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JOÃO PAULO SOUZA SILVA

MECÂNICA
DOS SOLOS
Introdução à Engenharia Geotécnica

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ÍNDICE

CAPÍTULO 1 - A MECÂNICA DOS SOLOS E A


ENGENHARIA ............................................................................. 07
1.1 - A MECÂNICA DOS SOLOS, A GEOTECNIA E DISCIPLINAS
RELACIONADAS. ........................................................................ 08
1.2 - O SOLO PARA O ENGENHEIRO ...................................... 09
1.3 - APLICAÇÕES DA MECÂNICA DOS SOLOS .................... 010

CAPÍTULO 2 – RETIRADA/COLETA DE AMOSTRAS .............. 12


2.1 - EQUIPAMENTOS, ACESSÓRIOS E PROCEDIMENTOS
PARA SONDAGEM E COLETA DE AMOSTRAS ....................... 13
2.2 - TIPOS DE SONDAGEM..................................................... 13
2.2.1 - SONDAGEM A TRADO ................................................... 14
2.2.2 - POÇO DE INSPEÇÃO ..................................................... 14
2.2.3 - TRINCHEIRA ................................................................... 15
2.2.4 - GALERIA .......................................................................... 16
2.2.1 - SPT – STANDARD PENETRATION TEST ..................... 16
2.3 - AMOSTRA INDEFORMADA .............................................. 18
2.4 - CUIDADOS A SEREM TOMADOS E DIMENSIONAMENTO
DA AMOSTRA .............................................................................. 22
2.5 - ANÁLISE TÁCTIL VISUAL DO MATERIAL COLETADO .. 24
2.5.1 - TIPOS DE AMOSTRAS ................................................... 24
2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO TACTIL VISUAL ................................. 25
2.5.1 - EXECUÇÃO DOS EXPERIMENTOS .............................. 26

CAPÍTULO 3 – ÍNDICES FÍSICOS .............................................. 29


3.1 - RELAÇÃO DE FASES ....................................................... 31
3.1.1 - RELAÇÃO ENTRE PESOS OU MASSAS ....................... 31
3.1.2 - RELAÇÃO ENTRE VOLUMES ........................................ 32
3.2 - RELAÇÃO ENTRE PESOS E VOLUMES ......................... 34
3.3 - FÓRMULAS DE CORRELAÇÃO ....................................... 39
3.4 - DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS ÍNDICES ......... 41
3.4.1 - DETERMINAÇÃO DO PESO E VOLUME DE UMA
AMOSTRA .................................................................................... 41
3.4.2 - DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE (W%) ......... 42
3.4.3 - DETERMINAÇÃO DO PESO ESPECÍFICO REAL DOS
GRÃOS .................................................................................... 44

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3.5 - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS – ÍNDICES FÍSICOS .......... 45

CAPÍTULO 4 – TEXTURA E ESTRUTURA DOS SOLOS .......... 54


4.1 - TAMANHO E FORMA DAS PARTÍCULAS ........................ 54
4.1.1 - SOLOS GROSSOS .......................................................... 54
4.1.2 - SOLOS FINOS ................................................................. 56
4.2 - ANÁLISE GRANULOMÉTRICA ......................................... 58
4.2.1 - ENSAIO DE GRANULOMETRIA ..................................... 58
4.2.2 - PROCESSO DE PENEIRAMENTO ................................. 59
4.2.3 - PROCESSO POR SEDIMENTAÇÃO .............................. 65
4.3 - CÁLCULOS DO ENSAIO DE GRANULOMETRIA ............ 71
4.4 - PROPRIEDADES QUE AUXILIAM NA IDENTIFICAÇÃO DOS
SOLOS ......................................................................................... 75
4.4.1 - TEXTURA......................................................................... 75
4.5 - COMPACIDADE ................................................................. 79
4.6 - FORMA DOS GRÃOS........................................................ 81
4.7 - ESTRUTURA DOS SOLOS ............................................... 82
4.8 - USO DA GRANULOMETRIA ............................................. 82

CAPÍTULO 5 – PLASTICIDADE E CONSISTÊNCIA DOS


SOLOS ......................................................................................... 84
5.1 - ESTADOS DE CONSISTÊNCIA ........................................ 84
5.2 - DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS LIMITES DE
CONSISTÊNCIA ........................................................................... 87
5.2.1 - LIMITE DE LIQUIDES (LL) OU (WL) ............................... 87
5.2.2 - LIMITE DE PLASTICIDADE (LP) OU (WP) ..................... 89
5.2.3 - ÍNDICE DE PLASTICIDADE (IP) ..................................... 91
5.2.4 - ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA (IC) .................................... 92
5.2.5 - ÍNDICE DE LIQUIDEZ (IL) ............................................... 93
5.2.6 - GRÁFICO DE PLASTICIDADE (CARTA DE CASAGRANDE)
.................................................................................... 94
5.2.7 - ÍNDICE DE COMPRESSÃO ............................................ 95

CAPÍTULO 6 – CLASSIFICAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO DOS


SOLOS ......................................................................................... 97
6.1 - CLASSIFICAÇÃO TEXTURAL ........................................... 98
6.2 - CLASSIFICAÇÃO H.R.B OU A.A.S.H.O - RODOVIÁRIO . 99

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6.3 - SISTEMA UNIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS
(S.U.C.S.) ..................................................................................... 104
6.3.1 - SOLOS GROSSOS .......................................................... 107
6.3.2 - SOLOS FINOS
110
6.4 - SOLOS ALTAMENTE ORGÂNICOS ................................. 114
6.5 - SISTEMA CLASSIFICAÇÃO GEOTÉCNICA M.C.T. PARA
SOLOS TROPICAIS ..................................................................... 114
6.6 - CLASSIFICAÇÃO TÁCTIL-VISUAL ................................... 115
6.7 - EXERCÍCIOS ..................................................................... 120

CAPÍTULO 7 – COMPACTAÇÃO DOS SOLOS ......................... 123


7.1 - MÉTODOS DE COMPACTAÇÃO ...................................... 125
7.2 - ENSAIO DE COMPACTAÇÃO .......................................... 127
7.3 - COMPORTAMENTO DO SOLO ........................................ 137
7.4 - COMPACTAÇÃO EM CAMPO .......................................... 139
7.4.1 - SELEÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO
.................................................................................... 144
7.5 - PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM NO DESEMPENHO DA
COMPACTAÇÃO ......................................................................... 146
7.5.1 - UMIDADE DO SOLO ....................................................... 146
7.5.2 - NÚMERO DE PASSADAS ............................................... 149
7.5.3 - ESPESSURA DA CAMADA ............................................. 151
7.5.4 - HOMOGENEIDADE DA CAMADA .................................. 151
7.5.5 - VELOCIDADE DE ROLAGEM ......................................... 152
7.6 - ESPECIFICAÇÕES PARA COMPACTAÇÃO EM CAMPO
............................................................................................ 152
7.6.1 - SEQUÊNCIA CONSTRUTIVA ......................................... 154
7.7 - CONTROLE TECNOLÓGICO DE COMPACTAÇÃO EM
CAMPO......................................................................................... 157
7.7.1 - DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DE CAMPO (IN-SITU) 157
7.7.2 - DETERMINAÇÃO DO GRAU DE COMPACTAÇÃO (GC)
.................................................................................... 158
7.7.3 - CONTROLE ESTATISTICO DA QUALIDADE................. 160
7.8 - EXERCÍCIOS ..................................................................... 162

CAPÍTULO 8 – TENSÕES GEOSTÁTICAS ................................ 167


8.1 - TENSÕES VERTICAIS ...................................................... 167
8.2 - PRINCÍPIO DAS TENSÕES EFETIVAS ............................ 169
8.3 - PESO ESPECÍFICO SUBMERSO .................................... 170

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8.4 - TENSÕES HORIZONTAIS ................................................ 173
8.5 - TENSÕES EM SUPERFÍCIES DE TERRENO INCLINADO
............................................................................................ 175
8.6 - CAPILARIDADE DOS SOLOS ........................................... 177
8.7 - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS ............................................. 181
8.8 - É POSSÍVEL CONHECER O PERFIL GEOTÉCNICO DO
SOLO A PARTIR DO GRÁFICO? ................................................ 185

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1. CAPÍTULO 1 - A Mecânica dos Solos e a Engenharia

CAPÍTULO 1

A Mecânica dos Solos e a Engenharia


A Engenharia Civil procurou sempre acompanhar a evolução científica. A
dificuldade de um conhecimento profundo e abrangente, em todo o seu
campo de atuação, exigiu sua divisão em áreas específicas, consoante,
principalmente, aos materiais objetos de estudo. Estas áreas não tiveram um
desenvolvimento paralelo, e algumas evoluíram mais cedo que outras.

Historicamente, os ramos básicos que primeiro se desenvolveram e que


foram, por isso mesmo, os mais estudados e divulgados são a Teoria das
Estruturas e a Hidráulica. O primeiro trabalha com materiais selecionados,
cujos comportamentos são bem conhecidos, entre os quais o concreto, o aço
e a madeira. Este campo utiliza, para solução dos seus problemas, modelos
simples, passíveis de tratamento matemático. A área da Hidráulica estuda os
fluidos, em particular a água, principalmente em ambientes naturais. Os
fenômenos hidráulicos podem fugir a um tratamento matemático, mas a
utilização de ensaios em modelos reduzidos permite, quase sempre, uma
adequada análise de seus comportamentos.

Um dos campos básicos da Engenharia Civil que por último se desenvolveu


foi a Mecânica dos Solos. Ela estuda o comportamento do solo sob o
aspecto da Engenharia Civil. O solo cobre o substrato rochoso e provém da
desintegração e decomposição das rochas, mediante a ação dos
intemperismos físico e químico. Assim, de maneira geral, pôr causa da sua
heterogeneidade e das suas propriedades bastante complexas, não existe
modelo matemático ou um ensaio em modelo reduzido que caracterize, de
forma satisfatória, o seu comportamento.

Para o engenheiro civil, a necessidade do conhecimento das propriedades do


solo vai além do seu aproveitamento como material de construção, pois o
solo exerce um papel especial nas obras de Engenharia porquanto cabe a ele
absorver as cargas aplicadas na sua superfície, e mesmo interagir com obras
implantadas no seu interior.

De um modo geral, as características mecânicas do solo, em seu estado


natural, devem ser aceitas e só em casos particulares, com o auxílio de
técnicas especiais, podem ser melhoradas. Atualmente, a Mecânica dos

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Solos situa-se dentro de um campo mais envolvente que congrega ainda a
Engenharia de Solos (Maciços e Obras de Terra e Fundações) e a Mecânica
das Rochas. Esta área denominada Geotecnia tem como objetivo estudar as
propriedades físicas dos materiais geológicos, solos, rochas e suas
aplicações em obras de Engenharia Civil, quer como material de construção,
quer como elemento de fundação.

Pode-se dizer também que a Mecânica dos Solos ocupa, em relação aos
solos, posição análoga àquela que a resistência dos materiais ocupa em
relação aos outros materiais de construção. Na prática usual, entretanto, os
termos Mecânica dos Solos e Engenharia dos Solos geralmente se
confundem.

1.1 - A MECÂNICA DOS SOLOS, A GEOTECNIA E DISCIPLINAS


RELACIONADAS.

Por ser o solo um material natural, cujo processo de formação não depende
de forma direta da intervenção humana, o seu estudo e o entendimento de
seu comportamento depende de uma série de conceitos desenvolvidos em
ramos afins de conhecimento. A mecânica dos solos é o estudo do
comportamento de engenharia do solo quando este é usado ou como
material de construção ou como material de fundação. Ela é uma disciplina
relativamente jovem da engenharia civil, somente sistematizada e aceita
como ciência em 1925, após trabalho publicado por Terzaghi (Terzaghi,
1925), que é conhecido, com todos os méritos, como o pai da mecânica dos
solos.

Um entendimento dos princípios da mecânica dos sólidos é essencial para o


estudo da mecânica dos solos. O conhecimento e aplicação de princípios de
outras matérias básicas como física e química são também úteis no
entendimento desta disciplina. Por ser um material de origem natural, o
processo de formação do solo, o qual é estudado pela geologia, irá
influenciar em muito no seu comportamento. O solo, como veremos
adiante, é um material trifásico, composto basicamente de ar, água e
partículas sólidas. A parte fluida do solo (ar e água) pode se apresentar em
repouso ou pode se movimentar pelos seus vazios mediante a existência de
determinadas forças. O movimento da fase fluida do solo é estudado com
base em conceitos desenvolvidos pela mecânica dos fluidos. Pode-se citar
ainda algumas disciplinas, como a física dos solos, ministrada em cursos de
agronomia, como de grande importância no estudo de uma mecânica dos

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solos mais avançada, denominada de mecânica dos solos não saturados.
Além disto, o estudo e o desenvolvimento da mecânica dos solos são
fortemente amparados em bases experimentais, a partir de ensaios de campo
e laboratório.

A aplicação dos princípios da mecânica dos solos para o projeto e


construção de fundações é denominada de "engenharia de fundações". A
engenharia geotécnica (ou Geotecnia) pode ser considerada como a junção
da mecânica dos solos, da engenharia de fundações, da mecânica das
rochas, da geologia de engenharia e mais recentemente da Geotecnia
ambiental, que trata de problemas como transporte de contaminantes pelo
solo, avaliação de locais impactados, proposição de medidas de remediação
para áreas impactadas, projetos de sistemas de proteção em aterros
sanitários, etc.

1.2 - O SOLO PARA O ENGENHEIRO

A parte mais externa do globo terrestre, denominada crosta, é constituída


essencialmente de rochas que são agregados naturais de um ou diversos
minerais, podendo, eventualmente, ocorrer vidro ou matéria orgânica. A
ação contínua dos agentes atmosféricos e biológicos (intemperismo) tende a
desintegrar e a decompor essas rochas, dando origem ao solo.

O significado da palavra solo não é o mesmo para todas as ciências que


estudam a natureza. Para fins de Engenharia Civil/Infraestrutura, admite-se
que os solos são misturas naturais de um ou diversos minerais (às vezes
com matéria orgânica) que podem ser separa pôr processos mecânicos
simples, tais como agitação em água ou manuseio. Numa conceituação mais
simplista, o solo seria todo material que pudesse ser escavado, sem o
emprego de técnicas especiais, como, por exemplo, explosivos.

Esse material forma a fina camada superficial que recobre quase toda a
crosta terrestre e no seu estado natural apresentasse composto de partículas
sólidas (com diferentes formas e tamanhos), líquidas e gasosas. Os solos
normalmente são caracterizados pela sua fase sólida, enquanto as fases
líquida e gasosa são consideradas conjuntamente como porosidade.
Entretanto, na análise de comportamento real de um solo, há necessidade de
se levar em conta as porcentagens das fases componentes, bem como a
distribuição dessas fases através da massa de solo.

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1.3 - APLICAÇÕES DA MECÂNICA DOS SOLOS

Fundações: As cargas de qualquer estrutura têm de ser, em última


instância, descarregadas no solo através de sua fundação. Assim a fundação
é uma parte essencial de qualquer estrutura. Seu tipo e detalhes de sua
construção podem ser decididos somente com o conhecimento e aplicação
de princípios da mecânica dos solos.

Obras subterrâneas e estruturas de contenção: Obras subterrâneas como


estruturas de drenagem, dutos, túneis e as obras de contenção como os
muros de arrimo, cortinas atirantadas somente podem ser projetadas e
construídas usando os princípios da mecânica dos solos e o conceito de
"interação solo-estrutura".

Escavações, aterros e barragens: A execução de escavações no solo


requer frequentemente o cálculo da estabilidade dos taludes resultantes.
Escavações profundas podem necessitar de escoramentos provisórios, cujos
projetos devem ser feitos com base na mecânica dos solos. Para a
construção de aterros e de barragens de terra, onde o solo é empregado

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como material de construção e fundação, necessita-se de um conhecimento
completo do comportamento de engenharia dos solos, especialmente na
presença de água. O conhecimento da estabilidade de taludes, dos efeitos do
fluxo de água através do solo, do processo de adensamento e dos recalques
a ele associados, assim como do processo de compactação empregado é
essencial para o projeto e construção eficientes de aterros e barragens de
terra.

Projeto de pavimentos: o projeto de pavimentos pode consistir de


pavimentos flexíveis ou rígidos. Pavimentos flexíveis dependem mais do
solo subjacente para transmissão das cargas geradas pelo tráfego. Problemas
peculiares no projeto de pavimentos flexíveis são o efeito de carregamentos
repetitivos e problemas devidos às expansões e contrações do solo por
variações em seu teor de umidade.

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2. CAPÍTULO 2 – Retirada/Coleta de amostras

CAPÍTULO 2

Retirada/Coleta de amostras
A caracterização de um solo, através de parâmetros obtidos em ensaios de
laboratório, depende, simultaneamente, da qualidade da amostra e do
procedimento dos ensaios. Tanto para a amostragem quanto para os ensaios
existem normas, brasileiras e estrangeiras, que regem o assunto e que,
portanto, devem ser obedecidas.

Em qualquer laboratório de Geotecnia, dois tipos de amostras são usadas na


realização desses ensaios. A amostra deformada, uma porção de solo
desagregado, deve ser representativa do solo que está sendo investigado,
apenas, quanto à textura e constituição mineral. Ela é usada na identificação
visual e táctil, nos ensaios de classificação (granulometria, limites de
consistência e massa específica dos sólidos), no ensaio de compactação e na
preparação de corpos de prova para ensaios de permeabilidade,
compressibilidade e resistência ao cisalhamento. Essas amostras, até um
metro abaixo da superfície do terreno, poderão ser obtidas através de
ferramentas simples (pás, enxadas, picaretas e outras mais apropriadas a
cada caso), enquanto que para profundidade maior ter-se-á necessidade de
ferramentas especiais (trados ou um amostrador de parede grossa).

A amostra indeformada, geralmente de forma cúbica ou cilíndrica, deve ser


representativa da estrutura e teor de umidade do solo, na data de sua
retirada, além da textura e composição mineral. Ela é usada para se
determinar às características do solo “in situ”, como os índices físicos, o
coeficiente de permeabilidade, os parâmetros de compressibilidade e de
resistência ao cisalhamento.

Uma amostra indeformada pode ser obtida de diversas maneiras


dependendo da cota da amostragem, da densidade do solo e da posição do
lençol freático; assim, para solos moles abaixo do nível d‟água será usado
um amostrador de parede fina, enquanto que, para solos acima do nível
d‟água e mais densos, deve-se abrir um poço até a cota de interesse e retirar
um bloco de solo usando uma caixa metálica ou de madeira como fôrma e
com dimensões apropriadas ao tipo e número de ensaios a realizar. A NBR

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9604/86 rege a abertura de poço e trincheira de inspeção em solo, com
retirada de amostras deformadas e indeformadas.

Na retirada, no transporte e no manuseio, de qualquer um dos dois tipos de


amostras, devem ser tomados cuidados extras para que a amostra não sofra
nenhuma avaria. Os equipamentos e acessórios, o procedimento da
amostragem, os cuidados e o dimensionamento de cada uma das amostras
serão descritos nos itens seguintes.

2.1 - EQUIPAMENTOS, ACESSÓRIOS E PROCEDIMENTOS


PARA SONDAGEM E COLETA DE AMOSTRAS

 Equipamentos: trados de diversos tipos e diâmetros; amostrador de


parede grossa; caixa metálica; amostrador de parede fina;
 Acessórios: sacos de lona ou de plástico de diferentes tamanhos,
pás, enxadas, picaretas, facas, espátulas, conchas; fogareiro a gás;
parafina; tecido (tipo estopa ou similar); etiquetas; caixas de
madeira, serragem.

Para cada um dos tipos de amostras representativas o procedimento na


amostragem será diferente. A seguir será descrita a forma de se obter uma
amostra deformada e uma amostra indeformada em bloco, em uma camada
acima do nível d‟água.

2.2 - TIPOS DE SONDAGEM

Inicialmente, fazer uma limpeza no local de trabalho, retirando a vegetação


superficial, raízes e qualquer outra matéria estranha ao solo, para só depois
iniciar o processo de sondagem e/ou coleta de amostra. Se a cota de retirada
da amostra estiver, no máximo, um metro da superfície do terreno pode-se
fazer uma escavação, até a cota de interesse, com uma das ferramentas
indicadas e, então fazer a coleta.

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2.2.1 - SONDAGEM A TRADO

Entre um e seis metros de profundidade pode-se usar o trado cavadeira,


desde que, o furo não precise de revestimento. Para profundidade maior do
que seis metros, ou quando o furo exigir tubo de revestimento deve-se usar
o trado helicoidal, Figura 2.1.

Quando o trabalho com o trado helicoidal se tornar difícil ou para


amostragem abaixo do nível d‟água, quando poderá se tornar pouco eficaz,
pode-se utilizar um amostrador de parede grossa, que é cravado
dinamicamente no solo através de energia fornecida pela queda livre de um
martelo. A sondagem a trado é regulada pela NBR 9603/86.

Figura 2.1 – (a)Trados manuais; (b) execução do ensaio (Manual de


Pavimentação Urbana, IPT 1992)

2.2.2 - POÇO DE INSPEÇÃO

Este tipo de sondagem trata-se de escavações verticais realizadas


principalmente em solo, onde as perfurações devem apresentar um diâmetro
ou lado mínimo de 1,5m. Permitem realizar o exame detalhado dos
horizontes escavados, retirada de amostras deformadas e indeformadas do
solo, além da realização de ensaios “in-situ”.

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É importante ressaltar que esse método possui a limitação de não poder
ultrapassar o Nível da Água (N.A), e também poderá ocorrer
desmoronamento das paredes laterais, o que requer muitas vezes o
escoramento das mesmas, logo é recomendado sua execução em solos com
expressiva coesão para que assim o risco de acidentes seja reduzido ou
eliminado. A figura abaixo exemplifica o método executivo.

Figura 2.2 – Processo de execução do poço de inspeção (Manual de


Pavimentação Urbana, IPT 1992)

2.2.3 - TRINCHEIRA

São basicamente valas à céu aberto escavadas manualmente nas quais


permitem a retirada de amostras indeformadas de solo para uma
caracterização em laboratório, sendo que as limitações do método são as
mesmas do poço de inspeção.

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Figura 2.3 – Trincheira (Manual de Pavimentação Urbana, IPT 1992)

2.2.4 - GALERIA

São Escavações feitas em rocha, podendo o seu desmonte ser feito a “fogo”,
com o objetivo de retirada de amostra indeformada para uma posterior
classificação geotécnica em laboratório.

Figura 2.4 – Galeria (Manual de Pavimentação Urbana, IPT 1992)

2.2.1 - SPT – STANDARD PENETRATION TEST

O tipo e o emprego do equipamento de sondagem representado na Figura


2.5, introduzidos entre nós há mais de 40 anos, é o mais adotado por todos

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os institutos técnicos e oficiais, e firmas particulares especializadas. O
Ensaio SPT obedece os critérios estabelecidos na NBR 6484/01.

O Standard Penetration Test (SPT), possui a dupla função: de medir a


resistência à penetração e de coletar amostras que nesse caso são alteradas
pelo choque e vibração no momento da cravação do amostrador. Este
método além de econômico é rápido e pode ser aplicado à maioria dos
solos, exceto pedregulhos. O ensaio basicamente consiste em introduzir o
“barrilete amostrador”, que é fixado na extremidade das hastes de cravação
e cravado 45 cm no solo, por dentro de um tubo de sondagem. A cravação é
feita por um peso (martelo) de 65 kg, com uma altura de 75 cm de queda.

Inicialmente se fazem penetrar 15 cm e, a seguir, se registra o número N de


golpes aplicados para cravar outros 30 cm, anotando-se separadamente cada
15 cm. Vários autores relacionam os resultados do N SPT, com as
propriedades dos diferentes tipos de solos, conforme veremos nos capítulos
que seguem.

Figura 2.5 – Ensaio SPT

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A amostra deverá ser colocada em saco de lona ou plástico resistente,
identificada através de uma etiqueta amarrada à boca do saco e contendo
informações sobre o local, número, profundidade e data da amostragem.
Além dessas informações deve-se fazer uma planta do local indicando os
dados necessários a recuperação do ponto amostrado.

2.3 - AMOSTRA INDEFORMADA

A viabilidade técnica e econômica da obtenção de amostras indeformadas é


função da natureza do solo a ser amostrado, da profundidade em que se
encontra e da presença do nível d‟água.

Esses fatores determinam o tipo de amostrador e os recursos a utilizar.


Algumas formações apresentam maiores dificuldades que outras no
processo de extração de amostras indeformadas.

Assim, a retirada de amostras indeformadas pode ser subdividida em duas


classes:

Amostra indeformada de superfície: a coleta de amostras é realizada


próxima à superfície do terreno natural, ou próximas à superfície de uma
exploração acessível, utilizando-se amostradores em que o processo de
avanço é por aparamento (cilindros e anéis biselados – Figura 2.6-a) ou
escavações (blocos – Figura 2.6-b).

Figura 2.6 – (a) Cilindros e anéis biselados; (b) Caixa para amostra em
bloco.

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Uma amostra indeformada, em bloco, poderá ser retirada em diversas
posições como mostrado na Figura 2.7.

Figura 2.7 – Retirada de amostra indeformada

Figura 2.8 – Sequência de amostragem de um bloco

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O procedimento de retirada de uma amostra indeformada, em bloco, no
fundo de um poço é semelhante à retirada em qualquer outra posição,
exceto algumas peculiaridades do próprio poço.

O poço deverá ser aberto até, aproximadamente, dez centímetros acima da


cota do topo do bloco (cota zero), pelo poceiro, com um diâmetro que
permita ao técnico, encarregado de continuar o serviço, fazê-lo de forma
conveniente, Figura 2.8-a. Caso não seja possível por apresentar o poço um
diâmetro pequeno o bloco poderá ser retirado na parede (posição 5)
lembrando que o fundo do poço deverá atingir uma cota mais baixa.

Utilizando a caixa metálica o técnico deverá marcar no fundo do poço a


área onde a amostra será retirada e com cuidado ir removendo o solo
externo a essa área, Figura 2.8-b, até que se tenha um degrau de, mais ou
menos, sete centímetros.

A caixa deverá ser ajustada ao solo, com a ponta biselada voltada para baixo
e iniciar uma escavação em sua volta, ao mesmo tempo, ir pressionando,
levemente, a caixa provocando sua descida, Figura 2.8-c.

Quando o topo da caixa atingir a cota zero deverá haver um excesso de solo,
da ordem de 3cm, Figura 2.8-d, que não deverá ser retirado neste momento.
O bloco deverá ser cortado próximo a base da caixa para que possa ser
separado do terreno, mantendo-se também um excesso de solo, como
mostrado na Figura 2.8-e. Entre o bloco e a caixa haverá sempre uma folga
cuja espessura dependerá do tipo de solo amostrado. Um solo argiloso
permitirá uma folga menor do que um solo arenoso.

