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ES-013

Exemplo de um Projeto Completo de um


Edifício de Concreto Armado

São Paulo
agosto - 2001
1 – Introdução, Critérios de Projeto, Concepção
Estrutural e Carregamento Atuante

1.1 Introdução

O presente curso tem por objetivo a elaboração do projeto completo de um edifício real
construído em concreto armado. O edifício é composto por um térreo, 14 pavimentos tipo,
cobertura, casa de máquinas e caixa d’água superior.

O projeto de arquitetura original é de um edifício com oito pavimentos tipo, de autoria do


Arq. Henrique Cambiaghi Filho, com desenhos de Paulo Kurihara.

Este curso foi inicialmente apresentado na FDTE (Fundação para o Desenvolvimento


Tecnológico da Engenharia), em São Paulo, pelos engenheiros:

Lauro Modesto dos Santos (Coordenador);


Ricardo Leopoldo e Silva França;
Hideki Hishitani;
Claudinei Pinheiro Machado;

e foi atualizado em 2001 pelos engenheiros:

Ricardo Leopoldo e Silva França;


Túlio Nogueira Bittencourt;
Rui Nobhiro Oyamada;
Luís Fernando Kaefer;
Umberto Borges;
Rafael Alves de Souza.

O conteúdo teórico deste curso foi desenvolvido com o objetivo de dar subsídios para o
cálculo do edifício exemplo. Desta forma, abordaremos todos os tópicos sucintamente,
considerando que os participantes do curso devem possuir outros conhecimentos para
cursá-lo, adquiridos em outras cadeiras do programa de Especialização em Estruturas, ou
possam adquiri-los consultando a bibliografia indicada. Além disso, será abordada apenas
uma opção de estruturação do edifício, deixando para o aluno investigar outras hipóteses.

1.1.1 Forma de avaliação

O sistema de avaliação será constituído por diversos exercícios relativos às várias etapas
do projeto do edifício exemplo que deverão ser desenvolvidos em equipe. Desta forma, na
primeira aula, os participantes do curso serão divididos em equipes de no máximo quatro
integrantes.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 2


Os exercícios terão seu desenvolvimento iniciado em sala de aula, e deverão ser
concluídos em horário extraclasse, devendo ser entregues no dia em que novo exercício,
versando sobre etapa subseqüente do projeto, é distribuído.

Portanto, a avaliação será efetuada por meio da realização de 4 exercícios relativos aos
seguintes tópicos:

1 – Cálculo e detalhamento de lajes


2 – Cálculo e detalhamento de vigas
3 – Cálculo e detalhamento de pilares
4 – Cálculo e detalhamento da escada, caixa d’água e fundações

1.1.2 Corpo Docente do Curso

Prof. Ricardo Leopoldo e Silva França, D.Sc. EPUSP, (França e Associados, EPUSP)
Prof. Túlio Nogueira Bittencourt, Ph.D. Cornell University, (EPUSP)
Eng. Rui Nobhiro Oyamada, M.Sc. (doutorando EPUSP)
Eng. Luís Fernando Kaefer, M.Sc. (doutorando EPUSP)

Apoio:
Eng. Umberto Borges, M.Sc. (doutorando EPUSP)
Eng. Rafael Alves de Souza, M.Sc. (doutorando EPUSP)

1.1.3 Bibliografia

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR6118 – Projeto e Execução de Obras


de Concreto Armado. Rio de Janeiro, 1978.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. Projeto de Revisão da NBR6118. Rio de


Janeiro, 2001.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR6120 – Cargas para o Cálculo de


Estruturas de Edificações. Rio de Janeiro, 1980.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR6123 – Forças Devidas ao Vento em


Edificações. Rio de Janeiro, 1988.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR7480 – Barras e Fios de Aço


Destinados a Armaduras para Concreto Armado. Rio de Janeiro, 1996.

FUSCO, P. B. Técnicas de Armar as Estruturas de Concreto. São Paulo. Ed. Pini,


1995.

FUSCO, P. B. Estruturas de Concreto: Solicitações Normais. Rio de Janeiro, Ed.


Guanabara Dois, 1986.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 3


LEONHARDT, F.; MÖNNIG, E. Construções de Concreto – vol. 1, 2 e 3. Ed.
Interciência. Rio de Janeiro, 1978.

Apostilas das Disciplinas PEF311/PEF312 (Concreto I e II) da EPUSP.

Notas de Aula da Disciplina ES-013.

1.2 Dados Gerais e Critérios de Projeto

1.2.1 Informações sobre o local de construção

O local de construção deve ser indicado, para que levantemos as características do


terreno, para a determinação do carregamento de vento atuante sobre o edifício.

Local de Construção:
Butantã – São Paulo – SP
Terreno plano em local coberto por obstáculos numeroso e pouco espaçados.
Agressividade do meio ambiente baixa.

1.2.2 Materiais estruturais utilizados

O projeto de revisão da NBR6118 recomenda, tendo em vista questões referentes à


durabilidade das estruturas de concreto, que se utilize sempre concretos com resistência
característica à compressão (fck) superior a 20 MPa (concreto C20) para estruturas
executadas em concreto armado e 25 MPa (C25) para estruturas protendidas.
A escolha do fck do concreto depende também de uma análise de custo, escolhendo-se
uma resistência que minimize o custo por MPa.

Tendo-se em vista escolha do aço estrutural, segundo o projeto em discussão da


NBR6118 não há mais a possibilidade de utilização dos aços classe B. Desta forma,
utilizaremos o aço CA50A, doravante denominado CA50.

Materiais Estruturais Utilizados:


Concreto C25
Aço CA50

1.2.3 Propriedades do concreto

1.2.3.1 Massa específica

A massa específica do concreto armado, para efeito de cálculo, pode ser adotada como
sendo de 2500 kg/m3.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 4


1.2.3.2 Coeficiente de dilatação térmica

Para efeito de análise estrutural, o coeficiente de dilatação térmica pode ser admitido
como sendo igual a 10-5 /ºC.

1.2.3.3 Resistência à tração

Na falta de ensaios, a resistência à tração pode ser avaliada por meio das equações
( 1.1 ) a ( 1.3 ) (NBR6118/2001).

fctm = 0,3 ⋅ fck 3


2
(fctm, fck,inf, fctk,sup e fck em MPa) ( 1.1 )
fctk,inf = 0,7 ⋅ fctm ( 1.2 )
fctk, sup = 1,3 ⋅ fctm ( 1.3 )

A NBR6118/78 prescreve o seguinte valor para fctk:

0,1⋅ fck para fck ≤ 18MPa ( 1.4 )


fctk =  (fctk e fck em MPa)
0,06 ⋅ fck + 0,7 para fck > 18MPa

Para o concreto utilizado neste projeto, resultam os seguintes valores:

fctm = 2,56 MPa


fctk,inf = 1,79 MPa
f ctk,sup = 3,33 MPa
fctk = 2,20 MPa

1.2.3.4 Módulo de elasticidade

Na ausência de dados experimentais sobre o módulo de elasticidade inicial do concreto


utilizado, na idade de 28 dias, o projeto de revisão da NBR6118 permite estimá-lo por
meio da equação ( 1.5 ).

E ci = 5600 ⋅ fck = 28000 MPa ( 1.5 )

O módulo de elasticidade secante a ser utilizado nas análises elásticas de projeto,


especialmente para a determinação de esforços solicitantes e verificação de estados
limites de serviço, deve ser calculado por ( 1.6 ). Entretanto, na avaliação do
comportamento global da estrutura permite-se utilizar em projeto o módulo inicial
fornecido pela equação ( 1.5 ).

E cs = 0,85 ⋅ E c = 4760 ⋅ f ck = 23800 MPa ( 1.6 )

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 5


A NBR6118/78 prescreve outra expressão para o cálculo do módulo de elasticidade do
concreto à compressão, no início da deformação efetiva, correspondente ao primeiro
carregamento:

E c = 6600 ⋅ fck + 3,5 = 35234 MPa ( 1.7 )

Na flexão, quando a deformação lenta for nula ou desprezível (carregamento de curta


duração), o módulo de elasticidade Ec a ser adotado pela NBR6118/78 é o módulo
secante do concreto (Ecs), suposto igual a 0,9 do módulo na origem:

E cs = 5940 ⋅ f ck + 3,5 = 31710 MPa ( 1.8 )

Em média, os módulos de elasticidade inicial e secante das novas estruturas de concreto


estão, respectivamente, 20% e 25% menores que os módulos definidos pela
NBR6118/78. Este fato se deve à evolução dos cimentos, que permitem que se obtenha
concretos com grande resistência com teores menores de cimento, o que por outro lado
torna a estrutura interna do material menos compacta e, conseqüentemente, as estruturas
como um todo mais flexíveis.

1.2.3.5 Diagrama tensão-deformação (de cálculo)

Para o cálculo das áreas de armadura necessárias será utilizado o diagrama retangular
simplificado da NBR6118/78, o qual ilustrado na Figura 1.1, bem como uma deformação
última de compressão de concreto igual a 3,5‰.
0,85 fcd

0,8 x

Figura 1.1 – Diagrama tensão-deformação (de cálculo) do concreto

1.2.3.6 Coeficiente de Poisson

O coeficiente de Poisson adotado é igual a 0,2.

1.2.3.7 Diâmetro máximo do agregado e do vibrador

O agregado graúdo utilizado tem diâmetro máximo de 19mm (brita 1) e o vibrador tem
diâmetro máximo de 30 mm.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 6


1.2.4 Propriedades do aço

1.2.4.1 Massa específica

Pode-se assumir para a massa específica do aço o valor de 7850 kg/m3.

1.2.4.2 Coeficiente de dilatação térmica

O coeficiente de dilatação térmica do aço vale 10-5/ºC para intervalos de temperatura


entre -20oC e 150ºC.

1.2.4.3 Módulo de elasticidade

Na falta de ensaios ou valores fornecidos pelo fabricante, admite-se o módulo de


elasticidade do aço igual a 210 GPa (NBR6118).

1.2.4.4 Diagrama tensão-deformação

Para o aço utilizado, o diagrama tensão-deformação adotado é o mostrado na Figura 1.2.

σsd

fyk
fyd
diagrama
de cálculo
arctg Es

εsd
εyd 10‰

Figura 1.2 – Diagrama tensão-deformação do aço

1.2.4.5 Características de ductilidade

Admite-se que a tensão de ruptura fstk do aço utilizado seja no mínimo igual a 1,10 fyk,
atendendo aos critérios de ductilidade da NBR7480.

1.2.4.6 Coeficiente de conformação superficial

O coeficiente de conformação superficial ηb é considerado igual a 1,5.

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1.2.5 Cobrimento da armadura

Para este edifício, serão seguidas as recomendações do projeto de revisão da NBR6118


para a escolha da espessura da camada de cobrimento da armadura. A Tabela 1.1
apresenta os cobrimentos nominais (cobrimento mínimo + tolerância de execução =
10mm) a serem exigidos para diferentes tipos de elementos estruturais, visando a garantir
um grau adequado de durabilidade para a estrutura.

Tabela 1.1 - Classes de agressividade e cobrimento nominal segundo o texto de revisão da NBR6118

O edifício exemplo deste curso encontra-se em uma classe de agressividade ambiental do


tipo I (ver Tabela 1.1). Desta forma, adota-se um cobrimento mínimo de 2,0cm para as
lajes e 2,5cm para as vigas e os pilares.

1.3 Projeto Arquitetônico

A seguir apresentamos as elevações, cortes e plantas baixas que compõem o projeto


arquitetônico do edifício. Os desenhos estão fora de escala.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 8


Figura 1.3 – Elevação frontal

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 9


Figura 1.4 – Elevação lateral

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 10


200

275

175

275

275

275

275

275

275

275

275

275

275

275

275

275

275

300

Figura 1.5 – Corte B-B

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Figura 1.6 – Corte A-A

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 12


457 241 457

Projeção do Edifício
Estacionamento

Estacionamento
Salão de Festas

15
515 140 470 15
15 15

120
Elev.

171
Projeção do Edifício

HALL

8 110 2420
15
15
165 335 120 55 120 25
Elev.

171 15
120

B 15
B
15
455 50 635

260

Floreira
50
Estacionamento

Estacionamento

1155
A

3
Figura 1.7 – Térreo

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 13


1155

25
25
40

120
260

100

15
15
10

120

260

130

15 15

40

260 180

40
15
15
10

120
170

40
15

35.5 15
A.C.

120
100
15 171 15 15 15
165 185 135 120 55 120
Elev.

HALL

8
2420 79 110 350
Elev.

171 100
Duto

152
120

B 35.5 15 15
B
40
Cozinha
A.S.

170
120
85 290 140
15 15 15
15 10
15
40
Sala de Estar

260 180

15 40
15

130
Banheiro
Dormitório

260

120
15 15
118 85 307
15 10
15

60 48 48 60
100
25
Dormitório

260
120

65
25

457 241 457


A

Figura 1.8 – Pavimento-Tipo

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 14


1155

25

260

Calha

Calha
15

Calha
720

Proj. saída p/

permanente.
ventilação
15

35.5 15

120
15 15 100 15 15
165 185 135 120 55 120
Vazio

2420 79 110 350

100
Duto

152
120

B 35.5 15 15
B
Calha

720

15
Calha

Calha

260

25

407 241 407 25

25 25 25
A

Figura 1.9 – Cobertura

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 15


865

15
Casa de Máquinas
15

120
15 15 15 25
171 15
165 185 135 120 55 120

8
380 110 350

171
120

B 15 15
B
365 135 295 25
15 15 15
A

Caixa D´Água

865

15

15

380
320

B 15 B
15

Cobertura da Caixa
D´Água
A

865

380

10 10
60
10

60

B 20 10 B
20

515 320

15 15
A

Figura 1.10 – Ático

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 16


1.4 Lançamento da Estrutura

O lançamento dos elementos estruturais é realizado sobre o projeto arquitetônico. Ao


lançar a estrutura devemos ter em mente vários aspectos:

Estética: devemos sempre procurar esconder ao máximo a estrutura dentro das


paredes;

Economia: deve-se lançar a estrutura pensando em minimizar o custo da


estrutura. A economia pode vir da observação de vários itens:
o Uniformização da estrutura, gerando fôrmas mais simples, menor número de
reformas das fôrmas (o que reduz o custo com fôrmas e maior velocidade de
execução);
o Compatibilidade entre vãos, materiais e métodos utilizados (ex.: o vão
econômico para estruturas protendidas é maior do que o de estruturas de
concreto armado);
o Caminhamento o mais uniforme possível das cargas para as fundações.
Apoios indiretos, de vigas sobre vigas e transições devem ser evitadas ao
máximo, pois acarretam um maior consumo de material.

Funcionalidade: um aspecto funcional importante é o posicionamento dos pilares


na garagem. Em virtude da necessidade crescente de vagas para estacionamento,
deve ser feita uma análise minuciosa nos pavimentos de garagem, de modo a
aumentar ao máximo a quantidade de vagas, sempre procurando obter vagas de
fácil estacionamento (considerando vagas com 2,50x5,50m, um bom
aproveitamento pode ser obtido espaçando os pilares a cada 4,80 ou 5,0m, ou a
cada 7,2 a 7,5m, evitando posicioná-los nas extremidades das vagas);

Resistência quanto aos esforços horizontais: ao lançarmos a estrutura


devemos procurar estabelecer uma estrutura responsável por resistir aos esforços
horizontais atuantes na estrutura (vento, desaprumo, efeitos sísmicos). Esta
estrutura pode ser composta por um núcleo estrutural rígido, composto por pilares
de grande inércia das caixas de escadas e elevadores, ou por pórticos (planos ou
espaciais) formados pelas vigas (ou às vezes lajes) e pilares do edifício.

Neste curso, foi adotada inicialmente a opção de fôrmas mostrada na Figura 1.11. Os
pilares obedecem a uma disposição econômica visando à obtenção de vãos entre 4m e
6m para as vigas, respeitando as condições de arquitetura, tanto no pavimento-tipo
quanto no andar térreo. Se necessário, esta planta inicial pode ser ligeiramente alterada
em função da análise do carregamento devido ao vento e a conseqüente verificação da
estabilidade global do edifício.

A Figura 1.12 mostra um corte esquemático com as dimensões (em cm) entre pisos e as
espessuras adotadas para as camadas de revestimento das lajes.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 17


541,0
373,0
541,0

470,0
470,0
P1 P2 P3 P4 P5 P6
(19/40) (40/19) (20/40) (40/19) (19/40)
V1(19/55) (20/40) V2(19/55)

288,5
288,5
L1 L4

178,5
178,5

411,0
411,0

442,5
435,0

h=10cm L2 L3 h=10cm
P9 V3(12/55) P10
h=10cm (20/40) (20/40) h=10cm
V24(19/55)

P7

V15(19/55)
P12

166,0
(19/40) V5(12-19/55) (19/40)
V4(19-12/55) P8 P11
(20/40) (20/40)

V19(10/40)

266,0
271,0
280,0

280,0
271,0
V6(12/55)

100,0
L5 V7(12/55) V8(12/55)
L6

287,0
245,0
245,0
287,0

h=7cm L7 h=7cm
h=10cm
V22(12/55)

P13 P16

155,0
(19/40)
P8'
(20/40) (19/40)
V9(19-12/55)

V16(12/55)
P11' V10(12-19/55)

236,0
236,0 (20/40)

138,0
P14 P15
(20/40) V11(12/55) (20/40)

L9 L10

157,0
200,0
h=10cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado


h=10cm
L8 L11

442,5
442,5

411,0
411,0

h=10cm LE h=10cm

318,5
318,5
V23(19/55)

V17(12/55)
V21(12/55)

V18(12/55)
V20(12/55)

551,0
357,0
551,0

468,0
468,0

V14(19/55)
V12(19/55) VE(19/55) V13(19/55)

P20 P21 P22

Figura 1.11 – Fôrmas do pavimento-tipo (planta inicial)


P17 P18 P19
(19/40) (40/19) (20/40) (20/40) (40/19) (19/40)

541,0
478,0
357,0
478,0
541,0

data:set/2001
X

fl. 18
Figura 1.12 – Corte esquemático entre dois pisos consecutivos

1.5 Pré-Dimensionamento da Estrutura do Edifício

No dimensionamento das estruturas temos um paradoxo: a geometria dos elementos


estruturais é definida para suportar os esforços solicitantes, entretanto, só podemos obter
os esforços solicitantes após definirmos a geometria da estrutura, determinando seu peso
próprio e a rigidez dos diversos elementos estruturais.

Desta forma, precisamos estabelecer um pré-dimensionamento da estrutura, ou seja,


determinar a geometria aproximada dos elementos estruturais, que será utilizada numa
análise preliminar, quando então seremos capazes de efetuar os ajustes necessários,
determinando a geometria final e conseqüentemente o carregamento real que nos permite
o dimensionamento das armaduras.

Definido o esquema estrutural, procedemos ao pré-dimensionamento dos elementos da


seguinte maneira:

Pré-dimensionamento das lajes;


Pré-dimensionamento das vigas (com base nas cargas verticais).;
Estimativa do carregamento vertical (peso próprio, revestimento, alvenaria, cargas
acidentais decorrentes da utilização da estrutura), distribuído pela área de laje dos
pavimentos;
Estimativa das cargas verticais provenientes do ático;
Pré-dimensionamento dos pilares (com base nas cargas verticais);
Estimativa dos carregamentos horizontais devidos à ação do vento e do
desaprumo global do edifício;
Determinação da rigidez (aproximada) da estrutura (parâmetros α e γz);
Determinação da flecha (aproximada) do edifício sob cargas de serviço;
Correção do pré-dimensionamento da estrutura para provê-la de maior rigidez,
caso necessário, tendo como base as duas análises anteriores.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 19


1.5.1 Pré-dimensionamento das lajes

A altura útil d da laje pode ser estimada pela expressão empírica sugerida por
MACHADO:

(
d ≅ (2,5 − 0,1n)l * (cm), com l * em m )
onde,
n = número de bordas engastadas da laje
( 1.9 )
l x
l* = o menor dos dois valores  , sendo l x ≤ l y
0,7 l y

ou ainda pela expressão:

lx
h= , com l x ≤ l y ( 1.10 )
40

O pré-dimensionamento deve respeitar as espessuras mínimas definidas na NBR6118 e


expressas na Tabela 1.2.

Tabela 1.2 – Espessuras mínimas de lajes (segundo a NBR6118/78)


Finalidade Espessura mínima
lajes de cobertura não em balanço 5 cm
lajes de piso e lajes em balanço 7 cm
lajes destinadas à passagem de veículos 12 cm

1.5.1.1 Aplicação ao edifício exemplo

Para estruturas convencionais de edifícios residenciais, podemos considerar que o vão


teórico das lajes se prolonga até o eixo das vigas que as apóiam. Desta forma,
determinamos os vãos lx e ly e procedemos ao pré-dimensionamento das lajes, cujas
dimensões adotadas estão mostradas na Tabela 1.3.

Tabela 1.3 – Pré-dimensionamento das lajes


Laje lx (m) ly (m) 0,7 ly (m) l* (m) n(*) d (cm) h (cm)
L1=L4=L8=L11 4,32 5,55 3,89 3,89 1 9,4 10
L2=L3=L9=L10 4,60 5,65 3,96 3,96 2 9,2 10
L5=L6 2,73 2,75 1,93 1,93 3 4,2 7
L7 3,50 3,65 10
(*)
a determinação da condição de apoio da borda de uma laje será discutida no capítulo
de lajes.

As lajes da caixa d´água e da casa de máquinas devem ser pré-dimensionadas


separadamente, avaliando as cargas atuantes.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 20


1.5.2 Pré-dimensionamento das vigas

A altura das vigas pode ser calculada pela expressão:

l l ( 1.11 )
h= a , com hmín = 25cm
10 12,5

onde l é o vão da viga (normalmente, igual à distância entre os eixos dos pilares de
apoio).

Para vigas contínuas com vãos adjacentes de dimensões comparáveis (2/3 a 3/2),
costuma-se uniformizar a altura das vigas.

A largura da viga é em geral definida pelo projeto arquitetônico e pelos materiais e


técnicas utilizados pela construtora. Desta forma, quando a viga ficar “embutida” em
paredes de alvenaria, sua largura deve sempre que possível levar em conta o tipo de tijolo
e de revestimento utilizado e a espessura final definida pelo arquiteto.

1.5.2.1 Aplicação ao edifício exemplo

a) Definição da altura das vigas


Seguindo a expressão ( 1.11 ) obteríamos vigas com 40 a 45cm de altura. Entretanto,
tendo em vista que as vigas participarão de pórticos de contraventamento, é necessário
que elas possuam uma inércia maior. Desta forma, padronizaremos a altura de todas as
vigas em 55cm.

b) Definição da largura das vigas


Admite-se que as paredes com 25cm de espessura sejam executadas com blocos
cerâmicos de 19cm de largura e revestimento em argamassa com 3cm de espessura em
cada face da parede e que as paredes com 15cm sejam construídas com blocos com
12cm de largura e revestimento em argamassa com 1,5cm de espessura em cada face.

Assim sendo:
Tabela 1.4 – Largura das vigas
Espessura da Parede Largura da viga
25cm 19cm
15cm 12cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 21


1.5.3 Estimativa das cargas verticais para o pré-dimensionamento

a) Peso Próprio
O peso próprio pode ser estimado multiplicando o peso específico do concreto
armado pela espessura média do pavimento, que é obtida a partir da divisão da
somatória do volume de concreto de todos os elementos estruturais do pavimento
(lajes, vigas e pilares) pela área do pavimento.

pp = emédia,pav ⋅ γ c ( 1.12 )
(V
concr ,vigas + Vconcr ,pilares + Vconcr ,lajes + K)pav
emédia,pav =
A pav

Para edifícios residenciais, esta espessura média pode ser estimada em 17cm para
as dependências e 20cm para as escadas.

b) Revestimento
O peso próprio do revestimento das lajes (piso, contra-piso, reboco, etc) pode ser
obtido de maneira exata multiplicando a espessura dos revestimentos pelos valores
tabelados na norma NBR6120/80 – Cargas para o Cálculo de Estruturas de
Edificações.

Considerando revestimentos convencionais podemos, para fins de pré-


dimensionamento, estimar a carga devida ao revestimento entre 0,5 e 1,0 kN/m2.

c) Carga Acidental
O carregamento acidental é tabelado na NBR6120/80 conforme a utilização da
edificação e da finalidade do compartimento.

Em edifícios residenciais (para efeito de pré-dimensionamento) podemos utilizar


1,5 kN/m2 para todas as lajes, excetuando-se as lajes do fundo da caixa d’água e
da casa de máquinas.

d) Alvenaria
O carregamento distribuído devido às paredes de alvenaria pode ser obtido da
divisão da somatória do peso de todas as paredes do pavimento pela área do
pavimento.

Para edifícios residenciais, com alvenaria de blocos cerâmicos e espessura de


parede de 15cm, podemos estimar o valor deste carregamento entre 3,0 e 5,0
kN/m2.

e) Ático
Na determinação do carregamento do ático, devemos considerar o carregamento
devido à água armazenada na caixa d´água, a carga acidental introduzida pelos
elevadores e o peso próprio da estrutura (pilares, lajes, vigas, caixa d´água).

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 22


1.5.3.1 Aplicação ao edifício exemplo

a) Pavimento Tipo

pp = 0,17 ⋅ 25 = 4,25
rev = = 1,0
q = = 1,5
alv = = 4,0
∴ p méd,k = 10,75
p méd,d = 1,4 ⋅ 10,75 = 15,1kN m2

b) Ático

Cobertura da Caixa D´Água

pp = = 98,6 kN
rev = = 32,9 kN
q = = 65,7 kN
alv = = 0
água = = 0
∴ p cob.cx.d´água,k = 197,2 kN
p cob.cx.d´água,d = 1,4 ⋅ 197,2 = 276,1 kN

Caixa D´Água

pp = = 327,8 kN
rev = = 0
q = = 0
alv = = 0
água = = 516,6 kN
∴ p cx.d´água,k = 844,4 kN
p cx.d´água,d = 1,4 ⋅ 844,4 = 1182,2 kN

Casa de Máquinas

pp = = 164,4 kN
rev = = 32,9 kN
q = = 298,9 kN
alv = = 131,5 kN
água = = 0
∴ p casa de máq.,k = 627,7 kN
p casa de máq.,d = 1,4 ⋅ 627,7 = 878,8 kN

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 23


Carga Total do Ático

Cob. Cx. D´Água = = 197,2 kN


Cx. D´Água = = 844,4 kN
Casa de Máquinas = = 627,7 kN
∴ p ático,k = 1669,3 kN
p ático,d = 1,4 ⋅ 1669,3 = 2337,0 kN

Como veremos adiante, o ático será sustentado por 6 pilares (P9=P10, P15=P16 e
P21=P22), regularmente espaçados. Desta forma, para efeito de pré-dimensionamento,
distribuiremos o carregamento do ático uniformemente nos 6 pilares.

1669,3
p ático / pilar ,k = = 278,2 kN
6
1,4 ⋅ 1669,2
p ático / pilar ,d = = 389,5 kN
6

1.5.4 Determinação do carregamento horizontal

1.5.4.1 Vento

A determinação do carregamento proveniente da ação do vento pode ser feita por


fórmulas aproximadas ou por meio da metodologia da NBR6123/88.

1.5.4.1.1 Aplicação ao edifício exemplo

Dados:

v0 = 40 m/s (localidade → São Paulo/SP)


s1 = 1,00 (terreno plano ou fracamente acidentado)

b = 0,85
 (Subúrbio densamente construído de grandes cidades e dimensão da
s 2 = Fr = 0,98
p = 0,13 edificação compreendida entre 20 e 50m)

s3 = 1,00 (edificação para residências)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 24


Coeficiente de Arrasto (Ca)

Vento na direção paralela ao eixo x:


I1 = 11,49 m 

I2 = 24,14 m ⇒ C a = 1,0
h = 48 m 

Vento na direção paralela ao eixo y:


I1 = 24,14 m

I2 = 11,49 m ⇒ C a = 1,36
h = 41,50 m 
(para o cálculo de Ca, desconsideramos a presença do ático)

A Tabelas 1.5 e 1.6 mostram a determinação das forças devidas ao vento no edifício.

Tabela 1.5 – Cálculo das forças horizontais de vento atuantes na direção x


Cota Cota vk wk A,exp Wk,médio Mbase Wk
Andar s2
Piso Média (m/s) (kN/m2) (m2) (kN) (kNm) (kN)
Cob Cx D´Água 48,00 47,00 1,011 40,43 1,002 17,21 17,25 827,8 8,62
Cx D´Água 46,00 44,63 1,004 40,17 0,989 23,66 23,41 1076,7 20,33
Cob C Máq 43,25 42,38 0,998 39,91 0,976 15,06 14,70 635,9 19,06
Cob 41,50 40,13 0,991 39,64 0,963 31,60 30,44 1263,1 22,57
14o 38,75 37,38 0,982 39,29 0,946 31,60 29,90 1158,6 30,17
13o 36,00 34,63 0,973 38,92 0,928 31,60 29,33 1056,0 29,62
o
12 33,25 31,88 0,963 38,52 0,909 31,60 28,73 955,4 29,03
11o 30,50 29,13 0,952 38,08 0,889 31,60 28,09 856,8 28,41
10o 27,75 26,38 0,940 37,61 0,867 31,60 27,40 760,5 27,75
o
09 25,00 23,63 0,928 37,10 0,844 31,60 26,66 666,5 27,03
08o 22,25 20,88 0,913 36,53 0,818 31,60 25,85 575,1 26,25
07o 19,50 18,13 0,897 35,89 0,790 31,60 24,95 486,5 25,40
o
06 16,75 15,38 0,879 35,16 0,758 31,60 23,95 401,1 24,45
05o 14,00 12,63 0,858 34,31 0,721 31,60 22,79 319,1 23,37
04o 11,25 9,88 0,832 33,27 0,678 31,60 21,44 241,2 22,12
03o 8,50 7,13 0,798 31,94 0,625 31,60 19,76 167,9 20,60
o
02 5,75 4,38 0,751 30,05 0,553 31,60 17,49 100,6 18,62
01o 3,00 1,50 0,657 26,29 0,424 34,47 14,60 43,8 16,04
T 0,00 Mbase,tot= 11592,7 7,30

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 25


Tabela 1.6 – Cálculo das forças horizontais de vento atuantes na direção y
Cota Cota vk wk A,exp Wk,médio Mbase Wk Wk/2
Andar s2
Piso Média (m/s) (kN/m2) (m2) (kN) (kNm) (kN) (kN)
Cob Cx D´Água 48,00 47,00 1,011 40,43 1,002 7,2 9,81 471,0 4,91 2,45
Cx D´Água 46,00 44,63 1,004 40,17 0,989 9,9 13,32 612,6 11,57 5,78
Cob C Máq 43,25 42,38 0,998 39,91 0,976 38,1 50,64 2190,4 31,98 15,99
Cob 41,50 40,13 0,991 39,64 0,963 66,4 86,96 3609,0 68,80 34,40
14o 38,75 37,38 0,982 39,29 0,946 66,4 85,43 3310,5 86,20 43,10
o
13 36,00 34,63 0,973 38,92 0,928 66,4 83,82 3017,4 84,62 42,31
12o 33,25 31,88 0,963 38,52 0,909 66,4 82,10 2729,8 82,96 41,48
11o 30,50 29,13 0,952 38,08 0,889 66,4 80,27 2448,2 81,18 40,59
10o 27,75 26,38 0,940 37,61 0,867 66,4 78,30 2172,9 79,29 39,64
09o 25,00 23,63 0,928 37,10 0,844 66,4 76,18 1904,4 77,24 38,62
08o 22,25 20,88 0,913 36,53 0,818 66,4 73,86 1643,3 75,02 37,51
07o 19,50 18,13 0,897 35,89 0,790 66,4 71,29 1390,2 72,57 36,29
06o 16,75 15,38 0,879 35,16 0,758 66,4 68,42 1146,0 69,86 34,93
05o 14,00 12,63 0,858 34,31 0,721 66,4 65,13 911,8 66,78 33,39
o
04 11,25 9,88 0,832 33,27 0,678 66,4 61,25 689,1 63,19 31,60
03o 8,50 7,13 0,798 31,94 0,625 66,4 56,45 479,8 58,85 29,43
02o 5,75 4,38 0,751 30,05 0,553 66,4 49,97 287,3 53,21 26,61
o
01 3,00 1,50 0,657 26,29 0,424 72,4 41,71 125,1 45,84 22,92
T 0,00 Mbase,tot= 29139,0 20,86 10,43

1.5.4.2 Consideração das imperfeições construtivas

A determinação do carregamento proveniente do desaprumo global da estrutura pode ser


feita conforme o procedimento que será descrito mais adiante neste texto, na seção de
determinação das cargas verticais atuantes.

1.5.4.2.1 Aplicação ao edifício exemplo

Apresentamos a seguir o cálculo da inclinação acidental do edifício, considerando para


tanto a altura total do edifício e o menor número de pilares em uma fileira (na direção Y:
pilares P2, P8, P18). Verifica-se que se deve usar a inclinação mínima para a
consideração do desaprumo nas direções x e y.

1 1 
θ1 = =
100 l = 48m 693  1
 → θ a = θa,mín = (para estruturas deslocávei s)
1 + 1n=3 1  300
θ a = θ1 =
2 848 

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 26


Tabela 1.7 – Cálculo das forças horizontais equivalentes à inclinação acidental global
Direção Y Direção X
Andar Cota Piso Pd,andar/2 Fi/2 Md,base/2 Fi Md,base
Cob Cx D´Água 48,00 138,0 0,46 22,1 0,92 44,2
Cx D´Água 46,00 591,1 1,97 90,6 3,94 181,3
Cob C Máq 43,25 439,4 1,46 63,3 2,93 126,7
Cob 41,50 714,4 2,38 98,8 4,76 197,7
14o 38,75 952,6 3,18 123,0 6,35 246,1
13o 36,00 952,6 3,18 114,3 6,35 228,6
12o 33,25 952,6 3,18 105,6 6,35 211,2
11o 30,50 952,6 3,18 96,8 6,35 193,7
10o 27,75 952,6 3,18 88,1 6,35 176,2
09o 25,00 952,6 3,18 79,4 6,35 158,8
08o 22,25 952,6 3,18 70,7 6,35 141,3
07o 19,50 952,6 3,18 61,9 6,35 123,8
06o 16,75 952,6 3,18 53,2 6,35 106,4
05o 14,00 952,6 3,18 44,5 6,35 88,9
04o 11,25 952,6 3,18 35,7 6,35 71,4
03o 8,50 952,6 3,18 27,0 6,35 54,0
02o 5,75 952,6 3,18 18,3 6,35 36,5
01o 3,00 952,6 3,18 9,5 6,35 19,1
T 0,00 952,6 3,18 0,0 6,35 0,0
Md,total= 1202,9 Md,total= 2405,8

Analisando a tabela anterior e comparando-a com as Tabelas 1.5 e 1.6, percebemos que
o esforço introduzido pela inclinação acidental global é muito inferior ao introduzido pelo
vento. Desta forma, consideraremos apenas o efeito do vento na edificação
(NBR6118/2001 – Projeto de Revisão).

1.5.5 Pré-dimensionamento dos pilares

Os pilares devem ser dimensionados de maneira a resistir às cargas verticais da


edificação e, junto com as vigas, formar pórticos de contraventamento capazes a resistir
aos esforços horizontais.

Desta forma, em primeiro lugar, devemos determinar a seção dos pilares, levando em
consideração as cargas verticais e em seguida calcular a deformabilidade da estrutura e
seu comportamento sob cargas de serviço.

Para o pré-dimensionamento dos pilares, levando-se em consideração as cargas


verticais, a área da seção transversal Ac,pilar pode ser pré-dimensionada por meio da carga
total Pd,total/pilar prevista para o pilar no nível considerado:

[
Pd,total / pilar = γ f ⋅ (nandares acima ⋅ Ptipo / pilar ) + Pcobertura / pilar + Pático / pilar ] ( 1.13 )

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 27


O quinhão de carga correspondente a cada pilar, por andar, pode ser estimado
multiplicando-se a carga média (por m2) para o andar pela área de influência do pilar em
questão, Ainfl, de acordo com a Figura 1.13. No caso de um andar tipo, temos:

Ptipo / pilar = A inf l. / pilar ⋅ p méd,k ( 1.14 )

A área de influência de um pilar é obtida a partir das figuras geométricas que envolvem os
pilares formadas por retas que passam pela mediatriz dos segmentos de reta que unem
pilares adjacentes e pelo contorno do pavimento. Costuma-se não descontar furos e o
poço dos elevadores.

P1 P2 P3 P4 P5 P6

4,02m2
11,66m2
6,31m2

P9 P10

6,43m2 17,63m2
P7 P12
P8 P11

10,81m2

P8´ P11´ P16


P13

17,63m2 P14 P15


6,43m2

16,80m2

6,31m2
11,79m2 7,48m2

P17 P18 P19 P20 P21 P22

Figura 1.13 – Determinação das áreas de influência dos pilares

A carga da laje de cobertura do edifício, em geral, pode ser estimada como uma fração do
carregamento dos andares tipo:

Pcobertura / pilar ≅ 0,75 ⋅ Ptipo / pilar ( 1.15 )

O procedimento para o cálculo do carregamento do ático é o mesmo utilizado para a


determinação de pméd,k, levando em consideração as cargas pertinentes ao ático.

Tendo obtido a carga total no pilar, obtemos sua área por meio da expressão:

Pd,total / pilar ( 1.16 )


A c,pilar =
σ adm

onde admite-se uma tensão admissível no pilar em torno de σ adm ≅ 0,5 ⋅ fck .

Para determinar as dimensões dos pilares, devemos seguir as prescrições da NBR6118


quanto à dimensão mínima dos lados de pilares e pilares parede:
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 28
Tabela 1.8 – Dimensões mínimas de pilares, γn
NBR6118/78 NBR6118/2001 (Projeto de Revisão)
b γn b γn
≥ 20cm 1,0 ≥ 19cm 1,0
12 ≤ b ≤ 20cm 2,4 − 0,05b 12 ≤ b ≤ 19cm 2,73 − 0,07b
γn = γn =
1,4 1,4
O coeficiente γn deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo nos pilares, quando
de seu dimensionamento.

1.5.5.1 Aplicação ao edifício exemplo

Abaixo apresentamos a planilha de pré-dimensionamento dos pilares, os quais foram


dimensionados com dimensão constante até o seu topo visando um melhor
reaproveitamento das fôrmas. Entretanto, pode-se optar por efetuar uma redução no
tamanho dos pilares. Dimensionamos os pilares P19 e P20 com uma carga um pouco
maior em virtude da maior espessura média das escadas. Procuramos também deixar os
pilares de canto com tensões um pouco menores, em virtude dos efeitos de flexão que
serão introduzidos nestes pilares e de uma carga um pouco mais elevada de alvenaria.
Além disso, juntamos os pilares P8-P8’ e P11-P11’ (ver Figura 1.13), uma vez que as
dimensões necessárias para estes pilares, segundo o pré-dimensionamento, resultariam
numa distância muito próxima entre eles, sendo preferível uni-los num só pilar. A planta
de fôrmas final do pavimento-tipo está mostrada na Figura 1.14.

