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Universidade Federal de Viçosa

Pós-Graduação em Ciência Florestal


Disciplina Tópicos Especiais

Parte 7 – A floresta amazônica e as mudanças climáticas

Trabalho de pesquisa apresentado à


Universidade Federal de Viçosa, como
parte das exigências da disciplina de
Tópicos espécies.

Flora Magdaline Benitez Romero


Professor: Dr. Laércio Antônio Gonçalves Jacovine
Matricula: 87996

Rio Branco, AC
2016
Parte 7 – A floresta amazônica e as mudanças climáticas

1. Introdução

Um dos papéis mais importantes desempenhados pelas florestas é a fixação do gás


carbônico, via fotossíntese, na biomassa viva das árvores (BUCKERIDGE e AIDAR, 2002).
elas absorvem CO2 da atmosfera, através da fotossíntese, o CO2 é também emitido pelas
florestas através da respiração das plantas, morte e decomposição (CARVALHO, 2016).
As florestas tropicais úmidas têm um papel importante no ciclo global do carbono,
contemplando algo ao redor de 40% do C estocado na biomassa terrestre, e são responsáveis
por 30 a 50% de toda a produtividade terrestre (PHILLIPS et al., 1998). A estimativa do
estoque de carbono de uma floresta depende do conhecimento de parâmetros como a
biomassa aérea da mesma, que pode ser obtida a partir dos dados de estrutura da vegetação
(diâmetro e altura) por meio do cálculo de equações alométricas (MEDEIROS, 2009).
Estima-se que o estoque de carbono em uma árvore seja de 48% a 50% de sua biomassa seca
(LACERDA et al., 2009). Descobertas recentes provenientes da avaliação de mudanças nos
estoques de biomassa (PHILLIPS et al., 1998), ou de medições diretas da troca líquida total
do ecossistema (GRACE et al., 1995; MALHI et al., 1998), apontaram o importante papel
das florestas tropicais como um sumidouro significativo de C (0.62 ± 0.37 t C ha -1 a-1, e até
5.9 t C ha-1 a-1, respectivamente).
A Amazônia se distribui em nove países da América do Sul (Brasil, Bolívia,
Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela), e possui uma
área de 6,4 milhões de quilômetros quadrados, onde o Brasil detém 63% de sua extensão. A
Amazônia legal possui 5 milhões de quilômetros quadrados e representa 59% do território
brasileiro englobando municípios da região Norte, Mato Grosso, parte do Maranhão e um
pequeno território de Goiás. A sua economia se baseia basicamente no setor rural com a
madeira onde está é um dos principais usos da terra movimentando uma renda bruta de US$
2,5 bilhões, a e agricultura, em mineração industrial com ferro e bauxita e na zona franca de
Manaus (LENTINI et al. 2003).
A Floresta Amazônica tão observada mundialmente por possuir uma formação
florestal com a maior reserva de recursos florestais á a maior biodiversidade do planeta
merece uma atenção especial já que seus recursos madeireiros e não madeireiros estão sendo
retirados na maioria dos casos de forma predatória e irracional sem qualquer planejamento,
promovendo assim danos irreversíveis a floresta (PINTO et al. 2002).
As florestas Amazônicas desempenham um papel fundamental no sistema climático
da Terra, funcionando como um sumidouro de carbono. Suas árvores absorvem dióxido de
carbono (CO2) da atmosfera através da fotossíntese e o armazenam. Mas quando as
condições locais mudam, as florestas tropicais podem se tornar uma fonte emissora de
gás efeito estufa. Nesse contexto explicáramos quando a Amazônia torna-se de emissora de
CO2 e Sumidouro de Carbono.

2. A Amazônia como fonte emissora de CO2;


A floresta Amazônica, absorve CO2 da atmosfera, através da fotossíntese, o CO2 é
também emitido pelas florestas através da respiração das plantas, morte e decomposição os
quais processos ocorridos de forma natural e desmatamento processo que tem ocorrência por
fatores antrópicos. Nesse contexto descrevemos quanto a Amazônia é fonte emissora de CO2.

