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Notas de Estudo:

Teoria Analı́tica dos Números

Rodrigo Abdo
rfabdo89@yahoo.com.br
Índice

1 Considerações Preliminares 2
1.1 Princı́pio da Indução Matemática . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2 Prova por Indução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.3 Generalizações . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.4 Coeficientes Binomiais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4

2 Teorema Fundamental da Aritmética 7


2.1 Princı́pios da Divisibilidade . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.2 Máximo Divisor Comum . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
2.3 Números Primos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9
2.4 Teorema Fundamental da Aritmética . . . . . . . . . . . . . . 10
2.5 Propriedades . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
2.6 Números de Fermat . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.7 2n − 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.8 Série dos Recı́procos dos Primos . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

3 Funções Aritméticas 15
3.1 Função Möbius µ(n) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
3.2 A Função Totiente de Euler ϕ(n) . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3.3 O produto de Dirichlet ou Convolução de Dirichlet . . . . . . 17
3.4 Função Identidade para o Produto de Dirichlet . . . . . . . . . 18
3.5 Função inversa do produto de Dirichlet . . . . . . . . . . . . . 18
3.6 Inversão de Möbius . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
3.7 Função Mangoldt Λ(n) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
3.8 Funções Multiplicativas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3.9 Funções Multiplicativas e o Produto de Dirichlet . . . . . . . . 25
3.10 Inversa de uma função completamente multiplicativa . . . . . 26
3.11 Função Liouville . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.12 Função Divisor . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29

Referências Bibliográficas 32

1
Capı́tulo 1

Considerações Preliminares

1.1 Princı́pio da Indução Matemática


Definição 1. Todo conjunto não vazio de naturais que contenha o elemento
m, n + 1 e n tal que n ≥ m, é composto por todos os naturais maiores que
m.

Prova.

Seja o conjunto S que contenha o número natural m e n + 1, com n ∈ S


onde n ≥ m. Seja T o conjunto não vazio de todos os naturais maiores que m
que não estão em S. Pelo Princı́pio da Boa-Ordenação, existe um r máximo
em T . Mas r − 1 ≥ m, então r − 1 ∈ S e se r − 1 ≥ m, logo (r − 1) + 1 ≥ m.
Por indução r, r −1, r −2, r −3, · · · , m ∈ S. O que prova que T é um conjunto
vazio e S contém todos os naturais maiores que m.

1.2 Prova por Indução


Definição 2. A partir do conceito acima, é possı́vel criar um modelo para
se provar um modelo de infinita posições. Consistem em:

1. Mostrar que o enunciado vale para n = 1.

2. Mostrar que, se o enunciado vale para n = k, então o mesmo enunciado


vale para n = k + 1.

Exemplo 1.
p(n) = 1 + 3 + 5 + · · · + (2n − 1) = n2

2
CAPÍTULO 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 3

Para p(1) é simples pois 1 = 12 . Assumindo agora que p(n) é valido para
todos os naturais n, faremos k = n e provaremos que a igualdade vale para
k + 1.
p(k) = 1 + 3 + 5 + · · · + (2k − 1) = k 2
p(k + 1) = 1 + 3 + 5 + · · · + (2k − 1) + (2k + 1) = k 2 + (2k + 1)
p(k + 1) = 1 + 3 + 5 + · · · + (2k − 1) + (2k + 1) = (k + 1)2
Exemplo 2.
n(n + 1)
p(n) = 1 + 2 + 3 + ... + n =
2
Como p(1) é válido assumiremos para k e provaremos que a igualdade vale
para k + 1.

k(k + 1)
1 + 2 + ... + k =
2
k(k + 1)
1 + 2 + ... + k + (k + 1) = + (k + 1)
2
k(k + 1) 2(k + 1) (k + 2)(k + 1)
= + =
2 2 2
Exemplo 3.
n(n + 1)(2n + 1)
12 + 22 + 32 + · · · + n2 =
6
Como é válido para p(1), tomamos válido para p(k) e provaremos para p(k +
1).

k(k + 1)(2k + 1)
12 + 22 + 32 + · · · + k 2 + (k + 1)2 = + (k + 1)2
6
(k + 1)(k + 2)(2k + 3)
12 + 22 + 32 + · · · + k 2 + (k + 1)2 =
6
Exemplo 4.  2
3 3 3 3 n(n + 1)
1 + 2 + 3 + ··· + n =
2
Se p(1) é verdadeiro, tomaremos p(k) como verdade e provaremos que a igual-
dade vale para p(k + 1).
 2
3 3 3 3 3 k(k + 1)
1 + 2 + 3 + · · · + k + (k + 1) = (k + 1)3
2
 2
3 3 3 3 3 (k + 1)(k + 2)
1 + 2 + 3 + · · · + k + (k + 1) =
2
CAPÍTULO 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 4

1.3 Generalizações
Definição 3. É um caso especial, para quando não se quer provar para todos
os naturais, apenas para os maiores ou iguais a b.