Tabela 1.9 – Pré-dimensionamento dos pilares


Ainfl Ainfl,tot pd Pd,tipo Pd,ático sadm 2 hfinal σf
Pilar ntipo 2 2 2 Pd,tot (kN) 2 A (cm ) b (cm) h (cm)
(m ) (m ) (kN/m ) (kN) (kN) (kN/cm ) (cm) (kN/cm2)
P1=P6=P17= 14 6,31 93,07 15,05 1400,74 0,00 1400,74 1,30 1077,49 19 56,71 65 1,13
P22
8 6,31 55,21 15,05 830,95 0,00 830,95 1,30 639,19 19 33,64 65 0,67
P2=P5=P18= 14 11,79 173,90 15,05 2617,23 0,00 2617,23 1,30 2013,26 19 105,96 110 1,25
P21
8 11,79 103,16 15,05 1552,60 0,00 1552,60 1,30 1194,30 19 62,86 110 0,74
P3=P4 14 4,02 59,30 15,05 892,39 0,00 892,39 1,30 686,45 20 34,32 40 1,12
8 4,02 35,18 15,05 529,38 0,00 529,38 1,30 407,22 20 20,36 40 0,66
P7=P12=P13= 14 6,43 94,84 15,05 1427,38 0,00 1427,38 1,30 1097,98 19 57,79 65 1,16
P16
8 6,43 56,26 15,05 846,75 0,00 846,75 1,30 651,35 19 34,28 65 0,69
P8=P11 14 35,26 520,09 15,05 7827,28 0,00 7827,28 1,30 6020,98 20 301,05 285 1,37
8 35,26 308,53 15,05 4643,30 0,00 4643,30 1,30 3571,77 20 178,59 285 0,81
P9=P10 14 13,99 206,35 15,05 3105,61 389,50 3495,11 1,30 2688,54 20 134,43 140 1,25
8 13,99 122,41 15,05 1842,31 389,50 2231,81 1,30 1716,78 20 85,84 140 0,80
P14=P15 14 16,80 247,80 15,05 3729,39 389,50 4118,89 1,30 3168,38 20 158,42 160 1,29
8 16,80 147,00 15,05 2212,35 389,50 2601,85 1,30 2001,42 20 100,07 160 0,81
P19=P20 14 7,48 110,33 16,10 1776,31 389,50 2165,81 1,30 1666,01 20 83,30 90 1,20
8 7,48 65,45 16,10 1053,75 389,50 1443,25 1,30 1110,19 20 55,51 90 0,80

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 29


506,0
505,0
373,0
505,0
506,0
P1 P2 P3 P4 P5 P6
(19/65) (110/19) (20/40) (110/19) (19/65)
V1(19/55) (20/40) V2(19/55)

338,5
338,5
L1 L4

178,5
178,5

386,0
386,0

h=10cm L2 L3 h=10cm
P9 V3(12/55) P10
(20/140) (20/140) h=10cm

565,0
h=10cm
577,6
V24(19/55)

P7

V15(19/55)
(19/65)
P12
V4(19-12/55) P8 V5(12-19/55) (19/65)
P11

116,0
(20/285) (20/285)

V19(10/40)

216,0
271,0
280,0

280,0
271,0
V6(12/55)
L5 V7(12/55) V8(12/55)
L6

312,0
312,0

h=10cm L7 276,0 h=10cm


h=10cm
V22(12/55)

P13 P16

147,0
(19/65)

176,0
(19/65) V9(19-12/55)

V16(12/55)
V10(12-19/55)

138,0
P14 P15
(20/160) V11(12/55)
(20/160)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado


L9 L10

157,0
200,0

565,0
559,8

h=10cm h=10cm
L8 L11

386,0
386,0

353,5
353,5

h=10cm LE h=10cm
V23(19/55)

V17(12/55)
V21(12/55)

V18(12/55)
V20(12/55)

551,0
468,0
357,0
468,0
551,0

Figura 1.14 – Fôrmas do pavimento-tipo (final)


V14(19/55)
V12(19/55) VE(19/55) V13(19/55)

P17 P18 P19 P20 P21 P22


(19/65) (110/19) (20/90) (20/90) (110/19) (19/65)

data:set/2001
Y

506,0
513,0
357,0
513,0
506,0

fl. 30
Os pilares foram dimensionados com dimensão constante até o seu topo visando a um
melhor reaproveitamento das fôrmas. Entretanto, pode-se optar por efetuar uma redução
no tamanho dos pilares. Dimensionamos os pilares P19 e P20 com uma carga um pouco
maior em virtude da maior espessura média das escadas. Procuramos também deixar os
pilares de canto com tensões um pouco menores, em virtude dos efeitos de flexão que
serão introduzidos nestes pilares e de uma carga um pouco mais elevada de alvenaria.

1.5.6 Determinação da rigidez (aproximada) da estrutura

Determinado o pré-dimensionamento da estrutura, devemos verificar se a estrutura é


capaz de suportar os esforços horizontais a que ela está submetida (no nosso caso as
forças introduzidas pela ação do vento), verificando se os efeitos de 2a ordem não são
muito pronunciados e se as deformações sob cargas de serviço são compatíveis.

1.5.6.1 Aplicação ao edifício exemplo

Para tanto, estabeleceremos um conjunto de pórticos planos em direções ortogonais (x e


y). Poderíamos utilizar também o modelo de pórtico espacial, mas como a estrutura é
bastante simétrica, não havendo efeitos de torção da estrutura pronunciados, a utilização
do modelo de pórticos planos é uma aproximação simples e eficiente.

Para simular o efeito de chapa das lajes, solidarizando os pórticos em cada pavimento,
unimos os pórticos da estrutura com barras rígidas bi-rotuladas, como esquematizado na
Figura 1.14. O modelo ilustrado nesta figura foi processado em um programa de análise
estrutural de pórticos planos para a obtenção dos esforços globais devidos à carga de
vento.

Figura 1.14 – Modelo utilizado – direção y

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 31


1.5.6.1.1 Parâmetro α

As expressões para a determinação do parâmetro α e seu significado são apresentadas


no procedimento descrito no item 1.8.

α ≤ α1 = 0,6 (npav ≥ 4) ( 1.9 )

A Tabela 1.10 mostra os valores obtidos.

Tabela 1.10 – Determinação do parâmetro α


Caso de Htot Nk,edifício
Ecs (GPa) Ieq (m4) α
Carregamento (m) (kN)
direção x 48 21742 23,8 6,88 0,55
direção y 48 10871(*) 23,8 5,21 0,45
(*) Nk,edifício/2

Para o cálculo do parâmetro α, igualamos o deslocamento na cobertura do edifício,


submetido ao carregamento de vento, ao mesmo nível da cobertura do exemplo, de um
pilar equivalente, ao qual aplicamos o mesmo carregamento de vento.

1.5.6.1.2 Parâmetro γz

As expressões para a determinação do parâmetro γz e seu significado são apresentadas


no procedimento descrito no item 1.8.

As Tabelas 1.11 e 1.12 mostram, respectivamente, a determinação do parâmetro γz nas


direções x e y.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 32


Tabela 1.11 – Determinação do parâmetro γz – direção x
Andar Cota Piso Wd M1 Pd,andar d(m) dM
Cob Cx D´Água 48,00 12,07 579,4 276 0,081 22,1
Cx D´Água 46,00 28,46 1309,0 1182 0,080 93,4
Cob C Máq 43,25 26,68 1153,8 879 0,079 68,2
Cob 41,50 31,60 1311,3 1429 0,073 103,9
14o 38,75 42,23 1636,6 1905 0,071 134,5
13o 36,00 41,46 1492,7 1905 0,068 129,7
o
12 33,25 40,65 1351,5 1905 0,065 123,8
11o 30,50 39,78 1213,2 1905 0,062 117,2
10o 27,75 38,85 1078,0 1905 0,057 109,4
o
09 25,00 37,85 946,1 1905 0,053 100,4
08o 22,25 36,76 817,8 1905 0,048 90,7
07o 19,50 35,56 693,4 1905 0,042 80,0
o
06 16,75 34,23 573,3 1905 0,036 68,6
05o 14,00 32,72 458,1 1905 0,030 56,4
04o 11,25 30,96 348,3 1905 0,023 43,4
o
03 8,50 28,84 245,1 1905 0,016 30,1
02o 5,75 26,07 149,9 1905 0,009 17,1
01o 3,00 22,46 67,4 1905 0,003 6,1
T 0,00 10,22 0,0 1905 0,000 0,0
15425,1 1395,0

γz = 1,10

Observando as Tabelas 1.11 e 1.12, verificamos que não há necessidade de se efetuar


uma análise mais rigorosa da estrutura (análise não-linear, processo P-∆), pois os efeitos
de 2a ordem são pouco significativos para a estrutura.

Para efeito de ilustração, na Tabela 1.13 apresentamos a determinação do parâmetro γz


da estrutura na direção y, considerando todos os pilares isolados (unidos apenas por
barras rígidas bi-rotuladas). Podemos verificar que a consideração dos pórticos de
contraventamento é fundamental para garantir a estabilidade da estrutura.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 33


Tabela 1.12 – Determinação do parâmetro γz – direção y
Andar Cota Piso Wd/2 M1 Pd,andar/2 d(m) dM
Cob Cx D´Água 48,00 3,43 164,8 138 0,111 15,3
Cx D´Água 46,00 8,10 372,4 591 0,110 64,7
Cob C Máq 43,25 22,39 968,2 439 0,107 47,1
Cob 41,50 48,16 1998,7 714 0,106 75,5
14 o 38,75 60,34 2338,1 953 0,101 95,8
13 o 36,00 59,24 2132,5 953 0,095 90,4
o
12 33,25 58,07 1930,8 953 0,089 84,5
11 o 30,50 56,83 1733,3 953 0,082 78,0
10 o 27,75 55,50 1540,1 953 0,074 70,9
o
09 25,00 54,07 1351,7 953 0,066 63,3
08 o 22,25 52,51 1168,4 953 0,058 55,1
07 o 19,50 50,80 990,6 953 0,049 46,7
o
06 16,75 48,90 819,1 953 0,040 38,0
05 o 14,00 46,74 654,4 953 0,031 29,3
04 o 11,25 44,23 497,6 953 0,022 21,1
o
03 8,50 41,20 350,2 953 0,014 13,4
02 o 5,75 37,25 214,2 953 0,007 7,0
01 o 3,00 32,09 96,3 953 0,002 2,3
T 0,00 14,60 0,0 953 0,000 0,0
19321,6 898,4

γz = 1,05

Tabela 1.13 – Determinação do parâmetro γz (direção y, pilares isolados)


Andar Cota Piso Wd/2 M1 Pd,andar/2 d(m) dM
Cob Cx D´Água 48,00 3,43 164,8 138 0,907 125,2
Cx D´Água 46,00 8,10 372,4 591 0,857 506,6
Cob C Máq 43,25 22,39 968,2 439 0,789 346,7
Cob 41,50 48,16 1998,7 714 0,746 533,0
14o 38,75 60,34 2338,1 953 0,678 645,9
13o 36,00 59,24 2132,5 953 0,611 582,0
o
12 33,25 58,07 1930,8 953 0,544 518,2
11o 30,50 56,83 1733,3 953 0,477 454,4
10o 27,75 55,50 1540,1 953 0,413 393,4
09o 25,00 54,07 1351,7 953 0,349 332,5
o
08 22,25 52,51 1168,4 953 0,289 275,3
07o 19,50 50,80 990,6 953 0,231 220,0
06o 16,75 48,90 819,1 953 0,178 169,6
o
05 14,00 46,74 654,4 953 0,129 122,9
04o 11,25 44,23 497,6 953 0,087 82,9
03o 8,50 41,20 350,2 953 0,052 49,5
o
02 5,75 37,25 214,2 953 0,025 23,8
01o 3,00 32,09 96,3 953 0,007 6,8
T 0,00 14,60 0,0 953 0,000 0,0
19321,6 5388,5

γz = 1,39

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 34


1.5.7 Cálculo da flecha (aproximada) do edifício sob cargas de serviço

 li
entre pavimentos : 1000
Parâmetros de Referência: 
no edifício : l
 1700

a) Edifício

Tabela 1.14 – Verificação da flecha do edifício sob cargas de serviço – Direção Y


Nível Cota (m) amáx (cm) aserviço (cm)

Cob. Cx. Dágua 48 2,82 1,42


Cobertura 41,5 2,44 1,34

Obs: O cálculo da flecha sob cargas de serviço foi efetuado utilizando-se 30% do
carregamento de vento.

b) Entre pavimentos

Tabela 1.15 – Verificação da flecha entre pavimentos sob cargas de serviço – Direção Y
Cota Piso Piso a Piso
Andar a (cm) ∆a (cm) ∆aadm (cm)
(m) (m)
Cob. Cx. D´Água 48,00 2,00 1,42 0,0500 0,2 OK
Cx. D´Água 46,00 2,75 1,40 0,0800 0,275 OK
Cob. C. Máq. 43,25 1,75 1,36 0,0400 0,175 OK
Cob. 41,50 2,75 1,34 0,1400 0,275 OK
14o 38,75 2,75 1,27 0,1400 0,275 OK
13o 36,00 2,75 1,20 0,1600 0,275 OK
12o 33,25 2,75 1,13 0,1700 0,275 OK
11o 30,50 2,75 1,04 0,1800 0,275 OK
10o 27,75 2,75 0,95 0,2000 0,275 OK
09o 25,00 2,75 0,85 0,2000 0,275 OK
08o 22,25 2,75 0,75 0,2200 0,275 OK
07o 19,50 2,75 0,64 0,2200 0,275 OK
06o 16,75 2,75 0,52 0,2200 0,275 OK
05o 14,00 2,75 0,41 0,2100 0,275 OK
04o 11,25 2,75 0,30 0,2000 0,275 OK
03o 8,50 2,75 0,20 0,1700 0,275 OK
02o 5,75 2,75 0,11 0,1300 0,275 OK
01o 3,00 3,00 0,04 0,0700 0,3 OK
T 0,00 0,00

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 35


1.6 Determinação do Carregamento Vertical

1.6.1 Cargas atuantes em estruturas de edificações (NBR6120/80)

O quadro a seguir apresenta valores de carga a serem adotados em estruturas de


edificações segundo a NBR6120/80 (Cargas para o Cálculo de Estruturas de Edificações).

a) Cargas permanentes:

Peso específico de alguns materiais de construção:

Material Peso específico aparente


kN/m3 ton/m3
concreto simples 24 2,4
concreto armado 25 2,5
argamassa de cimento e areia 21 2,1
argamassa de cal, cimento e areia 19 1,9
alvenaria
de tijolo maciço 18 1,8
de tijolo furado (cerâmico) 13 1,3
de blocos de concreto 13 1,3
material de enchimento
entulho 15 1,5
argila expandida 9 0,9
terra 18 1,8
madeira
pinho, cedro 5 0,5
louro, imbuia 6,5 0,65
angico, cabriúva, ipê róseo 10 1,0

Material Peso específico / área


kN/m2 kgf/m2
revestimentos de pisos 1 100
telhados
de telha de barro 0,7 700
de telha de fibrocimento 0,4 400
de telha de alumínio 0,3 300

impermeabilização de pisos 1,0 100


divisória de madeira 0,2 200
caixilhos
de ferro 0,3 300
de alumínio 0,2 200

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 36


Paredes divisórias sem posição determinada: carga uniformemente distribuída não menor
que 1/3 do peso linear de parede pronta e maior que 1,00 kN/m2.

b) Cargas variáveis ou acidentais:

Peso específico / área


kN/m2 kgf/m2
dormitórios, salas, cozinhas e banheiros 1,5 150
residenciais

despensas, áreas de serviço e lavanderias 2,0 200


edifícios

forros sem acesso a pessoas 0,5 50


escadas sem acesso ao público 2,5 250
garagens (sem consideração de ψ) 2,0 200
terraços sem acesso ao público 2,0 200
salas de uso geral e banheiros 2,0 200
escadas com acesso ao público 3,0 300
edifícios de
escritórios

corredores com acesso ao público 3,0 300


terraços com acesso ao público 3,0 300
forros sem acesso a pessoas 0,5 0,5
garagens (sem consideração de ψ) 2,0 200
restaurantes 3,0 300
salas de aula 3,0 300
escolas

auditórios 5,0 500


escadas e corredores 4,0 400
outras salas 2,0 200
bibliotecas

salas de leitura 2,5 250


salas para depósito de livros 4,0 400
sala com estantes de livros 6,0 600
bancos

escritórios e banheiros 2,0 200


salas de diretorias 1,5 150

palco 5,0 500


cinemas

teatros

platéia com assentos fixos 3,0 300


e

platéia com assentos móveis 4,0 400


banheiros 2,0 200
salas de assembléias com assentos fixos 3,0 300
salas de assembléias com assentos móveis 4,0 400
clubes

salão de danças ou esporte 5,0 500


banheiros 2,0 200
ginásio de esportes 5,0 500
hospitais

dormitórios, enfermarias e banheiros 2,0 200


salas de cirurgia 2,0 200
corredores 3,0 300

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 37


c) Cargas acidentais em balcões (parapeitos):

d) Cargas verticais especiais:

Peso específico / área


kN/m2 kgf/m2
casa de máquinas e poço dos elevadores
laje sobre a caixa dos elevadores
v (velocidade) ≤ 1 m/s 30 30000
v > 1 m/s 50 50000
laje adjacente à caixa dos elevadores
v (velocidade) ≤ 1 m/s 5 5000
v > 1 m/s 7 7000
forro da casa de máquinas 10 10000
poço de molas dos elevadores (laje inferior) 20 20000

e) Coeficiente de impacto:

ϕ = 1,0 quando l ≥ l 0 l 0 = 3 m para lajes (menor vão)


l0 l 0 = 5 m para vigas
ϕ= ≤ 1,43 quando l ≤ l 0
l

f) Escadas (degraus isolados):

Aplicar carga concentrada de 2,5 kN na posição mais desfavorável.

g) Redução das cargas acidentais (pilares e fundações) para edifícios residenciais,


comerciais, residências e casas comerciais não destinados a depósitos:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 38


Redução percentual das cargas
No de pisos que atuam sobre o elemento
acidentais (%)
1, 2 e 3 0
4 20
5 40
6 ou mais 60

Obs: O forro deve ser considerado como piso.

1.6.2 Revestimento das lajes

Para o cálculo das cargas permanentes devidas ao revestimento das lajes (piso, camada
de regularização e forro), foram definidas as espessuras mostradas na Figura 1.151.
Adotou-se piso de taco de ipê róseo (γ = 10 kN/m3), camada de regularização de
argamassa de cimento e areia (γ = 21 kN/m3) e revestimento de forro de argamassa de
cimento, cal e areia (γ = 19 kN/m3).

Figura 1.15 – Camadas de revestimento das lajes

A carga total de revestimento por m2 de laje é dada pelo produto dos pesos específicos
dos revestimentos adotados pelas suas respectivas espessuras.

1.6.3 Paredes sobre lajes

Utilizou-se para as paredes do edifício exemplo blocos cerâmicos vazados (γ = 13 kN/m3)


e revestimento de argamassa de cimento e areia (γ = 21 kN/m3). A espessura do
revestimento resultou 3 cm para as paredes internas e 6 cm para as paredes externas,
respectivamente.

1
No edifício exemplo, a espessura da camada de regularização foi adotada como sendo de 3cm.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 39


Para obtermos o peso por metro linear de parede, multiplicamos o peso específico do
bloco e do revestimento de parede adotado pelas suas respectivas espessuras e pelo pé
direito. O peso total da parede é dado pelo produto da carga por metro linear pelo
comprimento da parede.

Nas lajes armadas em duas direções, divide-se o peso total da parede pela área da laje,
obtendo-se uma carga por m2 suposta uniformemente distribuída. É uma simplificação de
certo modo grosseira, porém justificável pelas pequenas dimensões dos vãos das lajes de
edifícios.

Nas lajes armadas numa só direção, a simplificação precedente pode fugir muito da
realidade, sendo preferível substituí-la pelas seguintes regras práticas:

a) se a parede é paralela ao lado lx (lado menor da laje), supõe-se que a faixa resistente
tenha largura 2/3 lx;

b) se a parede é paralela ao lado ly, considera-se a carga distribuída linearmente.

A Tabela 1.17 apresenta os valores das cargas de parede sobre as lajes e a Tabela 1.18
mostra o carregamento final obtido.

Tabela 1.17 – Cargas de parede sobre as lajes do edifício exemplo


Comprimento de Parede Pé-direito Área da laje Carga Parede Total
Laje (m) (m) (m²) (kN/m²) (kN/m²)
1=4=8=11 6,82 2,585 21,77 2,19 1,77
2=3=9=10 8,85 2,585 24,22 2,19 2,07
5=6 2,60 2,585 6,75 2,19 2,18
7 1,83 2,585 9,68 2,19 1,07

Características da Parede:
Bloco cerâmico vazado com largura de 12 cm γ = 13 kN/m³
Revestimento de argamassa de cimento e areia γ = 21 kN/m³

Tabela 1.18 – Carga total distribuída nas lajes do pavimento-tipo


Peso Revestimento Paredes Cargas Cargas
Total
Próprio Total sobre Laje Permanentes Acidentais
Laje h(cm) (kN/m²)
(kN/m²) (kN/m²) (kN/m²) (kN/m²) (kN/m²)
L1 10 2,5 1,12 1,77 5,39 1,5 6,89
L2 10 2,5 1,12 2,07 5,69 1,5 7,19
L3 10 2,5 1,12 2,07 5,69 1,5 7,19
L4 10 2,5 1,12 1,77 5,39 1,5 6,89
L5 7 1,75 1,12 2,18 5,05 1,5 6,55
L6 7 1,75 1,12 2,18 5,05 1,5 6,55
L7 10 2,5 1,12 1,07 4,69 3,0 7,69
L8 10 2,5 1,12 1,77 5,39 1,5 6,89
L9 10 2,5 1,12 2,07 5,69 1,5 7,19
L10 10 2,5 1,12 2,07 5,69 1,5 7,19
L11 10 2,5 1,12 1,77 5,39 1,5 6,89

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 40


1.6.4 Cálculo das reações nas vigas

Para o cálculo das reações das vigas, isto é, para calcular a carga que a laje transmite às
vigas que a sustentam, o critério mais prático é o indicado na Figura 1.16. Supõe-se que a
borda maior ly receba a carga existente na área Ay, enquanto que Ax corresponde à borda
menor lx. As áreas Ax e Ay são formadas pelas bissetrizes tiradas de cada canto da laje.
É, portanto, um cálculo simples, baseado na teoria das charneiras plásticas. No caso de
duas bordas adjacentes serem uma engastada e a outra apoiada, alguns autores
recomendam que se faça o desenho do “telhado” com retas que formem ângulos de 30o e
60o (e não dois ângulos de 45o). Em tal caso, 60o para o lado do engastamento. Esta foi a
hipótese adotada neste edifício exemplo. A distribuição de cargas nas vigas do
pavimento-tipo do edifício exemplo, segundo o processo referido, é ilustrada na Figura
1.17. É importante salientar que na Figura 1.17 já estão incluídas as cargas de parede
sobre as lajes.

Ay

Ax Ax
l

Ay

Figura 1.16 – Esquema de distribuição de cargas das lajes para as vigas

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 41


V1 V2
15.12 + 1.52 14.68 + 1.26 14.68 + 1.26 15.12 + 1.52

3.87m2 3.87m2
5.64m2 5.64m2

11.34 + 1.50
11.34 + 1.50
4.65m2 L1 7.86m2 7.86m2 L4 4.65m2
9.77m2 5.64m2 5.64m2
V3 9.77m2

15.44 + 1.61
15.44 + 1.61

25.39 + 5.35
25.39 + 5.35

5.64m2 5.66 + 0 5.66 + 0 5.64m2

V15
L2 L3

V19
V24

15.12 + 1.52 15.32 + 2.77 15.32 + 2.77 15.12 + 1.52

5.66 + 0
V6
6.71m2
V4 1.06m2 2.28m2 6.71m2 10.35 + 3.00 10.35 + 3.00 2.28m2 V5
1.06m2
L5 V7 V8 L6
1.86m2 3.65m2 1.86m2
22.26 + 4.38 22.26 + 4.38
L7
7.62 + 0.58

7.62 + 0.58
V22

2.28m2

V16
2.28m2 1.68m2

15.28 + 4.02
19.45 + 2.98
V9 3.45m2 V10
6.71m2 6.71m2
15.12 + 1.52 15.32 + 2.77 15.32 + 2.77 15.12 + 1.52

V11 1.48m2

5.64m2 5.66 + 2.23 9.15 + 2.23 5.64m2


9.77m2 5.64m2 5.64m2 9.77m2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado


L10
4.65m2 L8 7.86m2 L9 7.86m2 L11 4.65m2

25.39 + 5.35
25.39 + 5.35

15.44 + 1.61
15.44 + 1.61

5.64m2 LE 5.64m2
3.87m2 3.87m2

11.34 + 1.50
11.34 + 1.50

V17

V14
V18
V20
V21
V23

Y 15.12 + 1.52 14.68 + 1.26 14.68 + 1.26 15.12 + 1.52

V12 VE V13

data:set/2001
X

Figura 1.17 – Determinação das reações das lajes nas vigas de apoio

fl. 42
1.6.5 Esquemas de distribuição de cargas nas vigas

Seguindo o procedimento descrito anteriormente, resultam os esquemas de distribuição


de cargas nas vigas conforme a Tabela 1.19.

Tabela 1.19 – Distribuição de cargas nas vigas


Viga (Tramo) Carga Permanente (kN/m) Carga Variável (kN/m)
V1a 15,12 1,52
V1b 14,68 1,26
V2a 14,68 1,26
V2b 15,12 1,52
V3 5,66 0,00
V4a 15,12 1,52
V4b 15,32 2,77
V5a 15,32 2,77
V5b 15,12 1,52
V6a 10,35 3,0
V6b 10,35 3,0
V7 22,26 4,38
V8 22,26 4,38
V9a 15,12 1,52
V9b 15,32 2,77
V10a 15,32 2,77
V10b 15,12 1,52
V11a 5,66 2,23
V11b 9,15 2,23
V12a 15,12 1,52
V12b 14,68 1,26
V13a 14,68 1,26
V13b 15,12 1,52
V14 15,44 1,61
V15 15,44 1,61
V16 7,62 0,58
V17a 25,39 5,35
V17b 25,39 5,35
V18a 11,34 1,50
V18b 15,28 4,02
V18c 11,34 1,50
V19 5,66 0,00
V20a 11,34 1,50
V20b 19,45 2,98
V20c 11,34 1,50
V21a 25,39 5,35
V21b 25,39 5,35
V22 7,62 0,58
V23 15,44 1,61
V24 15,44 1,61

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 43


1.7 Carregamento Horizontal

1.7.1 Procedimento para o cálculo das forças devidas ao vento nas


edificações (segundo a NBR6123/88)

A consideração do efeito do vento nas edificações é obrigatória, segundo o projeto de


revisão da NBR6118. O carregamento de vento, um carregamento acidental, pode ser
calculado de acordo com a NBR6123/88 (Forças Devidas ao Vento em Edificações).
Neste trabalho, adotaremos o vento como um carregamento estático, considerando a
estrutura já concluída, e o conjunto global de suas partes.

1.7.1.1 Determinação da velocidade básica do vento (v0)

A velocidade básica do vento, v0, é a velocidade de uma rajada de 3s, excedida em média
uma vez em 50 anos, a 10m acima do terreno, em campo aberto e plano (NBR6123/88).
A velocidade básica do vento é obtida a partir do gráfico de isopletas, em função da
localização geográfica da edificação (Figura 1.18).

Figura 1.18 – Isopletas da velocidade básica (v0)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 44


1.7.2 Determinação da Velocidade Característica (vk)

A velocidade característica é obtida da multiplicação da velocidade básica pelos fatores


s1, s2 e s3:

v k = (s1 ⋅ s 2 ⋅ s 3 ) ⋅ v 0

a) Fator Topográfico, s1

Considera as variações do relevo do terreno:

Relevo s1
Terreno plano ou fracamente acidentado 1,0
Pontos A e C 1,0
θ ≤ 3o : 1,0
Taludes e
morros 6 ≤ θ ≤ 17o :
alongados, nos  z
( )
S1 = 1,0 +  2,5 −  tan θ − 3o ≥ 1,0
quais pode ser  d
Entre os
admitido um θ ≥ 45 :
o
Pontos A e B
fluxo de ar  z
bidimensional. S1 = 1,0 +  2,5 − 0,31 ≥ 1,0
 d
deve-se interpolar linearmente
para as outras inclinações
Vales profundos, protegidos de ventos de 0,9
qualquer direção

b) Rugosidade do Terreno, Dimensões da Edificação e Altura sobre o Terreno, s2

O fator s2 considera a rugosidade do terreno (categoria), as dimensões da edificação


(classe) e altura sobre o terreno (z) e é calculado pela expressão:

p
 z 
s 2 = b Fr  
 10 

onde b, Fr e p são determinados pela categoria de rugosidade e classe da edificação.

Tabela 1.20 – Categoria do relevo


Categoria Relevo
I Superfícies lisas de grandes dimensões, com mais de 5 km de extensão.
II Terrenos abertos com poucos obstáculos isolados.
III Terrenos planos ou ondulados com obstáculos.
IV Terrenos com obstáculos numerosos e pouco espaçados.
V Terrenos com obstáculos numerosos, grandes, altos e pouco espaçados.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 45


Tabela 1.21 – Classe da edificação
Classe Tamanho da Edificação
A Maior dimensão horizontal ou vertical < 20m.
B Maior dimensão horizontal ou vertical entre 20 e 50m.
C Maior dimensão horizontal ou vertical > 50m.

Tabela 1.22 – Parâmetros meteorológicos


Classes
Categoria Parâmetro
A B C
I b 1,10 1,11 1,12
p 0,06 0,065 0,07
II b 1,00 1,00 1,00
p 0,085 0,09 0,10
III b 0,94 0,94 0,93
p 0,10 0,105 0,115
IV b 0,86 0,85 0,84
p 0,12 0,125 0,135
V b 0,74 0,73 0,71
p 0,15 0,16 0,175
IaV Fr 1,00 0,98 0,95

c) Fator Estatístico, s3

Tabela 1.23 – Fator estatístico


s3 Responsabilidade da Edificação
1,10 Edificações onde se exige maior segurança.
1,00 Edificações em geral.
0,95 Edificações com baixo fator de ocupação.
0,88 Vedações.
0,83 Edificações temporárias.

1.8 Verificação da estabilidade global do edifício

1.8.1 Deslocabilidade

Considerando o deslocamento dos nós das estruturas reticuladas perante cargas


horizontais, elas podem ser classificadas como de nós fixos ou de nós deslocáveis:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 46


Estruturas de nós fixos: são as estruturas nas quais os deslocamentos horizontais dos
nós são pequenos e por decorrência, os efeitos globais de 2ª ordem são desprezíveis
(inferiores a 10% dos respectivos esforços de 1ª ordem); nestas estruturas basta
considerar os efeitos locais e localizados de 2ª ordem;

Estruturas de nós móveis: são as estruturas nas quais os deslocamentos horizontais


não são pequenos e, em decorrência, os efeitos globais de 2a ordem são importantes
(superiores a 10% dos respectivos esforços de 1ª ordem). Nestas estruturas devem ser
obrigatoriamente considerados os esforços globais, locais e localizados de 2ª ordem
(NBR6118/2001).

1.8.2 Rigidez Mínima das Estruturas Indeslocáveis

Dois processos aproximados são indicados pelo projeto de revisão da NBR6118 (e são
transcritos a seguir) para garantir a rigidez mínima das estruturas de nós fixos.
Lembramos que a avaliação da deslocabilidade da estrutura deve ser feita para todas as
combinações de carga aplicadas à estrutura.

a) Parâmetro de Instabilidade (α)

Uma estrutura reticulada simétrica poderá ser considerada como sendo de nós fixos se
seu parâmetro de instabilidade α for menor que o valor α1 definido a seguir:

α ≤ α1 (1.10)
Nk
α = Htot (1.11)
E csIc
α1 = 0,2 + 0,1 ⋅ n se n ≤ 3
(1.12)
α1 = 0,6 se n ≥ 4
onde:
n - número de níveis de barras horizontais (andares) acima da fundação ou
de um nível pouco deslocável do subsolo;
Htot - altura total da estrutura, medida a partir do topo da fundação ou de um
nível pouco deslocável do subsolo;
Nk - somatória de todas as cargas verticais atuantes na estrutura (a partir do
nível considerado para o cálculo de Htot), com seu valor característico.
Ecs Ic - somatória da rigidez de todos os pilares na direção considerada. No
caso de estruturas de pórticos, de treliças ou mistas, ou com pilares de rigidez
variável ao longo da altura, permite-se considerar produto de rigidez Ecs Ic de um
pilar equivalente de seção constante. Para Ec permite-se adotar, nessa
expressão e em todas as análises de estabilidade global, o valor do módulo de
elasticidade inicial. O valor de Ic é calculado considerando as seções brutas dos
pilares.

Para determinar a rigidez equivalente (Ecs Ic) em pórticos planos e estruturas treliçadas,
procede-se da seguinte maneira:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 47


calcula-se o deslocamento do topo da estrutura de contraventamento, sob a
ação do carregamento horizontal característico;
calcula-se a rigidez de um pilar equivalente de seção constante, engastado na
base e livre no topo, de mesma altura Htot, tal que, sob a ação do mesmo
carregamento, sofra o mesmo deslocamento no topo da estrutura de
contraventamento.

O valor limite α1 = 0,6 prescrito para n ≥ 4 é, em geral, aplicável às estruturas usuais de


edifícios. Vale para associações de pilares-parede, e para pórticos associados a pilares-
parede. Ele pode ser aumentado para 0,7 no caso de contraventamento constituído
exclusivamente por pilares-parede, e deve ser reduzido para 0,5 quando só houver
pórticos.

b) Coeficiente γz

É possível determinar de forma aproximada o coeficiente γz de majoração dos esforços


globais finais com relação aos de primeira ordem. Essa avaliação é efetuada a partir dos
resultados de uma análise linear de primeira ordem, adotando-se os valores de rigidez
indicados nas equações (1.13), que estimam o efeito da não-linearidade física.

para lajes : (EI)sec = 0,3 ⋅ E cIc


para vigas : (EI)sec = 0,4 ⋅ E cIc para A’s ≠ As e
(EI)sec = 0,5 ⋅ E cIc para A’s = As
para pilares : (EI)sec = 0,8 ⋅ E cIc
para estruturas de contraventamento compostas exclusivamente por vigas e (1.13)
pilares, pode-se considerar para ambas:
(EI)sec = 0,7 ⋅ EcIc
sendo
Ec : o módulo de elasticidade inicial do concreto
Ic : o momento de inércia da seção bruta de concreto

O valor de γz é:
1
γz =
∆M tot,d (1.14)
1−
M1,tot,d
sendo:
M1,tot,d - momento de tombamento, ou seja, a soma dos momentos de todas as
forças horizontais, com seus valores de cálculo, em relação à base da estrutura;
∆Mtot,d - soma dos produtos de todas as forças verticais atuantes na estrutura,
com seus valores de cálculo, pelos deslocamentos horizontais de seus
respectivos pontos de aplicação, obtidos da análise de 1ª ordem;

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 48


Considera-se que a estrutura é de nós fixos se for obedecida a condição γz ≤ 1,1, sendo
que neste caso é possível desconsiderar os efeitos de 2ª ordem. Solução aproximada
para a determinação dos esforços globais de 2ª ordem, válida para estruturas regulares
consiste na avaliação dos esforços finais (1ª ordem + 2ª ordem) pela multiplicação por
0,95 γz dos momentos de 1ª ordem, desde que γz ≤ 1,3. Para valores de γz maiores que
1,3 é necessária a análise de 2ª ordem adequada, permitindo-se a adoção do processo P-
∆ para a avaliação da não-linearidade geométrica em conjunto com os valores de rigidez
dados pela Equação 1.13 representativos do efeito da não-linearidade física.

O procedimento apresentado nesta seção foi aplicado ao edifício exemplo para a


determinação do carregamento horizontal devido ao vento, resultando nos valores
apresentados no item 1.5.4.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 49


2 – Lajes de Concreto Armado

2.1 Lajes Maciças de Concreto Armado

2.1.1 Introdução

Lajes são elementos estruturais bidimensionais planos com cargas preponderantemente


normais ao seu plano médio. Considerando uma estrutura convencional, as lajes
transmitem as cargas do piso às vigas, que as transmitem, por sua vez, aos pilares,
através dos quais são as cargas transmitidas às fundações, e daí ao solo.

Figura 2-1 – Representação de uma laje [FUSCO]

O comportamento estrutural primário das lajes é o de placa, que por definição, é uma
estrutura de superfície caracterizada por uma superfície média (S) e uma espessura (h),
com esforços externos aplicados perpendicularmente a S.

As lajes possuem um papel importante no esquema resistente para as ações horizontais,


comportando-se como diafragmas rígidos ou chapas, compatibilizando o deslocamento
dos pilares em cada piso (contraventando-os).

Figura 2-2 – Comportamento das placas [FUSCO]

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 2


As estruturas de placas (lajes) podem ser analisadas admitindo-se as seguintes hipóteses
[ABNT-2]:

Manutenção da seção plana após a deformação, em faixas suficientemente


estreitas;
Representação dos elementos por seu plano médio.

Os apoios das lajes são em geral constituídos pelas vigas do piso. Nestes casos, o
cálculo das lajes pode ser feito de maneira simplificada como se elas fossem isoladas das
vigas, com apoios (charneiras) livres à rotação e indeslocáveis à translação,
considerando-se, contudo, a continuidade de lajes contíguas. Em geral, podem ser
desprezados os efeitos da interação com as vigas. De fato, normalmente as flechas
apresentadas pelas vigas de apoio são desprezíveis quando comparadas às das lajes,
justificando a consideração dos apoios como irrecalcáveis. Além disso, também a rigidez
à torção das vigas é relativamente pequena face à rigidez à flexão da laje, permitindo-se,
em geral, desprezar-se a solicitação resultante desta interação. É obrigatória, entretanto,
a consideração de esforços de torção inseridos nas vigas por lajes em balanço, aonde a
compatibilidade entre a flexão na laje e a torção na viga é responsável pelo equilíbrio da
laje [ISHITANI-1].

As cargas das lajes são constituídas pelo seu peso próprio, pela carga das alvenarias e
dos revestimentos que nela se encontrarem e pelas ações acidentais.

