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Sociolinguística – o tratamento da variação

Maria Cecilia Mollicca


Maria Luiza Braga (orgs)

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: CONCEITUAÇÃO E DELIMITAÇÃO


“A sociolinguística é uma das subáreas da linguística e estuda a língua em uso no seio
das comunidades de fala, voltando a atenção par um tipo de investigação que correlaciona
aspectos linguísticos e sociais. Esta ciência se faz presente num espaço interdisciplinar,
na fronteira entre língua e sociedade, focalizando precipuamente os empregos linguísticos
concretos, em especial os de caráter heterogêneo.” (p. 9)
A HETEROGENEIDADE COMO FOCO
“Todas as línguas apresentam um dinamismo inerente, o que significa dizer que elas são
heterogêneas. Encontram-se assim formas distintas que, em princípio, se equivalem
semanticamente no nível do vocabulário, da sintaxe e morfossintaxe, dos subsistema
fonético-fonológico e no domínio pragmático-discursivo. O português falado no Brasil
está repleto de exemplos.” (p. 9)
“A sociolinguística considera em especial como objeto de estudo exatamente a variação,
entendendo-a como um princípio geral e universal, passível de ser descria e analisada
cientificamente. Ela parte do pressuposto de que as alternâncias de uso são influências
por fatores estruturais e sociais. Tais fatores são também referidos como variáveis
independentes, no sentido que os uso de estruturas linguísticas são motivados e as
alternâncias configuram-se por isso sistemáticas e estaticamente previsíveis.” (p. 10)
“O papel da mudança linguística é fundamental para os estudos sociolinguísticos. (...)
Antes de tudo, o linguista deve compreender como se caracteriza uma determinada
variação de acordo com as propriedades da língua, verificar seu status social positivo ou
negativo, entender o grau de comprometimento do fenômeno variável no sistema e
determinar se as variantes em competição acham-se em processo de mudança, seja no
sentido de avanço, seja no de recuo da inovação. Em última análise, deve definir se o caso
é de variação estável ou de mudanças em progresso (...)” (p. 10)
VARIANTES E VARIÁVEIS
“A variação linguística constitui fenômeno universal.” (p. 10)
“Entendemos então por variantes as diversas formas alternativas que configuram um
fenômeno variável, tecnicamente chamado de variável dependente. A concordância entre
o verbo e o sujeito, por exemplo, é uma variável linguística (ou um fenômeno variável)
pois se realiza através de duas variantes, duas alternativas possíveis e semanticamente
equivalentes: a marca de concordância no vero ou a ausência da marca de concordância.”
(p. 11)
“Uma variável é concebida como dependente no sentido que o emprego das variantes não
é aleatório, mas influenciado por grupos de fatores (ou variáveis independentes) de
natureza social ou estrutural. Assim, as variáveis independentes ou grupos de fatores
podem ser de natureza interna ou externa à língua e podem exercer pressão sobre os uso,
aumentando ou diminuindo sua frequência de ocorrência.” (p. 11)
“Vale frisar que o termo “variável” pode significar fenômeno em variação e grupo de
fatores. Estes consistem nos parâmetros reguladores dos fenômenos variáveis,
condicionando positiva ou negativamente o emprego de formas variantes. As variantes
podem permanecer estáveis nos sistemas (as mesmas formas continuam se alternando)
