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LÍNGUA PORTUGUESA

LÍNGUA PORTUGUESA

Maria das Graças Telles Sobral


IMES
Instituto Mantenedor de Ensino Superior Metropolitano S/C
Ltda.

William Oliveira
Presidente

Cristiano Lobo
Diretor de Operações

Valdemir Ferreira
Diretor Administrativo Financeiro

MATERIAL DIDÁTICO

Produção Acadêmica Produção Técnica


Maria das Graças Telles Sobral Heber Torres| Revisão de Texto
| Autor(a)

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escrito, da REDE FTC - Faculdade de Tecnologia e Ciências
SUMÁRIO

1 LEITURA E ESCRITA ......................................................................................................... 9


1.1 TEMA 1 LEITURA, TEXTO E SENTIDO .......................................................................... 11
1.1.1 CONTEÚDO 1 A leitura .................................................................................... 11
EXERCÍCIOS PROPOSTOS ....................................................................................................... 18
1.1.2 CONTEÚDO 2 Tipos de leitura ........................................................................ 21
1.1.3 CONTEÚDO 3 Texto e sentido ........................................................................ 28
1.1.4 CONTEÚDO 4 Tipologia textual ...................................................................... 46
MAPA CONCEITUAL............................................................................................................... 68
ESTUDO DE CASO ................................................................................................................. 80
1.2 TEMA 2 PROCESSO DE COMUNICAÇÃO .......................................................................... 81
1.2.1 CONTEÚDO 1 A comunicação .............................................................................. 81
1.2.2 CONTEÚDO 2 Funções da linguagem ................................................................... 85
1.2.3 CONTEÚDO 3 Língua oral / língua escrita ............................................................ 99
1.2.4 CONTEÚDO 4 Variedades linguísticas ................................................................ 102
ATIVIDADES COMPLEMENTARES ........................................................................................ 105
ESTUDO DE CASO ............................................................................................................... 112

2 PRODUÇÃO TEXTUAL.................................................................................................. 117


2.1 TEMA 3 TEXTO E GRAMÁTICA .................................................................................. 119
2.1.1 CONTEÚDO 1 Concordância verbal e nominal .............................................. 122
2.1.2 CONTEÚDO 2 Regência verbal e nominal ..................................................... 139
2.1.3 CONTEÚDO 3 Crase ....................................................................................... 150
2.1.4 CONTEÚDO 4 Ortografia ............................................................................... 159
ATIVIDADES COMPLEMENTARES ........................................................................................ 180
2.2 TEMA 4 GÊNEROS TEXTUAIS .................................................................................... 188
2.2.1 CONTEÚDO 1 Resumo ................................................................................... 191
2.2.2 CONTEÚDO 2 Artigo ...................................................................................... 196
2.2.3 CONTEÚDO 3 Relatório ................................................................................. 198
2.2.4 CONTEÚDO 4 Email / memorando................................................................ 199
ATIVIDADES COMPLEMENTARES ........................................................................................ 203

GABARITO DAS QUESTÕES DAS ATIVIDADES COMPLEMENTARES ....................................... 211


GLOSSÁRIO................ ........................................................................................................ 213
REFERÊNCIAS ........... ......................................................................................................... 216
APRESENTAÇÃO

Caro(a) discente,

Bem-vindo(a) à disciplina Língua Portuguesa.

O domínio da língua possibilita ao ser humano a plena


participação social, pois é através da linguagem que o mesmo
compartilha sua visão de mundo, defende seus pontos de vista,
tem acesso à informação.
Este módulo tem como objetivo oferecer instrumentos
que promovam o desenvolvimento da competência leitora e da
produção escrita.
Assim, convidamos você a participar deste estudo no
qual faremos uma análise da estrutura e do funcionamento da
Língua Portuguesa.

Bom estudo!
Profa. Maria das Graças Telles Sobral
BLOCO
TEMÁTICO 1
LEITURA E ESCRITA
LEITURA E ESCRITA

1.1
TEMA 1
LEITURA, TEXTO E SENTIDO

1.1.1
CONTEÚDO 1
A LEITURA
Ler é um ato de liberdade que proporciona a compreensão de
si, dos outros, enfim, possibilita a compreensão de mundo. Quem lê
reflete, interage, posiciona-se, transforma-se e transforma o mundo.
Para Resende, a leitura é uma possibilidade de conhecimento mais
aprofundado do leitor sobre si mesmo:

A leitura é um ato de abertura para o mundo. A


cada mergulho nas camadas simbólicas dos
livros, emerge-se vendo o universo interior e
exterior com mais claridade. Entra-se no
território da palavra com tudo o que se é e se
leu até então, e a volta se faz com novas
dimensões, que levam a reinaugurar o que já se
sabia antes. (RESENDE, 1993, p. 164)

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LÍNGUA PORTUGUESA
A leitura desenvolve o raciocínio, o senso crítico e a
capacidade de interpretação, é extremamente importante para a
inserção do homem nas diversas esferas sociais.

O QUE É LER?

Ler é depreender o sentido de um texto, isto é, compreender as


ideias, fazer analogias, inferir, refletir, tirar conclusões sobre o que foi
lido.

PARA QUE LER?

A leitura possibilita ao homem adquirir conhecimentos e,


consequentemente, falar e escrever melhor, podendo exercer, assim,
a sua cidadania. É por meio da leitura que se tem acesso à
informação, às diversas culturas, desenvolve-se uma atitude crítica.

COMO LER?

Ler não é decodificar símbolos gráficos. Ler é dialogar com o


texto, é construir significados através do domínio das palavras e da
ativação de conhecimentos prévios, é perceber as intenções explícitas
e implícitas do autor.

Ler não é decifrar, como num jogo de


adivinhações, o sentido de um texto. É a partir
do texto, ser capaz de atribuir-lhe significado,
conseguir relacioná-lo a todos os outros textos
significativos para cada um, reconhecer nele o
tipo de leitura que seu autor pretendia e dono
da própria vontade, de entregar-se a essa
12
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo
outra não prevista. (LAJOLO 1993, p. 59)

No processamento textual, o leitor precisa mobilizar


conhecimentos, segundo Koch (2007), é preciso recorrer a três
grandes sistemas de conhecimento: o conhecimento linguístico, o
conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo e o
conhecimento interacional.

Conhecimento Linguístico

Abrange o conhecimento gramatical e lexical. Baseados nesse


tipo de conhecimento, podemos compreender: a organização do
material linguístico na superfície textual; o uso dos meios de coesivos
para efetuar a remissão ou sequenciação textual; a seleção lexical
adequada ao tema ou aos modelos cognitivos ativados.

Conhecimento enciclopédico ou conhecimento de mundo

Refere-se a conhecimentos gerais sobre o mundo – uma


espécie de thesaurus mental – bem como a conhecimentos alusivos a
vivências pessoais e eventos espaço-temporalmente situados,
permitindo a produção de sentidos.

Conhecimento interacional

Refere-se às formas de interação por meio da linguagem e


engloba os conhecimentos:

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LÍNGUA PORTUGUESA
- Ilocucional: Permite-nos reconhecer os objetivos ou
propósitos pretendidos pelo produtor do texto, em uma ciada
situação interacional.

- Comunicacional: Diz respeito à quantidade de informação


necessária, numa situação comunicativa concreta, para que o
parceiro seja capaz de reconstruir o objetivo da produção do texto, à
seleção da variante linguística adequada a cada situação de interação
e à adequação do gênero textual à situação comunicativa.

- Metacomunicativo: é aquele que permite ao locutor assegurar


a compreensão do texto e conseguir a aceitação pelo parceiro dos
objetivos com que é produzido.

- Superestrutura ou conhecimento sobre gêneros textuais:


permite a identificação como exemplares adequados aos diversos
eventos da vida social.

Para concluirmos o entendimento sobre a importância da


leitura, vamos ler o belíssimo texto de Guiomar de Grammont.

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Ler devia ser proibido
Guiomar de Grammont

A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.


Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os
homens para realidades impossíveis, tornando-os incapazes de
suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz
à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado
no corpo social. Não me deixam mentir os exemplos de Don Quixote
e Madame Bovary. O primeiro, coitado, de tanto ler aventuras de
cavalheiros que jamais existiram meteu-se pelo mundo afora, a crer-
se capaz de reformar o mundo, quilha de ossos que mal sustinha a si
e ao pobre Rocinante. Quanto à pobre Emma Bovary, tomou-se
esposa inútil para fofocas e bordados, perdendo-se em delírios sobre
bailes e amores cortesãos.
Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um
adulto perigoso, inconformado com os problemas do mundo,
induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a
leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem
excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos
grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à
realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem
procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.
Sem ler, o homem jamais saberia a extensão do prazer. Não
experimentaria nunca o sumo Bem de Aristóteles: o conhecer. Mas
para que conhecer se, na maior parte dos casos, o que necessita é
apenas executar ordens? Se o que deve, enfim, é fazer o que dele
esperam e nada mais?
Ler pode provocar o inesperado. Pode fazer com que o homem
crie atalhos para caminhos que devem, necessariamente, ser longos.
15
LÍNGUA PORTUGUESA
Ler pode gerar a invenção. Pode estimular a imaginação de forma a
levar o ser humano além do que lhe é devido.
Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a
fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar
unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida
é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a
descobrir. Há horizontes para além das montanhas, há estrelas por
trás das nuvens. Estrelas jamais percebidas. É preciso desconfiar
desse pendor para o absurdo que nos impede de aceitar nossas
realidades cruas.
Não, não deem mais livros às escolas. Pais, não leiam para os
seus filhos, pode levá-los a desenvolver esse gosto pela aventura e
pela descoberta que fez do homem um animal diferente. Antes
estivesse ainda a passear de quatro patas, sem noção de progresso e
civilização, mas tampouco sem conhecer guerras, destruição,
violência. Professores, não contem histórias, pode estimular uma
curiosidade indesejável em seres que a vida destinou para a repetição
e para o trabalho duro.
Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos
conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo
administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma
verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade
se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se
pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no
mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua
liberdade.
O mundo já vai por um bom caminho. Cada vez mais as
pessoas leem por razões utilitárias: para compreender formulários,
contratos, bulas de remédio, projetos, manuais etc. Observem as filas,
um dos pequenos cancros da civilização contemporânea. Bastaria um

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
livro para que todos se vissem magicamente transportados para
outras dimensões, menos incômodas. E esse o tapete mágico, o pó de
pirlimpimpim, a máquina do tempo. Para o homem que lê, não há
fronteiras, não há cortes, prisões tampouco. O que é mais subversivo
do que a leitura?
É preciso compreender que ler para se enriquecer
culturalmente ou para se divertir deve ser um privilégio concedido
apenas a alguns, jamais àqueles que desenvolvem trabalhos práticos
ou manuais. Seja em filas, em metrôs, ou no silêncio da alcova… Ler
deve ser coisa rara, não para qualquer um.
Afinal de contas, a leitura é um poder, e o poder é para poucos.
Para obedecer não é preciso enxergar, o silêncio é a linguagem
da submissão. Para executar ordens, a palavra é inútil.
Além disso, a leitura promove a comunicação de dores,
alegrias, tantos outros sentimentos… A leitura é obscena. Expõe o
íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A
leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a
outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o
mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.
Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

Disponível em: <http://www.leialivro.com.br/ler-devia-ser-proibido-guiomar-grammont/>.

Fonte: uma versão do texto também foi disponibilizada na rede através de vídeo: Disponível
em: <https://www.youtube.com/watch?v=irdorn8wj_w>.

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LÍNGUA PORTUGUESA
EXERCÍCIOS PROPOSTOS
ATIVIDADE 1

Discutindo o texto de Guiomar de Grammont - Agora que


você percebeu as dimensões do ato de ler, vamos responder algumas
perguntas sobre o texto “ler devia ser proibido”.
1. Que relação existe entre o título e as ideias desenvolvidas no
corpo do texto?
2. Qual é a verdadeira intenção da autora ao afirmar que o ato de
ler é perigoso?
3. Você concorda com a ideia exposta no texto? Por quê?
4. Por que a autora diz que a leitura faz mal as pessoas?
5. Para a autora, “... a leitura é um poder, e o poder é para
poucos...”. A leitura, em sua opinião, é um poder?
6. Que poder é este? Explique.
7. O que este “poder” suscita na vida das pessoas?

ATIVIDADE 2

QUESTÃO 01
(ENADE 2008) - Todo ponto de vista é a vista de um ponto.
Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus
olhos e qual é sua visão de mundo.

BOFF, Leonardo. A águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. Petrópolis, RJ:
Vozes, 1997, p. 9.

Considerando o fragmento de texto acima apresentado, analise


o seguinte enunciado:

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Na leitura, fazemos mais do que decodificar as palavras

PORQUE

a imagem impressa envolve atribuição de sentidos a partir do


ponto de vista de quem lê.

Assinale a opção correta a respeito desse enunciado.

a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma


justificativa correta da primeira.
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda não é
justificativa correta da primeira.
c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é uma
proposição falsa.
d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma
proposição verdadeira.
e) Tanto a primeira asserção quanto a segunda são proposições falsas.

QUESTÃO 02
(ENADE 2008) - “Ao lermos, se estamos descobrindo a
expressão de outrem, estamos também nos revelando, seja para nós
mesmos, seja abertamente. Daí por que a troca de ideias nos
acrescenta, permite dimensionarmo-nos melhor, esclarecendo-nos
para nós mesmos, lendo nossos interlocutores. Tanto sabia disso
Sócrates como o sabe o artista de rua: “conversando também
conheço o que é que eu digo”.

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LÍNGUA PORTUGUESA
Recepção e interação na leitura. In: Eliana Yunes (Org.). Pensar a leitura: complexidade. Rio
de Janeiro: PUC Rio; São Paulo: Loyola, 2002, p. 105 (com adaptações).

A partir das reflexões do texto apresentado, assinale a opção


correta a respeito da interação texto-leitor.

a) A aproximação, no texto, entre o que sabia Sócrates e o que sabe o


artista de rua, é incoerente porque os respectivos horizontes de
expectativa são diferentes.
b) A perspectiva apontada no texto favorece a vivência da leitura
como autoconhecimento, em detrimento da leitura como
identificação da expressão do outro.
c) A leitura como descobrimento pressupõe uma postura pedagógica
que reforça a tradição de leitura como confirmação da fala de uma
autoridade.
d) A interação texto-leitor deve ser evitada, por fugir ao controle do
autor e favorecer uma espécie de “vale tudo interpretativo”.
e) Para a leitura como descobrimento ser efetiva, é necessária a troca
de ideias sobre a leitura; ler com o outro para nos conhecermos.

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
1.1.2
CONTEÚDO 2
TIPOS DE LEITURA
A leitura é realizada para diversas finalidades, para adquirir
conhecimento, para manter-se informado, para distração, dessa
forma, os textos não são lidos da mesma forma. Para cada finalidade
de leitura, há um tipo específico de leitura. Segundo Cervo, Bervian e
Silva (2006) existem quatro tipos de leitura informativa: pré-leitura
ou leitura de reconhecimento leitura seletiva, leitura crítica ou
reflexiva e leitura interpretativa.

• Pré-leitura ou leitura de reconhecimento: é a fase preliminar


da leitura informativa. Este tipo de leitura permite ao leitor
selecionar o documento ou a obra que poderá ser
aproveitada no seu trabalho e também obter uma visão geral
do tema abordado.

• Leitura seletiva: O leitor identifica a palavra-chave de cada


parágrafo, pois é em torno dela que normalmente é
desenvolvida a ideia principal. As palavras-chave
secundárias são aquelas que estruturam as frases, que
fundamentam a sentença-tópico e desenvolvem o parágrafo.

• Leitura Crítica: Para esse tipo de leitura, o leitor necessita de


uma visão abrangente em torno do assunto que está sendo
abordado. Requer reflexão que pode ser obtida por meio da
análise, comparação, diferenciação, síntese e julgamento
das ideias do autor da obra.

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LÍNGUA PORTUGUESA
• Leitura Interpretativa: Corresponde à parte de entendimento
do texto. Aqui o leitor irá compreender claramente as ideias
do autor para que possa interpretar e extrapolar essas ideias.
Para que ela seja proveitosa é necessário: Identificar quais as
intenções do autor e o que ele afirma sobre o tema, suas
hipóteses, metodologia, resultados, discussões e conclusões;

Vamos garimpar ideias?

ATIVIDADE 3

- Selecione, de cada texto a seguir, a palavra-chave.

- Selecione, de cada texto a seguir, as palavras-chave


secundárias.

- Sintetize as ideias de cada texto lido.

TEXTO 1

O reflorestamento tornou-se uma atividade em expansão no


país, servida por pesquisas minuciosas e alta tecnologia. Duas
empresas paulistas exemplificam bem até que ponto chegou o
desenvolvimento no setor. Uma delas exporta, para 40 países, cerca
de 15 milhões de dólares anuais de chapas, portas e divisórias. A
outra, 20 milhões de dólares em chapas e fibra prensada para os
Estados Unidos e a Europa. O faturamento bruto das empresas que
utilizam madeira (predominantemente oriunda de reflorestamentos)
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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
como matéria-prima chegou a um terço do faturamento bruto da
indústria automobilística. Apenas uma empresa mineira plantou, até
1979, 250 milhões de eucaliptos.

Disponível em: <http://files.design-mci-uadi.webnode.com/200000000-


b3486b441d/aula%201%20leitura%20seletiva.pdf >. Acesso em 25 jul. 2018.

TEXTO 2

Um livro é um artefato físico produzido apenas numa


sociedade civilizada. As implicações dessa afirmação incluem muitos
aspectos históricos. Antes que um autor possa escrever, precisa
possuir linguagem e um sistema gráfico para registrá-lo. Nenhuma
dessas coisas é invenção sua. Ambas, como já notamos, não passam
de convenções arbitrárias da cultura; ambas chegaram às suas formas
como resultado de uma longa evolução. Do mesmo modo, a forma
do livro através das épocas e os vários métodos de sua fabricação são
problemas históricos básicos para a ciência da biblioteconomia. Aqui
devem considerar-se não apenas os materiais físicos que foram
usados para a recepção dos registros gráficos, mas seus reflexos sobre
a utilidade funcional. Tijolos de barro, peles curtidas de papiro, cada
um apresenta uma diferente combinação de economia, facilidade de
transporte e durabilidade. A lousa, o rolo e o códex divergem muito
em suas facilidades de fornecer referências. O crescimento dos
aspectos auxiliares do leitor, como lombada da capa, página-título,
índice de conteúdo, paginação e índice alfabético resultam de um
longo processo evolutivo.

Disponível em: <http://professorluizschaedler.blogspot.com/ >. Acesso em 25 jul. 2018.

23
LÍNGUA PORTUGUESA
ATIVIDADE 4

Análise o texto seguinte:

TEXTO 3

- Leitura interpretativa

(ENADE 2010) – Conquistar um diploma de curso superior


não garante às mulheres a equiparação salarial com os homens, como
mostra o estudo “Mulher no mercado de trabalho: perguntas e
respostas”, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE), nesta segunda-feira, quando se comemora o Dia
Internacional da Mulher. Segundo o trabalho, embasado na Pesquisa
Mensal de Emprego de 2009, nos diversos grupamentos de atividade
econômica, a escolaridade de nível superior não aproxima os
rendimentos recebidos por homens e mulheres. Pelo contrário, a
diferença acentua-se. No caso do comércio, por exemplo, a diferença
de rendimento para profissionais com escolaridade de onze anos ou
mais de estudo é de R$ 616,80 a mais para os homens. Quando a
comparação é feita para o nível superior, a diferença é de R$ 1.653,70
para eles.

Disponível em: <http://oglobo.globo.com/economia/boachance/mat/2010/03/08>. Acesso em:


19 out. 2010 (com adaptações).

24
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Considerando o tema abordado acima, analise as afirmações
seguintes.

I. Quanto maior o nível de análise dos indicadores de gêneros,


maior será a possibilidade de identificação da realidade vivida pelas
mulheres no mundo do trabalho e da busca por uma política
igualitária capaz de superar os desafios das representações de gênero.
II. Conhecer direitos e deveres, no local de trabalho e na vida
cotidiana, é suficiente para garantir a alteração dos padrões de
inserção das mulheres no mercado de trabalho.
III. No Brasil, a desigualdade social das minorias étnicas, de
gênero e de idade não está apenas circunscrita pelas relações
econômicas, mas abrange fatores de caráter histórico-cultural.
IV. Desde a aprovação da Constituição de 1988, tem havido
incremento dos movimentos gerados no âmbito da sociedade para
diminuir ou minimizar a violência e o preconceito contra a mulher, a
criança, o idoso e o negro.

É correto apenas o que se afirma em


a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

25
LÍNGUA PORTUGUESA
A leitura só é proveitosa se o leitor conseguir compreender o que foi
lido, sendo capaz de discutir seu conteúdo. (DINIZ; SILVA, 2018, p.
4).

AVALIANDO OS TEXTOS LIDOS

TEXTO 1 – SÍNTESE DAS IDEIAS

Fonte: Autoria própria.

26
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
TEXTO 2 – SÍNTESE DAS IDEIAS

LIVRO

FORMAS

TIJOLOS DE

PELES

PAPIRO

AUTOR

ESCREVER

LINGUAGEM SISTEMA
Á

Fonte: Autoria própria.

27
LÍNGUA PORTUGUESA
1.1.3
CONTEÚDO 3
TEXTO E SENTIDO

O QUE É TEXTO?

Para se compreender melhor o fenômeno da


produção de textos escritos, importa entender
previamente o que caracteriza o texto, escrito
ou oral, unidade linguística comunicativa
básica, já que o que as pessoas têm a dizer umas
às outras não são palavras nem frases isoladas,
são textos. Pode-se definir texto ou discurso
como ocorrência linguística falada ou escrita, de
qualquer extensão, dotada de unidade
sociocomunicativa, semântica e formal.
(COSTA VAL, 2006. p. 3).

Para o nosso estudo, adotaremos a noção de texto como


discurso, de acordo coma a definição de Charaudeau (2008):

O texto representa o resultado do ato de


comunicação e que resulta de escolhas
conscientes (ou inconscientes) feitas pelo
sujeito falante dentre as categorias de língua e
modos de organização do discurso, em função
das restrições impostas pela situação.
(CHARAUDEAU, 2008, p. 68)

28
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Os modos de organização do discurso são princípios de
organização da matéria linguística, dependem da finalidade
comunicativa do sujeito falante que pode enunciar, descrever, contar
ou argumentar. Os modos de organização do discurso serão
discutidos no tema 04.

TEXTO x CONSTRUÇÃO DE SENTIDO

Um texto será bem compreendido quando for analisado sob


três aspectos:

• a atuação comunicativa;
• o semântico-conceitual: coerência;
• o formal: coesão.

Segundo Costa Val (2006), há sete fatores que contribuem para


a construção do sentido do texto, a coerência e a coesão que se
relacionam com o material conceitual e linguístico, respectivamente,
e os fatores pragmáticos – intencionalidade, aceitabilidade,
situcionalidade, informatividade e intertextualidade – que estão
envolvidos no processo sociocomunicativo. Esses aspectos, chamados
de Fatores de Textualidade, têm papel determinante na produção e
recepção de um texto.

29
LÍNGUA PORTUGUESA
FATORES DE TEXTUALIDADE

A COERÊNCIA

A coerência ou conectividade textual é responsável pelo


sentido do texto, envolve aspectos lógicos, de compreensão e de
sentidos. A coerência, ou seja, o sentido do texto resulta da rede de
ideias, conceitos e relações apresentados no texto. É construída pelo
produtor e pelo recebedor, isto é, que precisa deter os conhecimentos
necessários à sua interpretação. Um texto não existe em si mesmo,
mas sim se constrói na relação emissor-receptor-mundo.

ENTENDENDO A COERÊNCIA

Exemplo 1

Leia os exemplos de incoerência textual e suas respectivas


explicações retiradas do livro A coerência Textual de Elias e Kock
(2007, p. 9).

(1) Maria tinha lavado a roupa quando chegamos, mas ainda


estava lavando a roupa.
(2) João não foi à aula, entretanto estava doente.
(3) A galinha estava grávida.

Em (1), a incoerência é gerada pelo fato de o produtor da


sequência apresentar o mesmo processo verbal em duas fases
30
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
distintas de sua realização: como acabado e não acabado ao mesmo
tempo.

Em (2), a conexão entre as duas orações da sequência: “João


não foi à aula” estava doente”, estabelece uma relação de oposição
que contraria a relação de causa que parece ser mais plausível ou
esperada entre as ideias expressas pelas duas partes da sequência.

Em (3), a passagem seria responsável por incoerência por


contrariar o conhecimento geral, considerando-se que o mundo
representado no texto for o mundo “real” e não um mundo de
fantasia. Isto evidencia que o juízo de incoerência não depende
apenas do modo como se combinam elementos linguísticos no texto,
mas também de conhecimentos prévios sobre o mundo e do tipo de
mundo.

Exemplo 2

“[...] Jamais poderemos afirmar que vivemos em um mundo


justo tendo em vista a concepção de que o homem é corrupto e ávido
por dinheiro e que para fazer esse combate é necessário a pacificação
homem que hoje é combatido através de armamentos e sanções
comerciais, ou até mesmo a força bruta”.