2.1.2 Classificação

As lajes podem ser armadas em uma ou duas direções. As lajes armadas em uma única
direção podem ser calculadas como vigas de largura unitária (maiores detalhes podem
ser encontrados em [ABNT-1], item 3.3.2.6). Já as lajes armadas em duas direções,
podem ser analisadas utilizando o modelo elástico-linear, com elementos de placa,
utilizando o coeficiente de Poisson ν = 0,2 para o material elástico linear. Dentro desta
sistemática, inicialmente as lajes são calculadas isoladamente, observando-se as
condições de apoio de bordo engastado ou de charneira, conforme haja continuidade ou
não entre as lajes. Posteriormente é feita a compatibilização entre os momentos de bordo
de lajes contíguas. Os valores dos momentos fletores máximos no vão e de
engastamento para as formas e condições de apoio mais comuns encontram-se
tabelados, existindo tabelas publicadas por diversos autores (Kalmanock, Barès, Czèrny,
Timoshenko).

A diferenciação entre as lajes armadas em uma e duas direções é realizada comparando-


se a relação entre os vãos (dimensões) da laje. Desta forma, temos:

ly
lajes armadas em cruz, quando ≤ 2, e
lx

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 3


C

flecha a
lx
D
D

C
ly ≤ 2 lx

Figura 2-3 – Laje Armada em Cruz (Armada nas duas direções)

ly
lajes armadas numa só direção, quando > 2.
lx
P1 A P2
V1

flecha a
lx B
B

P A P4

ly

Figura 2-4 – Laje Armada em Cruz (Armada nas duas direções)

Lembramos que nas “lajes armadas em uma direção” sempre existe uma armadura
perpendicular à principal, de distribuição.

2.1.3 Ações a considerar

As cargas verticais que atuam sobre as lajes são consideradas geralmente uniformes,
algumas o são de fato, outras, como o caso de paredes apoiadas em lajes armadas em
cruz, são transformadas em cargas uniformes utilizando hipóteses simplificadoras.
Referimo-nos sempre às lajes de edifícios residenciais ou comerciais; no caso de lajes de
pontes, por exemplo, o cálculo deve ser mais preciso.

As principais cargas a se considerar são:


Peso próprio da laje;
Peso de eventual enchimento;
Revestimento;
Paredes sobre lajes;
Carregamento acidental.

O método para o levantamento destas cargas é indicado no Capítulo 1.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 4


2.1.4 Pré-dimensionamento (Aplicação ao Edifício Exemplo)

O pré-dimensionamento das lajes já foi realizado no capítulo anterior e desta forma,


apenas transcrevemos os resultados:

Tabela 2-1 – Pré-dimensionamento das lajes (cópia da Tabela 1.3)


Laje lx (m) ly (m) 0,7 ly (m) l* (m) n(*) d (cm) h (cm)
L1=L3=L8=L10 4,31 5,59 3,91 3,91 1 9,4 10
L2=L4=L9=L11 4,60 5,69 3,98 3,98 2 9,2 10
L5=L6 2,75 2,76 1,93 1,93 3 4,2 7
L7 3,60 3,80 10

2.1.5 Vãos Teóricos

O item 3.3.2.3 da NB-1 ensina a calcular os vãos teóricos de uma laje. Em edifícios, as
vigas são geralmente de pequena largura, como no edifício exemplo. Neste caso, pode-se
adotar sempre como vão teórico a distância entre os eixos das vigas de apoio.

l x = vão menor
Por convenção, suporemos sempre 
l y = vão maior

2.1.6 Determinação das Condições de Apoio das Lajes

Admitem-se três tipos de apoio para as lajes:

Bordo livre: quando não há suporte (Ex.: laje em balanço);

Figura 2-5 – Corte de uma laje em balanço (bordo livre)

Bordo apoiado: quando não há restrição dos deslocamentos verticais, sem


impedir a rotação das lajes no apoio (Ex.: laje isolada apoiada por vigas);

Figura 2-6 – Corte de uma laje apoiada em duas vigas (bordos apoiados)

Bordo engastado: quando há impedimento do deslocamento vertical e rotação da


laje neste apoio (Ex.: lajes apoiadas por vigas de grande rigidez).

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 5


Figura 2-7 – Corte de uma laje apoiada em duas vigas de grande rigidez (bordos engastados)

2.1.6.1 Lajes Isoladas

Para lajes isoladas, admite-se que se utilize:

Bordo engastado, quando tivermos vigas de apoio com grande rigidez;


Bordo apoiado, quando tivermos vigas de apoio com rigidez normal;
Bordo livre, quando não existirem vigas de apoio.

Figura 2-8 – Convenção utilizada para a representação dos apoios

2.1.6.2 Painéis de Lajes

Para os painéis de lajes de edifícios, quando houver lajes contíguas no mesmo nível, o
bordo poderá ser considerado perfeitamente engastado para o cálculo da laje, como
mostra a próxima figura:

Figura 2-9 – Lajes contíguas

Casos Particulares

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 6


Figura 2-10 – Lajes em níveis diferentes

Figura 2-11 – Lajes com inércias muito diferentes

Figura 2-12 – Lajes com vãos muito diferentes

 2
l menor ≥ 3 l maior →




l 2
 menor < l maior →
3

Figura 2-13 – Condição de apoio parcial de lajes

Após o cálculo das lajes de maneira isolada deve ser feita a compatibilização dos
esforços de engastamento.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 7


2.1.7 Cálculo das Solicitações (Cálculo Elástico)

Para o cálculo dos esforços atuantes nas lajes, admitimos as seguintes hipóteses:

Separação virtual entre lajes e vigas, permitindo seu cálculo separadamente;


Consideração das vigas como sendo apoios indeslocáveis;
Consideração das reações das lajes sobre as vigas, uniformemente distribuída.

2.1.7.1 Lajes Armadas em Uma Direção

a) Lajes Isoladas

Figura 2-14 – Determinação de esforços em lajes isoladas armadas em uma direção

b) Lajes Contínuas

Figura 2-15 – Laje armada em uma direção contínua

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 8


2.1.7.2 Lajes Armadas em Duas Direções

Pelo fato de apresentarem dimensões de seus lados comparáveis, as lajes armadas em


cruz apresentam curvaturas comparáveis segundo os dois cortes (AA e BB indicados na
figura), indicando a presença de momentos fletores comparáveis, mx e my.

mx = momento fletor por unidade de largura com plano de atuação paralelo a lx;
my = momento fletor por unidade de largura com plano de atuação paralelo a ly.

B
lx B

α
A ly α
A ao
ly
C C

lx ≤ ly
ao ao

Figura 2-16 – Lajes armadas em cruz

Considerando o corte genérico CC e a deformada segundo este corte. Nota-se, de novo,


a presença de curvatura e, portanto, de momento fletor (mα = momento por unidade de
largura atuando segundo o corte CC). O arranjo usual das armaduras da laje é composto
de armadura paralela ao lado lx, para resisitir a mx, e armadura paralela a ly, para resistir a
my. Os ensaios mostram que a resistência segundo o corte CC pode ser expresso por:

mα = mx cos2 α + my sen2 α ( 2.1 )

Em geral, estas armaduras (determinadas para resistir aos momentos máximos paralelos
aos lados lx e ly) são suficientes para garantir a segurança da laje.

A determinação dos momentos fletores numa placa, pela Teoria da Elasticidade, é


bastante trabalhosa. Entretanto, há tabelas com as quais o cálculo torna-se expedito.
Dentre as diversas tabelas existentes na literatura técnica, escolhemos as de Czerny, com
coeficiente de Poisson ν = 0,20. Estas tabelas trazem a solução para as lajes isoladas.
Dentro do contexto de um pavimento, após a determinação dos esforços nas lajes
isoladas, devemos fazer a compatibilização dos momentos de engastamento das lajes
adjacentes, como veremos no item b.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 9


a) Lajes Isoladas

As tabelas do tópico 2.2 reproduzem os casos de carga uniformemente distribuída em


lajes retangulares. O lado lx é sempre o menor. A notação m significa momento fletor por
unidade de largura (por metro) de laje. O cálculo é imediato:

pl 2x ( 2.2 )
mx =
αx
pl 2x
my =
αy
pl 2x
mbx =
βx
pl 2x
mby =
βy

onde,
αx, αy, βx e βy são coeficientes tabelados
p é a carga atuante;
m x e my são os momentos positivos,
mx na direção x e my na direção y;
mbx e mby são os momentos negativos de borda,
mbx na direção x e mby na direção y.

Observa-se que as tabelas enfrentam o problema também quando K > 2. Podemos,


portanto, calcular todas as lajes retangulares como lajes em cruz.

Figura 2-17 – Distribuição de esforços (pela Teoria da Elasticidade) [FUSCO]

b) Lajes Contíguas

O momento em um bordo comum a duas lajes deve ser determinado a partir da


compatibilização dos momentos negativos mb1 e mb2 das lajes isoladas:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 10


 mb1 + mb 2 ( 2.3 )
 2

mb12 ≥ 0,8 ⋅ mb1
0,8 ⋅ m
 b2

Ao compatibilizarmos os momentos negativos sobre os apoios, devemos corrigir o


momento positivo da laje que tiver o seu momento fletor de bordo diminuído:

se mbi < mb12 → mi,final = mi + 0,5(mbi − mb12 ) ( 2.4 )

O momento aplicado no bordo de uma laje em balanço não pode ser reduzido.

2.1.8 Dimensionamento à Flexão (Estado Limite Último – E.L.Últ.)

O dimensionamento é feito para uma seção retangular de largura unitária (normalmente,


b = 1 m = 100 cm) e altura igual à espessura total da laje, h.

a) Altura útil

A armadura de flexão será distribuída na largura de 100 cm. Em geral, tem-se nos vãos,
num mesmo ponto, dois momentos fletores (mx e my, positivos) perpendiculares entre si.
Desta forma, a cada um desses momentos corresponde uma altura útil; dx para o
momento fletor mx e dy para o momento fletor my. Normalmente, mx é maior do que my;
por isso, costuma-se adotar dx > dy; para isto, a armadura correspondente ao momento
fletor my (Asy) é colocada sobre a armadura correspondente ao momento fletor mx (Asx),
fig. 2.7.

100 cm

dx Asy dy dy
dx
h
φy
φx
Asx c

Figura 2-18 – Altura útil

Conforme a figura, tem-se:

dx = h - c - φx / 2 ( 2.5 )
dy = h - c - φx - φy / 2

onde

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 11


c = cobrimento mínimo da armadura em lajes, fixado em 0,5 cm nas lajes
protegidas com argamassa de espessura mínima de 1 cm (NBR-6118)
φx = diâmetro da armadura Asx correspondente a mx
φy = diâmetro da armadura Asy correspondente a my .

Nas lajes maciças revestidas, usuais em edifícios (comercial e residencial), pode-se


adotar aproximadamente:

dx ≅ h - c - 0,5 cm ( 2.6 )
dy ≅ h - c - 1 cm

b) Cálculo das Armaduras

Tem-se uma seção retangular de largura unitária (normalmente, b = 1 m = 100 cm) e


altura h, sujeita a momento fletor m (mx ou my ) em valor característico. A altura d é igual a
dx para o momento fletor mx e, dy para o momento fletor my. O momento fletor de cálculo é
dado por:

md = γf mk = 1,4 mk ( 2.7 )

100 cm 0,85fc
0,8 Rcd
h d
md Rsd

Figura 2-19 – Armadura de flexão

Nas lajes, normalmente, a flexão conduz a um dimensionamento como peça sub-armada


com armadura simples (x ≤ x34). Assim, conforme a fig. 2.8, a equação de equilíbrio
conduz a:

0,68 b x fcd (d - 0,4 x) = md ( 2.8 )

resultando, para a altura da zona comprimida o valor

 md  ( 2.9 )
x = 1,25d1 − 1 −  (x ≤ x34)
 0,425bd 2 fcd 

e a armadura

md ( 2.10 )
As =
f yd (d − 0,4 x )

onde
As = Asx , para m = mx
e
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 12
As = Asy para m = my.

Normalmente, utilizam-se as unidades kN e cm resultando m e md em kN.cm/m, x em cm


e As em cm2 / m.

2.1.9 Cálculo das Reações de Apoio

Para o cálculo das reações de apoio das lajes maciças retangulares com carga uniforme,
permite-se que as reações em cada apoio correspondam às cargas atuantes nos
triângulos ou trapézios determinados por meio das charneiras plásticas correspondentes à
análise efetivada com os critérios do item 14.6.5 – Análise Plástica [ABNT-2]. Estas
charneiras podem ser (de maneira aproximada) representadas por retas inclinadas, a
partir dos vértices da laje, com ângulos de:

45o entre dois apoios de mesmo tipo;


60o a partir do apoio considerado engastado, se o outro for considerado
simplesmente apoiado;
90o a partir do apoio, quando a borda vizinha for livre (NBR6118).

Outra forma de representar estas charneiras, utilizada pelo prof. Lauro Modesto, é a de
traçar sempre as charneiras pelas bissetrizes entre as arestas das lajes.

Os resultados para o edifício exemplo já foram apresentados no Capítulo 1.

Figura 2-20 – Charneiras plásticas [FUSCO]

2.1.10 Esbeltez das Lajes

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 13


Um estado limite de utilização que não pode ser esquecido nas lajes é o de deformação
excessiva. A flecha da laje não pode exceder a flecha máxima admissível.

Segundo o item 4.2.3.1 da NB-1/78, o cálculo das flechas nas lajes pode ser feito no
Estádio I de comportamento do concreto (seção não fissurada) com:

E cs = 0,9 ⋅ 6600 fck + 3,5 (MPa) E cs = 0,85 ⋅ 5600 fck ( 2.11 )

Desta forma, as expressões para o cálculo das flechas (elásticas ⇔ Estádio I) são:

a) Para as lajes armadas em uma direção: as mesmas equações para o cálculo de


deformações elásticas na viga de largura unitária;
b) Para as lajes armadas em cruz: valores tabelados nas tabelas de Czerny .

pl 4x ( 2.12 )
a= , onde α2 é um valor tabelado
E csh3 α 2

As deformações devem ser verificadas para cargas de curta e longa duração:

 lx ( 2.13 )

Curta duração: a1 ≤  500
l
 x → para balanços
 250
 lx

Longa duração: a 2 ≤  300
l
 x → para balanços
150

onde lx é o vão teórico menor.

No mesmo artigo, a NB-1/78 dispensa o cálculo da flecha desde que uma determinada
condição seja verificada. Para isto, fornece coeficientes ψ2 e ψ3. Não recomendamos tal
verificação. É igualmente simples e geralmente mais econômico calcular as flechas a1 e
a2, para as cargas acima referidas, e verificar diretamente as condições (2.11) e (2.12).

Para o cálculo da flecha proveniente do carregamento de curta duração deve-se


considerar p * = 0,7q , de acordo com o item 5.4.2.2 da NB-1.

Para a estimativa da flecha de longa duração, sob carregamento total, é necessário


levarmos em conta o efeito da fluência.

Considerando o item 4.2.3.1 da NB-1/78, temos:

(1r )final 3ε c + ε s ( 2.14 )


flecha final = a inicial = a inicial (εc e εs em valor absoluto)
(1r )inicial εc + εs

Para a compatibilidade das deformações:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 14


εc x kx x ( 2.15 )
= = ; kx =
εs d − x 1 − k x d

de modo que,

(1r )final ( 2.16 )


= 1+ 2k x
(1r )inicial
e desta forma,

a final = a inicial (1 + 2k x ) ( 2.17 )

A expressão acima foi mostrada por MOREIRA DA ROCHA [7]. MACHADO [1] retomou o
problema e mostrou que, no estádio I (lajes), um valor razoável de kx é igual a 0,7. Sendo
assim, pela (2.17):

a final = a inicial (1 + 2 ⋅ 0,7 ) = 2,4 ⋅ a inicial no caso de lajes. ( 2.18 )

MACHADO sugere então, para o cálculo de afinal, que se trabalhe com Ecs inicial constante
(2.12), mas que se adote:

p * = 2,4g + 0,7q para o cálculo de a2. ( 2.19 )

2.1.11 Cisalhamento em Lajes: Verificação (ELÚlt.)

A NBR6118/78 permite a dispensa da armadura de cisalhamento para lajes pouco


solicitadas, o que é o caso usual de lajes de edifícios.

Para dispensarmos a armadura de cisalhamento, devemos verificar duas condições:

a) Verificação da resistência do concreto

τ wd ≤ τ wu ( 2.20 )

onde,

vd γf ⋅ vk ( 2.21 )
τ wd = =
bd bd

τ wu = β ⋅ 0,25 fcd ≤ 4,5 MPa com β = 0,5 ( 2.22 )


(considerando lajes e peças lineares com bw > 5h, sem toda a armadura
transversal inclinada a 45o)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 15


b) Verificação da dispensa da armadura transversal de cisalhamento

Para que possamos dispensar a armadura transversal em lajes, devemos verificar:

τ wd ≤ τ wu1 ( 2.23 )

com

τ wu1 = ψ 4 fck (em MPa) ( 2.24 )

sendo,

ψ 4 = 0,60 4 ρ1 para h ≤ 15cm ( 2.25 )

Onde ρ1 é a taxa de armadura longitudinal a 2h do apoio.

2.1.12 Escolha das Barras e Espaçamentos

Dimensionadas as armaduras e feitas todas as verificações necessárias, resta-nos


detalhar as armaduras. Para a correta escolha de bitolas e de espaçamento, é preciso
lembrar de algumas prescrições normativas:

a) Bitola máxima das barras

A bitola máxima, definida pela NB-1, é:

h ( 2.26 )
φ máx =
10

Recomenda-se utilizar como bitola mínima φ = 4mm e utilizar para a armadura negativa,
no mínimo φ = 6,3mm, para evitar que esta se amasse muito (pelo peso de funcionários)
antes da concretagem, o que reduz a altura útil da laje. Desta forma, devemos respeitar:

4mm ( + )  h ( 2.27 )
≤φ≤
6,3mm ( − ) 10

b) Taxas de armadura mínimas de flexão

Utilizando aços CA-40, 50 ou 60, devemos respeitar:

Armadura Negativa: A s,mín = 0,15% de bh ( 2.28 )

0,10% de bh para lajes armadas em 2 direções ( 2.29 )


Armadura Positiva: A s,mín = 
0,15% de bh para lajes armadas em 1 direção
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 16
Comentários:
O valor mínimo da armadura principal positiva em lajes armadas numa só direção é:
As,mín = 0,9 cm2/m, para não chocar com a exigência d). Seria estranho que a armadura
“principal” fosse menor que a de distribuição.

A armadura negativa mínima é 1,5 cm2/m (item 6.3.1.2 da NB-1/78), a menos que haja
estribos com ramos horizontais prolongados nas mesas das vigas T.

c) Espaçamento das barras

Lajes armadas em cruz: O espaçamento máximo da armadura principal positiva


é 20cm.
Lajes armadas em 1 direção: O espaçamento máximo da armadura principal positiva
é 20 cm ou 2h.

Para facilitar a concretagem de uma laje, costuma-se utilizar o espaçamento s, entre as


barras de no mínimo 8cm.

d) Armadura de distribuição

Nas lajes armadas numa só direção, a armadura de distribuição deve:

Ser ≥ 20% da área da armadura principal;


Ser ≥ 0,9 cm2/m;
Ter espaçamento s ≤ 33cm.

Utiliza-se também a armadura de distribuição para apoiar a armadura negativa das lajes.

e) Definição das barras e espaçamentos

Bitolas comerciais
100 cm φ(mm) As1(cm2) m1(kg/m)
4 0,125 0,1
h 5 0,2 0,16
6,3 0,315 0,25
s s 8 0,5 0,4
10 0,8 0,63
12,5 1,25 1,0
φ = diâmetro nominal da barra em mm
As1 = área da seção transversal de uma barra em cm2
m1 = massa de uma barra por metro linear em kg/m

Figura 2-21 – Escolha das barras (bitola x espaçamento)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 17


Calculada a área de aço As por metro de laje, e conhecendo a área da seção transversal
de uma barra (As1) de uma determinada bitola (Figura 2-21), determinamos a quantidade
mínima de barras necessária em 1m de laje:

As ( 2.30 )
n=
A s1

Com a quantidade de barras, determinamos o espaçamento entre as barras:


100 ( 2.31 )
s= (em cm)
n

Para escolher as barras e espaçamentos, podemos fazer também uso de tabelas:

2
Tabela 2-2 - Área da seção da armadura por metro de laje (cm /m)
Espaç. Bitola
cm 3,2 4 5 6,3 8 10 12,5 16
7 1,14 1,79 2,86 4,50 7,14 11,43 17,86 28,57
8 1,00 1,56 2,50 3,94 6,25 10,00 15,63 25,00
9 0,89 1,39 2,22 3,50 5,56 8,89 13,89 22,22
10 0,80 1,25 2,00 3,15 5,00 8,00 12,50 20,00
11 0,73 1,14 1,82 2,86 4,55 7,27 11,36 18,18
12 0,67 1,04 1,67 2,63 4,17 6,67 10,42 16,67
13 0,62 0,96 1,54 2,42 3,85 6,15 9,62 15,38
14 0,57 0,89 1,43 2,25 3,57 5,71 8,93 14,29
15 0,53 0,83 1,33 2,10 3,33 5,33 8,33 13,33
16 0,50 0,78 1,25 1,97 3,13 5,00 7,81 12,50
17 0,47 0,74 1,18 1,85 2,94 4,71 7,35 11,76
18 0,44 0,69 1,11 1,75 2,78 4,44 6,94 11,11
19 0,42 0,66 1,05 1,66 2,63 4,21 6,58 10,53
20 0,40 0,63 1,00 1,58 2,50 4,00 6,25 10,00

2.1.13 Detalhamento das Armaduras

a) Armadura Positiva

É estendida, a favor da segurança até os apoios, penetrando no mínimo 10φ ou 6cm no


apoio. Para garantir o comportamento de chapa, deve ser ancorada nas vigas.

Alguma economia pode ser conseguida utilizando barras alternadas, que podem ter seu
comprimento reduzido de 0,2 lx.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 18


Figura 2-22 – Armadura positiva – barras alternadas

b) Armadura Negativa

Devem cobrir o diagrama de momento fletor negativo. Em geral, utiliza-se uma extensão
lx/4 para cada lado do apoio (para vãos diferentes, adota-se lx = l>vão).

Deve ser utilizada uma “armadura de borda” ao longo dos apoios livres, para combater a
eventual fissuração decorrente do engaste parcial. Costuma-se adotar barras com
comprimento de lx/5 com porcentagem de armadura igual à mínima, restringindo o
espaçamento entre as barras a 2h, devendo-se lembrar da armadura de distribuição
associada.

Figura 2-23 – Armadura de borda

Para as lajes em balanço, é usual prolongar a armadura do balanço, sobre a laje


adjacente, com extensão de lbalanço.

Alguma economia pode ser feita utilizando barras alternadas:

Figura 2-24 – Armadura negativa – barras alternadas

Quando não houver viga em algum bordo de uma laje, deve ser feito um “gancho” com a
armadura positiva ou negativa para proteger a borda da laje.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 19


Figura 2-25 – Armadura de proteção (bordos sem vigas)

20φ

Figura 2-26 – Armadura de proteção (furo em laje – bordos sem vigas)

2.1.14 Desenho das Armaduras

Determinados a bitola e o espaçamento das barras pode ser feito nos “croquis” das
fôrmas um desenho esquemático das armaduras. O esquema mais importante é o da
armadura negativa, onde aparecem os detalhes: comprimento da barra sem considerar os
ganchos e dimensões de um lado e de outro do eixo da viga.

2.1.15 Tabela de Ferros e Tabela Resumo

Fica por conta do desenhista, com fiscalização do engenheiro calculista, os detalhes


restantes, como por exemplo, número da barra (ou posição número tal), número de
barras, comprimento total da barra incluindo ganchos, etc.

No fim, o desenho deve apresentar a “tabela de ferros”:

Comprimento (m)
No. φ (mm) Quant.
Unitário Total

... ... ... ... ...

Figura 2-27 – Tabela de Ferros

Seguida da “tabela-resumo”:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 20


C. Total Peso
φ (mm)
(m) (kg)

... ... ...

Figura 2-28 – Tabela Resumo

Com as tabelas-resumo, o construtor encomenda o aço necessário à obra. A coluna “kg”


pode incluir um peso adicional de 10% como previsão para as perdas inevitáveis no corte
das barras.

2.1.16 Funcionamento Global das Lajes

As lajes possuem grande capacidade de acomodação plástica, permitindo o cálculo na


ruptura em regime rígido plástico, sem maiores indagações sobre a capacidade de
rotação das charneiras plásticas.

Entretanto, quando precisarmos que a laje funcione também como chapa:

Deveremos admitir uma redistribuição máxima de 15% dos momentos negativos


calculados em regime elástico, evitando a formação de charneiras plásticas;
A laje não deve ser calculada pelo método das charneiras plásticas.

Trabalhando como chapa, as lajes contraventam a estrutura, ajudando a garantir a


integridade estrutural tridimensional da estrutura como um todo. A garantia do
comportamento de chapa das lajes decorre do detalhamento adequado das ancoragens,
conforme mostram as próximas figuras.

Figura 2-29 – Ancoragens das armaduras das lajes para o seu funcionamento como chapa

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 21


2.1.17 Aplicação ao Edifício Exemplo

Neste item serão apresentados os cálculos das lajes L1 e L7 do edifício exemplo,


tomando como base a teoria apresentada anteriormente. Inicialmente, será feito o cálculo
da laje L7 e posteriormente será apresentado o cálculo da laje L1.

a) Laje L7

A laje 7 é uma laje de tipo especial: em forma de L, com duas bordas livres. Dificilmente
encontraremos tabelas para tais casos. O cálculo “exato”, pela Teoria da Elasticidade ou
utilizando um programa de elementos finitos, como já dissemos, é bastante trabalhoso e
não se justifica pela dimensão do problema. Faremos, então, um cálculo aproximado bem
simples, a favor da segurança.

Hipótese Simplificadora:
A faixa com 1,97m de largura apóia-se nas vigas V6 e V11 e a faixa com 2,00m de largura
apóia-se nas vigas V18 e V20, conforme ilustra a Figura 2-30.

Pd=10,77 kN/m

V6
my
V18

L7
V20

mx

V11

Figura 2-30 – Simplificação adotada para o cálculo da laje L7

A laje L7 apresenta carregamento permanente de 4,69 kN/cm² e carregamento variável de


3,0 kN/cm², o que resulta em um carregamento total de 7,69 kN/cm². Dessa maneira, o
valor de cálculo do carregamento é igual a :

pd = 1,4.pk = 1,4.7,69 = 10,77 kN/cm²

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 22


Sabendo-se os carregamentos e os vãos podemos calcular os momentos nas direções x
e y. Assim, temos:

p dl 2x 10,77.3,5 2
mx = = = 1648,5 kN.cm
8 8
p dl2y 10,77.3,65 2
my = = = 1792,9 kN.cm
8 8

A altura da laje L7 e o cobrimento de armadura adotado baseado no Projeto de Revisão


da NBR6118 são ilustrados na Figura 2-31.

Figura 2-31 – Altura e cobrimentos de armaduras das lajes com h=10cm

Conhecidos os momentos atuantes nas duas direções é possível calcular a armadura


necessária. O cálculo é feito da seguinte maneira:

Direção x

mx = 1648,5 kN.cm (valor de cálculo)


dx = 6,5 cm
2,5
fcd = = 1,786 kN / cm²
1,4
50
f yd = = 43,48 kN / cm²
1,15
 md   1648,5 
x = 1,25 ⋅ d 1 − 1 − 2  = 1,25.7,5.1 − 1 − 2 
 0,425.b.d .fcd   0,425.100.6,5 .1,786 
x = 2,46 cm < x 34 = 0,628d = 4,08 cm → OK!
md 1648,5
As = = = 6,87 cm²
f yd (d − 0,4.x ) 43,48.(7,5 − 0,4.2,46)

Direção y

my = 1792,9 kN.cm(valor de cálculo)


dy = 7,5 cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 23


2,5
fcd = = 1,786 kN / cm²
1,4
50
f yd = = 43,48 kN / cm²
1,15
 md   1792,9 
x = 1,25 ⋅ d 1 − 1 − 2  = 1,25.6,5.1 − 1 − 2 
 0,425.b.d .fcd   0,425.100.7,5 .1,786 
x = 2,24 cm < x 34 = 0,628d = 4,08 cm → OK!
md 1792,9
As = = = 6,24 cm²
f yd (d − 0,4.x ) 43,48.(6,5 − 0,4.2,24)

b) Laje L1

A laje L1 possui continuidade com as lajes adjacentes L2 e L5. Dessa maneira, os


momentos negativos devem ser calculados de maneira isolada para cada laje e então
compatibilizados. A correção do momento positivo sempre deve ser feita no lado em que
o momento negativo atuante é menor que o momento negativo compatibilizado. A Figura
2-32 ilustra a denominação adotada para os momentos atuantes nas lajes de maneira
isolada e compatibilizada.

mby1 mbx2

L1
mx1

mb12
L2
my1
mb15
mbx5

L5

Figura 2-32 – Momentos atuantes nas lajes adjacentes a L1

Conhecidos os carregamentos, os vãos e as condições de vinculação das lajes isoladas


pode-se obter os esforços solicitantes por meio da utilização das Tabelas de Czerny,
fornecidas no item 2.2.

A laje L1 possui três bordas livremente apoiadas e uma borda menor engastada, dessa
maneira, trata-se de uma laje do Tipo 2A. A partir da relação entre os vãos da laje é
possível entrar na tabela citada anteriormente e obter os coeficientes para o cálculo dos
esforços solicitantes. Assim, temos que:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 24


α x = 19,5
ly 555 Tabela − Tipo 2 A 
= = 1,28    → α y = 23,7
l x 432  β = 9,7
 y

p d = 1,4.p = 1,4.6,89 = 9,65 kN / m²

p d .lx 2 9,65.4,32 2
mx 1 = = = 9,23 kN.m = 923,2 kN.cm
αx 19,5
p d .lx 2 9,65.4,32 2
my 1 = = = 7,60 kN.m = 759,9 kN.cm
αy 23,7
p d .lx 2 9,65.4,32 2
mby 1 = = = 18,56 kN.m = 1856,6 kN.cm
βy 9,7

A laje L2 possui duas bordas adjacentes engastadas e duas bordas livremente apoiadas.
Dessa maneira, temos uma laje do Tipo 3.

ly 565 Tabela − Tipo 3


= = 1,23   → β x = 11,7
lx 460

p d = 1,4.p = 1,4.7,19 = 10,07 kN / m²

p d .lx 2 10,07.4,6 2
mbx 2 = = = 18,2 kN.m = 1821,2 kN.cm
βx 11,7

A Laje L5, por sua vez, possui 2 bordas maiores engastadas, uma borda menor
engastada e outra livremente apoiada. Dessa maneira, trata-se de uma laje do Tipo 5B.

ly 275 Tabela −Tipo 5B


= = 1,01   → β x = 16,2
lx 273

p d = 1,4.p = 1,4.6,55 = 9,17 kN / m²

p d .lx 2 9,17.2,73 2
mbx 5 = = = 4,2 kN.m = 421,9 kN.cm
βx 16,2

Após calcular os momentos negativos atuantes na laje 1 e nas lajes adjacentes é


necessário então fazer a compatibilização dos momentos fletores negativos. O momento
compatibilizado é o maior valor entre a média dos momentos negativos e 80% do maior
momento negativo. Dessa maneira, temos na continuidade das lajes L1 e L2 a seguinte
compatibilização:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 25


 mby 1 + mbx 2 1856,6 + 1821,2
 = = 1838,9 kN.cm
 2 2
mb 12 ≥
 0,8.mby 1 = 0,8.1856,6 = 1485,3 kN.cm

Na continuidade existente entre as lajes L1 e L5 o momento compatibilizado é dado por:

 mbx 5 421,9
 = = 211kN.cm
 2 2
mb 15 ≥
0,8.mbx = 0,8.421,9 = 337,5 kN.cm
 5

Feita a compatibilização dos momentos negativos é necessário corrigir os momentos


positivos da laje L1. Isto é feito da seguinte maneira:

mby 1 − mb 12 1856,6 − 1838,9


mb 12 < mby 1 → my 1 = my 1 + = 759,9 + = 768,8 kN.cm
2 2
mb15 > mbx 1 = 0 → mx 1 = 923,2 kN.cm

Uma vez obtidos os esforços finais (momentos corrigidos e compatibilizados), podemos


então calcular as armaduras necessárias. A rotina de cálculo para o cálculo das
armaduras é a mesma apresentada para a laje L7. Dessa maneira, temos:

mx1 = 923,2 kN.cm (valor de cálculo)


d = 7,5 cm

2,5
fcd = = 1,786 kN / cm²
1,4
50
f yd = = 43,48 kN / cm²
1,15
 md   923,2 
x = 1,25.d1 − 1 − 2  = 1,25.7,5.1 − 1 − 2 
 0,425.b.d .fcd   0,425.100.7,5 .1,786 
x = 1,1cm < x 34 = 0,628d = 4,7cm → OK!
md 923,2
As = = = 3,0 cm²
f yd (d − 0,4.x ) 43,48.(7,5 − 0,4.1,1)

Realizando os mesmos cálculos descritos anteriormente para os vários momentos


atuantes na laje L1, chega-se as armaduras apresentadas na Tabela 2-3. Deve-se
observar que a altura da laje L5 é igual a 7cm, e por isso, a altura útil (d) é igual a 4,5 cm.
Essa condição foi utilizada no cálculo da armadura necessária para vencer o momento
negativo mb15.

Tabela 2-3 – Armaduras necessárias para a laje L1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 26


As (cm²/m) d(cm)
mx1 3,00 7,5
my1 2,91 6,5
mb12 6,43 7,5
mb15 1,83 4,5

Após calculadas as armaduras resistentes é necessário verificar a flecha da laje satisfaz


os valores limites.

Da Tabela 2A temos que α 2 = 17,9 , tal que:

pl 4x
a=
Eh 3 α 2

Do Projeto de Revisão da NBR6118 temos que:

E = E cs = 0,85.5600. fck = 0,85.5600. 25 = 23800 MPa = 2380 kN / cm²


lx = 4,32 m
h = 10 cm
 0,7q = 0,7.1,5 = 1,05 kN / cm² (inicial)
p=
2,4g + 0,7q = 2,4.5,39 + 0,7.1,5 = 13,99 kN / cm² ( final)

lx
ainicial = 0,09 cm < = 0,86 cm → OK!
500
l
a final = 1,14 cm < x = 1,44 cm → OK!
300

Dessa maneira, as flechas da laje L1 estão dentro dos limites estabelecidos por norma.

Finalmente, é preciso fazer a verificação da laje quanto ao cisalhamento junto aos apoios.
O primeiro passo é a verificação do concreto:

Vd
τ wd = ≤ τ wu
bd
Vd,max = 1,4.(23,9 + 4,9) = 40,04 kN / m
40,04
τ wd = = 0,04 kN / cm²
10.100
τ wu = 0,5.0,25.fcd = 0,223 kN / cm²
τ wd ≤ τ wu → OK!

Como a tensão de cisalhamento atuante é menor que o valor último de cisalhamento do


concreto utilizado pode-se garantir que não haverá ruptura do concreto nas regiões de
apoio da laje L1. No entanto, deve ser feita uma nova verificação, para avaliar se a laje L1
precisará de armadura transversal. Esse cálculo segue a seguinte rotina:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 27


τ wd = 0,04 kN / cm²
A s,existente6,43
ρ1 = = = 0,00643
b.h 10.100
ψ 4 = 0,60 4 ρ1 = 0,60 4 0,00643 = 0,17
τ wu1 = ψ 4 fck = 0,17 25 = 0,085kN / cm²

Como τ wd < τ wu1 não é necessário dispor armadura transversal.

Calculadas as armaduras deve-se então fazer o detalhamento final da laje L1. A escolha
das barras e os espaçamentos máximos são feitos utilizando os critérios abaixo:

4 mm h
Escolha da bitola → ≤φ ≤ = 10mm
6,3 mm 10

Escolha do espaçamento → 8 cm ≤ s ≤ 20 cm

As armaduras mínimas calculadas para a laje L1 são dadas abaixo:


A s+,min = 0,10.10 = 1cm² / m
A s−,min = 0,15.10 = 1,5 cm² / m

O cálculo do número de barras para o momento negativo mb12 é apresentado abaixo:

As = 6,43 cm²/m
As1= 0,8 cm² (φ10 mm)
A 6,43
n= s = = 8,04 barras / m
A s1 0,8
100
s= = 12,4 → s = 12 cm → N1 - φ10 c/ 12cm
8,04
N1 - φ10 c/12 cm

Do mesmo modo, procede-se para as demais armaduras, de maneira que é possível


montar a Tabela 2-4.

Tabela 2-4 – Bitolas e espaçamentos de armaduras para a laje L1


As (cm²/m) Bitolas e Espaçamento
mx1 3,00 φ6,3 c/10 cm
my1 2,91 φ6,3 c/10 cm
mb12 6,43 φ10 c/12 cm
mb15 1,83 φ6,3 c/17 cm

Calculadas as armaduras, resta-nos determinar os desenhos de armação e as tabelas


resumo:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 28


P1 P2 P3 P4
(19/65) V1(19/55) (110/19) (20/40)
(20/40)

42 N1 - 0 6,3 c/ 10 - c= 569

54 N2 - 0 6,3 c/ 10 - c= 446
L1
h=10cm
L2
h=10cm
P9 V3(12/55) P10
V14(19/55)

(20/140) (20/140)

P7

V18(10/40)
(19/65)
V4(19-12/55) P8
(20/285)
V5(12/55)

13 N5 - 0 10 c/ 12 - c= 231
L7
h=10cm
V7(12/55) V8(12/55)
L5
19 N3 - 0 10 c/ 11 - c= 379
h=7cm
V15(12/55)

17 N6 - 0 10 c/ 12 - c= 364
P13
(19/65) V9(19-12/55)

13 N4 - 0 10 c/ 11 - c= 236

P14 P15
V11(12/55) (20/160)
(20/160)

Figura 2-33 – Armaduras positivas

P1 P2 P3 P4
(19/65) V1(19/55) (110/19) (20/40)
(20/40)
42 N7 - 0 5 c/ 13 - c= 99

32 N7 - 0 5 c/ 13 - c= 99

L1
21 N7 - 0 5 c/ 13 - c= 99

h=10cm
115 115
35 N8 - 0 10 c/ 12 - c= 242 L2
h=10cm
P9 V3(12/55) P10
V14(19/55)

(20/140) (20/140)
108

V18(10/40)

V4(19-12/55) P8
(20/285)
16 N9 - 0 6,3 c/ 17 - c= 225

V5(12/55)

P7
27 N11 - 0 5 c/ 13 - c= 83
70
108

(19/65)
112 112 112 112
V7(12/55) 15 N10 - 0 5 c/ 13 - c= 236 15 N10 - 0 5 c/ 13 - c= 236
L5
h=7cm
V15(12/55)

L7
15 N12 - 0 5 c/ 13 - c= 188

h=10cm
P13
(19/65) V9(19-12/55)

P14 P15
88

V11(12/55) (20/160)
(20/160)
88

L9
h=10cm

L8

Figura 2-34 – Armaduras negativas

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 29


Comprimento
No. φ (mm) Quant.
Unitário (cm) Total (m)
1 6,3 42 569 239
... ... ... ... ...

