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ADVOCACIA

AMABILLE KARINE BETTIER DA SILVA


OAB/MS 22.347

AO(À) EXCELENTÍSSIMO(A) SENHOR(A) DOUTOR(A) JUIZ(A) FEDERAL


DA 1ª VARA FEDERAL DE NAVIRAÍ, 6ª SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DO
ESTADO DE MATO GROSSO DO SUL.

RÉU PRESO

Autos n.: 0002295-24.2014.403.6006

JONAS DE FRANÇA GIL, já qualificado, vem, respeitosamente, à


presença de Vossa Excelência, por intermédio de sua defensora dativa nomeada,
abaixo assinada, apresentar ALEGAÇÕES FINAIS, nos termos do Art. 396 e 396-
A do Código de Processo Penal.

1. Síntese da inaugural acusatória

Trata-se de Ação Penal movida pelo MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL -


Procuradoria de Naviraí em face do acusado JONAS DE FRANÇA GIL sob a
alegação de que:

No dia 18 de setembro de 2014, por volta das 13h30min,


no Posto Fiscal Leão da Fronteira, no município de Mundo
Novo/MS, JONAS DE FRANÇA GIL, de maneira consciente e

Rua Jeane Karoline Garcia, nº 31, Bairro Harry Amorim Costa, Naviraí/MS, CEP 79950-000 -
Tel. 67 99609-0288 – e-mail: Karina_bettier@hotmail.com
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voluntária, conduziu, após tê-lo adquirido, em proveito próprio e


alheio, o veículo Honda Civic, placas aparentes FAW-8654
(placas verdadeira CIC-4885), que sabia ser produto de crime
(roubo), pela condições em que foi adquirido. No mesmo contexto
fático, com a finalidade de assegurar a impunidade do crime de
receptação, JONAS DE FRANÇA GIL, de maneira consciente e
voluntária, fez usos de documento público falsificado (Certificado
de Registro e Licenciamento de Veículo – CRLV n.
01033183125), apresentando-o a policiais rodoviários federais.

Às fls. 252/252-v, o parquet juntou folha de antecedentes criminais


oriunda da Comarca de Sengés.

Às fls. 284/284-v, foi recebida a denúncia.

Às fls. 334/336, foi realizada audiência de custódia.

À f. 344, foi apresentada Resposta à Acusação.

Às fls. 354, foi realizada audiência de instrução na qual se procedeu a


tomada de depoimento das testemunhas comuns, bem como o interrogatório do
réu.

É a síntese dos autos. Passo aos memoriais.

2. Do memorais.

O réu é acusado da prática do crime de receptação, sob a alegação


de ter adquirido o veículo em questão sabendo sê-lo objeto de crime de
roubo, em razão, nas palavras do parquet “das condições em que foi
adquirido”. No entanto, tais condições narradas na denúncia, foram
confirmadas pelo réu, tanto em sede inquisitorial quanto judicial, sem que
houvesse contradições, não havendo qualquer indício de que o acusado
tinha ciência da origem ilícita do bem, não bastando vaga afirmação.

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Com todo respeito, o réu deve ser absolvido da presente acusação,


uma vez que o parquet não comprovou nos autos que havia conhecimento
da origem ilícita do veículo e consequentemente do documento falso.
Senão vejamos.

Em sede de seu interrogatório, o acusado declarou ter adquirido o


veículo em uma lanchonete, em razão de ter comentado com um amigo
seu interesse na aquisição, quando foi abordado pela pessoa que lhe
ofereceu a oferta, decidindo, após a negociação, ficar com o carro.

Retira-se também de seu depoimento que não desconfiou de


qualquer irregularidade no veículo, que aparentava estar regularmente
apresentável.