Dependendo da existência de condições favoráveis dentro do poço o


excesso de solo na base e no topo do bloco poderá se aí retirado e
colocadas, em seguida, a tampa e o fundo da caixa, Figura 2.8-f. É sempre
preferível realizar essa operação, após a subida do bloco para superfície do
terreno.

O bloco deverá ser elevado a superfície do terreno com todo o cuidado a fim
de se evitar qualquer alteração estrutural no solo. O excesso de solo, do topo
e da base ou a tampa e o fundo da caixa, deverá ser retirado e uma primeira
camada de parafina, com espessura mínima de dez milímetros, aplicada.
Logo em seguida, colocar uma etiqueta no topo do bloco indicando os
dados necessários à sua identificação.

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As laterais da caixa só, então, devem ser retiradas e aplicada uma camada
de parafina sobre as faces do bloco, reforçando os cantos e arestas, para
garantir uma boa ligação com a camada aplicada no topo e na base. Com
essa primeira camada de parafina estará garantida a manutenção do teor de
umidade da amostra, mas não a preservação da sua estrutura, representativa
da estrutura do solo in situ.

Para a preservação da estrutura, o bloco deverá ser envolvido com um


tecido poroso e, em seguida, aplicada uma segunda camada de parafina.
Uma segunda etiqueta deverá ser colocada, preferencialmente sobre o topo
do bloco com as informações necessárias a sua localização. Finalmente,
desenhar a planta de localização do poço tendo como referência algum
ponto imutável com o tempo e indicando todos os demais dados
necessários, bem como, o nome do solo a partir dos testes de identificação
visual e táctil.

Amostra indeformada em profundidade: os métodos de perfuração para


atingirem-se as profundidades desejadas são os mesmos das sondagens de
reconhecimento. A diferença essencial entre as sondagens mais simples e
das sondagens em questão está nos amostradores, sendo os mais usuais, os
amostradores de parede fina, o amostrador de pistão, o amostrador de pistão
estacionário, o amostrador de pistão “Osterberg” e o amostrador “Denison”
ou barrilete triplo.

O amostrador de parede fina mais empregado, o tipo Shelby, é composto


basicamente de um tubo de latão ou de aço inoxidável de espessura
reduzida, ligado a um cabeçote provido de uma válvula de esfera que
permite ao ar e a água escaparem à medida que há a penetração da amostra
(Figura 2.9).

Figura 2.9 – Amostrador de parede fina.

O amostrador é introduzido no solo por pressão estática e constante e


retirado quando estiver cheio. A camisa é então liberada do cabeçote, selada
e enviada ao laboratório. Este tipo de amostrador é usado para extração de
amostras em solos moles.

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2.4 - CUIDADOS A SEREM TOMADOS E DIMENSIONAMENTO
DA AMOSTRA

Amostra deformada: Toda e qualquer matéria, orgânica ou não, estranha ao


solo deverá ser excluída da amostra. Se esta operação for difícil de ser
realizada no campo deve-se informar sobre a existência dessa matéria, para
que no laboratório sejam tomadas as providências necessárias.

Amostra indeformada: Os cuidados a serem tomados com essas amostras


devem ser maiores do que aqueles com uma amostra deformada indo desde
a abertura do poço até sua utilização em laboratório. Estes cuidados com a
amostra permitem a manutenção do teor de umidade e da estrutura do solo
“in situ”.

O dimensionamento da amostra a ser retirada é função do tipo e do número


de ensaios que serão realizados, bem como, da condição atual e futura do
local da amostragem.

Para o dimensionamento de uma amostra deformada deve-se partir da massa


de sólidos estimada para cada ensaio e calcular o total necessário. Para se
chegar na massa de solo que deverá ser retirada, será preciso conhecer o
teor de umidade da jazida, o que poderá ser feito por uma estimativa visual
e táctil ou através de um processo rápido.

Para uma amostra indeformada deve-se partir das dimensões dos corpos de
prova e assim chegar-se ao número e às dimensões necessárias de cada
bloco.

Será preciso levar em consideração que durante a realização dos ensaios


poderá ocorrer uma perda de material e que alguns ensaios deverão ser
repetidos. Além disso, a condição do local após a amostragem poderá não
permitir a retirada de novas amostras, bem como, a sua distância até o
laboratório e a movimentação do pessoal e equipamento para a amostragem
trarão custos adicionais a obra. Assim uma sobra de material no laboratório,
desde que, não excessiva é sempre preferível a uma falta de material.

Amostra deformada: A NBR 6457/86 – “Preparação de amostras para


ensaios de compactação e ensaios de caracterização”, indica as quantidades
apresentadas na Tabela 2.4, para preparação de amostras para os ensaios de
compactação e de caracterização, para solos que tenham partículas menores
que 4,8mm (# 4).

22
Tabela 2.1 – Quantidade de solo para os ensaios de compactação e
caracterização

Amostra indeformada: Para amostras indeformadas o dimensionamento


está diretamente relacionado ao tipo e a dimensão do amostrador a ser usado
no momento da coleta de amostra.

Na amostragem de bloco, este deve ter forma cúbica com lados variando
entre 20 e 30cm, o que permitirá a retirada de 9 a 18 C. P. (corpos de
prova), com 5,0 cm de diâmetro e 12,5 cm de altura, desde que o solo esteja
em boas condições.

O bloco não deverá ter lado menor do que 20,0 cm, pois isso diminuirá e
muito o número de corpos de prova com as dimensões já citadas, nem
deverá ter dimensão maior do que 30,0 cm, pois isso aumentará o seu peso,
dificultando o manuseio em campo e no laboratório, com um risco maior de
alteração estrutural.

O solo que é retirado do bloco durante a moldagem dos corpos de prova é


suficiente para se realizar os ensaios de classificação do solo.

23
2.5 - ANÁLISE TÁCTIL VISUAL DO MATERIAL COLETADO

O solo é um dos materiais cujas propriedades são estudadas ao longo do


curso de Engenharia Civil, assim como o aço e o concreto. Enquanto o aço e
o concreto podem ser considerados homogêneos, em face de um processo
de fabricação que permite controlar tanto a qualidade quanto a quantidade
de seus componentes, o solo é um material heterogêneo, pois que, nenhum
processo de controle ocorre durante a sua formação. Devido a essa não
homogeneidade é que se pode afirmar serem os solos materiais
pontualmente diferentes, originando disso a importância dos resultados de
ensaios, tanto in situ quanto em laboratório, e o reconhecimento de que a
Mecânica dos Solos é uma ciência cujos dados devem ser obtidos, de
preferência, experimentalmente.

Os ensaios in situ e em laboratório apresentam, cada um deles, vantagens e


desvantagens. Em um ensaio in situ, o resultado leva em consideração as
características estruturais do solo, suas eventuais descontinuidades, o que
pode não acontecer em um ensaio de laboratório em face das dimensões
reduzidas dos corpos de prova.

No laboratório pode-se ter um maior controle das condições limites do


ensaio, do material ensaiado e da precisão das medidas realizadas, além da
possibilidade de se repetir aqueles ensaios cujos resultados forem
considerados não satisfatórios.

Um outro fator a ser levado em conta é o econômico, com os ensaios in situ


sendo mais caros do que os correspondentes ensaios de laboratório, mesmo
com o custo adicional de obtenção de amostras indeformadas.

2.5.1 - TIPOS DE AMOSTRAS

O solo pode ser definido como todo material encontrado na superfície da


crosta terrestre, podendo ser facilmente removido por uma ferramenta
qualquer e formado por um conjunto discreto de partículas (geralmente
minerais, mas algumas vezes, contendo matéria orgânica) e quantidade
variáveis de um líquido e um gás, geralmente, água e ar.

24
Em função do tamanho das partículas, os solos podem ser divididos em dois
grupos: solos grossos ou materiais granulares (areias e pedregulhos) e solos
finos (argilosos e siltosos), propriamente ditos.

 Solos Grossos – mais de 50%, em massa, das partículas são


visíveis a olho nu. O tamanho das partículas estão entre 0,075mm e
76mm;

 Solos Finos – mais de 50%, em massa, das partículas passam na


peneira de malha 0,075mm e estes não são visíveis a olho nu.

Quanto à origem das partículas, os solos podem ser orgânicos ou


inorgânicos.

2.5.1 - CLASSIFICAÇÃO TACTIL VISUAL

A identificação de um solo, através de testes rápidos e sem a utilização de


equipamentos, é de grande importância para a engenharia geotécnica, pois
poderá ser realizada no campo e sem a necessidade das instalações de um
laboratório. Ela tem o particular interesse em agrupar solos com
características semelhantes permitindo definir o tipo e número de ensaios
necessários a sua caracterização de um modo mais correto.

ABNT NB-617 – normatiza o procedimento para a identificação das


amostras obtidas em uma sondagem de simples reconhecimento.

ASTM D-2488 – descreve os procedimentos necessários à identificação e


descrição dos vários tipos de solos, de uma forma mais geral.

Além da identificação do solo através dos testes visuais e tácteis, devem-se


apresentar informações suplementares, sempre que possível, quanto às
características geológicas, pedológicas e termos regionais usados na área em
estudo, bem como, a presença de materiais não pertencentes ao solo, a
existência de vazios macroscópicos, raízes, etc.

25
EQUIPAMENTOS E ACESSORIOS

• peneiras de aberturas 4,8mm (#4) e 0,075mm (#200)


• bisnaga de borracha (piceta)
• recipientes de vidro
• facas e espátulas
• lentes de aumento
• cápsulas de alumínio
• bandeja metálica
• destorroador (almofariz + mão de gral)

PROCEDIMENTOS A SEREM EXECUTADOS

 Teste visual e táctil


 Teste de sujar as mãos
 Teste de desagregação do solo submerso
 Teste de resistência do solo seco
 Teste de dispersão em água

Esses testes são simples e um tanto rudimentares, contudo eles são de valor
inestimável, por isso devem ser feitos com critério. A análise visual e Tátil
consta essencialmente de identificar:1 – a ocorrência ou não de matéria
estranha ao solo (raízes, pequenas conchas, matéria orgânica, etc.); 2 – a
cor natural da amostra; 3 – o teor de umidade; 4 – materiais reconhecíveis,
no caso de solo granular; 5 – odores estranhos; 6 – granulometria.
Essa sequência é praticamente simultânea e praticamente não exige
equipamento, exigindo sim, uma grande experiência no reconhecimento e
trato com o solo. Com excessão da granulometria, todas as observações
são imediatas. A classificação granulométrica usando-se equipamentos
simples, além do tato, visão e experiência, é a mais difícil e por isso existem
alguns testes básicos que são usados como procedimento de rotina no
reconhecimento das amostras.

2.5.1 - EXECUÇÃO DOS EXPERIMENTOS

A. Teste visual e tátil

Misturando-se uma pequena quantidade de solo com água, sabe-se que:

26
• as areias são ásperas ao tato, apresentam partículas visíveis a olho nu e
permitem muitas vezes o reconhecimento de minerais;

• o silte é menos áspero do que a areia, mas perceptível ao tato. Entre siltes
grossos e areia fina, a distinção é praticamente impossível, a não ser com o
auxílio de outros testes;

• as argilas, quando misturadas com água e trabalhadas entre os dedos,


apresentam uma semelhança com pasta de sabão escorregadia; quando
secas, os grãos finos das argilas, proporcionam ao tato, a sensação de
farinha.

B. Teste de sujar as mãos

Faz-se uma pasta de solo com água e esfrega-se na palma das mãos,
colocando-se, em seguida, sob água corrente:

• o solo mais arenoso lava-se facilmente, isto é, os grãos de areia limpam-se


rapidamente das mãos;

• o solo mais siltoso só se limpa depois que bastante água correu sobre as
mãos, sendo necessário sempre alguma fricção para a limpeza total;

• o solo mais argiloso distingue-se pela dificuldade de se desprender da


palma das mãos, porque os grãos, muito finos, impregnam-se na pele, sendo
necessário friccionar vigorosamente para a palma da mão se ver livre da
pasta.

C. Teste de desagregação do solo submerso

Coloca-se um torrão de solo em um recipiente contendo água, sem deixar o


torrão imerso por completo. A desagregação da amostra é rápida quando os
solos são siltosos e lenta quando os solos são argilosos.

D. Teste de resistência do solo seco

Uma amostra de solo seco agregado pode apresentar grande, média ou


nenhuma resistência, quando se tenta desfazê-la entre os dedos. Isso indica,
respectivamente, uma grande coesão, dos solos argilosos; pouca coesão para
os solos siltosos e nenhuma coesão para os solos arenosos.

27
E. Teste de dispersão em água

Para esse teste, o solo deve estar completamente desagregado, e por isso,
devem-se desfazer os torrões com o auxílio de almofariz e da mão de
borracha.

Deve-se tomar especial cuidado com os agregados de solos finos, porque


estes são muitas vezes resistentes à desagregação mecânica feita pelo
almofariz e mão de borracha, sendo necessário, para uma separação perfeita
dos grãos, a adição de defloculantes.

Coloca-se uma pequena quantidade da amostra de solo destorroado, numa


proveta com água; agita-se o conjunto, provocando assim uma dispersão
homogênea do solo na água. Deixa-se em repouso e observa-se o tempo de
deposição da maior parte de partículas constituintes da amostra:

• os solos mais arenosos assentam suas partículas em 30 a 60 segundos;

• os solos siltosos em 15 a 60 minutos;

• os solos argilosos podem levar horas em suspensão.

28
3. CAPÍTULO 3 – Índices Físicos

CAPÍTULO 3

Índices Físicos
Numa massa de solo, podem ocorrer três fases: a fase sólida, a fase gasosa e
a fase líquida. A fase sólida é formada pelas partículas minerais do solo, a
fase líquida por água e a fase gasosa compreendem todo o ar existente nos
espaços entre as partículas. Portanto, o solo é um sistema trifásico onde a
fase sólida é um conjunto discreto de partículas minerais dispostas a
formarem uma estrutura porosa que conterá os elementos constituintes das
fases líquida e gasosa. A Figura 3.1 apresenta um esquema de uma amostra
de solo em que aparecem as três fases tal qual na natureza e esta amostra
com suas fases separadas para atender a uma conveniência didática de
definição dos índices físicos.

GASOSA

LÍQUIDA

SÓLIDA

Figura 3.1- Esquema de uma amostra de solo: elemento de solo natural

29
VOLUME MASSA VOLUME MASSA

ar Gasosa Var Gasosa


Vazios Vv
água Líquida água Vw Líquida Mw
Solo Solo V Mt

sólidos Sólida sólidos Vs Sólida Ms

(a) (b)

Figura 3.2- Esquema de uma amostra de solo: diagrama de fases.

V = volume total M = Massa total


Vs = volume de sólidos Ms = Massa dos sólidos
Vv = volume de vazios Mw = Massa de água
Vw = volume de água Ma = Massa de ar (Ma = 0)
Va = volume de ar
V = Vs + Vv, onde Vv = Vw + Va Mt = Ms + Mw

As partículas sólidas do solo são pequenos grãos de diferentes minerais,


cujos vazios podem ser preenchidos por água, ar, ou parcialmente por
ambos (ar e água). Define-se mineral como uma substância inorgânica e
natural, com uma estrutura interna definida (átomos e íons) e com
composição química e propriedades físicas fixas ou variam dentro de limites
definidos. As partículas sólidas dos solos grossos são constituídas por
silicatos (feldspatos, micas, olivinas, etc.), óxidos (quartzo), carbonatos
(calcita, dolomita), sulfatos (limonita, magnetita). Já os solos finos são
constituídos por silicatos de alumínio hidratado (argilo-minerais).

Em outras palavras, o volume total da massa de solo (V) consiste do volume


de partículas sólidas (Vs) e do volume de vazios (Vv). O volume de vazios
é geralmente formado pelo volume de água (Vw) e pelo volume de ar (Va).
A Figura 3.2 mostra um diagrama de fase no qual cada uma das três fases é
apresentada separadamente. No lado esquerdo, usualmente indicamos o
volume das três fases e, no lado direito, os pesos correspondentes às fases.

Como o peso específico do ar é muito pequeno quando comparada as


massas específicas da água e dos sólidos, a massa da fase gasosa (Ma) será
sempre desprezado no cálculo da massa do solo.

30
Os índices físicos são definidos como grandezas que expressam as
proporções entre pesos e volumes em que ocorrem as três fases presentes
numa estrutura de solo. Estes índices possibilitam determinar as
propriedades físicas do solo para controle de amostras a serem ensaiadas e
nos cálculos de esforços atuantes.

Os índices físicos dos solos são utilizados na caracterização de suas


condições, em um dado momento e por isto, podendo ser alterados ao longo
do tempo. Seus nomes, simbologia e unidades devem ser aprendidos e
incorporados ao vocabulário de uso diário do geotécnico.

Nos itens seguintes, serão definidos os índices físicos, separando-os em três


grupos, conforme definição anterior, bem como, apresentadas fórmulas de
correlação entre os mesmos e a maneira experimental de obter alguns deles.
Índices físicos, granulometria e limites de consistência formam as
propriedades índices que são aplicadas na classificação e identificação dos
solos, uma vez que elas podem ser correlacionadas, ainda que
grosseiramente, com características mais complexas do solo, como por
exemplo, a compressibilidade e resistência.

3.1 - RELAÇÃO DE FASES

As relações apresentadas a seguir constituem uma parte essencial da


Mecânica dos Solos e são básicas para a maioria dos cálculos desta ciência.

3.1.1 - RELAÇÃO ENTRE PESOS OU MASSAS

a) Teor de umidade (w , h) O teor de umidade de um solo é determinado


como a relação entre a massa de água (Mw) e a massa das partículas sólidas
(Ms) em um volume de solo. De acordo com a simbologia mostrada na
Figura 3.2, tem-se: w = (Mw/Ms) x100 (%)

O teor de umidade pode assumir o valor de 0% para solos secos (Mw = 0)


até valores superiores a 100% em solos orgânicos. Entretanto, na natureza é
comum e típico encontrarmos valores de umidade até 40% para solos
geralmente utilizados como material de construção.

31
É importante ressaltar que alguns autores preferem apresentar as relações
em forma de peso, donde é necessário atentar-se para a transformação do
parâmetro massa-peso, bem como as unidades de medida dos mesmos.

Logo temos as seguinte relação: P = m.g (P=peso; m=massa; g = aceleração


da gravidade).

Por exemplo, uma pessoa com a massa igual a 57 kg possui o seguinte peso
na terra:

P = m * g → P = 57 * 9,8 → P = 558,6 N ou 0,5586 kN; onde N = Newton

3.1.2 - RELAÇÃO ENTRE VOLUMES

Existem três relações volumétricas que são muito utilizadas na Engenharia


Geotécnica e podem ser determinadas diretamente do diagrama de fases da
Figura 3.2.

a) Índice de vazios (e) : É a relação entre o volume de vazios (Vv) e o


volume dos sólidos (Vs), existente em igual volume de solo. Este índice tem
como finalidade indicar a variação volumétrica do solo ao longo do tempo,
tem-se:

e = Vv/Vs

O índice de vazios será medido por um número natural e deverá ser,


obrigatoriamente, maior do que zero em seu limite inferior, enquanto não há
um limite superior bem definido, dependendo da estrutura do solo. O
volume de sólidos permanecendo constante ao longo do tempo, qualquer
variação volumétrica será medida por uma variação do índice de vazios, que
assim poderá contar a história das tensões e deformações ocorridas no solo.
Exemplo de valores típicos do índice de vazios para solos arenosos podem
situar de 0,4 a 1,0; para solos argilosos, variam de 0,3 a 1,5. Nos solos
orgânicos, podemos encontrar valores superiores a 1,5.

É possível determinar experimentalmente o índice de vazios em três


situações: no estado natural (enat), no estado compactado (emín) e no
estado fofo (emáx). O método de ensaio recomendado é o preconizado pela
NBR 12051/91 – Método B (Figura 3.3).

32
Figura 3.3- Equipamento para execução do ensaio de índice de vazios.

b) Porosidade (η)

É a relação entre o volume dos vazios (Vv) e o volume total (V) da amostra,
tem-se:

η = (Vv/V) . 100 (%)

A porosidade é expressa em porcentagem, e o seu intervalo de variação é


entre 0 e 100%, comumente encontrados valores entre 30 a 70%. Das
equações apresentadas mais adiante podemos expressar a porosidade em
função do índice de vazios e vice versa, através das equações apresentadas
abaixo:

η = e / (1 + e) ou e = η / (1 - η)

A porosidade e o índice de vazios podem ser classificados segundo a tabela


a seguir:

33
Tabela 3.1- Classificação da porosidade e do índice de vazios nos solos

Porosidade (%) Índice de vazios Denominação


>50 >1 Muito alta
45 – 50 0,80 – 1,00 Alta
35 – 45 0,55 – 0,80 Média
30 – 45 0,43 – 0,55 Baixa
< 30 < 0,43 Muito baixa

c) Grau de saturação (S ou Sr)

O grau de saturação indica que porcentagem do volume total de vazios


contem água. Se o solo está completamente seco, então Sr = 0%, se os poros
estão cheios de água, então o solo está saturado e Sr = 100%. Para solos
parcialmente saturados, os valores de “Sr” situam-se entre 1 e 99%.

Sr = (Vw/Vv) . 100 (%)

O grau de saturação, pode ser classificado em:

Tabela 3.2 - Classificação do solo quanto ao grau de saturação

Grau de saturação (%) Denominação


0 – 25 Naturalmente seco
25 – 50 Úmido
50 – 80 Muito úmido
80 – 95 Saturado
95 - 100 Altamente saturado

3.2 - RELAÇÃO ENTRE PESOS E VOLUMES

Antes de definir as relações existentes, é importante ressaltar a diferença


existente entre “densidade” e “massa específica”. A massa específica,
embora definida de forma análoga à densidade, contudo para um material e
não um objeto, é propriedade de uma substância e não de um objeto. Supõe-
se pois que o material seja homogêneo e isotrópico ao longo de todo o
volume considerado para o cálculo, e que este seja maciço.

34
Um objeto oco pode ter densidade muito diferente da massa específica do
material que os compõem, a exemplo os navios. Embora a massa específica
do aço seja maior do que a massa específica da água, a densidade de um
navio - assumido uma estrutura "fechada", é certamente menor do que a da
água. De um modo geral, o conceito de massa específica é empregado
quando temos corpos homogêneos, enquanto que o conceito de densidade é
empregado quando temos corpos heterogêneos, como é o caso do solo que
possui em sua composição vários tipos de minerais, fluidos (em geral água)
e gases (geralmente ar).

É comum apresentação de densidade (ou massa volumétrica) de um corpo,


definida como o quociente entre a massa (m) e o volume (v) desse corpo.
Desta forma pode-se dizer que a densidade mede o grau de concentração de
massa em determinado volume. O símbolo para a densidade é ρ (a letra
grega ró), e a equação que rege o mesmo é ρ = m/v, a unidade no
SI é quilograma por metro cúbico (kg/m³) ou grama por centímetro cúbico
(g/cm³).

Na Engenharia Geotécnica, comumente utiliza-se o termo “peso específico”


“γ”, conhecido como “gama”, onde se relaciona o peso das diferentes fases
(m*g) com seus volumes correspondentes (V), considerando a ação da
gravidade ou de massas específicas ρ.

A equação que representa esse índice é dado por γ = P/V. A unidade de


medida em geral é kN/m³ (kilonewton por metro cúbico).

Para utilização da equação acima, é necessário realizar a transformação


inicialmente da massa do material (m), geralmente apresentada em grama
(g) ou quilo (kg), para Newton (N) – unidade de intensidade de força – que
corresponde à força exercida sobre um corpo de massa igual a 1kg que lhe
induz uma aceleração de 1 m/s² na mesma direção e sentido da força.

Por exemplo, se considerarmos a aceleração da gravidade (g) corresponde a


9,8m/s², (em geral utiliza-se 10m/s²) temos:

Massa (m) = 1 kg  Peso (P) = m.g  P = 1 * 9,8 = 9,8 N ou

Massa (m) = 1 g  Peso (P) = m.g  P = 0,001 * 9,8 = 0,0098 N

Sabendo que 1 N = 0,001 kN (Kilonewton); então 1g = 0,0000098 kN

35
Como as unidades de volume geralmente são expressas em cm³ (centímetro
cúbico) ou m³ (metro cúbico), então a transformação de Massa Específica
(ρ) para Peso Específico (γ) é dado por:

Exemplo:

Massa específica (ρ) = 2,67 g/cm³ , como 1g = 0,0000098 kN, e 1 cm³ =


0,000001m³, então: Massa = 2,67 g ; Volume = 1cm³ , assim:

Peso = 2,67 * 0,0000098 = 0,000026166 kN e Volume = 0,000001 m³

Peso específico (γ) = 0,000026166 kN / 0,000001 m³ = 26,166 kN/m³

Obs1.: Para transformar Massa específica em Peso específico, basta então


multiplicar por 9,8; ou seja, 2,67g/cm³ = 26,166 kN/m³

Obs2.: Sempre quando for apresentado valor inferior a 10, ou seja, valores
entre 0,1 e 9,9999 estes correspondem à Massas Específicas (dado em
g/cm³). Quando os valores forem superiores à 10, esses são relativos aos
Pesos Específicos (dado em kN/m³)

a) Peso específico aparente natural ou úmido (γ, γnat , γt)

É a relação entre o peso total (P) e o volume total da amostra (V) para um
valor qualquer do grau de saturação, diferente dos extremos, e utilizando-se
a simbologia da Figura 3.2, será calculado como:

γ = P/V unidades (g/cm³ , Kg/m³ , kN/m³ , t/m³ )

A magnitude do peso específico natural dependerá da quantidade de água


nos vazios e dos grãos minerais predominantes, e é utilizado no cálculo de
esforços. Experimentalmente é possível determinar esse parâmetro, da
seguinte maneira:

PARA AMOSTRA COM FORMA DEFINIDA


 De um corpo-de-prova cilíndrico, já talhado para ensaios usuais de
laboratório, fazem-se determinações do diâmetro e da altura para
cálculo do volume (V);
 Pesa-se o Corpo-de-Prova (Massa); pode-se determinar o peso,
multiplicando pela ação da gravidade (9,8m/s²); obtendo-se o peso
do material (P);

36
PARA AMOSTRA COM FORMA INDEFINIDA
 Para uma amostra de forma não-definida, utiliza-se o recurso da
Lei de Arquimedes para determinação do volume.

