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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE ENGENHARIA
Departamento de Engenharia de Estruturas

GRADUAÇÃO

CONCRETO ARMADO I

Ney Amorim Silva


(Prof. Titular)

Versão Junho 2018


CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 1

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

MATERIAIS – AÇÕES - RESISTÊNCIAS


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1.1 – Histórico

O material composto concreto armado surgiu há mais de 150 anos e se trans-


formou nesse período no material de construção mais utilizado no mundo, devido prin-
cipalmente ao seu ótimo desempenho, economia e facilidade de produção. Abaixo são
citadas algumas datas históricas, em termos do aparecimento e desenvolvimento do
concreto armado e protendido, conforme Rusch (1981).

1824 – O inventor inglês Joseph ASPDIM recebeu a patente de um produto que estava
desenvolvendo desde 1811, a partir da mistura de argila e pó de pedra calcária, produ-
zida pela passagem das carruagens nas ruas pavimentadas. Após a queima e moagem
esse novo material pulverulento recebeu o nome de cimento portland, devido à sua
semelhança com as pedras encontradas na ilha de Portland, ao sul da Inglaterra.

1848/1855 – O francês Joseph-Louis LAMBOT desenvolveu no sul da França, onde


passava suas férias de verão, um barco fabricado com o novo material, argamassa de
cimento e areia entremeados por fios de arame. É considerado o inventor do ferro-
cimento (argamassa armada) que deu origem ao hoje conhecido concreto armado. O
processo de fabricação era totalmente empírico e acreditando estar revolucionando a
indústria naval, patenteou o novo produto já em 1848, apresentando-o na feira interna-
cional de Paris em 1855. Infelizmente sua patente não fez o sucesso esperado sendo
superada pelas patentes posteriores de outro francês, Monier.
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1861 – O jardineiro (paisagista) e horticultor francês Joseph MONIER foi na realidade


o único a se interessar pela descoberta de seu compatriota Lambot, vendo nesse
barco a solução para os seus problemas de confinamento de plantas exóticas tropicais
durante o inverno parisiense. O ambiente quente e úmido da estufa era favorável ao
apodrecimento precoce dos vasos feitos até então de madeira. O novo produto além
de bem mais durável apresentava uma característica peculiar: se o barco era feito
para não permitir a entrada de água seguramente não permitiria também a sua saída,
o que se encaixava perfeitamente à busca de Monier. A partir dessa data começou a
produzir vasos de flores com argamassa de cimento e areia, reforçada com uma ma-
lha de aço. Monier além de ser bastante competente como paisagista, possuía um
forte espírito empreendedor e viu no novo produto grandes possibilidades, passando
a divulgar o concreto armado inicialmente na França e posteriormente na Alemanha e
em toda a Europa. Ele é considerado por muitos como o pai do concreto armado. Em
1875 construiu no castelo de Chazelet, nos arredores de Paris uma ponte de concreto
armado com 16,5 m de vão por 4m de largura.

1867 – Monier recebe sua primeira patente para vasos de flores de concreto com ar-
maduras de aço. Nos anos seguintes consegue novas patentes para tubos, lajes vigas
e pontes. As construções eram feitas de forma empírica mostrando que o paisagista
não possuía uma noção clara da função estrutural das armaduras de aço no concreto.

1877 – O advogado, inventor e abolicionista americano Thaddeus HYATT publicou


seus ensaios com construções de concreto armado. Hyatt já reconhecia claramente o
efeito da aderência aço-concreto, da função estrutural das armaduras, assim como da
sua perfeita localização na peça de concreto.

1878 - Monier consegue novas patentes fundamentais que dão origem a introdução do
concreto armado em outros países.

1884 – Duas firmas alemãs FREYTAG & HEISDCHUCH e MARSTENSTEIN & JOS-
SEAUX, compram de Monier os direitos de patente para o sul da Alemanha e reservam-
se o direito de revenda para toda a Alemanha.

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1886 – As duas firmas alemãs cedem o direito de revenda ao engenheiro G. A. WAISS,


que funda em Berlim uma empresa para construções de concreto segundo o “Sistema
Monier”. Realiza ensaios em “Construções Monier” e mostra através de provas de
carga as vantagens econômicas de colocação de barras de aço no concreto, publi-
cando esses resultados em 1887. Nessa mesma publicação o construtor oficial Mathias
KOENEN, enviado aos ensaios pelo governo Prussiano, desenvolve baseado nos en-
saios, um método de dimensionamento empírico para alguns tipos de “Construções
Monier”, mostrando que conhecia claramente o efeito estrutural das armaduras de aço.
Desse modo passa a existir uma base tecnicamente correta para o cálculo das arma-
duras de aço.

1888 – O alemão C. W. F. DÖHRING consegue uma patente segunda a qual lajes e


vigas de pequeno porte têm sua resistência aumentada através da protensão da arma-
dura, constituída de fios de aço. Surge assim provavelmente pela primeira vez a ideia
da protensão deliberada.

1900 – A construção de concreto armado ainda se caracterizava pela coexistência de


sistemas distintos, geralmente patenteados. O professor da Universidade de Stuttgart
Emil MÖRSCH desenvolve a teoria iniciada por Koenen e a sustenta através de inú-
meros ensaios realizados sobre a incumbência da firma WAISS & FREITAG, a qual
pertencia. Os conceitos desenvolvidos por Mörsch e publicados em 1902 constituem
ao longo do tempo e em quase todo o mundo os fundamentos da teoria de dimensio-
namento de peças de concreto armado.

1906 – O alemão LABES concluiu que a segurança contra abertura de fissuras condu-
zia a peças antieconômicas. Koenen propôs em 1907 o uso de armaduras previamente
distendidas. Foram realizados ensaios em vigas protendidas relatadas por BACH em
1910. Os ensaios mostraram que os efeitos danosos da fissuração eram eliminados
com a protensão. Entretanto Koenen e Mörsch reconheceram já em 1912 uma perda
razoável de protensão, uma vez que o concreto encurta-se com o tempo, devido à
retração e deformação lenta.

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1928 - O francês E. FREYSSINET já havia usado a protensão em 1924. Entretanto só


em 1928 desenvolveu um processo empregando aços de alta resistência protendidos,
capazes de provocar tensões de compressão suficientemente elevadas e permanentes
no concreto. Estudou as perdas devido à retração e deformação lenta do concreto e
registrou várias patentes sobre o sistema Freyssinet de protensão. É considerado o pai
do concreto protendido.

1.2 – Viabilidade do concreto armado

O concreto armado é um material de construção composto, constituído de concreto


e barras de aço nele imersas. O funcionamento conjunto dos dois materiais só se via-
biliza devido simultaneamente às três propriedades abaixo:

 Aderência aço-concreto – esta talvez seja a mais importante das propriedades


que viabilizam o concreto armado, uma vez que é a responsável pela transferência
das tensões de tração não absorvidas pelo concreto para as barras da armadura,
garantindo assim o perfeito funcionamento conjunto dos dois materiais;

 Coeficientes de dilatação térmica do aço e do concreto praticamente iguais –


esta propriedade garante que para variações normais de temperatura, excetuada a
situação extrema de incêndio, não haverá acréscimo de tensão capaz de compro-
meter a perfeita aderência aço-concreto;

 Proteção da armadura contra a corrosão – esta proteção que está intimamente


relacionada com a durabilidade do concreto armado acontece de duas formas dis-
tintas: a proteção física e a proteção química. A primeira é garantida quando se
atende os requisitos de cobrimento mínimo preconizado pela NBR 6118:2014, Pro-
jeto de estruturas de concreto — Procedimento, que protege de forma direta as
armaduras das intempéries. A proteção química ocorre devido à presença da cal no
processo químico de produção do concreto, que envolve a barra de aço dentro do
concreto, criando uma camada passivadora cujo “ph” se situa acima de 13, criando
condições inibidoras da corrosão. Quando a frente de carbonatação, que acontece

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devido à presença de gás carbônico (CO2) do ar e porosidade do concreto, atinge


as barras da armação essa camada é despassivada pela reação química do (CO 2)
com a cal, produzindo ácidos que abaixam o “ph” dessa camada para níveis iguais
ou inferiores a 11.5, criando as condições favoráveis para o processo eletroquímico
da corrosão se iniciar. A despassivação dessa camada não implica que haverá sem-
pre a corrosão das armaduras, que pode acontecer independentemente da carbo-
natação, na presença de cloretos (íons cloro Cl -), ou sulfatos (S - -).

1.3 – Vantagens do concreto armado

 Economia – é a vantagem que juntamente com a segunda a seguir, transformaram


em um século e meio o concreto armado no material de construção mais usado no
mundo;

 Adaptação a qualquer tipo de forma ou fôrma e facilidade de execução – a produção


do concreto armado não requer mão de obra muito especializada e com relativa
facilidade pode-se conseguir elementos com qualquer tipo de forma a partir de sim-
ples moldes feitos de madeira, ou seja, a partir de uma fôrma;

 Estrutura monolítica – (monos – única, litos – pedra) esta propriedade garante à


estrutura de concreto armado uma grande reserva de segurança devido ao alto grau
de hiperestaticidade propiciado pelas ligações bastante rígidas das peças de con-
creto armado, garantindo à estrutura o funcionamento como um corpo único. Além
disso, se uma peça estiver submetida a um esforço maior que a sua capacidade
elástica resistente, ela ao plastificar, promove uma redistribuição de esforços, trans-
ferindo às peças adjacentes a parcela adicional do esforço não absorvido;

 Manutenção e conservação praticamente nulas – a ideia que a estrutura de con-


creto armado é eterna não é mais aceita no meio técnico. A nova mentalidade é que
se deve associar à qualidade de execução do concreto em todas as suas etapas,
um programa preventivo de manutenção e conservação. Naturalmente quando
comparado com outros materiais de construção essa manutenção e conservação

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acontecem em uma escala bem menor, sem prejuízo, no entanto da vida útil das
obras de concreto armado;

 Resistência a efeitos térmico-atmosféricos e a desgaste mecânico.

1.4 – Desvantagens do concreto armado

 Peso próprio – a maior desvantagem do concreto armado é seguramente o seu


grande peso próprio que limita a sua utilização para grandes vãos, onde o concreto
protendido ou mesmo a estrutura metálica passam a ser econômica e tecnicamente
mais viáveis. A massa específica, segundo a NBR 6118:2014, é de 2500 kg/m3;

 Dificuldade de reformas e demolições - hoje com a utilização de tecnologias avan-


çadas e equipamentos modernos, que facilitam as reformas e demolições, essa
desvantagem pode ser amenizada;

 Baixo grau de proteção térmica – embora resista normalmente à ação do fogo, as-
sociada à sua baixa condutividade térmica, a estrutura de concreto necessita de
dispositivos complementares como telhados e isolamentos térmicos para proporci-
onar um conforto térmico adequado à construção;

 Fissuração – a fissuração é um fenômeno inevitável nas peças tracionadas de con-


creto armado, devido ao baixo grau de resistência à tração do concreto. Durante
muito tempo foi considerada uma desvantagem do material. Já a partir do final da
década de setenta, esse fenômeno passou a ser melhor entendido. Como não se
pode eliminar as fissuras no concreto armado a ideia é controlá-la, buscando-se
uma nova redistribuição, ou mesmo uma substituição da armadura de tração por
bitolas menores. Pode-se ainda adotar novos valores de cobrimentos mínimos e até
mesmo diminuir as tensões de serviço das armaduras, pelo acréscimo das suas
áreas. Cabe salientar que a fissuração não foi eliminada, apenas controlada dentro
de limites aceitáveis de abertura máxima de fissuras, de tal forma a não comprome-
ter a vida útil do concreto armado e também sua estética.

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1.5 – Concreto

O concreto é uma mistura em proporção adequada (traço) dos materiais ci-


mento (aglomerante), agregados miúdo (areia) e graúdo (brita), que são misturados
na presença de água resultando um novo material de construção, cujas características
do produto final diferem substancialmente daquelas dos materiais que o constituem.

1.5.1 – Propriedades mecânicas do concreto

1.5.1.1 - Resistência à compressão

A resistência mecânica do concreto à compressão, devido a sua função estru-


tural assumida no material composto concreto armado, é a principal propriedade me-
cânica desse material a ser analisada e estudada. Essa propriedade é obtida através
de ensaios de compressão simples realizados em corpos de provas (CPs), com di-
mensões e procedimentos previamente estabelecidos em normas nacionais e estran-
geiras.

A resistência à compressão depende basicamente de dois fatores: a forma do


corpo de prova e a duração do ensaio. O problema da forma é resolvido estabele-
cendo-se um corpo de prova cilíndrico padronizado, com 15 cm de diâmetro e 30 cm
de altura, que é recomendado pela maioria das normas do mundo, inclusive as brasi-
leiras. Em outros países, como por exemplo a Alemanha, adota-se um corpo de prova
cúbico de aresta 20 cm, que para um mesmo tipo de concreto fornece resistência à
compressão ligeiramente superior ao obtido com o CP cilíndrico. Esse acréscimo
ocorre em função de uma maior área de atrito entre as faces carregadas do corpo de
prova cúbico e os pratos da máquina de ensaio, confinando-o de forma mais efetiva (
maior restrição ao deslocamento transversal das faces carregadas). Adota-se nesse
caso um fator redutor igual a (0,85), que quando aplicado ao CP cúbico transforma
seus resultados em valores equivalentes aos do CP cilíndrico, podendo assim ser
usada a vasta bibliografia alemã sobre o assunto.

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Normalmente o ensaio de compressão em corpos de prova é de curta duração


e sabe-se, a partir dos trabalhos realizados pelo alemão Rüsch, que o resultado desse
ensaio é ligeiramente superior ao obtido quando o ensaio é de longa duração. Isso se
deve à microfissuração interna do concreto, que se processa mesmo no concreto des-
carregado, e que no ensaio de longa duração tem seu efeito ampliado devido à inter-
ligação entre as microfissuras, diminuindo assim a capacidade resistente do CP à
compressão. Uma vez que grande parcela do carregamento que atua em uma estru-
tura é de longa duração os resultados do ensaio de curta duração devem ser corrigi-
dos por um fator redutor, denominado Coeficiente de Rüsch, igual a (0,85).

1.5.1.2 - Resistência característica do concreto a compressão – (fck)

Quando os resultados dos ensaios a compressão de um grande número de


CPs são colocados em um gráfico, onde nas abscissas são marcadas as resistências
obtidas e nas ordenadas a frequência com que as mesmas ocorrem, o gráfico final
obedece a uma curva normal de distribuição de frequência, ou curva de Gauss (ver
fig. 1.1). Observa-se nesse gráfico que a resistência que apresenta a maior frequência
de ocorrência é a resistência média (fcj), aos “j” dias, e que o valor equidistante entre
essa resistência média e os pontos de inflexão da curva é o desvio-padrão “s”, cujos
valores são dados respectivamente por:

fcj  f ci
(1.1)
n

s
 f ci  f cj 
2

(1.2)
n 1

Onde n é o número de CPs e (fci) é a resistência à compressão de cada CP “i”.

Uma característica da curva de Gauss é que: ∫ fci dfc = 1 , ou seja, a área abaixo
da curva é igual a 1. Um valor qualquer de resistência à compressão marcado no eixo
das abscissas divide essa área em duas outras, que representam as probabilidades
de ocorrência de valores maiores ou menores que esse.

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Do lote de CPs ensaiados a resistência a ser utilizada nos cálculos é baseada


em considerações probabilísticas, considerando-se em âmbito mundial a resistência
característica fck do lote de concreto ensaiado aquela abaixo da qual só corresponde
um total de 5% dos resultados obtidos, ou seja, um valor com 95% de probabilidade
de ser ultrapassado (ver fig. 1.1).

Figura 1.1 – Curva de Gauss para CPs de concreto ensaiados à compressão


Resistência característica fck

Segundo a NBR 8953:2015 (Concreto para fins estruturais – Classificação


pela massa específica, por grupos de resistência e consistência), a definição da
classe de resistência do concreto é função da sua resistência fck. Assim um concreto
classe C20 é o concreto normal (massa específica seca entre 2000 e 2800 kf/m3) que
apresenta um fck = 20 MPa (se fosse classe CL20, seria concreto leve, com massa
específica seca menor que 2000 kg/m3).

Os concretos para fins estruturais, segundo a NBR 6118:2014, são classifica-


dos nos grupos I (classe C20 a C50, de 5 em 5 MPa) e II (classe C55 a C90, de 5 em
5 MPa), sendo permitida a especificação de valores intermediários. Segundo a NBR

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8953:2015, concretos com classe de resistência inferior a C20 não são estruturais e,
caso sejam utilizados, devem ter seu desempenho atendido conforme NBR
6118:2014 e NBR 12655:2006, Concreto de cimento Portland – Preparo, controle
e recebimento – Procedimento.

Para um quantil de 5% obtém-se a partir da curva de Gauss (ver figura 1.1):

fck  fcj  1,645s ≈ fcj  1,65 s (1.3)

A partir de resultados de ensaios feitos em um grande número de obras e em


todo o mundo percebeu-se que o desvio-padrão “s” é principalmente dependente da
qualidade de execução e não da resistência do concreto. A NBR-12655:2006, define
que o cálculo da resistência de dosagem deve ser feito segundo a equação:

fcj  fck  1,645 sd ≈ fck  1,65 sd (1.4)

Onde sd representa o desvio-padrão de dosagem.

De acordo com a NBR-12655:2006 o cálculo da resistência de dosagem do con-


creto depende, entre outras variáveis, da condição de preparo do concreto, definida a
seguir:

 Condição A (aplicável às classes C10 até C80): o cimento e o os agregados são


medidos em massa, a água de amassamento é medida em massa ou volume com
dispositivo dosador e corrigida em função da umidade dos agregados;
 Condição B
(aplicável às classes C10 até C25): o cimento é medido em massa, a água de
amassamento é medida em volume mediante dispositivo dosador e os agregados
medidos em massa combinada com volume, de acordo com o exposto em 6.2.3;
(aplicável às classes C10 até C20): o cimento é medido em massa, a água de
amassamento é medida em volume mediante dispositivo dosador e os agregados
medidos em volume. A umidade do agregado miúdo é determinada pelo menos

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três vezes durante o serviço do mesmo turno de concretagem. O volume de agre-


gado é corrigido através da curva de inchamento estabelecida especificamente
para o material utilizado;
 Condição C (aplicável apenas aos concretos de classe C10 e C15): o cimento é
medido em massa, os agregados são medidos em volume, a água de amassa-
mento é medida em volume e a sua quantidade é corrigida em função da estimativa
da umidade dos agregados e da determinação da consistência do concreto, con-
forme disposto na NBR 7223, ou outro método normalizado (A NBR 7223:1992 foi
cancelada e substituída pela NBRNM 67:1998).