No trecho acima extraído do artigo de Pachane e Vêncio


(2005) percebe-se que existem várias ideias desordenadas, que
precisam de encadeamento para que o texto tenha progressão e para
que estabeleça uma relação clara de ideias. Do contrário, o texto fica
sem recursos coesivos e, por consequência, perde o sentido, por
31
LÍNGUA PORTUGUESA
exemplo: O combate refere-se a quê? E o que é combatido através de
armamentos e sanções?

UM TEXTO É INCORENTE QUANDO NÃO HÁ SENTIDO


ENTRE AS PROPOSIÇÕES.

A COESÃO

A coesão ou conectividade textual é a ligação que se estabelece


entre as partes de um texto, mesmo que não seja aparente. É a
expressão, no plano linguístico, do nexo determinado pela coerência.
A coesão é realizada por elementos de natureza gramatical (como os
pronomes, conjunções, preposições, categorias verbais), elementos de
natureza lexical (sinônimos, antônimos, repetições) e por
mecanismos sintáticos (subordinação, coordenação, ordem dos
vocábulos e orações). É responsável pela unidade formal do texto, um
dos mecanismos responsáveis pela interdependência semântica que
se instaura entre os elementos constituintes de um texto.

ENTENDENDO A COESÃO

Os exemplos abaixo para o entendimento da coesão foram


retirados do livro Redação e textualidade de Maria da Graça Costa
Val (2006, p. 37).

32
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Exemplo 1

PAULO SAIU. JOÃO CHEGOU.

Observe as frases, o que você entende quando lê?

Se a relação pretendida não vier expressa, o recebedor poderá


atribuir ao enunciado sentido diferente do que o autor queria. Veja
as possibilidades de construção de sentido para as frases acima:

PAULO SAIU assim que JOÃO CHEGOU.

PAULO SAIU, mas JOÃO CHEGOU.

PAULO SAIU, porque JOÃO CHEGOU.

PAULO SAIU, apesar de JOÃO ter chegado.

Se PAULO SAIU, JOÃO dever ter chegado.

Os elementos de coesão possibilitaram diferentes construções


de sentido ao texto.

33
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo 2

Os elementos de coesão também proporcionam ao texto a


progressão textual, levam adiante o discurso:

Primeiro vi a moto, depois o ônibus. (tempo)

Embora tenha estudado muito, não passou. (contraste)

De acordo com Halliday e Hasan (1989, p. 126), há cinco


diferentes mecanismos de coesão:

1. REFERÊNCIA
2. SUBSTITUIÇÃO
3. ELIPSE
4. CONJUNÇÃO
5. COESÃO LEXICAL

Vejamos cada um deles:

1. REFERÊNCIA – São elementos de referência os itens da


língua que não podem ser interpretados semanticamente por si
mesmos, mas remetem a outros itens do discurso necessários à sua
interpretação. Ela pode ser situacional ou exofórica (extratextual) e
textual ou endofórica. Abaixo, veja um esquema de referência textual
(endofórica):

34
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
TEXTO 1 – ESQUEMA DE REFERÊNCIA TEXTUAL

Fonte: Autoria própria.

1.1 Pessoal - feita por meio de pronomes pessoais e


possessivos:

Você representará a empresa no congresso. (exofórico)


Adriana e Carlos representarão a empresa. Eles viajarão
amanhã. (anafórico)

35
LÍNGUA PORTUGUESA
1.2 Demonstrativa: feita por meio de pronomes
demonstrativos.

Fez tudo, menos isto: o que você mais pediu. (catafórico)


1.3 Comparativa

É uma atitude semelhante a que repreendemos

2. SUBSTITUIÇÃO - Consiste na colocação de um item em


lugar de outro(s) do texto, ou até mesmo, de uma oração inteira.

Fabiane adquiriu um bom livro. Eu também quero um.

Renata apresentará um novo projeto. Augusto também.

3. ELIPSE - Omissão de um item lexical, um sintagma, uma


oração ou todo um enunciado que são facilmente recuperáveis pelo
contexto.

- Isaque estudou todos os assuntos?


- ø estudou ø

Diógenes e Lilian participaram da reunião; Ivan, não.

4. CONJUNÇÃO - Permite estabelecer relações significativas


específicas entre elementos ou orações do texto. Tais relações são
36
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
assinaladas explicitamente por marcadores formais que
correlacionam o que está sendo dito àquilo que já foi dito.

Estou doente, mas irei trabalhar.

5. COESÃO LEXICAL: É obtida por meio de dois


mecanismos: a reiteração e a colocação.

5.1 A REITERAÇÃO se faz por repetição do mesmo item


lexical ou através de sinônimos, hiperônimos ou nomes genéricos:

O ministro viajou ontem. O ministro levou uma comitiva.

Um aluno ganhou o prêmio. O estudante é desta Faculdade.

Um ônibus está causando engarrafamento. O veículo será


retirado logo que possível.
Todos estão assustados com os destroços. A coisa que aqui
caiu ainda não foi identificada.

5.2 A COLOCAÇÃO: Consiste no uso de termos pertencentes


a um mesmo campo significativo.

Houve um grande desastre. As vítimas foram levadas a


vários hospitais. As ambulâncias foram cedidas por várias clínicas.

37
LÍNGUA PORTUGUESA
VERIFICANDO A COESÃO TEXTUAL

Leia o texto “Os urubus e sabiás”. Identifique os elementos


coesivos observando na tessitura textual.
Os urubus e sabiás

(1) Tudo aconteceu numa terra distante, no tempo em que os bichos


falavam... (2) Os urubus, aves por natureza becadas, mas sem
grandes dotes para o canto, decidiram que, mesmo contra a natureza,
eles haveriam de se tornar grandes cantores. (3) E para isto
fundaram escolas e importaram professores, gargarejavam dó-ré-mi-
fá, mandaram imprimir diplomas, e fizeram competições entre si,
para ver quais deles seriam os mais importantes e teriam permissão
de mandar nos outros.
(4) Foi assim que eles organizaram concursos e se deram nomes
pomposos, e o sonho de cada urubuzinho, instrutor em início de
carreira, era se tornar um respeitado urubu titular, a quem todos
chamavam por Vossa Excelência. (5) Tudo ia muito bem até que a
doce tranquilidade da hierarquia dos urubus foi estremecida. (6) A
floresta foi invadida por bandos de pintassilgos tagarelas, que
brincavam com os canários e faziam serenatas com os sabiás... (7) Os
velhos urubus entortaram o bico, o rancor encrespou a testa, e eles
convocaram pintassilgos, sabiás e canários para um inquérito.
(8) “- Onde estão os documentos dos seus concursos? (9) E as pobres
aves se olharam perplexas, porque nunca haviam imaginado que tais
coisas houvessem. (10)Não haviam passado por escolas de canto,
porque o canto nascera com elas. (11)E nunca apresentaram um
diploma para provar que sabiam cantar, mas cantavam,
simplesmente...(12) – Não, assim não pode ser. Cantar sem a
38
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
titulação devida é um desrespeito à ordem. (13) E os urubus, em
uníssono, expulsaram da floresta os passarinhos que cantavam sem
alvarás...
MORAL: Em terra de urubus diplomados não se ouve canto de sabiá.
ALVES, Rubens. Estórias de Quem Gosta de Ensinar. São Paulo:
Cortez, 1984, p. 61-62.

VAMOS CONFERIR A IDENTIFICAÇÃO DOS ELOS COESIVOS?

A coesão textual, nesse texto, é realizada por elementos


catafóricos e elementos anafóricos:

Em tudo (1), refere-se a todo texto, um elemento catafórico;


Em isto (3), refere-se ao enunciado anterior, sendo assim
anafórico;
Em mas (2) e (11) e mesmo em (2), oposição ou contraste;
Para, finalidade ou meta em (3) e (11);
Localização temporal, até que em (5);
Consequência em foi assim que (4) e em (7);
Porque explicação ou justificativa em (9) e (10);
Adição de ideias, e em (7) e (11).

A COESÃO REFERE-SE MODO COMO SÃO LIGADOS OS


ELEMENTOS TEXTUAIS.

39
LÍNGUA PORTUGUESA
COERÊNCIA x COESÃO

A coerência e a coesão têm em comum a característica de


promover a inter-relação semântica entre os elementos do discurso,
respondendo pelo que se pode chamar de conectividade textual. A
coerência diz respeito ao nexo entre os conceitos e a coesão, à
expressão desse nexo no plano linguístico. (COSTA VAL, 1999, p. 7).

A INTENCIONALIDADE

A intencionalidade vem da palavra intenção. Significa objetivo,


meta, aquilo que se busca, ou que se pretende informar,
impressionar, alarmar, convencer, pedir etc. Refere-se à orientação
da produção textual para construir um discurso coerente, coeso para,
assim, atingir seus objetivos.

A ACEITABILIDADE

Aceitabilidade vem da palavra aceitar, receber, entender,


compreender. A aceitabilidade diz respeito à expectativa de quem lê
ou ouve em compreender o texto. Para isso, o texto deve ser coerente,
coeso, útil e relevante, capaz de levar o leitor ou ouvinte a adquirir
conhecimento ou a cooperar com os objetivos do produtor. Para se
alcançar a aceitabilidade do texto, precisa-se utilizar de recursos
como: autenticidade, informatividade, precisão, clareza, ordenação
etc.

40
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A SITUACIONALIDADE

A palavra situacionalidade vem de situação, circunstância,


local, ambiente. A situacionalidade é a adequação do texto a situação
social e comunicativa em dado momento, pois o contexto define o
sentido do discurso. Deve-se considerar a situação no momento de
desenvolver um texto, pois o que é importante num determinado
texto pode ser desprezível em outro.

A INFORMATIVIDADE

A palavra informatividade vem de informação, dados, pistas,


fundamentos. Como elemento da textualidade, a informatividade
está na quantidade de conhecimento do recebedor (leitor ou ouvinte)
para entendimento das ocorrências de um texto, ou seja, o que está
no texto é esperado ou não, conhecido ou não? Um texto que exija
em seu todo somente informações difíceis de quem lê ou ouve não
alcança seus objetivos. O excesso de informatividade pode ser
rejeitado pelo receptor, que não poderá processá-lo. A medida
aconselhável é que sempre sejam levadas em consideração as
informações possuídas por quem vai ler ou ouvir o texto, facilitando
o entendimento, conjugada com novidades que exijam um pouco de
reflexão diante do texto.

A INTERTEXTUALIDADE

A palavra Intertextualidade é formada a partir da junção de


dois vocábulos, sendo o prefixo INTER mais a palavra
TEXTUALIDADE. Assim temos: INTER+TEXTUALIDADE =
41
LÍNGUA PORTUGUESA
INTERTEXTUALIDADE. Quer dizer uma relação onde um está
ligado ao outro. Se existe Intertextualidade, existe um texto ligado a
outro texto. Um texto sempre é construído através de outro texto,
escrito ou falado. Um texto só faz sentido quando conhecemos
outros, quanto mais se leem e se ouvem textos diversos, mais fácil
será entender novos textos.

COMPREENDENDO A INTERTEXTUALIDADE

Observe a leitura realizada por Inaldo Firmino Soares da


intertextualidade presente no trecho destacado na música Atire a
Primeira Pedra de Ataulfo Alves e Mário Lago, composta em 1943.

ATIRE A PRIMEIRA PEDRA

Mário Lago e Ataulfo Alves

Covarde eu sei que me podem chamar


Porque não calo no peito essa dor
Atira a primeira pedra Iaia
Aquele que não sofreu por amor

Eu sei que vão censurar o meu proceder


Eu sei mulher, você mesma vai dizer
Eu voltei pra me humilhar, é mas não faz mal
Você pode até sorrir

Perdão foi feito pra gente pedir


Perdão foi feito pra gente pedir

Chorei, não procurei esconder


Todos viram, fingiram
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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Pena de mim não precisava
Ali onde eu chorei, qualquer um chorava
Dar a volta por cima meu bem
Quero ver quem dava

Um homem de moral, não fica no chão


Nem quer que a mulher lhe venha dar a mão
Reconhece a queda e não desanima
Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima.

Disponível em: <https://www.letras.mus.br/ataulfo-alves/221907/> . Acesso em 25 jul. 2018.

O fragmento acima faz parte do samba-canção composto por


Mário Lago e Ataulfo Alves nos idos de 1940, em que se ouve uma
voz masculina lamentando-se chorosamente de dores de amor por
ter sido abandonado pela mulher amada, tem-se o verso “atire a
primeira pedra ai, ai, ai, aquele que não sofreu por amor”. Muitos de
nós, que ouvimos a canção da boca de nossas avós, de nossas mães,
nem de longe nos apercebemos de que o verso recortado retoma uma
fala do episódio A mulher adúltera, capítulo 8 de “O Santo Evangelho
segundo São João”, quarto livro do Novo Testamento. É no Livro
Sagrado, a Bíblia, que vamos encontrar a passagem em que Jesus
proclama, diante de uma multidão agressiva prestes a apedrejar a
“adúltera”, célebre frase “Aquele que dentre vós está sem pecado seja
o primeiro que atire pedra contra ela”. Para legitimar a ideia de que
todos somos passíveis de sofrer e chorar por amor, Mário Lago
apropria-se da fala de Jesus em defesa da “pecadora”.

Os fatores de TEXTUALIDADE têm extrema importância na construção


textual. Somados aos conceitos de coerência e de coesão fazem com que um
texto seja um texto e não um amontoado de palavras.

43
LÍNGUA PORTUGUESA
PARA FIXAR

TEXTO SÍNTESE

Fonte: Autoria própria.

44
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Na hora de ler ou ouvir um texto, não esqueça: Apresenta uma
comunicação em determinado tempo e local; Ele é um todo dotado
de significado, conceitos e ideias; Para ele existir e ser entendido
adequadamente necessita ser produzido dentro de regras
socializadas, ou seja, conhecidas pelos envolvidos no processo
comunicativo, a exemplo das regras gramaticais.

VAMOS EXERCITAR? – ATIVIDADE 5

A partir da junção das informações a seguir, construa um texto


coeso e coerente:

- A atriz Arlete Sales é sucesso no palco e na televisão.


- A atriz Arlete Sales interpreta agora a perversa e divertida
Augusta Eugênia na novela global Porto dos Milagres.
- A personagem Augusta Eugênia tem agradado em cheio ao
público.
- A atriz Arlete Sales deu cor e humor á personagem.
- Arlete Sales diz que Augusta Eugênia é uma louca,
exacerbada, delirante.
- Arlete Sales é o oposto da personagem que interpreta na
novela das oito.
- Arlete Sales é delicada e sorridente.
- Arlete Sales destacou-se em vários papéis inesquecíveis.

45
LÍNGUA PORTUGUESA
- Arlete Sales coleciona, em sua galeria, personagens como
Carmosina, de Tieta do Agreste.
- Outra personagem inesquecível de Arlete Sales foi a cubana
Anabel, de Salsa e Merengue.

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1.1.4
CONTEÚDO 4.
TIPOLOGIA TEXTUAL
Os tipos textuais referem-se ao modo como o texto está
escrito, sua estrutura composicional (aspectos lexicais, sintáticos,
tempos verbais, relações lógicas, estilo).
Nessa perspectiva, a tipologia textual caracteriza o
funcionamento dos planos constitutivos do texto – a estrutura
interna da configuração textual. Charaudeau, (2008, p. 71), trata os
tipos textuais como Modos de Organização do Discurso no texto,
classificando-os como: o Enunciativo, o Descritivo, o Narrativo e o
46
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Argumentativo. Ainda segundo Charaudeau (2008), o modo
Enunciativo tem a vocação essencial de dar conta da posição do
locutor com relação ao interlocutor, a si mesmo e aos outros, essa
função tem como resultado que este modo comanda os demais.

TIPOS TEXTUAIS

ENUNCIATIVO

DESCRITIVO

NARRATIVO

ARGUMENTATIVO

Fonte: Autoria própria.

Segundo Chareudeau (2008, p. 75), o plano estrutural de um


texto assume uma dada configuração em virtude da correlação entre
os elementos de sua organização e as condições de produção do
discurso, isto é, o locutor realiza operações textual-discursivas para
efetivar o efeito de sentido que ele pretende provocar no interlocutor.
Essas operações podem modalizar-se na forma de:
a) NARRAÇÃO, se o que se quer é contar, dizer os fatos, os
acontecimentos;

47
LÍNGUA PORTUGUESA
b) DESCRIÇÃO, se o que se quer é caracterizar, dizer como é
o objeto descrito, fazendo conhecê-lo;

c) DISSERTAÇÃO/ARGUMENTAÇÃO, se o quer se quer é


refletir, explicar, avaliar, comentar, conceituar, expor ideias, ponto de
vista para dar a conhecer, para fazer saber, fazer crer, associando-se à
análise e à interpretação.

LOCUTOR: A pessoa que fala, isto é, a que produz um ato de


linguagem em uma situação de comunicação.

INTERLOCUTOR: É a pessoa que dialoga, discute, conversa


com outro indivíduo. É a pessoa que, numa troca verbal, representa
ao mesmo tempo o destinatário do sujeito falante e aquele que tem o
direito de tomar a palavra para responder, concordar, completar,
replicar etc.

SUJEITO: É todo indivíduo que produz um ato comunicativo ou


todo indivíduo/objeto alvo do ato comunicativo.

ENUNCIADO: É toda parte de um discurso, dito/escrito por um


indivíduo.

DISCURSO: Exposição verbal, oral ou escrita, construído por


um indivíduo ou por indivíduos. O Discurso pode ser analisado a
partir da perspectiva da intenção, objetivo, contexto, influência
externa etc.

48
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Vejamos as características das formas de organização textual,
conforme Charaudeau (2002):

MODOS DE FUNÇÃO DE BASE PRINCÍPIO DE


ORGANIZAÇÃO ORGANIZAÇÃO

Relação de Posição em relação ao


influência interlocutor.
(EU – TU) Posição em relação ao
Ponto de vista do mundo.
sujeito
ENUNCIATIVO
(EU – ELE) Posição em relação a
Retomada do que já outros discursos.
foi dito
(ELE)

Identificar e Organização da
qualificar seres de construção descritiva.
maneira objetiva e (Nomear – Localizar-
DESCRITIVO
subjetiva. Qualificar).
Encenação descritiva

Construir a Organização da lógica


NARRATIVO sucessão das ações narrativa (actantes e

49
LÍNGUA PORTUGUESA
de uma história no processos)
tempo, com a Encenação narrativa.
finalidade de fazer
um relato.

Expor e provar Organização da lógica


casualidades numa argumentativa.
visada Encenação
ARGUMENTATIVO
racionalizante para argumentativa.
influenciar o
interlocutor.

Fonte: Charaudeau (2002, p. 75)

Vanda Maria Elias e Ingedore Villaça Koch em Ler e compreender os sentidos (2007)
sintetizam os tipos de textos:

NARRAÇÃO

São os textos cuja função é apresentar o relato de fatos reais ou


fictícios. Pode existir em um texto narrativo a presença de narrador,
personagens, enredo (a história), cenário e tempo.
Apresenta-se um conflito, usa-se verbo de ação (correr, fugir, dançar,
namorar...). Geralmente, ocorrem descrições de pessoas, objetos, ambientes,
coisas em geral, perfis psicológicos ou físicos. Podem ocorrer diálogos
diretos, indiretos ou livres.

50
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
DISSERTAÇÃO

São os textos cuja função é a defesa de um argumento – apresenta-se


uma ideia (tese) que será defendida, desenvolve-se o texto com argumentos
que sustentem a ideia apresentada inicialmente e conclui-se.
Há o predomínio da linguagem objetiva, prevalece a denotação e
dados reais, não se misturam posições subjetivas (da pessoa), a exemplo de
religião, achismos, situações pessoais etc.

DESCRIÇÃO

São os textos cuja função é retratar pessoas, ambientes, objetos.


Predominam atributos, verbo de ligação (ser, estar, ficar, permanecer,
continuar...).
É comum neste texto emprego de metáforas, comparações e outras
figuras de linguagem. Tem como resultado a imagem física ou psicológica.

LENDO TEXTOS:
NARRATIVOS, DESCRITIVOS E ARGUMENTATIVOS

ATIVIDADE 6
Texto 1 - Narrativo

Nasci de um parto difícil. Fui apresentado ao mundo numa


caixa de papelão quatro por quatro com mais cinco filhotes. Os dias
passaram e descobri que viver era a disputa por uma teta. Até aqui
ser um cão era muito confortável: comer e dormir. Algumas vezes

51
LÍNGUA PORTUGUESA
um rosto humano aparecia na borda da caixa e um detalhe me
marcava: uns óculos, nariz, um sorriso, mas sobretudo o gesto. Eu e
meus irmãos já nos interessávamos por coisas variadas quando o
primeiro de nós se foi. Sem muito alarde a mão branca com anéis
dourados verificou o pelo, a destreza, o olhar e pronto! Escolheu.
Eu não sei bem, mas fui ficando para depois. Até ficar
absolutamente só. Minha mãe, embora me lambesse
costumeiramente depois do parto, ficou cansada e preguiçosa, e
passava seus dias sob as folhas da mangueira no quintal. O único
contato com meus prováveis donos era a tina de comida e água
colocada uma vez ao dia.
Esqueci de contar! Sou um Pinscher. Preto com detalhes
amarelos nos pêlos dos olhos, pescoço e patinhas.
Meu latido é alto e inoportuno. Na verdade, nasci para ser um
cão de guarda. Ninguém acredita, já me acostumei. Sou uma raça
própria para crianças, porte pequeno, amoroso. O meu destino não
foi minha escolha, mas precisão do dono que me trocou por um
punhado de moedas. Não faz mal!
Hoje, conto essa história deitado numa cama especial para
cachorros. Minha dona é essa aí da foto, o outro, é claro, sou eu. E o
gesto que mais emociona essa minha vida de cachorro são os
pedacinhos de carne que ela me oferece por baixo da mesa de jantar.
Na verdade, somos cúmplices.

Disponível em: < http://www1.uol.com.br/bichos2/meubicho10.htm>. Acesso em 25 jul. 2018.

52
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Texto 2 - Descritivo

Era alto, magro, vestido todo de preto, com o pescoço entalado


num colarinho direito. O rosto aguçado no queixo ia-se alargando
até à calva, vasta e polida, um pouco amolgada no alto; tingia os
cabelos que de uma orelha à outra lhe faziam colar por trás da nuca -
e aquele preto lustroso dava, pelo contraste, mais brilho à calva; mas
não tingia o bigode: tinha-o grisalho, farto, caído aos da boca. Era
muito pálido; nunca tirava as lunetas escuras. Tinha uma covinha no
queixo, e as orelhas grandes muito despegadas do crânio.
Fora, outrora, diretor-geral do Ministério do Reino, e sempre
que dizia "El-rei!" erguia-se um pouco na cadeira. Os seus gestos
eram medidos, mesmo a tomar rapé. Nunca usava palavras triviais;
não dizia vomitar, fazia um gesto indicativo e empregava restituir.
Fonte: Eça de Queirós - O Primo Basílio.

Disponível em: <https://www.livros-digitais.com/eca-de-queiros/o-primo-basilio/28 >. Acesso


em 25 jul. 2018.

Texto 3 - Argumentativo

Meio-ambiente e tecnologia: não há contraste, há solução.


Uma das maiores preocupações do século XXI é a preservação
ambiental, fator que envolve o futuro do planeta e,
consequentemente, a sobrevivência humana. Contraditoriamente,
esses problemas da natureza, quando analisados, são
equivocadamente colocados em oposição à tecnologia.
O paradoxo acontece porque, de certa forma, o avanço tem um
preço a se pagar. As indústrias, por exemplo, que são
53
LÍNGUA PORTUGUESA
costumeiramente ligadas ao progresso, emitem quantidades
exorbitantes de CO2 (carbono), responsáveis pelo prejuízo causado à
Camada de Ozônio e, por conseguinte, problemas ambientais que
afetam a população.
Mas, se a tecnologia significa conhecimento, nesse caso, não
vemos contrastes com o meio-ambiente. Estamos numa época em
que preservar os ecossistemas do planeta é mais do que avanço, é
uma questão de continuidade das espécies animais e vegetais,
incluindo-se principalmente nós, humanos. As pesquisas acontecem
a todo o momento e, dessa forma, podemos considerá-las parceiras
na busca por soluções a essa problemática.
O desenvolvimento de projetos científicos que visem a
amenizar os transtornos causados à Terra é plenamente possível e
real. A era tecnológica precisa atuar a serviço do bem-estar, da
qualidade de vida, muito mais do que em favor de um conforto
momentâneo. Nessas circunstâncias não existe contraste algum, pelo
contrário, há uma relação direta que poderá se transformar na
salvação do mundo.
Portanto, as universidades e instituições de pesquisas em geral
precisam agir rapidamente na elaboração de pacotes científicos com
vistas a combater os resultados caóticos da falta de conscientização
humana. Nada melhor do que a ciência para direcionar formas
práticas de amenizarmos a “ferida” que tomou conta do nosso
Planeta Azul.

Fonte: Revista Cult, ano 12, out. Disponível 2012.

Disponível em: < https://www.passeidireto.com/arquivo/4477685/texto-dissertativo-


argumentativo>. Acesso em 25 jul. 2018.

