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ABORDAGEM REGGIO EMILLIA

CONTRIBUIÇÕES E EXPERIÊNCIAS NA PRÁTICA DA EDUCAÇÃO


INFANTIL

Ananda Jullya de Oliveira Borges


Andrea Cristina Rauh da Silva
Cláudia Regina Aristich Bandoch
Cleonice dos Santos Arvelino
Diego dos Santos Ouriques
Ivette Terezinha Vieira
Janaina Laurindo da Silva
Letícia Eduarda de Souza
Lilian Batista Correa
Ricardo da Costa
Serli Ana Caldato Modena
Sonia Shroeder Severino

Viviane de Sousa da Rocha


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Licenciatura em Pedagogia (Ped1496) ––Infância e suas Linguagens
30/09/2017

RESUMO: O objetivo desta pesquisa é mostrar um pouco sobre a abordagem de Reggio Emilia
que é denominada com a pedagogia da escuta, que tem como base Loris Malaguzzi que é
considerado um dos pensadores mais importantes na área da educação. Essa abordagem é
encantadora por ser um trabalho pedagógico rico em experiências onde é respeitado cada fase da
criança. Esta abordagem na Educação da Primeira Infância nos incentiva a construir um ambiente
vivo onde será motivado a aprender sempre com o natural, isso faz com que a escola reconheça as
experiências reais obtidas por descobertas da própria criança. A abordagem Reggio Emilia faz
favorecer o diálogo compartilhado entre as crianças, e para que isso aconteça as escolas devem
adaptar os ambientes para que estimulem a construção de várias perspectivas e pontos de vista,
fazendo com que a criança experimente seus vários sentidos.

Palavras-chave: Reggio Emilia, Abordagem, Educação.

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como foco central conhecer a história de uma comunidade na Itália
em Reggio Emilia, analisando e compreendendo a importância da mesma para a sociedade e para a
educação infantil, serão explanados quais e foram as suas contribuições para as práticas
pedagógicas.
Abordando de que forma a mesma contribui para a educação da primeira infância, que
compreende a idade do zero à seis anos, Reggio Emilia é reconhecida mundialmente pela qualidade
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de seus serviços educacionais oferecidos às crianças e pela forma que aplica seus métodos de
ensino.
Neste programa, as crianças podem compartilhar seus conhecimentos e saberes, sua
criatividade e imaginação por meio de múltiplas linguagens. Essas acontecem por meio da
interpretação, da dança, do desenho, da pintura, entre outras.
Nessa abordagem temos a imagem de uma criança forte, inteligente e rica em atitudes e
recursos desde o seu nascimento, uma criança que está sempre aberta ao novo e ao diferente e está
sempre pronta a se relacionar e interagir com o outro. Aqui ela é colocada como protagonista da
sua educação, lhe proporcionado total controle dos direcionamentos da aprendizagem e descobrindo
novas linguagens dia após dia.
A filosofia das "cem línguas" ou "cem formas de linguagem" que todo ser humano possui, a
criança tem a oportunidade de vivenciar todo dia com diferentes materiais. Muito importante
também é manter as mãos sempre ativas trabalhando pensamentos e emoções. A participação da
família, o envolvimento de todos os funcionários e a importância do ambiente educacional
contribuiu de forma grandiosa para esse programa ter êxito.
Para isso no entanto, precisamos construir e organizar ambientes que possibilitem a ela
pesquisar, se expressar e formar sua identidade e autonomia.
Enfim, temos de nos perguntar: sabemos ouvir nossas crianças? Fazemos distinção das
diferenças ou as respeitamos?
Essa metodologia reforça o valor de cada indivíduo como ser único, tendo que ter suas
particularidades e de sua família sempre respeitadas.

