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Exploração de diatomito em Amieira (Sesimbra): um interessante

exemplo de património geológico-mineiro


The diatomite mine at Amieira (Sesimbra): an interesting example of
geological-mining heritage

P. S. Caetano 1 & P. Rodrigues 2


1
Centro de Investigação em Geociências Aplicadas, Quinta da Torre, 2829-516 Caparica
2
Escola Secundária de Sampaio, 2970 Sesimbra
pcsc@fct.unl.pt; panagu@netvisao.pt

SUMÁRIO
Na região de Sesimbra encontram-se algumas ocorrências de diatomito que foram objecto de exploração
mineira, sendo que o depósito mais intensamente explorado se localiza nas proximidades de Amieira; associado
ao jazigo mineral, encontra-se também uma unidade transformadora. Esta mina está abandonada desde 1984 mas
apresenta um conjunto de características que lhe conferem um elevado interesse patrimonial geológico-mineiro e
que justificam a tomada de medidas que promovam a sua preservação.
Palavras-chave: mina de diatomito, património geológico-mineiro, Sesimbra

SUMMARY
Several occurrences of diatomite are found in the region of Sesimbra, some of which were exploited by mining
industries; the largest of these mines is located near Amieira. Although abandoned since 1984, the Amieira
diatomite mine presents many interesting characteristics that grant it a high value as a geological-mining
heritage site that should be preserved.

Key-words: diatomite mine, geological-mining heritage, Sesimbra

depósitos de lignito. A Sul do Tejo são também


Introdução
conhecidas algumas ocorrências no Barreiro e, em
O diatomito, conhecido também por outras
especial, na região de Sesimbra. Aqui, foram
designações1, é uma matéria-prima explorada com
atribuídas concessões de exploração em vários locais
variadas finalidades, essencialmente industriais:
nas vizinhanças da Lagoa de Albufeira: Coelheira,
agente de polimento, pastas dentífricas, filtrante,
Abogaria, Ferrarias e Amieira (já próximo de
cimento, revestimentos, isolante térmico, entre
Alfarim). No total do distrito de Setúbal, a produção
outras. Uma das mais particulares aplicações de
destas explorações chegou a atingir um total de 750
diatomito, já histórica, foi a da utilização no fabrico
toneladas, em 1957 e de somente 112 em 1962 [2].
de dinamite devido à sua elevada capacidade
A última das concessões referidas, a mina de
absorvente.
Amieira, terá sido a que mais intensamente lavrou e
As ocorrências de diatomito mais conhecidas em
produziu, até ao seu encerramento em 1984. Neste
Portugal encontram-se a Norte do Tejo, sobretudo
local, para além do jazigo mineral encontra-se nas
nas regiões de Rio Maior e Óbidos. Nestas áreas os
proximidades a respectiva unidade de transformação
depósitos de diatomito foram extensamente
da matéria-prima. É este conjunto, jazigo e unidade
explorados, frequentemente em associação com
transformadora, que apresenta características
patrimoniais extremamente interessantes e que
1 serão, de seguida, descritos neste trabalho.
e.g.: trípoli, kieselghur, farinha fóssil, terra dos
antigos, terra de diatomáceas, entre outras [1]

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Enquadramento geológico A extracção era efectuada de modo artesanal, com
Os depósitos de diatomito da região da Península de recurso somente a enxada e picareta, e o material
Setúbal encontram-se intercalados na parte superior extraído transportado, em carrinho-de-mão, até à
da unidade “P3Q – complexo superior de areias unidade transformadora (conhecida localmente por
finas, bem calibradas, com intercalações “fábrica de giz”) que se situava a cerca de 100 m de
conglomeráticas, diatomitos e lignitos”, datado do distância (Fig. 3). Aqui o material era descarregado
Plio-Plistocénico [3], assinalada na cartografia no anexo do edifício que funcionava como armazém
geológica como unidade “PTC - Areias Feldspáticas (Fig. 4).
de Fonte da Telha e de Coina” [4] ou, na edição
mais recente, como unidade “PSM – Formação de
Santa Marta” [5]. O ambiente deposicional parece
corresponder a sedimentação subaquática fluvio-
lacustre, com alimentação de areias eólicas
provenientes de oeste [3].
O jazigo de diatomito de Amieira
Em Amieira, cerca de 1 km para NNE de Alfarim,
encontra-se o jazigo de diatomito que mais
intensamente foi explorado entre todos os da região
de Sesimbra; a exploração está assinalada na carta
geológica de Setúbal [4] como “exploração mineira
suspensa ou abandonada”.
O jazigo é de pequena dimensão sendo que, no Fig. 3: Aspecto geral da unidade transformadora
máximo, o depósito explorado não excede os 3 m de (“fábrica de giz”) da mina de Amieira.
espessura; o diatomito é de cor esbranquiçado e
apresenta leitos arenosos intercalados (Figs. 1 e 2).

Fig. 4: O armazém de diatomito no interior do


Fig. 1: Aspecto geral de uma frente de exploração do edifício.
jazigo de diatomito de Amieira. Uma vez chegado ao armazém, o material era
encaminhado para transformação que consistia,
fundamentalmente, em moagem, primeiro mais
grosseira, depois mais fina, seguido de separação
granulométrica por gravidade e embalagem de pó de
diatomito em sacas de papel.
Assim, os blocos de diatomito armazenados eram
colocados numa calha onde um veio sem-fim (Fig.
5) os desagregava e transportava até um de dois
moinhos eléctricos (seleccionados consoante a
granulometria pretendida). A partir destes moinhos o
material moído circulava por um conjunto de
ciclones (Fig. 6) nos quais se efectuava a separação
granulométrica (em 3 fracções diferentes). Cada
fracção recolhida era então embalada em sacas de
papel cujo peso final variava entre 18 a 20 kg, que
Fig. 2: Pormenor dos níveis de diatomito. eram cozidas à mão pela única funcionária da mina,
e nas quais era pintada a identificação da empresa

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Fig. 5: Veio sem-fim para desagregação e transporte
de diatomito. Fig. 8: Embalagens de diatomito moído ainda
armazenados no interior da unidade transformadora.

