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A OPERAÇÃO

DO E R R O
Confrontando o Movimento "Gay Cristão"

JOE DALLAS


A OPERAÇÃO DO ERRO - Joe Dallas
© 1998, Editora Cultura Cristã - Caixa Postal 15136 - CEP 01599 - São
Paulo - SP. Publicado em Inglês pela Harvest House Publishers com o título
A StrongDelusion. Nenhuma parte deste livro poderá ser reproduzida por
qualquer meio que seja sem a permissão por escrito da Editora.

1“ E dição — 1998
T iragem — 3.000

Tradução:
Hans Udo Fuchs
R evisão:
Arlinda Madalena Torres Marra
Editoração:
Rissato Editoração
Capa:
Expressão Exata

eorroftA c u lt u r a c r is t a
Caixa Postal 15136 - Cambuci
01599-970 - São Paulo - SP
Fone: (011) 270-7099 - Fax: (011) 270-1255
Superintendente: Haveraldo Ferreira Vargas
Editor: Cláudio Antônio Batista Marra
À liderança de
Exodus Internacional
FIQUEM FIRMES
Apresentação
Poucas questões atualmente suscitam polêmicas tão apaixonadas
como o status da homossexualidade na sociedade e particularmente no
meio das igrejas cristãs. Com uma autoridade rara nesta temática, Joe
Dallas, ex-homossexual e ex-líder da maior igreja pró-gay americana,
nos oferece um amplo panorama dos debates que são travados nas uni­
versidades, nas instituições teológicas e na mídia. Apresenta-nos ele­
mentos sobre a evolução das atitudes nos círculos médicos, as mudan­
ças da legislação no contexto americano — que acabam por influenciar
o mundo todo — as conquistas do movimento gay e as reivindicações
do movimento homossexual nos círculos evangélicos.
Analisa didaticamente cada uma das principais alegações dos de­
fensores do homossexualismo como algo aceitável, aprovado e reco­
mendado pela Bíblia. Tendo sofrido as angústias da rejeição e hostili­
dade lançada sobre homossexuais, sabe captar como poucos as motiva­
ções íntimas e os conflitos que acontecem naqueles que se sentem di­
ferentes da maioria. Escreve com entendimento e compaixão. Ensina-
nos como tratar de questões tão profundamente dolorosas com verdade
e amor. Adverte a igreja cristã a se arrepender de seus pecaminosos
preconceitos e ignorância sobre questões de sexualidade para aprender
a ser realmente igreja acolhedora e restauradora onde a graça e a verda­
de se abraçam. Aponta caminhos e procedimentos seguros para que não
sejamos envolvidos em ciladas satânicas que destroem reputações e mi­
nistérios.
Temos sido confrontados com profundas questões éticas suscita­
das pelas novas tecnologias aplicadas à medicina: abortos seletivos de
fetos frutos de inseminação múltipla, a possibilidade de clonagem de

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A OPERAÇÃO DO ERRO

humanos já com propostas comerciais trazidas a público e as práticas de


mudança cirúrgica da conformação sexual. Amostras dos poderes de
intervenção sobre realidades humanas com o uso da ciência e tecnologia
que nos fazem recordar mitos como Frankenstein, o médico e o mons­
tro, e as experiências médicas reais dos nazistas. Precisamos estar aler­
tas e propor limites éticos às práticas científicas. Os cristãos podem
oferecer contribuições a esses debates a partir de bases da teologia e
antropologia bíblicas.
Para uma compreensão da homossexualidade, temos que lidar com
uma mescla de elementos ideológicos, científicos e teológicos. Histori­
camente a temos como prática milenar de vários povos onde relações
sexuais entre pessoas do mesmo sexo eram quase compulsórias como
elemento da organização religiosa. Assim entre os cananitas. Sodoma e
Gomorra ficaram para sempre como símbolo e sinônimo de uma prática
abominada pelos autores bíblicos.
A Bíblia documenta diversas situações referentes a práticas sexu­
ais avaliando-as a partir do caráter santo de Deus e da vida humana. A
Bíblia não é ingênua com respeito à natureza e sendo o livro da revela­
ção de Deus tem seu modo próprio de designar as coisas. Por exemplo
o termo pecado é próprio da literatura bíblica e não de outra fonte. E
ela que o conceitua e determina seus significados, seus usos e contex­
tos. A Bíblia é que o cria para designar o que afasta a pessoa de Deus, o
que contraria um padrão ou uma determinação divina. Quando a Bíblia
chama de pecado uma atitude, um comportamento, uma situação, ela o
faz para denunciar um afastamento do seu ideal. E nisto tem um mise­
ricordioso propósito de correção para a justiça e integridade das pesso­
as. Não apenas para ser desmancha-prazer. Outros textos religiosos ou
um texto científico, um manifesto político ou uma ONG qualquer pode
dizer outra coisa e inclusive que não existe algo como pecado e discutir
qualquer assunto a partir de outras premissas. Evidentemente que as
conclusões serão diferentes.
Um dos pontos fortes deste bem documentado livro de Joe Dallas
é sua fidelidade ao texto bíblico. Chama continuamente nossa atenção
para fatos, histórias, leis e ensinos bíblicos acerca de questões da sexu­
alidade humana. Refuta com precisão lógica várias afirmações dos prin­
cipais teóricos seculares e teólogos revisionistas pró-gays. Confronta
com uma penetrante lógica bíblica conservadora o que chama de ope­
ração do erro. Percorre a literatura científica contemporânea que discu­

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APRESENTAÇÃO

te possíveis determinismos genéticos para a homossexualidade — uma


grande nova bandeira de militantes gays para apresentar a homossexu­
alidade como algo natural. Confronta certas afirmações ditas como “ci­
entíficas” por militantes gays — que 10% da população mundial seja
homossexual — com pesquisas acadêmicas recentes.
A Bíblia pressupõe que estamos sujeitos a condicionamentos físi­
cos e sociais. Considera que somos sujeitos históricos e dotados com
medida suficiente de capacidade de juízo moral e autodeterminação.
Por isso nos chama à razão e nos convoca à obediência à Lei que reflete
vida plena e verdadeira. E chama de estultície, falácia, engano ou rebe­
lião as diferentes atitudes de resistência à verdade.
A Bíblia incomoda a qualquer um pois ninguém verdadeiramente
a lê como a um livro científico ou de contabilidade. Podemos querer
dominá-la e interpretá-la subjetivamente ao gosto próprio. Mas ela in­
terfere em nossa subjetividade e vai além dela. E verdadeiramente um
livro interativo. Na verdade, a Bíblia é que nos lê, espelhando nossas
profundezas inconsciente, dialogando conosco. Podemos querer negá-
la, ou apagá-la de nossa memória quando nos confronta conosco mes­
mo, desmascarando nossos auto-enganos e quando quebra nossas ilu­
sões narcísicas. Ou somos tentados a modificá-la, reescrevendo-a para
atender a ideologias da moda. E o caso de “leituras” capitalistas ou
marxistas, machistas, feministas e homossexuais das Escrituras e assim
por diante.
O melhor é nos entregarmos a uma leitura de nós mesmos pela
Palavra de Deus. Com toda sinceridade, deixando-nos ser guiados
pelo Espírito Santo, caminharemos seguros através do labirinto da
existência.
Que o soberano Espírito de Deus nos conforme ao ideal de Deus:
Jesus Cristo.

Fevereiro de 1998
Ageu Heringer Lisboa
Psicoterapeuta, fundador do Corpo de Psicólogos e
Psiquiatras Cristãos

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índice
In tro d u çã o ................................................................................ 11
1. Por Q ue Incomodar-se?......................................................... 33
2. Conseqüências C u ltu ra is ..................................................... 43
3. Como Tudo Começou: O Movimento dos Direitos dos
Homossexuais (1950-1969).................................................. 65
4. Guerra: O Movimento dos Direitos dos Homossexuais
(1969-1979).............................................................................. 75
5. O Movimento Gay Cristão Atinge a M aio rid ad e............ 91
6. A Teologia Favorável ao H om ossexualism o..................... 105
7. A r g u m e n t o s d a J u s t i ç a S o c i a l — I a Parte
A Natureza do H om ossexualism o...................................... 115
8. A r g u m e n t o s d a J u s t i ç a S o c i a l — 2a Parte
A Resposta da Sociedade ao Homossexualismo.............. 141
9. Argumentos Religiosos G erais............................................. 161
10. A Natureza e Uso da Bíblia.................................................. 181
11. Argumentos B íb lico s............................................................. 195
12. Confrontando o Movimento Gay C ris tã o ......................... 213
13. Além da Ilu s ã o ........................................................................ 233
N o tas......................................................................................... 241
Introdução
Lembro-me claramente, e lamento profundamente, o dia em
que me convenci de que era aceitável ser ao mesmo tempo ho­
mossexual e cristão.
A Metropolitan Community Church (uma denominação fa v o ­
rável ao homossexualismo) estava dando início ao seu culto da ma­
nhã quando eu sentei furtivamente em um dos últimos bancos.
Eu tinha passado centenas de vezes por essa igreja, pois era pas­
tor auxiliar de uma Igreja Quadrangular a menos de três quadras
de distância, e sempre ficara intrigado com a idéia de homosse­
xuais se reunindo como cristãos.
“O que será que eles fazem lá dentro?” eu brincava com meus
amigos ao passar em frente à igreja dos homossexuais. Fazíamos
suposições sarcásticas de como os homossexuais reconciliavam
suas práticas com o cristianismo.
Isso fora muitos anos antes, anos em que eu podia rir do ho­
mossexualismo, certo de que minhas lutas contra ele estavam su­
peradas. Os rigores da atividade ministerial tinham enterrado as
memórias — o molestamento por estranhos na infância, os e n ­
contros com homens de outras cidades na adolescência — e eu
me sentia imune a tentações sexuais.
No entanto, a minha segurança era precária. Um passo para
dentro de uma livraria proibida para menores fora suficiente para
pôr um fim ao meu ministério e afundar-me em uma série de
excessos sexuais com homens e mulheres, culminando no relaci­

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A OPERAÇÃO DO ERRO

onamento com o dono de um bar para homossexuais durante todo


aquele ano. Ele estava “comprometido” com outro homem; mes­
mo assim, nos encontrávamos todos os dias tarde da noite, e eu
dirigia bêbado para casa lá pelas quatro da manhã. Levantava para
ir trabalhar, exausto e confuso.
Depois de finalmente romper com ele, olhei com franqueza
para mim e o que eu me tornara. Estava com 23 anos de idade e já
fora ordenado e exonerado. Eu tinha destruído meu ministério
quando minhas escapadas se tornaram conhecidas, e depois co­
meti adultério com a esposa de um bom amigo — perdendo um
filho por aborto, como resultado. Eu contratara prostitutas, de­
senvolvera um hábito de beber, entrei na comunidade homossexu­
al,, e mantinha um relacionamento que era um pesadelo. Agora
que eu estava novamente sozinho, a vida parecia incrivelmente
desoladora.
Minhas alternativas também. Arrepender-me e voltar à mi­
nha antiga igreja parecia fora de questão. Eu sentia falta da co­
munhão com amigos cristãos, mas eu achava que eles jamais me
aceitariam de volta — por que deveriam, depois de eu tê-los tra­
ído desse jeito? Mas o estilo louco e promíscuo que eu adotara
também era um beco sem saída. Eu queria seguir meus gostos
sexuais, mas não de modo tão selvagem. Eu tam bém queria o
cristianismo, mas não sem minha sexualidade. Em outras pala­
vras, eu queria tudo, um mal comum em nossos dias.
Portanto, agora era o desespero — e não a curiosidade que
eu sentira antes — que me fez visitar a Metropolitan C ommunity
Church naquela manhã de outubro de 1978. Eu queria ver se era
possível ser homossexual ativo, cristão e convicto de estar correto
diante de Deus.
E claro que eu sabia o que era certo. Eu sabia que os textos
que condenavam o homossexualismo, tanto no Antigo como no
Novo Testamento, eram claros e decisivos; eu sabia que qual­
quer tentativa de contorná-los estava a serviço do interesse pes­
soal. Mas, afinal de contas, era a mim mesmo que eu servia na­
queles dias. Todas as decisões importantes que eu tinha tomado

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INTRODUÇÃO

durante aquele ano — entrar na livraria pornográfica, o adultério,


o homossexualismo — estiveram baseados no que eu queria, não
no que estava certo. Nessa disposição mental escurecida, eu esta­
va pronto para crer no que eu queria crer, e não no que eu cria de
verdade. E o que eu queria crer, mais que qualquer outra coisa,
era que minha sexualidade e minha fé podiam conviver em paz.
Ao visitar a igreja dos homossexuais, eu estava procurando algo
que confirmasse essa crença.
A primeira confirmação veio com a música. O coro deu início
ao culto com, imaginem vocês, um hino de Bill e Glória Gaither!
Primeiro fiquei atônito, depois confortado enquanto a melodia
familiar passava sobre mim. Fiquei um pouco mais à vontade, e
então avistei um hinário no banco. Abrindo-o, fiquei feliz ao en­
contrar muitos hinos e cânticos evangélicos sólidos que eu canta­
ra anos antes. “Com hinos como esses” , eu concluí, “essa deve ser
uma igreja cristocêntrica.”
As pessoas agora estavam cantando junto com o coro, alguns
até com as mãos erguidas. Se não fosse o nome do local, e o fato
de que alguns casais com as mãos dadas eram do mesmo sexo, o
culto estava dando mostras de ser como o de qualquer igreja con­
servadora, um pouco carismática.
Olhei de esguelha para os homens e mulheres à minha volta.
Até então meu conhecimento da comunidade homossexual esti-
vera limitada ao que eu vira nos bares — calças jeans justas, cami­
setas que mostravam os músculos e conduta infame. Agora eu era
confrontado com uma congregação cheia de homens e mulheres
com aparência homossexual moderada. N e n h u m deles confirma­
va o estereótipo que muitas pessoas fazem dos homossexuais. Os
homens, em termos gerais, se vestiam, falavam e agiam normal­
mente; a apresentação das mulheres no geral era feminina. As­
sim, uma segunda confirmação raiou em mim: ser homossexual
não significava ser efeminado ou grotesco. Essas pessoas tinham
aparência normal e levavam vidas respeitadas. Minha esperança
aumentou — talvez eu possa ser um deles!
Minutos depois estávamos todos de pé, cantando uma série

13
A OPERAÇÃO DO ERRO

de cânticos conhecidos, batendo palmas, e os sentimentos mais


incríveis me inundaram. M eu peito parecia se encolher, meus
olhos se encheram de lágrimas, minhas pernas cederam. Era a
música. Eu estava cantando louvores, algo que eu pensara que
nunca mais poderia fazer.
Tive de sentar e chorar. Depois de um ano de vida caótica e
totalmente contrária a Deus, eu me sentia tão bem podendo can­
tar de novo — tão abençoado e em casa, como alguém que volta
da guerra. Uma espécie de calor me inundou — um sentimento
poderoso, consolador, confortador. “Sim plesm ente descanse” ,
parecia que dizia, enquanto eu relaxei e deixei as lágrimas correr.
“Está tudo bem .”
Quando eu consegui me acalmar, a pregação tinha começa­
do. O estilo do pastor era simples, bem de acordo com sua estatu­
ra grande e jovial. Gostei dele imediatamente, apesar de e n te n ­
der em questão de minutos que estávamos a mundos de distân­
cia em termos teológicos. Seu sermão tinha algumas idéias
questionáveis ( “Deus só nos deu dois mandamentos: am ar a ele e uns
aos outros. 0 resto é enfeite") e afirmações divertidas ( “E u não gosto
da expressão ‘nascer de novo’. Prefiro dizer que fomos reciclados!").
Mas quando ele chegou na questão do homossexualismo na igre­
ja, meus pensamentos andaram em direções que nunca tinham
ido antes.
“Os homossexuais são solidários” , ele explicou, “nem tanto
por causa do que somos mas por causa da maneira com que somos
tratados. Não há grupo nesse país que seja tão ultrajado como
nós. E tão difamado! E só ouvir praticamente qualquer pregador de
televisão falar sobre nós, para ouvir mentiras atrás de mentiras.”
Um pouco exagerado, eu pensei, mas só um pouco. A cam­
panha de Anita Bryant na Flórida tinha desencadeado recente­
m ente um debate nacional sobre o homossexualismo, e alguns
pregadores tinham entrado nele mal preparados, jogando discur­
sos agressivos contra os homossexuais nas transmissões. Eu com­
partilhava a irritação do pastor sobre isso.
E, sim, havia solidariedade na igreja. Eu a reconhecera as­

14
INTRODUÇÃO

sim que pisara no edifício. Anos antes, eu fizera parte do aviva-


mento de jovens conhecido como Jesus Movement. Nós também
tínhamos sido mal falados às vezes, ridicularizados por um m u n ­
do que não conseguia nos entender. Assim, eu estava familiariza­
do com a força da solidariedade em um grupo bem unido, e sen­
tia falta dela. Eu também sentia falta de ter uma causa, ou uma
missão. Será que eu a encontraria com esse pessoalP
“Eles nos condenam ”, o pastor continuou, “e dizem que
nosso amor é pecado. Se é isso que eles acham, por que não fa­
zem nada para nos ajudar a superá-lo?”
Murmúrios e movimentos de cabeças em concordância agi­
taram a congregação.
“Perguntem-se vocês mesmos”, ele desafiou, apontando para
nós: “Qualquer um de vocês, nas igrejas em que cresceram, pôde
levantar sua mão durante uma reunião de oração e dizer: ‘Eu sou
homossexual e preciso de ajuda. Por favor, orem por m im ’?”
A própria idéia suscitou risadas gerais. Eu ri junto, pois sabia
muito bem como uma coisa assim era improvável.
Mas por quê?
Esse pensamento congelou meu riso.
De fato, por quêP Eu vira pessoas pedir oração na igreja por
muitos problemas — problemas de pecado, você pode ter certeza,
como egoísmo, lascívia e amargura — sem que ninguém franzisse
a testa. Mas eu também conhecera pessoas nessas mesmas igrejas
que jamais teriam admitido um problema com homossexualismo;
as repercussões teriam sido inimagináveis.
Por outro lado, eu ouvira testemunhos, recebidos pela igreja
com entusiasmo, de pessoas que tinham vencido o vício das dro­
gas, do alcoolismo e imoralidade de todos os tipos. Exceto esse.
Isso significava uma de duas coisas: ou Deus libertava muito
poucas pessoas do homossexualismo ou, mais provavelmente, os
que eram homossexuais estavam envergonhados ou intimidados
demais para admiti-lo.
Mais uma vez, porém, porquê? Por que o homossexualismo
era separado de modo tão injusto, e não bíblico, como o “pecado
impronunciável” ?

15
A OPERAÇÃO DO ERRO

A pergunta persistia. Senti uma ira peculiar tomando corpo


dentro de mim — a ira auto-indulgente de uma vítima. O pastor
tinha tocado num nervo exposto.
“T alv ez” , ele brincou, “ten ha sido bom q ue sua igreja
nunca lhe ofereceu ajuda. Se tivesse, isso só teria alim entado a
idéia de que você precisava daquilo que eles chamam de aju ­
da para o q u e eles cham am de problema, quando, na verdade,
você não precisava!”
A platéia irrompeu em aplausos.
“Porque não é um problema!”
Assobios e gritos de “am ém ” ecoaram.
Desta vez eu hesitei em acompanhá-los. Era uma coisa en-
tregar-se rebelde a algo que você sabe que é errado; dizer que a
coisa em si não é errada era coisa bem diferente. Isso requeria um
posicionamento mental radicalmente diferente.
Mas, não fora para isso que eu vieraP Eu fiquei em dúvida
com o pensamento, enquanto ele repetia: “Não é um problema!”
Talvez não seja, eu pensei, fechando os olhos. Por favor, faça
que não seja um problema. Deixe que seja verdade.
“Mas, porque tantos de nós pensam que é um problema” , ele
continuou, “porque a tantos de nós foi dito que é um problema,
nós crescemos odiando a nós mesmos.”
Ele fez uma pausa, para deixar a afirmação penetrar.
“Odiando a nós mesmos!”, ele enfatizou. “Odiando o âmago
do nosso ser, a coisa que nos define. Todos vocês sabem o que é
homofobia?”
A resposta verbal indicou que todos sabiam.
“Vocês acham q u e homofobia é algo que só os fanáticos
sen tem ?”
A pergunta era retórica; desta vez ninguém respondeu.
“Ela está bem aqui!”, ele exclamou, apontando para o seu
peito. “Bem nos nossos corações\ Nós engolimos as mentiras d e­
les, nós acreditamos que somos pervertidos, e por isso agimos como
pervertidos! Não admira que tantos de nós tenham passado a
metade da vida em bebedando-se em bares, ou viajando com dro­

16
INTRODUÇÃO

gas, ou esgueirando-se em saunas. Se você foi oprimido, se d u ­


rante toda a sua vida lhe foi dito que você é o tipo mais podre de
pecador, você acredita! E p o r isso que há tantas atitudes autodes-
trutivas em nossa comunidade!”
Fiquei perplexo ao ouvir um “amém !” sair da minha boca,
mas isso não me impediu de repeti-lo, cada vez mais alto e forte.
Eu estava maravilhado: A culpa não foi minha/
“Amém!”
A promiscuidade, o aborto, a loucura -— eu só estava desem ­
penhando o papel que a sociedade me atribuíra.
“Amém!”
Eles estavam errados, não eu. Eles tinham mentido para mim.
Eles ■—■que palavra ele tinha usado?-—-eles tinham me oprimido!
“Amém!”
A confirmação que eu queria estava nessa única palavra. Eu
fora oprimido — todos os homossexuais eram oprimidos. A opres­
são era a causa da minha conduta errada.
Agora eu podia me perdoar. O pensamento provocou novas
lágrimas.
Eu podia me perdoar, e andar em outra direção com uma
nova identidade — como cristão homossexual.
Foi uma sensação estranhamente libertadora juntar esses dois
mundos.
Cristão homossexual. Homossexual, mas sexualmente res­
ponsável, não promíscuo. Um hom em homossexual tem ente a
Deus, freqüentador da igreja, com uma causa: combater a homofo-
bia e a opressão de todos os homossexuais.
A idéia me empolgou. Uma causa — algo pelo que viver,
pelo que lutar.
As próximas palavras do pastor pareciam estar dirigidas es­
pecialmente para mim: “Mas Jesus disse que a verdade nos liber­
taria. Não foi isso que aconteceu? Ouvir a verdade — que Deus
os ama como são, que ele não os condena, que Jesus não morreu
só pelos heterossexuais mas também pelos homossexuais — ou­
vir essa verdade não libertou vocês?”

17
A OPERAÇÃO DO ERRO

Quando os aplausos amainaram, ele acrescentou: “E isso não


impele vocês a levar essa libertação a todos os lugares? A dizer à
nossa gente que eles podem ser homossexuais e cristãos? E a e n ­
frentar os fundamentalistas e dizer: Chega! Deus também énosso!"
Sim, eu concordei, carregado por sua paixão junto com os
outros. Suas palavras tocaram uma corda desafiadora em mim. Eu
ria e batia palmas e repetida sim, é isso mesmo, sempre de novo.
Era divertido.
Quando a empolgação finalmente se acalmou, eu olhei em
volta e sorri, tomando interiormente uma decisão: E isso o que eu
estava procurando; éaqui que eu posso ter tudo. Essa gente — homosse­
xuais e cristãos — pode ser minha gente. Posso fazer parte daqui.
Enquanto pensava nisso, eu fui inundado de paz.
O pastor terminou seu sermão. Membros da equipe se apro­
ximaram para preparar a mesa para a ceia. Eu mal podia esperar.
Eu sentia que participar da Ceia do Senhor me introduziria nesse
grupo, e eu estava mais que pronto.
“Eis o Cordeiro de D eus”, o pastor anunciou, levantando o
pão e o cálice enquanto os ajudantes se colocaram em fila para
servir os elementos. Sem mais delongas, ele continuou: “A mesa
está preparada. Venham.”
Uma por uma, as pessoas começaram a sair dos seus luga­
res. E u ia m e levantar quando uma torrente de dúvidas caiu
sobre mim.
Joe, você tem idéia do que vai fazer?, eu pensei. Fiquei paralisa­
do já meio fora do meu lugar.
Era meu treinamento inicial, meus anos de estudo da Bíblia
e de ensino sadio colocando a questão, tentando dissuadir-me de
uma decisão fatal. Porque de algum modo eu sabia que, se e n ­
trasse nessa fila e participasse da ceia — nessa igreja, com essas
convicções — eu estaria assumindo um compromisso que levaria
anos, talvez a vida toda, para reverter. Era realmente isso que eu
queria?
Acomodei-me novamente na cadeira, abalado, quando outra
questão surgiu: E o que diz a Bíblia? Toquei em minha testa e

18
INTRODUÇÃO

percebi que estava inundada de suor.


Esse pastor tinha acusado a igreja de não compreender os
homossexuais. Mas isso justificava o homossexualismo? Digamos
que ele estava certo: digamos que os homossexuais tinham uma
queixa legítima contra a sociedade. Digamos que os cristãos devi­
am tratar os homossexuais com mais compaixão. Digamos que os
pregadores são muito duros quando se referem ao assunto. Será
que isso anulava e eliminava as colocações bíblicas contra o
homossexualismo?
M eu desconforto crescia a cada minuto.
Por toda a minha vida cristã eu soubera da importância de
julgar tudo pela Escritura, não por sentimentos. N em uma vez,
eu percebera, esse homem fundamentara sua afirmação de que o
homossexualismo é aceito por Deus em alguma base bíblica —
naturalmente porque tal base não existia. E se não existia, o de­
bate estava encerrado. Não importa quanta paz, empolgação ou
alívio eu sentira, sentimentos não iriam, não podiam transformar
algo errado em algo certo.
Eu murchei na cadeira, esvaziado.
Esse último ponto era indiscutível, mas eu não estava dis­
posto a aceitá-lo — não agora que eu acabara de ter algum alívio
da tem pestade interior em que eu vivera os últimos doze inter­
mináveis meses. Minha m ente procurava desesperadamente uma
resposta, algo que trouxesse de volta a paz que eu experimentara
minutos antes, quando uma linha de pensamento inteiramente
nova me ocorreu: Se não era certo, será que era tão terrivelmente
errado?
Agarrei a idéia e brinquei com ela.
Comparada com a vida de bebedeiras e farras, será que essa
que eu estava considerando não era pelo menos melhor? Afinal
de contas eu estaria novamente na igreja, cantando e orando com
pessoas cujos padrões eram muito mais elevados que os daqueles
da turma do bar que eu estivera acompanhando. Com certeza Deus
aprovava o que só podia ser chamado de um passo na direção
certa.

19
A OPERAÇÃO DO ERRO

N esse momento um jovem casal formado por dois homens


bem vestidos passou por m eu lugar, de braços dados, encami-
nhando-se para a mesa da ceia.
Olhe para eles, eu ralhei comigo mesmo, enquanto os olhava
ajoelharem-se de mãos dadas, participando do pão e do vinho.
Estavam tão serenos, irradiando saúde e prosperidade. Eles não
estão se importando com uns poucos versículos bíblicos; por que
você deveria? Além disso, ouça essas músicas que estamos cantan­
do, e como todos estão adorando a Deus. E evidente que todos
esses homens e mulheres homossexuais cristãos são devotados a
Deus e sentem-se bem consigo mesmos. Então, qual é o seu pro­
blema?
Um pouco de paz começou a voltar; pensar assim com certe­
za fazia-me sentir melhor. Passei os olhos pela congregação, a
maioria encaminhando-se para o altar, cantando baixinho acom­
panhando o organista. Todos pareciam estar contentes, livres de
agitação interior por causa da sua conduta sexual. Se eu pudesse
desistir da minha obsessão com a literalidade da Bíblia, eu tam­
bém poderia estar contente. Sentir-me-ia à vontade, como eles;
será que isso não valia nada?
Fechei meus olhos e suspirei, sabendo que atingira a ques­
tão básica: a luta entre conforto e verdade. Eu podia crer naquilo
que me fazia sentir confortável, ou eu podia crer no que eu sabia
ser a verdade. As alternativas nunca tinham estado tão claras; até
hoje eu fico admirado de como tornei a coisa fácil.
Eu o faria. Eu iria até a mesa, participaria da ceia e ocuparia
m eu lugar ao lado desses irmãos e irmãs homossexuais. Eu me
uniria a essa igreja, a essa teologia, e a adotaria para mim. Minha
vida novamente serviria a um propósito. E u já conseguia me ver
como um ativista. Gertifiquei-me de que essa era a coisa lógica a
fazer, e a coisa certa. E mesmo que não estivesse certa, eu apren­
deria a viver com ela.
Com esse propósito em mente, abri meus olhos, fiquei de
pé e andei para o corredor.

20
INTRODUÇÃO

O Movimento “Gay Cristão”


No tempo em que vivemos a igreja precisa pensar seriamen­
te nos milhares de homens e mulheres que estão andando para o
corredor como eu fiz, dando as costas para os padrões bíblicos,
entrando na ilusão poderosa do movimento “gay cristão”.1 Se o
m eu caso fosse isolado, não haveria razão para nos preocuparmos
com ele. Mas nos anos desde que abandonei a igreja e o estilo de
vida homossexual em 1984, vi minha história repetida muitas
vezes, em muitas vidas. Está na hora de a igreja reconhecer essas
vidas, e o efeito de sedução que o Movimento Gay Cristão está
tendo sobre elas.
O dicionário diz que um movimento é “uma tendência, uma
inclinação, ou uma série de atividades organizadas com um obje­
tivo em vista.” O Movimento Gay Cristão se enquadra em todas
as três qualificações do dicionário: ele representa uma tendência
entre cristãos com tentações homossexuais, no sentido de ceder a
essa tentação e depois tentar justificá-la. Ele representa uma in­
clinação que há em setores da igreja para legitimar a conduta ho­
mossexual. E ela está fervilhando de atividades organizadas com
um objetivo em vista, que é o da aceitação ampla do homossexualis­
mo tanto na igreja como na sociedade.
O Movimento Gay Cristão é muito parecido com o movi­
mento mais abrangente dos direitos dos homossexuais, no senti­
do de buscar a legitimação (não só a tolerância) do homossexualis­
mo. Porta-vozes dos homossexuais não têm feito segredo do fato
de que esse é o seu objetivo. O ativista Jeff Levi disse isso clara­
m ente no Clube Nacional de Imprensa durante a Marcha dos
Direitos dos Homossexuais sobre Washington em 1987:
Não estamos mais buscando som ente o direito à privacidade
e proteção contra as injustiças. Também temos o direito —
como os americanos heterossexuais já têm — de ver o gover­
no e a sociedade apoiar nossa vida. Enquanto nossos relacio­
namentos não forem reconhecidos pela lei — nas leis sobre
impostos e em programas do governo que os apoiem — não
teremos atingido a igualdade na sociedade americana.2

21
A OPERAÇÃO DO ERRO

O Movimento Gay Cristão leva isso um passo mais longe,


redefinindo o homossexualismo como ordenado por Deus e mo­
ralmente admissível:
Aprendi a aceitar e até a celebrar minha orientação sexual
como um dos dons de Deus.

M el White, escritor homossexual3

Como podemos continuar tendo vergonha de algo que Deus


criou? Sim, D eus criou os hom ossexuais e o h om osse­
xualismo.

Rev. Troy Perry,


fundador da Metropolitan
Community Church4

Agradeci a Deus pelo dom de ser homossexual.

Malcom Boyd, pastor homossexual5


Quando se alega que Deus sanciona o que é abominável,
uma paródia religiosa está sendo encenada, e com ousadia. A pa­
ródia é dupla. Não é só que os crentes estão caindo no pecado do
homossexualismo e o legitimando; multidões de cristãos heteros­
sexuais estão aplaudindo-os nisso! Personalidades religiosas de
destaque e organizações cristãs estão acenando amigavelmente à
ideologia homossexual, tornando a famosa advertência de Isaías
mais relevante que nunca: “Ai dos que ao mal chamam bem e ao
bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade” (Is
5.20).
Para tirar qualquer dúvida de que a escuridão está sendo cha­
mado de luz por cristãos professos, veja os seguintes exemplos:
• Um ex-pastor e conferencista, que escrevia discursos para
Billy Graham, Jerry Falwell, Pat Robertson e Oliver North, agora
é abertamente homossexual e se dedica a convencer tanto a igre­
ja como a sociedade que o homossexualismo é um dom de Deus,
e que a “direita religiosa” está errada ao condenar a conduta ho­
mossexual.6 Seu livro que divulga essa filosofia foi endossado por
um renomado escritor evangélico e editor da revista Christianity
Today.7

22
INTRODUÇÃO

• A compositora de uma das canções evangélicas mais apre­


ciadas das últimas três décadas agora é abertamente lésbica —
freqüentando a maior denominação a favor do homossexualismo
do país e compondo e tocando música para ela.8
• Uma das entrevistadoras do que já foi o programa cristão
de televisão mais popular do país, produtora de muitos livros e
gravações cristãs, agora é entrevistadora de um programa secular
junto com um homem que abertamente declara ser homossexual
e cristão.9
• Algumas igrejas batistas americanas no norte da Califórnia
adotaram políticas abertamente favoráveis a relacionamentos ho­
mossexuais, o que fez com que fossem expulsas da Convenção
Batista Americana. Ao comentar as críticas às suas opiniões favo­
ráveis aos homossexuais, um pastor batista observou: “Se duas
pessoas do mesmo sexo querem ter um relacionamento sexual,
isso não é da minha conta, se elas estão comprometidas uma com
a outra e seguem os mesmos padrões que a igreja estabeleceu
para casais heterossexuais.” 10
• Um músico evangélico famoso, que com freqüência se apre­
senta em eventos e igrejas cristãs conservadoras, também é d e ­
fensor do movimento religioso a favor do homossexualismo. M es­
mo sendo heterossexual, ele endossa a idéia de que o homossexua­
lismo é legítimo, e presta seus talentos para encontros de grupos
homossexuais “cristãos”."
• Quando um porta-voz do Exército da Salvação em São Fran­
cisco descreveu o homossexualismo como “uma séria ameaça à
sociedade como um todo” , a Câmara de Vereadores votou a favor
do bloqueio das verbas federais que o grupo recebia. Os líderes
do Exército da Salvação se apressaram para corrigir o “proble­
m a”, desqualificando as observações do seu porta-voz como “an­
tiquadas” e prometendo implementar “programas de treinam en­
to em sensibilidade.” 12
Parte do problema são as denominações que, apesar da sua
posição oficial sobre o homossexualismo, estão reconsiderando a
questão de permitir que seus membros ignorem suas posições

23
A OPERAÇÃO DO ERRO

expressas sobre conduta sexual. Um crente confuso não precisa


visitar uma “igreja homossexual” , como eu fiz, para ter apoio para
seu homossexualismo. Várias organizações protestantes incluem
líderes e membros que adotam totalmente a posição a favor do
homossexualismo, mesmo se a denominação tecnicamente a re­
jeita.
Um caldo estranho está fermentando na cristandade. As gran­
des denominações podem estar cheias de mulheres e homens com­
prometidos com a integridade bíblica, enquanto se permite que
um contingente a favor do homossexualismo floresça junto com
eles. Assim, quando um homossexual em busca da verdade entra
em uma igreja importante, o que ele poderia encontrar hoje em
dia?
Na Igreja Episcopal ele poderia encontrar alguns bispos “pro­
gressistas” que estão ordenando abertamente pastores homosse­
xuais “há décadas — mais de 100 desde 1977, por algumas esti­
mativas” .13 Ele ficaria sabendo que em 1994 alguns bispos epis­
copais assinaram um documento em que concordam que as posi­
ções homossexual e heterossexual são “moralmente neutras”, que
ambas “podem ser vividas com beleza, honra, santidade e inte­
gridade” , e que aqueles “que decidem expressar sua orientação
(homossexual) em uma parceria marcada por fidelidade e santida­
de por toda a vida” não devem ser excluídos do ministério.14 Pode
ser que congregação que ele freqüenta concorde com isso. Em
1993 uma pesquisa feita pelo Relatório Nacional e Internacional
de Religião mostrou que 75% dos episcopais americanos acham
que homossexuais sexualmente ativos podem ser cristãos fiéis.15
Entre os presbiterianos encontramos um debate que vem
pelo menos desde 1970, quando uma comissão da igreja declarou
que “a expressão sexual não pode ser limitada aos que estão casa­
dos ou em vias de ser.” 16 A recomendação da comissão foi derro­
tada por estreita margem. O debate contínua, apesar de a Assem­
bléia Geral Presbiteriana ter rejeitado em 1991 uma moção simi­
lar que afirmava o “direito moral” à expressão sexual de “todas as
pessoas, homo ou heterossexuais, solteiras ou com parceiro.” 17

24
INTRODUÇÃO

Entre as igrejas metodistas unidas, o visitante pode parar na


Foundry Methodist Church em Washington DC, freqüentada pelo
presidente Bill Glinton e sua esposa, entre outras personalida­
des. Ali ele pode ouvir um pregador visitante descrever o apósto­
lo Paulo como “um homossexual que se odiava”, ou o pastor local
considerar se Jesus era ou não um travesti “drag q u e e n ” .18
(Apesar de a posição metodista oficial sobre homossexualismo
ser bem mais conservadora que a da igreja Foundry, idéias não
ortodoxas sobre o apóstolo Paulo e o homossexualismo dificil­
m e n te são novidade no metodismo. Victor Paul Furnish, da
Southern M ethodist University, questionou em seu livro de 1979
se Paulo realmente condenou o homossexualismo no Novo T es­
tamento. 19)
Da mesma forma, ao olhar para dentro da igreja metodista, o
visitante pode escolher entre dois programas diam etralm ente
opostos que existem lado a lado na mesma denominação. Se ele
quiser assumir seu homossexualismo, ele pode filiar-se a um gru­
po de Reconciliação da Congregação, que defende a interpreta­
ção teológica favorável aos homossexuais. Se ele quiser abando­
nar o homossexualismo, o grupo de Transformação da Congrega­
ção estará, graças a Deus, também à sua disposição.
O visitante também pode prestar atenção nos diálogos que
já estão em andamento na Igreja Reformada da América para d e ­
cidir sobre a posição apropriada diante do homossexualismo.20
Pode ponderar a eleição recente na Igreja de Cristo (Discípulos de
Cristo), de um homem que favorece a ordenação de homossexu­
ais ativos para líder da denominação.21 E ficaria interessado em
saber que duas igrejas luteranas (da Igreja Evangélica Luterana da
kmérica) em São Francisco recentem ente contrataram ministros
homossexuais que se recusaram a permanecer celibatários, como
manda a regra da IE LA .22
C e rta m e n te ele coçaria a cabeça ao ouvir a Rev. Karen
Bloomquist, dirigente de um estudo sobre sexualidade na IELA,
citar “todos os tipos de guerras culturais em andamento em torno
de questões da sexualidade na sociedade mais ampla” como a

25
A OPERAÇÃO DO ERRO

causa do debate na sua denominação.23


“As guerras culturais na sociedade estão ditando à igreja o que
a igreja deve crer?”, poderíamos perguntar.
Esse pensamento é assustador, considerando a afirmação do
Dr. Ron Rhodes, especialista em seitas, sobre quem deveria in­
fluenciar quem: “A influência do cristianismo sobre a cultura d e ­
pen d e da habilidade da igreja em resistir à tentação de tornar-se
completamente identificada ou absorvida com a cultura.” 24
E x a ta m e n te! O próprio fato de estarm os d iscu tin d o o
homossexualismo é evidência de, como disse C huck Smith, pro­
fessor pelo rádio, “um sinal de fraqueza dentro da igreja. O as­
sunto nem deveria estar sendo debatido, porque a Bíblia é muito
clara sobre o assunto.”25 Tam bém é um sinal de acomodação. A
moralidade inconstante do mundo está afetando a nossa, p reven­
do um destino escuro para o cristianismo. “Quando a igreja co­
m eça a parecer e soar como o m u n d o ” , adverte o Dr. Greg
Bahnsen, do Centro de Estudos Cristãos do Sul da Califórnia,
não há mais uma razão forte para que ela continue existindo.”26
Não é de admirar que o M ovimento Gay Cristão tenha feito
tanto progresso, diante da fraqueza e insegurança moral visível
em muitas organizações cristãs.
Em contraste, muitas igrejas evangélicas, fundamentalistas
e carismáticas, permanecem intocadas pelos debates que devas­
tam suas parceiras mais liberais (Igrejas e denominações “conser­
vadoras” , nesse livro, são as que adotam consistentemente uma
posição tradicional, literal em relação à Bíblia; “liberais” refere-
se às igrejas que adotam uma posição mais indulgente em relação
à Escritura.).
Uma pesquisa feita em 1991 entre os crentes conservadores
mostrou que 81% enten dem que atos homossexuais são errados,
e 63% tinham pouca paciência com líderes abertamente homos­
sexuais.27 Mesmo assim, meu trabalho de aconselhamento de cris­
tãos com problemas sexuais durante os últimos oito anos, e de
palestrante em muitas conferências cristãs, leva-me a crer que há
algo errado também nas igrejas conservadoras.

26
INTRODUÇÃO

E m termos gerais, elas estão tomando posição clara contra a


filosofia homossexual, mas se mostram indiferentes ou ignoram o
fato que muitos crentes em suas próprias fileiras lutam com o
homossexualismo. Quando o assunto é mencionado do púlpito,
geralmente ele é rotulado como um problema “lá fora na socieda­
d e ” (o que éverdade), e poucos pastores acrescentam: “Talvez haja
tam bém aqui alguém que luta contra esse pecado. Resista-lhe —
Deus o ajudará nisso. E nós tam bém .”
Como alguém que encontrou incontáveis mulheres e homens
que renunciaram às práticas homossexuais e que resistem, às ve­
zes diariamente, a tentações de retornar a elas, eu posso confir­
mar o mundo de diferença que uma afirmação como essa de um
pastor pode fazer.
Essa negligência de um problema importante entre os cren­
tes pode ser encontrada também em programas cristãos de ajuda
e apoio. Em muitas igrejas existem ministérios especiais para
pessoas que lutam contra dependência química, alcoolismo, pro­
blemas conjugais, traumas pós-aborto, dependência emocional e
disfunções alimentares, mas a questão que eu ouvi o pastor ho­
mossexual colocar dezoito anos atrás — “Por que eles não fazem
nada para nos ajudar a superar nosso pecado?” — permanece em
grande parte sem resposta.
Uma razão possível para isso é a ignorância. Cristãos conser­
vadores podem ser simplesmente incapazes de crer que um pro­
blema como esse pode estar assediando um dos seus. “Nunca
encontrei isso em minha igreja”, um pastor local me garantiu quan­
do tentei mostrar-lhe m eu ministério com homossexuais arrepen­
didos. Um senso de ética me impediu de informar-lhe que o dire­
tor do coro da sua igreja vinha aconselhar-se comigo duas vezes
por semana.
Relutância em encarar os problemas complicados que o
homossexualismo levanta pode ser outra razão, apesar de haver
certa incoerência nisso. Lembro que um amigo meu certa vez
sugeriu a um pastor que sua igreja poderia criar um grupo de apoio
para homens que quisessem vencer o homossexualismo. “Não há

27
A OPERAÇÃO DO ERRO

necessidade para isso”, o pastor respondeu. “Nós cremos no po ­


der da Palavra de transformar vidas. Nós ensinamos a Bíblia às
pessoas e as enviamos para casa; não somos conselheiros profis­
sionais.”
Não, eles não são, e ninguém estava lhes pedindo que con­
tratassem um. Mas essa mesma igreja algumas semanas começara
um grupo de apoio para pessoas “co-dependentes” . Além disso,
um grupo para viciados em drogas químicas estava se encontran­
do ali há anos e, infelizmente, um antigo co-pastor desse homem
caíra no homossexualismo e morrera de AIDS.
Por que esse padrão duplo? Por que os co-dependentes, vi­
ciados em drogas e alcoólicos também não foram simplesmente
“ensinados na Bíblia e enviados para casa” ? Por que essa igreja e
tantas outras estão dispostas a deixar pastores ou líderes de grupo
abordar problemas psicológicos tão complexos como vício e d e ­
pendência, enquanto deixam a questão homossexual para “con­
selheiros profissionais” ?
E verdade que muitas igrejas boas não têm nenhum tipo de
grupo de apoio, e quem diz que deveriam? Mas entre as milhares
de igrejas que oferecem cuidado especial para uma miríade de ou­
tros problemas, parece estranho que tão pouco se ofereça ao ho­
mossexual arrependido.
Assim, ele se vê entre duas vozes (o cristão liberal e o conser­
vador), e as duas repetem uma parte — e somente uma parte —
das palavras de Cristo a outra pecadora sexual, a mulher adúltera:
“Eu tam bém não a condeno. Agora vá e abandone sua vida de
pecado” (Jo 8.11, NVI).
“Eu também não a condeno” , o teólogo liberal consola o ho­
mossexual de hoje. “Vá e p e q u e.”
“Eu a condeno” , o cristão conservador responde muitas ve­
zes, “vá e abandone sua vida de pecado!” — e depois deixa o
pecador sozinho para descobrir como.
Ou ele diz simplesmente: “Vá embora!”
E natural que o Movimento Gay Cristão seja tão atraente
para a mulher ou o homem que luta contra o homossexualismo.

28
INTRODUÇÃO

Ele lhe oferece a aceitação e compreensão que talvez nunca te­


nha encontrado na igreja.
Isso não os absolve da sua responsabilidade, se eles, como
eu, decidem seguir a teologia favorável ao homossexualismo. Mas
se lhes oferecemos pouca ajuda enquanto se encaminhavam para
essa decisão, será que não nos cabe também parte da responsabi­
lidade?
Ron Rhodes faz uma boa observação nessa altura:
Um indivíduo geralmente não se une a uma seita porque fez
uma análise exaustiva das religiões do mundo e decidiu que
essa seita em particular apresenta a melhor teologia disponí­
vel. Antes, um indivíduo geralmente se une a uma seita por­
que tem problemas que tem dificuldade em resolver, e a sei­
ta promete resolvê-los.28

Todavia, nós também podemos prometer resolver os proble­


mas. Podemos começar a confrontar o Movimento Gay Cristão
em expansão, refutar suas afirmações errôneas e nos preparar para
responder a sua versão da Bíblia. Podemos aprender a debater
com inteligência com advogados do homossexualismo em nossas
denominações, tomando conhecimento dos seus argumentos e
do raciocínio que está por trás deles.
Podemos prometer desenvolver uma resposta mais eficien­
te aos homossexuais arrependidos em nossas igrejas que buscam
— e merecem — nossa ajuda. Feito isso, podemos enfrentar o mo­
vimento mais abrangente dos direitos dos homossexuais, admi­
nistrando com fidelidade a verdade e o amor, recusando-nos a
ceder um em prol do outro.
Promessas como essas já deveriam ter sido feitas há tempo,
e muitos crentes hoje em dia parecem ansiosos por fazer e cum ­
pri-las. Essa é a razão por que esse livro — A Operação do Erro —
foi escrito.
Desde 1991 tenho apresentado uma série de palestras sob o
título: “Respostas à teologia favorável ao homossexualismo” em
conferências e seminários. Várias pessoas têm-me dito que a sé­
rie seria muito útil se fosse publicada na forma escrita. Membros

29
A OPERAÇÃO DO ERRO

de denominações que estão debatendo o assunto disseram que


ele seria um instrumento valioso. E membros de famílias têm
dito que ele poderia ajudá-los a compreender melhor seus filhos,
filhas ou irmãos que participam do Movimento Gay Cristão.
Tam bém percebi como poucos cristãos estão cientes de que
existe uma teologia favorável ao homossexualismo, muito menos
um movimento construído em volta dela. E muitos que estão ci­
entes não têm idéia de como responder a suas afirmações. Esse
livro foi escrito também para eles.
Quatro coisas parecem ser necessárias para confrontar com
eficiência o Movimento Gay Cristão:
1) Com preender a evolução e natureza do movimento;
2) Conhecer item por item no que eles crêem;
3) Saber responder ponto por ponto a essas convicções;
4) Ter um plano prático de ação que a igreja pode adotar em
resposta ao Movimento Gay Cristão.
Com isso em mente, os primeiros quatro capítulos deste li­
vro darão uma visão geral da importância do assunto e descreve­
rão um pouco do cenário do Movimento Gay Cristão e das influ­
ências no cristianismo moderno que contribuíram para ele.
Os capítulos 6 a 9 detalharão os principais argumentos teoló­
gicos dos homossexuais, separando-os em três grupos básicos e
trazendo uma resposta específica para cada um. Haverá um exem ­
plo de diálogo/debate no fim de cada um desses capítulos, para
servir de modelo para discussões futuras que o leitor possa ter.
Senti-me especialmente motivado para escrever esses exemplos
de diálogos por causa de tantas vezes que ouço perguntas como
essas:
• “O que você diz a um homossexual que diz que nasceu
desse jeito?”
• “Que resposta você dá a homens ou mulheres homossexuais
que dizem que são cristãos e que também acreditam na Bíblia?”
• “Há líderes em minha denominação que acham que deve­
mos começar a ordenar abertamente pastores homossexuais. Como
podemos tomar posição contra isso?”

30
INTRODUÇÃO

Essas e várias outras semelhantes são colocadas e respondi­


das nos capítulos 7 a 9. Espero q ue eles sejam úteis em qualquer
diálogo futuro que o leitor possa ter sobre esse assunto.
O capítulo 11 apresentará um plano de ação com que os lei­
tores podem responder ao Movimento Gay Cristão, quer envolva
alguém que eles amam ou um debate sobre homossexualismo
em sua denominação. O capítulo final trará alguns pensamentos
pessoais de conclusão sobre esse assunto tão importante.
“Santificai a Cristo, como Senhor, em vossos corações”, Pedro
nos exorta, “estando sempre preparados para responder a todo
aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-
o, todavia, com mansidão e temor” (lP e 3.15-16).
Esse livro foi escrito com esse alvo em mente, e na esperan­
ça de que equipará o servo do Senhor, como Paulo disse tão bem:
Ora, é necessário que o servo do Senhor não viva a contender,
e sim deve ser brando para com todos, apto para instruir, pa­
ciente, disciplinando com mansidão os que se opõem, na
expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependi­
mento para conhecerem plenamente a verdade, mas tam­
bém o retorno à sensatez, livrando-se eles dos laços do dia­
bo, tendo sido feitos cativos por ele para cumprirem a sua
vontade
(2 T m 2.24-26).

Como alguém que recebeu arrependimento pela graça para


reconhecer a verdade, espero que este livro seja útil na mão do
que pode instruir e do que precisa de instrução.
Ambos estão em toda parte.

31
1
Por Que
Incomodar-se?

“A igreja precisa ser lembrada de que ela não é senhora


ou serva do estado, mas sim a sua consciência. ”
Martin L uther King

j flÊ Iguns anos atrás eu fui entrevistado por um radia-


lista que não conseguia entender por que eu me
preocupava tanto com o homossexualismo.
— Por que você se incomoda com esse assunto? — ele per­
guntou. — Por que tanto barulho por causa do homossexualismo
na igreja?
— Porque é um problema maior do que muitos cristãos se
dão conta — eu respondi. — Alguns entre nós o estão ignorando,
e outros estão esquartejando a Bíblia para ajeitá-lo.
— E daí? — ele pressionou. — Será que ceder um pouco ia
matar você? Se todas as igrejas do país pudessem se acalmar e ver
que o homossexualismo é somente outra maneira de as pessoas
se amarem, isso seria tão terrível? Q ue coisas horríveis você acha
que poderiam acontecer?
Isso me deixou perplexo.
— Você está brincando? Seria um desastre! — eu retorqui,

33
A OPERAÇÃO DO ERRO

enfurecido. — T o do m undo ficaria confuso, a Bíblia estaria sen­


do jogada fora, e... e...
Eu ainda estava engasgado quando ele interrompeu para um
comercial.
Na verdade ele tinha colocado uma pergunta importante, e
eu respondera com um reflexo emocional em vez de com propo­
sições claras. Tenho visto outros cristãos cometer o mesmo erro
ao falar sobre esse assunto. Nossa tendência é sermos melhores
em mostrar com que força nos opomos ao homossexualismo do
que em explicar por que nos opomos com tanta força.
Portanto, com o que exatamente estamos tão preocupados?
Será que opor-se ao Movimento Gay Cristão vale o tempo e a
energia que isso certamente consumirá? Por que incomodar-se?
Tenho certeza de que há muitas respostas que se pode dar,
mas deixe-me citar aquelas que influenciaram a minha maneira
de lidar com o assunto durante esses anos. Creio que há cinco
conseqüências gerais, drásticas, com que nos defrontaremos se
não enfrentarmos o Movimento Gay Cristão, que já começaram a
se manifestar mas, em termos gerais, estão sendo reprimidas pela
influência da igreja. As duas primeiras conseqüências são de or­
dem espiritual, e serão tratadas nesse capítulo:
1) Difamação da autoridade da Bíblia;
2) Efeitos de mau testem unho e desobediência;
As outras três são de ordem cultural, e serão tratadas no capí­
tulo dois:
3) Exploração sexual de crianças;
4) Confusão sexual crescente entre os jovens;
5) Perda significativa de definição familiar.
Se tivermos de enfrentar ou não essas conseqüências d e p e n ­
derá em grande parte do sucesso do Movimento Gay Cristão.
E certo que, se não for enfrentado, o movimento será bem
sucedido. Um amigo meu, pastor em uma denominação que está
lutando com o assunto, diz que alguns dos seus colegas pastores,
conservadores, não querem discutir a questão: “Eles acham que
pastores liberais que adotam uma posição liberal a favor do

34
POR QUE INCOMODAR-SE?

homossexualismo acabarão demitindo-se ou desistindo, por isso


não há motivos para preocupações.”
Isso, porém, é crer em algo que a gente gostaria que fosse
verdade. Uma olhada de relance na determinação que grupos que
defendem os homossexuais têm apresentado ao perseguirem seus
objetivos nas igrejas Presbiteriana, M etodista Unida, Episcopal e
dos Discípulos de Cristo ■ — sem mencionar o esforço de mais de
uma década da Metropolitan Community Church de ser reco­
nhecida pelo Conselho Mundial de Igrejas, prova que, se há uma
coisa que não falta ao Movimento Gay Cristão, é tenacidade.29
Se a igreja for incapaz de resistir a esse movimento, isso cau­
sará uma mudança de padrões na maioria das principais denom i­
nações protestantes — e muito possivelmente em muitas igrejas
in de p en d e n te s, fundamentalistas, evangélicas e carismáticas.
Assim o país um dia poderá receber, das suaspróptias igrejas, uma
definição dos padrões familiares que inclui (eaprova) o casamen­
to de homossexuais, proteção civil para os direitos dos homosse­
xuais, ensino (desde as prim eiras séries) da n o rm alid ad e do
homossexualismo, e a apresentação geral de uniões do mesmo
sexo como saudáveis e legítimas.
Certam ente nem todas as igrejas concordarão com essas coi­
sas, mas isso não importa; se a maioria ou mesmo um percentual
significativo der espaço à ideologia homossexual, a implicação será
o reconhecimento religioso das exigências do movimento homos­
sexual. N inguém sabe isso melhor que a liderança homossexual.
O colunista homossexual Paul Varnell afirma:
A principal oposição à equiparação hom ossexual é de or­
dem religiosa. Podem os realizar boa parte dos nossos e s­
forços libertadores na esfera política ou m esm o na esfera
“cultural” , mas minando essas e retardando nosso pro­
gresso está a esfera religiosa. Se pudermos apressar o passo
das mudanças ali, todo o processo será acelerado — na
verdade, estará garantido.30
C om essa certeza, n o rm a lid a d e e m o ralid ad e estarão
redefinidas com sucesso, e tanto a igreja como a sociedade come­
çarão a colher as conseqüências espirituais e culturais.

35
A OPERAÇÃO DO ERRO

A Difamação da Autoridade da Bíblia


O corpo de Cristo sofrerá im ensamente porque a sã doutrina
— e a própria Bíblia •— terão de ser levadas menos a sério se a
teologia favorável ao homossexualismo for amplamente aceita.
Você não pode adulterar uma parte da Bíblia (nesse caso, uma parte
significativa) sem desmantelar sua autoridade em geral. E, se a
autoridade da Bíblia for denegrida, a igreja de Jesus Cristo, a luz
do mundo, estará sem nenhum a orientação própria clara.
Q uando fui membro da Metropolitan C ommunity Church
(MCC), eu vi esse dilema em primeira mão. Naquela época havia
um debate em andamento entre suas congregações conservado­
ras e liberais. Muitos líderes e membros da M CC tinham vindo
de contextos evangélicos fundamentalistas, e continuavam iden­
tificando-se como conservadores em termos de teologia (As suas
“Bases de F é ” realmente contém as convicções principais em que
a maioria dos cristãos concorda.). Outros, porém, tinham posições
radicais, às vezes blasfemas.
Um pastor escreveu no informativo oficial da M CC que ado­
rar Jesus como Deus era idolatria. Uma pastora expressou por es­
crito seu desconforto com a cruz, sugerindo uma ligação entre o
sangue de Cristo e sado-masoquismo. E pelo menos em uma oca­
sião eu falei com um pastor que disse que não tinha certeza do
que significava nascer de novo, de modo que não tinha intenção
de incentivar pessoas a fazê-lo.31
Quando os conservadores na M CC defenderam um retorno
à autoridade bíblica, seus opositores liberais lhes lembraram que
a posição que todos eles compartilhavam sobre homossexualismo
era contrária à tradição cristã conservadora; como eles (os conser­
vadores) agora queriam pressionar a favor do literalismo bíblico?
A esse argumento eu nunca ouvi uma resposta convincente.
“A Bíblia”, constata H ank Hanegraaff do Instituto de Pes­
quisas Cristãs, “não só serve de base para uma vida eficaz de ora­
ção, mas também é fundamental para todos os outros aspectos da
vida cristã — [ela] é a principal linha de comunicação de Deus

36
POR QUE INCOMODAR-SE?

conosco.”32 Se a principal linha de comunicação de Deus conosco


está prejudicada, reaviva-se um pecado antigo em que a obediên­
cia a Deus em uma área fica comprometida e paralisa o respeito
por sua Palavra em outras áreas da vida e de conduta, talvez em
todas.
Isso começou quando Eva permitiu-se ponderar a pergunta
da serpente: “E assim que Deus disse?” (Gn 3.1). N ote que Eva
não rejeitou totalmente as instruções de Deus; ela simplesmente
ficou ouvindo a serpente explicar como elas eram “injustas” . O
argumento satânico, como sempre, estava acolchoado no mais ló­
gico dos termos — “Será que é justo que Deus não queira que
vocês sejam como ele?” (veja Gn 3.4-5).
Eva engoliu o argumento da “injustiça” , e a mesma coisa
acontece até os nossos dias.
“Para mim é inconcebível que Deus tenha criado alguém
como eu, incapaz de m udar” , afirma uma pastora lésbica, “para
depois condenar essa pessoa ao inferno.” 33
O tema é familiar: os padrões de Deus não parecem ser jus­
tos; por isso, na verdade não devem ser os padrões de Deus. Não
importa com quanta sinceridade os cristãos homossexuais afirmam
crer na autoridade bíblica, o fato de cederem nessa única área
enfraquece a sua posição também nas outras.
Isso também enfraquecerá a posição da igreja em outras ques­
tões de vida e conduta. Antes de aceitarmos o ponto de vista teo­
lógico favorável ao homossexualismo, poderíamos considerar o
respeito m enor pela autoridade da Bíblia e a redução dos padrões
em outras áreas que são evidentes no Movimento Gay Cristão.
O escritor e pastor homossexual Mel White (quejáfoidoFuller
Theological Seminary), por exemplo, diz que seu primeiro encon­
tro homossexual (que teve enquanto ainda estava casado) foi “inevi­
tável” . Ele descreve seu parceiro no adultério e no homossexualis­
mo como “um dos presentes de D eus” .34
Troy Perry, ex-pastor da Igreja de D eus e fundador da
Metropolitan Community Church, tem uma opinião semelhante
sobre uma experiência idêntica. Ao contar um encontro que teve

37
A OPERAÇÃO DO ERRO

com outro homem (com sua própria esposa no quarto ao lado), ele
recorda: “No fim, acabei en tendendo que aquilo que fazíamos
parecia ser certo para mim. Quase foi amor, e foi um aprendizado
maravilhoso.”35
O adultério é chamado de “certo” e de “aprendizado mara­
vilhoso” ? Será que a aceitação da homossexualidade leva a um
conceito distorcido do compromisso conjugal em geral? Com Perry
pelo menos foi isso que aconteceu, pois ele afirmou em uma e n ­
trevista em 1989 que adultério é a quebra de votos feitos a uma
outra pessoa, que não precisam ter sido de fidelidade: “Se você
tem um relacionamento aberto (incluindo outros parceiros sexuais),
isso é muito bom e aceitável.”36
E improvável que o Rev. Perry tenha ensinado esses concei­
tos deturpados sobre o casamento enquanto servia como pastor
na Igreja de Deus. O Rev. White, da mesma forma, dificilmente
poderia ter escrito que um encontro adúltero foi “inevitável”, nem
que um parceiro de adultério, homossexual ou heterossexual, foi
um “presente de D e u s” , enquanto era professor de homilética e
comunicação no Fuller Theological Seminary. Alguma coisa m u ­
dou no seu conceito de fidelidade; e essa mudança não pode ser
dissociada da sua adoção da teologia homossexual.
O primeiro pastor episcopal abertamente homossexual que
foi ordenado, Robert Williams, vai mais longe que Perry e White
ao declarar na revista Newsweek, sobre a monogamia: “Se alguém
quiser tentar, tudo bem. Mas o fato é que os seres humanos não
são monógamos. E bobagem levantar esse ideal e dizer que é isso
que estamos fazendo, quando não estamos.”37 Williams termina
suas observações com um floreio de extremo mau gosto ao suge­
rir, nos termos mais vulgares, que Madre Teresa deveria ter tido
uma experiência sexual.38
A falecida Rev. Sylvia Pennington, uma defensora heteros­
sexual do Movimento Gay Cristão, incluiu uma suposta revela­
ção sobre casamento e divórcio em seu argumento, desenvolvido
em um livro, contra a possibilidade de alguém vencer o homos­
sexualismo:

38
POR QUE INCOMODAR-SE?

Se algum relacionamento humano começa a interferir no re­


lacionamento mais importante e eterno que é nossa união
com Cristo, o próprio Senhor dará fim a esse relacionamento
humano. Quando a dor de um casamento malogrado começa
a separar as duas partes de Deus, então é Deus, e não as
pessoas, quem rermina esse casamento.w

Contrária à referência específica de Jesus à prostituição como


única base para o divórcio (Mt 19.9), a Rev. Pennington deu o
sinal verde, a qualquer pessoa que sinta que seu casamento co­
meçou a “interferir” no seu relacionamento com Deus, para pro­
ceder ao divórcio.
A comissão presbiteriana que elaborou o relatório a favor do
homossexualismo em 1991, sob o título “Conservando corpo e
alma unidos” , nem mesmo se importou com conceitos inconve­
nientes como casamento e monogamia. Em seu lugar ela optou
pela noção esperta de “amor justo” , declarando que a conduta
sexual apropriada deve ser julgada em termos de “se o relaciona­
mento é responsável, as dinâmicas genuinam ente mútuas, e o
amor pleno de carinho prazeroso.”40 Não é preciso se demorar
nas variedades e combinações carnais que se pode chamar de “res­
ponsáveis, mútuas e plenas de carinho prazeroso.”
Será que padrões morais tão baixos entre pessoas que usam
o nome de Cristo pode refletir outra coisa que não um conceito
baixo da Escritura? A maioria no Movimento Gay Cristão insiste
que considera a Bíblia como autoridade, mas uma olhada em al­
gumas das suas observações sobre a Escritura trai outra posição:
Que influências nos levam a novas maneiras de com preen­
der a Escritura? Novas informações científicas, mudanças sociais
e experiências pessoais talvez sejam as maiores forças de mu­
dança na maneira em que interpretamos a Bíblia e desenvol­
vemos nossas convicções (destaque acrescentado).
Troy Perry41

[Com referência à posição do apóstolo Paulo em relação ao


homossexualismo:] E daí? Paulo também esteve errado em
várias outras coisas. Por que você o levaria mais a sério que
Jerry Falwell, Anita Bryant ou o cardeal 0 ’Connor?