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2.1. Respiraçãodas plantas: Segundo Louredo (2016), na fotossíntese, a planta absorve
gás carbônico (CO2) e libera oxigênio (O2) para o ambiente. Na respiração ocorre o
contrário: a planta absorve oxigênio e libera gás carbônico, assim como ocorre com
os animais. A respiração ocorre em todas as partes do vegetal, mas principalmente
nas folhas, pois é nessa parte que há uma maior quantidade de estômatos, estruturas
responsáveis pelas trocas gasosas. Esse processo, diferentemente do que muitos
pensam, acontece todo o tempo (figura 1 e 2).
Quando a planta absorve água em excesso, ocorre o que chamamos de transpiração.
Nesse processo, o excesso de água é liberado para o ambiente na forma de gotinhas
de água que se transformam em vapor. Nas horas mais quentes do dia, o vegetal fecha
seus estômatos para evitar que percam muita água para o ambiente e acabem
desidratando.
Podemos observar a transpiração nas plantas fazendo a seguinte experiência: com um
saco plástico transparente, envolva um galho de uma planta ou de um arbusto. Feche
a abertura do saco plástico com um barbante. Dê preferência a arbustos que estiverem
recebendo a luz direta do sol. Depois de algum tempo, é possível observar algumas
gotinhas de água dentro do saco plástico.

Fonte: MEIOAMBIENTE (2016)

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2.2. Morte e Decomposição

Dias-Filho (2006), após a morte das plantas, fitoplânctonse animais, parte do carbono
presente nesses organisrnos escapa da decomposição e permanece no solo ou oceano como
carbono orgânico.
Segundo Angelo e Righetti (2011) reportes da Folha de São Paulo, relatam que no
ano 2011 surgiu uma discussão de que a morte das arvores na Amazônia poderão emitir 5
bilhões de toneladas de CO2, isto foi uma discussão da comunidade Brasileira. O
climatologista Antonio Donato Nobre, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais),
está cético em relação ao estudo divulgado por o trabalho, liderado pelo britânico Simon
Lewis, “que afirmou que as árvores mortas na Amazônia poderão emitir 5 bilhões de
toneladas de CO2”. Nobre responde a os estudos de Lewis "não foi a campo para medir as
emissões". Além disso, a morte de árvores, diz, não resulta necessariamente em mais
emissões de CO2. "A mortalidade das árvores não é igual a emissões. Existe um tempo
considerável entre a cessação da vida na planta e sua decomposição"
Nobre, é especialista em biosfera e desenvolvimento sustentável para a Amazônia,
explicou que quando uma árvore tomba, as copas vizinhas fecham rapidamente o buraco que
se abre no dossel (espécie de "teto" da floresta, formado pelas copas). Isso retardaria o
processo de decomposição. Depois de muito tempo [mais de 20 anos], a necromassa lenhosa
irá eventualmente virar CO2 ou DOC (carbono orgânico dissolvido), dependendo se a
decomposição for aeróbica ou anaeróbica", afirma. "Sem falar na bomba biótica de umidade,
a nova teoria que explica também os aspectos evolutivos do metabolismo das árvores com o

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funcionamento do sistema de chuvas e ventos na bacia amazônica", completa o especialista.
Um estudo publicado na revista "Science" no 2011, afirmou que as árvores amazônicas
mortas na seca de 2010 -- a pior dos últimos cem anos -- poderiam liberar CO2 equivalente
à produção industrial dos EUA. No ano passado, uma área de 3 milhões quilômetros
quadrados foi atingida pela estiagem. Os cientistas da Universidade de Leeds e do Ipam
(Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) relacionaram os dados de seca com o
crescimento das árvores (a partir de dados de campo coletados em 2005). "A seca
extraordinária no Rio Negro revelou petróglifos [imagens geometrizadas e representações
simbólicas] nas pedras no fundo do rio, o que indica que a região já havia enfrentado secas
fortes anteriormente", conclui Nobre.
A decomposição é um processo natural pelo qual passa os vegetais e animais após a
morte. Este processo é realizado com a ajuda de fungos e bactérias (decompositores).
Através da decomposição, os nutrientes que fazem parte de um ecossistema são
continuamente reciclados. A decomposição é extremamente importante para o perfeito
funcionamento da natureza e manutenção do equilíbrio ecológico. Através da decomposição,
os nutrientes que estavam presentes no organismo morto são liberados na natureza, servindo
para outros seres (SUAPESQUISA, 2016).

