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20 de Agosto de 2018

Tribunal de Justiça de Minas Gerais TJ-MG - Apelação


Cível : AC 10024097463202003 MG - Inteiro Teor

Inteiro Teor

EMENTA: APELAÇÃO CÍVEL - FAMÍLIA - ALIMENTOS -


PENSÃO - VALOR - FIXAÇÃO - TRINÔMIO
CAPACIDADE/NECESSIDADE/PROPORCIONALIDADE -
OBRIGAÇÃO FAMILIAR: AMBOS OS PAIS - 1. Os alimentos
são fixados em proporção à necessidade do alimentando e à
possibilidade do alimentante, atentando-se para a condição
econômico-financeira das partes. 2. A obrigação de prestar
alimento aos filhos menores deriva do poder/dever familiar e
incumbe a ambos os genitores, devendo cada qual contribuir na
medida de sua capacidade.

APELAÇÃO CÍVEL Nº 1.0024.09.746320-2/003 - COMARCA


DE BELO HORIZONTE - 1º APELANTE: A.P.B.G.C.
REPRESENTADO (A)(S) P/ MÃE K.P.B. - 2º APELANTE:
C.G.C. - APELADO (A)(S): A.P.B.G.C. REPRESENTADO (A)(S)
P/ MÃE K.P.B., C.G.C.

ACÓRDÃO
(SEGREDO DE JUSTIÇA)

Vistos etc., acorda, em Turma, a 7a CÂMARA CÍVEL do


Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais, na
conformidade da ata dos julgamentos em NEGAR
PROVIMENTO AOS RECURSOS.

DES. OLIVEIRA FIRMO

RELATOR.

DES. OLIVEIRA FIRMO (RELATOR)

VOTO

I - RELATÓRIO

1. Trata-se de APELAÇÕES interpostas, respectivamente, por


A.P.B.G.C. (primeira apelante/requerente) - representada por
sua genitora K.P.B. -, e por C.G.C. (segundo
apelante/requerido) da sentença (f. 406-411) prolatada nos
autos da AÇÃO DE ALIMENTOS proposta pela primeira
apelante em face do segundo apelante. O pedido foi julgado
parcialmente procedente para condenar o requerido ao
pagamento de pensão alimentícia mensal à requerente, no
valor correspondente a 2,5 (dois em meio) salários mínimos,
devendo ele continuar custeando o plano de saúde em
benefício dela. Pela sucumbência parcial, as partes foram
condenadas ao pagamento das custas e "honorários
advocatícios na proporção de 50% (cinquenta por cento) para
cada um, suspendendo a sua exigibilidade, nos termos do artigo
12 da Lei no 1.060/50, em razão da gratuidade da justiça".

2. A requerente/primeira apelante alega, em síntese, que: a) - o


requerido tem capacidade de suportar o pensionamento em
montante superior ao estabelecido na sentença, pois é um
conhecido advogado, sócio de dois grandes escritórios de
advocacia de Belo Horizonte, "HI Consultoria e Assessoria
Empresarial" e "Santos Rodrigues, Curi, Resende e Advogados
Associados", mantendo elevado padrão de vida, desfrutando de
viagens e carros importados; b) - o requerido declarou em
cadastro elaborado junto a instituição financeira para aquisição
de veículo que aufere renda mensal de R$12.000,00 (doze mil
reais), arcando com prestações mensais desse financiamento
que montam a R$1.300,00 (mil e trezentos reais), além de
apresentar gastos com cartão de crédito de R$10.801,00 (dez
mil, oitocentos e um reais) por mês, o que demonstra não
possuir a renda que afirma de R$3.000,00 (três mil reais),
insuficiente para fazer frente a tais despesas; c) - tem direito a
ser mantida no mesmo padrão de vida de seu
genitor/requerido, justificando assim a majoração dos
alimentos; d) - a sua genitora encontra-se desempregada e sem
exercer a atividade de sua formação (arquiteta), encontrando
por isso muita dificuldade para se inserir no mercado de
trabalho, mas, a despeito disso, tem contribuído com seu
sustento na medida de sua capacidade; e) - os honorários
sucumbenciais pertencem ao advogado, não incidindo a regra
prevista no art. 21 do Código de Processo Civil (CPC) no caso de
os alimentos serem fixados em montante menor daquele
pleiteado na inicial. Pede o provimento da apelação para que
seja julgado procedente o pedido, fixando os alimentos em
montante não inferior a 4 (quatro) salários mínimos e
condenando o requerido na totalidade das verbas
sucumbenciais (f.413-423).