Robert Williams42

39
A OPERAÇÃO DO ERRO

Não posso majs cultuar em um contexto teológico que retra­


ta D eus como um pai cruel e Jesus como o filho obediente e
confiante. Essa teologia violenta incentiva a violência em
nossas ruas e entre as nações.

Virginia M ollenkott, escritora lésbica43

Jane Spahr, uma das fundadoras de G L O U T (Ghristian


L esbians Out Together, “lésbicas cristãs saem juntas”)
e evangelista lésbica da D ow ntow n Presbyterian Ghurch
o f Rochester, afirmou que sua teologia era moldada antes
de qualquer coisa por “fazer amor com C oni”, sua parcei­
ra lésbica.44

Em meu coração eu sei que o cânon não está fechado. Sei


disso porque a Bíblia não me reconcilia com a terra e a Bíblia
não me reconcilia com meu ser sexual.

Melanie Morrison, uma das fundadoras de G LO U T45


Mais uma vez, deve ficar claro que muitos no Movimento
Gay Cristão discordam de algumas das afirmações acima. Alguns
até as considerariam ultrajantes. Mas ceder em um aspecto leva a
ceder em outros; o desrespeito pelos padrões bíblicos por parte
dos elementos radicais no Movimento Gay Cristão é resultado
inquestionável das revisões da Bíblia em que o movimento se
baseia.
Podemos esperar que aconteça menos que isso em nossas de­
pendências se nós, como fez o Movimento Gay Cristão, permitirmos
um enfraquecimento semelhante da integridade bíblica?

Efeitos de Mau Testemunho


e Desobediência
A igreja certamente incorrerá no desprazer de D eus se sua
Palavra é diluída ou cumprida só em parte. E m resultado, nossa
influência e eficácia nesse mundo ficarão enfraquecidas, se não
anuladas.
Quando Davi e seus exércitos trouxeram a arca de Deus de
Judá para Jerusalém, eles tinham recebido instruções específicas
de D eus quanto à sua manutenção e transporte (1 Sm 6.1-8). Uma

40
POR QUE INCOMODAR-SE?

regra era clara: depois de preparada para a viagem, a arca — uma


“coisa santa” — não deveria ser tocada (Nm 4.15). Todavia, duran­
te a viagem até Jerusalém o carro que transportava a arca come­
çou a balançar, e um dos condutores (Uzá), na melhor das inten­
ções, agarrou a arca para segurá-la.
Ele foi ferido de morte na hora (2 Sm 6.7). As instruções de
D eus tinham sido claras; sua santidade não podia ser maculada
ou deturpada por um toque não autorizado.
Deturpação e desobediência também foram a causa da q u e ­
da de Moisés. Quando os israelitas estavam passando sede no
deserto de Zin, Deus lhe tinha dito para falar à rocha na sua fren­
te, para que saísse água para matar a sede deles (Nm 20.1-8).
Porém Moisés estava cheio das reclamações do povo. Então,
num ímpeto temperamental, ele bateu duas vezes na rocha em
vez de falar com ela. Como Uzá anos mais tarde, ele pagou com
sua vida pela desobediência (Nm 27.12-14) e por não representar
Deus corretamente diante do seu povo (A rocha, de acordo com 1
Co 10.4, simbolizava Cristo, quefo i ferido de uma vez p o r todas — não
duas vezes — pelos pecados do mundo.). Deus não pode tolerar a
deturpação de um conceito tão importante.
Como, então, Deus deve estar vendo os líderes religiosos
que chancelam a deturpação de um dos conceitos mais importan­
tes revelados nas Escrituras: o do amor de Deus por seu povo,
tipificado na união de marido e esposa?
Tanto no Antigo como no Novo Testamento, o matrimônio é
usado para ilustrar e representar Deus e Israel, assim como Cristo
e a igreja (Is 54.5, Jr 31.32; Ez 16.21-32; Os 2.19; E f 5.25; Ap 21.2).
O modelo do casamento é complementar — macho com fêmea —
sem qualquer indício de igualdade sexual dos parceiros.
E m que desprazer incorreremos se aceitamos uma represen­
tação claramente dissorcida de Deus e sua amada?
Se instruções tão precisas e fáceis de entender foram dadas
na Escritura com relação à natureza do casamento, o que a igreja
sofrerá se ela, com boas intenções como as de Uzá ou com negli­
gência como Moisés, deturpa e desobedece a Deus, distorcendo

41
A OPERAÇÃO DO ERRO

suas intenções para o amor sexual?


A vida da igreja não será tirada como a de Uzá, deixando-a
incapaz de influenciar a cultura à sua volta? Será que ela, nessa
condição, pode levar pessoas à terra prometida, ou acabará retida
como Moisés, sem jamais poder entrar?
D e Deus não se zomba. Não importa com que volume traze­
mos nossos sacrifícios de louvor em nossas igrejas modernas, se o
fazemos enquanto desculpamos uma perversão do propósito de
Deus para a mais básica das relações humanas, seremos lembra­
dos que obedecer é melhor que sacrificar. Estremeço só de p en ­
sar como esse lembrete poderia vir.

42
2
Conseqüências
Culturais

“É por essa razão que temos de traçar limites, discutir


padrões e disputar batalhas. Porque quando as pessoas
atacam o invólucro da moralidade e se livram dele, elas
não se reclinam para saborear a sensação. Elas avan­
çam — tocam a vida das pessoas à sua volta — tocam
a vida dos filhos de vocês e, um dia, os meus...'"
Kristi Hamrick, relações públicas
do Family Research Council

s próximas três conseqüências de ignorar o Movi-


J t J L mento Gay Cristão são mais culturais que espiri­
tuais, com implicações de longo prazo para a próxima geração.
Jesus nos chamou de sal da terra e disse que se nós (como sal)
perdemos o sabor, não seremos mais capazes de causar impacto
no mundo (Mt 5.13). Paulo também considerava a igreja uma in­
fluência restritiva, cuja simples presença no mundo era um obs­
táculo para as forças do mal (2 Ts 2.7). Se nossa influência fica
enfraquecida porque cedemos em algum aspecto, nossa capaci­
dade de refrear o mal no m undo é anulada, e nossa cultura sofre
as conseqüências.

43
A OPERAÇÃO DO ERRO

O corpo organizado de Cristo representa virtualmente a últi­


ma voz que se levanta em protesto contra o movimento dos direi­
tos dos homossexuais.46 Se essa voz for silenciada, ou sua mensa­
gem for diluída, o Movimento Gay Cristão ungirá o movimento
dos direitos dos homossexuais para varrer o país. E a próxima ge­
ração será a primeira a sentir o fragor dessa batalha.

Exploração Sexual de Crianças


E m primeiro lugar, deixe-me esclarecer que, na minha opi­
nião, homossexualismo e pedofilia (sexo entre adultos e crianças)
não são a mesma coisa. Ambos são claramente imorais e contra a
natureza, mas também envolvem condutas diferentes, cruzam li­
mites morais diferentes e causam conseqüências diferentes.
Da mesma forma, não estou presumindo que homens ho­
mossexuais provavelmente — só porque são homossexuais — mo­
lestarão crianças.47 Como sobrevivente de abuso sexual, eu levo a
questão a sério e estou aberto para qualquer dado sobre o assun­
to. Todavia, o que tenho observado em primeira mão (o que élim i­
tado, com certeza), leva-me a crer que a maioria dos homossexuais
não está interessada em relações sexuais com crianças.
Já aconselhei mais de cem homens homossexuais e alguns
(cinco ou menos) pedófilos.48 N e n h u m dos homens que se identi­
ficaram como homossexuais relataram qualquer sentimento por
crianças. Dos pedófilos que aconselhei, nenhum relatou sentir-se
excitado por homens adultos, confirmando minha convicção de
que homossexualismo e pedofilia devem ser considerados situa­
ções separadas.
Minhas experiências na comunidade homossexual também
confirmaram isso. Como membro da liderança, representante e
pianista da Metropolitan C ommunity Church, eu conheci c en te­
nas de homens homossexuais. Até onde eu sei, nenhum deles
tinha qualquer interesse por crianças.
Mesmo assim, estou convicto de que a aceitação do homos­
sexualismo irá pavimentar o caminho para a aceitação da pedofilia.
A razão disso não é que os homossexuais necessariamente dese­

44
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

jam fazer sexo com crianças, mas porque a aprovação de práticas


que antes eram tabu abre caminho para o tabu seguinte, mais
sério.
No começo dos anos 60, antes da “revolução sexual” pegar,
os dois principais tabus eram o adultério e relações sexuais antes
do casamento. Ambos eram vistos com maus olhos, e qu em os
praticava geralmente mantinha a boca fechada. Então, durante o
levante q ue caracterizou os anos 60, as pessoas começaram a ado­
tar posições mais brandas e condescendentes com essas práticas.
Filmes como The Graduate, Love Story e Bob andC aroland Tedand
Alice começaram a retratar essas práticas primeiro como simpáti­
cas, depois diretamente sob luz positiva. Canções populares como
“Vamos passar a noite juntos” as exaltaram; produções teatrais
como H air e Oh! Calcutta! as representaram no palco, e os come­
diantes faziam piadas sobre elas.
Em pouco tempo o que era tabu se tornou corriqueiro. E o
homossexualismo começou a espiar detrás da próxima cortina.
E m termos gerais, os que quebraram os tabus nos anos 60
não apoiavam o homossexualismo abertamente. Ele raras vezes
era mencionado, promovido menos ainda, e quando era discutido
isso acontecia em tom não simpático (Mesmo o movimento hippie,
com seus excessos de nudez e sexo em público em Woodstock,
não tinha espaço para o homossexualismo.). Entretanto, aqueles
que brincavam de troca de casais nos anos 60, sem saber serviram
de porteiros para o movimento dos direitos dos homossexuais que
nascia. Afinal de contas, se o sexo entre homens e mulheres fora
do casamento agora era permitido quando os dois queriam, então
por que não entre adultos do mesmo sexo que desejassem?
O limite do casamento para a conduta sexual tinha sido reti­
rado. A retirada do próximo limite estava a menos de cinco anos.
Filmes do fim dos anos 60 e início dos 70 — Boysin the Band,
Fortune in Men's Eyes, Norman Is That You? — apresentaram o
homossexualismo primeiro como simpático, depois sob uma luz
positiva. Canções populares como “Lola” o exaltaram. Produções
teatrais como The Ritz e Fortune in Men ’s Eyes o representaram no

45
A OPERAÇÃO DO ERRO

palco. E, novamente, os comediantes faziam piadas sobre ele. O


maior impulso do homossexualismo em direção à aceitação veio
quando a Associação Americana de Psiquiatria retirou o homos­
sexualismo da sua lista de disfunções. Os que apoiaram essa deci­
são argumentaram que:

1) O homossexualismo só era um problema para aqueles homos­


sexuais que se sentiam m al com ele. “Se um homossexual se sente
mal com sua orientação, o diagnóstico apropriado é o da disfunção
psicológica subjacente, por exemplo, a reação de ansiedade ou de
depressão” (Dr. Judd Marmor, em suas recomendações à Associ­
ação Americana de Psiquiatria).49

2) 0 preconceito da sociedade contra os homossexuais criou mais


problemas para eles do que a sua sexualidade. “D esde o momento
em que reconhecemos nossos sentimentos homossexuais ouvi­
mos que nosso amor [...] é doentio, [...] que somos emocional­
m ente aleijados. [...] E m conseqüência, isso contribui para uma
auto-imagem que muitas vezes rebaixa o conceito que temos de
nós mesmos na vida” (memorando das organizações de homosse­
xuais na cidade de Nova York à Associação Americana de Psiqui­
atria).50

3) Os homossexuais não são menos estáveis emocionalmente que os


heterossexuais. O diretor da Comissão Especial da AAP “concluiu
que os homossexuais não apresentaram sinais significativos de
patologia” .51

4) Os relacionamentos homossexuais podem ser saudáveis epositi­


vos. O diretor da Comissão Especial da AAP “concluiu que uma
parte significativa dos homossexuais [...] se relaciona bem com
todas as pessoas” .52

Os argumentos funcionaram. A diretoria da Associação Ame­


ricana de Psiquiatria votou a favor de alterar o tipo de diagnóstico

46
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

do homossexualismo (Veja o capítulo 7 para um relato completo


dos eventos que levaram ao voto da AAP.).
Essa decisão foi um divisor de águas e começou com um
grupo de homossexuais que coletaram dados, comunicaram-se
entre si e granjearam o apoio de uma cultura que (a princípio)
relutava em aceitá-los, utilizando com eficiência seus aliados na
liderança da Associação Americana de Psiquiatria.53 A pedofilia
observava por trás da próxima cortina, esperando.
Hoje em dia, estamos ouvindo os mesmos argumentos de
“especialistas” que defendem a pedofilia nos mesmos termos que
ouvimos há vinte anos dos que defendiam o homossexualismo:
1) A pedofilia é um problema somente para os pedófilos que se
sentem m al com ela. “De acordo com o novo DSM-IV (Manual di­
agnóstico e estatístico da Associação Americana de Psiquiatria),
um pedófilo [está em condição em que carece de diagnóstico]
s o m e n te q u a n d o se s e n te mal ou ansioso com o q u e está
fazendo” (Boletim da Associação Nacional de Pesquisa e Trata­
mento do Homossexualismo, sobre recentes reclassificações de
diagnósticos).54
2) O preconceito da sociedade contra os pedófilos cria mais proble­
mas para eles do que a sua sexualidade. William Pomeroy, que parti­
cipou da equipe de pesquisa Alfred Kinsey, “disse à revista Citizen
que sexo entre adultos e crianças pode ser ‘lindo e maravilhoso’,
acrescentando que o único inconveniente é que as ‘conseqüênci­
as’ que a sociedade aplica contra essa conduta ‘podem ser algo
horrível”’ (entrevista do pesquisador de sexo Pomeroy na revista
Citizen, de Focus on the Family).55
3) Os pedófilos não são menos estáveis emocionalmente do que os
que não são pedófilos. “A pedofilia, de acordo com [o Dr. John]
Money, deve ser considerada uma orientação sexual, não uma do­
ença ou disfunção.” 56
4) Os relacionamentos entre crianças e adultos podem ser saudá­
veis epositivos. “As pessoas parecem pensar que qualquer contato
entre crianças e adultos [...] tem um efeito negativo sobre a crian­
ça. E u digo que essa atividade pode ser amorosa, atenciosa e

47
A OPERAÇÃO DO ERRO

responsável.” 57
Nessa questão, a cultura ainda está atrás dos “especialistas” .
Até onde eu saiba, ainda não há canções e peças exaltando a pedo-
filia, e não ouvi periódicos se posicionando a favor do assunto.
No entanto, um filme independente celebrado pelo New York
Times como “uma história sensível de grande ternura” 58 retratou
o relacionamento sexual entre um menino de 13 anos e um solda­
do adulto de maneira romântica e positiva ( Uma foto dos dois dor­
mindo juntos fo i colocada na propaganda impressa.). Esse filme, For
a LostSoldier, não foi um grande sucesso. Poucas pessoas o viram;
ele veio e se foi com pouco barulho. Mas eu duvido que ele seja o
último da sua espécie.
Enquanto isso, como os ativistas homossexuais fizeram an­
tes deles, os defensores da pedofilia estão coletando dados, co­
municando-se entre si e granjeando apoio de uma cultura relu­
tante em aceitá-los, e utilizando os seus aliados da liderança da Asso­
ciação Americana de Psiquiatria. Entre esses aliados já constam:
• O Dr. John Money da Universidade John Hopkins, que,
em uma entrevista ao The Journal o f Pedophilia na Holanda, disse:
“Se eu visse um caso de um menino de 10 ou 11 anos atraído
intensam ente em termos eróticos por um homem de 20 ou 30
anos, e o relacionamento fosse mútuo — então de forma alguma
eu o chamaria de patológico.”59
• O Dr. Deryck Calderwood, presidente da diretoria de
SIECU S (Conselho de Informação e Educação Sexual dos Estados
Unidos), que disse: “Se ninguém faz a criança ficar de consciência
pesada, [...] a relação sexual entre adultos e crianças não causa
dano mental.”60
• O Dr. John DeCecco, professor e diretor do departamento
de sexualidade humana da Universidade Estadual de São Fran­
cisco, que disse: “A decisão [sobre a relação sexual entre uma
criança e um adulto] deve estar em termos gerais nas mãos das
pessoas que querem começar esse relacionamento. Se eu tenho
12 e quero ter relações sexuais com alguém de 19 anos, 20 ou 50,
a escolha é minha.”61
48
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

• O Dr. Wayne Dynes, professor no H u nter College, que


compartilha os pontos de vista de DeCecco: “Não tenho certeza
se alguém com 7 anos de idade pode dar seu consentimento in­
formal. Isso não quer dizer que temos necessariamente de ex­
cluir o relacionamento sexual com ele.”62
• O Dr. Lester Kirkendall, membro fundador da diretoria de
SIECUS, que prevê q ue os futuros programas de educação sexu­
al “estudarão a expressão sexual [...] através das divisórias das
gerações. Esses padrões se tornarão legítimos.” 63
• D ouglas Powell, psicólogo dos serviços de saúde de
Harvard, que disse: “Não encontrei ninguém que tivesse sido
prejudicado por isso [relação sexual entre uma criança e um adul­
to], desde que tenha ocorrido em um relacionamento com alguém
que realmente se importa com a criança.” 64
No entanto, mesmo com bênçãos da elite acadêmica, será
que os defensores da pedofilia conseguiriam realmente a simpa­
tia do público, quanto mais sua aprovação? Isso é impensável.
Por outro lado, a aprovação pública do homossexualismo tam­
bém era impensável há trinta anos. A essa altura já devemos sa­
ber que o sucesso de uma campanha não depen de de ela ser cor­
reta, mas de como está bem embalada e com que agressividade é
promovida. Nesse sentido, o Dr. Money aconselha os pedófilos a
seguir o exemplo dos ativistas homossexuais:
Quando os ativistas dos direitos dos homossexuais se torna­
ram politicamente ativos, não havia ainda um conjunto sufi­
ciente de informações científicas sobre o qual eles pudes­
sem basear seu ativismo homossexual. Portanto, você não
precisa ter um conjunto básico de informações científicas para
decidir-se a trabalhar ativamente por determinada ideologia,
desde que esteja disposto a ir para a cadeia. Na verdade, não
foi sempre assim que ocorreram as mudanças sociais?*’5
Em uma entrevista no “Clube dos 700” há três anos, menci­
onei muitas destas citações como evidência de que o movimento
dos direitos dos homossexuais estava servindo de porteiro para o
movimento pedófílo. Será que isso é o que os homossexuais de­
sejam?

49
A OPERAÇÃO DO ERRO

Duvido. A liderança da comunidade homossexual está divi­


dida sobre que tipo de apoio deveria dar ao movimento pedófilo.
NAMBLA (Associação Norte-Americana de Amor Homem-Menino,
fundada em 1977, a organização pedófila mais visível) inscreveu-se
para marchar na passeata Stonewall 25 do Orgulho Homossexual.
Eles tiveram o apoio de alguns líderes homossexuais, mas os
organizadores da passeata os proibiram de participar.66
A lguns h o m o ssex uais c o n d e n a m a b e r ta m e n te ta n to a
NAM BLA como qualquer tipo de relação sexual entre adultos e
crianças. Outros consideram NAMBLA como extensão lógica da
comunidade homossexual.67 Mesmo assim, uma coisa é certa: o
movimento pedófilo não teria feito nenhum avanço significativo
se o movimento dos direitos dos homossexuais não tivesse aberto
o caminho, desafiando as normas e restrições existentes para a
conduta sexual.
Isso nos traz de volta à igreja. Se a igreja — incapaz ou indis­
posta a confrontar o Movimento Gay Cristão — cede a ele, o M o­
vimento Gay Cristão abrirá, com autoridade religiosa, a porta para
que o movimento dos direitos dos homossexuais reveja os valores
da América. Depois, intencionalmente ou não, o movimento dos
direitos dos homossexuais abrirá a porta para o movimento pedófilo
e sua próprio programa pernicioso.
Esperamos que a história siga seu curso antes de vermos o
que aguarda sua vez por trás da próxima cortina.68

Confusão Sexual
Crescente Entre os Jovens
N o livro de do Dr. James Dobson, Children atrisk, está trans­
crita uma carta muito esclarecedora:
American Civil Liberties Union
Califórnia Legislative Branch
1127 11"’ Street Suite 605
Sacramento, Califórnia 95814
26 de maio de 1988

50
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

Aos membros do
Assembly Education Com m ittee
State Capito!
Sacramento, CA 95814

Prezados membros:

A ACLU lamenta ter de informá-los da nossa oposição à


SB 2394, que se refere a educação sexual em escolas públicas.
Temos a posição de que ensinar o relacionamento sexu­
al monógamo, heterossexual, dentro do casamento, como va­
lor tradicional americano significa estabelecer de modo
inconstitucional uma doutrina religiosa em escolas públicas.
Há várias religiões que têm convicções contrárias com res­
peito a casamento e monogamia. Cremos que SB 2394 viola
a Primeira Emenda.

Atenciosamente,

Marjorie C. Swartz
Diretora Executiva69

E m resposta a programas ofensivos de educação sexual, vá­


rios conservadores da Califórnia — dos quais muitos eram cris­
tãos — fizeram pressão a favor da aprovação da SB 2394. A lei
propunha o reconhecimento, no sistema escolar público, do rela­
cionamento sexual heterossexual dentro do casamento como va­
lor tradicional americano, e d e term inava o ensino da abstinência
na educação sexual.70
A reação da União Americana de Liberdades Civis é digna
de nota no sentido de tipificar a resistência que podemos esperar
quando confrontamos a deterioração moral em nossas escolas (Deve
ser mencionado que, enquanto fa z objeções a ideais radicais como “abs­
tinência” e “monogamia", a ACLU parece não ter problemas em con­
cordar com a venda e distribuição de pornografia infantil.11).
A legislação foi aprovada e está em vigor. Mas o que teria
acontecido se a voz cristã a favor da moral tivesse sido neutraliza­
da? O que seria se a igreja, em 1988, tivesse aceito amplamente

51
A OPERAÇÃO DO ERRO

as convicções do Movimento Gay Cristão? Será que os cristãos


das igrejas que incentivam o homossexualismo teriam pensado
em pressionar a favor de um a legislação q u e prom ovesse o
heterossexualismo dentro do casamento? Não é provável.
Se a maioria das denominações tivesse cedido ao movimen­
to, como se divulgava que a maioria das igrejas ensinava a legiti­
midade do homossexualismo, será que aqueles poucos cristãos
que pressionaram por essa legislação teriam alguma credibilidade
diante da Assembléia da Califórnia? Ou será que pareceriam uma
minoria ou grupo marginal de extremistas, totalmente sem conta­
to com o cristianismo moderno e incapaz de enfrentar a ACLU?
Chegando mais perto do ponto central: se o M ovimento Gay
Cristão se impuser, que influências moldarão as idéias dos nossos
filhos sobre sexualidade? Para formar um quadro claro, só preci­
samos olhar para esforços que estão sendo feito agora, apesar de
uma oposição cristã clara, para doutrinar a próxima geração em
uma ideologia favorável aos homossexuais.
O Projeto 10, um programa de aconselhamento fundado pela
professora lésbica Virginia Uribe, define-se como um “programa
de prevenção de desistências” que oferece apoio e informações a
estudantes “que se identificam como lésbicas, homossexuais ou
bissexuais, ou que querem informações acuradas sobre orienta­
ção sexual.” 72 Seu título vem da idéia, já desacreditada no m u n ­
do todo, de que 10% da população são homossexuais, mas que
ainda é divulgada a estudantes em programas como esse (Veja o
capítulo 6 para uma discussão da estatística dos 10% de Kinsey.).
Um livro distribuído pelo Projeto 10, One teenager in 10:
Writings aboutgay andlesbian youth, apresenta testemunhos na pri­
meira pessoa de adolescentes homossexuais sobre seu “processo
de manifestação” e assuntos correlatos. Na versão original do li­
vro (que fo i distribuído aos estudantes antes de ser revisado), o teste­
m unho de uma moça de 16 anos de nome Amy descreve, com
expressões dignas de um conto pornográfico, seu primeiro e n ­
contro sexual, aos 12 anos, com sua professora de dança, de 23
(resultando em um caso de três anos). O caráter ilegal, para não dizer

52
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

imoral, de uma professora de 23 anos que se relaciona sexual­


m ente com uma menina de 13, não é mencionado no livro; ele
sim p le s m e n te a p re se n ta a história como um e n tre m uitos
“despertamentos” positivos.73
Informados do conteúdo de One teenager in 10, pais furiosos
no sul da Califórnia protestaram com a direção da sua escola, de­
pois do que o capítulo ofensivo foi tirado. Mas o fato permanece:
em sua forma original, One teenager in 10 — com sua descrição
“q u e n te ” da molestação de uma moça de 13 anos — tinha o apoio
do programa de aconselhamento Projeto 10.
Uma cena pior surgiu na costa L este no começo dos anos 90.
No sistema escolar público da cidade de Nova York, o material de
educação sexual distribuído aos estudantes ensinava-lhes que era
seu direito terem relações sexuais com quem quisessem, como
usar c a m isin h a era e x c ita n te , os p razeres de sexo oral e
masturbação, o uso de brinquedos sexuais e várias práticas com
urina e fezes.74
Q uando os membros da direção da escola de Q ueens (Distri­
to 24) na cidade de Nova York votaram a favor de rejeitar um guia
curricular que instruía os professores do primeiro grau a “incluir
referências a homossexuais em todos os segmentos do currículo”
(não im porta o assunto ensinado, sugeria-se uma referência ao
homossexualismo), tiveram de enfrentar demonstrações, ridiculariza­
ções pela imprensa e a suspensão das suas funções pelo diretor da
escola!75
Pais furiosos, novamente, forçaram sua reintegração e expres­
saram sua condenação do currículo favorável aos homossexuais.
Em uma mudança de curso incomum, a presidente aberta­
m ente lésbica do Centro de Recursos Homossexuais de Ojai, na
Califórnia, acusou os ativistas homossexuais de “usar verbas fe­
derais destinadas à informação sobre a AIDS para [...] executar
programas educacionais explícitos em escolas públicas, e a recru­
tar crianças para o estilo de vida homossexual” . Ela disse que as
crianças nas escolas públicas eram “incentivadas a experimentar
a sexualidade” .76

53
A OPERAÇÃO DO ERRO

Se condições como essas existem quando o protesto da parte


da igreja sefa z presente, o que nossos filhos enfrentariam na ausên­
cia desta oposição?
Os planos ambiciosos da professora lésbica Virginia Uribe
nos dão uma indicação: “Os tribunais estaduais devem ser usados
para forçar as secretarias de educação a disseminar informações
acuradas sobre o homossexualismo. A começar no jardim de in­
fância, abrindo o caminho até o segundo grau. Isso é uma guer­
ra.” 77 Considerando o título do programa — “Projeto 10”, basea­
do em “informações acuradas” que repetidas vezes já foram com­
provadas como falsas — a gente se pergunta que outras “informa­
ções acuradas” ela espera que os tribunais impinjam aos estudantes.
Os patrocinadores de programas como esse da Dra. Uribe
procuram nos assegurar que eles “não aliciam ninguém, porque o
homossexualismo não é uma questão de escolha.” 78 Podemos fi­
car tranqüilos, porque eles dizem que a instrução específica so­
bre o homossexualismo e a educação sexual não deixará nossos
filhos confusos quanto à sua identidade sexual.
Será mesmo? Ser informado sobre variações sexuais a partir
do primeiro grau, em cada matéria ( “Crianças, está na hora da ma­
temática! Agora, se duas lésbicas são inseminadas artificialmente por
um médico bissexual, em termos estatísticos, quantosfilhos homossexuais
elas tenderão a ter?"), ser ensinado sobre o uso de camisinhas, mas-
turbação, o direito a relações sexuais indiscriminadas, como usar
brinquedos sexuais, ser instruído na arte de compartilhar dejetos
do corpo, ser informado que 10% dos seus colegas são homosse­
xuais, e ser recrutado para experimentar o homossexualismo a tal
ponto que até a presidente de um Centro de Recursos Homosse­
xuais se queixa — isso não deixará nossos filhos confusos quanto à
sua identidade sexual?
Quando um estudante percorre o corredor polonês erótico
que espera por ele em algumas escolas públicas, como ele poderá
não ser afetado? O fato é que a confusão sobre a identidade sexu­
al durante a adolescência é comum na melhor das circunstâncias,
e os adolescentes não deveriam ser explorados com sugestões

54
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

prematuras sobre qual é ou não sua identidade sexual.


Isso fo i constatado na Pesquisa de Saúde dos Adolescentes de
Minnesota em 1992, que entrevistou 34.706 estudantes nas escolas de
segundo grau desse estado. Os alunos foram perguntados sobre sua ori­
entação sexual — se eram heterossexuais, homossexuais ou não tinham
certeza. Os resultados mostraram como ê comum que a incerteza quanto
à sua sexualidade no começo da adolescência se resolve p o r si mais perto
do fim da adolescência: 25,9% dos que tinham 12 anos não tinham
certeza se eram heterossexuais ou homossexuais, enquanto somente 5%
dos de 11 anos tinham essa incerteza na pesquisa. (Perto de 98,5% dos
alunos pesquisados informaram terem certeza de serem heteros­
sexuais./*' Em outras palavras, é comum quejovens entre os 12 e os 11
estejam incertos quanto às suas preferências sexuais.
O N ew Kinsey Report sobre sexo verificou a mesma coisa ao
responder à pergunta de um adolescente sobre sentimentos ho­
mossexuais: “Não é incomum que pessoas da sua idade se sintam
confusas quanto aos seus sentimentos sexuais. E importante lem­
brar que sentimentos sexuais despertados por uma pessoa do
mesmo sexo [...] não predizem com exatidão sua orientação sexu­
al de adulto.”80
Não é incomum que os adolescentes estejam confusos quanto
à sua identidade sexual — inseguros sobre se são homossexuais
ou heterossexuais — e, se forem incentivados a fazer experiênci­
as sexuais durante esses anos confusos, e ensinados que virtual­
m ente todas as formas de expressão sexual são legítimas, e daí
dizem a nós pais: “Não se preocupem, não estamos aliciando; se
seu filho não é homossexual, esses programas não o transforma­
rão em u m ”, eles esperam realmente que iremos engolir isso?
E. L. Pattullo, ex-diretor do Centro de Ciência do Compor­
tamento da Universidade de Harvard, não pensa assim:
E bem provável que um número substancial de crianças tenha a
capacidade de desenvolver-se em uma ou outra direção (homos­
sexual ou heterossexual). Esses jovens indecisos, que até agora
foram criados em um ambiente em que predomina a influência a
favor do heterossexualismo, podem sucumbir às tentações do

55
A OPERAÇÃO DO ERRO

homossexualismo em um clima social completamente nivelado na


sua maneira de tratar as duas orientações.11'

É bem interessante que Donna Minkowitz, uma colunista


lésbica bem conhecida, compartilha a convicção do Dr. Pattullo
de que o aliciamento é possível, apesar de não compartilhar de
nenhum a das suas preocupações quanto aos resultados:
Sinto-me bem mais à vontade com a idéia de “aliciar” do
que com a estimativa conjetural que restringe a paixão pelo
mesmo sexo a uma porcentagem fixa da população. Em
um mundo sem o imperativo heterossexual, talvez os ado­
lescentes experim entem diferentes formas de sexualidade
assim como agora experimentam estilos musicais, escolha de
profissões e cortes de cabelo.82
Se isso é verdade, então crianças bem encaminhadas para se
tornarem heterossexuais poderiam — segundo fontes tão diver­
sas como o estudo de Minnesota, o Instituto Kinsey, um ex-dire­
tor de Ciência do Comportamento de Harvard e uma colunista
lésbica — tornar-se homossexuais quando tinham a chance de ter
uma orientação heterossexual e um futuro com pletam ente dife­
rente!
E o que dizer dos estudantes que desenvolveriam o homos­
sexualismo de qualquer forma? E tão importante que eles saibam
com tão pouca idade as variações sexuais disponíveis? Será que
eles precisam ter uma identidade homossexual definida tão cedo?
Será que as informações “acuradas” , que a Dra. Uribe está tão
ansiosa para que eles recebam, incluirão obras de especialistas
como Sigmund Freud, Irvine Bieber, Gerard van den Aardweg,
Charles Socarides e o Dr. Joseph Nicolosi, mostrando-lhes que
eles podem escolher outras opções além da identidade homosse­
xual?
Não conte com isso.
Se eles optarem pelo homossexualismo, suas chances de mor­
rer, por mais indelicado que seja dizer isso, ficam muito maiores.
A AIDS continua dizimando a comunidade homossexual. Ainda
mais assustador é que um estudo de 1991 mostrou que 31% dos

56
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

homossexuais tiveram relações anais não protegidas (sem camisi­


nha) — uma das práticas sexuais mais arriscadas que alguém pode
escolher — nos doze meses anteriores.83 Pesquisadores financia­
dos pelo Instituto Nacional de Saúde calculam que, com as taxas
atuais de infecção, a maioria dos hom ens hom ossexuais ou
bissexuais do país um dia contrairão o vírus da AIDS.84
Pior ainda, os dados de um estudos em Los Angeles, na
Califórnia, mostram que 50% dos homossexuais entre 15 e 22 anos
pesquisados tinham tido recentem ente relações sexuais de alto
risco, e 10% deles já estavam infectados com o vírus da AIDS.85
Os resultados de uma pesquisa mais recente também são
assustadores. Em fevereiro de 1996, o Instituto Nacional do C ân­
cer relatou que os homens homossexuais entre 18 e 25 anos apre­
sentam a taxa mais elevada de infecção com HIV, apesar de te­
rem chegado a essa idade muito depois do início das campanhas
de “sexo seguro” .86
Tudo isso acontece apesar de a igreja, em termos gerais, ain­
da oferecer resistência aos programas de aconselhamento em
homossexualismo e de educação sexual. No entanto, o que acon­
tecerá se um dia a igreja, tomando uma posição favorável ao
homossexualismo, parar de oferecer essa resistência?
Sem oposição, esses programas ensinarão aos estudantes que
o homossexualismo é normal, desde quando começam a andar.
Ao chegar à adolescência, um menino já saberá mais sobre práti­
cas sexuais do que a maioria dos adultos de hoje, pois aprendeu
um catálogo inteiro desde criança. Confuso com os sentimentos
que ele possa ter por pessoas do mesmo sexo, e incentivado a
explorar sua sexualidade mesmo estando inseguro quanto à sua
preferência, ele pode acabar nos braços de um homem de 20, 30
ou 50 anos — estando tanto o homem como o menino certifica­
dos por psicólogos de destaque que um relacionamento como esse
pode ser “lindo” . Ou, caso ele se decida por seus colegas para ter
relações sexuais, suas chances de contrair o vírus HIV serão altas,
se as práticas e taxas de infecção entre adolescentes e jovens adul­
tos não mudarem.

57
A OPERAÇÃO DO ERRO

Ele, que começou a vida bem vacinado contra casamento e


família, pode terminar perto dos 30 em um respirador artificial,
emaciado e aterrorizado, mas com uma educação sobre sexualida­
de no I o e 2o graus que ele pode levar para o túmulo.

Perda da Definição Familiar


Das três conseqüências culturais que eu acho que vamos
sofrer — as outras duas são a exploração sexual de crianças e a
confusão sexual entre os jovens — a perda da definição familiar
será tanto a razão como o resultado das outras duas.
Se a igreja permitir que o casamento seja redefinido para
incluir casais do mesmo sexo, então começará uma deterioração
circular: haverá um aumento na confusão sexual e na exploração
de crianças em resultado da redefinição da família, e haverá uma
redefinição mais ampla da família, em resultado da confusão sexual
e da exploração de crianças. Com o tempo, o conceito original de
“família” pode ser apagado totalmente da nossa consciência.
Não que a família já não esteja sofrendo; ela está em perigo,
e a culpa não é dos homossexuais. Agressão ao cônjuge, abando­
no, divórcio, adultério, violência contra a criança e incesto têm
bombardeado a família há anos. Uma vez fui perguntado por uma
entrevistadora de rádio qual, na minha opinião, era a maior ame­
aça à família nuclear. Como o programa tratava de hom osse­
xualismo, eu sabia qual resposta ela estava esperando, mas não
p ud e dá-la: “A maior ameaça à família nuclear” , eu disse, triste,
“é a família nuclear.”
Contudo, a família permanece com sua definição intacta (no
momento em que escrevo isso, em abril de 1996), o que é crucial. E n ­
quanto a família for reconhecida e aceita pelo que ela é, ela pode
sobreviver; seus problemas podem ser corrigidos. E só redefini-
la, porém, e, com a redefinição, ela perde todo o seu valor.
Tenho ouvido casais homossexuais dizerem que ele podem
muito bem criar filhos. Alguns dizem que podem fazê-lo melhor
que alguns casais heterossexuais que conhecem.

58
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

Tam bém na Marcha pelos Direitos dos Homossexuais em


Washington em 1993, alguns participantes foram perguntados
sobre como eles definiam uma família. Um jovem casal de lésbi­
cas apontou para seus filhos adotivos como evidência da sua con­
dição de família. Um grupo de manifestantes disse que “família”
podia ser hom em com mulher, homem com homem e mulher
com mulher. Outro grupo incluiu outras combinações — por exem­
plo, dois homens e uma mulher — dizendo que o que é certo
para eles (a suposta fam ília) era o que importava.
“O nde existe amor” , eles disseram confiantes, “existe famí­
lia” 87 (Portanto, se o amor morre, por qualquer motivo, o relaciona­
mento fam iliar também morre? Se os pais param de am ar seus filhos,
será que elespodem, segundo essa nova definição, jogar seusfilhosfora?).
A verdadeira pergunta não é se há amor. A questão é se o
amor por si só pode qualificar pessoas para desfazer séculos de
definição tradicional e teológica do conceito de família, para
adaptá-lo aos seus valores.
Para ilustrar a importância da definição, vejamos o conceito
da igreja de Jesus Cristo. Ela é definida em Efésios 1 como ho­
mens e mulheres que, nascidos de novo pelo Espírito de Deus
pela fé em Cristo, são agora membros visíveis do seu corpo aqui
na terra. A igreja, portanto, é o corpo de Cristo.
A igreja tem seus problemas. Vamos imaginar (não deve ser
difícil) que o corpo de Cristo não está funcionando da maneira
que deveria. Imagine que uma comissão de especialistas se reú­
ne para discutir soluções para os problemas da igreja, e imagine
que um dos especialistas proponha o seguinte:
Sabe, há uma porção de pessoas boas que não são cristãs,
mas que têm algum tipo de fé, e que gostariam muito de
fazer parte da igreja. Elas poderiam fazer o trabalho da igre­
ja; alguns até o fariam melhor que alguns cristãos! É eviden­
te que a igreja não está funcionando bem no estágio presen­
te. Então, por que não redefini-la para incluir não só cristãos
nascidos de novo, mas também pessoas de outras crenças, ou
descrentes que têm fé em si mesmos, e que querem ser re­
conhecidos como parte da igreja? Eu entendo que, onde há
qualquer tipo de fé, há igreja!

59
A OPERAÇÃO DO ERRO

A idéia é interessante e poética, mas errada. A fé em si não


salva ninguém — Aquele em quem temos fé, Jesus Cristo, é quem
nos define como cristãos, não a fé simplesmente. Se a fé que al­
guém tem não é específica em Cristo, então ele não é parte do
corpo de Cristo. Isso não quer dizer que ele não seja uma pessoa
maravilhosa, com muito a oferecer; não significa que ele não é
profundamente amado e valorizado por Deus. Simplesmente quer
dizer que, pelo seu estado de não-cristão, ele não pode genuina­
m ente ser parte do corpo de Cristo.
Se os especialistas decidissem redefinir a igreja no sentido
de incluir os não-cristãos, isso ainda não os tornaria parte da igreja
aos olhos de Deus. Faria, isso sim, enfraquecer o testem unho e a
eficácia da igreja em geral. Se a igreja for redefinida para incluir
praticamente qualquer pessoa, ela dificilmente poderia pregar o
evangelho: por que incomodar com conceitos complicados como
expiação e juízo se qualquer pessoa, com qualquer tipo de fé,
agora pode ser cham ada de “igreja” ? A igreja, diluída pela
redefinição, não teria mais o impacto que deve ter.
Eu proponho que isso vale tam bém para a família. Redefini-
la para incluir casais do mesmo sexo jamais fará disso uma família
aos olhos de Deus. Enfraquecerá, isso sim, a eficácia da família em
geral. Padrões como monogamia e fidelidade terão de mudar quan­
do as qualificações de “família” mudarem para abrir espaço para
um conceito totalmente novo.
E por isso que a redefinição de “família” não se deterá em
casais do mesmo sexo. Assim como o movimento dos direitos dos
homossexuais atualmente é uma plataforma de propaganda para
sado-masoquistas, transexuais e bissexuais (e, em alguns casos,
pedófilos), podemos contar com que esses grupos todos pulem no
vagão do casamento uma vez que os homossexuais tenham aber­
to a porta.
Com o “amor” como padrão para a “nova família” , pessoas
de qualquer um desses grupos, e de outros grupos também, po­
dem alegar amar seus parceiros. E lógico então, que trios bisse­
xuais, um homem e um transexual, um adulto e uma criança e

60
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

um “patrão” com seu “escravo sexual” devem poder requerer o


status de família. E isso o que os homossexuais querem quando
clamam por casamentos de pessoas do mesmo sexo? Duvido. Mas
será o resultado inevitável de adulterar um modelo dado por Deus.
Q uando há estudos que confirmam que meninos que cres­
cem sem pais têm taxas mais elevadas de impulsividade e com­
portamento anti-social;88 quando os filhos têm uma chance m e ­
lhor de sucesso se mãe e pai estão presentes em seu lar;89 quando
um estudo de 1987 com estupradores violentos mostra que 60%
deles vieram de lares com um só dos pais;90 quando 75% dos ado­
lescentes suicidas vêm de lares desfeitos; e quando se vê que
meninas que crescem sem a figura do pai se tornam sexualmente
ativas mais cedo na vida e com maior risco de serem mães soltei­
ras;91 podemos negar a necessidade que a criança tem de ter uma mãe e
um paiP
A esta altura, casais de homens ou mulheres homossexuais
podem argumentar que eles também podem proporcionar um
ambiente familiar seguro e que, como cidadãos responsáveis e
trabalhadores, instilarão bons valores em seus filhos. Digamos que
o argumento é válido. Imaginemos que continuem monógamos e
fiquem juntos por toda a vida, adotando e criando filhos em um
am biente seguro e amoroso. Muitos casais heterossexuais não
conseguem isso. Isso não prova que devemos, como pede o Mo­
vimento Gay Cristão, redefinir “família” para incluí-los?
Não, porque a pergunta pressupõe que, se alguma coisa fun­
ciona, ela deve estar certa, ou que, se algo não atinge o ideal, mas
dá bons resultados, o ideal deve ser alterado.
C ertam ente um casal homossexual moderado e responsável
pode prover um lar melhor do que, digamos, um casal heterosse­
xual violento que bate nos filhos ou usa drogas. Mas isso seria
comparar o melhor exemplo homossexual com o pior exemplo
heterossexual. Da mesma forma poderíamos argumentar que, já
que uma mãe solteira responsável e amorosa está melhor prepa­
rada para criar filhos do que um casal irresponsável e sem amor, a
condição de mãe solteira em termos gerais é tão boa como um lar

61
A OPERAÇÃO DO ERRO

com os dois pais.


Só que não é. A situação ideal ainda é um lar com os dois
pais. Só porque alguns lares com os dois pais são doentios, isso
não implica em que o ideal de dois pais deva ser alterado.
A resposta aos problemas familiares é corrigir os problemas,
não redefinir a família. Não importa quão bom seja um casal ho­
mossexual; se você compara o que o casal médio de duas pessoas
do mesmo sexo têm a oferecer com o casal médio de sexos opos­
tos, o casal de sexos opostos ganhará de longe, porque inclui uma
mãe e um pai.
Algumas pessoas acham que casais homossexuais não são pais
ideais por causa do seu homossexualismo. Eu diria que não é so­
m ente seu homossexualismo que faz que não atinjam o ideal; é
sua igualdade. Dois homens ou duas mulheres juntos — seja como
casal homossexual ou como colegas de quarto ou como amigos —
não podem dar a uma criança o que um casal heterossexual pode.
Filhos precisam da influência tanto de um homem como de uma
mulher; qualquer coisa menos do que isso pode ser boa até certo
ponto, mas nunca será o ideal. Para ter alguma serventia, um pa­
drão precisa representar o que é ideal, não o que é bom até certo
ponto.
O Dr. D ennis Praeger, fundador e presidente do Centro
Miquéias de Monoteísmo Ético, nos ajuda a entender esse d e ­
senvolvimento em seu excelente artigo, “Por que o Judaísmo
Rejeitou o Homossexualismo”;
Quando o judaísmo exigiu que toda atividade sexual fosse
canalizada para o casamento, ele mudou o mundo. A domi­
nação subseqüente do mundo ocidental pode ser atribuída à
revolução sexual iniciada pelo judaísmo e mais tarde levada
adiante pelo cristianismo. Essa revolução consistiu em forçar
o gênio sexual para dentro da garrafa m a t r i m o n i a l (destaque
acrescentado).

O Dr. Praeger fala da natureza “extremam ente selvagem”


da sexualidade humana que, quando não dominada, expressa-se
em todos os tipos imagináveis de cópulas e combinações. A Torá

62
CONSEQÜÊNCIAS CULTURAIS

demandou uma influência civilizadora, criando e protegendo a


noção de uma família com definições e papéis rígidos. Com isso Deus
decretou que a sexualidade se adeqüe a um padrão específico; não é
o padrão que precisa ceder para acomodar a sexualidade.
E por isso que eu, quando os homossexuais alegam que sua
sexualidade é “natural” para eles, fico inclinado a dizer: “E daí?”
Natural (no sentido subjetivo, como em “naturalpara mim ”) não quer
dizer correto; o propósito com que a expressão sexual foi criada
precisa ditar as formas de expressão sexual que são aceitáveis.
Portanto, se as pessoas decidem seguir suas inclinações sexuais
“naturais” , podemos até garantir o direito delas de assim fazer.
Mas não podemos atender à exigência delas de que o padrão para
casamento e família seja revisado para adaptar-se ao que é natural
para eles, mas de fato contra a natureza.
Se a igreja quer ser, como Jesus disse, o sal da terra (para
preservar os padrões corretos e a verdade) e a luz do m undo (para
guiará retidão e àvida), então sua responsabilidade em relação ao
m undo é amá-lo como Cristo o amou dizendo-lhe a verdade, não
acomodando as suas demandas. Muito menos pode ela ser cúm ­
plice dos seus ataques aos padrões do casamento expressos tão
claramente na Bíblia. O Dr. Praeger, ao escrever sobre esses ata­
ques, compreendeu as razões que alguns grupos têm de fazê-los.
“O que eu não entendia é por que judeus ou cristãos deveriam
participar desses ataques. Agora eu sei. Eles não sabem o que
está em jogo. E a nossa civilização que está em jogo.” 93

Quando eu era muito jovem, tragicamente eu entrei em uma


série de situações que haveriam de moldar, em grande parte, meu
futuro sexual. Eu tinha sido advertido sobre certas regiões da
minha cidade onde homens “queriam” meninos. Curioso e se­
dento por qualquer coisa que “queriam” podia significar, eu visitei
esses lugares e, em várias ocasiões, fui molestado sexualmente.
Graças a Deus minha família, que não sabia nada disso, con­
servou um padrão de decência que evitou que eu jamais acredi­
tasse que o que aconteceu comigo foi “lindo”. Apesar de o resul­

63
A OPERAÇÃO DO ERRO

tado ser confusão indizível e permissividade selvagem, pelo m e­


nos eu conservei os ideais que m e tinham sido ensinados em casa.
Eles serviram como uma bússola pela qual pude retornar à minha
base moral, quando decidi fazê-lo.
Anos mais tarde, como adolescente, comecei uma série de
encontros com homens adultos de outras cidades. Eu encontrava
esses homens por meio de contatos em um jornal proibido (Eu
parecia ser bastante mais velho do que eu realmente era; a maioria des­
ses homens pensava que euj á tinha mais de vinte anos.). Pouco tempo
depois, ouvi pela primeira vez a pregação do evangelho e, junto
com ele, um chamado forte para abandonar as relações sexuais
pervertidas. Se a igreja que passei a freqüentar não mantivesse
padrões bíblicos, esse chamado jamais teria acontecido.
Quando em 1984, como cristão desviado, eu finalmente ques­
tionei se eu estivera certo ao aceitar as convicções do Movimento
Gay Cristão, a igreja para a qual retornei ainda se mantinha fiel
aos seus padrões. Esses padrões me incomodavam, mas foi esse
desconforto que me levou a arrepender-me e buscar uma vida
melhor. No processo aprendi maneiras totalmente diferentes de
relacionar-me com homens, conheci e casei-me com uma mulher
linda e, quando esse livro estiver impresso, terei me tornado pai.
Nada disso estaria disponível para mim se minha igreja não
tivesse fornecido orientação de um estilo de vida para o outro,
por meio de ensino bíblico claro. Se ela tivesse diluído seus pa­
drões de casamento e conduta sexual para acomodar o M ovimen­
to Gay Cristão, não imagino onde e em que condição eu estaria
hoje em dia.
Valeu ter-me incomodado a ponto de opor-me ao M ovim en­
to Gay Cristão. E ainda vale.

64
3
Como Tudo Começou:
O Movimento dos
Direitos dos Homossexuais
(1950- 1969)

“Ninguém sentou e conspirou para criar os problemas


que nossa sociedade enfrenta. Simplesmente permitiu-se
que eles acontecessemT
Daniel Lapin, rabino

# ■ enom inações im p ortantes orden and o homos-


A ^ sexuais, pastores e padres realizando casamentos
de pessoas do mesmo sexo, dependências de igrejas invadidas
em tumulto por ativistas homossexuais, debates sobre homosse­
xualismo rasgando congregações ao meio — quem jamais teria
imaginado que algum dia atingiríamos um ponto como esse na
história da igreja?
Um debate violento entre cristãos e homossexuais não de­
veria nos surpreender em si mesmo. Se Dennis Praeger está cer­
to quando diz que a ética judaico-cristã é responsável por o m u n ­
do ocidental desaprovar o homossexualismo,94 então o conflito
entre a igreja e o movimento dos direitos dos homossexuais não é

65
A OPERAÇÃO DO ERRO

só compreensível, mas até inevitável (A aceitação do homosse­


xualismo nas culturas antigas ébem documentada95 nos últimos 2.000
anos, de pensamento ocidental, em termos gerais elefo i rejeitado,9< e isso
pode ser creditado à influênàa tanto do Antigo como do Novo Testa­
mento.91)
Portanto, a tensão que vemos hoje em dia entre cristãos e
defensores dos direitos dos homossexuais não é surpresa. São duas
filosofias contrárias que se chocam; uma confina a conduta sexual
a um padrão específico, a outra lutando por algo bem mais amplo.
Dificilmente pode-se esperar que ambas coexistam pacificamen­
te. A aceitação do homossexualismo por nossa cultura (não total,
mas em grande partej tam bém não deve nos surpreender, já que a
ética judaico-cristã tem sido calcada aos pés em muitos sentidos
nas últimas três décadas.
Todavia, o que é surpreendente é que chegamos a um ponto
em que essa ética não só está sendo desafiada, mas tam bém rees-
crita. Para entender melhor como isso está acontecendo, eporquê,
precisamos primeiro ver como evoluiu o movimento dos direitos dos
homossexuais na América do Norte, o desenvolvimento subseqüen­
te do Movimento Gay Cristão e a reação da igreja a ambos.

“Preciso Conhecer Mesmo a História


dos Homossexuais?”
Quanto mais você sabe sobre um grupo — o que experim en­
tou, onde esteve, que eventos moldaram suas convicções — mais
eficazmente você pode responder a ele. E enquanto aprende so­
bre o seu cenário, talvez você desenvolva uma atitude mais com­
preensiva e empática em relação a ele.
M eu escritor favorito, Charles Dickens, era um mestre da
compreensão empática. Suas histórias apresentam personagens
que são culpados de coisas horríveis, mas depois que ele explica
o contexto deles, não há como não sentir alguma pena deles,
mesmo desprezando as suas ações.
O velho agiota Scrooge em A Christmas Carol não pode ser
desculpado por sua crueldade com os pobres. Mas a sua infância

66
COMO TUDO COMEÇOU: O MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

miserável nos ajuda a compreender o que endureceu seu coração.


A Sra. Havisham, a solteirona d em ente de Great Expectations, nos
horroriza quando usa sua filha adotiva para magoar homens de
qualquer idade. Mas depois que ficamos sabendo como ela levou
um fora quando era jovem, sentimos alguma compaixão por ela.
Quando as multidões de camponeses em A Tale o f Two Cities se
levantam com fúria descontrolada contra todos os aristocratas,
Dickens nos recorda os maus tratos que eles suportaram, e assim
os entendem os melhor. Odiamos o que eles fizeram, mas e n te n ­
demos porque o fizeram.
Quanto melhor compreendermos os eventos que levam um
grupo de pessoas a comportar-se de certa maneira, mais capazes
seremos de lidar com ele. Por essa razão, antes de confrontar o
Movimento Gay Cristão, é importante saber que elementos lhe
deram origem.
A propósito, movimentos não são monolíticos. Os integran­
tes de qualquer movimento têm algumas convicções gerais em
comum, e da mesma forma idéias diferentes. Pergunte a uma fe­
minista, por exemplo, quais são as prioridades do movimento das
mulheres, e ela lhe dirá que são pagamento igual e ação positiva;
faça a outra feminista a mesma pergunta e ela pode dizer “liber­
dade de reprodução” . Duas feministas diferentes, duas priorida­
des diferentes. No entanto, ambas lhe dirão que estão compro­
metidas em termos gerais com os direitos das mulheres.
Com os direitos dos homossexuais e o Movimento Gay Cris­
tão a coisa é parecida. A medida que cada um foi crescendo, seus
membros se tornaram mais diversificados em termos de convic­
ções e estratégias, ao mesmo tempo que conservavam alguns al­
vos gerais em comum. Compare o movimento dos direitos dos
homossexuais de 1969, com sua ênfase em passeatas e “sair do
esconderijo”, com o de 1996, e você verá um grupo mais diver­
sificado, sofisticado, às vezes até fragmentado. O mesmo pode
ser dito do Movimento Gay Cristão.
Portanto, não é sábio presumir que todos os integrantes de
um grupo ou movimento crêem exatamente na mesma coisa. Po­

67
A OPERAÇÃO DO ERRO

rém, na maioria das vezes, você pode ter uma idéia geral do que
eles defendem. Para chegar a isso, o melhor é examinar as afirma­
ções e ações dos seus líderes, o conjunto de escritos que produzi­
ram, e os temas que são comuns a ambos. Esses três elementos
podem fornecer um quadro acurado dos pontos de vista gerais de
um grupo, ao mesmo tempo que admitem algumas diferenças
entre seus membros. Com isso em mente, olhemos mais de perto
o desenvolvimento tanto do movimento dos direitos dos homos­
sexuais como dos homossexuais cristãos, e a reação da igreja a
cada um durante as últimas quatro décadas.

