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Aula 00

Conforme Novo CPC - Direito Processual Civil p/ TST (Analista Judiciário - Área
Judiciária)

Professores: Equipe Gabriel Borges, Gabriel Borges


Direito Processual Civil
Teoria e Exercícios comentados
Prof. Gabriel Borges

DIREITO PROCESSUAL CIVIL P/ TRIBUNAL SUPERIOR DO


TRABALHO

APRESENTAÇÃO DO CURSO

Tribunal Superior do Trabalho

Introdução; Equivalentes jurisdicionais; Conciliação e mediação; Autocomposição;


Mediação e conciliação; Classificação; Jurisdição voluntária versus jurisdição
contenciosa; Classificação dos procedimentos de jurisdição voluntária; Jurisdição
voluntária como administração pública de interesses privados; Escopos da jurisdição;
Princípios inerentes à jurisdição; Investidura; Territorialidade; Indelegabilidade;
Inevitabilidade; Inafastabilidade; Juiz natural; Características da jurisdição; Unidade;
Secundariedade; Substitutividade; Imparcialidade; Criatividade; Inércia; Definitividade;
Lide.

Primeiramente, quero dizer que é um grande prazer encarar este desafio


com vocês. Faremos um curso de teoria e exercícios voltado para o concurso
do TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO – Analista Judiciário – Área judiciária..

Faremos um curso bastante didático, deixando de lado a linguagem


excessivamente técnica e a formalidade. Utilizaremos recursos visuais:
marcadores de texto, negrito e muitas questões de concurso, no corpo da
aula, bem como ao final.

As questões são de provas passadas e eventualmente inéditas


(elaboradas pelo próprio professor). O objetivo é preparar o candidato para
resolução de questões no grau de complexidade que a banca Fundação
Carlos Chagas - FCC tem atribuído aos certames mais concorridos.

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Iremos trabalhar todo o conteúdo de Direito Processual Civil exigido no


último edital, por meio de teoria e exercícios de concursos anteriores e tendo
como base a Lei nº 13. 105/2015 – NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. Será um
curso de 11 encontros, além deste, em que iremos trabalhar o conteúdo de
modo objetivo e com o foco na sua aprovação.

 Sobre o Prof. Gabriel Borges

O Professor Gabriel Borges é Consultor Legislativo do Senado Federal; pós-


graduado em Direito e Relações Internacionais; e leciona a matéria de Direito Processual
Civil para concursos desde 2010. Até tornar-se Consultor, foi aprovado em vários
concursos públicos.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE:
Este curso é protegido por direitos autorais (copyright), nos termos da Lei 9.610/98, que altera, atualiza
e consolida a legislação sobre direitos autorais e dá outras providências.
Grupos de rateio e pirataria são clandestinos, violam a lei e prejudicam os professores que elaboram
os cursos. Valorize o trabalho de nossa equipe adquirindo os cursos honestamente através do site
Estratégia Concursos.

 Vamos ao nosso cronograma

DISPONÍVEL CONTEÚDO

Disponível JURISDIÇÃO.

Aula 01 DAS NORMAS FUNDAMENTAIS DO PROCESSO CIVIL.


Disponível SOBRE A AÇÃO.

Aula 02
DA COMPETÊNCIA.
Disponível

Aula 03 DOS SUJEITOS DO PROCESSO; DO LITISCONSÓRCIO; DA


Disponível INTERVENÇÃO DE TERCEIROS.

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Aula 04
DO JUIZ E DOS AUXILIARES DA JUSTIÇA.
Disponível

Aula 05 DO MINISTÉRIO PÚBLICO; DA ADVOCACIA PÚBLICA; DA


Disponível DEFENSORIA PÚBLICA.

Aula 06
DOS ATOS PROCESSUAIS.
Disponível

DA FORMAÇÃO, DA SUSPENSÃO E DA EXTINÇÃO DO


Aula 07 PROCESSO; DAS PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES E DO
Disponível SANEAMENTO; DO JULGAMENTO CONFORME O ESTADO
DO PROCESSO.

DA AUDIÊNCIA DE INSTRUÇÃO E JULGAMENTO. DAS


Aula 08 PROVAS. DA SENTENÇA E DA COISA JULGADA; DA
Disponível LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA; DO CUMPRIMENTO DA
SENTENÇA.

DOS PROCESSOS NOS TRIBUNAIS E DOS MEIOS DE


Aula 09
IMPUGNAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAIS; DA AÇÃO
Disponível RESCISÓRIA; DOS RECURSOS.

Aula 10
DO PROCESSO DE EXECUÇÃO.
Disponível

TUTELAS DE URGÊNCIA. AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM


Aula 11 PAGAMENTO; EMBARGOS DE TERCEIRO; AÇÃO
Disponível MONITÓRIA. DA IMPENHORABILIDADE DO BEM DE
FAMÍLIA.

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AULA 00: DA JURISDIÇÃO

SUMÁRIO PÁGINA

1. Apresentação 02

2. Cronograma 03

3. Capítulo I: Da Jurisdição 07

4. Resumo 55

5. Lista das questões apresentadas 58

6. Questões comentadas 62

7. Gabarito 75

8. Bibliografia 76

CAPÍTULO I: DA JURISDIÇÃO

Nos últimos anos, ganhou força no Direito a ideia de que a Constituição


deve ser mais efetiva do que em seus primeiros anos de vigência, mas o que
isso quer dizer?

Quer dizer que os princípios e regra constitucionais devem e podem


ser aplicados de modo direto pelo juiz (órgão singular) e pelos demais órgãos
jurisdicionais (colegiados), não somente pelo Supremo Tribunal Federal – STF.

Logo no artigo 1º, o Novo CPC deve ser interpretado, ordenado e


pensado de maneira integrada à Constituição. Evidentemente, este tipo de
previsão não seria sequer necessária em razão da supremacia das normas
constitucionais, mas não deixa de simbolizar uma nova e importante didática

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e, acima disso, a tendência contemporânea de atribuir aos princípios valor


diretivo aos operadores do Direito. A previsão serve, inclusive, para rebater
aqueles que se equivocam ao restringir o Direito Processual Civil à leitura dos
dispositivos do Código, como se não houvesse outra fonte de Direito
Processual Civil.

Falamos do artigo 1º do CPC/2015, então vamos citá-lo:

Art. 1o O processo civil será ordenado, disciplinado e interpretado


conforme os valores e as normas fundamentais estabelecidos na Constituição
da República Federativa do Brasil, observando-se as disposições deste
Código.

Há, nesse contexto, uma nova hermenêutica, consubstanciada no § 1º


do artigo 5º da Constituição da República, a saber:

Art. 5º [...] § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias


fundamentais têm aplicação imediata.

Cumpre-se interpretar a Constituição como um todo normativo, no qual


o Novo CPC é recepcionado e, com base nos preceitos fundamentais, deve-se
evitar qualquer tipo de antinomia entre as normas.

 A partir dessas linhas introdutórias, passemos ao estudo do instituto da


Jurisdição.

LIVRO I: DAS NORMAS PROCESSUAIS CIVIS


TÍTULO ÚNICO: DAS NORMAS FUNDAMENTAIS E DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS
CAPÍTULO II: DA APLICAÇÃO DAS NORMAS PROCESSUAIS
Art. 13. A jurisdição civil será regida pelas normas processuais brasileiras, ressalvadas as disposições
específicas previstas em tratados, convenções ou acordos internacionais de que o Brasil seja parte.
Art. 14. A norma processual não retroagirá e será aplicável imediatamente aos processos em curso,
respeitados os atos processuais praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a vigência da norma
revogada.
Art. 15. Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as
disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente.

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INTRODUÇÃO
O conflito é uma característica inerente do ser humano. Quando não
havia um Estado organizado, a solução dos conflitos dava-se pela atuação dos
próprios interessados - aquele que dispusesse de maior força ou sagacidade
vencia a disputa. A solução dos conflitos consolidava-se, desse modo, por
instrumentos parciais.

Vencia o mais forte mesmo, estamos falando de situações, inclusive,


de chegar-se às vias de fato para fazer valer seu Direito.

Imagem de Episódio do “The Simpsons”.

Com o desenvolvimento das relações de comércio e consumo, a


sociedade começou a demandar maior grau de segurança jurídica. Imaginem
que um comerciante ou investidor necessita de previsibilidade para se motivar
a crescer. Nesse sentido, começou-se a perceber que a solução pela força não
representava a forma mais justa de resolução de conflitos. Na mesma direção,
a sociedade e as populações de diversas regiões começavam a se organizar
em torno de um único poder.

Assim, a partir da consolidação do Estado, passou a existir o poder


central para a solução dos conflitos, o poder estatal. Ao poder judiciário, não
participante do litígio, portanto imparcial, atribuiu-se a função de aplicar a lei,

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em regra abstrata, em busca da pacificação social. Atribuiu-se a ele o chamado


poder jurisdicional.

Percebam, então, que a consolidação de um poder central veio


acompanhada de um sistema que pretendia dar segurança jurídica à sua
população.

São duas figuras indissociáveis: 1) O Poder Central (Estatal) e 2) a


instituição de um controle imparcial da conduta dos jurisdicionados.
Imaginem, agora, a existência de uma sociedade onde não há segurança
jurídica, onde não se sabe ao certo como garantir a propriedade sobre seus
bens e a justeza no conflito com seus pares... Esse cenário impediria os
indivíduos de buscarem prosperidade porque estariam voltados, a todo
momento, para questões de segurança. A jurisdição veio dar ao Estado a
legitimidade para agir em nome do interesse público e ao jurisdicionado a
segurança jurídica para prosperar.

Em seu conceito tradicional, jurisdição é o poder de resolver um conflito


entre as partes, substituindo a vontade delas pela da lei. Ela tem como
característica a substitutividade, que consiste em dizer que o Estado, na
figura do juiz, ao solucionar a lide, estaria substituindo a vontade das partes,
proibindo a elas de estarem, em regra, fazendo valer a justiça do mais forte. No
entanto, não é somente quando há conflito entre as partes que o poder estatal
atua, nem é sempre que há substituição da vontade das partes.

Na concepção moderna, jurisdição é a atuação estatal ao caso


concreto; uma atuação com caráter de definitividade – diz respeito à
imutabilidade da sentença, que faz coisa julgada material –, objetivando a
pacificação social.

Assim, a jurisdição consiste no poder conferido ao estado, por meio


dos seus representantes, de atuar no caso concreto quando há situação que
não pôde ser dirimida no plano extrajudicial, revelando a necessidade da
intervenção do estado para que o conflito estabelecido seja solucionado.

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De modo sucinto, Marcus Vinícius R. Gonçalves define Jurisdição


como a: “Função do Estado, pela qual ele, no intuito de solucionar os conflitos
de interesse em caráter coativo, aplica a lei geral e abstrata aos casos
concretos que lhe são submetidos”. (Direito Processual Civil Esquematizado).

Há entendimento da doutrina de que o poder jurisdicional não se


restringe a dizer o direito (juris-dicção), alcança também a imposição do direito
(juris-satisfação). Obviamente, não é suficiente esperar que o Estado
apenas diga o caminho a ser trilhado, espera-se que o poder estatal faça
o direito ser efetivamente aplicado. Por isso, o Estado-juiz, por meio do seu
poder jurisdicional, tem a capacidade de impor suas decisões. É um poder
coativo.

Dúvida: Qual dos três poderes, da clássica divisão montesquiana, é


responsável pela jurisdição? A função jurisdiconal é atribuída ao poder
judiciário como função típica, mas também a outros poderes, como função
atípica. Exemplo: processo de impeachment, que pode ser conduzido pelo
legislativo, ou das sindicâncias, pelo poder executivo.

Fredie Didier Jr. mantém o conceito abrangente e inovador à Jurisdição


em seu novo Curso de Direito Processual Civil, a saber:

“A jurisdição é a função atribuída a terceiro imparcial (a) de realizar o


Direito de modo imperativo (b) e criativo (reconstrutivo) (c),
reconhecendo/efetivando/protegendo situações jurídicas
(concretamente) deduzidas (e), em decisão insuscetível de controle
externo (f) e com aptidão para tornar-se indiscutível (g). (Curso de
Direito Processual Civil” (vol. I, 17ª ed. p. 153)

Esse conceito moderno apresentado por Didier deve ser analisado,


pois está de acordo com a realidade das transformações por que passou o

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Estado. (Trabalharemos cada um desses elementos expressos no conceito de


Jurisdição).

A inovação mais relevante neste conceito é apontar o exercício da


jurisdição a terceiro imparcial, não considerando o Estado detentor exclusivo
desse poder/dever. Importante salientar que a imparcialidade não se confunde
com a neutralidade. Não existe juiz neutro, pois todo ser humano tem vontade
inconsciente, formada por suas experiências ao longo da vida, por sua
vivência, traumas, medos, preferências.