Ainda de acordo com a NBR-12655:2006, no início da obra ou em qualquer


outra circunstância em que não se conheça o valor do desvio-padrão sd, deve-se ado-
tar para o cálculo da resistência de dosagem os valores apresentados na tabela 1.1,
de acordo com a condição de preparo, que deve ser mantida permanentemente du-
rante a construção. Mesmo quando o desvio-padrão seja conhecido, em nenhum caso
o mesmo pode ser adotado menor que 2 MPa.

Tabela 1.1 – Desvio- padrão a ser adotado em função da


condição de preparo do concreto (NBR 12655:2006)

Condição Desvio-padrão (MPa)


A 4,0
B 5,5
C1) 7,0

1) - Para condição de preparo C, e enquanto não se conhece o desvio-padrão, exige-


se para os concretos de classe C15 um consumo mínimo de 350 Kg de cimento por
metro cúbico.

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1.5.1.3 - Módulo de elasticidade longitudinal

O módulo de elasticidade longitudinal para um ponto qualquer do diagrama x


(tensãoxdeformação) é obtido pela derivada (d/d) no ponto considerado, que repre-
senta a inclinação da tangente à curva no ponto. De todos os módulos tangentes pos-
síveis o seu valor na origem tem grande interesse, uma vez que as tensões de serviço
na estrutura são da ordem de 40% da tensão de ruptura do concreto, e nesse trecho
inicial o diagrama x é praticamente linear. De acordo com o item 8.2.8 da NBR-
6118:2014 o módulo de elasticidade ou módulo de deformação tangente inicial é dado
por:

E ci  α E 5600 f ck para fck ≤ 50 MPa (Grupo I) (1.5a)

fck
Eci  21,5x103 α E 3  1,25 para fck > 50 MPa (Grupo II) (1.5b)
10

Com Eci e fck dados em megapascal (MPa).

Sendo: αE = 1,2 concreto produzido com brita de basalto ou diabásio


αE = 1,0 concreto produzido com brita de granito ou gnaisse
αE = 0,9 concreto produzido com brita de calcário
αE = 0,7 concreto produzido com brita de arenito

O módulo de deformação secante a ser utilizado nas análises elásticas de pro-


jeto, principalmente para determinação dos esforços solicitantes e verificação dos es-
tados limites de serviço, pode ser estimado pela expressão:

E cs  α i E ci (1.6a)

Sendo
fck
α i  0,8  0,2  1,0 (fck em MPa) (1.6b)
80

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1.5.1.4 - Coeficiente de Poisson e módulo de elasticidade transversal

De acordo com o item 8.2.9 da NBR-6118:2014 para tensões de compressão


inferiores a 50% de fc (ruptura à compressão) e para tensões inferiores a resistência
à tração fct, o coeficiente de Poisson (relação entre a deformação transversal e longi-
tudinal) e o módulo de elasticidade transversal são dados respectivamente por:

 = 0,2 (1.7)

Ecs E
Gc   cs  0,42Ecs (1.8)
21  ν  2,4

1.5.1.5 - Diagrama tensão-deformação (x)

Conforme o item 8.2.10 da NBR-6118:2014 o diagrama x na compressão


para tensões inferiores a 0,5 fc (resistência à compressão do concreto) pode ser ado-
tado linear (Hooke), com o módulo de elasticidade igual ao secante Ecs.

Para os estados limites últimos o diagrama x na compressão, apresentado


na figura (1.2) abaixo, é um diagrama idealizado, onde se nota dois trechos distintos,
o primeiro curvo de acordo uma parábola de grau “n”, com deformações inferiores a
εc2 e o segundo constante, com deformações variando de εc2 a εcu. Para o trecho
curvo a tensão no concreto é dada por:

  εc  
n
σ c  0,85fcd 1   1    (1.9a)
  ε c2  
 

Onde fcd representa a resistência de cálculo do concreto dada no item 12.3.3


da NBR 6118:2014, mostrada adiante no item 1.8, e a potência “n” é dada na figura
1.2 em função dos grupos de resistência I (C20 a C50) e II (C55 a C90) do concreto.

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O valor da resistência no trecho constante é igual a σc = 0,85 fcd (o valor 0,85


só muda quando se adotar o diagrama retangular simplificado, como será visto no
capítulo 2).

Figura 1.2 - Diagrama tensão-deformação idealizado (compressão)


(Adaptada da Fig. 8.2 da NBR 6118:2014)

Os valores a serem adotados para os parâmetros εc2 (deformação específica


de encurtamento do concreto no início do patamar plástico) e εcu (deformação espe-
cífica última de encurtamento do concreto na ruptura) são os seguintes:

εc2 = 2‰
concretos de classes até C50 (1.9b)
εcu = 3,5‰

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εc2 = 2‰ + 0,085‰ (fck – 50)0,53


concretos de classes C55 até C90 (1.9c)
εcu = 2,6‰ + 35‰ x [ (90 – fck) / 100 ]4

Na figura 1.3, que mostra os diagramas x de todas as classes, nota-se que
nos concretos do grupo I os trechos curvo (0‰ a εc2 = 2‰) e o constante (εc2 = 2‰ a
εcu = 3,5‰) tem os mesmos intervalos. Já para os concretos do grupo II esses inter-
valos são variáveis, com aumento progressivo do trecho curvo e diminuição do trecho
constante. Para a situação limite da classe C90 resta apenas o trecho curvo (εc2,C90 =
εcu,C90 = 2,6‰). Na tabela para concretos do grupo II estão listados os valores do grau
da parábola (n), as deformação limite do trecho curvo (εc2) e o encurtamento último
do concreto (εcu).

Figura 1.3 - Diagramas tensão-deformação parábola-retângulo

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1.5.1.6 - Resistência à tração

Conforme o item 8.2.5 da NBR-6118:2014 os conceitos relativos à resistência


a tração direta do concreto fct são análogos aos do item anterior relativo à compres-
são. Assim tem-se a resistência média do concreto à tração fctm e a resistência carac-
terística do concreto à tração fctk, ou simplesmente ftk. Esse valor tem 95% de proba-
bilidade de ser superado pelos resultados do lote de concreto ensaiado. Na tração, o
diagrama x é bilinear conforme a figura (1.4) mostrada a seguir.

Figura 1.4 - Diagrama tensão-deformação bilinear na tração


(Adaptada da Fig. 8.3 da NBR 6118:2014)

Enquanto na compressão o ensaio usado é o da compressão direta, na tração


são normalizados três ensaios: tração direta, tração indireta (compressão diametral)
e tração na flexão. O ensaio de compressão diametral, conhecido mundialmente como
ensaio brasileiro por ter sido desenvolvido pelo Prof. Lobo Carneiro (em 1943), é o
mais utilizado, o mais simples (por utilizar o mesmo CP cilíndrico agora carregado no
sentido de duas geratrizes diametralmente opostas) e fornece resultados mais homo-
gêneos e ligeiramente superiores ao da tração direta.

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Os resultados das resistências à tração nos dois últimos ensaios são diferentes
do valor de referência, obtido com o ensaio da tração direta. A NBR 6118:2014 fornece
correlações entre o valor fct (tração direta) com os valores obtidos com os ensaios de
compressão diametral fct,st (spliting test) e tração na flexão fct,f.

fct = 0,9 fct,st (1.10)


ou
fct = 0,7 fct,f (1.11)

Onde fct,st é a resistência à tração indireta e fct,f é a resistência à tração na flexão.

Na falta desses valores dos ensaios a tração pode-se obter a resistência média
à tração, fct,m, em função da resistência característica à compressão fck:

fct,m = 0,3 (fck)2/3 (MPa) P/ concretos de classes até C50 (1.12a)

fct,m = 2,12 ln(1+0,11fck) (MPa) P/ concretos de classes C55 até C90 (1.12b)

Os valores da resistência característica a tração fctk, inferior e superior, usados


em situações especificas mais a frente, são dados por:

0,21 (fck)2/3 (MPa) até C50


fctk,inf = 0,7 fct,m = (1.13a)
1,484 ln (1 + 0,11fck) (MPa) C55 até C90

0,39 (fck)2/3 (MPa) até C50


fctk,sup = 1,3 fct,m = (1.13b)
2,756 ln (1 + 0,11fck) (MPa) C55 até C90

1.17
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___________________________________________________________________________

1.5.2 – Características reológicas do concreto

Segundo o dicionário Aurélio reologia é “parte da física que investiga as propri-


edades e o comportamento mecânico dos corpos deformáveis que não são nem sóli-
dos nem líquidos”. As características reológicas do concreto que interessam ao estudo
do concreto armado são:

1.5.2.1 - Retração (shrinkage)

A retração no concreto é uma deformação independente do carregamento e


portanto, de direção sendo pois, uma deformação volumétrica que ocorre devido à
perda de parte da água dissociada quimicamente do processo de produção do con-
creto, quando esse “seca” em contato com o ar. Segundo a NBR 6118:2014 a retração
depende basicamente da umidade relativa do ambiente, da consistência do concreto
no lançamento e da espessura fictícia da peça.

A deformação específica de retração do concreto cs pode ser calculada con-


forme indica o Anexo A da NBR 6118:2014. Na grande maioria dos casos, permite-
se que ela seja calculada simplificadamente por meio da tabela 1.2. Essa tabela for-
nece os valores característicos superiores da deformação específica de retração entre
os instantes to e t, cs(t, to) e do coeficiente de fluência φ(t,t0), em função da umi-
dade média ambiente e da espessura equivalente ou fictícia da peça em , dada por:

2A c
em  (cm) (1.14)
u

Onde Ac é a área da seção transversal e u é o perímetro da seção em contato com a


atmosfera.

Os valores dessa tabela são relativos à temperatura do concreto entre 10 oC e


20 oC, podendo-se, no entanto, admitir temperaturas entre 0 oC e 40 oC. Esses valores
são válidos para concretos plásticos e de cimento Portland comum.

1.18
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___________________________________________________________________________

Nos casos correntes das obras de concreto armado o valor da deformação es-
pecífica devido à retração pode ser adotado igual a cs(t, to) = –15x10-5, satisfazendo
ao mínimo especificado na NBR-6118:2014 em função da restrição à retração do con-
creto imposta pela armadura. Esse valor admite elementos estruturais com dimensões
usuais, entre 10 cm e 100 cm, sujeitos a umidade relativa do ar não inferior a 75%. O
valor característico inferior da retração do concreto é considerado nulo.

1.5.2.2 - Fluência (creep)

A fluência é uma deformação que depende do carregamento e é caracterizada


pelo aumento da deformação imediata ou inicial, mesmo quando se mantém constante
a tensão aplicada. Devido a essa deformação imediata ocorrerá uma redução de vo-
lume da peça, provocando esse fato uma expulsão da água quimicamente inerte, de
camadas mais internas para regiões superficiais da peça, onde a mesma já tenha se
evaporado. Isso desencadeia um processo, ao longo do tempo, análogo ao da retra-
ção, verificando-se dessa forma um crescimento da deformação inicial, até um valor
máximo no tempo infinito.

Da mesma forma que na retração, as deformações decorrentes da fluência do


concreto podem ser calculadas conforme indicado no Anexo A da NBR-6118:2014.
Nos casos em que a tensão inicial, aplicada no tempo to não varia significativamente,
permite-se que essas deformações sejam calculadas simplificadamente pela expres-
são:
 1  (t  , t 0 ) 
ε c (t  , t 0 )  ε ci  ε cc  σ c (t 0 )   (1.15)
 E ci (t 0 ) E ci (28) 

Onde: c(t, to) - é a deformação específica total do concreto entre os instantes


to e t;
εci - é a deformação inicial produzida pela tensão σc(t0);
εcc - é a deformação devido à fluência;
c(t0) - é a tensão no concreto devida ao carregamento aplicado em t0;

1.19
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

Eci(t0) - é o modulo de deformação longitudinal calculado na idade do


carregamento j = t0 pelas expressões (1.5a) e (1.5b);
Eci(28) - é o modulo de elasticidade longitudinal calculado na idade t=28
dias pelas expressões (1.5a) e (1.5b);
(t, t0) - é o limite para o qual tende o coeficiente de fluência provocado
por carregamento aplicado em t0.

Tabela 1.2-Valores característicos superiores da deformação especifica de re-


tração εcs(t,t0) e do coeficiente de fluência φ(t,t0) (Tab. 8.2 da NBR6118:2014)

Umidade media
40 55 75 90
ambiente (%)

Espessura fictí-
cia 20 60 20 60 20 60 20 60
2 Ac/u (cm)
φ(t,to) 5 4,6 3,8 3,9 3,3 2,8 2,4 2,0 1,9
C20 a 30 3,4 3,0 2,9 2,6 2,2 2,0 1,6 1,5
C45 60 2,9 2,7 2,5 2,3 1,9 1,8 1,4 1,4
φ(t,to) 5 2,7 2,4 2,4 2,1 1,9 1,8 1,6 1,5
to
C50 a 30 2,0 1,8 1,7 1,6 1,4 1,3 1,1 1,1
dias
C90 60 1,7 1,6 1,5 1,4 1,2 1,2 1,0 1,0
5 -0,53 -0,47 -0,48 -0,43 -0,36 -0,32 -0,18 -0,15
εcs(t,to)
30 -0,44 -0,45 -0,41 -0,41 -0,33 -0,31 -0,17 -0,15

60 -0,39 -0,43 -0,36 -0,40 -0,30 -0,31 -0,17 -0,15

O valor de (t, t0) pode ser calculado simplificadamente por interpolação da


tabela 1.2. Essa tabela fornece o valor característico superior do coeficiente de fluên-
cia (t, t0). O seu valor característico inferior é considerado nulo.

1.20
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1.5.2.3 - Variação de temperatura

A variação da temperatura no ambiente não se transmite imediatamente ao


concreto, tendo uma ação retardada sobre a variação de temperatura no próprio con-
creto, devido ao seu baixo grau de condutibilidade térmica. Quanto mais interno esti-
ver o ponto considerado menor será sua variação de temperatura em função da tem-
peratura ambiente.

Segundo a NBR 6118:2014, para efeito de análise estrutural, o coeficiente de


dilatação térmica do concreto pode ser admitido como sendo igual a αc = 10-5/°C.
Considerando o mínimo especificado nessa norma para a deformação específica do
concreto devido à retração cs(t, to) = –15x10-5, isso equivale a uma diminuição uni-
forme de temperatura igual a 15oC.

1.6 – Aço

O aço é uma liga metálica composta basicamente de ferro e de pequenas quan-


tidades de carbono, com percentuais variando de 0,03% a 2%, que lhe confere maior
ductilidade, possibilitando melhor trabalhabilidade para dobramento e execução das
armaduras. Os teores de carbono para aços estruturais utilizados na construção civil
variam de 0,18% a 0,25%.

A armadura usada nas peças de concreto armado é chamada passiva e a


usada na protensão do concreto protendido é chamada ativa.

1.6.1 – Categoria

Para aplicação estrutural o aço produzido inicialmente nas aciarias precisa ser
modificado, o que acontece por meio de dois tipos de tratamento: a quente e a frio. O
tratamento a quente consiste na laminação, forjamento ou estiramento do aço acima
da temperatura crítica, em torno de 720 oC. Os aços assim produzidos apresentam

1.21
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___________________________________________________________________________

maior trabalhabilidade, podem ser soldados com solda comum e apresentam dia-
grama tensão-deformação com patamar de escoamento bem definido. Estão incluídos
nesse grupo os aços CA 25 e CA 50.

O tratamento a frio ou encruamento é obtido por uma deformação imposta ao


aço por meio de tração, compressão ou torção abaixo da temperatura crítica, impri-
mindo basicamente ao mesmo um aumento da sua resistência mecânica. O aço CA
60 pertence a esse grupo, que apresenta um diagrama tensão-deformação sem pata-
mar de escoamento.

Segundo a NBR 7480:1996 o aço a ser usado nos projetos de estruturas de


concreto armado deve ser classificado nas categorias CA 25, CA 50 e CA 60, em que
CA significa Concreto Armado e o número representa o valor característico da resis-
tência de escoamento do aço, fyd, em kN/cm2 ou kgf/mm2.

A NBR 7480:1996 classifica como barra o aço produzido exclusivamente por


laminação a quente com bitola nominal maior ou igual a 5 mm e como fio o produzido
por laminação a frio (trefilação ou equivalente) com bitola nominal não superior a 10
mm (tabela 1.3). Os valores nominais dos diâmetros, das áreas das seções transver-
sais e da massa por metro são os estabelecidos pela NBR-7480:1996, cujos valores
mais usados estão indicados na tabela 1.4, abaixo.

Para se obter a massa por unidade de comprimento (kg/m) das barras basta
multiplicar a área da seção transversal por 1m de comprimento (que dá o volume da
barra por metro), vezes a massa específica do aço. Assim, por exemplo, para a barra
com bitola igual a 8 mm a área da seção transversal é igual a π x (8x10 -3 m)2 / 4 =
0,503x10-4 m2 = 0,503 cm2 e a massa por unidade de comprimento é (0,503x10-4 m2)
x (1 m) x (7850 kg/m3) = 0,503 x 0,785 = 0,395 kg/m. Onde (7850 kg/m3) é a massa
específica do aço, dada no item 1.6.3 a seguir.