54
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Texto 4 – Texto misto

Em um mesmo texto, podemos encontrar trechos narrativos,


descritivos ou dissertativos:

Mariana (Eu!)
“Sabe, toda vez que me olho no espelho, ultimamente, vejo o
quanto eu mudei por fora. Tudo cresceu: minha altura, meus cabelos
lisos e pretos, meus seios. Meu corpo tomou novas formas: cintura,
coxas, bumbum. Meus olhos (grandes e pretos) estão com um ar
mais ousado. Um brilho diferente. Eu gosto dos meus olhos. São
bonitos. Também gosto dos meus dentes, da minha franja... Meu
grande problema são as orelhas.
Acho orelha uma coisa horrorosa, não sei por que (nunca vi
ninguém com uma orelha bonitona, bem-feita). Ainda bem que
cabelo cobre orelha!
Chego à conclusão de que tenho mais coisas que gosto do que
desgosto em mim. Isso é bom, muito bom. Se a gente não gostar da
gente, quem é que vai gostar? (Ouvi isso em algum lugar...) Pra eu me
gostar assim, tenho que me esforçar um monte.
Tomo o maior cuidado com a pele, por causa das malditas
espinhas (babo quando vejo um chocolate!). Não como gordura (é
claro que maionese não falta no meu sanduíche com batata frita, mas
tudo ligth...) nem tomo muito refri (celulite!!!).
Procuro manter a forma. Às vezes sinto vontade de fazer tudo
ao contrário: comer, comer, comer... Sair da aula de ginástica,
suando, e tomar três garrafas de refrigerante geladinho.
Pedir cheese bacon com um mundo de maionese.

55
LÍNGUA PORTUGUESA
Engraçado isso. As pessoas exigem que a gente faça um tipo e o
pior é que a gente acaba fazendo. Que droga! Será que o mundo
feminino inteiro tem que ser igual? Parecer com a Gisele Bündchen...
ou com a Xuxa ou sei lá com quem? Será que tem que ser assim
mesmo?
Por que um monte de garotas que eu conheço vivem cheias de
complexos? Umas porque são mais gordinhas. Outras porque os
cabelos são crespos ou porque são um pouquinho narigudas.
Eu não sei como me sentiria se fosse gorda, ou magricela, ou
nariguda, ou dentuça, ou tudo junto. Talvez sofresse, odiasse
comprar roupas, não fosse a festas... Não mesmo! Bobagem! Minha
mãe sempre diz que beleza é “um conceito muito relativo”. O que
pode ser bonito para uns, pode não ser para outros. Ela também fala
sempre que existem coisas muito mais importantes que tornam uma
mulher atraente: inteligência e charme, por exemplo. Acho que
minha mãe está coberta de razão!
Pois bem, eu sou Mariana. Com um pouco de tudo e muito de
nada.”

(Fonte: Juciara Rodrigues)

O texto é predominantemente narrativo, com um trecho


descritivo e um dissertativo:

Nos três primeiros parágrafos, há a descrição de Mariana nos


quais ela apresenta suas características físicas e psicológicas. Nos três
últimos, há uma pequena dissertação que começa com a pergunta de
Mariana; “Será que o mundo feminino inteiro te que ser igual?”.

56
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
ATIVIDADE 7

(ENADE 2008) “Ao lermos, se estamos descobrindo a


expressão de outrem, estamos também nos revelando, seja para nós
mesmos, seja abertamente.” Daí por que a troca de ideias nos
acrescenta, permite dimensionarmo-nos melhor, esclarecendo-nos
para nós mesmos, lendo nossos interlocutores. Tanto sabia disso
Sócrates como o sabe o artista de rua: “conversando também
conheço o que é que eu digo”.

Recepção e interação na leitura. In: Eliana Yunes (Org). Pensar a leitura: complexidade. Rio de
Janeiro: PUC- Rio; São Paulo: Loyola, 2002, p. 105 (com adaptações).

A partir das reflexões do texto apresentado, assinale a opção


correta a respeito da interação texto-leitor.

a) A aproximação, no texto, entre o que sabia Sócrates e o que sabe o


artista de rua, é incoerente porque os respectivos horizontes de
expectativa são diferentes.
b) A perspectiva apontada no texto favorece a vivência da leitura
como autoconhecimento, em detrimento da leitura como
identificação da expressão do outro.
c) A leitura como descobrimento pressupõe uma postura pedagógica
que reforça a tradição de leitura como confirmação da fala de uma
autoridade.
d) A interação texto-leitor deve ser evitada, por fugir ao controle do
autor e favorecer uma espécie de “vale-tudo interpretativo”.
e) Para a leitura como descobrimento ser efetiva, é necessária a troca
de ideias sobre a leitura; ler com o outro para nos conhecermos.

57
LÍNGUA PORTUGUESA
IDENTIFICANDO A TIPOLOGIA TEXTUAL

ATIVIDADE 8
Classifique os textos em (1) descritivo, (2) narrativo ou (3)
dissertativo.

TEXTO I

( ) Ele tinha o olhar fixo no anúncio luminoso, suspenso no fundo


negro de um céu sem estrelas. Já fazia uma hora que tinha o olhar
fixo no anúncio onde um cisne branco aparecia fosforescente em
primeiro plano no espaço tumultuado de nuvens. Logo em seguida,
com ondulações de pétalas mansas, abria-se em torno do cisne um
pequeno lago que chegava até quase a meia-lua branca da qual saía o
letreiro. Cortado pelo perfil de um edifício. Só as cinco letras do
anúncio eram visíveis, as outras desapareciam detrás do cimento
armado.
(Lygia Fagundes Telles)
TEXTO II

( ) Enfim, chegou a hora da recomendação e da partida. Sancha


quis despedir-se do marido, e o desespero daquele lance consternou a
todos. Muitos homens choravam também, as mulheres todas. Só
Capitu, amparando a viúva, parecia vencer-se a si mesma. Consolava
a outra, queria arrancá-la dali. A confusão era geral. No meio dela,
Capitu olhou alguns instantes para o cadáver, tão fixa, tão
apaixonadamente fixa, que não admira lhe saltassem algumas
lágrimas poucas e caladas. As minhas cessaram logo. Fiquei a ver as
dela. Capitu enxugou-as depressa, olhando a furto para a gente que
58
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
estava na sala. Redobrou de carícias para a amiga e quis levá-la; mas o
cadáver parece que a retinha também. Momento houve em que os
olhos de Capitu fitaram o defunto, quais os da viúva, sem o pranto
nem palavras desta, mas grandes e abertos, como a vaga do mar lá
fora, como se quisesse tragar também o nadador da manhã.
(Machado de Assis)
TEXTO III

Até o momento, não se conhece nenhum outro lugar do


Universo, além da Terra, que reúna condições para a existência de
vida. As atividades humanas no nosso planeta, porém, têm reduzido
cada vez mais essas condições.
O crescimento constante da população e o consequente
aumento do consumo vêm causando a destruição progressiva dos
recursos disponíveis e modificando rapidamente, o ambiente.
A maioria dos seres vivos só se utiliza daquilo que realmente
precisa para subsistir. O homem não, pois com seus instrumentos e
máquinas é capaz de multiplicar infinitamente o trabalho que seria
feito por um só indivíduo. Assim, ele se apropria intensiva e
rapidamente dos recursos e rompe o equilíbrio frágil e extremamente
complexo da natureza. Desse modo, prejudica os demais seres vivos,
ocasionando, muitas vezes, sua total destruição.
O número de habitantes do planeta, porém, cresce sem parar, e
muitas áreas produtivas da Terra já foram, e continuam sendo,
ocupadas sem planejamento e exploradas de modo inadequado. Se
continuarmos a agir assim, esgotando os recursos da natureza, em
pouco tempo só restarão na Terra ambientes impróprios para a vida
e sem possibilidade recuperação.

59
LÍNGUA PORTUGUESA
Mas uma espécie como a nossa, capaz de realizações
magníficas no campo das artes, ciências e da filosofia, deverá saber
organizar-se e encontrar soluções adequadas a garantir sua
permanência na Terra. (MATTOS et al, 1990)

60
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

QUESTÃO 1 (ENADE 2007)

A charge acima representa um grupo de cidadãos pensando e


agindo de modo diferenciado, frente a uma decisão cujo caminho
exige um percurso ético. Considerando a imagem e as ideias que ela
transmite, avalie as afirmativas que se seguem.

I. A ética não se impõe imperativamente nem universalmente a


cada cidadão; cada um terá que escolher por si mesmo os seus valores
e ideias, isto é, praticar a autoética.
II. A ética política supõe o sujeito responsável por suas ações e
pelo seu modo de agir na sociedade.
III. A ética pode se reduzir ao político, do mesmo modo que o
político pode se reduzir à ética, em um processo a serviço do sujeito
responsável.
IV. A ética prescinde de condições históricas e sociais, pois é
no homem que se situa a decisão ética, quando ele escolhe os seus
valores e as suas finalidades.
61
LÍNGUA PORTUGUESA
V. A ética se dá de fora para dentro, como compreensão do
mundo, na perspectiva do fortalecimento dos valores pessoais.

É correto apenas o que se afirma em:


a) I e II.
b) I e V.
c) II e IV.
d) III e IV.
e) III e V.

QUESTÃO 2 (ENADE 2011)


A educação é o Xis da questão

Disponível em: <http://ead.uepb.edu.br/noticias,82>. acesso em: 24 ago. 2011.

62
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A expressão “o Xis da questão” usada no título do infográfico
diz respeito:

a) à quantidade de anos de estudos necessários para garantir um


emprego estável com salário digno.
b) às oportunidades de melhoria salarial que surgem à medida que
aumenta o nível de escolaridade dos indivíduos.
c) à influência que o ensino de língua estrangeira nas escolas tem
exercido na vida profissional dos indivíduos.
d) aos questionamentos que são feitos acerca da quantidade mínima
de anos de estudo que os indivíduos precisam para ter boa educação.
e) à redução da taxa de desemprego em razão da política atual de
controle da evasão escolar e de e de aprovação automática de ano de
acordo com a idade.

63
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÃO 3 (ENADE 2009)

Leia os gráficos a seguir:

64
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Relacione esses gráficos às informações a seguir:

O Ministério da Cultura divulgou, em 2008, que o Brasil não


só produz mais da metade dos livros do continente americano, como
também tem parque gráfico atualizado, excelente nível de produção
editorial e grande quantidade de papel. Estima-se que 73% dos livros
do país estejam nas mãos de 16% da população.
Para melhorar essa situação, é necessário que o Brasil adote
políticas públicas capazes de conduzir o país à formação de uma
sociedade leitora.

Qual das seguintes ações NÃO contribui para a formação de


uma sociedade leitora?

a) Desaceleração da distribuição de livros didáticos para os


estudantes das escolas públicas, pelo MEC, porque isso enriquece
editoras e livreiros.
b) Exigência de acervo mínimo de livros, impressos e eletrônicos,
com gêneros diversificados, para as bibliotecas escolares e
comunitárias.
c) Programas de formação continuada de professores, capacitando-os
para criar um vínculo significativo entre o estudante e o texto.
d) Programas, de iniciativa pública e privada, garantindo que os
livros migrem das estantes para as mãos dos leitores.
e) Uso da literatura como estratégia de motivação dos estudantes,
contribuindo para uma leitura mais prazerosa.

65
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÃO 4 (ENADE 2009)
Leia o gráfico, em que é mostrada a evolução do número de
trabalhadores de 10 a 14 anos, em algumas regiões metropolitanas
brasileiras, em dado período:

Disponível em: <http://wwwl.fo1h.aluol.com.br/fo1h.a/cotidiano/ult95u85799.shtml>. Acesso


em 2 out. 2009. (adaptado)

Agora leia a charge:

66
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Há relação entre o que é mostrado no gráfico e na charge?
a) Não, pois a faixa etária acima dos 18 anos é aquela responsável
pela disseminação da violência urbana nas grandes cidades
brasileiras.
b) Não, pois o crescimento do número de crianças e adolescentes que
trabalham diminui o risco de sua exposição aos perigos da rua.
c) Sim, pois ambos se associam ao mesmo contexto de problemas
socioeconômicos e culturais vigentes no país.
d) Sim, pois o crescimento do trabalho infantil no Brasil faz crescer o
número de crianças envolvidas com o crime organizado.
e) Ambos abordam temas diferentes e não é possível se estabelecer
relação mesmo que indireta entre eles.

QUESTÃO 5 (ENADE 2008)

A flor da paixão

Os índios a chamavam de mara kuya: alimento da cuia. Contém


passiflorina, um calmante; pectina, um protetor do coração, inimigo do
diabetes. Rica em vitaminas A, B e C; cálcio, fósforo, ferro. A fruta é gostosa
de tudo quanto é jeito.
E que beleza de flor!

67
LÍNGUA PORTUGUESA
SEVERIANO, Mylton. Almanaque de Cultura Popular, ano 10, set./2008, N.º 113 (com adaptações).

Na construção da textualidade, assinale a função do conectivo


“E”, que inicia a última frase do texto.

a) Introduzir a justificativa para o nome da flor.


b) Exercer função semelhante à de uma preposição.
c) Substituir sinal de pontuação na estrutura sintática.
d) Acrescentar o substantivo “jeito” ao substantivo “beleza”.
e) Adicionar argumentos a favor de uma mesma conclusão.

MAPA CONCEITUAL

Mapas Conceituais são estruturas esquemáticas que


representam conjuntos de ideias e conceitos dispostos em uma
espécie de rede de proposições, de modo a apresentar mais
claramente a exposição do conhecimento e organizá-lo segundo a
compreensão cognitiva do seu idealizador. Portanto, são
representações gráficas, que indicam relações entre palavras e
conceitos, desde aqueles mais abrangentes até os menos inclusivos.
68
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
São utilizados para a facilitação, a ordenação e a sequenciação
hierarquizada dos conteúdos a serem abordados, de modo a oferecer
estímulos adequados à aprendizagem.
A construção de Mapas Conceituais (NOVAK; GOWIN, 1996)
propõe que as temáticas sejam apresentadas de modo diferenciado,
progressivo e integrado. Pela diferenciação progressiva,
determinados conceitos são desdobrados em outros conceitos que
estão contidos em si mesmos, parcial ou integralmente, indo dos
conceitos mais globais aos menos inclusivos, conforme pode ser
observado na figura abaixo.

FIGURA: MAPA CONCEITUAL

Fonte: Disponível em: <http://www.infoescola.com/pedagogia/mapas-conceituais-no-


processo-de-ensino-aprendizagem-aspectos-praticos/>. acesso em: 12 maio 2015.

69
LÍNGUA PORTUGUESA
Exemplo de mapa conceitual sobre aprendizagem significativa,
elaborado por Novak e Cañas (2010). É possível observar como os
conceitos estão distribuídos e correlacionados entre si, formando um
verdadeiro mapa.
O Mapa Conceitual é baseado na teoria da aprendizagem
significativa de David Ausubel, é a representação gráfica das relações
existentes entre os conceitos, entre as ideias de um texto, é uma
ferramenta que organiza e representa de forma sistemática um
conteúdo, possibilitando, assim, a consolidação de um
conhecimento.

Técnica de construção de um mapa conceitual:


a) ter, antes, uma boa pergunta inicial, cuja resposta estará expressa
no mapa conceitual construído;
b) escolher um conjunto de conceitos (palavras-chave) dispondo-os
aleatoriamente no espaço onde o mapa será elaborado;
c) escolher um par de conceitos para estabelecimento da(s)
relação(ões) entre eles;
d) decidir qual a melhor e escrever uma frase de ligação para esse par
de conceitos escolhido;
f) a repetição das etapas;
g) tantas vezes quanto isso se fizer necessário (em geral até que todos
os conceitos escolhidos tenham, ao menos, uma ligação com outro
conceito).

Os conceitos são colocados dentro de caixas, enquanto que as


relações entre os conceitos são especificadas através de frases de
ligação nos arcos que unem os conceitos.

70
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Agora vamos construir um mapa conceitual do texto O ato de
ler de Irismar Oliveira Santos-Théo.

O ATO DE LER

A leitura do mundo precede a leitura da


palavra, daí que a posterior leitura desta não
possa prescindir da continuidade da leitura
daquele. Linguagem e realidade se prendem
dinamicamente.

Paulo Freire

Como tudo o que faz o ser humano, o ato de ler implica


também uma reflexão sobre a prática, os seus fins e os seus
métodos. Sabemos que a leitura é de fundamental importância
para o estudo, para a construção e reconstrução do conhecimento
dos objetos da realidade. Nesse caso, “... ler, como um ato de
estudar, não é um simples passatempo, mas uma tarefa séria, em
que os leitores procuram clarificar as dimensões opacas de seu
estudo” (FREIRE, 1992, p.87).
Por isso, o leitor não deve assumir uma atitude acrítica nem
passiva, memorizando e absorvendo mecanicamente o conteúdo
de um texto. Essa atitude não lhe permitirá distinguir se as ideias
expressas por um autor são verdadeiras ou falsas. Além disso, a
atitude acrítica e passiva no ato de ler leva o leitor a adotar essa
mesma atitude diante dos problemas e desafios encontrados em
sua realidade social.
É oportuno afirmar que a leitura pode propiciar ao leitor o
aprofundamento de seu conhecimento sobre o mundo em que
vive ou pode aliená-lo em relação a esse mundo, dependendo da
atitude que ele assuma no ato de ler.
71
LÍNGUA PORTUGUESA
Para que o educando venha a compreender, sem distorções,
a realidade que o cerca, despertando-lhe uma visão crítica, franca,
é preciso que se estabeleça uma ponte entre o que ele aprende
nos livros e sua vivência fora da escola. É preciso dar-lhe subsídios
para que o próprio educando vá buscar soluções que no cotidiano
se mostram impraticáveis. Assim, afirma Miguel Arroyo (1996: 11),
“é preciso alargar nossa visão de como as pessoas se educam e
aprendem também fora da escola. Há uma pedagogia além da
nossa pedagogia”.
É possibilitando que o educando compare, observe,
questione o mundo, o meio através do concreto, que ele se tornará
uma pessoa capaz de ver além das superfícies lisas e quase sempre
incoerentes.
Se ao ser humano é dado produzir seus mundos, tanto na
dimensão material como institucional, é porque o ser humano é
dotado da capacidade de dar
sentido à sua existência, produzir ideias e ideais (valores) a
respeito do seu viver, desde as manifestações mais comuns às mais
grandiosas.
Trabalhar intensamente com a leitura, aprendendo a
detectar as articulações que as formam é, principalmente, elaborar
e refletir as leituras já feitas, procurando transformá-la num
processo cada vez mais consciente e preciso. No contato sensorial
e táctil (Calvino, 2000) do leitor com livro é que se identificam e se
resolvem os problemas que a leitura nos propõe.
Para começarmos a desenvolver o tema por nós proposto
neste artigo, leitura, precisamos delimitar o seu múltiplo conceito.
Podemos afirmar, tendo com o parâmetro Paulo Freire, que leitura
é o meio de que dispomos para adquirir informações e
desenvolver reflexões críticas sobre a realidade e o mundo em que
estamos inseridos.
O ato de ler é geralmente interpretado como a
decodificação daquilo que está escrito. Dessa forma, ler consiste
num conhecimento baseado principalmente na habilidade de
72
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
memorizar determinados sinais gráficos (as letras). Uma vez
adquirido tal conhecimento, a leitura passa a ser um processo
mecânico, prejudicado apenas por limitações materiais (falta de
luz ou mau estado do impresso, por exemplo) ou por questões
linguísticas (palavras de significado ignorado ou frases muito
complexas).
Refletir sobre o ato de leitura é mais que decodificar
palavras. Ler é, portanto, um processo contínuo que se confunde
com o próprio fato de se estar no mundo, entendido como
biológico e social. Ler não é decifrar palavras, mas consiste num
exercício de compreensão que, talvez pela sua complexidade, se
torna um fator atrativo envolto num mundo cheio de mistérios, até
porque o ato de ler é, antes de tudo, compreender o mundo.
A sociedade de que somos parte produz cultura. Essa cultura
é um conjunto complexo e dinâmico que abrange desde rituais
mínimos de consciência até os aprofundados conhecimentos
científicos e técnicos.
Desse conjunto fazem parte valores que aprendemos a
associar às coisas e às ações, como também ideias sobre a
realidade que, muitas vezes, nos levam a vê-la de uma forma irreal.
Aprender a ler o mundo (adquirir a “inteligência do mundo”),
conforme Paulo Freire, significa conhecer esses valores e essas
ideias na sua interioridade, significa, também, pensar sobre eles,
desenvolvendo uma posição crítica e própria (p. 23).
Aprendemos a ler a realidade em nosso cotidiano social.
Desde criança, identificamos atitudes agressivas, diferenciando-as
das atitudes receptivas. A consciência social nos ensina a perceber
quais lugares devemos freqüentar, quais comportamentos
devemos adotar ou evitar em determinadas situações.
Aprendemos a ler em nosso grupo social interiorizando os
pequenos rituais estabelecidos para as relações sociais.
Aprendemos também que somos permanentemente “lidos”,
o que nos leva a ter um bom relacionamento como uma forma de

73
LÍNGUA PORTUGUESA
linguagem, capaz de agradar e despertar simpatia ou agredir e
demonstrar indiferença.
Esse aprendizado social inclui também formas de pensar a
realidade. Aprendemos a pensar, por exemplo, que é necessário
adquirir conhecimentos técnicos e científicos que nos permitam
ingressar no mercado de forma vantajosa. O aprendizado deve
estar voltado para o exercício da cidadania ativa, no aspecto
político, levando o educando a participar e a tomar suas próprias
decisões, em outras palavras, ter autonomia de pensamento.
No aspecto social, significa compreender-se como pessoa
que possui direitos e deveres dentro da sociedade e, no campo
cultural, implica em levá-lo arespeitar os valores e as diferentes
expressões culturais presentes no meio.
Aprendemos a ver na infância e na adolescência períodos de
vida destinados principalmente à preparação da vida adulta.
Aprendemos muitos outros valores sociais que nos criam hábitos
de consumo e posições perante a vida. A vida social, dessa forma,
não se limita a nos ensinar a ler a realidade, mas chega ao ponto
de orientar essa leitura num sentido mais ou menos permanente.
Somos levados a adotar determinadas expectativas e a
satisfação dessas é vista como forma de felicidade. Portanto, o
mundo social é uma troca permanente entre o leitor e a leitura.
Nossa cultura nos transfere conhecimentos sobre a realidade e
formas de pensá-la. Aprender a ler o mundo é apropriar-se desses
valores de nossa cultura. É, também, submetê-los a um processo
permanente de questionamento do qual participa nossa
capacidade de dúvidas, de reflexão e de avaliação.
Entende-se, assim, que ler é apropriar-se de um produto
cultural, gerado intencionalmente por um ou mais agentes
históricos. O ato de ler expande o leque de experiências do ser
enquanto criança ou adulto, percebendo novas formas de
conceber o mundo e a si mesmo. São múltiplas as possibilidades
de abertura de horizontes quando o ser se apropria do ato de ler.

