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Biticacit, Soeieaade & Culturas, 9° 24, 2005, 207-214 SERIES REC AR TT ADIN SIG ICIS AE ETUC PEDAGOGIA DO OPRIMIDO VERSUS PEDAGOGIA DOS CONTEUDOS' GGT roa Tadd Siler ema rE Parece evidente que Paulo Freire niio desenvolveu uma teorizacio espect- fica sobre cusriculo Na sua obra, entretanto, como ocorte com outras teorias pedagégicas, discute questées que esto relacionadas com aquelas que comummente estao associadas com teorias mais propsiamente curticulares Pode-se dlzer que o seu esforco de teotizago consiste, a0 menos em parte, em responder & questio cuzticular fundamental: «o que ensinat?+ A pat da sua preo- cupacio com a questio epistemolégica fundamental (« que significa conhe- cer’), Paulo Freire desenvolven uma obra que tem implicagdes importantes para a teorizagdo sobre o curriculo Além disso, é conhecida a sua influéncia sobre teorizagdes de autores ¢ autoras mais directamente ligados 20 desenvol- vimento de perspectivas mais propriamente curriculares Aqui, como fizemos com outros autores, vamos restringir-nos aos seus livros iniciais, particularmente Educagéo como Pratica de liberdade (1967) e Pedagogia do Oprimido (1970) Na verdade, & o livio Pedagogia do Oprimido que melhor representa 0 pensamento pelo qual se tornaria internacionalmente conhecido € reconhecido Fducagdo como Prética da Liberdade esta ainda muito ligado 20 pensamento da chamada sideologia do desenvolvimento» que caractetizava © pensamento de esquerda da época No seu primeito livro, a Palavra-chave é, precisamente, «desenvolvimento: No segundo, a centralidade “Tn Teovins do Currteuto ~ Uma iniroduséo critica, Tomaz Tadeu da Siva, Porto Editora (Colecgio Cucriculo, Politicas e Préticas) Edigao de 1999, Belo Horizonte, Basil, Porto 2000 (58-66) Publicacdo autorizada pelo auto: € Porto Editor goUCAcay sociepape & cuciuras do conceito de «desenvolvimento: é deslocada para o conceito de «evolugao- Além disso, os elementos propriamente pedagégicos do pensamento de Freire esto ai pouco desenvolvidos: metade do livro é dedicado a uma anilise da formacao social brasi Pedagogia do Oprimido, pot outro lado, difere, em aspectos fandamentais, das outras teorizagdes que iriam constituir as bases de uma teoria educacional ctitica (Althusser, Bourdieu e Passeron, Bowles e Gintis). Em primeiro lugar, diferentemente daquelas teorizagdes, a sua andlise deve muito mais 4 filosotia do que 4 sociologia e 4 economia politica E verdade que a andlise que Freire faz da formacao social brasileira, na primeira parte de Edwcagéio como Prética de Liberdade, profundamente hist6rica e sociolégica Ja a andlise que faz do proceso de dominacio em Pedagogia do Oprimido esté baseada numa dialéc- lica hegeliana das relacdes entre senhor e servo, ampliada e modificada pela leitura do -primeiro Marx», do marxismo humanista de Erich Fromm, da feno- menologia existencialista ¢ cristae de ctiticas do proceso de dominacio colo- nial (Memmi, Fanon) O foco esta, aqui, muito menos na dominagao como um reflexo das relacdes econémicas € muito mais na dindmica propria do proceso de dominacio Em segundo lugar, as criticas sociolégicas da educagdo baseiam-se na estru- tura e no funcionamento da educacdo institucionalizada nos paises desenvolvi- dos Est implicita na andlise de Freire, por sua vez, uma critica a escola tradi- cional, mas a sua preocupacio esta voltada para o desenvolvimento da educa- cio de adultos em paises subordinados na ordem mundial Na verdade, em Pedagogia do Oprimido, Freire adia a transformacio da educacao formal para depois da tevolugo Pode-se dizer ainda que os conceitos humanistas utiliza- dos por Freire, na sua andlise, estéo claramente ausentes de andlises mais estru- turalistas da educagio Nao se pode imaginar Althusser ou Bourdieu ¢ Passeron falando, como faz Freire em Pedlagogia do Oprimido em livros posteriores, de «amor, € nos homens, -esperancar ou -humildade- Finalmente, a teotizacao de Freire ¢ claramente pedagdgica, na medida em que ele nio se limita a analisar como sdoa educagao ¢ a pedagogia existentes, amas apresenta uma teoria bastante elaborada de como elas devem ser, Essas dife- rengas reflectem-se inclusive nos titulos dos respectivos livros: enquanto Freire ressalta 0 tetmo «pedagogiae, 0 livro de Bowles e Gintis, por exemplo, sugere gdUCNCKS socispape & curruras uma andlise da escola na sociedade capitalista estado-unidense, e 0 de Bau- delot e Establet propde-se, claramente, analisar a «escola capitalista na Franca A critica de Freire ao curriculo existente esta sintetizada no conceito de -educagio bancitiax A educagéo bancatia expressa uma visao epistemolégica que concebe 0 conhecimento como sendo constituido de informacdes e de factos a serem simplesmente transfetidos do professor para o aluno © conhe- cimento confunde-se com um acto de depésito (bancdrio) Nessa concepcio, o conhecimento é algo que existe fora e independentemente das pessoas envol- vidas no acto pedagogico Reflectindo aqui a critica mais cientificsta ligada a -ideologia do desenvolvimento: bem como as ctiticas 4 escola tradicional feitas pelos idedlogos da Escola Novas, Freire ataca o cardcter verbalista, natrativo, dissertativo do curticulo tradicional. Na sua énfase excessiva num verbalismo vazio, oco, 0 conhecimento expresso no curriculo tradicional esta profunda- mente desligado da situago existencial das pessoas envolvidas no acto de conhecer Na concepgio bancéria da educacio, o educador exerce sempre um papel activo, enquanto o educando esti limitado a uma recepcdo passiva Através do conceito de «educagao problematizadora,, Freire visa desenvol- ver uma concep¢ao que possa constituir uma alternativa 4 concepgao bancaria que ele critica Na base dessa «educacio problematizadora» esta uma com- preensio radicalmente diferente do que significa conhecet» Aqui, a perspec- tiva de Freire é claramente fenomenolégica Para ele, conhecimento € sempre conhecimento de alguma coisa Isso significa que ndo existe uma separactio entre o acto de conhecer ¢ aquilo que se conhece Utilizando o conceito feno- menoldgico de sintenco-, 0 conhecimento, para Freire, € sempre sintencio- nado», isto é, esta sempre dirigido para alguma coisa O mundo, pois, nao existe a ndo ser como «mundo para nds», como mundo para a nossa consciéncia Freire esta aqui longe das concepgdes pés-estrutura- listas recentes que concebern 0 conhecimento como estreitamente relacionado com as suas formas de representagao no texto e no discurso A representacdo implicada na perspectiva de Freite é a do mundo na consciéncia © acto de conhecet envolve fundamentalmente 0 tornar «presentex 0 mundo para a cons- ciéncia © acto de conhecer nao é, entretanto, para Freire, um acto isolado, indivi- dual Conhecet envolve intercomunicagao, intersubjectividade Essa intercomu-