1.22
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Tabela 1.3 – Diâmetros nominais de barras e fios - NBR 7480:1996

BARRAS Φ≥ 5 mm - LAMINAÇÃO A QUENTE - AÇOS CA-25 E CA-50

5 6,3 8 10 12,5 16 20 22 25 32 40

FIOS Φ≤ 10 mm – LAMINAÇÃO A FRIO – AÇO CA-60

2,4 3,4 3,8 4,2 4,6 5,0 5,5 6,0 6,4 7,0 8,0 9,5 10

Tabela 1.4 – Valores nominais para fios e barras de aço

Diâmetro nomi- Massa Área nominal


nal Nominal da seção
(mm) (kg/m) (cm2)

Fios Barras

5,0 5,0 0,154 0,196

6,0 0,222 0,283

6,3 0,245 0,312

6,4 0,253 0,322

7,0 0,302 0,385

8,0 8,0 0,395 0,503

9,5 0,558 0,709

10,0 10,0 0,617 0,785

- 12,5 0,963 1,227

1.23
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- 16 1,578 2,011

- 20,0 2,466 3,142

- 22,0 2,984 3,801

- 25,0 3,853 4,909

- 32,0 6,313 8,042

- 40,0 9,865 12,566

1.6.2 – Tipo de superfície

Os fios e barras podem ser lisos, entalhados ou providos de saliências ou mos-


sas. Para cada categoria de aço, o coeficiente de aderência deve atender ao indicado
na NBR-6118:2014.

Para os efeitos da NBR 6118:2014, a capacidade aderente entre o aço e o


concreto está relacionada ao coeficiente de aderência 1, listados na tabela 1.5.

Tabela 1.5 – Valor do coeficiente de aderência η1


(Tabela 8.3 da NBR 6118:2014)
Tipo de superfície η1
Lisa (CA 25) 1,00
Entalhada (CA 60) 1,40
Nervurada (CA 50) 2,25

1.6.3 – Massa específica e propriedades mecânicas do aço

Para a massa específica do aço da armadura passiva pode ser adotado o valor
s = 7850 kg/m3. O valor do coeficiente de dilatação térmica, para intervalos de
temperatura entre -20 oC e 150 oC pode ser adotado como αs = 10-5/ oC. O módulo de
elasticidade, na falta de ensaios ou valores fornecidos pelo fabricante, pode ser ad-
mitido igual a:
1.24
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___________________________________________________________________________

Es = 210 GPa = 21.000 kN/cm2 = 2.100.000 kgf/cm2.

1.6.4 – Diagrama tensão-deformação

O diagrama tensão-deformação do aço, os valores característicos das resistên-


cias ao escoamento fyk e à tração (ruptura) fstk e da deformação última de ruptura su
devem ser obtidos de ensaios de tração realizados segundo a NBR ISO-6892:2002.
O valor de fyk para os aços sem patamar de escoamento é o valor da tensão corres-
pondente à deformação permanente de 2‰.

Para cálculo nos estados limites de serviço e último pode-se utilizar o diagrama
tensão-deformação simplificado mostrado na figura (1.5) abaixo, para os aços com ou
sem patamar de escoamento.

Figura 1.5 – Diagrama tensão-deformação para aços de armaduras


passivas (Adaptada da fig. 8.4 da NBR 6118:2014)

1.7 – Definições da NBR 6118:2014

Concreto estrutural – termo que se refere ao espectro completo das aplicações do


concreto como material estrutural.
Elementos de concreto simples estrutural – elementos estruturais produzidos com
concreto sem nenhuma armadura, ou quando a possui é em quantidades inferiores
aos mínimos estabelecidos nessa norma.

1.25
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___________________________________________________________________________

Elementos de concreto armado – elementos estruturais produzidos com concreto


cujo comportamento estrutural depende da perfeita aderência aço-concreto e onde
não se aplicam alongamentos iniciais nas armaduras, antes da materialização dessa
aderência.
Elementos de concreto protendido – elementos estruturais produzidos com con-
creto onde parte da armadura é previamente alongada por equipamentos especiais
de protensão com a finalidade de, em condições de serviço, impedir ou limitar a fissu-
ração e os deslocamentos da estrutura e propiciar o melhor aproveitamento de aços
de alta resistência no ELU (estado limite último).
Armadura passiva – qualquer armadura que não seja usada para produzir forças de
protensão, ou seja, armadura utilizada no concreto armado.
Armadura ativa (de protensão) – armadura constituída por barras, fios isolados ou
cordoalhas, destinada a produzir forças de protensão, isto é, armaduras com pré-alon-
gamento inicial.

Estados limites da NBR 6118:2014 (itens 3.2 e 10.2 a 10.4)

 Estado limite último (ELU) – estado limite relacionado ao colapso, ou a qualquer


outra forma de ruína estrutural, que determine a paralisação do uso da estrutura.
1. estado limite último da perda do equilíbrio da estrutura, admitida como corpo
rígido;
2. estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estrutura
no seu todo ou em parte, devido às solicitações normais e tangenciais;
3. estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estrutura
no seu todo ou em parte, considerando os efeitos de segunda ordem;
4. estado limite último provocado por solicitações dinâmicas;
5. estado limite último de colapso progressivo;
6. estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estrutura,
no seu todo ou em parte, considerando exposição ao fogo, conforme a NBR
15200;
7. estado limite último de esgotamento da capacidade resistente da estrutura,
considerando ações sísmicas, de acordo a NBR 15421;

1.26
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___________________________________________________________________________

8. outros estados limites últimos que eventualmente possam ocorrer em casos


especiais.
 Estados limites de serviço (ELS)
1. Estado limite de formação de fissuras (ELS-F) – estado em que se inicia a
formação de fissuras. Admite-se que esse estado limite é atingido quando
a tensão máxima de tração na seção transversal for igual a fct,f, já definida
anteriormente como a resistência característica à tração do concreto na fle-
xão.
2. Estado limite de abertura das fissuras (ELS-W) – estado em que as fissuras
se apresentam com aberturas iguais aos máximos estabelecidos nessa
norma.
3. Estado limite de deformações excessivas (ELS-DEF) – estado em que as
deformações atingem os limites estabelecidos para utilização normal espe-
cificados nessa norma.
4. Estado limite de vibrações excessivas (ELS-VE) – estado em que as vibra-
ções atingem os limites estabelecidos para utilização normal da construção.

1.8 – Ações

Conforme a NBR 6118:2014 na análise estrutural deve ser considerada a in-


fluência de todas as ações (designada genericamente pela letra F) que possam pro-
duzir efeitos significativos para a segurança da estrutura em exame, levando-se em
conta os possíveis estados limites últimos e os de serviços. Embora a norma especí-
fica para ações e segurança nas estruturas seja a NBR 8681:2003, a norma NBR
6118:2014 traz em seu item 11 os conceitos necessários à determinação das ações
e seus coeficientes de ponderação. As ações são classificadas, conforme a NBR-
8681:2003 e a NBR 6118:2014, em permanente, variáveis e excepcionais.

1.8.1 – Ações permanentes

Ações permanentes são as que ocorrem com valores praticamente constantes

1.27
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___________________________________________________________________________

durante toda a vida da construção. Também são consideradas permanentes as ações


que crescem com o tempo, tendendo a um valor limite. As ações permanentes devem
ser consideradas com seus valores representativos mais desfavoráveis para a segu-
rança (NBR 6118:2014).

1.8.1.1 – Ações permanentes diretas

As ações permanentes diretas são constituídas pelo peso próprio e pelos pesos
dos elementos construtivos fixos e das instalações permanentes (NBR 6118:2014).

 Peso próprio (avaliado com a massa específica do concreto armado)


 Peso dos elementos construtivos fixos e de instalações permanentes (avaliado
conforme as massas específicas dos materiais de construção correntes com base
nos valores indicados pela NBR 6120:1980, Cargas para o cálculo de estruturas
de edificações, versão corrigida de 2000)
 Empuxos permanentes (consideram-se como permanentes os empuxos de terra e
outros materiais granulosos quando forem admitidos não removíveis)

1.8.1.2 – Ações permanentes indiretas

As ações permanentes indiretas são constituídas pelas deformações impostas por


retração e fluência do concreto, deslocamentos de apoio, imperfeições geométricas e
protensão (NBR 6118:2014).

 Retração do concreto - a deformação específica de retração do concreto pode ser


calculada conforme indica o anexo A da NBR 6118:2014.
 Fluência do concreto - as deformações decorrentes da fluência do concreto podem
ser calculadas conforme indicado no anexo A da NBR 6118:2014.
 Deslocamentos de apoio - os deslocamentos de apoio só devem ser considerados
quando gerarem esforços significativos em relação ao conjunto das outras ações,
isto é, quando a estrutura for hiperestática e muito rígida.
 Imperfeições geométricas – na verificação do estado limite último das estruturas

1.28
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___________________________________________________________________________

reticuladas, devem ser consideradas as imperfeições geométricas globais e locais


do eixo dos elementos estruturais da estrutura descarregada.
 Momento mínimo - o efeito das imperfeições locais nos pilares pode ser substituído
em estruturas reticuladas pela consideração do momento mínimo de 1 a ordem
 Protensão - a ação da protensão deve ser considerada em todas as estruturas
protendidas, incluindo, além dos elementos protendidos propriamente ditos, aque-
les que sofrem a ação indireta da protensão, isto é, de esforços hiperestáticos de
protensão.

1.8.2 – Ações variáveis

1.8.2.1 – Ações variáveis diretas

As ações variáveis diretas são constituídas pelas cargas acidentais previstas


para o uso da construção, pela ação do vento e da água, devendo-se respeitar as
prescrições feitas por Normas Brasileiras específicas (NBR 6118:2014).

 Cargas acidentais previstas para o uso da construção - cargas verticais de uso da


construção; cargas móveis, considerando o impacto vertical; impacto lateral; força
longitudinal de frenação ou aceleração; força centrífuga.
 Ação do vento - os esforços devidos à ação do vento devem ser considerados e
recomenda-se que sejam determinados de acordo com o prescrito pela NBR
6123:1988 - Forças devidas ao vento em edificações, versão corrigida 2:2013,
permitindo-se o emprego de regras simplificadas previstas em Normas Brasileiras
específicas.
 Ação da água - o nível d'água adotado para cálculo de reservatórios, tanques, de-
cantadores e outros deve ser igual ao máximo possível compatível com o sistema
de extravasão.
 Ações variáveis durante a construção - as estruturas em que todas as fases cons-
trutivas não tenham sua segurança garantida pela verificação da obra pronta de-
vem ter, incluídas no projeto, as verificações das fases construtivas mais significa-
tivas e sua influência na fase final.

1.29
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

1.8.2.2 – Ações variáveis indiretas

 Variações uniformes de temperatura

A variação da temperatura da estrutura, causada globalmente pela variação da


temperatura da atmosfera e pela insolação direta, é considerada uniforme. Ela de-
pende do local de implantação da construção e das dimensões dos elementos estru-
turais que a compõem. De maneira genérica podem ser adotados os seguintes valores
(NBR 6118:2014):
a) para elementos estruturais cuja menor dimensão não seja superior a 50 cm,
deve ser considerada uma oscilação de temperatura em torno da média de
10ºC a 15ºC;
b) para elementos estruturais maciços ou ocos com os espaços vazios inteira-
mente fechados, cuja menor dimensão seja superior a 70 cm, admite-se que
essa oscilação seja reduzida respectivamente para 5ºC a 10ºC;
c) para elementos estruturais cuja menor dimensão esteja entre 50 cm e 70 cm
admite-se que seja feita uma interpolação linear entre os valores acima indica-
dos.

 Variações não uniformes de temperatura

Nos elementos estruturais em que a temperatura possa ter distribuição signifi-


cativamente diferente da uniforme, devem ser considerados os efeitos dessa distribui-
ção. Na falta de dados mais precisos, pode ser admitida uma variação linear entre os
valores de temperatura adotados, desde que a variação de temperatura considerada
entre uma face e outra da estrutura não seja inferior a 5ºC (NBR 6118:2014).

 Ações dinâmicas

Quando a estrutura, pelas suas condições de uso, está sujeita a choques ou


vibrações, os respectivos efeitos devem ser considerados na determinação das solici-

1.30
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___________________________________________________________________________

tações, e a possibilidade de fadiga deve ser considerada no dimensionamento dos


elementos estruturais, de acordo com a seção 23 da NBR 6118:2014.

1.8.3 – Ações excepcionais

No projeto de estruturas sujeitas a situações excepcionais de carregamento,


cujos efeitos não podem ser controlados por outros meios, devem ser consideradas
ações excepcionais com os valores definidos, em caso particular, por Normas Brasi-
leiras específicas (NBR 6118:2014).

1.8.4 – Valores das ações

1.8.4.1 – Valores característicos

Os valores característicos Fk das ações são estabelecidos na NBR-6118:2014


em função da variabilidade de suas intensidades.

Os valores característicos para as ações permanentes Fgk (a letra g será


usada para ações permanentes) devem ser adotados iguais aos valores médios das
respectivas distribuições de probabilidade, sejam valores característicos superiores
ou inferiores. Esses valores são definidos na NBR-6118:2014 ou em normas especí-
ficas, como a NBR-6120:1980, versão corrigida de 2000.

Os valores característicos das ações variáveis Fqk (a letra q será usada para
ações variáveis), estabelecidos por consenso em Normas Brasileiras específicas, cor-
respondem a valores que têm de 25% a 35% de probabilidade de serem ultrapassados
no sentido desfavorável, durante um período de 50 anos. Esses valores são aqui de-
finidos ou em normas específicas, como a NBR-6120:1980, versão corrigida de 2000.

1.8.4.2 – Valores representativos (NBR 6118:2014)

As ações são quantificadas por seus valores representativos, que podem ser:

1.31
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___________________________________________________________________________

 os valores característicos conforme definido acima;


 valores convencionais excepcionais, que são os valores arbitrados para as ações
excepcionais;
 valores reduzidos, em função da combinação de ações, tais como:
1. verificações de estados limites últimos, quando a ação considerada se
combina com a ação principal. Os valores reduzidos são determinados a
partir da expressão oFk , que considera muito baixa a probabilidade de
ocorrência simultânea dos valores característicos de duas ou mais ações
variáveis de naturezas diferentes;
2. verificações de estados limites de serviço. Esses valores reduzidos são de-
terminados a partir de 1Fk (que estima um valor frequente), e 2Fk (que
estima valor quase permanente) de uma ação que acompanha a ação prin-
cipal.
(os valores o, 1 e 2 estão apresentados na tabela 1.7 adiante)

1.8.4.3 – Valores de cálculo

Os valores de cálculo Fd das ações são obtidos a partir dos valores represen-
tativos, multiplicando-os pelos respectivos coeficientes de ponderação f definidos a
seguir.

1.8.5 – Coeficientes de ponderação das ações

As ações devem ser majoradas pelo coeficiente f dado por:

f = (f1) (f2) (f3) (1.16)

Onde:
 f1 – parte do coeficiente de ponderação das ações f , que considera a variabi-
lidade das ações
 f2 – parte do coeficiente de ponderação das ações f , que considera a simul-
taneidade de atuação das ações

1.32
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___________________________________________________________________________

 f3 – parte do coeficiente de ponderação das ações f , que considera os desvios


gerados nas construções e as aproximações feitas em projeto do ponto de vista
das solicitações

1.8.5.1 – Coeficientes de ponderação das ações no ELU

Os valores base são os apresentados na tabela 1.6 para [(f1) (f3)] e na tabela
1.7 para f2. Para pilares e pilares-paredes esbeltos com espessura inferior a 19 cm e
lajes em balanço com espessura menor que 19 cm, os esforços solicitantes de cálculo
devem ser multiplicados pelo coeficiente de ajustamento n (ver 13.2.3 e 13.2.4.1 da
NBR 6118:2014). Essa correção se deve ao aumento da probabilidade de ocorrência
de desvios relativos e falhas na construção.

Tabela 1.6 – Valores de (f1)x(f3) (Tab. 11.1 da NBR 6118:2014)

Ações
Combinações Permanentes Variáveis Protensão Recalques
de (g) (q) (p) de apoio e
ações retração

D F G T D F D F
Normais 1,4a 1,0 1,4 1,2 1,2 0,9 1,2 0

Especiais ou
1,3 1,0 1,2 1,0 1,2 0,9 1,2 0
de construção

Excepcionais 1,2 1,0 1,0 0 1,2 0,9 0 0


Onde: D é desfavorável, F é favorável, G é geral e T é temperatura.
a
- Para as cargas permanentes de pequena variabilidade, como o peso próprio das estruturas, es-
pecialmente as pré-moldadas, esse coeficiente pode ser reduzido para 1,3.

1.33
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

Tabela 1.7 – Valores do coeficiente f2 (Tab. 11.2 da NBR 6118:2014)

f2
AÇÕES
0 1a 2
Locais em que não há predominância de
peso de equipamentos que permanecem 0,5 0,4 0,3
fixos por longos períodos de tempo, nem
de elevadas concentrações de pessoas b
Cargas acidentais Locais em que há predominância de pesos
de edifícios de equipamentos que permanecem fixos 0,7 0,6 0,4
por longos períodos de tempo, ou de ele-
vada concentração de pessoas c
Biblioteca, arquivos, oficinas e garagens 0,8 0,7 0,6
Vento Pressão dinâmica do vento nas estruturas 0,6 0,3 0
em geral
Temperatura Variações uniformes de temperatura em 0,6 0,5 0,3
relação à média anual local
a Para os valores 1 relativos às pontes e principalmente aos problemas de fa-
diga, ver seção 23 da NBR 6118:2014.
b Edifícios residenciais
c Edifícios comerciais, de escritórios, estações e edifícios públicos

1.8.5.2 – Coeficientes de ponderação no ELS

Em geral, o coeficiente de ponderação das ações para estados limites de ser-


viço é dado pela expressão:

f = f2 (1.17)

Onde f2 tem valor variável conforme a verificação que se deseja fazer (tab. 1.7)

1.34
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

 f2 = 1 para combinações raras


 f2 = 1 para combinações frequentes
 f2 = 2 para combinações quase permanentes.

Os valores das tabelas 1.6 e 1.7 podem ser modificados em casos especiais aqui
não contemplados, de acordo com a NBR 8681:2003.

1.8.6 – Combinações de ações (NBR 6118:2014)

Um carregamento é definido pela combinação das ações que têm probabilida-


des não desprezíveis de atuarem simultaneamente sobre a estrutura, durante um pe-
ríodo preestabelecido.

