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O FAZENDEIRO COUTINHO ALFORRIA SEUS ESCRAVOS

E ainda que tardiamente, chegou até aqui felizmente o clamor da abolição, esse anseio maior que já tomou conta de todo o país.
Araruna não podia ficar indiferente a este movimento por mais tempo, sob pena de ser execrada pela História. Hoje, esta cidade
não merece a pecha de ser um dos últimos redutos do escravagismo insensível e insensato. Porque o ideal abolicionista já
começa a brotar no coração do seu povo, e há de se espalhar rapidamente e ganhar viço e beleza como as flores do campo. E
hoje a porta de uma das senzalas que nos cercam amanheceu aberta, o tronco tombado virou lenha, os ferros e outros
instrumentos de tortura, destruídos e enterrados para sempre como uma mancha vergonhosa da qual não haveremos de querer
nos lembrar. Na fazenda Santa Generosa do senhor Coutinho não há mais escravos!

O CAVALEIRO MASCARADO

O soldado dormia em seu posto, e de repente, como uma sombra, uma alma bondosa invadiu a delegacia, subjugou a sentinela e
libertou os dois escravos. Ao amanhecer, o capitão-do-mato já não os encontrou ali, a ferros, como os havia deixado. Que alma
nobre será essa? De quem tanta coragem? É o que a nossa cidade se pergunta, orgulhosa do seu herói.

AJUDANTE DO FEITOR É ASSASSINADO

O corpo do morto desapareceu da frente da senzala como que por milagre, mas o escravo Sebastião viu quando o cavaleiro,
agora conhecido como “Irmão do Quilombo” o levou dali no seu cavalo, certamente para jogá-lo no rio, como é costume se fazer
com os corpos de escravos que morrem por não resistir aos castigos desumanos que se costumam praticar contra eles.

FOGO NA FAZENDA VENEZA

E por volta da meia-noite, o clarão que se levantava da senzala em chamas podia ser visto a léguas de distância. Os escravos
na fuga em massa incendiaram tudo o que encontraram pelo caminho. Eles também levaram o feitor, do qual até o momento não
se tem notícia.

REPUBLICANOS EM ARARUNA

Os ideais republicanos parecem ter chegado a esta cidade de Araruna. A palavra “República” já não parece mais proibida, e
pode ser ouvida aqui e ali não apenas em cochichos medrosos, mas em voz alta, pronunciada com orgulho e esperança. A causa
da abolição ganha corpo a cada dia, fazendo novos adeptos, até mesmo entre os senhores de escravos. Fazendeiros como o
senhor Everaldo Mathias, que acaba de alforriar os seus negros, seguindo o exemplo do senhor José Coutinho. Ah, são os novos
tempos que chegam! Os que ainda teimam em manter as suas senzalas trancadas, defendendo essa vergonha chamada escravidão,
temem a ação desse herói desconhecido que arrisca a própria vida na calada das noites, para dar fuga aos escravos que vivem
sob o martírio da chibata e da humilhação. Assim aconteceu com o senhor Medeiros, assim aconteceu com os escravos do senhor
Martinho.

OS CRIMES DO CORONEL FERREIRA

E o capitão-do-mato, ainda vivo, foi jogado nas águas do rio que corta a fazenda Araruna por ordem do coronel Ferreira. Não
será isso um crime? Então, por que apenas o escravo Justino e seu irmão Fulgêncio foram recolhidos a uma cela da delegacia
desta cidade, à espera de julgamento? Não seria lá também o lugar do senhor barão de Araruna?

CHEGAM OS PRIMEIROS IMIGRANTES EM ARARUNA

Chegaram à nossa cidade os primeiros imigrantes italianos. Desceram do trem como um bando de retirantes e se puseram a
cantar e a dançar em frente à estação da estrada de ferro. E toda a cidade acorreu para vê-los. Chegaram falando uma língua
diferente, mas não tinham os pés acorrentados como os escravos. E pareciam felizes! Parece que estão chegando com os corações
transbordando de esperança na nova terra!

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