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Artes Visuais Modernismo

e Atualidades
Autor: Prof. Egidio Shizuo Toda
Colaboradores: Prof. Alexandre Ponzetto
Profa. Tania Sandroni
Professor conteudista: Egidio Shizuo Toda

Pesquisador em Estética, Linguagem da Arte e Leitura da Imagem pelo IPCA de Barcelos, Portugal (2012). Pesquisador
pelo Grupo de Pesquisa em Arte e Mediação Cultural, coordenado pela Profa. Dra. Mirian Celeste Martins. Mestre em
Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2013). Especialista em Comunicação e
Mídia pela UNIP – Universidade Paulista (2012). Graduado em Comunicação Digital pela UNIP – Universidade Paulista
(2006). Técnico em Formação Avançada em Fotografia Profissional pelo Senac (2011). Professor de pós-graduação lato
sensu, no sistema presencial do curso do Centro de Comunicação e Letras da UPM-Mackenzie (desde 2014), professor
de graduação no sistema presencial em Comunicação Social e Comunicação Digital, nos cursos de Publicidade e
Propaganda, Jornalismo, Propaganda e Marketing, Fotografia e Design Gráfico na UNIP – Universidade Paulista (desde
2008) e professor de graduação no sistema interativo de EaD em Artes Visuais na UNIP – Universidade Paulista (desde
2014). Palestrante na Expo CIEE 2014 e 2015; Fórum 2014 e 2015; Fórum Teenager de Universidades e Profissões;
Congresso Mundial Icom – Rio de Janeiro, 2013; Congresso Internacional de Arte, Lisboa, 2012; Congresso Mundial
de Comunicação e Arte, Portugal, 2012; Congresso Ibero-americano de Docência Universitária, Portugal, 2012; Diretor
de Arte/Designer Gráfico na Editora Abril S/A (1984 a 2003). Editor de Arte/Designer gráfico na Editora Peixes (2003
a 2008). Fotógrafo profissional nas categorias de retrato, still life e turismo (desde 1994) e diretor de arte e fotógrafo
freelancer pelo estúdio EST Comunicação Visual (desde 2008).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)

T633a Toda, Egidio Shizuo.

Artes Visuais Modernismo e atualidades. / Egidio Shizuo Toda. –


São Paulo: Editora Sol, 2016.

136 p., il

Nota: este volume está publicado nos Cadernos de Estudos e


Pesquisas da UNIP, Série Didática, ano XXII, n. 2-005/16, ISSN 1517-9230.

1. Artes Visuais. 2. Modernismo. 3. Arte Contemporânea. I. Título

CDU 7.01

© Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida por qualquer forma e/ou
quaisquer meios (eletrônico, incluindo fotocópia e gravação) ou arquivada em qualquer sistema ou banco de dados sem
permissão escrita da Universidade Paulista.
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Vice-Reitora de Graduação

Unip Interativa – EaD

Profa. Elisabete Brihy


Prof. Marcelo Souza
Prof. Dr. Luiz Felipe Scabar
Prof. Ivan Daliberto Frugoli

Material Didático – EaD

Comissão editorial:
Dra. Angélica L. Carlini (UNIP)
Dra. Divane Alves da Silva (UNIP)
Dr. Ivan Dias da Motta (CESUMAR)
Dra. Kátia Mosorov Alonso (UFMT)
Dra. Valéria de Carvalho (UNIP)

Apoio:
Profa. Cláudia Regina Baptista – EaD
Profa. Betisa Malaman – Comissão de Qualificação e Avaliação de Cursos

Projeto gráfico:
Prof. Alexandre Ponzetto

Revisão:
Carla Moro
Juliana Mendes
Sumário
Artes Visuais Modernismo e Atualidades

APRESENTAÇÃO.......................................................................................................................................................7
INTRODUÇÃO............................................................................................................................................................9

Unidade I
1 SÉCULO XX: A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM MODERNO EXPRESSA NA ARTE................... 13
1.1 Expressionismo: distorção da realidade para expressar os próprios sentimentos...... 14
1.2 Fauvismo: o primeiro movimento importante do século XX............................................... 15
2 AS NOVAS TENDÊNCIAS DA ARTE MODERNA ATRAVÉS DO CUBISMO,
DO ABSTRACIONISMO E DO FUTURISMO................................................................................................... 17
2.1 Cubismo: a ausência da perspectiva para a formação das novas faces do objeto.... 17
2.2 Abstracionismo: o corte da relação imediata entre formas e cores................................. 21
2.3 Futurismo: a exaltação do futuro e da velocidade industrial............................................. 22
3 A LIBERDADE DE EXPRESSÃO SEM AS AMARRAS DO RACIONAL
E A ENTRADA DO BRASIL NA ARTE MODERNA........................................................................................ 23
3.1 Dadá e Surrealismo: a libertação da racionalidade e a expressão
do subconsciente.......................................................................................................................................... 23
3.2 O Brasil e o Modernismo: a implantação de novas linguagens
artísticas a partir da Semana de 22...................................................................................................... 32
4 PÓS-MODERNISMO: A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL COMO O DIVISOR
DE ÁGUAS DA ARTE MODERNA..................................................................................................................... 38
4.1 A fotografia, o cinema e a arquitetura pós-moderna............................................................ 44
4.2 O Brasil no pós-modernismo e a arquitetura contemporânea........................................... 49

Unidade II
5 A COMPLEXIDADE DO TERMO..................................................................................................................... 62
5.1 Modernidade e pós-modernidade.................................................................................................. 65
5.2 A modernidade....................................................................................................................................... 65
5.3 A pós-modernidade.............................................................................................................................. 67
5.4 Regimes da arte..................................................................................................................................... 69
5.4.1 Regime de consumo ou arte moderna........................................................................................... 69
5.4.2 Regime de comunicação ou arte contemporânea..................................................................... 73
5.4.3 Marcel Duchamp: um artista no regime de comunicação..................................................... 77
6 TENDÊNCIAS ARTÍSTICAS CONTEMPORÂNEAS.................................................................................... 83
6.1 Arte conceitual....................................................................................................................................... 84
6.2 Minimalismo............................................................................................................................................ 85
6.3 Land Art..................................................................................................................................................... 87
6.4 Pop Art....................................................................................................................................................... 88
6.5 Performance Art.................................................................................................................................... 90
6.6 As relações da arte com a atualidade........................................................................................... 91
6.6.1 Arte e tecnologia..................................................................................................................................... 91
6.6.2 Arte e comunidade.................................................................................................................................. 93

Unidade III
7 A 13ª DOCUMENTA – A MAIOR EXPOSIÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO MUNDO.............. 100
7.1 A dOCUMENTA de Kassel na Alemanha.....................................................................................104
7.2 A exposição dOCUMENTA (13) e sua importância.................................................................106
7.3 Os mais consagrados artistas contemporâneos em um só lugar na Europa..............108
7.3.1 Os artistas do mundo inteiro e suas obras..................................................................................108
8 A 31ª BIENAL DE SÃO PAULO: A MAIOR EXPOSIÇÃO DE ARTE DA AMÉRICA LATINA........114
8.1 A 31ª Bienal de Arte de São Paulo no Brasil.............................................................................115
8.2 A 31ª Bienal de Arte de São Paulo e sua importância..........................................................116
8.3 Os artistas mais renomados e suas obras contemporâneas em São Paulo.................118
8.3.1 Os artistas do mundo inteiro e suas obras.................................................................................. 118
APRESENTAÇÃO

Este livro‑texto pretende apresentar a você, aluno de Artes Visuais, os conhecimentos para que possa
compreender a formação da Arte Moderna e das atualidades, fornecendo‑lhe subsídio para entender
características, períodos, escolas, exposições, instalações, técnicas e linguagens da arte no modernismo
e na contemporaneidade, assim como os contextos históricos e principais acontecimentos em que essas
artes se fundamentam no Brasil e no mundo.

Utilize-se das referências textuais e imagéticas para ampliar seu conhecimento sobre a bibliografia
e as artes desenvolvidas em cada período, nas diferentes áreas de interesse.

Você está realizando um curso universitário para se tornar um profissional de mercado. Logo, terá
de ler muitos textos, enxergar e compreender as artes visuais e conhecer um pouco a respeito das duas
melhores exposições do mundo. O livro-texto foi baseado em um recorte do tempo e do espaço para
podermos estudar a arte moderna e a contemporânea.

Para Strickland (2004, p. 128-168):

A arte do século XX não apenas decretou que qualquer tema era adequado,
mas também libertou a forma (como no Cubismo) das regras tradicionais
e livrou as cores (no Fovismo) da obrigação de representar com exatidão
os objetos. Os artistas modernos desafiavam violentamente as convenções,
seguindo o conselho de Gauguin, para “quebrar todas as janelas velhas,
ainda que cortemos os dedos nos vidros”.

No coração desta filosofia de rejeição ao passado, chamada Modernismo,


havia a busca incessante de uma liberdade radical de expressão. Liberados
da necessidade de agradar a um mecenas, os artistas elegiam a imaginação,
as preocupações e as experiências individuais como única fonte de arte. A
arte se afasta gradualmente de qualquer pretensão de retratar a natureza,
seguindo na direção da pura abstração, em que dominam a forma, as
linhas e as cores [...] O problema de avaliar a arte contemporânea é que
ela ainda está viva e em crescimento. A história irá dizer quem viverá na
memória e quem desaparecerá. O que é claro, entretanto, é que desde 1960
os movimentos vêm e vão num piscar de olhos. O fio condutor comum
a todos é a oposição ao Expressionismo abstrato. É como se a sombra
projetada por Jackson Pollock se estendesse tão longe que os ramos
futuros tivessem que se esgueirar por baixo da árvore até encontrarem
seu próprio lugar ao sol.

Conforme Strickland (2004), para começarmos o entendimento da arte moderna e da contemporânea,


precisamos derrubar paradigmas preexistentes criados desde a arte clássica da antiga Grécia até o
Renascimento, desconstruir a arte ensinada nas academias, que retratava a realidade tal qual ela é, e
criar novos conceitos de interpretação dessa realidade. Após o estudo sobre o Modernismo, abordaremos
7
os dias de hoje e o funcionamento da arte na atualidade: uma arte em crescimento que será marcada
em nossa memória de acordo com a força de sua construção.

Os textos e as imagens são ferramentas que usamos para compreender os temas produzidos, e você
terá de utilizá-los também, como aluno, profissional, cientista e pesquisador.

Na busca do saber e do aprimoramento nas Artes Visuais, foram escolhidos, entre outros autores,
escritores renomados no estudo e da pesquisa das artes, como a historiadora da arte e pesquisadora
em semiótica Maria Carla Prette, a historiadora da arte moderna e pós-moderna Carol Strickland, e os
estudiosos e pesquisadores em arte contemporânea, Enrico Criposlti e Anne Cauquelin.

Na obra Para Entender a Arte, Maria Carla Prette (2009) divide em duas seções os estudos dos
caminhos das artes plásticas no decorrer dos séculos. Na primeira seção, utiliza os conhecimentos
sobre a semiótica no entendimento das construções das artes através de formas, cores,
profundidade, sombra, luz, linhas, simetria, perspectiva, dos elementos da composição das obras e
da visão dos artistas com suas criações na aplicação dessas técnicas. Na segunda seção, o estudo
gira em torno das grandes obras artísticas, seus artistas, suas linguagens e escolas. Cheio de
ilustrações, o objetivo do livro é ensinar a ver a obra de arte ilustrada. Tem como principal eixo os
esboços e as reproduções das pinturas e esculturas mais importantes e que marcaram a arte no
decorrer da história da civilização.

Outra autora de peso que nos ajudou na busca do conhecimento é a pesquisadora no estudo em
arte moderna e pós-moderna Carol Strickland (2004), com sua obra Arte Comentada: da Pré-história
ao Pós‑Moderno. Nesse livro, a autora busca a percepção da composição em uma abordagem visual e
textual. Através da análise de movimento, desenhos, cor e composição dos grandes mestres, Strickland
estuda como o observador olha uma obra de arte. Nessa ação, o espectador avalia o clima, a luz e a cor
para entender como o artista cria efeitos em suas obras.

Na arte moderna, segundo Strickland (2004), a grande mudança é a ruptura com o passado. O artista
moderno busca elementos da arte antiga, não necessariamente da arte da antiguidade, para produzir
algo novo, fresco. Para alguns pesquisadores e estudiosos da arte moderna e da contemporânea, não há
arte nova sem as referências do passado. Uma arte está estreitamente ligada à outra. Na arte moderna,
a quebra das estruturas, acadêmicas ou clássicas, é necessária para a produção do moderno. Já a arte
contemporânea se constrói conforme o estudo da antiga é feito, para depois criar o novo. Como a
autora define:

Em toda a evolução da arte ocidental, o século XX produziu a ruptura


mais radical com o passado, levando ao extremo o que Coubert e Manet
iniciaram no século XIX – retratos da vida contemporânea e não de
ventos históricos. A arte do século XX não apenas decretou que qualquer
tema era adequado, mas também libertou a forma (como no Cubismo)
das regras tradicionais e livrou as cores (no Fovismo) da obrigação de
representar com exatidão os objetos. Os artistas modernos desafiavam
violentamente as convenções, seguindo o conselho de Gauguin, para
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“quebrar todas as janelas velhas, ainda que cortemos os dedos nos
vidros” (STRICKLAND, 2004, p. 128).

No quesito do entendimento da arte na atualidade, Crispolti (2004) faz a pergunta: como se


estuda a arte do nosso tempo? Para respondê-la, o autor analisa o comportamento e seus problemas
na sociedade atual, criando instrumentos para a formulação crítica das obras nos dias de hoje. A
partir do entendimento dos problemas modernos, do homem e da sociedade é que entenderemos
a arte contemporânea. Por meio desse universo, muitas vezes complicado e problemático, é que
encontraremos o caminho para a apreciação mais consciente da arte do nosso tempo.

Em Arte Contemporânea: Uma Introdução, Anne Cauquelin (2005) se aprofunda nos entendimentos
das obras de Marcel Duchamp, Andy Warhol e Leo Castelli. Estuda a transformação dos mecanismos
desses artistas, do ready-made, das etapas criativas e seus caminhos. Estuda também a sociedade atual
e a comunicação, a indústria, seu consumo, os salões e as galerias. Da obra ao espaço da arte, a autora
apresenta uma análise crítica da arte contemporânea e seus desdobramentos no pós-modenismo.

Para finalizar e reforçar nosso encontro com a arte moderna, a arte contemporânea e as
principais obras de arte construídas na atualidade, falaremos sobre a exposição da dOCUMENTA
(13), da cidade de Kassel, na Alemanha, e a exposição da 31ª Bienal de São Paulo. Além da
experiência da percepção de ver e sentir as obras originais, amarramos nosso estudo buscando
referências nos guias oficiais das duas exposições para entender cada obra, o pensamento do
artista e suas propostas de mensagem e comunicação nas artes fabricadas nos dias atuais.

INTRODUÇÃO

Iniciaremos entendendo a arte moderna e tentando responder à seguinte pergunta: como as


transformações do século XX marcaram o homem e sua arte?

Ao buscarmos as respostas para essa questão, vamos aos poucos entender o pensamento do homem
diante de sua complexidade e como ele se expressa nas artes para retratar as dificuldades, paixões ou
vivências. A arte moderna nasce diante desses dilemas e representações.

O aparecimento da arte moderna foi marcado pela desconstrução da arte clássica vinda da Grécia
antiga, do renascimento do clássico do século XV e do fim do novo clássico. A arte modernista marcou
a entrada de uma linguagem desconhecida até então. Novos movimentos foram criados, manifestações
artísticas apareceram e linguagens únicas foram representadas.

