Anda di halaman 1dari 4

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ)

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E ECONÔMICAS (CCJE)


FACULDADE DE ADMINISTRAÇÃO E CIÊNCIAS CONTÁBEIS (FACC)
CURSO DE BIBLIOTECONOMIA E GESTÃO DE UNIDADES DE
INFORMAÇÃO (CBG)

ELI LEMOS DE OLIVEIRA

A MÍMESE DA REALIDADE NO MITO

RIO DE JANEIRO
2018
ELI LEMOS DE OLIVEIRA

A MÍMESE DA REALIDADE NO MITO

Resenha de história da tecnologia com


objetivo de auxiliar na construção da
disciplina História da Tecnologia pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro,
curso de Biblioteconomia e Gestão de
Unidades de Informação.

RIO DE JANEIRO
2018
Todo mito é uma mimese do real. Todo mito representa, de alguma maneira, o
imaginário coletivo. Eles se apresentam de diversas maneiras, como, por exemplo, num
romance clássico da literatura do Machado de Assis. Arrisco a chamar de Mito do
Casmurro, o ciumento que viu uma traição nos olhos de ressaca da amada. Na literatura
fez-se o mito, mas nem sempre o mito é diretamente literário.
Os mitos gregos, romanos, nórdicos, egípcios e indígenas – estes que muitas vezes
são ignorados –, entre outros, contam muito do imaginário coletivo de uma civilização.
Explorar o mito e os seus rituais muito nos diz sobre a história de um povo.
A antropologia ao investigar o símbolo e a cultura nos deu a possibilidade de
explorar o mito para além do explícito, possibilitando o entendimento cada vez mais
profundo dos significados de cada história mitológica. Tal construção irá explicar muito
do imaginário coletivo passado, mas mais do que nunca irá explicar o imaginário coletivo
presente.
A narrativa cinematográfica se alimenta abundantemente do passado, revivendo
lendas e ressignificando o seu todo simbólico, como vemos acontecer com os deuses Thor
e Loki nos filmes da Marvel, que, mesmo trazendo toda uma construção anterior de quem
eram esses personagens, uma vez que o imaginário coletivo do presente é outro, as
histórias desses heróis se constroem de maneiras distintas.
A cultura é um sistema que se alimenta constantemente de referenciais simbólicos
para recriar, à sua maneira, de acordo com o seu espaço-tempo, o mito. Mas nem sempre
o mito irá revelar realmente o imaginário coletivo do todo, ainda mais porque as histórias
precisam sofrer determinado recorte para caber numa narrativa que se reproduz de
maneira escrita ou audiovisual. As histórias precisam ser selecionadas, enquanto outras
são ignoradas, e tal escolha guarda um peso extremamente político.
A título de exemplo de como o mito é político temos o Superman e o Captain
America, que trazem em seus uniformes as cores da bandeira norte-americana, e que, para
além disso, também foram criados em um contexto de guerra para alimentar o
nacionalismo coletivo.
Os heróis de hoje são os novos deuses, pois apesar de serem super e serem capazes
de salvar o mundo (ou destruí-lo), ainda assim são feitos a imagem e semelhança do
homem. Os rituais do passado se tornaram os hábitos humanos: a atuação do sujeito
comum que vive para trabalhar e trabalha para se relacionar. E quando não estão fazendo
isso, esses heróis estão tentando manter a paz (por meio de guerras). Está feito padrão de
felicidade norte-americana que é reproduzido em todos os lugares do mundo, enquanto
os mitos brasileiros são cada vez mais silenciados por essas reproduções políticas e
sensacionalistas dos novos deuses.

REFERÊNCIAS
BRANDÃO, J. S. Mitologia grega. Petrópolis: Vozes, 1986.
ROCHA, Gilmar. “O mito é bom para pensar”: diálogos entre Antropologia e História.
Cadernos de História, Belo Horizonte, v. 3, n. 4, p. 47-59, nov. 1998. ISSN 2237-
8871. Disponível em:
<http://periodicos.pucminas.br/index.php/cadernoshistoria/article/view/1692/1813>.
Acesso em: 09 jul. 2018.