.

101 – Não existe crime de MILICIA PRIVADA se o objetivo é o de praticar crimes


previstos na legislação penal especial. Ver a redação do 288 – A, CP, em que faz
menção a “crimes previstos neste código”, referindo-se aos crimes previstos no
CP.

102 – Não é nula a citação por edital que indica o dispositivo da lei penal, embora
não transcreva a denúncia ou queixa, ou não resuma os fatos em que se baseia.

103 – O que é audiência de custódia?


R = A Audiência de Custódia encontra-se prevista em pactos e tratados internacionais em
que o Brasil é signatário, como o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos e a
Convenção Interamericana de Direitos Humanos (este último mais conhecido como
Pacto de San Jose da Costa Rica). Como sabemos, a assinatura deste Tratado se deu em
1992, no entanto, foi recentemente que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) adotou as
medidas a fim de colocar a Audiência de Custódia em prática.

Podemos vê-la no artigo 7.5 da Convenção Americana de Direitos Humanos (CADH),


que diz: “Toda pessoa presa detida ou retida deve ser conduzida, sem demora à presença
de um juiz ou outra autoridade autorizada por lei a exercer funções judiciais e tem o
direito de ser julgada em um prazo razoável ou de ser posta em liberdade, sem prejuízo
de que prossiga o processo. Sua liberdade pode ser condicionada a garantias que
assegurem o seu comparecimento em juízo”.

O procedimento adotado visa o prazo de 24 horas para os juízes ouvirem as pessoas que
foram presas em flagrante. Com isto, os juízes podem avaliar se é necessário manter a
pessoa presa, se pode sair mediante fiança, se cabe uma medida punitiva de caráter
educativo — como, por exemplo, tornozeleiras eletrônicas — ou até mesmo se deve ficar
em liberdade, por não ter sua prisão justificada.

104 – A definição dos crimes de responsabilidade e o estabelecimento das respectivas


normas de processo e julgamento são da competência legislativa privativa da
UNIÃO.

105 – No homicídio culposo, a morte instantânea da vitima não afasta causa de


aumento de pena prevista no art. 12, § 4º, CP, deixar de prestar imediato socorro
à vítima, a não ser que o óbito seja evidente, isto é, perceptível por qualquer
pessoa (STJ)

106 – O que é furto famélico?


R = O furto famélico ocorre quando alguém furta para saciar uma necessidade urgente e
relevante. É a pessoa que furta para comer pois, se não furtasse, morreria de fome. Mas o
furto famélico não existe apenas para saciar a fome. Alguém que furta um remédio
essencial para sua saúde, um cobertor em uma noite de frio, ou roupas mínimas para se
vestir, também pode estar cometendo furto famélico.

O furto famélico não é crime porque a pessoa age em estado de necessidade: para proteger
um bem jurídico mais valioso – sua vida ou a vida de alguém – a pessoa agride um bem
jurídico menos valioso – a propriedade de uma outra pessoa.

Para que o crime seja configurado, é essencial que se preencham alguns requisitos:
Primeiro, tem de ser furto. Não pode ser roubo, extorsão etc. Apenas quando não há
violência ou ameaça há o furto famélico (como o nome diz, é furto, e não roubo famélico).
Se houver violência ou grave ameaça, o direito protegido – vida – passa a estar muito
próximo do direito agredido (a vida ou incolumidade física da vítima). Segundo, o juiz
deve analisar a proporcionalidade do que foi furtado. Se alguém tem dez filhos, óbvio que
vai precisar de mais comida para alimentá-los do que alguém que tem um filho. O furto
famélico é apenas para suprir as necessidades básicas de sobrevivência imediata. Não dá
pra furtar cem quilos de arroz e dizer que é famélico, pois ninguém consome cem quilos
de arroz em poucos dias.

Por fim, o juiz precisa estar convencido de que a pessoa precisa do bem para sobreviver.
Esse é um requisito básico de qualquer estado de necessidade. Não dá pra alguém que
pode obter o bem de outra forma alegar que não tinha opção. O estado de necessidade só
fica configurado quando não há outra opção razoável. Além disso, o bem precisa ser
essencial para a sobrevivência. Não dá pra ser uma televisão, um casado de grife etc.

Na hipótese não se configura o crime, pois o estado de necessidade exclui a ilicitude do


delito.

107 – Nos casos de prática do crime de introdução de moeda falsa em circulação (art.
289, § 1º, CP), se a nota falsificada é repassada para “ascendente, descendente,
irmão ou cônjuge” ou para “criança, maior de 60 anos, enfermo ou mulher
grávida”, incidirão as agravantes previstas nas alíneas “e” e “h” do inciso II,
art. 61, CP. Isso porque o sujeito passivo deste delito não é apenas o Estado, mas
também a pessoa lesada com a introdução da moeda falsa. (STJ, 6ª Turma, HC
211.052/RO, informativo 546)

108 – É nula a citação por edital do réu preso na mesma unidade da federação em
que o juiz exerce sua jurisdição. (STF, súmula 351)

109 – Crime plurilocal é aquele em que a conduta se dá em um local e o resultado


em outro, mas dentro do mesmo país. Aplicando-se neste caso, a TEORIA DO
RESULTADO, sendo competente o foro do local da consumação.
110 – O que é GOLPE DE PHISHING?
R = Phishing (pronuncia-se "fishing") é um tipo de roubo de identidade online. Ele usa e-
mail e websites fraudulentos que são concebidos para roubar seus dados ou informações
pessoais, como números de cartão de crédito, senhas, dados de contas ou outras
informações.

111 – Posição do STJ e STF é no sentido de que o indiciamento é ato privativo do


delegado de policia (autoridade policial), segundo sua analise técnico-jurídica
do fato. O Juiz não pode determinar que o delegado fizesse o indiciamento de
ninguém. (STJ, 5ª, Turma, RHC 47.984/SP. STF, 2ª, Turma, HC 115015/SP)

112 – Qual a diferença entre receptação X favorecimento real?


R = Na receptação dolosa, o agente busca alcançar proveito próprio ou para terceira
pessoa, excluído o autor do crime. No favorecimento real, não objetiva proveito
econômico para si ou para terceiro, mas apenas beneficiar o responsável pelo delito
anterior.

113 – Na extradição, o principio da limitação em razão da pena garante que o preso


não será extraditado para países onde a pena de morte e a prisão perpétua são
previstas, a menos que sejam dadas garantias de que não irão aplica-las.

114 – A interceptação telefônica tem um prazo máximo de 15 (quinze) dias,


renováveis por mais 15 (quinze) dias. Todavia, não há qualquer proibição ao
número de prorrogações, desde que haja decisão fundamentando a dilatação do
período.

115 – O princípio da insignificância deve ser AFASTADO nos casos em que o réu
faz do crime o seu MEIO DE VIDA, ainda que a coisa furtada seja de pequeno
valor. (STJ, HC 330156/SC)

116 – O que é crime parasitário?


R = Acessorio / de fusão / parasitário: Depende da prática de um crime anterior
(exemplo: receptação, favorecimento pessoal e real). A extinção da punibilidade do crime
principal não afeta o crime parasitário.

117 - O que é principio da humanização das penas?


R = Princípio segundo o qual o objetivo da pena não é o sofrimento ou a degradação do
apenado. O Estado não pode aplicar sanções que atinjam a dignidade da pessoa humana
ou que lesionem a constituição físico-psíquica do condenado.

118 – A imposição do regimento de cumprimento mais severo do que a pena


aplicada permitir exige motivação idônea. (STF, súmula 719)

119 – A redução de pena É POSSÍVEL quando o condenado em regime fechado,


ou semiaberto, trabalha dentro ou fora da prisão. (STJ, súmula 562)
120 – A lei de execuções penais (7.210/84), prevê que o condenado à pena
privativa de liberdade, é obrigado a trabalhar (art. 31 e art. 39, V). Caso em que,
havendo recusa por parte do preso, injustificadamente, ele comete falta grave. O
dever de trabalho imposto pela LEP ao apenado não é considerado como pena de
trabalho forçado, não sendo incompatível com o art. 5º, XLVII, “c”, CR/88. (STJ, 6ª
Turma, HC 264.989/SP)

121 – HÁ concurso material entre os crimes de roubo e extorsão quando o agente,


após subtrair bens da vítima, mediante emprego de violência ou grave ameaça, a
constranger a entregar o cartão bancário e a respectiva senha para sacar dinheiro
de sua conta corrente. (STJ AgRg do REsp 745957/ES)

122 – A progressão de regime nos crimes contra a ADM Pública está


condicionada À reparação do dano causado ou à devolução do produto do ilícito
praticado com os acréscimos legais, além do cumprimento de 1/6 da pena no regime
anterior e do mérito do condenado.
JULGADOS DIVERSOS

- CONFLITO DE COMPETÊNCIA
Falsificação de documento da união não atrai competência para a JUSTIÇA FEDERAL,
salvo se ocorrer prejuízo à união. CC 141593 RJ

- COMPETÊNCIA APLICAÇÃO ESTELIONATO


STJ decidiu que será competente onde foi realizado o saque do dinheiro (ou pelo menos
onde que se deu a entrada do valor retirado), e não o local onde se encontrava o dinheiro
da vítima, tendo em vista que ele estando lá seria sob a guarda da mesma, mas quando
sai da vigilância dela e vai para o Autor do fato, está configurado o local do crime. CC
139800 MG

- APLICAÇÃO ART. 28, CPP X STJ


Procurador da República atuante no STJ defendendo o arquivamento de determinado IP
ou ação penal, não sofrerá a incidência de o juízo remeter para o PGR utilizando-se do
artigo 28 do CPP, tendo em vista que este já é o próprio PGR atuando em ”longa
manus”. Inquérito Policial 967 DF, em 18 de março de 2015.
JURISPRUDÊNCIAS PERTINENTES A LEI 11.343/06

- Porte de droga para uso (art. 28)


Existem 3 correntes que tentam explicar natureza jurídica do art. 28 da referida lei.
1ª corrente: LFG diz ser uma infração “sui generi”
2ª corrente: Entende que ocorreu uma “abolitio criminis”;
3ª corrente: Ocorreu a despenalização e não a descriminalização, sendo assim sua
natureza jurídica é de “crime”. (Posição do STF)
O STJ acompanhou o entendimento do STF.
O STJ diz que se o agente for condenado no art. 28, da Lei 11.343/06, transitado e
julgado gera reincidência.
Julgado STJ, HC 275126 SP, 19 de setembro de 2014.

- Transporte de droga no interior de transporte público


Para ocorrer à incidência da majorante do artigo 40, III, da Lei 11.343/06, ao agente não
basta portar droga no interior de transporte público, ele tem que realizar a conduta
“vender” no interior do transporte. Este é o ENTENDIMENTO do STJ.
Julgado STJ, REsp 1443214 MS, 04 de setembro de 2014, Informativo 547.
Julgado STF, 1ª Turma, HC122258 MS, 19 de agosto de 2014.
OBS: Se o examinador perguntar: “...segundo letra da lei...”, sempre deverá responder o
que a Lei diz, e nesse caso, o fato de portar consigo em transporte público já é o
suficiente para incidir a majorante.

- Droga armazenada + apetrechos diversos (balança / alicate, por exemplo)


Para ser enquadrado no art. 34 da referida lei, é necessário que o agente possua
maquinário/laboratório para que configure tráfico e não apenas pequenos apetrechos.
Dessa forma, responderá somente pelo art. 33 da supracitada lei.
Julgado STJ, REsp 1196334 Paraná, 19 de setembro de 2013.
Julgado STJ, 5ª Turma, AgRg REsp 303213 SP, 08 de outubro de 2013.

- Tortura X Crime hediondo X STF


O STF, em sua 1ª Turma, no HC 123316 Se, entende diferente do STJ no que tange ao
regime inicial do cumprimento de sentença. Dessa forma, o cumprimento entende que
na tortura deve iniciar no fechado. Diferente do crime hediondo, ao qual ele entende que
não tem a necessidade iniciar no fechado, conforme HC 111840 Es.

TEMAS PERTINENTES AO ART. 28 DA LEI 11.343/06

- O art. 28 da referida lei, não apresenta nenhuma pena privativa de liberdade.


- Constitui mesmo assim infração penal, do tipo “crime”.
- O verbo “uso” não contido no bojo do artigo, por tal fato, quem usa não está
enquadrado, mas quem “porta” até quem vai usar sim. Cuidado para caso prático entre
quem somente está usando e quem porta.
- O “uso” se não ocorrer o flagrante, é atípico.
- O STJ entende que não é possível aplicação do principio da insignificância.
- Para o STF, entende ser possível a aplicação do principio da insignificância no porte
de droga para uso próprio.
- A conduta tipificada de porte para uso próprio é de menor potencial ofensivo e,
portanto, se submete ao rito do juizado especial (lei 9.099/95).
- Após a abordagem por policiais, o agente que porta droga para uso próprio, deve ser
encaminhada para a JUSTIÇA, sendo, portanto, apresentado a autoridade judiciária,
conforme reza o art. 48, § 2º, lei 11.343/06. Na prática, quem recebe esse infrator é a
DELEGACIA DE POLICIA, apresentando assim a autoridade policial, conforme art.
48, § 3º, lei 11.343/06.
- Não é possível a prisão em flagrante para o art. 28, da lei supra.
- Semear a droga (cultivar), também responde perante a lei 11.343/06, se ficar
caracterizado que presente pequena quantidade.
- Na lei 11.343/06, art. 52, I, determina que a autoridade policial tenha que justificar o
porquê foi enquadrado em tráfico e não em uso. Isso, sendo o único caso em que
delegado fará juízo de valor em seu relatório do IP.
- Para o STF a “marcha para a maconha” não é passível de sanção penal, tendo em vista
o direito de manifestação, mas isso não quer dizer que possa fazer uso durante o ato
“marcha para a maconha”.
- Uso compartilhado, para ser enquadrado tem que ter a oferta, a eventualidade, a
ausência de lucro, pessoa do relacionamento e o consumo no mesmo momento. Se esse
oferecimento for CONSTANTE, é enquadrado em TRÁFICO, bem como se faltarem
em destes elementos citados acima.
- Há concurso material entre uso e tráfico (art. 28 + art. 33).
- Mesmo que o usuário não assine o TERMO DE COMPROMISSO, ele não será preso
em flagrante.

HIPERTROFIA DO DIREITO PENAL / HIPERTROFIA CRIMINAL

- Em 1898 o termo “hipertrofia” foi utilizado por Reinhart Franck em artigo publicado,
observando que o uso das penas e tipificações de condutas eram abusivas, e que por este
motivo perdeu o direito penal parte de seu crédito, deste modo, perdendo sua forma
intimidadora, pois o corpo social deixava de reagir do mesmo modo que o organismo
humano não reage a um remédio ministrado de forma abusiva pelo paciente.
- Já o que vimos citado em 1898 vem acontecendo com muito afinco ainda hoje, pois a
primeira iniciativa pelo nosso legislador é aumentar/endurecer as penas quando algum
fato criminoso de grande repercussão é cometido, ou dar nova “roupagem” as leis já
editadas.
- Tomamos como exemplo a Lei de Crimes Hediondos que por motivos do assassinato
de grande repercussão da atriz Daniela Perez, filha da escritora Gloria Perez morta pelo
ator Guilherme de Pádua a golpes de tesoura, passou a considerar os crimes de
homicídio qualificado e os de homicídio praticado por grupos de extermínio como
crimes hediondos.
- Também é de conhecimento a Lei Maria da Penha que foi criada com base na vítima
de maus tratos domésticos, a Senhora Maria da Penha Maia Fernandes que foi
brutalmente violentada pelo marido durante seis anos e que foi punido somente depois
de 19 anos cumprindo apenas 2 anos de prisão.
- Nestes casos, os princípios em discussão são respeitados, pois não há insignificância
em nenhum deles, pois atingem toda a coletividade e são de grande repercussão, não há
somente um particular envolvido, bem como respeita o princípio da intervenção mínima
visto que, cumpre exatamente ao direito penal tutelar a vida e integridade física das
pessoas.
- E como bem vimos, quando a sociedade está altamente envolvida nestes crimes e pede
por clamor público que seja feito algo por nossos legisladores, estes então aumenta a lei.
- Agora, o que pensar das Contravenções Penais, tema de discussão do presente artigo,
que prevêem condutas vistas aos olhos do direito penal como insignificantes.
- São infrações penais que o próprio poder judiciário não dá valor, muito menos a
população em geral, como é caso da contravenção de vadiagem prevista no artigo 59 da
LCP.
- Ora, não será a vadiagem uma escolha de vida, pois não há causa criminal presente
nesta infração nos dias de hoje, tanto o é assim que a infração de mendicância foi
abolida do referido diploma legal.
- Pune-se tantas condutas insignificantes nas Contravenções Penais que suas penas
tornam-se abusivas, fazendo com que o corpo social deixe de reagir como o direito
penal gostaria que fosse, um direito intimidatório levando-se assim a hipertrofia
criminal, ou seja, a perda de crédito do direito penal.

PRISÃO PREVENTIVA e ARQ DO IP X CLÁUSULA REBUS SIC


STANTIBUS

- Inicialmente aplicado no âmbito civil, está presente no art. 478 CC, a cláusula Rebus
Sic Stantibus (locução latina que pode ser traduzida como "estando assim às coisas")
especifica que as partes de um contrato, tratado internacional ou, de forma mais geral,
acordo, pactuaram levando em consideração a situação de fato existente no momento de
sua celebração, podendo assim invocá-la como forma de rompimento caso mudanças
substanciais ocorram de forma extraordinárias e imprevisíveis, que modificam o
equilíbrio do acordo trazendo desvantagem a uma das partes.
- No direito penal diante de novos fatos, o magistrado pode mudar a situação.
- A prisão preventiva visa garantir algumas situações, tais como as previstas no art. 311,
CPP.
- A prisão preventiva pode sofrer alteração, ou seja, o juiz pode revoga-la e com isso,
existe a relação que diante de fatos novos, a cláusula rebus sic stantibus submeterá a
revisão não estando mais presentes os requisitos para sua manutenção.
- No caso do arq. do IP (artigo 18, CPP), a corrente majoritária diz que o IP não precisa
estar desarquivado para a realização de novos diligências tendo em vista a existência de
fatos novos.
- Com novas provas produzidas, uma nova ação penal será iniciada conforme súmula
524 do STF.
- Assim sendo, como existe a possibilidade de arquivar o IP, bem como o
desarquivamento do IP face fatos novos, se submete a cláusula rebus sic stantibus.
- A decisão que revoga a prisão preventiva, bem como o arquivamento do IP faz coisa
julgada formal.
- Decisão que arquiva o IP com base na atipicidade do fato faz coisa julgada formal e
material e assim sendo, não se submete a cláusula rebus sic stantibus. Obs: Mesmo
sendo a decisão proferida por juiz incompetente.
- Decisão que arquiva o IP com base na extinção da punibilidade faz coisa julgada
formal e material e assim sendo, não se submete a cláusula rebus sic stantibus.
ENTRETANTO, existe uma exceção: Em caso de morte do agente, se ele utilizou
certidão de óbito falsa, faz coisa julgada somente formal, se submetendo a cláusula
rebus sic stantibus, PODENDO SER REVISTA.

Divergência:
- Decisão que arquiva o IP com base excludente de ilicitude faz coisa julgada formal e
material, corrente MAJORITÁRIA (posição do STJ e doutrina), NÃO PODE
DESARQUIVAR O IP.
Julgado, STJ, 6ª Turma, REsp 791471/RJ, 25/11/2014.

- 2ª Turma STF, HC 125101/SP, 2015, reforça o entendimento que com base na


excludente de ilicitude, faz somente coisa julgada formal, ou seja, PODE
DESARQUIVAR O INQUÉRITO.

CULPABILIDADE FORMAL E CULPABILIDADE MATERIAL

- Culpabilidade é juízo de reprovabilidade da conduta.


- Esse juízo ocorre depois da aplicabilidade do princípio da fragmentariedade.
- A culpabilidade formal é a definida em abstrato, ou seja, é o juízo de reprovabilidade
realizado em relação ao provável autor de um fato típico e ilícito, se presentes os
elementos da culpabilidade, no momento em que o legislador incrimina uma
conduta. Serve, pois, para o legislador cominar os limites (mínimo e máximo) da pena
atribuída à determinada infração penal.
- Por sua vez, a culpabilidade material é estabelecida em concreto, pois é dirigida para
o agente culpável que cometeu um fato típico e ilícito, sendo, então, destinada ao
magistrado por ocasião do procedimento de dosimetria da pena (também chamado de
sistema Hungria).

INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE “TENTATIVA”

- Art. 14, II, CP tem que ocorrer a complementação com o crime principal.
- É conhecida com norma de extensão temporal, ou seja, a lei pune a consumação, mas
ela puxa para que se aplique na forma tentada, de forma menos gravosa que se
consumado, mas punindo a tentativa do agente.
- Norma de subordinação típica mediata/indireta.
- Na tentativa tem que existir o dolo, o inicio da execução e a consumação não pode
ocorrer por circunstância alheia a vontade do agente.
- Tentativa pode ser perfeita / acabada / crime falho, quando o agente esgotou os atos
executórios e ainda sim não conseguiu a consumação.
Tentativa imperfeita / inacabada é quando o agente não esgotou os atos
executórios e sim ocorreu a impossibilidade de continuar.
- Na tentativa perfeita ou na imperfeita pode ocorrer à tentativa vermelha/ cruenta,
que é quando a vítima é ferida de alguma forma.
Existe a possibilidade da vítima não ser atingida/ferida, a essa fato se da o
nome de tentativa branca/incruenta.
- A maior diminuição de pena ocorre quando existe a tentativa branca. Noutro giro, a
diminuição de pena será menor quando ocorre a tentativa vermelha, por ter atingido a
vítima.
- TENTATIVA SUPERSTICIOSA é aquela tentativa que o agente deseja a morte da
vítima através de feitiçaria, artefatos supersticiosos, bruxaria. Alguns doutrinadores
entendem que é um tipo de crime impossível. LFG entende que tentativa supersticiosa é
uma coisa, mas o meio ser relativo ou absoluto ineficaz só pode ser verificado após no
resultado. Ou seja, quando se trata de tentativa supersticiosa verifica-se de pronto que o
resultado é impossível, mas no caso de TENTATIVA INEDONÊA, somente verifica-se
após o resultado.
POSSE/PORTE (LEI 10.826/03) NA VISÃO DA JURISPRUDÊNCIA

- Posse é quando a arma de fogo se encontra INTRA MUROS.


Posse irregular de arma de fogo de uso permitido
Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de
uso permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de
sua residência ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja
o titular ou o responsável legal do estabelecimento ou empresa.
- Porte é quando a arma de fogo se encontra fora de muros, da residência ou ambiente
fechado (escritório, por exemplo).
Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido
Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou
ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar.
- É crime permanente.
- Para entrar numa residência sem mandado de judicial, para o STF a policia tem que ter
provas robustas (justa causa), que de fato lá se encontra crime permanente.
- Súmula 711, STF, diz que crime permanente se submete a aplicação de lei mais
gravosa em caso de mudança no lapso temporal do cometimento do crime X mudança
legislativa mais gravosa para o crime cometido.
- Infração administrativa possuir arma de fogo com licença vencida. Decisão STF.
- Se o responsável legal do estabelecimento ou empresa possuir arma no
estabelecimento comercial / empresa, ele responderá pelo art. 12. Mas, se o funcionário
simplesmente trabalha no estabelecimento comercial / empresa, responderá pelo art. 14.
Ambos da Lei supra.
- Posse / Porte de arma de fogo X Lei Maria da Penha. Em seu artigo 22, I, da Lei
11.340/06, possibilita o juiz suspender a pessoa que tanto tem a posse, quanto a porte.
Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher,
nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou
separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:
I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao
órgão competente.
- Quanto ao art. 12 da Lei 10.826/03, o agente sem o registro da arma de fogo,
mantendo assim a posse, não se submeterá a lei do juizado especial. Será preso em
flagrante e ato continuo, irá arbitrar fiança.
- Para arma de uso permitido é possível fiança pela autoridade policial.
- Para o STJ não sustenta festejo que o caminhoneiro que possuir arma na boleia do seu
carro seja enquadrado no artigo 12, e sim RESPONDERÁ no 14 se for de uso permito e
16 se for de uso restrito.
- Se o agente possuir diversas armas do mesmo calibre e permitida, responderá por um
único crime, tendo aumento em sua dosimetria com base no restante de armas que
possui. Se for uma de uso permito e outra de uso restrito existem diversos
posicionamentos: Para a doutrina e alguns TJ’s estaduais, responderá pelo de uso
restrito, tendo a de uso permitido influência na dosimetria da pena. Para o STJ, 6ª
Turma (HC 162018 SP), entende que responde por 2 crimes em concurso formal.
- Posse irregular de munição X princípio da insignificância = Para STJ e STF NÃO SE
APLICA. O mesmo raciocínio se aplica para quem PORTA munição, observando
apenas se é munição de arma de uso permito ou de uso restrito.
- Abolitio Criminis TEMPORÁRIA para a lei 10.826/03, aplica-se ao crime de posse de
arma de fogo de uso permitido com numeração, marca ou qualquer outro sinal de
identificação raspado, suprimido ou adulterado, praticado somente até 23/10/2005.

JURISPRUDÊNCIAS x ECA

- É possível aplicar o principio da insignificância em atos infracionais?


Jurisprudência entende que SIM, que é possível.
- Remissão concedida pelo MP é um PERDÃO que o juiz deve homologar. O MP
pode inserir medida socioeducativa no perdão que ele concede.
Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou
comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo
incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a
colocação em regime de semi-liberdade e a internação.
Posicionamento do STF diz que a remissão concedida pelo MP e homologada pelo juiz,
mesmo com aplicação de medida socioeducativa não é inconstitucional, tendo em vista
que medidas socioeducativas NÃO tem caráter de pena. Observação, no caso de semi-
liberdade e internação existe o cerceamento de liberdade, logo não se pode cercear
liberdade sem o devido processo legal.
- É possível constituir assistente de acusação nos casos previstos no ECA para ato
infracional?
Para o STJ não é admissível assistente de acusação nos casos previstos no ECA.
Julgado STJ, HC 1089564/DF, 15 de março de 2012.
- “O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do
adolescente”.
(Súmula 492, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 08/08/2012).
- As escusas absolutórias podem ser aplicadas aos atos infracionais?

Art. 181 - É isento de pena quem comete qualquer dos crimes previstos neste título, em
prejuízo:

I - do cônjuge, na constância da sociedade conjugal;

II - de ascendente ou descendente, seja o parentesco legítimo ou ilegítimo, seja civil ou


natural.

Art. 182 - Somente se procede mediante representação, se o crime previsto neste título é
cometido em prejuízo: (Vide Lei nº 10.741, de 2003)

I - do cônjuge desquitado ou judicialmente separado;

II - de irmão, legítimo ou ilegítimo;

III - de tio ou sobrinho, com quem o agente coabita.

Art. 183 - Não se aplica o disposto nos dois artigos anteriores:

I - se o crime é de roubo ou de extorsão, ou, em geral, quando haja emprego de grave


ameaça ou violência à pessoa;

II - ao estranho que participa do crime.

III - se o crime é praticado contra pessoa com idade igual ou superior a 60 (sessenta)
anos.

O STJ entende que a escusa absolutória pode ser aplicada.


STJ, 6ª Turma, HC 251681 Paraná, 03 de outubro de 2013.
- Pode aplicar medida de internação a MENOR que pratica ato infracional e
possui deficiência mental?
Internação não é SANÇÃO, por isso, a internação pode ser aplicada ao menor doente
mental.
- Somente com a confissão do menor, pode aplicar medida socioeducativa?
No procedimento para aplicação de medida socioeducativa, é nula a desistência de
outras provas em face da confissão do adolescente.
Súmula 342, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 27/06/2007

- Quando o ECA fala de reiteração no artigo 122, II, qual o volume dessa
reiteração?
O posicionamento do STJ é entendendo que não há que se fixar número de atos. Assim
sendo, 2 atos já pode ser considerado a reiteração.
Julgado STJ, 5ª Turma, HC 280.478 SP, 18 de fevereiro de 2014.

PRINCIPIO DA CONFIAÇA LEGITIMA

“Enquanto a segurança jurídica possui caráter amplo, sendo aplicável às relações


públicas e privadas, a confiança legítima tutela, tão somente, a esfera jurídica particular,
protegendo-o da atuação arbitrária do Estado”.

- Especificidades e peculiaridades do princípio da confiança legítima


Extremamente interessante mergulhar um pouco mais na essência do princípio da
confiança legítima, o que se fará a seguir, com base na sistematização desenvolvida por
Rafael Carvalho Rezende Oliveira.
O primeiro ponto que merece destaque é a caracterização da confiança legítima, que,
para se configurar, demanda o preenchimento de alguns requisitos, do quais destaca-se:
a) a confiança do administrado de que a Administração agiu legalmente e de
que suas expectativa são razoáveis;
b) a confiança deve ter causa idônea, eis que não pode ser gerada por mera
negligência, tolerância ou ignorância da Administração;
c) o administrado deve cumprir os deveres/obrigações que lhe cabem, naquilo
que envolve o ato da Administração que lhe gerou confiança legítima a ser protegida.
Há, entretanto, dois limites à confiança legítima:
a) como visto anteriormente, não se pode falar em confiança legitima nas
hipóteses de má-fé do particular, eis que é exatamente a boa-fé do administrado o
aspecto psicológico legitimador da confiança que demanda a proteção do direito;
b) a confiança legítima não pode ser extraída de mera expectativa
(simplificada) de direito, que não gera proteção do ordenamento jurídico, mas sim uma
expectativa qualificada, como consequência da presença/cumprimento de requisitos,
como exemplificado acima.
Válido destacar, ainda, os efeitos gerados pelo princípio da proteção da confiança
legítima, os quais podem ser divididos em dois grupos:
a) efeitos negativos – a Administração abstém-se de produzir atos restritivos ou
supressivos dos direitos dos particulares, a exemplo, como dito anteriormente, da
limitação do poder (exercício) da autotutela, em razão do prazo decadencial previsto em
lei.
b) efeitos positivos – necessidade de a administração gerar atos administrativos
que beneficiem (reconheça, criem, ampliem) os direitos dos particulares ou que
permitam o ressarcimento daqueles que tiveram sua confiança violada, em virtude da
conduta da Administração.
No ponto, cumpre destacar lição da doutrina que relaciona os efeitos gerados pelo
princípio da confiança e a redução da discricionariedade do administrador público:
“Nesse contexto, em ambos os efeitos (negativos e positivos), o princípio da confiança
funciona como um mecanismo de redução da discricionariedade do administrador. Em
algumas hipóteses, é possível conceber a redução total da discricionariedade (“redução
da discricionariedade a zero”), quando as diversas possibilidades de escolhas colocadas
pela norma, em abstrato, são reduzidas, tendo em vista as condições jurídicas em jogo,
de modo a se retirar, na hipóteses concreta, a discricionariedade do administrador.
Mencione-se, exemplificativamente, a hipótese em que o Poder Público promete
deduções fiscais e autorizações de funcionamento para empresas que atuam em
determinado segmento empresarial com o objetivo de desenvolver a região. Confiante
na promessa sólida do Poder Público, uma empresa faz investimentos importantes na
região e requer os benefícios prometidos. Não poderia o Poder Público se negar a
conceder tais benefícios, sob o argumento de que desistiu de desenvolver a região, pois
tal conduta contraria a confiança legítima.
A proteção da confiança do administrado por meio da exigência de atuação legal e
coerente do Estado ocorre, ainda, a partir da teoria dos atos próprios (venire contra
factum proprium), que é aplicável, modernamente, ao Direito Administrativo.”
Trata-se, pois, de princípio cujo conhecimento não se limite à esfera meramente teórica,
sendo nitidamente perceptível suas implicações práticas no âmbito das relações
administrativas, entre o particular e o Estado.

AS VELOCIDADES DO DIREITO PENAL

- O Direito penal sempre passa por transformações doutrinárias ao longo do tempo, uma
delas atine às chamadas “velocidades do Direito Penal”.
- Para compreensão do tema, a primeira informação a ser definida consiste em que, para
essa teoria, o Direito Penal contém duas espécies de ilícitos penais. Dessarte, um tipo de
ilícito penal tem cominada a pena privativa de liberdade, por sua vez, outro tipo de
ilícito penal tem como sanção penas alternativas às privativas de liberdade.
Assim sendo, esses dois tipos de ilícitos penais pediriam duas formas distintas de
processo. Com efeito, àquele que comina prisão deve ter o processo imbuído dos
princípios garantistas, haja vista que a privação da liberdade é medida bem grave ao ser
humano. Por outro lado, àquele que impõe penas alternativas, poderia existir uma maior
flexibilização das garantias processuais penais.
Portanto, existiriam dois Direitos Penais, ou um Direito Penal com várias dimensões,
neste caso graduado de acordo com sua maior ou menor rigidez. Um bem formal, outro,
menos formal. O Direito Penal formalista seria de primeira velocidade, já o não
formalista, o de segunda velocidade, nos dizeres de Jesus-Maria Silva Sánchez.
Segundo ainda esse autor, há um Direito Penal de “terceira velocidade”, o Direito Penal
do Inimigo, no qual as penas seriam privativas de liberdade mais rigorosas, porém,
contraditoriamente, com maior desformalização do processo penal, pois o inimigo não é
considerado cidadão.
- Assim, essas são as chamadas “velocidades do Direito Penal”, que poderiam ser
chamadas velocidades do processo penal, lembrando que nosso sistema penal e
processual penal é o garantista, não se concebendo, por isso, os outros dois aqui
apresentados (segunda e terceira "velocidades").
O QUE É A TERCEIRA VIA DO DIREITO PENAL

- A terceira via do Direito Penal, na concepção de Claus Roxin, é a reparação de danos,


legitimada que está pelo princípio da subsidiariedade do direito penal. Isso porque, para
além da pena e da medida de segurança, ela é uma medida penal independente, que alia
elementos do direito civil e cumpre com os fins da pena. Para o consagrado doutrinador,
a reparação substituiria ou atenuaria a pena naqueles casos nos quais convenha, tão
bem, ou melhor, aos fins da pena e às necessidades da vítima. A inclusão no sistema
penal, sancionador da indenização material e imaterial da vítima, significa que o Direito
Penal passa a se aproximar mais da realidade social.

CARACTERISTICAS IMPORTANTES DO IP

- A natureza jurídica do IP é procedimento administrativo de natureza inquisitorial.


- O IP tem a função instrumental: 1ª vertente é a que trata dos direitos e garantias
individuais. A 2ª vertente diz respeito à fase preparatória.
- Características do IP:
Inquisitividade
A primeira característica que se destaca no inquérito policial é a inquisitividade. Isso
significa que, ao contrário da ação penal, esse procedimento não se subordina aos
princípios do contraditório e da ampla defesa. Pelo contrário, a autoridade policial
conduz as investigações de forma unilateral com base na discricionariedade, sem a
definição de um rito pré-estabelecido e sem a necessidade de participação do
investigado.
O art. 5º, LV, da Constituição, que trata dos princípios fundamentais do contraditório e
da ampla defesa, dispõe que “aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e
recursos a ela inerentes”.
É importante esclarecer que não há acusação formal nessa fase pré-processual, não
sendo possível atribuir ao investigado à condição de acusado ou litigante. Além disso, o
inquérito policial é um procedimento administrativo, e não um processo. Com efeito,
não se vislumbra a natureza de processo no inquérito policial, uma vez que dele não
decorre diretamente nenhuma sanção.
Por esses motivos, não há óbice constitucional à natureza inquisitiva do inquérito, não
incidindo sobre ele os princípios estabelecidos no art. 5º, LV, da Constituição.
Sigilo
A segunda característica é o sigilo, que impede o livre acesso aos autos do inquérito.
Esse sigilo tem como escopo assegurar a efetividade das investigações, bem como
resguardar a honra dos investigados. Essa característica está clara no art. 20 do Código
de Processo Penal, que dispõe que “A autoridade assegurará no inquérito o sigilo
necessário à elucidação do fato ou exigido pelo interesse da sociedade.”
O sigilo admitido é o externo, ou seja, aquele voltado para pessoais alheias à
investigação. Por outro lado, o sigilo interno, referente ao Ministério Público, juiz e
advogado, não é admitido. Ressalte-se que o Supremo Tribunal Federal editou a
Súmula vinculante nº 14, que dispõe que:
“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório
realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito
ao exercício do direito de defesa.”
Conforme se verifica na súmula vinculante supratranscrita, o direito de acesso
aos elementos do inquérito pelo advogado refere-se às provas já produzidas e
documentadas nos autos. Porém, se houver diligência em andamento, poderá ser
temporariamente negado acesso ao advogado, sob pena de ineficácia da diligência
investigatória em curso.
Indisponibilidade
A indisponibilidade está relacionada ao fato de que, uma vez instaurado o
inquérito, a autoridade policial não poderá dele dispor, ou seja, promover o seu
arquivamento. Essa característica está no art. 17 do Código de Processo Penal, que
estabelece que “A autoridade policial não poderá mandar arquivar autos de
inquérito.”.
Logo, ainda que a autoridade policial constate ao longo da investigação que os
fatos apurados não constituem crime, não poderá determinar o arquivamento do
inquérito. Nessa hipótese, diante da indisponibilidade do inquérito, deverá a autoridade
policial elaborar o relatório e encaminhar ao juízo competente. O juiz, por sua vez,
deverá abrir vista ao membro do Ministério Público.
Convém destacar que o juiz não poderá determinar o arquivamento do inquérito
sem a prévia manifestação do Ministério Público, que é o titular exclusivo da ação penal
pública. Cabe ao MP a avaliação sobre a desnecessidade ou inviabilidade do
prosseguimento das investigações. Logo, o arquivamento do inquérito policial somente
pode ser determinado por decisão judicial, a requerimento do Ministério Público.
Dispensabilidade
Como visto anteriormente, o inquérito não poderá ser arquivado diretamente
pela autoridade policial (indisponibilidade). Essa característica não se confunde com a
dispensabilidade.
A dispensabilidade significa que o titular da ação penal, ou seja, o Ministério
Público (art. 129, I, da Constituição), pode dispensar total ou parcialmente o inquérito,
desde que já possua justa causa para a instauração da ação penal.
A justa causa é o suporte probatório mínimo sobre autoria e materialidade
delitiva. Como a função precípua do inquérito policial é oferecer substrato para a ação
penal, ele será dispensável se o MP já possuir esses elementos.
O suporte probatório para a deflagração da ação penal poderá ser obtido por
meio de outros procedimentos diversos do inquérito policial. Podem ser citados como
exemplos desses outros procedimentos: a) a investigação direta promovida pelo
membro do Ministério Público; b) o inquérito parlamentar elaborado pela Comissão
Parlamentar de Inquérito – CPI, que possui poderes de investigação próprios das
autoridades judiciais (art. 58, §3º, CF); c) o inquérito policial militar, instaurado para
apurar crime militar que identifica a prática de um crime comum.
A investigação criminal direta pelo Ministério Público, apontada acima como
exemplo de caso de dispensabilidade do inquérito policial, está amparada pela teoria dos
poderes implícitos, segundo a qual a Constituição, ao conferir uma função a uma
instituição, também confere, implicitamente, os meios necessários para a sua
consecução. Na esteira deste raciocínio, se o MP tem o poder de promover a ação penal
pública, também deve ter o poder de coletar os elementos de informação para subsidiar
a sua propositura. O procedimento investigatório criminal no âmbito do Ministério
Público está disciplinado pela Resolução nº 13 do Conselho Nacional do Ministério
Públio – CNMP.
Escrito
O art. 9º do CPP determina que: “Todas as peças do inquérito policial serão,
num só processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso, rubricadas pela
autoridade”.
Com visto anteriormente, o inquérito policial possui a finalidade de viabilizar o
oferecimento da denúncia. Assim, as diligências investigatórias devem constar em
documentos escritos, para que o seu destinatário direto possua condições de analisar
esses elementos e utilizá-los como substrato para propor a ação penal.
Oficiosidade
Essa característica está prevista no art. 5º, I, do CPP, que dispõe que o inquérito policial
será instaurado de ofício nos crimes de ação penal pública incondicionada:
“Art. 5º Nos crimes de ação pública o inquérito policial será iniciado:
I - de ofício;
II - mediante requisição da autoridade judiciária ou do Ministério Público,
ou a requerimento do ofendido ou de quem tiver qualidade para representá-
lo.”
Isso significa que, para esses tipos de crime, há obrigatoriedade de instauração do
inquérito ex officio, independente de provocação. Frise-se que a oficiosidade refere-se
aos crimes de ação penal pública incondicionada. Nos crimes de ação penal pública
condicionada ou de ação penal privada, o inquérito depende de provocação da vítima
para ser instaurado.
O STJ entendeu que a ABIN não pode promover atos de investigação, inclusive em caso
analisado, as provas foram consideradas ilícitas.
Unidirecional
Essa característica significa que o inquérito policial possui a única finalidade
de apuração de autoria e materialidade delitiva, não sendo cabível que a autoridade
policial emita juízo de valor sobre a investigação. O direcionamento do inquérito é o
Ministério Público, que é o seu destinatário imediato e a quem compete valorar os fatos
apurados.
Logo, o relatório elaborado ao final das diligências investigatórias não deve
emitir juízo valorativo sobre as condutas dos investigados, sob pena de ingressar numa
esfera de atribuição exclusiva do Ministério Público.

O QUE SE ENTENDE POR CRIME DE SEDIÇÃO?

- Regime de governo, em seu aspecto politico tem a relação entre governante e


governado. Cada país adota uma corrente (autoritarismo, totalitarismo, democrático).
- Na época da ditadura foi utilizada uma lei de segurança nacional rigorosa.
- No regime democrático tem a garantia de direitos individuais defendido por Ferraioli.
- Todo país tipifica condutas através de legislações, que uma vez adotada pode ensejar a
mudança de regime, ofensa ou risco aos órgãos supremos do país. Por tal motivo, as
maiorias dos países adotam a Lei de Segurança Nacional, que visa proteger os órgãos
supremos do governo, presidência da república.
- O crime de sedição é toda aquela conduta considerada criminosa que venha a atentar,
colocar em risco o regime jurídico adotado.
- A doutrina aponta que a lei de segurança nacional, possui algumas figuras penais que
caracterizam o crime de sedição. No artigo 16 da LEI Nº 7.170, DE 14
DE DEZEMBRO DE 1983.
Art. 16 - Integrar ou manter associação, partido, comitê, entidade de classe ou
grupamento que tenha por objetivo a mudança do regime vigente ou do Estado de
Direito, por meios violentos ou com o emprego de grave ameaça.
- A criação de grupo armado tem clara intenção de mudança de governo, ação
revolucionaria.
- O anteprojeto de reforma do CP traz o crime de sedição com o nome iures.
- Delege ferenda, já há previsão com esse nome iures conforme acima informado. A
redação é diferente do que consta na redação do artigo 16 da lei de segurança nacional,
mas possui a mesma inteligência para os doutrinadores.
- Países democráticos, totalitários, autoritários adotam a lei de segurança nacional para
garantir a manutenção dos regimes jurídicos e não aceitam que grupos se reúnam para
mudar o regime vigente.
- É possível que o novo CP venha a revogar a lei de segurança nacional tendo em vista
que boa parte dos artigos está presente no anteprojeto do novo CP.
- Jesus de Nazaré foi acusado do crime de sedição, pois achavam que o pensamento
revolucionário dele mudava a forma de ver entre governantes e governados da época.

O QUE É CRIME DE PEITA?

- Peita é a prática de suborno.


- Presentear alguém com dinheiro, bens móveis, bens imóveis para obter alguma
vantagem.
- Está presente na corrupção passiva, corrupção ativa.
QUALIFICADORA PAGA OU PROMESSA DE RECOMPENSA
HOMICÍDIO X STJ

- Homicídio é crime doloso contra a vida.


- O homicídio simples pode ser considerado crime hediondo quando for praticado em
atividade típica de extermínio ainda que por um só agente (art. 1, I, primeira parte da lei
8072/90).
- Vejamos o que diz o artigo 121, § 2º, I, CP:
Art. 121. Matar alguem:

Homicídio qualificado

§ 2° Se o homicídio é cometido:

I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe.

- Existe a necessidade do exame necroscópico (exame cadavérico).


- Exemplo: Ticio chegou em casa e sua filha tinha sido vitima de estupro. Ticio
contratou Mévio e mandou matar Caio. Mévio matou Caio através de asfixia.
Mévio responderia por homicídio qualificado e Ticio por homicídio privilegiado, já que
seria circunstância de caráter pessoal que não se comunica.
No caso em tela, não houve a paga ou promessa de recompensa.
- As qualificadoras emanam de uma reprimenda maior tendo em vista o grau de
reprovabilidade.
- O contexto fático irá dizer se vingança será considerada torpeza ou não.
- O homicídio com a qualificadora de paga ou promessa de recompensa também recebe
a nomenclatura de “homicídio mercenário”, “homicídio remunerado” e outros.
- Pagamento de parte do valor acordado já qualifica o homicídio.
- A promessa de pagamento, mesmo que o agente tenha realizado a ordem e não tenha
recebido o dinheiro, caracteriza a qualificadora.
- A doutrina majoritária se inclina que não necessariamente o pagamento precisa ter
conteúdo econômico.
- Uma primeira corrente entende que responderia tanto o mandante como o executor
pela qualificadora.
- Já a segunda corrente entende que não há que se falar em elementar do tipo, por que
faz parte das qualificadoras, e não no tipo principal. (Fernando Capez, Cleber Masson,
Ailton Rodrigues defendem essa corrente).
- Para o STJ entende que a qualificadora de paga ou promessa de recompensa –
seguindo o pensamento dos doutrinadores e juristas Fernando Capez, Cleber Masson,
Ailton Rodrigues -, NÃO SE COMUNICA automaticamente com o mandante, devendo
apurar a atuação em separado cada um dos agentes envolvidos, tendo em vista que é
uma circunstância de caráter pessoal, mas não é uma elementar.
Julgado STJ, REsp 1209852 Paraná, 15/12/2015.

CONDUÇÃO COERCITIVA DO INVESTIGADO X STF

- Entre os direitos e garantias fundamentais existe o direito de ir e vir (direito de


locomoção).
- No constitucionalismo moderno, nenhum direito é absoluto, ele é relativizado a
depender da situação de caso concreto (há necessidade de prisão para participar de
processo de reconhecimento; prisão em flagrante; liberdade cerceada ainda que
momentaneamente para contribuir com uma investigação/prestar esclarecimento).
- O rol que determina as providências que a autoridade policial pode realizar é
exemplificativo e não taxativo, tendo em vista que não se esgota conforme lei.
- Existem 4 figuras: indiciado; investigado; testemunha e ofendido.
Uma pessoa se encontra indiciada quando existe juízo de probabilidade (provas
indiciárias). O ato de indiciamento é ato privativo da autoridade policial (inclusive
firmado pelo STF, e a lei 12.830).
O investigado é aquela pessoa que recaem meras suspeitas. Nele o juízo é de
possibilidade e não de probabilidade.
Testemunha é aquela que visualiza o fato por exemplo.
A vítima é sobre quem recai o fato do Autor.
- Art. 201, CPP, reza que:
Sempre que possível, o ofendido será qualificado e perguntado sobre as circunstâncias
da infração, quem seja ou presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar,
tomando-se por termo as suas declarações:
§ 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem motivo justo, o
ofendido poderá ser conduzido à presença da autoridade.
- Art. 218, CPP, reza que:
Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de comparecer sem motivo justificado,
o juiz poderá requisitar à autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja
conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio da força pública.
No que se refere à testemunha existe uma cláusula de reserva jurisdicional (só devendo
ser expedido por magistrado).
- Art. 260, CPP, reza que:
Se o acusado não atender à intimação para o interrogatório, reconhecimento ou
qualquer outro ato que, sem ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar
conduzi-lo à sua presença.
Parágrafo único. O mandado conterá, além da ordem de condução, os requisitos
mencionados no art. 352, no que Ihe for aplicável.
- O STF entende que a condução coercitiva por parte da autoridade policial, não
depende de autorização judicial e não ofende o principio da não incriminação.
Julgado STF, HC 107644 SP, 2011.

PRISÃO PARA AVERIGUAÇÃO X DETENÇÃO MOMENTÂNEA

- Prisão para averiguação é aquela que mantém uma pessoa cerceada na delegacia por
mais de 24 horas.
- Já a detenção momentânea é apresentar uma pessoa na delegacia para prestar um
esclarecimento por exemplo. Confunde-se com a condução coercitiva. A pessoa fica
cerceada por pouco tempo.
Exemplo: Provas indiciárias contra investigado. Encontrado, ocorre à detenção
momentânea enquanto a autoridade policial irá representar pela prisão temporária ao
judiciário é legal? O STF se posicionou que se de imediato a autoridade policial se
dirige a autoridade judiciaria representando pela prisão temporária, não ocorre
constrangimento ilegal.

DOLO COLORIDO

- O termo dolo colorido nada mais é que uma outra nomenclatura aplicável ao Dolo
Normativo ou Híbrido.
- Dentro da Teoria Geral do Dolo, podemos delinear claramente duas grandes vertentes
doutrinárias: a Teoria Finalista e a Teoria Neokantista.
- Para a Teoria Finalista, adotada pelo ordenamento penal brasileiro, o dolo,
denominado de natural, configura-se como elemento subjetivo do tipo penal,
diretamente carreado à conduta e composto por dois elementos básicos: vontade e
consciência.
- Assim sendo, segundo esta vertente doutrinária, teremos DOLO NATURAL quando
ficar claro que o agente possuía uma VONTADE CONSCIENTE DE PRATICAR
UMA CONDUTA para alcançar um determinado resultado, pouco importando se este
agente sabia que o resultado a ser alcançado era ilícito.
- A Teoria Neokantista, que não foi recepcionada pelo nosso ordenamento penal,
entende que o dolo, denominado de NORMATIVO, HÍBRIDO OU COLORIDO, não
integra o tipo, mas sim a culpabilidade. Para os seguidores deste posicionamento
doutrinário, o reconhecimento do dolo demandaria da identificação de três elementos:
VONTADE, CONSCIÊNCIA E DISCERNIMENTO QUANTO A ILICITUDE DO
RESULTADO QUE PODE SER ALCANÇADO.
- Logo, no dolo normativo, o agente possui uma vontade consciente de praticar uma
conduta objetivando alcançar um resultado que sabe ser ilícito.
Vamos exemplificar.
Uma questão afirma: João, maior e capaz, deseja contratar os serviços de prostituição de
Ana, adolescente que ele sabe ter 17 anos, mediante pagamento de R$ 200,00. Nesta
situação, podemos reconhecer o dolo?
SEGUNDO OS FINALISTAS A RESPOSTA É SIM. Nesta situação o dolo natural
pode ser reconhecido, pois temos uma vontade consciente de praticar uma conduta
(contratar os serviços de prostituição). O dolo integra o tipo e está carreado à conduta
que se deseja praticar.
SEGUNDO OS NEOKANTISTA A RESPOSTA É DEPENDE. O dolo normativo
(colorido) só poderia ser reconhecido se também fosse demonstrado que João possuía
conhecimento que a sua conduta – contratar os serviços de prostituição de uma
adolescente – poderia produzir um resultado jurídico penal de natureza ilícita. Caso não
existisse por parte do agente potencial consciência da ilicitude, não poderíamos
reconhecer o dolo normativo, pois este caracteriza-se como elemento integrante da
culpabilidade.
Não esqueça: O ORDENAMENTO PENAL BRASILEIRO ADOTA O DOLO
NATURAL E NÃO O DOLO NORMATIVO.
Uma última dica: o reconhecimento do dolo não implica necessariamente a
caracterização do crime, pois segundo a Teoria Analítica Tripartite, crime é um fato
típico, antijurídico e culpável. Ao analisarmos o dolo natural, estamos analisando
apenas um dos elementos constitutivos do tipo e não o crime como um todo.

NULIDADE DE ALGIBEIRA

O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) estão


amadurecendo jurisprudência que vai servir de estímulo para se repensar a teoria das
invalidades processuais. Em casos cada vez mais frequentes, o STF e o STJ estão
“relativizando” as nulidades absolutas em torno de uma teoria que se pode chamar de
“nulidade de algibeira”.
A “nulidade de algibeira” ou “nulidade de bolso” é expressão que vem sendo utilizada
pela jurisprudência da 3a. Turma do Superior Tribunal de Justiça, para designar a
estratégia de alegação de nulidade processual em momento posterior e conveniente a
quem alega.
A expressão “nulidade de algibeira” apareceu pela primeira vez no acórdão do REsp.
756.885 da 3a. Turma do STJ em 14/08/2007. Nesse recurso especial, a demandada
alegava, na fase de liquidação, que deveria ser declarado nulo todo o módulo de
conhecimento, porque as intimações da ré teriam sido realizadas em nome do estagiário,
e não dos advogados, razão pela qual a demandada teria perdido a chance de se
manifestar sobre o laudo pericial juntado aos autos.
O STJ percebeu, porém, que, apesar do vício processual, a ré atendeu a todas as
intimações realizadas em nome de seu estagiário, com exceção da única vez em que as
partes foram chamadas para se manifestar sobre o laudo pericial.
Segundo a 3a. Turma do STJ, a ré utilizou-se do vício processual como uma “nulidade
de algibeira”, ou seja, uma nulidade que “cabia no bolso” para ser utilizada segundo sua
conveniência. Entendeu-se que a alegação de nulidade não poderia ser utilizada apenas
quando interessasse à parte prejudicada, especialmente depois da formação da coisa
julgada e em fase de liquidação.
No REsp n. 1.372.802, já em 11/03/2014, a mesma 3a. Turma reiterou o entendimento
quanto à “nulidade de algibeira”. Nesse caso específico, o recorrente havia deixado de
ser intimado para apresentar contrarrazões ao agravo do art. 522 do CPC/1973. Após a
decisão monocrática do agravo, contudo, o recorrente foi intimado, permaneceu em
silêncio e nada alegou quanto ao vício do ato processual.
A alegação de nulidade apenas foi levantada nos embargos de declaração contra o
acórdão do agravo regimental, ou seja, duas decisões judiciais depois. Para a 3a. Turma,
mencionando expressamente o precedente anterior do REsp n. 756.885, esse vício seria
sanável e a alegação tardia seria uma “nulidade de algibeira”, ou seja, uma estratégia de
permanecer silente quanto à nulidade para alegá-la em momento posterior.
Por fim, nos EDcl no REsp 1.424.324, de 12/08/2014, a 3a. Turma repetiu a expressão
“nulidade de algibeira”. Nesse caso, o embargante tentou alegar o vício de nulidade sob
o argumento de que, após a interposição do recurso especial, teria havido mudança de
advogados e, mesmo assim, a publicação continuou sendo feita no nome dos antigos
advogados para os atos que antecederam e sucederam o julgamento do REsp.
No entanto, a 3a. Turma entendeu que não teria havido prejuízo ao embargante, uma
vez que o recurso de embargos de declaração teria sido protocolado tempestivamente,
demonstrando que o recorrente vinha acompanhando normalmente o processo, a
despeito da nulidade. Ficou registrado, por fim, que o processo não poderia ser utilizado
como “instrumento difusor de estratégias”.
Embora não seja mencionado nos acórdãos do STJ, parece evidente a utilização da ideia
da boa-fé processual ao se tratar da “nulidade de algibeira”. Ao vedar a alegação de
nulidade processual apenas quando for conveniente a quem quiser alegá-la, o STJ
parece aplicar a ideia de que não se pode legitimar comportamento contraditório de
quem alegou o vício (venire contra factum proprium). Se a nulidade poderia ter sido
alegada antes, por que deixar para depois? Afinal, o vício processual não pode ser usado
como uma “carta escondida na manga”, para ser apresentada como um trunfo no
momento mais conveniente.
Em igual sentido e tratando especificamente da boa-fé processual, em 13/09/2011, no
julgamento do HC n. 105.041, o STF já havia dado sinais dessa teoria da “nulidade de
algibeira”. Tratava-se de habeas corpus impetrado pela Defensoria Pública cujo pedido
consistia na declaração de nulidade de julgamento de apelação criminal interposta no
Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Sustentava-se cerceamento de defesa, em
razão da ausência de intimação prévia da Defensoria do julgamento do recurso.
Embora tenha qualificado como absoluta a nulidade, o STF decidiu, por unanimidade,
não anular o ato. A decisão fundamentava-se na alegação tardia, em afronta a um padrão
objetivo de comportamento processual, que reclamaria das partes diligência na
sinalização para os vícios do processo já percebidos e prontamente alegáveis. Segundo o
Ministro Gilmar Mendes, relator do acórdão no STF, “é evidente que se trata de
nulidade absoluta, mas também é evidente que não houve alegação no tempo devido. O
que essa prática suscita é a possibilidade de se guardarem nulidades para serem
arguidas, o que resulta em um não respeito à lealdade processual”.
Percebe-se, pela leitura dos acórdãos do STJ e do STF, que a “nulidade de algibeira” ou
“nulidade de bolso” condensa numa só expressão a regra de que não há nulidade
processual sem prejuízo (pas de nullité sans grief – arts. 248 e 249, §1o., CPC/1973). O
não atendimento à forma processual não implica necessariamente uma sanção de
invalidade. É preciso comprovar o prejuízo de quem alega a nulidade. Daí o reforço à
ideia de que o processo é instrumento e não é um fim em si próprio (art. 244,
CPC/1973).
No entanto, os precedentes citados do STJ e do STF adotam posição bastante diversa
daquela assumida pela teoria clássica das invalidades processuais, reproduzida com
relativo consenso pela processualística. O tema não mereceu, contudo, a atenção devida
pela doutrina.
Dentre diversas classificações, as nulidades podem ser absolutas ou relativas. As
nulidades absolutas podem ser alegadas a qualquer tempo e em qualquer grau de
jurisdição, independentemente de exceção processual, podendo, até, ser conhecidas de
ofício. As nulidades relativas, por sua vez, não podem ser conhecidas de ofício pelo
magistrado, devem ser veiculadas por exceção e, pois, devem ser suscitadas no primeiro
momento que as partes dispõem para tanto. Foi esta a classificação adotada pelo STF no
julgamento.
Seja como for, o STF afastou, no HC 105.041, verdadeiro dogma da ciência processual,
em nome de outros valores postos em confronto: deixou de declarar a nulidade de um
ato por vício gravíssimo, em regra suscitado a qualquer tempo, em nome da boa-fé
processual, que deve nortear a atuação das partes em juízo. Em síntese, aplicou o regime
das preclusões também para as nulidades absolutas. Ao que parece, o STF procedeu a
um verdadeiro juízo de ponderação, fazendo prevalecer, no processo, a boa-fé
processual, em confronto com o contraditório e com a ampla defesa. A decisão cresce
em importância ao se considerar tratar-se de vício em processo penal, em que os bens
jurídicos tuteláveis recebem tratamento especial, com maior recrudescimento do
formalismo em nome da segurança em confronto com a efetividade processual.
O entendimento do STF no HC n. 105.041 também já foi adotado pela 6a. Turma do
STJ, quando se entendeu que, apesar de a falta de intimação pessoal do defensor público
ou dativo é causa de nulidade absoluta por cerceamento de defesa, essa nulidade não
deve ser reconhecida quando arguida depois de decorridos mais de quatorze anos, pois
já preclusa a matéria (STJ, 6a. Turma, HC 225.727/SP, Rel. Min. Alderita Ramos de
Oliveira (Desembargadora Convocada do TJPE), julgado em 02/10/2012, DJe
11/10/2012).
Na decisão acima do STJ, fala-se em “preclusão” da arguição de “nulidade absoluta”, o
que, segundo uma teoria clássica, poderia ser considerada uma contradição em termos;
afinal, a alegação de vício insanável não preclui; pode se dar, inclusive, a qualquer
tempo. Entretanto, a força normativa do princípio da boa-fé objetiva obsta qualquer tipo
de alegação, em confronto, no caso concreto, com outros importantes princípios, como
do contraditório e da ampla defesa.
Conclusivamente e com fundamento nos precedentes citados, pode-se afirmar que o
vício, ainda que grave, não acarreta sempre e necessariamente a decretação da
invalidade do ato jurídico processual, podendo a sanção de invalidade ser afastada
quando presente a violação à boa-fé objetiva.
Observa-se que tanto o STJ quanto o STF chegaram à mesma conclusão, quanto à
influência que a boa-fé objetiva processual exerce no sistema de nulidades, não
permitindo que a alegação desta fique guardada para momento posterior quando pode
ser realizada antes, não importando, nos casos julgados, a gravidade do vício (nulidade
absoluta e nulidade relativa).
Deve-se ressalvar que o regime geral das nulidades processuais não se altera
completamente: na verdade, sofre o influxo da nova teoria da interpretação no que toca
à ponderação de princípios postos em confronto. É preciso, porém, acompanhar a
evolução dessa jurisprudência e sua aplicação a todo tipo de processo, seja penal, civil,
trabalhista, eleitoral etc.
A 3ª turma do STJ rejeitou uma arguição de nulidade, pois entendeu que a estratégia
utilizada pela parte configurava, na realidade, uma manobra - a chamada “nulidade de
algibeira”. De acordo com o colegiado, a “nulidade de algibeira” ocorre quando a parte
permanece em silêncio no momento oportuno para se manifestar, deixando para suscitar
a nulidade em ocasião posterior. A expressão foi cunhada pelo falecido ministro
Humberto Gomes de Barros.
A questão foi levantada em virtude de suposta omissão do TJ/RJ em ação de
substituição de penhora de imóveis por arresto de créditos. O tribunal fluminense teria
se omitido em conceder ao agravado oportunidade para apresentar contraminuta ao
agravo de instrumento interposto pela parte contrária. De acordo com o relator, ministro
Paulo de Tarso Sanseverino, no rito dos recursos repetitivos já foi definido que a
intimação para apresentação de contrarrazões ao agravo de instrumento é condição de
validade da decisão que causa prejuízo à parte agravada.
Entretanto, para o ministro, apesar da importância do contraditório no procedimento
recursal, a ausência de intimação para contrarrazões é nulidade sanável, pois o
contraditório é renovado continuamente no curso do processo, abrindo oportunidade às
partes para se manifestarem.
Nesse caso, Sanseverino ressaltou que não foi concedida à parte agravada a
oportunidade para se manifestar em contraminuta ao agravo de instrumento, “mas após
o julgamento monocrático do agravo, ambas as partes foram intimadas da decisão,
renovando-se o contraditório, oportunidade em que a parte agravada teve ciência
inequívoca da interposição do agravo e da inexistência de intimação para
contraminuta”. Conforme explicou o relator, com a intimação da decisão monocrática, o
vício foi sanado, “não sendo cabível a alegação em momento posterior”.
Sanseverino ponderou que, se o entendimento doutrinário considera que a ausência de
citação na fase de conhecimento fica sanada pela posterior citação na execução, se o réu
não alegar o vício, então, “a ausência de mera intimação também fica sanada com a
intimação realizada em momento posterior”. De acordo com os autos, a parte
permaneceu em silêncio quando intimada da decisão monocrática, vindo a suscitar a
nulidade somente nos embargos de declaração opostos ao acórdão do agravo regimental.
Para o relator, “essa estratégia de permanecer silente, reservando a nulidade para ser
alegada em um momento posterior, já foi rechaçada por esta turma, tendo recebido a
denominação de ‘nulidade de algibeira’”.
De acordo com Sanseverino, a posição do tribunal fluminense - que acolheu os
embargos para desconstituir o acórdão do agravo regimental e conceder prazo para a
parte agravada apresentar contraminuta - foi equivocada, pois houve o rejulgamento do
agravo regimental “sob pretexto de sanar uma nulidade já sanada”. O ministro citou
que a jurisprudência do STJ é pacífica ao entender que não há necessidade de intimação
da parte agravada para contrarrazões ao regimental. Por isso, a turma reformou o
acórdão dos primeiros embargos de declaração, rejeitou a arguição de nulidade e
determinou a devolução dos autos ao TJ/RJ para julgamento das demais teses
suscitadas.
• Processo relacionado: REsp 1372802

PORTE / DISPARO DE ARMA DE FOGO X HOMÍCIDIO

- Em questão onde ocorrer no contexto fático diferente quanto a tipo penal, deverá
responder pelos dois. Exemplo: Tício anda armado desde dezembro, mas ao encontrar
em fevereiro seu desafeto Mévio, ele dispara. Responderá por porte ilegal de arma
(permitida ou restrita a depender do armamento), e também por homicídio. Caso haja a
excludente de ilicitude por legitima defesa, responderá por porte de arma somente.

DIREITO PENAL DO AMIGO

- A concepção do direito penal do inimigo é baseada no direito penal do pânico,


hipertrofia do direito penal, direito penal latifundiário, direito penal expansivo, direito
penal MÁXIMO.
- O direito penal do amigo é o direito penal do inimigo às avessas.
- O direito penal do amigo é baseado no garantismo legal de Luigi Ferrajoli (direitos e
garantias individuais).

TEORIA DA CEGUEIRA DELIBERADA

- A Teoria da Cegueira Deliberada é uma doutrina criada pela Suprema Corte dos
Estados Unidos e também é conhecida no meio jurídico com muitos nomes, tais como
“Willful Blindness Doctrine” (Doutrina da cegueira intencional), “Ostrich Instructions”
(instruções de avestruz), “Conscious Avoidance Doctrine” (doutrina do ato de
ignorância consciente), “Teoria das Instruções da Avestruz”, entre outros. Essa doutrina
foi criada para as situações em que um agente finge não enxergar a ilicitude da
procedência de bens, direitos e valores com o intuito de auferir vantagens. Dessa forma,
o agente comporta-se como uma avestruz, que enterra sua cabeça na terra para não
tomar conhecimento da natureza ou extensão do seu ilícito praticado. Sendo assim, para
a aplicação da Teoria da Cegueira Deliberada, é necessário que o agente tenha
conhecimento da elevada possibilidade de que os bens, direitos ou valores sejam
provenientes de crimes e que o agente tenha agido de modo indiferente a esse
conhecimento. Em síntese, pode-se afirmar que a Teoria da Cegueira Deliberada busca
punir o agente que se coloca, intencionalmente, em estado de desconhecimento ou
ignorância, para não conhecer detalhadamente as circunstâncias fáticas de uma situação
suspeita.
ABRAMOWITZ & BOHRER apontam que a doutrina da conscious avoidance, também
conhecida como willful blindness ou ignorância deliberada (deliberate ignorance)
permite que haja uma condenação criminal nos casos em que o Estado falha na
produção de provas acerca do real conhecimento do réu sobre uma situação fática
suspeita. Tal doutrina afirma que apesar do acusado não ter conhecimento dos fatos,
essa falta de conhecimento deve-se a prática de atos afirmativos de sua parte para evitar
a descoberta de uma situação suspeita. Em outras palavras, a doutrina da cegueira
deliberada permite que se presuma o conhecimento do acusado nos casos em que não há
prova concreta do seu real envolvimento com a situação suspeita. Dessa forma, o réu
pode ser condenado, apesar de não ter o real conhecimento da atividade criminosa. Por
fim, os autores alertam que “a doutrina da conscious avoidance cria o risco de que o júri
condene o réu simplesmente porque acredita que o acusado não tenha se esforçado
suficientemente para saber a verdade sobre os fatos”.
No que tange à aplicação da Teoria da Cegueira Deliberada, NASCIMENTO (2010)
sustenta que:
Para a teoria da cegueira deliberada o dolo aceito é o eventual. Como o agente procura
evitar o conhecimento da origem ilícita dos valores que estão envolvidos na transação
comercial, estaria ele incorrendo no dolo eventual, onde prevê o resultado lesivo de sua
conduta, mas não se importa com este resultado. Não existe a possibilidade de se aplicar
a teoria da cegueira deliberada nos delitos ditos culposos, pois a teoria tem como escopo
o dolo eventual, onde o agente finge não enxergar a origem ilícita dos bens, direitos e
valores com a intenção de levar vantagem. Tanto o é que, para ser supostamente
aplicada a referida teoria aos delitos de lavagem de dinheiro “exige-se a prova de que o
agente tenha conhecimento da elevada probabilidade de que os valores eram objeto de
crime e que isso lhe seja indiferente”
Passa-se agora a análise dos principais julgamentos existentes no Brasil sobre a
aplicação da Teoria das Instruções da Avestruz.
No que tange à utilização da Teoria da Cegueira Deliberada nos crimes eleitorais, é
importante citar alguns julgados do TRE/RO, que aplicam a teoria da cegueira
deliberada:
“Corrupção eleitoral. Eleições 2004. Materialidade e
autoria comprovadas. Prova testemunhal abundante.
Dolo configurado. Teoria da cegueira deliberada.
Crime formal. Condenação mantida. Recurso
desprovido. I - Corrupção eleitoral comprovada:
entrega a eleitor de senha, tipo vale-brinde (telefone
celular), para obtenção de voto. II - Materialidade
constituída pela apreensão da senha, de par à prova
oral. III - Autoria apoiada na confissão extrajudicial
da acusada e nos depoimentos colhidos em juízo,
sob o crivo do contraditório. IV - Retração parcial
em juízo, em si, é inservível a espargir qualquer
efeito, exatamente por contrastar uma declaração
precedente. Não basta alegar. Faz-se mister
comprovar. Eficácia da confissão policial, em sua
integralidade, dêsque não demonstrado, no crivo do
contraditório, o seu caráter ilegítimo. V - Ausência
de resquícios de propalada "armação" contra a
acusada, supostamente urdida pela oposição a então
candidato.VI - "Dolus directus" presente.
Imputação viável, no mínimo, a título "dolus
eventualis" (CP, art. 18, I, 2ª parte): mesmo
seriamente considerando a possibilidade de
realização do tipo legal, o agente não se deteve,
conformando-se ao resultado. Teoria da
"cegueira deliberada" ("willful blindness" ou
"conscious avoidance doctrine"). VII - A
corrupção eleitoral, em qualquer de suas
modalidades, inclui-se no rol dos crimes formais.
Para configurá-la, "basta o dano potencial ou o
perigo de dano ao interesse jurídico protegido, cuja
segurança fica, destarte, pelo menos, ameaçada",
segundo Nélson Hungria. VIII - Condenação
mantida. Recurso conhecido e desprovido.
(872351148 RO, Relator: ÉLCIO ARRUDA, Data
de Julgamento: 30/11/2010, Data de Publicação:
DJE/TRE-RO - Diário Eletrônico da Justiça
Eleitoral, Data 06/12/2010)
Corrupção Eleitoral. Eleições 2006. Fornecimento
contínuo de sopa, cestas-básicas e patrocínio de
cursos. Propósito de voto em candidato à reeleição a
Deputado Estadual. Período eleitoral. Filantropia.
Desvirtuamento. Oportunismo eleitoreiro.
Materialidade e autoria comprovadas. Fatos
conhecidos e provados reveladores do ilícito.
Articulação à prova oral. Inteligência do Código de
Processo Penal, art. 239. Dolo configurado. Teoria
da cegueira deliberada. Crime formal. Acolhimento
da pretensão punitiva estatal. Condenação.
Continuidade delitiva. Regime aberto. Penas
substitutivas de prestação de serviços à comunidade
e prestação pecuniária. Multa. I - Corrupção eleitoral
comprovada: distribuição contínua de sopa, cestas
básicas e patrocínio de cursos, durante o período
eleitoral, a troco de voto. II - Materialidade e autoria
extraídas do acervo probatório, documentos e
testemunhas. Corroboração por fatos conhecidos e
provados. Inteligência do art. 239 do Estatuto
Processual Penal, subsidiariamente aplicável. III -
"Dolus directus" presente. Imputação viável, no
mínimo, a título "dolus eventualis" (CP, art. 18, I, 2ª
parte): mesmo seriamente considerando a
possibilidade de realização do tipo legal, a agente
não se deteve, conformando-se ao resultado.
Teoria da "cegueira deliberada" ("willful
blindness" ou "conscious avoidance doctrine").
VI - A corrupção eleitoral, em qualquer de suas
modalidades, inclui-se no rol dos crimes formais.
Para configurá-la, "basta o dano potencial ou o
perigo de dano ao interesse jurídico protegido, cuja
segurança fica, dessarte, pelo menos, ameaçada",
segundo Nélson Hungria. VII - A censura penal não
decorre da prática de filantropia, de atos de
benemerência, de beneficência. É consectário, sim,
de desvirtuamento, consistente em oportunismo
eleitoreiro: o propósito de obter voto à custa da
miséria alheia, sob o fornecimento de "sopão",
cestas-básicas, cursos e congêneres. VII - Pretensão
punitiva acolhida. Condenação da ré. Continuidade
delitiva. Regime aberto. Penas substitutivas de
prestação de serviços à comunidade e prestação
pecuniária. Multa. VIII - Recurso ministerial
provido, à unanimidade. (89 RO, Relator: ÉLCIO
ARRUDA, Data de Julgamento: 23/11/2010, Data
de Publicação: DJE/TRE-RO - Diário Eletrônico da
Justiça Eleitoral, Data 30/11/2010)
“Corrupção Eleitoral. Eleições 2004. Vereador.
Realização e Promessa de Cirurgias de
laqueadura, a troco de voto. Materialidade e
autoria comprovadas. Crime formal. Adequada
dosimetria penal. Recurso desprovido. I - O aumento
mínimo decorrente da continuidade delitiva e os
antecedentes turbulentos do agente obstam a
concessão de sursis processual. II - A realização e a
promessa de realização de cirurgias de
laqueadura, a troco de voto, configura o crime de
corrupção eleitoral. III - Acervo probatório
suficientemente seguro ao evidenciar a conduta
típica, implementada diretamente pelo réu (médico)
e por interpostas pessoas ("formiguinhas"), em curso
a campanha eleitoral.IV - "Dolus directus" presente.
Imputação viável, no mínimo, a título "dolus
eventualis" (CP, art. 18, I, 2ª parte): mesmo
seriamente considerando a possibilidade de
realização do tipo legal, o agente não se deteve,
conformando-se ao resultado. Teoria da "cegueira
deliberada" ("willful blindness" ou "conscious
avoidance doctrine").CP18, IV - A corrupção
eleitoral, em qualquer de suas modalidades, inclui-se
no rol dos crimes formais. Para configurá-la, "basta
o dano potencial ou o perigo de dano ao interesse
jurídico protegido, cuja segurança fica, dessarte,
pelo menos, ameaçada" , segundo Nélson Hungria.
VI - Se o juízo monocrático bem operou a
dosimetria da pena, nenhum reparo há de se fazer.
VII - Recurso desprovido.(88 RO , Relator: ÉLCIO
ARRUDA, Data de Julgamento: 17/04/2008, Data
de Publicação: DJ - Diário de justiça, Volume 76,
Data 25/4/2007, Página 30)
Embargos Infringentes. Corrupção eleitoral.
Eleições 2004. Oferecimento de alimentação, doação
de bonés, camisetas e canetas, a troco de voto em
candidatos a Prefeito e Vereador. Materialidade e
autoria comprovadas. Confissão. Delação. Prova
direta conjugada à indireta. Manobras sub-reptícias e
"mise-en-scène”: "reunião”. Princípio do livre
convencimento motivado. Dolo configurado. Teoria
da cegueira deliberada. Crime formal. Embargos
desprovidos. I - Corrupção eleitoral comprovada:
fornecimento de alimentação, camisetas, bonés e
canetas, para obtenção de voto. II - Materialidade
extraída de "convite”, de certidão lavrada por
meirinho e da prova oral (confissão e testemunhas).
III - Autoria: confissão e delação emanada duma das
acusadas. Circunstâncias e prova testemunhal
corroborantes. IV - Delira do razoável exigir, sempre
e sempre, prova direta - testemunhos, registro
audiovisual, e.g. - acerca do cometimento de
corrupção eleitoral (CE, art. 299). Neste terreno, os
agentes, por si ou interpostas pessoas, atuam de
modo sub-reptício, dissimuladamente, sem deixar
vestígios cabais. E, mais ainda, de ordinário,
embaralha-se a prática vedada a outras atividades de
campanha isoladamente permitidas. Do "mise-en-
scène" , da encenação, o julgador há de extrair as
nuanças permissivas ao descortino do verdadeiro
escopo do agente. V - "Dolus directus" presente.
Imputação viável, no mínimo, a título "dolus
eventualis" (CP, art. 18, I, 2ª parte): mesmo
seriamente considerando a possibilidade de
realização do tipo legal, os agentes não se
detiveram, conformando-se ao resultado. Teoria
da "cegueira deliberada" ("willful blindness" ou
"conscious avoidance doctrine"). CP18, I, VI - A
corrupção eleitoral, em qualquer de suas
modalidades, inclui-se no rol dos crimes formais.
Para configurá-la, "basta o dano potencial ou o
perigo de dano ao interesse jurídico protegido,
cuja segurança fica, dessarte, pelo menos,
ameaçada", segundo Nélson Hungria. (65 RO,
Relator: ÉLCIO ARRUDA, Data de Julgamento:
13/12/2007, Data de Publicação: DJ - Diário de
justiça, Volume 003, Data 7/1/2008, Página 37)
No que se refere à aplicação da Teoria da Cegueira
Deliberada nos casos que envolvem o crime de
lavagem de dinheiro, cumpre destacar o julgamento
do famoso furto do Banco Central ocorrido em
Fortaleza/CE. Na Apelação Criminal 5.520-CE, o
Tribunal Regional Federal da 5ª Região firmou o
seguinte posicionamento:
PENAL E PROCESSUAL PENAL. FURTO
QUALIFICADO À CAIXA-FORTE DO BANCO
CENTRAL EM FORTALEZA. IMPUTAÇÃO DE
CRIMES CONEXOS DE FORMAÇÃO DE
QUADRILHA, FALSA IDENTIDADE, USO DE
DOCUMENTO FALSO, LAVAGEM DE
DINHEIRO E DE POSSE DE ARMA DE USO
PROIBIDO OU RESTRITO (...) - No caso dos
autos, o grupo que executou os fatos configura uma
verdadeira organização criminosa, tendo
empreendido esforços, recursos financeiros de
monta, inteligências, habilidades e organização de
qualidade superior, em uma empreitada criminosa
altamente ousada e arriscada. O grupo dispunha de
uma bem definida hierarquização com nítida
separação de funções, apurado senso de organização,
sofisticação nos procedimentos operacionais e nos
instrumentos utilizados, acesso a fontes privilegiadas
de informações com ligações atuais ou pretéritas ao
aparelho do Estado (pelo menos a empregados ou
ex-empregados terceirizados) e um bem definido
esquema para posterior branqueamento dos
capitais obtidos com a empreitada criminosa
antecedente. Reunião de todas as qualificações
necessárias à configuração de uma organização
criminosa, ainda que incipiente. 2.4 - Imputação do
crime de lavagem em face da venda, por loja
estabelecida em Fortaleza, de 11 veículos,
mediante o pagamento em espécie: a transposição
da doutrina americana da cegueira deliberada
(willful blindness), nos moldes da sentença
recorrida, beira, efetivamente, a responsabilidade
penal objetiva; não há elementos concretos na
sentença recorrida que demonstrem que esses
acusados tinham ciência de que os valores por ele
recebidos eram de origem ilícita, vinculada ou
não a um dos delitos descritos na Lei n.º 9.613/98.
O inciso II do PARÁGRAFO 2.º do art. 1.º dessa
lei exige a ciência expressa e não, apenas, o dolo
eventual. Ausência de indicação ou sequer
referência a qualquer atividade enquadrável no
inciso II do PARAGRAFO 2º. - Não há elementos
suficientes, em face do tipo de negociação
usualmente realizada com veículos usados, a
indicar que houvesse dolo eventual quanto à
conduta do art. 1.º, PARÁGRAFO 1º, inciso II,
da mesma lei; na verdade, talvez, pudesse ser
atribuída aos empresários a falta de maior
diligência na negociação (culpa grave), mas não,
dolo, pois usualmente os negócios nessa área são
realizados de modo informal e com base em
confiança construída nos contatos entre as partes.
É oportuno, também, mencionar a decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre
a Conscious Avoidance Doctrine. Trata-se do caso “In re Aimster Copyright
Litigation”. No caso em análise, a Corte Suprema firmou o entendimento de que, na
hipótese de violação de direitos autorais, o acusado não poderia alegar em sua defesa
que não tinha conhecimento ou condições de saber que os arquivos que tinha
disponibilizado apresentavam violação de direitos autorais. Dessa maneira, a Suprema
Corte afastou a alegação de ignorância do acusado em relação aos fatos, por entender
que o acusado, de forma deliberada, manteve uma indiferença e um desconhecimento
intencional da situação ocorrida e por isso responderia por contributory infringement
(conduta de contribuir com a violação de direitos autorais).
Por todo o exposto, sem ter a menor pretensão de esgotar o presente tema, observa-se
que a Suprema Corte dos Estados Unidos, ao aplicar a doutrina da willful blindness no
caso “In re Aimster Copyright Litigation”, firmou o entendimento de que os acusados
não podem escapar dos crimes estabelecidos em lei (exemplos: lavagem de dinheiro,
tráfico de drogas, violação de direitos autorais) quando deliberadamente criam um
escudo de proteção, ou seja, quando as circunstâncias do caso mostram claras
evidências de que o acusado poderia ter conhecimento da situação suspeita, mas, mesmo
assim, ele age deliberadamente para se manter em estado de desconhecimento.
Por fim, entende-se que, no Brasil, a aplicação da teoria da cegueira deliberada é ainda
incipiente, não havendo manifestações conclusivas do STF e do STJ sobre o assunto.
Todavia, entende-se que a aplicação da teoria da cegueira deliberada no Brasil
encontrará sérias dificuldades, tendo em vista que essa nova teoria sugere uma espécie
de responsabilidade penal objetiva, cuja aplicação é excepcionalmente aceita no
ordenamento jurídico pátrio e sistematicamente afastada pelos Tribunais. Ademais,
critica-se a nova teoria da cegueira deliberada, que pune a negligência do agente a título
de dolo eventual.
- Conceito analítico de crime (finalista):
Bipartido: Fato típico + antijurídico
Tripartido: fato típico + antijurídico + culpável
- Art. 18, CP.
Crime doloso (direto ou eventual).
Art. 18, II, CP:
Crime culposo
- Culpabilidade vazia se verifica na concepção finalista, tendo em vista que dolo e
culpa se deslocaram da culpabilidade e foram para o fato típico.
- A lavagem de dinheiro surge nos EUA com a utilização do termo “lavagem” tendo em
vista que ao receber dinheiro de origem ilícita, o agente adquiriu várias lavanderias para
dar uma roupagem licita.
- A lei 9.613 (lavagem de dinheiro), em seu artigo 1º sofreu alteração para incluir o
termo “infração penal”, para ampliar o leque de tipificação e não somente o crime.
No inciso um, deixa claro que nele o dolo (eventual), tem que ser direto.
Abrindo mão assim da teoria da cegueira deliberada.
- Parte da doutrina critica a teoria tendo em vista que ela defende o dolo eventual (de
forma objetiva), e eles entendem que isso não seria possível sua aplicação.
- O art. 180, § 1º, CP (receptação qualificada), é uma das tipificações penais que a
doutrina aceita que a teoria da cegueira deliberada pode ser aplicada.
POLITICA CRIMINAL VERDE

- Politica criminal (conceito de Zaffaroni), em seu sentido lato, pode ser entendida como
a ciência ou a arte de governar. Por seu turno, política criminal compreende a política
relacionada ao fenômeno criminal, sendo considerada a arte ou a ciência de governo,
com respeito ao fenômeno criminal.
- A politica criminal é elaborada no legislativo.
- Direito penal máximo é o baseado em populismo penal, que é feito para criminalizar
toda e qualquer situação, ou seja, afastada da politica criminal, sem estudo, sem base
necessária.
- Essa demanda de atender a vontade popular quanto à politica criminal acaba criando o
direito penal simbólico, que tudo criminaliza, mas na prática não surte efeito pretendido.
Dessa forma surge a síndrome de Alice, em que o Estado acredita que vai resolver todos
os conflitos com o direito penal.
- Década de 90, nos EUA, nasce a Lei e Ordem (direito penal máximo) para resolver os
problemas sociais da época.
- Em contraponto ao direito penal máximo, NASCE O DIREITO PENAL MÍNIMO. O
Direito penal mínimo é uma homenagem a fragmentariedade do direito penal, em que
defende um estado que intervenha de forma apenas necessária e não tipificando todas as
condutas como crime.
- Um bom exemplo é a lei 9.099/95, que homenageia outras possibilidades (como
transação penal), em detrimento a aplicação de restrição de liberdade.
- Existe teoria que defende que deveria ocorrer a exclusão do direito penal, tendo em
vista que segundo o criador desta tese o direito penal não é o suficiente para resolver os
problemas sociais. Ferrajoli, embora defenda o direito penal mínimo, entende que ainda
sim não deveria acabar o direito penal.
- A teoria ABOLICIONISTA PENAL nasceu com um jurista HOLANDES e não é
aceita no Brasil.
- Essa teoria que defende o abolicionismo penal é chamada também de POLITICA
CRIMINAL VERDE.
DICAS RÁPIDAS

123 – Lei penal em branco INVERTIDA é aquela em que o preceito secundário nos
remete à outra lei.