Eis o depoimento da testemunha Daniel Almeida Lima, Policial


Rodoviário Federal que procedeu à abordagem do acusado quando da
apreensão:

(...)TESTEMUNHA: me recordo que estava de serviço juntamente com a


inspetora Fernanda na OP de Mundo Novo, quando fomos acionados pelos colegas
da Receita Federal de um veículo que eles estavam desconfiando que podia estar
transitando com algum tipo de ilícito. De imediato nós nos deslocamos para
prestar o apoio. Quando chegamos ao local, solicitamos o documento do condutor
e o documento do veículo. Este CRLV apresentado possuía indícios de falsificação.
Quando consultamos nos sistemas disponíveis da PRF constatamos que a planilha
havia sido roubada mas não me recordo onde nem quando. Fizemos uma
inspeção superficial no veículo não encontramos nenhum e não
encontramos nenhum tipo de ilícito. Esse veículo inclusive foi escaneado

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na receita federal de Mundo Novo, aparentemente nenhum ilícito


encontrado. Porém, em função dos indícios de falsificação no CRV, nos nós
deslocamos com o condutor até a op, Posto da PRF de Mundo Novo para
tentarmos realizar uma identificação veicular mais minuciosa, com mais detalhes
para tentamos chegar ao veículo original já que os elementos de identificação do
veículo estavam adulterados, chassi, moto, em fim. Quando nos deslocamos lá para
o posto da PRF, após algumas horas nós conseguimos chegar no veículo original,
não me lembro agora a placa nem a data da ocorrência, mas me recordo que ele
continha uma restrição de roubo no sistema. (grifei)

Depreende-se do depoimento supra que a olhos nus, os próprios


PRF’s, ressalta-se, profissionais acostumados com a apreensão de veículos
adulterados, não verificaram qualquer irregularidade no veículo em
questão, até mesmo o scanner da Receita Federal de Mundo Novo não foi
capaz de identificar indícios de adulteração no veículo, somente após
deslocarem o veículo ao Posta da PRF, mediante vistoria minuciosa, foi
possível constatar a origem ilícita do bem.

Neste sentido, concluísse que, se profissionais experientes e


habilitados não conseguiram verificar irregularidades no veículo, como
espera-se que um homem-médio possa o fazer? O acusado não desconfiou
em nenhum momento da ilícita origem do bem que adquiriu, portanto,
não há que se falar na ocorrência de crime de receptação.

Vejamos recente decisão do E. TJSP neste sentido:

RECEPTAÇÃO – DESCLASSIFICAÇÃO PARA


MODALIDADE CULPOSA – COMPUTADOR SEM
DOCUMENTAÇÃO – AUSÊNCIA DE PROVA

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INEQUÍVOCA DO CONHECIMENTO DA ORIGEM


ILÍCITA DO BEM – CABIMENTO.
Configura a receptação culposa e não dolosa a aquisição
de computador, ainda que fornecido por desconhecido,
demonstrando tão-somente a falta de cautela do acusado
na negociação. (00010182520128260620 SP 0001018-
25.2012.8.26.0620, 12ª Câmara Criminal Extraordinária,
Publicação 14/05/2018, Julgamento 10 de Maio de 2018,
Relator Willian Campos). (Grifei)

Da mesma forma, diga-se a respeito do documento


ideologicamente falso apresentado às autoridade policiais federais, sobre
o qual somente foi possível apontar a falsificação por meio de perito
forense, o qual valeu-se de equipamentos específicos para se revelar tais
adulterações, cujos próprio apontaram para a idoneidade material do
documento.

E nem se diga que a falsificação era claramente visível, pois não é


isso que apontam os depoimentos e as provas nos autos. O policias
responsáveis pela abordagem têm, digamos, certa sensibilidade a
falsificação de documentos, afinal, faz parte do seu dia-a-dia o contato
com documentos falsos, todavia, não é apontado em momento algum
pelas testemunhas muito menos pelo laudo de fls. 63/74 que seria
grosseira a falsificação.

Destarte, deve o réu ser absolvido das acusações impostas diante


da ausência de prova de que tinha ciência da ilicitude da origem do
veículo e do seu respectivo documento, sendo que em caso de dúvida, esta
deve operar em favor do acusado.

3. Do pedido

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Ante o exposto, requer a absolvição do réu, ante a ausência de


provas de dolo na prática das condutas narradas.

Nestes Termos,
Pede deferimento.

Naviraí, 06 de agosto de 2018.

AMABILLE KARINE BETTIER DA SILVA


DEFENSORA DATIVA
OAB/MS n. 22.347

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