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Publicado em: Qui, 15 de Julho de 2010 19:14 

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Essa postagem não pretende ser uma aula de direito processual trabalhista. Para isso
vocês devem buscar cursinhos ou livros. A idéia é mostrar o que vocês devem esperar
da peça e como abordá-la, tirando o melhor proveito possível.

A idéia aqui é a estruturação de uma sistemática para a construção de uma peça prática
em conformidade com os critério do Cespe.

Vejamos a peça do Exame de Ordem 2009.3



Peça profissional

              


    
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Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a)


constituído(a) por Maria, redija a medida judicial mais apropriada para defender os
interesses de sua cliente. Fundamente a peça processual com toda a argumentação que
entender cabível.

Primeiramente temos de tratar de um fator fundamental da prova: o tempo.

As cinco horas destinadas para a redação de toda a prova passam extremamente rápido
na cabeça de qualquer candidato. A pressão na hora de compreender o problema e criar
a redação adequada dão uma percepção estranha de tempo, em que este nunca parece
ser suficiente para que tudo seja devidamente escrito. Logo, qualquer abordagem sobre
a peça prática tem de se despir de preciosismos e experimentações: O candidato tem de
saber de antemão exatamente como tratar a peça prática, sob pena de pagar um preço
muito alto.

Uma vez apresentado o problema, o candidato, visando elaborar o melhor texto possível
com o tempo que lhe é disponibilizado, precisa ser esquemático no seu raciocíno,
EXATAMENTE como o espelho da prova. Claro que resolver a prova exige mais do
que a simples projeção do espelho face ao enunciado, e é isso que eu pretendo mostrar
aqui. A correta abordagem do problema permitirá que você faça a melhor prova
possível.

São três abordagens distintas sobre o enunciado da prova, que, apesar de serem
pensadas de forma isolada, são complementares entre si. Essa forma de raciocinar
permitirá o proveitamento com qualidade do tempo disponível. Vamos aos pontos:

1 - Apreendendo o problema

2 - Estruturando a petição

3 - Desenvolvendo os argumentos

O  /+0   

A apreensão do problema consiste em entender o que o Cespe quer do candidato, o que


quer ver escrito na prova. É a projeção prévia do espelho da prova.

Uma forma de fazer isso é separando o problema em parágrafos, tendo o cuidado de


observar que cada parágrafo contém uma informação, um fato distinto dos demais fatos
da prova. É bem fácil fazer isso:

Fato 1: A empresa dá uma ordem geral para todos os empregados

"Sob a alegação de que os empregados estariam subtraindo produtos farmacêuticos de


uma de suas fábricas, a diretoria da empresa Delta Indústria Farmacêutica Ltda.
determinou a realização de revista íntima diária em todos os empregados, inclusive nas
mulheres."

Fato 2: A empregada Maria se recusa a obedecer a ordem da empregadora

"Maria, empregada na empresa havia cinco anos, recusou-se a despir-se diante da


supervisora do setor, que era, naquele momento, responsável pela revista íntima das
mulheres."

Fato 3: A empresa demite Maria


"Visando a não favorecer movimento generalizado dos trabal hadores contra
deliberação da empresa, a direção resolveu, como medida educativa, demitir Maria por
justa causa, arguindo ato de indisciplina e de insubordinação."

Fato 4: Justificativa da demissão de Maria

"Segundo argumentou a empresa, o procedimento de revista íntima encontraria suporte


no poder diretivo e fiscalizador da empresa, além de constituir medida eficaz contra o
desvio de medicamentos para o consumo sem o devido controle sanitário."

Fato 5: A pergunta da prova

"Considerando a situação hipotética apresentada, na qualidade de advogado(a)


constituído(a) por Maria, redija a medida judicial mais apropriada para defender os
interesses de sua cliente. Fundamente a peça processual com toda a argumentação que
entender cabível."

Em termos bem simples então: A empresa dá uma ordem geral para todos os
empregados; a empregada Maria se recusa a obedecer a ordem da empregadora; a
empresa demite Maria; a empresa justifica a demissão de Maria.

Sobre esses elementos que se labora o raciocínio jurídico:

1 - A empresa dá uma ordem geral para todos os empregados: Trata-se de revista íntima,
vedada pela CLT. Logo, a ordem da empresa é ilegal, por violar o direito à intimidade,
não só tutelado pela CLT como também pela Constituição Federal.

