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ENCCEJA

Ensino Médio

ÍNDICE VOLUME 1

LINGUAGENS, CÓDIGOS E SUAS TECNOLOGIAS


Estudo do texto................................................................................................................................................................................................................... 01
Estudo de Língua Inglesa .................................................................................................................................................................................................. 96
Estudo do texto literário ...................................................................................................................................................................................................138
Redação ...........................................................................................................................................................................................................................127
Estudo das práticas corporais..........................................................................................................................................................................................170
Artes..................................................................................................................................................................................................................................191

MATEMÁTICA E SUAS TECNOLOGIAS


Conhecimentos numéricos................................................................................................................................................................................................. 01
Conhecimentos geométricos ............................................................................................................................................................................................. 59
Conhecimentos algébricos/geométricos – plano cartesiano; retas; circunferências; paralelismo e perpendicularidade, sistemas de equações ........ 73
Conhecimentos algébricos ................................................................................................................................................................................................. 85
Conhecimentos de estatística e probabilidade................................................................................................................................................................121

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segunda conjugação: acendudo, atrevudo, bevudo, conhoçudo, creçudo,
estendudo, vendudo etc. Com o advento da dinastia de Avis (1385), a
Linguagens, Códigos língua portuguesa começou a afirmar sua fisionomia própria e em breve
tornava-se língua nacional.
e suas Tecnologias O francês antigo, bem como o provençal antigo, comparados com o
francês e o provençal falados hoje, são outras línguas. Isso não ocorre
com o português antigo. Este representa uma fase envelhecida do idioma,
sem contudo ser outro. Velho em algumas formas, arcaico em muitas
Estudo do Texto palavras, obsoleto na preferência de certas expressões (e diverso na
pronúncia, provavelmente), o português dos primeiros tempos é sempre
inteligível, pois a gramática é a mesma.
Como língua comum, o português formou-se inicialmente em torno de
A língua que Olavo Bilac chamou de "última flor do Lácio, inculta e be- Coimbra e mais tarde ao redor de Lisboa, conquistada aos mouros por
la" é uma das que alcançaram maior difusão geográfica em todo o mundo, Afonso Henriques, primeiro rei português, e depois capital da nação,
pois é falada nos cinco continentes. Ademais, o português é culturalmente centro irradiador do padrão linguístico. Na história da língua, distinguem-
significativo sobretudo por sua literatura, na qual se mostra um instrumen- se dois períodos principais: (1) o arcaico, desde as origens, no século XII,
to de alta eficiência da criação estética em poesia e prosa. ao século XV; (2) e o moderno, do século XVI em diante. Uma outra
O português é uma língua neolatina ou românica. Pertencente ao gru- classificação considera os períodos clássico (séculos XVI e XVII) e o pós-
po itálico da grande família do indo-europeu, derivou-se da principal língua clássico (XVIII em diante).
itálica, o latim. É falada em Portugal, no Brasil, em Angola, Moçambique, A disciplina gramatical teve início no período clássico, quando se ela-
Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, assim como em encra- borou a primeira gramática da língua, de Fernão de Oliveira, publicada em
ves de colonização portuguesa na Ásia (Macau, Goa, Damão e Malaca) e 1536. Também se verificou nesse período a consolidação da língua literá-
da Oceania (Timor). A mistura com línguas nativas, na África, produziu ria, de acentuada influência do latim clássico e cujo melhor exemplo é o
uma série de dialetos, ditos crioulos. poema épico de Camões Os lusíadas (1572), obra-prima de presença
indelével nas fases que se seguiram. Não obstante a vigência de uma
norma central lisboeta, o português de Portugal apresenta falares regio-
Histórico nais no norte (trasmontano, interamnense, beirão), no centro (estremenho)
O português nasceu da evolução do latim vulgar levado pelos legioná- e no sul (alentejano e algarvio).
rios romanos para a península ibérica, transformada em província do No Brasil, o português foi implantado no século XVI, com os traços ar-
Império Romano em 197 a.C. César fundou, entre outras cidades, Pax caicos que se conservavam na linguagem popular da metrópole. Graças à
Julia (cujo primeiro nome se transformaria em Beja) e criou na Lusitânia imigração constante, no período colonial, o português moderno prevale-
um dos baluartes da latinização do país. Estrabão observou que os turde- ceu. Na atualidade, fala-se em todo o Brasil uma língua que, sem se opor
tanos, na Bética, haviam esquecido a língua materna, e expressavam-se à de Portugal, dela se distingue por peculiaridades de vocabulário, os
em latim. Essa língua radicou-se na península, até que, no século V, se "brasileirismos", e toma como padrão a norma culta das cidades princi-
deu a invasão dos bárbaros, e com ela se intensificou a corrupção da pais, o Rio de Janeiro sobretudo.
linguagem.
Gramática histórica
Com a presença dos árabes, no século VIII a decadência do latim
acentuou-se, intensificada pelo fato de terem os invasores uma brilhante Na evolução do latim ibérico para o português, observam-se certos fa-
civilização própria. Os próprios cristãos arabizaram-se e João, bispo de tos que deram à língua atual sua fisionomia.
Sevilha, traduziu a Bíblia para o árabe. O latim reduziu-se a alguns falares No capítulo da fonologia, as vogais, de modo geral, mantiveram-se, a
vernáculos e quase desapareceu das Espanhas, como havia de suceder não ser o i-breve, que evolveu para ê, e o u-breve, que se transformou em
no norte da África. Chegou a chamar-se "aljamia" o linguajar latino e era ô. As consoantes iniciais mantiveram-se. As geminadas (com exceção de
como se se dissesse "o bárbaro", o estrangeiro, em oposição à "aravia", a rr) simplificaram-se. As intervocálicas fortes abrandaram-se. Muitas das
língua árabe. brandas intervocálicas desapareceram. Os grupos de consoantes + l, se
A península contava ainda com outras línguas românicas importantes: iniciais, passaram a ch, como: plorare > chorar, flamma > chama. Se
o castelhano (ou espanhol) e o catalão. A região que vai do Minho ao intervocálicos, deram em lh, como: triblu > trilho, vetlu > velho. As conso-
Douro, campo de batalha frequente entre cristãos e muçulmanos, era antes finais oclusivas frequentemente se vocalizam no interior dos vocábu-
pouco povoada e, para consolidar sua posse, D. Afonso VI de Castela, em los: ora em i-reduzido: recepta > receita, regno > reino, octo > oito; ora em
torno de 1095, separou da monarquia leonesa o Condado Portucalense, u-reduzido: absente > ausente, alteru > outro, octo > oito. Todos esses
que de direito ia do Minho ao Tejo mas, de fato, do Minho até o Mondego, metaplasmos dão uma fisionomia particular ao português.
e foi concedido ao conde Henrique de Borgonha. O nome provinha-lhe da A lexiologia portuguesa de origem latina era paupérrima. Os lexicógra-
cidade de Portucale, à margem direita do Douro -- na verdade, a cidade do fos não registram mais de cinco mil palavras que tenham vindo do latim
Porto, correspondendo a Cale a atual Vila Nova de Gaia, à margem es- por tradição oral. O ulterior enriquecimento é obra cultural do século XIV,
querda. É bastante provável que antes de a região tornar-se reino inde- sobretudo do período clássico. Entretanto, todo o vocabulário denotativo é
pendente, no século VII, o "romanço lusitânico" aí falado já constituísse latino, excetuando-se uma ou outra palavra. Exemplos: cada (grego katá,
uma nova língua, o "protoportuguês". já romanizada), fulano (árabe fulan, acrescentada por intermédio do
O domínio do idioma português seguiu a expansão do reino para o castelhano).
sul, até o Algarve, no século XIII. Os sucessos estimularam as oposições Naturalmente a expansão geográfica do povo lusitano ensejou a ane-
religiosas e os portugueses passaram a evitar a língua árabe. Não poden- xação de um riquíssimo vocabulário, colhido nas cinco partes do mundo.
do volver ao esquecido latim, aceitaram a fala barbarizada da gente mais Mas é notável a plasticidade que a língua demonstrou de aportuguesa-
humilde. Os literatos compuseram uma língua de compromisso, o galaico- mento, de sorte que, sem estudo, ninguém pode saber a extração dos
português, ao lançar mão dos recursos encontrados no português e no termos que emprega. Fato curioso é a eliminação constante, ao longo dos
galego. Tal foi a língua dos trovadores, que se ilustraram na corte do séculos, das palavras árabes, muitas das quais são, no entanto, utilíssi-
castelo de Guimarães e até nos mosteiros. mas.
O galaico-português enxameia de formas e palavras de uma língua e A morfologia portuguesa simplificou-se muito. Desapareceram os ca-
da outra, mas apresenta traços da influência franco-provençal, não possui sos e, portanto, as declinações, a não ser nos pronomes pessoais. O
proparoxítonos e utiliza o sufixo -udo como desinência do particípio na
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 1

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APOSTILAS OPÇÃO
neutro singular passou a ser masculino e admitiu outro plural (lignum > torneios particulares, e até sui generis, que decorrem de velhos hábitos
lenho, lenhos); o neutro plural passou a feminino singular, admitindo adquiridos. Tudo isso constitui os chamados idiotismos.
também outro plural (ligna > lenha, lenhas). O caso latino que persistiu no
português em geral foi o acusativo (por isso chamado caso lexicogênico), Palavras como homem, chove, azul ou bem correspondem a noções
com perda do m final no singular. As desinências de graus deixaram de claras, a ideias que povoam o mundo interior de quem fala. Mas é, ele ou
usar-se como tais; e as que hoje se ouvem, quando latinas, devem-se aos que não encontram nenhuma correspondência ideativa. O verbo ser, em
eruditos nas escolas. seu emprego mais corrente, apenas relaciona um nome a outro, provido
este do toque nocional, variável ao infinito, que falta ao verbo (Um homem
Os verbos latinos, repartidos por quatro conjugações, esquematiza- é bom ou mau, alto ou baixo, inteligente ou estúpido); ele pode referir-se a
ram-se em três: os da terceira conjugação latina passaram para a segun- qualquer ente do gênero masculino (homem, leão, muro); que, seja pro-
da (míttere > meter), ou para a quarta (-míttere >-mitir). Houve grande nome, seja conjunção, não contém em si nenhuma noção precisa. No
vacilação, no português antigo, sobre a conjugação que haveria de preva- primeiro caso, toma emprestado o valor de seu antecedente (a mulher, ou
lecer: correger > corrigir, caer > cair etc. No português criou-se um futuro o homem, ou o carro que eu vi), no segundo é mera palavra de ligação
do subjuntivo, como no castelhano e no galego, proveniente do futuro (Peço-te que venhas). No latim não há o pronome ele, nem a integrante
perfeito do indicativo latino. Surgiu no português, como no galego, um que. No russo, não se usa correntemente o verbo ser.
infinitivo variável. Caducaram vários particípios, e formas nominais do
verbo. O curioso, porém, é que as palavras não ideativas, as chamadas de-
notativas, são as principais em cada língua, porque características de
A sintaxiologia registra menor maleabilidade do português, em conse- cada uma. São criações gramaticais. Quando não encontram versão em
quência do grande desgaste das flexões. Mas os princípios fundamentais outras línguas, constituem idiotismos (do grego idiótes, "particular", "priva-
da concordância e da regência continuam os mesmos (naturalmente não do"). As palavras ideativas, pelo contrário, se não acham paralelo em
pode haver concordâncias de casos, pois que os casos desapareceram). outra, facilmente se podem introduzir. Basta que a ideia se comunique, e
se divulgue. Palavras ideativas criam-se à vontade, ou se importam. Às
vezes surgem sem necessidade alguma, por moda, por contágio. Quando
Gramática portuguesa as ideias desaparecem, também elas podem sair de circulação. Tudo é
contingente. Mas nas palavras denotativas não é possível mexer.
A fonologia muito equilibrada, circunstância que a aproxima do fran-
cês e do italiano, é uma das principais características do português. Talvez os principais idiotismos do português se possam resumir do
seguinte modo:
A língua tem 13 vogais, oito orais -- u, ô, ó, á, a, é, ê, i -- e cinco na-
sais -- ~u, õ, ã, ~e, ~i -- sendo que, em algumas regiões, ouvem-se outras. (1) A existência de cinco pronomes neutros para o singular: isto, isso,
Carece de fonemas aspirados ou africados. Possui três pares de consoan- aquilo, tudo, o. Tais palavras referem-se às coisas, e podem combinar-se
tes fricativas -- f/v, ç/z, x/j (exemplos: fé/vó, sá/zé, xá/jó); três pares de ainda em: tudo isto, tudo isso, tudo aquilo, tudo o. No castelhano também
consoantes oclusivas: p/b, t/d, k/g (exemplos: pé/bom, tá/dó, que/giz); e existem outras tantas palavras neutras: esto, eso, aquello, ello, lo. Trata-
três consoantes nasais -- m, n, ñ (exemplos: tomo, anão, manhã). A se, pois, de uma particularidade ibérica.
consoante lateral l pode ser usada como lh, a exemplo dos casos lado e (2) O português constrói orações nominais (isto é, as de sujeito e pre-
olho, enquanto a consoante vibrante r pode ser dobrada: rã, urra (e esse r dicativo, que exprimem estado ou qualidade) com três verbos distintos:
geminado pode ser substituído por um gargarizado, mais áspero do que o ser, estar, ficar, conforme se define o ser-sujeito em caráter definitivo,
r-grasseyé parisiense). provisório (ou recente), ou num momento em que ele muda de aspecto:
Outra particularidade da língua portuguesa é o fato de o acento tôni- Frederico é forte; Frederico está forte; Frederico fica forte. Nenhuma outra
co, no caso de vocábulos polissilábicos, poder cair em qualquer das três grande língua da Europa faz isso tão natural e agilmente.
últimas sílabas. Também é característica a existência de palavras átonas, (3) O infinitivo variável, flexionando-se pessoalmente, é um dos mais
que se arrimam nas outras por meio de próclise ou de ênclise. Os diton- profundos traços do português. Assim sendo, essa forma verbal concorre
gos, orais e nasais, são sempre decrescentes, isto é, terminam nas vogais com o subjuntivo, e o indicativo, principalmente nas orações subordinadas.
reduzidas u ou i, exceto quando se situam depois de k ou g, e começam Entretanto, pode alternar até com o imperativo. Peço-te passares por lá (=
por u reduzido. Conta ainda o português alguns tritongos, que podem ser Peço-te que passes por lá). Creio estarmos preparados (= Creio que
parcialmente nasais. Ocorrem sempre depois de k, ou de g, e começam estamos preparados). Passar bem! (= Passe bem!). O uso do infinitivo
por u reduzido. Ditongos outros, crescentes, podem surgir na linguagem variável foi mais extenso no português antigo e é mesmo mais notável na
descuidada, ou em certos artifícios de linguagem poética. língua popular do que no português literário moderno. É, hoje, um maravi-
A lexicologia da língua portuguesa é das mais ricas que existem, mas lhoso recurso de clareza, ou de ênfase, a que é lícito recorrer mesmo
não apresenta aspectos especialmente singulares. É predominantemente quando a gramática postula o contrário.
latina, mais pela importância do que pelo número de vocábulos latinos que Se não tivesse empregado o infinitivo variável, Camões teria escrito
abriga. uma frase ambígua naquele célebre passo: "Ó Netuno, lhe disse, não te
A sintaxiologia da língua portuguesa revela um analitismo que decorre espantes / de Baco nos teus reinos receberes" (Os lusíadas, VI, 15). Com
do amplo desenvolvimento de suas perífrases. Predomina, na construção, que ufania exclama ele, diante do estrangeiro: "Vai ver-lhe a frota, as
a ordem direta, em que o sujeito antecede o verbo e o complemento ou armas, e a maneira / do fundido metal, que tudo rende, / e folgarás de
complementos. A voz ativa predomina sobre a voz passiva, e as orações veres a polícia (= civilização) / portuguesa na paz, e na milícia" (Ib., VII,
sem sujeito -- ou as de sujeito indefinido -- na maioria das ocasiões não 72).
têm o sujeito gramatical usado no francês ou nas línguas germânicas, isto Repare-se em como o segundo infinitivo, variável, torna a frase mais
é, o on, o man, o one. leve, e o pensamento mais evidente, na seguinte passagem de Alencar:
Idiotismos "Nem por isso os outros deixaram de continuar o seu giro, e as estações
de seguirem o seu curso regular" (Correr da pena). O infinitivo variável
As palavras apresentam-se ao espírito como os elementos materiais, existe também no galego, e surgiu em dialetos ibéricos e itálicos.
por assim dizer, da linguagem interior. Materializam as ideias e são como
que as pedras de uma construção. Mas não se podem fazer transposições (4) O predicativo preposicionado, isto é, introduzido por preposição, é
de uma língua para outra sem se obedecer a precauções. Em primeiro uma das tendências que se têm acentuado no português. Embora se diga
lugar, há, em cada língua, um número considerável de palavras auxiliares, Afonso é considerado um talento, parece perfeitamente natural dizer
que não correspondem a quaisquer ideias: surgem como instrumentos ou Afonso é tido por talento, ou ainda Afonso é tido em muito. Se um portu-
peças necessárias ao encadeamento das palavras-ideias, e nem sempre guês diz naturalmente ele me chamou amigo, um brasileiro preferiria
encontram correspondentes em outras línguas. Além disso, há certos recorrer à preposição: Ele me chamou de amigo. Alguns puristas chega-
ram a censurar de viciosa esta última construção, sem reparar que o
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mesmo se tem feito com outros verbos sinônimos: "D. José cognominava "trilho". De qualquer maneira, o vocabulário ideativo é contingente e pode
de renegado o fugitivo sócio" (Camilo Castelo Branco, Amor de salvação); renovar-se completamente sem que a língua se abale.
"Está averbando de suspeita ou falazes tão ligeiras e infundadas ilações"
(Latino Coelho, Camões). Quanto à morfologia, nenhuma observação a fazer. Usam-se no Bra-
sil, absolutamente, as mesmas desinências, e nada se permite de especi-
(5) Um idiotismo funcional é o aspecto iterativo que modernamente se al. Os prefixos e sufixos são fundamentalmente os mesmos.
tem dado ao presente perfeito do indicativo. Enquanto nas outras línguas
esse tempo evolveu naturalmente para o passado, em português não Na sintaxe, o ponto nevrálgico é a questão da colocação dos prono-
exprime simples passado, senão passado reiterado. "Tenho reclamado" mes pessoais átonos. É que, embora átonas, tais partículas são muito
não significa "reclamei", como em outras línguas, mas "reclamei, reclamei, mais ponderáveis no Brasil do que em Portugal. Assim sendo, os brasilei-
reclamei e ainda estou no propósito de reclamar". ros as colocam onde lhes parecem que soam melhor. Em Portugal, sendo
por demais tênues, elas correriam o risco de não ser percebidas se não se
(6) O infinitivo preposicionado em substituição do gerúndio é também sujeitassem a posições rígidas, onde o ouvido já as espere. Alencar
traço do português, e também moderno. É sabido que as línguas români- escreveu em Iracema: "A rola, que marisca na areia, se afasta-se o com-
cas criaram para o infinitivo a possibilidade de o ligarem com uma prepo- panheiro, adeja inquieta de ramo em ramo", para evitar o ciciar de um "se
sição e, assim, tornaram supérfluas várias formas nominais do verbo se afasta" (çi çi afáxta) ou para não bisar numa sílaba que lhe oferecia um
latino, como supinos, particípios, gerundivo e mesmo as formas gerundiais "sibilo desagradável".
distintas do ablativo. O português estendeu essa possibilidade até o
gerúndio ablativo, de modo que se pode dizer "está a chover", em lugar do Ora, tal não acontece aos portugueses, que ali proferem um monossí-
primitivo "está chovendo". No Brasil, prefere-se o gerúndio, de uso genera- labo (çiç afáxta). Sem se dar inteiramente consciência do fato, os brasilei-
lizado. ros desenvolveram hábitos de sínclise pronominal que nunca foram defini-
tivamente estabelecidos em Portugal e que estão sujeitos à moda e a
(7) O emprego de "estar com" na acepção de "ter" é muito da índole gostos particulares. Os demais preceitos sintáticos acatam-se nos dois
portuguesa. Podemos perfeitamente dizer "tenho sede, tenho sono, tenho principais países de língua portuguesa.
a chave". Também nos é lícito expressar-nos "estou sequioso, estou
sonolento". Mas o mais natural será: "Estou com sede, estou com sono, Dialetologia portuguesa
estou com a chave." Em 1901, José Leite de Vasconcelos doutorou-se na Universidade de
(8) O analitismo português, já assinalado, pode ainda ser lembrado Paris com uma tese retumbante intitulada Esquisse d'une dialectologie
como um dos traços idiomáticos mais marcantes da língua. De um modo portugaise (Esboço de dialetologia portuguesa) e apontou no território da
geral, as línguas românicas evolveram do sintetismo latino para um deci- metrópole diversos dialetos: o interamnense e o transmontano, ao norte; o
dido analitismo. Mas talvez nenhuma chegou a tão grande desenvolvimen- beirão e o estremenho, ao centro; o alentejano e o algarvio, ao sul. Mas
to nesse terreno como o português. Enquanto o alemão (no ramo germâ- não se podem aceitar a existência desses dialetos, como os italianos ou
nico) conservou e estimulou o gosto pela palavra composta, o português os alemães, pois em quase nada se distinguem. Constitui um esforço de
fez o contrário. Se a expressão perifrástica é desgraciosa e comprida, não eruditismo o poder diferençá-los, tal a extraordinária unidade de expressão
se lhe pode negar, em geral, a clareza de significação. Uma palavra como característica do mundo português.
apud não consegue ser tão expressiva como as suas traduções dicionari- O mesmo autor reconhece a existência de dialetos insulares, nos Aço-
zadas: "junto de", "ao pé de", "perto de", "diante de", "ao lado de", "na res e na Madeira, e aponta vários dialetos de ultramar, entre os quais o
presença de", "em companhia de", "em casa de", "à vista de", "segundo", "brasileiro". Decide-o a priori, dizendo: "Se eu chamo dialeto, por exemplo,
"conforme", "em relação a", "no tempo de". Experimente-se traduzir o o português de Trás-os-Montes, com mais forte razão devo dar esse nome
alemão bei, ou o inglês by. As perífrases verbais do português são, na ao português do Brasil, ou 'brasileiro'..." Mas acontece que, se o Brasil for
verdade, uma construção infernal para o estrangeiro, mas emprestam tratado com o mesmo interesse que ele demonstrou com respeito a Portu-
grande sutileza à expressão. gal, verifica-se que não há dialeto que se possa intitular "brasileiro": have-
Português no Brasil rá muitos dialetos brasileiros, tão insignificantes no fundo quanto os de
Portugal. ©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.
A língua que se fala no Brasil, ainda que transpareçam traços caracte-
rísticos locais, é em essência, como já se mostrou, a mesma que se
pratica em Portugal, pois que se compendia na mesma gramática. INTERPRETAÇÃO DE TEXTO
Foneticamente, assinale-se que no Brasil não se criou fonema novo.
(No espanhol da Argentina, uma expressão como calle mayor se pronun- Os concursos apresentam questões interpretativas que têm por finali-
cia aproximadamente como "káje ma'jor", fazendo-se ouvir o som de j, dade a identificação de um leitor autônomo. Portanto, o candidato deve
inexistente em terras de Castela.) Certos fonemas conhecidos no tupi- compreender os níveis estruturais da língua por meio da lógica, além de
guarani não conseguiram subsistir nos vocábulos brasileiros dessa fonte. necessitar de um bom léxico internalizado.
Mas é certo que portugueses e brasileiros, conquanto não pratiquem
sistemas fonéticos diversos, têm hábitos por vezes diferentes. As frases produzem significados diferentes de acordo com o contexto
em que estão inseridas. Torna-se, assim, necessário sempre fazer um
Quanto à lexiologia, deve-se notar que não se gerou no Brasil ne-
confronto entre todas as partes que compõem o texto.
nhum denotativo: determinativos, pronomes, preposições, conjunções etc.
são os mesmos nos dois países. O vocabulário ideativo, no entanto,
Além disso, é fundamental apreender as informações apresentadas
enseja grandes reparos, ou porque as palavras correspondam a ideias
por trás do texto e as inferências a que ele remete. Este procedimento
não-correntes em Portugal, ou porque se tenha dado sentido novo a
justifica-se por um texto ser sempre produto de uma postura ideológica do
certas palavras, ou porque se introduziram outras sem necessidade. Nas
autor diante de uma temática qualquer.
últimas linhas de Os Maias, onde Eça de Queirós diz: "Então, para apa-
nhar o americano, os dois amigos romperam a correr desesperadamente
Denotação e Conotação
pela rampa de Santos", é possível que um escritor brasileiro escrevesse:
Sabe-se que não há associação necessária entre significante (ex-
"Então, para pegar o bonde, os dois amigos começaram a correr desespe-
pressão gráfica, palavra) e significado, por esta ligação representar uma
radamente pela ladeira de Santos."
convenção. É baseado neste conceito de signo linguístico (significante +
Muitas das invenções carreiam nomenclatura nova, quase nunca significado) que se constroem as noções de denotação e conotação.
coincidente, de um e de outro lado do Atlântico. Dizem os portugueses:
caminho-de-ferro, combóio, chulipa. E os brasileiros: estrada de ferro, O sentido denotativo das palavras é aquele encontrado nos dicioná-
trem, dormente. "Carril" tem as preferências lusitanas; os brasileiros dizem rios, o chamado sentido verdadeiro, real. Já o uso conotativo das palavras
é a atribuição de um sentido figurado, fantasioso e que, para sua compre-

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APOSTILAS OPÇÃO
ensão, depende do contexto. Sendo assim, estabelece-se, numa determi- aparecem nas perguntas e que, às vezes, dificultam a entender o que se
nada construção frasal, uma nova relação entre significante e significado. perguntou e o que se pediu;
11. Quando duas alternativas lhe parecem corretas, procurar a mais
Os textos literários exploram bastante as construções de base conota- exata ou a mais completa;
tiva, numa tentativa de extrapolar o espaço do texto e provocar reações 12. Quando o autor apenas sugerir ideia, procurar um fundamento de
diferenciadas em seus leitores. lógica objetiva;
13. Cuidado com as questões voltadas para dados superficiais;
Ainda com base no signo linguístico, encontra-se o conceito de polis- 14. Não se deve procurar a verdade exata dentro daquela resposta,
semia (que tem muitas significações). Algumas palavras, dependendo do mas a opção que melhor se enquadre no sentido do texto;
contexto, assumem múltiplos significados, como, por exemplo, a palavra 15. Às vezes a etimologia ou a semelhança das palavras denuncia a
ponto: ponto de ônibus, ponto de vista, ponto final, ponto de cruz ... Neste resposta;
caso, não se está atribuindo um sentido fantasioso à palavra ponto, e sim 16. Procure estabelecer quais foram as opiniões expostas pelo autor,
ampliando sua significação através de expressões que lhe completem e definindo o tema e a mensagem;
esclareçam o sentido. 17. O autor defende ideias e você deve percebê-las;
18. Os adjuntos adverbiais e os predicativos do sujeito são importan-
Como Ler e Entender Bem um Texto tíssimos na interpretação do texto.
Basicamente, deve-se alcançar a dois níveis de leitura: a informativa e Ex.: Ele morreu de fome.
de reconhecimento e a interpretativa. A primeira deve ser feita de maneira de fome: adjunto adverbial de causa, determina a causa na realiza-
cautelosa por ser o primeiro contato com o novo texto. Desta leitura, ção do fato (= morte de "ele").
extraem-se informações sobre o conteúdo abordado e prepara-se o pró- Ex.: Ele morreu faminto.
ximo nível de leitura. Durante a interpretação propriamente dita, cabe faminto: predicativo do sujeito, é o estado em que "ele" se encontra-
destacar palavras-chave, passagens importantes, bem como usar uma va quando morreu.;
palavra para resumir a ideia central de cada parágrafo. Este tipo de proce- 19. As orações coordenadas não têm oração principal, apenas as
dimento aguça a memória visual, favorecendo o entendimento. ideias estão coordenadas entre si;
20. Os adjetivos ligados a um substantivo vão dar a ele maior clareza
Não se pode desconsiderar que, embora a interpretação seja subjeti- de expressão, aumentando-lhe ou determinando-lhe o significado. Eraldo
va, há limites. A preocupação deve ser a captação da essência do texto, a Cunegundes
fim de responder às interpretações que a banca considerou como perti-
nentes. ELEMENTOS CONSTITUTIVOS
TEXTO NARRATIVO
No caso de textos literários, é preciso conhecer a ligação daquele tex- • As personagens: São as pessoas, ou seres, viventes ou não,
to com outras formas de cultura, outros textos e manifestações de arte da forças naturais ou fatores ambientais, que desempenham papel no desen-
época em que o autor viveu. Se não houver esta visão global dos momen- rolar dos fatos.
tos literários e dos escritores, a interpretação pode ficar comprometida.
Aqui não se podem dispensar as dicas que aparecem na referência biblio- Toda narrativa tem um protagonista que é a figura central, o herói ou
gráfica da fonte e na identificação do autor. heroína, personagem principal da história.
A última fase da interpretação concentra-se nas perguntas e opções O personagem, pessoa ou objeto, que se opõe aos designos do pro-
de resposta. Aqui são fundamentais marcações de palavras como não, tagonista, chama-se antagonista, e é com ele que a personagem principal
exceto, errada, respectivamente etc. que fazem diferença na escolha contracena em primeiro plano.
adequada. Muitas vezes, em interpretação, trabalha-se com o conceito do
"mais adequado", isto é, o que responde melhor ao questionamento As personagens secundárias, que são chamadas também de compar-
proposto. Por isso, uma resposta pode estar certa para responder à per- sas, são os figurantes de influencia menor, indireta, não decisiva na narra-
gunta, mas não ser a adotada como gabarito pela banca examinadora por ção.
haver uma outra alternativa mais completa.
O narrador que está a contar a história também é uma personagem,
Ainda cabe ressaltar que algumas questões apresentam um fragmen- pode ser o protagonista ou uma das outras personagens de menor impor-
to do texto transcrito para ser a base de análise. Nunca deixe de retornar tância, ou ainda uma pessoa estranha à história.
ao texto, mesmo que aparentemente pareça ser perda de tempo. A des-
contextualização de palavras ou frases, certas vezes, são também um Podemos ainda, dizer que existem dois tipos fundamentais de perso-
recurso para instaurar a dúvida no candidato. Leia a frase anterior e a nagem: as planas: que são definidas por um traço característico, elas não
posterior para ter ideia do sentido global proposto pelo autor, desta manei- alteram seu comportamento durante o desenrolar dos acontecimentos e
ra a resposta será mais consciente e segura. tendem à caricatura; as redondas: são mais complexas tendo uma di-
Podemos, tranquilamente, ser bem-sucedidos numa interpretação de mensão psicológica, muitas vezes, o leitor fica surpreso com as suas
texto. Para isso, devemos observar o seguinte: reações perante os acontecimentos.

01. Ler todo o texto, procurando ter uma visão geral do assunto; • Sequência dos fatos (enredo): Enredo é a sequência dos fatos,
02. Se encontrar palavras desconhecidas, não interrompa a leitura, vá a trama dos acontecimentos e das ações dos personagens. No enredo
até o fim, ininterruptamente; podemos distinguir, com maior ou menor nitidez, três ou quatro estágios
03. Ler, ler bem, ler profundamente, ou seja, ler o texto pelo monos progressivos: a exposição (nem sempre ocorre), a complicação, o climax,
umas três vezes ou mais; o desenlace ou desfecho.
04. Ler com perspicácia, sutileza, malícia nas entrelinhas;
05. Voltar ao texto tantas quantas vezes precisar; Na exposição o narrador situa a história quanto à época, o ambiente,
06. Não permitir que prevaleçam suas ideias sobre as do autor; as personagens e certas circunstâncias. Nem sempre esse estágio ocorre,
07. Partir o texto em pedaços (parágrafos, partes) para melhor com- na maioria das vezes, principalmente nos textos literários mais recentes,
preensão; a história começa a ser narrada no meio dos acontecimentos (“in média”),
08. Centralizar cada questão ao pedaço (parágrafo, parte) do texto ou seja, no estágio da complicação quando ocorre e conflito, choque de
correspondente; interesses entre as personagens.
09. Verificar, com atenção e cuidado, o enunciado de cada questão;
10. Cuidado com os vocábulos: destoa (=diferente de ...), não, correta, O clímax é o ápice da história, quando ocorre o estágio de maior ten-
incorreta, certa, errada, falsa, verdadeira, exceto, e outras; palavras que são do conflito entre as personagens centrais, desencadeando o desfe-
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cho, ou seja, a conclusão da história com a resolução dos conflitos. • Discurso Indireto Livre: Ocorre quando a fala da personagem
• Os fatos: São os acontecimentos de que as personagens partici- se mistura à fala do narrador, ou seja, ao fluxo normal da narra-
pam. Da natureza dos acontecimentos apresentados decorre o ção. Exemplo:
gênero do texto. Por exemplo o relato de um acontecimento coti- “Os trabalhadores passavam para os partidos, conversando
diano constitui uma crônica, o relato de um drama social é um alto. Quando me viram, sem chapéu, de pijama, por aqueles
romance social, e assim por diante. Em toda narrativa há um fato lugares, deram-me bons-dias desconfiados. Talvez pensas-
central, que estabelece o caráter do texto, e há os fatos secundá- sem que estivesse doido. Como poderia andar um homem
rios, relacionados ao principal. àquela hora , sem fazer nada de cabeça no tempo, um branco
• Espaço: Os acontecimentos narrados acontecem em diversos de pés no chão como eles? Só sendo doido mesmo”.
lugares, ou mesmo em um só lugar. O texto narrativo precisa con- (José Lins do Rego)
ter informações sobre o espaço, onde os fatos acontecem. Muitas
vezes, principalmente nos textos literários, essas informações TEXTO DESCRITIVO
são extensas, fazendo aparecer textos descritivos no interior dos Descrever é fazer uma representação verbal dos aspectos mais ca-
textos narrativo. racterísticos de um objeto, de uma pessoa, paisagem, ser e etc.
• Tempo: Os fatos que compõem a narrativa desenvolvem-se num As perspectivas que o observador tem do objeto são muito importan-
determinado tempo, que consiste na identificação do momento, tes, tanto na descrição literária quanto na descrição técnica. É esta atitude
dia, mês, ano ou época em que ocorre o fato. A temporalidade sa- que vai determinar a ordem na enumeração dos traços característicos
lienta as relações passado/presente/futuro do texto, essas rela- para que o leitor possa combinar suas impressões isoladas formando uma
ções podem ser linear, isto é, seguindo a ordem cronológica dos imagem unificada.
fatos, ou sofre inversões, quando o narrador nos diz que antes de Uma boa descrição vai apresentando o objeto progressivamente, va-
um fato que aconteceu depois. riando as partes focalizadas e associando-as ou interligando-as pouco a
pouco.
O tempo pode ser cronológico ou psicológico. O cronológico é o tem-
po material em que se desenrola à ação, isto é, aquele que é medido pela Podemos encontrar distinções entre uma descrição literária e outra
natureza ou pelo relógio. O psicológico não é mensurável pelos padrões técnica. Passaremos a falar um pouco sobre cada uma delas:
fixos, porque é aquele que ocorre no interior da personagem, depende da • Descrição Literária: A finalidade maior da descrição literária é
sua percepção da realidade, da duração de um dado acontecimento no transmitir a impressão que a coisa vista desperta em nossa mente
seu espírito. através do sentidos. Daí decorrem dois tipos de descrição: a sub-
jetiva, que reflete o estado de espírito do observador, suas prefe-
• Narrador: observador e personagem: O narrador, como já dis- rências, assim ele descreve o que quer e o que pensa ver e não
semos, é a personagem que está a contar a história. A posição o que vê realmente; já a objetiva traduz a realidade do mundo ob-
em que se coloca o narrador para contar a história constitui o fo- jetivo, fenomênico, ela é exata e dimensional.
co, o aspecto ou o ponto de vista da narrativa, e ele pode ser ca- • Descrição de Personagem: É utilizada para caracterização das
racterizado por : personagens, pela acumulação de traços físicos e psicológicos,
- visão “por detrás” : o narrador conhece tudo o que diz respeito pela enumeração de seus hábitos, gestos, aptidões e tempera-
às personagens e à história, tendo uma visão panorâmica dos mento, com a finalidade de situar personagens no contexto cultu-
acontecimentos e a narração é feita em 3a pessoa. ral, social e econômico .
- visão “com”: o narrador é personagem e ocupa o centro da nar- • Descrição de Paisagem: Neste tipo de descrição, geralmente o
rativa que é feito em 1a pessoa. observador abrange de uma só vez a globalidade do panorama,
- visão “de fora”: o narrador descreve e narra apenas o que vê, para depois aos poucos, em ordem de proximidade, abranger as
aquilo que é observável exteriormente no comportamento da per- partes mais típicas desse todo.
sonagem, sem ter acesso a sua interioridade, neste caso o narra- • Descrição do Ambiente: Ela dá os detalhes dos interiores, dos
dor é um observador e a narrativa é feita em 3a pessoa. ambientes em que ocorrem as ações, tentando dar ao leitor uma
• Foco narrativo: Todo texto narrativo necessariamente tem de visualização das suas particularidades, de seus traços distintivos
apresentar um foco narrativo, isto é, o ponto de vista através do e típicos.
qual a história está sendo contada. Como já vimos, a narração é • Descrição da Cena: Trata-se de uma descrição movimentada,
feita em 1a pessoa ou 3a pessoa. que se desenvolve progressivamente no tempo. É a descrição de
um incêndio, de uma briga, de um naufrágio.
Formas de apresentação da fala das personagens • Descrição Técnica: Ela apresenta muitas das características ge-
Como já sabemos, nas histórias, as personagens agem e falam. Há rais da literatura, com a distinção de que nela se utiliza um voca-
três maneiras de comunicar as falas das personagens. bulário mais preciso, salientando-se com exatidão os pormenores.
É predominantemente denotativa tendo como objetivo esclarecer
• Discurso Direto: É a representação da fala das personagens convencendo. Pode aplicar-se a objetos, a aparelhos ou meca-
através do diálogo. nismos, a fenômenos, a fatos, a lugares, a eventos e etc.
Exemplo:
“Zé Lins continuou: carnaval é festa do povo. O povo é dono da TEXTO DISSERTATIVO
verdade. Vem a polícia e começa a falar em ordem pública. No carna- Dissertar significa discutir, expor, interpretar ideias. A dissertação
val a cidade é do povo e de ninguém mais”. consta de uma série de juízos a respeito de um determinado assunto ou
No discurso direto é frequente o uso dos verbo de locução ou des- questão, e pressupõe um exame critico do assunto sobre o qual se vai
cendi: dizer, falar, acrescentar, responder, perguntar, mandar, replicar e escrever com clareza, coerência e objetividade.
etc.; e de travessões. Porém, quando as falas das personagens são curtas A dissertação pode ser argumentativa - na qual o autor tenta persua-
ou rápidas os verbos de locução podem ser omitidos. dir o leitor a respeito dos seus pontos de vista ou simplesmente, ter como
finalidade dar a conhecer ou explicar certo modo de ver qualquer questão.
• Discurso Indireto: Consiste em o narrador transmitir, com suas A linguagem usada é a referencial, centrada na mensagem, enfati-
próprias palavras, o pensamento ou a fala das personagens. zando o contexto.
Exemplo:
“Zé Lins levantou um brinde: lembrou os dias triste e passa- Quanto à forma, ela pode ser tripartida em:
dos, os meus primeiros passos em liberdade, a fraternidade • Introdução: Em poucas linhas coloca ao leitor os dados funda-
que nos reunia naquele momento, a minha literatura e os mentais do assunto que está tratando. É a enunciação direta e
menos sombrios por vir”. objetiva da definição do ponto de vista do autor.

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• Desenvolvimento: Constitui o corpo do texto, onde as ideias co- Sabe-se que a leitura e escrita, ou seja, ler e escrever; não tem em
locadas na introdução serão definidas com os dados mais rele- sua unidade a mono característica da dominação do idioma/língua, e sim o
vantes. Todo desenvolvimento deve estruturar-se em blocos de propósito de executar a interação do meio e cultura de cada indivíduo. As
ideias articuladas entre si, de forma que a sucessão deles resulte relações intertextuais são de grande valia para fazer de um texto uma
num conjunto coerente e unitário que se encaixa na introdução e alusão à outros textos, isto proporciona que a imersão que os argumentos
desencadeia a conclusão. dão tornem esta produção altamente evocativa.
• Conclusão: É o fenômeno do texto, marcado pela síntese da
ideia central. Na conclusão o autor reforça sua opinião, retoman- A paráfrase é também outro recurso bastante utilizado para trazer a
do a introdução e os fatos resumidos do desenvolvimento do tex- um texto um aspecto dinâmico e com intento. Juntamente com a paródia,
to. Para haver maior entendimento dos procedimentos que podem a paráfrase utiliza-se de textos já escritos, por alguém, e que tornam-se
ocorrer em um dissertação, cabe fazermos a distinção entre fatos, algo espetacularmente incrível. A diferença é que muitas vezes a paráfra-
hipótese e opinião. se não possui a necessidade de persuadir as pessoas com a repetição de
- Fato: É o acontecimento ou coisa cuja veracidade e reconhecida; argumentos, e sim de esquematizar novas formas de textos, sendo estes
é a obra ou ação que realmente se praticou. diferentes. A criação de um texto requer bem mais do que simplesmente a
- Hipótese: É a suposição feita acerca de uma coisa possível ou junção de palavras a uma frase, requer algo mais que isto. É necessário
não, e de que se tiram diversas conclusões; é uma afirmação so- ter na escolha das palavras e do vocabulário o cuidado de se requisitá-las,
bre o desconhecido, feita com base no que já é conhecido. bem como para se adotá-las. Um texto não é totalmente auto-explicativo,
- Opinião: Opinar é julgar ou inserir expressões de aprovação ou daí vem a necessidade de que o leitor tenha um emassado em seu históri-
desaprovação pessoal diante de acontecimentos, pessoas e obje- co uma relação interdiscursiva e intertextual.
tos descritos, é um parecer particular, um sentimento que se tem
a respeito de algo. As metáforas, metomínias, onomatopeias ou figuras de linguagem,
entram em ação inseridos num texto como um conjunto de estratégias
capazes de contribuir para os efeitos persuasivos dele. A ironia também é
O TEXTO ARGUMENTATIVO muito utilizada para causar este efeito, umas de suas características
Baseado em Adilson Citelli
salientes, é que a ironia dá ênfase à gozação, além de desvalorizar ideias,
A linguagem é capaz de criar e representar realidades, sendo caracte- valores da oposição, tudo isto em forma de piada.
rizada pela identificação de um elemento de constituição de sentidos. Os
discursos verbais podem ser formados de várias maneiras, para dissertar Uma das últimas, porém não menos importantes, formas de persuadir
ou argumentar, descrever ou narrar, colocamos em práticas um conjunto através de argumentos, é a Alusão ("Ler não é apenas reconhecer o dito,
de referências codificadas há muito tempo e dadas como estruturadoras mais também o não-dito"). Nela, o escritor trabalha com valores, ideias ou
do tipo de texto solicitado. conceitos pré estabelecidos, sem porém com objetivos de forma clara e
concisa. O que acontece é a formação de um ambiente poético e sugerí-
Para se persuadir por meio de muitos recursos da língua é necessário vel, capaz de evocar nos leitores algo, digamos, uma sensação...
que um texto possua um caráter argumentativo/descritivo. A construção de Texto Base: CITELLI, Adilson; “O Texto Argumentativo” São Paulo SP, Editora.
Scipione, 1994 - 6ª edição.
um ponto de vista de alguma pessoa sobre algo, varia de acordo com a
sua análise e esta dar-se-á a partir do momento em que a compreensão
do conteúdo, ou daquilo que fora tratado seja concretado. A formação GÊNEROS TEXTUAIS
discursiva é responsável pelo emassamento do conteúdo que se deseja
transmitir, ou persuadir, e nele teremos a formação do ponto de vista do Gêneros textuais são tipos específicos de textos de qualquer nature-
sujeito, suas análises das coisas e suas opiniões. Nelas, as opiniões o que za, literários ou não. Modalidades discursivas constituem as estruturas e
fazemos é soltar concepções que tendem a ser orientadas no meio em as funções sociais (narrativas, dissertativas, argumentativas, procedimen-
que o indivíduo viva. Vemos que o sujeito lança suas opiniões com o tais e exortativas), utilizadas como formas de organizar a linguagem.
simples e decisivo intuito de persuadir e fazer suas explanações renderem Dessa forma, podem ser considerados exemplos de gêneros textuais:
o convencimento do ponto de vista de algo/alguém. anúncios, convites, atas, avisos, programas de auditórios, bulas, cartas,
comédias, contos de fadas, convênios, crônicas, editoriais, ementas,
Na escrita, o que fazemos é buscar intenções de sermos entendidos e ensaios, entrevistas, circulares, contratos, decretos, discursos políticos
desejamos estabelecer um contato verbal com os ouvintes e leitores, e
todas as frases ou palavras articuladas produzem significações dotadas A diferença entre Gênero Textual e Tipologia Textual é, no meu en-
de intencionalidade, criando assim unidades textuais ou discursivas. tender, importante para direcionar o trabalho do professor de língua na
Dentro deste contexto da escrita, temos que levar em conta que a coerên- leitura, compreensão e produção de textos1. O que pretendemos neste
cia é de relevada importância para a produção textual, pois nela se dará pequeno ensaio é apresentar algumas considerações sobre Gênero
uma sequência das ideias e da progressão de argumentos a serem expla- Textual e Tipologia Textual, usando, para isso, as considerações feitas
nadas. Sendo a argumentação o procedimento que tornará a tese aceitá- por Marcuschi (2002) e Travaglia (2002), que faz apontamentos questio-
vel, a apresentação de argumentos atingirá os seus interlocutores em náveis para o termo Tipologia Textual. No final, apresento minhas consi-
seus objetivos; isto se dará através do convencimento da persuasão. Os derações a respeito de minha escolha pelo gênero ou pela tipologia.
mecanismos da coesão e da coerência serão então responsáveis pela
unidade da formação textual. Convém afirmar que acredito que o trabalho com a leitura, compreen-
são e a produção escrita em Língua Materna deve ter como meta primor-
Dentro dos mecanismos coesivos, podem realizar-se em contextos dial o desenvolvimento no aluno de habilidades que façam com que ele
verbais mais amplos, como por jogos de elipses, por força semântica, por tenha capacidade de usar um número sempre maior de recursos da língua
recorrências lexicais, por estratégias de substituição de enunciados. para produzir efeitos de sentido de forma adequada a cada situação
específica de interação humana.
Um mecanismo mais fácil de fazer a comunicação entre as pessoas é
a linguagem, quando ela é em forma da escrita e após a leitura, (o que Luiz Antônio Marcuschi (UFPE) defende o trabalho com textos na es-
ocorre agora), podemos dizer que há de ter alguém que transmita algo, e cola a partir da abordagem do Gênero Textual Marcuschi não demonstra
outro que o receba. Nesta brincadeira é que entra a formação de argu- favorabilidade ao trabalho com a Tipologia Textual, uma vez que, para
mentos com o intuito de persuadir para se qualificar a comunicação; nisto, ele, o trabalho fica limitado, trazendo para o ensino alguns problemas,
estes argumentos explanados serão o germe de futuras tentativas da uma vez que não é possível, por exemplo, ensinar narrativa em geral,
comunicação ser objetiva e dotada de intencionalidade, (ver Linguagem e porque, embora possamos classificar vários textos como sendo narrativos,
Persuasão). eles se concretizam em formas diferentes – gêneros – que possuem
diferenças específicas.

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Por outro lado, autores como Luiz Carlos Travaglia (UFUberlân- natureza linguística de sua composição. Em geral, os tipos textuais abran-
dia/MG) defendem o trabalho com a Tipologia Textual. Para o autor, gem as categorias narração, argumentação, exposição, descrição e injun-
sendo os textos de diferentes tipos, eles se instauram devido à existência ção (Swales, 1990; Adam, 1990; Bronckart, 1999). Segundo ele, o termo
de diferentes modos de interação ou interlocução. O trabalho com o texto Tipologia Textual é usado para designar uma espécie de sequência
e com os diferentes tipos de texto é fundamental para o desenvolvimento teoricamente definida pela natureza linguística de sua composição (aspec-
da competência comunicativa. De acordo com as ideias do autor, cada tos lexicais, sintáticos, tempos verbais, relações lógicas) (p. 22).
tipo de texto é apropriado para um tipo de interação específica. Deixar o
aluno restrito a apenas alguns tipos de texto é fazer com que ele só tenha Gênero Textual é definido pelo autor como uma noção vaga para os
recursos para atuar comunicativamente em alguns casos, tornando-se textos materializados encontrados no dia-a-dia e que apresentam caracte-
incapaz, ou pouco capaz, em outros. Certamente, o professor teria que rísticas sócio-comunicativas definidas pelos conteúdos, propriedades
fazer uma espécie de levantamento de quais tipos seriam mais necessá- funcionais, estilo e composição característica.
rios para os alunos, para, a partir daí, iniciar o trabalho com esses tipos
mais necessários. Travaglia define Tipologia Textual como aquilo que pode instaurar
um modo de interação, uma maneira de interlocução, segundo perspecti-
Marcuschi afirma que os livros didáticos trazem, de maneira equivo- vas que podem variar. Essas perspectivas podem, segundo o autor, estar
cada, o termo tipo de texto. Na verdade, para ele, não se trata de tipo de ligadas ao produtor do texto em relação ao objeto do dizer quanto ao
texto, mas de gênero de texto. O autor diz que não é correto afirmar que a fazer/acontecer, ou conhecer/saber, e quanto à inserção destes no tempo
carta pessoal, por exemplo, é um tipo de texto como fazem os livros. Ele e/ou no espaço. Pode ser possível a perspectiva do produtor do texto
atesta que a carta pessoal é um Gênero Textual. dada pela imagem que o mesmo faz do receptor como alguém que con-
corda ou não com o que ele diz. Surge, assim, o discurso da transforma-
O autor diz que em todos os gêneros os tipos se realizam, ocorrendo, ção, quando o produtor vê o receptor como alguém que não concorda com
muitas das vezes, o mesmo gênero sendo realizado em dois ou mais ele. Se o produtor vir o receptor como alguém que concorda com ele,
tipos. Ele apresenta uma carta pessoal3 como exemplo, e comenta que ela surge o discurso da cumplicidade. Tem-se ainda, na opinião de Travaglia,
pode apresentar as tipologias descrição, injunção, exposição, narração e uma perspectiva em que o produtor do texto faz uma antecipação no dizer.
argumentação. Ele chama essa miscelânea de tipos presentes em um Da mesma forma, é possível encontrar a perspectiva dada pela atitude
gênero de heterogeneidade tipológica. comunicativa de comprometimento ou não. Resumindo, cada uma das
perspectivas apresentadas pelo autor gerará um tipo de texto. Assim, a
Travaglia (2002) fala em conjugação tipológica. Para ele, dificilmen- primeira perspectiva faz surgir os tipos descrição, dissertação, injunção
te são encontrados tipos puros. Realmente é raro um tipo puro. Num texto e narração. A segunda perspectiva faz com que surja o tipo argumentati-
como a bula de remédio, por exemplo, que para Fávero & Koch (1987) é vo stricto sensu6 e não argumentativo stricto sensu. A perspectiva da
um texto injuntivo, tem-se a presença de várias tipologias, como a descri- antecipação faz surgir o tipo preditivo. A do comprometimento dá origem
ção, a injunção e a predição4. Travaglia afirma que um texto se define a textos do mundo comentado (comprometimento) e do mundo narrado
como de um tipo por uma questão de dominância, em função do tipo de (não comprometimento) (Weirinch, 1968). Os textos do mundo narrado
interlocução que se pretende estabelecer e que se estabelece, e não em seriam enquadrados, de maneira geral, no tipo narração. Já os do mundo
função do espaço ocupado por um tipo na constituição desse texto. comentado ficariam no tipo dissertação.

Quando acontece o fenômeno de um texto ter aspecto de um gênero Travaglia diz que o Gênero Textual se caracteriza por exercer uma
mas ter sido construído em outro, Marcuschi dá o nome de intertextuali- função social específica. Para ele, estas funções sociais são pressentidas
dade intergêneros. Ele explica dizendo que isso acontece porque ocorreu e vivenciadas pelos usuários. Isso equivale dizer que, intuitivamente,
no texto a configuração de uma estrutura intergêneros de natureza alta- sabemos que gênero usar em momentos específicos de interação, de
mente híbrida, sendo que um gênero assume a função de outro. acordo com a função social dele. Quando vamos escrever um e-mail,
sabemos que ele pode apresentar características que farão com que ele
Travaglia não fala de intertextualidade intergêneros, mas fala de “funcione” de maneira diferente. Assim, escrever um e-mail para um amigo
um intercâmbio de tipos. Explicando, ele afirma que um tipo pode ser não é o mesmo que escrever um e-mail para uma universidade, pedindo
usado no lugar de outro tipo, criando determinados efeitos de sentido informações sobre um concurso público, por exemplo.
impossíveis, na opinião do autor, com outro dado tipo. Para exemplificar,
ele fala de descrições e comentários dissertativos feitos por meio da Observamos que Travaglia dá ao gênero uma função social. Parece
narração. que ele diferencia Tipologia Textual de Gênero Textual a partir dessa
“qualidade” que o gênero possui. Mas todo texto, independente de seu
Resumindo esse ponto, Marcuschi traz a seguinte configuração teóri- gênero ou tipo, não exerce uma função social qualquer?
ca:
intertextualidade intergêneros = um gênero com a função de outro Marcuschi apresenta alguns exemplos de gêneros, mas não ressalta
heterogeneidade tipológica = um gênero com a presença de vários ti- sua função social. Os exemplos que ele traz são telefonema, sermão,
pos romance, bilhete, aula expositiva, reunião de condomínio, etc.
Travaglia mostra o seguinte:
conjugação tipológica = um texto apresenta vários tipos Já Travaglia, não só traz alguns exemplos de gêneros como mostra o
intercâmbio de tipos = um tipo usado no lugar de outro que, na sua opinião, seria a função social básica comum a cada um: aviso,
comunicado, edital, informação, informe, citação (todos com a função
Aspecto interessante a se observar é que Marcuschi afirma que os social de dar conhecimento de algo a alguém). Certamente a carta e o e-
gêneros não são entidades naturais, mas artefatos culturais construídos mail entrariam nessa lista, levando em consideração que o aviso pode ser
historicamente pelo ser humano. Um gênero, para ele, pode não ter uma dado sob a forma de uma carta, e-mail ou ofício. Ele continua exemplifi-
determinada propriedade e ainda continuar sendo aquele gênero. Para cando apresentando a petição, o memorial, o requerimento, o abaixo
exemplificar, o autor fala, mais uma vez, da carta pessoal. Mesmo que o assinado (com a função social de pedir, solicitar). Continuo colocando a
autor da carta não tenha assinado o nome no final, ela continuará sendo carta, o e-mail e o ofício aqui. Nota promissória, termo de compromisso e
carta, graças as suas propriedades necessárias e suficientes5.Ele diz, voto são exemplos com a função de prometer. Para mim o voto não teria
ainda, que uma publicidade pode ter o formato de um poema ou de uma essa função de prometer. Mas a função de confirmar a promessa de dar o
lista de produtos em oferta. O que importa é que esteja fazendo divulga- voto a alguém. Quando alguém vota, não promete nada, confirma a pro-
ção de produtos, estimulando a compra por parte de clientes ou usuários messa de votar que pode ter sido feita a um candidato.
daquele produto.
Para Marcuschi, Tipologia Textual é um termo que deve ser usado Ele apresenta outros exemplos, mas por questão de espaço não colo-
para designar uma espécie de sequência teoricamente definida pela carei todos. É bom notar que os exemplos dados por ele, mesmo os que

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não foram mostrados aqui, apresentam função social formal, rígida. Ele elementos químicos que compõem as substâncias encontradas na nature-
não apresenta exemplos de gêneros que tenham uma função social za.
menos rígida, como o bilhete.
Para concluir, acredito que vale a pena considerar que as discussões
Uma discussão vista em Travaglia e não encontrada em Marcuschi7 é feitas por Marcuschi, em defesa da abordagem textual a partir dos Gêne-
a de Espécie. Para ele, Espécie se define e se caracteriza por aspectos ros Textuais, estão diretamente ligadas ao ensino. Ele afirma que o
formais de estrutura e de superfície linguística e/ou aspectos de conteúdo. trabalho com o gênero é uma grande oportunidade de se lidar com a
Ele exemplifica Espécie dizendo que existem duas pertencentes ao tipo língua em seus mais diversos usos autênticos no dia-a-dia. Cita o PCN,
narrativo: a história e a não-história. Ainda do tipo narrativo, ele apresenta dizendo que ele apresenta a ideia básica de que um maior conhecimento
as Espécies narrativa em prosa e narrativa em verso. No tipo descritivo do funcionamento dos Gêneros Textuais é importante para a produção e
ele mostra as Espécies distintas objetiva x subjetiva, estática x dinâmica e para a compreensão de textos. Travaglia não faz abordagens específicas
comentadora x narradora. Mudando para gênero, ele apresenta a corres- ligadas à questão do ensino no seu tratamento à Tipologia Textual.
pondência com as Espécies carta, telegrama, bilhete, ofício, etc. No
gênero romance, ele mostra as Espécies romance histórico, regionalista, O que Travaglia mostra é uma extrema preferência pelo uso da Tipo-
fantástico, de ficção científica, policial, erótico, etc. Não sei até que ponto logia Textual, independente de estar ligada ao ensino. Sua abordagem
a Espécie daria conta de todos os Gêneros Textuais existentes. Será parece ser mais taxionômica. Ele chega a afirmar que são os tipos que
que é possível especificar todas elas? Talvez seja difícil até mesmo por- entram na composição da grande maioria dos textos. Para ele, a questão
que não é fácil dizer quantos e quais são os gêneros textuais existentes. dos elementos tipológicos e suas implicações com o ensino/aprendizagem
merece maiores discussões.
Se em Travaglia nota-se uma discussão teórica não percebida em
Marcuschi, o oposto também acontece. Este autor discute o conceito de Marcuschi diz que não acredita na existência de Gêneros Textuais
Domínio Discursivo. Ele diz que os domínios discursivos são as grandes ideais para o ensino de língua. Ele afirma que é possível a identificação de
esferas da atividade humana em que os textos circulam (p. 24). Segundo gêneros com dificuldades progressivas, do nível menos formal ao mais
informa, esses domínios não seriam nem textos nem discursos, mas formal, do mais privado ao mais público e assim por diante. Os gêneros
dariam origem a discursos muito específicos. Constituiriam práticas dis- devem passar por um processo de progressão, conforme sugerem
cursivas dentro das quais seria possível a identificação de um conjunto de Schneuwly & Dolz (2004).
gêneros que às vezes lhes são próprios como práticas ou rotinas comuni-
cativas institucionalizadas. Como exemplo, ele fala do discurso jornalísti- Travaglia, como afirmei, não faz considerações sobre o trabalho com
co, discurso jurídico e discurso religioso. Cada uma dessas atividades, a Tipologia Textual e o ensino. Acredito que um trabalho com a tipologia
jornalística, jurídica e religiosa, não abrange gêneros em particular, mas teria que, no mínimo, levar em conta a questão de com quais tipos de
origina vários deles. texto deve-se trabalhar na escola, a quais será dada maior atenção e com
quais será feito um trabalho mais detido. Acho que a escolha pelo tipo,
Travaglia até fala do discurso jurídico e religioso, mas não como Mar- caso seja considerada a ideia de Travaglia, deve levar em conta uma série
cuschi. Ele cita esses discursos quando discute o que é para ele tipologia de fatores, porém dois são mais pertinentes:
de discurso. Assim, ele fala dos discursos citados mostrando que as a) O trabalho com os tipos deveria preparar o aluno para a composi-
tipologias de discurso usarão critérios ligados às condições de produção ção de quaisquer outros textos (não sei ao certo se isso é possí-
dos discursos e às diversas formações discursivas em que podem estar vel. Pode ser que o trabalho apenas com o tipo narrativo não dê
inseridos (Koch & Fávero, 1987, p. 3). Citando Koch & Fávero, o autor fala ao aluno o preparo ideal para lidar com o tipo dissertativo, e vice-
que uma tipologia de discurso usaria critérios ligados à referência (institu- versa. Um aluno que pára de estudar na 5ª série e não volta mais
cional (discurso político, religioso, jurídico), ideológica (discurso petista, de à escola teria convivido muito mais com o tipo narrativo, sendo es-
direita, de esquerda, cristão, etc), a domínios de saber (discurso médico, se o mais trabalhado nessa série. Será que ele estaria preparado
linguístico, filosófico, etc), à inter-relação entre elementos da exterioridade para produzir, quando necessário, outros tipos textuais? Ao lidar
(discurso autoritário, polêmico, lúdico)). Marcuschi não faz alusão a uma somente com o tipo narrativo, por exemplo, o aluno, de certa for-
tipologia do discurso. ma, não deixa de trabalhar com os outros tipos?);
b) A utilização prática que o aluno fará de cada tipo em sua vida.
Semelhante opinião entre os dois autores citados é notada quando fa-
lam que texto e discurso não devem ser encarados como iguais. Mar- Acho que vale a pena dizer que sou favorável ao trabalho com o Gê-
cuschi considera o texto como uma entidade concreta realizada material- nero Textual na escola, embora saiba que todo gênero realiza necessari-
mente e corporificada em algum Gênero Textual [grifo meu] (p. 24). amente uma ou mais sequências tipológicas e que todos os tipos inserem-
Discurso para ele é aquilo que um texto produz ao se manifestar em se em algum gênero textual.
alguma instância discursiva. O discurso se realiza nos textos (p. 24).
Travaglia considera o discurso como a própria atividade comunicativa, a Até recentemente, o ensino de produção de textos (ou de redação)
própria atividade produtora de sentidos para a interação comunicativa, era feito como um procedimento único e global, como se todos os tipos de
regulada por uma exterioridade sócio-histórica-ideológica (p. 03). Texto é texto fossem iguais e não apresentassem determinadas dificuldades e, por
o resultado dessa atividade comunicativa. O texto, para ele, é visto como isso, não exigissem aprendizagens específicas. A fórmula de ensino de
redação, ainda hoje muito praticada nas escolas brasileiras – que consiste
uma unidade linguística concreta que é tomada pelos usuários da lín-
fundamentalmente na trilogia narração, descrição e dissertação – tem por
gua em uma situação de interação comunicativa específica, como uma
base uma concepção voltada essencialmente para duas finalidades: a
unidade de sentido e como preenchendo uma função comunicativa reco-
formação de escritores literários (caso o aluno se aprimore nas duas
nhecível e reconhecida, independentemente de sua extensão (p. 03).
primeiras modalidades textuais) ou a formação de cientistas (caso da
terceira modalidade) (Antunes, 2004). Além disso, essa concepção guarda
Travaglia afirma que distingue texto de discurso levando em conta em si uma visão equivocada de que narrar e descrever seriam ações mais
que sua preocupação é com a tipologia de textos, e não de discursos. “fáceis” do que dissertar, ou mais adequadas à faixa etária, razão pela
Marcuschi afirma que a definição que traz de texto e discurso é muito mais qual esta última tenha sido reservada às séries terminais - tanto no ensino
operacional do que formal. fundamental quanto no ensino médio.