1.8.6.1 – Combinações últimas

1. Combinações últimas normais – Em cada combinação devem estar incluídas as


ações permanentes e a ação variável principal, com seus valores característicos
e as demais ações variáveis, consideradas secundárias, com seus valores redu-
zidos de combinação, conforme NBR-8681:2003.
2. Combinações últimas especiais ou de construção – Em cada combinação de-
vem estar presentes as ações permanentes e a ação variável especial, quando
existir, com seus valores característicos e as demais ações variáveis com proba-
bilidade não desprezível de ocorrência simultânea, com seus valores reduzidos
de combinação, conforme NBR-8681:2003.
3. Combinações últimas excepcionais - Em cada combinação devem estar pre-
sentes as ações permanentes e a ação variável excepcional, quando existir,
com seus valores representativos e as demais ações variáveis com probabilidade
não desprezível de ocorrência simultânea, com seus valores reduzidos de combi-
nação, conforme NBR-8681:2003. Nesse caso se enquadram, entre outras, sismo
e incêndio.
4. Combinações últimas usuais – para facilitar a visualização, essas combinações
estão listadas na tabela 11.3 da NBR-6118:2014, transcrita na tabela 1.8 abaixo.

1.35
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

Tabela 1.8 – Combinações últimas (Tab. 11.3 da NBR 6118:2014)

Combinações
Descrição Cálculo das solicitações
últimas (ELU)
Esgotamento da
capacidade re-
sistente para Fd = g Fgk + εg Fεgk + q (Fq1k + Σ Ψ0j Fqjk) +
elementos es- εqΨ0εFεqk
truturais de con-
creto armadoa
Esgotamento da Deve ser considerada, quando necessário, a
capacidade re- força de protensão como carregamento externo
Normais sistente para com os valores Pkmáx e Pkmin para a força desfa-
elementos vorável e favorável, respectivamente, conforme
estruturais de definido na seção 9
concreto proten-
dido
S (Fsd) ≥ S (Fnd)
Perda do equilí-
Fsd = gs Gsk + Rd
brio como corpo
Fnd = gn Gnk + q Qnk - qs Qs,min ,
rígido
onde: Qnk = Q1k + Σ Ψ0j Qjk
Especiais ou de
Fd = g Fgk + εg Fεgk + q (Fq1k + Σ Ψ0j Fqjk) + εqΨ0εFεqk
construçãob

Excepcionaisb Fd = g Fgk + εg Fεgk + Fq1ecx + q Σ Ψ0j Fqjk) + εqΨ0εFεqk

Onde:
Fd - é o valor de cálculo das ações para combinação última;
Fgk - representa as ações permanentes diretas;
Fεk - representa as ações indiretas permanentes como a retração Fεgk e variáveis
como a temperatura Fεqk;

1.36
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

Fqk - representa as ações variáveis diretas das quais Fq1k é escolhida principal;
g, εg, q, εq - ver tabela 1.6; Ψ0j, Ψε - ver tabela 1.7;
Fsd - representa as ações estabilizantes;
Fnd - representa as ações não estabilizantes;
Gsk - é o valor característico da ação permanente estabilizante;
Rd - é o esforço resistente considerado como estabilizante, quando houver;
Gnk - é o valor característico da ação permanente instabilizante;
m
Qnk  Q1k   Ψ 0jQ jk
j2

Qnk - é o valor característico das ações variáveis instabilizantes;


Q1k - é o valor característico da ação variável instabilizante considerada como prin-
cipal;
Ψ0j e Qjq - são as demais ações variáveis instabilizantes, consideradas com seu
valor reduzido;
Qs,min - é o valor característico mínimo da ação variável estabilizante que acom-
panha obrigatoriamente uma ação variável instabilizante.
a - No caso geral, devem ser consideradas inclusive combinações onde o
efeito favorável das cargas permanentes seja reduzido pela considera-
ção de g= 1. No caso de estruturas usuais de edifícios essas combina-
ções que consideram g reduzido (1,0) não precisam ser consideradas.
b - Quando Fq1k ou Fq1exc atuarem em tempo muito pequeno ou tiverem
probabilidade de ocorrência muito baixa Ψ0j, pode ser substituído por Ψ2j.

1.8.6.2 – Combinações de serviço

São classificadas de acordo com sua permanência na estrutura como:

1. Quase permanente – podem atuar durante grande parte do período de vida da


estrutura e sua consideração pode ser necessária na verificação do estado limite
de deformações excessivas (ELS-DEF);
2. Frequentes – se repetem muitas vezes durante o período de vida da estrutura e

1.37
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

sua consideração pode ser necessária na verificação dos estados limites de for-
mação de fissuras, de abertura de fissuras e de vibrações excessivas. Podem
também ser consideradas para verificações de ELS-DEF decorrentes de vento ou
temperatura que possam comprometer as vedações;
3. Raras – ocorrem algumas vezes durante o período de vida da estrutura e sua con-
sideração pode ser necessária na verificação do estado limite de formação de
fissuras.
4. Combinações de serviço usuais – para facilitar a visualização, essas combina-
ções estão listadas na tabela 11.4 da NBR 6118:2014, transcrita na tabela 1.9
abaixo:
Tabela 1.9 – Combinações de serviço (Tab. 11.4 da NBR 6118:2014)

Combinações
Cálculo das solicita-
de Descrição
ções
serviço (ELS)

Combinações Nas combinações quase permanen-


quase perma- tes de serviço, todas as ações variá-
Fd, ser = Σ Fgik + Σ Ψ2j Fqjk
nentes de ser- veis são consideradas com seus valo-
viço (CQP) res quase permanentes Ψ2 Fqk
Nas combinações frequentes de ser-
viço, a ação variável principal Fq1 é
Combinações tomada com seu valor frequente Ψ1
Fd,ser = Σ Fgik + ψ1 Fq1k +
freqüentes de Fq1k e todas
Σ ψ2j Fqjk
serviço (CF) as demais ações variáveis são toma-
das com seus valores quase perma-
nentes Ψ2 Fqk

Nas combinações raras de serviço, a


Combinações ação variável principal Fq1 é tomada
Fd,ser = Σ Fgik + Fq1k +
raras de serviço com seu valor característico Fq1k e to-
Σ ψ2j Fqjk
(CR) das as demais ações são tomadas
com seus valores frequentes Ψ2 Fqk

1.38
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

1.9 – Resistências

1.9.1 – Valores característicos

Os valores característicos fk das resistências são os que, num lote de material,


têm uma determinada probabilidade de serem ultrapassados, no sentido desfavorável
para a segurança. Pode ser de interesse determinar a resistência característica infe-
rior fk,inf e a superior fk,sup , que são respectivamente menor e maior que a resistência
média fm . Para efeito da NBR-6118:2014, a resistência característica inferior é admi-
tida como sendo o valor que tem apenas 5% de probabilidade de não ser atingido
pelos elementos de um dado lote de material.

1.9.2 – Valores de cálculo

1. Resistência de cálculo - a resistência de cálculo fd é dada pela expressão:

fk
fd  (1.18)
γm

Onde m é o coeficiente de ponderação das resistências.

2. Resistência de cálculo do concreto - a resistência de cálculo do concreto


fcd é obtida em duas situações distintas:

 quando a verificação se faz em data j igual ou superior a 28 dias


f ck
f cd  (1.19)
γc

 quando a verificação se faz em data j inferior a 28 dias


f ckj f ck
f cd   β1 (1.20)
γc γc

sendo 1 a relação (fckj / fck ) dada por:

1.39
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

 28 
s 1 
 t 
β1  e (1.21)

Onde: s = 0,38 - para concreto de cimento CPIII e IV;


s = 0,25 - para concreto de cimento CPI e II;
s = 0,20 - para concreto de cimento CPV-ARI;
t - é a idade efetiva do concreto, em dias.

1.9.3 – Coeficientes de ponderação das resistências

As resistências devem ser minoradas pelo coeficiente:

m = m1 . m2 . m3 (1.22)


Onde:
m1 - é a parte o coeficiente de ponderação das resistência m , que consi-
dera a variabilidade da resistência dos materiais envolvidos.
m2 - é a parte do coeficiente de ponderação das resistência m , que consi-
dera a diferença entre a resistência do material no corpo-de-prova e na
estrutura.
m3 - é a parte co coeficiente de ponderação das resistência m , que consi-
dera os desvios gerados na construção e as aproximações feitas em
projeto do ponto de vista das resistências.

1.9.3.1 - Coeficientes de ponderação das resistências no ELU

Os valores para verificação no estado limite último (ELU) estão indicados na


tabela 1.10.

1.40
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

Tabela 1.10 – Valores dos coeficientes c e s


(Tab. 12.1 da NBR 6118:2014)
Concreto Aço
Combinações
c s

Normais 1.4 1.15

Especiais ou de
1.2 1.15
construção

Excepcionais 1.2 1

1.9.3.2 - Coeficientes de ponderação das resistências no ELS

Os limites estabelecidos para os estados limites de serviço (ELS) não neces-


sitam de minoração, portanto m = 1.

1.9.3.3 – Valores finais das resistências de cálculo do concreto e do aço

 CONCRETO
Para um concreto classe C20, por exemplo, cuja resistência característica fck =
20 MPa = 200 kgf/cm2= 2 kN/cm2, a resistência de cálculo é fcd = (fck / c) = (2 / 1,4) =
1,429 kN/cm2 (c conforme tabela 1.10). O valor da tensão de pico, quando se usa o
diagrama parábola-retângulo, a ser considerado nos cálculos deve ser afetado pelo
coeficiente de Rüsch resultando no valor final de cálculo σc = fc = 0,85fcd = 0,85x1,429
= 1,214 kN/cm2, independentemente do tipo de seção e da classe do concreto.

Por facilidade nos cálculos, normalmente se utiliza o diagrama retangular sim-


plificado de tensões no concreto, com altura y = λX e tensão constante e igual a σc
= fc = αc fcd quando a largura da seção transversal não diminui no sentido da linha
neutra para a borda mais comprimida. Caso contrário, como por exemplo, seção cir-
cular, a tensão constante deve ser σc = fc = 0,9 αc fcd. Os parâmetros λ e αc, que serão
vistos no capítulo 2 dessa apostila, são dados por:

1.41
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Materiais
___________________________________________________________________________

λ = 0,8 αc = 0,85 fck ≤ 50 MPa (1.23a)

λ = 0,8 – (fck – 50) / 400 αc = 0,85 [1 – (fck – 50) / 200] fck > 50 MPa (1.23b)

A denominação fc não aparece na NBR 6118:2014, mas de agora em diante


nessa apostila será adotado o valor fc para representar a resistência final de cálculo
do concreto à compressão.

 AÇO
Para um aço CA 50, por exemplo, cuja resistência característica ao escoa-
mento fyk = 50 kN/cm2 = 500 MPa = 5000 kgf/cm2, a resistência de cálculo é fyd = (fyk
/ s=1,15) = 4348 kgf/cm2 = 43,48 kN/cm2 ≈ 435 MPa ≈ 43,5 kN/cm2.

Tabela 1.11 – Valores finais de cálculo para os concretos e aços usuais

Valores finais de cálculo para os concretos do grupo I - fc (kN/cm2)


αc = 0,85

C20 C25 C30 C35 C40 C45 C50

1,214 1,518 1,821 2,125 2,429 2,732 3,036

Valores finais de cálculo para os concretos do grupo II - fc (kN/cm2)


αc = 0,85 [1 – (fck – 50) / 200]

C55 C60 C65 C70 C75 C80 C85 C90

3,256 3,461 3,650 3,825 3,984 4,129 4,258 4,371

Valores de cálculo para os aços - fyd (kN/cm2)

CA 25 CA 50 CA 60

21,74 43,48 52,17

1.42
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 2

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

FLEXÃO NORMAL SIMPLES


____________________________________________________________________________

2.1 - Introdução

Dentre os esforços solicitantes (entes mecânicos aferidos ao centro geométrico


da seção transversal, obtidos pela integração conveniente das tensões nessa seção)
o momento fletor M, é em condições normais, o esforço preponderante no dimensio-
namento de peças estruturais como lajes e vigas.

Quando o momento fletor atua segundo um plano que contenha um dos eixos
principais da seção transversal, a flexão é dita normal. Se esse momento atua isola-
damente tem-se a flexão normal simples. Se simultaneamente atua uma força nor-
mal N a flexão é dita normal composta. Quando atua apenas momento, com compo-
nentes nos dois eixos principais de inércia da seção transversal, a flexão é dita oblí-
qua simples e se acompanhada de força normal é dita oblíqua composta.

Normalmente o momento fletor atua em conjunto com a força cortante V, po-


dendo, no entanto em situações ideais, ser o único esforço solicitante. Nesse caso
tem-se a flexão pura, situação ilustrada na figura 2.2, no trecho entre as cargas si-
métricas P, quando se despreza o peso próprio da viga.

Segundo o item 16.1 da NBR 6118:2014, o objetivo do dimensionamento, da


verificação e do detalhamento é garantir segurança em relação aos estados limites
último (ELU) e de serviço (ELS) da estrutura como um todo ou de cada uma de suas
partes. Essa segurança exige que sejam respeitadas condições analíticas do tipo:
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Sd  Rd (MSd  MRd) (2.1)

onde Sd é a solicitação externa de cálculo e Rd é a resistência interna de cálculo.

Como a solicitação estudada é o momento fletor, a equação 2.1 no seu segundo


termo (entre parênteses) foi adaptada: momento externo solicitante de cálculo (MSd)
menor ou igual ao momento interno resistente de cálculo (MRd), mostrados na figura
2.1.

Figura 2.1 – Esforços solicitantes externos e internos na seção transversal

Na figura 2.1, a seção transversal retangular de uma viga é mostrada a es-


querda e parte da sua vista lateral é mostrada a direita. Na vista lateral a seção trans-
versal é uma linha vertical, onde estão concentrados em seu centro geométrico (CG)
os esforços externos solicitantes NSd e MSd. Como é flexão simples, a força normal
solicitante é igual à zero (NSd = 0). Por equilíbrio (∑ FHORIZ. = 0) as resultantes internas
de compressão no concreto Rcc e de tração no aço Rst são iguais. A resultante no
concreto é obtida pela integração das tensões normais de compressão do concreto
(σc), atuantes na área com hachuras da seção transversal, definida pela profundidade
(x) da linha neutra (LN). A resultante no aço é obtida pelo produto da área de aço, As
(steel), pela tensão de tração no aço, σs.

Para garantir a segurança o momento externo solicitante de cálculo MSd tem de


ser menor ou igual ao momento interno resistente de cálculo MRd, que conforme a

2.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

figura 2.1 é dado pelo binário (duas forças iguais, paralelas e de sentidos opostos
separadas por uma distância z, o braço de alavanca) interno resistente, MRd:

MSd ≤ MRd = Rcc z = Rst z (2.2)

Quanto ao comportamento resistente à flexão pura, sabe-se que sendo o con-


creto um material bem menos resistente à tração do que à compressão, tão logo a
barra seja submetida a um momento fletor capaz de produzir tensões de tração supe-
riores àquelas que o concreto pode suportar, surgem fissuras de flexão, transversais
ao eixo da barra, próximas ao centro da viga e fissuras inclinadas próximas aos
apoios, conforme mostrado na figura 2.2. As primeiras são devidas à flexão, maior no
centro, e as últimas devido ao cisalhamento, maior nos apoios.

Figura 2.2 – Fissuras de flexão

Caso não existisse as armaduras de flexão e de cisalhamento essas fissuras


provocariam a ruptura total da viga. Os esforços internos de tração são transmitidos
às armaduras por meio da aderência aço-concreto. É como se as armaduras “costu-

2.3
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

rassem” as fissuras, conforme esquematicamente mostrado na figura 2.2, o que im-


pede que as mesmas cresçam indefinidamente. Conforme será visto adiante no capí-
tulo referente à fissuração, a abertura e o controle dessas fissuras dependerão subs-
tancialmente das características e do detalhamento final da armadura de flexão.

A ruína de uma peça à flexão é um fenômeno de difícil caracterização, devido


basicamente à complexidade envolvida no funcionamento conjunto aço-concreto. Por-
tanto para que esta tarefa seja possível convenciona-se que a ruína de uma seção
à flexão é alcançada quando, pelo aumento da solicitação, é atingida a ruptura do
concreto à compressão ou da armadura à tração.

2.2 – Solicitações normais

Por solicitação normal entende-se toda solicitação que produza na seção trans-
versal tensões normais. Nesse grupo estão naturalmente a força normal, o momento
fletor ou ambos atuando simultaneamente.

A ruptura do concreto à compressão é considerada atribuindo-se, de forma con-


vencional, encurtamentos últimos para o concreto. Para seções parcialmente compri-
midas admite-se que a mesma ocorra, quando o concreto atinge na sua fibra mais
comprimida o encurtamento limite último cu, ver equações (1.9b) e (1.9c). Para se-
ções totalmente comprimidas o encurtamento máximo da fibra mais comprimida varia
de c2 a cu (ver hipóteses básicas adiante).

Para o aço admite-se que a ruptura à tração ocorra quando se atinge um alon-
gamento limite último su = 10‰. O alongamento máximo de 10‰ deve-se a uma
limitação da fissuração no concreto que envolve a armadura e não ao alongamento
real de ruptura do aço, que é bem superior a esse valor.