2. ABORDAGEM REGGIO EMILIA: UM POUCO DE SUA CONCEPÇÃO

Após o término da Segunda Guerra Mundial, em 1946 mulheres de Villa Cella, cidade
localizada ao nordeste da Itália, próximo a Reggio Emilia, decidiram unir-se para construírem uma
escola para seus filhos pequenos, pois todas estavam em ruinas.
Os recursos que foram utilizados para essa construção, vieram da venda de um tanque de
guerra, cavalos e três caminhões deixados pelos alemães, o terreno foi doado por um fazendeiro.
Este movimento uniu comerciantes, trabalhadores e novos moradores os quais perderam tudo e lá se
estabeleceram com intuito de construir uma escola para as crianças pequenas.
Para concretização deste projeto toda comunidade se envolveu, em especial os pais, pois
nasceu um forte desejo de reconstruir a própria história e possibilitar uma vida melhor para seus
filhos. Contudo, desde o princípio, Reggio Emilia é uma escola diferente, fixada na vontade das
famílias na construção de um mundo melhor através da educação.
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Loris Malaguzzi atraído pelo projeto educativo de Villa Cella se encantou pela experiência:
“Esta ideia pareceu-me incrível! Corri até lá em minha bicicleta e descobri que tudo aquilo era
verdade. Encontrei mulheres empenhadas em recolher e lavar pedaços de tijolos.” (MALAGUZZI,
1999, p.59, apud Edwards, 2016, p. 57).
Estas escolas ficaram universalmente conhecidas pela abordagem pedagógica para Educação
Infantil. A abordagem educativa reggiana é identificada como a Pedagogia da Escuta, que tem suas
bases nas ideias de Loris Malaguzzi, considerado um dos pensadores mais importantes do século
XX. Inspira-se também nas teorias de Dewey, Vygotsky, Piaget, Montessori e Gardner, além de
múltiplas correntes de pensamento da psicologia social, das teorias da complexidade e das
neurociências.
O estudioso e pedagogo Loris Malaguzzi, foi o fundador da ideia de Reggio Emilia, sendo
até hoje o principal incentivador.
Loris Malaguizzi nasceu em Correggio em 23 de fevereiro de 1920. Formou-se em
pedagogia pela Universidade de Urbino. No ano de 1940 iniciou seu trabalho em educação nas
escolas primárias e nos anos de 1941 a 1943 lecionou em Solongo, cidade próxima a Reggio Emilia,
no município de Villa Minozzo.
No mês de abril de 1945 juntou-se a um projeto ambicioso em uma pequena aldeia próximo
a Reggio Emilia, onde decide trabalhar em uma escola para crianças. Desta faísca nasceriam mais
tarde outras escolas nos subúrbios e bairros mais pobres.
Malaguzzi comparou a escola a um canteiro de obras, onde se encontram em um laboratório
permanente. Os processos educacionais de crianças e adultos estão interligados fortemente pela
investigação e observação.
Após permanecer sete anos em Villa Cella, foi para Roma estudar Psicologia, ao voltar a
Reggio Emilia iniciou seu trabalho num centro de saúde que atendia crianças com dificuldades na
escola pela manhã e à tarde nas escolas administradas pelos pais. Nesta época Malaguzzi começou a
acompanhar de perto a construção deste projeto educativo, no qual os educadores eram formados
por escolas católicas, os quais eram receptivos a ideia de que se aprende enquanto se ensina.
O objetivo era que o educador aprendesse com as crianças a dar suas aulas, mediando seu
esforço para compreender a lógica de sua aprendizagem. Partindo deste princípio, a pensar em
alternativas eficientes para o processo contínuo de aprendizagem. Nesta direção houve uma
inversão na posição em relação ao detentor do saber, privilegiando mais o saber da criança.
Esta abordagem educacional orienta, guia e cultiva-se o desenvolvimento intelectual,
emocional, social, e moral da criança. É embasado na crença de toda criança tem habilidades,
potencialidades, curiosidade e interesse na construção de sua aprendizagem.
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Nos últimos 30 anos, o sistema criou um conjunto singular e inovador de suposições


filosóficas, currículo e pedagogia, método de organização escolar e desenho de ambientes
que , tomamos como um todo unificado, chamamos de abordagem de Reggio Emilia.[...]
As crianças pequenas são encorajadas a explorar seu ambiente e expressar a si mesmas
através de todas as suas ‘linguagens’ naturais e modos de expressão, incluindo palavras,
movimento, desenhos, pinturas, montagens, escultura, teatro de sombras, colagens,
dramatizações e música.( EDWARDS, 2016, p. 23)