Travaglia faz uma “tipologização” dos termos Gênero Textual, Tipo- O ensino-aprendizagem de leitura, compreensão e produção de texto
logia Textual e Espécie. Ele chama esses elementos de Tipelementos. pela perspectiva dos gêneros reposiciona o verdadeiro papel do professor
Justifica a escolha pelo termo por considerar que os elementos tipológicos de Língua Materna hoje, não mais visto aqui como um especialista em
(Gênero Textual, Tipologia Textual e Espécie) são básicos na constru- textos literários ou científicos, distantes da realidade e da prática textual
ção das tipologias e talvez dos textos, numa espécie de analogia com os do aluno, mas como um especialista nas diferentes modalidades textuais,

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orais e escritas, de uso social. Assim, o espaço da sala de aula é trans- Em se tratando de gêneros textuais, a situação não é diferente, pois
formado numa verdadeira oficina de textos de ação social, o que é viabili- se conceituam como gêneros textuais as diversas situações
zado e concretizado pela adoção de algumas estratégias, como enviar sociocomunciativas que participam da nossa vida em sociedade. Como
uma carta para um aluno de outra classe, fazer um cartão e ofertar a exemplo, temos: uma receita culinária, um e-mail, uma reportagem, uma
alguém, enviar uma carta de solicitação a um secretário da prefeitura, monografia, e assim por diante. Respectivamente, tais textos classificar-
realizar uma entrevista, etc. Essas atividades, além de diversificar e con- se-iam como: instrucional, correspondência pessoal (em meio eletrônico),
cretizar os leitores das produções (que agora deixam de ser apenas texto do ramo jornalístico e, por último, um texto de cunho científico.
“leitores visuais”), permitem também a participação direta de todos os
alunos e eventualmente de pessoas que fazem parte de suas relações Mas como toda escrita perfaz-se de uma técnica para compô-la, é
familiares e sociais. A avaliação dessas produções abandona os critérios extremamente importante que saibamos a maneira correta de produzir
quase que exclusivamente literários ou gramaticais e desloca seu foco esta gama de textos. À medida que a praticamos, vamos nos
para outro ponto: o bom texto não é aquele que apresenta, ou só apresen- aperfeiçoando mais e mais na sua performance estrutural. Por Vânia
ta, características literárias, mas aquele que é adequado à situação comu- Duarte
nicacional para a qual foi produzido, ou seja, se a escolha do gênero, se a
estrutura, o conteúdo, o estilo e o nível de língua estão adequados ao
interlocutor e podem cumprir a finalidade do texto. O Conto
Acredito que abordando os gêneros a escola estaria dando ao aluno a É um relato em prosa de fatos fictícios. Consta de três momentos per-
oportunidade de se apropriar devidamente de diferentes Gêneros Textu- feitamente diferenciados: começa apresentando um estado inicial de
ais socialmente utilizados, sabendo movimentar-se no dia-a-dia da intera- equilíbrio; segue com a intervenção de uma força, com a aparição de um
ção humana, percebendo que o exercício da linguagem será o lugar da conflito, que dá lugar a uma série de episódios; encerra com a resolução
sua constituição como sujeito. A atividade com a língua, assim, favoreceria desse conflito que permite, no estágio final, a recuperação do equilíbrio
o exercício da interação humana, da participação social dentro de uma perdido.
sociedade letrada.
1 - Penso que quando o professor não opta pelo trabalho com o gê- Todo conto tem ações centrais, núcleos narrativos, que estabelecem
nero ou com o tipo ele acaba não tendo uma maneira muito clara entre si uma relação causal. Entre estas ações, aparecem elementos de
para selecionar os textos com os quais trabalhará. recheio (secundários ou catalíticos), cuja função é manter o suspense.
2 - Outra discussão poderia ser feita se se optasse por tratar um Tanto os núcleos como as ações secundárias colocam em cena persona-
pouco a diferença entre Gênero Textual e Gênero Discursivo. gens que as cumprem em um determinado lugar e tempo. Para a apresen-
3 - Travaglia (2002) diz que uma carta pode ser exclusivamente des- tação das características destes personagens, assim como para as indica-
critiva, ou dissertativa, ou injuntiva, ou narrativa, ou argumentati- ções de lugar e tempo, apela-se a recursos descritivos.
va. Acho meio difícil alguém conseguir escrever um texto, carac- Um recurso de uso frequente nos contos é a introdução do diálogo
terizado como carta, apenas com descrições, ou apenas com in- das personagens, apresentado com os sinais gráficos correspondentes
junções. Por outro lado, meio que contrariando o que acabara de (os travessões, para indicar a mudança de interlocutor).
afirmar, ele diz desconhecer um gênero necessariamente descri- A observação da coerência temporal permite ver se o autor mantém a
tivo. linha temporal ou prefere surpreender o leitor com rupturas de tempo na
4 - Termo usado pelas autoras citadas para os textos que fazem pre- apresentação dos acontecimentos (saltos ao passado ou avanços ao
visão, como o boletim meteorológico e o horóscopo. futuro).
5 - Necessárias para a carta, e suficientes para que o texto seja uma
A demarcação do tempo aparece, geralmente, no parágrafo inicial. Os
carta.
contos tradicionais apresentam fórmulas características de introdução de
6 - Segundo Travaglia (1991), texto argumentativo stricto sensu é o
temporalidade difusa: "Era uma vez...", "Certa vez...".
que faz argumentação explícita.
7 - Pelo menos nos textos aos quais tive acesso. Sílvio Ribeiro da Os tempos verbais desempenham um papel importante na construção
Silva e na interpretação dos contos. Os pretéritos imperfeito e o perfeito predo-
minam na narração, enquanto que o tempo presente aparece nas descri-
ções e nos diálogos.
TIPOLOGIA TEXTUAL
O pretérito imperfeito apresenta a ação em processo, cuja incidência
chega ao momento da narração: "Rosário olhava timidamente seu preten-
A todo o momento nos deparamos com vários textos, sejam eles dente, enquanto sua mãe, da sala, fazia comentários banais sobre a
verbais e não verbais. Em todos há a presença do discurso, isto é, a ideia história familiar." O perfeito, ao contrário, apresenta as ações concluídas
intrínseca, a essência daquilo que está sendo transmitido entre os no passado: "De repente, chegou o pai com suas botas sujas de barro,
interlocutores. olhou sua filha, depois o pretendente, e, sem dizer nada, entrou furioso na
sala".
Esses interlocutores são as peças principais em um diálogo ou em um
texto escrito, pois nunca escrevemos para nós mesmos, nem mesmo A apresentação das personagens ajusta-se à estratégia da definibili-
falamos sozinhos. dade: são introduzidas mediante uma construção nominal iniciada por um
artigo indefinido (ou elemento equivalente), que depois é substituído pelo
É de fundamental importância sabermos classificar os textos dos definido, por um nome, um pronome, etc.: "Uma mulher muito bonita
quais travamos convivência no nosso dia a dia. Para isso, precisamos entrou apressadamente na sala de embarque e olhou à volta, procurando
saber que existem tipos textuais e gêneros textuais. alguém impacientemente. A mulher parecia ter fugido de um filme român-
Comumente relatamos sobre um acontecimento, um fato presenciado tico dos anos 40."
ou ocorrido conosco, expomos nossa opinião sobre determinado assunto, O narrador é uma figura criada pelo autor para apresentar os fatos
ou descrevemos algum lugar pelo qual visitamos, e ainda, fazemos um que constituem o relato, é a voz que conta o que está acontecendo. Esta
retrato verbal sobre alguém que acabamos de conhecer ou ver. voz pode ser de uma personagem, ou de uma testemunha que conta os
fatos na primeira pessoa ou, também, pode ser a voz de uma terceira
É exatamente nestas situações corriqueiras que classificamos os pessoa que não intervém nem como ator nem como testemunha.
nossos textos naquela tradicional tipologia: Narração, Descrição e
Dissertação. Além disso, o narrador pode adotar diferentes posições, diferentes
pontos de vista: pode conhecer somente o que está acontecendo, isto é, o
Para melhor exemplificarmos o que foi dito, tomamos como exemplo que as personagens estão fazendo ou, ao contrário, saber de tudo: o que
um Editorial, no qual o autor expõe seu ponto de vista sobre determinado fazem, pensam, sentem as personagens, o que lhes aconteceu e o que
assunto, uma descrição de um ambiente e um texto literário escrito em lhes acontecerá. Estes narradores que sabem tudo são chamados onisci-
prosa. entes.

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A Novela A rima é uma característica distintiva, mas não obrigatória dos versos,
pois existem versos sem rima (os versos brancos ou soltos de uso fre-
É semelhante ao conto, mas tem mais personagens, maior número de quente na poesia moderna). A rima consiste na coincidência total ou
complicações, passagens mais extensas com descrições e diálogos. As parcial dos últimos fonemas do verso. Existem dois tipos de rimas: a
personagens adquirem uma definição mais acabada, e as ações secundá- consoante (coincidência total de vogais e consoante a partir da última
rias podem chegar a adquirir tal relevância, de modo que terminam por vogal acentuada) e a assonante (coincidência unicamente das vogais a
converter-se, em alguns textos, em unidades narrativas independentes. partir da última vogal acentuada). A métrica mais frequente dos versos vai
A Obra Teatral desde duas até dezesseis sílabas. Os versos monossílabos não existem,
já que, pelo acento, são considerados dissílabos.
Os textos literários que conhecemos como obras de teatro (dramas,
As estrofes agrupam versos de igual medida e de duas medidas dife-
tragédias, comédias, etc.) vão tecendo diferentes histórias, vão desenvol-
rentes combinadas regularmente. Estes agrupamentos vinculam-se à
vendo diversos conflitos, mediante a interação linguística das persona-
progressão temática do texto: com frequência, desenvolvem uma unidade
gens, quer dizer, através das conversações que têm lugar entre os partici-
informativa vinculada ao tema central.
pantes nas situações comunicativas registradas no mundo de ficção
construído pelo texto. Nas obras teatrais, não existe um narrador que Os trabalhos dentro do paradigma e do sintagma, através dos meca-
conta os fatos, mas um leitor que vai conhecendo-os através dos diálogos nismos de substituição e de combinação, respectivamente, culminam com
e/ ou monólogos das personagens. a criação de metáforas, símbolos, configurações sugestionadoras de
vocábulos, metonímias, jogo de significados, associações livres e outros
Devido à trama conversacional destes textos, torna-se possível en- recursos estilísticos que dão ambiguidade ao poema.
contrar neles vestígios de oralidade (que se manifestam na linguagem
espontânea das personagens, através de numerosas interjeições, de
alterações da sintaxe normal, de digressões, de repetições, de dêiticos de TEXTOS JORNALÍSTICOS
lugar e tempo. Os sinais de interrogação, exclamação e sinais auxiliares
servem para moldar as propostas e as réplicas e, ao mesmo tempo, Os textos denominados de textos jornalísticos, em função de seu por-
estabelecem os turnos de palavras. tador (jornais, periódicos, revistas), mostram um claro predomínio da
função informativa da linguagem: trazem os fatos mais relevantes no
As obras de teatro atingem toda sua potencialidade através da repre- momento em que acontecem. Esta adesão ao presente, esta primazia da
sentação cênica: elas são construídas para serem representadas. O atualidade, condena-os a uma vida efêmera. Propõem-se a difundir as
diretor e os atores orientam sua interpretação. novidades produzidas em diferentes partes do mundo, sobre os mais
Estes textos são organizados em atos, que estabelecem a progressão variados temas.
temática: desenvolvem uma unidade informativa relevante para cada
contato apresentado. Cada ato contém, por sua vez, diferentes cenas, De acordo com este propósito, são agrupados em diferentes seções:
determinadas pelas entradas e saídas das personagens e/ou por diferen- informação nacional, informação internacional, informação local, socieda-
tes quadros, que correspondem a mudanças de cenografias. de, economia, cultura, esportes, espetáculos e entretenimentos.
Nas obras teatrais são incluídos textos de trama descritiva: são as A ordem de apresentação dessas seções, assim como a extensão e o
chamadas notações cênicas, através das quais o autor dá indicações aos tratamento dado aos textos que incluem, são indicadores importantes
atores sobre a entonação e a gestualidade e caracteriza as diferentes tanto da ideologia como da posição adotada pela publicação sobre o tema
cenografias que considera pertinentes para o desenvolvimento da ação. abordado.
Estas notações apresentam com frequência orações unimembres e/ou
bimembres de predicado não verbal. Os textos jornalísticos apresentam diferentes seções. As mais co-
muns são as notícias, os artigos de opinião, as entrevistas, as reporta-
O Poema gens, as crônicas, as resenhas de espetáculos.
Texto literário, geralmente escrito em verso, com uma distribuição es- A publicidade é um componente constante dos jornais e revistas, à
pacial muito particular: as linhas curtas e os agrupamentos em estrofe dão medida que permite o financiamento de suas edições. Mas os textos
relevância aos espaços em branco; então, o texto emerge da página com publicitários aparecem não só nos periódicos como também em outros
uma silhueta especial que nos prepara para sermos introduzidos nos meios amplamente conhecidos como os cartazes, folhetos, etc.; por isso,
misteriosos labirintos da linguagem figurada. Pede uma leitura em voz nos referiremos a eles em outro momento.
alta, para captar o ritmo dos versos, e promove uma tarefa de abordagem
que pretende extrair a significação dos recursos estilísticos empregados Em geral, aceita-se que os textos jornalísticos, em qualquer uma de
pelo poeta, quer seja para expressar seus sentimentos, suas emoções, suas seções, devem cumprir certos requisitos de apresentação, entre os
sua versão da realidade, ou para criar atmosferas de mistério de surrea- quais destacamos: uma tipografia perfeitamente legível, uma diagramação
lismo, relatar epopeias (como nos romances tradicionais), ou, ainda, para cuidada, fotografias adequadas que sirvam para complementar a informa-
apresentar ensinamentos morais (como nas fábulas). ção linguística, inclusão de gráficos ilustrativos que fundamentam as
explicações do texto.
O ritmo - este movimento regular e medido - que recorre ao valor so-
noro das palavras e às pausas para dar musicalidade ao poema, é parte É pertinente observar como os textos jornalísticos distribuem-se na
essencial do verso: o verso é uma unidade rítmica constituída por uma publicação para melhor conhecer a ideologia da mesma. Fun-
série métrica de sílabas fônicas. A distribuição dos acentos das palavras damentalmente, a primeira página, as páginas ímpares e o extremo supe-
que compõem os versos tem uma importância capital para o ritmo: a rior das folhas dos jornais trazem as informações que se quer destacar.
musicalidade depende desta distribuição. Esta localização antecipa ao leitor a importância que a publicação deu ao
Lembramos que, para medir o verso, devemos atender unicamente à conteúdo desses textos.
distância sonora das sílabas. As sílabas fônicas apresentam algumas O corpo da letra dos títulos também é um indicador a considerar sobre
diferenças das sílabas ortográficas. Estas diferenças constituem as cha- a posição adotada pela redação.
madas licenças poéticas: a diérese, que permite separar os ditongos em
suas sílabas; a sinérese, que une em uma sílaba duas vogais que não
constituem um ditongo; a sinalefa, que une em uma só sílaba a sílaba final A Notícia
de uma palavra terminada em vogal, com a inicial de outra que inicie com
vogal ou h; o hiato, que anula a possibilidade da sinalefa. Os acentos Transmite uma nova informação sobre acontecimentos, objetos ou
finais também incidem no levantamento das sílabas do verso. Se a última pessoas.
palavra é paroxítona, não se altera o número de sílabas; se é oxítona,
As notícias apresentam-se como unidades informativas completas,
soma-se uma sílaba; se é proparoxítona, diminui-se uma.
que contêm todos os dados necessários para que o leitor compreenda a
informação, sem necessidade ou de recorrer a textos anteriores (por
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exemplo, não é necessário ter lido os jornais do dia anterior para interpre- A progressão temática ocorre geralmente através de um esquema de
tá-la), ou de ligá-la a outros textos contidos na mesma publicação ou em temas derivados. Cada argumento pode encerrar um tópico com seus
publicações similares. respectivos comentários.
É comum que este texto use a técnica da pirâmide invertida: começa Estes artigos, em virtude de sua intencionalidade informativa, apre-
pelo fato mais importante para finalizar com os detalhes. Consta de três sentam uma preeminência de orações enunciativas, embora também
partes claramente diferenciadas: o título, a introdução e o desenvolvimen- incluam, com frequência, orações dubitativas e exortativas devido à sua
to. O título cumpre uma dupla função - sintetizar o tema central e atrair a trama argumentativa. As primeiras servem para relativizar os alcances e o
atenção do leitor. Os manuais de estilo dos jornais (por exemplo: do Jornal valor da informação de base, o assunto em questão; as últimas, para
El País, 1991) sugerem geralmente que os títulos não excedam treze convencer o leitor a aceitar suas premissas como verdadeiras. No decor-
palavras. A introdução contém o principal da informação, sem chegar a ser rer destes artigos, opta-se por orações complexas que incluem proposi-
um resumo de todo o texto. No desenvolvimento, incluem-se os detalhes ções causais para as fundamentações, consecutivas para dar ênfase aos
que não aparecem na introdução. efeitos, concessivas e condicionais.

A notícia é redigida na terceira pessoa. O redator deve manter-se à Para interpretar estes textos, é indispensável captar a postura
margem do que conta, razão pela qual não é permitido o emprego da ideológica do autor, identificar os interesses a que serve e precisar sob
primeira pessoa do singular nem do plural. Isso implica que, além de omitir que circunstâncias e com que propósito foi organizada a informação
o eu ou o nós, também não deve recorrer aos possessivos (por exemplo, exposta. Para cumprir os requisitos desta abordagem, necessitaremos
não se referirá à Argentina ou a Buenos Aires com expressões tais como utilizar estratégias tais como a referência exofórica, a integração crítica
nosso país ou minha cidade). dos dados do texto com os recolhidos em outras fontes e a leitura atenta
das entrelinhas a fim de converter em explícito o que está implícito.
Esse texto se caracteriza por sua exigência de objetividade e veraci- Embora todo texto exija para sua interpretação o uso das estratégias
dade: somente apresenta os dados. Quando o jornalista não consegue mencionadas, é necessário recorrer a elas quando estivermos frente a um
comprovar de forma fidedigna os dados apresentados, costuma recorrer a texto de trama argumentativa, através do qual o autor procura que o leitor
certas fórmulas para salvar sua responsabilidade: parece, não está des- aceite ou avalie cenas, ideias ou crenças como verdadeiras ou falsas,
cartado que. Quando o redator menciona o que foi dito por alguma fonte, cenas e opiniões como positivas ou negativas.
recorre ao discurso direto, como, por exemplo:
A Reportagem
O ministro afirmou: "O tema dos aposentados será tratado na Câmara
dos Deputados durante a próxima semana. É uma variedade do texto jornalístico de trama conversacional que,
O estilo que corresponde a este tipo de texto é o formal. para informar sobre determinado tema, recorre ao testemunho de uma
figura-chave para o conhecimento deste tópico.
Nesse tipo de texto, são empregados, principalmente, orações
enunciativas, breves, que respeitam a ordem sintática canônica. Apesar A conversação desenvolve-se entre um jornalista que representa a
das notícias preferencialmente utilizarem os verbos na voz ativa, também publicação e um personagem cuja atividade suscita ou merece despertar a
é frequente o uso da voz passiva: Os delinquentes foram perseguidos pela atenção dos leitores.
polícia; e das formas impessoais: A perseguição aos delinquentes foi feita A reportagem inclui uma sumária apresentação do entrevistado, reali-
por um patrulheiro. zada com recursos descritivos, e, imediatamente, desenvolve o diálogo.
A progressão temática das notícias gira em tomo das perguntas o As perguntas são breves e concisas, à medida que estão orientadas para
quê? quem? como? quando? por quê e para quê?. divulgar as opiniões e ideias do entrevistado e não as do entrevistador.
A Entrevista
O Artigo de Opinião Da mesma forma que reportagem, configura-se preferentemente me-
Contém comentários, avaliações, expectativas sobre um tema da atu- diante uma trama conversacional, mas combina com frequência este
alidade que, por sua transcendência, no plano nacional ou internacional, já tecido com fios argumentativos e descritivos. Admite, então, uma maior
é considerado, ou merece ser, objeto de debate. liberdade, uma vez que não se ajusta estritamente à fórmula pergunta-
Nessa categoria, incluem-se os editoriais, artigos de análise ou pes- resposta, mas detém-se em comentários e descrições sobre o entrevista-
quisa e as colunas que levam o nome de seu autor. Os editoriais expres- do e transcreve somente alguns fragmentos do diálogo, indicando com
sam a posição adotada pelo jornal ou revista em concordância com sua travessões a mudança de interlocutor. É permitido apresentar uma intro-
ideologia, enquanto que os artigos assinados e as colunas transmitem as dução extensa com os aspectos mais significativos da conversação manti-
opiniões de seus redatores, o que pode nos levar a encontrar, muitas da, e as perguntas podem ser acompanhadas de comentários, confirma-
vezes, opiniões divergentes e até antagônicas em uma mesma página. ções ou refutações sobre as declarações do entrevistado.

Embora estes textos possam ter distintas superestruturas, em geral se Por tratar-se de um texto jornalístico, a entrevista deve necessa-
organizam seguindo uma linha argumentativa que se inicia com a identifi- riamente incluir um tema atual, ou com incidência na atualidade, embora a
cação do tema em questão, acompanhado de seus antecedentes e alcan- conversação possa derivar para outros temas, o que ocasiona que muitas
ce, e que segue com uma tomada de posição, isto é, com a formulação de destas entrevistas se ajustem a uma progressão temática linear ou a
uma tese; depois, apresentam-se os diferentes argumentos de forma a temas derivados.
justificar esta tese; para encerrar, faz-se uma reafirmação da posição Como ocorre em qualquer texto de trama conversacional, não existe
adotada no início do texto. uma garantia de diálogo verdadeiro; uma vez que se pode respeitar a vez
A efetividade do texto tem relação direta não só com a pertinência dos de quem fala, a progressão temática não se ajusta ao jogo argumentativo
argumentos expostos como também com as estratégias discursivas usa- de propostas e de réplicas.
das para persuadir o leitor. Entre estas estratégias, podemos encontrar as
seguintes: as acusações claras aos oponentes, as ironias, as insinuações,
as digressões, as apelações à sensibilidade ou, ao contrário, a tomada de TEXTOS DE INFORMAÇÃO CIENTÍFICA
distância através do uso das construções impessoais, para dar objetivida-
de e consenso à análise realizada; a retenção em recursos descritivos - Esta categoria inclui textos cujos conteúdos provêm do campo das ci-
detalhados e precisos, ou em relatos em que as diferentes etapas de ências em geral. Os referentes dos textos que vamos desenvolver situam-
pesquisa estão bem especificadas com uma minuciosa enumeração das se tanto nas Ciências Sociais como nas Ciências Naturais.
fontes da informação. Todos eles são recursos que servem para funda- Apesar das diferenças existentes entre os métodos de pesquisa des-
mentar os argumentos usados na validade da tese. tas ciências, os textos têm algumas características que são comuns a
todas suas variedades: neles predominam, como em todos os textos

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informativos, as orações enunciativas de estrutura bimembre e prefere-se grafia, população, cidades, economia, comunicação, transportes, cultura,
a ordem sintática canônica (sujeito-verbo-predicado). etc.
Incluem frases claras, em que não há ambiguidade sintática ou se- Estes textos empregam, com frequência, esquemas taxionômicos,
mântica, e levam em consideração o significado mais conhecido, mais nos quais os elementos se agrupam em classes inclusivas e incluídas. Por
difundido das palavras. exemplo: descreve-se "mamífero" como membro da classe dos vertebra-
dos; depois, são apresentados os traços distintivos de suas diversas
O vocabulário é preciso. Geralmente, estes textos não incluem vocá- variedades: terrestres e aquáticos.
bulos a que possam ser atribuídos um multiplicidade de significados, isto
é, evitam os termos polissêmicos e, quando isso não é possível, estabele- Uma vez que nestas notas há predomínio da função informativa da
cem mediante definições operatórias o significado que deve ser atribuído linguagem, a expansão é construída sobre a base da descrição científica,
ao termo polissêmico nesse contexto. que responde às exigências de concisão e de precisão.
A Definição As características inerentes aos objetos apresentados aparecem atra-
vés de adjetivos descritivos - peixe de cor amarelada escura, com man-
Expande o significado de um termo mediante uma trama descritiva, chas pretas no dorso, e parte inferior prateada, cabeça quase cônica,
que determina de forma clara e precisa as características genéricas e olhos muito juntos, boca oblíqua e duas aletas dorsais - que ampliam a
diferenciais do objeto ao qual se refere. Essa descrição contém uma base informativa dos substantivos e, como é possível observar em nosso
configuração de elementos que se relacionam semanticamente com o exemplo, agregam qualidades próprias daquilo a que se referem.
termo a definir através de um processo de sinonímia.
O uso do presente marca a temporalidade da descrição, em cujo teci-
Recordemos a definição clássica de "homem", porque é o exemplo do predominam os verbos estáticos - apresentar, mostrar, ter, etc. - e os
por excelência da definição lógica, uma das construções mais generaliza- de ligação - ser, estar, parecer, etc.
das dentro deste tipo de texto: O homem é um animal racional. A expan-
são do termo "homem" - "animal racional" - apresenta o gênero a que
pertence, "animal", e a diferença específica, "racional": a racionalidade é o
traço que nos permite diferenciar a espécie humana dentro do gênero O Relato de Experimentos
animal. Contém a descrição detalhada de um projeto que consiste em
Usualmente, as definições incluídas nos dicionários, seus portadores manipular o ambiente para obter uma nova informação, ou seja, são textos
mais qualificados, apresentam os traços essenciais daqueles a que se que descrevem experimentos.
referem: Fiscis (do lat. piscis). s.p.m. Astron. Duodécimo e último signo ou O ponto de partida destes experimentos é algo que se deseja saber,
parte do Zodíaco, de 30° de amplitude, que o Sol percorre aparentemente mas que não se pode encontrar observando as coisas tais como estão; é
antes de terminar o inverno. necessário, então, estabelecer algumas condições, criar certas situações
Como podemos observar nessa definição extraída do Dicionário de La para concluir a observação e extrair conclusões. Muda-se algo para cons-
Real Academia Espa1ioJa (RAE, 1982), o significado de um tema base ou tatar o que acontece. Por exemplo, se se deseja saber em que condições
introdução desenvolve-se através de uma descrição que contém seus uma planta de determinada espécie cresce mais rapidamente, pode-se
traços mais relevantes, expressa, com frequência, através de orações colocar suas sementes em diferentes recipientes sob diferentes condições
unimembres, constituídos por construções endocêntricas (em nosso de luminosidade; em diferentes lugares, areia, terra, água; com diferentes
exemplo temos uma construção endocêntrica substantiva - o núcleo é um fertilizantes orgânicos, químicos etc., para observar e precisar em que
substantivo rodeado de modificadores "duodécimo e último signo ou parte circunstâncias obtém-se um melhor crescimento.
do Zodíaco, de 30° de amplitude..."), que incorporam maior informação A macroestrutura desses relatos contém, primordialmente, duas cate-
mediante proposições subordinadas adjetivas: "que o Sol percorre aparen- gorias: uma corresponde às condições em que o experimento se realiza,
temente antes de terminar o inverno". isto é, ao registro da situação de experimentação; a outra, ao processo
As definições contêm, também, informações complementares relacio- observado.
nadas, por exemplo, com a ciência ou com a disciplina em cujo léxico se Nesses textos, então, são utilizadas com frequência orações que co-
inclui o termo a definir (Piscis: Astron.); a origem etimológica do vocábulo meçam com se (condicionais) e com quando (condicional temporal):
("do lat. piscis"); a sua classificação gramatical (s.p.m.), etc.
Se coloco a semente em um composto de areia, terra preta, húmus, a
Essas informações complementares contêm frequentemente planta crescerá mais rápido.
abreviaturas, cujo significado aparece nas primeiras páginas do Dicionário:
Lat., Latim; Astron., Astronomia; s.p.m., substantivo próprio masculino, etc. Quando rego as plantas duas vezes ao dia, os talos começam a
mostrar manchas marrons devido ao excesso de umidade.
O tema-base (introdução) e sua expansão descritiva - categorias bá-
sicas da estrutura da definição - distribuem-se espacialmente em blocos, Estes relatos adotam uma trama descritiva de processo. A variável
nos quais diferentes informações costumam ser codificadas através de tempo aparece através de numerais ordinais: Em uma primeira etapa, é
tipografias diferentes (negrito para o vocabulário a definir; itálico para as possível observar... em uma segunda etapa, aparecem os primeiros brotos
etimologias, etc.). Os diversos significados aparecem demarcados em ...; de advérbios ou de locuções adverbiais: Jogo, antes de, depois de, no
bloco mediante barras paralelas e /ou números. mesmo momento que, etc., dado que a variável temporal é um componen-
te essencial de todo processo. O texto enfatiza os aspectos descritivos,
Prorrogar (Do Jat. prorrogare) V.t.d. l. Continuar, dilatar, estender apresenta as características dos elementos, os traços distintivos de cada
uma coisa por um período determinado. 112. Ampliar, prolongar 113. uma das etapas do processo.
Fazer continuar em exercício; adiar o término de.
O relato pode estar redigido de forma impessoal: coloca-se, colocado
A Nota de Enciclopédia em um recipiente ... Jogo se observa/foi observado que, etc., ou na primei-
Apresenta, como a definição, um tema-base e uma expansão de tra- ra pessoa do singular, coloco/coloquei em um recipiente ... Jogo obser-
ma descritiva; porém, diferencia-se da definição pela organização e pela vo/observei que ... etc., ou do plural: colocamos em um recipiente... Jogo
amplitude desta expansão. observamos que... etc. O uso do impessoal enfatiza a distância existente
entre o experimentador e o experimento, enquanto que a primeira pessoa,
A progressão temática mais comum nas notas de enciclopédia é a de do plural e do singular enfatiza o compromisso de ambos.
temas derivados: os comentários que se referem ao tema-base constitu-
em-se, por sua vez, em temas de distintos parágrafos demarcados por A Monografia
subtítulos. Por exemplo, no tema República Argentina, podemos encontrar Este tipo de texto privilegia a análise e a crítica; a informação sobre
os temas derivados: traços geológicos, relevo, clima, hidrografia, biogeo- um determinado tema é recolhida em diferentes fontes.
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APOSTILAS OPÇÃO
Os textos monográficos não necessariamente devem ser realizados Estes textos são empregados com frequência na escola, para apre-
com base em consultas bibliográficas, uma vez que é possível terem como sentar ou a vida ou algumas etapas decisivas da existência de persona-
fonte, por exemplo, o testemunho dos protagonistas dos fatos, testemu- gens cuja ação foi qualificada como relevante na história.
nhos qualificados ou de especialistas no tema.
Os dados biográficos ordenam-se, em geral, cronologicamente, e, da-
As monografias exigem uma seleção rigorosa e uma organização coe- do que a temporalidade é uma variável essencial do tecido das biografias,
rente dos dados recolhidos. A seleção e organização dos dados servem em sua construção, predominam recursos linguísticos que asseguram a
como indicador do propósito que orientou o trabalho. Se pretendemos, por conectividade temporal: advérbios, construções de valor semântico adver-
exemplo, mostrar que as fontes consultadas nos permitem sustentar que bial (Seus cinco primeiros anos transcorreram na tranquila segurança de
os aspectos positivos da gestão governamental de um determinado per- sua cidade natal Depois, mudou-se com a família para La Prata), proposi-
sonagem histórico têm maior relevância e valor do que os aspectos nega- ções temporais (Quando se introduzia obsessivamente nos tortuosos
tivos, teremos de apresentar e de categorizar os dados obtidos de tal caminhos da novela, seus estudos de física ajudavam-no a reinstalar-se
forma que esta valorização fique explícita. na realidade), etc.
Nas monografias, é indispensável determinar, no primeiro parágrafo, o A veracidade que exigem os textos de informação científica mani-
tema a ser tratado, para abrir espaço à cooperação ativa do leitor que, festa-se nas biografias através das citações textuais das fontes dos dados
conjugando seus conhecimentos prévios e seus propósitos de leitura, fará apresentados, enquanto a ótica do autor é expressa na seleção e no modo
as primeiras antecipações sobre a informação que espera encontrar e de apresentação destes dados. Pode-se empregar a técnica de acumula-
formulará as hipóteses que guiarão sua leitura. Uma vez determinado o ção simples de dados organizados cronologicamente, ou cada um destes
tema, estes textos transcrevem, mediante o uso da técnica de resumo, o dados pode aparecer acompanhado pelas valorações do autor, de acordo
que cada uma das fontes consultadas sustenta sobre o tema, as quais com a importância que a eles atribui.
estarão listadas nas referências bibliográficas, de acordo com as normas
que regem a apresentação da bibliografia. Atualmente, há grande difusão das chamadas "biografias não -
autorizadas" de personagens da política, ou do mundo da Arte. Uma
O trabalho intertextual (incorporação de textos de outros no tecido do característica que parece ser comum nestas biografias é a inten-
texto que estamos elaborando) manifesta-se nas monografias através de cionalidade de revelar a personagem através de uma profusa acumulação
construções de discurso direto ou de discurso indireto. de aspectos negativos, especialmente aqueles que se relacionam a defei-
tos ou a vícios altamente reprovados pela opinião pública.
Nas primeiras, incorpora-se o enunciado de outro autor, sem modifi-
cações, tal como foi produzido. Ricardo Ortiz declara: "O processo da TEXTOS INSTRUCIONAIS
economia dirigida conduziu a uma centralização na Capital Federal de
toda tramitação referente ao comércio exterior'] Os dois pontos que pre- Estes textos dão orientações precisas para a realização das mais di-
nunciam a palavra de outro, as aspas que servem para demarcá-la, os versas atividades, como jogar, preparar uma comida, cuidar de plantas ou
traços que incluem o nome do autor do texto citado, 'o processo da eco- animais domésticos, usar um aparelho eletrônico, consertar um carro, etc.
nomia dirigida - declara Ricardo Ortiz - conduziu a uma centralização...') Dentro desta categoria, encontramos desde as mais simples receitas
são alguns dos sinais que distinguem frequentemente o discurso direto. culinárias até os complexos manuais de instrução para montar o motor de
um avião. Existem numerosas variedades de textos instrucionais: além de
Quando se recorre ao discurso indireto, relata-se o que foi dito por ou- receitas e manuais, estão os regulamentos, estatutos, contratos, instru-
tro, em vez de transcrever textualmente, com a inclusão de elementos ções, etc. Mas todos eles, independente de sua complexidade, comparti-
subordinadores e dependendo do caso - as conseguintes modificações, lham da função apelativa, à medida que prescrevem ações e empregam a
pronomes pessoais, tempos verbais, advérbios, sinais de pontuação, trama descritiva para representar o processo a ser seguido na tarefa
sinais auxiliares, etc. empreendida.
Discurso direto: ‘Ás raízes de meu pensamento – afirmou Echeverría - A construção de muitos destes textos ajusta-se a modelos convencio-
nutrem-se do liberalismo’ nais cunhados institucionalmente. Por exemplo, em nossa comunidade,
estão amplamente difundidos os modelos de regulamentos de co-
Discurso indireto: 'Écheverría afirmou que as raízes de seu propriedade; então, qualquer pessoa que se encarrega da redação de um
pensamento nutriam -se do liberalismo' texto deste tipo recorre ao modelo e somente altera os dados de identifi-
Os textos monográficos recorrem, com frequência, aos verbos dis- cação para introduzir, se necessário, algumas modificações parciais nos
cendi (dizer, expressar, declarar, afirmar, opinar, etc.), tanto para introduzir direitos e deveres das partes envolvidas.
os enunciados das fontes como para incorporar os comentários e opiniões Em nosso cotidiano, deparamo-nos constantemente com textos ins-
do emissor. trucionais, que nos ajudam a usar corretamente tanto um processador de
Se o propósito da monografia é somente organizar os dados que o alimentos como um computador; a fazer uma comida saborosa, ou a
autor recolheu sobre o tema de acordo com um determinado critério de seguir uma dieta para emagrecer. A habilidade alcançada no domínio
classificação explícito (por exemplo, organizar os dados em tomo do tipo destes textos incide diretamente em nossa atividade concreta. Seu em-
de fonte consultada), sua efetividade dependerá da coerência existente prego frequente e sua utilidade imediata justificam o trabalho escolar de
entre os dados apresentados e o princípio de classificação adotado. abordagem e de produção de algumas de suas variedades, como as
receitas e as instruções.
Se a monografia pretende justificar uma opinião ou validar uma hipó-
tese, sua efetividade, então, dependerá da confiabilidade e veracidade das As Receitas e as Instruções
fontes consultadas, da consistência lógica dos argumentos e da coerência Referimo-nos às receitas culinárias e aos textos que trazem instru-
estabelecida entre os fatos e a conclusão. ções para organizar um jogo, realizar um experimento, construir um artefa-
Estes textos podem ajustar-se a diferentes esquemas lógicos do tipo to, fabricar um móvel, consertar um objeto, etc.
problema /solução, premissas /conclusão, causas / efeitos. Estes textos têm duas partes que se distinguem geralmente a partir
Os conectores lógicos oracionais e extra-oracionais são marcas lin- da especialização: uma, contém listas de elementos a serem utilizados
guísticas relevantes para analisar as distintas relações que se estabele- (lista de ingredientes das receitas, materiais que são manipulados no
cem entre os dados e para avaliar sua coerência. experimento, ferramentas para consertar algo, diferentes partes de um
aparelho, etc.), a outra, desenvolve as instruções.
A Biografia
As listas, que são similares em sua construção às que usamos habi-
É uma narração feita por alguém acerca da vida de outra(s) tualmente para fazer as compras, apresentam substantivos concretos
pessoa(s). Quando o autor conta sua própria vida, considera-se uma acompanhados de numerais (cardinais, partitivos e múltiplos).
autobiografia.

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APOSTILAS OPÇÃO
As instruções configuram-se, habitualmente, com orações bimembres, A Solicitação
com verbos no modo imperativo (misture a farinha com o fermento), ou
orações unimembres formadas por construções com o verbo no infinitivo É dirigida a um receptor que, nessa situação comunicativa estabeleci-
(misturar a farinha com o açúcar). da pela carta, está revestido de autoridade à medida que possui algo ou
tem a possibilidade de outorgar algo que é considerado valioso pelo
Tanto os verbos nos modos imperativo, subjuntivo e indicativo como emissor: um emprego, uma vaga em uma escola, etc.
as construções com formas nominais gerúndio, particípio, infinitivo apare-
cem acompanhados por advérbios palavras ou por locuções adverbiais Esta assimetria entre autor e leitor um que pede e outro que pode ce-
que expressam o modo como devem ser realizadas determinadas ações der ou não ao pedido, — obriga o primeiro a optar por um estilo formal,
(separe cuidadosamente as claras das gemas, ou separe com muito que recorre ao uso de fórmulas de cortesia já estabelecidas con-
cuidado as claras das gemas). Os propósitos dessas ações aparecem vencionalmente para a abertura e encerramento (atenciosamente ..com
estruturados visando a um objetivo (mexa lentamente para diluir o conteú- votos de estima e consideração . . . / despeço-me de vós respeitosamente
do do pacote em água fria), ou com valor temporal final (bata o creme com . ../ Saúdo-vos com o maior respeito), e às frases feitas com que se inici-
as claras até que fique numa consistência espessa). Nestes textos inclui- am e encerram-se estes textos (Dirijo-me a vós a fim de solicitar-lhe que ...
se, com frequência, o tempo do receptor através do uso do dêixis de lugar O abaixo-assinado, Antônio Gonzalez, D.NJ. 32.107 232, dirigi-se ao
e de tempo: Aqui, deve acrescentar uma gema. Agora, poderá mexer Senhor Diretor do Instituto Politécnico a fim de solicitar-lhe...)
novamente. Neste momento, terá que correr rapidamente até o lado As solicitações podem ser redigidas na primeira ou terceira pessoa do
oposto da cancha. Aqui pode intervir outro membro da equipe. singular. As que são redigidas na primeira pessoa introduzem o emissor
TEXTOS EPISTOLARES através da assinatura, enquanto que as redigidas na terceira pessoa
identificam-no no corpo do texto (O abaixo assinado, Juan Antonio Pérez,
Os textos epistolares procuram estabelecer uma comunicação por es- dirige-se a...).
crito com um destinatário ausente, identificado no texto através do cabeça-
lho. Pode tratar-se de um indivíduo (um amigo, um parente, o gerente de A progressão temática dá-se através de dois núcleos informativos: o
uma empresa, o diretor de um colégio), ou de um conjunto de indivíduos primeiro determina o que o solicitante pretende; o segundo, as condições
designados de forma coletiva (conselho editorial, junta diretora). que reúne para alcançar aquilo que pretende. Estes núcleos, demarcados
por frases feitas de abertura e encerramento, podem aparecer invertidos
Estes textos reconhecem como portador este pedaço de papel que, em algumas solicitações, quando o solicitante quer enfatizar suas condi-
de forma metonímica, denomina-se carta, convite ou solicitação, depen- ções; por isso, as situa em um lugar preferencial para dar maior força à
dendo das características contidas no texto. sua apelação.
Apresentam uma estrutura que se reflete claramente em sua organi- Essas solicitações, embora cumpram uma função apelativa, mostram
zação espacial, cujos componentes são os seguintes: cabeçalho, que um amplo predomínio das orações enunciativas complexas, com inclusão
estabelece o lugar e o tempo da produção, os dados do destinatário e a tanto de proposições causais, consecutivas e condicionais, que permitem
forma de tratamento empregada para estabelecer o contato: o corpo, parte desenvolver fundamentações, condicionamentos e efeitos a alcançar,
do texto em que se desenvolve a mensagem, e a despedida, que inclui a como de construções de infinitivo ou de gerúndio: para alcançar essa
saudação e a assinatura, através da qual se introduz o autor no texto. O posição, o solicitante lhe apresenta os seguintes antecedentes... (o infiniti-
grau de familiaridade existente entre emissor e destinatário é o princípio vo salienta os fins a que se persegue), ou alcançando a posição de... (o
que orienta a escolha do estilo: se o texto é dirigido a um familiar ou a um gerúndio enfatiza os antecedentes que legitimam o pedido).
amigo, opta-se por um estilo informal; caso contrário, se o destinatário é
desconhecido ou ocupa o nível superior em uma relação assimétrica A argumentação destas solicitações institucionalizaram-se de tal ma-
(empregador em relação ao empregado, diretor em relação ao aluno, etc.), neira que aparece contida nas instruções de formulários de emprego, de
impõe-se o estilo formal. solicitação de bolsas de estudo, etc.
Texto extraído de: ESCOLA, LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS, Ana Maria
A Carta Kaufman, Artes Médicas, Porto Alegre, RS.
As cartas podem ser construídas com diferentes tramas (narrativa e
argumentativa), em tomo das diferentes funções da linguagem (informati-
va, expressiva e apelativa). VARIAÇÃO (LINGUÍSTICA)
Referimo-nos aqui, em particular, às cartas familiares e amistosas, is- Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
to é, aqueles escritos através dos quais o autor conta a um parente ou a
um amigo eventos particulares de sua vida. Estas cartas contêm aconte- A variação de uma língua é o modo pelo qual ela se diferencia,
cimentos, sentimentos, emoções, experimentados por um emissor que sistemática e coerentemente, de acordo com o contexto histórico,
percebe o receptor como ‘cúmplice’, ou seja, como um destinatário com- geográfico e sócio-cultural no qual os falantes dessa língua se manifestam
prometido afetivamente nessa situação de comunicação e, portanto, capaz verbalmente.
de extrair a dimensão expressiva da mensagem. Conceito
Uma vez que se trata de um diálogo à distância com um receptor co- Variedade é um conceito maior do que estilo de prosa ou estilo de
nhecido, opta-se por um estilo espontâneo e informal, que deixa transpa- linguagem. Alguns escritores de sociolinguística usam o termo leto,
recer marcas da oraljdade: frases inconclusas, nas quais as reticências aparentemente um processo de criação de palavras para termos
habilitam múltiplas interpretações do receptor na tentativa de concluí-las; específicos, são exemplos dessas variações:
perguntas que procuram suas respostas nos destinatários; perguntas que Dialetos (variação diatópica), isto é, variações faladas por
encerram em si suas próprias respostas (perguntas retóricas); pontos de comunidades geograficamente definidas.
exclamação que expressam a ênfase que o emissor dá a determinadas
Idioma é um termo intermediário na distinção dialeto-linguagem e é
expressões que refletem suas alegrias, suas preocupações, suas dúvidas.
usado para se referir ao sistema comunicativo estudado (que poderia ser
Estes textos reúnem em si as diferentes classes de orações. As chamado tanto de um dialeto ou uma linguagem) quando sua condição em
enunciativas, que aparecem nos fragmentos informativos, alternam-se relação a esta distinção é irrelevante (sendo, portanto, um sinônimo
com as dubitativas, desiderativas, interrogativas, exclamativas, para para linguagemnum sentido mais geral);
manifestar a subjetividade do autor. Esta subjetividade determina também Socioletos, isto é, variações faladas por comunidades socialmente
o uso de diminutivos e aumentativos, a presença frequente de adjetivos definidas
qualificativos, a ambiguidade lexical e sintática, as repetições, as interjei-
Linguagem padrão ou norma padrão, padronizada em função da
ções.
comunicação pública e da educação

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APOSTILAS OPÇÃO
Idioletos, isto é, uma variação particular a uma certa pessoa mobilidade social para um indivíduo pertencente a uma classe menos
Registros (ou diátipos), isto é, o vocabulário especializado e/ou a favorecida
gramática de certas atividades ou profissões Bibliografia
Etnoletos, para um grupo étnico
CAMACHO, R. (1988). A variação linguística. In: Subsídios à proposta
Ecoletos, um idioleto adotado por uma casa curricular de Língua Portuguesa para o 1º e 2º graus. Secretaria da
Variações como dialetos, idioletos e socioletos podem ser distinguidos Educação do Estado de São Paulo, p. 29-41.
não apenas por seu vocabulário, mas também por diferenças
na gramática, na fonologia e naversificação. Por exemplo, o sotaque de O modo de falar do brasileiro
palavras tonais nas línguas escandinavas tem forma diferente em muitos Alfredina Nery
dialetos. Um outro exemplo é como palavras estrangeiras em diferentes
socioletos variam em seu grau de adaptação à fonologia básica da Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
linguagem. Toda língua possui variações linguísticas. Elas podem ser entendidas
Certos registros profissionais, como o chamado legalês, mostram uma por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (varia-
variação na gramática da linguagem padrão. Por exemplo, jornalistas ou ção regional). As variações linguísticas podem ser compreendidas a partir
advogados inglesesfrequentemente usam modos gramaticais, como o de três diferentes fenômenos.
modo subjuntivo, que não são mais usados com frequência por outros
falantes. Muitos registros são simplesmente um conjunto especializado de 1) Em sociedades complexas convivem variedades linguísticas dife-
termos (veja jargão). rentes, usadas por diferentes grupos sociais, com diferentes acessos à
educação formal; note que as diferenças tendem a ser maiores na língua
É uma questão de definição se gíria e calão podem ser considerados falada que nalíngua escrita;
como incluídos no conceito de variação ou de estilo
Espécies de variação 2) Pessoas de mesmo grupo social expressam-se com falas diferen-
tes de acordo com as diferentes situações de uso, sejam situações for-
Variação histórica mais, informais ou de outro tipo;
Acontece ao longo de um determinado período de tempo, pode ser
identificada ao se comparar dois estados de uma língua Portuguêsa. O 3) Há falares específicos para grupos específicos, como profissionais
processo de mudança é gradual: uma variante inicialmente utilizada por de uma mesma área (médicos, policiais, profissionais de informática,
um grupo restrito de falantes passa a ser adotada por indivíduos metalúrgicos, alfaiates, por exemplo), jovens, grupos marginalizados e
socioeconomicamente mais expressivos. A forma antiga permanece ainda outros. São as gírias e jargões.
entre as gerações mais velhas, período em que as duas variantes Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da
convivem; porém com o tempo a nova variante torna-se normal na fala, e língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados abaixo.
finalmente consagra-se pelo uso na modalidade escrita. As mudanças
podem ser de grafia ou de significado. Uso de “r” pelo “l” em final de sílaba e nos grupos consonantais: pran-
ta/planta; broco/bloco.
Variação geográfica
Alternância de “lh” e “i”: muié/mulher; véio/velho.
Trata das diferentes formas de pronúncia, vocabulário e estrutura
sintática entre regiões. Dentro de uma comunidade mais ampla, formam- Tendência a tornar paroxítonas as palavras proparoxítonas: ar-
se comunidades linguísticasmenores em torno de centros polarizadores , ve/árvore; figo/fígado.
política e economia, que acabam por definir os padrões linguísticos Redução dos ditongos: caxa/caixa; pexe/peixe.
utilizados na região de diferentes lugares de sua influência e as diferenças
linguísticas entre as regiões são graduais, nem sempre coincidindo. Simplificação da concordância: as menina/as meninas.
Variação social Ausência de concordância verbal quando o sujeito vem depois do
verbo: “Chegou” duas moças.
Agrupa alguns fatores de diversidade:o nível sócio-econômico,
determinado pelo meio social onde vive um indivíduo; o grau de educação; Uso do pronome pessoal tônico em função de objeto (e não só de su-
a idade e o gênero. A variação social não compromete a compreensão jeito): Nós pegamos “ele” na hora.
entre indivíduos, como poderia acontecer na variação regional; o uso de
Assimilação do “ndo” em “no”( falano/falando) ou do “mb” em “m” (ta-
certas variantes pode indicar qual o nível sócio-econômico de uma
mém/também).
pessoa, e há a possibilidade de alguém oriundo de um grupo menos
favorecido atingir o padrão de maior prestígio. Desnasalização das vogais postônicas: home/homem.
Variação estilística Redução do “e” ou “o” átonos: ovu/ovo; bebi/bebe.
Considera um mesmo indivíduo em diferentes circunstâncias de Redução do “r” do infinitivo ou de substantivos em “or”: amá/amar;
comunicação: se está em um ambiente familiar, profissional, o grau de amô/amor.
intimidade, o tipo de assunto tratado e quem são os receptores. Sem levar
em conta as graduações intermediárias, é possível identificar dois limites Simplificação da conjugação verbal: eu amo, você ama, nós ama, eles
extremos de estilo: o informal, quando há um mínimo de reflexão do ama.
indivíduo sobre as normas linguísticas, utilizado nas conversações Variações regionais: os sotaques
imediatas do cotidiano; e o formal, em que o grau de reflexão é máximo,
utilizado em conversações que não são do dia-a-dia e cujo conteúdo é Se você fizer um levantamento dos nomes que as pessoas usam para
mais elaborado e complexo. Não se deve confundir o estilo formal e a palavra "diabo", talvez se surpreenda. Muita gente não gosta de falar tal
informal com língua escritae falada, pois os dois estilos ocorrem em palavra, pois acreditam que há o perigo de evocá-lo, isto é, de que o
ambas as formas de comunicação. demônio apareça. Alguns desses nomes aparecem em o "Grande Sertão:
Veredas", Guimarães Rosa, que traz uma linguagem muito característica
As diferentes modalidades de variação linguística não existem do sertão centro-oeste do Brasil:
isoladamente, havendo um inter-relacionamento entre elas: uma variante
geográfica pode ser vista como uma variante social, considerando-se a Demo, Demônio, Que-Diga, Capiroto, Satanazim, Diabo, Cujo, Tinho-
migração entre regiões do país. Observa-se que o meio rural, por ser so, Maligno, Tal, Arrenegado, Cão, Cramunhão, O Indivíduo, O Galhardo,
menos influenciado pelas mudanças da sociedade, preserva variantes O pé-de-pato, O Sujo, O Homem, O Tisnado, O Coxo, O Temba, O Azara-
antigas. O conhecimento do padrão de prestígio pode ser fator de pe, O Coisa-ruim, O Mafarro, O Pé-preto, O Canho, O Duba-dubá, O
Rapaz, O Tristonho, O Não-sei-que-diga, O Que-nunca-se-ri, O sem
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gracejos, Pai do Mal, Terdeiro, Quem que não existe, O Solto-Ele, O Ele, Diogo Maria De Matos Polónio
Carfano, Rabudo. Introdução
Este trabalho foi realizado no âmbito do Seminário Pedagógico sobre
Drummond de Andrade, grande escritor brasileiro, que elabora seu Pragmática Linguística e Os Novos Programas de Língua Portuguesa, sob
texto a partir de uma variação linguística relacionada ao vocabulário usado orientação da Professora-Doutora Ana Cristina Macário Lopes, que decor-
em uma determinada época no Brasil. reu na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
Antigamente
Procurou-se, no referido seminário, refletir, de uma forma geral, sobre
"Antigamente, as moças chamavam-se mademoiselles e eram todas a incidência das teorias da Pragmática Linguística nos programas oficiais
mimosas e muito prendadas. Não faziam anos: completavam primaveras, de Língua Portuguesa, tendo em vista um esclarecimento teórico sobre
em geral dezoito. Os janotas, mesmo sendo rapagões, faziam-lhes pé-de- determinados conceitos necessários a um ensino qualitativamente mais
alferes, arrastando a asa, mas ficavam longos meses debaixo do balaio." válido e, simultaneamente, uma vertente prática pedagógica que tem
Como escreveríamos o texto acima em um português de hoje, do sé- necessariamente presente a aplicação destes conhecimentos na situação
culo 21? Toda língua muda com o tempo. Basta lembrarmos que do latim, real da sala de aula.
já transformado, veio o português, que, por sua vez, hoje é muito diferente
daquele que era usado na época medieval. Nesse sentido, este trabalho pretende apresentar sugestões de apli-
cação na prática docente quotidiana das teorias da pragmática linguística
Língua e status no campo da coerência textual, tendo em conta as conclusões avançadas
no referido seminário.
Nem todas as variações linguísticas têm o mesmo prestígio social no
Brasil. Basta lembrar de algumas variações usadas por pessoas de de-
Será, no entanto, necessário reter que esta pequena reflexão aqui
terminadas classes sociais ou regiões, para perceber que há preconceito
apresentada encerra em si uma minúscula partícula de conhecimento no
em relação a elas.
vastíssimo universo que é, hoje em dia, a teoria da pragmática linguística
Veja este texto de Patativa do Assaré, um grande poeta popular nor- e que, se pelo menos vier a instigar um ponto de partida para novas
destino, que fala do assunto: reflexões no sentido de auxiliar o docente no ensino da língua materna, já
terá cumprido honestamente o seu papel.
O Poeta da Roça
Sou fio das mata, canto da mão grossa, Coesão e Coerência Textual
Trabáio na roça, de inverno e de estio. Qualquer falante sabe que a comunicação verbal não se faz geral-
A minha chupana é tapada de barro, mente através de palavras isoladas, desligadas umas das outras e do
Só fumo cigarro de paia de mío. contexto em que são produzidas. Ou seja, uma qualquer sequência de
palavras não constitui forçosamente uma frase.
Sou poeta das brenha, não faço o papé
De argun menestré, ou errante cantô Para que uma sequência de morfemas seja admitida como frase, tor-
Que veve vagando, com sua viola, na-se necessário que respeite uma certa ordem combinatória, ou seja, é
Cantando, pachola, à percura de amô. preciso que essa sequência seja construída tendo em conta o sistema da
Não tenho sabença, pois nunca estudei, língua.
Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre, Tal como um qualquer conjunto de palavras não forma uma frase,
E o fio do pobre não pode estudá. também um qualquer conjunto de frases não forma, forçosamente, um
texto.
Meu verso rastero, singelo e sem graça,
Não entra na praça, no rico salão, Precisando um pouco mais, um texto, ou discurso, é um objeto mate-
Meu verso só entra no campo e na roça rializado numa dada língua natural, produzido numa situação concreta e
Nas pobre paioça, da serra ao sertão. pressupondo os participantes locutor e alocutário, fabricado pelo locutor
(...) através de uma seleção feita sobre tudo o que é dizível por esse locutor,
numa determinada situação, a um determinado alocutário1.
Você acredita que a forma de falar e de escrever comprometeu a
emoção transmitida por essa poesia? Patativa do Assaré era analfabeto Assim, materialidade linguística, isto é, a língua natural em uso, os
(sua filha é quem escrevia o que ele ditava), mas sua obra atravessou o códigos simbólicos, os processos cognitivos e as pressuposições do
oceano e se tornou conhecida mesmo na Europa. locutor sobre o saber que ele e o alocutário partilham acerca do mundo
são ingredientes indispensáveis ao objeto texto.
Leia agora, um poema de um intelectual e poeta brasileiro, Oswald de
Andrade, que, já em 1922, enfatizou a busca por uma "língua brasileira". Podemos assim dizer que existe um sistema de regras interiorizadas
por todos os membros de uma comunidade linguística. Este sistema de
Vício na fala regras de base constitui a competência textual dos sujeitos, competência
Para dizerem milho dizem mio essa que uma gramática do texto se propõe modelizar.
Para melhor dizem mió
Para pior pió Uma tal gramática fornece, dentro de um quadro formal, determinadas
Para telha dizem teia regras para a boa formação textual. Destas regras podemos fazer derivar
Para telhado dizem teiado certos julgamentos de coerência textual.
E vão fazendo telhados.
Quanto ao julgamento, efetuado pelos professores, sobre a coerência
Uma certa tradição cultural nega a existência de determinadas varie- nos textos dos seus alunos, os trabalhos de investigação concluem que as
dades linguísticas dentro do país, o que acaba por rejeitar algumas mani- intervenções do professor a nível de incorreções detectadas na estrutura
festações linguísticas por considerá-las deficiências do usuário. Nesse da frase são precisamente localizadas e assinaladas com marcas conven-
sentido, vários mitos são construídos, a partir do preconceito linguístico. cionais; são designadas com recurso a expressões técnicas (construção,
conjugação) e fornecem pretexto para pôr em prática exercícios de corre-
ção, tendo em conta uma eliminação duradoura das incorreções observa-
COESÃO E COERÊNCIA das.

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Pelo contrário, as intervenções dos professores no quadro das incor- retomando num elemento de uma sequência um elemento presente numa
reções a nível da estrutura do texto, permite-nos concluir que essas incor- sequência anterior:
reções não são designadas através de vocabulário técnico, traduzindo, na a)-Pronominalizações: a utilização de um pronome torna possível a
maior parte das vezes, uma impressão global da leitura (incompreensível; repetição, à distância, de um sintagma ou até de uma frase inteira.
não quer dizer nada). O caso mais frequente é o da anáfora, em que o referente antecipa o
pronome.
Para além disso, verificam-se práticas de correção algo brutais (refa- Ex.: Uma senhora foi assassinada ontem. Ela foi encontrada estran-
zer; reformular) sendo, poucas vezes, acompanhadas de exercícios de gulada no seu quarto.
recuperação.
No caso mais raro da catáfora, o pronome antecipa o seu referente.
Esta situação é pedagogicamente penosa, uma vez que se o profes- Ex.: Deixe-me confessar-lhe isto: este crime impressionou-me. Ou
sor desconhece um determinado quadro normativo, encontra-se reduzido ainda: Não me importo de o confessar: este crime impressionou-me.
a fazer respeitar uma ordem sobre a qual não tem nenhum controle.
Teremos, no entanto, que ter cuidado com a utilização da catáfora,
Antes de passarmos à apresentação e ao estudo dos quatro princí- para nos precavermos de enunciados como este:
pios de coerência textual, há que esclarecer a problemática criada pela Ele sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com o Antó-
dicotomia coerência/coesão que se encontra diretamente relacionada com nio.
a dicotomia coerência macro-estrutural/coerência micro-estrutural.
Num enunciado como este, não há qualquer possibilidade de identifi-
Mira Mateus considera pertinente a existência de uma diferenciação car ele com António. Assim, existe apenas uma possibilidade de interpre-
entre coerência textual e coesão textual. tação: ele dirá respeito a um sujeito que não será nem o João nem o
António, mas que fará parte do conhecimento simultâneo do emissor e do
Assim, segundo esta autora, coesão textual diz respeito aos proces- receptor.
sos linguísticos que permitem revelar a inter-dependência semântica
existente entre sequências textuais: Para que tal aconteça, torna-se necessário reformular esse enuncia-
Ex.: Entrei na livraria mas não comprei nenhum livro. do:
O António sabe muito bem que o João não vai estar de acordo com
Para a mesma autora, coerência textual diz respeito aos processos ele.
mentais de apropriação do real que permitem inter-relacionar sequências
textuais: As situações de ambiguidade referencial são frequentes nos textos
Ex.: Se esse animal respira por pulmões, não é peixe. dos alunos.
Ex.: O Pedro e o meu irmão banhavam-se num rio.
Pensamos, no entanto, que esta distinção se faz apenas por razões Um homem estava também a banhar-se.
de sistematização e de estruturação de trabalho, já que Mira Mateus não Como ele sabia nadar, ensinou-o.
hesita em agrupar coesão e coerência como características de uma só
propriedade indispensável para que qualquer manifestação linguística se Neste enunciado, mesmo sem haver uma ruptura na continuidade se-
transforme num texto: a conetividade2. quencial, existem disfunções que introduzem zonas de incerteza no texto:
ele sabia nadar(quem?),
Para Charolles não é pertinente, do ponto de vista técnico, estabele- ele ensinou-o (quem?; a quem?)
cer uma distinção entre coesão e coerência textuais, uma vez que se torna
difícil separar as regras que orientam a formação textual das regras que b)-Expressões Definidas: tal como as pronominalizações, as expres-
orientam a formação do discurso. sões definidas permitem relembrar nominalmente ou virtualmente um
elemento de uma frase numa outra frase ou até numa outra sequência
Além disso, para este autor, as regras que orientam a micro coerência textual.
são as mesmas que orientam a macro coerência textual. Efetivamente, Ex.: O meu tio tem dois gatos. Todos os dias caminhamos no jardim.
quando se elabora um resumo de um texto obedece-se às mesmas regras Os gatos vão sempre conosco.
de coerência que foram usadas para a construção do texto original. Os alunos parecem dominar bem esta regra. No entanto, os proble-
mas aparecem quando o nome que se repete é imediatamente vizinho
Assim, para Charolles, microestrutura textual diz respeito às relações daquele que o precede.
de coerência que se estabelecem entre as frases de uma sequência Ex.: A Margarida comprou um vestido. O vestido é colorido e muito
textual, enquanto que macroestrutura textual diz respeito às relações de elegante.
coerência existentes entre as várias sequências textuais. Por exemplo:
Sequência 1: O António partiu para Lisboa. Ele deixou o escritório Neste caso, o problema resolve-se com a aplicação de deíticos con-
mais cedo para apanhar o comboio das quatro horas. textuais.
Sequência 2: Em Lisboa, o António irá encontrar-se com amigos.Vai Ex.: A Margarida comprou um vestido. Ele é colorido e muito elegante.
trabalhar com eles num projeto de uma nova companhia de teatro.
Pode também resolver-se a situação virtualmente utilizando a elipse.
Como microestruturas temos a sequência 1 ou a sequência 2, en- Ex.: A Margarida comprou um vestido. É colorido e muito elegante. Ou
quanto que o conjunto das duas sequências forma uma macroestrutura. ainda:
A Margarida comprou um vestido que é colorido e muito elegante.
Vamos agora abordar os princípios de coerência textual3:
1. Princípio da Recorrência4: para que um texto seja coerente, torna- c)-Substituições Lexicais: o uso de expressões definidas e de deíticos
se necessário que comporte, no seu desenvolvimento linear, elementos de contextuais é muitas vezes acompanhado de substituições lexicais. Este
recorrência restrita. processo evita as repetições de lexemas, permitindo uma retoma do
Para assegurar essa recorrência a língua dispõe de vários recursos: elemento linguístico.
- pronominalizações, Ex.: Deu-se um crime, em Lisboa, ontem à noite: estrangularam uma
- expressões definidas5, senhora. Este assassinato é odioso.
- substituições lexicais,
- retomas de inferências. Também neste caso, surgem algumas regras que se torna necessário
respeitar. Por exemplo, o termo mais genérico não pode preceder o seu
Todos estes recursos permitem juntar uma frase ou uma sequência a representante mais específico.
uma outra que se encontre próxima em termos de estrutura de texto, Ex.: O piloto alemão venceu ontem o grande prêmio da Alemanha.

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Schumacher festejou euforicamente junto da sua equipa. Por exemplo, quando se apresenta um início de um texto do tipo: Três
crianças passeiam num bosque. Elas brincam aos detetives. Que vão eles
Se se inverterem os substantivos, a relação entre os elementos lin- fazer?
guísticos torna-se mais clara, favorecendo a coerência textual. Assim,
Schumacher, como termo mais específico, deveria preceder o piloto A interrogação final permite-nos pressupor que as crianças vão real-
alemão. mente fazer qualquer coisa.
No entanto, a substituição de um lexema acompanhado por um de-
Um aluno que ignore isso e que narre que os pássaros cantavam en-
terminante, pode não ser suficiente para estabelecer uma coerência
quanto as folhas eram levadas pelo vento, será punido por ter apresenta-
restrita. Atentemos no seguinte exemplo:
do uma narração incoerente, tendo em conta a questão apresentada.
Picasso morreu há alguns anos. O autor da "Sagração da Primavera"
doou toda a sua coleção particular ao Museu de Barcelona. No entanto, um professor terá que ter em conta que essas inferências
ou essas pressuposições se relacionam mais com o conhecimento do
A presença do determinante definido não é suficiente para considerar mundo do que com os elementos linguísticos propriamente ditos.
que Picasso e o autor da referida peça sejam a mesma pessoa, uma vez
que sabemos que não foi Picasso mas Stravinski que compôs a referida Assim, as dificuldades que os alunos apresentam neste tipo de exer-
peça. cícios, estão muitas vezes relacionadas com um conhecimento de um
mundo ao qual eles não tiveram acesso. Por exemplo, será difícil a um
Neste caso, mais do que o conhecimento normativo teórico, ou lexico- aluno recriar o quotidiano de um multimilionário, senhor de um grande
enciclopédico, são importantes o conhecimento e as convicções dos império industrial, que vive numa luxuosa vila.
participantes no ato de comunicação, sendo assim impossível traçar uma
fronteira entre a semântica e a pragmática. 2.Princípio da Progressão: para que um texto seja coerente, torna-se
necessário que o seu desenvolvimento se faça acompanhar de uma
Há também que ter em conta que a substituição lexical se pode efetu- informação semântica constantemente renovada.
ar por
- Sinonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a maior Este segundo princípio completa o primeiro, uma vez que estipula que
parte dos traços semânticos idêntica: A criança caiu. O miúdo um texto, para ser coerente, não se deve contentar com uma repetição
nunca mais aprende a cair! constante da própria matéria.
- Antonímia-seleção de expressões linguísticas que tenham a mai-
or parte dos traços semânticos oposta: Disseste a verdade? Isso Alguns textos dos alunos contrariam esta regra. Por exemplo: O ferrei-
cheira-me a mentira! ro estava vestido com umas calças pretas, um chapéu claro e uma vesti-
- Hiperonímia-a primeira expressão mantém com a segunda uma menta preta. Tinha ao pé de si uma bigorna e batia com força na bigorna.
relação classe-elemento: Gosto imenso de marisco. Então lagos- Todos os gestos que fazia consistiam em bater com o martelo na bigorna.
ta, adoro! A bigorna onde batia com o martelo era achatada em cima e pontiaguda
- Hiponímia- a primeira expressão mantém com a segunda uma re- em baixo e batia com o martelo na bigorna.
lação elemento-classe: O gato arranhou-te? O que esperavas de
um felino? Se tivermos em conta apenas o princípio da recorrência, este texto
não será incoerente, será até coerente demais.
d)-Retomas de Inferências: neste caso, a relação é feita com base em
conteúdos semânticos não manifestados, ao contrário do que se passava No entanto, segundo o princípio da progressão, a produção de um
com os processos de recorrência anteriormente tratados. texto coerente pressupõe que se realize um equilíbrio cuidado entre
continuidade temática e progressão semântica.
Vejamos:
Torna-se assim necessário dominar, simultaneamente, estes dois
P - A Maria comeu a bolacha?
princípios (recorrência e progressão) uma vez que a abordagem da infor-
R1 - Não, ela deixou-a cair no chão.
mação não se pode processar de qualquer maneira.
R2 - Não, ela comeu um morango.
R3 - Não, ela despenteou-se. Assim, um texto será coerente se a ordem linear das sequências
As sequências P+R1 e P+R2 parecem, desde logo, mais coerentes do acompanhar a ordenação temporal dos fatos descritos.
que a sequência P+R3. Ex.: Cheguei, vi e venci.(e não Vi, venci e cheguei).
O texto será coerente desde que reconheçamos, na ordenação das
No entanto, todas as sequências são asseguradas pela repetição do
suas sequências, uma ordenação de causa-consequência entre os esta-
pronome na 3ª pessoa.
dos de coisas descritos.
Podemos afirmar, neste caso, que a repetição do pronome não é sufi- Ex.: Houve seca porque não choveu. (e não Houve seca porque cho-
ciente para garantir coerência a uma sequência textual. veu).

Assim, a diferença de avaliação que fazemos ao analisar as várias hi- Teremos ainda que ter em conta que a ordem de percepção dos esta-
póteses de respostas que vimos anteriormente sustenta-se no fato de R1 dos de coisas descritos pode condicionar a ordem linear das sequências
e R2 retomarem inferências presentes em P: textuais.
- aconteceu alguma coisa à bolacha da Maria, Ex.: A praça era enorme. No meio, havia uma coluna; à volta, árvores
- a Maria comeu qualquer coisa. e canteiros com flores.

Já R3 não retoma nenhuma inferência potencialmente dedutível de P. Neste caso, notamos que a percepção se dirige do geral para o parti-
cular.
Conclui-se, então, que a retoma de inferências ou de pressuposições 3.Princípio da Não- Contradição: para que um texto seja coerente,
garante uma fortificação da coerência textual. torna-se necessário que o seu desenvolvimento não introduza nenhum
elemento semântico que contradiga um conteúdo apresentado ou pressu-
Quando analisamos certos exercícios de prolongamento de texto posto por uma ocorrência anterior ou dedutível por inferência.
(continuar a estruturação de um texto a partir de um início dado) os alunos
são levados a veicular certas informações pressupostas pelos professo- Ou seja, este princípio estipula simplesmente que é inadmissível que
res. uma mesma proposição seja conjuntamente verdadeira e não verdadeira.

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Vamos, seguidamente, preocupar-nos, sobretudo, com o caso das
contradições inferenciais e pressuposicionais6. Assim, o leitor vai esforçar-se na procura de um fio condutor de pen-
samento que conduza a uma estrutura coerente.
Existe contradição inferencial quando a partir de uma proposição po-
demos deduzir uma outra que contradiz um conteúdo semântico apresen- Tudo isto para dizer que deve existir nos nossos sistemas de pensa-
tado ou dedutível. mento e de linguagem uma espécie de princípio de coerência verbal
Ex.: A minha tia é viúva. O seu marido coleciona relógios de bolso. (comparável com o princípio de cooperação de Grice8 estipulando que,
seja qual for o discurso, ele deve apresentar forçosamente uma coerência
As inferências que autorizam viúva não só não são retomadas na se- própria, uma vez que é concebido por um espírito que não é incoerente
gunda frase, como são perfeitamente contraditas por essa mesma frase. por si mesmo.

