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Direito Eleitoral – TRE/PE

Aula 1
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Prezados Alunos!
Segue nossa Aula 1 de Direito Eleitoral do TRE/PE!
Bons estudos neste início de jornada!
Fiquem ligados e conheçam em nossa TURMA ELITE de Alto
Rendimento!
Ricardo Gomes

QUADRO SINÓPTICO DA AULA:

 Dos Órgãos da Justiça Eleitoral – Composição.

1. ÓRGÃOS DA JUSTIÇA ELEITORAL.


1.1. Composição da Justiça Eleitoral.

De todos os assuntos possíveis de serem cobrados na prova, com


certeza absoluta, este é o mais frequente e o mais provável de ser exigido com
1 ou mais questões!
A organização da Justiça Eleitoral (JE) foi primeiramente
regulamentada pelo próprio Código Eleitoral nos seus arts. 12 a 41. Com efeito,
a Constituição Federal de 1988, por ser uma constituição analítica, trouxe
expressamente em seu texto também a estruturação e organização do Poder
Judiciário Eleitoral.
A Justiça Eleitoral é uma das Justiças Especializadas da União,
juntamente com a Justiça Militar e a Justiça do Trabalho (todas previstas na CF-
88).

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É uma Justiça atípica, pois exerce atividade jurisdicional


eleitoral (julga conflitos na seara eleitoral, crimes eleitorais, declaração de
inelegibilidade, entre outros) e, de outro lado, atividade tipicamente
administrativa, ao organizar todo o processo eleitoral das eleições (voto,
apuração, diplomação dos eleitos, alistamento eleitoral, etc).
A Justiça Eleitoral NÃO possui Juízes Eleitorais de Carreira e
Ministério Público próprio, todos são emprestados da Justiça Federal e
Estadual e do Ministério Público Federal e Estadual.
Já os serviços administrativos da Justiça Eleitoral são organizados
quase que com exclusividade pela União, remanescendo ainda, em alguns
TREs, a utilização de estruturas e de servidores estaduais e municipais. Vocês,
futuros servidores de Tribunal Eleitoral, serão servidores da União, com todas
as prerrogativas asseguradas em lei!
Mas, afinal, como é organizada a Justiça Eleitoral? Quais são os
órgãos da Justiça Eleitoral?
A organização da JE é hoje definida nos 2 diplomas em estudo:
Código Eleitoral (arts. 11-41) e na CF-88 (arts. 118-121). Por isso,
faremos um estudo conjugado dos dois regramentos.
São órgãos da Justiça Eleitoral:

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1. TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE);


2. TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (TREs);
3. JUÍZES ELEITORAIS;
4. JUNTAS ELEITORAIS.

As peculiaridades apresentadas pelo Código Eleitoral são as de que


o TSE tem sede na Capital da República e jurisdição em todo o país, e de
que cada Estado e o DF terão um Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em
tese, quanto aos territórios, faz a ressalva da possibilidade do TSE propor a
criação na sua capital.
Atenção! Parece patente, mas vale asseverar: o Ministério
Público Eleitoral não faz parte da Organização da Justiça Eleitoral! Não está
nos rols elencados abaixo. Faço essa ressalva, pois pode o aluno embaralhar os
conceitos ao achar que o MP Eleitoral faz parte da Justiça Eleitoral. MP é órgão
independente (quase um 4º Poder).
Portanto, o Ministério Público Eleitoral não é um dos 4 órgãos da
Justiça Eleitoral. Decorar: TSE + TREs + Juízes + Juntas Eleitorais.
É importante gravar isso, pois quase sempre cai esta questão: o
Ministério Público Eleitoral é um dos órgãos da Justiça Eleitoral, com funções de
acusação. Lógico que está errada!

Código Eleitoral
Art. 12. São órgãos da Justiça Eleitoral:
I - O Tribunal Superior Eleitoral, com sede na Capital da
República e jurisdição em todo o País;
II - Um Tribunal Regional, na Capital de cada Estado, no Distrito
Federal e, mediante proposta do Tribunal Superior, na Capital de
Território;
III - juntas eleitorais;
IV - juízes eleitorais.
CF-88
Art. 118. São órgãos da Justiça Eleitoral:
I - o Tribunal Superior Eleitoral;
II - os Tribunais Regionais Eleitorais;

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III - os Juízes Eleitorais;


IV - as Juntas Eleitorais.

Número de Juízes nos TREs.


Segundo o Código Eleitoral, o número de Juízes de cada TRE (leia-
se aqui Juízes que atuam na própria Corte Estadual Eleitoral e não os Juízes
Eleitorais que atuam nas comarcas estaduais) não poderá ser reduzido, mas
poderá ser elevado a 9 (nove) Juízes por proposta e aprovação do TSE.
NO ENTANTO, a CF-88 previu apenas a composição fixa de 7
Juízes nos TREs, o que deve ser considerado para fins de concurso. O art. 13
do Código, que prevê a quantidade Juízes dos TREs de até 9 Membros não foi
revogado expressamente (apenas tacitamente). Para fins de prova, basta saber
que são 7 membros fixos.

Número de Juízes nos TREs e no TSE:

TREs 7 Membros

TSE No mínimo, 7 Membros

Periodicidade das Funções dos Juízes Eleitorais.


Os Juízes que exercem a função eleitoral (abarca todos os Juízes
Eleitorais: os Membros de Tribunais – 2º grau - e os Juízes Eleitorais de
1º Grau) servirão obrigatoriamente por 2 ANOS (mínimo de tempo), sendo
que estão vedados de cumprirem mais de 4 ANOS consecutivos (máximo de
2 BIÊNIOS consecutivos), salvo exceções justificadas perante o TRE de que
faz parte.

Código Eleitoral
Art. 14. Os juízes dos Tribunais Eleitorais, salvo motivo
justificado, servirão obrigatoriamente por dois anos, e nunca por
mais de dois biênios consecutivos.

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CF-88
Art. 121
§ 2º - Os juízes dos tribunais eleitorais, salvo motivo justificado,
servirão por dois anos, no mínimo, e nunca por mais de dois
biênios consecutivos, sendo os substitutos escolhidos na
mesma ocasião e pelo mesmo processo, em número igual para
cada categoria.

A CF-88 apenas faz 1 uma ressalva ao previsto no Código, ao


prelecionar que os Juízes servirão por 2 anos, no mínimo, na função eleitoral,
e acrescenta, determinando que a escolha de substitutos dos Juízes seja
realizada na mesma ocasião e pelo mesmo processo.
Esta limitação para até 2 biênios consecutivos decorre do Princípio
da Periodicidade das funções eleitorais, que procura garantir a lisura no
trato das questões eleitorais mediante a alternância de Juízes Eleitorais nas
respectivas comarcas e funções.
A contagem de cada biênio deverá ser ininterrupta, isto é, não
será suspensa por qualquer motivo. Ressalva-se a hipótese do Juiz afastar-se
em decorrência do impedimento previsto no §3º do art. 14, decorrente de
parentesco do Juiz Eleitoral com candidato a cargo eletivo na circunscrição.
Neste específico caso a contagem do prazo será suspensa.
O Código Eleitoral também preleciona que, na recondução para novo
biênio, as formalidades legais de escolha e investidura de Juízes deverão ser as
mesmas utilizadas para na primeira.

Art. 14
§ 1º Os biênios serão contados, ininterruptamente, sem o
desconto de qualquer afastamento nem mesmo o decorrente de
licença, férias, ou licença especial, salvo no caso do § 3º.
§ 4º No caso de recondução para o segundo biênio observar-se-
ão as mesmas formalidades indispensáveis à primeira
investidura.