Vamos estudar os conflitos da humanidade na implantação do capitalismo e a industrialização da sociedade,


novas tecnologias e máquinas, fabricação de produtos, seu consumo e a chegada da modernidade.

Durante a Segunda Guerra Mundial, muitas obras foram confiscadas, queimadas e destruídas pelos
nazistas. O próprio Hitler foi declarado um artista frustrado, pois mandou queimar obras importantes
da literatura. Ainda tentou ridicularizar alguns dos maiores nomes da pintura, como Picasso, Matisse e
Kandinsky, entre outros, quando promoveu uma exposição intitulada “Arte Degenerada”.
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Dentro desse complexo contexto social, a arte vem refletir as angústias e a perplexidade dos
indivíduos no tempo histórico. Então, o homem moderno debruçou-se na profundidade das relações
humanas que estavam ameaçadas com os perigos da guerra.

As obras artísticas produzidas a partir daí fogem dos padrões impostos pelo Realismo, Naturalismo
e Classicismo, rompendo as relações com a escola clássica da Grécia, das linguagens do período
romano antigo, do renascimento italiano da Idade Média e dos “ismos”, como Romantismo, Realismo,
Impressionismo, Pontilhismo e Expressionismo, produzindo novas tendências, expressando para além da
realidade vista e representada do cotidiano e das paisagens e mostrando a própria realidade em si e a
individualidade do artista.

O Expressionismo virá marcado como a expressão da emoção. As pinceladas fortes, as cores estridentes
e a não preocupação com o refinamento dos trabalhos em seus detalhes perpassam o academicismo,
buscando o sentimento mais puro do artista e a geração dos sentimentos nos observadores. Com uma
intenção de distorção da realidade, Munch, em sua obra O grito, por exemplo, mostra a emoção e
a angústia emanadas pelo personagem central. O interessante é que o artista não deixa claro se o
personagem é homem ou mulher, pois o mais importante é o sentimento proposto pelo artista.

Estudaremos o mestre Picasso com suas obras geométricas e a ausência da profundidade. O artista
retrata a realidade em apenas dois planos, trazendo com o cubismo sintético e o cubismo analítico
formas de apresentar a arte abstrata e sua relação com o real. Já os artistas do futurismo foram muito
bem‑aceitos pelo público, mesmo com a intenção de provocar o observador.

Veremos como os estudos freudianos e o movimento dadaísta se encontraram para romper as


barreiras do pensamento racionalista e fazer arte sem limites estéticos.

Salvador Dalí vai nos surpreender com suas obras inspiradas nos sonhos e no subconsciente,
determinando uma nova linguagem artística: o surrealismo. Breton, principal nome desse movimento,
irá mostrar que a arte não precisa ser fruto da lógica, e sim de um universo de sonho ou de alucinação.

Não deixaremos de mostrar o Modernismo no Brasil e como essa nova tendência nas artes afetou
nosso País e os artistas que aqui viviam. Essa mudança tão importante marcou a entrada de uma
novíssima arte importada da Europa, desenvolvida por um grupo de artistas determinados a acabar de
vez com o marasmo das artes brasileiras e chamar a atenção para uma diferente linguagem artística.
Foi uma mudança necessária para o futuro nacional das artes, com a execução das artes plásticas, a
produção da linguagem do cinema novo, a composição e construção da fotografia e as linhas, formas
e cores da arquitetura.

Na entrada do pós-modernismo, temos o movimento do Op Art e sua arte ótica. Veremos a ilusão
visual marcada por grandes criações de artistas, como Victor Vasarely e suas telas que parecem se
movimentar sozinhas, e Alexander Calder, com seus móbiles que eram manipulados pelos próprios
observadores. Com o Pop Art, ou arte popular, estudaremos os artistas que utilizavam os recursos da
TV, do cinema e das propagandas para representar produtos da indústria cultural comuns nos meios de
comunicação em massa. Grandes artistas apareceram nessa época, como Andy Warhol e Roy Lichtenstein,
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e foram os responsáveis por trazer o foco das artes, que era na Europa, para as Américas. Nessa mudança
pós‑moderna, o Brasil também será afetado em artes plásticas, fotografia, escultura e arquitetura. Com
uma linguagem minimalista, vamos entender a obsessão da artista Tomie Ohtake na criação de suas
gravuras e esculturas com grande valor pictórico relacionado às cores e à composição.

Em seguida, tentaremos desvendar a seguinte questão: como entender a arte nos dias de hoje?

Descobriremos o significado do termo contemporâneo. Depois do ready-made de Duchamp, em


que qualquer obra seria arte de acordo com as provocações e determinações do autor, muitas dúvidas
pairaram diante do que seria ou não arte. No esclarecimento dessas dúvidas, vamos desvendar com
mais profundidade as características da arte moderna e a pós-modernidade na visão de alguns autores
e depois enveredar pela contemporaneidade com mais propriedade.

Seguindo esse caminho, para entendermos melhor a arte contemporânea, estudaremos a relação
do termo e do significado da construção da arte atual com a teoria da complexidade, de Edgar Morin.

Veremos como a rede de ações para entender a complexidade de Morin se encaixará na construção
do processo de criação do contemporâneo e como o pensamento complexo implica um modo de pensar
em forma de rede, cujo conhecimento do mundo e das coisas se dá a partir da relação entre os diversos
contextos e as diversas partes que compõem o objeto de estudo.

Crispolti (2004) defende que a arte contemporânea busca, na arte do passado, elementos construtivos
para uma arte nova. Nessa complexa rede que envolve a arte antiga é que nos embasaremos para a
criação da obra na atualidade.

Vamos analisar também as teorias de Sturken e Cartwright (2001) sobre a reflexividade, na qual a obra
artística comenta em si o seu próprio processo de produção. A reflexividade possibilitou que a obra de arte
moderna se transformasse em autorreferencial, pois seu conteúdo e sua forma fazem referência a ela mesma,
conferindo-lhe a característica da mobilidade e a autonomia para circular livremente.

Observaremos as diferenças entre a arte moderna e a arte contemporânea, relacionando o regime


de consumo e o regime de comunicação. Entenderemos o significado do “estado contemporâneo” para
o sistema da arte e qual é o sistema que prevalece até hoje entre as obras criadas.

Estudaremos as tendências artísticas contemporâneas, quais os caminhos que estão tomando as


artes na atualidade, sua identidade artística, linguagens e características.

Vamos entender a razão que leva a arte conceitual a valorizar mais o conceito (ou a ideia) por trás da
obra e descobrir por que a maneira de produzir essa arte é mais importante que a própria obra acabada.
A arte conceitual vai entrar para consolidar a divisão entre os caracteres estético e artístico.

No Minimalismo, veremos como os artistas tentaram reduzir a obra de arte à sua forma básica,
negando a expressão gestual do artista – apagando o vestígio do autor – e buscando alcançar uma
forma pura de beleza.
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Com os desdobramentos da arte conceitual, veremos o aparecimento da Land Art, com seus trabalhos
concebidos intrinsecamente em lugares físicos específicos, estabelecendo uma relação triádica.

Vamos conhecer a Performance Art e seus artistas, que trabalhavam interdisciplinarmente com
diversas linguagens artísticas – pintura, escultura, gravura, vídeo, desenho, poesia, teatro, música etc. –,
utilizando o seu próprio corpo como meio e executando ações que se tornam a própria obra de arte.

Por fim, veremos a dOCUMENTA 13, da cidade de Kassel, e a mais importante exposição brasileira de
arte da atualidade, a 31ª Bienal de São Paulo. Vamos entender um pouco da história da dOCUMENTA, o
começo da exposição e a razão que levou os organizadores a iniciarem esse importante ciclo das artes
em um lugar da Europa devastado pela guerra.

Começaremos com os quatro principais locais da exposição: o museu Fridericianum e o Aue-Pavilion;


em seguida, a Neue Galerie e o palácio Schloss Wilhelmshöhe. Além dessas quatro principais áreas,
vamos conhecer o museu dos irmãos Grimm, famosos irmãos autores dos principais contos infantis
espalhados pelo mundo.

Nesse cenário das artes, novos artistas nascem, e outros se consagram com suas obras. Dizem que,
se o artista expõe na dOCUMENTA, ou ele já é uma referência nas artes, ou será em breve. Estudaremos
alguns dos mais renomados artistas, com suas importantes obras e seu prestígio internacional: Kader
Attia, Warwick Thornton, Massimo Bartolini e Giuseppe Penone.

Não poderíamos deixar de apreciar também a exposição da Bienal de São Paulo. Como parte do
importante circuito das artes no mundo, a Bienal de Artes da cidade de São Paulo é uma referência
brasileira e mundial da arte contemporânea.

Considerada a maior exposição de arte moderna e contemporânea da América Latina, a Bienal de


São Paulo faz parte do seleto grupo de expositores de arte e do circuito das grandes bienais do mundo.
Vamos descobrir o significado do tema proposto para a 31ª versão, “Como (...) que não existem”, e como
é explorado o dilema contemporâneo de uma São Paulo em transformação.

Além de estudarmos a proposta da 31ª Bienal, veremos alguns dos artistas escalados para apresentar
seus trabalhos nessa tão prestigiada mostra internacional das artes: Prabhakar Pachpute, Mujeres
Creando, Éder Oliveira, Qiu Zhijie, Thiago Martins de Melo, Voluspa Jarpa, Etcétera... e León Ferrari.

12
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Unidade I
1 SÉCULO XX: A TRANSFORMAÇÃO DO HOMEM MODERNO EXPRESSA NA
ARTE

O século XX inicia-se ampliando as conquistas técnicas e o progresso


industrial do século anterior. Na sociedade, acentuam-se as diferenças
entre os mais ricos e os mais pobres. O capitalismo organiza-se e surgem
os primeiros movimentos sindicais, que passam a interferir nas sociedades
industrializadas (PROENÇA, 2009, p. 250).

A modernidade é marcada por grandes transformações, novas conquistas técnicas e grandes


revoluções tecnológicas, progresso econômico, reviravolta na sociedade e conturbação política. O início
do século XX foi marcado por grandes conflitos na história da humanidade, como a implantação do
capitalismo e o processo de industrialização. Os principais acontecimentos do Ocidente nessa época
foram a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa e o surgimento de movimentos extremistas, como
o fascismo na Itália e o nazismo na Alemanha. Destes dois últimos movimentos resultou uma reviravolta
política na Europa, influenciando as artes. Nasce, assim, o expressionismo alemão como representação
da perplexidade humana.

Nas primeiras décadas do século XX ocorrem também profundas conturbações


políticas: a Primeira Guerra Mundial, a Revolução Russa, o surgimento do
fascismo na Itália e do nazismo na Alemanha. Não demorou muito para que
a situação política criada pela Itália e Alemanha levasse os países europeus e
americanos a se envolver em novo conflito mundial. Com a Segunda Guerra
Mundial, intensificaram-se as pesquisas sobre energia nuclear e posteriormente
sua aplicação para fins bélicos, trazendo como consequência uma ameaça à
sobrevivência da humanidade (PROENÇA, 2009, p. 250).

Assim, a arte sofreu as consequências desses conflitos. Com o avanço das forças alemãs pela Europa,
muitas obras foram confiscadas, queimadas e destruídas pelos nazistas. Hitlert tentou ridicularizar alguns
dos maiores nomes da pintura, como Picasso, Matisse e Kandinsky, entre outros famosos, promovendo
uma exposição intitulada de “Arte Degenerada”.

Dentro desse complexo contexto social, a arte vem refletir as angústias e a perplexidade dos
indivíduos nesse tempo histórico. Então, o homem moderno debruçou-se na profundidade das relações
humanas que estavam ameaçadas pelos perigos da guerra.

As obras artísticas produzidas a partir daí irão fugir dos padrões impostos pelo Realismo, Naturalismo
e Classicismo, rompendo relações com a escola clássica da Grécia, com as linguagens do período
13
Unidade I

romano antigo, do renascimento italiano da Idade Média e dos “ismos’, como o Romantismo, Realismo,
Impressionismo, Pontilhismo ou Expressionismo, produzindo com isso novas tendências. A proposta
era a de expressar, para além da realidade vista e representada do cotidiano e das paisagens, a própria
realidade de cada artista, como veremos a seguir.

1.1 Expressionismo: distorção da realidade para expressar os próprios


sentimentos

Os artistas expressionistas romperam com as ideias impressionistas, em que a arte se debruçava


sobre as técnicas de luz e cor, voltando-se totalmente para os sentimentos humanos. De origem alemã,
o movimento nasceu por volta de 1904 e 1905 e teve grandes obras que até hoje fazem parte do
imaginário individual e coletivo. Um dos principais exemplos é a obra O Grito, de Edvard Munch.

Figura 1 – O Grito (1893), quadro de Edvard Munch

Essa obra, com enfoque direto na emoção humana como nunca havia sido expressada, foi a alavanca
temática que fomentou os artistas expressionistas.

Nessa obra, a figura humana não apresenta suas linhas reais, mas se contorce
sob o efeito de suas emoções. As linhas sinuosas do céu e da água, e a
linha diagonal da ponte, conduzem o olhar do observador para a boca da
figura, que se abre num grito perturbador. Essa atitude, inédita até então
para as personagens da pintura, e a ênfase para as linhas fortes evidenciam
a emoção que o artista procura expressar (PROENÇA, 2009, p. 251).

14
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Dentre os artistas precursores do expressionismo, temos o grupo intitulado Die Burcke, traduzido
para o português como A Ponte. Ele foi composto por Erickh Heckel (1883-1970), Ernst Ludwig Kirchner
(1880-1938) e Karl Schimidt-Rottluff (1884-1976). Com as linhas alongadas, os artistas representavam
seus personagens distorcidos para ilustrar uma realidade paralela por meio dos sentimentos humanos.
Os expressionistas tinham um conceito pessimista sobre o mundo moderno: uma característica da
complexidade do pensamento humano dentro de um contexto histórico marcado por conflitos.

Seus membros acreditavam que poderiam ser “a ponte” para o futuro, e mal sabiam eles que estavam
realmente corretos, pois a arte nunca mais foi a mesma depois dessa e de outras tendências que veremos
mais adiante. Esses artistas lutavam contra as ideias ultrapassadas que cerceavam a liberdade estética
de produzir arte.

O artista Piet Mondrian (1872-1944), juntamente com um grupo de artistas na Holanda, tentou
livrar a arte da emoção. A ideia era de uma arte mais precisa, geométrica e delimitada. O neoplasticismo
consistia em criar algo que a natureza fosse incapaz de construir, com precisão absoluta.

Outra contribuição importante dos artistas expressionistas foi na xilogravura, em que o gênero
ganhou novos tons e seus representantes produziram figuras impactantes, explorando os inúmeros
subtons do preto ao branco.

Houve um grupo de jovens muito importante que encabeçou o movimento impressionista, pois
foi o precursor da tendência de romper com a forma tradicional de pintar. Esse grupo se firmou com o
começo do Realismo, mas foi totalmente negado no Modernismo. Retratar o movimento e a luz foram
os principais elementos na busca dos pintores impressionistas, além de valorizarem a utilização das
cores reproduzidas pela luz. Os principais nomes do Impressionismo são Claude Monet (1840-1926),
Edgar Degas (1834-1917) e Pierre-Auguste Renoir (1841-1919).

Saiba mais

Leia:

STRICKLAND, C. Arte comentada: da Pré-história ao Pós-moderno. Rio


de Janeiro: Ediouro, 2004. p. 142-144.

A fuga do tradicional é uma das grandes características que marcaram o expressionismo como
primeiro movimento da arte moderna. Esse movimento será revisitado por artistas em geral ao longo
dos séculos.