O efeito da incoerência resulta de incompatibilidades semânticas pro- É justamente tendo isto em conta que devemos ler, avaliar e corrigir
fundas às quais temos de acrescentar algumas considerações temporais, os textos dos nossos alunos.
uma vez que, como se pode ver, basta remeter o verbo colecionar para o
pretérito para suprimir as contradições. Anotações:
1- M. H. Mira Mateus, Gramática da Língua Portuguesa, Ed. Cami-
As contradições pressuposicionais são em tudo comparáveis às infe- nho, 19923, p.134;
renciais, com a exceção de que no caso das pressuposicionais é um M. H. Mira Mateus, op. cit., pp.134-148;
conteúdo pressuposto que se encontra contradito. 3- "Méta-regles de cohérence", segundo Charolles, Introduction aux
Ex.: O Júlio ignora que a sua mulher o engana. A sua esposa é-lhe problèmes de la cohérence des textes, in Langue Française,
perfeitamente fiel. 1978;
4- "Méta-regle de répétition", segundo Charolles (op. cit.);
Na segunda frase, afirma-se a inegável fidelidade da mulher de Júlio, 5- "Les déficitivisations et les référentiations déictiques contextuel-
enquanto a primeira pressupõe o inverso. les", segundo Charolles (op. cit.);
6- Charolles aponta igualmente as contradições enunciativas. No en-
É frequente, nestes casos, que o emissor recupere a contradição pre- tanto, vamos debruçar-nos apenas sobre as contradições inferen-
sente com a ajuda de conectores do tipo mas, entretanto, contudo, no ciais e pressuposicionais, uma vez que foi sobre este tipo de con-
entanto, todavia, que assinalam que o emissor se apercebe dessa contra- tradições que efetuamos exercícios em situação de prática peda-
dição, assume-a, anula-a e toma partido dela. gógica.
Ex.: O João detesta viajar. No entanto, está entusiasmado com a par- 7- Charolles refere inclusivamente a existência de uma "relation de
tida para Itália, uma vez que sempre sonhou visitar Florença. congruence" entre o que é enunciado na sequência textual e o
mundo a que essa sequência faz referência;
4.Princípio da Relação: para que um texto seja coerente, torna-se ne- 8- Para um esclarecimento sobre este princípio, ver O. Ducrot, Dire
cessário que denote, no seu mundo de representação, fatos que se apre- et ne pas dire, Paris, Herman, 1972 e também D. Gordon e G.
sentem diretamente relacionados. Lakoff, Postulates de conservation, Langages nº 30, Paris, Didier-
Larousse, 1973.
Ou seja, este princípio enuncia que para uma sequência ser admitida
como coerente7, terá de apresentar ações, estados ou eventos que sejam 1. Coerência:
congruentes com o tipo de mundo representado nesse texto. Produzimos textos porque pretendemos informar, divertir, explicar,
convencer, discordar, ordenar, ou seja, o texto é uma unidade de signifi-
Assim, se tivermos em conta as três frases seguintes cado produzida sempre com uma determinada intenção. Assim como a
1 - A Silvia foi estudar. frase não é uma simples sucessão de palavras, o texto também não é
2 - A Silvia vai fazer um exame. uma simples sucessão de frases, mas um todo organizado capaz de
3 - O circuito de Adelaide agradou aos pilotos de Fórmula 1. estabelecer contato com nossos interlocutores, influindo sobre eles.
Quando isso ocorre, temos um texto em que há coerência.
A sequência formada por 1+2 surge-nos, desde logo, como sendo
mais congruente do que as sequências 1+3 ou 2+3.
A coerência é resultante da não-contradição entre os diversos seg-
Nos discursos naturais, as relações de relevância factual são, na mai- mentos textuais que devem estar encadeados logicamente. Cada segmen-
or parte dos casos, manifestadas por conectores que as explicitam seman- to textual é pressuposto do segmento seguinte, que por sua vez será
ticamente. pressuposto para o que lhe estender, formando assim uma cadeia em que
Ex.: A Silvia foi estudar porque vai fazer um exame. Ou também: A todos eles estejam concatenados harmonicamente. Quando há quebra
Silvia vai fazer um exame portanto foi estudar. nessa concatenação, ou quando um segmento atual está em contradição
A impossibilidade de ligar duas frases por meio de conectores consti- com um anterior, perde-se a coerência textual.
tui um bom teste para descobrir uma incongruência. A coerência é também resultante da adequação do que se diz ao con-
Ex.: A Silvia foi estudar logo o circuito de Adelaide agradou aos pilotos texto extra verbal, ou seja, àquilo o que o texto faz referência, que precisa
de Fórmula 1. ser conhecido pelo receptor.

O conhecimento destes princípios de coerência, por parte dos profes- Ao ler uma frase como "No verão passado, quando estivemos na capi-
sores, permite uma nova apreciação dos textos produzidos pelos alunos, tal do Ceará Fortaleza, não pudemos aproveitar a praia, pois o frio era
garantindo uma melhor correção dos seus trabalhos, evitando encontrar tanto que chegou a nevar", percebemos que ela é incoerente em decor-
incoerências em textos perfeitamente coerentes, bem como permite a rência da incompatibilidade entre um conhecimento prévio que temos da
dinamização de estratégias de correção. realizada com o que se relata. Sabemos que, considerando uma realidade
"normal", em Fortaleza não neva (ainda mais no verão!).
Teremos que ter em conta que para um leitor que nada saiba de cen-
trais termonucleares nada lhe parecerá mais incoerente do que um tratado Claro que, inserido numa narrativa ficcional fantástica, o exemplo
técnico sobre centrais termonucleares. acima poderia fazer sentido, dando coerência ao texto - nesse caso, o
contexto seria a "anormalidade" e prevaleceria a coerência interna da
No entanto, os leitores quase nunca consideram os textos incoeren- narrativa.
tes. Pelo contrário, os receptores dão ao emissor o crédito da coerência,
admitindo que o emissor terá razões para apresentar os textos daquela No caso de apresentar uma inadequação entre o que informa e a rea-
maneira. lidade "normal" pré-conhecida, para guardar a coerência o texto deve

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apresentar elementos linguísticos instruindo o receptor acerca dessa
anormalidade. a) REPETIÇÃO: o elemento (1) foi repetido diversas vezes durante o
texto. Pode perceber que a palavra avião foi bastante usada, principal-
Uma afirmação como "Foi um verdadeiro milagre! O menino caiu do mente por ele ter sido o veículo envolvido no acidente, que é a notícia
décimo andar e não sofreu nenhum arranhão." é coerente, na medida que propriamente dita. A repetição é um dos principais elementos de coesão
a frase inicial ("Foi um verdadeiro milagre") instrui o leitor para a anormali- do texto jornalístico fatual, que, por sua natureza, deve dispensar a releitu-
dade do fato narrado. ra por parte do receptor (o leitor, no caso). A repetição pode ser conside-
rada a mais explícita ferramenta de coesão. Na dissertação cobrada pelos
2. Coesão: vestibulares, obviamente deve ser usada com parcimônia, uma vez que
A redação deve primar, como se sabe, pela clareza, objetividade, coe- um número elevado de repetições pode levar o leitor à exaustão.
rência e coesão. E a coesão, como o próprio nome diz (coeso significa
ligado), é a propriedade que os elementos textuais têm de estar interliga- b) REPETIÇÃO PARCIAL: na retomada de nomes de pessoas, a re-
dos. De um fazer referência ao outro. Do sentido de um depender da petição parcial é o mais comum mecanismo coesivo do texto jornalístico.
relação com o outro. Preste atenção a este texto, observando como as Costuma-se, uma vez citado o nome completo de um entrevistado - ou da
palavras se comunicam, como dependem uma das outras. vítima de um acidente, como se observa com o elemento (7), na última
linha do segundo parágrafo e na primeira linha do terceiro -, repetir so-
SÃO PAULO: OITO PESSOAS MORREM EM QUEDA DE AVIÃO mente o(s) seu(s) sobrenome(s). Quando os nomes em questão são de
Das Agências celebridades (políticos, artistas, escritores, etc.), é de praxe, durante o
texto, utilizar a nominalização por meio da qual são conhecidas pelo
Cinco passageiros de uma mesma família, de Maringá, dois tripulan- público. Exemplos: Nedson (para o prefeito de Londrina, Nedson Michelet-
tes e uma mulher que viu o avião cair morreram ti); Farage (para o candidato à prefeitura de Londrina em 2000 Farage
Khouri); etc. Nomes femininos costumam ser retomados pelo primeiro
Oito pessoas morreram (cinco passageiros de uma mesma família e nome, a não ser nos casos em que o sobrenomes sejam, no contexto da
dois tripulantes, além de uma mulher que teve ataque cardíaco) na queda matéria, mais relevantes e as identifiquem com mais propriedade.
de um avião (1) bimotor Aero Commander, da empresa J. Caetano, da
cidade de Maringá (PR). O avião (1) prefixo PTI-EE caiu sobre quatro c) ELIPSE: é a omissão de um termo que pode ser facilmente deduzi-
sobrados da Rua Andaquara, no bairro de Jardim Marajoara, Zona Sul de do pelo contexto da matéria. Veja-se o seguinte exemplo: Estavam no
São Paulo, por volta das 21h40 de sábado. O impacto (2) ainda atingiu avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 anos, que foi candi-
mais três residências. dato a prefeito de Maringá nas últimas eleições; o piloto (1) José Traspa-
dini (4), de 64 anos; o co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38.
Estavam no avião (1) o empresário Silvio Name Júnior (4), de 33 Perceba que não foi necessário repetir-se a palavra avião logo após as
anos, que foi candidato a prefeito de Maringá nas últimas eleições (leia palavras piloto e co-piloto. Numa matéria que trata de um acidente de
reportagem nesta página); o piloto (1) José Traspadini (4), de 64 anos; o avião, obviamente o piloto será de aviões; o leitor não poderia pensar que
co-piloto (1) Geraldo Antônio da Silva Júnior, de 38; o sogro de Name se tratasse de um piloto de automóveis, por exemplo. No último parágrafo
Júnior (4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos Márcio ocorre outro exemplo de elipse: Três pessoas (10) que estavam nas casas
Rocha Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31; e o (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram feri-
marido dela (6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. mentos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Note que o (10)
em negrito, antes de Apenas, é uma omissão de um elemento já citado:
Izidoro Andrade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores Três pessoas. Na verdade, foi omitido, ainda, o verbo: (As três pessoas
compradores de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) sofreram) Apenas escoriações e queimaduras.
era um dos sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor
(1). Isidoro Andrade (7) havia alugado o avião (1) Rockwell Aero Com- d) SUBSTITUIÇÕES: uma das mais ricas maneiras de se retomar um
mander 691, prefixo PTI-EE, para (7) vir a São Paulo assistir ao velório do elemento já citado ou de se referir a outro que ainda vai ser mencionado é
filho (7) Sérgio Ricardo de Andrade (8), de 32 anos, que (8) morreu ao a substituição, que é o mecanismo pelo qual se usa uma palavra (ou
reagir a um assalto e ser baleado na noite de sexta-feira. grupo de palavras) no lugar de outra palavra (ou grupo de palavras).
Confira os principais elementos de substituição:
O avião (1) deixou Maringá às 7 horas de sábado e pousou no aero-
porto de Congonhas às 8h27. Na volta, o bimotor (1) decolou para Marin- Pronomes: a função gramatical do pronome é justamente substituir
gá às 21h20 e, minutos depois, caiu na altura do número 375 da Rua ou acompanhar um nome. Ele pode, ainda, retomar toda uma frase ou
Andaquara, uma espécie de vila fechada, próxima à avenida Nossa Se- toda a ideia contida em um parágrafo ou no texto todo. Na matéria-
nhora do Sabará, uma das avenidas mais movimentadas da Zona Sul de exemplo, são nítidos alguns casos de substituição pronominal: o sogro de
São Paulo. Ainda não se conhece as causas do acidente (2). O avião (1) Name Júnior (4), Márcio Artur Lerro Ribeiro (5), de 57; seus (4) filhos
não tinha caixa preta e a torre de controle também não tem informações. Márcio Rocha Ribeiro Neto, de 28, e Gabriela Gimenes Ribeiro (6), de 31;
O laudo técnico demora no mínimo 60 dias para ser concluído. e o marido dela (6), João Izidoro de Andrade (7), de 53 anos. O pronome
possessivo seus retoma Name Júnior (os filhos de Name Júnior...); o
Segundo testemunhas, o bimotor (1) já estava em chamas antes de pronome pessoal ela, contraído com a preposição de na forma dela,
cair em cima de quatro casas (9). Três pessoas (10) que estavam nas retoma Gabriela Gimenes Ribeiro (e o marido de Gabriela...). No último
casas (9) atingidas pelo avião (1) ficaram feridas. Elas (10) não sofreram parágrafo, o pronome pessoal elas retoma as três pessoas que estavam
ferimentos graves. (10) Apenas escoriações e queimaduras. Elídia Fiorez- nas casas atingidas pelo avião: Elas (10) não sofreram ferimentos graves.
zi, de 62 anos, Natan Fiorezzi, de 6, e Josana Fiorezzi foram socorridos no
Pronto Socorro de Santa Cecília. Epítetos: são palavras ou grupos de palavras que, ao mesmo tempo
que se referem a um elemento do texto, qualificam-no. Essa qualificação
Vejamos, por exemplo, o elemento (1), referente ao avião envolvido pode ser conhecida ou não pelo leitor. Caso não seja, deve ser introduzida
no acidente. Ele foi retomado nove vezes durante o texto. Isso é necessá- de modo que fique fácil a sua relação com o elemento qualificado.
rio à clareza e à compreensão do texto. A memória do leitor deve ser
reavivada a cada instante. Se, por exemplo, o avião fosse citado uma vez Exemplos:
no primeiro parágrafo e fosse retomado somente uma vez, no último, a) (...) foram elogiadas pelo por Fernando Henrique Cardoso. O pre-
talvez a clareza da matéria fosse comprometida. sidente, que voltou há dois dias de Cuba, entregou-lhes um certi-
ficado... (o epíteto presidente retoma Fernando Henrique Cardo-
E como retomar os elementos do texto? Podemos enumerar alguns so; poder-se-ia usar, como exemplo, sociólogo);
mecanismos: b) Edson Arantes de Nascimento gostou do desempenho do Brasil.

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Para o ex-Ministro dos Esportes, a seleção... (o epíteto ex- de acordo com, segundo, conforme, sob o mesmo ponto de vista, tal qual,
Ministro dos Esportes retoma Edson Arantes do Nascimento; po- tanto quanto, como, assim como, como se, bem como.
der-se-iam, por exemplo, usar as formas jogador do século, nú-
mero um do mundo, etc. Condição, hipótese: se, caso, eventualmente.

Sinônimos ou quase sinônimos: palavras com o mesmo sentido (ou Adição, continuação: além disso, demais, ademais, outrossim, ainda
muito parecido) dos elementos a serem retomados. Exemplo: O prédio foi mais, ainda cima, por outro lado, também, e, nem, não só ... mas também,
demolido às 15h. Muitos curiosos se aglomeraram ao redor do edifício, não só... como também, não apenas ... como também, não só ... bem
para conferir o espetáculo (edifício retoma prédio. Ambos são sinônimos). como, com, ou (quando não for excludente).

Nomes deverbais: são derivados de verbos e retomam a ação ex- Dúvida: talvez provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é
pressa por eles. Servem, ainda, como um resumo dos argumentos já provável, não é certo, se é que.
utilizados. Exemplos: Uma fila de centenas de veículos paralisou o trânsito
da Avenida Higienópolis, como sinal de protesto contra o aumentos dos Certeza, ênfase: decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, in-
impostos. A paralisação foi a maneira encontrada... (paralisação, que questionavelmente, sem dúvida, inegavelmente, com toda a certeza.
deriva de paralisar, retoma a ação de centenas de veículos de paralisar o
trânsito da Avenida Higienópolis). O impacto (2) ainda atingiu mais três Surpresa, imprevisto: inesperadamente, inopinadamente, de súbito,
residências (o nome impacto retoma e resume o acidente de avião notici- subitamente, de repente, imprevistamente, surpreendentemente.
ado na matéria-exemplo)
Ilustração, esclarecimento: por exemplo, só para ilustrar, só para
Elementos classificadores e categorizadores: referem-se a um exemplificar, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber,
elemento (palavra ou grupo de palavras) já mencionado ou não por meio ou seja, aliás.
de uma classe ou categoria a que esse elemento pertença: Uma fila de
centenas de veículos paralisou o trânsito da Avenida Higienópolis. O Propósito, intenção, finalidade: com o fim de, a fim de, com o pro-
protesto foi a maneira encontrada... (protesto retoma toda a ideia anterior - pósito de, com a finalidade de, com o intuito de, para que, a fim de que,
da paralisação -, categorizando-a como um protesto); Quatro cães foram para.
encontrados ao lado do corpo. Ao se aproximarem, os peritos enfrentaram
a reação dos animais (animais retoma cães, indicando uma das possíveis Lugar, proximidade, distância: perto de, próximo a ou de, junto a ou
classificações que se podem atribuir a eles). de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali, este, esta, isto, esse,
essa, isso, aquele, aquela, aquilo, ante, a.
Advérbios: palavras que exprimem circunstâncias, principalmente as
de lugar: Em São Paulo, não houve problemas. Lá, os operários não Resumo, recapitulação, conclusão: em suma, em síntese, em conclu-
aderiram... (o advérbio de lugar lá retoma São Paulo). Exemplos de ad- são, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa maneira, desse
vérbios que comumente funcionam como elementos referenciais, isto é, modo, logo, pois (entre vírgulas), dessarte, destarte, assim sendo.
como elementos que se referem a outros do texto: aí, aqui, ali, onde, lá,
etc. Causa e consequência. Explicação: por consequência, por conseguin-
te, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de, assim, de fato,
Observação: É mais frequente a referência a elementos já citados no com efeito, tão (tanto, tamanho) ... que, porque, porquanto, pois, já que, uma
texto. Porém, é muito comum a utilização de palavras e expressões que vez que, visto que, como (= porque), portanto, logo, que (= porque), de tal
se refiram a elementos que ainda serão utilizados. Exemplo: Izidoro An- sorte que, de tal forma que, haja vista.
drade (7) é conhecido na região (8) como um dos maiores compradores
de cabeças de gado do Sul (8) do país. Márcio Ribeiro (5) era um dos Contraste, oposição, restrição, ressalva: pelo contrário, em contraste
sócios do Frigorífico Naviraí, empresa proprietária do bimotor (1). A pala- com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto, no entanto,
vra região serve como elemento classificador de Sul (A palavra Sul indica embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, posto, conquanto, se
uma região do país), que só é citada na linha seguinte. bem que, por mais que, por menos que, só que, ao passo que.

Conexão: Ideias alternativas: Ou, ou... ou, quer... quer, ora... ora.
Além da constante referência entre palavras do texto, observa-se na Níveis De Significado Dos Textos:
coesão a propriedade de unir termos e orações por meio de conectivos, Significado Implícito E Explícito
que são representados, na Gramática, por inúmeras palavras e expres- Observe a seguinte frase:
sões. A escolha errada desses conectivos pode ocasionar a deturpação Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas.
do sentido do texto. Abaixo, uma lista dos principais elementos conectivos,
agrupados pelo sentido. Baseamo-nos no autor Othon Moacyr Garcia Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita:
(Comunicação em Prosa Moderna). que ele frequentou um curso superior;
que ele aprendeu algumas coisas.
Prioridade, relevância: em primeiro lugar, antes de mais nada, antes
de tudo, em princípio, primeiramente, acima de tudo, precipuamente,
Ao ligar essas duas informações com um “mas” comunica também de
principalmente, primordialmente, sobretudo, a priori (itálico), a posteriori
modo implícito sua critica ao sistema de ensino superior, pois a frase
(itálico).
passa a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende nada.
Tempo (frequência, duração, ordem, sucessão, anterioridade, poste-
rioridade): então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verifica-
princípio, no momento em que, pouco antes, pouco depois, anteriormente,
ção de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das
posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente agora atualmente,
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam suben-
hoje, frequentemente, constantemente às vezes, eventualmente, por
tendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve
vezes, ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo,
captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos.
simultaneamente, nesse ínterim, nesse meio tempo, nesse hiato, enquan-
to, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que, assim que,
Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso con-
desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal, nem bem.
trário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou
— o que é pior — pode concordar com coisas que rejeitaria se as perce-
Semelhança, comparação, conformidade: igualmente, da mesma
besse.
forma, assim também, do mesmo modo, similarmente, semelhantemente,
analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com,
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Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários indi-
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos. cadores linguísticos, como, por exemplo:

Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de manei- a) certos advérbios
ra explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras ou Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós.
expressões contidas na frase. Pressuposto: Os resultados já deviam ter chegado.
ou
Assim, quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de Os resultados vão chegar mais tarde.
maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao
mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita b) certos verbos
de que antes o tempo já estava chuvoso. O caso do contrabando tornou-se público.
Pressuposto: O caso não era público antes.
Na frase “Pedro deixou de fumar” diz-se explicitamente que, no mo-
mento da fala, Pedro não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a c) as orações adjetivas
informação implícita de que Pedro fumava antes. Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses,
não pensam no povo.
A informação explícita pode ser questionada pelo ouvinte, que pode
ou não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm que ser Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individu-
verdadeiros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir ais. Mas a mesma frase poderia ser redigida assim:
deles que se constróem as informações explícitas. Se o pressuposto é Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não
falso, a informação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se pensam no povo.
Pedro não fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de
fumar. No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a prefei-
to têm interesses individuais.
Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As
com vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comuni- explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os
cado. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante trans- elementos de um dado conjunto; as restritivas, que o que elas dizem
forma o ou vinte em cúmplice, urna vez que essa ideia não é posta em concerne a parte dos elementos de um dado conjunto.
discussão e todos os argumentos subsequentes só contribuem para
confirmá -la. d) os adjetivos
Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil.
Por isso pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sis-
tema de pensamento montado pelo falante. Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil.

A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas “ver- Os subentendidos


dades” incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso Os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma
político. afirmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão pergunta: Você
tem fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe
Tomemos como exemplo a seguinte frase: acendesse o cigarro. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se:
Ë preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de um Acenda-me o cigarro por favor.
ataque soviético.
O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: o
O conteúdo explícito afirma: pressuposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o
— a necessidade da construção de mísseis, ouvinte, não é para ser contestado; o subentendido é de responsabilidade
— com a finalidade de defesa contra o ataque soviético. do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido
literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o
O pressuposto, isto é, o dado que não se põe em discussão é: os so- ouvinte depreendeu.
viéticos pretendem atacar o Ocidente.
O subentendido, muitas vezes, serve para o falante proteger-se diante
Os argumentos contra o que foi informado explicitamente nessa frase de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprome-
podem ser: ter com ela.
— os mísseis não são eficientes para conter o ataque soviético; Para entender esse processo de descomprometimento que ocorre
— uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas com a manipulação dos subentendidos, imaginemos a seguinte situação:
os soviéticos; um funcionário público do partido de oposição lamenta, diante dos colegas
— a negociação com os soviéticos é o único meio de dissuadi-los de reunidos em assembleia, que um colega de seção, do partido do governo,
um ataque ao Ocidente. além de ter sido agraciado com uma promoção, conseguiu um empréstimo
muito favorável do banco estadual, ao passo que ele, com mais tempo de
Como se pode notar, os argumentos são contrários ao que está dito serviço, continuava no mesmo posto e não conseguia o empréstimo
explicitamente, mas todos eles confirmam o pressuposto, isto é, todos os solicitado muito antes que o referido colega.
argumentos aceitam que os soviéticos pretendem atacar o Ocidente.
Mais tarde, tendo sido acusado de estar denunciando favoritismo do
A aceitação do pressuposto é o que permite levar à frente o debate. governo para com os seus adeptos, o funcionário reclamante defende-se
Se o ouvinte disser que os soviéticos não têm intenção nenhuma de prontamente, alegando não ter falado em favoritismo e que isso era dedu-
atacar o Ocidente, estará negando o pressuposto lançado pelo falante e ção de quem ouvira o seu discurso.
então a possibilidade de diálogo fica comprometida irreparavelmente.
Qualquer argumento entre os citados não teria nenhuma razão de ser. Na verdade, ele não falou em favoritismo mas deu a entender, deixou
Isso quer dizer que, com pressupostos distintos, não é possível o diálogo subentendido para não se comprometer com o que disse. Fez a denúncia
ou não tem ele sentido algum. Pode-se contornar esse problema tornando sem denunciar explicitamente. A frase sugere, mas não diz.
os pressupostos afirmações explícitas, que então podem ser discutidas.
A distinção entre pressupostos e subentendidos em certos casos é

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bastante sutil. Não vamos aqui ocupar-nos dessas sutilezas, mas explorar mos perfeitos” (p.30) que permitem a permutação destes nomes durante o
esses conceitos como instrumentos úteis para uma compreensão mais texto sem que o sentido original e desejado seja modificado.
eficiente do texto.
Esta relação semântica presente nos textos ocorre devido às interpre-
tações feitas da realidade pelo interlocutor, que utiliza a chamada “semân-
tica referencial” (p.31) para causar esta busca mental no receptor através
• ESTUDO DO TEXTO ARGUMENTATIVO, SEUS GÊNEROS E
de palavras semanticamente semelhantes à que fora enunciada, porém,
RECURSOS LINGUÍSTICOS: ARGUMENTAÇÃO: TIPO, GÊNE- existe ainda o que a autora denominou de “inexistência de sinônimo
ROS E USOS EM LÍNGUA PORTUGUESA – FORMAS DE perfeito” (p.30) que são sinônimos porém quando posto em substituição
APRESENTAÇÃO DE DIFERENTES PONTOS DE VISTA; OR- um ao outro não geram uma coerência adequada ao entendimento.
GANIZAÇÃO E PROGRESSÃO TEXTUAL; PAPÉIS SOCIAIS E
COMUNICATIVOS DOS INTERLOCUTORES, RELAÇÃO ENTRE Nesta relação de substituição por sinônimos, devemos ter cautela
USOS E PROPÓSITOS COMUNICATIVOS, FUNÇÃO SÓCIO quando formos usar os “hiperônimos” (p.32), ou até mesmo a “hiponímia”
COMUNICATIVA DO GÊNERO, ASPECTOS DA DIMENSÃO (p.32) onde substitui-se a parte pelo todo, pois neste emaranhado de
ESPAÇO-TEMPORAL EM QUE SE PRODUZ O TEXTO. substituições pode-se causar desajustes e o resultado final não fazer com
que a imagem mental do leitor seja ativada de forma corretamente, e outra
assimilação, errônea, pode ser utilizada.
Resenha Critica de Articulação do Texto
Amanda Alves Martins Seguindo ainda neste linear das substituições, existem ainda as “no-
Resenha Crítica do livro A Articulação do Texto, da autora Elisa Gui- minações” e a “elipse”, onde na primeira, o sentido inicialmente expresso
marães por um verbo é substituído por um nome, ou seja, um substantivo; e,
enquanto na segunda, ou seja, na elipse, o substituto é nulo e marcado
No livro de Elisa Guimarães, A Articulação do Texto, a autora procura pela flexão verbal; como podemos perceber no seguinte exemplo retirado
esclarecer as dúvidas referentes à formação e à compreensão de um texto do livro de Elisa Guimarães:
e do seu contexto. “Louve-se nos mineiros, em primeiro lugar, a sua presença suave. Mil
deles não causam o incômodo de dez cearenses.
Formado por unidades coordenadas, ou seja, interligadas entre si, o
texto constitui, portanto, uma unidade comunicativa para os membros de __Não grita, ___ não empurram< ___ não seguram o braço da gente,
uma comunidade; nele, existe um conjunto de fatores indispensáveis para ___ não impõem suas opiniões. Para os importunos inventaram eles uma
a sua construção, como “as intenções do falante (emissor), o jogo de palavra maravilhosamente definidora e que traduz bem a sua antipatia
imagens conceituais, mentais que o emissor e destinatário execu- para essa casta de gente (...)” (Rachel de Queiroz. Mineiros. In: Cem
tam.”(Manuel P. Ribeiro, 2004, p.397). Somado à isso, um texto não pode crônicas escolhidas. Rio de Janeiros, José Olympio, 1958, p.82).
existir de forma única e sozinha, pois depende dos outros tanto sintatica-
mente quanto semanticamente para que haja um entendimento e uma Porém é preciso especificar que para que haja a elipse o termo elípti-
compreensão deste. Dentro de um texto, as partes que o formam se co deve estar perfeitamente claro no contexto. Este conceito e os demais
integram e se explicam de forma recíproca. já ditos anteriormente são primordiais para a compreensão e produção
textual, uma vez que contribuem para a economia de linguagem, fator de
Completando o processo de formação de um texto, a autora nos es- grande valor para tais feitos.
clarece que a economia de linguagem facilita a compreensão dele, sendo
indispensável uma ligação entre as partes, mesmo havendo um corte de Ao abordar os conceitos de coesão e coerência, a autora procura pri-
trechos considerados não essenciais. meiramente retomar a noção de que a construção do texto é feita através
de “referentes linguísticos” (p.38) que geram um conjunto de frases que
Quando o tema é a “situação comunicativa” (p.7), a autora nos escla- irão constituir uma “microestrutura do texto” (p.38) que se articula com a
rece a relação texto X contexto, onde um é essencial para esclarecermos estrutura semântica geral. Porém, a dificuldade de se separar a coesão da
o outro, utilizando-se de palavras que recebem diferentes significados coerência está no fato daquela está inserida nesta, formando uma linha de
conforme são inseridas em um determinado contexto; nos levando ao raciocínio de fácil compreensão, no entanto, quando ocorre uma incoerên-
entendimento de que não podemos considerar isoladamente os seus cia textual, decorrente da incompatibilidade e não exatidão do que foi
conceitos e sim analisá-los de acordo com o contexto semântico ao qual escrito, o leitor também é capaz de entender devido a sua fácil compreen-
está inserida. são apesar da má articulação do texto.

Segundo Elisa Guimarães, o sentido da palavra texto estende-se a A coerência de um texto não é dada apenas pela boa interligação en-
uma enorme vastidão, podendo designar “um enunciado qualquer, oral ou tre as suas frases, mas também porque entre estas existe a influência da
escrito, longo ou breve, antigo ou moderno” (p.14) e ao contrário do que coerência textual, o que nos ajuda a concluir que a coesão, na verdade, é
muitos podem pensar, um texto pode ser caracterizado como um fragmen- efeito da coerência. Como observamos em Nova Gramática Aplicada da
to, uma frase, um verbo ect e não apenas na reunião destes com mais Língua Portuguesa de Manoel P. Ribeiro (2004, 14ed):
algumas outras formas de enunciação; procurando sempre uma objetivi-
dade para que a sua compreensão seja feita de forma fácil e clara. A coesão e a coerência trazem a característica de promover a inter-
relação semântica entre os elementos do discurso, respondendo pelo que
Esta economia textual facilita no caminho de transmissão entre o
chamamos de conectividade textual. “A coerência diz respeito ao nexo
enunciador e o receptor do texto que procura condensar as informações
entre os conceitos; e a coesão, à expressão desse nexo no plano linguísti-
recebidas a fim de se deter ao “núcleo informativo” (p.17), este sim, pri-
co” (VAL, Maria das Graças Costa. Redação e textualidade, 1991, p.7)
mordial a qualquer informação.
A autora também apresenta diversas formas de classificação do dis- No capítulo que diz respeito às noções de estrutura, Elisa Guimarães,
curso e do texto, porém, detenhamo-nos na divisão de texto informativo e busca ressaltar o nível sintático representado pelas coordenações e
de um texto literário ou ficcional. subordinações que fixam relações de “equivalência” ou “hierarquia” res-
Analisando um texto, é possível percebermos que a repetição de um pectivamente.
nome/lexema, nos induz à lembrar de fatos já abordados, estimula a Um fato importante dentro do livro A Articulação do Texto, é o valor
nossa biblioteca mental e a informa da importância de tal nome, que atribuído às estruturas integrantes do texto, como o título, o parágrafo, as
dentro de um contexto qualquer, ou seja que não fosse de um texto infor- inter e intrapartes, o início e o fim e também, as superestruturas.
macional, seria apenas caracterizado como uma redundância desnecessá-
ria. Essa repetição é normalmente dada através de sinônimos ou “sinôni- O título funciona como estratégica de articulação do texto podendo

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desempenhar papéis que resumam os seus pontos primordiais, como lo.Enganava.” Vidas secas, p. 143);
também, podem ser desvendados no decorrer da leitura do texto. substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos
como de palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui além
Os parágrafos esquematizam o raciocínio do escritos, como enuncia das palavras sinônimas, aquelas resultantes de famílias ideológicas
Othon Moacir Garcia: e do campo associativo, como, por exemplo, esvoaçar, revoar, voar;
“O parágrafo facilita ao escritor a tarefa de isolar e depois ajustar hipônimos (relações de um termo específico com um termo de
convenientemente as ideias principais da sua composição, permitindo ao sentido geral, ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um ter-
leitor acompanhar-lhes o desenvolvimento nos seus diferentes estágios”. mo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específico,
ex.: felino, gato);
É bom relembrar, que dentro do parágrafo encontraremos o chamado nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em
tópico frasal, que resumirá a principal ideia do parágrafo no qual esta forma de verbo e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.:
inserido; e também encontraremos, segundo a autora, dez diferentes tipos consertar, o conserto; viajar, a viagem). É preciso distinguir-se entre
de parágrafo, cada qual com um ponto de vista específico. nominalização estrita e. generalizações (ex.: o cão < o animal) e
especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
No que diz respeito ao tópico Inicio e fim, Elisa Guimarães preferiu substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço.
abordá-los de forma mútua já que um é consequência ou decorrência do O verbo fazer em substituição ao verbo trabalhar);
outro; ficando a organização da narrativa com uma forma de estrutura enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global.
clássica e seguindo uma linha sequencial já esperada pelo leitor, onde o Ex.: O curral deserto, o chiqueiro das cabras arruinado e também
início alimenta a esperança de como virá a ser o texto, enquanto que o fim deserto, a casa do vaqueiro fechada, tudo anunciava abandono
exercer uma função de dar um destaque maior ao fechamento do texto, o (Vidas Secas, p.11). Esse enunciado é chamado de anáfora con-
que também, alimenta a imaginação tanto do leito, quanto do próprio ceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global que ele refere
autor. são retomados por outro enunciado que os resume e/ou interpreta.
Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso
No geral, o que diz respeito ao livro A Articulação do Texto de Elisa avançar, mantendo-se sua unidade.
Guimarães, ele nos trás um grande número de informações e novos 2. A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:
conceitos em relação à produção e compreensão textual, no entanto, essa certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-
grande leva de informações muitas vezes se tornam confusas e acabam se aqui os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados co-
por desprenderem-se uma das outras, quebrando a linearidade de todo o mo substitutos de elementos anteriormente presentes no texto, dife-
texto e dificultando o entendimento teórico. rentemente dos pronomes de 1ª e 2ª pessoa que se referem à pes-
soa que fala e com quem esta fala.
A REFERENCIAÇÃO / OS REFERENTES / COERÊNCIA E COE- certos advérbios e expressões adverbiais;
SÃO artigos;
A fala e também o texto escrito constituem-se não apenas numa se- conjunções;
quência de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas numerais;
forma uma cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um elipses. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado
entrelaçamento significativo que aproxima as partes formadoras do texto anterior, a palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem
falado ou escrito. Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conecti- recolheu-se cedo. ... Sabia que ia necessitar de todas as suas for-
vidade e a retomada e garantem a coesão são os referentes textuais. ças. O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a
Cada uma das coisas ditas estabelece relações de sentido e significado relação entre as duas orações.). É a própria ausência do termo que
tanto com os elementos que a antecedem como com os que a sucedem, marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
construindo uma cadeia textual significativa. Essa coesão, que dá unidade enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraver-
ao texto, vai sendo construída e se evidencia pelo emprego de diferentes bais, exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares pú-
procedimentos, tanto no campo do léxico, como no da gramática. (Não blicos (ex.: Perigo!) e as frases exclamativas, que remetem a uma
esqueçamos que, num texto, não existem ou não deveriam existir elemen- situação não-verbal. Nesse caso, a articulação se dá entre texto e
tos dispensáveis. Os elementos constitutivos vão construindo o texto, e contexto (extratextual);
são as articulações entre vocábulos, entre as partes de uma oração, entre as concordâncias;
as orações e entre os parágrafos que determinam a referenciação, os a correlação entre os tempos verbais.
contatos e conexões e estabelecem sentido ao todo.)
Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão tex-
Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao tex- tual, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas
to coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os
dinâmica articuladora e garantem a progressão textual. componentes concentram em si a significação. Referem os participantes
do ato de comunicação, o momento e o lugar da enunciação.
A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas
relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjeti- Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos:
vos em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos; Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os partici-
tempos verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.), pantes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções
na organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam
formadoras de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver o momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade
um tema ou as unidades de um texto. Construída com os mecanismos ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente);
gramaticais e lexicais, confere unidade formal ao texto. ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de
1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela po- agora em diante, no próximo ano, depois de (futuro).
de dar-se pela reiteração, pela substituição e pela associação.
É garantida com o emprego de: Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam re-
enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensagem- lações não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também
tema do texto apoiada na conexão de elementos léxicos sucessivos entre frases e sequências de frases dentro de um texto”.
pode dar-se por simples iteração (repetição). Cabe, nesse caso, fa- Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Mui-
zer-se a diferenciação entre a simples redundância resultado da tas vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita,
pobreza de vocabulário e o emprego de repetições como recurso apoiada no conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo
estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As contas do patrão comunicativo têm da língua.
eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro, mas Fabia- A ligação lógica das ideias
no sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá-
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APOSTILAS OPÇÃO
Uma das características do texto é a organização sequencial dos Como estudei passei no vestibular
elementos linguísticos que o compõem, isto é, as relações de sentido que Por ter estudado muito passei no vestibular
se estabelecem entre as frases e os parágrafos que compõem um texto, ___________________ ___________________
fazendo com que a interpretação de um elemento linguístico qualquer seja causa consequência
dependente da de outro(s). Os principais fatores que determinam esse Finalidade: uma das proposições do período explicita o(s) meio(s)
encadeamento lógico são: a articulação, a referência, a substituição para se atingir determinado fim expresso na outra. Os articuladores princi-
vocabular e a elipse. pais são: para, afim de, para que.

ARTICULAÇÃO Utilizo o automóvel a fim de facilitar minha vida.


Os articuladores (também chamados nexos ou conectores) são con- Conformidade: essa relação expressa-se por meio de duas proposi-
junções, advérbios e preposições responsáveis pela ligação entre si dos ções, em que se mostra a conformidade de conteúdo de uma delas em
fatos denotados num texto, Eles exprimem os diferentes tipos de interde- relação a algo afirmado na outra.
pendência de sentido das frases no processo de sequencialização textual.
As ideias ou proposições podem se relacionar indicando causa, conse- O aluno realizou a prova conforme o professor solicitara.
quência, finalidade, etc. segundo
consoante
Ingressei na Faculdade a fim de ascender socialmente. como
Ingressei na Faculdade porque pretendo ser biólogo. de acordo com a solicitação...
Ingressei na Faculdade depois de ter-me casado.
Temporalidade: é a relação por meio da qual se localizam no tempo
É possível observar que os articuladores relacionam os argumentos ações, eventos ou estados de coisas do mundo real, expressas por meio
diferentemente. Podemos, inclusive, agrupá-los, conforme a relação que de duas proposições.
estabelecem. Quando
Mal
Relações de: Logo que terminei o colégio, matriculei-me aqui.
adição: os conectores articula sequencialmente frases cujos conteú- Assim que
dos se adicionam a favor de uma mesma conclusão: e, também, não Depois que
só...como também, tanto...como, além de, além disso, ainda, nem. No momento em que
Nem bem
Na maioria dos casos, as frases somadas não são permutáveis, isto
é, a ordem em que ocorrem os fatos descritos deve ser respeitada. Concomitância de fatos: Enquanto todos se divertiam, ele estudava
com afinco.
Ele entrou, dirigiu-se à escrivaninha e sentou-se. Existe aqui uma simultaneidade entre os fatos descritos em cada
alternância: os conteúdos alternativos das frases são articulados por uma das proposições.
conectores como ou, ora...ora, seja...seja. O articulador ou pode expres- b) um tempo progressivo:
sar inclusão ou exclusão. À proporção que os alunos terminavam a prova, iam se retiran-
do.
Ele não sabe se conclui o curso ou abandona a Faculdade. bar enchia de frequentadores à medida que a noite caía.
Oposição: os conectores articulam sequencialmente frases cujos
conteúdos se opõem. São articuladores de oposição: mas, porém, toda- Conclusão: um enunciado introduzido por articuladores como por-
via, entretanto, no entanto, não obstante, embora, apesar de (que), tanto, logo, pois, então, por conseguinte, estabelece uma conclusão
ainda que, se bem que, mesmo que, etc. em relação a algo dito no enunciado anterior:

O candidato foi aprovado, mas não fez a matrícula. Assistiu a todas as aulas e realizou com êxito todos os exercícios.
condicionalidade: essa relação é expressa pela combinação de duas Portanto tem condições de se sair bem na prova.
proposições: uma introduzida pelo articulador se ou caso e outra por
então (consequente), que pode vir implícito. Estabelece-se uma relação É importante salientar que os articuladores conclusivos não se limitam
entre o antecedente e o consequente, isto é, sendo o antecedente verda- a articular frases. Eles podem articular parágrafos, capítulos.
deiro ou possível, o consequente também o será.
Comparação: é estabelecida por articuladores: tanto (tão)...como,
Na relação de condicionalidade, estabelece-se, muitas vezes, uma tanto (tal)...como, tão ...quanto, mais ....(do) que, menos ....(do) que,
condição hipotética, isto é,, cria-se na proposição introduzida pelo articu- assim como.
lador se/caso uma hipótese que condicionará o que será dito na proposi- Ele é tão competente quanto Alberto.
ção seguinte. Em geral, a proposição situa-se num tempo futuro.
Explicação ou justificativa: os articuladores do tipo pois, que, por-
Caso tenha férias, (então) viajarei para Buenos Aires. que introduzem uma justificativa ou explicação a algo já anteriormente
Causalidade: é expressa pela combinação de duas proposições, uma referido.
das quais encerra a causa que acarreta a consequência expressa na
outra. Tal relação pode ser veiculada de diferentes formas: Não se preocupe que eu voltarei
Passei no vestibular porque estudei muito pois
visto que porque
já que
uma vez que As pausas
_________________ _____________________ Os articuladores são, muitas vezes, substituídos por “pausas” (marca-
consequência causa das por dois pontos, vírgula, ponto final na escrita). Que podem assinalar
tipos de relações diferentes.
Estudei tanto que passei no vestibular.
Compramos tudo pela manhã: à tarde pretendemos viajar. (causalida-
Estudei muito por isso passei no vestibular
de)
_________________ ____________________
Não fique triste. As coisas se resolverão. (justificativa)
causa consequência
Ela estava bastante tranquila eu tinha os nervos à flor da pele. ( opo-
sição)
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APOSTILAS OPÇÃO
Não estive presente à cerimônia. Não posso descrevê-la. (conclusão) margem esquerda da folha. Possuem extensão variada: há parágrafos
http://www.seaac.com.br/ longos e parágrafos curtos. O que vai determinar sua extensão é a unida-
A análise de expressões referenciais é fundamental na interpretação de temática, já que cada ideia exposta no texto deve corresponder a um
do discurso. A identificação de expressões correferentes é importante em parágrafo.
diversas aplicações de Processamento da Linguagem Natural. Expressões
referenciais podem ser usadas para introduzir entidades em um discurso "O parágrafo é uma unidade de composição, constituída por um ou
ou podem fazer referência a entidades já mencionadas, podendo fazer uso mais de um período em que desenvolve determinada ideia central, ou
de redução lexical. nuclear, a que se agregam outras, secundárias, intimamente relacionadas
pelo sentido e logicamente decorrentes dela." [GARCIA, Othon M. Comu-
nicação em prosa moderna. 7.ed. Rio de Janeiro: FGV, 1978, p. 203.]
Interpretar e produzir textos de qualidade são tarefas muito importan-
tes na formação do aluno. Para realizá-las de modo satisfatório, é essen- Essa definição não se aplica a todo o tipo de parágrafo: trata-se de um
cial saber identificar e utilizar os operadores sequenciais e argumentativos modelo - denominado parágrafo-padrão - que, por ser cultivado por bons
do discurso. A linguagem é um ato intencional, o indivíduo faz escolhas escritores modernos, o aluno poderá (e até deverá) imitar:
quando se pronuncia oralmente ou quando escreve. Para dar suporte a Muito comum nos textos de natureza dissertativa, que trabalham com
essas escolhas, de modo a fazer com que suas opiniões sejam aceitas ou ideias e exigem maior rigor e objetividade na composição, o parágrafo-
respeitadas, é fundamental lançar mão dos operadores que estabelecem padrão apresente a seguinte estrutura:
ligações (espécies de costuras) entre os diferentes elementos do discurso.
a) introdução - também denominada tópico frasal, é constituída de uma
ou duas frases curtas, que expressam, de maneira sintética, a ideia princi-
pal do parágrafo, definindo seu objetivo;
MODOS DE ORGANIZAÇÃO DO TEXTO
b) desenvolvimento - corresponde a uma ampliação do tópico frasal,
Oliveira, (2003:41) fazendo alusão a Charaudeau (1992) observa: com apresentação de ideias secundárias que o fundamentam ou esclare-
cem;
Os modos de organização do discurso ( o narrativo, o descritivo, o
argumentativo e o enunciativo) são maneiras de estruturar o texto, c) conclusão - nem sempre presente, especialmente nos parágrafos
visando a uma função típica de cada um: a função do narrativo é contar mais curtos e simples, a conclusão retoma a ideia central, levando em
ou relatar, a do descritivo, descrever; a do argumentativo, argumentar, consideração os diversos aspectos selecionados no desenvolvimento.
ou seja, explicar uma verdade numa visão racionalizante para influenciar Nas dissertações, os parágrafos são estruturados a partir de uma ideia
o interlocutor; e a do enunciativo é gerir os outros três. Este tem pois que normalmente é apresentada em sua introdução, desenvolvida e
uma função metadiscursiva – Charaudeau ( 1992:642-646). reforçada por uma conclusão.
Oliveira.Helênio (2004), discutindo conceitos básicos em análise Os Parágrafos na Dissertação Escolar
do discurso, com base nos dois grandes critérios de classificação de
textos ( o intratextual-estrutural, o que se encontra no texto; e o extratex- As dissertações escolares, normalmente, costumam ser estruturadas
tual– sensível a situação comunicativa), propõe a nomenclatura “modos em quatro ou cinco parágrafos (um parágrafo para a introdução, dois ou
de organização do texto”, acrescentando a listagem de Charaudeau três para o desenvolvimento e um para a conclusão).
(1992) outros dois modos de organização: o expositivo e o injuntivo. É claro que essa divisão não é absoluta. Dependendo do tema propos-
to e da abordagem que se dê a ele, ela poderá sofrer variações. Mas é
O modo de organização do texto narrativo é construído pela fundamental que você perceba o seguinte: a divisão de um texto em
sucessão, desenvolvimento de ações que formam o arcabouço de uma parágrafos (cada um correspondendo a uma determinada ideia que nele
história (no sentido estrito) – processos, sequências, tempo em anda- se desenvolve) tem a função de facilitar, para quem escreve, a estrutura-
mento. ção coerente do texto e de possibilitar, a quem lê, uma melhor compreen-
O Modo Descritivo tem como funcionamento identificar, distinguir, são do texto em sua totalidade.
qualificar pessoa ou objeto, os ‘seres do mundo’ (a quem Oliveira, Helê- Parágrafo Narrativo
nio (2004 mimeo) denomina “objeto da descrição” ). Na descrição con-
feccionamos uma espécie de retrato através de palavras. Tempo estáti- Nas narrações, a ideia central do parágrafo é um incidente, isto é, um
co. episódio curto.
Nos parágrafos narrativos, há o predomínio dos verbos de ação que se
Discorrendo sobre o texto descritivo, Oliveira, Helênio (mimeo) desta- referem a personagens, além de indicações de circunstâncias relativas ao
ca importantes fatores que normalmente não são levados em considera- fato: onde ele ocorreu, quando ocorreu, por que ocorreu, etc.
ção quando se aborda o M.O.D. descritivo:
O que falamos acima aplica-se ao parágrafo narrativo propriamente di-
· A existência de textos iminentemente descritivos: A descrição de um to, ou seja, aquele que relata um fato (lembrando que podemos ter, em um
tipo de rocha, da anatomia de uma espécie animal, do sistema pronominal texto narrativo, parágrafos descritivos e dissertativos).
de dada língua etc.
Nas narrações existem também parágrafos que servem para reproduzir
· O ponto de vista e o ângulo do observador afetando na seleção dos as falas dos personagens. No caso do discurso direto (em geral antecedi-
atributos do objeto descrito – limitações físicas, intelectuais etc. do por dois-pontos e introduzido por travessão), cada fala de um persona-
gem deve corresponder a um parágrafo para que essa fala não se confun-
· O caráter infinito dos possíveis “objetos de descrição”, bem como os
da com a do narrador ou com a de outro personagem.
diversos sentidos empregados na observação do objeto descrito (+ ou –
sensorial) Parágrafo Descritivo
Progressão temática: é a soma das unidades temática. Toda dis- A ideia central do parágrafo descritivo é um quadro, ou seja, um frag-
sertação bem construída deve expor progressão temática. Eis a inteligente mento daquilo que está sendo descrito (uma pessoa, uma paisagem, um
maneira de trazer densidade sobre o tema proposto. ambiente, etc.), visto sob determinada perspectiva, num determinado
momento. Alterado esse quadro, teremos novo parágrafo.
Parágrafo
O parágrafo descritivo vai apresentar as mesmas características da
Os textos em prosa, sejam eles narrativos, descritivos ou dissertativos,
descrição: predomínio de verbos de ligação, emprego de adjetivos que
são estruturados geralmente em unidades menores, os parágrafos, identi-
caracterizam o que está sendo descrito, ocorrência de orações justapostas
ficados por um ligeiro afastamento de sua primeira linha em relação à
ou coordenadas.
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Metonímia:
Frase Ocorre metonímia quando há substituição de uma palavra por outra,
havendo entre ambas algum grau de semelhança, relação, proximidade de
Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo. sentido ou implicação mútua. Tal substituição fundamenta-se numa rela-
O tempo está nublado. ção objetiva, real, realizando-se de inúmeros modos:
Socorro!
Que calor! - o continente pelo conteúdo e vice-versa: Antes de sair, tomamos um
cálice (o conteúdo de um cálice) de licor.
Oração - a causa pelo efeito e vice-versa: “E assim o operário ia / Com suor e
com cimento (com trabalho) / Erguendo uma casa aqui / Adiante um
Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal. apartamento.” (Vinicius de Moraes).
A fanfarra desfilou na avenida. - o lugar de origem ou de produção pelo produto: Comprei uma garra-
As festas juninas estão chegando. fa do legítimo porto (o vinho da cidade do Porto).
- o autor pela obra: Ela parecia ler Jorge Amado (a obra de Jorge
Período
Amado).
Período é a frase estruturada em oração ou orações.
- o abstrato pelo concreto e vice-versa: Não devemos contar com o
O período pode ser: seu coração (sentimento, sensibilidade).
- simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta). - o símbolo pela coisa simbolizada: A coroa (o poder) foi disputada pe-
Fui à livraria ontem. los revolucionários.
- composto - quando constituído por mais de uma oração. - a matéria pelo produto e vice-versa: Lento, o bronze (o sino) soa.
Fui à livraria ontem e comprei um livro.
- o inventor pelo invento: Edson (a energia elétrica) ilumina o mundo.
- a coisa pelo lugar: Vou à Prefeitura (ao edifício da Prefeitura).
• ESTUDO DOS ASPECTOS LINGUÍSTICOS EM DIFERENTES - o instrumento pela pessoa que o utiliza: Ele é um bom garfo (guloso,
TEXTOS: RECURSOS EXPRESSIVOS DA LÍNGUA, PROCEDI- glutão).
MENTOS DE CONSTRUÇÃO E RECEPÇÃO DE TEXTOS – OR- Sinédoque:
GANIZAÇÃO DA MACROESTRUTURA SEMÂNTICA E A ARTI- Ocorre sinédoque quando há substituição de um termo por outro, ha-
CULAÇÃO ENTRE IDEIAS E PROPOSIÇÕES (RELAÇÕES LÓ- vendo ampliação ou redução do sentido usual da palavra numa relação
GICO-SEMÂNTICAS) quantitativa. Encontramos sinédoque nos seguintes casos:
- o todo pela parte e vice-versa: “A cidade inteira (o povo) viu assom-
Eder Sabino Carlos
brada, de queixo caído, o pistoleiro sumir de ladrão, fugindo nos cascos
(parte das patas) de seu cavalo.” (J. Cândido de Carvalho)
Retextualização de diferentes gêneros e níveis de formalidade. - o singular pelo plural e vice-versa: O paulista (todos os paulistas) é
Este ítem será abordado como um tema só, pois a separação deles tímido; o carioca (todos os cariocas), atrevido.
está meio complicada, pois a substituição de palavras ou de trechos tem - o indivíduo pela espécie (nome próprio pelo nome comum): Para os
tudo a ver com a retextualização artistas ele foi um mecenas (protetor).
Reescrituração de textos Catacrese:
Figuras de estilo, figuras ou Desvios de linguagem são nomes dados A catacrese é um tipo de especial de metáfora, “é uma espécie de
a alguns processos que priorizam a palavra ou o todo para tornar o texto metáfora desgastada, em que já não se sente nenhum vestígio de inova-
mais rico e expressivo ou buscar um novo significado, possibilitando uma ção, de criação individual e pitoresca. É a metáfora tornada hábito linguís-
reescritura correta de textos. tico, já fora do âmbito estilístico.” (Othon M. Garcia).
Podem ser: São exemplos de catacrese: folhas de livro / pele de tomate / dente de
Figuras de palavras alho / montar em burro / céu da boca / cabeça de prego / mão de direção /
As figuras de palavra consistem no emprego de um termo com senti- ventre da terra / asa da xícara / sacar dinheiro no banco.
do diferente daquele convencionalmente empregado, a fim de se conse- Sinestesia:
guir um efeito mais expressivo na comunicação. A sinestesia consiste na fusão de sensações diferentes numa mesma
São figuras de palavras: expressão. Essas sensações podem ser físicas (gustação, audição, visão,
Comparação: olfato e tato) ou psicológicas (subjetivas).
Ocorre comparação quando se estabelece aproximação entre dois Exemplo: “A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal
elementos que se identificam, ligados por conectivos comparativos explíci- de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de mus-
tos – feito, assim como, tal, como, tal qual, tal como, qual, que nem – e go. Milagrosa aquela mancha verde [sensação visual] e úmida, macia
alguns verbos – parecer, assemelhar-se e outros. [sensações táteis], quase irreal.” (Augusto Meyer)
Exemplos: “Amou daquela vez como se fosse máquina. / Beijou sua Antonomásia:
mulher como se fosse lógico.” (Chico Buarque); Ocorre antonomásia quando designamos uma pessoa por uma quali-
“As solteironas, os longos vestidos negros fechados no pescoço, ne- dade, característica ou fato que a distingue.
gros xales nos ombros, pareciam aves noturnas paradas…” (Jorge Ama- Na linguagem coloquial, antonomásia é o mesmo que apelido, alcu-
do). nha ou cognome, cuja origem é um aposto (descritivo, especificativo etc.)
Metáfora: do nome próprio.
Ocorre metáfora quando um termo substitui outro através de uma re- Exemplos: “E ao rabi simples (Cristo), que a igualdade prega, / Rasga
lação de semelhança resultante da subjetividade de quem a cria. A metá- e enlameia a túnica inconsútil; (Raimundo Correia). / Pelé (= Edson Aran-
fora também pode ser entendida como uma comparação abreviada, em tes do Nascimento) / O Cisne de Mântua (= Virgílio) / O poeta dos escra-
que o conectivo não está expresso, mas subentendido. vos (= Castro Alves) / O Dante Negro (= Cruz e Souza) / O Corso (=
Napoleão)
Exemplo: “Supondo o espírito humano uma vasta concha, o meu fim,
Sr. Soares, é ver se posso extrair pérolas, que é a razão.” (Machado de Alegoria:
Assis).

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APOSTILAS OPÇÃO
A alegoria é uma acumulação de metáforas referindo-se ao mesmo b) Pleonasmo vicioso:
objeto; é uma figura poética que consiste em expressar uma situação
global por meio de outra que a evoque e intensifique o seu significado. Na É o desdobramento de ideias que já estavam implícitas em palavras
alegoria, todas as palavras estão transladadas para um plano que não anteriormente expressas. Pleonasmos viciosos devem ser evitados, pois
lhes é comum e oferecem dois sentidos completos e perfeitos – um refe- não têm valor de reforço de uma ideia, sendo apenas fruto do descobri-
rencial e outro metafórico. mento do sentido real das palavras.
Exemplo: “A vida é uma ópera, é uma grande ópera. O tenor e o barí- Exemplos: subir para cima / entrar para dentro / repetir de novo / ouvir
tono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimários, com os ouvidos / hemorragia de sangue / monopólio exclusivo / breve
quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presen- alocução / principal protagonista.
ça do mesmo baixo e dos mesmos comprimários. Há coros numerosos,
Polissíndeto:
muitos bailados, e a orquestra é excelente…” (Machado de Assis).
Figuras de sintaxe ou de construção: Ocorre polissíndeto quando há repetição enfática de uma conjunção
coordenativa mais vezes do que exige a norma gramatical (geralmente a
As figuras de sintaxe ou de construção dizem respeito a desvios em
conjunção e). É um recurso que sugere movimentos ininterruptos ou
relação à concordância entre os termos da oração, sua ordem, possíveis
vertiginosos.
repetições ou omissões.
Elas podem ser construídas por: Exemplo: “Vão chegando as burguesinhas pobres, / e as criadas das
burguesinhas ricas / e as mulheres do povo, e as lavadeiras da redonde-
a) omissão: assíndeto, elipse e zeugma;
za.” (Manuel Bandeira).
b) repetição: anáfora, pleonasmo e polissíndeto;
Anástrofe:
c) inversão: anástrofe, hipérbato, sínquise e hipálage;
d) ruptura: anacoluto; Ocorre anástrofe quando há uma simples inversão de palavras vizi-
nhas (determinante/determinado).
e) concordância ideológica: silepse.
Portanto, são figuras de construção ou sintaxe: Exemplo: “Tão leve estou (estou tão leve) que nem sombra tenho.”
(Mário Quintana).
Assíndeto:
Ocorre assíndeto quando orações ou palavras deveriam vir ligadas Hipérbato:
por conjunções coordenativas, aparecem justapostas ou separadas por Ocorre hipérbato quando há uma inversão completa de membros da
vírgulas. frase.
Exigem do leitor atenção maior no exame de cada fato, por exigência
das pausas rítmicas (vírgulas). Exemplo: “Passeiam à tarde, as belas na Avenida. ” (As belas passei-
am na Avenida à tarde.) (Carlos Drummond de Andrade).
Exemplo: “Não nos movemos, as mãos é que se estenderam pouco a
pouco, todas quatro, pegando-se, apertando-se, fundindo-se.” (Machado Sínquise:
de Assis).
Ocorre sínquise quando há uma inversão violenta de distantes partes
Elipse: da frase. É um hipérbato exagerado.
Ocorre elipse quando omitimos um termo ou oração que facilmente
Exemplo: “A grita se alevanta ao Céu, da gente. ” (A grita da gente se
podemos identificar ou subentender no contexto. Pode ocorrer na supres-
alevanta ao Céu ) (Camões).
são de pronomes, conjunções, preposições ou verbos. É um poderoso
recurso de concisão e dinamismo. Hipálage:
Exemplo: “Veio sem pinturas, em vestido leve, sandálias coloridas.” Ocorre hipálage quando há inversão da posição do adjetivo: uma qua-
(elipse do pronome ela (Ela veio) e da preposição de (de sandálias…). lidade que pertence a um objeto é atribuída a outro, na mesma frase.
Zeugma:
Exemplo: “… as lojas loquazes dos barbeiros.” (as lojas dos barbeiros
Ocorre zeugma quando um termo já expresso na frase é suprimido, fi- loquazes.) (Eça de Queiros).
cando subentendida sua repetição.
Exemplo: “Foi saqueada a vida, e assassinados os partidários dos Fe- Anacoluto:
lipes.” (Zeugma do verbo: “e foram assassinados…”) (Camilo Castelo Ocorre anacoluto quando há interrupção do plano sintático com que
Branco). se inicia a frase, alterando-lhe a sequência lógica. A construção do perío-
Anáfora: do deixa um ou mais termos – que não apresentam função sintática defi-
Ocorre anáfora quando há repetição intencional de palavras no início nida – desprendidos dos demais, geralmente depois de uma pausa sensí-
de um período, frase ou verso. vel.
Exemplo: “Depois o areal extenso… / Depois o oceano de pó… / De- Exemplo: “Essas empregadas de hoje, não se pode confiar nelas.”
pois no horizonte imenso / Desertos… desertos só…” (Castro Alves). (Alcântara Machado).
Pleonasmo: Silepse:
Ocorre pleonasmo quando há repetição da mesma ideia, isto é, re-
Ocorre silepse quando a concordância não é feita com as palavras,
dundância de significado.
mas com a ideia a elas associada.
a) Pleonasmo literário:
a) Silepse de gênero:
É o uso de palavras redundantes para reforçar uma ideia, tanto do
ponto de vista semântico quanto do ponto de vista sintático. Usado como Ocorre quando há discordância entre os gêneros gramaticais (femini-
um recurso estilístico, enriquece a expressão, dando ênfase à mensagem. no ou masculino).
Exemplo: “Iam vinte anos desde aquele dia / Quando com os olhos eu Exemplo: “Quando a gente é novo, gosta de fazer bonito.” (Guimarães
quis ver de perto / Quando em visão com os da saudade via.” (Alberto de Rosa).
Oliveira).
“Morrerás morte vil na mão de um forte.” (Gonçalves Dias) b) Silepse de número:
“Ó mar salgado, quando do teu sal / São lágrimas de Portugal” (Fer- Ocorre quando há discordância envolvendo o número gramatical (sin-
nando Pessoa). gular ou plural).

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Exemplo: Corria gente de todos lados, e gritavam.” (Mário Barreto). Também a atribuição de características humanas a seres animados
constitui prosopopeia o que é comum nas fábulas e nos apólogos, como
c) Silepse de pessoa: este exemplo de Mário de Quintana: “O peixinho (…) silencioso e leve-
Ocorre quando há discordância entre o sujeito expresso e a pessoa mente melancólico…”
verbal: o sujeito que fala ou escreve se inclui no sujeito enunciado. Exemplos: “… os rios vão carregando as queixas do caminho.” (Raul
Exemplo: “Na noite seguinte estávamos reunidas algumas pessoas.” Bopp)
(Machado de Assis). Um frio inteligente (…) percorria o jardim…” (Clarice Lispector)
Figuras de pensamento: Perífrase:
As figuras de pensamento são recursos de linguagem que se referem Ocorre perífrase quando se cria um torneio de palavras para expres-
ao significado das palavras, ao seu aspecto semântico. sar algum objeto, acidente geográfico ou situação que não se quer nome-
São figuras de pensamento: ar.

Antítese: Exemplo: “Cidade maravilhosa / Cheia de encantos mil / Cidade ma-


ravilhosa / Coração do meu Brasil.” (André Filho).
Ocorre antítese quando há aproximação de palavras ou expressões
de sentidos opostos. Até este ponto retirei informações do site PCI cursos

Exemplo: “Amigos ou inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Vícios de Linguagem


Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos Ambiguidade
trazem o mal.” (Rui Barbosa).
Ambiguidade é a possibilidade de uma mensagem ter dois sentidos.
Apóstrofe: Ela geralmente é provocada pela má organização das palavras na frase. A
Ocorre apóstrofe quando há invocação de uma pessoa ou algo, real ambiguidade é um caso especial de polissemia, a possibilidade de uma
ou imaginário, que pode estar presente ou ausente. Corresponde ao palavra apresentar vários sentidos em um contexto.
vocativo na análise sintática e é utilizada para dar ênfase à expressão. Ex:
Exemplo: “Deus! ó Deus! onde estás, que não respondes?” (Castro “Onde está a vaca da sua avó?” (Que vaca? A avó ou a vaca criada
Alves). pela avó?)
Paradoxo: “Onde está a cachorra da sua mãe?” (Que cachorra? A mãe ou a ca-
Ocorre paradoxo não apenas na aproximação de palavras de sentido dela criada pela mãe?)
oposto, mas também na de ideias que se contradizem referindo-se ao “Este líder dirigiu bem sua nação”(“Sua”? Nação da 2ª ou 3ª pessoa (o
mesmo termo. É uma verdade enunciada com aparência de mentira. líder)?).
Oxímoro (ou oximoron) é outra designação para paradoxo.
Obs 1: O pronome possessivo “seu(ua)(s)” gera muita confusão por
Exemplo: “Amor é fogo que arde sem se ver; / É ferida que dói e não ser geralmente associado ao receptor da mensagem.
se sente; / É um contentamento descontente; / É dor que desatina sem
doer;” (Camões) Obs 2: A preposição “como” também gera confusão com o verbo “co-
mer” na 1ª pessoa do singular.
Eufemismo:
A ambiguidade normalmente é indesejável na comunicação unidireci-
Ocorre eufemismo quando uma palavra ou expressão é empregada onal, em particular na escrita, pois nem sempre é possível contactar o
para atenuar uma verdade tida como penosa, desagradável ou chocante. emissor da mensagem para questioná-lo sobre sua intenção comunicativa
Exemplo: “E pela paz derradeira (morte) que enfim vai nos redimir original e assim obter a interpretação correta da mensagem.
Deus lhe pague”. (Chico Buarque). Barbarismo
Gradação: Barbarismo, peregrinismo, idiotismo ou estrangeirismo (para
Ocorre gradação quando há uma sequência de palavras que intensifi- os latinos qualquer estrangeiro era bárbaro) é o uso de palavra, expressão
cam uma mesma ideia. ou construção estrangeira no lugar de equivalente vernácula.

Exemplo: “Aqui… além… mais longe por onde eu movo o passo.” De acordo com a língua de origem, os estrangeirismos recebem dife-
(Castro Alves). rentes nomes:

Hipérbole: galicismo ou francesismo, quando provenientes do francês (de Gá-


lia, antigo nome da França);
Ocorre hipérbole quando há exagero de uma ideia, a fim de proporci-
onar uma imagem emocionante e de impacto. anglicismo, quando do inglês;

Exemplo: “Rios te correrão dos olhos, se chorares!” (Olavo Bilac). castelhanismo, quando vindos do espanhol;

Ironia: Ex:

Ocorre ironia quando, pelo contexto, pela entonação, pela contradição Mais penso, mais fico inteligente (galicismo; o mais adequado seria
de termos, sugere-se o contrário do que as palavras ou orações parecem “quanto maispenso, (tanto) mais fico inteligente”);
exprimir. A intenção é depreciativa ou sarcástica. Comeu um roast-beef (anglicismo; o mais adequado seria “comeu
Exemplo: “Moça linda, bem tratada, / três séculos de família, / burra um rosbife“);
como uma porta: / um amor.” (Mário de Andrade). Havia links para sua página (anglicismo; o mais adequado seria “Ha-
Prosopopeia: via ligações(ou vínculos) para sua página”.