3. O requerido/segundo apelante alega, em síntese, que: a) -


não há "prova séria" sobre as reais necessidades da requerente,
pois embora sejam essas presumidas, o seu quantum não o é,
devendo ser comprovado pela parte que pleiteia alimentos; b) -
na fixação dos alimentos ficou evidenciado que a sentença
baseou-se "no depoimento pessoal da Autora/Apelada em
benefício dela própria, o que é de todo inadmissível, data
venia"; b) - não é mais sócio de dois grandes escritórios de
advocacia de Belo Horizonte e a única fonte de renda que
possui advém da locação de seu apartamento, no valor de
R$3.000,00 (três mil reais mensais), insuficiente para suportar
os alimentos no montante fixado na sentença, pois também
arca com os alimentos devidos a outra filha menor, a quem
paga pensão no valor de 2 (dois) salários mínimos mensais; c) -
não possui a renda declarada no cadastro bancário para
aquisição de seu veículo, conforme as provas constantes dos
autos, não sendo verdadeira aquela informação que certamente
"foi inserida pelo vendedor da agência de automóveis"; d) - a
obrigação de prestar alimentos é de ambos os genitores,
afigurando-se exagerado o pensionamento no valor fixado na
sentença se se considerar a pouca idade da requerente e o fato
de a sua genitora também ser obrigada a contribuir com seu
sustento. Pede o provimento da apelação para que seja
reformada a sentença, fixando-se os alimentos em 2 (dois)
salários mínimos mensais, mantida a sua obrigação do
pagamento do plano de saúde à requerente (f.425-437).

4. Contrarrazões: pela requerente (f. 442-449); e pelo requerido


(f. 451-457), uma e outra no sentido do desprovimento do
recurso da parte contrária.

5. O Ministério Público é pelo parcial provimento da primeira


apelação, para majorar o valor dos alimentos devidos pelo
requerido à requerente, e pelo desprovimento do segundo apelo
(f. 469-473.

6. Preparo: requerente: isenta (art. 10, II da Lei estadual no


14.939/2003); requerido (f. 438).

É o relatório.

II - JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE

7. Inicialmente, registro que há nos autos Agravo Retido


interposto pela requerente (f. 215-218), mas cujo conhecimento
não foi requerido em suas razões e/ou contrarrazões recursais,
razão pela qual dele não se conhece.

8. Vistos os pressupostos de admissibilidade, conheço das


APELAÇÕES.

III - MÉRITO

9. Considerando que a discussão travada nos autos gira em


torno do montante dos alimentos fixados na sentença,
ressalvada, apenas, a insurgência da requerente/primeira
apelante quanto ao critério de fixação dos honorários
advocatícios de sucumbência, impõe-se a análise conjunta das
apelações.

III - a)
10. Na hipótese, a requerente pleiteia a majoração do valor dos
alimentos fixados na sentença em 2,5 (dois e meio) salários
mínimos, para que passe a se lhe ser devido no montante de 4
(quatro) salários mínimos mensais.

11. A seu turno, o requerido pretende a minoração desse valor,


pelo que concorda e tem por justo a fixação dos alimentos
devidos à requerente se forem fixados em 2 (dois) salários
mínimos. E sobre o plano de saúde que ele já vem suportando
em prol da menor/requerente não há divergência entre as
partes.

12. É dos autos que a requerente contava com pouco mais de 2


(dois) anos de idade na data da sentença, pois nascida em
18.9.2009 (f. 11).

13. O dever dos pais de assistir os filhos menores, de matriz


constitucional (art. 229, do CF/88),(1) deriva do próprio
poder/dever familiar, sendo presumidas as necessidades
alimentares da criança e do adolescente.

14. Atento ao que dispõe a norma do art. 1.694, § 1o, do Código


Civil, os alimentos devem ser estabelecidos de modo a
promover, equilibradamente, ideal proporcionalidade entre as
necessidades dos filhos menores e os recursos de seu pai.

15. Em vista da tenra idade da requerente, presumida a sua


necessidade de lhe serem prestados alimentos.

16. Verifica-se que a sentença arbitrou o valor dos alimentos


baseando-se na mensuração dessa necessidade apresentada
pela genitora da requerente em seu depoimento. Na
oportunidade, a mãe da infante descreveu as despesas da
requerente, atribuindo-lhes valores discriminados, os quais,
somados naquela assentada, alcançaram a importância de
R$2.600,00 (dois mil e seiscentos reais) (f. 231).

17. De se ver que, embora a requerente tenha pleiteado a


fixação dos alimentos em 10 (dez) salários mínimos mensais (f.
7), desde a inicial alegou que tem despesas mensuradas no
valor de R$2.716,83 (dois mil, setecentos e dezesseis reais e
oitenta e três centavos).

