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Jani Kay

#1 Two Worlds Colliding

Série Scorpio Stinger MC

Two Worlds Colliding Copyright © 2014 Jani Kay

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SINOPSE
Tudo o que qualquer mulher sempre quer, é saber que vale a
pena lutar por ela.

Tudo o que qualquer homem sempre quer, é saber que ele pode
cuidar de sua mulher.

Protegê-la, sustentá-la, cuidar de suas necessidades e desejos.

Isso é o suficiente. Certo? ERRADO.

Importa de onde eles vêm. Importa quem a sua família é.

Especialmente quando são de dois mundos completamente


diferentes.

Os opostos se atraem. Ryder e Jade são atraídos um ao outro


como ímãs.

A Princesa e o motoqueiro.

Eles se desejam - intensamente.

Mas isso será forte o suficiente para manter o amor quando tudo
está contra eles?

Será que Jade seguirá o seu coração ou a sua cabeça? Ryder OU


sua família.

Ryder pode esquecer sua fidelidade a seus irmãos e seu clube


para ter sua princesa? Jade OU sua família.

Vale a pena lutar por Jade? Ryder acha que sim...

— Jade era a mulher perfeita para mim. Eu daria até meu último
suspiro por ela. ~ Ryder

O que acontece quando os dois mundos de Jade e Ryder colidem?

O que eles têm é forte o suficiente para superar as adversidades?

Ou será que seus mundos destruirão um ao outro e os rasgará.

Nas palavras de Cobra: — Eu quero ver você feliz com sua


mulher, mas ela não pode ser Jade. Vocês dois são um maldito ‗Romeu
e Julieta‘ moderno.

O preço final é muito alto?

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A SÉRIE

Série Scorpio Stinger MC – Jani Kay

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Capítulo Um
RYDER

— Princesa, — eu gemi, — você está me matando aqui.

Minha cabeça doía. Por que, eu fodidamente deixei essa mulher


ficar sob a minha pele? Eu sabia que ela ia ser um problema, desde o
primeiro dia em que eu entrei na agência.

Mas não, meu pau sabia melhor. Ele só tinha que estar dentro da
buceta dela. Sim.

E agora eu estava ferrado de tantas maneiras, isso pareceu como


um soco no meu estômago.

Jade era uma mulher teimosa - ela não iria facilitar. Mas foda-se.
Sua buceta era minha agora, e ninguém ia me impedir de ter mais.

Nem mesmo ela ou sua família.

Ela não sabe o quão malditamente persistente eu sou.

Tenaz.

Determinado.

Eu tomo o que eu quero. E neste momento, o que eu quero é a


garota que eu tinha acabado de foder na minha moto.

E ISSO era um grande negócio. Porque eu nunca tinha fodido


qualquer cadela na parte de trás da minha moto. Nunca quis também.

Até Jade.

Eu nunca quis ninguém tanto assim. Ela fodeu com a minha


mente. Eu pensava nela o tempo todo - dia e noite. E agora que eu
provei sua buceta, não havia como voltar atrás. Eu sabia disso com
tanta certeza como eu sabia que meu nome era Ryder Knox.

Ryder consegue o que Ryder quer. Sem negociação.

Sua voz ficou presa na garganta.

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— É porque você não está me ouvindo, Ryder. Eu disse desde o
início que teríamos apenas uma noite. Você não entende isso?

Seus olhos brilhavam no escuro. Ela estava chorando, porra?


Inquieto, eu esfreguei suas costas, acalmando-a.

— Eu entendi... Eu entendo. Mas agora... Eu quero mais... De


você. — eu gemi.

Sim, eu estava viciado em sua buceta e eu sabia disso. Eu pensei


que uma vez que eu a tivesse, eu seria capaz de me livrar da minha
obsessão por ela e por sua buceta. Acontece que isso só me fez a querer
mais. E ela estava resistindo a mim. Porra.

— É impossível, Ryder. Você tem que acreditar em mim. — Ela


não estava sendo uma vadia, ou sarcástica, ou qualquer coisa assim,
como ela geralmente era. Isso me preocupou ainda mais. Isso
significava que ela estava falando sério como o inferno.

— Baby, eu vou te levar para casa agora. Você está cansada, e


você está com frio. Mas vamos conversar. Muito em breve. E eu não
aceito um não como resposta.

Jade assentiu, tremendo em meus braços. Segurei sua bunda e a


puxei para mim, empurrando minha dureza contra seu estômago. Mais
um beijo. Eu tinha que ter apenas mais um... Eu levantei seu rosto
para o meu e a beijei com força. Ela tinha que saber o quanto eu a
queria.

Ela suspirou em minha boca e derreteu suas curvas suaves em


minha dureza. Tomei sua boca novamente, sugando-lhe os lábios.
Imaginei que um homem tinha direito a um pouco de felicidade –
mesmo que passageira. Mas não havia nenhuma maneira no inferno
que eu ficaria ligado a Jade. Ah, não, eu ia deixar meu pau ter o seu
caminho com ela; Eu foderia ela, tanto quanto eu precisasse. Mas isso
era tudo.

Sendo realista, eu sabia que não poderia durar para sempre


porque nada dura, como se a porra do universo me odiasse. Sempre que
eu amei alguém, essa pessoa me deixava. Primeiro Marianne e depois
Max. Eu entendi o porquê de Max ter ido embora, eu estava bem com
isso. Não doeu menos, no entanto. Sua mudança para Nova York, do
outro lado da porra do país, foi tão bom como se ela tivesse se mudado
para um planeta diferente.

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Relutantemente, eu me afastei. Tinha que voltar para casa.
Balançando a cabeça para limpar o nevoeiro de sexo em meu cérebro,
eu caminhei até minha moto.

— Suba, — eu rosnei.

Foda-se. Olhando-a de pé, os braços em torno de seu corpo e


mordendo o lábio, eu só queria levá-la para a minha cama. E então me
enterrar profundamente dentro dela. Durante toda a noite.

Ela prendeu seu vestido para cima das coxas, expondo a pele
branco-leitosa acima das meias onde os laços rendados terminavam.
Meu pau se contorceu. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Porra, eu a
queria novamente.

Seus braços circularam minha cintura, e ela chegou o mais perto


de mim que ela pôde em cima da moto. A Princesa estava pedindo por
isso. Eu ia levá-la para casa. Sim. Isso é o que eu iria fazer.

— Se segure, baby. — meu peito se apertou. Jesus, ela me afeta


de uma maneira que eu não sabia que uma mulher podia.

A moto rugiu para a vida, roncando sob minha bunda. Eu dei


uma profunda respiração calmante, depois outra, profundamente em
meu estômago. Esse sentimento eu entendia - minha moto e eu
tínhamos um ótimo relacionamento. Cadelas e eu, nem tanto.

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Capítulo Dois
JADE

Deslizando meus braços em torno de Ryder, eu empurrei meu


corpo contra o seu, precisando estar o mais humanamente possível
perto dele. Eu queria mergulhar nele, sentir o seu calor, e sentir o
cheiro dele. Experimentar cada centímetro dele e queimar isso em
minha memória, para que mais tarde eu pudesse desempacotar tudo e
saborear esta noite mais e mais pelo tempo que fosse necessário.

Eu apertei meus olhos fechados - eu não estava conseguindo


convencer Ryder. Ele não queria ouvir por que eu estava tentando com
tanto afinco fazê-lo entender: nós éramos de mundos diferentes.

Mundos mutuamente diferentes.

Meu mundo não iria aceitá-lo, tanto quanto o dele não me


aceitaria.

Qualquer coisa entre nós teria que acabar esta noite. Não havia
outra maneira, especialmente para que não houvesse derramamento de
sangue. O que tínhamos era uma forte atração física, nada mais. Meu
estômago revirou e bile subiu pela minha garganta. Esta poderia ser
uma das melhores ou piores noites da minha vida.

Harrison ficaria enlouquecido se ele só visse Ryder. Ele atiraria


primeiro e perguntaria depois. Desde aquele dia, há quase dez anos, o
seu ódio por motoqueiros e sua espécie tinha o transformado em um
homem de coração frio. Na verdade, ele teria prazer em assistir Ryder
sofrer uma morte lenta e dolorosa. Por Amy. E os outros também, mas
principalmente por Amy.

Suspirei profundamente, tirando o cheiro dele das minhas


narinas em uma inalação. Ele me deixaria perto de casa e, em seguida,
eu pegaria um táxi até lá.

Estava na hora de eu encontrar o meu próprio lugar para morar.


Viver com os meus pais tinha funcionado para mim, até hoje. Agora eu
precisava do meu próprio espaço. Eu não queria responder mais a eles.
Isso nunca tinha me incomodado antes, mas agora eu era uma adulta e

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era hora de assumir a responsabilidade total por mim. Meu vigésimo
terceiro aniversário era apenas a algumas semanas - era hora de sair.

Ryder fez a viagem de volta para a cidade muito mais rápido do


que quando fomos até Mulholland Drive mais cedo. Eu tive que segurar
com todas as minhas forças, nossos corpos movendo-se como um
conforme ele arredondava curvas acentuadas, nos inclinando junto
conforme a fera rugia abaixo de nós.

O vento fresco batia meu cabelo no rosto. Era inútil tentar domá-
lo, então eu só fui com o fluxo e fechei os olhos, sentindo o passeio em
vez de ver. Cada solavanco, cada aceleração, foi amplificado com os
olhos fechados.

Eventualmente eu ouvi outros ruídos de trânsito, então eu sabia


que estávamos nos aproximando das áreas construídas. Ryder reduziu
a velocidade e parou no que eu assumi ser um semáforo. Arrisquei abrir
meus olhos e engasguei. Já estávamos na garagem da casa em Beverly
Hills.

Um sorriso cruzou meus lábios. Ryder tinha me escutado, afinal.


Ele ia chamar um táxi para me levar para casa.

— Desce, baby, — ele ordenou, com a voz em um rosnado


profundo.

Eu pulei da moto e tentei arrumar o meu cabelo bagunçado pelo


vento. Eu tinha certeza que parecia uma bagunça, com o meu vestido
pegajoso ainda acima das minhas coxas - o vestido que eu tinha
escolhido porque esta noite seria a noite que eu iria me entregar para
Marcus e ter relações sexuais com ele.

Antes que esse plano virasse merda.

Um sorriso irônico cruzou meus lábios. A noite não acabou nada


como eu esperava. Eu tinha terminado fodendo um homem
completamente diferente de Marcus, de todas as formas imagináveis,
mas foi exatamente o que eu precisava.

A longa perna de Ryder balançou sobre a moto e ele estava na


minha frente, com um sorriso travesso no rosto.

— Isso foi bom para você também? — ele falou, seus olhos
cobertos de modo que eu não podia ver se ele estava sendo sarcástico
ou apenas me provocando.

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— Foi muito divertido. Obrigada. Mas agora eu preciso chamar
um táxi para me levar para casa. Meus pais devem estar preocupados
sobre onde eu estou.

— Não. Sem táxi. Você vai ficar aqui esta noite. Comigo.

Ele está falando sério?

Atordoada, eu balancei a cabeça.

— Eu não posso, eu preciso ir...

Ele deu um passo mais perto e pressionou o polegar contra os


meus lábios. Com força.

— Cala a boca, mulher. Você fala demais. Sempre lutando


comigo.

Ele levantou meu queixo e sua boca possuiu a minha, minha


resistência desapareceu à medida que eu derretia contra ele. Meus
braços se enrolaram em volta de seu pescoço e torceram seu cabelo,
enquanto seus lábios possuíam os meus. O bom senso abandonou o
meu cérebro e meu núcleo se contraiu. Sua grande mão apertou minha
bunda, pressionando meu corpo contra o dele. Eu já estava molhada.

Como era possível que ele tivesse esse efeito sobre mim? É como
se eu estivesse em transe ao seu redor. Balançando a cabeça, eu
empurrei contra seu peito.

Vá agora, Jade, antes que você não consiga ir embora.

— Ryder, eu preciso ir.

— Você precisa fazer muitas coisas, Princesa. Mas eu sei que você
não quer. Há uma diferença.

— Eu vou chamar um táxi. — eu alcancei o telefone em minha


bolsa e comecei a discar.

Ele arrancou o telefone da minha mão. Engoli em seco e me lancei


sobre ele, tentando agarrá-lo, mas ele era muito alto e estava segurando
o aparelho acima de sua cabeça. Seus olhos se estreitaram e ele olhou
para mim, um sorriso satisfeito no rosto.

— Ryder, por favor. — eu bufei, os braços cruzados sobre o peito,


fazendo beicinho. Eu não estava com disposição para brincadeiras. Eu
tive merda o suficiente por uma noite.

— Você vai implorar esta noite. Mas não para sair.

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Minha sobrancelha se arqueou.

— Estou indo para casa, quer você goste ou não.

Ele continuou, como se eu não tivesse dito uma palavra.

— Você vai implorar para que eu te faça gozar. Sim. — ele sorriu.

— Não. Acabou, e eu estou ind...

Grandes braços fortes me ergueram do chão como se eu fosse


uma pena. A próxima coisa que eu sei, é que eu estava pendurada de
bunda pra cima sobre o ombro de Ryder.

— Droga, Ryder. Me coloque no chão. — eu gritei.

— Calma... Você vai acordar Mia e as crianças. — ele caminhou


em direção a casa, com passos longos determinados.

Eu estava igualmente determinada. Meus punhos bateram em


suas costas.

— Me ponha no chão!

Eu estremeci quando uma palmada forte estalou na minha


bunda.

— Calma, — ele rosnou.

— Não! — eu gritei.

Outra palmada. Mais forte. Minha bunda ardia como o inferno.

— Jade, — ele sussurrou. Mesmo que eu não pudesse ver seu


rosto, eu sabia que ele estava apertando sua mandíbula, daquele jeito
que Ryder fazia tão bem. Ele me colocou para baixo na porta da frente,
seu braço como uma gaiola de ferro ao redor da minha cintura, sua
mão cobrindo a minha boca. Meus olhos se arregalaram quando eu
olhei para ele. Seus olhos estavam escuros e tempestuosos.

— Agora, me ouça porra. Você vai ficar. Você pode lutar, mas você
não pode fugir. — Ele tirou a mão da minha boca com cautela. — Eu
vou abrir a porta agora. Pense em Mia e nas crianças, e pela porra de
uma única vez, mantenha a calma. Nós não queremos acordá-los às
duas da manhã. Ok?

Eu balancei a cabeça. Eu não queria que Mia me visse assim. E


eu não queria perturbar o sono dos pequenos. Eu iria esperar até

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chegar a seu quarto antes de tentar minha fuga. Ele tinha que me
deixar ir - nada de bom poderia vir disto.

Sem dizer uma palavra, ele se ajoelhou na minha frente, com as


mãos nas costas das minhas coxas, garantindo que eu não fosse a lugar
nenhum. Doce Jesus, o que ele ia fazer comigo agora? Meu coração
batia de forma irregular no meu peito, minha buceta se apertando
quando seu hálito quente acariciou a minha pele.

Seu rosto estava bem na frente do meu sexo. Ele tomou uma
respiração profunda.

Jesus. Merda.

Minha calcinha inundou com meus sucos. Eu não poderia detê-


los, mesmo que eu quisesse.

— Ahhh, porra, — Ryder gemeu, sua voz gutural e primal.

Eu respirei fundo, meus joelhos ficando fracos. Ele levantou um


dos meus pés sobre o seu joelho.

Que diabos?

Fechei os meus olhos.

Oh doce Jesus, eu queria a sua boca em mim.

Eu esperava que ele mergulhasse debaixo do meu vestido, que


mal cobria meu monte. Em vez disso, ele soltou um suspiro profundo e
tirou meu sapato. Ele colocou meu pé no chão novamente, e começou a
fazer o mesmo com o outro pé.

Eu estava com os pés descalços na frente dele agora, seu rosto a


centímetros da minha buceta.

Ele deu uma risadinha e lambeu a pele exposta em cima da


minha coxa, logo acima de onde a renda da minha meia terminava. Por
este momento, as minhas pernas já estavam tremendo. Ele agarrou
meus quadris e me puxou em direção ao seu rosto, em seguida
empurrou minhas pernas abertas e minha calcinha para o lado,
enfiando seu nariz em linha reta até minha umidade. Sua língua me
provou em um longo golpe.

— Cristo, — ele gemeu, — tão malditamente molhada para mim.

Ele mergulhou dois dedos dentro. Eu suspirei, abrindo minhas


pernas um pouco mais, como uma vagabunda. Meus dedos se

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enrolaram em seu cabelo, segurando sua cabeça contra o meu sexo. Eu
estava praticamente transando com seu rosto - em frente à porta
aberta.

Ryder se levantou rapidamente, meus sapatos fazendo barulho no


chão quando ele me levantou em seus braços.

— Tenho que ter você agora, — ele sussurrou. — Você está tão
pronta para foder.

Coloquei minha cabeça em seu peito e o cheirei. Ele cheirava a


sexo. Deus, o que havia com este homem, que mexeu com a minha
cabeça tanto que eu não conseguia pensar direito?

— Hmmm, — eu gemi, incapaz de produzir uma frase coerente.

Ele me levou pelo do corredor mal iluminado até o quarto de


hóspedes, onde eu tinha dormido com as crianças há algumas semanas
atrás. Eu não sabia que este era o lugar onde Ryder dormia. Eu tinha
imaginado que Mia era a sua mulher, e que ele dormia com ela no
quarto principal. Uma pontada apunhalando o meu coração me fez
perceber o quão pouco eu gostava da ideia de Ryder fodendo Mia.

Não, eu queria Ryder fodendo a mim. E somente a mim.

Ele fechou a porta com a parte de trás do pé e me colocou na


cama. Meus olhos ainda estavam se ajustando à escuridão do quarto,
quando eu ouvi uma fivela de cinto cair no chão, e em seguida, o
barulho de um zíper. Ele bateu palmas duas vezes e as luminárias se
acenderam automaticamente.

Engoli em seco. Sua bela ereção estava em pé, orgulhosa, as veias


grossas de seu pau pulsando, pré-sêmen na ponta brilhando sob a luz
suave.

Lambi meus lábios involuntariamente.

Ryder sorriu, sabendo exatamente o que eu queria. Prová-lo.

Ele se arrastou até a cama, cobrindo meu corpo com o seu. Ele
empurrou meu vestido até a cintura.

Ele sugou um fôlego e me avisou.

— Isto vai ser duro e rápido, Princesa. Temos o resto da noite


para foder lentamente. Não vamos dormir.

Engoli em seco.

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— Você pode me provar. Depois. Agora eu vou foder pra caralho
sua buceta que já está tão molhada para mim.

Ele se sentou e empurrou minhas pernas abertas, os dedos


grossos enrolando o elástico fino da minha calcinha, e com um puxão
forte ele a rasgou diretamente para fora do meu corpo.

Eu estava totalmente exposta aos seus olhos pela primeira vez.

— Porra, você é linda, — ele rosnou, seus olhos em chamas.

Vindo de Ryder, esse foi o melhor elogio que eu já recebi.

Seu polegar circulou meu clitóris, empurrando a minha


necessidade por ele a outro patamar. Eu soluçava, carente, pronta,
querendo ele dentro de mim.

Ryder não decepcionou. Ele tomou seu pau na mão e esfregou o


pré-sêmen sobre a ponta com o polegar. Eu respirei - vendo-o ser tão
primitivo era erótico além das palavras. Ele rapidamente rolou uma
camisinha e cutucou minha vagina, esfregando seu pau em minhas
dobras molhadas, lubrificando-se para que ele pudesse deslizar para
dentro de mim como uma faca quente na manteiga.

Jesus, isso era sexy. Minha buceta latejava - meu batimento


cardíaco no meu sexo. Frenético. Selvagem. Pronto.

Ele empurrou em mim com um gemido animalesco, seus quadris


resistindo enquanto ele me fodia com força. Sem acariciar lentamente,
sem me esticar primeiro. Ele era tão homem das cavernas como um
cara poderia ser.

E eu adorei.

Ele mordeu meu ombro, suas bolas batendo contra a minha


bunda enquanto entrava em mim de novo e de novo.

Eu escorreguei meus braços sob sua camiseta e cravei minhas


unhas em sua pele, empurrando os calcanhares em sua bunda para
que ele pudesse ir mais fundo.

— Bucetinha gananciosa, — Ryder rosnou.

— Sim, — eu sussurrei. Eu sabia, e neste momento, eu não me


importava, uma vez que ele continuasse fodendo com força. Eu nunca
fui fodida dessa forma antes, e eu sabia que depois disso, eu nunca
poderia voltar ao sexo gentil novamente.

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— Eu vou gozar querida. Sua buceta é tão apertada.

Droga, sua boca suja me deixava louca, suas palavras me


empurraram sobre a borda.

— Eu... Eu também, — eu gemi, tentando o meu melhor para


ficar quieta. Eu definitivamente não queria Mia ou as crianças
acordando e ouvindo nossos grunhidos sexuais.

— Goze. — sua voz era rouca, mas exigente.

Apenas uma palavra e eu saí do controle, meu sexo apertando


freneticamente, segurando seu pau enquanto eu construía meu
orgasmo, empurrando meus quadris para encontrar os dele.

— Porra, cadela... Princesa... Jade. Porra.

Ele deixou ir, bombeando em mim violentamente enquanto


mordia meu pescoço.

Nossos peitos se elevando, nossa respiração fora de controle,


desesperados por ar, nossos corpos tremendo enquanto segurávamos
um ao outro.

— Nunca. — Ryder ofegou. — Nunca... Tive uma mulher como


você. Você é minha cadela, agora. Só minha. Essa buceta é minha.

Eu ri baixinho. Sim, eu era sua cadela. E minha buceta era


definitivamente sua.

Por enquanto, pelo menos.

Amanhã? Inferno, eu não sabia.

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Capítulo Três
RYDER

A Princesa me tinha pelas bolas. Toda vez que eu gozava dentro


de sua buceta, isso só me fazia a desejar mais. Eu não tinha o
suficiente dela.

Eu sabia sem dúvidas, que eu não poderia me contentar com


nada menos que isso. Havia algo tão diferente com Jade, um puxão no
meu coração e alma que eu nunca tinha sentido antes. Eu estava na
porra de um território desconhecido. Normalmente isso me animava pra
caralho - eu prosperava sobre os desafios e explorava novas
oportunidades. Mas isso era completamente outro nível.

Eu não tinha certeza se eu queria entender o que estava


acontecendo comigo.

— Ryder, eu tenho que ir — ela sussurrou, seu rosto enterrado


em meu pescoço.

— Não. — eu resmunguei. — Fique.

— Minha família

Eu não podia deixá-la ir.

— Eu não terminei com você, querida. Isso foi apenas o começo.

— Sim? E depois, Ryder? E amanhã, e no dia seguinte? Isso só


vai ficar mais difícil, quanto mais nós fizermos isso.

Olhei em seus olhos. Eles estavam tristes.

— A noite não acabou, Princesa. Disse que nós tínhamos uma


noite. Até o sol nascer, você ainda é minha.

— Ryder. — ela engasgou.

— Ligue para seus pais. É para isso que os telefones servem.


Diga-lhes que você está segura, e que você não vai para casa esta noite.

~ 16 ~
Ela olhou para mim por um longo tempo. Diferentes emoções
cintilaram através de seus olhos. Eu assisti com espanto como ela lutou
com o seu eu interior. Será que ela vai ficar? Ela entendia o quanto eu
queria ela?

Depois do que pareceu uma eternidade, as extremidades de sua


boca se curvaram muito ligeiramente.

Eu tinha ganhado.

— Tudo bem. Mas só hoje à noite. Quando o sol nascer, acabou.


De acordo?

Eu sorri. Não era exatamente a resposta que eu queria, mas eu


aceitaria. Por enquanto. Amanhã eu faria outros planos.

— De acordo. — eu balancei a cabeça.

Ela se sentou e abriu a bolsa para encontrar seu telefone.


Rapidamente discou um número e falou com seu pai. A partir de sua
conversa, eu deduzi que o pai dela estava aliviado que ela estava bem,
mas ele não estava feliz que ela não iria para casa. Jade evitou as
perguntas sobre onde estava e o que tinha acontecido, dizendo-lhe que
eles discutiriam quando ela estivesse de volta.

Ela vai ser uma advogada fodona.

Peguei duas cervejas na geladeira do minibar no meu quarto. Sim,


vai entender. Este quarto era mais como uma suíte de hotel. Ele tinha
uma mesa grande, bem como uma sala de estar com dois sofás. O
banheiro era cinco estrelas - não que eu realmente soubesse, eu nunca
tinha visto nada tão extravagante quanto isso. Ele tinha uma enorme
banheira, - grande o suficiente para uma orgia - jatos de massagem e
torneiras douradas. As pessoas ricas de merda gastavam seu dinheiro
nisso...

Jade devia estar cansada, porque ela se encostou na cabeceira da


cama e engoliu a cerveja inteira. Ou ela estava usando o álcool para
acalmar os nervos?

Meu olhar passou por seu corpo. Eu queria ver o que estava por
baixo do vestido. Eu queria as minhas mãos em seus peitos empinados.
Com Mia e as crianças na casa, eu não poderia fazer com ela o que eu
realmente queria, mas eu sabia que ia chegar a isso em algum
momento.

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Meu pau ainda estava a meio mastro, pronto para mais ação, mas
mais lento neste momento. Pelo menos, eu tentaria ir mais devagar.
Quando a minha necessidade por ela se tornou insuportável, me tornei
selvagem e frenético, quase ridículo em meu desejo por ela.

Não me admira ela ter me chamado de homem das cavernas...

— Me conte sobre o seu irmão? — a cama afundou quando eu


sentei a minha bunda nua ao seu lado.

— O que você quer saber? — ela perguntou, lançando os olhos


para baixo. Sim, ela estava usando o truque da advogada em mim
também. Ela estava fugindo das minhas perguntas.

— Você disse que ele era um policial fodão. — tomei um gole da


minha cerveja. Droga, isso tinha um gosto bom. — Me conte mais?

— Oh, ele está nas Operações Especiais. Não sei muito. Harrison
é bastante reservado sobre isso. Tudo o que eu sei é que tem a ver com
proteger nosso país contra os terroristas e eliminar as armas ilegais. Ele
não me fala mais. Para minha própria segurança, diz ele. — seus olhos
estavam abatidos e havia uma tristeza puxando os cantos de sua boca
enquanto ela falava sobre ele.

Ela suspirou profundamente. Suspeitando que houvesse mais


nessa história, eu me calei, encorajando-a a continuar falando. Ela
ficou em silêncio por um tempo, e quando eu estava prestes a desistir
de sua oferta por mais informações, ela falou de novo.

— Dez anos atrás, algo terrível aconteceu e mudou ele para


sempre. E a mim também. — ela fechou os olhos como se quisesse
esconder sua dor.

Minha cabeça ergueu. Agora eu precisava saber malditamente


mais. Apertei os olhos e olhei para ela, ainda permanecendo em
silêncio, mesmo que eu tivesse uma centena de perguntas que
atravessavam meu cérebro.

— O que aconteceu? — perguntei baixinho, quando ela estava


toda quieta. Ela estava tão imersa em seus pensamentos que eu me
preocupei que ela tinha adormecido.

— Foi tudo culpa minha. O que aconteceu com Amy. E os outros.


— ela mordeu o lábio inferior, seu queixo estava trêmulo. Porra, ela ia
chorar. Eu odiava quando as mulheres choravam. Eu nunca sabia o
que diabos fazer.

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— Princesa, está tudo bem. — puxando seu pé no meu colo, eu o
acariciei, massageando sua sola com o meu polegar. Seus ombros
relaxaram um pouco e ela soltou um suspiro longo e pesado.

— Eu não tenho falado sobre isso há anos. Mais de sete, na


verdade. Depois da minha terapia, eu tranquei esse assunto em um
arquivo no meu cérebro e eu tentei esquecer o que aconteceu. Estou
tentando seguir em frente com a minha vida. Sem a culpa.

Que porra poderia ter acontecido? E quem era Amy? E o que isso
tem a ver com Harrison? Tantas malditas perguntas, mas eu não queria
incomoda-la com a minha curiosidade. Pelo menos, não por enquanto.

É claro que era algo importante. Lágrimas escorriam pelo rosto de


Jade. Foda-se, eu não tinha a intenção de trazer à tona a dor dela. Eu
sabia tudo sobre enterrar a dor tão profundamente para que ela se
perca em um canto escuro da alma.

— Baby. Está tudo bem. — Coloquei ambas as nossas garrafas de


cerveja vazias sobre a mesa, e me virei para segurar ela. Vendo minha
mulher menos do que feliz tinha um efeito estranho em mim, torcendo
meu coração e apertando a merda fora dele.

Jade esfregou seu peito e em seguida olhou para mim, com seus
grandes olhos azuis. Porra, eu me afogaria em seus olhos. Por um
minuto o mundo parou.

Então ela começou a rir. Sim. Rir.

— Baby. Você está bem? — ela estava ficando louca?

— Você fica tão engraçado vestindo apenas uma camiseta e


meias.

Ela estava certa. Não era a minha melhor aparência. Eu nunca


me importei com o que uma cadela pensava antes. Por que eu de
repente me importava agora? Me inclinei e tirei minhas meias, atirando-
as para o canto.

— Melhor? — eu sorri.

Ela arqueou uma sobrancelha. — A camiseta?

Puxei a camiseta sobre a minha cabeça, e a joguei em cima das


minhas meias.

Esta mulher iria ser a porra da melhor advogada no estado. Ela


transformava a evasão de perguntas em uma arte.

~ 19 ~
Capítulo Quatro
JADE

Atordoada, eu respirei fundo.

Eu tinha mudado de assunto de propósito para distrair Ryder de


fazer muitas perguntas. Mas eu não esperava me distrair totalmente.

Ryder era magnífico. Seu corpo era magro, mas musculoso, com
grandes peitorais e um tanquinho que me deixou sem palavras. A
dureza de seu corpo era um grande e contraste com as minhas próprias
curvas suaves e isso me fazia salivar apenas com o pensamento de
correr meus dedos sobre sua pele para sentir a dureza sob minhas
palmas.

Meu olhar seguiu o V profundo que ladeava sua virilha e foi parar
no seu pau. Um sorriso contraiu nos cantos da minha boca enquanto
eu admirava tanto o comprimento e a largura da besta que me tinha
devastado e me conduzido ao orgasmo.

Sim. Ryder Knox era um belo exemplar de macho-alfa, de fato. E


esta noite ele era meu. Todo meu.

Seu corpo esculpido e as tatuagens habilidosas me tiraram o


fôlego. Se eu alguma vez estive em cima do muro sobre um corpo
tatuado, eu fui convertida neste momento. Tracei um dedo no seu
braço, seguindo a tatuagem da cauda da cobra a partir do topo da mão
de Ryder, enrolando o seu caminho até seu antebraço para seu bíceps e
tríceps. Seus músculos flexionaram em reação ao meu toque leve.
Enrolando meus dedos, eu apertei seu braço. A sensação de sua força
bruta virou meu estômago e fez minha buceta apertar. Ali estava um
homem que poderia me proteger. Era intoxicante.

Minha mão flutuou sobre seu peito em direção a tatuagem acima


de seu coração. Era linda; um pássaro exótico vermelho e amarelo com
uma longa cauda arrebatadora que terminava pouco acima de seu
mamilo. Eu respirei quando meus olhos caíram sobre seu piercing no
mamilo. Deus, era sexy. Eu tinha que tocá-lo. Mergulhei minha cabeça
e lambi seu mamilo, sugando suavemente sobre o piercing.

~ 20 ~
O gemido feroz que retumbou em seu peito fez meu coração
cantar. Eu gostava que eu pudesse afetá-lo tanto.

Minha língua traçou para o centro de seu tronco, beijando e


lambendo em direção ao sul, passando pela pequena quantidade de
pelos que me levou diretamente para o pote de ouro. Ignorei seu pau,
que já havia crescido em comprimento e largura, e estava balançando
sua cabeça para chamar a minha atenção. Eu beijei o V em cada lado
do seu quadril, provocando um gemido ainda mais profundo.

— Foda-se, baby. O que você está fazendo comigo? — eu olhei


para ele por debaixo de meus cílios. Suas pupilas estavam totalmente
dilatadas, uma névoa fina de suor cobrindo sua pele.

Eu fui para matar. Sem tocá-lo com as minhas mãos, eu lambi o


pré-sêmen de sua ponta antes de chupar seu pau em minha boca.
Ouvindo a sua respiração ofegante, eu medi o quão bem eu estava
fazendo, aumentando a pressão de meus lábios enquanto eu corria para
cima e para baixo sobre seu eixo.

— Me chupe, — ele pediu, pegando uma mão cheia de cabelos e


empurrando seu pau em minha boca. Levei-o profundamente, quase na
base das bolas. Ele era grande demais para levar todo o caminho, sem
engasgos, então eu rapidamente agarrei a base de seu pau para
envolvê-lo totalmente.

Eu chupei.

Ele gemeu.

Eu bombeei seu pau com meu punho até que ele puxou minha
cabeça de volta, liberando-a.

— Jesus. Você vai me fazer gozar se você continuar assim por


mais um segundo.

Lambi meus lábios e sorri para ele. A expressão em seu rosto era
impagável: metade atordoado, metade em agonia, eu sabia que ele
estava perto do ponto de não retornar.

Ryder me puxou para cima de seu corpo, e eu senti meus


mamilos endurecidos rasparem em sua pele. Ele soltou um longo
assobio. Segurando a parte de trás da minha cabeça, ele me beijou com
força por um longo tempo, cada grama de seu desejo derramado em um
beijo. Finalmente, ele soltou minha boca.

~ 21 ~
— Monte em mim. Faça com que eu goze forte. — ele ordenou,
com a voz rouca.

Sim.

Eu estava morrendo de vontade de ter seu pau dentro de mim. Eu


rasguei a embalagem com os meus dentes, mal me importando se eu
mordi um buraco na porra do preservativo, eu estava tão desesperada
para ter ele me preenchendo. Meus dedos tremiam enquanto eu o
coloquei na ponta do seu pau. Ele percebeu minha insegurança e
cobriu minhas mãos com as suas, me ajudando a rolar o preservativo
sobre ele. Merda, isso era sexy como o inferno. Eu apertei minhas
coxas, a dor em minha buceta se tornando insuportável.

— Ansiosa Princesa? — ele murmurou, rindo baixinho.

Eu balancei a cabeça. Nós estávamos igualmente desesperados, e


este não era o momento para falar.

Empurrando para cima, eu levantei meu corpo, e ele colocou suas


mãos em concha na minha bunda e apertou.

— Perfeita. Sua bunda é perfeita.

Eu sorri de volta para ele quando eu peguei o seu pau na minha


mão e o guiei para minha entrada ansiosa.

— Ryder, — gaguejei, quando suas mãos me guiaram para baixo e


seu pau se dirigiu para dentro de mim, me enchendo ao máximo.

— Boa menina. — Isso foi uma plenitude que eu adorei


experimentar. — Agora me monte, — disse ele, com um sorriso torcendo
os cantos de sua boca quando ele estendeu a mão e agarrou meus seios
em ambas as mãos, apertando com força.

Encontrando força em minhas coxas, eu montei o pau dele,


batendo para baixo em suas bolas toda vez. Ele me puxou para frente e
sugou um mamilo em sua boca, antes de morder com força. Eu gritei,
tentando não fazer barulho. A combinação de prazer e dor me levou até
a borda.

Seus dedos encontraram o caminho para o meu clitóris e ele


circulou pela raiz sensível até todos os meus sentidos explodirem.

— Ryder. Por favor. Eu vou gozar. — eu estava ofegante, frenética


pela liberação.

~ 22 ~
— Goza, baby. Goza para mim. — Sua voz era rouca, e seu
comando me deixou no limite.

Eu deixei ir.

— Sim. Baby, — eu suspiro, minha voz quase um sussurro.


Deliciosas ondulações passavam pelo meu corpo, segurando seu pau
enquanto eu convulsionava em torno dele.

— Porra. Eu vou gozar também.

Seus olhos rolaram para trás em sua cabeça antes de se


fecharem, e vi seu rosto bonito quando ele se desfez, bombeando dentro
de mim.

Ele me puxou para o seu peito e eu deitei em cima dele. Seus


braços apertaram em torno de mim, seu peito arfando com esforço. Ele
deu um beijo na minha testa.

Completamente satisfeitos, nós dormimos até que os pássaros


começaram a cantar lá fora, um sinal claro de que o amanhecer se
aproximava.

~ 23 ~
Capítulo Cinco
JADE

A manhã chegou muito rapidamente, e Ryder e eu cochilamos nos


braços um do outro, exaustos, suados, e completamente fodidos. Eu
provavelmente ainda estaria dormindo se não fosse o meu telefone ter
me acordado. Eu deixei ir para a caixa postal.

Uma vez que eu fui acordada, eu decidi ir para casa antes de


Ryder acordar e tentar me impedir. Coloquei meu vestido e caminhei na
ponta dos pés até a porta. Felizmente Ryder estava inconsciente, então
eu fugi da casa e encontrei meus sapatos na porta da frente. Fui até a
calçada antes de ligar para um táxi.

Enquanto esperava o táxi, eu rolei através das nove mensagens de


texto que Marcus tinha me deixado. Então eu ouvi as treze mensagens
de voz, excluí uma por uma. Pelo que pude perceber, Marcus tinha se
apressado; ele deixou a festa e foi para casa, evitando o meu pai para
que ele não tivesse necessidade de explicar que eu o peguei com as
calças para baixo e seu pau dentro da nova secretária. Ou que eu tinha
saído sentada na parte de trás da moto de um motoqueiro fodão.
Reprimi o impulso de rir, pensando em Marcus e sua expressão de
pânico quando parti, deixando-o na calçada.

Eu acho que Marcus jamais imaginou que a boa menina Jade


realmente passaria por algo parecido. E ele estava certo - há poucos
meses atrás eu não teria sonhado que eu me comportaria assim. Jesus,
eu teria enfiado um processo por difamação em qualquer um que se
atrevesse a me degradar e insultar com tal acusação.

Agora, lá estava eu, caminhando sorrateiramente até meu quarto


como uma adolescente, meus sapatos na mão, vestindo a camisa de
Ryder por cima do meu vestido. Eu estava uma maldita bagunça, e
esperava que eu pudesse chegar ao meu quarto antes de ser descoberta
e interrogada.

— Jade, é você, querida? — a voz de minha mãe estava cheia de


preocupação.

~ 24 ~
— Sim, eu estou em casa. E está tudo bem.

Ela me encurralou quando estava chegando ao meu quarto. Seus


olhos se estreitaram e ela respirou fundo.

— Estou feliz que você esteja segura. Mas você me deixou


realmente preocupada. Você não é assim, Jade. Você não se comportou
assim nem quando você era mais jovem...

— Eu sei. E talvez eu devesse. Porque eu cresci rapidamente, e


nunca tive a chance de ser apenas uma adolescente louca.

— Então por que começar agora? Quem é o homem que você


dormiu na noite passada? Eu sei que não é Marcus. E bom Deus, você
parece uma bagunça. Deve ter sido uma noite difícil.

Mamãe nunca adocicava suas palavras. Eu gostava disso nela,


porque eu sempre sabia exatamente onde eu estava.

— Papai? — perguntei, bocejando por trás da minha mão. Meus


olhos estavam prestes a se fechar. Eu mal dormi após o vigoroso...
exercício que Ryder me fez passar, eu estava dolorida e cansada.

Ela balançou a cabeça.

— Ele está dormindo. Eu dei a ele algo para ajudá-lo a descansar.


Vá tomar um banho, Jade. Vou trazer uma xícara de chá. Parece que
você está precisando.

Eu dei a ela um olhar agradecido. Eu não estava fora de perigo -


Eu conhecia Sylvia Summers melhor do que isso - mas ela me deixou
tomar um banho e dormir primeiro, então provavelmente eu passaria
por todo interrogatório mais tarde.

— Seu pai ligou para Harrison. Só achei que você deveria saber.
Tudo que Marcus falou para o seu pai, assim que ele finalmente
conseguiu ligar para ele, foi que você saiu sentada na parte de trás de
uma moto. Isso é verdade? — um pequeno sorriso torceu os cantos de
sua boca. Foi ela quem me ensinou a sempre conhecer as regras, para
que assim eu pudesse quebrá-las corretamente em caso de necessidade.

Eu balancei a cabeça.

— Sim. Mas há muito mais na história, e eu tenho certeza que


Marcus nem se quer se preocupou em elaborar.

Ela me deu um sorriso.

~ 25 ~
— Como sempre há. Vou fazer o chá agora e podemos conversar
mais tarde.

Assim que ela saiu, eu fui tomar um banho. Quanto mais cedo eu
lavasse o cheiro de Ryder fora de meu corpo, melhor. Ele cobriu cada
centímetro da minha pele com a boca, e enquanto eu me ensaboava,
não pude deixar de lembrar o êxtase mais uma vez. Eu estava dolorida,
mas era algo que eu nunca tinha sentido antes, e algo que eu
definitivamente queria sentir novamente.

Com Ryder.

E aí estava o problema. Agora que ele havia alimentado o meu


fogo, ia ser difícil sufocar as chamas. Só pensar nisso já fazia o meu
coração bater mais rápido.

Eu precisava dormir. Era a única maneira de meu cérebro


processar tudo isso e ficar claro de novo. Eu tinha que sacudir a
neblina de sexo, e me tornar a mulher prática que sempre fui.

Mas eu me sentia tão bem em estar livre.

Tão bem por me entregar completamente.

Tão bem em ser completamente fodida por um homem lindo, forte


e viril como Ryder Knox.

Graças a Deus minha mãe tinha acabado de deixar o chá na


minha mesa de cabeceira. Eu bebi e rastejei entre os lençóis.

Um sorriso surgiu em meus lábios. Eu queria Ryder bagunçando


estes lençóis de algodão egípcio, enquanto me fodia até o esquecimento.

Eu precisava encontrar a minha própria casa.

Logo.

~ 26 ~
Capítulo Seis
RYDER

Rolei e estendi a mão para ela. Como era possível que parecesse
que Jade sempre pertenceu a este lugar - minha cama? - Eu não
conseguia ter o suficiente dela. Tudo sobre ela me excitava: o sabor de
sua pele, sua boca... E sua buceta. Mas não era só o seu corpo e a
forma como ela parecia - Eu amava a forma como sua mente trabalhava
também. E havia algo doce e carinhoso sobre ela que me atraía mais do
que eu gostaria de admitir.

Mas o que eu mais amava, era que a minha boa menina poderia
se transformar em uma garota safada, quando ela estava comigo. Sim.

Eu queria saboreá-la mais uma vez. Porra, eu estava ficando duro


só de pensar em onde a minha boca e pau tinham estado.

Jade não estava na cama.

— Baby? — eu chamei. Eu sabia que as mulheres iam muito para


o banheiro depois de fazerem sexo. E nós tínhamos fodido a noite toda.