1. Mostrar que o enunciado vale quando n = b.

2. Mostrar que se o enunciado vale para n = k ≥ b, então o mesmo


enunciado também vale para n = k + 1.

1.4 Coeficientes Binomiais


Definição 4. Para 0 ≤ k ≤ n temos:
 
n n!
= (1.1)
k k!(n − k)!

Algumas consequências da definição:


 
n n(n − 1) · · · (k + 1) n(n − 1) · · · (n − k + 1)
= =
k (n − k)! k!

É possı́vel notar que:


   
n n
= =1
n 0
Definição 5. Regra de Pascal.
     
n n n+1
+ = (1.2)
k k−1 k
Prova.

A prova consiste em multiplicar a igualdade:


1 1 n+1
+ =
k n−k+1 k(n − k + 1)
por:
n!
(k − 1)!(n − k)!
Então:
CAPÍTULO 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 5

n! n! (n + 1)n!
+ =
k(k − 1)!(n − k)! (k − 1)!(n − k + 1)(n − k)! k(k − 1)!(n − k + 1)
n! n! (n + 1)!
= + =
k!(n − k)! (k − 1)!(n − k + 1)! k!(n + 1 − k)!
     
n n n+1
= + =
k k−1 k
Definição 6. Expansão Binomial
         
n n n n n−1 1 n n−2 2 n n−1 n n
(a + b) = a + a b + a b +···+ ab + b
0 1 2 n−1 n
(1.3)
Definição 7.
n  
X n n−k k
a b (1.4)
k=1
k
Prova.

Usando Indução temos:


n      
1
X n 1−k k 1 1
(a + b) = a b = a+ b=a+b
k=1
k 0 1
Tomando a igualdade válida para m, provaremos para m + 1

(a + b)m+1 = a(a + b)m + b(a + b)m


X m m  
m m−k+1 k m+1
X m m−k k
a(a + b) = a b =a + a b
k k=1
k
m   m  
m
X m m−k k+1 X m
b(a + b) = a b = am−k bk + bm+1
k=0
k k=1
k − 1
Somando as duas equações:

m    
m m m+1 m+1
X m m
a(a + b) + b(a + b) = a +b + + am−k+1 bk =
k=1
k k−1
m+1
X 
m + 1 m−k+1 k
= a b
k=0
k
CAPÍTULO 1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES 6

Definição 8. Triângulo de Pacal

1 1
1 2 1
1 3 3 1
1 4 6 4 1
1 5 10 10 5 1
1 6 15 20 15 6 1
···

O Triângulo de Pascal é basicamente um algoritmo que revela os coefi-


cientes de uma expansão binomial.

Exemplo 1.
(a + b)1 = a + b

Exemplo 2.
(a + b)2 = a2 + 2ab + b2

Exemplo 3.
(a + b)3 = a3 + 3a2 b + 3ab2 + b3

Exemplo 4.
(a + b)4 = a4 + 4a3 b + 6a2 b2 + 4ab3 + b4
Capı́tulo 2

Teorema Fundamental da
Aritmética

2.1 Princı́pios da Divisibilidade


Usaremos a definição de divisibilidade e criaremos a seguinte notação: Se
d divide n, então escrevemos d|n. Algumas propriedades importantes podem
ser citadas:

(a) n|n
(b) d|n e n|m então d|m
(c) d|n e d|m implica que d|m+n
(d) ad|an então d|n para a6=0
(e) 1|n
(f) 0|n para n6=0
(g) n|0

2.2 Máximo Divisor Comum


Definição 9. se d é um natural tal que: d|a, d|b e e|d, com e representando
os demais divisores comuns além de d , então d é chamado de máximo divisor
comum. A notação mais comum para mdc é (a, b)

Definição 10. Se dois inteiros a e b possuem um divisor em comum d , que


seja o menor elemento da combinação linear de a e b, então d = (a, b), com
x e y sendo os coeficientes de Bézout.

7
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 8

d = ax + by (2.1)

Prova.

1o Caso: a=b=0 com d=0


2o Caso: b=0 e a6=0 com d=|a| e x=±1
3o Caso: a=0 e b6=0 com d=|b| e y=±1
4o Caso: a6=0 e b6=0. Sendo (a, b) = (|a|, |b|), e a > 0 b > 0. Iremos provar
que o menor elemento oriundo das combinações lineares de a, b e contido em
N é o mdc.

Seja (a, b) = d e I = {xa + yb|, x, y ∈ Z}∩N. Como a = 1a+0b e analoga-


mente para b, segue que I 6= e é limitado inferiormente, pois I ⊆ N. Se
δ = M in(I) e δ = xa + yb, provaremos que δ = d.

Pelo algoritmo da divisão temos que a = δq + r em que 0 ≤ r ≤ δ, assim:


r = a − δq = a − (xa + yb)q = (1 − xq)a + (−yq)b
Se δ = M in(I) e 0 ≤ r ≤ δ, então r=0, pois r 6= 0 implicaria que r ∈ I,
o que entraria em contradição com a minimalidade de δ. Portante a = δq e
analogamente para b. É possı́vel dizer então δ|a e δ|b, e posteriormente δ|d.
Como d|xa + yb, então d|δ. E das conclusoes δ|d e d|δ podemos dizer que
δ = d.

