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LINGUAGEM IMAGÉTICA E O EMPODERAMENTO DO SUJEITO-

LEITOR: RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA

FRANCISCA VÂNIA ROCHA NÓBREGA1

RESUMO
Este artigo aborda como tema central o uso da linguagem cinematográfica na escola, ou
seja, o cinema como um recurso didático-pedagógico a mais no processo ensino-
aprendizagem, atentando para o fato de que o homem, como afirmou Bakhtin (1999), é
essencialmente um ser de linguagem, e que dependendo do domínio que este tenha
sobre ela, compreenderá e transformará a realidade na qual está inserido. Citando
também Santaella (1983), na afirmativa de que as novas formas de linguagem invadem
a nossa casa, e que elas chegam mais ou menos da mesma maneira que chegam a água,
o gás ou a luz. A linguagem é tida por estes estudiosos do assunto como o principal
veículo de inserção social de que dispõe o homem. Apreendendo que nesta perspectiva,
as diversas linguagens que circulam na sociedade, sejam verbais e não-verbais, como as
pinturas, o cinema, a televisão, bem como o universo midiático que se fazem presentes
nos mais variados ambientes da sociedade, como a família, a escola, os clubes, entre
outros, trazem com elas uma idéia-conceito do mundo, das coisas e das pessoas.
Portanto, para que o cinema enquanto um recurso didático-pedagógico seja uma
ferramenta a mais no processo ensino-aprendizagem é preciso que o educador domine o
universo diversificado da leitura, tenha vivência na leitura de filmes como um
hipertexto que trata da realidade na qual seu aluno está inserido, e tenha ciência de que é
preciso ser criterioso na escolha do filme a ser trabalhado, uma vez que esta atividade
pedagógica jamais deve ser usada de maneira superficial, como um simples
entretenimento ou como complemento de carga horária, mas como uma nova tecnologia
na apreensão, constatação, reflexão, compreensão e crítica do contexto social, cultural,
histórico e político dos quais fazemos parte, para uma formação integral do educando.

PALAVRAS – CHAVE: LINGUAGEM, CINEMA, ESCOLA.

Falar de leitura e de leitor nos leva, de imediato, ao mundo das letras, das
palavras, isto é, ao mundo da escrita, já que o que nos vem em primeira mão à mente é a
decodificação dos sinais gráficos e a compreensão das palavras: o processo de
comunicação mais conhecido e divulgado, vivenciado no nosso cotidiano, ressaltando
que esse é também o processo mais comumente usado no letramento escolar, em todos
os níveis, quer seja do fundamental ao superior, mesmo a palavra letramento sendo
tomada aqui segundo a concepção de Soares (2004), expondo a idéia de que a escrita
traz conseqüências sociais, culturais, políticas, econômicas, cognitivas e lingüísticas,
1
Professora do Lyceu Paraibano. E-mail: profvaniarocha@yahoo.com.br.
quer para o grupo social em que seja introduzida, quer para o indivíduo que aprende a
usá-la, uma vez que o indivíduo letrado é capaz de envolver-se nas práticas sociais de
leitura e escrita. Assim, Soares (2004) afirma-nos:

[...] do ponto de vista da dimensão individual de letramento (a leitura


como uma tecnologia) é um conjunto de habilidades lingüísticas e
psicológicas que se estendem desde a habilidade de decodificar
palavras escritas até a capacidade de compreender textos escritos. [...]
leitura não é ato solitário; é interação verbal entre indivíduos
socialmente determinados (SOARES, 2004, p. 68-69).

Atentando para o fato de que o homem expressa-se e expressa o mundo pela


linguagem, ou seja, por meio de um sistema de signos responsáveis por armazenar a
cultura e transmiti-la, e que é também por meio da linguagem (verbal e não verbal) que
o conhecimento é construído e transmitido, é imprescindível, assim, o domínio da
habilidade de leitura, e de modo muito especial, da leitura de mundo, como tão bem
falou o grande educador Paulo Freire:

[...] A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a


posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura
daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A
compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a
percepção das relações entre texto e o seu contexto (FREIRE, 1985, P.
11-12).