Ocorre prosopopeia (ou animização ou personificação) quando se Eles têm serviço de delivery. (anglicismo; o mais adequado seria
atribui movimento, ação, fala, sentimento, enfim, caracteres próprios de “Eles têm serviço de entrega”).
seres animados a seres inanimados ou imaginários.

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 29

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APOSTILAS OPÇÃO
Premiê apresenta prioridades da Presidência lusa da UE (galicismo, o Por questões de etiqueta, convém evitar o uso de plebeísmos em con-
mais adequado seria Primeiro-ministro) textos sociais que requeiram maior formalismo no tratamento comunicati-
vo.
Nesta receita gastronômica usaremos Blueberries e Grapefruits.
(anglicismo, o mais adequado seria Mirtilo e Toranja) Prolixidade
Convocamos para a Reunião do Conselho de DA’s (plural da sigla É a exposição fastidiosa e inútil de palavras ou argumentos e à sua
de Diretório Acadêmico). (anglicismo, e mesmo nesta língua não se superabundância. É o excesso de palavras para exprimir poucas ideias.
usa apóstrofo ‘s’ para pluralizar; o mais adequado seria DD.AA. ou DAs.) Ao texto prolixo falta objetividade, o qual quase sempre compromete a
clareza e cansa o leitor.
Há quem considere barbarismo também divergências de pronúncia,
grafia, morfologia, etc., tais como “adevogado” ou “eu sabo“, pois seriam A prevenção à prolixidade requer que se tenha atenção à concisão e
atitudes típicas de estrangeiros, por eles dificilmente atingirem alta fluência precisão da mensagem. Concisão é a qualidade de dizer o máximo possí-
no dialeto padrão da língua. vel com o mínimo de palavras. Precisão é a qualidade de utilizar a palavra
certa para dizer exatamente o que se quer.
Em nível pragmático, o barbarismo normalmente é indesejável porque
os receptores da mensagem frequentemente conhecem o termo em Pleonasmo vicioso
questão na língua nativa de sua comunidade linguística, mas nem sempre O pleonasmo é uma figura de linguagem. Quando consiste numa re-
conhecem o termo correspondente na língua ou dialeto estrangeiro à dundância inútil e desnecessária de significado em uma sentença, é
comunidade com a qual ele está familiarizado. Em nível político, um considerado um vício de linguagem. A esse tipo de pleonasmo chama-
barbarismo também pode ser interpretado como uma ofensa cultural por mos pleonasmo vicioso.
alguns receptores que se encontram ideologicamente inclinados a repudi-
ar certos tipos de influência sobre suas culturas. Pode-se assim concluir Ex:
que o conceito de barbarismo é relativo ao receptor da mensagem. “Ele vai ser o protagonista principal da peça”. (Um protagonista é,
necessariamente, a personagem principal)
Em alguns contextos, até mesmo uma palavra da própria língua do
receptor poderia ser considerada como um barbarismo. Tal é o caso de “Meninos, entrem já para dentro!” (O verbo “entrar” já exprime ideia
um cultismo (ex: “abdômen”) quando presente em uma mensagem a um de ir para dentro)
receptor que não o entende (por exemplo, um indivíduo não escolarizado, “Estou subindo para cima.” (O verbo “subir” já exprime ideia de ir pa-
que poderia compreender melhor os sinônimos “barriga”, “pança” ou ra cima)
“bucho”). “Não deixe de comparecer pessoalmente.” (É impossível compare-
Cacofonia cer a algum lugar de outra forma que não pessoalmente)
“Meio-ambiente” – o meio em que vivemos = o ambiente em que vi-
A cacofonia é um som desagradável ou obsceno formado pela união vemos.
das sílabas de palavras contíguas. Por isso temos que cuidar quando
falamos sobre algo para não ofendermos a pessoa que ouve. São exem- Não é pleonasmo:
plos desse fato: “As palavras são de baixo calão“. Palavras podem ser de baixo ou de
alto calão.
“Ele beijou a boca dela.”
O pleonasmo nem sempre é um vício de linguagem, mesmo para os
“Bata com um mamão para mim, por favor.” exemplos supra citados, a depender do contexto. Em certos contextos, ele
é um recurso que pode ser útil para se fornecer ênfase a determinado
“Deixe ir-me já, pois estou atrasado.” aspecto da mensagem.
“Não tem nada de errado a cerca dela“ Especialmente em contextos literários, musicais e retóricos, um pleo-
nasmo bem colocado pode causar uma reação notável nos receptores
“Vou-me já que está pingando. Vai chover!”
(como a geração de uma frase de efeito ou mesmo o humor proposital). A
“Instrumento para socar alho.” maestria no uso do pleonasmo para que ele atinja o efeito desejado no
receptor depende fortemente do desenvolvimento da capacidade de
“Daqui vai, se for dai.” interpretação textual do emissor. Na dúvida, é melhor que seja evitado
Não são cacofonia: para não se incorrer acidentalmente em um uso vicioso.
Solecismo
“Eu amo ela demais !!!”
Solecismo é uma inadequação na estrutura sintática da frase com re-
“Eu vi ela.” lação à gramática normativa do idioma. Há três tipos de solecismo:
“você veja” De concordância:
Como cacofonias são muitas vezes cômicas, elas são algumas vezes “Fazem três anos que não vou ao médico.” (Faz três anos que não
usadas de propósito em certas piadas, trocadilhos e “pegadinhas”. vou ao médico.)
“Aluga-se salas nesse edifício.” (Alugam-se salas nesse edifício.)
Plebeísmo
De regência:
O plebeísmo normalmente utiliza palavras de baixo calão, gírias e “Ontem eu assisti um filme de época.” (Ontem eu assisti a um filme de
termos considerados informais. época.)
Exemplos: De colocação:
“Ele era um tremendo mané!” “Me empresta um lápis, por favor.” (Empresta-me um lápis, por favor.)
“Me parece que ela ficou contente.” (Parece-me que ela ficou conten-
“Tô ferrado!”
te.)
“Tá ligado nas quebradas, meu chapa?” “Eu não respondi-lhe nada do que perguntou.” (Eu não lhe respondi
“Esse bagulho é ‘radicaaaal’!!! Tá ligado mano?” nada do que perguntou.)
Eco
‘Vô piálá’mais tarde ‘ !!! Se ligou maluko ?
O Eco vem a ser a própria rima que ocorre quando há na frase ter-
minações iguais ou semelhantes, provocando dissonância.

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 30

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APOSTILAS OPÇÃO
“Falar em desenvolvimento é pensar em alimento, saúde e educa- Tradução - a tradução está no campo da intertextualidade
ção.” porque implica recriação de um texto.
“O aluno repetente mente alegremente.” Referência e alusão
O presidente tinha dor de dente constantemente.
Exemplo
Colisão
O uso de uma mesma vogal ou consoante em várias palavras é de- Para ampliar essa discussão, vale trazer um exemplo de
nominado aliteração. Aliterações são preciosos recursos estilísticos quan- intertextualidade na literatura. Às vezes, a superposição de um texto sobre
do usados com a intenção de se atingir efeito literário ou para atrair a outro pode provocar uma certa atualização ou modernização do primeiro
atenção do receptor. Entretanto, quando seus usos não são intencionais texto. Nota-se isso no livro Mensagem, de Fernando Pessoa, que retoma,
ou quando causam um efeito estilístico ruim ao receptor da mensagem, a por exemplo, com seu poema “O Monstrengo” o episódio do Gigante
aliteração torna-se um vício de linguagem e recebe nesse contexto o Adamastor de Os Lusíadas de Camões. Ocorre como que um diálogo
nome de colisão. Exemplos: entre os dois textos. Em alguns casos, aproxima-se da paródia (canto
paralelo), como o poema “Madrigal Melancólico” de Manuel Bandeira, do
“Eram comunidades camponesas com cultivos coletivos.” livro Ritmo Dissoluto, que seguramente serviu de inspiração e assim se
refletiu no seguinte poema:
“O papa Paulo VI pediu a paz.”
ASSIM COMO BANDEIRA
Uma colisão pode ser remediada com a reestruturação sintática da
O que amo em ti
frase que a contém ou com a substituição de alguns termos ou expressões
não são esses olhos doces
por outras similares ou sinônimas.
delicados
nem esse riso de anjo adolescente.

Intertextualidade O que amo em ti


não é só essa pele acetinada
Grosso modo, pode-se definir a intertextualidade como sendo um sempre pronta para a carícia renovada
"diálogo" entre textos. Esse diálogo pressupõe um universo cultural muito nem esse seio róseo e atrevido
amplo e complexo, pois implica a identificação e o reconhecimento de a desenhar-se sob o tecido.
remissões a obras ou a trechos mais ou menos conhecidos. Dependendo
da situação, a intertextualidade tem funções diferentes que dependem dos O que amo em ti
textos/ contextos em que ela é inserida. não é essa pressa louca
Evidentemente, o fenômeno da intertextualidade está ligado ao de viver cada vão momento
"conhecimento do mundo", que deve ser compartilhado, ou seja, comum nem a falta de memória para a dor.
ao produtor e ao receptor de textos.
O que amo em ti
O diálogo pode ocorrer em diversas áreas do conhecimento,não se não é apenas essa voz leve
restringindo única e exclusivamente a textos literários. que me envolve e me consome
nem o que deseja todo homem
Na pintura tem-se, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano
flor definida e definitiva
Caravaggio e a fotografia da americana Cindy Sherman, na qual quem
a abrir-se como boca ou ferida
posa é ela mesma. O quadro de Caravaggio foi pintado no final do século
nem mesmo essa juventude assim perdida.
XVI, já o trabalho fotográfico de Cindy Sherman foi produzido quase
quatrocentos anos mais tarde. Na foto, Sherman cria o mesmo ambiente e
O que amo em ti
a mesma atmosfera sensual da pintura, reunindo um conjunto de
enigmática e solidária:
elementos: a coroa de flores na cabeça, o contraste entre claro e escuro, a
É a Vida!
sensualidade do ombro nu etc. A foto de Sherman é uma recriação do
(Geraldo Chacon, Meu Caderno de Poesia, Flâmula, 2004, p.37)
quadro de Caravaggio e, portanto, é um tipo de intertextualidade na
pintura.
MADRIGAL MELANCÓLICO
Na publicidade, por exemplo, em um dos anúncios do Bom Bril, o
ator se veste e se posiciona como se fosse a Mona Lisa de Leonardo da
O que eu adoro em ti
Vinci e cujo slogan era " Mon Bijou deixa sua roupa uma perfeita obra-
não é a tua beleza.
prima". Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a
A beleza, é em nós que ela existe.
roupa bem macia e mais perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima
A beleza é um conceito.
(se referindo ao quadro de Da Vinci). Nesse caso pode-se dizer que a
E a beleza é triste.
intertextualidade assume a função de não só persuadir o leitor como
Não é triste em si,
também de difundir a cultura, uma vez que se trata de uma relação com a
mas pelo que há nela de fragilidade e de incerteza.
arte (pintura, escultura, literatura etc).
Tipos de intertextualidade (...)
Pode-se destacar sete tipos de intertextualidade: O que eu adoro em tua natureza,
Epígrafe - constitui uma escrita introdutória a outra. não é o profundo instinto maternal
em teu flanco aberto como uma ferida.
Citação - é uma transcrição do texto alheio, marcada por nem a tua pureza. Nem a tua impureza.
aspas. O que eu adoro em ti – lastima-me e consola-me!
O que eu adoro em ti, é a vida. (Manuel Bandeira, Estrela da Vida
Paródia - é uma forma de apropriação que, em lugar de
Inteira, José Olympio, 1980, p.83) Poderia haver formas mais
endossar o modelo retomado, rompe com ele, sutil ou abertamente. Ela
simples de aprender esse conteúdo.
perverte o texto anterior, visando à ironia,ou à crítica.
Pastiche - uma recorrência a um gênero.
Significado Implícito e Explícito
Observe a seguinte frase:

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 31

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APOSTILAS OPÇÃO
Fiz faculdade, mas aprendi algumas coisas. podem ser:
— os mísseis não são eficientes para conter o ataque soviético;
Nela, o falante transmite duas informações de maneira explícita: — uma guerra de mísseis vai destruir o mundo inteiro e não apenas
a) que ele frequentou um curso superior; os soviéticos;
b) que ele aprendeu algumas coisas. — a negociação com os soviéticos é o único meio de dissuadi-los de
um ataque ao Ocidente.
Ao ligar essas duas informações com um “mas” comunica também de
modo implícito sua critica ao sistema de ensino superior, pois a frase Como se pode notar, os argumentos são contrários ao que está dito
passa a transmitir a ideia de que nas faculdades não se aprende nada. explicitamente, mas todos eles confirmam o pressuposto, isto é, todos os
argumentos aceitam que os soviéticos pretendem atacar o Ocidente.
Um dos aspectos mais intrigantes da leitura de um texto é a verifica-
ção de que ele pode dizer coisas que parece não estar dizendo: além das
informações explicitamente enunciadas, existem outras que ficam suben- A aceitação do pressuposto é o que permite levar à frente o debate.
tendidas ou pressupostas. Para realizar uma leitura eficiente, o leitor deve Se o ouvinte disser que os soviéticos não têm intenção nenhuma de
captar tanto os dados explícitos quanto os implícitos. atacar o Ocidente, estará negando o pressuposto lançado pelo falante e
então a possibilidade de diálogo fica comprometida irreparavelmente.
Leitor perspicaz é aquele que consegue ler nas entrelinhas. Caso con- Qualquer argumento entre os citados não teria nenhuma razão de ser.
trário, ele pode passar por cima de significados importantes e decisivos ou Isso quer dizer que, com pressupostos distintos, não é possível o diálogo
— o que é pior — pode concordar com coisas que rejeitaria se as perce- ou não tem ele sentido algum. Pode-se contornar esse problema tornando
besse. os pressupostos afirmações explícitas, que então podem ser discutidas.
Não é preciso dizer que alguns tipos de texto exploram, com malícia e
com intenções falaciosas, esses aspectos subentendidos e pressupostos. Os pressupostos são marcados, nas frases, por meio de vários indi-
cadores linguísticos, como, por exemplo:
Que são pressupostos? São aquelas ideias não expressas de ma- a) certos advérbios
neira explícita, mas que o leitor pode perceber a partir de certas palavras Os resultados da pesquisa ainda não chegaram até nós.
ou expressões contidas na frase. Pressuposto: Os resultados já deviam ter chegado.
ou
Assim, quando se diz “O tempo continua chuvoso”, comunica-se de Os resultados vão chegar mais tarde.
maneira explícita que no momento da fala o tempo é de chuva, mas, ao
mesmo tempo, o verbo “continuar” deixa perceber a informação implícita b) certos verbos
de que antes o tempo já estava chuvoso. O caso do contrabando tornou-se público.
Pressuposto: O caso não era público antes.
Na frase “Pedro deixou de fumar” diz-se explicitamente que, no mo-
mento da fala, Pedro não fuma. O verbo “deixar”, todavia, transmite a c) as orações adjetivas
informação implícita de que Pedro fumava antes. Os candidatos a prefeito, que só querem defender seus interesses,
não pensam no povo.
A informação explícita pode ser questionada pelo ouvinte, que pode
Pressuposto: Todos os candidatos a prefeito têm interesses individu-
ou não concordar com ela. Os pressupostos, no entanto, têm que ser
ais. Mas a mesma frase poderia ser redigida assim:
verdadeiros ou pelo menos admitidos como verdadeiros, porque é a partir
deles que se constroem as informações explícitas. Se o pressuposto é Os candidatos a prefeito que só querem defender seus interesses não
falso, a informação explícita não tem cabimento. No exemplo acima, se pensam no povo.
Pedro não fumava antes, não tem cabimento afirmar que ele deixou de
fumar. No caso, o pressuposto seria outro: Nem todos os candidatos a pre-
feito têm interesses individuais.
Na leitura e interpretação de um texto, é muito importante detectar os
pressupostos, pois seu uso é um dos recursos argumentativos utilizados No primeiro caso, a oração é explicativa; no segundo, é restritiva. As
com vistas a levar o ouvinte ou o leitor a aceitar o que está sendo comuni- explicativas pressupõem que o que elas expressam refere-se a todos os
cado. Ao introduzir uma ideia sob a forma de pressuposto, o falante trans- elementos de um dado conjunto; as restritivas, que o que elas dizem
forma o ou vinte em cúmplice, urna vez que essa ideia não é posta em concerne a parte dos elementos de um dado conjunto.
discussão e todos os argumentos subsequentes só contribuem para
confirmá-la. d) os adjetivos
Os partidos radicais acabarão com a democracia no Brasil.
Por isso pode-se dizer que o pressuposto aprisiona o ouvinte ao sis- Pressuposto: Existem partidos radicais no Brasil.
tema de pensamento montado pelo falante.
Os subentendidos
Os subentendidos são as insinuações escondidas por trás de uma
A demonstração disso pode ser encontrada em muitas dessas “ver-
afirmação. Quando um transeunte com o cigarro na mão pergunta: Você
dades” incontestáveis postas como base de muitas alegações do discurso
tem fogo?, acharia muito estranho se você dissesse: Tenho e não lhe
político.
acendesse o cigarro. Na verdade, por trás da pergunta subentende-se:
Acenda-me o cigarro por favor.
Tomemos como exemplo a seguinte frase:
Ë preciso construir mísseis nucleares para defender o Ocidente de um O subentendido difere do pressuposto num aspecto importante: o
ataque soviético. pressuposto é um dado posto como indiscutível para o falante e para o
ouvinte, não é para ser contestado; o subentendido é de responsabilidade
O conteúdo explícito afirma: do ouvinte, pois o falante, ao subentender, esconde-se por trás do sentido
— a necessidade da construção de mísseis, literal das palavras e pode dizer que não estava querendo dizer o que o
— com a finalidade de defesa contra o ataque soviético. ouvinte depreendeu.

O pressuposto, isto é, o dado que não se põe em discussão é: os so- O subentendido, muitas vezes, serve para o falante proteger-se diante
viéticos pretendem atacar o Ocidente. de uma informação que quer transmitir para o ouvinte sem se comprome-
ter com ela.
Os argumentos contra o que foi informado explicitamente nessa frase
Para entender esse processo de descomprometimento que ocorre
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 32

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APOSTILAS OPÇÃO
com a manipulação dos subentendidos, imaginemos a seguinte situação:
um funcionário público do partido de oposição lamenta, diante dos colegas Uma vez inserida no contexto, a palavra perde o seu caráter po-
reunidos em assembleia, que um colega de seção, do partido do governo, lissêmico, isto é, deixa de admitir vários significados e ganha um sig-
além de ter sido agraciado com uma promoção, conseguiu um empréstimo nificado especifico no contexto. É o significado definido pelo contexto que
muito favorável do banco estadual, ao passo que ele, com mais tempo de se denomina significado contextual.
serviço, continuava no mesmo posto e não conseguia o empréstimo Inserindo a palavra linha, de que acabamos de falar, num contexto,
solicitado muito antes que o referido colega. ela assumirá um significado apenas e por isso deixará de ser polissêmica.
Mais tarde, tendo sido acusado de estar denunciando favoritismo do Observem-se os exemplos:
governo para com os seus adeptos, o funcionário reclamante defende-se a) A costureira, de tão velha, não conseguia mais enfiar a linha na
prontamente, alegando não ter falado em favoritismo e que isso era dedu- agulha (linha = material para costurar).
ção de quem ouvira o seu discurso. b) O técnico deslocou o jogador da linha para a defesa (linha = con-
junto de atacantes de um time de futebol).
Na verdade, ele não falou em favoritismo mas deu a entender, deixou c) As linhas do bonde foram cobertas pelo asfalto (linha trilho).
subentendido para não se comprometer com o que disse. Fez a denúncia d) O conferencista, apesar da agressividade da plateia, não perdeu
sem denunciar explicitamente. A frase sugere, mas não diz. a linha (linha postura).
Para a compreensão de um texto, a depreensão do significado con-
A distinção entre pressupostos e subentendidos em certos casos é textual é um dado bastante importante, sobretudo quando se trata de um
bastante sutil. Não vamos aqui ocupar-nos dessas sutilezas, mas explorar texto de caráter literário. Como se sabe, no discurso literário, é bastante
esses conceitos como instrumentos úteis para uma compreensão mais comum explorar as múltiplas possibilidades de significado de uma palavra.
eficiente do texto. Mas, num texto, tudo deve ser amarrado e coerente. A coerência do texto
permite que se capte o sentido que as palavras assumem no contexto.
Inferência
A inferência é um processo cognitivo relevante nesta abordagem de Denotação versus Conotação
leitura discursiva, porque o processo inferencial possibilita construir novos A relação existente entre o plano da expressão e o plano de conteúdo
conhecimentos, a partir daqueles existentes na memória do leitor, os quais configura aquilo que chamamos de denotação. Desse modo, significado
são ativados e relacionados às informações materializadas no texto. denotativo é aquele conceito que um certo significante evoca no receptor.
Assim, na aula de língua estrangeira moderna será possível fazer dis- Em outras palavras, é o conceito ao qual nos remete um certo significante.
cussões orais sobre sua compreensão, bem como produzir textos orais, Os dicionários descrevem geralmente os vários conceitos que as pa-
escritos e/ou visuais a partir do texto lido, integrando todas as práticas lavras denotam: quando alguém procura no dicionário o significado de
discursivas neste processo. uma palavra, está querendo saber o que é que ela denota ou que tipo de
Significante versus Significado significado está investido num certo significante. O dicionário nos diz que:
Para entender esse par de conceitos, devemos levar em conta que o — bocteriose denota doenças causadas por bactérias.
signo linguístico é constituído por duas partes distintas, embora uma não — báculo denota um bastão, um cajado que os bispos usam em ce-
exista separada da outra. rimônias religiosas.
Esse signo divide-se numa parte perceptível, constituída de sons, que — fosco denota insucesso, mau êxito.
podem ser representados por letras, e numa parte inteligível, constituída
de um conceito. Um termo ou uma palavra, além do seu significado denotativo, pode
A parte perceptível do signo denomina-se significante ou plano de ex- vir acrescido de outros significados paralelos, pode vir carregado de
pressão; a parte inteligível, o conceito, denomina-se significado ou plano impressões, valores afetivos, negativos e positivos. Assim, sobre o signo
de conteúdo. linguístico, dotado de um plano de expressão e um plano de conteúdo,
Quando ouvimos, por exemplo, árvore, percebemos uma combinação pode-se construir outro plano de conteúdo constituído de valores sociais,
de sons (o significante) que associamos imediatamente a um conceito (o de impressões ou reações psíquicas que um signo desperta. Esses valo-
significado). res sobrepostos ao signo constituem aquilo que denominamos de sentido
conotativo e esse acréscimo de um novo conteúdo constitui a conotação.
Polissemia Assim, “cair do cavalo” tem um sentido denotativo: “sofrer uma queda de
Numa língua qualquer, é muito comum ocorrer que um plano de ex- um cavalo”, A essa expressão, acrescenta-se outro conteúdo, e “cair do
pressão (um significante) seja suporte para mais de um plano de conteúdo cavalo” passa a conotar “dar-se mal”, “sofrer uma decepção”.
(significado), ou seja, que um mesmo termo tenha vários significados.
Em síntese, toda palavra possui um significado denotativo, já que em
Tomemos, por exemplo, na nossa língua, o signo linha: a esse signifi- toda palavra se pressupõem reciprocamente dois planos:
cante se associam vários significados, que os dicionários registram.
Com efeito, linha pode evocar os conceitos de: Plano de conteúdo (significado)
a) material próprio para costurar ou bordar tecidos; Plano de expressão (significante)
b) os vários atacantes de um time de futebol;
c) os trilhos de um trem ou bonde; Sobreposto ao significado denotativo implanta-se o significado conota-
d) uma certa conduta de um indivíduo, postura; e outros significa- tivo, que consiste num novo plano de conteúdo investido no signo como
dos. um todo.
Quando um único significante remete a vários significados, dizemos
que ocorre a polissemia. Duas palavras podem ter a mesma denotação e conotação com-
pletamente diversa, e essa propriedade pode servir para deixar clara a
Significação contextual diferença entre essas duas dimensões do signo linguístico que estamos
Acabamos de dizer que é muito comum um único significante evocar tentando explicar. Citemos, por exemplo, as palavras docente, professor e
vários significados e que, nesse caso, ocorre a polissemia. Mas isso não instrutor, que denotam praticamente a mesma coisa: alguém que instrui
chega a constituir problema para a clareza e objetividade da comunicação alguém; as três palavras são, entretanto, carregadas de conteúdos cono-
porque a polissemia, em geral, fica neutralizada pelo contexto. tativos diversos, sobretudo no que diz respeito ao prestígio e ao grau de
respeitabilidade que cada um desperta. Assim também policial e meganha
Por contexto, entendemos uma unidade linguística de âmbito maior, têm a mesma denotação e conotações francamente distintas.
na qual se insere outra unidade de âmbito menor. Dessa forma, a palavra
(unidade menor) se insere no contexto da frase (unidade maior); a frase se O sentido conotativo varia de cultura para cultura, de classe social pa-
insere no contexto do período; o período se insere no contexto do parágra- ra classe social, de época para época. A palavra filósofo entre os gregos
fo e assim por diante. tinha uma carga conotativa muito mais prestigiosa que entre nós. Saber
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APOSTILAS OPÇÃO
depreender a força conotativa das palavras em cada tipo de cultura é relação entre si.
indispensável para usá-las bem. Imagine-se, num restaurante, o freguês
chamar o garçom e devolver a carne alegando que ela está fedendo. Se Há uma leitura denotativa da realidade, que pode ser descrita em su-
disser cheirando mal em vez defedendo, mantém a denotação e evita o as propriedades e funções. No entanto, as rimas presentes nas duas
impacto conotativo grosseiro do verbo feder. primeiras estrofes sugerem que a mesma realidade pode ter outra leitura.
Há um plano de análise racional que distingue (“Congela a zero graus
TEXTO COMENTADO centesimais/E ferve a 100º) e um plano do entendimento mítico que apre-
ende simultaneamente as contraditoriedades. Há uma visão da realidade
Lição sobre a água sem os cheiros, os gostos e as cores, e outra com cores intensas e sen-
Este líquido é água. sações táteis muito vivas. Aquela está vinculada ao mundo do trabalho
Quando pura (“move os êmbolos”), e esta, ao dos sentimentos. Aquela dissolve quase
é inodora, insípida e incolor. tudo, esta não dissolve, mas funde os elementos conservando suas pro-
Reduzida a vapor, priedades. O plano do mito invade a realidade. A substituição do ritmo e a
5 sob tensão e a alta temperatura, predominância das consoante não-momentâneas recriam, no plano da
move os êmbolos das máquinas, que, por isso, expressão, a ideia de invasão do mito que flui pelo interior da realidade.
se denominam máquinas de vapor.
Ë um bom dissolvente. Água tem no poema sentido conotado: significa a realidade que a ci-
Embora com exceções mas de um modo geral, ência e os negócios veem como um espaço em que tudo está separado e
10 dissolve tudo bem, ácidos, bases e sais. catalogado; significa também a dimensão do mito, onde estão os senti-
Congela a zero graus centesimais mentos contraditórios, que movem o homem. A análise da ciência ou dos
e ferve a 100, quando a pressão normal. interesses econômicos é sempre parcial, sempre incompleta, pois não
Foi nesse líquido que numa noite cálida de Verão, leva em conta a contraditoriedade humana, expressa pelo mito. Este
sob um luar gomoso e branco de camélia, explica melhor a realidade, pois exprime suas contradições. No mito a
15 apareceu a boiar o cadáver de Ofélia morte é a contraface da vida; a podridão, da pureza; o frio, do calor...
com um nenúfar na mão,

GEDEÂO, Antônio. Poesias completas (1955- RECURSOS EXPRESSIVOS


-1957). Lisboa. Portugália, 1972. p. 244-5. O autor de um texto pode recorrer a determinados processos, ou ma-
As duas primeiras estrofes falam das propriedades físicas da água neiras, para tornar esse texto mais expressivo ou vivo.
(ausência de cor, cheiro e sabor, em estado de pureza; propriedade de
dissolver ácidos, bases e sais, ponto de congelamento e fervura), falam Assim, os recursos expressivos ou figuras de estilo são maneiras de
também de sua utilidade (mover máquinas, servir de solvente). À primeira escrever (ou falar), usadas para dar mais elegância, beleza, expressivida-
vista, temos a impressão de que a palavra “água” tem um valor denotativo de e correção aos textos.
e que o poeta está fazendo uma exposição, que ficaria melhor num com-
pêndio científico, sobre as propriedades e funções de uma substância. No PERSONIFICAÇÃO – Consiste na atribuição de características hu-
entanto, na terceira estrofe, o tom muda: um ritmo lento e majestoso manas a animais, coisas ou ideias.
substitui o ritmo quase prosaico das duas primeiras estrofes; as consoan- Ex: As ondas desenrolaram os seus braços ao longo da praia.
tes não-momentâneas, que admitem uma pronúncia mais alongada (f/v, Ex: A chuva espreitou lá do céu mas recolheu-se arrependida.
s/z, m, n, l, r), predominam; os vocábulos selecionados parecem, à primei-
ra vista, mais sugestivos e carregados de uma carga emocional mais COMPARAÇÃO – Consiste em estabelecer uma relação de seme-
intensa. lhança por meio de uma palavra ou de uma expressão comparativa (várias
palavras): ”como, mais do que, menos do que, maior que, tão”; ou através
Comecemos a análise por essa estrofe. O termo “cálida” significa de verbos que também sirvam para comparar: “parecer, lembrar, se-
quente, ardente, fogosa. Verão, grafado com maiúscula, não denota guir…”.
apenas a estação do ano, mas evoca o calor e, por associação, a vida.
Isso sugere o tempo dos jogos do amor. Luar é o clima dos enamorados. Ex: A velha estava tão fria como um pedaço de mármore.
E definido como de uma brancura intensa (pureza), pois “de camélia” Ex: A cidade, adormecida, parecia um cemitério sem fim.
reforça “branco”. Ao mesmo tempo, um clima arrebatador, pois gomoso
significa viscoso, é o que prende, cativa e seduz. Os dois primeiros versos ENUMERAÇÃO – Consiste em apresentar vários elementos da mes-
sugerem o amor e, portanto, a vida. O terceiro verso introduz a ideia da ma natureza (género), separadas por vírgulas.
morte, da podridão, da frieza. Ofélia, cujo cadáver aparece boiando, evoca Ex: Aquela montra está cheia de doces: pastéis de nata, bolos de ar-
Ofélia, personagem da tragédia Hamlet de Shakespeare. Esta amava roz, feijão, amêndoa, queques, cornucópias, jesuítas…
Hamlet e, enlouquecida de dor porque o próprio amado matara seu pai,
morreu afogada. A evocação de uma personagem da tragédia clássica
ADJETIVAÇÃO – Quando utilizamos vários adjectivos para caracteri-
introduz no poema todos os conflitos que perpassam a tragédia, cujos
zar alguma coisa ou pessoa.
personagens são dilacerados por sentimentos contraditórios. No quarto
verso, aparece o termo “nenúfar”, planta aquática da família das ninfá- Ex: As nuvens eram escuras, espessas e traiçoeiras.
ceas. Essa palavra traz à mente as ninfas, divindades gregas dos rios e Ex: A rapariga tinha um rosto redondo, belo e simpático.
dos bosques, que eram mulheres bonitas e formosas. É um signo evoca-
dor da juventude, da beleza e, também, da vida. REPETIÇÃO – Quando uma palavra ou palavras são repetidas de
forma intencional pelo autor, para lhes atribuir mais força, ou significado,
No meio de um conjunto de signos que sugerem a vida, introduz-se a ou por qualquer outra intenção, tendo em atenção os objetivos pretendidos
morte; no interior da brancura de camélia do luar, insere-se a putrefação pelo autor no texto.
(o cadáver). A água é lugar da vida (é onde crescem os nenúfares); é
também lugar de seu contraditório, a morte (é onde boia o cadáver). Ex: Ulisses caminhava, caminhava, caminhava…
Estamos no plano do mito, pois todo mito reúne elementos semânticos Ex: E a chuva miudinha caía, caía, caía, qual suave canção de emba-
contrários entre si. A água ganha a dimensão do mito. lar.
http://storjorge.blogspot.com.br/
A nitidez dos recursos poéticos da terceira estrofe obriga-nos a reler
as duas primeiras, para perceber o significado global do poema, que, até O estudo do ritmo, entoação e intensidade de um discurso chama-
agora, se apresenta como dois blocos de significação sem aparente se prosódia. Existe também a prosódia musical, visto que a música tam-

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APOSTILAS OPÇÃO
bém é considerada uma linguagem. Em poesia, o estudo do ritmo chama- - nasais: mãe, bem, pão
se métrica. - decrescentes: (vogal + semivogal) – meu, riu, dói
- crescentes: (semivogal + vogal) – pátria, vácuo
Uma das grandes diferenças, entre a Língua Portuguesa e as demais
línguas de matriz latina, está na sonoridade. TRITONGO (semivogal + vogal + semivogal)
A Língua Portuguesa é, das línguas de matriz latina, a mais sonora. Ex.: Pa-ra-guai, U-ru-guai, Ja-ce-guai, sa-guão, quão, iguais, mínguam
A sonoridade da Língua Portuguesa agrada os ouvidos, capazes de
apreciá-la como arte. HIATO
Ê o encontro de duas vogais que se pronunciam separadamente, em
duas diferentes emissões de voz.
Ex.: fa-ís-ca, sa-ú-de, do-er, a-or-ta, po-di-a, ci-ú-me, po-ei-ra, cru-el, ju-
FONÉTICA E FONOLOGIA í-zo

Em sentido mais elementar, a Fonética é o estudo dos sons ou dos fo- SÍLABA
nemas, entendendo-se por fonemas os sons emitidos pela voz humana, os Dá-se o nome de sílaba ao fonema ou grupo de fonemas pronunciados
quais caracterizam a oposição entre os vocábulos. numa só emissão de voz.
Quanto ao número de sílabas, o vocábulo classifica-se em:
Ex.: em pato e bato é o som inicial das consoantes p- e b- que opõe en- • Monossílabo - possui uma só sílaba: pá, mel, fé, sol.
tre si as duas palavras. Tal som recebe a denominação de FONEMA. • Dissílabo - possui duas sílabas: ca-sa, me-sa, pom-bo.
• Trissílabo - possui três sílabas: Cam-pi-nas, ci-da-de, a-tle-ta.
Quando proferimos a palavra aflito, por exemplo, emitimos três sílabas e • Polissílabo - possui mais de três sílabas: es-co-la-ri-da-de, hos-pi-
seis fonemas: a-fli-to. Percebemos que numa sílaba pode haver um ou mais ta-li-da-de.
fonemas.
No sistema fonética do português do Brasil há, aproximadamente, 33 TONICIDADE
fonemas. Nas palavras com mais de uma sílaba, sempre existe uma sílaba que se
É importante não confundir letra com fonema. Fonema é som, letra é o pronuncia com mais força do que as outras: é a sílaba tônica.
sinal gráfico que representa o som. Exs.: em lá-gri-ma, a sílaba tônica é lá; em ca-der-no, der; em A-ma-pá,
pá.
Vejamos alguns exemplos:
Manhã – 5 letras e quatro fonemas: m / a / nh / ã Considerando-se a posição da sílaba tônica, classificam-se as palavras
Táxi – 4 letras e 5 fonemas: t / a / k / s / i em:
Corre – letras: 5: fonemas: 4 • Oxítonas - quando a tônica é a última sílaba: Pa-ra-ná, sa-bor, do-
Hora – letras: 4: fonemas: 3 mi-nó.
Aquela – letras: 6: fonemas: 5 • Paroxítonas - quando a tônica é a penúltima sílaba: már-tir, ca-rá-
Guerra – letras: 6: fonemas: 4 ter, a-má-vel, qua-dro.
Fixo – letras: 4: fonemas: 5 • Proparoxítonas - quando a tônica é a antepenúltima sílaba: ú-mi-
Hoje – 4 letras e 3 fonemas do, cá-li-ce, ' sô-fre-go, pês-se-go, lá-gri-ma.
Canto – 5 letras e 4 fonemas
Tempo – 5 letras e 4 fonemas ENCONTROS CONSONANTAIS
Campo – 5 letras e 4 fonemas É a sequência de dois ou mais fonemas consonânticos num vocábulo.
Chuva – 5 letras e 4 fonemas Ex.: atleta, brado, creme, digno etc.
LETRA - é a representação gráfica, a representação escrita, de um DÍGRAFOS
determinado som. São duas letras que representam um só fonema, sendo uma grafia
composta para um som simples.
CLASSIFICAÇÃO DOS FONEMAS
Há os seguintes dígrafos:
VOGAIS 1) Os terminados em h, representados pelos grupos ch, lh, nh.
Exs.: chave, malha, ninho.
a, e, i, o, u
2) Os constituídos de letras dobradas, representados pelos grupos rr e
ss.
SEMIVOGAIS Exs. : carro, pássaro.
Só há duas semivogais: i e u, quando se incorporam à vogal numa 3) Os grupos gu, qu, sc, sç, xc, xs.
mesma sílaba da palavra, formando um ditongo ou tritongo. Exs.: cai-ça-ra, Exs.: guerra, quilo, nascer, cresça, exceto, exsurgir.
te-sou-ro, Pa-ra-guai. 4) As vogais nasais em que a nasalidade é indicada por m ou n, en-
cerrando a sílaba em uma palavra.
CONSOANTES Exs.: pom-ba, cam-po, on-de, can-to, man-to.
b, c, d, f, g, h, j, l, m, n, p, q, r, s, t, v, x, z NOTAÇÕES LÉXICAS
São certos sinais gráficos que se juntam às letras, geralmente para lhes
ENCONTROS VOCÁLICOS dar um valor fonético especial e permitir a correta pronúncia das palavras.
A sequência de duas ou três vogais em uma palavra, damos o nome de
encontro vocálico. São os seguintes:
Ex.: cooperativa 1) o acento agudo – indica vogal tônica aberta: pé, avó, lágrimas;
2) o acento circunflexo – indica vogal tônica fechada: avô, mês, ân-
Três são os encontros vocálicos: ditongo, tritongo, hiato cora;
3) o acento grave – sinal indicador de crase: ir à cidade;
DITONGO 4) o til – indica vogal nasal: lã, ímã;
É a combinação de uma vogal + uma semivogal ou vice-versa. 5) a cedilha – dá ao c o som de ss: moça, laço, açude;
Dividem-se em: 6) o apóstrofo – indica supressão de vogal: mãe-d’água, pau-d’alho;
- orais: pai, fui 7) o hífen – une palavras, prefixos, etc.: arcos-íris, peço-lhe, ex-aluno.

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APOSTILAS OPÇÃO
termina em S: pesquisar (pesquisa), analisar (análise), avisar (aviso),
etc.
Ortoépia e Prosódia g) Quando for possível a correlação ND - NS: escandir: escansão;
pretender: pretensão; repreender: repreensão, etc.
A ortoépia trata da pronúncia correta das palavras. Quando as pala- 2. Escrevem-se em Z.
vras são pronunciadas incorretamente, comete-se cacoépia. a) O sufixo IZAR, de origem grega, nos verbos e nas palavras que têm o
É comum encontrarmos erros de ortoépia na linguagem popular, mais mesmo radical. Civilizar: civilização, civilizado; organizar: organização,
descuidada e com tendência natural para a simplificação. organizado; realizar: realização, realizado, etc.
b) Os sufixos EZ e EZA formadores de substantivos abstratos derivados
de adjetivos limpidez (limpo), pobreza (pobre), rigidez (rijo), etc.
Podemos citar como exemplos de cacoépia:
c) Os derivados em -ZAL, -ZEIRO, -ZINHO e –ZITO: cafezal, cinzeiro,
- “guspe” em vez de cuspe. chapeuzinho, cãozito, etc.
- “adevogado” em vez de advogado.
- “estrupo” em vez de estupro. DISTINÇÃO ENTRE X E CH:
- “cardeneta” em vez de caderneta. 1. Escrevem-se com X
a) Os vocábulos em que o X é o precedido de ditongo: faixa, caixote,
- “peneu” em vez de pneu.
feixe, etc.
- “abóbra” em vez de abóbora. c) Maioria das palavras iniciadas por ME: mexerico, mexer, mexerica,
- “prostar” em vez de prostrar. etc.
d) EXCEÇÃO: recauchutar (mais seus derivados) e caucho (espécie de
árvore que produz o látex).
A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Cometer e) Observação: palavras como "enchente, encharcar, enchiqueirar,
erro de prosódia é transformar uma palavra paroxítona em oxítona, ou enchapelar, enchumaçar", embora se iniciem pela sílaba "en", são
uma proparoxítona em paroxítona etc. grafadas com "ch", porque são palavras formadas por prefixação, ou
- “rúbrica” em vez de rubrica. seja, pelo prefixo en + o radical de palavras que tenham o ch (enchen-
- “sútil” em vez de sutil. te, encher e seus derivados: prefixo en + radical de cheio; encharcar:
en + radical de charco; enchiqueirar: en + radical de chiqueiro; encha-
- “côndor” em vez de condor.
pelar: en + radical de chapéu; enchumaçar: en + radical de chumaço).
Por Marina Cabral
ORTOGRAFIA OFICIAL 2. Escrevem-se com CH:
a) charque, chiste, chicória, chimarrão, ficha, cochicho, cochichar, estre-
As dificuldades para a ortografia devem-se ao fato de que há fonemas buchar, fantoche, flecha, inchar, pechincha, pechinchar, penacho, sal-
que podem ser representados por mais de uma letra, o que não é feito de sicha, broche, arrocho, apetrecho, bochecha, brecha, chuchu, ca-
modo arbitrário, mas fundamentado na história da língua. chimbo, comichão, chope, chute, debochar, fachada, fechar, linchar,
mochila, piche, pichar, tchau.
Eis algumas observações úteis: b) Existem vários casos de palavras homófonas, isto é, palavras que
DISTINÇÃO ENTRE J E G possuem a mesma pronúncia, mas a grafia diferente. Nelas, a grafia
1. Escrevem-se com J: se distingue pelo contraste entre o x e o ch.
a) As palavras de origem árabe, africana ou ameríndia: canjica. cafajes- Exemplos:
te, canjerê, pajé, etc. • brocha (pequeno prego)
b) As palavras derivadas de outras que já têm j: laranjal (laranja), enrije- • broxa (pincel para caiação de paredes)
cer, (rijo), anjinho (anjo), granjear (granja), etc. • chá (planta para preparo de bebida)
• xá (título do antigo soberano do Irã)
c) As formas dos verbos que têm o infinitivo em JAR. despejar: despejei,
• chalé (casa campestre de estilo suíço)
despeje; arranjar: arranjei, arranje; viajar: viajei, viajeis.
• xale (cobertura para os ombros)
d) O final AJE: laje, traje, ultraje, etc. • chácara (propriedade rural)
e) Algumas formas dos verbos terminados em GER e GIR, os quais • xácara (narrativa popular em versos)
mudam o G em J antes de A e O: reger: rejo, reja; dirigir: dirijo, dirija. • cheque (ordem de pagamento)
• xeque (jogada do xadrez)
2. Escrevem-se com G: • cocho (vasilha para alimentar animais)
a) O final dos substantivos AGEM, IGEM, UGEM: coragem, vertigem, • coxo (capenga, imperfeito)
ferrugem, etc.
b) Exceções: pajem, lambujem. Os finais: ÁGIO, ÉGIO, ÓGIO e ÍGIO: DISTINÇÃO ENTRE S, SS, Ç E C
estágio, egrégio, relógio refúgio, prodígio, etc.
Observe o quadro das correlações:
c) Os verbos em GER e GIR: fugir, mugir, fingir. Correlações Exemplos
t-c ato - ação; infrator - infração; Marte - marcial
DISTINÇÃO ENTRE S E Z ter-tenção abster - abstenção; ater - atenção; conter - contenção, deter -
detenção; reter - retenção
1. Escrevem-se com S: rg - rs aspergir - aspersão; imergir - imersão; submergir - submersão;
a) O sufixo OSO: cremoso (creme + oso), leitoso, vaidoso, etc. rt - rs inverter - inversão; divertir - diversão
b) O sufixo ÊS e a forma feminina ESA, formadores dos adjetivos pátrios pel - puls impelir - impulsão; expelir - expulsão; repelir - repulsão
corr - curs correr - curso - cursivo - discurso; excursão - incursão
ou que indicam profissão, título honorífico, posição social, etc.: portu- sent - sens sentir - senso, sensível, consenso
guês – portuguesa, camponês – camponesa, marquês – marquesa, ced - cess ceder - cessão - conceder - concessão; interceder - intercessão.
burguês – burguesa, montês, pedrês, princesa, etc. exceder - excessivo (exceto exceção)
c) O sufixo ISA. sacerdotisa, poetisa, diaconisa, etc. gred - gress agredir - agressão - agressivo; progredir - progressão - progresso -
progressivo
d) Os finais ASE, ESE, ISE e OSE, na grande maioria se o vocábulo for prim - press imprimir - impressão; oprimir - opressão; reprimir - repressão.
erudito ou de aplicação científica, não haverá dúvida, hipótese, exe- tir - ssão admitir - admissão; discutir - discussão, permitir - permissão.
gese análise, trombose, etc. (re)percutir - (re)percussão
e) As palavras nas quais o S aparece depois de ditongos: coisa, Neusa,
causa.
PALAVRAS COM CERTAS DIFICULDADES
f) O sufixo ISAR dos verbos referentes a substantivos cujo radical
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APOSTILAS OPÇÃO
No início dos versos que não abrem período é facultativo o uso da
ONDE-AONDE letra maiúscula.
Emprega-se AONDE com os verbos que dão ideia de movimento. Equi- 2) substantivos próprios (antropônimos, alcunhas, topônimos, nomes
vale sempre a PARA ONDE. sagrados, mitológicos, astronômicos): José, Tiradentes, Brasil,
AONDE você vai? Amazônia, Campinas, Deus, Maria Santíssima, Tupã, Minerva, Via-
AONDE nos leva com tal rapidez? Láctea, Marte, Cruzeiro do Sul, etc.
O deus pagão, os deuses pagãos, a deusa Juno.
Naturalmente, com os verbos que não dão ideia de “movimento” empre-
3) nomes de épocas históricas, datas e fatos importantes, festas
ga-se ONDE
religiosas: Idade Média, Renascença, Centenário da Independência
ONDE estão os livros?
do Brasil, a Páscoa, o Natal, o Dia das Mães, etc.
Não sei ONDE te encontrar.
4) nomes de altos cargos e dignidades: Papa, Presidente da
MAU - MAL República, etc.
MAU é adjetivo (seu antônimo é bom). 5) nomes de altos conceitos religiosos ou políticos: Igreja, Nação,
Escolheu um MAU momento. Estado, Pátria, União, República, etc.
Era um MAU aluno. 6) nomes de ruas, praças, edifícios, estabelecimentos, agremiações,
órgãos públicos, etc.:
MAL pode ser: Rua do 0uvidor, Praça da Paz, Academia Brasileira de Letras,
a) advérbio de modo (antônimo de bem). Banco do Brasil, Teatro Municipal, Colégio Santista, etc.
Ele se comportou MAL. 7) nomes de artes, ciências, títulos de produções artísticas, literárias e
Seu argumento está MAL estruturado científicas, títulos de jornais e revistas: Medicina, Arquitetura, Os
b) conjunção temporal (equivale a assim que). Lusíadas, 0 Guarani, Dicionário Geográfico Brasileiro, Correio da
MAL chegou, saiu Manhã, Manchete, etc.
c) substantivo: 8) expressões de tratamento: Vossa Excelência, Sr. Presidente,
O MAL não tem remédio, Excelentíssimo Senhor Ministro, Senhor Diretor, etc.
Ela foi atacada por um MAL incurável. 9) nomes dos pontos cardeais, quando designam regiões: Os povos
do Oriente, o falar do Norte.
CESÃO/SESSÃO/SECÇÃO/SEÇÃO Mas: Corri o país de norte a sul. O Sol nasce a leste.
CESSÃO significa o ato de ceder. 10) nomes comuns, quando personificados ou individuados: o Amor, o
Ele fez a CESSÃO dos seus direitos autorais. Ódio, a Morte, o Jabuti (nas fábulas), etc.
A CESSÃO do terreno para a construção do estádio agradou a todos os
torcedores. Escrevem-se com letra inicial minúscula:
1) nomes de meses, de festas pagãs ou populares, nomes gentílicos,
SESSÃO é o intervalo de tempo que dura uma reunião: nomes próprios tornados comuns: maia, bacanais, carnaval,
Assistimos a uma SESSÃO de cinema. ingleses, ave-maria, um havana, etc.
Reuniram-se em SESSÃO extraordinária. 2) os nomes a que se referem os itens 4 e 5 acima, quando
SECÇÃO (ou SEÇÃO) significa parte de um todo, subdivisão: empregados em sentido geral:
Lemos a noticia na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de esportes. São Pedro foi o primeiro papa. Todos amam sua pátria.
Compramos os presentes na SECÇÃO (ou SEÇÃO) de brinquedos. 3) nomes comuns antepostos a nomes próprios geográficos: o rio
Amazonas, a baía de Guanabara, o pico da Neblina, etc.
HÁ / A 4) palavras, depois de dois pontos, não se tratando de citação direta:
Na indicação de tempo, emprega-se: "Qual deles: o hortelão ou o advogado?" (Machado de Assis)
HÁ para indicar tempo passado (equivale a faz): "Chegam os magos do Oriente, com suas dádivas: ouro, incenso,
HÁ dois meses que ele não aparece. mirra." (Manuel Bandeira)
Ele chegou da Europa HÁ um ano.
A para indicar tempo futuro:
Daqui A dois meses ele aparecerá. USO DO HÍFEN
Ela voltará daqui A um ano.
Algumas regras do uso do hífen foram alteradas pelo novo Acordo.
FORMAS VARIANTES Mas, como se trata ainda de matéria controvertida em muitos aspectos,
Existem palavras que apresentam duas grafias. Nesse caso, qualquer para facilitar a compreensão dos leitores, apresentamos um resumo das
uma delas é considerada correta. Eis alguns exemplos. regras que orientam o uso do hífen com os prefixos mais comuns, assim
aluguel ou aluguer hem? ou hein? como as novas orientações estabelecidas pelo Acordo.
alpartaca, alpercata ou alpargata imundície ou imundícia
amídala ou amígdala infarto ou enfarte As observações a seguir referem-se ao uso do hífen em palavras for-
assobiar ou assoviar laje ou lajem madas por prefixos ou por elementos que podem funcionar como prefixos,
assobio ou assovio lantejoula ou lentejoula como: aero, agro, além, ante, anti, aquém, arqui, auto, circum, co, contra,
azaléa ou azaleia nenê ou nenen eletro, entre, ex, extra, geo, hidro, hiper, infra, inter, intra, macro, micro,
bêbado ou bêbedo nhambu, inhambu ou nambu mini, multi, neo, pan, pluri, proto, pós, pré, pró, pseudo, retro, semi, sobre,
bílis ou bile quatorze ou catorze sub, super, supra, tele, ultra, vice etc.
cãibra ou cãimbra surripiar ou surrupiar
carroçaria ou carroceria taramela ou tramela 1. Com prefixos, usa-se sempre o hífen diante de palavra iniciada por
chimpanzé ou chipanzé relampejar, relampear, relampeguear h.
debulhar ou desbulhar ou relampar Exemplos:
fleugma ou fleuma porcentagem ou percentagem anti-higiênico
anti-histórico
co-herdeiro
macro-história
EMPREGO DE MAIÚSCULAS E MINÚSCULAS
mini-hotel
proto-história
Escrevem-se com letra inicial maiúscula:
sobre-humano
1) a primeira palavra de período ou citação.
super-homem
Diz um provérbio árabe: "A agulha veste os outros e vive nua."
ultra-humano
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APOSTILAS OPÇÃO
Exceção: subumano (nesse caso, a palavra humano perde o h). anti-infl acionário
anti-infl amatório
2. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal diferente da auto-observação
vogal com que se inicia o segundo elemento. contra-almirante
Exemplos: contra-atacar
aeroespacial contra-ataque
agroindustrial micro-ondas
anteontem micro-ônibus
antiaéreo semi-internato
antieducativo semi-interno
autoaprendizagem
autoescola 6. Quando o prefixo termina por consoante, usa-se o hífen se o se-
autoestrada gundo elemento começar pela mesma consoante.
autoinstrução Exemplos:
coautor hiper-requintado
coedição inter-racial
extraescolar inter-regional
infraestrutura sub-bibliotecário
plurianual super-racista
semiaberto super-reacionário
semianalfabeto super-resistente
semiesférico super-romântico
semiopaco
Exceção: o prefixo co aglutina-se em geral com o segundo elemento, Atenção:
mesmo quando este se inicia por o: coobrigar, coobrigação, coordenar, • Nos demais casos não se usa o hífen.
cooperar, cooperação, cooptar, coocupante etc. Exemplos: hipermercado, intermunicipal, superinteressante, su-
perproteção.
3. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo • Com o prefixo sub, usa-se o hífen também diante de palavra ini-
elemento começa por consoante diferente de r ou s. Exemplos: ciada por r: sub-região, sub-raça etc.
anteprojeto • Com os prefixos circum e pan, usa-se o hífen diante de palavra
antipedagógico iniciada por m, n e vogal: circum-navegação, pan-americano etc.
autopeça
autoproteção 7. Quando o prefixo termina por consoante, não se usa o hífen se o
coprodução segundo elemento começar por vogal. Exemplos:
geopolítica hiperacidez
microcomputador hiperativo
pseudoprofessor interescolar
semicírculo interestadual
semideus interestelar
seminovo interestudantil
ultramoderno superamigo
Atenção: com o prefixo vice, usa-se sempre o hífen. Exemplos: vice- superaquecimento
rei, vice-almirante etc. supereconômico
superexigente
4. Não se usa o hífen quando o prefixo termina em vogal e o segundo superinteressante
elemento começa por r ou s. Nesse caso, duplicam-se essas letras. superotimismo
Exemplos:
antirrábico 8. Com os prefixos ex, sem, além, aquém, recém, pós, pré, pró, usa-
antirracismo se sempre o hífen. Exemplos:
antirreligioso além-mar
antirrugas além-túmulo
antissocial aquém-mar
biorritmo ex-aluno
contrarregra ex-diretor
contrassenso ex-hospedeiro
cosseno ex-prefeito
infrassom ex-presidente
microssistema pós-graduação
minissaia pré-história
multissecular pré-vestibular
neorrealismo pró-europeu
neossimbolista recém-casado
semirreta recém-nascido
ultrarresistente. sem-terra
ultrassom
9. Deve-se usar o hífen com os sufixos de origem tupi-guarani: açu,
5. Quando o prefi xo termina por vogal, usa-se o hífen se o segundo guaçu e mirim. Exemplos: amoré-guaçu, anajá-mirim, capim-açu.
elemento começar pela mesma vogal.
Exemplos: 10. Deve-se usar o hífen para ligar duas ou mais palavras que ocasi-
anti-ibérico onalmente se combinam, formando não propriamente vocábulos, mas
anti-imperialista encadeamentos vocabulares. Exemplos: ponte Rio-Niterói, eixo Rio-São

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APOSTILAS OPÇÃO
Paulo. ou “LA(s)”. Também recebem acento as oxítonas terminadas em ditongos
abertos, como “ÉI”, “ÉU”, “ÓI”, seguidos ou não de “S”
11. Não se deve usar o hífen em certas palavras que perderam a no-
ção de composição. Exemplos: Ex.
girassol Chá Mês nós
madressilva Gás Sapé cipó
mandachuva Dará Café avós
paraquedas
paraquedista Pará Vocês compôs
pontapé vatapá pontapés só
Aliás português robô
12. Para clareza gráfica, se no final da linha a partição de uma palavra dá-lo vê-lo avó
ou combinação de palavras coincidir com o hífen, ele deve ser repetido na
linha seguinte. Exemplos: recuperá-los Conhecê-los pô-los
Na cidade, conta-se que ele foi viajar. guardá-la Fé compô-los
O diretor recebeu os ex-alunos. réis (moeda) Véu dói
méis céu mói
ACENTUAÇÃO GRÁFICA
pastéis Chapéus anzóis
ORTOGRAFIA OFICIAL ninguém parabéns Jerusalém
Por Paula Perin dos Santos
Resumindo:
O Novo Acordo Ortográfico visa simplificar as regras ortográficas da
Língua Portuguesa e aumentar o prestígio social da língua no cenário Só não acentuamos oxítonas terminadas em “I” ou “U”, a não ser que
internacional. Sua implementação no Brasil segue os seguintes parâme- seja um caso de hiato. Por exemplo: as palavras “baú”, “aí”, “Esaú” e
tros: 2009 – vigência ainda não obrigatória, 2010 a 2012 – adaptação “atraí-lo” são acentuadas porque as semivogais “i” e “u” estão tônicas
completa dos livros didáticos às novas regras; e a partir de 2013 – vigên- nestas palavras.
cia obrigatória em todo o território nacional. Cabe lembrar que esse “Novo
Acordo Ortográfico” já se encontrava assinado desde 1990 por oito países 2. Acentuamos as palavras paroxítonas quando terminadas em:
que falam a língua portuguesa, inclusive pelo Brasil, mas só agora é que • L – afável, fácil, cônsul, desejável, ágil, incrível.
teve sua implementação. • N – pólen, abdômen, sêmen, abdômen.
• R – câncer, caráter, néctar, repórter.
É equívoco afirmar que este acordo visa uniformizar a língua, já que • X – tórax, látex, ônix, fênix.
uma língua não existe apenas em função de sua ortografia. Vale lembrar • PS – fórceps, Quéops, bíceps.
que a ortografia é apenas um aspecto superficial da escrita da língua, e • Ã(S) – ímã, órfãs, ímãs, Bálcãs.
que as diferenças entre o Português falado nos diversos países lusófonos • ÃO(S) – órgão, bênção, sótão, órfão.
subsistirão em questões referentes à pronúncia, vocabulário e gramática. • I(S) – júri, táxi, lápis, grátis, oásis, miosótis.
Uma língua muda em função de seus falantes e do tempo, não por meio • ON(S) – náilon, próton, elétrons, cânon.
de Leis ou Acordos. • UM(S) – álbum, fórum, médium, álbuns.
• US – ânus, bônus, vírus, Vênus.
A queixa de muitos estudantes e usuários da língua escrita é que, de-
pois de internalizada uma regra, é difícil “desaprendê-la”. Então, cabe aqui
Também acentuamos as paroxítonas terminadas em ditongos cres-
uma dica: quando se tiver uma dúvida sobre a escrita de alguma palavra,
centes (semivogal+vogal):
o ideal é consultar o Novo Acordo (tenha um sempre em fácil acesso) ou,
Névoa, infância, tênue, calvície, série, polícia, residência, férias, lírio.
na melhor das hipóteses, use um sinônimo para referir-se a tal palavra.
Mostraremos nessa série de artigos o Novo Acordo de uma maneira 3. Todas as proparoxítonas são acentuadas.
descomplicada, apontando como é que fica estabelecido de hoje em Ex. México, música, mágico, lâmpada, pálido, pálido, sândalo, crisân-
diante a Ortografia Oficial do Português falado no Brasil. temo, público, pároco, proparoxítona.

QUANTO À CLASSIFICAÇÃO DOS ENCONTROS VOCÁLICOS


Alfabeto 4. Acentuamos as vogais “I” e “U” dos hiatos, quando:
A influência do inglês no nosso idioma agora é oficial. Há muito tempo
• Formarem sílabas sozinhos ou com “S”
as letras “k”, “w” e “y” faziam parte do nosso idioma, isto não é nenhuma
Ex. Ju-í-zo, Lu-ís, ca-fe-í-na, ra-í-zes, sa-í-da, e-go-ís-ta.
novidade. Elas já apareciam em unidades de medidas, nomes próprios e
palavras importadas do idioma inglês, como:
IMPORTANTE
km – quilômetro,
Por que não acentuamos “ba-i-nha”, “fei-u-ra”, “ru-im”, “ca-ir”, “Ra-ul”,
kg – quilograma
se todos são “i” e “u” tônicas, portanto hiatos?
Show, Shakespeare, Byron, Newton, dentre outros.
Porque o “i” tônico de “bainha” vem seguido de NH. O “u” e o “i” tôni-
Trema
cos de “ruim”, “cair” e “Raul” formam sílabas com “m”, “r” e “l” respectiva-
Não se usa mais o trema em palavras do português. Quem digita mui-
mente. Essas consoantes já soam forte por natureza, tornando natural-
to textos científicos no computador sabe o quanto dava trabalho escrever
mente a sílaba “tônica”, sem precisar de acento que reforce isso.
linguística, frequência. Ele só vai permanecer em nomes próprios e seus
derivados, de origem estrangeira. Por exemplo, Gisele Bundchen não vai
5. Trema
deixar de usar o trema em seu nome, pois é de origem alemã. (neste
Não se usa mais o trema em palavras da língua portuguesa. Ele só
caso, o “u” lê-se “i”)
vai permanecer em nomes próprios e seus derivados, de origem estran-
QUANTO À POSIÇÃO DA SÍLABA TÔNICA geira, como Bündchen, Müller, mülleriano (neste caso, o “u” lê-se “i”)
1. Acentuam-se as oxítonas terminadas em “A”, “E”, “O”, seguidas 6. Acento Diferencial
ou não de “S”, inclusive as formas verbais quando seguidas de “LO(s)” O acento diferencial permanece nas palavras:

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APOSTILAS OPÇÃO
pôde (passado), pode (presente) gai-o-la ba-lei-a
pôr (verbo), por (preposição) des-mai-a-do im-bui-a
Nas formas verbais, cuja finalidade é determinar se a 3ª pessoa do ra-diou-vin-te ca-o-lho
verbo está no singular ou plural: te-a-tro co-e-lho
SINGULAR PLURAL du-e-lo ví-a-mos
a-mné-sia gno-mo
Ele tem Eles têm co-lhei-ta quei-jo
Ele vem Eles vêm pneu-mo-ni-a fe-é-ri-co
dig-no e-nig-ma
Essa regra se aplica a todos os verbos derivados de “ter” e “vir”, co-
e-clip-se Is-ra-el
mo: conter, manter, intervir, deter, sobrevir, reter, etc.
mag-nó-lia

SINAIS DE PONTUAÇÃO
DIVISÃO SILÁBICA

Não se separam as letras que formam os dígrafos CH, NH, LH, QU, Pontuação é o conjunto de sinais gráficos que indica na escrita
GU. as pausas da linguagem oral.
1- chave: cha-ve
aquele: a-que-le PONTO
palha: pa-lha O ponto é empregado em geral para indicar o final de uma frase de-
manhã: ma-nhã clarativa. Ao término de um texto, o ponto é conhecido como final. Nos
guizo: gui-zo casos comuns ele é chamado de simples.

Não se separam as letras dos encontros consonantais que apresen- Também é usado nas abreviaturas: Sr. (Senhor), d.C. (depois de Cris-
tam a seguinte formação: consoante + L ou consoante + R to), a.C. (antes de Cristo), E.V. (Érico Veríssimo).
2- emblema: em-ble-ma abraço: a-bra-ço
reclamar: re-cla-mar recrutar: re-cru-tar PONTO DE INTERROGAÇÃO
flagelo: fla-ge-lo drama: dra-ma É usado para indicar pergunta direta.
globo: glo-bo fraco: fra-co Onde está seu irmão?
implicar: im-pli-car agrado: a-gra-do
atleta: a-tle-ta atraso: a-tra-so Às vezes, pode combinar-se com o ponto de exclamação.
prato: pra-to A mim ?! Que ideia!

Separam-se as letras dos dígrafos RR, SS, SC, SÇ, XC. PONTO DE EXCLAMAÇÃO
3- correr: cor-rer desçam: des-çam É usado depois das interjeições, locuções ou frases exclamativas.
passar: pas-sar exceto: ex-ce-to Céus! Que injustiça! Oh! Meus amores! Que bela vitória!
fascinar: fas-ci-nar Ó jovens! Lutemos!