1.2 Fauvismo: o primeiro movimento importante do século XX

A expressão fauves, do francês, que significa feras, foi utilizada pelo crítico Louis Vauxcelles para
denominar a obra de alguns pintores na cidade de Paris, no ano de 1905, pela utilização das cores em
15
Unidade I

seu estado puro. Cores fortes e marcantes e traços bem-definidos são as principais características das
obras, que não possuem preocupação alguma com as cores reais dos objetos retratados.

Os principais nomes do fauvismo são: Maurice de Vlaminck (1876-1958), André Derain (1880-1954),
Othon Friesz (1879-1949) e Henri Matisse (1869-1954), expoente desse movimento artístico.

As principais características da obra de Matisse estão relacionadas à composição de seus quadros,


nos quais o realismo não é uma preocupação relevante e a forma de representar é sempre mais marcante
que o objeto representado em si. A obra A Dança é uma das mais emblemáticas, trazendo claramente
todas as tendências do movimento.

Figura 2 – A Dança (1909-1910), óleo sobre tela de Henri Matisse

Maurice de Vlaminck teve sua obra considerada pela crítica como uma “bomba”, pois era conhecido
por levá-la aos extremos, e isso se refletia até em sua vida pessoal. Alguns consideravam que ele era
mesmo uma das “feras” mais fortes do fauvismo, pois essa atitude extrema e confiante, associada a uma
personalidade forte, tornava-o uma pessoa muito peculiar. Era amigo pessoal de Derain, e a principal
característica de suas obras eram os borrões de tinta e a atitude de espremê-las diretamente do tubo,
trabalhando com cores e contrastes.

Derain caracterizou sua obra pelo emprego de pontos e uso constante das cores primárias,
provocando a sensação de movimento. Considerado o criador do movimento fauvista e um dos
pioneiros do movimento cubista, esse artista teve sua obra modificada ao longo dos anos para um
conservadorismo acadêmico.

Por esse descompromisso com o realismo, os artistas desse movimento inicialmente não foram muito
bem-aceitos, mas essa técnica vem sendo utilizada até hoje, guardando as características desse período.

16
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

2 AS NOVAS TENDÊNCIAS DA ARTE MODERNA ATRAVÉS DO CUBISMO, DO


ABSTRACIONISMO E DO FUTURISMO

O Cubismo derivou-se em várias técnicas para a construção da arte: o Cubismo sintético, com suas
partes reconhecíveis, e o Cubismo analítico, com a fragmentação total e irreconhecível das partes. A
colagem apareceu como estrutura artística, e os artistas trabalhavam com poucas cores, pois o mais
importante era definir um tema e poder mostrar todos os lados simultaneamente.

O Abstracionismo chega para eliminar a relação entre formas e cores e mostrar um outro lado da
realidade, o não real. Entre suas características mais precisas, aparecem o Abstracionismo informal e o
Abstracionismo geométrico.

Por fim, com o Futurismo, vemos a exaltação do futuro e a velocidade do crescimento moderno. O
movimento foi a representação das rápidas mudanças tecnológicas, marcadas pela mecanização das
indústrias e pelas variações da sociedade diante das transformações.

2.1 Cubismo: a ausência da perspectiva para a formação das novas faces


do objeto

Imagine o mundo sem perspectiva, com todos os objetos no mesmo plano. Foi nesse clima que se
criaram as obras cubistas, feitas pelos artistas no início do século XX. A decomposição dos objetos foi
além dos padrões e propunha uma desconstrução total da realidade. Houve duas tendências distintas:

• Cubismo analítico: o artista mais conceituado foi Pablo Picasso (1881-1973). Ele leva a técnica ao
extremo, apresentando simultaneamente todos os lados de um objeto e utilizando poucas cores,
como na obra O Poeta, em que é praticamente impossível definir a figura retratada.

Figura 3 – O Poeta (1911), óleo sobre tela de Pablo Picasso

17
Unidade I

Essa tendência se fortaleceu de tal maneira que houve um movimento que buscou tornar novamente
as figuras reconhecíveis:

• Cubismo sintético: como obra mais expressiva podemos citar Mulher com Violão, de Georges
Braque. Há um retorno à representação do objeto por meio da simultaneidade, demonstrando a
falta das três dimensões dos seres, mas ainda sendo possível identificá-los.

Os artistas cubistas mais expressivos passearam pelas duas tendências, levando ao nível máximo a
representação de sua arte, tanto na pintura quanto na escultura.

Figura 4 – Mulher com Violão (1913), óleo sobre tela de Georges Braque

O Cubismo teve também outra tendência denominada colagem, marcada pela inserção de materiais,
pedaços de madeira, vidro e metal, bem como letras, palavras e números.

Os principais nomes foram Juan Gris, Vieux Marc e Pablo Picasso, citado anteriormente. A colagem
procurava explorar as experiências táteis do observador com a obra.

Pablo Picasso, entre todos os artistas cubistas, com certeza merece grande destaque, não só por
sua reconhecida genialidade, mas também por sua versatilidade, que o fez criar obras em todas as
tendências do Cubismo e ser o pioneiro no desenvolvimento desse movimento.

A primeira grande obra do artista que demonstrou os padrões estéticos do Cubismo foi Les Demoiselles
d’Avignon, em 1907. Entretanto, antes disso, Picasso recebeu forte influência da arte africana, pois foi
assim que descobriu a liberdade de criar sem obedecer ao rigor realista até então muito presente.
Podemos observar que essa obra se ″fundamenta na destruição da harmonia clássica e na fragmentação
da realidade″ (PROENÇA, 2009, p. 256).
18
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 5 – Les Demoiselles d’Avignon (1906-1907), óleo sobre tela de Pablo Picasso

Diferentemente da arte do Ocidente, a arte africana não se organiza por movimentos estéticos. Foi
somente com a dominação europeia, após o século XIX, que as obras foram classificadas em naturalistas,
expressionistas e abstratas. Tais denominações não foram incorporadas pelo povo africano, apenas pelos
colonizadores. O reconhecimento da arte africana é algo ainda a ser conquistado, uma vez que o foco
da mídia na atualidade é nos conflitos e problemas sociais do continente, o que acaba prejudicando a
divulgação de sua produção artística para o resto do mundo.

Outra obra expressiva de Picasso é Guernica, nome da cidade bombardeada durante a Guerra Civil
espanhola. Tons escuros entre preto e cinza são predominantes. Nela, Picasso demonstra o que parece ser
um cenário com um amontoado de corpos. A expressão de angústia nitidamente vista nas figuras, que
estão representadas em ambiente caótico, revela a fragmentação da realidade num clima de desespero.

Figura 6 – Guernica (1937), painel de Pablo Picasso

Além de pintor, Picasso era gravador e escultor e tinha domínio dessas técnicas, expressando as
características cubistas também nessas modalidades artísticas.

A característica mais marcante da obra gravada de Picasso – que se estende


de 1907 a 1972 – está na força expressiva do desenho e na oposição entre
19
Unidade I

áreas de claridade e de sombra, como podemos ver em Natureza-morta sob


lâmpada. Nessa obra, a oposição se dá especialmente entre os tons escuros e
a força do vermelho e do amarelo-ouro intensificada pela luz que se origina
da lâmpada sobre a mesa (PROENÇA, 2009, p. 258).

No campo da escultura, Picasso também foi um grande revolucionário. Em obra feita em mármore,
rompeu todas as barreiras do conservadorismo e das formas tradicionais de se conceber trabalhos
esculturais. Uma de suas características marcantes como escultor era utilizar materiais incomuns e
aleatórios em suas peças, o que o fez pioneiro dessa forma de criar.

Durante o período em que Pablo Picasso rompeu totalmente com as formas tradicionais de produzir
arte com o quadro Les Demoiselles d’Avignon, nos Estados Unidos, um grupo de pintores, denominado
“Os Oito”, lideraram um movimento intitulado Precisionismo. Esse movimento dava maior importância
à forma de representar do que ao tema em si e utilizava muitas formas geométricas para simbolizar
figuras e objetos retratados.

Em contraposição ao pensamento pessimista dos artistas modernos do início do século XX, entre os cubistas,
podemos citar a obra de Fernand Léger (1881-1955), que coloca na industrialização a possibilidade de se
construir um mundo novo. Esse ponto de vista, considerado otimista, aponta a industrialização e a utilização
das máquinas como uma revolução que irá construir um novo homem, muito mais avançado e repleto de
recursos, privilegiando esse processo como a representação de um novo tempo histórico na humanidade.
Supera-se a distinção entre obra de arte e objeto utilitário, valorizando o desenho industrial, de sorte que o
objeto produzido pela máquina se torne uma das autênticas expressões da beleza contemporânea.

Sua obra utiliza muitos desenhos geométricos e pode ser considerada muito sintetizada. Passou por
uma fase em que se inspirou na arte mural, como forma de envolver o observador no ambiente urbano.
Como exemplo, podemos citar Elementos Mecânicos, em que vemos o caráter valoroso que o pintor
expressa pelas máquinas e pelos objetos da modernidade.

Figura 7 – Elementos Mecânicos (1918-1923), óleo sobre tela de Fernand Léger

20
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

2.2 Abstracionismo: o corte da relação imediata entre formas e cores

No Abstracionismo não há identificação ou preocupação em expressar um tempo histórico ou


contar alguma história. As cores utilizadas pelos artistas não condizem muitas vezes com aquelas dos
seres ou objetos que representam.

Os principais representantes do abstracionismo são Wassily Kandinsky (1866-1944), cuja obra Batalha
inaugura esse estilo de representação artística, e Vladimir Tatlin (1885-1953), que busca no cubismo sua
inspiração e nos traz obras que incorporam materiais como madeira, vidro e metal, explorando o relevo
em várias formas.

Figura 8 – Batalha (Cossacos) (1910), óleo sobre tela de Wassily Kandinsky

Na antiga União Soviética, mais precisamente na Rússia, por volta de 1914, Tatlin inaugurou a arte
geométrica russa. Foi chamada de arte abstrata porque queria refletir a tecnologia moderna. Paralelo
a essa nova linguagem, nascia também o Construtivismo, pois os artistas queriam que a arte fosse
construída, e não mais criada. Esse novo estilo usava materiais industrializados, como o vidro, o metal e
o plástico, em obras tridimensionais.

A partir daí, a vanguarda russa floresceu com artistas chamados de construtivistas e abstratos. Na
verdade, dentro do abstracionismo houve um movimento que recebeu a nomenclatura de Construtivismo,
pois suas obras incluíam materiais diversos como parte relevante de sua expressão. Os principais artistas
desse movimento são Antoine Pevsner (1886-1962) e Naum Gabo (1890-1977). Na década de 1920,
porém, o governo revolucionário russo interferiu nas produções artísticas da época, o que fez ambos os
artistas deixarem o país. Em 1931, retomaram suas atividades e fundaram um movimento internacional
de artistas abstratos, chamado de Criação Abstrata.

O grupo fortaleceu o movimento artístico abstracionista, e duas fortes tendências o marcaram:

• Abstracionismo informal: suas obras têm um traço livre, totalmente despreocupado em parecer
ou representar especificamente a realidade; essa liberdade também se expressa no uso das cores.
21
Unidade I

• Abstracionismo geométrico: “[as formas] devem ser organizadas de maneira que a composição
resultante seja apenas a expressão de uma concepção geométrica” (PROENÇA, 2009, p. 262). Esse
movimento, entre as décadas de 1920 e 1930, vai ao extremo apenas utilizando linhas verticais
e horizontais e as cores em seu estado puro, sem mistura ou dégradé. Apesar de haver harmonia
entre as estruturas, não significa que fossem simétricas, uma vez que a assimetria fazia parte do
que eles chamavam de composição.

Outro artista que não podemos deixar de citar é Paul Klee (1879-1940), que produziu muitas reflexões
sobre o abstracionismo e o cubismo e foi professor na escola de arte Bauhaus. Seu descompromisso com
as formas reais e a história a ser contada se refletiram em sua obra.

Klee presenciou duas grandes guerras e, apesar de ter convivido com grandes artistas de sua época,
desenvolveu um estilo próprio de pintar, reunindo um conteúdo único que tornou sua obra tão expressiva.
Acreditava que a essência da pintura fosse a imagem, e isso a condicionaria a uma liberdade estética.

2.3 Futurismo: a exaltação do futuro e da velocidade industrial

As inspirações dos artistas do movimento futurista vieram inicialmente da literatura, em especial


da obra do poeta e escritor Filippo Tommaso Marinetti (1876-1944), que, em 1909, tinha como foco o
destaque ao futuro e o aprimoramento da velocidade que as máquinas deram aos homens.

Tanto na pintura quanto na escultura, podemos visualizar a expressão de movimento, com a ideia
de velocidade implícita na utilização das cores. Outro recurso é a utilização das linhas curvas e das retas,
explorando o potencial para ideia de velocidade, além de uma representação que foge de qualquer
padrão realista ou tradicional.

Os artistas futuristas foram muito bem-aceitos pelo público, mas, na intenção de provocar e
romper com a passividade do papel de observador, os artistas usaram alto-falantes para gritar
frases como: “Matem o luar! Queimem os museus!”. A multidão começou a atirar alimentos nos
manifestantes, e isso, para os artistas, foi considerado um trunfo, pois o objetivo de provocar o
público havia sido concretizado.

Em meio à efervescência dos movimentos que se desconectavam da realidade, vemos um


artista independente surgir, e sua obra atualmente é reconhecida em todo o mundo. Amedeo
Modigliani (1884-1920), apesar de nascido em Livorno, na Itália, desenvolveu sua arte na
França e, embora tenha convivido com o pintor Pablo Picasso, foi reconhecido por pintar
retratos. As suas figuras fugiam dos padrões abstratos, mas também não eram completamente
realistas. As pessoas representadas em seus quadros tinham em geral pescoços alongados e
cores fortes que não eram compatíveis com sua cor real. Podemos observar essas características
em Retrato de Jeanne Hébuterne Sentada .

22
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 9 – Retrato de Jeanne Hébuterne Sentada, de Amedeu Clemente Modigliani

3 A LIBERDADE DE EXPRESSÃO SEM AS AMARRAS DO RACIONAL E A


ENTRADA DO BRASIL NA ARTE MODERNA

Nos primeiros vinte anos do século XX, os estudos de Freud e a psicanálise associados às
mudanças políticas criaram um clima favorável para o aparecimento de uma arte mais complexa
que criticava a cultura europeia. Surgem os movimentos estéticos, que representavam a realidade
de maneira irracional e fantasiosa. Ao questionar a civilização contemporânea, os artistas criaram
uma arte inquietante.

No Brasil, o movimento modernista começou com a organização e apresentação da Semana de


Arte de 1922. A Semana de 22, em São Paulo, que era o centro econômico brasileiro da época, foi
marcada pela formação de um grupo de artistas que defendiam a implantação de uma nova linguagem
artística: o Modernismo. Tendência expressiva da Europa, esse grupo foi responsável por tirar o País de
um marasmo criativo nas artes. Assim, com a Semana de 22, iniciou-se no país o Modernismo, cuja
linguagem já vinha sendo trabalhada na Europa.

3.1 Dadá e Surrealismo: a libertação da racionalidade e a expressão do


subconsciente

A realidade da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e os estudos freudianos na psicanálise


formaram o cenário que trouxe à tona o debate sobre a fragilidade humana diante da complexidade
23
Unidade I

do universo. A cultura europeia começa a sofrer fortes críticas, e um movimento literário surge para
questionar a ciência, a filosofia e a religião.