2 - A empregada Maria se recusa a obedecer a ordem da empregadora: Muitos


candidatos na exame passado escreveram em suas petições que Maria havia sido
submetida à revista íntima. Isso não ocorreu. Ter atenção na leitura é fundamental, e
separar o enunciado em pequeno parágrafos ajuda nisso. A recusa de Maria é lícita,
porquanto a ordem foi ilegal.

3 - A empresa demite Maria: A demissão foi por justa causa, em função de Maria ter se
recusado a obedecer norma geral expedida pela empresa. Naturalmente que a demissão
foi arbitrária, em função de uma exigência ilegal, o que dá ensejo à reversão da justa
causa em demissão sem justa causa com o pagamento das verbas rescisórias tal como se
a demissão fosse sem justa causa: aviso prévio indenizado, 13º proporcional, férias
integrais e proporcionais mais o terço constitucional, multa de 40% sobre os depósitos
do FGTS, entrega das guias de seguro desemprego, multa do 467 e 477 da CLT e
entrega do TRCT para o levantamento do FGTS.

Aqui surgiu o ponto de maior controvérsia da prova: caberia ou não o pedido de dano
moral em função da arbitrária demissão por justa causa? Em termos técnicos, não
caberia o pedido de dano moral, pois o direito de demitir por justa causa pertence ao
empregador, que pode se equivocar no exercício de seu poder diretivo. Ademais, não há
ofensa direta ao patrimônio subjetivo da Srª Maria. Muitos candidatos pensaram dessa
forma, não colocaram a fundamentação e o pedido quanto ao dano moral, e sofreram o
prejuízo de perderem 2 pontos inteiros na peça prática, o que é muito.
O que fazer? Na peça prática da OAB, o que o candidato deve levar em conta é a
INSINUAÇÃO de um direito, sem se preocupar se seu fundamento é válido ou não. Ou
seja, sua ótica deve ser a de advogado: peça tudo possível e que o Juiz se vire (Atentem
bem!!!Essa é uma lógica para a prova e não para a atuação na vida real!!) Se houver a
insinuação da possibilidade de um direito, pleiteiem-no, sem medo de ser feliz. ^
c    '

Nesse caso em específico, ficou muito claro que a questão do dano moral fora
apresentada dessa forma EXATAMENTE para gerar confusão na cabeça dos
candidatos. Na lógica cespeana, um número X de candidatos não abordariam o dano
moral, por conhecerem a jurisprudência dominante nesses casos. Infelizmente esses
foram penalizados.

4 - Justificativa da demissão de Maria: Como vocês devem saber, as hipóteses de


demissão por justa causa são numerus clausus, somente aquelas previstas no art. 482 da
CLT. Se a determinação para a revista íntima é ilegal, obviamente que a recusa da
empregada não se enquadra em nenhum dos exemplos do rol taxativo, sendo patente a
arbitrariedade cometida.

5 - A pergunta da prova: Creio que ninguém teve dificuldade de apontar uma


reclamação trabalhista como a peça prática aplicável ao caso. A grande questão é
determinar os fundamentos que a petição deverá conter. Vamos primeiro observar o
espelho:

Prova Prático-Profissional Direito do Trabalho - Peça


Faixa de Atendimento
Quesito avaliado
Valores ao Quesito
1 Apresentação, estrutura textual e correção 0,00 a
gramatical 0,40
2 Fundamentação e consistência
2.1 Adequação da peça ± reclamação
0,00 a
trabalhista cumulada com ação de
0,40
indenização por danos morais
2.2 Legitimidade ativa e passiva / 0,00 a
Competência da justiça do trabalho 0,40
2.3 Mérito: Não-incidência de demissão por
0,00 a
justa causa (CLT, art.482, h) - revista íntima
1,20
vedada pela CLT (art.373-A, VI)
2.4 Fundamento da indenização por dano
0,00 a
moral (art. 5.°, X, da CF) / Poder de direção
1,20
patronal sujeito a limites constitucionais
2.5 Pedidos: pagamento de verbas rescisórias 0,00 a
e indenização por danos morais 0,80
0,00 a
3 Domínio do raciocínio jurídico (adequação
0,60
da resposta ao problema; técnica profissional
demonstrada; capacidade de interpretação e
exposição)

RESULTADO
Nota na Prova Prático-Profissional Direito do Trabalho
- Peça

Alguns aspectos do espelho nós vamos tratar nos dois tópicos seguintes. Agora eu quero
ressaltar apenas a causa de pedir e o pedido, discriminados nos itens 2.3, 2.4 e 2.5

