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MINICONTOS

Professor Carlos.
Edgar Degas – No café (O absinto), 1876. Museu d’Orsay, Paris.
Despedida à maneira de Degas

Decidiram encontrar-se uma última vez, embora tão esgarçada a esperança de


chegarem ao entendimento.
No bar, sentados um diante do outro, pediram absinto, o mesmo que haviam
começado por tomar com a alegria dos gostos comuns. Mas já não tinha alegria, e
nada em comum que os unisse.
Nem encostaram o copo nos lábios. Em silêncio, tentaram ainda ligar-se através
dos olhos. Mas sequer as mãos entrelaçadas sobre o mármore conseguiram fazer com
que se vissem.
E continuaram longamente calados, imóveis, até que a última gota leitosa tivesse
evaporado do fundo dos copos.
(Colasanti, Marina. In: Contos de Amor Rasgados, Ed. Rocco)
INTERTEXTUALIDADE
Influência de um texto sobre outro
que o toma como modelo ou ponto
de partida, e que gera a atualização
do texto citado.
NO MEIO DO CAMINHO

No meio do caminho tinha uma pedra


tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
(Carlos Drummond de Andrade. In Alguma Poesia . Ed. Pindorama, 1930)
Houve um tempo em que havia pedras no meio do caminho.
Tropeçava-se. Levantava-se. E erguia-se.
Hoje tem uma bala no meio do caminho.
No meio do caminho tem uma bala.
Tem uma bala no meio do ca...

(Marcelo Spalding, 2009)


Os cães perseguiam o garoto. Se alcançasse o muro,
estaria salvo. Mas, como sempre,
no meio do caminho havia uma pedra.
Wilson Gorj

Havia uma merda no meio do caminho.


No meio do caminho havia uma merda.
Ah. Quem dera fosse uma pedra...
Wilson Gorj
No meio do caminho havia uma pedra. Havia uma
pedra no meio do caminho...

“Azar de quem a perdeu”, comemorou o viciado,


antes de fumá-la num cachimbo improvisado.
Wilson Gorj
Quando acordou,
o dinossauro ainda estava lá.
Augusto Monterroso

Quando dei por mim,


já havia esse cárcere.
Ronaldo Cagiano
O PESADELO DE HOUAISS

Quando acordou,
O dicionário ainda estava
lá.
TROCADILHO
uso de expressão que dá margem a
diversas interpretações, ou seja, jogo de
palavras que apresentam sons
semelhantes ou iguais, mas que possuem
significados diferentes, de que resultam
equívocos por vezes engraçados.
GRAVIDEZ

Deu pra engordar


(Cristina Alves)
CONFISSÃO
– Fui me confessar ao mar.
– O que ele disse?
– Nada.
Lygia Fagundes Telles
Quebrou móveis e vidraças, fechou a porta
e pendurou um bilhete:
Adeus, amor. Deixo-te a casa como deixaste
meu coração.

Isabela Xavier
O que precisa ter um miniconto?

 Concisão – a história deve caber exatamente no pequeno tamanho definido: as


 informações devem ser reduzidas ao essencial.
 Narratividade – a história deve contar o que aconteceu com uma
personagem,
 mostrando mudanças, implicitamente (quando é somente sugerido) ou
explicitamente
 (quando está dito no texto).
 Efeito – deve conseguir provocar algo no leitor: medo, compaixão, reflexão...
 Abertura – o texto exige que o leitor preencha lacunas da história com suas
experiências.
 Exatidão – o autor tem de ser claro para criar o efeito desejado. A escolha de
cada palavra e a sua posição no texto são fundamentais.
(SPALDING, Marcelo. Pequena poética do miniconto. Disponível em: bit.ly/pequenapoética. Acesso em: jan. 2017).