O Surrealismo, que floresceu na Europa e nos Estados Unidos nos anos


1920 e 1930, começou como um movimento literário promovido por
seu padrinho, André Breton, e nasceu da livre associação e da análise
dos sonhos freudiana. Os poetas e, mais tarde, os pintores faziam
experiências com o automatismo – uma maneira de criar sem o controle
consciente – para despertar o imaginário inconsciente. O Surrealismo,
que implica ir além do realismo, buscava deliberadamente o bizarro e
o irracional para expressar verdades ocultas, incansáveis por meio da
lógica (STRICKLAND, 2004, p. 149).

As críticas tinham um teor satírico, questionavam os valores tradicionais da época e se preocupavam


com uma grande destruição que poderia assolar a Europa em contexto de guerra.

O nome Dadá origina-se da palavra infantil francesa que significa cavalo. Com os estudos freudianos,
o movimento dadaísta propôs romper com todas as barreiras do pensamento racionalista e, com isso,
libertar a arte e torná-la sem limites estéticos. Foi o poeta húngaro Tristan Tzara (1896-1963) quem deu
essa denominação ao movimento que originou o surrealismo.

Kurt Schwitters (1887-1948), utilizando materiais aleatórios encontrados nas ruas ou espaços
por onde transitava, respondeu à pergunta “O que é arte?”, que permeava os novos movimentos
artísticos com outra pergunta: “O que não é?”. Com isso, rompeu diversos paradigmas e criou obras
que usavam esses elementos diversos em combinações que ele intitulou de “merz”. Tinha como
objetivo dar à experiência artística a possibilidade de mergulhar nos parâmetros da imprevisibilidade.

André Breton (1896-1966), poeta e escritor, foi o principal líder do movimento que procurava
mostrar que a arte não precisa ser fruto da lógica. Por isso, as obras desse período tinham características
que mostravam um universo de sonho ou de alucinação.

Na pintura, as obras de Salvador Dalí (1904-1989) são as que melhor exploram esse universo; seus
traços têm muita precisão e riqueza de detalhes. Na peça Casal com as Cabeças Cheias de Nuvem,
podemos observar o alto realismo nos traços da paisagem na parte interna. Porém, o contexto geral
em que ela se apresenta não está pautado por essa lógica, especialmente o formato da moldura que
representa um casal. Encontramos essas características também na obra Descoberta da América por
Colombo. Outro exemplo emblemático é o quadro A Persistência da Memória, peça que com certeza é a
mais reconhecida pelo público.

24
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 10 – Casal com as Cabeças Cheias de Nuvem (1934), óleo sobre madeira de Salvador Dalí

Figura 11 – Descoberta da América por Colombo (1959), óleo sobre tela de Salvador Dalí

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Unidade I

Figura 12 – A Persistência da Memória (1931), óleo sobre tela de Salvador Dalí

Dalí foi um pintor espanhol que teve reconhecida fama por ser considerado de personalidade
excêntrica. As fotos de seus experimentos e seu estilo de vida são tão queridas por seus admiradores
quanto sua obra.

Observação

Recentemente, em 2014 e 2015, o Brasil recebeu algumas obras do


artista, que ficaram expostas no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB),
do Rio de Janeiro, e no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. O acervo
continha pinturas, esculturas e detalhes sobre a vida do pintor e foi recorde
de público em ambas as cidades.

Salvador Dalí não foi o único pintor que criou obras de grande expressão nesse movimento: temos
também Marc Chagall (1887-1985) e Joan Miró (1893-1983), cada um deles representando facetas
específicas do Surrealismo. O primeiro, a tendência figurativa com a obra Passeio, e o segundo, a abstrata,
com A Estrela da Manhã.

26
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 13 – Passeio (1917-1918), óleo sobre tela de Marc Chagall

Figura 14 – Estrela da manhã (1940), guache e pintura a essência de terebintina sobre papel de Joan Miró

27
Unidade I

Na cidade de Barcelona, encontramos a Fundação Joan Miró, inaugurada pelo próprio artista em
10 de junho de 1975. Miró tinha o desejo de que a fundação se tornasse um espaço onde artistas
contemporâneos pudessem divulgar suas obras. Em funcionamento até hoje, o espaço contém o acervo
do artista e suas esculturas disponíveis para visitação.

Outro artista importante que possui uma obra considerada inquietante é Giorgio de Chirico
(1888‑1978), pintor e escultor que conseguiu reproduzir uma de suas pinturas em uma escultura,
alcançando o mesmo resultado artístico e ampliando, assim, a percepção dos observadores. Ao reproduzir
as obras em bronze, o artista conseguiu dar vida às personagens da pintura. A crítica considera que sua
obra desperta o observador, quase como se fosse impossível não ser tocado pelo clima de mistério que
envolve as peças. Veja a seguir a obra As Musas Inquietantes.

Figura 15 – As Musas Inquietantes (1924), óleo Figura 16 – As Musas Inquietantes (1924), escultura
sobre tela de Giorgio de Chirico em bronze dourado de Giorgio de Chirico

Observação

Chirico já pintava imagens muito parecidas com pesadelos quinze anos


antes da existência do Surrealismo. O universo sinistro, a exploração de
espaços vazios que criam ar de suspense e mistério, até ameaçador, são
marcas da expressão desse artista em suas obras.

28
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Marx Ernst (1891-1976), pintor dadaísta e surrealista, explorou em sua obra a ambiguidade muito
comum nos títulos das obras do gênero. Ernst se denominava “a mãe macho da loucura metódica” e
descobriu desde cedo como produzir as suas obras: em um incidente com sarampo na infância, teve sua
primeira alucinação. Ele acreditava que era necessário apenas manter os olhos fixos até que sua mente
forjasse o universo da mesma forma como o viu quando ficou doente.

Dessas experiências surgiu o frottage, que consistia em usar superfícies ásperas de diferentes
materiais, como madeira, criando a lápis padrões que permitissem o surgimento das imagens.

Outro artista em destaque é René Magritte (1898-1967). Sua carreira se iniciou na área comercial,
pois atuava mais no campo da moda, desenhando anúncios e papéis de parede.

Em sua obra surrealista, a característica principal é a de um desenho incrivelmente realista, mas


mostrando em seus quadros universos absurdos e fantásticos, inserindo elementos comuns do cotidiano,
mesmo sem relação entre si.

Suas obras possuem um universo onírico, e as figuras representadas são justapostas de maneira
a provocar os nervos do observador, num clima que remete a um pesadelo, com uma enxurrada de
imagens desconexas.

Figura 17 – Rua de Erradias (1956), óleo sobre tela de Lasar Segall

O nascimento da arquitetura moderna

Com a chegada do século XIX, a arquitetura se ramificou em várias direções, e o movimento


modernista entrou com força nas construções. A arquitetura neoclássica ainda ganhava as grandes
construções, como os edifícios públicos, bibliotecas e prefeituras. Entretanto, com a chegada de

29
Unidade I

novos materiais, novas tecnologias, novas necessidades e um grupo de arquitetos de vanguarda,


novos estilos e formas inteiramente diferentes começaram a surgir nas pontes, praças, estações de
trens, fábricas e nos novos escritórios. Em Paris, surge a Art Noveau, com seus domos, arcos e ferros
distorcidos. Com a evolução dos elevadores, os arranha-céus começam a surgir, abandonando-se
os estilos romanos e gregos na arquitetura.

A partir da segunda metade do século XIX, com o aprimoramento do alumínio, cimento, vidro e
ferro, os prédios ganharam novas estruturas. A criação de materiais pré-fabricados também acelerou
o processo de construção e aumentou o tamanho dos prédios. Como exemplo podemos citar o Edifício
Cristal Palace, por Joseph Paxton (1801-1865), no ano de 1851. Em seguida, temos a Torre Eiffel,
construída em estrutura metálica por Alexandre Gustave Eiffel (1832-1923), em 1889, com 300 metros
de altura.

Na Cidade do Porto, em Portugal, Gustav Eiffel deixou também uma de suas obras, que por sua
magnitude tornou-se o cartão postal do local. A Ponte Dom Luís I foi construída entre 1881 e 1888,
ligando a Cidade do Porto à cidade de Vila Nova de Gaia, que fica do outro lado das margens do Rio
Douro. Foi inaugurada em 1886, sendo inicialmente apenas o tabuleiro superior e, em seguida, o inferior.
Os visitantes do mundo todo que passam diariamente por esse local podem apreciar o pôr do sol com
uma vista soberbamente privilegiada.

Nos EUA, a Art Noveau conseguiu transformar completamente todas as formas de construção. Ela
foi substituída por uma tendência que recebeu a denominação de racionalista somente entre 1929 e
1932, época de arranha-céus como o Empire State Building, com 102 andares e que foi, durante anos,
o maior do país.

De volta à Europa, mais precisamente na cidade de Weimar, na Alemanha, surge a Escola de Arte
Bauhaus, que acreditava no caráter social da arte e visava conciliar a arte com a indústria. Seu método
de ensino era pautado pela prática.

Walter Gropious (1883-1969), arquiteto alemão que criou essa escola, revolucionou a forma como
os itens utilitários do cotidiano e a arte em geral iriam se relacionar. A escola Bauhaus recebeu a
colaboração de muitos artistas plásticos.

A natureza também foi explorada de maneira a realçar a arquitetura. Podemos observar essa tendência
nas construções de Frank Lloyd Wright (1867-1959), que fundou o “organicismo”. Essa tendência permitia
ao arquiteto grande liberdade de criação, mas por ser mais eficaz em prédios de pequeno porte, suas
obras mais reconhecidas são residências como Fallingwater House (Casa da Cascata), construída na
Pensilvânia, em 1936.

Explorando diferentes formas de se construir, Wright foi o autor do Museu Guggenheim, em


Nova Iorque. Essa construção tem a forma de caracol, facilitando o trânsito dos visitantes, que têm a
possibilidade de subir de elevador e vir descendo pelas rampas para apreciar as obras de arte. O teto foi
projetado de maneira a absorver a iluminação externa, o que mostra a tendência do uso da natureza
para colaborar com o realce das obras.
30
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Saiba mais

Para conhecer melhor o museu Guggenheim e a obra do arquiteto Frank


Lloyd Wright, acesse o site do museu:

<http://www.guggenheim.org/new-york>.

Figura 18 – A Casa da Cascata (1936), projeto de Frank Lloyd Wright

Com o desenvolvimento do concreto armado, as estruturas pré-fabricadas foram aprimoradas. Hoje,


podemos observar prédios que possuem amplos espaços embaixo de suas estruturas, como o vão do
Museu de Arte Moderna de São Paulo – Masp.

O precursor dessa tendência foi o arquiteto Le Corbusier (1887-1965), uma grande influência para
Lúcio Costa e Oscar Niemeyer no projeto de Brasília, mudando completamente a concepção plástica da
construção moderna brasileira.

Oscar Niemeyer merece destaque, pois suas obras célebres representam alguns cartões-postais do
País. Dentre suas obras mais famosas, podemos citar: Conjunto Arquitetônico da Pampulha (1940), com
a Igreja de São Francisco, que recebeu a contribuição de Portinari na decoração externa e na interna;
Pavilhão Brasileiro da Feira Mundial de Nova Iorque (1939-1940); Conjunto do Ibirapuera, que contém
vários prédios, em São Paulo; em Brasília, Palácio dos Arcos, Teatro Nacional, Palácio da Alvorada, Palácio
do Planalto, Palácio da Justiça e Congresso Nacional.

Na cidade de São Paulo, existem diversos edifícios que simbolizam a arquitetura moderna. Um
deles é o Edifício Martinelli, considerado um arranha-céu, pois recebeu a influência das construções
31
Unidade I

norte‑americanas. Foi o primeiro do gênero na América Latina, com 130 metros de altura e 30 andares.
Até hoje é aberto para visitação gratuita, e, do alto, é possível ter uma visão ampla da cidade. Foi
projetado por Giuseppe Martinelli entre 1922 e 1929. Inicialmente, possuía um cinema, lojas e
residências, além de ter abrigado um hotel, o que era muito comum na época.

No Rio de Janeiro temos o exemplo do Conjunto Residencial de Pedregulho, que recebeu fortes
influências de Le Corbusier, contribuições de Cândido Portinari na criação de painéis e de Burle Marx nos
jardins. Esse edifício, projetado por Afonso Eduardo Reyd (1909-1964), foi construído com a intenção de
ser moradia de funcionários públicos de baixa renda.

No campo da escultura, com o aprimoramento dos novos materiais disponibilizados pela


industrialização, surgiram as seguintes tendências:

• construtivismo: explora o tema da mecanização que a industrialização proporcionou à vida moderna;

• abstracionismo: inspirada na cultura africana, utiliza a natureza como fonte e a valorização das
formas simples para romper com o paradigma da escultura como experiência visual, passando
para o sentido tátil com recursos diversificados, por exemplo, o brilho das obras;

• surrealismo: como a pintura, essa tendência nega a realidade. O espaço da escultura começa a
ser tão importante quanto a obra em si; a interação de observador, espaço e obra passa a ser
fortemente explorada com os recursos visuais e táteis.

Contudo, mesmo com o realismo em baixa pela Europa naquele período, na Rússia, com o
contexto de afirmação do socialismo como contraponto ao capitalismo, utilizou-se a arte como
forma de divulgar o estilo de vida soviético. Para isso, o realismo foi o ponto central para criar a
identificação das pessoas com a mensagem da obra. Esse recurso foi crucial para que o observador
tivesse uma compreensão imediata e, em geral, sentisse através dela o conceito do povo soviético
representado pelos heróis.

3.2 O Brasil e o Modernismo: a implantação de novas linguagens artísticas


a partir da Semana de 22

Quando as primeiras obras de artistas do modernismo chegaram ao Brasil, houve muitas divergências
entre os críticos da época, uns de linha conservadora e outros favoráveis ao movimento modernista.

As duas principais exposições que conectaram os brasileiros com o movimento modernista foram
de Lasar Segall, no ano de 1913, e de Anita Malfatti, em 1917. A segunda gerou maior reação e duras
críticas por parte dos artistas conservadores, que acreditavam na obra de arte como imutável e como
representação fiel da realidade.

Mário de Andrade contrapôs-se ao pensamento conservador e defendeu a liberdade artística de


criação de outras realidades que não só a realidade tal qual a conhecemos. Embora houvesse um
grande espaço de tempo entre uma crítica e outra, elas se consolidaram na Semana de Arte Moderna,
32
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

que ocorreu de 13 a 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo. Essa divergência de
pensamentos trouxe grandes reflexões acerca da arte e de seu papel social e mudou completamente a
forma de apreciá-la e interpretá-la.

A capa do catálogo da exposição foi concebida por Di Cavalcanti, e as informações contidas nele
propunham quão conservador era o espaço do teatro em contraposição às obras expostas. O Teatro
Municipal tinha cerca de dez anos de existência nessa época e tinha a função de ilustrar o avanço do
progresso do Brasil.

As obras de Lasar Segall (1891-1957) foram um marco e a maior influência do movimento


expressionista no Brasil. Nascido na Lituânia, ele desenvolveu sua arte na Alemanha e tinha como tema
os sentimentos humanos e suas complexidades, utilizando cores que destacavam o conceito. Como
exemplo, podemos citar Rua de Erradias, obra que se destaca pela expressão das personagens femininas.
Segall não ficou só no campo da pintura e estendeu sua arte à escultura em madeira, gesso e pedras.

Anita Malfatti (1889-1964), artista brasileira, nascida em São Paulo, cursou a Academia de
Belas Artes de Berlim, na Alemanha. Apesar de ter voltado ao país e feito sua primeira exposição
em 1914, foi a semana de Arte Moderna que a tornou reconhecida e gerou tanta reação nos artistas
favoráveis ao academicismo.