Atinge-se então, o estado limite último - ELU, correspondente à ruptura do con-


creto comprimido ou à deformação plástica excessiva da armadura. O momento fletor

2.4
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

solicitante de cálculo MSd é o momento de ruptura, enquanto o momento de serviço


será o de ruptura dividido pelo coeficiente de ponderação das ações f, ou seja:

M Sd
M serv  (2.3)
γf

2.2.1 – Hipóteses básicas e domínios de deformação

Conforme o item 17.2 da NBR 6118:2014, na análise dos esforços resistentes


de uma seção de viga ou pilar, devem ser consideradas as seguintes hipóteses bási-
cas:
1 - As seções transversais se mantêm planas após a deformação, os vários casos
possíveis são ilustrados na figura 2.3 (como consequência, a deformação em um
ponto qualquer da seção é proporcional à sua distância a linha neutra);
2 - A deformação das barras passivas aderentes em tração ou compressão deve ser
a mesma do concreto em seu entorno (perfeita aderência aço-concreto);
3 - As tensões de tração no concreto, normais à seção transversal, devem ser des-
prezadas no ELU (resistência nula do concreto à tração);
4 - Para o encurtamento de ruptura do concreto nas seções parcialmente compri-
midas considera-se o valor convencional de εcu (domínios 3, 4 e 4a da figura 2.3).
Nas seções inteiramente comprimidas (domínio 5) admite-se que o encurta-
mento da borda mais comprimida, na ocasião da ruptura, varie de εcu a εc2, man-
tendo-se inalterado e igual a εc2 a deformação a uma distância [(εcu - εc2) / εcu], a
partir da borda mais comprimida, a ser discutida adiante (ver figura 2.3);
5 - Para o alongamento máximo de ruptura do aço considera-se o valor convencional
de su = 10 ‰ (domínios 1 e 2 da figura 2.3) a fim de prevenir deformação plástica
excessiva;
6 - A distribuição das tensões do concreto na seção se faz de acordo com o diagrama
parábola-retângulo da figura 2.4c (já definido anteriormente na figura 1.2), com a
tensão de pico igual a fc = 0,85fcd (ver tabela 1.11). Permite-se a substituição
desse, por um diagrama retangular simplificado de altura y = λx (figura 2.4d),
onde o parâmetro λ pode ser tomado igual a:

2.5
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

λ = 0,8 para fck ≤ 50 MPa (grupo I)


(2.4)
λ = 0,8 - ( fck – 50 ) / 400 para fck > 50 MPa (grupo II)

A tensão constante atuante até a profundidade y pode ser tomada igual a:

αcfcd quando a largura da seção, medida paralelamente à LN,


não diminuir a partir dessa, para a borda mais comprimida;
(2.5a)
0,9 αcfcd no caso contrário.

Sendo αc definido como (ver figura 2.5):

αc = 0,85 para fck ≤ 50 MPa


(2.5b)
αc = 0,85 [1,0 – (fck – 50) / 200] para fck > 50 MPa

As diferenças de resultados obtidos com esses dois diagramas são pequenas e


aceitáveis, sem necessidade de coeficiente de correção adicional.
7 - A tensão nas armaduras deve ser obtida a partir das suas deformações usando
os diagramas tensão-deformação, com seus valores de cálculo.

Figura 2.3 – Domínios de deformação da NBR 6118:2014

2.6
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Figura 2.4 – Diagramas tensão-deformação para o concreto

Figura 2.5 – Valores de fc para o diagrama σxε retangular simplificado

A figura 2.4b mostra o diagrama de deformações para um ELU (estado limite


último) qualquer de uma seção retangular parcialmente comprimida, com profundi-
dade da linha neutra igual a X e deformação (encurtamento) máximo igual ao limite
de ruptura do concreto εcu. As figuras 2.4c e 2.4d mostram os diagramas de tensões
de compressão no concreto, considerando o diagrama parábola-retângulo e o retan-
gular simplificado, respectivamente.
2.7
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Na figura 2.4c os trechos, constante e parabólico, do diagrama parábola-retân-


gulo têm alturas ac1 e ac2 respectivamente. Por semelhança de triângulos (ou por regra
de três simples) determina-se, a partir da figura 2.4b, a distância ac2 = (εc2 / εcu)(X) e
a seguir a distância ac1 = (X - ac2) = [(εcu - εc2) / εcu](X).

A resultante total de compressão no concreto, Rcc, é a soma das resultantes


Rcc1 e Rcc2, dos trechos com tensões constante e com variação parabólica, respecti-
vamente (Rcc = Rcc1 + Rcc2).

Conforme a hipótese básica 6, para o diagrama parábola-retângulo, a tensão


constante é sempre igual a fc = 0,85fcd. Considerando-se concretos do grupo I (até
classe C50) em que εcu = 3,5‰ e εc2 = 2‰, as alturas dos dois trechos do diagrama
de tensões ficam: ac2 = [2 / (3,5)](X) = (4 / 7)(X) e ac1 = (X – ac2) = (3 / 7)(X). Para
essa situação as resultantes Rcc1 (trecho constante) e Rcc2 (trecho parabólico) ficam:
3 9
R cc1  f c b X  f c bX
7 21
17
R cc  f c bX  0,809fc bX
21
2 4 8
R cc2  f c b X  f c bX
3 7 21

A resultante do trecho parabólico Rcc2, é igual à resultante em um trecho de


tensão constante, fc = 0,85fcd, com altura [(2/3) ac2] e ponto de aplicação, a partir da
linha neutra, igual a [(5/8) ac2].

As resultantes totais Rcc das figuras 2.4c e 2.4d serão equivalentes se adicio-
nalmente, a distância Z até a LN, nos dois casos, for a mesma. Na figura 2.4c, o equi-
líbrio exige que:
R cc1Z1  R cc2Z 2  R ccZ

1 4  11 R cc1Z1  R cc2Z2 139


Z1   X  X  X Z  X  0,584X
2 7  14 R cc 238
5 5 4 5
Z 2  a c2  ( X)  X
8 8 7 14

2.8
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___________________________________________________________________________

Os valores encontrados 0,809 e 0,584, para o diagrama parábola-retângulo,


são aproximadamente iguais aos valores 0,8 e 0,6, que representam respectivamente
a altura do diagrama retangular simplificado e do ponto de aplicação da sua resultante,
conforme a figura 2.4d. Demonstra-se nesse caso específico do grupo I (fck ≤ 50 MPa,
λ = 0,8), onde εc,max = εcu = 3,5‰, perfeita equivalência entre os dois diagramas.
Quando εc,max < εcu = 3,5‰ os resultados entre os dois diagramas apresentam dife-
renças maiores, mesmo assim, conforme a hipótese básica 6 é permitido a substitui-
ção do diagrama parábola-retângulo pelo retangular simplificado. Isso facilitará bas-
tante o dimensionamento no ELU, como visto ainda nesse capítulo.

Na figura 2.3 (domínios de deformação da NBR 6119:2014) a seção transver-


sal, mostrada à esquerda, apresenta uma armadura tracionada ou menos comprimida
(As) e outra, mais comprimida ou menos tracionada (A’s). A profundidade da linha
neutra X é considerada positiva da borda mais comprimida para baixo. Na vista lateral
da viga, mostrada à direita, a seção transversal indeformada é representada por uma
linha vertical. Depois de carregada a seção se deforma e conforme a hipótese simpli-
ficadora 1 (seções transversais se mantêm planas após a deformação), a seção fica
inclinada. Na seção deformada os alongamentos (tração) são marcados do seu lado
esquerdo e os encurtamentos (compressão) do lado direito.

Para a construção da figura 2.3 a seção transversal sem deformações, portanto


sem solicitação, inicialmente é tracionada pelo seu centro geométrico produzindo tra-
ção uniforme. Nessa situação a seção solicitada desloca-se verticalmente para a es-
querda (alongamento) e como o concreto não resiste à tração (hipótese básica 3), a
única possibilidade de se ter um estado limite último é tracionar igualmente as duas
armaduras com a deformação última do aço εsu = 10‰ (hipótese básica 5). Com isso
a seção transversal é deslocada para a reta “a”, ou reta da tração centrada, onde
são normalmente dimensionados os tirantes (peças preponderantemente solicitadas
à tração) sem momentos. Caso as armaduras não sejam simétricas haverá momento
fletor.

2.9
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___________________________________________________________________________

O domínio 1 de deformações começa na reta “a”, onde a seção solicitada é


paralela à seção sem solicitação. Nessa situação o prolongamento dessas duas se-
ções se cruzam no infinito, quando a profundidade da linha neutra vale (X) = - ∞ (para
cima). Continuando a solicitação da seção a partir da reta “a”, pode-se dar uma pe-
quena excentricidade da força normal de tração produzindo uma flexo-tração com
alongamento maior na armadura As (mais tracionada). Para que se tenha um estado
limite último o alongamento nessa armadura tem de ser εsu = 10‰, valor da deforma-
ção da armadura As para todas as solicitações nesse domínio. Conforme figura 2.3
todas as solicitações no domínio 1, passam pelo ponto A.

Girando-se em torno desse ponto, o domínio 1 abrange todas as solicitações


desde a reta “a”, onde X = - ∞, até numa situação limite onde a profundidade da linha
neutra é nula, ou seja, X = 0. Nesse domínio a seção está inteiramente tracionada,
com solicitações variando desde a tração centrada até flexo-tração (tração não uni-
forme) sem compressão.

O domínio 2 é caracterizado também pelo ELU correspondente à deformação


plástica excessiva do aço, ou seja ponto A. A seção transversal é parcialmente com-
primida, até que no limite, seja atendido simultaneamente o ELU para a ruptura do
concreto à compressão, ou seja, εc = εcu. As solicitações possíveis nesse domínio são
de flexo-tração com excentricidades maiores que as do domínio 1, naturalmente fle-
xão simples pois se tem simultaneamente resultantes de compressão (concreto) e
de tração (aço), e flexo-compressão com excentricidades pequenas, sem ruptura à
compressão do concreto, ou seja, εc ≤ εcu.

A profundidade da LN varia desde X = 0 até a profundidade limite X = X2L, que


por semelhança de triângulos na figura 2.6, resulta:

ε cu ε  10
 cu (2.6)
X 2L d

2.10
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Figura 2.6 – Profundidade limite do domínio 2 (X2L)

3,5
X2L  d  0,259d para concretos do grupo I (2.6a)
3,5  10
ε cu
X 2L  d para concretos do grupo II (2.6b)
ε cu  10

Onde d é altura útil da seção, distância da borda mais comprimida da seção


até o centro da armadura mais tracionada As e εcu é o encurtamento de ruptura do
concreto, dado nas equações (1.9a) e (1.9b).

Por simplicidade os valores ‰ foram suprimidos das deformações nas equa-


ções (2.6) além de serem consideradas em módulo. Nessas equações a profundidade
X2L, em valor absoluto, não depende do tipo de aço usado, mas do grupo do concreto.
Em muitos casos é conveniente usar o valor relativo da profundidade limite do domí-
nio 2, um valor adimensional dado por:

X 2L
ξ 2L   0,259 para concretos do grupo I (2.7a)
d
ε cu
ξ 2L  para concretos do grupo II (2.7b)
ε cu  10

2.11
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___________________________________________________________________________

A partir do X2L não se pode mais girar a seção pelo ponto A, o que produziria
deformações superiores à εcu no concreto. Portanto, a parir desse ponto a seção deve
girar em torno do ponto B, desde a deformação na armadura εsu = 10‰ até a defor-
mação εyd, correspondente à tensão de escoamento de cálculo do aço. Esse domínio
particular de deformação é o domínio 3 da figura 2.3, caracterizado basicamente pela
flexão simples (seções subarmadas) e flexo-compressão com ruptura à compressão
do concreto e com o escoamento da armadura As. A linha neutra varia desde a pro-
fundidade limite do domínio 2 até ao valor limite do domínio 3, X3L (figura 2.7).

Figura 2.7 – Profundidade limite do domínio 3 (X3L)

Como as deformações do aço nesse domínio estão no intervalo εyd ≤ εs ≤10‰,


a tensão na armadura As é constante e igual à fyd (figura 1.5). Na figura 2.7 o valor
X3L também é obtido por semelhança de triângulos resultando:

ε cu 
ε cu  ε yd 
 (2.8)
X 3L d

2.12
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___________________________________________________________________________

X 3L 3,5
ξ 3L   para concretos de classes até C50 (2.8a)
d 3,5  ε yd

ε cu
ξ 3L  para concretos de classes C55 até C90 (2.8b)
ε cu  ε yd

Nota-se nas equações 2.8 que as profundidades absoluta e relativa limites do


domínio 3 dependem do tipo de aço usado e do grupo do concreto. Os valores relati-
vos desse domínio estão apresentados na tabela 2.1, juntamente com os do domínio
2, que só dependem do grupo do concreto.

Tabela 2.1 – Valores limites de ε para o concreto e ξL para os domínios


Deformações limites do concreto e profundidades relativas dos domínios 2 e 3
ξ3L=X3,L/d
εc2 εcu ξ2L=
CLASSE CA 25 CA 50 CA 60
‰ ‰ X2,L/d
εyd=1,035‰ εyd=2,070‰ εyd=2,484‰
Até C50 2,000 3,500 0,259 0,772 0,628 0,585
C55 2,199 3,125 0,238 0,752 0,602 0,557
C60 2,288 2,884 0,224 0,736 0,582 0,537
C65 2,357 2,737 0,215 0,726 0,569 0,524
C70 2,416 2,656 0,210 0,720 0,562 0,517
C75 2,468 2,618 0,207 0,717 0,558 0,513
C80 2,516 2,604 0,207 0,716 0,557 0,512
C85 2,559 2,600 0,206 0,715 0,557 0,511
C90 2,600 2,600 0,206 0,715 0,557 0,511

No domínio 4 a seção continua girando em torno do ponto B desde a posição


final do domínio 3 até que, a deformação na armadura As, seja nula. Embora possível,
nesse domínio o dimensionamento à flexão simples (seções superarmadas) deve
ser evitado por questões econômicas, como será visto mais adiante. A armadura As
trabalha com uma tensão de tração menor ou igual à fyd, não aproveitando de forma
racional o material constituinte mais caro do concreto armado. Portanto, a solicitação
preponderante desse domínio deve ser a flexo-compressão.
2.13
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___________________________________________________________________________

A profundidade limite desse domínio é X4L = d, ficando a profundidade relativa:

ξ 4L  1 (2.9)

Na figura 2.3 ainda se pode girar em torno do ponto B até que seção tenha
deformação nula na fibra inferior mais tracionada. Isso caracteriza um domínio de de-
formação muito pequeno que recebe um nome secundário, domínio 4a, caracterizado
pela flexo-compressão com ambas as armaduras comprimidas. A linha neutra varia
de d até a altura total da peça h.

Se continuasse a girar em torno do ponto B a seção transversal estaria inteira-


mente comprimida e nessa situação o encurtamento na fibra a [(εcu – εc2) / εcu] h da
borda mais comprimida seria maior que εc2, o que contraria a hipótese básica 4, ou
seja: em peças inteiramente comprimidas o encurtamento da fibra mais comprimida
varia de εcu a εc2, desde que a [(εcu – εc2) / εcu] h dessa borda o encurtamento seja
constante e igual a εc2 (figuras 2.3 e 2.8). Isso significa que no domínio 5 a seção gira
em torno de um terceiro ponto, o C da figura 2.3. Esse domínio se caracteriza por
peças submetidas à flexo-compressão com as armaduras comprimidas, até a situação
limite da compressão centrada, reta b.

A figura 2.8 representa a situação de deformação correspondente ao final do


domínio 4a e ao início do domínio 5. Nessa situação, onde X = h, as distância a0-2
a2-u são obtidas por regra de três simples, resultando:

εcu εc2
 (2.10a)
h a0  2
4 3
a0  2  h  a2 u  h para concretos do grupo I (2.10b)
7 7
ε c2
a0  2  h  a 2 u  h  a0  2 para concretos do grupo II (2.10c)
ε cu

2.14
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Figura 2.8 – Início do domínio 5 - Localização do ponto C

Naturalmente nesse domínio a flexão simples não é possível, sendo o mesmo


caracterizado pela flexo-compressão com excentricidades maiores e capazes de com-
primir inteiramente a seção transversal. Esse domínio vai desde a situação mostrada
na figura 2.8 até a reta “b”, da compressão centrada, onde a profundidade limite da
linha neutra vale (X5L) = + ∞.

2.3 - Seções subarmada, normalmente armada e superarmada

No caso particular da flexão simples, dos cinco domínios existentes ficam eli-
minados os de número 1 (seção totalmente tracionada), 4a e 5 (seção totalmente
comprimida) restando, pois, os domínios possíveis 2, 3 e 4.

Os domínios 2 e 3 correspondem ao que se denomina seção subarmada onde


a armadura escoa à tração antes da ruptura do concreto à compressão, sd  yd, com

2.15
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___________________________________________________________________________

a armadura tracionada trabalhando com a máxima tensão de cálculo, fyd. O domínio


4 corresponde ao que se denomina seção superarmada, onde o concreto atinge o
encurtamento convencional de ruptura εcu antes da armadura escoar, sd < yd, com a
armadura tracionada trabalhando com tensões inferiores a fyd.

Costuma-se chamar normalmente armada uma seção que funciona no limite


entre as duas situações acima, isto é, na qual, teoricamente, o encurtamento último
convencional do concreto comprimido e a deformação de escoamento do aço ocorram
simultaneamente. Na figura 2.3 a situação de peças normalmente armadas ocorre no
limite entre os domínios 3 e 4.

Segundo o professor Tepedino, J. M.-(1980), em suas apostilas de notas de


aula, “em princípio, não há inconveniente técnico na superarmação, a não ser, talvez,
alguma deformação excessiva por flexão, fato que pode ser prevenido. No entanto, a
superarmação é antieconômica, pelo mau aproveitamento da resistência do aço. Por
isto mesmo, sempre que possível, devem-se projetar seções subarmadas ou normal-
mente armadas, sendo a mesma desaconselhável pela NBR 6118”.

A NBR 6118:2014 prescreve no item 14.6.4.3 limites para redistribuição de mo-


mentos e condições de dutilidade:

“A capacidade de rotação dos elementos estruturais é função da posição da linha


neutra no ELU. Quanto menor é (x/d), tanto maior será essa capacidade.
Para proporcionar o adequado comportamento dútil em vigas e lajes, a posição da
linha neutra no ELU deve obedecer aos seguintes limites:

a) (x/d)  0,45 para concretos com fck  50 MPa; ou (2.11a)

b) (x/d)  0,35 para concretos com 50 MPa < fck ≤ 90 MPa; (2.11b)

Esses limites podem ser alterados se forem utilizados detalhes especiais de armadu-
ras, como, por exemplo, os que produzem confinamento nessas regiões.”

2.16
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___________________________________________________________________________

E no item 17.2.3, dutilidade de vigas:

“Nas vigas é necessário garantir boas condições de dutilidade respeitando os limites


de posição da linha neutra (x/d) dados em 14.6.4.3, sendo adotada, se necessário,
armadura de compressão.

