Anda di halaman 1dari 5

Pré-vestibular social – CEDERJ - Nilópolis

Professor: Phelipe Fernandes


Disciplina: Linguagens, códigos e suas tecnologias

Noções elementares de poética

I. VERSO:: unidade mínima


mínima de todo poema. Em outras palavras, o verso
constitui cada “linha”
“ do poema.

“Amo-te
te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...”

Acima se leem dois versos escritos por Vinicius de Moraes.

II. ESTROFE:: conjunto de versos que possuem uma unidade de assunto.

“Amo-te
te tanto, meu amor... não cante
O humano coração
ção com mais verdade...
Amo-te
te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade

Amo-te
te afim, de um calmo amor prestante,
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te,
te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.”

Acima se leem duas estrofes escritas por Vinicius de Moraes, totalizada por oito
versos.

III. EU LÍRICO (VOZ LÍRICA/ PESSOA LÍRICA):


LÍRICA trata-se do narrador do
poema lírico, isto é, a voz que “fala” de suas sensações no poema.
No poema lido acima, a voz lírica fala de seu amor pela pessoa amada, mostrando
contradições e intensidade próprias desse sentimento.

LÍRICA: tipo de poesia em que o eu lírico expressa seus sentimentos ou sensações


sobre os acontecimentos (paixões, derrotas, tristezas, alegrias, injustiças, angústias,
etc.), reconfigurando-os de forma poética.

Vamos ler agora o poema completo de Vinicius de Moraes; depois iremos analisá-lo:

“Amo-te tanto, meu amor... não cante


Observação: Nunca confunda a
O humano coração com mais verdade...
pessoa lírica com o autor (pessoa
Amo-te como amigo e como amante
empírica). Lembre que a poesia é
Numa sempre diversa realidade
uma forma de INVENÇÃO ou de
FICÇÃO, isto é, o autor pode
Amo-te afim, de um calmo amor prestante,
simplesmente “mentir” sobre seus
E te amo além, presente na saudade.
sentimentos atuais para elevar sua
Amo-te, enfim, com grande liberdade
imaginação.
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente,


De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim muito e amiúde,


É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude”.

A voz lírica na primeira estrofe evoca sua pessoa amada e recusa qualquer verdade que
seja maior que esta: seu próprio amor. Já na primeira estrofe, o amor do eu lírico vai
sendo construído por antíteses, figura que repercutirá na segunda estrofe:
amigo/amante, presente/saudade, eternidade/ instante. Nos tercetos (estrofes com três
versos) o eu lírico tentará expressar o quanto seu amor é extremo e está acima de todas
as consequências. Primeiro ele faz uma comparação entre si e um “bicho”. Com isso,
ele aproxima seu amor ao plano terreno ou material e não idealizado ou platônico.
Enfim, para representar o auge dessa concretude amorosa ele se utiliza de uma
hipérbole:: um dia, sobre o corpo de sua pessoa amada, o eu lírico morrerá de amor.
amor Por
isso, esse poema recebeu o nome de SONETO DO AMOR TOTAL.

O QUE É UM SONETO?

O soneto é uma forma fixa de poema criada na Itália por volta do século XIV ou XV e
trazida para Portugal pelo poeta Sá de Miranda. Tornou-se
Tornou se um dos maiores meios de
expressão poética em nossa língua, sendo usado por poetas do passado, como Luís de
d
Camões (imagem) e do presente como Vinícius de Moraes. Tradicionalmente é
composto de 14 VERSOS, com DOIS QUARTETOS (estrofes de 4 versos cada) e
DOIS TERCETOS (estrofes de três versos cada).

INSTRUÇÕES PARA LEITURA DE UM POEMA

1) Faça a leitura atenta de todo o poema;


2) Tente compreender o assunto geral do poema.
poema Pergunte-se brevemente:
brevemente

a) Sobre o que o eu lírico está falando? Que assunto está em questão?


b) Há personagens no poema (pessoas, coisas, animais, etc.)? Quais?
c) Ele usa alguma imagem,
imagem nome falso ou apelido para representar esses
personagens ou apresenta-os
apresenta com seus próprios nomes?
d) Quais sensações ele pretende passar por meio de suas palavras?
e) Os sentimentos são harmônicos, isto é, combinam uns com os outros ou são
conflituosos, isto é, opõem-se
o uns aos os outros?
f) Que circunstâncias aparecem no poema? O eu lírico fala de lugares; de algum
tempo distante, presente ou futuro; de alguma ação feita em companhia de
alguém ou com algum instrumento? Se for feita alguma ação, ele apresenta as
causas ou consequências de suas ações? Ao apresentar seus sentimentos, ele
apresenta a causa e consequência de seus sentimentos?

3) Leia cada verso atentamente, buscando, agora, compreender como o eu lírico tenta
traduzir o assunto da realidade por meio de suas palavras.

4) Avalie se ele usa figuras de linguagem e tente compreender o porquê de seu uso. No
poema anterior, a voz lírica se compara a um “bicho” (“Amo-te como um bicho,
simplesmente”). Além da comparação, ela utiliza hipérbole e antíteses para expressar
suas sensações.

Exercício

(Enem / 2000) Ferreira Gullar, um dos grandes poetas brasileiros da atualidade, é autor
de “Bicho urbano”, poema sobre a sua relação com as pequenas e grandes cidades.

Bicho urbano

Se disser que eu prefiro morar em Pirapemas


ou em outra qualquer pequena cidade do país
estou mentindo
ainda que lá se
possa de manhã
lavar o rosto no orvalho
e o pão preserve aquele branco
sabor de alvorada. (....)
A natureza me assusta.
Com seus matos
sombrios suas águas
suas aves que são como aparições
me assusta
quase tanto quanto
esse abismo
de gases e de estrelas
aberto sob minha cabeça.

Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece elementos de valor
no cotidiano das pequenas comunidades. Para expressar a relação do homem com
alguns desses elementos, ele recorre à sinestesia, construção de linguagem em que se
mesclam impressões sensoriais diversas. Assinale a opção em que se observa esse
recurso.

(A) e o pão preserve aquele branco / sabor de alvorada


(B) ainda que lá se possa de manhã / lavar o rosto no orvalho
(C) A natureza me assusta / Com seus matos sombrios suas águas
(D) suas aves que são como aparições / me assusta quase tanto quanto
(E) me assusta quase tanto quanto / esse abismo / de gases e de estrelas

GABARITO: O eu lírico trata do conflito entre cidade e campo revelando suas


sensações ao pensar em habituar-se à vida campestre, uma vez que se acostumou ao
“abismo/ de gases e estrelas” da cidade. O uso da sinestesia aparece no trecho “aquele
branco/ sabor de alvorada, uma vez que se misturam as sensações visual
(branco/alvorada) e gustativa (sabor).

LETRA (A)