Sobre a questão, importante registrar que o tema gerou polêmica no


Fórum Permanente de Processualistas Civis (FPPC) 1, sendo que dois
enunciados (4 e 5) que tratavam da questão foram posteriormente revisados e
cancelados porque consideravam que árbitro também poderia ser detentor de
jurisdição:

Os enunciados sobre arbitragem foram aprovados por aclamação no


FPPC de Salvador; por isso, no FPPC-Rio, tiveram de passar por uma
reavaliação criteriosa da assembleia. Disso resultou que alguns foram
cancelados. 4 Redação original: “O árbitro é dotado de jurisdição para
processar e julgar a controvérsia a ele apresentada, na forma da lei”. (Grupo:
Arbitragem). 5 Redação original: “O árbitro é juiz de fato e de direito e como tal
exerce jurisdição sempre que investido nessa condição, nos termos da lei”.
(Grupo: Arbitragem)

Ainda mais convincente a parte do conceito expresso por Fredie Didier


que considera o aspecto de criação e reconstrução do exercício de se dizer o
direito, já que o sistema normativo tende, como temos visto, a uma dimensão
mais aberta, transferindo ao órgão jurisdicional a tarefa de completar o sentido
da norma, a criação do direito.

1
O Fórum Permanente de Processualistas Civis emitiu vários enunciados com o intuito de facilitar a
interpretação do CPC/2015. Esses enunciados serão citados ao longo de nosso curso.

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Feitas essas considerações, vejamos cada elemento elencado no


conceito de Jurisdição – da letra “a” até “g”.

a) Terceiro imparcial: na solução da lide utiliza-se a técnica de


heterocomposição – o conflito é solucionado por um agente exterior à
relação conflituosa original. Os sujeitos do processo submetem a terceiro
seu conflito, em busca de solução. Chiovenda chama essa
heterocomposição de substutividade, sendo esta a característica que diferencia
jurisdição das outras funções estatais.

Ok! E o que é a substutividade? Bem pessoal, como falamos há pouco


a substitutividade consiste em dizer que o Estado, na figura do juiz, ao
solucionar a lide, está substituindo a vontade das partes, já que elas estariam
proibidas de, em regra, fazer valer a justiça do mais forte (característica do
conceito de jurisdição tradicional).

(TJ ES) COMENTÁRIOS:


Acerca da função jurisdicional, da ação e suas características, julgue o item seguinte.

A função jurisdicional é, em regra, de índole substitutiva, ou seja, substitui-se a vontade privada por uma
atividade pública.

Gabarito: Certo

Destaque-se, uma vez mais, que é importante não se confundir


neutralidade com imparcialidade. Neutralidade é o mito que se sustenta na
possibilidade de o juiz não ter vontade inconsciente; segundo a qual
predominaria a vontade dos sujeitos processuais e não o interesse geral da
justiça.

A imparcialidade, por seu turno, determina que o magistrado não pode


ter interesse na lide, bem como possui o dever de tratar as partes com
igualdade, garantindo o contraditório em paridade de armas.

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b) Manifestação de Poder: a jurisdição coloca-se de modo imperativo,


aplicando o direito a situações que são levadas ao Estado (ao órgão
jurisdicional).

c) Atividade criativa: “cria-se a norma jurídica do caso concreto, bem


como se cria, muitas vezes, a própria regra abstrata que deve regular o caso
concreto.” (Curso de Direito Processual Civil, vol. I. Didier Jr., Fredie). As
normas não são capazes de impor todas as decisões a serem tomadas pelos
Tribunais. Há necessidade de interpretação ou confirmação da consistência
dos textos normativos quando aplicados ao caso concreto. Dessa forma, cabe
aos Tribunais interpretar, construir e distinguir os casos para formulação da
decisão. Há um papel singular na produção normativa exercido pela
interpretação da norma.

d) Técnica de tutela: a jurisdição é considerada uma importante técnica de


tutela de direitos. A proteção jurídica deve contemplar todas as situações
jurídicas.

e) Situação jurídica concreta: a jurisdição atua em situações concretas.


Exemplo: ameaça de lesão a direitos (em que se requer uma tutela inibitória).

f) Impossibilidade de controle externo da função jurisdicional: uma


das características da função jurisdicional é a capacidade de produzir a última
decisão sobre o caso concreto deduzido em juízo: ao caso aplica-se o Direito
sem que aja possibilidade de apreciação, controle de outro poder. A jurisdição
é controlada, somente, pela própria jurisdição.

g) Aptidão para tornar-se indiscutível: sabemos que a coisa julgada é


uma situação jurídica referente às decisões jurisdicionais, exclusivamente. Só
uma decisão judicial pode vir a ser indiscutível e imutável pela coisa julgada
material. No entanto, não podemos deduzir que somente haverá jurisdição se
houver possibilidade de coisa julgada, pois esta é uma opção política do
Estado. Há casos em que o legislador retira das decisões a aptidão de
submeter-se à coisa julgada, mas isso não aniquila a jurisdicionalidade das

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decisões. Ora, a coisa julgada é um elemento a posteriori da decisão e,


portanto, não pode ser elemento ou característica de existir da decisão. É fato
que somente a jurisdição tem a característica da definitividade – diz respeito ao
caráter de imutabilidade da sentença, que faz coisa julgada material
(característica do conceito moderno de jurisdição), mas nem toda decisão
judicial em exercício de jurisdição será passível de tornar-se imutável.

No intuito de preencher todas as possíveis formas de ser cobrado o


conceito de jurisdição, vamos compreendê-lo de uma outra perspectiva. A
doutrina diz que a jurisdição é o poder que o estado avocou para si de dizer o
direito, de fazer justiça, em substituição aos particulares. Podemos, na
realidade, dizer que a jurisdição é poder, função e atividade.

É poder devido à capacidade de imposição das decisões às partes


pelo Estado – o poder decorre da potestade (força para impor sua decisão) do
Estado exercida de maneira definitiva sobre as partes litigantes. Função por
cumprir a finalidade de fazer valer a ordem jurídica em face de um conflito. Por
último, é atividade por consistir em uma série de manifestações (atos)
externas e ordenadas que resultam na declaração do direito e na concretização
do que foi pleiteado.

Atente-se para o fato de que o poder da jurisdição se subdivide em três


espécies: o poder de decisão, o de coerção e o de documentação. No
poder de decisão, o Estado-juiz deve conhecer a controvérsia judicial, colher
provas e decidi-la. É o poder do Estado- juiz de analisar, verificar e decidir o
litígio – poder de decisão. O segundo [de coerção], diz respeito ao poder do
Estado-juiz em impor à parte vencida o cumprimento da decisão por ele
proferida. O poder de documentação, por sua vez, ocorre quando o Estado-juiz
documenta os atos processuais.

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(DPE BA) No Direito Processual Civil Brasileiro, a jurisdição compreende três poderes, que são o
COMENTÁRIOS:
de
a) decisão, o de coerção e o de documentação.
b) coerção, o de documentação e o de exposição.
c) documentação, o de exposição e o de disposição.
d) exposição, o de disposição e o de decisão.
e) disposição, o de decisão e o de coerção.
Gabarito: A

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Graficamente:

O conflito é uma característica inerente do ser humano. Quando não havia um Estado
organizado, a solução dos conflitos dava-se pela atuação dos próprios interessados -
aquele que dispusesse de maior força ou sagacidade vencia a disputa. A solução dos
conflitos consolidava-se, desse modo, por instrumentos parciais.

A partir da consolidação do Estado, passou a existir o poder central para a solução dos
conflitos, O PODER ESTATAL. Ao poder judiciário, não participante do litígio, portanto
imparcial, atribuiu-se a função de aplicar a lei, em regra abstrata, em busca da
pacificação social. Atribuiu-se a ele o chamado poder jurisdicional.

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São duas figuras


indissociáveis:

1) O Poder Central 2) a instituição de um controle


(Estatal) imparcial da conduta dos
jurisdicionados.

A jurisdição veio dar ao Estado a legitimidade para agir em nome do interesse


público e ao jurisdicionado a segurança jurídica para prosperar.

CONCEITO: A jurisdição consiste no poder conferido ao estado, por meio dos seus
representantes, de atuar no caso concreto quando há situação que não pôde ser dirimida no
plano extrajudicial, revelando a necessidade da intervenção do estado para que o conflito
estabelecido seja solucionado.

O poder jurisdicional não se restringe a dizer o


direito (juris-dicção), alcança também a imposição
do direito (juris-satisfação). Obviamente, não é
suficiente esperar que o Estado apenas diga o
caminho a ser trilhado, espera-se que o poder
estatal faça o direito ser efetivamente aplicado.

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DA FUNÇÃO JURISDICIONAL
A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional.
O que é necessário para postular em juízo? É necessário ter interesse e legitimidade.
Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio? Regra geral não, mas há casos em que o
ordenamento jurídico autoriza.
Havendo substituição processual, o substituído passa a intervir no processo? Sim, ele poderá intervir como
assistente litisconsorcial.
E o interesse do autor se limita a quê? O interesse do autor pode limitar-se à declaração:
I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica;
II - da autenticidade ou da falsidade de documento.

EQUIVALENTES JURISDICIONAIS

O Estado detém exclusividade de Jurisdição, mas não detém


exclusividade na solução de conflitos. Existem formas alternativas: autotutela,
autocomposição, arbitragem.

Depois da centralização do poder no Estado, e da atribuição ao


Estado-juiz da função jurisdicional, não quer dizer que somente o Estado possa
resolver os conflitos, nem que tenham se extinguido todas as formas de
resolução de controvérsia pela força ou pela astúcia.

Vejamos nas próximas linhas.

AUTOTUTELA

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A autotutela (autodefesa) é a forma mais antiga de se resolver


conflitos. Ocorre o sacrifício integral do interesse de uma das partes, pelo uso
da força da outra parte. Assim, a autotutela ocorre quando a própria parte
busca afirmar seu interesse impondo-o à parte contrária.

Podemos considerar que a autotutela, de certo modo, permite o


exercício de coerção por um particular em defesa de seus interesses.
Modernamente, tem-se buscado restringir as formas de exercício da autotutela,
transferindo para o Estado as diversas formas de coerção. O Direito prevê
casos excepcionais em que pode ser empregada: legítima defesa (art. 188, I,
do CC), desforço imediato no esbulho (art. 1.210, parágrafo 1 o do CC). A
autotutela pode ser totalmente revista pelo poder judiciário.

ARBITRAGEM

A arbitragem (modalidade de heterocomposição) é uma técnica de


solução de conflitos em que as partes buscam em uma terceira pessoa a
solução do litígio, por isso, classificada como modalidade de
heterocomposição. Dessa forma, a arbitragem ocorre quando a fixação da
solução da lide entre as partes é entregue a um terceiro, denominado árbitro,
em geral escolhido pelas partes.

No direito brasileiro, a arbitragem somente pode se dirigir a


acertamento de direitos patrimoniais disponíveis. É o que aduz o art. 1º da Lei
9.307/96 que regula a arbitragem: “as pessoas capazes de contratar poderão

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valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos a direitos patrimoniais


disponíveis.”

A arbitragem possui caráter voluntário podendo ser de direito ou de


equidade, a critério das partes, que poderão escolher, livremente, as regras de
direito que serão aplicadas (1), desde que não haja violação aos bons
costumes e à ordem pública. Igualmente, poderão as partes convencionar que
a arbitragem se realize com base nos princípios gerais de direito (2), nos
usos e costumes e nas regras internacionais de comércio.

As partes interessadas podem, por exemplo, submeter a solução de


seus litígios ao juízo arbitral mediante convenção de arbitragem, assim
entendida a cláusula compromissória e o compromisso arbitral.

A cláusula compromissória (prévia e abstrata) é a convenção por


meio da qual as partes em um contrato comprometem-se a submeter à
arbitragem os litígios que possam vir a surgir, relativamente a tal contrato. Deve
ser estipulada por escrito, podendo estar inserta no próprio contrato ou em
documento apartado (separado) que a ele se refira.

Nos contratos de adesão, a cláusula compromissória só terá eficácia se


o aderente tomar a iniciativa de instituir a arbitragem ou concordar,
expressamente, com a sua instituição, desde que por escrito em documento
anexo ou em negrito, com a assinatura ou visto especialmente para essa
cláusula.

A cláusula compromissória é autônoma em relação ao contrato em que


estiver inserta, de tal sorte que a nulidade deste não implica, necessariamente,
a nulidade da cláusula compromissória. Caberá ao árbitro decidir de ofício, ou
por provocação das partes, as questões acerca da existência, validade e
eficácia da convenção de arbitragem e do contrato que contenha a cláusula
compromissória.

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Já o compromisso arbitral (posterior e concreta) é o


estabelecimento posterior ao conflito que esse será solucionado por meio da
arbitragem.

Art. 6º da Lei 9.307/96: Não havendo acordo prévio sobre a forma de


instituir a arbitragem, a parte interessada manifestará à outra parte sua
intenção de dar início à arbitragem, por via postal ou por outro meio qualquer
de comunicação, mediante comprovação de recebimento, convocando-a para,
em dia, hora e local certos, firmar o compromisso arbitral.

O compromisso arbitral pode ser judicial ou extrajudicial. O


compromisso arbitral judicial celebra-se por termo nos autos, perante o juízo ou
tribunal, onde tem curso a demanda. O compromisso arbitral extrajudicial é
celebrado por escrito particular, assinado por duas testemunhas, ou por
instrumento público.

AUTOCOMPOSIÇÃO

A autocomposição consiste no acordo entre as partes envolvidas no


conflito para se chegar a uma solução, ou seja, o conflito é solucionado pelas
partes sem que um agente externo defina o resultado de pacificação da lide. A
autocomposição ocorre quando há o despojamento unilateral em favor de
outrem (da vontade por este almejada); quando há aceitação ou resignação de
um dos sujeitos aos interesses do outro ou quando há concessão recíproca
efetuada pelas partes. Em tese, não há de se falar em coerção dos indivíduos.