124 – A modulação de efeitos nas declarações de INCONSTITUCIONALIDADE


depende da adesão de 2/3 ou mais dos ministros do STF.

125 – MP 703/2015 revogou o artigo 17, § 1 da lei 8.429/92, sendo possível celebrar
ACORDO DE LENIÊNCIA nas hipóteses de improbidade administrativa.

126 – A competência para a concessão de beneficio da REABILITAÇÃO é do juiz


da condenação, uma vez que a mesma só é concedida após o término da execução
da pena. Se a condenação tiver sido proferida por tribunal, ainda assim a
competência será do juízo de primeira instância responsável pela condenação.

127 – A jurisprudência entende que o fato de haver instauração de inquérito


policial ou propositura de ação penal contra candidato, por si só, não pode
implicar a sua eliminação.
A eliminação nessas circunstâncias, sem o necessário trânsito em julgado da
condenação, violaria o princípio constitucional da presunção de inocência.
Julgado STJ, 2ª Turma, AgRg no RMS 39.580/Pe, informativo 535.

128 – O genocídio é o ÚNICO crime hediondo que não está previsto no CP.

129 – Circundução é o ato que DECRETA a nulidade da citação.

130 – O ADVOGADO geral da união NÃO É LEGITIMADO à propositura de


ADI, ADC e ADPF.
131 – O que é o serviço público de delegação OBRIGATÓRIA?
R = É uma espécie de serviço público em que o Estado não pode prestar sozinho, em
razão disso oferece concessão, permissão ou autorização. Exemplo: serviço de rádio
difusão sonora (rádio) ou som e imagens (televisão). Art. 223, CR.

132- Desde a expedição do diploma os membros do CN não poderão ser presos,


salvo em flagrante de crime inafiançável. Neste caso, os autos serão remetidos
dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus
membros resolva sobre a prisão.

133 – O que é AUTORIA PARELHA?


R = Também chamada de COAUTORIA IMPRÓPRIA ou AUTORIA COLATERAL
ocorre quando duas ou mais pessoas intervêm na execução de um crime, buscando igual
resultado, embora cada um delas ignore a conduta alheia.

134 – Para requerer revisão criminal, o condenado não é obrigado a recolher-se à


prisão. (súmula STF 393)

135 – A ADI e a ADC possuem natureza dúplice ou fungível. Em razão disso, é


possível declarar a constitucionalidade ou a inconstitucionalidade de uma lei em
qualquer das ações.

136 – O que é PROVA EMPRESTADA?


R = A prova emprestada consiste na utilização no processo em prova que foi produzida
em outro. De acordo com a doutrina majoritária, a utilização da prova emprestada só é
possível se aquele contra quem ela for utilizada tiver participado do processo onde essa
prova foi produzida, observando-se, assim, os princípios do contraditório e da ampla
defesa. Só se pode considerar como prova emprestada, portanto, aquela que foi
produzida, no primeiro processo, perante aquele que terá que se sujeitar a seus efeitos
no segundo, com a possibilidade de ter contado, naquele, com todos os meios possíveis
de contrariá-la. Logo, se a prova foi produzida em processo no qual o acusado não teve
participação, não há falar em prova emprestada, e sim em mera prova documental.
Entende-se por prova emprestada aquela que é produzida num processo para nele gerar
efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando a gerar efeitos
em processo distinto.
É possível compartilhar as provas colhidas em sede de investigação criminal para serem
utilizadas, como prova emprestada, em INQUÉRITO CIVIL público e em outras ações
decorrentes do fato investigado. Esse empréstimo é permitido mesmo que as provas
tenham sido obtidas por meio de afastamento (quebra) judicial dos sigilos financeiros,
fiscal e telefônico.
Julgado STF, 1ª Turma, IP 3305 AgRg/RS, Informativo 815.

137 – O crime de moeda falsa (art. 289), comporta ARREPENDIMENTO


POSTERIOR (art. 16 do CP)?
R = De acordo com o STJ, analisando o REsp 1.242.294/PR, NÃO, tendo em vista que
o bem jurídico tutelado é a fé pública, que não é passível de reparação.

138 – Improbidade Administrativa X Ressarcimento ao erário


R = Para aqueles que praticam atos de improbidade administrativa existe uma sanção
que é IMPRESCRITIVEL: O ressarcimento ao erário. Foi a própria CR de 88 quem
determinou que essa sanção não estivesse sujeita à prescrição e pudesse ser buscada a
qualquer momento. Isso está previsto nos §§ 4º e 5º, do artigo 37.

139 – O crime de violação de domicilio é eminentemente subsidiário, ou seja,


sempre que servir como meio para executar crime mais grave, o crime-meio
deverá ser absorvido pelo crime-fim. É o que ocorre no ingresso em residência
alheia para o cometimento de crimes de roubo, furto, estupro, homicídio e outros.

140 – Gerações da LEI DE LAVAGEM DE CAPITAIS


R = 1ª Geração: Tráfico de drogas; 2ª Geração: Rol taxativo; 3ª Geração: Qualquer
infração penal produtora.

141 – Redução de pena


R = É possível à redução de pena quando o condenado, em regime fechado ou
semiaberto, trabalha dentro ou fora da prisão. Súmula 562, STJ
142 – O Delegado de Policia tem capacidade postulatória? Se positivo, qual o
embasamento doutrinário?
R = Apesar de grande parte da doutrina defende a inexistência de capacidade
postulatória do delegado de policia, visto que ele não pode recorrer, entendo que em
verdade, há capacidade postulatória IMPRÓPRIA, pois a representação da autoridade
policial caracteriza-se como meio de provocação ao juiz, retirando-o de sua inércia
habitual. O embasamento surge chancelada pelo ILUSTRE DELEGADO e
DOUTRINADOR FRANCISCO SANNINI.

143 – O projétil de arma de fogo é CLASSIFICADO como INSTRUMENTO


PERFURO-CONTUDENTE.

144 – TODOS os crimes previstos no Estatuto do Desarmamento são de AÇÃO


PENAL PÚBLICA INCONDICIONADA, ou seja, independem da representação
do ofendido.

145 – Os crimes previstos na Lei 8.666/93, são de ação penal pública


incondicionada.

146 – Remédios constitucionais são os meios colocados a disposição dos indivíduos


pela CR para a proteção de seus direitos fundamentais. Esses meios são utilizados
quando o simples enunciado de direitos fundamentais não é suficiente para
assegurar o respeito a eles. Esses remédios, quando visam provocar a atividade
jurisdicional do Estado, são denominados “ações constitucionais”, porque
previstas na própria constituição. Ex: HD, HC, MI, MS, AP.

147 – Em sede de ADI e ADC NÃO se admite DESISTÊNCIA, não cabe AÇÃO
RESCISÓRIA e nem INTERVENÇÃO DE TERCEIROS.

148 – Na visão dos tribunais superiores (STJ e STF), o crime de violação de direito
autoral não está sujeito à incidência do principio da adequação social, tendo em
vista os sérios prejuízos causados à indústria fonográfica, aos comerciantes e ao
FISCO. Nesse sentido, a súmula 502 do STJ reza que: “presentes a materialidade e
a autoria, afigura-se típica em relação ao crime previsto no art. 184, § 2º, CP, a
conduta de expor à venda CDs e DVDs piratas”.

149 – Durante a INTERCEPTAÇÃO TELEFONICA DEFERIDA em primeiro


grau de jurisdição, a captação fortuita de diálogos mantidos por autoridade com
prerrogativa de foro não impõe, por si só, a remessa imediata dos autos ao
Tribunal competente para processar e julgar a referida autoridade, sem que antes
se avalie a idoneidade e a suficiência dos dados colhidos para se firmar o
convencimento acerca do possível envolvimento do detentor de prerrogativa de
foro com a prática de crime.
Julgado STJ, 6ª Turma, HC 307.152/Go, 19/11/2015, Informativo 575.

150 – O funcionário público que se apropria de coisa, pública ou particular, em seu


poder em razão do oficio (nexo funcional), não comete crime de apropriação
indébita (art. 168, CP), e SIM o crime de PECULATO (art. 312, CP).

151 – O abuso de autoridade é crime de ação penal pública incondicionada.

152 – No Furto ou Dano, a empresa responde perante o cliente, pela reparação de


dano ou furto de veiculo ocorrido em seu estabelecimento. Súmula 130 do STJ.

153 – Não é vedado propor emenda constitucional que verse sobre cláusula pétrea.
O que não deve é a proposta ter tendência ABOLICIONISTA.

154 – Não é punível no âmbito da infiltração, a prática de crime pelo agente


infiltrado no curso da investigação, quando inexigível conduta diversa (art. 13,§
único, Lei 12.850/13)

155 – Os crimes hediondos, a prática de tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e


drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis de anistia, graça, indulto e fiança (art.
2º da lei 11.464/07)
156 – Quando indicativo:

PECULATO De dinheiro, valor ou qualquer outro bem


(ART. 312) móvel, público ou particular, de que tem a
APROPRIAR-SE posse em razão do cargo, ou desvia-lo, em
proveito próprio ou alheio.
CONCUSSÃO Para si ou para outrem, direta ou
(ART. 316) indiretamente, ainda que fora da função,
EXIGIR ou antes, de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida.
CORRUPÇÃO PASSIVA Para si ou para outrem, direta ou
(ART. 317) indiretamente, ainda que fora da função
SOLICITAR OU RECEBER ou antes de assumi-la, mas em razão dela,
vantagem indevida, ou aceitar promessa
de tal vantagem.

157 – Direitos fundamentais


Dimensão objetiva e subjetiva
Em sua dimensão os direitos fundamentais forma a base do ordenamento jurídico. Os
direitos fundamentais são princípios basilares da ordem constitucional. Estes princípios
funcionam como limites ao poder ou diretrizes para sua ação. Os direitos deixam de ser
considerados exclusivamente sob uma perspectiva individualista.
Dimensão subjetiva – TEORIA DOS QUATRO STATUS DE JELLINEIS.
O individuo pode se apresentar em diferentes posições perante o estado. O status seria
como uma relação como o Estado qualifica o cidadão.
1 – Status ativo
2 – Status passivo
3 – Status positivo
4 – Status negativo

158 – A arcada dentaria é classificada como instrumento corto-contudente.

159 – A lei maria da penha não impede que sejam reconhecidas as ESCUSAS
ABSOLUTÓRIAS do artigo 181, CP.
160 – A participação de membro do MP na fase investigatória criminal não
acarreta o seu impedimento ou suspeição para o oferecimento da denúncia.
Súmula STJ, 234.

161 – A alusão genérica sobre a gravidade do delito, o clamor público ou a


comoção social não constituem fundamentação idônea a autorizar a prisão
preventiva. STJ

162 – É possível que se impute, de forma concomitante difamação e de injúria ao


agente que divulga, em, a prática dos crimes de calúnia, de uma única carta,
dizeres aptos a configurar os referidos delitos, sobretudo no caso em que os trechos
utilizados para caracterizar o crime de calúnia forem diversos dos empregados
para demonstrar a prática do crime de difamação. RHC 41.527/RJ

163 – O que é crime - obstáculo?


R = É aquela que criminaliza atos preparatórios de uma infração penal. Exemplo
previsto no CP: Art. 291 (petrechos para falsificação de moeda) em relação ao art. 289
(moeda falsa).

164 – O exame de corpo de delito e outras pericias são realizadas por PERITO
OFICIAL, leia-se, um (1) perito oficial. TODAVIA, na falta deste o exame poderá
ser realizado por duas pessoas portadoras de diploma de curso superior. Art. 159,
caput, e § 1º do CPP.

165 – CONTRAVENÇÃO tentada pode existir no mundo dos fatos, mas não é
punível no mundo jurídico.

166 – O PGR pode ser destituído do cargo antes de findos os dois anos, mediante
requerimento do PRESIDENTE DA REPÚBLICA e aprovação da maioria
absoluta do senado.

167 – O estado de DEFESA o presidente DECRETA; estado de sítio o presidente


SOLICITA ao congresso.
168 – O concurso de pessoas é qualificadora do furto, embora funcione como causa
de AUMENTO para o ROUBO.

169 – Se a mãe provoca a morte do nascente ou neonato para ocultar desonra


própria, não estando sob a influência do estado puerperal, deve responder por
homicídio e não por infanticídio, eis que inexiste a previsão de infanticídio honoris
causae no CP brasileiro.

170 – Em processo que apure a suposta prática de crime sexual contra adolescente
ABSOLUTAMENTE INCAPAZ, é ADMISSÍVEL a utilização de prova extraída
de gravação telefônica efetivada a pedido da genitora da vítima, em seu terminal
telefônico, mesmo que solicitado auxilio técnico de detetive particular para a
captação das conversas.
Julgado STJ, 6ª Turma, REsp 1.026.605/ES, 13/05/2014, Informativo 543

171 – O que se entende por TEORIA DO ESBOÇO DO RESULTADO?


R = Trata-se de uma teoria aplicada nos casos de homicídio, em que a morte se dá em
local diverso do ato praticado por circunstâncias não relacionadas ao crime,
considerando a competência como sendo a do local onde INICIARAM-SE os atos
executórios, em razão da existência de maior conjunto probatório.

172 – Pode portar arma de fogo em ESTADO DE EMBRIAGUEZ?


R = Decreto 5.123/2004:
Art. 26. O titular de porte de arma de fogo para defesa pessoal concedido nos termos do art.
10 da Lei no 10.826, de 2003, NÃO poderá conduzi-la ostensivamente ou com ela adentrar ou
permanecer em locais públicos, tais como igrejas, escolas, estádios desportivos, clubes,
agências bancárias ou outros locais onde haja aglomeração de pessoas em virtude de eventos
de qualquer natureza. (Redação dada pelo Decreto nº 6.715, de 2008).
§ 1o A inobservância do disposto neste artigo implicará na cassação do Porte de Arma de
Fogo e na apreensão da arma, pela autoridade competente, que adotará as medidas legais
pertinentes.
§ 2o Aplica-se o disposto no §1o deste artigo, quando o titular do Porte de Arma de Fogo
esteja portando o armamento em estado de embriaguez ou sob o efeito de drogas ou
medicamentos que provoquem alteração do desempenho intelectual ou motor.
173 – O que é FLAGRANTE URDIDO?
R = Trata-se de ato abuso de autoridade (art. 3º “a”, lei 4.898/65) e de crime de
denunciação caluniosa (art. 339, CP e art. 343, CPM).
O flagrante forjado consiste numa criação,em uma montagem de cenário que se
existisse tornaria lícita, legítima a ação policial.
A título exemplificativo, imaginemos uma guarnição policial que adentre em uma
residência contra a vontade do morador na certeza de haver altas quantidades de drogas
e materiais, fundado em denúncia anônima, para venda e produção de entorpecentes.
Após procedidas buscas por toda a residência nada encontram, e não estavam
autorizados por mandado, logo, a princípio há abuso de autoridade (art. 3, “b”, lei
4.898/65) e crime de violação de domicílio (art. 226, CPM ou art. 150, CP). Para
contornar a situação ilícita, e não responderem os policiais por crimes, criam um cenário
fantasioso, inexistente, que se fosse verdadeiro tornaria a ação legítima. O cenário é
construído “plantando” drogas e materiais ilícitos na residência do morador, que na
verdade é vítima, supondo estar este em flagrante permanente, mas é conduzido preso
(autor) para a Delegacia pelos policiais que na verdade são os autores.
No jargão militar o ato de “plantar” o ilícito no “autor” que na verdade é vítima chama-
se “java”. P. ex., plantar droga (Java) em carros particulares, quando da busca veicular.

174 – O crime de envenenamento de água potável, produto alimentício ou


medicinal (art. 270, CP), NÃO É HEDIONDO, MAS permite admite a prisão
temporária por estar previsto no rol taxativo de delitos da lei n. 7.960/89.

175 – O fato de haver menor participando de uma associação para fins de trafico
pode ser usado para formação de número mínimo e também para aumentar a
pena.

176 – O que é DOLO REFLETIDO / DE PROPOSITO?


R = É a que decorre da reflexão do agente em relação à prática criminosa. Ocorre nos
CRIMES PREMEDITADOS. Ex: o matador organiza um plano para ceifar a vida de
determinada pessoa, colocando na balança as condições favoráveis e desfavoráveis.
177 – O QUE É A SINDROME DO CORPO EMBALAGEM? (medicina legal)
R = É o caso em que o corpo humano se torna uma embalagem para armazenar grande
quantidade de drogas para o tráfico. Quando essa droga se abre dentro do organismo há
prejuízo ao nervo vago, por conseguinte, gerando a morte por insuficiência respiratória.

178 – A COATORIA pode ser PARCIAL/FUNCIONAL ou DIRETA/MATERIAL


quando: Na primeira os autores praticam atos de execução distintos (ex: um
amarra a vítima e o outro efetua disparos de arma de fogo contra ela). Na segunda,
todos executam condutas iguais (ex: os dois agentes dão facadas na vítima).
JULGADOS DIVERSOS

- DIREITO AUXILIO-ALIMENTAÇÃO x SERVIDOR INATIVO


O direito ao auxilio-alimentação não se estende a servidores inativos.
Súmula vinculante 55, STF

- APRECIAÇÃO MEDIDA PROVISÓRIA x PRAZO


A medida provisória não apreciada pelo CN podia, até a EC 32/2001, ser reeditada
dentro do seu prazo de eficácia de 30 dias, mantidos os efeitos de Lei desde a primeira
edição.
Súmula vinculante 54, STF
TEORIA DA BOMBA RELÓGIO

- Essa teoria, muito utilizada nos Estados Unidos ("the ticking time bomb scenario").
- A presente teoria tem o escopo de relativizar a proibição da tortura (que, na nossa
Constituição, está no artigo 5o, III). Segundo a teoria, se bombas relógio são instaladas
em determinados locais, não havendo outros meios de se localizar as bombas ou
desarmá-las, a tortura do terrorista responsável é justificável.
- Essa teoria apareceu pela primeira vez no romance de Jean Larteguy, "Les
Centurions", de 1960, escrito durante a brutal ocupação francesa da Argélia. O herói do
livro descobre um plano iminente para explodir bombas em toda a Argélia e deve correr
contra o relógio para impedir.
- O Ministro da Suprema Corte Antonin Scalia disse em uma recente entrevista que "o
uso de técnicas de interrogatório duras agora amplamente condenadas como tortura
pode não ser inconstitucional”. Segundo a teoria do "cenário da bomba relógio", seria
difícil excluir o uso da tortura para obter informações de suspeitos de terrorismo, se
milhões de vidas estão em jogo.
- A CIA utiliza-se, por exemplo, do “suplicio da água”.
- As utilizações destes mecanismos sofrem fortes criticas por ser repugnante para a
maioria dos doutrinadores. O Estado criaria batalhões de torturadores para alcançar tais
fins. Ainda se questiona se esse mecanismo deixaria de ser regra (para descobrir atos de
terrorismo), para ser utilizado em outras situações que a diversa da inicial.
- A teoria da bomba relógio estaria ramificada na mesma do direito penal do inimigo.
- A aplicação da tortura com base nesses argumentos não é abarcada pela doutrina em
exclusão de ilicitude ou de culpabilidade.
- No direito pátrio, a Lei 13.260 trata de atos de terrorismo, MAS no Brasil essa teoria
não é aceita, nem aplicável (porque diversos dispositivos impedem, CR e tratados /
convenções internacionais, por exemplo).
- Conforme artigo 16 da Lei 13.260, em casos de investigação, processo e julgamento
dos crimes previstos nesta Lei, aplica-se a Lei nº 12.850, de 2 agosto de 2013.
O QUE É ADVERTENCIA / AVISO DE MIRANDA NO PROCESSO PENAL

- Nos Estados Unidos, o réu tem seus direitos constitucionais e civis zelosamente
observados, pois sua violação pela polícia ou pelo Promotor de Justiça pode viciar as
etapas posteriores do processo. Por exemplo, desde Miranda vs. Arizona, em 1966, o
júri é obrigado a desconsiderar as declarações feitas pelo acusado antes de
explicitamente advertido de seu direito de recusar-se a falar à polícia.
- Contudo, nem sempre foi assim, como sabemos, em toda parte do mundo. A frase de
que o réu tem o direito à assistência e o conselho a sua defesa, é extraído da Sexta
Emenda americana. É comum hoje em dia que se tome por certo que uma pessoa
acusada sempre teve a assistência de advogados para a defesa. Afinal, a polícia adverte
da necessidade do silêncio a todos eles, e depois prendem e interrogam.
- O certo é que toda pessoa acusada de um crime tem o direito a um advogado se ela
puder pagar um. Mas só recentemente é que aqueles que não podiam pagar um
advogado, realmente receberam a assistência de advogado.
- Levou mais de 30 anos, começando em 1932, e três casos de apelação na Suprema
Corte americana, antes que as pessoas pobres, que não podiam pagar um advogado,
pudessem ter um advogado nomeado pelo tribunal. Estas decisões da Suprema Corte
americana foram no sentido que a Sexta Emenda tivesse efeito vinculativo sobre os
Estados.
- Podemos citar o exemplo de um caso em que houve completo desprezo pelo princípio
em alusão. Em 25 de março de 1931, nove jovens Afro-americanos, sete jovens homens
brancos, e duas jovens mulheres brancas estavam viajando através Alabama, quando
começou uma briga. Os homens brancos foram atirados para fora do trem. Eles
imediatamente notificaram o xerife, e, além de seus ataques, afirmaram que as duas
meninas brancas foram estupradas. O trem foi parado por ordem de um xerife na
pequena cidade de Paint Rock, Alabama, e os jovens Afro-americanos foram presos.
Quando a violência da multidão parecia iminente, eles foram transferidos para
Scottsboro, Alabama. Ali, nove iletrados, analfabetos, pobres homens foram julgados
pelo crime de estupro, sem qualquer assistência da defesa. No primeiro dia do
julgamento, o juiz nomeou um advogado local para funcionar na defesa dos noves
homens acusados de estupro. Os nove foram julgados em grupos de três, e o Tribunal
levou três dias para julgar e condenar todos os nove, mesmo com o testemunho médico
que contradizia a afirmação das meninas do crime de estupro, bem como o fato de uma
das supostas vítimas admitir ter inventado a história de estupro e afirmar que nenhum
dos Scottsboro Boys teria tocado em nenhuma das mulheres brancas. Todos os nove
rapazes, conhecido como Scottsboro Boys, foram condenados à morte, por um Júri
composto de brancos.
- Nos Estados Unidos apesar de incorporado à sua Constituição na 5ª emenda, o direito
ao silêncio veio a ter efetividade na decisão da Suprema Corte em 1964 com o caso
Malloy v. Logan (378 U. S.1 (1964). Que deu garantia do devido processo legal,
incorporado na 14ª emenda. Em 1965 no julgamento Griffin v. California – [380. U.
S.609 (1965)]. A Suprema Corte Americana proibiu o acusador de realizar qualquer
comentário ou alusão sobre o silêncio do acusado durante o julgamento, resultando
inconstitucional qualquer tipo de penalidade imposta ao réu no exercício desse direito.
- A Suprema Corte Americana em um caso histórico denominado Miranda V Arizona
(384 U. S. 436), por cinco votos a quatro decidiu que “antes de qualquer
questionamento, uma pessoa deve ser informada que ela tem o direito de permanecer
calada, e que qualquer depoimento que fizer poderá ser usado como prova contra si
mesma”.
- Neste caso a Suprema Corte decidiu que a polícia ao fazer um interrogatório, deve
notificar o acusado do direito ao silêncio, determinando a soltura do acusado. Ernesto
Miranda, acusado de rapto e estupro, fixou as chamadas Miranda Rules ou regras de
instrução. O caso Miranda, contudo, como assinala Dias Neto, foi perdendo a sua força
como orientação jurisprudencial, tendo em vista que posteriormente a Suprema Corte
Americana no julgamento Beckwith v. United States [425 U. S.341 (1976)], declarou
que o direito ao silêncio não se aplica aos interrogatórios em domicilio do acusado,
feitos de forma informal, em New York v Quarles, [467 U. S. 649 (1984)], declarou a
desnecessidade da detenção formal do inquirido, para efeito do direito ao silêncio e em
Oregon v. Mathiason, [492 U. S. 492 (1977)], decidiu que não existe a custódia quando
a pessoa comparece voluntariamente a uma delegacia.
- Estas decisões já tiveram como base o movimento lei e ordem que existe naquele país.
Talvez surpreendentemente, o impacto das chamadas “regras Miranda” sobre a polícia,
de suspeitos, em face das confissões e convicção tem sido insignificante. Isto pode ser
devido a muitas estratégias que os interrogadores policiais usam para evitar, contornar,
anular, e algumas vezes até mesmo violar as “regras Miranda” e sua invocação na sua
busca de evidências de confissão. Por exemplo, às vezes, a polícia nos interrogatórios
evita ter de dar advertências com base nas regras de Miranda, reformulando o
interrogatório como uma entrevista de custódia.
- A polícia faz isso redefinindo as circunstâncias de questionamento, em que o suspeito
não está preso, por exemplo, declarando ao acusado, que ele não está preso ou que ele é
livre para ir e vir, uma vez que as “Miranda Rules”, apenas é legalmente exigida quando
um suspeito está preso sob custódia. Outras vezes, detetives da polícia podem ler três a
quatro vezes as advertências do direito ao silêncio, mas não perguntam ao suspeito se
ele entende este direito ou deseja renunciar a este mesmo direito, lançando diretamente
em interrogatório, como se o consentimento do acusado fosse implícito. Os tribunais
têm mantido essa prática, alegando que os suspeitos “implicitamente” renunciaram aos
seus direitos (Vorth Carolina v. Butler 1979).
- Às vezes, os detetives podem obter a isenção explícita através da minimização.
Minimizando a advertência, ou a ênfase do significado das advertências Miranda,
ocultando assim o relacionamento contraditório entre os interrogadores e os acusados.
Uma vez que o suspeito tenha renunciado a seu direito ao silêncio, o tom, o conteúdo, e
o caráter do processo de interrogatório podem mudar drasticamente. É típico neste
ponto que o processo de interrogatório torna-se acusatório, ante o fato do detetive mudar
a forma de fazer as perguntas, bem como o suspeito para dizer-lhe as respostas. O estilo
de interrogatório dos detetives pode variar de amigável a agressivo. A polícia conta duas
estratégias básicas de interrogatório: 1) criam a ilusão de que a polícia tem o objetivo de
“ajudar” o suspeito; 2) a tentativa de transformar a percepção dos suspeitos aumenta de
tal forma, que os acusados podem confessar como meio de escapar de uma situação
desesperada. Embora existam centenas de técnicas de interrogatório específicas, o
interrogatório policial pode ser reduzido para algumas táticas básicas e previsíveis, com
sequências repetitivas.
- As regras de Miranda, podem ser enquadradas no Brasil como principio da não
incriminação (ou princípio da imunidade da autoacusação); direito ao silêncio previsto
na CF/88.
Art. 5º, LXIII - o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer
calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado.
- O CPP diz que:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas
ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
- O STJ entende que conversa informal, sem o aviso do direito ao silêncio, se
confessado algo, é prova ILICITA.
Julgado STJ, 6ª Turma, HC 244977 SC

MULHER PODE SER PRESA EM FLAGRANTE COM BASE EM LESÃO A


COMPANHEIRO NO AMBIENTO FAMILIAR?

- Crimes de violência em âmbito familiar / doméstico, não cabe aplicação da lei


9.099/95. Não cabe TCO.
- Súmula 542 do STJ, lesão corporal é pública incondicionada na condição de violência
em âmbito familiar, vejamos seu teor:
• Súmula 542
A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência doméstica
contra a mulher é pública incondicionada.
- No caso do homem que é agredido por mulher em ambiente familiar / doméstico,
aplica-se o artigo 129, § 9º, CP. O delegado só pode prender a mulher em flagrante se o
homem agredido representar, tendo em vista que volta a aplicar a lei 9.099/95.
- Não pode lavrar TCO no caso de violência em âmbito familiar em que o homem seja o
agredido, tendo em vista a pena prevista no artigo 129, §9, CP, podendo prender em
flagrante se assim o agredido representar e por não ser crime acima de 4 anos, o
delegado arbitrará fiança.
- Pode no âmbito judicial, ser aplicada a SUSPENSÃO CONDICIONAL DO
PROCESSO, tendo em vista que a pena mínima é menor de 1 (hum) ano.
Art. 89. Lei 9.099/95 - Nos crimes em que a pena mínima cominada for igual ou inferior
a um ano, abrangidas ou não por esta Lei, o Ministério Público, ao oferecer a
denúncia, poderá propor a suspensão do processo, por dois a quatro anos, desde que o
acusado não esteja sendo processado ou não tenha sido condenado por outro crime,
presentes os demais requisitos que autorizariam a suspensão condicional da pena (art.
77 do Código Penal).
TEORIA DAS LEIS TÉRMICAS NO DIREITO PENAL

- A criminologia é a ciência que busca entender a conduta criminosa, através do estudo


do comportamento humano quando se pega numa roupagem delituosa.
- Lombroso, da escola positiva, foi o primeiro a estudar o comportamento do
delinquente. Ressaltamos que Lombroso não era jurista e sim psiquiatra. Este entendia
que o criminoso era um doente, sofria de uma patologia (atavismo). Para Lombroso, a
pessoa já nascia com a pré-disposição delituosa.
- No ano em que nascia Lombroso, o matemático / sociólogo belga Quetelet começou a
visualizar a aplicação de estatísticas para explicar a ocorrência de determinados crimes.
Sua obra (físico-social), deixou registrado que o clima da região, dentre outros fatores,
eram preponderantes para o cometimento do crime.
- A teoria das leis térmicas (ou CURVA DE QUETELET), foi formulada por Quetelet,
em 1835 e apregoava que:
a) No inverno, são praticados mais crimes contra o patrimônio;
b) No verão, são mais numerosos os crimes contra a pessoa;
c) Na primavera, há maior incidência dos crimes contra os costumes (sexuais).
- Quetelet (Adolphe Quetelet) foi o defensor das estatísticas oficiais de medição de
delitos, mas se apercebeu que uma razoável quantidade de crimes não era detectada ou
comunicada aos órgãos oficiais. São as chamadas cifras negras.

INSTAURAÇÃO DE IP EM LOCAL DIVERSO DA CONSUMAÇÃO DO FATO

- O CPP não estabeleceu uma regra para a instauração do IP.


- Delegado de policia não tem competência, tem atribuição (assim como MP).
- Art. 70, CPP, estabelece regras e competências, adotando a teoria do RESULTADO
(ou do evento).

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a
infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de
execução.

§ 1o Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora


dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado, no Brasil,
o último ato de execução.
§ 2o Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional,
será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha produzido
ou devia produzir seu resultado. (TEORIA DA UBIQUIDADE)

§ 3o Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quando


incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divisas de duas
ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

Art. 71. Tratando-se de infração continuada ou permanente, praticada em


território de duas ou mais jurisdições, a competência firmar-se-á pela prevenção.

- Se não for arguida incompetência, será preclusiva.


- O INQUERITO POLICIAL é diferente de PROCESSO PENAL.
- Crime de espaço máximo e crime a distância são sinônimo.
- Por questão de politica criminal, o local adequado para abrir IP onde foram praticados
homicídios culposos ou dolosos é onde ocorreram os atos executórios independente de
onde venha a ser consumado.
- A autoridade que terá atribuição para instaurar flagrante em caso de fugitivo, será onde
ela for capturado. Caso o auto de prisão em flagrante seja lavrado em outro local da
captura, não há nulidade do procedimento, apenas uma mera irregularidade.
- No caso do latrocínio é analisado como o homicídio, devendo ser apurado onde
ocorreram os atos executórios. (TEORIA DA ATIVIDADE)

TEORIA DA PONDERAÇÃO CONCRETA NA ORBITA DO DIREITO PENAL


NO TEMPO

- Depois de cumprir todas as fases do processo legislativo previsto na Constituição


Federal, a lei penal ingressa no ordenamento jurídico e, assim como as demais leis em
geral, vigora até ser revogada por outro ato normativo de igual natureza. É o que se
convencionou chamar de princípio da continuidade das leis.
- A revogação é a retirada da vigência de uma lei. Dependendo do seu alcance, pode ser
absoluta ou total, conhecida como ab-rogação (ab-rogação = absoluta), ou parcial,
denominada derrogação.
- A lei tem que ser revogada formalmente e materialmente. Exemplo: Crime de
adultério previsto no artigo 240, CP. Quando ela (lei) é incorporada por outro
dispositivo, não ocorre o abolitio criminis e sim, a continuidade normativo-típica, uma
vez que ocorreu a revogação formal e não material.
- A abolitio criminis apenas tem efeitos penais com sua revogação, subsistindo seus
efeitos extrapenais.
- A neocriminalização é o surgimento de uma nova lei que venha a criminalizar conduta
que anteriormente era considerada típica. Tais situações serão verificadas com a
hipertrofia do direito penal; no direito penal expansivo. Todo efeito será da sua vigência
para frente e nunca retroagirá para prejudicar quem quer que seja.
- A abolitio criminis se contrapõe a neocriminalização.
- A regra geral é a da prevalência da lei que se encontrava em vigor quando da prática
do fato, vale dizer, aplica-se a lei vigente quando da prática da conduta (tempus regit
actum). Dessa forma, resguarda-se a reserva legal, bem como a anterioridade da lei
penal, em cumprimento às diretrizes do texto constitucional.
Lei penal mais grave ou lex gravior
- E a que de qualquer modo implicar tratamento mais rigoroso às condutas já
classificadas como infrações penais, tendo aplicação apenas a fatos posteriores à sua
entrada em vigor. Jamais retroagirá, conforme expressa determinação constitucional.
Exemplos: criação de qualificadora, agravante genérica ou causa de aumento da pena,
imposição de regime prisional mais rígido, aumento do prazo prescricional, supressão
de atenuante genérica ou causa de diminuição da pena etc.
Abolitio criminis e lei posterior benéfica
- Abolitio criminis é a nova lei que exclui do âmbito do Direito Penal um fato até então
considerado criminoso (art. 2.°, caput, CP), ostentando natureza jurídica de causa de
extinção da punibilidade (art. 107, inc. n i). Sua configuração reclama revogação total
do preceito penal, e não somente de uma norma singular referente a um fato que, sem
ela, se contém numa incriminação penal. Com efeito, a abolitio criminis pressupõe a
supressão formal (exclusão do tipo penal) e material (exclusão da conduta ilícita do
âmbito do Direito Penal) de um fato anteriormente classificado como infração penal.
Alcança a execução e os efeitos penais da sentença condenatória, não servindo como
pressuposto da reincidência, e também não configura maus antecedentes. Sobrevivem,
entretanto, os efeitos civis de eventual condenação.
- Lei penal benéfica (lex mitior ou novatio legis in mellius) é a que se verifica quando,
ocorrendo sucessão de leis penais no tempo, o fato previsto como crime ou
contravenção penal tenha sido praticado na vigência da lei anterior, e o novel
instrumento legislativo seja mais vantajoso ao agente, favorecendo-o de qualquer modo.
– A lei mais favorável deve ser obtida no caso concreto, aplicando-se a que produzir o
resultado mais vantajoso ao agente (teoria da ponderação concreta).
- No campo da Lei de Drogas, o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento
de que o crime ora tipificado pelo art. 28, caput (porte de droga para consumo pessoal),
em razão da natureza das penas a ele cominadas, é mais brando do que a figura
antigamente prevista no art. 16 da Lei 6.368/1976. Deve, assim, retroagir para alcançar
os fatos cometidos sob a égide da lei antiga.
- Nos termos do art. 5.°, XL, da Constituição Federal, a abolitio criminis e a novatio
legis in mellius devem retroagir, por configurar nítido benefício ao réu. A retroatividade
é automática, dispensa cláusula expressa e alcança inclusive os fatos já definitivamente
julgados.
- Pode ocorrer, ainda, ultratividade da lei mais benéfica. Tal se verifica quando o crime
foi praticado durante a vigência de uma lei, posteriormente revogada por outra
prejudicial ao agente. Subsistem, no caso, os efeitos da lei anterior, mais favorável. Isso
porque, como já abordado, a lei penal mais grave jamais retroagirá.
Combinação de leis penais (lex tertia)
- Pode ocorrer o conflito entre duas leis penais sucessivas no tempo, cada qual com
partes favoráveis e desfavoráveis ao réu. A discussão reside na possibilidade ou não de
o juiz, na determinação da lei penal mais branda, acolher os preceitos favoráveis da
primitiva e, ao mesmo tempo, os da posterior, combinando-os para utilizá-los no caso
concreto, de modo a formar uma lex tertia, ou seja, uma lei híbrida.
- STF entende atualmente que não existe a possibilidade do magistrado combinar leis
para beneficiar o réu, tendo em vista que ele não cabe à função de legislador, muito
menos por ofender o principio da legalidade. O STJ segue o mesmo entendimento.
Súmula 501, STJ:

Súmula 501: é cabível a aplicação


retroativa da Lei 11.343/06, desde que o
resultado da incidência das suas
disposições, na íntegra, seja mais
favorável ao réu do que o advindo da
aplicação da Lei 6.368/76, sendo vedada
a combinação de leis.

- Não há consenso doutrinário. No terreno da jurisprudência, historicamente o Supremo


Tribunal Federal sempre se posicionou pela impossibilidade de combinação de leis
penais. Entretanto, recentemente, o Excelso Pretório rompeu com seu posicionamento
clássico, e decidiu pelo cabimento, a autor de crime de tráfico de drogas cometido sob a
égide da Lei 6.368/1976, do benefício introduzido pelo art. 33, § 4.°, da Lei
11.343/2006.
- Assim decidindo, o Supremo Tribunal Federal abandonou a teoria da ponderação
unitária ou global e filiou-se à teoria da ponderação diferenciada, pela qual, considerada
a complexidade de cada uma das leis em conflito no tempo e a relativa autonomia de
cada uma das disposições, é preciso proceder-se ao confronto de cada uma das
disposições de cada lei, podendo, portanto, acabar por se aplicar ao caso subjudice
disposições de ambas as leis.
- Hoje, entretanto, o Supremo Tribunal Federal, por decisões de suas turmas, está
dividido. Ora admite a combinação de leis penais, ora retoma sua clássica posição,
filiando-se à teoria da ponderação unitária, ou global, contrária à constituição da lei
híbrida.
- O Superior Tribunal de Justiça, em sua orientação jurisprudencial dominante, não
admite a combinação de leis penais.
Lei penal intermediária
- É possível, em caso de sucessão de leis penais, a aplicação de uma lei intermediária
mais favorável ao réu, ainda que não seja a lei em vigor quando da prática da infração
penal ou a lei vigente à época do julgamento. Essa é a posição consagrada no Supremo
Tribunal Federal.
Lei penal temporária e lei penal excepcional (estrito senso)
- Lei penal temporária é a que tem a sua vigência predeterminada no tempo. A lei diz,
por exemplo, que sua validade se limita ao dia 31 de dezembro do ano em que foi
editada.
- Lei penal excepcional, por outro lado, é a que se verifica quando sua duração está
relacionada a situações de anormalidade. Exemplo: É editada uma lei que diz ser crime,
punido com reclusão de seis meses a dois anos, tomar banho com mais de dez minutos
de duração, durante o período de racionamento de energia.
- Estas leis são autorrevogáveis. Basta a superveniência da data prevista na lei
temporária ou o fim da situação de anormalidade relacionada à lei excepcional para que
deixem, automaticamente, de produzir efeitos jurídicos. Por esse motivo, são
classificadas como leis intermitentes. Se não bastasse, possuem ultratividade (art. 3.°,
CP), pois se aplicam ao fato praticado durante sua vigência, embora decorrido o período
de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram. Em outras palavras,
ultratividade significa a aplicação da lei mesmo depois de revogada. ESSA SITUAÇÃO
É CHAMADA DE EFEITO CARRAPATO DA LEI PENAL.
- O fundamento da ultratividade é simples e foi suficientemente explicado pelo item “8”
da Exposição de Motivos da antiga Parte Geral do Código Penal: visa impedir que, em
se tratando de leis previamente ilimitadas no tempo, possam ser frustradas as suas
sanções por expedientes astuciosos no sentido do retardamento dos processos penais.
As leis penais em branco e o conflito de leis no tempo
- Lei penal em branco é aquela cujo preceito secundário é completo, mas o preceito
primário necessita de complementação. O problema relativo ao assunto consiste em
saber se, uma vez alterado o complemento da lei penal em branco, posteriormente à
realização da conduta criminosa, ou seja, com a infração penal já consumada, e
beneficiando o agente, deve operar-se a retroatividade.
- É possível abolitio criminis na lei penal em branco, se por exemplo a portaria que
determina quais drogas são proibidas e simplesmente uma droga deixa de constar nesta
portaria.
- Com efeito, o complemento da lei penal em branco pode assumir duas faces distintas:
normalidade e anormalidade.
Quando o complemento revestir-se de situação de normalidade, a sua modificação
favorável ao réu revela ai alteração do tratamento penal dispensado ao caso. Em outras
palavras, a situação que se buscava incriminar passa a ser irrelevante. Nesse caso, a
retroatividade é obrigatória. O que era crime deixou de ser. Aplica-se ao caso, portanto,
a regra delineada pelo art. 5.°, XL, da Constituição Federal. Por seu turno, quando o
complemento se inserir em um contexto de anormalidade, de excepcionalidade, a sua
modificação, ainda que benéfica ao réu, não pode retroagir, com fundamento no art. 3.°
do Código Penal (ultratividade). Se no momento em que estava em vigor o
complemento havia algo de anormal, ou seja, se se tratava de situação que naquele
momento - e não necessariamente no futuro - deveria ser reprimida, a modificação do
complemento não pode produzir efeitos aos casos anteriormente praticados, ou seja,
cometidos em período de anormalidade. Essa é a posição do Supremo Tribunal Federal.
CENA PORNOGRAFICA NA ORBITA DO ECA x STF

- Cena pornográfica ou sexo explicito é um tipo penal aberto.


O tipo penal 241- E, do ECA complementa essa lacuna com o conceito.
Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo
explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou
adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos
órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.
(Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008)
- Guilherme Nucci defende que o artigo 241-E, deixou lacunas quanto à questão da
vestimenta da criança e do adolescente e com isso é ATIPICO.
- A questão foi levada ao STJ, em sua 6ª Turma, que a norma explicativa do 241-E, e foi
decidido que não se restringe a exibição dos órgãos genitais, na verdade deve ser dada
uma interpretação conforme artigo 6º, do ECA.
Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se
dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a
condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento.
Buscando a inteligência da lei, o STJ entende que poses eróticas em que uma criança /
adolescente faça parte, mesmo que esteja com roupa (órgãos genitais cobertos), ingressa
no conceito de pornografia, quando incontroversa a finalidade de explorar a
sexualidade. DEVE EXISTIR O DOLO (desejo lascivo), para configurar os crimes dos
artigos 240 / 241 - E.
Julgado STJ, 6ª Turma, REsp 1543267 / SC
- Caso sejam encontradas fotos de crianças / adolescentes em poses sensuais / eróticas,
no CELULAR a pessoa pode ser presa em flagrante por se tratar de CRIME
PERMANENTE, tendo em vista que armazenar também entra no artigo 241 – B, do
ECA.
Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou
outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica
envolvendo criança ou adolescente.
OBS IMPORTANTE 1: Caso uma pessoa venha aliciar uma ADOLESCENTE (16
anos), não cabe tipificar no ECA, tendo em vista que o artigo 241 – D, se refere tão
somente a CRIANÇA.
Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de
comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso.
OBS IMPORTANTE 2: As causas de aumento previsto no ECA no artigo 240, § 2º,
não se aplica a qualquer outro artigo.

PUREZA DA DROGA x FIXAÇÃO DA PENA NO TRÁFICO x STF

- Exemplo, em laudo fica caracterizado que a cocaína não era pura, existia talco como
substância presente também. A fixação feita pelo magistrado, com base nos artigos 42 e
59 da Lei 11.343/06, como se a droga fosse pura.
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o
previsto no art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do
produto, a personalidade e a conduta social do agente.
- O STF analisou questão recentemente sobre a pureza da droga e fixação da pena. A 2ª
Turma, entendeu que é desnecessário determinar a pureza do entorpecente, irrelevante
para a fixação da pena.
Julgado STF, 2ª Turma, HC 132909.

ACESSO AOS AUTOS POR PARTE DE ADVOGADO DE TERCEIRO NÃO


INVESTIGADO x STJ

- A lei 13.245/16, altera o Estatuto de Ética da Ordem dos Advogados.


- Essa lei amplia o direito do advogado sobre o Inquérito Policial, entretanto não tornou
o IP, com ampla defesa e direito ao contraditório.
- O advogado não pode exigir nenhuma diligência, isto porque o delegado é o “capitão”
do IP, determinando o que pode e o que não pode.
- O advogado pode ter acesso aos autos desde que já esteja materialmente produzida e
documentada. Diligência em curso, não pode o advogado ainda ter acesso aos autos.
- Súmula 14 do STF reza que:
É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de
prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com
competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
- A questão foi para o STJ, em sua 5ª Turma, se ADVOGADO DE TERCEIRO pode ter
ACESSO AOS AUTOS EM QUE ELE NÃO É INVESTIGADO, e decidiu que O
ACESSO AMPLO DOS AUTOS é permitido ao ADVOGADO DO INVESTIGADO. O
acesso de advogado de terceiro e não investigado é RESTRITO.
Julgado STJ, 5ª Turma

O QUE É A TEORIA DA TINTA DILUÍDA OU DA MANCHA PURGADA OU


DA LIMITAÇÃO DO NEXO CAUSAL ATENUADO OU TEORIA DA
EXCEÇÃO DA MANCHA OU NÓDOA REMOVIDA

- ORIGEM: direito norte-americano com o nome de “burt paint”.


- CONCEITO: “Ocorre quando um ato posterior totalmente independente afasta a
ilicitude originária. O vício da ilicitude originária é atenuado em virtude do espaço
temporal decorrido entre a prova primária e a secundária, ou por conta de circunstâncias
supervenientes na cadeia probatória”.
- Essa teoria foi adotada no caso Won Sun vs. USA, de 1963 – O cidadão TÍCIO acaba
preso e essa prisão foi ilegal porque não havia causa provável de sua prisão. Ele, preso
ilegalmente, confessa e delata MÉVIO. MÉVIO, por sua vez, confessa o tráfico e delata
CAIO. Nesse sentido, percebam que a prisão ilegal de TÍCIO, resultou a delação de
MÉVIO, que resultou na delação de CAIO.

PERGUNTA-SE: Essa prisão de CAIO é prova lícita ou ilícita? É ilícita por derivação
causal.

O detalhe do caso concreto julgado nos EUA é que, algumas semanas depois, de forma
TOTALMENTE INDEPENDENTE, CAIO comparece perante a autoridade e resolve
confessar a prática do delito, na presença de seu advogado. A Suprema Corte
Americana entendeu que, embora num primeiro momento, a prisão de Caio ter sido
ilícita. A posteriori, porém, a partir do momento em que ele, de forma totalmente
independente e autônoma, confessa, é como se tivéssemos uma prova que não foi
contaminada pelo vício da ilicitude originária. Então, essa circunstância superveniente
na cadeia probatória faz essa prova absolutamente lícita.
- Essa teoria já foi adotada pelo STJ e pelo Supremo? Resposta negativa. Não há
julgados adotando essa teoria. Não obstante a ausência de julgados, a doutrina tem
defendido que essa teoria ou limitação foi colocada no art. 157, § 1º do CPP:
Art. 155,§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas (PROVA
ILÍCITA POR DERIVAÇÃO), salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade
entre umas e outras (TEORIA DO NEXO CAUSAL EVIDENCIADO OU DA MANCHA
PURGADA), ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente
das primeiras.
- Destarte, de acordo com essa exceção, quando Caio confessa é como se não houvesse
nenhum nexo causal entre a confissão dele e a prova ilícita originária.
Assim, em resumo, a teoria da exceção da mancha ou nódoa removida (a “purged taint
exception”), surgiu no direito norte-americano, relaciona-se com a possibilidade de uma
ilicitude de prova inicial ser removida por ato independente provocado por terceiro ou
pelo acusado. Em outras palavras, não se aplica a teoria da prova ilícita por
derivação se a relação entre a ilegalidade entre a prova primária e secundária for
atenuada em virtude do decurso do tempo, de circunstâncias supervenientes na
cadeia probatória ou da vontade de um dos envolvidos em colaborar com a
persecução criminal.
DICAS RÁPIDAS

179 – LIMITAÇÕES À FUNDAMENTAÇÃO PER RELATIONEM


R = É nulo o acórdão que se limita a ratificar a sentença e a adotar o parecer ministerial,
sem sequer transcreve-los, deixando de afastar as teses defendidas ou de apresentar
fundamentos próprios. Isso porque, nessa hipótese, esta caracterizada a nulidade
absoluta do acórdão por falta de fundamentação. STJ, HC 214.049

180 – A lei 13.260/13 definiu o que vem a ser uma organização terrorista, além do
que alterou a lei nº. 12.850/13, que versa sobre a organização criminosa,
abrangendo o seu conceito para também abarcar os grupos terroristas. Assim, a
organização terrorista nada mais é do que uma forma de organização criminosa.

181 – Pode o réu denunciado por delito na forma consumada, posteriormente ser
condenado na forma tentada?
R = O réu denunciado por crime na forma consumada pode ser condenado em sua forma
tentada, mesmo que não tenha havido aditamento à denúncia. Igualmente, vale ressaltar
que a tentativa não é uma figura autônoma, pois sua vontade contrária ao direito
existente na tentativa é igual ao direito consumado.
Como réu não se defende da capitulação da denúncia, mas do fato descrito na exordial
acusatória, não há nulidade por ofensa ao artigo 384, CPP, quando o magistrado limita-
se a dar definição jurídica diversa (crime tentado), da que constou na denúncia (crime
consumado), inclusive aplicado pena menos grave.
Julgado STJ, HC 297.551/MG, 05/03/2015

182 – As características da constituição de 1988, macete:


PEDRA
Promulgada / Escrita / Dogmática / Rígida / Analítica

183 – Segundo o STJ, a subtração de valores de conta corrente, mediante


transferência fraudulenta para conta de terceiros, sem consentimento da vitima,
configura crime de FURTO MEDIANTE FRAUDE, previsto no artigo 155, § 4º,
inciso II do CP.
184 – O crime de incêndio descrito no artigo 250 do CP, é um crime de perigo
concreto e, caso o agente, ao provocar o incêndio, acabe por causar, a titulo de
culpa, a morte de alguém, deverá ser responsabilizado pelo crime do artigo 250
C/C 258 do CP, o que acarretará a aplicação da pena do crime de incêndio em
dobro.

185 – Salvo exceções legais, a pena imposta não pode deixar de ser aplicada sob
nenhum fundamento. Assim, por exemplo, o juiz não pode extinguir a pena de
multa levando em conta seu valor irrisório.

186 – Não é possível a pesquisa de DNA paterno nos glóbulos vermelhos adultos,
considerando que estes são anucleados.

187 – Pôquer é atividade licita desde que não envolva apostas. TRF 4 região.

188 – O que se entende por nacionalidade potestativa?


R = Trata-se de nacionalidade originária pelo critério Jus Sanguinis (filiação do
individuo). Decorre quando filho de pai brasileiro ou de mãe brasileira, que não estejam
a serviço do Brasil, vier a residir no Brasil e optar, em qualquer tempo, depois de
atingida a maioridade, pela nacionalidade brasileira.

189 – De acordo com o artigo 110 da LEP, o juiz deverá estabelecer a sentença o
regime inicial de cumprimento da pena, com observância do artigo 33 do CP, o
qual estabelece distinção quanto à pena de reclusão e de detenção.

190 – É vedada a edição de MP’s sobre matéria que vise a detenção ou sequestro
de bens de POUPANÇA POPULAR ou qualquer outro ativo financeiro.

191 – Para incidir a qualificadora do “recurso que impossibilita ou dificulta defesa


da vitima” há de se observar o recurso usado pelo agente e não a qualidade da
própria vitima. Se a vitima é impossibilitada de reagir por sua própria condição
física, por exemplo, não há que se falar na citada qualificadora.
192 – O grau de pureza da droga é IRRELEVANTE para fins de DOSIMETRIA
DA PENA. A segunda turma do STF entendeu ser desnecessário determinar a
pureza do entorpecente. De acordo com a lei, preponderam apenas a natureza e a
quantidade da droga apreendida para o cálculo da dosimetria da pena (HC
132909/SP).

193 – A prática de tortura por agente público valendo-se da sua condição, além de
caracterizar crime previsto na Lei 9455/97, também é ato de improbidade,
consoante decisão veiculada no informativo 577 do STJ.

194 – Não se deve confundir MODALIDADE com TIPO DE LICITAÇÃO.


Tipo é o critério de julgamento a ser utilizado (menor preço, melhor técnica ou
técnica e preço, maior lance ou oferta), modalidade é o procedimento a ser fixado
em lei (concorrência, tomada de preços...).

195 – A teoria da EFICACIA DIRETA e INDIRETA DOS DIREITOS


FUNDAMENTAIS se aplicam diretamente a todas as relações privadas
(particulares). Todos os cidadãos devem, mesmo nas relações uns com os outros,
respeitar os direitos fundamentais.

196 – O nascimento da CRIMINOLOGIA é ponto divergente na doutrina. A


corrente MAJORITARIA aponta seu marco cientifico ou marco inicial é a
publicação da obra L’UOMO DELINQUENTE (1876), por Cesare Lombroso. No
entanto, alguns sustentam que se deu com DEI DELITTI e DELLE PENE (1764),
de Cesare Bonesana (ou Cesare Baccaria). De todo modo, ambos trouxeram
relevante contribuição aos estudos do fenômeno criminal.

197 – DOLO GERAL, segundo NELSON HUNGRIA, “é quando o agente,


julgando ter obtido o resultado intencionado, pratica segunda ação com diverso
propósito e só então é que efetivamente o dito resultado se produz”.

198 – Os guardas portuários GOZAM de PORTE DE ARMA DE FOGO?


R = NÃO. A lei 12.993/2014, previa o porte de arma de fogo para os guardas
portuários. Esse dispositivo foi vetado pela presidente da republica sob a justificativa de
que não havia dados concretos que comprovassem a necessidade de sua autorização e
que isso poderia resultar em aumento desnecessário do risco em decorrência do aumento
de armas em circulação.

199 – A confiança da vitima no autor autoriza a exasperação da pena do crime de


estelionato consoante entendimento do STJ.

200 – Aquele que obstrui as investigações que buscam apurar crime praticado por
organização criminosa, pratica crime equiparado à organização criminosa.

201 – Desvio de subjetivo quantitativo de conduta ou cooperação dolosamente


distinta é o fenômeno descrito no art. 29, § 2º, do CP, em que um concorrente quis
participar de crime menos grave do que o crime efetivamente perpetrado.

202 – Quando se trata de crime continuado, a prescrição regula-se pela pena


imposta na sentença, não se computando o acréscimo decorrente da continuação.
STF súmula 497

203 – A prescrição retroativa tem natureza jurídica de PRESCRIÇÃO DE


PRETENSÃO PUNITIVA.

204 – As lesões leves suportadas pela vitima serão absorvidas pelo crime de
tortura.

205 – A corte especial do STJ entendeu que fere os princípios da


proporcionalidade e da razoabilidade a pena prevista para o tipo penal do artigo
273, §1, B, V, do CP, que trata de exposição a venda de produtos terapêuticos ou
medicinais de procedência ignorada. Assim, realizando um ajuste principiológico,
entendeu que, no caso, se deve usar a pena prevista no artigo 33 da lei de drogas,
inclusive com a possibilidade de diminuição de pena prevista no § 4º do citado
dispositivo.
206 – O que se entende por TEORIA SINTOMATICA?
R = É a teoria que sustenta a punição em razão da periculosidade objetiva, isto é, do
perigo representado pelo agente, mesmo que o agente não venha a praticar alguma
conduta que gere risco de lesão ao bem jurídico. Essa teoria levaria à punição a tentativa
inidônea não punível no CP (artigo 17).
O direito brasileiro não adota.

207 – Crime gratuito é aquele cometido sem motivo conhecido. Não há de ser
confundido com o motivo fútil, presente quando o móvel apresenta real
desproporção entre o delito e sua causa moral.

208 – Impunidade da Cogitação


R = Os princípios cogitationis poenam nemo patitur e de internis non curat praetor são
regras gerais, advindas da mais conhecida tradição jurídica romana. A fase de cogitação
é ABSOLUTAMENTE impune, uma vez que se desenvolve no campo impenetrável do
“claustro psíquico”.

209 – O que é DOLO de dupla consciência necessária?


R = É a consciência e vontade de produzir um resultado como consequência necessária
do efeito colateral necessário da conduta. Trata-se da inevitável violação de bem
jurídico em decorrência do resultado colateral produzido a título de dolo direto de
segundo grau. Percebe-se que a existência de dolo direto de terceiro grau pressupõe a
existência de dolo direito de segundo grau. Exemplo: o agente, para matar seu inimigo
(fim proposto), coloca uma bomba no avião em que ele se encontra, vindo a matar, além
de seu inimigo (dolo direto de primeiro grau), todos os demais que estavam a bordo
como consequência necessária do meio escolhido (dolo de segundo grau). Entretanto,
uma das pessoas a bordo estava grávida, de sorte que da sua morte decorreu
necessariamente o aborto (dolo direto de terceiro grau). No exemplo, o agente deve ter
consciência da gravidez para responder pelo resultado.

210 – Normas constitucionais de eficácia plena são aquelas normas que receberam
do constituinte normatividade suficiente à sua incidência imediata, ou seja, não
necessitam de providencia normativa ulterior para sua aplicação.
211 – Crime de conexão ocasional: NÃO há, na realidade, conexão entre os crimes,
pois um não é cometido para assegurar a execução ou para garantir a ocultação de
outro. Há, tão somente, uma proximidade física entre várias infrações penais, que
não se relacionam entre si. Ex: o agente mata alguém e, em seguida, aproveita a
oportunidade para subtrair bens a este pertencentes.

212 – Existe crime de conduta mista?


R = Sim, crime de conduta mista é aquele cuja conduta reúne ação e omissão. Um bom
exemplo, é o artigo 169, II, CP.
Assim, na apropriação de coisa achada, o agente apropria-se da coisa achada (ação), e
deixa de restitui-lo ao dono (omissão), configurando-se como crime de conduta mista.

213 – O arrependimento eficaz aplica-se também aos crimes cometidos com


violência e grave ameaça (agente descarrega arma na vitima e depois se arrepende,
a socorre e evita sua morte); o arrependimento posterior só incide sobre crimes
cometidos SEM violência ou grave ameaça.

214 – Síndrome de Lima é um conjunto de sintomas desenvolvidos por


sequestradores em sua atividade criminosa, nas relações de proximidade e
compreensão das necessidades das vitimas, resultando em afeto. Ou seja, o oposto
a síndrome de Estocolmo. Neste caso, os bandidos têm extrema compaixão pelas
vítimas.

215 – O que é direito à perversão no direito penal?


R = Apenas atos projetados no mundo exterior ingressam no conceito de conduta, ou
seja, enquanto a vontade do criminoso não se liberta do claustro psíquico que existe na
mente do agente, o direito penal não pode agir.
Desta forma, a cogitação nunca é punível, pois não há sequer perigo de lesão ao bem
jurídico.
Por esta razão, ao menos em nossas ideias, todos têm o direito de sermos perversos e o
direito penal não pode punir esse tipo de pensamento.
216 – O que se entende por exterioridade no concurso de crimes?
R = O concurso de pessoas depende da punibilidade de um crime, a qual requer, em seu
limite mínimo, o inicio da execução. Tal circunstância constitui o principio da
exterioridade. Assim, um bom exemplo é o artigo 31, CP.

217 – O que se entende por erro do “baile de máscaras”?


R = Trata-se do erro sobre a pessoa (erro in persona), previsto no artigo 20, § 3º, do CP.
Neste erro, o agente responderá pelo crime como se tivesse atingido a pessoa visada
inicialmente, com todas as suas características.

218 – O que se entende por crime INFAMANTE?


R = Denominação dada ao crime que, devido aos meios empregados e às circunstâncias
em que se realizou, ocasiona no meio social uma reprovabilidade maior manifestada
sobre o autor do crime e que o desonra, rebaixa e avilta, principalmente levando-se em
consideração os motivos que levaram o agente a delinquir e que causam repulsa.

219 – O que é CRIME CONSUNTO e CRIME CONSUNTIVO?


R = Conforme se extrai da denominação, este aspecto da classificação se aplica nos
casos de incidência do principio da consunção (ABSORÇÃO). Nessa esteira, crime
consunto é o absorvido; consuntivo é o que absorve. Ex: quando a potencialidade lesiva
do falso se exaure no estelionato, o crime patrimonial será consuntivo em relação ao
crime contra a fé pública, consunto.

220 – Qual a diferença entre dinheiro NEGRO e dinheiro SUJO?


R = O dinheiro negro é o dinheiro LÍCITO, mas não declarado, não sendo objeto de
crime de lavagem de dinheiro, interessando somente à fiscalização tributária e
constituído, eventualmente objeto material do crime de sonegação fiscal.
Já o dinheiro sujo é o dinheiro proveniente de atividades ILÍCITAS, sendo objeto
material essencial do crime de lavagem de dinheiro.

221 – Homicídio e a desnecessidade de ouvir todas as vítimas.


Não há direito absoluto à produção de prova. Em casos complexos, há que confiar
no prudente arbítrio do juiz da causa, mais próximo dos fatos, quanto à avaliação
de pertinência e relevância das provas requeridas pelas partes. Assim a
obrigatoriedade de oitiva da vítima deve ser compreendida à luz da razoabilidade
e da utilidade da colheita da referida prova.
Julgado HC 131158/RS

222 – O que consiste o FENÔMENO DA EROSÃO DA CONSCIÊNCIA


CONSTITUCIONAL?
R = Tal fenômeno ocorre quando o Poder Público se abstém de cumprir, total ou
parcialmente, o dever de legislar imposto por norma constitucional, acabando por violar
a própria integridade da constituição tornando-a ineficaz.

223 – O que é a TEORIA DA IMPRESSÃO ou OBJETIVO-SUBJETIVA nos


crimes tentados?
R = Representa um limite à teoria subjetiva, evitando o alcance desordenado dos atos
preparatórios. A punibilidade da tentativa só é admitida quando a atuação da vontade
ilícita do agente seja adequada para comover a confiança na vigência do ordenamento
normativo e o sentimento de segurança jurídica dos que tenham conhecimento da
conduta criminosa.

224 – O que é AÇÃO DE PREVENÇÃO PENAL?


R = Consoante entendimento doutrinário, é aquela ajuizada com o objetivo de se aplicar
medida de segurança a inimputável do artigo 26, caput, do CP.

225 – O que seria AÇÃO PENAL ADESIVA?


R = Segundo Renato Brasileiro, dois conceitos existem para a ação penal adesiva:
A primeira corrente prega que é possível que o MP ofereça denúncia em crimes de ação
penal privada, DESDE QUE visualize a presença de interesse público. Nesses casos, o
ofendido pode se habilitar como acusador subsidiário, como se fosse uma espécie de
ação penal adesiva. Para a segunda corrente, a ação penal adesiva é a possibilidade de
litisconsorte entre o MP, que oferece denúncia em crime de ação penal pública, e o
querelante, que oferece queixa em relação ao crime (conexo) de ação penal privada.
226 – A segunda turma do STF reconheceu que a condição de “mula” ou “avião”,
não significa, necessariamente, que o agente integre organização criminosa.

227 – Conforme entendimento do STJ, é possível que o crime de falso seja


absolvido pela figura delitiva do descaminho quando servir como mero
instrumento para a consumação do crime de importação irregular de mercadorias,
nele se esgotando sua potencialidade lesiva.

228 - Crime de vitriolagem é aquele perpetrado mediante arremesso de ácido


sulfúrico contra a vítima, com o objetivo de lhe causar lesões corporais
deformantes da pele e dos tecidos subjacentes.
Caracteriza, portanto, crime de lesão corporal gravíssima, pela deformidade
permanente (art. 129, 2º, inc. IV, do CP: Art. 129. Ofender a integridade corporal ou
a saúde de outrem: (...) 2º Se resulta: (...) IV - deformidade permanente).

229 – Em crime de contrabando de cigarros não pode se aplicar o principio da


insignificância conforme decisão do STJ.

230 – O artigo 121, § 5 do ECA (lei 8.069/90), prevê a liberação compulsória do


adolescente, menor infrator, aos 21 anos de idade, conforme decisão do STJ.

231 -
JULGADOS DIVERSOS

STF: internação só deve ser aplicada quando presentes requisitos do artigo 122 do ECA.
O STF concedeu ordem de oficio para que o paciente fosse aplicado medida
socioeducativa diversa da internação. No caso o paciente não ostentava antecedentes
criminais e seu envolvimento com o delito de tráfico de maconha foi sem uso de
violência e de baixa periculosidade, sem fatos esses que aliados às circunstâncias
concretas, “envolveria a concessão da ordem”.
Julgado STF, HC 125016 / SP.

O STJ decidiu que o exercício de acupuntura o delito previsto no 282 do CP (exercício


ilegal da medicina, arte dentaria ou farmacêutica), tendo em vista que o artigo em
comento é uma norma penal em branco que necessita de regulamentação federal. Nessa
esteira, na lei regulamentar do exercício da medicina não prevê acupuntura e por isso
estender o entendimento a este seria uma interpretação in malam partem, o que é
vedado.
Julgado STJ, RHC 66.641 / SP

Segundo o STF, no julgamento da ADI 3038/SC, a CF/88 estabelece em seu artigo 144,
§4, os requisitos necessários para ocupar a direção da Policia Civil há de ser
necessariamente, um DELEGADO DE POLICIA DE CARREIRA. Dessa forma,
Constituição Estadual não pode determinar diferente da Constituição Federal.
Julgado STF, ADI 3038/SC

Na visão do STF, a prática de ato libidinoso importa em tentativa de estupro, e não na


figura consumada, sempre que funcionar como “PRELÚDIO DO COITO”.
Julgado STF, HC 100314

Segundo o STJ, em julgamento de HC pela 6ª turma, o que fora pacificado é o


entendimento de que a conduta de apresentar falsa identidade perante autoridade
policial para se livrar de flagrante de roubo, caracteriza o crime previsto no artigo 307,
CP, sendo inaplicável a tese de autodefesa.
ZOUKDERNO

Ailton Zouk DelPol DF

2017
Parte IV
(@waninedias)
LEI 11.343 X STJ E STF (06/01/2017)

Art. 28. Quem adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para
consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar será submetido às seguintes penas:
I - advertência sobre os efeitos das drogas;
II - prestação de serviços à comunidade;
III - medida educativa de comparecimento a programa ou curso educativo.
Art. 28, STF e STJ entendem que ocorreu a despenalização e não a descriminalização.
A luz da lei vigente, é uma conduta atípica.
Submete-se a lei 9099, por ser de menor potencial ofensivo.
Delegado não pode autuar em flagrante, mas se agente se recusar a assinar o termo de
compromisso, o delegado lavra o auto.
Art. 28 tem roupagem criminosa. STJ entende que a condenação por porte de droga para
us opróprio gera reincidência.

§ 2º Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz atenderá à natureza


e à quantidade da substância apreendida, ao local e às condições em que se desenvolveu a ação,
às circunstâncias sociais e pessoais, bem como à conduta e aos antecedentes do agente.
Para diferenciar usuário de traficante.
CESP coloca na questão que leva em conisderação a pureza da substância, ERRADO.

Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no
art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade
e a conduta social do agente.
STF entende que pureza da droga não entra na fixação da pena.

Art. 33. Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à
venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar,
entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Artigo de condutas múltiplas de contúdo variado.
Adquirir cocaína e vender maconha, responde por dois crimes em concurso material.

§ 1º Nas mesmas penas incorre quem:


I - importa, exporta, remete, produz, fabrica, adquire, vende, expõe à venda, oferece,
fornece, tem em depósito, transporta, traz consigo ou guarda, ainda que gratuitamente, sem
autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar, matéria-prima, insumo
ou produto químico destinado à preparação de drogas;
A semente constitui matérial prima? Ou é ato preparatório? STJ entende que constitui
matéria prima; não há de se falar de ato preparatório.
Ex: Importar lança perfume da Argentina e é apreendida no Brasil. Não configura tráfico
internacional porque a substância não é entorpecente no país de origem. Terá então tráfico
domestico!

§ 2º Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga:


O induzimento tem que ser direcionado a pesoa determinada.
Marcha para maconha: STF diz que é direito constitucional de expressão, não configurando
esse paragrafo.

§ 3º Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pessoa de seu


relacionamento, para juntos a consumirem:
Tem que ter os três requisitos. A pessoa que oferece responde por esse parágrafo, a pessoa
que usou é atípico, porque no art.28 não tem o verbo usar.
Se oferecer a uma pessoa que não seja de seu relacionamento, configura o art. 33, tráfico.
Oferecer a pessoa de seu relacionamento e não usar junto, também é tráfico.

4º Nos delitos definidos no caput e no § 1o deste artigo, as penas poderão ser reduzidas de
um sexto a dois terços, vedada a conversão em penas restritivas de direitos, desde que o agente
seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às atividades criminosas nem integre
organização criminosa.
Pode transformer PPL em PRD.
Cancelada a súmula 512 que entendia que o privilégio não afasta a hediondez do crime.
Tráfico privilegiado não tem roupagem de hediondez, Segundo STJ. REsp 1.329.088 de
2016.
Quantidade da droga, por si só, pode ser levada em consideração para afastar o privilégio?
STJ entende que sim, STF tem divergência.
STJ: quem deve provar que é usuário? STJ diz que o réu não tem esse dever, cabe ao MP
comprovar que o entorpcente se destinava ao tráfico.
Pena do tráfico e o regime: STJ e STF o tráfico pode iniciar em outro regime.

Art. 44. Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 a 37 desta Lei são inafiançáveis
e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de suas
penas em restritivas de direitos.
STF em controle difuso considerou inconstitucional a vedação da liberdade provisória. Hoje
é possível a liberdade provisória no tráfico (que é equiparado a hediondo) e a lei 8.072 veda a
finaça. Assim, permite a liberdade provisória sem fiança.

Art. 35. Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de praticar, reiteradamente ou
não, qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
Parágrafo único. Nas mesmas penas do caput deste artigo incorre quem se associa para a
prática reiterada do crime definido no art. 36 desta Lei.
Associação não é equiparado ao tráfico e demanda estabilidade.
Associação pode ser duas ou mais pessoas.

Art. 37. Colaborar, como informante, com grupo, organização ou associação destinados à
prática de qualquer dos crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1o, e 34 desta Lei:
A figura do informante.
Não pode ter o art. 35 e 37 juntos.
Quem colabora como informante, tem que ser com a Asociação. Colaborar com uma
pessoa só, joga o agente, por analogia in buona parten, no art. 37.

Princípio da insignificância no uso:


- STJ entende que não é possível.
- STF entende que sim.

Tráfico X maquinário: STJ entende que depende da situação. ALicate e balança não
configure depósito par ao STJ.

Mula: STJ entende que mula é quem se dedica a atividade criminosa. STF entende que não
se caracteriza.
Mula ao transportar grande quantidade de droga, desenvolve função na organização
criminosa, afastando o provilégio. Mas a condição de grande quantidade de droga por sis só, não.

Traficante que participa da associação, não se aplica o privilégio.

Utilização em transporte publico, STF e STJ entendem que tem que vender dentro do
transporte.

Tráfico interestadual: não há necessidade de transposição de fronteiras.


Disk drogas: aquisição de drogas por telefone é tráfico consumado.

LEI DE TORTURA X STF E STJ (09/01/2017)

Quando a lei dos hediondos vedou a fiança, ela não vedou a liberdade provisória
totalmente. Quando ela fala em vedação da fiança, está dizendo que é possível liberdade
provisória somente sem fiança, pois a fiança é vedada.
Prisão temporária não tem a tortura no rol, é possível o deferimento da temporária no
crime de tortura de acordo com art. 2, §4 da lei 8072 + a lei 7960. A temporária só cabe na tortura
se demonstrar a extrema necessidade.
Art. 2, §1 da lei 8072 diz que a pena de hediondos, tortura e tráfico será cumprido
inicialmente em regime fechado. Foi considerado que ofendia o princípio da separação dos
poderes e da individualização da pena. STF entende que é inconstitucional.
STJ: no crime de tortura não é obrigatório iniciar no regime fechado.

Art. 1, § 7º, lei 9455: O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º,
iniciará o cumprimento da pena em regime fechado.
Em 2015, a 1ª turma do STF (HC123;316Se) entendeu que no delito de tortura ele deve sim
iniiciar no regime fechado.

Tortura também chamado de crime jabuticaba.


Prática de tortura constitui ato de improbidade administrativa.

LEI 10.826 X STF E STJ (10/01/2017)

Delito de posse irregular de arma de fogo: art. 12 descreve:


Art. 12. Possuir ou manter sob sua guarda arma de fogo, acessório ou munição, de uso
permitido, em desacordo com determinação legal ou regulamentar, no interior de sua residência
ou dependência desta, ou, ainda no seu local de trabalho, desde que seja o titular ou o responsável
legal do estabelecimento ou empresa:
Diferenciar posse (intramuros) e porte (extramuros).
Uma arma de fogo, quando está enterrada no quintal, ela está ocultada. No art. 12 não tem
o verbo ocultar então sera porte.
Responsável legal do estabelecimento ou empresa: crime próprio.

STJ entende que a posse de arma de fogo com registro vencido configura infração
administrativa. Conduta não criminalizada.

Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18 (dezoito)
anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que esteja sob sua
posse ou que seja de sua propriedade:
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorrem o proprietário ou diretor responsável de
empresa de segurança e transporte de valores que deixarem de registrar ocorrência policial e de
comunicar à Polícia Federal perda, furto, roubo ou outras formas de extravio de arma de fogo,
acessório ou munição que estejam sob sua guarda, nas primeiras 24 (vinte quatro) horas depois de
ocorrido o fato.
É um tipo híbrido, culposo no caput e doloso no parágrafo único.
Se o pai deixar a arma na mesa para que o filho pegue, tem-se entregar a arma de fogo à
criança e adolescente, art. 16.
Ex: Mévio trabalha em empresa de segurança e comunica ao dono que perdeu a arma.
Dono da empresa vai resolver outros problemas e não comunica, em 24hr, à PF (conduta culposa
não é o parágrafo único).

Art, 14 menciona: Porte ilegal de arma de fogo de uso permitido


Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda
que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo,
acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal
ou regulamentar:
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo
estiver registrada em nome do agente.Crimes de perigo abstrato.
Ex: Tício trabalha em um restaurant, mas não é o responsável legal e nem proprietário:
porte illegal.
Adquirir a pistola e a vendeu, responde por um crime só. Crime de condutas alternativas
no artigo. Se a venda é com habitualidade, aplica-se o art. 17, compercio illegal de arma de fogo.
Em relação aoporte, STF e STJ, entendem que arma de fogo dismuniciada constitui crime
de perigo abstrato.
Arma de fogo totalmente inapta para realizer disparo, é fato atípico por equiparar a arma
de brinquedo.
Aplica-se insignificância no porte ou posse? STF e STJ não admitem.
STF e STJ entendem que arma dismuniciada é fato típico (HC 96073- MS e HC 158.835).
Parágrafo único veda a fiança. É inconstitucional. Se a arma for de uso permitido, pode sim.
Todos os crimes do estatuto são afiançáveis.
Porte illegal de arma de fogo de uso permitido, fiança somente na esfera policial, porque a
pena é de 1 a 4 anos.
Porte X Disparo: porte é subsidiário. DIsparo absorve o porte.
Diversos disparos para o alto, responde por crime único. A quantidade de disparo é
considerada na dosimetria da pena.

Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas
adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade
a prática de outro crime.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável
Disparo para provocar a morte de Mèvio, responde por homicídio e, não por disparo.
Se for local dessabitado, é atípico.
Porte ou posse illegal é crime permanente.
Busca em crime permanente sem mandado judicial, dadas fundadas razões pode o policial
entrar. INvestigação anterior não é fundada razão.
Vedação de fiança foi considerado inconstitucional.
PM realiza disparo de fogo para o alto em via pública, cai no art. 15. Incide causa de
aumento de de pena, por isso não caber fiança na esfera militar.
Causas de aumento são considerados para arbitração de fiança.
Aumento de pena tem no art. 14 (porte), 15 (disparo), 16 (porte restrito), 17 (comércio
illegal), 18 (tráfico internacional). Não incide no art. 12 e 13.
Ex: Tício conduz um caminhão dizendo que é seu local de trabalho O delegado configure
art. 14, arma de uso permitido. MP denuncia. Tício diz que é o proprietário do caminhão e é seu
local de trabalho, configurando então o art. 12. STJ entende caminhão ser instrument de trabalho
e não local de trabalho.

Posse ou porte de diversas armas: se todas forem de uso permitido, responde por um crime
e a quantidade de armas vai para dosimetria. Se são armas de uso permitido e restrito de calibres
diferentes, STJ diz que responde por dois crimes por objetividades juridicas distintas com concurso
formal.

Porte X Homicídio: se o agente adquire a arma em janeiro e em dezembro mata a vítma,


responde por dois crimes: aquisição de arma de fogo e homicídio.

Conselheiro do tribunal de contas do Estado e porte de arma: STJ entende que eles se
equiparam ao magistrado, podendo portar arma de fogo.

Porte de arma X policial civil aposentado: STJ entende que se estende o porte.

STJ: não há necessidade de apreensão da arma para responder por porte illegal. Se a aarma
for apreendida, tem que periciar.
Arma de brinquedo é fato atípico se for apreendida.

Praticante de tiro esportivo deve levar arma desmuniciada, com a guia de tráfico, sob pena
de responder por porte elegal.

STF: importação de colete balístico constitui contrabando.

Air soft: Porte de armas de ar comprimido é fato atípico. É proibido sua importação (STJ),
sob pena de configurar contrabando. Não constituem crime do estatuto da arma do
desarmamento. ATENÇÃO!

Possibildiade de porte de arma de fogo por uarda prisional, mesmo for a de serviço.

Art. 21. Os crimes previstos nos arts. 16, 17 e 18 são insuscetíveis de liberdade provisória.
Foi considerado inconstitucional. É permitido liberdade provisória com e sem fiança.

Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar
arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo
com determinação legal ou regulamentar:
I – suprimir ou alterar marca, numeração ou qualquer sinal de identificação de arma de
fogo ou artefato;
II – modificar as características de arma de fogo, de forma a torná-la equivalente a arma
de fogo de uso proibido ou restrito ou para fins de dificultar ou de qualquer modo induzir a erro
autoridade policial, perito ou juiz;
Art. 16: porte ou posse de arma com numeração raspada, com dolo, responde por porte
de uso restrito, independente de ser permitido.
II- alterar o cano da arma para uma arma mais potente.

Art. 17. Adquirir, alugar, receber, transportar, conduzir, ocultar, ter em depósito,
desmontar, montar, remontar, adulterar, vender, expor à venda, ou de qualquer forma utilizar, em
proveito próprio ou alheio, no exercício de atividade comercial ou industrial, arma de fogo,
acessório ou munição, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou
regulamentar:

Parágrafo único. Equipara-se à atividade comercial ou industrial, para efeito deste artigo,
qualquer forma de prestação de serviços, fabricação ou comércio irregular ou clandestino, inclusive
o exercido em residência.
Art.17: Tem que ser comércio. Venda eventual cai no art. 14.

Art. 18. Importar, exportar, favorecer a entrada ou saída do território nacional, a qualquer
título, de arma de fogo, acessório ou munição, sem autorização da autoridade competente:
Tráfico internacional de arma de fogo.
Se tem autorização para entrar com arma no BRasil, mas não pagou imposto, é crime de
descaminho.

Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a arma
de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.
Somente no comércio ilegal e no tráfico internacional tem o aumento de pena por arma de
uso restrito. Não entra os art. 14, 15 e 16!!!

Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da metade
se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e 8o desta Lei.

REVISÃO FINAL PM-GO (11/01/2017)

- TENTATIVA:
Tentativa cruenta/tentativa vermelha: ligadas ao crime de sangue. O agente realiza o
disparo com arma de fogo e acaba por atingir a vítima. Vermelha porque a vítima começa a sangrar
ao ser atingida.
Tentativa branca/incruenta: agente realiza os atos executórios, mas não consegue atingir
a vítima.
Tentativa perfeita/acabada/crime falho: há o esgotamento dos atos executórios.
Tentativa imperfeita/inacabada: o agete não realiza todos os atos xecutoório. Ex: Tício
realiza 5 dos 10 disparos, mas a polícia chega na hora.
Tentativa supersticiosa: Ex: Eu vou num local de margia negra para fazer um ´trabalho´para
matar Tício. É uma tentativa inidônea.

-LEGÍTIMA DEFESA E ESTADO DE NECESSIDADE


Legítima defesa pode ser real ou imaginária/putativa.
A legítima defesa putativa decorre de um erro de tipo. O agente supõe que há uma injusta
agressão, quando não ocorre. Ex: Agente andando em local emo, vê um desafeto seu com a mão
no bolso, imagina que ele esá sacando uma arma para atirar nele e, saca a arma do bolso e atira
no desafeto.
A legítima defesa putativa pode decorrer de um erro de tipo vencível ou invencível.
Invencível exclui o dolo e culpa. Vencível exclui somente o dolo, respondendo por culpa caso a lei
preveja.
Legítima defesa sucessiva: decorre de quem iniciou a agressão.
Ex: Tício começou a agredir o Mévio. O Mévio imobiliza o Tìcio e a partir daí começa a
agredir o Tício. Da imobilização não se tem mais a agressão. Quando Mévio começa a agredir o
Tìcio e este começa a se defender, tem-se a legítima sucessiva.
Legítima defesa subjetiva/excessiva: é quando se tem o excesso. Ex: Tício, muito forte,
começa a agredir o Mévio. Mévio, magrinho, dá um soco no Tício, fazendo-o cair no chão. Ao cair
no chão, Mèvio continuou agredindo, decorrendo de uma situação de ânimo, onde perde a noção
do que está fazendo.
A legítima defesa excessiva atua na culpabilidade porque uma inexigibilidade de conduta
diversa. Então, a legítima defesaa subjetiva, quando justificável, vai excluir a culpabilidade por
inexigibilidade de conduta diversa como causa supra legal.
Legítima defesa subjetiva, já que é excesso, acaba desafiando a legítima defesa real. Ele
não está amparado na exclusão de ilicitude.
CUIDADO: legítima defesa subjetiva (é decorrente do excesso) x sucessiva (é real).

Estado de necessidade é a teoria unitária.

Nas discriminantes putativa, a teoria é a limitada da culpabilidade.Para essa teoria, erro no


contexto fático é erro de tipo; erro quanto a ilicitude da norma é erro de proibição.

Para teoria extremada, tanto no contexto fático, quanto a ilicitude da norma, entende ser
erro de proibição.

Estado de necessidade é a teoria unitária-> razoabilidade. Adotada pelo CP.


- FURTO
Objeto do delito: Coisa de ninguém (res nullius), coisa abandonada (res derelicta), coisa
perdida=> não podem ser objeto de furto.
Aumento de pena: repouso noturno depende do local onde ocorre.
STJ entende que causas de aumento se aplicam à qualificadora. Então, repouso noturno se
aplica.
Furto privilegiado é um direito subjetivo do agente.
CUIDADO: furto privilegiado (coisa de pequeno valor) x delito de bagatela
Princípio da insignificância exclui a tipicidade material, tornando o fato atípico.
Furto privilegiado tem somente a causa de diminuição de pena.
Poder ter um furto privilegiado e qualificado ao mesmo tempo? Ex: Tício arrombou a casa
de Mévio e subtraiu coisa de pequeno valor. Súmula 511, STJ, pode, desde que a qualificadora seja
de ordem objetiva (de meios de execução).
São de ordem subjetiva: furto com abuso de confiança (famulato).
SÚMULA 511, STJ: “É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155
do CP nos casos de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno
valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.

Subtraçãode sinal a cabo configura furto? STF e STJ entendem que não.
Sistema de vigilância: monitoramento eletrônico, por si só, não torna impossível a
consumação do crime de furto. Não há que se falar em ineficácia do meio.
Destruição de obstáculo: quebrar o vidro do carro para subrair o que está dentro do carro
(furto qualificado); se for para subtrair o próprio veículo será simples.
Tes drive de veículo é furto mediante fraude.
Agente que coloca o chupa cabra em caixa eletrônico: furto mediante fraude.
Chave falsa tem que ser empregada fora do carro; aplicada direito na ignição, não é
emprego de chave falsa.
Furto de animais de produção (abigeato).

- ROUBO
Roubo próprio: violência pode ser própria ou imprópria (reduzir a capacidade de resistência
da vitima).
Roubo impróprio/ por aproximação: violência aplicada após a subtração da coisa. Se o
agente tentar subtrair a coisa e não conseguir e empregar a violência, tem-se a tentatia de furto
com lesão corporal.
Para o STJ roubo de uso configura roubo.
Roubo com emprego de arma: pode ser arma branca ou de fogo.
STJ: última decisão é de que o emprego de arma desmuniciada configura a incidência da
qualificadora. Simulacro não configura.
Concurso de pessoas: exige agentes culpáveis, mas o menor conta para o concurso. Além
de responder por roubo em concurso formal, responde também por corrupção de menores (o que
independe se o menor já era dado a vida criminosa).
Vítima a serviço de transporte de valores: não é simplesmente está transportando dinheiro,
tem que está em seriço de transporte de valores, não pode ser em serviço própro. Não precisa ser
valores em dinheiro para o STJ, pode ser mercadoria.
Roubo com restrição de liberdade da vítima: não é privação, é restrição. Ex: Tício aborda a
vítima mediante violência e grave ameaça e leva a vítima, soltando-a em um lugar próximo. Nesse
caso tem roubo com restrição de liberdade da vítima, não havendo falar emsequestro relâmpago
(seria uma extorsão).
Privação é mais demorado, respondendo por roubo +sequestro.
No latrocínio a morte tem que decorrer da violência; decorrendo da grave ameaça não se
fala em latrocínio (tem tentativa de roubo com homicídio).
Latrocínio é crime hediond. A quantidade morte se baseia no patrimônio. Ex: Tem um casal
no carro, mataram-nos e levaram o carro, tem um latrocínio só (um patrimônio só do casal). As
outras mortes são consideradas na dosimetria da pena. Tem que ser patrimônios e pessoas
distintas.

- RECEPTAÇÃO
Deve ser produto de crime, e não de contravenção.
Se Tício guarda, a pedido de Mérvio, um veículo roubado, por amizade- tem favorecimento
real. Para ter receptação tem que ter valor econômico envolvido.
Receptação imprópria: influencia alguém a comprar produto que sabe ser produto de crime
sem que o comprador saiba. Se o terceiro souber ser produto de crime, quem influencia vai ser
partícipe da receptação.
Receptação culposa, o agente sendo primário, pode o juiz deixar de aplicar pena. Sendo
receptaão culposa, o juiz pode aplicar o privilégio.
Se for exigido dinheiro para devolver um animal, é somente extorsão. Extorsão mediante
sequestro é de pessoa.
Na extorsão, a conosumação ocorre com a exigência.
Na extorsão mediante sequestro: a consumação ocorre com o cerceamento de liberdade
da vítima.
A receptação é punível ainda que não conheça o autor do crime de roubo ou que ele seja
isento de pena.

- APROPRIAÇÃO INDÉBITA:
Se já tinha a intenção de comprar o vestido e vai à loja, onde a vendedora lhe entrega o
vestido como empréstimo é ESTELIONATO, pois ela se passou como uma boa compradora,
acreditando a vendedora que ela iria devolver.
A conduta na apropriação te que ser dolosa.
Se um funcionário público se apropria da coisa se utilizando da facilidade do cargo, te o
peculato apropriação. Mas se o bem que ele está se apropriando é um bem particular, o peculato
apropriação recebe o nome de peculato malversação.
Se o legislagdor colocar o neto que se apropria de valores da pensão do idoso. É
apropriação indébita, mas tem especificidade do estatuto do idoso.
Autor de receptação não pode ser o autor do roubo.
Adquirir objeto fruto de ato infracional, tem receptação.

-DROGAS:
Requisitos do uso compartilhado: oferecer a droga eventualmente a alguém de seu
convívio para JUNTOS consumirem.
Art. 32; art. 50, §§2, 3 e 4.
EM situação de flagrante, juiz tem 10 dias para autorizar a destruição das drogas e o
delegado tem 15 dias pra destruir.
Sem flagrante o delegado pode destruir a droga no prazo de 30 dias e não há necessidade
de autorizaçãoo judicial.
Tráfico privilegiado não tem roupagem de crime hediondo.
Colaboração premiada, art. 41.
Admite infiltração de agente e flagrante postergado, medinte autorização judicial.

- ARMA
Art. 12, 14,15
Permitido fiança do delegado e na esfera judicial.
Arma municiada o delito esta configurada.
Crimes de perigo abstrato.

-HEDIONDO
É possível a liberdade provisória.
Exploração sexual de criança
Fiminicídio
Policídio: leão corporal de natureza GRAVÍSSIMA ou morte em desfavor de policial ou
familiar.
Progressão de regime quando cumprido 2/5 se for primário e 3/5 se reincidente (não diz
específico).
Não é possível anistia, graça e indulto, bem como, fiança.

-TORTURA
Tortura confissão não há necessidade da vítima confessar.
Tortura do encarcerado não há necessidade da violência e grave ameaça.
Tortura omissão não é drime hediondo.
Início do cumprimento da pena, STJ entende que não é obrigado iniciar no fechado; STF 1ª
turma entende que tem que iniciar no fechado, o que diverg do plenário.
STJ entende que perda do cargo é automática.

-ABUSO DE AUTORIDADE
Crime próprio.
pErda do cargo tem que ser fundamentada, não é automática.
Tem dupla subjetividade passiva (o Estado e a vítima) e dupla objetividade jurídica
(integridade física da vítima e a transparência e legalidade do Estado).
Tem condutas no ECA que são similares as condutas do abuso. Se for menor, cai no ECA.

-MARIA DA PENHA
Art. 7 e as formas de violência.
Art. 11 não é rol txativo.
Lesão corporal a ação penal é pública incondicionada. Sùmula 542. Se for ameaça ou injúria
tem que ter requerimento e representação.
STJ entende que descumprimento de medida protetiva não configura crime de
desobediência.
A lei se estende a crime e contravenção penal.
Súmula 536 STJ: não se aplica a lei 9099.

-LEI 12850
Organização criminosa tem que ter 4 ou mais pessoas.
Possibilidade do perdão judicial.

-ECA
Súmula STJ: 500 (corrupção de menores) ; 108 (medidas socioeducativas é aplicada pelo
juiz); 342; 265.
Art. 243, bebida alcoólica ou cola de sapateiro (não estão na portria da anvisa), cai aqui no
ECA. Se estiver na portaria da anvisa será da lei de drogas.

- CRIMES AMBIENTAIS
Art. 48, 54
Composição do dano.
Suspensão condicional do processo é de 2 a 4 anos.

- LESÃO CORPORAL
Provocada por ácido: vitriolagem.

ÚLTIMAS DICAS DE PROCESSO PENAL PM-GO (15/01/2017)

São tipos de prisão cautelar: prisão em flagrante, prisão preventiva, temporária.

Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial
deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das
coisas, até a chegada dos peritos criminais
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos
criminais;
III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias;
IV - ouvir o ofendido;
V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do
Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que Ihe
tenham ouvido a leitura;
VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;
VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras
perícias;
VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer
juntar aos autos sua folha de antecedentes;
IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e
social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante
ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e
caráter.
X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se possuem alguma
deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos filhos, indicado pela
pessoa presa.

Essas providências do art. 6, CPP tem uma inovação. A lei da primeira infância (lei 13.257
de 2016)inseriu inciso X< onde o delegado deve colher essas seguintes informações.
Outra alteração importante é em relação ao art. 318 que traz a hipótese de substituição da
prisão preventiva por domiciliar. Na redação anterior dizia gestante a partir do 7 mês, e hoje basta
somente que ela esteja gestante (inciso IV). Outra alteração é no inciso V; nciso VI.
Quanto ao inciso V, não basta somente a mulher ter filho de até 12 anos para gerar direito
subjetivo, o juiz irá analisar o caso concreto.
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou
com deficiência;
IV - gestante;
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos de idade incompletos;
VI - homem, caso seja o único responsável pelos cuidados do filho de até 12 (doze) anos de
idade incompletos.
Parágrafo único. Para a substituição, o juiz exigirá prova idônea dos requisitos
estabelecidos neste artigo.

Art. 302. Considera-se em flagrante delito quem:


I - está cometendo a infração penal;
II - acaba de cometê-la;
III - é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa,
em situação que faça presumir ser autor da infração;
IV - é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam
presumir ser ele autor da infração.

Em relação a prisão em flagrante, pode aparecer flagrantepróprio, flagrante perfeito,


flagrante real ou propriamente dito. Nesse flagrante o agente está comentendo a infração ou
acabou de cometê-la. (inciso I e II).
No inciso III tem o flagrante imperfeito, irreal ou quase flagrante: quando o agente é
perseguido logo após, pela autoridade, ofendido ou qualquer pessoa que faça presumir ser ele o
autor da infração. Essa palavra ‘presumir’ faz cair em uma pegadinha com o flagrante presumido.
Atento, o flagrante presumido é o IV, quando ele é nconrado com objetos do crime.
Flagrante presumido também é chamado de ficto ou assimilado.
Flagrante facultativo: qualquer do povo PODE realizar o flagrante. Agentes policiais tema
obrigação, o flagrante é obrigatório/coercitivo/compulsório.
Flagrante preparado/provocado/delito crime de ensaio/delito de experiência/ delito
putativo por obra do agente provocador. Sùmula 145 STF não há de se falar em flagrante legal
quando a polícia prepara o cenário.
Se for fato em relação a drogas, Ex: Um policial chegou a um local pedidno drogas e, Tício
foi até um depósito pegar. Quanto a venda, esse flagrante é preparado, mas manter em depósito
o flagrante é legal.
Flagrante esperado/postergado/retardado/diferido: não há qualquer interferência da
polícia. Ex: Interceptação telefônica se sabe que um grupo vai realizar um roubo e a polícia espera
para agir. É um flagrante legal. Previsto na lei de organização criminosa e na lei de drogas.
Flarante forjado/fabricado/maquinado/inexistente/úrgido/artificial/javado: é ilegal. Ex: a
polícia planta uma prova.
No crime permanente é possível a prisão em flagrante.
Flagrante x Lei maria da Penha: na Maria da penha, para lavratura do APF, não sendo lesão
corporal (em que ação penal públca incondicionada), demanda uma condição de procedibilidade.
A lei 11.343 afasta a lei 9099, e o delegado tem que lavrar um flagrante e depende da manifestação
da vpitima na ameaça, por exemplo.
Ameaça é de ação penal pública condicionada à representação, inclusive no âmbito
doméstico.
Presença do advogado na prisão em flagrante: o advogado pode acompanhar a lavratura
do APF, pode inclusive sugerir perguntas, mas o delegado não é obrigado a realizar tais perguntas
porque o APF é uma forma de instauração de IP e no IP não tem contraditório.
Advogado tem acesso a provas produzidas e documentadas.
Comunicação do flagrante é feita imediatamente; a expedição da nota de culpa é que é em
24h.
Situação de flagrante não comporta prazo. (não é que só pode ser realizado nas 24h).
Art. 310. Ao receber o auto de prisão em flagrante, o juiz deverá fundamentadamente:
I - relaxar a prisão ilegal; ou
II - converter a prisão em flagrante em preventiva, quando presentes os requisitos
constantes do art. 312 deste Código, e se revelarem inadequadas ou insuficientes as medidas
cautelares diversas da prisão; ou
III - conceder liberdade provisória, com ou sem fiança.
O juiz só relaxa se for ilegal.
Decretada prisão preventiva e não há mais os pressupostos, ela será relaxada!

Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão
preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal, ou a requerimento do
Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policia.
Juiz pode decretar de ofício durante a instrução processual, mas NÃO pode durante a
investigação. Durante a investigação o juiz tem que ser demandado.
Assistente pode representar por preventiva, mas NÃO em sede de investigação.

-Princípios processuais:
*Da intima convicção: ocorre em sede de tribunal de júri.
* Do livre convenvimento: ligado ao juiz.
*Presunção de inocência
* Não auto incriminação/direito de Miranda: não abarca o auto de reconhecimento de
pessoas, onde o indivíduo é obrigado a participar e a passar pelo processo de identifação criminal.
*Indubio pro reo: em dúvida, o juiz decide em favor da liberdade do réu.
*Juiz natural: o Estado deve asseguras um juiz previamente designado por lei. Não pode
criar tribunal ou juízo de exceção.
≠ do princípio da identidade física do juiz se aplica diretamente à condição de aderência
dos fatos; jui que acompanha a instrução processual é que deve julgar.
*Publicidade
*Intrancedência: a ação penal não deve passar da pessoa a quem foi imputada a conduta
criminosa.
*Obrigatoriedade da propositura da ação penal: em face de ma ação penal pública
incondicionada, deve o MP propor a ação penal. Uma vez proposta, não pode desistir da ação
penal (Princípio da indisponibilidade).

- Inquérito Policial:
Procedimento inquisitorial. Não tem contraditório.
MP não pode presidir inquérito, embora tenha poderes invsestigatórios. É uma to privativo
do Delegado.
Sem ede de inquérito tem prisão própria que pdoe ser decretada na fase de investigação,
que é a temporária.
Prisão temporária: quando há necessidade de produção de provas.
Prisão preventiva: quando há comprometimento das investigações.
A discricionariedade do delegado no IP.
Oficiosidade ≠Oficialidade-> Oficialidade o IP decorre da administração pública, não pode
tramitar em escritório particular. Oficiosidade é que o IP anda de ofício, não se fala em princípio
da inércia.

LEI MARIA DA PENHA (11.340) X DELEGADO DE POLÍCIA X STF E STJ (18/01/2017)

Violência domésica abrange também a violencia moral.


O art. 41 da lei, afasta a lei 9099. ENtão no caso de uma injúria (de ação penal privada) no
âmbito da violência doméstica, não se lavra o TCO e sim o auto de prisão em flagrante.
Ao lavrar o APF, tem que verificar se o crime é afiançável.

Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher
qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual
ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente
de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que


são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade
expressa;

III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido
com a ofendida, independentemente de coabitação.

Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação


sexual.

A lei Maria da Penha não comina crime. Não é certo falar que fulano cometeu o crime da
lei 11.340.
A empregada doméstica pode ser vítima de violência doméstica também.(art.5, I)
Vontade expressa é a adoção.
Genro X sogra configure violência doméstica.
Tem que ter afeto, no mínimo (não é necessário uma união estável). Namorado, relação
extraconjugal, ficante habitual, configuram violência doméstica.
É pacifico que se aplica a lei às relações homoafetivas.
A doutrina discutem se a vítima precisa ser necessariamente mulher, tem-se duas
correntes:
1ª Corrente biolégica: transsexual realiza uma cirurgia, mas tem que analizar o que ela é
biologicamente.
2ª Corrente, concepção juridica: realizou a cirurgia, troca o nome juriicamente, sendo ela
agora juridicamente mulher. Minoritária.
É majoritário aplicar à lei desde que a mulher seja vítima.
A prova do Pará adotou a corrente minoritária, aplicando-se a vítima sendo homem
(transsexual que tinha feito a cirurgia).
A lei Maria da PEnha não dá tratamento diferenciado à mulher, ofendendo o princípio da
igualdade? O STF, por unanimidade entendeu que o art.1, 33 (cria juizados especiais para esses
casos) e 41 (afasta a lei 9099 nesses casos), são constitucionais, pois buscam a igualdade material.
Ato infracional no âmbito domésico: pode ser deferida medida protetiva por qualquer juiz?
Nâo, tem que ser o juiz da infância e juventude.

Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:

I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde
corporal;
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional
e diminuição da auto-estima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição
contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou
qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a
manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou
uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que
a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao
aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou
anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção,
subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos
pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas
necessidades;

V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação
ou injúria.

VIolência física abrange vias de fato e contravenções penais, assim entende STF e STJ. Nesse
caso, tendo João dado um tapa na esposa, não ficando lesão (teremos então somente vias de fato),
ele sera preso em flagrante por ter cometido uma infração penal, por afastar a lei 9099.
Violência psicológia: na prova a banca joga uma hipótese de configurar violência psicológica
e ele vai chamar de violência moral. Ex: Quando causa humilhação e constrangimento da vítima.
Para lei, injúria, difamação, calúnia são violência moral.
Mulher querer usar método contraceptivo e o homem impede: violência sexual.
Art. 10. Na hipótese da iminência ou da prática de violência doméstica e familiar contra a
mulher, a autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência adotará, de imediato, as
providências legais cabíveis.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto no caput deste artigo ao descumprimento de medida
protetiva de urgência deferida.
CUidaado porque a banca coloca 24hrs!!! As medidas protetivas o delegado deve remeter
em 48hrs, mas as providêcias devem ser tomadas de imediato!!!
STJ: descumprimento de medida protetiva não configure crime de desacato.

Rol exemplificativo
Art. 11. No atendimento à mulher em situação de violência doméstica e familiar, a
autoridade policial deverá (Cesp coloca; sempre que possível), entre outras providências:
I - garantir proteção policial, quando necessário, comunicando de imediato ao Ministério
Público e ao Poder Judiciário;
II - encaminhar a ofendida ao hospital ou posto de saúde e ao Instituto Médico Legal;
III - fornecer transporte para a ofendida e seus dependentes para abrigo ou local seguro,
quando houver risco de vida;
IV - se necessário, acompanhar a ofendida para assegurar a retirada de seus pertences do
local da ocorrência ou do domicílio familiar;
V - informar à ofendida os direitos a ela conferidos nesta Lei e os serviços disponíveis.

Não é o delegado quem pede as medidas protetivas e, sim a vítima. Delegado somente
remete.

Art. 12. Em todos os casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, feito o registro
da ocorrência, deverá a autoridade policial adotar, de imediato, os seguintes procedimentos, sem
prejuízo daqueles previstos no Código de Processo Penal:
I - ouvir a ofendida, lavrar o boletim de ocorrência e tomar a representação a termo, se
apresentada;
II - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e de suas
circunstâncias;
III - remeter, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, expediente apartado ao juiz com o
pedido da ofendida, para a concessão de medidas protetivas de urgência;
IV - determinar que se proceda ao exame de corpo de delito da ofendida e requisitar outros
exames periciais necessários;
V - ouvir o agressor e as testemunhas;
VI - ordenar a identificação do agressor e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes
criminais, indicando a existência de mandado de prisão ou registro de outras ocorrências policiais
contra ele;
VII - remeter, no prazo legal, os autos do inquérito policial ao juiz e ao Ministério Público.
§ 1o O pedido da ofendida será tomado a termo pela autoridade policial e deverá conter:
I - qualificação da ofendida e do agressor;
II - nome e idade dos dependentes;
III - descrição sucinta do fato e das medidas protetivas solicitadas pela ofendida.
§ 2o A autoridade policial deverá anexar ao documento referido no § 1o o boletim de
ocorrência e cópia de todos os documentos disponíveis em posse da ofendida.
§ 3o Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos
por hospitais e postos de saúde.

Síndrome da mulher de potifar: mulher que é rejeitada e chega na delgacia e conta um


monte de mentiras, principalmente na esfera sexual.
O delegado remete o inquérito prazo estabelecido, 10 ou 30 dias, se preso ou solto.

Art. 16. Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata
esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente
designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público.
Aqui nesse artigo é a retratação, que nessa lei pode ocorrer antes do recebimento da
denúncia. Há necessidade de obrigatoriedade da marcação dessa audiência? Se tem um crime
mediante representação, tendo a vítima representado na deleacia. STJ: não há necessidade, pois
a designaçã de audiência nã contitui questão de procedibilidade. Para o STJ, a audiência só vai
ocorrer quando a vítima representa e no dia seguinte vai a delegacia querer retratar. Não sera
mais possivel retratar na delegacia, sendo necessário marcar a audiência.

Art. 17. É vedada a aplicação, nos casos de violência doméstica e familiar contra a mulher,
de penas de cesta básica ou outras de prestação pecuniária, bem como a substituição de pena que
implique o pagamento isolado de multa.

Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, caberá a prisão
preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou
mediante representação da autoridade policial.
Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do processo,
verificar a falta de motivo para que subsista, bem como de novo decretá-la, se sobrevierem razões
que a justifiquem.

Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei no 9.099, de 26 de setembro de 1995.
Abarca também as contravenções penais.
Não aplica-se o princípio da insignificância na lei Maria da Penha. Não aplica-se a batela
própria ou imprória.
Configura Maria da Penha: Filha X Mãe; Pai X mãe; Irmão X Irmã; Genro X Sogra;
COmpanheiro da mãe X Enteada; Tia X Sobrinha; Ex namorado X Ex namorada.

CRIMES DE ESPAÇO MÍNIMO X CRIME DE ESPAÇO MÁXIMO (23/01/2017)


Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no
todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado.
Art. 6, CPB trata do lugar do crime.Tem aplicabilidade nos crimes a distância. O legislador
fez isso em homenagem a soberania do Estado. Não há possibilidade, em tese, de aplicar aa lei
brasileira em fatos ocorridos for a do território nacional.
Teoria da ubiguidade: se o resultado ocorreu no BRasil aplica-se a lei brasileira. Se o
resultado ocorreu no exterior, mas tem atos executórios no Brasil, aplica-se a lei brasileira.
Crime de espaço mpaximo/ crime a distância: resultado em um lugar e atos executórios em
outro.
Competência: competência é matéira processual, se afasta do art. 6 e vai para o art. 70
(adota a teoria do resultado ou evento). Paara material penal, adota-se a teoria da ubiguidade.
Tempo do crime: teoria da atividade.
Lugar do crime: teoria da ubiguidade.

Ex: Tício quando realizou o disparo com arma de fogo era menor, mas quando a vítima
morreu, já era maior. Aplica-se o momento da ação, quando ele ainda era menor.

Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou omissão, pratica dois ou mais crimes,
idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas,
mas aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-se, entretanto,
cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os crimes concorrentes resultam de desígnios
autônomos, consoante o disposto no artigo anterior.
Processo e julgamento de infração penal desloca-se o raciocínio. Art. 70
Ex: Tício subtraiu carro do Mévio na cidade do Guará. Está em fuga, sendo preso em
Taguatinga. Competência para processor e julgar é no local da ação, quado inverteu a posse (teoria
da amotio), em Guará. O auto do flagrante lavra-se no local da captura (art. 290).
Amotio X Motio:
- (A): adotada pelo STF e STJ. Quer dizer não movimento, basta inverter a posse. Se
inverter a posse e não começar a deslocar, tem-se a tentativa.
- (M): quer dizer movimento.

Se o flagrante tivesse sido lavrado ém Guará não seria illegal, é mera irregularidade. Não
se submete a teoria da nulidade.

Ex: Tício dispara na vítima em Guará. Em Taguatinga deu mais um disparo na vítima que
continua fugindo. A competência é do local do ultimo ato de execução, em Taguatinga.
Hermeneutica contra legen: os tribunais criticam o art. 70 e firmaram posicionamento de
quando se tartar de homicídio, a competência será do local dos atos executórios e não do local da
consumação.
A doutrina diz para, no homicídio não seguir a regra do art. 70, sendo melhor a instrução
processual ocorrer no local onde aconteceu os atos de execução (local de crime, as testemunhas).
NEsse caso há o princípio do esboço do resultado (atirei em Mévio e meu esboço era que ele
morresse naquele local).
Ex: Ocorreu um homicídio em Taguatinga, mas a delegacia de Brasília quem apurou.Não é
nulo.

Ex: Tício queria matar o Mévio mediante asfixia. Compra uma corda no Brasil e o mata na
Argentina. Não há que se falar em art. 6 porque ele trabalha com atos executórios. Comprar corda
no Brasil é ato preparatório.
Quando ato preparatório constitui infração autônoma, como comprar uma arma: chama-
se crime de obstáculo.

Crime de espaço mínimo: atos executórios praticado no mesmo local da consumação.


Crime de espaço mínimo ≠ Crimes plurilocais (atos executórios emu ma comarca e
resutlado em outra comarca, âmbito domestico).

No homicídio, considerando que o CPB adotou a teoria dor esultado do evento, a


coompetência sera do juízo emq ue ocorreram os atos executórios.

HOMICÍDIO GRATUITO PODE SER QUALIFICADO? (28/01/2017)

Crime gratuito é o crime sem motivo. Pode ter o delito de homicídio com motivação ou o
autor nõ apresentar nenhum tipo de motivação. Apresentado motivação vil, desprezível,
desproporcional, o será por motivo fútil.
Ausência de motivo não se confunde com motivo fútil.
Homicídio gratuito é enquadrado no caput.
Temos duas correntes:
-1ª : seria analogia in malam partem enquadrar o agente que mata sem qualquer motivo
na qualificadora de motivo fputil
- 2ª: entende que o homicídio sem motivo tem que ser enquadrado no motivo
fútil.(minoritária).
Pode ter homicídio gratuito qualificado? Pode! Ex: Tício matou Mévio sem motivo
(gratuito), utilizando uma corda para enforca-lo (qualificado pelo meio de execução). Nesse caso,
o gratuito não vai entrar no caput!
Homicídio gratuito nem sempre é simples, poderá ser qualificado quando utilizar o meio
de execução.

CRIMES PREVISTOS NO ECA EM PEGADINHAS E ARMADILHAS (31/01/2017)


Crimes previstos no ECA não são os cometidos por adolescents e, sim praticados por
adultos.
Art. 227, ECA: Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública incondicionada. O
examinador coloca que são condicionados a representação.

Art. 228, ECA: Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de


atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo
referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião
da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do
desenvolvimento do neonato:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

Os crimes do ECA, vias de regra, são dolosos. Esse art. 228, admite a modalidade culposa!!!
É um crime próprio. Se for uma enfermeira, que não é encarregada de service e nem dirigente, e
ela dexiar de registrar, o fato apra ela sera atípico.

Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde


de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como
deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei:
Pena - detenção de seis meses a dois anos.
Parágrafo único. Se o crime é culposo:
Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa.

Art. 258-B. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à


saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que
tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção: Aqui tem
uma infraçãoa dministrativa e não um crime.

Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão
sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária
competente:
Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância
das formalidades legais.
Ex1: Delegado passa com a viatura e escuta que os menores ficam quebrando vidro veículos
e furtando. Aprendido os menores, que não estavam em situação flagrancial de ato infracional.
Art. 230, ECA.
Ex2: Menores em situação de flagrante e o delegado os apreende. Leva-os para delegadia
e os deixa lá sem fazer auto de apreensão. Vai responder pelo art. 230 também, por não observer
as formalidades legais.
Art. 230 X Art. 4, a lei 4898:
Art. 4º Constitui também abuso de autoridade:
a) ordenar ou executar medida privativa da liberdade individual, sem as formalida
Se fosse um maior, nos exemplos acima, entraria na lei de abuso de autoridade.

Art. 231 X art. 4, c, lei 4808:


Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente
de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à
pessoa por ele indicada:
Art. 4º, c) deixar de comunicar, imediatamente, ao juiz competente a prisão ou detenção
de qualquer pessoa;
Vai diferenciar se for menor ou adulto.
Referente ao maior, não entra família ou pessoa por ele indicada, o que torna isso atípico.

Continuação (01/02/2017)

Ex: Menor praticou ato infracional que está sendo apurado na delegacia. O advogado do
menor quer ter acesso aos autos e tem o direito negado pelo delegado. Essa negative de acesso
aos autos constitui crime de abuso de autoridade, não tem nada previsto no ECA.
Art. 3º. Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:
j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício profissional.

Acessos aos autos negado para advogado de vítima maior, também crime de abuso de
autoridade.

Excesso culposo não há de falar em abuso de autoridade.

Art. 6º lei 4898: O abuso de autoridade sujeitará o seu autor à sanção administrativa civil e
penal.
§ 3º A sanção penal será aplicada de acordo com as regras dos artigos 42 a 56 do Código
Penal e consistirá em:
c) perda do cargo e a inabilitação para o exercício de qualquer outra função pública por
prazo até três anos.
CUidado: na lei de abuso de autoridade tem o prazo de 1 a 5 anos na impossibilidade do
policial de exercer, no município da culpa, a função de natureza policial ou militar. A banca
costuma trocar esses prazos.
Na lei de tortura, a condenação acarreta perda do cargo, função ou emprego public e
interdição para seu exercício pelo dobro da pena aplicada.
Art.1º Lei 9455: Constitui crime de tortura:
§ 5º A condenação acarretará a perda do cargo, função ou emprego público e a interdição
para seu exercício pelo dobro do prazo da pena aplicada.
A banca pode mesclar essas três leis quanto aos prazos.
No crime de tortura a perda do cargo é automatica, independe de fundamentação na
sentence. No abuso de autoridade, tem o juiz que fundamentar na sentence.

Art. 1º Constitui crime de tortura:


I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe
sofrimento físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;
(tortura confissão, prova, institucional, persecutória, probatória)
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; (tortura crime)
c) em razão de discriminação racial ou religiosa;(tortura racial ou discriminatória)
II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou
medida de caráter preventivo. (tortura catigo).
§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança
a sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não
resultante de medida legal. (tortura do encarceirado). Não ha necessidade da violência ou grave
ameaça.
§ 2º Aquele que se omite em face dessas condutas, quando tinha o dever de evitá-las ou
apurá-las, incorre na pena de detenção de um a quatro anos.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de
quatro a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
§ 4º Aumenta-se a pena de um sexto até um terço:
I - se o crime é cometido por agente público;
II – se o crime é cometido contra criança, gestante, portador de deficiência, adolescente ou
maior de 60 (sessenta) anos; (Redação dada pela Lei nº 10.741, de 2003)
III - se o crime é cometido mediante seqüestro.
§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado.
STJ entende que não há necessidade de iniciar no regime fechado, mas o STF, quando se
refere a tortura, TEM que iniciar no fechado.

É posível concurso material entre tortura e abuso de autoridade.

Art. 243. Vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de
qualquer forma, a criança ou a adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos
cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica:
Cola de sapateiro causa dependência física. Se estiver na portaria da anvisa, sera lei de
drogas e não o ECA.

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele
praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la:
O fato d epraticar juntamente com o menor, não afasta o concurso quando esse concurso
é utilizado para circunstanciar um delito (Ex: roubo+ corrupção de menores).
Súmula 500, STJ diz ainda que independe a corrupção de menores se o menor já estiver
corrompido, pois é um tipo formal.

REVISÃO DELEGADO DE GOIÁS (05/02/2017)

- HOMICÍDIO
Art. 121. Matar alguem:
§ 4o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de
inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato
socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em
flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado
contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos.
Uma das possibilidades ho homicídio culposo ter a pena aumentada é quando o agente
deixa de prestar socorro À vpitima.
E se a vítma morrer instantaneamente, há que se falar em aumento de pena? STJ diz que a
morte instantânea não afasta o aumento, tem que se verificar se o agente percebeu que a vítima
tinha morrido instantaneamente.
Homicídio culoso é pos´sivel o perdça judicial. Uma das possibilidades é quando o agente
tem afeto pela vítima. O perdão é concedido porque o fato por sis só já traz uma consequência
gravosa. STJ entende que tem que ter mesmo a relação de afeto, não pode ser uma pessoa que
conheceu essa noite na balada, por exemplo.
É pos´sivel a concessão do perdão judicial mesmo sem relação afetiva com a vítima? Sim,
no caso de um acidente, ele ter ficado tetraplégico, o perdão judicial vai ser em consequência do
acidente, mas em relação a ele, e não a vitima.
Nos delitos de trânsito é possível o perdão judicial? Lá não tem previsão legal. Doutrina
majoritária entende que sim, por analogia.

Art. 121 Homicídio qualificado


§ 2° Se o homicídio é cometido:
I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe;
Será que essa qualificadora se comunica automaticamente ao mandante? STJ entende que
não.
Ex: A filha do Tìcio estava chorando porque Mèvio a estuprou. Tìcio paga para José matar
o Mévio. O pai age por relevante valor moral, e José mata porque recebeu dinheiro. Para José, srá
qualificado pela torpeza, para Tício será homicídio privilegiado.
Homicídio qualificado pela torpeza/ mercenário/ remunerado/cicariato.

O feminicídio não é somente porque matou mulher. Matar mulher é femicídio. Mas matar
mulher em razão de gênero, tem o feminicídio.
Incluiu três crimes hediondos: exploração sexual de criança e adolescente; feminicídio;
policídio/homicídio funcional (contra os agentes de segurança).
Lesão corporal tem que ser gravíssima para configurar o homicídio contra policial como
hediondo.

- FURTO
Súmula 567 STJ: Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível
a configuração do crime de furto.
A majorante prevista no art. 155, §1 aplica-se ao urto simples e qualificado.
Art 155. - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso noturno.
Ex Tício quebra o vidro do carro para subtrair uma carteira, responde por furto qualificado,
considerando o rompimento do obstáculo. Se quebrar o vidro para levar o carro, é furto simples.
Súmula 442 - STJ
É inadmissível aplicar, no furto qualificado, pelo concurso de agentes, a majorante do
roubo.

Repouso noturno não há necessidade que a casa esteja habitada.


Uso de chave falsa empregado direto na ingnição não qualifica. Qualifica se for utilizada
para abrir o veículo.

Ex: Tício entra no ônibus e com uma arma de fogo, subtrai diversos telefones, responde
por roubo em concurso formal de crimes. Não há de se falar em crime único.
Roubo praticado o inerior do ônibus e os bens de diversas vítimas encontram-se nas mãos
de uma só pessoa, será crime único.
Ex: O cobrador do ônibus está com bens dele e da empresa e o ladrão rouba.
Ex: Tício aborda um casal com arma de fogo, ameaça ambos e só Mévio tinha um celular.
Mesmo usando ameaça nas duas pessoas, mas subtraiu um bem só, é um crime só de roubo.
Ex: Tício aborda Mévia mediante grave ameaça e subtrai seu veículo. Dentro do carro tinha
um talão de cheque, e Tìcio preenche o cheque e vai ao banco. STJ não entende que a assinatura
do cheque e o saque do dinheiro são mero exaurimento do crime de roubo do veículo, e ele irá
responder por roubo e estelionato em concruso material.
Caso o Tício subtrai o veículo e ligue para a vítima dizendo que só entregará o carro se
Mèvia lhe der dinheiro, ou colocará fogo no carro, responde por roubo e extorsão. Dano ao
patrimônio para o STJ é ameaça grave. Concurso material.

Súmula 511 – É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP


nos casos de crime de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o
pequeno valor da coisa e a qualificadora for de ordem objetiva.
Pode existir furto privilegiado qualificado, desde que a qualificadora seja de ordem objetiva
(meios de execução).

Agente primário e furta coisa de pequeno valor (não ultrapassa 1s.m.): furto privilegiado.
Furto de sinal a cabo, STF e STJ entendem que não configura furto.

-LATROCÍNIO
SÚMULA 610 STJ - "Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima."
Um patrimônio do casal e pluralidade de mortes: um latrocínio. Mortes são considerados
na dosimentria da pena.
Pluralidade de patrimônios e pluralidade de mortes: pluralidade de latrocínios.
Ex: Tício entra na casa de um casal, os mata e subtrai duas alianças, tem dois
posicionamentos:
- Aliança pelo Código Civil é patrimônio individual. STJ entende assim. Responde por dois
latrocínios.
- STF entende que o importante é a intenção do agente, que era subtrair patrimônio único.
Responde por um latrocínio.
Crime contra o patrimônio é competência do juiz singular.

-LESÃO CORPORAL
A qualificadora de deformidade permanente a lesão corporal gravíssima não é afastada
com a cirurgia estética.
Retirada de dois dentes é lesão gravíssima.

-DIGNIDADE SEXUAL
STJ entende que vulnerabilidade é absoluta, independe da vivência sexual da vítima.
A menoridade da vítima de 14 anos pode ser comprovada por outros meios, não
necessariamente a certidão de nascimento.
Contemplação lascívia: Tìcio com arm de fogo manda Mèvia tirar a roupa, sem contato
nenhum. STJ entende que mesmo sem contato, empregando a grave ameaça irá constituir ato
libidinoso.
Menor de 14 anos não precisa ter violência para caracterizar o estupro.

TEORIA DA AMOTIO/APRENSIO: basta a inversão da posse, mesmo que não seja mansa e
pacífica.
CP não adota a teoria da motio (tem que ter o deslocamento).

FAMULATO
Furto com abuso de confiança.

VIOLAÇÃO DE DOMICÍLIO
Entrar ou permanecer em gbinete de delegado, STJ entende que é violação de domicílio.

ARMA
Porte de arma com registro vencido é infração administrativa, STJ.
AIDS
Transmissão dolosa a doutrina entende que é tentativa de homicídio e o STJ entende que
é lesão corporal grave.

DROGAS
Associação ao tráfico não é equiparado a hediondo. Tem que ter a instabilidade. É
incompatível ao tráfico privilegiado.
Pureza da droga: STF diz que não pode ser considerado na dosimetria da pena.
Crime culposo na lei de drogas, art. 38, prescrever ou ministrar a droga. Crime próprio.
Quantidade de droga pode ser considerada para indicar que ao gente se dedica a atividade
criminosa.

ABUSO DE AUTORIDADE
Súmula 172 STJ: Compete à Justiça Comum processar e julgar militar por crime de abuso de
autoridade, ainda que praticado em serviço
Crime de abuso de autoridade é crime comum e não militar.

MARIA DA PENHA
Súmula 542 STJ: A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica contra a mulher é pública incondicionada.

Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional.
§ 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as
embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde
quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de
propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-
mar.
§ 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves
ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território
nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil.

Art. 10 - O dia do começo inclui-se no cômputo do prazo. Contam-se os dias, os meses e os


anos pelo calendário comum.

Art. 22 - Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência a ordem, não
manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor da coação ou da ordem.(

Exclusão de ilicitude
Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.

ECA
Súmula nº 492 STJ: O ato infracional análogo ao tráfico de drogas, por si só, não conduz
obrigatoriamente à imposição de medida socioeducativa de internação do adolescente.

Súmula nº 500 STJ:“A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da prova da
efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal.”

Súmula nº 108 STJ:“A aplicação de medidas socioeducativas ao adolescente, pela prática


de ato infracional, é da competência exclusiva do juiz.”

Súmula nº 342 STJ:“No procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a


desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.”

Súmula nº 265 STJ


“É necessária a oitiva do menor infrator antes de decretar-se a regressão da medida sócio-
educativa.”

VAQUEJADA
STF entende que é inconstitucional.

TRÂNSITO
STJ entende que a incidência da causa de aumento de transporte de passageiro é
irrelevante se tem passageiro na hora do acidente de veículo automotor.
Dirigir veículo sem habilitação e provoca lesão, se a vítima não representar ele não
responde por nada.
Art. 310 CTB é crime de perigo abstrato entregar carro para pessoa sem habilitação

LEGÍTIMA DEFESA E ESTADO DE NECESSIDADE SIMULTÂNEOS X LEGÍTIMA DEFESA E


ESTADO DE NECESSIDADES RECÍPROCOS (08 e 10/02/2017)

Estado de necessidade tem natureza jurídica de exclusão de ilicitude.


Art. 23 - Não há crime quando o agente pratica o fato:
I - em estado de necessidade;
II - em legítima defesa;
III - em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício regular de direito.
Excesso punível
Parágrafo único - O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo.

Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para salvar de perigo
atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro modo evitar, direito próprio ou
alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era razoável exigir-se.
§ 1º - Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de enfrentar o
perigo. § 2º - Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena poderá ser
reduzida de um a dois terços.

O CPB, no art. 24 adota a teoria unitária, que diz: para o agente alegar o estado de
necessidade, tem que visualizar a razoabilidade. Estado de necessidade constitui causa de exclusão
de ilicitude, sendo sempre uma justificante.
Não há de se fazer ponderação de bem jurídico. Tem a razoabilidade quando tem sacrifício
de bem de menor valor. Sacrifício de bem de maior valor não há razoabilidade, podendo o agente
deixar de rresponder penalmente, mas por falta de culpabilidade, onde lançará mão da
inexigibilidade da conduta adversa.

Estado de necessidade adota a teoria unitária e a razoabilidade. Se o examinador perguntar


em prova oral: No Ordenamento jurídico há previsão da teoria diferenciadora? Sim, o
ordenamento jurídico inclui também o CPM. O CPB adota a teor aunitária mas, o CPM adota as
duas teorias.
Teoria diferenciadora trabalha com a ponderação de bens jurídicos. Ela divide o estado de
necessidade: quando há um sacrifício de um bem de menor valor, ela entende que o estado de
necessidade é justificante (ou seja, constitui uma causa de exclusão da ilicitude do fato); com
sacrifício de bem de maior valor, é esculpante (exclui a culpabilidade).

O Perigo iminente está inserido no contexto de perigo atual? A doutrina diverge. A doutrina
diz que, se o est. de nec. comportasse também o perigo iminente, assim o teria feito, porque o art.
25 menciona perigo atual ou eminente, e aqui no estado de necessida não inclui o eminente. A
doutria majoritaria engloba o perigo eminente também.
O código fala que aquele que age dolosamente, em tese, não pode alegar estado de
necessidade.
Aquele que age culposamente pode alegar estado de necessidade? Temos duas correntes:
1ª Os mais clássicos, Damásio, Fragoso: entende que sim.
2ª Doutrina majoritária (Masson, Nucci), adotada no Brasil, entende que agir culposamente
não pode alegar estado de necessidade pois o ato culposo é voluntário.
O art. 24, §1: o dever legal abrange o dever jurídico? Na relação contratual pode alegar
estado de necessidade? A doutrina entende que dever legal inclui o dever jurídico, nã podendo ser
alegado estado de necesidade na relação contratual.
A inevitabilidade do sacrifício: no estado de necessidade, o agente só pode alegar o est. de
necessidade se ele não pudesse evitar àquela situação de perigo.
Estado de necessidade é oponível à ação animal e humana.
Na ação do animal, no caso de um animal feroz que vem atacar o Tício, que atira no animal,
isso é estado de necessidade. Mas se o animal figurar como instrumento da ação humana, é
legítima defesa.
Inevitabilidade da situação de perigo não é obrigaatória na legítima defesa, no estado de
necessidade, sim. Podendo evitar o sacrifício e assim não faz, responde pelo excesso.
Pedra de toque: Zouktéia, mãe do Tício, estava passando mal e o Tício, para conseguir um
carro para levá-la ao hospital, aborda Mévio com uma faca para pegar o veículo (roubo). Temos
um fato típico. É um crime materializado? Ao subtrair o veículo para salvar a mãe dele: subtraiu
um patrimônio para salvaruma vida, isso é razoável: estado de necessidade materializada. A
conduta de Tício é um fato típico e não antijurídico.
Ex: A mãe que chega na escolar que está pegando fogo, tem três crianças para salvar e ela
vai logo salvar seu filho, tem omissão de socorro na descrição formal. Não é razoável salvar uma
vida no lugar de três não estando acobertada pelo estado de necessidade, mas, ao analizar a
culpabilidade, terceiro substrato do crime: no momento da ação ela conseguia entender o caráter
ilícito do fato (é imputável); ela tinha o potencial conhecimento da ilicitude (não é erro de
proibição), mas não era exigido conduta diversa dela (tem-se a inegibilidade de conduta adversa).
Logo, é uma causa supra legal de exclusão de culpabilidade. Causas legais: obediência hierárquica
e coação moral irresistível.
Ex: Tício com a faca subtrai carro do Mévio para salvar sua mãe. Mévio saca uma arma de
fogo e dispara. Ao se encontrar numa agressão atual e eminente e injusta, está amparado pela
legítima defesa. Mas a agressão de Tício nã é injusta, porque está ele acobertado pelo estado de
necessidade. Por acreditar está sofrendo uma agressão injusta, Mévio errou no context fático, e
tem-se a legítima defesa putative, decorrente de um erro de tipo. É um erro de tipo invencível
porque não tinha como Mévio saber.
Pode ter legítima defesa real em face de estado de necessidade real: NÃO. Um dos dois
tem que ser putative.
Ex: Tício está com sua mãe no colo tentando parar um carro para salvá-la e Mévio não
entende acaba atirando. Ainda está em legitima defesa putative porque errou no contexto fático.
Mas Mévio poderia ter evitado, sendo erro de tipo vencível, que exclui somente o dolo. Legítima
defesa putativa X Erro de tipo vencível= homicídio culposo.
Ex: Tício estava emu ma praça e Mévio vem para cima e saca uma faca. Tício pega a arma
do policial e puxa (subtraiu coisa alheia móvel por uma necessidade). Em relação ao policial é
estado de necessidade e, em relação ao Mévio, legítima defesa.
Estado de necessidade Legítima defesa simultânea: é possível. Diferentemente de falar
que são recíprocos, que não poderia. Está Tìcio acobertado por duas excludentes de ilicitude.
Se o policial tivesse reagido à ação de Tício, é uma legítima defesa putativa, pois a agresão
que ele sofreu era justa.
PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO E AMBICÍDIO- ART. 122 (14/02/2017)

Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três
anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave.
Parágrafo único - A pena é duplicada:
Aumento de pena
I - se o crime é praticado por motivo egoístico;
II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.
Infanticídio

A conduta de ceifar a própria vida não tem roupagem criminosa, o suicídio, mas é
considerada ilícita (não é dizer que é crime).
Suicídio/ autoquiria/ autocídio: sinônimios.
Induzir é criar ideia na cabeça da vítima.
Quando a vítima já tem a ideia na cabeça e a outra pessoa cocncorda com essas ideias, tem-
se a instigação (reforçar a ideia já existente na cabeça da vítima).
Para ocorrer a participação em suicídio, tem que ter o dolo. Uma bricadeira sem seriedade,
não se tem o dolo. Não admite-se a forma culposa.
Independe da vítma consenter porque o bem jurídico tutelado é a vida humana, que é
indisponível.
Princípio da alteridade, não punibilidade da auto lesão.
O art. 122 tem que analisar também que é um tipo misto alternative de conduta variada.
Auxílio é uma conduta acessória. Essa conduta vai ser ocnsiderada na dosimetria da pena, pois é
um crime único.
Auxílio é entegara afaca para que alguém se mate, pois nã pratica o verbo do tipo (matar).
Induzimento, insitgação ou auxílio devem chegar a duas consequências: morte da vítima
(onde responde por participação no suicídio) ou lesão grave. Esse crime não admie tentative. É um
crime condicionado (tem que ocorrer uma ou outra consequência).
Ocorrendo lesão leve, o fato é atípico.
Entregar arma de fogo, e não acontecer morte ou lesão grave, não sera atípico porque cai
no estatuto do desarmamento.
Ainstigação ou enduzimento deve ser direcionado a pessoa determinada.
Tem que ter a eficácia do auxílio. Entregadno o veneno para alguem que quer se matar,
morra, e a vítma more enforcado, não irá responder o agente por participação em suicídio.
Pessoa que se autolesiona, não aplica-se pena.
Participação no suicídio tem que verificar a vítma tem capacidade minima de
discernimento. Sendo a vítma uma criana, tem-se autoria mediante, respondendo o agente por
hoomicídio consumado. Cléber Masson entende ser menor o de 14 a 1 anos; Sanches, menor de
18.
Intervalo de tempo: se for provado que a pessoa se matou em decorrência da ideia,
responde pela participação.
A prescrição começa a corer o tempo da data da consumação e não da ideia dada.
Ambícídio: suicídio a dois. Ex: pacto de morte.

PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO E AMBICÍDIO- ART. 122 (16/02/2017)

- Vítma menor:
1ª Corrente (Nucci e Masson): menor é de 14 a 18 anos, que tem leve capacidade de
dissernimento. Se for menor de 14 anos, teria antão o suicídio.
2ª Corrente (Sanches e Heleno Fragoso): menor seria o menor de 18 anos, e limite deveria
ser verificado no caso concreto.
A doutrina diverge, não tendo prevalência. Zouk vê como uma maior tendência e concorda
com a 1ª corrente.
Diminuída a capacidade de resistência é referente a pessoa maior de 18 anos com a
capacidade de resistência diminuída.
Na embriaguez complete tem-se homicídio com autoria mediata. Para ser a participação
em suicídio tem que ser embriaguez parcial.

-Pacto de morte:
Participação a conduta tem que ser acessória.
Pelateoria objetivo formal, é autor aquele que pratica o verbo do tipo e participle, o que
pratica conduta acessória.
1º: Casal decide fazer pacto de morte e morrer envenenados. Zouk lindo coloca o veneno
na boca de o, que antes de clocar na boca de Zouklindo, passou mal e caiu. Ocorreu homicídio de
Zouktéia. A conduta dele é conduta principal, e não acessória, constitui ato de execução, sendo
assim vai responder por homicídio simples consumado.
2º: Zouklindo colcoa o veneno na boca de Zouktéia que cai no chão, mas sobreviveu. Ele
não ingeriu veneno. Tem-se tentativa de homicídio simples (não pode ser homicídio qualificado
pelo emprego de veneno porque a vítima sabia que ingeria veneno).
Nesses dois exemplos, somente um pratica os atos executórios.
3º: Zouklindo coloca veneno na boca da Zouktéia e ela na boca dele. Ambos sobrevivem.
Tem-se tentative de homicídio simples.
4º: Zouklindo dizz que vai colocar o veneno na boca de Zouktéia e na dele também. Assim
ele faz. Ambos sobrevivem. Quando ele colocou veneno na boca dela, é ato de execução,
respondendo por tentative de homicídio qualificado. O fato de ele mesmo ter colocado na boca
dele, resultando lesão grave, ela responderá por participação em suicídio.
5º: Zouklindo e Zouktéia correm atrás de veneno. Ele toma o veneno que ela conseguiu, e
ela toma o que ele conseguiu. Se ocorrer esão grave em ambos, eles respondem por participação
no suicídio. O mesmo ocorre quando ambos decidem morrer na câmara de gás e ele liga a
mangueira.
No pacto, tem que observer quem pratica atos executórios. Se ambos praticam acessórios:
participação no suicídio se ocorrer morte ou lesão grave. Se ambos praticam atos acessórios, tem-
se o homicídio consumado e suiício.

- RoletaRussa:
Os que se reunem para participar da roleta russa é participação no suicídio para todos se
resultar morte ou lesão grave.
Se durante a roleta, uma das pessoas da roda com a arma na mão, aponta a rma para um
outro clega, acreditando que não está com a munição na agulha, comoeterá homicídio com dolo
eventual porque ele praticou verbo do tipo.

- Duelo Americano:
São duas armas e somente uma está municiada. O útlimo que passa a arma faz o auxílio ao
suicídio.

PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO E AMBICÍDIO- ART. 122 (17/02/2017)

A pena é duplicada quando a participação visar menor de 14 anos.


Art. 121, §2 do CPB tem a qualificadora incidindo quando o agente emprega veneno.
Na participação do sui´cidio o agente não pode praticar atos executórios.
No exemplo 1 , 2 e 3 do pacto de morte não se aplica a qualificadora do veneno porque é
um meio incidioso, ou seja, nesses exemplos a vítima tinha conhecimento de que era veneno, por
isso deixa de caacterizar meio incidioso.
Algumas substâncias inócuas podem ser consideradas venenos. Por exemplo, Tício sabe
que Maria é diabetic. Sabendo disso, ele dá açúcar em excesso, respondendo Tício por homicídio
qualificado.
Se com uma arma na cabeça a pessoa é obrigada a beber o veneno, não é meio incidioso.
Terá homicídio qualificado pelo meio cruel.
MInistrar glicoes sem saber que pessoa é diabetic, não tem o dolo.
HAvendo atos executórios, responde como autor do homicídio. Havendo somente atos
acesórios, responde por participação no suicídio.

RESOLVENDO QUESTÕES DELTA (22 e 27/02/2017)

CESP- PE 2016: No crime de tráfico de entorpecentes, é cabível a substituição de PPL por


PRD de direitos, bem como a fixação de regime aberto, quando preenchidos requisites legais.
R: CERTO. A vedação da conversão da PPL em PRD do art. 33, §4 e art. 44 foram
consideradas inconstitucional no controle difuso (HC 97.256).
No art. 44, que tambpem foi considerado inconstitucional, menciona também a liberdade
provisória, e sua vedação também foi considerado inconstitucoonal. É possível liberddae
provisória SEM fiança. A LP com fiança é vedada.
FIxação da pena em regime aberto é possível. E a lei de crimes hediondos e equiparados?
STF e ST entende que é possível regime inicial diferenciado d fechado para cumprimento inicial da
pena, poi fere o princípio d aindividualização da pena e da separação dos poderes, pois quem tem
que analizar o regime inicial é juiz, não podendo o legislador usurper essa função.
Tortura é crime equiparado a hediondo. STF, no HC 118.840- ES entendeu que seria
inconstitucinal a obrigatoriedade do início da pena em hediondos e equiparados, mas a 1ª turma
do STF de junho de 2016 que entende que qunado for tortura, é obrigatório iniciar o cumprimento
da pena em regime fechado.
Para STJ, na tortura não há necessidade de iniciar no fechado!

CESP- DF 2013: Na lei de drogas, é prevista como crime a conduta do agente que oferte
drogas, eventualmente e sem objetivo de lucro, a pesoa do seu relacionamento, para juntos
consumirem, não sendo estabelecida distinção entre a oferta dirigida a pesoa imputável ou
inimputável.
R: CERTO. Art. 33, §3. Para enquadrar alguém aqui, tem que ter todos os elementos
reunidos, oferta= eventualidade+ ausência de lucro+ pessoa do relacionamento+ uso em conjunto.
Falta um elemento, é tráfico.
Uso compartilhado: crime de menor potencial ofensivo.
Habitualidade sai do uso compartilhado, cnfigurando então o tráfico.
Ficar atento as questões, mudou um dos requisitos, desconfigura o uso compartilhado.
AUsência de lucro é diferente

CESP- AL 2012: O comércio illegal de drogas envolvendo mais de um estado faz surgir o
tráfico interestadual de entorpecentes, deslocando-se a competência para auração e atuação da
polícia federal, todavia, a competência para processor e julgar o criminoso continua a ser da justice
estadual.
R: A PF pode investigar o tráfico interestadual, o que não desloca a competência para
justiça federal, porque o tráfico continua sendo domestic (tráfico nacional).
No caso de uma prova, em que o delegado federal queira requerer a interceptação
telefônica, o delegado federal pede a interceptaão telefônica para o juiz estadual.
Tráfico internacional, a competência é da JF. Se a droga entra pelo RJ e é apreendida em
SP, a competência é da JF de SP (local de apreensã da droga).
Se a droga vem da Argentina (cloreto de etila) e foi apreendida em SP, mesmo tendo sido
ela pedida do Rio=> Para ter tráfico internacional, a substância tem que ser ilícita do país de origem
e cloreto de etila é permitida na Argentina. Vai ser tráfico nacional.
Não há necessidade de transposição de fronteiras, basta a intenção para caracterizar o
tráfico internacional.
Delegado estadual investigando um tráfico e representou ela interceptção ao juiz estadual
e, foi deferido. No final das investigações chega informação de que o tráfico, desde início, era
internacional. Sendo assim o juiz que deferiu a interceptação seria absolutamente incompetente,
mas, em prova discursiva sustenta-se a legalidade dessa prova, sustentando a teoria do juio
aparente, porque na época que o juiz deferiu a interceptação, aparentava que o tráfico era
domestic, não tendo como o delegado saber que era internacional, sendo assim o juiz era
aparentemente competente.
A interceptação é cabível nos crimes de catálogo ou de listel: puníveis com reclusão.
Tráfico interestadual tem incidência da causa de aumento. Também não basta transport a
fronteira, basta comprovar a intenção.
Para aracterizar a incidência de aumento, a passagem pelas fronteiras tem que ter a venda,
e não comente a mera transpoisção geográfica.
Agente no trnasporte púbico: letra da lei basta que tenha pegue o transporte. Para o STF e
STJ, o agente tem que pulverizar a droga dentro do transporte.

CESP- DELEGADO FEDERAL- 2013: Conforme entendimento pacificado do STJ, a eventual


ilegalidade da prisão cautelar por excesso de prazo para conclusão da instrução criminal deve ser
analisada à luz do princípio da razoabilidade, sendo permitida ao juízo, em hipótese excepcionais,
a extrapolação dos prazos previstos na lei processual penal.
R: Certo.

CESP- PB- 2009: É legalmente vedada a não atuação policial aos portadores de drogas, aos
seus percussores químicos ou a outros produtos utilizados em sua produção, que se encontrem
no território brasileiro.
R: ERRADO. A lei possibilita a não atuação, então não é legalmente vedada (a lei possibilita,
inclusive o flagrante postergado).
Fundamento: Art. 53, II

ZOUK- GO-2017: É atípica, por falta de previsão legal, a conduta daquele que colabora
como informante com grupo, organização ou associação destinados a prática de qualquer dos
crimes previsstos nos arts. 33, caput, e §1 e art. 34, da Lei 11.343/2006.
R: ERRADO. Na lei 6368, a pessoa que colaborava com o crime, pela teoria monista,
responde pela pena cominada na medida de sua cupabilidade, respondendo pelo tráfico. O
legislador, ao criar a lei 11.343, aumentou a pena do tráfico e criou um tipo autônomo para o
colaborador, no art. 37 tem a figura do informante.
Associação para o tráfico não é equiparado a hediondo. Por ser um crime permanente,
permite a prisão do associado sem autorização judicial.
Se um traficante, Tício, resolve ser traficante individual, sem se associar a ninguém.
Encomenda grande quantidde de drogas e pede a Mévio para ficar somente olhando e se a poliica
chegar ele solte fogos, sem ter particpação nos lucros. Tício é preso quando a polícia chega.
Tício não é organização (trficante individual) e nem associação. Mévio somente colabora
com um traficante individual e de acordo com Teoria monista (quem de alguma forma colabora
para o crime, responde na medida de sua culpabilidade), ele teria que responder no art. 33, isso
ofenderia o princípio da proporcionalidade. Chamando a analogia in buona parten, coloca o Mévio
no art. 37.
ZOUK- GO-2017: Segundo o STF, é desnecessária a aferição da pureza da droga para fins
de dosimetria de pena.
R: Correto. Chegou a essa conclusão de acordo com o art. 42 da lei 11.343, que não traz em
seu bojo a purez da droga.
Art. 42. O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o previsto no
art. 59 do Código Penal, a natureza e a quantidade da substância ou do produto, a personalidade
e a conduta social do agente.

ZOUK- GO-2017: Segundo STJ, a importação clandestina de semente de maconha, não


amolda-se ao tipo penal do art. 33 da lei 11.343, constituindo o delito previsto no art. 344-A do
CPB (Contrabando).
R: A importação semente de maconha amolda-se ao art. 33; não há de se falar em ato
preparatório; o STJ considera a importação da semente uma material prima.

ZOUK- GO-2017: Segundo STJ, a aplicação da causa de diminuição de pena prevista no atrt.
33, §4, da lei 11.343 não afasta a hediondez do tráfico de drogas.
R: Errada. A súmula 512 foi cancelada, agora o entendimento do STJ está alinhado com o
STF e entende que o tráfico privilegiado não é hediondo.