Nesta perspectiva, a leitura é uma ação que envolve apreensão, constatação,


reflexão e transformação da realidade da qual o sujeito-leitor faz parte, fazendo com que
ele estabeleça um paralelo entre o passado, o presente e o futuro; a verdade e a mentira;
o real e o imaginário, ou seja, um leitor proficiente é capaz de ler sua realidade e o
contexto social, cultural, econômico, político e religioso que o rodeia. Por isso é que a
leitura não é neutra; não é simplesmente decodificação nem decifração da escrita, já que
é um processo de formação global do indivíduo; sua capacitação para o convívio e
atuação social.
Para Foucambert (1994) ler é ser questionado pelo mundo, pelo outro e por nós
mesmos; é funcionar como uma agulha de um toca-discos, que transforma vibrações de
um certo tipo em sinais de um outro tipo, ou ainda:

[...] A leitura é um equilíbrio entre o processo de identificação de


palavras que não pudemos prever com precisão – e que, por isso,
informam – e o processo de verificação da antecipação de palavras
que pudemos prever e que, portanto, informam menos.
(FOUCAMBERT, 1994, p. 119).

Seguindo essa mesma linha de pensamento temos Souza (1992) ao afirmar que a
leitura é, basicamente, o ato de perceber e atribuir significados através de uma junção de
fatores pessoais com o momento, o lugar e com as circunstâncias. Ele afirmou ainda que
ler é interpretar uma percepção sob as influências de um determinado contexto.
Portanto, seguindo essa lógica, a leitura não se resume a uma atividade árida e tortuosa
de decifração de palavras. Mediante essa concepção de leitura é bom que citemos Silva
(2005), ratificando assim, a concepção de Souza:

[...] A leitura é uma atividade essencial a qualquer área do


conhecimento, e mais essencial ainda à própria vida do Ser Humano.
O patrimônio simbólico do homem contém uma herança cultural
registrada pela escrita. Estar com e no mundo pressupõe, então, atos
de criação e recriação direcionados a essa herança. A leitura, por ser
uma via de acesso a essa herança, é uma das formas do homem se
situar com o mundo de forma a dinamizá-lo. (SILVA, 2005, p. 42).

Antes de iniciar o relato de uma rica experiência vivenciada por mim com leitura
de imagens, mais precisamente, com a linguagem fílmica, com o desenho animado
Kung Fu Panda (filme), enquanto educadora de língua materna, tanto do ensino
fundamental quanto do médio, e de modo particular como professora de literatura e
redação, atuando na rede estadual e particular da grande João Pessoa, preciso, portanto,
tratar sobre o termo linguagem na concepção bakhtiniana e saussureana.
Segundo Bakhtin (1999) a linguagem acompanha o homem em todos os
momentos de sua vida, servindo para articular as relações que ele estabelece com o
outro e com o mundo. Ele diz que por meio da linguagem o homem não só veicula
informações, mas também mostra a sua visão sobre o mundo e as pessoas, e que é ainda
a linguagem que permite aos sujeitos se representarem a si mesmos, aos outros e ao
mundo, tratando-se, portanto, de um meio de interação social por excelência.
Ainda segundo Bakhtin (1999) o mundo é um conjunto de sinais e símbolos,
sendo que o símbolo permite ao homem constituir-se como ser cultural e simbólico.
Assim, nesse movimento entre sinais e símbolos, percebemos como o outro reconhece a
realidade. Desse modo, diz Bakhtin:
[...] não são as palavras o que pronunciamos ou escutamos, mas
verdades ou mentiras, coisas boas ou más, importantes ou triviais,
agradáveis ou desagradáveis, tristes ou alegres. Portanto, a palavra
está sempre carregada de um conteúdo ou de um sentido, ideológico
ou vivencial. (BAKHTIN, 1999).