Figura 3.4- Determinação da densidade a partir do princípio de Arquimedes.

b) Peso específico aparente seco (γd)

É a relação entre o peso dos sólidos (Ps) e o volume total da amostra (V),
para a condição limite do grau de saturação (limite inferior - Sr = 0%), tem-
se:

γd = (Ps/V) unidades (g/cm³ , Kg/m³ , kN/m³ , t/m³ )

O peso específico aparente seco é empregado para verificar o grau de


compactação de bases e sub-bases de pavimentos e barragens de terra. É
obtido experimentalmente por meio do ensaio de compactação do solo, e
determinação da umidade a qual foi utilizada para compactar, detalhado
melhor no capítulo que trata sobre Compactação.

c) Peso específico saturado (γsat)

É a relação entre o peso total (P) e o volume total (V), para a condição de
grau de saturação igual a 100%, tem-se:

γ = (Psat/V) unidades (g/cm³ , Kg/m³ , kN/m³ , t/m³ )

37
Em nenhuma das condições extremas levou-se em consideração a variação
do volume do solo, devido ao secamento ou saturação.

É importante ressaltar que nem sempre um material que está submerso


estará completamente saturado, principalmente materiais argilosos.
Entretanto, na Engenharia Geotécnica, é comum considerar que materiais
submersos estejam saturados, estando assim favorável à segurança, pois
considerando um material com condição saturada, apresentará ação da água
em aproximadamente 100% dos espaços vazios do solo.

d) Peso específico real dos grãos ou sólidos (γs , δ) (NBR 6508/84)

É a relação entre o peso dos sólidos (Ps) e o volume dos sólidos (Vs),
dependendo dos minerais formadores do solo, tem-se:

γs = Ps/Vs unidades (g/cm³ , Kg/m³ , kN/m³ , t/m³ )

O valor do peso específico dos sólidos representa uma média dos pesos
específicos dos minerais que compõem a fase sólida. A Tabela 3.3 apresenta
o intervalo de variação do peso específico dos sólidos de diversos tipos de
minerais.

Tabela 3.3 - Valores de peso específico real dos grãos de alguns tipos de
minerais.

Mineral γs (g/cm³) Mineral γs (g/cm³)


Quartzo 2,65 – 2,67 Dolomita 2,85
Feldspato K 2,54 – 2,57 Caulinita 2,61 – 2,66
Feldspato Na Ca 2,62 – 2,76 Ilita 2,60 – 2,86
Muscovita 2,70 – 3,10 Montmorilonita 2,74 – 2,78
Biotita 2,80 – 3,20 Clorita 2,60 – 2,90
Calcita 2,72 Hematita 4,90 – 5,30

e) Peso específico da água (γw)

É a razão entre o peso de água (Pw) e seu respectivo volume (Vw).

γw = Pw/Vw

38
Nos casos práticos adota-se o peso específico da água como: 1g/cm³ =
10kN/m³ = 1000kg/m³.

f) Peso específico submerso (γsub , γ’)

Quando a camada de solo está abaixo do nível freático, define-se o peso


específico submerso, o qual é utilizado para o cálculo de tensões,
principalmente as tensões efetivas. É dado pela equação γsub = γsat – γw

Figura 3.5- Esquema prático da localização de camadas acima e abaixo do


nível da água.

g) Densidade real dos grãos ou sólidos (G ou Gs)

É a razão entre o peso especifico real dos grãos (γs) e o peso específico da
água a 4°C (geralmente 1,03 g/cm³ ou 10,3 kN/m³)

G = γs/γw

3.3 - FÓRMULAS DE CORRELAÇÃO

As fórmulas de definição dos índices físicos não são práticas, para a


utilização em cálculos e assim, recorre-se as fórmulas de correlação entre os
índices, como as apresentadas a seguir:

39
 sat d sub
s Sr e n w
0<Sr<100% Sr=100% Sr=0% Sr=100%

 s  Sr .e. w  s  e. w s s  w w s s e Sr .e. w


 d 1 e . 1
1 e 1 e 1 e 1 e e w d 1 e s

 s   s  Sr . w .n 1 n s   w  d 1 n  s n d n.Sr . w


 s   s   w n 1 n s .w. 1
1 n n w 1 n s 1 n s

Sr . w . s   d 
 d 1 w   s 1 w   s e  w  Sr .e. w  s. d .w  s.w  s.w
--------- e  s. d
1 e 1 e w  w  s   d  Sr . w Sr . w   s.w

Vv Vv Vw Mw Ms
e n Sr  w s   sub   sat  10kN / m3
Vs V Vv Ms Vs

40
3.4 - DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS ÍNDICES

Os índices físicos são determinados em laboratório ou mediante fórmulas de


correlação, vistas no item anterior. Em laboratório, são determinados o peso
específico natural (através do peso e volume total), o teor de umidade e o
peso específico real dos grãos.

3.4.1 - DETERMINAÇÃO DO PESO E VOLUME DE UMA


AMOSTRA

Molda-se um corpo de prova cilíndrico de solo indeformado, obtêm-se


várias medidas de diâmetro (d) e altura (h) para o cálculo do volume da
amostra de solo com os valores médios obtidos. Obter o peso total da
amostra de solo (W) com a balança.

Pode-se utilizar também para determinar o peso e o volume anéis metálicos


de dimensões conhecidas, onde são moldados no solo. Deve-se salientar que
o peso específico natural é normalmente determinado em corpos de prova já
talhados para os ensaios usuais de Mecânica dos Solos.

No controle de compactação de camadas de solo, in situ, utiliza-se para


determinar o peso específico um cilindro cortante com peso e dimensões
conhecidas que é cravado no solo (ABNT/NBR 9813/87 - Determinação da
massa específica aparente in situ com o emprego do cilindro de cravação).
No campo a determinação de γ pode ser feita, ainda, utilizando-se um frasco
ao qual se adapta um funil munido de um registro (ABNT/NBR 7185/86 -
Solo - Determinação da massa específica aparente, "in situ", com emprego
do frasco de areia), mostrado na Figura 3.6.

41
Frasco

Areia padrão

Registro
Placa de metal
Cone

Furo preenchido com areia padrão

Figura 3.6 – Frasco de areia

3.4.2 - DETERMINAÇÃO DO TEOR DE UMIDADE (W%)

O teor de umidade é obtido por diferença de peso de uma amostra de solo


antes e após a secagem em estufa. Os procedimentos adotados no
laboratório (ABNT/NBR 6457/86 - Amostras de Solo - Preparação para
ensaios de compactação e ensaios de caracterização) são:
- toma-se uma cápsula com peso conhecido (Pc)
- seleciona-se uma porção de amostra representativa (aproximadamente
50g)
- coloca-se a amostra na cápsula e pesa-se o conjunto (Pc + P)
- seca-se em estufa o conjunto até a constância do peso (24h, a 105ºC)
- pesa-se novamente o conjunto 24h após (Pc + Ps)

42
O teor de umidade (w) é calculado de acordo com a expressão:

onde:
P = peso total da amostra
Ps = peso seco
Pw = peso da água
Pc = peso da cápsula (ou tara da cápsula)

No campo utiliza-se para a determinação do teor de umidade: o processo da


frigideira (DNER-ME 086/64), o método expedito do álcool (DNER-ME
088/94 - Determinação da umidade pelo método expedito do álcool), ou o
método expedito “Speed” (Figura 3.7), (DNER-ME 052/94 - Solos e
agregados miúdos - determinação da umidade pelo método expedito
"Speedy").

Figura 3.7 - Umidímetro “Speedy”

43
3.4.3 - DETERMINAÇÃO DO PESO ESPECÍFICO REAL DOS
GRÃOS (γS)

O peso específico real dos grãos, ou sólidos, é determinado, usualmente,


empregando um frasco de vidro denominado picnômetro (balão
volumétrico), de acordo com ABNT/NBR 6508/84 - Grãos de solo que
passam na peneira de 4,8mm - Determinação da massa específica dos
sólidos.

O ensaio compara o peso de um picnômetro contendo água destilada até a


marca de calibração com o peso do mesmo picnômetro contendo solo e
água até a mesma marca, e determina-se a temperatura da suspensão e
mediante a curva de calibração do picnômetro, determinam-se o peso do
picnômetro e a água para a temperatura do ensaio.

A norma NBR 6508 (ABNT) descreve como determinar a massa específica


dos grãos de solo que passam na peneira de 4,8 mm, utilizando um
picnômetro (balão volumétrico calibrado) de 500 ml. As demais
especificam a determinação da densidade dos grãos que passam na peneira
de 2,0 mm. Entretanto, todas as normas destacam a necessidade de executar
pelo menos dois ensaios.

Balão 3 y = -0,0057x2 + 0,0915x + 635,43


R² = 0,9844
636,0

634,0
Massa (g)

632,0

630,0
0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0

Temperatura (oC)

Figura 3.8- Realização do ensaio de peso dos sólidos: calibração do balão


volumétrico.

44
O peso de água correspondente ao volume deslocado pelos grãos (sólidos)
será:
Peso do Picnômetro = P1
Peso do Picnômetro+Solo = P2
Peso do Picnômetro+Solo+Água = P3
Peso do Picnômetro+Água = P4 (obtido na curva de calibração do balão
volumétrico)

Assim:
𝑃2 − 𝑃1
𝑃4 − 𝑃1 − (𝑃3 − 𝑃2)
s = em g/cm³

Normalmente são realizadas no mínimo três determinações, fazendo variar a


temperatura e acertando o nível de água na marca de referência, com vistas
à obtenção de valor médio consistente.

A determinação do peso específico dos sólidos é muito simples, mas às


vezes adota-se um valor médio para resolução de problemas, uma vez que a
faixa de variação no caso de solos não é muito grande. Em geral para solos
arenosos, pode-se tomar γs = 2,67 g/cm³ e para solos argilosos, γs = 2,75 -
2,90 g/cm³.

3.5 - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS – ÍNDICES FÍSICOS

EXERCÍCIO 1: Uma amostra de argila saturada tem um volume de 17,4


cm³ e peso de 29,8 g. Após a secagem em estufa, o volume passou a 10,5
cm³ e o peso a 19,6 g. Pede-se para determinar os seguintes índices físicos:
w, γs, ei, ef, γdi, γdf, ηi, ηf

P = 29,0g

Ps = 19,6g

Amostra inicialmente saturada Vv=Vw


Pw = P - Ps = 29,8 - 19,6 = 10,2g

45
γw = Pw/Vw  1,0 g/cm³ = 10,2g/Vw  Vw = Vv = 10,2 cm³
Vs = V - Vw = 17,4 - 10,2 = 7,2 cm³ (não apresenta ΔV com o secamento)
w = Pw/Ps = 10,2/19,6 = 52%
γs = Ps/Vs = 19,6/7,2 = 2,72 g/cm³
ei = Vvi/Vs = 10,2/7,2 = 1,42
Vvf = Vf - Vs = 10,5 - 7,2 = 3,3 cm³
ef = Vvf/Vs = 3,3/7,2 = 0,46
γdi = Ps/V = 19,6/17,4 = 1,13 g/cm³
γdf = Ps/Vf = 19,6/10,5 = 1,87 g/cm³
ηi = Vvi/Vi = 10,2/17,4 = 58,6%
ηf = Vvf/Vf = 3,3/10,5 = 31,4%

EXERCÍCIO 2: Uma amostra com peso úmido de 100,0g de solo passante


na peneira 4,8mm (# 4) foi preparada para o ensaio de peso específico.
Desta amostra foi determinado o teor de umidade e a seguir foram
realizadas três determinações para diferentes temperaturas, para
determinação do peso específico real dos grãos, conforme pode ser
observado na planilha a seguir.

Peso Específico dos Sólidos (NBR 6508/84)


Umidade higroscópica
N° da capsula 1 2 3
tara da cápsula (g) 10,83 10,57 10,63
tara + Solo + água (g) 62,14 76,00 80,95
tara + Solo seco (g) 61,82 75,58 80,52
w (%) 0,628 0,646 0,615
wmédia (%): 0,630

Massa da amostra seca ao ar Mt(g)= 70 g


Massa total seca Ms (g)= 69,562 g

Onde Ms = Mt/(1+w)

46
MASSA ESPECÍFICA DOS GRÃOS
Picnômetro nº 1 2 3
Temperatura (ºC) 38,50 26,50 22,00
Picnômetro (g) - P1 9,00 28,00 27,00
Picnômetro+Solo(g) - P2 78,56 97,56 96,56
Pic.+Solo+Água (g) - P3 671,00 677,00 678,00
Pic. + Água (g) - P4 (obtido pela
627,75 633,58 634,68
curva de calibração do picnômetro)
γs (g/cm³) 2,64 2,66 2,65
γsmédio = 2,65

Equações das curvas de calibração dos balões volumétricos (picnômetros)

Picnômetro 1  y = -0,0019x2 - 0,0693x + 633,23

Picnômetro 2  y = -0,0054x2 + 0,1028x + 634,65

Picnômetro 3  y = -0,0057x2 + 0,0915x + 635,43

Obs.: x = temperatura lida no momento do ensaio ; y = Peso do picnômetro


com água para a dada temperatura

Cálculo do peso específico real dos grãos:

O peso de água correspondente ao volume deslocado pelos grãos (sólidos)


será:
𝑃2 − 𝑃1
𝑃4 − 𝑃1 − (𝑃3 − 𝑃2)
s =

O parâmetro G ou Gs é dado pela relação γs/γw, ou seja, é admensional.


Assim, para o exemplo apresentado o Gs = 2,65 e γs = 2,65 g/cm³

Observar para que cada valor de peso específico determinado não difira
da média em mais que 0,02 g/cm³. Caso isso ocorra desprezar esta leitura
e fazer à média das demais.

47
EXERCÍCIO 3 - Uma amostra de solo seco tem índice de vazios e = 0,65 e
peso específico real dos grãos γs= 25 kN/m³. (a) Determine seu peso
específico natural (γ). (b) em seguida foi adicionada água a amostra até
atingir o grau de saturação S = 60%. O valor do índice de vazios não
mudou. Determinar o teor de umidade (w) e o peso específico natural (γ).

Resposta: γ = γd = 15,15 kN/m3; w = 15,6%; γ = 17,51 kN/m³

EXERCÍCIO 4 - Uma amostra de argila saturada, da cidade do México,


tem o teor de umidade inicial de 300%. Depois de adensada seu teor de
umidade passa a ser 100%. Sabendo-se que peso específico real dos grãos é
de 26,5 kN/m³, determinar seu peso específico aparente seco (γd) antes e
depois do adensamento, e a variação de volume total da amostra de 28,137
cm³.
Resposta: γdi = 2,96 kN/m³; γdf = 7,26 kN/m³; ΔV = -16,665 cm³

EXERCÍCIO 5 - Uma amostra de areia seca tendo um peso específico


natural de 18,8 kN/m³ e uma densidade real dos grãos G = 2,7, é colocada
na chuva. Durante a chuva o volume permaneceu constante, mas o grau de
saturação cresceu 40%. Calcule o peso específico aparente úmido e o teor
de umidade do solo após ter estado na chuva.

Resposta: Se o material está seco, então γd = γn ; e = (γs/ γd)-1 = 0,436

Se não há variação de volume, então o índice de vazios permaneceu o


mesmo, e=0,436; se γd = Ms/Vt, e se ΔV=0, logo Vt permanece constante.
Se Ms não muda, logo γd também não muda. Assim, S.e = γs . w  0,4 .
0,436 = 2,7 . w , logo w=6,46%. Se γd = γn/(1+w), então γn = 2,00g/cm³
após chover, ou seja, esse é o γsat, para Sr=40%

EXERCÍCIO 6 - Um solo saturado tem peso específico aparente natural


igual a 19,2 kN/m³, e um teor de umidade de 32,5%. Determine o índice de
vazios e a densidade real dos grãos.

Resposta: Como não há indicação de volumes, vamos usar volume total


unitário. Assim, para cada 1cm³ , teremos 1,92g de Solo+água (pois γn =
1,92g/cm³), ou seja, se γn = Mt/Vt temos que 1,92 = Mt/1  Mt = 1,92g

Se a umidade é 32,5%, para volume unitário e considerando densidade da


água =1g/cm³, temos que: Ms = Mt/(1+w)  Ms = 1,92/(1+0,3235), logo
Ms=1,45g (massa sólida unitária). Se Mt = 1,92g e Ms = 1,45g, então Mw =
0,47g. Se γw = 1,0g/cm³, então Vw = 0,47cm³, esse também é o Volume de

48
vazios, pois o enunciado traz a informação de que o solo está saturado.
Logo Vv=Vw=0,47cm³

Utilizando a equação da porosidade, n = Vv/Vt, temos que n = 47%.


Correlacionando com o índice de vazios, temos: e = n/(1-n), logo e =
0,47/(1-0,47)  e = 0,89

Se e = 0,89 e γd = γn/(1+w), então: γd=1,92/(1+0,325)  γd=1,45g/cm³.


Logo, se aplicarmos a correlação entre e, γd e γs, temos que e =(γs/ γd)-1.
Assim, obtemos γs = 2,74g/cm³

EXERCÍCIO 7 - Uma jazida a ser empregada em uma barragem tem solo


com peso específico seco γd médio de 17 kN/m³. Um aterro com 200.000
m³ deverá ser construído com um peso específico seco médio de 19 KN/m³.
Foram determinadas as seguintes características do solo: teor de umidade
igual a 10% e peso específico real dos grãos igual a 26,5 kN/m³.

Determinar: (a) O volume do solo a ser escavado na jazida para se obter os


200.000 m³ para o aterro; (b) O peso do solo úmido a ser escavado, em
toneladas; (c) O peso do solo seco a ser escavado, em toneladas.

Resposta: Considerando que não haverá mudança de umidade do material


escavado para o aterro construído, e se na JAZIDA γd = 17 kN/m³ e w =
10% então γn = 18,7kN/m³

Se no ATERRO, γd = 19kN/m³ e o Vtaterro = 200.000m³, então γd =


Ms/Vtaterro  Ms = 3.800.000kN ou 380.000t

Se γdjazida = 17kN/m³ e Ms = 3.800.000kN, então Vtjazida = 223.529,41m³


(material escavado para construir 200.000m³ de aterro)

Se γn = Mt/Vt e γn = 18,7kN/m³ e Vtjazida = 223.529,41m³, então Mtjazida =


4.180.000 kN ou 418.000 t (essa será a massa escavada para construir o
aterro de 200.000m³).

EXERCÍCIO 8 - Deseja-se construir um aterro com material argiloso com


uma seção de 21m² e 10 Km de comprimento, com índice de vazios igual a
0,70. Para tanto será explorada uma jazida localizada a 8,6 Km de distância
do eixo do aterro, cujos ensaios indicaram: índice de vazios (amostra
indeformada) = 0,398, índice de vazios (amostra amolgada) = 0,802, teor de
umidade = 30% e densidade real dos grãos = 2,6. Determinar: (a). Quantos
metros cúbicos de material deverão ser escavados na jazida para construir o

49
aterro; (b) Quantas viagens de caminhões caçamba de 6m³ de capacidade
serão necessárias para executar o aterro.
JAZIDA ATERRO
NATURAL SOLTO (escavado) ecompact = 0,70
enat 0,398 esolto=0,802 Vtcompact=210.000m³
w=30% w=30% w = 30%
γs=2,6g/cm³ γs=2,6g/cm³ γs=2,6g/cm³
RESPOSTA
e = (γs/ γd)-1 e = (γs/ γd)-1 e = (γs/ γd)-1
γd=1,86g/cm³ γd=1,44g/cm³ γd=1,53g/cm³
γnescav= γd(1+w) γnsolto= γd(1+w) γncompact= γd(1+w)
γnescav = 2,42g/cm³ γnsolto = 1,87g/cm³ γncompact = 1,99g/cm³

Como Ms = Como Ms = Como γd=Ms/Vtcompact


3.213.000kN, obtido 3.213.000kN, obtido Ms = 3.213.000kN
no ATERRO. Mt não no ATERRO. Mt não Mt = Ms (1+w)
muda, pois a umidade muda, pois a umidade Mt = 4.176.900kN
é constante nas 3 é constante nas 3
etapas então: etapas então:
γnescavado = γnsolto = Mt/Vtsolto
Mt/Vtescavado Vtsolto = 223.363,6m³
Vtescavado = 172.599m³ Viagens =
Vtsolto/capacidade
veículo
Viagens = 37.228

EXERCÍCIO 9 - Serão removidos 220.000 m³ de solo de uma jazida. O


solo seco tem “in situ”, índice de vazios igual a 1,2. Solicita-se determinar:
(a) Quantos m³ de aterro com índice de vazios = 0,72 poderão ser
construídos; (b) Qual o peso total do solo transportado, sabendo-se que a
densidade dos grãos é de 2,7?

Resposta: VAterro = 172.000 m³; W = 270.000 t

EXERCÍCIO 10 - Uma amostra de argila colhida em um amostrador de


parede fina apresentou peso de 158,3g, depois de seca em estufa a 105ºC
durante 24 horas, seu peso passou de 108,3g. O volume da amostra era de
95,3 cm³ e o peso específico real dos grãos de 27,5 kN/m³. Determinar o
teor de umidade, o volume da fase sólida, o volume da água, o grau de
saturação e o peso específico aparente seco, saturado e submerso dessa
argila.

50
Resposta: w = 46,17%; Vs = 39,38 cm³; Vw = 50 cm³; S = 89,41%; γd =
1,14 g/cm³; γsat=1,66g/cm³, γsub = 0,66g/cm³

EXERCÍCIO 11 - Uma amostra de areia no estado natural apresenta um


teor de umidade igual a 12%, tem um índice de vazios de 0,29, pesa 900 g e
o seu volume é igual a 450 cm³. Determinar o peso específico aparente seco
e a densidade das partículas sólidas.

Resposta: γd = 1,79g/cm³; Gs = 2,31 ou γs = 2,31 g/cm³

EXERCÍCIO 12 - De uma quantidade de solo W = 22 kg e volume


respectivo V = 12,2 litros, extrai-se uma pequena amostra, para qual
determina-se: peso úmido de 70g, peso seco de 58g e peso específico real
dos grãos de 2,67 g/cm³. Calcule: teor de umidade, peso dos sólidos, peso
de água, volume dos sólidos, volume de vazios, índice de vazios,
porosidade, grau de saturação, peso específico aparente natural, e agora
admitindo-se que o solo esteja saturado, determine o teor de umidade e o
peso específico saturado.

Resposta: Se Mt = 22kg = 22.000g; Vt = 12,2l = 12.200cm³

w = 20,69% , assim, Ms = 22.000g/1+0,2069 = 18.228,52g.

γd = Ms/Vt, logo γd=18.228,52/12.200 = γd = 1,49g/cm³

Massa de água (Mw) = Mt – Ms = 22000 – 18.228,52 = 3.771,48g

Volume dos Sólidos (Vs) = Ms/ γs  Vs = 18.228,52/2,67  Vs =


6.827,16cm³

Volume de Vazios (Vv) = Vt – Vs  Vv = 12.200 – 6.827,16 =


5.372,84cm³

Índice de vazios (e) = Vv/Vs  e = 5.372,84/6.827,16 = 0,79

Porosidade (n) = Vv/Vt * 100 = 44,04%

Saturação (Sr) = Vw/Vv  Considerando γw = 1,0g/cm³ e Mw =


3.771,48g, temos que Vw = 3.771,48cm³. Sr = 3.771,48/5.372,84 = 70,19%

Densidade Natural (γn) = Mt/Vt  22.000/12.200 = 1,80g/cm³

51
Admitindo Sr = 100%, determinar w e γsat. Pela correlação Sr. e = γs . w,
temos que w = 29,59% γsat = γs(1+w)/(1+e)  γsat = 1,93g/cm³

EXERCÍCIO 13 - Uma amostra de areia com volume de 2,9 litros, pesou


5,2 kg, Os ensaios de laboratório para a determinação da umidade natural,
do peso específico real dos grãos forneceram os seguintes resultados:

Umidade: - peso úmido = 7,79 g; peso seco = 6,68 g; Peso específico real
dos grãos = 2,67g/cm³

Calcule para esta amostra: teor de umidade, peso dos sólidos, peso de água,
volume dos sólidos, volume de vazios, índice de vazios, porosidade e grau
de saturação.

Resposta: Mt = 5,2kg = 5.200g ; Vt = 2,9 l = 2.900cm³

Umidade (w%) = (Mw/Ms)*100 [(7,79 – 6,68)/6,68]*100 = 16,62%

Massa dos Sólidos (Ms) = Mt/ (1+w)  5.200 / (1+0,1662) = 4.458,93g

Massa de água (Mw) = Mt – Ms  Mw = 5.200 – 4.458,93 = 741,07g

Volume dos sólidos (Vs) = Ms / γs  Vs = 4.458,93 / 2,67 = 1.670 cm³

Volume de vazios (Vv) = Vt – Vs  Vv = 2900 – 1.670 = 1.230cm³

Índice de vazios (e) = Vv/Vs  e = 1.230/1.670 = 0,74

Porosidade (n) = Vv/Vt  n = 1.230/2.900 = 0,4242 ou 42,42%

Saturação (Sr) = (Vw/Vv)*100  (741,07/1.230)*100 = 60,25%

EXERCÍCIO 14 - O peso específico aparente natural de um solo é 1,75


g/cm³ e seu teor de umidade 6%. Qual a quantidade de água a adicionar, por
metro cúbico de solo para que o teor de umidade passe a 13% (admitir
constância do índice de vazios)?

Resposta: Considerando Volume unitário, V = 1m³, para cada 1m³, tem-


se 17,5KN de massa (Mt). Sabendo que w = 6%, Ms = 17,5/(1+0,06) = Ms
= 16,51KN

52
Se Mt = 17,5 e Ms = 16,51, então Mw = 0,99KN.

Acréscimo de água = 7%, logo w = Mw/Ms *100  0,07 = Mw/16,51*100


 Mw =1,16kN

Considerando γw = 10KN/m³, o volume de água acrescentado será de


0,116m³ = 116 litros

EXERCÍCIO 15 - De um corte são removidos 180.000 m3 de solo, com


um índice de vazios e = 1,22. Quantos metros cúbicos de aterro com 0,76 de
índice de vazios poderão ser construídos?
Resposta: Adotando γs = 2,65g/cm³, então é possível relacionar índice de
vazios com γs e γd. Assim, para o CORTE, temos que ecorte= (γs / γdcorte)
-1  γdcorte = 1,19g/cm³; para o ATERRO, é possível fazer o mesmo, logo
eaterro= (γs / γdaterro) -1  γdaterro = 1,51g/cm³

Como γd = Ms/Vt sabendo que Vt = 180.000m³, temos que Ms =


2.142.000 kN (esse valor não muda, independente se o solo foi escavado ou
aterrado)

Assim, γdaterro = Ms/Vtaterro  Vtaterro = 2.142.000 / 15,1  Vtatrerro


= 141.854,3m³

53
4. CAPÍTULO 4 – Textura e Estrutura dos Solos

CAPÍTULO 4

Textura e Estrutura dos Solos

4.1 - TAMANHO E FORMA DAS PARTÍCULAS

Entende-se por textura o tamanho relativo e a distribuição das partículas


sólidas que formam os solos. O estudo da textura dos solos é realizado por
intermédio do ensaio de granulometria, do qual falaremos adiante. Pela sua
textura os solos podem ser classificados em dois grandes grupos: solos
grossos (areia, pedregulho, matacão) e solos finos (silte e argila). Esta
divisão é fundamental no entendimento do comportamento dos solos, pois a
depender do tamanho predominante das suas partículas, as forças de campo
influenciando em seu comportamento serão gravitacionais (solos grossos)
ou elétricas (solos finos).