18. No ponto, importante salientar que a requerente afirmou


que nasceu com "desenvolvimento incompleto do ouvido
esquerdo" e que "terá necessidades básicas muito superiores à
de um criança saudável da mesma idade" (f. 3). O requerido
contesta essa afirmação, dizendo que se trata "tão-somente de
uma pequena má-formação do ouvido esquerdo externo, a qual
poderá ser facilmente sanada, mediante a realização de simples
cirurgia estética, quando a filha estiver com mais idade" (f. 65).

19. Quanto à repercussão desse fato na fixação dos alimentos,


verifica-se que a genitora da requerente disse em seu
depoimento que a menor tem despesas com fonoaudiólogo no
montante semanal de R$120,00 (cento e vinte reais) (f. 231).
Por sua vez, o requerido contesta tal despesa, afirmando que o
tratamento médico da menor pode ser realizado por meio do
plano de saúde, sem outros ônus para a infante.

Relevante considerar que sobre essa específica questão a


requerente não impugnou a alegação de que o seu tratamento
pode ser realizado pelo plano de saúde a cargo do requerido.
Assim, o só fato de optar por tratamento médico particular em
detrimento daquele oferecido pelo plano de saúde, não respalda
nem serve como prova de sua alegação de ter necessidades
"superiores a de uma criança saudável da mesma idade" (f.
176).

20. Com efeito, os alimentos fixados em 2,5 (dois e meio)


salários mínimos, hoje correspondentes a R$1.680,00 (mil
seiscentos e oitenta reais), mostram-se suficientes ao
atendimento às necessidades essenciais da menor,
notadamente com educação (f. 359-362), alimentação (f. 22),
moradia na companhia de sua genitora, vestuário condizente
com a idade da infante, lazer e saúde, esta última sob a
consideração de que o requerente já arca com o respectivo
plano. Deve ainda ser considerado que o dever de prestar
alimento aos filhos é de ambos os pais, sendo esperado da
genitora da requerente, que apresenta condições para o
trabalho, que também contribua no pensionamento, ainda que
na medida da sua própria capacidade (proporcionalidade).

II - b)

21. Ultrapassada essa questão, ao menos no aspecto tratado no


recurso aviado pela requerente, o que não merece provimento,
cumpre perquirir se o requerido tem possibilidade de suportar
o pensionamento nesse montante.

22. Embora ele afirme que aufere renda de apenas R$3.000,00


(três mil reais), diz que reside em imóvel cedido sem ônus por
seu irmão, e reconhece que consegue suportar despesa mensal
com prestação de financiamento de veículo no valor
aproximado de R$1.300,00, além de pensão alimentícia que
paga a outra filha sua, no valor correspondente a 2 (dois)
salário mínimos (depoimento pessoal - f. 232), tudo isso até
aqui sem prejuízo do seu próprio sustento.
23. Somente esses fatos já infirmam os argumentos do
requerido, sobretudo porque a sua insurgência versa
exclusivamente sobre o valor correspondente a meio salário
mínimo que ultrapassa os 2 (dois) salários mínimos que ele
entende como possível de suportar a título de alimentos.

24. Não é razoável e tampouco encontra respaldo nas provas


dos autos a alegação do requerido, pois se ele pode arcar com o
pagamento de prestação de veículo de luxo, mais ainda com o
pagamento de alimentos a sua filha no montante fixado na
sentença.

25. Assim, é de se negar provimento ao recurso do requerido.

III - c) - Dos honorários advocatícios

26. Quanto à alegada impossibilidade de incidência do disposto


no art. 21 do CPC no caso de lide envolvendo alimentos sem
razão a requerente, pois se a sentença houvesse acolhido a sua
pretensão inicial de obter o pensionamento no valor
correspondente a 10 (dez) salários mínimos, ela nem sequer
teria interesse recursal a justificar o conhecimento de sua
Apelação.

27. Considerando que a sentença julgou parcialmente


procedente o seu pedido, impõe-se reconhecer a sua
sucumbência parcial, atraindo a aplicação do referido art. 21 do
CPC.

28. Por esse motivo, é de se negar provimento ao seu recurso


também nesse ponto.
IV - CONCLUSÃO

29. POSTO ISSO, NEGO PROVIMENTO A AMBAS AS


APELAÇÕES.

30. Custas: face à sucumbência recíproca, as custas serão


suportadas na proporção de 50% (cinquenta por cento) para
cada uma das partes, havendo em relação à requerente o
benefício da isenção prevista no art. 10, II da Lei estadual no
14.939/2003.

É o voto.

DES. WASHINGTON FERREIRA (REVISOR) - De acordo com


o (a) Relator (a).

DES. WANDER MAROTTA - De acordo com o (a) Relator (a).

SÚMULA: "NEGARAM PROVIMENTO AOS RECURSOS"

1 - Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os


filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e
amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.

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Disponível em: http://tj-mg.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/119393843/apelacao-civel-ac-


10024097463202003-mg/inteiro-teor-119393884