C. Total Peso
φ (mm)
(m) (kg)
6,3 239 59,75
... ... ...

2.1.18 Referências Bibliográficas

[1] MACHADO, Claudinei Pinheiro – Fixação prática e econômica das espessuras de lajes
usuais maciças e nervuradas de concreto armado.

[2] FUSCO, P. B. – Técnicas de Armar as Estruturas de Concreto.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 30


2.2 Tabelas de Czerny

TABELA 1 - TIPO 1
Laje com as 4 bordas livremente apoiadas
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2
1,00 22,7 22,7 21,4
mx
1,05 20,8 22,5 19,4
1,10 19,3 22,3 17,8 ly my
1,15 18,1 22,3 16,5
1,20 16,9 22,3 15,4
1,25 15,9 22,4 14,3
1,30 15,2 22,7 13,6 lx
1,35 14,4 22,9 12,9
pl2

1,40 13,8 23,1 12,3 mx = x

αx
1,45 13,2 23,3 11,7 pl2x
my =
1,50 12,7 23,5 11,2 αy
1,55 12,3 23,5 10,8 pl 4x
w max =
1,60 11,9 23,5 10,4 Eh 3 α 2
1,65 11,5 23,5 10,1
ν = 0,2
1,70 11,2 23,5 9,8
Beton-Kalender (1976)
1,75 10,8 23,5 9,5
1,80 10,7 23,5 9,3
1,85 10,4 23,5 9,1
1,90 10,2 23,5 8,9
1,95 10,1 23,5 8,7
2,00 9,9 23,5 8,6
>2 8,0 23,5 6,7

TABELA 2 - TIPO 2A
Laje com 3 bordas livremente apoiadas e
uma borda menor engastada
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 32,4 26,5 11,9 31,2


mx
1,05 29,2 25,0 11,3 27,6
1,10 26,1 24,4 10,9 24,7 ly my
1,15 23,7 23,9 10,4 22,3
1,20 22,0 23,8 10,1 20,3
1,25 20,2 23,6 9,8 18,7
1,30 19,0 23,7 9,6 17,3 lx
1,35 17,8 23,7 9,3 16,1
2
1,40 16,8 23,8 9,2 15,1 plx
mx =
α x2
1,45 15,8 23,9 9,0 14,2 pl x
my =
1,50 15,1 24,0 8,9 13,5 αy
1,55 14,3 24,0 8,8 12,8
2
1,60 13,8 24,0 8,7 12,2 pl x
m′y = −
1,65 13,2 24,0 8,6 11,7 βy
4
1,70 12,8 24,0 8,5 11,2 pl x
w max
= 3
1,75 12,3 24,0 8,45 10,8 Eh α 2
1,80 12,0 24,0 8,4 10,5 ν = 0,2
1,85 11,5 24,0 8,35 10,1 Beton-Kalender (1976)
1,90 11,3 24,0 8,3 9,9
1,95 10,9 24,0 8,25 9,6
2,00 10,8 24,0 8,2 9,4
>2 8,0 24,0 8,0 6,7

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 31


TABELA 3 - TIPO 2B
Laje com 3 bordas livremente apoiadas e
uma borda maior engastada
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2
1,00 26,5 32,4 11,9 31,2
mx
1,05 25,7 33,3 11,3 29,2 m’x
1,10 24,4 33,9 10,9 27,4 ly my
1,15 23,3 34,5 10,5 26,0
1,20 22,3 34,9 10,2 24,8
1,25 21,4 35,2 9,9 23,8
1,30 20,7 35,4 9,7 22,9 lx
1,35 20,1 37,8 9,4 22,1
pl 2
1,40 19,7 39,9 9,3 21,5 mx = x
αx
1,45 19,2 41,1 9,1 20,9 pl2x
my =
1,50 18,8 42,5 9,0 20,4 αy
1,55 18,3 42,5 8,9 20,0 pl 2x
m′x = −
1,60 17,8 42,5 8,8 19,6 βx
1,65 17,5 42,5 8,7 19,3 pl 4x
w max =
1,70 17,2 42,5 8,6 19,0 Eh 3 α 2
1,75 17,0 42,5 8,5 18,7 ν = 0,2
1,80 16,8 42,5 8,4 18,5
Beton-Kalender (1976)
1,85 16,5 42,5 8,3 18,3
1,90 16,4 42,5 8,3 18,1
1,95 16,3 42,5 8,3 18,0
2,00 16,2 42,5 8,3 17,8
>2 14,2 42,5 8,0 16,7

TABELA 4 - TIPO 3
Laje com 2 bordas adjacentes engastadas e
as outras duas livremente apoiadas
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 34,5 34,5 14,3 14,3 41,3


mx
1,05 32,1 33,7 13,3 13,8 37,1 m’x
1,10 30,1 33,9 12,7 13,6 34,5 ly my
1,15 28,0 33,9 12,0 13,3 31,7
1,20 26,4 34,0 11,5 13,1 29,9
1,25 24,9 34,4 11,1 12,9 28,2
1,30 23,8 35,0 10,7 12,8 26,8 lx
1,35 23,0 36,6 10,3 12,7 25,5
pl 2
1,40 22,2 37,8 10,0 12,6 24,5 mx = x
αx
1,45 21,4 39,1 9,8 12,5 23,5 pl2x
my =
1,50 20,7 40,2 9,6 12,4 22,7 αy
1,55 20,2 40,2 9,4 12,3 22,1 pl 2x
m′x = −
1,60 19,7 40,2 9,2 12,3 21,5 βx
1,65 19,2 40,2 9,1 12,2 21,0 pl 2x
m′y = −
1,70 18,8 40,2 8,9 12,2 20,5 βy
1,75 18,4 40,2 8,8 12,2 20,1 4
pl x
1,80 18,1 40,2 8,7 12,2 19,7 w max = 3
Eh α 2
1,85 17,8 40,2 8,6 12,2 19,4 ν = 0,2
1,90 17,5 40,2 8,5 12,2 19,0
Beton-Kalender (1976)
1,95 17,2 40,2 8,4 12,2 18,8
2,00 17,1 40,2 8,4 12,2 18,5
>2 14,2 40,2 8,0 12,0 16,7

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 32


TABELA 5 - TIPO 4A
Laje com 2 bordas maiores livremente apoiadas e duas bordas
menores engastadas (carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 46,1 31,6 14,3 45,3


mx
1,05 39,9 29,8 13,4 39,2
1,10 36,0 28,8 12,7 34,4 ly my
1,15 31,9 27,7 12,0 30,4
1,20 29,0 26,9 11,5 27,2
m’y
1,25 26,2 26,1 11,1 24,5
1,30 24,1 25,6 10,7 22,3 lx
1,35 22,1 25,1 10,3 20,4
pl 2
1,40 20,6 24,8 10,0 18,8 mx = x
αx
1,45 19,3 24,6 9,75 17,5 pl2x
my =
1,50 18,1 24,4 9,5 16,3 αy
1,55 17,0 24,3 9,3 15,3 pl 2x
m′y = −
1,60 16,2 24,3 9,2 14,4 βy
1,65 15,4 24,3 9,05 13,7 pl 4x
w max =
1,70 14,7 24,3 8,9 13,0 Eh 3 α 2
1,75 14,0 24,3 8,8 12,4
ν = 0,2
1,80 13,5 24,3 8,7 11,9
Beton-Kalender (1976)
1,85 13,0 24,3 8,6 11,4
1,90 12,6 24,3 8,5 11,0
1,95 12,1 24,3 8,4 10,6
2,00 11,8 24,3 8,4 10,3
>2 8,0 24,3 8,0 6,7

TABELA 6 - TIPO 4B
Laje com 2 bordas maiores engastadas e duas bordas menores
livremente apoiadas (carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2
1,00 31,6 46,1 14,3 45,3
mx
1,05 29,9 46,4 13,8 43,2 m’x m’x
1,10 29,0 47,2 13,5 41,5 ly my
1,15 28,0 47,7 13,2 40,1
1,20 27,2 48,1 13,0 39,0
1,25 26,4 48,2 12,7 37,9
1,30 25,8 48,1 12,6 37,2 lx
1,35 25,3 47,9 12,4 36,5
pl 2

1,40 24,8 47,8 12,3 36,0 mx = x

αx
1,45 24,4 47,7 12,2 35,6 pl2x
my =
1,50 24,2 47,6 12,2 35,1 αy
1,55 24,0 47,6 12,1 34,7 pl 2x
m′x = −
1,60 24,0 47,6 12,0 34,5 βx
1,65 24,0 47,6 12,0 34,2 pl 4x
w max =
1,70 24,0 47,4 12,0 33,9 Eh 3 α 2
1,75 24,0 47,3 12,0 33,8 ν = 0,2
1,80 24,0 47,2 12,0 33,7
Beton-Kalender (1976)
1,85 24,0 47,1 12,0 33,6
1,90 24,0 47,1 12,0 33,5
1,95 24,0 47,1 12,0 33,4
2,00 24,0 47,0 12,0 33,3
>2 24,0 47,0 12,0 32,0

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 33


TABELA 7 - TIPO 5A
Laje com 2 bordas menores engastadas, uma borda maior engastada e
outra livremente apoiada
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 44,6 38,1 18,3 16,2 55,4


mx
1,05 41,7 37,3 16,6 15,4 49,1 m’x
1,10 38,1 36,7 15,4 14,8 44,1 ly my
1,15 34,9 36,4 14,4 14,3 40,1
1,20 32,1 36,2 13,5 13,9 36,7
m’y
1,25 29,8 36,1 12,7 13,5 33,8
1,30 28,0 36,2 12,2 13,3 31,7 lx
1,35 26,4 36,6 11,6 13,1 29,7
pl 2
1,40 25,2 37,0 11,2 13,0 28,1 mx = x
αx
1,45 24,0 37,5 10,9 12,8 26,6 pl2x
my =
1,50 23,1 38,3 10,6 12,7 25,5 αy
1,55 22,3 39,3 10,3 12,6 24,5 pl 2x
m ′x = −
1,60 21,7 40,3 10,1 12,6 23,6 βx
1,65 21,1 41,4 9,9 12,5 22,8 pl 2
m′y = − x
1,70 20,4 42,7 9,7 12,5 22,1 βy
1,75 20,0 43,8 9,5 12,4 21,5 pl 4x
w max =
1,80 19,5 44,8 9,4 12,4 21,0 Eh 3 α 2
1,85 19,1 45,9 9,2 12,3 20,5 ν = 0,2
1,90 18,7 46,7 9,0 12,3 20,1
Beton-Kalender (1976)
1,95 18,4 47,7 8,9 12,3 19,7
2,00 18,0 48,6 8,8 12,3 19,3
>2 14,2 48,6 8,0 12,0 16,7

TABELA 8 - TIPO 5B
Laje com 2 bordas maiores engastadas, uma borda menor engastada e
outra livremente apoiada
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 38,1 44,6 16,2 18,3 55,4


mx
1,05 35,5 44,8 15,3 17,9 51,6 m’x m’x
1,10 33,7 45,7 14,8 17,7 48,7 ly my
1,15 32,0 47,1 14,2 17,6 46,1
1,20 30,7 47,6 13,9 17,5 44,1
1,25 29,5 47,7 13,5 17,5 42,5
1,30 28,4 47,7 13,2 17,5 41,2 lx
1,35 27,6 47,9 12,9 17,5 39,9
pl 2
1,40 26,8 48,1 12,7 17,5 38,9 mx = x
αx
1,45 26,2 48,3 12,6 17,5 38,0 pl2x
my =
1,50 25,7 48,7 12,5 17,5 37,2 αy
1,55 25,2 49,0 12,4 17,5 36,5 pl 2x
m′x = −
1,60 24,8 49,4 12,3 17,5 36,0 βx
1,65 24,5 49,8 12,2 17,5 35,4 pl 2x
m′y = −
1,70 24,2 50,2 12,2 17,5 35,0 βy
1,75 24,0 50,7 12,1 17,5 34,6 4
pl x
1,80 24,0 51,3 12,1 17,5 34,4 w max = 3
Eh α 2
1,85 24,0 52,0 12,0 17,5 34,2 ν = 0,2
1,90 24,0 52,6 12,0 17,5 33,9
Beton-Kalender (1976)
1,95 24,0 53,4 12,0 17,5 33,8
2,00 24,0 54,1 12,0 17,5 33,7
>2 24,0 54,0 12,0 17,5 32,0

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 34


TABELA 9 - TIPO 6
Laje com as 4 bordas engastadas
(carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 47,3 47,3 19,4 19,4 68,5


mx
1,05 43,1 47,3 18,2 18,8 62,4 m’x m’x
1,10 40,0 47,8 17,1 18,4 57,6 ly my
1,15 37,3 48,3 16,3 18,1 53,4
1,20 35,2 49,3 15,5 17,9 50,3
m’y
1,25 33,4 50,5 14,9 17,7 47,6
1,30 31,8 51,7 14,5 17,6 45,3 lx
1,35 30,7 53,3 14,0 17,5 43,4
pl 2
1,40 29,6 54,8 13,7 17,5 42,0 mx = x
αx
1,45 28,6 56,4 13,4 17,5 40,5 pl2x
my =
1,50 27,8 57,3 13,2 17,5 39,5 αy
1,55 27,2 57,6 13,0 17,5 38,4 pl 2x
m ′x = −
1,60 26,6 57,8 12,8 17,5 37,6 βx
1,65 26,1 57,9 12,7 17,5 36,9 pl 2
m′y = − x
1,70 25,5 57,8 12,5 17,5 36,3 βy
1,75 25,1 57,7 12,4 17,5 35,8 pl 4x
w max =
1,80 24,8 57,6 12,3 17,5 35,4 Eh 3 α 2
1,85 24,5 57,5 12,2 17,5 35,1 ν = 0,2
1,90 24,2 57,4 12,1 17,5 34,7
Beton-Kalender (1976)
1,95 24,0 57,2 12,0 17,5 34,5
2,00 24,0 57,1 12,0 17,5 34,3
>2 24,0 57,0 12,0 17,5 32,0

TABELA 10
Laje com 3 bordas engastadas e uma livre
(carga triangular)

ly / lx αx αy βx βy α2
1,00 85,5 80,5 29,0 34,5 118 ly
1,10 73,5 78,1 25,3 32,1 94,7
1,20 65,2 77,7 22,9 30,3 79,5
1,30 57,6 78,2 21,1 29,2 69,0 lx m’y
my
mx m’y

1,40 52,4 80,8 19,6 28,5 61,3 p


m’x
1,50 48,2 83,2 18,8 28,2 55,7 Valem as mesmas fórmulas
2,00 37,8 94,6 16,6 27,3 43,0 das tabelas anteriores.
>2 33,5 94,6 15,0 26,0 34,9

TABELA 11
Laje com 3 bordas engastadas e uma livre
(carga triangular)

ly / lx αx βx βy α2
lx
αy
1,00 80,5 85,5 34,5 29,0 118
1,10 70,3 82,9 31,1 26,9 103
my
1,20 62,8 80,7 28,7 25,8 92,2 m’x m’x
ly
mx
1,30 57,7 78,9 26,7 24,9 85,4
p
1,40 54,3 77,5 25,3 24,1 80,1 m’y
1,50 51,5 76,4 23,7 23,8 76,6 Valem as mesmas fórmulas
2,00 45,2 73,3 20,2 21,9 70,9 das tabelas anteriores.
>2 40,0 70,0 16,0 20,0 68,0

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 35


2.3 Lajes Nervuradas

2.3.1 Generalidades

Lajes nervuradas são lajes cuja zona de tração é constituída por nervuras entre as quais
podem ser postos materiais inertes, de modo a tornar plana a superfície externa (laje
mista). Ainda que o material colocado entre as nervuras tenha certa resistência, não se
conta com ela (caso contrário, teremos as lajes mistas, objeto da norma NB-4).

As lajes nervuradas podem ser armadas em uma só direção, ou em cruz. Para realizar
uma laje nervurada, há vários tipos de materiais de enchimento ou de técnicas de
execução: “caixão perdido”, tijolos furados, blocos de concreto, de pumex, de isopor, etc.
As nervuras podem ficar também aparentes, não havendo o material inerte entre
nervuras, sem ou com forro falso (placas de gesso, “duratex”, etc.).

As lajes maciças cobrem em geral vãos de até 6m, e possuem grande peso próprio. Já
com as lajes nervuradas, aumentamos sua altura útil sem aumentar em demasia seu peso
próprio.

2.3.2 Disposições construtivas específicas das lajes nervuradas:

(Item 6.1.1.3 da NBR6118/78)

bw

Figura 2-35 – Laje nervurada

(a = l 0 ) ≤ 100cm (distância entre as faces das nervuras);

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 36


b w ≥ 4cm (largura das nervuras);

4cm
h f ≥  l 0 (altura da mesa);
15

Para lajes armadas em 1 direção, deve-se dispor de:


1 nervura distribuída para l > 4m
 ;
2 nervuras distribuídas para l > 6m

Nervuras com bw < 8cm não podem ter A´s no lado oposto à mesa.

As lajes nervuradas podem ser calculadas como se fossem maciças ( a ≤ 50cm) , segundo
o item 3.3.2.10 da NBR6118/78. A determinação dos esforços solicitantes pode ser feita
no regime elástico.

Seja a ou l0 a distância livre entre nervuras. A resistência da mesa à flexão deve ser
verificada quando:

l 0 > 50cm ;
Houver carga concentrada.

As nervuras devem ser verificadas ao cisalhamento sempre. O valor último τwu será o de
vigas quando l 0 > 50cm e o de laje quando l 0 ≤ 50cm .

A armadura mínima de distribuição é a mesma das lajes maciças armadas numa só


direção (Item 6.3.1.1 da NB1/78).

Os estribos das nervuras, quando necessários, devem ter espaçamento s ≥ 20cm (Item
6.3.2.1 da NB1/78).

2.3.3 Verificação de flechas

A norma (NBR6118/78) é incompleta neste ponto (Item 4.2.3.1.c). De qualquer maneira,


não usaremos os coeficientes ψ2 e ψ3. Ao invés disto, utilizaremos a verificação de flechas
no Estádio II.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 37


3 – Cálculo das Vigas

3.1 Introdução

Dando seqüência ao projeto do edifício exemplo, partiremos agora para o cálculo e


dimensionamento das vigas.

3.1.1 Ações

As ações geram solicitações nas estruturas. Estas solicitações são determinadas através
de teorias de cálculo estrutural. No caso geral, tem-se:

F = Fk → Fd = γf Fk → Sd

ou, em estruturas de comportamento linear,

F = Fk → Sk → Sd = γf Sk .

No caso da flexão simples, tem-se: Fd → Md.

3.1.2 Resistências

As resistências são determinadas através de teorias apropriadas, a partir dos dados da


seção transversal e das características mecânicas dos materiais.

No caso da flexão simples tem-se, como dados:

fck (resistência do concreto);


fyk (resistência da armadura); e
dimensões relativas da seção transversal (concreto e armadura).

Através de teoria apropriada determina-se o momento resistente último, Mu

3.1.3 Verificações de Segurança

Existe segurança adequada quando é verificada a condição: Md ≤ Mu. Por razões de


economia, faz-se Md = Mu.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 1


3.1.4 Tipos de Ruptura na Flexão

Em geral, tem-se o seguinte tipo de ruptura:

se As = 0, ou muito pequena ⇒ ruptura frágil (brusca) por tração no concreto;


se As for muito grande (pequena deformação εs)⇒ ruptura frágil (brusca) por
esmagamento do concreto comprimido; e
se As for “adequada” ⇒ ruptura dúctil (com aviso), com escoamento da
armadura e acompanhada de intensa fissuração da zona tracionada

3.2 Hipóteses de Cálculo na Flexão

Para o dimensionamento usual das vigas em concreto armado, deve-se respeitar as


seguintes hipóteses de cálculo:

a) Manutenção da seção plana ;

As seções A e B passam para A’ e B’, quando fletidas, permanecendo planas conforme a


figura a seguir:

b) Aderência perfeita entre concreto e armadura;

Inexiste qualquer escorregamento entre os materiais, em outras palavras, a deformação


da armadura εs é admitida igual à deformação da fibra de concreto εc , junto a esta
armadura.

c) Tensão no concreto nula na região da seção transversal sujeita a deformação de


alongamento;

d) Diagramas tensão-deformação (de cálculo) no aço

aço de dureza natural: este aço apresenta patamar de escoamento conforme a


figura d1.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 2


σsd
fyk

fyd
diagrama de
arctg Es

0,010 εsd
εyd

Figura d.1

Es = 21.000 kN/cm2
fyk = valor característico da resistência da armadura correspondente ao patamar de
escoamento (resistência característica no escoamento)
γs = 1,15 (coeficiente de ponderação da resistência da armadura)
fyd = fyk / γs = valor de cálculo da resistência da armadura correspondente ao patamar de
escoamento
εyd = fyd / Es = deformação correspondente ao início do patamar de escoamento

Os aços desta categoria são os seguintes:

TIPO fyk (kN/cm2) fyd (kN/cm2) εyd


CA25 25 21,74 0,00104
CA32 32 27,83 0,00132
CA40A 40 34,78 0,00166
CA50A 50 43,48 0,00207

Os aços são designados pela sigla CA (Concreto Armado), seguido da resistência


característica no escoamento em kN/cm2.

aço encruado (CA50B e CA60B)


σsd
fyk
B
fyd
A diagrama de
arctg Es

εyd 0,010 εsd


0,002

Figura d.2

Até o ponto A (limite de proporcionalidade), tem-se diagrama linear; entre A e B, admite-


se diagrama em parábola do 2o grau; e, além do ponto B, um patamar.

Admite-se que o diagrama tensão-deformação na armadura seja o mesmo, na tração e na


compressão.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 3


e) Diagramas tensão-deformação (de cálculo) no concreto

diagrama parábola-retângulo

σcd

patamar
0,85fcd

o
parábola do 2

εc
t t )
0,002 0,003
5
Figura e.1

γc = 1,4 (coeficiente de ponderação da resistência do concreto)


fcd = fck / γc
0,85 : coeficiente para considerar a queda de resistência do concreto para cargas de
longa duração (efeito Rusch)

diagrama retangular simplificado


k fcd

Mud 0,8x
x

deformação
As de
estado limite

Figura e.2

x = altura da zona comprimida, medida a partir da borda comprimida


k = 0,85 , quando a largura da zona comprimida não diminui em direção à borda
comprimida (seção retangular); em caso contrário usar 0,80.

f) Domínios de Deformação,

O estado limite último convencional ocorre quando o diagrama de deformação passa por
um dos dois pontos, A ou B, na fig. f1).
0,0035
A
D2 x23
Mud x34
d 2

h 4 D3
As D4 3 B

εyd
0,010

Figura f.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 4


Sendo:

d = altura útil da seção = distância do CG da armadura à borda comprimida


x = altura da zona comprimida (medida a partir da borda comprimida)

Diz-se que o diagrama de deformação do tipo 2 está no domínio de deformação 2


quando a altura da zona comprimida obedece à condição:

x ≤ x23 = 0,0035 d / (0,0035 + 0,010) = 0,259 d

Por sua vez, o diagrama de deformação encontra-se no domínio 3 de deformação


quando a altura da zona comprimida obedece à condição:

x23 ≤ x ≤ x34 = 0,0035 d / (0,0035 + εyd)

Analogamente, o diagrama de deformação está no domínio 4 quando:

x34 ≤ x ≤ d.

A seção que atinge o ELUlt. nos domínios D2 e D3 é dita sub-armada ou normalmente


armada. Quando o ELUlt. é atingido no D4, a seção é dita superarmada. Trata-se de
situação antieconômica, pois a armadura não é explorada na sua plenitude. Procura-se
evitar o dimensionamento neste domínio.

3.3 Dimensionamento à Flexão

3.3.1 Seção Retangular à Flexão

A seção retangular com armadura simples é caracterizada da seguinte forma:

a zona comprimida da seção sujeita a flexão tem forma retangular;


a barras que constituem a armadura está agrupada junto à borda tracionada e
pode ser imaginada concentrada no seu centro de gravidade
b 0,85fcd
Rc
0,4
Mud 0,8x
x
d
h εu d - 0,4x
As
Rsd
σsd

Resultantes das tensões:

no concreto: Rcd = 0,85⋅fcd⋅b⋅0,8⋅x = 0,68⋅b⋅x⋅fcd


na armadura: Rsd = As⋅σsd

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 5


Equações de equilíbrio:

Força: Rcd = Rsd ou 0,68⋅b⋅x⋅fcd = As⋅σsd (1)


Momento: Mud = Rcd ⋅ (d-0,4⋅x) ou Mud = Rsd ⋅ (d - 0,4⋅x)

Substituindo o valor das resultantes de tensão, vem:

Mud = 0,68⋅b⋅x⋅fcd⋅(d - 0,4⋅x) (2)


Ou
Mud = As⋅σsd⋅(d - 0,4⋅x) (3)

Nos casos usuais de dimensionamento, tem-se b, fcd e faz-se Mud = Md (momento fletor
solicitante em valor de cálculo). Normalmente, pode-se adotar d ≅ 0,9 h. Dessa forma, a
equação (2) nos fornece o valor de x:

 Md 
x = 1,25d 1 − 1 − 
 0,425bd 2 f cd 

Com o valor de x, tem-se o domínio de deformação correspondente, podendo ocorrer as


seguintes situações:

I) domínio 2, onde x≤ x23 = 0,259 d; e σsd = fyd

II) domínio 3, onde x23 ≤ x ≤x34 = 0,0035 d / (0,0035 + εyd); e σsd = fyd

III) domínio 4, se x ≥ x34; neste caso, convém alterar a seção para se evitar a peça
superarmada; esta alteração pode ser obtida da seguinte forma:
⇒ aumentando-se h (normalmente, b é fixo pois depende da espessura da parede onde a
viga é embutida);
⇒ adotando-se armadura dupla.

Obs.: o aumento da resistência do concreto (fck), também permitiria fugir do


domínio 4.

Para a situação adequada de peça sub-armada tem-se, σsd = fyd . Assim, a equação (3)
nos fornece
Md Md
As = =
σ sd (d − 0,4 x ) fyd (d − 0,4 x )

3.3.2 Seção “T”

Para o cálculo de uma viga de seção “T,” deve-se inicialmente determinar uma largura
que contribui para resistir ao esforço solicitante. Esta largura de contribuição da mesa, bf,
mostrada na figura a seguir.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 6


bf

0,85fcd 0,85fc
hf 0,8

b1 bw
Mud εu

As

Figura 3.3.2.1

Onde:
8 h f (6h f para laje em balanco)

b 1 ≤ a/10
b /2
 2
onde
l em viga isostatica

a = 0,75l em vao extremo de viga contínua
0,6l em vao interno de viga contínua

sendo l o vão correspondente da viga.

Se a altura comprimida (0,8 x) for menor ou igual à espessura da laje (hf), tem-se uma
seção retangular com armadura simples, já vista. Quando x for maior do que hf, a forma
da zona comprimida (sujeita à tensão 0,85fcd) tem a forma de um “T”. A análise da seção
pode ser feita como se indica a seguir.

0,85fcd bf
Rcfd
1 1 hf
0,8x 2
Mud x Rcwd
d

εu
Rsd As

bw

Figura 3.3.2.2

O problema pode ser equacionado subdividindo a zona comprimida em retângulos (1 e 2).


As resultantes de tensão sobre as partes 1 e 2 valem:

Resultante do concreto na aba colaborante: Rcfd = 0,85 fcd (bf - bw) hf (1)
Resultante do concreto na alma: Rcwd = 0,85 fcd bw (0,8 x) (2)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 7


A equação de equilíbrio de momento fornece:

Mud = Md = Mcfd + Mcwd = Rcfd (d - hf / 2) + Mcwd

ou

Mcwd = Md - Rcfd (d - hf / 2)

Este momento deve ser resistido pela parte 2 que é uma seção retangular bw por d.
Portanto

 M cwd 
x = 1,25d 1 − 1 − 
 0,425b w d 2 f cd 

Com a posição da linha neutra, obtém-se a resultante do concreto na alma, Rcwd, através
de (2).

A equação de equilíbrio de força permite escrever:

Rsd = As fyd = Rcfd + Rcwd

De onde se obtém a área de aço, As, necessária para resistir ao esforço solicitante.

3.3.3 Seção Retangular com Armadura Dupla

Quando se tem, além da armadura de tração As , outra A’s posicionada junto à borda
oposta comprimida, diz-se que se tem seção com armadura dupla. Normalmente, ela é
empregada para se conseguir uma seção sub-armada sem alterar as dimensões da seção
transversal. A armadura comprimida A’s introduz uma parcela adicional na resultante de
compressão permitindo, assim, aumentar a resistência da seção.

Seja o esquema de cálculo mostrado a seguir:


εc
d’
d’
0,4
A’s Md x R’sd
ε’s Rcd
d
h

As Rsd

Figura 3.3.3.1

Equilíbrio de força: Rsd = Rcd + R’sd


As σsd = 0,68 b x fcd + A’sd σ’sd (a)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 8


Equilíbrio de momento: Md = Rcd (d - 0,4 x) + R’sd (d - d’)
Md = 0,68 b x fcd (d - 0,4 x) + A’sd σ’sd (d - d’) (b)

Tem-se duas equações, (a) e (b) e três incógnitas: x, As e A’s (pois, as tensões nas
armaduras dependem de x). Costuma-se adotar um valor de x (naturalmente, menor ou
igual a x34), por exemplo, x = d/2.

Dessa forma, podem ser determinadas as armaduras As e A’s como se indica a seguir. As
equações (a) e (b) sugerem a decomposição mostrada na figura seguinte.

εc εc
d’
0,4x d’
Mwd x A’s ∆Md x R’sd
Rcd ε’s
d d
d-d’
d-
As1 Rsd1 As
Rsd2
b

Figura 3.3.3.2

Conforme se indica na figura acima, pode ser determinada a primeira parcela do momento
resistente, designada por Mwd:

Mwd = 0,68 b x fcd (d - 0,4 x)


e
Rsd1 = Mwd / (d - 0,4 x).

Como σsd = fyd (peça sub-armada), tem-se

As1 = Rsd1 / fyd.

Assim, fica conhecida a parcela restante do momento resistente

∆Md = Md - Mwd.

Também,

∆Md = R’sd (d - d’) = A’sd σ’sd (d - d’)


e
∆Md = Rsd2 (d - d’) = As2 σsd (d - d’)

que permitem determinar as áreas restantes de armadura, As2 e A’s.

R’sd = Rsd2 = ∆Md / (d - d’)


e
As2 = Rsd2 / fyd.

O cálculo de A’s, requer a determinação da tensão σ’sd.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 9


Com x = x, tem-se, no domínio 3, εc = 0,0035 e no domínio 2:

εc = 0,010 x / (d – x) (por semelhança de triângulos).

Logo:
ε’s = εc (x - d’) / x

que permite obter σ’sd (no diagrama σ x ε da armadura).

Finalmente:

A’s = R’sd / σ’sd


e
As = As1 + As2.

3.4 Dimensionamento ao Cisalhamento

3.4.1 Modelo Simplificado para o Comportamento da viga (treliça


básica de Mörsch)

O panorama de fissuração, que se implanta na viga por ocasião da ruptura, sugere um


modelo em forma de treliça para o seu esquema resistente (fig. 3.4.1.1). Esta treliça é
constituída de banzos paralelos ao eixo da viga (banzo superior comprimido de concreto,
e banzo inferior tracionado correspondente à armadura longitudinal de flexão), diagonais
comprimidas de concreto inclinadas de 45o (bielas diagonais) e pendurais
correspondentes à armadura transversal. Esta armadura é, em geral, constituída de
estribos distanciados de s e posicionados ao longo da viga, perpendicularmente ao seu
eixo. As cargas atuantes na viga são substituídas por forças concentradas equivalentes
aplicadas aos “nós” da treliça.

pd pd . s
s s
Rcd

z
45

Rsd

viga real modelo

Figura 3.4.1.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 10


Os esforços na treliça múltipla podem ser estimados através de uma treliça mais simples,
isostática, fig. 3.4.1.2, dita treliça clássica ou treliça de Mörsch. Cada pendural nesta
treliça representa (z/s) estribos, da treliça original, o mesmo ocorrendo com a diagonal
comprimida.

z
Rcd

z=d/1,1
45
Rsd

Figura 3.4.1.2

Do equilíbrio do ponto J, fig. 3.4.1.3, tem-se:

Rswd = Vd e R cwd = Vd 2

z
Rcd

Rcw
Vd
Rsd Rcw Rswd=Vd
Rsd1
J Rswd=Vd
Rcw Rsd
Rsd1 Rsd

Figura 3.4.1.3

a) Tensão média na diagonal comprimida (biela comprimida de concreto)


z

bw
h1

Figura 3.4.1.4

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 11


Conforme a figura acima (Figura 3.4.1.4), pode-se escrever que a tensão média na biela
comprimida é dada através de:

R cwd V 2 2 Vd V
σ cwd = = d = = 2 τ o , sendo τ o = d .
b w h1 z bwz bw z
bw
2

Como z ≅ d/1,15, tem-se, também:

R cwd V 2 2 Vd 2 Vd V
σ cwd = = d = ≅ = 2,3 d = 2,3τ wd
b w h1 z bw z d bwd
bw bw
2 115
,
onde
Vd
τ wd = .
bwd

b) Tensão média no estribo

estrib
z
φt
As1
z

Figura 3.4.1.5

Sendo Asw a área total correspondente a um estribo, tem-se para o estribo usual de 2
ramos:

Asw = 2 As1 (As1 = área da seção da armadura do estribo).

Conforme a fig. 3.4.1.5, tem-se:

R swd Vd Vd τ
σ swd = = = = o
z z ⋅ A sw b w A
A sw b w z ⋅ sw ρ w
s s bw bws
ou
R swd Vd Vd Vd
σ swd = ≅ = 115
, ⋅ = 115
, ⋅
z d ⋅ A sw d ⋅ A sw d ⋅ A sw b w
A sw
s , ⋅s
115 s s bw
Vd τ wd
= 115
, = 115
,
A sw ρw
bwd ⋅
bws

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 12


onde:
z / s = número de estribos no comprimento z de viga e

Aw
ρw = = taxa geométrica de armadura transversal.
bws

3.4.2 Dimensionamento

a) Verificação do Concreto

Admite-se que a segurança de uma viga ao cisalhamento esteja devidamente atendida


quando

τ wd ≤ τ wu = 0,3 ⋅ f cd (não maior do que 4,5 MPa)

Vd
Com, τ wd = (Vd = γf V)
bwd

De resultados de análises experimentais, permite-se considerar na flexão simples:

τ c = 0,15 f ck (em MPa).

b) Cálculo dos Estribos

Dessa forma, atribuindo à tensão de tração nos estribos o valor fywd, eles podem ser
quantificados através da expressão:

, τ wd − τ c
115
ρw =
f ywd

Onde fywd = 43,48 kN/cm2 para os aços CA50.

3.4.3 Arranjos das armaduras

Também para o dimensionamento ao cisalhamento deve-se respeitar as seguintes


condições:

a) Armadura transversal mínima (estribo mínimo)

0,14% − para o CA50 / CA 60


ρ w min = 
0,25% − para o CA 25

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 13


A este estribo mínimo corresponde uma força cortante V*.

b w ⋅ d ⋅ (fywd ⋅ ρwmin + τ c )
V* = .
1,61

b) Tipo de estribo

Normalmente, utiliza-se estribo de 2 ramos (para bw ≤ 40 cm) e estribos de 4 (ou mais)


ramos se bw > 40 cm.

c) Diâmetro dos estribos (φt)

bw
5 mm ≤ φ t ≤
12

d) Espaçamento dos estribos (s)

Recomenda-se obedecer às seguintes condições:

30 cm
d / 2
s≤ 
21φ (CA 25)

12φ (CA50 / 60)

As duas últimas condições são aplicadas quando se tem armadura comprimida de flexão
(A’s).

e) Cobertura do diagrama de força cortante

Costuma-se garantir a resistência ao cisalhamento, adotando-se estribos uniformes por


trechos de viga. Desta forma, resulta a “cobertura em degraus” do diagrama de força
cortante; cada degrau correspondendo a um trecho de estribo constante. A fig. 3.4.3.1
ilustra este procedimento. Para vigas usuais de edifícios, pode-se adotar, em cada vão, 3
trechos: um central correspondente à armadura mínima (ρwmin e V*), e mais dois trechos,
adjacentes aos apoios do vão com estribos calculados para as respectivas forças
cortantes máximas.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 14


trecho com ρwmin

V*

V*

Fig. 3.4.3.1

Seções próximas aos apoios

Nas proximidades dos apoios, a quantidade de armadura de cisalhamento pode ser


menor do que aquele indicado pelo cálculo usual. Este fato ocorre porque parte da carga
(próxima aos apoios) pode se dirigir diretamente aos apoios, portanto, sem solicitar a
armadura transversal.

A NBR-6118 propõe as regras seguintes para o cálculo da armadura transversal, quando


a carga e a reação de apoio forem aplicadas em faces opostas da peça, comprimindo-a:

no trecho entre o apoio e a seção situada à distância h/2 da face deste apoio, a
força cortante oriunda de carga distribuída poderá ser considerada constante e
igual à desta seção (fig. 3.4.3.2);

h/2 h/2 h/2


diagrama de V

diagrama de
V “corrigido”

Figura 3.4.3.2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 15


a força cortante devida a uma carga concentrada aplicada a uma distância a (a ≤ 2
h) do centro do apoio poderá, neste trecho de comprimento a, ser reduzida
 a 
multiplicando-se por  , fig. 3.4.3.3.
 2 ⋅ h 

P
a

V
Vred = V [a / (2 h)]

Figura 3.4.3.3

Convém frisar que estas reduções só podem ser feitas para o cálculo da armadura
transversal. A verificação do concreto (τwd) deve ser feita com os valores originais, sem
redução.