Nenhuma resposta. A Princesa estava brincando comigo? Ou


talvez ela tivesse dormido no banheiro? Eu não a culpo. Tinha sido uma
noite como nenhuma outra.

Me levantei e caminhei até o banheiro, meu pau a meio-mastro,


balançando enquanto eu pensava no que eu ia fazer com ela quando
voltasse para a cama. Sim. Minha Princesa tinha um fogo nela que eu
não acho que eu poderia saciar. Sua buceta gananciosa só queria mais,
não importa o quanto eu tinha dado a ela. A próxima vez em que
estivermos juntos, eu quero fazer sexo sem proteção. Pele com pele.
Precisávamos ter uma conversa sobre isso...

O banheiro estava vazio. Está bem. Talvez a varanda? Não, ela


tinha ido embora. Porra.

Eu queria passar mais tempo com ela.

Eu não conseguia ter o suficiente.

~ 27 ~
Capítulo Sete
JADE

Espalhada sobre a cama, deitada de bruços e folheando o jornal,


eu estava procurando por apartamentos para alugar perto dos
escritórios do papai. Se eu ia me mudar, eu queria estar perto o
suficiente do trabalho, de modo que eu não gastaria muito tempo em
engarrafamentos.

Uma batida na minha porta fez com que eu desviasse a atenção.


Oh merda. Papai. Já estava na hora da conversa.

— Bom dia querida. Posso entrar?

Eu não sei por que ele perguntou, uma vez que ele já estava de pé
ao meu lado, olhando por cima do meu ombro para o jornal. Ele não
disse nada, ele apenas tossiu.

Papai sabe das coisas.

Ele se sentou no banquinho da minha cômoda, parecendo muito


bonito em sua roupa de tênis. Para um homem de cinquenta e três
anos, ele estava extremamente em forma. Meu pai ia para a academia
todas as manhãs antes de ir para o escritório, porque ele acreditava que
um corpo saudável abriga uma mente saudável. Ele também tinha a
opinião de que tudo ficava mais fácil se ele liberasse seu stress em
pesos e sacos de pancada.

— Você quer me dizer o que aconteceu ontem à noite com


Marcus? E explicar por que você saiu em uma moto e não voltou para
casa até esta manhã?

Seus olhos eram duros, desmentindo o sorriso em seus lábios. Ele


me fazia sentir como uma criança pequena. Mas desta vez eu iria
manter a minha posição. Por muito tempo, eu permiti que meus pais
controlassem a minha vida.

Me sentei, dobrando minhas pernas debaixo de mim. Ia ser difícil


convencê-lo a e me deixar cometer os meus próprios erros, e também

~ 28 ~
que eu precisava da liberdade de fazer minhas próprias escolhas -
quaisquer que fossem.

Porque eu sabia que parte da vida eram as experiências da dor,


perda e mágoas. Essa era a única maneira de também conhecer a
felicidade, gratidão e viver uma vida plena.

Quando eu expliquei o que aconteceu, ele puxou uma respiração,


sua mandíbula se apertando no momento em que ele cerrou os dentes.
Edward Summers não era um homem com quem mexer. Tanto Harrison
quanto eu herdamos suas características tenazes. Eu não gostaria de
ser Marcus neste momento.

— Me conte sobre o homem com quem você saiu - na parte


traseira de sua moto, apenas. — ele exigiu. — Como você o conheceu?
— o sorriso de escárnio em seu rosto me fez arrepiar imediatamente. Ele
estava julgando Ryder sem ele nunca o ter conhecido, ou saber nada
sobre ele.

Estranho como só há alguns meses atrás, eu também teria


torcido meu nariz com desgosto. Mas agora eu sabia melhor. Eu sabia
que não devia julgar uma pessoa somente pela aparência.

— Ele é o homem que conheci na agência. Aquele que eu disse


que tinha alugado a casa em Beverly Hills. Só aconteceu de ele estar lá
quando eu precisava dele. Tipo o meu cavaleiro em um cavalo
estrondoso. — eu ri, me lembrando do constrangimento de tudo no
momento.

Papai achou menos divertido.

— Aquele motoqueiro grosseiro? Jade! E você realmente subiu na


parte de trás de sua moto? Eu sempre te falei para ficar longe de
estranhos, mas este tipo é ainda pior. — suas sobrancelhas franzem e
seus lábios formam uma careta.

Revirei os olhos.

— Papai, ele não é tão ruim depois que você o conhece. Ele está
ajudando a família de um amigo. Isso diz muito sobre o caráter de um
homem.

— Mas Jade, foi você quem me disse como ele era sem educação.
Como você não confiava em seus motivos para alugar a casa. Agora
você mudou completamente sua avaliação? — suas sobrancelhas se
levantam quando ele olha para mim, nenhum pouco contente.

~ 29 ~
— Eu comecei a conhecê-lo um pouco durante as inspeções da
casa. Ele é um pouco rude por fora, eu admito, mas por baixo daquele
exterior tem um bom coração.

— Você está ouvindo a si mesma? Desde quando é que os


criminosos têm bons corações? Eu não gosto nem um pouco disso,
Jade. Nem vou falar à sua mãe sobre essa conversa – ela te trancaria
em seu quarto. Além disso, você é uma advogada qualificada agora,
você deve saber melhor do que ninguém que os leopardos não mudam
as suas manchas.

— Ah, mas e se ele nunca foi um leopardo para começar? — Eu


retruquei.

— Não banque a espertinha comigo, mocinha. Estou cuidando de


seus interesses. Motoqueiros não são adequados para a minha filha.
Aconteceu uma vez, vamos deixar por isso mesmo, se você prometer que
não vai fazer isso de novo.

Eu respirei fundo.

— Papai. Sério?

— Sim. E eu sei que o que aconteceu com o Marcus é de mau


gosto. Ele deveria ter sido mais discreto. Mas você ainda não está noiva
oficialmente, por isso vou ter uma conversa muito séria com ele e
estabelecer algumas regras para o futuro. Isso não vai acontecer de
novo, eu prometo a você, querida.

Minha boca ficou tão seca que eu quase engasguei. Eu tomei um


gole de suco de laranja e olhei para o meu pai com cuidado.

— Eu não tenho certeza se estou entendendo o que você quer


dizer. Me deixe ver se é isso mesmo. Você está dizendo que o que
Marcus fez é perdoável, e que você espera que eu continue saindo com
ele e me case com ele após a sua conversa de homem-para-homem?

Por toda a minha vida, eu nunca questionei meus pais. Eu sabia


que eles tinham as melhores intenções no coração, e só queriam a
felicidade para ambos, Harrison e eu. E agora isso? Eu não podia
acreditar.

— Oh, querida, não! A escolha será sua, mas talvez seja apenas
um mal-entendido e você pode resolver as coisas. E se você ainda quiser
Marcus, eu vou ter certeza que ele nunca repetirá seu comportamento
desprezível. — Papai se inclinou para frente e colocou a mão no meu
ombro. Seus olhos se suavizaram. — Masterton parecia o homem

~ 30 ~
perfeito para você. Ele viaja, é inteligente, ambicioso e... Ele pode te
sustentar.

Minha respiração parou.

— Depois do que Marcus fez, eu esperava que você quisesse


cortar suas bolas. Não dar a ele outra chance. E não, eu não o quero.
Eu nunca estive apaixonada por Marcus. Eu admito que ele era tudo o
que eu pensei que queria em um homem. Mas ele é um traidor. Ele não
é fiel.

Esfreguei a dor no meu coração com o meu punho. No entanto,


eu estava grata por ter descoberto sobre Marcus antes que as coisas
ficassem mais sérias. Antes que eu lhe desse meu corpo como eu tinha
planejado fazer naquela fatídica noite - querendo ver se meu coração
iria acompanhar. Mas o que eu tinha visto - o seu pau dentro de outra
mulher - nunca poderia ser esquecido. Se Marcus precisava foder outra
garota, ele claramente não era para mim. Porque se ele fosse, ele teria
esperado mais algumas horas - por mim.

— Eu quero um homem que queira somente a mim. Aprendi que


dinheiro, status e uma casa bonita com cerca branca não é o que eu
quero, afinal. Quero amor. E lealdade. Quero ser o centro do seu
universo. Meu homem não deve sequer pensar em querer outra mulher.
Então, claramente, Marcus não é o que eu quero.

Papai franziu os lábios. Ele não gostou do que eu estava dizendo.


Acho que ele esperava que eu perdoasse Marcus e seguisse em frente.
Mas como eu poderia estar com um homem que só seria leal a mim,
porque o meu pai o ameaçou? Não, tinha que ser sua escolha ser fiel,
porque ele queria. Porque ele não tinha necessidade de qualquer outra
pessoa.

— Jade, pense nisso antes de se decidir. Sua vida pode ser ótima
se você escolher Marcus. Ele pode te dar tudo o que você precisa.

Solene, eu balancei minha cabeça.

— Eu sempre me perguntei o que era mais importante. Amar ou


ser amada. Então me deparei com algo que me marcou. Essa pergunta
é como pedir a um pássaro qual a asa ele precisa mais – sua asa direita
ou sua asa esquerda.

Meu pai levantou a cabeça e sorriu, me encorajando a falar mais.


Eu adorava que ele estivesse disposto a ouvir o meu ponto de vista.
Minha voz era menos que um sussurro, embargada.

~ 31 ~
— A verdade é que um pássaro precisa das duas asas para voar.
A resposta é o equilíbrio. Isso é o que eu quero - receber e dar amor
igualmente. Incondicionalmente. Completamente. Consegue entender
isso?

Finalmente eu entendi o que eu realmente queria. Uma ‗lista de


compras‘ de características para escolher não garantiria o meu felizes
para sempre. Não era minha mente que tinha que escolher qual o
homem que eu passaria o resto da minha vida. Isso era totalmente o
trabalho do meu coração. E o homem que estava fazendo meus joelhos
fracos não era aquele que minha mente teria escolhido, nem em um
milhão de anos.

Ele acenou com a cabeça.

— Eu entendo, porque é isso que mamãe e eu sempre tivemos.


Mas, Jade, escolha sabiamente. Com quem você decidir passar sua vida
impacta sobre muitos outros aspectos também. Uma vez que o romance
morre, vocês ainda tem que gostar um do outro para que isso dure.

— Eu entendo isso, papai. É exatamente por isso que eu não


posso ficar com Marcus. Eu nunca vou confiar nele novamente.

— Então, me fale sobre o motoqueiro. Existe algo que eu deveria


saber? — a maneira como ele curvou a sobrancelha confirmou que ele
não estava muito confortável com este desenvolvimento.

— Não há muito para dizer. Ele me salvou de Marcus num


momento seriamente embaraçoso. Isso é tudo. Ele não é meu tipo, nem
eu sou o dele, então não há nada para se preocupar. — Mesmo
enquanto eu tentava garantir ao meu pai, meu estômago balançava. A
pequena voz na minha cabeça foi ficando mais alta. Eu estava dizendo a
verdade?

Eu odiava contar mentiras, especialmente para as duas pessoas


que eu mais confiava no mundo. Mas eu ainda não tinha percebido isso
por mim mesma. Eu ainda estava ansiosa para encontrar minha
própria casa, mesmo que eu nunca visse Ryder novamente. Estava na
hora de dar o próximo passo em direção à vida adulta.

Meus sentimentos por Ryder estavam se tornando mais do que


apenas rebelião e luxúria?

Espero que não.

~ 32 ~
Capítulo Oito
RYDER

— Sente na porra da cadeira de rodas. — eu balancei a cabeça em


direção à engenhoca que Cobra estava se recusando a ficar. — Eu vou
levá-lo para fora deste lugar e até em casa. Mas, primeiro, você tem que
seguir as malditas regras.

Os olhos de Cobra se arregalaram.

— Porra. Ryder, este é realmente você falando? Desde quando


você, de todas as pessoas, segue as regras?

Eu pisquei para ele.

— Desde que é a forma mais rápida para sair deste lugar que
cheira a antisséptico e é tão estéril como as bolas de Ox.

Ele riu.

— Você tem um ponto, irmão. Me tire daqui, porra.

Cobra se inclinou, e tanto a enfermeira quanto eu o abaixamos


para a cadeira de rodas. Ele sorriu como um idiota para a enfermeira.

— Não vá sentir muito a minha falta, querida.

Ela o golpeou com a prancheta.

— Tire essa sua cara feia para fora daqui, antes que você tenha
outra lesão. E fique fora do caminho de balas no futuro, tudo bem? —
Ela arqueou uma sobrancelha para ele.

Eu rio.

— Problema é o nome do meio de Cobra. Ele o segue como um


mau cheiro.

A enfermeira colocou alguns recipientes de analgésicos nas mãos


de Cobra e explicou como ele deveria tomá-los. Ele ouviu
pacientemente, e acenou com a cabeça. Porra, Cobra estava ficando
mole depois de todo esse tempo no hospital? O Cobra que eu conhecia

~ 33 ~
teria atirado as pílulas de volta, proclamando ser um homem e não uma
mulherzinha, que precisava de pílulas para a dor.

Estávamos dentro do elevador quando Cobra falou novamente.

— Mia? — sua voz era tão suave que eu quase não ouvi. Eu até
mesmo percebi ansiedade. Sim. Quando uma mulher tinha um homem
pelas bolas, não havia nenhuma maneira que ele poderia fingir o
contrário. Ele estava fodido, ele sabendo ou não.

— Mia está na casa. Esperando por você. Não se estresse demais,


ela estava se embonecando quando eu saí. Ela não pode estar tão brava
com você se ela quer parecer toda bonita para você.

— É mesmo? — Cobra suspirou. — Desde quando você é a porra


de um especialista em mulheres? Pensei que você odiava cadelas, com
exceção de suas bucetas.

Eu tremia de tanto rir.

— Desde que eu tive que cuidar da sua old lady1. Tomar conta da
sua família. E desde que... — parei de falar na hora certa. Cobra não
sabia nada sobre Jade. Era ruim o suficiente Mia me interrogar
constantemente. Eu não preciso dele no meu pé também.

Além disso, desde que nos vimos pela última vez naquela noite,
ela não tinha atendido minhas ligações. Ela estava sendo teimosa como
o inferno, se prendendo às suas armas. Mas o que Jade não sabia era
que além de ser um homem tenaz, eu também era um filho da puta
paciente. Se eu precisasse.

— O que você estava dizendo?

— Nada cara. Apenas estou feliz por você estar fora deste lugar.
Ele me dá arrepios.

— Ryder. Eu sou seu irmão. Sem segredos. Se você não me


disser, Mia vai. Você sabe que a mulher sabe de tudo.

— É complicado. Deixa pra lá, irmão. Concentre-se em Mia e as


crianças. Está animado para vê-los?

— Pra caralho. Eu tenho certeza que eles cresceram muito desde


a última vez que eu os vi.

1
É um termo utilizado pelos motoqueiros para definir suas namoradas ou esposas.

~ 34 ~
— Eles cresceram. Sua família é realmente incrível. Você é um
cara sortudo, Cobra.

— Quão sortudo? Vou descobrir quando eu puder ver a Mia


novamente. Você sabe que ela não vai me perdoar facilmente por ter
perdido o bebê. E eu não a culpo, de qualquer forma.

Silenciosamente, eu balancei a cabeça. Perder o bebê foi uma


grande coisa. Uma conta que eu ainda não tinha acertado com a porra
dos LA Demons. A morte prematura daquele bebê estava sobre eles.
Filhos da Puta.

— De qualquer forma, fique no ―Ritz Alugado‖ em Beverly Hills,


como Mia e eu chamamos, por algumas semanas, enquanto você fica
mais forte. Aproveite esse tempo com Mia para resolver suas merdas.
Porque assim que você voltar para o clube, você tem que voltar em seus
sapatos de Pres2. Razor está fazendo um trabalho estelar em manter o
clube funcionando, se você sabe o que quero dizer. Com ambos, você e
eu fora, ele tem sido o rei da porra do mundo.

— O bastardinho deve estar se achando. Ninguém para controlá-


lo. Ele se meteu em alguma merda?

Chegamos ao SUV preto com as janelas fortemente matizadas.


Verifiquei rapidamente, me certificando de que ninguém havia mexido
com ele desde que o deixei no estacionamento. Esses filhos da puta
ainda estavam querendo nos matar, então eu tinha que ter certeza.

— Há uma nova garota trabalhando no bar, Lexi. Entre Ox e


Razor, eu acho que ela está sendo majestosamente fodida. Nenhum
homem vai abrir mão para o outro. Podemos ter merda em nossas
mãos.

— E você? Você ficou preso dentro da cadela, também?

— Nah. Não é o meu tipo. — eu levantei Cobra da cadeira de


rodas e o coloquei no banco de trás. Porra, ele tinha perdido tanto peso.
Eu o levantei facilmente. Eu nunca tinha sido capaz de fazer isso antes.

— Desde quando uma buceta não é o seu tipo? Você fode


qualquer buceta - especialmente buceta fresca. Quer me dizer por que
esta não?

— Eu estive na casa, lembra? Fazendo seu maldito trabalho,


cuidando da sua família.

2
Prez é como eles chamam o Presidente do MC.

~ 35 ~
— Alguma outra buceta prendeu você. Porra, como eu perdi isso?

— Você está soprando a fumaça, cara. Isso não é verdade.

— Jesus. Você está fodido, irmão. Nunca algo impediu você de


foder uma buceta no clube, mesmo que os outros homens estivessem lá
também. Você não pode blefar, Ryder. Porque eu estive no seu lugar,
irmão. Desde que eu coloquei os olhos em Mia, eu não quis qualquer
outra buceta. Só a dela. Você foi pego por uma buceta e não está me
dizendo.

— Cai fora, Cobra. Não é da sua conta.

Cobra fez uma careta quando eu coloquei o cinto nele. — Mia


deve saber. Ela vai me contar tudo.

— Mia não sabe de nada. E eu não vou falar dos meus negócios
com você ou com ela.

— Porra. Ryder, o que há com a sua cadela? Deve haver alguma


coisa, se você não quer falar comigo. Ou com Mia. Algo sério pra
caralho.

Eu pego o volante e fecho os olhos. Cobra não vai deixar isso


passar até que eu fale para ele sobre Jade e o seu irmão. E eu sabia o
que ele iria dizer. Ele iria dizer para que eu caísse fora. Ele não entende
que eu não posso. Minha mente e meu pau não vão deixar Jade, mesmo
sabendo que ela é um território perigoso.

— Sim. Há uma mulher.

— Porra, eu sabia! — Cobra soou triunfante. — Então, por que


escondê-la, Ryder? Não é nenhum pecado querer uma cadela, irmão. A
mesma coisa aconteceu comigo. — ele riu, como se ele ainda se
surpreendesse por isso ter acontecido com ele.

— Bem, isso é diferente. Ela não só é uma princesa fodida, como


também seu irmão é um policial. Policial da Força Tarefa Especial. E
seu pai é um advogado criminal. Considere isso como fodido. — eu
suspiro. — E pior ainda, ela não quer nada comigo. Ela diz que isso não
vai funcionar. Família, e toda essa merda.

Cobra soltou um longo suspiro, assobiando por entre os dentes.

— Porra, Ryder. Você não pode nunca escolher as coisas simples?


— ele se encostou ao banco e fechou os olhos. Depois de um minuto ele
falou baixinho. — O quanto você quer esta cadela?

~ 36 ~
— Muito. Dou minhas duas bolas pra tê-la.

— Cristo. Você está fodido.

— Sim. Eu sei.

~ 37 ~
Capítulo Nove
RYDER

Quando paramos na garagem da casa, Mia saiu para


cumprimentar seu marido. Eu fiz uma careta, irritado que a mulher não
tivesse me obedecido. Eu saí do SUV e fui ajudar Cobra na sua porta.

Mia falou suavemente atrás de mim.

— Ryder. Eu sei que você disse para eu não sair. Mas eu não
consigo evitar. Eu senti tanto a falta de Cobra.

— Eu sei. Espere do lado de dentro da porta. Eu preciso ajudá-lo.


Ele não quer que você veja isso. Vá. — minha voz era mais dura do que
eu queria que fosse, mas era perigoso para nós estarmos do lado de
fora, qualquer um poderia ter nos seguido. E eu tinha minhas mãos
cheias ajudando Cobra; eu não precisava ter que me preocupar com a
segurança de Mia também. Cobra era um filho da puta grande e mesmo
que tivesse perdido peso, eu ainda precisava de toda a minha força para
levantá-lo para fora do SUV.

— Obrigado, irmão. Salvando a dignidade de um homem. —


Cobra me deu um tapinha nas costas quando eu o levantei. Sim, um
homem sempre quer parecer firme e forte na frente de sua mulher. Ela
tinha que acreditar que ele poderia protegê-la em todos os momentos.
Demonstrar fraqueza não era uma opção, especialmente para um
homem como Cobra, que acreditava nas leis da selva: a sobrevivência
do mais apto.

— Não tem problema, irmão. — eu o coloco para baixo e ajudo a


entrar, apoiando seu corpo com o meu braço.

— Baby, — ele respirou quando seu olhar pousou em Mia.

— Cobra. Estou tão feliz que você está aqui, baby. — a voz de Mia
rachou.

Ela deslizou um braço ao redor de sua cintura e ficou na ponta


dos pés para beijá-lo. Até agora, tudo parecia bem.

~ 38 ~
Nós dois ajudamos o enorme homem a se mover até o quarto
principal. O suor escorria de seu rosto devido ao esforço. Havia ainda
um longo caminho para o meu melhor amigo percorrer antes que ele
estivesse de volta ao seu velho eu, mas ele ficava melhor a cada dia e
isso era algo para se agradecer. Eu não sei o que eu teria feito se o
desgraçado tivesse morrido naquele dia.

— As crianças? — perguntou Cobra.

Mia falou baixinho enquanto ela limpava a testa de Cobra. — Eu


liguei para Jade. Ela os levou para ver o novo filme da Disney. Dá mais
tempo para que possamos instalar você e conversar.

— Jade? Quem é Jade? É seguro para as crianças estarem fora


com a porra de uma estranha? — Cobra rosnou. Sim, ele estava ficando
cada vez melhor.

— Jade é uma amiga. Ela é a agente de locação. Ela é totalmente


confiável e muito bonita. Na verdade, eu acho que Ryder é amável com
ela.

O olhar de Cobra voa para mim, as sobrancelhas levantadas até a


linha de seus cabelos. Porra. Estamos em casa a menos de dois
minutos e Mia já falou tudo para Cobra. Além disso, depois do que eu
disse a ele no carro, eu nunca conseguiria sair daqui sem dar alguma
explicação.

— Mesmo? É verdade, Ryder?

— Não, ela é apenas um pedaço de bunda. Mia deveria me


conhecer melhor agora - eu não me apego a cadelas. Nunca.

— É mesmo, Ryder? É por isso que você a trouxe aqui na outra


noite. Não pense que eu não sei que ela dormiu aqui. — ela limpou a
garganta. — Não teve muito sono acontecendo, se você sabe o que quero
dizer.

Eu faço uma careta.

— Mia. É assim que você agradece a um irmão por cuidar de você


e seus bebês? Virando a casaca sobre ele na primeira chance que você
tem?

— Cobra vai ver as faíscas entre vocês dois no minuto que Jade
chegar aqui com as crianças. Qualquer um teria que ser cego para não
saber que vocês dois são loucos um pelo outro. — ela se virou para
Cobra. — Mas eles são ambos, tão teimosos, baby. Nem vão admitir

~ 39 ~
isso. Jade diz que é muito complicado com sua família. Ryder fica com
tesão no minuto em que ele a vê, mas tenta fingir o contrário. — ela riu,
soando feliz pela primeira vez em semanas.

Resmungando, eu saí do quarto e fechei a porta atrás de mim.


Eles precisavam de sua privacidade, e tinha uma porrada de coisas
para conversar. E eu definitivamente não queria discutir Jade com
Cobra.

Ficando só de boxers, eu pulei direto para a piscina e nadei


algumas voltas. A água era refrescante, e eu gostava da sensação de
trabalhar meus músculos. Eu me sequei e me espreguicei em uma
daquelas fantásticas cadeiras reclináveis nas quais eu sempre via as
pessoas ricas saboreando coquetéis. Foi a primeira vez em semanas que
eu tinha um pouco de tempo para mim, e me deitar ao sol depois um
mergulho era algo que eu poderia me acostumar.

Eu devo ter cochilado. Jamie subiu em cima de mim e acariciou


minha bochecha para me acordar. Assustado, eu me sentei, olhando
diretamente para aqueles fodidos olhos azuis que assombravam meus
sonhos. Jade estava de volta com as crianças. Com o sol atrás de sua
cabeça, parecia que ela usava um halo. Seu cabelo loiro brilhava contra
a luz, e seus lábios cintilavam quando ela fez um beicinho ao olhar para
mim.

De pé com Isabella em seu quadril, suas pernas estavam


separadas, e com a luz do sol atrás dela, eu podia ver através do
material fino. Porra, se ela não estava usando uma calcinha de renda
rosa brilhante. A silhueta das pernas através do tecido fino, longas e
perfeitas, fez meu pau saltar.

Jesus.

— Olá, Ryder, — ela demorou antes de seu rosto se dividir em um


sorriso. Deus, este era o sorriso mais bonito que eu já tinha visto. Mia
estava certa? Eu era doce com a Princesa? Bem, eu queria transar com
ela, definitivamente. Eu estava sempre pronto para isso, com qualquer
cadela. Mas nunca tinha sido afetado pela porra de um sorriso. Eu não
tinha percebido o quanto senti a falta da bela cadela até o seu doce
rosto aparecer na minha frente.

Ela levantou uma sobrancelha e olhou para as minhas boxers.


Sim, minha ereção estava erguendo orgulhosamente o tecido de cetim.
Ela tinha sorte que eu estivesse pelo menos usando as malditas boxers.
Eu queria arrastá-la para o meu quarto e foder a luz do dia.

~ 40 ~
Em vez disso eu apenas grunhi e coloquei uma toalha sobre meu
estômago, achatando meu pau duro contra minha barriga. Seu riso era
doce e sexy. Ela sabia que tinha feito isso comigo.

— Batman?

— Foi presente de aniversário de um dos meninos, — eu


expliquei. Ela não tinha visto as outras ainda. Eu tinha a porra do
Clube Marvel inteiro na minha gaveta de cuecas, com os cumprimentos
dos caras tentando ser engraçados.

— É fofo. Combina com as suas tatuagens.

Fofo? Que porra é essa que ela estava falando? Eu era mau e
enraivecido. Nunca fofo.

— De qualquer forma, eu só passei para deixar as crianças.


Tenho que ir. — O sorriso que tinha aquecido o meu coração tinha
sumido, e ela tinha aquele olhar sério em seus olhos. Porra.

— Fique. Vamos tomar uma bebida antes. Tenho certeza de que


as crianças estão com sede. O que você diz Jamie? Jade deve tomar
uma bebida com a gente antes de ir embora?

Jamie sempre me ajudou. Ele acenou com a cabeça


vigorosamente. Como ela poderia recusar o garoto? Eu estava
apostando nisso, sabendo que ela não ficaria por mim.

— Tudo bem. Apenas um suco, então eu tenho que ir embora.

— Suco então, — eu disse, feliz que ela ficaria por perto um pouco
mais.

Eu assisti a bunda dela, enquanto ela balançava seus quadris


andando em direção a casa. Cara, eu poderia definitivamente entrar
nessa bunda agora mesmo. Puxando meu jeans, eu engoli o caroço na
minha garganta enquanto eu a segui, grato que ela não pudesse ver
meu tesão ainda furioso por ela.

Assim que terminamos de beber o nosso suco, Mia veio para a


cozinha.

— Eu ouvi o carro. Obrigada por sair com as crianças, Jade.


Cobra quer vê-los agora. — ela tomou Isabella dos braços de Jade, e
pegou Jamie pela mão. — Eu te devo uma, Jade. Você é um amor.

Jade abriu um sorriso para Mia.

~ 41 ~
— O prazer é todo meu. Fico contente em ajudar a qualquer
momento. — Nós assistimos Mia e as crianças por um momento,
enquanto eles saíam da sala. — Eu tenho que ir agora, — disse Jade,
evitando meus olhos.

— Princesa.

Eu bloqueei seu caminho, puxando-a para o meu peito.

— Ryder. Não faça isso.

Seus olhos correram para a porta.

— Eles não vão voltar por um tempo. Relaxe. — mergulhando


minha cabeça, eu sussurrei em seu ouvido. — Aposto que você já está
molhada para mim. Você sabe que eu já estou duro por você.

Fazia apenas alguns dias desde que eu tinha visto Jade, mas eu
estava desesperado por ela. Eu me masturbei algumas vezes de manhã
e também à noite, antes de ir dormir, imaginando seus peitos
balançando acima do meu rosto e a sensação de sua buceta molhada,
mas não era o mesmo que a coisa real. Eu precisava estar dentro dela.
Agora. Realmente.

Será que Jade sentia o mesmo?

Eu a movi para trás e empurrei sua bunda contra o balcão,


moendo minha dureza contra ela. Ela gemeu. Meus lábios encontraram
a pele macia e quente sob sua orelha, e eu mordisquei suavemente.

Minha mão se esgueirou por baixo do seu vestido, procurando a


porra da calcinha rosa brilhante. Ela a usava sob um vestido branco
com um propósito - deixar meu pau louco. Senti a umidade através do
pedaço de renda. Ela estava malditamente encharcada.

— Abra suas pernas, — eu pedi.

Eu mordi suavemente seu pescoço enquanto meus dedos


encontraram o caminho sob o tecido até sua umidade.

— Você precisa da porra do meu pau, não é?

Ela não respondeu. Enfiei dois dedos dentro dela, avaliando se ela
estava pronta. Ela estava mais do que pronta. Sua cabeça rolou para
trás enquanto eu lentamente a fodia com os dedos.

Ela choramingou quando eu agarrei um punhado de cabelo e


puxei com força, olhando em seus olhos vidrados.

~ 42 ~
— Princesa. Diga que você precisa do meu pau.

Sua voz era quase um sussurro.

— Eu preciso de você.

— Diga que você precisa do meu pau. Implore por ele.

— Ryder, — ela gemeu.

— Diga que você estava usando essa calcinha rosa para mim.
Então, eu vou foder você.

— Eu estava. Eu estava usando para você. Eu sabia que você iria


gostar.

— Ahh, sua bela puta, eu sabia, — eu falei, triunfante. — Agora


diga o quanto você precisa do meu pau te fodendo.

Eu enfiei um terceiro dedo dentro dela, massageando seu ponto


G. Ela mordeu o lábio, suas mãos segurando o balcão, os nós dos dedos
brancos.

— Eu não vou deixar você gozar até que você implore.

Sua respiração saía em pequenas lufadas. Ela estava perto.

— Ryder, por favor. Eu preciso do seu pau. Dentro. Me fodendo.


— sua voz estava rouca e sexy como o inferno.

Jesus Cristo.

Ela virou o jogo, e simples assim, eu já não estava mais no


controle. Eu tinha que entrar que naquela buceta. Agora.

Girando-a de frente para o balcão, eu empurrei sua bochecha


contra o mármore frio.

— Não se mexa. — eu abaixei minha calça jeans e minhas boxers,


e coloquei um preservativo rapidamente. Precisávamos conversar sobre
isso. Eu não queria látex entre nós novamente.

Me inclinei e abaixei sua calcinha por suas pernas.

— Saia — ordenei. Eu precisava delas para mais tarde. Eu iria


mantê-las.

Meu pau deslizou para dentro dela e eu suspirei, beijando seu


pescoço. Minhas mãos encontraram seus seios, e eu os apertei
enquanto deslizava meu pau para dentro e para fora dela.

~ 43 ~
Puxei seus mamilos com força, querendo fazê-la gritar. Eu tinha
que castigá-la, por me fazer deseja-la tanto, que eu sofria quando ela
não estava por perto, e sofria ainda mais quando ela estava. Ela era a
minha droga. A Princesa tinha me prendido com sua boca inteligente e
sua buceta doce. Eu não conseguia ter o suficiente dela, e agora ela iria
pagar por isso.

— Deus, Ryder. Mais forte, — ela gemeu, empurrando sua bunda


para trás.

Porra. Ela estava gostando.

Segurei sua garganta e apertei, escorregando minha mão livre até


seu clitóris e esfregando-o com o meu polegar, enquanto eu segurava
seu corpo contra a bancada fria com o meu peso.

Jade era minha. Eu a possuía. Eu possuía sua buceta e seu


orgasmo.

A Princesa não podia gritar meu nome em voz alta com os outros
em casa. Mas da maneira como seu corpo tremia, eu sabia que ela iria
gritar se eu não a mantivesse quieta.

— Aperte meu pau com sua buceta. Me faça gozar — eu


resmunguei enquanto eu a montava em uma velocidade vertiginosa,
fodendo com força, minhas bolas batendo contra sua bunda perfeita.

Ela apertou. Sua buceta ordenhava meu pau enquanto ela


construía seu orgasmo, ofegando enquanto eu a possuía
completamente, controlando até mesmo a quantidade de ar que ela
inalava.

Jesus. Esta mulher era perfeita. Perfeita para mim.

~ 44 ~
Capítulo Dez
JADE

De volta para casa, em minha cama, eu analisava os eventos de


hoje mais cedo em minha cabeça novamente. Depois de sucumbir tão
facilmente a Ryder, contra meu melhor julgamento, eu sabia que tinha
que sair de lá o mais rápido possível, ou eu ia acabar na sua cama - de
novo.

Mia e as crianças estavam no quarto principal com Cobra - eu


pude ouvir as crianças rindo e conversando. Demoraria um pouco até
que eles estivessem prontos para compartilhar seu tempo com alguém
de fora de sua família.

Eu não tinha planejado encontrar Ryder, embora para ser


honesta, eu esperava que ele estivesse lá. A minha decepção em não vê-
lo quando peguei as crianças me fez decidir não ficar esperançosa,
apenas no caso de ele não estar por perto quando eu voltasse. Era meu
dia de sorte quando eu o encontrei à beira da piscina. Ele era como mel,
e eu era a abelha - eu não poderia resistir mesmo que eu tentasse.

Rolando em minha cama, eu sabia que tinha que explicar para


Ryder por que eu não poderia continuar a vê-lo. Que não era porque eu
era uma esnobe ou olhava torto para ele. Porque eu não era melhor.
Vergonha tomou conta de mim quando me lembrei de como tinha
tratado Ryder quando o conheci. Ele estava certo - eu agia como uma
cadela. Mas eu tinha minhas razões.

Boas razões. Uma delas era por causa do meu querido irmão.
Meu coração apertava quando eu pensava nele.

Não havia nada de alegre sobre Harrison Summers. A carranca


permanente em seu rosto bonito apenas suavizava quando ele estava
em casa, em torno de mim e de nossos pais. Eu amava Harrison com
todo o meu coração - ele era o melhor irmão que uma garota poderia
desejar. Só que ele era autoritariamente protetor, desde o dia do
Incidente.

~ 45 ~
Levou anos de terapia para acalmar a culpa de que isso
aconteceu por minha causa, e que eu era culpada por Harrison ser
assim. Embora tivesse acontecido há quase dez anos, sempre que eu
tinha um flashback, era tão vívido como se tivesse acontecido ontem.

A insistência de Ryder em estar na minha vida tinha trazido tudo


de volta. Me sentei, perplexa, imagens correndo pelo meu cérebro.

Não, por favor, eu não quero lembrar...

Encolhida contra a cabeceira da cama, meus joelhos dobrados


contra o meu peito, eu me balançava enquanto as lágrimas escorriam
livremente pelo meu rosto.

***

Harrison beijou Amy e estapeou sua bunda.

— Vá na frente com os outros, amor. Fique na longa fila para


entrar. Nós não queremos nos atrasar para o show. Jade e eu vamos te
alcançar. — ele virou para mim e riu. — Depressa, mana, você está nos
atrasando. Vá pegar seu suéter - eu vou esperar por você aqui. — eu
estava sempre perdendo as coisas, e felizmente Harrison era paciente
comigo. O amor de meu irmão mais velho me aquecia - ele me conhecia
tão bem.

Eu balancei a cabeça e corri de volta para o restaurante de fast-


food para pegar o suéter que eu acidentalmente deixei para trás. Era o
meu favorito; eu ficaria arrasada se eu o perdesse. Além disso,
geralmente tem feito frio à noite, e em eventos ao ar livre eu precisava
dele para me manter aquecida. Harrison e seus outros amigos tinham
suas namoradas para abraçar se sentissem frio. Eu estava sozinha.

Era o meu primeiro show ao vivo, e adrenalina corria por minha


corrente sanguínea - eu não queria perder um segundo de Karma
Eletric, eles eram minha banda favorita. Eu peguei o meu suéter de
onde ele havia caído no chão.

Eu tive sorte que meus pais tinham concordado em me deixar ir


ao evento com Harrison em uma noite durante a semana, então eu não
queria estragar sua noite. E eu esperava que Harrison fosse me
convidar novamente na próxima vez que ele e seus amigos fossem para
um show de rock. Essas eram as vantagens de ter um irmão mais

~ 46 ~
velho. Os meus amigos na escola estavam todos com inveja que eu iria
ver o novo vocalista dos sonhos da banda antes de todos eles.

— Pegou? — Harrison me lançou um olhar impaciente quando ele


esmagou o cigarro com o pé. Eu nunca soube que o meu irmão fumava
até esta noite.

— Sim. Sinto muito. Ele estava no chão.

— Coloque ele antes que você o perca novamente.

Harrison riu enquanto observava Amy soprar-lhe um beijo, e


desviou o olhar do pequeno grupo do outro lado da grande entrada para
me ajudar obedientemente com meu suéter.

Tiros soaram.

Ambas as nossas cabeças viraram na direção do som sinistro. O


que vimos nos marcaria para toda a vida. Todos os amigos de Harrison
e suas namoradas estavam no chão, incluindo Amy. Eu gritei tão alto
que eu não conseguia ouvir as palavras de Harrison para mim, mas sua
expressão me disse para ficar parada. Eu não poderia ter me mexido se
eu tentasse, eu estava paralisada. Um pandemônio eclodiu em torno de
mim. As pessoas estavam gritando histericamente e correndo
cegamente. Eu assisti Harrison correr pelo pedaço de grama,
alcançando Amy no momento que os policiais a alcançaram.

Amy e os outros quatro foram apanhados no fogo cruzado entre


uma gangue de motoqueiros e a polícia. Quatro foram mortos e um
sobreviveu. Um de seus amigos, Michael, foi baleado no joelho e caiu
antes que mais balas tivessem o matado.

Amy tinha levado um tiro no coração e morreu minutos depois


nos braços de Harrison.

Foram as balas dos motoqueiros que mataram Amy e os amigos


de Harrison. Com pouca consideração pela vida dos outros, eles
dispararam nos policiais que tinham os reconhecido.

Harrison queria morrer. Disse que ele deveria ter estado lá com
Amy. Que se ele tivesse o braço em torno dela, ela ainda poderia estar
viva. Estremeço com o pensamento - isso significava que o meu irmão
poderia estar morto.

Se não fosse por minha causa, tanto Harrison como eu


estaríamos com o grupo, que poderia ter ido mais à frente, evitando

~ 47 ~
completamente o fogo cruzado. Bastou alguns segundos para estar no
lugar errado na hora errada. Foi tudo culpa minha.

Eu deveria estar morta.

E Harrison desejava estar.

Mesmo agora, depois de todos esses anos.

***

As imagens desapareceram depois de um tempo, mas meu


coração ainda estava quebrado pela perda das vidas desses jovens
inocentes. Esfreguei meu coração, tentando diminuir a dor física. A vida
teria sido diferente se isso não tivesse acontecido.

Daquele dia em diante, Harrison odiava motoqueiros. Ele tornou a


missão de sua vida acabar com os clubes de motoqueiros e crimes
associados a eles. Limpar as ruas e proibir grupos de motoqueiros de
frequentarem locais públicos era o que ele sonhava, porque ele nunca
queria que um incidente como aquele se repetisse e matasse mais
vítimas inocentes.

Eu entendo isso.

Inferno, eu estava do seu lado. Nós dois reconhecíamos o tipo


‗gangster‘ imediatamente e tínhamos uma forte aversão a qualquer um
que era motoqueiro em um MC. Eles eram a escória da terra.

Até Ryder.

Até que eu conheci um homem que aparentemente retratava cada


uma dessas características. Eu deveria odiar a ele e ao seu tipo pelo que
eles fizeram com Amy e os outros. Pelo que eles fizeram para mim, e
para Harrison.

No entanto, eu não poderia odiar Ryder. Debaixo desse exterior


endurecido ele era apenas um homem, que tinha seus próprios fardos
para carregar. Quem era eu para julgar a ele e a seu tipo? Eu não sabia
nada sobre sua dor ou suas razões para ser o que era.

Mas como eu poderia explicar isso a Harrison? Ele nem sequer


ouviria. Uma teimosa como eu era, Harrison era dez vezes mais.

~ 48 ~
Minha cabeça doía com o pensamento. Eu teria fazer com que
Ryder entendesse que nunca poderíamos nos ver novamente. Que o que
tinha acontecido na parte traseira de sua moto e na cozinha foi um
momento de loucura que não podia se repetir.

Meu coração doía. Isso ia ser a coisa mais difícil que eu já tinha
feito - negar os sentimentos que inundavam meu ser quando eu
pensava em Ryder Knox.

Ele sentia algo também - eu não precisava de uma bola de cristal


para adivinhar isso. Ryder nunca pediu desculpas por me dizer
descaradamente o quanto ele me queria, em todos os sentidos carnais e
libidinosos. Havia um magnetismo que eu não poderia negar, um puxão
mais forte do que a lógica permitia. Éramos tão diferentes, mas
combinávamos tão bem juntos. Era além da razão. Além de qualquer
coisa que eu já tinha imaginado. Nem mesmo os romances que eu lia
poderiam ter me preparado para isso.

Mas eu tinha que sacrificar meus sentimentos de luxúria por


Ryder, porque nada de bom poderia vir disto. Estávamos condenados
desde o início.

Eu. Tinha. Que. Escolher. Minha. Família.

Por que Ryder escolheu a Agência Clarke & Sons aquele dia?

E por que diabos ele não poderia esquecer isso? Ir em frente?

E por que, oh por que, eu era tão atraída por ele, tão fraca
quando se tratava de resistir a ele?

Por quê?

Ainda perplexa com as minhas emoções, eu notei um ruído


estranho. Me lembrei de quando eu era uma adolescente e os meninos
jogavam pedras contra a minha janela. Então eu me dei conta - que era
exatamente isso. Eu deslizei para fora da cama e até a janela no
momento exato em que outra pedra bateu bem no meio do vidro. Quem
era o pequeno delinquente que estava me atormentando a esta hora da
noite?

Eu abri a janela e engasguei. Ryder estava ali na escuridão, um


sorriso torto no rosto bonito. Porra. Isso era pior do que quando eu era
adolescente. Naquela época eu era muito inocente para saber. Um
menino debaixo da minha janela deixava o meu coração excitado. Agora
outras partes de mim estavam excitadas, descendo para o sul de meu
coração.