Malfatti recebeu apoio de muitos outros artistas que apreciavam a liberdade estética da arte. Com o
movimento, ela se tornou uma pintora que representava tudo o que havia de inovador e revolucionário
na forma de fazer arte no Brasil. As principais obras que geraram a reação conservadora foram Mulher
de Cabelos Verdes e O Amarelo. O uso das cores foi fortemente criticado por Monteiro Lobato, pois, como
os títulos sugerem, eram formas de representação totalmente fora dos padrões da realidade da época.

Figura 19 – Mulher de Cabelos Verdes (1915), óleo sobre tela de Anita Malfatti

33
Unidade I

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo (1897-1976), mais conhecido como Di


Cavalcanti, sofreu grandes influências sobre a forma de utilizar o recurso das cores e explorou
bastante essa técnica em seus quadros. Foi influenciado por artistas como Picasso, Matisse e Gauguin,
mas adquiriu um estilo próprio, e as figuras mais ressaltadas em suas pinturas são as mulheres, em
particular, a mulher brasileira e a sua diversidade.

Saiba mais

Di Cavalcanti não foi reconhecido só como pintor, mas também como


desenhista. Duas caricaturas famosas feitas por ele são do escritor Mário
de Andrade e da cantora norte-americana Josephine Baker, a primeira em
1928 e a segunda em 1929. No endereço a seguir, é possível encontrar essas
e outras caricaturas do artista:

BUENO, D. O ilustrador Di Cavalcanti. Sociedade dos Ilustradores


do Brasil, 24 set. 2012. Disponível em: <http://sib.org.br/coluna-sib/o-
ilustrador-di-cavalcanti/>. Acesso em: 8 jan. 2016.

Outro artista que apresentou suas obras na Semana de Arte Moderna foi Vicente do
Rego Monteiro (1899-1970). Em seus quadros predominavam formas geométricas. O pintor
conseguia, através do uso de linhas retas, transformar os corpos humanos, e, com isso, suas
figuras adquiriam volume.

Vicente é da cidade de Recife, em Pernambuco, e estudou na Europa com apenas 12 anos de idade.
Em Paris, mantinha atividades no Salão dos Independentes, ficando, por um tempo, com a vida dividida
entre os dois países, Brasil e França. Os temas de sua obra exploraram questões religiosas, o que deu uma
característica muito própria ao seu trabalho.

Com tanta riqueza cultural, a arte moderna foi se configurando no Brasil, como a antropofagia
na literatura de Mário de Andrade, inspirado na obra de Tarsila do Amaral, Abaporu, palavra
indígena para antropofágico. A artista, que não teve nenhuma de suas obras expostas na Semana
de Arte Moderna, conseguiu se unir a um grupo de artistas modernos, propondo que bebessem
da fonte europeia, mas que configurassem e incorporassem às suas obras as características e os
elementos da cultura brasileira.

34
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 20 – Abaporu (1928), óleo sobre tela de Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral se uniu a artistas como Picasso, De Chirico, Brancusi, entre outros, enquanto esteve
na Europa, além de ter contato também com o movimento impressionista. No Brasil, formou com Mário
de Andrade, Oswald Andrade e outros artistas um grupo chamado Klaxon, que envolvia vários tipos de
intelectuais da época.

Tarsila teve várias fases na pintura. Para uma delas deu o nome de “Pau-brasil”; utilizava cores como
rosa e azul, e os elementos que apareciam em suas obras eram relacionados a plantas tropicais e figuras
da cultura brasileira, como o caboclo e cidadezinhas bucólicas. Em seguida veio a fase antropofágica,
que já citamos. Depois de uma viagem aos países socialistas, suas obras ganharam forte caráter social,
como podemos observar na obra Os Operários, de 1933.

No campo da escultura moderna brasileira, Victor Brecheret (1894-1955) trouxe grandes mudanças
no formato de suas peças, pois trabalhava muito com objetos geometrizados e um pouco menos de
detalhes, o que dava certo volume às obras.

Estudou no Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo e depois na Europa. Na Itália, ganhou o primeiro
lugar da Exposição Nacional de Belas Artes. Entretanto, apesar do grande talento e prestígio do meio
artístico europeu, sua carreira de escultor demorou alguns anos para se fortalecer. Na cidade de São
Paulo, encontra-se uma de suas obras mais famosas: o Monumento às Bandeiras, que se tornou um dos
cartões-postais da cidade.
35
Unidade I

Nesse mesmo período, na América Latina, podemos citar a obra de Frida Kahlo, que, além de uma
pintora muito talentosa, foi uma grande figura feminina à frente de seu tempo e lutou contra o
conservadorismo de sua época. Suas obras tinham forte apelo pessoal. Casou-se com outro pintor, Diego
Rivera, mas sempre manteve sua autonomia.

Após a Semana de Arte Moderna, muitos artistas vieram marcar presença no cenário artístico e
tinham como prioridade dominar as técnicas para criarem suas obras com muita liberdade, retratando
a cultura brasileira de um modo diversificado.

Dentre eles, podemos citar Cândido Portinari (1903-1962), que estudou na Escola de Belas Artes e
viveu dois anos na Europa, tendo tido contato com obras de renascentistas italianos. Até então, suas
técnicas estavam relacionadas mais ao caráter conservador. Somente após retornar ao Brasil é que o
artista começou a criar sua identidade como pintor, com um estilo próprio, inclusive na arte mural. Seus
murais foram feitos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, e os temas de suas obras eram bem
diversificados, desde aspectos da infância até retirantes da seca no nordeste brasileiro, como no painel
Retirantes, que se tornou uma de suas peças mais conhecidas.

Figura 21 – Retirantes (1944), painel de Cândido Portinari

Aspectos da vida cotidiana, elementos de forte cunho histórico e social, bem como o modo de
trabalho rural, muito típicos da sua terra natal Brodósqui, estão presentes na sua obra.

Outro membro do grupo desses novos artistas é Bruno Giorgi (1905-1993), nascido no interior do
estado de São Paulo. Quando retornou da Europa, onde viveu durante muitos anos, tornou-se amigo de
36
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Mário de Andrade, que estava engajado no movimento modernista. Suas esculturas foram inicialmente
feitas em granito e depois bronze. As formas tinham visível influência dos traços modernos.

Cícero Dias (1907-2003) era pernambucano e, apesar de ter cursado a escola de Belas Artes do
Rio de Janeiro, abandonou a academia para buscar seu estilo próprio de pintar. Também teve a
experiência de viver no exterior, onde teve contato com artistas do surrealismo, diversificando a forma
de representar suas obras. Na sua juventude costumava retratar o cotidiano da vida no Nordeste com
uma simplicidade que chegava a ser sua marca registrada, com o uso de tons azuis e vermelhos
predominando em suas obras.

No Rio de Janeiro, em 1931, surgiram mais grupos que desejavam contestar a arte conservadora
tradicionalista, denominados “Núcleo Bernardelli”. Esse nome homenageava os irmãos Rodolfo e
Henrique Bernardelli, que atuaram no século XIX pela mudança do cenário da arte no Brasil.

Desse grupo, os principais artistas que o compunham eram José Pancetti (1902-1958), Milton
Dacosta (1915-1988) e Ado Malagoli (1906-1994).

Em São Paulo, surgiu o grupo denominado Sociedade Pró-Arte Moderna – Spam, composto por Lasar
Segall (1891-1957), Tarsila do Amaral (1886-1973), Anita Malfatti (1889-1964), entre outros. Esse grupo
abriu caminho não só para artistas brasileiros como para a chegada das obras de artistas estrangeiros
como Pablo Picasso e De Chirico, entre outros, e ainda se tornou espaço para exposição das obras de
seus membros.

Nos anos posteriores ao da Semana de Arte Moderna de São Paulo, os artistas Di Cavalcanti
(1897‑1976), Carlos Prado (1908-1992) e Flávio de Carvalho (1899-1973) também criaram um
grupo, chamado Clube dos Artistas Modernos (CAM), que ampliou as atividades dos artistas para
conferências, concertos musicais e apresentações de peças teatrais.

Ainda em São Paulo, no Edifício Santa Helena, em 1930, dois trabalhadores tinham seus
escritórios comerciais em salas próximas e acabaram se conhecendo: Rebolo Gonzales, que era
pintor de paredes, e Mário Zanini (1907-1971), artesão. O local era frequentado por trabalhadores
que apreciavam arte, e alguns tiveram suas obras reconhecidas, como Alfredo Volpi (1896‑1988), que
também era pintor de paredes.

Volpi era italiano e veio criança para o Brasil. O artista tinha muitas profissões, como carpinteiro,
pintor de paredes e encanador, mas desde pequeno já fazia informalmente suas pinturas com cavalete,
ganhando reconhecimento somente após ingressar no Grupo Santa Helena.

A denominada arte mural remonta aos tempos do Egito antigo e tinha a função de propagar as
questões políticas e religiosas, por exemplo. Já na Grécia antiga, chegaram a utilizar essa forma de arte
para satirizar a política e a religião.

A arte muralista teve grandes representações em todo o mundo. No México, por exemplo, alguns
nomes são muito conhecidos, como David Alfaro Siqueiros (1896-1974), Diego Rivera (1886-1957) e José
37
Unidade I

Clemente Orozco (1883-1949). Siqueiros era conhecido por sua arte de cunho altamente revolucionário
e sempre relacionada a temas sociais e políticos.

Ademir Martins (1922-2006), desde muito jovem, desejava renovar a forma de fazer arte em sua
terra natal, o Ceará. Em um grupo com vários outros artistas na cidade de São Paulo, em 1947, faziam
exposições coletivas. Embora trabalhassem juntos, cada artista tinha um estilo próprio.

O regionalismo estava muito presente em sua obra, e as personagens desse universo, como os animais
da região, sempre eram retratadas, tornando-se sua marca registrada. Muitos de seus desenhos foram
gravados em itens utilitários do dia a dia como copos, jarras, pratos etc.

Após o movimento modernista no Brasil, surgiu um grupo que valorizava todos os elementos
originários da cultura nacional, denominado Artistas Primitivos. Esse grupo de jovens artistas autodidatas
criava um universo poético em suas produções.

Entre os nomes dos artistas desse grupo, estão Heitor dos Prazeres (1898-1966), Djanira da Motta e
Silva (1914-1979) e Mestre Vitalino (1909-1963).

O mais expressivo é o trabalho com cerâmica de Mestre Vitalino: além de ser uma referência
para o movimento dos artistas primitivos, é influência no artesanato nordestino. Vitalino
inicialmente pintava suas peças, mas posteriormente passou a deixá-las em seu estado natural
com cor do barro, e os temas de sua obra estão fortemente ligados ao Estado de Pernambuco e
denotam o estilo de vida local com personagens típicos, como vaqueiros, cangaceiros e retirantes
da seca.

No mesmo período, em Cuba, alguns artistas tinham traços muito semelhantes aos das obras
brasileiras produzidas. Artistas como Jorge Arché, Victor Manuel García e René Portocarrero são alguns
que mostram essas características em comum em algumas de suas obras.

Saiba mais

Para aprofundar seus estudos sobre os artistas regionalistas do


pós‑movimento modernista, leia “Os artistas primitivos do Brasil”, em:

PROENÇA, G. História da arte. São Paulo: Ática, 2009.

4 PÓS-MODERNISMO: A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL COMO O DIVISOR DE


ÁGUAS DA ARTE MODERNA

Com o término da Segunda Guerra Mundial, novas tendências foram surgindo no interior das
lutas sociais, buscando melhorar as condições de vida destruídas no período de conflito. As economias
europeia e norte-americana fortaleceram-se, pois os meios de produção estavam a todo vapor.
38
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Nesse contexto histórico surge a Op Art (optical art), ou arte óptica. Sua principal função é explorar
as sensações de movimento com o uso de formas geométricas e cores monocromáticas.

Os principais artistas dessa tendência são o húngaro Victor Vasarely (1908-1997), que estudou em
Budapeste e teve contato com o movimento Bauhaus, e a inglesa Bridget Riley (1931), com um estilo
considerado semi-impressionista.

O artista Alexander Calder (1898-1976) mantinha estritas relações com o Brasil e era
conhecido por fazer festas de samba em seu estúdio nos Estados Unidos. Calder trabalhou com
a ideia de movimento da Op Art, com móbiles manipulados pelos próprios observadores que
interagiam com sua obra. Posteriormente, utilizou a suspensão para deixar que o ar tivesse a
função de manipular os objetos.

Nos Estados Unidos, em 1960, um movimento se propôs a transformar a vida cotidiana em arte e
fazer que não houvesse distinção entre ambas. Esse movimento vem da expressão inglesa Pop Art, ou
Arte Popular.

A produção da época foi importante para o movimento, pois os artistas utilizavam muito os recursos
da televisão, do cinema e das propagandas, comuns nos meios de comunicação em massa.

Esse retorno aos temas pictóricos figurativos estava longe de ser


um retorno à tradição. A arte pop elevou a ícones os mais crassos
objetos de consumo, como hambúrgueres, louça sanitária, cortadores
de grama, estojos de batom, pilha de espaguete e celebridades como
Elvis Presley. “Não há motivo para não considerar o mundo um grande
quadro”, disse Rauschemberg. Os artistas pop também faziam arte
impessoal, reproduzindo garrafas de Coca-Cola ou caixas de sabão em
pó num estilo anônimo, lustroso como em um impresso. Com espírito
bem-humorado, a nova arte apagava a pretensão da pintura de ação
(STRICKLAND, 2004, p. 174).

O grande símbolo que está no inconsciente coletivo, quando se fala dessa tendência artística, é
a obra que utiliza o rosto da atriz americana Marilyn Monroe, atriz de muito sucesso em Hollywood
na época.

Marilyn Monroe, de Andy Warhol (1928-1987), com certeza representa a mensagem dos artistas da
Pop Art: o ser humano, que se transforma em uma celebridade, torna-se um produto a ser consumido
pela massa. Nos dias atuais, a atriz é considerada um ícone pop e é reconhecida como uma estrela
mesmo anos após a sua morte, em 1962.

39
Unidade I

Figura 22 – Marilyn Monroe (1967), serigrafia de Andy Warhol

O universo de propagandas, quadrinhos e anúncios se mistura na obra de Roy Lichtenstein


(1923‑1997). O artista se inspirou nas formas de impressão do século XIX, utilizando os pontilhados, que
foram sumindo conforme aprimoraram-se as técnicas de impressão. As figuras preenchidas por pontos
tornaram-se sua marca registrada.

Como podemos observar na obra The Melody Hunts My Reverie, o artista não só utiliza o recurso
dos pontos para preencher a face da personagem, como também o balão com a frase transcrita, típico
dos quadrinhos.

Figura 23 – A Melodia Persegue minha Fantasia (1965), tela de seda de Roy Lichtenstein

40
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Outro quadro com base em uma propaganda feito pelo artista chama-se Moça com Bola, inspirado
num anúncio real, em que alguns detalhes originais foram mantidos, como a cor escura do maiô da
personagem e a posição dos braços ao segurar a bola. Contudo, quando se observa a obra, a primeira
ideia que se tem é a de um desenho de história em quadrinhos.

Assim, diante de tanta atividade artística rompendo com os padrões tradicionais de se produzir arte,
o movimento passou a ser questionado.

Joseph Beuys, artista plástico alemão, produziu vários tipos de sentimentos em sua obra controversa
e provocativa chamada Como se Explicam Quadros a uma Lebre Morta, de 1965. Trata-se de uma
fotografia em que o artista questiona sobre como é inútil explicar quadros a qualquer pessoa.