3.4.4 Armadura de Costura nas Abas das Seções Transversais

Normalmente, as abas das seções transversais estão submetidas a solicitações


tangenciais. Junto à ligação (aba-alma) das seções das vigas esta solicitação atinge o
valor máximo. Esta solicitação exige, no concreto armado, uma armadura de costura. Em
vigas usuais de edifícios, podem ocorrer duas situações onde estas armaduras são
necessárias, fig. 3.4.4.1. A primeira situação corresponde às seções dos vãos com abas
comprimidas de seções T (flexão nos vãos das vigas normais) e, a outra, às seções de
apoios internos das vigas contínuas, onde a armadura de flexão é distribuída também nas
lajes (abas tracionadas).
p bf

armaduras área comprimida na


flexão

Seção 2 - Apoio Seção 1 - Vão

armaduras de flexão
área comprimida
na flexão
Seção 1 - Vão
Seção 2 - Apoio

Figura 3.4.4.1 - Situações usuais

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 16


a) Aba comprimida

A fig. 3.4.4.2 apresenta a situação típica correspondente à seção T submetida à flexão.

bf
0,85 fcd
x Rcd

d ε
z
As
Rsd

Fig. 3.4.4.2 - Aba comprimida

Considere-se a aba lateral de dimensão b’, fig. 3.4.4.3.

b’ bf

Rcd+dRc
b’

Rfd+dRfd

hf
Rcd τfo

Rfd

Figura 3.4.4.3

A força cortante para determinação da armadura transversal da aba necessária é dada


por:

b′
Vfd = Vd
bf

Da expressão de cisalhamento, tem-se que:

b′
Vd
bf V 115
, Vfd
τ fo = = fd = (a)
hf z hf z hf d

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 17


Comparando-se a expressão do cisalhamento usual de viga (conforme o modelo da treliça
clássica):

115
, Vd
τo = ,
bwd

com a expressão (a), pode-se concluir que ela permite imaginar a força cortante Vfd
atuando na seção fictícia de dimensões hf x d. Logo, a armadura transversal, necessária
no modelo da treliça clássica, é dada por:

τ fo
ρf =
f ywd

A sf
onde ρ f =
hf

sendo A sf a área total de armadura transversal da aba (armadura de costura) por unidade
de comprimento, fig. 3.4.4.4.

hf

Asf

Figura 3.4.4.4

Normalmente, adota-se a armadura obtida desta maneira, como sendo suficiente para
garantir a segurança da ligação entre a aba e a alma da viga. Por fim, deve-se também
verificar:

Vfd
1) ≤ 0,3f cd (verificação da compressão na biela diagonal)
hf d
2) ρf ≥ 0,14% (taxa mínima de armadura transversal para o CA50/60).

b) Aba tracionada

A fig. 3.4.4.5. apresenta a situação usual, correspondente a seções de apoio interno de


vigas contínuas (momento fletor tracionando a borda superior), com armadura tracionada
de flexão distribuída, também, nas abas.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 18


parte da armadura de flexão,
posicionada numa aba lateral (Asf) armaduras de costura
Rsd
Md
armaduras de z
flexão (As)
área comprimida na flexão 0,8 Rcd

Figura 3.4.4.5 - Aba tracionada

Considere-se a aba indicada na fig. 3.4.4.6.

Rsd+dRs

Rsfd+dRsf

hf
Rsd τfo
z

Rsf
Rcd

Figura 3.4.4.6 - Aba lateral

A cortante de cálculo resultante na aba considerada é dada pela expressão mostrada a


seguir:
A
Vfd = sf Vd
As
onde:
Asf = área da seção de armadura de flexão contida na aba.

Analogamente ao caso anterior, tem-se que:

A sf
Vd
As V 115
, Vfd
τ fo = = fd = (b)
hf z hf z hf d

Comparando-se a expressão do cisalhamento usual de viga (conforme o modelo da treliça


clássica) com a expressão (b), pode-se concluir que ela permite imaginar a força cortante
Vfd atuando na seção fictícia de dimensões hf x d. Logo, a armadura transversal,
necessária no modelo da treliça clássica, é dada por:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 19


τ fo
ρf =
f ywd

A sf
onde ρ f =
hf

sendo A sf a área total de armadura transversal da aba (armadura de costura) por unidade
de comprimento.

Normalmente, adota-se a armadura obtida desta maneira, como sendo suficiente para
garantir a segurança da ligação entre a aba e a alma da viga.
Deve-se, também, verificar

Vfd
1) ≤ 0,3f cd (verificação da compressão na biela diagonal)
hf d
e

2) ρf ≥ 0,14% (taxa mínima de armadura transversal para o CA50/60).

3.4.5 Armadura de Suspensão

Normalmente, os apoios das vigas são constituídos pelos pilares. Neste caso, diz-se que
os apoios são do tipo direto. Algumas vezes as vigas se apóiam em outras vigas;
constituem os apoios do tipo indireto.
Quando as reações são aplicadas junto à face superior da viga de apoio, não existe a
necessidade de armadura de suspensão. Esta situação é ilustrada na 3.4.5.1.

ha
viga
i d
viga de

Figura 3.4.5.1 - Viga de pequena altura apoiada


sobre uma viga de grande altura

A fig. 3.4.5.2 mostra, para o caso de viga de altura (h) maior do que a da viga de apoio
(ha), a necessidade de armadura de suspensão para a reação total, isto é, Zd = Rd.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 20


viga de apoio

ha
h

viga
Figura 3.4.5.2 - Vigas altas.

Numa situação intermediária, ilustrada na fig. 3.4.5.3, observa-se à necessidade de


suspender apenas parte da reação, uma vez que o restante pode ser transferido para a
treliça, que simula a viga de apoio, através do esquema usual.

h
ha

Figura 3.4.5.3 - Vigas de altura intermediária

Sendo Rd a reação de apoio, a força de suspensão pode ser estimada em

Zd = Rd (h / ha) ≤ Rd

Onde:
h = altura da viga apoiada
ha = altura da viga de apoio.

A armadura de suspensão será dada por

Asusp = Zd / fywd.

A armadura de suspensão Asusp pode ser distribuída na zona de suspensão, junto ao


cruzamento das vigas, conforme a figura 3.4.5.4.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 21


ha / 2 ha / 2
viga de apoio

h/2

viga apoiada

Figura 3.4.5.4 - Zona de suspensão

Deve-se observar que a zona de suspensão já contém alguns estribos normais das vigas.
Estes estribos podem ser contados na armadura de suspensão.

3.5 Dimensionamento à Torção

3.5.1 Torção de Equilíbrio e Torção de Compatibilidade

O momento torçor em vigas usuais de edifícios pode ser classificado em dois grupos:
momento torçor de equilíbrio (fig. 3.5.1.1) e momento torçor de compatibilidade (fig.
3.5.1.2).

B B
l = a+b b
c l
a c
A P p
A

P
P.c TB=P.c.a / l m=p.c2/2

TB=m.l / 2
TA=P.c.b / l TA=m l / 2

Figura 3.5.1.1 - Torção de equilíbrio

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 22


TB
TA=T.b / l

TB=-T.a / l
b
TA R B
B
a T P
P A
A
R

Figura 3.5.1.2 - Torção de compatibilidade

3.5.2 Torção de Saint Venant

Considere-se um trecho de viga de seção retangular sujeito a momento torçor T


(fig.3.5.2.1). As extremidades A e B apresentam rotações em sentidos opostos e as
seções transversais deixam de ser planas. Diz-se que há empenamento da seção devido
à torção. Quando a torção ocorre com empenamento livre tem-se o que se chama torção
de Saint Venant e aparecem tensões de cisalhamento na seção transversal que,
naturalmente, equilibram o momento torçor aplicado.

T
T T
T

Figura 3.5.2.1

Normalmente, as vigas estão sujeitas a restrições parciais ao livre empenamento por


causa das interferências das lajes, outras vigas e pilares de apoio, Desse modo,
aparecem tensões normais (longitudinais) adicionais que se somam às tensões devidas à
flexão. Nas vigas de concreto armado, essas tensões adicionais costumam ser pequenas
e tendem a diminuir com a fissuração do concreto (estádio II). Essas restrições ao
empenamento provocam, também, pequenas alterações nas tensões de cisalhamento de
Saint Venant. Normalmente, desprezam-se essas alterações provenientes do
impedimento parcial do empenamento. Assim, o dimensionamento à torção pode ser feito
conforme a teoria de torção de Saint Venant.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 23


3.5.3 Arranjo Usual das Armaduras

Usualmente, adota-se a disposição das armaduras compostas de estribos e barras


longitudinais que, além da facilidade construtiva, se mostrou bastante adequada para
resistir à torção. Os estribos devem apresentar espaçamentos pequenos e as barras
longitudinais devem ser distribuídas uniformemente ao longo do perímetro da seção
transversal.

Também devem ser observadas as seguintes recomendações:

a) armadura longitudinal

• diâmetro da armadura longitudinal maior ou igual ao diâmetro do estribo (não menor do


que 10 mm);
• garantir uma ancoragem efetiva das barras longitudinais, junto às extremidades do
trecho sujeito à torção, pois a tração é constante ao longo da barra;
• distribuição uniforme da armadura longitudinal no perímetro da seção.

b) armadura transversal (estribos)

b / 2

st ≤  h / 3
20cm

3.5.4 Dimensionamento

A viga de concreto armado deve ser dimensionada para resistir integralmente ao


momento torçor de equilíbrio. O momento torçor de compatibilidade que aparece junto ao
cruzamento das vigas (apoios indiretos) é, normalmente, pequeno e pode ser ignorado.

a) Verificação do concreto

Deve-se ter τtd ≤ τtu = 0,22 fcd (não maior do que 4 MPa).

Na presença simultânea de força cortante deve-se verificar também:

τ wd τ td
+ ≤ 1.
τ wu τ tu

b) Estribos

A s1 φ d Td
= = .
st f yd 2A e f yd

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 24


c) Armadura longitudinal

A sl φ d Td
= =
u f yd 2A e f yd

3.6 Verificação em Serviço

Todos os cálculos e verificações dos estados limites de serviço devem ser efetuados no
Estádio II. Portanto, faz-se necessário determinar o produto de rigidez como também o
momento de inércia nesse Estádio, conforme é apresentado a seguir:

a) Seção Retangular com Armadura Simples

Seja :

Es
αe = ,
Ec

Onde o módulo de deformação do aço (Es) fixado em 210.000 Mpa e o módulo de


deformação do concreto tomado através da expressão a seguir:

E c = 0,9 × 6600 f ck + 3,5 (MPa) .

A posição da linha neutra resultante é calculada através de:

As ⋅αe  2 bd 
x= −1 + 1 + 
b  A sα e 

Em seções retangulares com armadura simples, o produto de rigidez EIII é calculado


através de:

E c I II = A s E s (d − x) z

x
Onde z = d - , de acordo com a figura a seguir:
3

εc σc x/3
x Rc
h d M z=d-x/3
As
σs Rs
εs

b
Figura 3.6.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 25


Dividindo ambos os termos por Ec, tem-se que:

III = A s ⋅ α e (d − x )(d − x / 3)

b) Seção Retangular com Armadura Dupla

Na condição de armadura dupla, tem-se o seguinte panorama mostrado na figura a


seguir:

εc R's σc
x/3
A's d' ε 's x Rc
h d M z=d-x/3
As
σs Rs
εs

b
Figura 3.6.2

A posição da linha neutra é determinada através de:

 d' 
 2  1   ρ d + ρ d ' d   A '
x = d ⋅ α e (ρ d + ρ d ') −1 + 1 +   onde ρ d ' = s
 α e  ρ d + ρ d '   ρ d + ρ d '   bd
 

Com ela, obtém-se as seguintes expressões:

Produto de rigidez à flexão no Estádio II:

E c I II = A s E s (d − x)(d − x / 3) + A s ' E s ( x / 3 − d ' )( x − d ')

Momento de Inércia no Estádio II:

bx 3
I II = + A s α e (d − x) 2 + A ′s α e ( x − d ′) 2
3

c) Seção “T” com Armadura Simples

A equação de equilíbrio nos leva à seguinte expressão da posição da linha neutra:

bw x2 h2
+ [( b f − b w ) h f + A s α e ]x − ( b f − b w ) f − A s α e d = 0
2 2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 26


Com ela, podemos também determinar o momento de inércia no Estádio II, através de:

b f x 3 ( b f − b w )( x − h f ) 3
I II = − + A s α e ( d − x) 2
3 3

3.6.1 Verificação das Flechas

a) Flecha de carga de curta duração (aq)

q* = 0,7 q

Por exemplo, para carga distribuída uniforme, a flecha no meio do vão é dada por:

5 q * l4
aq =
384 E c I II

Em demais situações (carga concentrada, estrutura em balanço, etc.) podem ser obtidas
através das referências bibliográficas adotadas neste curso, lembrando que o produto de
rigidez deve ser aquele calculado no Estádio II. O mesmo deve ser considerado constante
em todo o vão, e igual ao valor correspondente no ponto de momento fletor máximo.

b) Flecha de carga de longa duração (ag)

a g = a go (1 + 2ξ) , com ago igual à flecha imediata para a carga g calculada conforme escrito

acima, e ξ = x .
d

As flechas, assim determinadas, devem ser limitadas a:

aq ≤ l / 500;

ag + aq ≤ l / 300.

Conforme a NBR-6118, para as vigas usuais de edifícios de seção retangular e T,


consideram-se atendidas as verificações de flecha quando

l
d≥ (altura útil)
ψ2 ⋅ ψ3

onde
ψ2 = 1,0 nas vigas biapoiadas,
1,2 nas vigas contínuas,
1,7 nos vãos biengastados,
0,5 nos balanços.
ψ3 = 17 para o aço CA50,
25 para o aço CA25.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 27


3.6.2 Verificação da Fissuração

Segundo a NBR-6118, a fissuração é considerada nociva quando a abertura das fissuras


na superfície do concreto ultrapassa os seguintes valores (wlim):

a) 0,1 mm para peças não protegidas (peças sem revestimento), em meio agressivo;
b) 0,2 mm para peças não protegidas, em meio não agressivo;
c) 0,3 mm para peças protegidas (peças revestidas).

Supõe-se que, com razoável probabilidade, a condição acima ocorra quando se verificam
simultaneamente as seguintes desigualdades:

1  φ σs  4 
w=   + 45  > wlim
10  2 η b − 0,75 E s  ρ r 
e
1  1 3φ σ 2s 
w=  ⋅  >wlim
10  2ηb − 0,75 ftk E s 

Com:

As
ρr = ;
A cr
M
σs = , com x calculado no Estádio II;
A s (d − x / 3)
ηb = coeficiente de conformação da armadura (1 em barras lisas e entre 1,5 a
1,8 nas barras de alta aderência)

Define-se Acr (área crítica) a área equivalente de concreto tracionado envolvido na


fissuração conforme ilustra a figura a seguir:

c < 7,5φ 7,5φ 7,5φ 7,5φ

7,5φ Acr
7,5φ

7,5φ
c < 7,5φ

7,5φ a 7,5φ
(a < 15 φ)

Determinação da Área Crítica

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 28


3.7 Arranjo das Armaduras

3.7.1 Aderência, Ancoragem e Emendas

3.7.1.1 Introdução

Considere-se a armadura mergulhada na massa de concreto, conforme mostra a fig. 1.1.


lb
Z

l b1 τb
Zd = As fyd

Figura 1.1

Se o comprimento mergulhado no concreto l b for pequeno, a barra poderá ser extraida


do concreto por tração; se este comprimento for superior a um valor particular l b1 , será
possível elevar a força de tração até escoar esta armadura. Diz-se que a armadura está
ancorada no concreto. Este valor l b1 é chamado de comprimento mínimo de ancoragem
reto sem gancho de extremidade.

O fenômeno envolvido na ancoragem de barras é bastante complexo e está ligado à


aderência, entre o concreto e a armadura, em uma região micro-fissurada do concreto
vizinho à barra. O efeito global da aderência é composto por: a) adesão (efeito de cola); b)
atrito de escorregamento e c) engrenamento mecânico entre a superfície (irregular) da
armadura com o concreto. O escorregamento envolvido em b) ocorre junto às fissuras,
digamos numa visão microscópica e, portanto, localizada. Numa visão macroscópica,
como na teoria usual de flexão, admite-se a aderência perfeita entre os dois materiais.
Esta consideração torna-se razoável pois ao longo da distância envolvida na análise de
uma seção, da ordem da dimensão da seção transversal da peça, incluem-se várias
fissuras que acabam mascarando os escorregamentos localizados junto às fissuras
individuais.

3.7.1.2 Modelo para determinação do comprimento de ancoragem l b1

Para a avaliação de l b1 , costuma-se utilizar o modelo indicado na figura 2.1. Assim,

πφ 2
Zd = A s f yd = f yd = τ bu ⋅ π ⋅ φ ⋅ l b1
4

resultando
φ fyd
l b1 = ⋅
4 τ bu

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 29


τbu

l b1
Zd = As fyd

Figura 2.1

A tensão última de aderência τ bu é função da posição da armadura ao longo da altura de


concretagem da peça; da inclinação desta armadura; da sua conformação superficial
(barras lisas e barras de alta aderência com mossas e saliências); e da resistência do
concreto (fck). A consideração das duas primeiras variáveis é feita através do conceito de
zonas de aderência: zona de boa aderência (zona I) e zona de aderência prejudicada
(zona II).

3.7.1.2.1 Zonas de aderência

A figura 2.2 apresenta as situações correspondentes às zonas I e II.

Zona I

Zona II
h > 30 cm
h ≤ 30 cm 30 cm h ≤ 60
h

α > 45o
30 cm
h > 60

Figura 2.2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 30


A aderência depende, principalmente, de um bom envolvimento da armadura pelo
concreto. A vibração do concreto provoca a movimentação da água, em excesso na
mistura, para as partes superiores da peça. Esta água tende a ficar presa, em forma de
gotículas, junto às faces inferiores das armaduras (partes sólidas em geral). Com o tempo
aparecem no seu lugar vazios que diminuem a área de contato da barra com o concreto.
Isto justifica o fato das barras horizontais posicionadas nas partes superiores das peças
estarem em condições prejudicadas de aderência (zona II, ou de aderência prejudicada);
em contraposição, as partes inferiores das peças constituem zonas de boa aderência
(zona I). Quando a espessura da peça é pequena (h ≤ 30 cm, para finalidade prática) a
quantidade de água de exudação é pequena, e não chega a reduzir em demasia a
aderência.

armadur

gotas de vazio
água deixado
acumuladas pelas gotas
d á

Figura 2.3

3.7.1.2.2. Valores de τ bu

a) Zona I (de boa aderência)

- barras lisas:

τ bu = 0,28 f cd ( MPa )

- barras de alta aderência:

τ bu = 0,42 3 f cd2 ( MPa )

Alguns valores de lb1:

fck (MPa) CA25 (lisa) CA50 (a. ader.)


13,5 63 φ 58 φ
15 59 φ 54 φ
18 55 φ 47 φ
20 ### 44 φ

b) Zona II (zona de aderência prejudicada)

Estimam-se os comprimentos de ancoragem para a zona II como sendo 50% superiores


aos correspondentes à zona I.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 31


Nota 1: normalmente, a armadura efetivamente utilizada (As,ef) é maior do que a calculada
(As,calc ou simplesmente, As). Neste caso, o comprimento de ancoragem pode ser reduzido
como se indica a seguir:

l b 1 / 3
A s, calc 
l b = l b1 ≥ 10φ
A s, ef 
10 cm

Nota 2: nas barras comprimidas, o comprimento mínimo de ancoragem l b1c pode ser
estimado através da expressão adotada para as barras tracionadas; para este cálculo,
deve-se utilizar a tensão efetiva de compressão. O valor obtido deve, ainda, obedecer às
seguintes condições:

0,6 ⋅ l b1

l b1c ≥ 10φ
15 cm

3.7.1.3 Utilização de ganchos padronizados nas extremidades da barra tracionada

Os ganchos permitem reduzir o comprimento de ancoragem. Pode-se adotar as seguintes


reduções sobre os valores de l b1 (sem ganchos):

a) barras lisas: 15 φ → l b1,c / gancho = l b1 − 15φ

b) barras de alta aderência:10 φ → l b1,c / gancho = l b1 − 10φ .

l b1 - 15 φ - bar. lisas
l b1 - 10 φ - bar. de alta

l b1

Figura 3.1

Nota 1: as barras lisas tracionadas de diâmetro φ > 6,3 mm devem ser utilizadas sempre
com ganchos de extremidade.

Nota 2: as barras comprimidas devem ser utilizadas sem ganchos de extremidade.

3.7.1.4 Comprimentos de ancoragem de feixes de barras

As armaduras de concreto armado podem ser agrupadas em feixes de 2 ou 3 barras.


Pode-se estimar o comprimento de ancoragem de um feixe de barras, com base nas
expressão utilizada para barras isoladas, substituindo-se o diâmetro da barra pelo
diâmetro equivalente do feixe (φe). O valor obtido deve ser aumentado de 20% no caso de
feixe de duas barras e, de 33% para mais de duas barras.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 32


φe = φ n
n =2 n=3
n = número de barras no feixe.

3.7.1.5 Armadura transversal nas ancoragens

No comprimento de ancoragem de uma barra (ou feixe), deve ser disposta armadura
transversal de costura ao longo do terço extremo deste trecho, capaz de resistir a esforço
igual a 40% do esforço transmitido pela barra ancorada; todas as barras que cruzam o
plano de possível fissuração, no trecho de ancoragem, poderão ser consideradas naquela
armadura.

Em geral, esta armadura transversal é constituída pelos ramos horizontais dos próprios
estribos da viga.
l b1

Ast

l b1 / 3

Além disso, logo depois das extremidades das ancoragens de barras comprimidas deverá
haver armadura transversal destinada a proteger o concreto contra os efeitos do esforço
concentrado na ponta, a qual será dimensionada para resistir a um quinto do esforço
ancorado, podendo nela ser incluídos os estribos aí existentes.

3.7.1.6 Armaduras mergulhadas no concreto

Quando a armadura mergulhada na massa de concreto for solicitada à deformação maior


ou igual a ε yd (através da aderência), pode-se imaginar o diagrama de tensão mostrado
na figura 6.1. Assim, a tensão cresce desde 0, junto à extremidade da barra, até fyd na
seção distante l b1 daquela extremidade.

diagrama de tensão l b1
admitida para barra 1
σs
fyd

1
barra 1

Figura 6.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 33


3.7.1.7 Emendas por traspasse

A necessidade de emendas pode ocorrer, por exemplo, em peças de grande vão que
ultrapassa o comprimento máximo (de fabricação) das armaduras de concreto armado.
Em geral, estas emendas podem ser feitas por: traspasse, solda ou luva prensada. É
muito utilizada a emenda por traspasse por ser simples e dispensar a utilização de
equipamentos especiais. Consiste em superpor as extremidades, a serem emendadas,
em uma extensão dita comprimento de emenda ( l v ).

lv lv

Figura 7.2 – Emendas por traspasse

Conforme a NBR-6118, o comprimento de emenda pode ser definido em função do


comprimento de ancoragem l b através da seguinte expressão:

lv = ψ5 lb .

onde ψ 5 depende da distância transversal (a) entre eixos de emendas mais próximas na
mesma seção e da proporção de barras emendadas na mesma seção. Os valores de ψ 5
são definidos no ítem 6.3.5.2 da citada Norma. Consideram-se como na mesma seção
transversal as emendas que se superpõem ou cujas extremidades mais próximas estejam
afastadas de menos que 0,2 l v .

< 0,2 l v
lv

Figura 7.2 - emendas consideradas na mesma seção

Ao longo do comprimento de emenda devem ser dispostas as armaduras transversais de


costura, previstas junto às ancoragens de barras. Os ramos horizontais dos estribos
podem servir para esta finalidade.

lv = ψ 5 ⋅ lb

Ast Ast
lv / 3 lv / 3

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 34


Valores de ψ5:

ψ5
Distância transversal Proporção de barras emendadas na mesma seção
transversal
entre emendas (a) ≤ 1/5 > 1/5 > 1/4 > 1/3 > 1/2
≤ 1/4 ≤ 1/3 ≤ 1/2
a ≤ 10 φ 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0
a > 10 φ 1,0 1,1 1,2 1,3 1,4

≥φ

a ≥2φ

Proporção de barras emendadas na mesma seção

Bitola Sgk > Sqk Sgk ≤ Sqk


φ ηb ≥ 1,5 ηb < 1,5 ηb ≥ 1,5 ηb < 1,5
≤ 12,5 todas 1/2 1/2 1/4
> 12,5 todas (*) 1/4 1/2 1/4
1/2 (**)

(*) - Se houver só uma camada de armadura


(**) - Se houver mais de uma camada de armadura

As barras comprimidas podem todas ser emendadas na mesma seção.

3.7.2 Alojamento das Armaduras

A área As da armadura necessária para resistir a um momento fletor M, numa dada seção
de viga, é conseguida agrupando-se barras conforme as bitolas comerciais disponíveis.
Geralmente, adotam-se barras de mesmo diâmetro φ. Uma das hipóteses básicas do
dimensionamento de peças submetidas a solicitações normais é a da aderência perfeita.
Para a garantia desta aderência é fundamental que as barras sejam perfeitamente
envolvidas pelo concreto; por outro lado, a armadura deve ser protegida contra a sua
corrosão; para isso adota-se um cobrimento mínimo de concreto para estas armaduras. A
figura 3.7.2.1. mostra a disposição usual com armaduras isoladas entre si.
Eventualmente, pode-se adotar armadura formada por feixes de 2 ou 3 barras.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 35


porta estribos

c = cobrimento mínimo
da armadura

c φt
estribo

armaduras eh
φ
de pele
ev
As a
3
camada c
2a

Figura 3.7.2.1

A tabela 3.7.2.1 apresenta as bitolas usuais de armaduras de concreto armado.

φ (mm) 3,2 4 5 6,3 8 10 12,5 16 20 25 32


As1(cm2) 0,08 0,125 0,2 0,31 0,5 0,8 1,25 2,0 3,15 5,0 8,0
5

Tabela 3.7.2.1

φ = diâmetro nominal (mm)


As1 = área nominal da seção transversal de uma barra em cm2

Os valores de cobrimento mínimo recomendado pela NBR-6118 são os seguintes:

a) concreto revestido com argamassa de pelo menos 1 cm de espessura:

c(cm) elemento estrutural


0,5 lajes no interior de edifícios
1,0 paredes no interior de edifícios
1,5 pilares e vigas no interior de edifícios
1,5 lajes e paredes ao ar livre
2,0 pilares e vigas ao ar livre

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 36


b) concreto aparente

c(cm) elemento estrutural


2,0 interior de edifícios
2,5 ao ar livre

c) concreto em contato com o solo: c = 3 cm

Nota: em solo não rochoso recomenda-se um lastro (camada adicional em contato com o
solo) de pelo menos 5 cm de espessura com consumo de 250 kg de cimento por m3.

d) peça de concreto em ambiente fortemente agressivo: c = 4 cm.

e) quando, por qualquer razão, c > 6 cm, deve-se utilizar uma rede complementar dentro
dos limites anteriormente indicados.

Para alojamento das armaduras, sem emendas, deve-se procurar proceder conforme
indicado abaixo:

φ φ Brita φagr
  brita 1 9,5 a 19 mm
e h ≥ 2cm ; e v ≥ 2cm
1,2φ 0,5φ brita 2 19 a 25 mm
 agr  agr

onde
φ = diâmetro da barra
φagr = diâmetro máximo do agregado

c φt bs φt c
φ

ev eh

c
bw

Figura 3.7.2.2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 37


Na ocasião de emendas, deve-se procurar alojar as armaduras como mostrado na figura
abaixo (figura 3.7.2.3):

>2φ


>φ >2φ

Figura 3.7.2.3

Quando ocorrer uma distribuição em mais de três camadas, deve-se prever a partir da
quarta camada, espaço adequado para a passagem do vibrador (figura 3.7.2.4).

acesso p/vibrador

φvibr + 1 cm
4a

Figura 3.7.2.4

Nota: se bw > 60 cm, prever mais acessos para o vibrador (admitindo-se a eficiência do
vibrador dentro de um raio de aproximadamente 30 cm).

Para alojar barras em feixes de 2, 3 ou 4 barras, deve-se proceder de acordo com as


regras do item 4, substituindo-se o diâmetro das barras φ pelo diâmetro equivalente ao
feixe de barras

n=2 n=3 n=4

φ eq = φ n onde n = no de barras no feixe.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 38


Detalhes complementares:

a) armadura de flexão alojada junto à face superior da seção (figura 3.7.2.5)

φvib + 1

Figura 3.7.2.5

Nota: prever espaço para passagem do vibrador.

b) armadura junto à borda com abas tracionadas (figura 3.7.2.6)

Recomenda-se distribuir parte da armadura de tração nas abas tracionadas devidamente


ligadas à alma da viga através de armaduras de costura.

Asf1 ,φf1 ≤ hf /10 φvib + 1 cm Asf2 ,φf2 ≤ hf /10

Asw
As = Asw + Asf1 + Asf2

Figura 3.7.2.6

c) vigas altas (h > 60 cm)

Posicionar as armaduras de pele (Asl) conforme indicado na figura 3.7.2.7.

Asl = 0,05% bw h d / 3 ≤ 30 cm
(de cada lado)

entre 6 e 20

Figura 3.7.2.7

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 39


3.7.3 Decalagem

Devido à fissuração diagonal, existe, então, uma translação (decalagem) para o lado
desfavorável. Em particular, na seção sobre o apoio extremo, fica evidenciada a presença
de força de tração na armadura, apesar de ser nulo o momento fletor. Este efeito explica a
possibilidade de ocorrência de ruptura por escorregamento da armadura sobre os apoios
extremos da viga. A figura a seguir nos fornece um exemplo de um diagrama decalado.
pd

al

diagrama de
Md/z
força resultante
no banzo al
i d

al

Figura 3.7.3.1

A NBR6118 usa a seguinte expressão: al (1,5 –1,2η)x d ≥ 0,5x d

τc τc
onde η é a “taxa de cobertura”; η = 1 - =1-
τ 0d 1,15 τ wd

Na prática, em vigas, podemos adotar al = 0,75 d

3.7.4 Ancoragem nos Apoios

Admite-se que a segurança esteja garantida pela verificação das duas condições
seguintes:

a) A armadura deve estar devidamente ancorada para garantir, junto à face interna do
apoio, a resultante de tração igual a:

Rs,apo,d = Vd (al / d) ≥ Vd / 2;
Rs,apo,d

R + 5,5 φ ≥ 6cm

Vd

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 40


b) Na ocasião de gancho de extremidade as barras devem estender-se, a partir da face
interna do apoio, por um comprimento igual a (r + 5,5 φ) ≥ 6 cm, onde φ é o diâmetro da
barra e r o seu raio de dobramento padronizado (para o aço CA50: r = 2,5 φ quando φ
<20; e r = 4 φ para φ ≥ 20); neste caso, quando o cobrimento lateral das barras na região
do apoio for maior ou igual a 7 cm e a carga acidental q não for freqüente, é suficiente
verificar apenas esta condição.

3.7.5 Cobertura do Diagrama de Md Transladado

O trecho da extremidade da barra de tração, considerado como de ancoragem, tem início


na seção teórica onde sua tensão σs começa a diminuir (o esforço da armadura começa a
ser transferido para o concreto). Deve prolongar-se pelo menos 10φ além do ponto teórico
de tensão σs nula, não podendo em nenhum caso ser inferior ao comprimento necessário
estipulado no capítulo referente à ancoragem das barras. Assim, na armadura longitudinal
de tração das peças solicitadas por flexão simples, o trecho de ancoragem da barra tem
início no ponto A (figura 3.7.5.1) do diagrama de forças Rst = M / Z, deslocado do
comprimento al. Se a barra não for dobrada, o trecho de ancoragem deve prolongar-se
além de B, no mínimo 10φ. Se a barra for dobrada, o início do dobramento pode coincidir
com o ponto B. (ver figura 3.7.51).

Figura 3.7.5.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 41


3.8 Esquemas Estruturais

3.8.1 Esforços Finais de Dimensionamento em Vigas de Edifícios

Os esforços finais de dimensionamento devem conter as envoltórias de solicitações. A


“distância” entre as envoltórias, máxima e mínima, depende, basicamente, do valor
relativo da carga acidental.

Em vigas de edifícios, normalmente, a parcela variável das cargas representa menos de


30 % do total. Nestas condições, em geral, não há necessidade de se determinar às
envoltórias de solicitações porque seus valores se aproximam daqueles obtidos para a
carga total; é suficiente, pois, a determinação dos diagramas de estado correspondente à
carga total atuante na viga. Por outro lado, como se admite o comportamento elástico
linear, pode-se determinar primeiro as solicitações correspondentes aos valores
característicos das cargas, que multiplicados pelos coeficientes de ponderação das ações
(γf ) permitem definir as solicitações em valores de cálculo utilizadas nos
dimensionamentos e nas verificações.

3.8.2 Vãos Teóricos da Viga

Os vãos teóricos são utilizados no cálculo dos esforços solicitantes.

Quando as larguras dos pilares de apoio forem menores do que PD / 5 (PD = pé direito), o
vão teórico pode ser tomado como a distância entre os centros dos apoios, não sendo
necessário adotar valores maiores que:

a) em viga isolada: 1,05 l o ;


b) em vão extremo de viga contínua: o vão livre acrescido da semi-largura do apoio
interno e de 0,03 l o ,

Sendo l o o vão livre (distância entre as faces internas dos apoios).

Quando a largura do pilar de apoio for maior do que PD/5 pode-se engastar o vão, num
ponto interno ao pilar, à distância h/2 ≥ 10 cm da face.

Nas vigas em balanço, o vão teórico é o comprimento que vai da extremidade até o centro
do apoio, não sendo necessário considerar valores superiores a 1,03 vezes o
comprimento livre.

3.8.3 Efeito do Pilar de extremidade – Aproximações permitidas pela


NBR-6118

O efeito do pilar de extremidade pode ser estimado através do modelo constituído de três
barras convergentes (vão de extremidade da viga e lances adjacentes, superior e inferior,
do pilar) considerados todos eles engastados nas extremidades opostas.
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 42
Quando não se fizer o cálculo exato da influência da solidariedade dos pilares com a viga,
deve ser considerado, nos apoios externos, momento fletor igual ao momento de
engastamento perfeito multiplicado por:

rinf + rsup
(na viga)
r vig + rinf + rsup
rsup
(no tramo superior do pilar)
r vig + rinf + rsup
rinf
(no tramo inferior do pilar)
r vig + rinf + rsup

onde ri é a rigidez do elemento i no nó considerado.

Os pilares internos são, normalmente, pouco solicitados à flexão. Em certas situações (de
vãos e carregamentos, significativamente, diferentes entre vãos adjacentes), o modelo
primário, de articulação perfeita junto aos pilares internos, pode superavaliar o efeito de
um vão carregado sobre os demais, aliviando em demasia os momentos positivos nestes
vãos. Pilares internos relativamente rígidos atenuam estes efeitos e devem ser
devidamente considerados. Para este efeito, no processo usual de cálculo, costuma-se
comparar os momentos positivos nos vãos, determinados sob a hipótese dos pilares
internos serem rígidos à flexão, com aqueles correspondentes ao modelo primário,
adotando-se o que for maior. Dessa forma, admite-se que esteja “coberta” a situação real.

3.8.4 Considerações do Projeto de Revisão da NBR-6118/200

O projeto de revisão da norma sugere que o vão efetivo de uma viga seja calculado como:

lef = l0 + a1 + a2

Os parâmetros a1 e a2 podem ser calculados conforme o esquema mostrado abaixo:

lo lo

t
t

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 43


1 / 2 t
a) Apoio de vão extremo: ai = o menor de 
1/ 2 h
b) Apoio de vão intermediário: ai = 1/2 t

3.8.5 Esquema Estrutural para o Edifício Exemplo

Para o cálculo das vigas do edifício exemplo, será usado o esquema estrutural mostrado
a seguir. A análise consiste em considerar trechos de elementos lineares pertencentes à
região comum ao cruzamento de dois ou mais elementos como elementos rígidos (nós de
dimensões finitas), da maneira como se ilustra na figura seguinte (3.5.8.1).