2.3. Desmatamento.

A principal fonte de emissões de GEE no Brasil é o desmatamento causado pela


expansão das fronteiras agrícolas, principalmente na região amazônica. As atividades
agrícola e pecuária tem participação expressiva no PIB brasileiro e são referências no cenário
global no suprimento da demanda por várias commodities. Por serem setores-chave da
economia brasileira, não só por sua expressiva participação nas exportações, mas também
por seu encadeamento com os demais setores da economia, ocupam o segundo lugar entre as
principais fontes de emissões de GEE (ver subcapítulo 3.6). O setor de energia vem apenas
na terceira posição, devido ao papel da energia hidrelétrica e da biomassa renovável (etanol
de cana de açúcar, madeira e carvão vegetal de PRIMEIRO RELATÓRIO DE AVALIAÇÃO
NACIONAL 13 plantações florestais, bem como biodiesel de óleos vegetais a partir do
cultivo) que permitem uma participação de 45% de energias renováveis no abastecimento
energético total do país. A evolução nacional das emissões pode ser observada na Tabela 1.2
a seguir.

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Tabela 1.2. Emissões e Remoções Antrópicas de Gases de Efeito Estufa no Brasil, de 1990 a
2005

Fonte: Brasil (2010).

A análise das estimativas das emissões brasileiras de gases de efeito estufa, através
da evolução de 1990 a 2005, apresentada na Segunda Comunicação Nacional do Brasil à
Convenção do Clima (Brasil, 2010a), mostra o crescimento significativo das emissões da
agropecuária, da energia, dos processos industriais e dos resíduos. Ao longo de todo o
período, o valor total das emissões foi fortemente influenciado pelas flutuações das emissões
provenientes das mudanças no uso da terra e florestas. Em particular, o desmatamento na
Amazônia e no cerrado é determinante no estabelecimento da tendência de aumento ou
redução do valor total das emissões anuais. A elevação do desmatamento foi a principal causa
do aumento das emissões brasileiras de 1,5 para quase 2,1 bilhões de toneladas de CO2-eq
em 2000. A seguir, as emissões nacionais aumentaram levemente de 2,1 para 2,2 bilhões de
t CO2-eq/ano, entre 2000 e 2005. Das 44 bilhões de toneladas de CO2-eq emitidas
globalmente no ano de 2005, as emissões nacionais representariam 6%, colocando o Brasil
como o quarto maior emissor mundial, atrás da China, com 17%, dos EUA, com 16% e da
União Européia (27 países), com 12% (WRI, 2012).

3. A Amazônia como Sumidouro de carbono.


As florestas são consideradas sumidouros de carbono, uma vez que este fica estocado
nestes reservatórios naturais (SOARES et al., 2005). SAIDELLES et al. (2009) afirmam que,
em florestas plantadas, a captura e fixação de carbono ocorreram em maior proporção na
madeira do que nos demais componentes da biomassa. Assim, a quantificação do C torna-se
importante porque, durante a existência dessas florestas, são imobilizadas quantidades
diferenciadas de carbono da atmosfera nos diferentes componentes da planta. Dessa forma,
estudos sobre o teor de C precisam ser feitos a respeito dos diversos tipos de florestas e
plantações florestais no Brasil.
Segundo AMAZONAS (2009), alguns acham que a Floresta Amazônica sequestra
(absorve) carbono da atmosfera, sendo, portanto, um “sumidouro” de carbono. Outros
pesquisadores acreditam que a floresta lança mais carbono para a atmosfera do que absorve.