Figura 24 – Como se Explicam Quadros a uma Lebre Morta (1965), fotografia de Joseph Beuys

Com artistas como Beuys se inicia o questionamento sobre o que é arte e sobre a necessidade de
conservá-la em local propício, como um museu ou uma galeria. Passa-se a questionar onde a arte de
fato acontece e se somente as peças que estão nesses locais podem ser consideradas como tal.

Duchamp (1887-1968) comprou um típico vaso sanitário de banheiro masculino, colocou a data
1917, assinou como R. Mutt e enviou para uma exposição. Com isso, ele influenciou outros artistas, que
começaram a utilizar objetos industrializados em suas composições.

A exposição de um objeto industrializado fora de seu local comum, para ser observado de forma
diferente e até mesmo sob aspectos variados, passou a constituir uma tendência a que se deu o nome
de ready-made.

41
Unidade I

Outro artista que buscou elementos industrializados para suas composições foi David Schmidt
(1906-1965). Metalúrgico de profissão, ele desenvolveu a ideia de movimento e equilíbrio a partir de
objetos conectados.

Com o avanço do capitalismo industrial e das novas tecnologias de produção em massa, ficou claro
que os objetos produzidos em larga escala não seriam considerados obras de arte, mesmo que um ou
outro fosse utilizado isoladamente numa composição artística. A multiplicidade de cópias produzidas
pelas máquinas de um mesmo objeto é que o caracteriza como não sendo uma obra de arte.

Joseph Beuys, com sua obra Terno de Feltro, pendura um terno comum em um cabide e o leva para
a exposição. O tecido de feltro provoca sensações táteis no observador, com a ideia de tranquilidade e
segurança. Explorar esses conceitos foi além dos objetos industriais e passou também pela pintura.

Observação

Joseph Beuys foi um dos precursores de uma tendência de vanguarda


intitulada Work in Progress. Seus adeptos utilizavam o recurso da
performance para apresentar seus trabalhos, com a mescla de diferentes
formas de representação, como teatro, artes plásticas, música e videoarte,
entre outros. Os nomes mais significativos desse gênero são Beuys, Robert
Wilson e Gerald Thomas.

O tema Solidão foi retratado por diversas vezes pelo artista Edward Hopper (1882-1967). A sua obra
mais emblemática é uma pintura de diversos personagens sentados em cadeiras de sol: fica nítido que
eles compartilham o mesmo espaço, mas sem nenhuma interação entre si.

O artista Frank Stella (1936) propõe uma forma diferente de sustentar um quadro que não seja por
cavalete. A ausência da superfície foi substituída por uma grade que dá a sustentação, e os vãos entre a
pintura nos permitem visualizar a parede onde a obra está apoiada.

A partir do século XX, vivemos num contexto histórico ímpar, com avanços científicos e tecnológicos
impressionantes, que rapidamente influenciam o ambiente humano.

Nesse contexto, os grandes movimentos artísticos que duram anos e são seguidos pelos artistas
contemporâneos passam a ser substituídos por uma série de movimentos convivendo entre si e
mostrando a aceitação da diversidade. Com isso, percebemos o rompimento concreto do que pode ser
considerado arte, e as diferentes tendências passam a coexistir e dialogar umas com as outras.

O Pós-Modernismo surge depois dos anos 1960. As tendências pós-modernas perpassam pelos
conceitos de questionamento da arte pela própria arte, e a definição dos movimentos se torna cada vez
mais complexa. Podemos citar a Arte Conceitual, o Happening, a Arte de Computador, a Minimal Art e
a Body Art, que surgiram tanto na Europa como nos Estados Unidos no final da década de 1960 e início
de 1970.
42
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Esses movimentos vão além das artes plásticas, incorporando outras formas de expressão artísticas,
como cinema, teatro, literatura, música e até as questões políticas.

As obras não são um objeto único a ser apreciado, mas um conjunto de elementos e atividades
interagindo entre si, permitindo até que os artistas improvisem nos espaços de exposição.

Com os avanços tecnológicos dos sistemas de computação, a própria arte vai incorporar as
possibilidades e os potenciais artísticos que a informática pode proporcionar: desde a substituição de
pincéis e tintas por dispositivos de luz e sons até a reprodução visual de elementos nos espaços onde
esculturas, ou até mesmo pinturas, estejam expostas e interagindo.

Essas novas linguagens se tornam verdadeiros espetáculos, proporcionando vários tipos de


sensações e formas de comunicação com os observadores, que, em alguns casos, deixam de ser meros
observadores e interagem com as obras. Tais linguagens revelam que a arte incorpora as formas de
vida, relacionando-se com a tecnologia nos tempos atuais.

A obra Caveira, do pintor Jean Michel Basquiat (1960-1988), apresenta a aparência de um grafite
que poderia ter sido feito nas ruas de qualquer cidade. Tem a proposta de trazer a diversidade artística,
reconhecendo que as obras de arte podem representar o espírito das ruas sem necessariamente
estarem em um museu. Esse artista expressa bem em seu traço a arte das ruas da cidade cosmopolita
de Nova Iorque.

Anselm Kiefer (1945), artista alemão, explora diferentes materiais em sua obra, como fotografia,
chumbo e até mesmo palha. Sua obra Canção de Wayland, de 1982, expressa a preocupação com
os efeitos da Segunda Guerra Mundial. A contextualização histórica e política se torna necessária
para compreender a obra. A Alemanha sofreu grandes transformações com os impactos da guerra
e a compreensão da realidade da fragilidade humana diante dos conflitos se torna tema das peças
do artista.

Outra obra relativa às questões políticas permeando o tema e a compreensão da mensagem do


autor é do japonês Hiroshi Sugito, cuja forma de representação se aproxima do abstracionismo e tem
um clima de sonho.

O pintor belga Luc Tuymans (1958) recriou em suas pinturas efeitos do cinema, que se torna uma
influência latente em suas obras. Exemplo disso é a obra Diagnostische Blick, de 1992, na qual vemos
um close-up de um rosto pintado a óleo.

A utilização das técnicas de serigrafia e de diferentes materiais está presente na obra de Steven
Sorman (1948). As cores são passadas para tela através da pressão empregada pelo artista. Para que
as cores não se misturem, ele precisa criar máscaras e aplicá-las individualmente. A técnica pode ser
empregada em tecido, madeira ou papel e surgiu inicialmente no século XX para estampar tecidos.

O sul-africano Willian Kentridge (1955) também trabalhou com diversas técnicas de gravura.
Em sua região é o mais importante no gênero. Teve obras expostas na 24ª Bienal de São Paulo e um
43
Unidade I

vídeo produzido pela Associação Videobrasil, com o título Certas Dúvidas de Willian, dirigido por Alex
Gabassi, em 2000.

Os museus não serão descartados pelos artistas Pós-modernos, embora conseguissem ampliar o
espaço expositivo para além das galerias. O museu precisa ser valorizado e reconhecido como um espaço
importante para preservação das obras de arte no mundo; com programações e atividades culturais
constantes, ele não pode ser considerado um local onde se depositam artefatos do passado. Suas peças
estão em constante diálogo com passado e presente, pois obras de arte revelam um tempo histórico e
não perdem seu significado.

Podemos citar como principais museus do mundo: Museu do Vaticano, em Roma; Prado, em Madri;
Louvre, na França; Museu Britânico, na Inglaterra; Galeria Nacional, em Washington; Museu Egípcio, no
Cairo; Museu de Arte Moderna e Metropolitan Museum, em Nova Iorque; Museu Hermitage, em São
Petersburgo; e o Museu Nacional de Antropologia, no México. Estes, entre tantos outros museus em
diversos países, preservam as preciosidades produzidas pelo homem ao longo da história da humanidade.

Na modernidade, levantou-se a seguinte questão: as obras de arte contidas nos museus pertencem a
quem? Pergunta pertinente, já que muitas delas foram trazidas aos museus por motivos de colonização,
furto ou até mesmo vendas e negociatas. As obras pertenceriam ao país de origem? Alguns profissionais
defendem que o fato de as obras estarem espalhadas pelo mundo pode facilitar o acesso a elas. Do
contrário, se estivessem todas reunidas no país de origem, isso não permitiria que diversas culturas
pudessem apreciá-las.

Longe de ter um fim, esse debate persistirá, já que todos os países detêm alguma obra de outro, o
que pode ser considerado riqueza cultural.

4.1 A fotografia, o cinema e a arquitetura pós-moderna

Com o progresso tecnológico, duas formas de expressar arte ganham força, alterando seu conceito
e o modo de se relacionar com ela.

O cinema teve sua primeira exibição pelos irmãos Lumière, em 1895. A fotografia teve seus
primórdios em 1826, com Niépce, e a invenção dos daguerreótipos em 1839. Daguerreótipo, do francês
daguerréotype, foi o primeiro processo fotográfico da história. A fragilidade do material e os custos para
mantê-lo sem oxidação fez que fosse rapidamente substituído.

Na fotografia, o artista não precisa utilizar as mesmas técnicas de um pintor para capturar uma
imagem. Ela não é feita artesanalmente, mas ele precisará de inúmeras outras habilidades para capturar
o momento, absorvendo seus conhecimentos de propagação de luz e sombras, assim como o pintor.

Henri Cartier-Bresson (1908-2004) acredita que um fotógrafo tenha de estar atento ao momento único. Suas
fotografias mais emblemáticas são a de um homem saltando de uma poça d’água e de um casal se beijando em um
café. Momentos que são tão rápidos quanto o piscar de olhos e que, se o fotógrafo não estiver atento ao mundo que
o rodeia e ao potencial de cada instante, poderá perder uma grande imagem. A imagem se torna imutável ao ser
44
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

traduzida na fotografia, como um momento único, muito difícil de se recompor novamente. Bresson chamará esse
momento de “momento decisivo”. Estar atento permite que o artista saiba reconhecê-lo e, dependendo do caso, até
prever quando esse momento se dará.

Barbara Kruger expressou sua arte por meio da fotografia, expandindo-a para as instalações, para
a escultura e também para os vídeos. Seu conteúdo questiona os modos de vida da modernidade e o
consumismo desenfreado. Suas fotografias, na maioria em preto e branco, intercalam uma mescla de
frases com as imagens para provocar os observadores.

Dorothea Lange (1895-1965), com a crise de 1929, dedicou seu trabalho a registrar os estragos
causados pelo período da Grande Depressão. Sua obra resultou em fotografias muito fortes, com alto
apelo social, revelando a fragilidade humana diante de um mundo que enfrentava grandes conflitos
e que estava imerso na incerteza de um futuro melhor. Exemplo dessas características é a obra Mãe
Migrante, uma das mais emblemáticas da artista.

Figura 25 – Mãe Migrante (1936), fotografia de Dorothea Lange

Com suas fotografias, Lange obrigou o povo americano a olhar para as pessoas mais pobres atingidas
pela crise. O impacto dessas imagens provocou a reflexão sobre a situação do país naquele momento.

Poucos artistas se dedicaram a obras de cunho social em forma de protesto, pois os possíveis
compradores dificilmente teriam interesse por esse tema. Temos aqui uma lista com os nomes de alguns
dos artistas que propuseram reflexões sociais através de suas obras: Francisco de Goya, com a pintura
Três de Maio de 1808; Honoré Daumier, com Rue Transnonain, 15 de abril de 1834; Pablo Picasso, com
Guernica; e Anselm Kiefer, que denunciou os horrores do holocausto.

No cinema, com a produção de filmes em larga escala, não é possível prever qual público terá
contato com a obra e quais as reações que ela provocará.
45
Unidade I

O avanço das tecnologias de captura de imagens em vídeo também foi moldando ao longo dos anos
os tipos de cena que podem ser reproduzidos e os diferentes estilos para capturá-las.

O cinema, sem dúvida, representa a principal arte moldada pela vida moderna, pois sua produção
em larga escala tem altos custos. Contudo, ao ser vendida para o grande público, seus custos devem ser
acessíveis para atingir o maior número de pessoas possível. Esse caráter faz do cinema a arte que mais
se aproxima do processo de industrialização.

Saiba mais
Como exemplo latente do quanto as tecnologias interferem na forma
de capturar as cenas, podemos citar o filme 300 de Esparta, de 2006. O
ator brasileiro Rodrigo Santoro, além de estar com uma maquiagem que
modificou completamente sua aparência real, a maior parte do tempo,
contracenou com um estúdio vazio. Ele seguia apenas as orientações do
diretor. Todos os cenários e cenas que compõem o filme nas aparições desse
personagem foram feitos por computação gráfica.
300. Dir. Zack Snyder. EUA: Warner Bros. Pictures, 2006. 117 min.

Desde a primeira sessão aberta de cinema, em 1895, ficou claro que esta seria uma arte burguesa.
Na ocasião, os espectadores viram a cena clássica do trem que foi filmado num ângulo que o fez parecer
invadir a tela, assustando o público. Não era esse o resultado esperado, já que os presentes já haviam
andado de trem e a imagem não tinha som e era em preto e branco. Contudo, o que causou espanto
nos expectadores foi o fator ilusão. Esse conceito tem sido fundamental para o sucesso dessa arte que
perdura até os dias atuais, mesmo quando produzida em escala industrial.

A videoarte é uma linguagem originária do cinema e guarda com ele suas semelhanças, mas não
pode ser confundida com programas de televisão nem com cinema experimental. Nascida no ano
1960, suas técnicas foram se desenvolvendo, ficaram em alta e depois foram abandonadas. Com os
Happennings, a videoarte tem sido muito utilizada nas instalações de artes plásticas, com vídeos que
visam complementar ou até mesmo contestar a própria arte ou a política. O fato é que, com o acesso
mais facilitado aos equipamentos de vídeo, tornou-se possível o surgimento cada vez mais frequente
de vídeos independentes.

Esses elementos permitiram uma maior integração dos observadores com a instalação, e, muitas
vezes, o movimento das pessoas permeando o espaço faz do observador parte da obra.

Os principais nomes do videoarte são: Joseph Beuys, Vito Acconci, Wolf Vostell e o coreano Nam
June Paik, entre outros, precursores ao utilizarem esse recurso nos trabalhos artísticos.

Outro movimento que passa a se desenvolver é o das histórias em quadrinhos. Apesar de já haver
durante muitos anos a literatura com ilustrações, a utilização do formato de quadrinhos remonta ao
ano de 1930.
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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

O primeiro personagem no formato de quadrinhos é Yellow Kid, criado por Richard F. Outcault
(1863-1928) nos Estados Unidos. Após seu surgimento, tornaram-se comuns as tirinhas de jornal que
mostravam histórias curtas do referido personagem.

Flash Gordon foi o primeiro personagem reconhecido como ícone das histórias em quadrinhos e
criado por Alex Raymond em 1934. Tarzan, que já foi adaptado para filmes e desenho animado de
longa metragem, foi criado por Edgar Rice Burroughs (1937). Em ambos vemos formas bem diferentes
de estética para o traço do desenho: no caso de Tarzan, exige-se muito mais vigor para dar ideia de
movimento; em Flash Gordon, as linhas tracejadas dão ideia de preenchimento de sombreado. Ambas
influenciaram os criadores de história em quadrinhos no mundo todo.

Além desses, outros personagens se tornaram muito famosos: Batman, Superman, Fantasma e, no
segmento infantojuvenil, Tintin, Gato Felix e Pato Donald, que foram para as telas de cinema ou para a
televisão e hoje fazem parte da cultura de crianças, jovens e adultos.

Art Spiegelman (1948), criador de quadrinhos, ganhou uma exposição no Museu de Arte Moderna
com a série Maus, que conta a história de seus genitores presos nos campos de concentração e
sobreviventes da Segunda Guerra Mundial.