# '+ Não-incidência de demissão por justa causa (CLT, art.482, h) - revista íntima
vedada pela CLT (art.373-A, VI)

#  '1+ Fundamento da indenização por dano moral (art. 5.°, X, da CF) / Poder de
direção patronal sujeito a limites constitucionais

Há um aspecto muito relevante nos dois itens acima, cujo impacto na nota final é
considerável. O Cespe tem exigido que na fundamentação da peça prática o candidato
decline precisamente qual o dispositivo legal específico para o caso apresentado. Por
exemplo: Se você escrevesse sobre o dano moral mas não declinasse o art. 5º, X, da CF,
teria perdido metade da nota destinada ao item 2.4. Na fundamentação da peça prática a
jurisprudência sumulada e os dispositivos legais devem necessariamente ser indicados,
como um desdobramento natural da argumentação desenvolvida. Não se esqueçam
disso!

# '2+ Pedidos: pagamento de verbas rescisórias e indenização por danos morais

Como a demissão foi por justa causa, o candidato deveria ter requerido a reversão da
justa causa em demissão sem justa causa (nada de reintegração, como alegaram alguns),
com a declinação das verbas trabalhistas devidas no caso de demissão sem justa causa,
além do pedido de condenação por danos morais. Em suma, o que foi sustentado na
causa de pedir deve ter seu natural reflexo no pedido.

O  +     

A estruturação da reclamatória trabalhista é um importante passo para o


desenvolvimento da prova. Se uma estrutura prévia for elaborada, isso permitirá ao
candidato abrir mão de um rascunho prévio, além de lhe permitir visualizar eventuais
falhas no contexto da argumentação ou alguma lacuna na peça como um todo.

Apresentado o problema, vamos direito à estrutura da peça prática:

/+c   3 Qual o órgão jurisdicional encarregado de conhecer uma reclamatória


trabalhista? Juiz do trabalho, por certo.
 + 4  3 Ao apresentar a qualificação da Reclamante, reproduza a forma
abaixo, sempre utilizando os elementos apresentados no problema, sem inventar
rigorosamente nada:

"Maria, nacionalidade, estado civil, profissão, identidade, CPF, endereço, vem, por
intermédio de seu procurador, com instrumento de mandato incluso, com fundamento
nos arts. 282 do CPC e 787 da CLT, apresentar "reclamação trabalhista com pedido de
indenização por danos morais"

+4  3 Mesma sistemática da Reclamante:

"em face de Delta Indústria Farmacêutica LTDA, CNPJ, endereço, com base nos
fundamentos de fato e de diretio a seguir aduzidos"

Na qualificação, banca quer saber se você conhece os elementos do art. 282 do CPC.

1 + 5    -            .( 3 É praxe das


reclamatórias trabalhistas contarem com esse dois tópicos, mas, para a prova da OAB,
são desnecessários. Como vocês puderam ver no espelho acima, não houve a menor
menção à gratuidade de justiça ou à CCP. A razão disso é uma só: se não fez parte do
problema não pode ser exigido pela banca. Obviamente se fizer parte do problema, o
respectivo tópico deverá ser elaborado.

2+"  : Escreva uma síntese do problema da peça prática, e não gaste mais de 4
parágrafos nisso. Os fatos devem ser descritos de forma clara, concisa e objetiva,
preferencialmente distintos do direito. Isso não é obrigatório, pois cada um tem seu
estilo de escrever, mas, montando a estrutura prévia, separando cada tópico de maneira
clara, você facilita seu raciocínio e facilita o trabalho daquele que corrigirá sua prova.
Tenho certeza que todos desejam de coração que seu corretor esteja de bom humor
quando ler sua peça prática...

Os fatos são um resumo do problema. Faça uma síntese apertada e siga em frente.

6+"   3 No problema dessa prova, seriam dois tópicos específicos e distintos:

A - Da nulidade da Justa Causa

B - Do dano moral

Em cada tópico, tal como consta no espelho, o candidato declina suas razões, informa os
fundamentos legais e jurisprudenciais, e gasta o seu belo juridiquês. Falarei melhor
sobre isso no próximo tópico.

7+"   3 O fecho da peça, contendo todos os requerimentos discorridos na causa


de pedir. Se você colocou o tópico sobre gratuidade de justiça, mencione-o novamente
no seu pedido. Peça também as verbas rescisória em conformidade com a demissão sem
justa causa, a reversão da justa causa e o pedido de condenação pelo dano
extrapatrimonial.
+0  3 NÃO assine sua peça, não coloque seu nome, não faça uma rubrica. Em
suma, não vacile nessa hora. Não são raros os caso dos candidatos que fazer tudo
certinho e no final comentem esse erro fatal...e irrecorrível. Façam da forma como
escreverei agora, nem mais, nem menos:

"Nestes termos,

Pede deferimento.

