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A Fé Maior

Bert Hellinger
Certa noite, um homem sonhou que
ouvia a voz de Deus que lhe dizia:
“Levanta-te, toma o teu filho, teu
único e querido filho, leva-o à
montanha que eu te mostrarei e ali
me oferece esse filho em
sacrifício!’’
De manhã, o homem se levantou,
olhou para o seu filho, seu único e
querido filho, olhou para sua
mulher, a mãe da criança, olhou
para seu Deus. Tomou o filho,
levou-o à montanha, construiu um
altar, amarrou as mãos do filho,
puxou a faca e queria sacrificá-lo.
Mas então ouviu uma outra voz e,
em vez de seu filho, sacrificou uma
ovelha.

Como o filho olha para o pai?


Como o pai olha para o filho?
Como a mulher olha para o
homem?
Como o homem olha para a
mulher?
Como eles olham para Deus?
E como Deus — se existe — olha
para eles?

Um outro homem sonhou, à noite,


que ouvia a voz de Deus que lhe
dizia: “Levanta-te, toma o teu
filho, teu único e querido filho,
leva-o à montanha que eu te
mostrarei e ali me oferece esse
filho em sacrifício!”
De manhã, o homem se levantou,
olhou para o seu filho, seu único e
querido filho, olhou para sua
mulher, a mãe da criança, olhou
para seu Deus. E lhe respondeu,
encarando-o: “Isso eu não faço!”

Como o filho olha para o pai?


Como o pai olha para o filho?
Como a mulher olha para o
homem?
Como o homem olha para a
mulher?
Como eles olham para Deus?
E como Deus — se existe — olha
para eles?
HELLINGER: Com isso, esclareci
a questão. Deixei claro o que
significa a apostasia, que força de
fé e de amor essa atitude requer, e
como é mesquinha a fé dos crentes
que sacrificam seus filhos e os
entregam à justiça desse Deus.
Gostaria de dizer-lhe algo sobre
Deus. Ele é terrível. Ele não tem a
compaixão com que contamos.
Costumamos pensar nesse Deus do
mesmo modo como pensamos em
nosso pai e nossa mãe. E exigimos
dele que seja justo, no sentido que
damos a essa palavra. Isso ele não
é. Seja qual for o nosso destino,
leve ou pesado, bom ou mau, ele o
dirige sem levar em consideração
nossos desejos. Ele o dirige de uma
tal maneira, que precisamos sofrer
e morrer. O que parece funesto
para nós não tem nenhum valor
para ele.
A religiosidade, a atitude religiosa,
consiste nisto: inclino-me diante de
meu destino, do modo como ele é,
e renuncio à esperança e à felicida-
de sonhada.
É curioso que, quando nos
sujeitamos ao destino e
simplesmente nos entregamos a
ele, sentimo-nos sustentados por
ele. Tudo fica maior, bem maior. E
mais realizado.
O movimento religioso é como
subir às alturas, escalar uma
montanha. Embaixo, no vale,
estamos perto dos outros, em
estreito contato, talvez felizes
também. Quem sobe à montanha,
na medida em que sobe mais alto,
fica mais isolado. No entanto,
descortina uma paisagem mais am-
pla e se conecta com muito mais
coisas do que no vale. Mas não
existe a mesma intimidade. Não é
mais como uma criança, ligada à
mãe, mas abrindo-se para a
amplidão do espaço. Isso é um
certo modo de morrer, e tem
grandeza. Quem esteve no alto,
totalmente só e isolado, ao descer
para o vale traz luz em seu olhar.
Podemos nos relacionar com esse
Todo misterioso como uma criança
se relaciona com seus pais. Nesse
caso, buscamos um Deus Pai ou
uma Grande Mãe, cremos como
uma criança, esperamos,
confiamos e amamos como uma
criança. Então tememos esse Ser
como uma criança; e também,
como uma criança, talvez
tenhamos medo de saber.
Podemos também relacionar-nos
com o Todo misterioso como com
nossos antepassados e com nosso
clã familiar. Nesse caso, sentimo-
nos como seus consanguíneos
numa comunidade de santos, mas
também como rejeitados ou
escolhidos, segundo uma lei
implacável, cujos decretos não
entendemos nem podemos
influenciar.
Ou ainda, podemos tratar o Todo
misterioso como se fosse nosso
igual num grupo. Tornamo-nos
então seus colaboradores e
representantes, negociamos ou
firmamos uma aliança com Ele e
regulamos contratualmente os
direitos e deveres, o que se dá e o
que se recebe, os ganhos e as
perdas.
Podemos também comportar-nos
em relação ao Todo misterioso co-
mo numa relação conjugal, onde
existem um amado e uma amada,
um noivo e uma noiva.
Ou, ainda, podemos tratar esse
Todo misterioso como os pais se
comportam diante dos filhos.
Então lhe dizemos o que Ele fez de
errado e o que precisa melhorar,
questionamos sua obra e, se este
mundo não nos convém como ele
é, procuramos salvar-nos dele, e
salvar também outras pessoas.
E pode acontecer, finalmente, que,
ao nos relacionarmos com o mis-
tério deste mundo, releguemos ao
passado e esqueçamos as ordens do
amor que conhecemos, como se já
fôssemos rios que alcançaram o
mar e caminhos que chegaram à
meta.
Evito o termo “espiritual” sempre
que posso, porque ele se presta a
muitos abusos. Os que se
denominam espirituais recusam-
se, em sua maioria, a passar pela
purificação. Quando se pensa, por
exemplo, em São João da Cruz,
que por vinte anos atravessou a
longa noite do espírito, sabemos o
que o espiritual significa, e que se
pode praticá-lo gratuitamente. Essa
purificação é exigida de todos os
que passam por esse caminho, e os
que a atravessaram não a
comentam. Quem comenta essa
experiência, geralmente não
passou por ela.
Falando em termos gerais, e algo
pretensioso, pressentimos que o di-
vino se associa antes ao não-ser do
que ao ser. Ele está muito distante.
E há uma grande tranquilidade e
humildade em deixá-lo manifestar-
se e atuar. O divino não nos
fornece instruções de manejo.
Atrevo-me a dizer que dele não
provém nenhuma revelação. Digo
isso, embora seja uma afirmação
muito ousada.
Em contraposição, chamo de alma
aquilo que atua e nos fornece ins-
truções de manejo. A alma está
associada ao ser, enquanto o divino
se relaciona ao não-ser. Ilustro isso
com uma imagem: todo ser é
envolvido por um não-ser. Em
comparação com o ser, que é
limitado, o não-ser é muito maior,
é infinito. O que transcende o ser é
o não-ser. Mas ele é atuante. Ele
não atua como um ser, mas o ser
adquire grandeza quando o
reconhece. Este seria para mim o
âmbito do espiritual.
Em contraposição, a alma é, posso
confiar-me à sua atuação. Mas ela
atua em diferentes níveis, um deles
mais superficial e outro bem
profundo. No meu trabalho, fui
progressivamente descendo a esse
nível profundo, na medida em que
ele se manifestava. Talvez haja um
estrato ainda mais profundo, do
qual lentamente me aproximo, sem
poder ainda captá-lo. E preciso que
ele se manifeste no trabalho.
Por isso, também é tão importante
para mim que todas essas com-
preensões sejam adquiridas pela
experiência. Sem ela, eu não
poderia reconhecer isso. É algo que
não podemos simplesmente
imaginar: precisamos vê-lo na
experiência. Por isso, também
amadurecemos com esse trabalho.
Ele nos possibilita um profundo
desenvolvimento humano, uma
harmonização com as profundezas.