74
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A leitura não é uma atividade que apenas aciona as
operações do intelecto. Um texto é também recebido no nível da
sensibilidade, da sensorialidade, da afetividade, da emoção.
Mesmo que um leitor não consiga formalizar a sua compreensão
do texto, isso não significa que ele não tenha se apropriado de
algo do processo de leitura.
Assim, o ato de ler tende a formar pessoas abertas ao
intercâmbio, direcionadas para o futuro, dispostas a valorizar o
planejamento e aceitar princípios técnicos e científicos. Esse tipo
de pessoa é o que permite um maior e mais eficaz
desenvolvimento social. São abertas às iniciativas comunitárias de
progresso e melhoria social Afinal, será essa a única maneira de
organizar a vida? Será esse o único mundo que somos capazes de
fazer? Não será possível pensar a humanidade em outros termos?
Esse exercício da dúvida é sempre benéfico, pois nos oferece
condições de superar as leituras mais imediatas da realidade,
atingindo leituras importantes para quem se preocupa com a
saúde social e física do ser humano. Tal situação propõe o
surgimento de vários tipos de leitura.
Tipos de Leituras
Segundo Calvino (2000), a primeira leitura que se faz de
qualquer texto é a sensorial, isto é, o leitor, ao tomar em suas mãos
uma publicação, trata-a como objeto em si, avaliando seu aspecto
físico e a sensação táctil que desperta.
Essa atitude é um elemento importante do nosso
relacionamento com a realidade escrita. Observe o cuidado gráfico
com que são apresentadas as revistas nas bancas: cores, formas e
embalagens procuram atrair o interesse do comprador. Com os
livros acontece a mesma coisa: basta entrar numa livraria para
perceber que todos aqueles volumes expostos e dispostos
constituem uma mensagem apelativa aos nossos sentidos. Além
disso, há quem sinta muito prazer em possuir livros, acariciando-os
e exibindo-os como objetos artísticos: são os bibliófilos. Como
exemplo de bibliófilo, podemos citar José Mindlin, um apaixonado
75
LÍNGUA PORTUGUESA
pelo livro que, além de adquiri-los onde quer que estejam, é um
leitor que “ganha o dia” equilibrando desejo e mania; a mania
saborosa de manusear e ler os livros que tem, numa relação de
“amor incurável”. Segundo Mindlin (2002), o livro é “um mágico
artefato [...] que nos abre portas, fantasias e mundos”. Isso reforça
uma das muitas conclusões sobre o ato de ler, a ideia de que o
fascínio pela leitura nos leva a entender que “a vida de toda pessoa
é única, uniforme e compacta como um cobertor enfeltrado”
(CALVINO, 2000, p. 111)
A leitura sensorial do texto escrito é uma primeira etapa do
nosso processo de descodificação. À leitura sensorial costuma-se
seguir a chamada leitura emocional, a que se usa a sensibilidade. É
quando passamos conhecimento do texto propriamente dito,
percorrendo as páginas e travando contato com o conteúdo.
Leitura, então, gera emoção. A história pode ser
emocionante ou tediosa, o artigo ou matéria pode fazer rir ou
irritar, os poemas podem ser fáceis ou difíceis de ler, agradáveis ou
complicados e aborrecidos. Normalmente, a leitura emocional
conduz a apreciações do tipo “gostei” / “não gostei”, sem maiores
pretensões analíticas, é uma experiência descompromissada, da
qual participa nosso gosto e nossa formação.
A leitura emocional costuma ser criticada, sendo muitas
vezes chamada de superficial. Essa avaliação tem muito de
racionalismo e nem sempre é verdadeira. Quando optamos por ler
um romance de ficção científica, por exemplo, por pura distração,
podemos entrar num universo cujas relações nos apresentam uma
realidade diferente da nossa, capaz de nos levar, sem grandes
floreios intelectuais, a pensar sobre o nosso mundo. O mesmo
pode acontecer com revistas em quadrinhos e outros textos
considerados “menos nobres” e que, na verdade, sugerem e
possibilitam profundas reflexões. Isso não significa, no entanto,
que não há publicações que investem na nossa vontade de
descansar a cabeça, oferecendo-nos um elenco de informações e
ideias que reforçam os valores sociais dominantes. A leitura

76
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
sensorial e a emocional fornecem subsídios importantes para a
realização de um terceiro tipo de leitura, a intelectual. Essa leitura
não deve ser vista como uma forma de abordar os textos,
reduzindo-os a feixes de conceitos incapazes de despertar
qualquer prazer. Ela começa por um processo de análise que
procura detectar a organização do texto, percebendo como ele
constitui uma unidade e como as partes a relacionam para formar
essa unidade. É essa análise que temos praticado em nosso livro:
ela é muito importante para facilitar sua compreensão dos
mecanismos de funcionamento de língua escrita. E esse trabalho
pode despertar muito prazer intelectual.
A leitura intelectual não se limita a analisar os textos. Na
realidade, o que se fundamenta é a consciência permanente de
que todo texto é um ato de comunicação, respondendo, portanto,
a um projeto de quem o produz. Em outras palavras: a leitura é
intelectual quando o leitor nunca perde de vista o fato de
determinados que aquilo que está lendo foi escrito por alguém
que tinha propósitos ao fazê-lo. Procurar detectar esses
propósitos, juntamente com a informação transmitida e com a
estrutura do texto, é fazer uma leitura intelectual satisfatória. Essa
proposta de leitura intelectual refere-se principalmente a textos
informativos, como os que encontramos em jornais, revistas, livros
técnicos e didáticos. São textos que requerem uma abordagem
crítica permanente, pois apresentam sempre traços que indicam as
intenções de quem escreve e publica. Também os textos
publicitários devem ser incluídos nesse grupo, bem como aqueles
escritos para apresentação oral (rádio ou audiovisual, televisão). É
importante ressaltar que a leitura intelectual implica uma atitude
crítica, voltada não só para a compreensão do “conteúdo” do
texto, mas principalmente ligada à investigação dos
procedimentos de quem o produziu.
Conclusão
Portanto, conclui-se que a leitura deve ser considerada uma
atividade de construção dos sentidos de um discurso do “eu” com

77
LÍNGUA PORTUGUESA
o “outro”, mediatizados pelo mundo. O ato de ler não pode ser
visto, simplesmente, como uma atividade receptiva. A sua
compreensão está ligada a significações e à força que elas
assumem no uso comunicativo. Do ponto de vista do ensino, a
leitura passa a ser mais do que a reconstrução do significado de
um texto, ou seja, ler passa a ser visto como processo de
reconstrução de significados que interligam um texto ao
conhecimento e às experiências anteriores, à intenção e ao
propósito e às expectativas dos educandos. Tal habilidade não
estará somente ligada às estratégias cognitivas individuais dos
educandos, mas ao compromisso social dessa prática. Pois, cada
ser humano, estudante ou não, traz para o ato de ler sua bagagem
existencial e social.

SANTOS-THÉO, Irismar Oliveira. O ato de ler. Revista de educação CEAP – Ano 11 – nº 41 –


Salvador, jun. 2003.

Um Mapa Conceitual é resultado de leituras, dessa forma, há


muitas relações que podem ser estabelecidas na sua construção.
Ele pode ser reconstruído, modificando-se as frases de ligação,
os conceitos, mudando-os ou acrescentando novos. Portanto, o
conhecimento sobre o assunto tratado no texto pode ser modificado
pode se melhorado.
Agora que você construiu seu mapa conceitual, possivelmente,
você deve estar se perguntando: será que o meu mapa está certo?

78
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Vejamos a seguir uma possibilidade de construção do mapa
conceitual do texto O ato de ler:
O Ato de Ler
Implica Apropriar-se

formar
Reflexão É memorizando Produto
Reconstrução de cultural
significados De forma
Construção acrítico-passiva
Novas mentalidades Compreender o mundo

Desenvolver induz
Do conhecimento
e dos sentidos
Buscar
Posição crítica própria Realidade e
postura confusas
Novos tipos de leitura: sensorial, emocional (ou
superficial) e intelectual Identifica

Tipo de ambiente:
hostil/acolhedor
Perceber

A realidade Política: cidadania ativa (autonomia de pensamento)

Adquirir

Exercer nas esferas Social: direito e deveres na sociedade

Conhecimentos técnico-
científicos

Cultural: respeitar culturas e valores diversas


Ingressar

Com vantagem, no mercado de


trabalho

79
LÍNGUA PORTUGUESA
ESTUDO DE CASO

Leia a notícia abaixo publicada no jornal que você trabalha:

PERIGO

Árvore ameaça cair na praça do Jardim Independência.


Um perigo iminente ameaça a segurança dos moradores da rua
João Martins no Jardim Independência. Uma árvore, com cerca de 35
metros de altura, que fica na Praça Conselheiro da Luz, ameaça cair a
qualquer momento. Ela foi atingida, no final de novembro do ano
passado, por um raio e desde esse dia, apodreceu e morreu. A árvore,
de grande porte, é do tipo Cambuí e está muito próxima à rede de
iluminação pública e das residências. “O perigo são as crianças que
brincam no local”, diz Sérgio Matos presidente da Associação do
Bairro. (Jornal Integração).

A publicação da notícia acima causou indignação nos pais das


crianças do referido bairro.
Você foi convidado para fazer a revisão do texto e desfazer o
mal entendido.
Analise o texto, encontre o problema que causou a indignação
nos pais e reescreva a notícia para ser publicada novamente no
jornal.

80
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
1.2 TEMA 2
PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

1.2.1
CONTEÚDO 1
A COMUNICAÇÃO

O QUE É COMUNICAR?

Patrick Charaudeau (2008), para conceituar o ato da


comunicação, estabelece uma analogia com a encenação teatral:

Comunicar é proceder uma encenação. Assim


como, na encenação teatral, o diretor utiliza o
espaço cênico, os cenários, a luz, a sonorização,
os comediantes, o texto, para produzir efeitos
de sentido visando um público imaginado por
ele, o locutor – seja ao falar ou escrever – utiliza
componentes do dispositivo da comunicação
em função dos efeitos que pretende produzir
em seu interlocutor. (CHARAUDEAU, 2008, p.
68)

Dessa forma, no ato de comunicação há o interlocutor que


lança mão de estratégias para colocar em cena suas intenções. Patrick
Charaudeau considera o ato de comunicação como um dispositivo
cujo centro é ocupado pelo sujeito falante (o locutor, ao falar ou
81
LÍNGUA PORTUGUESA
escrever), em relação com outro parceiro (o interlocutor). Esse
dispositivo é constituído pela:

- Situação de comunicação: espaço físico e mental no qual se


acham os parceiros da troca de linguagem ligados por um contrato
de comunicação. Esse contrato estabelece uma relação de
conveniência e cumplicidade entre os parceiros da comunicação;
- Modos de organização do discurso: diz respeito a finalidade
comunicativa, isto é, enunciar, descrever, narrar ou argumentar;
- Língua: refere-se ao material verbal, forma e sentido;
- Texto: resultado material do ato da comunicação construído
por escolhas conscientes ou inconscientes.

COMPONENTES DA SITUAÇÃO DE COMUNICAÇÃO

O ato de comunicação é realizado num espaço de troca entre


locutor e interlocutor. A relação entre esses parceiros é definida a
partir das características físicas, identitárias e contratuais dos
parceiros envolvidos no ato da comunicação.
As características físicas referem-se à presença física ou não, à
proximidade um do outro, se são únicos ou múltiplos; do canal de
transmissão, oral ou gráfico, direto ou indireto – telefone, mídias –
do tipo de código: imagem, gráfico, sinais, gestos etc.
Os aspectos sociais (idade, sexo, classe...), os socio-
profissionais (escritor, médico...), os psicológicos (sereno, nervoso,
frio...) e os relacionais (contato inicial, relação de familiaridade
definem as características identitárias). Por fim, as características
contratuais, troca/não troca e os rituais de abordagem, isto é, as
82
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
condições de estabelecimento de contrato com o interlocutor, nas
situações de diálogo – polidez, pedidos de desculpas etc., e nas
situações escritas como aberturas/fechamento de comunicações,
slogans publicitários, avisos etc.

REPRESENTAÇÃO DO ATO DA COMUNICAÇÃO

SITUAÇÃO DE COMUNICAÇÃO
Finalidade contratual

Dizerr
Locutor Receptor
Sujeito Sujeito
Comunicante -ser Enunciador Destinatário Interpretante- ser
social (Ser de fala) (Ser de fala) social

Espaço interno

Espaço externo

Fonte: Charaudeau (2008).

“O texto é manifestação material (verbal e semiológica: oral /gráfica,


gestual, icônica etc.) da encenação de um ato de comunicação, numa
situação dada, para servir ao Projeto de fala de um determinado
locutor.” (CHARAUDEAU, 2008, p. 77)

83
LÍNGUA PORTUGUESA
Uma comunicação eficiente depende do uso adequado do
nível de linguagem. Os níveis de linguagem dizem respeito ao uso da
fala e escrita em uma determinada situação comunicativa. O locutor
e o interlocutor devem estar em concordância para que haja
entendimento, dessa forma, cada ocasião exige uma linguagem
diferente.

NÍVEIS DE LINGUAGEM:

LINGUAGEM FORMAL: obedece às regras gramaticais.


Utiliza-se em determinados ambientes sociais que exigem tal
posicionamento do falante: em discursos, em sermões, apresentação
de trabalhos científicos, em reuniões, etc.

LINGUAGEM INFORMAL (COLOQUIAL): é a


manifestação espontânea da língua, independe de regras. Esta
linguagem está presente nas conversas com amigos, familiares,
pessoas com quem temos intimidade.

A linguagem no texto deve ser organizada a partir do


conhecimento partilhado em que se insere o discurso para o
entendimento global de seu sentido.

84
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
1.2.2
CONTEÚDO 2
FUNÇÕES DA LINGUAGEM

A linguagem possui múltiplas finalidades: dá unidade a um


povo, aproxima o homem de sua família e amigos e o coloca em
sintonia com o mundo ao redor. A linguagem é um instrumento que
serve para informar, dar ordens, suplicar, prometer, maldizer,
enganar, rezar, meditar. Também ajuda a pensar e, até mesmo, a
sonhar.
Ao realizar um ato de comunicação verbal, o indivíduo escolhe
palavras e as organiza conforme a sua vontade, sua intenção. Assim, a
linguagem passa a ter funções ou finalidades:

- FUNÇÃO REFERENCIAL OU DENOTATIVA

Os textos desta linguagem são dotados de objetividade, uma


vez que procuram traduzir ou retratar a realidade. A ênfase é dada ao
conteúdo, às informações veiculadas pela mensagem. As palavras são
usadas no sentido denotativo e, na maioria das vezes, o texto é escrito
na 3ª pessoa. Os textos jornalísticos e científicos são exemplos de
textos em que a função referencial predomina.

Exemplo:
Os exercícios físicos aumentam a força e a resistência
muscular, ajudam a manter a postura correta, assim como facilitam a
respiração e a circulação do sangue no organismo, ajudam a manter
o peso corporal, pois evitam o acúmulo de gorduras nos tecidos
85
LÍNGUA PORTUGUESA
musculares; facilitam o trabalho de eliminação dos rins (urina) e
melhoram a circulação do ar através da pele, dando-lhe melhor
aspecto e cor.
LEITE, Denise Balarine Cavalheiro et al. Educação para o lar.

- FUNÇÃO APELATIVA OU CONATIVA

A linguagem se organiza no sentido de convencer o receptor.


São expressos por apelos, ordens. Gramaticalmente, textos desse tipo
se caracterizam pelo uso de verbos no imperativo, vocativos e
pronomes na 2ª pessoa. Exemplos da função conativa são os textos de
publicidade e propaganda, comum o uso de verbos no imperativo e
dos pronomes de segunda pessoa.
São próprios dessa função os recursos que podem motivar o
ouvinte a praticar uma ação, dar uma resposta ou reagir
afetivamente.

Exemplos:
É proibido fumar!

Meu filho está doente, me ajude!


Não deixe para última hora! Programe suas férias.
Anuncie nas listas telefônicas oficias.

86
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Está presente em todo texto que faz referência a outro, nas


definições, nos dicionários. É aquela que possibilita a um código –
língua, sinais de trânsito, linguagem Braille – referir-se a si mesmo. É
a palavra comentando a palavra, o cinema falando do cinema, a
pintura expressando a pintura. Nessa função o código é posto em
destaque.
Exemplos:

“Comunicação – Uma das principais funções da linguagem


humana pela qual os homens entram em contato entre si para mútua
compreensão”. Há vários códigos de comunicação, pois tudo a que
pode atribuir significações (cores, gestos, desenhos, etc.) pode ser
usado na comunicação. A linguagem é apenas um desses códigos.
BORBA, Francisco da Silva. Pequeno vocabulário de
linguística moderna.

“Escrever é uma técnica e, como tal, pode ser ensinada e, é


claro, pode ser aprendida por quem quiser. Também é uma arte, mas
isto é outra história. Há vários métodos de ensinar a técnica de
escrever. O mais comum, ou o mais aceito, é o que elimina qualquer
noção de gramática. Não há razão para impor regra, nem lei. Tudo se
pode ignorar. Ninguém precisa saber análise léxica ou sintática”.

RESENDE, Otto Lara. Folha de S. Paulo.

87
LÍNGUA PORTUGUESA
- FUNÇÃO EMOTIVA OU EXPRESSIVA

A linguagem está centrada na expressão dos sentimentos,


emoções, opiniões do emissor. É um texto subjetivo, pessoal, o
emissor é posto em destaque. É comum o uso de verbos e pronomes
em 1° pessoa e também o uso de pontos de exclamação e interjeições.
Bons exemplos da função emotiva são textos líricos.

Exemplo:
“Eu nunca sonhei com você
Nunca fui ao cinema
Não gosto de samba
Não vou a Ipanema
Não gosto de chuva
Nem gosto de sol”
(Tom Jobim)

- FUNÇÃO POÉTICA

A intenção do produtor do texto volta-se para a própria


mensagem. Ocorre quando a própria mensagem é posta em destaque,
ou seja, chama-se a atenção para o modo como foi organizada a
mensagem O emissor busca elementos fundamentais como ritmo,
sonoridade, imagens, figuras de palavras, ou seja, antes mesmo de
informar há uma preocupação com a organização da mensagem, com
a estética, as palavras e sua disposição. O escritor procura fugir das
formas habituais de expressão, buscando deixar mais bonito o seu
texto, surpreender, fugir da lógica ou provocar um efeito
humorístico. Embora seja própria da obra literária, a função poética

88
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
não é exclusiva da poesia nem da literatura em geral, pois se encontra
com frequência nas expressões cotidianas de valor metafórico e na
publicidade:

Exemplos:
O tempo voa

Em tempos de turbulência, voe com fundos de renda fixa.

O delegado proibiu bombas, foquetes, busca-pés


Chamalotes checoslovos enchem o chão de chamas rubras
Chagas de enxofre chineses
Chiam,
Choram,
Cheiram,
Numa chuva de chipas,
Chipas de todos os tons,
Listas de todas as cores
E no fim sempre um
Tchi-bum!
(Jorge de Lima)

- FUNÇÃO FÁTICA

A função fática tem por finalidades estabelecer, prolongar ou


interromper a comunicação. É aplicada em situações em que o mais
importante não é o que se fala, nem como se fala, mas sim o contato

89
LÍNGUA PORTUGUESA
entre o emissor e o receptor. Centra-se no canal de comunicação.
Aparece geralmente nas fórmulas de cumprimento: Como vai, tudo
certo? Ou em expressões que confirmam que alguém está ouvindo ou
está sendo ouvido: sim, claro, sem dúvida, entende? Você percebe?
Não é mesmo? Seus objetivos principais são proteger e reforçar o
canal de comunicação.

Exemplos:
Você está me entendendo?
Certo? Não é verdade?

RECONHECENDO FUNÇÕES DA LINGUAGEM

ATIVIDADE 9
Uma mesma mensagem verbal pode ter várias funções, mas
sempre existirá uma função predominante. Como se pode observar
na crônica: "Receita para Mal de Amor":

“Minha querida amiga”


Sim, é para você mesma que estou escrevendo – você que
aquela noite disse que estava com vontade de me pedir conselhos,
mas tinha vergonha e achava que não valia a pena, e acabou me
formulando uma pergunta ingênua:
- Como é que a gente faz para esquecer uma pessoa?
E logo depois me pediu que não pensasse nisso e
esquecesse a pergunta, dizendo que achava que tinha bebido um
ou dois uísques a mais...

90
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Sei como você está sofrendo, e prefiro lhe responder assim
pelas páginas de uma revista – fazendo de conta que me dirijo a
um destinatário suposto.
Destinatário, destinatária... Bonita palavra: não devia querer
dizer apenas aquele ou aquela a quem se destina uma carta, devia
querer dizer também a pessoa que é dona do destino da gente.
Joana é minha destinatária.
Meu destino está em suas mãos; a ela se destinam meus
pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e que sou; todo
esse complexo mais ou menos melancólico e, todavia, tão
veemente de coisas que eu nasci e me tornei.
Se me derem para encher uma fórmula impressa ou uma
ficha de hotel eu poderei escrever assim:
Procedência – Cachoeiro de Itapemirim; Destino – Joana.
Pois é somente para ela que eu marcho. No táxi, no bonde, no
avião, na rua, não interessa a direção em que me movo, meu
destino é Joana. Que importa saber que jamais chegarei ao meu
destino?

(RUBEM BRAGA – Receita para o mal de amor – 1985)

Vejamos as funções da linguagem presentes no texto:

Função predominante: função poética, a preocupação estética


permeia a escrita da crônica de Rubem Braga.

Função fática: No fragmento "Sim, é para você mesma que


estou escrevendo [...]", o eu-lírico certifica-se do contato.

91
LÍNGUA PORTUGUESA
Função metalinguística: na passagem: “Destinatário,
destinatária... Bonita palavra: não devia querer dizer apenas aquele
ou aquela a quem se destina uma carta...”, é o uso palavra
conceituando as palavras destinatário, destinatária.
Função emotiva ou expressiva: A expressão dos sentimentos
do eu-lírico no trecho: “Meu destino está em suas mãos; a ela se
destinam meus pensamentos, minhas lembranças, o que sinto e que
sou; todo esse complexo mais ou menos melancólico e, todavia, tão
veemente de coisas que eu nasci e me tornei.”.

FUNÇÕES DA LINGUAGEM – RESUMO

Funções
Elemento
Finalidade Expressão
da que fica em Textos
ou conteúdo linguística
evidência
linguagem

Linguagem Documentos
Mensagem
referencial; e relatórios;
objetiva:
Referencial Referente Significação Linguagens
fatos, ideias
unívoca, não científica e
e ações
polissêmica jornalística

Linguagem
Cartas
Mensagem conotativa;
pessoais;
subjetiva: Interjeições,
Diários;
Expressiva Emissor sentimentos adjetivos
Linguagens
e moções valorativos;
familiar e
de quem fala Entonação
literária
expressiva

92
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Mensagem
Linguagem
que
publicitária;
influencia o Imperativos;
Linguagens
ouvinte com Vocativos;
Apelativa Receptor de
o objetivo de formas
propaganda
provocar afetivas
política e
uma
religiosa
resposta

Mensagem Linguagem Linguagens


que atrai a conotativa e literária,
Forma
atenção pela plurissignificativ coloquial e
Poética de
forma de a; familiar;
mensagem
expressão, Recursos Linguagem
pela estética literários publicitária

Informação
mínima. Frases feitas;
Sua intenção Palavras e
Linguagem
Fática Canal é estabelecer expressões de
coloquial
ou manter a apoio;
comunicação Redundâncias.
.

Informação
para
Metalin- Linguagem Tratados
Código esclarecer ou
guística referencial linguísticos
explicar a
linguagem

ANÁLISE DE TEXTO / FUNÇÕES DA LINGUAGEM

ATIVIDADE 10
Leia os textos, responda às questões e identifique a função da
linguagem predominante.

93
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÃO 01 (ENEM – 2012)

Desabafo

Desculpem-me, mas não dá pra fazer uma


cronicazinha divertida hoje. Simplesmente não
dá. Não tem como disfarçar: esta é uma típica
manhã de segunda-feira. A começar pela luz
acesa da sala que esqueci ontem à noite. Seis
recados para serem respondidos na secretária
eletrônica. Recados chatos. Contas para pagar
que venceram ontem. Estou nervoso. Estou
zangado.

CARNEIRO, J. E. Veja, 11 set. 2002


(fragmento).

Nos textos em geral, é comum a manifestação simultânea de


várias funções da linguagem, com o predomínio, entretanto, de uma
sobre as outras. No fragmento da crônica Desabafo, a função da
linguagem predominante é a emotiva ou expressiva, pois

a) o discurso do enunciador tem como foco o próprio código.


b) a atitude do enunciador se sobrepõe àquilo que está sendo dito.
c) o interlocutor é o foco do enunciador na construção da mensagem.
d) o referente é o elemento que se sobressai em detrimento dos
demais.
e) o enunciador tem como objetivo principal a manutenção da
comunicação.

94
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
QUESTÃO 02
Qual a função da linguagem predominante no texto acima?

QUESTÃO 03 (ENEM – 2014)

Texto I

Seis Estados zeram fila de espera para transplante de córnea

Seis estados brasileiros aproveitaram o aumento no número de


doadores e de transplantes feitos no primeiro semestre de 2012 no
país e entraram para uma lista privilegiada: a de não ter mais
pacientes esperando por uma córnea.
Até julho desse ano, Acre, Distrito Federal, Espírito Santo,
Paraná, Rio Grande do Norte e São Paulo eliminaram a lista de
espera no transplante de córneas, de acordo com balanço divulgado
pelo Ministério da Saúde, no Dia Nacional de Doação de Órgãos e
Tecidos. Em 2011, só São Paulo e Rio Grande do Norte zeraram essa
fila.

95
LÍNGUA PORTUGUESA
Texto II

A notícia e o cartaz abordam a questão da doação de órgãos.


Ao relacionar os dois textos, observa-se que o cartaz é
a) contraditório, pois a notícia informa que o país superou a
necessidade de doação de órgãos.
b) complementar, pois a notícia diz que a doação de órgãos cresceu e
o cartaz solicita doações.
c) redundante, pois a notícia e o cartaz têm a intenção de influenciar
as pessoas a doarem seus órgãos.
d) indispensável, pois a notícia fica incompleta sem o cartaz, que
apela para a sensibilidade das pessoas.
e) discordante, pois ambos os textos apresentam posições distintas
sobre a necessidade de doação de órgãos.

QUESTÃO 04
Qual a função da linguagem predominante no texto acima?

96
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
QUESTÃO 05 (ENEM – 2014)

O exercício da crônica
Escrever crônica é uma arte ingrata. Eu digo prosa fiada, como
faz um cronista; não a prosa de um ficcionista, na qual este é levado
meio a tapas pelas personagens e situações que, azar dele, criou
porque quis. Com um prosador do cotidiano, a coisa fia mais fino.
Senta-se ele diante de uma máquina, olha através da janela e busca
fundo em sua imaginação um assunto qualquer, de preferência
colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com suas
artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo. Se nada
houver, restar-lhe o recurso de olhar em torno e esperar que, através
de um processo associativo, surja-lhe de repente a crônica, provinda
dos fatos e feitos de sua vida emocionalmente despertados pela
concentração. Ou então, em última instância, recorrer ao assunto da
falta de assunto, já bastante gasto, mas do qual, no ato de escrever,
pode surgir o inesperado.

MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia das Letras, 1991.

Predomina nesse texto a função da linguagem que se


constitui...

a) nas diferenças entre o cronista e o ficcionista.


b) nos elementos que servem de inspiração ao cronista.
c) nos assuntos que podem ser tratados em uma crônica.
d) no papel da vida do cronista no processo de escrita da crônica.
e) nas dificuldades de se escrever uma crônica por meio de uma
crônica.