Os Primeiros Anos
Durante a primeira m etade do século viram-se alguns desa­
fios à convicção generalizada de que o homossexualismo era con­
tra a natureza,98 mas não houve um movimento homossexual vi­
sível nos Estados Unidos antes da década de 1950. Isso não quer
dizer que não havia uma subcultura homossexual antes; havia, e
ela era próspera. Mas a origem do movimento dos direitos dos
homossexuais pode ser traçada até 1950, quando foram fundadas
a Sociedade Mattachine (para homossexuais de ambos os sexos) e as
Filhas de Bilitis (uma organização de lésbicas) ."
Os dois grupos tinham uma estratégia conservadora. “Evo­
lução, não Revolução” era o modo que Mattachine queria usar
para atingir seus objetivos; as Filhas de Bilitis demonstravam re­
serva sem e lh a n te .100 Os alvos do movimento eram melhorar a
imagem pública dos homossexuais (de “pervertidos”para cidadãos
respeitáveis), descriminalizar as relações homossexuais e conseguir
para os homossexuais “participação plena” na vida americana.101
O btendo o apoio de psiquiatras, cientistas e líderes religiosos, eles
esperavam atingir esses objetivos pelo raciocínio e a discussão
pública.
E interessante observar que em 1955 (cinco anos depois da
criação de Mattachine) foi publicado o primeiro desafio sério à con­
denação bíblica do homossexualismo. O Dr. Derrick S. Bailey,
um teólogo anglicano que argumentava a favor da aceitação do

68
COMO TUDO COMEÇOU: O MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

h o m o ssexu alism o ,102 publicou Homosexuality a n d the western


Christian tradition. Nesse livro Bailey afirmava que a destruição
de Sodoma em Gênesis 19 não teve por causa as práticas homosse­
xuais, mas a falta de hospitalidade. Essa interpretação incomum de
Gênesis 19 seria repetida por décadas no Movimento Gay Cristão.
A estratégia discreta que o movimento dos direitos dos ho­
mossexuais adotou no começo teve pouca oposição das igrejas.
Isso não foi sinal de aprovação (apesar de vários teólogos atualmente
simpatizarem com os alvos de Mattachine) mas, como a maioria dos
cristãos não tinha conhecimento desses grupos de baixa catego­
ria, pouco se mencionava o homossexualismo dos púlpitos ameri­
canos. Isso ainda estava por vir.
Uma exceção foi um grupo de onze quakers que, pelo menos,
estavam cientes do homossexualismo, se não do movimento ho­
mossexual, e tomaram uma posição amistosa em relação a ele. A
Comissão Literária do Serviço Lar dos Amigos na Inglaterra p u ­
blicou em 1963 um panfleto sobre sexualidade que parece ser
um precursor, trinta anos antes, do relatório presbiteriano contro­
vertido dos anos 90. Ele permitia relações sexuais antes do casa­
mento, concordava com o adultério em alguns casos e considera­
va o homossexualismo aceitável.103 Apesar de não refletir a posi­
ção quaker oficial da época, e de com certeza não influenciar o
pensamento cristão ou secular sobre homossexualismo no come­
ço da década de 60, o panfleto se destaca como um dos primeiros
marcos no Movimento Gay Cristão.
Enquanto isso, a filosofia dos Mattachines e das Filhas de
Bilitis evoluía gradualmente. Inicialmente alguns líderes dos dois
grupos considerava seu homossexualismo como uma doença ou,
pelo menos, como uma limitação séria. Esses líderes (eles mesmos
homossexuais, ou “homófilos”, como muitas vezes eram chamados na­
quela época) defendiam o tratamento justo dos homossexuais, mas
ainda achavam que sua condição sexual era inferior à ideal.104 De
fato, os primeiros debates dentro do movimento se concentraram
em se os homossexuais deveriam apoiar a psiquiatria, já que sua
posição geral era anti-homossexual. Alguns achavam que os es­

69
A OPERAÇÃO DO ERRO

pecialistas em saúde mental poderiam ser aliados valiosos em sua


luta contra o tratamento injusto. Outros, que se sentiam perfeita­
m ente bem com seu homossexualismo, consideravam esses m es­
mos psiquiatras como inimigos que precisavam ser enfrentados.
Portanto, o movimento homossexual de 1950 até 1965 foi
marcado pela luta por definição e compreensão própria.

De “Por Favor, Tratem os Homossexuais


Com Justiça” Para “Homossexual é Bom”
Por volta de 1965 a psiquiatria era considerada pelos líderes
homossexuais mais ou menos como encaram a igreja hoje — a
principal instituição que frustra os propósitos do movimento ho­
mossexual.
N aquele mesmo ano o movimento publicou uma declaração
de orgulho homossexual que rejeitava as opiniões da psiquiatria
e da sociedade. E m resumo, ela dizia que o homossexualismo
não é uma doença, que a solidariedade entre os homossexuais é
um instrumento importante para alcançar seu alvo de equipara­
ção aos heterossexuais, e que táticas mais agressivas do que dis­
cussão e educação públicas eram necessárias se quisessem atingir
seus alvos.103
Um terceiro argumento da teologia favorável ao hom os­
sexualismo foi publicado dois anos depois. O livro Homosexual
behavioramongmales, de WainwrightChurchill (Hawthorne Books,
1967), pediu uma “nova moral na esfera sexual” , repetiu a expli­
cação de Bailey sobre a destruição de Sodoma, e elogiou o relató­
rio de Bailey e dos Amigos por suas conclusões pioneiras.106 Como
seus predecessores, o livro de Churchill não foi escrito por al­
guém que se identificasse como homossexual cristão. Mas, tam­
bém como seus predecessores, ampliou as bases do Movimento
Gay Cristão.
O apelo por táticas mais agressivas foi respondido duas ve­
zes em 1968, quando ativistas homossexuais fizeram duas demons­
trações públicas, na convenção da Associação Médica Americana

70
COMO TUDO COMEÇOU: O MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

(AMA) em São Francisco e na Escola de Médicos e Cirurgiões da


Universidade de Colúmbia, onde se realizava um congresso so­
bre homossexualismo.107 Inspirados em boa parte pelo movimento
dos direitos civis, eles usaram panfletos, protestos e apelos ao senso
público de justiça para colocar suas posições.
Tanto na convenção da AMA como na U niversidade de
Colúmbia os ativistas exigiram participação em futuros congres­
sos profissionais e discussões sobre homossexualismo, argumen­
tando que estava na hora de “ [os profissionais] pararem de falar
sobre nós para começarem a estar conosco.” 1(18 Mesmo sem conse­
guirem tudo o que pediam, esse foi o começo do fortalecimento
e, como diz Ronald Bayer, da cura\ “Apesar de não estar necessa­
riamente calcado na violência, a ação e a rebeldia foram encara­
dos como antídotos à vergonha, à dúvida pessoal e ao ódio contra
si mesmos que a sociedade tinha imposto aos homossexuais.” 109
Aparentemente, portanto, as demonstrações públicas não ser­
viram apenas para fazer uma declaração — elas os fizeram sentir-se
bemí^issa sensação boa, de fortalecimento, seria mencionada ain­
da muitas vezes pelos ativistas homossexuais. Entretanto, o ver­
dadeiro marco de 1968 para o Movimento Gay Cristão veio de
modo bem mais discreto do que as demonstrações em Colúmbia
e São Francisco.

A Primeira Denominação a Favor do


Homossexualismo
E m 6 de outubro de 1968, doze pessoas responderam a um
convite colocado no The kdvocate (um jornal de orientação ho­
mossexual) para tornarem-se membros em uma igreja para ho­
mossexuais recém-formada. O anúncio foi colocado por um ex-
pastor pentecostal de 28 anos de nome Troy Perry.
Quase trinta anos depois, o Rev. Perry ainda é um dos líde­
res mais influentes do Movimento Gay Cristão. Nessa qualidade,
ele interessa a qualquer pessoa que espera compreender os cris­
tãos favoráveis aos homossexuais.

71
A OPERAÇÃO DO ERRO

A denominação que Perry fundou naquela tarde de outubro


— a Universal Fellowship of Metropolitan C ommunity Churches
(U FM C C ) — é, segundo ele, “a maior organização que alcança as
vidas de homens e mulheres homossexuais no m undo.” 110 No
m undo todo existem perto de trezentas igrejas da U FM C C e,
como os membros são incentivados à ação social e política, a afir­
mação de Perry sobre a influência da U FM C C é provavelmente
verdadeira.
Em seus livros The Lord is my shepherd and he knows Pm gay
(Nash Publishing, 1972) e Dorít be afraid anymore (St. M artin’s
Press, 1990), Perry relata as primeiras experiências, tanto sexuais
como espirituais, que moldaram seu pensamento. O mais velho
de cinco meninos, ele foi criado idolatrado por sua mãe Edith em
um ambiente religioso. Depois da morte do seu pai em um aci­
dente de carro, ele sobreviveu a maus tratos na mão de um pa­
drasto violento que batia em E dith e arranjou um amigo para es­
tuprar o menino de 13 anos como castigo por ele defender sua
m ãe.111
Troy encontrou refúgio em uma igreja e sentiu-se atraído
pelo pentecostalismo. Seu dom ministerial se manifestou bastan­
te cedo. Aos 15 ele já tinha autorização dos batistas para pregar;
antes dos 20 já era um evangelista com sustento da Igreja de Deus,
carismática. Pouco depois ele casou e assumiu um pastorado nes­
sa denominação. Ciente de atrações homossexuais a maior parte
da sua vida, Perry envolveu-se com outros homens jovens, tanto
antes como depois do seu casamento, e acabou sendo expulso da
Igreja de Deus e divorciado da sua esposa.
Anos mais tarde, depois de adotar a subcultura homossexu­
al, ele sentiu-se indignado com a experiência de um amigo que
fora preso simplesmente por estar em um bar para homossexuais
(o que era comum na época). Perry relata a conversa que teve com
seu amigo, que causou nele um senso de chamado para começar
uma igreja de homossexuais:
— Nós não passamos de um bando d e bichas sujos, e nin­
guém se importa com bichas sujos!

72
COMO TUDO COMEÇOU: O MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

— Alguém se importa — eu disse.


— Quem?
— Deus se importa.
Tony soltou uma gargalhada terrível:
— Imagine, Troy. O que você quer dizer com “Deus se im­
porta” ? Fale sério!"2
N aquela noite ele teve a idéia de uma igreja para homosse­
xuais, para mostrar-lhes que Deus realmente se impprtava com
eles. Um anos mais tarde ele fundou a igreja. Hoje em dia, a de­
nominação que brotou da sala de estar de Perry existe na maior
parte dos Estados Unidos e está presente em pelo menos oito
outros países.
Esses primeiros sinais de vida do movimento dos direitos
dos homossexuais e do Movimento Gay Cristão foram silencio­
sos e sutis. Da década de 1950 até o fim da década de 60, o movi­
mento dos direitos dos homossexuais cresceu e se definiu, dizen­
do: “Não somos doentes, queremos ser reconhecidos e estamos
prontos a lutar por isso.”
O Movimento Gay Cristão, mais ainda que o movimento dos
direitos dos homossexuais, estava na sua infância. Com apoio dis­
perso de uma meia dúzia de igrejas liberais, ele adotou uma auto-
definição parecida com a do movimento dos direitos dos homos­
sexuais, com um acréscimo: “Deus nos ama e nos aceita assim
como somos; <?ele não vê problemas no homossexualismo.”
Entrando no ano de 1969, os dois movimentos não tinham
idéia do terremoto que estava por vir e que faria a nação tomar
conhecimento deles.

73
4
Guerra:
O Movimento dos Direitos
dos Homossexuais
(1969- 1979)

“ Tenha orgulho do que você é, homem ! E se precisar de


tumultos e até tiros para mostrar a eles o que nós somos,
bem, essa ê a única linguagem que os porcos entendem. ”
Ativista homossexual em uma
reunião depois dos distúrbios de
Stonewall em 1969

“Isso é guerra, e está funcionando. ”


Diretor executivo da Comissão de
Trabalho Nacional sobre
Homossexualismo

conteceu sem premeditação, aviso prévio ou pla-


no. Não havia líderes que pudessem ser identifi­
cados; nenhum a convocação às armas o pôs a funcionar. Mas p e ­
gou fogo e, até certo ponto, redefiniu o movimento homossexual.
Reverenciado pelos homossexuais como o momento decisivo para
trás do qual jamais poderão retroceder, ele é celebrado anualmente

75
A OPERAÇÃO DO ERRO

em ajuntamentos e passeatas do orgulho homossexual. Quando


aconteceu foi chamado de tumulto pela imprensa local. Hoje em
dia, é conhecido como Stonewall.
Ao rever as manchetes de 1969, o leitor pode passar batido
por Stonewall. Ele tem mais espaço na imprensa hoje do que
quando aconteceu, possivelmente porque questões relacionadas
aos homossexuais recebiam pouca cobertura naquele tempo. Ou
talvez os outros assuntos que chamaram a atenção da imprensa
em 1969 — Woodstock, os assassinatos de famílias de Manson, o
primeiro homem na lua — o sufocaram, em retrospecto. Seja como
for, é impossível repassar o movimento dos direitos dos homosse­
xuais sem abrir espaço para os tumultos de Stonewall.
Nas primeiras horas da manhã de 28 de junho, nove d eteti­
ves à paisana entraram em um bar para homossexuais no bairro
Greenwich Village, de Nova York, chamado Stonewall Inn. Com
a intenção de fechar o bar por vender bebidas alcoólicas sem li­
cença, eles expulsaram os mais ou menos duzentos fregueses que
estavam lá dentro e prenderam o gerente, três fregueses travestis
e um porteiro. Contudo, quando conduziram os detidos para fora,
viram que uma multidão irritada se formara na calçada. Alguém
■— exatamente quem e por que é questão de debate até hoje —
jogou alguma coisa neles e, em poucos minutos, a multidão, que
aumentou para perto de quatrocentas pessoas, tam bém começou
a jogar pedras e garrafas na polícia. Os policiais retrocederam e se
entrincheiraram no bar até que chegaram reforços, e em 45 m inu­
tos o tumulto acabou.113
A cena se repetiu na noite seguinte quando outra multidão
se formou do lado de fora do Stonewall, cantando o coro: “Lega­
lizem os bares para homossexuais!” e “Ser homossexual é bom!”
Fizeram fogueiras e novamente jogaram garrafas na polícia, que
lutou com os manifestantes por duas horas, até que eles final­
m ente se dispersaram. Quatro noites depois, mais uma multidão
amotinada de homossexuais — desta vez com perto de 500 pes­
soas — tomou as ruas de Greenwich Village, marchando e gritan­
do slogans.

76
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

O que exatamente deu origem a Stonewall é incerto. Foram


propostas algumas idéias totalmente sem sentido, como a de que
o falecimento recente de Judy Garland, ídolo dos homossexuais,
tinha-os deixado de mau humor.114 Uma explicação melhor pre­
cisa considerar algumas das forças sociais que estavam em movi­
mento no fim da década de 60.
O Vietnã, a intranqüilidade nas universidades e o movimen­
to relativamente jovem dos direitos civis alimentaram dezenas
de demonstrações públicas, de modo que, em 1969, grupos de
pessoas que protestavam era algo comum. A época era oposta à
autoridade de modo quase selvagem; o governo era o temido “sis­
tem a” , não se devia confiar em adultos de mais de 30 anos, os
diretores das universidades eram desafiados em público, e os po­
liciais eram chamados de “porcos” (A turba de Stonewall, de fato,
gritava “porcos ”, entre outras coisas, enquanto cobria a polícia de pe­
dras egarrafas.). Tudo q ue era tradicional estava sujeito à dúvida;
era uma honra desafiar a norma. N esse contexto tanto Stonewall
como o novo tom agressivo que deu ao movimento dos direitos
dos homossexuais fazem sentido perfeito.
Até então, muitos homossexuais se consideravam uma mi­
noria maltratada. Muitas vezes eles tinham razão. Agredidos por
nenhum a outra razão que a atitude doentia de pessoas que os
odiavam,1,3 muitas vezes ignorados em processo judiciais,116 às
vezes perseguidos de modo injustificado pela polícia,117 eles es­
tavam, coletivamente, zangados. Os distúrbios de Stonewall d e ­
ram expressão pública à sua ira acumulada; a expressão pública,
por sua vez, inspirou um novo tom desafiador entre os homosse­
xuais.118
Im ediatamente após os tumultos começaram a se formar gru­
pos de ativistas homossexuais, primeiro em Nova York, depois no
país inteiro. Planos para demonstrações futuras, ação política e
reforma cultural começaram a tomar forma. Em poucos meses, o
“Gay Power” (um termo cunhado pouco depois de Stonewall) tomou
seu lugar ao lado dos seus primos dos anos 60: Flower Power,
Power to the People e Black Power.119

77
A OPERAÇÃO DO ERRO

A população homossexual entrou na década de 70 com um


novo senso de unidade e definição. A articulista Erica Goode, do
U. S. News and World Report, decifrou os elementos posteriores a
Stonewall que, naquela altura, deram tanto ao movimento dos
direitos dos homossexuais como ao Movimento Gay Cristão seu
cerne e sua força:
A idéia de que a orientação sexual era uma característica im­
portante, que diferenciava um grupo de pessoas, definindo-as como
diferentes de alguma maneira essencial, e a compreensão, por
parte dos que se sentiam atraídos por pessoas do mesmo sexo
que elas, de que havia outros como eles, enfrentando as
mesmas dificuldades e preocupações120 (destaque acrescen­
tado).
A construção de uma “identidade homossexual” era crucial
para isso, de modo que os ativistas homossexuais começaram a
educar o público quanto a como encarar o homossexualismo. Ele
não deveria mais ser visto como uma condição ou conduta; a par­
tir de agora deveria ser considerado uma parte fundamental do
caráter da pessoa, não menos perm anente do que cor da pele ou
sexo. Por esse raciocínio, qualquer objeção ao homossexualismo
colocaria o objetor na mesma categoria com racistas ou “sexis­
tas” . Ao mudar o enfoque do homossexualismo de conduta para
identidade, o movimento dos direitos civis e o Movimento Gay
Cristão ganharam novo terreno em “alterar gradualm ente”, como
Goode explica, “o que tinha sido uma série de pecados sexuais
em uma identidade, uma maneira de ser.” 121
Stonewall foi uma declaração de guerra. As demonstrações
continuariam tendo um papel chave, mas uma guerra envolve mais
que combate corpo-a-corpo; tropas precisam ser mobilizadas, ali­
anças forjadas, estratégias elaboradas. Revendo os relatos por es­
crito das reuniões sobre direitos dos homossexuais em 1969 e no
começo da década de 70,122 a estratégia em que os líderes homos­
sexuais parecem ter concordado tinha três aspectos:
1) Encorajar todos os homossexuais a “sair do quarto” e d e ­
clarar sua sexualidade como parte da sua identidade;

78
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

2) Formar e fortalecer alianças com grupos e indivíduos que


são simpáticos à causa homossexual;
3) Enfrentar as pessoas ou instituições que se opusessem à
causa homossexual.
Cada estratégia era uma palavra de ordem para a ação. E em
cada palavra de ordem que o movimento dos direitos dos homos­
sexuais executava, o Movimento Gay Cristão nunca estava muito
atrás.

A Primeira Palavra de Ordem: “Saia!”


A primeira palavra de ordem — incentivando os homosse­
xuais a “sair” e se identificar por seus desejos sexuais — foi ex­
pressa quando o primeiro aniversário dos distúrbios de Stonewall
foi celebrado na cidade de Nova York, em junho de 1970. Perto
de 10.000 homens e mulheres homossexuais — do longe a maior
concentração pública de homossexuais na história dos Estados
Unidos — marchou pela 6a Avenida e se reuniu no Central Park.
“Para fora dos quartos! Para as ruas!”, eles gritavam em coro, dan­
do início a uma tradição anual de celebrar Stonewall que dura até
hoje.^
A medida que o movimento dos direitos dos homossexuais
ganhava mais destaque na imprensa, homens e mulheres que man­
tinham suas preferências homossexuais em segredo (por razões
morais, ou por medo de retaliação) atenderam ao convite para “sair”
e “aceitar quem você realmente é ” . O convite era atraente, espe­
cialmente para cristãos que lutavam contra tentações homosse­
xuais. Nas suas igrejas conservadoras eles estavam ouvindo pou­
ca coisa que os ajudasse a vencer suas lutas: em termos gerais,
não se falava sobre homossexualismo. Eles enfrentavam uma luta
silenciosa dentro deles mesmos, solitária como um inferno. As­
sim, quando o movimento dos direitos dos homossexuais lhes
ofereceu apoio, por meio de uma comunidade de pessoas que
entendiam o que significa ser homossexual, eles se interessaram.
O único obstáculo era a sua fé — como poderiam escolher entre
ser homossexual ou ser cristão?

79
A OPERAÇÃO DO ERRO

O Movimento Gay Cristão removeu o obstáculo dizendo-


lhes que não havia nenhum a escolha a ser feita — agora havia a
alternativa de ser homossexual e cristão! Eles corresponderam em
grande número, alguns deixando suas igrejas mais conservadoras
para filiar-se à Metropolitan C ommunity Church, outros procu­
rando denominações “simpáticas aos homossexuais”. A medida que
isso acontecia, o Movimento Gay Cristão, imitando o movimento
dos direitos dos homossexuais em 1969, saiu para a luz do dia.
Material homossexual cristão começou a aparecer em livrari­
as seculares e c r i s t ã s . E m 1972 Troy Perry publicou sua autobi­
ografia, The Lord is my shepherdandhe knows Vm gay. Quatro anos
mais tarde Malcolm Boyd, um pastor episcopal de renome e es­
critor de sucesso, tornou pública sua condição de homossexual,
documentada em O ff the mask (St. Martins Press). Tom Horner,
outro pastor episcopal, editou sua versão de todos os textos bíbli­
cos que tratam do homossexualismo, em seu livro Jonathan loved
D avid (Westminster Press).
O mais notável de todos os livros homossexuais cristãos des­
se período foi Is the homosexual my neighborf, de Letha Scanzoni e
Virginia Ramey M ollenkott (Harper and Row, 1978). Antes da
publicação desse livro, os escritores favoráveis ao homossexualis­
mo (mesmo os que conseguiam entrar nas livrarias religiosas) passa­
vam bastante despercebidos pelos cristãos conservadores. Mas
agora, pela primeira vez na história, o Movimento Gay Cristão
tinha elaborado uma explanação do seu ponto de vista que cha­
mou a atenção dos fundamentalistas e dos evangélicos em geral.
Combinando novas interpretações da Escritura com argumentos
sérios (mesmo que não convincentes), o livro foi elogiado por críticos
seculares e cristãos, incluindo Christianity Today, The Christian
Century, The Journal o f the Evangelical Theological Society e The
Christian Ministry. O endosso de publicações cristãs tão respeita­
das foi uma prova de que o Movimento Gay Cristão estava ga­
nhando impulso e credibilidade.
Outra prova foi vista no crescente destaque e influência da
Universal Fellowship of M etropolitan C om m unity C hurches

80
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

(UFM CC). Troy Perry, o presidente da Associação, obteve reco­


nhecim ento internacional dentro de poucos anos depois da fun­
dação da U FM C C. Em 1972 ele falou em um congresso sobre
homossexualismo em Londres; o escritor e teólogo N orm an
Pittenger participou e deu sua aprovação à palestra de Perry.124
Dois anos depois Perry marcou presença na “Campanha contra a
Pressão Moral” na Austrália.123 No ano seguinte ele foi um dos
oitenta líderes convidados para estar com o governador Jimmy
Carter durante sua postulação da indicação democrata à presidên­
cia dos Estados Unidos, depois do que passou a fazer uma cam­
panha dos “homossexuais por Carter” .126 Em 1977 ele foi convi­
dado à Casa Branca para apresentar ao presidente Carter, junto
com outros líderes homossexuais, suas preocupações em relação
ao homossexualismo nos Estados Unidos.127
Enquanto isso, os pastores da U FM C C ganhavam cada vez
mais espaço na mídia, em programas de entrevistas e encontros
com a imprensa, e mais igrejas surgiam em todo o país. O Movi­
mento Gay Cristão estava seguindo com sucesso a primeira pala­
vra de ordem do movimento dos direitos dos homossexuais. Ele
tinha saído do esconderijo e proclamava o homossexualismo como
um dom de Deus, incentivando todos os homossexuais a fazer a
mesma coisa.

A Segunda Palavra de Ordem:


Formar Alianças
O Movimento Gay Cristão também seguiu a segunda pala­
vra de ordem do movimento dos direitos dos homossexuais, for­
mando alianças com seus simpatizantes. Troy Perry era (e é) es­
pecialm ente bom nisso. Q uando a M etropolitan C om m unity
Church de Los Angeles foi incendiada em 1973, ele publicou um
anúncio na revista Varieíy pedindo doações para reconstruir o pré­
dio; a resposta foi generosa. Q uando jejuou em público por
dezesseis dias em frente ao Federal Building em Los Angeles,
em protesto contra uma votação que restringia o trabalho de pro­

81
A OPERAÇÃO DO ERRO

fessores homossexuais, ele arrecadou 100.000 dólares de simpati­


zantes de todo o país. E quando falou em uma concentração para
levantamento de fundos com o mesmo objetivo, ele foi aclamado
por pessoas do quilate de John Travolta, Burt Lancaster e Cher.128
Alianças que as igrejas principais poderiam invejar — mas
que provavelmente jamais conseguirão — caíram no colo do M o­
vimento Gay Cristão. A indústria de notícias e entretenimento,
que sempre apoiou o movimento dos direitos dos homossexuais,
forjou um elo firme também com o Movimento Gay Cristão. L e m ­
bro-me de ter visto fotos assinadas de Phyllis Diller e M ae West
expostas na Metropolitan Community Church de Los Angeles.
Troy Perry, o fundador da igreja, conta Phil D onahue entre seus
amigos.129 Quando Mel White declarou ser homossexual em 1993,
gigantes da mídia como Barbara Walters e Larry King lhe deram
uma cobertura generosa.130 Shirley MacLaine, em um evento para
levantar fundos para a AIDS, deu sua bênção a um pastor homos­
sexual, na presença de Stevie Wonder.131 O apoio de Hollywood,
por sinal, é normal nas igrejas homossexuais.
(Esse apoio de Hollywood se mostra a nível local e nacional.
Certa vez, durante um banquete bastante formal na Metropolitan
C ommunity Church, eu me vi enfiado em um smoking, suando
meu caminho através de um solo de piano, enquanto Martha Raye
sorria para mim a dois metros e meio de distância.)
Alianças com igrejas tam bém foram formadas depois de
Stonewall. N o dia 16 de julho de 1969, apenas algumas semanas
depois dos distúrbios, um segundo encontro de planejamento do
“Gay Power” foi realizado em uma igreja episcopal local.132 Dois
anos depois a Igreja de Cristo Unida ordenou o primeiro pastor
abertam ente homossexual em uma denominação principal.133 E
em janeiro de 1977 a Igreja Episcopal de Nova York ordenou uma
mulher abertamente lésbica.134
E m pouco tempo se formaram redes de homossexuais d e n ­
tro das denominações maiores, onde atuavam com ou sem autori­
zação oficial. E m 1974, luteranos homossexuais e seus simpati­
zantes fundaram os Luteranos Interessados. Dois anos depois,

82
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

Afirmação nasceu entre os Metodistas Unidos, como organização


para “assuntos de lésbicas e gays”. Integridade (um grupo homos­
sexual episcopal'), Dignidade (para homossexuais católicos) e Afini­
dade (o grupo a fa vo r do homossexualismo entre os Adventistas do Sé­
timo Dia) se formaram em suas respectivas denominações. A m es­
ma coisa se deu com a Convenção das Lésbicas Católicas, os
Amigos (quakers) dos Assuntos Q ue Interessam a Lésbicas e Gays,
e a Associação para Assuntos de Lésbicas e Gays na Igreja de
Cristo U nida.135
Com cada vez mais destaque, alianças com pessoas proemi­
nentes e grupos e igrejas locais, o M ovimento Gay Cristão estava
preparado para seguir a seguinte, e mais dramática, palavra de
ordem do movimento dos direitos dos homossexuais.

A Terceira Palavra de Ordem: Confronto


Antes de 1977 houve poucos embates entre o movimento
dos direitos dos homossexuais e a igreja conservadora. Além de
escaramuças menores — as Filhas de Bilitis fizeram uma dem ons­
tração na catedral de St. Patrick em 1971, por exem plo136 — os
conflitos em público entre os dois grupos eram raros.
Os líderes homossexuais sabiam que a igreja conservadora
não aprovava o homossexualismo mas durante os primeiros anos
do movimento eles tinham outras preocupações. Eles achavam
que a sociedade não era simpática à causa deles em grande parte
porque o homossexualismo era considerado uma doença. Para
mudar a opinião da sociedade, era necessário primeiro mudar a
opinião da instituição responsável por tachá-los de “d oentes” .
Assim, a Associação Americana de Psiquiatria (APA) tornou-se o
alvo de protestos incansáveis e bem organizados dos homossexu­
ais, durante cinco anos, a partir de 1968. Em 1973 os esforços da
liderança homossexual deram resultado: a APA retirou o homosse­
xualismo da sua lista de disfunções (Veja o capítulo 7).
Depois que a APA mudou sua posição, os homossexuais se
armaram de uma ousadia ideológica renovada. Agora eles podiam
confrontar políticos, educadores e até o governo federal com uma

83
A OPERAÇÃO DO ERRO

abordagem nova. Eles raciocinaram que, se a psiquiatria america­


na não dizia mais que o homossexualismo era anormal, então as
leis contra sodomia e as restrições ao serviço militar dos homosse­
xuais deveriam ser abolidas. Além disso passaram a exigir, basea­
dos na decisão da APA, que os homossexuais recebessem prote­
ção quanto aos seus direitos civis, e que as escolas ensinassem os
alunos a considerarem o homossexualismo como algo normal.137
Eles exigiram mais do que conseguiram, mas conseguiram
muita coisa. E m 1976, quinze estados já tinham retirado as leis
contra a sodomia dos seus códigos penais, e 33 cidades tinham
passado códigos de direitos civis protegendo os homossexuais. A
Associação Americana de Bares, a Associação Médica Americana
e a Associação Americana de Psicologia deram apoio público à
descriminalização da conduta homossexual, e a Comissão de Ser­
viço Civil dos Estados Unidos parou de excluir os homossexuais
dos empregos federais.138
A igreja conservadora não deixou totalmente de ver esses
avanços. E m 1974 a Arquidiocese Católica de Nova York se opôs
abertamente a códigos de direitos civis para homossexuais.139 Dois
anos depois, foi formada uma associação nacional de ministérios
conservadores para ajudar aqueles q ue queriam vencer seu
homossexualismo.140 Mas, da mesma forma como os homossexu­
ais não achavam que confrontar a igreja era prioritário, a igreja
tam bém não via uma necessidade prem ente de confrontar o mo­
vimento dos direitos dos homossexuais. E mais provável que os
cristãos conservadores não sentiam que o movimento, apesar do
seu crescimento, tinha desrespeitado os direitos deles.
Uma exceção foi uma artista cristã cujo nome, de modo justo ou
não, viria a simbolizar o confronto entre homossexuais e cristãos.

A Campanha de Anita Bryant


Em janeiro de 1977, a câmara de vereadores do município
de Dade, na Flórida, aprovou uma lei que proibia a discriminação
com base na orientação sexual. A liderança cristã do lugar se opôs
à lei, pois a enten deu como um endosso oficial ao homossexualis-

84
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

mo. Entre eles estava Anita Bryant, uma cantora e escritora de 37


anos de idade, que já fora Miss América. Pediram-lhe para liderar
a campanha para derrubar a lei municipal de Dade, e ela acei­
tou.141 Ela anunciou suas intenções e começou a reunir apoio, e a
imprensa incrementou a cobertura dos seus esforços, com boas
razões. A lei sobre os direitos dos homossexuais de D ade não era
única (leis semelhantes j á tinham sido aprovadas em outros estados),
mas foi a primeira combatida oficialmente por uma celebridade
— feminina, ainda por cima — que também era cristã, uma can­
tora com discos gravados que, além disso, fora rainha da beleza! A
matéria era irresistível.
A campanha de Anita Bryant projetou a perspectiva cristã do
homossexualismo para os holofotes nacionais, onde pôde ser exa­
minada e debatida acaloradamente. Anita foi entrevistada e co­
mentada por jornais, revistas e televisão. Em programas de e n ­
trevistas de alcance nacional ela citava versículos bíblicos e ex­
plicava sua oposição moral aos direitos dos homossexuais. Por­
ta vozes dos homossexuais reagiram, às vezes com fúria, e logo
o desafio estava lançado. Acusações e grandes exageros foram
espalhados pelos homossexuais e, infelizm ente, tam bém por
alguns cristãos.
Os homossexuais compararam Anita Bryant publicamente a
Hitler.142 Ela foi acusada de incitar à violência contra eles,143 fa­
zer com q u e perdessem seus empregos,144 e ameaçar os direitos
humanos em geral.145 Seu nome tornou-se um grito aglutinador
entre os homossexuais, um inimigo comum que os unia.
Infelizmente, à medida que líderes cristãos entravam no
debate, eles também faziam afirmações irresponsáveis. E m pro­
gramas religiosos de rádio e TV, os homossexuais muitas vezes
eram tachados de molestadores de crianças em potencial, sem
que houvesse estudos ou fatos que servissem de respaldo. Dizia-
se que eles “recrutavam” outros para o homossexualismo, que
mereciam ser presos, que eram insaciáveis em sua luxúria. Não
era suficiente simplesmente objetar ao homossexualismo; pare­
cia necessário (em muitos casos) também pintar quadros sombrios

85
A OPERAÇÃO DO ERRO

dos homossexuais. Assim o muro entre homossexuais e a igreja


conservadora foi subindo, cravejado de hostilidade e desconfian­
ça mútua.
Nada disso foi perda para o Movimento Gay Cristão que,
talvez até mais que a população homossexual em geral, via a cam­
panha de Bryant como uma afronta à sua própria identidade. Além
de condenar o homossexualismo, Anita estava usando a Bíblia —
a mesma Bíblia em q u e eles afirmavam crer — como autoridade
moral que estava por trás da sua cruzada. Ela enfatizou, talvez
mais que qualquer outra figura pública tinha feito antes, o abis­
mo que há entre ser homossexual e ser cristão. Aqueles que afir­
mavam ser as duas coisas se viram obrigados a defender sua posi­
ção. Assim, na primavera de 1977, o Movimento Gay Cristão se­
guiu a terceira palavra de ordem do movimento dos direitos dos
homossexuais: o confronto.
Não demorou a ficar claro que os líderes homossexuais cris­
tãos estavam em melhor posição para confrontar Anita que os ho­
mossexuais não religiosos, porque falavam a língua dela. Quando
ela citava versículos bíblicos, eles também podiam responder com
versículos; quando ela alegava direção divina, eles podiam fazer o
mesmo.
Para os cristãos versados na Bíblia, os argumentos religiosos
favoráveis ao homossexualismo eram fáceis de ser desmascara­
dos. Para o público em geral, porém, dos quais muitos estariam
votando em leis sobre os direitos dos homossexuais na Flórida e
em outros lugares, a abordagem cristã dos homossexuais confun­
diu a questão. Afinal de contas, se os dois lados afirmavam ser
cristãos que faziam a vontade de Deus, baseados na Bíblia, como
o cidadão comum poderia saber quem estava com a razão? Troy
Perry, ao explicar por que precisava debater na televisão com os
que apoiavam Anita, disse muito bem: “Nossos inimigos estão
abusando da linguagem da Escritura e ficando fora de si com ela.
Não estamos numa aula de moral e cívica em Miami — essa ques­
tão é religiosa! E eu falo essa língua!” 146
Apesar dos esforços consideráveis em favor dos hom os­

86
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

sexuais, em junho de 1977 os eleitores do município de Dade


rejeitaram a lei dos direitos dos homossexuais por uma margem
de 69 a 30%. Anita Bryant reivindicou a vitória para si, e com
razão. Além de ter lutado e vencido na arena pública, seu esforço
fora pioneiro. Ela assumira uma posição impopular sem p estane­
jar. Olhando para trás, poderíamos nos perguntar por que mais
cristãos não se dispuseram para opor-se ao movimento homosse­
xual com tanta coragem como ela. Ela enfrentou uma imprensa
que muitas vezes lhe foi hostil, sofreu incontáveis insultos e esta­
beleceu um novo padrão para o ativismo cristão.
A guerra pelo município de Dade, porém, estava longe de
ser vencida. Ela simplesmente se transferiu para outras cidades
por todo o país onde leis semelhantes de direitos dos homossexu­
ais estavam sendo apreciadas, debatidas e votadas. E m certo sen­
tido, a campanha de Anita Bryant foi um ponto decisivo para cris­
tãos e homossexuais.
Ela marcou uma nova consciência, por parte dos cristãos, do
homossexualismo e das exigências do movimento dos direitos dos
homossexuais. Assim como Anita tinha, como ela disse, uma ati­
tude de “viva e deixe viver” até que a lei municipal de D ade a
forçou a tomar posição, também a igreja, após a batalha de Dade,
percebeu que ocorrera uma “grande transformação” no movimen­
to homossexual: “Os grupos de ativistas homossexuais não se con­
tentavam mais em meramente serem tolerados, mas buscavam a
aceitação social e a legitimação do homossexualismo como orien­
tação sexual alternativa.” 147
“Aceitação social” incluía leis que proibissem a discrimina­
ção contra homossexuais em residências e empregos, e progra­
mas educacionais favoráveis ao homossexualismo nas escolas pú ­
blicas. Alvos como esses dificilmente podiam ser ignorados por
empresários cristãos, que compreenderam que poderiam ser pro­
cessados por não empregarem funcionários abertamente homos­
sexuais. Locadores cristãos, forçados a alugar seus imóveis para
casais homossexuais apesar das suas objeções religiosas, também
estavam preocupados. E pais de todas as religiões, antevendo seus

87
A OPERAÇÃO DO ERRO

filhos serem ensinados que o homossexualismo é “normal” , esta-


vam compreensivelmente alarmados. Assim como o município
de Dade colocara a posição cristã sobre o homossexualismo sob
os holofotes do público, tam bém expusera os propósitos dos ho­
mossexuais sob a mesma claridade. Eles também foram investi­
gados, debatidos e encarados.
Em resultado, aumentou a resistência cristã ao movimento
dos direitos dos homossexuais, em âmbito local e nacional, de
1977 em diante. In d epend ente do resultado, cada nova batalha
via os cristãos conservadores confrontando ou sendo confronta­
dos pelo Movimento Gay Cristão.
Em 1978 o governador da Califórnia, John Briggs, promoveu
uma iniciativa mal sucedida de votar uma restrição ao endosso do
homossexualismo por parte dos professores de escolas públicas.
Seu opositor principal e mais visível foi Troy Perry.148 A Dra.
Beverly L aH ay e fundou M ulheres Preocupadas da América
(CWA), uma organização impressionante de mulheres em confli­
to freq ü e n te com causas homossexuais. Mais tarde ela seria
fustigada por Mel W hite como uma das suas “personalidades
homofóbicas do rádio ou da televisão” favoritas,149 que “usa seu
próprio estigma social de homofobia” para mobilizar a CWA.150 O
Dr. Jerry Falwell organizou a Maioria Moral em 1979 para comba­
ter, entre outras coisas, os direitos dos homossexuais e o abor­
to.151 Seus embates subseqüentes, tanto com o movimento dos
direitos dos homossexuais como com o Movimento Gay Cristão,
são lendários.152
Enquanto as batalhas dos direitos dos homossexuais eram
combatidas por todo o país, representantes dos homossexuais cris­
tãos pelejavam com os conservadores em debates de televisão e
rádio. Cada programa expunha mais um pouco o ponto de vista
homossexual cristão, o que somava pontos para o movimento.
Quando a interpretação da Bíblia a favor do homossexualismo era
defendida em público, jornalistas e entrevistadores simpáticos à
causa a retomavam diante de audiências nacionais. “Isso é so­
m ente a sua interpretação desses versículos bíblicos” tornou-se

88
GUERRA: 0 MOVIMENTO DOS DIREITOS DOS HOMOSSEXUAIS

uma resposta comum de pessoas como Phil Donahue, quando


convidados conservadores explicavam nos programas suas obje-
ções ao homossexualismo baseadas na Bíblia. “Você sabe, há uma
maneira nova de entendê-los!”
Assim os homossexuais cristãos difundiram a sua filosofia,
tanto por meio dos seus materiais próprios como através dos seus
aliados nos meios de comunicação. Se o sucesso pode ser medido
por expansão e exposição, então as conquistas do Movimento Gay
Cristão entre 1970 e 1979 são inquestionáveis. D e uma popula­
ção tímida como um filhote de pássaro, ele crescera até se tornar
uma asa eloqüente e agressiva do movimento dos direitos dos
homossexuais. Esbanjando apoio da imprensa e bem relacionado
politicamente, no fim de uma década de guerras culturais ele era
uma força que tinha de ser levada em consideração.

89
5
O Movimento Gay Cristão
Atinge a Maioridade

“kgoi'a vocês entenderam. É um fênix eclesiástico que se


levanta das cinzas de Sodoma. Ele não pode ser e não
será ignorado. 0 cristão heterossexual está sendo força­
do a declarar-se e reafirmar ou descartar suas convic­
ções sobre o que a Escritura ensina. ”
Dr. Paul Morris, em “Shadow of
Sodom”

Ê j ' 9 m 1980 já havia um conjunto identificável de


jMmm trabalho, de fontes variadas, que promovia a te­
ologia favorável ao homossexualismo. Pelo menos nove livros, a
maioria publicada por editoras importantes, estavam no merca­
do,153 e reportagens e artigos debatiam sem descanso a posição
favorável aos homossexuais. A população homossexual também
era fácil de identificar, dentro e fora das principais denom ina­
ções. Congressos de homossexuais se multiplicavam nas igrejas
tradicionais, enquanto grupos mais novos como a Metropolitan
C ommunity Church, Evangelicals C oncerned154 e igrejas inde­
pendentes de homossexuais continuavam a expandir-se.
Com a expansão veio a força e, ainda mais importante, o p o ­

91
A OPERAÇÃO DO ERRO

der de persuasão. Até então o movimento dos direitos dos ho­


mossexuais e o Movimento Gay Cristão tinham influenciado a
política dos governos local e federal, a educação,155 os meios de
comunicação156 e, é claro, a Associação Americana de Psiquiatria.
Igrejas de tendência mais liberal também foram influenciadas na
direção de uma posição favorável aos homossexuais. Troy Perry,
ao explicar a facilidade com que as igrejas liberais aceitaram suas
convicções, fez uma constatação interessante: “E u sabia que te­
ria poucos problemas, talvez nenhum, com as chamadas igrejas
liberais. Igrejas liberais geralmente não se aprofundam muito na
Escritura.” 157
Todavia, o último baluarte, a igreja conservadora, continuou,
e continua, im une à persuasão dos homossexuais pela razão opos­
ta: igrejas conservadoras aprofundam-sç, na Escritura! Para con­
vencer os cristãos conservadores q u e D eus concorda com o
homossexualismo, o Movimento Gay Cristão precisava refutar,
nos termos conservadores, a posição bíblica tradicional. Ignorar a
Bíblia dificilmente seria aceitável; atacar sua autoridade seria ainda
pior. Para que o Movimento Gay Cristão pudesse convencer seus
críticos mais duros, precisava afirmar a Bíblia como autoridade
fundamental e provar que essa autoridade fundamental não con­
dena a conduta homossexual.
O movimento ainda não tinha conseguido isso. Os escritos
de Troy Perry, apesar de estarem cheios de histórias interessantes
que apelavam às emoções, em termos doutrinários eram fracos.158
Scanzoni e M ollenkott gastaram nove capítulos do seu livro Isthe
homosexual my neighbor? estudando a psicologia, sociologia, m edi­
cina e os testemunhos pessoais de homossexuais que tentaram
mudar mas “não puderam ” , mas dedicaram somente um capítulo
à “defesa” bíblica do homossexualismo. O livro Jonathan loved
David' de Tom Horner, concentrou-se em cultura e história, d e ­
pois cedeu um espaço curto para preocupações bíblicas, e adm i­
tiu que o apóstolo Paulo muito provavelmente “não deve ter vis­
to com bons olhos” o comportamento homossexual.159
Com essa sua base bíblica incerta, o crescimento do Movi­

92
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

mento Gay Cristão de 1969 a 1979 é impressionante, ainda mais


levando em conta que muitos dos seus membros vinham de igre­
jas conservadoras onde lhes fora ensinado o respeito pela Bíblia.
Todavia, seus primeiros escritos mostram, em vez de uma posi­
ção bíblica bem elaborada, uma resolução costurada que poderia
ser parafraseada assim:
Considerando que temos sido maltratados e mal-entendidos,
considerando que muitos desses maus tratos vieram de pes­
soas cristãs, considerando que tentamos resistir aos nossos
desejos homossexuais e não conseguimos, considerando que
os psicólogos nos consideram normais, e considerando que
sabemos que Deus nos ama e que queremos continuar em
comunhão com ele, está resolvido que D eus não condena o
homossexualismo.

Isso pode ter sido suficiente para cristãos liberais e simpati­


zantes dos homossexuais, mas cristãos conservadores jamais iri-
am engoli-lo. Assim, restava ao Movimento Gay Cristão ignorar
os conservadores ou combatê-los (as duas coisas eles certamentefize­
ram) ou, melhor ainda, enfrentá-los em seu próprio terreno com
argumentos com base bíblica.
Esses argumentos serviriam a três propósitos. Primeiro, pro­
veriam munição para a guerra crescente que os homossexuais es-
tavam conduzindo com grupos como a Maioria Moral de Jerry
Falwell. As organizações religiosas conservadoras estavam influ­
enciando as políticas públicas; estavam incentivando seus repre­
sentantes a combater os “direitos dos homossexuais” no terreno
da Bíblia. Se o Movimento Gay Cristão pudesse mostrar que sua
base tam bém era bíblica, os cristãos conservadores poderiam per­
der credibilidade na m ente do público.
Segundo, argumentos bíblicos persuasivos poderia esclare­
cer quaisquer dúvidas que alguns homossexuais cristãos pud es­
se m ter, e in c e n tiv a r o u tro s c ristão s e m lu ta com o
homossexualismo a aceitá-lo como dom e juntar-se às fileiras dos
homossexuais cristãos.
Por último, isso poderia conquistar alguns cristãos heteros­
sexuais conservadores para o lado homossexual, transformando-

93
A OPERAÇÃO DO ERRO

os em aliados valiosos. O jurista e professor F. LaGard Smith re­


conhece a importância disso quando escreve: “Os homossexuais
reconhecem que precisam usar toda a Bíblia se quiserem ter al­
guma chance de convencer a nós — ou a si mesmos — de que a
conduta homossexual agrada a Deus. E uma tarefa tremenda, mas
eles a atacaram com confiança.160
Essa confiança foi reforçada radicalmente em setembro de
1981, quando a defesa mais impressionante do Movimento Gay
Cristão foi colocada à venda nas livrarias de todo o país.

O Professor John Boswell


Christianity, socialtolerance andhomosexuality, de John Boswell,
é para o Movimento Gay Cristão o que A cabana do pa i Tomás foi
para os abolicionistas — um ponto de referência, o texto autoriza­
do, uma inspiração. E só pegar qualquer livro religioso a favor do
homossexualismo escrito depois de 1981, ou ouvir um debate
sobre o homossexualismo e a Bíblia, e é provável que as citações

a Boswell serão abundantes. E inquestionável que essa é a apolo­


gia mais abrangente de uma perspectiva revista dos versículos
bíblicos, nos dois Testamentos, que fazem referência ao homos­
sexualismo. Enquanto ninguém ainda apresentou uma argumen­
tação bíblica convincente favorável aos homossexuais, a do Dr.
Boswell é o esforço mais forte até o momento.
Enquanto foi professor de História na Universidade de Yale,
Boswell passou dez anos revendo sua defesa de 434 páginas da
versão favorável aos homossexuais. Christianity, social tolerance and
homosexuality apresenta dois argumentos principais: 1) A igreja não
desaprovou sempre o homossexualismo; e 2) Os versículos bíbli­
cos que alegadamente condenam o relacionamento homossexual
na verdade não se referem ao homossexualismo, mas a várias ou­
tras formas de imoralidade (Essas afirmações serão estudadas com
mais vagar no capítulo 11.).
Para fundamentar a primeira afirmação, Boswell pesquisou
e apresentou material abundante da Idade Média, argumentando
que a intolerância daquela época em relação a minorias im popu­

94
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

lares (o que incluía os homossexuaisj é que deu início à “tradição”


cristã de condenar o homossexualismo. Para provar sua segunda
afirmação, ele se voltou para o texto original dos versículos em
Gênesis, Levítico, Romanos, 1 Coríntios e 1 Tim óteo que tradi­
cionalmente se e n tend eu que condenam o homossexualismo. Ali
ele tenta provar que cada versículo foi mal traduzido ou mal-en-
tendido nos tempos modernos.
A tática de Boswell foi brilhante. Logo no começo do seu
livro ele desmonta a confiança do leitor na sua capacidade para
entender a Bíblia — um passo inicial importante, já que qualquer
pessoa que lê a Bíblia de capa a capa, sem preconceitos, concluirá
que ela condena o homossexualismo. Depois ele passa a um pas­
seio esclarecedor (e muito interessante) por textos antigos sobre se­
xualidade, leis civis, poesia e religião, sempre na tentativa de nos
convencer que os primeiros escritores cristãos não tinham a m es­
ma preocupação com o homossexualismo como nós hoje em dia.
Por fim, ele estuda os versículos mencionados acima, derru­
bando-os em sua língua original e colocando-os no contexto his­
tórico. Aqui Boswell fascina com toda sua habilidade. Ele afirma
que en tend e a linguagem de Moisés e Paulo — o que eles real­
mente queriam dizer — e vira as convicções tradicionais do aves­
so, transformando referências simples ao homossexualismo em
descrições de estupro, falta de hospitalidade, impureza ritual ou
prostituição masculina. O leitor, que muito provavelmente não
está familiarizado com grego ou hebraico, fica de boca aberta.
Quando as credenciais de um escritor são longas e impressi­
onantes e seu conceito acadêmico é elevado, suas conclusões po­
dem ser engolidas por inteiro pelo público e a mídia. Isso vale
especialmente para “especialistas” que contribuem para o deba­
te homossexual. O mito de Kinsey, de que “ 10% da população
são homossexuais” , foi aceito e repetido durante décadas antes
de ser questionado seriamente e derrubado por ser falso. O estu­
do do Dr. Simon LeVay em 1991 sobre o hipotálamo, que su­
p o s ta m e n te prova q u e o ho m ossexu alism o é g en ético , foi
abocanhado pela imprensa e continua a ser citado como “prova”

95
A OPERAÇÃO DO ERRO

de que os homossexuais nascem assim, apesar de o próprio LeVay


negar que alguma vez tenha provado algo assim. E, é claro, se a
Associação Americana de Psiquiatria decidiu que o homossexualis­
mo é normal, quem somos nós, leigos comuns, para discordar?161
O mesmo ocorre com Boswell. Suas credenciais eram de pri­
meira, e ninguém que lê seu livro pode negar seu tom erudito (De
fato, j á estive em debates em que meus opositores homossexuais tiraram
do bolso seu exemplar de Boswell e apontaram com confiança para suas
credenciais como prova de que devemos aceitar suas conclusões.).^1
Contudo, credenciais e tom erudito não provam necessariamente
a verdade. Antes de aceitarmos as conclusões de Boswell sobre o
homossexualismo e a Bíblia, algumas questões sobre ele e seu
trabalho precisam ser levantadas.
Em primeiro lugar, Boswell era homossexual163 (Ele morreu
de A ID S em 1994.). Isso por si só não o desqualifica para escrever
sobre o assunto, mas seu interesse na questão não pode ser igno­
rado. Ele admite isso, talvez sem perceber, ao abrir seu livro di­
zendo: “Não importa o quanto os historiadores e seus leitores
queiram evitar contaminar seu entendim ento do passado com os
valores do presente, eles não podem ignorar que é inevitável que
tanto o escritor como o leitor sejam afetados por [suas] pressupo­
sições e convicções.” 164
Boswell tam bém não era, como mostra a professora Elodie
Ballantine Emig em sua excelente série de artigos sobre Boswell
e a teologia favorável ao homossexualismo, “nem um lingüista
nem um especialista em literatura, mas um historiador.” 165 E cla­
ro que um historiador pode escrever sobre idiomas, mas deve ser
lembrado que vai fazê-lo como historiador, não como lingüista.
Além disso, apesar de escrever com respeito genuíno pela
Bíblia como documento, ele tinha idéias incomuns quanto ao seu
propósito. Sobre o Novo Testamento, por exemplo, ele escreveu:
Em termos gerais, som ente as questões morais mais premen­
tes são tratadas por seus autores. Detalhes da vida são m en­
cionados apenas para ilustrar assuntos mais amplos. Não há
um esforço para elaborar uma ética social abrangente: Jesus

96
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

e seus seguidores sim plesm ente respondiam a situações e


questões que exigiam sua atenção imediata.166

A perspectiva de Boswell faz a Bíblia parecer quase incidental


— um livro bom mas incompleto, inadequado para dar respostas
para as questões importantes da vida. Compare isso com a afirma­
ção de Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na jus­
tiça, a fim de q ue o homem de Deus seja perfeito e perfeitam en­
te habilitado para toda boa obra” (2 T m 3.17).
A falta de confiança de Boswell na capacidade da Bíblia de,
por si só, fornecer uma “ética sexual abrangente” ou tratar de ques­
tões fundamentais (não só “prementes”) dá aos leitores uma saída
conveniente: se a Bíblia não trata suficientemente da sexualida­
de, então é necessário buscar orientação sobre essa área em outro
lugar. E “outro lugar” inclui sem dúvida as disciplinas de saúde
mental e sociologia, que têm uma posição bem mais amistosa em
relação ao homossexualismo do que a Bíblia.
N e n h u m a destas preocupações im pediu q u e o livro de
Boswell fosse amplamente celebrado quando foi publicado. Foi
saudado pelos críticos literários como “pioneiro” , “revolucioná­
rio”, “impressionante”, e chegou a ganhar o Prêmio Americano
do Livro no quesito História. Mais significativo é que ele se tor­
nou uma âncora para o Movimento Gay Cristão. Finalmente, sua
perspectiva tinha sido validada nos termos que eles entendiam
como bíblicos conservadores. Cada versículo que se referia ao
homossexualismo tinha sido explicado em sua língua e contexto
original, e nenhum cristão fundamentalista poderia negar que essa
era a melhor maneira de interpretar a Escritura (No capítulo 10
examinaremos as interpretações de Boswell mais de perto.). Além dis­
so, esses versículos tinham sido explicados com argumentos que
pareciam ser incontestáveis, com erudição e uma apresentação
até um pouco intimidadora. N inguém os melhorou depois disso,
apesar de servirem de base para escritores posteriores favoráveis
aos homossexuais, como Robin Scroggs, Bruce Bowrer e Andrew
Sullivan, do New Republic.

97
A OPERAÇÃO DO ERRO

Mas se Boswell foi aplaudido por homossexuais e jornalis­


tas, ele foi ignorado quase totalmente pela igreja conservadora.
Material homossexual cristão não tinha mesmo muita chance de
entrar em bibliotecas de pastores conservadores, e dificilmente
apareceria uma resenha em revistas como Christianity Today e
Moody Monthly. D e fato, Boswell e a teologia favorável ao
homossexualismo permaneceram praticamente desconhecidos
para os conservadores por quase uma década.
Seus argumentos, porém, começaram a despontar em d eba­
tes com as denominações mais importantes, forçando os conser­
vadores desses círculos a analisar e responder às suas afirmações.
S o m e n te m ais ta rd e , q u a n d o a te o lo g ia fa v o rá v el ao
h o m o s s e x u a lis m o c o m e ç o u a a p a r e c e r e m d e b a t e s com
fundamentalistas e tradicionais é que ela começou a ser levada a
sério por esses grupos (Até onde eu sei, na verdade somente dois auto­
res conservadores dedicaram um livro inteiro para refutá-la;>(}1 ambos
foram publicados em 1995, uns catorze anos depois de Boswell!)
Até hoje, Christianity, social tolerance andhomosexuality ainda
é uma fonte básica para o Movimento Gay Cristão.

O Homossexualismo e o
Conselho Nacional de Igrejas
Armado com uma base teológica mais forte, o Movimento
Gay Cristão procurou obter voz no âmbito da comunidade cristã
mais ampla. O esforço mais notável durante os anos 80 e início
dos 90 foi a tentativa da Associação Universal da Metropolitan
Community Church (U FM C C ) de filiar-se ao Conselho Nacio­
nal de Igrejas (NCC).
No dia 9 de setembro de 1981 a U FM C C solicitou a admis­
são como membro no Conselho Nacional de Igrejas de Cristo nos
EUA, de linha ecumênica. A intensidade da controvérsia levan­
tada pela filiação de uma denominação a favor do homossexualis­
mo no N C C pode ser medida pela reação pública do N C C ao
ouvir das intenções da U FM C C pela imprensa. Antes até de a

98
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

U FM C C protocolar seu pedido, o N C C lhe respondeu, tam bém


pela imprensa, que qualquer tentativa de filiar-se à organização
seria “burrice im pertinente”.168
Sem se intimidar, a U FM C C solicitou oficialmente a sua ad­
missão. Sua intenção, de acordo com Troy Perry, era dupla. Pri­
meiro, eles queriam a solidariedade de outros cristãos diante da
hostilidade de crentes conservadores e de homossexuais que
antagonizavam qualquer igreja, mesmo uma homossexual. Segun­
do, eles queriam contribuir com o que Perry chama de “nova re­
alidade” com o Conselho Nacional de Igrejas: “Oferecemos uma
compreensão mais ampla e inclusiva da sexualidade, e a oportu­
nidade de reconsiderar suas idéias sobre religião, amor e sexo.” I<w
Considerando a reputação liberal que o Conselho Nacional
de Igrejas já tinha, Perry e a U FM C C sabiam dos problemas de
relações públicas q ue teriam se até o N C C os rejeitasse. Por isso
insistiram, encarando sua identificação com outras denominações
como “parte do processo de cura” .17(1
Durante dois anos, representantes da Metropolitan C om m u­
nity C hurch participaram de longas discussões com o N C C
e x plicando seus pontos de vista sobre hom ossexualism o e
questões relacionadas. Chegaram a realizar um culto ecumênico
para os membros do N C C no primeiro semestre de 1983.
No segundo semestre daquele ano, o N C C, depois de anos
de deliberações e reuniões carregadas de emoção, decidiu adiar
por tempo indeterminado quaisquer planos de aceitar a U FM C C
como membro. Naturalm ente isso foi um desapontamento para a
U FM C C, mas o tempo que o Conselho Nacional de Igrejas dedi­
cou para examinar sua solicitação, e os amigos que conquistou
durante o processo, foram uma vitória em si. A luta para filiar-se
ao N C C mostrou até onde o Movimento Gay Cristão tinha che­
gado, e quanto ainda lhe faltava alcançar.