Nesta proposta de aprendizagem as escolas de Reggio Emilia são construídas para favorecer
o diálogo e o conhecimento compartilhado das crianças. Para tanto, os ambientes estimulam a
construção de várias perspectivas e pontos de vista, fazendo com que a criança experimente seus
vários sentidos. A estética e arquitetura das escolas são pensadas como elementos de qualidade do
conhecimento, partindo de uma estrutura que permite a conexão das crianças entre si, com os
educadores e com o externo.
Como por exemplo, a cozinha que é um espaço restrito aos funcionários é aberta e
inteiramente conectada à proposta pedagógica. Isso reforça a importância da relação com a família.
Nesse ambiente a cozinheira torna-se educadora e ali as crianças participam do preparo dos
alimentos fazendo a experiência de “comer junto”, reforçando a vida familiar cotidiana. Outro
exemplo de escola com essa abordagem são os espelhos espalhados por todos os ambientes,
inclusive no chão, fazendo com que a criança enxergue a si própria, aos amigos e também as
particularidades do ambiente.
As escolas criam em seu ambiente escolar uma espécie de laboratório do fazer que são
manipuladas pelo corpo e que são ligadas ao movimento, ao pensamento lógico, científico, natural
sempre objetivando que a crianças aprendem com todo o corpo de forma fluída e integrada. Isso faz
com que as escolas reconheçam as experiências reais obtidas por meio da pesquisa e de descobertas
sensoriais das próprias crianças.
A cada término de atividade explorada em sala é realizada troca de experiências entre
alunos, como uma assembleia. Isso reforça que independente da experiência adquirida, o
conhecimento é um patrimônio precioso de todos. As escolas são pensadas como elementos de
qualidade do conhecimento, a partir de uma estrutura que permita a conexão das crianças entre si e
com a ajuda da equipe pedagógica.

2.1 INCLUSÃO NA ABORDAGEM REGGIO EMILIA

Em Reggio Emilia as crianças com deficiências são incluídas no sistema educacional o mais
cedo possível, o sistema educacional trabalha juntamente com o serviço de saúde local, onde as
crianças são diagnosticadas.
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A Equipe de Coordenação Pedagógica da Instituzione Pré – Escolas e Creches do


Município de Reggio Emilia tem a função de facilitar a inclusão das crianças com deficiências nas
instituições educacionais da primeira infância. Eles colaboram com o Serviço da Saúde local indo a
este serviço saber quais crianças foram diagnosticadas e qual o diagnóstico de cada uma antes
mesmo dos pais procurarem as escolas. Eles entendem que a inclusão é um direito desde o
nascimento e que as famílias precisam de apoio educacional.
O processo de identificação inicia-se no nascimento, caso necessite são encaminhados para o
pediatra da família, mas algumas deficiências como o autismo são diagnosticadas com o tempo.
Após esse processo de identificação a criança é encaminha para serviços especiais, os filhos de
imigrantes residentes também recebem esse atendimento que é gratuito. Os serviços especiais
disponíveis são: fonoaudiologia, fisioterapia, terapia psicomotora, psicologia e serviços sociais.
A rede de Serviço Nacional de Saúde realiza exames e acompanhamento dos bebês, os
pediatras explicam para as famílias o diagnóstico, quais atendimentos são necessários e motivam os
pais a inscreverem-se no sistema educacional. Algumas famílias tem receio em matricularem seus
filhos, então a Equipe de Coordenação Pedagógica juntamente com o Serviço de Saúde convidam
essas famílias a participarem de uma reunião onde se explica o desenvolvimento da abordagem de
inclusão trabalhado nas escolas de Reggio Emilia.
As crianças com direitos especiais (chamados assim em Reggio Emilia) têm preferência na
admissão em creches e pré-escolas, não são aplicados nenhum critério para sua inclusão no sistema
educacional, somente uma taxa de matrícula de acordo com a renda dos pais, igual a todas as
crianças. As famílias podem escolher qual pré-escola ou creche municipal deseja que seu filho
frequente, a maioria escolhe pela localização e que tenha amigos ou estrutura física da escola.
Os atendimentos das crianças são realizados na escola em que a criança frequenta, eles
utilizam os equipamentos e os móveis que já tem na escola. Ivana Soncini, membro da Equipe de
Coordenação Pedagógica revela que: “Preferimos que os diversos especialistas e terapeutas
trabalhem com as crianças no seu centro ou na sua escola quando apropriado para que isso ocorra
em um contexto normal, e não em um consultório especial.” (apud Edwards,2016, p. 190).
O processo de entrada nas escolas é gradativo para que a separação da família seja o mais
tranquila possível, os pais e os filhos visitam a creche por um ano inteiro antes de iniciarem.
Realizam diversas orientações para diminuir as preocupações dos pais e as dúvidas que possam
existir. Têm o pensamento de que se deve construir uma relação positiva, para que isto ocorra fazem
diversas perguntas para os pais para compreenderem as necessidades, os gostos e desgostos das
crianças, trabalhar com essas crianças de direitos especiais é visto como uma tarefa compartilhada
onde envolvem a todos que contribuem para o desenvolvimento delas.
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Quando a criança inicia já sabem do diagnóstico e de vários aspectos particulares obtidos