durante um período curto de tempo ou até por séculos, ou podem sofrer mudança, quando
uma das formas desaparece. Neste caso, as formas substituem ouras que deixam de ser
usadas, momento em que se configura um fenômeno de mudança em progresso.” (p. 11)
“Cabe a sociolinguística investigar o grau de estabilidade ou de mutabilidade da variação,
diagnosticar as variáveis que tem efeito positivo ou negativo sobre a emergência dos usos
linguísticos alternativos e prever seu comportamento regular e sistemático. Assim,
compreende-se que a variação e a mudança são contextualizadas, constituindo o conjunto
de parâmetros um complexo estruturado de origens e níveis diversos. Vale dizer, os
condicionamentos que concorrem para o emprego de formas variantes são em grande
número, agem simultaneamente e emergem de dentro ou de fora dos sistemas
linguísticos.” (p.11)
“No conjunto de variáveis internas encontram-se os fatores de natureza fono-morfo-
sintáticos, os semânticos, os discursivos e os lexicais. Eles dizem respeito a características
da língua em várias dimensões, levando-se em conta o nível do significante e do
significado, bem como os diversos subsistemas de uma língua. No conjunto de variáveis
externas à língua, reúnem-se os fatores inerentes ao indivíduo (como etnia e sexo), os
propriamente sociais (como escolarização, nível de renda, profissão e classe social) e os
contextuais (como grau de formalidade e tensão discursiva). Os do primeiro tipo referem-
se a traços próprios aos falantes, enquanto os demais características circunstanciais que
ora envolvem o falante, ora o evento de fala.” (p. 11)
“As línguas exibem inovações mantendo-se, contudo, coesas: de um lado, o impulso à
variação e possivelmente à mudança; de outro, o impulso à convergência, base para a
noção de comunidade linguística, caracterizada por padrões estruturais e linguísticos.” (p.
12)
“(...) variação é estruturada de acordo com as propriedades sistêmicas das línguas e se
implementa porque e contextualizada com regularidade.” (p. 12)
“Por isso, a variação linguística pode ocorrer em eixos diatópico e diastrático. No
primeiro, as alternâncias se expressam regionalmente, considerando os limites físico-
geográficos; no segundo, elas se manifestam de acordo com os diferentes estratos sociais,
levando-se em conta fronteiras sociais.” (p. 12)
“Qualquer que seja o eixo, diatópico/geográfico, diastrático/social ou de outra ordem, a
variação é contínua e, em nenhuma hipótese, é possível demarcarem-se nitidamente as
fronteiras em que ela ocorre. É preferível falar em tendências a empregos de formas
alternantes motivadas simultaneamente por condicionamentos diversos.” (p. 12)
SISTEMATICIDADE, LEGITIMIDADE E ESTIGMATIZAÇÃO
“Numa perspectiva cientifica, cabe assinalar que todas as manifestações linguísticas são
legítimas e previsíveis, ainda que exista flutuação estatística. Embora os julgamentos de
valor não se apliquem, os padrões linguísticos estão sujeitos à avaliação positiva e
negativa e, nessa medida, pode determinar o tipo de inserção do falante na escala social.”
(p. 13)
“Os sociolinguistas têm-se voltado para a análise dessas relações, e o preconceito
linguístico tem sido um ponto muito debatido na área, pois ainda predominam nas práticas
pedagógicas assentadas em diretrizes maniqueístas do tipo certo/errado, tomando-se
como referência o padrão culto.” (p. 13)
“Toda língua portanto apresenta variantes mais prestigiadas do que outras.” (p. 13)