Agressão Crescente
Enquanto o M ovimento Gay Cristão continuou conquistan­
do aliados em igrejas e círculos seculares, seguia tam bém as te n ­

99
A OPERAÇÃO DO ERRO

dências do movimento mais amplo dos direitos dos homossexu­


ais. D entre essas, a mais perceptível, de meados da década de 80
até o começo da de 90, foi a agressão.
A epidemia de AIDS, em plena expansão em meados da
década de 80, alimentou uma forma estridente de ativismo ho­
mossexual. Grupos como “AIDS Coalition to Unleash Power”
(ACT UP, Coalização para Liberar Poder), Nação Homossexual e
as Vingadoras Lésbicas captaram a atenção do público promo­
vendo demonstrações turbulentas e invadindo igrejas e organiza­
ções que consideravam “inimigas”.
O Movimento Gay Cristão não demorou a desenvolver seu
próprio estilo de agressão. Fundamentais à sua identidade eram
duas convicções: o homossexualismo não é contrário à Bíblia, e os
homossexuais não conseguem mudar, mesmo que queiram.
A razão para a primeira convicção é óbvia: o movimento não
poderia reivindicar legitimidade se não insistisse que era biblica-
m ente legítimo. A necessidade da segunda convicção era menos
óbvia, mas crucial.
Uma convicção inarredável entre os cristãos conservadores é
que os homossexuais, como todos os pecadores, precisam se arre­
pender. Depois de se arrependerem do seu pecado, Cristo os ca­
pacitará, por sua graça, para levar uma vida correta, sem voltar às
práticas homossexuais. Era — e é — vital para o sucesso do Movi­
mento Gay Cristão que convença a todos, em especial seus críti­
cos, que não é possível simplesmente arrepender-se do homosse­
xualismo, assim como não se pode mudar sexo ou cor da pele.
Se os testemunhos dos membros do Movimento Gay Cris­
tão fossem os únicos que a igreja conservadora ouvisse, eles (tal­
vez) teriam mais sucesso em convencer a igreja que sua orienta­
ção sexual é imutável. Para seu desalento, porém, outros teste­
munhos também estavam sendo ouvidos de ex-homossexuais.
A Exodus International, uma frente de ministérios dedica­
dos a ajudar as pessoas a vencer o homossexualismo, por mais de
duas décadas estivera proclamando uma mensagem diretamente
oposta ao M ovimento Gay Cristão: que o homossexualismo é um

100
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

pecado e que Cristo podia libertar o homossexual. N enh um a


mensagem podia ser mais intolerável para o Movimento Gay Cris­
tão, e em meados dos anos 80 eles decidiram que ela tinha de ser
silenciada.
Em 1989, a pastora Sylvia Pennington, cuja carreira era
dedicada a garantir aos homossexuais cristãos que sua conduta
era aceitável a Deus, publicou sua análise mordaz do “movimen­
to de ex-homossexuais” , com o título Ex-gays? There ane nane!
Pennington compilou histórias de mulheres e homens que tinham
tentado mudar de homossexual para heterossexual (com ajuda de
Exodus e outros ministérios similares), e argumentou que qualquer
um que tentasse “andar direito” estava destinado ao fracasso. Seu
livro, o primeiro ataque pesado publicado contra os ministérios
de Exodus, foi um desafio do Movimento Gay Cristão a qualquer
cristão que afirmasse ter vencido o homossexualismo. Os debates
entre “homossexuais cristãos” e “ex-homossexuais” logo se tor­
naram comuns em programas de entrevistas e na imprensa.
A agressão do Movimento Gay Cristão encontrou uma plata­
forma ainda mais ampla quando, em 1993, os produtores Teodoro
Maniaci e Francine Rzenik filmaram um documentário de 90 mi­
nutos sobre Exodus International com o título One nation under
God. O filme estreou no Festival de Cinema de Homens e M u­
lheres Homossexuais em 1993 e trazia entrevistas com cristãos
homossexuais que, depois de fazerem tentativas com ministérios
com “ e x - h o m o s s e x u a is ” , agora se viam em p o siçã o de
“desmascará-los” . A maior parte do filme concentra-se nas críti­
cas deles, tentando provar, só com o peso dos testemunhos e da
emoção, que nenhum homossexual jamais poderá ser outra coisa.
E m 1994 o canal PBS julgou o filme digno de projeção nacional
em sua série de “Pontos de Vista”. Pela primeira vez, todos os
Estados Unidos eram expostos aos argumentos de homossexuais
cristãos que zombavam da idéia de que alguém poderia mudar
sua orientação sexual, mesmo que por Cristo.
N aquele mesmo ano, Mel White chocou tanto a comunida­
de cristã como a secular com sua revelação de ser homossexual e

101
A OPERAÇÃO DO ERRO

cristão. O pastor White, já famoso como escritor e produtor de


filmes cristão, publicou Stranger a t thegate, um relato autobiográ­
fico das suas tentativas de vencer o homossexualismo enquanto
trabalhava escrevendo os discursos de pessoas de destaque como
Jerry Falwell, Billy Graham e Oliver North.
O Movimento Gay Cristão nunca tivera um porta-voz com
credenciais conservadoras tão importante como Mel White. Sua
ligação anterior com o que ele agora ridiculariza como “Direita
Religiosa” aumenta sua credibilidade ao atacar seus antigos em ­
pregadores por sua “homofobia” . E se ele — um antigo pastor,
conferencista e colega de alguns dos líderes cristãos mais influ­
entes do país — foi incapaz de derrotar seu homossexualismo
depois de anos de esforço e psicoterapia, como (pergunta o M ovi­
mento Gay Cristão) se espera que alguém outro o consiga?
As duas principais mensagens de Mel White são declaradas
tanto em seu livro como em suas aparições em público: a Direita
Religiosa é homofóbica e precisa ser detida, e qualquer um que
promova a idéia de que o homossexualismo pode ser vencido pre­
cisa ser silenciado.
A posição de White — tanto a antiga como a de agora, como
pastor titular de uma das maiores igrejas de homossexuais do país —
lhe dá acesso a figuras do topo da imprensa de hoje, e ele usa isso
com desenvoltura. Praticamente todos os grandes programas de en­
trevistas e notícias lhe deram as boas vindas, fazendo dele o repre­
sentante mais visível e influente do Movimento Gay Cristão.

Atingindo a Maioridade
A maioridade do movimento dos direitos dos homossexuais pode
ser vista em suas exigências progressivas, exigências essas que evo­
luíram, em conteúdo e insistência, com o passar das décadas:
1) “Somos seres humanos; tratem-nos de modo justo” (1950-
1969);
2) “Somos normais e tão bons como qualquer outra pessoa”
(1969-1979);

102
0 MOVIMENTO GAY CRISTÃO ATINGE A MAIORIDADE

3) “Não toleramos nenhum a oposição pública ao nosso pon­


to de vista” (1979 até o presente).
Gomo sempre, as mensagens do Movimento Gay Cristão se­
guem de perto:
1) “Deus também nos ama” (1969-1976);
2) “Deus não só nos ama, mas tam bém concorda que seja­
mos homossexuais” (1976-1979);
3) “Qualquer pessoa que diga que não podemos ser homos­
sexuais e cristãos precisa ser silenciada” (1980 até o presente).
Até aqui revimos os eventos que levaram à expansão do M o­
vimento Gay Cristão, e como a igreja reagiu a ele. Agora será útil
examinar a própria teologia favorável ao homossexualismo, e com­
preender como e por que as pessoas chegaram a aceitá-la.

1 03
6
A Teologia Favorável ao
Homossexualismo

“É po r este motivo, pois, que Deus lhes manda a opera­


ção do erro, para darem crédito à mentira. ”
2 Tessalonicenses 2.11

essa altura o leitor deve ter uma compreensão


Mi M i geral de como surgiram o movimento dos direi­
tos dos homossexuais e o Movimento Gay Cristão. A pergunta
mais abrangente precisa ser feita agora: no que exatamente crê o
Movimento Gay Cristão, e como os defensores do movimento pas­
saram a crer nisso?
Nos capítulos a seguir tentarei responder de modo mais com­
pleto a primeira pergunta — o que, francamente, será muito mais
fácil do q u e responder a segunda. Explicar em que um grupo crê
não é difícil. Explicar como vieram a crer nisso é outra questão.
Não podemos ler as mentes ou as motivações das pessoas.
Tenho certeza de que essa é uma das razões por que Jesus nos
advertiu para não julgarmos os outros (Mt 7.1). A não ser que nos
tenha sido concedida uma visão divina das motivações de uma
pessoa (como Pedro em Atos 8.20-23), não podemos dizer com cer­
teza por q u e alguém adota ensinos falsos. Podemos ter certeza de

1 05
A OPERAÇÃO DO ERRO

que os ensinos em si são falsos; por que as pessoas os aceitaram é


algo que não podemos provar de jeito nenhum.
Mesmo assim, a Bíblia nos dá alguns indícios nessa questão.
Os testemunhos de membros do Movimento Gay Cristão tam­
bém são esclarecedores. Essas duas coisas serão consideradas neste
capítulo em que tentamos entender no que crê o Movimento Gay
Cristão e quais fatores pessoais e espirituais podem ter influenci­
ado aqueles que têm essas convicções.

Um Resumo da Teologia Favorável ao


Homossexualismo
A teologia favorável ao homossexualismo é a pedra angular
do Movimento Gay Cristão, assim como os credos de Atanásio e
Nicéia são o alicerce da maioria das confissões protestantes.171 O
movimento é diversificado; alguns dos seus porta-vozes, como
Robert Williams, o bispo Song e Jane Spahr divulgam idéias ex­
travagantes e abertam ente heréticas. Todavia, a maioria dos gru­
pos dentro do Movimento Gay Cristão segue ostensivamente a
teologia tradicional (A “Declaração de Fé” da UFMCC, por exemplo,
está baseado nos credos de Atanásio e Nicéia.).m
Discuta o cristianismo básico com um membro do M ovimen­
to Gay Cristão, e vocês estarão de acordo em muitos pontos: a
Divindade, a obra de Cristo, a inerrância da Bíblia, o julgamento
final e assim por diante. Essa é uma das razões por que a teologia
favorável ao homossexualismo é tão sedutora. Como muitas h e ­
resias, ela contém grandes porções de verdade.
No entanto, em conversas com representantes dos homos­
sexuais, tanto como alguém que antigamente apoiou o Movimento
Gay Cristão como alguém que agora se apõe a ele, constatei que
continuam acontecendo desvios da sã doutrina. O primeiro tem a
ver com a autoridade da Bíblia. Os líderes homossexuais cristãos
são rápidos para dizer que crêem nela, mas às vezes sua definição
do que ela é pode ser perturbadora.
A afirmação de Troy Perry de que “a informação científica,
as alterações sociais e a experiência pessoal são as maiores forças

106
A TEOLOGIA FAVORÁVEL AO HOMOSSEXUALISMO

de mudança na maneira que interpretamos a Bíblia” 173 é inquie-


tante. Mudanças sociais e experiências pessoais são irrelevantes
para a verdade; Jesus Cristo, que é o mesmo ontem, hoje e para
sempre (Hb 13.8), não ficou conhecido por seguir tendências so­
ciais. A observação de Boswell de que a Bíblia não é apropriada
para dar respostas para os problemas da vida (como também j á fo i
mencionado) igualmente trai uma ambigüidade quanto à autorida­
de da Bíblia.
Descobri que essa ambigüidade é bastante comum. D uran­
te um debate no rádio, um pastor da U FM C C, perguntado sobre
como discernia a verdade divina, disse que se baseava em três
fontes, de igual autoridade: a Bíblia, o testem unho do seu cora­
ção e o testem unho da sua comunidade. Eu respondi que não
tinha essa confiança nem no meu coração nem na minha comuni­
dade — a Bíblia é a autoridade final em todos os assuntos.
E m outro debate em uma igreja presbiteriana na cidade de
Washington, eu fui inquirido pelo representante local da Comis­
são Presbiteriana de Lésbicas e Gays: “Você continua falando da
Bíblia. Eu quero saber o que você acha do Espírito Santo!” Eu
acho que o Espírito Santo é maravilhoso e foi o que eu disse. Mas
eu tam bém disse que, em questões de doutrina, eu não podia
confiar na minha capacidade de discernir a voz do Espírito. Argu­
m entei que foi exatamente por isso que Deus nos deu um padrão
por escrito (que fo i inspirado pelo Espírito): assim não precisamos
ficar em dúvida quanto ao que ele quer.
M eu opositor discordou e tenho certeza que ali estava nossa
principal diferença. Ele achava que questões como sexualidade
podiam ser decididas pelo que a pessoa pensa subjetivamente
que o Espírito está lhe dizendo; eu contrapus que temos de de­
p ender objetivamente só da Palavra escrita.
Outro problema sério que o Movimento Gay Cristão enfren­
ta tem a ver com a ética sexual. A igreja tem diretrizes claras para
a conduta sexual: o relacionamento antes do casamento é proibi­
do, o casamento deve ser monógamo e o divórcio somente é per-
missível em caso de vida imoral ou abandono por um cônjuge

107
A OPERAÇÃO DO ERRO

descrente.
Enquanto estive ligado à igreja homossexual, não fazíamos
virtualmente nen hu m esforço por seguir esses padrões. Entre
homens homossexuais (religiosos ou não) nunca se ouviu falar em
esperar até um casamento (ou “cerimônia de união ”, como o chamá­
vamos), para ter relações sexuais. N a verdade, relações sexuais
dias ou até horas antes das reuniões não eram raras e, na minha
experiências, elas nunca foram criticadas do púlpito.
A monogamia, apesar de geralmente colocada como um ide­
al, raramente (até onde eu sei) era seguida. E a dissolução de um
relacionamento requeria muito menos que abandono ou adulté­
rio. A maioria dos casais que eu conheci se separava por causa de
incompatibilidade, ou do interesse de um dos parceiros em um
terceiro partido.
N aturalm ente problemas como esses são comuns em todas
as igrejas, mas a maioria das igrejas pelo menos segue o padrão de
castidade antes do casamento e de monogamia durante. As coisas
podem ter m udado desde o início da epidemia de AIDS, mas eu
não vi esses padrões serem defendidos com consistência no M o­
vimento Gay Cristão.
Mesmo assim o movimento afirma ter uma base teológica
conservadora e, na maioria das igrejas de homossexuais, eu cons­
tatei que isso é verdade. Entretanto, alguns acréscimos foram fei­
tos à declaração básica de fé — acréscimos vitais à teologia favo­
rável ao homossexualismo.
E m primeiro lugar, o homossexualismo é encarado como or­
denado por Deus. N esse sentido, ele está em nível de igualdade
com o heterossexualismo. Mel W hite destaca, de modo acurado,
q ue, “se você não vê essa prem issa [de q u e D e u s criou o
homossexualismo], então o casamento de homossexuais é ridícu­
lo, se não loucura.” 174
Todavia, para poder ser considerado como criação de Deus,
o conceito tradicional de homossexualismo precisa ser desacredi­
tado. Isso é feito basicamente de quatro maneiras dentro do M o­
vimento Gay Cristão.

1 08
A TEOLOGIA FAVORÁVEL AO HOMOSSEXUALISMO

Primeiro, o preconceito contra os homossexuais é culpado


pela interpretação que a maioria dos cristãos faz das referências
bíblicas a ele. John Boswell enfatiza essa ponto em todo seu livro
Christianity, social tolerance and homosexuality. Troy Perry também
repete esse item no começo do seu livro: “Para poder condenar
os homossexuais, muitas denominações intencionalmente leram
errado e interpretaram mal suas Bíblias, para poder satisfazer suas
preferências pessoais.” 173 Portanto, de acordo com Perry e ou­
tros, além de a maioria dos cristãos estar errada quando ao homos­
sexualismo, muitos estão intencionalmente errados, vendo delibera­
dam ente seu preconceito contra os homossexuais na Bíblia.
Mel White vai ainda mais longe, afirmando que os princi­
pais líderes da comunidade cristã — Jerry Falwell, James Kennedy
e Pat Robertson — tomam posição pública contra o movimento
dos direitos dos homossexuais para arrecadar fundos e aumentar
sua exposição na mídia.176 Lançar dúvidas sobre os motivos dos
líderes conservadores e numerosas denominações torna mais fá­
cil desfazer das suas objeções bíblicas ao homossexualismo. Não
é de admirar que essa tática seja tão comum no Movimento Gay
Cristão.
Outros dentro do movimento afirmam que as passagens que
entendem os que condenam o homossexualismo, na verdade fo­
ram mal traduzidas. Wainwright Churchill e Roger Biery insis­
tem nisso; Boswell, naturalmente, se detém consideravelmente
nisso. Assim, de acordo com esse ponto de vista, a Bíblia deve ser
tomada literalmente, em sua língua original, o problema com a
maioria dos cristãos, dizem eles, é que eles não conhecem sufici­
ente do grego e hebraico bíblicos para entender que nossas tra­
duções modernas sobre homossexualismo estão todas erradas.
Outra afirmação que os teóricos favoráveis ao homossexualis­
mo tê m feito é q u e os v e rsícu lo s q u e p a re c e m p ro ib ir o
homossexualismo (Lv 18.22; 20.13; Rm 1.26-27; 1 Co 6.9-10; 1
T m 1.9-10) na verdade foram tirados do contexto do seu sentido
original. Ou, como indicam Boswell, Perry e Scroogs, só se aplica­
vam à cultura que existia quando foram escritos (Scroogs, p o r exem-

109
A OPERAÇÃO DO ERRO

pio, afirma que “o julgamento bíblico sobre o homossexualismo não é


relevante para o debate hoje em dia. ”).177
Esses argumentos não convencem a maioria dos cristãos que
crêem na Bíblia. As passagens mencionadas acima são tão claras e
específicas que desafiam interpretações erradas de qualquer tipo.
“Com hom em não te deitarás, como se fosse m ulher” é tão claro
como “Não matarás” . E intelectualmente desonesto dizer que os
conservadores “interpretam” esses versículos a partir do seu pre­
conceito contra homossexuais. Esses mesmos conservadores
“preconceituosos” (Falwell, Kennedy, Robertson e outros) também
e n ten d e m bem literalmente os versículos contra pecados h e te ­
rossexuais. Se proíbem somente o homossexualismo por causa do
seu preconceito, por que será que eles, como heterossexuais, con­
denam também pecados heterossexuais? O argumento não faz
sentido.
O argumento da “tradução errada” também não faz sentido.
Podemos admitir que há discrepâncias em questões menores da
tradução. Em algo tão importante como a ética sexual, porém,
devemos realmente acreditar que os tradutores da Bíblia em que
nos baseamos conseguiram errar em cinco ocasiões diferentes, em
dois Testamentos diferentes? E somente nas passagens que fazem
referência ao homossexualismo? (Os defensores do homossexualismo
parecem não terproblemas com os versículos que condenam pecados como
adultério e abuso infantil.)
Igualmente difícil de engolir é o argumento “fora do contex­
to” . Na verdade, em Levítico, Romanos, 1 Coríntios e 1 T im ó ­
teo, o homossexualismo é mencionado no contexto de conduta sexu­
a l e imoral! O contexto é bem claro — vários tipos de conduta são
proibidos; o homossexualismo, junto com adultério, relações se­
xuais antes do casamento e idolatria, é um deles.
O argumento “cultural” não se sai melhor. Em alguns casos,
um versículo pode estar determinado pela cultura (Como exemplos
podemos citar prescrições contra o cabelo comprido nos homens, ou mu­
lheres falando com seus maridos durante o culto.). Mas, novamente
— cinco vezes? Cinco textos diferentes, dos dois Testamentos, diri­

110
A TEOLOGIA FAVORÁVEL AO HOMOSSEXUALISMO

gidos a culturas totalmente diferentes (entre as quais a hebraica e a


romana), obviamente não depend em da cultura. As culturas às
quais esses textos estão dirigidos são diferentes demais.
Tudo isso deixa os conservadores altamente céticos diante
da alegação do Movimento Gay Cristão de respeitar a autoridade
da Bíblia. E preciso fazer ginástica mental para aceitar esses argu­
mentos, e quem não tem motivos para aceitá-los dificilmente o
fará.
Aqueles, porém, que têm um interesse pessoal na teologia
favorável ao homossexualismo são outra questão. Decidir crer no
que você quer crer (como eu fiz) é o primeiro passo. O próximo é
fazer a Bíblia concordar com você. Isso não é nenhum a novidade;
as pessoas têm feito isso há muito tempo.
Vinte anos atrás, por exemplo, eu fui informado por um cris­
tão bastante liberal que fumar maconha era permissível e, até,
bíblico.
— D e onde você tirou uma coisa dessas? — eu exclamei.
— D e Gênesis 1.29 — ele disse, abrindo o Antigo Testa­
mento com confiança. — Bem aqui, está vendo? — Seu dedo
parou sobre o versículo: “E disse Deus ainda: Eis que vos tenho
dado todas as ervas que dão sem ente.”
Não, ele não estava brincando. N e m o casal cristão que co­
nheci, que justificou sua atração por praias de nudismo lembran­
do-me do estado original de Adão e Eva:
— Não deveríamos ser como eles? — perguntaram, inocen­
tes — nus e sem vergonha?
E só torcer a Escritura o suficiente e você pode fazê-la pare­
cer dizer qualquer coisa que você queira. Não é muito difícil. Eu
me lembro de, depois de ter decidido expressar meu homosse­
xualismo, como eu lia a Bíblia através das lentes da minha deci­
são, e não com objetividade. Paul Morris levanta exatamente essa
questão quando adverte: “Se eu fosse um homossexual cristão,
acho que a pergunta que mais me perturbaria seria essa: Será que
estou tentando interpretar a Escritura à luz da minha inclinação?
Ou será que eu deveria interpretar a minha inclinação à luz da

1 11
A OPERAÇÃO DO ERRO

Escritura?” 178
Um padrão infeliz da primeira alternativa pode ser visto nos
testemunhos do Movimento Gay Cristão. Troy Perry escreve que
primeiro decidiu que o homossexualismo é aceitável, para depois
pesquisar na Bíblia para armar-se para responder aos conservado­
res.179 E m seu livro, Mel White faz alusão a alguns estudos ante­
riores da destruição de Sodoma,180 mas seu momento de decisão
não parece ter vindo de um estudo cuidadoso e em oração da
Escritura, mas de um psicólogo que o incentivou a aceitar seu
homossexualismo e achar um am ante!181
A cantora Marsha Stevens dá um relato longo de como acei­
tou o lesbianismo, sem explicar uma só vez como chegou ao pon­
to de acreditar que o homossexualismo era biblicamente aceitá­
vel (O mais perto que ela chega é ao contar como orou certa noite para
obter confirmação de que não havia nada de arado em ser lésbica; na
manhã seguinte alguém lhe deu um broche com a frase: “Lésbica nascida
de novo.”).i82 Para alguém que cresceu espiritualmente sob o e n ­
sino de C huck Smith, que sempre enfatiza a Palavra de Deus
acima da experiência, isso é espantoso.
Ou, talvez não seja. U m dos sinais do tempo do fim, segun­
do o apóstolo Paulo, será o abandono da verdade em prol da rea­
lização pessoal:
Sabe, porém, isto: nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis, pois
os homens serão egoístas (2 T m 3.1,2).

Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo


contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobi­
ças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar
ouvidos à verdade (2 T m 4.3,4).
Eu ou a verdade, o ser humano antes de Deus — será que
um cristão pode ser iludido a tal ponto? E evidente que sim, por­
que Paulo diz que a igreja da Galácia fora “fascinada” (G1 3.1) e
Jesus advertiu que um sinal notável dos últimos dias antes do seu
retorno seria um aumento do engano (Mt 24.4). Confrontar a teo­
logia favorável ao homossexualismo, portanto, significa confron­
tar um elem ento enganoso do nosso tempo — a tendência de

1 12
A TEOLOGIA FAVORÁVEL AO HOMOSSEXUALISMO

colocar a verdade objetiva abaixo da experiência subjetiva.


Essa é uma das razões por que o confronto não é suficiente
para mudar um coração. Ser instruído o bastante para desfazer
todos os argumentos do Movimento Gay Cristão não será sufici­
ente para convencer um homossexual a se arrepender. O coração,
endurecido pelo engano ou pela rebeldia ou por ambos, precisa
ser amolecido. E isso só Deus pode fazer. Nós só podemos falar a
verdade, confiando que ele a torne viva para os nossos ouvintes.
Com isso em mente, e tendo adquirido uma visão abrangente das
convicções teológicas favoráveis ao homossexualismo, passemos
para uma descrição ponto por ponto das suas afirmações, e para a
refutação de cada um.
Os argumentos que apresentarei contra o homossexualismo
nos capítulos 7 a 11, a propósito, estão baseados na minha convic­
ção da autoridade da Bíblia. Eles são diferentes de argumentos
baseados em raciocínio ou ciência, que podem ser usados melhor
na discussão com homossexuais não religiosos. Para os do Movi­
mento Gay Cristão, porém, que afirmam crer na inspiração da
Escritura, podemos apelar para a Bíblia como autoridade final.
Por isso os argumentos que apresento sem receio são bíblicos.
Q ue Deus nos ajude a falar a verdade em amor, ao confron­
tarmos a teologia favorável ao homossexualismo.

1 13
7
A rgumentos dk J u st iç a S o cial —

r P arte

A Natureza do
Homossexualismo

“Eu creio firmemente que não podemos tolerar a discri­


minação contra qualquer indivíduo ou grupo em nosso
país. E u estou muito grata pelo apoio que vocês estão
dando para me ajudar a mudar atitudes. ”
Ex-primeira-dama Barbara Bush,
carta de 1990 aos Pais e Amigos
de Homens e Mulheres
Homossexuais.

intolerância nos dá náuseas. Ela nos recorda o lado


J T M escuro do ser humano, documentado em fotos da
Alemanha nazista e nos livros de História que descrevem a escra­
vatura na América. Nós nos afastamos dela, em parte por repug­
nância e, em parte eu creio, por culpa coletiva. Ficamos com ver­
gonha de lembrar o racismo institucionalizado em nosso país;
estamos bem cientes de que a doença ainda avança, tanto aqui
como em outros países. Por isso, quando se jogam acusações de
discriminação por aí, nós nos encolhemos. A última coisa que

115
A OPERAÇÃO DO ERRO

queremos é ser acusados de intolerância.


Isso nos põe em dificuldades quando acusações de intole­
rância com homossexuais são feitas contra nós. Ouvimos de pes­
soas protestando em passeatas de homossexuais, com faixas onde
diz: “Deus odeia a exploração” e bobagens parecidas, e natural­
m ente nos distanciamos delas. Mas com isso nos arriscamos a si­
lenciar totalmente na questão do homossexualismo, por medo de
ser catalogados como “extremistas” .
E exatamente isso que os estrategistas favoráveis ao homosse­
xualismo estão esperando que aconteça. Os escritores homosse­
xuais Marshall Kirk e H unter Madsen, ao contribuir com idéias
para promover os direitos dos homossexuais, admitem abertamen­
te o poder de “apanhar pela culpa” a população heterossexual:
O propósito da imagem de vítima [do homossexual] é fazer
com que os “direitos” [os heterossexuais] se sintam muito
desconfortáveis — os homossexuais precisam ser apresenta­
dos como vítimas do preconceito. E preciso mostrar aos “di­
reitos” as fotos de homossexuais agredidos, o drama da inse­
gurança no emprego e na moradia, a perda da custódia dos
filhos, humilhações públicas etc.183

N e n h u m a pessoa decente pode ficar indiferente diante das


vítimas do preconceito. E quando os homossexuais são apresen­
tados “agredidos” , quem quererá criticar seu comportamento? Só
isso já pode nos intimidar a ponto de cedermos em nossa posição
sobre o homossexualismo — ou de nem tomarmos posição.
Esse é o poder dos “argumentos de justiça social” . Eles exi­
gem tratamento justo e o reconhecimento das injustiças passa­
das, junto com o compromisso de que essas injustiças não se re­
petirão. Eles tam bém põe na defensiva todos aqueles que discor­
dam das “vítimas” , desacreditando seus argumentos e colocan-
do-os sob a luz pior possível.
Argumentos de justiça social tam bém são eficazes porque
soam tão bons. Eles exigem o fim de homofobia e insensibilida­
de; qu em dirá que é contra esses alvos? Porém, assim como a
pergunta: “Quando o senhor parou de bater em sua esposa, Sr.

116
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

Vieira?” pressupõe (sem provas) que o Sr. Vieira estava batendo


nela, da mesma forma os argumentos de justiça social em favor
dos homossexuais presum em (sem provas) que os homossexuais
são vítimas, e que a igreja conservadora é em grande parte res­
ponsável por essa condição.
Esses argumentos são mais eficazes em discussões seculares
— programas de entrevistas, entrevistas coletivas, debates em uni­
versidades — onde não é provável que os ouvintes os julguem
por padrões bíblicos. E m vez de discernir qual lado está teologi­
camente correto, públicos não cristãos têm a tendência de ficar
do lado de quem parece ser “mais simpático” . Geralmente isso
significa o porta voz homossexual que exige leis contra a discri­
minação ou clubes de apoio para adolescentes homossexuais. A
pessoa que é contra essas coisas — geralmente um cristão conser­
vador — não aparece como “simpático”, não importa quão sim­
pático ele seja de fato.
Isso não quer dizer que os argumentos de justiça social em
favor dos homossexuais sejam irrefutáveis. Respondidas de for­
ma apropriada e polida, idéias não-bíblicas podem ser enfrenta­
das na arena secular. Paulo provou isso com os cidadãos no
Areópago (At 17.22). Mas o desafiante cristão precisa estar ciente
de que, muitas vezes, por causa da sua posição, ele será conside­
rado o bandido. Isso demonstra mais uma vez a importância de
falar tanto com clareza como com gentileza.
Thom as Schmidt, em sua crítica excelente da teologia favo­
rável ao homossexualismo, não m ede palavras nesse ponto: “Cris­
tãos que ainda não conseguem lidar com as questões [relaciona­
das ao homossexualismo] com calma e compaixão, devem ficar
de boca fechada e certamente ficar longe da linha de frente do
ministério e do debate público — sem nem falar em programas
de entrevistas na televisão.” 184
Argumentos baseados na natureza do homossexualismo te n ­
tam provar que ele é inato, imutável, normal e comum; por isso,
deve ser aceito em pé de igualdade com o heterossexualismo.
Para enfrentar esses argumentos, o desafiante precisa desmontar

1 17
A OPERAÇÃO DO ERRO

as pressuposições favoráveis ao homossexualismo (que os homosse­


xuais são vítimas; que os cristãos conservadores, com suas convicções,
são perseguidores), mostrando quando e como essas pressuposições
são ilógicas, enganosas ou exageradas. Estudaremos pelo menos um
desses três elementos quando respondermos aos argumentos fa­
voráveis aos homossexualismo.
N esse capítulo veremos os argumentos de justiça social ba­
seados na natureza do homossexualismo em si. Os argumentos
baseados na reação da sociedade aos homossexuais serão estuda­
dos no capítulo 8.

Argumentos de Justiça Jocial Baseados na


Natureza do Homossexualismo

Primeiro argumento geral:


o homossexualismo é inato
À medida que o movimento dos direitos dos homossexuais
evoluiu, a noção de que o homossexualismo é algo com que se
nasce — como sexo ou cor do cabelo — ganhou ampla aceitação,
especialm ente entre os próprios homossexuais. Na década de
1940, quando o sexólogo Alfred Kinsey perguntou aos homosse­
xuais “como ficaram desse jeito” , somente 9% afirmaram ter nas­
cido homossexuais.185 Em 1970, quase a mesma proporção de 979
homossexuais pesquisados em São Francisco respondeu da m es­
ma maneira.186 Treze anos mais tarde, porém, quando o movi­
mento dos direitos dos homossexuais se tornara mais politizado,
35 entre 147 homossexuais pesquisados disseram ter nascido as­
sim.187 E hoje em dia a maioria dos líderes homossexuais, especi­
almente no Movimento Gay Cristão, concordarão com a afirma­
ção de Mel White de que o homossexualismo é “um dom de Deus
que deve ser abraçado, celebrado, vivido com integridade.” 188 A
“teoria inata” assume um significado especial da perspectiva reli­
giosa. Ela implica que, se algo é inato, Deus deve tê-lo criado. E
quem somos nós para discutir com o Criador?

1 18
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

Não há dúvida que muitos homossexuais crêem sinceramente


que foram destinados geneticamente para serem homossexuais.
Mas o surgimento e crescimento desta idéia, acompanhando o
surgimento e crescimento do movimento dos direitos dos homos-
■ /
sexuais, não pode ser uma coincidência. E politicamente conve­
niente ver a orientação sexual como inata; muitas pessoas que, de
outra forma, considerariam o homossexualismo imoral, apoiarão
os direitos dos homossexuais se puderem ser convencidos de que
se trata de um traço inerente.
William Cheshire, o editor da página editorial do Arizona
Republic, é um bom exemplo. “M eus sentimentos em relação a
homens e mulheres homossexuais eram dominados por convic­
ções religiosas”, ele disse em 1993 em uma entrevista a U. S. News
and WorldReport. Porém depois de ver alguns estudos que se pro­
punham provar que os homossexuais nasciam assim, ele “mudou
completamente [sua] atitude em relação aos homossexuais”, e
começou a promover ativamente, por meio do seu jornal, leis con­
tra a discriminação de homossexuais.189
Q uem faz parte do Movimento Gay Cristão pode obter mais
confirmação em estudos que alegam provar que sua preferência
sexual é inata. “Eu sinto em meu coração que isso [o homosse­
xualismo] é algo com que eu nasci”, um homossexual disse e n tu ­
siasmado. E acrescentou que os estudos sobre “nascido homos­
sexual” “me fizeram sentir-me bem comigo mesmo. Fizeram-me
sentir-me menos pecador.” 190
As pessoas tendem a ver o homossexualismo sob uma luz
mais favorável quando pensam que ele é inato. Não é de admirar
que os líderes homossexuais (não todos, mas a maioria) batem nessa
tecla; isso promove a causa (No entanto, eles ainda têm muito pela
frente: uma pesquisa de 1993 mostrou que somente 32% dos americanos
acham que o homossexualismo é inato.).m
As respostas ao argumento de que a pessoa nasce homosse­
xual devem concentrar-se em dois fatos:
1) Até hoje ainda não se provou que o homossexualismo seja
de origem genética ou biológica; e

119
A OPERAÇÃO DO ERRO

2) Mesmo que alguém um dia prove que ele é inato, isso não
o torna normal ou moralmente desejável.

P rim eiro sub-argum ento: 0 homossexualismo éinato. E m 1991 o


Dr. Simon LeVay provou que o homossexualismo é um resultado de es­
truturas no hipotálamo. Por isso ele deve ser aceito como normal.
E m 1991 o Dr. LeVay, um neurocientista no Salk Institute
de La Jolla, na Califórnia, estudou o cérebro de 41 cadáveres —
dezenove dos quais supostamente eram homens homossexuais,
dezesseis supostamente heterossexuais e seis supostamente m u ­
lheres heterossexuais. Seu estudo concentrou-se em um grupo
de neurônios na estrutura do hipotálamo chamada de núcleo
intersticial do hipotálamo anterior, ou NIHA3.
Ele relatou que essa parte do cérebro era maior nos homens
heterossexuais do que nos homossexuais; igualmente, ele perce­
beu que ela era maior nos homens heterossexuais do que nas
mulheres que ele estudou. Por essa razão, ele pressupôs que o
homossexualismo é inato, resultado das variações de tamanho no
NIHA3, e suas descobertas foram publicadas na revista Science
em agosto de 1991.192 Esse estudo é o mais citado quando alguém
insiste que ficou “provado” que o homossexualismo é inato.

R esposta: E sse argum ento é exagerado e en gan oso, por seis


razões:
Primeiro, LeVay não provou que o homossexualismo é inato; seus
resultados não foram consistentes de modo uniforme. À primeira vista
parece que todos os homossexuais pesquisados por LeVay tinham
o N IHA3 menor que os heterossexuais; na verdade, três dos ho­
mossexuais tinham um NIHA3 maior que os heterossexuais. Além
disso, três heterossexuais tinham o NIHA3 menor que a média
dos homossexuais. Assim, como observa o Dr. John Ankerberg,
do Ankerberg Theological Research Institute, seis dos 35 homens
estudados por LeVay — 17% de todo o seu grupo de estudo —
contradisseram a sua própria teoria.193
Segundo, LeVay não mediu necessariamente o N IH A 3 de modo

120
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

apropriado. A área que LeVay estava medindo é bastante p e q u e ­


na — menor que flocos de neve, de acordo com cientistas en tre­
vistados quando seu estudo foi publicado. Seus colegas na comu­
nidade neurocientífica não estão de acordo sobre se o NIHA3
deve ser medido por seu volume e tamanho ou por seu número
de neurônios.194
Terceiro, não está claro se a estrutura do cérebro afeta o comporta­
mento ou se o comportamento afeta a estrutura do cérebro. O Dr.
K enneth Klivington, também do Salk Institute, mostra que os
neurônios podem mudar em reação a experiências. “Você pode
concluir que ocorrem mudanças no cérebro durante toda a vida,
em conseqüência da experiência.” 193 Em outras palavras, mesmo
que haja uma diferença significativa entre as estruturas do cére­
bro de homens heterossexuais e homossexuais, não está claro se a
e s tr u tu r a do c é re b ro causou o h o m o s se x u a lis m o ou se o
homossexualismo afetou a estrutura do cérebro.
N a verdade, um ano depois que o estudo de LeVay foi p u ­
blicado, o Dr. Lewis Baxter da Universidade da Califórnia em
Los Angeles obteve evidências de que a terapia comportamental
pode produzir mudanças nos circuitos do cérebro, reforçando a
idéia de que o comportamento pode afetar, e realmente afeta, a
estrutura do cérebro.196 Portanto, mesmo que haja diferenças e n ­
tre o NIHA3 de homens heterossexuais e homossexuais, é possí­
vel que o tamanho menor nos homossexuais tenha sido causado
por seu comportamento, e não que seu comportamento tenha sido
causado pelo tamanho do NIHA3.
Quarto, LeVay não tinha certeza quanto a quais dos seus objetos de
estudo eram homossexuais e quais eram heterossexuais. Ele admite que
essa é uma “fraqueza importante” do seu estudo. Para se orientar
ele só tinha desses homens estudos de casos (que deform a alguma
serviam de garantia para prover informação acurada sobre a orienta­
ção sexual do pacientej, ele só podia presumir que, se os registros
de um paciente não indicavam que ele era homossexual, ele deve
ter sido heterossexual.
Todavia, dezesseis dos homens considerados heterossexuais

121
A OPERAÇÃO DO ERRO

tinham morrido de AIDS, o que aumenta as chances de que sua


história sexual tenha sido registrada de modo incompleto.197 Se
não é certo quais dos homens pesquisados por LeVay eram h e te ­
rossexuais e quais eram homossexuais, que utilidade suas con­
clusões sobre “diferenças” entre eles podem realmente ter?
Quinto, LeVay não fez o estudo com objetividade. LeVay, que é
abertam ente homossexual, disse à revista Newsweek que, depois
da morte do seu amante, ele estava decidido a encontrar uma causa
genética para o homossexualismo, ou abandonar totalmente a car­
reira científica. Além disso, ele admitiu que esperava educar a
sociedade na questão do homossexualismo, influenciando as ati­
tudes legais e religiosas de modo a favorecê-los.198 Nada disso
diminui suas credenciais como neurocientista. Mas dificilmente
pode-se dizer que sua pesquisa foi sem pressuposições.
Sexto, a comunidade áentífica de form a alguma aceitou unanime­
mente o estudo de LeVay. As observações de outros cientistas sobre o
trabalho de LeVay são dignos de nota. O Dr. Richard Nakamura,
do Instituto Nacional de Saúde Mental, diz que será necessário
“um esforço maior para convencê-lo de que há um vínculo entre
essa estrutura e o homossexualismo” .199 A Dra. Anne Fausto-
Sterling da Universidade Brown é menos gentil em sua resposta:
“Meus calouros de biologia sabem o suficiente para derrubar esse
estudo.” 200
A Dra. Rochelle Kliner, uma psiquiatra na Faculdade de M e­
dicina da Virgínia, duvida que “jamais encontremos uma causa
única para o homossexualismo” .201 Scientific American resume o
motivo por que muitos profissionais se aproximam da teoria do
N IHA3 com cautela: “O estudo de LeVay ainda precisa ser re p e ­
tido inteiramente por algum outro pesquisador.” 202

S e g u n d o su b -a rg u m e n to : O homossexualismo ê inato. 0 estudo de


homens homossexuais gêmeos mostrou que irmãos gêmeos de homens ho­
mossexuais têm mais probabilidade de serem homossexuais do que hete­
rossexuais.
E m 1991 o psicólogo M ichael Bailey da U niv ersidad e
Northwestern (um defensor dos direitos dos homossexuais) e o psi­

122
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

quiatra Richard Pillard da Escola de Medicina da Universidade


de Boston (que é abertamente homossexual) compararam pares de
gêmeos masculinos idênticos com gêmeos fraternais (cujos laços
genéticos são menos próximos). E m cada par pelo menos um gêmeo
era homossexual. Eles descobriram que, entre os gêmeos idênti­
cos, 52% eram ambos homossexuais, diferente dos gêmeos frater­
nais, entre os quais somente 22% compartilhavam a orientação
homossexual.203 Pillard e Bailey propuseram que a incidência
maior de homossexualismo comum aos gêmeos idênticos signifi­
ca que o homossexualismo é de origem genética.

R esposta: E sse argum ento é enganoso e exagerado, por qua­


tro razões:
Primeiro, as descobertas de Pillard e Bailey na verdade indicam
que algo além dos genes deve ser responsável pelo homossexualismo. Se
48% dos gêmeos idênticos, que têm vínculos genéticos muito
próximos, não compartilham a mesma orientação sexual, então
somente a genética não pode ser responsável pelo homossexualis­
mo. Bailey admitiu isso quando disse: “Deve haver alguma causa
no am biente para os gêmeos discordantes.” 204
Segundo, todos os gêmeos que Pillard e Bailey estudaram foram
criados na mesma casa. Se os pares de gêmeos em que ambos eram
homossexuais tivessem sido criados em lares separados, seria mais
fácil de acreditar que o genes exerceram um papel no seu desen ­
volvimento sexual. Mas como todos foram criados nas mesmas
casas, é impossível saber que efeito o ambiente teve, e que efeito
os genes tiveram, se for o caso. O Dr. Fausto-Sterling comentou
que, “para que um estudo como esse tenha algum sentido, seria
necessário procurar gêmeos criados separadam ente.”205
Terceiro, Os Drs. Pillard e Bailey, como o Dr. LeVay, não fizeram
seu estudo com objetividade. Seus sentimentos pessoais em relação
ao homossexualismo, como os de LeVay, certam en te não os
desqualificariam para fazer uma boa pesquisa. Mas seus senti­
mentos precisam pelo menos ser levados em consideração. Pillard
disse, realmente: “Um com ponente genético na orientação sexu­

123
A OPERAÇÃO DO ERRO

al diz: ‘Isso não é errado’” , e tanto ele como Bailey afirmaram que
esperavam q u e seu trabalho “desfizesse afirmações homo-
fóbicas”.206
Quarto, um estudo posterior com gêmeos teve resultados diferentes
dos de Pillard e Bailey. E m março de 1992 o British Journal o f
Psiquiatry publicou um artigo sobre homossexuais gêmeos (fra­
ternais e idênticos), e descobriu que somente 20% dos gêmeos ho­
mossexuais tinham um irmão gêmeo homossexual, o que levou
os pesquisadores a concluir que “os fatores genéticos são uma
explicação insuficiente do desenvolvimento da orientação sexu­
al” .207 Além de o trabalho de Pillard e Bailey não ter-se repetido,
quando um estudo similar foi feito, ele produziu resultados com­
pletam ente diferentes.

T erceiro sub-argum ento: O homossexualismo é inato. Ele fo i vin ­


culado a um gene do cromossomo X, que é herdado da mãe.
E m 1993 o Dr. Dean H am er do Instituto Nacional do C ân­
cer estudou quarenta pares de irmãos homossexuais não idênti­
cos e afirmou que 33 pares tinham herdado os mesmos identifica­
dores genéticos vinculados ao cromossomo X. Isso supostamente
indica uma causa genética para o homossexualismo.208

P rim eira resposta: E sse argum ento é en gan oso e exagerado


por duas razões:
Primeiro, como o estudo de LeVay, os resultados de Hamer ainda
precisam ser repetidos. Novamente, deve ser dito que a ausência de
uma repetição não significa que um estudo não é válido; significa
somente que as conclusões do estudo ainda não foram confirma­
dos por pesquisas subseqüentes.
Segundo, um estudo posterior semelhante acabou contradizendo as
conclusões de Hamer. George Ebers, da Universidade Western
Ontario, estudou 52 pares de irmãos homossexuais, e não desco­
briu “nenhuma evidência de um vínculo entre o homossexualismo
e identificadores do cromossomo X ou outro” .209 Ebers, junto com
um colega, tam bém estudou quatrocentas famílias com um ou

124
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

mais homens homossexuais, e não descobriu “nenhum a evidên­


cia para a transmissão vinculada ao cromossomo X de mãe para
filho pressuposta por H am er” .210

S egun da resposta: E sse argum ento, com o os que se basei­


am no trabalho de L eV ay, Pillard e Bailey, é ilógico quando
presum e que “in ato” eqüivale a “n orm al” ou “m oralm ente
a ceitá vel”. E ssa suposição é errada por três ra zõ es.
Primeiro, “inato” e “normal” não são necessariamente a mesma
coisa. M esmo se um dia fique provado que o homossexualismo é
inato, inato não significa necessariamente normal. Um sem -nú­
mero de defeitos ou deficiências, por exemplo, podem ser inatas,
mas dificilmente diríamos que são normais só por isso. Por que
seriamos obrigados a dizer que o homossexualismo é normal, só
porque talvez seja inato?
Segundo, tendências inatas para certos comportamentos (como
homossexualismo) não tornam esses comportamentos morais. Estudos
nos últimos quinze anos indicam que muitos tipos de comporta­
mento podem ter suas raízes na genética ou na biologia. E m 1983
o antigo diretor do Conselho Nacional de Alcoolismo informou
sobre várias reações químicas que podem causar o alcoolismo.2"
E m 1991, o Centro Médico City of H ope descobriu certo gene,
presente em 77% dos seus pacientes de alcoolismo.212 Pensa-se
hoje em dia que obesidade e comportamento violento sofrem in­
fluências genéticas.213 Mesmo a infidelidade, de acordo com uma
pesquisa m encionada na revista Time, pode estar em nossos
genes!214
E claro que não vamos dizer que obesidade, violência, alco­
olismo e adultério são legítimos porque foram herdados. E a mes­
ma coisa com o homossexualismo. Inato ou adquirido, ele conti­
nua sendo, como qualquer outro contato sexual fora do casamen­
to, imoral. E o comportamento imoral não pode ser legitimado
por um batismo rápido na piscina genética.
Terceiro, nós somos uma raça caída, nascida em pecado. A Bíblia
ensina que herdamos uma natureza corrompida de pecado, que

1 25
A OPERAÇÃO DO ERRO

nos afeta física e espiritualmente (SI 51.5, Rm5.12). Nascemos


espiritualmente mortos (Jo3.5-6) e fisicamente imperfeitos (1 Co
15.1-54). Por isso não podemos presumir que algo que seja inato
tam bém é seja desejo de Deus. Existem aspectos mentais, psico­
lógicos, físicos sexuais do nosso ser que Deus nunca quis que
tivéssemos. Inato, em resumo, não significa “endossado por
D eu s” .

T erceira resposta: O s pesquisadores profissionais de form a


algum a estão u n anim em ente con ven cid os do argum ento de
que “o h om ossexu alism o é inato”.
Alguns pesquisadores, de acordo com a Chronicle o f Higher
Education, na verdade dizem que as teorias do “homossexualismo
in ato ” são “infundadas e p oliticam ente perigosas” .215 O Dr.
William Byne da Universidade Colúmbia diz que a evidência inata
é “inconclusiva” , e compara-a a “tentar somar uma centena de
zeros para ter u m ”.216 O Dr. Fausto-Sterling diz que os estudos, e
o debate subseqüente, nem são sobre biologia, mas sobre políti­
ca.217 O professor John D ’Emilio, da Universidade da Carolina
do Norte, mesmo disposto a considerar a possibilidade de que o
homossexualismo é inato, diz que “ainda há muita coisa que não
pesquisamos” .218

Segundo argumento geral:


Os homossexuais não podem ser mudados.
“A orientação sexual simplesmente não pode ser m udada” ,
diz um psiquiatra homossexual confiantemente,219 advertindo que
“a tentativa de mudar do homossexualismo para o heterossexualis-
mo pode ter conseqüências emocionais e sociais graves” .220 Esse
argumento está baseado fortemente nas ciências sociais, e preci­
sa; a Bíblia não apoia uma afirmação como essa.
N a verdade, o apóstolo Paulo diz o contrário, afirmando cla­
ramente que um homossexual pode mudar, ao declarar: “N em
imorais, nem idólatras, nem adúlteros, nem homossexuais passi­
vos ou ativos [...] herdarão o reino de Deus. Assim foram alguns

126
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

de vocês; mas vocês foram lavados, santificados, justificados no


nome do Senhor Jesus Cristo (ICo 6.9-11 NVI, destaque acres­
centado).
E claro que os apologistas homossexuais cristãos não acham
que esse versículo se refere ao homossexualismo, o que nos leva
ao “x” da questão — se o comportamento homossexual é, de acor­
do com a Bíblia, um pecado. Se for, não se trata de discutir se pode
ou não ser mudado. Cristo nos liberta do poder do pecado (Rm
6.14), quando nos tornamos nova criatura nele (2Co 5.17). Com
isso podemos ter certeza de que todo pecado condenado na Bí­
blia pode ser derrotado pela graça de Deus.
Todavia, se os apologistas homossexuais realmente crêem
que o homossexualismo não é um pecado proibido pela Bíblia,
por que se incomodam em argumentar com tanta veemência que
não podem mudar? Afinal de contas, se algo não é pecado, não faz
diferença se é inato ou escolhido, imutável ou mutável.
Deixe-me fazer uma comparação superficial. Eu acho que,
do ponto de vista de Deus, não havia problema em eu casar com
uma mulher de origem italiana. Sempre achei que mulheres de
pele morena e cabelos escuros são mais bonitas e creio que não
há nada de errado com isso. Não me importo se meu gosto por
cabelos escuros e feições morenas é inato ou adquirido, nem vejo
qualquer necessidade de provar que ele é “imutável” . Pode ser
que seja, pode ser que não — se eu me sinto bem com ele, al­
guém tem algo a ver com isso?
Agora, se viesse alguém e me dissesse que a Bíblia condena
minha atração por cabelos escuros, eu lhe pediria que me mos­
trasse onde a Bíblia a condena. Se eu ficasse convencido de que a
interpretação bíblica da outra pessoa está errada — como tenho
certeza que eu ficaria — eu o deixaria por isso mesmo. Com cer­
teza eu não me incomodaria em explicar raízes psicológicas ou
biológicas que podem ter influenciados minha atração. Se eu me
sinto bem com ela diante de Deus, os outros é que estariam de­
vendo a explanação.
O que nos leva à pergunta: Será que os porta-vozes dos ho­

127
A OPERAÇÃO DO ERRO

mossexuais cristãos não estão traindo certa insegurança ao faze­


rem tanto em penho em provar que sua sexualidade é inata e im u­
tável?
Seja como for, o argumento imutável tem um papel impor­
tante no pensamento homossexual cristão. Mel White o repete
por todo o seu livro; sua ex-esposa, de fato, resolve falar por todos
os homossexuais ao dizer: “Depois de todas essas décadas te n ­
tando, descobrimos que ninguém pode escolher ou mudar sua
orientação sexual.”221
Troy Perry tam bém é categórico: “Não existe ‘cura’ (para o
homossexualismo). Q uem afirma o contrário é charlatão, ou está ina­
dequadam ente informado e, por alguma de muitas razões possí­
veis, está tentando iludir a si mesmo ou a seus companheiros.” 222
Scanzoni e M o lle n k o tt fazem referência a cristãos q u e
“acham” que foram curados do homossexualismo.223 Pennington
ri até da idéia de “ex-homossexual” .224
Outro ex-homossexual, citado no livro de T hom as Schmidt,
faz uma afirmação de que sempre suspeitei quando explica por
que muitos homossexuais ficam exaltados quando se fala de m u ­
dar: “Os ativistas homossexuais querem convencer não só o p ú ­
blico, mas a si mesmos, de que jamais haverá mudança, porque se
ela épossível, todos eles serão perseguidos pela possibilidade de que eles
também poderiam encontrar o poder para mudar.”ZZi
Se, porém, eles insistem em que tal poder não existe, e se
apoiam em autoridades médicas para basear sua posição, então
essa posição pode ser desafiada por outras autoridade médicas que
in sistem q u e o hom ossexualism o ê m u táv el (No capítulo 9
retornaremos ao assunto de “mudar ”, abordando-o de uma perspectiva
mais teológica.).

P rim eira resposta: O argum ento “im u tá v el” é en gan oso.


M u ita s a u t o r id a d e s em s a ú d e m e n ta l c r ê e m q u e o
h om ossexu alism o é im utável, m as outras tantas crêem que
ele pode ser m udado.
Em 1970 o Instituto Kinsey relatou que 84% dos homosse­
xuais que eles estudaram tinham alterado sua orientação sexual

1 28
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

pelo menos uma vez; 32% registraram duas trocas; e 13% infor­
maram cinco mudanças, no curso da sua vida, em sua orientação
sexual!226
O diretor do Centro Novaiorquino de Treinamento Psicoana-
lítico, certamente ciente de que essas mudanças ocorrem, obser­
vou sobre a “informação enganosa difundida por certos círculos
de que não se pode tratar o homossexualismo” que ela causou
“danos incalculáveis a milhares de pessoas” .227
O Dr. Irvine Biber concluiu, depois de tratar mais de cem
homossexuais, que “uma mudança para o heterossexualismo é
uma possibilidade para todos os homossexuais que tenham uma
motivação forte para mudar.” 228
Os pesquisadores de sexo Masters e Johnson (dificilmente uma
dupla de defensores-padrão das virtudes conservadoras!) disseram que
a idéia de que “o homossexualismo não pode ser m udado” estava
“c ertam e n te aberta a q u e stio n a m e n to s ” .229 Os Drs. Wood e
Dietrich, ao escrever sobre a eficácia do tratamento do homosse­
xualismo, confirmaram que “todos os estudos que tentaram con­
versões do homossexualismo para o heterossexualismo obtiveram
sucessos significativos” .230 E o “Novo Relatório do Instituto
Kinsey” explica que as pessoas “não conservam necessariamente
a mesma orientação sexual por toda a sua vida”, para depois es­
clarecer que “programas que ajudam homossexuais a mudar re­
gistram graus variados de sucesso” .231
Entretanto, ninguém define a questão melhor do que Stanton
Jones, catedrático de psicologia no Wheaton College: “Qualquer
pessoa que diz que não há esperança [de mudança], é ou ignoran­
te ou mentirosa. Todo estudo secular de mudança apresentou al­
gum grau de sucesso, e os que testificam de cura substancial por
Deus são uma multidão.” 232

S e g u n d a re sp o sta : E sse a rg u m e n to é ilógico n o sentido de


q u e p re s u m e que, se u m a c o n d iç ã o é im u táv el, isso a to r n a
desejável.
Vamos fazer de conta q ue pudesse ficar provado q ue o
homossexualismo, como condição, é imutável — que nenhum a

1 29
A OPERAÇÃO DO ERRO

oração, aconselhamento ou qualquer outro tipo de esforço p u d es­


sem fazer com que um homossexual ficasse atraído pelo sexo opos­
to. E daí? Será que isso deveria mudar nossa posição de que o
comportamento homossexual é pecaminoso?
Dificilmente. Não há fator de contingência em nenhum a re­
ferência bíblica a qualquer tipo de pecado, nem no Antigo, nem
no Novo Testamento. Jamais lemos algo como: “Você não deve
fazer isso ou aquilo! (A não ser, ê claro, que você tenha tentado muito
para deixar de fazer, tenha pedido oração e aconselhamento, e tenha
concluido que não havia jeito de você parar de querer fazer isso. Nesse
caso, isso ou aquilo não ê mais pecado. E um dom inato, imutável, e
você pode se sentir totalmente à vontade para fazê-lo!). ”
O espinho na carne do apóstolo Paulo, o que quer que tenha
sido, era imutável. Apesar das suas orações por libertação, Deus
permitiu que ele permanecesse. Mas certamente ele não era d e ­
sejável (2 Co 12.7-9). Muitas pessoas acreditam que outras condi­
ções — o alcoolismo, por exemplo, e vários vícios — são im utá­
veis, e precisam ser enfrentadas todos os dias. Dificilmente isso
as torna desejáveis, naturais ou da vontade de Deus.

Terceiro argumento geral:


O homossexualismo não é uma doença men­
tal; por isso a igreja não devia condená-lo.
Esse argumento tira sua força da decisão de 1973 da Associ­
ação Americana de Psiquiatria, de apagar o homossexualismo da
sua lista de distúrbios (A diretoria da APA determina as condições que
são relacionadas no Diagnostic and Statistical Manual, que é a lista
oficial dos distúrbios mentais e emocionais usada por todos os profissio­
nais na área de saúde mental. Naturalmente sua definição de “normal”
tem um impacto tremendo sob?'e a vida americana.).
Em discussões sobre homossexualismo, a decisão da APA de
“normalizar” muitas vezes é citada como última palavra. “Se a
APA decidiu que o homossexualismo é normal, então ele é nor­
mal!” é uma observação freqüente.

130
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

Mas dizer que a APA decidiu um belo dia normalizar o


homossexualismo é mais ou menos como dizer que o general Lee
decidiu certo dia encontrar-se com o general Grant para negociar
(para pôr um fim à guerra civil americana, 1860-1865, N.do T.), Uma
guerra longa e sangrenta precedeu essa decisão; ignorá-la signifi­
ca relatar a História de modo falho.
Da mesma forma, houve uma guerra dentro da APA antes
que se chegasse a essa decisão histórica. Os detalhes foram rela­
tados por Ronald Bayer em Homosexuality and American Psichiatry:
thePolitics ofDiagnosis. A história já foi repetida muitas vezes, prin­
cipalmente por Kenneth Lewes e William Dannemeyer.
Para ilustrar essa discussão, citarei os principais pontos da
descrição de Bayer:
1) A Associação Americana de Psiquiatria, antes de 1973, via
o hom ossexualism o trad icio nalm en te como uma doença. O
DiagnostkandStatisticalM anual (a lista oficial de doenças da APA,
compilada pela primeira vez em 1952), em sua primeira versão,
relacionava o homossexualismo como distúrbio sociopático de
personalidade.233 A segunda versão — D S M II — passou o homos­
sexualismo da categoria de distúrbios de personalidade para a de
desvios sexuais, em 1968.234
2) Os líderes homossexuais começaram a protestar nas con­
venções anuais da Associação Americana de Psiquiatria, exigindo
uma reconsideração da situação do diagnóstico do homossexualis­
mo, e também que fossem incluídos em qualquer discussão futu­
ra que houvesse na APA sobre o assunto.235 A APA concordou
com isso; seguiram-se discussões e debates intensos.
3) E m 15 de dezembro de 1973, a diretoria da APA, depois
de meses de negociações com os ativistas homossexuais, votou a
favor de apagar o homossexualismo totalmente do DSM. Seguiu-
se oposição imediata de vários psiquiatras. A assembléia da APA
foi convocada para referendar a decisão da diretoria e, em abril de
1974, todos os membros da APA votaram, apoiando ou rejeitando
a decisão da diretoria.236
4) D e mais ou menos 10.000 votantes, perto de 40% se opu­

131
A OPERAÇÃO DO ERRO

seram à decisão da diretoria de normalizar o homossexualismo.257


Apesar de esses 40% estarem claramente em minoria, o que mante­
ve a decisão, isso mostrou como a APA estava profundamente di­
vidida sobre a questão.
5) A Associação Americana de Psiquiatria, assim como a As­
sociação Americana de Psicologia, desde então tem-se alinhado
fortemente com as causas homossexuais,238 dando a impressão de
que os psiquiatras e psicólogos dos Estados Unidos em geral con­
sideram o homossexualismo normal.
Por essas razões, líderes dentro do Movimento Gay Cristão
buscam o apoio da psiquiatria quando afirmam que sua orienta­
ção e comportamento são normais.239

Prim eira resposta: E sse argum ento é enganoso porque om ite


fatos im portantes relacion ados com a decisão da A P A :
Primeiro, a decisão não foi tomada sob circunstâncias normais,
antes, sob uma pressão muito forte, em um ambiente de intimidação. Na
verdade, ela foi tomada no calor de um conflito desgastante, com
ameaças de divisão e intimidações, e os métodos pelos quais foi
obtida são questionados até hoje. Ao relatar os acontecimento, o
Dr. Ronald Bayer, autor do livro mais abrangente sobre o assunto,
comenta:
Todo o processo, desde o primeiro confronto organizado pe­
los homossexuais que protestavam até o referendo exigido
pelos psiquiatras ortodoxos, pareceu violar as expectativas
mais básicas sobre como questões científicas devem ser de­
cididas. Em vez de dedicar-se à discussão sóbria dos dados,
os psiquiatras foram envolvidos em controvérsias políticas.
O resultado não foi uma conclusão baseada na aproximação
da verdade científica ditada pela razão, mas, antes, foi uma
ação exigida pela emoção ideológica da é p o c a /40

Considerando as simpatias de Bayer pelos homossexuais,


apresentadas com obviedade por todo o livro, essa admissão por
parte dele é notável.
Segundo, a APA não declarou que o homossexualismo é normal. A
resolução que a diretoria da APA votou em 1973 concordou que

1 32
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

somente doenças mentais claramente definidas fossem incluídas


no DSM, e que, se os homossexuais não sentiam um “mal-estar
subjetivo” em relação à sua sexualidade e não experimentavam
“nenhum prejuízo na eficiência ou funcionamento social”, então
sua orientação não deveria ser rotulada de doença. O psiquiatra
que redigiu a resolução, na verdade, negou especificamente que
a APA com isso estava dizendo que o homossexualismo é nor­
mal.241
Terceiro, a deásão da APA não reflete necessariamente a opinião
dos psiquiatras americanos. Uma pesquisa realizada pelo periódico
Medicai Aspects os Homosexuality em 1979 (seis anos depois da decisão
da APA) perguntou a 10.000 psiquiatras se eles achavam que o
homossexualismo “geralmente representa uma adaptação pato­
lógica” . 69% responderam “sim” , e 60% disseram que os homens
homossexuais eram menos capazes de “relacionamentos m adu­
ros e amorosos” do que os homens heterossexuais.242 E evidente
que ficou uma discrepância grande entre a posição oficial da As­
sociação Americana de Psiquiatria e a opinião de muitos dos seus
membros.

Segun da resposta: E sse argum ento é ilógico porque presu­


m e que saúde m ental e retidão são a m esm a coisa.
Mesmo se todos os membros da APA tivessem concordado
desde o começo que o homossexualismo é normal, e se todos os
psiquiatras atualmente em atividade o considerassem saudável,
isso não afeta a posição cristã em relação ao assunto. A Bíblia fala
do homossexualismo (assim como de outros pecados sexuais) em ter­
mos morais, não psicológicos. Ao desenvolver seu senso ético, o
cristão não pode seguir o exemplo dos profissionais que traba­
lham com a saúde mental. O que é considerado m entalm ente
saudável pelo ser humano pode não ser moralmente viável dian­
te de Deus.