Pé direito
Ver detalhe I

Pé direito

L eixo do pilar L eixo do pilar

Figura 3.8.5.1

Detalhe I:

Trecho livre h2
h1
Trecho rígido

h1/2 h2/2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 44


3.9 Aplicação ao Edifício Exemplo

3.9.1 Cálculo da V1

3.9.1.1. Esquema Estrutural

3 6 9

2.7500 (2) (4)


(6)

(7) 10 11 ( 10 )
(8) 5(9) 8
2

2.7500 (1) (3) (5)

1 4 7

4.785 4.775
0.2750 0.2750

Barra A (m2) I (m4)


1 0,1235 3,715E-4
2 0,1235 3,715E-4
3 0,2090 2,107E-4
4 0,2090 2,107E-4
5 0,0800 2,667E-4
6 0,0800 2,667E-4
7 0,1404 4,000E-3
8 10,000 10,000
9 10,000 10,000
10 0,1403 4,000E-3

Cálculo da mesa colaborante:

3 3
- V1a: a = l = x 4,785 = 3,589m
4 4

b1 < 0,10 a = 0,359m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 0,5 x 4,32 = 2,16m

Portanto, b1 = 0,359m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 45


3 3
- V1b: a = l = x 4,775 = 3,581m
4 4

b1 < 0,10 a = 0,358m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 0,5 x 5,645 = 2,823m

Portanto, b1 = 0,358m

3.9.1.2. Carregamentos Verticais

1.52 kN/m
1.26 kN/m
15.12 kN/m 14.68 kN/m

3.9.1.3. Esforços devido ao Vento

+47.725 kN.m

+31.201 kN.m

+36.42 kN.m

+44.859 kN.m

3.9.1.4. Envoltória de Esforços

Para a envoltória de esforços, consideramos a seguinte combinação:

Fd = 1,4 Fg + 1,4 Fq + 1,4*0,8*Fvento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 46


Viga V1
x Mperm Mvar Mvto1 Mvto2 Mcomb1 Mcomb2 Vperm Vvar Vvto 1 Vcomb1 Vcomb2
0,000 -7,100 -0,700 -36,420 36,420 -51,710 29,870 29,400 3,000 15,610 62,843 27,877
0,479 5,200 0,500 -28,463 28,463 -23,898 39,858 22,200 2,200 15,610 51,643 16,677
0,957 14,100 1,400 -20,506 20,506 -1,266 44,666 14,900 1,500 15,610 40,443 5,477
1,436 19,500 2,000 -12,548 12,548 16,046 44,154 7,700 0,800 15,610 29,383 -5,583
1,914 21,500 2,200 -4,591 4,591 28,038 38,322 0,500 0,100 15,610 18,323 -16,643
2,393 19,900 2,000 3,366 -3,366 34,430 26,890 -6,800 -0,700 15,610 6,983 -27,983
2,871 15,000 1,500 11,323 -11,323 35,782 10,418 -14,000 -1,400 15,610 -4,077 -39,043
3,350 6,500 0,700 19,280 -19,280 31,674 -11,514 -21,200 -2,100 15,610 -15,137 -50,103
3,828 -5,400 -0,500 27,238 -27,238 22,246 -38,766 -28,500 -2,900 15,610 -26,477 -61,443
4,307 -20,700 -2,100 35,195 -35,195 7,498 -71,338 -35,700 -3,600 15,610 -37,537 -72,503
4,785 -39,500 -3,900 43,152 -43,152 -12,430 -109,090 -42,900 -4,300 15,610 -48,597 -83,563
5,060 -51,900 -5,200 47,725 -47,725 -26,488 -133,392 -47,100 -4,700 15,610 -55,037 -90,003
5,060 -51,300 -4,400 -44,859 44,859 -128,222 -27,738 46,200 4,000 14,214 86,200 54,360
5,335 -39,200 -3,400 -40,717 40,717 -105,243 -14,037 42,100 3,600 14,214 79,900 48,060
5,813 -20,700 -1,800 -33,525 33,525 -69,048 6,048 35,100 3,000 14,214 69,260 37,420
6,290 -5,600 -0,500 -26,333 26,333 -38,034 20,954 28,100 2,400 14,214 58,620 26,780
6,768 6,200 0,500 -19,142 19,142 -12,059 30,819 21,100 1,800 14,214 47,980 16,140
7,245 14,600 1,200 -11,950 11,950 8,736 35,504 14,100 1,200 14,214 37,340 5,500
7,723 19,600 1,700 -4,758 4,758 24,491 35,149 7,100 0,600 14,214 26,700 -5,140
8,200 21,300 1,800 2,434 -2,434 35,066 29,614 0,100 0,000 14,214 16,060 -15,780
8,678 19,700 1,700 9,626 -9,626 40,741 19,179 -6,900 -0,600 14,214 5,420 -26,420
9,155 14,700 1,300 16,817 -16,817 41,235 3,565 -13,900 -1,200 14,214 -5,220 -37,060
9,633 6,400 0,500 24,009 -24,009 36,550 -17,230 -20,900 -1,800 14,214 -15,860 -47,700
10,110 -5,300 -0,400 31,201 -31,201 26,965 -42,925 -28,000 -2,400 14,214 -26,640 -58,480

3.9.1.5. Dimensionamento à Flexão

a) Md = -51,710 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 5,75 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 2,44 cm2 (4Φ10)
lb = 34 Φ = 34 cm

OBS: O cálculo de lb será mostrado adiante.

b) Md = -133,392 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 16,24 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 6,89 cm2 (4Φ16)
lb = 38 Φ = 61 cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 47


c) Md = -42,925 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 4,74 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 2,01 cm2 (3Φ10)
lb = 37 Φ = 37 cm

d) Md = 44,666 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
bf = 54,9 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,66 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 2,04 cm2 (3Φ10)
lb = 37 Φ = 37 cm

e) Md = 35,782 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
bf = 54,9 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,33 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 1,63 cm2 (3Φ10)
lb = 30 Φ = 30 cm

f) Md = 35,504 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
bf = 54,9 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,32 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 1,62 cm2 (3Φ10)
lb = 30 Φ = 30 cm

g) Md = 41,236 kNm
bw = 19 cm
d = 51 cm
bf = 54,9 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,54 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 48


As = 1,88 cm2 (3Φ10)
lb = 34 Φ = 34 cm

Asmín = 1,57 cm2

Resumo

Md (kNm) bw (cm) d (cm) bf (cm) hf (cm) x (cm) As (cm2) lb (cm)


-51,710 19 51 0 0 5,75 2,44 34
-133,392 19 51 0 0 16,24 6,89 61
-42,925 19 51 0 0 4,74 2,01 37
44,666 19 51 54,9 10 1,66 2,04 37
35,782 19 51 54,9 10 1,33 1,63 30
35,504 19 51 54,9 10 1,32 1,62 30
41,236 19 51 54,9 10 1,54 1,88 34

3.9.1.6. Dimensionamento ao Cisalhamento

a) Vd = 62,84 kN
bw = 19 cm
Ast = 1,73 cm2 / m
Astmín = 2,66 cm2 / m (Φ6,3 c/23)

b) Vd = 90,00 kN
bw = 19 cm
Ast = 3,14 cm2 / m (Φ6,3 c/20)
Astmín = 2,66 cm2 / m

c) Vd = 86,20 kN
bw = 19 cm
Ast = 2,95 cm2 / m (Φ6,3 c/21)
Astmín = 2,66 cm2 / m

d) Vd = 58,48 kN
bw = 19 cm
Ast = 1,51 cm2 / m
Astmín = 2,66 cm2 / m (Φ6,3 c/23)

Resumo

Vd (kN) bw (cm) Ast (cm2/m) Ast mín (cm2/m)


62,84 19 1,73 2,66
90,00 19 3,14 2,66
86,20 19 2,95 2,66
58,48 19 1,51 2,66

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 49


3.9.1.7. Cobertura do Diagrama de Momento Transladado

al = 0,75 d = 0,75 x 51 = 38,25 cm

φ f yd A s,cal
lb =
4 τ bu A s,ef

2
τbu = 0,42 3 fcd = 2,47MPa

500
fyd = = 435MPa
1,15

A scal
lb = 44 φ
A sef

4 Ø 16

4 Ø 10
3 Ø 10

3 Ø 10 3 Ø 10

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 50


3.9.1.8. Detalhamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 51


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 52
3.9.2 Cálculo da V17

3.9.2.1. Esquema Estrutural

Barra 2

Barra 1

Barra 2

Barra A (m2) I (m4)


1 0,1335 3,4E-3
2 0,2090 0,6E-3

Cálculo da mesa colaborante:

3 3
a= l = x 4,5 = 3,375 m
4 4

b1 < 0,10 a = 0,3375 m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80 m
0,5 b2 = 0,5 x 2,775 = 2,16 m
0,5 b2 = 0,5 x 4,6 = 2,30 m

Portanto, b1 = 0,3375 m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 53


3.9.2.2. Carregamentos Verticais

5,35 KN
25,39 KN

3.9.2.3. Esforços devido ao Vento

±41,7 KN m

±43,7 KN m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 54


3.9.2.4. Envoltória de Esforços

Para a envoltória de esforços, consideramos a seguinte combinação:

Fd = 1,4 Fg + 1,4 Fq + 1,4*0,8*Fvento

Viga V1
X Mperm Mvar Mvto1 Mvto2 Mcomb1 Mcomb2 Vperm Vvar Vvto 1 Vcomb1 Vcomb2
0 -16,00 -3,40 41,70 -41,70 19,54 -73,86 48,20 10,10 -15,10 64,71 98,53
0,45 2,90 0,70 33,16 -33,16 42,18 -32,10 36,77 7,70 -15,10 45,35 79,17
0,9 17,10 3,60 24,62 -24,62 56,55 1,41 25,34 5,30 -15,10 25,98 59,81
1,35 27,60 5,50 16,08 -16,08 64,35 28,33 13,91 2,90 -15,10 6,62 40,45
1,8 29,50 6,20 7,54 -7,54 58,42 41,54 2,48 0,50 -15,10 -12,74 21,08
2,25 28,10 5,90 -1,00 1,00 46,48 48,72 -8,95 -1,90 -15,10 -32,10 1,72
2,7 21,50 4,50 -9,54 9,54 25,72 47,08 -20,38 -4,30 -15,10 -51,46 -17,64
3,15 9,60 2,10 -18,08 18,08 -3,87 36,63 -31,81 -6,70 -15,10 -70,83 -37,00
3,6 -7,30 -1,50 -26,62 26,62 -42,13 17,49 -43,24 -9,10 -15,10 -90,19 -56,36
4,05 -27,40 -4,63 -35,16 35,16 -84,22 -5,46 -54,67 -11,50 -15,10 -109,55 -75,73
4,5 -53,40 -8,11 -43,70 43,70 -135,06 -37,17 -66,10 -13,90 -15,10 -128,91 -95,09

3.9.2.5. Dimensionamento à Flexão

a) Md = -73,86 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 13,95 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 3,74 cm2 (3Φ12,5)
lb = 44 Φ = 55 cm

b) Md = 19,54 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
bf = 79,5cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 0,49 cm < hf
As = 0,97 cm2

c) Md = 64,35 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
bf = 79,5cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,65 cm < hf
As = 2,94 cm2 (4Φ10)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 55


lb = 40 Φ = 40 cm

d) Md = 48,72 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
bf = 79,5 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 1,25 cm < hf
As = 2,22 cm2 (3Φ10)
lb = 31 Φ = 31 cm

e) Md = - 135,06 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 29,58 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 7,93 cm2 (4Φ16)
lb = 44 Φ = 70 cm

Md(kNm) bw(cm) d(cm) bf (cm) hf (cm) x (cm) As(cm2) lb (cm)


-73,86 12 51 0 0 13,95 3,74 55
19,54 12 51 80 10 0,45 0,97 40
64,35 12 51 80 10 1,44 2,94 40
48,72 12 51 80 10 1,25 2,22 31
-135,06 12 51 0 0 29,58 7,93 70

3.9.2.6. Dimensionamento ao Cisalhamento

a) Vd = 128,91 kN
bw = 12 cm
Ast = 5,73 cm2 / m (Φ6,3 c/11)

Astmín = 1,68 cm2 / m (Φ5 c/20)

b) Força cortante de cálculo correspondente à armadura mínima:

bw d (fywd x ρw min + τc )
V*= = 48,6 KN
1,61

c) Vd = 98,53 kN
bw = 12 cm
Ast = 4,15 cm2 / m (Φ6,3 c/15)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 56


Resumo

Vd (kN) bw (cm) Ast (cm2/m) Ast mín (cm2/m)


128,91 12 5,73 1,68
98,53 12 4,15 1,68

3.9.2.7. Cobertura do Diagrama de Momento Transladado

al = 0,75 d = 0,75 x 51 = 38,25 cm

3.9.2.8. Detalhamento

4φ16

3φ12,5

3φ10
4φ10

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 57


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 58
3.9.3 Cálculo da V16

3.9.3.1. Esquema Estrutural

2.73

(1)
1 2

Barra A (m2) I (m4)


1 0,0933 2,700E-3

Cálculo da mesa colaborante:

- a = l = 2,730 m

b1 < 0,10 a = 0,273m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 0,5 x 2,71 = 1,355 m

Portanto, b1 = 0,273m

3.9.3.2. Carregamentos Verticais

0.58 kN/m

7.62 kN/m

3.9.3.3. Reações

10.4 kN 10.4 kN
0.8 kN 0.8 kN

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 59


3.9.4 Cálculo da V4

3.9.4.1. Esquema Estrutural

Barra 1 Barra 2

Barra A (m2) I (m4)


1 0,1596 4,50E-3
2 0,1762 3,80E-3

Cálculo da mesa colaborante:

- V4a: a = l = 5,51 m

b1 < 0,10 a = 0,551m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 0,5 x 4,32 = 2,16m

Portanto, b1 = 0,551m

- V4b: a = l = 5,51m

b1 < 0,10 a = 0,551m


8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 2,16m

Portanto, b1 = 0,551m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 60


b1 < 0,10 a = 0,551m
8 hf = 8 x 0,10 = 0,80m
0,5 b2 = 1,365m

Portanto, b1 = 0,551m

3.9.4.2. Carregamentos Verticais

Var: 0,8 KN
Per: 10,4 KN
Var: 1,52 KN/m Var: 2,77 KN/m
Per: 15,12 Kn/m Per: 15,32 KN/m

3.9.4.3. Esforços devido ao Vento

+15.17 kN.m

+14.31 kN.m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 61


3.9.4.4. Envoltória de Esforços

Viga V4
x Mperm Mvar Mvto1 Mvto2 Mcomb1 Mcomb2 Vperm Vvar Vvto 1 Vcomb1 Vcomb2
0,000 -16,900 -2,100 14,310 -14,310 -10,573 -42,627 46,800 5,400 5,362 79,085 67,021
0,280 -4,400 -0,700 12,812 -12,812 7,209 -21,489 42,500 4,900 5,362 72,365 61,001
0,560 6,900 0,600 11,314 -11,314 23,172 -2,172 38,300 4,500 5,362 65,925 55,121
0,840 17,000 1,900 9,816 -9,816 37,454 15,466 34,100 4,100 5,362 59,485 49,241
1,120 26,000 2,900 8,318 -8,318 49,776 31,144 29,800 3,700 5,362 52,905 43,221
1,400 33,800 3,900 6,820 -6,820 60,418 45,142 25,600 3,200 5,362 46,325 37,341
1,680 40,300 4,700 5,322 -5,322 68,960 57,040 21,400 2,800 5,362 39,885 31,461
1,960 45,700 5,500 3,823 -3,823 75,962 67,398 17,100 2,400 5,362 33,305 25,441
2,240 49,900 6,100 2,325 -2,325 81,004 75,796 12,900 2,000 5,362 26,865 19,561
2,520 52,900 6,600 0,827 -0,827 84,227 82,373 8,700 1,500 5,362 20,285 13,681
2,800 54,800 6,900 -0,671 0,671 85,629 87,131 4,400 1,100 5,362 13,705 7,661
2,8 54,800 6,900 -0,671 0,671 85,629 87,131 -6,000 0,300 5,362 -1,975 -6,899
3,071 52,600 6,900 -2,121 2,121 80,925 85,675 -10,100 -0,400 5,362 -8,695 -12,639
3,342 49,300 6,700 -3,571 3,571 74,401 82,399 -14,300 -1,200 5,362 -15,695 -18,519
3,613 44,900 6,300 -5,021 5,021 66,057 77,303 -18,400 -1,900 5,362 -22,415 -24,259
3,884 39,300 5,600 -6,470 6,470 55,613 70,107 -22,600 -2,700 5,362 -29,415 -30,139
4,155 32,600 4,800 -7,920 7,920 43,489 61,231 -26,700 -3,400 5,362 -36,135 -35,879
4,426 24,800 3,800 -9,370 9,370 29,545 50,535 -30,900 -4,200 5,362 -43,135 -41,759
4,697 15,900 2,500 -10,820 10,820 13,641 37,879 -35,000 -4,900 5,362 -49,855 -47,499
4,968 5,800 1,100 -12,270 12,270 -4,083 23,403 -39,200 -5,700 5,362 -56,855 -53,379
5,239 -5,400 -0,600 -13,720 13,720 -23,766 6,966 -43,300 -6,500 5,362 -63,715 -59,119
5,510 -17,700 -2,400 -15,170 15,170 -45,130 -11,150 -47,500 -7,200 5,362 -70,575 -64,999

3.9.4.5. Dimensionamento à Flexão

a) Md = 87,131 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
bf = 74,1 cm
hf = 10 cm
fck = 20 MPa

x = 2,42 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 4,00 cm2 (2Φ16)
lb = 44 Φ = 70 cm

Asmín = 1,57 cm2

b) Md = -45,13 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 8,11 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 62


As = 2,17 cm2 (3Φ10) lb = 60 cm

c) Md = -42,67 kNm
bw = 12 cm
d = 51 cm
fck = 20 MPa

x = 4,71 cm < x34 = 0,628 x 51 = 32,03 cm


As = 2,00 cm2 (3Φ10) lb = 55 cm
2
Asmín = 0,99 cm (2Φ8)

Resumo

Md (kNm) bw (cm) d (cm) bf (cm) hf (cm) x (cm) As (cm2) lb (cm)


87,13 19 51 74,1 10 2,42 4,00 70
-45,13 19 51 0 0 8,11 2,17 60
-42,67 12 51 0 0 4,71 2,00 55

3.9.4.6. Dimensionamento ao Cisalhamento

a) Vd = 79,09 kN
bw = 19 cm
Ast = 2,58cm2 / m
Astmín = 2,66cm2 / m (Φ6,3 c/23)

b) Vd = 70,58 kN
bw = 12 cm
Ast = 2,70 cm2 / m (Φ6,3 c/23)
Astmín = 1,68 cm2 / m (Φ6,3 c/25)

Resumo

Vd (kN) bw (cm) Ast (cm2/m) Ast mín (cm2/m)


79,23 19 2,58 2,66
70,16 12 2,70 1,68

3.9.4.7. Cobertura do Diagrama de Momento Transladado

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 63


3φ10 3φ10

2φ16

3.9.4.8. Detalhamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 64


3.9.4.9. Flecha

Estádio II:

- esforço solicitante = g + 0,7 q


M = 54,8 + 0,7 (6,90 + 0,67) = 60,1 kNm

Para o trecho a, temos:

- posição da linha neutra


Ec = 0,9 * 6600 * fck + 3,5 = 28795 MPa
Es 210000
αe = = = 7,29
Ec 28795
A 4,00
ρd = s = = 0,0011
b d 74,1x 51
As αe  2 
x= - 1 + 1 +  = 5,92cm ≤ h f
bf  α e ρ d 

- tensão máxima de compressão no concreto

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 65


2M 2 x 6010
σc = = = 0,56kN/cm 2
 x  5,92 
b f x  d -  74,1 x 5,92 x  51 - 
 3  3 

- tensão na armadura
M 6010
σs = = = 30,65kN/cm 2
 x  5,92 
A s  d -  4  51 - 
 3  3 

- produto de rigidez a flexão no estádio II


Ec III = AsEs(d – x)(d-x/3) = 4x21000x(51-5,92)x(51 – 5,92/3)=18565,03x104 kN cm2
= 18,57 x107 kN cm2

- para os dados adotados tem-se:


Ic = 4,5 x 10-3 m4 = 4,5 x 105 cm4
Ec Ic = 4,5 x 105 x 28,8 x 102 = 129,6 x 107 kN cm2
Ec III = 0,143 Ec Ic

Para o trecho b, temos:

- posição da linha neutra


Ec = 0,9 * 6600 * fck + 3,5 = 28795 MPa
Es 210000
αe = = = 7,29
Ec 28795
A 4,00
ρd = s = = 0,00064
b d 122,2x 51
As αe  2 
x= - 1 + 1 +  = 4,70cm ≤ h f
b f  α e ρ d 

- tensão máxima de compressão no concreto


2M 2 x 6010
σc = = = 0,42 kN/cm 2
 x  4,70 
b f x  d -  122,2 x 4,70 x  51 - 
 3  3 

- tensão na armadura
M 6010
σs = = = 30,39 kN/cm 2
 x   4,7 
A s  d -  4,0  51 - 
 3   3 

- produto de rigidez a flexão no estádio II


Ec III= AsEs(d – x)(d-x/3)= 4,0x21000x(51-4,7)x (51 – 4,7/3)= 19,23x107 kN cm2

- para os dados adotados tem-se:


Ic = 3,8 x 10-3 m4 = 3,8 x 105 cm4
Ec Ic = 3,8 x 105 x 28,8 x 102 = 109,44 x 107 kN cm2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 66


Ec III = 0,18 Ec Ic

a) flecha de carga de curta duração (aq)

q* = 0,7 q
q* = 0,7 x 1,52 = 1,064 kN/m (trecho a)
q* = 0,7 x 2,77 = 1,939 kN/m (trecho b)
Q* = 0,7 x 0,8 = 0,56 kN

Ec III = 18,57 x 107 kN cm2 (trecho a)


III = 0,6448 x 105 cm4 = 0,6448 x 10-3 m4

Ec III = 19,23 x 107 kN cm2 (trecho b)


III = 0,6677 x 105 cm4 = 0,6677 x 10-3 m4

Utilizando o ftool, temos:


l 5,51
aq = 0,2 mm = 0,0002 m < = = 0,0110m (OK! )
500 500

b) flecha de carga de longa duração (ag)

ago = 1,5 mm = 0,0015 m


 5,9 
a g = a go (1 + 2ξ ) = 0,0015 1 + 2  = 0,001847m
 51 
l
ag + aq = 0,001847 + 0,0002 = 0,002047 m < = 0,018m (OK! )
300

3.9.4.10. Fissuração

Considerando ηb = 1,5, c = 2,5 cm, φt = 6,3 mm e Wlim = 0,3 mm.

a) determinação da tensão σs:


A 4,00
ρd = s = = 0,00106
b d 74,1x 51

Portanto, no estádio II:

As αe  2b f d 
x= - 1 + 1 +  = 5,9 cm ≤ h f
bf  A s α e 
M 6010
σs = = = 30,6 kN/cm 2
 x   5,9 
A s  d -  4,00  51 - 
 3   3 

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 67


b) avaliação da abertura da fissura

4,00
ρr = = 0,022
185,2
1  φ σs  4 
W1 =   + 45 
10  2 ηb − 0,75 Es  ρr 
1  16 30,6  4 
W1 =   + 45  = 0,24 mm < Wlim = 0,3 mm (OK!)
10  2 x1,5 − 0,75 21000  0,022 

Não será necessário verificar pela segunda expressão da norma.

3.10 Recomendações do Projeto de Revisão da NBR6118 (2001)

Apresenta-se neste item algumas recomendações do Projeto de Revisão da nova


NBR6118 (2000).

Resistência à tração

f ctm = 0,30. f ck2 / 3 ( MPa)


f ctk ,inf = 0,7. f ctm
f ctk ,sup = 1,3. f ctm

Módulo de Elasticidade

E c = 5600. f ck1 / 2
E cs = 0,85.E c

Imperfeições Geométricas

1
θS =
100 l
1 + 1/ n
θ a = θ1
2

Onde n = número total de elementos verticais contínuos

1
θ 1 max =
200

Entre o vento e o desaprumo pode ser considerado apenas aquele mais desfavorável.
M sd = N d (0,015 + 0,03.h)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 68


Estados Limites de Serviço

Combinações de Serviço:

a) Quase-Permanente

Podem atuar durante grande parte do período de vida da estrutura. São normalmente
utilizadas para a verificação do estado limite de deformação Excessiva.

b) Frequentes

Repetem-se muitas vezes durante o período de vida da estrutura. São normalmente


utilizadas para a verificação dos estados limites de formação de fissuras, aberturas de
fissuras e vibrações excessivas.

c) Raras

Podem atuar no máximo algumas vezes durante o período de vida útil da estrutura. São
eventualmente utilizadas para a verificação do estado limite de formação de fissuras.

Combinações Últimas Normais

 n

Fd = γ g Fgk + γ eg Fegk + γ q . Fq1k + ∑ψ oj Fqik  + γ eqψ oe Feqk
 a 

Combinações de Serviço

a) Combinação Quase-Permanente:

m n
Fd ,serviço = ∑ Fgik + ∑ψ 2 j Fqik
i =1 j =2

b) Combinação Frequente

m n
Fd ,serviço = ∑ Fgik + ψ 1 Fq1k + ∑ψ 2 j Fqik
i =1 j =2

c) Combinação Rara

m n
Fd ,serviço = ∑ Fgik + Fq1k + ∑ψ 1 j Fqik
i =1 j =2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 69


Armadura Mínima de Tração

M d ,min = 0,8.W0 . f ctk ,sup


f ctk ,sup = 1,3. f ctm
f ctm = 0,30. f ck2 / 3 ( MPa)

Seção Retangular:

As . f yd
w = 0,0035 =
Ac . f cd

Seção T:

As . f yd
w = 0,0024 =
Ac . f cd

As , pele = 0,10%. Ac ,alma por face

Espaçamento < 20 cm
Para ∅ < 8,0mm(aço liso) adotar o dobro da armadura

Armadura de Cisalhamento

Modelo de Cálculo I:

a) Verificação da compressão diagonal do concreto

Vsd ≤ V Rd 2
VRd 2 = 0,27.α V . f cd .bw.d
 f 
α V = 1 − ck ( MPa)
 250 

b) Cálculo da armadura

Vsd ≤ VRd 3 = Vc + Vsw


Vc = 0,6. f ctd .bw.d
f ctm = 0,30 f ck2 / 3
f ctk ,sup = 1,3. f ctm
f ctk ,inf = 0,7. f ctm
0,7.0,30. f ck2 / 3
f ctd =
1,4

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 70


Asw
Vsw = .0,9. f ywd .d p / a α = 90 o
s

c) Decalagem

 Vd 
al = d  (1 + cot gα ) − cot gα 
 2.(Vd − Vc ) 
Vd
al = d
2(Vd − Vc )

Modelo de Cálculo II:

30 o ≤ θ ≤ 45 o

a) Verificação da compressão diagonal do concreto

Vsd ≤ VRd 2
VRd 2 = 0,54.α V . f cd .bw.d . cot gθ . sen 2 θ
VRd 2 = 0,54.α V . f cd .bw.d . cosθ . sen θ

b) Cálculo da armadura

Vsd ≤ VRd 3 = Vc + Vsw


Vc = 0,6. f ctd .bw.d
f ctm = 0,30 f ck2 / 3
f ctk ,sup = 1,3. f ctm
f ctk ,inf = 0,7. f ctm
0,7.0,30. f ck2 / 3
f ctd =
1,4

Asw
Vsw = .0,9. f ywd .d . cot gθ
s

c) Decalagem

al = 0,5.d . cot gθ

Armadura mínima de cisalhamento:

Asw 0,2. f ctm


ρ sw,min = ≥
bw.s f yk

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 71


Determinação de Deslocamentos

Combinação Quase-Permanente:

Fd = ∑ Fgik + ∑ψ 2 j Fqik
i j

ψ 2 = 0,2 → Em locais sem cargas de equipamentos ou grandes concentrações de


pessoas
ψ 2 = 0,4 → Em locais com cargas de equipamentos ou grandes concentrações de
pessoas
ψ 2 = 0,6 → Bibliotecas, garagens, etc.

Flecha Imediata:

 M 
3
 M 
3
 
( EI ) eq = E c  r  I o + 1 −  r   I II  ≤ E c I o
 M a    M a   

M r = Momento de fissuração
M r = f ctm .W
f ctm = 0,30. f ck2 / 3
W = Módulo de resistência relativo à fibra mais tracionada
M a = Momento fletor na seção crítica do vão
I o = Momento de inércia da seção bruta
I II = Momento de inércia do Estádio II puro

Flecha Diferida:

Flecha Diferida = αf. Flecha Imediata

∆ξ
αf =
1 + 50.ρ '
A' s
ρ'=
b.d

onde A' s = Armadura de compressão no trecho considerado

∆ξ = ξ (t ) − ξ (t o )

t = tempo em meses na data em que se calcula a flecha


to = tempo em meses na data do carregamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 72


0,68.0,996 t .t 0,32 para t ≤ 70 meses
ξ (t ) = 
 2 para t > 70 meses

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 73


4 – Pilares de Edifícios

4.1 Introdução

As funções dos pilares são as de conduzir as cargas verticais dos pavimentos para as
fundações, donde decorre seu comportamento primário de barra comprimida, e de
fornecer estabilidade ao edifício quanto aos esforços horizontais (vento e terremotos). Os
pilares podem ser dimensionados para fornecer estabilidade às estruturas isoladamente
(pilares de grande rigidez, como os das caixas de escada e elevadores) ou participando
de pórticos de contraventamento (associação de pilares e vigas).

Neste capítulo apresentaremos um procedimento para o cálculo de pilares de edifícios


baseado no texto do projeto de revisão da NBR6118 publicado em agosto de 2001, que
doravante chamaremos de NB1/2001.

Neste capítulo, em muitas ocasiões, apresentaremos apenas os dispositivos da NB1/2001


necessários para o entendimento e dimensionamento do edifício exemplo, permanecendo
como referência básica o texto da NB1/2001.

4.2 Análise Local e Global

A NB1/2001 define dois níveis de análise para os pilares:

global e;
local.

Deve ser realizada a análise global, considerando o carregamento proveniente do vento,


desaprumo e efeitos de 2a ordem globais para todos os elementos responsáveis pelo
contraventamento do edifício, ou seja, os elementos responsáveis pela resistência aos
esforços horizontais atuantes.

Todos os elementos, considerados isolados (trechos do pilar entre os pisos do edifício)


devem ser verificados localmente, considerando os momentos iniciais aplicados em suas
extremidades, momentos devidos à excentricidade acidental local e quando necessário,
efeitos localizados de 2a ordem.

4.3 Cargas e Ações Consideradas

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 2


Considerando o arranjo tradicional, com lajes apoiando-se em vigas que por sua vez se
apóiam em pilares, temos que os esforços atuantes em uma determinada seção do pilar
decorrem do momento fletor introduzido pelas vigas, das cargas verticais que se somam a
cada pavimento e dos esforços transversais provenientes da ação do vento e da
consideração do desaprumo global da estrutura, além dos efeitos globais e locais de 2a
ordem.

4.3.1 Cargas Verticais

As cargas verticais são determinadas segundo o procedimento apresentado no capítulo 1,


utilizando os valores de carga prescritos pela NBR6120/1980 – Cargas para o Cálculo de
Estruturas de Edificações.

4.3.2 Ação do Vento

A consideração do efeito do vento nas edificações é obrigatória segundo a NB1/2001.


Este efeito deve ser determinado de acordo com o prescrito pela NBR6123/1988 – Forças
Devidas ao Vento em Edificações, permitindo-se o emprego de regras simplificadas
previstas em normas brasileiras específicas (NB1/2001 11.4.1.2). O procedimento
simplificado para a obtenção do carregamento de vento segundo a NBR6123 é
apresentado no capítulo 1.

4.3.3 Imperfeições Geométricas Globais

Na análise global das estruturas reticuladas, sejam elas contraventadas ou não, deve ser
considerado um desaprumo dos elementos verticais conforme mostra a Figura 4-1
(NB1/2001).

l
θa

n prumadas de pilares
Figura 4-1– Consideração das imperfeições geométricas globais (NB1/2001)

Aonde:

1
θ1 = ( 4.1 )
100 l

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 3


1 + 1n
θa = θ1 ( 4.2 )
2
tal que,
l é a altura da estrutura em metros;
n é o número total de elementos verticais contínuos.
 1
 para estruturas de nós fixos;
θ1min =  400 ( 4.3 )
1 para estruturas de nós móveis e imperfeições locais.

 300
1
θ1máx =
200

Ainda segundo a NB1/2001, o desaprumo mínimo (θ1mín) não deve necessariamente ser
superposto ao carregamento de vento. Entre os dois, vento e desaprumo, pode ser
considerado apenas o mais desfavorável, que pode ser definido como o que provoca o
maior momento total na base da construção.

Deve-se ainda considerar o efeito de imperfeições locais (entre pisos). Tal procedimento
será discutido quando da modelagem dos pilares isolados.

4.3.4 Efeitos de 2a Ordem

Na análise estrutural de estruturas de nós móveis devem ser obrigatoriamente


considerados os efeitos da não-linearidade geométrica e da não-linearidade física e,
portanto, no dimensionamento, devem ser obrigatoriamente considerados os efeitos
globais e locais de 2ª ordem.

Uma solução aproximada para a determinação dos esforços globais de 2ª ordem, consiste
na avaliação dos esforços finais (1ª ordem + 2ª ordem) a partir da majoração adicional
dos esforços horizontais da combinação de carregamento considerada por 0,95γz. Esse
processo só é válido para γz ≤ 1,3 (NB1/2001). Acima deste limite, devemos utilizar
métodos mais exatos para a determinação dos esforços, como a análise não-linear física
e geométrica utilizando programas de elementos finitos, ou para casos mais simples, o
processo P-∆.

A análise global de 2ª ordem em geral fornece apenas os esforços nas extremidades das
barras. Desta forma, quando não tivermos os esforços de 2a ordem no meio dos pilares,
provenientes da análise global, devemos realizar uma análise dos efeitos locais de 2ª
ordem ao longo dos eixos das barras comprimidas, de acordo com o prescrito no item
15.8 da NB1/2001.

Quando realizarmos uma análise global com discretização conveniente das vigas e
pilares, utilizando uma formulação para os elementos que leve em consideração a não-
linearidade física e geométrica, podemos considerar que os efeitos de 2a ordem já são
automaticamente captados pelos elementos.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 4


4.4 Combinações de Carregamento (ELU)

O valor de cálculo das ações para a combinação última, Fd, é determinado por (NB1/2001
11.8.2):

Fd = γ gFgk + γ εgFεgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk ) + γ εq ψ 0 εFεqk ( 4.4 )

ou, mais especificamente para as ações presentes neste edifício exemplo:

Fd = γ gFgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk ) ( 4.5 )

Tomando os coeficientes de ponderação das ações no estado limite último (ELU)


(NB1/2001 11.7.1), temos as seguintes combinações de cálculo para o edifício exemplo:

Tabela 4-1 – Combinações de carregamento para o cálculo dos pilares do edifício exemplo para cada
direção
Combinação Descrição
1 Carga acidental vertical como Fd = γ g Fgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk )
= 1,4 Fgk + 1,4(Fq,vertical + 0,6 Fq,vento )
ação principal. Vento (+).

2 Carregamento de vento como Fd = γ g Fgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk )


= 1,4 Fgk + 1,4(Fq,vento + 0,5 Fq,vertical )
ação principal. Vento (+).

3 Carga acidental vertical como Fd = γ g Fgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk )


= 1,4 Fgk + 1,4(Fq,vertical + 0,6 Fq,vento )
ação principal. Vento (–).

4 Carregamento de vento como Fd = γ g Fgk + γ q (Fq1k + ∑ ψ 0 jFqjk )


= 1,4 Fgk + 1,4(Fq,vento + 0,5 Fq,vertical )
ação principal. Vento (–).

Desta forma, a rigor, para o edifício exemplo, teríamos 8 combinações de carregamento, o


que obviamente torna o cálculo manual muito extenso. Com o objetivo de manter a
simplicidade, utilizaremos o dispositivo apresentado no livro de comentários da NB1/2001,
que permite a substituição das combinações de carregamento acima por apenas uma em
cada direção, se o edifício apresentar γ z ≤ 1,1 (a definição de γz é apresentada no capítulo
1).

Tabela 4-2 – Combinação de carregamento para o cálculo dos pilares do edifício exemplo para cada
direção (processo simplificado ( γ z ≤ 1,1) )

Combinação

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 5


1 Fd = γ g (Fgk + Fqk + 0,8 ⋅ Fq, vento )
= 1,4 (Fgk + Fqk + 0,8 ⋅ Fq, vento )

Para paredes estruturais com espessura inferior a 19cm e não interior a 12cm, e para os
pilares com dimensão interior a 19cm, as ações Fd devem ser majoradas pelo coeficiente
de ajustamento γn (NB1/2001 13.2.3). Esta correção se deve ao aumento da probabilidade
de ocorrência de desvios relativos e falhas na construção.

b γn
≥ 19cm 1,0
( 4.6 )
12 ≤ b ≤ 19cm 2,73 − 0,07b
γn =
1,4

4.5 Definições

4.5.1 Esbeltez

As simplificações possíveis (tanto do seu comportamento, como do método de


modelagem) de serem adotadas no projeto dos pilares isolados estão diretamente
relacionadas com o índice de esbeltez λ do pilar.

le
λ= ( 4.7 )
i
Ic
i= ( 4.8 )
Ac

onde
le = comprimento de flambagem
i = raio de giração da seção geométrica da peça (seção de concreto não
se considerando a presença da armadura)
Ic = momento de inércia da seção transversal do pilar em relação ao eixo
principal de inércia na direção considerada
Ac = área da seção transversal do pilar

Nas estruturas de edifícios consideradas indeslocáveis, o comprimento de flambagem le


dos pilares é determinado conforme a Figura 4-2 e a equação ( 4.9 ). Nas estruturas de
nós móveis, rigorosamente o comprimento de flambagem é medido entre pontos de
inflexão da configuração deformada do pilar. Entretanto, uma boa aproximação é
considerar o mesmo critério adotado para os pilares de estruturas indeslocáveis.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 6


0 h

Figura 4-2 – Determinação do comprimento de flambagem nos casos usuais de estruturas de


edifícios

O comprimento equivalente le do elemento comprimido suposto simplesmente apoiado


em ambas extremidades é o menor dos seguintes valores:

l + h
le ≤  0 ( 4.9 )
l

Na próxima figura apresentamos o comprimento de flambagem para outras condições de


vinculação e na Figura 4-4 a situação real e a de projeto.

le = l
le = 0,5l
le = 2/3 l
Figura 4-3 – Comprimentos de Flambagem

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 7


Figura 4-4 – Situação de Cálculo x Situação de Projeto

4.5.2 Excentricidade

Em algumas ocasiões é conveniente saber transformar os momentos fletores aplicados a


excentricidades equivalentes:

Figura 4-5 – Equivalência entre os pares N-M e N-e

Utilizando a convenção da Figura 4-5, temos:


Mx = N ⋅ e x
( 4.10 )
My = N ⋅ e y

4.6 Classificação dos Pilares

4.6.1 Introdução

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 8


Tradicionalmente temos a classificação dos pilares baseada em sua esbeltez, em sua
posição relativa no pavimento e quanto ao fato dele pertencer ao sistema de
contraventamento do edifício. Entretanto, sabemos que tais classificações tem apenas o
objetivo de permitir o cálculo mais simplificado para alguns tipos de pilares, pois se
adotarmos a modelagem global da estrutura, todos os pilares podem ser tratados da
mesma forma.

4.6.2 Classificação quanto à Resistência dos Esforços Transversais

Os pilares de um edifício podem pertencer ou não ao seu sistema de contraventamento,


responsável por resistir aos esforços transversais. Desta forma, temos:

Pilares de Contraventamento: são responsáveis pela estabilidade global da


estrutura e devem ser dimensionados para resistir aos esforços globais de vento,
desaprumo, etc. e aos esforços provenientes da análise local (esforços introduzidos
pelas vigas dos pavimentos, momentos de 2a ordem localizados).
Pilares Contraventados: são contraventados pelos primeiros. É necessário apenas
efetuar sua análise local.

Percebe-se que o procedimento de dimensionamento é o mesmo, mudando apenas os


esforços para dimensionamento.

4.6.3 Classificação quanto a sua Posição no Pavimento

Quanto a sua localização no pavimento, os pilares são usualmente classificados em:

Pilares Centrados
Pilares de Extremidade
Pilares de Canto

O objetivo principal desta classificação é simplificar o procedimento de cálculo, excluindo


as excentricidades iniciais nas duas direções para os pilares centrados e a excentricidade
inicial numa direção para os pilares de extremidade.

Sob o nosso ponto de vista, tais simplificações são muito grosseiras e podem
desconsiderar excentricidades iniciais importantes. Por exemplo, um pilar centrado pode
apresentar excentricidades iniciais importantes decorrentes de vãos desiguais de vigas,
carregamentos de lajes e vigas muito diferentes, vinculação excêntrica de viga ao pilar,
que podem ser esquecidas.

Desta forma, adotaremos o procedimento de determinar os momentos iniciais nas


direções principais para todos os pilares e sempre dimensionar os pilares à flexão normal
oblíqua.

4.6.4 Classificação quanto a sua Esbeltez

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 9


Tradicionalmente, os pilares são classificados, quanto a sua esbeltez em:

Pilares Curtos
Pilares Medianamente Esbeltos
Pilares Esbeltos
Pilares muito Esbeltos

Esta classificação é realizada para que possamos simplificar o tratamento dos pilares.
Conforme o pilar se torna mais esbelto, os efeitos de 2a ordem e decorrentes da fluência
tornam-se mais importantes e desta maneira, passamos a utilizar modelos menos
simplificados e mais confiáveis. A NB1/2001 introduziu várias mudanças na avaliação da
esbeltez dos pilares que conseqüentemente altera os limites que separam os tipos de
pilares, além de novos métodos para a avaliação dos efeitos de 2a ordem e da fluência.
Um resumo sobre estas mudanças pode ser visto no tópico 4.9.