A introdução da armadura de compressão para garantir o atendimento de valores me-


nores da posição da linha neutra x, que estejam nos domínios 2 ou 3, não conduz a
elementos estruturais com ruptura frágil. A ruptura frágil está associada a posições da
linha neutra no domínio 4, com ou sem armadura de compressão. ”

Analisando-se a tabela 2.1 construída para concretos de classes C20 até C90
e os valores limites de (x/d) dados acima, para garantir o adequado comportamento
dútil, nota-se que para os três tipos de aços usados essas profundidades relativas
limites são maiores que os valores ξ2L e menores que os valores ξ3L da tabela. De
agora em diante os valores relativos limites serão ξL = (x/d)L = 0,45 para concretos
com fck ≤ 50 MPa e ξL = (x/d)L = 0,35 para concretos com 50 MPa < fck ≤ 90 MPa; e
tanto um quanto o outro valor estão localizados no domínio 3.

2.4 - Seção retangular submetida à flexão simples

Segundo Tepedino (1980) “no caso da seção retangular, pode-se, sem erro
considerável e obtendo-se grande simplificação, adotar, para os domínios 2 e 3 (seção
subarmada ou normalmente armada), o diagrama retangular para as tensões no con-
creto, permitido pela NBR 6118”, representado na figura 2.4d.

Na figura 2.9 tem-se uma seção retangular submetida apenas a um momento


solicitante de cálculo Md, ou seja Nd = 0, onde:

2.17
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___________________________________________________________________________

 b – largura da seção retangular (na NBR 6118:2014 é dado por bw, onde “w”
significa nervura ou alma – web. Suprimido por simplicidade na flexão de se-
ções retangulares, esse índice será usado na flexão de seções T, mais à
frente);
 h – altura total da seção retangular;
 d – altura útil da seção transversal (profundidade da armadura As);
 d’ – profundidade da armadura A’s (borda mais comprimida até o CG de A’s);
 X – profundidade da linha neutra para o diagrama σxε parábola-retângulo;
 y – profundidade da linha neutra para o diagrama σxε retangular;
 z – braço de alavanca do binário interno resistente (distância entre Rcc e Rst);
 λ – parâmetro de redução da altura do diagrama parábola-retângulo transfor
mando-o em diagrama retangular simplificado, dado nas equações (2.4);
 αc – parâmetro de redução da resistência de pico do concreto na compressão,
quando se usa o diagrama retangular simplificado, dado nas equações (2.5);
 Rcc – resultante interna de compressão no concreto;
 Rst – resultante interna de tração na armadura As;
 R’sd – resultante interna de compressão na armadura A’s;
 Md – momento externo solicitante de cálculo (até agora dado por MSd).

Figura 2.9 – Seção retangular submetida à flexão simples

2.18
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A armadura tracionada As é racionalmente dimensionada na flexão simples


quando trabalha com a máxima tensão possível sd = fyd, ou seja, apenas nos domí-
nios 2 e 3, onde a profundidade relativa da linha neutra ( ξ = x/d) é menor ou igual à
profundidade relativa limite do domínio 3 ( ξ 3L). Atendendo essa premissa básica do
dimensionamento à flexão, a resultante de tração Rst deve ser obtida pelo produto da
área As (incógnita) pela tensão σs = fyd, conforme mostrado na figura 2.9.

Como a seção é retangular e considerando concretos do grupo I, a tensão do


concreto no diagrama retangular deve ser fc = αc fcd = 0,85 fcd, conforme figura 2.9.
Ainda de acordo com essa figura pode-se escrever duas equações de equilíbrio:
 o somatório de momentos é nulo em relação a um ponto qualquer, por exemplo,
o ponto de aplicação de As (equação 2.12)
 o somatório de forças na direção horizontal é nulo (equação 2.13).

 y

M d  R cc  d    R'sd d  d'
 2
 (2.12)

Nd  0  R cc  R'sd - R st (2.13)

Onde: Rcc = fcby; R’sd = A’sσ’sd; Rst = Asfyd; (d-y/2) = z.

Na equação (2.12) os três termos representam momentos, o primeiro o mo-


mento fletor externo solicitante de cálculo e os dois da direita, momentos fletores in-
ternos resistentes de cálculo devidos à resultante de compressão do concreto e à
resultante de compressão na armadura A’s, respectivamente. Ao dividir os termos
dessa equação de equilíbrio por um outro que tenha a mesma dimensão de um mo-
mento, por exemplo, (fc b d2), obtém-se uma nova equação de equilíbrio em termos
adimensionais, que depois das simplificações é dada por:

A' s σ'sd  d' 


K  K' 1   (2.14)
f c bd  d
Onde:

2.19
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Md
K (2.15)
f c bd 2

é o parâmetro adimensional que mede a intensidade do momento fletor externo soli-


citante de cálculo;

 y
fcby  d  
 2 y y   α
K'   1    α 1   (2.16)
fcbd 2
d 2d   2

é o parâmetro adimensional que mede a intensidade do momento fletor interno resis-


tente de cálculo, devido ao concreto comprimido.

O terceiro termo de (2.14) é também adimensional e mede a intensidade do


momento fletor interno resistente de cálculo, devido à armadura A’s comprimida.

Na equação (2.16),  é o valor da profundidade relativa da linha neutra refe-


rente ao diagrama retangular simplificado de tensões no concreto, dada por:

y X
   λ (2.17)
d d

A equação (2.16) representa uma equação do segundo grau em , portanto,


conforme (2.17) em função da incógnita X (profundidade da linha neutra), que depois
de resolvida fornece entre as duas raízes do problema, o seguinte valor possível:

  1  1  2K' (2.18)

A raiz com o sinal positivo foi descartada uma vez que o seu valor máximo ou
limite, para qualquer classe de concreto, é igual a αmax = λmax (x/d)L,max = λmax ξ L,max
= 0,8 x 0,45 = 0,36 < 1.

2.20
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___________________________________________________________________________

Da equação (2.14), multiplicando-se e dividindo-se o último termo simultanea-


mente por fyd, obtém-se a expressão para o cálculo da armadura comprimida A’s:

 
 f c bd  K  K' 
A' s    φ (2.19)
 f yd  d' 
  1  
 d 

onde φ representa o nível de tensão na armadura comprimida, que é sempre menor


ou igual a 1, dada por:

σ 'sd
φ 1 (2.20)
f yd

A partir da equação de equilíbrio (2.13) determina-se a armadura de tração As


dada por:

f c by A' s σ'sd
As   (2.21)
f yd f yd

Multiplicando-se e dividindo-se simultaneamente o segundo termo de (2.21) por


d e substituindo a relação (’sd / fyd) do terceiro termo pela equação (2.20), obtém-se:

f c bd  y 
As     A' s φ (2.22)
f yd  d 

Substituindo-se as equações (2.17), (2.18) e (2.19) na equação (2.22) obtém-


se:

As = As1 + As2 (2.23)

com

2.21
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A s1 
f c bd
f yd
f bd
α c
f yd

1  1  2K'  (2.24)

 
 f c bd  K  K' 
A s2  A' s φ     (2.25)
 f yd  d' 
  1  
 d 

Normalmente calcula-se a armadura As. Caso a parcela As2 seja diferente de


zero, calcula-se a armadura comprimida A’s, segundo (2.25), dada por:

A s2
A' s  (2.26)
φ

2.4.1 – Seções com armaduras simples e dupla

A armadura de compressão A’s nem sempre é necessária para equilibrar o mo-


mento externo solicitante Md (representado adimensionalmente por K), que nesse
caso será equilibrado internamente apenas pelo momento devido ao concreto compri-
mido (representado adimensionalmente por K’). A única possibilidade matemática de
se ter armadura A’s nula e consequentemente também As2, é fazer em (2.19) ou em
(2.25), K’ = K. Essa igualdade tem uma explicação física coerente com a situação de
armadura simples (sem armadura de compressão). Quando o momento externo Md
(K), for equilibrado apenas pelo momento interno devido ao concreto comprimido (K’),
tem-se fisicamente K = K’, não sendo necessária, portanto, armadura de compressão
A’s.

Conforme visto anteriormente na equação (2.9), a máxima profundidade rela-


tiva da linha neutra para se ter seção subarmada e/ou normalmente armada é a cor-
respondente ao limite do domínio 3. Com essa profundidade limite obtém-se o máximo
momento interno resistente devido ao concreto K’L (sem necessidade de A’s), que
deve ser equilibrado pelo momento externo limite KL. Para essa situação limite, a partir
da equação (2.16), obtém-se:

2.22
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___________________________________________________________________________

 α 
K L  K 'L  α L  1 - L  (2.27)
 2 
com
y  X
α L     λ   λξ 3L (2.28)
 d L  d L

O valor de αL em (2.28) é função de 3L que depende do tipo de aço empregado.


Segundo a NBR 6118:2014, item 14.6.4.3, os valores limites L = 0,45 (grupo I) ou
L=0,35 (grupo II) para proporcionar o adequado comportamento dútil, “podem ser
alterados se forem utilizados detalhes especiais de armaduras, como por exemplo, os
que produzem confinamento nessas regiões”. Esse confinamento da região compri-
mida da seção transversal pode ser obtido com os próprios estribos (armadura trans-
versal de combate ao cisalhamento) ou adicionalmente com estribos menores e me-
nos espaçados confinando apenas a área comprimida da seção transversal, Delali-
bera (2002). Os valores alterados de αL e KL, sem o adequado comportamento dútil,
para os três tipos de aços usados estão listados na tabela 2.2.

Tabela 2.2 – Valores de KL SEM o adequado comportamento dútil


(X/d)L = (X/d)3L = 3L

KL
CLASSE λ
CA 25 CA 50 CA 60
Até C50 0,8000 0,427 0,376 0,358
C55 0,7875 0,417 0,362 0,342
C60 0,7750 0,408 0,349 0,330
C65 0,7625 0,400 0,340 0,320
C70 0,7500 0,394 0,333 0,313
C75 0,7375 0,389 0,327 0,307
C80 0,7250 0,384 0,322 0,302
C85 0,7125 0,380 0,318 0,298
C90 0,7000 0,375 0,314 0,294

2.23
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___________________________________________________________________________

Tabela 2.3 – Valores de KL COM o adequado comportamento dútil

CLASSE λ ξL= (X/d)L αL= λ(X/d)L KL= αL(1- αL/2)

Até C50 0,8000 0,45 0,360 0,295


C55 0,7875 0,35 0,276 0,238
C60 0,7750 0,35 0,271 0,234
C65 0,7625 0,35 0,267 0,231
C70 0,7500 0,35 0,263 0,228
C75 0,7375 0,35 0,258 0,225
C80 0,7250 0,35 0,254 0,222
C85 0,7125 0,35 0,249 0,218
C90 0,7000 0,35 0,245 0,215

Na tabela 2.3 estão listados os valores de αL e KL, com o adequado comporta-


mento dútil, que dependem apenas do valor da resistência fck do concreto. Esses
serão os valores considerados nessa apostila.

A seção normalmente armada (X = X3L) descrita anteriormente (item 2.3), re-


siste ao máximo momento aplicado sem a necessidade de armadura de compressão
(armadura simples), quando não se preocupa com o adequado comportamento dútil
da viga. Essa situação correspondente aos valores da tabela 2.2, não é mais possível
quando se deseja esse comportamento, onde a necessidade de armadura de com-
pressão acontece para momentos aplicados menores, conforme os valores menores
de KL apresentados na tabela 2.3.

A partir da equação (2.15) e considerando-se os valores limites da tabela 2.3,


obtém-se:


M dL  K L f c bd 2  (2.29)

ou

2.24
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Md
dL  (2.30)
K Lfcb

onde:
 MdL - é o máximo momento fletor de cálculo resistido com armadura simples
 dL - é a altura útil mínima necessária para resistir ao Md com armadura
simples

Caso o momento de cálculo solicitante seja maior que MdL ou ainda que a altura
útil seja menor que dL, o que significa em ambos os casos K > KL, torna-se necessário
adicionalmente para o equilíbrio, a armadura de compressão A’s. Essa situação, com
a utilização simultânea de armaduras As e A’s, caracteriza seções dimensionadas à
flexão simples com armadura dupla.

Conforme já citado a superarmação deve sempre ser evitada, principalmente


por ser antieconômico. Na situação de armadura dupla para os valores da tabela 2.3,
caso se pretenda absorver um momento solicitante superior ao MdL apenas com ar-
madura de tração, isso não significa necessariamente peças superarmadas (domínio
4). Já com os valores da tabela 2.2, caso a mesma situação ocorra e seja possível o
equilíbrio apenas com armadura simples (só As), essa seção será obrigatoriamente
superarmada, uma vez que os limites da tabela 2.2 referem-se ao final do domínio 3.

Na situação de armadura dupla K > KL (Md > MdL), o momento total solicitante
Md (adimensionalmente K) é dividido em dois, o primeiro igual ao máximo momento
sem necessidade de armadura de compressão, MdL = Md1 (adimensionalmente KL) e
o segundo igual a diferença MdL – Md1 = Md2 (adimensionalmente K - KL). Na prática
basta fazer nas equações (2.19), (2.24) e (2.25), de dimensionamento à flexão em
seções retangulares, K’ = KL. Essa igualdade significa fisicamente que o momento
interno resistente referente ao concreto comprimido K’ é igual ao máximo momento
fletor externo de cálculo sem necessidade de armadura de compressão, KL.

2.25
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

A parcela (Md1 = MdL) do momento total será resistida pelo binário interno for-
mado pelas resultantes de compressão do concreto (Rcc,max = fcbyL) e de tração do
aço (Rst1 = As1fyd). Na expressão de Rcc,max acima, yL = λXL, com λ e XL dependentes
do valor de fck. A segunda parcela do momento total, Md2, será absorvida pelo binário
interno formado pelas resultantes da segunda parcela da armadura tracionada (Rst2 =
As2fyd) e da armadura comprimida (R’sd = A’sσ’sd) (ver figura 2.10).

Figura 2.10 – Seção retangular com armadura dupla

2.4.2 – Nível de tensão φ na armadura comprimida A’s

No cálculo da armadura comprimida A’s aparece o nível de tensão φ, equação


(2.20), que normalmente vale 1, ou seja ’sd = fyd. A tensão na armadura comprimida
’sd é função da deformação ’sd, que por sua vez depende da profundidade relativa
da linha neutra  = (x/d). Na situação de armadura dupla (onde A’s  0) essa profun-
didade relativa é constante e igual ao valor L = 0,45 (ou L = 0,35), dados na tabela
2.3, ambos valores situados no domínio 3, onde εc,max = εcu (figura 2.10).

A deformação ’s pode ser calculada a partir da equação (2.32) abaixo, obtida
por semelhança de triângulos na figura 2.10:

ε's ε
 cu (2.31)
X L  d' X L

2.26
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___________________________________________________________________________

X d'
  ( )
X L  d'  d L d
ε's  ε cu  ε cu (2.32)
XL X
 
 d L
Caso ’s seja menor que o valor da deformação de cálculo correspondente ao
escoamento yd, a tensão ’sd é obtida pela aplicação da Lei de Hooke, (’sd = Es.’s),
o que implica em valor de φ menor que 1. Caso contrário ’sd = fyd, o que implica em
φ = 1. Fazendo-se na equação (2.32) ’s  yd obtém-se a equação (2.33) a seguir,
que expressa a relação (d’/d), abaixo da qual se tem φ = 1:

 d'   X   ε yd 

     1   (2.33)
 d   d  lim  ε cu 

O aço CA-25 é pouco usado no Brasil, o CA-60 é normalmente usado para


flexão em lajes, onde não se usa armadura dupla, restando pois, o aço CA-50, que é
o mais utilizado para flexão em vigas. Os valores das relações (d’/d) e (d/d’) que
atendem à condição φ = 1 estão indicados na tabela 2.4, para os três tipos de aço.

Tabela 2.4 – Valores das relações (d’/d) e (d/d’) para se ter φ = 1


CA 25 CA 50 CA 60
εcu
CLASSE εyd = 1,035 ‰ εyd = 2,070 ‰ εyd = 2,484 ‰

(d’/d)≤ (d/d’)≥ (d’/d)≤ (d/d’)≥ (d’/d)≤ (d/d’)≥
Até C50 3,500 0,317 3,155 0,184 5,439 0,131 7,655
C55 3,125 0,234 4,272 0,118 8,460 0,072 13,929
C60 2,884 0,224 4,456 0,099 10,123 0,049 20,600
C65 2,737 0,218 4,595 0,085 11,724 0,032 30,909
C70 2,656 0,214 4,681 0,077 12,950 0,023 44,120
C75 2,618 0,212 4,725 0,073 13,650 0,018 55,820
C80 2,604 0,211 4,742 0,072 13,933 0,016 62,000
C85 2,600 0,211 4,747 0,071 14,016 0,016 64,039
C90 2,600 0,211 4,747 0,071 14,016 0,016 64,039

2.27
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___________________________________________________________________________

Os valores da tabela 2.4 para concretos com fck ≤ 50 MPa são atendidos para
as vigas usuais de concreto armado, ou seja, geralmente o nível de tensão na arma-
dura comprimida é igual a 1. No entanto, à medida que a resistência do concreto au-
menta esses valores (d’/d) diminuem, ou (d/d’) aumentam, para valores não pratica-
dos usualmente nas vigas de concreto, o que significa valores de φ = ’sd / fyd < 1.
Nesses casos o valor de φ é dado por:

 X   d'  
  d    d   ε E 
  L    cu s 1
φ (2.34a)
 X  f yd 

 d 
  L 

Particularizando os valores da tabela 2.4 e a equação (2.34a) para concretos


com fck ≤ 50 MPa e aço CA 50, obtém-se:

φ 1 para (d’/d) ≤ 0,184 ou (d/d’) ≥ 5,439 (2.34b)

 X  d' 
 d   d 
 L
φ  1,6905   1 no caso contrário. (2.34c)
 X 
 d 
  L 

A tabela 2.5 abaixo foi construída agrupando-se os parâmetros usuais do con-


creto para o cálculo à flexão.

2.28
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___________________________________________________________________________

Tabela 2.5 – Parâmetros do concreto para cálculo à flexão

Parâmetros usuais do concreto


fck (MPa) (X/d)L εc2 (‰) εcu (‰) λ αc
≤ 50 0,45 2,000 3,500 0,8000 0,85000
55 0,35 2,199 3,125 0,7875 0,82875
60 0,35 2,288 2,884 0,7750 0,80750
65 0,35 2,357 2,737 0,7625 0,78625
70 0,35 2,416 2,656 0,7500 0,76500
75 0,35 2,468 2,618 0,7375 0,74375
80 0,35 2,516 2,604 0,7250 0,72250
85 0,35 2,529 2,600 0,7125 0,70125
90 0,35 2,600 2,600 0,7000 0,68000

Todo o dimensionamento de seções retangulares submetidas à flexão simples


encontra-se de forma resumida na próxima página.