ZOUK- GO-2017: Segundo o STJ, o laudo preliminar de constatação assinado por perito
criminal, identificando o material apreendido como entorpecente, o qual pode ser identificado
com facilidade através de narcotestes pré-fabricados, constitui exceção a necessidade de laudo
definitivo para materialização do delito de tráfico de drogas.
R: Em regra sim. O laudo preliminar tem que ser assinado por perito oficiall e essa droga
deve ser facilmente identificada. For a isso é necessário laudo definitivo.

CESP- DELEGADO-PF- 2013: Um homem foi flagrado com arma de fogo de uso restrito,
tendo à perícia técnica posteriormente atestado a cabal impossibilidade de o instrument produzir
disparos. Nesta situação, configure-se atípica a conduta de ported arma, não podendo ser
considerado o uso desse artefato para a prática de outra infração como majorante da pena pelo
uso de arma.
R: Correta. Essa arma se equipara a um simulacro.
Simulacro com a aparência de arma de fogo é proibido a importação, sendo configurado o
contrabando.
Arma de pressão (air soft) tem a importação proibida. Não previsto no estatuto do
desarmamento e sim no CP (contraband).
Arma de brinquedo não pode figurar como circunstância majorante do crime de roubo.

CESP- MPAC- 2014: Segundo entendimento consolidado do STJ, a potencialidade lesiva da


arma é um dado dispensável para a tipificação do delito de porte illegal de arma de fogo, pois o
objeto jurídico tutelado não e icolumidade física, mas a segurança pública e a paz social, colocados
em risco com a posse ou o porte de armas.
R: Correta. Porte de arma é crime de perigo abstrato, portanto, basta portar, mesmo que
dismuniciada, para configurar a infração penal.
Porte de arma de fogo ou munição, não há a incidência do princípio da significância.

REVISÃO DE CARNAVAL (24 E 25/02/2017)

Intervenção predisposta da autoridade é o chamado flagrante esperado.


Flagrante forjado/ urgido/ inexistente/ fabricado.
Flagrante preparado/ provado/ delito de ensaio.
Flagrante negativo: a autoridade policial, após a oitvia entende que não há justa causa para
autuar o flagrante. Não tem recolhimento à prisão.
Ex1: Mévia abordou dois policiais que estavam andando e disse que três homens haviam a
abordado om uma faca e levado seu relógio e diz para onde os ladrões teriam fugido. Os policiais
vão atrás, juntamente com Mévia e ela aponta dizendo que é um homem. Não é encontrado
relógio e nem faca com ele e todos são encaminhados à delegacia. O delegado lança mão do art.
304 CPP. Ao ouvir a testemunha, e ela no reconhecimento fotográfico achar o suspeito parecido
com o homem do assalto, não dando certeza. Ouvindo a vítima, também não confirma.
Ex2: O acusado foi reconhecido e com ele achado o relogio da vítima. Art. .304, §1
Retrato falado não é considerado meio de prova. Reconhecimento fotográfico, sim.

TENTATIVA ABANDONADA (05/03/2017)

Art. 14, II CP descreve o crime tentado. O crime vai ser tentado quando o resultado não
ocorre por seguranças alheias a vontade do agente.
A tentativa é verificada qunado da prática dos atos executórios. Não tendo os atos
executórios iniciados, não tem que se falar em tentative.
Ex: Tício queria matar Mévio e fico atrás do poste com uma arma de fogo. A polícia aborda
Tício e pergunta que ele está fazendo. Isso não é tentative, mesmo que ele tenha a intenção de
matar, mas ele não iniciou os atos executórios.
No art. 15 tem a desistência voluntária e arrependimento eficaz. É o que chamamos de
ponte de ouro.
A gente desistir de prosseguir a ação diante dos atos executórios, tem-se a desistência
voluntária. A desistência não precisa ser espontânea.
Quando após os atos executórios, o agente adota uma postura para evitar a execução:
arrependimento eficaz.
Quando está nos atos executórios e ele desista, ele desiste da prática da conduta. Quando
ele desiste dos atos executórios (está na tentativa), temos a tentativa abandonada.
No arrependimento eficaz, o agente adota uma providência e evita a cinsumção do
resultado. Essa providência é adotada após iniciado os atos executórios.
Enquanto não ocorrer a consumação, temos um crime tentado. Quando se fala em
desitência voluntária é uma forma de tentativa abandonada. No arrependimento eficaz, a
providência do agente já é após os atos executórios, tem também a tentativa abandonada.

HOMICÍDIO CONEXIVO X CONTRAVENÇÃO PENAL X CRIME IMPOSSÍVEL (06/03/2017)

O homicídio é um crime repugnante e há maior reprovabilidade quando o agente pratica o


homicídio sem possibilidade de defesa da vítima, ou quando emprega veneno, qunado ateia fogo
nas vítimas.
No homicídio qualificado tem uma pena de 12 a 30 anos e o simples é de 6 a 20 anos.
No homicídio simples, a reprovabilidade da conduta é menor. A reprovabilidade da conduta
é o fundamento para criar as qualificadoras.
Entre as qualificadoras do homicídio, tem a prevista no art. 121, §2, V: para assegurar a
execução ou vantagem de outro crime.

Art. 121. Matar alguem:


Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

Quando racioina no aart. 121, §2 trabalhamos com uma conexão (homicídio em conexão
com outro crime), po isso é chamado de homicídio conexivo.
Essas qualificadoras do inciso V são de ordem subjetiva, estão adstritas a motivação.

- Para assegurar a execução de um crime: Tício quer matar Mévio, grande empresário.
Mévio contratou Paulo para fazer sua segurança. Para matar Mévio, ele acaba matando também
Paulo. O homicídio do Paulo é qualificado. Ele vai responder por homicídio qualificado pela
conexão em relação a Paulo e por motivo fútil em relação ao Mévio.
Ex: Tem o Mévio, grande empresário, Paulo seu segurança e Tício que quer sequestrar o
Mévio. Ele mata Paulo para sequestrar o Mévio. O homicídio do Paulo e qualificado pela conexão.
Essa conexão que ele mata para ter a execução de outro delito chama-se conexão
teleológica. É a motivação de ele ter matado.
Ex: Tìcio matou Paulo para sequestrar o Mévio. Quando ele foi sequestrar o Mévio, ele
desistiu (desistência voluntária) => essa desistência enseja retira a roupagem da qualificadora de
ordem subjetiva do homicídio qualificado pela conexão? Art. 4, CP: tempo do crime considera que
quando ele pratiou o homicídio ele tinha a intenção de praticar o outro delito, por isso a
qualificadora terá incidência sim.
Cuidado que, as vezes a lei pode dar tratamento específico ao caso do agente matar a
vítima para praticar outro delito, aí não deve ser jogado a qualificadora e tratar como o art. 121.
Ex: Mévio quer subtrair o carro do Paulo e ele mata Paulo, a lei tem tratamento específico, o
latrocínio.
- Para asseguar a ocultação de outro crime: Tício matou o Mévio e estava escondendo
corpo. Paulo visualizou. Como Tício não quer que ninguém fique sabendo, ele para ocultar o
homicídio de Mévio, mata Paulo.

- Para assegurar a impunidade do crime: Tício pratica o delito de estupro com a vítima e
para que ficasse impune e não fosse reconhecido, ele mata a vítima. Outro exemplo é matar uma
testemunha de um crime. Esse homicídio do comparsa é qualificado pela conexão consequencial.

- Para assegurar a vantagem de outro crime: Tìcio e Mévio praticaram um delito de roubo.
Eles estão com o dinheiro da prática do delito. Para assegurar a vantagem só para ele, Tício decide
matar Mévio. Esse homicídio do comparsa é qualificado pela conexão consequencial.

Obs: Conexão consequencial entra a execução, a impunidade e a vatagem. A conexão


teleológica é somente para assegurar a execução de outro crime (tem a finalidade).

Tício foi comprar drogas na boca de fumo. Chegando ao local ele viu Mévio. Tício lembra
que na semana passada quando foi comprar droga de Mévio, ele vendeu talco e, decide aproveitar
a ocasião para mata-lo.
Ex: Tìcio abordou Mévio e subtraiu seus bens, se retirando do local. Ao sair, Tício lembrou
que Mévio o devia dinheiro e decide voltar e matá-lo. Essa morte não era necessária para
subtração da coisa. Chama-se de homicídio pela conexão ocasional, que não é considerado
qualificado. Tem-se o roubo consumado em concurso material com o homicídio qualificado por
motivo fútil. (Em prova discursiva: conexão ocasional não qualifica o homicídio).

Pedra detoque: O homicídio vai ser qualificado pela conexão teleológica quando o agente
pratica o homicídio para assegurar a execução de outro crime.
Ex: Mévia terminou relacionamento com Tício, que fica perturbando. Mévia contrata Paulo
para fazer a segurança de sua casa. Tìcio, querendo perturbar Mévia, decide matar Paulo para
poder tirar a tranquilidade de Mévia. Tem um homicídio, mas não será qualificado pela conexão
teleológica (ele praticou um homicídio para assegurar a pratica de uma contravenção penal, a de
perturbação da tranquilidade- art. 65 LCP). Princípio da taxatividade e da legalidade, não há de se
falar em analogia in malam partem.
Ex: Tìcio ameaça de morte o Zouk. Zouk contrata Paulo para sua segurança. Zouk mata Palo
para matar o Zouk, entra na casa e atira para matar o Zouk, que já estava morto de parada cardíaca
(crime impossível). Esse homicídio ão é qualificado pela conexão teleológica.
A conexão é sequencial quando se pratica um utro crime para assegurar a ocultação,
impunidade ou vantagem de outro crime.
AMEAÇAS COM EMPREGO DE FORÇAS ESPIRITUAIS X EXTORSÃP (STJ) X TENTATIVA
SUPERTICIOSA OU IRREAL (09/03/2017)

Ex: Mévia está muito doente e começou a buscar a cura para sua doença. Nos jornais Tícia
dizia que fazia trabalho de curas para curar essa doença. Tícia sabe que os trabalhos que realiza
não cura ninguém (está induzindo a erro). Mévia procura Tícia, já induzida a erro, para que seja
curada. Mévia faz o pagamento. Mèvia verificando eu não estava sendo curada, diz a Tìcia que não
pagará mais porque acha que está sendo enganada.
Ao falar que uma pessoa precisando de cura, faz-nos pensar no crime do art. 284,
curandeirismo. Mas se tem intenção de induzir alguém a erro, não é curandeirismo,é estelionato.
Para ter o curandeirismo, a pessoa que faz o trabalho te que acreditar que seja ele capaz de curar
a pessoa.
Curandeirismo é um crime de ação vinculada e habitual.
Curandeirismo é crime vago, tem como sujeito passivo a coletividade.
O agente só responde no curandeirismo, quando ele sem a habilitação ara curar uma
pessoa, ele pratia essas ações do art. 284. O agente acredita que seja capaz de curar alguém.
Art. 284 - Exercer o curandeirismo:
I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:

De acordo com o exemplo, Tìcia tinha conhecimento que a prática de suas ações não curava
ninguém, assim, induziu Mèvia a erro para obter vantagem econômica=> Estelionato.
Quando Mévia diz que não quer mais os trabalhos de Tìcia por se sentir enganada e manda
ela interrompa os trabalhos, pois não irá mais pagar. Tícia diz que já fez uns trabalhos para filhos
de Mévia e que, portanto, ela a deve 32.000,00 para que ela desfaça o trabalho.
EXTORSÃO- Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o
intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça
ou deixar de fazer alguma coisa:
Apesar de no exemplo não ter a violência, tem a ameaça de forças espirituais.
STJ decidiu que ameaça de mal espiritual, em razão da garantia da liberdade religiosa, não
pode ser considerada inidônea ou inacreditável. Para vítima e boa parte do povo brasileiro existe
a crença em forças sobrenaturais. Não há de se falar que sejam fantasiosas. Configura sim grave
ameaça a ensejar a elementar do art. 158. Resp. 129.9021

Quanto à grave ameaça, o STJ tem externado posicionamento bastante extensivo. STJ
entendeu num julgado recente que ameaça de destruir patrimônio configura grave ameaça para
caracterizar a extorsão.
Ex: Tício subtraiu veículo do Mévio, mediante violência, tendo um roubo. Depois Tício liga
para Mévio dizendo que roubou o carro dele e que só devolve se Mévio realizar o pagamento de
determinada quantia e que se ele não der, ele destruirá o veículo.
Ex: Um flanelinha que diz se Joã não der dinheiro irá amassar seu veículo, para o STJ tem a
grave meaça e configurada a extorsão.

Tentativa irreal/ supersticiosa: tem dois posicionamentos:


- Não configura crime impossível porque o crime impossível tem que analisar o meio. (Ex:
Um palito em relação a um adulto não pode provocar sua morte, é impossível, mas para um recém-
nascido,não).
- Configura crime impossível.
Ex: É um agente querendo matar Mévio e ele faz um ‘trabalho’ por acreditar nas forças
espirituais.
Não há de se enquadrar a conduta do agente na tentativa por esse meio jamais chegará a
um resultado.
Força sobrenatural apesar de configurar grave ameaça, não materializa atos de execução
para ensejar uma tentativa. Por isso chamado de tentativa supersticiosa. O meio é ineficaz.
FRAUDES EM CERTAME DE INTERESSE PÚBLICO- ART. 311-A, CPB (16/03/2017)

Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a outrem,


ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso de
pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.

Tipifica a conduta a fraude em certames de interesse público.


É um crime de médio potencial ofensivo, não se submetendo ao rito da lei 9099, mesmo
assim é possível aplicar o art. 89 (suspensão condicional do processo), porque o requisito de tal
medida é de que a pena mínima não seja superior a um ano.
Como foi criado esse tipo penal? A lei 12.550/2011 autorizou o poder executivo a criar uma
empresa pública chamada empresa brasileira de serviços hospitalares (fenômeno da hipertrofia
do direito penal, onde o legislador está desesperado para dar uma satisfação à sociedade,
aproveitou essa lei e encaixou o art. 311).
Existia um procedimento que uma pessoa tomava conhecimento do gabarito das quetões
e através de ponto eletrônico passava a resposta para quem estava fazendo a prova. Essa questão
chegou ao STF, e o MP estava tipificando no art. 171 e 299 do CPP. STF firmou jurisprudência que
seria analogia in malan partem a cola eletrônica. O legislador, às pressas, aproveitou a lei 12.550
e encaixou o art. 311 (tipificando uma conduta para dar uma resposta à sociedade).
Essa questão da cola eletrônica é discutida. Será que alguém passar o gabarito para uma
pessoa configura o art. 311? Rogério Sanches acha que depende, pois se uma pessoa que tem
acesso ao gabarito pronto e passa para quem faz a prova, configura o art. 311-A; mas se algúem
entra no local de prova, realiza a prova e pega as respostas e passa através do ponto eletrônico, o
fato é atípico. Zouk, fazendo uma análise teleológica, discorda. Para Zouk, as informações que o
concurseiro coloca em seu caderno de prova já é sigiloso; só não vai ser sigiloso quando os dois
saem do local de prova e lá fora um passa o gabarito ao outro.
O objeto jurídico tutelado é a fé pública.
Objeto material: o primeiro é o concurso público; exame público (inciso II); provas de
vestibular.

Ex: Mévio está no terceiro período da faculdade, pega o gabarito da prova no armário do
professor e divulga para seus amigos. Divulgação de gabaritos de avaliações periódicas do corpo
discente não entra nesse artigo.
Inciso IV, ex: prova da ordem.

O tipo pena tem dois verbos, sendo misto ou alternativo: divulgar e utilizar.

Ex: Se Mévio descobriu o gabarito oficial da CESPE e divulgou para Zou que estava
realizando o concurso ara delegado. Zouk pega o gabarito, mas não utiliza porque não quer, é fato
atípico para ele porque o verbo fala utilizar!
Quem divulga e quem utiliza agem em concurso, segundo a teoria monista.
-É um crime de forma livre, não exige uma forma exata de passar o gabarito.
Conteúdo sigiloso é qualquer informação secreta ao público em geral.

- É elementar do tipo penal: ‘indevidamente’. A divulgação tem que ser indevida.


Ex: Ocorreu um concurso realizado pela Cespzouk. A cespezouk mandou a lista dos
aprovados para outra cidade, e um servidor não esperou a publicação no DO e saiu publicando. A
divulgação antecipada da lista de aprovados não é considerada conteúdo sigiloso.

-Sujeito ativo: é um crime comum, podendo ser qualquer pessoa.


Se for cometido por funcionário público, recebe uma pena maior. O funcionário público
tem que lançar mão das facilidades do cargo, comprometendo seu dever funcional.
Ex: Um delegado que está na banca, consegue informação do gabarito e passa ara Mévio.
Ele irá responder pelo art. 311-A com o aumento de penda.

- Elemento subjetivo do tipo: agente tem que agir com dolo. É um dolo específico, a fim de
beneficiar-se, a si ou a outrm, ou comprometer o certame.

O art. não admite forma culposa.


Ex: Zouk é delegado e faz parte da banca. Levando o gabarito para casa, para em um bar
para omar cerveja, derruba o gabarito e o mesmo é divulgado. Essa conduta é atípica para ele, pois
sua conduta é culposa.
Ex: Tício passa o gabarito para Mévio durante prova. Mévio fica nervoso e errou tudo. Ele
utilizou o gabarito, mas nã se beneficiou. Por ser crime de resultado formal/de resultado cortado,
entra no artigo. Basta que tenha a consumação para uma das pessoas. No caso, Tício já divulgou
(fato típico), se a outra pessoa utilizou (fato típico), se ela não utiliza por cirscunstâncias alheias a
sua vontade tem a tentativa.
O crime admite tentativa. Ex: Tício passa o gabarito para Mévio por email. A polícia grapeia
o email antes de Mévio ter acesso. Isso é a tentativa.
Ação penal é pública e incindicionada.
O caput é um crime de médio potencial ofensivo, cabendo portanto, suspensã condicional
do processo.
O §1° trata da figura equiparada. Isso é obvio porque adota-se a teoria monista e, se ele
colabora para a prática do delito, irá responder nas penas do delito na medida de sua
culpabilidade.
Há uma discursão quanto ao sujeito ativo do art. 311-A, pois parte da doutrina entende
que é um crime próprio, somente pratica o delito quem tem o dever de guarda da informação
sigilosa. Noutro giro, parte da doutrina (Cléber Masson) entende que não há que se falar em crime
próprio porque o legislador não mudou a pena.
§2° traz a qualificadora. Ocorre sempre essa tipificação quando é anulado qualquer
concurso público, pois sempre haverá o prejuízo para administração pública.
Ex: Tício fraudou o vestibular de uma niversidade privada (art. 311-A, III). Para Tício pode
ser aplicado a qualificadora de dano a adm. pública? Não!
A doutrina aponta que se o funcionário público pratica a conduta de faude em concurso
público e recebe dinheiro para isso, além do delito do art. 311-A, responderá também pela
corrução passiva. (Cléber Masson).

No art. 325 tem o delito de violação de sigilo funcional. Ele é um crime subsidiário.
Violação de sigilo funcional

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer
em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime mais
grave.
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha ou
qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou banco
de dados da Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
A competência para julgar os delitos de fraude vai depender: se for fraude em concurso
federal, será da Justiça Federal; se for da polícia civil, será da Justiça Estadual. Tem que olhar a
ofensa ao bem jurídico.

AÇÕES PENAIS E INQUÉRITOS POLICIAIS EM CURSO X TRÁFICO PRIVILEGIADO-STJ


(17/03/2017)

A lei 11.343 inovou, trazendo uma causa de diminuição para o traficante de primeira
viagem, inicial. Considera esse traficante quando ele reunir cumulativamente: ser primário, de
bons antecedentes e não integrar atividade criminosa e nem se dedicar a ela. É o tráfico
privilegiado.
A lei 6368;76, aquele que ostentava condições de primário e bons antecedentes não
recebia esse benefício da causa de diminuição. A lei 11.343 aumentou a pena do tráfico, mas
trouxe esse benefício para o traficante privilegiado.
Entre esses requisitos, o de o agente não poder se dedicar a atividade criminosa:
Ex: Tício está respondendo por tráfico de drogas e a defesa diz que ele tem direito a
diminuição de pena por apresentra todos os requisitos. O juiz verificou que Tício tem diveros IP e
ações penais em curso e os considerou para afastar o benefício.
Pode considerar ações penais e IP em curso para identificar que a pessoa se dedicaa
atividade criminosa? E o princípio da presunção de inocência?
Essa questão é divergente no TJ. A 5 ª turma entende que seja possível utilizar IP e ações
penais em andamento para afastar a causa de diminuição. Por sua vez, a 6ª turma entende que IP
e AP não podem ser considerados para indicar a atividade criminosa do agente. Foi evado à 3ª
sessão do STJ essa divergência através de embargos de divergência no recurso especial 1431091-
SP (publicado dia /01/02/2017). A 3ª sessão entendeu que o benefício deve ser conhecido para
quem realmente merece, restringindo sua aplicação. Entendeu também que IP e AP em curso não
podem ser considerados como maus antecedentes na órbita das circunstâncias judiciais quando
da análise da dosimetria da pena (para fins de aumentar a pena base). Que nesse caso não está
sendo analisado para aumentar a pena base e sim para afastar o benefício e que o princípio da
presunção de inocência não pode ser interpretado de forma absoluta.
Segundo STJ é possível a utilização de IP e ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a tividade criminosa, de forma a afastar o benefício legal previsto
no art. 33, §4 da lei 11.343.
Hj, STJ e STF, consideram que tráfio privilegiado não tem a rouapgem dos crimes
equiparados hediondo. Súmula 512 foi cancelada.

REITERAÇÃO DOS ATOS INFRACIONAIS GRAVES X INTERNAÇÃO (MUDANCA 6 TURMA


STJ) – 18/03/2017

Art. 121 ECA: A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de
brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado (na sentença), devendo sua manutenção
ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.

Entre os parágrafos 2 e 3 parece haver um contrassenso. Esclarecendo, §2 quer dizer que


o juiz, ao aplicar a internação, ele não pode dizer que adolescente vai pegar um tempo
determinado de internação, ele apenas submete o infrator à internação, e a cada 6 meses será
feita uma reavaliação. A internação não comporta prazo na sentença.
Pedra de toque:No art. 122 tem as possibilidades de plicação da internação, em ro taxativo.
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.

Ex: Tício menor de idade, nervoso, pega um ferro e com violência quebra o carro de Mévio.
Praticou ato infracional análogo ao crime de dano. Vai ser submetido a internação? Não, porque
o art. 122 diz que é grave ameaça ou violência a pessoa.

Internação provisória (antes da sentença) não pode ultrapassar 45 dias.


Internação como medida sócio educativa, que é submetida a adolescente no final do
procedimento, com contraditório, que não pode ultrapassar 3 anos.
Internação sanção (inciso III) que não pode ultrapassar 3 meses.
No incisi III: há necessidade da prática de trê atos? Há conflito entre as turmas do STJ. 5ª
turma do STJ e o STF majoritariamente, entedem que não há necessidade da prática de três atos.
A 6ª turma do SJT, em 2014, entendima que haveria sim a necessidade de três atos, mas mudou
de posição e se filiou à 5ª turma do STJ e com o STF.
ECA afasta a concepção criminal dos seus procedimentos, porque a função é a proteção e
educação da criança e adolescente. Então, raciocinar com a necessidade da prática de mais de dois
atos, estaria instituindo a reincidência no procedimento dos atos infracionais. Reincidência é
instituto penal. Nada obsta da aplicação da medida de internação logo após o segundo ato. A
reiteração pode resultar do próprio segundo ato.

LATROCÍNIO (PLURALIDADE DE MORTES) X STJ E STF

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou
violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze
anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.

É considerado crime hediondo.


A resultância for de lesão corporal grave não é considerado hediondo.
Cuidado que na prova aparece que Tício aponta a arma para Mévio para subtrair o veículo.
Mévio diante do susto, acaba morrendo. Como a vítma morreu, na sua cabeça entra o latrocínio.
Muito se pensa em aplicar a súmula 610 STF, quando há uma subtração tentada e uma morte
tentada, quando irá considerar ol atrocínio consumado. Cuidado! Para que entenda que é
latrocínio, a morte tem que decorrer da violência e, não da grave ameaça. Apontar a arma não
tem latrocínio, isso é uma grave ameaça. Poderíamos ter uma tentativa de roubo+ homicídio em
concurso formal. Se a vítima tinah certa idade, ele ainda pode responder por homicídio doloso
porque ele assume o risco.
Latrocínio e crime contra patrimônio, logo, a competência é do juiz singular.
Súmula 610: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não realize
o agente a subtração de bens da vítima.
Subtração Tentada +morte consumada= latrocínio consumada.
Subtração tentada +morte tentada= latrocínio tentado.
Subtração consumada+ morte tentada= latrocínio tentado.
Subtração consumada + morte consumada= latrocínio consumado.

Ex: Tício aborda Mévio com arma de fogo. Subtrai seu veículo e reconhece Mévio ao
comprar droga em sua boca de fumo e não ter pagado. Em decorrência dessa dívida, Tício atira em
Mévio. A morte não foi para facilitar a subtração. Tem-se roubo consumado e um homicídio pela
conexão ocasional. Esse homicídio seria qualificado por ser considerado conexivo?
A conexão qualifica o homicídio, mas a conexão teleológica ou consequêncial. A conexão
ocasional não qualifica o homicídio. Nesse caso ele não vai ser qualificado pela conexão, mas não
será simples, será qualificado pelo motivo torpe.
Por ser o latrocínio um crime contra o patrimônio, será que a cada morte contará como um
crime de latrocínio? Não, tem que verificar quantos patrimônios existem.
Ex: Tício entra na residência de u casal, e para subtração do patrimônio deles ele mata
marido e mulher, isso e somente um latrocínio, pois, subtraiu somente um patrimônio e a
quantidade de morte vai para dosimetria da pena. Posicionamento do STJ no HC 86005 SP.
Se forem subtraídos dois patrimônios e ele mata os dois donos dos dois patrimônios, tem
dois latrocínios.
Se o agente entra na casa para subtrair patrimônio do casal, e para isso mata o casal.
Subtraindo televisão, som e as alianças. Tem uma divergência nesse caso, porque o STJ entende
que a aliança é patrimônio individual, sendo caracterizados dois crimes de latrocínio. O STF
Entende que tem que ser analizado a intenção do agente, que queria subtrair o patrimônio do
casal, e isso que tem que srer levado em consideração, sendo somente u crime de latrocínio.
Dia 08/11/2016 chegou um caso concreto na 1 turma do STF, onde o agente teria praticado
cárcere privado e latrocínio de duas vítimas + ocultação de cadáver. Recurso em HC 133575. Marco Aurélio
entendeu que memso com pluralidade de mortes deveria ser considerado crime único e não
concurso formal impróprio. Divergindo desse entendimento, o ministro Roberto Barroso e Rosa
Veiber entendem que o agente deve responder por dois crimes de latrocínio em concurso formal
impróprio.
O ministro Luis Fux pediu vista dso altos
No dia 21/02/2017, a 1ª turma concluiu o julgamento, e Fux deu entendimento que assistia
razão o relaor Marco Aurélio, sendo o latrocínio um crime complexo e a pluralidade de mortes é
insuficiente para indicar que há concurso formal impróprio ou imperfeito de crimes, tendo que
levar em consideração o patrimônio. Não há de se falar em responder por diversos latrocínios
considerando apenas a pluralidade de mortes. HC 133575/PR.
Para o STJ, a pessoa que sai para praticar um delito de roubo com outa pessoa que sabe
portar arma de fogo, tem o domínio do fato e não há de se falar em desvio subjetivo de condulta
ou colaboração dolosa distinta. O comparsa assume o risco do resultado mais grave. Não tem
como ‘jogar’ no art. 29, §2 CP:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á aplicada a
pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido previsível o resultado
mais grave.
Para o STF é dolo eventual.
Teria colaboração dolosa distinta e desvio subjetivo de conduta se, dois agentes entram
numa residência e um, na posse de ara de fogo. Se na residência, um entra no quarto da vítima e
pratica crime sexual, não há de se falar em domínio final do fato em relação ao crime sexual. Não
era previsível o crime de estupro nessa situação.
CESPE vai colocar dois comparsar agindo e um realizando o disparo. Pergunta se os dois
respondem por latrocínio? Sim, para o STF o comparsa, mesmo não portando arma de fogo, ele
assume o domínio final do fato. O comparsa age com dolo eventual.
ZOUKDERNO
Ailton Zouk DelPol DF

2017
Parte V- (abril/ Junho)
(@waninedias)
TENTATIVA ABANDONADA (05/03/2017)

Art. 14, II CP descreve o crime tentado. O crime vai ser tentado quando o resultado não
ocorre por seguranças alheias a vontade do agente.
A tentativa é verificada qunado da prática dos atos executórios. Não tendo os atos
executórios iniciados, não tem que se falar em tentative.
Ex: Tício queria matar Mévio e fico atrás do poste com uma arma de fogo. A polícia
aborda Tício e pergunta que ele está fazendo. Isso não é tentative, mesmo que ele tenha a
intenção de matar, mas ele não iniciou os atos executórios.
No art. 15 tem a desistência voluntária e arrependimento eficaz. É o que chamamos de
ponte de ouro.
A gente desistir de prosseguir a ação diante dos atos executórios, tem-se a desistência
voluntária. A desistência não precisa ser espontânea.
Quando após os atos executórios, o agente adota uma postura para evitar a execução:
arrependimento eficaz.
Quando está nos atos executórios e ele desista, ele desiste da prática da conduta.
Quando ele desiste dos atos executórios (está na tentativa), temos a tentativa abandonada.
No arrependimento eficaz, o agente adota uma providência e evita a cinsumção do
resultado. Essa providência é adotada após iniciado os atos executórios.
Enquanto não ocorrer a consumação, temos um crime tentado. Quando se fala em
desitência voluntária é uma forma de tentativa abandonada. No arrependimento eficaz, a
providência do agente já é após os atos executórios, tem também a tentativa abandonada.

HOMICÍDIO CONEXIVO X CONTRAVENÇÃO PENAL X CRIME IMPOSSÍVEL (06/03/2017)

O homicídio é um crime repugnante e há maior reprovabilidade quando o agente


pratica o homicídio sem possibilidade de defesa da vítima, ou quando emprega veneno,
qunado ateia fogo nas vítimas.
No homicídio qualificado tem uma pena de 12 a 30 anos e o simples é de 6 a 20 anos.
No homicídio simples, a reprovabilidade da conduta é menor. A reprovabilidade da
conduta é o fundamento para criar as qualificadoras.
Entre as qualificadoras do homicídio, tem a prevista no art. 121, §2, V: para assegurar a
execução ou vantagem de outro crime.

Art. 121. Matar alguem:


Homicídio qualificado
§ 2° Se o homicídio é cometido:
V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro
crime:
Quando racioina no aart. 121, §2 trabalhamos com uma conexão (homicídio em
conexão com outro crime), po isso é chamado de homicídio conexivo.
Essas qualificadoras do inciso V são de ordem subjetiva, estão adstritas a motivação.

- Para assegurar a execução de um crime: Tício quer matar Mévio, grande empresário.
Mévio contratou Paulo para fazer sua segurança. Para matar Mévio, ele acaba matando
também Paulo. O homicídio do Paulo é qualificado. Ele vai responder por homicídio qualificado
pela conexão em relação a Paulo e por motivo fútil em relação ao Mévio.
Ex: Tem o Mévio, grande empresário, Paulo seu segurança e Tício que quer sequestrar
o Mévio. Ele mata Paulo para sequestrar o Mévio. O homicídio do Paulo e qualificado pela
conexão.
Essa conexão que ele mata para ter a execução de outro delito chama-se conexão
teleológica. É a motivação de ele ter matado.
Ex: Tìcio matou Paulo para sequestrar o Mévio. Quando ele foi sequestrar o Mévio, ele
desistiu (desistência voluntária) => essa desistência enseja retira a roupagem da qualificadora
de ordem subjetiva do homicídio qualificado pela conexão? Art. 4, CP: tempo do crime
considera que quando ele pratiou o homicídio ele tinha a intenção de praticar o outro delito,
por isso a qualificadora terá incidência sim.
Cuidado que, as vezes a lei pode dar tratamento específico ao caso do agente matar a
vítima para praticar outro delito, aí não deve ser jogado a qualificadora e tratar como o art.
121. Ex: Mévio quer subtrair o carro do Paulo e ele mata Paulo, a lei tem tratamento
específico, o latrocínio.

- Para asseguar a ocultação de outro crime: Tício matou o Mévio e estava escondendo
corpo. Paulo visualizou. Como Tício não quer que ninguém fique sabendo, ele para ocultar o
homicídio de Mévio, mata Paulo.

- Para assegurar a impunidade do crime: Tício pratica o delito de estupro com a vítima e
para que ficasse impune e não fosse reconhecido, ele mata a vítima. Outro exemplo é matar
uma testemunha de um crime. Esse homicídio do comparsa é qualificado pela conexão
consequencial.

- Para assegurar a vantagem de outro crime: Tìcio e Mévio praticaram um delito de


roubo. Eles estão com o dinheiro da prática do delito. Para assegurar a vantagem só para ele,
Tício decide matar Mévio. Esse homicídio do comparsa é qualificado pela conexão
consequencial.

Obs: Conexão consequencial entra a execução, a impunidade e a vatagem. A conexão


teleológica é somente para assegurar a execução de outro crime (tem a finalidade).
Tício foi comprar drogas na boca de fumo. Chegando ao local ele viu Mévio. Tício
lembra que na semana passada quando foi comprar droga de Mévio, ele vendeu talco e,
decide aproveitar a ocasião para mata-lo.
Ex: Tìcio abordou Mévio e subtraiu seus bens, se retirando do local. Ao sair, Tício
lembrou que Mévio o devia dinheiro e decide voltar e matá-lo. Essa morte não era necessária
para subtração da coisa. Chama-se de homicídio pela conexão ocasional, que não é
considerado qualificado. Tem-se o roubo consumado em concurso material com o homicídio
qualificado por motivo fútil. (Em prova discursiva: conexão ocasional não qualifica o
homicídio).

Pedra detoque: O homicídio vai ser qualificado pela conexão teleológica quando o
agente pratica o homicídio para assegurar a execução de outro crime.
Ex: Mévia terminou relacionamento com Tício, que fica perturbando. Mévia contrata
Paulo para fazer a segurança de sua casa. Tìcio, querendo perturbar Mévia, decide matar Paulo
para poder tirar a tranquilidade de Mévia. Tem um homicídio, mas não será qualificado pela
conexão teleológica (ele praticou um homicídio para assegurar a pratica de uma contravenção
penal, a de perturbação da tranquilidade- art. 65 LCP). Princípio da taxatividade e da
legalidade, não há de se falar em analogia in malam partem.
Ex: Tìcio ameaça de morte o Zouk. Zouk contrata Paulo para sua segurança. Zouk mata
Palo para matar o Zouk, entra na casa e atira para matar o Zouk, que já estava morto de
parada cardíaca (crime impossível). Esse homicídio ão é qualificado pela conexão teleológica.
A conexão é sequencial quando se pratica um utro crime para assegurar a ocultação,
impunidade ou vantagem de outro crime.

AMEAÇAS COM EMPREGO DE FORÇAS ESPIRITUAIS X EXTORSÃP (STJ) X TENTATIVA


SUPERTICIOSA OU IRREAL (09/03/2017)

Ex: Mévia está muito doente e começou a buscar a cura para sua doença. Nos jornais
Tícia dizia que fazia trabalho de curas para curar essa doença. Tícia sabe que os trabalhos que
realiza não cura ninguém (está induzindo a erro). Mévia procura Tícia, já induzida a erro, para
que seja curada. Mévia faz o pagamento. Mèvia verificando eu não estava sendo curada, diz a
Tìcia que não pagará mais porque acha que está sendo enganada.
Ao falar que uma pessoa precisando de cura, faz-nos pensar no crime do art. 284,
curandeirismo. Mas se tem intenção de induzir alguém a erro, não é curandeirismo,é
estelionato. Para ter o curandeirismo, a pessoa que faz o trabalho te que acreditar que seja ele
capaz de curar a pessoa.
Curandeirismo é um crime de ação vinculada e habitual.
Curandeirismo é crime vago, tem como sujeito passivo a coletividade.
O agente só responde no curandeirismo, quando ele sem a habilitação ara curar uma
pessoa, ele pratia essas ações do art. 284. O agente acredita que seja capaz de curar alguém.
Art. 284 - Exercer o curandeirismo:
I - prescrevendo, ministrando ou aplicando, habitualmente, qualquer substância;
II - usando gestos, palavras ou qualquer outro meio;
III - fazendo diagnósticos:

De acordo com o exemplo, Tìcia tinha conhecimento que a prática de suas ações não
curava ninguém, assim, induziu Mèvia a erro para obter vantagem econômica=> Estelionato.
Quando Mévia diz que não quer mais os trabalhos de Tìcia por se sentir enganada e
manda ela interrompa os trabalhos, pois não irá mais pagar. Tícia diz que já fez uns trabalhos
para filhos de Mévia e que, portanto, ela a deve 32.000,00 para que ela desfaça o trabalho.
EXTORSÃO- Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com
o intuito de obter para si ou para outrem indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se
faça ou deixar de fazer alguma coisa:
Apesar de no exemplo não ter a violência, tem a ameaça de forças espirituais.
STJ decidiu que ameaça de mal espiritual, em razão da garantia da liberdade religiosa,
não pode ser considerada inidônea ou inacreditável. Para vítima e boa parte do povo brasileiro
existe a crença em forças sobrenaturais. Não há de se falar que sejam fantasiosas. Configura
sim grave ameaça a ensejar a elementar do art. 158. Resp. 129.9021

Quanto à grave ameaça, o STJ tem externado posicionamento bastante extensivo. STJ
entendeu num julgado recente que ameaça de destruir patrimônio configura grave ameaça
para caracterizar a extorsão.
Ex: Tício subtraiu veículo do Mévio, mediante violência, tendo um roubo. Depois Tício
liga para Mévio dizendo que roubou o carro dele e que só devolve se Mévio realizar o
pagamento de determinada quantia e que se ele não der, ele destruirá o veículo.
Ex: Um flanelinha que diz se Joã não der dinheiro irá amassar seu veículo, para o STJ
tem a grave meaça e configurada a extorsão.

Tentativa irreal/ supersticiosa: tem dois posicionamentos:


- Não configura crime impossível porque o crime impossível tem que analisar o meio.
(Ex: Um palito em relação a um adulto não pode provocar sua morte, é impossível, mas para
um recém-nascido,não).
- Configura crime impossível.
Ex: É um agente querendo matar Mévio e ele faz um ‘trabalho’ por acreditar nas forças
espirituais.
Não há de se enquadrar a conduta do agente na tentativa por esse meio jamais chegará
a um resultado.
Força sobrenatural apesar de configurar grave ameaça, não materializa atos de
execução para ensejar uma tentativa. Por isso chamado de tentativa supersticiosa. O meio é
ineficaz.
FRAUDES EM CERTAME DE INTERESSE PÚBLICO- ART. 311-A, CPB (16/03/2017)

Art. 311-A. Utilizar ou divulgar, indevidamente, com o fim de beneficiar a si ou a


outrem, ou de comprometer a credibilidade do certame, conteúdo sigiloso de:
I - concurso público
II - avaliação ou exame públicos;
III - processo seletivo para ingresso no ensino superior; ou
IV - exame ou processo seletivo previstos em lei
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.
§ 1o Nas mesmas penas incorre quem permite ou facilita, por qualquer meio, o acesso
de pessoas não autorizadas às informações mencionadas no caput
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à administração pública:
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.
§ 3o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o fato é cometido por funcionário público.

Tipifica a conduta a fraude em certames de interesse público.


É um crime de médio potencial ofensivo, não se submetendo ao rito da lei 9099,
mesmo assim é possível aplicar o art. 89 (suspensão condicional do processo), porque o
requisito de tal medida é de que a pena mínima não seja superior a um ano.
Como foi criado esse tipo penal? A lei 12.550/2011 autorizou o poder executivo a criar
uma empresa pública chamada empresa brasileira de serviços hospitalares (fenômeno da
hipertrofia do direito penal, onde o legislador está desesperado para dar uma satisfação à
sociedade, aproveitou essa lei e encaixou o art. 311).
Existia um procedimento que uma pessoa tomava conhecimento do gabarito das
quetões e através de ponto eletrônico passava a resposta para quem estava fazendo a prova.
Essa questão chegou ao STF, e o MP estava tipificando no art. 171 e 299 do CPP. STF firmou
jurisprudência que seria analogia in malan partem a cola eletrônica. O legislador, às pressas,
aproveitou a lei 12.550 e encaixou o art. 311 (tipificando uma conduta para dar uma resposta à
sociedade).
Essa questão da cola eletrônica é discutida. Será que alguém passar o gabarito para
uma pessoa configura o art. 311? Rogério Sanches acha que depende, pois se uma pessoa que
tem acesso ao gabarito pronto e passa para quem faz a prova, configura o art. 311-A; mas se
algúem entra no local de prova, realiza a prova e pega as respostas e passa através do ponto
eletrônico, o fato é atípico. Zouk, fazendo uma análise teleológica, discorda. Para Zouk, as
informações que o concurseiro coloca em seu caderno de prova já é sigiloso; só não vai ser
sigiloso quando os dois saem do local de prova e lá fora um passa o gabarito ao outro.
O objeto jurídico tutelado é a fé pública.
Objeto material: o primeiro é o concurso público; exame público (inciso II); provas de
vestibular.

Ex: Mévio está no terceiro período da faculdade, pega o gabarito da prova no armário
do professor e divulga para seus amigos. Divulgação de gabaritos de avaliações periódicas do
corpo discente não entra nesse artigo.
Inciso IV, ex: prova da ordem.

O tipo pena tem dois verbos, sendo misto ou alternativo: divulgar e utilizar.

Ex: Se Mévio descobriu o gabarito oficial da CESPE e divulgou para Zou que estava
realizando o concurso ara delegado. Zouk pega o gabarito, mas não utiliza porque não quer, é
fato atípico para ele porque o verbo fala utilizar!
Quem divulga e quem utiliza agem em concurso, segundo a teoria monista.
-É um crime de forma livre, não exige uma forma exata de passar o gabarito.
Conteúdo sigiloso é qualquer informação secreta ao público em geral.

- É elementar do tipo penal: ‘indevidamente’. A divulgação tem que ser indevida.


Ex: Ocorreu um concurso realizado pela Cespzouk. A cespezouk mandou a lista dos
aprovados para outra cidade, e um servidor não esperou a publicação no DO e saiu publicando.
A divulgação antecipada da lista de aprovados não é considerada conteúdo sigiloso.

-Sujeito ativo: é um crime comum, podendo ser qualquer pessoa.


Se for cometido por funcionário público, recebe uma pena maior. O funcionário público
tem que lançar mão das facilidades do cargo, comprometendo seu dever funcional.
Ex: Um delegado que está na banca, consegue informação do gabarito e passa ara
Mévio. Ele irá responder pelo art. 311-A com o aumento de penda.

- Elemento subjetivo do tipo: agente tem que agir com dolo. É um dolo específico, a fim
de beneficiar-se, a si ou a outrm, ou comprometer o certame.

O art. não admite forma culposa.


Ex: Zouk é delegado e faz parte da banca. Levando o gabarito para casa, para em um
bar para omar cerveja, derruba o gabarito e o mesmo é divulgado. Essa conduta é atípica para
ele, pois sua conduta é culposa.
Ex: Tício passa o gabarito para Mévio durante prova. Mévio fica nervoso e errou tudo.
Ele utilizou o gabarito, mas nã se beneficiou. Por ser crime de resultado formal/de resultado
cortado, entra no artigo. Basta que tenha a consumação para uma das pessoas. No caso, Tício
já divulgou (fato típico), se a outra pessoa utilizou (fato típico), se ela não utiliza por
cirscunstâncias alheias a sua vontade tem a tentativa.
O crime admite tentativa. Ex: Tício passa o gabarito para Mévio por email. A polícia
grapeia o email antes de Mévio ter acesso. Isso é a tentativa.
Ação penal é pública e incindicionada.
O caput é um crime de médio potencial ofensivo, cabendo portanto, suspensã
condicional do processo.
O §1° trata da figura equiparada. Isso é obvio porque adota-se a teoria monista e, se ele
colabora para a prática do delito, irá responder nas penas do delito na medida de sua
culpabilidade.
Há uma discursão quanto ao sujeito ativo do art. 311-A, pois parte da doutrina entende
que é um crime próprio, somente pratica o delito quem tem o dever de guarda da informação
sigilosa. Noutro giro, parte da doutrina (Cléber Masson) entende que não há que se falar em
crime próprio porque o legislador não mudou a pena.
§2° traz a qualificadora. Ocorre sempre essa tipificação quando é anulado qualquer
concurso público, pois sempre haverá o prejuízo para administração pública.
Ex: Tício fraudou o vestibular de uma niversidade privada (art. 311-A, III). Para Tício
pode ser aplicado a qualificadora de dano a adm. pública? Não!
A doutrina aponta que se o funcionário público pratica a conduta de faude em conc urso
público e recebe dinheiro para isso, além do delito do art. 311-A, responderá também pela
corrução passiva. (Cléber Masson).

No art. 325 tem o delito de violação de sigilo funcional. Ele é um crime subsidiário.
Violação de sigilo funcional

Art. 325 - Revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva
permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa, se o fato não constitui crime
mais grave.
§ 1o Nas mesmas penas deste artigo incorre quem:
I – permite ou facilita, mediante atribuição, fornecimento e empréstimo de senha
ou qualquer outra forma, o acesso de pessoas não autorizadas a sistemas de informações ou
banco de dados da Administração Pública; (Incluído pela Lei nº 9.983, de 2000)
II – se utiliza, indevidamente, do acesso restrito.
§ 2o Se da ação ou omissão resulta dano à Administração Pública ou a outrem:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa.

A competência para julgar os delitos de fraude vai depender: se for fraude em concurso
federal, será da Justiça Federal; se for da polícia civil, será da Justiça Estadual. Tem que olhar a
ofensa ao bem jurídico.

AÇÕES PENAIS E INQUÉRITOS POLICIAIS EM CURSO X TRÁFICO PRIVILEGIADO-STJ


(17/03/2017)
A lei 11.343 inovou, trazendo uma causa de diminuição para o traficante de primeira
viagem, inicial. Considera esse traficante quando ele reunir cumulativamente: ser primário, de
bons antecedentes e não integrar atividade criminosa e nem se dedicar a ela. É o tráfico
privilegiado.
A lei 6368;76, aquele que ostentava condições de primário e bons antecedentes não
recebia esse benefício da causa de diminuição. A lei 11.343 aumentou a pena do tráfico, mas
trouxe esse benefício para o traficante privilegiado.
Entre esses requisitos, o de o agente não poder se dedicar a atividade criminosa:
Ex: Tício está respondendo por tráfico de drogas e a defesa diz que ele tem direito a
diminuição de pena por apresentra todos os requisitos. O juiz verificou que Tício tem diveros IP
e ações penais em curso e os considerou para afastar o benefício.
Pode considerar ações penais e IP em curso para identificar que a pessoa se dedicaa
atividade criminosa? E o princípio da presunção de inocência?
Essa questão é divergente no TJ. A 5 ª turma entende que seja possível utilizar IP e
ações penais em andamento para afastar a causa de diminuição. Por sua vez, a 6ª turma
entende que IP e AP não podem ser considerados para indicar a atividade criminosa do agente.
Foi evado à 3ª sessão do STJ essa divergência através de embargos de divergência no recurso
especial 1431091- SP (publicado dia /01/02/2017). A 3ª sessão entendeu que o benefício deve
ser conhecido para quem realmente merece, restringindo sua aplicação. Entendeu também
que IP e AP em curso não podem ser considerados como maus antecedentes na órbita das
circunstâncias judiciais quando da análise da dosimetria da pena (para fins de aumentar a pena
base). Que nesse caso não está sendo analisado para aumentar a pena base e sim para afastar
o benefício e que o princípio da presunção de inocência não pode ser interpretado de forma
absoluta.
Segundo STJ é possível a utilização de IP e ações penais em curso para formação da
convicção de que o réu se dedica a tividade criminosa, de forma a afastar o benefício legal
previsto no art. 33, §4 da lei 11.343.
Hj, STJ e STF, consideram que tráfio privilegiado não tem a rouapgem dos crimes
equiparados hediondo. Súmula 512 foi cancelada.

REITERAÇÃO DOS ATOS INFRACIONAIS GRAVES X INTERNAÇÃO (MUDANCA 6 TURMA


STJ) – 18/03/2017

Art. 121 ECA: A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos
princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em
desenvolvimento.
§ 2º A medida não comporta prazo determinado (na sentença), devendo sua
manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.
§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos.
Entre os parágrafos 2 e 3 parece haver um contrassenso. Esclarecendo, §2 quer dizer
que o juiz, ao aplicar a internação, ele não pode dizer que adolescente vai pegar um tempo
determinado de internação, ele apenas submete o infrator à internação, e a cada 6 meses será
feita uma reavaliação. A internação não comporta prazo na sentença.
Pedra de toque:No art. 122 tem as possibilidades de plicação da internação, em ro
taxativo.
Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:
I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa;
II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;
III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta.

Ex: Tício menor de idade, nervoso, pega um ferro e com violência quebra o carro de
Mévio. Praticou ato infracional análogo ao crime de dano. Vai ser submetido a internação?
Não, porque o art. 122 diz que é grave ameaça ou violência a pessoa.

Internação provisória (antes da sentença) não pode ultrapassar 45 dias.


Internação como medida sócio educativa, que é submetida a adolescente no final do
procedimento, com contraditório, que não pode ultrapassar 3 anos.
Internação sanção (inciso III) que não pode ultrapassar 3 meses.
No incisi III: há necessidade da prática de trê atos? Há conflito entre as turmas do STJ.
5ª turma do STJ e o STF majoritariamente, entedem que não há necessidade da prática de três
atos. A 6ª turma do SJT, em 2014, entendima que haveria sim a necessidade de três atos, mas
mudou de posição e se filiou à 5ª turma do STJ e com o STF.
ECA afasta a concepção criminal dos seus procedimentos, porque a função é a proteção
e educação da criança e adolescente. Então, raciocinar com a necessidade da prática de mais
de dois atos, estaria instituindo a reincidência no procedimento dos atos infracionais.
Reincidência é instituto penal. Nada obsta da aplicação da medida de internação logo após o
segundo ato. A reiteração pode resultar do próprio segundo ato.

LATROCÍNIO (PLURALIDADE DE MORTES) X STJ E STF

Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça
ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de reclusão, de sete a quinze
anos, além da multa; se resulta morte, a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da
multa.

É considerado crime hediondo.


A resultância for de lesão corporal grave não é considerado hediondo.
Cuidado que na prova aparece que Tício aponta a arma para Mévio para subtrair o
veículo. Mévio diante do susto, acaba morrendo. Como a vítma morreu, na sua cabeça entra o
latrocínio. Muito se pensa em aplicar a súmula 610 STF, quando há uma subtração tentada e
uma morte tentada, quando irá considerar ol atrocínio consumado. Cuidado! Para que
entenda que é latrocínio, a morte tem que decorrer da violência e, não da grave ameaça.
Apontar a arma não tem latrocínio, isso é uma grave ameaça. Poderíamos ter uma tentativa de
roubo+ homicídio em concurso formal. Se a vítima tinah certa idade, ele ainda pode responder
por homicídio doloso porque ele assume o risco.
Latrocínio e crime contra patrimônio, logo, a competência é do juiz singular.
Súmula 610: Há crime de latrocínio, quando o homicídio se consuma, ainda que não
realize o agente a subtração de bens da vítima.
Subtração Tentada +morte consumada= latrocínio consumada.
Subtração tentada +morte tentada= latrocínio tentado.
Subtração consumada+ morte tentada= latrocínio tentado.
Subtração consumada + morte consumada= latrocínio consumado.

Ex: Tício aborda Mévio com arma de fogo. Subtrai seu veículo e reconhece Mévio ao
comprar droga em sua boca de fumo e não ter pagado. Em decorrência dessa dívida, Tício atira
em Mévio. A morte não foi para facilitar a subtração. Tem-se roubo consumado e um
homicídio pela conexão ocasional. Esse homicídio seria qualificado por ser considerado
conexivo?
A conexão qualifica o homicídio, mas a conexão teleológica ou consequêncial. A
conexão ocasional não qualifica o homicídio. Nesse caso ele não vai ser qualificado pela
conexão, mas não será simples, será qualificado pelo motivo torpe.
Por ser o latrocínio um crime contra o patrimônio, será que a cada morte contará como
um crime de latrocínio? Não, tem que verificar quantos patrimônios existem.
Ex: Tício entra na residência de u casal, e para subtração do patrimônio deles ele mata
marido e mulher, isso e somente um latrocínio, pois, subtraiu somente um patrimônio e a
quantidade de morte vai para dosimetria da pena. Posicionamento do STJ no HC 86005 SP.
Se forem subtraídos dois patrimônios e ele mata os dois donos dos dois patrimônios,
tem dois latrocínios.
Se o agente entra na casa para subtrair patrimônio do casal, e para isso mata o casal.
Subtraindo televisão, som e as alianças. Tem uma divergência nesse caso, porque o STJ
entende que a aliança é patrimônio individual, sendo caracterizados dois crimes de latrocínio.
O STF Entende que tem que ser analizado a intenção do agente, que queria subtrair o
patrimônio do casal, e isso que tem que srer levado em consideração, sendo somente u crime
de latrocínio.
Dia 08/11/2016 chegou um caso concreto na 1 turma do STF, onde o agente teria
praticado cárcere privado e latrocínio de duas vítimas + ocultação de cadáver. Recurso em HC
133575. Marco Aurélio entendeu que memso com pluralidade de mortes deveria ser
considerado crime único e não concurso formal impróprio. Divergindo desse entendimento, o
ministro Roberto Barroso e Rosa Veiber entendem que o agente deve responder por dois
crimes de latrocínio em concurso formal impróprio.
O ministro Luis Fux pediu vista dso altos
No dia 21/02/2017, a 1ª turma concluiu o julgamento, e Fux deu entendimento que
assistia razão o relaor Marco Aurélio, sendo o latrocínio um crime complexo e a pluralidade de
mortes é insuficiente para indicar que há concurso formal impróprio ou imperfeito de crimes,
tendo que levar em consideração o patrimônio. Não há de se falar em responder por diversos
latrocínios considerando apenas a pluralidade de mortes. HC 133575/PR.
Para o STJ, a pessoa que sai para praticar um delito de roubo com outa pessoa que sabe
portar arma de fogo, tem o domínio do fato e não há de se falar em desvio subjetivo de
condulta ou colaboração dolosa distinta. O comparsa assume o risco do resultado mais grave.
Não tem como ‘jogar’ no art. 29, §2 CP:
Art. 29 - Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este
cominadas, na medida de sua culpabilidade.
§ 2º - Se algum dos concorrentes quis participar de crime menos grave, ser-lhe-á
aplicada a pena deste; essa pena será aumentada até metade, na hipótese de ter sido
previsível o resultado mais grave.
Para o STF é dolo eventual.
Teria colaboração dolosa distinta e desvio subjetivo de conduta se, dois agentes entram
numa residência e um, na posse de ara de fogo. Se na residência, um entra no quarto da vítima
e pratica crime sexual, não há de se falar em domínio final do fato em relação ao crime sexual.
Não era previsível o crime de estupro nessa situação.
CESPE vai colocar dois comparsar agindo e um realizando o disparo. Pergunta se os dois
respondem por latrocínio? Sim, para o STF o comparsa, mesmo não portando arma de fogo,
ele assume o domínio final do fato. O comparsa age com dolo eventual.

ERESP 1.431.041.091-SP-SÚMULA 444 CANCELADA???? (22/03/2017)

A 3ª sessão do STJ nalizando a divergência com a 5ª turma (entende que ações penais e
inquéritos em curso podem materializar fundamento para afastar o privilégio no sentido de
que o agente se dedica a atividade criminosa) e 6ª turma (entende que não é possível, devido
ao princípio da presunção de inocência , não pode ter ess certeza e afastar o privilégio se ainda
não tem uma prova concreta que venha a sistentar uma condenação com trânsito em julgado)
do STJ.
O art. 33, §4 aumentou a pena do tráfico e criou a minorante do tráfico privilegiado.
A 3ª sessão entendeu que ações penais em curso e inquérito penais em curso podem
sim ser considerados para afastar privilégio. Pode sim dizer que se dedica a atividade criminosa
o fato de ter diversos inquéritos ou ações penais em curso, não se pode querer alegar o
princípio da inocência, pois, há indícios fortes de se dedicar a atividade criminosa. A 3ª sessão
ainda diz que, pensar diferente seria tornar o princípio da presunção de inocência com uma
roupagem de direito constitucional absoluto. Os princípios constitucionais devem ser
interpretados de forma harmônica e, nenhum direito é absoluto. Tanto não é que, hoje tem-se
a possibilidade da relativização do princípio constitucional da presunção de inocência quando
se trata da execução provisória da pena em decisão de 2ª instância.
Com essa visão de não entender que há uma roupagem de direito absoluto, a 3ª sessão
entendeu que o juiz pode sim considerar ações penais e IP em curso para afastar o privilégio.
Estou considerando as ações penais em curso e IP para afastar o privilégio. Não os
considera para agravar a pena base. São coisas diferentes. Ações penais em curso e IP em
curso não constituem maus antecedentes.
Súmula 444/STJ - 26/10/2016. Pena. Fixação da pena. Pena-base. Inquéritos policial.
Ação penal em curso. Agravação da pena-base. Inadmissibilidade. CP, art. 59.
É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a
pena-base.
O egislador vai tentar fazer confundir o Eresp em curso com a súmula 444.
O IP e ações penais podem ser considerados para afastar o privilégio com base nos
maus antecedentes? ERRADO, eles não constituem maus antecendetes. Requisito seria outro,
o de se dedicar a atividades criminosas.

ARQUIVAMENTO IP X DEC REBUS SIC STANDIBUS X EXCLUDENTES DE ILICITUDE X STF


(24/03/2017)

No direito civil, quando é estabelecida uma relação contratual, tem que ter o equilíbrio
e a boa fé objetiva na relação.
Ex: Se Tício compra um veículo e fica estabelecido o pagamento de 1.000,00 por mês,
estava dentro de seu rçamento na época. Devido uma alteração econômica, o contrato se
tornou oneroso para ele. Aplica-se a concepção de que o contrato deve ser cumprido quando
ocorre fato imprevisível? Não seria uma injustiça? O direito não poderia abrir uma
possibilidade de rever o que foi decidido?
O direito está alerta para essas injustiças. Existe a cláusula rebus sic standibus que
materializa a teoria da imprevisão. É uma cláusula implícita aos contratos que possibilita
qualquer das partes, rever o que foi acordado por ter ocorrido um fato posterior que tornou
onerosa a relação contratual.
Aplicando a rebus sic standibus ao processo penal: quando uma decisão puder ser
revista. Decisão que arquiva IP pode ser revista? Sim, pois a decisão que homologa
arquivamento é uma decisão rebus sic standibus, pois pode ser revista. O surgimento de novas
provas (súmula 524) é um exemplo.
Uma prisão preventiva quando decretada, é outra hipótese de decisão que pode ser
revista.
Quando é possível rever uma decisão, diz, processualmente, que a decisão fez coisa
julgada apenas formal. Então, a rebus sic standibus é compatível com a coisa julgada formal.
A decisão que homologa o arquivamento do IP é uma decisão rebus sic standibus?
Certo!
A regra é que i IP pode ser desarquivado. Então em regra, a coisa julgada é apenas
formal. Há exceções, por exemplo, atipicidade do fato, onde o IP não pode ser desarquivado.
A decisão que arquiva IP com base na atipicidade do fato é uma cláusula rebs sic
standibus? Falso, não porque essa decisão faz coisa julgada formal e material.
A doutrina aponta também que uma decisão que arquiva IP com base em causa
extintiva de punibilidade também faz cosia julgada material. Ex: com base na prescrição. Não
há possibilidade de ser revista,pois faz cois a julgada material
Extiste causa extintiva da punibilidade, mesmo que reconhecida e arquivado o IP,
aquela decisão não vai fazer coisa julgada formal e material. O óbito do agente é uma causa
extintiva da punibilidade.
E:x Tício pratica um homicídio. Falsifica sua própria cetidão de óbito e pede que sua
mãe leve à delegacia para aquivar o IP contra ele sobre o homicídio. O delegado relata no IP a
morte de Ticio e manda o IP para o jui e o MP pede seu arquivamento. Depois é descoberto
que essa certidão de óbito era falsa, a decisão que homologou o arquivamento do IP com base
na causa extintiva de punibilidade baseada na morte do agente. Antigamente o STF entendia
que, mesmo o agente utilizando certidão falsa, declarada a extinção, fazia coisa julgada
material e o agente respondia somente por falsidade de documento. STF evoluindo, entende
agora que o agente não pode se beneficiar desse manto da coisa julgada, não é absoluto.
Revendo esse posicionamento, a declaração que reconhece a extinção de punibilidade com
base em documento falso não faz coisa julgada material e pode ser revista. Entende-se agora
que essa dcisão é rebus sic standibus.
O IP, uma vez arquivado, pode ser desarquivado com base na súmula 524:
Súmula 524, STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento
do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
Essa súmula dá esse reconhecimento de decisão rebus sic sandibus quando se fala em
IP.
Novas provas: existem provas substancialmente novas e formalmente novas. Tem que
ser aptas a produzir alteração no panorama probatório.
Substancialmente nova é quando se tem provas inéditas.
A prova formalmente nova é quando a prova já existia, só terá uma nova roupagem,
uma nova versão.
Ex: Tício matou o Mévio, e teve como testemunha o Zouk Lindo e Zouk Téo, que
negaram o fato ao testemunhar. Delegado relata o IP e MP opta pelo arquivamento. Depois,
Zouk Lindo e Zouk Téo vão à delegacia e confessam que viram o crime, mas negaram por estar
sendo ameaçados. As testemunhas já existiam, só mudram seu depoimento.
IP arquivado com base na atipicidade do fato geral coisa formal e material, não
podendo ser desarquivado.
Se Tício briga com Mévio, o esqueiaa e alega legítima defesa. O delegado ouvindo uma
testemunha que diz ter viso Tìcio se defendendo, acha notório uma excludente de ilicitude. E o
juizMP homologa essa decisão de arquivamento do IP com base na excludente de ilicitude.
Aparecendo uma testemunha com provas de que não foi legítima defesa, o delegado pode
solicitar desarquivamento?
Temos dois posicionamentos:
- STJ entende que arquivamento do IP com base na excludente de ilicitude faz coisa
julgada formal e material, não podendo ser desarquivado.
- STF entende que essa decisão faz somente coisa julgada apenas formal, podendo ser
revista. É uma decisão rebus sic standibus.
Atipicidade do fato, tanto para STJ como para STF, não é uma decisião rebus sic
standibus.

No HC 87395 (decisão de 23/03/2017) no caso em que 4 policiais, sendo um delegado


praticaram o delito de homicídio consumado, homicídio tentado e porte ilegal de arma de fogo
e fraude processual.
Cuidado com a fraude processual.
Ex: Tício praticou um delito de homicídio culposo na direção de veículo automotor. Ele
tentando se furtar de uma sanção penal, acabou induzindo juiz e peritos a erro, mexendo no
local. Não cai no art. 347, CCP (fraude processual). Cai no art.312 da lei 9.503. alteração de
provas, mas no trânsito.

Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o


estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda
que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.

Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com vítima, na


pendência do respectivo procedimento policial preparatório, inquérito policial ou processo
penal, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o
perito, ou juiz
Penas - detenção, de seis meses a um ano, ou multa.

Se for acidente de trânsito, com vítima, não utiliza o art. 347.


Se o Tício joga o carro em cima da Mévia, com a intenção de lesioná-la. Há uma perícia
noo local e ele altera o local. Não cai no art. 312, e sim no art. 347. O art. 312 menciona ‘
acidente’, que ocorre na órbita da culpa. Tício jogar o carro com a intenção de lesionar, tem o
dolo!
No caso do julgado No HC 87395 o STF consolidou entendimento que arquivamento de
IP com base em excludente de ilicitude faz coisa julgada apenas formal, ou seja, pode ser
revista.
Nesse caso julgado, o delegado fez as testemunhas assinarem um depoimento que não
condizia com o que elas tinham dito, o que levava ao quadro de legítima defesa. Depois,
surgiram novos fatos e foi verificado que as testemunhas não tiham falado aquilo. Na
concepção do Zouk são provas substancialmente novas porque não seria mudança de versão e,
sim uma nova oitiva. STF entendeu que poderia sim desarquivar o IP.

ARQUIVO IMPLÍCITO DO IP X STJ E STF (26/03/2017)

Arquivamento implícito pode ser objetivo ou subjetivo.


Uma vez arquivado o IP, ele pode ser desarquivado.
A decisão que arquiva o IP é uma decisão rebus sic standibus, pois pode ser revista.
No direito civil teríamos a teoria da imprevisão.
Uma decisão que decreta uma prisão preventiva é rebus sic standibus, porque pode ser
revista.
Falou novamente em prova formalmente e substancialmente nova. (ler live passada).
A doutrina aponta três espécies de arquivamento: o propriamente dito, o implícito e
oindireto.
O propriamente dito: não se tem justa causa por opositura da ação penal.
Implícito: ele pode ser objetivo.
Ex: Tício e Mévio praticaram um estupro e roubo. Com provas claras, o delegado
indiciou os dois. O juiz recebeu o IP e abriu vista para o MP, que denunciou os dois somente
por roubo. O juiz recebeu a denúncia e se manteve silente (teria que ter utilizado o art. 28
CPP).
O MP denunciu somente por roubo e nada falou do estupro, pois ele não é vinculado
ao relat[orio do delegado. Tem-se a omissão por parte do MP. Essa omissão recai sobre fatos,
devendo o juiz aplicar o art. 28. A doutrina aponta que isso é um arquivamento implícito
objetivo.
EX: Tício e Mévio praticam o delito de roubo e estupro. O delegao manda o IP para o
juiz, que abre vistas ao MP. Mesmo com provas concretas, o MP acusa apenas o Mévio. O juiz
recebe a denúncia e não aplica o art. 28 em relação ao arquivamento do Tício. Tem-se agora a
omissão de sujeitos sendo, portanto, arquivamento implícito subjetivo.
Outro arquivamento apontado pela doutrina,é o indireto. Ex: Fato aplicado pelo
delegado e MP estadual diz não propor denuncia por não ter atribuição para tal e que seja do
MPfederal.. O juiz estadual não concorda com MP, e se acha sim competente. Fica essa ‘briga’
com MP estadual e juiz estadual. Isso enseja num declínio de competência solicitado pelo MP.
Nesse caso de arquivamento indireto, aplica-se o art. 28.
Na prova o legislador pega o arquivamento implícito e joga como arquivamento
indireto.
Em uma prova oral, falar que em sede de STJ e STF não há possibilidade de
arquivamento implícito, seja ele objetivo ou subjetivo.
DELITO DE ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO AUTOMOTOR- ART.
311 DO CPB (28/03/2017)

Art. 311 - Adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer sinal identificador de


veículo automotor, de seu componente ou equipamento:(Redação dada pela Lei nº 9.426, de
1996))
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 9.426, de
1996)
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a
pena é aumentada de um terço. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 2º - Incorre nas mesmas penas o funcionário público que contribui para o
licenciamento ou registro do veículo remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente
material ou informação oficial.

É um crime de elevado potencial ofensivo, não havendo possibilidade da aplicabilidade


da lei 9099.
É um crime material.
Se o agente é flagrado adulterando um chassi, o delegado tem que lavrar o auto de
prisão em flagrante, e não pode arbitrar fiança porque a pena máxima é de 6 anos (o delegado
só pode quando é até 4 anos).
Se o agente está transportando um veículo com o número de chassi adulterado, ele não
está cometendo crime do art. 311, ele irá responder por receptação. O artigo não traz o verbo
transportar.
O art. 311 tem um objeto material, que é o número do chassi ou qualquer outro sinal
identificador.
O STF e STJ entendem que placas são sinais identificadores.
O objeto material é veículo automotor.
Os reboques há a necessidade de emplacamento. A lei 9513 dá tratamento
diferenciado, não considerando reboque veículo automotor. Então, se o agente adultera placa
de reboque, o fato é atípico.
Veícuo automotor é o veículo motorizado destinado a transportar pessoas e coisas.
È um tipo penal de ações múltiplas, ou conteúdo variado.
Adulterar é modificar ou alterar.
Troca de placas é adulteração? Para o STJ é que a troca de placas é considerada
adulteração.
Ex: Tìcio constrói uma moldura de ferro e ocultou o chassi. É fato atípico, porque o art.
311 não traz em seu bojo o verbo ocultar.
Ex: Tício coloca um saco preto em toda a placa, para se livrar da multa. Isso não é
adulteração. Tem-se atipicidade do fato.
STJ decididiu no HC 139199 SP que a ocultação de sinal identificador trata-se de fato
atípico.
O art. 311 decorreu da necessidade de dá roupaem criminosa as pessoas que não
tenham participado do roubo do veículo, acabavam adulterando a placa.
Bem jurídico tutelado é a fé pública.
Se o agente raspar o sinal identificador? Suprimir é adulterar? Existe divergência na
questão.
Quando o legislador quis usar a palavra suprimir, ele usou, no art. 16 da lei 10.826
(Suprimir ou alterar marca).
Mirabeti, Capez e Cléber Masson consideram fato atípico.
Embora esses nobres juristas venham a entender dessa forma, seguindo entendimento
diverso, a 5ª turma do STJ no Resp 103570/SP entendendo que suprimir ou raspar não é
considerado at preparatório e sim verdadeira alteração.

Adulteração de sinal identificador X Fita adesiva


Ex: Tício coloca fita adesiva na placa para escapar de multas e do rodízio de veículos, de
fomra temporária. STF, no HC 116371/DF entende que o tipo penal não demanda dolo
específico. Isso é crime previsto no art. 311.
A 6ª turma do STJ, no Resp 503960/SP de 2010 entende diferente, que deve ser utilizad
a permanência. Entende que fraude grotesca enseja crime impossível.
Mas em decisão mais recente da 6ª tutma,no Resp 1329449/SP de 2012 entende que a
utilização de fita adesiva constitui sim a infração do art. 311.
A doutrina majoritária entende que deve haver permanência.

Placa fria de carro de funcionário público utilizada em veículo particular não há de se


falar no art. 311. É somente infração administrativa.

Ex: Se um agente é encontrado conduzindo um veículo com número de cahssi ou sinal


identificador adulterado ou remarcado, caso não haja prova do envolvimento delena
adulteração ou remarcação, ele responde por receptação dolosa ou culposa.
Ex: Tício recebe um veículo, sabendo que tem origem criminosa e, posteriormente
efetua a adulteração de sinal identificador, ele responde por receptação e pela adulteração do
sinal identificador. Concurso material.
Ex: Tício compra um veículo sem saber que era produto de crime. Com o tempo ele
desconfiou que fosse, remarcou o sinal identificador para que ele continuasse com o carro.
Desde o momento que ele teve conhecimento que era produto de cirme e ele adulterou, ai ele
tem o dolo de ter para si uma coisa produto de crime. Tem a receptação dolosa materializada.
O dolo subsequente da roupagem dolosa à receptação.
Sujeito ativo do crime: é um crime comum, não há qualidade específica.
Na causa de aumento do §1, aí tem que ser funcionário público. Incide na 3ª fase de
Hungria.
Sujeito passivo é o Estado, pois ofende a fé pública.
Não há necessidade de dolo específico, basta apenas querer adulterar ou remarcar.
Consumação: crime forma, de consumação antecipada ou resultado cortaod. Se
consuma quando da adulteração ou remarcação.
Há necessidade de prova material porque é crime nõa transeunte, ou seja, deixa
vestígios.
Tentativa: é possível, pelo caráter plurisubsistente do crime.
É um crime de Ação Penal Pública Incondicionada.
É um crime de concurso eventual.
Crime unisubjetivo, porque o agente pode remarcar sozinho ou agir em concuro de
pessoas.
§2 trata da figura equiparada. Tem a participação punida a título de autoria, muito
embora tendo ato de auxílio.

Se um agente recebe dinheiro para adulterar o sinal identificador, responde por


coorruopção apssiva e adulteração de veículo.

DELEGADO DE POLÍCIA- POSSE DE ARMA DE FOGO X STJ (28/03/22017)

Recurso em HC 70.141/RJ reforçou uma jurisorudência que já vem sendo aplicada pelo
STJ.
Não basta ser policial para portar arma de fogo, ele tem que ter registro na polícia
federal se for de uso permitido, ou do comando do exército se for de uso restrito.
STJ analizou agra um caso que envolve um delegado de polícia que portava uma arma
de fogo e na casa dele ele tinha outra arma. A justiça epediu mandados de busca. Foi
encontrada a arma na casa do delegado e a que ele estava portando. O Delegado só tinha o
registro das armas na divisão de fiscalização de armas e explosivos, mas não tinha o registro da
polícia federal. Entendendo que o delegado necessita desse registro, o MP ofertou a ação
penal pela prática do delito do art. 12 (posse irregular) e art. 14 (porte ilegal de arma de fogo).
O fato de o delegado figurar no art. 144, o MP usou o art. 20 (causas de aumento de pena).
Art. 20. Nos crimes previstos nos arts. 14, 15, 16, 17 e 18, a pena é aumentada da
metade se forem praticados por integrante dos órgãos e empresas referidas nos arts. 6o, 7o e
8o desta Lei.
Um Delegado foi abordado na rua sem o registro da arma que está portando. Foi
levado à delegacia. O delegado de delegacia realizaria a prisão em flagrante, mas não poderia
arbitrar fiança, pois, tem que levar em consideração as causas de aumento (art. 14 c/c/ art.
20=> 4 anos + ½, ultrapassando os 4 anos que permite o arbitramento da fiança pelo
delegado).
Porte de arma de fogo de calibre diferentes responde por dois crimes, de uso permitido
e de uso restrito, entende STJ.

O art. 19 estabelece uma causa de aumento para o comércio ilegal e o tráfico de arma
de fogo.
Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a
arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.

Voltando paa o art. 12 e 14:


- Autorização para aquisição de arma de fogo é dada pelo SINARM.
Não basta somente a autorização do SINARM, tem que ter o certificado de registro da
PF. A defesa do delegado, entre outros requisitos, alegou que o delegado não ter registro é
mera irregularidade a ser resolvido no âmbito administrativo. Utilizou o princípio da
adequação social, e considerando o caráter fragmentário do direito penal, onde o agente só
pode ser punido quando não aceita socialmente, e a sociedade tolera um policial portar arma
de fogo tendo registro ou não, tendo que considerar essa conduta como atípica.
Para o STJ, utilizando o principio da lesividade, o porte se registro traz perigo a
sociedade, não havendo que se falar do princípio da adequação social. Há a necessidade de
constar nos bancos de dados do SINARM + o registro na PF.
Resumindo: o fato de ser policial, civil ou militar por si só não proporciona o porte de
arma sem registro; não basta somente a autorização no SINARM, tendo que ter o certificado
emitido pela PF.
Registro com data de validade vencida, STJ entende que é mera irregularidade
administrativa.

Art.155, §1 X ART. 155 §4 X STF

Art. 155 - Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:


Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.
§ 1º - A pena aumenta-se de um terço, se o crime é praticado durante o repouso
noturno.
Furto qualificado
§ 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa, se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas.
O delito de furto, pena de reclusão de 1 a 4 anos, em teseé possível o sursi processual.
Caput é possível arbitramento de fiança, pois a Pmáx. não ultrapassa 4 anos.
Quando se subtrair aproveitando que as pessoas estão dormindo, durante repouso
noturno, a conduta é mais reprovável, tendo causa de incidência de aumento da pena.
Repouso noturno depende dos costumes locais.
§1 encontra-se abaixo do caput e acima das qualificadoras, tem uma corrente
doutrinária que considera o posicionamento topográfico da causa de aumento, sendo aplicada
somente ao furto simples. Que se o legislador quisesse aplicar ao furto qualificado, teria
colocado abaio das qualificadoras.
O STJ entende que não se deve lançar mão de posicionamento topográfico e sim
considerar a natureza jurídica. Para STJ a causa de aumento de repouso noturno aplica-se
também as qualificadoras.
STF, no HC 130.952 (13/12/2016) entendeu que e legítima a incidência da causa de
aumento de pena por crime comentido durante repouso noturno no caso de furto praticado
na forma qualificada.
A súmula 511 do STJ falados privilégios e qualificadoras.
“É possível o reconhecimento do privilégio previsto no § 2º do art. 155 do CP nos casos
de furto qualificado, se estiverem presentes a primariedade do agente, o pequeno valor da
coisa e a qualificadora for de ordem objetiva”.
Ordem objetivo: meios de execução.
Ex: Tício com um alicate quebra a janela de Mérvia e entra em sua residência no
horário noturno. Responde por furto qualificado com a incidência de aumento.
Ex: Tício, durante reposuo noturno, usa uma chave de fenda para desparafusar a janela.
Incide a causa de aumento do horário noturnoo, mas desparafusar não configura rompimento
de obstáculo (assim como retirada de telhas). Responde por furto simples com a causa de
aumento de pena por repouso noturno.