Propriedades do Mdc.

(a) (a,b)=(b,a)
(b) (a,(b,c))=((a,b),c)
(c) (ac,bc)=|c|(a,b)

Prova(c).

Se d = (a, b) e m = (ac, bc) temos:


d=ax+by
cd=acx+bcy
Segue então que (ac, bc) = cd = c(a, b)
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 9

2.3 Números Primos


Um inteiro n é chamado de primo se n¿1 e seus únicos divisores positivos
são n e 1. Se n não é um primo, então ele é chamado de Composto.

Definição 11. ∀n ∈ N é um primo ou um produto de primos.

Prova.

Usando o princı́pio da indução completa temos:

Para a=2 , existe uma decomposição trivial, já que 2 é primo. Seja agora
um número b, 2 ≤ b ≤ a . Suponhamos que exista uma decomposição para
todo inteiro b, mostraremos que existe também para a. Se a for primo, ad-
mite uma decomposição trivial, caso contrário admite um divisor b, então
a=cb com 1¡c¡a . Pela hipótese acima, como b tem uma decomposição, c
também admite uma. Como b = p1 .p2 · · · ps e c = q1 .q2 · · · qk , que implica
imdeiatamente que bc = p1 .p2 · · · ps .q1 .q2 · · · qk

Definição 12 (Unicidade da Decomposição). Todo número admite somente


uma decomposição.

Prova.

Seja a ∈ N , e vamos admitir que ele possuı́a duas decomposições por


números primos, uma sendo pi e a outra qi . Então:

a = p1 · · · pk = q1 · · · qs em que q1 < q2 < q3 < · · · < qk como se trata


de um mesmo número podemos dizer que q1 |p1 · · · pk , mas como pi é primo,
q1 = pi , tal que q1 ≥ p1 , de forma análoga pode-se obter p1 = qi em que
p1 ≥ q1 . Das desigualdades podemos deduzir que p1 = q1 . Generalizando,
qj ≥ pi e pi ≥ qj , o que resulta em pi = qj , comprovando a unicidade da
decomposição.

Definição 13 (Lema de Euclides). Se a|ab e (a, b) = 1, então a|c

Prova.

Desde que (a, b) = 1 podemos escrever: 1 = ax + by. Portanto c =


acx + bcy, e se a|ac e a|bc então a|c.
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 10

2.4 Teorema Fundamental da Aritmética


Definição 14. Teorema Fundamental da Aritmética
Prova.

Se para cada decomposição, agruparmos os eventuais primos repetidos,


temos:
r
Y
a= pn1 1 pn2 2 pn3 3 · · · pnk k = pai i (2.2)
i=1
nk
Definição 15. Se um número pn1 1 pn2 2 pn3 3 · · · pk , o conjuntos de divisores é
formado por todas as combinações entre pn1 1 pn2 2 pn3 3 · · · pnk k
Prova.

Se a = pn1 n2 n3 nk
1 p2 p3 · · · pk então p1 |a, p2 |a, pk |a, analogamente para os outros
ni+j
tipo de divisores do tipo,pni i .pi+j , então a quantidade de divisores pode ser
dada da seguinte maneira:
k
Y
(n1 + 1) (2.3)
i=1
Definição 16.QSe dois números inteiros a e b possuem uma fatorização,
então (a, b) = ki=1 pci i , com Pici representando um divisor comum de menor
expoente.
Prova.
z1
Seja a = pn1 nk zs
1 · · · pk e q1 · · · qs . Temos que d = (a, b) e é composto pela
combinação dos demais divisores comuns, pois d|a, b e e|d com e sendo os
demais divisores comuns. Se pi = qs , então é necessário que ci = M in(ni , zs )
para que pni k |qszs ou qszs |pni k .
k
Y
(a, b) = pci i (2.4)
i=1

2.5 Propriedades
Definição 17.
  
a k b h
(ah, bk) = (a, b)(h, k) , , (2.5)
(a, b) (h, k) (a, b) (h, k)
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 11

Prova.

Seja p1 = 2, p2 = 3, p3 = 5, · · ·, e a função min(m, n) denota o menor


inteiro.Se ai , bi , hi , ki são os coeficientes de cada pi , então:
m
Y min(ai +hi ,bi +ki )
(ah, bk) = pi
i=1

Para cada expoente de um primo teremos:

e(pi ) = min(ai + hi , bi + ki )
Para o outro membro da equação:

m m m m
min(ai −min(a1 ,b1 ),ki −min(hi ,ki ))
Y min(ai ,bi )
Y min(hi ,ki )
Y min(hi ,ki )
Y
= pi pi pi pi
i=1 i=1 i=1 i=1

m
min(bi −min(a1 ,b1 ),bi −min(hi ,ki ))
Y
pi
i=1

Para cada expoente:

e0 (pi ) = min(ai , bi ) + min(hi , ki ) + min(ai − min(ai , bi ) + ki − min(hi , ki ))