De uma forma geral, pode-se dizer que quanto maior for a relação
área/volume ou área/massa das partículas sólidas, maior será a
predominância das forças elétricas ou de superfície. Estas relações são
inversamente proporcionais ao tamanho das partículas, de modo que os
solos finos apresentam uma predominância das forças de superfície na
influência do seu comportamento. Conforme relatado anteriormente, o tipo
de intemperismo influencia na textura e estrutura do solo. Pode-se dizer que
partículas com dimensões até cerca de 0,001mm são obtidas através do
intemperismo físico, já as partículas menores que 0,001mm provém do
intemperismo químico.

4.1.1 - SOLOS GROSSOS

Nos solos grossos, por ser predominante a atuação de forças gravitacionais,


resultando em arranjos estruturais bastante simplificados, o comportamento
mecânico e hidráulico está principalmente condicionado a sua compacidade,
que é uma medida de quão próximas estão as partículas sólidas umas das

54
outras, resultando em arranjos com maiores ou menores quantidades de
vazios. Os solos grossos possuem uma maior percentagem de partículas
visíveis a olho nu (0,074 mm) e suas partículas têm formas
arredondadas, poliédricas e angulosas.

4.1.1.1 - PEDREGULHOS

São classificadas como pedregulho as partículas de solo com dimensões


maiores que 2,0mm (ABNT). Os pedregulhos são encontrados em geral nas
margens dos rios, em depressões preenchidas por materiais transportados
pelos rios ou até mesmo em uma massa de solo residual (horizontes
correspondentes ao solo residual jovem e ao saprolito).

4.1.1.2 - AREIAS

As areias se distinguem pelo formato dos grãos que pode ser angular,
subangular e arredondado, sendo este último uma característica das areias
transportadas por rios ou pelo vento. A forma dos grãos das areias está
relacionada com a quantidade de transporte sofrido pelos mesmos até o
local de deposição. O transporte das partículas dos solos tende a arredondar
as suas arestas, de modo que quanto maior a distância de transporte, mais
esféricas serão as partículas resultantes. Classificamos como areia as
partículas com dimensões entre 2,0mm e 0,074mm (DNER), 2,0mm e
0,05mm (MIT) ou ainda 2,0mm e 0,06mm (ABNT). As areias de acordo
com o diâmetro classificam-se em: areia fina (0,06 mm a 0,2 mm), areia
média (0,2 mm a 0,6 mm) e areia grossa (0,6 mm a 2,0 mm). O formato
dos grãos de areia tem muita importância no seu comportamento mecânico,
pois determina como eles se encaixam e se entrosam, e, em contrapartida,
como eles deslizam entre si quando solicitados por forças externas. Por
outro lado, como estas forças se transmitem dentro do solo pelos pequenos
contatos existentes entre as partículas, as de formato mais angulares, por
possuírem em geral uma menor área de contato, são mais susceptíveis a se
quebrarem.

55
4.1.2 - SOLOS FINOS

Quando as partículas que constituem o solo possuem dimensões menores


que 0,074mm (DNER), ou 0,06mm (ABNT), o solo é considerado fino e,
neste caso, será classificado como argila ou como silte.

Nos solos formados por partículas muito pequenas, as forças que intervêm
no processo de estruturação do solo são de caráter muito mais complexo e
serão estudadas no item composição mineralógica dos solos. Os solos finos
possuem partículas com formas lamelares, fibrilares e tubulares e é o
mineral que determina a forma da partícula. As partículas de argila
normalmente apresentam uma ou duas direções em que o tamanho da
partícula é bem superior àquele apresentado em uma terceira direção. O
comportamento dos solos finos é definido pelas forças de superfície
(moleculares, elétricas) e pela presença de água, a qual influi de maneira
marcante nos fenômenos de superfície dos argilo-minerais.

4.1.2.1 - ARGILAS

A fração granulométrica do solo classificada como argila (diâmetro inferior


a 0,002mm) se caracteriza pela sua plasticidade marcante (capacidade de se
deformar sem apresentar variações volumétricas) e elevada resistência
quando seca. É a fração mais ativa dos solos.

Quando suficientemente úmido, molda-se facilmente em diferentes formas,


quando seco, apresenta coesão suficiente para construir torrões dificilmente
desagregáveis por pressão dos dedos. Caracteriza-se pela sua plasticidade,
textura e consistência em seu estado e umidade naturais. Estas
características serão vistas na Unidade 5 (plasticidade e consistência dos
solos).

4.1.2.2 - SILTES

Apesar de serem classificados como solos finos, o comportamento dos siltes


é governado pelas mesmas forças dos solos grossos (forças gravitacionais),
embora possuam alguma atividade. Estes possuem granulação fina, pouca
ou nenhuma plasticidade e baixa resistência quando seco. A Figura 4.1
apresenta a escala granulométrica adotada pela ABNT (NBR 6502).

56
Figura 4.1 - Escalas granulométricas adotadas pela A.S.T.M., A.A.S.H.T.O,
M.I.T. e ABNT

57
4.2 - ANÁLISE GRANULOMÉTRICA

A análise da distribuição das dimensões dos grãos, denominada análise


granulométrica, objetiva determinar os tamanhos dos diâmetros
equivalentes das partículas sólidas em conjunto com a proporção de cada
fração constituinte do solo em relação ao peso de solo seco. A representação
gráfica das medidas realizadas é denominada de curva granulométrica. Pelo
fato de o solo geralmente apresentar partículas com diâmetros equivalentes
variando em uma ampla faixa, a curva granulométrica é normalmente
apresentada em um gráfico semi-log, com o diâmetro equivalente das
partículas em uma escala logarítmica e a percentagem de partículas com
diâmetro inferior à abertura da peneira considerada (porcentagem que
passa) em escala linear.

4.2.1 - ENSAIO DE GRANULOMETRIA

O ensaio de granulometria conjunta para o levantamento da curva


granulométrica do solo é realizado com base em dois procedimentos
distintos: a) peneiramento - realizado para partículas com diâmetros
equivalentes superiores a 0,074mm (peneira 200) e b) Sedimentação -
procedimento válido para partículas com diâmetros equivalentes inferiores a
0,2mm. O ensaio de peneiramento não é realizado para partículas com
diâmetros inferiores a 0,074mm pela dificuldade em se confeccionar
peneiras com aberturas de malha desta ordem de grandeza. Embora
existindo no mercado, a peneira 400 (com abertura de malha de 0,045mm)
não é regularmente utilizada no ensaio de peneiramento, por ser facilmente
danificada e de custo elevado.

O ensaio de granulometria é realizado empregando-se os seguintes


equipamentos: jogo de peneiras, balança, estufa, destorroador, quarteador,
bandejas, proveta, termômetro, densímetro, cronômetro, dispersor,
defloculante, etc. A preparação das amostras de solo se dá pelos processos
de secagem ao ar, quarteamento, destorroamento (vide NBR 9941),
utilizando-se quantidades de solo que variam em função de sua textura
(aproximadamente 1500g para o caso de solos grossos e 200g, para o caso
de solos finos). A seguir são listadas algumas características dos processos
normalmente empregados no ensaio de granulometria conjunta (vide NBR
7181).

58
4.2.2 - PROCESSO DE PENEIRAMENTO

A separação dos sólidos, de um solo, em diversas frações é o objetivo do


peneiramento. Este processo é adotado para partículas (sólidos) com
diâmetros maiores que 0,075mm (#200). Para tal, utiliza-se uma série de
peneiras de abertura de malhas conhecidas (Figura 3.2), determinando-se a
percentagem em peso retida ou passante em cada peneira. Este processo
divide-se em peneiramento grosso, partículas maiores que 2 mm (#10) e
peneiramento fino, partículas menores que 2mm. A tabela abaixo ilustra a
separação dessas frações.

Tabela 4.1 – Frações granulométricas segundo ABNT

Peneiramento Grosso Peneiramento Fino

Peneira Abertura(mm) Peneira Abertura(mm)


2" 50,8 16 1,19
1 1/2" 38,1 30 0,59
1" 25,4 40 0,42
3/4" 19,1 60 0,25
1/2'' 12,5 100 0,149
3/8" 9,5 200 0,074
4 4,76
10 2,00

Para o peneiramento de um material granular, a amostra é, inicialmente,


secada em estufa e seu peso determinado. Esta amostra será colocada na
peneira de maior abertura da série previamente escolhida e levada a um
vibrador de peneiras onde permanecerá pelo tempo necessário à separação
das frações. Retira-se 50 a 100g da quantidade que passa na peneira de #200
e prepara-se o material para a sedimentação.

59
Figura 4.2 – Série de peneiras de abertura de malhas conhecidas e
peneirador automático (ABNT/NBR 5734/80).

60
Exemplo 1: A planilha abaixo apresenta o resultado do processo de
peneiramento de um ensaio de granulometria de uma areia média.

61
62
Para o ensaio foram realizadas duas determinações. Uma com peso total de
sólidos, Ps1ª = 1023,10g e outra com Ps2ª = 1080,00g, usando-se a série de
peneiras indicada na planilha. As aberturas dessa série de peneiras estão
também apresentadas, onde:

- peso retido = peso de sólidos retido em cada peneira, Psi

- % retida = porcentagem retida em cada peneira em relação ao peso seco,


Pri = Psi/Ps

- % retida média = média de porcentagens retidas das duas determinações,


Prm = (Pri 1ª + Pri 2ª)/2

- Ps retido acumulado = porcentagem acumulada retida, Σ Pri

A curva granulométrica obtida para essa amostra está apresentada, a seguir:

63
Figura 4.3 – Curva granulométrica do ensaio realizado.

64
4.2.3 - PROCESSO POR SEDIMENTAÇÃO

Para os solos finos, siltes e argilas, com partículas menores que 0,075mm
(#200), o cálculo dos diâmetros equivalentes será feito a partir dos
resultados obtidos durante a sedimentação de certa quantidade de sólidos
em um meio líquido.

A base teórica para o cálculo do diâmetro equivalente vem da lei de Stokes,


que afirma que a velocidade de queda de uma partícula esférica, de peso
específico conhecido, em um meio líquido rapidamente atinge um valor
constante que é proporcional ao quadrado do diâmetro da partícula. O
estabelecimento da função, velocidade de queda - diâmetro de partícula, se
faz a partir do equilíbrio das forças atuantes (força peso) e resistentes
(resistência viscosa) sobre a esfera, resultando:

 s  w 2
v xD onde:
1800.
v = velocidade de queda
γs = peso específico real dos grãos - g/cm³
γw = peso específico do fluído - g/cm³
μ = viscosidade da água - g . s/ cm2
D = diâmetro equivalente (mm)

A equação anterior foi obtida para o caso de uma esfera de peso específico
bem definido caindo em um meio liquido indefinido, e certamente estas não
são as condições existentes no ensaio de sedimentação. As partículas não
são esféricas e o número delas é grande, o peso específico dos sólidos não é
único e o espaço utilizado é limitado, podendo ocorrer influência das
paredes do recipiente, bem como de uma partícula sobre as outras. A fim de
minimizar os erros devido às diferenças entre teoria e prática, alguns
cuidados devem ser tomados durante o ensaio. Primeiro não se deve ter uma
suspensão com uma concentração de sólidos, (peso de sólidos/volume da
suspensão) muito alta; segundo, para que não ocorra floculação e permita a
descida individual das partículas, deve-se adicionar um defloculante à
suspensão. Terceiro, a realização do ensaio fica restrito às partículas com
diâmetro entre 0,2 e 0,0002mm, para se evitar o problema da turbulência
gerada pela queda de partículas grandes e o movimento Browniano que
afeta partículas muito pequenas.

65
A velocidade de queda de uma partícula, com diâmetro “D”, é obtida de
forma indireta, como descrita a seguir. Na Figura 4.4, estão ilustrados dois
instantes da suspensão, à esquerda para o tempo t = 0, quando uma partícula
“B”, com diâmetro “D”, se situa no topo da suspensão e à direita depois de
decorrido um tempo “t” e tendo a partícula percorrido uma distância “z” a
uma velocidade uniforme “v = z/t”. Partículas com diâmetros maiores ou
menores do que “D” terão percorrido, nesse tempo “t”, distâncias maiores
ou menores do que “z”, com velocidades diferentes, independentemente de
suas posições iniciais. Pode-se assim afirmar que acima do ponto “B”, todas
as partículas terão diâmetros menores do que “D”, que será calculado pela
equação:

1800. z
D x
s  w t

A suspensão, inicialmente homogênea, com o passar do tempo vai se


tornando heterogênea, com densidades diferentes, devido à sedimentação
das partículas. A medida da densidade da suspensão, em intervalos de
tempo com a utilização de um densímetro permite determinar as distâncias
“z”. Na Figura 4.5, está mostrado um corte longitudinal de um densímetro
com a escala marcada em sua haste, a suspensão com o densímetro imerso e
a posição de leitura e a curva de calibração do densímetro, com as leituras
em abscissas e as distâncias “z”, entre o centro de volume do bulbo e cada
uma das marcas na haste, em ordenadas.

Figura 4.4 – Esquema do ensaio de sedimentação.

Da equação anterior têm-se duas grandezas, viscosidade e peso específico


do fluído, variáveis com a temperatura, será necessário manter-se esta
constante durante o ensaio ou efetuar as correções devidas.

66
Figura 4.5 – Determinação da distância “z”

A equação que permite calcular a porcentagem de partículas com diâmetros


menores do que o diâmetro “D”, calculado pela equação anterior, será
obtida a seguir. Na Figura 4.4 estão indicadas duas situações de ensaio,
onde em sua parte superior os valores mostrados refletem a situação inicial
(t = 0), quando imposta à condição homogeneidade de concentração de
sólidos na suspensão e, portanto, o peso específico em qualquer ponto será o
mesmo e igual a:

s  w Ps
  w  x
s V
Onde: Ps é o peso dos sólidos utilizado no ensaio e V é o volume da
suspensão.

Com o passar do tempo, as partículas vão se sedimentando, as maiores mais


rapidamente e com isto, alterando o peso específico da suspensão ao longo
da proveta. Assim, uma partícula “B” de diâmetro “D”, que no instante t = 0
se encontrava no topo da suspensão, após um tempo “t” percorreu uma
distância “z”, e acima desta posição nenhuma partícula terá diâmetro maior
ou igual a “D”. Enquanto abaixo existirão partículas com diâmetros
menores do que “D”. Para se determinar o peso de sólidos que tem
diâmetros menores do que “D” que é uma suspensão preparada com estas
partículas com peso “Psn” e que terá um peso específico igual a:

s  w Psn
 Susp( z, t )  w  x
s V
A porcentagem de partículas com diâmetros menores do que “D” é igual a:

67
Psn( z, t )
%  Dzt 
Ps e portanto
s v
%  Dzt  x x( L  w) xN , a parcela ( L  w) deve ser
s  w Ps
L  L
substituída por , no restante Yw continua normal.
w  Ld
Onde: γsusp (γL) será obtido, em cada instante, com o uso de um
densímetro e N é a porcentagem de partículas que passam na peneira nº 10.
Calculados os pares de valores D, (%<D) tem-se a condição de traçar a
curva do solo.

68
Exemplo 2: a planilha abaixo mostra os resultados do ensaio de
granulometria do solo residual das Minas de calcáreo, utilizando como
normativa a NBR 7181/82.

69
70
4.3 - CÁLCULOS DO ENSAIO DE GRANULOMETRIA

A seguir apresentamos o exemplo do cálculo de um par de valores da curva


de distribuição granulométrica.

Determinação da amostra total seca:

- amostra total úmida (P) = 1500g

- umidade higroscópica (w) = 0,621% (visto na Unidade 2)

- peso total da amostra seca (Ps) = 1500/(1+0,621/100)= 1490,74g

Peneiramento: só se obteve material retido a partir da peneira de 12,5 mm,


logo, as porcentagens acumuladas de material passando nas peneiras de
abertura maior que ela são iguais a 100%.

- peso de material retido na peneira de 12,5 mm (# 1/2”) = 4,73g

- peso do material retido na peneira de 9,5 mm (# 3/8”) = 8,24g

- peso do material retido na peneira de 4,8 mm (# 4) = 28,90g

- peso do material retido na peneira de 2,0 mm (# 10) = 2,73g

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 12,5mm:

Wsacum..pas.= (1490,74 – 4,73)/ 1490,74 = 1486,01/1490,74 = 0,9968 =


99,68%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 9,5mm:

Wsacum..pas.= [1490,74 – (4,73 + 8,24)]/1490,74 = 0,9913 = 99,13%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 4,8mm:

Wsacum..pas.= [1490,74 – (4,73 + 8,24 + 28,90)]/1490,74 = 0,9719 =


97,19%

71
- porcentagem total acumulada passando na peneira de 2,0mm:

Wsacum..pas.= [1490,74 – (4,73 + 8,24 + 28,90 + 2,73)]/1490,74 = 0,9701


= 97,01%

Sedimentação:

- peso úmido usado na sedimentação = 80g

- teor de umidade = 0,621%

- peso seco usado na sedimentação = [80/(1+0,621/100)] = 79,51g

Cálculo da porcentagem total acumulada passando entre as peneiras de


1,2mm (#16) e 0,0747mm (%<D):

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 1,20mm:

Psacum..pas.= [79,51 – 1,19]/79,51 x 97,01 = 78,32/79,51 x 97,01% =


95,56%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 0,60mm:

Psacum..pas.= [79,51 – (1,19 + 1,22)]/79,51 x 97,01 = 77,10/79,51 x


97,01% = 94,07%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 0,42mm:

Psacum..pas.= [79,51 – (1,19 + 1,22 + 0,92)]/79,51 x 97,01 = 76,18/79,51 x


97,01% = 92,95%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 0,25mm:

Wsacum..pas.= {[79,51 – (1,19 + 1,22 + 0,92 + 1,75)]/79,51}x97,01% =


74,43/79,51 x 97,01% = 90,81%

- porcentagem total acumulada passando na peneira de 0,15mm:

Psacum..pas.= {[79,51 – (1,19+1,22+0,92+1,75+5,4)]/79,51} x97,01% =


69,03/79,51 x 97,01% = 84,22%

72
- porcentagem total acumulada passando na peneira de 0,075mm:

Psa.p.={ [79,51 – (1,19+1,22+0,92+1,75+5,4+10,6)]/79,51} x97,01% =


58,43/79,51 x 97,01% = 71,29%

Determinação da viscosidade:

- temperatura do ensaio = 14°C

- viscosidade (μ) do meio dispersor (água) p/ 14°C = 11,98 x 10-6 g.s/cm2


(Tabela 2 - NBR 7181) ou determinada pela equação:

Onde : T = temperatura em ºC;

- peso específico do meio dispersor (água) p /14°C, γw = 0,9993 g./cm³ =


1,0 g./cm³ (Anexo –

Tabela – NBR 6458 – Adota-se γw = 1,0 g./cm³, para efeito de cálculo);

- peso específico real dos grãos (γs) = 2,785 g/cm³ (Ensaio de peso
específico - NBR 6508).

Cálculo do diâmetro dos grãos para a leitura correspondente ao tempo de


30s:

- leitura do densímetro no ensaio = 1,0320 o que corresponde a um valor de


altura de queda (z) de 13,88cm (Gráfico de calibração do densímetro). Para
esse densímetro a curva de calibração fornece as seguintes equações para o
cálculo da altura de queda (z):

- Para as três primeiras leituras: z = h = 204,8 – 185 L

- Para as demais leituras: z = h = 203,7 – 185 L,

73
onde L = leitura realizada no densímetro z = 204,8 – 185 . 1,0320 = 13,88
cm

- diâmetro equivalente dos grãos (D) para a primeira leitura

Cálculo da porcentagem de material com diâmetro menor que 0,0747mm


(%<D):

- peso específico real dos grãos (γs) = 2,785 g/cm³

- peso do material usado na sedimentação (Ws) = 79,51g

- correção da leitura do densímetro em função da temperatura (T=14°C), Ld


= 1,00505 (retirado da curva de calibração do densímetro utilizado). Para
esse densímetro dado pela equação:

Ld = -0,000004558347T2 + 0,00000490095T +1,00587579773

Ld = -0,000004558347.(14)2 + 0,00000490095.(14) +1,00587579773 =


1,00505

- leitura no densímetro no ensaio (γsusp), L = γL = 1,0320

- porcentagem em relação à amostra total seca, passando na peneira de


2,0mm (#10) = 97,01%

Portanto, a porcentagem do material, referida à amostra total seca com


diâmetro menor que

0,0747mm (%<D)

74
Obs.: Notar que W = Peso e a parcela ( L  w) deve ser substituída por
L  L
, no restante Yw continua normal.
w  Ld
As coordenadas de um ponto da curva granulométrica são:

D = 0,0074mm e (%<D=0,074) = 51,30 %

Para os tempos subsequentes, procede-se da mesma forma, determinando


para cada leitura do densímetro a altura de queda. Utiliza-se o material
passante na peneira de 2,0 mm (# 10) do ensaio de sedimentação para o
peneiramento fino.

4.4 - PROPRIEDADES QUE AUXILIAM NA IDENTIFICAÇÃO


DOS SOLOS

Os solos são identificados por sua textura, composição granulométrica,


plasticidade, consistência ou compacidade, citando-se outras propriedades
que auxiliam sua identificação, como estrutura, forma dos grãos, cor,
cheiro, friabilidade, presença de outros materiais.

4.4.1 - TEXTURA

Quanto à textura (distribuição granulométrica) os solos são classificados em


grossos e finos. Os solos grossos são aqueles nos quais mais do que 50%
dos grãos são visíveis a olho nu; são as areias e os pedregulhos. Os solos
finos são aqueles nos quais mais do que 50 % das partículas são de tal
dimensão, que não são visíveis a olho nu; são as argilas e os siltes.

75
A experiência indica que a textura, ou seja, a distribuição granulométrica é
muito importante nos solos grossos (granulares). Nestes solos a distribuição
granulométrica pode revelar o comportamento referente às propriedades
físicas do material.

Para solos com grãos menores que a abertura da peneira de nº 200


(0,075mm), a granulometria é de pouca importância para a solução dos
problemas de engenharia geotécnica.

Em função da distribuição granulométrica os solos podem ser bem ou mal


graduados. Os solos que tem seus grãos variando, preponderantemente,
dentro de pequenos intervalos, são, portanto, solos mal graduados. Os solos
que tem várias frações de diâmetro diferentes misturadas; são, portanto,
solos bem graduados.

Três parâmetros são utilizados para dar uma informação sobre a curva
granulométrica:

- Diâmetro efetivo (D10): É o ponto característico da curva granulométrica


para medir a finura do solo, que corresponde ao ponto de 10%, tal que 10%
das partículas do solo possuem diâmetro inferiores a ele.

- Coeficiente de uniformidade (Cu): Dá uma idéia da distribuição do


tamanho das partículas do solo; valores próximos de um indicam curva
granulométrica quase vertical, com os diâmetros variando em um intervalo
pequeno, enquanto que, para valores maiores a curva granulométrica irá se
abatendo e aumentando o intervalo de variação dos diâmetros. Da mesma
foram que foi definido D10 , define-se D30 e D60 .

D60
Cu 
D10

A representação da curva granulométrica em papel semilogaritmo apresenta


vantagens, pois os solos com Cu, aproximadamente iguais, serão
representados por curvas paralelas.

- Coeficiente de curvatura (Cc): Dá uma medida da forma e da simetria da


curva granulométrica e é igual a:

76
2
D30
Cc 
D60 D10

Para um solo bem graduado, o valor do coeficiente de curvatura, deverá


estar entre 1 e 3. Portanto, a distribuição do tamanho de partículas é
proporcional, de forma que os espaços deixados pelas partículas maiores
sejam ocupados pelas menores. Para solos granulares há maior interesse no
conhecimento do tamanho das partículas, visto que, algumas de suas
propriedades estão relacionadas com os mesmos, o que não ocorre com os
solos finos.

Logo, segundo a forma da curva podemos distinguir os diferentes tipos de


granulometria conforme pode ser observado na Figura 4.6.

100
90
80
1
70
% que passa

60
3 1 - Graduação descontínua
50 2
40
30
20
10 2 - Bem graduado
0
0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100
Diâmetro dos grãos (mm) 3 - Graduação uniforme

Figura 4.6 – Representação de diferentes curvas granulométricas.

77
Exemplo 3: Na figura abaixo, estão mostradas curvas granulométricas de
solos e materiais granulares.

78
(1) argila siltosa de alta plasticidade. (2) argila siltosa de alta
plasticidade
(3) argila siltosa medianamente plástica (4) argila siltosa com areia
(5) solo residual “Chumbinho” (6) areia fina a média
(7) areia média (8) areia média a grossa
(9) areia grossa

As curvas granulométricas do exemplo anterior apresentam valores para os


diâmetros específicos e coeficientes mostrados na tabela abaixo.

Tabela 4.2 – Diâmetros específicos e coeficientes de curvatura e


uniformidade.

De acordo com os valores indicados, a curva 5 é de solo desuniforme;


enquanto que as demais curvas são de solos uniformes. Os solos das curvas
5 e 6 são bem graduados, os demais são mal graduados.

4.5 - COMPACIDADE

Compacidade é a característica da maior ou menor densidade


(compactação) dos solos granulares (não coesivos). Os solos não coesivos
são as areias e pedregulhos, e quantitativamente a compacidade ou
densidade relativa é determinada pelo grau de compacidade através da
expressão:

emáx  enat
GC 
emáx  emín

emáx = índice de vazios máximo; enat = índice de vazios natural ; emín =


índice de vazios mínimo.

79
Compacidade índice de vazios

emín < enat < emáx

Compacto Fofo

Figura 4.7 – Esquema ilustrativo da Relação da compacidade com o índice


de vazios.