Res nullius é coisa de ninguém. Se apropriar de coisa de ninguém, tem-se a atipicidade


do fato.
Res derelicta, coisa abandonada, é fato atípico também. Por furto é contra patrimônio
de alguém.
Coisa perdida tem dono, e passado prazo de 15 dias de se apropriar de coisa achada,
temse o crime a prazo.

LEI DE DROGAS X ART. 244-B ECA X STJ (30/03/2017)

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele
praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali
tipificadas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da
internet.
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a
infração cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho
de 1990.
O art. traz a conduta de corromper menor.
Infração penal (crime e contravenção).
Induzir o menor é autoria mediata.

Súmula nº 500 STJ (anotada)


“A configuração do crime do art. 244-B do ECA independe da prova da efetiva corrupção
do menor, por se tratar de delito formal.”

Independe se o menor já praticava atos infracionais.


O agente que pratica um delito com o menor, responde pelo delito + corrupção de
menores.
Ex: Tem o furto, que menciona a qualificadora do §4 que se o furto é praticado
mediante concurso de 2 ou mais pessoas. Em sendo um menor, vai contar para incidência da
qualificadora e a corrupção de menores.

A lei 11.3434, legislador estabeleceu diversas circunstâncias em que, praticados os


delitos do art. 33 ao art. 37, a pena aumenta. (Ex: Agente que pratica tráfico e passa para outro
Estado).
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a
dois terços, se:
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as
circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de
missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos
prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais,
recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se
realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em
transportes públicos;
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de
fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito
Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por
qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

O art. 40 tem muitas jurisprudências: CESPE adora esse artigo.


- Não há necessidadeque a droga saia do país.
- Não hhá necessidade de pessoa do outro país articipar.
Praticar tráfico junto com adolescente não há de aplicar o art. 244-B?
Responde pelo art. 33 com a causa de aumento do art. 40, VI+ corrupção? Ou somente
pelo art. 33 com a causa de aumento?Se fosse furto qualificado, ele iria responder pelo furto
qualificado a corrupção.
Essa questão foi levado ao STJ no Resp 1622781 (12/12/2016) e entendeu que o art.
244-B é crime formal, e o agente responde independente do menor estar corrompido. Não s
epode utilizar o fundamento de afastar o art. 244-B quando o agente pratica o tráfico com
menor que já pratica atos infracionais por ser um crime formal. Muito embora não pudesse
usar esse argumento, o STJ utilizou outro argumento para afastar o art. 244-B, quando for
visualizada a prática do delito dos arts. 33 a 37 da lei de drogas que envolver ou visar criança
ou adolescente, o agente vai responder somente pelo art. 33 + causa de aumento do art. 40, VI
pelo princípo da especialidade.
STJ só fez referência ao art. 40 (que fala dos arts. 33 a 37), então, fora esses arts, o
agente responde pelo crime + corrupção de menores, porque aí não tem a causa de aumento,
independente se o menor encontra-se corrompido.
Droga é somente o que tem na portaria da Anvisa. Cola de sapateiro e bebida alcóolica
responde no ECA, porque não estão elencadas na portaria.

AÇÃO DE POLICIAIS MILITARES NO RJ: LEGÍTIMA DEFESA X HOMICÍDIO QUALIFICADO


(31/03/2017)

Caso: Policiais militares alvejaram dois meliantes numa suposta troca de tiro. Segundo
os PM’s eles estavam em legítima defesa. Comparecendo à delegacia, os policiais receberam
voz de prisão, pois so delegado entendeu estar em flagrante, de homicídio qualificado por
impossibilidade dedefesa da vítima.
O art. 23, CP elenca as causas de excludentes de ilicitude. Entre elas tem a legítima
defesa (usando moderadamente os meios necessários, repele injusta agressão atual o
iminente). Na legítima defesa (LD) a agressão deve ser humana.
Se for um cão atacando um policial, e ele atira, tem-se, em tese, o estado de
necessidade. É uma agressão animal. Seria LD se uma outa pessoa instigasse o cachorro para
atacar o policial, pois o animal eria utilizado como instrumento meio.
Meios necessários são os meios disponíveis no momento. O emprego da arma de fogo
pode ser o único disponível no momento, anaçizando os outros requisitos.
Se o PM atira, para neutralizar o agente e após a utilização dos meios moderados ele
continua efetuando disparos, teremos o excesso.
Outro requisito da LD é que o agente tem que ter conhecicmento da situação
justificante. Ex: Tìcio atirou em Mévio, ele queria matá-lo. No momento que ele atirou, ele não
tinha conhecimento que Mévio estava sacando a arma para atirar em Pedro, desse jeito a
corrente majoritparia entende que não é LD. Corrente minoritária entende que sim, porque o
tipo penal do art. 25 não fala que teria que ter conhecimento da situação justificante.
Quanto ao aspecto subjetivo, a LD pode ser real ou putativa. A LD putativa recai sobre
uma discriminante putativa, o agente acha que está sendo agredido, quando não é verdade.
Ex: Tício caminha num local escur e encontra Mévio seu desafeto. Mévio coloca a mão no
bolso e Tício acha que ele ia atirar, e saca primeiro sua arma e atira, quando na verdade Mévio
estava pegando uma carta no bolso para entregar a Tício. È LD putativa decorrente de erro de
tipo. Local totalmente escuro, não tinha como saber que era uma carta, tem o erro de tipo
invencível (exclui dolo e culpa). Se o local tinha iluminação e dava para Tício ter verificado, o
erro de tipo é vencível e Tício responde por homicídio culposo.
A LD subjetiva é a q que decorre da exaltação de ânimo. Ex: Tícia foi agredida pelo
Mévio, estuprador. Mévio com uma faca começa a agredir Tícia para estupra-la. Tícia começa a
agredir Mévio e consegue tirar a faca dele, atingindo-o. Mévio já neutralizado, Tícia continua a
atingí-lo. Não se pode esperar outra reação de Tícia. Tem a LD subjetiva, decorrente do
excesso escusável. Essa LD não é real, pois decorre do excesso. Não sendo uma excludente
real, ela exclui a culpabilidade (exigibilidade de conduta diversa). Mévio agora pode agir em LD
contra o excesso da vítima de estupro, e será LD sucessiva.
Quanto a forma da LD, o que vem a ser a LD agressiva? A vítima é agredida e age
provocando uma lesão corporal em seu agressor.
Temos o excesso doloso (agente tem intenção de se exceder), o culposo (agente não
observa o dever jurídico de cuidado e acaba se excedendo) e o acidental.
Ex: Vítima age em LD e acaba neutralizando seu ofensor e acaba torcendo muito o
braço dele, sem querer. É um excesso culposo.
Excesso esculpante (exclui a culpabilidade) é o excesso da LD subjetiva.

De acordo com o caso concreto: a LG desafia agressão atual ou iminente. Quando o


policial chegou, já tirou a arma do meliante. O meliante mexe somoenos o rosto, não reagiu, e
o PM já atirou. Não se tinha agressão real, o que o PM pode tentar alegar é que eles pensaram
que o meliante iria atirar, entrando assim na falsa noção da realidade, errando no contexto
fático (LD putativa).
LD putativa vai entrar a ausência do dever jurídico de cuidado.
Em tese, os policiais vão alegar LD putativa decorrente de erro vencível, para responder
apenas por homicídio culposo.
Zouk: analisando as imagens, não vê erro de tipo vencível. Em momento algum o
meliante chegou a, se quer, esticar a mão. Analisando como técnico vê um disparo doloso, sem
possibilidade de defesa da vítima. EM relação ao segundo policial, o meliante nem arma perto
tinha e não se movimentou.
Policiais foram levados à delegacia. O delegado, para prender em flagrante, tem que ter
a justa causa robustecida (não com provas concretas, mas com base no acervo probatório
indiciável). Diante das imagens, o delegado agiu correto em prender os PM por homicídio
qualificado.
Se os policiais estivessem diante de LD real, o delegado pdoeria prender? Duas
correntes doutrinárias:
- 1ª O delegado teria que prender, inclusive quem age acobertado pela LD, pois esse
juízo quem tem que fazer é o juiz. Art.310, §único: Parágrafo único. Se o juiz verificar, pelo
auto de prisão em flagrante, que o agente praticou o fato nas condições constantes dos incisos
I a III do caput do art. 23 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal,
poderá, fundamentadamente, conceder ao acusado liberdade provisória, mediante termo de
comparecimento a todos os atos processuais, sob pena de revogação.
Se for auto de prisão em flagrante, o agente tem que estar preso. É o juiz que tem que
analisar, até em situação flagrancial, se tem LD.
-2ª Diz que a liberdade é u direito constitucional e o art. 310 fala em juiz em
interpretação extensiva, devendo entender que o delegado também. O delegado entendendo
que agiu em LD pode conceder liberdade provisória, ele vai instaurar o IP, mas vai conceder a
liberdade provisória fazendo a interpretação extensiva.
Como se resolve isso?
Se fosse o Zouk, o agente agindo em LD e chegando em sua delegacia, não prendia,
chamaria a interpretensão extensiva.
Em prova objetiva, o art. 310 não fala em delegado, ou seja, somente o juiz.
A vedação da prisão em flagrante por representação foi afastada do CPP.
Ex: Vamos supor que os policiais agiram em LD. Depois de 2/3hr eles se apresentam na
delegacia. Delegado vai lavrar o flagrante? Não, porque os PM’s não se encontram nas
hipóteses do art. 302 (não há situação de flagrante) E NÃO PELAS EXCLUDENTES DE ILICUTDE!
GÊMEOS XIPÓFAGOS X HOMICÍDIO (02/04/2017)

Gêmeos xipófagos ou siameses.


Caso concreto: Os gêmeos, ligados por um órgão, e um deles praticou o homicídio
contra a vontade do outro. Como fica no âmbito penal?
O Brasil adota o princípio da individualização da pena, que deve recair somente no
autor da infração penal, na medida da sua culpabilidade. O princípio direciona a aplicação da
pena levando em consideração a personalidade do agente, a sua culpabilidade.
Os gêmeos são pessoas diferentes, embora estejam dividindo o mesmo corpo. Ao
aplicar a pena em um, o outro por reflexo também vai sofrer a pena.
Em sede constitucional também tem o princípio da intranscedência, onde a pena não
pode passar da pessoa do condenado. A reprovabilidade da conduta só cabe a quem pratica o
ato.
A responsabilidade penal é subjetiva, respondendo o agente somente se ele giu com
dolo ou culpa. Assim não cabe ao outro irmão.

Em 1811 há um relato de dois irmãos xipófagos, Cheng e Yeng, com vidas


completamente diferentes. Cada um se casou, tiveram seus filhos.
Essa deformidade não exclui a culpabilidade. Para excluir a culpabilidade tem-se a
imputabilidade. O agente no tempo do crime tem que entender caráter ilícito do fato e agir de
acordo com esse entendimento.
Tício e Mévio, siameses, e ambos querem matar João. Tício passa a arma para Mévio
que, atira. Temos o concurso de pessoas e ambos irão responder por homicídio consumado.
Como o direito penal se posiciona? O DP é direcionado a aplicar a pena de forma
individual, mesmo que ele tenhha agido e concurso, a pena é individual. O art. 29 deixa claro
que pode ter um partícipe com pena maior que um autor. Ex: Partícipe que auxiliou na prática
de u furto. Partícipe é dedicado ao crime e o autor iniciou agora sua atividade criminosa. Na
hora de individualizar a pena o partícipe pode ter pena maior, considerando sua culpabilidade.
No caso concreto, um irmão atirou contra a vontade do outro, temos duas correntes:
- 1ª Tem que ponderar bens jurídicos. Há interesse da sociedade em punir, mas e o
direito de liberdade do inocente? Assim é melhor deixar um culpado solto do que prender um
inocente. Não há possibilidade de aplicação da pena em quem efetuou o disparo, pois
ofenderia a individualização da pena, a intrancedência e a responsabilidade penal subjetiva.
-2ª Entende que é mais viável condenar o que realizou o disparo, mas só aplicar a pena
em eventual delito do inocente. Ex: Tício realiza o disparo de arma de fogo. Os dois são
condenados. Quando Mévio praticar um delito, prendem-se os dois. Cumprindo a pena do
crime que tem a menor pena.
Há quem enrenda ainda que deveria ocorrer a prescrição do delito (suspensão) e há
quem entenda que deveria aplicar a pena até que ocorra a prescrição.
A solução mais adequada é a da 1ª corrente.
Quando gêmeos xifópagos figuram quando vítima: Ex: Pedro atira para atingir Tício e
mèvio. Teríamos uma ação com pluralidade de resultado, tem o concurso formal
imperfeito/impróprio, aplicando-se o cúmulo material. Se Pedro realiza querendo atingir
somente o Mévio, tem-se dois homicídios, um com o dolo direto e outro com dolo eventual,
em concurso formal imperfeito. Dolo eventual porque ao atirar para eliminar Tício, pode
acasionar a morte de Mévio, assumindo o risco.
Se Pedro atira para matar Tìcio, que vem a óbito, mas é realizada uma cirurgia e Mévio
permanece vivo. Tem um homicídio consumado e uma tentativa, em concurso formal
imprório.
DENÚNCIA ANÔNIMA X PIC/ MINISTÉRIO PÚBLICO X STF

Notícias criminis inqualificada/Denúncia anônima: notícia de um crime onde não tem a


qualificação de quem está passando≠ Delatio Criminis postulatória ( tem uma delatio em um
crime de açãoo penal pública condicionada a representação=> o agente deleta equer uma
postura).
O MP hoje, conforme decisão do STF, tem plenos poderes investigatórios.
Parte da doutrina, capitaneada pela polícia judiciária, entende que o MP tem poderes
apenas para propor ação penal e, não para investigar, porque a CF assim não fez. E a polícia
judiciária invstigr os crimes. Essa corrente tem que ser mencionada em uma prova de
delegado!
Prevalece a teoria portuguesa: teoria dos poderes implícitos. Se o MP pode propor ação
penal (que é o mais), ele não pode investigar (que é menos)? Ou seja, quem pode mais, pode
menos.
MP não pode instaurar inquérito policial. MP pode requisitar a instauração de IP.
MP investiga através do procedimento de investigação criminal (PIC), instaurado no
âmbito do MP, com base na teoria dos poderes implícitos.
A atribuição é do delegado de indiciar. MP e juiz não pode mandar delegado indiciar.
Ato de indiciar demanda justa causa e o delegado dento da sua analise técnica e jurídica é que
vai entender se deve indiciar ou não.
O juiz pode mandar o delegado desindiciar, porque não é ato privativo do delegado. Se
o juiz entender que alguém está indiciado sem justa causa, e a defesa entrar com HC, o juiz
pode madar desindiciar.

Pedra de toque: MP estadual, após receber diversas denúncias anônimas da


prática de crimes e seus possíveis autores, procedeu investigações preliminares (oitivas
informais de testemunhas). Após essas investigações preliminares, o MP entendeu que
teria justa causa para instaurar um procedimento. MP instaurou um PIC e entendeu por
representar pela interceptação teefônica. O juiz deferiu a medida.
O art. 3 na lei 9296 dá legitimidade ao MP
Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser determinada pelo
juiz, de ofício ou a requerimento:
II - do representante do Ministério Público, na investigação criminal e na instrução
processual penal.

MP pode representar, tanto em fase de investigação, como em sede de instrução


processual.
Por força do art. 1, a representação deve ser dirigida a um juiz competente:
Art. 1º A interceptação de comunicações telefônicas, de qualquer natureza, para
prova em investigação criminal e em instrução processual penal, observará o disposto
nesta Lei e dependerá de ordem do juiz competente da ação principal, sob segredo de
justiça.

* Cuidado com a aplicabilidade da teoria do juízo aparente: se o juiz, na época,


aparentava ser competente, e ao final da investigação descobriu que não era competente
desde o início, a prova é válida.
Ex: Delegado que representa por uma interceptção entendendendo se tratar de
um tráfico doméstico. O juiz estadual defere a representação. Ao final do relatório
descobriu-se que desde a época quando o delegado epresentou, era tráfico internaciona.
Ou seja, delegado não tinha atribuição e o juiz era absolutamente incompetente. Tráfico
internacional é justiça federal. Pela teoria, na época não tinha como o delegado saber que
era tráfico internacional, e o juiz estadual aparentava ser competente, aplica-se a teoria
do juízo competente e a interceptação é válida.
Se é um delegado que não tinha atribuição para investigar determinado fato, não
se fala em prova nula. Delegado não tem competência. Um flagrante feito pelo delegado
estadual de crime federal, o flagrante é válido e o juiz estadual declina para a justiça
federal. Não tem que falar em nulidade e ter que relaxar o flagrante.

Voltando a pedra de toque: MP que realizou q[o PIC e representou ela


interceptação telefônica, juntamente com outras provas levantadas, ofertou a ação penal.
A defesa pediu a nulidade do processo porque: não constam nos autos as provas de
investigação preliminares e o PIC intaurado foi com base somente em denúncias anônimas
e que durante as inestigações tinham sido deferidas diversas prorrogações, o que
vilipendiava a lei (que diz prorrogar por 15 dias, não permitindo diversas prorrogações). O
STF no HC 133148/ES (21/02/2017) entendeu que é possível a instauração de
procedimento de investigação, seja PIC ou IP, com base em denúncias anônimas, desde
ques sejam realizadas outras diligências (e o MP fez oitiva informal antes da instauração
do PI).
O que não é possível é instaurar exclusivamente com base em denúncias anônimas.
Ex: Tício liga para a delegacia e falapara o delegado que mataram Mévio. O
delegado instaura inquérito com base eclusivamente nessa denúncia, não pode. Temq eu
primeiro apurar a veracidade do fato.
Entra o que chamamos de VPI, muito questionado pelo MP. O delegado, antes de
instaurar IP, tem que verificar a procedência das informações (VPI).
Quando defesa alegou diversas prorrogações, o STF entende ser pacificado qeé
pos´sivel a concessão de diversas prorrogações, desde que, haja razoabilidade, que
demanda uma fundamentação.
Interceptação telefônica abrange os crimes apenados com reclusão. Tem que ter
indícios de autoria ou participação doa utor em infração penal, afastando a interceptação
prospectiva (interceptação realizada para apurar fatos futuros, com base em juízo de
periculosidade).

QUESTÕES CESPE PARA DELEGADOS- LEIS 10826/03 E 8072/90 (04/04/2017)

1) Delegado- PF- 2013: Um homem foi flagrado com arma de fogo de uso restrito,
tendo a perícia técnica posteriormente atestado a cabal impossibilidade de o instrumento
produzir disparos. Nessa situação, configura-se atípica a conduta de porte de arma, não
podendo ser considerado o uso desse artefato para a prática de outra infração como
majorante de pena pelo uso de arma.
R: Correto.
A lei 10826 dá tratamento homogêneo a porte ou posse de arma de fogo de uso
restrito, diferente de como trata porte e posse de uso permitido.
Sendo de uso permitido, para o porte ou possse, o delegado pode arbitrar fiança.
Se a arma é de uso permitido, mas está com o sinal raspado, não pode aplicar fiança
porque o agente responde como se de uso restrito fosse. Art. 16.
Se a arma está sendo portada por policial civil, maas não tem autorização legal (sem
registro), vai responder por porte ilegal. Não pode arbitar fiança na esfera policial, pois
considera as causas de aumento do art. 20.
Diferente não ter registro e ele está vencido!
A questão menciona que a arma é absolutamente inapta para realizar disparos não
entra no coneito técnico de arma, se compara a um simulacro, constituindo fat atípico.
Cuidado: se a arama tem uma uneta acoplada, o agente responde pelo acessório.
Arma de pressão: STJ entende que a importação é contrabando.
Não entra no conceito de arma de fogo portar arma de pressão, não é fato típico.
Para STF, Se portar arma de brinquedo, se for similar a arma de fogo, se estiver
importando considera-se contrabando.
NÃO é do estatuto do desarmamento importar arma de briquedo ou arma de pressão.
STF entende que importação de colete balístico é contrabando também.
Arma de brinquedo não pode ser considerada para majorar pena de um delito, a arma
configura grave ameaça.
Mara majorar, basta ser arma, não necessariamente tem que ser de fogo.

2) Delegado- MPAC- 22014: Segundo entendimento consolidade do STJ, a


potencialidade lesiva da arma é um dado dispensável para a tipificação do delito de prote
ilegal de arma de fogo, pois objeto jurídico tutelado não é a incolumidade física, mas a
segurança pública e a paz social, colocados em risco com a posse ou porte de armas.
R: Correta.
Os crimes elencados na lei 10826 são de perigo abstrato. Porte de arma desmuniciada,
para STJ e STF configura infração penal. Não só porte de arma de fogo desmuniciada, como
porte de acessório, porte de munição.
A regra é que não se aplica princípio da insignificância em porte de uma arma ou de um
acessório, pois são crimes de perigo abstrato.
Qual a potencialidade lesiva de arma desmunicada: é dispensada sua potencialidade
quando se raciocina com a configuração de crime de arma desmuniciada.

3) Delegado- MPAC- 2014: Se for possível, mediante o uso de processos físico-


químicos, recuperar numeração e arma de fogo que tenha sido raspada, estará
desconfigurado o crime de porte ilegal de arma de fogo de uso restrito, devendo a conduta
ser classificada como porte ilegal de arma de fogo de uso permitido.
R: Errado.
Mesmo que se recupere a numeração da arma, o crime está materializado.
É possível arbitramento de fiança em porte ou posse de arma de fogo de uso restrito?
Sim. É possível arbitramento de fiança em todos os crimes do estatuto do desarmamento,
todos são afiançáveis. Até 4 anos são afiançáveis na esfera policial, acima de 4 anos, na esfera
judicial.
Se Tício porta uma arma de fogo de uso permitdo e através de oxidação alterou o sinal
de identificação dessa arma, será que ele vai responder por porte ilegal de uso restrito?
Depende. O direito penal adota a responsabilidade penal subjetiva. Tem que verificar se Tìcio
tem o conhecimento de que o sinal foi adulterado. Se ele tem conhecimento, ele responde por
porte ilegal restrito; se ele não sabe, responde por porte ilegal de uso permitido. Se Tício não
sabe da alteração e for responsável mesmo assim, estaríamos adotando a responsabilidade
objetiva no sentido de aplicar o art.16 em relação a oxidação; em relação ao porte é subjetiva
porque ele queria portar a arma de fogo.
No art. 16§único, V: menciona vender arma de fogo a criança ou adolescente, CUIDADO
para o legislador não dizer que é crime do ECA!
Art. 16. Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar,
ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou
ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em
desacordo com determinação legal ou regulamentar:
Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem:
V – vender, entregar ou fornecer, ainda que gratuitamente, arma de fogo, acessório,
munição ou explosivo a criança ou adolescente;

Um policial chega em casa e deixa a arma de fogo em cima da mesa para que o filho
dele pegue. O filho dele pega. Isso não é art. 13 porque nele é crime culposo. Se o policial
deixou a arma intencionado, tem o dolo. Cai no art. 16, §único, V. CUIDADO: tem que olhar se
ele deixou a arma culposa ou dolasamente com a intenção do filho dele pegar a arma.
Art. 13. Deixar de observar as cautelas necessárias para impedir que menor de 18
(dezoito) anos ou pessoa portadora de deficiência mental se apodere de arma de fogo que
esteja sob sua posse ou que seja de sua propriedade:
Tem divergência na doutrina para que configure o art. 13 tem que acontecer o
aponderamento. Outra parte da doutrina ententende que não, porque a lei assim não faz.
Se o policial não tomou as cautelas necessárias, independe se teve aponderamento ou
não.
O art. 13 é um tipo híbrido, tem a modalidade culposa no caput e no §único tem que
ter o dolo. Um aluno perguntou quando começa a contar o prazo para apresentar para Polícia
FEDERAL? A letra da lei diz que depois de ocorrido o fato tem 24hrs (letra de lei). No contexto
fático, é a partir do conhecimento do fato que o tempo irá contar, para não admitir uma
responsabilidade objetiva do diretor ou responsável da empresa.
Há posicionamento da doutrina que pode registrar a ocorrência e comunicar a polícia
civil.*
Respondendo a qustão: ERRADA. Não desconfigura o delito de porte de arma de fogo
com sinal de identificação de sinal raspado.
OBS: Ficar ligado no porte de arma de fogo de uso permitido ou restrito; comércio
ilegal de arma de fogo e causa de aumento do art. 20 e a vedação de liberdade provisória do
art. 21 que foi considerada inconstitucional.

4) Delegado- MPAC-2014: Responde pelo crime de porte ilegal de arma de ilegal de


arma de fogo o responsável ilegal de empresa que mantenha sob sua guarda, sem
autorização, no interior de seu local de trabalho, arma de fogo de uso permitido.
R: ERRADO, o delito é posse irregular de arma de fogo. É crime próprio.
Tício trabalha em uma padaria. Seus colegas ficam sacaneando ele e Tìcio reslve levar
sua arma de fogo para padaria para se defender. Isso é porte de arma de fogo, porque Tìcio
não é o responsável legal da empresa.
Se o agente está com arma de fogo na sua cintura em sua residência, tem-se a posse de
arma de fogo (intra muros). Se ele está fora do quintal, tem extra muros, porte.
Tício te uma arma de fogo enterrada no quintal foi ocultada, e o art. 12 não traz o
verbo ocultar, cai no art. 14, respondendo pelo porte, mesmo sendo intra muros.
O art. 12 é possível fiança na esfera policial e não se aplica o art. 20.
Policial com arma de fogo em sua residência, sem o registro responde por posse
irregular de arma de fogo. Posse irregular de arma de fogo por policial não incide a causa de
aumento do art. 20 porque so se aplica do art. 14 ao 18, não se aplica aos art. 12 e 13.
Tício em seu caminhão é abordado em uma blitz e tinha uma arma no interior do
caminhão. Foi preso, delegado prendeu pelo porte. MP oferta ação pelo porte. Defesa alega
que o caminhão é local de trabalho sendo, portanto, posse de arma de fogo. STJ: não entende
caminhão como local de trabalho e, sim como instrumento de trabalho.

5) Delegado- PCPE- 2-16: Lucas, delegado de polícia de determinado estado da


Federação, em dia de folga, colidiu seu veículo contra outro veículo que estava parado em
um sinal de trânsito. Sem motivo justo, o delegado sacou sua arma de fogo e executou um
disparo para o alto. Imediatmente, Lucas fois abordado por autoridade policial que estava
próxima ao local onde ocorrera o fato. Nessa situação hipotética, a conduta de Lucas poderá
ser enquadrada como rime, com possibilidade de aumento de pena, devido ao fato de ele ser
delegado de polícia.
R: CERTA
Ao realizar um disparo em via pública, o fato de ser delegado de polícia, há sim
incidência de causa de aumento.
Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas
adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como
finalidade a prática de outro crime:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
É possível arbitramento de fiança na esfera policial, desde que, não tenha sido um
policial civil ou militar, pois irá incidir causa de aumento.
A vedação da fiança no art. 15§único foi considerada inconstitucional. É possível sim
liberdade provisória inclusive com fiança!
É possível a liberdade provisória com ou sem fiança.
Atenção as causas de aumento do art. 19.
Art. 19. Nos crimes previstos nos arts. 17 e 18, a pena é aumentada da metade se a
arma de fogo, acessório ou munição forem de uso proibido ou restrito.
Comércio ilegal de arma de fogo e tráfico internacional de arma de fogo tem pena
aumentada da ½ se forem de uso proibido ou restrito.
Tício dá diversos tiros para o alto, 15 tiros. Responde por um crime só, a quantidade de
disparos é considerada na dosimetria da pena.
Disparo e Porte: se ele pega a arma de fogo e realiza disparos, o disparo vai absorver o
porte. CUIDADO: há entendimento de que tem que verificar se há contexto fático distinto.
Portar arma há muito tempo e em outra data ter efetuado disparos, responde pelos dois.

Pontos importantes:
- Súmula 711 do STF: se sai lei mias grave aumentando a pena do porte, passando de 2
a 6, e o agente está portando essa arma, aplica-se a lei mais gravosa. Crime continuado.
- Porte ou posse de arma de calibres diferentes responde por dois crimes.
- Conselheiro de tribunais de contas são equiparados aos magistrados, portnto, tem
direito ao porte de arma.
- Policial civil aposentado perde o direito ao porte funcional.
- Porte de arma de fogo não há necessidade da apreensão da arma e perícia, mas, se
apreender, tem que realizar a perícia.
- O praticante de tiro esportivo, em alteração recente, pode transportar essa arma
municiada.
- Agente recebe arma de fogo produto de crime responde por receptação e porte ilegal
de arma de fogo em concurso material. Não se aplicao o princípio da especialidade.

Porte de arma de fogo x legítima defesa:


Ex: Tício sacou uma arma de fogo que ele já portava há muito tempo e caminhava por
um local ermo e encontrou seu desafeto e ao ver seu desafeto sacar arma, Tício atira. Em
relação a tentativa de homicídio tem uma excludente, a legítima defesa. Em relação ao porte,
Tício responde.
O agente pode estar acobertado por duas excludentes de licitude ao mesmo tempo.
Egítima defesa e estado de necessidade simultâneo: é possível. O que não pode é com
estado de necessidade recíproco.
Ex: Tício tem um desafeto, que vem em sua direção e saca uma arma. Tìcio pega a arma
do policial e atira no desafeto. Tìcio está acobertado por duas excludentes: em relação ao
roubo da arma (estado de necessidade), em relação ao homicídio (legítima defesa simultânea).
Ex: Minha mãe está passando mal e eu tenho que leva-la ao hospital e não tenho carro.
Sei que ninguém vai querer parar o carro para me ajudar. EU corro na rua e aponto uma arma
para um carro que está vindo, só que dentro tinha um policial, que pega sua arma e atira em
mim.Quando eu fui subtrair o veículo era para salvar um bem jurídico, a vida da minha mãe,
uma situação real (estado de necessidade); o policial que atirou em mim pensou que minha
agressão era injusta e teve uma falsa noção darealidade, agindo em erro de tipo, ele encontra-
se em legítima defesa putativa. Essa legítima defesa dele é decorrente de tipo vencíve ou
invencível? Se vencível, ele responde por homicídio culposo, pois exclui o dolo. Se invencível,
exclui o dolo e a culpa.
Zaffaroni chama erro de tipo de cara negativa do dolo porque o dolo é sempre
negativo, é sempre excluído.

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITO DE DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA- ART. 339 DO CPB


PARTE 1 (10/04/2017)

Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial,


instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de
nome suposto.
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

Esse delito é muito ligado às ocorrências que navegam em uma delegacia.


Pessoa que imputa a outra pessoa um fato criminoso ou contravencional, dando ensejo
a instaração de IP ou de um TCO.
Num primeiro momento, entende que o crime de denunciação caluniosa só ocorre se o
agente imputar um crime a uma pessoa e levar até uma delegacia de polícia e iniciar a
investigação. Aqui cabe crime (caput) e no §2º traz a contravenção.
§2º é a denunciação caluniosa privilegiada.
A lei 10.028 inclui a investigação administrativa, inquérito civil e a ação de improbidade
administrativa.
Parte da doutrina entende que esse é um crime complexo porque tem a calúnia
(imputar fato criminoso) e além dela, leva essa informação a uma delegacia, ensejado a
instauração de um procedimento. (Masson).
Noutro giro, parte da doutrina entende que não é crime complexo (pois teria que ter a
fusão de dois tipos penais) e sim um crime progressivo porque para chegar ao crime mais
grave (levar ao conhecimento de uma ação criminosa em que sabe ser o agete inocente) passa
pelo crime de calúnia para praticar um crime mais grave de denunciação. (Rogério Sanches).
É importante saber que esse delito é um crime contra a administração da justiça
porque pode ensejar um processo na falsa percepção da realidade.
Objeto jurídico tutelado: primeiramente tem a administração pública (imediato) na
órbita da justiça. De forma secundária tem a pessoa a quem foi imputado o fato criminoso.
Objeto material: investigação policial, investigação administrativa, inquérito civil ou
ação de improbidade administrativa.
Quando o legislador fala: instauração de investigação policial há referência a IP? Tício
que vai a uma delegacia e diz que Mévio praticou roubo, sabendo ser inocente. Há uma
investigação preliminar em curso (não tem ainda IP instaurado) e a corrente majoritária
entende que não há a necessidade de instauração de IP para configurar a denunciação
caluniosa.
É importante ressaltar que parte da doutrina minoritária (Nucci) só há denunciação
caluniosa consumada com IP instaurado e posterior indiciamento. Atribuição delituosa falsa
que não intaura IP não há que se falar no delito do art. 339.
Se Tício vai até uma delegacia e comunica o dlegado que évio está recebendo droga na
casa dela nesse momento. O delegado se dirige até a casa de Mévio, esse deslocamento se
considera investigação, já configurando a denunciação caluniosa pela corrente majoritária, par
a a minoritária, como não instauruou IP, tem somente tentativa
STF: Para configurar o art. 339 consumado, não há necessidade de indiciamento,
andando em conformidade com a corrente majoritária.

Ex: Um agente atribui uma falsa comunicação de uma conduta delituosa ligada a crime
contra o meo ambiente. Essa informação ainda não chegou a delegacia, foi levada direto ao
MP. MP resolve instaurar logo uma ação civil pública. Ação civil pública dá ensejo a processo
civil e não penal, mas quando a lei fala em processo judicial, engloba os dois (processo judicial
e processo civil).

- Investigação administrativa:
Tanto a instauração de investigação policial, quanto de processo judicial ou de
instauração de investigação administrativa tem que decorrer da atribuição do agente a uma
conduta delituosa a uma pessoa que ele sabe inocente, o de uma conduta contrvencional.
Ex: Tício chega a uma corregedoria e diz que Mévio trabalha muito mal, isso sendo
mentira. A corregedoria decide instaurar PAD para apurar falta disciplinar isso NÃO configura
denunciação caluniosa porque o PAD foi instaurado com base em fato atípico (não constitui
crime e nem contravenção).
Ex: Tício fala que Mévio, funcionário úblico, furtou objeto que estava na custódia da
administração, sabendo ser Mévio inocente. Tem aqui o crime peculato furto (se aproveitando
de suas funções para subtrari o bem). O fato ainda não chegou na delegacia, mas foi
instaurado uma sindicância. Durante a sindicância descobriu-se que a acusação era falsa.
Rogério Sanches entende que há consumação da denunciação caluniosa, mas o STJ e Masson
entendem que quando a lei fala de investigação administrativa refere-se a PAD e não
sindicância.
STJ: entende que tem que ter PAD instaurado para configurar a denunciação caluniosa.

- Inquérito civil:
Alei também faz referência ao inquérito civil, que é destinado para obter informação
para subsidiar uma ação civil pública. Então se um agente imputa fato criminioso a uma pessoa
que ele sabe ser inocente e esse fato dá ensejo a uma ação civil pública, tem-se materializado
a denunuciação caluniosa.
Ex: Agente atribui à prática de um delito da relação de consumo. MP instaura um
inquérito civil para propor defesa de direitos mea indiivsuais. Tem-se maerailizado o crime. É
difente se um agente diz que Tício está ofendendo direitos do consumidor, e a ofensa a esses
direitos não configuram crime contra a relação de consumo, e disso instaura um inquérito civil
(fato atípico, não vai configurar art. 339).

- Imprbidade administrativa:
Ação de improbidade administrativa não depende de IP instaurado.
Pode ter uma ação de improbidade administrativa decorrete de acusação falsa e não
venha ater a denunciação caluniosa configurada. Ex: Eu digo que um prefeito está usando da
publicidade para se promover (estou atribuindo um fato que não é verdadeiro). Isso dá ensejo
a ação de improbidade administrativa por atentar contra os princípios da adm. pública. Não vai
configurar art. 339 porque o fato atribuído ao prefeito é atípico.
O legislador vai jogar um fato e dizer que ensejou um inquérito civil, ou uma ação de
improbidade administrativa ou mesmo uma investigação administrativa, mas não vai dizer que
esse fato é atípico.

A lei 8429/92:
Art. 19. Constitui crime a representação por ato de improbidade contra agente público
ou terceiro beneficiário, quando o autor da denúncia o sabe inocente.
Pena: detenção de seis a dez meses e multa.
Quando esse fato for um fato típico, joga para o art. 339, CP; se esse fato for atípico, cai
aqui no art. 19.
Ex: Agente é acusado de ter praticado um delito da lei 8.666/90 e antes de ser
instaurado um IP é proposto ação de improbidade administrativ. Ao final concluir que o fato é
falso, cai no ar. 339 porque o fato atribuído é típico.

O crime de denunciação caluniosa é um crime de forma livre, pode ser por carta, email,
telefone.
Professor Flávio Queiroz de Moraes aponta uma situação em que um ato omissivo
configura uma denunciação caluniosa.
Ex: Tício e Mévio vão a uma delegacia para comunicar um fato. Chegando lá, Tício
começa a falar e diz que Paulo cometeu um homicídio (sabendo ser falsa) e Mévio ficou ‘na
sua’. Tício fala ainda que Mévio havia testemunhado. No momento em que Mévio ficou quieto,
ele ratifica a opnião de Tício. Configura-se o art. 339 decorrente do silêncio.

No art. 339, essa falsa imputação deve ser relacionada a crime/contravenção e pessoas
determinadas.
Ex: Mévio presenciou Tício subtraindo a bolsa da Mévia. Tício empurrou a Mévia e
levou a bolsa. Mévio vai até a delegacia e ralata o fato, dizendo inclusive que Tício apontou
uma arma de fogo. Mévio imputa o roubo com aumento da arma de fogo. Há de se falar em
art. 339 em relação a causa de aumento? Agravante que não existiu não se fala em art. 339,
por o caput fala que é atribuir crime/contravenção e não agravante.
Diferente se o agente pratica um furto e ao chegar à delegacia, Tício relata que foi um
roubo. Está se imputando um crime, que tem adequação típica.

- Falsidade da imputação:
Ex: Tício imputa à Mévio a prática de um homicídio de Paulo, pelo simples fato de Paulo
ter sumido. Chega ao delegado e diz o que não ocorreu. Isso é falsidade de imputação.
Outra hipótese que pode acontecer, é de um fato ter ocorrido, mas o Tício fala que foi
o Mévio, mas na verdade o autor é o Paulo.
Pode ocorrer que o Tício é autor de um furto com destreza e, Mévio na delegacia diz
que Tício bateu na vítima para subtrari a res. Não há de se falar em causa de aumento aqui. É
um furto e acusação é de roubo, havendo falsidade da imputação.

-Denunciação caluniosa x excludente de iliditude:


O delito do art. 339 traz imputação de crime, se atribuir conduta a uma pessoa e atribui
a essa conduta uma excludente, não se fala em denuniciação caluniosa. No conceito bipartido,
crime é fato típico e antijurídico, adicionando a excludente fica ‘capenga’ a estrutura do crime,
tendo somente o fato típico.
Ex: Tício, em legítima defesa comete um homicídio. Mévio chea até a delegadia falando
que Tìcio cometeu um homicídio.
Raciocinando com conceito tripartido, quando Tício imputa a Mévio a prática de crime,
sabendo que ele é inocente e louco, havendo instauração do IP não teria denunciação
caluniosa porque louco não tem culpabilidade. Se fosse no conceito bipartido, teria
configuração de denunciação caluniosa configurada.
Imputação de fato criminoso a uma pessoa louca, sabendo ser ele inocente. Instaurado
o IP, a depender do conceito de crime adotado, terá ou não configurado o art. 339. Resposta:
Na órbita do finalismo, raciocinando com o conceito bipartido, estaria configurado o ar. 339,
pois crime é fato típico e antijurídico. Ser louco é somente imputabilidade, elemento da
culpabilidade. Teríamo então atribuição de um crime se tiver ocorrido a investigação policial.
Ao raciociocinar co o conceito tripartido, crime é fato típico, antijurídico e culpável, mas o
louco não tem culpabilidade (pois falta a imputabilidade) e não pode praticar crime.

-Denunciação caluniosa em face de causa extintiva de punibilidade:


Ex: Um roubo ocorreu a 30 anos. Tício chega para o delegado e diz que esse roubo foi
cometido por Mévio. Há que se falar em denunciação caluniosa a atribuição de fato prescrito?
NÃO, fato prescrito não pode ensejar investigação.
De um fato prescrito não se pode ter uma denunciação caluniosa? Sim, se desse fato
rpescrito tem uma instauração de investigação administrativa, um inquérito civil ou uma ação
civil pública. Resposta: Em face da lei 10028/2000, essa questão do fato prescrito tem que
considerar os outros tipos de ações trazidos pela lei capazes de configurar denunciação
caluniosa.
O fato de prescrito por si só, no âmbito penal impede a materialização do delito de
denunciação criminosa. ERRADO.

Ex: Mévio chega para o MP e diz que Tício matou o filho ele na estrada ao perder a
direção do carro (homicídio culposo na direção de veículo automotor). MP propõe ação penal.
Juiz concede perdão judicial (causa extintiva de punibilidade).
Será que a concessão do perdão juidical iria desconfigurar o delito do art. 339? A
sentença que homologa perdão judicial demanda de processo, então foi instaurado o processo
e tem a condiguração do art. 339 materializado.

Ex: Mévio foi na delegacia e chegando lá quis atribuir fato criminoso a Tício, dizendo
que ele tinha praticado um homicídio. O advogado de Mévioliga para ele bem na hora do
depoimento e Mévio relata que está dizendo que Tício cometeu um homicídio. O advogado
manda que ele desista disso porque ele sabe que é mentira. Mévio diz ao delegado que quer
desisitir porque não foi o Tício. Mévio acredita estar desistindo dentro dos atos executórios,
tendo então uma desistência voluntária (chamada ponte de ouro, respondendo somente pelos
atos já praticados). Mévio vai responder só pela calúnia.
Ex: Tício vai à delegacia falar que Mévio está praticando jogo do bicho. O advogado liga
para ele e manda ele interromper o depoimento antes de ser instaurado IP. Tício diz ao
delegado que vai desistir voluntariamente. O delegado alega que o advogado o ligou.
Espontaneidade é diferente de voluntariedade. Desistência tem que ser voluntária, não fala
que tem que ser espontânea. Nesse exemplo Tício não vai responder por calúnia porque jogo
do bicho não é crime, é contravenção, então vai responder por difamação.

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITO DE DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA- ART. 339 DO CPB


PARTE 2 (11/04/2017)

Imputar a autria de contravenção a uma pessoa que se sabe ser inocente, ensejando a
uma investigação policial configura o art. 339 de forma privilegiada porque tem diminuição de
pena.
STF: Investigação administrativa tem que ser um processo administrativo. Sindicância
instaurada não configura o delito em comento.

Para configurar a denunciação caluniosa o fato imputado tem que ser típico.

-Arrependimento posterior:
Ex: Tício deu depoimento imputando crime a Mévio, iniciou-se a investigação e antes
do recebimento da denuncia ele se retratou. Causa de diminuição de pena. (Cleber Masson).

A denunciação caluniosa pode ser direta ou indireta.


Ex: Tício foi à delegacia e disse ao delegado que Mévio havia matado
Paulo.(denunciação caluniosa direta)
Ex: Tício liga para a delegacia e relata que Mévio matou paulo, se aproveitando do
anonimato e diz ser Zouk ao telefone. (denunciação caluniosa indireta).
Ex: Mévio pega um relógio e coloca no bolso de Tìcio, depois chama os policiais e o
acusa de furto. (indireta).
Ex: Zouk está ligado que João é filho de um delegado de polícia. Querendo que seja
desencadeada uma investigação, Zouk conversa com João falando que Tìcio havia matado
Paulo e quedeveria ser investigado. João chega em casa e comenta com o delegado, seu pai.
Terceira pessoa induzida a erro. (indireta).
Se Zouk só quiser ofender a honra objetiva de Tício e chega para João e fala que Tício
havia matado Paulo, mas a intenção não é de instauração de IP. Mesmo João indo ao seu pai e
relatadno o fato, Zouk não tinha dolo, então responde somente por calúnia.
Quem entende que é possível o dolo evental no art. 339, entende que no caso de Zouk
conversar com João com intenção de apenas caluniar, entende que responde por denunciação
caluniosa por assumir o risco (Rogério Sanches).
Doutrina majoritária e STF: denunciação caluniosa só admite dolo direto.

- Sujeito ativo do crime:


Via de regra é crime comum.
Ex: Tício pode chegar na delegacia e dizer que Mévio matou Paulo e a investigação ser
desencadeada. Mas se for um crime de ação penal pública condicionada a representação, ou
de ação penal privada (ex: ameaçar alguém), não tem como uma pessoa comum desencadear
a investigação se é um crime que submete a condição de procedibilidade. Assim, só vai ser
sujeito ativo a vítima de ameaça.
CUIDADO: Um prefeito ameaçou um funcionário. O IP não vai ser instaurado porque
demanda a representação do funcionário, mas, pode ter uma ação de improbidade
administrativa instaurada, sendo possível o art. 339.

- Sujeito passivo: Estado na figura da administração da justiça e a pessoa a qual é


imputada a conduta criminosa ou contravencional (será o sujeito imediato).
Menor de 18 anos pode configurar como vítma do art. 339? STJ: SIM, muto embora o
menor não venha a cometer crime e, sim ato infracional.
Pela corrente que adota conceito tripartido, mesmo se fosse ato infracional não
poderia pois o menor éimputável e não comete crime.
Pessoa jurídica pode figurar no polo passivo? Sim, Pode atribuir crime ambiental a uma
pessoa jurídica, sabendo ser a emrpesa inocente ou crime contra a ordem financeira.

- Art. 339 x advogado:


Um advogado que tem ciência de que a pessoa está imputado um fato criminoso a
outra pessoa e, ele subscreve a petição. Assim, vai responder pelo art. 339 juntamente com o
agente.

- Art. 339 x MP
MP propõe ação penal e ao final do processo conclui-se que aquela pessoa não é
autora do delito? Se a denúncia é feita de forma temerária, com abuso de poder, sem a
chamada justa causa e o MP sabe que o indivíduo é inocente, pode o MP responder pelo art.
339.

- Dolo:
STF: entende ter que ser o dolo direito (pois é imputar fato que sabe e, não que assume
o risco).
Ex: Um delegado federal foi cumprir um mandado de busca na casa de uma deputada.
A deputada foi ao MP dizer que o delegado tinha praticado abuso de autoridade. Foi
instaurado um procedimento investigativo e foi arquivado. O MPF propôs ação de denunciação
caluniosa em face dessa deputada. O STF entendeu que ela não agiu com dolo direto (o fato de
pedir a instauração de um procedimento em face de uma suposta conduta de uma autoridade,
não quer dizer que você está dizendo que essa pessoa é autora daqueles crimes). Para o STF a
deputada teria que saber que o delegado não tinha cometido nada e imputar esse fato a ele.
- Art. 339 em face de erro de tipo:
Ex: Tício vê uma pessoa com as características de Mévio e a camisa vermelha atirando
no Paulo. Chega à delegacia e diz que viu Mévio atirando em Paulo, ele está em erro de tipo
(excui o dolo). Como não tem o dolo, não tem o art. 339 materializado.

Se eu me utilizo de uma terceira pessoa que esteja em erro para praticar art. 339
Ex: Mévio chega para João, filho de um delegado, e fala que Tício matou Paulo. João
induzido a erro, provocado por terceiro, vai à delegacia e diz ao pai dele o que Mévio falou. É
uma denunciação por erro de terceiro. Quem está agindo em erro é um mero instrumento
(autoria mediata). Mévio responde pelo art. 339. O terceir tem que ser de boa fé, caso
contrário entra em coautoria com Mévio.

Ex: Zouk chega para João e diz que Tício matou Paulo, querendo somente ofender a
honra do Tício e não induzí-lo a erro. João vai contar ao pai na delegacia. Não se fala em art.
339, pois Zouk não queria, necessariamente, a instauração de uma investigação. ZOuk só
queria atribuir fato delituoso. Zouk responde por calúnia.

Obs:
A doutrina aponta que a síndrome se manifesta quando uma mulher, em decorrência
da rejeição atribui fato delituoso a pessoa que ela sabe ser inocente, dando ensejo a uma
investigação criminal.

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITO DE DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA- ART. 339 DO CPB


PARTE 3 (18/04/2017)

O art. 339 menciona dar causa a investigação, imputando-lhe crime que sabe ser
incocente. O caput menciona crime, mas contravenção penal também caracteriza o crime §2
do art. Alguns autores chamam de denunciação caluniosa privilegiada.
Prova: A imputação da denunciação caluniosa tem que ser objetivamente e
subjetivamente falsa. O crime do art. 339 demanda que a imputação seja objetiva e
subjetivamente falsa. Crime não pdoe ter sido cometido pela vítima (o fato tem que ser falso
ou o fato não pode ter ocorrido) e subjetivamente falsa (o agente que pratica a conduta te que
saber que está acusando um inocente.
Ex: Tício imputa ao Mévio uma conduta criminosa, um homicídio, que ele sabe ser
inocente, querendo que seja instaurado um IP. Chegou-se a conclusçao durante a investigação
que Mévio é sim autor ho homicídio, entãoo, a imputação era subjetivamente falsa, mas
objetivamente não é. Logo, não tem a denunciação caluniosa.
Ex: Mévio imputa a Tício a autoria de uma ação criminosa, mas não com a vontade de
falser a verdade, porque ele viu uma pessoa com as mesmas características de Tício atirando
na vítima. Após o fato, apura-se que Tício é incocente. Tem-se uma imputação subjetivamente
verdadeira e o fato objetivamente falso.
Quando se tem um dolo subsequente, tamém não altera o panorama. Ex: Mévio viu
uma pessoa com as características de Tício atirando em Paulo e vai a Delegacia e diz que Tício
matou Paulo. Tem-se uma imputação subjetivamente verdadeira, não tendo o crime do art.
339.
Ex: Mévio diz ao delegado que Tício matou Paulo. A investigação foi prosseguindo.
Mevio tomou conhecimento que um armazém havia filmado as imagens e Mévio vai atrás. Ao
analisar as filmagens Mévio verifica que Tício não matou Paulo e, mesmo assim, fica calado.
Esse dolo superveniente não enseja a caracterização do art. 339.
No delito de receptação é diferente. Ex: Tício compra veículo sem saber ser produto de
crime. Três dias depois ele descobre e, mesmo assim decide ficar com o veículo. Há um dolo
superveniente. Mas, Tício vai responder por receptação dolosa (dolo direto).

-Denunciação caluniosa x auto defea


Será que um agente que se encontra em uma instrução processual e em sua defesa ele
pode acusar outro inocente dando ensejo a uma investigação? Estaria acobertado pela
autodefesa?
Duas correntes:
- 1ª corrente majoritária: O delito do art. 339, mesmo que o agente venha imputar a
autoria de um delito à outra pessoa, ele vai responder pelo art. 339. A autodefesa não abarca a
prática da denunciação. Autodefesa é ampla, mas não é ilimitada.
-2ª corrente: Rogério Grecco- o agente pode sim, na sua defesa, lançar mão de uma
imputação a uma pessoa que ele sabe inocente.
Adotar a 1ª corrente.

- Consumação:
É um delito material, só caracterizando a consumação do delito quando ocorrer o
desencadeamento do Inquérito civil, da ação de improbidade, etc.

Ex: Um promotor de justiça recebeu um IP e tinha imputação falsa a determinada


pessoa, feita pelo Mévio. O MP pede o arquivamento em relação àquela pessoa que ele sabe
inocente, ainda teria atribuição para denunciar Mévio por denunciação caluniosa? O juiz será
competente para homologar o arquivamento e receber a denúncia? Posicionamento fire da
jurisprudências é que tanto MP tem atribuição, quanto o juiz tem competência.

É possível tentativa no art. 339? É um crime plurisubsitente. Ex: Tício acusa Mévio da
prática de uma ação criminosa, de ter matado Paulo. O delegado já sabe que quem matou
Paulo foi José. Isso é denunciação caluniosa tentada porque a investigação não foi iniciada.

- Ação Penal:
Pública incondicionada.
O caput é de elevado potencial ofensivo, não sendo possível aplicar a lei 9099.

- Denunciação privilegiada: quando a imputação recair na prática de Contravenção


penal.
É crime de médio potencial ofensivo.
É possível suspensão condicional do processo.

- Competência: vai depender de onde foi dada início a investigação.


Toda imputação de ato contravencional, sabendo ser a pessoa inocente,a competência
sempre vai ser da justiça estadual porque a a justiça federal não processa e nem julga
contravençõ penal.
- Denunciação caluniosa x calúnia
O crime do art. 339 é contra a justiça; calúnia é contra a honra.
No art. 339 o sujeito imputa crime ou contravenção; na calúnia só se imputa crime.
Imputação falsa de contravenção, tem uma difamação.
Denunciação caluniosa no caput é de alevado potencial ofensivo e o §2 é de médio
potencial. Calúnia, via de regra, é de menor potencial ofensivo.

-Denunciação caluniosa x concurso de crimes:


Ex: Mévio imputa homicídio a Tício, Zouk e Paulo, ele responderá por denunciação
caluniosa em concurso formal de crimes, concruso formal imperfeito de crimes (ele age com
designo autônomo). A intenção de Mévio era dar autoria a três pessoas.
Ex: Tício diz que Mévio sequestrou, matou e ocultou Paulo, sabendo ser falso. Tem-se
crime único, mesmo imputando três fatos. A multiplicidade de delitos será considerado na
dosimetria da pena.
Ex: Tício chega à delegacia em um dia e diz qe Mévio matou Paulo. Uma semana depois
diz que Mévio roubou José. E na terceira semana Tício diz que Mévio matou Luiz. São
momentos distintos, mesmo sendo três fatos distintos, tem concurso material.

O CPM prever a denunciação caluniosa quando ocorre no crime militar.


A lei 12850 no art. 19 tipifica quando no meio da delação começa a acusar alguém que
sabe não ter praticado delito.

TRÁFICO DE DROGAS COM EMPREGO DE ARMAS X LEGÍTIMA DEFESA X DECISÃO TJRS


(15/04/2017)

Art. 40 da lei de drogas estabelece as causas de aumento de pena.


A visão de reprovabilidade da conduta da pática do delito de tráfico em determinadas
circunstâncias, na lei 6368 (antiga lei de tráfico) já existia uma causa de aumento no art. 18 em
torno de 1/3 e 2/3 que se aplicavam a todos os tipo penais.
Com a lei 11.343/06 o examinador deu continuidade desse aumento quando o tráfico é
praticado em determinadas circunstâncias. O examinador além de colocar o art. 33, estendeu
a causa de aumento até o art. 37. Isso é importante quando se tem a questão da incidência do
art. 35 dá a possibilidade do aumento incidir na associação também não só no tráfico. Se a
associação visa um menor dentro da associação, aplica-se o art. 35 com a causa de aumento
prevista na lei de drogas (não há que se falar na incidência da corrupção de menores).
Fazendo uma comparação entre a causa de aumento do art. 40 d lei 11.343 e do art. 18
da antiga lei, verifica-se que a lei 11.343 no que se refere a causa de aumento é uma novation
legis in melius porque aqui a pena aumenta somente de 1/6.
Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um sexto a
dois terços, se:
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as
circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;
II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no desempenho de
missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;
III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de estabelecimentos
prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades estudantis, sociais, culturais,
recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de trabalho coletivo, de recintos onde se
realizem espetáculos ou diversões de qualquer natureza, de serviços de tratamento de
dependentes de drogas ou de reinserção social, de unidades militares ou policiais ou em
transportes públicos;
IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de arma de
fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;
V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o Distrito
Federal;
VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem tenha, por
qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento e determinação;
VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

Podemos ter a incidência da causa de aumento em dois tipos penais simultaneamente.


Ex: Tício faz parte de uma associação para o tráfico e essa associação ainda pratica o tráfico de
drogas com roupagem da transacionalidade. Então vamos ter o tráfico com a causa de
aumento pela transnacionalidade e a associação também com aumento da transnacionalidade,
não havendo que se falar em bis in iden. STJ: A incidência de aumento de pena em dois tipos
penais não constitui bis in iden (HC 187. 241/SP)
Também é possível a incidência de duas causas de aumento no mesmo tipo penal. Ex:
Um agente pratica o tráfico com transnacionalidade e ainda se prevalece do exercício de uma
função pública.
Se a intenção é levar a droga para outro país, tem o tráfico transnacional memso que
não ocorra a transposição da fronteira.
Se uma droga sai do país A com destino a SP e é apreendida em Brasília, a competência
para processar e julgar é da PF de Brasília.
Para ser tráfico internacional, essa droga tem que ser considerada ilícita no país de
origem. Ex: Transprotar cloreto de etila da Argentia para o Brasil não configura, porque na
Argentina não é ilícito. Teremos então tráfico doméstico.

Saiu decisão do STF que a venda de drogas nas imediações dos complexos prisionais no
sentido de que não precisa visar detentos.
Causa de aumento do transporte público: STF e STJ entendem que tem que ocorrr a
pulverização da droga no transporte.
Tráfio interestadual: não há necessidade da transposição de fronteira. Ex: Tício está
levando uma droga para comercializar em Goiânia, mas foi abordado ainda em Brasília. Se tiver
elemento probatório que essa droga ia para Goiânia, tem o tráfico interestadual.
Uma droga que se destina à Brasília passou por Minas Gerais. A droga ter passado por
estado somente por ordem geográfica, não configura o tráfico interestadual.
Pode incidir transacionalidade e interestadual juntos.
O inciso IV traz a incidência de aumento se o crime tiver sido praticado com violência,
grave ameaça, emprego de arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou
coletiva. Ex: Tício vende droga em determinada localidade e avisa que quem avisar à polícia ele
irá mandar matar, ou utiliza de violência ou arma de fogo para proteger seu território.
O legislador utiliza aqui da interpretação analógia ao falar: ou qualquer processo de
intimidação difusa ou coletiva. O juiz vai decidir.
Se um grupo de traficantes utiliza arma de fogo para proteger a boca de fumo, incide a
causa de aumento. O agente não irá responder por tráfico + porte ilegal não. O emprego de
arma de fogo faz parte da cuasa de aumento, então vai ter tráfico com a incidência como causa
de aumento e não como delito autônomo de porte.
Se o agente emprega uma faca ameaçando as pessoas vai ter também a incidência da
causa de aumento porque o legislador fala de violência ou grave ameaça.

O TJRS: a decisão não condenou por porte ilegal de arma de fogo porque condenou por
tráfico com a incidência da causa de aumento. É errado falar que o TJ reconheceu uma
excludente de ilicitude de legítima defesa. A arma encontrada era produto de crime e o MP
denunciou por receptação e o TJ absolveu por entender que o dirieot penal nãoa dota a
responsabilidade penal objetiva. O TJ entendeu que a arma é empregada ao tráfico e a
denúncia deveria já ter inserido a causa de aumento.
Poderia ocorrer legítima defesa no tráfico? Sim. Ex: Tício é traficante e chega Mévio,
policial, e fica ao seu lado. Vem Caio, inimigo do Tício e saca uma arma de fogo. Tício pega a
arma do policial e atira, em legítima defesa, em Caio. Está Tìcio em estado de necessidade em
relação ao policial; e legítima defesa em relação a Caio.
ESCLARECENDO O JULGADO TJRS- TRÁFICO COM EMPREGO DE ARMA DE FOGO X
LEFGÍTIMA DEFESA (16/04/2017)

Há suposições a respeito da fundamentação da decisão do TJRS.


Lendo a decisão: conclui-se que o TJRS não reconheceu a excludente de ilicitude da
legítma defesa.
Ex: Tício foi preso e Mévio foi apreendido por PM. Tìcio é imputável e Mévio é um
adolescente. Tìcio estava com 16g de craques, munições de arma de calibre permitido e uma
arma na cintura de calibre permitido. Mévio estava com uma arma de fogo. Eles agem
conjuntamente. Feito auto de prisão em flagrante do Tìcio e Mévio encaminhado para DCA. O
inquérito foi para o juiz e essse converteu em preventia e abriu vistas ao MP. MP pode ofertar
a ação penal, requerer diligências ou o arquivamento. MP denunciou Tício por tráfico com
aumento das imediações de estabelecimento de ensino (art. 33 c/c 40, III) e porte ilegal de
arma de fogo (art. 14). Essa arma do Tício era produto de furto e o MP entendeu que se
enquadraria na receptação dolosa (art. 180). MP denunciou todos esses tipos em concurso
material de crimes. MP fez isso para haver um somatório das penas, por isso não usou a arma
para aumentar a pena e, jogou como delito autônomo para pegar uma pena maior. Na peça
acusatória não consta a causa de aumento de pena pela participação do menor. A defesa
apresentou suas razões: quantidade de droga por si só não indica que é traficante e a arma foi
utilizada para a legítima defesa dele, e solicitou a desclassificação para o art. 28 (uso) ou, não
entendendo assim, que afaste a majorante do inciso III porque tem que se verificar qual foi a
finalidade do legislador (via coibir a prática do tráfico das pessoas inseridas naquela órbita-de
ensino). A finalidade do legislador é dar maior reprovabildiade da conduta de quem vende no
âmbito escolar. A defesa ainda falou que se entendensse que era tráfico, além de afastar a
causa de aumento, que fosse considerado tráfico primário, eventual, de bons antecendentes
(art.33,§4). A defesa não falou nada em relação a arma.
O juiz decidiu que há incidência da causa de aumento por ter traficado drogas nas
imediações do ensino escolar (art. 40, III) e crime autônomo do art. 14 de porte ilegal. Quanto
a receptação, o juiz entendeu que não tinha provas suficientes para condenar.
MP não gostou da absolvição do art. 180 de receptação e apelou para o TJ.
A defesa também alegou e, no mérito queria a absolvição com base de elementos
probatórios.
O juiz singular condenou em 4 anos, 5 meses e 10 dias, não sendo possível a
substituição da PPL por PRD (porque tem pensa superior a 4 anos).
De acordo com o art. 617 CPP, quando somente a defesa apresenta recursso, a situação
do réu não pode piorar. Se MP apela, aí pode ocorrer a reformatio in pejus. Essa reformaçã é
vinculada, o tribunal fica preso ao pedido do MP. Se fosse matéria, mesmo não sendo
ventilada pela defesa, o TJ pode reconhecer de ofício.
O TJ/RS, quanto ao tráfico de drogas, considero o montande de 96 pedras de craque e o
modos operandi, como também o uso da arma para proteger o tráfico, entendendo como
tráfico e, não us. Quanto a venda nas imediações de estabelecimento de ensino, entendeu que
a defesa estava com a razão, que a simples venda nas imediações não enseja a majorante e
afastou a majorante do inciso III.
MP questionou apenas a absolvição d art. 180 e o TJ/RS, muito embora a defesa não
tendo alegado, mas como era para beneficiar o réu, analisou o art. 14, pois o juiz pode
reconhecer de ofício.
O TJ/RS: embora evidenciado que o réu portava arma de fogo, as circunstâncias da
apreensão não permite a manutenção da condenação (de porte ilegal de arma de fogo), isso
porque conforme ficou claro no curso do processo, a arma destinava-se ao guardecimento das
atividades de traficância, não podendo enxergar essa arma como porte ilegal de arma de fogo.
Em se tratando de um MP formar sua opnio delicti, no sentido da droga encontrada com réu se
destinava a entrega para terceiros, configurando o crime de fago, não deveria tê-lo
denunciado separadamente por porte ilegal, porque o tráfico prevê uma pena majorada
quando do emprego de arma.
Essa confusão levou muitos professores ao dizer que a arma estava sendo empregada
para proteção da traficância. Isso é o teor do art. 40, IV.
Empregar arma de fogo na traficância, quanto ao porte ilegal é atípic porque é
considerado uma causa de aumento.
O julgado ainda mencionou que não havia dúvidas que, no caso concreto, o armamento
constituía feramenta destinada a prática do tráfico. O uso da amra deve ser analisado no caso
concreto. No caso concreto a arma tinha que figurar como causa de aumento e, não como
delito autônomo. A imputação das condutas desvinculadas (tráfico +porte ilegal) é prejudicial
ao acusado, porque em caso de condenação será imposta pena maior em razão do concurso
material. De outro modo, para melhor explicar, caso houvesse entendido o representante do
MP estar diante do delito de posse de droga para uso pessoal, aí sim poderia ser denunciado
por droga para uso pessoal+ art. 14.
Ao analisar a receptação, foi dada razão ao juiz de piso pela absolvição, pois ele delito
demanda dolo direto, o que não pode ser presumido.
TJ/RS: afastada a majorante, mantenh a pena no mínimo legal (5 anos de reclusão) e
reconheceu o tráfico privilegiado, assim, a pena passou para 1 ano e 8 meses de reclusão,
sendo possível a substituição da PPL por PRD.
Se o MP tivesse incluído a causa de aumento de traficar drogas nas imediações de
ensino e a de envolver criança e adolescente, talvez o juiz não afas taria a da criança, o que
continuaria com uma causa de aumento e inviabilizava a possibilidade de substituição de PPL
por PRD.

BALEIA AZUL X CONSEQUÊNCIAS CRIMINAIS (20/04/2017)


O jogo: há registros que foi desenvolvido no leste europeu, na Rússia. Morreram 2
adolescentes, um se jogou de um prédio e a outra, cortou os pulsos. A investigação na Rússia
cheou a um ponto comum em relação a esses dois suicídios, que ambos participavam de uma
rede de jogos de computadores, o jogo da baleia azul. Descobriu que esse jogo seria dividido
em 50 etapasa serem desenvolvidas pelo adolescente. Durante a investigação verificou-se que
os adolescentes eram obrigados a assistir vídeos de terror durante a madrugada,
automutilações, e tinha como missõ final, a miissao de ceifar a própria via. Esses adolescentes
vítimas de jogo são pessoas que apresentam sinais suicidas, que possuem patologias de ordem
psicológicas, são pessoas ais vulneráveis. Essas atividades ocorrem com frequência em
comunidades fechadas que o adolescente recebe o convite. A comunidade na Rússia era
chamada de F57.
Aqui no Brasil temos a indicação de dois registros de adolescentes e o apuratório segue
no sentido de que eles participavam desse jogo.

Suicídio não é considerado crime (princípio da alteridade). Autolesão não é considerado


crime. O crim é participação em suicídio, art. 122 CPB.
Art. 122 tem a participação moral (induzimento, instigação) e participação material
(entrgar a arma de fogo para a pessoa se matar). Delito de conteúdo variado.
No jogo baleia azul tem a participação moral.
Ex: Tício fala para Mévio: Mévio por que você não se mata? No dia seguinte: E aí, por
que você não se matou? Temos primeiro que ele cria a ideia e depois ele instiga. Responde por
um crime só, desde que tenha como resultado a lesão grave ou morte da vitima.
Suicídio também chamado de autoscídio.
Suicídio é um ilícito, muito embora não seja crime, é antijurídico. A norma crima uma
excludente quando cria a possibilidade do constrangimento/coação à pessoa que quer
cometer suicídio.
O consentimento da vítima e nada é a mesma coisa, pois, o bem jurídico tutelado é a
vida.
A instigação tem que ser sério. Se é falado de forma que esteja brincando não configura
o crime.
A participação é condulta acessória, ele tem que participar. Se ele pratica atos
executórios tem conduta principal e ele responde por homicídio.
A instigação tem que ser direcionada a pessoa determinada.
Art. 122 é crime de resultado, tendo qe ter lesão grave ou morte.Não se fala em
tentativa. De participação de suicídio.

Baleia azul é um jogo, igualmente a roleta russa.


Roleta russa: se 4 pessoas se reúnem para brincar, os participantes respondem por
participação em suicídio, desde que ocorra a lesão grave ou morte da vítima.
Duelo americano: tem duas armas e só uma é municiada. Tem a participação ao
suicídio se o agente não pratica atos executórios. Se empregar a fraude, Ex: Mévio dá uma
arma para Tício dizendo que a arma não está municiada. A pessoa esta´induzindo a erro,
respondendo por homicídio.
Pacto de morte: também chamado de ambicídio. Ex: Tício e Mévia decidem que vão
morrer juntos. Eles compram veneno. Tício dá uma coolher de veneno para Mévia e Mévia dá
uma colher para Tìcio. Se ambos sobrevivem, tem tentativa de homicídio ara ambos (todos
dois praticaram atos executório).
Ex: Tício e Mévio decidem que cada um clocará na sua própria boca o veneneo.
Ocorrendo lesão grave e ambos sobrevivndo, tem participaçãp em suicídio para ambos. Mas,
se Tício morre, o ouro responde por participação em suicídio.
Ex: Câmara de gás. Mévio e Tício decidem se matar. Ambos abrem a torneira de gás.
Ambos sobrevivem, tem a tentativa de homicídio para ambos.Se somente
No ambicídio, quando um coloca veneno na boca do outro , muito embora a intenção
seja ceifar a própria vida, mas se um coloca veneneo na boca do outr e ambos sobrevivem,
tem-se a tentativa de homicídio para os dois.
Teria tentativa qualificada pelo emprego de veneno? Não, poraue o veneno tem que
ser meio insidioso. Não é meio cruel porque ninguém foi forçado a beber.

Teoria restritiva é a adotada no pacto de morte,e não a do domínio final do fato.

Art. 122, §único: causas de aumento.


- Crime praticado por motivo egoístico. Ex: Tício ocupa determinada função na empresa
e ganha uito bem. Mévio quer o lugar do Tício na empresa. Tício cheio de problemas , procura
Mévio para conversar. Mévio instiga Tício a se matar para resolver os problemas.
- Vìtima menor ou tem diminuída capacidade de resistência: Duas correntes explicam
quem seria esse menor.
1- Rogério sanches: menor de 18 anos.
2- Majoritária: maior de 14 anos e menor que 18 anos. O menor de 14 não tem
consentimento, e irá caracterizar o homicídio (autoria mediata).
Induzir menor de 14 anos a se matar tem o homicídio porque o consentimento do
menor e nada é a mesma coisa
Art. 217 trata do vulnerável.
Sempre o curador vai responder por participação em suicídio? Depende, se for um
menor de 14 anos ele irá responder por HOMICÍDIO.
Ex: Tício chega para Mévio, maior de idade em estado parcial de ébrio, e induz a
cometer ao ssuicídio, responde pela participação com o aumento da pena.
Ex: Tício, totalmente embriagada e é instigada por Mévio a cometer o suicídio, Mévio
responde por homicídio.

No jogo baleia azul, em tese tem o curador que convida os adolescentes para o grupo.
Se o menor for de 14 a 18, teríamos o homicídio, de acordo com a corrente majoritária.
Induzir menor de 18 anos a praticar lesão corporal, o agente nem vai responder.
O curador na baleia azul, se induzir menor de 14 anos, adotando a corrente majoritária,
responde por homicídio (autoria mediata).
A participação é crime autônomo, mesmo a cunduta sendo acessória.

Quando se tem diversos curadores, em um grupo associado, para induzir menores a


praticar suicídio, mesmo eles ainda não tendo iniciado o induzimento, irão responder por
associação criminosa, crime autônomo de consumação antecipada.

Ameaça: responde por ameaça quando um dos adolescentes quer sair do jogo e o
curador começa a ameaçar ele ou a família.

Competência da justiça estadual.

Durante a investigação conclui-se que esse grupo era formado por menores, não
configuraria a associação criminosa e, sim um análogo.

Eses crimes que podem ser praticados inclusive através da internet são chamados de
crimes cibernéticos abertos (podem ser cometidos pela internet ou não).
Crime eclusivamente cibernético: so pode ser praticado através do computador.

STJ X MANDADO JUDICIAL PARA ENTRADA EM RESIDÊNCIA (03/05/2017)

Ex: Tício estava em frente a sua casa, local conheicido por ser ponto de drogas. Os
policiais, achando ser ele um traficante, se aproximam. Avistando viatura, Tício correu para
dentro de casa. Polícia entra na casa e encontra diversas porções de craque e outros
equipamentos que davam um panorama do tráfico. MP denunciou. O juiz de piso condenou
pelo tráfico (4 anos e 2 meses de reclusão no semiaberto). O TJRS entendeu que a entrada da
polícia, sem madado, considerando que correu para dentro de casa, configuraria mera
intuição, o que não justifica a prática do crime, não entendendo ser ossível a polícia ter
entrado na casa, sendo essa prova produzida, ilícita. TJRS promoveu a absolvição do Tício. MP
recorreru, por entender ser situação flagrancial e ter encontrado drogas no local. O relator
Rogério ressalvou a boa fé da polícia, mas não entendeu como lícita a entrada da polícia por
mera intuição. STJ 6ª turma, no julgado Resp.1574681, não havendo possbilidade da entrada
dos policiais simplesmente por ter corrido para dentro de casa, mesmo sendo um crime
permanente, essa prova é considerada ilícita.
Relator: Mera intuição a cerca de eventual traficância, embora pudesse autorizar
abordagem policial em via pública, não configura por si só, autorizar o ingrresso em seu
domicílio sem autorização do morador ou determinação judicial. Entre esses direitos, está o de
não ter a residência invadida a qualquer hora e sem as cautelas dvidas, sob a única
jusitificativa, não amparadas em elemenos concretos de convicção.
Mera ituição não é elemento concreto.
STJ: não e possível entrada sdem mandato judicial.
STF: RE 63616 é uma decisão que possibilita a entrada sem mandado, mas, se presente
fundadas razões.
Ex: Maria, abordada ao sair da residência de Tício transportando drogas e afirma ser
para tráfico. Se Maria sai transportando drogas, é porque na casa de Tício é armazenado
drogas e, os policiais entram nessa residência. Aqui, não se tem mera intuição e, sim, fundadas
razões.
Pode entrar na casa, desde que, apresente fundadas razões. O fato de a pessoa correr
para casa não configura crime.
Se a polícia já tivesse investigando essa pessoa, teria que representar pelo mandato de
busca, pois, na investigação somente não é fundada razão.

NA INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA O QUE VEM A SER BARRIGA DE ALUGUEL E


RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (10/05/2017)

Nos crimes em que é possível a interceptação (punidos com reclusão), são chamados
de crime de Listel ou de Catálogo.
A interceptação vai ser possível em sede de investigação policial e de instrução
processual.
O delegado quando vai incluir determinados números no bojo da peça de
interceptação, el tem que fundamentar a inclusão de tais números. Ex: Delegado coiumento e
quer saber se sua namorada é fiel. Aproveita um pedido de receptação que está fazendo de
um caso e, inclui o número da namorada. Fazendo isso, ele induz o juiz a erro, fazendo que
venha a deferir a interceptação de um número que não tem nenhuma relação com os possíveis
autores. Delegado praica o delito configurado no art. 10 da lei 9296/96.
Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações telefônicas, de
informática ou telemática, ou quebrar segredo da Justiça, sem autorização judicial ou com
objetivos não autorizados em lei.

O delegado aproveita àquele ambiente (aquela barriga) para conseguir a interceptação.


Barriga de aluguel: introdução de números no requerimento de interceptação
telefônica que não tem relação com o objeto investigado.

O que vem a ser resultado diverso do pretendido em tema de interceptação telefônica?