+min(bi − min(ai , bi ), hi − min(hi , ki ))


Se ai ≤ bi e hi ≤ ki :

e0 (pi ) = a + h + 0 + 0 = a + h ai + hi ≤ bi + ki

Se ai ≤ bi e ki ≤ hi

0 bi + ki se bi − ai ≤ hi − ki ou bi + ki ≤ ai + hi
e (pi ) = ai +ki +min(bi −ai , hi −ki ) =
ai + hi se hi − ki ≤ bi − ai ou ai + hi ≤ bi + ki

Se bi ≤ ai e ki ≤ hi

e0 (pi ) = bi + ki + 0 + 0 = bi + ki bi + ki ≤ ai + hi

Se bi ≤ ai e hi ≤ ki

0 ai + hi se ai − bi ≤ ki − hi ou ai + hi ≤ bi + ki
e (pi ) = bi +hi +min(ai −bi , ki −hi )
bi + ki se ki − hi ≤ ai − bi ou bi + ki ≤ ai + hi
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 12

Para finalizar a prova, podemos escrever a partir das conclusões acima:

e0 (pi ) = min(ai + hi , bi + ki )
Provamos então que se e(pi ) = e0 (pi ) então:
  
a k b h
(ah, bk) = (a, b)(h, k) , ,
(a, b) (h, k) (a, b) (h, k)

2.6 Números de Fermat


Definição 18.
n−1
X
n n
a − b = (a − b) ak bn−1−k (2.6)
k=0

Prova.

n−1
X n−1
X n−1
X
(a − b) ak bn−1−k = ak+1 bn−1−k − ak bn−k
k=0 k=0 k=0
n−1
X n−1
X
= an + ak bn−k − ak bn−k − bn = an − bn
k=1 k=1

Definição 19. Se 2m + 1 é primo, então m deve ser uma poência de 2.


n
22 + 1 (2.7)

Prova.

Seja 2m + 1. Para uma decomposição de m diferente de de 2n temos:


m = 2n .r. Sendo r um número obrigatoriamente ı́mpar, pois o único primo
par é o 2. Então:
n .r
22 +1
Usando a Definição 18 podemos dizer:

(a − b)|(ak − bk )
n
Faremos então a = 22 , k = r e b = −1:
n n
(22 + 1)|((22 )r + 1)
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 13

n
Se m 6= 1 é possı́vel garantir no mı́nimo 3 divisores para 2m + 1: 1, 22 − 1
n k k n−k
e 2m +1, então, se 22 .r +1 for primo, r = 1 e sabendo que 22 +1|(22 )2 +1
k k n−k
é falso, pois o correto seria 22 − 1|(22 )2 − 1 , m deve ser uma potência
de 2.

Obs: Todo primo pode ser escrito nessa forma, mas nem toda a variação
de n resulta em um primo, como foi mostrado por Euler com o exemplo:
5
22 + 1 = 4294967297 = 641.6700417

Definição 20. Os Números de Fermat são denotados por:


n
Fn = 22 − 1 (2.8)

2.7 2n − 1
Definição 21. Se 2n − 1 é primo, então n é um primo.

Prova.

Se n não for um primo podemos decompo-lo em n = 2a , 3b , · · ·. Tomando


um primo p qualquer temos:
2a ,3b ,···
2p − 1|(2p ) p −1
É possı́vel então dizer que se n for uma composição, 2n −1 não será primo
k k n−k
porque é possı́vel garantir pelo menos 3 divisores, e como 2p − 1|(2p )2 − 1
é válido nesse caso, a única ocasião plausı́vel é que se 2n − 1 é primo, então
n é um primo.

2.8 Série dos Recı́procos dos Primos


P∞
Definição 22. A série n=1 diverge

Prova.

Seja a série Geométria:



1 X
= xk
1 − x k=0
CAPÍTULO 2. TEOREMA FUNDAMENTAL DA ARITMÉTICA 14

1
Fazendo x = ps
temos:

1 1 1 1
1 = 1 + s + 2s + · · · + ns
1 − ps p p p

Tomando a Série Harmônica e reescrevendo-a como um produto de pri-


mos:

∞     
X 1 1 1 1 1 1 1
= 1 + + 2 ··· 1 + + 2 ··· ··· 1 + + 2 ···
k=1
k 2 2 3 3 k k

Por dedução imediata temos:



X 1 Y 1
=
k=1
k p
1 − p−1

Tomando o Logaritmo em ambos os lados e desenvolvendo temos:


! !    
X 1 Y 1 X p X 1
ln = ln = ln = ln 1 +
k=1
k p
1 − p−1 p
p−1 p
p−1

Usando o Teste da Comparação:


X 1 X  1

> ln 1 +
p
p−1 p
p−1
1
P
Se p p−1 diverge, então:
X1 X 1
>
p
p p
p−1
1
P
p p Diverge
Capı́tulo 3