97
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÃO 06
Qual a função da linguagem predominante no texto acima?
______________________________________________

QUESTÃO 07 (ENEM – 2014)

Eu acho um fato interessante… né… foi como meu pai e


minha mãe vieram se conhecer… né… que… minha mãe morava
no Piauí com toda a família… né…meu… meu avô… materno
no caso… era maquinista… ele sofreu um acidente…
infelizmente morreu…minha mãe tinha cinco anos… né… e o
irmão mais velho dela… meu padrinho… tinha dezessete e ele
foi obrigado a trabalhar… foi trabalhar no banco… e… ele foi…o
banco… no caso… estava… com um número de funcionários
cheio e ele teve que ir para outro local e pediu transferência
prum mais perto de Parnaíba que era a cidade onde eles
moravam e por engano o… o…escrivão entendeu Paraíba…
né… e meu… minha família veio parar em Mossoró que
exatamente o local mais perto onde tinha vaga pra funcionário
do Banco do Brasil e:: ela foi parar na rua do meu pai… né…e
começaram a se conhecer…namoraram onze anos …né…
pararam algum tempo… brigaram… é lógico… porque todo
relacionamento tem uma briga… né…e eu achei esse fato muito
interessante porque foi uma coincidência incrível…né… como
vieram se conhecer… namoraram e hoje… e até hoje estão
juntos… dezessete anos de casados.

CUNHA, M. F. A. (org.) Corpus discurso & gramática: a língua falada e escrita na cidade de
Natal. Natal: EdUFRN, 1998.

98
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Na transcrição de fala, há um breve relato de experiência
pessoal, no qual se observa a frequente repetição de “né”. Essa
repetição é um

a) índice de baixa escolaridade do falante.


b) estratégia típica da manutenção da interação oral.
c) marca de conexão lógica entre conteúdos na fala.
d) manifestação característica da fala nordestina.
e) recurso enfatizador da informação mais relevante da narrativa.

QUESTÃO 08
Qual a função da linguagem predominante no texto acima?
______________________________________________

1.2.3
CONTEÚDO 3
LÍNGUA ORAL / LÍNGUA ESCRITA

Fala e escrita são duas modalidades da língua. Utilizam o


mesmo sistema linguístico, mas cada uma delas possui características
próprias. Cabe relembrar o conceito de texto e destacar a principal
diferença entre a produção de texto escrito e texto falado

O texto é um evento sociocomunicativo, que


ganha existência dentro de um processo
interacional. Todo texto é resultado de uma
coprodução entre interlocutores: o que
distingue o texto escrito do falado é a forma

99
LÍNGUA PORTUGUESA
como tal coprodução se realiza. (KOCH, 2009,
p.13).

Texto escrito

No texto escrito, a coprodução se resume à


consideração daquele para quem se escreve, não
havendo participação direta e ativa deste na
elaboração linguística do texto, em função do
distanciamento entre escritor e leitor. Nele, a
dialogicidade constitui-se numa relação ‘ideal’,
em que o escritor leva em conta a perspectiva
do leitor, ou seja, dialoga com determinado
(tipo de) leitor, cujas respostas e reações ele
prevê. (KOCH, 2009, p.13).

Texto oral

O texto falado, por sua vez, emerge no próprio


momento da interação. Como se costuma dizer,
ele é o seu próprio rascunho. Por estarem os
interlocutores copresentes, ocorre uma
interlocução ativa, que implica um processo de
coautoria, refletido na materialidade linguística
por marcas da produção verbal conjunta. Por
isso, a linguagem falada difere em muitos
pontos da escrita: a) pelo próprio fato de ser
falada; b) devido às contingências de sua
formulação. (KOCH, ELIAS, 2009, p.14).

Tanto a língua oral quanto a escrita são imprescindíveis na


sociedade. Um mesmo indivíduo apresenta desempenhos
100
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
diversificados quanto ao grau de formalidade/ informalidade. A
produção de um texto oral ou escrito varia conforme as condições de
elaboração. É preciso, pois, não confundir os contextos de uso e seus
papéis.
Em síntese clara e objetiva, Koch e Elias (2009, p. 16) oferecem
um quadro comparativo entre as características da linguagem falada
e da linguagem escrita:

FALA ESCRITA
Contextualizada Descontextualizada
Implícita Explícita
Redundante Condensada
Não planejada Planejada
Predomínio do modus Predomínio do modus
pragmático sintático
Fragmentada Não fragmentada
Incompleta Completa
Pouco elaborada Elaborada
Predomínio de frases simples Predomínio de frases
ou coordenadas complexas com subordinação
abundante
Pequena frequência de passivas Emprego frequente de
passivas
Poucas nominalizações Abundâncias de
nominalizações
Menor densidade lexical Maior densidade lexical

101
LÍNGUA PORTUGUESA
1.2.4
CONTEÚDO 4
VARIEDADES LINGUÍSTICAS

Toda língua é dinâmica, isto é, sofre mudanças no tempo, no


espaço e na esfera social ou, ainda, estilisticamente, conforme o grau
de formalidade da situação em que se encontram os usuários da
língua.
Essas mudanças constituem as variedades linguísticas, ou seja,
são as variações que uma língua apresenta, de acordo com as
condições sociais, culturais, regionais e históricas em que é utilizada.

Variação regional ou geográfica: são as diferenças na


pronúncia, em expressões que caracterizam as diversas regiões de um
mesmo país ou ainda de vários países cuja língua oficial é a mesma,
mas que foi adicionando a esta língua materna os costumes e
tradições de cada comunidade.

Variação social: são as diferenças de nível de escolaridade,


classes sociais, sexo, idade, profissão, entre outras.

Variação histórica: são as mudanças que ocorrem no tempo e


fazem com que certas palavras caiam em desuso e surjam outras, ou
ainda que diversas palavras ou expressões assumam outros
significados.

Variação situacional: em diferentes situações comunicativas,


um mesmo indivíduo emprega diferentes formas de língua, diz
102
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
respeito ao grau de informalidade ou formalidade que empregamos
em nossa fala de acordo com a situação.

Jargão: é um fenômeno de linguagem especial usada por certos


grupos sociais pertencentes a uma classe ou a uma profissão, em que
se usa uma palavra não convencional para designar outras palavras
formais da língua.

Profissionais - o exercício de algumas atividades requer o


domínio de certas formas da língua chamadas línguas técnicas.
Abundantes em termos específicos, essas variantes têm seu uso
praticamente restrito ao intercâmbio técnico de engenheiros,
médicos, químicos, linguistas e outros especialistas.

Gírias: pertencem ao vocabulário específico de certos grupos,


como os surfistas, cantores de rap, tatuadores, entre outros.

As pessoas falam para serem ouvidas, respeitadas e para


exercerem influência num determinado ambiente.
Dependendo da situação, uma mesma pessoa pode usar
diferentes variedades de uma só forma da língua.
Todas as variedades linguísticas são adequadas, desde que
cumpram com eficiência o papel fundamental de uma língua – o de
permitir a interação verbal entre as pessoas.

103
LÍNGUA PORTUGUESA
Com o poema e a letra da música vamos entender melhor as
variedades linguísticas.

Vício na fala

Para dizerem milho dizem mio


Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

Oswald de Andrade

CHOPIS CENTIS

Eu “di” um beijo nela


E chamei pra passear.
A gente fomos no shopping
Pra “mode” a gente lanchar.
Comi uns bicho estranho, com um tal de gergelim.
Até que “tava” gostoso, mas eu prefiro aipim.
Quanta gente,
Quanta alegria,
A minha felicidade é um crediário nas
Casas Bahia.
Esse tal Chopis Centis é muito legalzinho.
Pra levar a namorada e dar uns “rolezinho”,
Quando eu estou no trabalho,
Não vejo a hora de descer dos andaime.
Pra pegar um cinema, ver Schwarzneger
E também o Van Damme.

Mamonas Assassinas

104
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

QUESTÃO 1 (ENADE 2010)

Para preservar a língua, é preciso o cuidado de falar de acordo


com a norma padrão. Uma dica para o bom desempenho linguístico
é seguir o modelo de escrita dos clássicos. Isso não significa negar o
papel da gramática normativa; trata-se apenas de ilustrar o modelo
dado por ela. A escola é um lugar privilegiado de limpeza dos vícios
de fala, pois oferece inúmeros recursos para o domínio da norma
padrão e consequente distância da não padrão. Esse domínio é o que
levará o sujeito a desempenhar competentemente as práticas sociais;
trata-se do legado mais importante da humanidade.
PORQUE
A linguagem dá ao homem uma possibilidade de criar
mundos, de criar realidades, de evocar realidades não presentes. E a
língua é uma forma particular dessa faculdade [a linguagem] de criar
mundos. A língua, nesse sentido, é a concretização de uma
experiência histórica. Ela está radicalmente presa à sociedade.

XAVIER, A. C.; CORTEZ, S. (orgs.). Conversas com Linguistas: virtudes e controvérsias da


Linguística. Rio de Janeiro: Parábola Editorial, 2005 (com adaptações).

Analisando a relação proposta entre as duas asserções acima,


assinale a opção correta.

a) As duas asserções são proposições verdadeiras, e a segunda é uma


justificativa correta da primeira.
105
LÍNGUA PORTUGUESA
b) As duas asserções são proposições verdadeiras, mas a segunda não
é uma justificativa correta da primeira.
c) A primeira asserção é uma proposição verdadeira, e a segunda é
uma proposição falsa.
d) A primeira asserção é uma proposição falsa, e a segunda é uma
proposição verdadeira.
e) As duas asserções são proposições falsas.

QUESTÃO 2 (ENADE 2013)

Uma sociedade sustentável é aquela em que o


desenvolvimento está integrado à natureza, com respeito à
diversidade biológica e sociocultural, exercício responsável e
consequente da cidadania, com a distribuição equitativa das
riquezas e em condições dignas de desenvolvimento. Em linhas
gerais, o projeto de uma sociedade sustentável aponta para uma
justiça com equidade, distribuição das riquezas, eliminando-se as
desigualdades sociais; para o fim da exploração dos seres
humanos; para a eliminação das discriminações de gênero, raça,
geração ou de qualquer outra; para garantir a todos e a todas os
direitos à vida e à felicidade, à saúde, à educação, à moradia, à
cultura ao emprego e a envelhecer com dignidade; para o fim da
exclusão social; para a democracia plena.

TAVARES, E. M. F. Disponível em: <http://www2.ifrn.edu.br>. Acesso em: 25 jul. 2015


(adaptado).

Nesse contexto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta


entre elas.
I. Os princípios que fundamentam uma sociedade sustentável
exigem a adoção de políticas públicas que entram em choque com
velhos pressupostos capitalistas.
106
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
PORQUE

II. O crescimento econômico e a industrialização, na visão


tradicional, são entendidos como sinônimos de desenvolvimento,
desconsiderando-se o caráter finito dos recursos naturais e
privilegiando-se a exploração da força de trabalho na acumulação de
capital.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma
justificativa correta da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa correta da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição
falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição
verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.

QUESTÃO 3 (ENADE 2012)


É ou não ético roubar um remédio cujo preço é inacessível, a
fim de salvar alguém, que, sem ele, morreria?
Seria um erro pensar que, desde sempre, os homens têm as
mesmas respostas para questões desse tipo.
Com o passar do tempo, as sociedades mudam e também
mudam os homens que as compõem. Na Grécia Antiga, por
exemplo, a existência de escravos era perfeitamente legítima: as
pessoas não eram consideradas iguais entre si, e o fato de umas não
107
LÍNGUA PORTUGUESA
terem liberdade era considerado normal. Hoje em dia, ainda que nem
sempre respeitados, os Direitos Humanos impedem que alguém ouse
defender, explicitamente, a escravidão como algo legítimo.

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Secretaria de Educação Fundamental. Ética. Brasília, 2012.


Disponível em: <portal.mec.gov.br>. Acesso em: 16 jul. 2012 (adaptado).

Com relação a ética e cidadania, avalie as afirmações seguintes.


I. Toda pessoa tem direito ao respeito de seus semelhantes, a
uma vida digna, a oportunidades de realizar seus projetos, mesmo
que esteja cumprindo pena de privação de liberdade, por ter
cometido delito criminal, com trâmite transitado e julgado.
II. Sem o estabelecimento de regras de conduta, não se
constrói uma sociedade democrática, pluralista por definição, e não
se conta com referenciais para se instaurar a cidadania como valor.
III. Segundo o princípio da dignidade humana, que é contrário
ao preconceito, toda e qualquer pessoa é digna e merecedora de
respeito, não importando, portanto, sexo, idade, cultura, raça,
religião, classe social, grau de instrução e orientação sexual.

É correto o que se afirma em:


a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

108
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
QUESTÃO 4 (ENADE 2012)

Legisladores do mundo se comprometem a alcançar os


objetivos da Rio+20 Reunidos na cidade do Rio de Janeiro, 300
parlamentares de 85 países se comprometeram a ajudar seus
governantes a alcançar os objetivos estabelecidos nas conferências
Rio+20 e Rio 92, assim como a utilizar a legislação para promover
um crescimento mais verde e socialmente inclusivo para todos.
Após três dias de encontros na Cúpula Mundial de
Legisladores, promovida pela GLOBE International — uma rede
internacional de parlamentares que discute ações legislativas em
relação ao meio ambiente —, os participantes assinaram um
protocolo que tem como objetivo sanar as falhas no processo da Rio
92.
Em discurso durante a sessão de encerramento do evento, o
vice-presidente do Banco Mundial para a América Latina e o Caribe
afirmou: “Esta Cúpula de Legisladores mostrou claramente que,
apesar dos acordos globais serem úteis, não precisamos esperar.
Podemos agir e avançar agora, porque as escolhas feitas hoje nas
áreas de infraestrutura, energia e tecnologia determinarão o futuro”.

Disponível em: <www.worldbank.org/pt/news/2012/06/20>. Acesso em: 22 jul. 2012


(adaptado).

O compromisso assumido pelos legisladores, explicitado no


texto acima, é condizente com o fato de que
a) os acordos internacionais relativos ao meio ambiente são
autônomos, não exigindo de seus signatários a adoção de medidas
internas de implementação para que sejam revestidos de
exigibilidade pela comunidade internacional.
109
LÍNGUA PORTUGUESA
b) a mera assinatura de chefes de Estado em acordos internacionais
não garante a implementação interna dos termos de tais acordos,
sendo imprescindível, para isso, a efetiva participação do Poder
Legislativo de cada país.
c) as metas estabelecidas na Conferência Rio 92 foram cumpridas
devido à propositura de novas leis internas, incremento de verbas
orçamentárias destinadas ao meio ambiente e monitoramento da
implementação da agenda do Rio pelos respectivos governos
signatários.
d) a atuação dos parlamentos dos países signatários de acordos
internacionais restringe-se aos mandatos de seus respectivos
governos, não havendo relação de causalidade entre o compromisso
de participação legislativa e o alcance dos objetivos definidos em tais
convenções.
e) E a Lei de Mudança Climática aprovada recentemente no México
não impacta o alcance de resultados dos compromissos assumidos
por aquele país de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, de
evitar o desmatamento e de se adaptar aos impactos das mudanças
climáticas.

QUESTÃO 5 (ENADE 2013, ADAPTADA)

Na tabela abaixo, é apresentada a distribuição do número de


empregos formais registrados em uma cidade brasileira, consideradas
as variáveis setores de atividade e gênero, de acordo com a Relação
Anual de Informações Sociais (RAIS).

110
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Número de empregos formais por total de atividades e gênero,
de 2009 a 2011.

Fonte: rais/mte (adaptado)

Com base nas informações da tabela apresentada, responda as


questões abaixo:

a) Qual o setor com o melhor desempenho em termos percentuais


entre 2010 e 2011?
b) Compare os dados de gênero, as mulheres vêm ocupando mais
postos de trabalho na Administração Pública e perdendo postos na
Construção civil?
c) Entre 2010 e 2011, o aumento na distribuição dos postos de
trabalho entre homens e mulheres foi mais equilibrado que o
ocorrido entre 2009 e 2010?
d) Qual o setor com o pior desempenho total entre 2010 e 2011?

111
LÍNGUA PORTUGUESA
ESTUDO DE CASO

- Posso ajudá-lo, cavalheiro?


- Pode. Eu quero um daqueles, daqueles...
- Pois não?
- Um... como é mesmo o nome?
- Sim?
- Pomba! Um...um... Que cabeça a minha, a palavra me
escapou por completo. É uma coisa simples, conhecidíssima.
- Sim, senhor.
- O senhor vai dar risada quando souber.
- Sim, senhor.
- Olha, é pontuda, certo?
- O quê, cavalheiro?
112
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- Isso que eu quero. Tem uma ponta assim, entende? Depois
vem assim, assim, faz uma volta, aí vem reto de novo, e na outra
ponta tem uma espécie de encaixe, entende? Na ponta tem outra
volta, só que esta é mais fechada. E tem um, um ... Uma espécie de,
como é que se diz? De sulco. Um sulco onde encaixa a outra ponta, a
pontuda, de sorte que o, a, o negócio, entende, fica fechado. É isso.
Uma coisa pontuda que fecha. Entende?
- Infelizmente, cavalheiro...
- Ora, você sabe do que eu estou falando.
- Estou me esforçando, mas...
- Escuta. Acho que não podia ser mais claro. Pontudo numa
ponta, certo?
- Se o senhor diz, cavalheiro.
- Como, se eu digo? Isso já é má vontade. Eu sei que é pontudo
numa ponta. Posso não saber o nome da coisa, isso é um detalhe.
Mas sei exatamente o que eu quero."
- Sim, senhor. Pontudo numa ponta.
- Isso. Eu sabia que você compreenderia. Tem?
- Bom, eu preciso saber mais sobre o, a, essa coisa. Tente
descrevê-la outra vez. Quem sabe o senhor desenha para nós?
- Não. Eu não sei desenhar nem casinha com fumaça saindo da
chaminé. Sou uma negação em desenho.
- Sinto muito.
- Não precisa sentir. Sou técnico em contabilidade, estou
muito bem de vida. Não sou débil mental. Não sei desenhar, só isso.
E hoje, por acaso, me esqueci do nome desse raio. Mas fora isso, tudo
bem. O desenho não me faz falta. Lido com números. Tenho algum
problema com os números mais complicados, claro. O oito, por
113
LÍNGUA PORTUGUESA
exemplo. Tenho que fazer um rascunho antes. Mas não sou um débil
mental, como você está pensando.
- Eu não estou pensando nada, cavalheiro.
- Chame o gerente.
- Não será preciso, cavalheiro. Tenho certeza de que
chegaremos a um acordo. Essa coisa que o senhor quer, é feita do
quê?
- É de, sei lá. De metal.
- Muito bem. De metal. Ela se move?
- Bem... É mais ou menos assim. Presta atenção nas minhas
mãos. É assim, assim, dobra aqui e encaixa na ponta, assim.
- Tem mais de uma peça? Já vem montado?
- É inteiriço. Tenho quase certeza de que é inteiriço.
- Francamente...
- Mas é simples! Uma coisa simples. Olha: assim, assim, uma
volta aqui, vem vindo, vem vindo, outra volta e clique, encaixa.
- Ah, tem clique. É elétrico.
- Não! Clique, que eu digo, é o barulho de encaixar.
- Já sei!
- Ótimo!
- O senhor quer uma antena externa de televisão.
- Não!
[...]
- Chame o gerente.

VERÍSSIMO, Luís Fernando. Amor brasileiro. Rio de Janeiro: José Olympio, 1977. (adaptado)

114
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Você é o gerente dessa loja.
O problema ocorrido está centrado no vendedor ou no
comprador?
Explique por quê.
Como resolver esse problema?

_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________
_______________________________________________________

115
LÍNGUA PORTUGUESA
BLOCO
TEMÁTICO 2
PRODUÇÃO TEXTUAL
PRODUÇÃO TEXTUAL

2.1
TEMA 3
TEXTO E GRAMÁTICA
A Gramática é a disciplina que orienta e regula o uso da língua.
A matéria-prima dessa disciplina é o sistema de normas que dá
estrutura a uma língua. São essas normas que definem a língua
padrão. Não é fácil estudar a Gramática, suas regras são muitas e nem
sempre precisas. Imprecisa ou não, existem normas, e toda pessoa
deve conhecê-la e dominá-la, para saber como utilizá-la nos
momentos necessários.
Estudar a língua portuguesa é tornar-se apto a utilizá-la com
eficiência na produção e interpretação dos textos com que se
organiza nossa vida social. Por meio desses estudos, amplia-se o
exercício de nossa sociabilidade e, consequentemente, de nossa
cidadania, que passa a ser mais lúcida. Ampliam-se também as
possibilidades de fruição dos textos, seja pelo simples prazer de saber
produzi-los de forma bem-feita, seja pela leitura mais sensível e
inteligente dos textos.
A palavra Gramática, do grego grámma = letra, estuda as
palavras, as relações que se estabelecem entre elas na oração e as
relações que se estabelecem entre as orações num texto de maior
extensão. Há vários tipos de gramática:

1. Gramática Normativa: estabelece as normas do falar e


escrever de acordo com as normas;

119
LÍNGUA PORTUGUESA
2. Gramática Descritiva: descreve os fatos da língua, com o
objetivo de investigá-los e não de estabelecer o que é certo
ou errado
3. Gramática Histórica: estuda a origem e a evolução
histórica de uma língua.
4. Gramática Comparativa: realiza o estudo comparado de
uma família de línguas.
Divisão da Gramática:

A Gramática ocupa-se basicamente da descrição e da


regulamentação de uma língua, que é um sistema tríplice:
compreende um sistema de sons (fônico), um sistema de formas
(mórfico) e um sistema de frases (sintático).
Assim, a Gramática tradicionalmente divide-se em:
Fonologia/Fonética - focaliza o sistema fônico; Morfologia - abrange o
sistema mórfico; e Sintaxe - enfoca o sistema sintático.

120
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Disponível em: <http://minutodasletras.com.br/index.php/2016/09/11/portugues-para-
concursos/>. Acesso em: 8 jun. 2017

121
LÍNGUA PORTUGUESA
2.1.1
CONTEÚDO 1
CONCORDÂNCIA VERBAL E NOMINAL
A concordância é a combinação ou coincidência – em gênero,
número ou pessoa – que se faz entre algumas palavras de uma mesma
frase.

Se a concordância não acontece, a frase fica incorreta. Observe:

Pedro estudam os inseto (?!)

Com apenas duas alterações, a frase torna-se correta:

Pedro estuda os insetos.

A língua portuguesa estabelece dois tipos básicos de


concordância:

CONCORDÂNCIA NOMINAL e CONCORDÂNCIA VERBAL

CONCORDÂNCIA NOMINAL

Estabelece-se entre as palavras adjetivas (adjetivo, artigo,


pronome e numeral) e o substantivo:

122
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A concordância é feita em gênero (masculino) e em número
(plural) entre palavras adjetivas e os substantivos (ou palavras
substantivas):

Aqueles rapazes esperavam ansiosos o ônibus.

CONCORDÂNCIA VERBAL

Ocorre entre o sujeito e o verbo:

Os meninos brincam na chuva.


O substantivo meninos e o verbo brincam mantêm uma
relação de concordância em número (plural) e pessoa (terceira).

CONCORDÂNCIA VERBAL - REGRAS

Regra geral: o verbo concorda em numero e pessoa com o


sujeito.

Ex.: o aluno chegou. Os alunos chegaram.

O sujeito é um coletivo: Quando o sujeito é um coletivo, o


verbo fica no singular.

Ex.: A multidão aplaudiu a linda jogada.

123
LÍNGUA PORTUGUESA
Sujeito coletivo especificado: Quando o sujeito é um coletivo
especificado o verbo pode ficar no singular ou no plural.
Ex.: A multidão de fanáticos torcedores aplaudiu (ou
aplaudiram) a jogada.

Nomes usados somente no plural:

- Quando o sujeito é um nome que só é usado no plural e não


vier precedido de artigo, o verbo fica no singular.
Ex.: Minas Gerais produz muito leite.

- Se vier precedido de artigo, o verbo concordará com o artigo.


Ex.: As Minas Gerais produzem muito leite.

Verbos haver (no sentido de existir ou indicando tempo) e o


verbo fazer (indicando tempo) são impessoais

- Devem ficar na 3a pessoa do singular.


Ex.: Havia sérios compromissos.
Fazia dez anos que ele não vinha a São Paulo.

Sujeito composto:

- Anteposto: o verbo deve ir para o plural.


Ex.: o livro e os cadernos chegaram.

124
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- Posposto: o verbo poderá concordar com o núcleo mais
próximo ou ir para o plural.
Ex.: Chegou o livro e os cadernos. Chegaram o livro e os
cadernos.

Sujeito composto formado por pessoas diferentes:

- Quando o sujeito composto é formado de pessoas diferentes


e entre elas há a 1a pessoa, o verbo irá obrigatoriamente para a 1a
pessoa do plural.
Ex.: Eu, tu e ele resolvemos o problema.

- Sujeito composto formado da 2a e 3a :


Quando o sujeito composto é formado pela 2a e 3a pessoa, o
verbo poderá ir para a 2a ou 3a pessoa do plural.
Ex.: Tu e ele chegastes cedo. Tu e ele chegaram cedo.

Sujeito composto resumido por pronomes indefinidos


TUDO, NADA, NINGUÉM: Verbo concorda com a palavra
resumitiva.

Ex.: Alunos, mestres, ninguém faltou.