133
A OPERAÇÃO DO ERRO

Quarto argumento geral: 10% da população


são homossexuais. Será que tantas pessoas
podem estar erradas?
Esse argumento foi desautorizado tão redondam ente que
talvez seja até desnecessário mencioná-lo. Mas, diante da possi­
bilidade de que o leitor tenha de enfrentá-lo em discussões futu­
ras, iremos rever rapidamente o que é com um ente chamado de
“mito dos 10%” e como responder a ele.
E m 1948 o pesquisador Alfred Kinsey publicou Sexual
Behaviorin The Human Male, onde registrou suas descobertas d e ­
pois de ouvir as histórias sexuais de 5.300 homens americanos.
Os resultados, especialmente no que tange o homossexualismo,
chocaram a sensibilidade americana: 37% dos pesquisados admi­
tiram ter tido pelo menos uma experiência homossexual desde a
adolescência,243 e 10% afirmaram ter sido homossexuais por pelo
menos três anos.244
A notícia se espalhou — 10% da população masculina era
homossexual! Sabendo que há poder nos números, teóricos e
porta-vozes dos homossexuais repetiram o dado estatístico incan­
savelmente, até que se tornou automático: um em cada dez ho­
mens é homossexual; portanto, o homossexualismo é muito mais
comum do que qualquer pessoa tinha pensado antes. O conceito
foi extremam ente útil aos ativistas quando, décadas mais tarde,
eles perguntassem como em sã consciência alguém poderia crer
que 10% da população eram anormais, imorais ou simplesmente
errados.

Prim eira resposta: E sse argum ento é exagerado. K insey não


disse que 10% da população m asculina eram hom ossexuais.
As palavras que Kinsey usou eram bem claras — 10% dos
homens pesquisados disseram terem sido homossexuais por pelo
menos três anos. Não tinham necessariamente sido homossexuais
por toda a sua vida, nem seriam necessariamente homossexuais
no futuro. Estudos futuros do Instituto Kinsey realmente confir­

134
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

maram que a orientação sexual não é necessariamente fixa, e pode


mudar durante a vida da pessoa. The 1990 Kinsey Institute New Report
on Sex constata: “Algumas pessoas têm uma orientação homosse­
xual consistente por um período longo de tempo, depois se apai­
xonam por uma pessoa do sexo oposto; outros indivíduos que ti­
veram somente parceiros do sexo oposto, mais tarde se apaixo­
nam por alguém do mesmo sexo.” 243

S egun da resposta: O dado dos “10%” é en gan oso por duas


razões:
Primeiro, os dados de Kinsey não foram tomados de uma popula­
ção que representa com exatidão os homens americanos. A Dra. Judith
Reisman, em seu livro: Kinsey, Sex and Fraud: The Indoctrination o f
a People, desacreditou totalmente as conclusões e os métodos de
Kinsey. Uma das suas descobertas importantes foi que 25% dos
homens que ele pesquisou eram prisioneiros, dos quais muitos
eram criminosos sexuais.246 E previsível que se encontre uma in­
cidência maior de homossexualismo entre prisioneiros, em espe­
cial criminosos sexuais, muitos dos quais estavam na prisão por
causa de conduta homossexual (Na década de 1940 isso era possível;
hoje em dia, graças a Deus, as pessoas não são mais encarceradas por
homossexualismo.)
Segundo, estudos subseqüentes desautorizaram a alegação dos 10%.
USA Today relatou em 15 de abril de 1993 uma nova pesquisa
com 3.321 homens americanos que mostrou que 2,3% deles ti­
nham tido um relacionamento homossexual nos últimos dez anos;
somente 1,1% declararam ser exclusivamente homossexuais.
Essa foi somente a última de uma série de estudos que pro­
vam que Kinsey estava errado. Em 1989 uma pesquisa nos Esta­
dos Unidos estimou que não mais de 6% dos adultos tiveram al­
guma relação homossexual, e que somente 1% eram exclusiva­
m ente homossexuais. Uma pesquisa semelhante na França mos­
trou que 4% dos homens e 3% das mulheres tinham tido algum
contato homossexual, sendo que somente 1,4% dos homens e 0,4%
das mulheres nos últimos cinco anos. O artigo concluiu, sem sur­
preender, que a estatística dos 10% anunciada por Kinsey estava

1 35
A OPERAÇÃO DO ERRO

“morrendo sob o peso dos novos estudos” .


Uma observação ingênua de uma ativista lésbica explica como
o dado dos 10% ficou no consciente do público por tanto tempo:
Essa coisa de um em cada dez — eu acho que as pessoas
provavelmente sempre souberam que ela escava inchada. Mas
era um número bonito para lembrar, que você podia dizer
“um em cada d ez”, e é uma maneira realmente boa de fazer
as pessoas visualizarem que estamos a q u i/47

Se o que ela está dizendo é verdade, então os representantes


dos homossexuais estavam repetindo algo que sabiam que era
falso, com a intenção de promover a sua causa. Com isso em m e n ­
te, a gente se pergunta que outros “fatos” sobre o homossexualis­
mo (por exemplo, “apessoa nasce homossexual”, “um homossexual não
pode mudar”) algum dia tam bém serão provados falsos, expostos
como propaganda que as pessoas “sempre souberam que estava
inchada”, mas que eram divulgados assim mesmo porque o fim
justifica os meios.
Podemos aceitar algumas partes desses argumentos a favor
do homossexualismo. Podemos concordar, por exemplo, com a
possibilidade de que um dia se descubra que a genética exerce um
papel no desenvolvimento do homossexualismo. Podemos con­
cordar que, em muitos casos, a condição homossexual — atração
pelo mesmo sexo em vez do sexo oposto — começa bem cedo na
vida. E, mesmo já sendo de conhecimento geral que 10% da po­
pulação não são e nunca foram homossexuais, podemos admitir
que provavelmente há bem mais homossexuais na população do
que temos noção. Sua afirmação de que não pediram para ter sua
orientação sexual é, na maioria dos casos, verdadeira; devemos
sentir compaixão genuína por pessoas que estão lutando com, ou
sendo maltratados por, algo que não escolheram para si. Stanton
Jones, do Wheaton College, expressa muito bem esse pensamento:
“Se você não consegue sentir empatia por uma pessoa homosse­
xual por medo ou repulsa, então voce está falhando com nosso
Senhor.” 248
Todavia, temos de nos afastar dos que promovem a teologia

136
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

favorável ao homossexualismo nas conclusões que eles tiraram.


Não podemos reescrever a Bíblia, como eles têm feito, para aco­
lher um pecado simplesmente porque algumas pessoas acham
que ele é inato, imutável ou comum. Nessa questão, bem que
p o d e m o s e m p r e s ta r um a citação, e n tre ta n ta s outras, da
dramaturga Lillian Hellman: “Não posso e não quero adaptar
minha consciência às modas desta estação.”

Falemos de Justiça Social e da


Natureza do Homossexualismo
(Um m odelo de diálogo)
A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Como você pode di­
zer que é errado ser homossexual, se foi provado que os homosse­
xuais nascem assim?! Você acha que Deus cometeu um erro quan­
do me fez homossexual?”
R e s p o s ta : “E claro que Deus não cometeu um erro quando
fez você, mas porque presumir que ele fez você homossexual?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Bem, com certeza não


fui eu que escolhi esse sentim ento!”
R e s p o s ta : “Pode ser que não, mas todos nós temos senti­
mentos que não escolhemos. Todos nos sentimos com raiva às
vezes, ou com inveja, ou com vontade de mentir, ou de ter um
relacionamento sexual com alguém fora do casamento. Não pedi­
mos para ter esses sentimentos, mas cabe a nós decidir se vamos
ou não transformá-los em ação"

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas as minhas tenta­


ções não são pequenas como essas que você mencionou. E u as
tive por toda a minha vida. Na verdade, nasci com elas!”
R e sp o sta : “Tomo a liberdade de discordar. Eu realmente
não creio que o homossexualismo seja inato; no entanto, mesmo
que seja, isso não significa que seja da vontade de D eus.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Você está dizendo que

1 37
A OPERAÇÃO DO ERRO

meus sentimentos mais profundos estão errados?!”


R e s p o s ta : “Estou dizendo que todos nós temos sentim en­
tos — profundos, mesmo — que não são necessariamente corre­
tos, e aos quais não deveríamos ceder.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas eu li um estudo


que disse que meus sentimentos sexuais procedem de uma alte­
ração no hipotálamo. E u não tenho culpa disso, não é?”
R e s p o s ta : “Eu também li esse estudo, mas ninguém tem
certeza de que ele seja exato.”

A r g u m e n to h o m o s se x u a l cristão: “Por que você diz isso?”


R e sp o sta : “Primeiro, ninguém até hoje conseguiu repetir
esse estudo. Segundo, o pesquisador não tinha certeza quais dos
pesquisados eram homossexuais e quais não eram, e ele admite
que não sabe se as diferenças que descobriu no tamanho do cére­
bro eram causa do homossexualismo ou causados pelo homosse­
xualismo. A comunidade científica de forma alguma está convenci­
da de que ele provou alguma coisa.”

A rg u m e n to hom ossexu al cristão: “Mas há outro estudo com


gêmeos que parece provar que os homossexuais nascem assim.”
R es p o s ta : “Esse também não é muito conclusivo. Pratica­
m ente a metade dos gêmeos idênticos estudados não tinham a
mesma preferência sexual. Você não acha que a porcentagem d e ­
veria ter sido maior? E nenhum desses gêmeos foi criado separa­
do do outro; portanto, quem pode dizer o que os tornou homosse­
xuais? Além disso, ninguém tam bém conseguiu repetir o estudo
com os gêmeos. Na verdade, outros estudos com gêmeos deram
resultados bem diferentes.”

A rg u m e n to h o m o sse x u a l cristão: “Bem, eu me senti como


homossexual a vida inteira, então devo ter nascido assim!”
R e sp o sta : “Pode ser, mas também pode ser que começou
tão cedo que você não lembra. Seja como for, quem diz que “ina­
to” significa “ideal” ?

138
A NATUREZA DO HOMOSSEXUALISMO

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Então você acha que


Deus pode ter-me dado esses sentimentos, para depois esperar
que eu resista a eles?”
R e s p o s ta : “Só porque temos certos sentimentos, não quer
dizer que foi Deus quem os deu. Eu tam bém tenho sentimentos
aos quais tenho de resistir. E eu sinto como se os tive toda a mi­
nha vida. Para mim também não é fácil.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Muito bem, pode ser


que você consiga fazer algo em relação aos seus sentimentos, mas
o homossexualismo não pode ser mudado. Todos os psicólogos
concordam nesse ponto.”
R e s p o s ta : “Na verdade, não. Você sabe que sempre houve,
e ainda há, muitos psicólogos que têm certeza que o homosse­
xualismo pode ser mudado, se o paciente realmente desejar a
mudança?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas eu não desejo!


Além disso, mesmo se eu quisesse, só um fanático direitista faria
uma coisa dessas.”
R esp osta: “Existem muitos terapeutas de renome, tanto cris­
tãos como não cristãos, que podem ajudá-lo se você quiser.”

A r g u m e n to h o m o s se x u a l cristão: “Mas você não acha que


eu estou doente, não é? A Associação Americana de Psiquiatria
não disse há uns vinte anos atrás que o homossexualismo é nor­
mal?”
R e s p o s ta : “Não foi exatamente isso que eles disseram. O
que eles disseram foi que o homossexualismo não é uma doença,
mas também não disseram que ele é normal. Para dizer a verda­
de, a política influiu mais nessa decisão do que a gente imagina.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Pode ser, mas não dá


para dizer que 10% da população estejam doentes da cabeça!”
R e s p o s ta : “Eu nunca disse que você é doente da cabeça. A

1 39
A OPERAÇÃO DO ERRO

Bíblia diz que o homossexualismo não é natural; ela não diz que
os homossexuais são pirados. Mas se você diz que 10% da popu­
lação são homossexuais, eu temo que você passou longe. Todos
os estudos feitos com a população homossexual, tanto aqui como
em outros países, mostram que ela é bem menor que 10%.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Bem, eu não acho que


Deus queira que eu negue algo que tive toda a minha vida —
algo que tentei mudar, e tantas outras pessoas também. Isso não
parece de Deus para mim!”
R e s p o s ta : “Isso é estranho. Para mim isso parece exatamente
de Deus. E parece que Deus exige de você as mesmas coisas que
ele requer de todos nós. Ele nos diz para negarmos algo que tive­
mos por toda a nossa vida — nós mesmos — para tomar nossa
cruz diariamente e segui-lo. Ele sabe que temos tentado mudar a
nós mesmos, e ele sabe que não conseguimos! Mas Jesus nunca
disse que temos de mudar a nós mesmos. Ele nos mandou segui-
lo, e viver em obediência. A mudança interior é trabalho dele, a
nós cabe obedecer. A propósito, muitas outras pessoas também
têm a “si mesmas” . Elas têm a escolha de fazer o que elas mes­
mas querem mas, como cristãos, nós somos chamados para fazer
algo diferente. Não estamos aqui para satisfazermos a nós m es­
mos. Estamos aqui para nos entregarmos! No fim das contas, na
verdade essa é a única maneira de encontrarmos a nós mesmos.”

140
8
A r g u m e n t o s d e j u s t iç a s o c ia l —

2" P arte

A Resposta da Sociedade ao
Homossexualismo

“Os homossexuais estão orgulhosos, os homossexuais es­


tão fazendo barulho e vão fa zer cada vez mais barulho
— o que vocês vão dizer no diálogo que nós estamos
prontos para começar?”
Ativista homossexual dirigindo-se
a um painel de psiquiatras

omo homossexual cristão, eu enfrentei um dile­

C ma: a maioria da sociedade achava que eu estava


errado. Isso não podia ser ignorado. A cada dia eu via ou ouvia
algo que me lembrava que o homossexualismo é anormal, imoral,
inferior ao heterossexualismo (Dezoito anos depois isso não mudou.
Os americanos ainda desaprovam o homossexualismo, em termos ge­
rais. ).m
Depois de ter lutado tanto para aceitar minha identidade, eu
não estava disposto a rejeitá-la. Mas a tensão entre a sociedade e
eu tinha de ser resolvida. Um de nós tinha de estar errado, e eu já
decidira que não era eu. Portanto, eu tinha de convencer-me de
que a sociedade estava enganada em suas convicções sobre os

141
A OPERAÇÃO DO ERRO

homossexuais e sua maneira de tratá-los.


Não foi difícil encontrar evidências para reforçar minha po­
sição. O preconceito contra os homossexuais se manifestava volta
e meia — uma piada de “bicha” contada no refeitório da e m pre­
sa, a fachada do meu bar preferido pichada, notícias no jornal so­
bre mais um homem homossexual atacado. Tudo o que eu preci­
sava fazer era me convencer de que o preconceito era mais que
esporádico — ele estava em todo lugar, espreitando atrás de cada
opinião negativa sobre o homossexualismo, sem importar o qu an­
to essa opinião fosse razoável. Assim, todas as objeções ao
homossexualismo eram, em minha mente, fruto da intolerância
ou da desinformação. Com isso era fácil tachar essas objeções como
“preconceitos” e eu podia continuar sentindo-m e confortável
comigo mesmo.
Não creio que eu tenha sido o único que fez isso. Ouvindo
os argumentos dos homossexuais hoje em dia, posso ouvir a m es­
ma necessidade de dizer que a sociedade está errada e de não
aceitar qualquer posição desfavorável aos homossexuais. Isso pode
ser feito de três maneiras básicas:
Insistindo que homofobia é a única razão por que as pessoas
objetam ao homossexualismo;
Desacreditando pregadores que falam contra o homosse­
xualismo, acusando-os de incitar a violência contra homens e
mulheres homossexuais;
Proclamando que jovens homossexuais podem tirar sua pró­
pria vida se ouvem as pessoas dizendo que sua orientação é con­
trária à natureza (Essa ê uma maneira segura de inibir um diálogo
honesto sobre o assunto.).
Cada um desses argumentos será usado contra qualquer pes­
soa que confrontar o Movimento Gay Cristão. Por essa razão, cada
um deles serão estudado mais de perto.

P rim eiro argum ento geral: a h om ofobia e n ão o h o m o sse ­


xu alism o é o problem a
Algumas palavras têm um efeito paralisante — “sexista” ou
“racista”, por exemplo. Em seu sentido original, elas descreviam

142
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

atitudes que deviam nos causar repulsa. Hoje em dia, porém, seu
sentido m uda conforme o propósito de quem as usa. Um homem
a favor do aborto pode chamar os que são a favor da vida de “se­
xistas” , por quererem negar o “direito à escolha” da mulher. Um
mulher que se opõe aos programas do governo de apoio às mino­
rias pode ver-se acusada de “racista”. Rótulos negativos grudam.
A pessoa que é rotulada perde credibilidade, mesmo quando tem
algo importante a dizer. Afinal de contas, quem valoriza a opinião
de um fanático?
Desta mesma maneira, homofobia tem sido usado para d e ­
sacreditar qualquer objeção ao homossexualismo. A palavra em si
é relativamente nova, cunhada em 1972 pelo psicólogo George
Weinberg, referindo-se ao “temor de estar muito próximo de ho­
mossexuais” .250 Seu sentido ampliou-se para incluir, de acordo
com o Dr. Joseph Nicolosi, “todo sistema de convicções que va­
loriza o heterossexualismo como superior e/ou mais natural que o
homossexualismo” .251 Por esse padrão, nenhum cristão conserva­
dor escapa do rótulo de homofobia, nem a maioria das outras pes­
soas, religiosas ou não.
Apesar disso, quando o termo é usado em discussões hoje
em dia, raramente ele é definido. As pessoas jogam-no em seus
oponentes, acusando-os de homofobia sem lhes dizer exatamen­
te o que homofobia é e como exatamente são culpados do que
quer que seja. Assim, em vez de simplesmente negar que sou
homofóbico (o que geralmente leva a lugar nenhum), descobri que é
proveitoso discutir a palavra em si, tornando mais provável uma
discussão inteligente dela. Portanto, se o termo “homofobia” é
jogado na mesa como “o problema”, é melhor começar com uma
resposta ao termo em si.

P r im e ira resposta: o arg um ento (“a hom ofobia e n ã o o h o m o s­


sexualism o é o p ro b le m a ”) é enganoso p o r d u a s razões:
Primeiro, o argumento pressupõe uma condição defobia que o acu­
sado muito provavelmente na verdade não tem. Uma fobia, de acordo
com a Associação Americana de Psiquiatria, é definida como “um
temor ou medo irracional de um objeto ou atividade, levando a

143
A OPERAÇÃO DO ERRO

pessoa a evitar significativamente o objeto tem ido” (Diagnostic


and Statistical Manual).
No recente filme de comédia WhataboutBobP, um paciente
de psiquiatria é assediado por fobias, entre as quais a claustrofobia.
Ao se aproximar de um lugar pequeno, como um elevador ou um
ônibus lotado, ele se anima, controla a respiração e tenta (geral­
mente sem sucesso) conseguir permanecer em um lugar apertado
pelo menos por um pouco de tempo.
Presumindo que o homossexualismo é o “objeto ou ativida­
d e” que o homofóbico teme, será que todos nós que somos “homo-
fóbicos” não deveríamos ser como Bob? Ao ver um homossexual,
se somos realmente homofóbicos, nós também não deveríamos
ficar agitados, com a respiração mais rápida, quase não suportando a
presença de um homossexual, mesmo que por pouco tempo?
Acontece que não reagimos assim. Portanto, é improvável
que a pessoa acusada de homofobia seja realmente homofóbica.
Para que fosse, de acordo com a APA, a pessoa deveria ter medo
de homossexualismo ou homossexuais, fazendo tudo para evitar
a ambos.
A mulher ou homem cristão que fala face a face com ho­
mossexuais — confrontando ou conversando — ou trabalha junto
com eles, ou se relaciona com eles de qualquer outra forma, difi­
cilmente poderia ser acusada de ter uma “reação homofóbica” a
eles. No sentido mais estrito, portanto, poucas pessoas podem
realmente ser chamadas de “homofóbicas” . Seus sentimentos em
relação aos homossexuais podem ser negativos, mas isso, por si,
não constitui uma fobia.
Segundo, o argumento presume prematuramente que reações nega­
tivas ao homossexualismo são fobias. Eu concluí que a maioria das
reações negativas ao homossexualismo vêm não de homofobia,
mas de uma de duas origens: preconceito ou convicções.
O dicionário define preconceito como “uma opinião contra
algo sem o fundamento apropriado”. Por essa definição, há muito
preconceito contra os homossexuais. Há pessoas que não gostam
deles e até os desprezam automaticamente, com uma opinião for­

144
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

mada sem base racional. O preconceito machuca; ele é injusto e


maligno ao extremo. Mas não é uma fobia, no sentido de “temor”
ou “m ed o” . E um pecado, e dos piores.
Em contraste, uma “convicção”, segundo o dicionário, é “cer­
teza obtida de fatos e razões que não deixam lugar para dúvidas
ou objeções” . E plenam ente possível ter uma posição firme em
relação ao homossexualismo sem preconceito ou fobia. Eu creio
que esse é o caso da maioria dos cristãos. Até Mel White, que
condena a homofobia na igreja em todo o seu livro, concorda que
“pessoas que estudam com atenção as Escrituras podem discor­
dar na questão do homossexualismo”.252
Andrew Sullivan, o editor homossexual do The New Republic,
vai até mais longe ao dizer:
Talvez o aspecto mais deprimente e infrutífero do debate
atual sobre o homossexualismo é tratar todas as versões des­
se argumento [cristão conservador] como equivalente a intole­
rância. Elas não são. E, o que é mais sério, ela [a proibição cristã
do homossexualismo] não é uma fobia; é um argumento."-1
Minha admiração por um dos meus escritores favoritos aju­
dou-me a entender a diferença entre fobia, preconceito e convic­
ção. Não há ninguém que eu goste mais de ver na telinha do que
Spencer Tracy. Em todos os seus filmes ele exprime uma combi­
nação de integridade, cinismo, humor seco e gentileza. Ele foi
um personagem raro — um verdadeiro cavalheiro com uma atitu­
de de “nem pense em me atrapalhar.” Eu gosto muito dos seus
filmes e respeito seu trabalho.
Eu tam bém sei que ele era adúltero. Durante vários anos ele
teve um caso com Katherine Hepburn, apesar de ser casado. E,
sabendo que o adultério é condenado pela Bíblia, não tenho dú ­
vidas sobre a imoralidade do relacionamento de Tracy e Hepburn.
Isso me torna “Tracy-fóbico” ? Dificilmente! Eu não teria pra­
zer em olhar os filmes de alguém contra quem eu tenho uma rea­
ção de fobia, assim como alguém com aracnofobia não teria pra­
zer em observar uma aranha.
Talvez, então, isso me torne culpado de preconceito, com

1 45
A OPERAÇÃO DO ERRO

uma opinião sobre Tracy sem base adequada? Também não. Há


uma base específica para minha convicção quanto ao adultério, o
que de forma alguma interfere no meu respeito pelo homem em
outras áreas. Tenho minha convicção quanto ao adultério: ê erra­
do. Tracy o cometeu, portanto, nessa área eu digo que ele está
errado. Tam bém digo que ele era muito bom em outras áreas.
A mesma coisa pode ser dita de Elton John, K. D. Lange,
Martina Navratilova, Greg Louganis e Johnny Mathis, todos aber­
tamente homossexuais. Suas contribuições nos enriqueceram; suas
conquistas são notáveis. Não é só possível apreciar algo que eles
fazem ao mesmo tempo que se discorda deles em outra área; se­
ria totalmente ilógico não fazê-lo.
Em resumo, o termo homofobia só pode ser usado de modo
apropriado em muito poucos casos. “Preconceito” descreve ati­
tudes negativas infundadas contra homossexuais, enquanto “con­
vicção” descreve o que pensam as pessoas que têm a posição cris­
tã conservadora em relação ao homossexualismo.

Segundo argumento geral: pregar contra o hom ossexualism o


incita à violên cia contra lésb icas e gays
Em Understanding Homosexuality: the Pride and the Prejudice,
de Roger Biery, um pai arrasado descreve a morte do seu filho
homossexual durante uma altercação com um policial:
O tira disse que sacou o distintivo e que meu filho sacou
uma faca, um canivete. Eles lutaram e meu filho foi morto.
Se tudo isso é verdade, por que nosso filho foi retalhado como
um peru? Nosso filho jamais teve uma faea. Jamais feriu nin­
guém. Essa tal Anita Bryant e seu bando ajudaram a matá-lo.
Ela espalhou ódio suficiente para matar uma porção de jovens.
Ela deu aos loucos uma desculpa para a caça às bruxas.254

Exatam ente quem está errado não pode ser provado. Não
temos condições de investigar as acusações que esse homem faz
contra a polícia. Mas suas acusações contra Anita Bryant — e, por
extensão, a todos nós que tomamos posição pública contra o mo­
vimento dos direitos dos homossexuais — precisam ser levadas a
sério.

1 46
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

Será que ensinar que o homossexualismo é errado, pregar


contra a conduta homossexual ou posicionar-se em público con­
tra leis favoráveis ao homossexualismo, como fez Anita Bryant,
realmente “ajuda a matar” , “espalha ódio” e dá a “loucos” uma
desculpa para fazer uma caça às bruxas? Tenho certeza que não.
Esse argumento, porém, merece atenção cuidadosa. Se nos im­
portamos com os homossexuais, não podemos ser indiferentes às
acusações de que de alguma forma os estamos prejudicando.

P r i m e i r a re sp o sta : esse a rg u m e n to é e n g a n o s o e ilógico p o r­


q u e p r e s u m e q u e o e n sin o religioso é re s p o n s á v e l pe la c o n ­
d u ta vio lenta. H á três m otivo s p a r a c r e r q u e ele n ã o é:
Primeiro, há um mundo de diferenças entre convicção e into­
lerância. Ensinar e pregar convicções morais não incita à violência.
Se isso fosse verdade, cada vez que um pastor pregasse sobre os
males da mentira, da trapaça ou das relações sexuais antes do ca­
samento, seus paroquianos abandonariam o auditório e atacariam
o primeiro mentiroso, sonegador de impostos ou o primeiro jo­
vem que não fosse virgem que encontrassem. Portanto, a lógica
nos diz que pregar ou falar contra certo pecado não irá, por si só,
levar as pessoas a atacar a pessoa que comete aquele pecado.
Segundo, a intolerância violenta não precisa de ensino ou
pregação para sobreviver. Racistas à espreita de minorias para
atacá-las não precisam de um sermão para agirem: seu ódio é
motivação suficiente. Da mesma forma, pessoas que cometem
atos de violência contra homossexuais não precisam de um ser­
mão sobre os males do homossexualismo para motivar suas ações.
Duvido que um agressor desses tenha alguma vez se dirigido à
vítima dizendo: “Acabamos de vir da igreja onde ouvimos que
você é pecador, por isso iremos atacá-lo.”
Terceiro, convicções religiosas podem ser usadas como dis­
farce para a intolerância, e como desculpa para a violência. Os
adeptos da supremacia branca manipulam a Bíblia para justificar
seu ódio. Os nazistas chamavam os judeus de “assassinos de Cris­
to” , o que lhes servia de mais uma desculpa para seu anti-semitis­

147
A OPERAÇÃO DO ERRO

mo. Isso também vale para pessoas que atacam homossexuais —


eles podem estar usando convicções religiosas como disfarce para
seu ódio, mas é seu ódio, não suas convicções, que incita sua vio­
lência.
Mel White traz um bom exemplo disso, talvez sem inten ­
ção, em Stranger at the Gate. Depois de criticar a comunidade cris­
tã como “a principal fonte de intolerância e discriminação contra
os homossexuais no país, ele conta a história de um escritor que,
para escrever sobre o assassinato de um homossexual, entrevis­
tou homens jovens que tinham sido condenados por crimes con­
tra homens e mulheres homossexuais, movidos pelo ódio.
“Em muitos casos”, diz ele, “esses jovens vinham de famíli­
as e lares cristãos.”255 Citando outro estudo de violência contra
homossexuais, ele continua: “Estudos disponíveis mostram que
os que freqüentam a igreja com mais regularidade e são mais ‘or­
todoxos’, ‘devotos’ ou ‘fundamentalistas’ têm mais tendência de
ser contra [homossexuais].”256
Apesar de White dar a impressão de que está tentando mos­
trar como a desaprovação religiosa do homossexualismo leva à vi­
olência contra os homossexuais, na verdade ele dá munição para
o lado oposto. Os estudos que ele menciona parecem provar que
o ensino, em si, não incita à violência.
Se fosse verdade, esses jovens “caçadores de homossexu­
ais” de lares cristãos não teriam sido condenados somente por
crimes por ódio contra homossexuais; também teriam sido con­
denados por crimes por ódio contra adúlteros, fofoqueiras, bêba­
dos, idólatras, adolescentes rebeldes e crentes que não examina­
ram com cuidado seu coração antes de participar da Ceia. Por quê?
Porque na igreja e nos lares cristãos também se prega contra todas
essas coisas.
Além disso, se o ensino fundamentalista, devoto, ortodoxo
sobre homossexualismo inspira a violência contra os homossexu­
ais, não deveria a maioria dos filhos criados em lares cristãos estar
atacando homossexuais? Na realidade, mesmo uma pessoa que
ataca homossexuais é demais. Mas por que os jovens citados no

1 48
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

livro de White são a exceção e não a regra? Se o ensino cristão


contra o homossexualismo inspira ódio e violência contra homos­
sexuais, então a maioria das pessoas criadas em lares cristãos de­
veria odiar e atacar homossexuais.
Mas não é isso que acontece. As pessoas criadas em lares cris­
tãos que atacam homossexuais têm problemas sérios. Suas con­
vicções são incidentais; eles podem estar usando-as como descul­
pa, mas é sua insanidade, não sua religião, que causa seu compor­
tamento. Não há razão para crer que se comportariam diferente
se nunca tivessem tido ensino religioso sobre homossexualismo,
assim como não há motivo para presumir que os nazistas teriam
menos ódio pelos judeus se não tivessem o conceito de “assassi­
nos de Cristo” em que pendurá-lo. John Boswell tem uma cita­
ção relevante de doutrina que é usada como máscara para ódio
preexistente: “Podemos facilmente desmascarar o absurdo dos
nossos difamadores e mostrar que sua hostilidade não tem base.
Mas o que isso prova? Que seu ódio é real. No fim a intolerância
será irrefutável.” 257

Terceiro argum ento geral: pregar contra o hom ossexualism o


c a u sa o suicídio de adolescentes h om ossexu ais
Ninguém sabia por quê. O namorado da moça encontrou a
resposta quando o diretor da escola secundária deixou-o lim­
par as gavetas dela. Anotações rabiscadas na terceira capa da
sua pasta contaram sua história. Ela era homossexual e o sa­
bia, mas sua mãe era ativa nas campanhas contra os direitos
dos homossexuais. Ela não sabia nada de positivo sobre os
hom ossexuais, acreditou que era maldita e não queria
desgraçar a família. Por isso ela se matou. Essa mãe ainda chora
em segredo por sua filha, sem saber que ajudou a matá-la."5íi

A situação dos adolescentes homossexuais e o fantasma do


suicídio de adolescentes assombram todos os que estão familiari­
zados com a questão. Ninguém, não importa suas convicções so­
bre homossexualismo, quer ver vidas jovens destruídas. Assim, à
luz de histórias como essa e da argumentação do autor de que a
oposição da mãe aos direitos dos homossexuais foi o que matou a

1 49
A OPERAÇÃO DO ERRO

filha, somos forçados a nos perguntar: Será que tomar posição ou


pregar contra o homossexualismo causa danos aos adolescentes
que podem estar em luta com sua sexualidade?
Programas de aconselhamento de homossexuais no sistema
escolar público certamente parecem partir desse conceito. O pro­
fessor de inglês do segundo grau, John Anderson, sublinhando a
necessidade de apoio aos homossexuais patrocinado pela escola,
escreve: “Como as pessoas interpretam a Bíblia é outra parte do
problema. Alguns escolhem a dedo seu caminho pela Bíblia e
selecionam passagens que condenam a atividade homossexual.” 259
Seminários de aconselhamento nas escolas públicas concor­
dam. Ao discutir como criar um “ambiente afirmativo” para alu­
nos homossexuais, um grupo de conselheiros e supervisores de
uma escola pública do Arizona tinha um alvo claro:
A homofobia precisa ser eliminada. Foi detectado claramen­
te em uma maioria de freqüentadores que provém da com u­
nidade religiosa cristã cuja ignorância e “interpretação ten­
denciosa da Bíblia para justificar seu preconceito” foi a cau­
sa de ódio e crimes contra jovens homossexuais e até da morte
de alguns d e le s /60

Ouvindo isso, o cristão comum pode muito bem ser tentado


a nunca mais dizer qualquer palavra contra o homossexualismo!
E horrível pensar que nossas palavras poderiam causar a morte de
alguém. Preferimos ficar mudos do que ver um adolescente se
matar por causa de algo que dissemos. E, é claro, esse medo pode
ser explorado por seus protetores, intimidando-nos para não to­
marmos qualquer posição em relação ao assunto.
Certa vez, durante uma conferência sobre homossexualismo
e igreja, um jovem visivelmente encolerizado gritou comigo (e
com todos os outros palestrantes convidados) que deveríamos tomar
mais cuidado com nossas palavras. “Se vocês dizem q u e o
homossexualismo é errado, os jovens podem ouvir o que vocês
dizem e acabar se matando!”
Eu tentei com jeito dizer-lhe que nos importávamos com os
jovens tanto como ele e que a lógica simples nos ensina que dizer

150
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

que algo é errado está muito longe de dizer que as pessoas que
fazem essa coisa deviam matar-se. Mas ele não queria saber; ele já
tinha decidido que o ensino contra o comportamento homosse­
xual inspirava o suicídio dos adolescentes; por isso, o sangue de
adolescentes homossexuais estava grudado em nossas mãos.
Já ouvi diversas variações desse argumento: “Quando você
diz que o homossexualismo é errado, você está ensinando os jo­
vens homossexuais a se odiarem, você rebaixa a auto-estima de­
les e os empurra em direção ao suicídio.” ( Uma publicação que li
chegou ao ponto de dizer que é abuso infantil ensinar aos filhos que
heterossexualismo é normal!)
Intencionalmente ou não, as pessoas que usam esses argu­
mentos estão recorrendo à forma mais grosseira de manipulação.
Gomo o argumento da homofobia, ou o argumento que pregar
contra o homossexualismo incita à violência, esse argumento res­
tringe a liberdade de expressão em nome da “preocupação com
os nossos filhos”. Todavia, dizer que nossa posição quanto ao
homossexualismo causa danos aos adolescentes homossexuais é
uma acusação bastante forte. Ela precisa ser examinada antes de
ser aceita.
A idéia de que adolescentes homossexuais correm um risco
alto de suicídio, e que dizer-lhes que o homossexualismo é anor­
mal aumenta esse risco, é inspirada em grande parte por um rela­
tório de 1989, de um grupo de trabalho federal especial sobre
jovens e suicídio. Apresentado ao Dr. Louis Sullivan, antigo M i­
nistro de Saúde e Serviços Humanos (dosEstados Unidos), o rela­
tório concluiu que:
1) Um terço de todos os adolescentes que se suicidam são
homossexuais;
2) O suicídio é a principal causa de morte entre adolescentes
homossexuais;
3) Adolescentes homossexuais que cometem suicídio o fa­
zem devido à “homofobia interiorizada” e à violência dirigida
contra eles.

151
A OPERAÇÃO DO ERRO

Mais adiante no relatório, os lares fundamentalistas e católi­


cos tradicionais são exortados a reconhecer o quanto eles “contri­
buem para a rejeição dos jovens homossexuais por suas famílias e
para a alta taxa de suicídio entre os rapazes homossexuais” .261
Esse relatório, e suas conclusões, têm sido repetidos sempre de
novo em publicações importantes e de homossexuais. Por esse
motivo, muitos homossexuais e defensores de homossexuais cris­
tãos (e muitos da população em geral também) crêem que o ensino
tradicional sobre o homossexualismo contribui para a morte de
adolescentes homossexuais.

Resposta: E sse argumento é enganoso por três razões básicas:


Primeiro, os dados estatísticos e as conclusões numéricas do relató­
rio são altamente questionáveis. O relatório em que esse argumento
está baseado foi elaborado por um ativista homossexual de São
Francisco chamado Paul Gibson, cuja pesquisa foi tão mal feita
que o Dr. Sullivan, a quem ela foi submetida, distanciou-se dela
oficialmente e tam bém seu departamento, declarando que de
forma alguma ela representava sua convicções ou a posição do
seu departamento. O Dr. Sullivan deve ter encontrado sérias fa­
lhas num estudo submetido ao seu departamento para repudiá-]o
de tal forma.
Realmente esse foi o caso. Peter LaBarbera, antigo repórter
do Washington Poste editor do LambdaReport, investigou o relató­
rio de Gibson e encontrou numerosas falhas. Abaixo parafrasea­
rei as evidências que LaBarbera apresentou:
Para dar base à sua tese sobre a prevalência de suicídios de
homossexuais, Gibson cita um autor que especulou em 1985 que
“perto de 3.000 jovens homossexuais se matam a cada ano” . Esse
dado ultrapassa o número total de suicídios anuais de adolescen­
tes em mais de 1.000!262
Como se esse exagero não fosse suficiente, Gibson arredon­
dou seus dados afirmando que os adolescentes homossexuais cons­
tituem um terço de todos os adolescentes que se suicidam. Ele
estudou pesquisas variadas de homossexuais sobre jovens pro­

1 52
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

blemáticos e fugidos, chegou ao número de jovens com te n d ên ­


cias suicidas (não suicídios realmente acontecidos) entre os adoles­
centes homossexuais das pesquisas, depois multiplicou o n ú m e ­
ro por 10%, usando o dado desacreditado de Kinsey para deter­
minar quantos adolescentes homossexuais cometem suicídio! Isso
levou David Shaffer, um psiquiatra e especialista em suicídio de
adolescentes da Universidade de Colúmbia, a notar: “Eu lutei
um bom tempo com a matemática de Gibson mas, no fim, pare­
ceu-me que era mais abracadabra do que matemática.” 263
Apesar disso, é com base nesses dados falhos que os progra­
mas de aconselhamento de adolescentes homossexuais são ela­
borados em todo o país, e se conclui que os adolescentes homos­
sexuais incorrem em uma taxa elevada de suicídio, e os pais cris­
tãos são acusados de causar danos em filhos homossexuais!
Segundo, as conclusões do relatório sobre suicídios de adolescentes
homossexuais são contraditados por outros mais confiáveis. Uma pes­
quisa de 1986 com jovens de San Diego realizada pela Universi­
dade da Califórnia em San Diego, entrevistou os sobreviventes
de 238 tentativas de suicídio, dos quais 133 tinham menos de 30
anos. Descobriu-se que somente nove (ou 1%) eram homossexu­
ais, dos quais nen hu m tinha menos de 21 anos. Esses resultados
estão a anos-luz dos de Gibson.
Além disso, em um estudo da Universidade de Colúmbia
com 107 adolescentes masculinos de Nova York que se suicida­
ram, sabe-se que somente três tinham sido homossexuais, dos
quais dois morreram em um pacto suicida. Outra pesquisa feita
pela organização Gallup com 1.152 adolescentes descobriu que,
de 60% que conheciam um adolescente que tinha cometido sui­
cídio, nenhum mencionou a sexualidade do adolescente como
sendo parte do problema. E dos que tinham chegado perto de se
matarem, a maioria citou problemas de namoro ou de baixa auto-
estima (não homossexualismo) como a causa.264
Terceiro, nenhum grupo de controle heterossexualfo i usado no estu­
do de Gibson. E impressionante que Gibson teve a audácia de
subm eter suas conclusões sobre os suicídios de homossexuais ao

1 53
A OPERAÇÃO DO ERRO

Dr. Sullivan (e ao público) sem ter usado um grupo de controle


heterossexual para fazer a comparação. Gomo poderia ele saber
até que ponto o homossexualismo teve um papel nesses suicídi­
os, sem um grupo de comparação? David Shaffer, cuja experiên­
cia com casos de suicídio de homossexuais é vasta, detectou pou­
ca diferença entre os estudos de casos dos suicídios de adoles­
centes homossexuais de Gibson e a maioria dos outros suicídios
de adolescentes que estudou: “As histórias eram as mesmas: uma
audiência no tribunal marcada para o dia da morte; depressão pro­
longada; problemas com drogas e álcool etc.” 263
Em outras palavras, os problemas que os adolescentes ho­
mossexuais suicidas enfrentavam eram similares aos de outros ado­
lescentes sob pressão. Se o preconceito contra homossexuais in­
fluiu em suas mortes trágicas, certamente isso não transparece
nas evidências.
Mesmo assim, programas de aconselhamento de homosse­
xuais em todo o país estão-se multiplicando, em boa parte em
resposta a esse relatório desacreditado que afirma, sem poder pro­
var, o predomínio de suicídios de adolescentes homossexuais. O
que Gibson conseguiu foi dar um verdadeiro golpe: ele forjou um
problema, fez um relatório sobre ele, e depois surgiu com um
plano de ação para resolvê-lo.
E claro que alguns adolescentes homossexuais cometem sui­
cídio. Adolescentes heterossexuais também. Devemos fazer tudo
o que pudermos para prevenir essas tragédias. Mas é descarada­
m ente em proveito próprio, para não dizer crueldade, que os ho­
mossexuais ou seus simpatizantes propõe que o ensino cristão é,
de alguma forma, responsável pelo isolamento, maus tratos e morte
de uma criança. Gomo no caso da violência dirigida contra ho­
mossexuais em geral, a culpa para isso precisa ser buscada em
outro lugar.
Isso, porém, não nos deixa sem culpa. D efender os valores
bíblicos de forma alguma contribuiu para a morte ou dano em o­
cional de homossexuais, mas a maneira com que o fizemos pode
ser outra questão. Não importà quantas vezes digamos que odia­

154
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

mos o pecado mas amamos o pecador, muitos de nós precisam se


perguntar como esse “amor pelo pecador” tem sido expresso.
E m 1981, o professor Richard Lovelace, do Seminário Teo­
lógico Gordon-Conwell, comentou na revista Christianity Today:
“A maior parte do arrependimento que precisa acontecer em re­
lação ao homossexualismo cabe a pessoas que não são homosse­
xuais, inclusive cristãos. D e longe, o maior pecado em nossa igre­
ja é a negligência, o medo e o ódio.”266
E verdade que muitos cristãos e muitas igrejas abriram suas
portas e corações para os homossexuais. Eles os amaram sem com­
prometer os padrões bíblicos e, falando a verdade em amor, têm
visto homens e mulheres homossexuais ganhos para o reino de
Deus.
Mas nem todos os pastores e congregações podem dizer a
mesma coisa, o que nos leva para um ponto crucial: se os homos­
sexuais se depararam com rejeição e isolamento na sociedade e
vêm até nós só para não encontrar nenhum a acolhida, mas rejei­
ção, então o julgamento que pronunciamos tão avidamente sobre
eles por sua perversão sexual certamente cairá também sobre nós
— talvez ao cêntuplo — por nossa perversão do evangelho.

Falemos da Resposta da Sociedade


ao Homossexualismo
(Um m odelo de diálogo)
D e f e n s o r h o m o s s e x u a l cristão: “Quando você diz que o
homossexualismo é errado, na verdade você está dando vazão ao
mesmo problema antigo: homofobia
R es p o s ta : “O quê, exatamente, é homofobia?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Homofobia é medo ou


ódio injustificado de homossexuais, e ela está em todo lugar. Toda
a nossa sociedade está saturada dela.”
R es p o s ta : “Isso soa terrível. Lamento ouvir que há pessoas
com ódio ou medo de você. N inguém deve ser tratado dessa ma­
neira. Diga-me, de que maneira eu fiz isso a você?”

155
A OPERAÇÃO DO ERRO

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l c ristão: “Usando versículos bí­


blicos para me condenar cada vez que você fala de homosse­
xualismo!”
R e sp o sta : “Mas eu creio na Bíblia. Você, como homossexu­
al cristão, tam bém diz que crê nela. Isso não significa que ambos
tiramos nossa orientação moral da Escritura?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Sim.”
R e sp o sta : “Então, que mal há em citá-la quando eu explico
por que creio que o homossexualismo é errado?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Porque a maioria das


pessoas que cita a Bíblia para os homossexuais é homofóbica, e
usa a Bíblia como desculpa para nos odiar.”
R e sp o sta : “Essa é uma acusação grave. Eu estou agindo
como se eu odiasse você? E verdade que eu creio que o homosse­
xualismo é errado. Mas isso é uma convicção, não uma fobia. Se
eu tivesse homofobia, você acha que eu conseguiria ficar sentado
aqui e conversar com você? Afinal de contas, se eu tivesse uma
fobia em relação aos homossexuais, eu teria medo de estar de
alguma forma perto de você!”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas você acha que o


homossexualismo é um grande pecado ou algo assim.”
R esp o sta: “Eu acho que ele é um pecado, nem pior nem
melhor que alguns dos meus pecados. Mas pensar que algo é p e ­
cado e ter uma fobia em relação a isso são duas coisas bem dife­
rentes.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l c ristão: “Mas você não sabe


quantos homens e mulheres homossexuais são atacados porque
pessoas como você saem por aí dizendo que é pecado?”
R e sp o sta : “Eu sou contra qualquer pessoa ser machucada,
e eu falo contra agressões a homossexuais tanto quanto falo con­
tra o comportamento homossexual. Mas ninguém é atacado só

1 56
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

porque eu, ou algum outro cristão, diz que homossexualismo é


pecado.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “É sim, pode crer! Há


estudos que mostram que agressores de homossexuais vêm de
lares cristãos, assim como o seu.”
R e s p o s ta : “Alguns vêm realmente, mas é a loucura deles e
não a religião que os faz cometer essas coisas terríveis. Alguns
assassinos e estupradores também vêm de lares cristãos, mas isso
não quer dizer que sua educação religiosa os fez cometer esses
crimes. Pensar que o homossexualismo é eríado não faz você ba­
ter em homossexuais. Eu acho que é errado, e não estou batendo
em você, não é verdade?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Não, mas se eu fosse


um adolescente, as coisas que você diz sobre os homossexuais
iriam me ferir de verdade. Adolescentes homossexuais ouvem
pessoas como você falar e aprendem a se odiar. Uma porção deles
até comete suicídio!”
R e s p o s ta : “Se os adolescentes homossexuais aprendem a
se odiar, não é porque ouvem pessoas como eu falar. Eu não xin­
go os homossexuais, nem os ridicularizo ou digo que são piores
que outras pessoas.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas quando você diz


que o homossexualismo é pecado, eles absorvem isso e pensam
que há algo errado com eles!”
R e s p o s ta : “Você está dizendo que, cada vez que ensinamos
sobre moral, os adolescentes sofrem dano? Isso não faz sentido.
Ensinar que algo é errado não faz os jovens se sentirem mal sobre
si mesmos. Se isso fosse verdade, nós estaríamos lhes causando
danos cada vez que lhes ensinamos a não roubar, mentir ou trapa­
cear. E quanto aos homossexuais que cometem suicídio, bem, já
é uma coisa horrível se acontecer uma vez só. Mas o problema
está sendo exagerado. Não estou dizendo que não acontece; só

157
A OPERAÇÃO DO ERRO

que não acontece nem de longe tanto como algumas pessoas dizem.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Mas acontece!”


R e sp o sta : “Sim, e deveríamos trabalhar juntos para preve­
ni-lo. Porém, silenciar a opinião cristã sobre o homossexualismo
não é a maneira de fazê-lo. Os pais têm o direito de ensinar valo­
res aos seus filhos sem que a escola interfira. Além disso, não há
evidência sólida de que o ensino religioso causa os jovens a faze­
rem mal a si mesmos.”

A rg u m e n to h o m o s se x u a l cristão: “Há, sim! Saiu uma pes­


quisa há alguns anos provando que jovens homossexuais têm três
vezes mais probabilidade de se matar do que os que não são. E
quando o fazem, muitas vezes é por causa de pessoas como você
com sua posição contra os homossexuais.”
R e sp o sta : “A pesquisa de que você está falando foi com­
pletam ente desacreditada. O Ministro de Saúde e Serviços H u ­
manos (dos Estados Unidos) não quis nem pegá-la na mão, de tão
fraca que era. N enhum a das afirmações que fez foi provada, e
várias foram provadas serem falsas.

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Por exemplo?”


R e sp o sta : “Por exemplo a idéia de que os adolescentes ho­
mossexuais têm três vezes mais probabilidade de se matar. Vá­
rios estudos mostraram que isso é falso. E nenhum provou que o
ensino religioso sobre o homossexualismo aumenta a probabili­
dade de um adolescente cometer suicídio. Assim, você vê, você
está me acusando de uma coisa séria. Você está depositando as
mortes de adolescentes homossexuais aos meus pés, dizendo que,
de alguma forma, eu sou responsável. Isso não é justo, e certa­
m ente não é exato.
O fato é que você e eu temos uma posição totalmente dife­
rente em relação ao homossexualismo. Eu posso viver com isso.
Mas eu lhe pediria, com todo o respeito devido, que você não me
acuse de coisas que eu nunca fiz — coisas como prejudicar ado­

1 58
A RESPOSTA DA SOCIEDADE AO HOMOSSEXUALISMO

lescentes ou espalhar preconceitos. Porque, ao fazer isso, você se


torna culpado das mesmas coisas que você diz que os cristãos con­
servadores fazem com você. Você está espalhando mitos e estere­
ótipos. Podemos não concordar sobre homossexualismo, mas te­
nho certeza que ambos concordamos na necessidade de ser ver­
dadeiros, mesmo quando discordamos.”

1 59
9
Argumentos
Religiosos Gerais

“0 que está sendo desenhado para as pessoas é um Deus


‘fácil de usar', que sorrirá benigno lá de cima para o
estilo de vida que elas escolherem, enquanto vivem como
querem. ”
Greg Laurie, “A Grande
Transigência”

spera-se de nós que sejamos simpáticos.


M ê* Há uma tendência estranha infiltrando-se na
igreja: a “simpatia” está tendo precedência sobre a verdade. A
imoralidade — até entre líderes cristãos — fica sem ser confron­
tada; as linhas doutrinárias estão mais difusas do que nunca; e
muitas igrejas parecem estar mais preocupadas em fazer as pesso­
as se sentirem bem do que em despertar nelas o senso de sua
necessidade de Deus.
Tudo isso precisa ser reconhecido antes de confrontarmos o
Movimento Gay Cristão. Boa parte das críticas que dirigimos con­
tra eles precisam ser feitas igualmente a nós.
Por exemplo: quando li Stranger A t The Gate, de Mel White,
fiquei impressionado com sua descrição da Metropolitan Com-

161
A OPERAÇÃO DO ERRO

munity Church, que ele começara a freqüentar: “Quando pergun­


tei a Ken (o pastor homossexual) por que ele nunca pregava sobre
pecado ou julgamento, mas somente sobre o amor e a graça de
Deus, ele sorriu e respondeu sem hesitar: ‘As pessoas que vêm a
essa igreja já ouviram que chega sobre pecado e julgamento.”’267
Como isso é típico de uma igreja homossexual, eu pensei. Nenhu­
ma pregação sobre pecado — só graça sem responsabilidade.
Não se passaram três dias, porém, e eu me deparei com uma
informação que mostrava que a atitude distorcida desse pastor
não era exclusiva das igrejas de homossexuais. A relutância em
discutir o pecado — muito menos em confrontá-lo — é muito
comum entre os cristãos. A verdade está cedendo espaço à transi­
gência.
Uma pesquisa recente mostrou que 66% (dois terços) dos
americanos não crêem mais que existe uma “verdade absoluta”.
Mais desanimador ainda foi o fato de que 53% dos que não crêem
em uma verdade absoluta identificaram-se como cristãos, pesso­
as que nasceram de novo — 75% dos quais eram das principais
denominações protestantes.268
Se a verdade absoluta não existe mais, mesmo na m ente de
metade da população que nasceu de novo, segue-se logicamente
que se dá menos crédito à doutrina e à própria Bíblia. O pesqui­
sador George Gallup Jr. percebeu isso em The people’s religion:
kmerican faith in the 90s. “A religião é muito popular nos Estados
Unidos” , diz ele, “mas em grande parte tornou-se superficial. Há
uma lacuna de conhecimento entre a fé professada e a falta do
conhecimento mais básico sobre essa fé.” 269
Em resumo, os que se identificam como cristãos na década
de 90 são ignorantes quanto à Bíblia. A doutrina tornou-se menos
importante do que bons sentimentos; de fato, uma pesquisa de
USA Today constatou que, dos 56% dos americanos que freqüen­
tam a igreja, 45% o fazem porque “é bom para você” , e 26% bus­
cavam paz de espírito. Doutrinas específicas, a pesquisa consta­
tou, não pareciam ser importantes.270
Se a noção de “verdade” e “doutrina” está-se tornando sem
importância para os cristãos, será que a idéia de “pecado” pode

162
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

ter esperança de sobreviver? Provavelmente não. Dos cristãos


pesquisados em 1993, 25 acreditavam que pecado é “um concei­
to ultrapassado” .271
“A consciência de pecado costumava ser nossa sombra” ,
GorneliusPlantinga Jr. escreve em Christianity Today. “Os cristãos
odiavam o pecado, temiam-no, fugiam dele. Agora a sombra se
desfez. Hoje em dia, a acusação você pecou muitas vezes é dita
com um sorriso.272 (Esta Editora está publicando Não E ra Para
Ser Assim, de Plantinga, sobre esse tema, n. do e.)
A verdade do evangelho, porém, nunca se adapta assim. João
Batista foi implacável com os fariseus (Mt 3.7-8); Jesus censurou
Pedro quando este tentou interferir na sua missão (Mt 16.22-23);
e Paulo estava disposto a repreender a hipocrisia em público,
mesmo quando cometida por um discípulo respeitado (G1 2.11-
14). E verdade que devemos ser gentis. Mas nunca às custas da
verdade.
Hoje em dia, porém, a distância entre a verdade e a prática
moderna tem sido grande o suficiente para permitir que todo tipo
de idéias falsas (apesar de “simpáticas”) entrem na igreja, criando
uma mentalidade que diz: Vamos todos nos dar bem sem conflitos,
está bemP O escritor J. Stephen Lang tenta explica esse fenôm e­
no: “O amor é compreensível — caloroso e aconchegante. A dou­
trina, por outro lado, soa fria, difícil e exigente."m
O anseio por “calor e aconchego” sem compromisso com a
verdade torna os argumentos religiosos gerais da teologia favorá­
vel ao homossexualismo ainda mais palatáveis. Diferente dos ar­
gumentos de justiça social dos capítulos anteriores, esses argu­
mentos são mais “religiosos” — isso é, eles enfatizam os temas
religiosos gerais de harmonia e boa vontade, e pulam questões da
natureza caída, de pecado e obediência. Para quem é ignorante
em termos de Bíblia, eles podem passar por verdadeiros; mas à
luz da Escritura eles não têm pernas sobre as quais ficar de pé.
Como são de tom mais religioso do que social, esses temas
podem ser respondidos quase totalmente em termos bíblicos.
Lembrando que os membros do Movimento Gay Cristão dizem
crer na autoridade da Bíblia, a melhor maneira de responder a

163
A OPERAÇÃO DO ERRO

esses argumentos é um retorno à verdade objetiva da Bíblia, em


vez dos ventos subjetivos da experiência e do entendim ento h u ­
manos.

P r im e iro a r g u m e n to religioso geral: J e s u s n ã o disse n a d a


s o b re h o m o s se x u a lis m o
Esse é um dos favoritos em qualquer desfile de homosse­
xuais. Invariavelmente, quando o Movimento Gay Cristão está
representado, alguém do grupo levantará um cartaz com os dizeres:

O Q U E JESUS DISSE
SOBRE HO M O SSEX U A LISM O:

A idéia, é claro, é que, se Jesus não proibiu especificamente


certo comportamento, então esse assunto não deve ter sido im­
portante para ele. Ampliando mais um pouco a questão, esse ar­
gumento presume que, se Jesus não estava expressamente preo­
cupado com algo, nós também não precisamos estar.
Troy Perry é um exemplo típico de líder homossexual cris­
tão ao tirar bastante desse argumento baseado no silêncio: “Quanto
à pergunta ‘O que Jesus disse sobre homossexualismo?’, a res­
posta é simples. Jesus não disse nada. Nada mesmo. Nada! Jesus
estava mais interessado em amor.”274 Assim, de acordo com o ar­
gum ento do silêncio, se Jesus não falou sobre o assunto, nós tam ­
bém não precisamos.

R e s p o s ta : E s s e a rg u m e n to é e n g a n o s o e ilógico p o r q u a tr o
ra z õ e s :
Primeiro, o argumento presume que os evangelhos têm mais auto­
ridade que os demais livros da Bíblia. A idéia de que um assunto
não é importante só porque não foi mencionado por Jesus é estra­
nha aos próprios autores dos evangelhos. Em n e n h u m lugar

164
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

Mateus, Marcos, Lucas ou João disseram que seus livros estariam


acima da Torá ou, respectivamente, as escritos que ainda segui­
riam. E m outras palavras, os evangelhos — e os ensinos que eles
contém — não são mais importantes que o restante da Bíblia.
Toda Escritura é inspirada por Deus (2Tm 3.16). O mesmo Espí­
rito que inspirou os autores dos evangelhos tam bém inspirou os
homens que escreveram o restante da Bíblia.
Segundo, o argumento presume que os evangelhos são mais
abrangentes do que realmente são. Acontece que, além de não terem
mais autoridade que o restante da Escritura, os evangelhos tam­
bém não são mais abrangentes. Ou seja, eles não contém tudo o
que precisamos saber em termos de doutrina e instrução prática.
Alguns dos ensinos mais importantes da Bíblia, na realida­
de, não constam dos evangelhos. A doutrina da natureza velha e
nova do ser humano, elaborada por Paulo em Romanos 6; o fu tu­
ro de Israel e o mistério dos gentios, mencionado por Cristo mas
explicado com mais detalhe em Romanos 9 a 11; a explanação e
uso dos dons espirituais detalhados em ICoríntios 12 e 14; o sa­
cerdócio de Cristo ilustrado em Hebreus — tudo isso aparece de­
pois dos relatos da vida, morte e ressurreição de Jesus nos evangelhos (E
nem mencionamos todo o Antigo Testamento!). Poderia alguém
dizer que essas doutrinas não são importantes simplesmente por­
que não foram mencionadas por Jesus?
Ou, dito de outra maneira, devemos realmente crer que Je­
sus não se importava com homens que batem nas mulheres ou
com incesto, só porque não disse nada sobre isso? Será que as
proibições contra incesto em Levítico e ICoríntios, bem como a
exortação de Paulo para que os maridos amem suas esposas, não
são suficientes para nos instruir sobre esses assuntos, sem que
tenham de ser mencionados nos evangelhos? Há um sem-núme-
ro de maus hábitos que Jesus não mencionou especificamente;
certamente não iremos desculpá-los só por esse motivo!
D e modo semelhante, o silêncio de Cristo sobre o homosse­
xualismo de forma alguma nega as proibições bem específicas
contra ele que aparecem em outras passagens, tanto no Antigo
como no Novo Testamento.