~ 49 ~
— Me deixe entrar, — ele exigiu, os braços cruzados sobre o peito.

— Shhh, — fiz um gesto, então balancei a cabeça.

— Tudo bem, — ele murmurou e se afastou. O quê? Ele estava


desistindo tão facilmente? Ele desapareceu de vista ao virar a esquina,
sem qualquer protesto. Fiquei bastante desapontada, mas era melhor
assim. Eu não queria que ele visse que eu estava chorando. Eu limpei
meu nariz com a manga de minha blusa e me arrastei de volta para a
cama.

Fechei os olhos, ainda mais confusa. Por que Ryder veio aqui? Por
que ele saiu, sem nem mesmo tentar? Ele estava finalmente me
ouvindo? E eu realmente queria que ele me ouvisse?

— Porra, Princesa. Você está me matando. — Ryder estava na


minha porta, sua silhueta no escuro visível pela luz da lua. Eu estava
sonhando?

— Ryder! O... O que? C... Como? — acendi a lâmpada de


cabeceira.

— Se você não vai deixar, eu mesmo vou entrar. — ele sorriu, seu
olhar analisando de forma apreciativa meu corpo seminu. Eu estava
vestindo apenas uma camiseta e calcinha.

— Mas... Mas as portas estão trancadas... E temos alarmes... —


Papai tinha se esquecido de trancar?

Ryder riu suavemente.

— Baby, nada vai me parar se eu quiser entrar em algum lugar.


Invadir é uma habilidade desvalorizada, e definitivamente um dos meus
muitos talentos. — ele balançou as sobrancelhas para mim.

— É mesmo? E você envenenou o Rottweiler? — mamãe tinha


insistido em ter um cão de guarda treinado. Isso fazia com que ela se
sentisse mais segura. Bruno era atento e destemido, mas eu não tinha o
ouvido rosnar ou latir, como sempre fazia quando estranhos chegavam
perto da casa.

— O cachorrinho e eu somos amigos. Eu definitivamente não vou


ser o seu café da manhã. — ele se sentou na cama, me olhando.

Meus olhos se arregalaram. Bruno era um cão brutamontes e


musculoso; ele não era um filhote há cinco anos. Como Ryder tinha
conseguido passar por Bruno? Ele não era amável com estranhos.

~ 50 ~
— Princesa. Você estava chorando – me diga porque. — sua voz
era rouca, mas suave.

Minha garganta ainda estava grossa, e as lágrimas estavam logo


atrás das minhas pálpebras, prontas para brotar novamente. Eu não
podia falar. Eu queria Ryder aqui mais do que qualquer coisa, mas eu
também queria que ele saísse, para seu próprio bem. Eu estava tão
confusa.

— Baby, — ele disse baixinho enquanto ele me puxava para o seu


peito.

Deus, isso fazia com que eu me sentisse tão bem. E a maneira


que ele disse a palavra baby, com uma ligeira queda em sua voz, como
se ele estivesse afetado também, soava sexy e confortável ao mesmo
tempo. Minha respiração engatou - ele me chamou de baby – não bebê,
não cadela, não Princesa. Apenas baby. E eu adorei.

Deixei que ele me segurasse, deixei que ele afagasse as minhas


costas, me acalmando enquanto ele cantarolava. Este era um lado do
duro motoqueiro fodão que eu duvidava que alguém já tivesse visto. Ele
estava ciente de que ele estava fazendo isso?

— Por que você veio? — eu sussurrei, minha respiração estava


presa enquanto eu falava.

— Eu vou te dizer... Se você me disser por que você está


chorando, — ele respondeu.

Fiquei em silêncio por um longo tempo, organizando meus


pensamentos. Ryder ficou esfregando minhas costas, não colocando
nenhuma pressão sobre mim, mas esperando pacientemente que eu
respondesse.

Finalmente eu falei. Foi como se as comportas se abrissem. Eu


contei a ele toda a história. Tudo.

Ryder escutou, apenas grunhindo ocasionalmente, seus dedos


fazendo pequenos movimentos circulares para cima e para baixo minha
espinha. Eu inalei profundamente, memorizando seu cheiro com
minhas narinas e me aquecendo em seu abraço quente. Ele me
confortou e me acalmou a um estado de tranquilidade.

— Hum, Ryder?

— Sim, baby?

~ 51 ~
— Agora que eu lhe contei toda a história - por que você veio?

Ele ficou em silêncio por um longo tempo, seus dedos nunca


descansando.

— Porque eu precisava estar perto de você. Porque eu nunca me


canso de você. É por isso.

Ele se deslocou na cama, me segurando em seus braços. Minha


cabeça repousava sobre o seu peito, escutando a batida rítmica do seu
coração.

— Durma baby, eu vou te abraçar. Está tudo bem. Essa merda


aconteceu há muito tempo atrás. Nada disso foi sua culpa. Nada. Você
tem que deixar isso de lado. Está bem?

Sonolenta, eu balancei a cabeça. Parecia que um enorme peso


tinha sido tirado dos meus ombros. Por que, eu não tinha certeza. Tudo
o que eu tinha feito, era dizer a Ryder a minha história e a de Harrison;
a história que eu tinha escondido dentro de mim por tanto tempo,
tentando enterrá-la. No entanto, agora que eu tinha falado tudo, já não
pesava mais tanto.

Ryder tinha feito por mim o que nenhum terapeuta jamais pôde
fazer. Ele fez eu me libertar do meu passado terrível.

Ele fez até com que eu começasse a acreditar que talvez não fosse
culpa minha, afinal de contas. Eu suspirei enquanto ele beijava o topo
da minha cabeça, um tremor de total alívio correu pelo meu corpo,
deixando a tensão fluir.

— Vá dormir. Eu estou aqui agora. — sua voz era como veludo,


macia e suave. Hipnótica. Eu adormeci em um sono tranquilo com
Ryder me segurando, me sentindo segura e protegida.

Pura felicidade.

~ 52 ~
Capítulo Onze
RYDER

— Tem certeza que você está pronto para isso, irmão? — eu


arqueei uma sobrancelha para Cobra, que estava todo vestido, exceto
por seu colete, pronto para voltar ao complexo pela primeira vez desde o
tiroteio.

— Sim. Está na hora de resolver os negócios do clube. Pegue o


meu lugar com o martelo. Resolva o que estamos indo fazer.

Cobra era teimoso. Isso fez dele o homem fodão que ele era. Ele
nunca desistiu, e ele nunca desistiria. Tudo bem, exceto por Mia. E por
seus bebês. Mas nunca com outro homem. Resistente como malditos
pregos, ele ia cabeça-a-cabeça contra os seus inimigos.

Conversamos pouco a maior parte da viagem, nós dois com as


nossas mentes vagando para outros lugares. Por isso, quando caímos
em um silêncio confortável, apenas deixamos ir, dando-nos o pequeno
prazer de estar perdidos em nossos próprios pensamentos, sem
interrupções.

Eu estava entre uma rocha e um lugar duro. Eu estava me


apaixonando por Jade, mas eu sabia que seu irmão iria me prender na
primeira chance que ele tivesse. Agora que eu finalmente ouvi a história
dela, eu não era impecável ou vingativo sobre os seus motivos. Porra, se
isso tivesse acontecido comigo, eu teria caçado os filhos da puta e os
matado com a porra das minhas próprias mãos.

Uma parte de mim mesmo respeitava o cara por querer proteger a


sua irmã mais nova. Relembrando o que eu estava disposto a sacrificar
para salvar a vida de Max, eu entendia como Harrison Summers se
sentia sobre Jade. Porra, se não fosse por nosso passado,
provavelmente poderíamos até ter sido amigos.

Mas isso não me impede de colocar uma bala em seu crânio se ele
ameaçar a minha família. Porra, se ele machucar qualquer um dos
meus irmãos do Scorpio Stinger MC eu teria que matá-lo. Era o código
da nossa fraternidade. Era simplesmente a forma como isso funcionava,

~ 53 ~
independentemente de quem fosse o idiota que tentasse matar um
irmão.

Suspirando pesadamente, me aproximei do complexo, parando


em frente aos portões pesados e apertei o botão para nos deixar entrar.
Enquanto esperávamos, eu não pude deixar de notar como o armazém
estava abandonado. Nossa sede parecia deserta. Normalmente havia
motos e pessoas em todos os lugares, mas desde o tiroteio, todos se
mantinham tão escondidos quanto possível. Nós até construímos a
porra de um galpão para as motos, para que pudessem ser trancadas à
noite, garantindo que ninguém as adulterasse. Sim, tivemos de cobrir
todas as nossas bases.

A sombria sede do clube estava necessitando desesperadamente


de restauração. A pintura descascando e os buracos de balas nas
paredes nunca me incomodaram antes. Eu acho que eu estava tão
acostumado à sua aparência que isso parecia normal. Agora era
deprimente. Talvez fosse porque eu estava vivendo na parte chique da
cidade por um tempo que eu me tornei consciente do contraste gritante.
Engraçado como nos acostumamos com as coisas.

Hoje eu não pude ajudar Cobra a sair do SUV. Mesmo com ele
lutando, o suor escorrendo por sua testa enquanto seu rosto se
contorcia em agonia, eu o assisti descer passo a passo, sozinho. Cobra
era o Pres do Scorpio Stinger MC, por Deus. Ele precisava manter o
respeito de todos os irmãos. Mostrar que algumas balas não iriam pará-
lo.

Suprimindo o desejo de colocar meu braço em torno de Cobra


para apoiá-lo, eu caminhei até a porta para mantê-la aberta. Mas antes
que eu pudesse alcançar a porta, nossos irmãos vieram, enchendo o
pátio para acolher o seu Pres. O lugar que pareceu tão desolado
momentos antes, foi transformado por todos os rostos familiares. Os
gritos e assobios me assustaram; eu tinha esquecido que bando
turbulento esses caras eram.

Tapas em suas costas e abraços de irmãos com gargalhadas era


um sinal certo de que todo mundo estava aliviado por ter Cobra de volta
ao comando. Sim, era bom estar em casa. Eu senti falta deste lugar e
destes rostos mais do que eu gostaria de admitir. Aqui, dentro destas
paredes, eu era apenas Ryder, um irmão, como todo mundo. Eu me
sentia bem em pertencer a algum lugar.

Ox levantou Cobra em seus braços grandes, erguendo-o como um


bebê.

~ 54 ~
— Porra, Pres, o que aquelas pessoas te deram para comer?
Comida de coelho? Folhas de alface não são para meninos motoqueiros.
Nós vamos arranjar um bife para você e te dar de comer.

Se eu não o conhecesse melhor, eu pensaria que Ox iria chorar,


porque ele quase engasgou com suas últimas palavras.

— Sim. E cerveja. Tragam para Pres a porra de uma cerveja, —


Ratbag gritou.

Eram nove horas da manhã, mas isso nunca tinha impedido os


meninos antes, e hoje eles tinham uma razão para comemorar. Cobra
deixou acontecer. Ele se deleitava com a atenção, e sabia que seus
meninos precisavam de algo para distrair suas mentes dos
acontecimentos dos últimos meses. Com o tempo, teríamos que resolver
as coisas sérias, os negócios e assuntos do clube. Mas, por agora, era
cerveja para todos.

Dentro do clube, Lexi estava deslizando um copo espumoso após


o outro pelo balcão como uma profissional. Eu tinha que admitir que
estava impressionado.

— Nunca vi uma Sheila servir uma cerveja com tanta eficiência,


ela tem um talento natural. — Ratbag riu quando viu o olhar confuso
na minha cara. O nome dela não era Lexi? — Sim, Sheila é como
chamamos as cadelas na Austrália.

Ratbag nunca deixou de me divertir com seu jeito estranho de


falar e transformar frases.

— Ei Sheila, traga uma cerveja para o nosso VP, querida, — ele


gritou para ela.

Lexi não deslizou a cerveja sobre o balcão para mim como ela fez
com os outros caras.

— Você ainda me deve uma visita desde a última vez. — ela


piscou quando me entregou a cerveja, inclinando-se para que eu
pudesse ver por cima do seu top e ter maldita certeza de tocar minha
mão com a sua. Ela fez beicinho com seus lábios cheios e eu tive a
sensação de déjà vu. Eu poderia jurar que eu a tinha visto em algum
lugar, antes dela trabalhar no clube como garçonete.

Perplexo, eu me virei e fiz um brinde a Cobra, dando boas vindas


de volta e desejando-lhe uma rápida recuperação para que ele estivesse
cem por cento em forma novamente.

~ 55 ~
Virando minha cerveja, eu estava ansioso para escapar para o
meu quarto, no corredor. Eu não tinha dormido no clube em meses, e
eu estava me sentindo meio com saudades de casa. Abri a porta e sorri:
tudo estava exatamente como eu havia deixado. Até o meu velho violão.
Sim. Eu não tinha tocado a uma eternidade. Enquanto eu corria um
dedo sobre as cordas, ouvi a porta se fechar atrás de mim.

Me virando, minha mão foi para a minha arma.

— Ei, calma aí cowboy, sou só eu. — Lexi se inclinou contra a


porta, me dando o seu melhor olhar de vem-me-foder.

— Sheila, você não deveria estar trabalhando no bar? — rosnei.


Eu sabia exatamente por que ela estava aqui.

— Você pode me chamar de qualquer coisa que você quiser Ryder.


Mas meu nome é Lexi. Esse é o nome que você vai chamar quando eu
chupar seu pau e você gozar na minha boca.

Ela se afastou da porta e se ajoelhou na minha frente. Ela correu


os dedos sobre o violão, lentamente, sugestivamente, sem tirar os olhos
dos meus. Eu não tinha visto uma cadela que estivesse tão evidente em
suas intenções a um bom tempo.

Fiquei olhando para ela, sentindo meu pau mexer. Cristo, eu era
apenas um homem.

Lexi pegou as extremidades de seu pequeno top e puxou sobre


sua cabeça. Os seios dela eram espetaculares. Seus mamilos grandes e
marrons estavam duros, já excitados. Vi quando ela lambeu os dedos e
começou a rolar os mamilos entre eles, gemendo baixinho enquanto
mordia o lábio inferior. Ela sentou-se sobre os joelhos e correu uma
mão para baixo em suas costelas e sobre sua coxa. Ela empurrou sua
saia até os quadris e expôs a buceta brilhando com uma pequena trilha
de pelos cobrindo seu montículo. Dois dedos mergulharam em sua
buceta, empurrando profundamente enquanto ela gemia, e em seguida,
os tirou para fora.

— Doce, Ryder. Malditamente doce. Quer provar, baby? — ela


estendeu os dedos para o meu rosto. Porra. Meu pau ficou duro. Eu
podia sentir o cheiro da cadela daqui. Ela estava pingando sexo.

Quando eu não reagi, ela mesma chupou seus dedos, provando a


si mesma.

Porra. Isso era quente.

~ 56 ~
Gemendo, eu coloquei minha mão em sua cabeça enquanto ela
soltou meu cinto e puxou o zíper para baixo. Ela puxou e deixou minha
ereção livre, a mão no meu pau.

— Olá, senhor. — ela riu, satisfeita com a minha reação a ela.

Sua língua serpenteou para lamber meu pau. Quando ela estava
prestes a fazer contato, eu a empurrei para trás de modo que ela caiu
de bunda, nua.

— Sheila. Algumas regras básicas. Um. Você só toca meu pau


quando for convidada. Dois. Se eu quiser foder você, eu vou te avisar.
Até então, você espera.

— Jesus. O que há de errado com você? Eu estive me guardando


para você. Metade dos caras no clube estão ansiosos para afundar seus
paus em mim. Mas eu não os quero, eu quero você. Seu pau gosta de
mim, baby. Não se faça de difícil.

— Não me chame de 'baby', — eu rebati, enfiando meu pau


semiereto de volta em meu jeans. Corri a mão pelo meu cabelo. Ela
estava certa. Que porra havia de errado comigo? Que homem no seu
perfeito juízo iria negar a si mesmo uma buceta como esta? Sheila tinha
uma buceta excelente. Seu corpo estava em forma, os peitos dela eram
de morrer, e sua ânsia de agradar era o sonho de todo homem.

Ahhh. Aí estava o problema. Porque o rosto dos meus sonhos era


um rosto diferente. Características semelhantes, mesmo corpo quente e
em forma, mas os olhos azuis de um anjo que atormentavam meu pau
com apenas seu sorriso. Jade. A Princesa fodida invadiu minha mente.
Ela era a dona da porra do meu pau, e ela nem mesmo sabia. Nem eu,
até a porra deste momento. Se alguma boca iria chupar o meu pau,
essa boca tinha que pertencer a minha Princesa.

Lexi engasgou.

— Você se apaixonou por alguém, não é?

— Quem diabos é você? Uma bruxa? Saia do meu quarto. Agora.

Onde diabos eu tinha visto essa cadela antes?

Me debrucei contra a parede enquanto ela pegava seu top.


Tentador. Esses peitos eram malditamente tentadores.

~ 57 ~
Tudo o que eu tinha que fazer era estender a mão e tocá-los.
Chupar os mamilos em minha boca. Passar o dedo na sua buceta
suculenta. Deixá-la chupar o meu pau. Dobra-la e fodê-la com força.

Por que não?

Jade nunca saberia.

Mas eu saberia.

Mesmo que eu fosse um homem - um que amava foder uma


buceta - isso me atingiu.

Eu só queria uma buceta. A de Jade.

Porra.

~ 58 ~
Capítulo Doze
RYDER

— Você está cometendo um grande erro, Ryder. Eu posso te fazer


um homem muito feliz. — ela fez um gesto em direção ao seu corpo com
um movimento de sua mão. — Eu vou foder com você de qualquer
maneira que você quiser. Você vai amar ter eu te chamando de baby.
Minha buceta está tão pronta para você Ryder, tão molhada, pulsando
para seu pau.

Dando alguns passos em minha direção, ela empurrou os seios


ainda nus contra mim. Seus mamilos duros empurrando para dentro do
meu peito. Ela pegou minha mão e colocou-a sobre seu sexo, abrindo as
pernas.

— Olhe em meus olhos e me diga que você não quer minha


buceta molhada. Me diga que você não quer me comer e estar dentro de
mim agora, e eu vou embora. Mas você não pode, não é?

A mão de Lexi estava no meu pau, acariciando minha dureza


através do jeans. Ele respondeu e cresceu ainda mais.

— Jesus, Sheila. Você é uma cadela má. Se não fosse pela


Princesa, eu te foderia até que você desmaiasse. Mas meu pau tem uma
afinidade por outra buceta. Desculpe querida, — eu disse enquanto eu
a empurrava para a cama e saía do quarto sem olhar para trás.

Porra, se eu ficasse mais um minuto eu estaria batendo naquele


rabo com tanta força. Eu mal podia me impedir de tomar o que ela
estava oferecendo. Sheila seria uma ótima foda. Se não fosse por Jade...

— Quem diabos é Princesa? Eu vou matar aquela vadia! — ela


gritou do meu quarto.

O rugido da minha risada ecoou pelas paredes do corredor -


Sheila com certeza era corajosa. Sacudi a cabeça.

Agora, esse seria um confronto do qual eu não queria participar.


Se Jade visse a puta seminua pingando sexo no meu quarto - se ela

~ 59 ~
visse sua mão no meu pau, os seios dela empurrando contra mim,
minhas mãos em sua buceta - eu temia pela a vida de Sheila.

E pela minha. Com certeza.

Eu e Jade não éramos oficiais. Ainda não. Mas eu sabia com


certeza que eu iria rasgar qualquer idiota que tentasse transar com
Jade, e ela faria o mesmo por mim. Jesus. Apenas o pensamento de
outro homem tocando a minha Princesa, e eu tinha vapor saindo das
minhas orelhas.

Então não, eu não iria foder outro rabo, não importa o quão
tentador fosse, ou quanto tesão eu sentisse. Porque se eu queria o este
comportamento de Jade, eu tinha que dar-lhe isso também. Se havia
uma coisa que eu nunca fodia era com karma. Porque sim, essa porra
tinha um jeito de nivelar as coisas que nós humanos não tínhamos
ideia.

Eu precisava da porra de uma cerveja. Agora.

— Onde você estava irmão? — Cobra perguntou quando eu voltei


para o salão do clube.

— Só fui ver se o meu quarto estava ok. — puxei uma cerveja e


praticamente a engoli de uma só vez.

— Alguma coisa aconteceu lá? — Cobra levantou uma


sobrancelha. O irmão estava afiado. Ele me conhecia tão bem que era
assustador pra caralho.

— Nah. Tudo bem, — eu disse enquanto bebi a última gota e fui


buscar outra para Cobra e eu.

— Onde diabos está a garçonete? Esta não é a porra do seu


trabalho? — Cobra reclamou quando ele acenou para o bar. Ele estava
mal-humorado pra caralho. Eu sabia que ele estava com dor e tinha
que voltar para descansar em breve.

— Sim, onde ela está? — Razor perguntou enquanto olhava em


volta. O olhar em seu rosto era ameaçador. Jesus, se eu tivesse fodido
Sheila, eu teria meu pau cortado por mais alguém além de Jade. Razor
queria muito essa garota. E ela disse que se guardou para mim? Esta
era uma merda fodida. Senti o cheiro de problemas chegando. Se Razor
não tinha sido capaz de pegar essa buceta, eu imaginava que nem Ox
ou qualquer um dos outros meninos tinha sido capaz também. E ela
estava oferecendo-se a mim de bandeja? Desde quando é que eu fiquei
tão malditamente sortudo? Eu sorri, e bebi mais cerveja.

~ 60 ~
Esta manhã a caminho daqui, eu analisei a possibilidade de me
mudar de volta para o clube. Eu ia conversar sobre isso com Cobra a
caminho de casa. Agora eu não tinha tanta certeza de que era uma boa
ideia.

Resistir à tentação parecia inútil, porque eu sabia o tipo de


mulher que Lexi era – ela iria tentar de tudo até que ela tivesse meu
pau dentro de sua buceta. Ela era do tipo de mulher viúva-negra - ela
atraia a presa, e então a comia mais tarde. Normalmente, esse tipo de
jogo me divertia. O sexo era intenso, mortalmente incerto.

Há alguns meses atrás, eu teria fodido Lexi - eu ainda achava que


o nome Sheila lhe convinha melhor - até que eu cansasse dela, e depois
passaria ela para os meus irmãos. Eu não teria me importado com o
sentimento de ninguém, enquanto eu estivesse satisfeito tendo esse
rabo pra mim. Algumas semanas mais ou menos, e eu estaria cansado
dela. Porque uma vez que eu a dominasse, que ela estivesse
domesticada, o jogo terminava. Era sempre assim.

E é exatamente por isso que eu estava tão surpreso com essa


coisa com Jade. Agora que eu tinha fodido ela, eu pensei que eu iria tê-
la para fora do meu sistema. Em vez disso, ela estava fodendo com a
minha cabeça, mesmo quando ela não estava por perto.

Comecei a sentir mais simpatia por Cobra. Eu sempre brinquei


com ele sobre sua possessividade com Mia: o jeito que ele queria
possuir ela, e o jeito que ele ficava louco se outro homem apenas
olhasse para ela por muito tempo. E por Mia ser uma mulher bonita,
isso acontecia muito. Especialmente quando ela tinha aquele brilho
sobre ela quando estava grávida; neste momento, os homens a achavam
irresistível. Tanto que Cobra considerou trancá-la em casa quando ele
não estivesse por perto. Entendimento estava começando a brotar em
minha mente, sobre como um homem poderia se sentir assim.

Isso também disse muito sobre a nossa irmandade, quando ele


confiou em mim para viver sozinho em uma casa com Mia e seus dois
filhos. Não que ele realmente tivesse a porra de uma escolha, com todas
aquelas balas alojadas em seu corpo.

Cobra me tirou dos meus pensamentos com um tapa nas costas.

— Ei, cara, eu estou falando com você.

— O quê?

~ 61 ~
— Eu disse: Eu estou organizando um churrasco no próximo
domingo, aqui no complexo. Os irmãos precisam de uma injeção de
ânimo em sua moral. Precisamos organizar a porra da nossa merda
juntos. Mostrar a esses filhos da puta que não estamos com medo ou
quebrados.

Eu respirei fundo. Porra. Isso seria perigoso. Mas Cobra estava


certo - estávamos agindo como vadias assustadas. Era hora de colocar a
sela de volta.

— Você está pronto para isso, irmão? — eu estava preocupado


que Cobra estava tentando fazer muito, em pouco tempo.

— Sim. Foda-se essa merda. Um homem tem fazer o que tem que
fazer. Além disso, eu já falei com Mia sobre isso. Ela concorda que será
bom para reconstruir o espírito do clube. Como uma típica mulher, ela
já está planejando as comidas.

Mia era sensata. Eu confiava em seu julgamento. Se ela achava


que Cobra estava pronto para isso - e ela deveria saber - eu estou
dentro.

Eu balancei a cabeça. Eu tinha acabado de contratar segurança


extra para durante o dia. Tinha sido extremamente cuidadoso, porque
eu tinha um formigamento na minha espinha, o que não significava
nada de bom.

Lexi caminhou de volta por trás do balcão do bar, não olhando na


minha direção. Ela sorriu docemente para um Razor agitado, e flertou
escandalosamente com o homem. A carranca de Razor derreteu e ele
pareceu se animar com a atenção. Ela estava tentando me fazer
ciúmes? Eu ri para mim mesmo. Cadelas. Quando é que um homem
iria compreendê-las? Pelo menos Razor estava feliz e foi beneficiado,
assim eu só assisti sua interação com diversão.

Ainda remexia em minha mente: Eu conhecia Lexi de algum


lugar. Mas de onde?

— Pronto para voltar para LA? — eu terminei a minha cerveja e


bati o copo no balcão, de repente ansioso para voltar para a cidade.

~ 62 ~
Capítulo Treze
JADE

Eu não tinha certeza de como exatamente me vestir para a


ocasião. Eu nunca tinha ido a um churrasco em um complexo de MC.

Por que eu tinha aceitado o convite de Mia estava além de minha


imaginação. Mia tinha me dito que Ryder vivia entre a casa e o
complexo desde que Cobra tinha saído do hospital. Imaginei que era
porque ele queria dar à família o seu próprio espaço, mas ainda
precisando verificar se eles estavam a salvo. Eu também sabia que
Ryder arranjava qualquer desculpa para sair em sua bela Harley.

Mas era tudo uma experiência nova para mim. Eu estava indo
para um território desconhecido e assustador como o inferno.
Especialmente depois que eu tive minhas ideias contaminadas sobre o
que eram os motoqueiros por tanto tempo.

Em meu intestino, eu sabia a resposta: eu queria ver Ryder em


seu habitat natural, por assim dizer. Eu só o tinha visto em Los
Angeles, longe de seu ambiente normal. A casa extravagante em Beverly
Hills estava fora de sua zona de conforto, e eu percebi isso desde o
primeiro dia. Então, agora eu queria ver o lugar onde ele ficava
confortável, sendo apenas ele mesmo.

Além disso, eu era uma adulta agora, eu tinha que descobrir por
mim mesma o que um grupo de motoqueiros faziam e fazer a minha
própria mente. Isso não significava que eu não estivesse em pânico.
Especialmente se Harrison descobrisse sobre o meu plano. Estremeci só
de pensar sobre sua reação.

Estava quente. O verão estava á todo vapor, e na Califórnia estava


úmido e desconfortável. Eu escolhi um par de shorts jeans que eu não
usava há anos e um top branco. Normalmente eu era autoconsciente
sobre mostrar minhas pernas nuas, mas eu queria estar confortável e
um pouco sexy. No último minuto, eu coloquei uma camisa, e dei um
nó na minha barriga.

~ 63 ~
Tanto mamãe como papai estavam na varanda, lendo o jornal de
domingo com uma xícara de café. Eu derramei um pouco de suco de
laranja em um copo e joguei conversa fora por alguns minutos antes de
anunciar que eu iria para a casa de alguns amigos durante dia.

— Amiga ou Amigo? — minha mãe perguntou. A mulher era


astuta.

Eu ri.

— Eu estou indo a um churrasco com uma amiga e sua família.


Eu adoro suas crianças. E... Espero fazer muitos novos amigos -
meninas e meninos.

— Lembre-se de passar muito protetor solar. Você não quer se


queimar e se lamentar amanhã, — ela alertou.

— E beba muita água, especialmente se você for beber, — Papai


acrescentou.

Eles estavam apenas agindo como sempre agiam - cuidadosos e


um pouco superprotetores - mas Deus, hoje eles testaram meus nervos.
Revirei os olhos e suspirei. Eles tinham que parar de me tratar como
uma maldita criança.

Beijei ambos em suas testas, e encarei meu dia. Se eles realmente


soubessem onde eu estava indo eles provavelmente tentariam me
prender.

Pressionando o botão para abaixar o capô do meu conversível, eu


decidi que eu iria desfrutar do vento no meu cabelo e apenas viver por
hoje. Eu não ia me preocupar com o que Harrison e meus pais iriam
pensar. Eu estava determinada a deixar minha mente aberta.

Cheguei a casa em Beverly Hills em quinze minutos. Mia já havia


prendido a garotada em seus assentos no carro, e Cobra estava
encostado no SUV. Mia me abraçou e me puxou pela mão - Eu iria
finalmente conhecer Cobra cara-a-cara.

Dizer que eu estava apreensiva era um eufemismo. E se ele não


gostasse de mim? E se ele acabasse por ser tudo o que eu esperava de
um motoqueiro? Como eu iria lidar com isso?

No começo, ele pareceu intimidante. Ele tinha mais de um metro


e oitenta de puro músculo, ambos os braços completamente tatuados e
um piercing na sobrancelha. Ele parecia malvado, vestido todo de preto
e com uma carranca em seu rosto. Sua cabeça estava completamente

~ 64 ~
raspada e seu queixo quadrado se apertou enquanto ele me avaliava, os
braços cruzados sobre o peito largo. Eu não podia ver seus olhos; eles
estavam escondidos atrás dos óculos de sol.

Motoqueiro assustador.

— Baby, esta é a encantadora Jade. — Mia se virou para Cobra e


sorriu.

O que eu vi em seguida me chocou pra caralho. O grande homem


se afastou da SUV, e o maior e mais simpático sorriso se espalhou pelo
seu rosto. Ele tirou seus óculos de sol enquanto estendia a mão para
mim.

— Então você é a garota que causou tanta confusão. — seu


sorriso se espalhou até seus olhos, marrom chocolate, assim como os
de Mia e os das crianças. Ele pegou minha mão e a apertou apenas o
suficiente para que fosse acolhedor, mas não doloroso. Pequenas rugas
correram dos olhos para sua boca quando ele sorriu.

Mia golpeou o braço, rindo.

— Baby, não a deixe desconfortável.

— Então, quem está falando sobre mim? Ryder? Só ele pensaria


que eu causo confusão. — Eu fiz uma careta. O que Ryder disse sobre
mim? Lembrando minhas maneiras, eu estendi minha mão. — Estou
feliz que você esteja fora do hospital. Sua família sentiu sua falta, — eu
disse educadamente. Ufa, ele não é tão assustador, afinal de contas.

Com as formalidades fora do caminho, eu me abaixei ao lado de


Jamie, beijando as crianças e desfrutando de seus sorrisos acolhedores.
Jamie tinha um livro de imagens em suas mãos e estava ansioso para
que eu lesse uma história. Bem, pelo menos se tudo mais despencasse
e eu realmente não me encaixasse, eu poderia pegar as crianças das
mãos de Mia e deixá-la relaxar com seus amigos. De qualquer forma,
isso iria funcionar.

Quando chegamos mais perto do complexo, eu comecei a duvidar


das minhas decisões. Em primeiro lugar, a decisão de aceitar o convite
de Mia. Minha curiosidade tinha ganhado de mim, mas eu sabia que
não iria me encaixar, de modo que seria malditamente estranho. Eu vim
de um mundo tão diferente, eu realmente não tinha a menor ideia do
que esperar.

Em segundo lugar, sobre o que eu estava vestindo. Shorts, Jade?


O que diabos eu estava pensando? Teria um monte de caras ao redor.

~ 65 ~
Eu não queria que ninguém tivesse a impressão errada. Eu deveria
estar de jeans gastos ou um vestido. Mas agora não havia nada que eu
pudesse fazer sobre isso. Engula essa, Princesa. Eu tive que rir baixinho
para mim mesma na situação em que eu me encontrava. Para quem eu
estava mentindo? Eu queria que os olhos de Ryder caíssem quando ele
me visse. Eu queria que ele ofegasse por mim. Sim, eu queria os seus
olhos, suas mãos e sua boca em cima de mim...

Eu estava em conflito entre o que eu sabia que não deveria estar


fazendo, e o que eu queria. Meu desejo por Ryder era esmagador, e
estava me levando a fazer coisas que a velha Jade teria me dado um
tapa por fazer.

~ 66 ~
Capítulo Quatorze
JADE

Meus olhos se arregalaram quando chegamos ao complexo. Até


mesmo a área era diferente do que eu estava acostumada. Era
industrial e muito desolada, porque era um domingo. Arame farpado
circulava as paredes, e havia seguranças nos portões imponentes.
Merda. Qual era o problema? Foi um erro eu vir até aqui? Se eles
precisavam de todas estas medidas de segurança...

Certamente Mia não colocaria em risco a vida de seus filhos, né?


Esse pensamento, pelo menos, ajudou a acalmar a agitação no meu
intestino. Meu coração estava batendo no meu peito e minhas mãos
estavam úmidas. Ryder não estava esperando que eu viesse. Qual seria
sua reação quando ele me visse aqui - em seu território? Será que ele
ficaria louco? Bem, eu iria descobrir em breve.

A última vez que eu tinha visto Ryder, foi na noite em que ele
tinha entrado em nossa casa. Eu tinha adormecido em seus braços, em
paz pela primeira vez em anos. E quando eu acordei de manhã, ele
tinha ido embora. Ele tinha me deixado do jeito que ele veio.
Silenciosamente. Inesperadamente.

Eu esperei que Ryder voltasse todas as noites desde então, mas


ele nunca mais voltou. Meu coração doía, como se dedos frios o
agarrassem e o apertassem. Os pesadelos sobre o Incidente foram
substituídos pelo medo de que Ryder me evitaria completamente agora
que ele sabia toda a história. Ele provavelmente compreendeu o quão
perigosa era a situação com Harrison, e havia decidido seguir em frente.

Isso era o que eu queria, certo?

Nós tínhamos chegado uma hora antes da festa começar porque


Mia queria montar algumas coisas. Ela tinha combinado com algumas
outras esposas e namoradas - ou ‗old ladies‘, como eu aprendi que
motoqueiros chamavam suas mulheres - para ajudá-la, e claro, eu iria
ajudar também.

~ 67 ~
A praça no meio dos edifícios estava limpa e vazia, exceto por
alguns bancos. Era tão diferente dos jardins exuberantes aos quais eu
estava acostumada. Não é de admirar que Ryder e particularmente Mia
quisessem alugar a casa em Beverly Hills por causa do jardim para as
crianças.

Alguns outros casais estavam armando as mesas dobráveis,


cadeiras e guarda-sóis. Os homens estavam carregando baldes grandes
cheios de gelo e bebidas. Todo mundo estava organizando a festa.
Exceto Ryder. Fiquei procurando por ele, na esperança de vê-lo, mas
nada.

Mia me apresentou para as pessoas já estavam lá. Eles foram


acolhedores e simpáticos, completamente normais. Por que eu estava
tão preocupada que eu não fosse me encaixar?

Mais e mais pessoas começaram a chegar. Eu estava muito


ocupada ajudando com as saladas, e mantendo um olho sobre as
crianças, enquanto Mia corria por todo o lugar para garantir que
houvesse bastante carne e bebidas para alimentar sua família
ampliada. No entanto, eu continuei a tentar ouvir a voz de Ryder.
Decepção tomou conta de mim. E se ele não viesse para o churrasco? E
se ele estava com outra mulher? Droga.

Cobra me apresentou a seu irmão, Razor. Ele parecia tão malvado


e inflexível como Cobra a princípio, especialmente usando seu colete e
suas botas pesadas de motoqueiro, apesar do calor. Por que isso?
Certamente ele não precisava usar botas hoje? Em torno de sua testa
havia uma bandana vermelha com caveiras, que o fazia parecer um
pirata. No entanto, apesar de sua aparência, Razor foi muito simpático,
assim como seu irmão. Ele era encantador de uma forma natural.

— Então, Jade, me fale sobre você. Como você se tornou amiga de


Mia? — ele perguntou enquanto me ajudava a transportar os pães até a
mesa.

Expliquei sobre a agência de aluguel e como às vezes eu tomava


conta das crianças, também. Razor riu quando eu disse a ele sobre as
inspeções que eu tinha arranjado porque acreditava que haveriam
orgias e coisas desagradáveis acontecendo na casa.

Razor tinha pegado uma cerveja gelada para cada um de nós, e


brindamos nos gargalos um contra o outro.

— Saúde, linda. Você com certeza alegra este lugar. — ele sorriu
agradavelmente enquanto seu olhar passava pelo meu corpo.

~ 68 ~
Sorrindo, eu estava prestes a lhe agradecer pelo elogio quando
senti braços fortes circularem meu corpo e me puxarem contra um peito
duro. Ryder. Eu reconheceria o cheiro dele em qualquer lugar. E o
formigamento que passou pela minha espinha antes mesmo que eu
visse seu rosto, lembrava meu corpo da sensação dele, também.

— Fique longe da porra da minha mulher, Razor. Essa foi tomada,


— ele rosnou.

Os olhos de Razor se arregalaram.

— Ei, irmão. Como diabos eu deveria saber disso? — ele levantou


as duas mãos e riu. — Você nunca reivindicou uma cadel... Mulher
antes. É claro que você iria pegar uma bonita.

— Ryder, — murmurei, minha respiração engatando. Sua mulher?

— Ela é toda minha. E não se esqueça disso – em nenhum


momento. Eu não quero ter que matar você, irmão.

Ele riu, mas havia uma seriedade em seu tom de voz que Razor
não podia ignorar.

— Bem, então, por que você não estava aqui quando ela chegou?
— Razor desafiou.

Ryder empurrou meu cabelo de lado e beijou meu pescoço. Foi


um gesto tão possessivo, e eu fui pega de surpresa.

— Talvez porque a Princesa não tenha me avisado que ela viria?


Talvez porque eu estivesse surpreso pra caralho por vê-la aqui. Vestindo
esse short assassino que com certeza vai deixar cada pau por aqui
duro. — sua mão desapareceu sob minha camisa e ele acariciou a carne
macia da minha barriga.

Deus. Seu hálito quente no meu pescoço... Seu beijo possessivo...


Sua mão me acariciando... Sua voz rouca. Eu poderia saltar sobre ele
aqui, e não daria a mínima para quem estivesse assistindo. Em vez
disso, eu ri nervosamente. Como uma maldita adolescente. Uma
adolescente com tesão, esperando para transar. Minha buceta se
apertou quando ele me virou para olhar nos meus olhos.

— Olá Ryder, — eu respirei, sentindo sua ereção apertando meu


estômago. Deus, a minha necessidade por ele estava crescendo a cada
segundo. Minha calcinha estava encharcada.

Seus olhos ardiam nos meus.

~ 69 ~
— Você quer me dizer como é que você está aqui e eu não sabia
sobre isso? — sua voz era exigente, até mesmo dura.

— Aqui está você. Eu estava imaginando onde você estava? — Mia


se aproximou e deu um tapa na bunda de Ryder, como uma irmã mais
velha faria. — Eu convidei Jade. Ela está aqui como minha convidada.
Então todo mundo, seja legal, OK? — ela olhou para Razor, que tinha
um olhar divertido e espantado no rosto.

Razor riu.

— Claro, irmã. Bem, eu pelo menos estou feliz por Ryder ter a sua
própria mulher. Isso significa que ele não vai mais ficar atrás da que eu
quero. O que significa que eu não vou ter que matá-lo.

Eu tinha quase esquecido que Mia era casada com o irmão de


Razor. Era doce a forma que ele a chamava de ‗irmã‘ - eu nunca
esperaria isso vindo dele. E agora eu estava curiosa para saber quem
era a mulher que Razor falou.

Mia olhou para Razor.

— Uau, eu vou embora por alguns meses e agora você tem seu
olho em alguém, também? O cupido tem andando por aqui
ultimamente, atirando algumas flechas?

Ryder esfregou minhas costas, pequeno círculos acariciando de


cima e para baixo na minha espinha. Eu mal podia me concentrar na
conversa. Ele estava enviando uma mensagem clara a todos os caras
aqui, que eu era dele. Eu não poderia estar mais feliz que ele não tinha
medo de me reivindicar na frente de todos.

Ele baixou a cabeça e sussurrou em meu ouvido, sua voz


ameaçadora.

— Eu vou lidar com você em um minuto, Princesa. — seu hálito


quente deixou um rastro de arrepios na minha pele. Eu não tinha
certeza se eu deveria estar com medo ou feliz. O que eu senti, porém,
uma onda de energia correndo do meu intestino para o meu núcleo,
depositando mais umidade na minha calcinha. Até os meus mamilos
formigavam. — Já está molhada para mim, baby? — ele sussurrou em
meu ouvido, enquanto apertava minha bunda.

Jesus. Eu posso apenas ter um orgasmo aqui mesmo na frente de


todos. Fecho os olhos e pressiono minhas coxas juntas. Eu estava me
tornando uma vagabunda devassa. A vagabunda de Ryder.

~ 70 ~
Meus olhos se abriram quando ouvi a voz de uma mulher
gritando.

— Ela é a Princesa? Caralho!

Eu olhei diretamente nos olhos chocados da minha prima Lexi.

— Lexi? Mas que diabos? — engoli em seco.

— Jade. Que porra você está fazendo aqui? Com Ryder transando
praticamente á seco com você na frente de todo mundo. Jesus, porra.
Eu nem sabia que você o conhecia. — Lexi estava chateada. Ótimo.

Minha prima era uma cabeça quente. Ela não era tímida para
dizer o que pensava. Sempre achei que ela fosse um pouco franca
demais, mas ela nunca se importou com o que qualquer um pensava
sobre ela. Ela sempre foi rebelde, e tio Eric sempre esteve muito
ocupado criando ela sem uma mãe.

— Eu poderia fazer a mesma pergunta, prima. O cabelo preto? As


tatuagens e piercings? Você parece uma motoqueira grunge. Tão
diferente de quando eu te vi pela última vez no Natal.

Ryder respirou. Ele me soltou, dando um passo para trás e


olhando - primeiro para mim, depois para Lexi, em seguida para mim
novamente - como se tivéssemos acabado de desembarcar de um
planeta alienígena.

Seus ombros tremeram com o riso.

— Bem, me foda. Eu vou ser condenado. Então é por isso que


você parecia tão familiar, Sheila. Você é prima de Jade!

Nós duas nos viramos para ele, olhando, com as mãos nos
quadris. Por que Ryder estava chamando a minha prima de Sheila? Eu
perdi alguma coisa?