Não se separam as letras que representam um ditongo. VÍRGULA


4- mistério: mis-té-rio herdeiro: her-dei-ro A vírgula deve ser empregada toda vez que houver uma pequena
cárie: cá-rie pausa na fala. Emprega-se a vírgula:
• Nas datas e nos endereços:
Separam-se as letras que representam um hiato. São Paulo, 17 de setembro de 1989.
5- saúde: sa-ú-de cruel: cru-el Largo do Paissandu, 128.
rainha: ra-i-nha enjoo: en-jo-o • No vocativo e no aposto:
Meninos, prestem atenção!
Não se separam as letras que representam um tritongo. Termópilas, o meu amigo, é escritor.
6- Paraguai: Pa-ra-guai • Nos termos independentes entre si:
saguão: sa-guão O cinema, o teatro, a praia e a música são as suas diversões.
• Com certas expressões explicativas como: isto é, por exemplo. Neste
Consoante não seguida de vogal, no interior da palavra, fica na sílaba caso é usado o duplo emprego da vírgula:
que a antecede. Ontem teve início a maior festa da minha cidade, isto é, a festa da pa-
7- torna: tor-na núpcias: núp-cias droeira.
técnica: téc-ni-ca submeter: sub-me-ter • Após alguns adjuntos adverbiais:
absoluto: ab-so-lu-to perspicaz: pers-pi-caz No dia seguinte, viajamos para o litoral.
• Com certas conjunções. Neste caso também é usado o duplo empre-
Consoante não seguida de vogal, no início da palavra, junta-se à síla- go da vírgula:
ba que a segue Isso, entretanto, não foi suficiente para agradar o diretor.
8- pneumático: pneu-má-ti-co • Após a primeira parte de um provérbio.
gnomo: gno-mo O que os olhos não vêem, o coração não sente.
psicologia: psi-co-lo-gia • Em alguns casos de termos oclusos:
Eu gostava de maçã, de pêra e de abacate.
No grupo BL, às vezes cada consoante é pronunciada separadamen-
te, mantendo sua autonomia fonética. Nesse caso, tais consoantes ficam RETICÊNCIAS
em sílabas separadas. • São usadas para indicar suspensão ou interrupção do pensamento.
9- sublingual: sub-lin-gual Não me disseste que era teu pai que ...
sublinhar: sub-li-nhar • Para realçar uma palavra ou expressão.
sublocar: sub-lo-car Hoje em dia, mulher casa com "pão" e passa fome...
• Para indicar ironia, malícia ou qualquer outro sentimento.
Aqui jaz minha mulher. Agora ela repousa, e eu também...
Preste atenção nas seguintes palavras:
trei-no so-cie-da-de
PONTO E VÍRGULA
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APOSTILAS OPÇÃO
• Separar orações coordenadas de certa extensão ou que mantém "E a jovem (ela tem dezenove anos) poderia mordê-Io, morrendo de
alguma simetria entre si. fome."
"Depois, lracema quebrou a flecha homicida; deu a haste ao desco- (C. Lispector)
nhecido, guardando consigo a ponta farpada. " • Para isolar orações intercaladas:
• Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgula ou no seu "Estou certo que eu (se lhe ponho
interior. Minha mão na testa alçada)
Eu, apressadamente, queria chamar Socorro; o motorista, porém, Sou eu para ela."
mais calmo, resolveu o problema sozinho. (M. Bandeira)

DOIS PONTOS COLCHETES [ ]


• Enunciar a fala dos personagens: Os colchetes são muito empregados na linguagem científica.
Ele retrucou: Não vês por onde pisas?
• Para indicar uma citação alheia: ASTERISCO
Ouvia-se, no meio da confusão, a voz da central de informações de O asterisco é muito empregado para chamar a atenção do leitor para
passageiros do voo das nove: “queiram dirigir-se ao portão de embar- alguma nota (observação).
que".
• Para explicar ou desenvolver melhor uma palavra ou expressão BARRA
anterior: A barra é muito empregada nas abreviações das datas e em algumas
Desastre em Roma: dois trens colidiram frontalmente. abreviaturas.
• Enumeração após os apostos:
Como três tipos de alimento: vegetais, carnes e amido.
CRASE
TRAVESSÃO
Marca, nos diálogos, a mudança de interlocutor, ou serve para isolar Crase é a fusão da preposição A com outro A.
palavras ou frases Fomos a a feira ontem = Fomos à feira ontem.
– "Quais são os símbolos da pátria?
– Que pátria? EMPREGO DA CRASE
– Da nossa pátria, ora bolas!" (P. M Campos). • em locuções adverbiais:
– "Mesmo com o tempo revoltoso - chovia, parava, chovia, parava outra à vezes, às pressas, à toa...
vez. • em locuções prepositivas:
– a claridade devia ser suficiente p'ra mulher ter avistado mais alguma em frente à, à procura de...
coisa". (M. Palmério). • em locuções conjuntivas:
• Usa-se para separar orações do tipo: à medida que, à proporção que...
– Avante!- Gritou o general. • pronomes demonstrativos: aquele, aquela, aqueles, aquelas, aquilo,
– A lua foi alcançada, afinal - cantava o poeta. a, as
Fui ontem àquele restaurante.
Usa-se também para ligar palavras ou grupo de palavras que formam Falamos apenas àquelas pessoas que estavam no salão:
uma cadeia de frase: Refiro-me àquilo e não a isto.
• A estrada de ferro Santos – Jundiaí.
• A ponte Rio – Niterói. A CRASE É FACULTATIVA
• A linha aérea São Paulo – Porto Alegre. • diante de pronomes possessivos femininos:
Entreguei o livro a(à) sua secretária .
ASPAS • diante de substantivos próprios femininos:
São usadas para: Dei o livro à(a) Sônia.
• Indicar citações textuais de outra autoria.
"A bomba não tem endereço certo." (G. Meireles) CASOS ESPECIAIS DO USO DA CRASE
• Para indicar palavras ou expressões alheias ao idioma em que se • Antes dos nomes de localidades, quando tais nomes admitirem o
expressa o autor: estrangeirismo, gírias, arcaismo, formas populares: artigo A:
Há quem goste de “jazz-band”. Viajaremos à Colômbia.
Não achei nada "legal" aquela aula de inglês.
• Para enfatizar palavras ou expressões: (Observe: A Colômbia é bela - Venho da Colômbia)
Apesar de todo esforço, achei-a “irreconhecível" naquela noite. • Nem todos os nomes de localidades aceitam o artigo: Curitiba, Brasí-
• Títulos de obras literárias ou artísticas, jornais, revistas, etc. lia, Fortaleza, Goiás, Ilhéus, Pelotas, Porto Alegre, São Paulo, Madri,
"Fogo Morto" é uma obra-prima do regionalismo brasileiro. Veneza, etc.
• Em casos de ironia: Viajaremos a Curitiba.
A "inteligência" dela me sensibiliza profundamente. (Observe: Curitiba é uma bela cidade - Venho de Curitiba).
Veja como ele é “educado" - cuspiu no chão. • Haverá crase se o substantivo vier acompanhado de adjunto que o
modifique.
PARÊNTESES
Empregamos os parênteses: Ela se referiu à saudosa Lisboa.
• Nas indicações bibliográficas. Vou à Curitiba dos meus sonhos.
"Sede assim qualquer coisa. • Antes de numeral, seguido da palavra "hora", mesmo subentendida:
serena, isenta, fiel". Às 8 e 15 o despertador soou.
(Meireles, Cecília, "Flor de Poemas"). • Antes de substantivo, quando se puder subentender as palavras
“moda” ou "maneira":
• Nas indicações cênicas dos textos teatrais:
Aos domingos, trajava-se à inglesa.
"Mãos ao alto! (João automaticamente levanta as mãos, com os olhos
fora das órbitas. Amália se volta)". Cortavam-se os cabelos à Príncipe Danilo.
(G. Figueiredo) • Antes da palavra casa, se estiver determinada:
Referia-se à Casa Gebara.
• Quando se intercala num texto uma ideia ou indicação acessória: • Não há crase quando a palavra "casa" se refere ao próprio lar.
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APOSTILAS OPÇÃO
Não tive tempo de ir a casa apanhar os papéis. (Venho de casa).
• Antes da palavra "terra", se esta não for antônima de bordo. Sinônimos Perfeitos e Imperfeitos
Voltou à terra onde nascera. Os sinônimos podem ser perfeitos ou imperfeitos.
Sinônimos Perfeitos
Chegamos à terra dos nossos ancestrais. Se o significado é idêntico.
Mas: Exemplos:
Os marinheiros vieram a terra. • avaro – avarento,
O comandante desceu a terra. • léxico – vocabulário,
• Se a preposição ATÉ vier seguida de palavra feminina que aceite o • falecer – morrer,
artigo, poderá ou não ocorrer a crase, indiferentemente: • escarradeira – cuspideira,
Vou até a (á ) chácara. • língua – idioma
Cheguei até a(à) muralha • catorze - quatorze
• A QUE - À QUE Sinônimos Imperfeitos
Se, com antecedente masculino ocorrer AO QUE, com o feminino Se os signIficados são próximos, porém não idênticos.
ocorrerá crase: Exemplos: córrego – riacho, belo – formoso
Houve um palpite anterior ao que você deu.
Houve uma sugestão anterior à que você deu. Antônimo
Se, com antecedente masculino, ocorrer A QUE, com o feminino não Antônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado
ocorrerá crase. contrário (também oposto ou inverso) à outra.
O emprego de antônimos na construção de frases pode ser um recurso
Não gostei do filme a que você se referia.
estilístico que confere ao trecho empregado uma forma mais erudita ou
Não gostei da peça a que você se referia. que chame atenção do leitor ou do ouvinte.
O mesmo fenômeno de crase (preposição A) - pronome demonstrati- Palavra Antônimo
vo A que ocorre antes do QUE (pronome relativo), pode ocorrer antes
do de: aberto fechado
Meu palpite é igual ao de todos alto baixo
Minha opinião é igual à de todos. bem mal
bom mau
NÃO OCORRE CRASE bonito feio
• antes de nomes masculinos: demais de menos
Andei a pé. doce salgado
Andamos a cavalo. forte fraco
• antes de verbos: gordo magro
Ela começa a chorar.
salgado insosso
Cheguei a escrever um poema.
amor ódio
• em expressões formadas por palavras repetidas:
seco molhado
Estamos cara a cara.
grosso fino
• antes de pronomes de tratamento, exceto senhora, senhorita e dona:
Dirigiu-se a V. Sa com aspereza. duro mole
Escrevi a Vossa Excelência. doce amargo
Dirigiu-se gentilmente à senhora. grande pequeno
• quando um A (sem o S de plural) preceder um nome plural: soberba humildade
Não falo a pessoas estranhas. louvar censurar
Jamais vamos a festas. bendizer maldizer
ativo inativo
simpático antipático
SIGNIFICAÇÃO DAS PALAVRAS
progredir regredir
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. rápido lento
Sinônimo sair entrar
Sinônimo é o nome que se dá à palavra que tenha significado idêntico
ou muito semelhante à outra. Exemplos: carro e automóvel, cão e sozinho acompanhado
cachorro. concórdia discórdia
O conhecimento e o uso dos sinônimos é importante para que se pesado leve
evitem repetições desnecessárias na construção de textos, evitando que
quente frio
se tornem enfadonhos.
presente ausente
Eufemismo escuro claro
Alguns sinônimos são também utilizados para minimizar o impacto, inveja admiração
normalmente negativo, de algumas palavras (figura de linguagem
conhecida como eufemismo).
Exemplos: Homógrafo
• gordo - obeso Homógrafos são palavras iguais ou parecidas na escrita e diferentes
na pronúncia.
• morrer - falecer
Exemplos
• rego (subst.) e rego (verbo);

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APOSTILAS OPÇÃO
• colher (verbo) e colher (subst.); venoso. relativo a veias - vinoso. que produz vinho
• jogo (subst.) e jogo (verbo); vez. ocasião, momento - vês. verbo ver na 2ª pessoa do singular
• Sede: lugar e Sede: avidez;
• Seca: pôr a secar e Seca: falta de água. DENOTAÇAO E CONOTAÇAO
Homófono A denotação é a propriedade que possui uma palavra de limitar-se a
Palavras homófonas são palavras de pronúncias iguais. Existem dois seu próprio conceito, de trazer apenas o seu significado primitivo, original.
tipos de palavras homófonas, que são:
• Homófonas heterográficas A conotação é a propriedade que possui uma palavra de ampliar-se
• Homófonas homográficas no seu campo semântico, dentro de um contexto, podendo causar várias
interpretações.
Homófonas heterográficas
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), Observe os exemplos
mas heterográficas (diferentes na escrita). Denotação
Exemplos As estrelas do céu. Vesti-me de verde. O fogo do isqueiro.
cozer / coser;
cozido / cosido; Conotação
censo / senso As estrelas do cinema.
consertar / concertar O jardim vestiu-se de flores
conselho / concelho O fogo da paixão
paço / passo
noz / nós SENTIDO PRÓPRIO E SENTIDO FIGURADO
hera / era
ouve / houve As palavras podem ser empregadas no sentido próprio ou no sentido
voz / vós figurado:
cem / sem Construí um muro de pedra - sentido próprio
acento / assento Maria tem um coração de pedra – sentido figurado.
A água pingava lentamente – sentido próprio.
Homófonas homográficas
Como o nome já diz, são palavras homófonas (iguais na pronúncia), e SEMÂNTICA
homográficas (iguais na escrita). (do grego semantiké, i. é, téchne semantiké ‘arte da significação’)
Exemplos
Ele janta (verbo) / A janta está pronta (substantivo); No caso, janta é A semântica estudo o sentido das palavras, expressões, frases e uni-
inexistente na língua portuguesa por enquanto, já que deriva do dades maiores da comunicação verbal, os significados que lhe são atribu-
substantivo jantar, e está classificado como neologismo. ídos. Ao considerarmos o significado de determinada palavra, levamos em
Eu passeio pela rua (verbo) / O passeio que fizemos foi bonito conta sua história, sua estrutura (radical, prefixos, sufixos que participam
(substantivo). da sua forma) e, por fim, do contexto em que se apresenta.
Parônimo Quando analisamos o sentido das palavras na redação oficial, ressal-
Parônimo é uma palavra que apresenta sentido diferente e forma tam como fundamentais a história da palavra e, obviamente, os contextos
semelhante a outra, que provoca, com alguma frequência, confusão. em que elas ocorrem.
Essas palavras apresentam grafia e pronúncia parecida, mas com
significados diferentes. A história da palavra, em sentido amplo, vem a ser a respectiva ori-
O parônimos pode ser também palavras homófonas, ou seja, a gem e as alterações sofridas no correr do tempo, ou seja, a maneira como
pronúncia de palavras parônimas pode ser a mesma.Palavras parônimas evoluiu desde um sentido original para um sentido mais abrangente ou
são aquelas que têm grafia e pronúncia parecida. mais específico. Em sentido restrito, diz respeito à tradição no uso de
Exemplos determinado vocábulo ou expressão.
Veja alguns exemplos de palavras parônimas:
acender. verbo - ascender. subir São esses dois aspectos que devem ser considerados na escolha
acento. inflexão tônica - assento. dispositivo para sentar-se deste ou daquele vocábulo.
cartola. chapéu alto - quartola. pequena pipa Sendo a clareza um dos requisitos fundamentais de todo texto oficial,
comprimento. extensão - cumprimento. saudação deve-se atentar para a tradição no emprego de determinada expressão
coro (cantores) - couro (pele de animal) com determinado sentido. O emprego de expressões ditas "de uso consa-
deferimento. concessão - diferimento. adiamento grado" confere uniformidade e transparência ao sentido do texto. Mas isto
delatar. denunciar - dilatar. retardar, estender não quer dizer que os textos oficiais devam limitar-se à repetição de
descrição. representação - discrição. reserva chavões e clichês.
descriminar. inocentar - discriminar. distinguir
despensa. compartimento - dispensa. desobriga Verifique sempre o contexto em que as palavras estão sendo utiliza-
destratar. insultar - distratar. desfazer(contrato) das. Certifique-se de que não há repetições desnecessárias ou redundân-
emergir. vir à tona - imergir. mergulhar cias. Procure sinônimos ou termos mais precisos para as palavras repeti-
eminência. altura, excelência - iminência. proximidade de ocorrência das; mas se sua substituição for comprometer o sentido do texto, tornan-
emitir. lançar fora de si - imitir. fazer entrar do-o ambíguo ou menos claro, não hesite em deixar o texto como está.
enfestar. dobrar ao meio - infestar. assolar
enformar. meter em fôrma - informar. avisar É importante lembrar que o idioma está em constante mutação. A
entender. compreender - intender. exercer vigilância própria evolução dos costumes, das ideias, das ciências, da política, enfim
lenimento. suavizante - linimento. medicamento para fricções da vida social em geral, impõe a criação de novas palavras e formas de
migrar. mudar de um local para outro - emigrar. deixar um país para dizer. Na definição de Serafim da Silva Neto, a língua:
morar em outro - imigrar. entrar num país vindo de outro "(...) é um produto social, é uma atividade do espírito humano. Não é,
peão. que anda a pé - pião. espécie de brinquedo assim, independente da vontade do homem, porque o homem não é uma
recrear. divertir - recriar. criar de novo folha seca ao sabor dos ventos veementes de uma fatalidade desconheci-
se. pronome átono, conjugação - si. espécie de brinquedo da e cega. Não está obrigada a prosseguir na sua trajetória, de acordo
vadear. passar o vau - vadiar. passar vida ociosa com leis determinadas, porque as línguas seguem o destino dos que as

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APOSTILAS OPÇÃO
falam, são o que delas fazem as sociedades que as empregam." • Assento: banco, cadeira: Tomar assento num cargo.
• Acerca de: sobre, a respeito de: No discurso, o Presidente falou
Assim, continuamente, novas palavras são criadas (os neologismos) acerca de seus planos.
como produto da dinâmica social, e incorporados ao idioma inúmeros • A cerca de: a uma distância aproximada de: O anexo fica a cerca
vocábulos de origem estrangeira (os estrangeirismos), que vêm para de trinta metros do prédio principal. Estamos a cerca de um mês
designar ou exprimir realidades não contempladas no repertório anterior ou (ano) das eleições.
da língua portuguesa.
• Há cerca de: faz aproximadamente (tanto tempo): Há cerca de
A redação oficial não pode alhear-se dessas transformações, nem in- um ano, tratamos de caso idêntico; existem aproximadamente: Há
corporá-las acriticamente. Quanto às novidades vocabulares, elas devem cerca de mil títulos no catálogo.
sempre ser usadas com critério, evitando-se aquelas que podem ser • Acidente: acontecimento casual; desastre: A derrota foi um aci-
substituídas por vocábulos já de uso consolidado sem prejuízo do sentido dente na sua vida profissional. O súbito temporal provocou terrível
que se lhes quer dar. acidente no parque.
• Incidente: episódio; que incide, que ocorre: O incidente da de-
De outro lado, não se concebe que, em nome de suposto purismo, a missão já foi superado.
linguagem das comunicações oficiais fique imune às criações vocabulares • Adotar: escolher, preferir; assumir; pôr em prática.
ou a empréstimos de outras línguas. A rapidez do desenvolvimento tecno- • Dotar: dar em doação, beneficiar.
lógico, por exemplo, impõe a criação de inúmeros novos conceitos e • Afim: que apresenta afinidade, semelhança, relação (de paren-
termos, ditando de certa forma a velocidade com que a língua deve incor- tesco): Se o assunto era afim, por que não foi tratado no mesmo
porá-los. O importante é usar o estrangeirismo de forma consciente, parágrafo?
buscar o equivalente português quando houver, ou conformar a palavra • A fim de: para, com a finalidade de, com o fito de: O projeto foi
estrangeira ao espírito da língua portuguesa. encaminhado com quinze dias de antecedência a fim de permitir a
necessária reflexão sobre sua pertinência.
O problema do abuso de estrangeirismos inúteis ou empregados em
• Alto: de grande extensão vertical; elevado, grande.
contextos em que não cabem, é em geral causado ou pelo desconheci-
mento da riqueza vocabular de nossa língua, ou pela incorporação acrítica • Auto: ato público, registro escrito de um ato, peça processual.
do estrangeirismo. • Aleatório: casual, fortuito, acidental.
• Alheatório: que alheia, alienante, que desvia ou perturba.
Homônimos e Parônimos • Amoral: desprovido de moral, sem senso de moral.
Muitas vezes temos dúvidas no uso de vocábulos distintos provoca- • Imoral: contrário à moral, aos bons costumes, devasso, indecen-
das pela semelhança ou mesmo pela igualdade de pronúncia ou de grafia te.
entre eles. É o caso dos fenômenos designados como homonímia e • Ante (preposição): diante de, perante: Ante tal situação, não teve
paronímia. alternativa.
• Ante- (prefixo): expressa anterioridade: antepor, antever, antepro-
A homonímia é a designação geral para os casos em que palavras de
jeto ante-diluviano.
sentidos diferentes têm a mesma grafia (os homônimos homógrafos) ou a
mesma pronúncia (os homônimos homófonos). • Anti- (prefixo): expressa contrariedade; contra: anticientífico, anti-
biótico, anti-higiênico, anti-Marx.
Os homógrafos podem coincidir ou não na pronúncia, como nos • Ao encontro de: para junto de; favorável a: Foi ao encontro dos
exemplos: quarto (aposento) e quarto (ordinal), manga (fruta) e manga (de colegas. O projeto salarial veio ao encontro dos anseios dos tra-
camisa), em que temos pronúncia idêntica; e apelo (pedido) e apelo (com balhadores.
e aberto, 1a pess. do sing do pres. do ind. do verbo apelar), consolo (alí- • De encontro a: contra; em prejuízo de: O carro foi de encontro a
vio) e consolo (com o aberto, 1a pess. do sing. do pres. do ind. do verbo um muro. O governo não apoiou a medida, pois vinha de encontro
consolar), com pronúncia diferente. aos interesses dos menores.
• Ao invés de: ao contrário de: Ao invés de demitir dez funcioná-
Os homógrafos de idêntica pronúncia diferenciam-se pelo contexto rios, a empresa contratou mais vinte. (Inaceitável o cruzamento
em que são empregados. Não há dúvida, por exemplo, quanto ao empre- *ao em vez de.)
go da palavra são nos três sentidos: a) verbo ser, 3a pess. do pl. do pres., • Em vez de: em lugar de: Em vez de demitir dez funcionário, a
b) saudável e c) santo. empresa demitiu vinte.
Palavras de grafia diferente e de pronúncia igual (homófonos) geram • A par: informado, ao corrente, ciente: O Ministro está a par (var.:
dúvidas ortográficas. Caso, por exemplo, de acento/assento, coser/cozer, ao par) do assunto; ao lado, junto; além de.
dos prefixos ante-/anti-, etc. Aqui o contexto não é suficiente para resolver • Ao par: de acordo com a convenção legal: Fez a troca de mil dó-
o problema, pois sabemos o sentido, a dúvida é de letra(s). sempre que lares ao par.
houver incerteza, consulte a lista adiante, algum dicionário ou manual de • Aparte: interrupção, comentário à margem: O deputado concedeu
ortografia. ao colega um aparte em seu pronunciamento.
• À parte: em separado, isoladamente, de lado: O anexo ao projeto
Já o termo paronímia designa o fenômeno que ocorre com palavras foi encaminhado por expediente à parte.
semelhantes (mas não idênticas) quanto à grafia ou à pronúncia. É fonte • Apreçar: avaliar, pôr preço: O perito apreçou irrisoriamente o imó-
de muitas dúvidas, como entre descrição (‘ato de descrever’) e discrição vel.
(‘qualidade do que é discreto’), retificar (‘corrigir’) e ratificar (confirmar). • Apressar: dar pressa a, acelerar: Se o andamento das obras não
Como não interessa aqui aprofundar a discussão teórica da matéria, for apressado, não será cumprido o cronograma.
restringimo-nos a uma lista de palavras que costumam suscitar dúvidas de • Área: superfície delimitada, região.
grafia ou sentido. Procuramos incluir palavras que com mais frequência • Ária: canto, melodia.
provocam dúvidas na elaboração de textos oficiais, com o cuidado de • Aresto: acórdão, caso jurídico julgado: Neste caso, o aresto é ir-
agregá-las em pares ou pequenos grupos formais. recorrível.
• Absolver: inocentar, relevar da culpa imputada: O júri absolveu o • Arresto: apreensão judicial, embargo: Os bens do traficante pre-
réu. so foram todos arrestados.
• Absorver: embeber em si, esgotar: O solo absorveu lentamente a • Arrochar: apertar com arrocho, apertar muito.
água da chuva. • Arroxar: ou arroxear, roxear: tornar roxo.
• Acender: atear (fogo), inflamar. • Ás: exímio em sua atividade; carta do baralho.
• Ascender: subir, elevar-se. • Az (p. us.): esquadrão, ala do exército.
• Acento: sinal gráfico; inflexão vocal: Vocábulo sem acento. • Atuar: agir, pôr em ação; pressionar.
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APOSTILAS OPÇÃO
• Autuar: lavrar um auto; processar. • Deferir: consentir, atender, despachar favoravelmente, conceder.
• Auferir: obter, receber: Auferir lucros, vantagens. • Diferir: ser diferente, discordar; adiar, retardar, dilatar.
• Aferir: avaliar, cotejar, medir, conferir: Aferir valores, resultados. • Degradar: deteriorar, desgastar, diminuir, rebaixar.
• Augurar: prognosticar, prever, auspiciar: O Presidente augurou • Degredar: impor pena de degredo, desterrar, banir.
sucesso ao seu par americano. • Delatar (delação): denunciar, revelar crime ou delito, acusar: Os
• Agourar: pressagiar, predizer (geralmente no mau sentido): Os traficantes foram delatados por membro de quadrilha rival.
técnicos agouram desastre na colheita. • Dilatar (dilação): alargar, estender; adiar, diferir: A dilação do
• Avocar: atribuir-se, chamar: Avocou a si competências de ou- prazo de entrega das declarações depende de decisão do Diretor
trem. da Receita Federal.
• Evocar: lembrar, invocar: Evocou no discurso o começo de sua • Derrogar: revogar parcialmente (uma lei), anular.
carreira. • Derrocar: destruir, arrasar, desmoronar.
• Invocar: pedir (a ajuda de); chamar; proferir: Ao final do discurso, • Descrição: ato de descrever, representação, definição.
invocou a ajuda de Deus. • Discrição: discernimento, reserva, prudência, recato.
• Caçar: perseguir, procurar, apanhar (geralmente animais). • Descriminar: absolver de crime, tirar a culpa de.
• Cassar: tornar nulo ou sem efeito, suspender, invalidar. • Discriminar: diferençar, separar, discernir.
• Carear: atrair, ganhar, granjear. • Despensa: local em que se guardam mantimentos, depósito de
• Cariar: criar cárie. provisões.
• Carrear: conduzir em carro, carregar. • Dispensa: licença ou permissão para deixar de fazer algo a que
• Casual: fortuito, aleatório, ocasional. se estava obrigado; demissão.
• Causal: causativo, relativo a causa. • Despercebido: que não se notou, para o que não se atentou:
• Cavaleiro: que anda a cavalo, cavalariano. Apesar de sua importância, o projeto passou despercebido.
• Cavalheiro: indivíduo distinto, gentil, nobre. • Desapercebido: desprevenido, desacautelado: Embarcou para a
• Censo: alistamento, recenseamento, contagem. missão na Amazônia totalmente desapercebido dos desafios que
• Senso: entendimento, juízo, tino. lhe aguardavam.
• Cerrar: fechar, encerrar, unir, juntar. • Dessecar: secar bem, enxugar, tornar seco.
• Serrar: cortar com serra, separar, dividir. • Dissecar: analisar minuciosamente, dividir anatomicamente.
• Cessão: ato de ceder: A cessão do local pelo município tornou • Destratar: insultar, maltratar com palavras.
possível a realização da obra. • Distratar: desfazer um trato, anular.
• Seção: setor, subdivisão de um todo, repartição, divisão: Em qual • Distensão: ato ou efeito de distender, torção violenta dos liga-
seção do ministério ele trabalha? mentos de uma articulação.
• Sessão: espaço de tempo que dura uma reunião, um congresso; • Distinção: elegância, nobreza, boa educação: Todos devem por-
reunião; espaço de tempo durante o qual se realiza uma tarefa: A tar-se com distinção.
próxima sessão legislativa será iniciada em 1o de agosto. • Dissensão: desavença, diferença de opiniões ou interesses: A
• Chá: planta, infusão. dissensão sobre a matéria impossibilitou o acordo.
• Xá: antigo soberano persa. • Elidir: suprimir, eliminar.
• Cheque: ordem de pagamento à vista. • Ilidir: contestar, refutar, desmentir.
• Xeque: dirigente árabe; lance de xadrez; (fig.) perigo (pôr em xe- • Emenda: correção de falta ou defeito, regeneração, remendo: ao
que). torná-lo mais claro e objetivo, a emenda melhorou o projeto.
• Círio: vela de cera. • Ementa: apontamento, súmula de decisão judicial ou do objeto
• Sírio: da Síria. de uma lei. Procuro uma lei cuja ementa é "dispõe sobre a propri-
• Cível: relativo à jurisdição dos tribunais civis. edade industrial".
• Civil: relativo ao cidadão; cortês, polido (daí civilidade); não mili- • Emergir: vir à tona, manifestar-se.
tar nem, eclesiástico. • Imergir: mergulhar, afundar submergir), entrar.
• Colidir: trombar, chocar; contrariar: A nova proposta colide fron- • Emigrar: deixar o país para residir em outro.
talmente com o entendimento havido. • Imigrar: entrar em país estrangeiro para nele viver.
• Coligir: colecionar, reunir, juntar: As leis foram coligidas pelo Mi- • Eminente (eminência): alto, elevado, sublime.
nistério da Justiça. • Iminente (iminência): que está prestes a acontecer, pendente,
• Comprimento: medida, tamanho, extensão, altura. próximo.
• Cumprimento: ato de cumprir, execução completa; saudação. • Emitir (emissão): produzir, expedir, publicar.
• Concelho: circunscrição administrativa ou município (em Portu- • Imitir (imissão): fazer entrar, introduzir, investir.
gal). • Empoçar: reter em poço ou poça, formar poça.
• Conselho: aviso, parecer, órgão colegiado. • Empossar: dar posse a, tomar posse, apoderar-se.
• Concerto: acerto, combinação, composição, harmonização (cp. • Encrostar: criar crosta.
concertar): O concerto das nações... O concerto de Guarnieri... • Incrustar: cobrir de crosta, adornar, revestir, prender-se, arraigar-
• Conserto: reparo, remendo, restauração (cp. consertar): Certos se.
problemas crônicos aparentemente não têm conserto. • Entender: compreender, perceber, deduzir.
• Conje(c)tura: suspeita, hipótese, opinião. • Intender: (p. us): exercer vigilância, superintender.
• Conjuntura: acontecimento, situação, ocasião, circunstância. • Enumerar: numerar, enunciar, narrar, arrolar.
• Contravenção: transgressão ou infração a normas estabelecidas. • Inúmero: inumerável, sem conta, sem número.
• Contraversão: versão contrária, inversão. • Espectador: aquele que assiste qualquer ato ou espetáculo, tes-
• Coser: costurar, ligar, unir. temunha.
• Cozer: cozinhar, preparar. • Expectador: que tem expectativa, que espera.
• Costear: navegar junto à costa, contornar. A fragata costeou • Esperto: inteligente, vivo, ativo.
inúmeras praias do litoral baiano antes de partir para alto-mar. • Experto: perito, especialista.
• Custear: pagar o custo de, prover, subsidiar. Qual a empresa • Espiar: espreitar, observar secretamente, olhar.
disposta a custear tal projeto? • Expiar: cumprir pena, pagar, purgar.
• Custar: valer, necessitar, ser penoso. Quanto custa o projeto? • Estada: ato de estar, permanência: Nossa estada em São Paulo
Custa-me crer que funcionará. foi muito agradável.

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APOSTILAS OPÇÃO
• Estadia: prazo para carga e descarga de navio ancorado em por- • Obsessão: impertinência, perseguição, ideia fixa.
to: O "Rio de Janeiro" foi autorizado a uma estadia de três dias. • Ordinal: numeral que indica ordem ou série (primeiro, segundo,
• Estância: lugar onde se está, morada, recinto. milésimo, etc.).
• Instância: solicitação, pedido, rogo; foro, jurisdição, juízo. • Ordinário: comum, frequente, trivial, vulgar.
• Estrato: cada camada das rochas estratificadas. • Original: com caráter próprio; inicial, primordial.
• Extrato: coisa que se extraiu de outra; pagamento, resumo, có- • Originário: que provém de, oriundo; inicial, primitivo.
pia; perfume. • Paço: palácio real ou imperial; a corte.
• Flagrante: ardente, acalorado; diz-se do ato que a pessoa é sur- • Passo: ato de avançar ou recuar um pé para andar; caminho,
preendida a praticar (flagrante delito). etapa.
• Fragrante: que tem fragrância ou perfume; cheiroso. • Pleito: questão em juízo, demanda, litígio, discussão: O pleito por
• Florescente: que floresce, próspero, viçoso. mais escolas na região foi muito bem formulado.
• Fluorescente: que tem a propriedade da fluorescência. • Preito: sujeição, respeito, homenagem: Os alunos renderam prei-
• Folhar: produzir folhas, ornar com folhagem, revestir lâminas. to ao antigo reitor.
• Folhear: percorrer as folhas de um livro, compulsar, consultar. • Preceder: ir ou estar adiante de, anteceder, adiantar-se.
• Incerto: não certo, indeterminado, duvidoso, variável. • Proceder: originar-se, derivar, provir; levar a efeito, executar.
• Inserto: introduzido, incluído, inserido. • Pós- (prefixo): posterior a, que sucede, atrás de, após: pós-
• Incipiente: iniciante, principiante. moderno, pós-operatório.
• Insipiente: ignorante, insensato. • Pré- (prefixo): anterior a, que precede, à frente de, antes de: pré-
• Incontinente: imoderado, que não se contém, descontrolado. modernista, pré-primário.
• Incontinenti: imediatamente, sem demora, logo, sem interrupção. • Pró (advérbio): em favor de, em defesa de. A maioria manifestou-
• Induzir: causar, sugerir, aconselhar, levar a: O réu declarou que se contra, mas dei meu parecer pró.
havia sido induzido a cometer o delito. • Preeminente: que ocupa lugar elevado, nobre, distinto.
• Aduzir: expor, apresentar: A defesa, então, aduziu novas provas. • Proeminente: alto, saliente, que se alteia acima do que o circun-
• Inflação: ato ou efeito de inflar; emissão exagerada de moeda, da.
aumento persistente de preços. • Preposição: ato de prepor, preferência; palavra invariável que li-
• Infração: ato ou efeito de infringir ou violar uma norma. ga constituintes da frase.
• Infligir: cominar, aplicar (pena, castigo, repreensão, derrota): O • Proposição: ato de propor, proposta; máxima, sentença; afirma-
juiz infligiu pesada pena ao réu. tiva, asserção.
• Infringir: transgredir, violar, desrespeitar (lei, regulamento, etc.) • Presar: capturar, agarrar, apresar.
(cp. infração): A condenação decorreu de ter ele infringido um • Prezar: respeitar, estimar muito, acatar.
sem número de artigos do Código Penal. • Prescrever: fixar limites, ordenar de modo explícito, determinar;
• Inquerir: apertar (a carga de animais), encilhar. ficar sem efeito, anular-se: O prazo para entrada do processo
• Inquirir: procurar informações sobre, indagar, investigar, interro- prescreveu há dois meses.
gar. • Proscrever: abolir, extinguir, proibir, terminar; desterrar. O uso de
• Intercessão: ato de interceder. várias substâncias psicotrópicas foi proscrito por recente portaria
• Interse(c)ção: ação de se(c)cionar, cortar; ponto em que se en- do Ministro.
contram duas linhas ou superfícies. • Prever: ver antecipadamente, profetizar; calcular: A assessoria
• Inter- (prefixo): entre; preposição latina usada em locuções: inter previu acertadamente o desfecho do caso.
alia (entre outros), inter pares (entre iguais). • Prover: providenciar, dotar, abastecer, nomear para cargo: O
• Intra- (prefixo): interior, dentro de. chefe do departamento de pessoal proveu os cargos vacantes.
• Judicial: que tem origem no Poder Judiciário ou que perante ele • Provir: originar-se, proceder; resultar: A dúvida provém (Os erros
se realiza. provêm) da falta de leitura.
• Judiciário: relativo ao direito processual ou à organização da • Prolatar: proferir sentença, promulgar.
Justiça. • Protelar: adiar, prorrogar.
• Liberação: ato de liberar, quitação de dívida ou obrigação. • Ratificar: validar, confirmar, comprovar.
• Libertação: ato de libertar ou libertar-se. • Retificar: corrigir, emendar, alterar: A diretoria ratificou a decisão
• Lista: relação, catálogo; var. pop. de listra. após o texto ter sido retificado em suas passagens ambíguas.
• Listra: risca de cor diferente num tecido (var. pop. de lista). • Recrear: proporcionar recreio, divertir, alegrar.
• Locador: que dá de aluguel, senhorio, arrendador. • Recriar: criar de novo.
• Locatário: alugador, inquilino: O locador reajustou o aluguel sem • Reincidir: tornar a incidir, recair, repetir.
a concordância do locatário. • Rescindir: dissolver, invalidar, romper, desfazer: Como ele rein-
• Lustre: brilho, glória, fama; abajur. cidiu no erro, o contrato de trabalho foi rescindido.
• Lustro: quinquênio; polimento. • Remição: ato de remir, resgate, quitação.
• Magistrado: juiz, desembargador, ministro. • Remissão: ato de remitir, intermissão, intervalo; perdão, expia-
• Magistral: relativo a mestre (latim: magister); perfeito, completo; ção.
exemplar. • Repressão: ato de reprimir, contenção, impedimento, proibição.
• Mandado: garantia constitucional para proteger direito individual • Repreensão: ato de repreender, enérgica admoestação, censura,
líquido e certo; ato de mandar; ordem escrita expedida por autori- advertência.
dade judicial ou administrativa: um mandado de segurança, man- • Ruço: grisalho, desbotado.
dado de prisão. • Russo: referente à Rússia, nascido naquele país; língua falada
• Mandato: autorização que alguém confere a outrem para praticar na Rússia.
atos em seu nome; procuração; delegação: o mandato de um de- • Sanção: confirmação, aprovação; pena imposta pela lei ou por
putado, senador, do Presidente. contrato para punir sua infração.
• Mandante: que manda; aquele que outorga um mandato. • Sansão: nome de personagem bíblico; certo tipo de guindaste.
• Mandatário: aquele que recebe um mandato, executor de man- • Sedento: que tem sede; sequioso (var. p. us.: sedente).
dato, representante, procurador. • Cedente: que cede, que dá.
• Mandatório: obrigatório. • Sobrescritar: endereçar, destinar, dirigir.
• Obcecação: ato ou efeito de obcecar, teimosia, cegueira. • Subscritar: assinar, subscrever.

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APOSTILAS OPÇÃO
• Sortir: variar, combinar, misturar. Derivação
• Surtir: causar, originar, produzir (efeito). É a formação de palavras a partir da anexação de afixos à palavra
• Subentender: perceber o que não estava claramente exposto; primitiva.
supor. Exemplos: inútil = prefixo in + radical útil.
• Subintender: exercer função de subintendente, dirigir. O processo de derivação pode ser prefixal, sufixal, parassintético, re-
• Subtender: estender por baixo. gressivo e impróprio.
• Sustar: interromper, suspender; parar, interromper-se (sustar-se).
• Suster: sustentar, manter; fazer parar, deter. Derivação Prefixal
Faz-se pela anexação de prefixo à palavra primitiva.
• Tacha: pequeno prego; mancha, defeito, pecha.
Exemplos: desfazer, refazer.
• Taxa: espécie de tributo, tarifa.
• Tachar: censurar, qualificar, acoimar: tachar alguém (tachá-lo) de Derivação Sufixal
subversivo. Faz-se pela anexação de sufixo à palavra primitiva.
• Taxar: fixar a taxa de; regular, regrar: taxar mercadorias. Exemplos: alegremente, carinhoso.
• Tapar: fechar, cobrir, abafar. Os sufixos são divididos em nominais, verbais e adverbiais.
• Tampar: pôr tampa em. Sufixos nominais são os que derivam substantivos e adjetivos;
• Tenção: intenção, plano (deriv.: tencionar); assunto, tema. Sufixos verbais são os que derivam verbos;
• Tensão: estado de tenso, rigidez (deriv.: tensionar); diferencial Sufixo adverbial é o que deriva advérbio, esse existe apenas um: -
elétrico. mente
• Tráfego: trânsito de veículos, percurso, transporte.
• Tráfico: negócio ilícito, comércio, negociação. Derivação Parassintética
• Trás: atrás, detrás, em seguida, após (cf. em locuções: de trás, Faz-se pela anexação simultânea de prefixo e sufixo à palavra primiti-
por trás). va.
• Traz: 3a pessoa do singular do presente do indicativo do verbo Exemplos: desalmado, entristecer.
trazer. A derivação parassintética só acontece quando os dois morfemas
• Vestiário: guarda-roupa; local em que se trocam roupas. (prefixo e sufixo) se unem ao radical simultaneamente. Note que na pala-
• Vestuário: as roupas que se vestem, traje. vra desalmado houve parassíntese. É fácil perceber, pois não existe a
• Vultoso: de grande vulto, volumoso. palavra desalma, da qual teria vindo desalmado, da mesma forma não
• Vultuoso (p. us.): atacado de vultuosidade (congestão da face). existe a palavra almado, da qual também teria vindo desalmado. Portan-
to, ocorreu anexação de prefixo e sufixo ao mesmo tempo.

Derivação Regressiva
ESTRUTURA E FORMAÇÃO DAS PALAVRAS. Faz-se pela redução da palavra primitiva.
Exemplos: trabalho (trabalhar), choro (chorar).
As palavras, em Língua Portuguesa, podem ser decompostas em vários
O processo de derivação regressiva produz os substantivos dever-
elementos chamados elementos mórficos ou elementos de estrutura das
bais, esses são substantivos derivados a partir de verbos.
palavras.
Exs.:
cinzeiro = cinza + eiro Derivação Imprópria
endoidecer = en + doido + ecer Forma-se quando uma palavra muda de classe gramatical sem que a
predizer = pre + dizer forma da primitiva seja alterada.
Exemplos: O infeliz faltou ao serviço hoje. (adjetivo torna-se substan-
tivo).
Os principais elementos móficos são :
Não aceito um não como resposta. (advérbio torna-se substantivo, o
RADICAL artigo um substantiva o advérbio).
É o elemento mórfico em que está a ideia principal da palavra.
Exs.: amarelecer = amarelo + ecer
Composição
enterrar = en + terra + ar
O processo de composição forma palavras através da junção de dois
pronome = pro + nome
ou mais radicais.
Exemplos: guarda-roupa, pombo-correio.
PREFIXO
É o elemento mórfico que vem antes do radical. Há dois tipos de composição: aglutinação e justaposição.
Exs.: anti - herói in - feliz
Composição por Aglutinação
SUFIXO Ocorre quando um dos radicais, ao se unirem, sofre alterações.
É o elemento mórfico que vem depois do radical. Exemplos: planalto (plano + alto), embora (em + boa + hora).
Exs.: med - onho cear – ense
Composição por Justaposição
FORMAÇÃO DAS PALAVRAS Ocorre quando os radicais, ao se unirem, não sofrem alterações.
Exemplos: pé-de-galinha, passatempo, cachorro-quente, girassol.
Palavras primitivas: são palavras que servem como base para a
formação de outra e que não foram formadas a partir de outro radical da Outros processos
língua. Hibridismo
Exemplos: pedra, flor, casa. Ocorre quando os elementos que formam a palavra são de idiomas di-
ferentes.
Palavras derivadas: são palavras formadas a partir de outros radi- Exemplos: automóvel (auto= grego, móvel= latim), televisão (tele=
cais. grego, visão=latim).
Exemplos: pedreiro, floricultura, casebre.
Onomatopeia
No português, os principais processos para formar palavras novas são Acontece nas palavras que simbolizam a reprodução de determinados
dois: derivação ecomposição. sons.
Exemplos: tique-taque, zunzum.

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APOSTILAS OPÇÃO

Redução ou Abreviação COLETIVOS


Esse processo se manifesta quando uma palavra é muito longa, pois Coletivo é o substantivo que, mesmo sendo singular, designa um gru-
forma novas palavras a partir da redução ou abreviação de palavras já po de seres da mesma espécie.
existentes. Veja alguns coletivos que merecem destaque:
Exem- alavão - de ovelhas leiteiras
plos: pornô (pornográfico), moto (motocicleta), pneu (pneumático). alcateia - de lobos
álbum - de fotografias, de selos
Neologismo antologia - de trechos literários escolhidos
É a criação de novas palavras para atender às necessidades dos fa- armada - de navios de guerra
lantes em contextos específicos. armento - de gado grande (búfalo, elefantes, etc)
Veja os neologismos num trecho do poema Amar, de Carlos Drum- arquipélago - de ilhas
mond de Andrade: assembleia - de parlamentares, de membros de associações
atilho - de espigas de milho
Que pode uma criatura senão, atlas - de cartas geográficas, de mapas
senão entre criaturas, amar? banca - de examinadores
amar e esquecer, bandeira - de garimpeiros, de exploradores de minérios
amar e malamar, bando - de aves, de pessoal em geral
amar, desamar, amar? cabido - de cônegos
sempre, e até de olhos vidrados, amar? cacho - de uvas, de bananas
Por Marina Cabral cáfila - de camelos
cambada - de ladrões, de caranguejos, de chaves
cancioneiro - de poemas, de canções
EMPREGO DAS CLASSES DE PALAVRAS: SUBSTANTIVO, caravana - de viajantes
ADJETIVO, NUMERAL, PRONOME, VERBO, ADVÉRBIO, PRE- cardume - de peixes
POSIÇÃO, CONJUNÇÃO (CLASSIFICAÇÃO E SENTIDO QUE clero - de sacerdotes
IMPRIMEM ÀS RELAÇÕES ENTRE AS ORAÇÕES). colmeia - de abelhas
concílio - de bispos
conclave - de cardeais em reunião para eleger o papa
SUBSTANTIVOS congregação - de professores, de religiosos
congresso - de parlamentares, de cientistas
Substantivo é a palavra variável em gênero, número e grau, que dá conselho - de ministros
nome aos seres em geral. consistório - de cardeais sob a presidência do papa
São, portanto, substantivos. constelação - de estrelas
a) os nomes de coisas, pessoas, animais e lugares: livro, cadeira, cachorra, corja - de vadios
Valéria, Talita, Humberto, Paris, Roma, Descalvado. elenco - de artistas
b) os nomes de ações, estados ou qualidades, tomados como seres: enxame - de abelhas
trabalho, corrida, tristeza beleza altura. enxoval - de roupas
esquadra - de navios de guerra
CLASSIFICAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS esquadrilha - de aviões
a) COMUM - quando designa genericamente qualquer elemento da espé- falange - de soldados, de anjos
cie: rio, cidade, pais, menino, aluno farândola - de maltrapilhos
b) PRÓPRIO - quando designa especificamente um determinado elemen- fato - de cabras
to. Os substantivos próprios são sempre grafados com inicial maiúscula: fauna - de animais de uma região
Tocantins, Porto Alegre, Brasil, Martini, Nair. feixe - de lenha, de raios luminosos
c) CONCRETO - quando designa os seres de existência real ou não, flora - de vegetais de uma região
propriamente ditos, tais como: coisas, pessoas, animais, lugares, etc. frota - de navios mercantes, de táxis, de ônibus
Verifique que é sempre possível visualizar em nossa mente o substanti- girândola - de fogos de artifício
vo concreto, mesmo que ele não possua existência real: casa, cadeira, horda - de invasores, de selvagens, de bárbaros
caneta, fada, bruxa, saci. junta - de bois, médicos, de examinadores
d) ABSTRATO - quando designa as coisas que não existem por si, isto é, júri - de jurados
só existem em nossa consciência, como fruto de uma abstração, sendo, legião - de anjos, de soldados, de demônios
pois, impossível visualizá-lo como um ser. Os substantivos abstratos malta - de desordeiros
vão, portanto, designar ações, estados ou qualidades, tomados como manada - de bois, de elefantes
seres: trabalho, corrida, estudo, altura, largura, beleza. matilha - de cães de caça
Os substantivos abstratos, via de regra, são derivados de verbos ou ad- ninhada - de pintos
jetivos nuvem - de gafanhotos, de fumaça
trabalhar - trabalho panapaná - de borboletas
correr - corrida pelotão - de soldados
alto - altura penca - de bananas, de chaves
belo - beleza pinacoteca - de pinturas
plantel - de animais de raça, de atletas
FORMAÇÃO DOS SUBSTANTIVOS quadrilha - de ladrões, de bandidos
a) PRIMITIVO: quando não provém de outra palavra existente na língua ramalhete - de flores
portuguesa: flor, pedra, ferro, casa, jornal. réstia - de alhos, de cebolas
b) DERIVADO: quando provem de outra palavra da língua portuguesa: récua - de animais de carga
florista, pedreiro, ferreiro, casebre, jornaleiro. romanceiro - de poesias populares
c) SIMPLES: quando é formado por um só radical: água, pé, couve, resma - de papel
ódio, tempo, sol. revoada - de pássaros
d) COMPOSTO: quando é formado por mais de um radical: água-de- súcia - de pessoas desonestas
colônia, pé-de-moleque, couve-flor, amor-perfeito, girassol. vara - de porcos

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APOSTILAS OPÇÃO
vocabulário - de palavras
3. Os substantivos terminados em M mudam o M para NS. armazém,
FLEXÃO DOS SUBSTANTIVOS armazéns; harém, haréns; jejum, jejuns.
Como já assinalamos, os substantivos variam de gênero, número e 4. Aos substantivos terminados em R, Z e N acrescenta-se-lhes ES: lar,
grau. lares; xadrez, xadrezes; abdômen, abdomens (ou abdômenes); hífen,
Gênero hífens (ou hífenes).
Em Português, o substantivo pode ser do gênero masculino ou femi- Obs: caráter, caracteres; Lúcifer, Lúciferes; cânon, cânones.
nino: o lápis, o caderno, a borracha, a caneta. 5. Os substantivos terminados em AL, EL, OL e UL o l por is: animal,
Podemos classificar os substantivos em: animais; papel, papéis; anzol, anzóis; paul, pauis.
a) SUBSTANTIVOS BIFORMES, são os que apresentam duas formas, Obs.: mal, males; real (moeda), reais; cônsul, cônsules.
uma para o masculino, outra para o feminino: 6. Os substantivos paroxítonos terminados em IL fazem o plural em: fóssil,
aluno/aluna homem/mulher fósseis; réptil, répteis.
menino /menina carneiro/ovelha Os substantivos oxítonos terminados em IL mudam o l para S: barril,
Quando a mudança de gênero não é marcada pela desinência, mas barris; fuzil, fuzis; projétil, projéteis.
pela alteração do radical, o substantivo denomina-se heterônimo: 7. Os substantivos terminados em S são invariáveis, quando paroxítonos:
o pires, os pires; o lápis, os lápis. Quando oxítonas ou monossílabos tô-
padrinho/madrinha bode/cabra nicos, junta-se-lhes ES, retira-se o acento gráfico, português, portugue-
cavaleiro/amazona pai/mãe ses; burguês, burgueses; mês, meses; ás, ases.
São invariáveis: o cais, os cais; o xis, os xis. São invariáveis, também,
b) SUBSTANTIVOS UNIFORMES: são os que apresentam uma única os substantivos terminados em X com valor de KS: o tórax, os tórax; o
forma, tanto para o masculino como para o feminino. Subdividem-se ônix, os ônix.
em: 8. Os diminutivos em ZINHO e ZITO fazem o plural flexionando-se o
1. Substantivos epicenos: são substantivos uniformes, que designam substantivo primitivo e o sufixo, suprimindo-se, porém, o S do substanti-
animais: onça, jacaré, tigre, borboleta, foca. vo primitivo: coração, coraçõezinhos; papelzinho, papeizinhos; cãozinho,
Caso se queira fazer a distinção entre o masculino e o feminino, de- cãezitos.
vemos acrescentar as palavras macho ou fêmea: onça macho, jacaré
fêmea
Substantivos só usados no plural
afazeres anais
2. Substantivos comuns de dois gêneros: são substantivos uniformes
arredores belas-artes
que designam pessoas. Neste caso, a diferença de gênero é feita pelo
cãs condolências
artigo, ou outro determinante qualquer: o artista, a artista, o estudante,
confins exéquias
a estudante, este dentista.
férias fezes
3. Substantivos sobrecomuns: são substantivos uniformes que designam
núpcias óculos
pessoas. Neste caso, a diferença de gênero não é especificada por
olheiras pêsames
artigos ou outros determinantes, que serão invariáveis: a criança, o
viveres copas, espadas, ouros e paus (naipes)
cônjuge, a pessoa, a criatura.
Caso se queira especificar o gênero, procede-se assim: Plural dos Nomes Compostos
uma criança do sexo masculino / o cônjuge do sexo feminino.
1. Somente o último elemento varia:
a) nos compostos grafados sem hífen: aguardente, aguardentes; cla-
AIguns substantivos que apresentam problema quanto ao Gênero:
São masculinos São femininos
raboia, claraboias; malmequer, malmequeres; vaivém, vaivéns;
o anátema o grama (unidade de peso) a abusão a derme b) nos compostos com os prefixos grão, grã e bel: grão-mestre, grão-
o telefonema o dó (pena, compaixão) a aluvião a omoplata mestres; grã-cruz, grã-cruzes; bel-prazer, bel-prazeres;
o teorema o ágape a análise a usucapião c) nos compostos de verbo ou palavra invariável seguida de substanti-
o trema o caudal a cal a bacanal
o edema o champanha a cataplasma a líbido vo ou adjetivo: beija-flor, beija-flores; quebra-sol, quebra-sóis; guar-
o eclipse o alvará a dinamite a sentinela da-comida, guarda-comidas; vice-reitor, vice-reitores; sempre-viva,
o lança-perfume o formicida a comichão a hélice sempre-vivas. Nos compostos de palavras repetidas mela-mela,
o fibroma o guaraná a aguardente
o estratagema o plasma
mela-melas; recoreco, recorecos; tique-tique, tique-tiques)
o proclama o clã
2. Somente o primeiro elemento é flexionado:
Mudança de Gênero com mudança de sentido a) nos compostos ligados por preposição: copo-de-leite, copos-de-
leite; pinho-de-riga, pinhos-de-riga; pé-de-meia, pés-de-meia; burro-
Alguns substantivos, quando mudam de gênero, mudam de sentido.
sem-rabo, burros-sem-rabo;
Veja alguns exemplos:
o cabeça (o chefe, o líder) a cabeça (parte do corpo) b) nos compostos de dois substantivos, o segundo indicando finalida-
o capital (dinheiro, bens) a capital (cidade principal) de ou limitando a significação do primeiro: pombo-correio, pombos-
o rádio (aparelho receptor) a rádio (estação transmissora) correio; navio-escola, navios-escola; peixe-espada, peixes-espada;
o moral (ânimo) a moral (parte da Filosofia, conclusão) banana-maçã, bananas-maçã.
o lotação (veículo) a lotação (capacidade) A tendência moderna é de pluralizar os dois elementos: pombos-
o lente (o professor) a lente (vidro de aumento) correios, homens-rãs, navios-escolas, etc.
Plural dos Nomes Simples 3. Ambos os elementos são flexionados:
1. Aos substantivos terminados em vogal ou ditongo acrescenta-se S: a) nos compostos de substantivo + substantivo: couve-flor, couves-
casa, casas; pai, pais; imã, imãs; mãe, mães. flores; redator-chefe, redatores-chefes; carta-compromisso, cartas-
2. Os substantivos terminados em ÃO formam o plural em: compromissos.
a) ÕES (a maioria deles e todos os aumentativos): balcão, balcões; cora- b) nos compostos de substantivo + adjetivo (ou vice-versa): amor-
ção, corações; grandalhão, grandalhões. perfeito, amores-perfeitos; gentil-homem, gentis-homens; cara-
b) ÃES (um pequeno número): cão, cães; capitão, capitães; guardião, pálida, caras-pálidas.
guardiães.
c) ÃOS (todos os paroxítonos e um pequeno número de oxítonos): cristão, São invariáveis:
cristãos; irmão, irmãos; órfão, órfãos; sótão, sótãos. a) os compostos de verbo + advérbio: o fala-pouco, os fala-pouco; o
Muitos substantivos com esta terminação apresentam mais de uma for- pisa-mansinho, os pisa-mansinho; o cola-tudo, os cola-tudo;
ma de plural: aldeão, aldeãos ou aldeães; charlatão, charlatões ou charla- b) as expressões substantivas: o chove-não-molha, os chove-não-
tães; ermitão, ermitãos ou ermitães; tabelião, tabeliões ou tabeliães, etc. molha; o não-bebe-nem-desocupa-o-copo, os não-bebe-nem-
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APOSTILAS OPÇÃO
desocupa-o-copo;
c) os compostos de verbos antônimos: o leva-e-traz, os leva-e-traz; o FLEXÃO DOS ADJETIVOS
perde-ganha, os perde-ganha. Gênero
Obs: Alguns compostos admitem mais de um plural, como é o caso Quanto ao gênero, o adjetivo pode ser:
por exemplo, de: fruta-pão, fruta-pães ou frutas-pães; guarda- a) Uniforme: quando apresenta uma única forma para os dois gêne-
marinha, guarda-marinhas ou guardas-marinhas; padre-nosso, pa- ros: homem inteligente - mulher inteligente; homem simples - mu-
dres-nossos ou padre-nossos; salvo-conduto, salvos-condutos ou lher simples; aluno feliz - aluna feliz.
salvo-condutos; xeque-mate, xeques-mates ou xeques-mate. b) Biforme: quando apresenta duas formas: uma para o masculino,
outra para o feminino: homem simpático / mulher simpática / ho-
Adjetivos Compostos mem alto / mulher alta / aluno estudioso / aluna estudiosa
Nos adjetivos compostos, apenas o último elemento se flexiona.
Ex.:histórico-geográfico, histórico-geográficos; latino-americanos, latino- Observação: no que se refere ao gênero, a flexão dos adjetivos é se-
americanos; cívico-militar, cívico-militares. melhante a dos substantivos.
1) Os adjetivos compostos referentes a cores são invariáveis, quando
o segundo elemento é um substantivo: lentes verde-garrafa, tecidos Número
amarelo-ouro, paredes azul-piscina. a) Adjetivo simples
2) No adjetivo composto surdo-mudo, os dois elementos variam: sur- Os adjetivos simples formam o plural da mesma maneira que os
dos-mudos > surdas-mudas. substantivos simples:
3) O composto azul-marinho é invariável: gravatas azul-marinho. pessoa honesta pessoas honestas
regra fácil regras fáceis
Graus do substantivo homem feliz homens felizes
Dois são os graus do substantivo - o aumentativo e o diminutivo, os
Observação: os substantivos empregados como adjetivos ficam
quais podem ser: sintéticos ou analíticos.
invariáveis:
Analítico blusa vinho blusas vinho
camisa rosa camisas rosa
Utiliza-se um adjetivo que indique o aumento ou a diminuição do tama-
b) Adjetivos compostos
nho: boca pequena, prédio imenso, livro grande.
Como regra geral, nos adjetivos compostos somente o último
elemento varia, tanto em gênero quanto em número:
Sintético acordos sócio-político-econômico acordos sócio-político-econômicos
Constrói-se com o auxílio de sufixos nominais aqui apresentados. causa sócio-político-econômica causas sócio-político-econômicas
acordo luso-franco-brasileiro acordo luso-franco-brasileiros
lente côncavo-convexa lentes côncavo-convexas
Principais sufixos aumentativos camisa verde-clara camisas verde-claras
AÇA, AÇO, ALHÃO, ANZIL, ÃO, ARÉU, ARRA, ARRÃO, ASTRO, ÁZIO, sapato marrom-escuro sapatos marrom-escuros
ORRA, AZ, UÇA. Ex.: A barcaça, ricaço, grandalhão, corpanzil, caldeirão, Observações:
povaréu, bocarra, homenzarrão, poetastro, copázio, cabeçorra, lobaz, dentu- 1) Se o último elemento for substantivo, o adjetivo composto fica invariável:
ça. camisa verde-abacate camisas verde-abacate
sapato marrom-café sapatos marrom-café
blusa amarelo-ouro blusas amarelo-ouro
Principais Sufixos Diminutivos 2) Os adjetivos compostos azul-marinho e azul-celeste ficam invariáveis:
ACHO, CHULO, EBRE, ECO, EJO, ELA, ETE, ETO, ICO, TIM, ZINHO, blusa azul-marinho blusas azul-marinho
ISCO, ITO, OLA, OTE, UCHO, ULO, ÚNCULO, ULA, USCO. Exs.: lobacho, camisa azul-celeste camisas azul-celeste
montículo, casebre, livresco, arejo, viela, vagonete, poemeto, burrico, flautim, 3) No adjetivo composto (como já vimos) surdo-mudo, ambos os elementos
pratinho, florzinha, chuvisco, rapazito, bandeirola, saiote, papelucho, glóbulo, variam:
menino surdo-mudo meninos surdos-mudos
homúncula, apícula, velhusco.
menina surda-muda meninas surdas-mudas
Observações:
• Alguns aumentativos e diminutivos, em determinados contextos, ad- Graus do Adjetivo
quirem valor pejorativo: medicastro, poetastro, velhusco, mulherzinha, As variações de intensidade significativa dos adjetivos podem ser ex-
etc. Outros associam o valor aumentativo ao coletivo: povaréu, foga- pressas em dois graus:
réu, etc. - o comparativo
• É usual o emprego dos sufixos diminutivos dando às palavras valor - o superlativo
afetivo: Joãozinho, amorzinho, etc.
• Há casos em que o sufixo aumentativo ou diminutivo é meramente Comparativo
formal, pois não dão à palavra nenhum daqueles dois sentidos: car- Ao compararmos a qualidade de um ser com a de outro, ou com uma
taz, ferrão, papelão, cartão, folhinha, etc. outra qualidade que o próprio ser possui, podemos concluir que ela é
• Muitos adjetivos flexionam-se para indicar os graus aumentativo e di- igual, superior ou inferior. Daí os três tipos de comparativo:
minutivo, quase sempre de maneira afetiva: bonitinho, grandinho, - Comparativo de igualdade:
bonzinho, pequenito. O espelho é tão valioso como (ou quanto) o vitral.
Pedro é tão saudável como (ou quanto) inteligente.
Apresentamos alguns substantivos heterônimos ou desconexos. Em lu- - Comparativo de superioridade:
gar de indicarem o gênero pela flexão ou pelo artigo, apresentam radicais O aço é mais resistente que (ou do que) o ferro.
diferentes para designar o sexo: Este automóvel é mais confortável que (ou do que) econômico.
bode - cabra genro - nora - Comparativo de inferioridade:
burro - besta padre - madre A prata é menos valiosa que (ou do que) o ouro.
carneiro - ovelha padrasto - madrasta Este automóvel é menos econômico que (ou do que) confortável.
cão - cadela padrinho - madrinha Ao expressarmos uma qualidade no seu mais elevado grau de inten-
cavalheiro - dama pai - mãe sidade, usamos o superlativo, que pode ser absoluto ou relativo:
compadre - comadre veado - cerva - Superlativo absoluto
frade - freira zangão - abelha Neste caso não comparamos a qualidade com a de outro ser:
frei – soror etc. Esta cidade é poluidíssima.
ADJETIVOS Esta cidade é muito poluída.