nas conversas e observações dos pais, que são essenciais para poderem oferecer uma variedade de
recursos e possibilidades para descobrir quais são suas escolhas e desejos. As crianças são
observadas e os professores documentam toda essa etapa para formar a ‘Declaração de Intenção’,
que é um acordo escrito com a colaboração da escola, pais e a equipe do serviço de saúde. Este
documento elaborado tem os métodos e materiais que devem ser utilizados, inclui também como o
trabalho pode ser realizado e quais objetivos devem ser alcançados para dar suporte na educação da
criança. A Declaração de Intenção é flexível, o profissional que trabalhar com a criança pode e
deve revisar e mudar sempre que necessário conforme vão conhecendo a criança e vendo suas
potencialidades. Conforme Edwards:

A Declaração de Intenção para crianças com direitos especiais não é um documento


vinculante formal que a equipe precisa seguir sem flexibilidade. Na verdade, conforme
vamos conhecendo a criança, espera-se que os professores revisem, reinterpretem e refinem
o programa continuamente,[...]A ideia do plano não é focar apenas nas deficiências da
criança, mas também em suas tremendas capacidades.(EDWARDS, p.193,2016)

A parceria com as famílias é muito importante nesse processo e quando as famílias ficam
confortáveis e confiam nos profissionais que estão com seus filhos a comunicação entre eles flui de
maneira natural. Em Reggio Emilia há uma troca de conhecimentos e informações, oferecendo
assim pontos de vista diferentes para construir um projeto educacional geral para as crianças, pois
todas as perspectivas são de extrema importância.
Algumas famílias são muito participativas, mas há outras que não participam de tudo, então
são para essas famílias que é necessário buscar estratégias para que eles venham mais vezes na
escola. Marcam reuniões mais frequentes, seja para conversar sobre o relatório da criança ou para
mostrar um vídeo que gravaram com a criança fazendo uma atividade, brincadeira ou apenas
socializando com os demais para que haja uma troca entre a escola e a família. A documentação é
uma ferramenta valiosa para conhecê-las melhor e usar nas conversas com as famílias, para
compartilhar experiências e observar as mudanças que ocorrem com o passar do tempo, as
fotografias também são um excelente recurso.
Os pais às vezes tem receio de fazer algumas perguntas sobre os seus filhos, como exemplo:
Como são as reações de outras crianças com relação a seu filho que tem alguma deficiência? Como
elas o veem?
O objetivo da escola não é sanar todas as dúvidas, mas é fazer com que os pais tranquilizem-
se e construam uma nova imagem de seu filho, que percebam que devemos estimular seu
desenvolvimento e que isto só é possível quando incluímos todas as crianças no ambiente
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educacional, sendo este um direito e deve ser respeitado para que todas as criança sem distinção
cresçam e se desenvolvam plenamente dentro de várias possibilidades e suas especificidades.
Quando uma criança com direitos especiais é incluída em uma sala de aula, é incluído
também um professor auxiliar, esses professores não tem um diploma especial para trabalhar com
crianças com deficiência. Mas é muito relevante esse terceiro professor para que a criança seja
melhor observada e prestem a atenção necessária, possibilitando criar uma relação mais próxima e
que trabalhem em pequenos grupos.
Ter uma criança com deficiência em uma sala de aula, independentemente do diagnóstico, é
extremamente educativo, as crianças aprendem a mudar seu comportamento, valorizar e respeitar as
diferenças, sua linguagem e até o contato físico com o outro se modifica. Todos esses fatores
colaboram para o desenvolvimento pleno das crianças e percebem que a convivência e o
relacionamento com as crianças com deficiências são possíveis. Para os professores é um desafio
constante, pois devem expandir seus conhecimentos, tornando necessário ser um observador mais
atento para incluir as crianças com deficiências buscando uma variedade de estratégias para que
essas crianças possam viver e serem aceitas em suas especificidades. As crianças sempre sugerem
estratégias e abordagens que nem sempre o professor vê, pois elas são questionadas sempre sobre
vários temas e sobre a criança com deficiência para que sintam o sentimento de pertencer naquele
ambiente e valoriza o saber das crianças.