4.7 Dimensionamento à Flexão Normal Composta

4.7.1 Processo Geral

a) Definição

M
G
N

Plano de Simetria e
Plano de Solicitação

b) Construção de Curvas de Interação(Mu, Nu)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 10


εc σc σsi.Asi
Nc
x ac
G
as
L N
Ns

εs Concreto Aço

Dados: Seção, armaduras, materiais(fck,fyk)


Escolhe-se x → Domínios de ELU sai a deformação correspondente → Com as
deformações entra-se no diagrama dos materiais para retirar as
tensões no aço e no concreto.
Nc → Resultante de tensões no concreto
ac → Dstância da resultante de tensões no concreto ao C.G. da seção transversal
Ns → Resultante das forças nas barras de aço
as → Distância da resultante das forças no aço ao C.G. da seção transversal

Domínios do Estado Limite Último


“Lugar Geométrico” das Deformações Últimas

Deduz-se:

Nu = Nc + Ns
Mu = Ncac + Nsas

Nu e Mu formam um par de valores que levam a peça ao E.L.U

Portanto:
Correspondência Biunívoca x ↔ (Nu,Mu)
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 11
Variando x obtém-se pares (Nu,Mu)

c) Aspecto Geral das Curvas de Interação

A
Nu
Compressão
As dado

C
Mu
D Tração

Pontos Característicos

A → Compressão Simples
B → Máximo Mu
C → Flexão Simples
D → Tração Simples
Trecho AC → Flexo-Compressão
Trecho CD → Flexo-Tração

d) Verificação da segurança da peça, dada a armadura, para os esforços Nd e Md

Nu Nu
Md
Boa Segurança
Segurança Deficiente
Md
Nd
As dado As dado
Nd

Mu Mu

Marca-se no gráfico o ponto(Nd , Md)


Se o ponto é interno à curva → Segurança Boa
Se o ponto é externo à curva → Segurança deficiente

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 12


Ábacos de Interação para Dimensionamento

Escolhidos seção transversal e disposição da armadura e categoria do aço

Curvas interação, função de variáveis adimensionais do tipo:

Nd
ν=
A c .fcd
Md
µ=
A c .fcd .h
A
ρ = s (taxa geométrica de armadura)
Ac
A s .f yd
ω= (taxa mecânica de armadura)
A c .fcd

υ
ω
=1
Retira-se o ω
ω desejado
=0

µ
µ

4.7.2 Processo Simplificado

Nas situações de cálculo de flexão composta normal de seções retangulares ou circulares


com armadura simétrica em que a força normal reduzida (ν) for maior ou igual a 0,7,
permite-se a transformação deste caso de dimensionamento em um de compressão
centrada equivalente (NB1/2001). Tal processo é conveniente para a estimativa da
armadura, que posteriormente será verificada por métodos mais rigorosos.

ν ≥ 0,7
 e
NSd,eq = NSd,real 1 + β  (4.11)
 h
MSd,eq = 0

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 13


onde

NSd e MSd,real 1
ν= , = e β=
A c ⋅ fcd h NSd,real ⋅ h
(0,39 + 0,01⋅ α ) − 0,8 ⋅ d´
h

1
α=− se αs < 1
αs
α = αs se αs ≥ 1
α=6 se αs > 6
α = −4 para seções circulares

A s,sup erior = A s,inf erior


considerando α s = , conforme a figura abaixo:
A s,lateral 2

Figura 4-6 – Arranjo de armadura caracterizado pelo parâmetro αs

4.7.3 Ábacos Adimensionais para Dimensionamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 14


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 15
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 16
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 17
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 18
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 19
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 20
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 21
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 22
4.8 Dimensionamento à Flexão Oblíqua

4.8.1 Processo Geral

Superfície de Interação ( Para um dado As)

Figura 4-7 – Diagrama de Interação

4.8.2 Processo Simplificado

A NB1/2001 permite o cálculo simplificado e aproximado, nas situações de flexão simples


ou composta oblíqua, pela expressão de interação:

α α
 MRd,x   MRd,y 
  +  =1
M
 Rd,xx   Rd,yy 
 M ( 4.12 )

onde:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 23


MRd,x; MRd,y são as componentes do momento resistente de cálculo em flexão
oblíqua composta, segundo os dois eixos principais de inércia x e y, da
seção bruta, com um esforço normal resistente de cálculo NRd igual à normal
solicitante NSd. Estes são os valores que se deseja obter;

MRd,xx; MRd,yy são os momentos resistentes de cálculo segundo cada um dos


referidos eixos em flexão composta normal, com o mesmo valor de NRd.
Estes valores são calculados a partir do arranjo e da quantidade de
armadura em estudo;

α é um expoente cujo valor depende de vários fatores, entre eles o valor da


força normal, a forma da seção, o arranjo da armadura e de suas
porcentagens. Em geral pode ser adotado α = 1,0 a favor da segurança. No
caso de seções retangulares poder-se adotar α = 1,2.

Os momentos MRdxx e MRdyy são extraídos dos diagramas de interação para a flexão
normal nas direções x e y da seção. O diagrama de interação é construído arbitrando-se
valores para MRdx e determinando o momento:

α
M 
MRd,y = α 1 −  Rd,x  ⋅ MRd,yy ( 4.13 )
 MRd,xx 

Figura 4-8 – Aproximação dos diagramas de interação para a flexão oblíqua

Observação:
Horowitz apresenta uma expressão para a melhor avaliação de α:

 N  1,50 p / CA 50B
α = 0,5 + b Sd 
 b= ( 4.14 )
 NRd,máx  1,60 p / CA 50 A

4.8.3 Ábacos Adimensionais para Dimensionamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 24


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 25
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 26
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 27
4.9 Pilares Contraventados (Cálculo dos Pilares Isolados)

4.9.1 Introdução

A próxima figura mostra os critérios para a modelagem dos pilares isolados em função de
seu índice de esbeltez.

0 λ1 90 140 200
a
Consideração dos efeitos de 2 ordem

Consideração da Fluência

Método Geral

Método do Pilar Padrão com curvatura aproximada

Método do Pilar Padrão com rigidez Κ aproximada

Método do Pilar Padrão acoplado a diagramas M, N, 1/r

Figura 4-9 – Critérios para a modelagem dos pilares isolados conforme o índice de esbeltez

As duas primeiras barras indicam o intervalo onde há obrigatoriamente a necessidade da


consideração dos efeitos de 2ª ordem e de fluência e nas quatro barras seguintes o
intervalo de validade de cada método de solução recomendado pela NB1/2001. Devemos
ainda complementar que o valor λ1 é um valor que determina o início da consideração dos
efeitos de 2ª ordem e será discutido com mais detalhe no tópico 4.9.2 e que não são
permitidos pilares usuais com índice de esbeltez maior que 200.

4.9.2 Critério para a Dispensa dos Efeitos de 2ª Ordem

A NB1/2001 estabelece novos critérios para a dispensa dos efeitos de 2ª ordem. Ela
estabelece que os esforços locais de 2ª ordem em elementos isolados podem ser
desprezados quando o índice de esbeltez λ for menor que o valor limite λ1 (ao invés do
valor fixo de 40 utilizado anteriormente).

O valor de λ 1 depende de diversos fatores, mas os preponderantes são:

a excentricidade relativa de 1ª ordem e1/h;


a vinculação dos extremos da coluna isolada;
a forma do diagrama de momentos de 1ª ordem.

Desta forma, são estabelecidas expressões que visam levar em conta a influência de
cada um dos fatores citados acima. Assim sendo, o valor de λ1 é calculado pela
expressão:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 28


≤ 90
(25 + 12,5 e1/h) 
λ1 =  35 ( 4.15 )
αb ≥ α
 b

O parâmetro αb é determinado em função da vinculação dos extremos da coluna e da


forma do diagrama de momentos de 1ª ordem:

a) Para pilares biapoiados

MB
α b = 0,60 + 0,40 ≥ 0,40 para pilares biapoiados sem cargas transversais ( 4.16 )
MA
αb = 1,0 para pilares biapoiados com cargas transversais significativas, ao longo
da altura.
Sendo,
MA e MB os momentos de 1ª ordem nos extremos do pilar, tomando-se para MA
o maior valor absoluto ao longo do pilar e adotando para MB o sinal positivo se
tracionar a mesma face que MA e negativo em caso contrário.

b) Para em pilares em balanço

MC
α b = 0,80 + 0,20 ≥ 0,85 ( 4.17 )
MA
Sendo,
MA o momento de 1ª ordem no engaste, e
MC o momento de 1ª ordem no meio do pilar em balanço.

c) Para pilares biapoiados ou em balanço com momentos menores que o momento


mínimo

Deve-se tomar αb = 1 se o maior momento ao longo da coluna for menor que o momento
mínimo definido em (4.19).

4.9.3 Solicitações Iniciais

A solicitação inicial é composta pela força normal de cálculo (Nd) no elemento e pelos
momentos iniciais de cálculo (M1d,A e M1,B) aplicados às extremidades das barras.

Os esforços atuantes iniciais nos pilares são provenientes das combinações de


carregamento utilizadas, devendo-se ressaltar que os momentos iniciais nas
extremidades podem ser oriundos de uma análise de 1ª ordem ou de 2ª ordem global.

O momento inicial deve ainda respeitar um momento mínimo inicial decorrente da


consideração de imperfeições construtivas conforme será visto no item 4.9.4.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 29


4.9.4 Momento Decorrente de Imperfeições Construtivas

A NB1/2001 recomenda que sejam considerados os efeitos decorrentes da falta de


retilinidade e de desaprumo no pilar (item 11.3.3.4), conforme as figuras abaixo.

θ1 l θ1 l
2

Figura 4-10– Falta de retilinidade no pilar [ABNT-2] Figura 4-11 – Desaprumo do pilar [ABNT-2]

admitindo-se nos casos usuais, a consideração apenas da falta de retilinidade ao longo do


lance de pilar seja suficiente.

Desta forma temos:

e a = θ1 ⋅ l e ∴ Ma,d = Nd ⋅ e a
( 4.18 )
com θ1 determinado pela expressão ( 4.1 ).

O momento total M1d,mín de primeira ordem, isto é, o momento de primeira ordem


acrescido dos efeitos das imperfeições locais, deve respeitar o valor mínimo dado por:

M1d,mín = Nd ⋅ e a,mín = Nd ⋅ (0,015 + 0,03h)


( 4.19 )
h = dimensão do pilar na direção considerada, em metros.

Nas estruturas reticuladas usuais admite-se que o efeito das imperfeições locais esteja
atendido se for respeitado esse valor de momento total mínimo. No caso de pilares
submetidos à flexão oblíqua composta, esse mínimo deve ser respeitado em cada uma
das direções principais, separadamente.

4.9.5 Métodos para a avaliação dos Momentos de 2a ordem dos


Pilares Isolados

A NB1/2001 estabelece alguns métodos que podem ser utilizados para a obtenção de
esforços utilizados para o dimensionamento de pilares. A seguir apresentamos a
transcrição destes métodos.

4.9.5.1 Método Geral

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 30


Consiste na análise não-linear de 2ª ordem efetuada com discretização adequada da
barra, consideração da relação momento-curvatura real em cada seção e consideração
da não-linearidade geométrica de maneira não aproximada, sendo obrigatório para
λ >140.

4.9.5.2 Métodos Aproximados

A determinação dos esforços locais de 2ª ordem pode ser feita por métodos aproximados
como o do pilar padrão e o do pilar padrão melhorado.

4.9.5.2.1 Método do Pilar Padrão com Curvatura Aproximada


É permitido para λ ≤ 90, em pilares de seção constante e de armadura simétrica e
constante ao longo de seu eixo. A não-linearidade geométrica é considerada de forma
aproximada, supondo que a deformada da barra seja senoidal. A não-linearidade física é
levada em conta através de uma expressão aproximada da curvatura na seção crítica.

O momento total máximo na coluna é dado por:

l 2e 1
Md, tot = α b M1d, A + Nd . ≥ M1d, A ( 4.20 )
10 r

sendo 1/r a curvatura, que na seção crítica pode ser avaliada pela expressão aproximada:
1 0,005 0,005
= ≤ ( 4.21 )
r h (ν + 0,5) h
onde,
h = altura da seção na direção considerada;
N
ν = força normal adimensional, dada pela expressão ν = Sd
A c fcd
M1d,A deve respeitar o valor mínimo estabelecido em ( 4.19 ) (M1d,A ≥ M1d,min). O momento
M1d,A e o coeficiente αb têm as mesmas definições do item 4.9.2, sendo M1d,A o valor de
cálculo de 1ª ordem do momento MA.

4.9.5.2.2 Método do Pilar Padrão com rigidez Κ (kapa) aproximada

É permitido para λ ≤ 90, nos pilares de seção retangular constante, armadura simétrica e
constante ao longo do eixo.

A não linearidade geométrica é considerada de forma aproximada, supondo que a


deformada da barra seja senoidal. A não linearidade física é levada em conta através de
uma expressão aproximada da rigidez.

O momento total máximo na coluna é dado por:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 31


α b M1d, A
Md, tot = ≥ M1d, A ≥ M1d,min
λ2 ( 4.22 )
1−
120 κ/ν

sendo o valor da rigidez adimensional Κ (kapa) dado aproximadamente por:


 Md,tot 
Κ = 32 1 + 5 .  ν ( 4.23 )
 h.N d 

As variáveis h, ν, M1d,A e αb são as mesmas definidas no item anterior e o processo é


iterativo, sendo usualmente 2 ou 3 iterações suficientes.

4.9.5.2.3 Método do Pilar Padrão acoplado a diagramas M, N, 1/r


A determinação dos esforços locais de 2ª ordem em pilares com λ ≤ 140 pode ser feita
pelo método do pilar padrão ou pilar padrão melhorado, utilizando para a curvatura da
seção crítica valores obtidos de diagramas M – N – 1/r específicos para o caso.

4.10 Pilares de Contraventamento

A determinação da rigidez mínima já foi discutida no capítulo 1.

4.11 Detalhamento

As exigências deste tópico referem-se a pilares cuja maior dimensão da seção transversal
não exceda cinco vezes a menor dimensão (que devem ser tratados como pilares
parede), e não são válidas para as regiões especiais.

4.11.1 Diâmetro Mínimo da Armadura Longitudinal (NB1/2001 18.4.2)

O diâmetro das barras longitudinais não deve ser inferior a 10 mm e nem superior 1/8 da
menor dimensão transversal.

4.11.2 Taxa Mínima de Armadura

Nd
A s,mín = 0,15 ⋅ ≥ 0,40% ⋅ A c ( 4.24 )
fyd

4.11.3 Taxa Máxima de Armadura

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 32


A s,máx ≤ (8%) ⋅ A c ( 4.25 )
inclusive nas regiões de emenda.

4.11.4 Proteção contra Flambagem das Barras (NB1/2001 18.2.4)

Sempre que houver possibilidade de flambagem das barras da armadura, situadas junto à
superfície do elemento estrutural, devem ser tomadas precauções para evitá-la.

Os estribos poligonais garantem contra a flambagem as barras longitudinais situadas em


seus cantos e as por eles abrangidas, situadas no máximo à distância de 20φt do canto,
se nesse trecho de comprimento 20φt não houver mais de duas barras, não contando a de
canto. Quando houver mais de duas barras nesse trecho ou barra fora dele, deve haver
estribos suplementares.

Se o estribo suplementar for constituído por uma barra reta, terminada em ganchos, ele
deve atravessar a seção do elemento estrutural e os seus ganchos devem envolver a
barra longitudinal. Se houver mais de uma barra longitudinal a ser protegida junto à
mesma extremidade do estribo suplementar, seu gancho deve envolver um estribo
principal em ponto junto a uma das barras (como na ilustração da direita da Figura 4-12),
o que deve ser indicado no projeto de modo bem destacado (ver Figura 4-12).

Figura 4-12 – Proteção contra flambagem das barras

No caso de estribos curvilíneos cuja concavidade esteja voltada para o interior do


concreto (por exemplo, colunas com seção transversal circular), não há necessidade de
estribos suplementares.

Se as seções das barras longitudinais se situarem em uma curva de concavidade voltada


para fora do concreto, cada barra longitudinal deve ser ancorada pelo gancho de um
estribo reto ou pelo canto de um estribo poligonal.

4.11.5 Disposição da Armadura sobre a Seção Transversal (NB1/2001


18.4.2.2)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 33


As armaduras longitudinais devem ser dispostas na seção transversal de forma a garantir
a adequada resistência do elemento estrutural. Em seções poligonais, deve existir pelo
menos uma barra em cada vértice; em seções circulares, no mínimo seis barras
distribuídas ao longo do perímetro.

Figura 4-13 – Disposição das barras da armadura longitudinal

O espaçamento livre entre as armaduras, medido no plano da seção transversal, fora da


região de emendas, deve ser igual ou superior ao maior dos seguintes valores:

40 mm;
quatro vezes o diâmetro da barra ou duas vezes o diâmetro do feixe ou da luva;
no mínimo 1,2 vezes o diâmetro máximo do agregado, inclusive nas emendas.

Quando estiver previsto no plano de concretagem o adensamento através de abertura


lateral na face da forma, o espaçamento das armaduras deve ser suficiente para permitir
a passagem do vibrador.

O espaçamento máximo entre eixos das barras, ou de centros de feixes de barras, deve
ser menor ou igual a duas vezes a menor dimensão no trecho considerado, sem exceder
40 cm.

Para as condições usuais dos edifícios, temos:

Figura 4-14 – Espaçamentos convencionais entre barras da armadura longitudinal

4.11.6 Armadura Transversal (NB1/2001 18.4.3)

A armadura transversal de pilares, constituída por estribos e, quando for o caso, por
grampos suplementares, deve ser colocada em toda a altura do pilar, sendo obrigatória
sua colocação na região de cruzamento com vigas e lajes.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 34


Figura 4-15 – Colocação da armadura transversal ao longo de um pavimento

O diâmetro dos estribos em pilares não deve ser inferior a 5 mm nem a 1/4 do diâmetro
da barra isolada ou do diâmetro equivalente do feixe que constitui a armadura
longitudinal.

O espaçamento longitudinal entre estribos, medido na direção do eixo do pilar, para


garantir o posicionamento, impedir a flambagem das barras longitudinais e garantir a
costura das emendas de barras longitudinais nos pilares usuais, deve ser igual ou inferior
ao menor dos seguintes valores:

200 mm;
menor dimensão da seção;
24φ para CA-25, 12φ para CA-50.

Pode ser adotado o valor φt < φ /4 desde que as armaduras sejam constituídas do mesmo
tipo de aço e o espaçamento respeite também a limitação:

 φ2  1
smáx = 9000 t  ( 4.26 )
 φ  f yk

Quando houver necessidade de armaduras transversais para cortantes e torção, esses


valores devem ser comparados com os mínimos especificados para vigas, adotando-se o
menor dos limites especificados.

4.12 Ancoragem

As armaduras dos pilares são consideradas em boa situação quanto à aderência, pois
possuem inclinação maior que 45° sobre a horizontal.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 35


A ancoragem das armaduras dos pilares nas emendas é usualmente feita por aderência
(quando há congestionamento da seção transversal pode-se usar outro tipo de solução,
como a soldagem, ou emenda com luvas), e como os apoios são diretos, não há
necessidade do confinamento da ancoragem, seja utilizando armadura transversal ou
cobrimento suficiente de concreto.

Como as barras de aço nos pilares no caso geral estão comprimidas, devem ser
ancoradas sem ganchos.

4.12.1 Comprimento Básico de Ancoragem (NB1/2001 – item 9.4.2.4)

Define-se comprimento de ancoragem básico como o comprimento reto de uma barra de


armadura passiva necessário para ancorar a força limite As fyd nessa barra, admitindo, ao
longo desse comprimento, resistência de aderência uniforme e igual a fbd (resistência de
aderência de cálculo entre armadura e concreto).

O comprimento de ancoragem básico é dado por:

φ f yd
lb = ( 4.27 )
4 fbd

onde, a resistência de aderência de cálculo entre armadura e concreto na ancoragem de


armaduras passivas (fbd) deve ser obtida pela seguinte expressão:

fbd = η1 η2 η3 fctd ( 4.28 )


sendo:

fctk,inf
fctd = ( 4.29 )
γc

η1 = 1,0 para barras lisas


η1 = 1,4 para barras dentadas
η1 = 2,25 para barras nervuradas

η2 = 1,0 para situações de boa aderência (ver item 9.3.1)


η2 = 0,7 para situações de má aderência (ver item 9.3.1)

η3 = 1,0 para φ < 32 mm


η3 = (132 − φ)/100 , para φ > 32 mm,
onde φ é o diâmetro das barras longitudinais.

4.12.2 Comprimento de Ancoragem Necessário (NB1/2001 – item


9.4.2.5)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 36


O comprimento de ancoragem necessário pode ser calculado por:

A s,calc
l b,nec = α1l b ≥ l b,min ( 4.30 )
A s,ef

sendo:

α1 = 1,0 para barras sem gancho;


α1 = 0,7 para barras tracionadas com gancho, com cobrimento no plano normal ao do
gancho ≥ 3φ;

lb calculado conforme o tópico anterior;

0,3l b

l b,mín ≥ 10φ
100mm

Permite-se, em casos especiais, considerar outros fatores redutores do comprimento de


ancoragem necessário.

4.13 Disposições Construtivas

Mudança de seção em pilares (excêntrica e centrada)

Figura 4-16 - Mudança de seção de pilar

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 37


Figura 4-17 - Mudança de seção de pilar

Figura 4-18 - Mudança de seção de pilar

4.14 Pilares-Parede

Apresentamos a transcrição do tópico 15.9 da NB1/2001 que trata da análise de pilares


parede.

4.14.1 Generalidades

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 38


Para que os pilares parede possam ser incluídos como elementos lineares no conjunto
resistente da estrutura deve-se garantir que sua seção transversal tenha sua forma
mantida por travamentos adequados nos diversos pavimentos, e que os efeitos de 2ª
ordem localizados sejam convenientemente avaliados.

4.14.2 Dispensa da análise dos efeitos localizados de 2ª ordem

Os efeitos localizados de 2ª ordem de pilares parede podem ser desprezados se, para
cada uma das lâminas componentes do pilar parede, forem obedecidas as seguintes
condições:

a) A base e o topo de cada lâmina devem ser convenientemente fixadas às lajes do


edifício que conferem ao todo o efeito de diafragma horizontal;
b) A esbeltez λi de cada lâmina deve ser menor que 35, podendo, o cálculo desta
esbeltez λi ser efetuado através das expressões dadas a seguir.

l ei
λ i = 3,46 ( 4.31 )
hi

onde, para cada lâmina:


λei é o comprimento equivalente;
hi é a espessura.

O valor de le depende dos vínculos de cada uma das extremidades verticais da lâmina,
conforme Figura 4-19.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 39


Figura 4-19 – Comprimento equivalente le

Se o topo e a base forem engastados e β ≤ 1, os valores de λ podem ser multiplicados por


0,85.

4.14.3 Processo aproximado para consideração do efeito localizado de


2ª ordem

Nos pilares parede simples ou compostos, onde a esbeltez de cada lâmina que o constitui
for menor que 90, pode ser adotado o procedimento aproximado descrito a seguir para
um pilar parede simples.

O efeito localizado de 2ª ordem deve ser considerado através da decomposição do pilar


parede em faixas verticais, de largura ai que devem ser analisadas como pilares isolados,
submetidos aos esforços Ni e Myid, sendo:

ai = 3h ≤ 100 cm
( 4.32 )
Myid = m1yd . ai ≥ M1dmin

onde:
ai é a largura da faixa i;
Ni é a força normal na faixa i, calculada a partir de nd (x) conforme Figura 4-20;
M1d,min tem o significado e valor estabelecidos no tópico ( 4.9.4 ).

Figura 4-20 – Avaliação aproximada do efeito de 2ª ordem localizado

O efeito de 2ª ordem localizado na faixa i é assimilado ao efeito de 2ª ordem local do pilar


isolado equivalente a cada uma destas faixas.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 40


4.15 Exemplo de Dimensionamento: Pilar P7

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 41


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 42
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 43
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 44
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 45
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 46
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ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:set/2001 fl. 48
5 – Caixas D’água em Concreto Armado

5.1 Introdução

Na maioria dos edifícios e residências as formas usuais das paredes das caixas d’água
são retangulares. Nos reservatórios elevados isolados são utilizadas as cilíndricas.

Em relação ao nível do solo, os reservatórios podem ser enterrados, semi-enterrados e


elevados. Assim, temos os seguintes exemplos de caixa d’água:

5.1.1 Reservatórios elevados apoiados nos pilares

5.1.2 Reservatórios enterrados apoiados diretamente no solo

Obs: Se a pressão vertical devido ao peso do reservatório for maior do que a taxa
admissível do solo, devemos apoiar as paredes da caixa d’água em estacas ou nos
pilares da própria estrutura do edifício, caso seja possível.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 1


5.2 Cargas a serem consideradas

5.2.1 Carga sobre a tampa

Peso próprio do concreto da laje → g1 = hv ⋅ γ conc (kN/m2)


Peso adotado da impermeabilização → g 2 = 1,0 (kN/m2)
Peso da terra, se existir → g 3 = t ⋅ γ solo (kN/m2)
Sobrecarga sobre a tampa → q

CARGA TOTAL → p = q + ∑ gi (kN/m2)

Obs: hv , t em metros.

5.2.2 Carga sobre a laje de fundo

Peso próprio da laje → g1 = h ⋅ γ conc (kN/m2)


Peso da impermeabilização → g 2 = 1,0 (kN/m2)
Sobrecarga devido à pressão d’água → qa = a ⋅ γ água

CARGA TOTAL → p1 = ∑ g i + q a (kN/m2)

Notas:

Se a caixa d’água for elevada, consideraremos somente o efeito da carga vertical


máxima:

pmáx = g1 + g 2 + qa (kN/m2)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 2


Se a caixa d’água for enterrada ou semi-enterrada, apoiada em estaca ou pilares,
consideraremos dois casos de cargas:

1º Caso: carga vertical máxima

pmáx = g1 + g 2 + g 3 + qa

2º Caso: carga vertical mínima, quando o nível do lençol freático do solo estiver acima do
nível da laje de fundo, de modo a produzir pressões negativas.

pmín = ( g1 + g 2 + g 3 ) − S

Se a caixa d’água for enterrada ou semi-enterrada, apoiada diretamente no solo,


também devemos considerar dois casos de cargas:

1º Caso: carga vertical máxima, com a caixa totalmente cheia e sobrecarga máxima sobre
a tampa. Determinaremos assim a pressão vertical máxima sobre o solo da fundação,
dada por:

σ s , máx = ∑
Vi
< σ s = taxa admissível do solo
a ⋅b

onde:

∑V i = somatória de todas as cargas verticais acima do nível inferior do lastro, inclusive


peso das paredes;

a ⋅ b = área da laje de fundo em contato com o solo.

2º Caso: carga vertical mínima, com caixa totalmente vazia e sob carga máxima sobre a
tampa. Para caixas d’água usuais podemos admitir uma distribuição de pressão uniforme
do solo sobre a laje de fundo, dada por:

p=
∑V i
+s
a ⋅b

onde:

∑V i = somatória de todas as cargas acima do nível superior da laje de fundo (laje de


tampa, sobrecarga máxima + paredes);
a ⋅ b = área da laje de fundo em contato com o solo;

s = sub-pressão d’água, se existir.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 3


5.2.3 Carga sobre a parede

5.2.3.1 Carga vertical máxima

Reação máxima da laje de tampa → r1 (kN/m2)


Reação máxima da laje de fundo → r2 (kN/m2)
Peso próprio da parede → g = (b ⋅ ht ) ⋅ γ conc (kN/m2)

CARGA TOTAL → p = r1 + r2 + g (kN/m2)

5.2.3.2 Carga horizontal máxima

1º Caso: Reservatório elevado

A única pressão a considerar é devida à água.

Pa = γ a ⋅ K água ⋅ a

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 4


Obs: Se existirem 2 compartimentos, considerar o caso de um deles cheio e o outro vazio.

2º Caso: Reservatório enterrado

Neste caso devemos considerar dois casos:

a) Caixa d’água cheia + empuxo ativo da terra nulo + nível d’água do lençol freático
abaixo do nível da laje de fundo. Recaímos no caso de carga horizontal máxima do
reservatório elevado, já visto.

b) Caixa d’água vazia + empuxo ativo da terra + nível freático máximo.

Pressão devido à terra “seca”:

Adotaremos a teoria de Coulomb para determinação do empuxo ativo da terra sobre a


parede, desprezando o atrito entre a parede e o solo – coeficiente de empuxo ativo da
terra = K a

Pressão horizontal do solo devido à sobrecarga vertical:

Pressão devido à terra submersa em água:

Pa = γ a ⋅ K água ⋅ Z

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 5


′ = γ s′ ⋅ K a ⋅ Z
Psolo

onde: γ s′ = γ submerso

′ = Z ( K água ⋅ γ a + K a ⋅ γ s′ )
P = Pa + Psolo

5.3 Disposições construtivas

a) Espessuras mínimas a serem adotadas

• Laje da tampa: 7 cm
• Laje de fundo e parede: 10 cm (18 cm no caso de parede circular, com uso de fôrmas
deslizantes)
• Mísulas horizontais e verticais: melhoram a concretagem e dão maior rigidez às
ligações
• Abertura para inspeções e limpeza: 60 cm x 60 cm (no mínimo)
• Espaçamento dos ferros: o mais uniforme possível, 10 a 15 cm entre barras, de modo
a facilitar a montagem e a concretagem dos mesmos, podendo adotar ferragem
superior à exigida pelo cálculo.

b) Impermeabilização

A superfície do concreto em contato com a água deverá ser obrigatoriamente


impermeabilizada.

5.4 Cálculo dos esforços solicitantes

5.4.1 Esquema de cálculo

5.4.1.1 Caixa d’água enterrada

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 6


Regra:
Quando dois nós giram no mesmo sentido: articulação
Quando dois nós giram em sentido contrário: engaste

a) Caixa vazia
Laje da tampa – Engastada
Laje do fundo – Engastada
Paredes – Engastadas

b) Caixa cheia
Laje da tampa – Articulada
Laje do fundo – Engastada

Laje tampa – Articulada


Paredes Laje fundo – Engastada
Entre si – Engastadas

5.4.1.2 Caixa d’água elevada

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 7


Laje da tampa – Articulada
Laje do fundo – Engastada

Laje tampa – Articulada


Paredes Laje fundo – Engastada
Entre si – Engastadas

5.4.2 Devido às cargas verticais e horizontais

5.4.2.1 Caixa d’água elevada armada em “cruz”

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 8


Obs: Os elementos acima representados estão sujeitos a forças normais de tração devido
às reações de apoio.

Laje da tampa:

Conforme item 5.4.1.2 → Articulada

a) Momentos nos vãos

P1 ⋅ l x2
mkx =
αx
P1 ⋅ l x2
mky =
αy

b) Reações de apoio

P1 ⋅ l x
rx1 =
4
lx
ry1 = rx1 (2 − )
ly

Laje de fundo:

Conforme item 5.4.1.2 → Engastada

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 9


a) Momentos nos vãos

P2 ⋅ l x2
mkx =
αx
P2 ⋅ l y2
mky =
αy

b) Momentos nos apoios

P2 ⋅ l x2
′ =−
mkx
βx
P2 ⋅ l y2
′ =
mky
βy

Obs: Face à existência de momentos fletores nas paredes laterais, devido ao empuxo
d’água, haverá uma compensação dos momentos entre paredes e a laje do fundo.

c) Momentos finais

Nos apoios:

Média (parede e laje do fundo)


m′k ≥
0,8 maior

Nos vãos:

mk 0 − 0,5 mk′
mk ≥
mk

mk 0 = momento no vão da laje simplesmente apoiada


mk = momento no vão da mesma laje
m′k = momento final de apoio da laje

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 10


d) Reações de apoio

P2 ⋅ l x
rx 2 =
4
lx
ry 2 = rx 2 (2 − )
ly

Cálculo das paredes:


Laje tampa – Articulada
Conforme item 5.4.1.2 → Laje fundo – Engastada
Entre si – Engastadas

Adotaremos como carregamento a carga linear triangular de valor máximo Pa .

a) Momentos nos vãos

Pa ⋅ l x2
mkx =
αx
Pa ⋅ l y2
mky =
αy

b) Momentos nos apoios

Pa ⋅ l x2
′ =−
mkx
βx
Pa ⋅ l x2
′ =
mky
βy

c) Momentos finais

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 11


Nos apoios:

Média (entre parede)


Direção y → m′k ≥
0,8 maior

Média (parede e laje do fundo)


Direção x → m′k ≥
0,8 maior
Nos vãos:

mk 0 − 0,5 mk′
mk ≥
mk

5.4.2.2 Caixa d’água elevada armada em uma direção principal

a) Caixa d’água armada horizontalmente

Se a relação entre a altura e a largura da caixa for maior do que 2 teremos o caso da
caixa d’água armada horizontalmente, ou seja, h/b>2 ou 2h/b>2 (se a borda superior da
parede for livre). Neste caso, calcula-se as paredes como pórtico de largura unitária e
sujeito a uma pressão unitária. Uma vez obtidos os esforços para a carga unitária
multiplica-se pela pressão p1, p2,..., pn correspondente às faixas de cálculo.

Quadro ABCD de largura unitária = 1,00 m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 12


Devemos considerar como mínimo no vão o correspondente ao engaste perfeito, por
exemplo, na barra BD biengastada, se M’2 < M2 devemos adotar M2.

Pressão Momento Fletor(tf.m) Ftração(tf)


t/m² vão 1 vão 2 apoio vão 1 vão 2
1 M’1 M’2 X N’1 N’2
2 2 M’1 2M’2 2X’ 2N’1 2N’2

n nM’ nM’2 nX’ NN’1 nN’2

Na direção vertical adotaremos uma armadura de distribuição As, dist. mínima de 1/5 da
correspondente armadura principal As, princ.

As, distribuição ≥ 1/5 As,principal

Momento fletor na direção vertical junto a laje de fundo

3
comprimento da zona de perturbação: λ = l x
8
b) Caixa d’água armada verticalmente

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 13


Pe: a/b > 2 e a/h > 2 ( ou a/2h>2 no caso da borda superior da parede for livre)

Devemos calcular a caixa como um pórtico ABCD de largura unitária conforme o esquema
abaixo:

Determinamos assim os esforços principais na direção vertical. A ferragem


correspondente na direção horizontal; adotaremos a armadura mínima de distribuição.

As, distribuição ≥ 1/5 As,principal

Momento fletor na direção horizontal junto à parede de tampa: (PAR 1=2)

3
Comprimento da zona de perturbação: λ = h
8

5.4.2.3 Caixa d’água enterrada armada em uma direção principal

a) Caixa d’água armada horizontalmente

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 14


Cálculo análogo ao da caixa elevada, porém devemos calcular o quadro ABCD de largura
unitária com dois casos de cargas:

1°caso) caixa d’água cheia + empuxo nulo da terra


2°caso) caixa d’água cheia + empuxo máximo da terra

b) Caixa d’água armada verticalmente

Analogamente calcula-se como quadro de largura unitária, devendo também considerar


dois casos de cargas:

1°caso) caixa d’água cheia + empuxo nulo da terra

2°caso) caixa d’água vazia + empuxo máximo da terra

5.5 Flexão Composta

Em estruturas como caixa d’águas, muros de arrimo e escadas aparecem esforços de


tração nas paredes de magnitudes consideráveis, o que implica em um dimensionamento
que leve em conta uma flexão composta normal com grande excentricidade.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 15


Nela, tem-se sempre a armadura tracionada As; a armadura comprimida A's é empregada
para se conseguir maior dutilidade da seção. Normalmente, dispensa-se A's quando se
pode ter seção subarmada só com As.

Através de um artifício, o dimensionamento à flexão composta com grande excentricidade


(tanto na flexo-compressão, quanto na flexo-tração) pode ser feito através da análise de
uma flexão simples.

a) flexo-compressão
d’
Rsd
As’ h/2 0,8x
Md Rcd
d
h Nd
Msd = Md + Nd (d - h/2)
d’ As Rsd

Rsd’ Rsd’

≡ ≡
Rcd Msd Rcd
+
Msd
Nd -Nd
Nd
Rsd + Nd - Nd Rsd + Nd

Figura 1 - Flexo-compressão - Grande excentricidade

Conforme a fig. 1, a resultante de tração para equilibrar o momento Msd é igual a


(Rsd + Nd). Dessa forma, obtém-se a armadura final, subtraindo-se o valor (Nd / fyd) da
armadura que equilibra Msd à flexão simples.

Procedimento para cálculo: Sejam: b; h; d'; fck; CA50A; Nd (compressão); Md

Tem-se:

Msd = Md + Nd (d - h/2)

Com a hipótese de que se tem solução em seção subarmada com A's = 0, tem-se:

 M sd 
0,68bxfcd (d − 0,4 x ) = M sd → x = 1,25d1 − 1 − 
 0,425bd 2 f cd 
Para x < x 34 = 0,628d→ armadura simples

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 16


M sd M sd
e: R sd + N d = → R sd = − N d = A s f yd
d − 0,4 x d − 0,4 x

O dimensionamento pode ser feito, também, através das equações de equilíbrio:

Nd + Rsd = Rcd



Md = Rcd (h / 2 − 0,4 x ) + Rsd (d − h / 2)

Admitindo-se peça subarmada com armadura simples vem:

Nd + A s fyd = 0,68bxfcd



Md = 0,68bxfcd (h / 2 − 0,4 x) + A s fyd (d − h / 2)

Para x > x34 → armadura dupla; adotando-se, por exemplo, x = x 34 , vem:

Md = 0,68bxf cd (d − 0,4 x)
∆M d = M sd − Md
Md ∆M d Md ∆M d
R sd + N d = + → R sd = A s f yd = + − Nd
d − 0,4 x d − d' d − 0,4 x d − d'
x − d'
ε' s = ⋅ 0,0035 > ε yd → σ' sd = f yd
x
∆M d
A' s =
σ' sd (d − d' )

O dimensionamento pode ser feito, também, através das equações de equilíbrio:

Nd + Rsd = Rcd + R'sd



Md = Rcd (h / 2 − 0,4 x ) + Rsd (h / 2 − d' ) + R'sd (h / 2 − d' )

O sistema é resolvido adotando-se, por exemplo, x = x 34 .

b) Flexo-tração

Valem as expressões utilizadas na flexo-compressão, utilizando-se (-Nd) no lugar de Nd .

d’ Rs
0,8x
As’ h/2 Rcd
Nd
d
Md Msd = Md - Nd (d - h/2)
h
d’ As Rsd

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 17


Rsd’ Rsd’

≡ ≡
Rcd Msd Rcd
+
Msd
Nd -Nd
Nd

Rsd - Nd + Nd Rsd - Nd

Figura 2 - Flexo-tração. Grande excentricidade

Procedimento para Cálculo: Sejam: b; h; d'; fck; CA50A; Nd (tração); Md

Tem-se:

Msd = Md - Nd (d - h/2)

Para x < x34:

M sd M sd
R sd − N d = → R sd = + N d = A s f yd
d − 0,4 x d − 0,4 x

5.6 Vigas Paredes

5.6.1 Generalidades

a) Vão teórico l

l = distância entre os eixos dos apoios ( ≤ 115 , l o ), sendo l o o vão livre (distância
entre as faces internas dos apoios), fig. 1.1.

h
l

lo

Figura 1.1

b) Definição

Vigas-parede são vigas retas cuja relação l / h é inferior a 2 (em vigas sobre dois apoios),
ou a 2,5 (em vigas contínuas), onde h é a altura da seção.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 18


c) Altura efetiva he

A altura efetiva he é definida como o menor valor, entre o vão teórico l e a altura da
l
seção h: he ≤ 
h

5.6.2 Esforços Solicitantes

Normalmente, os esforços solicitantes podem ser estimados como se fossem vigas


usuais. Apenas as reações dos apoios extremos devem ser majorados de cerca de 10%.