Funções Aritméticas

3.1 Função Möbius µ(n)


Definição 23. A Função Möbius é definida da seguinte maneira:

µ(1) = 1
Se n > 1, é possı́vel escrever: n = pa11 · · · pakk , Logo:

µ(n) = (−1)k se a 1 = a2 = · · · = ak = 1
µ(n) = 0 demais casos

Uma outra maneira de escrever isso é dizer que para toda composição
que tenha no mı́nimo um primo repetido µ(n) = 0, e para os demais casos,
µ(n) = −1 se k = 2x + 1 e µ(n) = 1 se k = 2x, com k, x ∈ N

Definição 24. Se definirmos [x] como sendo o maior inteiro ≤ x, podemos


escrever:
 
X 1
µ(n) = (3.1)
x
d|n

Prova.

X
µ(n) = µ(1) + µ(2) + · · · + µ(pk−1 pk ) + · · · + µ(p1 p2 · · · pk ) =
d|n

15
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 16
     
k k 2 k
=1+ (−1) + (−1) + · · · + (−1)k
1 2 k
Sabemos do Binômio de Newton:

     
n kk k−1 k k−2 2 k
(a + b) = a + a b+ a b + ··· + abk−1 + bk
1 2 k−1

Finalizando:

     
X k k 2 k
µ(n) = 1 + (−1) + (−1) + · · · + (−1)k = (1 − 1)k = 0
1 2 k
d|n

3.2 A Função Totiente de Euler ϕ(n)


Definição 25. A função de Euler é válida para n > 1 e é definida como o
número de naturais menores que n que são primos entre si.
n
X
ϕ(n) = ‘1 (3.2)
k=1

Onde ‘ indica que a soma só é válida quando k,n são primos entre si.

Definição 26. X
ϕ(d) = n (3.3)
d|n

Prova.

Se dividirmos os inteiros 1,2,3,4,· · ·,n em grupos diferentes. Para cada


divisor d de n temos:

A(d) = {k : (k, n) = d, 1 ≤ k ≤ n}
Denotando f (n) como sendo a função cuja imagem é a quantidade de
termos em cada grupo é possı́vel escrever que:
X
f (d) = n
d|n
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 17

Mas a condição para que dois números sejam primos relativos é que
(a, b) = 1, então pelo teorema 2.1 faremos com que cada grupo seja do tipo:
(k/d, n/d) = 1, então:

f (1) = ϕ(n), f (d1 ) = ϕ(n/d1 ), · · · , f (dk ) = ϕ(n/dk )

Então:
X n
ϕ =n
d
d|n

Mas os valores tomados por ϕ nd listam os divisores de n na ordem de-




screscente, então podemos escrever para finalizar:

X
ϕ(d) = n
d|n

Para definir algumas propriedades da função Totiente é preciso introduzir


o conceito do produto de Dirichlet.

3.3 O produto de Dirichlet ou Convolução de


Dirichlet
Definição 27. X
h(n) = f (a)g(b) = (f ∗ g)(n) (3.4)
a.b=n

h=f ∗g

Propriedades

f ∗g =g∗f (Comutativa)(1)
f ∗ (g ∗ k) = (f ∗ g) ∗ k (Associativa)(2)
Prova(1)
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 18

Como a e b variam sobre todos os naturais possı́veis, a propriedade co-


mutativa fica evidênte.

Prova(2)

Para provar a associativa faremos A = g ∗ k e considerar que f ∗ A =


f ∗ (g ∗ k) , pela multiplicação pela esquerda de f.

X X X X
(f ∗ A)(n) = f (a)A(d) = f (a) g(b)k(c) = f (a)g(b)k(c)
a.d=n a.d=n b.c=d a.b.c=n

3.4 Função Identidade para o Produto de Dirich-


let
Definição 28.  
1
I(n) = (3.5)
n
Definição 29. Para todo f temos f ∗ I = I ∗ f = f ,

Prova

X
(f ∗ I)(n) = f (a)I(b) = f (n)
a.b=n

3.5 Função inversa do produto de Dirichlet


Definição 30. A Função Inversa é única e respeita a seguinte igualdade:

f ∗ f −1 = I (3.6)

Prova

Para provar a fórmula primeiro analisaremos uma caso particular da igual-


dade se f (1) 6= 0:

(f ∗ f −1 )(1) = I(1)
f (1)f −1 (1) = 1
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 19

1
f −1 (1) =
f (1)
Para n 6= 0 temos:

(f ∗ f −1 )(n) = I(n)
X n
f f −1 (d) = 0
d
d|n

Se separamos o caso para d = n do somatório podemos definir a Função


Inversa como uma recorrência.
X n
f (1)f −1 (n) + f f −1 (d) = 0
d
d|n
d<n
1 X n
f −1 (n) = − f f −1 (d) (3.7)
f (1) d
d|n
d<n
Propriedades.

(f ∗ g)−1 = f −1 ∗ g −1 (a)
Prova.