Determina-se o índice de vazios máximo vertendo-se simplesmente o


material seco em um recipiente de volume conhecido e pesando-se
(ABNT/NBR 12004/90).

emáx = Vv/Vs = (V - Vs)/Vs  emáx = (V - Ps/γs) / (Ps/γs)

onde:
V = volume do recipiente ; Ps = peso do solo seco ; γs = peso específico
real dos grãos

Obtém-se o índice de vazios mínimo, compactando-se o material por


vibração ou por escoamento dentro de um recipiente de volume V
(ABNT/NBR 12051/91).

emín = (V - Psc/γs) / (Wsc/γs), onde: Psc = peso do solo compactado

Em função do grau de compacidade classificam-se as areias em:

Classificação DR ou CR

Areia fofa Abaixo de 0,33

Areia de compacidade média Entre 0,33 e 0,66

Areia compacta Acima de 0,66

80
Além disso, é possível encontrar valores típicos para solos brasileiros,
conforme mostrado na tabela abaixo.

Tabela 4.3 – Valores típicos de índices de vazios

Descrição da Areia emín emáx


Areia uniforme de grãos angulares 0,70 1,10

Areia bem graduada de grãos angulares 0,45 0,75

Areia uniforme de grãos arredondados 0,45 0,75

Areia bem graduada de grãos arredondados 0,35 0,65

Qualitativamente correlaciona-se a compacidade de areias e siltes arenosos


com a resistência a penetração obtida no ensaio de penetração estática
(SPT). Segundo ABNT/NBR 7250/82, temos:

4.6 - FORMA DOS GRÃOS

Quanto à forma, as partículas dos materiais granulares, pedregulhos e


areias, se aproximam de uma esfera. A caracterização do seu tamanho
através de uma medida linear é, suficientemente, correta. Existem tabelas
que distribuem as partículas esferoidais em classes, de acordo com a forma
de sua superfície: angular, subangular, subarredondado, arredondado e bem
arredondado.

81
A forma mais comum, das partículas dos argilo-minerais formadores dos
solos argilosos é a laminar onde predominam duas dimensões, largura e
comprimento, sobre a espessura.

4.7 - ESTRUTURA DOS SOLOS

Denomina-se estrutura dos solos a maneira pela qual as partículas minerais


de diferentes tamanhos se arrumam para formá-lo. A estrutura de um solo
possui um papel fundamental em seu comportamento, seja em termos de
resistência ao cisalhamento, compressibilidade ou permeabilidade. Como os
solos finos possuem o seu comportamento governado por forças elétricas,
enquanto os solos grossos têm na gravidade o seu principal fator de
influência, a estrutura dos solos finos ocorre em uma diversificação e
complexidade muito maior do que a estrutura dos solos grossos. De fato,
sendo a gravidade o fator principal agindo na formação da estrutura dos
solos grossos, a estrutura destes solos difere, de solo para solo, somente no
que se refere ao seu grau de compacidade. No caso dos solos finos, devido a
presença das forças de superfície, arranjos estruturais bem mais elaborados
são possíveis. A fig. 3.3 ilustra algumas estruturas típicas de solos grossos e
finos.

Figura 4.8 – Alguns arranjos estruturais encontrados em solos.

4.8 - USO DA GRANULOMETRIA

Nos solos com grãos maiores do que a peneira de nº 200 (areias e


pedregulhos) a granulometria tem vários usos importantes. Por exemplo, os

82
solos bem graduados, ou seja, com uma ampla gama de tamanho de
partículas, apresentam melhor comportamento em termos de resistência e
compressibilidade que os solos com granulometria uniforme (todas as
partículas têm o mesmo tamanho).

Outra finalidade da curva granulométrica é na estimativa do coeficiente de


permeabilidade de solos de granulação grossa, especialmente no
dimensionamento de filtros. O material fino atua como ligante dos solos. O
conhecimento da curva granulométrica permite a escolha do material para
utilização em bases de rodovias e aeroportos. Porém existem várias razões
tanto práticas como teórica pelas quais, a curva granulométrica de solos
finos é mais discutível que as correspondentes a solos granulares. Os
tratamentos químicos e mecânicos que os solos naturais recebem antes de
realizar uma análise granulométrica resultam em tamanhos efetivos que
podem ser muito diferentes dos existentes no solo natural.

83
5. CAPÍTULO 5 – Plasticidade e Consistência dos Solos

CAPÍTULO 5

Plasticidade e Consistência dos Solos


Os solos que apresentam certa porcentagem da fração fina (silte e argila),
não podem ser adequadamente caracterizados pelo ensaio de granulometria.
São necessários outros parâmetros tais como: forma das partículas, a
composição mineralógica e química e as propriedades plásticas, que estão
intimamente relacionados com o teor de umidade.

Define-se plasticidade como sendo a propriedade dos solos finos que


consiste na maior ou menor capacidade de serem moldados sob certas
condições de umidade. Segundo a ABNT/NBR 7250/82, a plasticidade é a
propriedade de solos finos, entre largos limites de umidade, de se
submeterem a grandes deformações permanentes, sem sofrer ruptura,
fissuramento ou variação de volume apreciável.

As partículas que apresentam plasticidade são, principalmente, os argilo-


minerais. Os minerais como o quartzo e o feldspato não desenvolvem
misturas plásticas, mesmo que suas partículas tenham diâmetros menores do
que 0,002mm.

A influência do teor de umidade nos solos finos pode ser facilmente


avaliada pela análise da estrutura destes tipos de solos. As ligações entre as
partículas ou grupo de partículas são fortemente dependentes da distância.
Portanto, as propriedades de resistência e compressibilidade são
influenciadas por variações no arranjo geométrico das partículas. Quanto
maior o teor de umidade implica em menor resistência.

5.1 - ESTADOS DE CONSISTÊNCIA

No início do século XX, um químico sueco Albert Atterberg, realizou


pesquisas sobre as propriedades dos solos finos (consistência). Segundo ele,
os solos finos apresentam variações de estado de consistência em função do
teor de umidade. Isto é, os solos apresentam características de consistência
diferentes conforme os teores de umidade que possuem. Há teores de

84
umidade limite que foram definidos como limites de consistência ou limites
de Atterberg.

O termo consistência refere-se primariamente ao grau de resistência e


plasticidade do solo que dependem das ligações internas entre as partículas
do solo. Os solos ditos coesivos possuem uma consistência plástica entre
certos teores limites de umidade. Abaixo destes teores eles apresentam uma
consistência sólida e acima uma consistência liquida. Pode-se ainda
distinguir entre os estados de consistência plástica e sólida, uma
consistência semi-sólida.

Uma massa de solo argiloso no estado líquido (por exemplo, lama) não
possui forma própria e tem resistência ao cisalhamento nula. Retirando-se
água aos poucos, por secamento da amostra, a partir de um teor de umidade
esta massa de solo torna-se plástica, quando para um teor de umidade
constante poderá ter sua forma alterada, sem apresentar uma variação
sensível do volume, ruptura ou fissuramento. Continuando o secamento da
amostra, atinge-se um teor de umidade no qual o solo deixa de ser plástico e
adquire a aparência de sólido, mas ainda apresentando uma variação de
volume para teores de umidade decrescentes, porém mantendo-se saturado,
se encontrando no estado semi-sólido. Finalmente, a partir de um teor de
umidade, amostra começará a secar, mas a volume constante, até o
secamento total, tendo atingido o estado sólido. A Figura 5.1 mostra o
descrito anteriormente, lembrando que ΔV = Vo – Vf é igual ao volume de
água da amostra, perdido por secamento, para se passar do estado líquido ao
sólido.

Os teores de umidade correspondentes aos limites de consistência entre


sólido e semi-sólido; semi-sólido e plástico; e plástico e líquido são
definidos como limite de contração (LC), limite de plasticidade (LP) e
limite de liquidez (LL).

85
Figura 5.1 - Estados e limites de consistência.

A plasticidade de um solo argiloso está relacionada à forma de suas


partículas, e que é característica do argilo-mineral existente no solo.
Diversos autores vêm procurando correlacionar os limites de consistência
com os aspectos mineralógicos das argilas. A Tabela 5.1 mostra os valores
dos limites de consistência de alguns argilo-minerais.

Tabela 5.1 – Limites de Consistência

Limite de Limite de
Argilo- Limite de
Liquidez Plasticidade
minerais Contração (LC%)
(LL%) (LP%)

Montmorilonita 100-900 50-100 8,5 - 1,5

Ilita 60-120 35-60 15 - 17


Caulinita 30-110 25-40 25 - 29

86
5.2 - DETERMINAÇÃO EXPERIMENTAL DOS LIMITES DE
CONSISTÊNCIA

Ainda que, os limites de liquidez e de plasticidade possam ser obtidos


através de ensaios bastante simples, a interpretação física e o
relacionamento quantitativo dos seus valores, com os fatores de composição
do solo, tipo e quantidade dos minerais, tipo de cátion adsorvido, forma e
tamanho das partículas, composição da água é difícil e complexo.

5.2.1 - LIMITE DE LIQUIDES (LL) OU (WL)

No ensaio de limite de liquidez mede-se, indiretamente, a resistência ao


cisalhamento do solo para um dado teor de umidade, através do número de
golpes necessários ao deslizamento dos taludes da amostra; para um teor de
umidade igual ao limite de liquidez foram encontrados valores iguais a 2,5
kPa, valores estes muito baixos, indicando a proximidade do estado líquido
e sendo a maior parte desta resistência devida às forças atrativas entre as
partículas que por sua vez estão relacionadas a atividade superficial dos
argilo-minerais.

O limite de liquidez de um solo é o teor de umidade que separa o estado de


consistência líquido do plástico e para o qual o solo apresenta uma pequena
resistência ao cisalhamento. O ensaio utiliza o aparelho de Casagrande,
onde tanto o equipamento quanto o procedimento são normalizados
(ABNT/NBR 6459/82).

O aparelho de Casagrande, mostrado na Figura 5.2 é formado por uma base


dura (ebonite), uma concha de latão, um sistema de fixação da concha à
base e um parafuso excêntrico ligado a uma manivela que movimentada a
uma velocidade constante, de duas rotações por segundo, elevará a concha a
uma altura padronizada para a seguir deixá-la cair sobre a base. Um cinzel
(gabarito), com as dimensões mostradas na mesma figura completa o
aparelho. O solo utilizado no ensaio é a fração que passa na peneira de
0,42mm (# 40) de abertura e uma pasta homogênea deverá ser preparada e
colocada na concha; utilizando o cinzel, deverá ser aberta uma ranhura.
Conforme a concha vai batendo na base, os taludes tendem a escorregar e a
abertura na base da ranhura começa a se fechar. O ensaio continua até que
os dois lados se juntem, longitudinalmente, por um comprimento igual a

87
10,0 mm, interrompendo-se o ensaio nesse instante e anotando-se o número
de golpes necessários para o fechamento da ranhura.

Figura 5.2 – Aparelho de Casagrande após realização do ensaio.

Retirando-se uma amostra do local onde o solo se uniu determina-se o teor


de umidade, obtendo-se assim um par de valores, “teor de umidade x
número de golpes”, que definirá um ponto no gráfico de fluência. A
repetição deste procedimento para teores de umidade diversos, permitirá
construir o gráfico apresentado na Figura 5.4. Convencionou-se, que no
ensaio de Casagrande, o teor de umidade correspondente a 25 golpes,
necessários para fechar a ranhura, é o limite de liquidez.

Figura 5.3 – Ensaio Limite de Liquidez

88
Figura 5.4 – Gráfico de Limite de Liquidez

É importante ressaltar que nem apesar de todo material apresentar liquidez,


esse poderá ser extremamente baixo (por exemplo areias), impossibilitando
a determinação da umidade para 25 golpes. Assim, faz-se necessário uma
avaliação do material quanto sua textura antes da execução do mesmo, para
que análises conjuntas possam caracterizar melhor o material em questão.

5.2.2 - LIMITE DE PLASTICIDADE (LP) OU (WP)

Uma explicação para o limite de plasticidade não é tão simples, como a do


limite de liquidez, podendo-se citar, entre outras, a que sugere que o limite
de plasticidade corresponde a um teor de umidade do solo que para valores
menores do que ele, as propriedades físicas da água não mais se igualam às
da água livre ou de que o limite de plasticidade é o teor de umidade mínimo,
no qual a coesão é pequena para permitir deformação, porém,
suficientemente alta para garantir a manutenção da forma adquirida.
Independentemente, das explicações sugeridas, o limite de plasticidade é o
extremo inferior do intervalo de variação do teor de umidade no qual o solo
apresenta comportamento plástico.

O equipamento necessário à realização do ensaio é muito simples tendo-se,


apenas, uma placa de vidro com uma face esmerilhada e um cilindro padrão

89
com 3mm de diâmetro, conforme está representado na Figura 5.5. O ensaio
inicia-se rolando, sobre a face esmerilhada da placa, uma amostra de solo
com um teor de umidade inicial próximo do limite de liquidez, até que, duas
condições sejam, simultaneamente, alcançadas: o rolinho tenha um diâmetro
igual ao do cilindro padrão e o aparecimento de fissuras (início da
fragmentação). O teor de umidade do rolinho, nesta condição, representa o
limite de plasticidade do solo. O ensaio é normalizado pela NBR 7180/82.

Figura 5.5 – Determinação do Limite de Plasticidade.

Figura 5.6 – Ilustração da execução do ensaio.

É importante ressaltar que o ensaio deve ser repetido no mínimo 3 vezes,


mas é recomendado que sejam cinco, para que possa ser feita análise dos
dados e verificação da confiabilidade dos mesmos.

Assim, o procedimento deverá seguir as seguintes etapas:


 Calcula-se a média dos valores;

90
 Verificamos se existe algum valor que se afasta mais que 5% da média
calculada;
 Sim: O valor é retirado e calculada um novo valor de LP;
 Não: O valor de LP é mantido

Exemplo:

W1 = 22,3% W2 = 24,2% W3=21,8% W4= 22,5%

LP = (22,3+24,2+21,8+22,5)/4 = 22,7%

Wmínimo = LP*0,95 = 22,7 *0,95 = 21,56% Wmáximo = LP*1,05 = 22,7


* 1,05 = 23,83%

Nota-se que o valor de W2 se afasta 6,6% da média calculada (portanto >


5%) este deve ser retirado e calculado um novo LP. Assim, um novo LP
deverá ser calculado com os demais valores de umidade, ou seja;
(W1+W3+W4)/3  LP = 22,2%

5.2.3 - ÍNDICE DE PLASTICIDADE (IP)

Dos diversos índices, relacionando os limites de liquidez, de plasticidade e


às vezes o teor de umidade do solo, o mais utilizado atualmente é o índice
de plasticidade. Fisicamente representaria a quantidade de água que seria
necessário a acrescentar a um solo, para que ele passasse do estado plástico
ao líquido. Sendo definido como a diferença entre o limite de liquidez e o
limite de plasticidade, portanto, temos: IP = LL – LP

Este índice determina o caráter de plasticidade de um solo, assim, quando


maior o “IP”, tanto mais plástico será o solo. Sabe-se, ainda, que as argilas
são tanto mais compressíveis quando maior for o “IP”, podendo ser
classificados em:
- fracamente plásticos 1 < IP ≤ 7 ; - medianamente plásticos 7 < IP ≤ 15
- altamente plásticos IP > 15

91
5.2.4 - ÍNDICE DE CONSISTÊNCIA (IC)

Segundo a norma ABNT/NBR 6502/80 quanto à consistência os solos finos


podem ser subdivididos em muito moles (vazas), moles, médias, rijas e
duras. Busca situar o teor de umidade do solo no intervalo de interesse para
a utilização na prática, ou seja, entre o limite de liquidez e o de plasticidade.
As argilas moles, médias e rijas situam-se no estado plástico; as muito
moles no estado líquido e as duras no estado semi-sólido.

Quantitativamente, cada um dos tipos pode ser identificado quando se tratar


de argilas saturadas, pelo seu índice de consistência. Para determinação do
índice de consistência, Terzaghi propôs a seguinte formulação:

LL  w
IC 
LL  LP , onde: SE  w = LL, então IC = 0 ; SE  w = LP,
então IC = 1 ; SE  w < LP, então IC >1.

A estimativa da consistência das argilas poderá ser feita pelo índice de


consistência, assim, a tabela abaixo traz a classificação utilizada para tal.

Tabela 5.2 – Classificação do índice de consistência das argilas.

Índice de
Consistência
Consistência

Mole < 0,5

Média 0,5 a 0,75

Rija 0,75 a 1,0

Dura > 1,0

O índice de consistência é a relação entre a diferença do limite de liquidez


para umidade natural e o índice de plasticidade. Qualitativamente, cada um
dos tipos pode ser identificado do seguinte modo:
- muito moles: as argilas que escorrem com facilidade entre os dedos, se
apertadas nas mãos;
- moles: as que são facilmente moldadas pelos dedos;
- médias: as que podem ser moldadas pelos dedos;
- rijas: as que requerem grande esforço para serem moldadas pelos dedos;

92
- duras: as que não podem ser moldadas pelos dedos e que, ao serem
submetidas o grande esforço, desagregam-se ou perdem sua estrutura
original.

Segundo a ABNT/NBR 7250/82, a consistência das argilas e siltes argilosos


é correlacionada com o índice de resistência à penetração obtido no ensaio
de SPT, como mostra a Tabela 5.3.

Tabela 5.3 – Correlação entre SPT e consistência das argilas e siltes


argilosos.

5.2.5 - ÍNDICE DE LIQUIDEZ (IL)

Esse índice é unitário para solos com teor de umidade natural igual ao limite
de liquidez, e zero para solos que tem umidade natural igual ao limite de
plasticidade.

O índice de liquidez é indicativo das tensões vividas pelo solo ao longo de


sua história geológica. Argilas normalmente adensadas têm índices de
liquidez próximos da unidade ao passo que argilas pré-adensadas têm
índices próximos de zero. Valores intermediários para o índice de liquidez
são frequentemente encontrados. Excepcionalmente pode exceder a
unidade, como no caso das argilas extrassensíveis ou pode ser negativo,
como no caso das argilas excessivamente pré-adensadas.

O índice de liquidez de um solo, IL, é expresso por:

IL = (w-LP) / (LL – LP)


onde, w = umidade natural ; LL = limite de liquidez ; LP = limite
de plasticidade

93
5.2.6 - GRÁFICO DE PLASTICIDADE (CARTA DE
CASAGRANDE)

Figura 5.7 – Carta de Plasticidade de Casagrande

A partir do gráfico de plasticidade, obtém-se indicações de algumas


características dos solos conforme a

94
Tabela 5.4 e a Figura 5.7.

Tabela 5.4 - Características dos solos em função da razão de variação dos


limites de Atterberg

Os limites de Atterberg e os índices associados são empregados na


identificação e classificação dos solos. Frequentemente os limites são
utilizados para controlar os solos e em métodos semi-empíricos de projeto.
Os limites não fornecem características referentes a estrutura do solo, pois
esta é destruída no preparo da amostra para a determinação destes valores.

O gráfico de plasticidade de Casagrande foi proposto a partir de um grande


número de ensaios em solos pertencentes, na sua maioria, a regiões não
tropicais. Portanto para solos residuais e tropicais o gráfico é muitas vezes
inadequado

5.2.7 - ÍNDICE DE COMPRESSÃO

Terzaghi, observando que os solos são tanto mais compressíveis, quanto


maior for seu LL, propôs a seguinte expressão.

Cc  0,009.LL  10
Quanto maior Cc, maior será a possibilidade do solo ser compressível e
sofrer recalques.

Nota-se pela equação, que esse parâmetro só é possível de determinação a


partir de LL >10, ou seja, materiais com certa plasticidade. Também é

95
possível observar que quanto maiores forem os valores de LL, maiores
serão os valores de Cc; tratando assim de materiais altamente coesivos que
por sua vez possuem altos valores de compressibilidade e probabilidade de
recalcar. A figura abaixo ilustra a necessidade de determinação e
conhecimento desse parâmetro para bom desempenho das estruturas.

Com o recalque,
Alicerce colocado surgem muitas trincas
diretamente sobre
aterro

Todo tipo de aterro sofre


recalque nos primeiros 4
anos

O terreno superficial
tem folhas e raízes e
cede com facilidade

Figura 5.8 – Ilustração da importância do estudo da compressibilidade dos


solos.

96
6. CAPÍTULO 6 – Classificação e Identificação dos Solos

CAPÍTULO 6

Classificação e Identificação dos Solos


Dada a infinidade de solos que existem na natureza é necessário um sistema
de classificação que indique características geotécnicas comuns de um
determinado grupo de solos a partir de ensaios simples de identificação.

Portanto, a elaboração de um sistema de classificação deve partir dos


conhecimentos qualitativos e quantitativos existentes, ao longo do tempo ir
acumulando informações e corrigindo distorções, até que em um mesmo
grupo possam estar colocados solos com características semelhantes. No
desenvolvimento de um sistema, se deve ter o cuidado para que o volume de
informações requeridas ao usuário seja de fácil memorização, para que se
torne prático. Estas informações poderão ser obtidas, tanto através da
identificação visual e táctil como através de ensaios simples de laboratório.
A identificação fornecerá dados para um conhecimento qualitativo,
enquanto os ensaios de laboratório resultarão dados quantitativos sobre o
solo.

Conclui-se que a classificação dos solos permite resolver alguns problemas


simples e serve de apoio na seleção de um dado solo quando se podem
escolher vários materiais a serem utilizados.

Apesar das inúmeras limitações a que estão sujeitas as diferentes


classificações, estas constituem um meio prático para a caracterização e
identificação dos solos. Existem diversos sistemas de classificação, podendo
ser estes específicos ou não. Assim, tem-se um sistema com base na origem
dos solos (solos residuais, solos transportados/sedimentares, solos
orgânicos), um sistema de classificação pedológica (solos zonais,
intrazonais e azonais), um sistema com base na textura (tamanho das
partículas), um sistema de classificação visual e táctil, e sistemas que levam
em consideração parâmetros do solo (Geotécnicos - SUCS, HRB/AASHO,
MCT).

97
A seguir, serão descritos o Sistema de Classificação Textural, o Sistema
Unificado de Classificação dos Solos, o Sistema H.R.B., o Sistema de
Classificação dos Solos Tropicais (MCT) e Classificação Táctil e Visual.

6.1 - CLASSIFICAÇÃO TEXTURAL

O sistema de classificação dos solos, quanto à textura, utiliza-se da curva


granulométrica do solo e uma escala de classificação proposta por uma
associação. A curva granulométrica obtida como mostrado na Unidade 3,
define a função distribuição do tamanho das partículas do solo enquanto a
escala define a posição dos quatro grupos: pedregulhos, areias, siltes e
argilas. Não há uma escala única, em face das divergências existentes, mas
as diferenças entre elas não alteram, sensivelmente, o nome dado ao solo.

Para a classificação do solo, segundo a textura, a partir da sua curva


granulométrica, obtida em laboratório, serão determinadas as porcentagens
de cada fração do solo, que será adjetivado pela fração imediatamente
abaixo, em termos percentuais.

Exemplo: Dado o solo residual das Minas de calcáreo, o qual apresentou as


seguintes percentagens correspondentes a cada fração, segundo a escala da
ABNT.

A fração predominante é a areia, vindo a seguir a fração silte. Da


observação dos valores, nota-se que o solo possui ainda pequena
quantidades de argila, e pedregulhos. A subdivisão da fração arenosa
mostrou uma predominância da parte fina sobre as demais. Em face dos
valores obtidos e da escala adotada o solo será classificado como: areia fina
siltosa.

98
Se duas frações, não predominantes, se equivalerem em termos percentuais,
o nome do solo continua ser o da fração predominante adjetivado pelas duas
outras, conforme exemplo. Se as frações silte e argila, do exemplo anterior,
se equivalessem, com leve predominância da fração silte, o solo passaria a
receber o seguinte nome: areia fina silto-argilosa.

A cor do solo quando seco (Munsell Soil Color Charts), e a compacidade


das areias ou a consistência das argilas, são duas informações que
normalmente acompanham a classificação textural.

6.2 - CLASSIFICAÇÃO H.R.B OU A.A.S.H.O - RODOVIÁRIO

A Classificação H.R.B (Highway Research Board) ou A.A.S.H.O.


(American Association State Highway Officials) fundamenta-se na
granulometria, limite de liquidez e índice de plasticidade dos solos, sendo
proposta para ser utilizada na área de estradas. A Figura abaixo e a Tabela
6.1 apresentam esta classificação, onde os solos estão reunidos por grupos e
subgrupos.

Peneira # 200
(0,075mm)

% passante % passante
< 35% - grosso > 35% - fino
A-1, A-2 e A-3 A-4, A-5, A-6 e A-7
Figura 6.1 – Sistema de classificação H.R.B - Rodoviário

Um parâmetro adicionado nesta classificação é o índice de grupo (IG), que


é um número inteiro variando de 0 a 20. O índice de grupo define a
capacidade de suporte do terreno de fundação de um pavimento. Os valores
extremos do “IG” representam solos ótimos para IG = 0 e solos péssimos
para IG = 20. Portanto, este índice estabelece uma ordenação dos solos
dentro de um grupo, conforme suas aptidões, sendo pior o solo que
apresentar maior “IG”.

99
A determinação do índice de grupo baseia-se nos limites de Atterberg (LL e
IP) do solo e na porcentagem de material fino que passa na peneira número
200 (0,075mm). Seu valor é obtido utilizando a seguinte expressão:

IG = 0,2 . a + 0,005 . a . c + 0,01 . b . d

onde:

a = porcentagem do solo que passa na peneira nº 200 menos 35%. Se o


valor de “a” for negativo adota-se zero, e se for superior 40, adota-se este
valor como limite máximo.

a = Pp,200 - 35% (0 - 40).

b = porcentagem do solo que passa na peneira nº 200 menos 15%. %. Se o


valor de “b” for negativo adota-se zero, e se for superior 40, adota-se este
valor como limite máximo.

b = Pp,200 - 15% (0 - 40)

c = valor do limite de liquidez menos 40%. Se o valor de “c” for negativo


adota-se zero, e se for superior a 20, adota-se este valor como limite
máximo.

c = LL - 40% (0 - 20)

d = valor do índice de plasticidade menos 10%. Se o valor de “d” for


negativo adota-se zero, e se for superior a 20, adota-se este valor como
limite máximo.

d = IP - 10% (0 - 20)

Os solos são classificados em sete grupos, de acordo com a granulometria


(peneiras de nº 10, 40, 200) e de conformidade com os intervalos de
variação dos limites de consistência e índice de grupo.

De acordo com a Tabela 6.1 e 6.2, os solos se dividem em dois grupos:


solos grossos (quando a % passante na peneira nº 200 é inferior a 35%) e
solos finos (quando a % passante na peneira nº 200 é superior a 35%). A
classificação é feita da esquerda para a direita do quadro apresentado.

100
Tabela 6.1 – Sistema de Classificação HRB – Fração Grossa

Verifica-se nesta tabela acima que:

a) Os solos grossos foram divididos em três grupos, A1, A2 e A3.