Destaco que os Juízes de Direito que exercem a função eleitoral


afastados por motivos de férias e licença das funções principais que exercem na
Justiça Comum, serão afastados automaticamente de suas funções perante a
Justiça Eleitoral. O Código faz uma exceção: quando estiver em período de

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férias coletivas e coincidir com o período eleitoral (realização de eleição,


apuração ou encerramento de alistamento), o Juiz deverá permanecer com
suas funções eleitorais.
Ocorre que não mais existe férias coletivas para os Tribunais de 2º
grau, apenas nos Tribunais Superiores (ex: TSE, STF, STJ e STM). Nesse
sentido, a interpretação que se dá ao dispositivo é a de que, caso o Juiz de
Direito que exerça as funções de Juiz Eleitoral esteja de férias individuais e
coincida com o período eleitoral, este permanecerá com suas funções eleitorais
normalmente.

Art. 14
§ 2º Os juízes afastados por motivo de licença férias e licença
especial, de suas funções na Justiça comum, ficarão
automaticamente afastados da Justiça Eleitoral pelo tempo
correspondente exceto quando com períodos de férias coletivas,
coincidir a realização de eleição, apuração ou encerramento
de alistamento.

Como relatado, quando houver algum parente do Juiz Eleitoral ou


Desembargador Eleitoral candidato à eleição em cargo na circunscrição em que
este exerce suas funções eleitorais, deverá este Juiz ou Desembargador
afastar-se.
O código delineia os parentes do Juiz candidatos que geram o
impedimento (cônjuge, parente consangüíneo ou afim, até o 2º GRAU).
O afastamento do Juiz Eleitoral deverá dar-se, pelo menos, desde a
homologação da convenção partidária até a DIPLOMAÇÃO (antes era até a
apuração final da eleição).

Art. 14
§ 3o Da homologação da respectiva convenção partidária até a
diplomação e nos feitos decorrentes do processo eleitoral, não
poderão servir como juízes nos Tribunais Eleitorais, ou como juiz
eleitoral, o cônjuge ou o parente consanguíneo ou afim, até o
segundo grau, de candidato a cargo eletivo registrado na
circunscrição. (Redação dada pela Lei nº 13.165, de 2015)
Art. 15. Os substitutos dos membros efetivos dos Tribunais
Eleitorais serão escolhidos, na mesma ocasião e pelo mesmo
processo, em número igual para cada categoria.

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O TSE já decidiu que o Membro do TRE (Desembargador no TRE –


2º grau) deve afastar-se caso parente seu de até 2º grau seja candidato nas
eleições federais ou estaduais da circunscrição estadual do respectivo TRE.
Exemplo: Membro do TRE/RJ que tenha parente até 2º grau candidato a
Deputado Federal ou Deputado Estadual pelo Estado do Rio de Janeiro.
Quanto às eleições Municipais o TSE deixou claro que só subsistiria
o impedimento para o Membro do TRE apenas em relação às eleições do
município no qual o parente for candidato, não abrangendo o restante dos
Municípios do Estado.
Este mesmo raciocínio aplica-se às eleições presidenciais.
O TSE assim exarou entendimento na Resolução nº 21.108:

Exercício da jurisdição eleitoral.


Juiz membro de Tribunal Regional Eleitoral. Existência de
candidatura de parente consangüíneo ou afim, até o segundo grau,
nas eleições federais ou estaduais.
Impedimento absoluto ao exercício das funções eleitorais, no
período compreendido entre a homologação da respectiva
convenção partidária e a apuração final das eleições (art. 14, § 3o,
c.c. 86, ambos do Código Eleitoral). Precedentes do Tribunal
Superior Eleitoral.

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TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL (TSE)

Nova Sede

Composição do TSE.
Com a nova regulação pela CF-88 da composição do Tribunal
Superior Eleitoral, foram derrogados tacitamente os caputs dos arts. 16 e 17 do
Código Eleitoral.
Segundo a CF-88, a composição mínima do TSE são 7 Ministros.
A sua atual composição pode ser assim resumida, conforma CF-88, art. 119:

QUANTIDADE DE FORMA DE
ORIGEM
MEMBROS COMPOSIÇÃO

SUPREMO TRIBUNAL
3 MINISTROS ELEIÇÃO
FEDERAL (STF)

SUPERIOR TRIBUNAL
2 MINISTROS ELEIÇÃO
DE JUSTIÇA (STJ)

NOMEAÇÃO pelo
2 MINISTROS ADVOGADOS Presidente da Rep.
(entre 6 Advogados).

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CF-88
Art. 119. O Tribunal Superior Eleitoral compor-se-á, no mínimo,
de sete membros, escolhidos:
I - mediante eleição, pelo voto secreto:
a) três juízes dentre os Ministros do Supremo Tribunal Federal;
b) dois juízes dentre os Ministros do Superior Tribunal de
Justiça;
II - por nomeação do Presidente da República, dois juízes
dentre seis advogados de notável saber jurídico e idoneidade
moral, indicados pelo Supremo Tribunal Federal.

Os Advogados fazem parte de uma lista de 6 nomes, organizada


pelo Supremo Tribunal Federal. O notável saber jurídico e a idoneidade
moral são os requisitos necessários para a nomeação dos advogados para o
TSE.
Esta nomeação de Advogados, segundo o Código Eleitoral, NÃO
poderá recair:
1. em cidadão que ocupe cargo público de que seja
demissível ad nutum (a qualquer tempo, sob
discricionariedade. Ex: cargo em comissão), ou
2. que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa
beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor
em virtude de contrato com aa administração pública,
ou que exerça qualquer mandato de caráter político
(federal, estadual ou municipal):

Código Eleitoral
Art. 16
§ 2º A nomeação que trata o inciso II deste artigo não poderá recair
em cidadão que ocupe cargo público de que seja demissível ad
nutum; que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa
beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude
de contrato com a administração pública; ou que exerça mandato
de caráter político, federal, estadual ou municipal. (§ 4º

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renumerado pelo Decreto-lei nº 441, de 29.1.1969 e alterado


pela Lei nº 7.191, de 4.6.1984)

A Classe dos Advogados que compõe o TSE e os TREs são


denominados no âmbito da Justiça Eleitoral como “Classe dos Juristas”, classe
que não é Juiz de carreira, oriunda originariamente da Magistratura Estadual ou
Federal, mas constitui operadores dos Direito na área eleitoral.
Importante considerar que não há qualquer proibição aos
Advogados membros da Justiça Eleitoral, tanto no TSE quanto nos TREs, de
exercitarem a Advocacia, a despeito da previsão do art. 28, II, da Lei nº
8.906/94 (Estatuto da OAB), tendo em vista decisão permissiva do STF na
ADINMC nº 1.127/94, que os excluiu da proibição legal.

Número de Juízes nos TREs e no TSE:

TREs 7 Membros

TSE No mínimo, 7 Membros

Observem que o art. 119 da CF-88 prevê que a constituição do TSE


é de, no mínimo, de 7 Juízes. Registro mais uma vez que a CF-88 não fala
em composição mínima para os TREs.

A despeito da desatualização e de eventual derrogação tácita


operada pela CF-88 sobre alguns dispositivos dos arts. 16 e 17, devemos
enfrentá-los, pois, a despeito de referido posicionamento, são ainda cobrados
por algumas bancas, a exemplo, a FCC.

Vedação de parentesco entre Ministros.


É vedada a existência de parentesco de até 4º GRAU entre os
Ministros do TSE. Caso venha a ocorrer, será excluído o último que foi
escolhido:

Art. 16
§ 1º Não podem fazer parte do Tribunal Superior Eleitoral
cidadãos que tenham entre si parentesco, ainda que por
afinidade, até o 4º (quarto) grau, seja o vínculo legítimo ou
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ilegítimo, excluindo-se neste caso o que tiver sido escolhido por


último. (§ 3º renumerado pelo Decreto-lei nº 441, de 29.1.1969
e alterado pela Lei nº 7.191, de 4.6.1984)

Presidência, Vice-Presidência e Corregedoria do TSE.