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Essa explicação baseia-se na justificativa de que a floresta seria velha, com alta taxa de
mortalidade de árvores, fazendo com que a floresta funcione como uma “fonte” de carbono.
Há ainda os que dizem que a Floresta Amazônica está em equilíbrio e que o balanço de
carbono (respiração menos fotossíntese) é zero, ou seja: neste caso, a floresta nem sequestra,
nem emite. Assim, para se ter certeza se a floresta funciona como “sumidouro”, como “fonte”
de carbono, ou está em equilíbrio, é necessário realizar o que chamamos de um inventário
florestal contínuo por muitos anos. O inventário florestal é o “censo” das árvores presentes
em uma área demarcada. Nesse caso são medidos as alturas e os diâmetros de seus troncos.
Dependendo do objetivo, o inventário florestal pode ser de 100% – no qual são medidas todas
as árvores dentro de um diâmetro mínimo desejado. Como exemplo, pode-se medir apenas
as árvores que tenham mais de 20 cm de diâmetro, deixando de fora do censo as árvores mais
finas. Em um segundo momento, anos depois, volta-se à mesma área e mede-se as mesmas
árvores. A diferença entre o valor obtido hoje e o que tínhamos na primeira medida
corresponde a quanto a floresta armazenou de carbono na sua biomassa. Assim, se a
diferença for positiva, houve sequestro de carbono e a floresta cresceu. Se for negativa,
significa que a floresta emitiu GEE, portanto diminuiu. Mas, se o resultado desta diferença
for zero a floresta está em equilíbrio. Estudos mais recentes mostram que a floresta está
crescendo e, por isso, absorvendo carbono da atmosfera na sua biomassa. Nesse caso, as
florestas têm uma função muito importante na retirada do carbono da atmosfera. Isso sem
considerarmos que ao conservarmos as florestas, estamos evitando que mais carbono seja
lançado na atmosfera.
Segundo Souza e Soares (2013), nas florestas naturais climáticas, a quantidade de
emissões e a de fixação de dióxido de carbono são equivalentes, ou seja, Pb=R ou PI=0,
tendo, portanto, a função de reservatório de carbono. Já as florestas em fase de crescimento,
ou seja, em estágio de sucessão secundário (inicial, média e avançado), fixam mais carbono
que emitem, o seja, PI>0, podendo, portanto, ser denomidas reservatórios e sumidouros de
carbono atmosférico. Por exemplo, projetos de recuperação de áreas degradadas mediante o
plantio e, ou, regeneração natural de florestal e o manejo para usos múltiplo sustentável das
florestas naturais contribuem para o sequestro de dióxido de carbono atmosférico. Na floresta
manejada, ou seja, na floresta em que há prescrições e efetiva aplicação de colheita de
impacto reduzido e de tratamento silviculturais, a quantidade de carbono sequestrado é maior
que a que sai para outros compartimentos do sistema. Assim, florestas primarias podem ser
transformadas de simples reservatórios em sumidouros de dióxido de carbono atmosférico.
Áreas de preservação permanente e de reserva legal degradas podem ser geridas para
recuperação e conservação da biodiversidade e prestação de serviços ambientais e
socioeconômicos, sobretudo estocagem e sequestro de dióxido de carbono atmosférico. Há,
contudo, considerável transferência de carbono fixado na biomassa para outros
compartimentos, visto que parcela substancial do dióxido de carbono atmosférico
sequestrado é estocado na fitomassa florestal se encontra na casca, folhas, flores, frutos e
galhos e raízes finas, que são a fitomassa que se descompõem mais rapidamente que a
madeira. Aliado ao fato de a madeira ser material de maior resistência, longevidade, dureza
e durabilidade, seu uso final para produtos sólidos pode manter o carbono sequestrado por
longo período.
No contexto das mudanças do clima e contribuições podemos resumir que: nas
florestas clímax a produção bruta é igual a respiração, ou seja, a produção líquida é igual a
zero. Dessa forma, essas florestas atuam mais como um reservatório de carbono do que como
sumidouro. Em um contexto de mudanças climáticas, onde a remoção de CO 2 da atmosfera