165
A OPERAÇÃO DO ERRO

Terceiro, esse argumento é inexato, ao achar que sabe tudo o que


Jesus disse. Os evangelhos não afirmam ser relatos completos da
vida e dos ensinos de Jesus. Seções inteiras dos seus primeiros
anos são omitidas; muito do que ele fez e disse permanece desco­
nhecido.
Lucas escreveu seu evangelho para Teófilo, “para que te ­
nhas plena certeza das verdades em que foste instruído” (Lc 1.4).
A motivação de João é mais abrangente: “Esses foram registrados
para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus e para que,
crendo, tenhais vida em seu nome” (Jo 20.31). Mas nenhum desses
autores dá a entender que registrou todas as palavras de Cristo.
João, na realidade, disse que isso teria sido impossível: “Há
ainda muitas outras coisas que Jesus fez. Se todas elas fossem
relatadas uma por uma, creio eu que nem no m undo inteiro cabe­
riam os livros que seriam escritos” (Jo 21.25).
Se isso é assim, como podemos ter certeza de que ele não
disse nada sobre homossexualismo? N inguém pode dizer. Mas
nós sabemos que há outros assuntos igualmente importantes que
não foram discutidos nos evangelhos, mas mencionados em deta­
lhe em outros livros da Bíblia. O homossexualismo, mesmo que
ausente de Mateus, Marcos, Lucas e João, está presente de modo
claro nos dois Testamentos e, do mesmo modo claro, é proibido.
Quarto, esse argumento presume erroneamente que, só porque Jesus
não disse nada especificamente sobre o homossexualismo, ele não disse
nada sobre o heterossexualismo como padrão. E m Marcos 10.5-9, Je­
sus falou nos termos mais específicos sobre a intenção de Deus
ao criar a sexualidade humana: “Desde o princípio da criação, Deus
os fez homem e mulher. Por isso, deixará o homem a seu pai e
mãe e unir-se-á a sua mulher e, com sua mulher, serão os dois
uma só carne. [...] Portanto, o que Deus ajuntou não separe o
homem.”
Nessa passagem, fora feita a Jesus uma pergunta hipotética:
O divórcio era de direito? Em vez de dar um simples “sim” ou
“não” como resposta, ele fez referência ao relato de Gênesis e,
mais especificamente, à intenção da criação, como padrão pelo qual
julgar as questões sexuais. Ao citar Gênesis, Jesus enfatizou vá­

166
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

rios elementos-chave do propósito com que casamento e relações


sexuais foram criados: um era a independência — o homem ha­
veria de deixar o lar dos seus pais para formar com sua esposa
uma nova família; outro era a união sexual de “uma só carne”
(entre homem e mulher, marido e esposa); e, é claro, a monogamia.
O homossexualismo pode não ter sido mencionado por Je­
sus; muitas outras variações sexuais também não foram. Mas ele
não poderia ter enunciado com mais clareza o padrão para a ex­
pressão sexual: homem e mulher, unidos como Deus o planejou.
Não podemos presumir que ele aprovasse algo menos do que isso.

Segundo argum ento religioso geral: “E u sou crente, n a sci­


do de novo, e sou hom ossexu al. G om o isso pode ser, se o
h om ossexu a lism o é errado?”
Esse argumento geralmente é expresso com a declaração:
Eu sou homossexual e cristão, o que é uma prova viva de que você pode
ser as duas coisas! Mel White, ao tomar posse como pastor titular
da maior igreja de homossexuais dos Estados Unidos, fez uma
afirmação semelhante: “Agora, graças a Deus, depois de trinta
anos de luta, finalmente posso dizer quem eu realmente sou. Eu
sou homossexual. E estou orgulhoso disso. E Deus me ama sem
reservas.”27;> A mensagem, então, é que se uma pessoa nasceu de
novo de verdade e é homossexual, as duas coisas devem ser com­
patíveis.

R esposta: E sse argum ento é ilógico no sentido de que pre­


sum e que, se alguém é cristão, e am ado por D e u s, en tão o
que a p essoa fa z está em ordem diante de D eu s.
Podemos aceitar as afirmações do Dr. White como verdadei­
ras: ele é homossexual, ele diz orgulhar-se disso (e ninguém tem
condições de dizer o contrário) e Deus o ama. Mas será que o amor
de Deus por ele, ou o orgulho de White de ser homossexual, jus­
tifica o homossexualismo em si?
Dificilmente. E, apesar de escapar ao objetivo deste livro
entrar no debate da segurança eterna ( “uma vez salvo, sempre sal­
vo ”), lembremos que um cristão não se torna automaticamente

1 67
A OPERAÇÃO DO ERRO

não-cristão por estar pecando. O fato de estar pecando — mesmo


sem saber — não anula automaticamente a sua salvação.
Porém sua salvação também não legitima seu pecado. Um cristão
pode, realmente, ser abertamente homossexual. Mas isso não pro­
va que homossexualismo e cristianismo são compatíveis. D e fato,
um cristão pode pecar abertamente; isso também não é prova de
que pecado e cristianismo são compatíveis.
Ananias e Safira, um casal mencionado em Atos 5, evidente­
m ente eram crentes. Mas seu pecado de hipocrisia (fingindo que
estavam dando mais dinheiro à igreja do que realmente estavam) lhes
custou a vida. Eles eram cristãos, mas caíram em um erro sério.
Seu erro não significou que não eram cristãos; seu cristianismo
não legitimou seu erro.
Pedro, pelo menos em uma ocasião, teve medo de ser visto
junto com gentios, temendo represálias de judeus que achavam
que judeus e gentios não deviam estar juntos. Assim, quando não
havia judeus por perto, ele estava disposto a sentar à mesa com
amigos não-judeus; quando os judeus estavam presentes, Pedro
evitava os gentios (G1 2.11-13). Sua hipocrisia diante do precon­
ceito estava errada, mas não há dúvida de que ele era cristão. Isso,
porém, de forma alguma justificou sua hipocrisia.
Em outras palavras, ser cristão não é garantia, em si mesmo, de
que nossa vida agrada a Deus. Todo crente honesto sabe disso.
A maioria das pessoas que eu conheci enquanto trabalhei na
Metropolitan Community Church vinham de um contexto con­
servador, como eu. Tinham vindo de igrejas batistas, pentecostais
ou fundamentalistas onde tiveram uma experiência genuína de
conversão. Todavia, todos nós tínhamos decidido que o homosse­
xualismo era aceitável e, até onde eu saiba, não deixamos de ser
cristãos no momento em que tomamos essa decisão (Deixareipara
outras pessoas determinar até que ponto podemos ter perdido nossa sal­
vação, se isso épossível.) Para todos os efeitos e propósitos, éramos
cristãos, e éramos homossexuais.
E também estávamos errados. Enganados, rebeldes ou igno­
rantes — o fato permanece de que estávamos errados. E nisso

168
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

que a discussão deve concentrar-se — na ética, não na experiên­


cia. E m vez de discutir se um cristão pode ser ou não homossexu­
al, ou vice-versa, a questão principal deveria ser se o homosse­
xualismo em si é certo ou errado.
E perda de tempo discutir coisas que não se pode provar,
como se um “cristão homossexual” é ou não realmente nascido de
novo, ou “salvo”. Podemos até dizer que, se ele continua no p e­
cado, ele corre o risco de endurecer seu coração em relação a Deus,
ou de colher a destruição, porque de Deus não se zomba. Mas
não podemos olhar dentro de sua alma para determinar até que
ponto ele está endurecido, desviado ou iludido.
Por essa razão penso que é mais útil concentrar a discussão
na Bíblia do que no estado espiritual da pessoa com que estou
discutindo. Não importa o quanto uma pessoa esteja orgulhosa
ou confiante ou seja amada por Deus, ela pode estar andando nas
trevas sem sabê-lo. E exatamente por isso que temos um padrão
objetivo pelo qual julgar nossas ações. “T em cuidado de ti m es­
mo” , Paulo disse a Timóteo, “e da doutrina. Continua nesses
deveres; porque, fazendo assim, salvarás tanto a ti mesmo como
aos teus ouvintes” ( l T m 4.16).
Dizer “eu sou cristão e homossexual” não prova nada. A per­
gunta não deve ser: Pode alguém ser homossexual e ainda pertencera
DeusP, mas: 0 homossexualismo é certo ou errado, de acordo com a
Palavra de Deus?

T erceiro a rg u m e n to religioso geral: “ E u freq ü en to u m a igreja


de h o m o s s e x u a is on d e os d o n s do E sp írito e a p r e s e n ç a de
D e u s são m an ifesto s. C o m o isso é possível, se o h o m o s s e ­
x u a lis m o é e r r a d o ? ”
Quando a pastora Sylvia Pennington freqüentou sua primei­
ra igreja de homossexuais, ela ainda achava que o homossexualis­
mo era errado. Contudo, alguma coisa aconteceu que a fez mudar
de opinião: “Eu tomei consciência da presença do Espírito Santo
à minha volta, sobre mim e dentro de mim. Eles [os homossexu­
ais] sentiam o mesmo Espírito que eu e amavam a Deus como eu.
Eles estavam realmente adorando a Deus. E Deus estava ali —

169
A OPERAÇÃO DO ERRO

inegavelmen te !” 276
A presença de Deus em uma igreja de homossexuais con­
venceu Pennington de que o homossexualismo era aceitável a
ele. Q ue outra conclusão podia ser tirada? Se ele estava ali, ele
devia estar a favor.
Lembro-me de uma conversa que tive com uma amiga lés­
bica, sobre minhas dúvidas sobre o Movimento Gay Cristão, quan­
do ainda fazia parte dele. Eu já era ativo na igreja homossexual por
pelo menos dois anos, mas não conseguia superar algo que roía a
minha consciência. Eu não estava convencido, e contei a ela.
“Mas, Jo e”, ela disse com sinceridade, “se nós estivéssemos
errados, Deus não estaria abençoando nossa igreja com sua pre­
sença. Nós não veríamos pessoas vindo à frente atendendo a ape­
los, não veríamos os dons de ensino e pregação se manifestando,
e não sentiríamos sua presença como acontece todos os domin­
gos.” Isso ajudou a acalmar um pouco a minha consciência, mas
só um pouco. E só por mais um pouco de tempo.

R esposta: E sse argum ento é en gan oso no sentido de p resu ­


m ir que os dons e a p resença de D eu s são provas da sua
aprovação.
A partir da descrição que a pastora Pennington faz de uma
igreja de homossexuais, podemos concluir uma de três coisas: ou
a presença de Deus não estava ali e o que ela sentiu foi só emo­
ção; ou o que ela (eos outros) sentiram foi uma imitação demonía­
ca; ou, de fato, Deus estava presente ali.
E inútil discutir se Deus pode ou não estar realmente pre­
sente em igrejas de homossexuais. Em lugar disso, é melhor per­
guntar: “E daí?” Mesmo se Deus está presente em igrejas de
homossexuais, e seus dons são manifestos ali, isso prova que ele
admite o homossexualismo?
D e forma alguma. A presença de Deus, maravilhosa como
ela é, e seus dons, valiosos, são dados de graça. Não são nem re­
compensa nem evidência de retidão (Por favor, observe: Não es­
tou afirmando que Deus está presente em igrejas de homosse­

170
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

xuais; só estou dizendo que, assim como no argumento “eu sou


homossexual e cristão”, é melhor ater-se à questão que interessa:
o homossexualismo ê certo ou erradoF)
Para ilustrar isso, pense na igreja de Corinto. N inguém duvi­
da que eles eram crentes genuínos. Paulo começou sua carta para
eles chamando-os “santificados em Cristo Jesus” (ICo 1.2).
Além disso, os dons do Espírito — ensino, pregação, pala­
vras proféticas, e assim por diante — eram manifestos ali. Paulo
ocupou dois capítulos inteiros, 12 e 14, ensinando-lhes como usar
esses dons. Portanto, a presença de Deus e seus dons eram clara­
m ente parte da vida da igreja de Corinto.
Mas a igreja de Corinto era uma confusão. Paulo mesmo diz
que eles eram carnais e cheios de divisões (ICo 3.3-4). O incesto
era cometido abertamente entre eles (5.1-5). Eles arrastavam uns
aos outros ao tribunal para se processarem (6.1-3). E ficavam b ê­
bados na mesa da Ceia (11.21).
Mesmo assim, Deus estava presente em Corinto. E porque
aprovava a conduta deles? E claro que não. Mas seus dons e sua
vocação, como Paulo disse em Romanos 11.29 são “irrevogáveis” .
Ele não os retirou, mesmo quando a igreja se afundou no erro.
Exemplos de hoje são abundantes. Todos nós já ouvimos
falar de evangelistas ou pregadores cujos ministérios floresciam
apesar de eles, infelizmente, estarem enrolados em imoralidade
sexual. Durante anos, em alguns casos, a presença e a bênção de
Deus estavam sobre seus esforços ministeriais, apesar de eles
continuarem em seu pecado secreto. N e n h u m de nós, porém,
concluiria que Deus aprovava seu comportamento.
O que, então, podemos concluir? Duas coisas: Primeiro, se
Deus deu a alguém um dom do Espírito, esse dom pode continu­
ar atuando mesmo se a pessoa está pecando intencionalmente.
Segundo, o dom, e a presença de Deus, é um sinal da graça, não
de aprovação. Não pode ser dito que, só porque os dons estão
ativos na igreja, todas as atividades da igreja são legítimas. A legi­
timidade é determinada pela Escritura, não pelo dinamismo es­
piritual.

171
A OPERAÇÃO DO ERRO

Q uarto argum ento religioso geral: “M eu am ante e eu tem os


um relacion am en to m onogâm ico e nos am am os de verd a­
de. Isso n ão pode estar errado!”
A medida que o movimento dos direitos dos homossexuais e
o Movimento Gay Cristão foram evoluindo, deu-se cada vez mais
ênfase na qualidade dos relacionamentos homossexuais. Inicial­
m ente os defensores do homossexualismo falavam de liberdade
sexual. Hoje em dia, falam de legitimidade. D e fato, enquanto
este livro está sendo escrito, a nação está segurando o fôlego para
ver como o Tribunal Superior do Havaí decidirá sobre a legalida­
de do casamento de homossexuais.
“Deus está extasiado por ver que estou tão feliz em um rela­
cionamento com uma m ulher”, exclamou em um programa re­
cente de notícias uma lésbica que é membro da Metropolitan
C ommunity Church.277 Um relacionamento estável, portanto, é
considerado uma evidência da bênção de Deus. E, continua o
argumento, se o amor é de verdade, ele deve estar certo.

R esposta: E sse argum ento é en gan oso ao achar que o am or


santifíca um relacionam ento.
Nos nossos dias é duro dizer que o amor não é o padrão
determ inante do que é certo e errado. O amor é bom, afinal de
contas; em nossa cultura ele tem sido quase divinizado como algo
tão intenso e belo que justifica quase tudo feito que é em seu
nome. E com tanto ódio e violência no mundo, por que condenar
um relacionamento de amor de duas pessoas?
Porque o amor, por si só, não torna um relacionamento corre­
to. Para dizer a verdade, ao contrário da sabedoria “toque e sinta”
do nosso tempo, o amor nem sempre é algo tão bom.
Um estudo sobre homossexualismo e ética diz muito bem:
“Um dos erros mais comuns no campo da ética cristã tem sido o
esforço de tornar o amor uma qualidade espiritual onipotente que
tem o poder de santificar tudo que é feito em seu nome.” 278
De acordo com Jesus, o amor pode interferir no plano de
Deus para a pessoa. Em Mateus 10.37, por exemplo, ele adverte

172
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

seus seguidores que o amor por qualquer pessoa, não importa quão
legítimo seja o relacionamento, se torna pecado quando é maior
que o amor por ele. Podemos aprender uma lição importante do
rei Salomão, nessa questão. Salomão amava suas esposas estran­
geiras. O problema foi que elas desviaram seu coração de Deus
(lR s 11.3-4). N esse caso, o amor se tornou uma cilada.
O amor não é base suficiente para justificar um relaciona­
mento. Um rapaz e uma moça cristãos não casados podem estar
se amando muito; se, porém, se envolverem sexualmente antes
do casamento, isso não deixa de ser o que a Bíblia chama de
fornicação, não importa quanto amor eles têm. kinda estará erra­
do. Um homem casado pode apaixonar-se profundamente por uma
mulher que não é sua esposa; isso nunca santificará o adultério.
Da mesma forma, dois homens, ou duas mulheres, podem
estar se amando. Seu amor pode ser muito profundo, eles podem
jurar fidelidade um ao outro e viver com tanta felicidade como
qualquer casal heterossexual. Mais uma vez, porém, isso por si só
não torna justo um relacionamento homossexual. A Bíblia esta­
belece limites para os relacionamentos humanos, sem dar mar­
gem a meios-termos, mesmo se houver amor. Se uma forma de
relacionamento sexual é errada, ela continuará errada, não impor­
ta o quanto de amor haja nela.
Ou, como disse certa vez uma senhora sem papas na língua:
O que o amor tem a ver com isso?

Q uinto argum ento religioso geral: “Tentei m udar m as não


consegui. P ortan to, deve ser da vontade de D e u s que eu
seja h o m o ssex u a l.”
D e todas as questões que têm a ver com homossexualismo e
cristianismo, as mais quentes tratam de se os homossexuais po­
dem realmente mudar. Mel White se queixa: “Tentei durante 25
anos deixar de ser homossexual. Gastei milhares de dólares em
terapia cristã — recebi aconselhamento, exorcismo, choques elé­
tricos, medicação e oração dos santos.”279
Essa afirmação ouve-se sempre de novo: “Tentei deixar de
ser homossexual, mas continuei sentindo-me sexualmente atraí­

1 73
A OPERAÇÃO DO ERRO

do por pessoas do meu sexo. Portanto, Deus quis que eu fosse


homossexual.”

R esposta: E sse argum ento é ilógico ao concluir que “im u tá­


v e l” e “legítim o” são a m esm a coisa.
Q uerendo ou não, os homossexuais religiosos contornam a
questão discutindo se podem ou não mudar. Para um cristão, a
prioridade deve ser sempre se algo é certo ou não em si, não im­
porta o quanto uma pessoa consiga ou não parar de querer aquilo.
A “questão da mudança” aparece em praticamente todos os
argumentos de homossexuais cristãos. Mel White a repete inter-
minavelmente em seu livro. Roger Biery e Virginia M olenkott a
destacam; Troy Perry também. Em anos recentes, porém, mesmo
depois que esses livros foram publicados, o tom tem sido amargo.
Quando o especial da PBS “Uma Nação Sob D e u s” foi ao ar
em 1994, por exemplo, telespectadores de todo o país ouviram os
testemunhos de homens e mulheres homossexuais que, como
White, tinham tentado mudar, não conseguiram, e rejeitavam a
possibilidade de alguém converter-se do homossexualismo para
o heterossexualismo. Eles, contudo, como tantos no Movimento
Gay Cristão, contornaram a questão maior: o homossexualismo écer­
to ou erradoP
Era evidente que esses homossexuais, a maioria dos quais se
diziam cristãos, tin h am m ud ad o sua posição em relação ao
homossexualismo. Até um certo momento eles acreditavam que
era errado; por alguma razão, em algum ponto, eles decidiram que
era certo. Será que eles mudaram de posição porque não conse­
guiram vencer o homossexualismo, ou porque, depois de estudar
com cuidado a Escritura e orar por verdade, vieram a crer que o
homossexualismo é tão legítimo como o heterossexualismo?
Baseados nas próprias histórias deles — que repetem o tema
de White de tentar mudar e não conseguir — eu sempre suspei­
tei que a opção era a primeira. E isso diz algo sobre o conceito
que eles têm de obediência.
“Eu não procurei aconselhamento para deixar de homosse­

174
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

xual” , explica Bob Davies, diretor executivo de Exodus Interna­


tional (uma coalizão nacional de ministérios que ajudam as pessoas a
vencer o homossexualismo). “Eu orei sobre as minhas metas, e e n ­
tendi que Deus queria que eu me tornasse o homem mais m adu­
ro e espiritual que eu pudesse ser. Eu já decidira não buscar mais
relacionamentos homossexuais. Amor em Ação [o ministério que
ele procurou em busca de ajuda] não me convenceu a deixar de
ser homossexual; eles só me deram apoio em minha decisão.”
Essa deveria ser a preocupação de todo cristão: “Como posso obe­
decer?” , e não: “Posso mudar ou não?”
Para ser justo, a luta que muitos cristãos enfrentam em rela­
ção ao homossexualismo é intensa. D epend end o de quanto a re­
ação homossexual ficou arraigada, uma pessoa pode passar anos,
talvez a vida inteira, resistindo a tentações do mesmo sexo. Não é
de admirar que tantos desistiram; muitas vezes eu tenho dito que
é um milagre que não foram mais.
Todavia, não importa quão renhida seja a batalha, os padrões
de Deus não mudaram. Não podemos revisá-los só porque nos
cansamos de viver à altura deles.
Para responder a esse argumento, descobri que os seguintes
pensamentos podem ajudar:
1) Homossexuais podem mudar. Alguns mudam completam en­
te, outros significativamente, outros mais em sua conduta do que
em suas atrações interiores. E errado — e arrogante — se alguém
acha que a experiência de todos os outros será igual à sua.
Homossexuais religiosos erram quando insistem que, só por­
que eles não mudaram, ninguém consegue. Eles não estão em
posição de poder falar pelos outros. Da mesma forma, homens e
mulheres que passaram de uma orientação homossexual para h e ­
terossexual, jamais devem dizer que só porque eles mudaram de
modo tão completo, todos os outros que “tentarem realm ente”
obterão os mesmos resultados. O aconselhamento de homens e
mulheres que lutam com o homossexualismo ensinou-me a res­
peitar a individualidade da experiência de cada pessoa; cada caso
é singular.280

1 75
A OPERAÇÃO DO ERRO

2) O comportamento homossexual é um pecado do qual épreciso se


arrepender, não uma reação sexual a ser mudada. A diferença é crucial.
Pela graça de Deus, todos nós somos capazes de nos arrepender e
resistir a dado pecado. Não somos responsáveis pelo grau em que
ainda somos tentados por esse pecado.
3) “Imutável” e “legítimo” são dois conceitos bem diferentes. Em
nenh u m lugar da Bíblia encontramos uma permissão para um
pecado, se a pessoa que o cometeu era incapaz de vencer o dese­
jo e por isso cedeu. Certam ente o homossexualismo é um pecado
difícil de combater — ainda mais porque a luta é solitária. Mas
resistir ao pecado, não importa quão difícil seja e quão cansados
ficamos ao resistir-lhe, é melhor do que decidir por nós mesmos
que isso não é pecado. Pat Robertson expressou isso muito bem
quando escreveu a Mel White: “M eu amigo, eu não posso mudar
a Bíblia. A Palavra de Deus está estabelecida para sempre no céu,
e tudo o que eu posso fazer da minha maneira imperfeita é obe­
decer o que ela diz.”281
4) “Imutável” não significa “aceitável”. Com freqüência eu ouço
o argumento: “Eu conheço tantas pessoas homossexuais que te n ­
taram mudar e acabaram desistindo, e que agora são abertamente
homossexuais e felizes.” Eles dizem que a maioria dos homosse­
xuais que tentam “andar direito” na verdade nunca m udam e aca­
bam recaindo no estilo de vida homossexual.
Se isso tem o objetivo de mudar minha opinião, não conse­
guiu. N a verdade, isso reafirma m inha convicção d e q u e o
homossexualismo é errado, e que é necessário ministrar aos ho­
mossexuais que querem mudar. •
Por quê? Porque a “experiência da maioria” é uma base fra­
ca para um argumento cristão. A maioria, em questões espirituais,
geralmente está errada.
Em termos gerais, as coisas têm a tendência de avançar em
direção à decadência. Isso também vale para as pessoas: a maioria
dos que se propõe melhorar sua vida muitas vezes não têm dispo­
sição para terminar. A Bíblia comprova isso. A maioria dos discí­
pulos iniciais de Jesus o abandonou quando seu ensino se tornou

1 76
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

muito intensivo (Jo 6.66); a maioria dos discípulos restantes fugiu


quando ele foi preso; a maioria dos colaboradores de Paulo o aban­
donou perto do fim da sua vida (2Tm4.16); e a maioria das igrejas
que receberam cartas no Apocalipse tinham problemas sérios que
exigiam arrependimento. Visto desta maneira, poder-se-ia con­
cluir que a melhor coisa é ver o que a maioria está fazendo, e
depois ir e fazer o contrário!
Seja como for, a ética não pode ser determinada pela conve­
niência. O que é errado é errado, não importa quão profunda­
m ente esteja arraigado; o que é certo é certo, não importa quão
difícil seja. Q ualquer tentativa de contornar esses dois pontos
imutáveis, no fim das contas, é fútil.
Os argumentos religiosos gerais têm um jeito simpático.
Como os ditos populares: “Deus ajuda quem cedo madruga” , “to­
dos os caminhos levam a D eus” e “não importa a religião que
você segue, desde que seja sincero” (nenhum dos quais é bíblico),
eles são suficientemente religiosos para parecer bons, mas sufici­
e n tem en te antibíblicos para estar totalmente errados.

Falemos dos Argumentos Religiosos


a Favor do Homossexuais
(Um modelo de diálogo)
D e fe n s o r h o m o s s e x u a l cristão : “Como é que você pode
ser tão contra o homossexualismo? Jesus não disse uma só palavra
contra ele.”
R e s p o s ta : “Não sou mais contra o homossexualismo do que
contra qualquer outro pecado. E, francamente, se Jesus o menci­
onou ou não, não faz diferença. O homossexualismo é condenado
claramente em outras passagens.”
A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas os ensinos de Je ­
sus são o fundamento da fé!”
R e s p o s ta : “Sim, mas não são só eles. Toda a Escritura —
isso significa a Bíblia inteira — é útil para ensinar a verdade. E
claro que os ensinos de Cristo são muito importantes. Mas a idéia
não é que eles sejam nossa única fonte de orientação. Se fosse

177
A OPERAÇÃO DO ERRO

assim, não precisaríamos de uma Bíblia com 66 livros; era só usar


os evangelhos. No entanto, há muitas informações doutrinárias e
históricas também nos outros livros. Eles têm tanto peso como os
evangelhos.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Mesmo assim, se Je ­


sus achasse que o homossexualismo é um assunto importante,
você não acha estranho que ele não tenha dito nada sobre ele?”
R e sp o sta : “Quem falou que ele não disse? Ele pode ter dito
muitas coisas sobre o assunto, que não foram registradas. Mas m es­
mo que ele não disse nada, isso não prova que o assunto não era
importante para ele. Ele não falou nada explícito sobre não bater
na esposa e abuso infantil nos evangelhos, mas eu tenho certeza
que essas coisas eram muito importantes para ele.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Errado! Ele estabele­


ceu um padrão elevado de amor pelas crianças e respeito pelas
mulheres, de modo que é óbvio que ele não concordou com os
maus tratos a eles.”
R e s p o s ta : “Exatamente. Ele também estabeleceu o padrão
para o relacionamento sexual quando disse que o casamento de
um homem com uma mulher é o plano de Deus. Portanto, m es­
mo que ele não tenha dito nada sobre homossexualismo, é óbvio
que ele não o aprovava, assim como não aprovou nada que ficasse
aquém do propósito de Deus com a experiência sexual que, como
ele disse claramente, deveria acontecer dentro do casamento.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Esse é um argumento


a partir do silêncio.”
R e s p o s ta : “O seu também. Você vê? Você não pode provar
que Jesus tolerou algo só porque não o mencionou. Eu também
não posso provar o que ele disse ou deixou de dizer. Mas eu sei o
que ele estabeleceu como padrão, e isso certamente não foi o
homossexualismo.”

1 78
ARGUMENTOS RELIGIOSOS GERAIS

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l c ristão: “Então, como você ex­


plica a m im,? Eu nasci homossexual e sou homossexual, e levo
minha vida cristã tão a sério como você!”
R e s p o s ta : “Você está dizendo que tudo o que um cristão
faz está certo, só porque ele é cristão?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “É claro que não, mas


eu sei que Deus me ama assim como eu sou.”
R e s p o s ta : “Isso é verdade. Mas isso não significa que ele
concorda com tudo o que há na sua vida.”

A rg u m e n to h o m o s se x u a l cristão: “Ele não me disse isso!”


R e sp o sta : “O que há para dizer? Temos a sua Palavra por
escrito. E não importa o quanto ele ama e aceita você, se sua Pa­
lavra diz que sua conduta é errada, então ele já lhe disse o que ele
pensa dela.”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Mas se ele pensa mal


dela, por que será que eu sinto sua presença toda semana em
minha igreja? Toda nossa congregação é homossexual, e ele sabe
disso. Então, por que ele está nos abençoando?”
R e s p o s ta : “Não tenho tanta certeza de que ele esteja. Nós
às vezes podemos pensar que sentimos as bênçãos de Deus, quan­
do na verdade estamos tendo uma experiência emocional, ou até
maligna. Mas digamos que você esteja certo — Deus está pre­
sente em sua igreja. A presença de Deus não é a mesma coisa que
a sua aprovação. Eu posso pensar em uma porção de ministros
que tiveram a bênção de Deus em suas vidas, mas não estavam
vivendo direito.”
A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Se você está falando
do fato de eu ser homossexual, não há nenhum a razão por que ele
não concordaria com o que eu estou fazendo. Eu tenho um rela­
cionamento de longo prazo. Meu amante e eu gostamos muito
um do outro. Deus não tem nenhum problema com isso.”
R esp o sta: “Porque vocês amam um ao outro? Essa base é

1 79
A OPERAÇÃO DO ERRO

m uito insegura. A Bíblia não diz em n e n h u m lugar q u e um


relacionamento é correto porque há amor nele. E o adultério? E
relações sexuais antes do casamento? Isso tam bém é correto, des­
de que as pessoas envolvidas se amem?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão : “Você não entendeu.


As pessoas que se envolvem em adultério têm uma escolha. E u
não tenho! Eu tenho sido homossexual desde quando eu me lem­
bro, e tentei mudar mais vezes do que posso contar. Assim, final­
m ente me aceitei como eu sou, e tenho certeza de que está tudo
bem com D eus.”
R e s p o s ta : “Só porque está tudo bem com você?”

A r g u m e n to h o m o s s e x u a l cristão: “Não só comigo. Com


muitos outros homossexuais cristãos tam bém !” Nós tentamos
mudar porque pessoas como você nos dizem que somos pecado­
res, mas nós não podemos escolher nossa orientação sexual. Eu
já conheci muitas pessoas que tentaram ser heterossexuais, e to­
das voltaram para a comunidade homossexual.”
R e s p o s ta : “Isso não torna a coisa correta. E u sei que é difí­
cil mudar. Eu conheço alguns cristãos que têm de resistir a tenta­
ções homossexuais praticamente a cada dia.
“Mas não é verdade que todo cristão tem de resistir a tenta­
ções a cada dia? Isso é santificação — crescer diariamente para
tornar-se como ele! Quando nascemos de novo, nossos sentim en­
tos pecaminosos não desaparecem de um momento para outro.
Alguns deles, na verdade, nos acompanham por toda a nossa vida.”
“Eu sei que no seu caso esses sentimentos estão muito ar­
raigados. Provavelmente é mais difícil para você resistir a eles do
que qualquer pessoa na igreja imagina. Mas Deus não irá mudar
os padrões dele para adaptá-los aos seus. Por favor, não decida
que algo é certo só porque é difícil de derrotar. Isso seria distorcer
a Palavra de Deus. Eu creio que você descobrirá que, a longo prazo,
é melhor obedecer à Palavra de Deus do que tentar mudá-la.”

180
10
A Natureza e
Uso da Bíblia

“A posição homossexual cristã, quando examinada com


cuidado, pode ser desmascarada pelo que está no seu
âmago: um ataque à integridade, suficiência e autori­
dade da Escritura, o que, para a igreja, é um ataque à
própria natureza do nosso Deus santo. ”
“Questões de Ética Sexual” ,
Igreja Unida de Cristo, 1979

J m té mesmo os críticos mais barulhentos dos cris-


■ ü tãos conservadores, dos televangelistas e da “D i­
reita Religiosa” seguem uma regra subentendida: Não é correto
atacar diretamente Jesus Cristo ou a Bíblia. Será muito difícil você
ouvir um jornalista importante dizer: “Jesus era um fanático” ou
“a Bíblia é porcaria!” Antes, os ataques modernos à pessoa de
Cristo e à Escritura vêm em forma de revisão em vez de agressão
frontal.
Assim, o Jesus retratado nos anos 90 muitas vezes é um paci­
fista com consciência social ou um rebelde irresponsável; ele fala
de amor e paz, mas nunca de condenação eterna, renúncia, ou de
ele ser o único caminho para Deus (como o Jesus original fazia). Ele

1 81
A OPERAÇÃO DO ERRO

é muito simpático para esse tipo de coisa.


“Se Jesu s e stiv esse vivo, ele estaria m a rc h an d o aqui
conosco!” , disse certa vez uma atriz famosa durante uma passeata
de homossexuais, sentindo-se à vontade para interpretar as ações
de alguém em quem ela nem professava crer.
Outro exemplo do “novo” Jesus acertou-me em cheio re­
centem ente quando terminei de falar em uma conferência de igre-
ja. “Você d evia te r v e rg o n h a de si m e sm o por c h am a r o
homossexualismo de pecado!”, um homem homossexual furioso
gritou enquanto avançava em minha direção pelo corredor. “Je ­
sus nunca chamou ninguém de pecador, e nunca condenou nin-
guem!
Qual Jesus? eu me perguntei enquanto ele se voltava para ir
embora. C ertam ente não o Jesus da Bíblia, que não parava de
denunciar o pecado, e não tinha nen h um pouco de timidez em
pronunciar condenação (Mt 23.13-39).
D e modo semelhante a Bíblia dos anos 90 é um livro bom,
mas que não deve ser tomado como guia literal para a vida. E m
vez de dizer que rejeitam seus ensinos de cara, os críticos moder­
nos só dim inuem a sua autoridade. O respeito pela Bíblia está tão
impregnado em nossa cultura que ninguém quer denegri-la; cm
vez disso, eles fazem revisões da sua interpretação.
Eu vi que isso também acontece no Movimento Gay Cris­
tão. Tínhamos um respeito muito profundo pela Bíblia para ignorá-
la. Mas, em minha opinião, também não estávamos dispostos a
obedecê-la. Revisão era a melhor coisa a fazer.
Os a rg u m e n to s b íb lic o s da te o lo g ia fav o rá v el ao
homossexualismo, portanto, são revisões básicas dos textos bíbli­
cos que tradicionalmente foram entendidos como proibições do
homossexualismo (Tomei emprestado o termo “revisão” de Stanton
Jones, que chama a teologia fa v o rá v e l ao homossexualismo de
“revisionista” em seu excelente artigo “A Oposição Amorosa”,282). Ao
mesmo tempo que mostram certo grau de respeito pela Bíblia, os
homossexuais cristãos geralmente negam sua autoridade ou sua
suficiência, ou alegam que ela foi mal traduzida e, por isso, mal-
entendida nos tempos modernos.

1 82
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

A Bíblia É Um Bom Livro, Mas...


(Argum entos que dim inuem a autoridade
e a suficiência da Bíblia)
Ao mesmo tempo que afirma que a Bíblia é divinamente
inspirada, a teologia favorável ao homossexualismo também apre­
senta maneiras muito sutis de diminuir sua autoridade e/ou sufi­
ciência.

Prim eiro argum ento: “A B íblia é um bom livro, m as seus


autores n ão sabiam nad a de orien tação h o m o ssex u a l qu an ­
do condenaram a condu ta h o m o ssex u a l.”
“A idéia de orientação ou ‘condição’ homossexual para toda
a vida nunca é m encionada na Bíblia”, destacam Scanzoni e
Mollenkott. “Os escritores da Bíblia presumiam que todo m undo
era heterossexual.” 283 Roger Biery concorda: “O conceito de ori­
entação sexual não existia em tempos bíblicos.” 284 Mel W hite faz
eco a essa crença, argumentando que os autores de passagens
bíblicas contra o homossexualismo “nada sabiam sobre orienta­
ção sexual”.283
Portanto, a Escritura, desinformada sobre “orientação sexu­
al” , não é um guia suficiente em questões de sexo. “A Bíblia não
interpreta a si m esm a”, insiste um porta-voz liberal. “Cabe a você
julgar como usar hoje em dia o que foi escrito há muito tem po.” 286
O pastor batista George Williamson, da Primeira Igreja Ba­
tista de Granville, em Ohio, é até mais específico quando declara
que a Bíblia é virtualmente irrelevante para a questão do homosse­
xualismo: “Estam os pegando o livro antigo e aplicando-o ao
m u n d o novo em q u e hom ens e m ulheres homossexuais se e n ­
contraram .” 287

R esposta: E sse argum ento é en gan oso em que presum e que


a orien tação ju stifica a conduta.
E uma audácia presumir que um tipo de comportamento é
legítimo só porque alguém tem uma inclinação natural para ele.

1 83
A OPERAÇÃO DO ERRO

Como já mostramos, estudos recentes indicam que pode até ha­


ver algo como “orientação” para alcoolismo e violência (veja “Ar­
gumentos de Justiça Social — I Parte”). Agora querem que nós, já
que os escritores da Bíblia também não sabiam nada sobre essas
orientações, revisemos nossa posição sobre alcoolismo ou condu­
ta violenta?
Em nenhum lugar da Bíblia algum comportamento é conde­
nado com restrições (como: “Você não deve fazer isso a não ser que
tenha uma orientação nesse sentido”). O contexto de um “relaciona­
mento de amor” também não justifica algum pecado sexual m en­
cionado na Bíblia, como os porta-vozes dos homossexuais nos q ue­
rem fazer crer. O amor entre dois homossexuais não pode tornar o
homossexualismo normal ou legítimo, assim como o amor de duas
pessoas que cometem adultério não justifica a quebra dos votos
matrimoniais.
Além disso, se a orientação justifica a conduta sexual, por
que parar no homossexualismo? Alguns especialistas crêem que
a pedofilia é uma orientação, como mencionamos no capítulo 2; a
bestialidade pode ser encarada da mesma forma no futuro. Será
que a ignorância bíblica destas condições anula as prescrições
bíblicas contra as ações resultantes delas?
Não, se a Escritura ê realmente inspirada. Se o Espírito Santo
levou realmente os autores bíblicos a escrever sob sua direção,
como 2 Timóteo 3.16 registra, então é um insulto pensar que a ter­
ceira pessoa da Trindade ignorava a condição humana. Joseph Gudel,
escrevendo no Christian Research Journal, sublinha o ponto:
E ridículo crer que o Criador do universo, ao guiar os escrito­
res da Bíblia, era ignorante das coisas que agora sabemos so­
bre o homossexualismo através da moderna biologia, psico­
logia, sociologia etc. Negar as declarações da Escritura sobre
o homossexualismo nessa base significa negar completamente
a superintendência de Deus sobre a autoria da Bíblia.288
Se a Bíblia proíbe certos comportamentos somente porque
seus autores ignoravam as “orientações” que os causavam, então
ela não é, como afirma ser, “útil para o ensino, para a repreensão,

184
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

para a correção, para a educação na justiça” (2T m 3.16). Antes, é


antiquada, desinformada e irrelevante. Não há meio-termo.

Segundo argumento: “A Bíblia é um bom livro, m as foi muito


usada no passado para justificar a in tolerân cia.”
Troy Perry gosta de nos lembrar dos primeiros crentes ame­
ricanos que usavam a Bíblia para justificar a escravatura.289 Ramey
e Mollenkott fazem referência ao uso que os nazistas fizeram da
Escritura para legitimar o anti-semitismo.290 Ao comparar o mau
uso da Escritura no passado com as objeções atuais ao homosse­
xualismo, eles estão colocando o homossexual na mesma catego­
ria do perseguido, e o cristão conservador no papel de intoleran­
te. Eles parecem querer dizer: “A igreja errou no passado. Por
isso, vocês devem estar errados agora quando nos condenam .”

R esposta: Ter errado no passado não é prova de estar erra­


do no presente.
Não há dúvida de que a igreja tem sangue nas mãos. Os er­
ros do passado foram muitos e, por vezes, horrorosos (Como exem­
plo temos a Inquisição, as Cruzadas e a caça às bruxas.). Todavia, o
bom senso nos diz que os erros do passado não são prova de erros
no presente. Eles são prova de que somos falíveis; se ignoramos
nossos erros do passado, podemos repetir pecados de preconceito
e maus tratos. Mas não se pode concluir que os cristãos estão come­
tendo esses erros agora simplesmente porque alguns os com ete­
ram antes.
Além disso, há uma diferença entre dizer que uma conduta
é pecado e convocar um grupo de concidadãos para a persegui­
ção. Uma posição conservadora contra os direitos dos homosse­
xuais não pode ser comparada com a Inquisição ou o Holocausto.
Os cristãos conservadores não estão pedindo a prisão ou a morte
dos homossexuais; nós não queremos que eles percam o direito
ao voto ou à cidadania. Na verdade, somos contra qualquer tipo
de maus tratos.291
Há uma diferença clara entre tomar uma posição moral em

1 85
A OPERAÇÃO DO ERRO

relação a um assunto e apelar para maus tratos das pessoas das


quais você discorda. Dar a entender que as duas coisas são a m es­
ma é enganoso e injusto.

Terceiro argum ento: “A B íblia é um bom livro, m as sua


língua original não pode ser entendida pelo leigo com um . E
preciso ser esp ecialista para com preender o que os escrito­
res disseram sobre h o m ossexu a lism o.”
Esse argumento lança dúvidas sobre a capacidade das pes­
soas comuns de com preenderem a Bíblia. Avançando mais, ela
sugere que não é possível tomar posição em relação a questões
bíblicas. Afinal de contas, se não podemos ter certeza sobre o que
os escritores bíblicos queriam dizer quando se referiram ao
homossexualismo, como podemos nos posicionar contra a teolo­
gia e a legislação favorável aos homossexuais?
“Normalmente, é impossível compreender o sentido de um
texto sim plesm ente lendo-o” , Roger Biery nos adverte.292 “A
passagem de milhares de anos obscurece o sentido exato das pa­
lavras, às vezes tornando a recuperação impossível”, acrescenta
John Boswell.293
E muito estranho, mas essa impossibilidade de com preen­
der a Bíblia somente parece aplicar-se às referências ao homosse­
xualismo. Você pode ler virtualmente qualquer material homos­
sexual cristão e se deparará com o uso generoso de textos bíbli­
cos, sem nenhum a preocupação por seu sentido original grego ou
hebraico. Mas quando se trata de relações sexuais com pessoas
do mesmo sexo eles de repente se preocupam com a exatidão
histórica, lingüística ou contextual. Entretanto, como Elodie
Ballentine indica, esse argumento “esquece de levar em conta
que a Bíblia não foi traduzida por pessoas com pouco conheci­
mento das línguas clássicas.”294
Realmente, é só passar os olhos pela lista de contribuintes
do Novo Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testa­
mento e o Novo Dicionário da Bíblia (dois entre centenas de exem­
plos possíveis) para encontrar credenciais incontáveis iguais (no

1 86
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

mínimo) aos teóricos favoráveis ao homossexualismo. Em outras


palavras, ao comparar os especialistas que adotam a posição con­
servadora com seus colegas liberais, ninguém pode negar que pelo
menos estão à mesma altura.
Essa afirmação é generosa; bastante generosa, tenho certe­
za. E m primeiro lugar, não há muitos estudiosos notáveis que
adotaram uma posição bíblica favorável aos homossexuais. C om ­
parado com as centenas que conservam a posição tradicional, a
teologia favorável ao homossexualismo pode citar John Boswell,
Derek Bailey, Robin Scroogs, L. William Countryman, VictorPaul
Furnish, Norman Pittenger e H elm ut Thielicke como seus p e ­
sos pesados. Mesmo assim, as credenciais e padrões de alguns
desses pesos pesados podem ser questionados. Boswell, por exem­
plo, é um historiador homossexual, não um estudioso da Bíblia.
Scroogs é professor no Union Theological Seminary, amplamen­
te conhecido como uma instituição liberal que não tem um con­
ceito elevado da Bíblia.29:5 Countryman é a favor de prostituição,
incesto e bestialidade;296 Thielicke aceita o homossexualismo não
com base na Bíblia, mas em sua natureza supostamente “incurá­
vel” , promovendo-o de uma “enferm idade” para uma “predispo­
sição” e um “talento a ser investido”.297
Para ser justo, certos trechos da Bíblia são difíceis; leigos e
especialistas lutam com algumas passagens. Mas não é necessário
ser um cientista de ponta nem um estudioso da Bíblia para captar
o sentido da maioria dos versículos. Lançar dúvidas sobre uma
parte da tradução sem investigar o restante do mesmo modo é
incoerência; o todo deve ser tratado da mesma forma.

Q uarto argum ento: “A B íblia é um bom livro, m as o s cris­


tãos con servad ores escolhem a dedo os versículos que qu e­
rem entender literalm ente.”
Troy Perry descreve um encontro que teve com uma mulher
que citava a Bíblia:
— Jovem, ela disse, você sabe o que diz o livro de Levítico?

— É claro que eu sei, eu respondi. Lá diz que é pecado quan-

1 87
A OPERAÇÃO DO ERRO

do uma mulher usa uma roupa vermelha, quando um ho­


mem veste uma camisa de algodão e calças de lã ao mesmo
tempo, quando qualquer pessoa com e camarão, ostras ou la­
gosta... ou um bife muito mal passado.

— Não é nisso que estou pensando, ela retorquiu, Então eu


disse:

— Eu sei que não era nisso que você estava pensando, meu
bem, mas você esqueceu de todos esses outros pecados, que
estão no mesmo livro da Bíblia.
O que ele quer dizer está claro — citar versículos contra o
homossexualismo eqüivale a escolher os versículos que você quer
guardar e quais quer ignorar. Em outra passagem Perry o expres­
sa até com mais ênfase: “Para condenar os homossexuais, muitas
denominações leram e interpretaram intencionalmente errado as
suas Bíblias para agradar às suas preferências pessoais, lembran­
do somente de versículos que lhes servem, esquecendo ou igno­
rando muitos outros trechos.”299
E m resumo, citar a Bíblia contra o homossexualismo é uma
forma de incoerência — até hipocrisia — já que outros versículos
não são tomados literalmente.

R esposta: E sse argum ento é en gan oso ao presum ir que o


preconceito é a ú n ica ra zã o para a p osição conservadora.
Um estudo da Bíblia com bom senso mostra que certas leis
cerimoniais e de alimentação do Antigo Testamento, como as que
Perry citou, não precisam ser seguidas hoje em dia. Graças a Deus
os cristãos não estão sob a lei mosaica (G1 3.17-25). Mas os man­
damentos bíblicos contra a conduta homossexual não constam das
mesmas seções destas leis; em Levítico (o livro no qual o argumen­
to de Perry se concentrou) elas estão ao lado de outros pecados sexu­
ais proibidos tanto no Antigo como no Novo Testam ento (Lv
18.22; 20.13).
Além disso, se devemos crer em Perry quando ele diz que
nós (consei~vadores) escolhemos os versículos que nos agradam, “es­
quecendo ou ignorando” os demais, surge uma pergunta óbvia:

1 88
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

Por que os heterossexuais conservadores ainda pregam contra os


pecados heterossexuais? Por que não ignoramos simplesmente
todas as referências à lascívia heterossexual, ao adultério e a rela­
ções sexuais antes do casamento? Da mesma forma, por que ain­
da pregamos contra mentir e roubar, já que todos nós, em grau
menor ou maior, somos tentados por esses pecados?
Ouça qualquer pregador conservador que toma posição con­
tra o homossexualismo, e você verá que ele tam bém fala contra
os pecados heterossexuais. Portanto, se estamos realmente esco­
lhendo versículos de acordo com nossas preferências pessoais, por
que insistimos em escolher versículos que condenam de modo
tão óbvio as nossas preferências? Por que não facilitar as coisas
para nós e escolher somente os versículos que condenam os p e ­
cados homossexuais, e ignorar os que condenam pecados heterosse­
xuais}
O fato é que não estamos escolhendo versículos conforme o
nosso preconceito. Nossa posição bíblica quanto ao homossexualis­
mo está baseada não em um ou dois versículos obscuros tirados
do contexto. Antes, ela é derivada de cinco versículos específicos
— dois do Antigo Testam ento e três do novo — bem como de um
panorama geral da única forma de expressão sexual recomendada
expressamente em toda a Bíblia: a união heterossexual.

Q uinto argum ento: “A B íblia é um bom livro, m as seu s


v ersícu los são usados para perseguir os h o m o ssex u a is.”
“Perseguir” é um termo que White,300 Scanzoni e Mollenkott301
usam para descrever a maneira como os conservadores citam os
textos bíblicos sobre ho m ossexualism o. D e fato, os cinco
versículos que mencionam a relação sexual com pessoa do mes­
mo sexo muitas vezes são chamados, no Movimento Gay Cristão,
de “versículos de perseguição” . Isso astutamente lança uma luz
negativa sobre a pessoa que os usa; ela não está simplesmente
citando a Bíblia — está perseguindo pessoas com ela.
Lembro-me de estar discutindo teologia com um escritor
homossexual em um programa de rádio, quando uma mulher te­

189
A OPERAÇÃO DO ERRO

lefonou e citou alguns versículos contra o homossexualismo.


“Bem, meus parabéns, minha querida”, o escritor escarne­
ceu, “você conseguiu dizer direitinho todas as passagens de per­
seguição.”
E claro que isso acabou eficientemente com qualquer dis­
cussão racional sobre a Bíblia. Pessoas decentes não querem per­
seguir ninguém; quando sabem que serão acusadas de fazê-lo, é
menos provável que se arrisquem a falar. Essa é a razão por que o
argumento de “perseguição” é usado com tanta eficiência.

R esposta: E sse argum ento é inexato ao presum ir que “ci­


tar” e “perseguir” são a m esm a coisa.
Para dizer a verdade, versículos bíblicos foram usados para
“perseguir” pessoas no passado; isso é, eles foram colocados em
prática de maneira dura, até cruel. No tempo dos puritanos, por
exemplo, a pessoa que fosse apanhada espalhando boatos era
amarrada a uma cadeira presa a uma longa viga. Então a cadeira
era suspensa sobre um lago e, com a pessoa amarrada nela,
submergida na água por até um minuto. Igualmente, se alguém
faltasse ao culto sem um bom motivo, era colocado no tronco e
exposto em público para ser humilhado. Mães solteiras, durante
a gravidez, podiam ser acorrentadas em frente à igreja, onde os
transeuntes jogavam frutas podres nelas.
O que há de errado nisso? Será que é o fato de a igreja pregar
contra fofocas, falta de comunhão ou sexo fora do casamento? D e
forma alguma. O problema era a maneira dura com que esses
versículos eram impostos ao povo.
O mesmo acontece com citar versículos contra o homosse­
xualismo. Existem aqueles que o fazem com dureza e falta de
amor; são esses que, se tivessem a oportunidade, os fariam cum ­
prir de maneira igualmente dura. Os dois grupos estão errados.
Mas simplesmente citar um versículo não significa perseguir
alguém, como os porta-vozes dos homossexuais sabem muito bem.
Afinal de contas, Perry não tem nenhum problema em usar versí­
culos bíblicos para justificar suas queixas contra Anita B ry an t/02

1 90
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

e White se sente à vontade para usar a Bíblia para criticar Pat


Robertson.303 Quando os conservadores citam versículos bíblicos
contra o homossexualismo, isso é chamado de perseguição, e n ­
quanto argumentar contra os conservadores — bem, isso é só ci­
tar a Bíblia.

Falemos dos Argumentos


Bíblicos Favoráveis ao Homossexualismo
D e fe n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Seja qual for a razão que
você tenha para objetar ao homossexualismo, você não a encon­
trará na Bíblia. Ela foi muito mal traduzida; na verdade ela não
condena o homossexualismo como você pensa.”
R esp o sta: “Eu nunca disse que a Bíblia condena o homosse­
xualismo mais que qualquer outro pecado. A Bíblia diz que todos
somos pecadores e precisamos ser salvos.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lis m o : “Está bem, mas eu quis


dizer que ela não condena um relacionamento sexual entre ho­
mens ou entre mulheres baseado no amor. Os homens que redi­
giram a Bíblia nem sabiam o que é homossexualismo. Foi somen­
te no último século que viemos a descobrir o que é orientação
sexual. Os escritores bíblicos não sabiam nada sobre pessoas que
sentiam que eram homossexuais desde quando eram jovens, e
que mantém relacionamentos homossexuais duradouros e respon­
sáveis.”
R e s p o s ta : “Acontece que não há contingência na Bíblia em
relação ao homossexualismo. Ela não diz: ‘Com homem não te
deitarás, como se fosse mulher, a não ser que essa seja sua orienta­
ção.’ Os escritores da Bíblia provavelmente não se preocuparam
com o que causa certos comportamentos — eles estavam preocu­
pados com o comportamento em si.
“A propósito, é um insulto a Deus e sua Palavra ignorar o
que a Bíblia diz sobre homossexualismo somente porque seus
escritores nunca tinham ouvido de ‘orientação sexual’. Eles tam­
bém podem nunca ter ouvido de alcoolismo, mas você não acha

191
A OPERAÇÃO DO ERRO

que eles sabiam do que estavam falando quando proibiram a embri­


aguez? A orientação, em si, não justifica o comportamento.”

D e fe n s o r do h o m o ssex u alism o : “Mas a Bíblia sempre tem


sido usada para dar base ao preconceito; você ainda não percebeu
isso? A Ku-Klux-Klan faz isso, os nazistas faziam, e agora a Direi­
ta Religiosa faz a mesma coisa contra os homossexuais!”
R e s p o s ta : “Tantas pessoas usam o termo ‘Direita Religio­
sa’ hoje em dia que nem tenho certeza do que seja. Mas se você
está se referindo aos cristãos conservadores, então você está equi­
vocado. E verdade que intolerantes distorceram a Bíblia no pas­
sado, mas o fato de alguns cristãos terem agido errado no passado
não implica automaticamente em que estejam errados no presen­
te. Significa somente que devemos tomar cuidado antes de ado­
tar uma posição sobre algo e, você pode ter certeza, é o que eu
faço.”

D e fe n s o r do hom o ssexu alism o: “Você não acha que os cris­


tãos dos tempos coloniais diziam a mesma coisa enquanto com­
pravam e vendiam escravos?”
R esp osta: “Essa é uma comparação infeliz. Os homossexuais
nunca foram comprados e vendidos nos Estados Unidos; a você
nunca foi negado o direito de votar; não há salas de aula ou b e b e ­
douros separados para quem é heterossexual e quem não é; e você
sempre teve o direito de ter propriedades e participar do proces­
so político. Na verdade, você sempre teve os mesmos direitos de
todos os outros americanos. A mesma coisa não pode ser dita dos
afro-americanos.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lis m o : “Mas intolerância é into­


lerância, não importa contra quem ela é dirigida.”
R e sp o sta : “Nisso você tem razão. Mas será que tomar uma
po sição b íb lic a é in to le râ n c ia ? E u e sto u d iz e n d o q u e o
homossexualismo é errado. Não estou dizendo que os homosse­
xuais são seres inferiores e deveriam ser tratados de acordo. E

1 92
A NATUREZA E USO DA BÍBLIA

injusto e inexato se você confunde uma posição moral com into­


lerância.

D e f e n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Mas você está muito se­


guro de si. Você não é um especialista em lingüística, então, como
é que você pode ter tanta certeza que a Bíblia realmente condena
o homossexualismo? Isso está escrito em línguas antigas.”
R e s p o s ta : “Mas foi traduzido por especialistas que sabem
mais das línguas antigas do que qualquer um de nós. Confira as
credenciais desse pessoal antes de desfazer da sua tradução. Eles
sabiam o que estavam fazendo.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Pode até ser, mas vocês


fundamentalistas gostam de escolher em quais versículos q u e­
rem acreditar. Vocês tiram do contexto as passagens sobre os ho­
mossexuais e dizem que todos somos maus, mas você não parece
preocupado nem de longe com outros versículos bíblicos.”
R e s p o s ta : “Isso é verdade, até certo ponto. As vezes os cris­
tãos ficam mais preocupados com o homossexualismo do que com
outros pecados. Mas eles também pregam contra pecados dos quais
eles são culpados. Você há de convir que, se eu quisesse escolher
quais versículos bíblicos levar a sério e quais não, eu escolheria
somente os que se aplicam aos seus pecados, e não mencionar os
que se aplicam aos meus. Mas eu não faço isso; eu admito que
ta m b é m te n h o m inhas lutas com tentações. A maioria dos
fundamentalistas age assim.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lis m o : “Mas quando você cita


versículos sobre homossexualismo, você nos persegue com eles!”
R e sp o sta : “Eu tenho visto você citar versículos; você não
parece achar que está atingindo alguém com eles só porque os
cita. Quando eu menciono versículos sobre homossexualismo, eu
só o faço para mostrar de onde vem minha convicção de que
homossexualismo é pecado.”

193
11
Argumentos
Bíblicos

“A autoridade bíblica não é tirânica: Nós lemos, refle­


timos — e nos reconciliamos com a Escritura; mas nós
nunca simplesmente a copiamos ou rejeitamos — se afir­
mamos sua autoridade. ”
Professora Marion L. Soards,
“Escritura e Homossexualismo”

Ê j '* ssa parte da teologia favorável ao hom osse-


xualismo apresenta o que parece ser uma série
de respostas conservadoras e fundamentalistas às objeções con­
servadoras e fundamentalistas. Ou seja, ela encara de frente cada
versículo que se refere ao homossexualismo, e tenta explicar por
que cada um deles é mal entendido hoje em dia. Essa é a parte
mais audaciosa da teologia favorável ao homossexualismo e, para
muitos cristãos, a mais difícil de responder. A razão disso é que
esses argumentos tomam o que é evidente na Bíblia e afirmam
ter descoberto que há um sentido diferente, que até agora estava
oculto.
Para ilustrar, tomemos um versículo bastante direto: “Vinde
a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos

195
A OPERAÇÃO DO ERRO

aliviarei” (Mt 11.28). O sentido é claro: Jesus convida os cansados


a encontrar descanso nele. Não há necessidade de verificar o gre­
go original ou rever o contexto cultural; o texto é claro.
Agora imagine que alguém lhe diz que foi feito um estudo
profundo das palavras desse versículo, e descobriu-se que na ver­
dade Jesus estava convidando mulheres grávidas a ficar em sua
maternidade em Nazaré. Parece ridículo; o contexto aponta cla­
ramente para outra coisa. Mas se você não se deu o tempo de
estudar o original grego desse versículo, você não pode refutar
tecnicamente a idéia da “maternidade”, apesar de o bom senso
lhe dizer que é bobagem.
Essa é a força da teologia favorável ao homossexualismo. Ela
toma versículos com os quais estamos familiarizados, dá-lhes uma
interpretação completamente nova, baseia suas alegações em es­
tudiosos com boas credenciais, e dá à luz a uma nova ética sexual.
O bom senso pode rejeitá-la, mas enquanto não for examinada
mais de perto, será difícil de refutar.
R ecentem ente ela tem sido estudada, com erudição e clare­
za admirável, em dois livros: Scripture and homosexuality, de Marion
L. Soards (WestminsterJohn Knox Press, 1995) e Straightand narrow?,
de T hom as Schmidt (InterVarsity Press, 1995). Os dois escritores
são professores de estudos do Novo Testamento e em inentem ente
qualificados para derrubar as alegações da teologia favorável ao
homossexualismo. Além disso, eles trazem o contexto histórico e
filosófico necessário para uma compreensão completa dos dois
lados da questão.
Em vez de tentar repetir o trabalho deles, tentarei, nesse
capítulo, sintetizar os argumentos favoráveis ao homossexualismo
que o leitor terá mais probabilidade de encontrar, para depois tra­
zer respostas concisas e fáceis de usar. Soards e Schmidt podem
ser consultados para uma argumentação mais abrangente.
Para tratarmos desta parte da teologia favorável ao homosse­
xualismo, iremos rever cada versículo que faz referência ao
homossexualismo, definir a posição tradicional em relação ao versí­
culo, citar os argumentos favoráveis ao homossexualismo e con­
trários a essa posição, e sugerir uma resposta a cada um.

1 96
ARGUMENTOS BÍBLICOS

Criação/Propósito da Criação
(Gn 1.2 7 -2 8 ; 2 .1 8 -2 4 )

Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus


o criou; homem e mulher os criou. E D eus os abençoou e
lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e
sujeitai-a (Gn 1.27-28).

D isse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja


só; far-lhe-ei uma auxiliadora que lhe seja idônea. E disse o
homem: Essa, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha
carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada. Por
isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornan­
do-se os dois uma só carne. (Gn 2.18,23-24).

P o sição tradicional
O propósito de Deus para o relacionamento sexual do ser
humano limita-se à união heterossexual entre homem e mulher
no casamento.

A rgu m en to favorável aos h om ossexu ais


O relato do Gênesis não proíbe o homossexualismo; simples­
m ente não faz referência a ele, por razões óbvias. Um casal ho­
mossexual não poderia dar início ao processo de povoamento. Mas
esses versículos não podem ser considerados modelo para todos
os casais. Muitos casais heterossexuais não têm filhos, ou não
podem ter relações sexuais. Eles também estão em pecado por­
que não se encaixam no relato de Gênesis?