Frank Miller (1957) tem dois trabalhos em destaque: Batman – O Cavaleiro das Trevas e Sin City, cuja
adaptação para o cinema foi feita por Robert Rodriguez e trouxe elementos dos quadrinhos em efeitos
especiais no filme.

O japonês Katsuhiro Otomo (1954) se tornou conhecido pela personagem Akira e por produzir filmes
de animação e mangás, nos quais suas histórias retratam o Japão do pós-guerra já muito modernizado.

Nos mangás, em geral, as histórias são longas, e os quadrinhos não são lineares como os quadrinhos
do Ocidente, que geralmente têm o mesmo número de quadros por página. De acordo com o destaque
da cena, os quadrinhos variam e podem até chegar a ocupar uma página inteira.

O nascimento da arquitetura contemporânea

Nos anos de 1970 e 1980, vários movimentos tentavam mostrar que os estilos modernistas do
Bauhaus estavam ultrapassados. Assim, começaram a se multiplicar na Espanha os prédios com modelos
internacionais e suas folhas de vidro e grades. Espalharam-se de tal forma que, nos anos 1990, já
eram sinônimos de vanguarda dos quartéis-generais das empresas e corporações do mundo todo. Cai o
Modernismo, e, dentro do Pós-Modernismo, nasce a arquitetura contemporânea.

A arquitetura contemporânea é marcada por prédios cada vez mais arrojados, cumprindo mais que
a simples função de destacar uma beleza, mas também de possuir uma funcionalidade que permita o
acesso por todas as pessoas e a preservação dos objetos ali contidos.

Para melhor ilustrar, vamos passear por várias joias arquitetônicas conhecidas não só por sua beleza,
mas também pela estrutura funcional que facilita os acessos.
47
Unidade I

Exemplo de prédio que se tornou o símbolo de uma cidade é o Teatro de Ópera de Sidney. Esse prédio,
que nos lembra o formato de um barco à vela, foi projetado por Jörn Utzon (1918-2008) e construído
entre 1957 e 1973, com várias salas de espetáculo. Suas estruturas em vidro permitem que a luz externa
seja projetada no ambiente para deixá-lo mais agradável.

O Centro Pompidou tem a função plena de um prédio projetado para abrigar eventos culturais, como
apresentações de teatro, instalações e exposições de artes plásticas. Sua estrutura metálica com vidro
permite a entrada de luz externa e a integração entre o ambiente interno e o externo. Foi inaugurado
em 1977, na cidade de Paris, França, e projetado por dois arquitetos Richard Rogers e Renzo Piano.

O Museu Guggenheim Bilbao merece destaque: projetado por Frank O. Gehry (1929), foi construído
entre 1991 e 1997 na cidade espanhola de Bilbao. Sua estrutura tem características que o tornam muito
especial. Sua estrutura externa é composta de formas metálicas curvas e retas. A princípio, chega a
causar certa estranheza, considerando que, para o espectador, trata-se de um edifício, e não de uma
escultura, em especial porque não é possível encontrar linhas simétricas. Áreas envidraçadas enriquecem
o espaço interno com a luz natural. O museu tornou-se um símbolo que pode ser visto de diferentes
pontos da cidade.

Figura 26 – Museu Guggenheim Bilbao, projetado pelo arquiteto Frank O. Gehry


e construído entre 1991 e 1997, em Bilbao, na Espanha

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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Outro espaço que também possui aberturas no teto para captar a luz natural é o Museu de Arte
Romana, projetado por Rafael Moneo (1937) e construído em Mérida, entre 1980 e 1984, na Espanha.
Todas as alamedas que conduzem os visitantes para as obras de arte são como passarelas, e estão
descobertos os tijolos que compõem a estrutura das paredes. Os arcos do edifício trazem forte referência
aos arcos romanos.

Um escritório suíço de arquitetura construiu, em 2000, um museu que tem a função de guardar
obras de arte moderna, especificamente uma coleção britânica. Esse projeto visava modernizar um
edifício antigo na cidade londrina, chamado Bankside Power Station. Atualmente chamado de Museu
Tate Modern, foi projetado pelo escritório Herzog e De Meuron, mantendo várias partes do prédio
antigo, como a chaminé. Com a colaboração do artista Michael Craig-Martin, recebeu uma iluminação
especial que foi intitulada “luz suíça”, tornando-se o símbolo do museu. Seu espaço amplo permite a
exposição de esculturas de grande porte.

Em Portugal, Álvaro Siza (1933) é um arquiteto muito celebrado por suas obras. Siza é conhecido por
conceber suas obras com o que há de mais moderno. Exemplo típico é a Igreja de Santa Maria, construída
entre 1990 e 1996, na cidade de Marco de Canavezes. Tanto a igreja quanto o centro paroquial são
referências arquitetônicas, pois coexistem harmoniosamente, no mesmo espaço, o passado e o presente,
o tradicional e o novo.

Saiba mais

Para conhecer outros trabalhos e um pouco mais da vida desse renomado


arquiteto português, acesse:

<http://alvarosizavieira.com>.

No Japão, Toyo Ito (1941), é responsável pelo Centro Cultural Sendai Mediateque, projetado na
cidade de Sendai. Esse espaço abriga diversos tipos de manifestações culturais, como shows, projeção de
filmes, apresentações teatrais, conferências e salas de reunião e espaço interativo com acesso à internet,
biblioteca e um acervo de CDs.

4.2 O Brasil no pós-modernismo e a arquitetura contemporânea

Com a saída do Modernismo e as transformações do Pós-moderno, com a entrada do conceito


contemporâneo, experimentamos um florescente período democrático, que deu às artes um novo vigor.
A arte brasileira começa a ter contato com o Abstracionismo e com o Concretismo, e a relação com o
espaço onde as obras estão expostas começa a mudar. Iniciam-se as instalações artísticas e a utilização
de recursos de outras áreas das artes para compor uma obra mais refrescante e nova.

Tomie Ohtake (1913-2015), embora tenha começado na pintura, em 1952, dedicou-se também à
gravura e à escultura. Nasceu no Japão e veio para o Brasil ainda muito jovem. Suas obras contêm
49
Unidade I

grande valor pictórico, mas não têm a pretensão de questionar a realidade social; elas são abstratas, mas
o foco está relacionado a cores e composição. O Monumento aos 80 Anos da Imigração Japonesa é uma
das obras mais famosas de Ohtake e está no bairro japonês da Liberdade, em São Paulo.

O Instituto Tomie Ohtake, também em São Paulo, tem proporcionado aos cidadãos muitos momentos
artísticos excepcionais. Como exemplo, em 2015, abrigou a exposição de Salvador Dalí.

Manabu Mabe (1924-1997), também japonês, veio para o Brasil com apenas 10 anos de idade, e suas
primeiras representações começaram a surgir em 1940. Assim como Ohtake, Mabe tinha forte tendência
para o abstracionismo e trabalhava as cores e composições. Outra característica de sua obra, além das
cores vivas, são as pinceladas que lhe conferem maior expressividade e a tornam instigante.

Concretismo

Oriundo da expressão “arte concreta”, o Concretismo era considerado uma evolução do abstracionismo.
Essa expressão foi primeiro utilizada pelo artista holandês Theo van Doesburg (1883‑1931). Para
Doesburg, todo animal ou elemento natural que seja pintado torna-se uma abstração, e a expressão
“arte abstrata” veio para denominar a arte não figurativa.

Posteriormente, Max Bill (1908-1994), artista suíço, passa a usar a expressão arte concreta de forma
a associar uma obra construída de forma objetiva.

É importante destacar que, em 20 de outubro de 1951, foi criada a 1ª Bienal Internacional de São
Paulo, em um pavilhão na Avenida Paulista, que depois viria a ser transformar no Museu de Arte de São
Paulo. O evento reuniu 1.854 obras, representando 23 países. A iniciativa do Museu de Arte Moderna
(MAM) foi inspirada na Bienal de Veneza, tendo como mentor o industrial Francisco Matarazzo Sobrinho,
que era de origem italiana. Essa iniciativa foi decisiva para colocar o Brasil no circuito internacional dos
grandes eventos de arte.

Sem dúvida a Bienal também foi importante para influenciar artistas nacionais perante as formas e
concepções que os artistas internacionais propunham.

Destacamos, como representantes dessa “nova ótica”, Lygia Clark (1920-1988) e Hélio Oiticica
(1937‑1980), que, além de terem obras importantes, influenciaram outros artistas.

Lygia Clark criou o conceito do não objeto, pois não definia suas obras como quadro, escultura ou um
objeto de utilidade doméstica. A artista desconstruiu a forma como uma pintura pode ser representada
ao agir sobre a obra fora de seus limites moldurais e transformá-la em algo novo.

Hélio Oiticica ficou conhecido por questionar o espaço onde as obras serão construídas e sua
relação com a sociedade. Sua obra questiona o cotidiano, o homem, seu espaço de convívio e os
problemas sociais sofridos por este homem nas diferentes épocas em que foram elaboradas as
obras artísticas.

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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Ele tinha um pensamento inovador para as décadas de 1950 a 1970. Foi o pioneiro em apresentar
obras que não se limitavam ao espaço do objeto exposto, transformando o próprio espaço para que a
obra fizesse parte dele.

Oiticica chama essas obras de “penetráveis”, pois os observadores passam pelo meio das peças.
Citamos como exemplo o Relevo Espacial, de 1960, em que os visitantes podiam explorar completamente
o espaço, pois as peças estavam suspensas por toda a sala.

Figura 27 – Relevo Espacial [s.d.], instalação com formas geométricas tridimensionais


de Hélio Oiticica, exposta na Galeria Nacional de Jeu de Paume, França

Com esse conceito estético, o artista ainda criou uma série de obras intitulada Manifestações
Ambientais, de onde surgiram a obra Tropicália, O Grande Penetrável e Parangolés, que apresentam
elementos de dança, poesia e música, dentre outras manifestações artísticas.

Outros artistas que trabalharam diversas ideias do movimento Pós-moderno foram: Hermelindo
Fiaminghi (1920-2004) explorou o conceito de movimento utilizando poucas cores; Lothar Charoux
(1914‑1987), utilizou linhas e quadrados e trabalhou a ideia de movimento com a variação de cores, tal
qual os artistas da Op Art; Luiz Sacilotto (1924-2003), utilizou triângulos com cores monocromáticas
apontando para cima e para baixo, de sorte que quem observasse a obra tivesse a sensação de movimento
devido à posição dos elementos. Willys de Castro (1926-1988) também explorou as cores monocromáticas
e as formas geométricas.

Saiba mais

Para entender melhor o Pós-Modernismo, acesse:

LIMA, R. Para entender o pós-modernismo. Revista Espaço Acadêmico,


n. 35, abr. 2004. Disponível em: <http://www.espacoacademico.com.
br/035/35eraylima.htm>. Acesso em: 15 jan. 2016.

51
Unidade I

Franz Weismann (1911-2005), explorando o ferro, fez uma combinação de figuras geométricas
em planos horizontais e verticais e entrelaçados por suas aberturas, como na obra A Ponte, de 1958.
Ainda nessa perspectiva de entrelaçar as formas com efeito tridimensional, temos a artista Mary Vieira
(1927‑2001), que fez uma obra repleta de arcos giratórios, na qual o observador poderia movimentá-los
e deixar sua aparência diferenciada durante o processo de interação.

Sérgio de Camargo (1930-1990) explorou materiais como madeira e cilindros pintados, dando a
ideia de um agrupamento que, ao ser observado, salta aos olhos como uma nuance de relevo, mas, na
verdade, os objetos estão dispostos sobre uma superfície plana.

Outro artista a utilizar elementos diversificados como ferro fundido e aço inox em suas obras é
Caciporé Torres (1935). A popularidade desses materiais faz sua obra estar em locais como parques e
praças das cidades.

Francisco Stockinger (1919-2009), nascido na Áustria, veio ao Brasil quando criança e se estabeleceu
em Porto Alegre. Desenvolveu suas obras em metal, o que se tornou a sua marca registrada.

Vasco Prado (1914-1998) tornou sua obra famosa por criar formas estilizadas de cavalos e cavaleiros
e várias séries deles em materiais como o bronze.

A obra do colombiano Fernando Botero (1932), Homem a Cavalo, em que tanto o homem quanto o
cavalo são gordos, tem a função de questionar o conceito de beleza da sociedade atual. Para aprofundar
a questão, o pintor explorou esse senso estético também em cenas de guerra.

Frans Krajcberg (1921), artista polonês naturalizado no Brasil, é conhecido por representar
artisticamente elementos da natureza de forma estilizada. Elementos como pedras, pedaços de
tronco queimado, galhos quebrados, cipó, areia de praia e terras coloridas, estão muito presentes
na sua obra. O próprio artista classifica esse processo como o de dar vida a objetos naturais que
estejam “mortos”.

O artista baiano Rubem Valentim (1922-1991) fez carreira como pintor, escultor e gravurista
e expôs suas obras também fora do País, na África. A simbologia das tradições populares dos
negros no Estado da Bahia é frequente em sua obra, mas o artista utiliza as figuras geométricas
para representá-las.

Na cidade de Recife, em Pernambuco, podemos apreciar em diversas partes as obras de Francisco


Brennand (1927). Dominando diferentes técnicas, como cerâmica, tapeçaria e gravuras, é pintor e
escultor renomado, que tem por característica fazer obras imponentes. Figuras da mitologia grega
aparecem em suas obras de forma estilizada e de forma clássica. Algumas esculturas são muito perfeitas
na semelhança com os traços humanos, e outras são tão estilizadas que exigem do observador maior
acuidade de percepção para compreender seus elementos. A obra Palas Atena, de 1987, é um dos
exemplos de uma figura clássica representada de forma estilizada.

52
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Figura 28 – Palas Atena (1987), cerâmica vitrificada de Francisco Brennand

Arcangelo Ianelli (1992) explora as possibilidades de trabalho com cores na pintura abstrata, buscando
o máximo de efeitos com as variações de cores, além de experimentar os conceitos de luminosidade e
transparência.

João Câmara (1944), de João Pessoa, Paraíba, representou muitos aspectos da vida brasileira na era
Vargas com obras que variavam entre painéis e liturgias, que se tornaram a marca registrada do trabalho
do artista. Suas obras, além do caráter histórico, ilustram questionamentos de sua época.

Um artista que explorou não só as artes plásticas, mas também o cinema, foi Marcello Nitsche
(1942), que manteve exposições em solo nacional e internacional. Além de ser cineasta, é pintor e
escultor, e algumas de suas obras são características, pois exploram pinceladas simples, mas que dão a
ideia de movimento ao observador.

Iole de Freitas (1945) começou sua carreira nas artes plásticas na Itália, mas antes chegou a trabalhar
com desenho industrial e dança contemporânea. Suas obras são do campo da escultura; explorou
materiais como tubos de aço inox e policarbonato e traspassou os ambientes, dando a ideia de que a
peça não podia ser contida em uma sala e por isso invadia as demais.
53
Unidade I

Waltercio Caldas (1946) ficou conhecido por suas instalações serem expostas em espaços públicos,
explorando formas de objetos do cotidiano em diversos materiais. Também produz fotografias e
esculturas que considera como “comentários” sobre outras obras de artistas renomados, como Matisse
e Mondrian.

Um artista que resolveu não só explorar diferentes materiais, mas também estabelecer relações
entre eles, é Antônio José de Barros de Carvalho e Mello Mourão, o Tunga (1952). Dentre os materiais
dos quais se utiliza, podemos elencar seda, vela, laços, madeira e vidro, reunidos pelo artista,
descaracterizados de sua utilidade e constituídos de um novo significado.