MODELOS QUANTITATIVOS E TRATAMENTO ESTÁTICO


Anthony Julius Naro
“(...) a heterogeneidade linguística, tal como a homogeneidade, não é aleatória, mas
regulada, governada por um conjunto de regras.” (p. 15)
“(...) na língua, variantes podem estar em competição, no sentido de que ora pode ocorrer
uma, ora pode ocorrer outra. Porém, dado o pressuposto básico, deve ser possível
identificar uma série de categorias independentes que influem neste uso. Estas categorias
podem ser internas aos sistema linguístico ou externas a ele.” (p. 15)
“Entre os fatores sociais, as categorias mais atuantes parecem ser idade, sexo, nível
socioeconômico e formação escolar. Outros fatores sociais que se têm revelado
importantes em alguns fenômenos variáveis são a posição do falante no mercado de
trabalho e sua interação com a mídia (televisão, imprensa, etc.). Entretanto, cada
fenômeno deve ser estudado levando-se em conta a matriz social que lhe é própria. Para
as formas de tratamento, por exemplo, influem na escolha de uma ou outra forma a
diferença de status social e de idade entre o falante e o interlocutor e o grau de formalismo
do falante.” (p. 16)
“O problema central que se coloca para a Teoria da Variação é a avaliação do quantum
com que cada categoria postulada contribui para a realização de uma ou de outra variante
das formas em competição. No uso real da língua que constitui o dado do linguista, seja
na forma falada ou na forma escrita, tais categorias se apresentam sempre conjugadas; na
pratica, a operação de uma regra variável é sempre o efeito da atuação simultânea de
vários fatores.” (p. 16)
“[...] em princípio, impossível medir diretamente, nos dados do uso real, a influência de
uma dada categoria, sem medir simultaneamente o efeito das outras categorias, também
obrigatoriamente presentes. Em outras palavras, o problema central da Teoria é isolar e
medir separadamente o efeito de um fator (digamos, o fato de o sujeito estar
imediatamente preposto ao verbo) quando tal fator nunca se apresenta isoladamente nos
dados (onde o verbo a que o sujeito está imediatamente preposto sempre terá
simultaneamente alguma categoria morfológica). (p. 16)
O PAPEL DA FERAMENTA LINGUÍSTICA
“A metodologia da Teoria da Variação constitui uma ferramenta poderosa e segura que
pode ser usada par o estudo de qualquer fenômeno variável nos diversos níveis e
manifestações linguísticas.
As suas limitações são as do próprio linguista, a quem cabe a responsabilidade de
descobrir quais são os fatores relevantes, de levantar e codificar os dados empíricos
corretamente, e sobretudo, de interpretar os resultados numéricos dentro de uma visão
teórica da língua. O progresso da ciência linguística não está nos números em si, mas no
que a análise dos números pode trazer para nosso entendimento das línguas humanas.”
(p. 25)
RELEVANCIA DAS VARIÁVEIS NÃO LINGUÍSTICAS
Maria Cecília Mollica

“[...] a variação linguística é uma das características universais das línguas naturais que
convive com forças de estabilidade. Aparentemente caótica e aleatória, a face heterogênea
imanente da língua é regular, sistemática e previsível.” (p. 27)
“Das variáveis externas ou não-linguísticas, registram-se os marcadores regionais
predominantes em comunidades facilmente identificadas geograficamente, em
simultaneidade a indicadores de estratificação estilístico-social, de forma que a variação
projeta-se num contínuo em que se podem descrever tendências de uso linguístico de
comunidades de fala caracterizadas diferentemente quanto ao perfil sociolinguístico.” (p.
27)

O DINAMISMO DAS LÍNGUAS


Anthony Julius Naro

“[...] a mudança linguística não é absolutamente mecânica e regular a curto prazo. Em