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As modalidades de autocomposição são três: RENÚNCIA,


ACEITAÇÃO E A TRANSAÇÃO.

A renúncia ocorre quando o titular do direito, unilateralmente, dele de


despoja em favor de outrem.

A aceitação, por sua vez, ocorre quando um dos sujeitos reconhece o direito
do outro, passando a guiar-se pela plena consonância com este
reconhecimento.

Já a transação ocorre quando os sujeitos que se consideram titulares do


direito pleiteado solucionam a lide por meio de concessões recíprocas.

MEDIAÇÃO

A mediação é uma conduta pela qual um terceiro coloca-se entre as


partes e tenta conduzi-los à solução autocomposta. Didier aduz “tratar-se de
uma técnica para catalisar a autocomposição” (Curso de Direito Processual
Civil, vol. I. Didier Jr., Fredie). Na mediação, diferentemente do que ocorre na
conciliação, o foco não recai no conflito propriamente, mas se desloca para as
causas desse conflito.

A mediação surge como um instrumento de pacificação social, uma vez


que há a perspectiva de solução da lide sem qualquer decisão impositiva e
busca-se a preservação do interesse das partes litigantes.

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O mediador tem a função de conduzir, e não propor soluções ao


conflito das partes como o conciliador faz. Os litigantes devem discutir as
causas do conflito e chegar a uma solução. Assim, a função do mediador é de
induzir as partes a chegar, por elas mesmas, à solução da lide. “O sentimento
de capacidade que certamente será sentido pelas partes também é aspecto
que torna a mediação uma forma alternativa de solução de conflitos bastante
atraente.” (Neves, Daniel Amorim Assumpção, pg. 7, Manual de Direito
Processual Civil)

MÉTODOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS

Para melhor esclarecer os métodos de solução de conflitos, montamos um gráfico para


vocês. Vejamos a classificação em heterocomposição e autocomposição dos equivalente
jurisdicional.

O Juiz decide sobre o conflito


HETEROCOMPOSIÇÃO:
A VS B
Jurisdição, Arbitragem.

Maior influência do terceiro.


O Árbitro decide sobre o conflito
Fica a cargo do terceiro a Sentença/Decisão.
A VS B

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AUTOCOMPOSIÇÃO
X Y
Mediação, Conciliação e Negociação.

As partes possuem maior controle. C

Facilitação/Sugestão/Negociação. Conciliação/Sugestão

X Y

Mediação/Facilitação

X Y

Negociação/Negociação

CONCILIAÇÃO E MEDIAÇÃO (Tabela com artigos do CPC)

A solução negocial, além de ser um meio efetivo de resolução de


conflitos, é um elemento de desenvolvimento da cidadania. As partes passam a
ser protagonistas na solução do litígio. A autocomposição, assim, pode ser
compreendida como um reforço do poder das partes em regular suas
relações conflitantes. Vê-se, nestes meios de solução alternativos de conflito,
um forte caráter democrático.

A Resolução nº 125/2010 do Conselho Nacional de Justiça normatizou


a mediação e a conciliação até a edição do CPC/2015, que dedica um capítulo
inteiro a estes meios de solução de controvérsias (muitas são as chances de
cobrança destes dois equivalentes jurisdicionais. Atenção à leitura dos artigos do
CPC/2015 que versam sobre o tema).

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Dessa forma, o sistema brasileiro vem se estruturando no sentido de


estimular a autocomposição. Esse estímulo pode-se dizer que é uma efetiva
política pública a ser desenvolvida no âmbito dos Tribunais. A solução
autocomposta reduz os custos de transação envolvidos nas fases de
tramitação do processo e promove uma solução com resultados que tendem a
ser mais proveitosos às partes do que a passagem por todos os momentos do
procedimento ordinário. Vejamos o que diz o artigo 3º do CPC/2015.

CPC/2015:
Art. 3o Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito.
(Este é um mandamento Constitucional, art. 5º, inciso XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou
ameaça a direito. Veja que o Novo CPC deve observar o texto constitucional. Lembram do Neoconstitucionalismo trabalhado no
tema “Jurisdição”? Pois bem, vejam ele incidindo no art. 3º do CPC/2015)
§ 1o É permitida a arbitragem, na forma da lei.
§ 2o O Estado promoverá, sempre que possível, a solução consensual dos conflitos.
§ 3o A conciliação, a mediação e outros métodos de solução consensual de conflitos deverão
ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público,
inclusive no curso do processo judicial.

MEDIAÇÃO E CONCILIAÇÃO

Mediação e conciliação são, igualmente, formas de solução de conflitos


em que um terceiro intervém no processo conflituoso com o intuito de auxiliar
as partes envolvidas a chegar à autocomposição. Aqui não cabe ao terceiro
resolver o litígio, como ocorre na arbitragem. Cabe a ele exercer um papel
estimulante na solução negocial do litígio. Por isso, não estamos diante de uma
espécie de heterocomposição, mas, sim, diante de exemplos de
autocomposição, com a integração de um terceiro.

As duas formas são os principais exemplos de resolução alternativa de


controvérsias. A diferença entre elas é sutil, mas a doutrina as considera
técnicas distintas de autocomposição.

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O conciliador participa da negociação de modo mais ativo. Pode ele,


inclusive, sugerir às partes soluções para o litígio. É indicada, com mais
frequência, na solução de conflitos em que as partes não tenham tido vínculo
anterior.

O mediador, por seu turno, já tem um papel mais amplo. Exerce uma
atividade de comunicador das partes, é um facilitador do diálogo. Auxilia os
envolvidos a compreender as questões do conflito, para que possam chegar a
soluções consensuais. É mais indicada quando já existe uma relação anterior
entre as partes, como nas relações familiares e societárias. A mediação atinge
êxito quando as partes chegam a um resultando que gere benefícios mútuos.

Neste sentido é importante ler o artigo 165 do CPC/2015.


Art. 165. Os tribunais criarão centros judiciários de solução consensual de conflitos, responsáveis
pela realização de sessões e audiências de conciliação e mediação e pelo desenvolvimento de programas
destinados a auxiliar, orientar e estimular a autocomposição.
§ 1º A composição e a organização dos centros serão definidas pelo respectivo tribunal, observadas
as normas do Conselho Nacional de Justiça.
§ 2º O conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver vínculo anterior
entre as partes, poderá sugerir soluções para o litígio, sendo vedada a utilização de qualquer tipo de
constrangimento ou intimidação para que as partes conciliem.
§ 3º O mediador, que atuará preferencialmente nos casos em que houver vínculo anterior entre as
partes, auxiliará aos interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo que
eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si próprios, soluções consensuais que
gerem benefícios mútuos.

As duas modalidades podem ocorrer judicial ou


extrajudicialmente. Judicialmente, o mediador e o conciliador serão auxiliares
da justiça, o que implica dizer que a eles serão aplicadas as regras relativas a
este tipo de sujeito processual, inclusive no que tange às questões de
impedimento e suspeição.

A mediação e a conciliação podem ocorre em câmaras públicas, em


câmaras privadas ou em ambientes mais informais, como nos escritórios de
advocacia.

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CPC/2015:
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão
inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que
manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional.

Art. 174. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios criarão câmaras de mediação e
conciliação, com atribuições relacionadas à solução consensual de conflitos no âmbito administrativo, tais
como:
I - dirimir conflitos envolvendo órgãos e entidades da administração pública;
II - avaliar a admissibilidade dos pedidos de resolução de conflitos, por meio de conciliação, no
âmbito da administração pública;
III - promover, quando couber, a celebração de termo de ajustamento de conduta.
Art. 175. As disposições desta Seção não excluem outras formas de conciliação e mediação
extrajudiciais vinculadas a órgãos institucionais ou realizadas por intermédio de profissionais
independentes, que poderão ser regulamentadas por lei específica.
Parágrafo único. Os dispositivos desta Seção aplicam-se, no que couber, às câmaras privadas de
conciliação e mediação.

Vejamos agora quem pode exercer o papel de mediador ou conciliador.


Podem exercer essa função tanto funcionários públicos como profissionais
liberais.

CPC/2015:
Art. 167. Os conciliadores, os mediadores e as câmaras privadas de conciliação e mediação serão
inscritos em cadastro nacional e em cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal, que
manterá registro de profissionais habilitados, com indicação de sua área profissional.
§ 1o Preenchendo o requisito da capacitação mínima, por meio de curso realizado por entidade
credenciada, conforme parâmetro curricular definido pelo Conselho Nacional de Justiça em conjunto com
o Ministério da Justiça, o conciliador ou o mediador, com o respectivo certificado, poderá requerer sua
inscrição no cadastro nacional e no cadastro de tribunal de justiça ou de tribunal regional federal.
§ 2o Efetivado o registro, que poderá ser precedido de concurso público, o tribunal remeterá ao
diretor do foro da comarca, seção ou subseção judiciária onde atuará o conciliador ou o mediador os
dados necessários para que seu nome passe a constar da respectiva lista, a ser observada na distribuição
alternada e aleatória, respeitado o princípio da igualdade dentro da mesma área de atuação profissional.
§ 3o Do credenciamento das câmaras e do cadastro de conciliadores e mediadores constarão todos
os dados relevantes para a sua atuação, tais como o número de processos de que participou, o sucesso

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ou insucesso da atividade, a matéria sobre a qual versou a controvérsia, bem como outros dados que o
tribunal julgar relevantes.
§ 4o Os dados colhidos na forma do § 3o serão classificados sistematicamente pelo tribunal, que os
publicará, ao menos anualmente, para conhecimento da população e para fins estatísticos e de avaliação
da conciliação, da mediação, das câmaras privadas de conciliação e de mediação, dos conciliadores e
dos mediadores.
§ 5o Os conciliadores e mediadores judiciais cadastrados na forma do caput, se advogados, estarão
impedidos de exercer a advocacia nos juízos em que desempenhem suas funções.
§ 6o O tribunal poderá optar pela criação de quadro próprio de conciliadores e mediadores, a ser
preenchido por concurso público de provas e títulos, observadas as disposições deste Capítulo.

Quanto à remuneração ou não dessas atividades, o CPC/2015 prevê


tanto a remuneração como atuação voluntária. É importante destacar que a
remuneração dessas atividades ajuda no aprimoramento e capacitação destes
auxiliares de justiça.

CPC/2015:
Art. 169. Ressalvada a hipótese do art. 167, § 6º, o conciliador e o mediador receberão pelo seu
trabalho remuneração prevista em tabela fixada pelo tribunal, conforme parâmetros estabelecidos pelo
Conselho Nacional de Justiça.
§ 1º A mediação e a conciliação podem ser realizadas como trabalho voluntário, observada a
legislação pertinente e a regulamentação do tribunal.
§ 2º Os tribunais determinarão o percentual de audiências não remuneradas que deverão ser
suportadas pelas câmaras privadas de conciliação e mediação, com o fim de atender aos processos em que
deferida gratuidade da justiça, como contrapartida de seu credenciamento.

Dúvida: Quem escolhe esses auxiliares? Consensualmente, as partes


podem escolher o mediador e o conciliador e a câmara privada para a
realização da autocomposição. Se a escolha recair sobre um profissional não
cadastrado no tribunal, deverá ser realizado o devido cadastro deste para que
se habilite a participar.

CPC/2015:

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Art. 168 do NCPC. As partes podem escolher, de comum acordo, o conciliador, o mediador ou a
câmara privada de conciliação e de mediação.
§ 1º O conciliador ou mediador escolhido pelas partes poderá ou não estar cadastrado no tribunal.
§ 2º Inexistindo acordo quanto à escolha do mediador ou conciliador, haverá distribuição entre aqueles
cadastrados no registro do tribunal, observada a respectiva formação.
§ 3° Sempre que recomendável, haverá a designação de mais de um mediador ou conciliador.

DA AUDIÊNCIA DE CONCILIAÇÃO OU DE MEDIAÇÃO

Perguntas Respostas

Quando se inicia a audiência de Uma vez preenchido os requisitos essenciais da petição


conciliação ou mediação? inicial e se não for o caso de improcedência liminar do
pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de
mediação em um prazo mínimo de 30 (trinta) dias.

E quando o réu deve ser citado? O réu deve ser citado com pelo menos 20 (vinte) dias de
antecedência.

Há conciliador ou mediador? Sim, o conciliador ou mediador, onde houver, atuará


necessariamente na audiência de conciliação ou de
mediação.

Quantas sessões podem ocorrer na Poderá haver mais de uma sessão destinada à
audiência de conciliação e mediação? conciliação e à mediação, não podendo exceder a 2
(dois) meses da data de realização da primeira sessão,
desde que necessárias à composição das partes
(condição).

E quem faz a intimação do autor? A intimação do autor para a audiência será feita na
pessoa de seu advogado.

Quando a audiência não será realizada? I - se ambas as partes manifestarem, expressamente,


desinteresse na composição consensual;
II - quando não se admitir a autocomposição. (Vamos
relembrar um pouco sobre o que é a autocomposição: A
autocomposição consiste no acordo entre as partes envolvidas no
conflito para se chegar a uma solução, ou seja, o conflito é
solucionado pelas partes sem que um agente externo defina o
resultado de pacificação da lide. A autocomposição ocorre quando
há o despojamento unilateral em favor de outrem [da vontade por

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este almejada]; quando há aceitação ou resignação de um dos


sujeitos aos interesses do outro ou quando há concessão recíproca
efetuada pelas partes).

