Anda di halaman 1dari 2

EXPLICAÇÃO DA MUSICA DANIEL NA COVA DOS LEÕES – LEGIÃO URBANA.

Para ouvidos desatentos, a letra de “Daniel na Cova dos Leões” narra uma história de amor
comum, um casal apaixonado. No entanto, se interpretada com um pouco mais de atenção e
contexto, percebe-se que a letra descreve – prudentemente – um ato sexual entre dois homens
– muito provavelmente o primeiro, quando ambos ainda estão na fase de descobertas, num
processo de aceitação.

Mas não só. A canção, de 3 estrofes apenas, pode ser tematicamente dividida no mesmo
número. Primeiro o ato em si, depois o carinho e a cumplicidade e, por fim, o medo e as
incertezas diante do novo e do desconhecido.

A única menção direta ao homossexualismo é feita no penúltimo verso da segunda estrofe: “Teu
corpo é meu espelho e em ti navego”, deixando claro que o casal que protagoniza a canção
pertence a um mesmo gênero, com corpos iguais, reflexos um do outro. E como saber se são
dois homens ou duas mulheres?

A resposta pode ser encontrada logo nos primeiros versos da música: “Aquele gosto amargo do
teu corpo/Ficou na minha boca por mais tempo.” Uma alusão a conclusão do sexo oral entre
dois homens. Sim, a música se inicia com um orgasmo e tudo o que se segue após estes dois
vesos são prazeres, dúvidas e aceitações. “Aquele gosto amargo do teu corpo Ficou na minha
boca por mais tempo.

De amargo, então salgado ficou doce, Assim que o teu cheiro forte e lento Fez casa nos meus
braços e ainda leve, Forte, cego e tenso, fez saber Que ainda era muito e muito pouco.” A partir
do terceiro verso, inicía-se uma pequena metáfora, entre o prazer e o desconforto – ou mesmo
o nojo – causado pelo orgasmo oral, que vai ganhando um sabor diferente, um deleite
desconhecido, um amargo que vai aos poucos se adocicando.

Se reorganizarmos a frase livremente, ela ficaria mais ou menos assim: “Assim que o teu cheiro
fez casa nos meus braços, percebi que isto ainda era muito pouco. E o sabor, que era salgado,
então ficou doce.” Perde-se toda a beleza, mas ganha-se mais clareza.

A patir da segunda estrofe, dá-se início ao tema seguinte, a cumplicidade pelos sentimentos
mútuos: “Faço nosso o meu segredo mais sincero/E desafio o instinto dissonante.” A
homossexualidade, que antes era o segredo maior de cada um em separado, passa a ser de
ambos e, juntos, eles desafiam o instinto dissonante, o instinto que destoa, que foge do normal:
a atração entre dois homens.

Segue-se então para os terceiro e quarto versos desta estrofe: “A insegurança não me ataca
quando erro/E o teu momento passa a ser o meu instante”, quando passam à aceitação, e a
insgurança não mais existe. O quarto verso, por sua vez, faz menção direta ao orgasmo. O
“momento” e o “instante” são o ápce do prazer.

E o gozo de um passa a ser o deleite do outro e vice-versa. Afinal todo o casal que se gosta de
verdade, se importa um com o outro, seja em que momento for. Já a última estrofe é uma das
mais belas e mais complexas metáforas da música brasileira: “Mas, tão certo quanto o erro de
ser barco A motor e insistir em usar os remos, É o mal que a água faz quando se afoga E o salva-
vidas não está lá porque não vemos.” A maneira mais correta para interpretá-la é inverter os
dois primeiros com os dois últimos versos e entender que a sensação de afogamento é tão
frustrante quanto à teimosia de usar remos quando se tem um motor à disposição: pode-se ir
longe, mas o medo mantém a vida arcaica.
Apesar da insegurança transmitida pela música, Renato foi seguro o bastante ao entitulá-la,
dando-lhe o nome de uma das mais famosas passagens do Antigo Testamento Bíblico: “Daniel
na Cova dos Leões”, na qual o personagem-título, um temente a Deus e súdito fiel do rei Dário,
é vítima de invejosos, enganado, condenado por traição ao rei e jogado na cova dos leões, onde
as feras deveriam decidir seu destino – ou seja, comê-lo vivo.

No entanto Deus enviou seus anjos para fecharem as bocas dos felinos esfomeados e o inocente
Daniel passou a noite em paz, sem temer as garras ou as presas que o circundavam, até ser
retirado dali no dia seguinte pelo próprio rei Dário.