O artista Daniel Senise (1955) começou seus trabalhos explorando o conceito de volume e depois
passou para diferentes técnicas de transferir as cores, permeando os diversos materiais. Por exemplo,
utilizando um tecido ou uma superfície plana para misturar as tintas e depois sobrepô-las em diferentes
materiais, como madeira ou cimento, para modificar o traço da transcrição. Esse artista teve suas peças
expostas na XXIV Bienal de São Paulo. Ele não se limitou à pintura: algumas de suas obras mais celebradas
são esculturas.

Beatriz Milhazes (1960) dedicou suas obras às formas ornamentais e à utilização das cores,
compondo peças bem coloridas e ricas em pequenos padrões. Além de pintora, é ilustradora,
gravadora e professora.

Outro artista que explorou as técnicas de colagem e a utilização de camadas grossas de tintas para
trabalhar com o conceito de volume é Nuno Ramos (1960). Muito conhecido por suas instalações,
Ramos, além de pintor, é escultor, desenhista, ensaísta, cenógrafo e videomaker. Em suas instalações
explora materiais como pedras e espaços diferenciados ao ar livre, em áreas rurais do interior paulista.

No campo da gravura, os artistas brasileiros merecem destaque, pois aprimoraram ao longo dos anos
as diferentes técnicas. Além de criarem figuras abstratas, questionaram a realidade social e política.

Vinda do Oriente para a Europa no século XIV, a gravura inicialmente servia para estampar tecido,
e sua estrutura era em madeira ou metal. Derivada dessa técnica, temos a xilogravura, que vem da
palavra grega xylon – madeira e consiste em uma matriz que é talhada pelo artista e deve ser coberta
de tinta. Quando o papel sobrepõe a matriz, ele deve ser pressionado para absorver a tinta, e, assim,
a imagem é reproduzida.

Na técnica de gravura em metal, a matriz pode ser construída a partir de duas formas diferentes:
talho-doce e água-forte. A forma na qual a matriz é construída determinará a forma do desenho,
derivando em três denominações para o processo: ponta seca, gravura a buril e à maneira negra. Tais
denominações correspondem à matriz talho-doce. Para a segunda, os processos são chamados verniz
mole, água-tinta, verniz brando e à maneira do lápis.

A segunda matriz proporciona maior liberdade para o artista, pois não exige maior precisão dos
utensílios – parece que o artista está desenhando sobre a tela.

54
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

A madeira e o metal não são as únicas formas de produzir gravuras: temos também a litogravura
e a serigrafia. A primeira vem da palavra grega lithos – pedra e tem como base para matriz uma pedra
específica, a pedra da bavária, que absorve água; nesse processo são utilizadas tintas oleosas para
transferir as imagens.

Na serigrafia, a matriz é feita por uma tela de nylon ou seda, usando-se cola para permitir que
somente a área desejada receba tinta. Entretanto, independentemente da técnica de gravura utilizada,
citaremos alguns artistas que representaram a gravura brasileira.

Oswaldo Goeldi (1895-1961) estudou na Suíça, mas produziu suas obras no Brasil. Trabalhou
também como professor e ilustrador e expôs obras no território nacional e no exterior. As características
principais de sua obra eram a predominância de cores escuras e parcos traços claros para definir a linha
do desenho. Com o tempo foi aumentando a quantidade de cores.

Figura 29 – O Ladrão (1955), xilogravura com cores de Oswaldo Goeldi

Em Porto Alegre, o Clube da Gravura foi criado em 1950, pelo artista Carlos Scliar (1920-2001),
na companhia de outros artistas gaúchos. Os membros desse clube tinham objetivos profundamente
sociais permeando suas obras, queriam que os observadores pudessem questionar seu contexto político
55
Unidade I

e social através de temas regionais. As obras do Clube da Gravura tiveram várias fases, desde tendências
expressionistas, como realistas, até experimentar trabalhos com colagens, texturas e mistura de cores
em busca de efeitos diversos.

Fayga Ostrower (1920-2001) era polonesa, mas veio muito jovem ao Brasil e foi naturalizada.
Exerceu diversas atividades, como gravadora, ceramista, ilustradora, professora, desenhista e escritora,
tornando-se teórica da arte e publicando vários livros sobre o tema. Na área da gravura, suas tendências
eram abstracionistas, com peças em preto e branco e, posteriormente, incluindo mais cores.

Um artista que sempre retratou a diversidade brasileira em suas gravuras foi Aldemir Martins
(1922‑2006). Entre os objetos retratados estão frutas, paisagens, animais, flores, sol, mar, entre outros.

Marcelo Grassman (1925-2013) foi o artista que mais produziu gravuras em diferentes técnicas,
como litografia, água-tinta e água-forte. Nas Bienais de São Paulo expôs várias de suas obras,
bem como nas cidades italianas de Florença e Veneza. Foi considerado internacionalmente como
um dos melhores gravadores do país. Entre as figuras representadas em suas obras havia animais e
cavaleiros medievais, com um universo fantástico e rico em detalhes que estimulava a imaginação
dos observadores.

A gravadora e professora de desenho Renina Katz (1925) aprendeu suas técnicas com dois artistas
que eram referências das técnicas de gravura: Carlos Oswald (1882-1971) e o austríaco Axl Leskoschek
(1889-1975), na xilogravura. Estudou na Escola Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e deu aula
no Museu de Arte de São Paulo. Devido a suas influências técnicas, tinha uma obra única em relação à
delicadeza do traço.

Lívio Abramo (1903-1992), artista da gravura brasileira, começou como autodidata e participou de
várias exposições nacionais e internacionais, após estudar com grandes nomes, como Oswaldo Goeldi. Em
suas gravuras adotava tanto elementos fantásticos da cultura nordestina quanto elementos religiosos
presentes nas narrativas populares. Com muita riqueza de detalhes, suas gravuras contam histórias e
revelam traços precisos.

Maria Bonomi (1935) veio com nove anos para o Brasil e aprendeu as técnicas de gravura e pintura
aqui. Depois de permanecer um período estudando artes gráficas e gravura nos Estados Unidos, sua
obra foi bastante reconhecida e frequentemente premiada.

O artista mineiro Rubem Grilo (1946) teve contato com importantes nomes da gravura quando foi
ao Rio de Janeiro para estudar com Oswaldo Goeldi, Iberê Camargo e Lívio Abramo. Chegou a atuar no
ramo da imprensa como ilustrador, e isso de certa forma influenciou o conteúdo de suas obras, que
visam refletir sobre as relações sociais e o consumo.

Sérgio de Moraes (1951) dominava a técnica de linoleogravura, que consiste em uma aplicação
sobre uma chapa de linóleo. Teve suas obras expostas tanto no Brasil quanto no exterior e também
se tornou professor.

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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

O artista Alberto Martins (1958), por sua formação como escritor e poeta, incluiu na gravura
elementos literários que podem ser apreciados em conjunto ou separadamente, mas o consenso é que
muitas de suas poesias se relacionam com as gravuras, conferindo uma ideia de cumplicidade.

Cláudio Mubarac (1959) trabalhou muito com detalhes do corpo humano em ouro e prata. Ensina
gravura em universidade e é reconhecido por utilizar diferentes técnicas para executar suas obras.

Arquitetura contemporânea

O prédio do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), foi projetado pelo arquiteto Afonso
Eduardo Reidy (1909-1964), que contou com grandes nomes, como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, e
com a influência de Le Corbusier.

Na fachada do prédio, podem-se notar as colunas retas do edifício como um contraponto às linhas
onduladas da paisagem carioca repleta de morros sinuosos. O prédio tem uma ampla área envidraçada
que permite a integração do espaço externo com o interno e vice-versa, além de reproduzir internamente
a luz natural. Foi fundado no ano de 1948 e sofreu um incêndio, em 1978, que destruiu boa parte das
obras que ali se encontravam expostas.

Outro ícone da arquitetura contemporânea brasileira é o Museu de Arte de São Paulo (Masp),
cartão‑postal da cidade. Projetado pela italiana Lina Bo Bardi (1914-1992), foi construído entre 1956
e 1968. O grande destaque arquitetônico é o vão livre embaixo do edifício. Esse espaço, aos finais de
semana, abriga uma feira de antiguidades, bem como artistas de rua, que ali fazem suas apresentações.
O museu é referência pela riqueza de seu acervo.

Em João Pessoa, na Paraíba, o Hotel Tambaú, projetado por Sergio Bernardes (1919-2002) em 1966,
tem a forma arredondada e faz parte do cenário das praias do litoral. Uma parte dos quartos do hotel
circunda a parte externa, e no núcleo há outro prédio circular ligado por quatro passarelas; quando vista
do alto, a construção lembra uma roda de motocicleta ou uma nave espacial. O projeto ganhou vários
prêmios importantes do segmento, inclusive internacionais.

Bernardes era conhecido por sua visão inovadora e um tanto excêntrica de conceber seus projetos
arquitetônicos. Criou no Rio de Janeiro um centro de pesquisas chamado Laboratório de Investigações
Conceituais (LIC), de onde saíram muitos trabalhos importantes.

O arquiteto João Batista Vilanova Artigas (1915-1985) projetou a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo
da Universidade de São Paulo em 1948. João Batista estudou arquitetura na Fundação Guggenheim e
exerceu grande influência na arquitetura contemporânea brasileira. Construiu prédios, edifícios e até
casas residenciais, com o conceito de que a sociedade e a arte convivem e são inseparáveis. Possui obras
espalhadas pelo País, mas a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo merece destaque.

O arquiteto Acácio Gil Borsoi, embora carioca, tem a maioria de seus trabalhos na Região Nordeste.
Dentre suas obras constam residências, prédios comerciais e edifícios. Dedicou-se também a projetos
que visam a restaurar prédios antigos de valor histórico. Sua obra de maior reconhecimento é o Fórum
de Teresina, no Piauí, todo feito em material pré-fabricado.
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Unidade I

O teatro Ópera de Arame, do arquiteto Domingos Bongestabs (1941), é o exemplo de um


prédio que interage bem com o ambiente a sua volta. Sustentada sobre o lago, como uma casa
de palafita, a construção é feita em estrutura metálica e vidro. Essa aparência permite maior
integração entre o espaço externo e o interno. Aberto ao público em 1992, tornou-se um dos
símbolos de Curitiba.

O arquiteto Severiano Porto (1928) foi responsável pelo projeto da sede amazonense das Aldeias
Infantis SOS Amazonas Brasil, que se integra perfeitamente ao meio ambiente da Amazônia e foi
inaugurado em 1997. É um conjunto de pequenas casas onde acontecem atividades culturais, cursos
com objetivo de gerar renda e programas educativos.

A Pinacoteca do Estado de São Paulo, que inicialmente pretendia abrigar a sede do Liceu de Artes e Ofícios,
foi projetada pelo arquiteto Ramos de Azevedo, em 1897. Passou por um longo período de reforma entre os
anos 1993 e 1998, mas como museu foi palco de exposições muito importantes para a arte no Brasil, acolhendo
obras de artistas nacionais e internacionais. O arquiteto Paulo Mendes da Rocha, ganhador de vários prêmios e
conhecido como uma das referências de sua área, foi o responsável pela reforma.

A Ponte JK, construída sobre o lago Paranoá, em Brasília, tem características grandiosas, tanto
por seus arcos quanto por seus pilares de sustentação. Foi projetada pelo arquiteto Alexandre Chan,
ganhador de vários prêmios aqui e no exterior.

Figura 30 – Museu de Arte de São Paulo – Masp, projeto da arquiteta Lina Bo Bardi

58
ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Resumo

Nesta unidade, vimos que o século XX foi marcado por grandes conflitos
mundiais e significativas conquistas no âmbito científico que mudaram o
modo de vida, os padrões de saúde e de conforto, bem como o processo de
comunicação, acelerando a transmissão de ideias e de imagens de forma
vertiginosa ao longo desse século. O mundo das artes não poderia passar
incólume a essa realidade.

Começando pelo Expressionismo, como o primeiro movimento da arte


moderna, e que se caracteriza pela fuga do tradicional e de distorção da
realidade para expressar os próprios sentimentos, e pelo Fauvismo, vimos
desfilar na arte moderna um número expressivo de tendências bastante
relevantes que darão nova tônica à arte, situando-a no contexto de intensas
e rápidas mudanças na civilização humana.

Desde o Cubismo, com a ausência de perspectiva, ou o Abstracionismo,


desassociando formas de cores, diversas tendências se sucederam e podem
ser apreciadas através da representação de suas principais obras. Entre elas
vale destacar o Surrealismo, como forma de libertação da racionalidade
e de expressão do subconsciente, tendo revelado expoentes do porte
de Salvador Dalí e Joan Miró. Os movimentos que se seguiram também
relevaram grandes artistas de destaque, como Picasso, Portinari, Di
Cavalcanti e outros.

É evidente que essas mudanças não se restringiram à pintura, mas


alcançaram a escultura, a arquitetura, a literatura, a poesia. Não sem razão,
o movimento modernista brasileiro, a partir da Semana de Arte Moderna
de fevereiro de 1922, conhecido como “Semana de 22”, reuniu artistas dos
mais diversos segmentos, como fotografia, cinema, arquitetura, escultura,
poesia, literatura etc.

Exercícios

Questão 1. Na época em que Clarice Lispector morou na Itália, o pintor Chirico quis pintar seu
retrato. No dia em que a obra estava sendo terminada, 9 de maio de 1945, o pintor e a escritora ouviram
os gritos de fim da guerra.

59
Unidade I

Disponível em: <http://topicos.estadao.com.br/fotos-sobre-clarice-lispector/retrato-a-oleo-de-clarice-lispector-pintado-por-giorgio-


de-chirico-em-roma-em-1945,935E7888-5D5D-4B7C-AF32-B418CF852765>. Acesso em: 12 jan. 2016.

Com base nessas informações e nos seus conhecimentos, analise as afirmativas a seguir:

I – Observam-se, no retrato de Clarice Lispector, as características da pintura realista, que marcou a


obra do pintor.

II – Chirico é considerado um dos pioneiros do surrealismo.

III – O retrato da escritora transmite tranquilidade, sensação presente em toda a obra de Chirico.

Está correto o que se afirma somente em:

A) I.

B) II.

C) III.

D) I e II.

E) II e III.

Resposta correta: alternativa B.

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ARTES VISUAIS MODERNISMO E ATUALIDADES

Análise das afirmativas

I – Afirmativa incorreta.

Justificativa: o pintor não apresenta características realistas. É conhecido como pintor metafísico e
surrealista.

II – Afirmativa correta.

Justificativa: Chirico foi um dos precursores do surrealismo.

III – Afirmativa incorreta.

Justificativa: a obra do pintor é marcada pela inquietude, não pela tranquilidade.

Questão 2. (Enem 2010) Após estudar na Europa, Anita Malfatti retornou ao Brasil com uma
mostra que abalou a cultura nacional do início do século XX. Elogiada por seus mestres na Europa,
Anita se considerava pronta para mostrar seu trabalho no Brasil, mas enfrentou as duras críticas de
Monteiro Lobato. Com a intenção de criar uma arte que valorizasse a cultura brasileira, Anita Malfatti
e outros modernistas:

A) buscaram libertar a arte brasileira das normas acadêmicas europeias, valorizando as cores, a
originalidade e os temas nacionais.

B) defenderam a liberdade limitada de uso da cor, até então utilizada de forma irrestrita, afetando a
criação artística nacional.

C) representavam a ideia de que a arte deveria copiar fielmente a natureza, tendo como finalidade a
prática educativa.

D) mantiveram de forma fiel a realidade nas figuras retratadas, defendendo uma liberdade artística
ligada à tradição acadêmica.

E) buscaram a liberdade na composição de suas figuras, respeitando limites de temas abordados.

Resolução desta questão na plataforma.

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