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é importante para a mitigação desse fenômeno, é mais interessante que as florestas sejam
sumidouros e não apenas reservatórios de carbono.
 As florestas em fase de crescimento, ou seja, em estágio de sucessão secundaria
(inicial, médio ou avançado), fixam mais carbono do que emitem, atuando como
sumidouros de carbono atmosférico.
 A exploração florestal conduzida sob um plano de manejo sustentável causa uma
perturbação que estimula o crescimento da floresta e, assim, um maior sequestro e
estoque de carbono na biomassa. Dessa forma, a floresta passa a atuar como
sumidouro de carbono.
 A madeira retirada da floresta via manejo florestal será transformada em produtos
duráveis que manterão o carbono fixado por muitos anos.
 Visto que o manejo sustentável leva a floresta a se tornar um sumidouro e que a
madeira retirada não gerará emissões significativas de GEE, essa prática poderia ser
elegível na categoria de projetos florestais no âmbito do MDL?
Para confirmar estes supostos é necessário o levantamento de informação em campo
e arranjar uma técnica valida que consiga provar algumas hipóteses mencionadas, na questão
da madeira de dureza e durabilidade já se tem trabalhos provando essas qualidades. O
sequestro de carbono em um determinado ambiente é quantificado pela estimativa da
biomassa vegetal acima e abaixo do solo, pelo cálculo do carbono estocado nos produtos
madeireiros e pela quantidade de CO2 absorvido no processo de fotossíntese (ANDRADE e
IBRAHIM, 2003). Estima-se que aproximadamente 40% da massa seca de uma planta é
formada por carbono fixado na fotossíntese (DIAS-FILHO, 2006).
No Brasil Os inventários de GEE em obras de edifícios no Brasil podem seguir as
especificações do GHG Protocol – Corporate Accounting and Reporting Standard (GHG
PROTOCOL, 2015; SANQUETTA et al., 2013a). Essa metodologia somente considera os
materiais de construção de madeira e derivados, tais como portas e pisos, como fontes de
emissões, contabilizando-se as emissões decorrentes de sua produção e transporte. Ainda no
considera no Brasil, nestes tipos de obras, o potencial destes materiais como fonte de fixação
ou estocagem de carbono, o que permitiria um aperfeiçoamento da metodologia. Ao invés de
serem emissores, esses materiais de madeira e derivados poderiam ser tratados como
elementos redutores das emissões de CO2 de uma obra. A madeira pode ser um substituto
renovável e com funções análogas a outros materiais mais intensos em emissão de GEE
usados na construção civil. Além de ser excelente como material de construção, a madeira é
um fixador conhecido de carbono, elemento químico que compõe aproximadamente 45% da
sua massa (OLIVEIRA, et al., 2011). Devido à composição da molécula de dióxido de
carbono com dois átomos de oxigênio e um único átomo de carbono, (carbono tem massa
molar igual a 12 e oxigênio massa molar 16), para cada unidade de massa de carbono fixada
de forma permanente em uma edificação evita que 3,66 unidades de massa de CO2 sejam
liberadas para a atmosfera. Portanto, o potencial da madeira produzida sustentavelmente,
quando utilizada em materiais de construção que permanecerão na edificação por muitos
anos, é muito grande. Alguns autores colocam a vida útil de uma porta entre 50 a 150 anos
(MENET & GRUESCU, 2012). A armazenagem de carbono, que seqüestrado em produtos
de madeira durante a vida útil, dependa da massa do produto e do o teor de carbono na
biomassa, que varia dentro e entre espécies. Em geral considera-se a o teor de carbono em
50% do peso seco da madeira como um valor médio razoável (SATHRE, 2007). Estudo da
Universidade do Tennessee considera para uma porta de madeira maciça (externa) genérica,

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a estocagem de 27,1kg de carbono ou não emissão de 100,4 kg de CO2 (BERGMAN, et al.,
2011). Este estudo examina alguns tipos de portas internas de madeira (PIM), que são mais
leves e utilizadas em maior quantidade em edifícios que as externas, com vistas a contabilizar
o carbono fixado nas suas esquadrias e usar esse valor no contexto dos levantamentos de
emissões de dióxido de carbono (CO2) da construção de edifícios residenciais no Brasil.
No estudo de Junior et al. (2015), no estudo realizado de Estocagem em carbono em
portas internas de madeira (pim) de edifícios residenciais encontro que que uma PIM
completa, com massa de 37kg contém aproximadamente 15kg de carbono e evita a emissão
de 54,9kg de CO2 para a atmosfera. Concluindo-se um apartamento residencial de três
dormitórios de 60m2, que possua um conjunto de oito PIM, é que estas fixam
aproximadamente 4,41% do correspondente às emissões totais de CO2 da sua construção.
As florestas no contexto das mudanças climáticas devem ser valorizadas
principalmente no sentido que elas são sumidouros até uma idade jovem e depois tornar-se
reservatórios na idade velha. Mas com técnicas de manejo essa situação pode ser diferente
“Explorazação de impacto reduzido”.

4. Posição do governo brasileiro no tocante à inclusão da Amazônia no MDL e as


posições divergentes.