O art. 119, parágrafo único, da CF-88 prevê que o Presidente e o
Vice-Presidente do TSE devem ser Ministros do STF, enquanto que o
Corregedor-Geral é do STJ:

CF-88
Art. 119
Parágrafo único. O Tribunal Superior Eleitoral elegerá seu
Presidente e o Vice-Presidente dentre os Ministros do
Supremo Tribunal Federal, e o Corregedor Eleitoral dentre os
Ministros do Superior Tribunal de Justiça.

Cargos no TSE: ORIGEM:

Presidente e VICE do TSE SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF)

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA


Corregedor-Geral Eleitoral
(STJ)

Na realidade, o Corregedor-Geral é apenas 1 dos 2 Ministros


oriundos do STJ que compõem a corte. Assim, o Ministro do STJ também
Corregedor-Geral Eleitoral, acumula as funções de Corregedoria com as
funções ordinárias de Ministro do TSE (propriamente como Magistrado da
Corte).
Nesse aspecto, não se aplica o caput do art. 17 do Código
Eleitoral.
Sobre o Corregedor-Geral Eleitoral, cabem as seguintes
considerações:

1. as atribuições do Corregedor serão fixadas por resolução do


TSE;
2. poderá se locomover aos Estados por determinação do
TSE, a pedido dos TREs, a requerimento de partido ou

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quando necessário;
3. os provimentos emanados da Corregedoria-Geral vinculam
as Corregedorias Regionais.

Art. 17
§ 1º As atribuições do Corregedor Geral serão fixadas pelo Tribunal
Superior Eleitoral.
§ 2º No desempenho de suas atribuições o Corregedor Geral se
locomoverá para os Estados e Territórios nos seguintes casos:
I - por determinação do Tribunal Superior Eleitoral;
II - a pedido dos Tribunais Regionais Eleitorais;
III - a requerimento de Partido deferido pelo Tribunal Superior
Eleitoral;
IV - sempre que entender necessário.
§ 3º Os provimentos emanados da Corregedoria Geral vinculam os
Corregedores Regionais, que lhes devem dar imediato e preciso
cumprimento.

Procurador-Geral do TSE
As funções de Procurador-Geral do TSE serão exercidas pelo
Procurador-Geral da República (PGR), que é o Chefe do Ministério Público
da União (MPU).
Segundo a Lei Orgânica do MPU, o Procurador-Geral e o VICE-
Procurador-Geral poderão designar Membros do Ministério Público Federal
(MPF) para oficiarem perante o TSE. No entanto, estes outros membros do
MPU designados pelo PGR para auxiliá-lo nas funções eleitorais não poderão
ter assento no Plenário do TSE.
Ademais, será substituto do Procurador-Geral Eleitoral, nas
hipóteses de impedimento e vacância, o VICE-Procurador-Geral Eleitoral,
designado entre os Subprocuradores-Gerais da República.

Código Eleitoral

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Art. 18. Exercerá as funções de Procurador Geral, junto ao Tribunal


Superior Eleitoral, o Procurador Geral da República,
funcionando, em suas faltas e impedimentos, seu substituto legal.
Parágrafo único. O Procurador Geral poderá designar outros
membros do Ministério Público da União, com exercício no
Distrito Federal, e sem prejuízo das respectivas funções, para
auxiliá-lo junto ao Tribunal Superior Eleitoral, onde não poderão
ter assento.
LC nº 75/93
Art. 72. Compete ao Ministério Público Federal exercer, no que
couber, junto à Justiça Eleitoral, as funções do Ministério Público,
atuando em todas as fases e instâncias do processo eleitoral.
Art. 73. O Procurador-Geral Eleitoral é o Procurador-Geral da
República.
Parágrafo único. O Procurador-Geral Eleitoral designará, dentre os
Subprocuradores-Gerais da República, o Vice-Procurador-Geral
Eleitoral, que o substituirá em seus impedimentos e exercerá o
cargo em caso de vacância, até o provimento definitivo.
Art. 74. Compete ao Procurador-Geral Eleitoral exercer as
funções do Ministério Público nas causas de competência do
Tribunal Superior Eleitoral.
Parágrafo único. Além do Vice-Procurador-Geral Eleitoral, o
Procurador-Geral poderá designar, por necessidade de serviço,
membros do Ministério Público Federal para oficiarem, com sua
aprovação, perante o Tribunal Superior Eleitoral.

Deliberações do TSE.
As deliberações do TSE serão realizadas por maioria de votos, em
sessão pública, com presença da maioria de seus membros.
Constitui a maioria de seus membros o 1º número inteiro acima
da metade dos membros. No caso da Corte, que tem 7 Membros, o 1º nº
inteiro acima da metade (3,5) é 4 Membros.
Assim, para a Corte efetivamente deliberar sobre alguma matéria
eleitoral, deverão estar presentes pelo menos 4 dos Ministros (a metade é
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3,5, e o 1º nº inteiro acima da metade é 4). No plano prático, o que o Código


Eleitoral exige é que para as deliberações do TSE devem estar presentes a
Maioria Absoluta dos seus Membros (quórum mínimo é a maioria absoluta).
Após alcançada a maioria absoluta, restará preenchido o quórum
mínimo para início da votação, que será tomada pela maioria de votos dos
Ministros presentes.
Observação: a maioria dos membros não é metade mais 1! Isso
pode levar o estudante a erro! Alguns acabam propugnando tal ideia, mas as
provas de concursos frequentemente apontam no sentido indicado.
Com efeito, existem matérias que exigem Quórum Especialíssimo
(a totalidade dos Membros do TSE presentes). São as seguintes:

1. interpretação do Código Eleitoral em face da Constituição;


2. cassação de registro de partidos políticos;
3. análise de recursos que importem anulação geral de
eleições;
4. análise de recursos que importem perda de diplomas.

Nestes casos excepcionais, caso algum membro do Tribunal falte,


será convocado o substituto, porque a deliberação deverá ser com todos os
membros presentes na sessão.

Código Eleitoral
Art. 19. O Tribunal Superior delibera por maioria de votos, em
sessão pública, com a presença da maioria de seus membros.
Parágrafo único. As decisões do Tribunal Superior, assim na
interpretação do Código Eleitoral em face da Constituição e
cassação de registro de partidos políticos, como sobre
quaisquer recursos que importem anulação geral de eleições
ou perda de diplomas, só poderão ser tomadas com a presença
de todos os seus membros. Se ocorrer impedimento de algum
juiz, será convocado o substituto ou o respectivo suplente.

Exceções ao Quórum da totalidade dos Membros do TSE:


 Admite-se o julgamento com o quórum incompleto (sem a
totalidade dos Ministros) em caso de suspeição ou
impedimento do Ministro titular da Classe dos Juristas

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(Advogados) e quando impossível juridicamente a convocação


de Juiz substituto;
 Esta regra NÃO se aplica às deliberações dos TREs (Tribunais
Regionais Eleitorais);
Para a declaração de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo
do Poder Público, será necessário o voto da maioria absoluta dos Membros
do Tribunal (Cláusula Constitucional de Reserva de Plenário).

CF-88
Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus
membros ou dos membros do respectivo órgão especial
poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público.

Segundo a Lei nº 13.165/2015, as decisões dos TREs sobre


quaisquer ações que importem cassação de registro, anulação geral de
eleições ou perda de diplomas somente poderão ser tomadas com a
presença de TODOS os seus membros. Caso tenha impedimento de algum
juiz, será necessariamente convocado o suplente da mesma classe.

Suspeição e impedimento de Membros do TSE.