qualquer estado real da língua, costuma existir formas de diversos estágios de evolução,
apesar do fato de que a longo prazo – normalmente no espaço de várias gerações – a
mudança quase sempre acaba afetando todos os itens lexicais e todas as estruturas de um
determinado tipo. Uma mudança pode ser limitada por um determinado contexto
estrutural (por exemplo, as surdas se tornam sonoras entre vogais), mas neste contexto
elas não admitem exceções. Isto é, a famosa “hipótese dos neogramáticos”. Temos,
portanto, um conflito aparente entre o curto e o longo prazo.” (p. 43)
MUDANÇA EM TEMPO APARENTE
“Sob a hipótese clássica, o estudo atual da língua de um falante adulto reflete o estado da
língua adquirida quando o falante tinha aproximadamente 15 anos de idade. Assim sendo,
a fala de uma pessoa com 60 anos hoje representa a língua de quarenta e cinco anos atrás
enquanto outra pessoa com 40 anos hoje nos revela a língua de há apenas vinte e cinco
anos. A escala em tempo aparente, obtida através do estudo de falantes de idades
diferentes, é chamada de “gradação etária”. Ela corresponde sempre sob a hipótese
clássica, a uma escala de mudança em tempo real.” (p. 45)
“Embora sem dúvida muito interessante, a hipótese clássica esconde algumas
dificuldades. Em primeiro lugar, como acabamos de ver, nem toda variação na fala
representa mudança linguística em progresso. Existem muitos outros casos bem
conhecidos de variação estável [...] atestadas há vários séculos nas gramáticas de língua
inglesa e continuam existindo hoje em dia em praticamente todos os dialetos do inglês
falado no mundo inteiro [...] Não mostram qualquer evidencia de perda da vitalidade,
apesar do passar dos séculos.
A média do grau de realização de uma variação estável, tal como a mudança em
progresso, pode depender da faixa etária do falante. Entretanto neste caso não costuma
aparecer o padrão quase linear da figura 2 mas um padrão curvilinear em que os grupos
extremos – os jovens e os velhos – apresentam o mesmo comportamento, contrastando
com a população de meia-idade.” (p. 47)
“[...] o falante muda a sua língua no decorrer dos anos enquanto a hipótese clássica
pretende a estabilidade da língua depois da puberdade.” (p. 48)
TEMPO APARENTE VERSUS TEMPO REAL
“[...] a visão clássica prevê a estabilidade do falante (após a puberdade), mas a
instabilidade da comunidade com o correr do tempo. Na medida que o falante vai
mudando de faixa etária, muda a distribuição das variantes na comunidade. De acordo
com esta visão de estabilidade ao nível do indivíduo, daqui a vinte anos, por exemplo, os
falantes de 70 anos de idade então estarão falando como os de 50 anos hoje, e não como
os de 70 anos hoje. A outra possibilidade que estamos considerando admite que o sistema
linguístico do indivíduo muda, mas não o da comunidade. Em nosso exemplo, daqui a 20
anos, os falantes de 70 anos de idade terão o mesmo sistema que os de 70 anos hoje,
apesar de terem que mudar seus padrões linguísticos durante o intervalo de vinte anos
entre os 50 e 70 anos de idade.” (p. 48)
“Para estabelecer os fatos, seriam necessárias extensa pesquisas empíricas sobre o
comportamento tanto do indivíduo como da comunidade durante várias gerações. De fato,
vários grupos de pesquisadores ao redor do mundo, inclusive os grupos PEUL, NURC e
outros no Brasil estão empenhados em obter dados sobre a situação de diversas línguas
no momento. Ainda não temos muitas respostas; entretanto, os resultados obtidos até o
momento apontam para uma terceira possibilidade: o indivíduo muda com o correr do
tempo, mas não atinge precisamente a mesma posição em que estão os falantes mais
velhos hoje. Pelo contrário, a tendência é exceder esta marca, indo na direção da deriva e
assim implementando a mudança linguística.” (p. 48)

COLETA DE DADOS
Giselle Machline de Oliveira e Silva
“Ao se estudar um ser vivo, pode-se tornar necessário observar o organismo como um
todo, um órgão em especial, um tecido ou ainda uma célula. Não se pode considerar um
método melhor do que o outro e a decisão dependerá da necessidade. Assim, também
escolher seu objeto de observação, o sociolinguista poderá deter-se em algumas famílias,
ou em um grupo de indivíduos em relação mais ou mens estreita ou ainda em uma
comunidade maior.” (p. 117)
“Labov (1972) recomenda que o investigador se apresente de modo simples e peça ajuda
do tipo “sou daqui mesmo” ou “sou de fora” e “meu trabalho consiste em encontrar as
diferentes maneiras como as pessoas vivem nos diversos bairros” (ou tribos, ou famílias,
etc.) Ou ainda “sou pai de adolescentes e gostaria de saber como vivem os jovens daqui”.
Labov ainda recomenda que o investigador não se apresente como fazendo parte de uma
universidade, pois embora a menção de universidade faça-lhe abrir mais as portas de
certas comunidades onde ela for prestigiada, fará com que também os falantes dêem
demasiada atenção à própria fala, o que, como veremos, é a pior praga do sociolinguista.”
(p. 118)
AMOSTRA
“Entretanto, não se pode perder de vista eu se pretende obter uma pesquisa sobre a
comunidade e não apenas sobre a amostra. E será o pesquisador que tomará as medidas
necessárias para tornar possível a generalização dos resultados obtidos através dessa
amostra. É o que a estatística chama de inferência.” (p. 119)
QUANTOS FALANTES DEVERÁ TER AMOSTRA?
“O número de indivíduos da amostra vai depender:
a) Da homogeneidade da população: a língua é uma propriedade humana
relativamente homogênea,
b) Do número de variáveis pesquisadas
c) Do fenômeno: outra faceta da homogeneidade da língua é que ela é mais
homogênea para alguns fatores do que para outros.
d) Do método: conforme a precisão técnica estatística usada, pode se diminuir até
certo ponto a amostra se forem usados métodos estáticos mais sofisticados.
e) Do orçamento e outras condições materiais;