É nessa concepção de sujeito que se constitui por meio da linguagem, e que


aprende a ler o mundo, as, pessoas e as coisas por meio da leitura de sinais, pinturas,
desenhos e símbolos, que trago a torna a questão da leitura imagética, mais
especificamente, a linguagem cinematográfica enquanto um recurso didático-
pedagógico no processo ensino-aprendizagem, uma vez que a leitura de imagens precisa
de um aprendizado para os sujeitos-leitores não familiarizados com esta prática.
Gouvêa e Martins (2001) acreditam que a leitura de imagens é uma atividade
profundamente influenciada por princípios que organizam possibilidade de
representação e significação numa dada cultura. Eles dizem que da mesma forma que a
leitura do escrito, a leitura das imagens não se restringe à simples leitura de signos,
fazendo-se necessário, assim, um aprendizado de leitura de imagens. Nessa perspectiva,
o visual é visto não como subordinado ou menos importante, mas como um modo
semiótico que coopera com o linguístico.
Seguindo essa mesma linha de pensamento em relação à importância e à
necessidade de se ler imagens nas sociedades contemporâneas, tendo em vista o
acelerado avanço e desenvolvimento de novas tecnologias, com destaque para as
novidades audiovisuais, temos o posicionamento de Soares (2003), afirmando que:

[...] dissociar alfabetização e letramento é um equívoco, por que no


quadro das atuais concepções psicológicas, lingüísticas e
psicolingüísticas de leitura e escrita, a entrada da criança (e também
do adulto analfabeto) no mundo da escrita se dá simultaneamente por
esses dois processos: pela aquisição do sistema convencional da
escrita – a alfabetização – e pelo desenvolvimento de habilidades de
uso desses sistemas em atividades de leitura e escrita nas práticas
sociais que envolvem a língua escrita – o letramento. (SOARES,
2003, p. 28).

Walter Benjamin (1996) afirmou que nenhum outro meio artístico, atualmente,
reflete tão bem o homem e sua compreensão do mundo como a arte cinematográfica:
“mas nada revela mais claramente as violentas tensões do nosso tempo que o fato de
que essa dominante tátil prevalece no cinema, através do choque de suas sequências de
imagens.” (BENJAMIN, 1996, p. 194). As sequências de imagens fazem parte da
narrativa cinematográfica, da linguagem que é própria do cinema e que nos leva a uma
leitura profunda e crítica das imagens apresentadas na tela.
Nesse sentido é bom que lembremos aqui da afirmativa de Barthes (2001):

[...] A narrativa está presente em todos os tempos, em todos os


lugares, em todas as sociedades; a narrativa começa com a própria
história da humanidade: não há, nunca houve em lugar nenhum povo
algum sem narrativas; todas as classes, todos os grupos humanos tem
as suas narrativas. Muitas vezes essas narrativas são apreciadas em
comum por homens de culturas diferentes, até mesmo opostas.
(BARTHES, p. 103-104).

Fica evidente, portanto, que a teoria barthesiana é extraída da maresia da vida


diária, ou seja, do nosso dia a dia, do nosso cotidiano; das nossas conversas, das nossas
crenças, dos nossos costumes, das nossas experiências individuais e coletivas, enfim, da
cultura que caracteriza os grupos, as comunidades, ratificando, deste modo, que não
pode haver dissociação entre linguagem e vida, uma vez que é por meio da imagem,
seja ela falada, escrita, televisiva, fílmica, entre outras que o homem se expressa e
expressa o mundo.
Daí o suporte da necessidade de que os sujeitos-leitores contemporâneos têm de
dominar o universo da linguagem, isto é, a necessidade de sermos bons leitores: saber
ler as palavras é imprescindível para uma boa leitura das imagens. Saber ler o texto,
suas entrelinhas, o contexto social, econômico, cultural e religioso retratados pelo autor,
ou seja, para sermos bons leitores é preciso que nos tornemos co-autores do que estamos
lendo, aceitando o convite feito pelo autor para caminhar no universo representado por
ele. Esse exercício, com certeza, facilita a leitura das imagens.
Duarte (2002) nos alerta sobre o fato de que é preciso saber como tem acontecido
a elaboração do conhecimento, uma vez que a todo momento e em diferentes espaços
(escola, família, clubes, igrejas) a mídia tem exercido influência no processo da
formação humana. Desse modo, a educação a ser oferecida exige novos pressupostos,
entre eles, aquele que admite produção e a difusão de conhecimentos por textos
compostos em imagem-som que possam ter confiabilidade e valor epistemológico.