A previsão legal de arguição de suspeição ou impedimento de
algum Ministro da Corte visa impedir eventuais decisões parciais, em favor ou
em desfavor de algum candidato ou partido.
O impedimento legal gera a presunção absoluta de
parcialidade do Juiz (ex: um Juiz que seria parte no processo que ele mesmo
julgaria). Já a simples suspeição gera presunção relativa de parcialidade,
dependente de prova concreta da eventual parcialidade do magistrado (ex:
amigo íntimo ou inimigo mortal de alguma das partes do processo – tem que
provar que era amigo íntimo, senão não há suspeição).
Segundo a doutrina, o impedimento diferencia-se da suspeição de
acordo com o nível de comprometimento do juiz com o processo (nível de
comprometimento de sua imparcialidade).
No impedimento há presunção absoluta (juris et de jure) de
parcialidade do Juiz, isto é, considera-se pelas circunstâncias fáticas que o Juiz
realmente será parcial se decidir aquele processo. Por exemplo, ser cônjuge

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(marido) da autora ou da ré da ação. Com certeza, neste caso, o Juiz prolatará


uma decisão parcial, pendendo para o lado da sua esposa, sendo considerado
pela lei como presunção absoluta, sequer admitindo prova em contrário.
Já na suspeição há apenas presunção relativa (juris tantum) de
parcialidade do Juiz. A Lei elenca algumas hipóteses em que se “suspeita” que o
Juiz seja parcial (mas, sem certeza).
As causas de impedimento e suspeição são elencadas
respectivamente nos arts. 144 e 145 do Código de Processo Civil (CPC), nos
seguintes termos. Hipóteses legais de IMPEDIMENTO do Juiz de atuar no
processo (de jurisdição voluntária ou contenciosa):

a. em que já interveio como PARTE, mandatário da


parte, oficiou como perito, funcionou como órgão do
Ministério Público, ou prestou depoimento como
testemunha – se o Juiz é o autor ou o réu do processo,
é lógico que jamais poderá julgar tal processo! Ademais,
se o Juiz já participou do processo de alguma forma,
ele, antes mesmo de estudar os autos já terá uma
opinião formada, o que macula sua imparcialidade. Com
isso, se o Juiz já foi Advogado da parte no processo, já
foi perito, era Promotor no caso ou foi testemunha de
uma das partes, ele jamais poderá julgar este processo.
b. que conheceu em outro GRAU de jurisdição, tendo-
lhe proferido Decisão – se o Juiz que foi promovido a
Desembargador ou Membro de Tribunal já tiver atuado
em processo iniciado na 1ª Instância (1º Grau), ou em
qualquer grau, também não poderá atuar novamente no
caso. Seria possível o Desembargador julgar o recurso
de sua própria decisão, quando era Juiz de 1º grau?
NÃO!
c. quando nele estiver postulando, como defensor
público, advogado ou membro do Ministério
Público, seu CÔNJUGE ou COMPANHEIRO, ou qualquer
parente, consanguíneo ou afim, em linha reta ou
colateral, até o 3º GRAU, inclusive - se qualquer
parente até o 3º grau na linha reta ou colateral do Juiz
for Advogado da parte, não faz qualquer sentido o

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magistrado julgar o processo. Vejam quadro de


parentesco abaixo.
Obs: Interessante notar que somente será impedido o Juiz
se o Advogado parente já estiver exercendo o patrocínio da
causa no momento em que tomar conhecimento do
processo. Isto porque, se o Advogado parente ingressar
posteriormente na tentativa de causar o impedimento do
Juiz, tal ato não surtirá efeito impeditivo (o Juiz
continuará como Juiz do processo). Esta previsão evita a
proliferação de fraudes processuais de afastamentos
deliberados de Juízes de determinadas causas.
Isto é, esse impedimento só se verifica quando o defensor
público, o advogado ou o membro do Ministério Público já
integrava o processo antes do início da atividade
judicante do juiz.
Isto porque é vedada a criação de fato superveniente a fim
de caracterizar impedimento do juiz.
Observação importante!
Este impedimento também se verifica no caso de mandato
conferido a membro de escritório de advocacia que
tenha em seus quadros advogado que individualmente
ostente a condição de cônjuge ou parente até o 3º grau,
mesmo que não intervenha diretamente no processo.

d. quando for parte no processo ele próprio (o próprio


Juiz), seu cônjuge ou companheiro, ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o
3º GRAU, inclusive - o Juiz não pode julgar uma causa
que ele próprio é parte, seu cônjuge ou de um parente
seu até o 3º GRAU. Ressalte-se que parentes de graus
superiores (ex: primo – parente de 4º grau), em tese,
não são vedados.
e. quando for sócio ou membro de direção ou de
administração de pessoa jurídica parte no processo - é
o caso do Juiz que era, por exemplo, Diretor de uma

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Associação, de uma Instituição Pública ou Privada, etc.


Hoje este dispositivo quase não tem mais aplicação, pois
a CF-88 proíbe aos Magistrados o exercício de qualquer
outra atividade pública ou privada, a de magistério.
f. quando for herdeiro presuntivo, donatário ou
empregador de qualquer das partes;
O herdeiro presuntivo é aquele que, se não mudarem as
circunstâncias legais e fáticas, certamente será o herdeiro
do que vier a falecer;
O donatário é o beneficiário de uma doação.
Se o Juiz for herdeiro presuntivo, donatário ou empregado
de alguma das partes, a relação entre eles é tão estreita
que a lei o considera impedido.
g. em que figure como parte instituição de ensino com a
qual tenha relação de emprego ou decorrente de
contrato de prestação de serviços – Ex: Juiz que é
professor de Universidade particular que é parte no
processo que irá julgar.
h. em que figure como parte cliente do escritório de
advocacia de seu cônjuge, companheiro ou parente,
consanguíneo ou afim, em linha reta ou colateral, até o
3º GRAU, inclusive, mesmo que patrocinado por
advogado de outro escritório;
i. quando promover ação contra a parte ou seu
advogado.

Muitos doutrinadores civilistas tentam definir os graus de


parentesco, mas muitas vezes o fazem de forma um pouco complexa. Para um
melhor entendimento, faço uso de Tabela de Grau de Parentesco disponibilizada
no Sítio do TRE/SP, que esquematiza de forma simplificada os vínculos
consanguíneos e afins1:

TABELA DE GRAU DE PARENTESCO


LINHA COLATERAL LINHA LINHA COLATERAL
FEMININA RETA MASCULINA

1
Extraído do site do TRE/SP: http://www.tre-sp.gov.br/eleicoes/elei2002/parentesco.htm.
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Trisavô(ó)
4º grau

Bisavô(ó)
3º grau

Tia-avó Avô(ó) Tio-avô


4º grau 2º grau 4º grau

Filha da Pai-mãe Filho do


Tia Tio
Tia-avó Sogro(a) Tio-avô
3º grau 3º grau
5º grau 1º grau 5º grau

Irmão
Neto da Irmã EU Neto do
Prima Cunhad Primo
Tia-avó Cunhado Tio-avô
4º grau a 4º grau
6º grau 2º grau Cônjuge 6º grau
2º grau

Bisneto Filho
Filho da Bisneto do
da Sobrinha Filho(a) Sobrinho do
Prima Tio-avô
Tia-avó 3º grau 1º grau 3º grau Primo
5º grau 7º grau
7º grau 5º grau

Trineto Neto
Neto da Neto da Neto do Trineto do
da Neto(a) do
Prima Irmã Irmão 4º Tio-avô
Tia-avó 2º grau Primo
6º grau 4º grau grau 8º grau
8º grau 6º grau

Bisneto Bisneto
Bisneto da Bisneto
da Bisneto(a) do
Irmã do Irmão
Prima 3º grau Primo
5º grau 5º grau
7º grau 7º grau

Trineto
Trineto da Trineto da Trineto
Trineto(a) do
Prima Irmã do Irmão
4º grau Primo
8º grau 6º grau 6º grau
8º grau