Quando o autor deverá apresentar o seu O autor deverá indicar, na petição inicial, seu
desinteresse pela audiência? desinteresse na autocomposição.

E o réu? Quando deverá apresentar seu Deverá o réu apresentar seu desinteresse por petição, no
desinteresse pela audiência? mínimo 10 (dez) dias antes da data da audiência.

E nos casos de litisconsórcio? Quem Havendo litisconsórcio, o desinteresse na realização da


demonstra o desinteresse? audiência deve ser manifestado por todos os
litisconsortes.

Pode haver audiência por via eletrônica? Sim. A audiência de conciliação ou de mediação pode
realizar-se por meio eletrônico, nos termos da lei.

Caso o autor ou o réu não justifique a Sim. O não comparecimento injustificado do autor ou do
ausência na audiência, poderá a eles ser réu à audiência de conciliação é considerado ato
imputada alguma sanção? atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com
multa de até dois por cento da vantagem econômica
pretendida ou do valor da causa, revertida em favor da
União ou do Estado.

É obrigatória a presença de um advogado? Sim. As partes devem estar acompanhadas por seus
advogados ou defensores públicos.

A parte poderá nomear alguém para Sim. A parte poderá constituir representante, por meio de
negociar em seu nome? procuração específica, com poderes para negociar e
transigir.

Caso a autocomposição seja obtida, é Sim. Uma vez obtida a autocomposição, esta será
necessário reduzi-la a termo? reduzida a termo e homologada por sentença.

Há tempo mínimo ou máximo entre as As pautas das audiências de conciliação ou de mediação


pautas da audiência? serão organizadas de modo a respeitar o intervalo
mínimo de 20 (vinte) minutos entre o início de uma e o
início da seguinte.

CLASSIFICAÇÃO

A jurisdição é una e indivisível, mas é comum dividi-la para efeitos


didáticos e para definição do sistema de competências, quanto ao objeto, à

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hierarquia, ao órgão. Também é possível classificá-la em contenciosa e


voluntária.

Quanto ao objeto, a jurisdição pode ser civil ou penal. São de


natureza civil todas as que não tenham caráter penal. Há doutrinadores que
discordam da limitação a essas duas espécies e incluem as outras esferas
jurisdicionais na classificação: trabalhista, militar, eleitoral.

Quanto à hierarquia, classifica-se em inferior ou superior. Inferior é a


que tem a chamada competência originária, ou seja, que recebe o processo
primeiro; a superior tem atuação recursal.

Relativamente ao órgão que a exerce, poderá ser especial e comum.


Especial é definida pela Constituição Federal com base na matéria a ser
tratada: Justiça Eleitoral, Justiça do Trabalho e Justiça Militar; sendo a comum
todo o restante (daí, falar-se em competência residual). A Justiça Comum é
composta pela Justiça Federal e pela Justiça Estadual.

 JURISDIÇÃO: pode ser nacional ou internacional. Vejamos:


Jurisdição Comum: Jurisdição Federal e Estadual.
Dividem-se em jurisdição civil e penal.
Jurisdição Nacional: UNA

Jurisdição Especial: Jurisdição trabalhista, eleitoral e


militar.
Jurisdição Internacional

 Jurisdição UNA: Adotada no Brasil: Poder Judiciário exerce a jurisdição com exclusividade (causas comuns
e administrativas). As causas que envolvem o Estado são julgadas pelo Poder Judiciário.

 Jurisdição DUAL: Adotada, por exemplo, na França. Tribunais Judiciários (causas comuns) e Tribunais

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Administrativos (causas administrativas). As causas que envolvem o Estado são julgadas pelo Poder
Administrativo.

LIVRO II: DA FUNÇÃO JURISDICIONAL


TÍTULO II: DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL E DA COOPERAÇÃO INTERNACIONAL
CAPÍTULO I: DOS LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL

Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que:
I - o réu, qualquer que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil;

II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação;
III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil.
Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa
jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal.
Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações:
I - de alimentos, quando:
a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil;
b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou
obtenção de benefícios econômicos;
II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil;
III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional.
Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao
inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade
estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional;
III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens
situados no Brasil, ainda que o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do
território nacional.
§ 2o Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1o a 4o.

Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a
autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as
disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil.

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Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a homologação de
sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no Brasil.
Art. 25. Não compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação
quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida
pelo réu na contestação.
§ 1o Não se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva previstas
neste Capítulo.

A jurisdição também, como já se mencionou, poderá ter natureza


contenciosa ou voluntária. Contenciosa é a rotineira, a conflitual, por meio da
qual a parte vai a juízo para requerer tutela de seu Direito; enquanto a
voluntária se caracteriza por não apresentar, em tese, conflito de interesses
(exemplo: homologação de acordo previamente firmado entre as partes). Nesta
espécie (voluntária), o interessado ou interessados buscam a prestação
jurisdicional do Estado quando não podem alcançar seus objetivos sozinhos,
ainda que não haja conflito. Muitos autores questionam a natureza de
Jurisdição da espécie voluntária, classificando-a como simples administração
de interesses particulares.

(TJ – CE/ Adaptada) Sobre jurisdição e ação é correto dizer que:


COMENTÁRIOS:
Pelo princípio da aderência os juízes e tribunais exercem a atividade jurisdicional apenas no território
nacional. Essa atividade é repartida de acordo com as regras de competência.

COMENTÁRIOS:

A questão está correta. Percebam que o princípio da aderência ligado ao princípio


internacional da não ingerência em assuntos de outros povos impõe os limites territoriais do
País para exercício da jurisdição pelo Estado-juiz nacional.

Gabarito: Certo

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(TST) A jurisdição é a atividade desenvolvida pelo Estado por meio da qual são resolvidos conflitos de
interesses visando-se à pacificação social. Acerca desse tema, é correto dizer que a jurisdição pode ser
classificada em comum ou especial.
a) Certo
b) Errado
Gabarito: Certo
(TST) Por seu inegável alcance social, a justiça trabalhista é exemplo claro de jurisdição comum.
a) Certo
b) Errado
Gabarito: Errado
(TST) Considerando-se a sistemática federativa vigente no Brasil, a justiça comum é dividida em federal
e estadual.
a) Certo
b) Errado
Gabarito: Certo

JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA VERSUS JURISDIÇÃO CONTENCIOSA

Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em


todo o território nacional, conforme as disposições deste Código. (Novo CPC)

A jurisdição pode ser: contenciosa ou voluntária. Vejamos cada uma


delas.

Em regra, a jurisdição contenciosa decorre de processo judicial. Ela


é marcada pelo litígio entre as partes, que, por sua vez, termina com a
sentença de mérito. Sua decisão pode ser, e comumente o é, traumática
porque beneficia uma das partes somente, causando prejuízo à outra.

A jurisdição voluntária, também conhecida como administrativa ou


integrativa, é uma atividade estatal de integração e fiscalização. Em verdade,

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não é voluntária: há obrigatoriedade, em regra, de participação do Poder


Judiciário para integrar as vontades e, dessa maneira, tornar apta a produção
de seus efeitos.

As garantias fundamentais do processo são aplicadas à jurisdição


voluntária e também aos magistrados, que estão atrelados a dois elementos:

a) Inquisitoriedade: o magistrado poderá decidir de modo contrário


à vontade das partes. A inqusitoriedade ocorre na Jurisdição contenciosa,
apenas, excepcionalmente, porque nela (contenciosa) a regra é o princípio do
dispositivo.
b) Possibilidade de decisão fundada em equidade (art. 723 do
CPC): não se observa na decisão a legalidade estrita. A sentença é baseada
nos critérios de conveniência e oportunidade. O órgão jurisdicional tem ampla
discricionariedade na condução e na decisão do processo em jurisdição
voluntária.

CLASSIFICAÇÃO DOS PROCEDIMENTOS DE JURISDIÇÃO

VOLUNTÁRIA

Não é muito comum a cobrança dessa classificação em prova,


mas façamos uma rápida e resumida análise das seguinte espécies:

1 – Receptícios: a atividade judicial limita-se a registrar, documentar


ou comunicar manifestações de vontade. Exemplo: notificações, protestos.

2 – Probatórios: a atividade jurisdicional limita-se à produção da


prova. Exemplo: justificação.

3 – Declaratórios: o magistrado limita-se a declarar a existência ou


inexistência de uma situação jurídica. Exemplo: da posse em nome do
nascituro.

4 – Constitutivos: a criação, modificação ou extinção de uma situação

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jurídica dependem da concorrência da vontade do magistrado, por meio de


autorizações, homologações, aprovações. Exemplo: interdição.

5 – Executórios: o magistrado deve exercer uma atividade prática que


modifica o mundo exterior. Exemplo: alienações de coisas.

6 – Tutelares: a proteção de interesses de determinadas pessoas que


se encontram em situação de desamparo é confiada ao Poder Judiciário –
poderá instaurar os procedimentos ex officio. Exemplo: Nomeação de
curadores.

Quanto à natureza da jurisdição voluntária, há divergência se ela é de


administração pública de interesses privados ou se de atividade jurisdicional.

a) Como administração pública – linha que tem crescido na doutrina


brasileira – parte-se do pressuposto de que a jurisdição voluntária não é jurisdição,
mas sim administração pública de interesses privados.

Isso porque não existe lide a ser resolvida nem a possibilidade de


substitutividade – o magistrado insere-se entre as partes do negócio jurídico e não as
substitui. Além disso, por não ocorrer a jurisdição, não se falaria em coisa julgada,
mas em preclusão.

b) Como atividade jurisdicional: a jurisdição voluntária tem natureza de


atividade jurisdicional. Pode ocorrer relação conflituosa nessa modalidade de
jurisdição.

Os casos de jurisdição voluntária são conflituosos em potencial e, por isso,


submetem-se ao poder judiciário.

Vamos, logo abaixo, analisar um pouco mais sobre esse assunto: jurisdição
voluntária como administração pública de interesses privados e jurisdição voluntária
como atividade jurisdicional.

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JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA COMO ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DE

INTERESSES PRIVADOS

Na doutrina brasileira, discute-se se a questão de que a jurisdição


voluntária não seria jurisdição, mas administração pública de interesses
privados realizada pelo Poder Judiciário. Essa construção doutrinária parte
da premissa, como exposto no quadro acima, de que a jurisdição voluntária,
por não possuir lide a ser solucionada, não pode ser considerada jurisdição.

Também não poderíamos falar em substitutividade uma das


características da jurisdição, porque o juiz não substitui a vontade dos sujeitos
processuais, e, sim, insere-se entre os participantes do negócio jurídico. Desse
modo, porque não há conflito, não existiriam sujeitos processuais, só meros
interessados.

Não havendo jurisdição, não haveria que se falar em ação nem em


processo, mas em requerimento e procedimento. Igualmente, não existindo
jurisdição, não há coisa julgada, mas preclusão.

Nessa modalidade de Jurisdição, a Voluntária, o juiz não é obrigado a


observar critério de legalidade estrita, podendo adotar em cada caso a solução
que considerar mais conveniente ou oportuna.

Da sentença, é bom mencionar, caberá, assim como no caso da


Contenciosa, o recurso da apelação.

Processar-se-á na forma de Jurisdição Voluntária, o pedido de:

I - emancipação;

II - sub-rogação;

III - alienação, arrendamento ou oneração de bens de crianças ou


adolescentes, de órfãos e de interditos;

IV - alienação, locação e administração da coisa comum;

V - alienação de quinhão em coisa comum;

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VI - extinção de usufruto, quando não decorrer da morte do


usufrutuário, do termo da sua duração ou da consolidação, e de fideicomisso,
quando decorrer de renúncia ou quando ocorrer antes do evento que
caracterizar a condição resolutória;

VII - expedição de alvará judicial;

VIII - homologação de autocomposição extrajudicial, de qualquer


natureza ou valor.

DIFERENÇAS DOUTRINÁRIAS ACERCA DA JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

Doutrina majoritária Doutrina minoritária (moderna)

(clássica)

Não há jurisdição Há jurisdição


JURISDIÇÃO VOLUNTÁRIA

Não existem partes no processo, meros Há partes


interessados

Não há ação nem processo, mas Há processo


requerimento e procedimento

Não faz coisa julgada, mas preclusão Há coisa julgada

É uma atividade administrativa É uma atividade jurisdicional

Não há substutividade; juiz é administrador Há substutividade: juiz é juiz. Decide sobre a lide no
exercício do poder que é investido de Jurisdição.

(TJ - ES) A jurisdição civil pode ser contenciosa ou voluntária, esta também denominada
graciosa ou administrativa. Ambas as jurisdições são exercidas por juízes, cuja atividade

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é regulada pelo Código de Processo Civil, muito embora a jurisdição voluntária se


caracterize pela administração de interesses privados pelos órgãos jurisdicionais, ou seja,
não existe lide ou litígio a ser dirimido judicialmente.
a) Certo
b) Errado
COMENTÁRIOS:
Correto. Percebam que a banca considerou correta a questão da
ausência de litígio na jurisdição, um elemento que destacamos em nossa aula,
mas que tem sido combatido pela doutrina moderna. Existe, sim, a
possibilidade de ide, embora não seja a regra.