O RELATO
Tendo eu me afastado dos desenhos animados, e mesmo dos filmes de desenho
animado há vários anos, tanto de maneira pessoal, talvez porque com o passar dos anos
tivesse perdido o interesse em olhar animações, enraizada em velhas crenças de que o
desenho animado é apenas suporte de entretenimento infantil, mera diversão; quanto
profissionalmente, pois como professora de língua materna, literatura e redação,
trabalhando no ensino médio, acreditando ser minha obrigação, compromisso e
responsabilidade trabalhar com filmes adaptados dos romances clássicos, indicados para
o PSS, ou com outros tipos de filmes na produção textual.
Eu sempre gostei muito de trabalhar com a imagem, seja de pinturas, fotografias,
charges, placas e, de modo muito particular, com filmes por saber, com a experiência
adquirida ao longo da vivência como educadora, que os filmes são hipertextos, que as
imagens falam fortemente, que elas persuadem mais rapidamente, que elas nos tornam
co-autores do universo por elas retratado, como também por saber que este tipo de
leitura requer muita concentração, atenção, familiaridade e habilidades adquiridas em
leituras outras.
Meu reencontro com o mundo animado foi por intermédio de um professor do
Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba, numa Pós-Graduação
(Especialização em Proeja), pela UFPB, estudioso do assunto, com várias publicações
na área, articulador de um grupo de estudos sobre o assunto, ou seja, na temática da
Imagem e Educação, da imagem como mediadora da construção do conhecimento
escolar, dono da seguinte frase: “Não fazer pergunta à imagem soa como se ela não
tivesse nada a dizer.”
Diante da força provocativa desta afirmativa é fácil perceber a seriedade com
que, nós, professores, devemos trabalhar a questão da leitura de imagens, quer sejam
elas cinematográficas, televisivas, de gravuras, de pinturas, de fotografias, de Charges,
autodoor, entre outras.
Foi pagando o módulo sobre Currículo, na Pós-Graduação em PROEJA, pela
UFPB que descobri a ponte que liga leitura e imagens como um meio a mais na
apropriação do conhecimento escolar, uma vez que era sempre por meio de imagens que
a turma ia construindo e produzindo seu conhecimento a respeito de Currículo. Eu não
sentia muita dificuldade nessa nova caminhada na construção do conhecimento pelo
viés das imagens, talvez por ser professora de língua portuguesa, literatura e redação,
tendo assim, intimidade com o vasto mundo da leitura, aprendido a ler nas entrelinhas, a
ler o que não está escrito no texto, mas que o autor afirmar categoricamente no todo do
texto, ou seja, o que faz do escrito ser um hipertexto, que somente um leitor experiente é
capaz de ler.
Neste sentido Martins (2007) nos lembra o uso da imagem cinematográfica
como mais uma alternativa de inserção da cultura visual no âmbito do ensino,
ampliando assim, o leque de possibilidades de estudos proporcionados por estas
imagens, tendo em vista que, efetivamente, a linguagem cinematográfica constitui uma
forma de expressão importante na formação das visões de mundo na atualidade.
Não somente eu, mas toda a Turma 1 do Proeja foi percebendo como é necessário
usarmos, hoje, as imagens como um recurso didático-pedagógico a mais nas aulas de
aula, na construção do conhecimento escolar e no conhecimento de mundo, do contexto
social, político, econômico, cultural e histórico da humanidade. Para que isto
acontecesse, foi preciso que tivéssemos uma mirada diferente sobre o uso de imagens na
escola, e de modo muito especial, com as imagens cinematográficas, uma vez que o nós,
professores, não as usávamos como devem ser usadas, para educar, no sentido mais
amplo da palavra.
Infelizmente, na maioria das vezes, nas nossas escolas, os filmes são usados
apenas como entretenimento, como uma maneira de completar a carga horária, como
um meio de manter a turma em silêncio, ou seja, usa o filme de maneira superficial, mas
que deve ser usado na perspectiva de Martins (2007, p.127): “O cinema constitui uma
área que dialoga com tantos campos do conhecimento.”
Para que eu compreendesse realmente esse diálogo entre a linguagem
cinematográfica e áreas do conhecimento científico, foi preciso que o professor levasse
para a sala de aula o filme Kung Fu Panda, para que a partir desta narrativa fílmica, com
o aprendizado da importância do olhar na leitura fílmica, criássemos um currículo
apropriado para a Educação de Jovens e Adultos. Lembrando aqui o que disse Larrosa
(2006, p. 15): “[...] em cine, de lo que se trata es de la mirada, de la educación de la
mirada. De precisarla y de ajustarla, de ampliarla y multiplicarla, de inquietarla y de
ponerle a pensar. El cine nos abre los ojos, los coloca a distancia justa y los pone em
movimiento.”
Larrosa (2006) diz também que a linguagem cinematográfica tem algo de
especial, algo que vai sempre esbarrar na subjetividade dos sujeitos–receptores. A
linguagem cinematográfica diz também algo destes sujeitos que nenhuma outra é capaz
de dizer:
Sólo se puede decir con El cine lo que no se decir de outra manera ou
com otros médios, com otros lenguajes. Es muy posible que lo
importante em uma película sea justamente lo que no se puede
traducir em palabras y, por lo tanto, lo que no se puede formular em
términos de ideas (Larrosa, 2006, p. 113).