Grupo A1 - Solos granulares sem finos (pedregulho e areia grossa bem


graduada, com pouca ou nenhuma plasticidade).

Grupo A2 - Solos granulares com finos (pedregulho e areia grossa bem


graduados, com material cimentante de natureza friável ou plástico).
A-2-4 - finos siltosos de baixa compressibilidade

101
A-2-5 - finos siltosos de alta compressibilidade
A-2-6 - finos argilosos de média plasticidade
A-2-7 - finos argilosos de alta plasticidade

Grupo A3 - Areias finas

Com relação à fração fina, os solos finos foram divididos em quatro grupos,
A4, A5, A6 e A7, apresentados na Tabela abaixo.

102
Tabela 6.2 – Sistema de Classificação HRB – Fração Fina

A partir dos dados apresentados na tabela acima, o material é classificado


da seguinte maneira:

Grupo A4 - Solos siltosos com pequena quantidade de material grosso e de


argila (baixa compressibilidade LL < 40%)

103
Grupo A5 - Solos siltosos com pequena quantidade de material grosso e
argila, rico em mica e diatomita (alta compressibilidade LL > 40%)

Grupo A6 - Argilas siltosas medianamente plásticas com pouco ou nenhum


material grosso (baixa compressibilidade)

Grupo A7 - Argilas plásticas com presença de matéria orgânica (alta


compressibilidade).
A7-5, IP ≤ LL - 30%
A7-6, IP > LL - 30%
Em geral os solos granulares tem índice de grupo compreendidos entre 0 e
4, os siltosos entre 1 e 12 e os argilosos entre 1 e 20.

6.3 - SISTEMA UNIFICADO DE CLASSIFICAÇÃO DOS SOLOS


(S.U.C.S.)

Este sistema é oriundo do Airfield Classification System idealizado por


Arthur Casagrande, e inicialmente utilizado para classificação de solos para
construção de aeroportos, e depois expandido para outras aplicações, e
normalizado pela American Society for Testing and Materials (ASTM).

Os solos neste sistema são classificados em solos grossos, solos finos e


altamente orgânicos. Para a fração grossa, foram mantidas as características
granulométricas como parâmetros mais representativos para a sua
classificação, enquanto que para fração fina, Casagrande optou por usar os
limites de consistência, por serem parâmetros mais importantes do que o
tamanho das partículas.

Cada tipo de solo terá um símbolo e um nome. Os nomes dos grupos serão
simbolizados por um par de letras. Onde o prefixo é uma das subdivisões
ligada ao tipo de solo, e o sufixo, às características granulométricas e à
plasticidade.

A figura a seguir mostra a classificação pelo método unificado.

104
Principal
Complementar

Figura 6.2 – Simbologia utilizada para classificação pelo sistema unificado.

Na Tabela 6.3 nas duas últimas colunas, estão indicados os símbolos de


cada grupo e seus respectivos nomes, bem como uma série de observações
necessárias a classificação do solo.

Peneira # 200
(0,075mm)

% passante % passante
< 50% - grosso > 50% - fino
G ou S M, C ou O.
Figura 6.3 – Divisão da graduação a partir do sistema unificado.

Sendo de granulação grosseira:

 Pedregulho (G) ou Areia (S)?. R. Dependerá de qual das duas


frações estiver em maior proporção.

105
Tabela 6.3 – Sistema de Classificação Unificada dos Solos (S.U.C.S)

106
6.3.1 - SOLOS GROSSOS

Os solos grossos ou granulares são os que possuem partículas menores que


75mm e que tenham mais do que 50% de partículas com tamanhos maiores
do que 0,075mm (# 200). Uma subdivisão separa os solos grossos em
pedregulhos, quando mais do que 50% da fração grossa tem partículas com
tamanho maior do que 4,8mm (retido na # 4), e areias, quando uma
porcentagem maior ou igual, destas partículas, tem tamanho menor que
4,8mm (passa na # 4). Sempre que as porcentagens de finos estiver entre 5 e
12%, o solo deverá ser representado por um símbolo duplo, sendo o
primeiro o do solo grosso (GW, GP, SW, SP), enquanto que o segundo
símbolo dependerá da região onde se localizar o ponto representativo dos
finos desse solo.

Para porcentagens de finos, maior do que 12%, e classificados como CL-


ML resultará em um símbolo duplo para o solo grosso, GC-GM se for
pedregulho ou SC-SM se for areia. A Tabela 6.4 e a Tabela 6.5, mostram os
fluxogramas necessários à classificação dos solos grossos.

107
Tabela 6.4 – Fluxograma para classificação de pedregulhos.

108
Tabela 6.5 – Fluxograma para classificação de Areias.

109
6.3.2 - SOLOS FINOS

Nesta divisão, foram colocados os solos que tem uma porcentagem maior
ou igual a 50%, de partículas com tamanho menor do que 0,075mm
(passando na # 200). Estes solos, siltes e argilas, foram inicialmente
separados em função do limite de liquidez: menor que 50% e maior ou igual
a 50%. Cada uma destas subdivisões leva em conta a origem inorgânica ou
orgânica do solo. Para a definição de origem orgânica deverão ser
realizados dois ensaios de limite de liquidez: um com o solo secado em
estufa, (LL)s, e o outro nas condições naturais, (LL)n. Se a relação
(LL)s/(LL)n < 0,75 o solo deverá ser considerado orgânico.

Quando da proposição inicial do sistema de classificação por Casagrande,


foi introduzido o gráfico de plasticidade, montado a partir dos limites de
consistência dos solos finos. Com a revisão do sistema foram introduzidas
algumas modificações, resultando o gráfico mostrado na Figura 6.4.

Nele, os grupos estão distribuídos em cinco regiões, sendo a linha “A”


separadora dos solos argilosos inorgânicos (CL, CH) dos siltosos
inorgânicos (ML, MH). A linha vertical LL = 50% separa os solos de alta
plasticidade (MH, CH) dos de baixa plasticidade (ML, CL). Os solos
orgânicos podem se situar, tanto acima quanto abaixo da linha “A”; as
argilas orgânicas serão representadas por pontos situados sobre ou acima
dessa linha, enquanto, os siltes orgânicos estarão abaixo.

A quinta região é a hachurada, onde o solo deverá ter o símbolo duplo, CL-
ML, representando solos LL < 50% e 4 ≤ IP ≤ 7. O gráfico de plasticidade
deverá ser usado na classificação, tanto dos solos finos quanto da fração
fina dos solos grossos.

Na última revisão do SUCS foi introduzida, a linha “U” para ajudar na


avaliação dos resultados dos ensaios de limites de consistência, visto que ela
deve representar um limite superior empírico para os solos naturais.
Qualquer ponto que venha se situar acima dessa linha deve ter os resultados
dos ensaios verificados. A linha “U”, tanto quanto a linha “A”, é quebrada,
iniciando-se na vertical para LL = 16% até IP = 7% e a partir desse ponto
tem a equação: IP = 0,9 . (LL - 8).

110
Figura 6.4 – Gráfico de Plasticidade

As tabelas seguintes, mostram os fluxogramas necessários a classificação


dos solos finos.

111
Tabela 6.6 – Fluxograma para classificação de solos finos com baixa
plasticidade.

112
Tabela 6.7 – Fluxograma para classificação de solos finos com alta
plasticidade.

113
6.4 - SOLOS ALTAMENTE ORGÂNICOS

São solos que apresentam características muito diferentes dos solos


inorgânicos; são compostos de matéria vegetal em vários estágios de
decomposição, geralmente com odor orgânico, cor marrom escura a preta,
textura variando de fibrosa a amorfa, aparência esponjosa e saturada.

São solos com alto índice de vazios, muito compressíveis e baixa resistência
ao cisalhamento. Em condições normais, não são utilizados como fundação
nem como material de empréstimo. Os solos altamente orgânicos são,
normalmente, designados por turfosos e simbolizados por Pt.

A Tabela 6.8 apresenta algumas características dos solos a partir do Sistema


de Classificação relativa às fundações de pavimentos.

6.5 - SISTEMA CLASSIFICAÇÃO GEOTÉCNICA M.C.T. PARA


SOLOS TROPICAIS

O Sistema Unificado de Classificação dos Solos não se tem mostrado


satisfatório, quando usado em projeto de pavimentos para solos tropicais,
em face do seu comportamento diferenciado, conforme tem mostrado
diversos autores.

Uma classificação mais apropriada aos solos tropicais, com ênfase em


projetos de estradas, foi proposta por Nogami e Villilbor (1981), separando-
se os solos em dois grupos, um de comportamento laterítico e outro não
laterítico. O resultado desse trabalho foi reunido no gráfico, mostrado na
Figura 6.5, subdividido em sete regiões, onde os solos de comportamento
não lateríticos ocupam a parte superior e os de comportamento laterítico
estão situados na parte inferior do gráfico.

A cada uma das regiões foi associado um símbolo, duas letras, onde a
primeira letra “N” ou “L” indica o comportamento não laterítico ou
laterítico do solo e a segunda A, A‟, G‟, S‟ completam a classificação
conforme mostrado na figura. Há também referência ao tipo de mineral
encontrado no solo. Neste gráfico os solos coesivos estão localizados à
direita e os não coesivos à esquerda.

114
O gráfico foi montado utilizando-se de variáveis extraídas dos resultados do
ensaio de Mini-MCV (Mini - Moisture Condition Value) de forma que
todas as regiões tivessem a mesma área. A primeira variável usada como
abscissa e simbolizada por C‟ representa a inclinação do trecho reto da
curva Mini - MCV para 10 golpes e em ordenadas estão colocadas os
valores e‟, calculados pela equação:

Onde d‟ é a inclinação do ramo seco da curva de compactação para uma


energia correspondente a 12 golpes (aproximadamente igual à do Proctor
Normal - 6 kg/cm3 ) e Pi é a porcentagem de perda de material por imersão.
A equação anterior é empírica, tendo-se chegado a ela através da imposição
de áreas iguais para as diversas regiões do gráfico.

O procedimento utilizado, com a descrição dos ensaios necessários a


classificação dos solos tropicais está descrito em Nogami e Villibor (1985).

6.6 - CLASSIFICAÇÃO TÁCTIL-VISUAL

Esta classificação é feita de tal forma que a maioria dos solos possam se
enquadrar em três grupos (granulação grossa, granulação fina e altamente
orgânica), através de um exame visual e alguns ensaios simples de campo.

Para a fração grossa, pedregulhos e areias, informações quanto à


composição granulométrica, forma das partículas, existência ou não de finos
são sempre necessárias; estas partículas são ásperas ao tato, visíveis ao olho
nú e se separam quando secas.

115
Tabela 6.8 - Características relativas às fundações de pavimentos

116
Figura 6.5 – Gráfico de classificação MCT e principais propriedades dos
grupos dessa classificação.

Para os solos finos, siltes e argilas, os principais ensaios de identificação no


campo são:

117
a) ensaio de dilatância;

b) ensaio de plasticidade;

c) determinação da resistência seca do solo;

d) observações quanto à cor e cheiro (solos orgânicos).

Os itens a, b e c são feitos com material que passa na peneira nº 40


(0,42mm). No campo, muitas vezes, separa-se o material retido na peneira
nº 40 fazendo-se o possível para retirar o material entre a peneira nº 10 e nº
40.

O ensaio de dilatância consiste em adicionar água no material, tornando-o


pegajoso. A massa formada deve ter um volume de 8 cm3 e é colocada na
palma de uma das mãos em posição horizontal. Bate-se vigorosamente uma
mão de encontro com a outra, várias vezes e espreme-se a massa entre os
dedos. Segundo as reações ocorridas durante o ensaio de dilatância, os solos
podem classificar-se em:

- solos não plásticos (siltes e areias) apresentam uma reação rápida


(presença de água livre quando sacudido);

- solos altamente plásticos resultam em reação nula.

Portanto, dependendo da velocidade que a massa muda de consistência,


definimos que a reação do teste é rápida, lenta ou nula.

Ensaio de plasticidade consiste em obter um cilindro de 3mm de diâmetro


sobre uma superfície lisa ou entre as palmas da mão. À medida que o
processo vai se desenvolvendo, o solo vem se tornando mais duro (perda de
umidade). Os solos situados abaixo da linha “A” do gráfico de plasticidade
formam cilindros frágeis e com exceção dos solos orgânicos. Estes solos
resultam em cilindros muito moles e pegajosos quando estão próximos do
limite de plasticidade. Quanto mais alta a posição do solo em relação à linha
“A”, mais resistentes são os cilindros ao se aproximarem ao limite de
plasticidade.

O ensaio de resistência seca consiste em moldar uma amostra de solo úmido


e deixar secar em estufa ou no ar livre. Após a secagem tenta-se desagregar
a amostra com pressão dos dedos. De acordo com o esforço aplicado na
amostra podemos definir como:

118
- os solos de pouca resistência seca (desagregam-se imediatamente com
pequeno esforço -solos siltosos);

- os solos de resistência seca razoável (desagregam-se com certo esforço -


solos argilosos e orgânicos).

A cor serve para separar os horizontes de um perfil de solo e pode indicar a


existência do nível do lençol freático. Utiliza-se em amostras de solos
úmidos porque pode haver uma mudança razoável com a secagem. Adota-se
a carta de cores de MUNSEEL preparado pelo Departamento de Agricultura
dos Estados Unidos.

Os solos de cor vermelha indicam a presença de óxidos de ferro e ausência


do lençol freático próximo. Os solos de cor cinza ou manchados indicam
que a variação do nível d‟água. Quanto ao cheiro, os solos orgânicos
apresentam, em geral, odores característico, que pode ajudar na
identificação.

Os métodos para estimar a porcentagem passante na peneira nº 200 são


muitos e a escolha depende do tempo, habilidade do técnico e equipamento
disponível. Entre eles podemos citar:

- decantação - consiste em misturar solo com água num recipiente e


derramar a mistura turva de água e solo. Repete-se a operação várias vezes,
até conseguir remover praticamente todos os finos. Por comparação do
resíduo com o material primitivo tem-se idéia da quantidade de finos.

- sedimentação - consiste em misturar água com o solo em uma proveta e


agitar bastante. As partículas maiores irão depositar logo (areia deposita em
20 ou 30 segundos).

119
6.7 - EXERCÍCIOS

EXERCICIO 1 - Com os dados obtidos no laboratório em ensaios de


granulometria e plasticidade para três amostras de solo (solo A, B e C),
apresentados abaixo, determine:
a) diâmetro efetivo,
b) coeficiente de curvatura,
c) coeficiente de uniformidade,
d) índice de plasticidade,
e) atividade coloidal,
f) classifique estas amostras de acordo com os sistemas textural,
HRB/AASHO e SUCS.

120
EXERCÍCIO 2 - Os dados obtidos no laboratório para determinação de
umidade natural, do limite de liquidez e do limite de plasticidade de uma
amostra de argila foram os seguintes:

Pede-se: a) qual a consistência dessa argila

121
EXERCÍCIO 3- O solo de uma jazida para uso de uma obra de terra tem as
seguintes características: LL = 60% e LP = 27%. O teor de umidade natural
do solo é de 32%. Determine:

a) o índice de plasticidade,

b) o índice de consistência, c) classifique o solo em função do valor obtido


em (b).

EXERCÍCIO 4 - As seguintes indicações são fornecidas para os solos A e


B:

Pede-se: a) qual o solo de maior teor de argila? b) qual o solo de maior


índice de vazios?

EXERCÍCIO 5 - Um solo argiloso apresenta as seguintes características:


LL = 59%, LP = 23,1% e IC = 0,44. Pede-se, calcular a quantidade de água
necessária a adicionar a 2Kg deste solo para reduzir o IC a 0,20.

Respostas:

1) a) D10 A = 0,07; D10 B = 0,007 e D10 C = 0,0 (zero)

2) D60 A = 0,38; D60 B = 0,10 e D60 C = 0,011 Cu A = 5,5; Cu B = 14,3 e


Cu C = ∞

3) D30 A = 0,18; D30 B = 0,044 e D30 C = 0,0 (zero) Cc A = 1,2; Cc B =


2,8 e Cc C = 0

4) IP A = NP; IP B =15 e IP C = 30

5) Ac A = não possui finos; Ac B = 3,75 (Ac alta >1,25) e Ac C = 0,63 (Ac


baixa < 0,75)

122
7. CAPÍTULO 7 – Compactação dos Solos

CAPÍTULO 7

Compactação dos Solos


Os solos, para que possam ser utilizados nos aterros das obras de
terraplenagem, devem preencher certos requisitos, ou seja, certas
propriedades que melhoram o seu comportamento, sob o aspecto técnico,
transformando-os em verdadeiro material de construção. Esse objetivo é
atingido de maneira rápida e econômica através das operações de
compactação, que nada mais é que uma ação mecânica, visando
principalmente:

− Aumento da resistência da ruptura dos solos, sob ação de cargas externas;

− Redução de possíveis variações volumétricas, quer pela ação de cargas,


quer pela ação da água que, eventualmente, percola pela sua massa;

− Impermeabilização dos solos, pela redução do coeficiente de


permeabilidade, resultante do menor índice de vazios.

Com diminuição dos vazios, espera-se uma tendência de redução da


variação dos teores de umidade, da compressibilidade, da
permeabilidade e aumento da resistência ao cisalhamento.

(a) (b)
Figura 7.1 – Diferença entre solo (a) Sem compactação (b) compactado

123
A compactação é um processo de estabilização de solos utilizado em
diversos tipos de obras de engenharia - Aterros Rodoviários e Barragens De
Terra, onde o solo é o próprio material resistente ou de construção.

A primeira contribuição significativa ao estudo da compactação foi dada por


Ralph Proctor, em 1933. Ele descobriu a relação entre massa específica
seca, o teor de umidade e a energia de compactação.

• Compactação é uma técnica simples de melhoramento do solo, o


qual é densificado através de uma ação mecânica

• Densificação significa uma redução do índice de vazios

É importante ressaltar que Compactação não é Adensamento, pois:

• COMPACTAÇÃO - REDUÇÃO DOS SEUS VAZIOS PELO


EXPULSÃO DO AR, RÁPIDO.

• ADENSAMENTO - REDUÇÃO DOS SEUS VAZIOS PELO


EXPULSÃO DA ÁGUA, LENTO.

Compactação é uma técnica simples de melhoramento do solo, o qual é


densificado através de uma ação mecânica, com finalidade de densificação
(uma redução do índice de vazios), conforme ilustrado na figura abaixo.

Energia de
compactação

+ água =

Figura 7.2 – Processo de compactação

A densificação ocorre pela aplicação de cargas (estáticas ou dinâmicas) de


curta duração. Assim, ocorre a redução do índice de vazios ocorre com a
redução do volume de ar.

124
É importante ressaltar que o índice de vazios final é função do tipo de solo
(arenoso, siltoso, argiloso) e da energia aplicada no processo de
compactação.

7.1 - MÉTODOS DE COMPACTAÇÃO

Os solos são compactados pelo efeito de um dos seguintes esforços: pressão


(compressão), amassamento, impacto e vibração; ou pela combinação de
dois ou mais esforços.

A compressão consiste na aplicação de uma força (pressão) vertical, oriunda


do elevado peso próprio do equipamento, obtendo-se a compactação pelos
esforços de compressão gerados na massa superficial do solo.

O amassamento é o processo que combina a força vertical com uma


componente horizontal, oriunda de efeitos dinâmicos de movimento do
equipamento ou eixos oscilantes. A resultante das duas forças conjugadas
provoca uma compactação mais rápida, com menor número de passadas.

A vibração consiste numa força vertical aplicada de maneira repetida, com


frequências elevadas, superiores a 500 golpes por minuto. Isto significa que
à força vertical se soma uma aceleração produzida por uma massa
excêntrica que gira com determinada frequência.

O impacto resulta de uma ação semelhante à da vibração, diferenciando-se,


apenas, pela baixa frequência da aplicação dos golpes.

A cada processo correspondem equipamentos apropriados à compactação,


utilizando-se as diversas formas de transferência de energia.

Os métodos de compactação são divididos em manuais e mecânicos.

 Manuais: utilizam-se soquetes, em que a energia é aplicada


mediante golpes sobre a camada
 Mecânicos: soquetes mecânicos (sapos), rolos estáticos (lisos ou
dentados) e vibratórios

Os equipamentos de compactação serão abordados em outro ítem posterior.

125
A primeira contribuição significativa ao estudo da compactação foi dada por
Ralph Proctor, em 1933;

Ele descobriu que existe uma a relação entre:

 a massa específica aparente seca (d),


 o teor de umidade (w)
 a energia de compactação.

Para uma energia fixa, a massa específica seca aumenta com o teor de
umidade até atingir um valor máximo, a partir do qual começa a decrescer.
A figura abaixo mostra como essa relação se dá, por meio de um gráfico.

d (g/cm3) -boa resistência e rigidez


-baixa permeabilidade
d,max
ramo ramo
seco úmido

wot w (%)

Figura 7.3 – Forma típica de uma curva de compactação.

Inicialmente, o peso específico aparente seco cresce com o aumento do teor


de umidade até atingir um máximo e depois começa a decrescer para
valores, ainda, crescentes do teor de umidade.

A ordenada do ponto correspondente ao pico da curva, é o máximo peso


específico aparente seco que este solo poderá atingir, para a energia de
compactação usada e precisando para isto de um teor de umidade igual a
abscissa deste ponto. Estes valores só poderão ser alterados, variando-se a
energia aplicada. As coordenadas do ponto máximo receberam a
denominação de teor de umidade ótima (wótima) e peso específico aparente
seco máximo (γdmáx).

126
O fenômeno de compactação pode ser explicado pela grande influência que
a água intersticial exerce, principalmente, sobre o comportamento dos solos
finos.

 À esquerda da umidade ótima (ramo seco da curva de Proctor), a


saída de ar é facilitada porque o ar se encontra na forma de
canalículos intercomunicados.

 A redução do atrito com o aumento do teor de umidade e os


canalículos de ar permitem um novo rearranjo dos grãos,
aumentando a massa específica seca.

 A partir de um certo teor de umidade (ramo úmido da curva de


Proctor), a compactação não consegue mais expulsar o ar dos
vazios, pois o grau de saturação já é elevado e o ar está envolto por
água.

7.2 - ENSAIO DE COMPACTAÇÃO

O ensaio de compactação desenvolvido por Proctor foi normalizado, pela


A.A.S.H.O. (American Association of State Highway Officials) e é
conhecido como ensaio de Proctor Normal ou como A.A.S.H.O Standard.
No Brasil foi normalizado pela ABNT/NBR 7182/86.

O ensaio NORMAL de compactação (na energia normal – ou Proctor


Normal) utiliza um cilindro metálico de volume igual a 1000 cm³ (V), onde
compacta-se uma amostra de solo em três camadas (N), cada uma delas por
meio de 26 golpes (n) de um soquete com peso de 2,5 kg (P), caindo de uma
altura de 30,5 cm (H). Essa combinação fornece uma Energia de
Compactação (E) igual a aproximadamente 5,9 kN/m².

As espessuras finais das camadas compactadas devem ser aproximadamente


iguais, e a energia de compactação deverá ser uniformemente distribuídas,
de tal forma, a resultar um plano superior quase horizontal. A Figura 7.4
mostra o equipamento de compactação

127
Martelo
(soquete)

Figura 7.4 – Equipamentos do Ensaio de Compactação

Com o desenvolvimento da engenharia mecânica, foram lançados no


mercado equipamentos de compactação capazes de fornecer maior energia
de uma forma econômica, gerando a necessidade de se normalizar ensaios
com diferentes energias (intermediária e modificada), conforme mostrado
na Tabela 7.1. A energia de compactação por unidade de volume pode ser
calculada, através da fórmula:

P . H .n. N
Ec  , onde:
V

 V - volume do cilindro ; P – peso do soquete ; H – altura de


queda do soquete
 N – número de camadas ; n – número de golpes do soquete

128
Tabela 7.1 – Energias de Compactação utilizadas nos ensaios.

Também é possível utilização de um soquete pequeno para compactar o


material por exemplo no Proctor Intermediário, assim seriam necessários
56,6 (57) golpes para que fosse mantida a energia de compactação. É
possível notar também, por meio da figura abaixo, que a densidade do
material compactado tende a ser cada vez maior quando se aumenta a
energia de compactação, ou seja, qualquer acréscimo de peso do soquete,
altura de queda, número de camadas ou golpes, provocará aumento da
densidade.

Entretanto, existe um certo limite de energia de compactação a ser


respeitado para cada tipo de solo, pois de nada adianta elevar ao extremo a
força aplicada para compactar uma massa de solo, se o mesmo não suporta
essa força, ou seja, começa apresentar quebra das partículas.

O ensaio de compactação é repetido para diferentes teores de umidade,


determinando-se, para cada um deles, a massa específica aparente seca.
Com os valores obtidos traça-se a curva γd versus w. Para o traçado da curva
é conveniente a determinação de aproximadamente 5 pontos, procurando-se
fazer com que dois deles se encontrem no ramo seco, um próximo à
umidade ótima e outros dois no ramo úmido. O ensaio pode ser realizado
com ou sem reuso do material. A Figura 7.5, Figura 7.6 e a Figura 7.7,
mostra o passo a passo de como deve ser executado o ensaio.

129
Soquete manual

Proveta graduada

Cilindro

Cápsulas

Amostra de solo

Colher

Espátula metálica Bandeja metálica

Figura 7.5 – Ensaio de compactação: (A) visão geral dos equipamentos; (B)
adição e mistura de água ao solo

Figura 7.6 – Ensaio de compactação: (C) colocação do solo no cilindro; (D)


compactação do solo

130
Figura 7.7 – Ensaio de compactação: (E) Pesagem do conjunto
Solo+água+cilindro; (F) retirada de amostra para determinação da umidade.

O solo a ser ensaiado deverá apresentar um teor de umidade inferior ao


ótimo previsto, ou seja, em torno de 5%. Após a compactação, deve-se
anotar o peso do corpo de prova para determinação do peso específico e
retirar três porções de solo, colocá-las em cápsulas e levá-las à estufa para
determinação do teor de umidade. Em seguida, adiciona-se uma quantidade
de água ao solo, suficiente para elevar, em relação ao ponto anterior, o seu
teor de umidade, em torno de 2%.

Todo o procedimento descrito anteriormente deve ser repetido. Com os


valores, do peso específico do solo e teor de umidade, pode-se calcular o
peso específico aparente seco mediante a fórmula de correlação:


d 
1  w onde w = umidade a qual o solo foi compactado; γ =
densidade natural do material após compactação; γd = densidade aparente
seca após compactação

A seguir são apresentados alguns tipos de solos e seus respectivos valores


típicos de densidades após compactação.