Para uma melhor análise do parentesco, basta partir sempre da


pessoa referência e ir contando sucessivamente os graus de parentesco,
conforme gráfico ilustrativo abaixo2:

2
Extraído do site: http://direitofipmoc.blogspot.com/2011/04/direito-de-familia.html.
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São hipóteses legais de SUSPEIÇÃO da parcialidade do Juiz,


quando:

 for amigo íntimo ou inimigo capital de qualquer das


partes (Autor ou Réu) ou de seus ADVOGADOS – se o Juiz
figurar em dos dois polos de amizade (amizade íntima ou
inimizade mortal) do autor, do réu ou de seus advogados,
será considerado suspeito. O CPC-2015 previu o termo de
advogados;
 alguma das partes (Autor ou Réu) for credora ou devedora
do próprio Juiz, de seu cônjuge ou de parentes destes,
em linha reta ou na colateral até o 3º GRAU – relação de
crédito ou débito do Juiz ou seus parentes até 3º GRAU para
com uma das partes;
 que receber presentes de pessoas que tiverem interesse na
causa antes ou depois de iniciado o processo, que
aconselhar alguma das partes acerca do objeto da causa
ou que subministrar meios para atender às despesas do
litígio - se uma das partes agraciar o Juiz com benefícios
diretos ou indiretos (dádivas); se o Juiz vier a aconselhar a
parte acerca da melhor forma de proceder no processo, bem
como efetivar o pagamento das despesas processuais (Ex:

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pagar as custas e os honorários do Advogado), este também


será considerado suspeito de sua parcialidade.
 quando qualquer das partes for sua credora ou devedora,
de seu cônjuge ou companheiro ou de parentes destes, em
linha reta até o 3º GRAU, inclusive;
 for interessado no julgamento da causa em favor de uma
das partes – este interesse é jurídico e não simplesmente
pessoal (ex: o Juiz é um fiador de um contrato de aluguel
objeto de uma ação judicial, no qual litigam autor e réu; neste
caso o Juiz não é inicialmente parte, mas é juridicamente
interessado).

O Juiz se autodeclarar suspeito por motivo íntimo, SEM


necessidade de declarar os motivos ou razões. O Juiz pode entender que no
caso específico ele é parcial, decorrente de questões íntimas (pessoais).
Exemplo: por questões religiosas o Juiz pode abster-se de julgar um processo
de autorização de intervenção médica. O Juiz não está obrigado a manifestar a
causa da suspeição por foro íntimo.
A alegação de suspeição será ilegítima quando:

 houver sido provocada por quem a alega;


 a parte que a alega houver praticado ato que signifique
manifesta aceitação do arguido.

Tópicos explicativos sobre Presunção Legal:

Todas as causas de presunção são previstas em lei.


A presunção absoluta é absoluta porque não admite prova em contrário. É
um fato previsto em lei que, confirmado ocorrido, não admite juízo retratativo.
No exemplo citado, o fato do Juiz ser parte no processo que ele mesmo julgará
gera a presunção absoluta de parcialidade do Juiz, pois não é possível, segunda
a Lei, que ele julgará contrariamente aos seus próprios interesses. É por isso
que as causas de impedimento previstas em lei geram a presunção absoluta de
parcialidade do Juiz.
Já a presunção relativa é um indicativo de parcialidade do Juiz, dependente
de prova do alegado e admite prova em contrário. No exemplo dado,
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poderemos superar a inicial presunção de parcialidade do Juiz por ser este


amigo íntimo ou inimigo mortal de alguma das partes do processo, provando
que isto não interferirá diretamente no feito ou que não é verdade (que eles
não são amigos íntimos ou inimigos mortais).

As hipóteses de suspeição e impedimento estão previstas na Lei


Civil e na Lei Penal (especialmente no Código de Processo Civil e no Código de
Processo Penal), salvo quanto ao motivo de parcialidade partidária, que é
prevista expressamente no Código Eleitoral, em seu art. 20.
A Parcialidade Partidária é conceituada pela Jurisprudência como
uma forma de favorecimento ou beneficiamento de algum candidato ou partido
político, de modo a conduzir os processos e as ações decorrentes do processo
eleitoral. Um exemplo de parcialidade partidária seria um determinado Juiz
Eleitoral julgar determinada ação eleitoral em favor de determinado candidato a
Governador do Estado por ser este do partido preferido pelo Magistrado. A
arguição de parcialidade partidária deve ser cabalmente provada, não valendo
mera alegação sem lastro probatório.
Pelo menos a parcialidade partidária é um dos motivos previstos
diretamente na lei eleitoral para arguição de impedimento e suspeição.
Referido dispositivo prevê, ademais, que qualquer interessado
poderá argüir a suspeição e o impedimento, mas não somente dos Juízes
Eleitorais! Também poderá ser impugnada a imparcialidade também do
Procurador Geral e de Funcionários da Secretaria do Juízo Eleitoral.
Ademais, o Código Eleitoral dispõe que será ilegítima a suspeição
quando o excipiente a provocar ou, depois de manifestada a causa, praticar
ato que importe aceitação do argüido.
O que é isso Professor? Não entendi nada!
Calma, vamos explicar melhor.
Esta hipótese legal abarca-se 2 situações. Será considerada
ilegítima a suspeição se:

 Excipiente a provocar – excipiente é o autor da exceção de


suspeição (ação que visa declarar a suspeição do Juiz ou
Desembargador), é quem propõe a exceção de suspeição, quem alega
a suspeição do Juiz. O excipiente pode provocar a suspeição, por
exemplo, quando deliberadamente cria uma animosidade com o Juiz
para forjar uma eventual inimizada capital (declarada). Esta inimizade
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poder ser alegada em juízo como suspeição, mas como a lei prevê que
se a suspeição for provocada pelo excipiente, esta será ilegítima. Esta
é uma espécie de indução da suspeição. Outro exemplo seria a parte
promover uma representação administrativa contra o juiz para, em
seguida, alegar que, em razão disso, o juiz perdeu a sua parcialidade.
 Depois de manifestada a causa, praticar ato que importe
aceitação do arguido – nesta parte a Lei não foi nem um pouco
clara. Neste caso, é reputada ilegítima a alegação de suspeição se a
parte arguente já houver praticado atos processuais que signifiquem
aceitação do órgão jurisdicional (aceitação do Juiz). Se a parte já
praticou atos processuais e não apresentou oposição à eventual
suspeição, tendo, portanto aceitado o órgão jurisdicional possivelmente
suspeito, não poderá em seguida levantar a sua suspeição, posto ter
precluído (perdido) seu direito.

Código Eleitoral
Art. 20. Perante o Tribunal Superior, qualquer interessado poderá
argüir a suspeição ou impedimento dos seus membros, do
Procurador Geral ou de funcionários de sua Secretaria, nos
casos previstos na lei processual civil ou penal e por motivo de
parcialidade partidária, mediante o processo previsto em
regimento.
Parágrafo único. Será ilegítima a suspeição quando o excipiente a
provocar ou, depois de manifestada a causa, praticar ato que
importe aceitação do argüido.

Decisões do TSE e Recursos.


Em regra, as decisões do TSE são IRRECORRÍVEIS, não cabe
qualquer recurso das decisões do Tribunal, ressalvado somente quando
contrariarem a Constituição ou quando forem denegatórias (negarem) de
habeas corpus ou mandado de segurança.
Então, somente CABERÁ RECURSOS das decisões do TSE caso:

1. contrariarem a Constituição;
2. forem denegatórias de habeas corpus ou mandado de

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segurança.
Esta é uma regra prevista diretamente na Constituição:

CF-88
Art. 121
§ 3º - São irrecorríveis as decisões do Tribunal Superior
Eleitoral, salvo as que contrariarem esta Constituição e as
denegatórias de "habeas-corpus" ou mandado de segurança.

A competência para julgamento de recursos contra decisões do TSE


é do STF (recurso ordinário ou recurso extraordinário).