(f ∗ g)−1 ∗ (f ∗ g) = I
(f ∗ g)−1 ∗ (f ∗ g)f −1 ∗ g −1 = f −1 ∗ g −1
(f ∗ g)−1 ∗ (f ∗ f −1 ∗ g ∗ g −1 ) = f −1 ∗ g −1
(f ∗ g)−1 = f −1 ∗ g −1 (a)

3.6 Inversão de Möbius


Definição 31.
u(n) = 1 para todo n (3.8)

Definição 32.
µ∗u=I (3.9)
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 20

Prova.

Reescrevendo a Função Möbius de outra maneira temos:


 
X 1
µ(n) = = I(n)
n
d|n

Definição 33.
u = µ−1 (3.10)
µ = u−1 (3.11)

Prova.

Consequência direta da equação 3.9

Definição 34. Se: X


f (n) = g(d)
d|n

Implica que:
X n X n
g(n) = f (d)µ = f µ(d) (3.12)
d d
d|n d|n

Prova.

f =g∗u
f ∗u=g∗u∗µ
f ∗ u = g ∗ µ−1 ∗ µ
g =f ∗u

Nesse momento então é possı́vel traçar a relação entre µ e ϕ.

Então:
X n Xn
ϕ(n) = dµ = µ (d) (3.13)
d d
d|n d|n
n
P
No caso de d|n d µ (d), podemos reescreve-la da seguinte forma:
X µ(d)
ϕ(n) = n (3.14)
d
d|n
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 21

Definição 35.
Y 1

ϕ(n) = n 1− (3.15)
p
p|n

Prova.

Y 1
 
1

1
 
1
 X 1 X 1 X (−1)r
1− = 1− 1− ··· 1 − = 1− + +· · ·+
p p1 p2 pr pi pi p j p1 p2 · · · p r
p|n

Que pode ser reescrito da seguinte forma:


Y 1
 X µ(pi ) X µ(pi pj ) X µ(p1 p2 · · · pr )
1− =1+ + + ··· +
p pi pi pj p1 p 2 · · · p r
p|n

Então:
Y 1
 X
µ(d)
1− =
p d
p|n d|n

Através da equação 3.14 temos:


Y 1

ϕ(n) = n 1−
p
p|n

Nessa altura, é possı́vel deduzir algumas propriedades da Função Totiente


citadas na sessão 3.2.

Propriedades.

(a) ϕ(pa ) = pa − pa−1  


d
(b) ϕ(mn) = ϕ(m)ϕ(n) ϕ(d)
(c) ϕ(mn) = ϕ(m)ϕ(n) se (m, n) = 1

Prova(a).

É consequência direta da equação 3.15:

ϕ(pa ) = pa (1 − p−1 ) = pa − pa−1


CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 22

Prova(b).

 Q  
1 1
Q
p|m 1 − 1−
Y  ϕ(m) ϕ(n)
ϕ(mn) 1 p p|n p m n
= 1− =   = ϕ(d)
mn p Q 1
p|mn p|(m,n) 1 − p d

Prova(c).

É quando (m, n) = 1

3.7 Função Mangoldt Λ(n)


Definição 36.

log(n) se n = pm para qualquer primo p com m ≥ 1
Λ(n) = (3.16)
0 para os demais casos
Definição 37. Se n ≥ 1:
X
log(n) = Λ(d) (3.17)
d|n

Prova.

Escrevendo n como um produto de primos temos:


r
Y
n= pakk
k=1
Tomando o Logaritmo em ambos os membro da igualdade:
r
Y
log(n) = log (pakk )
k=1
r
Y
log(n) = ak log(pk )
k=1
Por outro lado podemos observar:
X X ak
r X X ak
r X r
X
= Λ(d) = Λpm
k = log(pk ) = ak log(pk ) = log(n)
d|n k=1 m=1 k=1 m=1 k=1
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 23

Definição 38. X
Λ(n) = − µ(d) log(d) (3.18)
d|n

Prova.

X
log(n) = Λ(n)
d|n

Então:

Λ=f ∗µ

X n X X X
Λ(n) = µ(d) log = log(n) µ(d)− µ(d) log(d) = I(n) log(n)− µ(d) log(d)
d
d|n d|n d|n d|n
X
Λ(n) = − µ(d) log(d)
d|n

3.8 Funções Multiplicativas


Já é notável pelas propriedades anteriores citadas que o grupo de funções
definidas pelo produto de Dirichlet é (G,*) , ou seja, Abeliano. Um sub-grupo
importante a ser analisado é o das funções multiplicativas.
Definição 39. Uma função aritmética f é chamada de multiplicativa se f
não é trivial e:

f (mn) = f (m)f (n) (m, n) = 1 (3.19)


Definição 40. Uma função multiplicativa é chamada de completamente mul-
tiplicativa se para todo domı́nio tem-se:

f (mn) = f (m)f (n) ∀m, n (3.20)