Meus olhos se estreitaram enquanto eu desviava o olhar, primeiro


para Lexi e depois para Ryder. Ryder estava fodendo Lexi?

Oh. Meu. Deus.

Por Favor. Não. Só não.

Outras mulheres - que eu não conhecia - Eu poderia ser capaz de


lidar. Mas a minha própria prima? Senti meu estômago afundar.

~ 71 ~
— Eu trabalho aqui. No bar, — disse Lexi enquanto balançava um
cigarro do maço e o acendia, inalando profundamente. Ela fumava? O
que mais eu - e o tio Eric – não sabíamos sobre Lexi?

— Lexi. Você veio. — Razor estava sorrindo como um idiota. Razor


era amável com Lexi? Era ela a menina da qual ele estava se referindo?

Jesus. Minha cabeça girava. O que diabos estava acontecendo?

~ 72 ~
Capítulo Quinze
JADE

Engoli em seco. Eu tinha que saber. Me virei para Ryder. Se ele


estava fodendo e eu Lexi ao mesmo tempo, eu simplesmente não
conseguiria lidar com isso.

Eu abri minha boca para falar, mas antes que eu pudesse dizer
uma palavra, Ryder rosnou.

— Princesa. No meu quarto. Agora.

Ele agarrou meu braço e me levou para dentro do edifício. Eu


senti os olhos de todos nas minhas costas enquanto eu seguia Ryder,
atordoada demais para falar. Isso não acontecia muitas vezes.

Nenhum de nós disse uma palavra. Ele nos guiou através do


antigo edifício, através de um bar cheio de mesas de poker e bilhar.
Passando por uma enorme cozinha onde as mulheres batiam papo
enquanto colocavam os alimentos em grandes bacias. Passamos uma
grande sala de estar com uma TV de tela grande. Até chegamos a uma
porta que ele rapidamente destrancou.

Olhei para ele por debaixo dos meus cílios. Sua mandíbula estava
definida e os olhos brilhando.

— Escute, Ryder- — eu comecei.

Ele me empurrou para dentro do quarto e trancou a porta.


Segundos depois, eu estava contra a parede, a boca de Ryder roubando
o meu fôlego. Ele me beijou com força, segurando meus pulsos com
uma mão grande em cima da minha cabeça, apertando o meu peito com
a palma da outra enquanto empurrava seu joelho contra o meu sexo
para me manter parada.

— Baby. O que você faz comigo... E com meu pau. Porra, — ele
sussurrou.

— Ryder. Espere. — eu precisava de respostas.

~ 73 ~
— Por quê? Eu sei que você está aqui por mim. Para ser fodida. E
eu quero. Já faz tempo demais.

— Lexi, — eu ofegava, virando a cabeça para que ele não pudesse


acessar a minha boca. — Você está transando com a Lexi? — cuspi
para fora.

Mantendo meus pulsos presos à parede, ele segurou meu queixo


com a outra mão, apertando minhas bochechas e virando meu rosto até
que nossos olhos se encontrassem.

— Se eu estou, o que isso importa para você? — ele perguntou


com a voz dura.

Olhei em seus olhos, tentando lê-los, mas tudo o que eu podia ver
era desejo e excitação, suas pupilas estavam dilatadas.

— Se você estiver, eu não posso... Eu não vou...

— Por que não? — ele rosnou, seu olhar procurando o meu rosto.

— Porque... Porque eu quero que você seja só meu. — senti que


com Ryder havia apenas um caminho. Honestidade brutal.

— Porra, Princesa. Porra. — ele chupou meu lábio inferior em sua


boca e o mordeu. Eu choraminguei, oscilando entre o sentimento de
prazer e dor.

— O quê? — eu murmurei contra sua boca. Ele não respondeu a


minha pergunta ainda.

— Isso é exatamente o que eu queria ouvir. — ele me beijou até


que eu estava sem fôlego, apertando meu peito com tanta força que
ondas de desejo viajaram de meus mamilos até minha buceta. — Essas
suas pernas malditamente longas, eu quero elas em volta da minha
cintura.

Ele desabotoou o botão do meu short e empurrou para baixo das


minhas pernas, abaixando minha calcinha junto ao mesmo tempo.
Então ele me levantou, apertando a minha bunda nua contra a parede.

— Desabotoe minhas calças, — ele ordenou com voz rouca.

Meus dedos se atrapalharam em sua calça jeans, e ele xingou


porque eu estava demorando demais. Meu cabelo ficava caindo na
frente do meu rosto. Ele agarrou os fios com uma mão, me apoiado com
o joelho até que eu libertasse seu pau.

~ 74 ~
Sibilando entre os dentes, ele disse duas palavras.

— Preservativo. Bolso.

Eu achei o preservativo e rasguei a embalagem com meus dentes.


Eu estava me tornando uma especialista nisso. Eu o desenrolei
enquanto ele mordiscava meu pescoço. Deus, meus dedos estavam
tremendo e seus lábios no meu pescoço estavam me deixando louca.

— Ahhh, baby, — ele sussurrou enquanto empurrava seu pau em


mim, com força. Sua mão na parte de trás da minha cabeça puxou meu
cabelo, erguendo o meu pescoço para ele e também prevenindo a minha
cabeça de bater na parede quando ele estocava em mim de novo e de
novo, chupando e mordendo ao longo do meu queixo, ao mesmo tempo.

— Porra. Eu preciso de você, Jade. Somente você, baby. Nenhuma


outra cadela.

Sim. Eu acho que eu tive a minha resposta. Isso era exatamente o


que eu queria ouvir. Meu coração se encheu em meu peito. Com minhas
pernas enroladas em torno de seus quadris, Ryder enfiou em mim uma
e outra vez, me batendo com tanta força contra a parede que eu teria
concussões se sua mão não estivesse protegendo a minha cabeça.

— Espere, — ele gemeu quando começou a gozar dentro de mim.

Girando, ele me deitou na cama, puxando para fora e descartando


o preservativo.

— Assim está melhor. Agora, Princesa, eu preciso cuidar de


algumas coisas.

— Como assim? — eu perguntei, meus olhos arregalados. Eu não


tinha ideia do que ele queria dizer. Ele não me deixou gozar; eu ainda
estava pulsando com a necessidade.

Ele se sentou na cama e me puxou para o seu colo. Antes que eu


pudesse abraçar ele, ele me girou de modo que eu estava de bunda para
acima. Hein?

Ele acariciou minha bunda com grandes movimentos circulares.


Sua voz era suave, mas autoritária.

— Vou espancar esta sua bela bunda. Primeiro: Por me


questionar sobre Lexi. Segundo: Por usar esses shorts me-foda.
Terceiro: Por chegar no Razor quando você pensou que eu não estivesse

~ 75 ~
aqui. E Quarto: Por não me dizer que você viria. Você vai levar isto como
a puta que você é, então eu vou cuidar da sua buceta.

A próxima coisa que eu senti foi a sua mão descendo na minha


bunda, espancando a merda fora de mim. Ele nunca batia no mesmo
lugar duas vezes, e cada vez que sua mão conectava com a minha
carne, enviava ondas de dor e prazer para o meu núcleo. Ele acariciava
minha bunda com toques suaves entre cada contato. Doce Jesus, eu
nunca saberia que receber uma surra poderia me deixar ainda mais
molhada. Isso era extremamente doloroso, mas me excitava além de
qualquer coisa que eu já tinha imaginado.

Eu mordi meu lábio inferior, sentindo o gosto de sangue quando


eu apertei com força, minhas mãos segurando as cobertas e as torcendo
em uma tentativa de não gritar. A última coisa que eu precisava era que
os membros do clube viessem investigar. Especialmente Mia ou Lexi.

Após a quarta batida, seus dedos se arrastaram mais em baixo,


acariciando sobre minha umidade, e então mergulharam dentro de
mim. Desta vez eu gemia alto, incapaz de sufocar o meu prazer por
mais tempo quando ele lentamente me fodia com o dedo ao êxtase.

Tirando o meu peso do seu colo, ele se ajoelhou atrás de mim,


com minha bunda ainda no ar, ele admirava os vergões vermelhos que
haviam se formado nas minhas nádegas, sibilando entre os dentes
antes de acariciar a pele escaldante com sua língua. Sua boca abaixou,
lambendo minha excitação, circulando meu clitóris.

— Ryder. — eu engoli em seco, enquanto meu corpo tremeu e


culminou em um orgasmo. Sua língua fez o seu caminho dentro de
mim, me fodendo enquanto eu guiava meu orgasmo, suas ações fazendo
com que ele se prolongasse. Eu nunca imaginei que eu pudesse ter um
orgasmo tão forte ou tão longo. Eu tinha muito a aprender, e Ryder
estava me ensinando o quanto de prazer ele poderia extrair de meu
corpo.

— Porra, baby, eu adoro quando você diz meu nome quando você
goza. Sim, — ele gemeu.

Ele se deitou na cama e me puxou para os seus braços,


acariciando minhas costas e bunda suavemente. Eu coloquei minha
cabeça em seu peito, ouvindo seu batimento cardíaco irregular,
sorrindo quando eu percebi que eu era a única a fazer isso com ele.

— Baby, precisamos falar sobre uma coisa.

~ 76 ~
— O que é, Ryder? — era um pouco estranho estar deitada em
seus braços, falando, e vestindo apenas a minha parte superior, nua da
cintura para baixo. Eu joguei minha perna por cima dele em uma
tentativa de esconder minha buceta nua.

Ele gemeu.

— Porra. Você quer que eu te coma de novo? Esfregar sua buceta


contra a minha perna vai fazer você ser fodida novamente. Mas eu
quero fazer sem proteção desta vez.

Ryder ficou em silêncio por um minuto, deixando o peso do que


ele deixou implícito diminuir.

— Você quer? — murmurei, não tendo certeza do que exatamente


fazer sobre isso.

— Eu quero só você, Jade. E eu não quero que você foda mais


ninguém, qualquer um. Eu quero que sejamos exclusivos. Você é minha
agora baby, e eu quero sentir você pele com pele. O que você acha?

Estendi a mão e acariciei sua bochecha. Aqui estava o meu


grande motoqueiro fodão, malditamente alfa em todos os sentidos, me
falando como, quando e aonde ele ia me foder, perguntando o que eu
achava. Sentimentos de calor percorreram meu coração. Eu não poderia
estar mais feliz do que neste momento.

Eu puxei seu rosto para baixo, de modo que ele estava olhando
nos meus olhos. Eu queria vê-lo quando nós discutíssemos isso.

— Eu estou limpa. Estou tomando pílula. Comecei quando eu


comecei a namorar Marcus.

Um rugido feroz escapou de seus lábios quando eu mencionei


Marcus. Acho que ainda era um ponto sensível. Eu adorava que Ryder
fosse tão possessivo e assim... primitivo. As mesmas coisas que eu
odiava sobre ele antes, agora eram as coisas que eu amava sobre ele.
OK, talvez amar fosse uma palavra muito forte. Mas eu gostava. Sim, eu
estava sentindo mais por Ryder do que apenas luxúria; eu estava me
apaixonando. Duramente. A tal ponto que eu não queria nada mais do
que estar com Ryder 24 horas por dia, 7 dias por semana. Falando,
abraçando, fazendo coisas cotidianas... e é claro, fodendo de forma
selvagem e apaixonada, também. Muito disso.

— Com quantos homens você... já esteve? — sua respiração


engatou.

~ 77 ~
— Se eu responder essa pergunta, você tem que estar preparado
para fazer o mesmo. Você está?

Ele ficou em silêncio por um longo tempo. Esperei que ele


dissesse alguma coisa. Quando eu estava prestes a desistir sobre ele
responder, ele respondeu.

— Jade, eu não vou mentir para você. Eu tive muitas cadelas ao


longo dos anos. Mais do que eu gostaria de contar. Mas elas não eram
nada para mim. Corpos para satisfazer as minhas necessidades e
desejos. Fodas sem rosto.

Eu puxei uma respiração afiada. Eu era tão inexperiente em


relação a ele. Fiquei espantada que ele mesmo quisesse alguém como
eu.

— Baby, tem sido um verdadeiro inferno tentar ficar longe de


você. Desde a outra noite, quando você me contou a sua história, eu
pensei muito. Eu estive do lado de fora de sua casa todas as noites,
morrendo de vontade de entrar para estar com você. Mas eu tinha que
te dar um tempo, também. E hoje você veio até mim. Isso significa que
você não pode ficar longe também, apesar do que você diz.

Era verdade. Mesmo se a chama do desejo me queimasse até a


morte, eu não poderia me afastar disso ou parar de querer ele.

Ele segurou meu queixo na mão e olhou nos meus olhos, como se
estivesse procurando algo profundamente em minha alma. Ele falou
baixinho, com reverência.

— Eu nunca conheci alguém como você. Eu nunca pensei que eu


poderia me sentir assim por outra pessoa. Eu não posso explicar o que
eu sinto, porque eu nunca senti isso antes. Tudo que posso fazer é dizer
o quão feliz você me faz sentir quando estou perto de você. E o quão
malditamente incrível eu me sinto quando estou dentro de você. Eu
penso em você desde o momento em que eu abro meus olhos até o
momento que eu os fecho. Não há um minuto do dia em que eu não
esteja pensando em você, ansiando por você, querendo estar dentro
você. Somente você, baby; mais ninguém. Se você pode dar um nome
para isso, então você sabe como eu me sinto sobre você.

Eu respirei fundo. Ele estava descrevendo exatamente como eu


me sentia a respeito dele. Eu também nunca me senti assim antes. Eu
não tinha um nome para isso, também. Eu solto o meu lábio inferior
que eu estava mordendo.

~ 78 ~
— Eu acho que somos mais do que luxúria um para com o outro,
— eu disse, procurando as palavras certas, — Eu acho que nós
estamos... Estamos obcecados... Um com o outro, — eu sussurrei.

Ele riu baixinho.

— Sim, eu tenho certeza que estou. Eu quero que você seja


minha, e só minha.

Meu dedo traçou seu queixo mal barbeado. Eu sorri para ele.

— Eu quero isso também. Ser somente sua, Ryder.

Suas duas mãos seguraram meu rosto quando ele me beijou com
força, de forma possessiva e ávida. Eu descaradamente esfreguei minha
buceta nua contra sua perna até que ele gemeu em minha boca. Seu
pau, que estava a meio mastro descansando em seu estômago, estava
cutucando meu quadril. Ele me puxou para cima do seu peito e eu me
movi para baixo, deslizando seu pau dentro de mim sem preservativo.

Seus olhos rolaram em sua cabeça.

— Jesus. Cristo. Porra.

— Você gosta disso, baby? — eu sussurrei perto de sua orelha.

— Claro que sim. Você é tão gostosa, baby.

Meu coração se encheu com suas palavras. Eu adorava que eu


pudesse fazer isso com ele. No entanto, eu estava me afundando em
problemas. Por um momento, meus pensamentos se desviaram para a
minha família. O que diabos eu faria sobre eles e, em particular, sobre
Harrison? O problema estava ficando maior a cada vez que eu deixava
Ryder me foder. Ele empurrou de novo, e sua ação me puxou de volta
para o presente.

Neste momento eu não queria nada mais do que estar aqui, com
Ryder, seu pau dentro de mim, me esticando, me enchendo ao máximo,
de modo que minha mente e meu corpo fossem só dele. Eu não queria
pensar em mais nada. Apenas nós.

Ele me beijou lenta e profundamente, levando o meu fôlego antes


que ele nos rolasse. Agora eu estava debaixo dele, com os braços em
ambos os lados do meu rosto. Ele olhou nos meus olhos.

— Quero ver seus belos olhos quando você gozar, baby, — ele
grunhiu enquanto empurrava ritmicamente em mim. Era a primeira vez

~ 79 ~
que ele era lento e suave. — Quer ver dentro da porra do seu coração e
da sua alma.

Doce Senhor. Desde quando o meu motoqueiro fodão era tão


profundo e carente? Ele me desfez completamente.

Me matando com suas palavras.

~ 80 ~
Capítulo Dezesseis
RYDER

Porra. Era difícil tirar meus olhos da bunda dela. O jeito que ela
se inclinava sobre a mesa de sinuca era planejado para me deixar duro,
e eu perdi toda a concentração no jogo. Quem disse que as mulheres
não sabiam o que estavam fazendo quando desafiaram os homens para
um jogo de bilhar não tinha visto Jade e Lexi na sala.

As duas primas tiveram uma conversa no banheiro; o lugar onde


as mulheres sempre desapareciam em pares ou em grupos. Um dia eu
queria ser uma mosca na porra da parede, e apenas ver por mim
mesmo o que essas garotas infernais faziam lá. De qualquer forma, elas
entraram um pouco irritadas com a outra e saíram 25 minutos mais
tarde, parecendo quentes como o inferno e rindo como se nada tivesse
acontecido antes de elas terem desaparecido naquele lugar misterioso.

Jade e eu ficamos em meu quarto por mais de uma hora, e se


fosse do meu jeito, nós nunca teríamos deixado a cama. Mas era o
churrasco de boas vindas de Cobra, e eu tinha que ser respeitoso com
meus Pres e fazer parte disso. Além disso, todo aquele sexo me deixou
com fome, e eu sabia que as mulheres teriam feito de tudo para
agradar.

Então, depois de muitos beijos em Jade, eu finalmente a deixei


sair do quarto para que pudéssemos ir encontrar comida. Agora que ela
tinha concordado em ser só minha, eu era um homem feliz.

Decidimos sair do calor e jogar um pouco de sinuca. Tudo


começou como uma brincadeira - as primas haviam desafiado Razor e
eu para um jogo. Nós tínhamos piscado um para o outro, pensando que
iríamos deixá-las ganhar os primeiros jogos antes de começar a jogar
pra valer. Descobrimos que essas meninas eram um time formidável.
Eu podia ver que os outros caras ficaram impressionados pra caralho.

— Os meninos estão com um pouco de medo que vamos limpar a


mesa? — Lexi perguntou, arqueando uma sobrancelha para Razor, que
estava tão enfeitiçado por ela que ele era apenas o pior parceiro que eu
já tive. Eu suspirei. Que par patético nós éramos.

~ 81 ~
Ratbag respondeu antes de qualquer outra pessoa.

— Nunca. Nenhuma Sheila já venceu Ryder e Razor.

— Bem, então, veja a história sendo feita hoje à noite, — disse


Jade, com um sorriso doce de manteiga-derretida, quando ela afundou
a próxima bola na caçapa. Eu assobiei sob a minha respiração. A
Princesa tinha habilidades loucas. Olhando para ela, eu diria que ela
não tinha a maldita ideia de como segurar um taco, nunca imaginei que
ela jogava como uma maldita profissional. Ela e Lexi estavam vencendo
e não apenas porque elas estavam usando seus encantos sexuais, mas
porque, na verdade, realmente sabiam como jogar o maldito jogo.

Jade se inclinou sobre a mesa, e nesses shorts, suas pernas


pareciam durar para sempre. E porra, se cada indivíduo na sala estava
salivando de boca aberta para ela, provavelmente fantasiando sobre
estar entre aquelas pernas sensuais. Nota pessoal: Proibir Jade de usar
shorts no complexo novamente. Porra, Hammer e Ratbag estavam
encarando tanto a minha mulher, que eu queria socá-los pra caralho.
Eu dei a eles um olhar de advertência para caírem fora, o qual eles
entenderam, sorrindo timidamente por serem pegos em flagrante.

Por fim, era a minha vez de jogar. As bolas tinham parado de tal
forma que tive que me concentrar muito para obter o ângulo certo, mas
eu estava determinado a encaçapar o número nove. Justo quando eu
estava prestes a bater na bola, Jade se inclinou para pegar o giz que ela
deixou - acidentalmente - cair, me provocando com seus peitos
perfeitos. Seus olhos se encontraram com os meus por uma fração de
segundo, e porra, eu errei.

Razor sorriu.

— Ryder. Porra, cara, você poderia encaçapar essa bola até


dormindo. Pare de olhar para a sua cadela e jogue a porra do jogo.

Devíamos ter desistido enquanto ainda era tempo. A cada jogo,


nós dobrávamos a aposta. A cada jogo, nós ficávamos mais para trás.
Até agora, metade do clube estava dentro do bar rindo alto, que Razor e
eu estávamos tendo nossos traseiros chutados por duas mulheres.

Razor e eu estávamos prestes a ganhar o nosso primeiro jogo,


quando Ox entrou correndo pela sede do clube. Sua expressão era
assassina. Seu rosto estava vermelho, e veias grossas estavam
aparecendo em sua testa. Ele estava furioso com Razor e Lexi? Quando
Ox estava com raiva, alguém que valorizava sua vida pensava duas
vezes antes de desafiá-lo - era um erro seriamente estúpido.

~ 82 ~
— Ox? E aí, irmão? — eu queria diminuir quaisquer problemas
antes que isso ficasse feio. Hoje não era um dia para brigas por bucetas.

— Temos policiais malditos no portão. Eles têm um mandado de


busca. E um deles está agindo como um lunático delirante, ameaçando
me matar se eu não abrir a porra das portas.

Cobra foi o primeiro a reagir.

— Jesus. Porra. Eles não podem nos deixar em paz pelo menos
um dia? Eu vou falar com eles.

Mia se colocou na frente de Cobra.

— Não querido, por favor. Você não está... Ah, Deus... Por favor,
deixe outra pessoa lidar com isso? — sua voz estava cheia de pânico.
Eu não podia culpá-la depois do que eles tinham passado.

Eu coloquei um braço sobre o ombro de Cobra, na tentativa de


acalmá-lo.

— Hey, minha vez de colocar em prática o cargo de VP3. Me deixe


falar com os filhos da puta. Tudo bem?

Ele ainda estava olhando para o rosto de Mia quando ele


balançou a cabeça. Acho que ela o convenceu.

— Nós vamos com você. — Razor, Hammer e Ox seguiram atrás


de mim quando me virei para sair.

Parei Ratbag no meio do caminho.

— Cuide das Sheilas, mano, — eu pedi. — Mantenha elas


seguras.

Ratbag engoliu em seco. Percebendo que a tarefa que tinha sido


dada a ele era mais importante de todas, ele acenou com sua cabeça.
Uma carranca profunda marcou sua testa. Imaginei que a enormidade
da responsabilidade estava caindo sobre ele, mas eu sabia que podia
confiar em Ratbag para fazer o que eu pedi.

Marchando para o portão, eu estava louco pra caralho.


Estávamos tendo um churrasco de família, pelo amor de Deus. Por que
os filhos da puta achavam que eles precisavam vir e estragar a festa?
Era fim de tarde e tivemos um dia calmo até agora, todos estavam

3
Vice-Presidente.

~ 83 ~
aproveitando o dia, juntos como uma grande família feliz. Até esta
intromissão. Porra.

O grande filho da puta extava com as mãos sobre o portão, os nós


dos dedos brancos porque ele estava o agarrando com tanta força, e
chamou minha atenção em primeiro lugar. Ele era um cara enorme, e
eu estava acostumado a caras grandes como Ox.

Ele não estava vestindo um uniforme. Em vez disso, ele usava


uma calça jeans preta e uma camiseta preta. Um gorro cobria sua
cabeça e sua mandíbula ficou dura como pedra quando ele olhou para
mim, ódio queimando em seus olhos. Quando me aproximei, notei a
tatuagem na parte interna do antebraço musculoso. Debaixo de duas
balanças da justiça estavam as palavras: ―Justiça para Todos‖.

Policial irritado. Porra.

— Abra essa porta. Agora, — ele ordenou, um sorriso de escárnio


em seu rosto quando ele levantou seu distintivo.

Eu respirei fundo quando eu li o seu nome. Policial irritado muito


fodido. Harrison fodido Summers.

O irmão de Jade.

A merda se tornou real.

~ 84 ~
Capítulo Dezessete
RYDER

Eu não poderia sinalizar para Ratbag esconder Jade e Lexi em um


lugar seguro. Jesus, por que não eu tinha pensado nisso antes de sair
de lá? Eu devia ter adivinhado que era uma questão de tempo antes que
seu irmão viesse até o complexo para bisbilhotar.

Ele sabia que Jade e Lexi estavam aqui?

Hammer chamou minha atenção pelo canto do olho, e pela


carranca em seu rosto eu pude perceber que ele sabia que isto estava
ligado a Jade. Ele me ajudou a procurar informações sobre Jade e seu
irmão policial online, depois que ela me contou a história sobre o
incidente, de modo que ele deve ter reconhecido o seu nome.

Eu balancei a cabeça levemente. Hammer era inteligente, como o


meu irmão Max, e estava geralmente dois passos à frente de todos os
outros. Ele girou os calcanhares e caminhou lentamente de volta para o
clube. Eu sabia que tinha tomado cada centímetro de seu autocontrole
para que ele não saísse correndo. Mas se ele corresse, soaria o alarme.
Agir como se ele só estivesse entediado era muito mais esperto. Mas por
dentro, minhas entranhas estavam se agitando.

Apresse essa porra, Hammer. Coloque Jade e Lexi em um local


seguro. Eu estava lutando para manter o meu exterior calmo e
descontraído. Como se isso não fosse nada incomum. Eu precisava
ganhar tempo.

— Então, o que você quer ver? — eu pesquei.

— Basta abrir a porra dos portões, imbecil. Nós conversaremos aí


dentro, — ele rosnou, mostrando até mesmo os dentes, da mesma
forma que um animal feroz faria para mostrar a sua intenção de rasgar
tudo o que estava em seu caminho.

Ox rosnou atrás de mim. Ele estava lutando para manter a calma.


Eu sabia que ele estava morrendo de vontade de derrubar o policial
enraivecido. Se eu não fosse cuidadoso, nós teríamos a porra de uma
briga em nossas mãos. Bem, talvez isso não fosse uma ideia tão ruim...

~ 85 ~
O único problema era que estávamos em desvantagem de 3 contra 1, e
além disso, a briga serviria apenas para fazê-los pensar que tínhamos
algo a esconder, tornando-os ainda mais determinados a bisbilhotar o
complexo.

— É mesmo? Eu não dou a mínima para o distintivo que você está


usando. Se você está no meu território, você não fala comigo assim sem
ter a porra do seu nariz quebrado. — eu o encarei. A mão de Harrison
foi instintivamente para o seu nariz. Foi quando eu notei que ele já
estava fodido. Ele já deve ter sido quebrado antes.

Jesus. Um policial com desejo de morte. Não havia nada pior.


Eles eram como vigilantes, que aplicavam a lei com suas próprias mãos
– atirando primeiro e perguntando depois. Eu precisei manter a calma,
pelo bem de Jade. Por mais que eu quisesse dar um soco na cara do
filho da puta e fazer o seu nariz sangrar, eu precisava me controlar.

Harrison balançou a grade na frente dele.

— Eu vou contar até três. Se você não abrir a porra da porta,


vamos arrancá-la. — Como se isso fosse um sinal, os policiais
uniformizados levantaram suas armas. Jesus, Harrison não estava
blefando. Ele tinha a porra de bolas de aço. Eu admirava isso em um
homem, mesmo que ele estivesse jogando pelo outro time.

Eu acenei para Razor. Ele sabia o que fazer. Fingindo estar tão
nervoso que ele não se lembrava do código, ele digitou várias vezes os
números errados. Razor odiava fingir estar com medo, porque ele era
um filho da puta realmente malvado. Desde que ele e Cobra me
salvaram, há tantos anos atrás, eu nunca tinha visto Razor com medo
de nada.

Harrison percebeu a mentira.

— Pare de enrolar, — ele vociferou para Razor.

Razor revirou os olhos para trás de sua cabeça, apertando sua


mandíbula no momento em que ele socou agressivamente os números
certos. Porra, Razor queria ir para a cidade com os policiais. Ele estava
até mesmo usando suas botas customizadas, com giletes encaixadas
nas solas. Teríamos a porra de um banho de sangue em nossas mãos.

— Razor, calma, — eu o lembrei. Essa era a coisa boa sobre


irmãos. Nós só precisávamos de uma palavra para transmitir uma
mensagem inteira. Razor balançou a cabeça como um cachorro
molhado, tentando se livrar de seus pensamentos. Ele tinha muito em

~ 86 ~
jogo aqui, mesmo que ele não soubesse que Harrison Summers estava
relacionado com a garota que ele queria. Eu não tinha dito a ele essa
parte ainda. Porra, eu não sabia até hoje mais cedo que ele queria essa
cadela.

Por que diabos Harrison Summers estava aqui?

Era coincidência, ou ele sabia que sua irmã e sua prima estavam
aqui? Eu só esperava que nenhum dos meus irmãos ou suas cadelas
dissessem algo que não deveriam. Nenhum deles estava consciente da
situação. Nem mesmo a Cobra ou Mia. Porra.

Uma vez que os portões estavam abertos, Harrison avançou,


empurrando Razor fora de seu caminho com uma mão. O idiota era
forte. Razor rosnou, pronto para retaliar, mas eu balancei a cabeça,
sinalizando para que ele se afastasse - por enquanto, pelo menos.

— Onde ela está? — Harrison rosnou, acenando com a cabeça em


direção a sede do clube. Os policiais levantaram imediatamente suas
armas e entraram.

Eu levantei minhas mãos.

— Ela? De quem você está falando? — Jesus, ele estava aqui


como o irmão de Jade, para protegê-la. Mas ela era a minha mulher. Eu
queria protegê-la, também. Isso era mais do que um tipo de merda.

— Jade. A minha irmã mais nova. Vou levá-la para casa comigo.

Minha boca ficou seca. Porra, ele apenas organizou dez policiais e
um mandado de busca para pegar a sua irmã? Ele não brincava em
serviço. Ele sabia como as coisas funcionavam.

— E Lexi, minha prima. Eu sei que ela trabalha aqui. Bem, hoje à
noite isso vai mudar.

Segurei a camisa de Razor e o agarrei com força, puxando-o de


volta. Eu não tinha certeza de quanto tempo eu ainda seria capaz de
manter tudo sob controle. Rezando para que Hammer tivesse levado
Jade e Lexi para um lugar seguro, eu assisti os policiais invadirem o
clube. Eu estava logo atrás, querendo ver se as meninas tinham ido
embora.

Os meninos estavam jogando sinuca, alguns pendurados no bar,


outros ao redor do tiro ao alvo, como se nada de anormal estivesse
acontecendo. Algumas mulheres estavam conversando nos sofás,
segurando seus filhos no colo.

~ 87 ~
Obrigado porra. Todos esses treinamentos no passado tinha
valido a pena. Todo mundo estava agindo como se esse fosse apenas
mais um domingo à noite na sede do clube. Engoli em seco. Porra, eu
amava essas pessoas.

Harrison acenou para os quartos.

— Abram todas as portas. Não descansaremos até encontrar as


meninas. Eu sei que elas estão aqui. Quanto mais cedo elas
aparecerem, melhor para todos. Eu vou destruir este lugar na porra de
pedaços, se eu precisar.

Eu acreditei nele. Raiva irradiava em ondas por todos os poros de


seu corpo.

Eu só esperava que Ratbag tivesse conseguido.

~ 88 ~
Capítulo Dezoito
RYDER

Meu coração quase pulou para fora do meu peito.

— Oi, primo. Estranho te ver por aqui. — A voz sensual de Lexi


por trás de mim espalhou arrepios por toda a minha pele. Porra, Jesus
Cristo. Por que ela ainda estava aqui?

— Lexi, — Harrison rosnou — Onde está Jade? Ela ainda está no


banheiro? — Seu olhar foi até a porta de onde Lexi tinha acabado de
sair.

— Nah, ela foi para casa há um bom tempo. Jade e eu tivemos


uma grande briga. Como de costume. Ela saiu daqui, dizendo que
nunca iria a lugar nenhum comigo novamente. Desculpe Primo, — ela
olhou para ele por debaixo de seus cílios, se desculpando, como se ela
soubesse que tinha feito algo errado.

— Jade foi embora? Como é que eu não sei disso? Este lugar está
sob vigilância constante. — discretamente, ele sorriu para mim. — Sim,
apenas no caso de que você não soubesse, — ele disse, um aviso claro
em seu tom.

— Sim, eu a convenci a vir para o churrasco comigo. Você sabe,


depois do que aconteceu com Marcus, eu pensei que ela deveria sair um
pouco. Então eu a arrastei até aqui. Nós brigamos e ela foi para casa.
Provavelmente está amuada em seu quarto agora.

Harrison discou um número em seu telefone. Filho da puta


inteligente. Minhas mãos estavam úmidas enquanto eu agarrava as
laterais do meu corpo, meu coração acelerado, adrenalina correndo
através do meu corpo.

— Jade? Onde diabos você está? — ele rosnou no telefone.

Eu assisti a expressão em seu rosto suavizar quando ele ouviu


sua voz. Sim, eu também queria saber. Onde diabos estava Jade?
Ratbag não estava em nenhum lugar à vista.

~ 89 ~
Harrison desligou o telefone e instruiu seu subcomandante a
chamar seus subordinados.

Uma das mulheres saltou.

— Ah, sim, Ratbag levou Jade para casa há horas atrás. Ela disse
estava com dor de estômago.

Engoli em seco. Ratbag deve ter levado ela para fora pela entrada
secreta dos fundos. Ao mesmo tempo em que eu estava aliviado que ela
estivesse segura e que tínhamos evitado um banho de sangue aqui esta
noite, eu não queria ela em casa e tão longe de mim.

— Lexi, você vai voltar para casa comigo. Pegue suas coisas.
Vamos.

— Tudo bem. Mas só porque eu já estava indo embora, de


qualquer maneira. Eu tomei sol demais hoje, e estou cansada. Mas
Harrison?

Ele inclinou a cabeça.

— Sim?

— Eu sou uma mulher adulta. E eu trabalho aqui. É o meu


trabalho estar aqui. É assim que eu pago o meu aluguel. Você tem que
respeitar isso. Tudo bem?

— Encontre outro trabalho, Lexi. Você não vai voltar aqui,


querida. — ele se virou para mim. — Considere isto como a demissão de
Lexi. Ela está deixando o emprego nesse bar do caralho.

Harrison colocou a arma de volta no coldre e a pegou pelo braço.

— Jade está em seu quarto, lendo, como você imaginava. Eu vou


ter uma conversa com ela amanhã sobre ter vindo até aqui. Nem você
nem Jade vão colocar o pé neste lugar novamente. Está claro priminha?

Lexi assentiu.

— Me deixe pegar minhas coisas, — ela disse enquanto se


libertava da mão de Harrison e ia até a parte de trás do bar para pegar
sua bolsa.

Vi Razor ir atrás dela. Eu tinha que distrair Harrison.

— Você disse que sua irmã está segura em casa? — eu levantei


uma sobrancelha, mantendo a minha voz o mais neutra possível.

~ 90 ~
— Sim. E ela nunca virá aqui novamente. Isso, eu vou garantir
com cem por cento de certeza.

Assistindo o último dos policiais caminharem para fora do clube,


eu sorri.

— Bem, vocês podem parar de bisbilhotar e nos vigiar. Nós


podemos cuidar de nós mesmos.

— É mesmo? Como cuidaram de si mesmos durante o ataque dos


LA Demons? Deixando ele levar um tiro? — ele acenou com a cabeça em
direção a Cobra. — Vocês acham que estão seguros? Eu tenho más
notícias para vocês. Se vocês se envolvem com atividades criminosas,
vocês nunca estarão seguros. Eu vou dar até meu último suspiro para
garantir isso. Considere isso como um aviso amigável. Da próxima vez
que eu vier aqui, eu vou rasgar a porra desse lugar. Entendeu?

Meus punhos estavam fechados na lateral de meu corpo.


Hipócrita do caralho.

— Eu espero que nossos caminhos não se cruzem de novo tão


cedo. Eu não sei se eu posso me controlar o suficiente para não socar
seu rosto presunçoso e te fazer sangrar - retruquei. Foda-se essa
merda.

Por que diabos Jade tem que ter um irmão que era a porra de um
policial? Especialmente um engajado em uma vingança? Mas isso não
iria me parar.

Não, isso só me deixava mais determinado a lutar por ela. Nossos


mundos podiam estar colidindo, mas eu sabia o que eu queria: Jade.

Eu não ia deixar nada nos separar. Nada dessa besteira ia ficar


no meu caminho, porque eu não tinha outra escolha - Jade era a minha
mulher. Eu sabia disso agora. Eu não queria estar neste mundo se eu
precisasse estar sem ela.

Então pode mandar. Eu estava pronto para lutar pela minha


Princesa até o meu último suspiro.

Pra caralho.

~ 91 ~
Capítulo Dezenove
JADE

— Mana. Será que sua ideia de se mudar não tem nada a ver com
o Scorpio Stinger MC? Em especial, um homem chamado Ryder Knox?

Eu respirei fundo. Jesus. Como ele sabia?

— De onde você tirou essa ideia? — eu estava tentando ganhar


tempo. Eu tinha que descobrir o quanto meu irmão sabia antes que eu
desse uma resposta. Talvez ele apenas tivesse um palpite. Crescer em
uma casa, com um advogado como pai e um policial como irmão, tinha
me educado bem na arte do interrogatório. E agora que eu mesma era
uma advogada qualificada, eu podia usar todos os truques para meu
próprio benefício. Sempre responder a uma pergunta com outra pergunta.
Isso funcionava todas às vezes.

— Eu tenho meus informantes. Além disso, eu sei que você esteve


montada na parte de trás de sua moto. O pai me contou sobre sua noite
com Marcus. Devo dizer que, tanto quanto eu odeio motoqueiros, eu
meio que lhes devo um agradecimento por eles terem te salvado daquele
ser desprezível. — A mandíbula e os punhos de Harrison estavam
cerrados com força. Seus instintos protetores estavam a todo vapor. Eu
tive que usar isso a meu favor.

— Sim, você pode acreditar no que Marcus fez? Então, quando


Ryder apareceu do nada, era como se ele fosse meu salvador, chegando
em um cavalo de metal brilhante. Na época, foi a melhor opção. — eu
dei de ombros, tentando desviar sua atenção. Eu não queria Harrison
investigando Ryder.

— Tudo bem, eu entendo isso. Mas você deveria ter pegado um


táxi direto para casa. Não ter passado a noite com um motoqueiro. Após
o incidente, eu nunca imaginei que você fosse capaz de fazer uma coisa
dessas, Jade. — sua voz era severa, e uma carranca profunda franziu
sua testa. Eu odiava vê-lo tão triste.

— Harrison, isso foi há muito tempo atrás. Temos que deixar as


memórias ruins no passado e seguir em frente com as nossas vidas.

~ 92 ~
Não podemos deixar que o que aconteceu há dez anos ainda escureça
nossas vidas e nosso futuro.

Ele gemeu quando afundou na cadeira e fechou os olhos. Eu


sabia que a dor ainda estava lá, mas ele teria que deixar a crosta
crescer sobre ela para que ele pudesse finalmente se curar. Manter a
ferida aberta apenas significava que ele nunca iria ficar melhor.

Eu coloquei minha mão em seu braço, acariciando delicadamente.

— Os motoqueiros que mataram Amy e os outros foram todos


presos e cumpriram suas penas. Eles pagaram sua dívida. Mas você,
vivendo assim - você é o único que ainda está pagando uma dívida.

Seus olhos se abriram e ele sentou para frente, agarrando o meu


pulso e torcendo até que doesse.

— Não diga isso, Mana. Eu não posso esquecer nunca. Isso


significaria que eu esqueci Amy e sua memória. — ele parou por um
instante, claramente perdido em seus pensamentos. Dor crua brilhou
em seus olhos. Ele engoliu em seco antes de continuar, com a voz mais
triste que eu já tinha ouvido em muito tempo. — Eu nunca te disse
isso, porque você era muito jovem: Amy estava grávida de sete semanas.
Nós iriamos contar aos nossos pais na semana seguinte. Eu ia me casar
com ela.

— Oh Deus, Harrison, por que você nunca me contou isso antes?


Agora eu entendo a sua dor muito melhor. Sua morte foi uma coisa
terrível. Mas o bebê... — bati minha mão sobre a boca. Finalmente eu
estava entendendo porque Harrison tinha tanto ódio dos motoqueiros e
clubes MC, e se recusava a esquecer o que tinha acontecido.

Seus ombros caíram quando ele se inclinou para frente, com a


cabeça entre as mãos.

— Tudo isso foi tirado de mim. Por motoqueiros com armas


ilegais. Eu nunca vou conseguir esquecer isso. Vou caçar babacas como
eles pelo resto da vida, e impedir que isso aconteça com mais alguém —
ele vociferou, a dor em seus olhos.

— Isso é nobre de sua parte, Harrison. Eu entendo aonde você


quer chegar. Mas Amy - ela não desejaria que você sofresse tanto, e por
tanto tempo. Ela iria querer que você fosse feliz, mesmo sem ela. Isso é
o quanto ela o amava.

Ele passou a mão pelo cabelo, o desespero evidente em seu rosto.

~ 93 ~
— Não há um dia que sequer em que eu não pense nela, sobre
como poderia ter sido... Provavelmente você está certa em dizer que
Amy iria querer que eu seguisse em frente, mas não é tão simples
assim.

Eu esfreguei lentamente para cima e para baixo em seu braço.

— Você não vai gostar do que eu vou dizer agora. Mas apenas me
ouça. — eu respirei fundo. Dar conselhos ao meu irmão mais velho não
era algo que eu já tivesse feito antes, especialmente sobre assuntos do
coração. Mas vê-lo ainda assim tão ferido, fazia meu coração se apertar.
— Talvez haja alguém lá fora para você. Alguém que pode lhe trazer
felicidade.

Esperando ansiosamente por sua reação, meu coração batia em


meus ouvidos. E se eu tivesse ido longe demais?

Harrison balançou a cabeça.

— Eu duvido que eu sequer possa me permitir amar novamente.


É muito doloroso. E se alguma coisa acontecer com você, eu não acho
que eu seria capaz de lidar com isso. É por isso que você tem que me
prometer ficar longe do motoqueiro. Isso não vai funcionar – vocês são
de dois mundos completamente diferentes. Eu não quero ver você se
machucar, e ainda pior, se ele fizer mal a sequer um fio de cabelo em
sua cabeça, eu vou atrás dele. E não vai ser bonito.

— Você é meu irmão mais velho, e você se preocupa comigo - eu


entendo. Mas você não pode me impedir de sair com quem eu quiser.
Eu sou uma adulta agora. Se eu quiser sair com Ryder...

— Então você está saindo com ele! — ele vociferou.

Droga. Ele me pegou nessa. Harrison me enganou e me pegou


com a guarda baixa. Ele agarrou meu braço e me sacudiu.

— Jade. Você esqueceu que o de pessoas que eles são? O tipo que
mata pessoas inocentes? Como você pôde?

— Não é nada do que você está pensando — retruquei, irritada


por ele estar tirando conclusões precipitadas antes de conhecer a
história. — Eu conheço Ryder já faz algum tempo agora. Sim, sua
criação é diferente da minha, mas isso não faz dele uma pessoa má.
Significa apenas que somos diferentes em alguns aspectos. Mas nós
somos seres humanos, com os mesmos desejos e vontades. Além disso,
eu não estou namorando com ele, então se acalme.