É a teoria da serendipidade. Eu realizo a interceptação para buscar prova de um
homicídio e encontra determinados cartões de crédito em nome de outra pessoa e uma arma
de fogo sem qualquer conexão com esse homicídio, foi uma prova fortuita. A teoria da
serendipidade de 1° é quando o objeto encontrado mantém conexão com o objeto encontrado
fortuitamente; a dde 2° não tem nenhuma conexão.
Damásio de Jesus que chama a teoria da serendipidade de resultado diverso do
pretendido na órbita da interceptação telefônica.
Ex: Realizei a interceptação para encontrar uma faca empregada no homicídio e o que
foi encontrado na casa do suspeito foi uma arma de fogo. Essa arma foi diverso do pretendido.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA REALIZADA PELA PM X LEGALIDADE DA PROVA


(16/05/2017)

Em sede constitucional, olhar o art. 144, §4 menciona:


Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é
exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos:
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais, exceto as militares.
E o CPM, art. 8 afirma que a investigação da PM fica adstrita a crimes militares.
Analizando o ordenamento jurídico, no CPP traz a atribuição do delegado captaniando
as investigações do delegado de polícia, assim como a lei 12.830 robustece, dando ao delegado
sua independência para conduzir as investigações no IP.
Muito embora tenha essa atribuição constitucional da Polícia civil para investigar
crimes militares, e o próprio CPM afirmando que a PM investigando fica adstrita a crimes
militares, veja que a PM em sede constitucional seu trabalho é ostensivo para manter a ordem
pública. Vem ocorrendo no Brasil um equíivoco quanto à investigação da PM.
Fatos chegam ao conhecimento de investigações de crimes comuns sendo realizadas
pela PM.
Atribuição para apurar crime comum é da PC. PM investigando crime comum ofende o
art. 144, CF.
Ofender norma que dá legistimidade a produção de provas para outra instituição, essa
prova se torna ilegítima, sendo revestida de ilicitude.
Provas produzidas na apuração de crimes comuns é ilegítima.
Analizando o CPP, art. 157:
Art. 157. São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo, as provas ilícitas,
assim entendidas as obtidas em violação a normas constitucionais ou legais.
Há uma violação de norma constitucional. Tem-se uma ilicitude da prova considerando
que ela é ilegítima.
Alguns juízes não enchergam isso e estão deferindo representação busca e apreensão e
interceptação telefônica em crimes comuns, com provas de origem militar.
Existem promotores dando pareceres favoráveis a essas buscas e apreensão.
Em casos isolados, alguns juízes entendem igual a doutrina e ao STF: entende que no
caso que aconteceu em GO onde um juiz entendeu eferiu a preventiva de uns policiais que
entraram na residência baseado em suposta denúncia que os moradores estariam traficando.
Ocorreu um embate entre esses policiais e o suposto traficante e um adolescente de 16
morreu. Na decisão do juis: há uma notória usurpação de função pública por parte dos PM’s,
que estão exercendo funções não asseguradas pela CF pois, essa função é da PC.
No Mato Grosso tem uma resolução do secretário de Segurança que normatizou as
atividades da PM, entendendo que a PM não pode realizar investigação de crime comum. Esse
posicionamento recebeu a chancela do Ministério Público. PM só pode investiga crimes
militares.
A P2 (denomiado Serviço Revelado da PM) tem a finalidade de subsidiar decisões
estratégicas (onde esstá ocorrendo mais crimes, ou fazer um trabalho de campana para
investigar crimes militares, por exemplo).
Para o STF, a produção de provas no que se refereaà crimes comuns é atribuição
exclusividade da polícia judiciária, cabendo à polícia civil na apuração de crimes comuns a
produção de provas. Nao se pode ter uma investigação militarizada. Para o STF a investigação
cabem ao MP e aos policiais civis.
Hoje há uma discursão quanto ao TCO, pode ou não a PM lavrar? Para o Zouk, o TCO
configura uma investigação. Em prova de delegado, colocar que TCO é atribuição da polícia
civil, onde é normatizado pela lei 9099, que, na qual se refere à autoridade policial que tomar
conhecimento de uma infração penal de menor potencial ofensivo lavrará o TCO, não fazendo
menção ao PM.
Na órbitsa processual, autoridade policial é apenas o delegado. Quem entender que PM
é autoridade policial, ele pode lavrar o auto de prisão e flagrante. Nã é o posicionamento para
pova de delegado.
Hoje tem precedemte do STF, numa lei que foi levada ao STF em sede de ADI,
entendendo pela inconstitucionalidade, sendo a lavratura do TCO é atribuição exclusivada
polícia judiciária.
Parece que tem mais uma demanda em repercussão geral sobre o mesmo tema, tendo
agora o STF que definir se o PM ode ou não fazer TCO.
Os processualistas se posicionam robustecendo um garantismo. O professor Nicolitti
entende que numa questão de flagrante permanente, os PM’s não podem entrar numa
residência sem mandato. Para o STF é possível a entrada numa residência sem mandato
judicial desde que, estejam presentes razões.
Fundadas razões?
Ex: Uma pessoa vê a viatura da polícia e corre para dentro de casa e os policiais entram
também. Isso não é fundada razão, isso é mera suspeita. Em decisão recente do STJ entendeu
que mera intuição não justifica a entrada da polícia no interior da rsidência.
Ex: Pessoa saindo de dentro da casa conduzindo drogas. Ao ser abordado pela polícia, a
pessoa diz só está transportando, mas que saiu da cas de Mévio e que lá tem sim drogas
armazenadas. Aqui sim, tem-se fundadas razões.
Não é o fato de o crime ser permanente que justifica a entrada da polícia na residência.
Havendo a situação de permanência, a maioria dos processualistas entendem que o delegado
deve representar pela busca e apreensão.
Os processualistas entendem que a investigação da chamada P2 caracteriza usurpação
de função pública e essa prova produzida na investigação de crimes comuns está revestida da
ilicitude, ofendendo as normas constitucionais.

A interceptção telefônica é um meio de produção de provas muito utilizada pela polícia


judiciária. Permitida em crimes punidos com reclusão (chamados de crimes de catálago ou
crimes de listel).
OBS: Há possibilidade de interceptção em crime ounido com detenção: Sim, desde que
tenha conexão com crimes punidos com reclusão.
Na peça que o delegado representa pela interceptação, ele insere os números
vinculados às pessoas que estão sendo investigadas.
Quando o delegado insere número de pessoas que não figram com o objeto da
investigação, ele se enquadra a conduta do art. 10 da lei 9296, o que se denomina barriga de
aluguel.
A PM pode realizar interceptação telefônica? Sim, desde que seja para apurar crimes
militares. O art. 3 do CPPM (código processo penal militar) fala que os casos omissos no código
serão supridos pela legislação de processo penal comum e, como na órbita do CPPM não tem a
interceptação telefônica, na apuração de crimes militares punidos com reclusão irá lançar mão
da lei 9296, com fundamento no art. 3.
No caso em questão, o que pode ter ocorrido foi a PM que investigou o tráfico e
representou pela initerceptção, e o MP recebeu o pedido de interceptção (considerando mera
peça de informação) e representou em cima para antender a lei 9296. Se o juiz deferir, ao ver
do Zouk essa prova é ilícita.
Nessa interceptção também ocorreu a inclusão de números sem vinculação com os
denominados investigados, tendo então a barriga de aluguel em termo de interceptação
telefônica. Esses agentes e quem mandou, terão sua conduta enquadrada no art 10 da lei
9296. Hoje investiga-se se o governador sabia dessa investigação e colaborava, aplica-se a
teoria monista e art. 29, onde quem, de qualquer forma, contribui para o crime responde na
pena do crime na medida de sua culpabilidade.
A lei dá legitimidade ao delegado para respresentar pela receptação em sede de
investigação criminal e ao MP, tanto na investigação quanto na instrução processual penal.
Alguns promotores entedem que o delegado não te legitimidade para figurar numa
relação processual, por força do art. 129, I o MP é o titular da ação penal, não tendo o
delegado capacidade postulatória. Esse pensamento dos promotores, ao ver do Zouk é eivado
de vaidade, pois a lei dá legitimidade ao delegdo de polícia.
O juiz reconhce a capacidade postulatória do delegado ao mencionar que delegado
reprsentou pela medida.
Quem estuda para MP vai defender que o delegado não tem capacidade postulatória,
de acordo com o art. 129, I quem representa a sociedade é o MP e a representação do
delegado o MP recebe como mera informação.
Para pova de delegado, o delegado representa (não é mera peça de informação) e o MP
dá um parecer.
Muito embora tenha o posicionamento do STF e dos processualistas, tem juízes que
deferem mandato de busca e interceptção em crimes comuns representados por parte da PM.
Um advogado mais afiado vai dizer que essa prova é ilícita por ofender o art. 144, CF.

ATIPICIDADE BRANCA (19/05/2017)

A norma penal há a exigência que se encontre completa no preceito 1º e 2º. Quando


não se encontra completa no preceito 1º, denomina-se norma penal em branco. Quando o
preceito 1º está completo e o preceito 2º incompleto, tem-se a norma penal em branco
invertida (ao revés).
O que é norma penal em preto? É a norma penal completa!
O ideal é ter a norma penal em preto.
A lei de drogas é norma penal em branco, fazendo referências as substâncias
intorpecente, mas sendo necessário laçar mão de uma portaria para saber quais são essas
substâncias. È uuma norma penal em branco heterogênea, pois é uma portaria completando
uma lei.
A nomra penal em branco homogênea tem uma lei completando outra lei.
Vamos supor que o legislador tenha elaborado a lei 11.343 e a ANVISA não tenha ainda
elaborado a portaria das susbtâncias entorpecentes. Ex: Tício é abordado na rua conduzindo
cocína. Sendo levado À delegacia, o delegado diz não ter como autuar em flagrante por está
diante de uma atipicidade branca tem norma penal em branco e o complemento ainda não foi
elaborado).

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITOO DE FALSA COMUNICAÇÃO DE CRIME OU


CONTRAVENÇÃO- ART. 340, CP (25/05/2017)

Comunicação falsa de crime ou de contravenção


Art. 340 - Provocar a ação de autoridade, comunicando-lhe a ocorrência de crime
ou de contravenção que sabe não se ter verificado:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa

O art. menciona que é comunicação falsa de crime ou contravenção, ou seja, o agente


que vai à delegacia e comunica um fato que não ocorreu (ele não imputa o fato a uma pessoa
que ele saber ser inocente-denunciação caluniosa, art. 339).
Se o agente vai à delegacia e imputafat a uma pessoa que não existe, mesmo assim é
comunicação falsa de crime e não denunciação caluniosa.
O art. 340 é de menor potencial ofensivo, aplicando a lei 9099 e os isntitutos
despenalizadores (transação penal, sursi processual).

CUIDADO: O examinador pode fazer o seguinte: uma leitura apressada leva ao


estudante a entender que, numa imputação de contravenção não há de se falar em
denunciação caluniosa. Errado! Contravenção entra na denunciação caluniosa, pois o artigo
fala § 2º diz que a pena é diminuída se for prática de contravenção. O legislador ode pegar
essa causa de diminuição depena da denunciação caluniosa e levar para o delito de falsa
comunicação de crime, que já traz em seu caput a hipótese de contravenção (não sendo uma
causa de diminuição de pena). Nafalsa comunicação de crime, sendo crime ou contravenção, a
pena é a mesma.
Art. 339. Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial,
instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade
administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente: (Redação dada
pela Lei nº 10.028, de 2000)
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.(crime de elevado potencial ofensivo)
§ 1º - A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de
nome suposto.
§ 2º - A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.

Na denunciação calunioca, o § 2º a pena passa de 1 a 4 anos, sendo possível a lei 9.099


e a sursi processual revista nessa lei (pena mínima não superior a um ano).
Na falsa comunicação de crime, o agente se limita a comunicar um crime ou
contravenção que sabe não ter ocorrido, e essa ação provoca uma adoção de providências por
prte da autoridade. Pode ser atribuição de qualquer crime (se for crime militar, responde no
CPM e não no art. 340).
Comunicado fato que não existe ao delegado, não é necessária a instauração de
procedimento investigativo, podendo somente provocar uma ação da autoridade (ex:
delegado manda colher depoimento dele).
Ex: Tício levou um fato que sabe não existe ao delegado, que manda o agente registrar
uma ocorrência. Isso já é adotar uma providência.
Se Tício leva fato que não existiu ao delegado, que não adota qualquer providência por
circunstâncias alheias à vontade de Tício, tem-se a tentativa.
Há necessidade de IP, ou de uma investigação administrativa ou inquérito civil? Para
falsa denunciação de crime, não, basta provocar uma ação por parte da autoridade.
Presunção absoluta de prejuízo, havendo a necessidade de dar roupagem criminosa a
esse tipo de conduta.
Bem jurídico tutelado: administração da justiça.
Objeto material: recai na ação da autoridade que foi ilegalmente provocada paa adotar
uma conduta.
Quem é essa autoridade?
Ex: Tício chega a uma viatura da PM e fala que foi vítima de furto. A doutrina
majoritária entende que autoridade é quem tem adoção de providências para investigr o fato,
onde o PM não se enquadra.
O art. 340 é crime de ação livre, podendo o agente comunicar por uma carta,
oralmente ou mesmo lançar maõ de denúncia anônima.
CUIDADO: O legislador vai dizer que no crime de falsa comunicação, o agente tem pena
aumentada de 1/6 quando o agente e serve de anonimato ou de nome suposto. ERRADO.
Nesse crime, o anonimato ou nome suposto nã é causa de aumento, isso ocorrerá na
denunciação caluniosa.
CUIDADO: O legislador pode jogar causa de diminuição quando for contravenção não
entra na falsa comunicação de crime (entra na denunciação caluniosa) e querer aumentar a
pena quando o agente se utiliza de anonimato (o aumento de pena ocorre na denunciação).

O que é falsa comunicação?


Ex: Tício, sabendo que Mévio estava no trabalho, diz ao delegado que mataram Mévio.
Isso é fato inexistente, ocorre a materilização do crime do art. 340.
Ex: Tício visualiza um roubo e chega na delegacia dizendo que ocorreu um estupro.
Precisa que Tício tenha o dolo e saiba que não existiu o estupro.
Quando o agente comunica fato falso na delegacia para encobrir um delito praticado
por ele? Ex: Tício vai à delegacia e diz que foi vítima de tentativa de latrocínio e Mévio, que
estava com ele, foi vítima de latrocínio consumado. Ele cria esse fato para encobrir o homicídio
de Mévio que ele praticou. Nessa hipótese, temos duas correntes:
- 1ª Responde por homicídio e falsa comunicação de crimes, em concurso material.
- 2 Ele responde somente por homicídio, pois, quando ele fala que foi vítima de tentativa de
latrocínio e esse fato não existiu, a falsa comunicação de crime está acobertada pela ampla defesa.

A síndrome da mulher de potifar tem a denunciação caluniosa, pois, atribuiu fato a uma pessoa
determinada.

Sujeito ativo: em regra, qualquer pessoa, pois trata-se de um crime comum. Exceção:
Ex: Tício chega a delegacia e diz que xingaram a Mévia. Não se pode falar em art. 340, e sim em
injúria, pois, para o delegado adotar algum procedimento há necessidade dor equerimento. Teria então
um crime impossível.
Ações penais privadas e públicas condicionadas à representação, o sujeito ativo d crime só
pode ser a pesso que tem as qualidades para figurar no polo passivo.
Ex: Tício vai à delegacia e diz que Mévia e Zouk moram juntos e são companheiros e que, a
Mévia foi lesionada. O delegado pode tomar providências, porque Maria da Pensha lesão corporal é
incondicnionada, não depende da vítima.

Sujeito passivo: Estado.


Dolo: há necessidade de finalidade específica? Temos três correntes:
- 1ª Tem que ter a intenção de provocar uma ação por parte da autoridade, havendo finalidade
acrescida ao dolo.
- 2ª Basta a falsa comunicação de dolo geral, e se a autoridade não instaurou nada, tem a
tentativa.
- 3ª Independe do dolo, basta que a comunicação seja falsa.

Falsa comunicação de crime X Dùvida:


Ex: Tício saiu de casa e dentro do ônibus foi lhar o whastaap, momento em estava sem o
celular, mas não sabia se estava em casa ou onde estava. Vai à delegacia e diz que furtaram seu celular.
Não há falsa comunicação de crime, flta o dolo em saber que o crime não existiu, pois, ele está na
dúvida. Não há falsa comunicação de crime na forma culposa.
Ex: Tício coloca seu veículo na seguradora. Chega à delegacia dizendo que seu veiculo foi
furtado, para receber o seguro. A conduta de Tício se enquadra noa art. 171, §2, V (fraude para
recebimento de valor de seguro). Tício responde pelo delito de fraude para recebimento de seguro e +
a falsa comnicaççao de crime? Ou somente pela fraude, considerando que a falsa comunicação foi o
meio papra que ele materializasse àquela fraude (princípio da consunção)? Temos duas correntes:
-Consultando os manuais, verifica-se que cada doutrinador relata uma corrente como se fosse a
manjoritária. Seguindo Cléber Masson,
- 1ª: a corrente majoritária entende que Tício irá responder por um só crime, a fraude,
aplicando o princípio da consunção.
- 2ª: Noutro giro, a corrente minoritária considera que se tem dois sujeitos passivos, a
seguradora e a administração de justiça, não podendo se falar em consunção, sendo caso de concuro
material de crimes.

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITO DE FALSA COMUNICAÇÃO DE CRIME OU


CONTRAVENÇÃO- ART. 340 CPB (26/05/2017)

Falsa comunicação de crime ou contravenção identifica alguma semelhança á denunciaão


caluniosa. Na falsa comunicação, comunica-se um fato falso. Na denunciação, atribui à aluém a autoria
que se sabe ser inocente. Nos dois orbita o falso.
Eles têm em diferenças: na denunciação, o agente atribui um fato a uma pessoa que sabe
inocente, provocando a instauração de uma investigação policial. A falsa comunicação, o agente leva à
autoridade policial um fato que não existiu, mas não atribui à ninguém ou a uma pessoa inexistente.
A comunicação falsa de crime para encobir um delito:
Ex: Tício vai à delegacia e diz que foi vítima de tentativa de latrocínio e Mévio, que
estava com ele, foi vítima de latrocínio consumado. Ele cria esse fato para encobrir a autoria
do homicídio. Temos duas correntes:
-1ª Responde pelo homicídio e pela falsa comunicação de crime;
-2ª O agente responde somente pelo homicídio, com o fundamento no princípio da ampla
defesa. O agente lança mão da falsa comunicação de crime para encobrir a autoria do delito que
cometeu.

Ex: Tício pega um ônibus para ir ao trabalho. Ao colocar a mão no bolso para pegar o celular,
viu que o celular não estava. Tìcio não sabe se esqueceu do celular em casa ou se furtaram. Na dúvida,
ele vai à delegacia e comunica o furto. Ao chegar a casa ele vê que o celular estava em casa. Não há o
crime, poi, falta o dolo.
Ex: Tício compra veículo novo e coloca no seguro. Depois, com a finalidade de receber o seguro,
vai à delegacia e comunica o furto do veículo. Tício se utiliza d uma fraude para receber a indenização.
O art. 171, §2, V traz a fraude para recebimento de seguro. Tício vai responder pelo art. 171, §2, V ou
pela fraude + a falsa comunicação?
-1ª Corrente: responde somente pela fraude. Falsa comunicação de crime seria o meio.
Princípio da consunção. (Cléber Masson).
-2ª Corrente: o agente deve responde rpelos dois delitos, com fundamento de ser bens
jurídicos distintos (administração da justiça e a seguradora).

O delito de falsa comunicação de crime é um crime material, também chamado de causal. Para
que se tenha a consumação do delito, a autoridade deve adotar uma providência.

A competência: STJ entende ser do juízo onde a autoridade adotou a providência.

A tentativa é possível, pois, o crime é plurissubsistente.

-Denunciação caluniosa X Arrependimentoiação caluniosa eficaz:


Na denunciação caluniosa, atribui-se uma conduta criminosa a quem sabe ser inocente, com a
intenção de instauração de um procedimento de investigação.
Ao se arreender durante o depoimento, antes da instauração da investigação policial, ele
responde pelos atos já praticados, ou seja, calúnia.
Se Tício atribui uma contravenção ao Mévio, a quem sabe ser inocente. Durante o depoimento
ele se arrepende. Tício não responde por calúnia porque é atribuir um fato criminoso, como atribuiu
uma contravenção, respondendo por difamação.

- Falsa comunicação de crime X Arrependimento eficaz:


Ex: Tício comunica fato falso, mas antes do delegadoa dotar alguma medida, ele se arrepende.
Responde pelos atos anteriormente praticados, ou seja, é fato atípico.

- Comunicação falsa de crime X crime impossível:


Crime impossível, também chamada de tentativa inidônea ou inadequada.
Ex: Tício chega à delegacia e diz que quer comunicar que pegaram sua bicicleta, usaram e
colocaram no lugar. Aqui não tem falsa comunicação de crime e, sim, crime impossível, porque furto de
uso é crime impossível.
Falsa comunicação de fato atípico não há que se falar em falsa comunicação de crime.
Ex: Se Tício chega à delegacia e relata ter ocorrido um furto de sua bicicleta há 20 anos. O crime
encontra-se prescrito, logo, o crime de falsa comunicação é impossível.
Ex: Tício chega à delegacia e diz que Mévio foi dar ré em seu carro, não visualizou qye Tìcio
estava atrás, e amaçou o carro dele. Isso é um dano culposo, que na órbita do código penal é atípico (a
lei dos crimes ambintais admite dano culposo).
Ex: Zouk chega ao delegado e fala que Tìcio bateu no Mévio. Fato que não ocorreu. Nõa há que
se falar em falsa comiunicação de crime porque o delegado não podia adotar nenhuma providência,
precisando da representação da vítima. Assim, tem o crime impossível. Não é possível relatar crime de
ação penal privada, pois necessita da representação.

LEMBRAR: na denunciação caluniosa, quando se atribui uma contravenção penal, tem a


pena diminuída; na falsa comunicação de contravenção não tem a diminuição de pena.
A falsa comunicação de crime, é um crime material, para ter a consumação, a
autoridade tem que tomar uma providência, caso contrário teremos a tentativa materializada.
EX: Se Tício sabe que Mévio está viajando e chega na delegacia e falaque mataram
Mévio; ou Tìcio vê um estupro e chega na delegacia dizendo que ocorreu um roubo; isso é
falsa comunicação de crime.
Se há o elemento dúvida ou são figuras típicas aproximadas, não há que se falar em
falsa omunicação de crime.
EX: Tìcio verificou que Mévio subtraiu, mediante violência, coisa alheia de Pedro. Chega
à delegacia e diz que Mévio furtou o relógio de Pedro. São figuras típicas que, o delegado vi
saber que ele tá falando de roubo porque teve a violência, não há o dolo. O fato ocorreu, mas
não teve o dolo, não podendo se falar em falsa comunicação de crime.

COMENTÁRIOS ACERCA DO DELITO DE DESACATO- ART. 331 CP (30/05/2017)

Introdução de desacato realizado no final da aula anterior:


Há desacato entre funcionários públicos? Temos três correntes:
1ª entede não ser possível, pois, o desacato encontra-se no capítulo de particular
praticado contra a adm. pública.
2ª entende que é possível, desde que, a pessoa que é ofendida sustente uma posição
hierarquicamente superior a pessoa que profere a ofensa.
O problema dessa corrente é que o delito é desacato à funcionário público, ão sendo
necess´rio ser autoridade.
3ª entende que é possível porque o funcionário público qundo ofende outro
funcionário, se despede da sua função pública, agindo como se particular fosse.
EX: Tício está em casa e Mévio, delegado, passa na rua. Tício grita: Oh delegado
corrupto. Isso é desacato, pois tem que ter a presença, não sendo necessário ser cara a cara.
O desacato pode ocorrer em razão da função, não precisando está em exercício.

A 3ª sessão do STJ entende que não há que se falar em norma supra legal do controle
de convencionalidade.

Início da aula de Desacato do dia 30/05:

STJ entendeu que a conduta de desacato continua com a roupagem criminosa.

Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:


Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

O delito é desacato e não desacato a autoridade!!! Qualquer funcionário público pode


ser desacatado.
A escala penal de 6 meses a 2 anos e multa, trata-se de menor potencial ofensivo,
sendo possível aplicar os institutos despenalizadores.
A razão para criminializar esse tipo de conduta: o legislador visou a proteção do
exercício legítimo do cargo, buscando atender o interesse público.
Já que a finalidade é proteger o prestígio da função pública exercida em nome ou
delgação do estado. O objeto tutelado é a adm. pública primeiramente e depois o funcionário
que teve sua honra atingida.
Objeto material: essa conduta recai no funcionário público, contra quem se dirige a
ofensa.
O art. traz o verbo desacatar. Desacatar é humilhar, menosprezar o funcionário
públibco (FP) com a finalidade de atingir a dignidade e o prestígio da adm. pública.
Trata-se de um crime de ação livre: pode o desacato praticado por qualquer meio.
Muito embora se diga que opode ser praticado por qualquer meio, deve a ofensa ser
proferida na presença do FP.
EX: Policial realizando uma ronda e vai abordar, dentro da legalidade, uma pessoa e
essa pessoa empurra o policial. Tem que ter um contexto e prsenaça do FP.
Dizer que o FP tem que estar rpresente não é ter que ser face a face, basta estar
presente no local. EX: Tício passa pelo corredor da delegacia e grita: delegado corrupto, e o
delegado em outra sala escuta.
O delegado ser praticado por qualquer meio, EX: Delegado vai cumprimimentar uma
epssoa que chegou à delegacia, e essa pssoa não estende a mão. Desacato através de ato
omissivo. (Rogério Sanches).
Quando o delegado está no exercício da função, a ofensa não precisa ser proferida
levando em consideração a posição que ele ocupa (a agressão não precisa ser em relação a sua
função, basta que ele esteja no exercício da função- como delegado).
Se alguém ofender o delegado por telefone ou whastapp? Se há ofesa através desses
meios, teremos a injúria com aumento de pena por ter sido cometido contra FP em razão de
suas funções.
O delito do desacato menciona: no exercício da função ou em razão dela.
EX: Delegado está no gabinete e o agente profere ofensa ao delegado; Ou o delegado
está em diligência na rua. (em exercício da sua função).
EX: Delegado está de férias e Tìcio passa e o chama de delegado corrupto. (em razão da
função e a presença do delegado).
EX: Delegado de férias e Tício passa em frente à sua casa e grita do portão: delegado
corrupto e sai correndo. É uma ofensa, mas não foi na presença d delegado, então não é
desacato e sim injúria majorada.
O delegado não estando no exercício da função, estando de férias, para essa ofensa ser
caracterizado desacato tem que fazer alusão às suas funções, caso contrário, será configurado
a injúria.
Sujeito ativo: qualquer pessoa (crime comum ou geral).
FP ode ser sujeito ativo do delito de desacato? Existem três correntes:
-1ª entede não ser possível, pois, o desacato encontra-se no capítulo de particular
praticado em face da adm. pública. Para essa corrente, só pode praticar o crime o particular
(extraneus).
-2ª entende que é possível, desde que, o funcionário que é ofendido seja superior
hierarquicamente da pessoa que profere a ofensa. (defendida por Bento Farias, onde a
finalidade é proteger a autoridade. Aí onde ele falha, pois o crime é contra à adm. pública ,
pois, o cirme é somente de desacato).
-3ª entende que é possível porque o funcionário público quando ofende outro
funcionário, se despede da sua função pública, agindo como se particular fosse.
A doutrina majoritária, STF e STJ defendem a 3ª corrente, onde é possível o crime de
desacato entre FP, independentemente da posição que eles ocupem.

EX: Tício chega na repartição, querendo um processo, e diz que os funcionário do setor
não ‘querem nada’. Quantos crimes de desacato tem nessa situação? Somente um, porque a
adm. pública só foi atendida uma vez só. A quantidade de FP ofendidos é considerada na
órbita da reprovbilidade da condutam na dosimetria da pena.
EX: Tício, na fila da repartição pública e demoraram a atendê-lo. Tício começa a proferir
xingmentos e vai embora. No outro dia, Tício vai a utra repartição e xinga outro funcionário.
Nessa situação tem concurso material de crimes.

- Desacato X Exercício da advocacia:


A Lei 8906/94- Estatuto da ordem, diz que
Artigo 7º, par. 2º,
"o advogado tem imunidade profissional, não constituindo injúria, difamação ou
desacato puníveis qualquer manifestação de sua parte, no exercício de sua atividade, em juízo
ou fora dele, sem prejuízo das sanções disciplinares perante a OAB, pelos excessos que
cometer"

O STF, em sede de ADI entendeu pela inconstitucionalidade da expressão Desacato.


Isso quer dizer que o legislador qundo criou a ei 8906, na verdade estendeu a imunidade que já
existia no art. 142, I para injúria e difamação, incluindo o desacato, aí o STF menicona que a
imunidade é somente contra a honra, e o desacato é contra a adm. pública.
Advogado pode sim responder pelo desacato!

FINALIZANDO- DESACATO- ART. 331 CP (05/06/2017)

O art. 331 descreve a conduta do desacato.


Art. 331 - Desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela:
Pena - detenção, de seis meses a dois anos, ou multa.

O agente desenvolve uma conduta desprestigiando a função pública. O agente acaba


atingindo o funcionário público, mas a finalidade é desprestigiar a função pública.
N desacato há a necessidade da presença do FP, mas sem a necessidade de ser face a
face.
EX: Tício está na delegacia e o delegado dentro do seu gabinete. Tício, sem ver o
delegado grita: delegado corrupto! Tem o desacato por não ter a necessidade de ser face a
face, mas seja na presença do delegado.
Vai ter desacato também se delegado está realizando diligências na rua, no exercício de
sua função e Tício grita.
Tem desacato também, estando o delegado de férias na praia e Tício passa e grita!É
uma ofensa em razão da função e na presença do delegado.
Difwrente seria se Tício passa em frente à casa do delegado, grita e sai correndo. Aqui
teria configurado a injúria majorada, por não ter sido na presença do delegado.
STF: entende que no desacato tem que ter uma finalidade específica. Tem que ofender
o FP com a finalidade de desprestigiar a função.
EX: Um policial civil vai realizar uma prisão, nesse momento Tìcio começa a chutar o
policial. Tício chuta com a finalidade de se opor ao desempenho da função do FP que age
dentro da legalidade. Aqui tem uma resistência e não um desacato.
EX: Tício passa na rua e tem um policial. Tício o vê e dá um chute, desprestigiando o
policial. Aqui tem desacato, menosprezando o policial.
Diferente é se Tício chuta com a finalidade de se opor a uma ação do policial (estando
Tício em flagrante delito policial), configura o delito de resistência.
STF entende que tem que ter dolo específico!
Quando o agente desenvolve essa conduta que se enquadra no art. 331, ele tem que
ter conhecimento de ser um FP.
EX:Tício chega a uma delegacia e vê um advogado, pensando em se tratar do delegado,
Tício começa a xingar. Tem o delito de desacato? Aqui tem erro no contexto fático (Tício
pensou que era um delegado), mas terminou ofendendo um advogado. Não há de se falar em
desacato, por o advogado não exercer função pública. Fica configuado então a injúria. Não há
de se falar em atipicidade do fato.
O delito de desacato demanda o dolo. Não há de se falar em desacato culposo.
Desacato é crime de forma livre, podendo ser praticado inclusive em conduta omissiva.
EX: Delegado estende a mão para o advogado, e advogado dolosamente não aperta a
mão do delegado. O advogado se omite. Teríamos o desacato com roupagem omissiva.

- Desacato com roupagem culposa:


EX: Delegado estende a mão para o advogado, que por estar ‘voando’, não percebe e
não cumprimenta o delegado. Não há que se falar em desacato porque a conduta do advogado
foi culposa.

- Desacato X Exceção da verdade


EX: Tício chama o delegado de corrupto. Se ele provar que o delegado é corrupto, teria
a exclusão da atipicidade da conduta? Não. Não há previsão legal de exceção da verdade no
desacato. O bem jurídico tutelado é a administração pública e a exceção da verdade é tratada
nos crimes contra a honra.

Reclamar do exercício da função ou criticar comportamento funcional não caracteriza o


desacato.
EX: Tício foi a uma repartição pública solicitar uma certidão, mas o pessoal era muito
lento e até hoje não enviou. Tício chega lá e diz que eles eram lentos. Não configura desacato.

- Desacato X Exaltação de ânimos


EX: Tício chega a uma repartição e começa a gritar. Não configura desacato. Gritar com
ofensas caracterizaria o desacato.

Ébrio pode responder por desacato? Na doutrina, prevaleceu por muito tempo que o
ébrio não responderia por desacato, pois, faltaria o dolo de desprestigiar. Tem-se uma
evolução no pensamento doutrinário ao verificar o art. 28, II, CP onde não exclui a
imputabilidade penal a embriaguez voluntária ou culposa (teoria actio libera in causa-> a
consciência da conduta vai ser verificada no momento da ingestão da bebida).
Prova discursiva: o entendimento hoje é que o ébrio responde. Não seria qualquer
ébrio! A teoria actio libera in causa, de origem italiana, foi desenvolvida visualizando a
embriagquez preordenada (bebe para realizar o crime), então a consciência do agente tem que
ser analisada no momento que ele ingere a bebida e, não no momento do crime.
Não se aplica essa teoria quando a embriaguez for fortuita ou de força maior.
Uma pessoa com alteração de ânimo, por si só, não configura o desacato. Mas, se ela
altera o ânimo e ofende um FP, aí sim tem o desacato.
Mas elenão estaria fora de si? O art. 28, I diz que não exclui a imputabilidade penal a
emoção ou paixão.

-Quando se tem o desacato consumado?


Desacato é crime unissubsistente. Basta que o agente venha a proferir palavras com
potencial ofensivo com a finalidade de desprestigiar a função que o FP exerce.
EX: Tício, embriagado, chama o delegado de corrupto. O delegado não se sente
ofendido. Tem o desacato? Sim, pois, basta que venha a proferir as ofensas, não havendo a
necessidade da pessoa se sentir ofendido ou não (porque o bem jurídico tutelado é a
dignidade da função pública).
Desacato é crime formal, de resultado cortado ou de consumação antecipada.

-O desacato desafia a publicidade para sua materialização?


Existe desacato quando um particular ofende um FP, estando somente os dois na sala?
Não há necessidade da publicidade para configurar o delito de desacato.
STJ: entende que entrar ou permanecer no gabinete do delegado de polícia sema asua
autorização configura crime de violação a domicílio.

- É possível a tentativa no desacato?


Quando se trata do desacato verbal, não pode visualizar uma tentativa, pois, é crime
unissubsistente.
Nas outras formas de desacato, para Magalhães de Noronha, quando o desacato
praticado através de arremeço de algo a um FP, poderia se falar em tentativa. Damásio de
Jesus entende não ser possível a tentativa do desacato.

Obs: Carta interceptada: não está na presença do FP. Mesmo tendo ofensa, teria a
injúria majorada.

Resp. 1640084/SP (15/12/2016) a 5ª turma do STJ entendeu que o Brasil adotou o


pacto San José da Costa Rica e os Tratados de Direitos Humanos ratificados pelo Brasil tem
força supra legal (abaixo da Constituição e acima da lei). Entre a lei e a norma supra legal tem
o controle de convencionalidade (onde uma norma inferior contrariando uma norma supra
legal, essa norma perde seus efeitos, ou seja, é destituída de validade).
Poderia falar de controle quando se trata de uma norma anterior à CF? Te que verificar
se essa norma foi recepcionada. Aqui entra o que chamamos de filtro constitucional. Vai entrar
no ordenamento jurídico se mantém uma compatibilidade com a CF nova.
A 5ª turma falou que o Pacto San José menciona no art. 13 mecaninsmos de proteção à
liberdade de pensamento e de expressão. Essa fomra de legislar dando roupagem criminosa a
essa conduta do particular que venha à expressar eu pensamento acerca do exercício de uma
função pública, ofende o direito de expressão Se fende o direito de expressão e esse dirieto
está consagrado em norma supra legal com status de direitos humanos, tem que considerar
que esse dispositivo é destituído de validade.
A 5ª turma entendeu que esse revestimento criminoso da conduta ofende o princípio
da isonomia, por prestigir mais o funcionário público do que o particular.
A Comissão Interamercicana de DH que recomenda aos países que ratificaram o Pacto
San José, que venha retirar de suas legislações essa figura típica do desacato.
Não é uma descriminalização da conduta, mas a pessoa iria responder pela calúnia ou
injúria.
O STJ entendeu que foi um controle de convencionalidade.
STJ considerando a repercussão que deu, entendeu em afetar o HC para sessão. O
relator segiu a concepção que prevaleceu na 5ª turma, entendendo que o desacato deveria ser
descriminalizado. Os outros ministros não entenderam assim, e por maioria o STJ entendeu
que a conduta do desacato continua com roupagem criminosa, não prejudicando a liberdade
de expressão, desde que o faça com civilidade e educação.
Não há que e falar em princípio da isonomia, pois se há excessso por parte do
funcionário público, tem a lei do abuso de autoridade. Tem a paridade.

ESTUPRO DE VULNERÁVEL- ART. 217-A, CP X STF (01/06/2017)

Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14
(catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que,
por enfermidade ou deficiência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do
ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência.
§ 2o (VETADO)
§ 3o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave
Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos.
§ 4o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos

Um julgado da 1ª turma STF de março reforça o entendimento do STF e do STJ.


Nesse julgado, Mévio de 18 anos manteve relação sexual com Tícia de 13 anos, de
forma consentida. Ação penal foi proposta e a defesa entrou com HC trancativo para ação
penal entender não haver justa causa, pela atipicidade do fato (a vítma consentiu). Esse caso
foi para relatoria do Ministro Marco Aurélio, que assistiu razão à defesa por entender eu não
há de se falar que menor de 14 anos seja pessoa vulnerável, pois, tem que se considerar que a
menor deu o consentimento.
Os demais ministros da 1ª turma não seguriam esse entendimento e por maioria
entenderam por indeferir o HC. Eles entenderam que a vulnerabilidade é absoluta.
HC 122945 (21/03/2017) reafirmou o entendimento que o esturpo é presumido em
menor de 14 anos. Vulnerabilidade é absoluta, não importando se essa menor já teve
relacionamentos anteriores.
Para STF e STJ a vulnerabilidade é absoluta.
O art. 225, Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título, procede-se mediante
ação penal pública condicionada à representação. (Redação dada pela Lei nº 12.015, de 2009)
Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal pública incondicionada
se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos ou pessoa vulnerável.]
Em regra, esturpo é de ação penal pública condicionada à representação, sendo
incondicionada quando a vítima é vulnerável e quando menor de 18.
Para responder sobre a denominada vulnerabilidade transitória: segundo STJ, essa
vulnerabilidade do §único é uma vulnerabilidadepermanente e, não transitória.
EX: Tício dá um soco na Mevia que cai no chão e desmaia, e ele pratica ato sexual com
Mévia. Há de se verificar se Mévia vai manifestr a vontade acerca do desencadeamento desse
processo, por ser uma vulnerabilidade transitória (ou seja ação penal pública condicionada à
representação).
Para o STJ, essa vulnerabilidade é permanente, sendo ação penal pública
incondicionada. Quando for transitória, irá falar em ação penal pública condicionada à
representação.
Vulnerabilidade permanente: deficiência mental.

STJ na contemplação lascívia:


Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção
carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso:
Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de
natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos.
§ 2o Se da conduta resulta morte:
Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009)
Atentado violento ao pudor.

Será que se eu aponto uma arma para determinada pessoa, sem qualquer contato
físico com ela, fazendo ela se masturbar para saciar minha lascívia, há de se falar em esturpo?
Para o STJ, a contemlação lascívia configura estupro. Não há necessidade do contato físico.
EX: Tìcio manda uma menina de 13 anos se masturbar para satisfazer sua lascívia, sem
tocer ou ameaçar ela. A menina consente e se masturba. O consentimento da menor e nada é
a mesma coisa. Irá configurar estupro de vulnerável.
Outro julgado importane é acerca da comprovação da menor idade dessa vítima. Pode
comprovar essa menor idade através da certidão de nascimento? STJ entende que a prova da
menor idade da vítima pode ser constatada através de outros meios que não necessariamente
a certidão. (Ex: testemunhas que virama vítima nascer).

REVISÃO JURISPRUDÊNCIA FLANELINHA X STF E STJ (04/06/2017)

Os flanelinhas que fazemtrabalho de guardar veículos: há necessidade de registro em


algum órgão? E se não é rebistrado, comete o art. 47 da lei de contravenções penais?
Art. 47. Exercer profissão ou atividade econômica ou anunciar que a exerce, sem
preencher as condições a que por lei está subordinado o seu exercício:
Pena - prisão simples, de quinze dias a três meses, ou multa, de quinhentos mil réis a
cinco contos de réis.
Existe lei que regulamenta o trabalho dos flanelinhas? Existe! A lei mencona no art. 1 a
necessidade do registro desses flanelinhas no órgão competente (superintendência regional do
trabalho e emprego).
Os flanelinhas que não stão registrados, a conduta pode ser enquadrada no art. 47 LCP?
Em tese, sim. Iriam se submeter a lei 90999.
Visão dos tribunais acerca dessa prátca: analisada a situação dos flanelinhas pelo STF,
muito embora ocorra a subsunção da conduta ao tipo formal, não há de se falar em tipicidade
material (entende pela aplicabilidade do princípio da insignificância).
Princípio da insignificância ou da criminalidade de bagatela: não basta a tipicidade
formal, não basta o enquandramento da conduta a um dos verbos do tipo, há ainda a
necessidade da lesão ao bem jurídico ou que o bem jurídico seja submetido a um risco d lesão
(o que chamamos de tipicidade material).
Para o STF, para aplicar o princípio da insignificância, considera: mínima ofensividade
da conduta, ausência do risco da ação, reduzido grau de reprovabilidade da conduta e
inexpressividade da lesão ao bem jurídico.
No julgado do STF no HC 115046 (19/03/2013), lança mão do princípio da
insignificância e o da subsidiariedade. O Direito penal é subsidiário, só podendo ser aplicado
quando não for possível a aplicação de outros ramos do direito, como por exemplo, do direito
administrativo para resolução daquele conflito.
O ministro entendeu que a contravenção é direcionada a impedir que pessoas não
habilitadas venha desenvolver determinada atividade, ex: o educador físico, o médico e, não as
atividades que não requer habilidade específica, como o flanelinha. Essa conduta ofende
minimamente o bem jurídico. O desenvolvimento da atividade de flanelinha muito embora,
não venha a preencher o requisito previsto na lei (registro no órgão competente) e tenhamos
uma adequação da conduta ao art. 47, não se tem atipicidade material por não ter de falar em
ofensa ao bem jurídico. Esse caso do flanelinha, o STF entende que o direito administrativo
pode resolver.
Ao falar do princípio da insignificância e do direito penal mínimo, falar que ele é última
ratio, sendo aplicado somente quando não for possível a aplicabilidade de outros ramos do
direito.
Segundo STF, numa situação de propositura de ação penal, no que se refere ao
cometimento da contravenção penal no exercício irregular da profissão, a denúncia deve ser
rejeitada com base no art. 395, II CPP (ausência de uma das condições da ação), a chamada
justa causa. A justa causa o fato tem que ser formalmente e materialmente típico.
O STJ caminha igualmente com o STF. Muito embora o STJ não falou claramente no
principio da insignificância, ele deixa transparecer tal princípio. No HC 190186 entende que a
atividade do flanelinha constitui uma perturbação mínima, que não enseja a justificativa da
intervenção do direito penal., podendo ser resolvido no âmbito do direito administrativo.

Numa prova oral: Mencionar que STF e STJ caminham juntos entendendo pela ausência
de justa causa, entendendo que a ação penal deve ser rejeitada com base no art. 395, II.
Entendem que o direito penal é mínimo. Quando menciona no princíio da insignificância,
lançar mão de Roxin e, falar que não basta somente a atipicidade formal (adequação da
conduta ao tipo), há a necessidade da ofensa ou perigo de ofensa a um bem jurídico.

EX: Um flanelinha exige que Tício pague determinada quantia, sob a ameaça de
quebrar o veículo dele.
Aqui não há de se falar em ausência de justa causa. Quando o flanelinha ameaça de
quebrar o veículo, exigidno determinada quantia, configura a extorsão, art. 158. A extorsão
pode ter a pena aumentada se tiver dois flanelinhas (causa de aumento da extorsão).
Pode ter também um ou dois flanelinhas que exigem determinada quantia sob ameaça
utilizando uma faca. Tem extorsão majorada por emprego de arma.
Se o flanelinha é usuário de craque e pratica essa conduta? Ele cometeu fato típico e
antijurídico, e a sua culpabilidade vai ser verificada fora da conduta do agente.

EX: Deixei meu veículo para o flanelinha cuidar e entreguei a chave. Quando eu
retornei, o flanelinha tinha levado o veículo. O flanelinha já tinha a intenção de ter a cosia para
si, o que vai caracterizar
Futo mediante fraude é diferente de estelionato. No estelionato, o agente utiliza o ardil
e a vítima entrega espontaneamente a coisa; no furto mediante fraude, o agente utiliza a
fraude para dimunnnuir a vigilância da vítima e subtrair a coisa.
EX: Tìcio chega em uma residência dizendo que é da NET e foi receber um pagamento
devido e a dona da casa entrega (entregou mediante erro: estelionato); mas se ele diz ser da
NET e pede para entrar para olhar o sinal, pede um copo de água,q uando ele se aproveita e
pega valores em dinheiro que estava em cima da mesa (ele subtraiu: furto mediante fraude).
No exmplo que Tício chega ao local e, o guardador já tinha a intenção de sair com carro,
se passa por flanelinha e Tício entrega a chave, teríamos estelionato, em tese. O
enquadramento, segundo a jurisprudência não é esse. Ela entende que é furto mediante
fraude (STJ). O STJ, nesse contexto, se afastou da técnica e se preocupou mais com o lado
econômico, pois, seguro não para estelionato.
Outro exemplo é o do Test Drive, que pode ser furto mediante fraude ou estelionato.
Para atender as concessionárias e diminuir o prejuízo enorme, será furto mediante fraude.
Numa prova oral: demonstrar a contradição e o posicionamento dos tribunais.
Numa prova objetiva: olhar se tem segundo STJ (colocar fraude); se for questão seca
(estelionato).
ZOUKDERNO 6

Ailton Zouk
Delegado de Polícia do DF

NOVEMBRO/2017

Edição: ADV.CONCURSANDADF

FARAMBORGER
INQUÉRITO POLICIAL

CONCEITO (Tourinho Filho) – conjunto de diligências realizada pela

autoridade judiciária para apuração de infração penal e sua autoria.

NATUREZA JURÍDICA – inquérito policial é um procedimento

administrativo inquisitorial.

 Examinador colocará na prova: “processo administrativo inquisitorial”

- Processo pressupõe/indica a existência de contraditório.

- Procedimento se refere a sequência de atos.

FUNÇÕES DO INQUÉRITO POLICIAL

Função garantista, Luigi Ferrajoli.

1. Função instrumental preservadora de direitos e garantias individuais

- Impede/evita a acusação de forma temerária.

- Embora o inquérito policial seja dispensável, 95% das ações propostas pelo

Ministério Público são ofertadas com base nesse.

- A justa causa que navega na órbita de uma ação penal, é uma justa causa

oriunda de um trabalho de investigação policial.

2. Função instrumental preparatória

O inquérito policial robustece/forma a justa causa para propositura da ação,

ou seja, prepara a ação penal.

- Fornece elementos de convicção para a propositura da ação penal.

O inquérito policial demanda um lastro mínimo probatório/de provas

indiciárias.
Não há a possibilidade de instauração do inquérito policial sem a denominada

justa causa (uma das condições da ação).

- Inquérito policial instaurado sem justa causa - HC visando o trancamento

- Inquérito policial instaurada para apurar fato atípico – HC visando o

trancamento

 Entendimento jurisprudencial : Não há possibilidade de instauração de

inquéritos policiais com base exclusivamente em denúncias anônimas – necessidade

de promover diligências no sentido de apurar as informações preliminares.

Apurada as informações preliminares e constituindo a justa causa, assim, poderá o

delegado instaurar o inquérito policial.

VPI (verificada providência de informações – artigo 6º, do CPP)

 STJ: Não há possibilidade de decretação de busca e apreensão com base

exclusivamente em denúncia anônima.

Não há, também, a possibilidade de interceptação telefônica com base,

exclusivamente, em denúncia anônima.

 Quando há a instauração do inquérito policial é necessário se verificar qual

é o tipo de ação para o delito.

Art. 5o Nos crimes de ação pública o inquérito policial será


iniciado:
I- de ofício;
II- mediante requisição da autoridade judiciária ou do
Ministério Público, ou a requerimento do ofendido ou de quem
tiver qualidade para representá-lo.
(...)
§ 4o O inquérito, nos crimes em que a ação pública depender de
representação, não poderá sem ela ser iniciado.
§ 5o Nos crimes de ação privada, a autoridade policial somente
poderá proceder a inquérito a requerimento de quem tenha
qualidade para intentá-la.
 Delatio criminis é a comunicação de um fato feita pela vítima ou qualquer

do povo com identificação. Tem como espécies a delatio criminis postulatória e a

delatio criminis simples.

Delatio criminis postulatória é aquela em que a vítima ou qualquer do povo

comunica o fato a autoridade policial e pede a instauração do inquérito.

Delatio criminis simples é aquele em que a vítima ou qualquer do povo só

comunica o fato à autoridade.

 Lei 11.340 – o crime que, em tese, iria desafiar a instauração de um TCO,

por força do artigo 41, do referido diploma, afasta a incidência da Lei 9.099 no

âmbito/contexto da violência doméstica.

- Contravenção penal de vias de fato do âmbito doméstico/contexto de

violência doméstica – APF.

 O inquérito policial deve ser instaurado no local onde ocorreu a

consumação do delito?

Competência e atribuição do Ministério Público

Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar


em que se consumar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo
lugar em que for praticado o último ato de execução. (Teoria do
resultado do evento)

Quando se trata de inquérito policial, pelo princípio da simetria, esse será

instaurado no local onde ocorreu a consumação do fato (regra, porém comporta

exceção, qual seja nos crimes dolosos contra à vida, onde a competência será do local

da prática dos atos executórios).

Exemplo: Tício alvejado na cidade A – veio a óbito na cidade B: IP, seguindo o

entendimento dos tribunais, será instaurado na cidade A, haja vista ter sido o local

dos atos executórios (exame no local dos fatos, ouvir testemunhas que realmente

presenciaram esse fato e não aquelas pessoas que moram nas imediações do hospital

onde ocorreu o óbito).


 Se ocorrer de uma outra delegacia instaurar o inquérito policial, diversa

daquela onde ocorreu a consumação do delito?

STJ: Tem-se a mera irregularidade, inclusive, se for matéria afetada à polícia

federal.

Polícia judiciaria federal – investigação – fato de temática federal: não há que

se falar em nulidade/anulação do inquérito policial, sendo que as provas poderão sim

sustentar a propositura de uma ação penal, posto que se trata de mera

irregularidade.

CARACTERÍSTICAS DO INQUÉRITO POLICIAL QUE SUSCITAM

DISCUSSÃO

1. Oficialidade – o inquérito policial navega na órbita do Estado, é um

instrumento estatal.

- Escritório de advocacia/detetive particular investigando infração penal?

A CF não previu essa possibilidade, apenas compete à polícia judiciária a

condução de investigações de infrações penais comuns.

2. Oficioso – uma vez instaurado o inquérito policial, o delegado não necessita

da parte para dar continuidade nas diligências/providências. O IP se desenvolve de

ofício

- Lei 12.830 (Dispõe sobre a investigação criminal conduzida pelo delegado de

polícia)

Art. 1o Esta Lei dispõe sobre a investigação criminal conduzida


pelo delegado de polícia.
Art. 2o As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações
penais exercidas pelo delegado de polícia são de natureza
jurídica, essenciais e exclusivas de Estado.
§ 1o Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade
policial, cabe a condução da investigação criminal por meio de
inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei, que
tem como objetivo a apuração das circunstâncias, da
materialidade e da autoria das infrações penais.
§ 2o Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de
polícia a requisição de perícia, informações, documentos e
dados que interessem à apuração dos fatos.
§ 3o (VETADO).
§ 4o O inquérito policial ou outro procedimento previsto em lei
em curso somente poderá ser avocado ou redistribuído por
superior hierárquico, mediante despacho fundamentado, por
motivo de interesse público ou nas hipóteses de inobservância
dos procedimentos previstos em regulamento da corporação
que prejudique a eficácia da investigação.
§ 5o A remoção do delegado de polícia dar-se-á somente por ato
fundamentado.
§ 6o O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á
por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do
fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas
circunstâncias.
Art. 3o O cargo de delegado de polícia é privativo de bacharel
em Direito, devendo-lhe ser dispensado o mesmo tratamento
protocolar que recebem os magistrados, os membros da
Defensoria Pública e do Ministério Público e os advogados.
Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

STJ: Não pode a ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) praticar atos

típicos de polícia judiciária, muito embora seja uma agência de inteligência, devendo,

somente, praticar atos de inteligência e não de investigações de infrações penais

comuns.

Investigações de infrações penais comuns pela polícia militar (chamado

“serviço reservado”) – a polícia pode investigar crimes militares

Arrepio da Constituição: P2 investigando o crime de tráfico de drogas, o qual

não possui qualquer ligação com infração penal militar (notória usurpação de função

pública, entendimento Zouk).

Atos de investigação pelo Ministério Público – Comentários Márcio André

Lopes Cavalcante - Dizer o Direito

 O Ministério Público pode realizar diretamente a investigação de crimes?


SIM. O MP pode promover, por autoridade própria, investigações de natureza

penal.

 Mas a CF/88 expressamente menciona que o MP tem poder para investigar

crimes?

NÃO. A CF/88 não fala isso de forma expressa. Adota-se aqui a teoria dos

poderes implícitos. Segundo essa doutrina, nascida nos EUA (Mc CulloCh vs.

Maryland – 1819), se a Constituição outorga determinada atividade-fim a um órgão,

significa dizer que também concede todos os meios necessários para a realização

dessa atribuição.

A CF/88 confere ao MP as funções de promover a ação penal pública (art. 129,

I). Logo, ela atribui ao Parquet também todos os meios necessários para o exercício da

denúncia, dentre eles a possibilidade de reunir provas para que fundamentem a

acusação.

Ademais, a CF/88 não conferiu à Polícia o monopólio da atribuição de

investigar crimes. Em outras palavras, a colheita de provas não é atividade exclusiva

da Polícia.

Desse modo, não é inconstitucional a investigação realizada diretamente pelo

MP. Esse é o entendimento do STF e do STJ.

 Qual é o fundamento constitucional?

Além da doutrina dos poderes implícitos, podemos citar como fundamento

constitucional que autoriza, de forma implícita, o poder de investigação do MP:

Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público:


I - promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da
lei;
(...)
VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de
sua competência, requisitando informações e documentos para
instruí-los, na forma da lei complementar respectiva;
VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma
da lei complementar mencionada no artigo anterior;
VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de
inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas
manifestações processuais;
IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que
compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a
representação judicial e a consultoria jurídica de entidades
públicas.

 Existe algum fundamento legal?

A Lei Complementar n.° 75/1993, também de forma implícita, autoriza a

realização de atos de investigação nos seguintes termos:

Art. 8º Para o exercício de suas atribuições, o Ministério Público


da União poderá, nos procedimentos de sua competência:
I - notificar testemunhas e requisitar sua condução coercitiva,
no caso de ausência injustificada;
(...)
V - realizar inspeções e diligências investigatórias;
(...)
VII - expedir notificações e intimações necessárias aos
procedimentos e inquéritos que instaurar;

 Decisão do Plenário do STF

O STJ e a 2ª Turma do STF possuíam diversos precedentes reconhecendo o

poder de investigação do Ministério Público. Esse entendimento foi reafirmado pelo

Plenário do STF no julgamento do RE 593727, submetido a repercussão geral, e

apreciado no dia 14/05/2015.

No julgamento, o Plenário do STF reconheceu a legitimidade do Ministério

Público para promover, por autoridade própria, investigações de natureza penal, mas

ressaltou que essa investigação deverá respeitar alguns parâmetros (requisitos).

 Parâmetros que devem ser respeitados para que a investigação conduzida

diretamente pelo MP seja legítima:

1) Devem ser respeitados os direitos e garantias fundamentais dos

investigados;
2) Os atos investigatórios devem ser necessariamente documentados e

praticados por membros do MP;

3) Devem ser observadas as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição,

ou seja, determinadas diligências somente podem ser autorizadas pelo Poder

Judiciário nos casos em que a CF/88 assim exigir (ex: interceptação telefônica, quebra

de sigilo bancário etc);

4) Devem ser respeitadas as prerrogativas profissionais asseguradas por lei

aos advogados;

5) Deve ser assegurada a garantia prevista na Súmula vinculante 14 do STF

(“É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos

de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão

com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de

defesa”);

6) A investigação deve ser realizada dentro de prazo razoável;

7) Os atos de investigação conduzidos pelo MP estão sujeitos ao permanente

controle do Poder Judiciário.

 Tese fixada para fins de repercussão geral

Como dito, o STF apreciou o tema em um recurso extraordinário submetido à

sistemática da repercussão geral. Nesse tipo de julgamento, o STF redige um

enunciado que serve como tese que será aplicada para os casos semelhantes. É como

se fosse uma súmula.

A tese fixada pela Corte foi a seguinte:

“O Ministério Público dispõe de competência para promover,


por autoridade própria, e por prazo razoável, investigações de
natureza penal, desde que respeitados os direitos e garantias
que assistem a qualquer indiciado ou a qualquer pessoa sob
investigação do Estado, observadas, sempre, por seus agentes,
as hipóteses de reserva constitucional de jurisdição e, também,
as prerrogativas profissionais de que se acham investidos, em
nosso País, os Advogados (Lei 8.906/94, artigo 7º, notadamente
os incisos I, II, III, XI, XIII, XIV e XIX), sem prejuízo da
possibilidade – sempre presente no Estado democrático de
Direito – do permanente controle jurisdicional dos atos,
necessariamente documentados (Súmula Vinculante 14),
praticados pelos membros dessa instituição”. STF. Plenário. RE
593727/MG, red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em
14/5/2015.

 STJ - Súmula 234. A Participação de membro do Ministério Público na fase

investigatória criminal não acarreta o seu impedimento ou suspeição para o

oferecimento da denúncia.

3. Sigilo – Duas espécies:

Sigilo interno: é oponível as partes.

- Advogado tem acesso às provas produzidas e já documentadas.

- É oponível ao advogado somente as provas já produzidas, mas que ainda

não foram documentadas, ou aquelas que se encontram em fase de produção.

- Interceptação telefônica em curso enquadra-se no sigilo interno.

Sigilo externo: é aquele sigilo oponível a sociedade.

- As partes possuem acesso, mas a sociedade não.

- O sigilo externo não é oponível ao advogado.

 A Lei 13.245/2016 tornou o procedimento em contraditório?

Não. Em que pese a previsão de maior participação do advogado, por

exemplo, possibilidade de propor quesitos, o inquérito continua sendo discricionário,

bem como continua sendo conduzido pelo delegado de polícia. Assim, não há que se

falar que a Lei mencionada tornou o procedimento em contraditório.

Súmula vinculante nº 14 – possibilita o acesso do advogado aos autos do

inquérito policial das provas produzidas e já documentadas.

 Delegado de polícia nega acesso dos autos para o advogado – lei de abuso

de autoridade (Lei 4.898/65) – artigo 3º, “j” (atentar contra direitos e garantias legais

assegurados ao exercício profissional) – DEVE HAVER DOLO


Advogado – remédios:

Súmula vinculante + negativa do delegado – reclamação ao STF

Direito líquido e certo de ter acesso aos autos – mandado de segurança

- A negativa inviabiliza por parte do advogado pedido de liberdade

provisória, bem como HC.

Investigado:

Assiste a possibilidade de impetrar HC

Comentários sobre a Lei 13.245/2016, Márcio André Lopes Cavalcante - Dizer o

Direito:

O art. 7º traz um rol de direitos que são conferidos aos advogados. A Lei nº

13.245/2016 altera o inciso XIV e acrescenta o inciso XXI a este artigo.

DIREITO DO ADVOGADO DE EXAMINAR OS AUTOS DE INVESTIGAÇÃO


(INCISO XIV):

Estatuto da OAB (Lei nº 8.906/94)


ANTES AGORA
Art. 7º São direitos do advogado: Art. 7º São direitos do advogado:
(...) (...)
XIV - examinar em qualquer XIV – examinar em qualquer
repartição policial, mesmo sem instituição responsável por conduzir
procuração, autos de flagrante e de investigação, mesmo sem procuração,
inquérito, findos ou em andamento, autos de flagrante e de investigações
ainda que conclusos à autoridade, de qualquer natureza, findos ou em
podendo copiar peças e tomar andamento, ainda que conclusos à
apontamentos; autoridade, podendo copiar peças e
tomar apontamentos, em meio físico
ou digital;

"Em qualquer instituição responsável por conduzir investigação"

Na época em que o Estatuto da OAB foi editado, em 1994, as investigações de

crimes no Brasil eram conduzidas quase que unicamente pelas Polícias.


Ao longo dos anos, esta realidade foi se alterando. Outros órgãos começaram a

realizar, de forma mais intensa e frequente, investigações de infrações penais. Nesse

sentido, podemos citar o Ministério Público, as Comissões Parlamentares de

Inquérito, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAFI), a Comissão de

Valores Mobiliários (CVM), entre outros.

Desse modo, o texto do inciso XIV, ao falar apenas em "repartição policial" e

em "inquérito", ficou desatualizado.

A alteração, portanto, teve como objetivo deixar expresso que os advogados

possuem direito de examinar os autos dos procedimentos de investigação em

qualquer instituição (e não apenas na Polícia).

"Investigações de qualquer natureza"

A Lei nº 13.245/2016 deixa claro que o advogado pode examinar os autos de

qualquer procedimento de investigação de qualquer natureza.

Assim, não importa o nome que se dê ao procedimento, sendo certo que o

advogado terá direito de acesso aos referidos autos.

No âmbito do Ministério Público, por exemplo, a investigação é denominada

"procedimento de investigação criminal" (PIC).

"Em meio físico ou digital"

O advogado, além de ter acesso aos autos, tem direito de tirar cópias e realizar

apontamentos (anotações). Isso pode ser feito tanto em meio físico como digital. É o

caso, por exemplo, de um advogado que utiliza scanner portátil ou tira fotos, com

seu celular, dos autos do procedimento.

Alteração está de acordo com o que decidiu o STF no RE 593727/MG

No Recurso Extraordinário 593727/MG, o Plenário do STF decidiu que “o

Ministério Público dispõe de competência para promover, por autoridade própria, e

por prazo razoável, investigações de natureza penal" (STF. Plenário. RE 593727/MG,

red. p/ o acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 14/5/2015. Repercussão geral. Info

785).
No entanto, o STF afirmou que, nestes casos, o MP deverá respeitar as

prerrogativas dos advogados previstas no art. 7º, notadamente os incisos I, II, III, XI,

XIII, XIV e XIX.

Assim, mesmo antes da alteração do inciso XIV, o STF já havia determinado

expressamente que este direito dos advogados fosse observado também nos

procedimentos de investigação criminal (PIC) realizados no âmbito do Parquet.

É necessário procuração para que o advogado tenha acesso aos autos da

investigação?

• Regra: Não. Em regra, o advogado pode ter acesso aos autos da investigação

mesmo que não tenha procuração do investigado.

• Exceção: será necessário que o advogado apresente procuração caso os autos

estejam sujeitos a sigilo (art. 7º, § 10, do Estatuto da OAB).

Documentos relacionados a diligências em andamento

Algumas vezes pode acontecer de estarem sendo realizados determinados

tipos de diligências que, se forem reveladas ao investigado, se tornarão

completamente inúteis.

Ex: o telefone do investigado, com autorização judicial, está interceptado.

Ex2: o Delegado está organizando uma busca e apreensão na casa do

indiciado.

Se tais informações forem transmitidas ao advogado, a eficácia das diligências

estará frustrada, considerando que o investigado, em tese, não irá falar nada ao

telefone que possa incriminá-lo e retirará de sua casa qualquer documento que lhe

seja prejudicial. Pensando nisso, o legislador autoriza que, nestas hipóteses, a

autoridade responsável pela investigação não junte aos autos os documentos

relacionados com as diligências ainda em andamento. É o que dispõe o § 11 do art. 7º

do Estatuto da OAB, também acrescentado pela Lei nº 13.245/2016:

§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente


poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de prova
relacionados a diligências em andamento e ainda não
documentados nos autos, quando houver risco de
comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade
das diligências.

Inciso XIV pode ser aplicado não apenas para investigações de crimes

A nova redação do inciso XIV utiliza a expressão "investigações de qualquer

natureza".

Com base nisso, é possível afirmar que o direito dos advogados de ter acesso

aos autos não se limita a investigações de infrações penais. Em outras palavras, o

direito previsto no inciso XIV pode ser invocado para que o advogado tenha acesso

aos autos de outras investigações, mesmo que não envolvam crimes. É o caso, por

exemplo, das investigações disciplinares realizadas pela Administração Pública

contra seus servidores (sindicâncias), das investigações nos âmbitos dos Conselhos

Profissionais (CREA, CRM, CRO etc.), das investigações no CADE, na CVM, além do

inquérito civil conduzido pelo Ministério Público.

Em suma, o inciso XIV não mais se restringe a investigações criminais, como

ocorria antes da Lei nº 13.245/2016.

Súmula vinculante 14-STF

Vale recordar que o STF possui um enunciado vinculante sobre o tema. Veja:

Súmula vinculante 14-STF: É direito do defensor, no interesse


do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que,
já documentados em procedimento investigatório realizado por
órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao
exercício do direito de defesa.

A súmula vinculante continua válida. Contudo, depois da alteração

promovida pela Lei nº 13.245/2016, a interpretação do enunciado deve ser ampliada

para abranger qualquer procedimento investigatório realizado por qualquer

instituição. Assim, a súmula não mais está restrita aos autos de "procedimento

investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária", como

prevê a literalidade do seu texto.


Defensor Público

No caso da Defensoria Pública, prerrogativa semelhante ao inciso XIV do art.

7º encontra-se prevista na LC 80/94:

Art. 44. São prerrogativas dos membros da Defensoria Pública


da União:
(...)
VIII – examinar, em qualquer repartição pública, autos de
flagrantes, inquéritos e processos, assegurada a obtenção de
cópias e podendo tomar apontamentos;

Resolução 13/2006-CNMP

O art. 13, II, da Resolução 13/2006 do CNMP (que regulamenta a investigação

criminal no âmbito do MP) fica derrogado com a nova redação do inciso XIV. Isso

porque neste dispositivo da Resolução exige-se que o advogado tenha poderes

específicos para ter acesso aos autos. O inciso XIV do art. 7º do Estatuto da OAB,

contudo, afirma expressamente que não é necessário procuração, salvo se os autos

forem sigilosos.

O que acontece caso o direito do advogado de amplo acesso aos autos for

desrespeitado?

A Lei nº 13.245/2016 acrescentou o § 12 ao art. 7º do Estatuto da OAB

prevendo que, se a pessoa responsável pela investigação...

- negar o direito ao advogado de acesso aos autos,

- fornecer os autos de forma incompleta (ex: não fornecer os apensos) ou

- fornecer os autos, mas antes retirar algumas peças que já haviam sido

juntadas ao processo,

...neste caso, a pessoa responsável poderá sofrer responsabilização criminal e

funcional por abuso de autoridade, nos termos do art. 3º, "j", da Lei nº 4.898/65:

Art. 3º Constitui abuso de autoridade qualquer atentado:


j) aos direitos e garantias legais assegurados ao exercício
profissional.
Além disso, o advogado poderá peticionar ao juiz requerendo o acesso

completo aos autos. Veja a redação na íntegra do novel § 12 do art. 7º:

§ 12. A inobservância aos direitos estabelecidos no inciso XIV, o


fornecimento incompleto de autos ou o fornecimento de autos
em que houve a retirada de peças já incluídas no caderno
investigativo implicará responsabilização criminal e funcional
por abuso de autoridade do responsável que impedir o acesso
do advogado com o intuito de prejudicar o exercício da defesa,
sem prejuízo do direito subjetivo do advogado de requerer
acesso aos autos ao juiz competente.

DIREITO DO ADVOGADO DE ACOMPANHAR E AUXILIAR SEU CLIENTE


DURANTE O INTERROGATÓRIO OU DEPOIMENTO NO CURSO DA
INVESTIGAÇÃO (INCISO XXI)

A Lei nº 13.245/2016 acrescenta o inciso XXI ao art. 7º, com a seguinte redação:

Art. 7º São direitos do advogado:


(...)
XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração
de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo
interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos
os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes
ou derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no
curso da respectiva apuração:
a) apresentar razões e quesitos;
b) (VETADO).

Contextualizando o cenário que inspirou a alteração legislativa

Durante muito tempo, houve uma divergência entre os advogados e

Delegados de Polícia a respeito da participação da defesa técnica durante o

interrogatório ou depoimento de testemunhas. Isso porque alguns Delegados não

aceitavam que o advogado participasse do interrogatório do indiciado e, com mais

frequência, não permitiam que o causídico estivesse presente durante o depoimento

das testemunhas. Tais autoridades policiais argumentavam que não havia previsão

legal para isso.


Outros Delegados até permitiam que o advogado estivesse presente nas

oitivas, mas não era autorizado que ele formulasse perguntas e requerimentos

durante o ato. A participação do advogado, quando facultada, acontecia na condição

de mero ouvinte e espectador.

Diante deste cenário, a OAB se articulou para alterar a legislação, que passa a

prever, expressamente, o direito do advogado de estar presente no interrogatório do

investigado e nos depoimentos, podendo, inclusive, fazer perguntas.

Entendendo o que prevê o novo inciso XXI

O advogado, com o objetivo de assistir (auxiliar) seu cliente que esteja sendo

investigado, possui o direito de estar presente no interrogatório e nos depoimentos

que forem colhidos durante o procedimento de apuração da infração.

Durante os atos praticados, além de estar presente, o advogado tem o direito

de:

• apresentar razões (argumentar e defender seu ponto de vista sobre algo que

vá ser decidido pela autoridade policial ou sobre alguma diligência que precise ser

tomada); e

• apresentar quesitos (formular perguntas ao investigado, às testemunhas, aos

informantes, ao ofendido, ao perito etc.).

As razões e os quesitos poderão ser formulados durante o interrogatório e o

depoimento ou, então, por escrito, durante o curso do procedimento de investigação,

como no caso de um requerimento de diligência ou da formulação de quesitos a

serem respondidos pelo perito.

Discussão quanto à obrigatoriedade da presença do advogado no

interrogatório realizado na investigação criminal

A doutrina majoritária e a jurisprudência sempre entenderam que não é

obrigatória a presença de advogado ou Defensor Público durante o interrogatório

realizado no inquérito policial ou em qualquer outro procedimento de investigação

pré-processual. Nesse sentido, confira este elucidativo precedente:


(...) É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça
no sentido de que o inquérito policial é procedimento
inquisitivo e não sujeito ao contraditório, razão pela qual a
realização de interrogatório sem a presença de advogado não é
causa de nulidade. (...) STJ. 6ª Turma. HC 139.412/SC, Rel. Min.
Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 09/02/2010.

Com o novo inciso XXI do art. 7º, pode-se dizer que a presença do advogado

ou Defensor Público passou a ser obrigatória durante a investigação criminal (fase

pré-processual)?

NÃO. Em minha leitura, o novo inciso XXI do art. 7º não impõe que todos os

interrogatórios realizados durante a investigação criminal tenham, obrigatoriamente,

a presença de advogado.

O que esse dispositivo garantiu foi o direito do advogado de, se assim desejar,

se fazer presente no interrogatório do seu cliente e nos demais depoimentos.

O inciso acrescenta novo direito ao advogado que, reflexamente, acarreta

benefícios ao investigado.

O objetivo da Lei não foi o de instituir ampla defesa automática e obrigatória

nas investigações criminais, mas sim o de garantir respaldo legal para que os

advogados possam melhor exercer suas funções.

Se, no momento da realização do interrogatório, o investigado não estiver

acompanhado de advogado ou Defensor Público, a autoridade que conduz a

investigação deverá, obrigatoriamente, designar um defensor dativo para

acompanhá-lo no ato?

NÃO. O inciso XXI do art. 7º não permite que cheguemos a essa conclusão. A

presença da defesa técnica no interrogatório e nos demais atos da investigação

criminal continua sendo facultativa. Trata-se de um direito do investigado, mas, ao

contrário do interrogatório judicial, este pode optar por não estar acompanhado de

um advogado no ato, sem que isso acarrete nulidade. O que mudou é que agora a
legislação é expressa ao reconhecer o direito do advogado de, se quiser, participar do

ato, não podendo haver embaraço da autoridade que conduz a investigação.

Uma das características tradicionalmente mencionadas do inquérito policial é

a de que ele é inquisitorial. Isso muda com o novo inciso XXI?

NÃO. O inquérito policial é inquisitorial e que a ele não se aplicam as

garantias do contraditório e da ampla defesa. Mesmo com a previsão do novo inciso

XXI, essa característica permanece válida. Isso porque o fato de o inquérito ser

inquisitorial não significa que ele é arbitrário ou que todos os direitos do investigado

devam ser negados. Não é isso. Assim, mesmo antes da inserção do inciso XXI, a

doutrina e a jurisprudência já afirmavam que o inquérito policial, apesar de não

possuir ampla defesa e contraditório, garante ao investigado determinados direitos

fundamentais, dentre eles o direito ao silêncio, o direito à integridade física, o direito

à assistência de advogado, entre outros.

Cada vez mais são garantidos expressamente novos direitos ao investigado,

mas não se pode afirmar que, unicamente por conta disso, já exista ampla defesa e

contraditório na fase pré-processual. Não há. O inquérito policial e as demais

investigações criminais continuam sendo inquisitoriais, com exceção do inquérito

para expulsão de estrangeiro, no qual há previsão de um procedimento com ampla

defesa e contraditório (Decreto n.º 86.715/81).

Para que o advogado participe do interrogatório e dos depoimentos,

assistindo ao seu cliente, é necessário procuração?

SIM. O próprio Estatuto da OAB afirma que “o advogado postula, em juízo

ou fora dele, fazendo prova do mandato” (art. 5º). Contudo, se o advogado

comparece ao ato sem procuração, poderão ser adotadas duas soluções:

• Caso o investigado esteja presente, ele poderá conferir uma procuração apud

acta, ou seja, ele poderá indicar que aquele é realmente seu advogado, registrando-se

isso no termo. Aplica-se aqui, por analogia, o art. 266 do CPP (Art. 266. A
constituição de defensor independerá de instrumento de mandato, se o acusado o

indicar por ocasião do interrogatório.);

• Se o investigado não estiver presente, deve o Delegado ou a autoridade que

conduz a investigação permitir a participação do advogado, determinando, no

entanto, ao causídico que apresente a procuração no prazo de 15 dias, prorrogável

por igual período, nos termos do § 1º do art. 5º do Estatuto da OAB.

O advogado possui o direito de fazer perguntas (formular quesitos) ao

investigado (no interrogatório) e demais pessoas ouvidas nos depoimentos. Sobre o

tema, indaga-se: o Delegado pode indeferir as perguntas do advogado?

SIM. Se até na fase judicial, onde existe ampla defesa e contraditório, e se até

no Tribunal do Júri, onde vigora a plenitude de defesa, o juiz pode indeferir

perguntas do advogado, com maior razão na investigação criminal, onde o exercício

da defesa é limitado.

Assim, à semelhança do que ocorre no processo penal, o Delegado ou a

autoridade que conduz a investigação (ex: Promotor de Justiça) também poderão

indeferir perguntas do advogado nas seguintes hipóteses extraídas, por analogia, do

art. 212 do CPP:

• quando a pergunta formulada puder induzir a resposta (“perguntas

sugestivas”);

• quando o questionamento não tiver relação com a causa; ou

• quando a perguntar importar na repetição de outra já respondida.

Como reforço a essa possibilidade de indeferir perguntas, devemos relembrar

o art. 14 do CPP, que continua em vigor, especialmente em razão do veto à alínea “b”

do inciso XXI do art. 7º, que será explicado mais abaixo:

Art. 14. O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado


poderão requerer qualquer diligência, que será realizada, ou
não, a juízo da autoridade.
Vale ressaltar, no entanto, que o indeferimento de perguntas deve ser

registrado no termo de inquirição, podendo ser, em tese, posteriormente questionado

pela defesa em juízo.