Conforme MCTI (2014) e Amazonas (2009) e a primeira Conferência das Nações


Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento Humano, organizada pela Organização das
Nações Unidas (ONU), foi realizada em Estocolmo, na Suécia, em 1972. Nessa época, a
maior preocupação mundial era com o meio ambiente do planeta e especialmente com o
elevado consumo de combustíveis fósseis. Enquanto o mundo se preocupava com o alto
consumo de combustíveis fósseis, no Brasil, o problema era outro. A principal fonte de
emissão de carbono no Brasil já era a derrubada e queima das florestas, ou seja, a substituição
da cobertura vegetal em níveis alarmantes.
Em 1988, o Brasil fez o primeiro levantamento do desmatamento na Amazônia. O
mundo se chocou com notícias que relatavam um desmatamento superior a 20 mil km² (o
equivalente a uma área de 2,5 milhões campos de futebol), no período de 1978 a 1987. Em
1988, a Organização da Nações Unidas (ONU) criou o Painel Intergovernamental sobre
Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês). Esse órgão é composto por um grupo
internacional de cientistas com referência mundial na área de mudanças climáticas, e é
encarregado de divulgar informações atualizadas sobre as mudanças no clima mundial, a
importância das florestas em pé e as consequências dos desmatamentos para o clima do
planeta. Em 1989, a Assembléia Geral das Nações Unidas realizou a segunda Conferência
Mundial sobre o Meio Ambiente e, no ano seguinte, o IPCC divulgou o seu primeiro
relatório. Nele, havia dados que relacionavam as ações humanas com o aumento nos níveis
de gases do efeito estufa para a atmosfera, citações do aquecimento global como
consequência dessas intervenções.
Em 1992, no Rio de Janeiro, os países membros da ONU voltaram suas atenções ao
combate do desmatamento e deram mais atenção às mudanças climáticas. Esse encontro ficou
conhecido como Rio-92. A preocupação com o tema mudanças climáticas foi unânime, tanto
que durante a Rio-92 foi criada a Convenção- Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças
do Clima (UNFCCC, sigla em inglês). Nesta convenção foi acordado que as emissões de
gases de efeito estufam deveriam ser estabilizadas. Depois da Rio-92, no dia 21 de março de
1994, foi assinado por 182 países, inclusive o Brasil, o primeiro acordo internacional sobre

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mudanças climáticas. O objetivo era estabilizar, de maneira voluntária, as emissões dos gases
de efeito estufa. Porém, em 1997, percebeu-se que as emissões de gases de efeito estufa não
haviam diminuido com relação ao que era emitido em 1990. Neste momento foi criado o
Protocolo de Kyoto.
O protocolo entrou em vigor em fevereiro de 2005 e representa o primeiro passo
concreto no sentido de evitar o aquecimento global e na redução das consequências trágicas
que vêm sendo vistas graças à intensificação das mudanças climáticas. As negociações
agora tratam basicamente sobre o que será feito depois de 2012, quando acaba a vigência
do protocolo.
Após o encontro em Kyoto houve um consenso de que a conservação das florestas
tropicais era extremamente importante para qualquer procedimento de diminuição das
mudanças climáticas. Apesar disso, não houve um acordo na questão de como as florestas
entrariam no Protocolo de Kyoto. Isso porque a compensação monetária por ações
reguladoras das emissões de carbono só estava relacionada com projetos de eficiência
energética, mudança da matriz energética, de combustível fóssil para fontes renováveis e
menos poluidoras – e Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDL). No âmbito das
mudanças climáticas essa compensação monetária é feita por meio dos créditos de carbono e
pode ser realizada também pelo mercado voluntário de geração desses mesmos créditos.
Dentro dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo entrou a questão de
reflorestamento, ou seja, um país pode ganhar créditos de carbono caso refloreste áreas que
foram desmatadas antes de 1990. Assim, os países podem ganhar recursos para investir em
áreas de reflorestamento. Infelizmente, as propostas de compensação financeira para
conservar as florestas tropicais ficaram de fora, pois, dentro do Protocolo de Kyoto não é
possível que um país receba apoio financeiro para manter suas florestas em pé. Isso é uma
contradição, pois, como já discutimos, a conservação das florestas e de seus serviços
ambientais beneficia a Amazônia, o Brasil e todo o mundo.
A discussão sobre incluir as florestas como uma possível maneira de mitigar as
mudanças climáticas só voltou a ter destaque político anos mais tarde. Apenas em 2005, na
COP11, em Montreal, a Coalizão de Países com Florestas Tropicais (CFRN), representada
pelo governo de Papua Nova Guiné, apresentou um documento oficializando projetos de
créditos de carbono via desmatamento evitado, o RED – Redução de Emissão por
Desmatamento e degradação florestal em países em desenvolvimento (Reducing Emition
from Deforestation and Forest Degragadion in Developing countries).
O RED foi a principal maneira que os países com florestas tropicais encontraram para
mitigar suas emissões de gases de efeito estufa, e, em especial, de receber apoio financeiro,
pois evitar o desmatamento custa caro! Já que a Amazônia presta serviços ambientais que
beneficiam a nós e ao planeta, nada mais justo que todos ajudem a pagar pelos custos.

5. Referências Bibliográficas

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