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A separação entre história e teoria na Europa, 1870-1914

Nas décadas finais do século XIX, a economia, como muitas outras disciplinas, foi
profissionalizada. Isso representou um forte contraste com o mundo de Smith, Malthus, Ricardo
e seus contemporâneos. Ocorreram mudanças importantes também no ambiente intelectual em
que as ideias econômicas durante boa parte dos séculos XVIII e XIX. Mesmo no século XVII, a
ciência tinha influenciado a maneira como as questões econômicas eram tratadas. No século
XIX, porém, a ideia do “cientista” se estabelecera, tendo o termo sido cunhado por William
Whewell (1794-1866) em 1833. As pessoas deixaram de se referir à ciência como “filosofia
natural”, e a distancia entre ciência e filosofia se ampliou. Isso afetou de diversas maneiras a
economia.

Esses desdobramentos estavam associados a mudanças no modo como a economia era


concebida. Em 1900, o termo economia estava começando a substituir economia politica como
rótulo geralmente preferido para disciplina. O uso da matemática estava se tornando mais
comum.

O principal tratamento da disciplina, porém, permaneceu não matemático. Na Grã-


Bretanha, nenhum dos economistas clássicos usou a matemática. A partir da década de 1870,
porém, a análise matemática passou a ser usada muito mais amplamente na medida em que os
economistas procuravam seguir o exemplo da física. Duas pessoas estiveram na linha de frente
desse processo: na Grã-Bretanha, William Stanley Jevons (1835-1910) e, em Lausanne, o
economista francês Léon Walras (1834- 1910).

Jevons discordou de Ricardo sobre a teoria do valor. Jevons argumentava que o valor
dependia inteiramente da utilidade. Em particular, o valor dependia do beneficio que um
consumidor recebia da última unidade consumida.

Jevons argumentava que a economia era inerentemente matemática porque lidava com
quantidades. Para ele, o estabelecimento da economia como ciência estava estreitamente
relacionado com a medição exata de quantidades econômicas.

Walras também estava interessado em tornar científica a economia tornando-a


matemática e alcançou muitos resultados iguais aos de Jevons a respeito do comportamento do
consumidor e a determinação de preços em mercados competitivos. Entretanto, ele chegou a
essas conclusões por um caminho muito diferente, e seu enfoque foi também muito diferente.

Na segunda metade do século XIX, a economia alemã estava dominada pelo movimento
histórico – geralmente dividido na escola histórica “antiga”, encabeçada por Wilhelm Roscher, e
a escola histórica “nova”, encabeçada por Gustav Schmoller (1838 – 1917), embora a primeira
fosse muito menos escola que a última. Antes do surgimento das escolas históricas, não havia
nenhuma ortodoxia na economia alemã, apenas uma diversidade de grupos como a chamada
escola “romântica”. O termo “smithianismo” era associado com uma variante extrema de
liberalismo.

O movimento histórico na economia alemã foi estabelecido por Roscher. Em seu livro,
ele argumentava que não era que a economia politica clássica estivesse errada, mas que ela era
inadequada, dadas as condições politicas e industriais na Alemanha de seu tempo. As teorias
econômicas deviam levar em conta as circunstâncias em que diferentes países se achavam.
Além do mais, era importante elaborar leis e estágios de desenvolvimento histórico.
A nova escola histórica foi mais radical. Schmoller compartilhava a atitude da escola
histórica antiga sobre a economia clássica e tentou ampliar o tema. Ele era cético quanto à ideia
de leis da história, argumentando que elas frequentemente não passavam de generalizações
duvidosas ou verdades psicológicas – que não guardavam nenhuma relação com as leis das
ciências naturais. Para ele, era importante que as proposições econômicas se baseassem na
observação empírica detalhada, pois só assim se poderia levar em conta corretamente as
circunstancias de tempos e lugares determinados. Ele não se opunha à teoria, mas sustentava a
necessidade de um cuidado extremo na apuração dos fatos do caso antes de se fazer qualquer
generalização. O método pelo qual a base empírica necessária seria estabelecida consistia de
estudos históricos detalhados.

O Grundsatze de Menger foi dedicado a Roscher, o fundador da escola histórica. Em


1883, porém publicou uma critica metodológica da (nova) escola histórica tal como ela estava
se desenvolvendo com Schmoller. Ele procurou estabelecer uma distinção rígida entre economia
teórica e economia histórica. A economia teórica, argumentou, lidava com leis “exatas”
baseadas em suposições de puro interesse próprio, onisciência e liberdade de movimento.

Schmoller analisou muito criticamente o livro de Menger, e o resultado foi uma


controvérsia ácida – a Methodenstreit, ou “Disputa sobre métodos”. Na discussão subsequente,
muitas questões ficaram confusas. Tem-se comentado que a disputa foi tanto politica e disputa
de influência quanto sobre questões substantivas. O desentendimento teve o efeito de dividir a
profissão econômica na Alemanha.

Esses argumentos – a economia tinha-se tornado abstrata e as conclusões da economia


politica tinham importância limitada – foram desenvolvidos por outros autores nos anos
seguintes. Conquanto não houvesse diferenças profundas entre os defensores das economias
teóricas e histórica, os economistas britânicos evitaram se dividir como ocorrera com os
alemães. Uma razão para isso foi a atitude de Alfred Marshall, o economista que, da sua posição
como professor de Economia Politica em Cambridge, dominou a profissão econômica britânica
dos anos 1880 a mais ou menos 1930. Outra foi a estrutura diferente do sistema universitário
britânico, que não tinha um processo centralizado de nomeação de professores.

Essa cisão entre teóricos e historiadores se estendeu às questões de politica econômica.


Os teóricos tendiam a apoiar o livre-comércio, enquanto os historiadores eram mais simpáticos
ao protecionismo. Isso ficou patente na Inglaterra, em 1903, quando quatorze economistas
britânicos escreveram uma carta ao The Times defendendo o livre-comércio. Era uma tentativa
de usar a autoridade da profissão em defesa de uma questão politica urgente. Contudo, seu
efeito foi mostrar que a profissão britânica estava dividida. Com duas exceções, os teóricos
apoiavam o livre-comércio e os historiadores, o protecionismo.

A maioria dos economistas envolvidos nesses desdobramentos era de reformadores


sociais, se opunham a esquemas radicais como os de Marx. Eles não eram de forma alguma
defensores doutrinários do capitalismo. Mesmo os austríacos, que eram críticos energéticos de
Marx, escreveram sobre a necessidade de reformar o capitalismo. A maioria dos economistas
era motivada por forte preocupação social, mas a disciplina havia ficado muito mais claramente
separada da politica do que na era clássica.