~ 94 ~
— Me acalmar? Merda, Jade, eu tenho novidades para você.
Ryder Knox e seu pequeno bando estão no meu radar. O tiroteio que
aconteceu há alguns meses atrás? Ele aconteceu por causa de armas
ilegais sendo transportadas pelas redondezas. O mesmo tipo de armas
que mataram Amy e meus amigos na época, e que continuam a matar
pessoas inocentes diariamente hoje em dia. Vou terminar com esses
filhos da puta, nem que isso custe a minha vida.

Levantei com as mãos em meus quadris, e olhei para o meu irmão


com os olhos apertados.

— Para um homem inteligente, você é tão teimoso. Como Ryder


disse, até mesmo a lei dá a ele mais créditos do que nós, por acreditar
que ele é inocente até que se prove o contrário, — eu bufei.

Harrison balançou a cabeça.

— Porra. Isso está pior do que eu pensava. O Quê? Você está


citando um motoqueiro agora? Jesus, Jade, o que deu em você? Acho
que eu preciso caçar esse filho da puta e colocar um fim nessa merda
antes que isso saia do controle. Você não vai chegar nem perto do
motoqueiro novamente. Está claro? Eu vou prendê-lo e jogar seu rabo
na cadeia se você não me ouvir.

— Por quais acusações?

— Você não percebe que eu tenho um arquivo de toda a merda na


qual o Scorpio Stinger MC e os seus rivais estão envolvidos. Eu posso
mexer nessa merda e fazer feder. E eu vou, se você não se afastar. Você
não tem ideia em que porra você está se metendo. Esses motoqueiros
são criminosos. Eles lidam com armas ilegais, drogas e extorsão. —
Uma veia salta em seu pescoço. Seus lábios se pressionam em uma
linha fina, enquanto ele olha para mim com os olhos cerrados. — Não é
bonito. E eu não vou permitir que você faça parte dessa merda. Você.
Está. Entendendo?

O sangue subiu à minha cabeça e raiva inundou meu intestino.

— Só porque Ryder teve uma criação difícil não faz dele um


maldito criminoso. Não se pode generalizar assim.

Os punhos de Harrison se fecharam e se abriram. A carranca


entre seus olhos se aprofundou.

— Tudo bem. Eu não queria te dizer isso... — ele fechou os olhos


por alguns segundos. Quando ele os abriu, eles eram frios e calculistas.
— Ryder matou um homem. Ninguém menos que seu próprio pai,

~ 95 ~
quando ele era apenas um garoto de onze anos. — sua voz tinha um
tom duro que eu não podia ignorar. — Isso é só o início dos seus
problemas. Ele esteve no reformatório por anos. Foi assim que ele se
juntou ao Scorpio Stinger MC. E agora ele é o VP deles. Vamos lá mana,
até mesmo você sabe o que isso tudo significa.

Harrison não mentiria para mim.

Todo o sangue foi drenado de meu rosto e eu congelei.

— Sim, eu posso imaginar Ryder omitindo de você esta parte de


sua infância. Matar um homem é um grande negócio. Ele fez isso a
sangue frio, e não sentiu nenhum remorso depois. Isso faz dele um
assassino psicopata. Perigoso. Nem em um milhão de anos eu deixaria
ele em qualquer lugar perto da minha irmã mais nova.

— Harrison!

— Você está me ouvindo Jade? Nem sobre a porra do meu


cadáver você vai ficar com um motoqueiro. Eu vou matá-lo com as
minhas próprias mãos, se ele tocar em você.

~ 96 ~
Capítulo Vinte
RYDER

Pela primeira vez desde que eu conheci Cobra, naquele dia


fatídico no reformatório, eu queria matá-lo. Eu nunca teria acreditado
que esse dia chegaria. Mas chegou. Cobra estava me encarando, raiva
fervendo de seus poros. Em seu pescoço, uma veia grossa saliente
latejava, e uma expressão sombria estava em seu rosto.

— Olha, eu estou louco pra caralho com Mia por ter convidado
Jade em primeiro lugar. Mas Mia não sabia sobre a conexão com seu
irmão policial. Mas você, Ryder... Você poderia ter impedido que tudo
isso acontecesse. Eu não gosto de ter os malditos policiais aparecendo
no complexo. Isso poderia ter acabado muito mal. Pelo amor de Deus,
nós tínhamos old ladies e crianças por aqui. — ele fechou os olhos por
um minuto. Quando os abriu novamente, a dor estava estampada em
seu rosto. — Não tenho nada contra Jade como pessoa. Mas eu nunca
vou poder permitir outro derramamento de sangue e mortes em nossa
família enquanto eu estiver no comando.

— Eu sei, irmão. Isso é tudo culpa minha, e não sua.

Ele esfregou sua mão grande sobre o rosto. Cobra parecia


cansado. Toda essa agitação tinha cobrado seu preço sobre ele - o
tiroteio, ele quase morrer, Mia perder o bebê, a invasão policial na noite
passada. Ele parecia mais velho do que seus 36 anos.

— Rolei na cama a noite toda pensando sobre isso. E eu cheguei a


uma decisão. Nem Jade nem Lexi podem vir para o complexo
novamente. É muito arriscado. E eu estou cansado de correr riscos
quando a vida de minha família está envolvida.

O sangue foi drenado do meu rosto.

— O que você está dizendo, Cobra? — eu rosnei. Meu intestino


virou de cabeça para baixo - eu sabia o que estava por vir, e eu não
estava gostando nenhum pouco.

— Eu estou dizendo que você precisa esquecer essa mulher. Eu


vou lidar com Razor e Ox sobre Lexi. Mas agora, eu estou lhe dizendo -

~ 97 ~
de irmão para irmão - que você precisa ficar longe de Jade enquanto
isso ainda é possível, e antes que ela traga mais merda para o clube.

Eu balancei minha cabeça. Eu estava ouvindo direito? Cobra


estava me dizendo, em termos inequívocos, para terminar com Jade?
Porra.

— Cobra. Você não sabe o que você está pedindo, cara. — Suor
estava se formado em minha testa, e eu senti uma gota escorrer. Cobra
não entendia. Desistir de Jade? Eu estava muito além dessa fase. A
realização me atingiu com força total, fazendo meus joelhos ficarem tão
fracos, que eu tive que me segurar nos cantos da mesa do seu escritório
para me manter em pé. Minhas juntas estavam brancas enquanto eu
segurava, meu cérebro um turbilhão.

— Estou plenamente consciente do que eu estou pedindo. Eu


estou pedindo que você sacrifique sua buceta pelo clube. Sempre foi
uma decisão fácil para você, Ryder. Uma escolha óbvia. Por que você
está resistindo agora?

— Bem - desta vez é diferente. Porque Jade não é apenas uma


buceta para mim. Ela é minha cadela. Minha mulher. Eu fodidamente a
amo. Sim — Aí está: Eu finalmente declarei isso, para o meu chefe e
presidente, pelo menos. Finalmente, eu fui capaz de organizar todos
esses sentimentos loucos em palavras.

Os olhos de Cobra se arregalaram e sua pele ficou pálida. Ele


bateu o punho na mesa.

— Porra. Por ela, Ryder? Com todas essas malditas cadelas no


mundo... Isso não vai funcionar, irmão. Vocês são de mundos
diferentes. Ela é uma cadela rica, e você é um motoqueiro malvado. Eu
fodidamente preciso te lembrar disso?

— Cristo, Cobra, você acha que eu escolhi isso? Você acha que eu
queria amar a cadela sarcástica que empurra todos os meus botões - os
bons e os maus? Não. Eu não escolhi isso. Isso me escolheu. Eu não
posso dar ordens para porra do meu coração sobre quem amar e quem
não amar. Essa porra é o que é, irmão.

Eu afundei na cadeira, cravando os dedos em meu cabelo. Isso


era tão fodido como poderia ser. Cobra me dizendo para esquecer Jade.
Será que ele malditamente sabia o que estava pedindo para mim?

~ 98 ~
Baixei minha cabeça, deixando-a descansar no meu peito
enquanto eu fechava os olhos. Qualquer coisa. Eu faria qualquer coisa
por Cobra, qualquer coisa pelos meus irmãos e pelo Scorpio Stinger MC.

Qualquer coisa, menos isso.

Porque porra, agora que eu provei o sabor doce do amor de uma


mulher como Jade, eu queria mais. Cobra não podia me pedir para
desistir da única coisa que eu queria mais do que a minha própria
respiração.

Cobra pigarreou.

— Como seu presidente, eu estou te pedindo, Ryder. Eu estou


pedindo por todas as vidas dos nossos irmãos, do passado e do
presente. Deixe Jade ir. Você sabe que nada de bom pode vir disso.
Você sabe que está fodido. Isso vai levar a um banho de sangue. Você
sabe.

Eu pulei da cadeira. Porra. Eu precisava dar um soco em alguma


coisa, qualquer coisa. Bati um punho na parede, depois outro. Doeu pra
caralho, mas não era nada comparado com a dor no meu coração que
estava se quebrando em dois. Eu esperei por toda a minha vida para me
sentir assim. Desde o dia em que Marianne foi embora e nunca mais
voltou. Desde que, primeiro a solidão, e depois o ódio preencheram o
meu coração. E agora que eu finalmente encontrei a minha mulher,
Cobra estava proibindo isso?

— Cobra. Você é meu irmão. Eu te amo como se fosse minha


própria carne e sangue. Porque, para mim, você é. Mas o que você está
me pedindo - é impossível. Jade é uma parte de mim sem a qual eu não
posso viver. Ela é o que faz todos os anos de dor e tormento valerem a
pena. Porque agora eu entendo que eu tive que passar por tudo isso
para chegar até ela, para que eu pudesse entender que presente
especial isso é, se entregar a um amor assim. E você, de todas as
pessoas, deveria entender como eu me sinto. Imagine se eu lhe pedisse
para desistir de Mia.

Ele rosnou, balançando a cabeça. Ele preferia morrer a desistir de


Mia. Certamente ele conseguia entender como eu me sentia? Sim, nós
éramos motoqueiros. Sim, nós éramos criminosos. Mas também éramos
apenas seres humanos. Nós amávamos e nos machucávamos tão
profundamente como qualquer outro. Talvez até mais profundamente.

Sua boca se apertou em uma linha fina.

~ 99 ~
— Porra. Você está tornando isso mais difícil para nós dois. Você
sabe que eu te amo como meu próprio irmão. Eu quero ver você feliz
com sua mulher. Mas ela não pode ser Jade. Você tem que entender
isso, Ryder. Você e Jade juntos são uma má notícia para a família dela
e para nós - sua família. Vocês dois são um maldito ‗Romeu e Julieta‘
moderno. Sim, eu conheço essa merda, eu sou um motoqueiro, não um
idiota. — ele sorriu ironicamente enquanto andava pela sala. Isso
estava matando Cobra tanto quanto estava me matando.

— Diga adeus a Jade. Faça isso. Será melhor para todos.

Todos menos eu - e Jade.

Porra.

Nossos dois mundos estavam colidindo. Estávamos sendo


dilacerados.

Porra.

Eu não podia deixar isso acontecer.

Jade - e nosso amor - eram algo pelo que valia a pena lutar.

Será que ela acreditava nisso também?

Porra.

~ 100 ~
Capítulo Vinte e Um
JADE

Três noites depois da visita surpresa de Harrison ao complexo, e


eu ainda não tinha ouvido uma palavra de Ryder. Toda aquela merda
que ele estava falando sobre eu ser sua mulher era só pra me fazer ter
relações sexuais com ele? Talvez ele gostasse de dominar mulheres,
dizendo que as possuía. Então, quando ele se cansava delas, ele partia
para seu próximo alvo.

Felizmente, eu tinha um caso realmente grande para trabalhar na


Summers, Walker & Hedgewick, por isso me mantive bastante ocupada
durante o dia. Mas à noite eu ficava deitada na minha cama, minha
mente trabalhando, repassando os eventos sem parar pelo meu cérebro,
como um filme se repetindo.

As palavras doces que Ryder tinha me falado eram como um


refrão agora, eu as conhecia com meu coração: Eu nunca conheci
alguém como você. Eu nunca pensei que eu poderia me sentir assim por
outra pessoa. Elas colocavam um sorriso em meu rosto, e leveza em
meu coração. Sua confissão fazia com que meus dedos se curvassem,
simplesmente porque a mesma coisa estava acontecendo comigo
também, mas eu nunca iria admitir isso para ele: Eu penso em você
desde o momento em que eu abro meus olhos até o momento que eu os
fecho. Não há um minuto do dia em que eu não esteja pensando em você,
ansiando por você, querendo estar dentro você. E a minha favorita
absoluta: Somente você, baby; mais ninguém.

Mas agora... Onde ele estava? Eu não queria acreditar que ele
tivesse se assustado tão facilmente. Não valia a pena explorar o que
estávamos sentindo? Era algo novo, estranho e assustador como o
inferno. Mas eu me sentia muito, muito bem.

O que era essa coisa que nós dois sentíamos? Seria possível que
isso fosse... amor? A expressão em seu rosto quando ele tentou explicar
como ele se sentia fez meu coração bater um pouco mais rápido. Eu não
posso explicar o que eu sinto, porque eu nunca senti isso antes. Tudo que
posso fazer é dizer o quão feliz você me faz sentir quando estou perto de

~ 101 ~
você. E o quão malditamente incrível eu me sinto quando estou dentro de
você. Se você pode dar um nome para isso, então você sabe como eu me
sinto sobre você.

Uma pontada atravessa o meu coração. Eu sinto a falta de Ryder


– do seu cheiro, seu calor, e do jeito que ele me fez sentir quando está
por perto. Eu queria estar perto dele todos os dias. De alguma forma, a
minha vida parecia vazia quando ele não estava por perto.

Meu telefone tocou ao meu lado. Ryder? Eu olhei para a tela,


esperançosa. Mas não. Era minha prima da Austrália.

— Rebecca? Como você está? — perguntei. Um bate-papo com ela


ia tirar as preocupações da minha mente.

— Jade. Desculpe ligar tão tarde, querida. Eu estou planejando


fazer uma viagem para Los Angeles em seis semanas. Você acha que
poderíamos nos encontrar de novo?

Quando eu encontrei Rebecca da última vez em Nova York, há


alguns meses atrás, nós tínhamos nos divertido muito juntas. Eu
precisava de uma distração. Além disso, ela era uma mulher inteligente
e eu valorizava sua opinião; talvez eu pudesse pedir alguns conselhos a
ela.

— É claro que sim. Vai ser ótimo ver você. Posso te levar para
passear por LA. Na verdade, o que você acha de ficar conosco?

— Ah não, eu estou viajando a trabalho. Normalmente, o meu


patrão me coloca em um hotel de luxo de grande estilo. Mas eu adoraria
um passeio de compras e talvez uma noite só de meninas?

— Tudo bem. Parece bom. Me avise o dia que você vai chegar e eu
vou organizar tudo. Nós vamos detonar.

— Jade, como está indo seu relacionamento? Você ainda está


noiva do Marcus? Os convites de casamento serão enviados em breve?

Revirei os olhos. É claro - a última vez que eu vi Rebecca, Marcus


estava me cortejando. Eu tinha esquecido que eu mal conhecia Ryder
naquela época. Parecia ser a tanto tempo atrás.

— Marcus? Oh Deus não, nós não ficamos noivos. É uma longa


história. Mas ele me pediu para acompanhá-lo ao baile anual da
empresa.

~ 102 ~
Um barulho na porta do meu quarto me assustou. Minha cabeça
se virou e meu olhar caiu sobre Ryder, encostado no batente da porta,
os braços cruzados e uma carranca profunda em seu rosto.

— Rebecca, eu tenho que desligar, querida. Algo surgiu. Mas


conversamos em breve, tudo bem?

Nós nos despedimos e eu desliguei, atordoada que Ryder tivesse


se esgueirado para dentro da casa novamente e estivesse me encarando,
seus olhos estreitos e sua mandíbula travada como pedra.

— Sem Marcus. Isso não vai acontecer. Nem sobre a porra do meu
cadáver, — ele rosnou. — Se você quer que ele fique vivo, diga a ele
para se afastar da porra da minha mulher.

— Ryder, — eu suspirei. De onde ele apareceu tão de repente?

— Sim, baby. Eu tinha que vir te ver.

— Seu telefone não está funcionando? Você não podia me ligar?

Ele sorriu.

— Eu estou te ligando. Ao vivo e a cores. É muito melhor do que a


porra de uma chamada telefônica, você não acha?

— E o que aconteceu durante as duas noites anteriores, huh?

— Por que, Princesa? Você sentiu a minha falta? — ele arqueou


uma sobrancelha, aparentemente divertido. — Meu pau sentiu a sua.

— Ryder! — eu engasguei.

Ele se arrastou para a cama e em seguida, começou a beijar


minha perna, subindo até chegar a minha virilha. Acariciando seu nariz
entre as minhas coxas, ele lambeu o tecido que cobria minha buceta.

— Hmmm... Úmida... Doce e salgada... Justamente o que eu


queria hoje à noite. Sentir seu gosto. — ele empurrou o tecido de lado e
acariciou meu clitóris com movimentos longos. Minhas costas
arquearam para fora da cama enquanto eu tentava lhe dar mais espaço.
Ele empurrou dois dedos dentro. — Tão malditamente molhada. — eu
soluçava, minha necessidade por ele ultrapassando o senso comum
enquanto ele deslizava para dentro e para fora. — Isso tudo é meu.
Nenhum outro homem vai colocar um dedo em você. Você entendeu?

~ 103 ~
Eu balancei a cabeça, desejando que ele continuasse a mover
seus dedos habilidosos. Ele deslizou minha calcinha pelas minhas
pernas, e a colocou em seu bolso.

— Uma lembrança da minha visita. Vou colocá-la junto com a


minha coleção. — ele agarrou a barra da minha camisola e puxou sobre
minha cabeça. Seus olhos estavam brilhando, enquanto ele inspirava
profundamente. — Jesus, eu quase tinha esquecido como você era linda
pra caralho.

Ambas as suas mãos deslizaram por meu corpo, subindo pelas


minhas costelas e segurando meus seios. Ele os apertou com força, me
fazendo estremecer, e depois chupou um dos meus mamilos com a
boca. Ele mordeu a carne macia ao redor do mamilo, me fazendo gritar.
Depois ele fez o mesmo com o outro seio, mordendo com ainda mais
força. As marcas dos seus dentes estavam em ambos os seios.

— Se Marcus chegar perto desses seios - meus seios - Eu vou


matá-lo. Eles são meus. Somente meus. Entendeu Princesa?

— Deus, Ryder. O que você está fazendo?

— Marcando o que é meu. Reivindicando a posse. Cada parte


deste corpo pertence a mim.

Ele me girou, para que eu estivesse deitada de barriga para baixo.


Sua boca estava nas minhas nádegas, e ele a chupou, mordiscou e
cravou os dentes na pele macia, mordendo com força.

— Essa marca vai ficar aqui. Cada vez que você ver ela, vai se
lembrar a quem esta bunda pertence.

Engoli em seco quando ouvi o som de seu zíper e o barulho do


tecido quando ele tirou seu jeans. Então eu ouvi papel alumínio sendo
rasgado, e um momento depois, ele esfregou seu pau enluvado e liso
devido ao lubrificante entre minhas nádegas, enquanto puxava meu
cabelo para que eu virasse minha cabeça. Com seu hálito quente na
minha pele, ele sussurrou em meu ouvido.

— E agora eu vou tomar uma parte de você que eu ainda não


possuo. E você vai dá-la a mim. Eu sei que nenhum outro homem te
possuiu lá. Eu serei o primeiro e o último a fazer sexo anal com você.

Ele alcançou entre nós, e passou seus dedos por todo o caminho
de meu clitóris até minha bunda, lubrificando a minha pele com minha
excitação.

~ 104 ~
— Porra, você está tão molhada para mim, minha linda cadela. —
ele colocou seu pau na entrada da minha bunda, uma de suas mãos em
meu seio, rolando o mamilo entre os dedos, a outra circulando meu
clitóris enquanto ele empurrava lentamente, um centímetro de cada vez,
permitindo que eu me ajustasse ao seu pau antes de ir mais fundo. —
Relaxe, baby, — ele sussurrou em meu ouvido, chupando e lambendo
minha orelha, causando arrepios pela minha espinha. Finalmente, ele
estava profundamente, até as bolas em minha bunda. Eu não podia
acreditar como eu me sentia preenchida.

Seu domínio nunca foi mais real do que neste momento,


enquanto ele empurrava dentro de mim lentamente e com cuidado,
apertando ambos os meus seios a cada estocada, sua boca em meu
pescoço, sugando minha pele.

Eu empurrei minha bunda em sua direção, querendo ele tão


profundamente quanto eu pudesse aguentar, gemendo alto com prazer
e dor. No momento em que eu pensei que não poderia mais aguentar,
sua mão desceu em minha bunda e estalou contra minha pele, o som
ecoando pelo quarto. Chocada, eu empurrei para trás, só para sentir
minhas nádegas arderem com um segundo tapa. Seus dedos se
moveram para meu clitóris, e no momento em que ele me tocou lá,
mordendo com força meu pescoço, eu comecei a gozar tão forte que eu
pensei que fosse desmaiar.

— Porra, Princesa, porra, — Ryder murmurou, — você é


malditamente perfeita.

Suas bolas batiam contra minha bunda enquanto ele gozava,


murmurando em meu ouvido.

— Minha. Minha buceta. Meus peitos. Minha bunda. Toda minha.

Eu gemi.

— Sim. Toda sua.

Ele puxou para fora e eu afundei no colchão, exausta, dolorida, e


em êxtase. Eu amei a ser tomada e possuída de forma tão completa por
Ryder.

Ryder acariciou minhas costas, puxando meu corpo contra o dele,


de modo que nos encaixássemos perfeitamente um contra o outro. Seu
peito arfava enquanto ele acariciava minha pele.

~ 105 ~
— Boa menina, — ele murmurou em meu ouvido. Eu podia ouvir
o orgulho em sua voz, e meu coração se encheu de alegria por eu poder
agradá-lo tanto.

Finalmente ele se deitou atrás de mim, segurando minha buceta


com uma das mãos, e meus peitos com a outra, sua boca no meu
ombro. Isso era perfeito.

Eu pertencia completamente a Ryder. Ele era o meu homem.

~ 106 ~
Capítulo Vinte e Dois
JADE

Passamos a noite dessa forma, Ryder enrolado em torno de mim,


segurando cada parte do meu corpo contra ele, mesmo quando
estávamos dormindo. Exausta, eu não estava em condições de fazer as
perguntas que estavam queimando em minha mente.

Eu caí no sono. Era reconfortante estar em seus braços. Eu não


queria que isso acabasse nunca. Mas acabou - poucas horas depois, eu
acordei, totalmente envolta por Ryder. Seus dedos em minha buceta,
deslizando em minha umidade, seu polegar esfregando meu clitóris.
Essa era a maneira mais deliciosa de acordar.

— Baby, — eu gemi quando seus dedos saíram de dentro de mim,


sentindo o vazio instantaneamente. Mas eu não precisava ter me
preocupado. Seus dedos foram substituídos por seu pau rígido,
estocando lentamente dentro de mim. Seu polegar sobre meu clitóris
aumentava meu desejo.

A mão em meu peito apertou meu mamilo com força entre seus
dedos hábeis, enviando ondas de prazer direto para o meu núcleo.
Minha buceta se contorceu em torno de seu pau, apertando-o de volta.

Ryder gemeu no meu ouvido.

— Porra, baby, o que você faz comigo... — ele ofegava enquanto


seu pau me acariciava, seu ritmo cada vez maior, quanto mais perto
estávamos chegando.

Minhas pernas estavam presas em torno dele, minha bunda


empurrando para trás, levando o máximo que eu podia de seu pau
dentro de mim. Cada nervo do meu corpo estava recebendo sinais de
prazer, me enviando sobre a borda. Estremeci contra ele quando meu
orgasmo assumiu, mordendo meu lábio para não gritar no silêncio da
noite.

Ryder continuou fodendo com força, até que ele explodiu dentro
de mim com um gemido selvagem, mordendo meu ombro para abafar o
barulho.

~ 107 ~
A primeira coisa que eu faria na parte da manhã era encontrar
minha própria casa. Um lugar em que Ryder poderia me foder, e que eu
poderia gritar seu nome sem me preocupar em ser ouvida. Estava na
hora. Eu queria tudo isso. Cada orgasmo, cada estocada de seu pau, me
entregando ao prazer, gritando sem restrições.

Estava na hora de eu encontrar a nossa casa.

Ficamos deitados assim, em silêncio, exaustos, a brisa fresca


acariciando nossas peles, a única luz no quarto vindo do luar através
das cortinas balançando. Ryder não saiu de dentro de mim e eu o
queria lá, então eu estava muito quieta, saboreando a sensação dele me
preenchendo.

Isto era pura felicidade. Eu queria isso todos os dias, pelo resto
da minha vida.

— Ryder? Nós podemos conversar?

Ele saiu de dentro mim, seu líquido derramando em meus lindos


lençóis egípcios. Mas eu não poderia estar mais feliz. Eu preferia ter a
porra de Ryder derramando pelos meus lençóis, do que não Ryder,
apesar de tudo.

Eu me virei e enterrei meu rosto em seu peito, inalando seu


cheiro profundamente. Eu amava seu cheiro - viril e profundamente
excitante. Fiquei tentada a lamber seu piercing no mamilo, mas
consegui controlar meu desejo renovado, para que pudéssemos
conversar, porque se eu começasse a degustação de sua pele, eu não
iria parar até que eu tivesse lambido e limpado completamente o seu
pau.

— O que há de errado, Princesa? — ele murmurou, como se ele


tivesse medo da minha resposta.

Por agora, eu já sabia que eu tinha que ir direto ao ponto com


Ryder. Não era necessário fazer introduções ou amaciar a conversa.

— Me conte por que você acabou no reformatório. O que


aconteceu?

Ele respirou fundo. Senti seu coração acelerar sob meus dedos.
Oh Deus, o que eu tinha feito? Eu tinha arruinado o momento...

— Nós nem sempre compreendemos a dor dos outros, Ryder. Só


porque não podemos vê-la, não significa que eles não estejam sofrendo.
Eu quero entender você - e por que você tem feridas tão profundas.

~ 108 ~
Ele deu um beijo em minha testa, mas permaneceu em silêncio.
Eu não me movi, porque eu estava com medo de ter aberto uma porta
que deveria ter ficado trancada. Eventualmente ele começou a falar, sua
voz baixa e triste. Sua história começou lenta, com longas pausas no
meio, mas eu fiquei quieta, ouvindo, apenas o incentivando com meus
dedos roçando sua pele.

Meu motoqueiro me contou sua história de horror. A história de


um jovem menino que foi abandonado por sua mãe sem entender o
porquê. Um menino que protegeu seu irmão mais novo, sacrificando
sua própria vida. Eu tremia em seus braços, com lágrimas escorrendo
sem controle pelo meu rosto, quando ele me contou como tinha matado
um homem - o seu próprio pai - para salvar o corpo maltratado de seu
irmão mais novo. Como ele não tinha certeza, mesmo quando ele estava
no reformatório, de que Max havia sobrevivido, e de que tirar a vida de
Tiny tinha significado a sobrevivência de Max.

Ele viveu com a culpa por anos, apanhando de valentões no


reformatório como uma penitência pelo que ele tinha feito. Ele até
pensava que, se Max tivesse morrido depois de tudo o que aconteceu,
era sua culpa por não ter matado Tiny mais cedo - por ter medo.

Meu coração se partiu pedacinho por pedacinho pelo menino que


foi Ryder Knox. Sua dor era muito maior do que a minha poderia ser, e
ainda assim, ele não era amargo. Ele havia tentado por todos estes anos
fazer as coisas da forma certa, sendo um irmão maravilhoso para a sua
nova família.

Quando ele chegou à parte de como ele foi estuprado por alguns
meninos mais velhos, que eles iriam matá-lo naquele dia, o dia de seu
aniversário, que eles cortaram seu rosto e que ele quase perdeu um
olho, eu estava chorando incontrolavelmente. Agora era Ryder que
estava me acalmando, me dizendo baixinho que estava tudo bem.

Sua história continuou. Ele me contou como Cobra e Razor o


salvara. Que se não fosse por eles, ele não estaria aqui hoje. Enviei um
agradecimento silencioso aos Deuses por enviarem os irmãos Malone
até o banheiro para fazer xixi naquele dia, apenas em tempo de salvar
Ryder de um fim agonizante.

Meus dedos o acariciavam levemente a cicatriz em seu rosto.


Mesmo que ela houvesse desvanecido ao longo dos anos, a cicatriz física
não se comparava com a profunda cicatriz interna que permaneceu em
Ryder. Estendi a mão e beijei sua testa no local onde a cicatriz separava
sua pele, e que nunca se uniria completamente de novo. Foi ainda mais

~ 109 ~
arrebatador, agora que eu finalmente tinha entendido onde ele a
conseguiu. Não foi em uma briga ou por ser um valentão, como eu tinha
assumido quando o conheci. Não, ela foi infligida em um jovem menino
que nunca deveria ter passado por essas merdas.

Vergonha tomou conta de mim. Eu tinha julgado Ryder no


primeiro dia sem conhecer a sua história. Quão rápido nós, seres
humanos, pensávamos o pior um do outro, nunca dando a alguém a
chance de provar que estivéssemos errados. Tão envoltos em nossos
próprios egos, que não conseguimos reconhecer a dor de ser humano.
Saltando tão rapidamente para conclusões incorretas.

— Ryder, eu sinto muito. Eu não tinha ideia de por quanta dor


você passou, — eu sussurrei.

Ele soltou um suspiro longo e lento.

— Não é nada comparado com a dor que está por vir.

Eu segurei suas bochechas entre as palmas das minhas mãos,


olhando para seu rosto. Seus olhos estavam escurecidos; Eu não
conseguia estudá-los na escuridão. O medo tomou conta do meu
coração. Alguma coisa iria acontecer, e eu não iria gostar.

— Baby, eu vim hoje à noite para dizer adeus.

— Não. Por Favor-

Ele colocou um dedo sobre meus lábios.

— Silêncio, Princesa. Você precisa ser forte. Por nós dois.

— Por que, Ryder? Você está indo embora? — minha respiração


engatou. — Você não me quer? — meu lábio inferior começou a tremer
enquanto eu lutava contra as lágrimas. Eu tinha acabado de aceitar que
o sentimento que eu tinha por ele era realmente amor. Sim, eu amava
Ryder. Com todo o meu coração. Meu coração, corpo e alma pertenciam
a ele. E agora ele estava me deixando. Era como se ele tivesse me
esfaqueado com uma faca e a torcido em meu coração, me matando
lentamente.

— Baby, — ele ressoou do fundo de seu peito, — Eu quero você


mais do que qualquer coisa que eu já quis nada na minha vida. Mais do
que a porra do ar que eu respiro. Mas isso não vai funcionar entre nós.
Você me avisou desde o início, e você estava certa. Eu sei disso agora.
Muitas pessoas vão se machucar, inclusive você. Eu não posso fazer
isso com você.

~ 110 ~
— Não Ryder, você está errado. Eu vou me machucar muito mais
se você me deixar agora. Eu não me importo de implorar, e eu vou fazer
o que...—

Seus lábios engoliram minhas palavras. Por que parecia que esse
seria o último beijo que eu receberia de sua boca? O pânico tomou
conta de mim, enquanto eu colocava cada átomo de amor em meu beijo,
na esperança de que por Deus ele entendesse o quanto eu precisava
dele. O quanto eu o amava.

— Eu sou um pedaço de merda que não vale nada. Eu já te contei


a minha história, então agora você sabe. Eu sou um criminoso - um
assassino, baby. — sua voz era mais profunda enquanto ele falava as
palavras. Ele estava lutando para se controlar. — Eu nunca poderei ser
digno de você. Eu nunca poderei te dar a vida que você merece. Por
mais que eu odeie a ideia de você com Marcus, seus pais estão certos.
Ele é o homem certo para você. Ele pode te dar tudo o que você precisa
e que eu não posso dar.

— Você está errado. Tão errado. Marcus nunca vai poder me dar o
que eu preciso ou quero. Eu quero você, Ryder.

— Princesa. Você merece muito mais. Todo mundo está certo. Até
mesmo Harrison. Eu não sou bom o suficiente para você. E estarmos
juntos coloca sua vida em risco. Há pessoas que querem me matar.
Bem, depois de hoje à noite, eu vou ser apenas uma concha vazia para
que eles possam dar o melhor de si. Mas eu nunca vou colocar a sua
vida em risco. Eu não posso.

— Eu estou implorando, Ryder. Por favor, não faça isso...

Ele agarra meus braços e me sacode.

— Você acha que eu quero fazer isso? Caralho, agora que eu


encontrei o que eu estava procurando por toda a porra da minha vida?
Você tem alguma ideia de como isso é difícil?

Ele me soltou tão repentinamente que eu caí de volta contra os


travesseiros no momento em que ele pulou da cama. Ele pegou sua
calça jeans e a colocou, sua mandíbula apertada com determinação.

— Eu estive lutando com isso por todos os malditos dias. Desde a


noite em que o seu irmão veio até o complexo. Desde que Cobra me
disse para te deixar. Lutando com todos os instintos em meu corpo que
estão me falando para ir embora com você.

~ 111 ~
— Sim. Sim, vamos fazer isso. Foda-se tudo. Vamos embora, —
eu disse, me agarrando à esperança pela primeira vez desde que ele
disse a palavra adeus.

Ele riu, uma amarga e triste risada.

— Oh, Princesa. E depois de um tempo, quando você cansar de


mim? Quando eu não puder te dar tudo o que você merece? E depois?
Você vai começar a me desprezar - até mesmo me odiar. — ele
caminhava pelo quarto como um leão em uma jaula. Prendi a
respiração, observando-o tentar controlar suas emoções. Ele parou em
frente à janela, olhando para a escuridão. De costas para mim, era
difícil saber o que ele estava pensando. Meu coração doía por ele. E por
mim. Como eu poderia fazer com que ele acreditasse que tudo o que eu
queria era ele?

Sua voz ressoou pelo quarto.

— É melhor assim. Nós somos de mundos diferentes, e eles nunca


poderão interceptar um ao outro. Confie em mim – é melhor dizermos
adeus.

A cama afundou quando ele se sentou na borda para colocar as


meias. Eu me arrastei até o fim do colchão, envolvendo meus braços em
torno de seu torso, abraçando-o por trás. Meu coração estava destruído,
mas não havia nada que eu pudesse fazer para detê-lo. Eu sabia que ele
era teimoso. Tenaz. Quanto mais eu implorasse, mais ele acreditaria
que esta era a coisa certa a se fazer.

— Baby, eu vou deixar você ir porque eu sei que você está lutando
contra isso. E você não vai estar pronto para aceitar o meu amor até
que você entenda. Eu te amo Ryder. — eu acariciava seu peito com a
ponta dos dedos.

— Eu não sou bom para você. — ele murmurou.

— Você, Ryder Knox, é um homem corajoso. Você era um menino


destemido que cresceu e se transforou em um homem espetacular. Um
homem digno de amor e felicidade. E certamente, digno do meu amor.
— pressionando a palma da minha mão contra o seu coração, eu podia
sentir seus batimentos loucos e rápidos.

Eu precisava convencê-lo de que eu não o estava julgando.

— Seu coração é bom, porque mesmo que você tenha feito coisas
terríveis, suas intenções eram boas. Na mesma posição, qualquer
pessoa que ama um irmão tanto quanto você, teria feito o mesmo.

~ 112 ~
Sua voz rouca tinha uma pontada de dureza.

— Eu matei um homem.

Como eu poderia diminuir sua determinação? Deixei escapar um


suspiro longo e lento, acalmando meus nervos, enquanto continuava.

— Não seja tão duro consigo mesmo. Muitas vezes, nós somos
nossos piores inimigos. — eu fechei os olhos e encostei meu rosto em
suas costas. — Somos muito exigentes com nós mesmos. Mesmo
quando as outras pessoas estão dispostas a nos perdoar, nós ainda nos
culpamos. É a natureza humana.

— Vadia, você não sabe o que você está falando. — sua voz era
dura, até mesmo fria. Eu sabia que ele estava sofrendo tanto que ele
precisava agir assim para esconder.

— Tudo bem, Ryder. Você pode fingir que você não me ama, mas
eu sei disso. Você está apenas tentando me proteger. É o que você faz
de melhor. E eu te amo ainda mais por isso. Eu acredito em você.

Ele respirou profundamente.

— Eu sei que nós podemos fazer isso funcionar. Tudo o que nós
precisamos é de amor, e um do outro. Eu não preciso de nada mais do
que isso. Eu não preciso de coisas materiais. Eu preciso do amor de um
homem que me adora. Isso é o que eu quero. Você, Ryder.

Ele endureceu. Embora ele não estivesse falando uma palavra, eu


estava rezando para que ele estivesse prestando atenção em tudo. Ele
tinha que saber como eu me sentia sobre ele, especialmente depois de
ele ter me contado sobre o seu passado. Ele foi danificado, e eu queria
ajudá-lo a se curar. Eu passaria o resto da minha vida tentando ajuda-
lo a remendar seus pedaços.

— Eu não vou desistir de você. Nunca. Tome o tempo que você


precisar, saia em sua moto para onde quiser. — eu estava realmente
dizendo a ele para ir embora? Era a última coisa que eu queria que ele
fizesse. Eu suspirei, o cansaço me dominando. Se ele não fosse tão
teimoso.

— Ouça o seu coração. Ele nunca vai mentir. Ele sabe todas as
respostas. Fomos trazidos a um para o outro por uma razão - nossos
mundos colidiram porque nós pertencemos um ao outro. Eu te amo,
Ryder Knox. Tudo o que você é – bom e mau. Eu não quero nada mais -
somente o seu amor. Quando você estiver pronto, eu vou estar aqui.
Porque eu nunca vou desistir de nós.

~ 113 ~
Ele soltou meus braços de sua cintura e levantou da cama. Ele
ficou em pé, olhando para baixo, seu olhar deslizando por meu corpo
nu - o corpo que ele tinha acabado foder e agora estava rejeitando.

Seus olhos eram duros.

— Princesa. Você está errada. Eu não te amo. Você é uma boa


foda, eu admito. — seus lábios apertaram em um rosnado. — Mas eu
me canso rapidamente de foder a mesma mulher. Você não era nada
mais do que um desafio. Eu precisava arrancar essa cadela tensa e
arrogante para fora. Agora que eu fiz isso, eu estou satisfeito. — ele
lambeu os lábios.

Tudo o que eu podia fazer era olhar para ele, atordoada. Meu
sangue congelou.

— Case-se com Marcus. Ele é o que uma vadia como você merece.
Estou indo embora. Obrigado pela foda hoje à noite, eu vou colocar
mais um entalhe na cabeceira da minha cama.

Como ele podia ser tão cruel? A dor aguda em meu coração era
insuportável. Agarrei os lençóis com meus punhos, recuando devido às
suas palavras.

Ele riu amargamente, enquanto puxava sua camiseta sobre sua


cabeça e desaparecia do meu quarto, da mesma forma como havia
aparecido. Inesperadamente.

Se a intenção de Ryder era destruir o meu coração como uma


vingança por tê-lo julgado, ele tinha feito a porra de um bom trabalho.

Eu estava quebrada. Vazia. Despedaçada.

Por Ryder Knox - o homem que eu amava com todo meu coração.

Quão fodido era isso?

~ 114 ~
Capítulo Vinte e Três
RYDER

Razor bateu os punhos sobre a mesa.

— Porra, não! Eu não aceito essa merda. Isso é um caminhão


cheio de merda, e você sabe disso. — ele olhou para seu irmão, as
narinas dilatadas, punhos fechados, enquanto ele desafiava Cobra. —
Eu não vou deixar um policial espertalhão mandar na porra da minha
vida. Não, nem na porra do inferno! — ele gritou.

Quando Razor ficava bravo, era inútil tentar acalmá-lo. Isso só


alimentava a sua raiva. Além disso, eu estava tão furioso quanto ele. As
cadelas de todos os irmãos eram sempre bem-vindas na sede do clube e
no complexo, e agora Cobra e os outros membros juramentados
queriam proibir a entrada de novas mulheres. Eles poderiam muito bem
ter falado o nome delas diretamente. Todos nós sabíamos que Jade e
Lexi eram o problema. Tudo por causa da porra do irmão bisbilhoteiro
de Jade.

— Razor. Aceite isso, homem. É melhor para o clube. Para todo


mundo. — Cobra deu a Razor um olhar mortal. Ele estava se afirmando
como presidente e tomador da decisão final. — Sentem-se. Vocês dois.
— ele resmungou para Razor e eu. Eu nem tinha percebido que levantei
da minha cadeira, eu estava funcionando assim.

Cobra suspirou.

— Porque Summers interferiu, o negócio de armas que tínhamos


com o Northern Commando MC malditamente azedou. Meu informante
também disse que Summers iniciou a porra de um ataque aos LA
Demons. O filho da puta do Summers está querendo morrer. Ele estava
tentando fazer com que dois MC‘s lutassem entre si, na esperança de
destruírem uns aos outros, e terminar com o problema para ele.

— Eu digo para colocarmos uma bala no filho da puta. Está na


hora de nos livrarmos dele. — a solução de Razor para a maioria dos
obstáculos era simplesmente se livrar da origem do problema. Isso
geralmente funcionava para ele também.

~ 115 ~
Suspirando, eu balancei a cabeça.

— Não. Nós não podemos.

Caralho. Meses atrás, eu teria me oferecido para ser a porra do


assassino. Para cortá-lo e deixá-lo sangrar lentamente, por quase
causar a morte de Cobra. Mas agora... Agora que eu sabia que o filho da
puta que estava minando todos os planos do clube era o irmão de Jade,
eu não podia deixar que isso acontecesse.

Se pelo menos Summers fosse transferido para outra divisão, se


pelo menos ele não fosse o irmão de Jade, e se pelo menos ele não
estivesse metendo o nariz na porra dos negócios do clube.

Mesmo que eu tivesse deixado Jade e prometido nunca mais vê-la


de novo para a sua própria segurança e para a minha sanidade, eu
sabia que iria destruí-la se seu irmão fosse morto. Eu não poderia
causar a ela tamanha perda e imensa dor, depois de tudo o que ela
tinha passado. Tinha que haver outra maneira. Eu tinha que encontrar
uma forma de contornar isso, que não fosse a que Harrison Summers
tivesse que morrer.

Isso era fodidamente complicado. Desde que Jade tinha me


contado sua história, eu entendia o porque de o filho da puta ser tão
obcecado por destruir o nosso negócio de armas. E por que ele estava
caindo em cima do LA Demons e do Northern Commando MC como ele
estava em nosso MC. Eu até concordava que ele tinha a porra de um
desejo de morrer. Mas eu não ia ser aquele que iria acabar com ele. De
maneira nenhuma.