P rim eira resposta


É verdade que essa passagem não “proíbe” relações homosse­
xuais, mas mesmo assim ela apresenta o modelo primário para a se­
xualidade, em relação ao qual outras formas de expressão sexual pre­
cisam ser julgadas. Thomas Schmidt expressa isso muito bem:
[O Gênesis] serve de base para os mandamentos bíblicos e a
reflexão subseqüente por parte dos que querem elaborar uma
ética sexual para atender às situações que mudam. [...] Para

1 97
A OPERAÇÃO DO ERRO

nós é apropriado explorar a relevância dos mandamentos bí­


blicos sobre o casamento e avaliar o homossexualismo mo­
derno à luz do G ênesis.304
Stanton Jones, no que tange à criação como modelo para a
sexualidade, acrescenta: “O âmago da moral cristã é: Deus fez a
união sexual com um propósito — unir marido e esposa numa só
carne no casamento. Deus usa a relação sexual, a intimidade se­
xual plena, para amalgamar duas pessoas.”305

Segun da resposta
A união de homem e mulher, apresentada no Gênesis, é o
único modelo de conduta sexual louvado consistentemente tanto
no Antigo como no Novo Testamento. Outras formas de conduta
— a poligamia e o uso de concubinas, por exemplo — são apre­
sentados e até permitidos no Antigo Testamento, porém a rela­
ção monógama entre marido e esposa é o padrão mantido pela
Escritura como ideal. A frase: “Deus criou Adão e Eva, não Adão
e César” pode parecer irreverente, mas coloca bem o propósito
da criação: o heterossexualismo é exaltado em toda a Bíblia, mas
nenhum a vez uma relação homossexual é mencionada a não ser
em termos negativos.
A Destruição de Sodoma
(Gn 19.4-9)
Antes que [os anjos que visitavam Ló para julgar a maldade
de Sodoma e determinar se a cidade deveria ser poupada ou
não] se deitassem, os homens daquela cidade cercaram a casa,
os homens de Sodoma, tanto os moços como os velhos, sim,
todo o povo de todos os lados; e chamaram por Ló e lhe dis­
seram: Onde estão os homens que, à noitinha, entraram em
tua casa? Traze-os fora a nós para que abusemos deles. Saiu-
lhes, então, Ló à porta, fechou-a após si e lhes disse: Rogo-
vos, meus irmãos, que não façais mal; tenho duas filhas, vir­
gens, eu vo-las trarei; tratai-as como vos parecer, porém nada
façais a esses homens. [..,] Eles, porém, disseram: [.,.] A ti,
pois, faremos pior do que a eles (Gn 19.4-9, inserção acres­
centada).

198
ARGUMENTOS BÍBLICOS

P o siçã o tradicional
Os homens de Sodoma tentaram ter relações homossexuais
com os visitantes de Ló. Em seguida Sodoma foi destruída por
causa da sua grande maldade.

Prim eiro argum ento a favor do hom ossexu alism o


Sodoma foi destruída por causa da falta de hospitalidade dos
seus cidadãos, não por causa de homossexualismo. Tanto John
Boswell como Michael Bailey sustentam essa opinião, baseando-
a em duas suposições: 1) Ló estava quebrando os costumes de
Sodoma ao receber hóspedes sem a permissão dos anciãos da ci­
dade,306 razão da exigência de que fossem trazidos para fora, “para
que os conheçamos” (ARC); e 2) A palavra “conhecer” não tem
necessariamente uma conotação sexual.
A palavra hebraica yada aparece 943 vezes no Antigo Testa­
mento. Ela tem uma conotação sexual em talvez 10 destas 943
passagens. O argumento, portanto, é que os homens de Sodoma
não tinham intenções sexuais com os visitantes de Ló.

R esposta
Esse argumento não faz sentido à luz das respostas de Ló.
Sua primeira resposta — “Rogo-vos, meus irmãos, que não façais
mal” — dificilmente tem relação com um simples pedido para
“conhecer” seus hóspedes. Sua segunda resposta é especialmen­
te esclarecedora: Ele ofereceu, em troca da exigência deles, suas
duas filhas virgens, outro gesto sem sentido se os homens queri­
am só conhecer seus hóspedes socialmente. E por quê, se esses
homens tinham intenções inocentes, a cidade foi destruída? Por
falta de hospitalidade? A grosseria de quem estava sendo julgada
— a de Ló, ou a dos cidadãos de Sodoma?
Essa teoria levanta mais perguntas do que responde. Boswell
e Bailey estão certos ao lembrar que a falta de hospitalidade nos
tempos bíblicos era algo muito sério, mas somente a falta de hos­
pitalidade não justifica a radicalidade da resposta de Ló aos ho­
mens, nem o julgamento que veio em seguida.

199
A OPERAÇÃO DO ERRO

Segundo argum ento a favor do h om ossexu alism o


Sodom a foi d estruíd a por tentativa de estupro, não de
homossexualismo. Esse argumento é mais comum: ele é propos­
to por Virginia Mollenkott, Troy Perry e outros, e é muito mais
plausível do que a teoria da “falta de hospitalidade” .
“A violência — obrigar outra pessoa à atividade sexual — é o
verdadeiro ponto central desta história”, afirma Mollenkott.307 De
acordo com isso, o homossexualismo nada teve a ver com a des­
truição de Sodoma. Se a tentativa de estupro tivesse sido de na­
tureza heterossexual, o julgamento teria sido o mesmo. A violên­
cia e não o homossexualismo estava sendo punida quando Sodoma
foi destruída.

R esposta
Esse argumento é verdadeiro em parte; os homens de Sodoma
com certeza estavam decididos a estuprar. Mas para que um evento
como esse incluísse “todos os homens de Sodoma, tanto os mo­
ços como os velhos” , o homossexualismo deve ter sido uma práti­
ca bem comum. M ollenkott é persuasiva ao descrever o evento
como um estupro na prisão, ou do tipo de violência que exércitos
conquistadores cometeriam contra inimigos derrotados.308 Mas seu
argumento é enfraquecido pela evidência da literatura antiga ci­
tada por Thom as Schmidt, que vincula Sodoma com práticas ho­
mossexuais mais gerais:
O Testamento dos D oze Patriarcas, do 2o século a.C., rotula
os sodomitas de “sexualmente promíscuos” (Testemunho de
Benjamim 9.1) e se refere a Sodoma como “a que se desviou
da ordem da natureza” (Testam ento de Naftali 3.4). D o
m esm o período, o livro dos Jubileus especifica que os
sodomitas “tinham ficado pervertidos e cometiam todo tipo
de abuso sexual” (16,5; compare com 20.5-6). Também Filo
e Josefo nomeiam as relações sexuais com pessoas do m es­
mo sexo como traço característico de Sodoma.309

200
ARGUMENTOS BÍBLICOS

T erceiro argum ento a favor do h om ossexu alism o


Os verdadeiros pecados de Sodoma, de acordo com Ezequiel
16.49, eram “soberba, fartura de pão e próspera tranqüilidade [...];
mas nunca amparou o pobre e o necessitado” . Esses pecados não
tem nada a ver com homossexualismo.

R esposta
Novamente, esse argumento é verdadeiro em parte. Q uan­
do Sodoma foi destruída, o homossexualismo era somente uma
parte — ou um sintoma — da sua depravação. Romanos 1 traz
uma ilustração semelhante, descrevendo a condição de perversão
geral da humanidade, e cita o homossexualisrrío como um dos
sintomas desta perversão. Mas Ezequiel tam bém diz que os
sodomitas “foram arrogantes e fizeram abominações diante de
m im ” (Ez 16.50). A natureza sexual destas “abom inações” é
sugerida em 2 Pedro 2.6-7: “Reduzindo a cinzas as cidades de
Sodoma e Gomorra, ordenou-as à ruína completa, [...] e livrou o
justo Ló, afligido pelo procedimento libertino daqueles insubor­
dinados.”
E m Judas 7 lemos algo parecido: “Como Sodoma e Gomorra
e as cidades circunvizinhas que, havendo-se entregado à prosti­
tuição como aqueles, seguindo após outra carne, são postas para
exemplo do fogo eterno, sofrendo punição.”
O Dr. Bruce Metzger, do Seminário Teológico de Princeton,
menciona outras referências à imoralidade sexual de Sodoma. Em
3 Macabeus 2.5 lemos que “o povo de Sodoma agiu com arrogân­
cia” e “era notório por seus maus hábitos”. E m Jubileus 16.6 faz-
se referência à “impureza dos sodomitas” .310
A interpretação a favor do homossexualismo da destruição
de Sodoma tem algum mérito: Houve uma tentativa de estupro
homossexual, e os sodomitas com certeza eram culpados d e ou­
tros pecados além do homossexualismo. Mas, tendo em vista o
número de homens dispostos a participar do estupro, e as muitas
outras referências — tanto bíblicas como extra-bíblicas — aos
pecados sexuais de Sodoma, é provável que o homossexualismo

201
A OPERAÇÃO DO ERRO

era amplamente praticado entre os sodomitas. Tam bém é prová­


vel que o pecado pelo qual eles são chamados foi um dos muitos
motivos porque o juízo final caiu sobre eles.

A Lei Levítica
Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; é abo-
minação (Lv 18.22).

Se também um homem se deitar com outro homem, como


se fosse mulher, ambos praticaram coisa abominável; serão
mortos; o seu sangue cairá sobre eles (Lv 20.13),

P o siçã o Tradicional
Sob a lei levítica, o homossexualismo era uma das muitas
práticas abomináveis puníveis com a morte.

A rgu m en to a favor do hom ossexu alism o


As práticas mencionadas nesses capítulos de Levítico tem a
ver com idolatria e não homossexualismo. A palavra hebraica para
“abominação”, de acordo com Boswell, tem menos a ver com algo
intrinsecamente maligno e mais com impureza ritual.311 O folhe­
to da Metropolitan Community Church: “Homossexualismo não
é Pecado, não é D oença” , faz a seguinte colocação: a palavra
hebraica para “abominação” que está em Levítico “geralmente
está ligada a idolatria” .312
Roger Biery concorda, vinculando o tipo de homossexualismo
proibido em Levítico com práticas idólatras. Autores favoráveis
ao homossexualismo fazem referência aos rituais pagãos dos
cananeus — que incluíam tanto prostituição homossexual como
heterossexual — como razão por que Deus proibiu o homosse­
xualismo entre seu povo. Eles afirmam que o homossexualismo
em si não era o problema, mas sua vinculação com a idolatria e, às
vezes, a maneira como era praticado, como parte da adoração de
um ídolo. Em outras palavras, Deus não estava proibindo o tipo
de homossexualismo que vemos hoje em dia; ele proibiu o tipo
que incluía a idolatria.

202
ARGUMENTOS BÍBLICOS

Prim eira resposta


As proibições contra o homossexualismo em Levítico 18 e
20 estão alistadas ao lado de outros pecados sexuais — adultério e
incesto, por exemplo — que são proibidos tanto no Antigo como
no Novo Testamento, totalmente fora dos códigos legais levíticos.
As referências bíblicas a essas práticas sexuais, antes e depois do
Levítico, mostram o desprazer de Deus com elas, estejam ou não
vinculados a alguma cerimônia ou idolatria.

Segunda resposta
Apesar da alegação da U FM C C de que a palavra para abo-
minação (toevah) geralmente está ligada a idolatria, na verdade
ela aparece em Provérbios 6.16-19 em conexão com pecados que
nada têm a ver com idolatria ou cerimônias pagãs:
Seis coisas o Senhor aborrece, e a sétima a sua alma abomina
[toevah]: olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam
sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que
se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profe­
re mentiras e o que semeia contendas entre irmãos.

A idolatria não aparece nesses versículos; claramente, por­


tanto, toevah não se limita a práticas pagãs.

T erceira resposta
Se as práticas nesses capítulos são condenadas somente por
causa da sua ligação com a idolatria, segue logicamente que se­
riam permitidas se cometidas à parte da idolatria. Isso significaria
que incesto, adultério, bestialidade e sacrifício de crianças (que
estão todos relacionados nesses capítulos) são condenados somen­
te quando vinculados à idolatria; fora disso, são permitidos. N e ­
nhum leitor sério destas passagens pode aceitar tal premissa.

Paulo e o Que é “Natural”


“Contrário à Natureza” (Rm 1.26-27)
Por causa disso, os entregou D eus a paixões infames; porque
até as mulheres mudaram o modo natural de suas relações

203
A OPERAÇÃO DO ERRO

íntimas por outro, contrário à natureza; sem elhantem ente,


os homens também, deixando o contacto natural da mulher,
se inflamaram mutuamente em sua sensualidade, com eten­
do torpeza, homens com homens, e recebendo, em si m es­
mos, a merecida punição do seu erro (Rm 1.26-27).

P o siçã o tradicional
Paulo considera o homossexualismo um sintoma da hum ani­
dade caída, e o retrata como não natural e indecente.

Prim eiro argum ento a favor do h om ossexu alism o


Paulo não está descrevendo homossexuais de verdade; an­
tes, está-se referindo a homossexuais que, como ele diz, “m uda­
ram seu modo natural” . O pecado em questão aqui é mudar o
que é natural para cada pessoa. Boswell segue esse argumento ao
afirmar:
As pessoas que Paulo condena, manifestamente não são ho­
mossexuais: o que ele rejeita são atos homossexuais com eti­
dos por pessoas aparentem ente hom ossexuais. Todo o
enfoque de Romanos 1, na verdade, é estigmatizar pessoas
que rejeitaram seu chamado, desviaram-se do caminho ver­
dadeiro em que estavam antes.31-1

Ramey e M ollenkott concordam, dizendo: “O que Paulo


parece enfatizar aqui é que pessoas que, por natureza, são ho­
mossexuais, não só trocaram o Deus verdadeiro por um deus fal­
so, mas também trocaram sua capacidade de relacionar-se com o
sexo oposto por uma conduta homossexual que não lhes é natu­
ral.”314 Em resumo, em Romanos 1 Paulo descreve heterossexu­
ais que deliberadamente cometeram atos homossexuais, violan­
do, assim, sua verdadeira natureza. O homossexualismo, quando
praticado por homossexuais de verdade, não é pecado.

R esposta
Paulo nem de longe está sendo tão subjetivo nessa passa­
gem. Não há nada em suas palavras que dá a entender que ele
fazia diferença entre homossexuais “de verdade” e os “falsos”.

204
ARGUMENTOS BÍBLICOS

Ele sim plesm ente descreveu o com portam ento homossexual


como não natural, não importa q uem o pratica.
Suas palavras, na verdade, são especialm ente específicas.
Quando ele fala de “hom ens” e “mulheres” nesses versículos,
ele escolhe os termos gregos que mais destacam a biologia: arsenes
e theleias. As duas palavras são raramente usadas no Novo Testa­
mento; quando aparecem, é em versículos que querem enfatizar
o sexo do sujeito, como em uma criança masculina (arsenes). Nesse
contexto, Paulo está dizendo bem especificamente que o com­
portamento homossexual destas pessoas não lhes era natural como
homens e mulheres (arsenes e theleias); ele não está levando em
consideração nada do tipo “orientação sexual”. Ele está dizendo,
em outras palavras, que o homossexualismo é biologicamente
contrário à natureza — não só para heterossexuais, mas para qual­
quer pessoa,
Além disso, o fato de esses homens “inflamarem-se em sua
sensualidade” uns pelos outros torna altamente improvável que
eram heterossexuais experimentando o homossexualismo. Sua
conduta brotava de um intenso desejo interior. Entender, como
querem Boswell e Mollenkott, que esses homens eram heteros­
sexuais adotando práticas homossexuais requer grande ginástica
mental.
Outrossim, se os versículos 26 e 27 condenam ações homos­
sexuais cometidas por pessoas para quem elas não vinham com
naturalidade, mas não se aplicam a pessoas para quem essas ações
vêm naturalmente, será que a coerência não nos obriga a também
permitir as coisas que são mencionadas nos versículos 29 e 30 —
fornicação, calúnia, engano etc. — desde vêm com naturalidade
para as pessoas que as cometem?

Segun do argum ento a favor do h om ossexu alism o


Esse texto descreve pessoas idólatras, não homossexuais cris­
tãos que adoram o Deus verdadeiro. Troy Perry afirma:
As práticas homossexuais citadas em Romanos 1.24-27 são
consideradas resultado da idolatria e estão ligadas a algumas
ofensas muito sérias que se vê em Romanos 1. Visto nesse

205
A OPERAÇÃO DO ERRO

contexto mais amplo, deve ser óbvio que atos como esses
são significativamente diferentes dos relacionamentos amo­
rosos e responsáveis que se vê hoje em dia entre dois ho­
mens ou duas mulheres.315

R esp osta
A idolatria com certeza tem um papel importante em Roma­
nos 1. Paulo começa sua carta descrevendo a rebelião da hum ani­
dade e a decisão de adorar a criação em lugar do Criador. Os teó­
ricos favoráveis ao homossexualismo baseiam-se nesse conceito
para provar que a condenação do homossexualismo por Paulo não
se aplica a eles — eles não adoram ídolos; eles são cristãos.
“No entanto” , Schmidt adverte, “Paulo não está sugerindo
que uma pessoa adora um ídolo e por isso decide ter relações
sexuais com uma pessoa do mesmo sexo. Antes, ele está propon­
do que a rebelião generalizada criou o ambiente para a rebelião
específica. Uma pessoa não precisa inclinar-se diante de um be­
zerro de ouro para participar da negação humana geral de Deus
ou para expressar essa negação através de comportamentos e spe­
cíficos.”316
Um leitura de todo o capítulo com bom senso deixa isso cla­
ro. Vários pecados além do homossexualismo são mencionados
na mesma passagem: “Injustiça, malícia, avareza e maldade; pos­
suídos de inveja, homicídio, contenda, dolo e malignidade; sen­
do difamadores, caluniadores, aborrecidos de D e u s” e assim por
diante (Rm 1.29-30).
Será que a interpretação aplicada aos versículos 26-27 tam­
bém vale para os versículos 29-30? Qualquer grau de integridade
intelectual exige isso: se os versículos 26-27 se aplicam a pessoas
que cometem atos homossexuais em conexão com idolatria, fa­
zendo com que atos homossexuais não são pecaminosos quando
não cometidos em conexão com idolatria, então o mesmo deve se
aplicar também aos versículos 29-30. Assim, devemos concluir
que injustiça, malícia, avareza e maldade (e assim por diante) tam­
bém são condenados por Paulo somente porque foram cometidos

206
ARGUMENTOS BÍBLICOS

por pessoas envolvidas com idolatria; em outro contexto esses


pecados são permitidos.
E claro que isso é ridículo. Assim como o homossexualismo,
esses pecados não resultaram somente da adoração de ídolos; eles
são sintomas do nosso estado caído. Se queremos dizer que o
homossexualismo é legítimo, enquanto não for resultado da ado­
ração de ídolos, então também temos de dizer que esses outros
pecados são igualmente legítimos, desde que tam bém não sejam
praticados em resultado da idolatria.

Paulo e Arsenokoite
{ICo 6 .9 -1 0 ; lT m 1.9-10)

Não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus?


Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras, nem adúlte­
ros, nem efeminados, nem sodomitas [...] herdarão o reino
de D eus (ICo 6.9-10).

Tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo,


mas para transgressores e rebeldes, [...] impuros, sodomitas...
(lT m 1.9-10).

P o siçã o tradicional
O termo “sodomitas” traduz a palavra grega arsenokoite que,
conforme nota da Nova Versão Internacional, “no grego tem a
conotação de homens que se subm etem a todo tipo de deprava-
ção sexual com outros h o m e n s.” Paulo está dizendo q u e o
homossexualismo é uma depravação que exclui do reino de Deus
quem a pratica.

A rgum ento a favor do hom ossexu alism o


Arsenokoite é uma palavra cunhada por Paulo. Ela não apare­
ce na literatura grega antes de ele a ter usada nesses versículos;
na época existia outras palavras para “homossexual” . Se ele qui­
sesse referir-se ao homossexualismo, ele teria usado uma das pa­
lavras já existentes. Com m uita probabilidade Paulo, nesses
versículos, estava-se referindo à prostituição masculina, que era co­

207
A OPERAÇÃO DO ERRO

mum naquela época.


Boswell destaca que a palavra é peculiar a Paulo, dando a
entender que ele não tinha o homossexualismo em m ente quan­
do a usou. Boswell acha que a referência é à prostituição; como
segunda opção, Paulo pode estar condenando a imoralidade em ge­
ral. Seja como for, o termo, de acordo com esse argumento, refere-se
a algum tipo de homem imoral, mas não a um homossexual.

R esposta
Paulo cunhou 179 termos no Novo Testamento. Esses ter­
mos, simplesmente porque são originais, não m udam de modo
significativo o contexto dos versículos em que aparecem. T am ­
bém não é difícil de descobrir por que ele cunhou essa palavra,
pois vemos que ele a derivou diretamente da tradução grega do
Antigo Testam ento hebraico, a Septuaginta:
Meta a rsen o s ou koim ethese koiten gyniakos (Lv 18.22).

Hos na koimethe meta a rsen os koiten gynaikos (Lv 20.13).


E m outras palavras, quando Paulo adotou o termo arseno-
koite, ele o tirou diretamente das passagens de Levítico — na
tradução grega — que proíbem o comportamento homossexual.
O sentido, portanto, não pode ser mais claro: mesmo que o termo
seja restrito a Paulo, ele se refere especificamente ao comporta­
mento homossexual.
Quanto à inferência de que a palavra se aplica à prostituição
masculina, um desmembramento da palavra mostra que ela não
diz nada nesse sentido. Arsane, como já foi dito, aparece poucas
vezes no Novo Testamento, sempre com o sentido de “masculi­
no” . Koite só aparece duas vezes no Novo Testamento, e signifi­
ca “cama” ou “sofá”, usado com conotação sexual:
Andemos dignamente, [...] não em impudicicias ('koite, Rm 13.13).

Digno de honra entre todos seja [...] o leito (koite) sem mácula
(Hb 13.4).

Aj duas palavras juntas, como Paulo as usou, colocam “masculi­


n o ’’e “cama ”juntos, em sentido sexual. Não há indicação depros-

208
ARGUMENTOS BÍBLICOS

tituição no sentido de nenhuma das duas palavras que formam


arsenokoite.

Examinada com cuidado, a teologia favorável ao homosse­


xualismo demonstra estar construída sobre um fundamento m ui­
to pantanoso. E, como diria Elodie Ballentine, “uma teologia do
desespero” . Todavia, compreender sua fraqueza é somente uma
parte da nossa tarefa. Aprender como confrontá-la com compai­
xão mas com firmeza — falando a verdade em amor — é nossa
próxima tarefa.

Falemos dos Argumentos Bíblicos


Favoráveis ao Homossexualismo
D e fe n s o r do h o m o ss e x u a lis m o : “E x a ta m e n te quais
versículos bíblicos você acha que condenam o homossexualismo?”
R esposta: “Bem, o Gênesis, por exemplo, deixa o propósi­
to de Deus para o relacionamento sexual bem claro quando des­
creve o primeiro casal.”

D efen so r do hom ossexu alism o: “Não há nada sobre ho­


mossexuais nesses versículos!”
R esposta: “E exatamente isso que eu quero dizer. A histó­
ria de Adão e Eva não fala nada de homossexualismo, só de
heterossexualismo. Ela fornece um quadro bem claro — um pa­
drão — do propósito de Deus para homens e mulheres. Esse é o
único padrão mantido através de toda a Bíblia. E a história de Sodoma,
mais adiante em Gênesis, faz uma colocação muito forte.”

D e fe n s o r do h o m o s s e x u a lis m o : “Mas não contra o


homossexualismo. Os homens de Sodoma foram condenados por
tentar estuprar Ló e seus visitantes.”
R esposta: “Isso também, entre outras coisas. Mas você tem
de admitir que o homossexualismo deve ter sido bastante prati­
cado em Sodoma, ou não teríamos todos os homens da cidade
tentando participar do estupro. Além disso, várias outras passa­
gens dizem que os pecados de Sodoma eram sexuais, além de

209
A OPERAÇÃO DO ERRO

idolatria e soberba. Depois, é claro, há as duas passagens em


Levítico.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Mas isso é a lei. Os cris­


tãos não estão debaixo da lei.”
R e sp o sta : “Não, graças a Deus, não estamos. Mas os capí­
tulos onde constam as proibições de Levítico contra o homosse­
xualismo também contém outros pecados sexuais condenados
tanto no Antigo como no Novo Testam ento.”

D e f e n s o r d o h o m o s se x u a lis m o : “Mas naquela época o


homossexualismo estava ligado à adoração de ídolos. E por isso
que Deus o condenou.”
R e s p o s ta : “Quer dizer que, se os outros pecados menciona­
dos nesses capítulos — o incesto, por exemplo, e o adultério —
não estiverem ligados à adoração de ídolos, eles também podem
ser praticados?”

D e f e n s o r do h o m o sse x u a lis m o : “É claro que não!”


R e sp o sta : “Você não pode ficar com as duas alternativas.
Ou todos os pecados nesses capítulos eram condenados por sua
ligação com a idolatria, ou nenhum era. A mesma coisa vale para o
primeiro capítulo de Romanos. Paulo relaciona vários pecados ali
— incluindo o homossexualismo. E verdade que o homossexualis­
mo não é o principal pecado de Romanos 1, assim como não é o
principal pecado em Levítico. Mas não há dúvida de que ele está
ali, condenado e proibido.”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Acontece que as pesso­


as que Paulo descreve em Romanos 1 na realidade não eram ho­
mossexuais. E por isso que era pecado! Deus não queria que eles
mudassem sua natureza. Eles eram heterossexuais praticando
homossexualismo. O que torna isso errado é o fato de que não era
natural para eles. D e outra forma, não haveria problema.”
R e s p o s ta : “E o que dizer dos difamadores, adúlteros e
caluniadores em Romanos 1? Esses também eram pessoas que na

210
ARGUMENTOS BÍBLICOS

verdade não eram difamadores, adúlteros ou caluniadores? Isso


não lhes era natural — era esse o problema? Eu não acho. Não há
nada na Bíblia que diga que certo comportamento sexual é peca­
do a não ser que surja naturalmente em você e não nos outros.”

D e f e n s o r do h o m o sse x u a lis m o : “Mas eu acho que Paulo


não tinha nenhuma idéia de como é ser realmente homossexual.”
Resposta: “Provavelmente não, e não creio que faria qual­
quer diferença. E o comportamento que ele está condenando,
sem sequer considerar os fatores que podem ter levado alguém a
praticá-lo. Mais adiante no Novo Testamento, em 1 Coríntios e 1
Timóteo, ele relaciona o homossexualismo como um entre m ui­
tos outros pecados que mantém as pessoas longe de D eus.”

D e f e n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Porém a palavra que usa


para ‘h o m o ssex u ais’ nesses versículos na v e rd a d e significa
‘prostitutos’.”
R e sp o sta : “D e onde você tirou essa idéia?”

D e fe n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Eu li sobre isso. Um his­


toriador de Yale fez um estudo minucioso dos termos que Paulo
usa e descobriu isso. A palavra que Paulo usou — que nós geral­
m ente identificamos com o sentido de ‘homossexual’ — na ver­
dade não tem esse sentido.”
R e sp o sta : “Bem, com certeza ela não significa‘prostituto’.
A palavra de que você está falando é arsenokoite. E um termo
grego que Paulo tirou diretamente da tradução grega do Antigo
Testamento. Na verdade, ela vem da tradução grega dos versículos
em Levítico que se referem especificamente ao homossexualismo,
não à prostituição. Portanto, não há nenhum a hipótese de que
seja outra coisa e não uma referência ao homossexualismo. Além
disso, se você analisa a palavra em si — uma junção das palavras
gregas arsane, que significa masculino, e koite, que significa cama
ou sofá — você verá que não há nada na palavra que indique
prostituição. E contra sexo entre homens, não contra sexo por
dinheiro, que Paulo está escrevendo.”

211
A OPERAÇÃO DO ERRO

D e f e n s o r do h o m o sse x u a lism o : “Bem, eu ainda acho que


a Bíblia não diz nada contra o m eu homossexualismo.”
R e s p o s ta : “E você tem todo o direito de pensar assim. Mas
em algum momento você terá de se perguntar: Será que eu creio
na teologia a favor do homossexualismo porque eu penso real­
m ente que ela é verdadeira, ou porque eu quero pensar que ela é,
apesar da posição majoritária dos estudiosos da Bíblia, bem como
da leitura da Bíblia com bom senso? Estamos falando de convic­
ção aqui, ou de conveniência? Só você pode responder isso.”

212
12
Confrontando o
Movimento
Gay Cristão

“Não sejais cúmplices nas obras infrutíferas das tre­


vas; antes, porém, reprovai-as. ”
Efésios 5.11

decadência se propaga no m undo caído, onde tão


4 A poucas coisas acontecem segundo o plano de
Deus e tantas estão em rota de colisão com ele. Podemos até gos­
tar de cantar o antigo hino: “O Mundo éTeu, Senhor”, mas a Bíblia
indica que esse m undo está às turras com o seu Criador.
Quando Satanás tentou o Senhor no deserto (Mt 4.1 -11), mos­
trou-lhe todos os reinos da terra e depois lhe fez uma proposta
espantosa: “Tudo isso te darei se prostrado me adorares” (v. 9).
Jesus recusou a oferta sem colocar em dúvida a pressuposi­
ção. Ele sabia, como o próprio Satanás, que no presente estado o
m undo funciona como Paulo disse —■“segundo o príncipe da
potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobe­
diência” (E f 2.2).
Nesse ambiente não é surpreendente encontrar pecados se­

213
A OPERAÇÃO DO ERRO

xuais à vontade. Paulo de fato disse à igreja de Gorinto que, se


quisessem evitar os imorais, teriam de sair do mundo (lG o 5.9-
10). E, apesar de ser importante tomar uma posição moral exata­
m ente nesse m undo caído, é mais importante lembrar a questão
prioritária — se as pessoas estão sem Cristo, elas estão mortas; sua imo­
ralidade é secundária. Uma tomada de posição pública contra os
pecados deles deve incluir um convite à graça e ao reconheci­
mento de que sua conduta é sintoma de um problema maior.
O pecado entre cristãos, ou em grupos que se dizem cristãos,
é outro assunto. Quando é praticado sem remorso, ou redefinido
de “hábito maligno” para “d om ” , então a igreja é chamada a
confrontá-lo — não somente como pecado, mas como comporta­
mento com o qual ninguém que usa o nome de Cristo deve estar
envolvido! A imoralidade já é um problema suficientemente sé­
rio na vida de todo mundo; ela é duplam ente séria quando prati­
cada por quem se diz crente.
Quando os homossexuais dizem que o homossexualismo é
um presente de Deus, e trazem essa alegação para dentro das
nossas igrejas, então é obrigatório confrontá-los, por três razões. A
primeira é que a integridade da igreja fica comprometida quando
cristãos professos representam mal o cristianismo.
Q uando pessoas que afirmam seguir a Cristo o representam
mal, com heresia ou imoralidade, os cristãos precisam protestar.
Há alguns anos foi lançado um filme mais blasfemo do que o cos­
tumeiro, com o título A Última Tentação de Cristo, apresentando
Jesus de um modo grosseiramente distorcido. Os cristãos protes­
taram em todo o país: a verdade estava sendo pervertida e passa­
da como evangelho. O mesmo ocorre com o Movimento Gay Cris­
tão: suas alegações pervertem a verdade sobre os propósitos de
Deus, representando-o de modo errado. Os cristãos precisam pro­
testar. Se os homossexuais se sentem bem com seu comporta­
mento, isso é uma questão; quando eles dizem q ue o fazem com
as bênçãos da cristandade, então a igreja, com indignação, deve
insistir como Paulo: “O Senhor conhece os que lhe pertencem. E
mais: Aparte-se da injustiça todo aquele que professa o nome do
Senhor” (2Tm 2.19).

214
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

Em segundo lugar, o confronto é necessário porque o Movi­


m ento Gay Cristão nos pede que confirmemos seus membros em
seu pecado, quando a Bíblia nos manda fazer exatamente o con­
trário. Como embaixadores de Cristo na terra — como seu corpo,
se você preferir — nós não somos fiéis em representá-lo se o pe­
cado continuado de um crente professo não afeta nosso relacio­
namento com esse crente. E m essência, é isso que Paulo disse
aos tessalonicenses:
Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cris­
to, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenada­
mente e não segundo a tradição que de nós recebestes. Caso
alguém não preste obediência à nossa palavra dada por essa
epístola, notai-o; nem vos associeis com ele, para que fique
envergonhado. Todavia, não o considereis por inimigo, mas
adverti-o como irmão (2Ts 3.6,14-15).
Por último, pecado sem arrependimento entre crentes é como
uma doença; acabará se espalhando e afetando o corpo todo. Q uan­
do Paulo ouviu que um membro da igreja de Corinto tinha um
relacionamento incestuoso com sua madrasta, ele ordenou que o
homem fosse excluído (ICo 5.1-5), depois explicou o princípio
do confronto e — quando necessário — da expulsão da comuni­
dade dos crentes: “Não sabeis que um pouco de fermento leveda
a massa toda? Lançai fora o velho fermento” (ICo 5.7).
Um corpo saudável purifíca-se das impurezas; o corpo de Cris­
to não pode dar-se ao luxo de deixar por menos. O confronto é
um negócio complicado. E estressante e doloroso; se não for, pro­
vavelmente há algo errado com quem está confrontando! E com
certeza não combina com a imagem “simpática” , que menciona­
mos antes, que tantas pessoas têm do cristianismo.
Todavia, a primeira pessoa no Novo Testam ento a incenti­
var o confronto entre crentes foi o próprio Jesus. Ele nos instruiu:
“Se teu irmão pecar [contra ti], vai argüí-lo” (Mt 18.15). Em se­
guida ele esboçou um plano de confronto progressivo, se o irmão
em erro não se arrepender; o último passo é trazê-lo para diante
da igreja e, se insiste em não se arrepender, tratá-lo como desvia­
do (v. 15-19).

215
A OPERAÇÃO DO ERRO

Esse mesmo Jesus, carinhoso e perdoador, nunca pestane-


jou diante do pecado. Ele esperava dos seus seguidores que o
encarassem. Ele ainda espera isso. Veja como ele repreende a igreja
de Tiatira:
Tenho, porém, contra ti o tolerares que essa mulher, Jezabel,
que a si mesma se declara profetisa, não som ente ensine,
mas ainda seduza os meus servos a praticarem a prostituição.
[...] Eis que a prostro de cama, bem como em grande tribula-
ção os que com ela adulteram, caso não se arrependam das
obras que ela incita (Ap 2.20-22).

Jesus considerou a igreja de Tiatira responsável por permitir


que falso ensino seduzisse o seu povo. Que a igreja se considere
advertida: se o Movimento Gay Cristão ficar sem ser confronta­
do, seus integrantes não serão os únicos que encararão a insatisfa­
ção do Senhor no fim.

Como Confrontar
Como confrontamos o Movimento Gay Cristão é crucial. A
instrução de Paulo — “não o considereis por inimigo, mas adver­
ti-o como irmão” (2Ts 3.15) — deve ser levada em conta. Os inte­
grantes do M ovimento Gay Cristão não são nossos inimigos. Eles
dizem pertencer a Cristo. Não cabe a mim julgar se o conhecem
realmente ou não. A maioria dos que conheci pessoalmente ti­
nham tido uma experiência genuína de salvação antes de se
filiarem à igreja dos homossexuais, e quem tem o direito de dizer
se, e a que altura, eventualm ente perderam a salvação que e n ­
contraram anos antes?
A teologia favorável ao homossexualismo é uma ilusão po­
derosa — uma adaptação sedutora feita sob medida para combi­
nar com o cristão que luta contra tentações homossexuais e está
pensando em acomodar as duas coisas. Alguns que se dizem cris­
tãos homossexuais podem ter sido realmente iludidos quando o
aceitaram; outros podem estar simplesmente em rebeldia. Não
podemos dizer o que os leva a acreditar em uma mentira. O que
podemos dizer é que estão errados — totalmente errados.

216
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

Ao confrontarmos a eles e suas convicções, devemos fazê-lo


com sabedoria, cientes das nossas motivações e preocupações, e
expressando-as com clareza. Foi por essa razão que os capítulos 1
a 5 — que explicam por que devemos nos preocupar com o
homossexualismo dentro da igreja, esboçando em seguida a his­
tória do movimento dos direitos dos homossexuais e do Movi­
mento Gay Cristão — foram incluídos. O confronto é eficaz quan­
do compreendemos tanto porque precisamos confrontá-los como
o contexto das pessoas que estamos confrontando.
Além disso, temos de começar conosco mesmos. Jesus ad­
vertiu seus discípulos, e a nós, quanto a repreender outros sem
antes examinar a si mesmo:
Por que vês cu o argueiro no olho de teu irmão, porém não
reparas na trave que está no teu próprio? Hipócrita! Tira pri­
meiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para
tirar o argueiro do olho de teu irmão (Mt 7.3,5).

Seria uma arrogância desmedida achar que nós, a comunida­


de cristã, podemos enfrentar o Movimento Gay Cristão como
pessoas corretas que enfrentam degenerados. Se os grandes es­
cândalos no corpo de Cristo nos últimos dez anos — que envol­
veram televangelistas, pregadores famosos, escritores de renome
e músicos cristãos aclamados a nível internacional — serviram
para alguma coisa, foi para provar que o corpo de Cristo não é
im une ao pecado sexual. Não é exatamente o Movimento Gay
Cristão que vive no erro; nós vivemos no erro, seriamente, o que
motivou Cal Thom as a levantar a pergunta: “Por que a maioria
deveria aceitar algo que não viram ser plenamente vivido por aque­
les que dizem crer?”317
Isso não cancela nossa responsabilidade de confrontá-los, mas
nos acautela a nos apresentarmos com honestidade quando os e n­
frentamos: como pecadores que enfrentam o pecado, nada mais.
O pastor Andrew Aquino, da Columbus Baptist Association, ex­
pressou isso de modo perfeito durante uma entrevista recente:
“Minha mensagem aos homossexuais é: Nós amamos vocês. Ve­
nham e lutem junto conosco contra o pecado. Não cedam a ele.”3lfi

217
A OPERAÇÃO DO ERRO

“Se alguém for surpreendido nalguma falta”, disse Paulo,


“vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e
guarda-te para que não sejas tam bém tentado” (G1 6.1). O auto-
exame e a atitude certa são pré-requisitos para o confronto; sem
eles, nossas palavras soarão ocas, ou destrutivas, ou as duas coi­
sas. Antes do confronto, portanto, deve haver um auto-exame e
arrependimento.
Tam bém deve haver sabedoria. Ir despreparado para a igreja
de homossexuais do lugar e sacudir o punho para seus membros
não causará muita coisa boa. Seguir porta-vozes dos homossexu­
ais e desafiá-los para debates públicos geralmente tam bém não é
muito eficaz. Isso gasta tempo e energia que podem ser usados
melhor em outro lugar. O compromisso de confrontar não é sufi­
ciente; temos de planejar a ocasião e o local para isso.

O nde e quando confrontar


Há duas situações gerais em que você provavelmente pod e­
rá confrontar o Movimento Gay Cristão: na sua igreja (sesua deno­
m inação está pensando em aceitar a teologia fa v o r á v e l ao
homossexualismo) ou em público, por meio de debates nos meios
de comunicação.
E m u m n ív el mais p e sso a l, você p o d e c o n fro n ta r o
homossexualismo entre seus amigos ou entes queridos. Esses con­
frontos, provavelmente, serão mais sobre o homossexualismo em
geral do que sobre detalhes específicos da teologia favorável ao
homossexualismo. Se um amigo ou alguém da família adotou a
teologia favorável ao homossexualismo, os argumentos usados nos
capítulos 7 a 11 serão úteis. As questões maiores, porém — por
exemplo, como relacionar-me com uma pessoa amada que é ho­
mossexual? — ultrapassam o objetivo desse livro. U m recurso
excelente nesse caso seria Someone I Love is Gay, de Bob Davies e
Lori Rennzel, InterVarsity Press, 1996.

218
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

Confrontando o Movimento
Gay Cristão na Igreja
Enquanto eu preparava este capítulo, entrevistei pastores
das igrejas Anglicana, Batista, Reformada, Católica, Episcopal e
Luterana, que estão todas debatendo (em algum nível) se devem
aceitar ou não a teologia favorável ao homossexualismo. Pergun­
tei a cada pastor ou padre como sua denominação chegou o ponto
até de considerar uma questão como essa. Várias razões foram
mencionadas repetidas vezes.

Elite contra m aioria


Todos os pastores observaram que pessoas em postos eleva­
dos na denominação — a hierarquia da igreja — correm o perigo
de adotarem uma mentalidade de torre de marfim, que os m an­
tém fora de contato com as preocupações da base da pirâmide.
Em uma atmosfera acadêmica, de certo modo de elite, pode ha­
ver uma tendência maior para o liberalismo e para um conceito
“crítico” da Escritura. A partir da sua posição de autoridade, eles
podem definir políticas totalmente contrárias às convicções das
suas congregações, criando uma tensão entre os leigos e a lide­
rança da denominação.

C om itês especiais
Dois pastores disseram que suas denominações anos atrás
tinham formado comissões para estudar o homossexualismo. Suas
intenções pareciam corretas: esperavam desenvolver um minis­
tério mais eficaz com homossexuais. Contudo, os homossexuais e
seus simpatizantes, que tinham muito em jogo com a posição da
denominação em relação ao homossexualismo, com freqüência
se engajaram nas comissões, enquanto os conservadores, menos
empolgados com esses projetos, não participavam. N aturalmente
os comitês muitas vezes pendiam para um lado, com mais inte­
grantes liberais do que conservadores.
Os membros dos comitês se voltavam, em muitos casos, para

219
A OPERAÇÃO DO ERRO

as ciências sociais para obter informações sobre o homossexualis­


mo. Recebendo abundantes informações favoráveis aos homos­
sexuais, eles adotaram a posição revisionista em relação à Bíblia e
chegaram à conclusão (o que não éde admirar) que a igreja deveria
rever sua posição em relação ao homossexualismo. A ordenação
de homossexuais, o casamento de homossexuais e um compro­
m etim ento com os direitos dos homossexuais foram recomenda­
dos. Nas assembléias gerais das denominações, as propostas dos
comitês eram votados (e geralmente derrotadas) pelo grupo maior
de membros mais conservadores da denominação; os relatórios
das comissões ficavam sobre a mesa, para serem estudados mais a
fundo e votados novamente na próxima assembléia geral, onde o
ciclo recomeçava (E claro que isso ê uma simplificação exagerada; os
detalhes e eventos variaram em cada denominação envolvida em discus­
sões sobre o assunto.).
Em cada caso, os pastores recomendavam um envolvimento
maior dos leigos. Um deles disse: “A maior parte das pessoas em
nossas igrejas não quer isso!” , referindo-se à teologia favorável ao
homossexualismo. “Mas se não o querem, terão de envolver-se
mais em suas congregações locais e fazer alguma coisa em relação
a isso.”
Algumas idéias de como envolver-se, e confrontar a teologia
favorável ao homossexualismo dentro das denominações, surgi­
ram nessas conversas:
1) Conheça a posição oficial da sua denominação. Se você
não sabe, escreva para a sede e peça uma cópia da sua declaração
sobre o homossexualismo e a Bíblia. Na maioria dos casos, você
descobrirá que a igreja ainda m antém uma posição conservadora;
lembre as pessoas disso em cada discussão que você tenha sobre
o assunto. A autoridade da igreja ainda está, na maioria dos casos,
do seu lado.
2) Conheça a posição do seu pastor sobre homossexualismo.
Se ele toma posição favorável aos homossexuais, naturalmente
você enfrentará dificuldades para conseguir seu apoio. Mas se você

220
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

está lendo este livro, é bastante provável que você esteja sob li­
derança tradicional.
Peça a seu pastor idéias de como combater a teologia favorá­
vel ao homossexualismo em sua denominação. Explique-lhe que
você não está pedindo nada que ele já não esteja fazendo. Os
pastores geralmente são atarefados, e não gostam quando um
membro da congregação lhes pede para envolver-se com mais uma
causa! Mas diga-lhe que você quer envolver-se mais na defesa da
verdade em sua igreja. Peça sua bênção e conselho.
3) Se possível, participe do processo em sua denominação.
Filie-se a comissões que sua denominação tenha formado para
estudar a questão do homossexualismo e a Bíblia. Use o material
deste livro e os livros aqui sugeridos para fundamentar seus argu­
mentos. C ertifique-se de trazer informações q u e podem ser
conferidas de que o homossexualismo não é inato, imutável ou
permitido pela Bíblia. Também contribua com idéias sobre como
ministrar com amor aos homossexuais sem comprometer a verdade.
4) Convide palestrantes para falar em sua igreja. Traga-os
para falarem sobre o homossexualismo e a Bíblia na escola domi­
nical, nas reuniões durante a semana e nos cultos principais. L o­
calize pessoas em sua região que tomaram posição nessa questão,
e apoie-as. Se você não conhece ninguém em sua região que en­
sina sobre o assunto, contate a Exodus International para suges­
tões de palestrantes (Veja endereço no fin a l deste livro, n. do e.). D es­
perte sua igreja e seu pastor para considerarem a necessidade do
ensino sobre homossexualismo; as pessoas estão perecendo por
falta de conhecimento.
5) Organize seminários sobre homossexualismo. Seminários
são um instrumento muito bom para analisar um assunto de to­
dos os ângulos. Um seminário bem equilibrado sobre homosse­
xualismo deve incluir grupos de trabalho sobre os direitos dos
homossexuais, como reagir quando uma pessoa amada é homos­
sexual, e como a igreja em geral pode tratar melhor do homosse-

221
A OPERAÇÃO DO ERRO

xualismo no país. Isso é uma maneira excelente de servir e e d u ­


car a comunidade cristã em sua região.
6) Peça ao seu pastor para desenvolver ministérios em sua
igreja. Organize grupos de aconselhamento e apoio para pessoas
que estão lutando contra o homossexualismo, e para famílias que
têm membros homossexuais (Procure na bibliografia algum materi­
a l sobre como começar ministérios para homossexuais na igreja.).
O pastor Ken Korver do sul da Califórnia provou que qual­
quer igreja pode fazer isso. Depois de ler alguns livros sobre
homossexualismo e sentir um peso para fazer alguma coisa cons­
trutiva em relação ao problema, ele convidou vários palestrantes
para sua igreja para um seminário especial sobre o assunto. Em
seguida ele fez dois comunicados à sua congregação: primeiro,
ele disse que se alguém na igreja estivesse em luta com o homos­
sexualismo, que viesse falar pessoalmente com ele durante a se­
mana, para começarem a encontrar-se para estudo bíblico indivi­
dual, acompanhamento e encorajamento.
Depois, ele perguntou quantos da congregação estariam dis­
postos a dedicar-se às pessoas que o contatassem durante a sema­
na, para ajudar: “Você estará disponível quando eles forem tenta­
dos, e andará com eles por todo o processo de vencer o homos­
sexualismo?”
Mais de setenta pessoas se apresentaram. Isso foi há cinco
anos. O ministério do pastor Korver com homossexuais ainda está
crescendo. Se mais igrejas seguissem seu exemplo, seriamos muito
mais eficazes em combater a teologia dos homossexuais. Como
observaram os líderes do conservador Colloquium Ramsey:
Uma das razões do desconforto dos líderes religiosos em face
desse novo movimento [homossexual] é o fracasso passado e
presente de oferecer cuidado pastoral, com apoio bem infor­
mado, a pessoas que lutam com os problem as do seu
homossexualismo.'119

Não podemos continuar sendo íntegros se denunciamos um


problema e não fazemos nada ou quase nada para resolvê-lo.

222
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

Aprendemos isso anos atrás quando combatemos o aborto.


Durante décadas nos mobilizamos contra o crime de assassinar
crianças ainda não nascidas. Mas a lei Roe versus Wade (que apro­
vou o aborto nos Estados Unidos, n. do t.) foi aprovada e a indústria
do aborto floresceu. Um dia constatamos que nossa estratégia fora
muito limitada. Não era suficiente dizer às mulheres o que não
fazer — também precisávamos andar com elas e ajudá-las a fazer
o que é certo.
Assim, organizamos casas onde as mulheres pudessem levar
sua gravidez até o fim, em vez de fazer aborto. Em vários lugares
brotaram centros cristãos de aconselhamento para mulheres com
gravidez de crise. Grupos de apoio para mulheres que tinham
feito aborto também se tornaram comuns. Tornamo-nos parte da
solução, não somente mais uma voz que denunciava o problema.
Se nossas igrejas querem opor-se ao Movimento Gay Cristão
com eficiência, terão de fazer mais do que só argumentar contra
ele. Terão de tornar-se lugares de refúgio para mulheres e ho­
mens que lutam com o homossexualismo — lugares onde esses
crentes, como todos os outros, podem dizer livremente: “E u luto;
ajude-m e.” Se falharmos com eles quando precisam do nosso
apoio, não podemos ficar surpresos quando abandonam totalmente
a ética cristã e se tornam nossos críticos mais ferinos.

Confrontando a Teologia Favorável ao


Homossexualismo em Público
Talvez você sinta um chamado para confrontar esse ensino
publicamente, seja em entrevistas na imprensa ou em debates
públicos. Estou usando a palavra “chamado” em sentido bem li­
teral. Algumas pessoas são chamadas e dotadas por Deus para o
debate público, e muitas (talvez a maioria) não são. Descobri que
essa é uma questão crucial. Muitas pessoas estão preocupadas com
esse assunto. Mas a preocupação em si não qualifica uma pessoa
para falar em público. A arena pública é um campo de batalha
terrível em que não se deve entrar sem chamado e preparo. Antes
de aventurar-se, busque o conselho e a confirmação do seu pastor

223
A OPERAÇÃO DO ERRO

e das pessoas que melhor conhecem você. Certifique-se de que


você foi comissionado e equipado; se você não tem certeza, é
melhor não ir.
Ainda assim, a arena pública pode ser um grande veículo
para a verdade. D esde 1988 tenho participado de uma média de
quarenta programas de rádio e televisão por ano, tanto seculares
como cristãos. N em urria vez, mesmo durante as entrevistas mais
hostis, senti que estava desperdiçando o meu tempo. Sem exce­
ção, a cada vez seguiam-se telefonemas de pessoas que queriam
ajuda. Os pedidos de aconselhamento aumentaram; estabeleci
relacionamentos por todo o país, por telefone ou correspondên­
cia. Portanto, falar em público provou ser muito eficaz.
A necessidade de que cristãos tomem posição nessa questão
é maior do que nunca. A verdade sobre o homossexualismo não
será divulgada com eficiência só por uma meia dúzia de palestran­
tes cristãos. Precisamos de uma variedade de homens e m ulhe­
res, de todos os contextos, que falem nos jornais, no rádio e na
televisão, nas universidades e em convenções de profissionais.
Você pode ser um deles. Se esse é o caso, deixe-me dar-lhe
algumas idéias de como confrontar eficazmente a teologia favorá­
vel ao homossexualismo em público.
1) Faça sua lição de casa. Correndo o risco de parecer repetiti­
vo, deixe-me incentivá-lo novamente a ler os livros da bibliogra­
fia. Memorize todos os versículos que fazem referência ao homos­
sexualismo e compreenda as interpretações que os homossexuais
fazem deles. Certifique-se que você tem pelo menos uma res­
posta para cada interpretação, memorizada ou à mão.
Tome conhecimento tam bém dos argumentos gerais que o
Movimento Gay Cristão levanta (veja os capítulos 7 a 11), e veja se
consegue articular uma resposta para cada um deles também.
2) Não conclua que cada oportunidade de fa la r em público é um
chamado. Como há tanto interesse nesse assunto na mídia, pode
ser que, depois de falar uma vez sobre ele em público, você seja
inundado de pedidos de entrevistas, tanto seculares como cristãs.
Um bom princípio para ter em m ente é: A necessidade sempre é

224
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

maior que a disponibilidade. Oportunidade e chamado são duas


coisas diferentes.
Aprendi a recusar quase tantos pedidos de entrevistas quantos
aceito. E preciso ter boa mordomia; afinal de contas, só temos
certa quantidade de energia para gastar. Ao ser convidado para
um debate ou entrevista, faça a si mesmo as seguintes perguntas:
• Isso será benéfico para os propósitos que estou tentando
alcançar?
• Será que receberei tempo suficiente durante essa entre­
vista para causar um impacto, para que valha o meu tempo se eu
aceitar esse convite?
• Sou eu o melhor que pode fazer isso ou há outra pessoa
disponível que poderia fazê-lo melhor?
Verificando se cada oportunidade passa nesse teste tríplice
você evita o esgotamento que é inevitável quando a pessoa não
administra bem seu tempo e atividades.
3) Não seja ingênuo. Se você vai ser recebido em um progra­
ma de entrevistas, ou se for entrevistado para artigos de jornal ou
noticiários, é provável que você trabalhe com repórteres e apre­
sentadores que discordam de você. Alguns podem ser frontalmen-
te hostis. Essa é a natureza do ambiente da imprensa. Certifique-
se que você está m entalm ente preparado (mais uma vez, fazendo
sua lição de casa antes) e também psicologicamente preparado.
Quando m eu amigo Sy Rodgers (um defensor extraordinário
do ministério equilibrado com homossexuais) foi convidado para um
famoso programa de entrevistas, o entrevistador achegou-se a ele
momentos antes de o programa começar e lhe disse o seguinte:
“Eu acho que você está oferecendo uma esperança falsa quando
diz que os homossexuais podem mudar, e eu pretendo pregar
você na parede quando formos ao ar.”
Q uando o Dr. Joseph Nicolosi (um psicólogo que oferece ajuda
a homossexuais que desejam mudar) falou em uma reunião da dire­
ção de uma escola em São Francisco, ele foi calado com gritos e
assobios; os diretores não fizeram nada para intervir.320 E quando

225
A OPERAÇÃO DO ERRO

um ativista conservador falou em uma igreja do norte da Califórnia,


ativistas homossexuais cercaram o prédio, bloquearam os acessos
e vandalizaram a propriedade. A imprensa local, porém, ficou em
silêncio; se fossem os conservadores que tivessem causado esse
tumulto, não há dúvida de que a notícia teria virado m anchete.321
Cal Thom as observa que “os meios de comunicação do sis­
tema desenvolveram uma relação com os objetivos políticos do
ativismo dos direitos dos homossexuais que comprometeu vergo­
nhosamente sua capacidade de relatar com objetividade e isen­
ção a respeito desse assunto” .322 Uma pesquisa na imprensa no
começo da década de 1990 confirma a queixa de Thomas: 80%
dos jornalistas entrevistados disseram não acreditar que o homosse­
xualismo fosse errado, 90% eram a favor do direito ao aborto, 20%
freqüentavam uma igreja ou sinagoga. Sob essas condições, difi­
cilmente pode-se esperar uma entrevista justa.
Na verdade, nem devemos esperar que o m undo celebre a
posição cristã. Jesus nos deu uma advertência clara: “Se vós fósseis
do mundo, o m undo amaria o que era seu; como, todavia, não sois
do mundo, pelo contrário, dele vos escolhi, por isso, o m undo vos
odeia” (Jo 15.19).
Quando você critica abertamente qualquer forma de ideolo­
gia homossexual, inclusive a teologia favorável ao homossexualis­
mo, você está remando contra a correnteza. A desaprovação do
mundo não pode ser evitada; muitas vezes ela é uma confirmação
de que você está no caminho certo (Quando Ronald Reagan foi
fustigado pela União Americana das Liberdades Civis por proclamar
1983 o uAno da Bíblia ”, ele disse que usaria a crítica deles como uma
medalha de honra!) Na realidade, quando considero os pontos de
vista morais e filosóficos das pessoas que emprestam seu apoio ao
movimento dos direitos dos homossexuais e ao Movimento Gay
Cristão, fico surpreso de ver que os “homossexuais cristãos” (que
deveriam saber o suficiente da Bíblia para se precaver) ficam felizes
com seu apoio. Se Phil Donahue, Joan Rivers, Cher e Mae West
apoiassem minhas posições morais, eu ficaria profundamente pre­
ocupado.

226
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

É claro que nem todos os trabalhos da imprensa e em públi­


co são hostis e tendenciosos. Já encontrei muitos que são desafi­
adores, frutíferos e às vezes até divertidos. Mas é melhor ir prepa­
rado para tudo. Por isso, siga o conselho de Jesus — de ser “pru­
dentes como as serpentes e símplices como as pombas” (Mt 10.16).
Como outros têm falado sobre esse assunto em público há
anos, tam bém podemos aprender dos seus erros e das suas vitóri­
as. Abaixo estão, em minha opinião, os principais erros a serem
evitados e as melhores idéias a serem implementadas, ao con­
frontar em público a teologia favorável ao homossexualismo.

O Que Não Funciona


1) Não ataque o caráter dos homossexuais. Alguns cristãos pare­
cem determinados a provar que os homossexuais são neuróticos,
obcecados por sexo ou cheios de ódio (Durante a campanha deknita
Bryant, por exemplo, um pastor bem conhecido disse: “Essepessoal que
se diz homossexual, assim como olha para você, bem que pode matar
você!”).
Esse tiro sai pela culatra por dois motivos. Primeiro, deixa
uma impressão pobre da pessoa que faz o ataque e angaria simpa­
tias pela posição homossexual. Um escritor homossexual disse
certa vez: “A igreja é desacreditada ocasionalmente por um erro
ou fato indesculpável, mas com bem mais freqüência por afirma­
ções exageradas ou tendenciosas.”323 Atacar o caráter de um opo­
nente trai uma argumentação fraca e deixa o oponente sob uma
luz mais favorável. Edgar Watson Howe lembrou: “Maltrate um
homem injustamente, e você ganhará amigos para ele.”
Segundo, essa tática desvia do tema. Se o homossexualismo
é errado, ele o é quer seja cometido por um salafrário, quer por
uma pessoa maravilhosa. Atacar o caráter dos homossexuais le­
vanta uma pergunta óbvia: o contato sexual entre pessoas do
mesmo sexo seria lícito se as pessoas que o praticam fossem gen­
te boa?
Se esse fosse o caso, o homossexualismo certamente seria
legítimo. E u conheci muitas lésbicas e gays que eram pessoas

227
A OPERAÇÃO DO ERRO

responsáveis, simpáticas e trabalhadoras; e conheci muitos he te ­


rossexuais que eram totalmente desprezíveis.
M antenha o foco no assunto. O caráter da pessoa não está
em questão mas, sim, o seu comportamento.
2) Não fique mencionando “fatos” repulsivos e explícitos sobre re­
lações homossexuais. Alguns palestrantes cristãos têm a necessida­
de de não só condenar o comportamento homossexual, mas tam­
bém de descrever aspectos mais sensacionais nos termos mais
chocantes. E m vez de simplesmente dizer que sexo entre dois
homens ou duas mulheres é contrário à natureza, eles recorrem
aos hábitos sexuais mais selvagens de alguns homossexuais (defi­
nitivamente não todos), proclamam essas práticas como “norma ho­
mossexual” e, como uma câmera enfocando um cadáver ensan­
güentado, demoram-se nos detalhes grosseiros. Isso não serve a
n enhum bom propósito. Pelo contrário, afasta-nos sem necessi­
dade de homossexuais que ouvem tais observações.
Lembro-me de estar sentado em um bar para homossexuais
em 1978, onde alguém tinha deixado literatura publicada por cris­
tãos sobre o homossexualismo. Os panfletos e folhetos, detalhan­
do hábitos sexuais complexos que supostamente tínhamos, eram
passados de banqueta em banqueta no bar. Você sabia quem es­
tava lendo pelas risadas que se ouvia. Todos achavam esse mate­
rial cristão ridículo! Em grande parte ele não era verdadeiro e
tinha a intenção de incitar a repulsa contra os homossexuais, acu-
sando-nos de práticas de que a maioria de nós nunca tinha ouvido
falar, muito menos seguido.
Esse tiro também sai pela culatra pelas mesmas razões m e n ­
cionadas acima: desacredita quem fala, e contorna o assunto prin­
cipal. O homossexualismo é errado, quer seja praticado 5.000 ve­
zes por ano em rituais sadomasoquistas, ou uma vez por ano em
um relacionamento monógamo de cinqüenta anos. Ele é errado
em si e por si mesmo.
3) Não pinte os extremistas homossexuais como exemplos de todos
os homossexuais. As pessoas conseguem ver através desta tática.
Extremistas podem ser encontrados em qualquer grupo, cristão

228
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

ou não cristão. Destacar as facções extremas do movimento dos


direitos dos homossexuais e apresentá-los como a norma é tão
barato e manipulativo como destacar, entre os que protestam em
favor da vida diante das clínicas de aborto, aqueles que atiram em
aborcionistas, e dizer que eles representam todo o movimento a
favor da vida. Evitemos esse tipo de jogo.
4) Não use clichês. Clichês são irritantes. Eles enfraquecem a
argumentação da pessoa que os usa, e o fazem parecer como se
estivesse se baseando em diz-que-diz e não em reflexão razoável.
Veja alguns clichês a serem evitados:
• “Estilo de vida homossexual”. Isso não existe. Os homosse­
xuais vivem de muitas maneiras. Alguns são militantes; muitos,
mas não todos, são promíscuos; alguns são moderados, outros con­
servadores. Categorizar um estilo de vida como a norma para to­
dos eles é inexato e lançará dúvidas sobre outras afirmações que
você fizer.
• “Amamos o pecador mas odiamos o pecado. ” Isso é verdade,
mas temos de achar outra maneira de dizê-lo. E muito provável
que você ouça uma risada como resposta se usar essa frase em
público, pelo simples fato de que ela está gasta (E também, suspei­
to eu, porque é um pouco simplista demais.).
• “Se você éhomossexual, a escolha é s u a .” Não é. N inguém
escolhe ser homossexual. As pessoas escolhem, isso sim, agir com
base em seus desejos homossexuais. Faça essa distinção e deixe-
a bem claro.
• “Deus fez Adão e Eva, não Adão e César. ” Mencionei essa
frase antes no livro, mas eu evitaria usá-la em público. Ela soa
sarcástica, como zombaria dos homossexuais. O sarcasmo nunca
vence uma discussão.