CF-8
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente,
a guarda da Constituição, cabendo-lhe:
II - julgar, em recurso ordinário:
a) o "habeas-corpus", o mandado de segurança, o "habeas-data" e
o mandado de injunção decididos em única instância pelos
Tribunais Superiores, se denegatória a decisão;
III - julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas
em única ou última instância, quando a decisão recorrida:
a) contrariar dispositivo desta Constituição;
b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal;
c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta
Constituição.
d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal. (Incluída
pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004)

As decisões e todos os atos normativos e regulamentares do TSE


devem ter cumprimento imediato por parte dos TREs e Juízes eleitorais:

Código Eleitoral
Art. 21 Os Tribunais e juízes inferiores devem dar imediato
cumprimento às decisões, mandados, instruções e outros atos
emanados do Tribunal Superior Eleitoral.

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TRIBUNAIS REGIONAIS ELEITORAIS (TREs)

Composição dos TREs.


Em cada capital de cada Estado da Federação e do Distrito Federal
haverá 1 (um) Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Como falei na Aula
Demonstrativa, não há Estado que não tenha TRE, logo são muitos concursos
de TREs disponíveis, não acham?
Os TREs são compostos com 7 Membros, escolhidos mediante
eleição ou nomeação do Presidente da República, resumida da forma abaixo.
Antes, porém, friso que os TREs têm composição FIXA pela CF-88, pois o art.
120 da Carta não prevê composição mínima para as Cortes Regionais (como o
faz para o TSE), apenas elenca a quantidade de juízes que as comporão. Desse
modo, os TREs NÃO podem mais aumentar o número de Juízes.
Memorização!

 TSE – Composição Mínima de 7 Membros


 TREs – Composição Fixa de 7 Membros

QUANTIDADE DE FORMA DE
ORIGEM
MEMBROS COMPOSIÇÃO

2 JUÍZES DESEMBARGADORES ELEIÇÃO

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DO TJ do Estado (eleição no TJ)

JUÍZES DE DIREITO ELEIÇÃO


2 JUÍZES
escolhidos pelo TJ (eleição no TJ)

JUIZ DO TRF com sede ESCOLHA do TRF


1 JUIZ na Capital ou
escolhido pelo TRF

NOMEAÇÃO pelo
Presidente da
República
2 JUÍZES ADVOGADOS
(entre 6 Advogados) –
indicados pelo TJ (não
pela OAB)

CF-88
Art. 120. Haverá um Tribunal Regional Eleitoral na Capital de
cada Estado e no Distrito Federal.
§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:
I - mediante eleição, pelo voto secreto:
a) de dois juízes dentre os desembargadores do Tribunal de
Justiça;
b) de dois juízes, dentre juízes de direito, escolhidos pelo
Tribunal de Justiça;
II - de um juiz do Tribunal Regional Federal com sede na
Capital do Estado ou no Distrito Federal, ou, não havendo, de juiz
federal, escolhido, em qualquer caso, pelo Tribunal Regional
Federal respectivo;
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois
juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e
idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.

Da mesma forma que os Ministros do TSE escolhidos dentre a lista


de 6 Advogados, os Desembargadores dos TREs originariamente Advogados

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deverão ostentar notável saber jurídico e idoneidade moral. Os 2


Advogados que compõem os TREs são chamados de “Classe do Juristas”.
Todos os 6 Advogados serão indicados pelo TJ local, mas a
nomeação dos 2 Advogados para compor o pleno do TRE é feita pelo
Presidente da República (Chefe do Poder Executivo Federal). O TJ
Estadual organiza os nomes dos Juízes em lista tríplice e encaminha ao TSE,
que a divulgará através de Edital.3
Cuidado! Vale frisar que a indicação dos Advogados não é feita pela
OAB! A OAB não tem qualquer relação com a indicação dos Advogados para
compor os TREs. Como já coloquei, é comum colocarem em provas e pegarem
muitos desavisados!
Nesta lista de Advogados não poderão constar nomes de
Magistrados aposentados ou Membros do Ministério Público (agora Advogados).
O entendimento atual é que esta regra NÃO se aplica ao TSE.

Código Eleitoral
Art. 25
§ 1º A lista tríplice organizada pelo Tribunal de Justiça será
enviada ao Tribunal Superior Eleitoral.
§ 2º A lista não poderá conter nome de magistrado aposentado ou
de membro do Ministério Público.
§ 3º Recebidas as indicações o Tribunal Superior divulgará a lista
através de edital, podendo os partidos, no prazo de cinco dias,
impugná-la com fundamento em incompatibilidade.
§ 4º Se a impugnação for julgada procedente quanto a qualquer dos
indicados, a lista será devolvida ao Tribunal de origem para
complementação.
§ 5º Não havendo impugnação, ou desprezada esta, o Tribunal
Superior encaminhará a lista ao Poder Executivo para a
nomeação.

Vale ressaltar que a Lei nº 7.191/1984, ao alterar o art. 25, não fez
nenhuma referência aos parágrafos constantes do artigo modificado. Segundo

3
A Resolução TSE nº 21.461/2003 dispõe sobre o encaminhamento de lista tríplice organizada pelo Tribunal de Justiça
ao Tribunal Superior Eleitoral.
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28
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decisões do TSE (Res.-TSE nºs 12391/1985, 18318/1992 e Ac.-TSE nº


12641/1996) e do STF (Ac.-STF, de 15.12.1999, no RMS nº 23123), os
referidos parágrafos não foram revogados pela lei citada.
O Código Eleitoral prevê lista tríplice de Advogados. Professor,
mas não são 6 (seis) os Advogados indicados pelo TJ para compor o TRE?
Sim! Para cada vaga de Membro de TRE, das 2 previstas para
Advogados, é elaborada 1 (uma) lista tríplice de nomes de Advogados, por isso
que são 6 indicados para escolha de 2 como nomeados. Apesar da CF-88
prelecionar que são 2 Juízes dentre 6 Advogados, no plano fático, a escolha é
por listas tríplices (de 3 Advogados) para cada vaga. Desse modo, não é
elaborada 1 lista de 6 nomes para cada vaga, mas 1 lista de 3 nomes para cada
vaga. Resumo assim:

1. surgiu 1 vaga no TRE: elabora-se 1 lista tríplice;


2. surgiu + 1 vaga: elabora-se mais 1 lista tríplice.

Ao seguir este procedimento, assegura-se que as 2 vagas de Juízes


oriundos da Advocacia sejam preenchidas da escolha de 6 Advogados.
Seguindo à regra prevista para o TSE sobre a nomeação de
Advogados para a Corte Superior, segundo o Código Eleitoral, a nomeação da
Classe dos Juristas para exercerem a função de Desembargadores nos TREs
também não poderá recair em cidadão que ocupe cargo público de que seja
demissível ad nutum (demitido a qualquer tempo, sob discricionariedade. Ex:
cargo em comissão), que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa
beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude de contrato
com a administração pública, ou que exerça qualquer mandato de caráter
político (federal, estadual ou municipal).
Esta regra é prevista no art. 25, §7º, que remonta à aplicação do
disposto no art. 16, §2º (antigo parágrafo 4º):

Código Eleitoral
Art. 25
§ 7º A nomeação de que trata o nº II deste artigo (atual inciso III
do art. 120, §3º, I, da CF-88 – nomeação de Advogados) não
poderá recair em cidadão que tenha qualquer das
incompatibilidades mencionadas no art. 16, § 4º (atual §2º do art.
16 do Código Eleitoral).