Para além do equipamento atrás descrito é de referir


a existência, em razoável estado de conservação, de
um motor a fuel (Fig. 9), cuja função principal era a
de accionar o funcionamento do veio sem-fim de
transporte do diatomito para os moinhos.
Simultaneamente, todo o calor produzido pelo
funcionamento do motor era recuperado e utilizado
para aquecimento da calha de transporte de modo a
secar alguma humidade existente nos blocos de
diatomito e a impedir que o veio encravasse. Por
outro lado, este motor fazia funcionar um gerador
que, para além de alimentar os motores eléctricos
Fig. 6: Ciclones para separação granulométrica. dos moinhos, fornecia energia eléctrica para todo o
edifício.
mineira e a designação do produto final: “Diatomite
Alfar” (Fig. 7). No interior do edifício encontra-se
ainda armazenada uma grande quantidade destas
sacas com os diferentes tipos de moagem que nunca
chegaram a ser comercializadas (Fig. 8). O destino
final deste produto era, principalmente, para
aplicação na construção civil (revestimentos e
isolantes).

Fig. 9: Motor a fuel fonte de energia da mina.

Considerações finais
Do ponto de vista científico, o jazigo de diatomito
de Amieira constitui um dos melhores afloramentos
para observação das intercalações de diatomito do
topo da unidade plio-plistocénica “Formação de
Santa Marta”. Por outro lado, a correlação entre este
Fig. 7: Chapas para inscrição do nome da empresa e
depósito e outros similares encontrados a Norte do
do produto “diatomite Alfar”.
Tejo, permite efectuar reconstituições

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paleogeográficas a nível de toda a Bacia do Baixo [3] Carvalho, A. M. G. (1968) Contribuição para o
Tejo. conhecimento geológico da Bacia Terciária do Tejo. Mem.
Do ponto de vista didáctico e cultural, o local Serv. Geol. Portugal, nº 15 (nova série), Lisboa, 210 p. +
apresenta um excelente exemplo da importância da 20 estampas.
Geologia para a Sociedade através da demonstração [4] Manuppella, G., Antunes, M. T., Pais, J., Ramalho, M.
do aproveitamento de materiais geológicos, e M. & Rey, J. (1999) Carta Geológica da Portugal na escala
constitui simultaneamente um local com elevado 1/50 000. Notícia explicativa da folha 38-B (Setúbal). Inst.
Geol. Min., Lisboa, 143 p.
interesse em termos de Arqueologia Industrial.
A mina de diatomito de Alfarim apresenta, assim, [5] Costa, C. (coord. geral) et al. (2005) Carta Geológica
um elevado interesse patrimonial sob vários aspectos da Área Metropolitana de Lisboa na escala 1/50 000,
Folha 38B-Setúbal. JML/FFCTUNL/INETI, Lisboa.
e justifica claramente a tomada de medidas que
possam permitir a sua preservação, manutenção e
posterior divulgação através, por exemplo, da sua
musealização.
No entanto, alguns dos principais obstáculos à
protecção do local prendem-se com questões de
propriedade, tanto do terreno como da concessão
mineira, e com outras relacionadas com projectos de
utilização previstas para a área (classificada em carta
de ordenamento do plano director municipal como
“espaço para equipamentos”). Deste modo, só a
intervenção conjunta de várias entidades, desde a
autarquia local ao ICN, passando pelo ex-IGM
(INETI) e, certamente, pela colaboração dos
próprios proprietários do terreno e da exploração,
tornará viável a salvaguarda deste rico património
geológico-mineiro.
Uma nota final para o registo da acelerada
degradação da Mina de Amieira, com a queda de
parte do telhado durante o último Inverno, o que
torna cada vez mais premente a realização de acções
de recuperação e manutenção do edifício.
Agradecimentos
São devidos agradecimentos: ao Dr. Cristóvão
Rodrigues por nos ter chamado a atenção para a
existência da “fábrica de giz” em Alfarim; ao Sr.
António Xavier de Lima que pessoalmente nos
autorizou a visitar e estudar o local; ao Sr. Acácio,
antigo trabalhador na mina, que nos guiou nas visitas
efectuadas, que nos descreveu todo o processo de
laboração da mina e que nos relatou vários episódios
interessantes da vivência da empresa; finalmente,
aos nossos alunos que nos acompanharam no campo
e colaboraram neste trabalho.
Uma palavra de agradecimento vai ainda para o
colega Carlos Marques da Silva pelos pertinentes
comentários e sugestões que melhoraram o texto
final desta comunicação.
Referências Bibliográficas
[1] Silva, A. A. (1946) Diatomáceas fósseis de Portugal –
jazigos de Rio-Maior, Óbidos e Alpiarça. Bol. Soc. Geol.
Port., Lisboa, Vol. VI, fasc. I e II, pp. 5-160.
[2] Zbyzewski, G., Veiga Ferreira, O., Manuppella, G. &
Torre de Assunção, C. (1965) Carta Geológica da Portugal
na escala 1/50 000. Notícia explicativa da folha 38-B
(Setúbal). Serv. Geol. Portugal, Lisboa, 134 p.

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