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APOSTILAS OPÇÃO
- Superlativo relativo Equador - equatoriano Évora - eborense
Consideramos o elevado grau de uma qualidade, relacionando-a Filipinas - filipino Finlândia - finlandês
a outros seres: Florianópolis - florianopolitano Formosa - formosano
Este rio é o mais poluído de todos. Fortaleza - fortalezense Foz do lguaçu - iguaçuense
Este rio é o menos poluído de todos. Gabão - gabonês Galiza - galego
Genebra - genebrino Gibraltar - gibraltarino
Observe que o superlativo absoluto pode ser sintético ou analítico: Goiânia - goianense Granada - granadino
- Analítico: expresso com o auxílio de um advérbio de intensidade - Groenlândia - groenlandês Guatemala - guatemalteco
muito trabalhador, excessivamente frágil, etc. Guiné - guinéu, guineense Haiti - haitiano
- Sintético: expresso por uma só palavra (adjetivo + sufixo) – anti- Himalaia - himalaico Honduras - hondurenho
quíssimo: cristianíssimo, sapientíssimo, etc. Hungria - húngaro, magiar Ilhéus - ilheense
Iraque - iraquiano Jerusalém - hierosolimita
Os adjetivos: bom, mau, grande e pequeno possuem, para o compa- João Pessoa - pessoense Juiz de Fora - juiz-forense
rativo e o superlativo, as seguintes formas especiais: La Paz - pacense, pacenho Lima - limenho
NORMAL COM. SUP. SUPERLATIVO Macapá - macapaense Macau - macaense
ABSOLUTO RELATIVO Maceió - maceioense Madagáscar - malgaxe
bom melhor ótimo Madri - madrileno Manaus - manauense
melhor Marajó - marajoara Minho - minhoto
mau pior péssimo Moçambique - moçambicano Mônaco - monegasco
pior Montevidéu - montevideano Natal - natalense
grande maior máximo Normândia - normando Nova lguaçu - iguaçuano
maior Pequim - pequinês Pisa - pisano
pequeno menor mínimo Porto - portuense Póvoa do Varzim - poveiro
menor Quito - quitenho Rio de Janeiro (Est.) - fluminense
Santiago - santiaguense Rio de Janeiro (cid.) - carioca
Eis, para consulta, alguns superlativos absolutos sintéticos: São Paulo (Est.) - paulista Rio Grande do Norte - potiguar
acre - acérrimo ágil - agílimo São Paulo (cid.) - paulistano Salvador – salvadorenho, soteropolitano
agradável - agradabilíssimo agudo - acutíssimo Terra do Fogo - fueguino Toledo - toledano
amargo - amaríssimo amável - amabilíssimo Três Corações - tricordiano Rio Grande do Sul - gaúcho
amigo - amicíssimo antigo - antiquíssimo Tripoli - tripolitano Varsóvia - varsoviano
áspero - aspérrimo atroz - atrocíssimo Veneza - veneziano Vitória - vitoriense
audaz - audacíssimo benéfico - beneficentíssimo
benévolo - benevolentíssimo capaz - capacíssimo Locuções Adjetivas
célebre - celebérrimo cristão - cristianíssimo As expressões de valor adjetivo, formadas de preposições mais subs-
cruel - crudelíssimo doce - dulcíssimo tantivos, chamam-se LOCUÇÕES ADJETIVAS. Estas, geralmente, podem
eficaz - eficacíssimo feroz - ferocíssimo ser substituídas por um adjetivo correspondente.
fiel - fidelíssimo frágil - fragilíssimo
frio - frigidíssimo humilde - humílimo (humildíssimo) PRONOMES
incrível - incredibilíssimo inimigo - inimicíssimo
íntegro - integérrimo jovem - juveníssimo Pronome é a palavra variável em gênero, número e pessoa, que re-
livre - libérrimo magnífico - magnificentíssimo presenta ou acompanha o substantivo, indicando-o como pessoa do
magro - macérrimo maléfico - maleficentíssimo discurso. Quando o pronome representa o substantivo, dizemos tratar-se
manso - mansuetíssimo miúdo - minutíssimo de pronome substantivo.
negro - nigérrimo (negríssimo) nobre - nobilíssimo • Ele chegou. (ele)
pessoal - personalíssimo pobre - paupérrimo (pobríssimo) • Convidei-o. (o)
possível - possibilíssimo preguiçoso - pigérrimo
próspero - prospérrimo provável - probabilíssimo Quando o pronome vem determinando o substantivo, restringindo a
público - publicíssimo pudico - pudicíssimo extensão de seu significado, dizemos tratar-se de pronome adjetivo.
sábio - sapientíssimo sagrado - sacratíssimo • Esta casa é antiga. (esta)
salubre - salubérrimo sensível - sensibilíssimo • Meu livro é antigo. (meu)
simples – simplicíssimo tenro - tenerissimo
terrível - terribilíssimo tétrico - tetérrimo Classificação dos Pronomes
velho - vetérrimo visível - visibilíssimo Há, em Português, seis espécies de pronomes:
voraz - voracíssimo vulnerável - vuInerabilíssimo • pessoais: eu, tu, ele/ela, nós, vós, eles/elas e as formas oblíquas
de tratamento:
Adjetivos Gentílicos e Pátrios • possessivos: meu, teu, seu, nosso, vosso, seu e flexões;
Argélia – argelino Bagdá - bagdali • demonstrativos: este, esse, aquele e flexões; isto, isso, aquilo;
Bizâncio - bizantino Bogotá - bogotano • relativos: o qual, cujo, quanto e flexões; que, quem, onde;
Bóston - bostoniano Braga - bracarense • indefinidos: algum, nenhum, todo, outro, muito, certo, pouco, vá-
Bragança - bragantino Brasília - brasiliense rios, tanto quanto, qualquer e flexões; alguém, ninguém, tudo, ou-
Bucareste - bucarestino, - Buenos Aires - portenho, buenairense trem, nada, cada, algo.
bucarestense Campos - campista • interrogativos: que, quem, qual, quanto, empregados em frases
Cairo - cairota Caracas - caraquenho interrogativas.
Canaã - cananeu Ceilão - cingalês
Catalunha - catalão Chipre - cipriota PRONOMES PESSOAIS
Chicago - chicaguense Córdova - cordovês Pronomes pessoais são aqueles que representam as pessoas do dis-
Coimbra - coimbrão, conim- Creta - cretense curso:
bricense Cuiabá - cuiabano 1ª pessoa: quem fala, o emissor.
Córsega - corso EI Salvador - salvadorenho Eu sai (eu)
Croácia - croata Espírito Santo - espírito-santense, Nós saímos (nós)
Egito - egípcio capixaba
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APOSTILAS OPÇÃO
Convidaram-me (me) Nunca houve discussões entre EU e TU. (errado)
Convidaram-nos (nós) Ninguém irá sem MIM. (certo)
2ª pessoa: com quem se fala, o receptor. Nunca houve discussões entre MIM e TI. (certo)
Tu saíste (tu) Há, no entanto, um caso em que se empregam as formas retas EU e
Vós saístes (vós) TU mesmo precedidas por preposição: quando essas formas funcionam
Convidaram-te (te) como sujeito de um verbo no infinitivo.
Convidaram-vos (vós) Deram o livro para EU ler (ler: sujeito)
Deram o livro para TU leres (leres: sujeito)
3ª pessoa: de que ou de quem se fala, o referente.
Ele saiu (ele) Verifique que, neste caso, o emprego das formas retas EU e TU é
Eles sairam (eles) obrigatório, na medida em que tais pronomes exercem a função sintática
Convidei-o (o) de sujeito.
Convidei-os (os) 5. Os pronomes oblíquos SE, SI, CONSIGO devem ser empregados
somente como reflexivos. Considera-se errada qualquer construção
Os pronomes pessoais são os seguintes: em que os referidos pronomes não sejam reflexivos:
NÚMERO PESSOA CASO RETO CASO OBLÍQUO Querida, gosto muito de SI. (errado)
singular 1ª eu me, mim, comigo Preciso muito falar CONSIGO. (errado)
2ª tu te, ti, contigo Querida, gosto muito de você. (certo)
3ª ele, ela se, si, consigo, o, a, lhe
Preciso muito falar com você. (certo)
plural 1ª nós nós, conosco
2ª vós vós, convosco
3ª eles, elas se, si, consigo, os, as, lhes Observe que nos exemplos que seguem não há erro algum, pois os
pronomes SE, SI, CONSIGO, foram empregados como reflexivos:
Ele feriu-se
PRONOMES DE TRATAMENTO Cada um faça por si mesmo a redação
Na categoria dos pronomes pessoais, incluem-se os pronomes de tra- O professor trouxe as provas consigo
tamento. Referem-se à pessoa a quem se fala, embora a concordância
deva ser feita com a terceira pessoa. Convém notar que, exceção feita a 6. Os pronomes oblíquos CONOSCO e CONVOSCO são utilizados
você, esses pronomes são empregados no tratamento cerimonioso. normalmente em sua forma sintética. Caso haja palavra de reforço,
tais pronomes devem ser substituídos pela forma analítica:
Veja, a seguir, alguns desses pronomes: Queriam falar conosco = Queriam falar com nós dois
PRONOME ABREV. EMPREGO
Queriam conversar convosco = Queriam conversar com vós próprios.
Vossa Alteza V. A. príncipes, duques
Vossa Eminência V .Ema cardeais
Vossa Excelência V.Exa altas autoridades em geral 7. Os pronomes oblíquos podem aparecer combinados entre si. As
Vossa Magnificência V. Mag a reitores de universidades combinações possíveis são as seguintes:
Vossa Reverendíssima V. Revma sacerdotes em geral me+o=mo me + os = mos
Vossa Santidade V.S. papas te+o=to te + os = tos
Vossa Senhoria V.Sa funcionários graduados lhe+o=lho lhe + os = lhos
Vossa Majestade V.M. reis, imperadores nos + o = no-lo nos + os = no-los
vos + o = vo-lo vos + os = vo-los
São também pronomes de tratamento: o senhor, a senhora, você, vo- lhes + o = lho lhes + os = lhos
cês.
A combinação também é possível com os pronomes oblíquos femini-
EMPREGO DOS PRONOMES PESSOAIS nos a, as.
1. Os pronomes pessoais do caso reto (EU, TU, ELE/ELA, NÓS, VÓS, me+a=ma me + as = mas
ELES/ELAS) devem ser empregados na função sintática de sujeito. te+a=ta te + as = tas
Considera-se errado seu emprego como complemento: - Você pagou o livro ao livreiro?
Convidaram ELE para a festa (errado) - Sim, paguei-LHO.
Receberam NÓS com atenção (errado)
EU cheguei atrasado (certo) Verifique que a forma combinada LHO resulta da fusão de LHE (que
ELE compareceu à festa (certo) representa o livreiro) com O (que representa o livro).
2. Na função de complemento, usam-se os pronomes oblíquos e não os
pronomes retos: 8. As formas oblíquas O, A, OS, AS são sempre empregadas como
Convidei ELE (errado) complemento de verbos transitivos diretos, ao passo que as formas
Chamaram NÓS (errado) LHE, LHES são empregadas como complemento de verbos transitivos
Convidei-o. (certo) indiretos:
Chamaram-NOS. (certo) O menino convidou-a. (V.T.D )
3. Os pronomes retos (exceto EU e TU), quando antecipados de prepo- O filho obedece-lhe. (V.T. l )
sição, passam a funcionar como oblíquos. Neste caso, considera-se
correto seu emprego como complemento: Consideram-se erradas construções em que o pronome O (e flexões)
Informaram a ELE os reais motivos. aparece como complemento de verbos transitivos indiretos, assim como
Emprestaram a NÓS os livros. as construções em que o nome LHE (LHES) aparece como complemento
Eles gostam muito de NÓS. de verbos transitivos diretos:
4. As formas EU e TU só podem funcionar como sujeito. Considera-se Eu lhe vi ontem. (errado)
errado seu emprego como complemento: Nunca o obedeci. (errado)
Nunca houve desentendimento entre eu e tu. (errado) Eu o vi ontem. (certo)
Nunca houve desentendimento entre mim e ti. (certo) Nunca lhe obedeci. (certo)

Como regra prática, podemos propor o seguinte: quando precedidas 9. Há pouquíssimos casos em que o pronome oblíquo pode funcionar
de preposição, não se usam as formas retas EU e TU, mas as formas como sujeito. Isto ocorre com os verbos: deixar, fazer, ouvir, mandar,
oblíquas MIM e TI: sentir, ver, seguidos de infinitivo. O nome oblíquo será sujeito desse
Ninguém irá sem EU. (errado) infinitivo:

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APOSTILAS OPÇÃO
Deixei-o sair. A velha amiga trouxe um lenço, pediu-me uma pequena moeda de
Vi-o chegar. meio franco.
Sofia deixou-se estar à janela.
Próclise
É fácil perceber a função do sujeito dos pronomes oblíquos, desen- Na linguagem culta, a próclise é recomendada:
volvendo as orações reduzidas de infinitivo: 1. Quando o verbo estiver precedido de pronomes relativos, indefinidos,
Deixei-o sair = Deixei que ele saísse. interrogativos e conjunções.
10. Não se considera errada a repetição de pronomes oblíquos: As crianças que me serviram durante anos eram bichos.
A mim, ninguém me engana. Tudo me parecia que ia ser comida de avião.
A ti tocou-te a máquina mercante. Quem lhe ensinou esses modos?
Quem os ouvia, não os amou.
Nesses casos, a repetição do pronome oblíquo não constitui pleo- Que lhes importa a eles a recompensa?
nasmo vicioso e sim ênfase. Emília tinha quatorze anos quando a vi pela primeira vez.
2. Nas orações optativas (que exprimem desejo):
11. Muitas vezes os pronomes oblíquos equivalem a pronomes possessi- Papai do céu o abençoe.
vo, exercendo função sintática de adjunto adnominal: A terra lhes seja leve.
Roubaram-me o livro = Roubaram meu livro. 3. Com o gerúndio precedido da preposição EM:
Não escutei-lhe os conselhos = Não escutei os seus conselhos. Em se animando, começa a contagiar-nos.
Bromil era o suco em se tratando de combater a tosse.
12. As formas plurais NÓS e VÓS podem ser empregadas para represen- 4. Com advérbios pronunciados juntamente com o verbo, sem que haja
tar uma única pessoa (singular), adquirindo valor cerimonioso ou de pausa entre eles.
modéstia: Aquela voz sempre lhe comunicava vida nova.
Nós - disse o prefeito - procuramos resolver o problema das enchen- Antes, falava-se tão-somente na aguardente da terra.
tes.
Vós sois minha salvação, meu Deus! Mesóclise
Usa-se o pronome no interior das formas verbais do futuro do presen-
13. Os pronomes de tratamento devem vir precedidos de VOSSA, quando te e do futuro do pretérito do indicativo, desde que estes verbos não
nos dirigimos à pessoa representada pelo pronome, e por SUA, quan- estejam precedidos de palavras que reclamem a próclise.
do falamos dessa pessoa: Lembrar-me-ei de alguns belos dias em Paris.
Ao encontrar o governador, perguntou-lhe: Dir-se-ia vir do oco da terra.
Vossa Excelência já aprovou os projetos?
Sua Excelência, o governador, deverá estar presente na inauguração. Mas:
Não me lembrarei de alguns belos dias em Paris.
14. VOCÊ e os demais pronomes de tratamento (VOSSA MAJESTADE, Jamais se diria vir do oco da terra.
VOSSA ALTEZA) embora se refiram à pessoa com quem falamos (2ª Com essas formas verbais a ênclise é inadmissível:
pessoa, portanto), do ponto de vista gramatical, comportam-se como Lembrarei-me (!?)
pronomes de terceira pessoa: Diria-se (!?)
Você trouxe seus documentos?
Vossa Excelência não precisa incomodar-se com seus problemas.
O Pronome Átono nas Locuções Verbais
1. Auxiliar + infinitivo ou gerúndio - o pronome pode vir proclítico ou
COLOCAÇÃO DE PRONOMES enclítico ao auxiliar, ou depois do verbo principal.
Em relação ao verbo, os pronomes átonos (ME, TE, SE, LHE, O, A, Podemos contar-lhe o ocorrido.
NÓS, VÓS, LHES, OS, AS) podem ocupar três posições: Podemos-lhe contar o ocorrido.
1. Antes do verbo - próclise Não lhes podemos contar o ocorrido.
Eu te observo há dias. O menino foi-se descontraindo.
2. Depois do verbo - ênclise O menino foi descontraindo-se.
Observo-te há dias. O menino não se foi descontraindo.
3. No interior do verbo - mesóclise 2. Auxiliar + particípio passado - o pronome deve vir enclítico ou proclíti-
Observar-te-ei sempre. co ao auxiliar, mas nunca enclítico ao particípio.
"Outro mérito do positivismo em relação a mim foi ter-me levado a
Ênclise Descartes ."
Na linguagem culta, a colocação que pode ser considerada normal é a Tenho-me levantado cedo.
ênclise: o pronome depois do verbo, funcionando como seu complemento Não me tenho levantado cedo.
direto ou indireto.
O pai esperava-o na estação agitada. O uso do pronome átono solto entre o auxiliar e o infinitivo, ou entre o
Expliquei-lhe o motivo das férias. auxiliar e o gerúndio, já está generalizado, mesmo na linguagem culta.
Outro aspecto evidente, sobretudo na linguagem coloquial e popular, é o
Ainda na linguagem culta, em escritos formais e de estilo cuidadoso, a da colocação do pronome no início da oração, o que se deve evitar na
ênclise é a colocação recomendada nos seguintes casos: linguagem escrita.
1. Quando o verbo iniciar a oração:
Voltei-me em seguida para o céu límpido. PRONOMES POSSESSIVOS
2. Quando o verbo iniciar a oração principal precedida de pausa: Os pronomes possessivos referem-se às pessoas do discurso, atribu-
Como eu achasse muito breve, explicou-se. indo-lhes a posse de alguma coisa.
3. Com o imperativo afirmativo:
Companheiros, escutai-me. Quando digo, por exemplo, “meu livro”, a palavra “meu” informa que o
4. Com o infinitivo impessoal: livro pertence a 1ª pessoa (eu)
A menina não entendera que engorda-las seria apressar-lhes um Eis as formas dos pronomes possessivos:
destino na mesa. 1ª pessoa singular: MEU, MINHA, MEUS, MINHAS.
5. Com o gerúndio, não precedido da preposição EM: 2ª pessoa singular: TEU, TUA, TEUS, TUAS.
E saltou, chamando-me pelo nome, conversou comigo. 3ª pessoa singular: SEU, SUA, SEUS, SUAS.
6. Com o verbo que inicia a coordenada assindética.
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APOSTILAS OPÇÃO
1ª pessoa plural: NOSSO, NOSSA, NOSSOS, NOSSAS. Deste minuto em diante vou modificar-me.
2ª pessoa plural: VOSSO, VOSSA, VOSSOS, VOSSAS. d) Para indicar tempo vindouro ou mesmo passado, mas próximo do
3ª pessoa plural: SEU, SUA, SEUS, SUAS. momento em que falamos:
Esta noite (= a noite vindoura) vou a um baile.
Os possessivos SEU(S), SUA(S) tanto podem referir-se à 3ª pessoa
Esta noite (= a noite que passou) não dormi bem.
(seu pai = o pai dele), como à 2ª pessoa do discurso (seu pai = o pai de
Um dia destes estive em Porto Alegre.
você).
e) Para indicar que o período de tempo é mais ou menos extenso e no
Por isso, toda vez que os ditos possessivos derem margem a ambi-
qual se inclui o momento em que falamos:
guidade, devem ser substituídos pelas expressões dele(s), dela(s).
Nesta semana não choveu.
Ex.:Você bem sabe que eu não sigo a opinião dele.
Neste mês a inflação foi maior.
A opinião dela era que Camilo devia tornar à casa deles.
Este ano será bom para nós.
Eles batizaram com o nome delas as águas deste rio.
Este século terminará breve.
f) Para indicar aquilo de que estamos tratando:
Os possessivos devem ser usados com critério. Substituí-los pelos
Este assunto já foi discutido ontem.
pronomes oblíquos comunica á frase desenvoltura e elegância.
Tudo isto que estou dizendo já é velho.
Crispim Soares beijou-lhes as mãos agradecido (em vez de: beijou as
g) Para indicar aquilo que vamos mencionar:
suas mãos).
Só posso lhe dizer isto: nada somos.
Não me respeitava a adolescência.
Os tipos de artigo são estes: definidos e indefinidos.
A repulsa estampava-se-lhe nos músculos da face.
2. ESSE (e variações) e ISSO usam-se:
O vento vindo do mar acariciava-lhe os cabelos.
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 2ª pessoa (aquela com
quem se fala):
Além da ideia de posse, podem ainda os pronomes exprimir:
Esse documento que tens na mão é teu?
1. Cálculo aproximado, estimativa:
Isso que carregas pesa 5 kg.
Ele poderá ter seus quarenta e cinco anos
b) Para indicar o que está na 2ª pessoa ou que a abrange fisicamente:
2. Familiaridade ou ironia, aludindo-se á personagem de uma histó-
Esse teu coração me traiu.
ria
Essa alma traz inúmeros pecados.
O nosso homem não se deu por vencido.
Quantos vivem nesse pais?
Chama-se Falcão o meu homem
c) Para indicar o que se encontra distante de nós, ou aquilo de que
3. O mesmo que os indefinidos certo, algum
desejamos distância:
Eu cá tenho minhas dúvidas
O povo já não confia nesses políticos.
Cornélio teve suas horas amargas
Não quero mais pensar nisso.
4. Afetividade, cortesia
d) Para indicar aquilo que já foi mencionado pela 2ª pessoa:
Como vai, meu menino?
Nessa tua pergunta muita matreirice se esconde.
Não os culpo, minha boa senhora, não os culpo
O que você quer dizer com isso?
e) Para indicar tempo passado, não muito próximo do momento em que
No plural usam-se os possessivos substantivados no sentido de pa-
falamos:
rentes de família.
Um dia desses estive em Porto Alegre.
É assim que um moço deve zelar o nome dos seus?
Comi naquele restaurante dia desses.
Podem os possessivos ser modificados por um advérbio de intensida-
f) Para indicar aquilo que já mencionamos:
de.
Fugir aos problemas? Isso não é do meu feitio.
Levaria a mão ao colar de pérolas, com aquele gesto tão seu, quando
Ainda hei de conseguir o que desejo, e esse dia não está muito dis-
não sabia o que dizer.
tante.
3. AQUELE (e variações) e AQUILO usam-se:
PRONOMES DEMONSTRATIVOS a) Para indicar o que está longe das duas primeiras pessoas e refere-se
São aqueles que determinam, no tempo ou no espaço, a posição da á 3ª.
coisa designada em relação à pessoa gramatical. Aquele documento que lá está é teu?
Aquilo que eles carregam pesa 5 kg.
Quando digo “este livro”, estou afirmando que o livro se encontra per- b) Para indicar tempo passado mais ou menos distante.
to de mim a pessoa que fala. Por outro lado, “esse livro” indica que o livro Naquele instante estava preocupado.
está longe da pessoa que fala e próximo da que ouve; “aquele livro” indica Daquele instante em diante modifiquei-me.
que o livro está longe de ambas as pessoas. Usamos, ainda, aquela semana, aquele mês, aquele ano, aquele
século, para exprimir que o tempo já decorreu.
Os pronomes demonstrativos são estes: 4. Quando se faz referência a duas pessoas ou coisas já mencionadas,
usa-se este (ou variações) para a última pessoa ou coisa e aquele (ou
ESTE (e variações), isto = 1ª pessoa
variações) para a primeira:
ESSE (e variações), isso = 2ª pessoa
Ao conversar com lsabel e Luís, notei que este se encontrava nervoso
AQUELE (e variações), próprio (e variações)
e aquela tranquila.
MESMO (e variações), próprio (e variações)
5. Os pronomes demonstrativos, quando regidos pela preposição DE,
SEMELHANTE (e variação), tal (e variação)
pospostos a substantivos, usam-se apenas no plural:
Emprego dos Demonstrativos Você teria coragem de proferir um palavrão desses, Rose?
Com um frio destes não se pode sair de casa.
1. ESTE (e variações) e ISTO usam-se:
Nunca vi uma coisa daquelas.
a) Para indicar o que está próximo ou junto da 1ª pessoa (aquela que
6. MESMO e PRÓPRIO variam em gênero e número quando têm caráter
fala).
reforçativo:
Este documento que tenho nas mãos não é meu.
Zilma mesma (ou própria) costura seus vestidos.
Isto que carregamos pesa 5 kg.
Luís e Luísa mesmos (ou próprios) arrumam suas camas.
b) Para indicar o que está em nós ou o que nos abrange fisicamente:
7. O (e variações) é pronome demonstrativo quando equivale a AQUILO,
Este coração não pode me trair.
ISSO ou AQUELE (e variações).
Esta alma não traz pecados.
Nem tudo (aquilo) que reluz é ouro.
Tudo se fez por este país..
O (aquele) que tem muitos vícios tem muitos mestres.
c) Para indicar o momento em que falamos:
Das meninas, Jeni a (aquela) que mais sobressaiu nos exames.
Neste instante estou tranquilo.
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APOSTILAS OPÇÃO
A sorte é mulher e bem o (isso) demonstra de fato, ela não ama os Acreditam em tudo o que fulano diz ou sicrano escreve.
homens superiores. Não faças a outrem o que não queres que te façam.
8. NISTO, em início de frase, significa ENTÃO, no mesmo instante: Quem avisa amigo é.
A menina ia cair, nisto, o pai a segurou Encontrei quem me pode ajudar.
9. Tal é pronome demonstrativo quando tomado na acepção DE ESTE, Ele gosta de quem o elogia.
ISTO, ESSE, ISSO, AQUELE, AQUILO. 2. São pronomes indefinidos adjetivos: CADA, CERTO, CERTOS,
Tal era a situação do país. CERTA CERTAS.
Não disse tal. Cada povo tem seus costumes.
Tal não pôde comparecer. Certas pessoas exercem várias profissões.
Pronome adjetivo quando acompanha substantivo ou pronome (atitu- Certo dia apareceu em casa um repórter famoso.
des tais merecem cadeia, esses tais merecem cadeia), quando acompa- PRONOMES INTERROGATIVOS
nha QUE, formando a expressão que tal? (? que lhe parece?) em frases Aparecem em frases interrogativas. Como os indefinidos, referem-se
como Que tal minha filha? Que tais minhas filhas? e quando correlativo de modo impreciso à 3ª pessoa do discurso.
DE QUAL ou OUTRO TAL: Exemplos:
Suas manias eram tais quais as minhas. Que há?
A mãe era tal quais as filhas. Que dia é hoje?
Os filhos são tais qual o pai. Reagir contra quê?
Tal pai, tal filho. Por que motivo não veio?
É pronome substantivo em frases como: Quem foi?
Não encontrarei tal (= tal coisa). Qual será?
Não creio em tal (= tal coisa) Quantos vêm?
Quantas irmãs tens?
PRONOMES RELATIVOS
Veja este exemplo:
Armando comprou a casa QUE lhe convinha.
VERBO
A palavra que representa o nome casa, relacionando-se com o termo
casa é um pronome relativo. CONCEITO
PRONOMES RELATIVOS são palavras que representam nomes já “As palavras em destaque no texto abaixo exprimem ações, situando-
referidos, com os quais estão relacionados. Daí denominarem-se relativos. as no tempo.
A palavra que o pronome relativo representa chama-se antecedente. Queixei-me de baratas. Uma senhora ouviu-me a queixa. Deu-me a
No exemplo dado, o antecedente é casa. receita de como matá-las. Que misturasse em partes iguais açúcar, fari-
Outros exemplos de pronomes relativos: nha e gesso. A farinha e o açúcar as atrairiam, o gesso esturricaria dentro
Sejamos gratos a Deus, a quem tudo devemos. elas. Assim fiz. Morreram.”
O lugar onde paramos era deserto. (Clarice Lispector)
Traga tudo quanto lhe pertence.
Leve tantos ingressos quantos quiser. Essas palavras são verbos. O verbo também pode exprimir:
Posso saber o motivo por que (ou pelo qual) desistiu do concurso? a) Estado:
Não sou alegre nem sou triste.
Eis o quadro dos pronomes relativos: Sou poeta.
VARIÁVEIS INVARIÁVEIS b) Mudança de estado:
Masculino Feminino Meu avô foi buscar ouro.
o qual a qual quem Mas o ouro virou terra.
os quais as quais c) Fenômeno:
cujo cujos cuja cujas que Chove. O céu dorme.
quanto quanta quantas onde
quantos VERBO é a palavra variável que exprime ação, estado, mudança de
estado e fenômeno, situando-se no tempo.
Observações:
1. O pronome relativo QUEM só se aplica a pessoas, tem antecedente, FLEXÕES
vem sempre antecedido de preposição, e equivale a O QUAL. O verbo é a classe de palavras que apresenta o maior número de fle-
O médico de quem falo é meu conterrâneo. xões na língua portuguesa. Graças a isso, uma forma verbal pode trazer
2. Os pronomes CUJO, CUJA significam do qual, da qual, e precedem em si diversas informações. A forma CANTÁVAMOS, por exemplo, indica:
sempre um substantivo sem artigo. • a ação de cantar.
Qual será o animal cujo nome a autora não quis revelar? • a pessoa gramatical que pratica essa ação (nós).
3. QUANTO(s) e QUANTA(s) são pronomes relativos quando precedidos • o número gramatical (plural).
de um dos pronomes indefinidos tudo, tanto(s), tanta(s), todos, todas. • o tempo em que tal ação ocorreu (pretérito).
Tenho tudo quanto quero. • o modo como é encarada a ação: um fato realmente acontecido
Leve tantos quantos precisar. no passado (indicativo).
Nenhum ovo, de todos quantos levei, se quebrou. • que o sujeito pratica a ação (voz ativa).
4. ONDE, como pronome relativo, tem sempre antecedente e equivale a
EM QUE. Portanto, o verbo flexiona-se em número, pessoa, modo, tempo e voz.
A casa onde (= em que) moro foi de meu avô. 1. NÚMERO: o verbo admite singular e plural:
O menino olhou para o animal com olhos alegres. (singular).
Os meninos olharam para o animal com olhos alegres. (plural).
PRONOMES INDEFINIDOS 2. PESSOA: servem de sujeito ao verbo as três pessoas gramaticais:
Estes pronomes se referem à 3ª pessoa do discurso, designando-a de 1ª pessoa: aquela que fala. Pode ser
modo vago, impreciso, indeterminado. a) do singular - corresponde ao pronome pessoal EU. Ex.: Eu adormeço.
1. São pronomes indefinidos substantivos: ALGO, ALGUÉM, FULANO, b) do plural - corresponde ao pronome pessoal NÓS. Ex.: Nós adorme-
SICRANO, BELTRANO, NADA, NINGUÉM, OUTREM, QUEM, TUDO cemos.
Exemplos: 2ª pessoa: aquela que ouve. Pode ser
Algo o incomoda? a) do singular - corresponde ao pronome pessoal TU. Ex.:Tu adormeces.
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APOSTILAS OPÇÃO
b) do plural - corresponde ao pronome pessoal VÓS. Ex.:Vós adorme- cantei - cantarei – cantava - cantasse.
ceis. b) irregulares - são aqueles cuja flexão provoca alterações no radical ou
3ª pessoa: aquela de quem se fala. Pode ser nas desinências: faço - fiz - farei - fizesse.
a) do singular - corresponde aos pronomes pessoais ELE, ELA. Ex.: Ela c) defectivos - são aqueles que não apresentam conjugação completa,
adormece. como por exemplo, os verbos falir, abolir e os verbos que indicam fe-
b) do plural - corresponde aos pronomes pessoas ELES, ELAS. Ex.: nômenos naturais, como CHOVER, TROVEJAR, etc.
Eles adormecem. d) abundantes - são aqueles que possuem mais de uma forma com o
3. MODO: é a propriedade que tem o verbo de indicar a atitude do mesmo valor. Geralmente, essa característica ocorre no particípio:
falante em relação ao fato que comunica. Há três modos em portu- matado - morto - enxugado - enxuto.
guês. e) anômalos - são aqueles que incluem mais de um radical em sua
a) indicativo: a atitude do falante é de certeza diante do fato. conjugação.
A cachorra Baleia corria na frente. verbo ser: sou - fui
b) subjuntivo: a atitude do falante é de dúvida diante do fato. verbo ir: vou - ia
Talvez a cachorra Baleia corra na frente .
c) imperativo: o fato é enunciado como uma ordem, um conselho, um QUANTO À EXISTÊNCIA OU NÃO DO SUJEITO
pedido
1. Pessoais: são aqueles que se referem a qualquer sujeito implícito ou
Corra na frente, Baleia.
explícito. Quase todos os verbos são pessoais.
4. TEMPO: é a propriedade que tem o verbo de localizar o fato no tem-
O Nino apareceu na porta.
po, em relação ao momento em que se fala. Os três tempos básicos
2. Impessoais: são aqueles que não se referem a qualquer sujeito implí-
são:
cito ou explícito. São utilizados sempre na 3ª pessoa. São impessoais:
a) presente: a ação ocorre no momento em que se fala:
a) verbos que indicam fenômenos meteorológicos: chover, nevar, ventar,
Fecho os olhos, agito a cabeça.
etc.
b) pretérito (passado): a ação transcorreu num momento anterior àquele
Garoava na madrugada roxa.
em que se fala:
b) HAVER, no sentido de existir, ocorrer, acontecer:
Fechei os olhos, agitei a cabeça.
Houve um espetáculo ontem.
c) futuro: a ação poderá ocorrer após o momento em que se fala:
Há alunos na sala.
Fecharei os olhos, agitarei a cabeça.
Havia o céu, havia a terra, muita gente e mais Anica com seus olhos
O pretérito e o futuro admitem subdivisões, o que não ocorre com o
claros.
presente.
c) FAZER, indicando tempo decorrido ou fenômeno meteorológico.
Fazia dois anos que eu estava casado.
Veja o esquema dos tempos simples em português:
Faz muito frio nesta região?
Presente (falo)
INDICATIVO Pretérito perfeito ( falei)
Imperfeito (falava) O VERBO HAVER (empregado impessoalmente)
Mais- que-perfeito (falara) O verbo haver é impessoal - sendo, portanto, usado invariavelmente
Futuro do presente (falarei) na 3ª pessoa do singular - quando significa:
do pretérito (falaria) 1) EXISTIR
Presente (fale) Há pessoas que nos querem bem.
Criaturas infalíveis nunca houve nem haverá.
SUBJUNTIVO Pretérito imperfeito (falasse) Brigavam à toa, sem que houvesse motivos sérios.
Futuro (falar) Livros, havia-os de sobra; o que faltava eram leitores.
2) ACONTECER, SUCEDER
Há ainda três formas que não exprimem exatamente o tempo em que Houve casos difíceis na minha profissão de médico.
se dá o fato expresso. São as formas nominais, que completam o esque- Não haja desavenças entre vós.
ma dos tempos simples. Naquele presídio havia frequentes rebeliões de presos.
Infinitivo impessoal (falar) 3) DECORRER, FAZER, com referência ao tempo passado:
Pessoal (falar eu, falares tu, etc.) Há meses que não o vejo.
FORMAS NOMINAIS Gerúndio (falando) Haverá nove dias que ele nos visitou.
Particípio (falado) Havia já duas semanas que Marcos não trabalhava.
5. VOZ: o sujeito do verbo pode ser: O fato aconteceu há cerca de oito meses.
a) agente do fato expresso. Quando pode ser substituído por FAZIA, o verbo HAVER concorda no
O carroceiro disse um palavrão. pretérito imperfeito, e não no presente:
(sujeito agente) Havia (e não HÁ) meses que a escola estava fechada.
O verbo está na voz ativa. Morávamos ali havia (e não HÁ) dois anos.
b) paciente do fato expresso: Ela conseguira emprego havia (e não HÁ) pouco tempo.
Um palavrão foi dito pelo carroceiro. Havia (e não HÁ) muito tempo que a policia o procurava.
(sujeito paciente) 4) REALIZAR-SE
O verbo está na voz passiva. Houve festas e jogos.
c) agente e paciente do fato expresso: Se não chovesse, teria havido outros espetáculos.
O carroceiro machucou-se. Todas as noites havia ensaios das escolas de samba.
(sujeito agente e paciente) 5) Ser possível, existir possibilidade ou motivo (em frases negativas e
O verbo está na voz reflexiva. seguido de infinitivo):
6. FORMAS RIZOTÔNICAS E ARRIZOTÔNICAS: dá-se o nome de Em pontos de ciência não há transigir.
rizotônica à forma verbal cujo acento tônico está no radical. Não há contê-lo, então, no ímpeto.
Falo - Estudam. Não havia descrer na sinceridade de ambos.
Dá-se o nome de arrizotônica à forma verbal cujo acento tônico está Mas olha, Tomásia, que não há fiar nestas afeiçõezinhas.
fora do radical. E não houve convencê-lo do contrário.
Falamos - Estudarei. Não havia por que ficar ali a recriminar-se.
7. CLASSIFICACÃO DOS VERBOS: os verbos classificam-se em:
Como impessoal o verbo HAVER forma ainda a locução adverbial de
a) regulares - são aqueles que possuem as desinências normais de sua
há muito (= desde muito tempo, há muito tempo):
conjugação e cuja flexão não provoca alterações no radical: canto -

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APOSTILAS OPÇÃO
De há muito que esta árvore não dá frutos. Usa-se a forma composta para indicar uma ação que se prolonga até
De há muito não o vejo. o momento presente.
Tenho estudado todas as noites.
O verbo HAVER transmite a sua impessoalidade aos verbos que com d) Pretérito mais-que-perfeito
ele formam locução, os quais, por isso, permanecem invariáveis na 3ª Chama-se mais-que-perfeito porque indica uma ação passada em
pessoa do singular: relação a outro fato passado (ou seja, é o passado do passado):
Vai haver eleições em outubro. A bola já ultrapassara a linha quando o jogador a alcançou.
Começou a haver reclamações. e) Futuro do Presente
Não pode haver umas sem as outras. Emprega-se o futuro do presente do indicativo para apontar um fato
Parecia haver mais curiosos do que interessados. futuro em relação ao momento em que se fala.
Mas haveria outros defeitos, devia haver outros. Irei à escola.
A expressão correta é HAJA VISTA, e não HAJA VISTO. Pode ser f) Futuro do Pretérito
construída de três modos: Emprega-se o futuro do pretérito do indicativo para assinalar:
Hajam vista os livros desse autor. - um fato futuro, em relação a outro fato passado.
Haja vista os livros desse autor. - Eu jogaria se não tivesse chovido.
Haja vista aos livros desse autor. - um fato futuro, mas duvidoso, incerto.
CONVERSÃO DA VOZ ATIVA NA PASSIVA - Seria realmente agradável ter de sair?
Um fato presente: nesse caso, o futuro do pretérito indica polidez e às
Pode-se mudar a voz ativa na passiva sem alterar substancialmente o
vezes, ironia.
sentido da frase.
- Daria para fazer silêncio?!
Exemplo:
Gutenberg inventou a imprensa. (voz ativa)
Modo Subjuntivo
A imprensa foi inventada por Gutenberg. (voz passiva)
a) Presente
Emprega-se o presente do subjuntivo para mostrar:
Observe que o objeto direto será o sujeito da passiva, o sujeito da ati-
- um fato presente, mas duvidoso, incerto.
va passará a agente da passiva e o verbo assumirá a forma passiva,
Talvez eles estudem... não sei.
conservando o mesmo tempo.
- um desejo, uma vontade:
Que eles estudem, este é o desejo dos pais e dos professores.
Outros exemplos:
b) Pretérito Imperfeito
Os calores intensos provocam as chuvas.
Emprega-se o pretérito imperfeito do subjuntivo para indicar uma
As chuvas são provocadas pelos calores intensos.
hipótese, uma condição.
Eu o acompanharei.
Se eu estudasse, a história seria outra.
Ele será acompanhado por mim.
Nós combinamos que se chovesse não haveria jogo.
Todos te louvariam.
e) Pretérito Perfeito
Serias louvado por todos.
Emprega-se o pretérito perfeito composto do subjuntivo para apontar
Prejudicaram-me.
um fato passado, mas incerto, hipotético, duvidoso (que são, afinal, as
Fui prejudicado.
características do modo subjuntivo).
Condenar-te-iam.
Que tenha estudado bastante é o que espero.
Serias condenado.
d) Pretérito Mais-Que-Perfeito - Emprega-se o pretérito mais-que-
perfeito do subjuntivo para indicar um fato passado em relação a outro
EMPREGO DOS TEMPOS VERBAIS
fato passado, sempre de acordo com as regras típicas do modo sub-
a) Presente
juntivo:
Emprega-se o presente do indicativo para assinalar:
Se não tivéssemos saído da sala, teríamos terminado a prova tranqui-
- um fato que ocorre no momento em que se fala.
lamente.
Eles estudam silenciosamente.
e) Futuro
Eles estão estudando silenciosamente.
Emprega-se o futuro do subjuntivo para indicar um fato futuro já
- uma ação habitual.
concluído em relação a outro fato futuro.
Corra todas as manhãs.
Quando eu voltar, saberei o que fazer.
- uma verdade universal (ou tida como tal):
O homem é mortal.
A mulher ama ou odeia, não há outra alternativa. VERBOS AUXILIARES
- fatos já passados. Usa-se o presente em lugar do pretérito para dar INDICATIVO
maior realce à narrativa. SER ESTAR TER HAVER
Em 1748, Montesquieu publica a obra "O Espírito das Leis". PRESENTE
É o chamado presente histórico ou narrativo. sou estou tenho hei
- fatos futuros não muito distantes, ou mesmo incertos: és estás tens hás
Amanhã vou à escola. é está tem há
Qualquer dia eu te telefono. somos estamos temos havemos
b) Pretérito Imperfeito sois estais tendes haveis
Emprega-se o pretérito imperfeito do indicativo para designar: são estão têm hão
PRETÉRITO PERFEITO
- um fato passado contínuo, habitual, permanente:
era estava tinha havia
Ele andava à toa.
eras estavas tinhas havias
Nós vendíamos sempre fiado. era estava tinha havia
- um fato passado, mas de incerta localização no tempo. É o que ocorre éramos estávamos tínhamos havíamos
por exemplo, no inicio das fábulas, lendas, histórias infantis. éreis estáveis tínheis havíes
Era uma vez... eram estavam tinham haviam
- um fato presente em relação a outro fato passado. PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
Eu lia quando ele chegou. fui estive tive houve
c) Pretérito Perfeito foste estiveste tiveste houveste
Emprega-se o pretérito perfeito do indicativo para referir um fato já foi esteve teve houve
ocorrido, concluído. fomos estivemos tivemos houvemos
Estudei a noite inteira. fostes estivestes tivestes houvestes

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APOSTILAS OPÇÃO
foram estiveram tiveram houveram não seja você não esteja você não tenha você não haja você
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO não sejamos nós não estejamos não tenhamos não hajamos
tenho sido tenho estado tenho tido tenho havido nós nós nós
tens sido tens estado tens tido tens havido não sejais vós não estejais vós não tenhais vós não hajais vós
tem sido tem estado tem tido tem havido não sejam vocês não estejam não tenham não hajam vocês
temos sido temos estado temos tido temos havido vocês vocês
tendes sido tendes estado tendes tido tendes havido IMPESSOAL INFINITIVO
têm sido têm estado têm tido têm havido ser estar ter haver
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES IMPESSOAL COMPOSTO
fora estivera tivera houvera Ter sido ter estado ter tido ter havido
foras estiveras tiveras houveras PESSOAL
fora estivera tivera houvera ser estar ter haver
fôramos estivéramos tivéramos houvéramos seres estares teres haveres
fôreis estivéreis tivéreis houvéreis ser estar ter haver
foram estiveram tiveram houveram sermos estarmos termos havermos
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO serdes estardes terdes haverdes
tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+sido, estado, tido , havido) serem estarem terem haverem
FUTURO DO PRESENTE SIMPLES SIMPLES GERÚNDIO
serei estarei terei haverei sendo estando tendo havendo
serás estarás terás haverá COMPOSTO
será estará terá haverá tendo sido tendo estado tendo tido tendo havido
seremos estaremos teremos haveremos PARTICÍPIO
sereis estareis tereis havereis sido estado tido havido
serão estarão terão haverão
FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO CONJUGAÇÕES VERBAIS
terei, terás, terá, teremos, tereis, terão, (+sido, estado, tido, havido) INDICATIVO
FUTURO DO PRESENTE
PRETÉRITO canto vendo parto
SIMPLES cantas vendes partes
seria estaria teria haveria canta vende parte
serias estarias terias haverias cantamos vendemos partimos
seria estaria teria haveria cantais vendeis partis
seríamos estaríamos teríamos haveríamos cantam vendem partem
serieis estaríeis teríeis haveríeis PRETÉRITO IMPERFEITO
seriam estariam teriam haveriam cantava vendia partia
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO cantavas vendias partias
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ sido, estado, tido, havido) cantava vendia partia
PRESENTE SUBJUNTIVO cantávamos vendíamos partíamos
seja esteja tenha haja cantáveis vendíeis partíeis
sejas estejas tenhas hajas cantavam vendiam partiam
seja esteja tenha haja PRETÉRITO PERFEITO SIMPLES
sejamos estejamos tenhamos hajamos cantei vendi parti
sejais estejais tenhais hajais cantaste vendeste partiste
sejam estejam tenham hajam cantou vendeu partiu
PRETÉRITO IMPERFEITO SIMPLES cantamos vendemos partimos
fosse estivesse tivesse houvesse cantastes vendestes partistes
fosses estivesses tivesses houvesses cantaram venderam partiram
fosse estivesse tivesse houvesse PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO
fôssemos estivéssemos tivéssemos houvéssemos tenho, tens, tem, temos, tendes, têm (+ cantado, vendido, partido)
fôsseis estivésseis tivésseis houvésseis PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO SIMPLES
fossem estivessem tivessem houvessem cantara vendera partira
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO cantaras venderas partiras
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ sido, estado, tido, havido) cantara vendera partira
PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO cantáramos vendêramos partíramos
tivesse, tivesses, tivesses, tivéssemos, tivésseis, tivessem ( + sido, estado, cantáreis vendêreis partíreis
tido, havido) cantaram venderam partiram
FUTURO SIMPLES PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO
se eu for se eu estiver se eu tiver se eu houver tinha, tinhas, tinha, tínhamos, tínheis, tinham (+ cantando, vendido, partido)
se tu fores se tu estiveres se tu tiveres se tu houveres Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver.
se ele for se ele estiver se ele tiver se ele houver FUTURO DO PRESENTE SIMPLES
se nós formos se nós estiver- se nós tivermos se nós houver- cantarei venderei partirei
mos mos cantarás venderás partirás
se vós fordes se vós estiver- se vós tiverdes se vós houver- cantará venderá partirá
des des cantaremos venderemos partiremos
se eles forem se eles estive- se eles tiverem se eles houve- cantareis vendereis partireis
rem rem cantarão venderão partirão
FUTURO COMPOSTO FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+sido, estado, tido, havido) terei, terás, terá, teremos, tereis, terão (+ cantado, vendido, partido)
AFIRMATIVO IMPERATIVO Obs.: Também se conjugam com o auxiliar haver.
sê tu está tu tem tu há tu FUTURO DO PRETÉRITO SIMPLES
seja você esteja você tenha você haja você cantaria venderia partiria
sejamos nós estejamos nós tenhamos nós hajamos nós cantarias venderias partirias
sede vós estai vós tende vós havei vós cantaria venderia partiria
sejam vocês estejam vocês tenham vocês hajam vocês cantaríamos venderíamos partiríamos
NEGATIVO cantaríeis venderíeis partiríeis
não sejas tu não estejas tu não tenhas tu não hajas tu cantariam venderiam partiriam

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APOSTILAS OPÇÃO
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO MODO INDICATIVO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam (+ cantado, vendido, partido)
FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO 1) PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO. Formado do PRESENTE DO
teria, terias, teria, teríamos, teríeis, teriam, (+ cantado, vendido, partido) INDICATIVO do verbo ter com o PARTICÍPIO do verbo principal:
Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
PRESENTE SUBJUNTIVO tenho cantado tenho vendido tenho partido
cante venda parta tens cantado tens vendido tens partido
cantes vendas partas tem cantado tem vendido tem partido
cante venda parta temos cantado temos vendido temos partido
cantemos vendamos partamos tendes cantado tendes vendido tendes partido
canteis vendais partais têm cantado têm vendido têm partido
cantem vendam partam 2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO COMPOSTO. Formado do IMPER-
PRETÉRITO IMPERFEITO FEITO DO INDICATIVO do verbo ter. (ou haver) com o PARTICÍPIO do
cantasse vendesse partisse verbo principal:
cantasses vendesses partisses
cantasse vendesse partisse tinha cantado tinha vendido tinha partido
cantássemos vendêssemos partíssemos tinhas cantado tinhas vendido tinhas .partido
cantásseis vendêsseis partísseis tinha cantado tinha vendido tinha partido
cantassem vendessem partissem tínhamos cantado tínhamos vendido tínhamos partido
PRETÉRITO PERFEITO COMPOSTO tínheis cantado tínheis vendido tínheis partido
tenha, tenhas, tenha, tenhamos, tenhais, tenham (+ cantado, vendido, parti- tinham cantado tinham vendido tinham partido
do) Obs.: também se conjugam com o auxiliar haver.
3) FUTURO DO PRESENTE COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
FUTURO SIMPLES PRESENTE SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do
cantar vender partir verbo principal:
cantares venderes partires
cantar vender partir terei cantado terei vendido terei partido
cantarmos vendermos partimos terás cantado terás vendido terás, partido
cantardes venderdes partirdes terá cantado terá vendido terá partido
cantarem venderem partirem teremos cantado teremos vendido teremos partido
FUTURO COMPOSTO tereis cantado tereis vendido tereis , partido
tiver, tiveres, tiver, tivermos, tiverdes, tiverem (+ cantado, vendido, partido) terão cantado terão vendido terão partido
AFIRMATIVO IMPERATIVO
4) FUTURO DO PRETÉRITO COMPOSTO. Formado do FUTURO DO
canta vende parte
PRETÉRITO SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do
cante venda parta
verbo principal:
cantemos vendamos partamos
cantai vendei parti teria cantado teria vendido teria partido
cantem vendam partam terias cantado terias vendido terias partido
NEGATIVO teria cantado teria vendido teria partido
não cantes não vendas não partas teríamos cantado teríamos vendido teríamos partido
não cante não venda não parta teríeis cantado teríeis vendido teríeis partido
não cantemos não vendamos não partamos teriam cantado teriam vendido teriam partido
não canteis não vendais não partais
não cantem não vendam não partam MODO SUBJUNTIVO

1) PRETÉRITO PERFEITO. Formado do PRESENTE DO SUBJUNTIVO


INFINITIVO IMPESSOAL SIMPLES do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:
PRESENTE tenha cantado tenha vendido tenha
cantar vender partir tenhas cantado tenhas vendido tenhas partido
INFINITIVO PESSOAL SIMPLES - PRESENTE FLEXIONADO tenha cantado tenha vendido tenha partido
cantar vender partir tenhamos cantado tenhamos vendido tenhamos partido
cantares venderes partires tenhais cantado tenhais vendido tenhais partido
cantar vender partir tenham cantado vendido tenham partido
cantarmos vendermos partirmos
cantardes venderdes partirdes 2) PRETÉRITO MAIS-QUE-PERFEITO. Formado do IMPERFEITO DO
cantarem venderem partirem SUBJUNTIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo
INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO IMPESSOAL principal:
ter (ou haver), cantado, vendido, partido
tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido
INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO - PRETÉRITO PESSOAL tivesses cantado tivesses vendido tivesses partido
ter, teres, ter, termos, terdes, terem (+ cantado, vendido, partido) tivesse cantado tivesse vendido tivesse partido
GERÚNDIO SIMPLES - PRESENTE tivéssemos cantado tivéssemos vendido tivéssemos partido
cantando vendendo partindo tivésseis cantado tivésseis vendido tivésseis partido
GERÚNDIO COMPOSTO - PRETÉRITO tivessem cantado tivessem vendido tivessem partido
tendo (ou havendo), cantado, vendido, partido
PARTICÍPIO 3) FUTURO COMPOSTO. Formado do FUTURO SIMPLES DO SUBJUN-
cantado vendido partido TIVO do verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal:

tiver cantado tiver vendido tiver partido


Formação dos tempos compostos tiveres cantado tiveres vendido tiveres partido
Com os verbos ter ou haver tiver cantado tiver vendido tiver partido
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação tivermos cantado tivermos vendido tivermos partido
tiverdes cantado tiverdes vendido tiverdes partido
Entre os tempos compostos da voz ativa merecem realce particular tiverem cantado tiverem vendido tiverem partido
aqueles que são constituídos de formas do verbo ter (ou, mais raramente,
haver) com o particípio do verbo que se quer conjugar, porque é costume FORMAS NOMINAIS
incluí-los nos próprios paradigmas de conjugação:
1) INFINITIVO IMPESSOAL COMPOSTO (PRETÉRITO IMPESSOAL).
Formado do INFINITIVO IMPESSOAL do verbo ter (ou haver) com o

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APOSTILAS OPÇÃO

PARTICÍPIO do verbo principal: Presente do indicativo copio, copias, copia, copiamos, copiais, copiam
Pretérito imperfeito copiei, copiaste, copiou, copiamos, copiastes, copiaram
Pretérito mais-que-perfeito copiara, copiaras, copiara, copiáramos, copiá-
ter cantado ter vendido ter partido
reis, copiaram
2) INFINITIVO PESSOAL COMPOSTO (OU PRETÉRITO PESSOAL). Presente do subjuntivo copie, copies, copie, copiemos, copieis, copiem
Formado do INFINITIVO PESSOAL do verbo ter (ou haver) com o Imperativo afirmativo copia, copie, copiemos, copiai, copiem
PARTICÍPIO do verbo principal:
ODIAR
ter cantado ter vendido ter partido Presente do indicativo odeio, odeias, odeia, odiamos, odiais, odeiam
teres cantado teres vendido teres partido Pretérito imperfeito odiava, odiavas, odiava, odiávamos, odiáveis, odiavam
ter cantado ter vendido ter partido Pretérito perfeito odiei, odiaste, odiou, odiamos, odiastes, odiaram
termos cantado termos vendido termos partido Pretérito mais-que-perfeito odiara, odiaras, odiara, odiáramos, odiáreis,
terdes cantado terdes vendido terdes partido odiaram
terem cantado terem vendido terem partido Presente do subjuntivo odeie, odeies, odeie, odiemos, odieis, odeiem
Conjugam-se como odiar, mediar, remediar, incendiar, ansiar
3) GERÚNDIO COMPOSTO (PRETÉRITO). Formado do GERÚNDIO do
verbo ter (ou haver) com o PARTICÍPIO do verbo principal: CABER
Presente do indicativo caibo, cabes, cabe, cabemos, cabeis, cabem
tendo cantado tendo vendido tendo partido Pretérito perfeito coube, coubeste, coube, coubemos, coubestes, couberam
Pretérito mais-que-perfeito coubera, couberas, coubera, coubéramos,
Fonte: Nova Gramática do Português Contemporâneo, Celso Cunha e
coubéreis, couberam
Lindley Cintra, Editora Nova Fronteira, 2ª edição, 29ª impressão.
Presente do subjuntivo caiba, caibas, caiba, caibamos, caibais, caibam
Imperfeito do subjuntivo coubesse, coubesses, coubesse, coubéssemos, coubés-
VERBOS IRREGULARES seis, coubessem
DAR Futuro do subjuntivo couber, couberes, couber, coubermos, couberdes, coube-
Presente do indicativo dou, dás, dá, damos, dais, dão rem
Pretérito perfeito dei, deste, deu, demos, destes, deram O verbo CABER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
Pretérito mais-que-perfeito dera, deras, dera, déramos, déreis, deram imperativo negativo
Presente do subjuntivo dê, dês, dê, demos, deis, dêem CRER
Imperfeito do subjuntivo desse, desses, desse, déssemos, désseis, dessem Presente do indicativo creio, crês, crê, cremos, credes, crêem
Futuro do subjuntivo der, deres, der, dermos, derdes, derem Presente do subjuntivo creia, creias, creia, creiamos, creiais, creiam
Imperativo afirmativo crê, creia, creiamos, crede, creiam
MOBILIAR Conjugam-se como crer, ler e descrer
Presente do indicativo mobilio, mobílias, mobília, mobiliamos, mobiliais, mobiliam
Presente do subjuntivo mobilie, mobilies, mobílie, mobiliemos, mobilieis, mobiliem DIZER
Imperativo mobília, mobilie, mobiliemos, mobiliai, mobiliem Presente do indicativo digo, dizes, diz, dizemos, dizeis, dizem
Pretérito perfeito disse, disseste, disse, dissemos, dissestes, disseram
AGUAR Pretérito mais-que-perfeito dissera, disseras, dissera, disséramos, dissé-
Presente do indicativo águo, águas, água, aguamos, aguais, águam reis, disseram
Pretérito perfeito aguei, aguaste, aguou, aguamos, aguastes, aguaram Futuro do presente direi, dirás, dirá, diremos, direis, dirão
Presente do subjuntivo águe, agues, ague, aguemos, agueis, águem Futuro do pretérito diria, dirias, diria, diríamos, diríeis, diriam
Presente do subjuntivo diga, digas, diga, digamos, digais, digam
MAGOAR Pretérito imperfeito dissesse, dissesses, dissesse, disséssemos, dissésseis,
Presente do indicativo magoo, magoas, magoa, magoamos, magoais, magoam dissesse
Pretérito perfeito magoei, magoaste, magoou, magoamos, magoastes, Futuro disser, disseres, disser, dissermos, disserdes, disserem
magoaram Particípio dito
Presente do subjuntivo magoe, magoes, magoe, magoemos, magoeis, magoem Conjugam-se como dizer, bendizer, desdizer, predizer, maldizer
Conjugam-se como magoar, abençoar, abotoar, caçoar, voar e perdoar
FAZER
APIEDAR-SE Presente do indicativo faço, fazes, faz, fazemos, fazeis, fazem
Presente do indicativo: apiado-me, apiadas-te, apiada-se, apiedamo-nos, apiedais- Pretérito perfeito fiz, fizeste, fez, fizemos fizestes, fizeram
vos, apiadam-se Pretérito mais-que-perfeito fizera, fizeras, fizera, fizéramos, fizéreis,
Presente do subjuntivo apiade-me, apiades-te, apiade-se, apiedemo-nos, apiedei- fizeram
vos, apiedem-se Futuro do presente farei, farás, fará, faremos, fareis, farão
Nas formas rizotônicas, o E do radical é substituído por A Futuro do pretérito faria, farias, faria, faríamos, faríeis, fariam
Imperativo afirmativo faze, faça, façamos, fazei, façam
MOSCAR Presente do subjuntivo faça, faças, faça, façamos, façais, façam
Presente do indicativo musco, muscas, musca, moscamos, moscais, muscam Imperfeito do subjuntivo fizesse, fizesses, fizesse, fizéssemos, fizésseis,
Presente do subjuntivo musque, musques, musque, mosquemos, mosqueis, fizessem
musquem Futuro do subjuntivo fizer, fizeres, fizer, fizermos, fizerdes, fizerem
Nas formas rizotônicas, o O do radical é substituído por U Conjugam-se como fazer, desfazer, refazer satisfazer

RESFOLEGAR PERDER
Presente do indicativo resfolgo, resfolgas, resfolga, resfolegamos, resfolegais, Presente do indicativo perco, perdes, perde, perdemos, perdeis, perdem
resfolgam Presente do subjuntivo perca, percas, perca, percamos, percais. percam
Presente do subjuntivo resfolgue, resfolgues, resfolgue, resfoleguemos, resfolegueis, Imperativo afirmativo perde, perca, percamos, perdei, percam
resfolguem
Nas formas rizotônicas, o E do radical desaparece PODER
Presente do Indicativo posso, podes, pode, podemos, podeis, podem
NOMEAR Pretérito Imperfeito podia, podias, podia, podíamos, podíeis, podiam
Presente da indicativo nomeio, nomeias, nomeia, nomeamos, nomeais, nomeiam Pretérito perfeito pude, pudeste, pôde, pudemos, pudestes, puderam
Pretérito imperfeito nomeava, nomeavas, nomeava, nomeávamos, nomeáveis, Pretérito mais-que-perfeito pudera, puderas, pudera, pudéramos, pudéreis,
nomeavam puderam
Pretérito perfeito nomeei, nomeaste, nomeou, nomeamos, nomeastes, Presente do subjuntivo possa, possas, possa, possamos, possais, possam
nomearam Pretérito imperfeito pudesse, pudesses, pudesse, pudéssemos, pudésseis,
Presente do subjuntivo nomeie, nomeies, nomeie, nomeemos, nomeeis, nomeiem pudessem
Imperativo afirmativo nomeia, nomeie, nomeemos, nomeai, nomeiem Futuro puder, puderes, puder, pudermos, puderdes, puderem
Conjugam-se como nomear, cear, hastear, peritear, recear, passear Infinitivo pessoal pode, poderes, poder, podermos, poderdes, poderem
Gerúndio podendo
COPIAR Particípio podido

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APOSTILAS OPÇÃO
O verbo PODER não se apresenta conjugado nem no imperativo afirmativo nem no
imperativo negativo TRAZER
Presente do indicativo trago, trazes, traz, trazemos, trazeis, trazem
PROVER Pretérito imperfeito trazia, trazias, trazia, trazíamos, trazíeis, traziam
Presente do indicativo provejo, provês, provê, provemos, provedes, provêem Pretérito perfeito trouxe, trouxeste, trouxe, trouxemos, trouxestes, trouxeram
Pretérito imperfeito provia, provias, provia, províamos, províeis, proviam Pretérito mais-que-perfeito trouxera, trouxeras, trouxera, trouxéramos,
Pretérito perfeito provi, proveste, proveu, provemos, provestes, proveram trouxéreis, trouxeram
Pretérito mais-que-perfeito provera, proveras, provera, provêramos, Futuro do presente trarei, trarás, trará, traremos, trareis, trarão
provêreis, proveram Futuro do pretérito traria, trarias, traria, traríamos, traríeis, trariam
Futuro do presente proverei, proverás, proverá, proveremos, provereis, prove- Imperativo traze, traga, tragamos, trazei, tragam
rão Presente do subjuntivo traga, tragas, traga, tragamos, tragais, tragam
Futuro do pretérito proveria, proverias, proveria, proveríamos, proveríeis, Pretérito imperfeito trouxesse, trouxesses, trouxesse, trouxéssemos, trouxés-
proveriam seis, trouxessem
Imperativo provê, proveja, provejamos, provede, provejam Futuro trouxer, trouxeres, trouxer, trouxermos, trouxerdes, trouxe-
Presente do subjuntivo proveja, provejas, proveja, provejamos, provejais. provejam rem
Pretérito imperfeito provesse, provesses, provesse, provêssemos, provêsseis, Infinitivo pessoal trazer, trazeres, trazer, trazermos, trazerdes, trazerem
provessem Gerúndio trazendo
Futuro prover, proveres, prover, provermos, proverdes, proverem Particípio trazido
Gerúndio provendo
VER
Particípio provido
Presente do indicativo vejo, vês, vê, vemos, vedes, vêem
Pretérito perfeito vi, viste, viu, vimos, vistes, viram
QUERER
Pretérito mais-que-perfeito vira, viras, vira, viramos, vireis, viram
Presente do indicativo quero, queres, quer, queremos, quereis, querem
Imperativo afirmativo vê, veja, vejamos, vede vós, vejam vocês
Pretérito perfeito quis, quiseste, quis, quisemos, quisestes, quiseram
Presente do subjuntivo veja, vejas, veja, vejamos, vejais, vejam
Pretérito mais-que-perfeito quisera, quiseras, quisera, quiséramos, quisé-
Pretérito imperfeito visse, visses, visse, víssemos, vísseis, vissem
reis, quiseram
Futuro vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Presente do subjuntivo queira, queiras, queira, queiramos, queirais, queiram
Particípio visto
Pretérito imperfeito quisesse, quisesses, quisesse, quiséssemos quisésseis,
quisessem ABOLIR
Futuro quiser, quiseres, quiser, quisermos, quiserdes, quiserem Presente do indicativo aboles, abole abolimos, abolis, abolem
Pretérito imperfeito abolia, abolias, abolia, abolíamos, abolíeis, aboliam
REQUERER Pretérito perfeito aboli, aboliste, aboliu, abolimos, abolistes, aboliram
Presente do indicativo requeiro, requeres, requer, requeremos, requereis. reque- Pretérito mais-que-perfeito abolira, aboliras, abolira, abolíramos, abolíreis,
rem aboliram
Pretérito perfeito requeri, requereste, requereu, requeremos, requereste, Futuro do presente abolirei, abolirás, abolirá, aboliremos, abolireis, abolirão
requereram Futuro do pretérito aboliria, abolirias, aboliria, aboliríamos, aboliríeis, aboliriam
Pretérito mais-que-perfeito requerera, requereras, requerera, requerera- Presente do subjuntivo não há
mos, requerereis, requereram Presente imperfeito abolisse, abolisses, abolisse, abolíssemos, abolísseis,
Futuro do presente requererei, requererás requererá, requereremos, requere- abolissem
reis, requererão Futuro abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Futuro do pretérito requereria, requererias, requereria, requereríamos, reque- Imperativo afirmativo abole, aboli
reríeis, requereriam Imperativo negativo não há
Imperativo requere, requeira, requeiramos, requerer, requeiram Infinitivo pessoal abolir, abolires, abolir, abolirmos, abolirdes, abolirem
Presente do subjuntivo requeira, requeiras, requeira, requeiramos, requeirais, Infinitivo impessoal abolir
requeiram Gerúndio abolindo
Pretérito Imperfeito requeresse, requeresses, requeresse, requerêssemos, Particípio abolido
requerêsseis, requeressem, O verbo ABOLIR é conjugado só nas formas em que depois do L do radical há E ou
Futuro requerer, requereres, requerer, requerermos, requererdes, I.
requerem
Gerúndio requerendo AGREDIR
Particípio requerido Presente do indicativo agrido, agrides, agride, agredimos, agredis, agridem
O verbo REQUERER não se conjuga como querer. Presente do subjuntivo agrida, agridas, agrida, agridamos, agridais, agridam
Imperativo agride, agrida, agridamos, agredi, agridam
REAVER
Nas formas rizotônicas, o verbo AGREDIR apresenta o E do radical substituído por
Presente do indicativo reavemos, reaveis
I.
Pretérito perfeito reouve, reouveste, reouve, reouvemos, reouvestes, reouve-
ram
COBRIR
Pretérito mais-que-perfeito reouvera, reouveras, reouvera, reouvéramos, reouvéreis,
Presente do indicativo cubro, cobres, cobre, cobrimos, cobris, cobrem
reouveram
Presente do subjuntivo cubra, cubras, cubra, cubramos, cubrais, cubram
Pretérito imperf. do subjuntivo reouvesse, reouvesses, reouvesse, reouvéssemos,
Imperativo cobre, cubra, cubramos, cobri, cubram
reouvésseis, reouvessem
Particípio coberto
Futuro reouver, reouveres, reouver, reouvermos, reouverdes,
Conjugam-se como COBRIR, dormir, tossir, descobrir, engolir
reouverem
O verbo REAVER conjuga-se como haver, mas só nas formas em que esse apre-
FALIR
senta a letra v
Presente do indicativo falimos, falis
SABER Pretérito imperfeito falia, falias, falia, falíamos, falíeis, faliam
Presente do indicativo sei, sabes, sabe, sabemos, sabeis, sabem Pretérito mais-que-perfeito falira, faliras, falira, falíramos, falireis, faliram
Pretérito perfeito soube, soubeste, soube, soubemos, soubestes, souberam Pretérito perfeito fali, faliste, faliu, falimos, falistes, faliram
Pretérito mais-que-perfeito soubera, souberas, soubera, soubéramos, Futuro do presente falirei, falirás, falirá, faliremos, falireis, falirão
soubéreis, souberam Futuro do pretérito faliria, falirias, faliria, faliríamos, faliríeis, faliriam
Pretérito imperfeito sabia, sabias, sabia, sabíamos, sabíeis, sabiam Presente do subjuntivo não há
Presente do subjuntivo soubesse, soubesses, soubesse, soubéssemos, soubés- Pretérito imperfeito falisse, falisses, falisse, falíssemos, falísseis, falissem
seis, soubessem Futuro falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
Futuro souber, souberes, souber, soubermos, souberdes, soube- Imperativo afirmativo fali (vós)
rem Imperativo negativo não há
Infinitivo pessoal falir, falires, falir, falirmos, falirdes, falirem
VALER Gerúndio falindo
Presente do indicativo valho, vales, vale, valemos, valeis, valem Particípio falido
Presente do subjuntivo valha, valhas, valha, valhamos, valhais, valham
Imperativo afirmativo vale, valha, valhamos, valei, valham FERIR

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 61

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APOSTILAS OPÇÃO
Presente do indicativo firo, feres, fere, ferimos, feris, ferem Infinitivo pessoal vir, vires, vir, virmos, virdes, virem
Presente do subjuntivo fira, firas, fira, firamos, firais, firam Gerúndio vindo
Conjugam-se como FERIR: competir, vestir, inserir e seus derivados. Particípio vindo
Conjugam-se como vir: intervir, advir, convir, provir, sobrevir
MENTIR
Presente do indicativo minto, mentes, mente, mentimos, mentis, mentem SUMIR
Presente do subjuntivo minta, mintas, minta, mintamos, mintais, mintam Presente do indicativo sumo, somes, some, sumimos, sumis, somem
Imperativo mente, minta, mintamos, menti, mintam Presente do subjuntivo suma, sumas, suma, sumamos, sumais, sumam
Conjugam-se como MENTIR: sentir, cerzir, competir, consentir, pressentir. Imperativo some, suma, sumamos, sumi, sumam
Conjugam-se como SUMIR: subir, acudir, bulir, escapulir, fugir, consumir, cuspir
FUGIR
Presente do indicativo fujo, foges, foge, fugimos, fugis, fogem ADVÉRBIO
Imperativo foge, fuja, fujamos, fugi, fujam
Presente do subjuntivo fuja, fujas, fuja, fujamos, fujais, fujam
Advérbio é a palavra que modifica a verbo, o adjetivo ou o próprio ad-
IR vérbio, exprimindo uma circunstância.
Presente do indicativo vou, vais, vai, vamos, ides, vão
Pretérito imperfeito ia, ias, ia, íamos, íeis, iam
Pretérito perfeito fui, foste, foi, fomos, fostes, foram
Os advérbios dividem-se em:
Pretérito mais-que-perfeito fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram 1) LUGAR: aqui, cá, lá, acolá, ali, aí, aquém, além, algures, alhures,
Futuro do presente irei, irás, irá, iremos, ireis, irão nenhures, atrás, fora, dentro, perto, longe, adiante, diante, onde,
Futuro do pretérito iria, irias, iria, iríamos, iríeis, iriam avante, através, defronte, aonde, etc.
Imperativo afirmativo vai, vá, vamos, ide, vão 2) TEMPO: hoje, amanhã, depois, antes, agora, anteontem, sempre,
Imperativo negativo não vão, não vá, não vamos, não vades, não vão nunca, já, cedo, logo, tarde, ora, afinal, outrora, então, amiúde, breve,
Presente do subjuntivo vá, vás, vá, vamos, vades, vão brevemente, entrementes, raramente, imediatamente, etc.
Pretérito imperfeito fosse, fosses, fosse, fôssemos, fôsseis, fossem 3) MODO: bem, mal, assim, depressa, devagar, como, debalde, pior,
Futuro for, fores, for, formos, fordes, forem
Infinitivo pessoal ir, ires, ir, irmos, irdes, irem
melhor, suavemente, tenazmente, comumente, etc.
Gerúndio indo 4) ITENSIDADE: muito, pouco, assaz, mais, menos, tão, bastante,
Particípio ido demasiado, meio, completamente, profundamente, quanto, quão, tan-
to, bem, mal, quase, apenas, etc.
OUVIR 5) AFIRMAÇÃO: sim, deveras, certamente, realmente, efefivamente, etc.
Presente do indicativo ouço, ouves, ouve, ouvimos, ouvis, ouvem 6) NEGAÇÃO: não.
Presente do subjuntivo ouça, ouças, ouça, ouçamos, ouçais, ouçam 7) DÚVIDA: talvez, acaso, porventura, possivelmente, quiçá, decerto,
Imperativo ouve, ouça, ouçamos, ouvi, ouçam provavelmente, etc.
Particípio ouvido
Há Muitas Locuções Adverbiais
PEDIR 1) DE LUGAR: à esquerda, à direita, à tona, à distância, à frente, à
Presente do indicativo peço, pedes, pede, pedimos, pedis, pedem entrada, à saída, ao lado, ao fundo, ao longo, de fora, de lado, etc.
Pretérito perfeito pedi, pediste, pediu, pedimos, pedistes, pediram 2) TEMPO: em breve, nunca mais, hoje em dia, de tarde, à tarde, à
Presente do subjuntivo peça, peças, peça, peçamos, peçais, peçam noite, às ave-marias, ao entardecer, de manhã, de noite, por ora, por
Imperativo pede, peça, peçamos, pedi, peçam fim, de repente, de vez em quando, de longe em longe, etc.
Conjugam-se como pedir: medir, despedir, impedir, expedir 3) MODO: à vontade, à toa, ao léu, ao acaso, a contento, a esmo, de
bom grado, de cor, de mansinho, de chofre, a rigor, de preferência,
POLIR
Presente do indicativo pulo, pules, pule, polimos, polis, pulem
em geral, a cada passo, às avessas, ao invés, às claras, a pique, a
Presente do subjuntivo pula, pulas, pula, pulamos, pulais, pulam olhos vistos, de propósito, de súbito, por um triz, etc.
Imperativo pule, pula, pulamos, poli, pulam 4) MEIO OU INSTRUMENTO: a pau, a pé, a cavalo, a martelo, a máqui-
na, a tinta, a paulada, a mão, a facadas, a picareta, etc.
REMIR 5) AFIRMAÇÃO: na verdade, de fato, de certo, etc.
Presente do indicativo redimo, redimes, redime, redimimos, redimis, redimem 6) NEGAÇAO: de modo algum, de modo nenhum, em hipótese alguma,
Presente do subjuntivo redima, redimas, redima, redimamos, redimais, redimam etc.
7) DÚVIDA: por certo, quem sabe, com certeza, etc.
RIR
Presente do indicativo rio, ris, ri, rimos, rides, riem
Pretérito imperfeito ria, rias, ria, riamos, ríeis, riam Advérbios Interrogativos
Pretérito perfeito ri, riste, riu, rimos, ristes, riram Onde?, aonde?, donde?, quando?, porque?, como?
Pretérito mais-que-perfeito rira, riras, rira, ríramos, rireis, riram
Futuro do presente rirei, rirás, rirá, riremos, rireis, rirão Palavras Denotativas
Futuro do pretérito riria, ririas, riria, riríamos, riríeis, ririam Certas palavras, por não se poderem enquadrar entre os advérbios,
Imperativo afirmativo ri, ria, riamos, ride, riam terão classificação à parte. São palavras que denotam exclusão, inclusão,
Presente do subjuntivo ria, rias, ria, riamos, riais, riam situação, designação, realce, retificação, afetividade, etc.
Pretérito imperfeito risse, risses, risse, ríssemos, rísseis, rissem
Futuro rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem
1) DE EXCLUSÃO - só, salvo, apenas, senão, etc.
Infinitivo pessoal rir, rires, rir, rirmos, rirdes, rirem 2) DE INCLUSÃO - também, até, mesmo, inclusive, etc.
Gerúndio rindo 3) DE SITUAÇÃO - mas, então, agora, afinal, etc.
Particípio rido 4) DE DESIGNAÇÃO - eis.
Conjuga-se como rir: sorrir 5) DE RETIFICAÇÃO - aliás, isto é, ou melhor, ou antes, etc.
6) DE REALCE - cá, lá, sã, é que, ainda, mas, etc.
VIR Você lá sabe o que está dizendo, homem...
Presente do indicativo venho, vens, vem, vimos, vindes, vêm Mas que olhos lindos!
Pretérito imperfeito vinha, vinhas, vinha, vínhamos, vínheis, vinham
Pretérito perfeito vim, vieste, veio, viemos, viestes, vieram
Veja só que maravilha!
Pretérito mais-que-perfeito viera, vieras, viera, viéramos, viéreis, vieram
Futuro do presente virei, virás, virá, viremos, vireis, virão NUMERAL
Futuro do pretérito viria, virias, viria, viríamos, viríeis, viriam
Imperativo afirmativo vem, venha, venhamos, vinde, venham
Presente do subjuntivo venha, venhas, venha, venhamos, venhais, venham Numeral é a palavra que indica quantidade, ordem, múltiplo ou fração.
Pretérito imperfeito viesse, viesses, viesse, viéssemos, viésseis, viessem O numeral classifica-se em:
Futuro vier, vieres, vier, viermos, vierdes, vierem - cardinal - quando indica quantidade.