Portanto, se na sua prova for mencionado que é possível a verificação


de conflito na Jurisdição Voluntária, sua resposta será “correto”, mas, se a
menção for de que há uma lide para ser resolvida em substituição da vontade
das partes pela atuação do Estado-juiz, a resposta será “errado”. Esta última
descrição serve à Jurisdição Contenciosa.

No enunciado da questão, a jurisdição voluntária é também nomeada


de administrativa, mais uma característica da doutrina clássica.

Gabarito: Certo

(TRT 11ª Região/ Adaptada) Sobre jurisdição, é correto afirmar:


Nos procedimentos não contenciosos, há função jurisdicional apenas sob um ponto de
vista estritamente formal.
COMENTÁRIOS:
Correto. Entre as opções oferecidas pela banca (“a” a “e”), considerou-
se correta a letra “c”, que citamos (agora em análise). Desse modo, o
entendimento clássico e majoritário é o predominante de que a jurisdição
voluntária é jurisdição apenas em seu aspecto formal, e relativamente ao
conteúdo pode ser entendida como administração de interesses particulares
pelo Poder Judiciário.

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A Teoria Revisionista, por seu turno, considera a Jurisdição Voluntária


uma jurisdição propriamente dita, já que é possível a ocorrência da lide.

O STJ já se pronunciou no sentido de que o litígio pode ou não estar


presente na jurisdição administrativa, mas não é essencial para a
propositura da ação. No mesmo sentido em que se manifestaram autores
como Alexandre de Freitas Câmara e Fredie Didier.

É exemplo de jurisdição voluntária a separação consensual (arts. 731 a


734), já que o ato judicial irá conferir validade ao negócio jurídico que se
realizar, mas acidentalmente pode haver conflito na separação consensual; diz-
se acidentalmente porque não é parte essencial do negócio jurídico. Percebam
a diferença, na qualidade de voluntária, a jurisdição não tem como aspecto
essencial a lide, mas é um possível elemento acidental, ou seja, que pode vir a
ocorrer num dado momento; enquanto na qualidade de contenciosa, a lide
está virtual/real e essencialmente ligada à jurisdição.

Didier cita os casos de interdição e de retificação de registro como


procedimentos de jurisdição voluntária que normalmente dão ensejo a
controvérsias. De fato não são raros os casos em que surgem questões que
devem ser solucionadas pelo magistrado, por exemplo, as divergências entre o
pai e o menor que queira se emancipar (jurisdição voluntária com lide
acidental).

“É por isso que se impõe a citação dos possíveis interessados, que


podem, de fato, não opor qualquer resistência, mas não estão
impedidos de fazê-lo. São frequentes os casos em que, em pleno
domínio da jurisdição voluntária, surgem verdadeiras questões a
demandar juízo do magistrado.” (Didier)

Outra distinção que pode ser considerada entre Jurisdição


Voluntária e Contenciosa refere-se, ainda, à pretensão. Nesse aspecto, vale
destacar: pode haver processo sem lide, mas não há processo sem
pretensão. O Juiz exerce a função jurisdicional quando provocado – esta

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provocação é que chamamos de pretensão e, por meio dela, dá-se a


integração da jurisdição voluntária ou da jurisdição contenciosa.

Não se debrucem em demasia sobre estas contradições, pelo


menos, não para o concurso. Como bem disse Leonardo Greco, “todos esses
critérios são imperfeitos, porque a jurisdição voluntária abrange uma variedade
tão heterogênea de procedimentos, nos quais sempre vamos encontrar o
desmentido de um ou de outro desses critérios”.

Leiam este elucidativo acórdão do STJ, em que grifamos


os trechos mais importantes sobre a matéria:

[...] não parece adequado afirmar categoricamente que na jurisdição voluntária não há
bem litigioso e tampouco lide.
A mais recente doutrina processualista tem ressaltado o equívoco em se qualificar a
chamada jurisdição administrativa de atividade não jurisdicional em razão da suposta ausência de lide.
Afirma-se, modernamente, que a jurisdição voluntária não equivale a demanda sem lide.
O litígio pode ou não verificar-se no seio da jurisdição administrativa: ele apenas não é essencial para a
propositura da ação.
[...]
Para ilustrar a atenuação que se verifica na diferenciação entre a jurisdição voluntária e a jurisdição
contenciosa, transcrevo trecho da obra de Leonardo Greco (GRECO, Leonardo. Jurisdição Voluntária
Moderna. São Paulo: Editora Dialética, 2003, p. 23):
Apesar das divergências de opinião, há algumas características que geralmente são apontadas pela
doutrina para diferenciar a jurisdição contenciosa e a jurisdição voluntária.
Na primeira haveria lide, na segunda não; na primeira haveria partes em posições subjetivas antagônicas,
na segunda apenas um ou mais interessados concordantes em suas postulações; a primeira
incidiria sobre situações fáticas preexistentes, enquanto a segunda teria caráter constitutivo; a primeira
seria repressiva e a segunda preventiva; na primeira, a atividade judicial seria substitutiva da vontade das
partes, na segunda os interessados dependeriam da concorrência da vontade estatal manifestada pelo
juiz, sem a qual não poderiam isoladamente alcançar o efeito jurídico almejado; na primeira o juiz tutelaria
direitos subjetivos, enquanto na segunda, meros interesses; na primeira, os procedimentos previstos em
lei não seriam exaustivos, na segunda o juiz somente poderia atuar com expressa previsão legal; na
primeira haveria formação da coisa julgada, na segunda não; na primeira o juiz estaria adstrito ao pedido
do autor, enquanto na segunda o juiz poderia agir de ofício ou adotar providência diversa da que lhe fosse
requerida.
Todos esses critérios são imperfeitos, porque a jurisdição voluntária abrange uma variedade tão

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heterogênea de procedimentos, nos quais sempre vamos encontrar o desmentido de um ou de outro


desses critérios.
REsp 942.658-DF, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, j. 2.6.2011.

ESCOPOS DA JURISDIÇÃO

O estudo da jurisdição pode ter em consideração os objetivos que


persegue. Distinguindo-se em: escopo jurídico, social, educacional e político.

O escopo jurídico decorre da efetiva aplicação da vontade da lei, dando


fim à lide. Já está vencido o entendimento de que esse seria o único objetivo
da jurisdição (aplicação da lei; fim do conflito).

No escopo social, pretende-se a pacificação social, de modo que se


resolva a lide de caráter social. Nesse escopo, a jurisdição não tem como
intenção fundamental a solução do conflito jurídico, mas a solução no plano
fático, que traga a maior satisfação possível às partes.

A transação consiste, assim, em excelente modo de alcançar esses


objetivos, porque ocorre a partir da cessão mútua de interesses e tende a
extinguir o conflito sem imposição severa a alguma das partes (solução do
conflito (fático); satisfação das partes).

O escopo educacional deriva da função de divulgar (ensinar) a todos os


jurisdicionados, incluindo-se – obviamente – as partes envolvidas no processo,
quais os seus direitos e deveres. É escopo bem amplo, que ganhou
importância nos julgados contemporâneos, que se revestem de verdadeiro
caráter didático. Os mais importantes julgamentos são acompanhados por
meios de comunicação, que os tornam acessíveis a grande número de
indivíduos (divulgação dos direitos e deveres de todos os jurisdicionados).

O escopo político, por sua vez, prisma pelo bom funcionamento


jurisdicional que eleva a credibilidade do Estado perante os indivíduos e, desse

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modo, estimula a participação democrática por meio do processo (estimula a


participação democrática).

PRINCÍPIOS INERENTES À JURISDIÇÃO

INVESTIDURA

O Poder Judiciário possui um caráter inanimado e, por isso, necessita


escolher pessoas para representar o Estado no exercício concreto da atividade
jurisdicional. Investido do poder jurisdicional, o juiz (sujeito escolhido para ser o
agente público representante do Estado), também chamado de Estado-Juiz, é
o responsável pela solução da lide.

No Brasil, existem duas maneiras de obter a investidura: o concurso


público (art. 93, I, CF) e indicação do Poder Executivo (quinto constitucional –
art. 94 da CF).

 Somente a autoridade investida de poder jurisdicional pode


exercer a jurisdição.
 Tanto a jurisdição civil, voluntária como a contenciosa é exercida
pelos Juízes, em todo o território nacional – a jurisdição é UNA.

(Furnas) Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o


interessado a requerer, nos casos e forma legais. Assim sobre jurisdição é correto afirmar
que a jurisdição
a) civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional.
b) civil é contenciosa e involuntária e é exercida pelos juízes, em todo o território
nacional.
c) civil é voluntária, exercida pelos juízes de paz, em todo o território nacional e
internacional.
d) militar, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes estaduais, em todo o território
nacional.

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e) civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional e


internacional.
COMENTÁRIOS:
Letra a é a correta. A jurisdição, seja contenciosa ou voluntária, é
exercida pelos juízes. Os juízes são investidos de jurisdição para atuar em todo
o território nacional conforme sua competência.

O erro da letra B está em mencionar jurisdição involuntária, modalidade


que não existe.

Na letra C, o erro está em mencionar os juízes de paz como aqueles


investidos de jurisdição.

Erro da letra D: A jurisdição militar é da competência dos Juízes-


Auditores, integrante da Justiça Militar da União (vide Lei nº 8.457, de 4 de
setembro de 1992), não pelos juízes estaduais.

Erro da letra E: Os juízes nacionais não têm jurisdição internacional.

Gabarito: A

(Procurador Maricá-RJ) A jurisdição é entendida como o:


a) poder do juiz em prolatar sentenças
b) poder do juiz em efetivar pretensões
c) poder do juiz em possibilitar a todos uma prestação jurisdicional
d) poder-dever-atribuição do Estado em possibilitar a todos uma prestação jurisdicional
e) poder do STF, na solução superior das demandas.
COMENTÁRIOS:
Único item com resposta adequada é a letra “D”. Já que a jurisdição
confere ao Estado-juiz mais do que um poder, mas um dever, uma atribuição
de prestar a tutela jurisdicional pleiteada.

Gabarito: D

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TERRITORIALIDADE

A autoridade dos juízes será exercida nos limites territoriais do seu


Estado. Assim, a jurisdição é exercida em um dado território (art. 60 e 255).

Existem, no entanto, exceções ao princípio da territorialidade.


Situações em que o juízo poderá praticar atos fora de sua comarca ou seção
judiciária. Um exemplo é a citação pelo correio (art. 247, caput, CPC/2015).

 Esse princípio é uma forma de limitação do exercício da


jurisdição.

INDELEGABILIDADE

Deve ser analisado por meio de dois prismas, o externo, tendo a


Constituição Federal atribuído a função jurisdicional ao Poder Judiciário, não
pode delegar tal função a outros poderes ou órgãos. Exceção: “função estatal
atípica”; e o interno, em que a competência atribuída a um órgão jurisdicional
para analisar uma demanda não poderá ser delegada a outro.

 O exercício da função jurisdicional não pode ser delegado. Não é


possível delegar o poder decisório a outro órgão, pois violaria a regra da
competência e o princípio do juiz natural. No entanto, existem hipóteses de
delegação a outros poderes judiciais, como o poder de execução das decisões.

INEVITABILIDADE

O princípio da inevitabilidade ocorre em dois momentos distintos.


Primeiro, quando os sujeitos do processo sofrem a vinculação obrigatória ao
processo judicial, ou seja, uma vez integrantes da relação jurídica processual,
os sujeitos não podem, independendo de concordância ou vontade, deixar de
cumprir o chamado jurisdicional.

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Segundo, em consequência da integração obrigatória, os sujeitos ficam


em um estado de sujeição – suportam todos os efeitos da decisão judicial, mais
uma vez, independentemente de gostar ou concordar com ela.

 Devem as partes submeter-se à decisão do órgão jurisdicional.

INAFASTABILIDADE

De acordo com o inciso XXXV do art. 5o da CF, a lei não pode excluir
da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça de direito. O
acesso à ordem jurídica adequada não pode ser negado a quem tem justo
direito ameaçado ou prejudicado.

Esse princípio também pode ser analisado sob o aspecto da relação


entre a jurisdição e a solução administrativa de conflitos. Nessa visão, o sujeito
não é obrigado a utilizar os mecanismos administrativos antes de provocar o
poder judiciário em razão de ameaça de lesão ou lesão ao direito. No entanto,
há exceções, como:

 Nas questões desportivas: art. 217, § 1° da CF: O Poder


Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas
após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei.
 O juiz não pode invocar a lacuna da lei e deixar de julgar o
processo.
 Não é necessário esgotar as vias administrativas para provocar o
Poder Judiciário. O interessado pode procurar tanto a via administrativa como a
judiciária.

JUIZ NATURAL

O princípio do juiz natural apresenta duas facetas: a primeira


relacionada ao órgão jurisdicional e a segunda com a pessoa do juiz – a
imparcialidade do magistrado.

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O primeiro aspecto do princípio quer assegurar que os processos


sejam julgados pelo juízo competente, ou seja, que a competência
constitucional preestabelecida seja cumprida. Já o segundo aspecto surge para
garantir que o juiz responsável pelo julgamento da demanda seja imparcial.
Trata-se da essencial exigência de imparcialidade que permite que o
julgamento do processo seja justo. Em razão dessa segunda faceta, as leis
processuais estabelecem as causas de impedimento e suspeição do
magistrado.