COMO SELECIONAR OS FALANTES


“1- Método aleatório simples. Esse método consistiria em colocar um recipiente uma
identificação de cada indivíduo da população e retirar cada identificação uma a uma até
completar o número desejado. Isso implica eu todos os indivíduos têm a mesma
probabilidade de escolha. [...] Pode-se usar este método quando a amostra é muito grande
e a população muito homogênea.” (p. 120)
“2- Aleatória estratificada. Pelas razões acima expostas (de a amostra ter de ser
demasiadamente grande a fim de englobar todos os estratos da produção), costuma-se
estratificar a amostra. Para proceder a esse método, divide-se a população em “células”
(“casas”, “estratos”) compostas, cada uma, de indivíduos com as mesmas características
sociais, procedendo-se posteriormente, para preencher cada casa, a uma seleção aleatória.
Assim, se for escolhida como objeto de pesquisa apenas a variável social sexo, pode-se
ter, numa casa, 5 homens e, na outra 5 mulheres, e a classe sócial, por exemplo, e
dividirmos essa variável em três fatores correspondendo às classes alta, intermediária e
baixa, já termos de ter as seguintes casas:
5 homens de classe alta
5 mulheres de classe alta
5 homens de classe intermediária
5 mulheres de classe intermediaria
5 homens de classe baixa
5 mulheres de classe baixa.” (p. 121)
QUE TIPO DE CONTATO E QUANTOS SERÃO PRECISOS?
“Basicamente existem três tipos de contato: interações livres, entrevistas e testes. A
primeira consiste na gravação de dois ou mais interlocutores interagindo. Serve
principalmente para análise da conversação, estudos de turno de fala e de pronomes de
tratamento. Tem a vantagem de ser bastante real e espontânea, de ter perguntas e
respostas, etc. Sua grande desvantagem é, entretanto, a dificuldade em gravá-la
nitidamente e a quantidade de superposições de fala (duas pessoas falando ao mesmo
tempo), o que é muito habitual de nossa cultura e torna a transcrição dificílima.” (p. 124)
“Para estudos morfo-fonológicos e/ou sintáticos, são mais habituais entrevistas do
pesquisador com o falante. Suas vantagens e desvantagens são obviamente opostas às das
interações: facilidade de gravação e transcrição, mas dificuldade em registrar perguntas e
impessoalidade nos turnos de fala e pronomes de tratamento.” (p. 125)
“Há ainda os testes, geralmente complementares de outro tipo de contato, que permitem
a elicitação de dados desejados. Assim, por exemplo, se o estudo é sobre pronomes de
tratamento, pode-se projetar um dispositivo para exemplo de um homem, velho, vestido
de macacão e pedir ao falante que se dirija a essa figura, por exemplo, “pergunte a ele se
ele quer pintar a sua casa” e gravar a pergunta. Existe um grande número de testes, mas
o melhor é certamente aquele que é criado pra a pesquisa desejada. Basta um pouco de
imaginação.” (p. 125)

TRANSCRIÇAO DE DADOS LINGUISTICOS


Maria da Conceição Paiva

“uma vez gravados os dados, a etapa seguinte da pesquisa consiste em transcrevê-los. O