131
Tabela 7.2 – valores típicos de densidade após compactação.

Tipo de solo Valores típicos


d, max (g/cm3) wot (%)
Areia bem graduada 2,2 7
Argila arenosa 1,9 12
Areia mal graduada 1,8 15
Argila com baixa plasticidade 1,8 15
Silte não-plástico 1,7 17
Argila com alta plasticidade 1,5 25

Junto com a curva de compactação, sempre que necessário, pode-se


desenhar as curvas representativas de um mesmo grau de saturação, w e γd
segundo a equação:

 s . S r . w
d 
S r . w   s .w Onde:

γd = peso específico aparente seco γs = peso específico real dos grãos


(ou dos sólidos)
γw = peso específico da água Sr = grau de saturação
w = teor de umidade

Para Sr = 100%, Sendo γs e γw constante para um mesmo solo, temos γd


f(w), temos a curva apresentada na Figura 7.9-a.

132
1,8

1,7
d (kg/m³)
1,6

1,5

1,4

1,3
14 16 18 20 Wot 22 24 26
W (%)

Figura 7.8 – Curva de compactação simples

1,8

Sr=0,7 Sr=0,8 Sr=0,9 Sr=1,0


1,7
dma
d (kg/m³)

x
1,6

1,5

1,4

1,3
14 16 18 20 Wot 22 24 26
W (%)

Figura 7.9 – Curva de compactação com curvas de saturação

133
LOCAL UNIV. FEDERAL TOCANTINS AMOSTRA Nº 3
SOLO CASCALHO LATERÍTICO COM ARGILA E SILTE
PROF. 1,50 m DATA 02/05/15
S 2,674 g/cm3 OPER. -

CILINDRO Nº 5 TARA 2365,2 g ENERGIA 583 kJ/m3


SOQUETE Nº 5 VOLUME 998,17 cm3
mostrado na Figura 7.9-b.

Determ. nº 1 2 3 4 5
Variando Sr = Vw / Vv e sendo

Sólidos+Tara+Água g 4109,5 4274,4 4445,3 4461,1 4425,8


Sólidos+Água g 1744,3 1909,2 2080,1 2095,9 2060,6
d 

 g/cm3 1,747 1,913 2,084 2,100 2,064

Cápsula nº 19 9 7 3 13
Sólidos+Tara+Água g 122,10 103,20 121,76 111,15 117,25
 s . S r . w

Sólidos+Tara g 112,57 94,75 110,03 99,77 103,45


Tara (T) g 27,93 28,99 30,64 31,22 27,41
Água (A) g 9,53 8,45 11,73 11,38 13,80
Sólidos (S) g 84,64 65,76 79,39 68,55 76,04
Tabela 7.3 – Exemplo de ensaio de compactação.

w % 11,3 12,8 14,8 16,6 18,1


1,571 1,695 1,816 1,801 1,747
bem como as curvas de compactação, saturação e índice de vazios.

 d g/cm3
e --- 0,70 0,58 0,47 0,48 0,53
Sr % 42,9 59,5 83,6 91,5 91,5
A seguir é apresentado o resultado completo de um ensaio de compactação,
S r . w   s .w , podemos traçar curvas
com diferentes graus de saturação, como 70%, 80%, 90%, conforme

134
1.90

Sr = 100%
1.85 dmáx = 1,825 g/cm³

1.80

1.75
d (g/cm3 )

1.70

1.65

1.60

1.55

1.50
11 12 13 14 15 16 17 18 19
w (%)
Wót = 15,4%

Para Sr = 100%
w% yd
15,5% 1,89
16% 1,87
16,5% 1,86
17% 1,84
17,5% 1,82
18% 1,81
18,5% 1,79
19% 1,77

Figura 7.10 – Curva de compactação e saturação referente ao exemplo da


Tabela 7.3.

135
A determinação da curva de saturação (Sr = 100%) do exemplo anterior, foi
calculado da seguinte maneira:

 s . w
d 
 w   s .w ,
variando os valores de umidade, encontra-se então os
respectivos valores de d, conforme mostrado na tabela ao lado do gráfico
da Figura 7.10.

Caso seja de interesse conhecer qual seria o valor da densidade aparente


seca referente à 95% do valor de densidade máxima, poderia ser
determinado da seguinte maneira:

 d  0.95  d , max  0.95 1.825  1.734 g / cm3


, assim, a poderia ser
feita leitura no gráfico de qual é a umidade correspondente, ou seja, 13,3%.

Conhecendo o γs do material, bem como o γd em cada ponto compactado,


 s . w
d 
com base na equação
 w   s .w ,
é possível traçar uma curva em
função do índice de vazios, para todos os pontos compactados, conforme
ilustrado na figura abaixo.

0,80

0,70

0,60
índice de vazios

0,50

0,40

0,30

0,20

0,10

0,00
10,0 11,0 12,0 13,0 14,0 15,0 16,0 17,0 18,0 19,0 20,0
Umidade (%)

Figura 7.11 – Curva representativa do índice de vazios em função do teor de


umidade.

136
É possível notar que a concavidade da curva de índice de vazios é
exatamente o oposto da curva de compactação, isso é explicado pelo fato de
que o índice de vazios é substancialmente reduzido até que se chegue ao
ponto ótimo de compactação, isso devido ao aumento de massa de sólidos
por unidade de volume, com auxílio de acréscimos de água que ajudam na
aproximação das partículas. A partir daí, o índice de vazios começa a
aumentar, pois a quantidade de água também está sendo elevada, e sabe-se
que a água é considerada um “vazio”, portanto, quanto mais água e menos
partículas sólidas, maior será o índice de vazios.

7.3 - COMPORTAMENTO DO SOLO

Um mesmo solo, quando compactado com energias diferentes, apresentará


valores de peso específico aparente seco máximo maiores e teor de
umidades ótimas menores, para valores crescentes dessa energia, o ponto se
deslocará para cima e para a esquerda, conforme mostra a Figura 7.12.

d modificado
Sr=100%

intermediário

normal
Linha das máximas

Figura 7.12 – Curvas de compactação para diferentes níveis de energia.

A natureza do solo, influência nos valores do peso específico aparente seco


máximo e do teor de umidade ótima. Ao tentar-se compactar um solo, o
esforço de compactação será mais ou menos efetivo conforme a

137
granulometria e plasticidade. As curvas da Figura 7.13 ilustram este fato
mostrando curvas de compactação obtidas, em amostras de vários solos
brasileiros, no ensaio normal de compactação.

Em geral, para o mesmo esforço de compactação (E) atinge-se nos solos


arenosos (ou materiais granulares bem graduados) maiores valores de peso
específico aparente seco máximo sob menores teores de umidade ótima, do
que solos argilosos finos (uniformes).

O secamento de um solo argiloso, dependendo do argilo-mineral que o


compõe, poderá alterar de forma irreversível as suas características,
refletindo nos valores das coordenadas do ponto de máximo da curva de
compactação. Assim como o secamento, também a forma de realizar o
ensaio, utilizando uma única amostra de solo (com reuso) para todos os
pontos ou uma amostra nova (sem reuso) para cada ponto, apresentará
valores diferentes para as coordenadas do pico da curva. Por isso, se
recomenda que os solos argilosos não sejam secadas diretamente ao sol ou
em estufa e que o ensaio seja realizado com amostras secadas à sombra,
sempre que necessário.

138
Figura 7.13 – Curvas de compactação típicas de alguns solos brasileiros.
(Pinto, 2006)

7.4 - COMPACTAÇÃO EM CAMPO

Os solos são compactados pelo efeito de um dos seguintes esforços: pressão


(compressão), amassamento, impacto e vibração; ou pela combinação de
dois ou mais esforços. A compressão consiste na aplicação de uma força
(pressão) vertical, oriunda do elevado peso próprio do equipamento,
obtendo-se a compactação pelos esforços de compressão gerados na massa
superficial do solo.

139
O amassamento é o processo que combina a força vertical com uma
componente horizontal, oriunda de efeitos dinâmicos de movimento do
equipamento ou eixos oscilantes. A resultante das duas forças conjugadas
provoca uma compactação mais rápida, com menor número de passadas.

A vibração consiste numa força vertical aplicada de maneira repetida, com


frequências elevadas, superiores a 500 golpes por minuto. Isto significa que
à força vertical se soma uma aceleração produzida por uma massa
excêntrica que gira com determinada frequência.

O impacto resulta de uma ação semelhante à da vibração, diferenciando-se,


apenas, pela baixa frequência da aplicação dos golpes.

A cada processo correspondem equipamentos apropriados à compactação,


utilizando-se as diversas formas de transferência de energia.

A compressão é obtida pelos rolos compressores de rodas metálicas,


dotadas de grande peso próprio, e cuja superfície de contato é bastante
pequena, gerando-se, por consequência, pressões de contato elevadas que
produzem adensamento.

Entretanto, as pressões elevadas são obtidas apenas no fim da operação de


compactação. De início, como o solo apresenta baixa capacidade de suporte,
há um afundamento pronunciado das rodas metálicas e o aumento da
superfície de contato, reduzindo sensivelmente as pressões. Com o decorrer
do processo, o afundamento diminui, aumentando a pressão. Disso resulta a
aplicação de pressões elevadas no topo da camada e de pressões baixas nas
camadas mais profundas, resultando na falta de homogeneidade do processo
de compactação e na pequena altura da camada atingida. Só aceita-se a
utilização de rolos compressores lisos com espessuras de camada inferiores
a 10cm e com o perigo de aparecerem superfícies laminadas entre as
camadas. Por essa razão é desaconselhável a compactação de solos com
esse tipo de equipamento. Ele é aplicável com sucesso na compactação de
camadas granulares (macadame hidráulico, brita graduada, etc.).

A compactação por amassamento é obtida pelos rolos pneumáticos com


rodas oscilantes ou pelos rolos pé-de-carneiro, especialmente ou
autopropelidos em que a tração se faz através do tambor e nos quais se faz
presente a conjugação dos esforços verticais e horizontais.

A compactação por vibração é obtida com os rolos vibratórios dos mais


diversos tipos, trabalhando na faixa de frequência de 900 a 2000 golpes por

140
minuto e com determinada amplitude de oscilação do material constituinte
do terreno e a frequência utilizada é dita frequência de ressonância.

A compactação por impacto se faz ocasionalmente, quando não se podem


utilizar outros equipamentos, empregando-se a energia proveniente da
queda do aparelho de uma determinada altura, como, por exemplo, o “sapo
mecânico”. Grandes pesos (10 a 40 toneladas) levantados por guindastes e
deixados cair de uma altura de 10 a 20 m, são utilizados para compactar
aterros ou camadas naturais de grandes espessuras (5 a 15 m).

Abaixo são mostrados alguns tipos de equipamentos mais usados na


compactação.

Rolo Liso – dotado com sistema de vibração

Pequena superfície de contato; 100% de cobertura sob rodas; Pressão de


contato: 310 a 380 kN/m2; Recomendado para a compactação de solos
arenosos e para a compactação do subleito, base e capeamento de estradas,
com espessura das camadas: 5 a 15 cm

141
Rolo pé-de-carneiro

Recomendados para a compactação de solos argilosos


Espessura das camadas: 15 cm
Solos finos: 4 a 6 passadas
Solos grossos: 6 a 8 passadas

Rolos pneumáticos

Cobertura sob pneus de 70% a 80%


Pressão de contato: 600 a 700 kN/m²
Recomendados para a compactação de capas asfálticas e também para a
compactação de bases e sub-bases arenosas ou argilosas de estradas

142
Placas vibratórias

Recomendados para a compactação de solos grossos em áreas restritas e


ainda pequenos reparos em revestimentos asfálticos. Espessura da camada
de solo: 20 a 25 cm

Sapo Mecânico

Utilizados em locais de difícil


acesso
Espessura das camadas de 10 a 15
cm

143
7.4.1 - SELEÇÃO DOS EQUIPAMENTOS DE COMPACTAÇÃO

A escolha do equipamento para determinado serviço de compactação é


problema bastante complexo, pois, além da diversidade dos equipamentos
disponíveis, há a considerar, ainda, a diversidade dos tipos de solos
existentes, bem como as características próprias do comportamento de cada
um.

Todavia, é possível estabelecer alguns princípios básicos que regem a


escolha, levando-se em conta os tipos predominantes de solos. Basicamente
dividimos os solos em dois grupos:

− solos coesivos: nos quais há uma parcela preponderante de partículas


finas a muito finas, nas quais as forças internas de coesão desempenham
papel preponderante.
− solos não coesivos (granulares):nos quais praticamente há muito pouca
ou nenhuma coesão entre os grãos, havendo, entretanto, o atrito entre eles.

Para os solos granulares ou arenosos a vibração é o processo mais indicado,


pois as partículas permanecem justapostas pelo atrito. Havendo a vibração,
com frequência e amplitude corretas, consegue-se o escorregamento e
acomodação das partículas, ocasionando a rápida diminuição do índice de
vazios.

Para os solos muito coesivos que, além da parcela de atrito interno, possuem
coesão, a vibração não é suficiente para produzir o deslocamento dos grãos,
tornando-se inócua como agente de compactação nesse caso.

Para esta categoria de solos coesivos, somente o amassamento (ou impacto)


é capaz de produzir esforços internos de modo a vencer a resistência oposta
pelas forças de coesão, razão pela qual apenas equipamentos tipo pé-de-
carneiro e os conjugados são capazes de compactá-lo.

Por outro lado, os rolos pé-de-carneiro, se aplicados em solos arenosos,


pouco ou não plásticos, se revelam totalmente inadequados, pois apenas
revolvem-nos, sem conseguir a sua compactação.

Para a maioria dos solos, nos quais encontramos materiais coesivos e


granulares misturados em proporções as mais diversas, é bastante difícil
prever-se com margem de segurança, qual o equipamento de compactação
que trará melhores resultados. Os fabricantes de equipamentos têm

144
procurado oferecer máquinas de compactação que se adaptem à maioria dos
solos existentes, tornando mais ampla a sua faixa de aplicação.

Assim os rolos pé-de-carneiro vibratórios, aliando a vibração ao


amassamento, conseguem a compactação rápida e econômica de misturas de
solos, que, por não apresentarem as características típicas, nem de solos
coesivos nem de solos não coesivos, não aceitam com facilidade a
compactação pelos equipamentos usuais.

Por outro lado, os rolos pneumáticos pesados, com pneus de grande


diâmetro e grande largura (esta aumenta a ação da compactação, em
profundidade), com alta pressão interna, têm capacidade de compactar
praticamente todos os tipos de materiais.

Mesmos os rolos pneumáticos leves, mas que dispõem de rodas oscilantes,


tem um campo de aplicação bastante amplo, especialmente nos solos que
são constituídos por misturas de argila, silte e areia.

Tendo em conta o que foi exposto acima, a conclusão a que se chega é que,
de modo geral, não convêm prefixar o tipo de equipamento para a
realização da compactação de um solo, sendo aconselhável que a escolha
seja feita em função da experiência, testando-se os diversos equipamentos
disponíveis, até a determinação daquele que melhor se adapte às condições
vigentes, conduzindo à compactação de trechos experimentais onde são
testados os diversos equipamentos e ajustados os demais parâmetros que
influem no processo, tais como a espessura da camada solta, o número de
passadas, a velocidade do equipamento, a umidade do solo, o uso de lastro,
etc.

Para orientação genérica, na seleção dos equipamentos de compactação, a


Figura 7.14 indica os tipos mais apropriados para os vários solos que
ocorrem frequentemente nos trabalhos de terraplenagem.

145
Figura 7.14 – Método de escolha do equipamento de compactação.

Sabe-se que, em razão da extrema diversidade dos solos e da variedade de


equipamentos disponíveis, a compactação é operação em que não se pode
pré-determinar com segurança a forma mais rápida e econômica de executá-
la. Será, então, necessário o conhecimento dos parâmetros que influem no
processo, a fim de ajustá-los de modo a se conseguir maior eficiência e
melhores resultados na compactação.

7.5 - PARÂMETROS QUE INFLUENCIAM NO DESEMPENHO


DA COMPACTAÇÃO

7.5.1 - UMIDADE DO SOLO

Já vimos no estudo teórico da compactação que a umidade do solo


desempenha papel fundamental na obtenção de densidades máximas para
determinado tipo de solo, exigindo-se a utilização do teor ótimo de umidade
no processo de compactação.

Todavia os solos em seu estado natural se apresentam, muitas vezes, com


umidade muito inferior (nos períodos de poucas chuvas) ou muito superior
(no período chuvoso) à ótima.

146
Examinando-se a curva de compactação, verifica-se que nas duas hipóteses,
ainda que o equipamento forneça suficiente energia de compactação, não se
conseguirá atingir o peso específico aparente seco máximo. Será necessário,
então, efetuar-se a correção do teor de umidade pela irrigação das camadas,
na hipótese de o solo estar muito seco, ou pela aeração (revolvimento),
quando se encontra muito úmido.

A irrigação, se necessária, deverá ser feita com caminhão-tanque (Figura


7.15), provido de barra de distribuição, com bomba hidráulica para garantir
a mesma vazão em todo trecho irrigado e conseguir a homogeneização do
teor de umidade em toda extensão da camada.

Figura 7.15 – Caminhões pipa – espargidores de água.

No caso de excesso de umidade, haverá necessidade de se aerar o material,


isto é, fazer com que baixe o teor de umidade, até as proximidades do teor
ótimo, revolvendo-se o solo com arados ou grades de disco (Figura 7.16-b),
expondo-o à ação do sol e do vento, para se obter uma evaporação rápida.

147
(a) (b)
Figura 7.16 – Homogeneização do solo (a) por escarificação; (b) grades de
discos.

Essa operação deve ser repetida até que se consiga o teor de umidade
desejado. Na falta de equipamentos especiais de gradeamento é aceitável o
emprego de motonoviledoras providas de escarificador e lâmina (Figura
7.17), que em sucessivas operações de escavação, enleiramento e
espalhamento conseguem o mesmo efeito.

Figura 7.17 – Motoniveladora com escarificador acoplado

Essas operações levadas a efeito para deslocar a umidade natural do solo às


proximidades da umidade ótima, são operações que retardam a
compactação, reduzindo-lhe o rendimento e aumentando o custo.

Entretanto, existe a possibilidade de se atingir a densidade máxima para um


determinado solo e para determinado equipamento utilizado, aumentando-se

148
a energia de compactação com maior número de passadas, como se explica
no item abaixo.

7.5.2 - NÚMERO DE PASSADAS

O número de passadas é o fator que, afetando a produção do equipamento


na razão inversa, pode aumentá-la ou reduzi-la substancialmente, refletindo
diretamente no custo do serviço e no seu tempo de execução.

Obviamente, haverá interesse em se determinar o menor número de


passadas que conduza à densidade máxima desejada, utilizando-se no solo o
teor de umidade ótima.

Isso, todavia, só pode ser feito, com segurança, por tentativas, desde que os
outros parâmetros estejam fixados. Por essa razão, recomenda-se a
execução inicial da compactação em trechos experimentais para o ajuste
definido dos fatores, até atingir-se a condição ideal.

Fixando o número de passadas, o operador deve ser instruído no sentido de


fazer a cobertura da camada, com superposição mínima de 20 cm entre duas
passadas consecutivas.

No caso de rolos vibratórios, usados em solos granulares, há o perigo de,


exagerando-se o número de passadas, ocorrer o fenômeno da super-
compactação que é prejudicial à compactação e ao próprio equipamento.

É comum observar-se o retorno do esforço de compactação ao próprio rolo


vibratório pelo solo que já está suficientemente compactado, causando-lhe
problemas mecânicos na estrutura e reduzindo sua vida útil.

Com outros equipamentos, como rolo pé-de-carneiro, trabalhando em solos


constituídos de misturas de argila, silte e areia, é possível obterem-se as
densidades desejadas, ainda que a umidade do solo não esteja exatamente
no teor ótimo, aumentando o número de passadas, ou seja, incrementando a
energia de compactação.

Para tal, basta determinar, para certo solo e determinado equipamento, as


densidades atingidas para diferentes números de passadas de equipamento e
diferentes energias de compactação (Figura 7.18). Deseja-se atingir no

149
aterro o peso específico aparente seco máximo, com a umidade ótima. A
essa curva corresponde o número de passadas N que é o mínimo, no caso.

Todavia, se o solo se apresentar com teor de umidade acima da umidade


ótima (w2), mediante o aumento do número de passada (N2> N) consegue-
se atingir a compactação prevista com γdmáx.

Se o teor de umidade natural for menor do que o ótimo (w1< wótimo),


empregando-se N1passadas, atingir-se-á o mesmo objetivo.

Essa constatação é particularmente importante quando se executa a


compactação em tempo chuvoso, no qual o teor de umidade natural do solo
permanece sempre acima do teor ótimo, sendo difícil de se conseguir, pela
aeração, a sua diminuição, devido à frequência das precipitações pluviais.

Nesse caso, insistindo-se na rolagem, isto é, aumentando-se o número de


passadas do equipamento, atingir-se-á a mesma densidade obtida com o
número mínimo N, economizando-se a operação demorada e, por vezes
inútil, da aeração artificial com arado e grade.

Figura 7.18 – influência do número de passadas na densidade do solo


compactado.

150
7.5.3 - ESPESSURA DA CAMADA

Por razões econômicas, é preferível que a espessura da camada seja a maior


possível. Entretanto, há outros fatores em jogo que determinam a altura da
camada espalhada, tais como as características do material e o tipo de
equipamento empregado.

O quadro de especificações dos equipamentos fornece as espessuras


máximas recomendadas para os diversos compactadores. Todavia, a prática
indica que, de modo geral, é preferível a fixação de valores menores a fim
de se garantir a compactação uniforme em toda a altura da camada.

No caso de materiais argilo-siltosos, usando-se o rolo pé-de-carneiro,


recomenda-se que a espessura solta da camada não ultrapasse 20% da altura
da pata do rolo.

As especificações de compactação de solos, em obras rodoviárias, fixam em


30 cm a espessura máxima final das camadas, após a rolagem,
aconselhando-se espessuras normais em torno de 20 cm, para se garantir a
homogeneidade.

Para os materiais granulares recomenda-se que sejam usadas camadas de no


máximo 20 cm compactadas.

Cabe observar, porém, que esses números são resultantes de recomendações


genéricas, sendo lícito modificá-los, aumentando-os ou diminuindo-os em
função dos resultados oferecidos pela pista experimental.

O que realmente importa é que a espessura adotada, em função do


equipamento usado, garanta a homogeneidade da camada, isto é, que se
obtenha a mesma densidade em toda a sua massa.

7.5.4 - HOMOGENEIDADE DA CAMADA

É importante que a camada solta, antes da compactação, se apresente tanto


quanto possível pulverizada de forma homogênea, sem a presença de
torrões muito secos, blocos ou fragmentos de rocha. Esse fator assume
grande importância, quando deve ser aumentado o teor de umidade, para se

151
atingir a umidade ótima em todo volume da camada, pela percolação
uniforme da água.

Os implementos usados para essa tarefa são os já mencionados: grades e


arados especiais, além das motoniveladoras, os quais, revolvendo o solo em
sucessivas passadas, conseguem o objetivo visado.

7.5.5 - VELOCIDADE DE ROLAGEM

Como o material solto oferece, devido ao afundamento, resistência elevada


ao rolamento, inicialmente deve-se empregar a 1ª marcha do trator
rebocador, que tem maior esforço trator. Além disso, como as patas do rolo
pé-de-carneiro penetram a certa profundidade na camada solta, a
movimentação em velocidade baixa permite a aplicação de maiores esforços
de compactação.

Com a compactação do solo, as patas vão penetrando cada vez menos e a


resistência ao rolamento diminui, permitindo o uso de marchas mais velozes
e de menor força de tração.

O mesmo procedimento pode ser adotado para o caso dos rolos


pneumáticos. Para os rolos vibratórios deve-se adotar uma velocidade
constante, embora maior, comparada com a dos pé-de-carneiro, pois parece
que a ação dinâmica do rolo, traduzida por um coeficiente de impacto
maior, facilita a acomodação das partículas.

7.6 - ESPECIFICAÇÕES PARA COMPACTAÇÃO EM CAMPO

As especificações modernas de compactação diferem bastante das antigas,


porque estas estabeleciam minuciosamente os parâmetros, fixando o tipo de
equipamento a ser usado, a espessura da camada, o número de passadas, etc.

Atualmente, fixa-se apenas o peso específico a ser atingido no campo,


deixando-se todos os fatores já citados a critério do executor e da
fiscalização da obra. Assim, terão estes ampla liberdade de testar os
equipamentos disponíveis no solo existente, somente ajustando os diversos
parâmetros no sentido de se conseguir a compactação bem feita e de
maneira econômica.

152
Chama-se grau de compactação (Gc) à relação:

 d campo
GC  x 100
 d lab
, onde:

γdCampo = peso específico aparente seco “in situ” (no aterro executado).

γdMáx = γd lab = peso específico aparente seco máximo obtido no ensaio


de Proctor, no laboratório, com a energia de compactação especificada.

As especificações atuais costumam referir-se ao grau de compactação Gc a


ser atingido. As Especificações Gerais de Terraplenagem do DNIT
(Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) estabelecem que
os aterros deverão ser compactados, até 60cm abaixo do greide, atingindo o
peso específico aparente seco correspondente a 95% do peso específico
obtido no ensaio de compactação em laboratório.

Os últimos 60 cm do aterro, que servirão de subleito para o pavimento,


serão compactados até atingirem 100% do peso específico obtido no ensaio
acima mencionado.

A umidade do material deverá ser a umidade ótima determinada naquele


ensaio, com variação de +/- 2 ou 3%, depende do tipo de camada e da
jurisdição da obra (municipal, estadual ou federal). A espessura das
camadas já compactadas será de 20 a 30cm.

Quando à qualidade dos materiais, a norma determina que deverão ser


evitados, na execução do aterro, solos com índice de suporte Califórnia
menor que dois (C.B.R. < 2) e com expansão maior do que 4%.

São frequentes, também, as especificações que se referem ao grau de


compactação em relação aos ensaios do Proctor Normal e ao Proctor
Modificado, já mencionados e estabelecendo-se os valores de Gc a 95 ou
100% do peso específico aparente seco máximo obtido naquele ensaio,
novamente dependendo da jurisdição da obra.

153
7.6.1 - SEQUÊNCIA CONSTRUTIVA

A vista do que já foi exposto, chega-se à conclusão de que não é possível


estabelecer-se um esquema rígido nas prescrições para a execução da
compactação. Ao contrário, a experimentação e o método das tentativas são
os processos mais indicados para se chegarà execução rápida e econômica
do adensamento mecânico (compactação) dos solos, excluindo-se,
definitivamente, a fixação arbitrária dos parâmetros como o número de
passadas, a espessura da camada, a velocidade do equipamento, etc.