 Hipóteses de Impedimento do Juiz

Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas funções no


processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito, funcionou
como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou
membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau, inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou companheiro,
ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,
inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de pessoa
jurídica parte no processo;
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer
das partes;
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha relação
de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu
cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou
colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado de

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outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.
§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o
defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o
processo antes do início da atividade judicante do juiz.
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar
impedimento do juiz.
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de
mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus
quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista, mesmo
que não intervenha diretamente no processo.

 Hipóteses de Suspeição do Juiz

Art. 145. Há suspeição do juiz:


I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa antes
ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes acerca do
objeto da causa ou que subministrar meios para atender às despesas do litígio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu cônjuge
ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das partes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem
necessidade de declarar suas razões.
§ 2o Será ilegítima a alegação de suspeição quando:
I - houver sido provocada por quem a alega;
II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta
aceitação do arguido.

É uma cláusula do devido processo legal. Uma garantia fundamental


implícita que se origina da conjugação dos seguintes dispositivos
constitucionais: o dispositivo que proíbe o tribunal ou juízo de exceção é o que
determina que ninguém poderá ser processado senão pela autoridade

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competente. Ele se caracteriza pelo aspecto formal, objetivo, substantivo e


material.

A determinação de um juízo não pode ocorrer post facto ou ad


personam. Assim, os critérios para a sua determinação devem ser impessoais,
objetivos e pré-estabelecidos.

A garantia do juiz natural advém dos princípios da imparcialidade e da


independência atribuída aos magistrados. As garantias do juiz natural são
respeitadas por meio das regras de distribuição – critérios prévios, objetivos,
gerais e aleatórios para a identificação do juízo responsável pela causa. O
desrespeito ao princípio da distribuição implicará incompetência absoluta do
juízo.

Não viola o princípio do juiz natural a criação de varas especializadas,


as regras por prerrogativa de função, a instituição de Câmaras de Férias em
tribunais.

Dúvida: Por que não há violação ao princípio do juiz natural nos


casos citados? Porque nos três casos acima são situações em que as regras
são gerais, abstratas e impessoais.

- Art. 5º, CF: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País
a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:

(...) XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção.

 Comentários:

Aos Tribunais de exceção (juízo extraordinário) contrapõe-se o juiz natural,


pré-constituído pela Constituição Federal e por Lei.

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Em uma primeira acepção, o princípio do juiz natural apresenta duplo


significado:

1) Somente o juiz é o órgão investido de jurisdição;

2) Impede a criação de Tribunais de Exceção e ad hoc, para o


julgamento de causas penais e civis.

Modernamente, porém, este princípio passa a englobar a proibição de


subtrair o juiz competente. Assim, a garantia desdobra-se em três
conceitos:

1) Só são órgãos jurisdicionais os instituídos pela CF;

2) Ninguém pode ser julgado por tribunal constituído após a ocorrência


do fato;

3) Entre os juízes pré-constituídos vigora a ordem taxativa de


competências que exclui qualquer alternativa deferida à
discricionariedade de quem quer que seja.

Vejamos:

O tribunal (ou juízo) de exceção é aquele formado temporariamente para


julgar:

a) Um caso específico – Tribunal ad hoc;

b) Após o delito ter sido cometido designa o juízo – ex post facto;

c) Para um indivíduo específico – ad personam.

Exemplo de Tribunal de exceção: Tribunal de Nuremberg criado pelos aliados


para julgar os nazistas pelos crimes cometidos na 2° Guerra Mundial.

É constituído ao oposto dos princípios constitucionais do direito processual


civil – do contraditório e da ampla defesa, do juiz natural.

E qual o problema dos tribunais de exceção? O primeiro é que eles


invariavelmente não são imparciais. O segundo é que a pessoa, ao ser

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julgada por um tribunal de exceção, perde algumas das garantias do


processo, como a do duplo grau de jurisdição e do juiz natural.

Terceiro, o Tribunal de exceção não necessariamente é formado por juristas,


podendo ser composto por qualquer pessoa, ferindo, dessa forma a garantia
constitucional do juiz competente:

(...) LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela


autoridade competente (art. 5°).

COMENTÁRIOS:
(Procurador Itaboraí-RJ) A jurisdição, em todos os países, é informada por alguns princípios
fundamentais universalmente reconhecidos, como:
a) aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural
b) investidura, indelegabilidade, juiz natural
c) competência, investidura, aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural,
inércia
d) aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural, inércia
e) investidura, aderência ao território, indelegabilidade, inafastabilidade, juiz natural, inércia.
COMENTÁRIOS:
Percebam que a banca considerou correto o item que expôs os princípios
corretamente e de modo mais completo: letra E. O erro da letra “c” está em considerar
a competência um princípio, quando na verdade é um limite à jurisdição.

Gabarito: E

CARACTERÍSTICAS DA JURISDIÇÃO

UNIDADE

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Para a consagrada doutrina clássica, a jurisdição é uma função


exclusiva do Poder Judiciário, exercida pelo magistrado, que decide
monocraticamente ou por órgãos colegiados. A jurisdição é o poder-dever de o
Estado dizer e realizar o direito, consistente num poder uno. Há uma jurisdição
por Estado.

Só há uma função jurisdicional, de outro modo, se houvesse várias


jurisdições, estaríamos diante de várias soberanias, portanto, de vários
Estados. Contudo, nada impede que esse poder, que é uno, seja exercido por
diversos órgãos, que recebem cada qual suas competências. O poder é uno,
mas pode ser limitado pelas competências.

Assim, a jurisdição, como já foi dito, é UNA. É importante ressaltar que


a distribuição funcional da jurisdição em órgão não faz com que ela perca sua
característica de unidade. Essa distribuição tem efeito organizacional.

SECUNDARIEDADE

A Jurisdição tem a característica da secundariedade por ser acionada


quando surge um litígio. Num primeiro momento, espera-se que o Direito seja
realizado independente do poder judiciário.

Exemplo: regra geral, o locatário paga o aluguel sem que o locador


recorra à justiça, assim como o pai paga a prestação alimentícia ao seu filho.
Percebam que nesses dois casos, o direito é realizado sem a atuação do
judiciário. Contudo, se o pai ou o locatário deixam de cumprir com os seus
deveres, a outra parte poderá provocar o judiciário para ter o seu direito
garantido. E é nesse contexto que se diz ter a jurisdição a característica de
secundariedade.

Uma observação a ser considerada é o fato de que, atualmente, se


observa no judiciário a perda dessa característica, já que há um aumento
considerado de demandas judiciais sem que nenhuma medida extrajudicial

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tenha sido tomada anteriormente. Esse fenômeno ocorria com frequência, por
exemplo, no INSS, em que a parte buscava o efeito previdenciário direto no
judiciário sem que qualquer pedido administrativo fosse encaminhado
anteriormente.

Até que o Supremo Tribunal Federal deu parcial provimento ao


Recurso Extraordinário (RE) 631240, com repercussão geral reconhecida, no
qual o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) defendeu a necessidade de
requerimento administrativo antes de o segurado recorrer à Justiça para a
concessão de benefício previdenciário. O Plenário considerou, em decisão
majoritária, que a exigência não feriria o livre acesso à Justiça (artigo 5º,
inciso XXXV, da Constituição), uma vez que o pedido anterior, no âmbito
administrativo, serve para caracterizar a lesão ou ameaça de direito, que, por
sua vez, será questionada judicialmente.

SUBSTITUTIVIDADE

Trabalhamos a substituvidade no início da aula. No entanto, vamos


falar mais sobre essa característica. Regra geral, as relações jurídicas se
formam, desenvolvem e extinguem sem dar origem a litígios. É o que acontece,
por exemplo, nos instrumentos extrajudiciais da transação (concessões
mútuas) e da conciliação (transação obtida em audiência).

O Estado é chamado a atuar somente quando frustradas as tentativas


de conciliação extrajudiciais. Assim, quando o Estado participa do litígio, ele é
um terceiro que substitui a vontade daqueles diretamente interessados na
relação de direito material, teremos, assim, a característica da substitutividade.

IMPARCIALIDADE

Aqueles que integram a jurisdição e o próprio Estado-Juiz devem ser


imparciais para que o exercício da jurisdição seja legítimo. Deve predominar,

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no exercício da jurisdição, o interesse geral, a igualdade entre as partes tanto


de tratamento como de oportunidade em participar no convencimento do juiz.
Por isso se diz que a jurisdição é uma atividade imparcial do Estado.

Atente-se para o fato de que ao advogado, ainda que indispensável,


não se exige imparcialidade, como também não é exigida dos demais agentes.
Eles, por atuarem no interesse da parte, devem ser parciais.

CRIATIVIDADE

O Estado-Juiz, ao final do julgamento de uma lide, inova a ordem


jurídica ao criar uma norma individual que passará a atuar no caso concreto.
Essa norma será uma sentença ou um acórdão. Regra geral, nela o juiz
declara o direito, que aplica a norma aos fatos. No entanto, a prestação
jurisdicional vai além, e inova o mundo jurídico.

O Estado-Juiz não somente aplica a lei ao caso concreto, há um


processo de criação, pelo qual se exige do juiz uma postura ativa, fazendo com
que ele analise cada caso e suas especificidades de modo a encontrar uma
solução consensual com os preceitos constitucionais e legais. Por isso que a
jurisdição tem um caráter criativo.

INÉRCIA

O Estado só pronunciará o direito se provocado, pois a jurisdição tem


como uma de suas características a inércia – daí vem o ditado “a justiça não
socorre aos que dormem”. No entanto, uma vez que o Estado-juiz seja
provocado, ele agirá por impulso oficial, de ofício.

O princípio da inércia encontra algumas exceções expressamente


previstas em lei, o art. 63 § 3º do CPC/15 é uma exceção a tal regra, já que

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permite a atuação do juiz no processo de ofício, ou seja, sem que tenha havido
provocação das partes.

Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e


do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e
obrigações. [...]

§ 3º Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode


ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos
ao juízo do foro de domicílio do réu.

O CPC/15 suprimiu a regra de que o Juiz poderia de ofício abrir o


inventário, prevista no art. 989 do CPC/73. Portanto, aqueles legitimados pelos
artigos 615 e 616 do CPC/15 poderão requerer a abertura do inventário.

DEFINITIVIDADE

Essa característica permite a jurisdição ser tornar imutável. A essa


característica dá-se o nome de coisa julgada. A estabilidade concedida à
jurisdição varia de acordo com sua natureza. As decisões de mérito são as que
gozam do maior grau de estabilidade: a coisa julgada material – garantia
fundamental do cidadão. Apesar de elevado grau de estabilidade, o próprio
ordenamento jurídico prevê exceções. Exemplo disso, temos nos casos em que
a ação rescisória é cabível.

Já as decisões que não analisam o mérito (coisa julgada formal) têm


um grau de estabilidade reduzido, pois nas decisões em que não se decide o
mérito, não há o impedimento de que haja nova propositura da demanda,
podendo o juiz decidir de modo contrário ao proferido na primeira sentença.

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LIDE

Na concepção clássica de Carnelutti, a lide é o conflito de interesses


qualificado por uma pretensão resistida. Assim, a jurisdição tem a função de
compor, de maneira justa, a lide – a provocação do judiciário está condicionada
à necessidade da parte em obter o bem da vida. O bem da vida, por sua vez,
consiste em afastar a resistência criada pela outra parte, trata-se de fenômeno
de caráter fático-jurídico (ou ainda sociológico) anterior ao processo.

Conceito de jurisdição: a jurisdição consiste no poder conferido ao


estado, por meio dos seus representantes, de atuar no caso concreto quando
há situação que não pôde ser dirimida no plano extrajudicial, revelando a
necessidade da intervenção do estado para que a controvérsia estabelecida
seja solucionada.

Conceitos clássicos

A substitutividade consiste em dizer que o Estado, na figura do juiz, ao solucionar a lide, estaria substituindo a
vontade das partes, proibidas que elas estariam de, em regra, fazer valer a justiça do mais forte (característica
do conceito de jurisdição tradicional).

A definitividade diz respeito ao caráter de imutabilidade da sentença, que faz coisa julgada material
(característica do conceito moderno de jurisdição).

Equivalentes jurisdicionais: o Estado não detém exclusividade na solução de conflitos. Existem as conhecidas
formas alternativas:

Classificação: civil ou penal; inferior ou superior; especial ou comum;


contenciosa ou voluntária.

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Princípios inerentes à jurisdição: investidura, territorialidade,


indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade e do juiz natural.

Forma mais antiga de resolver conflitos. Ocorre o sacrifício integral do


interesse de uma das partes, pelo uso da força da outra parte. O Código Civil
AUTOTUTELA (AUTODEFESA)
prevê casos excepcionais em que pode ser empregada. Exemplos: legítima
defesa (art. 188, I, do CC) e desforço imediato no esbulho (art. 1.210,
parágrafo 1º do CC).
Essa forma de solução de controvérsia pode ser totalmente revista pelo poder
judiciário. Essa característica é um elemento marcante da autotutela.

Consiste no comum acordo entre as partes envolvidas no conflito para chegar


a uma solução. Classifica-se em unilateral, quando há renúncia ou submissão
de uma das partes.
AUTOCOMPOSIÇÃO
E bilateral, o que é mais comum, ambas as partes abrem mão de uma parcela
de sua pretensão em favor da outra – é a transação.