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 62

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APOSTILAS OPÇÃO
- ordinal - quando indica ordem. tos mo mo
- multiplicativo - quando indica multiplicação. M 1000 mil milésimo milésimo
- fracionário - quando indica fracionamento.
Exemplos: Emprego do Numeral
Silvia comprou dois livros. Na sucessão de papas, reis, príncipes, anos, séculos, capítulos, etc.
Antônio marcou o primeiro gol. empregam-se de 1 a 10 os ordinais.
Na semana seguinte, o anel custará o dobro do preço. João Paulo I I (segundo) ano lll (ano terceiro)
O galinheiro ocupava um quarto da quintal. Luis X (décimo) ano I (primeiro)
Pio lX (nono) século lV (quarto)
QUADRO BÁSICO DOS NUMERAIS
Algarismos Numerais De 11 em diante, empregam-se os cardinais:
Roma- Arábi- Cardinais Ordinais Multiplica- Fracionários Leão Xlll (treze) ano Xl (onze)
nos cos tivos Pio Xll (doze) século XVI (dezesseis)
I 1 um primeiro simples - Luis XV (quinze) capitulo XX (vinte)
II 2 dois segundo duplo meio
dobro Se o numeral aparece antes, é lido como ordinal.
III 3 três terceiro tríplice terço XX Salão do Automóvel (vigésimo)
IV 4 quatro quarto quádruplo quarto VI Festival da Canção (sexto)
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto lV Bienal do Livro (quarta)
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto XVI capítulo da telenovela (décimo sexto)
VII 7 sete sétimo sétuplo sétimo
Quando se trata do primeiro dia do mês, deve-se dar preferência ao
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
emprego do ordinal.
IX 9 nove nono nônuplo nono
Hoje é primeiro de setembro
X 10 dez décimo décuplo décimo
Não é aconselhável iniciar período com algarismos
XI 11 onze décimo onze avos 16 anos tinha Patrícia = Dezesseis anos tinha Patrícia
primeiro
XII 12 doze décimo doze avos A título de brevidade, usamos constantemente os cardinais pelos or-
segundo dinais. Ex.: casa vinte e um (= a vigésima primeira casa), página trinta e
XIII 13 treze décimo treze avos dois (= a trigésima segunda página). Os cardinais um e dois não variam
terceiro nesse caso porque está subentendida a palavra número. Casa número
XIV 14 quatorze décimo quatorze vinte e um, página número trinta e dois. Por isso, deve-se dizer e escrever
quarto avos também: a folha vinte e um, a folha trinta e dois. Na linguagem forense,
XV 15 quinze décimo quinze avos vemos o numeral flexionado: a folhas vinte e uma a folhas trinta e duas.
quinto
XVI 16 dezesseis décimo dezesseis
ARTIGO
sexto avos
XVII 17 dezessete décimo dezessete Artigo é uma palavra que antepomos aos substantivos para determi-
sétimo avos ná-los. Indica-lhes, ao mesmo tempo, o gênero e o número.
XVIII 18 dezoito décimo dezoito avos
oitavo Dividem-se em
XIX 19 dezenove décimo nono dezenove • definidos: O, A, OS, AS
avos • indefinidos: UM, UMA, UNS, UMAS.
XX 20 vinte vigésimo vinte avos Os definidos determinam os substantivos de modo preciso, particular.
XXX 30 trinta trigésimo trinta avos Viajei com o médico. (Um médico referido, conhecido, determinado).
XL 40 quarenta quadragé- quarenta
simo avos Os indefinidos determinam os substantivos de modo vago, impreciso,
L 50 cinquenta quinquagé- cinquenta geral.
simo avos Viajei com um médico. (Um médico não referido, desconhecido, inde-
LX 60 sessenta sexagésimo sessenta terminado).
avos
LXX 70 setenta septuagési- setenta avos lsoladamente, os artigos são palavras de todo vazias de sentido.
mo
LXXX 80 oitenta octogésimo oitenta avos CONJUNÇÃO
XC 90 noventa nonagésimo noventa
avos Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
C 100 cem centésimo centésimo
CC 200 duzentos ducentésimo ducentésimo Coniunções Coordenativas
CCC 300 trezentos trecentésimo trecentésimo 1) ADITIVAS: e, nem, também, mas, também, etc.
CD 400 quatrocen- quadringen- quadringen- 2) ADVERSATIVAS: mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no
tos tésimo tésimo entanto, etc.
D 500 quinhen- quingenté- quingenté- 3) ALTERNATIVAS: ou, ou.., ou, ora... ora, já... já, quer, quer, etc.
tos simo simo 4) CONCLUSIVAS. logo, pois, portanto, por conseguinte, por consequência.
DC 600 seiscentos sexcentési- sexcentési- 5) EXPLICATIVAS: isto é, por exemplo, a saber, que, porque, pois, etc.
mo mo
DCC 700 setecen- septingenté- septingenté- Conjunções Subordinativas
tos simo simo 1) CONDICIONAIS: se, caso, salvo se, contanto que, uma vez que, etc.
DCCC 800 oitocentos octingenté- octingenté- 2) CAUSAIS: porque, já que, visto que, que, pois, porquanto, etc.
simo simo 3) COMPARATIVAS: como, assim como, tal qual, tal como, mais que, etc.
CM 900 novecen- nongentési- nongentési- 4) CONFORMATIVAS: segundo, conforme, consoante, como, etc.

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 63

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APOSTILAS OPÇÃO
5) CONCESSIVAS: embora, ainda que, mesmo que, posto que, se bem que, porque, porquanto, pois (anteposto ao verbo).
etc. Não solte balões, que (ou porque, ou pois, ou porquanto) podem
6) INTEGRANTES: que, se, etc. causar incêndios.
7) FINAIS: para que, a fim de que, que, etc. Choveu durante a noite, porque as ruas estão molhadas.
8) CONSECUTIVAS: tal... qual, tão... que, tamanho... que, de sorte que, de Observação: A conjunção A pode apresentar-se com sentido adver-
forma que, de modo que, etc. sativo:
9) PROPORCIONAIS: à proporção que, à medida que, quanto... tanto mais, Sofrem duras privações a [= mas] não se queixam.
etc. "Quis dizer mais alguma coisa a não pôde."
10) TEMPORAIS: quando, enquanto, logo que, depois que, etc. (Jorge Amado)

VALOR LÓGICO E SINTÁTICO DAS CONJUNÇÕES Conjunções subordinativas


As conjunções subordinativas ligam duas orações, subordinando uma
à outra. Com exceção das integrantes, essas conjunções iniciam orações
Examinemos estes exemplos: que traduzem circunstâncias (causa, comparação, concessão, condição
1º) Tristeza e alegria não moram juntas. ou hipótese, conformidade, consequência, finalidade, proporção, tempo).
2º) Os livros ensinam e divertem. Abrangem as seguintes classes:
3º) Saímos de casa quando amanhecia. 1) Causais: porque, que, pois, como, porquanto, visto que, visto como,
já que, uma vez que, desde que.
No primeiro exemplo, a palavra E liga duas palavras da mesma oração: O tambor soa porque é oco. (porque é oco: causa; o tambor soa:
é uma conjunção. efeito).
Como estivesse de luto, não nos recebeu.
No segundo a terceiro exemplos, as palavras E e QUANDO estão ligan- Desde que é impossível, não insistirei.
do orações: são também conjunções. 2) Comparativas: como, (tal) qual, tal a qual, assim como, (tal) como,
(tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos) que ou do que,
Conjunção é uma palavra invariável que liga orações ou palavras da (tanto) quanto, que nem, feito (= como, do mesmo modo que), o
mesma oração. mesmo que (= como).
Ele era arrastado pela vida como uma folha pelo vento.
No 2º exemplo, a conjunção liga as orações sem fazer que uma depen- O exército avançava pela planície qual uma serpente imensa.
da da outra, sem que a segunda complete o sentido da primeira: por isso, a "Os cães, tal qual os homens, podem participar das três categorias."
conjunção E é coordenativa. (Paulo Mendes Campos)
"Sou o mesmo que um cisco em minha própria casa."
No 3º exemplo, a conjunção liga duas orações que se completam uma à (Antônio Olavo Pereira)
outra e faz com que a segunda dependa da primeira: por isso, a conjunção "E pia tal a qual a caça procurada."
QUANDO é subordinativa. (Amadeu de Queirós)
As conjunções, portanto, dividem-se em coordenativas e subordinativas. "Por que ficou me olhando assim feito boba?"
CONJUNÇÕES COORDENATIVAS (Carlos Drummond de Andrade)
As conjunções coordenativas podem ser: Os pedestres se cruzavam pelas ruas que nem formigas apressadas.
1) Aditivas, que dão ideia de adição, acrescentamento: e, nem, mas Nada nos anima tanto como (ou quanto) um elogio sincero.
também, mas ainda, senão também, como também, bem como. Os governantes realizam menos do que prometem.
O agricultor colheu o trigo e o vendeu. 3) Concessivas: embora, conquanto, que, ainda que, mesmo que, ainda
Não aprovo nem permitirei essas coisas. quando, mesmo quando, posto que, por mais que, por muito que, por
Os livros não só instruem mas também divertem. menos que, se bem que, em que (pese), nem que, dado que, sem que
As abelhas não apenas produzem mel e cera mas ainda polini- (= embora não).
zam as flores. Célia vestia-se bem, embora fosse pobre.
2) Adversativas, que exprimem oposição, contraste, ressalva, com- A vida tem um sentido, por mais absurda que possa parecer.
pensação: mas, porém, todavia, contudo, entretanto, sendo, ao Beba, nem que seja um pouco.
passo que, antes (= pelo contrário), no entanto, não obstante, Dez minutos que fossem, para mim, seria muito tempo.
apesar disso, em todo caso. Fez tudo direito, sem que eu lhe ensinasse.
Querem ter dinheiro, mas não trabalham. Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
Ela não era bonita, contudo cativava pela simpatia. afirmações.
Não vemos a planta crescer, no entanto, ela cresce. Não sei dirigir, e, dado que soubesse, não dirigiria de noite.
A culpa não a atribuo a vós, senão a ele. 4) Condicionais: se, caso, contanto que, desde que, salvo se, sem que
O professor não proíbe, antes estimula as perguntas em aula. (= se não), a não ser que, a menos que, dado que.
O exército do rei parecia invencível, não obstante, foi derrotado. Ficaremos sentidos, se você não vier.
Você já sabe bastante, porém deve estudar mais. Comprarei o quadro, desde que não seja caro.
Eu sou pobre, ao passo que ele é rico. Não sairás daqui sem que antes me confesses tudo.
Hoje não atendo, em todo caso, entre. "Eleutério decidiu logo dormir repimpadamente sobre a areia, a menos
3) Alternativas, que exprimem alternativa, alternância ou, ou ... ou, que os mosquitos se opusessem."
ora ... ora, já ... já, quer ... quer, etc. (Ferreira de Castro)
Os sequestradores deviam render-se ou seriam mortos. 5) Conformativas: como, conforme, segundo, consoante. As coisas
Ou você estuda ou arruma um emprego. não são como (ou conforme) dizem.
Ora triste, ora alegre, a vida segue o seu ritmo. "Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi narrar."
Quer reagisse, quer se calasse, sempre acabava apanhando. (Machado de Assis)
"Já chora, já se ri, já se enfurece." 6) Consecutivas: que (precedido dos termos intensivos tal, tão, tanto,
(Luís de Camões) tamanho, às vezes subentendidos), de sorte que, de modo que, de
4) Conclusivas, que iniciam uma conclusão: logo, portanto, por forma que, de maneira que, sem que, que (não).
conseguinte, pois (posposto ao verbo), por isso. Minha mão tremia tanto que mal podia escrever.
As árvores balançam, logo está ventando. Falou com uma calma que todos ficaram atônitos.
Você é o proprietário do carro, portanto é o responsável. Ontem estive doente, de sorte que (ou de modo que) não saí.
O mal é irremediável; deves, pois, conformar-te. Não podem ver um cachorro na rua sem que o persigam.
5) Explicativas, que precedem uma explicação, um motivo: que, Não podem ver um brinquedo que não o queiram comprar.

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 64

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APOSTILAS OPÇÃO
7) Finais: para que, a fim de que, que (= para que). 4) Modal: Sairás sem que te vejam. (sem que = de modo que não)
Afastou-se depressa para que não o víssemos.
Falei-lhe com bons termos, a fim de que não se ofendesse. Conjunção é a palavra que une duas ou mais orações.
Fiz-lhe sinal que se calasse.
8) Proporcionais: à proporção que, à medida que, ao passo que, quan- PREPOSIÇÃO
to mais... (tanto mais), quanto mais... (tanto menos), quanto menos...
(tanto mais), quanto mais... (mais), (tanto)... quanto.
Preposições são palavras que estabelecem um vínculo entre dois
À medida que se vive, mais se aprende.
termos de uma oração. O primeiro, um subordinante ou antecedente, e o
À proporção que subíamos, o ar ia ficando mais leve.
segundo, um subordinado ou consequente.
Quanto mais as cidades crescem, mais problemas vão tendo.
Exemplos:
Os soldados respondiam, à medida que eram chamados.
Chegaram a Porto Alegre.
Observação:
Discorda de você.
São incorretas as locuções proporcionais à medida em que, na medi-
Fui até a esquina.
da que e na medida em que. A forma correta é à medida que:
Casa de Paulo.
"À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem."
(Maria José de Queirós)
Preposições Essenciais e Acidentais
9) Temporais: quando, enquanto, logo que, mal (= logo que), sempre
As preposições essenciais são: A, ANTE, APÓS, ATÉ, COM, CON-
que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que, agora
TRA, DE, DESDE, EM, ENTRE, PARA, PERANTE, POR, SEM, SOB,
que, etc.
SOBRE e ATRÁS.
Venha quando você quiser.
Certas palavras ora aparecem como preposições, ora pertencem a
Não fale enquanto come.
outras classes, sendo chamadas, por isso, de preposições acidentais:
Ela me reconheceu, mal lhe dirigi a palavra.
afora, conforme, consoante, durante, exceto, fora, mediante, não obstante,
Desde que o mundo existe, sempre houve guerras.
salvo, segundo, senão, tirante, visto, etc.
Agora que o tempo esquentou, podemos ir à praia.
"Ninguém o arredava dali, até que eu voltasse." (Carlos Povina Caval-
cânti) INTERJEIÇÃO
10) Integrantes: que, se.
Sabemos que a vida é breve. Interjeição é a palavra que comunica emoção. As interjeições podem
Veja se falta alguma coisa. ser:
Observação: - alegria: ahl oh! oba! eh!
Em frases como Sairás sem que te vejam, Morreu sem que ninguém o - animação: coragem! avante! eia!
chorasse, consideramos sem que conjunção subordinativa modal. A NGB, - admiração: puxa! ih! oh! nossa!
porém, não consigna esta espécie de conjunção. - aplauso: bravo! viva! bis!
- desejo: tomara! oxalá!
Locuções conjuntivas: no entanto, visto que, desde que, se bem - dor: aí! ui!
que, por mais que, ainda quando, à medida que, logo que, a rim de que, - silêncio: psiu! silêncio!
etc. - suspensão: alto! basta!
Muitas conjunções não têm classificação única, imutável, devendo,
portanto, ser classificadas de acordo com o sentido que apresentam no LOCUÇÃO INTERJETIVA é a conjunto de palavras que têm o mesmo
contexto. Assim, a conjunção que pode ser: valor de uma interjeição.
1) Aditiva (= e): Minha Nossa Senhora! Puxa vida! Deus me livre! Raios te partam!
Esfrega que esfrega, mas a nódoa não sai. Meu Deus! Que maravilha! Ora bolas! Ai de mim!
A nós que não a eles, compete fazê-lo.
2) Explicativa (= pois, porque): SINTAXE DA ORAÇÃO E DO PERÍODO
Apressemo-nos, que chove.
3) Integrante: FRASE
Diga-lhe que não irei. Frase é um conjunto de palavras que têm sentido completo.
4) Consecutiva: O tempo está nublado.
Tanto se esforçou que conseguiu vencer. Socorro!
Não vão a uma festa que não voltem cansados. Que calor!
Onde estavas, que não te vi?
5) Comparativa (= do que, como):
A luz é mais veloz que o som. ORAÇÃO
Ficou vermelho que nem brasa. Oração é a frase que apresenta verbo ou locução verbal.
6) Concessiva (= embora, ainda que): A fanfarra desfilou na avenida.
Alguns minutos que fossem, ainda assim seria muito tempo. As festas juninas estão chegando.
Beba, um pouco que seja.
7) Temporal (= depois que, logo que): PERÍODO
Chegados que fomos, dirigimo-nos ao hotel. Período é a frase estruturada em oração ou orações.
8) Final (= pare que): O período pode ser:
Vendo-me à janela, fez sinal que descesse. • simples - aquele constituído por uma só oração (oração absoluta).
9) Causal (= porque, visto que): Fui à livraria ontem.
"Velho que sou, apenas conheço as flores do meu tempo." (Vival- • composto - quando constituído por mais de uma oração.
do Coaraci) Fui à livraria ontem e comprei um livro.
A locução conjuntiva sem que, pode ser, conforme a frase:
1) Concessiva: Nós lhe dávamos roupa a comida, sem que ele pe- TERMOS ESSENCIAIS DA ORAÇÃO
disse. (sem que = embora não) São dois os termos essenciais da oração:
2) Condicional: Ninguém será bom cientista, sem que estude muito.
(sem que = se não,caso não) SUJEITO
3) Consecutiva: Não vão a uma festa sem que voltem cansados. Sujeito é o ser ou termo sobre o qual se diz alguma coisa.
(sem que = que não) Os bandeirantes capturavam os índios. (sujeito = bandeirantes)
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 65

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APOSTILAS OPÇÃO
O sujeito pode ser : um nome com auxílio de preposição. Esse nome pode ser representado
- simples: quando tem um só núcleo por um substantivo, por um adjetivo ou por um advérbio.
As rosas têm espinhos. (sujeito: as rosas; Toda criança tem amor aos pais. - AMOR (substantivo)
núcleo: rosas) O menino estava cheio de vontade. - CHEIO (adjetivo)
- composto: quando tem mais de um núcleo Nós agíamos favoravelmente às discussões. - FAVORAVELMENTE
O burro e o cavalo saíram em disparada. (advérbio).
(suj: o burro e o cavalo; núcleo burro, cavalo)
- oculto: ou elíptico ou implícito na desinência verbal 4. AGENTE DA PASSIVA
Chegaste com certo atraso. (suj.: oculto: tu) Agente da passiva é o termo da oração que pratica a ação do verbo
- indeterminado: quando não se indica o agente da ação verbal na voz passiva.
Come-se bem naquele restaurante. A mãe é amada PELO FILHO.
- Inexistente: quando a oração não tem sujeito O cantor foi aplaudido PELA MULTIDÃO.
Choveu ontem. Os melhores alunos foram premiados PELA DIREÇÃO.
Há plantas venenosas.
TERMOS ACESSÓRIOS DA ORAÇÃO
PREDICADO TERMOS ACESSÓRIOS são os que desempenham na oração uma
Predicado é o termo da oração que declara alguma coisa do sujeito.
função secundária, limitando o sentido dos substantivos ou exprimindo
O predicado classifica-se em:
alguma circunstância.
1. Nominal: é aquele que se constitui de verbo de ligação mais
São termos acessórios da oração:
predicativo do sujeito.
Nosso colega está doente.
1. ADJUNTO ADNOMINAL
Adjunto adnominal é o termo que caracteriza ou determina os
Principais verbos de ligação: SER, ESTAR, PARECER,
substantivos. Pode ser expresso:
PERMANECER, etc.
• pelos adjetivos: água fresca,
Predicativo do sujeito é o termo que ajuda o verbo de ligação a
• pelos artigos: o mundo, as ruas
comunicar estado ou qualidade do sujeito.
• pelos pronomes adjetivos: nosso tio, muitas coisas
Nosso colega está doente.
• pelos numerais: três garotos; sexto ano
A moça permaneceu sentada.
• pelas locuções adjetivas: casa do rei; homem sem escrúpulos
2. Predicado verbal é aquele que se constitui de verbo intransitivo ou
transitivo.
O avião sobrevoou a praia. 2. ADJUNTO ADVERBIAL
Verbo intransitivo é aquele que não necessita de complemento. Adjunto adverbial é o termo que exprime uma circunstância (de
O sabiá voou alto. tempo, lugar, modo etc.), modificando o sentido de um verbo, adjetivo ou
Verbo transitivo é aquele que necessita de complemento. advérbio.
• Transitivo direto: é o verbo que necessita de complemento sem auxílio Cheguei cedo.
de proposição. José reside em São Paulo.
Minha equipe venceu a partida.
• Transitivo indireto: é o verbo que necessita de complemento com 3. APOSTO
auxílio de preposição. Aposto é uma palavra ou expressão que explica ou esclarece,
Ele precisa de um esparadrapo. desenvolve ou resume outro termo da oração.
• Transitivo direto e indireto (bitransitivo) é o verbo que necessita ao Dr. João, cirurgião-dentista,
mesmo tempo de complemento sem auxílio de preposição e de Rapaz impulsivo, Mário não se conteve.
complemento com auxilio de preposição. O rei perdoou aos dois: ao fidalgo e ao criado.
Damos uma simples colaboração a vocês. 4. VOCATIVO
3. Predicado verbo nominal: é aquele que se constitui de verbo Vocativo é o termo (nome, título, apelido) usado para chamar ou
intransitivo mais predicativo do sujeito ou de verbo transitivo mais interpelar alguém ou alguma coisa.
predicativo do sujeito. Tem compaixão de nós, ó Cristo.
Os rapazes voltaram vitoriosos. Professor, o sinal tocou.
• Predicativo do sujeito: é o termo que, no predicado verbo-nominal, Rapazes, a prova é na próxima semana.
ajuda o verbo intransitivo a comunicar estado ou qualidade do sujeito.
Ele morreu rico. PERÍODO COMPOSTO - PERÍODO SIMPLES
• Predicativo do objeto é o termo que, que no predicado verbo-nominal,
ajuda o verbo transitivo a comunicar estado ou qualidade do objeto No período simples há apenas uma oração, a qual se diz absoluta.
direto ou indireto. Fui ao cinema.
Elegemos o nosso candidato vereador. O pássaro voou.
TERMOS INTEGRANTES DA ORAÇÃO
Chama-se termos integrantes da oração os que completam a PERÍODO COMPOSTO
significação transitiva dos verbos e dos nomes. São indispensáveis à No período composto há mais de uma oração.
compreensão do enunciado. (Não sabem) (que nos calores do verão a terra dorme) (e os homens
folgam.)
1. OBJETO DIRETO
Objeto direto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por coordenação
transitivo direto. Ex.: Mamãe comprou PEIXE. Apresenta orações independentes.
(Fui à cidade), (comprei alguns remédios) (e voltei cedo.)
2. OBJETO INDIRETO
Objeto indireto é o termo da oração que completa o sentido do verbo Período composto por subordinação
transitivo indireto. Apresenta orações dependentes.
As crianças precisam de CARINHO. (É bom) (que você estude.)

3. COMPLEMENTO NOMINAL Período composto por coordenação e subordinação


Complemento nominal é o termo da oração que completa o sentido de Apresenta tanto orações dependentes como independentes. Este
período é também conhecido como misto.
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APOSTILAS OPÇÃO
(Ele disse) (que viria logo,) (mas não pôde.) Quando ele voltar, eu saio de férias.
Oração principal: EU SAIO DE FÉRIAS
ORAÇÃO COORDENADA Oração subordinada: QUANDO ELE VOLTAR
Oração coordenada é aquela que é independente.

As orações coordenadas podem ser:


ORAÇÃO SUBORDINADA SUBSTANTIVA
Oração subordinada substantiva é aquela que tem o valor e a função
- Sindética: de um substantivo.
Aquela que é independente e é introduzida por uma conjunção
Por terem as funções do substantivo, as orações subordinadas
coordenativa.
substantivas classificam-se em:
Viajo amanhã, mas volto logo.

- Assindética: 1) SUBJETIVA (sujeito)


Aquela que é independente e aparece separada por uma vírgula ou Convém que você estude mais.
ponto e vírgula. Importa que saibas isso bem. .
Chegou, olhou, partiu. É necessário que você colabore. (SUA COLABORAÇÃO) é
A oração coordenada sindética pode ser: necessária.

1. ADITIVA: 2) OBJETIVA DIRETA (objeto direto)


Expressa adição, sequência de pensamento. (e, nem = e não), mas, Desejo QUE VENHAM TODOS.
também: Pergunto QUEM ESTÁ AI.
Ele falava E EU FICAVA OUVINDO.
Meus atiradores nem fumam NEM BEBEM. 3) OBJETIVA INDIRETA (objeto indireto)
A doença vem a cavalo E VOLTA A PÉ. Aconselho-o A QUE TRABALHE MAIS.
Tudo dependerá DE QUE SEJAS CONSTANTE.
2. ADVERSATIVA: Daremos o prêmio A QUEM O MERECER.
Ligam orações, dando-lhes uma ideia de compensação ou de
contraste (mas, porém, contudo, todavia, entretanto, senão, no entanto,
etc).
4) COMPLETIVA NOMINAL
Complemento nominal.
A espada vence MAS NÃO CONVENCE.
Ser grato A QUEM TE ENSINA.
O tambor faz um grande barulho, MAS É VAZIO POR DENTRO.
Sou favorável A QUE O PRENDAM.
Apressou-se, CONTUDO NÃO CHEGOU A TEMPO.

3. ALTERNATIVAS: 5) PREDICATIVA (predicativo)


Ligam palavras ou orações de sentido separado, uma excluindo a Seu receio era QUE CHOVESSE. = Seu receio era (A CHUVA)
outra (ou, ou...ou, já...já, ora...ora, quer...quer, etc). Minha esperança era QUE ELE DESISTISSE.
Mudou o natal OU MUDEI EU? Não sou QUEM VOCÊ PENSA.
“OU SE CALÇA A LUVA e não se põe o anel,
OU SE PÕE O ANEL e não se calça a luva!” 6) APOSITIVAS (servem de aposto)
(C. Meireles) Só desejo uma coisa: QUE VIVAM FELIZES = (A SUA FELICIDADE)
Só lhe peço isto: HONRE O NOSSO NOME.
4. CONCLUSIVAS:
Ligam uma oração a outra que exprime conclusão (LOGO, POIS, 7) AGENTE DA PASSIVA
PORTANTO, POR CONSEGUINTE, POR ISTO, ASSIM, DE MODO QUE,
O quadro foi comprado POR QUEM O FEZ = (PELO SEU AUTOR)
etc).
A obra foi apreciada POR QUANTOS A VIRAM.
Ele está mal de notas; LOGO, SERÁ REPROVADO.
Vives mentindo; LOGO, NÃO MERECES FÉ.
ORAÇÕES SUBORDINADAS ADJETIVAS
Oração subordinada adjetiva é aquela que tem o valor e a função de
um adjetivo.
5. EXPLICATIVAS: Há dois tipos de orações subordinadas adjetivas:
Ligam a uma oração, geralmente com o verbo no imperativo, outro
que a explica, dando um motivo (pois, porque, portanto, que, etc.)
Alegra-te, POIS A QUI ESTOU. Não mintas, PORQUE É PIOR.
1) EXPLICATIVAS:
Explicam ou esclarecem, à maneira de aposto, o termo antecedente,
Anda depressa, QUE A PROVA É ÀS 8 HORAS.
atribuindo-lhe uma qualidade que lhe é inerente ou acrescentando-lhe
uma informação.
ORAÇÃO INTERCALADA OU INTERFERENTE Deus, QUE É NOSSO PAI, nos salvará.
É aquela que vem entre os termos de uma outra oração. Ele, QUE NASCEU RICO, acabou na miséria.
O réu, DISSERAM OS JORNAIS, foi absolvido.
2) RESTRITIVAS:
A oração intercalada ou interferente aparece com os verbos:
Restringem ou limitam a significação do termo antecedente, sendo
CONTINUAR, DIZER, EXCLAMAR, FALAR etc.
indispensáveis ao sentido da frase:
Pedra QUE ROLA não cria limo.
ORAÇÃO PRINCIPAL As pessoas A QUE A GENTE SE DIRIGE sorriem.
Oração principal é a mais importante do período e não é introduzida Ele, QUE SEMPRE NOS INCENTIVOU, não está mais aqui.
por um conectivo.
ELES DISSERAM que voltarão logo. ORAÇÕES SUBORDINADAS ADVERBIAIS
ELE AFIRMOU que não virá. Oração subordinada adverbial é aquela que tem o valor e a função de
PEDI que tivessem calma. (= Pedi calma) um advérbio.

ORAÇÃO SUBORDINADA As orações subordinadas adverbiais classificam-se em:


Oração subordinada é a oração dependente que normalmente é 1) CAUSAIS: exprimem causa, motivo, razão:
introduzida por um conectivo subordinativo. Note que a oração principal Desprezam-me, POR ISSO QUE SOU POBRE.
nem sempre é a primeira do período. O tambor soa PORQUE É OCO.
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APOSTILAS OPÇÃO
2) O adjetivo ligado a substantivos do mesmo gênero e número vão
2) COMPARATIVAS: representam o segundo termo de uma normalmente para o plural.
comparação. Pai e filho estudiosos ganharam o prêmio.
O som é menos veloz QUE A LUZ. 3) O adjetivo ligado a substantivos de gêneros e número diferentes vai
Parou perplexo COMO SE ESPERASSE UM GUIA. para o masculino plural.
Alunos e alunas estudiosos ganharam vários prêmios.
3) CONCESSIVAS: exprimem um fato que se concede, que se 4) O adjetivo posposto concorda em gênero com o substantivo mais
admite: próximo:
POR MAIS QUE GRITASSE, não me ouviram. Trouxe livros e revista especializada.
Os louvores, PEQUENOS QUE SEJAM, são ouvidos com agrado. 5) O adjetivo anteposto pode concordar com o substantivo mais pró-
CHOVESSE OU FIZESSE SOL, o Major não faltava. ximo.
Dedico esta música à querida tia e sobrinhos.
4) CONDICIONAIS: exprimem condição, hipótese: 6) O adjetivo que funciona como predicativo do sujeito concorda com o
SE O CONHECESSES, não o condenarias. sujeito.
Que diria o pai SE SOUBESSE DISSO? Meus amigos estão atrapalhados.
7) O pronome de tratamento que funciona como sujeito pede o predi-
5) CONFORMATIVAS: exprimem acordo ou conformidade de um fato cativo no gênero da pessoa a quem se refere.
com outro: Sua excelência, o Governador, foi compreensivo.
Fiz tudo COMO ME DISSERAM. 8) Os substantivos acompanhados de numerais precedidos de artigo
Vim hoje, CONFORME LHE PROMETI. vão para o singular ou para o plural.
Já estudei o primeiro e o segundo livro (livros).
6) CONSECUTIVAS: exprimem uma consequência, um resultado: 9) Os substantivos acompanhados de numerais em que o primeiro vier
A fumaça era tanta QUE EU MAL PODIA ABRIR OS OLHOS. precedido de artigo e o segundo não vão para o plural.
Bebia QUE ERA UMA LÁSTIMA! Já estudei o primeiro e segundo livros.
Tenho medo disso QUE ME PÉLO! 10) O substantivo anteposto aos numerais vai para o plural.
Já li os capítulos primeiro e segundo do novo livro.
7) FINAIS: exprimem finalidade, objeto: 11) As palavras: MESMO, PRÓPRIO e SÓ concordam com o nome a
Fiz-lhe sinal QUE SE CALASSE. que se referem.
Aproximei-me A FIM DE QUE ME OUVISSE MELHOR. Ela mesma veio até aqui.
Eles chegaram sós.
8) PROPORCIONAIS: denotam proporcionalidade: Eles próprios escreveram.
À MEDIDA QUE SE VIVE, mais se aprende. 12) A palavra OBRIGADO concorda com o nome a que se refere.
QUANTO MAIOR FOR A ALTURA, maior será o tombo. Muito obrigado. (masculino singular)
Muito obrigada. (feminino singular).
9) TEMPORAIS: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso 13) A palavra MEIO concorda com o substantivo quando é adjetivo e
na oração principal: fica invariável quando é advérbio.
ENQUANTO FOI RICO todos o procuravam. Quero meio quilo de café.
QUANDO OS TIRANOS CAEM, os povos se levantam. Minha mãe está meio exausta.
É meio-dia e meia. (hora)
10) MODAIS: exprimem modo, maneira: 14) As palavras ANEXO, INCLUSO e JUNTO concordam com o subs-
Entrou na sala SEM QUE NOS CUMPRIMENTASSE. tantivo a que se referem.
Aqui viverás em paz, SEM QUE NINGUÉM TE INCOMODE. Trouxe anexas as fotografias que você me pediu.
A expressão em anexo é invariável.
ORAÇÕES REDUZIDAS Trouxe em anexo estas fotos.
Oração reduzida é aquela que tem o verbo numa das formas 15) Os adjetivos ALTO, BARATO, CONFUSO, FALSO, etc, que substi-
nominais: gerúndio, infinitivo e particípio. tuem advérbios em MENTE, permanecem invariáveis.
Exemplos: Vocês falaram alto demais.
• Penso ESTAR PREPARADO = Penso QUE ESTOU O combustível custava barato.
PREPARADO. Você leu confuso.
• Dizem TER ESTADO LÁ = Dizem QUE ESTIVERAM LÁ. Ela jura falso.
• FAZENDO ASSIM, conseguirás = SE FIZERES ASSIM,
conseguirás. 16) CARO, BASTANTE, LONGE, se advérbios, não variam, se adjeti-
• É bom FICARMOS ATENTOS. = É bom QUE FIQUEMOS vos, sofrem variação normalmente.
ATENTOS. Esses pneus custam caro.
• AO SABER DISSO, entristeceu-se = QUANDO SOUBE DISSO, Conversei bastante com eles.
entristeceu-se. Conversei com bastantes pessoas.
• É interesse ESTUDARES MAIS.= É interessante QUE ESTUDES Estas crianças moram longe.
MAIS. Conheci longes terras.
• SAINDO DAQUI, procure-me. = QUANDO SAIR DAQUI, procure-
me. CONCORDÂNCIA VERBAL
CASOS GERAIS
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL 1) O verbo concorda com o sujeito em número e pessoa.
O menino chegou. Os meninos chegaram.
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL 2) Sujeito representado por nome coletivo deixa o verbo no singular.
Concordância é o processo sintático no qual uma palavra determinan- O pessoal ainda não chegou.
te se adapta a uma palavra determinada, por meio de suas flexões. A turma não gostou disso.
Um bando de pássaros pousou na árvore.
Principais Casos de Concordância Nominal 3) Se o núcleo do sujeito é um nome terminado em S, o verbo só irá
1) O artigo, o adjetivo, o pronome relativo e o numeral concordam em ao plural se tal núcleo vier acompanhado de artigo no plural.
gênero e número com o substantivo. Os Estados Unidos são um grande país.
As primeiras alunas da classe foram passear no zoológico. Os Lusíadas imortalizaram Camões.
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APOSTILAS OPÇÃO
Os Alpes vivem cobertos de neve. De Botafogo ao Leblon são oito quilômetros.
Em qualquer outra circunstância, o verbo ficará no singular.
Flores já não leva acento. 4) Com o predicado nominal indicando suficiência ou falta, o verbo SER
O Amazonas deságua no Atlântico. fica no singular.
Campos foi a primeira cidade na América do Sul a ter luz elétrica. Três batalhões é muito pouco.
4) Coletivos primitivos (indicam uma parte do todo) seguidos de nome Trinta milhões de dólares é muito dinheiro.
no plural deixam o verbo no singular ou levam-no ao plural, indife-
rentemente. 5) Quando o sujeito é pessoa, o verbo SER fica no singular.
A maioria das crianças recebeu, (ou receberam) prêmios. Maria era as flores da casa.
A maior parte dos brasileiros votou (ou votaram). O homem é cinzas.
5) O verbo transitivo direto ao lado do pronome SE concorda com o
sujeito paciente. 6) Quando o sujeito é constituído de verbos no infinitivo, o verbo SER
Vende-se um apartamento. concorda com o predicativo.
Vendem-se alguns apartamentos. Dançar e cantar é a sua atividade.
6) O pronome SE como símbolo de indeterminação do sujeito leva o Estudar e trabalhar são as minhas atividades.
verbo para a 3ª pessoa do singular.
Precisa-se de funcionários. 7) Quando o sujeito ou o predicativo for pronome pessoal, o verbo SER
7) A expressão UM E OUTRO pede o substantivo que a acompanha concorda com o pronome.
no singular e o verbo no singular ou no plural. A ciência, mestres, sois vós.
Um e outro texto me satisfaz. (ou satisfazem) Em minha turma, o líder sou eu.
8) A expressão UM DOS QUE pede o verbo no singular ou no plural.
Ele é um dos autores que viajou (viajaram) para o Sul. 8) Quando o verbo PARECER estiver seguido de outro verbo no infiniti-
9) A expressão MAIS DE UM pede o verbo no singular. vo, apenas um deles deve ser flexionado.
Mais de um jurado fez justiça à minha música. Os meninos parecem gostar dos brinquedos.
10) As palavras: TUDO, NADA, ALGUÉM, ALGO, NINGUÉM, quando Os meninos parece gostarem dos brinquedos.
empregadas como sujeito e derem ideia de síntese, pedem o verbo
no singular. REGÊNCIA NOMINAL E VERBAL
As casas, as fábricas, as ruas, tudo parecia poluição.
11) Os verbos DAR, BATER e SOAR, indicando hora, acompanham o Regência é o processo sintático no qual um termo depende gramati-
sujeito. calmente do outro.
Deu uma hora. A regência nominal trata dos complementos dos nomes (substantivos
Deram três horas. e adjetivos).
Bateram cinco horas. Exemplos:
Naquele relógio já soaram duas horas. - acesso: A = aproximação - AMOR: A, DE, PARA, PARA COM
12) A partícula expletiva ou de realce É QUE é invariável e o verbo da EM = promoção - aversão: A, EM, PARA, POR
frase em que é empregada concorda normalmente com o sujeito. PARA = passagem
Ela é que faz as bolas. A regência verbal trata dos complementos do verbo.
Eu é que escrevo os programas.
13) O verbo concorda com o pronome antecedente quando o sujeito é ALGUNS VERBOS E SUA REGÊNCIA CORRETA
um pronome relativo. 1. ASPIRAR - atrair para os pulmões (transitivo direto)
Ele, que chegou atrasado, fez a melhor prova. • pretender (transitivo indireto)
Fui eu que fiz a lição No sítio, aspiro o ar puro da montanha.
Quando a LIÇÃO é pronome relativo, há várias construções possí- Nossa equipe aspira ao troféu de campeã.
veis.
• que: Fui eu que fiz a lição. 2. OBEDECER - transitivo indireto
• quem: Fui eu quem fez a lição. Devemos obedecer aos sinais de trânsito.
• o que: Fui eu o que fez a lição.
3. PAGAR - transitivo direto e indireto
14) Verbos impessoais - como não possuem sujeito, deixam o verbo na Já paguei um jantar a você.
terceira pessoa do singular. Acompanhados de auxiliar, transmitem 4. PERDOAR - transitivo direto e indireto.
a este sua impessoalidade. Já perdoei aos meus inimigos as ofensas.
Chove a cântaros. Ventou muito ontem. 5. PREFERIR - (= gostar mais de) transitivo direto e indireto
Deve haver muitas pessoas na fila. Pode haver brigas e discussões. Prefiro Comunicação à Matemática.

CONCORDÂNCIA DOS VERBOS SER E PARECER 6. INFORMAR - transitivo direto e indireto.


1) Nos predicados nominais, com o sujeito representado por um dos Informei-lhe o problema.
pronomes TUDO, NADA, ISTO, ISSO, AQUILO, os verbos SER e
7. ASSISTIR - morar, residir:
PARECER concordam com o predicativo.
Assisto em Porto Alegre.
Tudo são esperanças.
• amparar, socorrer, objeto direto
Aquilo parecem ilusões.
O médico assistiu o doente.
Aquilo é ilusão.
• PRESENCIAR, ESTAR PRESENTE - objeto direto
Assistimos a um belo espetáculo.
2) Nas orações iniciadas por pronomes interrogativos, o verbo SER
• SER-LHE PERMITIDO - objeto indireto
concorda sempre com o nome ou pronome que vier depois.
Assiste-lhe o direito.
Que são florestas equatoriais?
Quem eram aqueles homens? 8. ATENDER - dar atenção
Atendi ao pedido do aluno.
3) Nas indicações de horas, datas, distâncias, a concordância se fará • CONSIDERAR, ACOLHER COM ATENÇÃO - objeto direto
com a expressão numérica. Atenderam o freguês com simpatia.
São oito horas.
Hoje são 19 de setembro. 9. QUERER - desejar, querer, possuir - objeto direto
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APOSTILAS OPÇÃO
A moça queria um vestido novo. Os pronomes átonos podem ocupar 3 posições: antes do verbo (pró-
• GOSTAR DE, ESTIMAR, PREZAR - objeto indireto clise), no meio do verbo (mesóclise) e depois do verbo (ênclise).
O professor queria muito a seus alunos. Esses pronomes se unem aos verbos porque são “fracos” na pronún-
cia.
10. VISAR - almejar, desejar - objeto indireto
Todos visamos a um futuro melhor. PRÓCLISE
• APONTAR, MIRAR - objeto direto Usamos a próclise nos seguintes casos:
O artilheiro visou a meta quando fez o gol. (1) Com palavras ou expressões negativas: não, nunca, jamais, nada,
• pör o sinal de visto - objeto direto ninguém, nem, de modo algum.
O gerente visou todos os cheques que entraram naquele dia.
- Nada me perturba.
11. OBEDECER e DESOBEDECER - constrói-se com objeto indireto - Ninguém se mexeu.
Devemos obedecer aos superiores. - De modo algum me afastarei daqui.
Desobedeceram às leis do trânsito.
- Ela nem se importou com meus problemas.
12. MORAR, RESIDIR, SITUAR-SE, ESTABELECER-SE (2) Com conjunções subordinativas: quando, se, porque, que, confor-
• exigem na sua regência a preposição EM me, embora, logo, que.
O armazém está situado na Farrapos. - Quando se trata de comida, ele é um “expert”.
Ele estabeleceu-se na Avenida São João.
- É necessário que a deixe na escola.
13. PROCEDER - no sentido de "ter fundamento" é intransitivo. - Fazia a lista de convidados, conforme me lembrava dos amigos sin-
Essas tuas justificativas não procedem. ceros.
• no sentido de originar-se, descender, derivar, proceder, constrói-se
(3) Advérbios
com a preposição DE.
Algumas palavras da Língua Portuguesa procedem do tupi-guarani - Aqui se tem paz.
• no sentido de dar início, realizar, é construído com a preposição A. - Sempre me dediquei aos estudos.
O secretário procedeu à leitura da carta. - Talvez o veja na escola.
14. ESQUECER E LEMBRAR OBS: Se houver vírgula depois do advérbio, este (o advérbio) deixa
• quando não forem pronominais, constrói-se com objeto direto: de atrair o pronome.
Esqueci o nome desta aluna. - Aqui, trabalha-se.
Lembrei o recado, assim que o vi. (4) Pronomes relativos, demonstrativos e indefinidos.
• quando forem pronominais, constrói-se com objeto indireto:
Esqueceram-se da reunião de hoje. - Alguém me ligou? (indefinido)
Lembrei-me da sua fisionomia. - A pessoa que me ligou era minha amiga. (relativo)
- Isso me traz muita felicidade. (demonstrativo)
15. Verbos que exigem objeto direto para coisa e indireto para pessoa.
• perdoar - Perdoei as ofensas aos inimigos. (5) Em frases interrogativas.
• pagar - Pago o 13° aos professores. - Quanto me cobrará pela tradução?
• dar - Daremos esmolas ao pobre. (6) Em frases exclamativas ou optativas (que exprimem desejo).
• emprestar - Emprestei dinheiro ao colega.
• ensinar - Ensino a tabuada aos alunos. - Deus o abençoe!
• agradecer - Agradeço as graças a Deus. - Macacos me mordam!
• pedir - Pedi um favor ao colega. - Deus te abençoe, meu filho!
(7) Com verbo no gerúndio antecedido de preposição EM.
16. IMPLICAR - no sentido de acarretar, resultar, exige objeto direto:
O amor implica renúncia. - Em se plantando tudo dá.
• no sentido de antipatizar, ter má vontade, constrói-se com a preposi- - Em se tratando de beleza, ele é campeão.
ção COM: (8) Com formas verbais proparoxítonas
O professor implicava com os alunos
• no sentido de envolver-se, comprometer-se, constrói-se com a prepo- - Nós o censurávamos.
sição EM: MESÓCLISE
Implicou-se na briga e saiu ferido Usada quando o verbo estiver no futuro do presente (vai acontecer –
amarei, amarás, …) ou no futuro do pretérito (ia acontecer mas não acon-
17. IR - quando indica tempo definido, determinado, requer a preposição
teceu – amaria, amarias, …)
A:
Ele foi a São Paulo para resolver negócios. - Convidar-me-ão para a festa.
quando indica tempo indefinido, indeterminado, requer PARA: - Convidar-me-iam para a festa.
Depois de aposentado, irá definitivamente para o Mato Grosso. Se houver uma palavra atrativa, a próclise será obrigatória.
18. CUSTAR - Empregado com o sentido de ser difícil, não tem pessoa - Não (palavra atrativa) me convidarão para a festa.
como sujeito: ÊNCLISE
O sujeito será sempre "a coisa difícil", e ele só poderá aparecer na 3ª
Ênclise de verbo no futuro e particípio está sempre errada.
pessoa do singular, acompanhada do pronome oblíquo. Quem sente
dificuldade, será objeto indireto. - Tornarei-me……. (errada)
Custou-me confiar nele novamente. - Tinha entregado-nos……….(errada)
Custar-te-á aceitá-la como nora. Ênclise de verbo no infinitivo está sempre certa.
- Entregar-lhe (correta)
Colocação Pronominal (próclise, mesóclise, ênclise)
- Não posso recebê-lo. (correta)
Por Cristiana Gomes Outros casos:
É o estudo da colocação dos pronomes oblíquos átonos (me, te, se, o, - Com o verbo no início da frase: Entregaram-me as camisas.
a, lhe, nos, vos, os, as, lhes) em relação ao verbo.
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 70

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APOSTILAS OPÇÃO
- Com o verbo no imperativo afirmativo: Alunos, comportem-se. Linguagem figurada
- Com o verbo no gerúndio: Saiu deixando-nos por instantes. Elipse
- Com o verbo no infinitivo impessoal: Convém contar-lhe tudo. omissão de um termo ou expressão facilmente subentendida. Casos
OBS: se o gerúndio vier precedido de preposição ou de palavra atrati- mais comuns:
va, ocorrerá a próclise: a) pronome sujeito, gerando sujeito oculto ou implícito: iremos depois,
- Em se tratando de cinema, prefiro o suspense. compraríeis a casa?
- Saiu do escritório, não nos revelando os motivos. b) substantivo - a catedral, no lugar de a igreja catedral; Maracanã, no
ligar de o estádio Maracanã
COLOCAÇÃO PRONOMINAL NAS LOCUÇÕES VERBAIS c) preposição - estar bêbado, a camisa rota, as calças rasgadas, no lugar
Locuções verbais são formadas por um verbo auxiliar + infinitivo, ge- de: estar bêbado, com a camisa rota, com as calças rasgadas.
rúndio ou particípio. d) conjunção - espero você me entenda, no lugar de: espero que você me
AUX + PARTICÍPIO: o pronome deve ficar depois do verbo auxiliar. entenda.
Se houver palavra atrativa, o pronome deverá ficar antes do verbo auxiliar. e) verbo - queria mais ao filho que à filha, no lugar de: queria mais o filho
que queria à filha. Em especial o verbo dizer em diálogos - E o rapaz: -
- Havia-lhe contado a verdade.
Não sei de nada !, em vez de E o rapaz disse:
- Não (palavra atrativa) lhe havia contado a verdade.
Zeugma
AUX + GERÚNDIO OU INFINITIVO: se não houver palavra atrativa, o
omissão (elipse) de um termo que já apareceu antes. Se for verbo,
pronome oblíquo virá depois do verbo auxiliar ou do verbo principal.
pode necessitar adaptações de número e pessoa verbais. Utilizada, sobre-
Infinitivo tudo, nas or. comparativas. Ex: Alguns estudam, outros não, por: alguns
- Quero-lhe dizer o que aconteceu. estudam, outros não estudam. / "O meu pai era paulista / Meu avô, per-
- Quero dizer-lhe o que aconteceu. nambucano / O meu bisavô, mineiro / Meu tataravô, baiano." (Chico Buar-
que) - omissão de era
Gerúndio
Hipérbato
- Ia-lhe dizendo o que aconteceu.
alteração ou inversão da ordem direta dos termos na oração, ou das
- Ia dizendo-lhe o que aconteceu. orações no período. São determinadas por ênfase e podem até gerar
Se houver palavra atrativa, o pronome oblíquo virá antes do verbo au- anacolutos.
xiliar ou depois do verbo principal. Ex: Morreu o presidente, por: O presidente morreu.
Infinitivo Obs1.: Bechara denomina esta figura antecipação.
- Não lhe quero dizer o que aconteceu. Obs2.: Se a inversão for violenta, comprometendo o sentido drastica-
- Não quero dizer-lhe o que aconteceu. mente, Rocha Lima e Celso Cunha denominam-na sínquise
Gerúndio Obs3.: RL considera anástrofe um tipo de hipérbato
- Não lhe ia dizendo a verdade. Anástrofe
- Não ia dizendo-lhe a verdade. anteposição, em expressões nominais, do termo regido de preposição
ao termo regente.
Figuras de Linguagem Ex: "Da morte o manto lutuoso vos cobre a todos.", por: O manto lutu-
oso da morte vos cobre a todos.
Figuras sonoras
Obs.: para Rocha Lima é um tipo de hipérbato
Aliteração Pleonasmo
repetição de sons consonantais (consoantes). repetição de um termo já expresso, com objetivo de enfatizar a ideia.
Cruz e Souza é o melhor exemplo deste recurso. Uma das caracterís- Ex: Vi com meus próprios olhos. "E rir meu riso e derramar meu pran-
ticas marcantes do Simbolismo, assim como a sinestesia. to / Ao seu pesar ou seu contentamento." (Vinicius de Moraes), Ao pobre
não lhe devo (OI pleonástico)
Ex: "(...) Vozes veladas, veludosas vozes, / Volúpias dos violões, vo-
Obs.: pleonasmo vicioso ou grosseiro - decorre da ignorância, per-
zes veladas / Vagam nos velhos vórtices velozes / Dos ventos, vivas, vãs,
dendo o caráter enfático (hemorragia de sangue, descer para baixo)
vulcanizadas." (fragmento de Violões que choram. Cruz e Souza)
Assíndeto
Assonância
ausência de conectivos de ligação, assim atribui maior rapidez ao tex-
repetição dos mesmos sons vocálicos. to. Ocorre muito nas or. coordenadas.
Ex: (A, O) - "Sou um mulato nato no sentido lato mulato democrático Ex: "Não sopra o vento; não gemem as vagas; não murmuram os
do litoral." (Caetano Veloso) rios."
(E, O) - "O que o vago e incóngnito desejo de ser eu mesmo de meu ser Polissíndeto
me deu." (Fernando Pessoa)
repetição de conectivos na ligação entre elementos da frase ou do pe-
Paranomásia ríodo.
o emprego de palavras parônimas (sons parecidos).
Ex: O menino resmunga, e chora, e esperneia, e grita, e maltrata. "E
Ex: "Com tais premissas ele sem dúvida leva-nos às primícias" (Padre sob as ondas ritmadas / e sob as nuvens e os ventos / e sob as pontes e
Antonio Vieira) sob o sarcasmo / e sob a gosma e o vômito (...)" (Carlos Drummond de
Onomatopeia Andrade)
criação de uma palavra para imitar um som Anacoluto
Ex: A língua do nhem "Havia uma velhinha / Que andava aborrecida / termo solto na frase, quebrando a estruturação lógica. Normalmente,
Pois dava a sua vida / Para falar com alguém. / E estava sempre em casa inicia-se uma determinada construção sintática e depois se opta por outra.
/ A boa velhinha, / Resmungando sozinha: / Nhem-nhem-nhem-nhem- Eu, parece-me que vou desmaiar. / Minha vida, tudo não passa de al-
nhem..." (Cecília Meireles) guns anos sem importância (sujeito sem predicado) / Quem ama o feio,
bonito lhe parece (alteraram-se as relações entre termos da oração)

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APOSTILAS OPÇÃO
Anáfora Ex: O mestre = Jesus Cristo, A cidade luz = Paris, O rei das selvas = o
repetição de uma mesma palavra no início de versos ou frases. leão, Escritor Maldito = Lima Barreto
Ex: "Olha a voz que me resta / Olha a veia que salta / Olha a gota que Obs.: Rocha Lima considera como uma variação da metonímia
falta / Pro desfecho que falta / Por favor." (Chico Buarque) Sinestesia
Obs.: repetição em final de versos ou frases é epístrofe; repetição no interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato,
início e no fim será símploce. Classificações propostas por Rocha Lima. visão, audição, gustação e tato).
Silepse Ex.: "Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deli-
é a concordância com a ideia, e não com a palavra escrita. Existem ciava ... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo
três tipos: perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que
iluminava / Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melan-
a) de gênero (masc x fem): São Paulo continua poluída (= a cidade de colizava." (Cruz e Souza)
São Paulo). V. Sª é lisonjeiro
Obs.: Para Rocha Lima, representa uma modalidade de metáfora
b) de número (sing x pl): Os Sertões contra a Guerra de Canudos (= o
livro de Euclides da Cunha). O casal não veio, estavam ocupados. Anadiplose
c) de pessoa: Os brasileiros somos otimistas (3ª pess - os brasileiros, é a repetição de palavra ou expressão de fim de um membro de frase
mas quem fala ou escreve também participa do processo verbal) no começo de outro membro de frase.
Antecipação Ex: "Todo pranto é um comentário. Um comentário que amargamente
condena os motivos dados."
antecipação de termo ou expressão, como recurso enfático. Pode ge-
rar anacoluto. Figuras de pensamento
Ex.: Joana creio que veio aqui hoje. Antítese
O tempo parece que vai piorar aproximação de termos ou frases que se opõem pelo sentido.
Obs.: Celso Cunha denomina-a prolepse. Ex: "Neste momento todos os bares estão repletos de homens vazios"
(Vinicius de Moraes)
Figuras de palavras ou tropos
Obs.: Paradoxo - ideias contraditórias num só pensamento, proposi-
(Para Bechara alterações semânticas) ção de Rocha Lima ("dor que desatina sem doer" Camões)
Metáfora Eufemismo
emprego de palavras fora do seu sentido normal, por analogia. É um consiste em "suavizar" alguma ideia desagradável
tipo de comparação implícita, sem termo comparativo.
Ex: Ele enriqueceu por meios ilícitos. (roubou), Você não foi feliz nos
Ex: A Amazônia é o pulmão do mundo. Encontrei a chave do proble- exames. (foi reprovado)
ma. / "Veja bem, nosso caso / É uma porta entreaberta." (Luís Gonzaga
Junior) Obs.: Rocha Lima propõe uma variação chamada litote - afirma-se al-
go pela negação do contrário. (Ele não vê, em lugar de Ele é cego; Não
Obs1.: Rocha Lima define como modalidades de metáfora: personifi- sou moço, em vez de Sou velho). Para Bechara, alteração semântica.
cação (animismo), hipérbole, símbolo e sinestesia. ? Personificação -
atribuição de ações, qualidades e sentimentos humanos a seres inanima-
dos. (A lua sorri aos enamorados) ? Símbolo - nome de um ser ou coisa Hipérbole
concreta assumindo valor convencional, abstrato. (balança = justiça, D. exagero de uma ideia com finalidade expressiva
Quixote = idealismo, cão = fidelidade, além do simbolismo universal das
cores) Ex: Estou morrendo de sede (com muita sede), Ela é louca pelos fi-
lhos (gosta muito dos filhos)
Obs2.: esta figura foi muito utilizada pelos simbolistas
Obs.: Para Rocha Lima, é uma das modalidades de metáfora.
Catacrese Ironia
uso impróprio de uma palavra ou expressão, por esquecimento ou na utilização de termo com sentido oposto ao original, obtendo-se, assim,
ausência de termo específico. valor irônico.
Ex.: Espalhar dinheiro (espalhar = separar palha) / "Distrai-se um de- Obs.: Rocha Lima designa como antífrase
les a enterrar o dedo no tornozelo inchado." - O verbo enterrar era usado Ex: O ministro foi sutil como uma jamanta.
primitivamente para significar apenas colocar na terra. Gradação
Obs1.: Modernamente, casos como pé de meia e boca de forno são apresentação de ideias em progressão ascendente (clímax) ou des-
considerados metáforas viciadas. Perderam valor estilístico e se formaram cendente (anticlímax)
graças à semelhança de forma existente entre seres. Ex: "Nada fazes, nada tramas, nada pensas que eu não saiba, que eu
Obs2.: Para Rocha Lima, é um tipo de metáfora não veja, que eu não conheça perfeitamente."
Prosopopeia, personificação, animismo
Metonímia
é a atribuição de qualidades e sentimentos humanos a seres irracio-
substituição de um nome por outro em virtude de haver entre eles as- nais e inanimados.
sociação de significado.
Ex: "A lua, (...) Pedia a cada estrela fria / Um brilho de aluguel ..."
Ex: Ler Jorge Amado (autor pela obra - livro) / Ir ao barbeiro (o pos- (Jõao Bosco / Aldir Blanc)
suidor pelo possuído, ou vice-versa - barbearia) / Bebi dois copos de leite
(continente pelo conteúdo - leite) / Ser o Cristo da turma. (indivíduo pala Obs.: Para Rocha Lima, é uma modalidade de metáfora.
classe - culpado) / Completou dez primaveras (parte pelo todo - anos) / O
brasileiro é malandro (sing. pelo plural - brasileiros) / Brilham os cristais Discurso direto. Discurso indireto. Discurso indireto livre
(matéria pela obra - copos). Celso Cunha
Antonomásia, perífrase
substituição de um nome de pessoa ou lugar por outro ou por uma ENUNCIAÇÃO E REPRODUÇÃO DE ENUNCIAÇÕES
expressão que facilmente o identifique. Fusão entre nome e seu aposto. Comparando as seguintes frases:
“A vida é luta constante”
“Dizem os homens experientes que a vida é luta constante”

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APOSTILAS OPÇÃO
pretendem representar diante dos que os lêem “a comédia humana, com a
Notamos que, em ambas, é emitido um mesmo conceito sobre a vida.. maior naturalidade possível”. (E. Zola)

Mas, enquanto o autor da primeira frase enuncia tal conceito como Discurso indireto
tendo sido por ele próprio formulado, o autor da segunda o reproduz como 1. Tomemos como exemplo esta frase de Machado de Assis:
tendo sido formulado por outrem. “Elisiário confessou que estava com sono.”
Ao contrário do que observamos nos enunciados em discurso di-
Estruturas de reprodução de enunciações reto, o narrador incorpora aqui, ao seu próprio falar, uma informa-
Para dar-nos a conhecer os pensamentos e as palavras de persona- ção do personagem (Elisiário), contentando-se em transmitir ao
gens reais ou fictícias, os locutores e os escritores dispõiem de três mol- leitor o seu conteúdo, sem nenhum respeito à forma linguística
des linguísticos diversos, conhecidos pelos nomes de: discurso direto, que teria sido realmente empregada.
discurso indireto e discurso indireto livre. Este processo de reproduzir enunciados chama-se discurso indi-
reto.
Discurso direto 2. Também, neste caso, narrador e personagem podem confundir-
Examinando este passo do conto Guaxinim do banhado, de Mário de se num só:
Andrade: “Engrosso a voz e afirmo que sou estudante.” (Graciliano Ramos)
“O Guaxinim está inquieto, mexe dum lado pra outro. Eis que suspira
lá na língua dele - “Chente! que vida dura esta de guaxinim do banhado!...” Características do discurso indireto
1. No plano formal verifica-se que, introduzidas também por um ver-
Verificamos que o narrado, após introduzir o personagem, o guaxinim, bo declarativo (dizer, afirmar, ponderar, confessar, responder,
deixou-o expressar-se “Lá na língua dele”, reproduzindo-lhe a fala tal etc), as falas dos personagens se contêm, no entanto, numa ora-
como ele a teria organizado e emitido. ção subordinada substantiva, de regra desenvolvida:
“O padre Lopes confessou que não imaginara a existência de tan-
A essa forma de expressão, em que o personagem é chamado a tos doudos no mundo e menos ainda o inexplicável de alguns ca-
apresentar as suas próprias palavras, denominamos discurso direto. sos.”
Nestas orações, como vimos, pode ocorrer a elipse da conjunção
Observação integrante:
No exemplo anterior, distinguimos claramente o narrador, do locutor, “Fora preso pela manhã, logo ao erguer-se da cama, e, pelo cál-
o guaxinim. culo aproximado do tempo, pois estava sem relógio e mesmo se o
tivesse não poderia consultá-la à fraca luz da masmorra, imagina-
Mas o narrador e locutor podem confundir-se em casos como o das va podiam ser onze horas.”(Lima Barreto)
narrativas memorialistas feitas na primeira pessoa. Assim, na fala de A conjunçào integrante falta, naturalmente, quando, numa cons-
Riobaldo, o personagem-narrador do romance de Grande Sertão: Vere- trução em discurso indireto, a subordinada substantiva assume a
das, de Guimarães Rosa. forma reduzida.:
“Assaz o senhor sabe: a gente quer passar um rio a nado, e passa; “Um dos vizinhos disse-lhe serem as autoridades do Cachoei-
mas vai dar na outra banda é num ponto muito mais embaixo, bem diverso ro.”(Graça Aranha)
do que em primeiro se pensou. Viver nem não é muito perigoso?” 2. No plano expressivo assinala-se, em primeiro lugar, que o em-
prego do discurso indireto pressupõe um tipo de relato de caráter
Ou, também, nestes versos de Augusto Meyer, em que o autor, liri- predominantemente informativo e intelectivo, sem a feição teatral
camente identificado com a natureza de sua terra, ouve na voz do Minua- e atualizadora do discurso direto. O narrador passa a subordinar
no o convite que, na verdade, quem lhe faz é a sua própria alma: a si o personagem, com retirar-lhe a forma própria da expressão.
“Ouço o meu grito gritar na voz do vento: Mas não se conclua daí que o discurso indireto seja uma constru-
- Mano Poeta, se enganche na minha garupa!” ção estilística pobre. É, na verdade, do emprego sabiamente do-
sado de um e de outro tipo de discurso que os bons escritores ex-
Características do discurso direto traem da narrativa os mais variados efeitos artísticos, em conso-
1. No plano formal, um enunciado em discurso direto é marcado, ge- nância com intenções expressivas que só a análise em profundi-
ralmente, pela presença de verbos do tipo dizer, afirmar, ponde- dade de uma dada obra pode revelar.
rar, sugerir, perguntar, indagar ou expressões sinônimas, que po-
dem introduzi-lo, arrematá-lo ou nele se inserir: Transposição do discurso direto para o indireto
“E Alexandre abriu a torneira: Do confronto destas duas frases:
- Meu pai, homem de boa família, possuía fortuna grossa, como “- Guardo tudo o que meu neto escreve - dizia ela.” (A.F. Schmidt)
não ignoram.” (Graciliano Ramos) “Ela dizia que guardava tudo o que o seu neto escrevia.”
“Felizmente, ninguém tinha morrido - diziam em redor.” (Cecília Verifica-se que, ao passar-se de um tipo de relato para outro, certos
Meirelles) elementos do enunciado se modificam, por acomodação ao novo molde
“Os que não têm filhos são órfãos às avessas”, escreveu Macha- sintático.
do de Assis, creio que no Memorial de Aires. (A.F. Schmidt) a) Discurso direto enunciado 1ª ou 2ª pessoa.
Quando falta um desses verbos dicendi, cabe ao contexto e a re- Exemplo: “-Devia bastar, disse ela; eu não me atrevo a pedir
cursos gráficos - tais como os dois pontos, as aspas, o travessão mais.”(M. de Assis)
e a mudança de linha - a função de indicar a fala do personagem. Discurso indireto: enunciado em 3ª pessoa:
É o que observamos neste passo: “Ela disse que deveria bastar, que ela não se atrevia a pedir
“Ao aviso da criada, a família tinha chegado à janela. Não avista- mais”
ram o menino: b) Discurso direto: verbo enunciado no presente:
- Joãozinho! “- O major é um filósofo, disse ele com malícia.” (Lima Barreto)
Nada. Será que ele voou mesmo?” Discurso indireto: verbo enunciado no imperfeito:
2. No plano expressivo, a força da narração em discurso direto pro- “Disse ele com malícia que o major era um filósofo.”
vém essencialmente de sua capacidade de atualizar o episódio, c) Discurso direto: verbo enunciado no pretérito perfeito:
fazendo emergir da situação o personagem, tornando-o vivo para “- Caubi voltou, disse o guerreiro Tabajara.”(José de Alencar)
o ouvinte, à maneira de uma cena teatral, em que o narrador de- Discurso indireto: verbo enunciado no pretérito mais-que-perfeito:
sempenha a mera função de indicador das falas. “O guerreiro Tabajara disse que Caubi tinha voltado.”
Daí ser esta forma de relatar preferencialmente adotada nos atos diá- d) Discurso direto: verbo enunciado no futuro do presente:
rios de comunicação e nos estilos literários narrativos em que os autores “- Virão buscar V muito cedo? - perguntei.”(A.F. Schmidt)