Isto é, só se pode dizer através do cinema, o que não se pode dizer de outra
maneira ou com outros meios, com outras linguagens. É possível que o mais importante
em uma película seja justamente o que não se pode traduzir com palavras, e portanto, o
que não se pode formular em termos de ideias. (Tradução livre).
Era era este o aprendizado que o professor nos passava, para os educadores de
todas as áreas, naquela Especialização, para que nós refizéssemos a nossa prática
docente em sala de aula em relação ao uso didático do filme. Para que a nossa mirada na
leitura das imagens tomasse consistência, profundidade, entendimento era preciso
compreender que “o cinema pensa”. E mais importante: ler seu pensamento numa
perspectiva crítica e reflexiva..
Um dos objetivos do professor era nos mostrar que através dos filmes nos é
permitido entrar em contato com realidades diferentes da nossa, com culturas diferentes,
com contextos históricos, políticos, religiosos, econômicos e étnicos diferentes, já que
os filmes, como afirmou Cabrera (2006), apresentam conceitos-imagem, o que nos leva
a uma reflexão sobre as questões morais, ideológicas, culturais, políticas e éticas.
Mostrando-nos, assim, que as imagens cinematográficas estão voltadas para a
compreensão da leitura de mundo, do contexto real do aluno, das suas necessidades e da
compreensão da formação de uma cidadania crítica e emancipadora através do auxílio
da leitura de imagens.
Partilhando este mesmo ponto de vista do professor Erenildo, temos Duarte
(2004), afirmando que é preciso que nós saibamos como tem acontecido a elaboração do
conhecimento, uma vez que a todo momento e em diferentes espaços (escola, família,
clubes, igrejas), a mídia tem exercido influência no processo de formação humana.
Portanto, a educação a ser oferecida exige novos pressupostos, entre eles, aquele que
admite produção e a difusão de conhecimentos por textos compostos em imagem-som,
que possam ter confiabilidade e valor epistemológico.
Duarte (2004) diz ainda que ver filmes é um feito social tão importante,
do ponto de vista da formação cultural e educacional das pessoas, quanto a leitura de
obras literárias, filosóficas, sociológicas e tantas mais. E este foi um, entre os grandes
aprendizados que tive com o filme Kung Fu Panda.
Imaginem que gratificante aprendizado eu tive com Po, a personagem principal
do filme Kung Fu Panda, dirigido por Mark Osbone e John Stevenson, um jovem panda,
gordo e desajeitado, com um sonho que o persegue desde a infância: ser lutador de
Kung Fu. Po é filho de um ganso, dono de uma loja de macarrão, mas ele teima em
sonhar que se tornará um mestre do Kung Fu. Justamente por isso ele é fanático pelos
Cinco Furiosos – o grupo que é formado pelos melhores guerreiros chineses, a Tigresa,
o Macaco, a Víbora, a Garça e o Louva-Deus- treinados pelo Mestre Shifu. Este é o