O Que Funciona
1) Baseie-se em fatos comprováveis e não em histórias ou em retó­
rica. “A Bíblia diz...”, “há estudos que provaram...” , “as pesqui­

229
A OPERAÇÃO DO ERRO

sas mostraram...” são afirmações que podem ser comprovadas e


que são difíceis de combater. Por exemplo, em vez de dizer sim­
plesmente: “E u sei que um homossexual pode mudar porque eu
m udei”, eu prefiro dizer: “Programas de tratamento, para pessoas
como eu que queriam mudar, certamente mostraram ser bem su­
cedidos” , e depois eu menciono os programas ou estudos, para
que o público possa conferir por si (veja o capitulo 7).
2) kdm ita erros. Descobri que é útil reconhecer os erros co­
metidos por alguns cristãos no passado, em vez de defender ce­
gamente tudo o que foi feito. Temos cometido erros e, se nos
recusarmos a admiti-los, dificilmente podemos esperar que os
homossexuais ou a sociedade nos levem a sério.
“Tratamos os homossexuais de modo horrível no passado” ,
o professor Mouw disse em uma entrevista recente a Christianity
Today. “E se hoje em dia os homossexuais estão zangados com a
igreja, precisamos nos arrepender dos pecados do passado para
depois buscar credibilidade nessa sociedade para começar a fa­
lar.” 324
3) Fique flexível ao discutir teorias, mas inarredável ao discutira
Bíblia. O que a Bíblia diz sobre o homossexualismo é absoluto,
porém as teorias que surgem com freqüência — sobre as origens
do homossexualismo, se quem é homossexual pode mudar ou
não, e como vive o homossexual comum — podem todas ser ques­
tionadas. Ao discutir a Bíblia podemos ser inflexíveis; quando
discutimos nossas teorias, temos de ter mais cuidado.
Por exemplo, não podemos ter certeza sobre o que torna uma
pessoa homossexual (teoria), mas podemos ter certeza de que o
homossexualismo é errado (Bíblia). Assim, apesar de eu crer com
muita convicção que as dinâmicas da família têm muito a ver com
o desenvolvimento do homossexualismo na maioria dos casos, tam­
bém estou aberto para outras teorias, e digo isso quando falo so­
bre o assunto. Da mesma forma, de modo nenhum estou conven­
cido que o homossexualismo é inato; ao falar sobre esse assunto,
eu dou as mesmas razões contra essa posição que relacionei no
capítulo 7: na melhor das hipóteses, os estudos são inconclusivos.

230
CONFRONTANDO O MOVIMENTO GAY CRISTÃO

Entretanto, estou aberto para evidências futuras; isso não mudará


um milímetro a minha posição sobre o homossexualismo. A Bíblia o
condena, portanto, como ele começa ê secundário.
Fique suficientemente flexível para admitir que qualquer
teoria pode estar errada, e fique firme nos fatos da Escritura. Toda
discussão da teologia favorável ao homossexualismo deve retornar,
sempre de novo, ao que a Bíblia diz. Esse é o ponto focal — não
se deixe desviar do assunto!
4) Lembre-se que o confronto não precisa sempre parecer ter tido
sucesso para realmente ser bem sucedido. Podemos sair de um debate,
de uma entrevista ou discussão com a sensação de que todas as
nossas colocações não deram em nada. Ou nossa denominação
pode pender para a teologia favorável ao homossexualismo a des­
peito dos nossos melhores esforços. Ou um amigo homossexual
pode ignorar todos os nossos argumentos, não importa quão bem
pensados e apresentados tenham sido, e juntar-se ao Movimento
Gay Cristão. Tudo isso pode deixar-nos com a impressão de que
fracassamos.
Ao confrontar o Movimento Gay Cristão, é bom lembrar da
parábola do Semeador:
Ao semear, uma parte caiu à beira do caminho, e, vindo as
aves, a comeram. Outra parte caiu em solo rochoso, onde a
terra era pouca. [...] Outra caiu entre os espinhos, e os espi­
nhos cresceram e a sufocaram. Outra, enfim, caiu em boa
terra e deu fruto (Mt 13.8).
A tarefa do semeador era semear. O tipo de solo em que as
sementes caíram não era da sua responsabilidade. Se ele olhasse
para seu trabalho em termos estatísticos ele talvez diria que fora
um fracasso. A maioria das suas sementes não lançou raízes; a
maior parte do solo era duro, esturricado ou espinhoso. Mas tam­
bém houve resultados —■há sempre algum resultado, mesmo que
pareça mínimo.
Nosso chamado não é para persuadir, mas para apresentar.
Como mordomos da verdade, nossa tarefa é apresentá-la de modo
claro, amoroso e responsável. Quando estivermos diante do tri­

231
A OPERAÇÃO DO ERRO

bunal de Cristo, não nos será perguntado quantos homossexuais


conseguimos convencer a deixar o Movimento Gay Cristão. Mas
certamente nos será perguntado com que fidelidade administra­
mos a verdade que nos foi concedida, e com quanto amor e cora­
gem a apresentamos.
Em face desta pergunta, que nossa resposta confiante possa
agradar a Deus, e depois possamos ouvi-lo dizer: “Muito bem,
servos bons e fiéis.”

232
13
Além da Ilusão

“0 problema com o futuro é que ele geralmente chega


antes que estejamos preparados para ele. ”

Arnold H. Glascow

J evou menos de cinco minutos para eu me iludir


M tm e pensar que o homossexualismo era aceitável
diante de Deus. Levaria cinco anos para eu estar disposto a re­
considerar. Minha decisão de sair da comunidade homossexual,
então, foi tomada em silêncio e sem um evento especial como
fora minha decisão de entrar nela.
E m janeiro de 1984, enquanto passeava com o controle re­
moto pelos canais da televisão em meu apartamento, deparei-me
com um velho conhecido que estava sendo entrevistado em um
programa cristão. Nunca tínhamos estado muito próximos, mas
eu sempre o admirara. No começo da década de 1970 ele era um
dos nomes mais importantes da música cristã da época. E u me
encontrara com ele algumas vezes, e até trabalhara no ministério
junto com sua irmã, uma cantora excelente por mérito próprio.
Ele era um líder respeitado e conceituado na comunidade cristã.
Essa noite, porém, ele estava falando dos seus fracassos, não
dos seus feitos. Parece que seu casamento quase tinha se desfei­
to, seus interesses se tornaram mundanos e seu coração en d u re ­
cera. “Deus me disse claramente que eu tinha de escolher entre
vida e morte” , ele disse com seriedade. “Meu relacionamento

233
A OPERAÇÃO DO ERRO

com ele era nulo.”


E u estava pasmado. Os detalhes da sua vida nos últimos cin­
co anos eram quase sórdidos! E tudo isso tinha acontecido e n ­
quanto ele estava ativo no ministério. R ecentem ente ele tinha
experimentado uma renovação pessoal, e estava incentivando o
público cristão para um relacionamento mais próximo e respon­
sável com Deus e a igreja.
Ele não se tinha envolvido com homossexualismo (ou outro
pecado sexual, até onde eu saiba) mas sua situação se tornara quase
tão séria como a minha. Todavia, enquanto eu revisara minhas
convicções para adaptá-las aos meus problemas, ele admitira seus
problemas e trabalhava neles. Agora seu casamento estava res­
taurado, seu ministério renovado, e ele voltara claramente a uma
vida equilibrada. Não pude deixar de comparar a maneira como
eu lidara com a minha vida com a maneira como ele lidara com a
sua. Quanto mais eu pensava nisso, mais desconfortável eu me
sentia.
Desliguei a televisão e fiquei sentado em silêncio por perto
de uma hora, considerando aquilo que era impensável: Será que eu
estivera errado todos esses anosP
Esses anos que passei no Movimento Gay Cristão não ti­
nham sido assim tão maus. Eu tinha bons amigos, um emprego
acima da média, meu próprio apartamento e, em muitos sentidos,
um estilo de vida típico de alguém com 29 anos de idade: traba­
lho, namoros, festas, planos para o futuro.
Mas estava na hora de ser honesto — eu sentia falta do que
abandonara no dia em que tive m eu primeiro encontro homosse­
xual como adulto: a confiança diante de Deus, e a paz que resulta
dela. Eu estivera sem ela por tanto tempo, que quase esquecera
como ela era.
Mas não totalmente. E u a reconhecia no rostos dos meus
antigos amigos — a paz de um homem reconciliado com D eus e
vivendo em hum ildade com ele. A paz de uma consciência lim­
pa; a confiança da integridade. Eu vendera a minha como Esaú
vendera seu direito de primogênito, em troca do quê? D e satisfa­

234
ALÉM DA ILUSÃO

ção. Um prato de lentilhas; bom para o momento, mas nunca su­


ficiente. E nunca capaz de satisfazer o anseio que eu sei que toda
mulher e hom em tem, não importa o quanto o tenha abafado, de
conhecer a Deus e viver em harmonia com ele.
Eu quero isso de volta, comecei a sussurrar. Era um pensa­
mento dolorido — levá-lo à frente poderia virar toda a minha vida
do avesso — mas eu me recusei a abandoná-lo.
Há anos atrás eu tinha desejado tudo — tudo o que eu podia
agarrar. Agora eu tinha tudo, mas à custa da única coisa que é tão
fácil de soltar e tão difícil de viver sem ela.
Eu a queria de volta: a paz que eu costumava ter, a confiança
de estar realmente vivendo como Deus queria. Não somente a
certeza de que ele me amava; essa eu tivera todo esse tempo, e
ela não era suficiente. Eu precisava saber, mais do que nunca, de
que estava vivendo corretamente diante dele — com as convic­
ções corretas e a vida correta. Assim, pela primeira vez em muitos
anos, abri a Bíblia nos versículos que falam de homossexualismo e
fíz uma oração doída: Finalmente estou disposto a admitir que estou erra­
do em relação a isso. Se estou errado, por favor me mostre.
No espaço de uma hora, virtualmente todas as refutações à
teologia favorável ao homossexualismo que alistei nesse livro vi­
eram à minha mente, com tanta clareza como se estivessem escri­
tas em uma carta. E com elas veio um reconhecimento assusta­
dor: por cinco anos da minha vida eu estivera errado.
• Errado ao passar para o corredor e participar a Ceia como
homossexual cristão e, mais tarde, integrar a equipe da M etropo­
litan Com m unity Church como pianista, pastor dos estudantes,
professor de estudo bíblico e conselheiro.
• Errado ao incentivar outras pessoas a fazer a mesma coisa,
certificando-lhes que Deus as fizera homossexuais, até encora­
jando-as a terminar seus casamentos para não negar a si mesmos
como eram “de verdade” .
• Errado nas vezes em que falei em universidades como “cris­
tão homossexual com orgulho” , ansioso para enfrentar os estu­

235
A OPERAÇÃO DO ERRO

dantes que pensavam que o homossexualismo é doentio, derru­


bando argumentos de cristãos bem intencionados mas mal infor­
mados.
• E errado — que Deus me ajude, mas tão errado! — ao
entrar em um relacionamento após outro, tentando sempre de
novo formar uma parceria, sem uma vez sequer ser honesto comi­
go mesmo, ou com os homens com que me envolvia, para admitir
que não tinha certeza de que o homossexualismo fosse certo.
N en h u m a vez fui capaz de manter o relacionamento com um
hom em por mais de seis meses, não porque a relação fosse ho­
mossexual, mas por causa dos meus problemas profundos em abrir-
me para alguém — problemas que eu nunca estivera disposto a
encarar — que me tornavam impossível ficar com alguém por mais
tempo, homem ou mulher (Eu tentara as duas coisas vdfias vezes.)

E u não tinha o direito de envolver ninguém em minha vida


nessas circunstâncias; isso era errado, eu estava errado.
Eu estivera errado por cinco anos, e não havia nada que eu
podia fazer para resolver isso — nada além de encará-lo e chorar.
Pela primeira vez em minha vida pensei em suicídio; a tristeza
que eu sentia era insuportável, eu a expressava todas as noites
me virando e chorando na cama, visualizando tantas pessoas que
eu ferira e humilhara, afogando em meu próprio fracasso.
Mas a tristeza de Deus abre seu caminho até o arrependi­
mento, e eu aprendi que o arrependimento em sua forma mais
genuína não é só tristeza, mas a vida separada para Deus. C om e­
cei o meu mudando-me. Sem uma nova moradia, longe dos hábi­
tos e influências antigos, eu sabia que jamais conseguiria. Filiei-
me a uma igreja firme na Bíblia, mais tarde refiz o contato com
amigos que conhecia do ministério de anos atrás, e a cura come­
çou — como sempre acontece — de modo lento e discreto.
Três anos mais tarde, depois de terapia e reflexão intensiva,
comecei a aconselhar outros que estiveram em minha situação, e
fiquei assombrado de ver quantos eram! Meu trabalho (e minha

236
ALÉM DA ILUSÃO

alegria) tem sido nesse campo — o ministério com homossexuais


arrependidos — por oito anos agora. E durante esses oito anos
tenho sido lembrado de que, se alguém tão iludido como eu pôde
ser trazido para fora do homossexualismo, certamente qualquer
pessoa pode.
Entretanto, quando eles são trazidos para fora da ilusão, quem
está esperando por eles? A igreja está sendo como o pai do filho
pródigo, correndo para encontrá-lo no meio do caminho e cele­
brar seu retorno? Ou será que o corpo de Cristo está sendo m e­
lhor representado pelo irmão mais velho, justo em si mesmo, dis­
tante e frio, que não quer se envolver? Ao abordar o problema do
homossexualismo, talvez essas sejam as perguntas mais impor­
tantes a serem feitas.
Pouco depois do meu arrependimento, li o último livro de
Francis Schaeffer, The great evangelical disaster. Creio que esse li­
vro é profético, tratando dos temas mais graves que o cristianismo
enfrenta atualmente, e isso doze anos depois que foi escrito.
Ao mostrar que deve haver equilíbrio entre compaixão e con­
denação, o Dr. Schaeffer disse: “A igreja deve ser cheia de amor
em meio a uma cultura que está morrendo.”32-1 Temo que, m edi­
da por esse padrão, a igreja esteja longe do que precisa ser. N os­
sos corações parecem despreparados para confrontar o M ovimen­
to Gay Cristão, que cresce em grande velocidade. O futuro che­
gou, e não estamos preparados para ele.
Na verdade, com nossa falta de amor eu creio que contribu­
ímos para o crescimento e a força do movimento homossexual. E
claro que cada pessoa terá de prestar contas a Deus se decidir-se
pelo erro, e os “homossexuais cristãos” terão muito pelo que res­
ponder. Mas, e nós? Até que ponto os temos empurrado em dire­
ção à operação do erro?
Talvez eles mesmos possam melhor nos responder:
Nós crescemos porque centenas de milhares de cristãos ho­
mossexuais, homens e mulheres, são desprezados e rejeita­
dos pelas igrejas católicas e protestantes desde a sua infância
e não têm para onde ir.
M el W hite 326

237
A OPERAÇÃO DO ERRO

Se a igreja tivesse realmente feito seu trabalho missionário, não


creio que a MCC (Metropolitan Community Church) jam ais
tivesse vindo a existir.

Troy Perry327
E nquanto a igreja invoca a verdade ao tomar posição contra
o Movimento Gay Cristão, como deve fazer, será que ela também
tem suficiente amor — em atos, não só em palavras — pelos m em ­
bros do movimento contra o qual ela se coloca? Com Deus como
nossa testemunha, podemos realmente dizer que amamos os ho­
mossexuais?
Talvez possamos. Mas se dizemos que sim, onde estão nos­
sas lágrimas? Moisés sofreu em agonia quando intercedeu por seu
povo depois que eles pecaram e a ira de Deus quase desabou
sobre eles. Jesus chorou diante de todos sobre Jerusalém, p e n ­
sando em tudo o que ela podia ter sido, porém prevendo sua des­
truição. O grande desejo de Paulo era ver os judeus (que muitas
vezes se opuseram a ele com violênáa) salvos. Hoje em dia, porém,
quem chora pelos homossexuais? O coração de quem clama para
que os tragam à verdade?
Se alguém está chorando por eles, deixe-me dizer com res­
peito mas com franqueza que o está fazendo em silêncio terrível.
Os principais programas de rádio e televisão cristãos nos Es­
tados Unidos com freqüência apresentam convidados que com­
batem o movimento dos direitos dos homossexuais e ensinam
outros a fazer o mesmo. Isso é muito bom. Mas compare quantos
convidados nos convocam a lutar contra o homossexualismo com
quantos nos ensinam como ministrar a eles. O desequilíbrio não
pode passar despercebido.
Quando servi como presidente de Exodus International (uma
coligação nacional de ministérios dedicados a ajudar homossexuais
arrependidosesuasfamílias), eu fiquei totalmente desanimado com
o número de ministérios importantes que ajudavam, com seu apoio
e convites aos seus programas, ativistas conservadores contra os
homossexuais, mas tinham pouco ou n enhum tempo para nós. E,
apesar de agradecer a Deus pelo ativismo conservador, eu sei que,

238
ALÉM DA ILUSÃO

em si, ele só ataca metade do problema. As igrejas locais, como já


foi dito, tam bém têm relutado para atacar o problema.
Os sinais esperançosos, porém, são muitos. Campus Crusade
demonstrou ousadia considerável quando, em outubro de 1995,
espalhou propagandas apresentando pessoas que tinham venci­
do o homossexualismo, em jornais universitários em todo o país.
A Dra. Beverly LaHaye, uma das opositoras mais destacadas do
programa dos homossexuais no país, também tem dado consis-
ten tem en te seu apoio ao ministério com os homossexuais. De
fato, suas conferências têm trazido tradicionalmente palestrantes
da perspectiva política e ministerial. O colunista conservador Cal
T hom as igualmente tem sido amigo dos que ministram a homos­
sexuais, assim como dos que se opõe aos propósitos deles.
Nos últimos tempos, no entanto, a capacidade da igreja de
enfrentar o Movimento Gay Cristão será determinada por nossa
disposição de sermos inconvenientes. Será inconveniente estu­
dar a teologia dos homossexuais e aprender a refutá-la. Certamente
será inconveniente treinar porta-vozes cristãos que falem da ver­
dade em nossas universidades, nos programas de televisão e nos
cultos. Organizar ministérios para homossexuais arrependidos em
nossas igrejas será inconveniente e controverso. E envolver-se
com eles, por meio de discipulado e relacionamento individual,
sem dúvida será algo bastante inconveniente.
Nada menos do que isso, porém, irá deter a onda da teologia
favorável ao homossexualismo. Se nos recusarmos a ser inconve­
nientes e deixarmos a onda passar por cima de nós, por quem a
não ser nós mesmos você acha que os sinos irão tocar?
Eu fui afortunado. Amigos cheios de amor me receberam
quando m e arrependi. Irmãos fortes me acolheram em sua com u­
nhão. Fui perdoado, aceito e restaurado. Só posso desejar a mes­
ma coisa para cada mulher e hom em que, pela graça de Deus,
tam bém seja trazido para fora da ilusão. E, se despertarmos para a
necessidade que temos uns dos outros, não importa de onde vi­
mos e quais foram nossos pecados, talvez mais filhos pródigos
encontrem uma festa esperando por eles quando, também eles,

239
A OPERAÇÃO DO ERRO

retornarem para a casa de seu pai.


Isso não é uma idéia impossível. O seminarista episcopal
William Frey a visualizou há algum tempo e, quando ele a des­
creve, ela não parece ser nada mais do que o cristianismo básico:
Uma das características mais atraentes das primeiras com u­
nidades de cristãos foi sua ética sexual radical e seu compro­
misso profundo com os valores da família. Essas coisas atraí­
ram muitas pessoas que estavam desiludidas com seus ex ­
cessos promíscuos em uma cultura decadente. Não seria
maravilhoso se nossa igreja tivesse hoje em dia essa coragem
de ir contra a cultura?328

Sim, seria maravilhoso.


Maravilhoso, admirável e — o mais importante — plenam en­
te possível.

240
Notas

1 N o meu título coloquei a expressão movimento “gay cristão” entre aspas


para deixar minha posição bem clara desde o com eço que “gay” e
“cristão” não podem andar juntos. Agora que o leitor sabe minha posi­
ção, não há necessidade de repetir as aspas cada vez que uso o termo.
2 D o discurso de Levi no Clube Nacional de Imprensa durante o comício
de 1987 em Washington; citado em William Dannemeyer, Shadow in the
Land. São Francisco, Ignatious Press, 1989, p 86.
3 Mel White, Stranger a t the Gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p. 311.
4 Troy Perry, The Lord Is My Shepherd and He Knows I ’m Homossexual. Los
Angeles, Nash Publishing, 1972, p 3.
5 Malcom Boyd, Homossexual Priest. Nova York, St. Martin’s Press, 1986,
P 2.
6 White, p 6.
7 Philip Yancey, editor geral de Christianity Today e escritor de livros de
grande vendagem como Pain: the Gift Nobody Wants e The Jesus I Never
Knew, empresta seu apoio por escrito na capa do livro. M esmo sem
concordar (nem condenar) abertamente as conclusões do livro, Yancey
não pode deixar de saber que seu elogio ao livro, “esclarecedor, desafi­
ador, perturbador e tocante”, tornaria a filosofia de White a favor do
homossexualismo mais aceitável aos leitores evangélicos.
8 Marsha Stevens, compositora de “For T hose Tears I D ied ” e uma das
artistas evangélicas mais influentes vinculadas ao “Jesus M ovem ent”,
expôs sua convicção de que Deus sanciona seu relacionamento lésbico
no Los Angeles Times ( “Igrejas não tradicionais acolhem homossexuais ao
rebanho”, 21 de junho de 1991, 2o caderno, p 1), e descreve sua transição
do seu casamento para a Metropolitan Community Church em Sylvia
Pennington, Ex-Gays? There Are None! Hawthorne, Lambda Christian
Fellowship, 1989, p 365-392.
9 Tammy Faye Bakker, ex-esposa de Jim Bakker e ex-entrevistadora do
“P T L Show” é (na época em que esse livro foi escrito) apresentadora de
um programa de televisão junto com Jim Bullock, que é abertamente
homossexual e se diz “cristão e batista do sul”. Até onde se sabe, a Sra.
Bakker ainda se apresenta como personalidade pública cristã. “O novo
Jim de Tammy Faye”, OutMagazine, 6 de fevereiro de 1996, p 34.
10 “4 igrejas expulsas por acolherem homossexuais”, Los Angeles Times, 13
de janeiro de 1996, 2o caderno, p 8-9.

241
A OPERAÇÃO DO ERRO

11 Ken M edema é um compositor de renome e um músico que se apresenta


em muitos eventos cristãos. Seu apoio à posição homossexual está docu­
mentado no vídeo “Bitter Sisters/Suffering Sons” (1994) produzido por
His Way Ministries, P. O. Box 4005, Ottowa, Kansas 66067, EUA.
12 “Boicotando o Exército da Salvação”, The Advocate, 6 de fevereiro de
1996, p 18.
13 “O bispo, o pastor e seu amante”. OutMagazine, 6 de fevereiro de 1996,
p 96.
14 “Dilem a na ordenação para um bispo de Los A ngeles”, Los Angeles Times,
13 de janeiro de 1996, 2o caderno, p 8-9.
15 N ational a n d International Religion Report, lo de novembro de 1993;
citado em The Exodus Standard, dezembro de 1993, vol. 10, n°4, p 11.
16 “Igreja e sociedade”, Time, 24 de junho de 1991, p 49.
17 “O que acontece por trás da porta do quarto de dormir”, U.S. News and
World Report, 10 de junho de 1991, vol. 110, n" 22, p 63.
18 “Igreja de Clinton recebe um evento de ativistas homossexuais”, Lambda
Report, janeiro de 1996, vol. 3, n°4, p 1.
19 Victor Paul Furnish, The moral teachingofPaul. Nashville, Abingdon Press,
1979.
20 Entrevista com Ken Korver, pastor da Emmanuel Reformed Church de
Paramount, na Califórnia, em 2 de fevereiro de 1996.
21 “Novo líder dos Discípulos de Cristo admite homossexuais no m inisté­
rio”, Los Angeles Times, 31 de julho de 1993, 2o caderno, p 12.
22 “4 igrejas expulsas”, p 9.
23 “Repensando as origens dos pecados”, OrangeCounty Register, 15 de maio
de 1993, seção 1, p 28.
24 Ron Rhodes, The cultingof America. Eugene, Harvest House Publishers,
1994, p 28.
25 “Igrejas não tradicionais acolhem homossexuais ao rebanho”, p 12.
26 Penpoint Journal, junho de 1991, vol. 2, n°3, p 1.
27 “Igreja e sociedade”, p 50.
28 Rhodes, p 35.
29 Grant, George e Mark Horne, Legislatingimmorality. Chicago, Moody Press,
1993, p 165-170.
30 “Aprendendo da mudança dos católicos”, OutNOW!, Z1 de junho de 1995,
vol. 3, n° 13, p 15.
31 A Metropolitan Community Church não é a única nesse aspecto. D ecla­
rações e posições duas vezes mais alarmantes foram apresentadas na
R e-Im aging C onferen ce em W ichita em 1993, onde participaram
mulheres representando as principais denominações de todo o país. Veja
“Terremoto nas principais igrejas”, Christianity Today, 14 de novembro
de 1994, vol. 38, n° 13.

242
NOTAS

32 Hank Hanegraaff, Christianity in crisis. Eugene, Harvest House Publishers,


1993, p 291.
33 “Igrejas não tradicionais acolhem homossexuais ao rebanho”, Los Angeles
Times, 21 de junho de 1991, 2o caderno, p 1.
34 Mel White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 132-133.
35 Troy Perry, D on’t be afraidanymore. Nova York, St. Martins Press, 1990,
p 20.
36 Troy Perry, na Dallas Voice, 19 de julho de 1989; citado em William
Dannemeyer, Shadow in the land. São Francisco, Ignatious Press, 1989,
p 101.
37 Grant e Horne, p 172.
38 Ibid.
39 Pennington, Ex-gays? There are nonel, p 161.
40 “O que acontece por trás da porta do quarto de dormir”, U. S. N e m and
WorldReport, 10 de junho de 1991, vol. 110, n° 22, p 63.
41 Perry, Don Vbe afraidany more, p 340,
42 F. LaGard Sm ith, S od om s second coming. E u gen e, Harvest H ouse
Publishers, 1993, p 130,
43 “A radiação aumenta sobre a deusa Sofia”, Christianity Today, 4 de abril
de 1994, p 74; citado em Greg Laurie, The great compromise. Eugene,
Harvest House Publishers, 1994, p 11.
44 “Terremoto nas principais igrejas”, p 40.
45 Ibid.
46 Eu sei que há grupos não-cristãos, tanto seculares como religiosos, que
também fazem oposição ao movimento gay cristão. Em termos gerais,
porém, creio que a maioria das vozes que resistem a essa ideologia vêm
de cristãos.
47 Por outro lado, alguns estudos têm chegado a essa conclusão. O Institute
for the Scientific Study of Sexuality, por exemplo, verificou em 1984 que
os homossexuais tinham uma probabilidade doze vezes maior que os
heterossexuais de molestar crianças (Veja Marlin Maddox, Answers to the
gay deception. Dallas, International Ghristian Media, 1994, p 62.). Pode
ser que seja assim. Todavia, tenho dúvidas sobre a definição de “homos­
sexual” nesses estudos. O homem que molesta um menino, segundo o
D iagnosticandStatisticalM anual da Associação Americana de Psiquiatria,
é um pedófilo (que tem atração sexual por crianças) e não um homosse­
xual (que tem atração sexual por adultos do mesmo sexo). Além disso,
adultos atraídos sexualm ente por crianças, muito provavelmente moles­
tarão crianças do mesmo sexo, não porque são homossexuais, mas porque
têm acesso mais íntimo a crianças do seu sexo (em saunas, academias de
ginástica etc.) do que a crianças do sexo oposto. Parece-me que esses
também são pedófilos, não homossexuais.

243
A OPERAÇÃO DO ERRO

48 Os homens contados aqui são os que ficaram para aconselhamento por


pelo m enos seis meses. M uitos outros têm vindo para consultas ou
períodos mais curtos de aconselhamento.
49 Ronald Bayer, Homossexuality an d American psiquiatry: The politics o f
diagnosis. N ova York, Basic Books, 1981, p 172.
50 Ibid., p 119.
51 Kenneth Lewes, ThepsychoanalyAc theory ofmale homossexuality. Nova York,
Simon and Schuster, 1988, p 222.
52 Ibid.
53 Veja Bayer, capítulo 3, para um relato fascinante e detalhado disso.
54 “A Pedofilia nem sempre é uma Disfunção?” N A R T H Bulletin, abril de
1995, vol. 3, n° 1, p 1.
55 “A Pedofilia se mostra à Luz do D ia”, Citizen Magazine, 16 de novembro
de 1992, vol. 6, n° 11, p 6.
56 Ibid.
57 Ibid.
58 “Tratando com Ternura uma História Sensível de um Soldado e um
M enino”, New York Times, 7 de maio de 1993, 3o caderno, p 14.
59 John Money, citado em Paidika: The jo u rn a l o f pedophilia. Holanda, 2.7,
p.5.
60 “Progresso na pesquisa empírica da sexualidade das crianças”, SIE C U S
Report, 12.2, p 2.
61 “A Pedofilia se mostra à Luz do Dia”, p 7.
62 Ibid.
63 Judith Reisman, Kinsey, sex and frau d . Lafayette, Huntington, 1990,
p 131.
64 “Intimidade do Berço ao Túm ulo”, Time, setembro de 1981, p 69.
65 “Entrevista: John M oney”, Paidika Journal, 2.7, p 9.
66 “Stonewall Celebra 25 Anos de ‘Direitos dos Homossexuais’”. TheLambda
Report, julho de 1994, vol. 2, n° 3, p 10.
67 Gregory King, do Fundo de Campanha dos D ireitos Humanos, de
orientação homossexual, por exemplo, nem mesmo considera NAMBLA
uma organização homossexual. Por outro lado, Camille Paglia, uma escri­
tora lésbica, afirma: “[Pedofilia] está no centro da atividade sexual dos
homens homossexuais há milhares de anos.” Ibid.
68 Reveja os pecados alistados em Levítico 20 e você poderá encontrar a
chave. N esse sentido, uma observação dita pela ativista homossexual Sara
Cohen no baile anual de Yale é digna de nota: “O que há de errado com
um pouco de bestialidade?” Citado em Dinesh D ’Souza, llliberaleducation:
The politics o f race and sex on campus. Nova York, Free Press, 1991, p 12.
69 James Dobson, Children a t risk. Dallas, Word Publishing, 1990, p 26.

244
NOTAS

70 Ibid., p 25.
71 Ibid., p 27.
72 Da brochura do Projeto 10.
73 Ann Heron, One teenager in 10. Boston, Alyson, 1983, p 60-62.
74 “Revolta em Q ueens”, The American Spectator, fevereiro de 1993, vol. 26,
n° 2, p 267.
75 Ibid., p 30.
76 “Ativistas Homossexuais Encaminham Verbas para Informações sobre a
AIDS para Programas Controversos”, Southern Califórnia Christian Times,
janeiro de 1996, vol. 7, n° 1, p 4.
77 Virginia Uribe, no vídeo “Direitos dos Homossexuais/Direitos E spe­
ciais”, Jeremiah Films, 1993. Disponível na TVC, 100 Southern Anaheim
Blvd., Suite 250, Anaheim, CA 92805.
78 “Um em 10”, Brochura para Grupos de Jovens, P. O. Box 26836,
Albuquerque, N ew M exico 87125.
79 “Demografia da Orientação Sexual de Adolescentes”, Pediatrics: theJournal
o f the American Academy o f Pediatrics, abril de 1992, vol. 89.
80 June Reinische, TheKinsey Institutnew reporton sex. Nova York, St.Martin’s
Press, 1990, p 138.
81 “Revolta em Q ueens”, p 29.
82 Ibid.
83 Newsweek, 19 dc setembro de 1994, p 50-51; citado no N A R TH Bulletin,
dezembro de 1994, vol. 2, n° 3.
84 Ibid.
85 “Jovens H om ossexuais Entrando no Sexo não Seguro”, Los Angeles
Times, 3 de setembro de 1995, lo caderno, p 3.
86 “A Infecção com AIDS é mais alta entre os Homens de 18 a 25 Anos”,
Orange County Register, 10 de fevereiro de 1996, seção 1, p 16,
87 Vídeo “Direitos dos Homossexuais/Direitos Especiais”. Dobson também
cita defensores do homossexualismo que admitem trios homossexuais
ou bissexuais. Veja Dobson, p 117.
88 Eric Buehrer, The public orphanage. Dallas, Word, 1995, p 14.
89 Ibid., p 15.
90 Dobson, p 167.
91 Ibid., p 168.
92 Dennis Praeger, “Por que o Judaísmo Rejeitou o Homossexualismo”,
Mission a n d ministry: the quarterly magazine o f Trinity Episcopal School fo r
Ministry, verão de 1995, vol. 10, n° 3.
93 Ibid.
94 Dennis Praeger, em BrowardJewish World, 16 de outubro de 1990; citado
em Grant, George e Mark Hom e, Legislatingimmorality. Chicago, Moody
Press, 1993, p 24-25.

245
A OPERAÇÃO DO ERRO

95 Veja John Boswell, Christianity, socialtolerance andhomosexuality. Chicago,


University of Chicago Press, 1980, p 61-87; Grant e H om e, p 21-38; e
Wainwright Churchill, Homosexual behavior among males. Nova York,
Hawthorne Books, 1967, p 121-141.
96 Ronald Bayer, Homosexuality a n d American psychiatry. Nova York, Basic
Books, 1981, p 15,
97 Dennis Praeger, “Por que o Judaísmo Rejeitou o H omossexualism o”,
Mission and ministry: the quarterly magazine ofTrinity Episcopal School fo r
Ministry. Verão de 1995, vol. 10, n° 3, p 13.
98 Kinsey em 1948, naturalmente, e outros. Veja Kenneth L ew es, The
psychoanalytic theory ofmale homosexuality. Nova York, Simon and Schuster,
1988, p 48-122; e Bayer, p 68-69.
99 Bayer relaciona algumas organizações anteriores a Mattachine, mas cita
essa como o ponto de partida mais importante e, em retrospecto, mais
fácil de identificar.
100 N eil Miller, O u to f thepast: gay andlesbian history from 1869 to thepresent.
Nova York, Vintage Books, 1995, p 333-344.
101 Bayer, p 71.
102 Wood e Dietrich, The A ID S epidemic. Portland, Multnomah, 1990, p 75.
103 Ibid., p 75; e Churchill, p 293.
104 Bayer, p 76.
105 Ibid., p 83-88.
106 Churchill, p 200, 293.
107 Bayer, p 92.
108 Ibid.
109 Ibid., p 93.
110 Citação de Dallas Voice, 19 de julho de 1989, p 24; citado em William
Dannemeyer, Shadow in the land. São Francisco, Ignatious Press, 1989,
p 101.
111 Troy Perry, Don’tbeafraidanymore. Nova York, St.Martin’s Press, 1990, p 7.
112 Ibid., p 34.
113 Leigh Rutledge, The gay decades. Nova York, Penguin Books, 1992, p 1-2.
Veja também Martin Duberman, Stonewall. Nova York, Dutton, 1993,
para uma descrição completa do evento.
114 Rutledge, p 2.
115 Roger Biery, Understandinghomosexuality: thepride and theprejudice. Austin,
Edward William PublishingCo., 1990, p 194-197. Veja também Rutledge,
p. 7, para um exem plo entre muitos em que um grupo de jovens ingleses
bateram em um h om ossexu al, que vinha d escen d o uma rua em
W imbledon Common, com tacos de beisebol até o matarem. “Quando
você bate em um bicha”, comentou depois um orgulhoso jovem linchador,
“não há nada a temer porque você sabe que eles não irão se queixar à
justiça.”

246
NOTAS

116 Rutledge, p 98-99.


117 Ibid., p 16.
118 Baird e Baird, Homosexuality: debatingthe issues. Amherst, Prometheus
Books, 1995, p 23.
119 Com isso não se quer sugerir uma comparação favorável entre o
movimento dos direitos civis e o movimento dos direitos dos hom osse­
xuais, pois encaro os dois como totalmente diferentes (veja o capítulo 7).
Contudo, o m ovim ento militante “gay power” vinculou-se, tanto no
título como nas táticas, aos m ovimentos dos direitos civis e de “black
power”, às vezes com, outras sem a aprovação deles. (Veja Rutledge,
p 23.)
120 “Amizades íntim as”, U. S. News a nd World Report, 5 de julho de 1993,
vol. 115, n" 1, p 50.
121 Ibid.
122 Veja Baird e Baird; Ronald Bayer, Homosexuality a n d American psychiatry:
the politics o f diagnosis. Nova York, Basic Books, 1981; Duberman; e N eil
Miller, Out ofthepast:gay andlesbian history from 1869 to thepresent. Nova
York, Vintage Books, 1995.
123 Algumas livrarias cristãs encom endam livros favoráveis aos hom osse­
xuais sem saber. Muitas vezes encontrei material assim em livrarias
dirigidas por cristãos conservadores que nunca pensariam em promover a
perspectiva homossexual em suas prateleiras. Mas os títulos dos livros (Is
the homosexual may neighbor? Christianity, social tolerance an d homosexuality,
Can homophobia be cured.7) são muitas vezes inocentes ou dão ares de
compaixão. Quando eu mostrava isso aos proprietários, eles sempre
retiraram os livros, surpresos por descobrirem que estavam divulgando a
ideologia homossexual sem perceber.
124 Perry, D on’t be afraid anymore, p 208.
125 Ibid., p 211.
126 Ibid., p 183-185.
127 Ibid., p 185-187.
128 Ibid., p 171.
129 William Dannemeyer, Shadowin the land. São Francisco, Ignatious Press,
1989, p 104.
130 Mel White, Stranger in the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1944,
p 268.
131 Perry, Don ’t be afraid anymore, p 283,
132 Rutledge, p 4.
133 Ibid., p 47.
134 Ibid., p 100. E perturbador observar que, quase vinte anos mais tarde
(fevereiro de 1996), um processo de heresia está em andamento na
Igreja Episcopal por causa da ordenação de um diácono homossexual.

247
A OPERAÇÃO DO ERRO

Naturalmente os bispos que encaminharam o processo devem ser elo­


giados. Mas por que a liderança episcopal levou duas décadas para dar
andamento a um problema que estava em evidência lá em 1977?
135 Isamu Yamamoto, Thecrisis o f homosexuality. Wheaton, Victor Books, 1990,
p 79-80.
136 Bayer, p 204.
137 Ibid., p 156-159.
138 Ibid., p 156-157.
139 Ibid., p 157.
140 Yamamoto, p 49.
141 Anita Bryant, The Anita Bryant story. Old Tappan, Flem ing Revell, 1977.
142 Ibid., p 79.
143 Biery, p 301.
144 Perry, Don't be afraid anymore, p 140.
145 Bryant, p 35.
146 Perry, D on’t be afraid anymore, p 145.
147 Bayer, p 155,
148 Perry, p 146-171.
149 White, p 270.
150 Ibid., p 146.
151 Rutledge, p 140.
152 Veja Perry, D o n t be afraid anymore, p 279; White, p 291-296; e Rutledge,
p 146,186,197.
153 Bailey, Homosexuality a nd the western tradition. Hambden, Shoe String
Books, 1975; Wainwright Churchill, Homosexual behavior among males.
Nova York, Hawthorne Books, 1967; e Horner, Jonathan loved David.
Philadelphia, Westminster Press, 1978; cf. Clinton Jones, Homosexuality
andcounseling. Philadelphia, Fortress Press, 1974; John M cNeil, The church
a nd the homosexual. Kansas City, Sheed, Andrews and M cM eel, 1976; Troy
Perry, The Lord is my shepherd and he knows I ’m gay. Los Angeles, Nash
Publishing, 1972; Norman Pittinger, Timefo r consent. Londres, SCM Press,
1970; Richard Woods, Anotherkindoflove. Chicago, Thomas Moore Press,
1977.
154 “Evangélicos preocupados”, uma organização de alcance nacional de
grupos de estudos bíblicos e de comunhão de homossexuais fundada em
Nova York pelo psicoterapeuta Ralph Blair; provavelmente é o mais
conservador de todos os grupos homossexuais cristãos, em termos teoló­
gicos, e o mais ágil na defesa da teologia favorável ao homossexualismo.
155 Veja Paul Morrison, Shadow of Sodom. Wheaton, Tyndale House, 1978,
p 15, para um de muitos exemplos.
156 Anita Bryant, The Anita Bryant story. Old Tappan, Fleming Revell, 1977,
p 35.

248
NOTAS

157 Troy Perry, Don't be afraidanymore. Nova York, St. Martin’s Press, 1990,
p 41,
158 Um exemplo: “Paulo [o apóstolo] não gostava de homossexuais, mas não
defendeu os direitos das mulheres. [...] Jesus não disse nenhuma vez:
‘Vinde a mim todos os que sois heterossexuais’ — Não! Jesus disse: ‘Vinde
a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei.’
Isso também inclui os homossexuais. D eus não me condena por um
impulso sexual que cie mesmo criou em mim .” Veja Perry, TheLordis my
shepherd, p 150-151.
159 Horner, p 98.
160 F. LaGard Sm ith, Sodom's second coming. E u gen e, H arvest H ouse
Publishers, 1993, p 120.
161 Veja o capítulo 7 para refutações a LeVay, Kinsey e a APA.
162 Se credenciais acadêmicas provam que o que uma pessoa diz é crível, o
que devemos fazer com Angela Davis ou Timothy Leaty? Só para pensar.
163 Leigh Rutledge, The gay decades. Nova York, Penguin Books, 1992, p 170.
164 Joseph Boswell, Christianity, social tolerance and homosexuality. Chicago,
University of Chicago Press, 1980, prefácio, p xv.
165 Elodie Ballantine Emig, “1 Coríntios 6.9 — Parte III”, WhereGraceAbounds
Newsletter, P. O. Box 18871, Denver 80218-0871.
166 Boswell, p 117.
167 Thomas E, Schmidt, Straight and narrow? Compassion and clarity in the
homosexual debate. Downers Grove, InterVarsity Press, 1995; e Marion
Soards, Scripture a nd homosexuality: Biblical authority and the Churck today.
Westminstet, John Knox, 1995.
168 Perry, Don 't be afraid anymore, p 233.
169 Ibid., p 234.
170 Ouvi essa expressão, “o processo de cura”, usada muitas vezes em
relação ao M ovimento Gay Cristão. Geralmente ela tem o sentido de
aceitação pessoal como homossexual e cristão, bem como de aceitação
tangível por parte de outras pessoas, especialm ente de pessoas normal­
m ente não simpáticas à causa homossexual. Visto desse ângulo, o desejo
da UFM CC de envolver-se com o Conselho Nacional de Igrejas é com ­
preensível.
171 Veja Hank Hanegraaff, Christianity in crisis. Eugene, Harvest House
Publishers, 1993, p 317, para o papel desses credos nas bases fundamen­
tais do cristianismo.
172 Troy Perry, Don't be afraid anymore. Nova York, St. Martins Press, 1990,
p 342.
173 Ibid., p 339.
174 Randy Frame, “Buscando Base para o Ritual”, em Christianity Today, 4 de
março de 1996, vol. 40, n° 3, p 66.

249
A OPERAÇÃO DO ERRO

175 Perry, Don ’t be afraid anymore, p 39.


176 M el White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 295,300,309,315.
177 Scroogs, Robin, The New Testament and homosexuality. Philadelphia, Fortress
Press, 1983, p 127.
178 Morris, p 89.
179 Perry, Don ’/ be afraid anymore, p 39.
180 White, p 36-39.
181 Ibid., p 156.
182 Sylvia Pennington, Ex-gays? There are none!, p 388.
183 Kirk, Marshall e Hunter Madsen, After the bali:how America willconquerits
fear and hatred o f gays in the 90s. Nova York, Doubleday, 1989. Fiquei
atônito, quando li o livro de Kirk e Madsen em 1989, de ver como eles
estavam revelando obviamente as suas estratégias. Será que eles não
sabem que os leitores conservadores têm acesso à literatura hom osse­
xual, assim como os homossexuais lêem regularmente nossos livros e
materiais para manterem-se em dia com o que estamos dizendo? Seja
como for, você encontrará Kirk e Madsen sendo citados em incontáveis
livros e artigos cristãos conservadores, como exem plo de táticas e estra­
tégias desonestas dos homossexuais. Espero que sua comunidade não os
tenha tratado com muito rigor por terem entregue o plano de batalha a
favor do homossexualismo.
184 Thom as Schmidt, Straight a n d narrow? Compassion a n d clarity in the
homosexualdebate. Downers Grove, InterVarsity Press, 1995, p 172-173.
185 Gebhard, Paul, The Kinsey data. Philadelphia, Saunders Press, 1979, p 23,
186 Bell, Alan e Martin Weinberg, Homosexualities: a study o f diversities among
men a nd women. Nova York, Simon and Schuster, 1978.
187 Ibid,
188 Randy Frame, “Buscando Base para o Ritual”, em Christianity Today, 4 de
março de 1996, vol. 40, n° 3, p 66.
189 Joseph Shapiro, “Conversas Francas Sobre Hom ossexuais”, U. S. and
World Report, 15 de julho de 1993, vol. 115, n° 1, p 48.
190 “Repensando as Origens do Pecado”, Los Angeles Times, 15 de maio de
1993, Iu caderno, p 31.
191 Shapiro, p 48.
192 Simon LeVay, “A Diferença na Estrutura do Hipotálamo Entre Homens
H eterossexu ais e H om ossexu ais”, Science, 30 de agosto de 1991,
p 1034-1037,
193 John Ankerberg, “O Mito de que o Homossexualismo é D evido a Causas
Biológicas ou G en ética s” (trabalho de pesquisa), P. O. Box 8977,
Chattanooga, T N 3 7 4 1 1.
194 “Essa Criança é Homossexual?” Newsweek, 9 de setembro de 1991, p 52.
195 Ibid,

250
NOTAS

196 Los Angeles Times, 16 de setembro de 1992, p 1; citado em N A R T H


Newsletter, dezembro de 1992, p 1.
197 “Desorientação Sexual: Pesquisa D eficiente no D ebate Hom ossexual”,
Family (uma publicação do Family Research Gouncil), junho de 1992,
p 4, 700 13th St. NW Ste. 500, Washington, DC 20005.
198 “Essa Criança é Homossexual?” p 52.
199 Citado no Los Angeles Times, 30 de agosto de 1991, Io caderno, p 1,
200 Citado em Time, 9 de setembro de 1991, vol. 138, n° 10, p 61.
201 Citado em Newsweek, 9 de setembro de 1991, p 52.
202 “Reestudo dos Genes dos Hom ossexuais”, Scientific American, novembro
de 1995, p 26.
203 Bailey, Michael e Richard Pillard, “Um Estudo G enético da Orientação
Sexual M ascu lin a ”, Arquivos de Psiquiatria Geral, 1991, n° 48,
p 1089-1096.
204 David Gelman, “Nascido ou Criado?” Newsweek, 24 de fevereiro de 1992,
p 46.
205 Ibid.
206 Ibid.
207 King e M cDonald, “H om ossexuais G êm eos”, The British Journal of
Psychiatry, março de 1992, vol. 160, p 409.
208 Dean Hamer, “O Vínculo entre Identificadores de D N A no Cromossomo
X e a Orientação Sexual Masculina”, Science, 16 de julho de 1993, n° 261,
p 321-327.
209 “R evisão dos G enes dos H om ossexuais: Surgem D úvidas sobre a
Pesquisa da Biologia do Homossexualismo”, Scientific American, novem ­
bro de 1995, p 26,
210 Ibid,
211 Frank Siexas, antigo diretor do Conselho Nacional de Alcoolismo; citado
por Dannemeyer, p 55.
212 Joe Dallas, “Nascido Homossexual?” Christianity Today, 22 de junho de
1992, p 22; Chronicle o f Higher Education, 5 de fevereiro de 1992, p A7.
213 “Repensando as Origens do Pecado”, p 31.
214 Robert Wright, “Nosso Coração Enganoso”, Time, 15 de agosto de 1994,
vol. 144, n° 7, p 44-52.
215 Chronicle o f Higher Education, 5 de fevereiro de 1992, p A7.
216 Ibid.
217 Ibid,
218 Ibid.
219 Richard Isay, entrevistado em “Os Homossexuais e a Igreja”, “ABC World
N ew s Tonight”, 28 de fevereiro de 1996.
220 Richard Isay, Beinghomosexual. Nova York, Farrar, Straus, Giroux, 1989,
p 112.

251
A OPERAÇÃO DO ERRO

221 Mel White, Stranger a t thegate. Nova York, Simon and Schuster, 1994, p 5.
222 Perry, D on’tbe afraid anymore, p 64.
223 Scanzoni e Mollenkott, p 107.
224 Sylvia Pennington, Ex-gays? There are nonel, p 108.
225 Schmidt, p 155.
226 Bell e Weinberg.
227 R uben F ine, Psychoanalytic theory, male a n d female homosexuality:
psychological approaches. Louis Diamant, ed., Nova York, Hemisphere,
1987, p 84-86.
228 Irving Bieber, Homosexuality: apsychoanalyticstudy. Nova York, Basic Books,
1962, p 318-319.
229 Masters e Johnson, Homosexuality in perspective. Boston, Little Brown and
Gompany, 1979, p 402.
230 Wood e Dietrich, The A ID S epidemic. Portland, Multnomah, 1990, p 238.
231 June Reinisch, The new Kinsey report. Nova York, St. Martin’s Press, 1990,
p 138,143.
232 Stanton Jones, “A Oposição Amorosa”, em Christianity Today, 19 de julho
de 1993, vol. 37, n° 8, citado em Baird, p 252.
233 Ronald Bayer, Homosexuality and American psichiatry: the politics ofdiagnosis.
Nova York, Basic Books, 1981, p 39.
234 Ibid., p 40.
235 Ibid., p 96-126.
236 Ibid., p 142.
237 Ibid., p 148,
238 Ibid,, p 159-162.
239 Scanzoni e M ollenkott, p 111-112; Biery, p 185.
240 Bayer, p 3-4.
241 Ibid., p 128.
242 Ibid., p 167.
243 Kinsey, Alfred, Sexualbehavior in the human male. Philadelphia, Saunders
Press, 1948, p 625.
244 Ibid., p 638.
245 Reinisch, p 138.
246 Judith Reisman, Kinsey, sexandfraud. Lafayette, Huntington, 1990, p 9.
247 Ativista lésbica com AG T UP, entrevistada no vídeo “D ireitos dos
Homossexuais — Direitos Especiais”.
248 Stanton Jones, “A Oposição Amorosa”, em Christianity Today, 19 de julho
de 1993, reimpresso em Baird e Baird, Homosexuality: debating the issues.
Amherst, Prometheus Books, 1995, p 253.
249 Joseph Shapiro, “Conversas Francas Sobre Homossexuais”, U. S. and
World Report, 15 de julho de 1993, vol. 115, n° 1, p 42.
250 Richard Isay, Being homosexual. Nova York, Farrar, Straus, Giroux, 1989,
p 145.

252
NOTAS

251 Joseph Nicolosi, Reparative therapy ofmalehomosexuality. Northvale, Jason


Aaronson, 1991, p 138.
252 Mel White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 307.
253 Andrew Sullivan, Virtually normal: an argumentabouthomosexuality. Nova
York, Alfred Knopf, 1995, p 21-22. Sullivan mostra coragem ao defender
uma posição que certamente provocará reações fortes em alguns círculos
homossexuais, mas ele representa os homossexuais mais moderados que,
creio eu, são mais comuns do que os barulhentos que conseguem mais
atenção atualmente.
254 Roger Biery, Understandinghomosexuality:theprideandtheprejudice. Austin,
Edward William Publishing Co., 1990, p 201.
255 White, p 236.
256 Ibid.
257 John Boswell, Christianity, social tolerance an d homosexuality. Chicago,
University o f Chicago Press, 1980, p vii.
258 Biery, p 126.
259 John Anderson, “Quebrando o Silêncio: Criando Escolas Seguras para os
Jovens Homossexuais, em StudentAssistance Journal, março/abril de 1994, p.l.
260 “Programa Homossexual da Escola Pública Ganha o Apoio da APS”, em
Citizens fo r excellence in education awareness bulletin, outubro de 1992.
261 Peter LaBarbera, “Suicídio de Jovens Homossexuais: o Mito é Usado
para Promover o Programa Homossexual”, p 9. Disponível pelo LAMBDA
Report, P. ° Box 45252, Washington, DC 20026-5252.
262 Ibid., p 3.
263 Ibid.
264 Ibid., p 5.
265 Ibid., p 7.
266 “Homossexuais Podem Mudar”, em Christianity Today, 16 de fevereiro
de 1981, p 37.
267 M el White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 214.
268 George Barna, What Americans believe. Ventura, Regai Books, 1991, p 36;
citado em Ron Rhodes, The culting o f America. Eugene, Harvest House
Publishers, 1994, p 23.
269 Stephen Lang, “A Ignorância é uma Bênção?”, em Moody, janeiro/feve­
reiro de 1996, vol. 96, n° 5, p 13,
270 Charles Colson, extraído de The Body, em Christianity Today, 23 de
novembro de 1992, p 29.
271 Elliot Miller, A crash course in the New Age movement. Grand Rapids, Baker
Book House, 1993,. P 16.
272 Cornelius Plantinga, “Pecadores Nascidos Naturalmente”, em Christianity
Today, 14 de novembro de 1994, vol. 38, n° 13, p 25.

253
A OPERAÇÃO DO ERRO

273 Lang, p 13.


274 Troy Perry, D on’t b e afraid anymore. Nova York, St. Martin’s Press, 1990,
p 40.
275 White, p 268.
276 Roger Biery, Understandinghomosexuality: thepride and theprejudice. Austin,
Edward William Publishing Co., 1990, p 138.
277 “Os Homossexuais e a Igreja”, “ABC World N ew s Tonight”, 28 de feve­
reiro de 1996.
278 Biery, p 176,12.
279 White, p 314.
280 Para uma elaboração mais ampla da “questão da mudança”, e que tipo de
mudanças pode-se esperar no tratamento do homossexualismo, veja meu
livro Desires in conflict. Eugene, Harvest House Publishers, 1991.
281 Carta de Robertson a White citada em “Cruzada Homossexual”, Orange
County Register, 6 de julho de 1993, 6o caderno, p 1.
282 Stanton Jones, “A Oposição Amorosa”, em Christianity Today, 19 de julho
de 1993, vol. 37, n° 8, p 18-25.
283 Ramey e M ollenkott, p 71.
284 Roger Biery, Understandinghomosexuality: thepride and theprejudice. Austin,
Edward William Publishing Co., 1990, p 146.
285 Mel White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 305.
286 “Falando Claro Sobre os Hom ossexuais”, U. S. News a n d WorldReport, 10
de junho de 1991, p 63.
287 “Os Homossexuais e a Igreja”, “ABC World N ew s Tonight”, 28 de feve­
reiro de 1996.
288 Joseph Gudel, “O que é Contrário à Natureza”, em Christian Research
Journal, inverno de 1993, vol. 15, n°3, p 12.
289 Perry, Don 't be afraid anymore, p 339.
290 Ramey e Mollenkott, p 1.
291 Assim como o movimento a favor da vida tem sua vertente fanática, que
pede a morte dos aborcionistas, existem alguns poucos (muito poucos,
graças a Deus) que realmente pregam a violência contra os homossexuais.
Eles são claramente uma minoria; seria tão injusto apresentá-los como
conservadores típicos como seria apresentar os ativistas homossexuais
mais violentos como típicos de todos os homens e mulheres homossexuais.
292 Biery, p 143.
293 John Boswell, Christianity, social tolerance and homosexuality. Chicago,
University of Chicago Press, 1980, p 335.
294 Ballentine, “ICoríntios 6.9 — III Parte.”
295 Francis Schaeffer, The great evangelical disaster. Westchester, Crossway
Books, 1984, p 151.

254
NOTAS

296 Thomas E. Sehmidt, Straight a n d narrow? Compassion and clarity in the


homosexual debate. Downers Grove, InterVarsity Press, 1995, p 60.
297 Mollenkott, p 125.
298 Troy Perry, The L ord is my shepherd a nd he knows Vm gay. Los Angeles,
Nash Publishing, 1972, p 150-151.
299 Troy Perry, D on’t be afraid anymore. Nova York, St. Martin’s Press, 1990,
p 39.
300 White, p 305.
301 Scanzoni e Mollenkott, prefácio, p xi.
302 Perry, D o n t be afraid anymore, p 140.
303 White, p 311.
304 Sehmidt, p 1.
305 Jones, p 22.
306 Boswell, p 93-94.
307 Ramsey e Mollenkott, p 57-58.
308 Ibid.
309 Sehmidt, p 88-89.
310 Bruce Metzger, “O que a Bíblia tem a dizer sobre Homossexualismo?”,
em Presbyterians fo r Renewal, maio de 1993, p 7.
311 Boswell, p 100.
312 Perry, Don ’t be afraid anymore, p 341.
313 Boswell, p 109.
314 Ramey e Mollenkott, p 65-66.
315 Perry, Don 't be afraid anymore, p 342.
316 Sehmidt, p 78-79.
317 Cal Thomas, “A Ala Religiosa Tem Fé Excessiva em César”, em Los
Angeles Times, 21 de março de 1995, 2o eaderno, p 9.
318 “Os Homossexuais e a Igreja”, “ABC World N ew s Tonight”, 28 de feve­
reiro de 1996.
319 “O M ovimento Homossexual”, citado em Baird e Baird, Homosexuality:
debating the issues (Anherst: Prometeu Books, 1995), p. 34.
320 “Irmãs Amarguradas/Filhos que Sofrem” (vídeo), His VVay Ministries,
1994.
321 Uma pesquisa feita pelo Media Research Center em 1993 registrou 150
histórias de “intimidação” das clínicas de aborto por pessoas a favor da
vida; desta dem onstração extrem ada na H am ilton Square em São
Francisco não foi aehado nenhum relatório.
322 Cal T hom as, “Os C ientistas H om ossexuais Podem Contar com a
Complacência da M ídia”, em N A R TH Newsletter, dezembro de 1995,
vol. 3, n" 3, p 17.
323 Roger Biery, Understandinghomosexuality: thepride and theprejudice. Austin,
Edward William Publishing Co., 1990, p 174.

255
A OPERAÇÃO DO ERRO

324 Christianity Today, 14 de agosto de 1995, p 25.


325 Francis Schaeffer, The great evangelical disaster. Westchester, Crossway
Books, 1984, p 160.
326 Mel White, Stranger a t the gate. Nova York, Simon and Schuster, 1994,
p 317.
327 Troy Perry, citado em Morris, p 29.
328 Time, 24 de junho de 1991.

Leituras Sugeridas
• Deixando o Homossexualismo, Bob Davies e Lori Rentzel. Mundo Cristão.
• Dr. Dobson Responde As Suas Perguntas — vol. III, Mundo Cristão.
• Eros e Sexualidade, John White. ABU.
• Grandes Questões Sobre o Sexo, John Stott. Vinde.
• Homossexualidade, Lísias Castilho, ABU.
• O Mito do Sexo Seguro, J. Ankerberg e J. Weldon. Editora Cultura Cristã.
• Uma Bênção Chamada Sexo, Robinson Cavalcanti, ABU.

M inistério de A poio aos que trabalham n a recuperação de hom ossexuais:


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