Forma de inquirição

No processo penal, desde 2008, as perguntas são formuladas pelas partes

diretamente à testemunha. Somente ao final o juiz complementa a inquirição

formulando as perguntas que entender necessárias (art. 212 do CPP). Essa mesma

forma de inquirição deverá ser adotada na investigação criminal?

NÃO. A investigação criminal, como já dito à exaustão, é um procedimento

administrativo e inquisitorial. Não existe ampla defesa. Ao contrário do processo

judicial, onde vigora a imparcialidade do juiz, que deverá ter iniciativa probatória

apenas complementar, no procedimento investigatório a iniciativa de produção dos

elementos informativos é primordialmente da autoridade que conduz a investigação.

Além disso, o inquérito policial possui como característica o fato de ser um

procedimento discricionário, ou seja, o Delegado de Polícia tem liberdade de atuação

para definir qual é a melhor estratégia para a apuração do delito. Justamente por

conta disso, a legislação previu que a autoridade policial pode indeferir diligências

requeridas pelo indiciado ou pela vítima (art. 14 do CPP).

Sanção em caso de descumprimento do inciso XXI

O inciso XXI prevê que, se for negado o direito de o advogado participar do

interrogatório ou depoimento, haverá nulidade absoluta desses atos e, por

consequência, nulidade também de todas as "provas" que, direta ou indiretamente,

decorrerem deles.

Ex: o Delegado não permitiu que o advogado participasse do depoimento de

uma testemunha do inquérito policial. Durante o depoimento, a testemunha revela

que viu o investigado, no dia do crime, em um determinado endereço. A partir desse

depoimento, a autoridade policial pede a realização de uma busca e apreensão no

local e ali descobre a arma utilizada pelo investigado no crime, além de objetos
pessoais a ele pertencentes. Pela redação do inciso XXI, haveria nulidade absoluta da

oitiva da testemunha e também das "provas" obtidas com a busca e apreensão, uma

vez que tal diligência foi decorrente das informações passadas pela testemunha.

Requerimento e requisição de diligências pela defesa do investigado

O CPP prevê que o indiciado poderá requerer a realização de diligências.

Estas, contudo, serão realizadas, ou não, a critério da autoridade policial (art. 14).

A Lei nº 13.245/2016 tentou mudar esse cenário. A referida lei previa na alínea

“b” do inciso XXI do art. 7º do EOAB que seria direito do advogado, no interesse do

seu cliente, "requisitar diligências".

Como se sabe, o verbo "requisitar" possui força cogente. O requerimento é

aceito ou não pela autoridade destinatária. A requisição, ao contrário, é obrigatória.

Desse modo, a intenção do legislador era fazer com que o advogado do

investigado passasse a ter força obrigatória na postulação de diligências.

Ocorre que a Presidente da República VETOU esta alínea "b", fornecendo a

seguinte justificativa:

“Da forma como redigido, o dispositivo poderia levar à


interpretação equivocada de que a requisição a que faz
referência seria mandatória, resultando em embaraços no
âmbito de investigações e consequentes prejuízos à
administração da justiça. Interpretação semelhante já foi
afastada pelo Supremo Tribunal Federal - STF, em sede de Ação
Direita de Inconstitucionalidade de dispositivos da própria Lei
no 8.906, de 4 de julho de 1994 - Estatuto da Advocacia e a
Ordem dos Advogados do Brasil (ADI 1127/DF). Além disso,
resta, de qualquer forma, assegurado o direito de petição aos
Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou
abuso de poder, nos termos da alínea ‘a’, do inciso XXXIV, do
art. 5º, da Constituição.”

Assim, neste ponto, a situação continua como era antes: a defesa do

investigado pode requerer a realização de diligências, cabendo à autoridade

responsável pela investigação decidir, de forma discricionária, se devem ou não ser

concretizadas.
Obviamente que, se recusa for arbitrária, é possível ao investigado, por meio

de seu advogado, formular o pedido da diligência ao Ministério Público (no caso de

recusa feita pelo Delegado em inquérito policial) ou ao Poder Judiciário (em qualquer

hipótese).

Aplicável aos Defensores Públicos

Defensor Público não é advogado e, portanto, não está sujeito ao Estatuto da

OAB. Apesar disso, o novo inciso XXI deve ser aplicado também aos Defensores

Públicos com base na analogia, considerando que os membros dessa carreira

exercem, no processo penal, funções semelhantes às dos advogados criminalistas,

não havendo razão jurídica que justifique tratamento diferente, sob pena de violação

ao princípio da igualdade.

Ministério Público pode acompanhar também os atos

Vale ressaltar que o Ministério Público também pode acompanhar o

interrogatório e depoimentos ocorridos no inquérito policial, podendo igualmente

formular perguntas e expor razões. Isso já era possível em decorrência do princípio

acusatório e do fato de que o MP, como titular da ação penal, é o destinatário dos

elementos de informação colhidas no inquérito policial, podendo, por consequência,

participar ativamente de sua colheita.

Resolução 13/2006-CNMP

A Resolução 13/2006 do CNMP, que regulamenta a investigação criminal no

âmbito do Ministério Público, já previa que o investigado possuía direito de ser

acompanhado por advogado em todos os atos da investigação.

4. Valor probatório relativo

Não há possibilidade de o juiz condenar com base, exclusivamente, em provas

indiciárias, pois essas devem ser contraditas quando da realização da instrução

processual.
- Entretanto, o juiz pode absolver apenas fundamentando-se em provas

produzidas no inquérito.

5. Procedimento escrito

Art. 9o Todas as peças do inquérito policial serão, num só


processado, reduzidas a escrito ou datilografadas e, neste caso,
rubricadas pela autoridade.

Necessidade de redução a termo.

6. Procedimento temporário

O inquérito policial tem prazo para conclusão.

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o


indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do
dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30
dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

 Extrapolação de prazos para conclusão do inquérito:

STJ: constitui constrangimento ilegal, pois não há possibilidade de se verificar

o IP com lapso temporal considerável (5, 6, 7 anos) tramitando, por mais complexa

que seja a investigação, falta ao Ministério Público a justa causa para propositura da

ação penal, devendo esse pugnar pelo arquivamento do IP.

HABEAS CORPUS PREVENTIVO. TRANCAMENTO DE


INQUÉRITO POLICIAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA.
ESTELIONATO CONTRA ENTE PÚBLICO E FALSIDADE
IDEOLÓGICA. ALEGAÇÃO DE QUE OS FATOS
INVESTIGADOS JÁ FORAM OBJETO DE OUTRO
INQUÉRITO POLICIAL, ARQUIVADO A PEDIDO DO MPF.
FRAUDE NA OBTENÇÃO DE FINANCIAMENTOS
CONCEDIDOS PELO FINAM E PELA SUDAM E DESVIO DE
RECURSOS. NÃO APURAÇÃO DE QUALQUER FATO QUE
PUDESSE AMPARAR EVENTUAL AÇÃO PENAL, TANTO
QUE NÃO OFERECIDA A DENÚNCIA. EXCESSO DE PRAZO.
INVESTIGAÇÃO QUE DURA MAIS DE 7 ANOS.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL EXISTENTE. ORDEM
CONCEDIDA. (...) 5. No caso, passados mais de 7 anos desde
a instauração do Inquérito pela Polícia Federal do Maranhão,
não houve o oferecimento de denúncia contra os pacientes. É
certo que existe jurisprudência, inclusive desta Corte, que
afirma inexistir constrangimento ilegal pela simples
instauração de Inquérito Policial, mormente quando o
investigado está solto, diante da ausência de constrição em
sua liberdade de locomoção (HC 44.649/SP, Rel. Min. LAURITA
VAZ, DJU 08.10.07); entretanto, não se pode admitir que
alguém seja objeto de investigação eterna, porque essa situação,
por si só, enseja evidente constrangimento, abalo moral e,
muitas vezes, econômico e financeiro, principalmente quando
se trata de grandes empresas e empresários e os fatos já foram
objeto de Inquérito Policial arquivado a pedido do Parquet
Federal. 6. Ordem concedida, para determinar o trancamento
do Inquérito Policial 2001.37.00.005023-0 (IPL 521/2001), em que
pese o parecer ministerial em sentido contrário. (STJ - HC:
96666 MA 2007/0297494-5, Relator: Ministro NAPOLEÃO
NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 04/09/2008, T5 -
QUINTA TURMA, Data de Publicação: --> DJe 22/09/2008)

7. Procedimento indisponível

O delegado não pode determinar o arquivamento do inquérito policial, assim,

é correto afirmar a aplicação do princípio da indisponibilidade.

8. Discricionariedade

O delegado conduz o IP, sendo que há nessa visão de discricionariedade a

possibilidade de indeferimento de diligências.

A discricionariedade do delegado não é absoluta, haja vista que determinadas

diligências não poderão ser indeferidas, por exemplo:

Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável


o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo
supri-lo a confissão do acusado.
9. Dispensabilidade do inquérito

Art. 12. O inquérito policial acompanhará a denúncia ou


queixa, sempre que servir de base a uma ou outra.

DILIGÊNCIAS REALIZADAS NO BOJO DO INQUÉRITO POLICIAL

Art. 6o Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade

policial deverá:

I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e

conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; (Redação dada pela Lei

nº 8.862, de 28.3.1994)

 Crime de trânsito - alteração do local antes da chegada da perícia: não se

enquadra no crime de fraude processual, previsto no artigo 347, do CP, com o

respectivo APF (prisão ilegal), mas sim no artigo 312, do CTB, com a lavratura de

TCO (princípio da especialidade).

CP. Fraude processual. Art. 347. Inovar artificiosamente, na


pendência de processo civil ou administrativo, o estado de
lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz
ou o perito: Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em
processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em
dobro.

CTB. Fraude processual no trânsito. Art. 312. Inovar


artificiosamente, em caso de acidente automobilístico com
vítima, na pendência do respectivo procedimento policial
preparatório, inquérito policial ou processo penal, o estado de
lugar, de coisa ou de pessoa, a fim de induzir a erro o agente
policial, o perito, ou juiz: Penas - detenção, de seis meses a um
ano, ou multa. Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste
artigo, ainda que não iniciados, quando da inovação, o
procedimento preparatório, o inquérito ou o processo aos quais
se refere.
 Crime de trânsito - alteração do local, sem vítima(s) – se tiver elementos

aplica-se o 347, caso contrário não haverá essa possibilidade.

II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados

pelos peritos criminais; (Redação dada pela Lei nº 8.862, de 28.3.1994)

III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas

circunstâncias;

IV - ouvir o ofendido;

Art. 201 (...)

§ 1o Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem


motivo justo, o ofendido poderá ser conduzido à presença da
autoridade. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

 Investigado pode ser conduzido coercitivamente a presença da autoridade

policial e, podendo ser conduzido, há necessidade de decisão/autorização judicial?

- Princípio nemo tenetur se detegere - Aviso de Miranda / Miranda Rights

- 3 correntes doutrinárias:

1ª. O investigado/indiciado não pode ser conduzido a presença da autoridade

policial. Essa corrente busca fundamento na Convenção Americana sobre Direitos

Humanos, a qual assegura que o acusado não é obrigado a produzir provas contra si

próprio, haja vista que o interrogatório é um meio de defesa, mesmo que haja uma

decisão/autorização judicial no sentido de conduzi-lo coercitivamente, até porque ele

possui o direito de permanecer calado, assegurado que, em caso de silêncio, esse não

será utilizado em seu desfavor.

2ª. O investigado/indiciado até pode ser conduzido coercitivamente a presença

da autoridade policial, porém, como se trata de uma restrição de direito (da

liberdade), ainda que momentânea, há necessidade de decisão/autorização judicial.


Corrente defendida pelo Ministério Público, sob o fundamento de que a condução

coercitiva se submete a cláusula jurisdicional. Renato Brasileiro, também, nesse

sentido.

3ª. Entende que não há necessidade de uma decisão/autorização judicial para

a condução coercitiva do investigado/indiciado. Posicionamento dos delegados.

Art. 201. Sempre que possível, o ofendido será qualificado e


perguntado sobre as circunstâncias da infração, quem seja ou
presuma ser o seu autor, as provas que possa indicar, tomando-
se por termo as suas declarações. (Redação dada pela Lei nº
11.690, de 2008)
§ 1º Se, intimado para esse fim, deixar de comparecer sem
motivo justo, o ofendido poderá ser conduzido à presença da
autoridade. (Incluído pela Lei nº 11.690, de 2008)

Art. 260. Se o acusado não atender à intimação para o


interrogatório, reconhecimento ou qualquer outro ato que, sem
ele, não possa ser realizado, a autoridade poderá mandar
conduzi-lo à sua presença. (Acusado – interpretação extensiva –
investigado/indiciado)

Art. 278. No caso de não-comparecimento do perito, sem justa


causa, a autoridade poderá determinar a sua condução.

Art. 218. Se, regularmente intimada, a testemunha deixar de


comparecer sem motivo justificado, o juiz poderá requisitar à
autoridade policial a sua apresentação ou determinar seja
conduzida por oficial de justiça, que poderá solicitar o auxílio
da força pública.

Quando o Código de Processo Penal quis fazer referência ao juiz, assim ele o

fez, conforme se verifica no artigo 218. Assim, cabe destacar que autoridade, em sede

processual penal, só há duas, autoridade policial e autoridade judicial. Portanto,

quando o CPP faz referência a autoridade está se referindo a autoridade policial e

autoridade judicial, haja vista que quando há necessidade de se mencionar a figura

do juiz, ele o faz, como cita no artigo mencionado, quando se a condução de

testemunhas.
- A necessidade de autorização judicial estaria adstrita há apenas uma

condição, qual seja, condução de testemunhas.

4ª. Com base no STF - HC: 107644 SP, não há necessidade de o delegado

representar pela condução coercitiva, não se submetendo, assim, a cláusula

jurisdicional.

STF - Inclusive pessoas, seja ofendido/vítima, testemunhas ou

investigado/indiciado.

Ementa: HABEAS CORPUS. CONSTITUCIONAL E


PROCESSUAL PENAL. CONDUÇÃO DO INVESTIGADO À
AUTORIDADE POLICIAL PARA ESCLARECIMENTOS.
POSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ART. 144, § 4º, DA
CONSTITUIÇÃO FEDERAL E DO ART. 6º DO CPP.
DESNECESSIDADE DE MANDADO DE PRISÃO OU DE
ESTADO DE FLAGRÂNCIA. DESNECESSIDADE DE
INVOCAÇÃO DA TEORIA OU DOUTRINA DOS PODERES
IMPLÍCITOS. PRISÃO CAUTELAR DECRETADA POR
DECISÃO JUDICIAL, APÓS A CONFISSÃO INFORMAL E O
INTERROGATÓRIO DO INDICIADO. LEGITIMIDADE.
OBSERVÂNCIA DA CLÁUSULA CONSTITUCIONAL DA
RESERVA DE JURISDIÇÃO. USO DE ALGEMAS
DEVIDAMENTE JUSTIFICADO. CONDENAÇÃO BASEADA
EM PROVAS IDÔNEAS E SUFICIENTES. NULIDADE
PROCESSUAIS NÃO VERIFICADAS. LEGITIMIDADE DOS
FUNDAMENTOS DA PRISÃO PREVENTIVA. GARANTIA DA
ORDEM PÚBLICA E CONVENIÊNCIA DA INSTRUÇÃO
CRIMINAL. ORDEM DENEGADA. I. A própria Constituição
Federal assegura, em seu art. 144, § 4º, às polícias civis,
dirigidas por delegados de polícia de carreira, as funções de
polícia judiciária e a apuração de infrações penais. II . O art. 6º
do Código de Processo Penal, por sua vez, estabelece as
providências que devem ser tomadas pela autoridade policial
quando tiver conhecimento da ocorrência de um delito, todas
dispostas nos incisos II a VI. III. Legitimidade dos agentes
policiais, sob o comando da autoridade policial competente (art.
4º do CPP), para tomar todas as providências necessárias à
elucidação de um delito, incluindo-se aí a condução de pessoas
para prestar esclarecimentos, resguardadas as garantias legais e
constitucionais dos conduzidos. IV. Desnecessidade de
invocação da chamada teoria ou doutrina dos poderes
implícitos, construída pela Suprema Corte norte-americana e é
incorporada ao nosso ordenamento jurídico, uma vez que há
previsão expressa, na Constituição e no Código de Processo
Penal, que dá poderes à polícia civil para investigar a prática de
eventuais infrações penais, bem como para exercer as funções
de polícia judiciária. V. A custódia do paciente ocorreu por
decisão judicial fundamentada, depois de ele confessar o crime
e de ser interrogado pela autoridade policial, não havendo,
assim, qualquer ofensa à cláusula constitucional da reserva de
jurisdição que deve estar presente nas hipóteses dos incisos LXI
e LXII do art. 5º da Constituição Federal. VI. O uso de algemas
foi devidamente justificado pelas circunstâncias que
envolveram o caso, diante da possibilidade de o paciente
atentar contra a própria integridade física ou de terceiros. VII.
Não restou constatada a confissão mediante tortura, nem a
violação do art. 5º, LXII e LXIII, da Carta Magna, nem
tampouco as formalidades previstas no art. 6º, V, do Código de
Processo Penal. VIII. Inexistência de cerceamento de defesa
decorrente do indeferimento da oitiva das testemunhas
arroladas pelo paciente e do pedido de diligências, aliás
requeridas a destempo, haja vista a inércia da defesa e a
consequente preclusão dos pleitos. IX. A jurisprudência desta
Corte, ademais, firmou-se no sentido de que não há falar em
cerceamento ao direito de defesa quando o magistrado, de
forma fundamentada, lastreado nos elementos de convicção
existentes nos autos, indefere pedido de diligência probatória
que repute impertinente, desnecessária ou protelatória, sendo
certo que a defesa do paciente não se desincumbiu de indicar,
oportunamente, quais os elementos de provas pretendia
produzir para levar à absolvição do paciente. X. É desprovido
de fundamento jurídico o argumento de que houve inversão na
ordem de apresentação das alegações finais, haja vista que,
diante da juntada de outros documentos pela defesa nas
alegações, a magistrada processante determinou nova vista dos
autos ao Ministério Público e ao assistente de acusação, não
havendo, nesse ato, qualquer irregularidade processual. Pelo
contrário, o que se deu na espécie foi a estrita observância aos
princípios do devido processo legal e do contraditório. XI. A
prisão cautelar se mostra suficientemente motivada para a
garantia da instrução criminal e preservação da ordem pública,
ante a periculosidade do paciente, verificada pela gravidade in
concreto do crime, bem como pelo modus operandi mediante o
qual foi praticado o delito. Ademais, o paciente evadiu-se do
distrito da culpa após a condenação. XII. Ordem denegada.
(STF - HC: 107644 SP, Relator: Min. RICARDO
LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 06/09/2011, Primeira
Turma, Data de Publicação: DJe-200 DIVULG 17-10-2011
PUBLIC 18-10-2011)

Prisão para averiguações

A prisão para averiguações e a detenção momentânea não se confundem. A

doutrina faz distinção.

- Detenção momentânea/condução momentânea: aquela detenção para se realizar

pesquisas consideradas necessárias. Ex. Verificação de nome.

Doutrina aponta que está sustentada na órbita da razoabilidade, haja vista que

nenhum direito é considerado absoluto, havendo a ponderação desses.

- Prisão para averiguações – configura abuso de autoridade - Em não estando

prevista no ordenamento jurídico vigente, a prisão para averiguações se reveste de

manifesta ilegalidade, porquanto salvo as hipóteses de flagrante delito e as

transgressões militares ou crimes propriamente militares, toda prisão ou detenção só

poderá ser emanada de ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária

competente.

V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no

Capítulo III, do Título Vll, deste Livro, devendo o respectivo termo ser assinado

por duas testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura;

 Conversa informal entre indiciado e delegado – STJ:

HC 22371 / RJ . Habeas corpus. Pedido não examinado pelo


tribunal de origem. Writ não conhecido. Prova ilícita.
Confissão informal. Ordem concedida de ofício para
desentranhar dos autos os depoimentos considerados
imprestáveis. Constituição federal. Art. 5º, incisos LVI e LXIII.
1 - Torna-se inviável o conhecimento de habeas corpus, se o
pedido não foi enfrentado pelo Tribunal de origem. 2 - A
eventual confissão extrajudicial obtida por meio de
depoimento informal, sem a observância do disposto no
inciso LXIII, do artigo 5º , da Constituição Federal, constitui
prova obtida por meio ilícito, cuja produção é inadmissível
nos termos do inciso LVI, do mencionado preceito. 3 -
Habeas corpus não conhecido. Ordem concedida de ofício.

O "Aviso de Miranda", como ficaram conhecidos os chamados "Miranda

Rights", de origem norte-americana, se correlaciona com o direito fundamental do

acusado a permanecer em silêncio e não produzir prova contra si mesmo ("nemo

tenetur se detegere").

Na década de 60, no caso Miranda versus Arizona, a Suprema Corte

Americana absolveu o acusado, que havia sido condenado com base em confissão

obtida sem que tivesse sido informado de seu direito a ser assistido por um

advogado e permanecer em silêncio.

A partir de então, consolidou-se o dever dos agentes policiais, no ato da

prisão, comunicar ao acusado sobre o seu direito de não responder e de ser

assistido por um defensor, bem como que tudo que disser poderá ser usado contra

si.

Assim, se a prova for obtida sem observância desse direito fundamental, será

considerada ilícita, devendo ser desentranhada dos autos, conforme o artigo 157, do

Código de Processo Penal :

São inadmissíveis, devendo ser desentranhadas do processo,


as provas ilícitas, assim entendidas as obtidas em violação a
normas constitucionais ou legais.
§ 1º São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas,
salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade entre
umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas
por uma fonte independente das primeiras.
§ 2º Considera-se fonte independente aquela que por si só,
seguindo os trâmites típicos e de praxe, próprios da
investigação ou instrução criminal, seria capaz de conduzir ao
fato objeto da prova.
§ 3º Preclusa a decisão de desentranhamento da prova
declarada inadmissível, esta será inutilizada por decisão
judicial, facultado às partes acompanhar o incidente.
Os direitos do acusado de permanecer em silêncio e ser assistido por

advogado são garantias constitucionais e, portanto, sua não observância configura

afronta ao devido processo legal. Entendimento pacificado.

VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações;

Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o


reconhecimento de pessoa, proceder-se-á pela seguinte forma:
I - a pessoa que tiver de fazer o reconhecimento será convidada
a descrever a pessoa que deva ser reconhecida;
II - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada,
se possível, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer
semelhança, convidando-se quem tiver de fazer o
reconhecimento a apontá-la;
III - se houver razão para recear que a pessoa chamada para o
reconhecimento, por efeito de intimidação ou outra influência,
não diga a verdade em face da pessoa que deve ser reconhecida,
a autoridade providenciará para que esta não veja aquela;
IV - do ato de reconhecimento lavrar-se-á auto pormenorizado,
subscrito pela autoridade, pela pessoa chamada para proceder
ao reconhecimento e por duas testemunhas presenciais.
Parágrafo único. O disposto no no III deste artigo não terá
aplicação na fase da instrução criminal ou em plenário de
julgamento.
Art. 227. No reconhecimento de objeto, proceder-se-á com as
cautelas estabelecidas no artigo anterior, no que for aplicável.
Art. 228. Se várias forem as pessoas chamadas a efetuar o
reconhecimento de pessoa ou de objeto, cada uma fará a prova
em separado, evitando-se qualquer comunicação entre elas.

 O investigado é obrigado, mediante condução coercitiva pelo delegado, a

participar desse procedimento de reconhecimento de pessoas?

Segundo o STF, o indivíduo é obrigado a participar do procedimento de

reconhecimento de pessoas.

 E sendo obrigado a participar desse reconhecimento, há necessidade que

essa pessoa esteja entre outras pessoas que mantenham com ela semelhança?
Não há obrigatoriedade.

II - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada,


se possível, ao lado de outras que com ela tiverem qualquer
semelhança, convidando-se quem tiver de fazer o
reconhecimento a apontá-la;

Mesmo que haja inobservância do procedimento de reconhecimento de

pessoas (artigo 226), o STJ entende que se trata de nulidade relativa, devendo o

prejuízo ser provado.

Reconhecimento fotográfico – é possível essa diligência em fase de

investigação? Sim.

- Esse reconhecimento é previsto no CPP? É considerado um meio de prova?

Reconhecimento fotográfico não possui previsão legal, sendo considerado

prova inominada, assim, é um meio de prova.

Retrato falado – é considerado meio de prova? Não, pois se trata de um

mecanismo de auxílio.

Reconhecimento da voz: clichê fônico, também não possui previsão legal,

mas é considerado como meio de prova.

 Prova irritual - é aquela colhida sem obediência ao modelo legal previsto

em lei. É ilegal.

- Ilegal: prova que ofende norma de direito material.

- Ilegítima: prova que ofende norma processual.

Aplica-se o correto meio de prova, mas não o procedimento para ele previsto.

Assim, o rito observado é distinto daquele previsto pelo ordenamento jurídico, daí a

origem da classificação.

 Prova ritual - é aquela colhida com obediência ao modelo legal previsto em

lei.
Prova (de) fora da terra – quando o meio de prova é produzido perante

juízo distinto daquele em que se processa o feito, como acontece no caso do artigo

222, caput e § 1º, do CPP (Carta Precatória).

Supremo Tribunal Federal se utilizou da expressão “CRIMES DE

CATÁLOGO”, denominando tais delitos aqueles em que é permitida a investigação

pela via da interceptação telefônica.

A interceptação telefônica é meio de prova excepcional utilizado para

investigação criminal e instrução processual penal, autorizada somente na forma

prevista na lei.

Por sua vez, a Lei n. 9.296/96 somente permitiu que a interceptação telefônica

ocorra quando (i) houver indícios razoáveis de autoria e participação em infração

penal, (ii) a prova não puder ser colhida por outros meios (subsidiariedade) e (iii)

para crimes punidos com reclusão. (compreensão a contrário sensu do artigo 2º).

Lembremos ainda que a letra do artigo 1º da Lei n. 9.296/96 indica que a

determinação cabe ao magistrado “competente da ação principal”. Entrementes, deve

se atentar que na investigação é perfeitamente possível que outros crimes possam ser

descobertos fortuitamente (serendipidade).

STF – HC 100524 – Ementa: Habeas Corpus. Afastamento dos


sigilos bancário e fiscal. Medida cautelar deferida judicialmente.
Regularidade. “Prova encontrada”. Licitude. Precedentes.
Ordem denegada. Não se verifica, no caso, qualquer ilicitude na
quebra dos sigilos bancário e fiscal do ora paciente, haja vista
que tais medidas foram regularmente deferidas pela autoridade
judicial competente. “É lícita a utilização de informações
obtidas por intermédio de interceptação telefônica para se
apurar delito diverso daquele que deu ensejo a essa
diligência, (…) sendo incontestável o reconhecimento da
licitude da prova encontrada quando o fato desvelado
fortuitamente se encontre entre os chamados ‘crimes de
catálogo’ – isto é, entre aqueles para a investigação dos quais
se permite autorizar a interceptação telefônica”, o que
efetivamente é o caso dos autos (AI 761.706/SP, rel. min.
Cármen Lúcia, DJE nº 161, divulgado em 26.08.2009). Ordem
denegada. (HC 100524, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA,
Segunda Turma, julgado em 27/03/2012, ACÓRDÃO
ELETRÔNICO DJe-102 DIVULG 24-05-2012 PUBLIC 25-05-
2012)

VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a

quaisquer outras perícias;

VIII - ordenar a identificação do indiciado pelo processo datiloscópico, se

possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes;

- Qualificação – obrigatório - FALSA IDENTIDADE (ART. 307 DO CP)

- Direito de permanecer calado quanto ao conteúdo dos fatos.

Súmula 522 - STJ - A conduta de atribuir-se falsa identidade perante

autoridade policial é típica, ainda que em situação de alegada autodefesa. STJ. 3ª

Seção. Aprovada em 25/03/2015, DJe 6/4/2015.

Comentários - Márcio André Lopes Cavalcante - Dizer o Direito:

AMPLA DEFESA

A CF/88 estabelece, em seu art. 5º, incisos LV e LXIII:

Art. 5º (...)
LV — aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e
aos acusados em geral são assegurados o
contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela
inerentes;
LXIII —o preso será informado de seus direitos, entre os quais o
de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da
família e de advogado;

No processo penal a ampla defesa abrange:

- defesa técnica: exercida por advogado ou defensor público;

- autodefesa: exercida pelo próprio réu. Por conta da autodefesa, o réu não é

obrigado a se autoincriminar.

O Pacto de San José da Costa Rica, que vige em nosso ordenamento jurídico

com caráter supralegal, estabelece em seu art. 8º, inciso II, alínea “g”, que “toda
pessoa tem direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a declarar-se

culpada”.

Por fim, o Código de Processo Penal também preconiza:

Art. 186. Depois de devidamente qualificado e cientificado do


inteiro teor da acusação, o acusado será informado pelo juiz,
antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer
calado e de não responder perguntas que lhe forem
formuladas.
Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão,
não poderá ser interpretado em prejuízo da defesa.

Por força desses dispositivos, a doutrina e a jurisprudência entendem que, no

interrogatório, tanto na fase policial, como em juízo, o réu poderá:

a) ficar em silêncio, recusando-se a responder as perguntas sobre os fatos pelos

quais ele está sendo acusado;

Obs.1: prevalece que o réu não pode negar-se a responder as perguntas

relativas à sua qualificação, sendo o direito ao silêncio relativo apenas à segunda

parte do interrogatório.

Obs.2: o silêncio do interrogado não pode ser interpretado como confissão

ficta, devendo ser encarado pelo magistrado como mera ausência de resposta.

Obs.3: o direito ao silêncio também é conhecido como nemo tenetur se detegere.

b) mentir ou faltar com a verdade quanto às perguntas relativas aos fatos;

Obs.1: diferentemente das testemunhas, o réu não tem o dever de dizer a

verdade porque tem o direito constitucional de não se autoincriminar. Logo, o réu, ao

ser interrogado e mentir, não responde por falso testemunho (art. 342 do CP).

Obs.2: o direito de mentir não permite que impute falsamente o crime a

terceira pessoa inocente. Caso isso ocorra, responderá por denunciação caluniosa

(art. 399, CP).

Obs.3: em alguns países, como nos EUA, é crime mentir durante o

interrogatório. Ressalte-se que, no direito norte-americano também se garante ao


acusado o direito ao silêncio e à não auto incriminação (privilegie against self-

incrimination), no entanto, na hipótese de o réu decidir responder as perguntas, não

poderá faltar com a verdade. Trata-se do chamado crime de perjúrio.

 LIMITES DA AUTODEFESA

A autodefesa é um direito ilimitado? Não. A autodefesa não é um direito

absoluto. Exemplo disso, já consagrado há muito tempo, é o fato de que se o réu, em

seu interrogatório, imputar falsamente o crime a pessoa inocente, responderá por

denunciação caluniosa (art. 399, CP).

 Autodefesa e uso de documento falso (art. 304 do CP)

Como expressão do direito à autodefesa, o réu pode apresentar um

documento falso para não se prejudicar criminalmente?

Ex.: João é parado em uma blitz da PM e, sabendo que havia um mandado de

prisão contra si expedido, apresenta a cédula de identidade de seu irmão com sua

foto no lugar.

- Isso é permitido?

Não. Na hipótese retratada, João poderia ser condenado por uso de

documento falso. Esse é o entendimento do STF e STJ: O fato de o paciente ter

apresentado à polícia identidade com sua foto e assinatura, porém com impressão

digital de outrem, configura o crime do art. 304 do Código Penal. Havendo

adequação entre a conduta e a figura típica concernente ao uso de documento falso,

não cabe cogitar de que a atribuição de identidade falsa para esconder antecedentes

criminais consubstancia autodefesa. STF. 2ª Turma. HC 92763, Rel. Min. Eros Grau,

julgado em 12/02/2008.

 Autodefesa e falsa identidade (art. 307 do CP)

Inicialmente, cumpre estabelecer a distinção entre falsa identidade e uso de

documento falso.
Assim como no caso do uso de documento falso, também na hipótese de falsa

identidade, o STF entende que há crime quando o agente, para não se incriminar,

atribui a si uma identidade que não é sua. Essa questão já foi, inclusive, analisada

pelo Pleno do STF em regime de repercussão geral:

O princípio constitucional da autodefesa (art. 5º, inciso LXIII, da


CF/88) não alcança aquele que atribui falsa identidade perante
autoridade policial com o intento de ocultar maus antecedentes,
sendo, portanto, típica a conduta praticada pelo agente (art. 307
do CP). O tema possui densidade constitucional e extrapola os
limites subjetivos das partes. STF. Plenário. RE 640139 RG, Rel.
Min. Dias Toffoli, julgado em 22/09/2011

(...) O Plenário Virtual, ao analisar o RE 640.139/DF, reconheceu


a repercussão geral do tema versado nestes autos e, na ocasião,
reafirmou a jurisprudência, já consolidada no sentido de que
comete o delito tipificado no art. 307 do Código Penal aquele
que, conduzido perante a autoridade policial, atribui a si falsa
identidade com o intuito de ocultar seus antecedentes. (…) STF.
2ª Turma. RE 648223 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
julgado em 18/10/2011

Trata-se também da posição do STJ:

É típica a conduta do acusado que, no momento da prisão em


flagrante, atribui para si falsa identidade (art. 307 do CP), ainda
que em alegada situação de autodefesa. Isso porque a referida
conduta não constitui extensão da garantia à ampla defesa,
visto tratar-se de conduta típica, por ofensa à fé pública e aos
interesses de disciplina social, prejudicial, inclusive, a eventual
terceiro cujo nome seja utilizado no falso. STJ. 3ª Seção. REsp
1.362.524-MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado em
23/10/2013 (recurso repetitivo).
Em suma, tanto o STF como o STJ entendem que a alegação de autodefesa não

serve para descaracterizar a prática dos delitos do art. 304 ou do art. 307 do CP.

- Lei 12.037 - Identificação criminal do civilmente identificado,

regulamentando o art. 5º, inciso LVIII, da Constituição Federal.

Art. 1º O civilmente identificado não será submetido a


identificação criminal, salvo nos casos previstos nesta Lei.
Art. 2º A identificação civil é atestada por qualquer dos
seguintes documentos:
I – carteira de identidade;
II – carteira de trabalho;
III – carteira profissional;
IV – passaporte;
V – carteira de identificação funcional;
VI – outro documento público que permita a identificação do
indiciado.
Parágrafo único. Para as finalidades desta Lei, equiparam-se aos
documentos de identificação civis os documentos de
identificação militares.
Art. 3º Embora apresentado documento de identificação,
poderá ocorrer identificação criminal quando:
I – o documento apresentar rasura ou tiver indício de
falsificação;
II – o documento apresentado for insuficiente para identificar
cabalmente o indiciado;
III – o indiciado portar documentos de identidade distintos,
com informações conflitantes entre si;
IV – a identificação criminal for essencial às investigações
policiais, segundo despacho da autoridade judiciária
competente, que decidirá de ofício ou mediante representação
da autoridade policial, do Ministério Público ou da defesa;
V – constar de registros policiais o uso de outros nomes ou
diferentes qualificações;
VI – o estado de conservação ou a distância temporal ou da
localidade da expedição do documento apresentado
impossibilite a completa identificação dos caracteres
essenciais.
Parágrafo único. As cópias dos documentos apresentados
deverão ser juntadas aos autos do inquérito, ou outra forma
de investigação, ainda que consideradas insuficientes para
identificar o indiciado.
Art. 4º Quando houver necessidade de identificação criminal, a
autoridade encarregada tomará as providências necessárias
para evitar o constrangimento do identificado.
Art. 5º A identificação criminal incluirá o processo datiloscópico
e o fotográfico, que serão juntados aos autos da comunicação da
prisão em flagrante, ou do inquérito policial ou outra forma de
investigação.
Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV do art. 3o, a
identificação criminal poderá incluir a coleta de material
biológico para a obtenção do perfil genético. (Incluído pela Lei
nº 12.654, de 2012)
Art. 5o-A. Os dados relacionados à coleta do perfil genético
deverão ser armazenados em banco de dados de perfis
genéticos, gerenciado por unidade oficial de perícia criminal.
(Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
§ 1o As informações genéticas contidas nos bancos de dados de
perfis genéticos não poderão revelar traços somáticos ou
comportamentais das pessoas, exceto determinação genética de
gênero, consoante as normas constitucionais e internacionais
sobre direitos humanos, genoma humano e dados genéticos.
(Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
§ 2o Os dados constantes dos bancos de dados de perfis
genéticos terão caráter sigiloso, respondendo civil, penal e
administrativamente aquele que permitir ou promover sua
utilização para fins diversos dos previstos nesta Lei ou em
decisão judicial. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
§ 3o As informações obtidas a partir da coincidência de perfis
genéticos deverão ser consignadas em laudo pericial firmado
por perito oficial devidamente habilitado. (Incluído pela Lei nº
12.654, de 2012)
Art. 6º É vedado mencionar a identificação criminal do
indiciado em atestados de antecedentes ou em informações não
destinadas ao juízo criminal, antes do trânsito em julgado da
sentença condenatória.
Art. 7º No caso de não oferecimento da denúncia, ou sua
rejeição, ou absolvição, é facultado ao indiciado ou ao réu, após
o arquivamento definitivo do inquérito, ou trânsito em julgado
da sentença, requerer a retirada da identificação fotográfica do
inquérito ou processo, desde que apresente provas de sua
identificação civil.
Art. 7o-A. A exclusão dos perfis genéticos dos bancos de dados
ocorrerá no término do prazo estabelecido em lei para a
prescrição do delito. (Incluído pela Lei nº 12.654, de 2012)
Art. 7o-B. A identificação do perfil genético será armazenada
em banco de dados sigiloso, conforme regulamento a ser
expedido pelo Poder Executivo. (Incluído pela Lei nº 12.654, de
2012)

IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual,

familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e

depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem

para a apreciação do seu temperamento e caráter.

APF/portaria

X - colher informações sobre a existência de filhos, respectivas idades e se

possuem alguma deficiência e o nome e o contato de eventual responsável pelos

cuidados dos filhos, indicado pela pessoa presa. (Incluído pela Lei nº 13.257, de

2016)

- Lei da Primeira Infância

 Auto de reconstituição - reprodução simulada dos fatos

Art. 7o Para verificar a possibilidade de haver a infração sido


praticada de determinado modo, a autoridade policial poderá
proceder à reprodução simulada dos fatos, desde que esta não
contrarie a moralidade ou a ordem pública.

- O indiciado é obrigado a participar da reprodução simulado dos fatos?

Não é obrigado, porém, há uma corrente doutrinária apontando que é possível

a condução do investigado até o local.

 Auto de acareação – necessidade de dirimir dúvidas acerca da versão que o

indiciado forneceu. VERSÕES CONFLITANTES


STF – O investigado não está obrigado a participar.

Art. 229. A acareação será admitida entre acusados, entre


acusado e testemunha, entre testemunhas, entre acusado ou
testemunha e a pessoa ofendida, e entre as pessoas ofendidas,
sempre que divergirem, em suas declarações, sobre fatos ou
circunstâncias relevantes.
Parágrafo único. Os acareados serão reperguntados, para que
expliquem os pontos de divergências, reduzindo-se a termo o
ato de acareação.
Art. 230. Se ausente alguma testemunha, cujas declarações
divirjam das de outra, que esteja presente, a esta se darão a
conhecer os pontos da divergência, consignando-se no auto o
que explicar ou observar. Se subsistir a discordância, expedir-
se-á precatória à autoridade do lugar onde resida a testemunha
ausente, transcrevendo-se as declarações desta e as da
testemunha presente, nos pontos em que divergirem, bem como
o texto do referido auto, a fim de que se complete a diligência,
ouvindo-se a testemunha ausente, pela mesma forma
estabelecida para a testemunha presente. Esta diligência só se
realizará quando não importe demora prejudicial ao processo e
o juiz a entenda conveniente.

ARTIGO 13-A

Art. 13-A. Nos crimes previstos nos arts. 148 (sequestro e


cárcere privado), 149 (redução a condição análoga à de
escravo)e 149-A (tráfico de pessoas), no § 3º do art. 158
(extorsão cometida mediante a restrição da liberdade da
vítima) e no art. 159 (extorsão mediante sequestro) do Decreto-
Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), e no art.
239 (promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao
envio de criança ou adolescente para o exterior com
inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter
lucro) da Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990 (Estatuto da
Criança e do Adolescente), o membro do Ministério Público ou
o delegado de polícia poderá requisitar, de quaisquer órgãos do
poder público ou de empresas da iniciativa privada, dados e
informações cadastrais da vítima ou de suspeitos. (Incluído pela
Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

Dados cadastrais: nome, qualificação, endereço.


Parágrafo único. A requisição, que será atendida no prazo de 24
(vinte e quatro) horas, conterá: (Incluído pela Lei nº 13.344, de
2016) (Vigência)

I - o nome da autoridade requisitante; (Incluído pela Lei nº


13.344, de 2016) (Vigência)

II - o número do inquérito policial; e (Incluído pela Lei nº


13.344, de 2016) (Vigência)

III - a identificação da unidade de polícia judiciária responsável


pela investigação.

ARTIGO 13-B

Art. 13-B. Se necessário à prevenção e à repressão dos crimes


relacionados ao tráfico de pessoas, o membro do Ministério
Público ou o delegado de polícia poderão requisitar, mediante
autorização judicial, às empresas prestadoras de serviço de
telecomunicações e/ou telemática que disponibilizem
imediatamente os meios técnicos adequados – como sinais,
informações e outros – que permitam a localização da vítima ou
dos suspeitos do delito em curso. (Incluído pela Lei nº 13.344,
de 2016) (Vigência)

- Quebra de ERB (Estação Rádio Base): as antenas irão indicar onde se

encontra o telefone.

- A quebra de ERB não induz a interceptação telefônica - § 2o, II.

- Deve haver a representação pela interceptação telefônica.

§ 1o Para os efeitos deste artigo, sinal significa posicionamento


da estação de cobertura, setorização e intensidade de
radiofrequência. (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)

§ 2o Na hipótese de que trata o caput, o sinal: (Incluído pela Lei


nº 13.344, de 2016) (Vigência)
I - não permitirá acesso ao conteúdo da comunicação de
qualquer natureza, que dependerá de autorização judicial,
conforme disposto em lei; (Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016)
(Vigência)

II - deverá ser fornecido pela prestadora de telefonia móvel


celular por período não superior a 30 (trinta) dias, renovável
por uma única vez, por igual período; (Incluído pela Lei nº
13.344, de 2016) (Vigência)

III - para períodos superiores àquele de que trata o inciso II,


será necessária a apresentação de ordem judicial. (Incluído pela
Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

§ 3o Na hipótese prevista neste artigo, o inquérito policial


deverá ser instaurado no prazo máximo de 72 (setenta e duas)
horas, contado do registro da respectiva ocorrência policial.
(Incluído pela Lei nº 13.344, de 2016) (Vigência)

§ 4o Não havendo manifestação judicial no prazo de 12 (doze)


horas, a autoridade competente requisitará às empresas
prestadoras de serviço de telecomunicações e/ou telemática que
disponibilizem imediatamente os meios técnicos adequados –
como sinais, informações e outros – que permitam a
localização da vítima ou dos suspeitos do delito em curso,
com imediata comunicação ao juiz. (Incluído pela Lei nº 13.344,
de 2016) (Vigência)

ARTIGO 14

O ofendido, ou seu representante legal, e o indiciado poderão


requerer qualquer diligência, que será realizada, ou não, a juízo
da autoridade.

- Característica discricionária do inquérito policial.

ARTIGO 15

Se o indiciado for menor, ser-lhe-á nomeado curador pela


autoridade policial.

- Saiu de prática.
ARTIGO 16

O Ministério Público não poderá requerer a devolução do


inquérito à autoridade policial, senão para novas diligências,
imprescindíveis ao oferecimento da denúncia.

- O Ministério Público pode requerer a devolução do inquérito policial para

confecção de relatório final?

Não, pois relatório final não é considerado imprescindível.

- Delegado poderá responder administrativamente.

INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA ou INTERCEPTAÇÃO

TELEFÔNICA EM SENTIDO ESTRITO - Lei 9296/96

É a captação da conversa telefônica por um terceiro, sem o conhecimento dos

interlocutores.

Ex. Dois traficantes estão conversando e a polícia federal está interceptando,

sendo que nenhum deles sabem da interceptação.

Teoria do juízo aparente

Delegado representou pela interceptação telefônica, sendo que o juiz estadual

deferiu. Durante a instrução criminal descobriu-se que, desde a época da

investigação, o tráfico era internacional (juiz federal), ou seja, aquele juiz que deferiu

a medida não era competente, mas o delegado ao representar não tinha ciência, pois

inexistiam essas informações.

Esta prova colhida é ilícita?

Não necessariamente. A prova obtida poderá ser ratificada se ficar

demonstrado que a interceptação foi decretada pelo juízo aparentemente

competente. Não é ilícita a interceptação telefônica autorizada por magistrado


aparentemente competente ao tempo da decisão e que, posteriormente, venha a ser

declarado incompetente.

Trata-se da aplicação da chamada “teoria do juízo aparente”.

Deve-se aplicar, desde logo, a regra rebus sic stantibus. Se havia fumus boni

iuris em relação a um determinado órgão jurisdicional, fato superveniente, que altera

a competência, não invalida a medida cautelar.

- Prerrogativa de foro – mesmo raciocínio.

´- Representação – apenas números ligados com a investigação. A inserção de

telefone que não está ligado com os fatos que estão sendo investigados denomina-se

“barriga de aluguel em tema de interceptação telefônica” (aproveita aquela

barriga/aquele bojo para inserir número sem qualquer ligação).

- Delito previsto no artigo 10, da Lei 9.296/96.

Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações


telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da
Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não autoriza-
dos em lei. Pena: reclusão, de dois a quatro anos, e multa.

- Interceptação telefônica com base na periculosidade do agente

(interceptação telefônica prospectiva / pré-delitual / de prospecção: necessária

existência indícios razoáveis de autoria ou participação em infração penal – que já

ocorreu ou que está ocorrendo.

- Interceptação feita sem motivação concreta (ausência de requisitos), a fim de

buscar uma circunstância ou fato incriminador.

- Imprescindibilidade da autorização judicial fundamentada para que a

diligência seja lícita.


- É preciso que haja fato específico, demonstrado por meio de indícios da

autoria ou participação em infração penal punida com pena de reclusão, nos termos

do art. 2º, I a III, e parágrafo único, da Lei nº 9.296/96.

- A interceptação prospectiva é ilícita.

- Direito Penal do Inimigo - é reservado àqueles indivíduos que pelo seu

comportamento, ocupação ou práticas, segundo Jakobs, “se tem afastado, de

maneira duradoura, ao menos de modo decidido, do Direito, isto é, que não

proporciona a garantia cognitiva mínima necessária a um tratamento como pessoa”,

devendo serem tratados como inimigos.

- Encontro fortuito/ocasional de provas ou resultado diverso do pretendido

da órbita da interceptação telefônica (teoria da serendipidade - Damásio):

descobertas afortunadas feitas, aparentemente, por acaso.

STF – CRIME ACHADO

Serendipidade de 1º Grau – é a descoberta fortuita de provas quando houver

conexão. Para a doutrina e jurisprudência majoritária, os elementos encontrados po-

derão ser utilizados totalmente como prova para a propositura de uma ação penal.

Serendipidade de 2ª Grau – os fatos descobertos não guardam relação de co-

nexão, razão pela qual os elementos de prova não poderiam ser utilizados no novo

crime ou em relação a outro criminoso em tais circunstâncias. No máximo, poderiam

servir como notitia criminis.

- Pode haver interceptação telefônica em relação ao crime punido com deten-

ção, desde que haja conexão com crime punido com reclusão.

QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO

É o conhecimento dos dados, das ligações efetuadas e recebidas, submetendo-

se a cláusula jurisdicional.
 ESCUTA TELEFÔNICA

É a captação da conversa telefônica por um terceiro, com o conhecimento de um

dos interlocutores, ou seja, a diferença entre a interceptação telefônica e escuta

telefônica é a de que na primeira nenhum dos interlocutores sabem que a conversa

está sendo interceptada, já na escuta telefônica um deles sabe.

Ex. Um dos políticos sabe e ele que pediu inclusive para a polícia federal

interceptar a conversa com outro político.

 GRAVAÇÃO TELEFÔNICA (GRAVAÇÃO CLANDESTINA)

É a captação da conversa telefônica por um dos interlocutores da conversa,

ou seja, um interlocutor está gravando a conversa sem que o outro tenha

conhecimento. Então, a diferença para a Interceptação telefônica é que na gravação

telefônica não há terceiro interceptador.

INTERCEPTAÇÃO AMBIENTAL

É a captação da conversa ambiente por um terceiro, sem o conhecimento de

ambos interlocutores.

ESCUTA AMBIENTAL

É a captação da conversa ambiente, feita por um terceiro, com o conhecimen-

to de um dos interlocutores e sem o conhecimento do outro.

GRAVAÇÃO AMBIENTAL (GRAVAÇÃO CLANDESTINA)

É a captação da conversa ambiente, feito por um dos próprios interlocutores.

- A regra geral e a de que a Lei de Interceptação telefônica SE APLICA

apenas para interceptação telefônica ou interceptação telefônica em sentido estrito

e escuta telefônica.
- Isso porque somente nessas duas situações existe uma comunicação

telefônica e um terceiro interceptador.

Ademais, de acordo com o STF e STJ não há interceptação telefônica :

- Gravação telefônica: não há o terceiro interceptador, ou seja, não há

interceptação, pois a conversa está sendo captada pelo próprio interlocutor.

- Interceptação ambiental; Escuta ambiental; Gravação ambiental: não há

comunicação telefônica.

- Consequência prática: interceptação telefônica e escuta telefônica

dependem de ORDEM JUDICIAL e só servem como prova CRIMINAL.

- Gravação telefônica; interceptação ambiental; escuta ambiental e a gravação

ambiental: podem ser realizadas sem ordem judicial e podem ser utilizadas,

inclusive, como prova em processos não criminais.

- Gravação ambiental/clandestina - prova lícita e não há necessidade de

ordem judicial, pois a gravação telefônica não entra no regime da lei telefônica.

STF RE 402.717 a gravação meramente clandestina não se confunde com

interceptação.

ATO DE INDICIAMENTO

- Decorre do juízo de valor do delegado de polícia, devendo ser

fundamentado.

- Indiciamento sem justa causa – HC

- O juiz ou promotor de justiça não podem determinar o indiciamento, pois é

ato privativo de delegado de polícia.


- Porém, o juiz pode determinar o desindiciamento, e seguimento apenas do

inquérito policial, haja vista que o indiciamento também demanda de justa causa.

- O indiciamento pode ocorrer da portaria até o relatório final.

LEI Nº 12.830/13.

Art. 2º (...)

§ 6o O indiciamento, privativo do delegado de polícia, dar-se-á


por ato fundamentado, mediante análise técnico-jurídica do
fato, que deverá indicar a autoria, materialidade e suas
circunstâncias.

CONCLUSÃO DO INQUÉRITO POLICIAL

- CPP (regra Geral): 10 dias – preso

30 dias – solto

Art. 10. O inquérito deverá terminar no prazo de 10 dias, se o


indiciado tiver sido preso em flagrante, ou estiver preso
preventivamente, contado o prazo, nesta hipótese, a partir do
dia em que se executar a ordem de prisão, ou no prazo de 30
dias, quando estiver solto, mediante fiança ou sem ela.

- Polícia Federal: 15 dias + 15 – preso

30 dias – solto

- Crimes contra a economia popular: 10 dias – preso

10 dias – solto

- Lei de drogas: 30 dias + 30 – preso

90 dias + 90 – solto

- Inquérito militar: 20 dias – preso

40 dias + 20 – solto
 Delegado elabora o relatório - Relatório final comporta juízo de valor?

Via de regra, o delegado não externa juízo de valor em sede de relatório final,

porém, comporta exceção apontada pela doutrina.

- Lei de drogas – tráfico/uso – uso/tráfico – necessariamente o delegado deve

externar juízo de valor em sede de relatório final de forma excepcional.

Art. 52. Findos os prazos a que se refere o art. 51 desta Lei, a


autoridade de polícia judiciária, remetendo os autos do
inquérito ao juízo:
I - relatará sumariamente as circunstâncias do fato, justificando
as razões que a levaram à classificação do delito, indicando a
quantidade e natureza da substância ou do produto
apreendido, o local e as condições em que se desenvolveu a
ação criminosa, as circunstâncias da prisão, a conduta, a
qualificação e os antecedentes do agente; ou
II - requererá sua devolução para a realização de diligências
necessárias.

 Encaminhamento do inquérito policial

Art. 10 (...)
§ 1o A autoridade fará minucioso relatório do que tiver sido
apurado e enviará autos ao juiz competente.

Destinatário  juiz  vista MP  denúncia, arquivamento (falta de justa

causa – ato complexo) ou solicitar novas diligências

- 2 correntes:

Justiça Federal: Resolução CJF, Nº 63, DE 26 DE JUNHO DE 2009, entendendo

que o relatório do inquérito policial deve ser encaminhado diretamente para o

Ministério Público.

- Resolução levada ao STJ, o qual, em sede de controle da legalidade,

entendeu que não há que se falar em ilegalidade.

- STF – Lei Estadual do RJ alterou esse procedimento, determinado a remessa

do relatório do inquérito policial diretamente ao juiz. Em sede de Adin, o STF


entendeu pela inconstitucionalidade, ressaltando que o artigo 10, o qual estabeleceu

que o relatório do inquérito deve ser remetido ao juiz competente.

Em suma: STJ – legalidade

STF – inconstitucional

- Associação dos Delegados da Polícia Federal – Adin para verificar a

constitucionalidade dessa Resolução.

OBS.: questão que está sendo discutida.

ARQUIVAMENTO

Art. 28. Se o órgão do Ministério Público, ao invés de apresentar


a denúncia, requerer o arquivamento do inquérito policial ou
de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar
improcedentes as razões invocadas, fará remessa do inquérito
ou peças de informação ao procurador-geral, e este oferecerá a
denúncia, designará outro órgão do Ministério Público para
oferecê-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só
então estará o juiz obrigado a atender.

 Arquivamento implícito - ocorre quando o MP deixa de incluir na denúncia

algum fato investigado ou algum dos indiciados, sem expressa manifestação ou

justificação deste procedimento. Se consuma quando o Juiz não se pronuncia na

forma do art. 28 (remeter os autos ao Procurador Geral de Justiça) com relação ao que

foi omitido na peça acusatória.

- É aceito pela Jurisprudência e Doutrina? Não!

Espécies:

- Objetivo: quando a omissão se dá com relação às infrações praticadas – deixa

de incluir fato.

- Subjetivo: quando a omissão se dá com relação aos acusados.

 Arquivamento direto - o órgão ministerial se manifesta expressamente pelo

arquivamento, isso por entender não cabível a ação, sendo esse pedido de

arquivamento realizado nos termos do art. 28 do CPP.


 Arquivamento indireto - ocorre quando o MP deixa de oferecer denúncia

por entender que o juízo é incompetente, requerendo a remessa dos autos ao órgão

competente. Caso o juiz discorde do MP, pode, por analogia, se pronunciar na forma

do art. 28, remetendo os autos ao Procurador-Geral de Justiça.

Nesse há o arquivamento por existir um conflito positivo-negativo de

jurisdição e atribuição entre o juiz e o membro do Ministério Público.

 Cláusula rebus sic stantibus – Materializa a teoria da imprevisão

- Concepção de algo que pode ser revisto

- Cláusula X arquivamento: A decisão que arquiva o inquérito policial é uma

decisão rebus sic stantibus, pois pode ser revista.

Súmula 524 – STF - Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a

requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas

provas.

- Prova formalmente nova: compreende aquela que já era conhecida e até

mesmo já fora utilizada pelo Estado, mas que ganhou nova versão. Ex: oitiva de

testemunha que estava sendo ameaçada e após revela este fato alterando o conteúdo

de seu depoimento, etc.

- Prova substancialmente nova: é a prova inédita, ou seja, aquela que estava

oculta ou inexistente quando do arquivamento. Ex: arma utilizada para a prática do

crime que é localizada após o arquivamento do inquérito.

 Fundamentos que autorizam o arquivamento do Inquérito Policial:

- em razão da atipicidade formal ou material da conduta – não é uma decisão

rebus sic stantibus, pois não pode ser revista. COISA JULGADA MATERIAL.
- excludentes da ilicitude

STF: é uma decisão rebus sic stantibus, pois pode ser revista. COISA JULGADA

FORMAL.

STJ: não é uma decisão rebus sic stantibus, pois não pode ser revista. COISA

JULGADA FORMAL E MATERIAL.

- excludente da culpabilidade, salvo a inimputabilidade - não é uma decisão

rebus sic stantibus, pois não pode ser revista. COISA JULGADA MATERIAL.

- causa extintiva da punibilidade - não é uma decisão rebus sic stantibus, pois

não pode ser revista. COISA JULGADA MATERIAL.

EXCEÇÃO: certidão de óbito falsa.

- ausência de elementos informativos quanto à autoria e materialidade - é

uma decisão rebus sic stantibus, pois pode ser revista. COISA JULGADA FORMAL.

ARQUIVAMENTO DO INQUÉRITO POLICIAL E COISA JULGADA

Coisa Julgada: o corre quando a parte não recorre e, ainda, quando o

interessado recorre e o recurso não seja conhecido ou o Tribunal negue provimento

ao recurso.

Coisa julgada formal, deve-se entender o fenômeno de caráter

endoprocessual, ou seja, a partir dela não mais se pode modificar a decisão dentro da

mesma relação processual, não havendo óbices, contudo, para eventual rediscussão

em outro processo, desde que preenchidos alguns requisitos. Lado outro, a

Coisa julgada material é ainda mais ampla e foge dos limites de determinada

relação processual. É dizer, pois, que ao se asseverar que determinada decisão foi

alcançada pela coisa julgada material, estaremos a afirmar que aquele decisum não

mais poderá ser modificado na mesma ou em outra relação processual.


Haverá coisa julgada material quando o arquivamento for motivado pela

atipicidade do fato, pelo reconhecimento de uma das causas de extinção da

punibilidade ou causas excludentes. Em tais hipóteses há resolução do mérito e por

esse motivo é que se impõe o efeito da coisa julgada material.

 O arquivamento faz coisa julgada formal e material sempre?

O arquivamento faz coisa julgada forma e material nas seguintes hipóteses:

atipicidade, excludentes da ilicitude e culpabilidade e causas extintivas da

punibilidade.

 Quando o arquivamento só faz coisa julgada formal?

O arquivamento por ausência de elementos informativos somente acarreta em

coisa julgada formal.

PRISÃO TEMPORÁRIA
- Navega na órbita da investigação.

Art. 1° Caberá prisão temporária:


I - quando imprescindível para as investigações do inquérito
policial;
II - quando o indicado não tiver residência fixa ou não fornecer
elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade;
III - quando houver fundadas razões, de acordo com qualquer
prova admitida na legislação penal, de autoria ou participação
do indiciado nos seguintes crimes:
a) homicídio doloso (art. 121, caput, e seu § 2°);
b) sequestro ou cárcere privado (art. 148, caput, e seus §§ 1° e
2°);
c) roubo (art. 157, caput, e seus §§ 1°, 2° e 3°);
d) extorsão (art. 158, caput, e seus §§ 1° e 2°);
e) extorsão mediante sequestro (art. 159, caput, e seus §§ 1°, 2° e
3°);
f) estupro (art. 213, caput, e sua combinação com o art. 223,
caput, e parágrafo único); (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 1940)
g) atentado violento ao pudor (art. 214, caput, e sua combinação
com o art. 223, caput, e parágrafo único); (Vide Decreto-Lei nº
2.848, de 1940)
h) rapto violento (art. 219, e sua combinação com o art. 223
caput, e parágrafo único); (Vide Decreto-Lei nº 2.848, de 1940)
i) epidemia com resultado de morte (art. 267, § 1°);
j) envenenamento de água potável ou substância alimentícia ou
medicinal qualificado pela morte (art. 270, caput, combinado
com art. 285);
l) quadrilha ou bando (art. 288), todos do Código Penal;
m) genocídio (arts. 1°, 2° e 3° da Lei n° 2.889, de 1° de outubro
de 1956), em qualquer de sua formas típicas;
n) tráfico de drogas (art. 12 da Lei n° 6.368, de 21 de outubro de
1976);
o) crimes contra o sistema financeiro (Lei n° 7.492, de 16 de
junho de 1986).
p) crimes previstos na Lei de Terrorismo. (Incluído pela Lei nº
13.260, de 2016)
Art. 2° A prisão temporária será decretada pelo Juiz, em face da
representação da autoridade policial ou de requerimento do
Ministério Público, e terá o prazo de 5 (cinco) dias, prorrogável
por igual período em caso de extrema e comprovada
necessidade.
§ 1° Na hipótese de representação da autoridade policial, o Juiz,
antes de decidir, ouvirá o Ministério Público.
§ 2° O despacho que decretar a prisão temporária deverá ser
fundamentado e prolatado dentro do prazo de 24 (vinte e
quatro) horas, contadas a partir do recebimento da
representação ou do requerimento.
§ 3° O Juiz poderá, de ofício, ou a requerimento do Ministério
Público e do Advogado, determinar que o preso lhe seja
apresentado, solicitar informações e esclarecimentos da
autoridade policial e submetê-lo a exame de corpo de delito.
§ 4° Decretada a prisão temporária, expedir-se-á mandado de
prisão, em duas vias, uma das quais será entregue ao indiciado
e servirá como nota de culpa.
§ 5° A prisão somente poderá ser executada depois da
expedição de mandado judicial.
§ 6° Efetuada a prisão, a autoridade policial informará o preso
dos direitos previstos no art. 5° da Constituição Federal.
§ 7° Decorrido o prazo de cinco dias de detenção, o preso
deverá ser posto imediatamente em liberdade, salvo se já tiver
sido decretada sua prisão preventiva.
Art. 3° Os presos temporários deverão permanecer,
obrigatoriamente, separados dos demais detentos.
Art. 4° O art. 4° da Lei n° 4.898, de 9 de dezembro de 1965, fica
acrescido da alínea i, com a seguinte redação:
"Art. 4° ...............................................................
i) prolongar a execução de prisão temporária, de pena ou de
medida de segurança, deixando de expedir em tempo oportuno
ou de cumprir imediatamente ordem de liberdade;"
Art. 5° Em todas as comarcas e seções judiciárias haverá um
plantão permanente de vinte e quatro horas do Poder Judiciário
e do Ministério Público para apreciação dos pedidos de prisão
temporária.

Crime de tortura X lei dos crimes hediondos X prisão temporária

É possível a representação da prisão temporária no delito de tortura?

Sim. Embora o rol seja taxativo na Lei 7.960/89, a Lei 8.072/90 possibilitou ao

mencionar no parágrafo 4º que a prisão temporária que dispõe a Lei 7.960 nos crimes

previstos no capítulo, que o delito de tortura está inserido, terá o prazo de 30 dias,

prorrogável por igual período. Deve ser cominado com o artigo 1º, da Lei 7.960/89,

que se refere aos requisitos.

Art. 2º Os crimes hediondos, a prática da tortura, o tráfico ilícito


de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo são insuscetíveis
de: I - anistia, graça e indulto; II - fiança.
(...)
§ 4o A prisão temporária, sobre a qual dispõe a Lei no 7.960, de
21 de dezembro de 1989, nos crimes previstos neste artigo, terá
o prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período em
caso de extrema e comprovada necessidade.

 Representação pela temporária no crime de tortura sem inquérito

instaurado:
Doutrina – não há necessidade do inquérito instaurado, porém, a investigação

deve estar em curso (ocorrência e depoimento, por exemplo).

RETROATIVIDADE DA LEI PENAL BENÉFICA


DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIAS (05 jul. 17)

CF, art. 5º, XXXIX – princípio da legalidade - não há crime sem lei anterior que

o defina, nem pena sem prévia cominação legal;

Princ. da reserva legal - não há crime sem lei anterior que o defina.

Princ. da anterioridade - nem pena sem prévia cominação legal.

A lei deve ser anterior ao fato.

CF, art. 5º, XXXIX – A doutrina utiliza o termo princ. da reserva legal ou estrita

legalidade.

Conforme a CF, MP não pode tratar de matéria penal, todavia o STF entende

que, se a norma for benéfica ao réu a MP pode tratar sobre tema penal.

A retroatividade da lei penal benéfica está situada na órbita da aplicabilidade

da lei penal no tempo, ou seja, no direito penal intertemporal.

A norma penal incriminadora deve ser instituída através da lei em sentido

estrito, ela deve decorrer necessariamente da União, porque é ela que tem a

competência para instituir uma lei penal.

A lei quando entrar em vigor regulará os fatos que ocorreram durante sua

vigência (tempus regit actum), produzirá efeitos até que uma nova lei a revogue

(revogação tácita ou expressa, total ou parcial).

Revogação total = ab rogação (absoluta).

Revogação parcial = derrogação.


Princ. da continuidade da lei penal - ocorre quando uma lei é revogada,

porém, a conduta ainda continua incriminada em outro dispositivo legal, não

ocorrendo, nessa hipótese, a abolitio criminis.

Costume não revoga lei penal, apesar de ser uma fonte formal mediata do dir.

penal.

Fonte formal imediata do dir. penal  a lei.

Os costumes podem ser usados em consonância com a lei (secundum legem),

não podem ir de encontro a ela.

Uma lei ao entrar em vigor pode trazer em seu bojo conteúdo benéfico (novatio

legis in melius [lex mitior]).

Princ. da retroatividade da lei penal benéfica – CF, art. 5º, XL - a lei penal não

retroagirá, salvo para beneficiar o réu.

Uma lei ao entrar em vigor pode trazer em seu bojo conteúdo não benéfico,

mais gravoso, que se contrapõe a uma lei penal benéfica (novatio legis in pejus [lex

gravior]).

Tempus regit actum – a lei penal quando é publicada produz efeito para frente,

todavia, há exceção, se for uma lei penal benéfica estará revestida da extratividade,

possibilitará que a lei retroaja. A extratividade possibilita, também, que a lei seja

ultrativa , ou seja, ainda que revogada seja aplicada ao fato ocorrido durante sua

vigência.

Extratividade está ligada à lei penal benéfica, possibilita que a lei seja

retroativa ou ultrativa.

A lei penal benéfica s e prende ao fato ocorrido durante sua vigência, dando

ensejo ao fenômeno do “efeito carrapato da lei penal” (ultratividade [pode ser

aplicada ainda que revogada]).


CP, art. 3º, - a lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de

sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica -se ao fato

praticado durante sua vigência.

- Lei temporária é auto-revogável, porém, no seu bojo vem estipulado o prazo

de duração de sua vigência (ex.: lei geral da copa).

- Lei excepcional é auto-revogável, porém, dura enquanto houver a

anormalidade.

Lei excepcional ou temporária → doutrinariamente são chamadas de leis

intermitentes por serem auto-revogáveis.

O princ. da continuidade prevê que a lei permanece em vigor até que outra lei

a revogue.

Lei excepcional ou temporária  exceção ao princ. da continuidade da lei

penal, a lei é revogada sem que ocorra a publicação de outra lei.

Lei excepcional ou temporária  são ultrativas  são aplicáveis aos fatos

ocorridos durante sua vigência, se prendem ao fato (efeito carrapato da lei penal).

Lei excepcional ou temporária  não se aplica a elas o princ. da retroatividade

da lei penal, ainda que benéfica. Conforme o art. 3º, essas leis são ultrativas (ainda

que revogadas).

Exceção ao princ. da retroatividade da lei penal benéfica  há possibilidade

de uma lei temporária ou excepcional não ser aplicada aos fatos que ocorreram

durante a sua vigência? Sim, se ocorrer a publicação de uma lei posterior à LT e à LE

que mencione em seu bojo que os fato ocorridos durante as respectivas leis serão

regulados por ela, não haverá a incidência da LT e LE (exceção ao efeito carrapato da

lei penal).

Lei excepcional ou temporária  se for benéfica em relação a uma lei anterior

a ela, não retroagirá (ainda que benéfica), por serem ultrativas.


Ex.: lei “a” está em vigência, em seguida, a lei “b” também entrou em vigência,

a lei “b” é uma novatio legis in mellius, porém, se ela tiver em período de vacatio,

duas correntes explicarão o fenômeno:

1a) se a lei estiver em período de vacatio e for benéfica, será aplicada. Não está

produzindo efeitos, porém, já é lei e deve ser aplicada aos fatos anteriores.

2a) p/ o STF a lei que se encontra no período de vacatio legis não produzirá

efeitos, com isso, não pode ser aplicada.

A 2a corrente é a aplicada.

Ex: Tício praticou homicídio simples em 10/07/16, com pena de 6 a 20 anos. No

dia 15/05/17, durante o processo, saiu uma lei passando a pena do homicídio simples

de 5 a 15 anos (a lei posterior ao fato é benéfica), porém, no dia 20/12/18 saiu uma

nova lei passando a pena do homicídio simples p/ 10 a 20 anos.

1a lei – homicídio – pena – 6 a 20 anos (lei do fato).

2a lei – homicídio – pena – 5 a 15 anos (lei intermediária).

3a lei – homicídio – pena – 10 a 20 anos (lei do julgamento).

A 2a lei (intermediária [com vigência durante o processo]) é mais benéfica em

relação à 1a lei (lei do fato) e, também, em relação à 3a lei (lei do julgamento),

todavia, não obstante o fato e o julgamento ocorrerem fora de sua vigência, ela será

aplicada por ser mais favorável.

Ex: quando da vigência da lei 6.368/76, Tício em 2001 praticou tráfico de

drogas. Era primário, de bons antecedentes, não se dedicava à prática criminosa, nem

integrava organização criminosa. Foi condenado por tráfico, com base no art. 12,

caput (pena de 3 a 15 anos). Não teve diminuição de pena porque a lei em tela não

previa. Em 2006, entrou em vigência a lei 11.343/06 que revogou a 6.368 /76, a nova

lei aumentou a pena do tráfico p/ 5 a 15 anos, criou uma causa de diminuição de

pena (tráfico privilegiado [art. 33, § 4º]), sendo, assim, mais benéfica.
É possível pegar a causa de diminuição de pena do art. 33, §4º da 11.343/06 e

combinar com o art. 12, caput, da lei 6.368/76?

Há 2 correntes:

1a) Pode haver a combinação, com base no art. 2º, parágrafo único, CP (lei

posterior que, de qualquer modo, favoreça o agente, será aplicada aos fatos

anteriores à sua vigência ainda que decididos por sentença condenatória c/ trânsito

em julgado [princ. da retroatividade da lei benéfica]), aplica-se o § 4º da nova lei ao

art. 12 da lei anterior. Ainda, conforme a CF, a lei penal retroagirá p/ beneficiar o réu

(art. 5º, XL). Se não for admitida a retroatividade parcial da lei nova, estará negando

vigência ao princ. constitucional da retroatividade penal da lei benéfica (que é

cláusula pétrea).

2a) STF e STJ entendem que não é possível a combinação de leis. Observa-se

que a 6a turma do STJ entendia ser possível a combinação de leis com o intuito de

beneficiar o réu (HC 102.544 STJ), todavia, a 3a seção entendeu não haver

possibilidade de combinação de leis, ela poderá retroagir desde que seja na sua

integralidade (Súm. 501/STJ), caput e parágrafo.

 Súm. 501/STJ - é cabível a aplicação retroativa da Lei 11.343/2006, desde que

o resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu

do que o advindo da aplicação da Lei 6.368/1976, sendo vedada a combinação de leis.

Não é possível a combinação de leis porque o juiz ao combinar o §4o do art.33

c/ o art.12 estará criando uma 3a lei (lex tertia), com isso, estará ofendendo o princ. da

separação dos poderes, porque sua função é julgar e não legislar.

No art. 2º, CP, há a figura da abolitio criminis, lei que exclui do âmbito penal

fato que até então era considerado criminoso, é causa extintiva da punibilidade

(art.107, CP).

 Abolitio criminis é uma novatio legis in mellius? Não. Só é possível falar

em novatio legis in mellius quando for possível fazer comparação com outra norma.
Nesse caso não há tal comparação, tendo em vista que está ocorrendo a exclusão a

roupagem criminosa de determinada conduta. Contudo, uma lei que retira uma

roupagem criminosa de determinada conduta, irá retroagir.

Na abolitio criminis cessam os efeitos penais, todavia permanecem os efeitos

civis (tem obrigação de reparar o dano).

Na abolitio criminis não basta a revogação formal, a conduta deve ser

formalmente e materialmente revogada.

LIVRAMENTO CONDICIONAL - ASSOCIAÇÃO PARA O


TRÁFICO - STJ (09 jul. 17)

A lei 8.072/90 (CH [crimes graves, repugnantes]) quando entrou em vigor o

regime de cumprimento da pena era integralmente fechado (art. 2º, §1º [a pena por

crime previsto neste artigo será cumprida inicialmente em regime fechado]), todavia,

ocorreu alteração legislativa, foi considerado inconstitucional por ferir o princ. da

individualização da pena.

Em assim sendo, o início da pena passou a ser inicialmente no regime fechado

podendo progredir de regime. Porém, o STF com fundamento no princ. da

individualização da pena e da dignidade da pessoa humana entendeu

inconstitucional a obrigatoriedade do regime fechado, podendo o cumprimento da

pena iniciar em qualquer regime quando preenchidos os requisitos do art. 33 CP.

A 1ª Turma do STF, em 2015, decidiu que em relação ao crime de tortura a

pena deve iniciar obrigatoriamente no regime fechado.

A lei 8.072/90 em seu art. 5º alterou o art. 83 do CP, dando um tratamento mais

rigoroso ao agente que cometer CH ou equiparado.

Art. 5º - ao art. 83 CP é acrescido o seguinte inciso:

Art. 83, V – requisito do livramento condicional - cumprido + de 2/3 da pena,

nos casos de condenação por CH, prática da tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e

drogas afins, e terrorismo, se o apenado não for reincidente específico em crimes


dessa natureza.

O crime de associação para o tráfico (crime permanente, consumação

antecipada, de resultado cortado, crime formal) não é equiparado a CH. Em tese, o

condenado pelo art. 35, não está inserido no requisito no inciso V, art. 83, CP.

Para fazer a jus ao livramento condicional não seguirá a regra do art. 83, I, do

CP?

Não, o STJ entendeu que por constar na Lei de Drogas, segue-se o previsto no

art. 44, parágrafo único, da Lei 11.343/06 (princípio da especialidade).

Art. 35 - Associarem-se duas ou mais pessoas para o fim de

praticar, reiteradamente ou não, qualquer dos crimes previstos

nos arts. 33, caput e § 1°, e 34 desta Lei.

Art. 44 - Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º, e 34 a 37

desta Lei são inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça,

indulto, anistia e liberdade provisória, vedada a conversão de

suas penas em restritivas de direitos.

Parágrafo Único - Nos crimes previstos no caput deste artigo,

dar-se-á o LC após o cumprimento de 2/3 da pena, vedada sua

concessão ao reincidente específico.

Inf. 568-STJ  HC 331.656, 25/08/15  Livramento Condicional  princ. da

especialidade  necessário cumprimento de + de 2/3 da pena  aplica-se ao art. 33,

caput e § 1º, e 34 a 37  não segue ao previsto no art. 83, I ou V, CP  seguirá ao

previsto no art. 44, parágrafo único, Lei de Drogas.

APF no tráfico de drogas – art. 50, § 1º

Art. 50, §1º - Para efeito da lavratura do APF e estabelecimento da

materialidade do delito, é suficiente o laudo de constatação da natureza e

quantidade da droga, firmado por perito oficial ou, na falta deste, por pessoa

idônea.
Na falta de perito oficial, todavia, subsidiariamente, pessoa idônea pode

firmar o laudo preliminar.

Em regra, é necessário o laudo definitivo para condenação por tráfico de

drogas.

É possível condenação apenas com base em laudo preliminar? STJ entende que

sim, desde que o laudo preliminar seja assinado por perito oficial (perito criminal)

identificando o material apreendido como entorpecente, que pode ser identificável

com facilidade através de narcotestes, constitui exceção à necessidade de laudo

definitivo para a materialização do delito do tráfico de drogas.