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Art. 16
§ 2º A nomeação que trata o inciso II deste artigo não poderá recair
em cidadão que ocupe cargo público de que seja demissível ad
nutum; que seja diretor, proprietário ou sócio de empresa
beneficiada com subvenção, privilégio, isenção ou favor em virtude
de contrato com a administração pública; ou que exerça mandato
de caráter político, federal, estadual ou municipal. (§ 4º
renumerado pelo Decreto-lei nº 441, de 29.1.1969 e alterado
pela Lei nº 7.191, de 4.6.1984)
CF-88
Art. 120.
§ 1º - Os Tribunais Regionais Eleitorais compor-se-ão:
III - por nomeação, pelo Presidente da República, de dois
juízes dentre seis advogados de notável saber jurídico e
idoneidade moral, indicados pelo Tribunal de Justiça.

A Resolução TSE nº 21.461/2003 prevê o requisito específico para


os Advogados de pelo menos 10 ANOS de atividade profissional (consecutivos
ou não).

Resolução TSE nº 21.461/2003


Art. 1º Os advogados a que se refere o inciso III do § 1º do art.
120 da Constituição Federal, na data em que forem indicados,
deverão estar no exercício da advocacia e possuir dez anos
consecutivos ou não de prática profissional.

Vedação de parentesco entre Desembargadores dos TREs.


Igualmente, como previsto para o TSE, é também vedada a
existência de parentesco de até 4º GRAU entre os Desembargadores dos
TREs. Caso venha a ocorrer, será excluído o último que foi escolhido:

Código Eleitoral
Art. 25
§ 6º Não podem fazer parte do Tribunal Regional pessoas que
tenham entre si parentesco, ainda que por afinidade, até o 4º

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grau, seja o vínculo legítimo ou ilegítimo, excluindo-se neste caso a


que tiver sido escolhida por último.

Presidência, Vice-Presidência e Corregedoria dos TREs.


O Presidente e o Vice do TRE serão eleitos pelo próprio TRE entre
os Desembargadores do TJ Estadual. A previsão legal quanto à nomeação
do Corregedor Regional é que está desatualizada. O Código Eleitoral, no art. 26,
prevê que seria o Corregedor o 3º Desembargador do TJ. Ocorre que, hoje, com
o regramento constitucional, são apenas 2 Desembargadores do TJ que
compõem o TRE.
Desse modo, entende-se que o Corregedor Regional deverá ser
eleito entre os 2 (dois) atuais Desembargadores do TRE oriundos do TJ,
que são o Presidente ou o Vice-Presidente do TRE. Em regra, é nomeado
como Corregedor o Vice-Presidente do TRE. Contudo, temos que ter atenção
ao que dispõe o Regimento Interno do TRE, pois alguns preveem que caberá a
ao Presidente a função de Corregedoria e, até mesmo, a outro membro do TRE
(contrariamente ao previsto na Lei).

CF-88
Art. 120
§ 2º - O Tribunal Regional Eleitoral elegerá seu Presidente e o
Vice-Presidente dentre os desembargadores (Leia-se:
Desembargadores do TJ).
Código Eleitoral
Art. 26. O Presidente e o Vice-Presidente do Tribunal Regional serão
eleitos por este dentre os três desembargadores do Tribunal de
Justiça; o terceiro desembargador será o Corregedor Regional da
Justiça Eleitoral. (NÃO APLICÁVEL!)

No mesmo sentido da Corregedoria-Geral Eleitoral (do TSE), para o


Corregedor Regional, cabem as seguintes considerações:
1. as atribuições do Corregedor serão fixadas pelo TSE
(Resolução) ou pelo TRE, em caráter supletivo;

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2. poderá se locomover às Zonas Eleitorais por


determinação do TSE ou do TRE, a pedido de juízes
eleitorais, a requerimento de partido ou quando
necessário;
3. os provimentos (regulamentos correcionais) emanados da
Corregedoria-Geral vinculam as Corregedorias
Regionais.

Art. 26
§ 1º As atribuições do Corregedor Regional serão fixadas pelo
Tribunal Superior Eleitoral e, em caráter supletivo ou complementar,
pelo Tribunal Regional Eleitoral perante o qual servir.
§ 2º No desempenho de suas atribuições o Corregedor Regional se
locomoverá para as zonas eleitorais nos seguintes casos:
I - por determinação do Tribunal Superior Eleitoral ou do Tribunal
Regional Eleitoral;
II - a pedido dos juízes eleitorais;
III - a requerimento de Partido, deferido pelo Tribunal Regional;
IV - sempre que entender necessário.

Procurador Regional Eleitoral. Quem é?


O caput do art. 27 do Código Eleitoral foi revogado pelos arts. 76 e
77 da Lei Complementar nº 75/1993, que dispõe sobre o estatuto do Ministério
Público da União (MPU).
Por incrível que pareça, o Procurador Regional Eleitoral (PRE)
não é o Chefe do Ministério Público Estadual e nem do Federal. É um
Procurador Regional da República ou um Procurador da República com
exercício no Estado. O Procurador Regional da República e o Procurador da
República fazem parte da carreira do Ministério Público Federal (é como se
fossem “Promotores Federais”).
O Procurador Regional da República é o “fim de carreira” do
Procurador da República.
Na prática, o Procurador Regional Eleitoral acaba sendo um
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Procurador da República lotado no Estado (quase nunca é um Procurador


Regional da República). O Procurador Regional Eleitoral chefia o MP Eleitoral no
Estado, inclusive coordenando e chefiando os Promotores Eleitorais do
Estado (Promotores de Justiça da Justiça Estadual de 1º Grau, com funções
Eleitorais).
Sobre o Procurador Regional da República destaco os seguintes
pontos:
1. O caput do art. 27 do Código Eleitoral está revogado, não
regulamento mais a matéria;
2. O Procurador Regional Eleitoral pode ser um Procurador
Regional da República ou um Procurador da República
vitalício, tanto nos Estados quanto no Distrito Federal;

LC 75/93 – Lei Orgânica do Ministério Público da União (MPU)


Art. 76. O Procurador Regional Eleitoral, juntamente com o seu
substituto, será designado pelo Procurador-Geral Eleitoral,
dentre os Procuradores Regionais da República no Estado e no
Distrito Federal, ou, onde não houver, dentre os Procuradores
da República vitalícios, para um mandato de dois anos.
§ 1º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser reconduzido uma
vez.
§ 2º O Procurador Regional Eleitoral poderá ser destituído, antes do
término do mandato, por iniciativa do Procurador-Geral Eleitoral,
anuindo a maioria absoluta do Conselho Superior do Ministério
Público Federal.
Art. 77. Compete ao Procurador Regional Eleitoral exercer as
funções do Ministério Público nas causas de competência do Tribunal
Regional Eleitoral respectivo, além de dirigir, no Estado, as
atividades do setor.
Parágrafo único. O Procurador-Geral Eleitoral poderá designar, por
necessidade de serviço, outros membros do Ministério Público
Federal para oficiar, sob a coordenação do Procurador Regional,
perante os Tribunais Regionais Eleitorais.
REVOGADO
Código Eleitoral

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Art. 27. Servirá como Procurador Regional junto a cada Tribunal


Regional Eleitoral o Procurador da República no respectivo Estado e,
onde houver mais de um, aquele que for designado pelo Procurador
Geral da República.

Procuradores Eleitorais junto aos Tribunais Eleitorais:

Procurador-Geral da República
No TSE
(PGR)

PROCURADOR REGIONAL DA
REPÚBLICA ou
PROCURADOR DA REPÚBLICA –
Nos TREs
investidos da função de
Procurador Regional Eleitoral
(PRE)

Deliberações dos TREs.


As deliberações dos TREs serão realizadas por maioria de votos,
em sessão pública, com presença da maioria de seus membros.
Mais uma vez, digo que constitui a maioria de seus membros é o 1º
número inteiro acima da metade dos membros. No caso dos TREs que possuem
7 Membros, o 1º nº inteiro acima da metade é 4 Membros.
Assim, para o TRE efetivamente deliberar sobre alguma matéria
eleitoral, deverão estar presentes pelo menos 4 dos Membros (a metade é
3,5, e o 1º nº inteiro acima da metade é 4).
Caso não haja quórum para início dos trabalhos, serão convocados
substitutos dos membros.