objetivo básico de uma transcrição é transpor o discurso falado, da forma mais fiel
possível, para registros gráficos mais permanentes, necessidade que decorre do fato de
que não conseguirmos estudar o oral através do próprio oral. A tarefa da transcrição não
tem, no entanto, nada de trivial, pois requer, além de um considerável dispêndio de tempo,
uma série de decisões importantes por parte do pesquisador.” (p. 135)
“É necessário lembrar, no entanto que qualquer notação gráfica do oral é descontínua e
dissociativa. Descontínua, pois tem de recorrer a elementos discretos (letras, palavras,
frases) para representar o que se manifesta como fluxo contínuo. Dissociativa, pois, por
mais elaborado que seja, nenhum sistema de transcrição consegue reproduzir a
conjugação dos componentes segmental e suprassegmental própria do discurso falado.”
(p. 135)
“A grande maioria dos sistemas de transcrição toma como ponto de referência o sistema
ortográfico, independentemente da pronuncia efetiva. Se, de um lado, essa decisão
compromete a fidelidade dos registros, tem, por outro, a vantagem de garantir maior
legibilidade da transcrição.” (p. 137)
“Um problema que tem de ser contornado em qualquer sistema de transcrição é a
inevitável superposição de vozes nos eventos da fala. Elas exigem a utilização de recursos
especiais de notação. Embora comumente consigamos distinguir, em situações de
gravação que envolvem mais de um locutor, a fala de cada um deles (que deve ser
identificada por símbolos distintos), nos deparamos frequentemente com trechos em que
os falantes falam simultaneamente. Apesar de comprometerem parcialmente a
legibilidade do texto transcrito, demandando, assim, mais esforço de compreensão, a
indicação de superposições de fala torna-se necessária, pois permite a representação, pelo
menos parcial da dinâmica da interação verbal.” (p. 138)

“As transcrições de dados são norteadas, na maioria das vezes, pelos objetivos que o
pesquisador tem em mente. É importante lembrar que não existe transcrição de dados
linguísticos perfeita e incontestável, dado que essa atividade envolve, inevitavelmente,
um componente subjetivo. Uma transcrição é de certa forma, um compromisso entre
aquilo que percebemos e aquilo que reconstruímos pela interpretação. O mais importante
é que a transcrição apresente o máximo de coerência e que seja submetida ao ouvido de
outras pessoas, através de revisões. Uma vez decidido que fenômenos ou aspectos serão
assinalados e a forma de fazê-lo, deve-se buscar o máximo de consistência, de forma a
tomar os dados legíveis e acessíveis a potenciais futuros interessados.” (p. 146)

ANÁLISE QUANTITATIVA E TÓRPICOS DE INTERPRETAÇÃO VARBRUL


Maria Marta Pereira Scherre
Anthony Julius Naro
“Tendo em vista o pressuposto teórico de que a variação linguística não é aleatória, é
fundamental identificar conjuntos de circunstancias linguísticas e sociais (restrições) que
tendem a favorecer ou desfavorecer o uso de uma ou outra variante, assim se
correlacionando ao uso da variável dependente sob análise. Como já é do nosso
conhecimento, essas restrições são denominadas grupos de fatores, variáveis
independentes, fatores ou categorias. Os grupos de fatores são uma forma de
operacionalizar hipóteses a respeito do funcionamento dos fenômenos linguísticos
variáveis, que podem ou não estar ligadas a modelos linguísticos claramente
estabelecidos.” (p. 148)

 Delimitação do fenômeno variável (fenômeno linguístico e extralinguístico);


 Levantamento e digitação dos dados (separação dos dados relevantes)
 Codificação dos dados (transformação em código identificável pelos programas
computacionais disponíveis tudo o que se quer quantificado – Ex:Varbrul);
 Resultados estatísticos (os resultados numéricos obtidos pelos programas só tem
valor estatístico. O seu valor linguístico é atribuído e interpretado pelo linguista.)

Histórico da sociolinguística quantitativa


 William Labov (modelo teórico-metodológico);
 Seu 1º estudo (1963) – inglês falado na ilha de Marthas’s Vineyard, no estado de
Massachusetts;
 O modelo opera com porcentagens, estatísticas, tabelas etc, dos dados coletados;
 Variantes e variáveis linguísticas;
 Sistematização consiste em levantamento dos dados; descrição da variável e suas
variantes; análise dos fatores condicionadores; encaixamento da variável no
sistema linguístico e social da comunidade e projeção histórica;
 Sistema linguístico de probabilidades.