Segundo Malaguzzi, apud Edwards, 2016,p.199 as coisas sobre as crianças e para as


crianças só são aprendidas com as crianças.

2.2 VALORIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS NO PROCESSO DE ENSINO-


APRENDIZAGEM

Os docentes têm por objetivo promover as descobertas mais importantes na primeira


infância, com o poder da inclusão no campo educacional no qual o aluno é participativo em todo o
processo, desde o planejamento a sua execução. Os projetos são facilitados através desta
participação e contribuição das crianças, pois quando tem a coparticipação de toda a equipe, todas
as propostas podem ser desenvolvidas e executadas.
Quando a criança é estimulada principalmente com a ludicidade, ela desenvolve suas
potencialidades. De acordo com Finco, (2015, p.71):

O desenvolvimento harmônico e integral da personalidade da criança implica, portanto, o


reconhecimento de exigências de ordem material e, mais ainda, não- material, às quais
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correspondem a constante atenção e disponibilidade por parte de adulto, a estabilidade e a


positividade das relações, a flexibilidade e a adaptabilidade e novas situações, o acesso a
mais ricas interações sociais, a aquisição de conhecimentos e competências, à possibilidade
de exploração, de descoberta, de participação e de comunicação, a conquista de autonomia,
a atribuição de sentido às experiências, tudo isso em um intenso clima de afetividade
positiva e de alegria lúdica.

Devemos observar que cada criança tem seu jeito de agir e de pensamento único, ninguém é
igual, cada criança vive em um ambiente diferente, particular e individual. Assim cada caráter é
diferenciado, tudo passa pelo o ideal de desenvolvimento pleno e autonomia de cada criança.
A criança na Educação Infantil é considerada na fase das descobertas, sendo que é nas
brincadeiras que ela se reinventa e se descobre capaz de seu autoconhecimento, criando sua
identidade, o “Eu”, formando sua personalidade e caráter.
Valorizar cada um em sua experiência independente do papel que cada um irá cumprir, sua
condição no ensino aprendizagem é único. Assim como tornar a criança participativa para que se
torne no futuro um cidadão mais crítico e ciente do papel importante em uma sociedade mais justa e
igualitária.
As atividades e projetos podem ser desenvolvidas por intermédio das ideias dos próprios
alunos, sendo desenvolvidas por meio de diferentes linguagens. Através das múltiplas linguagens
por meio de desenho, canto, dança, pintura e interpretação se evidenciam passagens dos saberes que
levam a somar em um planejamento ou projeto que as próprias crianças construíram. Assim elas
podem compartilhar seus conhecimentos e seus saberes, explorando suas criatividades e
imaginação através da troca de experiências em participar das atividades, reconhecendo cada um
sua habilidade ao término integral de cada atividade abordada.
Na Educação Infantil implantou-se o trabalho de projetos, onde é incentivada a participação
das crianças na escolha do tema que será trabalhado partindo dos interesses das crianças, fazendo
com que se interessem pelo estudo e descobertas evidenciadas ao longo de processo do projeto
escolhido.
Quando surge um tema sobre o qual as crianças conhecem, elas contribuem e sugerem
questões a serem pesquisadas. Estes estudos são estendidos por certo período para que as crianças
consigam conhecer e compreender o estudo, não adianta fazer um projeto tem que ser algo que
desperte a curiosidade para que esta experiência seja prazerosa e contribua para seu
desenvolvimento e tenha significado.
É necessário que no processo do projeto as crianças possam explorar materiais variados e
ambientes; criem objetos e histórias usando a criatividade, a arte na sua subjetividade; possam
manipular diferentes texturas e formas; tenham autonomia para construir sua identidade. São tantas
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etapas no processo de construção da aprendizagem que os educadores como observadores e


mediadores devem estar atentos e dar oportunidades para despertar possibilidades nessa construção
para que todas as etapas sejam realizadas com sucesso e satisfação.
Ninguém disse que é fácil, mas também não é impossível, precisa o querer fazer, o escutar e
a observação atenta nas crianças, pois o planejamento evidencia a participação efetiva das crianças.
Conforme Finco,( 2015, p. 238-239):

Na pedagogia de projetos, a abordagem educativa está centrada na criança na possibilidade


de que ela possa expressar-se através de todas as suas linguagens como desenhos, pinturas,
palavras, movimentos, montagens, dramatizações, colagens, esculturas, músicas, o que a
conduz a uma ampla possibilidade de expressão e de criatividade. [...]ela aprende as regras
da convivência: expressar suas opiniões, ouvir, dividir, partilhar, fazer valer seus direitos,
respeitar o espaço e o direito do outro. Assim, o trabalho por projetos busca dar visibilidade
à criança protagonista, investigadora, capaz de descobrir os significados das relações por
meio de um trabalho que permita a expressão de diferentes linguagens, sem necessidade de
priorizar nenhuma delas.