Viabiliza-se quando há concordância entre as partes de submeter o conflito,


ou a questão, ao árbitro (terceiro imparcial, que, por acordo das partes
litigantes, resolve uma questão). Os motivos que levam os contratantes a
ARBITRAGEM optarem pela arbitragem em detrimento da jurisdição são, principalmente,
rapidez e economia.
Os árbitros não são condicionados a muitos formalismos, podem ser
autorizados pelas partes a, até mesmo, decidirem por equidade ou utilizarem
leis específicas.

Características: Unidade, secundariedade, substitutividade, imparcialidade,


criatividade, inércia, definitividade, lide.
Jurisdição Contenciosa e Voluntária: Contenciosa é a rotineira, a
tradicional; enquanto a voluntária é que assim se classifica por não ter conflito
de interesses como questão principal a ser solucionada
Jurisdição contenciosa e voluntária resumidamente: De acordo
com o art. 16 do CPC/2015: A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos
tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código.

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Jurisdição Voluntária: Não existe litígio entre as partes. Nesse caso, há homologação de pedidos
que não impliquem litígio, ou seja, não se resolve conflitos, mas apenas tutela interesses.
 Participação do Estado, requerentes com interesses comuns e jurisdição integrando e validando o
negócio jurídico.
Relação Processual Não-Triangular da Jurisdição Voluntária:

INTERESSADOS JUIZ

Jurisdição Contenciosa: Pressupõe conflito entre as partes a ser solucionado pelo magistrado. É por
meio da jurisdição contenciosa que se alcança uma solução para a lide.
 Formação de litígio, sujeitos com interesses opostos e jurisdição compondo e solucionando o conflito.
Jurisdição Contenciosa:
 - Características:
 Unidade, imparcialidade, secundariedade, substitutividade, instrumentalidade.
 - Princípios:
 Improrrogabilidade, indeclinabilidade, juiz natural.
 Relação Processual Triangular da Jurisdição Contenciosa:
JUIZ

AUTOR RÉU

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- O princípio do juiz natural apresenta duas facetas: a primeira relacionada ao órgão jurisdicional e
Princípio do Juiz Natural

a segunda com a pessoa do juiz – a imparcialidade do magistrado.

Juiz Natural em sentido Formal Juiz Natural em sentido Material


1) Garantia da proibição da existência de 1) Imparcialidade do juiz.
Tribunais de exceção.
2) Contra o juiz se podem alegar as
2) Respeito às regras de competência: (...)
razões de suspeição e impedimento
LIII - ninguém será processado nem
sentenciado senão pela autoridade (arts. 144 e 145 do CPC/2015).
competente (art. 5°, CF).

Juiz Natural possui competência constitucional e foi investido de maneira regular na jurisdição.

QUESTÕES DA AULA

1. (TJ CE) Aponte, dentre os princípios processuais abaixo, aquele que não tem
previsão explícita na Constituição Federal:
a) Juiz natural.
b) Duplo grau de jurisdição.
c) Devido processo legal.
d) Acesso à justiça.

2. (TJ MA/Adaptada) Julgue o item abaixo:


O princípio do Juiz Natural pode ser encontrado na Constituição federal no artigo onde
expressa que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente ou por juízo ou tribunal de exceção.

3. (TJ MA/Adaptada) São manifestações do princípio processual do devido processo


legal as seguintes garantias: acesso à justiça, igualdade de tratamento, publicidade dos
atos processuais, contraditório, ampla defesa, julgamento por juiz natural e competente,
de acordo com provas obtidas licitamente por decisão fundamentada.

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4. (SERPRO/Adaptada) Relativamente aos princípios constitucionais do processo


civil, é correto afirmar-se que: O princípio do juiz natural consiste exclusivamente na
proibição de tribunais de exceção.

5. (MP-SP Promotor de Justiça) O Estado democrático de direito e o juiz natural:


a) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos
procedimentos de jurisdição voluntária.
b) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos
processos contenciosos.
c) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões somente nos processos
contenciosos (objetivos e subjetivos).
d) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões tanto nos processos
contenciosos como nos procedimentos de jurisdição voluntária.
e) Permitem a parcialidade do juiz destinada a realizar os objetivos fundamentais da
República Federativa do Brasil.

6. (STJ) Quanto aos princípios constitucionais e gerais do direito processual civil,


julgue o item abaixo.
O ato do presidente de um tribunal que designa um juiz substituto para atuar em
determinado feito, após o juiz titular e seu substituto legal terem afirmado sua suspeição
para atuar na ação, não viola o princípio do juiz natural, já que o afastamento daqueles
originalmente competentes para o julgamento se deu com base em motivo legal, e não,
por ato de exceção.

7. (DPF) Considere que A proponha contra B ação para reparação de dano causado
em acidente de veículo ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. Em face dessa
consideração, julgue o item a seguir, relativo à competência.
As partes podem, desde que estejam de comum acordo, estabelecer o foro competente
para a causa, elegendo, por exemplo, o juízo da 1.ª Vara Cível para processar o feito,
sendo previsto no Código de Processo Civil o foro de eleição quando se tratar de
competência territorial.

8. (TRT 22ª Região) A indeclinabilidade é uma característica


a) da ação.
b) da jurisdição.
c) do processo.
d) da lide.

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e) do procedimento.

9. (TRT 19ª Região) A respeito da jurisdição e da ação, considere:


I. Nenhum juiz prestará tutela jurisdicional, senão quando a parte ou o interessado a
requerer, nos casos e formas legais.
II. O direito de ação é objetivo, decorre de uma pretensão e depende da existência do
direito que se pretende fazer reconhecido e executado.
III. Na jurisdição voluntária, não há lide, tratando-se de forma de administração pública de
interesses privados.
É correto o que se afirma APENAS em
a) II.
b) II e III.
c) I.
d) I e II.
e) I e III.

10. (TJ PA) Jurisdição é


a) a faculdade atribuída ao Poder Executivo de propor e sancionar leis que regulamentem
situações jurídicas ocorridas na vida em sociedade.

b) a faculdade outorgada ao Poder Legislativo de regulamentar a vida social,


estabelecendo, através das leis, as regras jurídicas de observância obrigatória.

c) o poder das autoridades judiciárias regularmente investidas no cargo de dizer o direito


no caso concreto.

d) o direito individual público, subjetivo e autônomo, de pleitear, perante o Estado a


solução de um conflito de interesses.

e) o instrumento pelo qual o Estado procede à composição da lide, aplicando o Direito ao


caso concreto, dirimindo os conflitos de interesses.

11. (TCE RO – Adaptada) A garantia do juiz natural admite a pré-constituição, por lei,
de critérios objetivos de determinação da competência.

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12. (TJ-RR) Pelo princípio da aderência os juízes e tribunais exercem a atividade


jurisdicional apenas no território nacional. Essa atividade é repartida de acordo com as
regras de competência.

13. (TST) A jurisdição é a atividade desenvolvida pelo Estado por meio da qual são
resolvidos conflitos de interesses visando-se à pacificação. Acerca desse tema, é correto
dizer que a jurisdição pode ser classificada em comum ou especial.

14. (TST) Por seu inegável alcance social, a justiça trabalhista é exemplo claro de
jurisdição comum.

15. (TST) Considerando-se a sistemática federativa vigente no Brasil, a justiça comum


é dividida em federal e estadual.

16. (TCU/Adaptada) No que concerne aos princípios processuais e à jurisdição, julgue


o item que se segue. Na jurisdição contenciosa, o Estado, em substituição às partes,
resolve a lide submetida a sua apreciação, sendo inadmitida, após a instauração do
processo contencioso, a composição entre as partes.

17. (TRF 1ª Região/Adaptada) Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos


equivalentes jurisdicionais.
a) Na jurisdição voluntária, a lei confere maior flexibilidade ao julgador para conduzir o
processo, mas o obriga à observância de critérios de legalidade estrita quando da
prolação da sentença.

b) A imparcialidade é a característica da jurisdição contenciosa que impede o julgador de


determinar, de ofício, a produção de prova em juízo.

c) A autodefesa, excepcionalmente permitida no direito brasileiro para a composição da


lide, pode ocorrer antes ou durante o processo.

d) Na arbitragem, as partes podem escolher a norma de direito material a ser aplicada para
a solução do conflito.

e) Configura exceção à regra da indelegabilidade da jurisdição a expedição de carta


precatória que delegue a oitiva de testemunha a outro juízo.

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QUESTÕES COMENTADAS

1. (TJ CE) Aponte, dentre os princípios processuais abaixo, aquele que não tem
previsão explícita na Constituição Federal:

a) Juiz natural.

b) Duplo grau de jurisdição.

c) Devido processo legal.

d) Acesso à justiça.

COMENTÁRIOS:

No art. 5° da CF/88 encontramos a resposta a essa questão:

XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção – princípio do juiz


natural. Também relaciona-se a esse princípio o inciso LIII do mesmo artigo:
ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente.

LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o


devido processo legal.

Quanto ao acesso à justiça:

XXXV - a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou


ameaça a direito.

LXXIV - o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos


que comprovarem insuficiência de recursos

Entre os princípios elencados na questão, só não há expressa menção


ao princípio do duplo grau de jurisdição na Constituição da república/1988.

Gabarito: B

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2. (TJ MA/Adaptada) Julgue o item abaixo:

O princípio do Juiz Natural pode ser encontrado na Constituição federal no artigo onde
expressa que ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade
competente ou por juízo ou tribunal de exceção.

COMENTÁRIOS:

O problema da afirmativa está na parte final, porque contradiz o inciso


XXXVII (art. 5° da Carta Magna), que dispõe: não haverá juízo ou tribunal de
exceção. O tribunal de exceção está em posição antagônica ao juiz natural. A
afirmação de um é a negação dou outro.

Gabarito: Errado

3. (TJ MA/Adaptada) São manifestações do princípio processual do devido processo


legal as seguintes garantias: acesso à justiça, igualdade de tratamento, publicidade dos
atos processuais, contraditório, ampla defesa, julgamento por juiz natural e competente,
de acordo com provas obtidas licitamente por decisão fundamentada.

COMENTÁRIOS:

Todas essas garantias visam a assegurar o devido processo legal, que


é um supraprincípio, tendo como corolários vários outros previstos
constitucionalmente. A lista da questão é exemplificativa, de modo que, se
houvesse termos como “somente” ou “exclusivamente” tornariam a questão
errada.

Gabarito: Certo

4. (SERPRO/Adaptada) Relativamente aos princípios constitucionais do processo


civil, é correto afirmar-se que: O princípio do juiz natural consiste exclusivamente na
proibição de tribunais de exceção.

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COMENTÁRIOS:

O princípio do juiz natural apresenta duas facetas: a primeira


relacionada ao órgão jurisdicional e a segunda com a pessoa do juiz – a
imparcialidade do magistrado. O juiz natural possui competência constitucional
e foi investido de maneira regular na jurisdição.

Juiz Natural em sentido Formal:

1) Garantia da proibição da existência de Tribunais de exceção.

2) Respeito às regras de competência: (...) LIII - ninguém será processado


nem sentenciado senão pela autoridade competente (art. 5°, CF).

Juiz Natural em sentido Material:

Imparcialidade do juiz. Contra o juiz se podem alegar as razões de suspeição e


impedimento (arts. 144 e 145 do CPC/2015).

Pois bem, como exposto o princípio do juiz natural não consiste


exclusivamente na proibição de tribunais de exceção. Engloba nesse princípio
a imparcialidade, o respeito às regras de competência e a garantia da proibição
de Tribunais de exceção.

Gabarito: Errado

5. (MP-SP Promotor de Justiça) O Estado democrático de direito e o juiz natural:

a) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos


procedimentos de jurisdição voluntária.

b) Não exigem necessariamente a imparcialidade do juiz para proferir decisões nos


processos contenciosos.

c) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões somente nos processos


contenciosos (objetivos e subjetivos).

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d) Exigem a imparcialidade do juiz para proferir decisões tanto nos processos


contenciosos como nos procedimentos de jurisdição voluntária.

e) Permitem a parcialidade do juiz destinada a realizar os objetivos fundamentais da


República Federativa do Brasil.

COMENTÁRIOS:

O princípio do juiz natural apresenta duplo significado: 1) consagra


regra de que só é juiz quem investido de jurisdição; 2) impede criação de
tribunais de exceção. Modernamente, tem-se admitido terceiro conceito,
referente à competência constitucional do juiz, a qual não pode ser subtraída.

O domínio do conceito de juiz natural já seria suficiente para resolver a


questão, mas vejamos, de modo breve, distinção entre a jurisdição contenciosa
e a voluntária.

A contenciosa é a comum, em que as partes de uma lide buscam tutela


judicial para resolver o conflito. A jurisdição voluntária é mera administração
pública de interesses privados, não há, em regra, conflito (ex: alienação judicial
de bens de incapazes).

Gabarito: D

6. (STJ) Quanto aos princípios constitucionais e gerais do direito processual civil,


julgue o item abaixo.

O ato do presidente de um tribunal que designa um juiz substituto para atuar em


determinado feito, após o juiz titular e seu substituto legal terem afirmado sua suspeição
para atuar na ação, não viola o princípio do juiz natural, já que o afastamento daqueles
originalmente competentes para o julgamento se deu com base em motivo legal, e não,
por ato de exceção.