Razor tirou o canivete de seu coldre e começou a limpar as unhas


com a ponta afiada.

— Eu não me importo que seja necessário arranjarmos uma nova


cadela para trabalhar no bar. Isso é bom. Mas eu quero que Lexi possa
vir ao clube sempre que quiser.

— Sim. Eu também. — Ox falou pela primeira vez desde que a


reunião tinha começado. — Chefe, você esqueceu que foi Lexi que
realmente salvou o dia, quando Summers e sua equipe entraram no
complexo? Se ela não tivesse ficado para trás para confundir a situação
com seu primo, isso poderia ter acabado de forma muito pior. Os filhos
da puta teriam virado o lugar de cabeça para baixo. Você sabe que eles
adoram essa merda. Quantas televisões tiveram que ser substituídas
durante os anos por que esses filhos da puta se divertem destruindo
nossas coisas?

~ 116 ~
Assistindo com espanto, eu ri - Ox e Razor estavam finalmente
concordando sobre algo pela primeira vez. Ambos estavam a fim de Lexi,
isso era claro. Mas isso só significava um tipo de guerra diferente
acontecendo dentro dos muros do clube. Irmão contra irmão. Porra.

Como seu VP, eu tinha que ficar do lado de Cobra.

— Sim, Lexi foi inteligente em não fugir com Jade e Ratbag. Fiquei
surpreso pra caralho por ela ter ficado. Isso diz muito sobre a sua
lealdade com o clube. Mas, eu também entendo aonde o chefe quer
chegar. Não podemos arriscar Summers e seu bando de filhos da puta
armados voltando para procurar por elas. Cristo, isso apenas dá a ele a
oportunidade de bisbilhotar. Se nós fornecermos a razão - ele vai
aproveitá-la.

A mandíbula de Ox caiu em surpresa. Ele tinha visto Jade sair do


meu quarto naquele dia, porque nada escapava do olhar atento de Ox.
E ele sabia que estávamos fodendo como coelhos lá dentro. Sua
piscadela sobre a mesa de bilhar mais tarde naquela noite confirmava
que ele sabia que Jade era a minha mulher.

— Huh? Ryder - você não quer que sua cadela venha para cá? O
que há de errado com você, cara? — Razor grunhiu. Ele esperava que
eu ficasse ao seu lado nessa discussão.

Eu dei de ombros.

— Jade já não é mais minha mulher. Eu a deixei. É melhor dessa


forma.

Todos os olhos estavam em mim agora. Até mesmo Hammer, que


geralmente estava mexendo em seu telefone durante as reuniões por
estar entediado, me deu toda a sua atenção. Eles sabiam que eu não
desistia facilmente se eu queria alguma coisa. Eu podia ler a surpresa
em cada rosto.

— Porra, irmão. O que aconteceu? — Perguntou Hammer. Mais do


que qualquer um, ele sabia o quanto eu havia investido em Jade. Ele
havia me ajudado a fazer uma pesquisa sobre o relacionamento dela e
de Marcus quando eu pensei que ela estava namorando com o babaca.
Hammer foi quem me falou sobre a festa naquela noite, quando apenas
‗aconteceu‘ de eu estar lá para encontrar Jade quando ela veio correndo
para fora. Não foi pela porra de um acaso que eu estava lá. Eu estava
seguindo ela há dias, tentando decidir qual seria o meu próximo passo,
quando ela correu de dentro do edifício, sapatos na mão, desnorteada e
precisando de um cavaleiro das trevas para salvá-la.

~ 117 ~
Quando percebi o que tinha acontecido, e que ela estava fugindo
de seu suposto namorado, eu não poderia ter ficado mais feliz. Eu
queria dar um soco na cara do filho da puta, mas ele estava fodido de
qualquer maneira. Pelo pouco que eu tinha conhecido de Jade, eu sabia
que ela não iria mais querer saber dele. Foi por isso que eu decidi levar
ela até a Mulholland Drive. A hora de reivindicar o que eu queria, tinha
finalmente chegado.

E então, depois de encontrar a felicidade que eu nem sabia que


existia, eu tive que deixá-la ir. Porra. Meu coração doía tanto que eu
queria pedir a Razor para arrancá-lo para fora com a ponta afiada da
faca que ele estava brincando agora. Sim, eu não queria sentir essa dor.
Porra, eu era melhor sendo o tipo de cara ‗foda-e-vá-embora‘.

Dei de ombros, me movendo desconfortavelmente na cadeira.

— Não quero falar sobre isso. Tudo o que posso dizer é que eu
estou saindo para uma longa viagem. Eu vou ficar fora por cerca de
cinco semanas. Eu vou para o norte negociar com o Northern
Commando MC. Isso vai me dar tempo para limpar a minha cabeça, e
pensar em algo para nos arrastar para fora de toda essa merda em que
nos metemos.

A única maneira que eu ia ser capaz de ficar longe de Jade, como


havia prometido, era colocando uma distância física entre nós. Eu
também poderia ser útil saindo de LA. Uma viagem até a costa, para
Seattle, na minha moto, era exatamente o que eu precisava. O Northern
Commando MC tinha sede em Tacoma, e as coisas precisavam ser
amaciadas.

— Eu vou com você, irmão. — antes que eu pudesse rejeitar sua


oferta, Ratbag acrescentou, — Eu vou ficar quieto. Você não vai nem
notar que eu estou viajando junto.

Eu balancei a cabeça, grato pela companhia, mas eu também


conhecia Ratbag bem o suficiente para saber que ele era uma matraca
pior do que qualquer mulher. No entanto, eu estava grato por não ter
que viajar sozinho. Sua conversa interminável iria manter minha mente
longe de Jade. Eu esperava.

Amar alguém do jeito que eu amava Jade não era para os fracos.
A coisa verdadeira era muito mais dolorosa do que a indiferença que eu
sempre senti.

Eu nunca vou ser o mesmo velho Ryder de novo.

~ 118 ~
Jade tinha me mudado, pouco a pouco, enquanto ela consumia
meu corpo, minha mente, meu coração e agora - minha alma.

Era porque eu a amava tanto que eu tive que deixá-la ir. Não
doeu menos. Eu lamentava por não poder receber o seu amor.

Sim. Eu estava realmente fodido agora. Eu amava uma mulher


que eu nunca poderia ter.

Nossos mundos haviam colidido, e nos separado.

~ 119 ~
Capítulo Vinte e Quatro
JADE

Eu consegui passar pela quarta semana sem Ryder. Mia tinha


sido gentil o suficiente para me contar que Ryder tinha viajado para
Seattle há alguns dias, e estaria fora por pouco mais de um mês, no
mínimo. Talvez até mais, ela disse, porque quando motoqueiros iam
para a estrada, não havia qualquer garantia de que estariam de volta
em breve. Maldito Ryder. Ele estava tentando colocar distância entre
nós, pensando que iria resolver nosso problema. Nós não poderíamos
nem mesmo falar um com o outro. Ele desligou seu telefone - se alguém
quisesse falar com ele, teria que ser através de Ratbag.

Eu tinha conversado algumas vezes com Ratbag, tentando fazer


com que Ryder falasse comigo, mas todas as vezes Ratbag se desculpou,
dizendo que Ryder estava em silêncio e que não estava falando com
ninguém - nem mesmo com ele.

Se alguém tivesse me dito como era torturante ser separada do


homem que você amava, eu inicialmente não teria acreditado. Doía
como o inferno que Ryder não quisesse nem sequer falar comigo. Este
pequeno detalhe - ouvir sua voz – teria tornado tudo isso muito mais
suportável.

O que era ainda pior, é que eu não tinha nem sequer uma
fotografia de Ryder. Eu me lembrava de seu toque, seu cheiro, até
mesmo de seu sorriso torto. Mas a memória de como ele soava estava
desaparecendo, e eu estava em pânico com a ideia de que eu não
poderia mais lembrar de sua voz profunda e calma, que derretia a
minha calcinha toda vez que ele falava comigo.

— Jade, querida, eu realmente não entendo por que você está se


mudando da nossa casa para morar em um apartamento sozinha. —
Minha mãe não estava feliz que eu tivesse encontrado meu próprio
lugar tão rapidamente. Eu tinha usado um pouco do meu dinheiro da
poupança como entrada, e havia comprado um apartamento bonito de
dois quartos a apenas alguns quarteirões dos escritórios do meu pai.
Pelo menos eu tinha uma razão totalmente válida - eu estaria mais

~ 120 ~
perto do trabalho. Porque eu estava trabalhando horas e mais horas até
ficar totalmente esgotada, assim eu deitaria na cama à noite e cairia em
um sono de exaustão, assim não sendo capaz de me torturar no dilema
com Ryder. Enquanto ele estava fora, isso estava completamente fora
das minhas mãos - não havia absolutamente nada que eu pudesse fazer
sobre isso, então não havia realmente qualquer necessidade de ficar
batendo a cabeça contra uma parede de tijolos.

— Mãe, é emocionante ter a minha própria casa. Não foi isso que
você me ensinou todos esses anos? Ser independente, cuidar de si
mesma? Bem, isso é exatamente o que eu estou fazendo.

— Mmmm, eu nunca pensei que você iria usar esse conselho


contra mim. Você já está se alimentando mal aqui, como eu vou ter
certeza de que você está cuidando adequadamente de si mesma?

— Você não vai. A não ser que nos encontremos para jantar nos
finais de semana. Está na hora de perder alguns quilos de gordura de
qualquer maneira. Meu aniversário é em poucas semanas, e preciso me
desvencilhar da minha imagem de menininha.

O que Sylvia Summers não sabia era que eu estava ansiosa para
ficar deprimida em meu próprio apartamento, com um grande pote de
sorvete e meus namorados literários favoritos. Eu poderia ficar de
pijama o fim de semana inteiro, sem ninguém me dizendo que não era
saudável para uma mulher de vinte e dois anos de idade hibernar
assim.

Além disso, se alguém mais tentasse arrumar um encontro às


escuras com o filho do seu ou da sua melhor amiga, eu iria
malditamente enlouquecer. Se eu não poderia ter Ryder, eu não queria
mais ninguém. Eu tinha a minha carreira e meus romances para me
ocupar. A vida real era uma merda, de qualquer maneira. Nada
funcionava a meu favor – eu estava desiludida e sozinha. O que eu
sempre tinha sonhado: uma mansão com um bonito jardim,
funcionários, um adorável, mas bem sucedido e rico marido, e talvez
um neto ou dois para manter meus pais felizes, não era mais
importante para mim.

Eu ficaria feliz com nada mais do que a companhia de Ryder, e


seu amor para me manter aquecida.

Mas ele não me amava.

Ele me usou para se vingar do meu tipo: esnobes de classe alta


que desdenhavam os menos afortunados, incluindo os motoqueiros. Ele

~ 121 ~
queria me ensinar uma lição, e cara, ele ensinou. Eu não era nada mais
do que um desafio e uma foda à disposição para ele. Agora tinha
terminado.

Eu tinha perdido.

Não só os meus sonhos para a vida foram despedaçados e


desintegrados, mas eu tinha perdido para o motoqueiro rude, e também
o amor da minha vida. Sem dúvidas, eu nunca poderia sentir por outro
homem o que eu sentia por Ryder. Ele havia se esgueirado, invadido
meu âmago, e agora ele era uma parte tão grande de mim, que eu
precisava lutar para funcionar sem ele.

Quando meu telefone tocou, eu nem sequer estava curiosa para


saber quem estava ligando. Não era Ryder. Eu já tinha aceitado por
agora. Ele tinha se enfiado em sua concha e não iria sair tão cedo.

Era Rebecca.

— Ei, Jade. Eu estou indo te visitar na próxima semana. Vou sair


da Alemanha na quinta-feira à noite, o que significa que eu vou chegar
em LA até sexta-feira. Então, se você quiser organizar uma noite só de
meninas para sábado, vai ser ótimo. Eu tenho trabalhado tanto que eu
mal tenho tido tempo de socializar. Convide algumas de suas amigas
também, se você quiser.

Eu realmente não estava com vontade de sair com ninguém. Eu


preferia ficar sozinha no meu novo apartamento, mas eu prometi a
Rebecca que eu iria sair com ela enquanto ela estivesse aqui. Minha
prima tinha passado por alguns momentos difíceis também. Eu me
perguntava o que teria acontecido entre ela e o francês, Alain – se eles
não tinham conseguido se acertar novamente? Ela também tinha me
contado tudo sobre seu chefe desagradável, mas muito bonito, e como
ele estava tentando entrar em suas calcinhas, embora ele fosse um
homem casado.

Por que os assuntos do coração são sempre tão malditamente


complicados?

Parecia que tanto Rebecca como eu tínhamos mau gosto para


homens, e que nos apaixonávamos pelos caras errados.

— Ha ha. Acredite ou não, eu não tenho muitas amigas. Estou


sempre estudando ou trabalhando ou lendo. Eu nunca fui parte de uma
turma na escola ou na universidade.

~ 122 ~
— Isso é engraçado, porque se não fossem pelas minhas duas
irmãs, eu também seria encalhada e sem amigos. E a prima Lexi? Eu
sei que nunca fomos próximas, mas eu adoraria vê-la também. Você
poderia convidá-la?

— Claro, eu posso. Lexi sempre fica me incomodando para


sairmos juntas. Ela vai ficar feliz de ter nós duas para acompanha-la
em uma de suas festas. Vou deixar que ela sugira o local para onde
devemos ir. Tudo bem para você?

Rebecca riu.

— Claro. Por que não? Se ela conhece LA melhor do que nós


duas, ela pode nos levar a um clube onde possamos nos divertir. Deus,
eu não faço isso à tanto tempo. Vai ser incrível ficar um pouco louca.

— Ficar louca? Certo. — eu ri. Minha ideia de uma noite de


diversão era ir ao cinema, comer pipoca, e voltar para a cama até as dez
para que eu pudesse ler antes de ir dormir.

— Droga Jade, você é jovem e nem um pouco feia. Está na hora


de aproveitar uma noite na cidade. Arranje uma roupa super sexy;
vamos nos vestir para matar e ter uma noite que vai ficar para a
história!

Eu suspirei. Rebecca era bonita, com seus cabelos ruivos e corpo


deslumbrante. A maioria dos homens não conseguia tirar os olhos dela.
Não é à toa que seu chefe estava correndo atrás dela. Assim como o
francês - Alain ele era um total idiota...

Lexi. Bem, ela era... Interessante. Ela tinha um corpo escultural e


a mesma pele bonita, cor de lírio branco, que Rebecca e eu tínhamos.
Mas Lexi era diferente - ela não tinha medo de sua sexualidade, ou de
mostrar os seus atributos. Ela trocava a cor do seu cabelo como as
outras mulheres trocavam de batons. Mas o estranho era que,
independentemente da cor de seu cabelo ser escura ou loira, ela era
belíssima.

Assim que eu desliguei o telefonema de Rebecca, eu liguei para


Lexi e a avisei sobre a visita de nossa prima australiana à LA. Nós não
tínhamos conversado desde aquela noite em que Ratbag me
contrabandeou para fora do complexo, e ela ficou para trás. Eu ainda
queria saber quais foram os seus motivos para ficar. Para qual homem
ela tinha direcionado sua atenção? Eu esperava que fosse para Razor
ou para Ox, porque Ryder já tinha dona.

~ 123 ~
Então eu me lembrei. Ele tinha me deixado, porque ele não me
amava.

Mas isso não me impedia de pensar nele, ansiar por ele, sentir a
falta dele.

Ou amar ele. Droga.

~ 124 ~
Capítulo Vinte e Cinco
RYDER

Duas coisas me trouxeram de volta para Los Angeles antes do que


eu esperava. A primeira foi um telefonema de Max, me lembrando que a
sua mulher estava vindo para Los Angeles, e que eu tinha prometido
ficar de olho nela. Ele esperava que eu fizesse uma vigilância discreta,
garantindo sua segurança.

Ele também estava preocupado que pudesse haver outro homem


na vida de Rebecca? Eu tinha ouvido falar sobre um francês que ela
estava vendo enquanto estava na França, mas, pelo que eu sabia, eles
não tinham mais nada. Talvez Max estivesse preocupado que ele
tentaria entrar em contato com Rebecca em terreno neutro? Seja quais
fossem as suas razões, ele estava convencido de que eu tinha que segui-
la e ser seu guarda-costas desconhecido o tempo todo. Porra, eu
realmente não estava com vontade de tomar conta de ninguém, mas ele
foi tão persuasivo, que antes que eu percebesse, eu tinha prometido
fazer tudo o que ele pediu.

A segunda coisa que me trouxe de volta mais cedo foi o


telefonema de um homem que queria se encontrar comigo o mais breve
possível. Tinha algo a ver com Marianne. Porra, eu quase caí da cadeira
quando ele mencionou o nome dela. Ele não quis me dizer mais nada,
então eu concordei em encontra-lo. Fiquei curioso como o inferno. Por
que isso tinha que acontecer justo agora, quando eu finalmente estava
fazendo um progresso, pensando menos em meu ódio por minha mãe?

Se eu fosse totalmente honesto, a terceira coisa que me trouxe


para casa era a saudade de Jade. Só estar na mesma cidade seria o
suficiente para mim neste momento. Porra, eu estava sentindo falta pra
caralho dela, até mesmo de seu jeito sarcástico, suas respostas
espirituosas, a forma que ela torcia o nariz quando estava perdida em
seus pensamentos. Sim, eu sentia falta de tudo sobre ela, tanto que
doía. Mas eu tinha escolhido esse caminho, então eu tinha que
malditamente engolir.

~ 125 ~
No entanto, eu tinha planejado fazer alguma vigilância para eu
mesmo. Eu seria a sua sombra, e mesmo que ela não soubesse, eu iria
vigiá-la. Protegê-la e mantê-la segura.

Minhas conversas com o Northern Commando MC não tinham ido


tão bem quanto eu esperava. Eu era muito hábil para negociar, porém
nós não conseguimos chegar a um acordo que beneficiaria ambos os
clubes. Os filhos da puta estavam cautelosos, e queriam mais garantias
do que eu era capaz de fornecer para colocar o negócio de volta aos
trilhos.

Cobra estava louco quando eu liguei para ele e falei os seus


termos e condições. Ele gritou comigo no telefone, irritado por eu não
ter conseguido acalmar as coisas. Mas o que me fez tremer até a medula
foi quando ele me perguntou se meu coração estava nas negociações.
Eu não poderia dar a ele uma resposta direta, porque eu malditamente
sabia que não estava. Porra, eu estava deixando o clube e o meu Pres
na mão. Eu não me sentia bem com isso.

O Scorpio Stinger MC sempre veio em primeiro lugar na minha


vida; meus irmãos eram minha família. E agora tudo tinha mudado.
Meus pensamentos estavam constantemente girando em torno de uma
linda mulher de cabelos dourados, que tinha lançado um feitiço em
mim.

Nenhuma quantidade de vento no meu cabelo ou quilometragem


na minha moto poderia tirar ela da minha mente. Por mais rápido e
mais imprudente que eu fosse na estrada, por mais que os olhos de
Ratbag arregalassem, mais eu ansiava por minha Princesa. A porra do
meu pau doía por ela durante a noite, morrendo de vontade de estar
enterrado dentro de sua buceta doce.

Eu só conseguia rir de mim mesmo agora. Porque eu tinha


pensado que fugir ia ajudar, eu não fazia nem ideia. Mas eu tentei. Era
engraçado pra caralho.

Ratbag pensou que eu tinha ficado completamente louco quando


eu comecei a rir descontroladamente, sem motivo aparente, no
momento em que eu finalmente me dei conta. Não importava qual era a
distância física entre nós, ela sempre estaria comigo, onde quer que eu
fosse, porque ela estava na porra da minha mente e na porra do meu
coração.

Eu poderia fugir, eu poderia negar, mas eu não poderia me


esconder dos meus verdadeiros sentimentos.

~ 126 ~
Capítulo Vinte e Seis
RYDER

O homem de pé na minha frente era como a minha imagem no


espelho, só que mais velho. Era como viajar para o futuro, e ver como
eu seria quando fosse 30 anos mais velho.

— Ryder? Ryder Knox? — porra, até a sua voz de barítono


profundo soava como a minha.

Erguendo meus olhos, eu o encarei, tentando malditamente não


engasgar. Quem é a porra deste homem?

Eu mantive minha voz firme, escondendo minha preocupação.

— Sim?

— Cristo. Você é realmente parecido comigo. É como olhar na


porra de um espelho trinta anos mais cedo. — Nós até mesmo
pensávamos da mesma forma. Ele balançou a cabeça, visivelmente
abalado. Sua pele estava cinza pálida, seus lábios em uma linha fina.
Até mesmo a maneira como ele estava parado, punhos fechados, pernas
ligeiramente afastadas, era uma imagem no espelho de mim mesmo
neste exato momento.

— Então quem diabos é você? — rosnei. Esta merda me dava


calafrios, e eu não tinha ideia do motivo pelo qual esse homem estava
me procurando.

— Escute, Ryder. Eu preciso de uma bebida. Uma forte. Podemos


ir a algum lugar para conversar?

Eu acenei com a cabeça. Porra, eu precisava de mais do que uma


bebida forte. Eu precisava me sentar também. Pela primeira vez em
anos, minhas pernas estavam bambas pra caralho. O que quer que
estivesse acontecendo aqui, afetaria a minha vida profundamente.

— Sim. Tem um bar do outro lado da rua. Vamos lá.

— Me desculpe, eu não me apresentei. Eu não pensei que eu


reagiria desta forma. Eu esperava isso, mas porra, é muito mais bizarro

~ 127 ~
do que eu imaginei. — ele hesitou por um instante, esfregando seu
rosto. Uma fina camada de suor cobria sua testa.

Ele estendeu a mão.

— Meu nome é Bill.

Peguei a mão dele, olhando-o nos olhos enquanto eu a apertava.

— Você tem um sobrenome, Bill?

— Sim. É Ryder. William Ryder.

Ele poderia ter me chutado nas bolas que seria um baque menor.

— Quem diabos é você? — eu sussurrei. Não era a porra de uma


coincidência que nós éramos parecidos e que tínhamos o mesmo nome.
E ele disse no telefone que conhecia Marianne. Essa era a única razão
pela qual eu tinha concordado em encontrá-lo para começo de
conversa.

— Eu sou seu pai biológico. — sua voz falhou muito ligeiramente.

Todo o ar foi sugado para fora da sala. Eu não conseguia respirar.


Esse cara era maluco.

— Que porra você está falando? Meu pai era Tiny... Steve Mayfair,
da Karma Electric. O nome da minha mãe é Marianne Knox. Você está
mal informado, velho. — eu suspirei.

— Ryder. Vamos tomar essa bebida primeiro - nós dois


precisamos disso. É uma longa história. Tudo bem?

Eu concordei. Isso ia ser interessante pra caralho. Eu precisava


ouvir o que William fodido Ryder tinha a dizer. Mesmo que eu soubesse
que ele estava errado, eu ainda queria ouvir sua história. E porra, eu
precisava de uma bebida. Mais do que uma, na verdade.

Caminhamos pela rua silenciosamente, com nossos pensamentos.


No entanto, estranhamente, não foi desconfortável. Eu não gostava de
estranhos com facilidade, mas de alguma forma ele tinha me fisgado.

— Dois Jacks4. Duas cervejas, — Bill pediu quando chegamos ao


bar.

O barman colocou as bebidas na nossa frente. Nós dois


levantamos o whisky e engolimos. Porra, isso queimava. Limpei a boca

4
Whisky - Jack Daniels.

~ 128 ~
com as costas da minha mão e pedi ao barman que enchesse os copos
novamente. A segunda dose foi engolida da mesma forma que a
primeira. Peguei minha cerveja e caminhei até um canto. Eu precisava
me sentar.

Bill me seguiu, sentando do outro lado da mesa manchada. Meu


estômago revirou. Não só porque o lugar cheirava a cerveja azeda e
perfume barato.

— Porra. É sinistra - essa semelhança. Marianne estava certa.

— Marianne? — eu respirei fundo. Jesus, eu estava me sentindo


enjoado.

— Sua mãe. Minha amante. Estávamos tendo um caso. — ele


levantou dois dedos para o barman. Porra, eu precisava da garrafa
inteira e não apenas uma dose.

— Com quem Marianne não estava fodendo? A puta


definitivamente conseguia se ocupar. — Seus olhos se estreitaram com
as minhas palavras, um sorriso irritado no rosto, como se ele não
estivesse gostando do que eu falei. Eu não me importava - essa era a
verdade e ninguém a conhecia melhor do que eu. Olhei para ele por um
longo minuto. Ele parecia tão familiar, mas não só porque ele se parecia
comigo. Eu tinha visto seu rosto e ouvido seu nome antes. Todas
aquelas revistas de música que eu tinha lido quando era adolescente - a
sua foto e seu nome estavam em todas elas. Como eu nunca tinha
percebido antes?

Eu tomei um gole da minha cerveja.

— Então. Você conhecia Marianne. Isso não prova porra


nenhuma.

Ele passou a mão pelo cabelo, exatamente a mesma cor escura e


textura grossa que o meu, apesar de o seu ser curto e grisalho nas
laterais.

— Ryder, eu sei que é a porra de um choque...

Apertei os olhos.

— Você é o William Ryder que eu acho que é? — minhas mãos


estavam úmidas, e meu coração batia de forma irregular em meu peito.

— Que William Ryder seria esse? — Ele levantou uma


sobrancelha, zombando. Esse filho da puta era tão cínico quanto eu.

~ 129 ~
— A porra do dono da Ryder Music. Esse.

Ele assentiu com a cabeça. Meu olhar queimava com o seu.


Haviam tantas perguntas que eu não sabia por onde começar.

Eu sempre suspeitei que Marianne tivesse dado o meu nome em


homenagem ao magnata da música - ela era uma groupie, afinal de
contas. Mas eu não fazia ideia de que ela realmente o conhecia, muito
menos que tivesse fodido com ele.

O barman chegou com a garrafa para encher nossos copos.


Peguei a garrafa de Jack de suas mãos e tomei um grande gole do
líquido âmbar. Eu precisava parar a agitação em meu estômago.

— O cara rico aqui vai pagar por isso — eu disse, balançando a


cabeça em direção a Will. Ele assentiu, seu olhar não deixando meu
rosto. O barman deu de ombros e foi embora.

— Comece a falar, William. — rosnei. — E explique por que diabos


você só está aparecendo agora. Por que eu nunca soube de toda essa
merda antes de hoje. E onde diabos está Marianne? — eu bati meu
punho na mesa. Eu tinha vontade de jogar algumas dessas cadeiras de
madeira barata ao redor, quebrando-as em pedaços. Depois bater em
alguma coisa. Qualquer coisa. Incluindo o rosto de Bill.

Ele levantou uma mão.

— Calma, Ryder. Eu vou te contar tudo o que sei. Podemos


começar com isso. — ele soltou um suspiro longo e lento.

— Eu estou ouvindo.

— Abaixe a garrafa. Eu preciso que você entenda o que eu vou


dizer a você. — sua voz era mortalmente calma, mas parecia que ele
tinha envelhecido dez anos nos 10 minutos que eu o conheci.

Bill tinha um olhar distante em seus olhos. Eu imaginava que ele


estivesse relembrando o passado. Porra. Eu estava tentando por quase
vinte anos esquecer o passado, e aqui estava ele, sentado à minha
frente na mesa, trazendo à tona todos aqueles sentimentos novamente.
Eu pensei que isso tinha terminado, e que estava enterrado tão
profundamente dentro de mim, que nunca viria à tona novamente. Eu
estava errado. Bastou a menção do nome de Marianne para eu me
sentir como um menino indefeso novamente, abandonado pela porra da
sua própria mãe.

— Eu conheci a sua mãe.

~ 130 ~
Meu punho bateu na mesa novamente, mais forte desta vez. Bill
saltou. Seus olhos se arregalaram.

— Não chame ela assim. Marianne abandonou Max e eu quando


éramos crianças... Nos deixou sozinhos. Ela é uma puta, não a minha
mãe. — eu sussurrei. — De qualquer forma, onde está a porra da vadia?

Bill fechou os olhos por um minuto. Afrouxou sua mandíbula e


ele engoliu em seco. Porra.

Quando ele abriu os olhos, eles brilhavam intensamente.

— Marianne morreu há dois meses. Eu estou procurando por


você desde então.

— Ela está morta? — Cristo, isso estava ficando pior a cada


minuto. Eu fantasiava sobre ver Marianne novamente. Sobre falar em
sua cara a merda de mãe que ela foi. Foi o que alimentou meu ódio, me
manteve vivo depois de todas as coisas que tinham acontecido comigo,
porque um dia, eu iria encontrar a puta e falar tudo. Agora ela tinha
morrido. Porra.

Peguei a garrafa e tomei um gole, embora Bill claramente não


aprovasse. Bem, beije minha bunda, filho da puta. Todo esse tempo eu
tinha acreditado que aquele desprezível do Tiny era o meu pai – que eu
tinha matado minha própria carne e sangue. Esse tipo de culpa pesava
sobre uma criança; era praticamente insuperável. Mesmo que eu tenha
feito isso em autodefesa e para salvar a vida de Max, não tornava o
fardo nenhum pouco mais leve de se carregar.

E agora William Ryder estava dizendo que era meu pai?

Minha cabeça doía, e meu peito se apertou.

— Sim. Eu a procurei por anos. Ela deveria aparecer no meu


escritório com Randy para assinar um novo contrato. Esperei o dia
todo. Eles nunca vieram.

Meus olhos se arregalaram.

— O que você quer dizer?

— Marianne tinha me ligado e pedido um favor. Ela disse que


Jake tinha câncer na garganta, e que não poderia mais sair turnê por
muito tempo. Ela finalmente tinha tido o suficiente da Karma Electric.
Ela me pediu para assinar um contrato com o seu novo namorado para
que ela pudesse ir embora com você e Max. Ela queria comprar uma

~ 131 ~
casa e se estabelecer com vocês. Enviá-los para uma escola normal. —
Sua voz desapareceu. Ele pegou a garrafa e tomou um longo gole.
Parecia que eu não era o único tendo um momento difícil aqui.

Esfreguei meu peito. Meu coração estava apertando.

— Ela foi embora com Randy. Nunca mais voltou. Nem sequer
deixou a porra de um bilhete.

— Isso aconteceu porque ela nunca teve a intenção de deixá-los.


Ela só foi com Randy para assinar o contrato e encontrar uma casa em
Los Angeles. Ela planejava buscar você e Max na semana seguinte.

— É mesmo? Bem, Max e eu ainda estamos esperando. Ela


malditamente nunca voltou por nós.

Bill ficou em silêncio por um longo momento. A tristeza em seu


rosto era palpável. Seus olhos de aço cinzentos – exatamente a mesma
cor dos meus – estavam tão tristes que eu tive que desviar o olhar.

— Isso aconteceu porque houve um acidente. Randy atingiu um


ônibus de frente. Ele morreu na hora, não estava nem mesmo usando
um capacete. Marianne quase não sobreviveu. Ela ficou em coma por
meses, e quando ela finalmente acordou, tinha perdido a memória.

— Que diabos? — eu respirei profundamente. Minha garganta


apertou e minhas mãos começaram a tremer. Lentamente, estava
fazendo sentido porque Marianne nunca voltou por nós. Por que ela não
me salvou no reformatório.

Porra.

Bill limpou a garganta. Ele estava tendo dificuldade para falar.

— Eu era casado na época. Mesmo que eu soubesse sobre você,


não podia fazer nada sobre isso. Mas Randy assinando um contrato,
significava que Marianne ficaria mais perto, se mudaria para LA
permanentemente. Eu estava planejando conhecer você. Eu tinha
ajudado a alugar uma casa e pago a matrícula na escola para você e
Max. — ele esfregou a mão sobre o rosto. — Então, quando ela não
apareceu... No começo eu fiquei com raiva. Pensei que ela tinha mudado
de ideia. Que ela queria me impedir de ver você.

— Então, você está dizendo que não sabia sobre o acidente


naquela época?

~ 132 ~
— Não. Eu não fazia ideia. Na época, eu estava ocupado em
manter o controle da gravadora - eu não podia arriscar a minha carreira
tentando descobrir o que aconteceu. O escândalo teria destruído o meu
negócio e a minha esposa. Ela teve câncer no intestino, e algo dessa
magnitude não seria bom para ela. — ele piscou algumas vezes,
tentando recuperar a compostura antes de continuar. — Quando eu
decidi procurar por vocês alguns meses mais tarde, vocês já não
estavam mais com a banda. Foi tudo abafado. Ninguém queria falar
comigo. — ele ficou em silêncio, encolhendo os ombros. — Eu não sabia
que você estava no reformatório. Eu sinto muito. — ele engasgou com
as últimas palavras, seus olhos brilhando com lágrimas.

— Então você simplesmente desistiu? — minha boca estava seca.

— Minha esposa realmente precisava de mim. Nossa filha não


estava conseguindo lidar com a sua doença, então eu tinha que ajudá-
la também. Eu tinha tantas coisas para me preocupar, e imaginei que
Marianne havia levado vocês para algum lugar com Randy. Eu estava
preso à minha própria vida e os negócios. Os perigos de uma carreira
em ascensão e do sucesso. — ele riu amargamente, balançando a
cabeça, os ombros caídos.

Eu quase senti pena do desgraçado.

— Então, o que mudou? Por me procurar agora? — eu tomei um


profundo gole da minha cerveja e limpei a espuma da minha boca.

— Marianne morou em uma instituição durante anos. Ela era


praticamente uma inválida. Sua memória nunca mais voltou - até um
dia a alguns meses atrás. Aparentemente fora do torpor, uma manhã
ela acordou lúcida e se lembrava de tudo. Ela contou aos enfermeiros
tudo o que ela conseguia lembrar, e eles entraram em contato comigo
imediatamente. Eu não mudei os escritórios de lugar por décadas,
então eu era fácil de localizar.

— Você disse que isso aconteceu há apenas alguns meses atrás.


E agora ela está morta? — eu estava tremendo. Meu olho se contraiu
abaixo da cicatriz. Se William notou, ele não deixou transparecer.

— Eu fui ver Marianne logo que foi possível. Eu tinha acabado de


enterrar minha esposa. As coisas estavam muito confusas.

— Porra. Sinto muito.

— Sim, ela lutou contra o câncer, mas no final ele a levou.


Quanto à sua mã-Marianne, eu cheguei até ela bem em tempo. Ela

~ 133 ~
havia contraído pneumonia e estava muito doente. A mulher era pele e
osso. Nem de perto parecida com a bela jovem, cheia de vida que eu
tinha conhecido e me lembrava.

— O que ela disse? Ela conseguia se lembrar do que aconteceu?


— eu segurei minha respiração.

— Ela se lembrava de tudo como se fosse ontem. No entanto, ela


não tinha noção do tempo. Ela pensava que vocês ainda eram meninos.
Ela me fez prometer que encontraria você e Max, e os traria até ela. Ela
estava tão animada para se mudar para a casa nova, para começar uma
nova vida. Ela não conseguia entender que anos haviam passado, que
seus meninos agora eram homens adultos. Era doloroso de assistir.

Engoli em seco. Todos esses anos, eu odiava Marianne por ter nos
deixado - sem saber o que realmente tinha acontecido. Fazendo
suposições. Suposições erradas, que tinham me consumido e
desperdiçado metade da minha vida.

Meus pensamentos foram para Jade. Ela estava certa o tempo


todo. Eu sou digno de ser amado. Minha mãe não me deixou porque ela
não me amava. Ela não teve escolha. A porra do acidente tomou uma
decisão por ela.

Tristeza cresceu dentro de mim - uma dor profunda em minha


alma que não poderia ser aliviada. Tristeza por ter pensado o pior de
Marianne. Tristeza por nunca ter tentado encontrá-la e descobrir a
verdade. E agora era tarde demais. Justo quando eu estava começando
a entender o amor incondicional. Minha cabeça latejava quando tudo
começou a fazer sentido.

Todos aqueles anos perdidos, sentindo raiva e ressentimento


girando em meu estômago. Afastando Jade porque eu estava com medo
de perdê-la também. Eu era um maldito idiota.

Com a claridade iluminando a minha mente como uma lâmpada,


eu sabia que tinha que lutar por Jade, agora mais do que nunca. Eu
queria o que ela tinha a oferecer. Amor incondicional. Saber a verdade
sobre o que havia acontecido com Marianne foi o momento decisivo que
eu tanto precisava.

— Você falou sobre sua filha. Se eu... Se você... Realmente é meu


pai, então isso significa que eu tenho uma irmã? — Porra, Max e eu não
estávamos sozinhos, afinal de contas.

~ 134 ~
— Uma meia-irmã. — seus olhos estavam escuros e ele parecia
ainda mais triste - se é que isso era possível.

— Bill?

— Ela não quer ter nada a ver comigo. Ela veio para o funeral e
não falou comigo. Eva acha que a culpa é minha por sua mãe ter
morrido, infelizmente.

— Eva. É um nome bonito. — era bizarro descobrir sobre uma


irmã que eu não fazia nem ideia que existia.

Bill assentiu.

— Ela se parece muito com você. Os mesmos olhos penetrantes.


Cabelo escuro. E... ela é teimosa. Inteligente também. — Por um
momento, um sorriso brilhou em seu rosto. Não havia dúvida do quanto
Bill amava a sua filha.

O silêncio caiu entre nós por alguns momentos antes de Bill


continuar.

— A culpa sobre você me consumia, e eu contei a Vivian sobre


tudo, sobre o meu caso com Marianne, que começou quando ela estava
grávida de sua irmã. Nós descobrimos o câncer logo após o nascimento
de Eva, então eu mantive o caso com Marianne durante todo o
tratamento de quimioterapia de Vivian também. Quando Eva descobriu
sobre Marianne e... você, e sobre o meu comportamento desprezível, ela
saiu de casa e se recusou a falar comigo. Ela visitava a mãe durante o
dia, quando eu estava no trabalho. Até mesmo no Natal...—

Tossi e me movimentei desconfortavelmente na cadeira. Eu não


sabia o que diabos dizer sobre isso. Todos nós tínhamos a porra de
nossos fardos para carregar. Apesar de ser um magnata da música, e
com mais dinheiro do que ele possivelmente pudesse gastar, William
Ryder não teve uma vida fácil, tampouco.

As palavras de Jade naquela noite em seu quarto vieram à minha


mente: Nós nem sempre compreendemos a dor dos outros, Ryder. Só
porque não podemos vê-la, não significa que eles não estejam sofrendo.
Suas palavras eram tão verdadeiras. Eu sempre imaginei que os ricos e
famosos não tivessem os mesmos problemas que as crianças
abandonadas como eu tinham. Um sorriso irônico torceu meus lábios.
Maldita Princesa. Ela era mais sábia do que eu tinha imaginado.

— Depois que Marianne morreu, eu estava ainda mais


determinado a encontrá-lo. Eu tinha prometido a ela que encontraria.

~ 135 ~
Mas era mais do que isso. Além das poucas vezes que eu pude te
segurar no colo quando você era um bebê, eu nunca pude te conhecer.
Você é meu filho. Eu quero fazer parte da sua vida.

Minha testa franziu. Whoa. Isso era uma loucura. Será que o
homem sabia quem eu era? VP de um clube de motoqueiros? Procurado
pela polícia? Criminoso e assassino?

Não havia redenção para Ryder Knox. Era tarde demais.

Além disso, eu faria todas as mesmas escolhas novamente.

— Bill, sua história é comovente. Mas eu não dou a mínima. Eu


cresci com a única família que eu já conheci. O Scorpio Stinger MC é a
minha família. Eles salvaram a minha vida. Não você e nem uma meia-
irmã na qual eu nunca pus os olhos. Volte para o seu estilo de vida
encantador. Tenho certeza que algumas bucetas vão preencher o vazio
em breve e te trazer felicidade.

Me levantei para sair.

— Estou surpreso que você não tenha mudado o seu nome. Se


você odiava Marianne tanto, por que você não mudou?

— Porque eu sou quem eu sou. Mudar a porra do meu nome não


vai mudar a porra da minha vida. Eu não me desculpo por ser quem eu
sou.

***

Abalado por ter descoberto que eu não tinha realmente matado


meu próprio pai quando era criança, eu precisava reavaliar toda a
minha visão de vida. O maior fardo que carreguei subconscientemente
por mais de 20 anos, era o fato de que meu pai biológico era um homem
como Tiny - um monstro brutal que poderia se deitar com uma criança
inocente, e querer matá-la por ter sido rejeitado por sua mãe, quando
ela escolheu outro homem ao invés dele. Mesmo que essas escolhas não
tivessem nada a ver com a criança, o fato de que ele poderia pegar sua
vingança e descontá-la em um rapaz inocente como Max me assustava.
Eu sempre me perguntava se este instinto de raiva viria para a
superfície, me fazendo uma pessoa tão má como Tiny.

~ 136 ~
Relembrando o passado, eu sempre tive a impressão de que até
mesmo Tiny acreditava que ele era meu pai; Nós nunca tivemos uma
ligação, e eu nunca tinha senti nenhuma conexão com o homem. Pela
história de Bill, Marianne estava ciente de que Tiny não era o meu pai,
mas ela nunca o corrigiu. Ou a mim. Por que ela tinha escondido um
segredo tão importante de mim? Eu nunca saberia, já que agora ela
estava morta. Eu não poderia fazer a ela as milhares de perguntas sem
resposta que estavam em minha mente.

Além disso, eu não entendia o que exatamente William Ryder


queria de mim. Não era malditamente tarde demais para tentar
construir um relacionamento comigo? De qualquer forma, assim que ele
descobriu sobre a vida que eu tinha levado, ele teve a certeza de
desaparecer novamente. E desta vez, por vontade própria. Eu dou de
ombros. Por que diabos eu nasci sob estrelas tão azaradas?

Pior ainda: por que o universo continuava fodendo comigo?


Mostrando como tudo poderia ter sido com Jade e com William em
minha vida, só para depois arrancar isso de mim, rindo na porra da
minha cara?

Eu balancei a cabeça para limpar meus pensamentos. Algumas


coisas não eram feitas para serem compreendidas.

~ 137 ~
Capítulo Vinte e Sete
RYDER

Eu conferi o endereço em meu telefone. Sim, eu estava no hotel


certo. Eu assobiei por entre os dentes quando entrei pelo saguão. Esse
lugar era malditamente luxuoso. Eu me sentia como um peixe fora
d'água entrando em um lugar tão chique como esse. Meu irmão deveria
estar nadando em dinheiro para hospedar um funcionário em um lugar
tão glamuroso. Eu aposto que esse hotel tinha a porra de torneiras de
ouro e banheiras que poderiam acomodar uma orgia, assim como a
casa que eu tinha alugado em Beverly Hills.

Os funcionários estavam me encarando com os olhos arregalados.


Eles claramente pensavam o mesmo que eu: que eu não pertencia a
este lugar de jeito nenhum. Eu poderia apostar que todas as câmeras
de segurança da porra do lugar estavam apontando para mim. Aposto
que eles só estavam esperando que eu fizesse um movimento errado
para me chutarem para fora.