Local, data.

Advogado"

No último exame essa foi a instrução da prova: que o candidato escrevesse advogado.
Não coloque número de OAB nem nada. Simples como acima demonstrado.
Naturalmente que a primeira coisa a ser feita é ler meticulosamente as instruções da
prova, pois o Cespe pode inovar em alguma regra.

O  +"( (   

O terceiro ponto não é o mais relevante para a elaboração da peça prática, no entanto, a
capacidade de redação dos bacharéis tem-se revelado como o grande empecilho para a
aprovação de muitos.

Com a supressão da doutrina na 2ª fase, esse é um ponto que não pode ser negligenciado
de nenhuma forma.

Vamos então pegar o item 2.3 do espelho e trabalhar uma sistemática para se construir
uma redação coerente, lógica e que agrade o Cespe.

'*. 38 +       -  9c&:! '1!;+(  


) (c&:9 '7+0!,#;

Uma bom método é estruturar um texto com 3 partes básicas:

1 - O fato (de forma extremamente sintética, pois você já abriu previamente um tópico
só para isso);

2 - O direito aplicável ao caso ( Arts. 373-A, VI e 482,H, ambos da CLT);

3 - A solução jurídica (reversão da justa causa)


A estrutura acima é bem no estilo causa/consequência, fácil de ser pensada e bastante
eficaz para o exame de ordem, além de se parecer com a famosa lição de Miguel Reale
(fato-valor-norma). Não tem como errar.

Lembrem-se que estamos trabalhando dentro da  , que seria o item 6 (do
direito) do ponto 2.

Vamos então trabalhar o texto.

"Do direito

1 - Da reversão da justa causa

(1 - o fato) A Reclamada demitiu por justa causa a Reclamante por esta recusar a se
submeter a revista íntima determinada a todos os empregados da empresa.

(2 - O direito aplicável ao caso) O art. 373-A, VI, da CLT veda expressamente a


realização de revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias de qualquer
empregador. A recusa por parte da Reclamante foi legítima porquanto em absoluta
consonância com o ordenamento jurídico trabalhista, afastando por completo a
hipótese prevista no art. 482, H, da CLT, arguida pela Reclamada para justificar a
indevida demissão por justa causa.

(3 - solução jurídica) Logo, resta cabalmente demonstrado que a demissão por justa
causa promovida pela Reclamada foi um ato abusivo, ilegal e injusto, devendo ser
revertida em demissão sem justa causa, condenando-se a Reclamada ao pagamento das
devidas verbas rescisórias, como o aviso prévio indenizado, o 13º proporcional, as
férias integrais e proporcionais mais o terço constitucional, a multa de 40% sobre os
depósitos do FGTS, a entrega das guias de seguro desemprego, as multas dos arts. 467
e 477 da CLT e a entrega do TRCT para o levantamento do FGTS."

Pronto! Em três simples parágrafos você pode escrever tudo o que o espelho exige, com
simplicidade e clareza, em uma ordem direta de raciocínio, exatamente como a banca
quer ver.

O que eu escrevi parece ser de uma obviedade exagerada, mas creiam-me, muita gente,
mas muita gente mesmo tropeça feio nesse momento. Obedecer a uma lógica simples de
criação dos argumentos é a melhor forma de se escrever, garantindo não só a própria
lógica jurídica como um texto claro que tenha um começo, um meio e um fim.

Por fim, tenha todo o cuidado para não fugir do tema. Isso é muito comum na prova e
prejudica seriamente o candidato. Lembre-se da idéia de causa e efeito: uma lesão é
igual ao direito a uma reparação. A lei serve para justificar a reparação. Simples assim.

O raciocínio aqui explanado aplica-se de forma indistinta em qualquer tipo de peça


prática, o que muda é o nome da petição, o direito aplicável e alguma outra
peculiaridade especifica de cada direito material ou processual.
O importante é o candidato estabelecer um padrão de redação, com princípios claros,
que o ajudará a pensar na hora da prova. Treinem essa sistemática, ou pensem uma
sistemática particular para cada um de vocês. Tenham método!

Última atualização em Sex, 16 de Julho de 2010 17:12

Autor: Maurício Gieseler de Assis