Código Eleitoral
Art. 28. Os Tribunais Regionais deliberam por maioria de votos,
em sessão pública, com a presença da maioria de seus membros.

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Aula 1
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§ 1º No caso de impedimento e não existindo quorum, será o


membro do Tribunal substituído por outro da mesma categoria,
designado na forma prevista na Constituição.

Suspeição de Membros dos TREs.


Da mesma forma que para o TSE, a previsão legal de arguição de
suspeição de algum Desembargador do TRE, do Procurador Regional, ou
mesmo dos funcionários de sua secretaria, visa impedir eventuais decisões
parciais em favor ou em desfavor de algum candidato ou partido.
Atenção!
Observem que, diferentemente do TSE, para os TREs o Código
Eleitoral somente previu a hipótese de arguição de suspeição, em nada
mencionou sobre a arguição de impedimento.
O art. 28, §1º, do Código Eleitoral preleciona sobre impedimento
para Membro do TRE, porém, diferentemente do previsto para o TSE no art. 20
(faculdade de qualquer interessado arguir a SUSPEIÇÃO e o IMPEDIMENTO dos
Membros do TSE, Procurador-Geral e funcionários), o art. 28 previu que
somente poderá ser arguida a SUSPEIÇÃO de Membro do TRE, não
facultando a possibilidade de arguição de impedimento.
Conforme o Código Eleitoral, em caso de impedimento, o membro
do TRE será simplesmente substituído, não havendo a necessidade de
arguição de impedimento e a mesma proporção jurídica na hipótese do TSE. Já
em caso de SUSPEIÇÃO de membro do TRE, cabe ARGUIÇÃO de suspeição e
eventual recurso para o TSE.
Repito o já relatado linhas atrás:
O impedimento legal gera a presunção absoluta de
parcialidade do Juiz (ex: um Juiz que seria parte no processo que ele mesmo
julgaria). Já a simples suspeição gera presunção relativa de parcialidade,
dependente de prova (ex: amigo íntimo ou inimigo mortal de alguma das
partes do processo).
As hipóteses de suspeição e impedimento estão previstas na Lei
Civil e na Lei Penal (especialmente no Código de Processo Civil e no Código de
Processo Penal), salvo quanto ao motivo de parcialidade partidária, que é
prevista no art. 20 do Código Eleitoral. Então, pelo menos a parcialidade

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partidária é um dos motivos previstos diretamente na lei eleitoral para


arguição de impedimento e suspeição.
Ademais, referido dispositivo prevê que qualquer interessado
poderá argüir a suspeição no TRE, mas não somente dos Membros do
Tribunal, mas também poderá ser impugnada a imparcialidade também do
Procurador Regional e de funcionários da Secretaria do Juízo Eleitoral.
Ademais, no caso dos TREs, é prevista a hipótese de Recurso
voluntário para o TSE em caso de não aceitação pelo TRE da arguição de
suspeição do Desembargador, do Procurador Regional, ou de funcionários da
sua Secretaria, assim como dos Juízes e escrivães eleitorais.

Código Eleitoral
Art. 28.
§ 1º No caso de IMPEDIMENTO e não existindo quorum, será o
membro do Tribunal substituído por outro da mesma categoria,
designado na forma prevista na Constituição.
§ 2º Perante o Tribunal Regional, e com recurso voluntário para o
Tribunal Superior qualquer interessado poderá argüir a
SUSPEIÇÃO dos seus membros, do Procurador Regional, ou de
funcionários da sua Secretaria, assim como dos juízes e
escrivães eleitorais, nos casos previstos na lei processual civil e
por motivo de parcialidade partidária, mediante o processo previsto
em regimento.
§ 3º No caso previsto no parágrafo anterior será observado o
disposto no parágrafo único do art. 20.
Art. 20.
Parágrafo único. Será ilegítima a suspeição quando o excipiente
(quem propõe a exceção de suspeição) a provocar ou, depois de
manifestada a causa, praticar ato que importe aceitação do argüido.

Decisões dos TREs e Recursos.


Lembrando: das decisões do TSE cabe algum recurso?
Segundo o art. 121, §3º, da CF-88, são IRRECORRÍVEIS as
decisões do TSE (como regra), salvo as que contrariarem a Constituição e

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as denegatórias de Habeas Corpus e de Mandando de Segurança.


Contudo, em relação às decisões dos TREs, são também
irrecorríveis?
Igualmente às decisões do TSE, como regra, das decisões dos TREs
NÃO cabem recursos!
Então, a regra é que, das decisões do TSE e dos TREs NÃO CABEM
RECURSOS!
Somente caberá recurso de decisão do TRE nos seguintes casos,
previstos no art. 121, §4º da CF-88, assim resumidos:
1. decisão proferida contra disposição expressa da
Constituição ou de Lei;
2. quando ocorrer divergência na interpretação de lei entre 2
ou mais TREs – o TSE funcionará como uniformizador das
decisões dos TREs;
3. decisão que verse sobre inelegibilidade ou expedição de
diplomas federais ou estaduais - NÃO CABERÁ RECURSO
para o TSE de decisão sobre inelegibilidade ou expedição de
diplomas MUNICIPAL! Pode ser pegadinha de prova!
4. decisão que anular diploma ou decretar a perda de
mandatos eletivos federais e estaduais - NÃO CABERÁ
RECURSO para o TSE de decisão que anular diploma ou
decretar a perda de mandato MUNICIPAL! Pode ser pegadinha
de prova!
5. decisão que denegar:
a. Habeas Corpus;
b. Mandado de Segurança;
c. Habeas Data;
d. Mandado de Injunção.

CF-88
Art. 121
§ 4º - Das decisões dos Tribunais Regionais Eleitorais somente
caberá recurso quando:

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I - forem proferidas contra disposição expressa desta


Constituição ou de lei;
II - ocorrer divergência na interpretação de lei entre dois ou
mais tribunais eleitorais;
III - versarem sobre inelegibilidade ou expedição de diplomas
nas eleições federais ou estaduais;
IV - anularem diplomas ou decretarem a perda de mandatos
eletivos federais ou estaduais;
V - denegarem "habeas-corpus", mandado de segurança,
"habeas-data" ou mandado de injunção.

Quadrinho para MEMORIZAÇÃO:


Decisões dos Tribunais Eleitorais X RECURSOS
EXCEÇÃO
TRIBUNAIS REGRA
(DECISÕES RECORRÍVEIS)

NÃO CABEM a) contrariarem a


TRIBUNAL SUPERIOR RECURSOS das Constituição;
ELEITORAL (TSE) decisões do TSE (art. b) denegatórias de HC e de
121, §3º, da CF) MS.

NÃO CABEM a. decisão proferida contra


TRIBUNAIS disposição expressa da
RECURSOS das
REGIONAIS Constituição ou de Lei;
decisões dos TREs
ELEITORAIS (TREs) b. quando ocorrer
(art. 121, §4º, da CF)
divergência na

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interpretação de lei
entre 2 ou mais TREs;
c. decisão que verse sobre
inelegibilidade ou
expedição de diplomas
federais ou estaduais; -
NÃO MUNICIPAL!;
d. decisão que anular
diploma ou decretar a
perda de mandatos
eletivos federais e
estaduais - NÃO
MUNICIPAL!;
e. decisão que denegar:
a. Habeas Corpus;
b. Mandado de
Segurança;
c. Habeas Data;
d. Mandado de
Injunção.

Obs: nesta aula estudamos a composição do TSE e dos TREs. Na próxima aula
veremos as competências de cada um dos Tribunais Eleitorais. Agora vamos
praticar um pouco...

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