Verbo com + pronome se

125
LÍNGUA PORTUGUESA
- Verbo com índice de indeterminação do sujeito (pronome
se): ficará no singular.
Ex.: Precisa-se de datilógrafas. Acredita-se em marcianos.

- Verbo com partícula apassivadora se concorda com o sujeito


expresso na oração.
Ex.: Vende-se uma casa na praia. Vendem-se casas na praia.

Verbo ser:

- Indicação de tempo ou distância: concorda com o primeiro


numeral.
Ex: É uma hora. São duas horas.

- Indicação de datas: concorda com a palavra dia(s) que pode


estar expressa ou subentendida.
Ex.: Hoje é dia 14 de março / Hoje é 14 de março (concorda
com dia) / Hoje são 14 de março (concorda com 14)

- Sujeito ou predicativo estiver se referindo à pessoa: verbo


concorda com a pessoa.
Ex.: Laura era as preocupações do pai. As preocupações do
pai era Laura.

- Sujeito ou predicativo são nomes de coisas: verbo concorda


com o sujeito ou com o predicativo.

126
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Ex.: Nossas vidas eram uma verdadeira festa. Nossas vidas era
uma verdadeira festa.

- Sujeito ou predicativo for pronome pessoal: verbo concorda


com o pronome
Ex.: Os necessitados somos nós. O candidato mais mentiroso
és tu.

- Sujeito e predicativo for pronome pessoal: verbo concorda


com o pronome que exerce a função de sujeito
Ex.: Ela não é eu.

- Sujeito representado pelos pronomes tudo, aquilo, isso ou


isto: verbo concorda com o predicativo.
Ex.: Aquilo eram bichos perigosos e ameaçadores.

Expressões É MUITO, É POUCO, É DEMAIS:

- Verbo fica no singular


Ex.: Dois mil reais é pouco para pagar a dívida.

Sujeito é pronome interrogativo QUE ou QUEM: concorda


com o predicativo.
Ex.: Quem foram os responsáveis?

127
LÍNGUA PORTUGUESA
Expressões A MAIOR PARTE DE, GRANDE NÚMERO DE,
UMA PORÇÃO DE + NOME NO PLURAL:

- Verbo no singular ou plural.


Ex.: A maioria dos pássaros fugiu (ou fugiram) do viveiro.

Expressões MAIS DE, MENOS DE, CERCA DE +


NUMERAL:
- verbo concorda com o numeral.
Mais de um interessado enviou o currículo. / Mais de cem
interessados enviaram o currículo.

Pronomes de tratamento: verbo fica na 3a pessoa.


Ex.: Vossa Excelência enganou seus eleitores. (e não
enganastes)

Pronomes relativos QUE e QUEM:

- Que: concorda com o antecedente deste pronome.


Ex.: Fui eu que pedi as explicações.

- Quem: concorda com o antecedente deste pronome. Ou fica


na 3a pessoa do singular
Ex.: Foram os funcionários quem reivindicou o aumento.
Foram os funcionários quem reivindicaram o aumento.

128
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Núcleos do sujeito ligados por OU:
- Exclusão: verbo no singular Ex.: Marcos ou Claudia se casará
com Maria.

- Não indica exclusão: A beleza ou verdade sempre o


emocionam.

Expressões UM DOS QUE, UMA DAS QUE, UM E OUTRO,


NEM UM NEM OUTRO:

- verbo no plural.
Ex.: Um e outro teriam que falar.

Expressões UM Ou OUTRO: verbo no singular.


Ex.: Um ou outro terá que falar.

Quais de nós, quanto de nós, alguns de nós, muitos de nós:


Verbo concorda com o pronome indefinido ou interrogativo,
ficando na terceira pessoa do plural, ou concorda com o pronome
pessoal.
Ex.: Quais de nós são (ou somos) corajosos o suficiente?
Alguns de nós recorremos (ou recorreram) à luta armada.

Parecer + infinitivo:

129
LÍNGUA PORTUGUESA
- Flexiona-se o verbo e não flexiona o infinitivo. Ex.: As chuvas
pareciam transmitir vida aos rostos.

- Não se flexiona o verbo e flexiona o infinitivo. Ex.: As chuvas


parecia transmitirem vida aos rostos.
Verbos DOAR, SOAR, BATER indicando horas

- Concordam com o número de horas.


Ex.: Soavam solenes seis horas.

- Se aparecer outro sujeito o verbo concorda com ele:


O relógio deu três horas.

Sujeito oracional: Quando o sujeito é uma oração


subordinada
- Verbo da oração principal fica na 3a pessoa do singular.
Ex.: Ainda falta resolver vários exercícios

Expressão HAJA VISTA:

- Fica invariável: Haja vista aos candidatos de promessas fáceis


(= atente-se)

- Fica invariável: Haja vista os candidatos de promessas fáceis


(= por exemplo)

130
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- Plural: Hajam vista os candidatos de promessas fáceis (=
vejam-se)

CONCORDÂNCIA NOMINAL - REGRAS

Regra Geral:
Toda palavra variável que se refere ao substantivo concorda
com ele em gênero (masculino e feminino) e número (singular e
plural). Ex.: As nossas duas amigas italianas nos visitarão.
Adjetivo com mais de um substantivo:

- Adjetivo após substantivo


Concorda com o último substantivo ou no plural
(prevalecendo o masculino se os gêneros forem diferentes):
Ex.: Só usa terno e carro novo. Só usa terno e carro novos. Só
usa terno e roupa novos.

- Se o adjetivo for um predicativo: sempre no plural


(prevalecendo o masculino se os gêneros forem diferentes).
Ex.: O terno e o sapato são novos. O carro e as roupas são
novos.

Adjetivo antes substantivo

- Sempre com o primeiro substantivo:


Ele tem bom plano e ideias.

131
LÍNGUA PORTUGUESA
Ele tem bons planos e ideias.

- Se o adjetivo for predicativo: com o primeiro substantivo ou


no plural (prevalecendo o masculino se os gêneros forem diferentes).
Ex.: Estava vazia a casa e o quintal.
Estavam vazios a casa e o quintal.

Mais de um adjetivo para um substantivo:

- Substantivo fica no plural se omitir o artigo antes do segundo


adjetivo:
Ex.: Completei os cursos básicos e intermediários.

- Substantivo fica no singular repetindo-se o artigo antes de


cada adjetivo:
Ex.: Completei o curso básico e o intermediário.

Numeral com o substantivo:

- Numerais usados como artigo, o substantivo pode ficar no


singular ou ir para o plural.
Ex.: A terceira e a quarta página do livro eram ilegíveis.
A terceira e a quarta páginas do livro eram ilegíveis.

- Não havendo repetição do artigo, o substantivo vai para o


plural.
132
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Ex.: A terceira e quarta páginas do livro eram ilegíveis.

- Se aparecer antes dos numerais o substantivo irá para o


plural.
Ex.: As pessoas segunda e terceira são alegres.

É PROIBIDO, É NECESSÁRIO, É PRECISO, É BOM

- Invariáveis quando usadas sem determinantes:


Ex.: É proibido entrada.
- Concordam com o sujeito em gênero e número se este vier
com determinante.
Ex.: É proibida a entrada.

ANEXO, PRÓPRIO, QUITE, MESMO, INCLUSO, OBRIGADO

- Concordam com o nome a que se relacionam.


Ex.: Anexa ao requerimento, segue a cópia.
Anexos ao requerimento, seguem os documentos.

MEIO, BASTANTE

- Invariáveis quando usadas como advérbio.


Ex.: A moça estava meio zangada.
Todos estavam bastante concentrados.

133
LÍNGUA PORTUGUESA
- Flexionam-se se tiverem valor de adjetivo ou numeral
fracionário
Ex.: Meia colher de sopa por xícara.
Bastantes problemas surgiram toda hora.

A SÓS, SÓ

- Invariáveis quando usadas como advérbio. Equivale a


somente.
Ex.: Só as mulheres reclamavam.

- Flexiona-se se tiverem valor de adjetivo. Equivale a sozinho.


Ex.: As mulheres ficaram sós.

A expressão a sós é invariável.


Ex.: O rapaz ficou a sós.

A OLHOS VISTOS, ALERTA, MENOS, PSEUDO

- São expressões invariáveis.


Ex.: os animais ficam alerta.

134
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
POSSÍVEL

- Flexionada, se houver artigo flexionado diante dela.


Ex.: Aqueles candidatos são os melhores possíveis.

- Invariável, se usada em expressões superlativas com o artigo


no singular.
Ex.: Tentei conseguir o maior cômodo possível.

Substantivos ligados por Ou:

- Concordar no masculino:
Ex.: Deveríamos entrar de calção ou camiseta marcados.

- Concordar com o substantivo mais próximo:


Ex.: Deveríamos entrar de calção ou camiseta marcada.
Ex.: Deveríamos entrar camiseta de ou calção marcado.

ATIVIDADE 11
CONCORDÂNCIA NOMINAL E VERBAL

1. Indique se estão certas ou erradas as frases que seguem,


considerando a concordância nominal:

135
LÍNGUA PORTUGUESA
a) Há menos indecisão do que parece.
b) Em anexo vinha um bilhete do diretor.
c) Estão bastantes claros seus projetos.
d) Não creio que seja proibido a entrada neste edifício.

2. Ainda _________ furiosa, mas com __________ violência,


proferia injúrias __________ para escandalizar os mais arrojados.
a) meia - menos - bastante
b) meio - menos - bastante
c) meio - menos - bastantes
d) meio - menas – bastantes

3. Assinale a frase incorreta, considerando que o adjetivo como


predicativo deve concordar no plural:
a) O caipira e sua mulher ficaram desconfiados.
b) Tenho o réu e seu comparsa como mentiroso.
c) Tenho por mentirosos o réu e seu comparsa.

4. Muito ___________ , disse ela. Vocês procederam


________ considerando meu ponto de vista e vinha argumentação
______________.
a) obrigado - certos - sensata
b) obrigada - certo - sensatos
c) obrigada - certos - sensata
d) obrigada - certos - sensatos
e) obrigado - certo - sensatos

136
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
5. Identifique o emprego incorreto da palavra “meio”:
a) Chegou meio-dia e meia ao escritório.
b) Encontrou a porta meio fechada.
c) Há meios para tudo nesta vida.
d) Ela ficou meia deprimida com a separação.
e) Trouxe um documento meio amarelado.

6. Trajava à moda antiga, uma saia ___________________,


uma blusa ________________ e sorria timidamente para os rapazes
que a cortejavam, abrindo os olhos ________________ onde se via
um brilho de malícia.
a) azul-marinho / verde-clara / castanho
b) azul-marinha / verde-claro / castanho
c) azul-marinha / verde-clara / castanhos
d) azul-marinha / verde-claro / castanho
e) azul-marinho / verde-clara / castanhos

7. Está adequadamente flexionada a forma destacada na frase:


a) Ele não deixou satisfeito nem a crítica, nem o público.
b) Todos achamos difíceis, nas provas de Física e Matemática, a
resolução das questões finais.
c) Sofá e a banqueta ganharam outro aspecto depois de consertado.
d) A culpa deles aparecia como que inscritas em suas feições,
denunciando-os.
e) Ele considerou inúteis, na atual circunstância, as medidas que ela
sugeria.

137
LÍNGUA PORTUGUESA
8. Indique a frase que apresenta um erro de concordância
verbal:
a) Acontece coisas esquisitas neste mundo.
b) Quem fez isso foram vocês?
c) Tu e ele ireis também à conferência?

9. “Um grupo de estudantes invadiram o passeio.”


Nesse período:
a) Há um erro de concordância verbal: o sujeito coletivo exige
invariavelmente o verbo no singular.
b) O verbo deveria estar no singular uma vez que o coletivo vem
precedido do numeral um.
c) A concordância é correta uma vez que o coletivo vem seguido de
adjunto no plural, possibilitando o uso do verbo seja no singular, seja
no plural.
d) Há dois erros de concordância.
e) O adjunto deveria ser “de estudante”.

138
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
2.1.2
CONTEÚDO 2
REGÊNCIA VERBAL E NOMINAL

As palavras, dentro de uma oração, geralmente são


independentes. O relacionamento entre elas é que torna a oração
significativa. A essa relação entre um termo subordinante (regente) e
um termo subordinado (regido) dá-se o nome de sintaxe de regência.

- REGÊNCIA NOMINAL: quando o termo regente é um


nome.
- REGÊNCIA VERBAL: quando o termo regente é um verbo.

REGÊNCIA NOMINAL

A regência nominal estuda os casos em que nomes


(substantivos, adjetivos e advérbios) exigem outra palavra para lhes
completar-lhes o sentido. Em geral, a relação entre um nome e o seu
complemento é estabelecida por uma preposição.

139
LÍNGUA PORTUGUESA
Regência de alguns nomes
acessível a fácil de

afável com, para com favorável a

agradável a fiel a

alheio a firme em

amante de generoso com

análogo a grato a

ansioso de, por hábil em

apto a, para habituado a

benéfico a horror a

capaz de, para hostil a

certo de idêntico a

compatível com impossível de

compreensível a impróprio para

comum a, de incompatível com

constante em inconsequente com

contíguo a indeciso em

140
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
contrário a independente de, em

cuidadoso com indiferente a

curioso de indigno de

desatento a inerente a

descontente com inexorável a

desejoso de leal a

desfavorável a lento em

diferente de liberal com

difícil de natural de

digno de necessário a

erudito em nocivo a

escasso de paralelo a

estranho a passível de

perito em propício a

perpendicular a próximo a, de

pertencente a responsável por

141
LÍNGUA PORTUGUESA
possível de seguro de, com

possuído de semelhante a

posterior a sensível a

prejudicial a útil a, para

prestes a, para versado em

Fonte: Autoria própria.

REGÊNCIA VERBAL

Ocupa-se de uma relação entre o verbo e os seus


complementos (objetos) ou seus adjuntos adverbiais.

Regência de alguns verbos:

CHEGAR /IR / DIRIGIR-SE

- Exigem a preposição a: Chegamos ao clube.


- Iremos a são Paulo.
- Dirigiu-se ao pátio durante o intervalo.

142
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
CUSTAR

- No sentido de ser custoso, ser difícil ou quando significa


demorar: pede objeto indireto com a preposição a seguido de oração
infinitiva:
Custou ao aluno aceitar o fato. / O carro custou a funcionar.

IMPLICAR

- No sentido de ser de acarretar, exige complemento sem


preposição: Sua atitude implicará demissão.

RESIDIR / MORAR
- Exigem a preposição em: Ele mora em Salvador.

NAMORAR

- Exige complemento sem preposição. Ele namora Maria.

PREFERIR

- É transitivo direto e indireto. Prefiro cerveja a vinho.

143
LÍNGUA PORTUGUESA
OBEDECER / DESOBEDECER

- Exige complemento com a preposição a. O filho obedece ao


pai.

SIMPATIZAR / ANTIPATIZAR

- Exige a preposição com. Simpatizei com aquelas pessoas.

LEMBRAR / ESQUECER

- Quando não pronominais, exigem complementos sem


preposição. Ele esqueceu o caderno.
- Quando pronominais, exigem complementos com a
preposição de. Ele se esqueceu do caderno.

PERDOAR / PAGAR / AGRADECER

- Quando têm por complemento uma palavra que denote


coisa, não exigem preposição.
- Paguei o livro.
- Quando têm por complemento uma palavra que denote
pessoa, exigem preposição a.
- Paguei ao livreiro.
- Agradeço a você a oportunidade.

144
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
ASSISTIR

- No sentido de dar assistência, sem preposição. O médico


assistiu o paciente.
- No sentido de ver presenciar, exige a preposição a.
Assistimos a um filme.

VISAR

- No sentido de mirar ou dar visto, sem preposição.


Ele visou o alvo. / O gerente visou o cheque.

- No sentido de ter em vista, de objetivar, desejar, pretender


exige a preposição a.
Visamos a uma posição de destaque.

ASPIRAR

- No sentido de inspirar, sorver. Sem preposição. Ele aspirou o


aroma das flores.
- No sentido de almejar, pretender, exige a preposição a.
Aspirava ao cargo de chefia.

QUERER

145
LÍNGUA PORTUGUESA
- No sentido de desejar, exige complemento sem preposição.
Eu quero uma casa.
- No sentido de ter estima, ter afeto, exige a preposição a.

ABRAÇAR

- No sentido de apertar, cingir com os braços, ou mesmo


seguir uma causa, adotar um ideal, ele é verbo transitivo direto
(VTD).
Ex.: O governador abraçou-os um por um.
O ateu abraçou o cristianismo.

- No mesmo sentido de cingir com os braços, apertar, como


pronominal, regendo as preposições a, com, em, contra, ele passa a
ser verbo transitivo indireto (VTI).

AJUDAR

- No sentido de prestar ajuda a, auxiliar, é VTD.


Ex.: Essa solução ajudará o presidente.

INFORMAR, PREVENIR, AVISAR, CERTIFICAR:

- São Verbo transitivo direto e indireto (VTDIs), admitindo


objeto direto (O.D.) e objeto indireto (O.I.) tanto para pessoa quanto
para coisa.

146
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Ex.: Informei ao seu colega que estava na hora.
Informei-o de que estava na hora.
Previno-o dos contratempos.
Previno-lhe os contratempos.
Certifiquei-o de que seria responsável.
Certifiquei-lhe que seria responsável.

PROCEDER:

- No sentido de ter fundamento, comportar-se, é VI.


Ex.: A reclamação do cliente não procede.
A criança procedeu educadamente durante as
comemorações.

- No sentido de provir, originar-se, descender, é VTI, regendo


preposição a.
Ex.: O secretário da sessão procedeu à leitura da ata.

- No sentido de dar início, realizar, é VTI.


O advogado procedeu à leitura do testamento.

RESPONDER

- É VTDI, com OD de coisa e OI de pessoa.

147
LÍNGUA PORTUGUESA
Ex.: Respondi ao responsável que tudo estava sob controle.

ATIVIDADE 12
REGÊNCIA

1. Assinale a alternativa correta quanto à sintaxe de regência.


a) Todos os homens sempre aspiraram a vida tranquila.
b) Não quer dormir nem aspira por isso.
c) Que ideal aspira a juventude?
d) Eis o cargo que aspiro.
e) O perfume que aspiramos não era agradável.

2. Complete as lacunas com a preposição ou com o artigo.


a) Assisti...........projeções do filme de Fellini.
b) Este é um direito que assiste.........secretário.
c) Assistíamos..............Brodósqui na época do tombamento da casa
de Portinari.
d) médico assistia..............paciente.
e) Nós assistiremos .............jogo.

3. Marque as alternativas corretas.


a) Sempre obedeceu aos superiores com humildade.
b) Preferiu ser honesto a ser rico.
c) A loja não perdoou os credores.
d) Não lhe perdôo porque esta foi uma atitude infantil.
e) Prefiro estudar a trabalhar.

148
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
4. Preencha a lacuna com a preposição exigida pelo nomes
regentes:
a) Todos estavam aptos ......... ocupar aquele cargo.
b) Fumar é prejudicial ........... saúde.
c) Ele sempre foi favorável ........... que você fosse o treinador da
equipe.
d) O filme é impróprio ........... menores de 18 anos.
e) É uma característica comum ......... todos.
f) O posto não é acessível .......... nenhum candidato.
g) Sua casa fica próxima ............ minha.
h) Vive alheio ............. tudo.
i) Estou ansioso .............. resultado.
j) É uma pessoa firme ............. suas propostas.
k) Não estava habituado ............... maus tratos.
l) Não existe problema difícil ............ resolver.
m) Tem horror .............. filmes de ação.
n) Sua opinião foi contrária ............. minha.
o) Seu depoimento é passível ............ contestação.
p) Não foi fiel ........... você.
q) É um homem capaz ............... atitudes monstruosas.
r) Era um amante ..................... bons filmes.

5. Preencher as lacunas com a regência correta:


a) Jorge aspira ____ ar puro da manhã.
b) Devemos perdoar _____ nossos inimigos.
c) O colega perdoou ____ insulto.
d) Cabia-me cientificar _____ diretor do ocorrido.
e) Ela _____ ama.
f) Eu ____ vi na rua.

149
LÍNGUA PORTUGUESA
g) O delegado procedeu ____ inquérito.
h) Eu assisti _____ filme naquele dia.
i) Os médicos assistem ____ doentes.
j) Nós visamos _____ melhores dias.
k) Ele visou _____ passaporte.
l) Nós obedecemos _____ regulamento da Feira das Nações.
m) Esqueci-me agora _______ compromisso.
n) Paguei ____ dívida ______ dentista.

2.1.3
CONTEÚDO 3
CRASE
A crase é um acento gráfico?
Não. A crase não é um acento gráfico.
Palavra que em grego significa fusão, crase é justamente o
resultado da fusão ou união de duas vogais iguais e contíguas. Ao
falarmos, é normal acontecerem crases:
Estava aberto o caminho
Em casos como o do exemplo acima não se registra o sinal
gráfico da crase, na língua portuguesa só se assinalam as crases da
preposição a com o artigo a/as; com os pronomes demonstrativos
a/as e com a vogal inicial dos pronomes demonstrativos — aquele,
aquela, aquilo, o a do pronome relativo a qual (as quais).
O sinal gráfico que marca a crase (`) chama-se acento grave.

150
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
CRASE DE PREPOSIÇÃO A + ARTIGO A/AS

A regra geral determina que ocorrerá crase:

- Se o termo regente exigir a preposição a:


chegar a, contrário a
- Se o termo regido aceitar o artigo a/as:
a escola, a ideia

Cheguei à escola.

Sou contrário à ideia de trabalhar em casa.

Mas, se não ocorrerem essas duas condições, não haverá crase:


Conheço a escola.

No exemplo acima não ocorre a crase porque falta a primeira


condição: o termo regente não exige preposição.

Cheguei a Curitiba.

No caso acima, não ocorre a crase porque falta a segunda


condição, ou seja, o termo regido não aceita artigo.

151
LÍNGUA PORTUGUESA
DICAS
Há duas dicas simples que ajudam a saber quando ocorre
crase:

- Substituir a palavra feminina por outra masculina. Se ocorrer


a forma ao é sinal de que há crase:

Fui a sala (?).


Fui ao salão.
Portanto, o correto é: Fui à sala.
Estavam frente a frente (?).
Estavam lado a lado.
Portanto, o correto é: Estavam frente a frente.

- Substituir a preposição a por outras, tais como para, de, em.


Se o artigo aparecer é sinal de que ocorreu crase:

Fui a Itália (?).


Fui para a Itália.
Portanto, o correto é: Fui à Itália.
Fui a Cuba (?).
Fui para Cuba.

No exemplo acima o artigo não aparece. Portanto, o correto é:


Fui a Cuba.
152
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Fui à Bahia e fiquei maravilhado com o Farol de Itapuã.

CRASE ANTES DE PRONOMES

- Antes dos pronomes a que, a qual


Ocorre crase se o masculino correspondente for ao que, ao
qual:

Esta cerveja é superior à que você comprou.


Este vinho é superior ao que você comprou.

Esta é a decisão à qual chegamos.


Este é o ponto ao qual chegamos.

- Antes dos pronomes demonstrativos aquele(s), aquela(s),


aquilo
Ocorre crase sempre que o termo regente exigir a preposição a:

Fui àquele comício.


Sou avesso àquela ideia.

CASOS FACULTATIVOS

Pode ou não ocorrer crase:

153
LÍNGUA PORTUGUESA
- Antes de nomes próprios femininos:

Referiu-se à Luísa.
ou
Referiu-se a Luísa.

- Antes de pronomes possessivos femininos:

Referiu-se à tua mãe.


ou
Referiu-se a tua mãe.
- Depois da preposição até

Fomos até a praia.


Fomos até à praia.

EXPRESSÕES ADVERBIAIS, PREPOSITIVAS E CONJUNTIVAS


FEMININAS

Sempre ocorre crase nestas expressões: às duas horas; à tarde; à


direita; à esquerda; às vezes; às pressas; à frente de; à medida que...

NUNCA OCORRE CRASE

- Diante de palavras masculinas

154
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Ela gosta de andar a pé.

- Diante de verbo

Estou disposto a estudar

- Expressões formadas por palavras repetidas

Ficamos frente a frente.

- Diante de artigo indefinido

O caso me fez chegar a uma conclusão rápida.

- Diante de pronome pessoal

O guarda não se referiu a ti

- Diante das palavras

o casa – no sentido de lar, moradia: Voltamos cedo a casa.


terra – no sentido de chão firme: Os marinheiros desceram a
terra.

- Se essas palavras vierem especificadas usa-se a crase:


155
LÍNGUA PORTUGUESA
Voltamos cedo à casa dos amigos.
Os marinheiros desceram à terra dos índios.

- Nas expressões adverbias femininas de instrumentos

Eles escreveram a máquina.


Saíram num barco a vela.

Glossário
Termo regente: é aquele que subordina um outro termo: caixa
de papel, alheio a tudo.
Termo regido: é aquele que está subordinado a um outro (o
regente): caixa de papel, alheio a tudo.