Me sentei em uma grande cadeira confortável e pedi uma cerveja.


Não era um crime, era? Tirei meu telefone do bolso e olhei para a foto de
Rebecca que Max tinha me enviado. Sim, eu poderia entender por que
Max estava obcecado por essa mulher - exceto pelo cabelo vermelho
flamejante, ela me lembrava de Jade. Especialmente o seu sorriso. Ele
fazia a porra das minhas bolas doerem.

Os olhos do garçom se arregalaram quando eu disse que ele


poderia ficar com o troco da nota de cinquenta dólares que eu tinha
usado para pagar a cerveja. Isso deveria calar a boca dele, por estar
pensando que só porque eu estava vestindo calças jeans, tinha algumas
tatuagens, um rabo de cavalo e botas de motoqueiro, eu não poderia
pagar por uma cerveja muito cara em um hotel muito caro. Era ele,
afinal de contas, que estava trabalhando por gratificação e gorjetas,
então eu não conseguia entender por que ele foi tão rápido em torcer a
porra do nariz para mim.

Meus ouvidos formigaram ao ouvir o som de um riso flutuando


por todo o vasto espaço, vindo da direção dos elevadores. Porra, eu

~ 138 ~
reconheceria essa risada em qualquer lugar. Ela enviava uma pontada
em meu coração, e deixava o meu peito apertado. Caralho se isso não
soava exatamente como Jade.

Olhei para cima e encarei dois curiosos olhos verdes. Rebecca. Por
que seu riso soava exatamente como o de Jade? A bela cadela puxou
uma respiração afiada quando me viu, como se tivesse me reconhecido.
Porra, Max não disse a ela que eu estava bancando o guarda-costas,
disse? Eu não estava feliz por ser a porra da sua babá, mas pelo menos
ele poderia ter poupado o meu constrangimento por ela saber disso.

Antes que eu pudesse amaldiçoar Max, ela se virou, caminhando


rapidamente na direção oposta. Como ela caminhava tão rapidamente
naqueles saltos ridiculamente altos, eu nunca iria entender. Suas
pernas pareciam durar para sempre. Max estaria cagando se visse o
quão curto seu vestido era, e o quão gostosa ela parecia.

A próxima coisa que vi fez com que eu puxasse uma respiração


afiada. Caralho, se ela não estava abraçando uma mulher igualzinha a
Jade.

Porra; era Jade.

Vestida para matar em um vestido curto que abraçava seu corpo


– corpo que era meu – em todos os lugares errados, empurrando seus
peitos para cima e expondo suas longas pernas em cima de um
ridiculamente grande salto alto.

Ela parecia tão malditamente gostosa que eu queria agarrá-la


pelos cabelos, puxá-la para dentro da caverna mais próxima e foder
com ela até que ela estivesse gritando meu nome.

Então eu percebi: ela tinha se vestido assim - sexy como o inferno


- para sair com Rebecca. Como ela sequer conhecia Rebecca? Até onde
Max tinha me contado, ela nunca esteve em LA antes. Eu apertei meu
queixo enquanto colocava meus punhos nos bolsos. Porra. Nitidamente
Jade tinha seguido em frente. Nitidamente ela não tinha ficado em casa,
ansiando por mim. Nitidamente ela estava pronta e disposta a pegar um
homem esta noite.

Ela tinha um novo namorado? E se ela tivesse me ouvido e


voltado com Marcus? De repente, eu amaldiçoei ter deixado LA e não ter
mantido um olho no que estava acontecendo em sua vida. Eu imaginei
que ela estaria em casa, esperando que eu caísse na real. O que eu não
imaginava, era vê-la toda arrumada, pronta para uma balada. Porra.
Um ataque de ciúmes me consumiu, e o garçom saltou quando ouviu o

~ 139 ~
rugido feroz deixei escapar. Cada instinto em meu corpo me mandava
correr até ela e reivindicá-la, mas eu estava lutando com o meu bom
senso.

Se Max não conseguir controlar a sua cadela, era uma coisa. Mas
a minha mulher? Não havia nenhuma maneira no inferno que eu iria
deixar qualquer filho da puta tocar nela. Eu queria dar um soco em
todos esses babacas ricaços que estavam olhando para ela neste
momento, e arrancar seus malditos olhos.

Acalme-se, Ryder. Porra, eu estava agindo como um monstro do


ciúme fora de controle.

Minha missão hoje à noite era seguir e vigiar Rebecca, e mantê-la


longe de problemas. E caralho, se eu não tinha encontrado Jade onde
eu menos esperava. Eu não estava pronto para vê-la ainda,
especialmente não desse jeito: como se ela tivesse seguido em frente e
esquecido de mim. Isso doía.

— Lexi! Oh, meu Deus! — eu ouvi Rebecca gritar o nome dela e


correr em direção à porta deslizante, se jogando em Lexi. Que porra era
essa?

Enquanto eu assistia com os olhos arregalados, percebi. Se Lexi


era prima de Jade, talvez Rebecca também fosse? Isso era possível?
Merda.

Três pares de pernas gostosas pra caralho e sorrisos de derreter o


coração, todos na mesma sala, eram mais excitantes do que a maioria
dos homens poderia aguentar. Mas eu só tinha olhos para uma mulher:
Jade. Assistir ela rindo com suas primas era ótimo, mas eu queria que
fosse comigo que ela estivesse se divertindo.

Elas encaixaram seus braços uns nos outros e saíram pelo lobby
do hotel, deixando cada homem que estava assistindo desejando ser
convidado para ir junto. Porra, isso seria demais para que eu pudesse
lidar sozinho. Talvez eu precisasse de ajuda?

Eu rapidamente as segui para fora, cuidando para que nenhuma


delas me visse. Eu pulei na minha Harley no momento em que o táxi
que elas entraram se afastou do meio-fio. Eu estaria fodido se as
perdesse de vista.

Nós contornávamos pelo tráfego. Eu fiquei dois carros atrás do


táxi, apenas em caso de elas estarem assistindo muitos filmes, e
suspeitarem que estivessem sendo seguidas.

~ 140 ~
O táxi parou em frente a um edifício imponente com enormes
seguranças parados na porta, e as mulheres saíram do veículo rindo,
claramente de bom humor. Vi Lexi colocar uma garrafa vazia em sua
bolsa, e amaldiçoei. Porra; elas já estavam bebendo, até mesmo no táxi.
Eu definitivamente precisava de ajuda. Eu disquei rapidamente o
número de Ratbag.

— Irmão, eu preciso de sua ajuda hoje à noite. Venha até Santa


Monica - no clube novo que abriu semana passada. Sim, o clube do
nosso novo cliente. — eu assenti, embora Ratbag não pudesse me ver.
Engraçado; há apenas algumas semanas atrás, antes da minha viagem
para Seattle, eu negociei um acordo de proteção com os novos
proprietários do clube. Era difícil abrir um clube novo, se você não
tivesse pessoas certas te apoiando. Sempre existia alguém que não
queria que o novo empreendimento desse certo, e eles não mediam
esforços para evitar que a nova concorrência tivesse sucesso.

Ao longo dos anos, eu tinha visto roubo, apreensão de drogas e


até mesmo assassinato. Por uma parcela relativamente pequena dos
lucros, nosso MC treinava os seguranças e oferecia proteção para o
clube e os proprietários. E, uma vez que o negócio de armas tinha
azedado, Cobra usou sua inteligência para pensar em maneiras
diferentes de arrecadar dinheiro para o clube, que fossem menos
perigosas. Não se engane, esse esquema de proteção era tão perigoso
quanto qualquer outro trabalho. Havia sempre alguns malucos que
estavam sempre atrás de problemas. Eu conhecia o tipo - ganancioso e
implacável. Eles queriam dinheiro e poder a todo custo. Nada era
importante, ou tinha um preço alto demais que eles não pudessem
pagar.

Lexi entregou um cartão para os seguranças, e o homem


corpulento abriu a porta e deixou as três mulheres entrarem facilmente.
Algumas pessoas que estavam ao longo da fila vaiaram, o que fez com
que ela mostrasse sua bunda para elas. Porra, ela era atrevida. Assisti
quando ela levantou sua saia, expondo suas nádegas perfeitamente
cremosas e cobertas apenas por uma calcinha amarelo-neon, para a
multidão. Os caras aplaudiram, assobios encheram o ar juntamente
com a música que tocava no interior do edifício. Eu sorri quando uma
cadela bateu no braço do seu homem, que estava sorrindo lascivamente
e encarando a bunda de Lexi. Cara, eu sentia por dele, porque se não
fosse eu estar apaixonado pela puta loira, eu daria um tapa naquela
bunda sexy.

~ 141 ~
Eu estava apaixonado, mas não cego... E a forma com que o
segurança estava sorrindo para Jade fez meu sangue ferver. Eu
reconheci o desgraçado; ele era um dos nossos escolhidos para o
trabalho. Neste momento, eu queria arrancar suas bolas por fixar o olho
na minha menina. Engoli em seco enquanto Jade sorria docemente
para ele, e ele a guiava pelo cotovelo para dentro do clube. Idiota. Não
tinha necessidade de tocar nela. Meus punhos se abriram e fecharam
por vontade própria.

— Hey, Ryder. Como está, cara. — a voz de Razor soou sobre a


música. — Ratbag disse que você precisava de ajuda com algumas
Sheilas. Bem, aqui estamos nós, irmão. Que grande missão.

Porra. Exatamente o que eu precisava. Razor ficaria puto da vida


quando visse que Lexi estava aqui, mostrando a bunda para estranhos.
Eu revirei os olhos para Ratbag - ele não tinha entendido que eu queria
que ele viesse sozinho?

Ratbag deu de ombros, como se ele entendesse o meu


aborrecimento.

— Razor ouviu a nossa conversa. Ele insistiu em vir. Disse que


estava ficando louco no complexo. — talvez não tenha sido uma ideia
tão ruim, afinal de contas... Essas três mulheres iram dar trabalho.

— Onde está a ação, irmão? Eu estou pronto para conhecer essas


cadelas. — Razor flexionou os músculos, e algumas mulheres solteiras
na fila o chamaram. Normalmente eu jogava junto, mas eu não estava
com disposição para as artimanhas de Razor. Eu precisava encontrar as
mulheres. Eu precisava manter Razor na linha.

— Hey irmão, Lexi está lá dentro, com Jade e Rebecca, a mulher


do meu irmão. Não temos tempo para esta merda agora.

A cabeça de Razor se ergueu. Seus olhos se estreitaram.

— Lexi?

Eu ri. Tudo o que eu precisava era de uma palavra para ter toda a
sua atenção. Eu expliquei rapidamente toda a situação para os caras, e
que deveríamos ser discretos e observar de longe. Ele gemeu quando
ressaltei que nós estávamos somente observando. Agora eu sabia por
que não queria Razor aqui - ele era cabeça quente, e não seguia ordens
facilmente.

~ 142 ~
— Clive — eu cumprimentei o homem forte na porta. Ele me
reconheceu imediatamente e se moveu para que pudéssemos entrar. Eu
gostava quando um homem conhecia o seu lugar.

Uma vez lá dentro, demorou um minuto para que meus olhos se


ajustassem à iluminação. Clive entendeu claramente o porquê de
estarmos aqui, e acenou para o mezanino. Eu olhei para cima e vi que
as mulheres já tinham arranjado uma mesa e solicitado suas bebidas.
Alguns homens também já estavam olhando de soslaio para elas. Razor
rosnou novamente. Porra, iria ser difícil mantê-lo calmo e sob controle.

Eu observei Jade parada ao lado do corrimão, um copo na mão e


o corpo se movendo ritmicamente no tempo da música. Meu pau
estremeceu quando imaginei estar dentro dela, fazendo movimentos em
sincronia com os seus. Porra, ela era linda, mesmo a esta distância. Eu
podia ver um sorriso em seu rosto. Rebecca e Lexi se juntaram a ela, e
as três começaram a bater seus quadris e balançar suas bundas. Jade
esvaziou seu copo e o colocou sobre a mesa. Ela não estava para
brincadeira. Ela levantou os braços acima da cabeça, fechou os olhos e
se perdeu na música. Porra. Eu nunca tinha visto ela dançar assim
antes, e meu pau empurrou contra meu jeans. Vi um sorriso nos rostos
de Razor e Ratbag também. Razor ajustou seu pau, gemendo.

Mas nós não éramos os únicos homens do lugar que estavam


curtindo o show espetacular. Os garçons começaram aparecer com
bebidas, apontando para as mesas vizinhas. As meninas acenavam na
direção geral de seus patrocinadores, enquanto aceitavam as bebidas.
De estranhos. Porra. Jade iria receber a surra da sua vida assim que eu
voltasse com ela. Seus pais não a ensinaram que não se deve aceitar
bebidas de estranhos? E seu irmão policial? Jesus. Harrison teria um
ataque cardíaco se ele soubesse o que estava acontecendo. De repente,
eu senti empatia pelo cara. Eu nunca tive uma irmã, então nunca
precisei me preocupar com esse tipo de merda.

Mas então me lembrei – Eu tinha uma irmã. Tudo bem, uma meia-
irmã. De repente, eu realmente queria conhecê-la. Isso veio do nada, e
me atingiu como uma tonelada de tijolos. Sim, eu queria conhecer
minha irmã – seria legal não ser mais o irmão mais velho.

Mais algumas músicas, e as meninas tinham uma audiência


completa. Os caras estavam em pé ao redor, batendo palmas no ritmo
da música, estimulando as meninas a dançarem de forma ainda mais
sedutora. Eu tive que segurar Razor quando Lexi moeu sua bunda
contra a pélvis de um cara. Eu tinha certeza que o filho da puta estava
duro, e ela parecia estar gostando do show.

~ 143 ~
O que eu vi em seguida quase me deixou louco. Um filho da puta
alto, usando um chapéu de cowboy, se aproximou como se fosse o dono
da porra do lugar, e colocou as mãos na cintura de Jade. Ela sorriu
para ele sedutoramente, e colocou suas mãos sobre as dele enquanto
balançava seus quadris no ritmo da música. Eu não conseguia desviar
a porra do meu olhar para longe. Era sensual pra caralho, mas
deveriam ser as minhas mãos nos quadris dela, e não as de algum filho
da puta aleatório.

Eu estava pensando no que fazer, quando as mãos do cowboy


deslizaram ao longo de suas costelas, e os polegares dele escovaram
sobre seus seios. Os braços de Jade escorregaram ao redor de seu
pescoço e ela se virou, apertando seus seios contra a porra do peito
dele. Sirenes de alarme dispararam em minha cabeça, soando tão alto
que me deram uma dor de cabeça. Jade gostou da porra cowboy; ela
estava abertamente flertando com ele. Não havia jeito nenhum de eu
conseguir ficar assistindo eles por muito mais tempo. Ciúme brotou
através do meu corpo, meu coração torcendo em agonia. Porra.

Qual seria a reação de Jade se ela soubesse que eu estava aqui?


Como ela reagiria? Eu tinha mais medo de descobrir do que de assistir,
então eu só fiquei ali, com minhas entranhas girando. Isso era o que eu
queria, certo? Eu queria que Jade encontrasse alguém mais digno dela
do que eu. Não era isso que eu tinha falado para ela?

Malditamente NÃO. Eu não poderia suportar.

Pelo canto do olho, vi Razor ficar em pé e atravessar a pista de


dança, empurrando as pessoas de seu caminho. Era tarde demais para
que eu tentasse detê-lo. Ratbag tentou segui-lo, mas a multidão era
muito grande, e Razor desapareceu em um mar de pessoas subindo e
descendo. Porra.

Meu olhar voltou para o mezanino... Para as mulheres. Meus


olhos se arregalaram quando vi o que tinha deixado Razor tão agitado.
Um cara grande e robusto, com ainda mais tatuagens do que Razor
tinha as mãos sobre a bunda de Lexi, pressionando o corpo dela contra
o que eu assumi ser uma ereção furiosa, a porra da sua língua na
garganta dela.

E Jade? Ela estava com a porra da sua cabeça apoiada no peito


do cowboy, os olhos fechados, balançando ao ritmo da música lenta.

Logo em seguida Razor se aproximou, dois passos de cada vez até


chegar à mesa delas. Rebecca gritou quando viu Razor se inclinar
bruscamente na direção de Lexi, suas mãos sobre a boca enquanto o
~ 144 ~
terror inundava seu rosto. Razor deveria estar parecendo um filho da
puta terrível neste momento. Eu tinha visto o seu rosto com raiva
muitas vezes ao longo dos últimos anos, e eu sabia que não era bonito.
Ele assustava qualquer um pra caralho.

~ 145 ~
Capítulo Vinte e Oito
JADE

Aleluia. O plano que tínhamos armado no táxi estava


funcionando. Já estava na maldita hora, porque eu estava prestes a
socar Cowboy se ele lambesse minha orelha mais uma vez.

Depois que nós tínhamos sentado no banco de trás do táxi,


Rebecca ficou toda quieta e imersa em seus pensamentos por um
tempo, e Lexi, apenas sendo ela mesma, começou a questionar nossa
prima sobre isso. Rebecca nos contou sobre o homem que ela tinha
visto no lobby, que parecia completamente deslocado, mas que ela tinha
certeza de que estava lá por alguma razão. O que realmente a
incomodava, era que ele lembrava muito o seu chefe, Maxwell Grant.
Aparentemente, as semelhanças na aparência eram inquietantes, o que
a deixou um pouco assustada.

Então quando Lexi começou a interrogar a pobre Rebecca para


conseguir mais detalhes, nós duas nos entreolhamos, não acreditando
no que estávamos ouvindo. LA era uma cidade muito grande, mas
quantos motoqueiros que se pareciam exatamente como Ryder Knox
poderiam existir?

Decidimos ficar atentas para ver se ele estava nos seguindo. Meu
coração quase pulou para fora do meu maldito peito. Eu queria tanto
que fosse Ryder, que eu não tinha certeza se seria capaz de me conter
se fosse realmente ele.

O motorista do táxi nos ajudou. Ele foi um policial por seis meses
antes de seu parceiro ser baleado, e consequentemente, ele decidir que
esse tipo de vida não era para ele. Mas ele amava toda a história de nós
estarmos sendo seguidas, e a emoção de usar suas habilidades para
escapar do nosso perseguidor.

Ele confirmou que uma moto estava realmente nos seguindo. Ele
desviou através tráfego para despistar nosso perseguidor, mas a
motocicleta estava grudada em nós como merda em um cobertor, como
Rebecca sabiamente colocou, fazendo com que todas nós chorássemos

~ 146 ~
de tanto rir. Quem quer que fosse, nunca estava mais do que dois
carros atrás de nós.

Quando chegamos ao clube, Lexi me disse para não olhar em


volta assim que saíssemos do táxi - em nenhuma circunstância. Foi
dela também, a ideia louca de que eu me exibisse esta noite, dançando
sedutoramente para atrair os homens no clube, forçando Ryder - se de
fato fosse ele - a se revelar.

Lexi puxou uma garrafa pequena de whisky de sua bolsa e me


mandou beber um pouco. O líquido queimou todo o caminho através da
minha garganta, mas também ajudou a aliviar o nervosismo.

Se fosse Ryder, por que diabos ele estaria nos seguindo?


Certamente, ele sabia que nós poderíamos conversar a qualquer
momento, então por que ele sentia a necessidade de me perseguir?
Presumindo, é claro, que era eu quem ele estava perseguindo, e não
Lexi ou Rebecca. Uma sensação desconfortável cresceu no meu
estômago. Talvez Ryder tivesse mudado a sua atenção para minha
prima? Afinal de contas, ela era mais o seu tipo, com suas tatuagens,
piercings e boca suja.

Mas seria cruel ele perseguir Lexi na minha frente. Talvez ele
simplesmente não se importasse. Suspirei pesadamente, ansiosa para
ver Ryder novamente, qualquer que fosse a razão para ele estar aqui.

— Oh meu Deus, não olhe agora, mas é a porra do Ryder Knox! E


adivinha quem malditamente acabou de se aproximar dele? — Lexi
gemeu quando chegamos à entrada. Para conseguir uma oportunidade
de virar e encarar o lugar onde ela imaginava que Ryder estivesse
escondido, ela começou a mostrar a sua bunda para a multidão.

Eu tive que rir alto. Só Lexi estaria disposta a expor sua bunda
para estranhos em benefício da nossa causa. Ela riu e disse que valeu a
pena, porque ninguém menos que Razor, o homem que ela gostava,
tinha se aproximado de Ryder no meio-fio.

Razor ainda não tinha visto ela, mas eu tinha certeza que era
apenas uma questão de tempo para que ela o deixasse louco com suas
palhaçadas e ele viesse correndo.

Eu canalizei a minha stripper interior, e comecei a girar meus


quadris, precisando engolir a bebida para entorpecer minha mente,
porque eu estava me sentindo como uma grande tola - e uma
vagabunda. Eu procurei através escuridão por Ryder, analisando as
cabines e tentando ver o seu rosto enquanto eu balançava meu corpo.

~ 147 ~
Mas ele estava longe de ser visto.

— Vamos lá, garota. — Lexi riu enquanto balançava sua bunda


contra a excitação furiosa de um cara muito bonito. Ela estava
aproveitando um pouco demais...

A merda ia vir abaixo hoje à noite. Ryder tinha me contado sobre


a atração de Razor por Lexi, e também sobre como ele era cabeça
quente. As chances de que os motoqueiros caíssem em nossas
armadilhas eram grandes.

Então o Cowboy se animou e me puxou contra ele. Merda. Não


era o homem que eu queria agora.

— Trabalhe com isso, prima — Lexi me estimulou. — Finja que é


Ryder.

Isso ajudava. Fechei os olhos e deixei o estranho me acariciar e


abraçar, o tempo todo sorrindo e imaginando que fosse Ryder. Mas
quando o Cowboy lambeu minha orelha, eu não consegui fingir por
mais muito tempo. Porque Ryder estava demorando fodidamente tanto
tempo? Ou será que ele realmente não se importava? Droga, talvez eu
devesse simplesmente sair com Cowboy, deixar que ele me levasse a
algum lugar, me oferecesse mais um pouco de álcool e me fodesse. A
bebida já estava trabalhando o seu caminho através do meu sistema,
me ajudando a perder as inibições.

Eu não tinha ficado com um homem desde que Ryder tinha me


deixado. Já haviam se passado seis semanas, e continuaria. Eu estava
cansada de usar B.O.B. e queria Ryder dentro de mim. Mas se ele não
me queria, eu tinha que me contentar com outra pessoa. Espiando Lexi
através dos meus cílios, eu me contorci quando a vi deixar o cara
tatuado apertar sua bunda e praticamente chupá-la com a boca. Ela
moía contra o corpo dele em um frenesi, e apesar de tudo ser parte do
plano, minha garganta estava apertada. E se as nossas táticas não
funcionassem? E se nem Razor, nem Ryder viessem para nos salvar?

Meus olhos se abriram quando eu ouvi Rebecca gritando. Razor


estava voando até Lexi com um olhar assassino em seu rosto.

— Merda! — o Cowboy murmurou em meu ouvido. — Vamos sair


daqui.

O Cowboy deve ter visto o rosto de Razor, porque ele tinha ficado
mais pálido do que a sua camisa azul-bebê. Eu olhei para trás, para ver

~ 148 ~
se Ryder estava em sua cola, mas não. Nada de Ryder. Meu coração se
afundou em meus sapatos de salto com bico fino.

— Venha baby, vamos para um lugar mais calmo — o Cowboy


disse e me puxou pela direção oposta da qual Razor tinha aparecido.
Decepção tomou conta de mim, e o meu coração se apertou. Se Ryder
estivesse aqui, e tivesse visto tudo isso, ele obviamente não poderia se
importar menos. E se ele na verdade estivesse conversando com outra
garota, planejando foder outra pessoa? É claro. Eu deveria dar um tapa
em mim mesma. Ryder não estava me seguindo. Como eu sou idiota.

Seguindo o Cowboy, eu quase tropecei em meus próprios pés


quando nós saímos da pista. O Cowboy parecia saber exatamente onde
estava indo, então eu apenas o segui, passado pela multidão de corpos
até chegarmos a uma passagem isolada na extremidade traseira do
clube. Eu estava humilhada, triste e com raiva, tudo ao mesmo tempo.
Eu precisava de alguém que me fizesse esquecer todas as coisas ruins
que eu estava sentindo.

O Cowboy era muito bonito. Seu cabelo castanho claro aparecia


por debaixo do seu chapéu, seu queixo quadrado estava barbeado e ele
tinha olhos brilhantes e inteligentes. Ele era o tipo de homem que eu
gostaria de sair - antes de conhecer Ryder. Limpo, saudável e inteligente
- essas eram as coisas que sempre me atraíam nos homens. Então por
que eu não estava excitada com o Cowboy? Eu tinha ficado frígida
novamente? O que diabos havia de errado comigo?

Chegamos a um corredor estreito, com degraus que levavam até


uma porta. Onde ele estava me levando? Sem fôlego, meu coração
batendo descontroladamente, uma mistura de medo e excitação correu
através de mim. Paramos em frente à porta, o Cowboy com o braço
possessivamente em volta da minha cintura, enquanto ele digitava
alguns números em um teclado. Eu ouvi um clique e ele abriu a porta,
me puxando para dentro.

Como ele sabia qual era o código?

Quem diabos era o Cowboy?

~ 149 ~
Capítulo Vinte e Nove
JADE

— Espere. Quem é você? Para onde você está me levando? — eu


engasgo. Ele já tinha fechado a porta atrás de nós. Porra.

— Não preocupe sua bunda sexy com isso, querida. Meu irmão e
seus sócios são donos deste lugar. Eu o ajudo. Estávamos observando
você e suas amigas daqui de cima - da sala de segurança - quando eu
decidi que precisava chegar até sua bunda bonita. Se você estava
oferecendo, eu iria aceitar — ele piscou para mim, um sorriso lascivo
em seu rosto — Eu não deixaria os outros idiotas impedirem que eu
ficasse com a garota mais bonita daqui esta noite. Meu irmão imaginou
a ruiva, mas eu quero você. Você e eu vamos ter o quarto só para nós
dois em breve. Vou mandar os garotos fazerem uma ronda no térreo.
Isso deve nos dar tempo sozinhos o suficiente.

Ele apertou minha bunda e me empurrou em direção à outra


porta. Através das grandes janelas de vidro escurecido, eu podia ver as
pessoas abaixo de nós. Este lugar era muito bom para observar a
multidão sem que eles percebessem. As janelas estavam cobertas por
espelhos do outro lado, de forma que parecessem parte da decoração,
não uma central de segurança. Droga.

— Façam uma ronda pelo clube — ele gritou quando entramos no


quarto. — De trinta minutos, no mínimo.

Os dois rapazes assentiram.

— Claro, Colt.

— Não, por favor, fiquem — eu implorei. Merda; Eu não queria


ficar sozinha com o Cowboy. Eles me ignoraram. Me tratando como se
eu não fosse nada, eles enfiaram fones em seus ouvidos e saíram da
sala.

— Vamos lá, querida. Tire tudo. — ele ordenou.

~ 150 ~
— Colt? Eu mal te conheço. Podemos tomar uma bebida e
conhecer um ao outro primeiro? — minha ideia anterior de querer
transar com um desconhecido estava me parecendo idiota agora.

— Claro, por que não? — ele falou lentamente, seus olhos


analisando meu corpo de forma apreciativa. — Os caras não vão voltar
por um tempo. Temos tempo o bastante para uma boa foda, hein? — ele
abriu um armário e tirou uma garrafa de whisky e dois copos. Talvez se
eu bebesse um pouco, eu esqueceria Ryder e deixaria Colt me foder,
com força, para que eu pudesse tirar Ryder da minha cabeça. Sim, isso
era exatamente o que eu precisava. O pau de outro homem me fodendo,
substituindo Ryder de uma vez por todas, para que eu pudesse seguir
em frente. A mensagem foi alta e clara. Ryder não se importava - ele não
me amava, ou sequer me queria.

Vamos lá, Jade, quanto mais cedo, melhor.

— Deus, você é linda. Eu não posso acreditar que você não tem
um namorado.

Apertei os olhos para ele.

— O que te faz pensar isso? Talvez eu tenha.

— De jeito nenhum seu namorado te deixaria vir a um clube


vestida dessa forma e dançar daquele jeito na pista de dança. Você
estava praticamente implorando para ser fodida, e parecia que você não
se importaria se fosse bem ali, na frente de todos. E deixar um estranho
tocar em você do jeito que eu te toquei... Eu aposto que sua buceta está
muito molhada neste momento.

Jesus. Quando Lexi me disse para imaginar Ryder, eu devo ter


deixado toda a minha saudade assumir, se foi isso que Colt viu. E por
que é tão fodidamente sexy quando Ryder fala comigo dessa forma, mas
com Colt parece que estou sendo ofendida? O que faz com que seja
diferente? Conversa suja é conversa suja, não é?

Cresça, Jade. Pare de viver no passado, na esperança de que


Ryder volte. Faça o que as mulheres em seus romances fazem. Deixe
este pedaço de Cowboy te violentar - te dar prazer. Sim, minha buceta
estava molhada, mas não por causa do Colt. Por que perder a
oportunidade? Ele não precisa saber o que eu estava pensando, que eu
estava imaginando Ryder... Que eu estava molhada e latejante, porque
estava imaginando Ryder me assistir dançar.

~ 151 ~
— Me dê mais uma bebida, Cowboy. — eu falo, tentando soar
descolada e madura. Minha cabeça estava começando a girar, e eu
comecei a relaxar quando Colt acariciou para cima e para baixo na
minha coxa, sua mão indo cada vez mais para cima, cada vez mais
perto da minha buceta. Era uma questão de segundos antes que ele
explorasse ainda mais...

Ele me beijou com força e paixão. Colt estava na minha. Ele me


queria realmente. Ele me puxou para os seus braços, sua ereção furiosa
deixando suas intenções perfeitamente claras. Sua mão deslizou para o
meu peito e esfregou um mamilo.

— Hmm querida, você tem a pele tão macia. Eu mal posso esperar
para te provar. — ele murmurou em meu ouvido enquanto levantava
meu vestido até meus quadris, expondo a cinta-liga e a calcinha que eu
usava combinando.

— Deus, você é gostosa. Isso é sexy pra caralho. — Colt gemeu


enquanto acariciava sobre o tecido, sentindo minha umidade. Ele me
girou, para que eu ficasse de frente para a janela, minha bunda virada
para ele. Minhas costas se arquearam quando ele acariciou minhas
nádegas antes de me empurrar para frente, de modo que eu precisei
colocar minhas mãos sobre o vidro para manter o equilíbrio. Senti a
vibração da música através do vidro, a batida da bateria ecoando no
meu coração.

Curiosamente, eu me perguntava o que tinha acontecido entre


Lexi e Razor. Rebecca estava bem? Eu esperava que ela não estivesse
com raiva de mim por ter sumido, mas eu não tinha dúvidas de que ela
teria uma companhia masculina de qualquer forma.

Mordi meu lábio quando Colt parou atrás de mim, moendo sua
ereção contra minha bunda enquanto suas duas mãos acariciavam
meus seios. Eu realmente quero isso? Abaixo de mim, centenas de
pessoas inundavam a pista de dança - uma multidão de corpos
balançando um contra o outro. Parecia uma grande orgia, se movendo
no tempo da música e das luzes intermitentes.

O meu olhar pousou em um homem, parado com as mãos nos


quadris, totalmente desconectado do restante da multidão. Ele parecia
tão fora de lugar que era difícil não percebê-lo. Eu respirei
profundamente quando o reconheci. Era Ryder.

A coisa mais bizarra aconteceu em seguida. Ryder olhou para


cima, exatamente para onde eu estava, com outro homem se movendo
contra meu corpo. Como se ele fosse atraído por mim, Ryder franziu os
~ 152 ~
olhos, esfregando o queixo, olhando em minha direção. Eu sabia que ele
não podia me ver através das janelas espelhadas, mas era como se ele
estivesse me encarando.

A mão de Colt se moveu para a minha virilha, mas antes que ele
pudesse deslizar os dedos sob minha calcinha, eu balancei minha
bunda e dei de ombros para afastá-lo.

— Já chega Colt. Isso não vai acontecer hoje à noite. — eu puxei


meu vestido para baixo, tentando recuperar minha dignidade.

— Baby. — ele gemeu. — O que você quer dizer? Eu quero isso,


você com certeza quer isso.

Eu levantei minha mão.

— Desculpe. — eu dei de ombros. — É direito de uma mulher


mudar de ideia.

— Você está falando sério? — ele levantou as sobrancelhas e os


seus lábios se apertaram em uma linha fina.

— Na verdade, eu nunca falei tão sério na minha vida. — eu


respondo enquanto arrumo meu cabelo.

— Bem, não é assim que as coisas funcionam por aqui. Só para


você saber, eu não aceito não como resposta. Você é uma provocadora;
Eu entendi. O que você quer gata? Você quer que eu implore? Isso vai te
convencer?

Com a minha boca aberta, eu balancei a cabeça.

— Ah, você quer que eu te obrigue, seja bruto. Com certeza,


querida, eu posso te foder com força. Sem problemas. É isso?

Minha garganta ficou seca. Jesus, eu estava em apuros.

— N... não. — eu gaguejei.

Ele jogou a cabeça para trás e riu.

— Porra. Eu entendi. Dinheiro. Eu nunca pensei que fosse isso


que uma mulher elegante como você gostaria. Quanto? — ele caminhou
até uma gaveta e tirou um maço de dinheiro. — Você tem sorte que é
tão linda, e que eu estou disposto a pagar para transar com você.

Consciente de que a porta estava trancada e de que eu precisava


de um código para sair, eu tinha que agir da forma certa.

~ 153 ~
— Não. Eu não quero o seu dinheiro. — gaguejei. — Eu só quero
ir embora.

— Querida, isso não vai acontecer. Eu estou duro por você.


Quanto mais você resiste, mais fodidamente excitado eu fico. Eu gosto
de determinação em minhas mulheres. Eu cresci em uma fazenda - Eu
gosto das coisas ásperas. Vai ser divertido domar você baby.
Malditamente vai.

O maço de dinheiro pousou sobre a mesa de madeira com um


baque. Ele contornou a mesa, a luxúria queimando em seus olhos
quando ele fechou a distância entre nós. A sala circular era sufocante;
não havia espaço para que eu me desvencilhasse dele, a não ser que eu
me atirasse contra o vidro. No entanto, eu não tinha dúvida de que isso
era impossível. Este vidro provavelmente era inquebrável. Além disso,
Colt se posicionou entre eu e a porta. Mesmo que eu soubesse a porra
do código, eu ainda assim tinha que passar por ele.

— Você é tão doce e inocente, mas eu aposto que você fode como
uma tigresa. — seu lábio superior se curvou em um sorriso malicioso.
Colt agarrou o tecido do meu decote e rasgou a parte superior com um
puxão forte. Eu ouvi os botões se espalharem pelo chão.

— Colt. Eu não estou procurando problemas. Eu gosto de você;


você sabe disso, certo? Mas eu sou uma garota à moda antiga. Eu só
quero fazer isso mais devagar. — Pânico tomou conta de meu peito, e
minha boca ficou seca. Eu iria precisar de todas as habilidades em meu
arsenal para sair dessa maldita situação na qual eu tinha me metido.

— Hoje à noite, você pode ter certeza de uma coisa. Eu vou foder
você. Devagar e com força, contra a janela, para que você possa assistir
as pessoas abaixo de nós enquanto eu faço você gozar.

— Por favor, Colt. Vamos descer para o clube e pegar uma bebida.
Tudo bem? — eu iria implorar se fosse necessário.

Colt me empurrou contra o vidro, sua boca no meu peito,


lambendo avidamente minha pele.

— Não. Primeiro, nós vamos foder. Você já brincou com meu pau
por tempo suficiente. Esta sala é à prova de som. Você pode gritar tão
alto quanto você quiser enquanto eu faço você gozar, porque ninguém
vai poder te ouvir. Além do mais, o som lá embaixo...

A porta se abriu. Atordoados, ambos viramos as nossas cabeças


em direção ao intruso. Eu poderia chorar de gratidão. Meus olhos se

~ 154 ~
encontraram com olhos cinza tempestuosos. Ryder estava ali, com os
punhos cerrados e o rosto contorcido de raiva.

— Que porra é essa, cara? Tire a porra das suas patas da minha
mulher. — ele rugiu, pronto para socar o Cowboy no rosto.

Com três passos largos, Ryder ficou na minha frente. Ele passou
os olhos por meu corpo, se atendo à minha blusa rasgada e ao medo em
meus olhos.

— Jade. Você está bem? — ele perguntou com a voz grossa. Ele
não me tocou. E ele me chamou Jade. Não Princesa. Nem mesmo
cadela. Apenas Jade.

Mas... Ele disse que eu era a mulher dele...

Eu só o encarei, sem palavras. Será que ele realmente queria ter


dito isso? Eu deveria estar feliz por ele ter me salvado? De novo? E
como ele sabia onde me encontrar?

Meu coração batia violentamente no meu peito.

Sua mulher.

~ 155 ~
Capítulo Trinta
RYDER

Marcus era um canalha. Não havia como negar isso. Mas pelo
menos ele estava trepando com alguma outra cadela. Este Cowboy, por
outro lado, estava tentando trepar com a minha mulher.

Nem sobre a porra do meu cadáver.

— Quem diabos é você? E como foi que você entrou aqui? — o


Cowboy gritou, claramente não muito feliz com a minha intrusão.

Alguém tossindo na porta fez com que nós três virássemos a


cabeça. O segurança corpulento que tinha nos mostrado o caminho pelo
o clube estava ali, parecendo desconfortável. Ele deu de ombros
enquanto ele tentava explicar.

— Ele é do Scorpio Stinger MC. Ryder me arrumou esse emprego.


Então quando ele me pediu para abrir a porta por causa de uma
emergência, é claro que eu o atendi.

— Bem, volte para o seu posto. Agora. Eu vou lidar com você mais
tarde. — o Cowboy estava perdendo a cabeça, mas eu não tinha
terminado com ele ainda.

Puxando sua camisa e a torcendo, de modo que o rosto do


Cowboy estava a poucos centímetros do meu, eu rosnei.

— Só porque nós temos um acordo com o seu irmão, e porque


você provavelmente não sabia que esta era a minha mulher, eu vou
deixar você se safar desta vez. Mas... Se eu perceber que você sequer
está olhando na direção dela, ou até mesmo pensando em tocá-la, eu
vou cortar seu pau e alimentá-lo para os pássaros. Entendeu Cowboy?

Subindo as escadas, Clive tinha me falado exatamente quem era a


porra do Cowboy que eu tinha visto apalpando Jade. E sorte a dele, ele
ainda estava totalmente vestido. Imagino que eu tenha chegado bem em
tempo.

~ 156 ~
Muitas pessoas não sabiam desta sala de segurança, mas
felizmente eu sabia, porque o irmão arrogante do Cowboy tinha nos
mostrado ela quando fizemos um passeio pelo clube há algumas
semanas. Fazer negócios com o clube compensou.

Quando Jade simplesmente desapareceu, eu quase perdi a porra


da minha mente. Ela estava agindo de forma completamente estranha
dançando daquele jeito, então eu imaginei que ela estava bêbada, e não
estava pensando racionalmente. E a maneira como a porra do Cowboy
estava sobre ela... Eu queria fazer ele fodidamente sangrar por causa
disso.

Mas haviam coisas mais importantes para tratar no momento. Eu


tinha que acertar as coisas com Jade. Eu estava rezando pra caralho
para que ela me aceitasse de volta, que eu não tivesse fodido com tudo
completamente e que não fosse tarde demais.

Cristo, talvez ela quisesse foder com o Cowboy, e eu era o único


que não tinha percebido?

Eu fechei os olhos por alguns segundos enquanto lidava com essa


possibilidade. Eu fodi pra caralho essa coisa preciosa, agindo como um
canalha idiota. Eu tinha rejeitado o amor que ela me ofereceu, então eu
não poderia culpá-la por querer seguir em frente. Mas doía pra caralho.

— Ryder? Por que você está aqui? — ela sussurrou, sua voz rouca
e trêmula.

Empurrei o Cowboy com força e ele cambaleou para trás, caindo


em uma cadeira. Felizmente, ele não era tão idiota quanto parecia,
porque ele ficou lá, com a boca escancarada, enquanto olhava para nós.

— Eu vim por você, baby. — minha voz falhou quando eu disse as


palavras. Ela tinha que saber o que sentia por ela, que eu a queria com
todas as fibras do meu ser. Que eu não conseguia respirar quando eu
estava longe dela.

— Você veio? — ela engasgou, seus belos olhos se enchendo de


lágrimas.

— Sim. — eu sorri, me sentindo como o idiota que eu era — Eu


não quero viver sem você, Princesa. Você é o que dá sentido a minha
vida... Faz valer a pena eu me levantar de manhã. Se eu não tiver você,
eu não tenho nada.

A puxei em meus braços, e encarei aquelas piscinas azuis. Eu


queria ver as respostas ali - eu queria olhar no fundo de sua alma, e ver

~ 157 ~
se ela ainda me amava o tanto quanto eu fodidamente a amava. Se ela
estava tão perdida sem mim como eu estava sem ela.

O que eu vi fez meu coração pular de alegria. Seus olhos


brilhavam, e não por causa de suas lágrimas, mas com amor
verdadeiro. Porra, como eu podia merecer algo como isso? Uma mulher
tão perfeita quanto Jade, me amando? Mas eu iria aceitar isso, e
mostrar todos os dias a minha gratidão por essa bênção que o universo
tinha finalmente me dado, a adorando.

— Você tem algumas explicações para dar, motoqueiro. — um


pequeno sorriso tocou seus lábios. Porra, ela ia me fazer pagar. Minha
menina advogada era inteligente.

Segurando seu queixo, eu levantei seu rosto em direção ao meu.


Abaixando minha cabeça, eu escovei meus lábios contra os dela. Deus
do céu. Era isso que eu estava sentindo falta. Apenas a sensação de
seus lábios contra os meus, e eu estava duro por ela. Ela segurava o
meu coração - e a minha vida - em suas pequenas mãos. Será que ela
sequer entendia o poder que ela tinha sobre mim? Eu levaria uma vida
inteira para explicar isso a ela.

Uma tosse vinda da cadeira me trouxe de volta ao presente.

— Porra. Vocês dois vão colocar fogo neste lugar se continuarem


com isso.

— Você é malditamente sortudo por eu ter que cuidar da minha


mulher, e não ter tempo para chutar suas bolas agora. Encontre um
quarto para nós. Agora. — eu lati para ele.

Na parte de cima do clube, haviam alguns quartos para os sócios


VIP. O irmão do Cowboy - que usava um chapéu tão grande quanto o
dele - tinha orgulhosamente nos mostrado eles em nosso passeio.
Nenhuma despesa foi poupada para torná-los tão luxuosos quanto
possível, e o idiota estava se vangloriando de cada um dos detalhes,
inclusive sobre os grandes espelhos nas paredes e nos tetos.