2.29
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___________________________________________________________________________

2.30
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2.5 – Seção T ou L submetidas à flexão simples

As vigas de concreto armado são normalmente construídas solidárias (monoli-


ticidade do concreto armado) com as lajes que nelas apoiam. Ao trabalharem juntas,
as deformações e consequentemente as tensões nos pontos em comum das vigas e
lajes são as mesmas. Se essas tensões são de compressão as lajes colaboram na
resistência interna à compressão, aumentando a área comprimida e consequente-
mente o desempenho final da viga. Conforme ilustrado na figura 2.11, se a contribui-
ção da laje ocorre simultaneamente nos dois lados da viga (nervura), tem-se uma viga
de seção T. Quando essa contribuição ocorre apenas em um dos lados, tem-se uma
viga de seção L.

Figura 2.11 – Aspectos geométricos das vigas de seção T ou L

As vigas de concreto armado com seção geométrica em T ou L são compostas


de uma nervura ou alma (de largura bw) e uma mesa (de largura bf), conforme ilus-
trado nas figuras 2.11 e 2.12. As mesmas só podem ser consideradas como tal se a
mesa estiver comprimida, caso contrário, se comportarão como seção retangular de
largura b = bw.
2.31
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Por outro lado, caso a profundidade da linha neutra, considerando-se o dia-


grama retangular simplificado, seja menor ou igual à altura da mesa (y  hf), a seção
será tratada como retangular, de largura b = bw = bf, porque não importa a geometria
da seção abaixo da LN, uma vez que o concreto não trabalha à tração.

Figura 2.12 – Seção T submetida à flexão simples

Também no caso da seção em T ou L é válida e vantajosa a substituição do


diagrama parábola-retângulo pelo retangular simplificado. Para seções subarmadas
atendendo aos limites da NBR 6118:2014, (X/d)L = 0,45 ou (X/d)L = 0,35, tem-se (yd
≤ s ≤ 10‰) o que implica em (s = fyd).

Conforme a figura 2.12 podem ser montadas as equações de equilíbrio (2.35)


e (2.36) abaixo, referentes respectivamente, ao somatório de momentos em relação
ao ponto de aplicação da armadura As e ao somatório de forças horizontais. Nessa
figura Rcc1 = fc bw y e Rcc2 = fc (bf - bw) hf representam respectivamente, as resultantes
de compressão do concreto na região da nervura (hachura mais intensa) e nas abas
da mesa (hachura menos intensa). Os braços de alavanca dessas resultantes são
respectivamente Z1 = d - (y/2) e Z2 = d - (hf/2).

 y  h 
M d  f c b w y d    f c b f  b w  h f  d  f   A' s σ' sd d  d' (2.35)
 2  2 

2.32
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___________________________________________________________________________

N d  f c b w y  f c b f  b w  h f  A' s σ' sd  A s f yd  0 (2.36)

Dividindo-se todos os termos da equação (2.35), conforme procedimento aná-


logo ao da seção retangular, por um termo com a dimensão de momento (fc bw d2) e
lembrando-se que  = y/d e φ = (’sd/fyd), obtém-se:

Md  α  b h  h  A' s φf yd  d' 
 α 1     f  1  f  1  f   1   (2.37)
fcb w d2
 2   bw  d  2d  fcb w d  d

Passando-se o terceiro termo para o lado esquerdo da igualdade na equação


(2.37) e fazendo-se
Md b h  h 
K   f  1  f  1  f  (2.38)
 d  2d 
2
fcb w d  bw

 α
K'  α 1   (2.39)
 2

obtém-se a mesma equação (2.14) deduzida para seção retangular.

O valor de K em (2.38) foi obtido diminuindo-se do momento total solicitante de


cálculo Md o momento interno resistido apenas pelas laterais (abas) da mesa compri-
mida, terceira parcela de (2.38), o que transforma o problema da viga T em uma flexão
de seção retangular de largura bw.

Levando-se (2.38) e (2.39) em (2.37) obtém-se:

 
 f c b w d  K  K' 
A' s    φ (2.40)
 f yd  d' 
  1  
 d 

2.33
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Os critérios para limitação do valor de K são os mesmos da seção retangular,


portanto:

K  KL  K’ = K

K > KL  K’ = KL

Da equação (2.36) obtém-se As, que multiplicada e dividida por d resulta:

fcb w d   bf h 
As  α    1  f   φA's (2.41)
f yd   bw  d 

O valor de  pode ser obtido de (2.39) resultando como na seção retangular a


equação (2.18), que levada em (2.41) fica:

A s  A s1  A 2 (2.42)

fcb w d   bf h 
A s1  1  1  2K'    1  f  (2.43)
f yd   bw  d 

 
 f c b w d  K  K' 
A s2    (2.44)
 f yd  d' 
  1  
 d 
Da mesma forma que na seção retangular

A' s  A s2  φ (2.45)

Fazendo-se bf = bw = b nas equações (2.42) a (2.45) elas se transformam nas


equações (2.23) a (2.26) para a seção retangular, como era de se esperar.

Analisando-se a equação (2.38) nota-se que quando K = 0, o momento externo


de cálculo Md é igual ao momento interno resistido apenas pelas abas comprimidas

2.34
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

da mesa. Como nesse caso o trecho da mesa de largura bw ainda está comprimido, a
profundidade da linha neutra, para se ter o equilíbrio, será menor que hf. Isso significa
que mesmo para pequenos valores de K positivos, a linha neutra cortará a mesa e o
dimensionamento se fará como seção retangular de largura bf.

O valor positivo de K abaixo do qual a mesa estará parcialmente comprimida é


encontrado fazendo-se em (2.39) K = K’, uma vez que para pequenos valores de K a
armadura comprimida é igual a zero. Como K’ = (1-/2) e nesse caso y0 = hf, tem-
se:

 α  h  h 
K 0  K'  α 0  1  0   f  1  f  (2.46)
 2  d  2d 

Para valores de K  K0 o dimensionamento deve ser feito como seção retangu-


lar bf h. Embora esse seja o procedimento correto, sabe-se que usando-se o limite K
 0 do Prof. Tepedino (1980), a armadura calculada como seção T, com 0  K  K0,
dá praticamente a mesma que como seção retangular bf h, nesse mesmo intervalo. A
diferença entre essas duas armaduras é normalmente menor que a verificada quando
se escolhe o número de bitolas comerciais para atender à armadura efetivamente cal-
culada. Portanto, por simplicidade, para efeito dessa apostila o limite K  0 será o
utilizado para se ter a mesa parcialmente comprimida, ou seja, dimensionamento
como se fosse uma seção retangular bf h.

Normalmente a largura colaborante da mesa bf (determinada no item seguinte)


conduz a valores de momentos internos resistentes, que dificilmente precisam de uma
profundidade da linha neutra superior à hf. Para saber se a mesa está parcial ou inte-
gralmente comprimida basta determinar o máximo momento interno de cálculo resis-
tido pela mesa inteiramente comprimida, denominado momento de referência MdRef,
dado por:

 h 
M dRef  f c b f h f  d  f  (2.47)
 2 

2.35
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Md  MdRef  y  hf  seção retangular (bfh)

Md > MdRef  y > hf  seção T ou L

Na maioria das vezes Md ≤ MdRef o que transforma o dimensionamento da viga


T ou L em uma viga de seção retangular bf h. A comparação entre os dois momentos,
Md e MdRef, é o procedimento mais praticado no dimensionamento.

2.5.1 – Determinação da largura colaborante da mesa ( bf )

Quando uma viga submetida à flexão deforma, ela traz consigo a laje que nela
apoia. Se a laje estiver comprimida, o dimensionamento pode ser feito levando-se em
conta a contribuição dessa mesa comprimida na absorção do momento fletor atuante.
Adotando-se o diagrama retangular simplificado da NBR-6118:2014, a tensão na
mesa comprimida, no trecho comum com a nervura (bw), deve ser igual a fc = αc fcd.

Figura 2.13 – Distribuição de tensões na mesa da seção T

2.36
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___________________________________________________________________________

Afastando-se desse trecho nos dois sentidos laterais da mesa, conforme mos-
trado na figura 2.13, a tensão de compressão deve diminuir até zero, para pontos na
laje bem distantes da nervura. Essa distribuição de tensões na mesa pode ser obtida
pela teoria da elasticidade, mas pela NBR-6118:2014 ela é substituída por uma distri-
buição uniforme simplificada, com tensão igual a fc, e com uma largura total colabo-
rante igual a bf, de tal forma que as resultantes de compressão em ambas as distri-
buições sejam estaticamente equivalentes.

Segundo a NBR-6118:2014, no item 14.6.2.2, “a largura colaborante bf deve


ser dada pela largura bw acrescida de no máximo 10% da distância (a) entre pontos
de momento fletor nulo, para cada lado da viga em que houver laje colaborante.

A distância a pode ser estimada, em função do comprimento do tramo consi-


derado, como se apresenta a seguir:
 viga simplesmente apoiada a = 1,00 ,
 tramo com momento em uma só extremidade a = 0,75 ;
 tramo com momentos nas duas extremidades a = 0,60 ;
 tramo em balanço a = 2,00 .

Alternativamente, o cômputo da distância a pode ser feito ou verificado mediante


exame dos diagramas de momentos fletores na estrutura”.

Na figura 2.14 apresenta-se um corte genérico de uma fôrma mostrando as


seções transversais de duas vigas T, a viga 1 com mísulas e a segunda normal. A
largura efetiva da nervura ba, da viga com mísulas, é a soma da largura bw com os
menores catetos dos triângulos formados pelas duas mísulas (ba = bw + a + c).

Nessa figura b1 é a parcela da largura colaborante a ser considerada na lateral


da viga T do lado em que a laje tem continuidade, e b3 é a usada do lado sem conti-
nuidade, ou seja, laje em balanço. O valor limite para b1 é a metade da largura livre
entre as faces das duas vigas, dado por b2. Para b3 esse limite é o valor disponível b4,
da laje em balanço. Naturalmente na viga com seção L os valores b3 = b4 = 0.

2.37
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Figura 2.14 – Determinação da largura bf em vigas de seção T

b1  0,5 b2 b1  0,1 a
(2.48)
b3  b4 b3  0,1 a

Todo o dimensionamento de vigas com seções T ou L, submetidas à flexão


simples, encontra-se de forma resumida na próxima página.

2.38
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___________________________________________________________________________

2.39
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

2.6 – Prescrições da NBR 6118:2014 referente às vigas

2.6.1 – Armadura longitudinal mínima de tração

De acordo o item 17.3.5.2 da NBR-6118:2014, a armadura mínima de tração,


em elementos estruturais armados ou protendidos, deve ser determinada pelo dimen-
sionamento da seção para um momento fletor mínimo dado pela expressão a seguir,
respeitada a taxa geométrica mínima absoluta de 0,15 %.

 bh 2 
Md,min = 0,8 W0 fctk,sup = 0,8fctk,sup  (2.49)
 6 

onde:
 W0 é o módulo de resistência da seção transversal bruta de concreto,
relativo à fibra mais tracionada;
 fctk,sup é a resistência característica superior do concreto à tração, equa-
ção (1.13b), item 8.2.5 da NBR-6118:2014.

De acordo equações (1.13b) obtém-se:

fctk,sup = 1,3 fct,m = 0,39 (fck)2/3 (MPa) fck ≤ 50 MPa


(2.50)
fctk,sup = 1,3 fct,m = 2,756 ln(1 + 0,11fck) (MPa) fck > 50 MPa

Alternativamente segundo a NBR 6118:2014 a armadura mínima pode ser con-


siderada atendida se forem respeitadas as taxas mínimas de armadura da tabela 2.6
abaixo. Essa tabela da norma foi construída para uma situação particular, conside-
rando seção retangular, aço CA 50, relação (d/h) = 0,8, γc = 1,4 e γs = 1,15. Para valores
diferentes, as taxas mínimas serão calculadas conforme mostrado abaixo (ver tam-
bém cálculo de As,min para seção T, item 2.7.3, exemplo2).

2.40
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___________________________________________________________________________

O dimensionamento para o momento Md,min dado em (2.49) deve conduzir a


um valor Kmin = (Md,min / fcbd2) < KL, portanto seção com armadura simples que nesse
caso será: As = As,min. O valor de Kmin para seção retangular conforme tabela 2.6 é
dado por:

 bh 2 
0,8fctk,sup  
 6   0,8γ  f ctk,sup 
K min 
M d, min
    c  
2  f  (2.51)
α c f cd bd/h  h 
f cbd 2  6α c d/h   ck 
2 2

Tabela 2.6 – Taxas mínimas de armadura de flexão para vigas


(Tab. 17.3 NBR 6118:2014)
Valores de ρmin a = (As,min/Ac)
fck
20 25 30 35 40 45 50
seção
Retangular 0,150 0,150 0,150 0,164 0,179 0,194 0,208
fck
55 60 65 70 75 80 85 90
seção
Retangular 0,211 0,219 0,226 0,233 0,239 0,245 0,251 0,256
a Os valores de ρmin estabelecidos nessa tabela pressupõem o uso de
aço CA 50, (d/h) = 0,8, γc = 1,4 e γs = 1,15, seção retangular. Caso es-
ses fatores sejam diferentes, ρmin deve ser recalculado.

Com os valores de fctk,sup, equações (2.50), γc = 1,4, αc = 0,85 para fck ≤ 50


MPa e αc = 0,85[1 – (fck – 50) / 200] para fck > 50 MPa, obtém-se os seguintes valores
de Kmin:

γc
K min  0,052 f ( 1/3) para fck ≤ 50 MPa
α c d/h  2 ck

(2.52)
γc ln1  0,11fck 
K min  0,367 para fck > 50 MPa
α c d/h  2 f ck

2.41
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Conforme equação (2.24) a armadura mínima pode ser dada por:

α c f cd bd/h h
A s,min 
f yd
  
A f
1  1  2K min  α c d/h  1  1  2K min c cd
f yd
 (2.53a)

ω min 
A s,min f yd
A c f cd
 ρ min
f yd
f cd

 α c d/h  1  1  2K min  (2.53b)

ρ min 
A s,min
Ac

 α c d/h  1  1  2K min  ff cd (2.53c)
yd

onde ωmin e ρmin são, respectivamente, as taxas mecânica e geométrica de armadura


mínima.

Assim, exemplificando para um concreto fck = 35 MPa, do primeiro grupo da


tabela 2.6, αc = 0,85, γc = 1,4, (d/h) = 0,8, tem-se:

351/3   0,0409
1,4
K min  0,052
0,850,8 2


ρmin  0,85x0,8 1  1  2x0,0409
35/1,4  0,001634 ≈ 0,164%, conforme tabela 2.6.
 500/1,15

Para um concreto do segundo grupo da tabela 2.6, por exemplo, fck = 90 MPa,
tem-se:

 90  50 
α c  0,85 1    0,68
 200 

1,4 ln1  0,11x90


K min  0,367  0,0314
0,680,8 2 90

2.42
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 90 
 
 
ρmin  0,680,8 1  1  2x0,0314    0,002564 ≈ 0,256%, conforme tabela 2.6.
1,4
 500 
 
 1,15 

Caso os parâmetros sejam diferentes dos que originaram a tabela 2.6 (aço CA
50, d=0,8h, γc=1,4 e γs=1,15) as novas taxas de ρmin deverão ser recalculadas con-
forme as equações e os dois exemplos acima, obedecido o limite mínimo de 0,15%.
A tabela 2.7 relaciona as taxas de armaduras mínimas para seção retangular com
várias relações (d/h), aço CA 50 e CA 60 (valores da tabela 2.6).

Tabela 2.7 – Taxas de armaduras mínimas para vigas com seção retangular

Valores de ρmin = (As,min/Ac)


Seções retangulares, γc=1,4, γs=1,15
(d/h)=0,70 (d/h)=0,75 (d/h)=0,80 (d/h)=0,85 (d/h)=0,90 (d/h)=0,95
fck
CA 50 CA 60 CA 50 CA 60 CA 50 CA 60 CA 50 CA 60 CA 50 CA 60 CA 50 CA 60

20 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150

25 0,151 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150

30 0,170 0,150 0,158 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150

35 0,188 0,157 0,175 0,150 0,164 0,150 0,153 0,150 0,150 0,150 0,150 0,150

40 0,205 0,171 0,191 0,159 0,179 0,150 0,168 0,150 0,158 0,150 0,150 0,150

45 0,222 0,185 0,206 0,172 0,194 0,161 0,181 0,151 0,171 0,150 0,161 0,150

50 0,238 0,198 0,221 0,184 0,208 0,172 0,194 0,162 0,183 0,153 0,173 0,150

55 0,241 0,201 0,225 0,187 0,211 0,175 0,197 0,164 0,186 0,155 0,176 0,150

60 0,251 0,209 0,233 0,194 0,219 0,182 0,205 0,171 0,193 0,161 0,183 0,152

65 0,259 0,216 0,241 0,201 0,226 0,188 0,212 0,176 0,200 0,166 0,189 0,157

70 0,267 0,222 0,248 0,207 0,233 0,194 0,218 0,182 0,206 0,172 0,195 0,162

75 0,274 0,229 0,255 0,213 0,239 0,199 0,224 0,187 0,212 0,176 0,199 0,166

80 0,282 0,235 0,262 0,218 0,245 0,204 0,230 0,192 0,217 0,181 0,203 0,169

85 0,288 0,240 0,268 0,224 0,251 0,209 0,236 0,196 0,222 0,185 0,210 0,175

90 0,295 0,245 0,274 0,228 0,256 0,214 0,241 0,201 0,227 0,189 0,215 0,179

2.43
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2.6.2 – Armadura de pele

Segundo o item 17.3.5.2.3 da NBR-6118:2014, a armadura mínima lateral, ou


de pele, ou armadura de costela, deve ser 0,10 % Ac,alma em cada face da alma da
viga e composta por barras de aço CA 50 ou CA 60. Essas barras devem ser dispostas
longitudinalmente, com espaçamento não maior que 20 cm ou d/3, segundo item
18.3.5, respeitando ainda o disposto em 17.3.3.2 (toda armadura de pele tracionada
deve manter um espaçamento menor ou igual a 15L, da bitola longitudinal).