ATIVIDADE 13

CRASE

1. (Mackenzie) “Agradeço ___ Vossa Senhoria ___


oportunidade para manifestar minha opinião ___ respeito.
a) à - a - à
b) à - a – a
c) a - a - à
d) a -a – a
e) à - à - a

156
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
2. (FCMSCSP) Dê ciência ___ todos de que não mais se
atenderá ___ pedidos que não forem dirigidos ___
diretoria.
a) à - a - à
b) à - a – a
c) a - a - à
d) a -a - a
e) à - à - a

3. (FCMSCSP) Estamos ___ poucas horas da cidade ___ que


vieram ter ____ tempos, nossos avós.
a) a - a - há
b) há - a - a
c) há - a - há
d) à - a - a
e) a -a - a

4. (UEL-PR) ___ cerimônias, ____ início finalmente se


procedeu, compareceram muitos curiosos.
a) Às - cujo
b) Às - a cujo
c) As - à cujo
d) As - cujo
e) Às - à cujo

5. (FUNVEST-SP) Diga ___ elas que estejam daqui ___


pouco ____ porta da biblioteca.
a) à - há - a
b) a - há - à
c) a - a - a
157
LÍNGUA PORTUGUESA
d) à - a - a
e) a - a – à

6. (Fac. Med. Rio Preto e Jundiaí) Não sei ___ quem devo
dirigir-me: se ___ funcionária desta seção, ou ___ da seção
de protocolo.
a) a - a – a
b) a - à - a
c) a - à - à
d) à - a - à
e) à - à - à

7. (F.C.Chagas-PR) Os que assistiram ___ peça chegaram


___ aplaudi-la de pé, postando-se ___ poucos metros do
palco.
a) à - à - há
b) à - a - a
c) à - a - à
d) à - a - há
e) a - à – a

158
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
2.1.4
CONTEÚDO 4
ORTOGRAFIA

A Ortografia, pela etimologia significa escrita correta, é a parte


da Gramática que indica como devem ser grafados os vocábulos de
uma língua, é regulamentada por leis, fruto de acordos ortográficos.
Ela estabelece normas e define a forma correta de cada palavra,
incluindo o uso do hífen, dos acentos e sinais gráficos, da pontuação
e das letras maiúsculas.
Essas normas existem porque a escrita não é puramente
fonética, isto é, para escrever corretamente uma palavra não basta
transcrever o que se ouviu, pois nem sempre a uma só letra
corresponde um só fonema (som). Além disso, levando-se em conta
as diferenças de pronúncia de cada região, existiriam, num mesmo
país, várias formas para uma mesma palavra. Assim, existe um
padrão que leva em conta a fonética, a tradição e a etimologia.
O domínio correto do processo ortográfico do nosso idioma
não se consegue somente através da sistematização de regras, uma
vez que a maioria das palavras da Língua Portuguesa tem a sua
justificativa gráfica justificada na etimologia.
Para se conseguir um bom nível ortográfico seria ideal
conhecer a origem das palavras. No entanto, como isso nem sempre é
possível, pode-se contar com a memória visual, treinada com
bastante leitura e redação.
A maneira mais simples, prática e objetiva de aprender
ortografia é fazer exercícios, visualizar as palavras, familiarizar-se
com elas. Conhecer regras ajuda, contudo não é o caminho mais
seguro para a sistematização.

159
LÍNGUA PORTUGUESA
DÚVIDAS ORTOGRAFICAS
X ou CH?

a) Após um ditongo, emprega-se X: peixe, caixa, etc.


b) Após en inicial, usa-se X: enxada, enxaguar.
Exceções: ENCHER e derivados (enchente) e palavras
iniciadas por ch, antecedidas do prefixo en-, como: enchapelar (en +
chapéu + ar).
c) Após o me inicial, grafa-se com x: mexicano, mexilhão.
A única exceção é mecha (substantivo).

d) Palavras de origem indígena ou africana: xangô, xinxim.


e) Palavras aportuguesadas do inglês trocam o sh original por
x: xampu (shampoo), xerife (sheriff)

G ou J ?

a) Grafam-se com G as palavras terminadas em agem, igem e


ugem: barragem, fuligem, ferrugem.
b) As terminações ágio, égio, ígio, ógio e úgio são grafadas com
g: pedágio, colégio, prestígio, relógio, refúgio.
c) Após a inicial, grafa-se ge ou gi: agência, agenda, agiota, ágil.
Exceção: ajeitar e derivados.
d) As palavras de origem indígena ou africana são grafadas
com j: canjica, jibóia, pajé.
160
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
S ou Z?

a) Grafam-se com s os sufixos -ês, -esa indicadores de


nacionalidade, título, origem: chinês, burguês, burguesa, marquesa,
camponês, camponesa.
b) Grafam-se com Z os sufixos -ez, -eza que formam
substantivos abstratos derivados de adjetivos:
belo beleza
rico riqueza
rápido rapidez

c) Grafa-se com s o sufixo -isa indicador de feminino: poetisa,


profetisa, sacerdotisa

d) Após um ditongo, usa-se sempre s: lousa, coisa, causa.

OBSERVAÇÃO: catequizar - catequese.

ATIVIDADE 14

DÚVIDAS ORTOGRAFICAS

1. Complete com X ou CH
pai__ão rebai__ar encai__ar __ícara
fle__a ca__imbo ro__o salsi__a
161
LÍNGUA PORTUGUESA
en__ada fa__ina en__aqueca arro__o

2. Complete com G ou J
Via__em (verbo) via__em (substantivo)
contá__io ori__em lo__ista despe__e
__eada __engibre co__itar mira__em

3. Complete com S ou Z
pesqui__ar anali__ar desli__ar enrai__ar
náu__ea diaconi__a ca__ebre barone__a
pu__era qui__ qui__esse fu__ível

4. O jovem falava com muita _________________ e grande


_____________________de gestos.
a) expontaneidade, exuberância
b) espontaneidade, exuberancia
c) expontaniedade, exuberancia
d) espontaneidade, exuberância
e) espontaniedade, exuberância

5. A ________________ entre os membros do partido acabou


provocando uma ________ interna.
a) dissidência, cisão
b) dissidência, cizão
c) dissidência, cissão
d) discidência, cizão
e) discidência, cisão

162
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
6. Todos os documentos ____________, sem ___________
aparentavam grande __________________________.
a) inidônios, exceção, verossemelhança
b) inidônios, excessão, verossemelhança
c) inidônios, exceção, verossimilhança
d) inidôneos, excessão, verossimilhança
e) inidôneos, exceção, verossimilhança

7. Estavam _____________ de que os congressistas chegassem


____________ para a _____________ de abertura.
a) receosos, atrasados, sessão
b) receosos, atrazados, seção
c) receiosos, atrazados, seção
d) receiosos, atrasados, sessão
e) receiosos, atrazados, sessão

8. Aponte a alternativa correta:


a) exceção, excesso, espontâneo, espectador
b) excessão, excesso, espontâneo, espectador
c) exceção, exceço, expontâneo, expectador
d) excessão, excesso, espontâneo, expectador
e) exeção, exeço, expontâneo, expectador

9. Não creio que este fato constitua ________________ para


sua __________________ na carreira.
a) empecilho, ascensão
b) empecílio, ascenção
c) impecilho, ascensão
d) empecílio, ascensão
e) empecilho, ascenção
163
LÍNGUA PORTUGUESA
10. Estou _____________ de que tais ________________
devem ser ___________.
a) cônscio, privilégios, extintos
b) cônscio, privilégios, estintos
c) cônscio, previlégios, estintos
d) cônscio, previlégios, extintos
e) côncio, previlégios, estintos

11. Por mais que ele _____________ negando, o seu


argumento não _________ força nem ______________ para a sua
___________ .
a) continui, possui, contribui, absolvição
b) continue, possui, contribui, absorção
c) continue, possue, contribue, absolvição
d) continue, possui, contribui, absolvição
e) continue, possue, contribui, absorção

12. Para evitar _______________ o apresentador


______________ um _____________ .
a) discursões , improvizou, discurso
b) discussões, improvizou, discusso
c) discursões, improvisou, discurso
d) discusões, improvisou, discurso
e) discussões, improvisou, discurso

13. Acusado de _______________ a menor, o ____________


negou a acusação a ele imposta pela vítima.
a) estrupar, cafajeste
b) estuprar, cafajeste
c) istrupar, cafajeste
164
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
d) estrupar, cafageste
e) estuprar, cafageste

14. O jovem falava com muita ___________________ e


grande ______________ de gestos.
a) expontaneidade, exuberância
b) espontaneidade, exuberancia
c) expontaniedade, exuberancia
d) espontaneidade, exuberância
e) espontaniedade, exuberância

15. A __________________ entre os membros do partido


acabou provocando uma ________ interna.
a) dissidência, cisão
b) dissidência, cizão
c) dissidência, cissão
d) discidência, cizão
e) discidência, cisão

16. Todos os documentos ________________, sem


______________ aparentavam grande ____________.
a) inidônios, exceção, verossemelhança
b) inidônios, excessão, verossemelhança
c) inidônios, exceção, verossimilhança
d) inidôneos, excessão, verossimilhança
e) inidôneos, exceção, verossimilhança

165
LÍNGUA PORTUGUESA
17. Estavam ________________ de que os congressistas
chegassem _______________ para a ___________________ de
abertura.
a) receosos, atrasados, sessão
b) receosos, atrazados, seção
c) receiosos, atrazados, seção
d) receiosos, atrasados, sessão
e) receiosos, atrazados, sessão

18.Aponte a alternativa correta:


a) exceção, excesso, espontâneo, espectador
b) excessão, excesso, espontâneo, espectador
c) exceção, exceço, expontâneo, expectador
d) excessão, excesso, espontâneo, expectador
e) exeção, exeço, expontâneo, expectador

19. Não creio que este fato constitua _______________ para


sua ________________ na carreira.
a) empecilho, ascensão
b) empecílio, ascenção
c) impecilho, ascensão
d) empecílio, ascensão
e) empecilho, ascenção

20. Estou _______________ de que tais _________________


devem ser __________________.
a) cônscio, privilégios, extintos
b) cônscio, privilégios, estintos

166
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
c) cônscio, previlégios, estintos
d) cônscio, previlégios, extintos
e) côncio, previlégios, estintos

21. Para evitar __________________ o apresentador


_____________________ um _____________________ .
a) discursões , improvizou, discurso
b) discussões, improvizou, discusso
c) discursões, improvisou, discurso
d) discusões, improvisou, discurso
e) discussões, improvisou, discurso

22. Expediu um ______________ de segurança para


_____________ o ______________ do prefeito.
a) mandato, suster, mandado
b) mandato, suster, mandato
c) mandado, suster, mandato
d) mandado, sustar, mandato
e) mandato, sustar, mandato

23. O advogado recorreu da sentença e o tribunal do júri


_______________ a decisão, ___________________ o acusado que
saiu bastante ____________________ .
a) ratificou, descriminando, cumprimentado
b) ratificou, descriminando, comprimentado
c) retificou, descriminando, comprimentado
d) retificou, descriminando, cumprimentado
e) ratificou, discriminando, cumprimentado

167
LÍNGUA PORTUGUESA
24. Os _______________ tinham _______________
realmente ________________ das que eram defendidas pelo partido.
a) discidentes, concepções, divergentes
b) dissidentes, concepções, divergentes
c) dissidentes, consepções, divergentes
d) discidentes, consepções, divergentes
e) dicidentes, concepções, divergentes

DIFICULDADES DA LÍNGUA

Demais / De mais

Demais: advérbio de intensidade = muito, bastante, além disso


Estou bem até demais.

Demais: pronome indefinido


Resolvi partir sozinho, deixando aos demais a liberdade de
escolher

De mais: locução adjetiva = antônimo de “de menos” ou de “de


mais um”
Não vejo nada de mais em sua atitude.
Preciso de mais um copo de leite.

168
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A FIM DE / AFIM

A fim de: indica finalidade = para


Voltei a fim de resolver esse problema.

Afim significa semelhante= que tem afinidade


Finalmente encontrei um adversário afim.

DE REPENTE / POR ISSO / A PARTIR DE

São expressões compostas por vocábulos independentes,


sempre separados.

MAU / MAL

Mal:

- advérbio de modo, contrário de bem


O contrato estava mal redigido

- substantivo: pode vir antecedido de artigo, adjetivo ou


pronome
O mal dele é acreditar em tudo que lhe falam

169
LÍNGUA PORTUGUESA
- conjunção subordinativa temporal, equivale a assim que, logo
que
Mal cheguei, começaram as comemorações
Mau
- é adjetivo
Ele está sempre de mau humor.

MAIS / MAS

- mas: conjunção coordenada adversativa, devendo ser


utilizada em situações que indicam oposição, sentido contrário.
Esforcei-me bastante, mas não obtive o resultado necessário.

-mais: pronome indefinido ou advérbio de intensidade,


opondo-se, geralmente, a “menos”.
Ele escolheu a camiseta mais cara da loja.

EM FIM / ENFIM

- Enfim: advérbio de tempo formado pela união das palavras


em + fim = finalidade ou fim de determinada coisa como também a
indicação da conclusão de certo pensamento ou ainda o término de
certa situação.
Enfim vou poder descansar em paz.

170
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- Em fim: locução adverbial de tempo formada pela
justaposição de duas palavras sendo composta pela preposição “em”
e pelo substantivo “fim” = a finalização de algo.
Este trabalho que você aceitou comprova que se está em fim de
carreira.

DE ENCONTRO A / AO ENCONTRO DE

- Ao encontro de: tem significado de “estar de acordo com”,


“em direção a”, “favorável a”, “para junto de”.
Meu novo trabalho veio ao encontro do que desejava. (Meu
novo trabalho está de acordo com o que desejava.).

- De encontro a: tem significado de “contra”, “em oposição a”,


“para chocar-se com”.
Esta questão está indo de encontro aos interesses da empresa.

SENÃO / SE NÃO

- Se não quando puder substituir pelos equivalentes: caso não,


quando não ou no caso de o “se” ser conjunção integrante e estiver
introduzindo uma oração subordinada objetiva direta:
Perguntei aos alunos se não gostariam de fazer um projeto
sobre regionalismo para a feira de ciências. (conjunção integrante
introdutória de oração objetiva direta)
Se não fossem meus pais, não seria quem sou! (caso não)

171
LÍNGUA PORTUGUESA
A maioria dos alunos, se não toda a sala, entregou a pesquisa
no dia. Parabéns! (quando não)

- Senão quando puder substituir pelos equivalentes: caso


contrário, do contrário, de outro modo, a não ser, mas sim:

Estude bastante, senão não conseguirá aprender o suficiente!


(caso contrário, do contrário)
Depois do resultado, o ambiente não era outro, senão de
alegria e festa! (mas sim)

PAR / AO PAR

- A par: estar informado acerca de algo”:


Ele não estava a par de todos os acontecimentos.

- Ao par: equivalência ente valores financeiros:


Algumas moedas estrangeiras estão ao par.

A / HÁ

Emprega-se A em
- ideia de tempo futuro
Daqui a pouco a Seleção Brasileira jogará.

- ideia de distância
172
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A divisa do estado fica daqui a trinta quilômetros.

- na expressão a tempo quando significa em tempo


Helena chegou a tempo de tomar o avião.

Emprega-se Há em
- ideia de tempo passado
Há dois dias que não a vejo.

AONDE / ONDE

Emprega-se Aonde em
- verbos que indicam movimento – ir, chegar, levar...
Ex.: Aonde você foi.
Emprega-se Onde em
- verbos que não indicam movimento
Ex.: Onde você se hospedou?

PORQUÊS

1. POR QUE

a) Em frases interrogativas diretas ou indiretas.


Por que você não veio?
173
LÍNGUA PORTUGUESA
Conte-nos por que você não veio.

b) Quando pode ser substituído pelas expressões pelo qual e


flexões, ficando subentendido a palavra motivo, razão.
Não é essa a vida por que lutamos.

c) Após os vocábulos eis e daí.


Eis por que não compareci.

2. PORQUE
a) Introduz uma causa. É uma conjunção subordinada causal.
Ela não veio porque não quis.
b) Introduz uma explicação. Equivale a pois. É uma conjunção
coordenativa explicativa.
Venha porque precisamos de você.
c) Introduz uma finalidade. Equivale a para que. É uma
conjunção subordinativa final.
Venha porque não fique só.

3. POR QUÊ

a) É usado no fim de orações (geralmente interrogativas) ou


quando a expressão estiver isolada.

Ela não veio por quê?


174
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
4. PORQUÊ

a) Emprega-se como substantivo e tem as seguintes


características: é preciso de palavra determinante (artigos,
contrações, pronomes, numerais...), equivale a palavra motivo (ou
razão)
Queremos saber o porquê de seu medo.

TER A VER / TER A HAVER?

Ter a ver = ter relação (com), dizer respeito (a).


Ele não tem nada a ver com este problema. (=o problema não
diz respeito, não está relacionado com ele)

Ter a haver = ter a receber.


Ele não tem nada a haver. (= ele não tem nada para receber.)

DIA A DIA E DIA-A-DIA

Dia-a-dia: antes do novo acordo ortográfico, a expressão “dia-


a-dia”, cujo sentido fazia referência ao cotidiano, era grafada com
hífen. Porém, depois de instaurado, passou a ser utilizada sem o
hífen.
O dia a dia dos estudantes tem sido bastante conturbado.

175
LÍNGUA PORTUGUESA
Dia a dia: sem hífen mesmo antes da nova reforma, atua como
uma locução adverbial referente a “todos os dias” e permaneceu sem
nenhuma alteração, ou seja:
Ela vem se mostrando mais competente dia a dia.

NA MEDIDA EM QUE E À MEDIDA QUE

A medida em que: expressa uma relação de causa,


equivalendo-se a “porque”, “uma vez que” e “já que”
Na medida em que passava o tempo, a saudade ia ficando cada
vez mais apertada.

À medida que: indica a ideia relativa à proporção,


desenvolvimento gradativo.
À medida que iam aumentando os gritos, as pessoas se
aglomeravam ainda mais.

PARA MIM / PARA EU

- Para eu: deverá ser usada quando “eu” assumir a função de


sujeito. Sempre que o sujeito for seguido de um verbo no infinitivo
que indique uma ação.

Para eu fazer isso, vou precisar da tua ajuda.


Façam silêncio para eu telefonar para este cliente.

176
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
- Para mim: será empregada quando “mim” exercer a função
de objeto direto. Mim é um pronome pessoal oblíquo tônico e deve
estar sempre precedido por uma preposição.

Esse pijama é para mim e não para minha irmã.


Vocês podem fazer isso para mim?

ATIVIDADE 15
DIFICULDADES DA LÍNGUA

1. (ESAP) Considerando o uso apropriado do termo


sublinhado, identifique em que sentença do diálogo abaixo
há um erro de grafia:
a) Por que você não entregou o trabalho ao professor?
b) Você quer mesmo saber o porquê?
c) Claro. A verdade é o princípio por que me oriento.
d) Pois, acredite, eu não sei porque fiz isso.
e) Você está mentindo. Por quê?

2. (UE PONTA GROSSA-PR) Preencha as lacunas


adequadamente:
- ................ me julgas indiferente? - ................ tenho meu ponto de
vista.
- E não o revelas ...............? - Nem sei o ................ .

177
LÍNGUA PORTUGUESA
Assinale a alternativa que preenche adequadamente as lacunas:

a) Por que, Porque, por que, por quê


b) Por que, Porque, por quê, porquê
c) Porque, Por que, porque, por quê
d) Por quê, Porque, por que, porquê
e) Porque, Porque, por quê, por quê

3. (FUVEST) Assinale a frase gramaticalmente correta:


a) Não sei por que discutimos.
b) Ele não veio por que estava doente.
c) Mas porque não veio ontem?
d) Não respondi porquê não sabia.
e) Eis o porque da minha viagem.

4. (UF-PR) Complete as lacunas usando adequadamente mas


/ mais / mau / mau.
Pedro e João ......... entraram em casa, perceberam que as
coisas não estavam bem, pois sua irmã caçula escolhera um .........
momento para comunicar aos pais que iria viajar nas férias; .........
seus dois irmãos deixaram os pais ......... sossegados quando disseram
que a jovem iria com as primas e a tia.

a) mau, mal, mais, mas


b) mal, mal, mais, mais
c) mal, mau, mas, mais
d) mal, mau, mas, mas
e) mau, mau, mas, mais

178
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
5. (ETF-SP) É um bom livro, .......... do título de .......... gosto.
a) apesar - mau
b) a pesar - mal
c) apesar - mal
d) apezar - mau
e) apezar - mau

6. (AFTN) Quanto à morfossintaxe não está correta a


sentença:
a) Há cerca de cinquenta mil candidatos inscritos para o concurso.
b) Discursou a cerca do programa de recuperação dos cerrados.
c) Não o vejo há cerca de vinte anos.
d) A fazenda fica a cerca de uma hora de carro de São Paulo.
e) Sua opinião acerca da proposta deve ser considerada.

179
LÍNGUA PORTUGUESA
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

QUESTÃO 1
ENADE 2011

Exclusão digital é um conceito que diz respeito às extensas


camadas sociais que ficaram à margem do fenômeno da sociedade da
informação e da extensão das redes digitais. O problema da exclusão
digital se apresenta como um dos maiores desafios dos dias de hoje,
com implicações diretas e indiretas sobre os mais variados aspectos
da sociedade contemporânea.
Nessa nova sociedade, o conhecimento é essencial para
aumentar a produtividade e a competição global. É fundamental para
a invenção, para a inovação e para a geração de riqueza. As
tecnologias de informação e comunicação (TICs) proveem uma
fundação para a construção e aplicação do conhecimento nos setores
públicos e privados. É nesse contexto que se aplica o termo exclusão
digital, referente à falta de acesso às vantagens e aos benefícios
trazidos por essas novas tecnologias, por motivos sociais,
econômicos, políticos ou culturais.

Considerando as ideias do texto acima, avalie as afirmações a


seguir.

I. Um mapeamento da exclusão digital no Brasil permite aos


gestores de políticas públicas escolherem o público alvo de possíveis
ações de inclusão digital.
II. O uso das TICs pode cumprir um papel social, ao prover
informações àqueles que tiveram esse direito negado ou
180
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
negligenciado e, portanto, permitir maiores graus de mobilidade
social e econômica.
III. O direito à informação diferencia-se dos direitos sociais,
uma vez que esses estão focados nas relações entre os indivíduos e,
aqueles, na relação entre o indivíduo e o conhecimento.
IV. O maior problema de acesso digital no Brasil está na
deficitária tecnologia existente em território nacional, muito aquém
da disponível na maior parte dos países do primeiro mundo.
É correto apenas o que se afirma em:
a) I e II.
b) II e IV.
c) III e IV.
d) I, II e III.
e) I, III e IV.

QUESTÃO 2
ENADE

A floresta virgem é o produto de muitos milhões de anos que


passaram desde a origem do nosso planeta. Se for abatida, pode
crescer uma nova floresta, mas a continuidade é interrompida. A
ruptura nos ciclos de vida natural de plantas e animais significa que a
floresta nunca será aquilo que seria se as árvores não tivessem sido
cortadas. A partir do momento em que a floresta é abatida ou
inundada, a ligação com o passado perde-se para sempre. Trata-se de
um custo que será suportado por todas as gerações que nos
sucederem no planeta. É por isso que os ambientalistas têm razão
quando se referem ao meio natural como um “legado mundial”.

181
LÍNGUA PORTUGUESA
Mas, e as futuras gerações? Estarão elas preocupadas com essas
questões amanhã? As crianças e os jovens, como indivíduos
principais das futuras gerações, têm sido, cada vez mais, estimulados
a apreciar ambientes fechados, onde podem relacionar-se com jogos
de computadores, celulares e outros equipamentos interativos
virtuais, desviando sua atenção de questões ambientais e do impacto
disso em vidas no futuro, apesar dos esforços em contrário realizados
por alguns setores. Observe se que, se perguntarmos a uma criança
ou a um jovem se eles desejam ficar dentro dos seus quartos, com
computadores e jogos eletrônicos, ou passear em uma praça, não é
improvável que escolham a primeira opção.
Essas posições de jovens e crianças preocupam tanto quanto o
descaso com o desmatamento de florestas hoje e seus efeitos amanhã.

SINGER, P. Ética Prática. 2 ed. Lisboa: Gradiva, 2002, p. 292 (adaptado).

É um título adequado ao texto apresentado acima:

a) Computador: o legado mundial para as gerações futuras


b) Uso de tecnologias pelos jovens: indiferença quanto à preservação
das florestas
c) Preferências atuais de lazer de jovens e crianças: preocupação dos
ambientalistas
d) Engajamento de crianças e jovens na preservação do legado
natural: uma necessidade imediata
e) Redução de investimentos no setor de comércio eletrônico:
proteção das gerações futuras

182
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
QUESTÃO 3
ENADE

O anúncio feito pelo Centro Europeu para a Pesquisa Nuclear


(CERN) de que havia encontrado sinais de uma partícula que pode
ser o bóson de Higgs provocou furor no mundo científico. A busca
pela partícula tem gerado descobertas importantes, mesmo antes da
sua confirmação. Algumas tecnologias utilizadas na pesquisa poderão
fazer parte de nosso cotidiano em pouco tempo, a exemplo dos
cristais usados nos detectores do acelerador de partículas large
hadron colider (LHC), que serão utilizados em materiais de
diagnóstico médico ou adaptados para a terapia contra o câncer. “Há
um círculo vicioso na ciência quando se faz pesquisa”, explicou o
diretor do CERN. “Estamos em busca da ciência pura, sem saber a
que servirá. Mas temos certeza de que tudo o que desenvolvemos
para lidar com problemas inéditos será útil para algum setor.”

CHADE, J. Pressão e disputa na busca do bóson. O Estado de S. Paulo, p. A22, 08/07/2012


(adaptado).