mais poderoso de todos os instrutores do Kung Fu, depois de seu orientador, o Mestre
Oogway, uma tartaruga milenar.
Oogway sonha, profeticamente, com a fuga do terrível Tai Lung da prisão, que
uma vez livre, voltará para destruir o Vale da Paz, tornando-se necessário, então, reviver
uma remota profecia, isto é, escolher o único lutador capaz de derrotar esse temível
vilão.
Não por acaso, como afirma o sábio Oogway, que não crê em acidentes do
destino, em acaso, Po é eleito O Grande Dragão Vermelho, o melhor lutador chinês em
toda a história da China, para desespero do Mestre Shifu e dos seus cinco lutadores,
principalmente da Tigresa, que já se considerava selecionada para empreender este feito
glorioso.
Portanto, este é um filme questionador, que nos leva a refletir sobre os modos e
as estratégias que usamos para apreendermos a realidade, ou seja, como construímos os
nossos saberes de cidadania, saberes culturais, saberes históricos entre outros através da
mirada do olhar, isto é, como aprendemos a ler o mundo através das imagens
cinematográficas.
Lendo as atitudes do Mestre Shifu ao recusar treinar Po por duvidar do seu
potencial, e tentar fazer com que ele desista do seu grande sonho, entendemos como
muitas vezes somos incapazes de superar o olhar reduzido e egoísta que dirigimos ao
outro, carregado de preconceitos e intolerância, uma vez que o Mestre Shifu não via em
Po, um panda gordo e desajeitado, a menor possibilidade de ser o lendário Dragão
Vermelho, que salvaria o Vale da Paz da vingança do terrível Tai Lung.
O filme retrata também a grande dificuldade de entendermos e aceitarmos a
diferença, mostrando a estranheza do próprio Po em aceitar ser filho de um ganso,
cobrando de seu pai uma explicação para este fato.
Desta maneira podemos constatar que a linguagem cinematográfica tem valor
educativo capaz de promover o exercício da reflexão crítica sobre os valores humanos e
proporcionar a revisão de posturas egocêntricas e preconceituosas, levando-nos a
reflexão da relação EU-TU, EU-MUNDO.
A maior lição, na minha leitura, que podemos extrair do filme é que para
realizarmos qualquer coisa, é preciso antes que nós acreditemos em nós mesmos, do
contrário, será impossível realizarmos nossos ideais e sonhos, bem como o aprendizado
de que as respostas das quais procuramos e necessitamos estão dentro de nós mesmos,
portanto, não adianta procurá-las em outros lugares, pois como no filme, não havia nada
escrito no pergaminho sagrado. Ele deixava refletir apenas a própria imagem,
mostrando que a verdade de cada um está dentro de si mesmo. Bem como o segredo da
sopa de macarrão da família do panda: não havia segredo algum, mas todos acreditavam
que sim, logo, acreditar é o grande segredo.
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