Condenação com base em laudo preliminar  STJ  laudo feito por perito

oficial (criminal) + droga de fácil constatação.

Condenação pelo art. 35 não é possível a incidência da causa especial de

diminuição de pena do art. 33, § 4º (tráfico privilegiado), tendo em vista o agente

integrar organização criminosa e/ou se dedicar à atividade criminosa.

Art. 33, § 4º - Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas

poderão ser reduzidas de um 1/6 a 2/3 desde que o agente:

- seja primário,

- de bons antecedentes,

- não se dedique às atividades criminosas,

- não integre organização criminosa.

 Não são requisitos alternativos, são cumulativos, p/ concessão do

privilégio.

Reforçando  art.35 é incoerente com o art. 33, §4º (tráfico privilegiado).

Art. 33, caput (importar, exportar) + 40, I (transnacionalidade)

Art. 40. As penas previstas nos arts. 33 a 37 desta Lei são aumentadas de um

1/6 a 2/3:
I - a natureza, a procedência da substância ou do produto apreendido e as

circunstâncias do fato evidenciarem a transnacionalidade do delito;

II - o agente praticar o crime prevalecendo-se de função pública ou no

desempenho de missão de educação, poder familiar, guarda ou vigilância;

III - a infração tiver sido cometida nas dependências ou imediações de

estabelecimentos prisionais, de ensino ou hospitalares, de sedes de entidades

estudantis, sociais, culturais, recreativas, esportivas, ou beneficentes, de locais de

trabalho coletivo, de recintos onde se realizem espetáculos ou diversões de qualquer

natureza, de serviços de tratamento de dependentes de drogas ou de reinserção

social, de unidades militares ou policiais ou em transportes públicos;

IV - o crime tiver sido praticado com violência, grave ameaça, emprego de

arma de fogo, ou qualquer processo de intimidação difusa ou coletiva;

V - caracterizado o tráfico entre Estados da Federação ou entre estes e o

Distrito Federal;

VI - sua prática envolver ou visar a atingir criança ou adolescente ou a quem

tenha, por qualquer motivo, diminuída ou suprimida a capacidade de entendimento

e determinação;

VII - o agente financiar ou custear a prática do crime.

STJ, Ag.Reg.Rec.Esp. 620.417, 17mar16 → Aplicar o art. 33, caput (importar,

exportar) + art.40, I (transnacionalidade) não configura bis in idem.

LEI 11.343/06 X STJ E STF - 05JAN16 (RETIFICAÇÃO - ALTERAÇÃO


DE ENTENDIMENTO JURISPRUDENCIAL)

Posicionamento dos Tribunais acerca do art. 28, da Lei de Drogas: houve a

despenalização, não a descriminalização.

Art. 28 é IMPO, submete-se à Lei 9.099/97.

Pessoa abordada pela polícia com droga para uso próprio será conduzia à

Delegacia, de lege lata, não será autuado em flagrante (não se imporá prisão), apenas
assinará um termo de compromisso (de comparecimento perante o juiz), se recusar a

assinar, o usuário deverá ser liberado da mesma maneira. Todavia, se fosse noutra

situação, o conduzido ao negar quanto à assinatura do termo de compromisso, ser-

lhe-á lavrado o APF, mesmo sendo IMPO.

OBS:

de lege lata (à luz da legislação em vigor).

de lege ferenda (à luz da legislação que será criada).

Art. 28, §2º - Para determinar se a droga destinava-se a consumo pessoal, o juiz

atenderá à NATUREZA e à QUANTIDADE da substância apreendida, ao local e às

condições em que se desenvolveu a ação, às circunstâncias sociais e pessoais, bem

como à conduta e aos antecedentes do agente.

 A pureza da droga não consta no art. 28, §2º.

Art. 42 - O juiz, na fixação das penas, considerará, com preponderância sobre o

previsto no art. 59 do CP, a NATUREZA e a QUANTIDADE da substância ou do

produto, a personalidade e a conduta social do agente.

 A pureza da droga não entra na dosimetria (fixação) da pena.

STJ  art. 28  condenação por porte de drogas para consumo próprio,

transitada em julgado, gera reincidência, por ser considerado crime.

Art. 33 é considerado tipo penal de condutas múltiplas, de conteúdo variado,

diversos verbos constam no tipo penal. Por ex., se a pessoa adquire cocaína e vende

maconha responde por 2 crimes em conc. material. Ou seja, se mudar a substância,

responde por 2 crimes.

STJ  a semente de maconha constitui crime, não há que se falar em atos

preparatórios. (ATENÇÃO - MUDANÇA DE ENTENDIMENTO)


CASO: 15 (quinze) frutos aquênios (popularmente conhecidos como

"sementes") de Cannabis sativa (maconha). O caso chegou ao STJ após a denúncia

ser rejeitada pela Justiça de 1º grau e, reformada pelo TRF3 (Tribunal Regional da 3ª

Região). Por 4 votos a 1, os ministros decidiram reestabelecer a 1ª decisão, encerrando

a ação penal.

Vejamos os fundamentos utilizados na decisão monocrática ARESP Nº

1077512/SP 6ª TURMA:

As sementes de Cannabis Sativa Linneu (maconha), tecnicamente, são tratadas

como propágulos vegetais de morfologia de frutos, ou tecnicamente, aquênios

(frutos secos indeiscentes, de um só caroço), conforme UNODC - United Nations

Office of Drugs. Mesma referência (Organização das Nações Unidas) estabelece que

os frutos aquênios da cannabis sativa linneu não apresentam na sua composição o

tetrahidrocannabiol-THC-, muito embora da planta possam originar substâncias

entorpecentes. Segundo o documento, acaso encontrado THC, é porque houve

contaminação externa da semente, ou do óleo da semente, por outras partes da

planta, no momento da separação das sementes.

Enquanto a planta é o resultado da morfologia da semente, a droga, por sua

vez, é a substância acabada, pronta para a comercialização e uso pelo destinatário

final, depois de todo processo químico ou manual necessário para se chegar na fase

de uso do entorpecente. E para ser considerada ilícita tem que estar proscrita no

Brasil, razão pela qual a norma deve ser complementada por outra, em exemplar

hipótese de norma penal em branco.

Esclarecido que a semente de maconha não possui características ou

descrições, atestadas cientificamente ou por norma regulamentar, para serem

classificadas como drogas (semente de maconha não é droga), permanece a dúvida

se elas podem ser efetivamente tratadas como matéria-prima ou insumo com

condições e qualidades necessárias para resultarem em substâncias entorpecentes.

Antes, porém, alguns esclarecimentos trazidos pelo documento da UNODC,


se fazem necessários:

i) a parte preferencialmente utilizada para uso como entorpecente, e também

para extração do óleo medicinal, não é a planta como um todo, mas a flor da planta

e as folhas próximas a elas – que contém de 10 a 12% de THC, enquanto as outras

partes, como as folhas, caules e raízes, contêm menos de 2% da substância – embora

no mercado ilícito sejam encontradas outras partes da planta, ante a ausência de

qualquer controle ou seleção;

ii) as plantas que produzem as flores utilizadas para o consumo e extração

do óleo são as plantas fêmeas (preferencialmente as que não produzem sementes).

Segundo o documento internacional, que recomenda os métodos para identificação

e análise da cannabis e seus produtos, as plantas fêmeas são replicadas por meio de

clonagem, já que o cultivo das sementes não garante o gênero da planta, e, por

consequência, tampouco garante a própria geração da droga, como demonstrado

em recente estudo empírico publicado pela Revista Perícia Federal.

A importação de sementes de maconha não pode ser enquadrada como

tráfico de entorpecentes:

Primeiro, porque não é a semente, mas plantas específicas produzidas a

partir dela – adultas e preferencialmente fêmeas – é que constituem, estas sim,

matéria prima para a preparação de droga (flores).

Segundo, porque não faria sentido que a lei criminalizasse a preparação da

preparação ou o perigo do perigo, antecipando tão extensamente a tutela penal da

saúde pública, e, pois, tipificasse a simples aquisição de semente para semeadura,

cultivo e colheita da planta.

Terceiro, porque, se assim fosse, violar-se-ia o princípio da ofensividade, seja

porque a semente não dispõe do princípio ativo, seja porque não é passível de

utilização para a efetiva preparação de droga.

Quarto, porque a lei só penaliza as condutas que imediatamente, e não


apenas mediatamente, estão destinadas à produção de droga.

Ainda que alguém pudesse antecipar essa previsão, pode-se dizer que seria

um “chute”, já que a probabilidade de erro sobre a afirmação de que a semente

necessariamente germinará e produzirá uma planta adulta e fêmea, com flores, é

altíssima – 96,58%, como demonstrado pelo estudo publicado na Revista Perícia

Federal, aliado ao documento produzido pela UNODC – e havendo dúvida

razoável sobre a incidência ou não do tipo penal, há de prevalecer a tese mais

favorável ao réu (in dubio pro reo).

Ofender-se-ia, ainda, o princípio da legalidade, já que é evidente que

semente de maconha não se presta, a rigor, à preparação de droga, a não ser muito

indireta e remotamente, como ato final, em poucos casos, por meio da semeadura,

cultivo, colheita da planta e produção de flores.

Tanto é assim que o art. 33, §1°, II, da Lei 11.343/06, pune a conduta de quem

“semeia, cultiva ou faz a colheita, sem autorização ou em desacordo com determinação legal

ou regulamentar, de plantas que se constituam em matéria-prima para a preparação de

drogas”.

Segundo Vicente Greco Filho e João Daniel Rassi, embora não precisem

dispor dos efeitos farmacológicos dos tóxicos, a matéria-prima ou insumo devem

ter condições e qualidades químicas para, mediante transformação, adição etc.,

produzir droga ilícita.

Daí porque os entendimentos firmados por essa Corte Especial, de que "A

importação clandestina de sementes de cannabis sativa linneu (maconha) configura o tipo

penal descrito no art. 33, § 1º, I, da Lei n. 11.343/2006", e de que “O fruto da planta

cannabis sativa lineu, conquanto não apresente a substância tetrahidrocannabinol (THC),

destina-se à produção da planta, e esta à substância entorpecente, e sua importação

clandestina amolda-se ao tipo penal insculpido no artigo 33, § 1º, da Lei n. 11.343/2006

(...)” – não encontram respaldo científico nas mais atuais pesquisas e diretrizes

internacionais, pois embora a lei criminalize o tráfico de droga propriamente dito


(art. 33, caput) e equipare tanto a conduta de quem semeia, cultiva e colhe planta

que se constitui em matéria-prima para a preparação da droga ilícita (art. 33, §1°),

essa não tipifica, justificadamente, os atos antecedentes, a exemplo da

aquisição/importação (etc.) de semente de maconha, e, ainda que tipificasse, a

legalidade dessa norma seria contestável, já que a semente de maconha sequer pode

ser considerada droga ou matéria-prima e insumo aptos a gerar droga com absoluta

certeza. E não havendo certeza, portanto, deve-se operar o in dubio pro reo, como

demonstrado. Sob a perspectiva da Lei de Drogas, a importação de sementes de

maconha é, portanto, fato atípico.

IMPORTANTE:

1. A conduta pode ser considerada adquirição para consumo pessoal?

Tampouco incide o delito de porte de droga para consumo, quer porque os

verbos descritos no artigo 28 da Lei 11.343/06 se referem a droga como objeto

material, para fim de uso pessoal mas não fazem referências as suas sementes, quer

porque, diversamente do art. 33, §1°, da Lei 11.343/06, o art. 28 sequer tipifica o ato

de adquirir, importar (etc.) matéria-prima ou insumo para a preparação de droga,

mas apenas a conduta de semear, cultivar e colher planta destinada à preparação de

pequena quantidade de substância entorpecente.

2. A conduta pode ser considerada contrabando (art. 334-A, CP) e, nesse

aspecto, ser aplicado, excepcionalmente, o princípio da insignificância?

Deve ser analisado o caso concreto. Explico.

Não há como tipificar a conduta de quem importa pequena quantidade de

sementes de maconha na Lei nº 11.343/2006, quer no art. 33, §1º, incisos I e II, quer

no artigo 28, ante princípio da legalidade estrita da norma penal (art. 5º, inciso

XXXIX, da CF).

Afastada a norma especial, há que se analisar se a pequena quantidade de

sementes estaria subsumida ao conceito de mercadoria proibida previsto no artigo


334-A, do Código Penal, que tipifica a conduta do contrabando.

A elementar “mercadoria proibida” é norma penal em branco que requer

complementação heterogênea. A proibição pode ser dividida em absoluta, quando

se veda, peremptoriamente, a entrada (ou a saída) de determinada mercadoria no

território nacional, e relativa, quando se exige o cumprimento de requisitos para a

autorização e licenciamento da importação (ou exportação).

A norma expressamente proíbe a importação da cannabis sativa (“maconha”)

in natura, e suas partes, nas quais decerto se incluem as sementes, pois estas são

necessariamente retiradas da planta adulta.

Assim, diante de referidas considerações conclui-se que a semente de

maconha é mercadoria de importação proibida, o que configura, em tese, o crime de

contrabando.

 No caso analisado: Levando-se a termos quantitativos, pode-se afirmar

com certa acuidade que, das 15 (quinze) sementes importadas pelo investigado,

apenas 0,51% (meio por cento) detém a potencialidade de gerar a planta fêmea

adulta, com flores, ou seja, apenas na metade de uma delas há a potencialidade

para produzir a droga para consumo pessoal.

Baseado nesses dados técnicos pode-se afirmar, no caso concreto, que a

quantidade das sementes importadas, as condições pessoais do autor do fato e o

grau de ofensividade da conduta praticada revelam a inexpressividade da lesão

jurídica, ausência de periculosidade da ação e o ínfimo grau de reprovabilidade do

comportamento, razões que comportam, excepcionalmente, a aplicação do

princípio da insignificância à hipótese.

Tráfico internacional  ex.: Tício importou lança perfume da Argentina, foi

preso no Brasil, responderá por tráfico internacional de drogas? Não, tendo em vista

que, lança perfume não é considerado droga na Argentina. Nesse caso, haverá tráfico
doméstico de drogas.

Tráfico internacional  ex.: Tício importou lança perfume do Uruguai, foi

preso no Brasil, responderá por tráfico internacional de drogas? Sim, lança perfume é

considerado droga na Uruguai também.

STJ  tráfico internacional  para ser considerado tráfico de drogas a

substância entorpecente deve ser considerada droga no país de origem, caso

contrário, será tráfico doméstico.

Art. 33, § 2º  Induzir, instigar ou auxiliar alguém ao uso indevido de droga.

Art. 33, § 2º  induzimento tem que ser direcionado a pessoa determinada.

Marcha para maconha  STF  manifesta direito constitucional de

expressão, não se enquadra no art. 33, § 2º (pessoas indeterminadas).

Art. 33, § 3º  uso compartilhado.

Art. 33, § 3º  Oferecer droga, eventualmente e sem objetivo de lucro, a

pessoa de seu relacionamento, para juntos a consumirem.

Art. 33, § 3º  oferecer, eventualmente, 0800, pessoa do convívio, juntos

consumirem.

Quem oferece  uso compartilhado (art. 33, § 3º).

Quem usa  fato atípico (no art. 28 não tem o tipo penal USAR).

Uso compartilhado  oferecer, eventualmente, 0800, pessoa do convívio,

juntos consumirem  se não preencher tais requisitos cumulativamente  tráfico

(art. 33).

Art. 33, § 4º  tráfico privilegiado.

Art. 33, § 4º  Nos delitos definidos no caput e no § 1º deste artigo, as penas

poderão ser reduzidas de 1/6 a 2/3, vedada a conversão em penas restritivas de


direitos, desde que o agente seja primário, de bons antecedentes, não se dedique às

atividades criminosas nem integre organização criminosa.

Art. 33, § 4º  ...vedada a conversão em penas restritivas de direitos 

vedação considerada inconstitucional pelo STF.

STF  tráfico privilegiado não é considerado hediondo  HC 118.533 MS,

(23/06/2016).

STJ  Súm. 512  A aplicação da causa de diminuição de pena prevista no

art. 33, § 4º, da Lei n. 11.343/2006 não afasta a hediondez do crime de tráfico de

drogas.  súmula cancelada.

STF e STJ  tráfico privilegiado não é crime hediondo.

Art. 44 - Os crimes previstos nos arts. 33, caput e § 1º , e 34 a 37 desta Lei são

inafiançáveis e insuscetíveis de sursis, graça, indulto, anistia e liberdade provisória,

vedada a conversão de suas penas em restritivas de direitos.

Art. 44  ...vedada liberdade provisória  vedação considerada

inconstitucional pelo STF (em controle difuso).

Art. 44  é possível liberdade provisória  s/ fiança.

Quantidade da droga, por si só, pode ser usada para afastar o privilégio?

STJ  Sim.

STF  há divergência.

STF  1ª Turma  Sim  Inf. 844 (18 out. 16)  a quantidade da droga

pode ser considerada para afastar o privilégio.

STF  2ª Turma  Não  (29 nov. 16)  a quantidade da droga, por si só,

não pode ser considerada para afastar o privilégio.


Art. 33, § 4º  traficante eventual  agente primário, bons antecedentes, não

se dedique às atividades criminosas, não integra organização criminosa.

Art. 33, § 4º  traficante eventual  diminuição de pena (minorante).

Art. 33, § 4º  traficante eventual  pode retroagir para combinar com o

revogado art. 12 da Lei 6.368/76? Não. STF e STJ entende que seria ofensa ao princ.

da separação dos poderes, judiciário estaria criando uma 3ª lei (lex tertia [combinação

de leis]).

Art. 33, § 4º  traficante eventual  pode retroagir para aplicar o revogado

art. 12 da Lei 6.368/76? Sim, desde que retroaja na íntegra.

Súm. 501-STJ: É cabível a aplicação retroativa da Lei n. 11.343/06, desde que o

resultado da incidência das suas disposições, na íntegra, seja mais favorável ao réu

do que o advindo da aplicação da Lei n. 6.368/76, sendo vedada a combinação de leis.

 pode retroagir o caput e § 4º.

Usuário  cabe ao MP (acusação) provar que a droga encontrada com o

usuário não era para uso pessoal e sim destinada p/ tráfico, caso contrário, aplica-se o

art.28.

A pena do tráfico pode ser fixada no regime diferenciado do fechado? Sim,

desde que preencha os requisitos (art.33 CP), conforme decisão, dos tribunais

superiores, incidenter tantum (controle difuso de constitucionalidade no caso

concreto).

Associação p/ o tráfico (art. 35):

- não é tráfico.

- demanda estabilidade.

OBS.: por ex., se 2 pessoas se unem eventualmente para vender droga, não é
associação (art.35), será tráfico de drogas em conc. de pessoas (não tem estabilidade

[habitualidade]).

TRATA-SE DE CRIME PERMANENTE - NÃO É TRÁFICO!!! PORTANTO


NÃO É EQUIPARADO AOS CRIMES HEDIONDOS

STJ - o condenado por associação para o tráfico (art. 35, da Lei 11.3343/06), caso não
seja reincidente específico, deve cumprir 2/3 da pena para fazer jus ao livramento condicional.
- Muito embora a associação não seja considerado tráfico e, portanto, crime equiparado
hediondo, em homenagem ao princípio da especialidade, deve ser aplicado o artigo 44, § único
da LEI; (STJ H.C. 311.656/RJ).

Informante (art. 37):

- não é tráfico.

Não há como ter art. 35 + art. 37.

Não há como ter art. 33 + art. 37.

Há como ter art. 33 + art. 35.

OBS.: colaborar como fogueteiro (informante) de apenas 1 traficante, não é

associação, nem organização, que é requisito do art. 37. O fogueteiro, ao colaborar,

responderá pelo art. 33, todavia, para a doutrina, por analogia in bona partem, será

incluso no art. 37.

Princ. da insignificância no uso:

2 posicionamentos,

STJ  não é possível.

STF  é possível.

Tráfico X maquinário (art. 34):

STJ  responderá pelo maquinário se o local for um verdadeiro laboratório

(depósito), caso contrário, responderá apenas no art.33


Mula:

STJ  representa uma pessoa que faz parte de org. criminosa (ATENÇÃO -

MUDANÇA DE ENTENDIMENTO) – DIVERGÊNCIA SUPERADA!

HABEAS CORPUS Nº 387.077 - SP (2017/0020912-1)

Embora haja diversos julgados de ambas as Turmas deste Tribunal Superior

nos quais se afirme não ser possível o reconhecimento do tráfico privilegiado ao

agente transportador de drogas na qualidade de "mula", acolho o entendimento

uníssono do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, no sentido de que a simples

atuação nessa condição não induz, automaticamente, à conclusão de que o

sentenciado integre organização criminosa, sendo imprescindível, para tanto, prova

inequívoca do seu envolvimento, estável e permanente, com o grupo criminoso, para

autorizar a redução da pena em sua totalidade.

STF  a condição de mula, por si só, não caracteriza que a pessoa faz parte de

org. criminosa.

Associação + tráfico  não há aplicação do privilégio, porque quem está

associação se dedica à atividade criminosa (participa da atividade criminosa).

Utilização de transporte público - drogas em ônibus  STF e STJ  na

utilização do transporte público é necessário vender a droga dentro do ônibus. Se

não houver a venda, não incide a causa de aumento.

Tráfico interestadual (tráfico doméstico)  p/ consumar o delito, não há

necessidade da transposição da fronteira estadual, basta o dolo.

Tráfico internacional e interestadual  p/ consumação deve haver a prática

do delito em cada estado que a droga passar (ex.: venda), se for mera passagem por

vários estados, não configura o tráfico doméstico, apenas o internacional.


Disque droga  aquisição e droga por telefone configura tráfico na forma

consumada, mesmo que o adquirente não a receba.

Laudo definitivo é necessário para condenação?  STJ (3ª seção)  Não.

Desde que o laudo preliminar seja feito por perito oficial, exame da droga não seja

complexo (droga nova).

Laudo definitivo é necessário para condenação?  STJ (3ª seção) → Sim.

O laudo preliminar feito por pessoa idônea, exame da droga seja complexo (droga

nova por ex.).

Prova testemunhal e confissão serve para condenar por tráfico? Sim, desde

que seja alinhado ao laudo preliminar feito por perito oficial, se houver apenas

confissão e testemunha não serve p/ condenar. Prova testemunhal e confissão são

provas de autoria. Laudo serve para comprovar a materialidade.

SÚMULA 593 STJ X ESTUPRO DE VULNERÁVEL


Art. 217-A,CP

Súmula 593-STJ: O crime de estupro de vulnerável configura-se com a

conjunção carnal ou prática de ato libidinoso com menor de 14 anos, sendo

irrelevante o eventual consentimento da vítima para a prática do ato, experiência

sexual anterior ou existência de relacionamento amoroso com o agente.

STJ. 3ª Seção. Aprovada em 25/10/2017, DJe 06/11/2017.

Estupro de vulnerável
Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso
com menor de 14 (catorze) anos:
Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos.
§ 1o Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas
no caput com alguém que, por enfermidade ou deficiência
mental, não tem o necessário discernimento para a prática do
ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer
resistência.
Para ser estupro de vulnerável a deficiência descrita no Art. 217-a, § 1º deve

ser capaz de afetar a consciência/consentimento da vítima. Segundo o STJ, a

deficiência deve ser PERMANENTE.

Quanto ao tipo de Ação Penal

Ação penal
Art. 225. Nos crimes definidos nos Capítulos I e II deste Título,
procede-se mediante ação penal pública condicionada à
representação.
Parágrafo único. Procede-se, entretanto, mediante ação penal
pública incondicionada se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos
ou pessoa vulnerável.

No crime de estupro (Art. 213, CP) procede-se mediante ação penal

condicionada à representação do ofendido. Entretanto, tratando-se de vítima menor

de 18 anos ou vulnerável, procede-se mediante AÇÃO PENAL PÚBLICA

INCONDICIONADA.

Conforme entendimento do STJ, a vulnerabilidade fugaz procede-se mediante

AÇÃO PENAL CONDICIONADA À REPRESENTAÇÃO DO OFENDIDO.

Exemplo de vulnerabilidade fugaz: Embriaguez

ESTUPRO (ART. 213, CP) ESTUPRO DE VULNERÁVEL VULNERABILIDADE


(ART. 217-A) FUGAZ
Vítima menor de 18: (14-17) Vítima menor de 14: APP Vítima capaz: Maior de 18
Art. 225, CP: APP INCONDICIONADA FUGAZ: APP
INCONDICIONADA CONDICIONADA À
REPRESENTAÇÃO DO
OFENDIDO
Vítima capaz: (18) APP § 1º DEFICIÊNCIA MENTAL -
CONDICIONADA À SEM POSSIBILIDADE DE
REPRESENTAÇÃO CONSENTIMENTO
PERMANENTE
APP INCONDICIONADA

TEORIA OU EXCEÇÃO DO ROMEU E JULIETA – TEORIA DO DIREITO


COMPARADO
Para a referida teoria quando houver diferença entre 5 (cinco) anos entre a

vítima e o agente (v: 13, a: 18) havendo consentimento da vítima, deve-se relativizar a

vulnerabilidade. Havendo portanto, reforma na decisão.

A teoria do romeu e julieta NÃO É ADOTADA PELO BRASIL, haja vista o

STJ considerar a vulnerabilidade do menor de 14 anos ABSOLUTA.

ERRO DE TIPO

Tício e Mévia se conheceram em uma boate. Tício e Mévia, mediante o

consentimento desta, praticaram conjunção carnal. O pai de Mévia sabendo disso,

resolve registrar ocorrência contra Tício, visto que Mévia é menor de 14 anos, tendo

praticado portanto, estupro de vulnerável.

Quando o erro de tipo for invencível, ou seja, o agente não tinha condições de

perceber a vulnerabilidade da vítima, por ter esta aparência de mulher, o fato será

ATÍPICO. O erro de tipo invencível exclui dolo e culpa.

Tratando-se de erro de tipo vencível, quando por negligência do agente,

descuido, este não percebeu a vulnerabilidade, exclui o dolo, respondendo por culpa.

Ocorre que, o estupro não tem natureza culposa, portanto, apesar de estarmos diante

de erro de tipo vencível, o agente não responde.

Erro de tipo vencível exclui o dolo, responde o agente por culpa. Tratando de

estupro que não há natureza culposa no crime, o agente não responde.

LEI 13.497/2017 - ALTERAÇÃO NA LEI 8.072/1990 CRIMES


HEDIONDOS

A Lei 13.497/2017 alterou a Lei 8.072/1990 para incluir o crime de posse ou

porte ilegal de arma de fogo de uso restrito no rol dos crimes hediondos.

O crime de posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito está previsto

no art. 16 do Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/2003).

Art. 1o O parágrafo único do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de


julho de 1990, passa a vigorar com a seguinte redação:
(...)
Parágrafo único. Consideram-se também hediondos o crime de
genocídio previsto nos arts. 1o, 2o e 3o da Lei no 2.889, de 1o de
outubro de 1956, e o de posse ou porte ilegal de arma de fogo
de uso restrito, previsto no art. 16 da Lei no 10.826, de 22 de
dezembro de 2003, todos tentados ou consumados.

A justificativa do projeto era coibir crimes que são praticados com emprego de

arma de fogo.

Para justificar a hediondez de um crime simples de posse/porte de arma de

fogo, utilizou-se a justificava de que as armas são empregadas para prática de ações

criminosas (Espírito da lei).

O projeto de lei foi proposto com a intenção de dar uma nova roupagem aos

crimes hediondos, não só para a posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso

restrito, como também o comércio ilegal de arma de fogo e o tráfico internacional de

arma de fogo.

O senador que propôs a alteração na lei, tinha a intenção de dar uma resposta

penal mais gravosa a qualquer posse ou porte ilegal de arma de fogo, tanto permitido

como restrito. Mas para receber a crítica de que estaria homenageado o Direito Penal

do Pânico, mencionou-se no projeto, apenas a posse/porte de uso restrito.

O direito penal do pânico é quando se utiliza-se a lei de crimes hediondos

para dar roupagem mais gravosa aos crimes. Também chamado de direito penal

midiático.

Há uma banalização da Lei 8.072/1990 (crimes hediondos). Não pode o estado

viver na Síndrome de Alice, achando que resolve tudo com a aplicação do direito

penal. Quando na verdade, há uma necessidade de investimento em educação,

segurança, segurança nas fronteiras, dentre outros.

Teoria agnóstica da pena (Teoria de Zaffaroni): Prega a extinção da pena

privativa de liberdade. E o parâmetro negativo da sancionabilidade, estruturando-a

sob a negação das teorias da pena e fundando-a em critérios de limitação da sanção.

Verifica-se portanto, a fragilidade do Estado em achar que o Direito Penal é a

solução dos problemas.


Esse projeto trazia em seu bojo a posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso

restrito, o comércio ilegal de arma de fogo e o tráfico internacional de arma de fogo,

porém durante o processo legislativo ocorreu a exclusão tanto do comércio ilegal de

arma de fogo e o tráfico internacional.

Sabe o que deu urgência a aprovação do projeto? O descontrole total do poder

estatal no Estado do Rio de Janeiro, nas facções que utilizam armamento pesado.

Antes o ZOUK falava que os todos os crimes do Estatuto do Desarmamento

era afiançável. Por que?

Arma de fogo de uso permitido - fiança na delegacia de polícia (Pena não

superior a 4 anos)

Arma de fogo de uso restrito – fiança na esfera judicial

Hoje, com o advento da Lei 13.497/2017 que incluiu o art. 16 da Lei 10.826/2003

(Estatuto do Desarmamento) no rol da Lei 8.072/1990 (Crimes Hediondos) já não tem

a possibilidade de fiança, sendo, portanto, a posse ou porte de arma de fogo de uso

restrito INAFIANÇÁVEL- tratamento mais gravoso.

Quando trata-se de crime hediondo, temos três critérios.

Critério Legal - Somente a lei pode especificar quando o crime é hediondo.

Critério Judicial - Possibilidade do intérprete da lei, juiz, analisar conforme as

circunstâncias do fato, a hediondez, a repugnância do crime.

Critério Misto - Junção dos dois critérios anteriores.

O Brasil adotou o CRITÉRIO LEGAL - seguindo o princípio da reserva legal.

Hediondo vai ser somente a descrição típica prevista no caput do art. 16, da

Lei 10.826/2003, ou, também, considerar-se-á hediondo as figuras equiparadas que

estão no bojo do parágrafo único do art. 16 do Estatuto do Desarmamento?

Primeira corrente dispõe: Considera-se hediondo todo o disposto no art. 16,

qual seja: caput e figuras equiparadas. O legislador mencionou na alteração da Lei

8.072/1990 o art. 16 sem qualquer restrição ao “caput”. Se houvesse a intenção de

considerar hediondo somente o caput, assim teria o feito.

Segunda corrente: É importante conhecer a técnica legislativa utilizada na

criação da Lei. 8.072/1990. Qual foi a técnica?


Quando da análise da Lei 8.072/1990 verifica-se que a lei de crime hediondos

quer fazer referência apenas ao “caput” a lei não o menciona, portanto, tem-se a

forma simples. Quando o legislador quer fazer referência aos parágrafos, aquele faz

referência ao caput e a cada parágrafo a ser considerado.

Ex:

I – homicídio (art. 121), quando praticado em atividade típica de grupo de

extermínio, ainda que cometido por um só agente.

* Aqui o legislador fez referência ao art. 121, qual seja, a forma simples do

crime, somente o caput deve ser considerado.

Quando o legislador nos demais incisos fez menção ao caput e aos demais

parágrafos, este especificou.

Ex: IV - extorsão mediante sequestro e na forma qualificada (art. 159, caput, e

§§ lo, 2o e 3o).

Com o estudo da técnica, verifica-se que o legislador não mencionou o “caput”

na alteração legislativa, pelo fato de só se considerar o caput do crime, a forma

simples do art. 16 da Lei 10.826/2003.

Conforme o entendimento do Professor ZOUK será hediondo somente o art.

16, da Lei 10.826/2003, não sendo considerado as formas equiparadas.

O Professor Rogério Sanches possui o entendimento diferente do Zouk, para

aquele será considerado hediondo todo o art. 16, caput e parágrafo único.

 O porte de apenas uma munição de uso restrito, desacompanhada da arma

de fogo, foi aplicado o princípio da insignificância pelo STF.

 E o porte de apenas uma munição de uso restrito, desacompanhada da

arma de fogo? Ainda não houve análise!!!!

POSSE OU POSSE DE MUNIÇÃO X STF E O PRINCÍPIO DA


INSIGNIFICÂNCIA
 O porte de apenas uma munição de uso restrito, desacompanhada da arma

de fogo, foi aplicado o princípio da insignificância pelo STF.

O delito previsto no art. 16, da Lei 10.826/2003, faz menção a arma de fogo,

munição e acessórios.

Com a alteração da Lei. 8.072/1990, a qual incluiu o parágrafo único o art. 16

da Lei 10.826/2003, a posse ou porte de arma de fogo, acessório ou munição de uso

restrito é HEDIONDO.

Segundo o Professor Zouk, o STF deve se posicionar de maneira diferente a

partir da alteração legislativa. (Tendência de mudança)

A 2ª Turma do STF (HC 133984) com unanimidade absolveu cidadão

condenado por portar munição proibida como pingente de colar que, segundo a

relatora Ministra Carmem Lúcia a atitude do réu não gera perigo abstrato, nem

concreto. Esse HC foi julgado antes da alteração da Lei 13.497/2017.

Agora com a mudança legislativa, como aplica-se o princípio da

insignificância a um crime que é hediondo????

Segundo Zouk, há probabilidade do STF afastar a hediondez quando se tratar

de munição em pouca quantidade para que seja aplicado o princípio da

insignificância. Haja vista, ser incoerente a aplicação do princípio da insignificância

para crimes hediondos.

Um dos requisitos do princípio da insignificância (MARI 1) é que a conduta

tenha reduzido grau de reprovabilidade. Ora, se a roupagem do crime hediondo é

exatamente o seu alto grau de reprovação, seria incoerente a aplicação da bagatela.

O STF deve se posicionar a não aplicabilidade do princípio da insignificância

ou quanto o afastamento da hediondez quanto trata-se de munição de uso restrito

em pouca quantidade.

O Professor Zouk aposta que o STF afastará a hediondez da munição de uso

restrito, quando em pequena quantidade e aplicará o princípio da insignificância.

1
Mínima ofensividade da conduta, Ausência de periculosidade, Reduzido grau de
reprovabilidade social e Inexpressividade da lesão jurídica provocada.
Em abril, outro caso foi levado à apreciação da 2ª Turma do STF abordava o

porte de munição de uso restrito e não pingente como anteriormente.

O juiz de primeiro grau condenou, assim como o tribunal do Paraná manteve

a decisão. O caso foi levado ao STJ que não aplicou o princípio da insignificância.

O caso fora levado até o STF em que este aplicou o princípio da insignificância

(HC 132876) o relator Ricardo Lewandowski assim de posicionou: “Trata-se,

portanto, de conduta formalmente típica, a qual, todavia, a meu ver, não se mostra

típica em sua dimensão material. Isso porque não é possível vislumbrar, nas

circunstâncias, situação que exponha o corpo social a perigo, uma vez que a única

munição apreendida, na espécie em exame – é preciso novamente frisar -, guardada

na residência da paciente e desacompanhada de arma de fogo, por si só, é incapaz de

provocar qualquer lesão ao bem jurídico tutelado (a incolumidade pública)”.

O ministro deu essa decisão com o aval do Ministério Público, vejamos: “Não

se desconhece a classificação do crime de posse ilegal de munição de uso restrito,

previsto no art. 16, caput, da Lei n. 10.826/03, como de perigo abstrato e nem a

jurisprudência no sentido de inaplicabilidade, nesses casos, do princípio da

insignificância. Entretanto, na espécie, estão presentes os requisitos essenciais a

excepcionar a regra geral. A paciente foi denunciada porque possuía, no interior de

sua residência, uma munição, calibre 9mm, de uso restrito. Tal conduta não

representa qualquer lesão efetiva, ou mesmo, perigo abstrato, aos bens juridicamente

tutelados pela norma, a saber, segurança pública e paz social. A ação não atingiu a

intensidade mínima reclamada pelo princípio da ofensividade”.

Um terceiro julgado HC 143449 do STF acerca da aplicabilidade do princípio

da insignificância no porte de munição de uso permitido desacompanhada da arma

de fogo. Unânime a possibilidade de aplicação do princípio da insignificância,

ensejando o trancamento da ação penal.

CORRUPÇÃO DE MENORES X STJ


ART. 244-B ECA

Sujeito ativo: Qualquer pessoa

Sujeito passivo: criança ou adolescente

Bem jurídico tutelado: Formação moral da criança ou adolescente

Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18


(dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-
o a praticá-la:
Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
§ 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem
pratica as condutas ali tipificadas utilizando-se de quaisquer
meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet.
§ 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas
de um terço no caso de a infração cometida ou induzida estar
incluída no rol do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990.
(Rol de crimes hediondos)

Corromper para prática de crime ou contravenção.

Como o § 2º, do art. 244-B, só fez menção no aumento de pena quanto ao art.

1º, da Lei dos Crimes Hediondos, há quem defenda que os crimes equiparados não

entram como aumento de pena na corrupção de menores.

Há discussão para qualificação do crime. O STJ tinha o entendimento de que

se tratava de crime material, teria que ter a prova de que o menor não era

corrompido.

Ainda no ano de 2009 o STJ mudou o entendimento e passou a considerar o

crime como formal, independente se o menor já praticava atos infracionais.

O agente responde em concurso de crimes: delito + corrupção de menores.

(REGRA)

SÚMULA 500 STJ: A configuração do crime do art. 244-B, do ECA, independe

da prova da efetiva corrupção do menor, por se tratar de delito formal.

Como pode haver concurso de pessoas entre um maior e um menor, sendo

que um dos requisitos para a configuração de concurso é que os agentes sejam

culpáveis?
Pseudo concurso de pessoas. Porque é um falso concurso de pessoas. O menor

tem autoria mediata.

Sendo o delito majorado ou qualificado, considera-se o menor para a

incidência da majorante/qualificadora. (Ex: Roubo majorado por concurso de

pessoas).

*Julgado STJ: Quando o maior pratica junto com o menor os delitos previstos no art.

33 a 37 da Lei 11.343/2006 - Lei de Drogas, o agente tem o aumento de pena previsto

no art. 40, VI da referida lei.

No caso em comento, não responde o agente por corrupção de menores, mas

com o aumento de pena previsto na própria lei. Não há incidência do delito previsto

no art. 244B do ECA, por tratar-se de bis in idem. (Princípio da Especialidade)

A quantidade de menores que estão sendo corrompidos pelo agente maior

qualifica a pluralidade de crimes? SIM

O STJ entende que segundo a doutrina o bem jurídico tutelado é a formação

moral da criança e do adolescente, no que se refere a necessidade de não ingressarem

ou permanecerem no mundo da criminalidade.

Caso duas crianças ou adolescentes tiverem seu desenvolvimento moral

violado em razão de praticar crimes, dois são os bem jurídicos violados, desta forma,

dois são os sujeitos passivos de crime de corrupção de menores.

Responde: Delito qualificado em concurso + corrupções

ROUBO X EXTORSÃO X DOUTRINA

A diferença entre roubo e extorsão há discussão doutrinária.

O delito de roubo previsto no art. 157, CP:

Roubo
Art. 157 - Subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem,
mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de
havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de
resistência:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Na mesma pena incorre quem, logo depois de subtraída a
coisa, emprega violência contra pessoa ou grave ameaça, a fim
de assegurar a impunidade do crime ou a detenção da coisa
para si ou para terceiro.
§ 2º - A pena aumenta-se de um terço até metade:
I - se a violência ou ameaça é exercida com emprego de arma;
II - se há o concurso de duas ou mais pessoas;
III - se a vítima está em serviço de transporte de valores e o
agente conhece tal circunstância.
IV - se a subtração for de veículo automotor que venha a ser
transportado para outro Estado ou para o exterior; (Incluído
pela Lei nº 9.426, de 1996)
V - se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua
liberdade. (Incluído pela Lei nº 9.426, de 1996)
§ 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de
reclusão, de sete a quinze anos, além da multa; se resulta morte,
a reclusão é de vinte a trinta anos, sem prejuízo da multa.
(Redação dada pela Lei nº 9.426, de 1996) Vide Lei nº 8.072, de
25.7.90

A violência e grave ameaça são elementares no crime de roubo.

Por sua vez, o delito de extorsão previsto no art. 158, CP:

Extorsão
Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave
ameaça, e com o intuito de obter para si ou para outrem
indevida vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou
deixar de fazer alguma coisa:
Pena - reclusão, de quatro a dez anos, e multa.
§ 1º - Se o crime é cometido por duas ou mais pessoas, ou com
emprego de arma, aumenta-se a pena de um terço até metade.
§ 2º - Aplica-se à extorsão praticada mediante violência o
disposto no § 3º do artigo anterior. Vide Lei nº 8.072, de 25.7.90
§ 3o Se o crime é cometido mediante a restrição da liberdade da
vítima, e essa condição é necessária para a obtenção da
vantagem econômica, a pena é de reclusão, de 6 (seis) a 12
(doze) anos, além da multa; se resulta lesão corporal grave ou
morte, aplicam-se as penas previstas no art. 159, §§ 2 o e 3o,
respectivamente. (Incluído pela Lei nº 11.923, de 2009)

Veja que as elementares de violência e grave estão no bojo do art. 157 e no art.

158.
O verbo no delito de roubo é SUBTRAIR, já no delito de extorsão é

CONSTRANGER.

Objeto no roubo: Coisa alheia móvel.

Objeto na extorsão: Vantagem indevida, não necessariamente, bem móvel.

Tício entrou no ônibus e apontou arma para vítima e esta entregou o bem. É

roubo ou extorsão?

2 Correntes doutrinárias

A primeira corrente capitaneada por Nelson Hungria diz o seguinte: No delito

de roubo o verbo é subtrair, havendo somente o roubo, quando o agente pratica a

ação de subtrair. Se a vítima entrega o bem não há de se falar em roubo e sim

extorsão. Para esta corrente só haveria roubo na situação descrita caso o agente

apontasse a arma e pegasse/retirasse o bem da posse da vítima. Teria que ter a

contrectatio - contato com a coisa. Teoria da MOTIO. (Corrente Minoritária).

A segunda corrente dispõe que a diferença básica entre roubo e extorsão é a

colaboração da vítima. Na extorsão o agente deve constranger a vítima a obter

vantagem econômica, a fazer, tolerar que se faça ou deixar de fazer alguma coisa.

Há necessidade de uma ação/colaboração da vítima para o delito da extorsão.

Na segunda corrente Tício entrou no ônibus e apontou arma para vítima e esta

entregou o bem. Ele poderia pegar o celular da mão dela? Ou dentro do contexto

somente ela poderia entregar? Há necessidade de colaboração da vítima?

Ou seja, no caso exposto, não há necessidade de colaboração da vítima,

haveria crime de roubo, pois não há necessidade da colaboração da vítima para a

prática de delito.

Segundo o Zouk a segunda corrente é majoritária. Portanto, ao apontar arma

de fogo dentro do ônibus e a vítima entregar, temos crime de roubo.

Pela segunda corrente: vítima entregou a coisa e o agente poderia pegar a

coisa – roubo

Agente subtraiu a coisa – roubo.

No caso de extorsão com restrição da liberdade da vítima (sequestro

relâmpago) em que o agente leva a vítima até o caixa eletrônico para que a vítima
forneça a senha e o agente obtenha a vantagem econômica. Nesse caso, houve a

necessária colaboração da vítima para o delito.

Falso sequestro realizado por telefone, há necessidade que a vítima realize o

depósito em valor para que o agente obtenha vantagem econômica.

O professor Zouk afirma que já viu provas de concurso com a adoção da

corrente minoritária. Cabendo recurso.

No crime de extorsão não há necessidade de bem móvel. Uma casa pode ser

objeto de extorsão. Exemplo: Agente constrange a vítima a assinar escritura em seu

nome.

MP + PM – INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA (STJ)

Art. 144, da Constituição Federal:

Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e


responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio,
através dos seguintes órgãos:
I - polícia federal;
II - polícia rodoviária federal;
III - polícia ferroviária federal;
IV - polícias civis;
V - polícias militares e corpos de bombeiros militares.
§ 1º A polícia federal, instituída por lei como órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estruturado em carreira,
destina-se a:"(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19,
de 1998)
I - apurar infrações penais contra a ordem política e social ou
em detrimento de bens, serviços e interesses da União ou de
suas entidades autárquicas e empresas públicas, assim como
outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo se dispuser
em lei;
II - prevenir e reprimir o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas
afins, o contrabando e o descaminho, sem prejuízo da ação
fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de
competência;
III - exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de
1998)
IV - exercer, com exclusividade, as funções de polícia judiciária
da União.
§ 2º A polícia rodoviária federal, órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na
forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das rodovias federais.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 3º A polícia ferroviária federal, órgão permanente, organizado
e mantido pela União e estruturado em carreira, destina-se, na
forma da lei, ao patrulhamento ostensivo das ferrovias federais.
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de
carreira, incumbem, ressalvada a competência da União, as
funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais,
exceto as militares.
§ 5º Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a
preservação da ordem pública; aos corpos de bombeiros
militares, além das atribuições definidas em lei, incumbe a
execução de atividades de defesa civil.
§ 6º As polícias militares e corpos de bombeiros militares, forças
auxiliares e reserva do Exército, subordinam-se, juntamente
com as polícias civis, aos Governadores dos Estados, do Distrito
Federal e dos Territórios.
§ 7º A lei disciplinará a organização e o funcionamento dos
órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a
garantir a eficiência de suas atividades.
§ 8º Os Municípios poderão constituir guardas municipais
destinadas à proteção de seus bens, serviços e instalações,
conforme dispuser a lei.
§ 9º A remuneração dos servidores policiais integrantes dos
órgãos relacionados neste artigo será fixada na forma do § 4º do
art. 39. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
§ 10. A segurança viária, exercida para a preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do seu patrimônio nas
vias públicas: (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de
2014)
I - compreende a educação, engenharia e fiscalização de
trânsito, além de outras atividades previstas em lei, que
assegurem ao cidadão o direito à mobilidade urbana eficiente; e
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)
II - compete, no âmbito dos Estados, do Distrito Federal e dos
Municípios, aos respectivos órgãos ou entidades executivos e
seus agentes de trânsito, estruturados em Carreira, na forma da
lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 82, de 2014)

No § 4º cabe à polícia judiciária a apuração das infrações penais comuns,

exceto militares. Já à polícia militar, cabe a polícia ostensiva e a preservação do bem

comum.

Existia uma grande discussão se o MP teria poderes investigatórios. O STF

pacificou o entendimento quanto ao julgamento do RE 593727, entendendo que o MP

TEM SIM PODERES INVESTIGATÓRIOS.

O STF baseou o entendimento com base na teoria portuguesa dos poderes

implícitos. (quem pode mais – denunciar - pode investigar).

O MP representou por uma intercepção telefônica que foi acompanhada por

policiais militares. O MP utilizou a PM e não a PC para acompanhar e realizar a

interceptação telefônica.

Quando da análise do art. 3º, da Lei 9296/96, esta dá legitimidade para a

representação da interceptação telefônica ao delegado e ao ministério público.

Art. 3° A interceptação das comunicações telefônicas poderá ser


determinada pelo juiz, de ofício ou a requerimento:
I - da autoridade policial, na investigação criminal;
II - do representante do Ministério Público, na investigação
criminal e na instrução processual penal.

A lei mantém compatibilidade com o entendimento atual do STF.

Hodiernamente, há discussão se o delegado de polícia tem capacidade

postulatória. A corrente que assevera que não tem o delegado capacidade

postulatória se apega à CF no art. 129 no qual dispõe que o MP é titular da ação

penal.

O Professor Zouk discorda do entendimento. Para este, pode o delegado ter

capacidade postulatória.

O art. 6º, da Lei de Interceptação Telefônica, dispõe:

Art. 6° Deferido o pedido, a autoridade policial conduzirá os


procedimentos de interceptação, dando ciência ao Ministério
Público, que poderá acompanhar a sua realização.
Segundo inteligência da lei, é o delegado de polícia que conduz os

procedimentos de investigação.

No caso em análise, o ministério público representou e os policiais militares

conduziram a interceptação. Referido caso chega ao STJ para análise, pedindo a

defesa, nulidade do processo, haja vista que era dever da Polícia Civil acompanhar a

interceptação por se tratar de crime comum.

HC 46836 STJ entendeu que não pode interpretar o art. 6º da Lei 9.296/96 de

forma restrita. Para o STJ não somente a polícia judiciária pode desenvolver

interceptação telefônica na apuração de infrações penais comuns.

O STJ afirma que o MP pode representar pela interceptação telefônica e

utilizar como apoio a PM.

Por obvio, caso os policiais militares derem outra destinação ao conteúdo da

interceptação, cometeram crime previsto no art. 10, da Lei 9.296/96 - Barriga de

Aluguel.

Art. 10. Constitui crime realizar interceptação de comunicações


telefônicas, de informática ou telemática, ou quebrar segredo da
Justiça, sem autorização judicial ou com objetivos não
autorizados em lei.

Os crimes que são possível interceptação telefônica são conhecidos como

crime de catálogo/listel.

Interceptação telefônica pré-delitual/prospectiva/ por prospecção- é aquela

intercepção para apurar fato futuro baseado no juízo de periculosidade. Homenageia

o direito penal do inimigo.

O STJ citou diversos julgados para basear seu entendimento.

Segundo o entendimento do Mestre Zouk a decisão do STF vai de encontro ao

dispositivo constitucional do art. 144, em que a polícia militar passa a investigar

crimes comuns, bem como vai de encontro a literalidade do art. 6º da Lei 9.296/96.

A decisão do STJ entendeu pela licitude da prova em que policiais militares

representaram pela busca e apreensão no tráfico de drogas (crime comum). (HC

409283): A por disso, não se pode olvidar que a prisão do acusado deu-se após o
cumprimento de um mandado de busca domiciliar, solicitado previamente pelos

policiais em razão de denúncias anônimas e de investigações anteriores realizadas

pelo serviço de inteligência da Polícia Militar, inclusive com filmagens da intensa

movimentação de pessoas, que davam conta de que o acusado estaria vendendo

drogas no local. Logo, não se pode falar que a droga teria sido encontrada pelos

policiais por acaso.

A entrada na residência há necessidade de autorização judicial. Art. 5º XI, CF

- a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem

consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para

prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; Princípio da

Inviolabilidade de Domicílio.

Hodiernamente, qualquer diligência investigatória o MP tem legitimidade

para representar.

STJ: Há uma verdadeira confusão quanto ao entendimento do STJ em

aceita/entende que a Polícia Militar tem legitimidade para representar pela busca e

apreensão em ações penais comuns, vilipendiando o art. 144, § 4º da CF.

CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA


In(aplicabilidade) do princípio da insignificância aos crimes contra a
Administração Pública (Súmula 599-STJ) 20/11/2017

* Comentários Márcio André Lopes Cavalcante - Dizer o Direito

Princípio da insignificância

Quem primeiro tratou sobre o princípio da insignificância no direito penal foi

Claus Roxin, em 1964. Também é chamado de “princípio da bagatela” ou “infração

bagatelar própria”.

O princípio da insignificância não tem previsão legal no direito brasileiro.

Trata-se de uma criação da doutrina e da jurisprudência.


Para a posição majoritária, o princípio da insignificância é uma causa

supralegal de exclusão da tipicidade material. Se o fato for penalmente insignificante,

significa que não lesou nem causou perigo de lesão ao bem jurídico. Logo, aplica-se o

princípio da insignificância e o réu é absolvido por atipicidade material, com

fundamento no art. 386, III do CPP.

O princípio da insignificância atua, então, como um instrumento de

interpretação restritiva do tipo penal.

O princípio da insignificância pode ser aplicado aos crimes contra a

Administração Pública?

Para o STJ, não. Não se aplica o princípio da insignificância aos crimes contra a

Administração Pública, ainda que o valor da lesão possa ser considera do ínfimo.

Segundo o STJ, os crimes contra a Administração Pública têm como objetivo

resguardar não apenas o aspecto patrimonial, mas, principalmente, a moral

administrativa. Logo, mesmo que o valor do prejuízo seja insignificante, deverá

haver a sanção penal considerando que houve uma afronta à moralidade

administrativa, que é insuscetível de valoração econômica.

Exceção

Existe uma exceção. A jurisprudência é pacífica em admitir a aplicação do

princípio da insignificância ao crime de descaminho (art. 334 do CP), que,

topograficamente, está inserido no Título XI do Código Penal, que trata sobre os

crimes contra a Administração Pública.

De acordo com o STJ, “a insignificância nos crimes de descaminho tem

colorido próprio, diante das disposições trazidas na Lei n. 10.522/2002”, o que não

ocorre com outros delitos, como o peculato etc. (AgRg no REsp 1346879/SC, Rel.

Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 26/11/2013).

O STF concorda com a Súmula 599 do STJ? NÃO. No STF, há julgados

admitindo a aplicação do princípio mesmo em outras hipóteses além do descaminho,

como foi o caso do HC 107370, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 26/04/2011 e do

HC 112388, Rel. p/ Acórdão Min. Cezar Peluso, julgado em 21/08/2012.


Segundo o entendimento que prevalece no STF, a prática de crime contra a

Administração Pública, por si só, não inviabiliza a aplicação do princípio da

insignificância, devendo haver uma análise do caso concreto para se examinar se

incide ou não o referido postulado.

Última aula – 20/11/2017


ZOUKDERNO
Ailton Zouk DelPol DF

2017
Parte VII- (Junho/Dez)
(@wanine_marcelle)
ARMA ABSOLUTAMENTE INAPTA (07/06/2017)

Saiu uma decisão do STJ (18/05). Agravo em recurso especial 765.902) que versava sobre o
porte ilegal de arma de fogo de uso permitido que estava desmuniciada. A decisão dizia que o crime
previsto no art. 14 é de perigo abstrato, sendo irrelevante a arma está desminuiciada ou até mesmo,
desmontada ou estragada.
Isso levou a alguns professores a interpretar que o STJ entendia que a arma absolutamente
para realizar disparo iria configurar infração penal.
A ementa traz o teor: desmontada ou estragada! O Zouk discorda do posicionamento desses
professores com os seguintes fundamentos:
- Essa ementa versa sobre arma desmuniciada e fez alusão a outro julgado do STJ o qual não
versava sobre arma absolutamente inapta para realizar disparos e, sim sobre arma desmuniciada e
em momento algum analisou arma absolutamente inapta para realizar disparos.
Zouk entende que, ao falar em arma estragada, se refere a arma relativamente inapta. O STJ,
no agravo de recurso espcial 397.473 já trouxe que não há necessidade da arma ser aprendida para
um agente responder por porte ilegal de arma de fogo, mas uma vez apreendida, tem que ter a
perícia.
O pensamento do STJ quanto à arma absolutamente inapta continua sendo o mesmo, não á
que se falar na materialização do delito do art. 14 e 16. Zouk não verifica mudança de entendimento.
Quando STJ fala estragada, se refere àa arma relativamente inapta.
EX: Tício e Mévio presenciaram o Paulo portando arma de fogo. Acionaram a polícia. A polícia
chegou e Paulo correu e jogou a arma dentro do lago. Paulo responde por porte ilegal, sem
necessidade de apreensão por ser crime de perigo abstrato. Se a arma é apreendida e a perícia
constata ser absolutamente inapta a realizar disparo, não terá crime. Seria crime impossível.
Equipara-se a arma de brinquedo.
Entender que arma absolutamente inapta o agente responderia, se utilizada durante o roubo
teríamos o roubo majorado.

Arma desmuniciada, tanto para STJ quanto para STF, continua sendo infração penal. É crime
de perigo abstrato. Objeto tutelado é a segurança pública e a paz social.
Porte de munição? Consitui infração penal.
S eu tiver uma arma absolutamente inapta para realizar disparo, mas ela está municiada? O
agente vai responder pela munição e não pela arma.

- Homicídio X Porte de arma de fogo: EX: Paulo saca uma arma de fogo e atira em Mévio,
provocando a morte da vítima, tem o homicídio. Mas, se falar que Tício, em janeiro, adquiriu uma
arma de fogo e que em novembro realizou disparos e matou Mévio, ele vai responder por homicídio
e pelo porte (contextos fáticos distintos).

- Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado se equipara ao magistrado, pode manter sob


sua guarda arma ou munição de uso restrito, não comete crime do art. 16.
Atirador desportivo pode transportar arma municiada, desde que tenha a guia de tráfico.
- Policial Civil aposentado não pode portar arma de fogo, pois, não está mais no exercício da
função.
- Agente penitenciário pode ortar arma de fogo: alteração art. 6.

- Arma de fogo na boleia do caminhão:


EX: Tício é abordado na rua e estava com uma arma de fogo na boleia do caminhão. Ao ser
levado para delegacia, o delegado coloca art. 14 (uso permitido). Caminhão não seria extensão da
casa dele, tendo então que responder por posse? STJ entende que caminhão não é local de trabalho
e sim, instrumento de trabalho.

- Princípio da insignificância: não é possível nem ao portar somente uma munição.

- Porte X legítima defesa:


EX: Mévio estava na rua e, Tício, armado, seu desafeto se aproximava dele. Mévio pega a
arma do policial que está ao seu lado e atira em Tício. Quando Mévio pegou a arma do policial ele
não tinha autorização para portar essa arma. Existe legítima defesa em relação à Mévio e estado de
necessidade em face ao policial. É possível legítima defesa e estado de necessidade simultâneos, mas
não recíprocos.

- Porte de arma de fogo de diversos calibres; a doutrina entende que é crime único. STJ
entende que é concurso formal de crimes. Se fossem armas de mesmo calibre seria crime único e a
quantidade seria utilizada na dosimetria.

- Porte de arma X receptação: doutrina adota o princípio da especialidade, respondendo


somente pelo porte no verbo adquirir. STJ¸ entende que responde pelos dois crimes.

- Arma de fogo- posse: intra muros.


Porte: extra muros.
Arma de fogo na boleia responde pelo porte, mas se o caminhão está na garagem da casa,
responde pela posse irregular de arma de fogo.
Arma de fogo enterrada no quintal da residência: STJ entende que é porte de arma de fogo
porque o art. 12 não tem o verbo ocultar e tem no art. 14 (porte).

EX: Policiais estavam na rua e Tício fala que na casa de Mévio está cheio de armas. Os policiais
entram na casa. O flagrante é válido? Simples informação não é fundada razão, logo, não e válido.
Sùmula 711, STF: A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime
permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.
Com esse entendimento, o flagrante é relaxado, o que não quer dizer que o inquérito nõa
continua com seu desenvolvimento. A ilegalidade é somente da prisão.
Um flagrante levado ao juiz que entende não ter sido o flagrante legal. EX: Tício matou Mévio
e três dias depois foi rpeso em flagrante. Delegado lavra o flagrante. O juiz entende em relaxar o
flagrante por ser ilegal, mas não necessariamente o colocaria em liberdade, se observar que cabe a
preventiva.
A prisão preventiva é possível sem ação penal? Sim, nessa naálise do flagrante acima
(decretada de ofício pelo juiz).

A MENTIRA NA ÓRBITA PROCESSAL PENAL (08/06/2017)

O direito ao silêncio decorre do princípio do nemo tenetur se detegere, que é o princípio da


não auto incriminação (também conhecido como direito/ aviso de Miranda).
Art. 186, CP: Depois de devidamente qualificado e cientificado do inteiro teor da acusação, o
acusado será informado pelo juiz, antes de iniciar o interrogatório, do seu direito de permanecer
calado e de não responder perguntas que lhe forem formuladas.
Parágrafo único. O silêncio, que não importará em confissão, não poderá ser interpretado em
prejuízo da defesa.
Esse artigo materializa o direito constitucional de permanecer calado, não produzindo provas
para si próprio.
Analisando o art. 5 VXIII da CF e o art. 183 do CPP tem uma visualização inicial que o direito ao
silêncio abarca somente o acusado e o preso. Mas esse direito abarca também o investigado, o
acusado, a testemunha e a vítima.
A simples ausência da advertência de seguir o art. 186 vai ensejar nulidade absoluta no
processo? STF e STJ entendem que a nulidade é relativa, devendo provar o prejuízo.

- Aviso de Miranda X a mentira: quando eu estou falseando a verdade durante o


interrogatório, se mantém silente acerca da verdade (externa um fato que não é verdadeiro e
mantém o silêncio quanto a verdade).
Nucci menciona que o comportamento de dizer a verdade não pode ser exigido do acusado,
sendo inconstitucional qualquer sanção ou restrição eventualmente aplicada aquele para se
defender, lança mão da mentira, desde que a mentira não venha imputar fato criminoso a outra
pessoa. É a chamada mentira defensiva.
Mentira agressiva: mente atribuindo o fato delituoso a outra pessoa.
Os tribunais dizem ser possível a mentira dfeniva, que é abarcado pela ampla defesa.
Os tribunais não admitem a mentira aressiva, não sendo abarcada pela ampla defesa.

- Direito ao silêncio X Conduta de falsear a verdade quanto a identificação pessoal: STF HC


112.546/ MG e STJ na súmula 522: constitui fato típico, respondendo or fasa identidade.

No direito norte americano, tem que adverter quanto ao direito ao silêncio e, querendo falar
a verdade, faz um juramento de falar a verdade, sob pena de configurar o delito de perjúrio.
O direito brasileiro não tem o crime de perjúrio, querendo o acusado falar e mentir para nã o
se auto incriminar, tem o que se chama de direito ao silêncioparcial (pode responder algumas
perguntas e outras, não).

- Direito ao silêncio X comportamento ativo (fazere) e comportamento passivo (tolere):


O direito ao silêncio abarca apenas o comportamento ativo (fazere), ou seja, ele não é
obrigado a um fazer. Ex: bafômetro, exame grafotécnico, acareação.
O comportamento passivo (Ex: auto d reconhecimento de pessoas) não é abarcado.
Auto de reconhecimento de pessoas não é obrigatório entre as pessoas ter pessoas com as
mesmas características:
Art. 226. Quando houver necessidade de fazer-se o reconhecimento de pessoa, proceder-se-á
pela seguinte forma:
Il - a pessoa, cujo reconhecimento se pretender, será colocada, se possível, ao lado de outras
que com ela tiverem qualquer semelhança, convidando-se quem tiver de fazer o reconhecimento a
apontá-la;

A corrente minoritária entende que ao acusado é garantido a ampla defesa e o contraditório,


devendo abranger a mentira agressiva e a defensiva.
A terceira corrente entende que a mentira, de maneira alguma, pode ser admitida no
processo. O processo penal busca a verdade real, logo, aquele que mente está litigando de má fé.
Para essa corrente, o fato de não penalizar a pessoa que mente, ofende o princípio da
individualização da pena (a pessoa que não mentiu vai receber o mesmo tratamento penal de quem
não mentiu).

Hoje se tem a relativização uanto a busca da verdade real. Deve considerar a teoria dos jogod
no processo penal: o PP é um jogo, onde se faz um acordo e se tem um benefício (transação penal).
Para essa corrente, o juiz deve considerar a mentira na dosimetria da pena, considerando a
personalidade negaiva do agente.

Confissão é chamada de ponte de bronze: é uma atenunante.


Ponte de ouro há uma readequaão da figura típica. É o arrependimento eficaz e desistência
voluntária.
Ponte de prata: arrependimento posterior. Tem a diminuição da pena.
Ponte de diamante: é a delação premiada, podendo o agente ter a pena diminuída ou nem
responder pelo fato.

CASO DO TATUADOR (10/06/2017)

Trata-se de lesão corporal gravíssima com deformidade permanente ou um delito de tortura?


Art 1 da lei 9455, a regra é que crime de tortura pode ser praticado por qualquer pessoa, é
crime comum. Mas, a tortura castigo e a tortura omissão são crimes próprios.
A tortura com roupagem dec rime comum só se visualiza aqui no Brasil.
A doutrina costuma chamar de crime jaboticaba (tortura como crime comum).

Art. 1º Constitui crime de tortura:


I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento
físico ou mental:
a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa;
(Tortura omissão tortura institucional)
b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa;

c) em razão de discriminação racial ou religiosa; (tortura discriminatória ou racial)


II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou
grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou
medida de caráter preventivo. (Tortura castigo).

Maioria da doutrina entende ser um crime formal

No depoimento do tatuador, ele fala que torturou como forma de casito pelo menor ter
subtraído a bicicleta dele. Não pode ser considerado tortura castigo porque o tatuador não tem a
guarda, poder ou autoridade (ausência de elementar do tipo).
Após ter tatuado a testa do menor, o menor ficou sendo forçado a confessar o fato diante da
filmagem, ainda configura a tortura.
Na opnião do Zouk, esse caso configura tortura confissão.

§ 1º Na mesma pena incorre quem submete pessoa presa ou sujeita a medida de segurança a
sofrimento físico ou mental, por intermédio da prática de ato não previsto em lei ou não resultante de
medida legal.(Tortura do encarcerado)
EX: Policial Tício prende Mévio em flagrante e sem a intenção de castigar, e começa a bater
em Mévio. Prisão em flagrante é legal. Entra na tortura do encarcerado?
Temos duas correntes:
1ª Se o policial bate no preso no momento da prisão, se qualquer finalidade, tem a tortura do
encarcerado. Mesmo chamando de prisão captura, porque ainda depende da homologação do
delegado, a pessoa está presa.
2ª se a tortura ocorre sem motivação na hora da prisão em flagrante, não há que se falar em
tortura do encarcerado.
Considerando a 1ª corrente, na hipótese do flagrante facultativo, poderia uma pessoa do povo
responder pela tortura do encarcerado.
Nos julgados, quando há uma tortura sem qualquer tipo de motivação, no contexto de prisão
captura, tem somente o abuso de autoridade e a lesão corporal causada.
§ 3º Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de quatro
a dez anos; se resulta morte, a reclusão é de oito a dezesseis anos.
Tortura para confessar e ensejar lesão grave ou gravíssima, te duas correntes a cerca desse
resultado:
1ª entende que a lesão corporal pode ser dolosa ou culposa, não respondendo em concurso
pela deformidade permanete ou gravíssima.
2 ª entende que deve ser necessariamente culposo.
Quanto a morte da vítima, não tem discussão de doutrina, tem que ser necessariamente
culposa.
Se que uero matar a vítma, muito embora eu tenha vontade de obter a confissão, e se utiliza
da tortura, responde no art. 121, §2, III.

Lesão corporal é gravíssima qunado resultar deformidade permanente. É de ação penal


pública indondicionada.
EX: Tício joga ácido no rosto da vítima (vitriolagem), com objetivo de causar lesã corporal.
Tícia, deformada, realiza cirurgia plástica, o que para o STJ não afastao fato criminoso.
A doutrina entende que se a cirurgia reparadora tem sucesso, afasta a deformidade
permanente.

A aividde de tatuar é regulada por lei. Quando tem o consentimento do cliente, eles está no
exercício regular de direito, desde que não seja um menor (pois aí configura lesã colporal).

- Tortura castigo X Maus tratos:


Elemento subjetivo que vai determinar se ele agiu como dolo de torturar (dolo de dano) ou se
tinha a intenção de corrigir (dolo de perigo).

§ 7º O condenado por crime previsto nesta Lei, salvo a hipótese do § 2º, iniciará o
cumprimento da pena em regime fechado.
STJ entende que não há a necessidade de iniciar no regime fechado.
STF: 1ª turma entende que tem que iniciar no fechado;

No caso concreto, o tatuador prendeu em flagrante. Na vsão do Zouk Tem a tortura c/c §3.

TRÁFICO DE DROGAS X CONFISCO DE BENS (11/06/2017)

EX:Tício, caminhoneiro foi abordado levando um carregamento de drogas. Tício possui três
veículos; um desses veículos ele emprega diretamente para o tráfico; a Kimbi é parada. Ocrrendo um
defeito no caminhão que transporta drogas, ele pega a Kombi para transportar e, nessa
eventualidade, a PM o abordou. Delegado, conhecedor do art. 62 d alei 11.343, apreendeu a Kombi
e lavrou o APF. O art. 62 não fala que foi confiscado, a propriedade da Kombi continua com Tício.
A Kombi foi utilizada de forma eventual.
Art. 243. As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão
expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer
indenização ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que
couber, o disposto no art. 5º.
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e
reverterá a fundo especial com destinação específica, na forma da lei.

Será que a utilização de veéiculo de forma eventual no tráfico, enseja o confisco desse bem ou
há necessidade da habitualidade do uso do veículo?
STF em repercussão geral entendeu que não há necessidade da habitualidade porque a CF
assegura no art. 5, XXII o direito de propriedade, mas nenhum direito é absoluto. A própria CF
relativiza alguns direitos. O dirieto de propriedade é relativizado (desapropriação). O ministro
considerou que a propriedade utilizada para o tráfico, foi relativizada.
O art. 243, §único não inclui a habitualidade do uso.
OBS: Na associação para o tráfico é eu te que ter a estabilidade. NÃO FAZER CONFUSÃO.

EX: Tício encontra Mévio e o chama para vender drogas. Isso ocorreu eventualmente, então,
não pode falar em associação para o tráfico porque falta a habitualidade/estabilidade. Teria tráfico
em concurso de pessoas, com fundamento no art.29 que materializa a teoria monista/unitária (todo
aquele que contribui para o crime responde pelo crime, na medida da sua culpabilidade.
Pode um partícipe receber pena maior que um autor? Para teoria monista, todo aquele que
contribui para o crime responde na medida da sua culpabilidade. Se o partícipe tem extensa ficha
criminal em relação ao autor, seria possível sim. A punibilidade do partícipe vai ser de acordo com
sua culpabilidade.
A associação requer estabilidade, art. 3. Não havendo estabilidade, configura concurso de
pessoas(participação e autoria).
EX: Tício diz para Mévio que se a polícia chegar, ele avise, sem nada receber por isso. Mévio
vai apenas colaborar com um ato, não sendo habitual. Pela teoria monista, Mévio responderia na
medida de sua culpabilidade. Ao se criar o art. 37, é uma excessão pluralista à teoria monista, pois,
no art. 37 muito embora responda por crime autônomo, ele é partícipe do art. 33.
O art.37 não pode fazer parte da associação. EX:Tício e Mévio monatam uma associação para
o tráfico, se dividindo em tarefas. Tício cuida do dinheiro, Mévio fica encarregado de avisar se a
polícia chegar, mas também faz parte do lucro da associação. Mévio, fogueteiro que participa
também do lucro da divisão, avisa da polícia e a polícia pega. Configura o art. 35 +33 e, não somente
o art. 37. Há divisão de tarefas, ele esá estável porque faz parte da associação.
Art. 35 não combina com art. 37.
EX: Tício colabora como fogueteiro com Mévio, traficante individual. Polícia pega Tício, de
forma eventual. Tício reponde pelo art. 37? O art.37 fala em colaborar com grupo, organização ou
associação e, não com traficante individual. Tício responde no art. 33.
Ofende o princípio da proporcionalidade jogar o art. 37 como partícipe do art. 33 quando ele
trabalha somente com traficante individual e a pessoa que colabora com associação ou grupo, jogar
no art. 37 que nem é tráfico? A doutrina entede em aplicar a analogia in buona parten, aplica-se ao
colaborador do traficante individual, o art. 37.

O relator Luiz Fux entendeu não constituir pressuposto do confisco a utilização do bem com
habitualidade. Também falou do princípio da proteção vedação da proteção deficiente. Cita que no
direito comparado há um tratamento legislativo mais gravoso no que se refere ao tráfico de drogas.
Relator também fez referência ao mandato de criminalização.
Os ministros Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio não conrdaram. Para eles, deveria se
observar o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. É razoável apreender um veículo que
foi utilizado de forma eventual? Outra coisa, o §único do art. 243 não é independente, ele é acessório
do caput.
Art. 243, CF: As propriedades rurais e urbanas de qualquer região do País onde forem localizadas
culturas ilegais de plantas psicotrópicas ou a exploração de trabalho escravo na forma da lei serão
expropriadas e destinadas à reforma agrária e a programas de habitação popular, sem qualquer indenização
ao proprietário e sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, observado, no que couber, o disposto no art.
5º. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de 2014)
Parágrafo único. Todo e qualquer bem de valor econômico apreendido em decorrência do tráfico ilícito
de entorpecentes e drogas afins e da exploração de trabalho escravo será confiscado e reverterá a fundo
especial com destinação específica, na forma da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 81, de
2014)
Na verdade. O que vai ser objeto de confisco é propriedade urbana e rual. Se o veículo tivesse
dentro da propriedade, poderia ser e, não um veículo que não tenha qualquer ligação com essa
propriedade.
O ministro Marco Aurélio, que acompanhou o Ministro Ricardo, foram vencidos.

Para prova: Não há de se falar somente em propriedades rurais e urbanas, o veículo pode sim
ser objeto de confisco, não havendo a necessidade de sua utilização de forma habitual no tráfico,
porque o art. 243, §único não criou esse pressuposto da habitualidade. Noutro giro, no julgado, a
minoria entendeu que o §único é acessório do caput que faz referência apenas à ropriedades rurais e
urbanas.

O art.62 fala de apreensão e não de confisco.


Art. 62. Os veículos, embarcações, aeronaves e quaisquer outros meios de transporte, os maquinários,
utensílios, instrumentos e objetos de qualquer natureza, utilizados para a prática dos crimes definidos nesta
Lei, após a sua regular apreensão, ficarão sob custódia da autoridade de polícia judiciária, excetuadas as
armas, que serão recolhidas na forma de legislação específica.
§ 1o Comprovado o interesse público na utilização de qualquer dos bens mencionados neste artigo, a
autoridade de polícia judiciária poderá deles fazer uso, sob sua responsabilidade e com o objetivo de sua
conservação, mediante autorização judicial, ouvido o Ministério Público.

Apreendeu arma de tráfico, não fica na delegacia.


Para um delegado utilizar um veículo apreendido, tem que ter autorização judicial.
EX: Tício e Mévio praticaram crime de roubo e utilizaram para isso um automóvel, mediante
arma de fogo. (Roubo circunstanciado, concurso de pessoas e emprego de arma de fogo). Delegado
apreendeu o veículo. Delegado pode pedir autorização ao juiz par utilizar esse veículo nos trabalhos
policiais, comprovando interesse público?( o art. 62 assegura isso no crime de tráfico)! A
jurisprudência do STJ entende que pode ser utilizado fazendo analogia ao art. 62 da lei de drogas.

TRÁFICO DE DROGAS X PRISÃO DOMICILIAR- STJ E STF (15/06/2017)

Estatuto da Primeira Infância, lei 13.257 trouxe diversas autorizações, sobretudo quando se
trata da prisão domiciliar.
Diversos casos estão sendo levados ao STJ e STF.
Art. 317. A prisão domiciliar consiste no recolhimento do indiciado ou acusado em sua residência, só
podendo dela ausentar-se com autorização judicial.
Art. 317, CPP a prisão domiciliar é espécie de cautelar ou uma forma de cumprimento de
prisão preventiva?Adoutrina diverge. Tem quem entenda que seja uma forma de cautelar, com o
fundamento no art. 318 (Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando
o agente for), então não é a mesma coisa de prisão preventiva.
Outra parte da doutrina entende que a prisão domiciliar é uma forma de cumprimento de
prisão preventiva.
Zouk entende que é uma forma de cumprimento da prisão preventiva porque a prisão
domiciliar, muito embora traga em seu bojo qunaod o juiz pode substituir, o fundamento para o
cerceamento de liberdade decorre de outra cautelar. EX: Uma mulher, gestante, vai permanecer
presa preventivamente, mas em casa O fundamento vem da prisão preventiva que o juiz substituiu
pela domiciliar. Além dos requisitos do art. 318, tem que visualizar também os requisitos do art.312.

A lei 13.257 ensejou diversas alterações. Uma alteração importante é referente à prisão
domiciliar.
Art. 318. Poderá o juiz substituir a prisão preventiva pela domiciliar quando o agente for:).
I - maior de 80 (oitenta) anos;
II - extremamente debilitado por motivo de doença grave;
III - imprescindível aos cuidados especiais de pessoa menor de 6 (seis) anos de idade ou com
deficiência;
IV - gestante; (Basta que seja gestante, não há mais a necessidade de ser 7 meses ou de risco)
V - mulher com filho de até 12 (doze) anos