COMENTÁRIOS:

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O que se visa, nesses casos, é manter a imparcialidade do juiz, de


modo que não se pode considerar que viola o princípio do juiz natural uma
medida que se coaduna com ele e que tenha sido tomada consoante critérios
objetivos e definidos previamente em instrumento legal.

A suspeição e o impedimento são situações em que o juiz pode ter sua


imparcialidade prejudicada.

Nos dois casos, o juiz deverá declarar parcialidade. O impedimento tem


caráter objetivo e absoluto, enquanto a suspeição é subjetiva e relativa. Isso
quer dizer que no caso do impedimento, por ser absoluto, não há preclusão
(pode ser questionado, pela parte, a qualquer tempo).

- Hipóteses de impedimento do Juiz:


Art. 144. Há impedimento do juiz, sendo-lhe vedado exercer suas
funções no processo:
I - em que interveio como mandatário da parte, oficiou como perito,
funcionou como membro do Ministério Público ou prestou depoimento como
testemunha;
II - de que conheceu em outro grau de jurisdição, tendo proferido decisão;
III - quando nele estiver postulando, como defensor público, advogado ou
membro do Ministério Público, seu cônjuge ou companheiro, ou qualquer
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau,
inclusive;
IV - quando for parte no processo ele próprio, seu cônjuge ou
companheiro, ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até
o terceiro grau, inclusive;
V - quando for sócio ou membro de direção ou de administração de
pessoa jurídica parte no processo;
VI - quando for herdeiro presuntivo, donatário ou empregador de qualquer
das partes;
VII - em que figure como parte instituição de ensino com a qual tenha
relação de emprego ou decorrente de contrato de prestação de serviços;
VIII - em que figure como parte cliente do escritório de advocacia de seu
cônjuge, companheiro ou parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou
colateral, até o terceiro grau, inclusive, mesmo que patrocinado por advogado
de outro escritório;
IX - quando promover ação contra a parte ou seu advogado.

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§ 1o Na hipótese do inciso III, o impedimento só se verifica quando o


defensor público, o advogado ou o membro do Ministério Público já integrava o
processo antes do início da atividade judicante do juiz.
§ 2o É vedada a criação de fato superveniente a fim de caracterizar
impedimento do juiz.
§ 3o O impedimento previsto no inciso III também se verifica no caso de
mandato conferido a membro de escritório de advocacia que tenha em seus
quadros advogado que individualmente ostente a condição nele prevista,
mesmo que não intervenha diretamente no processo.
- Hipóteses de suspeição do Juiz:

Art. 145. Há suspeição do juiz:


I - amigo íntimo ou inimigo de qualquer das partes ou de seus advogados;
II - que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na causa
antes ou depois de iniciado o processo, que aconselhar alguma das partes
acerca do objeto da causa ou que subministrar meios para atender às
despesas do litígio;
III - quando qualquer das partes for sua credora ou devedora, de seu
cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em linha reta até o terceiro
grau, inclusive;
IV - interessado no julgamento do processo em favor de qualquer das
partes.
§ 1o Poderá o juiz declarar-se suspeito por motivo de foro íntimo, sem
necessidade de declarar suas razões.
§ 2o Será ilegítima a alegação de suspeição quando:
I - houver sido provocada por quem a alega;
II - a parte que a alega houver praticado ato que signifique manifesta
aceitação do arguido.

Gabarito: Certo

7. (DPF) Considere que A proponha contra B ação para reparação de dano causado
em acidente de veículo ocorrido na cidade do Rio de Janeiro. Em face dessa
consideração, julgue o item a seguir, relativo à competência.

As partes podem, desde que estejam de comum acordo, estabelecer o foro competente
para a causa, elegendo, por exemplo, o juízo da 1.ª Vara Cível para processar o feito,

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sendo previsto no Código de Processo Civil o foro de eleição quando se tratar de


competência territorial.

COMENTÁRIOS:

Essa questão é excelente para entender o princípio do Juiz


Natural, que é um dos princípios garantidores da imparcialidade judiciária, por
meio dele se invoca o total respeito às regras de competência.

Está previsto no inciso LIII do art. 5º da CF:

LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela


autoridade competente

Pelas regras gerais de competência, a escolha do juiz deve ser


aleatória. A proibição de escolha do juízo refere-se a todos, incluindo partes e
juízes. Portanto, não seria possível eleger, como menciona a questão, a 1ª
Vara Cível, mas somente eleger o local, a comarca.

Gabarito: Errado

8. (TRT 22ª Região) A indeclinabilidade é uma característica

a) da ação.

b) da jurisdição.

c) do processo.

d) da lide.

e) do procedimento.

COMENTÁRIOS:

A banca cobrou os princípios da jurisdição. Sabemos que a


indeclinabilidade é um dos princípios que norteia a jurisdição e aduz que o juiz
não poderá “abrir mão” do poder jurisdicional. Podemos ainda resguardar esse

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princípio invocando outro: à inafastabilidade da apreciação pelo poder


judiciário: art. 5º, XXXV, da CF: "a lei não excluirá da apreciação do Poder
Judiciário lesão ou ameaça a direito."

Gabarito: B

9. (TRT 19ª Região) A respeito da jurisdição e da ação, considere:


I. Nenhum juiz prestará tutela jurisdicional, senão quando a parte ou o interessado a
requerer, nos casos e formas legais.

II. O direito de ação é objetivo, decorre de uma pretensão e depende da existência do


direito que se pretende fazer reconhecido e executado.

III. Na jurisdição voluntária, não há lide, tratando-se de forma de administração pública de


interesses privados.

É correto o que se afirma APENAS em

a) II.

b) II e III.

c) I.

d) I e II.

e) I e III.

COMENTÁRIOS:

I: Está correto, pois o juiz deverá ser provocado para que possa prestar
a tutela jurisdicional. Podemos concluir que o magistrado não pode prestar a
tutela de ofício.

II: Item errado, uma vez que o direito de ação é SUBJETIVO e não
objetivo. O direito de ação também é abstrato - tem existência independente da
existência do direito material, objeto da controvérsia – e autônomo - tem
natureza diferente do direito material afirmado pela parte.

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III: Correto. A jurisdição voluntária refere-se à homologação de pedidos


que não impliquem litígio, ou seja, não se resolve conflitos, mas apenas tutela
interesses. São sinônimos de jurisdição voluntária: jurisdição graciosa ou inter-
volentes.

Gabarito: E

10. (TJ PA) Jurisdição é

a) a faculdade atribuída ao Poder Executivo de propor e sancionar leis que regulamentem


situações jurídicas ocorridas na vida em sociedade.

b) a faculdade outorgada ao Poder Legislativo de regulamentar a vida social,


estabelecendo, através das leis, as regras jurídicas de observância obrigatória.

c) o poder das autoridades judiciárias regularmente investidas no cargo de dizer o direito


no caso concreto.

d) o direito individual público, subjetivo e autônomo, de pleitear, perante o Estado a


solução de um conflito de interesses.

e) o instrumento pelo qual o Estado procede à composição da lide, aplicando o Direito ao


caso concreto, dirimindo os conflitos de interesses.

COMENTÁRIOS:

Conceito de jurisdição: A jurisdição consiste no poder conferido ao


Estado, por meio dos seus representantes, de atuar no caso concreto quando
há situação que não pôde ser dirimida no plano extrajudicial, revelando a
necessidade da intervenção do Estado para que o conflito estabelecido seja
solucionada. Vejam bem, portanto, não se trata de um instrumento, porque
uma vez que o órgão jurisdicional está investido desse poder, ele mesmo é o
instrumento.

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Lembrem-se: Há entendimento da doutrina de que o poder jurisdicional


não se restringe a dizer o direito (juris-dicção), alcança também a imposição do
direito (júris-satisfação).

Gabarito: C

11. (TCE RO – Adaptada) A garantia do juiz natural admite a pré-constituição, por lei,
de critérios objetivos de determinação da competência.

COMENTÁRIOS:

A legislação processual dispõe sobre a competência de juízos, seja em


razão da matéria, do valor da causa, do território. A previsão em lei de critérios
de definição de competência, por ser anterior à formação e distribuição do
processo e respeitar critérios objetivos, não fere o princípio do juiz natural.

Gabarito: Certo

12. (TJ-RR) Pelo princípio da aderência os juízes e tribunais exercem a atividade


jurisdicional apenas no território nacional. Essa atividade é repartida de acordo com as
regras de competência.

COMENTÁRIOS:

Alternativa correta, uma vez que o princípio da aderência ao território,


inerente a jurisdição, impõe limites territoriais a atuação dos juízes. Ligado ao
princípio internacional da não ingerência em assuntos de outros povos impõe
os limites territoriais do País para exercício da jurisdição pelo Estado-juiz
nacional.

Gabarito: Certo

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13. (TST) A jurisdição é a atividade desenvolvida pelo Estado por meio da qual são
resolvidos conflitos de interesses visando-se à pacificação. Acerca desse tema, é correto
dizer que a jurisdição pode ser classificada em comum ou especial.

COMENTÁRIOS:

Alternativa correta, pois a jurisdição classifica-se quanto ao tipo de


órgão que a exerce, sendo que a CF/88, ao formular as regras de organização
judiciária, distingue-a entre a justiça comum e especial. A trabalhista, a militar e
eleitoral são denominadas justiça especial. A matéria discutida no processo
determina a competência seja de uma ou de outra. Portanto, a competência da
justiça comum é supletiva, pois é competente para julgamento daquilo que não
é de competência da justiça especial.

Gabarito: Certo

14. (TST) Por seu inegável alcance social, a justiça trabalhista é exemplo claro de
jurisdição comum.

COMENTÁRIOS:

Alternativa incorreta, pois a CF/88, ao formular as regras de


organização judiciária, distingue o exercício da jurisdição entre a justiça comum
e especial e a esfera trabalhista, a militar e eleitoral são denominadas justiça
especial.

Gabarito: Errado

15. (TST) Considerando-se a sistemática federativa vigente no Brasil, a justiça comum


é dividida em federal e estadual.

COMENTÁRIOS:

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Alternativa correta, a justiça comum pode ser estadual ou federal. A


CF/88 prevê no art. 106 que são órgãos da Justiça Federal os Tribunais
Regionais Federais; e os Juízes Federais. Bem como no art. 125 que os
Estados organizarão sua Justiça, observados os princípios estabelecidos nesta
Constituição.

Gabarito: Certo

16. (TCU/Adaptada) No que concerne aos princípios processuais e à jurisdição, julgue


o item que se segue. Na jurisdição contenciosa, o Estado, em substituição às partes,
resolve a lide submetida a sua apreciação, sendo inadmitida, após a instauração do
processo contencioso, a composição entre as partes.

COMENTÁRIOS:

Alternativa incorreta, pois o art. 139 inciso V do CPC/15 prevê que o


juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, incumbindo-lhe
promover, a qualquer tempo, a autocomposição, preferencialmente com auxílio
de conciliadores e mediadores judiciais.

Gabarito: Errado

17. (TRF 1ª Região/Adaptada) Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos


equivalentes jurisdicionais.

a) Na jurisdição voluntária, a lei confere maior flexibilidade ao julgador para conduzir o


processo, mas o obriga à observância de critérios de legalidade estrita quando da
prolação da sentença.

b) A imparcialidade é a característica da jurisdição contenciosa que impede o julgador de


determinar, de ofício, a produção de prova em juízo.

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c) A autodefesa, excepcionalmente permitida no direito brasileiro para a composição da


lide, pode ocorrer antes ou durante o processo.

d) Na arbitragem, as partes podem escolher a norma de direito material a ser aplicada para
a solução do conflito.

e) Configura exceção à regra da indelegabilidade da jurisdição a expedição de carta


precatória que delegue a oitiva de testemunha a outro juízo.

COMENTÁRIOS:

Alternativa “a” incorreta, nos termos do Parágrafo único do art. 723 do


CPC/15 o juiz não é obrigado a observar critério de legalidade estrita, podendo
adotar em cada caso a solução que considerar mais conveniente ou oportuna

Alternativa “b” incorreta, nos termos do art. 370 do CPC/15 caberá ao


juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao
julgamento do mérito.

Alternativa “c” incorreta, pois a autodefesa somente será exercida


excepcionalmente na esfera processual conforme o art. 10 da Lei 10.259/01
que prevê que as partes poderão designar, por escrito, representantes para a
causa, advogados ou não.

Nos termos do art. 2º parágrafo 1º da Lei 9.307/96 poderão as partes


escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas na arbitragem,
desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. Alternativa
correta.

Alternativa “e” incorreta, pois segundo o princípio da indelegabilidade o


Judiciário não pode delegar seus poderes para outro Poder, bem como o órgão
jurisdicional não pode delegar seu trabalho a outro. A carta precatória é uma
forma de colaboração entre juízos, visando o cumprimento dos atos judiciais e
não implica em ofensa ao princípio da delegabilidade.

Gabarito: D

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01 B 09 E 17 D
02 Errado 10 C

03 Certo 11 Certo

04 Errado 12 Certo

05 D 13 Certo

06 Certo 14 Errado

07 Errado 15 Certo

08 B 16 Errado

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BIBLIOGRAFIA

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Teoria do Precedente, Decisão Judicial, Coisa Julgada e Antecipação dos Efeitos da Tutela. 2
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DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil – Meios de Impugnação às Decisões
Judiciais e Processo nos Tribunais. 8 ed. Salvador: Edições JUS PODIVM, 2010. v.3.
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