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Discurso indireto: verbo enunciado no futuro do pretérito: do que seja relato por parte do narrador a enunciado real do locu-
“Perguntei se viriam buscar V. muito cedo” tor é, muitas vezes, extremamente sutil, tal como nos mostra o
e) Discurso direto: verbo no modo imperativo: seguinte passo de Machado de Assis:
“- Segue a dança! , gritaram em volta. (A. Azevedo) “Quincas Borba calou-se de exausto, e sentou-se ofegante. Ru-
Discurso indireto: verbo no modo subjuntivo: bião acudiu, levando-lhe água e pedindo que se deitasse para
“Gritaram em volta que seguisse a dança.” descansar; mas o enfermo após alguns minutos, respondeu que
f) Discurso direto: enunciado justaposto: não era nada. Perdera o costume de fazer discursos é o que era.”
“O dia vai ficar triste, disse Caubi.” 2. No plano expressivo, devem ser realçados alguns valores desta
Discurso indireto: enunciado subordinado, geralmente introduzido construção híbrida:
pela integrante que: a) Evitando, por um lado, o acúmulo de quês, ocorrente no discurso
“Disse Caubi que o dia ia ficar triste.” indireto, e, por outro lado, os cortes das oposições dialogadas pe-
g) Discurso direto:: enunciado em forma interrogativa direta: culiares ao discurso direto, o discurso indireto livre permite uma
“Pergunto - É verdade que a Aldinha do Juca está uma moça en- narrativa mais fluente, de ritmo e tom mais artisticamente elabo-
cantadora?” (Guimarães Rosa) rados;
Discurso indireto: enunciado em forma interrogativa indireta: b) O elo psíquico que se estabelece entre o narrador e personagem
“Pergunto se é verdade que a Aldinha do Juca está uma moça neste molde frásico torna-o o preferido dos escritores memorialis-
encantadora.” tas, em suas páginas de monólogo interior;
h) Discurso direto: pronome demonstrativo de 1ª pessoa (este, esta, c) Finalmente, cumpre ressaltar que o discurso indireto livre nem
isto) ou de 2ª pessoa (esse, essa, isso). sempre aparece isolado em meio da narração. Sua “riqueza ex-
“Isto vai depressa, disse Lopo Alves.”(Machado de Assis) pressiva aumenta quando ele se relaciona, dentro do mesmo pa-
Discurso indireto: pronome demonstrativo de 3ª pessoa (aquele, rágrafo, com os discursos direto e indireto puro”, pois o emprego
aquela, aquilo). conjunto faz que para o enunciado confluam, “numa soma total,
“Lopo Alves disse que aquilo ia depressa.” as características de três estilos diferentes entre si”.
i) Discurso direto: advérbio de lugar aqui: (Celso Cunha in Gramática da Língua Portuguesa, 2ª edição, MEC-FENAME.)
“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gave-
ta, concluindo: FUNÇÕES DA LINGUAGEM
- Aqui, não está o que procuro.”(Afonso Arinos) As funções da linguagem têm como objetivo essencial apontar o dire-
Discurso indireto: advérbio de lugar ali: cionamento da mensagem para um ou mais elementos do circuito da
“E depois de torcer nas mãos a bolsa, meteu-a de novo na gave- comunicação. O funcionamento da mensagem ocorre tendo em vista a
ta, concluindo que ali não estava o que procurava.” finalidade de transmitir.
Apresenta, portanto, funções da linguagem qualquer produção discur-
Discurso indireto livre siva, linguística (oral ou escrita) ou extralinguística (propaganda, fotogra-
Na moderna literatura narrativa, tem sido amplamente utilizado um fia, música, pintura, cinema etc.).
terceiro processo de reprodução de enunciados, resultante da conciliação Quando vamos elaborar uma redação, necessitamos estar cons-
dos dois anteriormente descritos. É o chamado discurso indireto livre, cientes de que estamos escrevendo para alguém.
forma de expressão que, ao invés de apresentar o personagem em sua A redação (literária ou escolar] sempre apresenta alguém que escre-
voz própria (discurso direto), ou de informar objetivamente o leitor sobre o ve, que envia a MENSAGEM, o EMISSOR, para alguém que a lê, o RE-
que ele teria dito (discurso indireto), aproxima narrador e personagem, CEPTOR. O elemento que passa a emissão para a recepção é o CANAL,
dando-nos a impressão de que passam a falar em uníssono. que é um suporte tísico (no caso da redação é o papel). Qualquer proble-
ma com o canal impedirá que a mensagem chegue ao receptor; neste
Comparem-se estes exemplos:
caso, não haverá comunicação, mas um ruído”, um obstáculo a ela. Os
“Que vontade de voar lhe veio agora! Correu outra vez com a respira-
fatos, os objetos ou imagens, juízos ou raciocínios que o emissor utiliza
ção presa. Já nem podia mais. Estava desanimado. Que pena! Houve um
(no nosso caso, a língua portuguesa) constitui o CÓDIGO. O papel do
momento em que esteve quase... quase!
código é de suma importância, pois emissor e receptor devem possuir
Retirou as asas e estraçalhou-a. Só tinham beleza. Entretanto, qual-
pleno conhecimento do código utilizado para que a comunicação se reali-
quer urubu... que raiva... “ (Ana Maria Machado)
ze, senão a comunicação será apenas parcial ou nula. Um código comum,
“D. Aurora sacudiu a cabeça e afastou o juízo temerário. Para que es-
uma mensagem deverá abranger um CONTEXTO ou REFERENTE.
tar catando defeitos no próximo? Eram todos irmãos. Irmãos.” (Graciliano
Ramos)
FUNÇÃO REFERENCIAL — a mais usada no dia-a-dia. Ela separa dois
“O matuto sentiu uma frialdade mortuária percorrendo-o ao longo da
níveis de linguagem, denotativo e conotativo. A linguagem conotativa ou
espinha.
“linguagem figurada” empresta sua significação para dois campos diversos,
Era uma urutu, a terrível urutu do sertão, para a qual a mezinha do-
uma espécie de transferência de significado. Por exemplo: pé da cadeira”
méstica nem a dos campos possuíam salvação.
refere-se à semelhança entre o signo pé (campo orgânico do ser humano] e
Perdido... completamente perdido...”
o traço que compõe a sustentação da cadeira (campo dos objetos]. Assim, a
( H. de C. Ramos)
linguagem “figura” o objeto que sustenta a cadeira, com base na similaridade
do pé humano e essa relação se dá entre signos. A linguagem denotativa ou
Características do discurso indireto livre
“linguagem legível” relaciona e aproxima mais diretamente o termo e o
Do exame dos enunciados em itálico comprova-se que o discurso in-
objeto. O pé do ser humano seria signo denotativo.
direto livre conserva toda a afetividade e a expressividade próprios do
A função referencial evidencia o assunto, o objeto, os fatos. É a lingua-
discurso direto, ao mesmo tempo que mantém as transposições de pro-
gem da comunicação. Refere-se a um contexto, ou seja, a uma informação
nomes, verbos e advérbios típicos do discurso indireto. É, por conseguin-
sem se envolver com quem a produziu ou de quem a recebeu. É meramente
te, um processo de reprodução de enunciados que combina as caracterís-
informativa; não se preocupa com o estilo. É a linguagem das redações
ticas dos dois anteriormente descritos.
escolares, principalmente das dissertações, das narrações não fictícias e das
1. No plano formal, verifica-se que o emprego do discurso indireto li-
descrições objetivas. Ela é usada também nos manuais técnicos, fichas
vre “pressupõe duas condições: a absoluta liberdade sintática do
informativas, instruções para a instalação e funcionamento de aparelhos,
escritor (fator gramatical) e a sua completa adesão à vida do per-
explicações a respeito de aparelhos. Caracteriza o discurso científico, o
sonagem (fator estético) “ (Nicola Vita In: Cultura Neolatina).
jornalístico e a correspondência comercial.
Observe-se que essa absoluta liberdade sintática do escritor pode
levar o leitor desatento a confundir as palavras ou manifestações
FUNÇÃO EMOTIVA — põe ênfase no emissor. A linguagem e subjetiva
dos locutores com a simples narração. Daí que, para a apreen-
e expressa diretamente emoções, atitudes, sensações, reflexões pessoais, a
são da fala do personagem nos trechos em discurso indireto livre,
carga emocional. Na Literatura, essa função predomina na poesia, prosa
ganhe em importância o papel do contexto, pois que a passagem
Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 74

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APOSTILAS OPÇÃO
poética, depoimentos, autobiografias e memórias, diários íntimos. Linguisti- natureza há de adequar-se a um planejamento que considere a qualidade
camente é representada por interjeições, adjetivos, exclamações, reticên- e a extensão dos efeitos.
cias, agressão verbal (insultos, termos de calão). Em suma: já está ocorrendo, há algum tempo, uma avaliação ética e
Pertencem também à função emotiva as canções populares amorosas, política de todas as formas de progresso que afetam nossa relação com o
as novelas e qualquer expressão artística que deixe transparecer o estado mundo e, portanto, a qualidade da nossa vida. Não é pouco, mas ainda
emocional do emissor. não é suficiente. Aos cientistas, aos administradores, aos empresários,
aos industriais e a todos nós – cidadãos comuns – cabe a tarefa cotidiana
FUNÇÃO CONATIVA — é dirigida ao receptor buscando mobilizar sua de zelarmos por nossas ações que inflectem sobre qualquer aspecto da
atenção, produzindo um apelo. A linguagem apresenta caráter persuasivo, qualidade de vida. A tarefa começa em nossa casa, em nossa cozinha e
sedutor, procura aproximar-se do receptor (ouvinte, espectador, leitor), banheiro, em nosso quintal e jardim – e se estende à preocupação com a
convencer, mudar seu comportamento. Pode ser volitiva, revelando assim rua, com o bairro, com a cidade.
uma vontade ou é imperativa, que é a característica fundamental da propa- “Meu coração não é maior do que o mundo”, dizia o poeta. Mas um
ganda. Exemplos: mundo que merece a atenção do nosso coração e da nossa inteligência é,
certamente, melhor do que este em que estamos vivendo.
FUNÇÃO FÁTICA — sua característica principal é a de preparar a co- Não custa interrogar, a cada vez que alguém diz progresso, o sentido
municação, facilitando-a, dando eficiência no processo comunicativo. Apre- preciso – talvez oculto - da palavra mágica empregada. (Alaor Adauto de
senta excesso de reticências, desejo de compreensão. Ela mantém a cone- Mello)
xão entre os falantes.
1. Centraliza-se, no texto, uma concepção de progresso, segundo a
FUNÇÃO POÉTICA — pode ocorrer num texto em prosa ou em verso, qual este deve ser
ou ainda na fotografia, na música, no cinema, na pintura, enfim em qualquer (A) equacionado como uma forma de equilíbrio entre as atividades
modalidade discursiva que apresente uma maneira especial de elaborar o humanas e o respeito ao mundo natural.
código. Ela valoriza a comunicação pela forma da mensagem, ela se preo- (B) identificado como aprimoramento tecnológico que resulte em ativi-
cupa com a estética do texto. A linguagem é criativa, afetiva, recorre a dade economicamente viável.
figuras, ornatos, apresenta ritmo, sonoridade. Na Literatura, essa função não (C) caracterizado como uma atividade que redunde em maiores lucros
se manifesta apenas na poesia, devemos considerar a prosa poética em para todos os indivíduos de uma comunidade.
suas várias manifestações. Exemplo: (D) definido como um atributo da natureza que induz os homens a
aproveitarem apenas o que é oferecido em sua forma natural.
FUNÇÃO METALINGUÍSTICA — é centrada no código visando sua tra- (E) aceito como um processo civilizatório que implique melhor distribui-
dução. A elaboração do discurso é de suma importância, seja ele linguistico ção de renda entre todos os agentes dos setores produtivos.
(a escrita ou a oralidade) ou extralinguístico (música, pintura, gestualidades
etc.). É a mensagem que fala de sua própria produção discursiva. A lingua- 2. Considere as seguintes afirmações:
gem fala sobre a própria linguagem, como nos textos explicativos, nas I. A banalização do uso da palavra progresso é uma consequência
definições. Ela é encontrada nos dicionários, nas enciclopédias, gramáticas, do fato de que a Ecologia deixou de ser um assunto acadêmico.
livros didáticos. II. A expressão desenvolvimento sustentável pressupõe que haja
formas de desenvolvimento nocivas e predatórias.
III. Entende o autor do texto que a magia da palavra progresso advém
PROVA SIMULADA I do uso consciente e responsável que a maioria das pessoas vem
fazendo dela.
Nota Em relação ao texto está correto APENAS que se afirma em
As questões aqui transcritas foram extraídas de provas (A) I. (B) II.
anteriores dos mais variados concursos, obedecendo o (C) III. (D) I e II. (E) II e III.
programa oficial.
3. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente uma frase do
Atenção: As questões de números 1 a 10 referem-se ao texto que texto em:
segue. (A) Mas quero chegar logo ao ponto = devo me antecipar a qualquer
No coração do progresso conclusão.
Há séculos a civilização ocidental vem correndo atrás de tudo o que (B) continuamos a usar indiscriminadamente a palavrinha mágica =
classifica como progresso. Essa palavra mágica aplica-se tanto à inven- seguimos chamando de mágico tudo o que julgamos sem precon-
ção do aeroplano ou à descoberta do DNA como à promoção do papai no ceito.
novo emprego. “Estou fazendo progressos”, diz a titia, quando enfim (C) para cercear as iniciativas predatórias = para ir ao encontro das
acerta a mão numa velha receita. Mas quero chegar logo ao ponto, e ações voluntariosas.
convidar o leitor a refletir sobre o sentido dessa palavra, que sempre (D) ações que inflectem sobre qualquer aspecto da qualidade da vida =
pareceu abrir todas as portas para uma vida melhor. práticas alheias ao que diz respeito às condições de vida.
Quando, muitos anos atrás, num daqueles documentários de cinema, (E) há de adequar-se a um planejamento = deve ir ao encontro do que
via-se uma floresta sendo derrubada para dar lugar a algum empreendi- está planificado.
mento, ninguém tinha dúvida em dizer ou pensar: é o progresso. Uma
represa monumental era progresso. Cada novo produto químico era um 4. Cada intervenção na natureza há de adequar-se a um planejamento
progresso. As coisas não mudaram tanto: continuamos a usar indiscrimi- pelo qual se garanta que a qualidade da vida seja preservada.
nadamente a palavrinha mágica. Mas não deixaram de mudar um pouco: Os tempos e os modos verbais da frase acima continuarão correta-
desde que a Ecologia saiu das academias, divulgou-se, popularizou-se e mente articulados caso se substituam as formas sublinhadas, na
tornou-se, efetivamente, um conjunto de iniciativas em favor da preserva- ordem em que surgem, por
ção ambiental e da melhoria das condições da vida em nosso pequenino (A) houve - garantiria – é (B) haveria - garantiu - teria
planeta. sido
Para isso, foi preciso determinar muito bem o sentido de progresso. (C) haveria - garantisse – fosse (D) haverá - garantisse - e
Do ponto de vista material, considera-se ganho humano apenas aquilo (E) havia - garantiu - é
que concorre para equilibrar a ação transformadora do homem sobre a 5. As normas de concordância verbal estão plenamente respeitadas
natureza e a integridade da vida natural. Desenvolvimento, sim, mas na frase:
sustentável: o adjetivo exprime uma condição, para cercear as iniciativas (A) Já faz muitos séculos que se vêm atribuindo à palavra progresso
predatórias. Cada novidade tecnológica há de ser investigada quanto a algumas conotações mágicas.
seus efeitos sobre o homem e o meio em que vive. Cada intervenção na (B) Deve-se ao fato de usamos muitas palavras sem conhecer seu

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sentido real muitos equívocos ideológicos. aparentemente irrisórias, cuja execução cotidiana é, no entanto, im-
(C) Muitas coisas a que associamos o sentido de progresso não chega portantíssima.
a representarem, de fato, qualquer avanço significativo. (C) O prestígio da palavra progresso, deve-se em grande parte ao
(D) Se muitas novidades tecnológicas houvesse de ser investigadas a modo irrefletido, com que usamos e abusamos, dessa palavrinha
fundo, veríamos que são irrelevantes para a melhoria da vida. mágica.
(E) Começam pelas preocupações com nossa casa, com nossa rua, (D) Ainda que traga muitos benefícios, a construção de enormes repre-
com nossa cidade a tarefa de zelarmos por uma boa qualidade da sas, costuma trazer também uma série de consequências ambien-
vida. tais que, nem sempre, foram avaliadas.
(E) Não há dúvida, de que o autor do texto aderiu a teses ambientalis-
6. Está correto o emprego de ambas as expressões sublinhadas na tas segundo as quais, o conceito de progresso está sujeito a uma
frase: permanente avaliação.
(A) De tudo aquilo que classificamos como progresso costumamos
atribuir o sentido de um tipo de ganho ao qual não queremos abrir Leia o texto a seguir para responder às questões de números 11 a 24.
mão. De um lado estão os prejuízos e a restrição de direitos causados pe-
(B) É preferível deixar intacta a mata selvagem do que destruí-la em los protestos que param as ruas de São Paulo. De outro está o direito à
nome de um benefício em que quase ninguém desfrutará. livre manifestação, assegurado pela Carta de 1988. Como não há fórmula
(C) A titia, cuja a mão enfim acertou numa velha receita, não hesitou perfeita de arbitrar esse choque entre garantias democráticas fundamen-
em ver como progresso a operação à qual foi bem sucedida. tais, cabe lançar mão de medidas pontuais – e sobretudo de bom senso.
(D) A precisão da qual se pretende identificar o sentido de uma palavra A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) estima em R$ 3 mi-
depende muito do valor de contexto a que lhe atribuímos. lhões o custo para a população dos protestos ocorridos nos últimos três
(E) As inovações tecnológicas de cujo benefício todos se aproveitam anos na capital paulista. O cálculo leva em conta o combustível consumido
representam, efetivamente, o avanço a que se costuma chamar e as horas perdidas de trabalho durante os engarrafamentos causados por
progresso. protestos. Os carros enfileirados por conta de manifestações nesses três
anos praticamente cobririam os 231 km que separam São Paulo de São
7. Considere as seguintes afirmações, relativas a aspectos da cons- Carlos.
trução ou da expressividade do texto: A Justiça é o meio mais promissor, em longo prazo, para desestimular
I. No contexto do segundo parágrafo, a forma plural não mudaram os protestos abusivos que param o trânsito nos horários mais inconvenien-
tanto atende à concordância com academias. tes e acarretam variados transtornos a milhões de pessoas. É adequada a
II. No contexto do terceiro parágrafo, a expressão há de adequar-se atitude da CET de enviar sistematicamente ao Ministério Público relatórios
exprime um dever imperioso, uma necessidade premente. com os prejuízos causados em cada manifestação feita fora de horários e
III. A expressão Em suma, tal como empregada no quarto parágrafo, locais sugeridos pela agência ou sem comunicação prévia.
anuncia a abertura de uma linha de argumentação ainda inexplora- Com base num documento da CET, por exemplo, a Procuradoria aci-
da no texto. onou um líder de sindicato, o qual foi condenado em primeira instância a
Está correto APENAS o que se afirma em pagar R$ 3,3 milhões aos cofres públicos, a título de reparação. O direito à
(A) I. livre manifestação está previsto na Constituição. No entanto, tal direito não
(B)) II. anula a responsabilização civil e criminal em caso de danos provocados
(C) III. pelos protestos.
(D) I e II. O poder público deveria definir, de preferência em negociação com as
(E) II e III. categorias que costumam realizar protestos na capital, horários e locais
vedados às passeatas. Práticas corriqueiras, como a paralisia de avenidas
8. A palavra progresso frequenta todas as bocas, todas pronunciam a essenciais para o tráfego na capital nos horários de maior fluxo, deveriam
palavra progresso, todas atribuem a essa palavra sentidos mágicos ser abolidas.
que elevam essa palavra ao patamar dos nomes miraculosos. (Folha de S.Paulo, 29.09.07. Adaptado)
Evitam-se as repetições viciosas da frase acima substituindo-se os
elementos sublinhados, na ordem dada, por: 11. De acordo com o texto, é correto afirmar que
(A)) a pronunciam - lhe atribuem - a elevam (A) a Companhia de Engenharia de Tráfego não sabe mensurar o custo
(B) a pronunciam - atribuem-na - elevam-na dos protestos ocorridos nos últimos anos.
(C) lhe pronunciam - lhe atribuem - elevam-lhe (B) os prejuízos da ordem de R$ 3 milhões em razão dos engarrafa-
(D) a ela pronunciam - a ela atribuem - lhe elevam mentos já foram pagos pelos manifestantes.
(E) pronunciam-na - atribuem-na - a elevam (C) os protestos de rua fazem parte de uma sociedade democrática e
são permitidos pela Carta de 1988.
9. Está clara e correta a redação da seguinte frase:
(D) após a multa, os líderes de sindicato resolveram organizar protestos
(A) Caso não se determine bem o sentido da palavra progresso, pois
de rua em horários e locais predeterminados.
que é usada indiscriminadamente, ainda assim se faria necessário
(E) o Ministério Público envia com frequência estudos sobre os custos
que reflitamos sobre seu verdadeiro sentido.
das manifestações feitas de forma abusiva.
(B) Ao dizer o poeta que seu coração não é maior do que o mundo,
devemos nos inspirar para que se estabeleça entre este e o nosso 12. No primeiro parágrafo, afirma-se que não há fórmula perfeita para
coração os compromissos que se reflitam numa vida melhor. solucionar o conflito entre manifestantes e os prejuízos causados ao
(C) Nada é desprezível no espaço do mundo, que não mereça nossa restante da população. A saída estaria principalmente na
atenção quanto ao fato de que sejamos responsáveis por sua me- (A) sensatez.
lhoria, seja o nosso quintal, nossa rua, enfim, onde se esteja. (B) Carta de 1998.
(D)) Todo desenvolvimento definido como sustentável exige, para fazer (C) Justiça.
jus a esse adjetivo, cuidados especiais com o meio ambiente, para (D) Companhia de Engenharia de Tráfego.
que não venham a ser nocivos seus efeitos imediatos ou futuros. (E) na adoção de medidas amplas e profundas.
(E) Tem muita ciência que, se saísse das limitações acadêmicas,
acabariam por se revelarem mais úteis e mais populares, em vista 13. De acordo com o segundo parágrafo do texto, os protestos que
da Ecologia, cujas consequências se sente mesmo no âmbito da vi- param as ruas de São Paulo representam um custo para a popula-
da prática. ção da cidade. O cálculo desses custos é feito a partir
10. Está inteiramente correta a pontuação do seguinte período: (A) das multas aplicadas pela Companhia de Engenharia de Tráfego
(A) Toda vez que é pronunciada, a palavra progresso, parece abrir a (CET).
porta para um mundo, mágico de prosperidade garantida. (B) dos gastos de combustível e das horas de trabalho desperdiçadas
(B)) Por mínimas que pareçam, há providências inadiáveis, ações
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em engarrafamentos. 21. “Não há fórmula perfeita de arbitrar esse choque.” Nessa frase, a
(C) da distância a ser percorrida entre as cidades de São Paulo e São palavra arbitrar é um sinônimo de
Carlos. (A) julgar. (B) almejar.
(D) da quantidade de carros existentes entre a capital de São Paulo e (C) condenar. (D) corroborar. (E) descriminar.
São Carlos.
(E) do número de usuários de automóveis particulares da cidade de 22. No trecho – A Justiça é o meio mais promissor para desestimular os
São Paulo. protestos abusivos – a preposição para estabelece entre os termos
uma relação de
14. A quantidade de carros parados nos engarrafamentos, em razão (A) tempo. (B) posse.
das manifestações na cidade de São Paulo nos últimos três anos, é (C) causa. (D) origem. (E) finalidade.
equiparada, no texto,
(A) a R$ 3,3 milhões. 23. Na frase – O poder público deveria definir horários e locais –, subs-
(B) ao total de usuários da cidade de São Carlos. tituindo-se o verbo definir por obedecer, obtém-se, segundo as re-
(C) ao total de usuários da cidade de São Paulo. gras de regência verbal, a seguinte frase:
(D) ao total de combustível economizado. (A) O poder público deveria obedecer para horários e locais.
(E) a uma distância de 231 km. (B) O poder público deveria obedecer a horários e locais.
(C) O poder público deveria obedecer horários e locais.
15. No terceiro parágrafo, a respeito do poder da Justiça em coibir os (D) O poder público deveria obedecer com horários e locais.
protestos abusivos, o texto assume um posicionamento de (E) O poder público deveria obedecer os horários e locais.
(A) indiferença, porque diz que a decisão não cabe à Justiça.
24. Transpondo para a voz passiva a frase – A Procuradoria acionou
(B) entusiasmo, porque acredita que o órgão já tem poder para impedir
um líder de sindicato – obtém-se:
protestos abusivos.
(A) Um líder de sindicato foi acionado pela Procuradoria.
(C) decepção, porque não vê nenhum exemplo concreto do órgão para
(B) Acionaram um líder de sindicato pela Procuradoria.
impedir protestos em horários de pico.
(C) Acionaram-se um líder de sindicato pela Procuradoria.
(D) confiança, porque acredita que, no futuro, será uma forma bem-
(D) Um líder de sindicato será acionado pela Procuradoria.
sucedida de desestimular protestos abusivos.
(E) A Procuradoria foi acionada por um líder de sindicato.
(E) satisfação, porque cita casos em que a Justiça já teve êxito em
impedir protestos em horários inconvenientes e em avenidas movi-
Leia o texto para responder às questões de números 25 a 34
mentadas.
Diploma e monopólio
16. De acordo com o texto, a atitude da Companhia de Engenharia de Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e me-
Tráfego de enviar periodicamente relatórios sobre os prejuízos cau- dicina no Brasil. É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvidos os
sados em cada manifestação é enguiços entre diplomas e carreiras. Falta-nos descobrir que a concorrên-
(A) pertinente. (B) indiferente. cia (sob um bom marco regulatório) promove o interesse da sociedade e
(C) irrelevante. (D) onerosa. (E) inofensiva. que o monopólio só é bom para quem o detém. Não fora essa ignorância,
como explicar a avalanche de leis que protegem monopólios espúrios para
17. No quarto parágrafo, o fato de a Procuradoria condenar um líder o exercício profissional?
sindical
(A) é ilegal e fere os preceitos da Carta de 1998. Desde a criação dos primeiros cursos de direito, os graduados apenas
(B) deve ser comemorada, ainda que viole a Constituição. ocasionalmente exercem a profissão. Em sua maioria, sempre ocuparam
(C) é legal, porque o direito à livre manifestação não isenta o manifes- postos de destaque na política e no mundo dos negócios. Nos dias de
tante da responsabilidade pelos danos causados. hoje, nem 20% advogam.
(D) é nula, porque, segundo o direito à livre manifestação, o acusado
poderá entrar com recurso. Mas continua havendo boas razões para estudar direito, pois esse é
(E) é inédita, porque, pela primeira vez, apesar dos direitos assegura- um curso no qual se exercita lógica rigorosa, se lê e se escreve bastante.
dos, um manifestante será punido. Torna os graduados mais cultos e socialmente mais produtivos do que se
não houvessem feito o curso. Se aprendem pouco, paciência, a culpa é
18. Dentre as soluções apontadas, no último parágrafo, para resolver o mais da fragilidade do ensino básico do que das faculdades. Diante dessa
conflito, destaca-se polivalência do curso de direito, os exames da OAB são uma solução
(A) multa a líderes sindicais. brilhante. Aqueles que defenderão clientes nos tribunais devem demons-
(B) fiscalização mais rígida por parte da Companhia de Engenharia de trar nessa prova um mínimo de conhecimento. Mas, como os cursos são
Tráfego. também úteis para quem não fez o exame da Ordem ou não foi bem
(C) o fim dos protestos em qualquer via pública. sucedido na prova, abrir ou fechar cursos de “formação geral” é assunto
(D) fixar horários e locais proibidos para os protestos de rua. do MEC, não da OAB. A interferência das corporações não passa de uma
(E) negociar com diferentes categorias para que não façam mais mani- prática monopolista e ilegal em outros ramos da economia. Questionamos
festações. também se uma corporação profissional deve ter carta-branca para deter-
minar a dificuldade das provas, pois essa é também uma forma de limitar
19. No trecho – É adequada a atitude da CET de enviar relatórios –, a concorrência – mas trata-se aí de uma questão secundária. (...)
substituindo-se o termo atitude por comportamentos, obtém-se, de (Veja, 07.03.2007. Adaptado)
acordo com as regras gramaticais, a seguinte frase:
(A) É adequada comportamentos da CET de enviar relatórios. 25. Assinale a alternativa que reescreve, com correção gramatical, as
(B) É adequado comportamentos da CET de enviar relatórios. frases: Faz quase dois séculos que foram fundadas escolas de direito e
(C) São adequado os comportamentos da CET de enviar relatórios. medicina no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não foram resolvi-
(D) São adequadas os comportamentos da CET de enviar relatórios. dos os enguiços entre diplomas e carreiras.
(E) São adequados os comportamentos da CET de enviar relatórios. (A) Faz quase dois séculos que se fundou escolas de direito e medicina no
Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os enguiços
20. No trecho – No entanto, tal direito não anula a responsabilização entre diplomas e carreiras.
civil e criminal em caso de danos provocados pelos protestos –, a (B) Faz quase dois séculos que se fundava escolas de direito e medicina
locução conjuntiva no entanto indica uma relação de no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os engui-
(A) causa e efeito. (B) oposição. ços entre diplomas e carreiras.
(C) comparação. (D) condição. (E) explicação.

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(C) Faz quase dois séculos que se fundaria escolas de direito e medicina (D) I. Os advogados devem demonstrar muitos conhecimentos. Os advo-
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveu os enguiços gados devem demonstrá-los. II. As associações mostram à sociedade o
entre diplomas e carreiras. seu papel. / As associações mostram-lhe o seu papel.
(D) Faz quase dois séculos que se fundara escolas de direito e medicina (E) I. As leis protegem os monopólios espúrios. / As leis protegem-os. II.
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolvera os enguiços As corporações deviam fiscalizar a prática profissional. / As corporações
entre diplomas e carreiras. deviam fiscalizá-la.
(E) Faz quase dois séculos que se fundaram escolas de direito e medicina 31. Assinale a alternativa em que as palavras em destaque exercem,
no Brasil. / É embaraçoso verificar que ainda não se resolveram os engui- respectivamente, a mesma função sintática das expressões assinaladas
ços entre diplomas e carreiras. em: Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão.
(A) Se aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino básico.
26. Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, de (B) A interferência das corporações não passa de uma prática monopolis-
acordo com a norma culta, as frases: O monopólio só é bom para aqueles ta.
que ____________. / Nos dias de hoje, nem 20% advogam, e apenas 1% (C) Abrir e fechar cursos de “formação geral” é assunto do MEC.
____________. / Em sua maioria, os advogados sempre ____________. (D) O estudante de direito exercita preferencialmente uma lógica rigorosa.
(A) o retêem / obtem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na (E) Boas razões existirão sempre para o advogado buscar conhecimento.
política e no mundo dos negócios
(B) o retém / obtém sucesso / se apropriaram aos postos de destaque na 32. Assinale a alternativa que reescreve a frase de acordo com a norma
política e no mundo dos negócios culta.
(C) o retém / obtêem sucesso / se apropriaram os postos de destaque na (A) Os graduados apenas ocasionalmente exercem a profissão. / Os
política e no mundo dos negócios graduados apenas ocasionalmente se dedicam
(D) o retêm / obtém sucesso / sempre se apropriaram de postos de desta- a profissão.
que na política e no mundo dos negócios (B) Os advogados devem demonstrar nessa prova um mínimo de conhe-
(E) o retem / obtêem sucesso / se apropriaram de postos de destaque na cimento. / Os advogados devem primar nessa prova por um mínimo de
política e no mundo dos negócios conhecimento.
(C) Ele não fez o exame da OAB. / Ele não procedeu o exame da OAB.
27. Assinale a alternativa em que se repete o tipo de oração introduzida (D) As corporações deviam promover o interesse da sociedade. / As
pela conjunção se, empregado na frase – Questionamos também se uma corporações deviam almejar do interesse da sociedade.
corporação profissional deve ter carta-branca para determinar a dificulda- (E) Essa é uma forma de limitar a concorrência. / Essa é uma forma de
de das provas, ... restringir à concorrência.
(A) A sociedade não chega a saber se os advogados são muito corporati-
vos. 33. Assinale a alternativa em que o período formado com as frases I, II e
(B) Se os advogados aprendem pouco, a culpa é da fragilidade do ensino III estabelece as relações de condição entre I e II e de adição entre I e III.
básico. I. O advogado é aprovado na OAB.
(C) O advogado afirma que se trata de uma questão secundária. II. O advogado raciocina com lógica.
(D) É um curso no qual se exercita lógica rigorosa. III. O advogado defende o cliente no tribunal.
(E) No curso de direito, lê-se bastante. (A) Se o advogado raciocinar com lógica, ele será aprovado na OAB e
defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
28. Assinale a alternativa em que se admite a concordância verbal tanto (B) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso, mas terá de
no singular como no plural como em: A maioria dos advogados ocupam raciocinar com lógica e ser aprovado na OAB.
postos de destaque na política e no mundo dos negócios. (C) Como raciocinou com lógica, o advogado será aprovado na OAB e
(A) Como o direito, a medicina é uma carreira estritamente profissional. defenderá o cliente no tribunal com sucesso.
(B) Os Estados Unidos e a Alemanha não oferecem cursos de administra- (D) O advogado defenderá o cliente no tribunal com sucesso porque
ção em nível de bacharelado. raciocinou com lógica e foi aprovado na OAB.
(C) Metade dos cursos superiores carecem de boa qualificação. (E) Uma vez que o advogado raciocinou com lógica e foi aprovado na
(D) As melhores universidades do país abastecem o mercado de trabalho OAB, ele poderá defender o cliente no tribunal com sucesso.
com bons profissionais.
(E) A abertura de novos cursos tem de ser controlada por órgãos oficiais. 34. Na frase – Se aprendem pouco, paciência, a culpa é mais da fragilida-
de do ensino básico do que das faculdades. – a palavra paciência vem
29. Assinale a alternativa que apresenta correta correlação de tempo
entre vírgulas para, no contexto,
verbal entre as orações.
(A) garantir a atenção do leitor.
(A) Se os advogados demonstrarem um mínimo de conhecimento, poderi-
(B) separar o sujeito do predicado.
am defender bem seus clientes.
(C) intercalar uma reflexão do autor.
(B) Embora tivessem cursado uma faculdade, não se desenvolveram
(D) corrigir uma afirmação indevida.
intelectualmente.
(E) retificar a ordem dos termos.
(C) É possível que os novos cursos passam a ter fiscalização mais severa.
(D) Se não fosse tanto desconhecimento, o desempenho poderá ser
Atenção: As questões de números 35 a 42 referem-se ao texto abaixo.
melhor.
(E) Seria desejável que os enguiços entre diplomas e carreiras se resol-
Sobre Ética
vem brevemente.
A palavra Ética é empregada nos meios acadêmicos em três acepções.
30. A substituição das expressões em destaque por um pronome pessoal Numa, faz-se referência a teorias que têm como objeto de estudo o com-
está correta, nas duas frases, de acordo com a norma culta, em: portamento moral, ou seja, como entende Adolfo Sanchez Vasquez, “a
(A) I. A concorrência promove o interesse da sociedade. / A concorrência teoria que pretende explicar a natureza, fundamentos e condições da
promove-o. II. Aqueles que defenderão clientes. / Aqueles que lhes defen- moral, relacionando-a com necessidades sociais humanas.” Teríamos,
derão. assim, nessa acepção, o entendimento de que o fenômeno moral pode ser
(B) I. O governo fundou escolas de direito e de medicina. / O governo estudado racional e cientificamente por uma disciplina que se propõe a
fundou elas. II. Os graduados apenas ocasionalmente descrever as normas morais ou mesmo, com o auxílio de outras ciências,
exercem a profissão. / Os graduados apenas ocasionalmente exercem-la. ser capaz de explicar valorações comportamentais.
(C) I. Torna os graduados mais cultos. / Torna-os mais cultos. II. É preciso
mencionar os cursos de administração. / É preciso mencionar-lhes. Um segundo emprego dessa palavra é considerá-la uma categoria filosófi-
ca e mesmo parte da Filosofia, da qual se constituiria em núcleo especula-
tivo e reflexivo sobre a complexa fenomenologia da moral na convivência

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humana. A Ética, como parte da Filosofia, teria por objeto refletir sobre os 41. Está clara, correta e coerente a redação do seguinte comentário sobre
fundamentos da moral na busca de explicação dos fatos morais. o texto:
(A) Dentre as três acepções de Ética que se menciona no texto, uma
Numa terceira acepção, a Ética já não é entendida como objeto descritível apenas diz respeito à uma área em que conflui com o Direito.
de uma Ciência, tampouco como fenômeno especulativo. Trata-se agora (B) O balizamento da conduta humana é uma atividade em que, cada um
da conduta esperada pela aplicação de regras morais no comportamento em seu campo, se empenham o jurista e o filósofo.
social, o que se pode resumir como qualificação do comportamento do (C) Costuma ocorrer muitas vezes não ser fácil distinguir Ética ou Moral,
homem como ser em situação. É esse caráter normativo de Ética que a haja vista que tanto uma quanto outra pretendem ajuizar à situação do
colocará em íntima conexão com o Direito. Nesta visão, os valores morais homem.
dariam o balizamento do agir e a Ética seria assim a moral em realização, (D) Ainda que se torne por consenso um valor do comportamento humano,
pelo reconhecimento do outro como ser de direito, especialmente de a Ética varia conforme a perspectiva de atribuição do mesmo.
dignidade. Como se vê, a compreensão do fenômeno Ética não mais (E) Os saberes humanos aplicados, do conhecimento da Ética, costumam
surgiria metodologicamente dos resultados de uma descrição ou reflexão, apresentar divergências de enfoques, em que pese a metodologia usada.
mas sim, objetivamente, de um agir, de um comportamento consequen-
cial, capaz de tornar possível e correta a convivência. (Adaptado do site 42. Transpondo-se para a voz passiva a frase Nesta visão, os valores
Doutrina Jus Navigandi) morais dariam o balizamento do agir, a forma verbal resultante deverá ser:
(A) seria dado.
35. As diferentes acepções de Ética devem-se, conforme se depreende da (B) teriam dado.
leitura do texto, (C) seriam dados.
(A) aos usos informais que o senso comum faz desse termo. (D) teriam sido dados.
(B) às considerações sobre a etimologia dessa palavra. (E) fora dado.
(C) aos métodos com que as ciências sociais a analisam.
(D) às íntimas conexões que ela mantém com o Direito. Atenção: As questões de números 43 a 48 referem-se ao texto abai-
(E) às perspectivas em que é considerada pelos acadêmicos. xo.
O homem moral e o moralizador
36. A concepção de ética atribuída a Adolfo Sanchez Vasquez é retomada Depois de um bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas, es-
na seguinte expressão do texto: tamos certos disto: o moralizador e o homem moral são figuras diferentes,
(A) núcleo especulativo e reflexivo. se não opostas. O homem moral se impõe padrões de conduta e tenta
(B) objeto descritível de uma Ciência. respeitá-los; o moralizador quer impor ferozmente aos outros os padrões
(C) explicação dos fatos morais. que ele não consegue respeitar.
(D) parte da Filosofia. A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes.
(E) comportamento consequencial Primeiro, o moralizador é um homem moral falido: se soubesse res-
peitar o padrão moral que ele impõe, ele não precisaria punir suas imper-
37. No texto, a terceira acepção da palavra ética deve ser entendida como feições nos outros. Segundo, é possível e compreensível que um homem
aquela em que se considera, sobretudo, moral tenha um espírito missionário: ele pode agir para levar os outros a
(A) o valor desejável da ação humana. adotar um padrão parecido com o seu. Mas a imposição forçada de um
(B) o fundamento filosófico da moral. padrão moral não é nunca o ato de um homem moral, é sempre o ato de
(C) o rigor do método de análise. um moralizador. Em geral, as sociedades em que as normas morais
(D) a lucidez de quem investiga o fato moral. ganham força de lei (os Estados confessionais, por exemplo) não são
(E) o rigoroso legado da jurisprudência. regradas por uma moral comum, nem pelas aspirações de poucos e
escolhidos homens exemplares,mas por moralizadores que tentam remir
38. Dá-se uma íntima conexão entre a Ética e o Direito quando ambos suas próprias falhas
revelam, em relação aos valores morais da conduta, uma preocupação morais pela brutalidade do controle que eles exercem sobre os outros.
(A) filosófica. A pior barbárie do mundo é isto: um mundo em que todos pagam pelos
(B) descritiva. pecados de hipócritas que não se aguentam. (Contardo Calligaris, Folha
(C) prescritiva. de S. Paulo, 20/03/2008)
(D) contestatária.
43. Atente para as afirmações abaixo.
(E) tradicionalista.
I. Diferentemente do homem moral, o homem moralizador não se preocu-
pa com os padrões morais de conduta.
39. Considerando-se o contexto do último parágrafo, o elemento sublinha-
II. Pelo fato de impor a si mesmo um rígido padrão de conduta, o homem
do pode ser corretamente substituído pelo que está entre parênteses, sem
moral acaba por impô-lo à conduta alheia.
prejuízo para o sentido, no seguinte caso:
III. O moralizador, hipocritamente, age como se de fato respeitasse os
(A) (...) a colocará em íntima conexão com o Direito. (inclusão)
padrões de conduta que ele cobra dos outros.
(B) (...) os valores morais dariam o balizamento do agir (...) (arremate)
Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(C) (...) qualificação do comportamento do homem como ser em situação.
(A) I.
(provisório)
(B) II.
(D) (...) nem tampouco como fenômeno especulativo. (nem, ainda)
(C) III.
(E) (...) de um agir, de um comportamento consequencial... (concessivo)
(D) I e II.
(E) II e III.
40. As normas de concordância estão plenamente observadas na frase:
(A) Costumam-se especular, nos meios acadêmicos, em torno de três 44. No contexto do primeiro parágrafo, a afirmação de que já decorreu um
acepções de Ética. bom século de psicologia e psiquiatria dinâmicas indica um fator determi-
(B) As referências que se faz à natureza da ética consideram-na, com nante para que
muita frequência, associada aos valores morais. (A) concluamos que o homem moderno já não dispõe de rigorosos pa-
(C) Não coubessem aos juristas aproximar-se da ética, as leis deixariam drões morais para avaliar sua conduta.
de ter a dignidade humana como balizamento. (B) consideremos cada vez mais difícil a discriminação entre o homem
(D) Não derivam das teorias, mas das práticas humanas, o efetivo valor de moral e o homem moralizador.
que se impregna a conduta dos indivíduos. (C) reconheçamos como bastante remota a possibilidade de se caracteri-
(E) Convém aos filósofos e juristas, quaisquer que sejam as circunstân- zar um homem moralizador.
cias, atentar para a observância dos valores éticos. (D) identifiquemos divergências profundas entre o comportamento de um
homem moral e o de um moralizador.
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APOSTILAS OPÇÃO
(E) divisemos as contradições internas que costumam ocorrer nas atitudes 49. Nas frases parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refu-
tomadas pelo homem moral. gos e não admitem ser acusados de egoístas, o narrador do texto
(A) mostra-se imparcial diante de atitudes opostas dos feirantes.
45. O autor do texto refere-se aos Estados confessionais para exemplificar (B) revela uma perspectiva crítica diante da atitude de certos feirantes.
uma sociedade na qual (C) demonstra não reconhecer qualquer proveito nesse tipo de coleta.
(A) normas morais não têm qualquer peso na conduta dos cidadãos. (D) assume-se como um cronista a quem não cabe emitir julgamentos.
(B) hipócritas exercem rigoroso controle sobre a conduta de todos. (E) insinua sua indignação contra o lucro excessivo dos feirantes.
(C) a fé religiosa é decisiva para o respeito aos valores de uma moral
comum. 50. Considerando-se o contexto, traduz-se corretamente o sentido de um
(D) a situação de barbárie impede a formulação de qualquer regra moral. segmento do texto em:
(E) eventuais falhas de conduta são atribuídas à fraqueza das leis. (A) serviu de chamariz respondeu ao chamado.
46. Na frase A distinção entre ambos tem alguns corolários relevantes, o (B) alguma suspeita sardinha possivelmente uma sardinha.
sentido da expressão sublinhada está corretamente traduzido em: (C) teimoso aproveitamento = persistente utilização.
(A) significativos desdobramentos dela. (D) o princípio mesmo do comércio = preâmbulo da operação comercial.
(B) determinados antecedentes dela. (E) Agem para salvaguardar = relutam em admitir.
(C) reconhecidos fatores que a causam. 51. Atente para as afirmações abaixo.
(D) consequentes aspectos que a relativizam. I. Os riscos do consumo de uma sardinha suspeita ou da ponta de um
(E) valores comuns que ela propicia. cação que foi desprezada justificam o emprego de se aventuram, no
primeiro parágrafo.
47. Está correta a articulação entre os tempos e os modos verbais na II. O emprego de alegam, no segundo parágrafo, deixa entrever que o
frase: autor não compactua com a justificativa dos feirantes.
(A) Se o moralizador vier a respeitar o padrão moral que ele impusera, já III. No último parágrafo, o autor faz ver que o fim da feira traz a superação
não podia ser considerado um hipócrita. de tudo o que determina a existência de diversas espécies de seres
(B) Os moralizadores sempre haveriam de desrespeitar os valores morais humanos.
que eles imporão aos outros. Em relação ao texto, é correto o que se afirma APENAS em
(C) A pior barbárie terá sido aquela em que o rigor dos hipócritas servisse (A) I.
de controle dos demais cidadãos. (B) II.
(D) Desde que haja a imposição forçada de um padrão moral, caracteriza- (C) III.
va-se um ato típico do moralizador. (D) I e II.
(E) Não é justo que os hipócritas sempre venham a impor padrões morais (E) II e III.
que eles próprios não respeitam.
52. Está INCORRETA a seguinte afirmação sobre um recurso de constru-
48. Está correto o emprego de ambos os elementos sublinhados na frase: ção do texto: no contexto do
(A) O moralizador está carregado de imperfeições de que ele não costu- (A) primeiro parágrafo, a forma ou mesmo nada faz subentender a expres-
ma acusar em si mesmo. são verbal querem pagar.
(B) Um homem moral empenha-se numa conduta cujo o padrão moral ele (B) primeiro parágrafo, a expressão fregueses compradores faz subenten-
não costuma impingir na dos outros. der a existência de “fregueses” que não compram nada.
(C) Os pecados aos quais insiste reincidir o moralizador são os mesmos (C) segundo parágrafo, a expressão de qualquer modo está empregada
em que ele acusa seus semelhantes. com o sentido de de toda maneira.
(D) Respeitar um padrão moral das ações é uma qualidade da qual não (D) segundo parágrafo, a expressão para salvaguardar está empregada
abrem mão os homens a quem não se pode acusar de hipócritas. com o sentido de a fim de resguardar.
(E) Quando um moralizador julga os outros segundo um padrão moral de (E) terceiro parágrafo, a expressão não fosse tem sentido equivalente ao
cujo ele próprio não respeita, demonstra toda a hipocrisia em que é de mesmo não sendo.
capaz.
53. O verbo indicado entre parênteses deverá flexionar-se no plural para
Atenção: As questões de números 49 a 54 referem-se ao texto abai- preencher de modo correto a lacuna da frase:
xo. (A) Frutas e verduras, mesmo quando desprezadas, não ...... (deixar) de
Fim de feira as recolher quem não pode pagar pelas boas e bonitas.
Quando os feirantes já se dispõem a desarmar as barracas, começam (B) ......-se (dever) aos ruidosos funcionários da limpeza pública a provi-
a chegar os que querem pagar pouco pelo que restou nas bancadas, ou dência que fará esquecer que ali funcionou uma feira.
mesmo nada, pelo que ameaça estragar. Chegam com suas sacolas (C) Não ...... (aludir) aos feirantes mais generosos, que oferecem as
cheias de esperança. Alguns não perdem tempo e passam a recolher o sobras de seus produtos, a observação do autor sobre o egoísmo huma-
que está pelo chão: um mamãozinho amolecido, umas folhas de couve no.
amarelas, a metade de um abacaxi, que serviu de chamariz para os (D) A pouca gente ...... (deixar) de sensibilizar os penosos detalhes da
fregueses compradores. Há uns que se aventuram até mesmo nas cerca- coleta, a que o narrador deu ênfase em seu texto.
nias da barraca de pescados, onde pode haver alguma suspeita sardinha (E) Não ...... (caber) aos leitores, por força do texto, criticar o lucro razoá-
oculta entre jornais, ou uma ponta de cação obviamente desprezada. vel de alguns feirantes, mas sim, a inaceitável impiedade de outros.
Há feirantes que facilitam o trabalho dessas pessoas: oferecem-lhes o
que, de qualquer modo, eles iriam jogar fora. 54. A supressão da vírgula altera o sentido da seguinte frase:
Mas outros parecem ciumentos do teimoso aproveitamento dos refu- (A) Fica-se indignado com os feirantes, que não compreendem a carência
gos, e chegam a recolhê-los para não os verem coletados. Agem para dos mais pobres.
salvaguardar não o lucro possível, mas o princípio mesmo do comércio. (B) No texto, ocorre uma descrição o mais fiel possível da tradicional
Parecem temer que a fome seja debelada sem que alguém pague por coleta de um fim de feira.
isso. E não admitem ser acusados de egoístas: somos comerciantes, não (C) A todo momento, dá-se o triste espetáculo de pobreza centralizado
assistentes sociais, alegam. nessa narrativa.
Finda a feira, esvaziada a rua, chega o caminhão da limpeza e os (D) Certamente, o leitor não deixará de observar a preocupação do autor
funcionários da prefeitura varrem e lavam tudo, entre risos e gritos. O em distinguir os diferentes caracteres humanos.
trânsito é liberado, os carros atravancam a rua e, não fosse o persistente (E) Em qualquer lugar onde ocorra uma feira, ocorrerá também a humilde
cheiro de peixe, a ninguém ocorreria que ali houve uma feira, frequentada coleta de que trata a crônica.
por tão diversas espécies de seres humanos. (Joel Rubinato, inédito)

Linguagens, Códigos e suas Tecnologias 80

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APOSTILAS OPÇÃO
Instruções: Para responder às questões de números 55 a 64, (A) a profissão de jornalista leva o homem de imprensa a se familiarizar
considere o texto a seguir. com paradigmas que norteiam outros campos de atuação.
Jornalismo e universo jurídico (B) a investigação de assuntos muito específicos faz com que o jornalista
É frequente, na grande mídia, a divulgação de informações ligadas a descure dos paradigmas de seu próprio campo de atuação.
temas jurídicos, muitas vezes essenciais para a conscientização do cida- (C) os jornalistas são levados à incompreensão de muitos fatos quando se
dão a respeito de seus direitos. Para esse gênero de informação alcançar limitam aos paradigmas próprios do universo desses fatos.
adequadamente o público leitor leigo, não versado nos temas jurídicos, o (D) a inobservância dos paradigmas da imprensa leva muitos jornalistas a
papel do jornalista se torna indispensável, pois cabe a ele transformar simplificarem excessivamente a complexidade da matéria de que tratam.
informações originadas de meios especializados em notícia assimilável (E) as características do jornalismo levam muitos profissionais da impren-
pelo leitor. sa a submeter uma matéria específica a paradigmas de outra área.
Para que consiga atingir o grande público, ao elaborar uma notícia ou
reportagem ligada a temas jurídicos, o jornalista precisa buscar conheci- 58. Ainda no trecho de Leão Serva, a expressão Por conta desse proce-
mento complementar. Não se trata de uma tarefa fácil, visto que a com- dimento pode ser substituída, sem prejuízo para a correção e o sentido da
preensão do universo jurídico exige conhecimento especializado. A todo passagem, por:
instante veem-se nos meios de comunicação informações sobre fatos (A) Tendo por alvitre o mesmo procedimento.
complexos relacionados ao mundo da Justiça: reforma processual, contro- (B) No influxo de tal procedimento.
le externo do Judiciário, julgamento de crimes de improbidade administra- (C) Em que pese a esse procedimento.
tiva, súmula vinculante, entre tantos outros. (D) Conquanto seja considerado o procedimento.
Ao mesmo tempo que se observa na mídia um grande número de ma- (E) A par deste procedimento.
térias atinentes às Cortes de Justiça, às reformas na legislação e aos 59. As normas de concordância verbal estão plenamente atendidas na
direitos legais do cidadão, verifica-se o desconhecimento de muitos jorna- frase:
listas ao lidar com tais temas. (A) Cabe aos jornalistas transformar informações especializadas em
O campo jurídico é tão complexo como alguns outros assuntos enfo- notícias assimiláveis pelo grande público.
cados em segmentos especializados, como a economia, a informática ou (B) Restam-lhes traduzir assuntos especializados em palavras que os
a medicina, campos que também possuem linguagens próprias. Ao em- leigos possam compreender já à primeira leitura.
brenhar-se no intrincado mundo jurídico, o jornalista arrisca-se a cometer (C) Exigem-se dos jornalistas que mostrem competência e flexibilidade na
uma série de incorreções e imprecisões linguísticas e técnicas na forma passagem de uma linguagem para outra.
como as notícias são veiculadas. Uma das razões para esse risco é (D) Não são fáceis de traduzir em palavras simples um universo linguístico
lembrada por Leão Serva: tão especializado como o de certas áreas técnicas.
Um procedimento essencial ao jornalismo, que necessariamente (E) Sempre haverá de ocorrer deslizes, ao se transpor para a linguagem
induz à incompreensão dos fatos que narra, é a redução das notícias do dia-a-dia o vocabulário de um campo técnico.
a paradigmas que lhes são alheios, mas que permitem um certo nível
imediato de compreensão pelo autor ou por aquele que ele supõe ser 60. Ao mesmo tempo que se observa na mídia um grande número de
o seu leitor. Por conta desse procedimento, noticiários confusos matérias atinentes às Cortes de Justiça, às reformas na legislação (...)
aparecerão simplificados para o leitor, reduzindo, consequentemen- NÃO se mantém o emprego de às, no segmento acima, caso se substitua
te, sua capacidade real de compreensão da totalidade do significado atinentes por
da notícia. (A) alusivas. (B) concernentes.
(Adaptado de Tomás Eon Barreiros e Sergio Paulo França de Almeida. (C) referentes. (D) relativas. (E) pautadas.
http://jus2.uol.com.br.doutrina/texto.asp?id=1006)
61. Traduz-se de modo claro, coerente e correto uma ideia do texto em:
55. Uma das razões para a dificuldade de se veicularem notícias atinentes (A) A complexidade do universo jurídico é de tal ordem, tendo em vista a
ao campo jurídico está alta especialização de seu vocabulário, razão pela qual um jornalista vê-se
(A) na improbidade de jornalistas que se dispõem a pontificar em assuntos em apuros ao traduzir-lhe.
que lhes são inteiramente alheios. (B) Não apenas o campo jurídico: também outras áreas, como a economia
(B) na inexistência de técnicas de comunicação adequadas à abordagem ou a medicina, onde se dispõem de termos específicos, suscitam sérios
de temas que exigem conhecimento especializado. desafios à linguagem jornalística.
(C) no baixo interesse que os temas desse campo do conhecimento (C) Há matérias especializadas que exigem dos jornalistas uma formação
costumam despertar no público leigo. complementar, para que possam traduzir com fidelidade os paradigmas
(D) na problemática tradução da linguagem do mundo da Justiça para uma dessas áreas.
linguagem que o leigo venha a compreender. (D) Sem mais nem porque, alguns jornalistas passam a considerar-se
(E) no frequente equívoco de considerar um assunto eminentemente aptos na abordagem de assuntos especializados, daí advindo de que
técnico como questão de interesse público. muitas de suas matérias desvirtuam a especificidade original.
(E) Em sua citação, Leão Serva propõe que a incompreensibilidade de
56. Considere as seguintes afirmações: muitas matérias jurídicas na imprensa deve-se ao procedimento redutor
I. A expressão buscar conhecimento complementar sugere, no contexto do que leva um jornalista a incapacitar-se para aprender a totalidade da
2o parágrafo, a necessidade de atribuir aos juristas mais eminentes a notícia.
tarefa de divulgar notícias do mundo jurídico.
II. No segmento que também possuem linguagens próprias (parágrafo 3o), 62. Transpondo-se para a voz passiva o segmento Para esse gênero de
a palavra sublinhada assinala que a imprensa dispõe, como outros cam- informação alcançar adequadamente o público leitor leigo, a forma verbal
pos da mídia, de uma linguagem específica. resultante será
III. Na expressão ao embrenhar-se no intrincado mundo jurídico (parágrafo (A) tenha alcançado. (B) fosse alcançado.
3o), os dois termos sublinhados dão ênfase ao risco de desnorteio que (C) tenha sido alcançado. (D) ser alcançado. (E) vier a alcançar.
oferece uma matéria específica ao jornalista que pretende simplificá-la.
Em relação ao texto, está correto SOMENTE o que se afirma em 63. Atente para as seguintes afirmações:
(A) I. I. Haverá alteração de sentido caso se suprimam as vírgulas do segmen-
(B) II. to Um procedimento essencial ao jornalismo, que necessariamente induz
(C) III. à incompreensão dos fatos que narra, é a redução das notícias (...).
(D) I e II. II. Ainda que opcional, seria desejável a colocação de uma vírgula depois
(E) II e III. da expressão Ao mesmo tempo, na abertura do 3o parágrafo.
III. Na frase Não se trata de uma tarefa fácil, visto que a compreensão do
57. O trecho citado de Leão Serva ressalta o fato de que universo jurídico exige conhecimento especializado, pode-se, sem prejuízo

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APOSTILAS OPÇÃO
para o sentido, substituir o segmento sublinhado por fácil: a compreen- c) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de
são. identidade, constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação,
Está correto o que se afirma em ou seja, em situações em que a norma culta, se impõe transgressões,
(A) I, II e III. (B) I e III, somente. podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o
(C) I e II, somente. (D) II e III, somente. (E) I, somente. autor.
d) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de
64. A flexão dos verbos e a correlação entre seus tempos e modos estão identidade constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação;
plenamente adequadas em: ou seja: em situações em que a norma culta se impõe, transgressões
(A) Seria preciso que certos jornalistas conviessem em aprofundar seus podem desqualificar o conteúdo exposto e, até mesmo, desacreditar o
conhecimentos na área jurídica, para que não seguissem incorrendo em autor...
equívocos de informação.
(B) Se um jornalista decidir pautar-se pela correção das informações e se 69) Assinale a única alternativa em que a expressão "porque" deve vir
dispor a buscar conhecimento complementar, terá prestado inestimável separada:
serviço ao público leitor. a) Em breve compreenderás porque tanta luta por um motivo tão sim-
(C) Todo equívoco que sobrevir à precária informação sobre um assunto ples.
jurídico constituiria um desserviço aos que desejarem esclarecer-se pelo b) Não compareci à reunião porque estava viajando.
noticiário da imprensa. c) Se o Brasil precisa do trabalho de todos é porque precisamos de um
(D) As imprecisões técnicas que costumam marcar notícias sobre o mun- nacionalismo produtivo.
do jurídico deveriam-se ao fato de que muitos jornalistas não se deteram d) Ainda não se descobriu o porquê de tantos desentendimentos.
suficientemente na especificidade da matéria.
(E) Leão Serva não hesitou em identificar um procedimento habitual do 70) Assinale a opção correta quanto à pontuação:
jornalismo, a “redução das notícias”, como tendo sido o responsável por a) De tempos em tempos práticas criadas para reduzir a degradação do
equívocos que vierem a tolher a compreensão da matéria. meio ambiente, ganham notoriedade especial.
b) De tempos em tempos, práticas criadas para reduzir a degradação do
65) Indique o período cuja redação está inteiramente clara e correta. meio ambiente ganham notoriedade especial.
a) Resultou frustrada a nossa expectativa de adquirir bons livros, já que, c) De tempos em tempos práticas, criadas para reduzir a degradação do
na tão decantada liquidação daquela grande livraria, só havia títulos meio ambiente ganham notoriedade especial.
inexpressivos. d) De tempos em tempos práticas criadas, para reduzir a degradação do
b) Os incentivos fiscais constituem uma questão complicada, pois meio ambiente ganham notoriedade especial
segundo alguns, a iniciativa privada recebe benefícios onde a contraparti-
da em criação de empregos é insuficiente. Considere o texto para responder às questões de números 71 a 76.
c) Naquele editorial da revista não ficou claro a posição do mesmo, seja O antibafômetro
porque o editorialista de fato não o desejasse, ou então porque a redação O Conselho Regional de Farmácia autuou uma drogaria da
dele não o permitiu. capital gaúcha que anunciava a venda de um remédio aparentemente
d) Com o fim do rodízio no trânsito, espera-se que ele aumente, voltan- capaz de mascarar os efeitos do álcool e enganar o bafômetro. Cartazes
do a terem problemas de congestionamento justamente quando todos no interior da farmácia faziam a propaganda do medicamento. Original-
saem ou voltam para casa. mente destinado a pacientes de alcoolismo crônico, ele não produz os
efeitos anunciados. O dono da farmácia deverá responder ainda a um
66) Indique a sequência que preenche corretamente as lacunas: processo por incitar os consumidores a beber e dirigir, crime previsto no
1. Ainda _____ pouco exultava, o que agora chora. Código Penal. (Revista Época, 06.10.2008. Adaptado)
2. Conversarei contigo daqui ___ pouco, disse-lhe.
3. Diz-se que os milionários portugueses, ____ muitos residentes no 71. Em – Cartazes no interior da farmácia faziam a propaganda do medi-
Brasil, sentem saudades de Portugal. camento – o verbo em destaque está conjugado no
4. O sábio francês Adhémar, que viveu _____ mais de cem anos, formulou (A) pretérito perfeito, pois apresenta um fato inesperado e incomum,
a teoria dos Períodos Glaciários. ocorrido uma única vez.
a) há - há - há – há b) há - a - há - há (B) pretérito imperfeito, pois se refere a um fato que era habitual no pas-
c) a - há - há – há d) há -a - a - há sado.
(C) pretérito mais-que-perfeito, pois indica fatos que aconteceram repenti-
67) Marque o conjunto de palavras que preenche as lacunas do texto, namente num passado remoto.
com correção gramatical e adequação à modalidade padrão da língua: (D) imperfeito do subjuntivo, pois apresenta um fato provável, mas depen-
"Como profissional de comunicação, com alguma experiência em seu uso dente de algumas circunstâncias.
na política, tenho dificuldade em compreender o que pretendem os candi- (E) futuro do pretérito, pois se refere a um fato de futuro incerto e duvido-
datos. Enganar-nos? Creio que é isso. Não ________ basta nada so.
________. Dizem ________. Uns, ________, de fato, nada têm a propor
ou oferecer. Outros, ________ sabem falar." (S. Farhat) 72. Considere os trechos:
a) lhes - terem a dizer - mal - porquê - mal ... de um remédio aparentemente capaz de mascarar os efeitos do álco-
b) lhes - ter a dizer - mal - porque - mal ol...
c) nos - termos a dizer - mau - porque - mal ... por incitar os consumidores a beber e dirigir, crime previsto no Código
d) lhos - ter a dizerem - mau - porquê - mau Penal.
Os termos em destaque expressam, respectivamente, as circunstâncias
68) A alternativa em que a pontuação está CORRETA é: de
a) O padrão culto do idioma, além de ser uma espécie de marca de (A) afirmação e meio. (B) afirmação e lugar.
identidade, constitui recurso imprescindível para uma boa argumentação. (C) modo e lugar. (D) modo e meio. (E) intensidade e modo.
Ou seja: em situações em que a norma culta se impõe, transgressões
podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o 73. Assinale a alternativa em que os termos em destaque, na frase a
autor. seguir, estão corretamente substituídos pelo pronome.
b) O padrão culto do idioma - além de ser uma espécie de marca de O dono da farmácia deverá sofrer um processo por incitar os consumi-
identidade -, constitui recurso, imprescindível, para uma boa argumenta- dores a beber.
ção. Ou seja: em situações, em que a norma culta se impõe, transgres- (A) sofrê-lo ... incitá-los (B) sofrê-lo ... incitar-lhes
sões podem desqualificar o conteúdo exposto e até mesmo desacreditar o (C) sofrer-lo ... incitar-los (D) sofrer-lhe ... incitá-los
autor. (E) sofrer-lhe ... incitar-lhes

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(C) Mal ... mau ... mau (D) Mal ... mau ... mal
74. Em – ... um remédio aparentemente capaz de mascarar os efeitos do (E) Mal ... mal ... mau
álcool... – os termos em destaque constituem uma locução adjetiva.
Indique a alternativa cuja frase também apresenta uma locução desse 81. Indique a alternativa que completa a frase a seguir, respectivamente,
tipo. com as circunstâncias de intensidade e de modo.
(A) A família viajou de avião à Argentina. Após o telefonema, o motorista partiu..................
(B) A energia produzida pela força dos ventos é chamada de eólica. (A) às 18 h com o veículo. (B) rapidamente ao meio-dia.
(C) Ele resolveu de imediato todas as questões pendentes. (C) bastante alerta. (D) apressadamente com o caminhão.
(D) A secretária gosta de chantili em seu café. (E) agor