A maneira correta de se enfrentar o problema consiste, em primeiro lugar,


na seleção do material ser empregado no aterro, seguindo-se depois a
escolha dos equipamentos supostos como os mais apropriados para o caso.

Em seguida, passamos à fase de ajustagem, já no campo, executando a


compactação em trechos (pistas) experimentais, concluindo-se, por
tentativa, qual o número de passadas, espessuras, velocidade, teor de
umidade, mais favoráveis para a obtenção do grau de compactação
desejável, dentro das condições vigentes naquela obra.

A sequência construtiva da compactação de aterros seria, pois


resumidamente:

1. Escolha do material (jazida) – a escolha deve ser pautada em todas as


prerrogativas de distância de transporte, disponibilidade de material
(volume compatível), características geotécnicas do material, impacto
ambiental, etc.

2. Escavação e transporte do material: o material é devidamente escavado


com auxílio de retroescavadeiras e tratores de esteiras, colocado em
caminhões basculantes e levados até o local de utilização. Muitas
vezes, dependendo do porte da obra, a escavação e transporte pode ser
feito por meio de um único equipamento conhecido como
“motoscraper”, que consegue escavar, estocar, transportar e despejar o
material desejado.

154
(a) (b)

(c) (d)
Figura 7.19 – (a) Retroescavadeira; (b) trator de esteiras; (c) caminhão
basculante; (d) motoscraper.

3. Após transporte, o material deve ser devidamente espalhado no


eixo do local de compactação, formando leiras (montes de solo),
conforme mostrado na Figura 7.20-a.

4. Regularização da camada, utilizando-se a motoniveladora para o


acerto da altura da camada solta dentro dos limites impostos pelas
especificações. Admite-se que a espessura da camada solta seja de
20 a 25% maior do que a altura final da camada, após a
compactação. Esse processo é ilustrado na Figura 7.20-b.

(a) (b)

155
Figura 7.20 – (a) solo sendo deixado em leiras; (b) Motoniveladora
adequando a altura do solo.

5. Homogeneização da camada (pulverização) pela remoção ou


fragmentação de torrões secos, material conglomerado, blocos ou
matacões de rocha alterada, etc., obtendo-se a pulverização do solo
de forma homogênea. Nessa etapa também é adicionada água
(acerto de umidade) e revolvido o solo (gradeamento), de modo
que o mesmo tenha um aspecto homogêneo para que então se
inicie o processo de compactação. Esse processo é ilustrado na
figura abaixo.

(a) (b)

Figura 7.21 – (a) Caminhão pipa;(b) homogeneização do solo por


gradeamento.

6. Compactação propriamente dita: aqui após ter certeza que o solo


encontra-se na umidade e espessura necessária para compactação,
inicia-se a passagem dos rolos compactadores, escolhidos em
função do tipo de solo. A figura abaixo ilustra o processo de
compactação, que pode ocorrer apenas com um equipamento, ou
em forma de comboio (dois ou mais rolos).

156
Figura 7.22 – Compactação do solo em campo.

7. Determinação dos parâmetros geotécnicos de interesse (d campo;


Wcampo). Essa etapa é chamada por alguns de controle
tecnológico de compactação. Será melhor abordado no item que se
segue.

7.7 - CONTROLE TECNOLÓGICO DE COMPACTAÇÃO EM


CAMPO

Existem vários métodos que podem ser utilizados para controlar


compactação. A seguir apresentam-se alguns dos mais utilizados.

7.7.1 - DETERMINAÇÃO DA UMIDADE DE CAMPO (IN-SITU)

O processo expedito mais comumente empregado é o processo da frigideira


(DNER 86-64, determinação da umidade pelo método expedito do álcool).
Com uma frigideira e fogareiro faz-se a secagem violenta e rápida, no
próprio campo, das amostras. Esse processo tem a desvantagem de queimar
a matéria orgânica e retirar água de cristalização da argila.

Também pode ser utilizado o aparelho “speedy moisture test”, que por ser
muito difundido dispensa maiores esclarecimentos. Esse método já foi
devidamente explicado no Capítulo 4.

157
Todavia, o citado aparelho (Figura 7.23) que, em última análise indica a
pressão do gás acetileno produzido na reação química da umidade do solo
com o carbureto de cálcio, necessita de frequentes aferições, para que os
resultados sejam pouco afetados pela sua sensibilidade. Por isso é
conveniente a realização de um ensaio em estufa, a 110°C, para
determinação correta da umidade da amostra e comparando-a com os
resultados do speedy.

Figura 7.23 – Conjunto completo para determinação da umidade in-situ,


método Speedy Test.

7.7.2 - DETERMINAÇÃO DO GRAU DE COMPACTAÇÃO (GC)

A determinação do grau de compactação, obtido no campo, demanda a


determinação do peso específico aparente seco “in situ”. Vários processos
correntes foram desenvolvidos para efetuar de maneira rápida, e com
suficiente precisão, descritos a seguir.

158
7.7.2.1 - MÉTODO DO ÓLEO

O Método do óleo não é usualmente aplicado em campo, devido as


dificuldades executivas e a impregnação do material ao solo, o que pode
comprometer o desempenho do mesmo nas regiões de amostragem.

7.7.2.2 - MÉTODO DO FRASCO DE AREIA

Com relação ao Método da areia (ABNT/NBR 7185/86 - Determinação da


massa específica aparente, in-situ, com o emprego do frasco de areia), seu
princípio de execução é semelhante ao anterior, apenas com a substituição
do óleo por uma areia fina e seca. A diferença de peso, antes e depois do
enchimento do furo observada no frasco de areia, dividido pelo peso
específico da areia (γareia), fornece o volume V procurado.

O procedimento completo é descrito a seguir.

1. Abre-se o furo no terreno compactado


2. Pesa-se o solo retirado para abertura do furo e registra o valor;
3. Posiciona-se a placa de aço no furo, juntamente com o funil e o
frasco de areia de peso conhecido (P1);
4. Enche-se o furo aberto com a areia do frasco;
5. Pesa-se novamente o frasco e registra o novo valor (P2);
6. O valor do peso de areia necessário para encher o funil é P3;
7. Conhecido o peso específico da areia do frasco, determinado em
laboratório, determina-se o volume do furo, sendo:

Figura 7.24 – Processo de obtenção da densidade in-situ pelo método frasco


de areia.

159
7.7.3 - CONTROLE ESTATISTICO DA QUALIDADE

Segundo as normas DNIT 011/2004-PRO , DNER-ES 303/97 e DNER-


PRO 277/97, devem ser feitas análises dos resultados encontrados para o
conjunto de pontos os quais foram levantados informações de densidade e
umidade em campo, para cada trecho homogêneo de 100m de extensão,
sendo determinados no mínimo uma amostra (um furo de sondagem- frasco
de areia) a cada 20m (1 estaca), portanto um número de 5 pontos para cada
trecho analisado. Após, realiza-se as seguintes etapas:

Extrai-se uma amostra de tamanho N (no mínimo 5 – conforme


preconizado);

X
 GC campo

Calcula-se a média das determinações: N e

X
W campo

__

s
 ( xi  x ) 2

Determina-se o desvio padrão da amostragem: N 1

Determina-se “k” através da tabela de amostragem variável, obtido nas


normas supracitadas e apresentado abaixo.

Nota-se que Quanto > plano de amostragem < risco do executante, ou seja,
quanto maior for o número de amostras dentro da região (extensão)
analisada, mais próximo de obter resultados reais estaremos, reduzindo
assim as possibilidades de:

 Aprovação de um serviço de péssima qualidade

 Rejeição de um serviço de excelente qualidade.

160
Os resultados encontrados após compactação da camada foram analisados
da seguinte forma:

GRAU DE COMPACTAÇÃO (Mínimo exigido = 100,0% ou 95%). Obs.:


Esse padrão é definido em conformidade com a região e a jurisdição da obra
e preceitos geotécnicos locais (municipal, estadual ou federal)

Aceitação: X  Ks  (mínimo.exigido )

Rejeição: X  Ks  (mínimo.exigido )

UMIDADE: Esta deve estar em torno de 2 ou 3% do valor obtido na curva


de compactação (Wót), o seja; Mínimo exigido = Wót – (2 ou 3%) e
Máximo exigido = Wót + (2 ou 3%).

Por exemplo: Se a umidade ótima obtida no laboratório for de 10%, e o


projeto de compactação prevê valores em torno de 2%, então a umidade de
campo deve estar entre 8% e 12%.

Entretanto, apenas analisar se os valores obtidos estão dentro deste intervalo


não é suficiente para que seja aprovado o serviço de campo. A normativa
prevê análise dos valores, da seguinte maneira.

Aceitação:
X  Ks  mínimo.exigido e X  Ks  máximo.exigido

Rejeição:
X  Ks  mínimo.exigido e X  Ks  máximo.exigido

161
7.8 - EXERCÍCIOS

EXERCÍCIO 1 (RESOLVIDO) – Construir a curva de compactação para o


ensaio apresentado abaixo.

162
EXERCÍCIO 2 (RESOLVIDO) - Determinação da massa específica
aparente in situ através do método do frasco de areia do solo utilizado como
base em um trecho de uma rodovia.

163
EXERCÍCIO 3 (RESOLVIDO) - Determinação da massa específica
aparentein situ através do método do cilindro de cravação de um solo
utilizado como base em um trecho de uma rodovia.

164
EXERCÍCIO 4 (NÃO RESOLVIDO)

165
166
8. CAPÍTULO 8 – Tensões Geostáticas

CAPÍTULO 8

Tensões Geostáticas

8.1 - TENSÕES VERTICAIS

Os esforços no interior das massas de solo são gerados pelas cargas externas
aplicadas e pelo peso próprio do solo (tensões geostáticas).

Os esforços causados por carregamentos externos, de um modo geral, são


bastante complexos:
 O seu tratamento, normalmente, é realizado a partir de
hipótese formuladas pela Teoria da Elasticidade (tópico
“Propagação de tensões no solo”).

Figura 8.1 – Conceito de Meio Contínuo

167
Se a superfície do terreno for horizontal, as tensões totais numa determinada
profundidade são determinadas considerando-se apenas o peso próprio do
solo sobrejacente, ou seja determinação das tensões VERTICAIS (σv).

A figura abaixo ilustra como é possível determinação de tais tensões


verticais.

Areia siltosa

sz= P/A = (ΣiHiA)/A= ΣiHi


Argila
Primeira camada

Terceira camada
Segunda camada

sz
Superfície do terreno

P
x
y

P   . A.H
z

P
V
Área


sh
sv

sh
z

Figura 8.2 – Esquema prático de determinação das tensões verticais.

168
8.2 - PRINCÍPIO DAS TENSÕES EFETIVAS

Considerando o material homogêneo, isotrópico e saturado com água em


condições hidrostáticas (isto é, sem fluxo) a profundidade na qual a pressão
na água é atmosférica é o chamado nível d‟água natural (N.A.) ou lençol
freático. Portanto, abaixo do nível d‟água, a pressão na água, ou poro-
pressão ou pressão neutra (u0) é positiva. Sendo definida pela expressão:

u0= γw . zw
u0= pressão neutra ou poro-pressão
γw= peso específico da água, tomado igual a 10 kN/m³ = 1g/cm³
zw= profundidade em relação ao nível da água.

Seja considerado um elemento de solo totalmente saturado e pelos pontos


de contato entre os grãos passa um “plano” XX. Dentro de uma massa de
solo, o “plano” ondulado XX (Figura 8.3) é muito próximo de um plano
real, devido ao tamanho muito pequeno das partículas sólidas

Figura 8.3 – Representação do contato “grão-a-grão”

169
A força normal P aplicada sobre uma área total A do solo é resistida
parcialmente pelas contatos intergranulares (contatos entre as partículas) e
parcialmente pela água que preenche os vazios do solo.

Tanto as direções como as intensidades das forças intergranulares (R) são


aleatórias, onde cada uma dessas forças intergranulares pode ser
decomposta em uma componente normal (N‟) e em uma componente
tangencial (T ) ao plano que se aproxima do “plano” XX. Assim, a tensão
normal efetiva (s ‟ ) é interpretada como sendo a soma de todas as
componentes normais N‟, compreendidas pela área A, dividida pela área A
(APENAS NOS CONTATOS GRÃO-GRÃO)

s’ 
 N'
A
A tensão normal total (σ) é dada por: σ = P/A

Assumindo que o contato entre as partículas seja realizado através de


pontos infinitesimais (áreas de contato muito pequenas), então a pressão de
água (u) atuará praticamente sobre toda área A.

Por equilíbrio, deve-se ter:

P
s
ou mas A e
 N'  s '
A , resultando então: s  s 'u  Tensão total =
Tensão efetiva + poropressão

8.3 - PESO ESPECÍFICO SUBMERSO (γsub)

Em solos submersos (portanto saturados) define-se o peso específico


submerso (γsub ou γ„) que permite calcular a tensão vertical efetiva (σ‟vo),
em qualquer plano do solo submerso. Seja o perfil de solo esquematizado na
figura abaixo.

170
Figura 8.4 – Esquema prático para determinação do peso específico
submerso.

A tensão total (s ) no plano A-A se deve à contribuição do peso de água e


do peso de solo saturado:

A pressão neutra (ou poropressão) (u) no plano considerado corresponde à


pressão hidrostática:

Dessa forma, a tensão efetiva será:

γ‟ é o peso específico submerso do solo, também conhecido como γsub.

Dessa forma, é possível determinação das tensões efetivas de duas


maneiras:

MÉTODO 1
 Determina-se a TENSÃO TOTAL do maciço
 Determina-se a POROPRESSÃO

171
 Calcula-se a TENSÃO EFETIVA = TENSÃO TOTAL –
POROPRESSÃO

MÉTODO 2
 Determina-se o valor do PESO ESPECÍFICO SUBMERSO =
PESO ESPECÍFICO SATURADO – PESO ESPECÍFICO DA
ÁGUA
 Calcula-se diretamente a TENSÃO EFETIVA = PESO
ESPECÍFICO SUBMERSO x ESPESSURA DA CAMADA DE
SOLO

EXERCÍCIO RESOLVIDO - Calcular as tensões total, neutra


(poropressão) e efetiva do perfil de solo abaixo.

OBS.: CALCULAR COM γsat e γsub

172
8.4 - TENSÕES HORIZONTAIS

Até agora foram vistas as tensões verticais iniciais, totais e efetivas,


entretanto não é suficiente para se conhecer o estado de tensão inicial, pois
considerando uma situação bidimensional, é necessário determinar as
tensões que atuam em dois planos ortogonais.

Devido ao peso próprio ocorrem também tensões horizontais, que são uma
parcela da tensão vertical atuante:

, onde: o coeficiente “k” é denominado de coeficiente de tensão


lateral (ou coeficiente de empuxo), que é função do tipo de solo, da história
de tensões, etc.; σ‟h e σ‟v são respectivamente as tensões efetivas horizontal
e vertical.

As tensões totais horizontais são, geralmente, uma fração da tensão total


vertical atuante: s ' h  k s 'v e ainda s ho
'
 k0  s vo'

Existe uma situação em que a tensão horizontal efetiva e a tensão vertical


efetiva se relacionam de maneira simples: quando não há deformação lateral
do depósito (por exemplo, extensos depósitos sedimentares). Neste caso
define-se o coeficiente de tensão lateral no repouso (ko), que é a relação
entre tensões efetivas iniciais:

O valor de “k0” pode ser obtido através de ensaios de laboratório em que


simulam condições iniciais, ou seja, sem deformações laterais. In situ, pode-
se determinar o valor de “k0” introduzindo no terreno uma célula-espada, ou
seja, um medidor de pressão semelhante a uma almofada, porém de pequena
espessura, que é cravado verticalmente no terreno, como uma espada, e após
a estabilização permite deduzir a tensão lateral total (σh0). Conhecendo o
valor da pressão neutra inicial (u0) e da tensão efetiva vertical (σ‟v0) obtém-
se o valor de “k0” pela equação anterior.

Admitindo-se que o solo seja isotrópico (mesmas propriedades em todas as


direções) e homogêneo (mesma característica), e que não ocorram

173
deformações horizontais, o valor do coeficiente de empuxo em repouso
pode ser determinado pela Teoria da Elasticidade:


k0  onde  é o coeficiente de Poisson do material
1 
O coeficiente de Poisson, ν, mede a deformação transversal (em relação à
direção longitudinal de aplicação da carga) de um material homogêneo
e isotrópico.

A tabela abaixo traz valores típicos de k0 em função do tipo de solo.


Tabela 8.1 – Valores típicos de k0

Solo ko
Areia fofa 0,55
Areia densa 0,40
Argila de baixa plasticidade 0,50
Argila de alta plasticidade 0,65
Argila pré-adensada 1
Argila Normalmente Adensada 1

Define-se como argila pré-adensada a argila que, no passado, sofreu tensões


maiores das que está submetidas na atualidade, e como argilas normalmente
adensadas aquelas em que as maiores tensões já suportadas pela argila
atuam na atualidade.

Assim sendo o valor de ko, a uma determinada profundidade depende do:


Tipo de solo e Histórico de tensões

EXERCÍCIO RESOLVIDO - Calcular tensão efetiva vertical inicial e a


tensão efetiva horizontal inicial nos pontos A, B, C e D no perfil geotécnico
da figura abaixo e traçar o diagrama de variação das tensões com a
profundidade.

174
8.5 - TENSÕES EM SUPERFÍCIES DE TERRENO INCLINADO

Superfícies inclinadas geram tensões tangenciais (τ) nas faces horizontal e


vertical de um elemento de solo (Figura 8.5).

175
Figura 8.5 – Superfície do terreno inclinado

Onde:

W = peso do solo
W = γ. B . z N = W . cos i (tensão normal)
B = b0. cos i
W = γ. b0 . cos i . z T = W . sen i (tensão tangencial)

Tensão total vertical inicial (plano paralelo a superfície)

σv0= W / A = W / (b0. 1 m) = γ. b0. cos i . z / (b0. 1 m)  σv0= γ. z . cos i

Tensão total normal

σn0= N / A = W. cos i / (b0. 1 m) = γ. b0. cos i . z . cos i / (b0. 1 m)  σn0=


γ. z . cos².i

Tensão cisalhante

τ= T/A = W. sen i / (b0. 1 m) = γ. b0. cos i . z . sen i / (b0. 1 m)  τ= γ. z .


sen i . cos i

176
8.6 - CAPILARIDADE DOS SOLOS

É um processo de movimentação d‟água contrária à ação gravitacional


(ascensão capilar). A água se eleva por entre os interstícios de pequenas
dimensões deixados pelas partículas sólidas (vazios ou poros), acima do
nível d‟água. O nível d‟água ou freático é a superfície em que atua a pressão
atmosférica e, na Mecânica dos Solos, é tomada como origem do
referencial, para as poropressões, e no nível freático a poropressão é igual a
zero.

Os fenômenos de capilaridade estão associados diretamente à tensão


superficial, sendo a que atua em toda a superfície de um líquido, como
decorrência da ação da energia superficial livre. O perfil geotécnico da
Figura abaixo, mostra-nos a distribuição típica da umidade do solo e da
poropressão (uo).

Figura 8.6 - Distribuição do teor de umidade e poropressão em um perfil de


solo

Na Figura 8.6, tem-se o diagrama de poropressões, verifica-se que graças à


ascensão capilar a poropressão acima do nível d‟água é negativa (u < 0). O
solo apresenta às vezes seus poros interligados e formando canalículos, que
funcionam como tubos capilares. Assim pode-se explicar, dentro da massa,
a ocorrência de zonas saturadas de solos, que estão situadas acima do nível
d‟água.

177
Para melhor compreensão do fenômeno da capilaridade é possível partir da
ideia de que poros, entre os grãos dos solos, formam canalículos capilares
verticais. Um modelo físico disso é emergir a ponta de um tubo capilar em
água (Figura 8.7). A água subirá até uma “altura de ascensão capilar”, tanto
maior esta altura quanto menor o diâmetro do tubo, tal que a componente
vertical da força capilar (Fc = 2.π.r.Ts) seja igual ao peso da coluna d‟água
suspensa.

Figura 8.7 – Modelo físico do fenômeno da capilaridade

Onde:

Ts = tensão superficial da água (0,0764 g/cm)

α= ângulo de contato que dependem do fluído e do sólido de contato.

Portanto, para que ocorra o equilíbrio, temos que:

Verifica-se que a altura de ascensão capilar é inversamente proporcional ao


diâmetro. Nos solos como estimativa da ascensão capilar máxima (α= 0°)

178
com “d” em cm

Onde “d” é o diâmetro dos poros. Portanto nos solos arenosos e


pedregulhosos onde os poros são maiores, a altura de ascensão capilar na
prática está entre 30cm e 1m. Já nos solos siltosos e argilosos, onde os poros
são menores, a altura de ascensão capilar chega a dezenas de metros.

A água em contato com o solo também tenderá a formar meniscos. Nos


pontos de contato dos meniscos com os grãos (Figura 8.8) evidentemente
agirão pressões de contato, tendendo a comprimir os grãos. Estas pressões
de contato (pressões neutras negativas) somam-se as tensões totais: σ„ =
σ- (-u) = σ+ u

Isso faz com que a tensão efetiva realmente atuante seja maior que a total.
Esse acréscimo de tensão proporciona um acréscimo de resistência
conhecido como coesão aparente, responsável, por exemplo, pela
estabilidade de taludes em areia úmida. Uma vez eliminada a ação das
forças capilares (saturação do solo) desaparece este ganho de resistência
(coesão aparente tende a zero).

Figura 8.8 – Pressões de contato em uma amostra de solo

Assim, é possível fazer alguns questionamentos:

1. Quais materiais apresentam naturalmente a maior ascensão capilar?

2. O que pode influenciar no processo de ascensão?

A partir da figura abaixo, é possível observar que a Ascensão CAPILAR =


POROPRESSÃO NEGATIVA.

179
N.T.
Ponto A

Solo 1 N.A.
Ponto B

Solo 2
Ponto C

Figura 8.9 – Representação das poropressões negativas

Assim, com base na observação da figura acima, podemos concluir que:

No Ponto A

 Não possui poropressão POSITIVA, pois não há água acima


 Possui poropressão NEGATIVA, vinda do Solo 1 (de baixo para
cima = ascensão capilar), pressionando o ponto A para cima.

No Ponto B

 Não possui poropressão POSITIVA, pois não há água acima


 Não possui poropressão NEGATIVA, pois não há ascensão na
camada inferior que possa pressionar o ponto B para cima.

No Ponto C

 POSSUI poropressão POSITIVA, pois há coluna d‟água acima do


ponto, pressionando-o para baixo
 Não possui poropressão NEGATIVA, pois não há ascensão na
camada inferior que possa pressionar o ponto C para cima.

Obs.: Pode haver confusão quanto a influência da poropressão negativa no


sentido de PUXAR A camada inferior, mas isso não ocorre!!!!!!!

180
8.7 - EXERCÍCIOS RESOLVIDOS

Exercício 1 – Determinar as tensões agindo nos pontos A, B e C.

u =0kPa ; σ = 0kPa ; σ’ = 0kPa


Areia seca
=16,5kN/m3
u = -30kPa ; σ = 49,5kPa ; σ’ = 79,5kPa Areia saturada por
capilaridade
u = 0kPa ; σ = 99kPa ; σ’ = 99kPa =16,5kN/m3
Nível d´água

PODE SER USADO γsub, para cálculo da


tensão efetiva na camada saturada por
Areia saturada
capilaridade =19,25kN/m3

u = 130kPa ; σ = 349,25kPa ; σ’ = 219,25kPa

Argila saturada

A tensão efetiva será maior em situações de saturação por capilaridade

181
-40 -20 0 20 40 60 80 100 120 140 160 180 200 220 240 260 280 300 320 340 360 380
0
-1
-2
-3 Tensão total
-4
-5 Poropressão
-6
-7
-8
-9
-10
-11
-12
-13
-14
-15
-16
-17
-18
-19
-20

Note que só começam aparecer poropressões a partir da cota -3m, o que


indica que na camada superior não existe água, Sr=0% material seco!!!!

EXERCÍCIO 2 - Calcular as tensões verticais no contato entre a areia


grossa e o solo de alteração, a 7m de profundidade.

182
+2m
ÁGUA APÓS ENCHENTE

Se ocorrer uma enchente que eleve o nível d‟água até a cota +2m acima do
terreno, quais seriam as tensões no contato entre a areia grossa e o solo de
alteração de rocha? Compare os resultados antes e após enchente.

OBS.: Nesse caso, a lâmina de água acima do nível do solo deverá ser
considerada nas tensões totais, além da poropressão!!!!!

A tensão total aumentou, mas a tensão efetiva diminuiu, porque uma parte
da areia superficial, um metro, que estava acima do nível d‟água, ficou
submersa.

183
EXERCÍCIO 3 - Determinar as tensões na profundidade de 0,5m para o
perfil do exercício anterior. Considere que a areia está saturada por
capilaridade.

EXERCÍCIO 4 - Calcule as tensões total, neutra e efetiva para os pontos


assinalados (tensões verticais). Faça um gráfico da variação da tensão por
profundidade. (considere γw=10kN/m³)

184
8.8 - É POSSÍVEL CONHECER O PERFIL GEOTÉCNICO DO
SOLO A PARTIR DO GRÁFICO?

A resposta para esse questionamento é muito simples: Sim é possível.


Observando o gráfico abaixo, nota-se que existem pontos de transição (com
inclinações diferentes), o que indica uma mudança nas características
geotécnicas do solo, ou seja, uma zona de transição de materiais.

Outro ponto a ser notado é que as tensões efetivas, bem como as tensões
totais não apresentam comportamento linear ao longo de toda a
profundidade analisada, com exceção das poropressões. Observa-se que a
partir do ponto (-1m) na primeira linha (laranja) apresenta comportamento
linear ao longo de toda a profundidade, o que indica que essa é a linha das
poropressões, além disso, nota-se que até a cota -1m a poropressão é nula, o
que comprova que o nível da água está a 1m de profundidade.

-20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140


0
Nível onde começam aparecer
-1 poropressões (N.A.)

-2
Nível de transição de
-3 materiais

-4

-5

-6

-7

Figura 8.10 – Gráfico ilustrativo para leituras de tensões

185
-20 -10 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140
0
Indicativo de sucção
-1 (poropressão negativa) –
ascensão capilar

-2
Nível de transição de
materiais
-3

-4

-5

-6

-7

Figura 8.11 – Gráfico ilustrativo para leituras de tensões inclusive


negativas.

Na Figura acima nota-se que a primeira linha tem início na tensão -10 kPa,
o que indica que existe uma camada com ascensão capilar, com 1m de
profundidade. Também é possível notar que a partir de 3m de profundidade,
há uma mudança no material, ou seja, ali é uma zona de transição entre
materiais.

186