5.6.3 Armadura Principal de Tração

5.6.3.1. Determinação da armadura

A resultante de tração na armadura é determinada por

Md
R sd = A s f yd =
z

sendo z, o braço de alavanca efetivo valendo:

z = 0,2 ⋅ ( l + 2 h e ) para vigas-parede sobre dois apoios;

z = 0,2 ⋅ ( l + 1,5h e ) para vigas-parede contínuas (nos apoios internos, l pode


ser tomado como a média dos vãos adjacentes).

5.6.3.2. Arranjo da armadura principal longitudinal

c) Vigas-parede sobre dois apoios, fig. 3.2.1.

As
a s = 0,25h e − 0,05l

Figura 3.2.1

Esta armadura deve ser distribuida na faixa de altura ( a s = 0,25h e − 0,05l ), medida a partir
da face inferior da viga, e mantida constante em todo o vão. A ancoragem junto à face
interna dos apoios deve garantir a resultante de tração igual a 0,8 Rsd .

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 19


d) Vigas-parede contínuas

A armadura de vão deve ser distribuida da mesma forma que no caso a). Quanto à
armadura sobre os apoios contínuos, a metade da mesma deve ser prolongada por toda
extensão dos vão adjacentes na faixa de altura igual a (0,25 he – 0,05 l ), contada a partir
da borda superior; o restante da armadura pode ser interrompido às distâncias 0,4he das
respectivas faces do apoio, obedecendo a distribuição em três faixas, conforme mostrado
na fig. 3.2.2:

• [0,5 ⋅ (l / h e − 1) ≥ 0,25] ⋅ A s na faixa superior de altura 0,2 he;


• restante da armadura total na faixa intermediária de altura 0,6 he;
• nada (0) na faixa inferior de altura 0,2 he.
0,4he 0,4he 0,4he 0,4he

0,2he
0,25he-0,05 l

0,6he

0,2he

Figura 3.2.2

5.6.4 Verificações de Concreto

Vd ,max
Deve-se verificar: ≤ 0,10fcd .
b w he

5.6.5 Armaduras de alma

e) Caso de carga aplicada na parte superior da viga-parede, fig. 5.1.


sh Ash1
Asv1

sv

bw

Figura 5.1

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 20


Deve-se dispor armaduras em malha ortogonal (barras horizontais e verticais) nas faces
da viga com taxa mínima de 0,1% (aços de alta aderência) em cada face, e em cada
direção.

Se Ash1 for a área de uma barra horizontal da malha, deve-se ter:

Ash1 = 0,001 bw sv ;

do mesmo modo,

Asv1 = 0,001 bw sh ,

para uma barra vertical da malha.

Em vigas contínuas, a armadura de flexão sobre os apoios pode ser considerada como
pertencente às armaduras horizontais da malha.

Nas vizinhanças dos apoios, recomenda-se introduzir armadura complementar, de mesmo


diâmetro que a armadura de alma, conforme indicado na fig. 5.2.
b1 Ash1
Asv1
a1 ≅ b1 = 0,2 he

a2 = 0,3 he

b2 = 0,5 he
a1
b2
as
a2

Figura 5.2

f) Caso de carga aplicada na parte inferior da viga parede

Neste caso, além da malha prevista no ítem a), convém incorporar estribos suplementares
que garantam a suspensão da totalidade das cargas, do seu ponto de aplicação para a
região superior da viga. Esses estribos devem abraçar as armaduras principais de tração
e devem atingir pelo menos a altura he, fig. 5.3.
Ash1
Asv1

he

Figura 5.3

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 21


g) Caso de cargas indiretas

Este caso que se refere às vigas-parede carregadas ao longo de toda a sua altura, por
exemplo, através de um septo, necessita de armadura de suspensão nos moldes vistos
no ítem anterior. Se a carga for particularmente importante, pode-se suspender parte da
carga (<60%) por intermédio de barras dobradas, fig. 5.4.

he

Figura 5.4
h) Caso de apoios indiretos

Quando as vigas-parede apoiam-se, em toda a sua altura, em apoios rígidos (parede,


pilar de forte seção, laje transversal), tem-se os apoios indiretos. Neste caso, a
transferência das cargas para os apoios é garantida através de armaduras constituindo
malhas ortogonais, dispostas na região indicada na fig. 5.5; as barras verticais devem
garantir a resultante Vd e as horizontais, 0,8 Vd (as armaduras de alma que se acham
posicionadas no interior da referida zona podem ser consideradas no cálculo).

0,4 he

0,5 he
Vd Figura 5.5

Quando Vd ultrapassa o valor (0,75 Vd,lim), onde Vd,lim = 0,1 fcd bw d, recomenda-se o
emprego de barras dobradas a 45o, fig. 5.6, equilibrando a resultante 0,8 Vd, em sua
direção.

0,6 he

0,4 he

Figura 5.6

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 22


5.6.6 Dimensionamento das Zonas de Apoio

a) Limites para o valor da reação de apoio

Quando a região do apoio não é enrigecida por nervura ou pilar, o valor da reação deve
ser limitada a:

0,8 bw (c + ho) fcd , no caso de um apoio extremo; e


1,2 bw (c + 2 ho) fcd , no caso de um apoio intermediário.

bw = espessura da viga-parede
c = largura do apoio considerado menor ou igual a l / 5 (nos apoios intermediários, toma-
se o menor dos vãos adjacentes como o valor de l ).
ho = altura do enrijecimento junto à parte inferior da viga (nervura ou laje eventual)
bw
c + ho c + 2ho

ho

c c

Figura 6.1

b) Caso de cargas concentradas junto aos apoios

Quando a viga-parede é submetida a uma carga concentrada Qd junto de um de seus


apoios, deve-se acrescentar armaduras complementares horizontais, distribuidas em duas
faixas, suficientes para equilibrar a resultante de tração igual a Qd / 4 em cada faixa,
conforme indica a fig. 6.2; além disso, deve-se considerar a força cortante acrescida do
valor Vqd dado por:.

Q d h e − 2c
Vqd = ⋅ para apoios internos;
2 he
h −c
Vqd = Qd ⋅ e para apoios extremos.
he

Qd 0,3h Qd
e 0,3h 0,3h

0,1he
0,4he
h 0,5h

0,4h
0,1h
c c
Figura 6.2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 23


5.7 Formas, Cortes e Consideração de Cálculo para o Edifício Exemplo

A seguir, são apresentados a forma e um corte genérico da caixa d’água do edifício


exemplo, bem como o esquema de cálculo utilizado.

As lajes de tampa encontram-se apoiadas nas paredes externas e apresentam


continuidade sobre a parede 2, devendo, para tanto, serem dimensionadas para o
momento negativo neste apoio. As duas lajes de fundo encontram-se engastadas em
seus quatro cantos. Os eixos das paredes delimitam os vãos de cálculo das lajes de
tampa e de fundo, conforme é mostrado a seguir:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 24


lx = 3,65m

ly = 5,30 m
ly = 3,65m

lx = 3,185 m

As paredes, por sua vez, apresentam-se engastadas na laje de fundo e nas paredes
adjacentes, e apoiadas na laje da tampa da caixa d’água.

5.8 Carregamentos

Na laje da tampa da caixa d’água, será considerado um carregamento composto pelo


peso próprio da laje,revestimento e sobrecarga. Na laje de fundo, não será considerado
sobrecarga, o carregamento da desta corresponde ao peso próprio da laje de fundo, ao
revestimento e a altura de lâmina d’água.

Será considerado ainda, o efeito de tração nas duas lajes e nas paredes devido ao
empuxo d’água (carregamento horizontal). Este efeito será melhor detalhado adiante.

Assim sendo, tem-se:

Laje de tampa (h=10cm)

Peso Próprio: 2,50 KN/m2


Revestimento: 1,00 KN/m2
Sobrecarga: 0,50 KN/m2
Total: 4,00 KN/m2

Laje de fundo (h=15cm)

Peso Próprio: 3,75 KN/m2


Revestimento: 1,00 KN/m2
Sobrecarga: 19,00 KN/m2
Total: 23,75 KN/m2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 25


5.9 Solicitações de Cálculo

5.9.1 Esforços de Tração

Para determinação dos esforços de tração, convém primeiro dividir a parede em sub-
regiões como é mostrado na figura abaixo.

2
1 2 3 7,4 KN/m

4
8

7 6 5 o 2
45 11,6 KN/m
o
45
2
19 KN/m

As regiões 1 e 3 apresentam a mesma resultante, assim como as regiões 5 e 7, e 4 e 8. A


resultante é calculada através do “volume” compreendido em cada região. Assim:

A resultante na laje da tampa é o volume compreendido nas regiões 1, 2 e 3;


A resultante na laje de fundo é o volume compreendido nas regiões 5, 6 e 7;
A resultante na parede lateral é o volume compreendido na região 4 ou 8

Para as paredes PAR1, PAR2 e PAR3, temos as seguintes resultantes:

2
7,4 KN/m
74 cm
128 cm

2
11,6 KN/m

128 cm 109 cm 128 cm

Reação na laje de Fundo (RF):


 1,28 1,28 2  11,6x1,28
RF = 2x x11,6 x1,28 + x7,4  + 1,09x1,28x7,4 + x1,09 = 43,21KN
 3 2  2

Reação na laje da Tampa (RT):


 7,4 1,28 x0,74   7,4 x0,74 
RT = 2x x + x1,09  = 5,32 KN
 3 2   2 
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 26
Reação em cada uma das Paredes Laterais (RL):
0,74 1,28 x1,28 11,6 1,28 x1,28
RL = x1,28 x7,4 + 7,4 x + x = 11,57 KN
3 2 3 2

Deve-se proceder da mesma maneira para o cálculo das reações nas paredes PAR4A,
PAR4B, PAR5A, PAR5B. O resultado é mostrado na tabela a seguir:

Parede RF (KN) RT (KN) RL (KN)


PAR 1/2/3 43,21 5,32 11,57
PAR 4A/5A 35,42 4,05 11,57
PAR 4B/5B 71,28 9,86 11,57

Estas resultantes obtidas devem ser então divididas pelos vãos das paredes a fim de se
obter um carregamento distribuído (por metro).

Os carregamentos sobre as lajes de fundo e de tampa também acarretam em reações de


tração nas paredes. Para a sua determinação, procede-se como no cálculo de reações
das lajes usuais, ou seja, a carga atuante na laje é subdividida em partes proporcionais da
laje a partir das bissetrizes dos ângulos. O carregamento da laje da tampa acarreta,ainda,
em uma reação de compressão nas paredes e este efeito será aqui desprezado por estar
a favor da segurança. A tabela a seguir apresenta os valores obtidos.

LF1 (KN/m) LF2 (KN/m) LT1 (KN/m) LT2 (KN/m)


p × lx
px 21,67 18,91 3,65 3,19
4
 lx 
py px x  2 -  28,42 21,32 4,79 3,59
 ly 

5.9.2 Esforços de Laje

Para o cálculo das lajes da tampa e do fundo, serão utilizadas as tabelas de Czerny,
conforme é mostrado a seguir:

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 27


Laje da tampa LT1: Laje com 3 bordas livremente apoiadas e uma borda menor
engastada (carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 32,4 26,5 11,9 31,2


mx
1,05 29,2 25,0 11,3 27,6
1,10 26,1 24,4 10,9 24,7 my
1,15 23,7 23,9 10,4 22,3 ly
1,20 22,0 23,8 10,1 20,3
1,25 20,2 23,6 9,8 18,7
1,30 19,0 23,7 9,6 17,3 lx
1,35 17,8 23,7 9,3 16,1 2
pl
1,40 16,8 23,8 9,2 15,1 mx = x

αx
1,45 15,8 23,9 9,0 14,2 pl2x
my =
1,50 15,1 24,0 8,9 13,5 αy
1,55 14,3 24,0 8,8 12,8
1,60 13,8 24,0 8,7 12,2
pl 2x
1,65 13,2 24,0 8,6 11,7 m′y = −
βy
1,70 12,8 24,0 8,5 11,2
pl 4x
1,75 12,3 24,0 8,45 10,8 w max =
Eh 3 α 2
1,80 12,0 24,0 8,4 10,5
1,85 11,5 24,0 8,35 10,1 ν = 0,2
1,90 11,3 24,0 8,3 9,9 Beton-Kalender (1976)
1,95 10,9 24,0 8,25 9,6
2,00 10,8 24,0 8,2 9,4
>2 8,0 24,0 8,0 6,7

Laje da tampa LT2: Laje com 3 bordas livremente apoiadas e uma borda maior
engastada (carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2
1,00 26,5 32,4 11,9 31,2
mx
1,05 25,7 33,3 11,3 29,2 m’x
1,10 24,4 33,9 10,9 27,4 ly my
1,15 23,3 34,5 10,5 26,0
1,20 22,3 34,9 10,2 24,8
1,25 21,4 35,2 9,9 23,8
1,30 20,7 35,4 9,7 22,9 lx
1,35 20,1 37,8 9,4 22,1
pl 2
1,40 19,7 39,9 9,3 21,5 mx = x
αx
1,45 19,2 41,1 9,1 20,9 pl2x
my =
1,50 18,8 42,5 9,0 20,4 αy
1,55 18,3 42,5 8,9 20,0 pl 2x
m′x = −
1,60 17,8 42,5 8,8 19,6 βx
1,65 17,5 42,5 8,7 19,3 pl 4x
w max =
1,70 17,2 42,5 8,6 19,0 Eh 3 α 2
1,75 17,0 42,5 8,5 18,7
1,80 16,8 42,5 8,4 18,5 ν = 0,2
1,85 16,5 42,5 8,3 18,3 Beton-Kalender (1976)

1,90 16,4 42,5 8,3 18,1


1,95 16,3 42,5 8,3 18,0
2,00 16,2 42,5 8,3 17,8
>2 14,2 42,5 8,0 16,7

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 28


Lajes do Fundo LF1 e LF2: Laje com as 4 bordas engastadas (carga uniforme)

ly / lx αx αy βx βy α2 m’y

1,00 47,3 47,3 19,4 19,4 68,5


mx
1,05 43,1 47,3 18,2 18,8 62,4 m’x m’x
1,10 40,0 47,8 17,1 18,4 57,6 ly my
1,15 37,3 48,3 16,3 18,1 53,4
1,20 35,2 49,3 15,5 17,9 50,3
m’y
1,25 33,4 50,5 14,9 17,7 47,6
1,30 31,8 51,7 14,5 17,6 45,3 lx
1,35 30,7 53,3 14,0 17,5 43,4
pl 2
1,40 29,6 54,8 13,7 17,5 42,0 mx = x
αx
1,45 28,6 56,4 13,4 17,5 40,5 pl2x
my =
1,50 27,8 57,3 13,2 17,5 39,5 αy
1,55 27,2 57,6 13,0 17,5 38,4 pl 2x
m ′x = −
1,60 26,6 57,8 12,8 17,5 37,6 βx
1,65 26,1 57,9 12,7 17,5 36,9 pl 2x
m′y = −
1,70 25,5 57,8 12,5 17,5 36,3 βy
1,75 25,1 57,7 12,4 17,5 35,8 pl 4x
w max =
1,80 24,8 57,6 12,3 17,5 35,4 Eh 3 α 2
1,85 24,5 57,5 12,2 17,5 35,1
1,90 24,2 57,4 12,1 17,5 34,7 ν = 0,2
1,95 24,0 57,2 12,0 17,5 34,5 Beton-Kalender (1976)

2,00 24,0 57,1 12,0 17,5 34,3


>2 24,0 57,0 12,0 17,5 32,0

Para o cálculo das paredes, serão utilizadas as tabelas de Montoya/ Meseguer/ Morán
para carregamento triangular1, conforme é mostrado a seguir:

ly/ lx αx αy βx βy α2
0,5 10 26 36 62 24

0,6 11 23 36 57 21

0,7 12 20 35 51 17
2 2
0,8 13 16 33 45 14 mx = 0,001 ⋅ p ⋅ly ⋅ αx my = 0,001 ⋅ p ⋅ ly ⋅ αy
2 2
0,9 13 14 31 39 11 m' x = 0,001 ⋅ p ⋅ l ⋅ β x m' y = 0,001 ⋅ p ⋅ l ⋅ β y
y y
4
1,0 12 11 29 34 9 w = 0,001 ⋅ p ⋅ ly ⋅ α2 /(E ⋅ h3 )

1
Outras fontes de consulta poderão ser utilizadas como, por exemplo, as tabelas de R.Bares

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 29


Do apresentado acima, tem-se:

LT1 LT2 LF1 LF2 PAR1/2/3 PAR4A/5A PAR4B/5B


lx (cm) 3,65 3,19 3,65 3,19 2,03 2,03 2,03
ly (cm) 5,30 3,65 5,30 3,65 3,57 3,19 5,30
ly/ lx 1,45 1,15 1,45 1,15 0,57 0,64 0,38
mx 338 174 1106 646 82 90 78
m (KNxcm)

my 223 118 561 499 191 168 203


m’x 0 387 2361 1478 280 421 281
m’y 592 0 1808 1331 464 277 483

Prossegue agora com a análise dos momentos negativos. Como apresentado nos
capítulos anteriores, o momento negativo de dimensionamento será o maior entre a média
ou 0,8 do menor (em valor absoluto, ou 0,8 do maior em módulo). Ou seja:

0,8 ⋅ m' menor


m' ≥ 
 m'

Do exposto, tem-se:

m’a (KNcm) m’b (KNcm) 0,8 m’> (KNcm) m’médio (KNcm) m’ (KNcm)
LT1 LT2
474 490 490
592 387
LF1 LF2
1446 1643 1643
1808 1478
PAR1/PAR2 PAR4B/PAR5B
224 281 281
280 281
PAR1/PAR2 LF1
1446 1136 1446
464 1808
PAR2/PAR3 PAR4A/PAR5A
224 279 279
280 277
PAR2/PAR3 LF2
1182 971 1182
464 1478
PAR4A/PAR5A LF2
1065 876 1065
421 1331
PAR4B/PAR5B LF1
1889 1422 1889
483 2361

5.9.3 Combinações e Dimensionamento

LT1 (b=100 cm, h=10 cm, m=338 KNcm/m, n=1,86 KN/m)


10
Msd= 1,4 x338 -1,4 x1,86 x(7- ) = 468 KNcm
2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 30


 
 
468
X = 1,25 x7 x 1 − 1 −  =0,72 cm
 2 
 0,425 x100 x7 2 x 
 1,4 

1  468 
As= x1,4 x1,86 +  = 1,66 cm2/m
43,48  7 − 0,4 x0,72 

Armadura mínima:
h = 10 cm: Asmin = 0,15%bh = 1,50 cm2/m
h = 12 cm: Asmin = 0,15%bh = 1,80 cm2/m
h = 15 cm: Asmin = 0,15%bh = 2,25 cm2/m

R Msd
L m R (KN) n= x As
Local L (KN Bitola
(cm) (KN cm) (tração) (cm) (cm2)
(KN/m) cm)
530 mx 338 9,86 1,86 468 0,72 1,66 φ6.3c/19
LT1
(h=10cm)
365 my 223 5,32 1,46 308 0,47 1,09 (φ6.3c/20)
365 LT2 -490 5,32 1,46 682 1,07 2,43
365 mx 174 5,32 1,46 240 0,36 0,85 (φ6.3c/20)
LT2
319 my 118 4,05 1,27 162 0,24 0,58 (φ6.3c/20)
(h=10cm)
365 LT1 -490 5,32 1,46 682 1,07 2,43 φ6.3c/13
530 mx 1106 71,28 13,45 1464 1,31 3,37 φ8c/14
365 my 561 43,21 11,84 711 0,62 1,77 (φ6.3c/14)
LF1 365 LF2 -1643 43,21 11,84 2226 2,05 4,96
PAR1/
(h=15cm) 365 -1446 43,21 11,84 1950 1,78 4,35
PAR2
PAR4B/
530 PAR5B
-1889 71,28 13,45 2560 2,39 5,76
365 mx 646 43,21 11,84 830 0,73 2,01 (φ6.3c/14)
319 my 499 35,42 11,10 629 0,55 1,58 (φ6.3c/14)
LF2 365 LF1 -1643 43,21 11,84 2226 2,05 4,96 φ8c/10
PAR2/
(h=15cm) 365 -1182 43,21 11,84 1580 1,42 3,56
PAR3
PAR4A/
319 PAR5A
-1065 35,42 11,10 1421 1,27 3,20
203 mx 82 11,57 5,70 91 0,10 0,42 (φ6.3c/17)
PAR1/ my 0,31 0,69 (φ6.3c/17)
PAR2 LF1 -1446 21,67 1933 2,49 4,54 φ8c/11
(h=12cm) PAR4B/
530 PAR5B
-281 11,57 2,18 384 0,45 1,07
203 mx 82 11,57 5,70 91 0,10 0,42 (φ6.3c/17)
PAR3/ my 0,31 0,69 (φ6.3c/17)
PAR2 LF2 -1182 21,32 1565 1,96 3,74 φ8c/13
(h=12cm) PAR4A/
203 PAR5A
-279 11,57 5,70 367 0,43 1,14

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 31


203 mx 90 11,57 5,70 102 0,12 0,45 (φ6.3c/17)
PAR4A/ my 0,27 0,61 (φ6.3c/17)
PAR5A LF2 -1065 18,91 1412 1,75 3,35 φ8c/15
(h=12cm) PAR2/
203 PAR3
-279 11,57 5,70 367 0,43 1,14 (φ6.3c/17)
203 mx 78 11,57 5,70 85 0,10 0,40 (φ6.3c/17)
PAR4B/ my 0,33 0,74 (φ6.3c/17)
PAR5B LF1 -1889 28,42 2525 3,40 6,03 φ10c/13
(h=12cm) PAR1/
203 PAR2
-281 11,57 5,70 369 0,43 1,15 (φ6.3c/17)

5.9.4 Cálculo como Viga Parede

Distribuição das cargas: Determinação das reações nos pilares

LF1 (KN/m) LF2 (KN/m) LT1 (KN/m) LT2 (KN/m)


p × lx
px = 21,67 18,91 3,65 3,19
4
 lx 
py = px x  2 -  28,42 21,32 4,79 3,59
 ly 

PAR1 (12x215)

Peso Próprio: 6,45 KN/m


LT1: 3,65 KN/m
LF1: 21,67 KN/m
Total: 31,77 KN/m

Reações nos Pilares:


R9 = 56,71 KN
R10 = 56,71 KN

PAR2 (12x215)

Peso Próprio: 6,45 KN/m


LT1: 3,65 KN/m
LF1: 21,67 KN/m
LT2: 3,59 KN/m
LF2: 21,32 KN/m
Total: 56,68 KN/m

Reações nos Pilares:


R14 = 101,17 KN
R15 = 101,17 KN

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 32


PAR3 (12x215)

Peso Próprio: 6,45 KN/m


LT1: 3,59 KN/m
LF1: 21,32 KN/m
Total: 31,36 KN/m

Reações nos Pilares:


R19 = 55,98 KN
R20 = 55,98 KN

PAR4 e PAR5 (12x215)


“A”AAA “B”BBB
Peso Próprio: 6,45 KN/m 6,45 KN/m
LT1: 4,79 KN/m
LF1: 28,42 KN/m
LT2: 3,19 KN/m
LF2: 18,91 KN/m
Total: 39,66 KN/m 28,55 KN/m

Reações nos Pilares:


R19 / R20 = 13,90 KN
R14 / R15 = 201,1 KN
R9 / R10 = 86,10 KN

As reações dos apoios extremos devem ser majorados de cerca de 10%:

R19 / R20 = 15,30 KN


R9 / R10 = 94,71 KN

ΣFy = 0 ⇒ R14 / R15 = 191 KN

5.9.4.1 - Viga Parede PAR1

h = 2,15m l
⇒ = 1,7 < 2 ∴ Caso de Viga Parede
l = 3,57m h

h
he ≤  ⇒ he = 2,15m
l

z = 0,2x(l + 2he) ⇒ z = 1,57m

pl 2
Md = 1,4 x = 71 KNm
8
pl
Vd = 1,4 x = 79 KN
2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 33


Md
Rsd = = 45 KN
z

Rsd=As x fyd ⇒ As = 1,04 cm2

Ancoragem junto aos apoios:

R apoio
s = 0,8 x Rsd = 36 KN

adisp = h-c = 12-2,5 = 9,5 cm

tensão de aderência: τ bu = 0,42xfcd2 / 3 = 2,47 MPa = 0,247KN / cm 2

R apoio
s = adisp x(perímetro) x τ bu ⇒ (perímetro) = 15,3 cm

(2x2φ125 = 15,7 cm e 5 cm2)

as = 0,25 he – 0,05 l = 35 cm

Vd
Verificação ao Cisalhamento: 0,10 fcd = 0,14 KN/cm2 > = 0,03 KN/cm2
bxhe

Carga a suspender: 28,12 KN


Nd
As susp. = = 0,65 cm2/m; atendida pela armadura proveniente do cálculo como placa.
fyd

5.9.4.2 – Viga Parede PAR2

h = 2,15m l
⇒ = 1,7 < 2 ∴ Caso de Viga Parede
l = 3,57m h

h
he ≤  ⇒ he = 2,15m
l

z = 0,2x(l + 2he) ⇒ z = 1,57m

pl 2
Md = 1,4 x = 126 KNm
8
pl
Vd = 1,4 x = 142 KN
2

Md
Rsd = = 81 KN
z

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 34


Rsd=As x fyd ⇒ As = 1,85 cm2

Ancoragem junto aos apoios:

R apoio
s = 0,8 x Rsd = 65 KN

adisp = h-c = 12-2,5 = 9,5 cm

tensão de aderência: τ bu = 0,42xfcd2 / 3 = 2,47 MPa = 0,247KN / cm 2

R apoio
s = adisp x(perímetro) x τ bu ⇒ (perímetro) = 27 cm

(2x3φ16 = 30 cm e 12 cm2)

as = 0,25 he – 0,05 l = 35 cm

Vd
Verificação ao Cisalhamento: 0,10 fcd = 0,14 KN/cm2 > = 0,06 KN/cm2
bxhe

Carga a suspender: 49,44 KN

Nd
As susp. = = 1,14 cm2/m; atendida pela armadura proveniente do cálculo como placa.
fyd

5.9.4.3 – Viga Parede PAR3

h = 2,15m l
⇒ = 1,7 < 2 ∴ Caso de Viga Parede
l = 3,57m h

h
he ≤  ⇒ he = 2,15m
l

z = 0,2x(l + 2he) ⇒ z = 1,57m

pl 2
Md = 1,4 x = 69,94 KNm
8
pl
Vd = 1,4 x = 78,37 KN
2

Md
Rsd = = 44,55 KN
z

Rsd=As x fyd ⇒ As = 1,02 cm2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 35


Ancoragem junto aos apoios:

R apoio
s = 0,8 x Rsd = 35,64 KN

adisp = h-c = 12-2,5 = 9,5 cm

tensão de aderência: τ bu = 0,42xfcd2 / 3 = 2,47 MPa = 0,247KN / cm 2

R apoio
s = adisp x(perímetro) x τ bu ⇒ (perímetro) = 15,2 cm

(2x2φ125 = 15,7 cm e 5 cm2)

as = 0,25 he – 0,05 l = 35 cm

Vd
Verificação ao Cisalhamento: 0,10 fcd = 0,14 KN/cm2 > = 0,03 KN/cm2
bxhe

Carga a suspender: 27,8 KN

Nd
As susp. = = 0,64 cm2/m; atendida pela armadura proveniente do cálculo como placa.
fyd

5.9.4.4 – Viga Parede PAR4 e PAR5

Paredes contínuas, logo:

h = 2,15m l
⇒ = 2,46 < 2,5 ∴ Caso de Viga Parede
l = 5,30m h

h
he ≤  ⇒ he = 2,15m
l

z = 0,2x(l + 1,5he) ⇒ z = 1,71 m

Md+ = 131 KNm


Md– = 141 KNm
Vd max= 124,10 KN

+ Md +
Rsd = = 77 KN
z
Md −
Rsd − = = 83 KN
z

Rsd+ = As x fyd ⇒ As+ = 1,77 cm2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 36


Rsd– = As x fyd ⇒ As– = 1,91 cm2 (2φ125)

Ancoragem junto aos apoios (As+):

R apoio
s = 0,8 x Rsd = 62 KN

adisp = h-c = 12-2,5 = 9,5 cm

tensão de aderência: τ bu = 0,42xfcd2 / 3 = 2,47 MPa = 0,247KN / cm 2

R apoio
s = adisp x(perímetro) x τ bu ⇒ (perímetro) = 26 cm

(2x3φ16 = 30 cm e 12 cm2)

as = 0,25 he – 0,05 l = 30 cm

Vd
Verificação ao Cisalhamento: 0,10 fcd = 0,14 KN/cm2 > = 0,05 KN/cm2
bxhe

Carga máxima a suspender: 34,9 KN

Nd
As susp. = = 0,80 cm2/m; atendida pela armadura proveniente do cálculo como placa.
fyd
 Ash = 0,001 bwsv (por face)
Armadura Complementar: 
 Asv = 0,001 bwsh (por face)

Asv Ash
⇒ = = 1,2 cm2/m
s s
b1 = 45 Ash1
Asv1
a1 ≅ b1 = 0,2 he = 0,43 m
(adotado 45 cm)

a2 = 0,3 he = 0,65 m
a1 = 45 b2 = 0,5 he = 1,08 m
b2 = 110
(adotado 110 cm)
as
a2 = 65

Figura 5.2

5.9.4.4 – Limites para as Reações de Apoio

As regiões do apoio possuem nervuras de enrijecimento (mísulas) o que implica na não


necessidade de verificar os valores das reações.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 37


5.9.5 Detalhamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 38


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 39
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 40
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 41
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 42
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 43
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 44
6 – Escadas

6.1 Introdução

As escadas são elementos estruturais que servem para unir, através degraus sucessivos,
os diferentes níveis de uma construção.

6.2 Terminologia dos Elementos Constituintes

A linha de plano horizontal é a projeção sobre um plano horizontal do trajeto seguido por
uma pessoa que transita pela escada. Em geral, esta linha ideal se situa na parte central
dos degraus quando a largura da escada é inferior ou igual a 110 cm. Quando esta última
grandeza excede 110 cm a linha dos planos horizontais se traça a 50 ou 55 cm do bordo
interior. Esta é a distância de circulação de uma pessoa que se apóia com a mão no
corrimão lateral.

O conjunto de degraus compreendidos entre dois patamares ou descansos sucessivos


chama-se lance.

Recomenda-se que um lance não tenha mais do que 20 ou 22 degraus. Se o número de


degraus exceder este valor é preciso intercalar um descanso intermediário, cuja largura
deverá ser de uns três planos horizontais, mas com um mínimo de 85 cm a fim de
oferecer uma interrupção cômoda e agradável do lance.

Em cada piso a escada termina em um descanso que se chama meseta, patamar do piso
ou descanso de chegada. Tem largura igual ou às vezes maior que a de dois degraus.

A inclinação de uma escada deve ser constante em um mesmo lance. O valor do plano
horizontal e da altura ou plano vertical não devem variar jamais de um descanso a outro.
Contudo, é aceitável uma exceção quando se trata do degrau de saída. Este último pode
ter um plano horizontal de 2 a 5 cm superior aos outros degraus.

O local cujo interior se encontra a escada denomina-se caixa. O espaço ou vazio situado
entre um ou dois lances, na parte central da escada(na projeção horizontal) chama-se
olho ou vão. Quando essa parte é cheia ou maciça chama-se eixo ou árvore da escada.
Rebordo é o nome que se dá à borda que limita a escada pela parte do olho(ou do eixo).

A escapada é a altura vertical disponível entre a borda de um degrau e o teto existente.


Normalmente, para deixar passagem suficiente quando se transporta móveis, a escapada
deve estar compreendida entre 200 a 400 cm.

6.3 Dimensões Usuais

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 1


As dimensões a (altura do degrau, espelho) e b (passo, pisada) e são variáveis segundo o
tipo de utilização da escada. Em geral, para escadas interiores, adota-se b = 25 cm e a =
18 cm. Escadas mais abruptas podem ter b = 25 cm e a = 20 cm e escadas mais
confortáveis podem ter b =28 cm e a = 16 cm.

Para uma boa funcionabilidade é necessário que sejam observadas as seguintes


condições:

a) 60 < 2a + b < 65 cm
uso coletivo → máx = 18 cm
a = altura do espelho → 
uso privativo → máx = 19 cm

uso coletivo → mín = 27 cm


b = passo(pata mar) → 
uso privativo → mín = 25 cm

 uso privativo = 0,80 m



b) l mín  uso coletivo em geral = 1,20 m
hospitais, locais de reunião = 1,50 m

c) As escadas de uso comum ou coletivo deverão ter patamar intermediário quando


mudarem de direção ou vencerem desníveis superiores a 2,90 m.

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 2


6.4 Classificação

6.4.1 Escadas em Laje

A grande maioria das escadas existentes são armadas em uma direção e são calculadas
como lajes armadas em uma só direção.

a) Escada armada transversalmente

b) Escada armada longitudinalmente

c) Escada armada em cruz

d) Escada helicoidal(em balanço, engastada em uma coluna circular)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 3


e) Escada em balanço, engastada em uma viga reta

6.4.2 Escadas em Viga

a) Vigas retas com degraus em balanço

b) Vigas retas, com 3 eixos retos em “U”( viga balcão especial)

c) Vigas helicoidais com degraus em balanço

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 4


d) Vigas helicoidais com duplo balanço

6.4.3 Outros Tipos

a) Escadas em cascatas

b) Escada auto-portante com patamar

6.5 Carregamentos

As cargas geralmente atuantes nas escadas são o peso próprio, os revestimentos, a


sobrecarga acidental(em projeção horizontal) e a carga de parapeito segundo a NB-5

A sobrecarga de utilização é tomada como carga vertical por metro quadrado de projeção
horizontal da escada, podendo-se adotar os seguintes valores:

Tabela 1 – Sobrecarga de Utilização em Escadas


Escadas Secundárias 3.0 kN/m²
Escadas de Edifícios Residenciais 2.5 kN/m²

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 5


O peso do revestimento geralmente varia de 0,50 a 1,0 kN/m² e também é considerado
como carga vertical por metro quadrado de projeção horizontal. A carga em parapeito
segundo a NB-5 é calculada conforme a figura abaixo:

2 kN/m

0,8 kN/m

O peso próprio das lajes das escadas também podem ser avaliadas por metro quadrado
de projeção horizontal, sendo que para isso calcula-se a espessura média da escada
segundo a vertical.

Espessura Média: hm = h + a/2

Onde h = altura da laje e a = altura do espelho

Obtido o valor de hm , o peso por metro quadrado (P) de projeção será:

P= γconcreto.hm = 25.hm (kN/m²)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 6


6.6 Cálculo dos Esforços Solicitantes e Dimensionamento

6.6.1 Esquema Estrutural e Justificativa

O esquema estrutural usual é admitir como viga simplesmente apoiada com o apoio
deslocável.

Pl
Reação Vertical = R v1 = R V2 = (altura perpendicular ao eixo da barra)
2
Pl 2
M máx =
8
P.l.cosα
VA = VB = (Força cortante no apoio)
2

6.6.1.1 Justificativa do esquema estrutural exposto

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 7


Resumindo:

6.6.2 Escadas armadas longitudinalmente (esquemas estruturais)

sem patamar

com patamar superior

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 8


com patamar interno

tipo sanfonado

lances inclinados

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 9


com dois lances retos(em L)

escada com lances retos em “U”

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 10


6.6.3 Detalhes das Armaduras

Escada sem patamar

Escada com patamar superior (1°Caso)

Escada com patamar superior (2°Caso)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 11


Obs: Não é permitido o seguinte detalhe da armadura:

Escada com patamar intermediário

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 12


6.7 Cálculo da escada do edifício exemplo

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 13


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 14
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 15
Dimensionamento das escadas:

a) Escadas dos níveis +0,516 a +1,375 e +1,891 a +2,75

60,75 110 60,75

85,94

12

• Cálculo das cargas:

pp1 = 25 x 0,12 = 3,0 kN/m2


0,12
pp2 = 25 x ( ) = 3,8 kN/m 2
cos 38
0,1719
degrau = 22 x ( ) = 1,9 kN/m 2
2
revestimento = 1,0 kN/m2
sobrecarga = 2,5 kN/m2
2
acidental no corrimão = 2 kN/m = = 1,65 kN/m 2
1,215

• Esquema estrutural:

10,85 kN/m
6,5 kN/m 6,5 kN/m

R1
85,94

R2

33,25 137,5 60,75

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 16


• Dimensionamento

R1 = 10,9 kN/m
R2 = 10,2 kN/m

M = 6,54 kNm/m
h = 12 cm
d = 9 cm
x = 1,10 cm
As = 2,46 cm2 / m

Asmín = 0,15% b h = 1,8 cm2 / m


Asec = 0,2 As = 0,2 x 2,46 = 0,49 cm2 / m

b) Escadas dos níveis 0 a +0,516 e +1,375 a +1,891

12 121,5 55 123 19

51,56

• Cálculo das cargas:

pp1 = 25 x 0,12 = 3,0 kN/m2


0,12
pp2 = 25 x ( ) = 3,8 kN/m 2
cos 38
0,1719
degrau = 22 x ( ) = 1,9 kN/m 2
2
revestimento = 1,0 kN/m2
sobrecarga = 2,5 kN/m2
2
acidental no corrimão = 2 kN/m = = 1,65 kN/m 2
1,215
R1 = 10,9 kN/m = 10,9/1,215 = 8,97 kN/m2
R2 = 10,2 kN/m = 10,2/1,215 = 8,40 kN/m2

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 17


• Esquema estrutural:

8,40 kN/m 8,97 kN/m


6,50 kN/m 10,85 kN/m 6,50 kN/m

51,56
R3

R4

100 82,5 132,5

• Dimensionamento

R3 = 21,5 kN/m
R4 = 22,4 kN/m

M = 15,89 kNm/m
h = 12 cm
d = 9 cm
x = 2,92 cm
As = 6,53 cm2 / m

c) VE (19/55)

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 18


• Cálculo das cargas:

pp1 = 25 x 0,19 x 0,55 = 2,6 kN/m


0,55
pp2 = 25 x 0,19 x ( ) = 3,3 kN/m
cos 38
alv = 13 x 2,2 x 0,25 = 7,15 kN/m
R4 = 22,4 kN/m
R3 = 21,5 kN/m

• Esquema estrutural:

22,4 kN/m 21,5 kN/m


9,75 kN/m 10,45 kN/m 9,75 kN/m

85,94

126,5 137,5 93

• Dimensionamento

M = 30,29 kNm
h = 55 cm
d = 51 cm
x = 4,68 cm
As = 1,98 cm2
Asmín = 1,57 cm2

V = 43,46 kN
Ast = 1,64 cm2/m
Astmín = 2,66 cm2/m

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 19


d) Detalhamento

ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 20


ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 21
ES-013 – Exemplo de um projeto completo de edifício de concreto armado data:out/2001 fl. 22