Exemplo 1. A função exponencial definida por fβ (n) = nβ para β ∈ N, C é
completamente multiplicativa, pois:

fβ (mn) = (mn)β = mβ nβ

Exemplo 2. A Função Identidade I(n) = n1 é completamente multiplica-


 

tiva
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 24

Exemplo 3. A Função Totiente é multiplicativa como na foi provado das


propriedades da Definição 35
Exemplo 4. A Função Möbius é multiplicativa, porém, não completamente:
Se (m, n) = 1, m = p1 · · · ps e n = q1 · · · 1t então:
µ(m) = (−1)s
µ(n) = (−1)t
µ(mn) = (−1)s+t = µ(m)µ(n)

Mas µ(2)µ(2) 6= µ(4)


Definição 41. Se f é muliplicativa então f (1) = 1
Prova.

Se para todo n temos (n, 1) = 1 desde que f não seja trivial, então:

f (n) = f (1.n) = f (1)f (n)


Definição 42. Uma função é multiplicativa, se e somente se, para cada
n = pa11 · · · pakk :

f (pa11 · · · pakk ) = f (pa11 ) . . . f (pakk ) (3.21)


Prova.

Pela Definição 39
Definição 43. Se f é multiplicativa, então f será completamente multiplica-
tiva se:

f (pa ) = f (p)a a≥1 (3.22)


Prova.

Se uma função é multiplicativa então:

f (pa11 · · · pakk ) = f (pa11 ) . . . f (pakk )


Para que ela seja completamente multiplicativa, para cada pai i devemos
ter:
a
z }|i {
f (pai i ) = f (pi ) · · · f (pi ) = f (pi )ai
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 25

3.9 Funções Multiplicativas e o Produto de


Dirichlet
Definição 44. Se duas funções f e g são multiplicativa, então f ∗ g também
é multiplicativa.
Prova.

Seja h = f ∗ g, então:
X  mn 
h(mn) = f (d)g
d
d|mn

Mas cada divisor d pode ser representado na forma d = ab:


X  mn  X m n
h(mn) = f (ab)g = f (a)f (b)g g
ab a b
a|m,b|n a|m,b|n

Que pode ser reescrito da seguinte forma:

X m n X m X n


f (a)f (b)g g = f (a)g f (b)g = h(m)h(n)
a b a b
a|m,b|n a|m b|n

Definição 45. Se g e f ∗ g são multiplicativas, então f é multiplicativa


Prova.

Primeiro tomaremos a possibilidade de f não ser multiplicativa, então:

f (mn) 6= f (m)f (n) com (m, n) = 1


Tornando o produto mn o menor possı́vel temos mn = 1, logo, h(1) =
f (1)g(1) = f (1) 6= 1, se tomarmos g como multiplicativa. Se mn > 1, então,
suponhamos f (ab) = f (a)(b). para qualquer a, b ∈ N em que ab < mn , uma
vez que se f (ab) 6= f (a)(b) prova é indutiva. Então:

X  mn  X  mn 
h(mn) = f (ab)g +f (mn)g(1) = f (ab)g +f (mn)
ab ab
a|m,b|n,ab<mn a|m,b|n,ab<mn

X m X n
= f (a)g f (b)g + f (mn)
a b
a|m,a<m b|n,b<n
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 26
X m X n
= f (a)g f (b)g + f (mn) − f (m)f (n)
a b
a|m b|n

= h(m)h(n) + f (mn) − f (m)f (n)


Se f (mn) 6= f (m)f (n) então h(mn) 6= h(n)h(m) logo, h não é multi-
plicativa, o que comprova a contradição, pois mesmo que exista algum a, b
que satisfaça as condições dadas, se f (mn) 6= f (m)f (n) então h(mn) não é
multiplicativa.

Definição 46. Pelo produto de Dirichlet, se g é multiplicativa, então g −1


também é multiplicativa.

Prova.

Segue pela Definição 45

3.10 Inversa de uma função completamente


multiplicativa
Definição 47. Se f é multiplicativa, então f será completamente multiplica-
tiva se:

f −1 (n) = µ(n)f (n) (3.23)

Prova.

Seja g(n) = µ(n)f (n):

X n X n X
(f ∗g)(n) = f g(d) = f µ(d)f (d) = f (n) µ(d) = f (n)I(n)
d d
d|n d|n d|n

Desde que f (1) = 1 e I(n) = 0 para n > 1 temos que g = f −1 :


X n
µ(d)f (d)f =0
d
d|n
a
Tomando n = p temos:

µ(1)f (1)f (pa ) + µ(p)f (p)f (pa−1 ) = 0


CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 27

Simplificando chegamos que f (pa ) = f (p)f (pa−1 ). Que implica que f (pa ) =
f (p)a . Então f é completamente multiplicativa.