Neste conceito educacional existem três protagonistas: as crianças, os professores e pais,


onde o objetivo é construir uma escola onde todos os envolvidos sejam importantes. É uma filosofia
com aspectos interacionista e construtivista, a intenção de criar relacionamentos de cooperação é a
base para o esforço individual e coletivo para uma educação sem igual, onde todos são essenciais.
De acordo com Malaguzzi apud Edwards, 2016, p.75 :

Nesse sistema, cada pessoa tem um relacionamento formal- em seu papel- com as outras.
Os papéis de adultos e crianças são complementares: fazem perguntas uns aos outros,
ouvem e respondem. Como resultado desses relacionamentos, as crianças em nossas
escolas têm o privilégio de aprender através de suas comunicações e experiências concretas.

A escola de educação infantil tem a finalidade de acolher as diferenças e motivar as


potencialidades de todas as crianças, e estas por sua vez, evidenciam suas necessidades e emoções
experienciando novas linguagens. Os questionamentos e hipóteses que vão surgindo, são um desafio
e evidencia o escutar atento e o respeito aos diferentes pontos de vista. Afinal, cada ser é único e
nessa singularidade existem habilidades e opiniões diversas e todas são essenciais.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
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O propósito principal desse trabalho foi apresentar abordagem educativa reggiana e suas
contribuições para a educação. Que tem como protagonista Loris Malaguzzi, incentivador e
fundador da ideia Reggio Emillia.
Através da sua paixão por ensinar e aprender, trouxe para a educação uma proposta de
aprendizagem que favorece o diálogo e o conhecimento prévio do aluno. Onde o ambiente é
estimulador para a própria autoaprendizagem.
O conhecimento é uma pedrinha preciosa onde o direito sobre ele é de todos. A inclusão de
alunos com alguma deficiência inicia desde cedo na escola, os pedagogos facilitam a inclusão e
prestam todo o apoio educacional.
É válido ressaltar que a família e a escola trabalham juntas, as atividades na escola no
cotidiano da criança reforçam a importância da família.
As atividades são propostas em forma de projetos, levando sempre em consideração o
interesse dos alunos antes sobre o tema. A criança deve ser estimulada, o professor está para
auxiliar nesse processo estimulando o desenvolvimento da criança, tornando o ambiente propício
para isso.
Temos muito que aprender com essas experiências executadas de uma forma tão
extraordinária que encanta a todos que tomam conhecimento dessa trajetória de sucesso na
educação de crianças pequenas, onde essa prática educativa continua em construção e todo o
educador deve inspirar-se para fazerem a diferença na vida das crianças e suas famílias no processo
de desenvolvimento infanil.

REFERÊNCIAS

Centro de Referência em Educação Infantil. Reggio Emilia: Escola feita por Professores, alunos
e familiares.
Disponível em: <http://educacaointegral.org.br/experiencias/reggio-emilia-escolas-feitas-por-
professores-alunos-familiares. Acesso em : 24 ag. 2017.

EDWARDS, Carolyn; GANDINI, Lella; FORMAN, George. As cem linguagens da criança: a


abordagem de Reggio Emilia na educação da primeira infância. (Dayse Batista, Trad.) Porto
Alegre: Penso, 2016.

EDWARDS, Carolyn; GANDINI, Lella; FORMAN, George. As cem linguagens da criança: A


experiência de Reggio Emilia em transformação. (Dayse Batista, Trad.) Porto Alegre:
Penso,2016.
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Fabber- Castell. Por que nos Sentimos tão Encantados com a Educação de Reggio Emilia?
Disponível em:<// http://educacao.faber-castell.com.br/professores/trocando-ideias/por-que-nos-
sentimos-tao-encantados-com-a-educacao-de-reggio-emilia/. Acesso em: 25 ag. 2017.

FINCO, Daniela; BARBOSA, Maria Carmen; GOULART DE FARIA,Ana Lúcia. Campos de


experiência na escola da infância: contribuições italianas para inventar um currículo de
educação infantil brasileiro. Campinas: Editora Leitura Críticas, 2015.