Enquanto eu estava procurando por Jade e o Cowboy, eu estava


rezando para que ele não tivesse a levado para um dos quartos de
hóspedes. Eles seriam mais difíceis de conseguir entrar - eu duvidava
que Clive tivesse o código de acesso. Ao invés disso, algo estava me
chamando para a sala de segurança. A atração era tão forte, que eu não
tive escolha a não ser seguir o meu instinto e ir até lá, ao invés de
investigar outras possibilidades.

~ 158 ~
Se eu tivesse feito a escolha errada... Estremeci com o
pensamento.

Esperançosamente, um dos quartos estaria disponível, porque eu


precisava ficar a sós com Jade. Eu não poderia esperar nem mais um
minuto. Eu precisava dizer a ela como eu me sentia. Reclamá-la
novamente como minha mulher. Sim.

— É a porra da sua noite de sorte que eu tenha reservado um dos


quartos de hóspedes para eu mesmo esta noite. Podem pegá-lo. Eu sei
quando fui derrotado. — o Cowboy era fodidamente mais esperto do que
eu imaginava. Ele retirou um cartão-chave do bolso da camisa. — Aqui.
Pegue o elevador para o quarto 314. É todo seu até amanhã de manhã.

Peguei o cartão de plástico branco de sua mão e lancei a ele um


olhar de advertência. Ele ainda não estava fora de perigo - eu iria
manter a porra de um olho nele, caso ele pensasse que a minha
Princesa fosse uma presa fácil. Eu não iria correr nenhum risco
novamente. Eu aprendi minha lição da porra da maneira mais difícil.

~ 159 ~
Capítulo Trinta e Um
RYDER

Fodidamente sorrindo de orelha a orelha, eu não conseguia tirar


meus olhos – ou minhas mãos - de Jade enquanto o elevador subia,
mas eu sabia que tinha um monte de explicações para dar, e que ela
não iria pegar leve. Depois do que eu a fiz passar, e da agonia de não
saber se ela iria me aceitar de volta, eu precisava de respostas. Eu teria
que jogar com tudo esta noite.

Jade tinha concordado em me acompanhar até o quarto de


hóspedes, mas isso não era uma garantia de que eu tinha me safado.
Não, eu tinha a impressão de que ela estava tão ansiosa para sair da
sala de segurança tão claustrofobicamente pequena e com uma vista
estranha, que ela teria concordado com qualquer coisa, se isso
significasse sua liberdade.

É exatamente por isso que eu estava segurando seu braço com


um aperto de aço, enquanto caminhávamos em direção ao quarto 314.
Ela já tinha fugido antes; Eu não ficaria surpreso se ela tentasse fazer
isso novamente. E porra, eu estava ficando cansado deste jogo de gato e
rato. Eu só queria que nós ficássemos juntos. Para malditamente
sempre, até o fim. A mecânica de como e onde eram menos importantes
do que a razão.

Quando eu passei o cartão, ela ficou parada em frente à porta,


rígida e sem sorrir.

— Isso é um erro. Obrigada por me salvar de um idiota


novamente; parece que você está sempre lá quando eu mais preciso de
você. Mas preciso ir agora. Eu só não posso fazer isso.

— Princesa. — eu respirei, meu coração afundando todo o


caminho até minhas botas.

— Por favor, não me impeça. É melhor assim. — ela ficou na


ponta dos pés e deu um beijo suave na minha bochecha. Então ela se
virou e foi embora. As portas do elevador ainda estavam abertas, então

~ 160 ~
ela entrou rapidamente e apertou o botão. Suas palavras me
paralisaram.

Por favor, não me impeça. É melhor assim.

Como eu poderia desrespeitar o seu desejo? Porra. O que diabos


eu deveria fazer? Vê-la ir embora?

Antes que eu pudesse me mover ou dizer qualquer coisa, as


portas do elevador se fecharam. A tristeza em seus olhos foi a última
coisa que eu vi. Porra. Isso significava que ela não me amava mais?

Sim, nossos mundos eram completamente diferentes.

Sim, eles tinham colidido - terrivelmente.

Sim, estávamos enfrentando o pior tipo adversidades - nossas


próprias famílias - que estavam nos separando. Sem mencionar a
minha maldita estupidez.

Foda-se essa merda.

Estava na hora de Ryder Knox lutar por aquilo que ele realmente
queria. Lutar pelo amor e pela felicidade. Até a porra do fim.

Se Jade não me amava mais, eu precisava ouvi-la dizer as


palavras diretamente para mim. Eu estava cansando deste medo de
perdê-la governando meus sentimentos, e negando o que meu coração
mais desejava. Por que diabos os seres humanos faziam isso consigo
mesmos? Cristo, eu era a porra do meu pior inimigo.

Levei mais dez segundos para começar a me mover. Desci as


escadas, dois degraus de cada vez. Eu tinha que pará-la. Eu tinha que
lutar por ela.

Ela era a minha mulher, e valia a pena lutar por ela.

Definitivamente.

Cheguei ao fim das escadas e corri em direção ao elevador. Vazio.


Porra.

Freneticamente, eu corri em torno do lobby, tentando descobrir


para onde ela tinha ido. Não havia tempo a perder. Eu precisava pará-
la, dizer a ela o quanto eu a amava, mesmo que ela não me amasse,
para que ela soubesse que possuía o meu coração... E a minha alma.

O que ela faria com esta informação era problema dela.

~ 161 ~
Do lado de fora, não havia nada além dos barulhos normais da
cidade. Minha garganta se apertou quando notei um táxi mais abaixo,
se afastando do meio-fio. Não havia nada que eu pudesse fazer. No
momento em que eu alcançasse a minha moto, ela já estaria muito
longe. Eu nem sequer sabia para onde ela ia. Mia tinha mencionado
brevemente que ela havia saído da casa de seus pais.

Fiquei ali parado, meu coração em pedaços. Sim, típico. Justo


quando eu pensei que as coisas dariam certo, elas viraram merda. Por
que essa porra sempre acontecia comigo? Passei os dedos pelo meu
cabelo, de repente malditamente cansado. Eu estava devastado pela
longa viagem da qual eu tinha voltado alguns dias atrás. Devastado pela
falta de sono e preocupação. Devastado por ter perdido a única coisa
que mais importava na minha vida.

Eu tinha perdido tudo, porque Jade era tudo o que eu sempre


quis. Ela me deixava completo.

~ 162 ~
Capítulo Trinta e Dois
RYDER

Eu finalmente cheguei à noite mais escura da minha vida. Tudo


tinha colidido e queimado; apenas brasas sobraram das chamas.

Desolado e cansado até os ossos, lembrei que em minha corrida


louca para chegar até Jade, eu tinha deixado a porta do quarto de
hóspedes aberta. Esgotado, eu balancei a cabeça e decidi voltar até lá
em cima e descansar, para que eu estivesse pronto para fazer novos
planos na parte da manhã. Eu sabia que tudo o que aparentava ser
instransponível na escuridão da noite, de alguma forma, não parecia
um grande obstáculo na luz do dia.

Muito abalado para me preocupar com qualquer coisa, eu entrei


novamente no elevador e fui até o terceiro andar. Seria muito difícil até
mesmo encontrar o caminho de volta para o complexo, então eu iria
passar a noite aqui. Fechei a porta. O quarto estava escuro, mas eu não
me importei em encontrar o interruptor de luz.

Tirei minhas botas quando entrei, as joguei em um canto, e


caminhei em direção à cama. Eu precisava dormir. Uma exaustão como
eu nunca tinha sentido antes tomou conta do meu corpo. Eu
simplesmente não conseguia me importar com mais nada, agora que
Jade tinha saído da minha vida.

— Ryder? — sua voz flutuava suavemente através da escuridão.

Porra. Agora eu estava tendo alucinações. E eu não tinha tocado


em uma gota de álcool ou de qualquer outra substância, o que
significava que eu estava pior do que eu imaginava. Meus olhos se
ajustaram lentamente à escuridão, e eu tropecei contra algo que eu
presumi ser a cama. Eu precisava me deitar e fechar meus malditos
olhos.

Eu caí na cama de bruços, com os braços esticados.

— Ryder! — sua voz estava mais alta; parecia tão fodidamente


real que eu poderia gritar. A Princesa estava me atormentando, fodendo

~ 163 ~
com a minha mente. Neste ritmo, seria impossível adormecer se eu
continuasse ouvindo a sua voz.

Uma mão suave tocando o meu ombro me fez pular. Porra!

Nunca tendo acreditado em fantasmas, eu tentei agarrar


cegamente na direção da voz, apenas para ouvi-la rindo baixinho. Eu
definitivamente estava ficando louco. Porra.

— Você está louco. — a voz doce sussurrou. Porra, eu não poderia


estar mais de acordo. Eu tinha certeza.

Suas curvas suaves pressionaram contra meu corpo duro. Eu


conseguia até mesmo sentir seu cheiro. Se isso era mesmo um sonho,
eu não queria acordar. Nunca.

— Durma baby, você está tão cansado. Só durma. — ela


sussurrou enquanto acariciava meu cabelo. Em algum lugar entre a
consciência e o sono, eu sabia que isso era real.

Então era assim que se parecia uma experiência fora do corpo.

Ela estava aqui. Eu não sabia por que ou como. Ela estava me
segurando, me acariciando.

Me amando.

Eu estava em casa.

***

Eu acordei no meio da noite com meu corpo enrolado em torno do


corpo suave de Jade. Primeiramente, eu pensei que era tudo parte do
sonho que eu havia tido mais cedo. Eu acariciei seu cabelo e beijei seu
pescoço. Ela gemeu baixinho enquanto dormia.

Ela era fodidamente real.

Nós dois estávamos completamente vestidos, mas era bom apenas


abraçá-la. Eu não fazia ideia de que eu poderia me sentir tão em paz
apenas por ter minha mulher em meus braços.

Agora que eu tinha dormido um pouco, eu estava me sentindo


melhor. Meus olhos se adaptaram à escuridão, e eu pude ver o belo
rosto de Jade à luz da lua, seus longos cílios varrendo suas bochechas e

~ 164 ~
seus lábios se curvando em um pequeno sorriso, até mesmo enquanto
ela dormia.

Ela se moveu contra meu corpo, abrindo os olhos e me encarando


diretamente. Olhamos com espanto um para o outro. Sim, nós
precisávamos conversar, mas agora as palavras não eram necessárias.
Mesmo que nós dois entendêssemos o quanto nossas vidas ficariam
difíceis se escolhêssemos fazer isso, tínhamos que decidir se era o que
realmente queríamos - e depois ir em frente. Juntos. Não havia outra
maneira.

Sem dúvida, eu estava dentro. Cem por cento.

~ 165 ~
Capítulo Trinta e Três
JADE

Ryder estava olhando para mim de uma forma que nunca tinha
olhado antes. Normalmente, seus olhos estavam cheios de luxúria, mas
agora havia algo diferente neles. Ele estava me deixando olhar
profundamente em sua alma. Até hoje à noite, ele sempre tinha sido
cauteloso, mantendo seus olhos encobertos, para impedir que qualquer
um pudesse vê-lo realmente. Era um mecanismo de defesa que eu
também tinha visto Harrison usar, então eu estava muito consciente
dele. Era maneira dele de esconder sua dor para o resto do mundo.

Deixar que eu visse sua alma era um grande negócio para Ryder.
Ele estava tão acostumado a agir de forma dura e cruel o tempo todo,
nunca querendo mostrar fraqueza para que ela não fosse usada contra
ele, que isso deve ter se tornado um hábito difícil de quebrar.

Talvez fosse porque ele se sentia seguro e amado, que agora ele
estava disposto a se abrir para mim. Isso me fazia amá-lo ainda mais,
sabendo como isso era difícil para ele.

— Oi. — eu sussurrei para o escuro. Éramos as duas únicas


pessoas aqui, no entanto, parecia errado falar alto. Iria quebrar a magia
do momento.

— Você voltou. Você não foi embora. — a voz de Ryder estava


cheia de admiração. Até mesmo reverência.

Eu balancei a cabeça, um grande nó na garganta. Ele beijou


minha testa, suavemente, gentilmente.

— Por que, Princesa? Por que você voltou?

— Por que... Por que apesar de eu saber que os nossos mundos


são tão diferentes... E que vai ser difícil para nós dois... Sem contar
nossas famílias... Eu quero um “nós”. — Ryder era um homem sem
rodeios, então eu fui direta com ele.

Ele suspirou.

~ 166 ~
— Sim, eu sei. Mas vai valer a pena, você não acha?

Eu pensei sobre suas palavras antes de responder. Era lisonjeiro


que ele pensasse dessa forma. Meu coração se encheu com tanto amor
por este homem, que estava perto de explodir.

— Sim, acho que sim. — eu respondi com cuidado.

— Porra, Princesa. Aqui estou eu, pronto para arrebentar minhas


bolas e brigar por você, e tudo que você tem a dizer é ‗Eu acho que sim‘?

Eu não consegui evitar - uma pequena risada escapou dos meus


lábios. Meu Ryder estava de volta. O homem que falava o que pensava,
se se importar com meios termos.

Deus, eu o amava.

— Você vai lutar por mim? — perguntei, precisando garantir para


eu mesma que tinha entendido suas intenções corretamente.

— Fodidamente sim... Até a morte, Princesa. Porque a vida sem


você não vale nada.

— Sério? — eu suspirei.

Um sorriso se contorceu no canto de seus lábios.

— Sim, sério. Eu quero estar com você até o meu último suspiro.

Essas palavras, saindo dos lábios deste homem, eram tão bonitas
- exatamente o que eu precisava ouvir.

Ryder esfregava pequenos círculos para cima e para baixo em


minhas costas, fazendo com que eu ficasse mole em seus braços, mas
ele tinha que esclarecer muitas coisas antes que eu estivesse satisfeita.
Especialmente depois do que ele disse quando foi embora.

— Porque esta diferença em seus sentimentos agora, Ryder? O


que mudou?

Ele sorriu timidamente.

— Mulher, você é fodidamente irritante. Desacreditando a


testemunha até que você tenha suas respostas.

— Eu preciso saber Ryder, senão eu vou sempre me perguntar.


Então se você me disser a verdade, vai eliminar um monte de segundas
opiniões.

~ 167 ~
— Cristo. Eu pensava que você ia ser a melhor advogada do
estado. Mas eu estava errado.

— Por quê? — perguntei, chocada com suas palavras.

Ele riu.

— Porque você vai ser a melhor advogada da porra do país.

Eu sorrio.

— Muita pressão? Isso pode significar que eu vou ter que


processar a sua bunda de motoqueiro.

— Não se eu for o seu marido. Eu não vou permitir isso.

Eu respirei fundo. O que ele quis dizer?

— Sim, não fique tão surpresa. Porque eu nunca iria deixar você
ir embora depois de hoje à noite. Lide com isso. — seus olhos estavam
sérios, nenhum um traço de desdém à vista.

— ―A Princesa e o Motoqueiro Durão‖. Eu posso até mesmo


imaginar as manchetes nos jornais. — eu brinco, mantendo nossa
conversa leve. Eu não queria Ryder corresse com medo se eu usasse a
palavra com ―A‖ novamente – definitivamente eu não gostei da forma
que ele enlouqueceu da última vez que eu disse a ele que o amava.

— Você desistiu de nós, Princesa. Isso me machucou. — ele disse,


me pegando de surpresa. Não era ele quem tinha ido embora? Ele
deixou a cidade, e dirigiu com sua moto por mais de mil quilômetros
para ficar longe de mim. Venha falar sobre estar machucado.

— Por que você está falando isso?

— Ficando com o Cowboy. Você ia deixar ele te foder se eu não


tivesse chegado a tempo de impedi-lo. Porra, eu vou bater na sua bunda
por me fazer passar por essa agonia.

Meu núcleo se apertou com o pensamento. Umas palmadas de


Ryder eram eróticas, e mesmo que ele me machucasse, ele faria ficar
bom depois. Eu até arriscaria irritá-lo de vez em quando, só para
receber umas boas palmadas. De alguma forma, isso deixava o sexo
depois ainda melhor, correndo pela linha tênue entre a dor e o prazer.

— Era você quem não me queria mais. Você mesmo disse isso.

— Baby. Eu te quero desde o primeiro momento em que coloquei


a porra dos meus olhos em você. A cadela mandona que olhou por cima

~ 168 ~
de seu lindo narizinho para mim, era sexy como o inferno. Você me
tinha desde o primeiro dia, minha Princesa.

— Eu tinha? Você conseguiu me enganar muito bem.

— Meu pau sabia, até mesmo naquele dia – o que meu coração
não percebeu na época.

— O seu coração? — eu coloquei meus dedos sobre seu coração.


Ele estava batendo mais rápido do que o normal. Assim como o meu.
Ele estava batendo com tanta força, que eu estava surpresa por não ter
quebrado algumas costelas no processo.

— Meu coração está um pouco enferrujado, baby. Ele não


percebeu o quanto eu te amava, até que eu pensei que você tinha
seguido em frente.

— Você me ama? — eu sussurrei.

— Chega de perguntas. Você me ouviu. — o brilho malicioso em


seus olhos estava fazendo meus dedos se curvarem. Era tão difícil para
ele dizer essas três palavras mais uma vez? Eu teria que usar todas as
minhas habilidades de advogada para arrancá-las dele. Ahhh, homens.

— Eu não tenho certeza exatamente do que eu ouvi. Talvez eu


tenha entendido mal. Só quero ter certeza de que estamos na mesma
página aqui. — eu o persuadi.

— Contanto que seja a minha página, eu posso viver com isso. —


Ele sorriu largamente.

— Pretensioso, arrogante, exigente... hmmm... ‗Me deixe contar as


maneiras que amo a ti‘5...

Ele riu, um riso amável, de dentro de sua barriga. Plantando um


beijo em minha testa, ele suspirou.

— Shakespeare não tem nada a ver com nós. Mas já que eu não
sou um motoqueiro idiota, e você está citando-o... Me deixe te dizer uma
coisa. — ele fez uma pausa para conseguir um efeito dramático,
sorrindo para mim de uma forma que minhas entranhas começaram a
vibrar. Ele olhou diretamente nos meus olhos. — Você é a porra da
minha Julieta. Eu vou morrer por você, baby.

5
Referência ao Soneto 43 de Elizabeth Browning, poeta que se inspirava em Shakespeare.

~ 169 ~
Não foi exatamente da forma que eu imaginei que teria uma frase
clássica citada para mim, mas saindo da boca de Ryder, era perfeito - a
coisa mais romântica que homem já tinha me dito.

Só fodidamente perfeito.

~ 170 ~
Capítulo Trinta e Quatro
RYDER

Eu nunca disse essas três palavras que Jade precisava ouvir para
uma mulher; e porra, elas simplesmente não saíam de meus lábios.
Meu coração estava explodindo com amor, alegria e felicidade. No
entanto, dizer aquelas simples três palavras era uma tortura. Era a
porra da maior coisa em toda a minha vida.

Finalmente, eu tinha um nome para a forma como eu me sentia


sobre Jade. Amor. Era tão simples, e tão complexo. Estava me
consumido completamente. Tomou conta de mim. Me deixou
fodidamente ajoelhado.

Não havia maneira melhor para que ela soubesse o quanto eu a


amava. Ao invés de dizer a ela, eu queria mostrar a ela. Sim.

Segurando seu rosto com as minhas mãos, eu abaixei minha


cabeça e a beijei suavemente, lentamente e profundamente - colocando
cada grama do meu amor neste único beijo. Ela amoleceu contra meu
corpo, me beijando de volta com tudo o que ela tinha. Sim, estávamos
na mesma página, definitivamente.

Fazia tanto tempo que eu havia sentido a sua pele contra a


minha, que eu estava ansioso para fazer amor com ela. Sim, não apenas
transar com ela, mas realmente fazer amor. Havia uma diferença; antes
disso eu só tinha transado, mas hoje eu queria mostrar a ela meu amor.

Eu beijei ao longo de sua mandíbula, mordiscando e provando


sua pele, até chegar a sua orelha. Chupei o lóbulo em minha boca, e
puxei suavemente. Embora eu estivesse queimando para entrar nela, eu
iria fazer isso muito lentamente, curtindo e adorando tudo de Jade. Ela
gemia baixinho, e eu sabia que a pele abaixo de sua orelha era muito
sensível, então eu beijei e lambi aquela área também.

Empurrando seu vestido para baixo dos ombros, eu rosnei


quando notei os botões que estavam faltando na parte de cima. Cowboy
maldito. Como ele fodidamente se atreve?

~ 171 ~
Eu a livrei do seu vestido e inspirei profundamente quando a vi
deitada, usando apenas sua lingerie. Deus, ela era tão linda, sua pele
macia implorando por meu toque. E eu gostaria de tocá-la - de adorar
cada centímetro da sua pele - durante toda a noite.

Levantando da cama, eu caminhei até o banheiro. Sim,


exatamente como eu imaginei: uma banheira do tamanho de uma mini
piscina, com jatos e sprays dominava o cômodo espaçoso. Atravessei o
banheiro, acendendo todas as cinquenta velas em torno da banheira.
Minha Princesa merecia o melhor. E eu teria certeza que ela iria receber
o que merecia.

Procurando na geladeira, eu sorri. O Cowboy tinha a abastecido


com champanhe o suficiente para encher a porra da banheira.
Felizmente, nós preferíamos beber, então eu peguei duas taças geladas,
um balde de gelo e os levei até a banheira, enchendo os copos até a
borda. Tirei minha roupa e fui atrás da minha menina.

— Olá, garotão. — ela riu quando viu meu pau, duro e pronto
para ela. Ela ergueu os quadris quando eu puxei sua calcinha, e depois
levantou para que eu soltasse o seu sutiã, deslizando-o pelos braços e
expondo seus seios para mim. Encarei com um sorriso lascivo. Meu pau
estremeceu com apreciação, fazendo-a rir.

Ela torceu seu longo cabelo loiro e deu um nó no topo de sua


cabeça. Ela parecia sexy pra caralho, com alguns fios flutuando em
torno de sua face - tão feminina e bonita que fazia meu coração doer de
tanto amor.

Eu a levantei da cama e a levei para o banheiro. Seus lábios


estavam úmidos à luz suave das velas, me convidando para chupá-los.
Ela apertou seus seios no meu peito, seus mamilos duros escovando
minha pele. Eu a coloquei na banheira e a segui ansiosamente. Sentado
atrás dela, eu a puxei para meu peito enquanto acariciava seus seios,
beijando seu pescoço. Ahh, isso era como o céu.

— Um brinde. — ela falou enquanto me entregava uma taça.


Porra, os caras iam rir pra caralho se eles me vissem neste momento,
em uma banheira enorme e chique, com velas por toda a porra do lugar,
bebendo algo que não poderia ser mais feminino, e aproveitando cada
segundo do caralho. Eu estava começando a entender por que Max
tinha tanto prazer em viver no luxo, e estava tentando me seduzir para
me juntar a ele. Era viciante.

Ou era por causa de Jade que era tão prazeroso?

~ 172 ~
Jade virou dentro da banheira para me encarar. Nós fizemos um
brinde com nossas taças, ambos sorrindo quando olhamos nos olhos
um do outro.

— Pela felicidade. — eu falei, ressaltando cada palavra. Ela


repetiu as minhas palavras, sorrindo.

Assistindo Jade tomar um gole, meu coração se apertou em meu


peito pelo quão adorável ela era quando torcia o nariz, porque as bolhas
fizeram cócegas em suas narinas. Porra. Eu nunca teria o bastante de
apenas olhar para ela. Meu pau estava morrendo de vontade de entrar
nela, mas ainda não era a hora.

— Então. — ela falou lentamente, levantando uma sobrancelha


perfeita para mim. — Como é que vamos fazer isso? Porque eu já
quebrei a cabeça, e ainda não encontrei uma solução sobre como
convencer Harrison que está tudo bem ficarmos juntos. E Cobra; como
ele vai aceitar se você decidir ficar comigo?

Eu dei de ombros.

— Eu honestamente não sei, baby. Mas o que importa é que


estaremos juntos, não é? Eu não quero passar mais nenhum dia sem
você. Eu vou falar com Cobra sobre fazer de você a minha old lady.

A forma que seus olhos se arregalaram, e que ela quase se


engasgou com o champanhe, teriam me feito rir se não fosse um
assunto tão sério. Por mais de mil quilômetros na minha moto, eu não
pensei em mais nada do que como iríamos lidar com isso. Eu refleti
sobre cada ideia que surgiu em minha cabeça. Eu poderia ser capaz de
convencer Cobra; Eu o conhecia pela maior parte da minha vida. Ele
era meu irmão, pelo amor de Deus. Certamente, ele queria que eu fosse
feliz, não é? Ele sempre tinha me dito que o amor de uma mulher era a
melhor coisa que qualquer homem poderia experimentar. Será que ele
realmente iria me negar isso? Mesmo que a mulher fosse Jade? Porra,
eu teria o trabalho dobrado se Cobra estivesse determinado a colocar o
clube em primeiro lugar. Eu teria que apelar para a nossa irmandade, e
esperar que isso não se voltasse contra mim.

Quanto ao raivoso e agressivo policial do caralho? Eu não tinha


nenhuma maldita ideia de como lidar com ele. No entanto, eu não
poderia deixar que ele fosse a razão para que Jade e eu nos
separássemos. Nem agora, nem depois de toda a merda que tínhamos
passado. Simplesmente tinha que haver uma maneira de contornarmos
isso. Eu continuaria procurando por uma solução, não importa o quão

~ 173 ~
difícil fosse, ou quanto tempo levaria. Porque eu queria uma vida com
Jade. Sem impedimentos. Sem restrições ou regras.

— O... O quê? — ela gaguejou. — S... Sua... old lady?

— Você me ouviu, Princesa. Eu quero a sua bunda sexy na parte


traseira da minha moto. Eu quero casar com você. Ter uma porrada de
bebês com você. — eu levantei uma sobrancelha para ela. — Você tem
algum problema com isso?

Ela balançou a cabeça, mordendo o lábio inferior enquanto me


olhava por debaixo de seus cílios. Eu levantei seu rosto para o meu e vi
que seu queixo estava tremendo, lágrimas enchendo seus grandes olhos
azuis. Porra, eu queria fazê-la feliz, não fazê-la chorar.

— Baby, — eu suspirei, chateado que ela estivesse triste — Qual é


o problema? — meu coração estava tão apertado que parecia que ia
entrar em colapso dentro do meu peito. O que eu disse de tão errado
que a fez chorar? Porra.

Ela balançou a cabeça.

— Não. Não tem nada de errado. — ela disse, sorrindo em meio às


lágrimas. O que diabos isso significava? Eu nunca tinha visto uma
mulher se comportar assim. Isso estava mexendo com a minha cabeça.

— Então por que as lágrimas, baby? — eu esfreguei meu polegar


sobre seus lábios trêmulos.

— Porque você acabou de me fazer a mulher mais feliz do mundo.


— ela piscou através das lágrimas, seu sorriso quase arrancando meu
coração.

— Você está feliz? — eu estava fodidamente chocado. Mulheres.

— Uh-huh, — ela assentiu — nunca estive mais feliz.

Eu beijei as lágrimas em seu rosto, secando-as.

— Ah, é? — eu sorri, feliz pra caralho com a sua resposta.


Finalmente estávamos chegando a algum lugar.

Ela encheu nossos copos, e eu observei enquanto ela tomava um


gole de champanhe. Um copo era o suficiente para mim; Eu preferia
beber uma cerveja ou um copo de whisky. Velhos hábitos custam a
morrer. Mas eu podia notar que ela estava gostando, e isso era o
suficiente para mim. Em vez disso, peguei seus pés e massageei as

~ 174 ~
solas, primeiro um, depois o outro. Pareceu funcionar como mágica,
porque ela gemeu baixinho, e seus olhos ficaram suaves e úmidos.

— Escute, eu acho que sei como lidar com isso. Eu sei que você
comprou um apartamento, porque Mia me disse. Sem dúvidas, Harrison
deve estar vigiando, por isso eu não vou conseguir ir até lá. — eu a
encarei para ver se ela estava seguindo a minha linha de pensamento.
— Eu tenho acesso a um lugar em Malibu. Pertence à empresa do Max,
e ele me pediu para morar lá há alguns anos atrás, mas eu não
precisava de uma casa naquela época. Agora eu preciso. Vou falar com
Max e descobrir se sua oferta ainda está de pé.

— Supondo que estará, o que faremos? — ela perguntou em voz


baixa.

— Se estiver, vou organizar para me mudar. Então você pode ir


para lá à noite, depois do trabalho, e nos fins de semana. — O jeito que
ela estava mordendo o lábio significava que ela não tinha certeza de que
isso iria funcionar. Era arriscado, mas porra, eu precisava vê-la todos
os dias.

— Ryder, eu não tenho certeza que isso vai funcionar. E se


Harrison me seguir? E Cobra vai ficar louco também, porque você vai se
colocar em risco.

Merda. Minha menina era inteligente. Ainda assim, eu precisava


convencê-la, caso contrário eu estava ferrado.

— Vai ser complicado, eu sei, mas vamos ter que nos arriscar até
que possamos descobrir como lidar com as nossas famílias. Por agora, é
a melhor solução. Pelo menos podemos ficar juntos, e a casa de Max é
muito bonita; você vai gostar. Ela tem seu próprio acesso à praia, o que
a torna realmente privada. Max instalou uma segurança reforçada, por
isso é o melhor lugar para nós ficarmos juntos por enquanto.

— Parece como pôr uma capa em uma espada. Tão perigoso. Por
que isso não pode ser mais simples? — ela parecia exasperada. Eu
entendia exatamente como ela estava se sentindo.

— Porque nada que vale a pena vem de forma simples. Ou sem


lutar. E não se engane – eu vou lutar por isso. Eu sou um bastardo
persistente. — eu sorrio.

A Princesa não tinha ideia do quão longe eu iria por ela.

~ 175 ~
Capítulo Trinta e Cinco
JADE

Eu realmente queria acreditar que tudo o que Ryder estava


dizendo era verdade. Era como se os meus sonhos virassem realidade -
vê-lo todos os dias, e apenas ficar com ele, para conhecermos um ao
outro ainda melhor. Mas havia muito mais do que apenas nós dois
envolvidos neste processo.

— Você realmente acha que nós estamos destinados a ficarmos


juntos? A Princesa e o Motoqueiro? Ou isso é apenas uma fantasia
passageira? Será que somos atraídos um para o outro porque somos tão
diferentes, e parece excitante para nós dois? E se a magia desaparecer
quando as coisas ficarem muito difíceis, e você querer desistir de lutar?
O que vamos fazer então, Ryder?

Ele suspirou.

— Baby, você não entende. Agora que chegamos até aqui, não há
como voltar atrás. Eu sei o que eu quero. Você. Isso nunca vai mudar.
Coloque isso em sua cabecinha.

Eu bebi mais um pouco de champanhe. Eu podia ver que Ryder


estava falando completamente sério. Ele tinha pensado sobre isso, e
tomado sua decisão.

Meu coração sabia o que queria: Ryder. Mas minha cabeça era
muito prática para acreditar que isso seria fácil, sem nenhum
problema. As probabilidades contra nós eram praticamente
insuperáveis.

Será que o nosso amor era forte o suficiente para nos fazer passar
por um inferno, apenas para que pudéssemos ficar juntos? Só o tempo
iria dizer. Se Ryder estava disposto a lutar por nós, então eu também
estava. Estava na hora de nos unirmos como um casal, e enfrentar os
desafios.

— Eu entendo. Eu realmente entendo. Porque eu me sinto da


mesma forma.

~ 176 ~
O sorriso que dividiu seu rosto era uma recompensa boa o
suficiente. Sim. Eu tinha feito a escolha certa.

— Eu te desejei desde o primeiro dia em que te vi. Eu admito que


a princípio, era pura luxúria. Seus seios empinados, sua bunda
redonda, e sua boca inteligente... Porra, eu queria tudo. — Ele beijou
meu pescoço, até que ele chegou aos meus seios. Ele os segurou com
suas grandes mãos calejadas, e sugou um mamilo com sua boca. Isso
enviou uma onda de choque diretamente para o meu núcleo. Eu
empurrei meu corpo para frente, sem vergonha, querendo que ele
tomasse mais de mim com seus lábios. Sua barba raspou sobre a
minha carne quando ele moveu sua boca de um seio para o outro,
rolando um mamilo entre seus polegares até que eu gritei de prazer.

Com as duas mãos segurando minha bunda, ele me puxou para


mais perto, para que sua ereção ficasse presa entre nós.

— Você está vendo o que faz comigo, minha linda garota? — ele
perguntou, suas pupilas dilatadas.

Eu agarrei o seu comprimento, acariciando para cima e para


baixo, enquanto apertava suas bolas. Seus olhos reviraram em sua
cabeça.

— Jesus, Princesa. Seja gentil. Minhas bolas estão explodindo.

Eu ri baixinho quando levantei meus quadris para fora da água e


afundei novamente, levando-o dentro de mim. Eu estava morrendo para
tê-lo ali, e agora que eu sabia o quanto ele me queria, eu também sabia
que ficaríamos bem. Não seria fácil, mas porra, nós tínhamos um ao
outro. Isso era o suficiente para mim. Teríamos que resolver o restante
da melhor forma possível. Agora eu queria que Ryder me possuísse. Eu
queria que ele me mostrasse o quanto ele me amava.

Ele alcançou meu clitóris e o esfregou enquanto eu o montava,


espirrando água em torno de nós enquanto eu subia e descia em seu
pau. A sensação era de pura felicidade, o atrito me deixando louca, até
que eu estava a ponto de ficar fora de controle. Mordi seu pescoço,
gemendo alto quando eu gozei em seu pau, o ordenhando com força.

— Jesus, baby. Você é tão gostosa. Meu pau te ama. — ele


resmungou, engolindo em seco, seu pomo de Adão subindo e descendo.
Seus dedos cavados em minha bunda enquanto ele bombeava contra
meu corpo, chamando meu nome.

~ 177 ~
Bem, pelo menos o seu pau admitiu que me amava. Eu poderia
viver com isso.

Os nossos peitos arfavam enquanto diminuíamos a intensidade,


sabendo que isso era apenas o começo. Tínhamos o resto de nossas
vidas pela frente - juntos.

Assim que a nossa respiração se acalmou, Ryder ensaboou meu


corpo, delicadamente e com reverência, acariciando cada centímetro da
minha pele. Deixei que ele cuidasse de mim, me escorando e apenas
desfrutando do prazer de ser cuidada por meu homem.

Quando chegou a minha vez, eu ensaboei minhas mãos e sentei


sobre meus calcanhares, massageando o sabão em sua pele da mesma
forma. Ele fechou os olhos, suspirando de prazer enquanto eu
acariciava seu pau, afagava as suas bolas, e massageava as suas costas
e torso, traçando meus dedos ao longo do contorno de cada tatuagem.

Eu tinha notado o novo brinco em sua orelha esquerda quando


ele entrou na sala de segurança, horas atrás, mas não tive a
oportunidade de comentar ou elogiar. Agora que eu o tinha visto
novamente; Eu simplesmente não podia resistir a chupá-lo.

— Baby. — seu pat endureceu novamente. Ele enrolou os dedos


em meu cabelo, segurando firmemente. — Me chupe. — ele ordenou, se
levantando e sentando no banco dentro da banheira. Agora eu
finalmente entendia para quê eles serviam. Ele empurrou seu pau em
minha boca, segurando minha cabeça. Segurando suas bolas com
minhas mãos, eu o tomei completamente, deixando que ele fodesse a
minha boca, ouvindo sua respiração ofegante e os sons de apreciação
que ele fazia.

Ele puxou meu cabelo para trás. Seus olhos estavam escuros; ele
estava no limite.

— Já chega. Vamos voltar para o quarto. — ele disse — preciso


estar dentro de você.

Eu sorri para ele, feliz por poder lhe dar tanto prazer.

Ele saiu da banheira e enrolou uma toalha em volta de sua


cintura. Eu ri, pois seus pau a levantou. Sua ereção furiosa não estava
se comportando nem por um segundo.

— Você pode ver como o meu pau não se cansa de você? — ele
brincou enquanto segurava uma toalha para mim.

~ 178 ~
Ele me secou rapidamente, sua boca sugando algumas gotas de
água na minha barriga, enquanto ele passava a toalha entre as minhas
pernas. Eu gemi quando sua língua circulou meu umbigo. Não era
justo; enquanto ele secava a minha pele, eu estava ficando mais úmida.

Seu dedo acariciou entre as minhas pernas, como se ele tivesse


lido minha mente.

— Molhada para mim, baby? — ele riu.

— Tão molhada, Ryder. Tão pronta para você, baby. — seus olhos
se arregalaram com a minha resposta insolente. Ele riu quando me
levantou em seus braços e me levou de volta para a cama. Desde
quando ele pensava que eu era incapaz de caminhar? Eu encostei meu
rosto em seu pescoço e inspirei profundamente. Sim, Ryder cheirava a
sexo. Não havia nenhuma outra maneira de descrever. Cada hormônio
em meu corpo ficou completamente enlouquecido.

Ele me deitou na cama e se arrastou por cima de mim.

— Minha Princesa... Minha cadela. — ele gemeu — Toda minha.

Ele acendeu a lâmpada da cabeceira, e puxei uma respiração


profunda quando vi o quarto. Eu só tinha o visto com pouca luz, e não
tinha notado os espelhos que nos cercavam, até mesmo no teto. Oh
Deus.

Ryder separou as minhas pernas.

— Me observe enquanto eu te como, baby, — ele ordenou. Porra,


isso era excitante.

Meus olhos estavam grudados no espelho acima de nós. Eu


assisti enquanto seus dedos separavam meus lábios. Nós dois
inspiramos profundamente quando percebemos o quanto eu estava
molhada, minha buceta brilhando sob a luz fraca.

— Porra, baby, eu preciso te provar.

Sua cabeça desapareceu entre as minhas pernas. Deus, eu


poderia ter gozado na primeira lambida que ele deu em minha buceta
inchada. Era tão bom. Eu gemia, sem vergonha, deixando que Ryder
soubesse quanto prazer ele estava me dando. Ele chupou, lambeu,
beijou e sugou minha excitação, tudo isso enquanto eu observava sua
cabeça se movimentando em cima da minha vagina. Meus dedos se
emaranharam em seu cabelo, não querendo que sua boca deixasse
minha buceta. Ele enfiou três dedos dentro de mim, acariciando contra

~ 179 ~
o meu ponto G até que eu não consegui lidar com isso por muito mais
tempo, me contorcendo e gemendo como uma puta.

— Goza baby, esguicha6 para mim. — ele ordenou.

Jesus. Porra. Eu não tinha ideia do que ele estava falando, mas
eu senti um formigamento tão divino, dos meus dedos dos pés até o
meu núcleo, ondas de calor correndo por minha pele, na iminência de
uma erupção. Seus dedos eram implacáveis, me deixando cada vez mais
excitada até que as minhas costas se arquearam para fora da cama, e
eu gritei o nome dele.

— Ryder! Baby! — eu gritei para a noite, quando senti um


orgasmo agitar meu corpo tão violentamente que eu pensei que iria
desmaiar.

— Porra. Você tem um gosto tão bom. — ele murmurou, também


não muito coerente.

— Dentro. Eu quero você dentro. — eu gemi, enquanto uma onda


atrás da outra passava por meu corpo.

Ryder obedeceu, seu pau escorregando em minha umidade, sua


respiração ofegante no meu ouvido.

O observando pelo espelho, seu corpo sobre o meu, nossos dedos


entrelaçados enquanto ele segurava meus braços acima da minha
cabeça e me fodia com força, era a coisa mais linda que eu já vi. Em
cada impulso, sua bunda se contraía e suas coxas se movimentavam
em perfeita harmonia, enquanto ele bombeava dentro de meu corpo
mais e mais.

— Você é tão gostosa. — ele rugiu. — Assista eu te foder, baby. —


Ele penetrou até as bolas, profundamente, o som de sua carne batendo
contra a minha soando alto no silêncio da noite. Eu assisti ele me
fodendo com força, minhas pernas em volta de sua cintura, meus
calcanhares cavando em sua bunda para ajudá-lo a ir ainda mais
fundo.

— Baby, eu vou gozar. — eu gritei, atordoada que eu estava


prestes a seguir o meu corpo em outro orgasmo alucinante.

— Goze comigo, Jade. Eu estou pronto para estourar. — sua voz


estava tensa. Ele estava no ponto de onde não havia volta.

6
Ou Squirt, é a ejaculação feminina.

~ 180 ~
Eu não sabia que tanta satisfação poderia existir. Eu estava
perdida para tudo, mas este era um momento perfeito. Nada poderia ser
melhor.

— Porra. Jade, eu te amo! — ele gritou.

Eu estava errada. Isso era melhor do que qualquer coisa.

Eu fechei meus olhos com força, incapaz de respirar quando


registrei suas palavras.

— Goze baby. — ele rosnou quando eu perdi o controle.

A força com que ele estava bombeado em meu corpo era tão
primitiva e crua. Ele estava colocando tudo de si neste momento.

— Baby. Abra os seus olhos, eu quero ver você. — sua voz era
quase um sussurro.

Meus olhos se abriram e eu encarei os seus, a poucos centímetros


do meu rosto. O que eu vi me fez suspirar. Seus olhos estavam
brilhando, seu amor tão claro que aqueceu até o canto mais distante da
minha alma.

— Eu te amo, Jade. Com todo o meu coração. Somente você,


baby. — ele disse baixinho, um sorriso se contorcendo nos cantos de
sua boca.

Este realmente era o melhor momento da minha vida.

— Oh Ryder, eu te amo tanto. — eu sussurrei, com medo de que


se eu falasse muito alto, eu quebraria o feitiço que havia em torno de
nós. Esse era apenas o início da nossa jornada juntos. Nós dois
queríamos isso. Nosso amor era inegável. Mesmo que eu tivesse lutado,
sem acreditar que isso poderia funcionar, Ryder me provou o contrário.

Eu queria ele e o seu amor mais do que qualquer coisa. Eu queria


passar cada hora de cada dia tão perto dele quanto fosse possível. Eu
queria ser a sua Princesa, sua mulher, sua cadela... sua old lady. Eu
queria ter os seus bebês.

Claro, o futuro era desconhecido. Nenhum de nós tinha uma bola


de cristal para saber como tudo iria acabar. Tínhamos as nossas
famílias para lidar, as probabilidades estavam contra o nosso ‗felizes
para sempre‘.

Tudo que eu queria, era saber eu era alguém por quem valia a
pena lutar. E Ryder tinha escolhido lutar por mim e por nosso amor. Me

~ 181 ~
proteger e me amar. Em retorno, e iria o incentivar, apoiar e o amar
com todo o meu coração.

Enquanto nós amássemos um ao outro, poderíamos vencer esta


batalha. Nossos mundos colidiram, mas tínhamos que superar nossas
diferenças, de modo que agora fôssemos apenas um. Juntos.

Eu seria dele, e ele seria meu.

Para Sempre.

~ 182 ~