Exemplo.(Inversa da Função ϕ de Euler)

ϕ=µ∗N
ϕ−1 = (µ ∗ N )−1
ϕ−1 = µ−1 ∗ N −1

Então:

ϕ−1 = µ−1 ∗ N −1 = u ∗ µN
X
(u ∗ µN )(n) = 1.d.µ(d)
d|n

Finalizando:
X
ϕ−1 (n) = dµ(n) (3.24)
d|n

Definição 48. X Y
µ(d)f (d) = (1 − f (p)) (3.25)
d|n p|n

Prova.

Seja g uma função multiplicativa definida por:


X
g(n) = µ(d)f (d)
d|n

Como n pode ser decomposto em fatores primos:

g(pa11 · · · pai i ) = g(pa11 ) · · · g(pai i )

Mas
X
g(pai i ) = µ(d)f (d) = µ(1)f (1) + µ(pi )f (pi ) = 1 − f (pi )
a
d|pi i
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 28

Finalizando:
X Y
µ(d)f (d) = (1 − f (p))
d|n p|n

3.11 Função Liouville


Definição 49. Se n = pa11 · · · pann e λ(1) = 1 , a função λ(n) é definida como:

λ(n) = (−1)a1 ...an (3.26)


Definição 50. λ(n) é completamente multiplicativa
Prova.

Seja m = pa11 · · · pann e n = q1b1 · · · bbkk :

λ(m) = (−1)a1 +...+an


λ(n) = (−1)b1 +...+bk
λ(m)λ(n) = (−1)(a1 +...+an )+(b1 +...+bk )
λ(mn) = λ((pa11 · · · pann )(q1b1 · · · bbkk )) = (−1)(a1 +...+an )+(b1 +...+bk )
Definição 51.

X 1 se n for da forma w2k com k ∈ N
λ(d) (3.27)
0 para os demais casos
d|n

Prova.

Seja g(n) = d|n λ(d) e n = pa11 · · · pann . Se λ(n) é multiplicativa então


P

g(n) é também. Analisando somente os primos que compoe n temos:

X
g(pa ) = λ(d) = 1 + λ(p) + λ(p2 ) + · · · + λ(pa ) = 1 − 1 + · · · + (−1)a =
d|pa

a 0 se a for ı́mpar
g(p ) =
1 se a for par

Como g(n) = g(pa11 ) · · · g(pann ), se existir algum expoente ı́mpar, g(n) será
0, então, todo número que pode ser escrito na forma w2k terá resposta igual
a 1, pois dessa forma, é possı́vel garantir que todos os expoentes dos número
primos serão pares.
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 29

Definição 52.
λ−1 (n) = µ(n)λ(n) (3.28)

Prova.

Prova consta na Sessão 3.10

3.12 Função Divisor


Definição 53. X
σα (n) = dα (3.29)
d|n

A soma das potências α dos divisores de um número é chamada de Função


Divisão, e em termos do Produto de Dirichlet pode ser escrita como:

σα = u ∗ N α (3.30)

Definição 54. A Função Divisão é multiplicativa

Prova.

Se σα é um convolução de duas funções multiplicativas então ela é multi-


plicativa.

Definição 55. Quando α = 0, temos a soma do número de divisores de n ,


que se possui a composição de primos dada por pa11 · · · pann pode ser dada da
seguinte maneira:
n  
Y a1 + 1
σ(n) = (3.31)
i=1
1

Prova.

Os divisores de um número são compostos por todas as combinações


possı́veis entre os primos que o compõem, então se n tem a seguinte com-
posição n = pa11 · · · pann , para cada pai i temos (ai + 1) possibilidade, então:
n n  
Y Y a1 + 1
σ(n) = (ai + 1) =
i=0 i=1
1
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 30

Definição 56. Para α 6= 0:


n α(1+ai )
Y p i −1
σα (n) = (3.32)
i=1
pα − 1

Prova.

Seja n = pa11 · · · pann , então:

σα (n) = σα (pa11 · · · pann = σα (pa11 ) · · · σα (pann )

Para cada pai i :

σα (pai i ) = 1α + p2α ai α
i + · · · + pi

Multiplicando os dois membros da equação por pαi :

pαi σα (pai i ) = pαi + p2α ai α


i + · · · + pi + pai i α+α

Subtraindo a primeira da segunda:

pαi σα (pai i ) − σα (pai i ) = −1 + pai i α+α

α(1+ai )
pi −1
σα (pai i ) =
pα − 1

Mas como sigmaα (n) = σα (pa11 · · · pann = σα (pa11 ) · · · σα (pann ), então:


n α(1+ai )
Y p i −1
σα (n) =
i=1
pα − 1

Definição 57. X n


σα−1 (n) = dα µ(d)µ (3.33)
d
d|n
CAPÍTULO 3. FUNÇÕES ARITMÉTICAS 31

Prova.

σα = u ∗ N α
σα−1 = u−1 ∗ (N α )−1
σα−1 = µ ∗ (µN α )

Tomando g(n) = µ(n)nα :


X n X n
σα−1 (n) = µ g(d) = µ µ(d)dα
d d
d|n d|n
Referências Bibliográficas

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[2] David M. Burton. Elementary Number Theory. McGraw Hill Education,


6th edition, 2005.

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