Considerando o caso relatado no texto, avalie as seguintes


asserções e a relação proposta entre elas.

I. É necessário que a sociedade incentive e financie estudos nas


áreas de ciências básicas, mesmo que não haja perspectiva de
aplicação imediata.

183
LÍNGUA PORTUGUESA
PORQUE

II. O desenvolvimento da ciência pura para a busca de soluções


de seus próprios problemas pode gerar resultados de grande
aplicabilidade em diversas áreas do conhecimento.

A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.


a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma
justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma
justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição
falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição
verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.

QUESTÃO 4
ENADE 2010

O Ministério do Meio Ambiente, em junho de 2009, lançou


campanha para o consumo consciente de sacolas plásticas, que já
atingem, aproximadamente, o número alarmante de 12 bilhões por
ano no Brasil. Veja o slogan dessa campanha:

184
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
O possível êxito dessa campanha ocorrerá porque

I. se cumpriu a meta de emissão zero de gás carbônico


estabelecida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio
Ambiente, revertendo o atual quadro de elevação das médias
térmicas globais.
II. deixaram de ser empregados, na confecção de sacolas
plásticas, materiais oxibiodegradáveis e os chamados bioplásticos
que, sob certas condições de luz e de calor, se fragmentam.
III. foram adotadas, por parcela da sociedade brasileira, ações
comprometidas com mudanças em seu modo de produção e de
consumo, atendendo aos objetivos preconizados pela
sustentabilidade.
IV. houve redução tanto no quantitativo de sacolas plásticas
descartadas indiscriminadamente no ambiente, como também no
tempo de decomposição de resíduos acumulados em lixões e aterros
sanitários.

Estão CORRETAS somente as afirmativas


185
LÍNGUA PORTUGUESA
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.

QUESTÃO 5
ENADE 2012

Taxa de rotatividade por setores de atividade econômica: 2007


– 2009

186
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
A tabela acima apresenta a taxa de rotatividade no mercado
formal brasileiro, entre 2007 e 2009.

Com base nesses dados, avalie a participação do setor de


comércio e o de serviços na taxa de rotatividade do mercado formal
brasileiro.

QUESTÃO 6
ESTUDO DE CASO
Posto médico
Muitos pacientes aguardavam o atendimento em um posto
médico.
O médico chegou às 13:30, logo após a sua chegada foi
colocado o aviso abaixo:

ATENÇÃO
O MÉDICO VAI ASSISTIR AOS
PACIENTES A PARTIR DAS 14 HORAS.

A publicação desse aviso provocou uma grande revolta em


todos que aguardavam o atendimento.
Você foi chamado para verificar o que provocou esse tumulto
e resolver o problema.
O que provocou o tumulto?
Como você resolveria esse problema?

187
LÍNGUA PORTUGUESA
2.2
TEMA 4
GÊNEROS TEXTUAIS

Os gêneros textuais, segundo Marcuschi (2008), são os textos


que encontramos em nossa vida diária com composições funcionais e
objetivos enunciativos. Os gêneros são caracterizados por sua
funcionalidade, pelo seu objetivo enunciativo e pelo seu estilo
realizado integrado às questões históricas, sociais, institucionais e
técnicas.
A escolha do gênero textual “depende da intenção do sujeito e da
situação sociocomunicativa em que está inserido: quem é ele, para quem
escreve, com que finalidade e em que contexto histórico ocorre a
comunicação”, (BOFF; KOCHE; MARINELLO, 2011, p. 11). Isso significa
que é a necessidade comunicativa que define a escolha do gênero
textual.
Os gêneros textuais recebem diversas designações, tais como
telefonema, e-mail, sermão, receita culinária, resumo, resenha,
esquema, cardápio de restaurante, entrevista, ofício, memorando,
carta pessoal, carta comercial, bilhete, aula expositiva, piada,
horóscopo, letra de música, bula de remédio, lista de compras, aulas
virtuais, relatório, entre outros.
Enfim, o gênero textual surge das necessidades comunicativas
e dos avanços tecnológicos. Os gêneros podem ser agrupados

188
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
AGRUPAMENTOS DE GÊNEROS TEXTUAIS

Conto maravilhoso
Conto de fadas
Fábula
Lenda
Cultura literária Narrativa de aventura
ficcional Narrativa de ficção científica
(Narrar) Narrativa de enigma
Narrativa mítica
História engraçada, biografia romanceada
Novela fantástica, conto
Crônica literária
Adivinha
Piada
Relato de experiência vivida
Relato de uma viagem
Diário íntimo
Testemunho
Documentação e Anedota ou caso
memorização das ações Autobiografia
humanas Curriculum Vitae
(Relatar) Notícia
Reportagem
Crônica social
Crônica esportiva
Biografia
Ensaio ou perfil biográfico
Relato histórico
Textos de opinião
Discussão de problemas Diálogo argumentativo
sociais controversos Carta de leitor
(Argumentar) Carta de reclamação
Carta de solicitação
Deliberação informal
Debate regrado
189
LÍNGUA PORTUGUESA
Assembleia
Discurso de defesa (Advocacia)
Discurso de acusação (Advocacia)
Resenha crítica
Artigos de opinião
Editorial
Texto expositivo (em livro didático)
Exposição oral
Seminário
Transmissão e Palestra
construção de saberes Entrevista de especialista
(Expor) Artigo enciclopédico
Verbete
Texto explicativo
Relatório científico
Relatório oral de experiências
Instruções de montagem
Receita
Instruções e prescrições Regulamento
(Descrever ações) Regras de jogo
Instruções de uso
Comandos diversos
Textos prescritivos

Fonte: Autoria própria.

190
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
2.2.1
CONTEÚDO 1
RESUMO
O ato de resumir textos objetiva instrumentalizá-lo a fim de
que você possa, ao ler, apreender aquilo que realmente é essencial.
Ao resumir o texto, você vai expor, em poucas palavras, o que
o autor expressou de uma forma mais longa.
Assim, deve saber discernir do secundário e relacionar as
ideias entre si, de uma forma sintética.
Aprendendo a resumir, você terá mais facilidade ao estudar as
diferentes disciplinas, uma vez que saberá encontrar num texto as
ideias mais relevantes.

Alguns passos devem ser observados para que o resultado final


seja satisfatório:

- Uma primeira leitura atenta é indispensável para que você


perceba o assunto em questão;

- Outras leituras devem ser feitas (tantas quantas forem


necessárias para selecionar as ideias principais do texto); é
importante anotar o que for mais relevante;

- Todo texto possui palavras-chave que encerram as ideias


fundamentais; essas ideias devem ser grifadas para que possam servir
de ponto de partida para o resumo;

191
LÍNGUA PORTUGUESA
- Deve ser feito resumo de cada parágrafo; é importante fazer
dois resumos: um do parágrafo e outro do próprio resumo para que
as ideias sejam bem sintetizadas;

- Durante todo o processo, a leitura atenta deve ser feita para


verificar se está havendo coerência e sequência lógica entre os
parágrafos resumidos, para fazer os ajustes necessários;

- O resumo não é comentário crítico; você deve ater-se às


ideias do autor, sem emitir sua opinião, por isso as ideias do resumo
devem ser fiéis às expostas no texto original.

Resumo (NBR 6028)

“Apresentação concisa dos pontos relevantes de um


documento”. É um tipo de redação informativo-referencial que se
ocupa em singularizar um texto a suas ideias principais, através da
paráfrase.
Resumo – Função

Abreviar o tempo dos pesquisadores, facilitando o processo de


seleção. Difundir informações que possam influenciar e estimular
consulta do texto completo.

Resumo – estrutura

192
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Quanto ao conteúdo, destacar:

- O assunto do texto;
- O objetivo do texto;
- Articulação das ideias;
- As conclusões do autor da obra resumida

Resumo – estratégias de leitura

Fazer uma leitura corrente, buscando responder as seguintes


questões: o que o autor pretende demonstrar? De que trata o texto?
Em outra leitura a finalidade deve ser: compreensão de cada
parte do texto; anotação das palavras-chave;
Por fim, deve-se realizar uma leitura na qual se possa obter um
resumo que contenha as ideias, de maneira lógica, seguindo uma
ordem de apresentação: objetivo, método, resultados, validade dos
resultados, aplicações e conclusões.

Resumo - linguagem:

- Utilizar linguagem objetiva;


- Evitar repetições de frases inteiras do original;
- Não apresentar juízo crítico;
- Respeitar a ordem em que as ideias ou fatos são
apresentados;
- Ser compreensível por si mesmo.

193
LÍNGUA PORTUGUESA
Tipos de Resumo (NBR6028)

• Resumo Informativo - Informa ao leitor finalidades,


metodologia, resultados e conclusões do documento,
de tal forma que este possa, inclusive, dispensar a
consulta ao original.

• Resumo Indicativo - Indica apenas os pontos


principais do documento, não apresentando dados
qualitativos, quantitativos etc. De modo geral, não
dispensa a consulta ao original.

• Resumo Crítico - É o resumo redigido por


especialistas, com análise crítica de um documento.
Também chamado de resenha e recensão.

Resumo - Tamanho

Quanto à extensão, a ABNT recomenda que o resumo seja


composto por um único parágrafo, podendo, porém, variar, de
acordo com os critérios da Instituição:
Se o resumo for de notas e comunicações breves, deve conter
de 50 a 100 palavras;
Se for de monografias e artigos extensos, deve possuir 100 a
250 palavras;
Se for de relatórios e dissertações ou teses, 250 a 500 palavras.

194
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Resumo - Palavras-chave / Descritores

O texto do resumo deve ser seguido de palavras-chave,


palavras representativas do conteúdo do documento. Aconselha-se a
utilização de, no mínimo, 3 e, no máximo, 6 palavras-chave. Cada
uma deve ser iniciada por letra maiúscula e finalizada por ponto.

Resumo - Referências

- Consultar as normas estabelecidas pela Associação Brasileira


de Normas Técnicas ABNT (NBR 6023)

A normalização deve ser entendida como especificação técnica


que descreve as regras, linhas de orientação ou características
mínimas de determinado produto ou serviço.

- NBR 14724 – Apresentação de trabalhos acadêmicos.


- NBR 10719 – Apresentação de relatórios técnico-científicos.
- NBR 10520 – Apresentação de citação em documentos.
- NBR 6029 – Resumos.
- NBR 6027 – Apresentação de sumário.
- NBR 6024 – Numeração progressiva das seções de um
documento escrito.
- NBR 6023 – Elaboração de referências.

195
LÍNGUA PORTUGUESA
2.2.2
CONTEÚDO 2
ARTIGO

O artigo é um gênero textual no qual predomina a linguagem


argumentativa, a exposição de ideias e a comprovação de fatos e/ou
teorias.

Tipos de artigos:

- ARTIGO CIENTÍFICO

- ARTIGO DE OPINIÃO

ARTIGO CIENTÍFICO

No artigo científico os fatos relativos a um tema devem ser


expostos de modo sistematizado e lógico e organizados a partir de
um ponto de vista teórico.
A redação deve ser clara e concisa, de modo a explicitar,
objetivamente, as ideias e o ponto de vista teórico adotado. Deve-se
evitar repetições, redundâncias e a exposição de ideias alheias ao
tema do texto.
A pesquisa deve ser útil e relevante para seus pares, para a
comunidade profissional ou de sua área específica de atuação, assim
como para o desenvolvimento da ciência de modo geral. Deve
identificar as fontes (primárias ou secundárias) dos dados utilizados
196
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
na pesquisa, assim como explicitar os procedimentos metodológicos
adotados.

Estrutura

Resumo
Palavras – Chave / Descritores
1. Introdução
2. Materiais e métodos
3. Discussão
4. Resultados
5. Conclusões
Referências

ARTIGO DE OPINIÃO

O artigo de opinião é um gênero textual frequente nos meios


jornalístico, artístico e cultural em geral, normalmente publicado em
jornais, revistas e outros tipos de periódicos.
Ao contrário do artigo científico, revela de modo mais intenso
a subjetividade do autor, através da exposição de ideias, fatos e
argumentos que não exigem, necessariamente, comprovação
científica. A linguagem é persuasiva.

197
LÍNGUA PORTUGUESA
2.2.3
CONTEÚDO 3
RELATÓRIO

RELATÓRIO TÉCNICO-CIENTÍFICO

- Relata, formalmente, os resultados ou progressos obtidos em


investigações de pesquisa e desenvolvimento ou que descreve a
situação de uma questão técnica ou científica;

- Apresenta sistematicamente, informação suficiente para um


leitor qualificado, traça conclusões e faz recomendações;

- É estabelecido em função e sob a responsabilidade de um


organismo ou de uma pessoa a quem será submetido.

Elementos Pré-Textuais

- Capa;
- Folha de rosto; (ou ficha de identificação do relatório)
- Prefácio ou apresentação;
- Resumo;
- Lista de símbolos, abreviaturas ou convenções;
- Lista de ilustrações (figuras, gráficos, tabelas);
- Sumário.

198
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Elementos Textuais
- Introdução (explicitação da pesquisa, significado, objeto
investigado, aspectos teóricos, definições operacionais);
- Revisão bibliográfica / Revisão de literatura;
- Esquema da investigação (engendramento da investigação);
- Apresentação, análise e interpretação dos dados;
- Considerações finais ou conclusões;
- Recomendações;

Elementos Pós-Textuais
- Referências (obrigatório);
- Glossário;
- Anexo (s);
- Apêndice (s);

2.2.4
CONTEÚDO 4
EMAIL / MEMORANDO

MEMORANDO
O memorando é um tipo de uma comunicação interna que
veicula entre as unidades administrativas de empresas e órgãos
públicos.
Em termos conceituais, o memorando constitui um tipo de
comunicação eminentemente interna estabelecida entre as unidades
199
LÍNGUA PORTUGUESA
administrativas de um mesmo órgão, de níveis hierárquicos iguais ou
distintos.
Tem como característica principal é a agilidade – dada a
isenção de quaisquer procedimentos burocráticos que porventura
venham a dificultar a tramitação do referido ato comunicativo. Desse
modo, no intuito de evitar um aumento no número de comunicações
feitas, os despachos ao memorando devem ser dados no próprio
documento e, no caso da falta de espaço, em folha de continuação.
O memorando é um documento endereçado a funcionários, e
não a autoridades, a sua estrutura se compõe dos seguintes
elementos:

- Timbre da instituição;
- Número do memorando;
- Remetente;
- Destinatário, sendo este mencionado pelo cargo que ocupa;
- Indicação do assunto;
- Local e data;
- Corpo da mensagem, ou seja, o próprio texto;
- Despedida;
- Assinatura e cargo.

200
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
MODELO DE MEMORADO

Memorando nº ....../.....

Salvador, BA, ..... de .................... de ..........

Ao: Senhor Diretor-Geral de Administração


Assunto: Alteração de férias de servidor.

Por estrita necessidade de serviço, solicito de Vossa Senhoria


a fineza de viabilizar a alteração das férias do servidor
........................................... .....................................................................,
matrícula nº ............................., referentes ao exercício de ...........,
preliminarmente previstas para serem fruídas em 20 dias, a partir de
................................., para 30 dias, devendo o primeiro período, de 20
dias, ser iniciado em ................., ficando o segundo, de 10 dias, para
ser marcado oportunamente.

Atenciosamente,

NOME

Cargo/ Função

201
LÍNGUA PORTUGUESA
EMAIL

O termo e-mail é redução de eletronic mail e significa “correio


eletrônico”. Tem por função designar tanto a mensagem enviada por
meio da Internet quanto o endereço para o qual enviamos a
mensagem.

Normalmente, costuma obedecer ao seguinte padrão:


nome@provedor.com.br, no qual o nome se refere ao usuário.

O símbolo @ informa ao computador que o conjunto das


informações é um endereço de e-mail;

O provedor é a empresa que possibilita o acesso à Internet,


mediante o pagamento de uma taxa; mas também existem
provedores gratuitos.

O termo “com” significa comercial e “br”, Brasil. Desse modo,


teremos ainda muitas outras terminações, tudo vai depender na
finalidade e da nacionalidade do provedor.

202
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

QUESTÃO 1
ENADE 2006

Tendo em vista a construção da ideia de nação no Brasil, o


argumento da personagem expressa
a) a afirmação da identidade regional.
b) a fragilização do multiculturalismo global.
c) o ressurgimento do fundamentalismo local.
d) o esfacelamento da unidade do território nacional.
e) o fortalecimento do separatismo estadual.

QUESTÃO 2
ENADE 2006

A formação da consciência ética, baseada na promoção dos


valores éticos, envolve a identificação de alguns conceitos como:
“consciência moral”, “senso moral”, “juízo de fato” e “juízo de valor”.
A esse respeito, leia os quadros a seguir

203
LÍNGUA PORTUGUESA
Qual afirmativa e respectiva razão fazem uma associação mais
adequada com a situação apresentada?

a) Afirmativa 1- porque o “senso moral” se manifesta como


conseqüência da “consciência moral”, que revela sentimentos
associados às situações da vida.
b) Afirmativa 1- porque o “senso moral” pressupõe um “juízo de
fato”, que é um ato normativo enunciador de normas segundo
critérios de correto e incorreto.
c) Afirmativa 1- porque o “senso moral” revela a indignação diante
de fatos que julgamos ter feito errado provocando sofrimento alheio.
d) Afirmativa 2- porque a “consciência moral” se manifesta na
capacidade de deliberar diante de alternativas possíveis que são
avaliadas segundo valores éticos.

204
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
e) Afirmativa 2- porque a “consciência moral” indica um “juízo de
valor” que define o que as coisas são, como são e por que são.

QUESTÃO 3
ENADE

(LAERTE. O CONDOMÍNIO)

(LAERTE. O CONDOMÍNIO)

As duas charges de Laerte são críticas a dois problemas atuais


da sociedade brasileira, que podem ser identificados pela crise
a) na saúde e na segurança pública.
b) na assistência social e na habitação.
c) na educação básica e na comunicação.
d) na previdência social e pelo desemprego.
e) nos hospitais e pelas epidemias urbanas.
205
LÍNGUA PORTUGUESA
QUESTÃO 4 (ENADE 2012)
Em uma faixa afixada na parede do saguão principal de uma
grande revendedora de automóveis, que vem superando suas metas
de vendas, pode-se ler o seguinte:
“Satisfação 100% garantida ou seu dinheiro de volta para todos
os carros comprados aqui com até um mês de uso”. Certo dia, um
cliente adentra o saguão da revendedora, entrega as chaves de seu
automóvel recém-adquirido ao sorridente vendedor e anuncia:
“Comprei meu carro aqui na semana passada. Não estou satisfeito.
Quero meu dinheiro de volta”. Surpreso, o vendedor afirma que essa
situação nunca acontecera, mesmo com a faixa afixada há vários
meses na loja. Ele explica que a devolução do dinheiro pago pelo
carro dependerá de uma entrevista do cliente com o gerente
comercial da revendedora, de uma perícia minuciosa no automóvel
para apurar eventuais problemas devidos ao mau uso do veículo e do
preenchimento, pelo cliente, de sete formulários diferentes
detalhando suas razões para a devolução. Informa ainda que,
cumpridas essas etapas, depois de uma análise por parte do setor
financeiro da loja, o dinheiro do cliente poderá ser devolvido em dez
parcelas mensais de igual valor. Com base no caso exposto, avalie as
afirmações a seguir.

I. O excesso de burocracia na revendedora de automóveis


constitui obstáculo para que a empresa seja eficaz em seus objetivos
comerciais.
II. A atitude do vendedor revela falhas no treinamento
oferecido pela empresa, pois ele foi incapaz de cumprir a promessa
contida na faixa afixada na loja.

206
MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
III. Há evidências de disfunção burocrática caracterizada pela
dificuldade de atendimento aos clientes frente a demandas não
usuais.
É correto o que se afirma em

a) I, apenas.
b) III, apenas.
c) I e II, apenas.
d) II e III, apenas.
e) I, II e III.

QUESTÃO 5
ENADE 2011(adaptada)
A Educação a Distância (EaD) é a modalidade de ensino que
permite que a comunicação e a construção do conhecimento entre os
usuários envolvidos possam acontecer em locais e tempos distintos.
São necessárias tecnologias cada vez mais sofisticadas para essa
modalidade de ensino não presencial, com vistas à crescente
necessidade de uma pedagogia que se desenvolva por meio de novas
relações de ensino-aprendizagem.
Enumere três vantagens de um curso a distância, justificando
brevemente cada uma delas.

QUESTÃO 6
O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus
novos vendedores:
Seo Gomis,

207
LÍNGUA PORTUGUESA
O criente de belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor
toma as providenssa.
Abrasso,
Nirso

Aproximadamente uma hora depois recebeu outro.

Seo Gomis,
Os relatório di venda vai xega atrazado proque to fexando
umas venda. Temo que manda treiz mil pessa. Amanha to xegando.
Abrasso
Nirso

No dia seguinte:

Seo Gomis,
Num xeguei pucausa de que vendi mais deis mil em Beraba.
To indo pra Brazilha.

No outro:
Seo Gomis, Brazilha fexo 20 mil. Vo pra Frolinoplis e de lá pra
Sum Paulo no vinhão das cete hora.

E assim foi o mês inteiro.

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa,
levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O
presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento
da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o
gerente e disse:

– Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias.


E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no
mural da empresa, juntamente com os faxes do vendedor.:
“A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si priocupá
menos em iscrevê serto mod a vendê maiz.
Acinado,
O Presidenti" (Autoria desconhecida, set. 2001)

Embora os “erros” ortográficos chamem imediatamente a


atenção de quem lê o texto, o problema percebido pelo gerente nos
textos do “Nirso” pode ser entendido de outra maneira. Explique.
Você é o presidente da empresa, justifique sua atitude diante
do fato ocorrido.

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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
GABARITO DAS QUESTÕES DAS
ATIVIDADES COMPLEMENTARES

TEMA 01: 1-A; 2- B; 3-A; 4-C; 5-E.


TEMA 02: 1-D; 2-A; 3-E; 4-B; 5- DISCURSIVA.
TEMA 03: 1-A; 2-D; 3-A; 4-E; 5- DISCURSIVA.
TEMA 04: 1-A; 2-D; 3-A; 4-B; 5- DISCURSIVA.

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LÍNGUA PORTUGUESA
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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
GLOSSÁRIO

Abranger: Compreender, encerrar, incluir.

Adequação: Ajuste; adaptação em relação a alguma coisa:

Analogias: Relação de semelhança entre coisas que têm alguns traços em


comum.

Aspectos lexicais: Que diz respeito ao léxico ou aos vocábulos de um


idioma; léxico.

Aspectos: Aparência; Maneira de ver; ponto de vista.

Ávido: referente ao que se deseja com muita intensidade,

Campo significativo: palavras que pertencem ao mesmo grupo de


significados.

Circunstância: acidente de lugar, modo, tempo etc. que acompanha um


fato.

Conceitual: Definição;

Concisa: objetivo, preciso e exato.

Condensada: resumida.

Conhecimentos Prévios: um conjunto de ideias, representações e dados que


servem de sustentação para um novo saber.

Construções De Sentido: entendimento do sentido de um texto.

Decodificar: Identificação e interpretação dos sinais linguísticos por um


receptor, sendo que na teoria da informação seria um processo em que o
indivíduo que recebe uma mensagem traduz os sinais, em dados
significativos, claros e elucidatórios.

Depreender: Atingir a compreensão; compreender. 2. Deduzir, inferir

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LÍNGUA PORTUGUESA
Discurso: Um conjunto de ideias organizadas por meio da linguagem de
forma a influir no raciocínio, ou quando menos, nos sentimentos do
ouvinte ou leitor.

Engloba: Reunir, compreender em um todo, incluir. Conglomerar, juntar.

Enunciar: Expor, exprimir, proferir.

Estratégias: plano, método, usados para alcançar um objetivo ou resultado


específico.

Extratextual: aspectos exteriores ao texto, as condições de produção do


texto.

Imprescindíveis: necessário, indispensável.

Interdependência semântica: dependência de sentido.

Inter-relação semântica: relação de significados.

Linguístico: estudo do funcionamento da linguagem e das línguas naturais.

Objetividade: Abordar sem atribuir e/ou emitir qualquer opinião e


autoparecer sobre determinada coisa ou assunto.

Omissão: É o ato ou efeito de omitir. É o deixar de fazer, dizer ou escrever.

Organização da lógica: organização coerente e estruturada do pensamento;


é o raciocínio ordenado; a capacidade de relacionar as ideias.

Paradoxo: contradição.

Percurso: caminho.

Predominante: Que tem maior valor sobre os demais, que predomina sobre
outros; tem mais força, maior utilização.

Pressupõe: levar a entender.

Processo verbal: Relativo à palavra.

Recorrer: pesquisar, investigar, averiguar.

Redundante: repetição de coisas obvias.


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MARIA DAS GRAÇAS TELLES SOBRAL
Reiteração: Fazer de novo; renovar, repetir.

Relacione: compare.

Simultânea: Que se diz, faz ou acontece ao mesmo tempo que outra coisa.

Síntese: resumo.

Termo regente: é aquele que subordina um outro termo: caixa de papel,


alheio a tudo.

Termo regido: é aquele que está subordinado a um outro (o regente): caixa


de papel, alheio a tudo.

Tessitura textual: organização dos elementos linguísticos.

Veicula: Transmite, propaga.

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LÍNGUA PORTUGUESA
REFERÊNCIAS

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