“Em vigas com altura menor ou igual a 60 cm, pode ser dispensada a utilização de
armadura de pele.
As armaduras principais de tração e de compressão não podem ser computadas no
cálculo da armadura de pele”.

2.6.3 – Armadura total na seção transversal (tração e compressão)

De acordo o item 17.3.5.2.4 da NBR 6118:2014, “A soma das armaduras de


tração e de compressão (As + A’s) deve ser menor que 4%Ac, calculada na região fora
da zona de emendas, devendo ser garantidas as condições de dutilidade requeridas
em 14.6.4.3”.

2.6.4 – Distribuição transversal das armaduras longitudinais em vigas

De acordo o item 18.3.2.2 da NBR 6118:2014 “O espaçamento mínimo livre


entre as faces das barras longitudinais, medido no plano da seção transversal, deve
ser igual ou superior ao maior dos seguintes valores:

 na direção horizontal (ah)


- 20 mm;
- diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
- 1,2 vez a dimensão máxima característica do agregado graúdo;

2.44
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___________________________________________________________________________

 na direção vertical (av)


- 20 mm
- diâmetro da barra, do feixe ou da luva;
- 0,5 vez a dimensão máxima característica do agregado graúdo”.

Esses valores se aplicam também nas regiões de emenda por traspasse das
barras. Na figura 2.15 estão indicados os espaçamentos mínimos na direção horizon-
tal (ah) e vertical (av). Com base nessa figura obtém-se a largura útil (bútil) da viga
dada por:

Figura 2.15 – Distribuição transversal das armaduras longitudinais

bútil = bw – 2(c + t) (2.54)


onde:

2.45
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 c - é o cobrimento nominal da armadura (cobrimento mínimo acrescido da


tolerância de execução)
 t - é o diâmetro da armadura transversal (estribo)

O número máximo de barras longitudinais com diâmetro  que cabem em uma


mesma camada, atendendo ao espaçamento horizontal ah especificado acima, fica:

bútil  ah
n /cam  (2.55)
ah   

Adota-se como valor final do número de barras por camada, o calculado em


(2.55), arredondado para o número inteiro, imediatamente inferior.

2.6.5 – Armaduras de ligação mesa-nervura ou talão-alma

Segundo o item 18.3.7 da NBR-6118:2014, “os planos de ligação entre mesas


e almas ou talões e almas devem ser verificados com relação aos efeitos tangenciais
decorrentes das variações de tensões normais ao longo do comprimento da viga, tanto
sob o aspecto de resistência do concreto, quanto das armaduras necessária para re-
sistir às trações decorrentes desses efeitos.
As armaduras de flexão da laje, existentes no plano de ligação, podem ser considera-
das como parte da armadura de ligação, complementando-se a diferença entre am-
bas, se necessário. A seção transversal mínima dessa armadura, estendendo-se por
toda a largura útil e ancorada na alma, deve ser de 1,5 cm2 por metro”.

2.6.6 – Cobrimento mínimo das armaduras

O cobrimento mínimo das armaduras deve ser observado conforme o prescrito


na NBR 6118:2014, no item 7.4.7.

2.46
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___________________________________________________________________________

“7.4.7.1 - Para atender aos requisitos estabelecidos nesta Norma, o cobrimento mí-
nimo da armadura é o menor valor que deve ser respeitado ao longo de todo o ele-
mento considerado. Isto constitui um critério de aceitação.
7.4.7.2 - Para garantir o cobrimento mínimo (cmin) o projeto e a execução devem con-
siderar o cobrimento nominal (cnom), que é o cobrimento mínimo acrescido da tolerân-
cia de execução (Δc). Assim, as dimensões das armaduras e os espaçadores devem
respeitar os cobrimentos nominais, estabelecidos na tabela 7.2 (tabela 2.8 abaixo),
para Δc = 10 mm.
7.4.7.3 - Nas obras correntes o valor de Δc deve ser maior ou igual a 10 mm.
7.4.7.4 - Quando houver um adequado controle de qualidade e rígidos limites de tole-
rância da variabilidade das medidas durante a execução pode ser adotado o valor Δc
= 5 mm, mas a exigência de controle rigoroso deve ser explicitada nos desenhos de
projeto. Permite-se, então, a redução dos cobrimentos nominais prescritos na tabela
7.2 em 5 mm.
7.4.7.5 - Os cobrimentos nominais e mínimos estão sempre referidos à superfície da
armadura externa, em geral à face externa do estribo. O cobrimento nominal de uma
determinada barra deve sempre ser:
a) cnom ≥ Φ barra;
b) cnom ≥ Φ feixe = Φ n = Φ (n)1/2;
c) cnom ≥ 0,5 Φ bainha.
7.4.7.6 - A dimensão máxima característica do agregado graúdo utilizado no concreto
não pode superar em 20% a espessura nominal do cobrimento, ou seja:

dmáx ≤ 1,2 cnom

Para concretos de classe de resistência superior ao mínimo exigido, os cobrimentos


definidos na tabela 7.2 podem ser reduzidos em até 5 mm.” (tabela 2.8 abaixo)

2.47
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Tabela 2.8 - Correspondência entre classe de agressividade ambiental e cobri-


mento nominal para Δc = 10mm (Tabela 7.2 NBR 6118:2014)

Classe de Agressividade Ambiental


Componente
Tabela 6.1 NBR 6118:2014
Tipo de Estrutura ou
I II III IVc
Elemento
Cobrimento Nominal - mm

Lajeb 20 25 35 45

Viga/Pilar 25 30 40 50
Concreto Armado
Elementos es-
truturais em 30 40 50
contato com o
solod
Laje 25 30 40 50
Concreto Protendidoa
Viga/pilar 30 35 45 55

a - Cobrimento nominal da bainha ou dos fios, cabos e cordoalhas. O cobrimento da armadura passiva
deve respeitar os cobrimentos para o concreto armado.
b - Para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de contrapiso, com reves-
timentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa de revestimento e acabamento tais como
pisos de elevado desempenho, pisos cerâmicos, pisos asfálticos e outros tantos, as exigências desta
tabela podem ser substituídas por 7.4.7.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15 mm.
c –Nas superfícies expostas a ambientes agressivos, como reservatórios, estações de tratamento de
água e esgoto, condutos de esgoto, canaletas de efluentes e outras obras em ambientes química e in-
tensamente agressivos, devem ser atendidos os cobrimentos da classe de agressividade IV.
d – No trecho dos pilares em contato com o solo junto aos elementos de fundação, a armadura deve ter
cobrimento nominal ≥ 45 mm.

2.6.7 – Dimensões limites para vigas e vigas-parede (item 13.2- NBR 6118:2014)

“A prescrição de valores limites mínimos para as dimensões de elementos estruturais


de concreto tem como objetivo evitar um desempenho inaceitável para os elementos
estruturais e propiciar condições de execução adequadas.

2.48
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___________________________________________________________________________

A seção transversal das vigas não deve apresentar largura menor que 12 cm e das
vigas-parede, menor que 15 cm. Estes limites podem ser reduzidos, respeitando-se
um mínimo absoluto de 10 cm em casos excepcionais, sendo obrigatoriamente res-
peitadas as seguintes condições:
a) alojamento das armaduras e suas interferências com as armaduras de outros
elementos estruturais, respeitando os espaçamentos e coberturas estabeleci-
dos nesta Norma;
b) lançamento e vibração do concreto de acordo com a NBR 14931.”

2.7 – Exemplos de aplicação

Os exemplos de aplicação adiante apresentados servem para fixar os conceitos


de solicitações normais e flexão simples em seções retangular e T (ou L).

2.7.1 – Exemplos de solicitações normais

Traçar o diagrama de interação NxM (força normalxmomento fletor) que solicita a se-
ção retangular 20x40 cm2 abaixo, com fck = 25 MPa, aço CA 50, 6 bitolas longitudi-
nais L =12,5 mm, conforme figura 2.16. Como a resistência do concreto desse
exemplo é menor que 50 MPa (grupo I) εc2 = 2‰, εcu = 3,5‰, λ = 0,8 e αc = 0,85.
Como é aço CA 50, εyd = (50/1,15) / 21 = 2,07‰.

fc = 0,85x2,5 / 1,4 = 1,518 kN/cm2 (tabela 1.11)


fyd = 50 / 1,15 = 43,48 kN/cm2 (tabela 1.11)
AsΦ=12,5 = πx1,252 / 4 = 1,227 cm2 (tabela 1.4)

Para traçar o diagrama de forma mais simplificada determinam-se os pontos


correspondentes aos pares (N, M) para algumas posições da LN no estado limite úl-
timo, ligando-os posteriormente. Os pontos escolhidos são aqueles correspondentes
às posições limites da LN que definem os domínios de deformação.

1) Profundidade X = - ∞ (início do domínio 1)

2.49
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Para (X = - ∞) a seção deformada no estado limite último (ELU) é a apresentada


na figura 2.16. Essa posição é correspondente à reta “a” dos domínios de deformação,
figura 2.3, onde todos os pontos da seção transversal têm a mesma deformação ε c =
εs = 10‰. Portanto:

εs1 = εs2 = εs3 = 10‰,  σs1 = σs2 = σs3 = fyd = 43,48 kN/cm2
As1 = As2 = As3 = 2x1,227 = 2,454 cm2  Rs1 = Rs2 = Rs3 = 2,454x43,48 = 106,70 kN

Figura 2.16 – Seção com ELU correspondente a X = - ∞

Os sentidos positivos dos esforços solicitantes Nd e Md são os indicados na


figura 2.16, normal de compressão e momento fletor tracionando os pontos da parte
inferior da seção. Os esforços internos, resultantes Rs1, Rs2, Rs3, conforme indicados,
são todos de tração. As equações de equilíbrio ficam:

∑Fh = 0  Nd + Rs1 + Rs2 + Rs3 = 0  Nd = - 3x106,70 = - 320,10 kN

∑MCG = 0  Md + Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0  Md = 0

2.50
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Na segunda equação de equilíbrio d’’ = h - d, que nesse caso do exemplo é o


mesmo valor de d’, representa a distância entre a face inferior da seção de concreto
e o centro da armadura As3. Os valores das solicitações de serviço N e M para X = -
∞ são obtidos dividindo-se os valores de cálculo Nd e Md pelo coeficiente de majoração
das ações f. Assim:

N = Nd / 1,4 = - 320,10 / 1,4 ≈ - 229 kN (tração) (X = - ∞)


M = Md / 1,4 = 0

Os valores de N e M acima são os mesmos desde a posição da LN variando


de (X = - ∞) até (X = X1) (ver deformações na fig. 2.16), onde a deformação da arma-
dura As1 chega ao valor s1 = yd = 2,07‰ (aço CA 50). Quando X = X1, embora a
seção esteja inclinada, tem-se as mesmas resultantes da figura 2.16 e, portanto, o
mesmo par de esforços solicitantes. Nessa figura o valor de X1 é obtido fazendo-se
semelhança de triângulos obtidos com a linha tracejada que passa pelos pontos A e
onde s1 = yd (suprimiu-se o símbolo ‰ no cálculo de X1).

ε s3  10 ε s1  ε yd 10 d'  ε s1 d
  X1    4,35 cm (acima da seção)
X1  d X1  d' 10  ε s1

Para um valor no intervalo (X1 < X < 0), por exemplo X = - 2 cm, os valores
calculados são:

εs1 = 1,67‰ < εyd εs2 = 5,79‰ > εyd Rs1 = 86,06 kN Rs2 = Rs3 = 106,7 kN
Nd = - 299,46 kN, N = - 214 kN (tração) Md = 330,24 kNcm, M = 236 kNcm

2) Profundidade X = 0 (final domínio 1, início do domínio 2)

Para X = 0, a seção deformada no estado limite último (ELU) é a apresentada


na figura 2.17. Essa posição é correspondente aos limites entre os domínios 1 e 2,
figura 2.3, onde todos os pontos da seção transversal ainda estão tracionados. Nesse
caso o ELU é definido pelo ponto A, deformação plástica excessiva do aço, ficando a

2.51
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armadura As3 com a deformação εs3 = εsu = 10‰. As deformações εs1 e εs2 são obtidas
por semelhança de triângulos.

ε s3  10 ε ε s2
 s1   εs1 = 1,11‰ < εyd = 2,07‰
d  36 d'  4 h/2   d'  20  4  16

 εs2 = 4,44‰ > εyd = 2,07‰


σs1 = Esεs1 = 21000x1,11‰ = 21x1,11 = 23,33 kN/cm2  Rs1=2,454x23,33 = 57,26 kN
σs2 = σs3 = fyd = 43,48 kN/cm2  Rs2 = Rs3 = 106,70 kN

Figura 2.17 – Seção com ELU correspondente a X = 0

Escrevendo-se as equações de equilíbrio:


∑Fh=0  Nd + Rs1 + Rs2 + Rs3 = 0
Nd = - 57,26 – 2x106,70 = - 270,66 kN
∑MCG=0  Md + Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0
Md = - 57,26x(20 - 4) + 106,70x(20 - 4) = 791,04 kNcm

Dividindo-se os valores de cálculo por f = 1,4 obtém-se os valores das solicita-


ções de serviço N e M para X = 0.

N = Nd / 1,4 = -270,66 / 1,4 ≈ - 193 kN (tração) (X = 0)


M = Md / 1,4 = 1615,52 / 1,4 ≈ 565 kNcm

2.52
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3) Profundidade X = X2L = 0,259d = 0,259x36 = 9,33 cm (final domínio 2)

A figura 2.18 ilustra essa situação em que se têm comprimidas, a região do


concreto com hachuras e a armadura As1. A seção deformada passa por dois dos
pontos (A e B), que caracterizam o dimensionamento no ELU. Embora existam na
mesma seção transversal alongamentos (região tracionada) e encurtamentos (região
comprimida), os valores das deformações calculadas a seguir, estão desacompanha-
dos de sinais, portanto em valores absolutos. Qualquer dúvida sobre a natureza das
deformações, tensões ou resultantes pode ser tirada na figura 2.18.

Figura 2.18 – Seção com ELU correspondente a X2L = 9,33 cm

y = 0,8X = 0,8x9,33 = 7,46 cm  Rcc = fcby = 1,518x20x7,46 = 226,67 kN

ε s3  10 ε s1 ε s2
 
d  X  36  9,33 X  d'  9,33  4 (h/2)  X  20  9,33

Alternativamente nesse caso as deformações podem ser calculadas a partir da


outra deformação prescrita, εc,max = εcu = 3,5‰.
ε cu  3,5 ε s1 ε s2
 
X  9,33 X  d'  9,33  4 (h/2)  X  20  9,33
εs1 = 2‰ < εyd = 2,07‰  σs1 = Esεs1=21000x2‰ = 21x2 = 42 kN/cm2 (compressão)

2.53
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εs2 = 4‰ > εyd = 2,07‰  σs2 = σs3 = fyd = 43,48 kN/cm2 (tração)
Rs1 = 2,454x42 = 103,07 kN (C), Rs2 = Rs3 = 106,70 kN (T)

∑Fh = 0  Nd - Rcc - Rs1 + Rs2 + Rs3 = 0


Nd = 266,67 + 103,07 – 2x106,70 = 156,34 kN N ≈ 112 kN (Compressão)

∑MCG=0  Md – Rcc(h/2 - y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0


Md = 266,67(20 - 7,46/2) + 103,07(20 - 4) + 106,70(20 - 4) = 7695,20 kNcm
M ≈ 5497 kNcm

4) Profundidade X = X3L = 0,628d = 0,628x36 = 22,62 cm (final domínio 3)

Figura 2.19 – Seção com ELU correspondente a X3L = 22,62 cm

A figura 2.19 ilustra essa situação, em que se têm além da região comprimida
do concreto (parte com hachuras da seção transversal), as armaduras As1 e As2.

y = 0,8X = 0,8x22,62 = 18,10 cm  Rcc = fcby = 1,518x20x18,09 = 549,33 kN

ε cu  3,5 ε s1 ε s2
 
X  22,62 X  d'  22,62  4 X  (h/2)  22,62  20

2.54
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___________________________________________________________________________

Alternativamente nessa situação as deformações poderiam ser calculadas a


partir da outra deformação prescrita, εs3 = εyd = 2,07‰.

εs1 = 2,88‰ > εyd = 2,07‰  σs1= fyd = 43,48 kN/cm2 (Compressão)
εs2 = 0,41‰ <ε yd = 2,07‰  σs2 = 21x0,41 = 8,61 kN/cm2 (Compressão)
Rs1 = 106,70 kN (C), Rs2 = 2x1,227x8,61 = 21,12 kN (C), Rs3 = 106,70 kN (T)

∑Fh=0  Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 + Rs3 = 0


Nd = 549,33 + 106,70 + 21,12 - 106,70 = 570,45 kN N ≈ 407 kN (C)

∑MCG=0  Md - Rcc(h/2 - y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0


Md = 549,33(20 - 18,10/2) + 106,70(20 - 4) + 106,70(20 - 4) = 9531,75 kNcm
M ≈ 6736 kNcm

5) Profundidade X = X4L = d = 36 cm (final domínio 4)

Figura 2.20 – Seção com ELU correspondente a X4L = 36 cm

A região comprimida (figura 2.20) abrange quase toda a seção transversal, as


armaduras As1 e As2 trabalham comprimidas e a armadura As3 não sofre deformação,
isto é εs3 = 0, portanto σs3 = 0.

2.55
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___________________________________________________________________________

y = 0,8 X = 0,8x36 = 28,8 cm  Rcc = fcby = 1,518x20x28,8 = 874,29 kN

ε cu  3,5 ε s1 ε s2
 
X  36 x  d'  36  4 X  (h/2)  36  20

εs1 = 3,11‰ > εyd = 2,07‰  σs1 = fyd = 43,48 kN/cm2 (compressão)
εs2 = 1,56‰ < εyd = 2,07‰  σs2 = 21x1,56 = 32,67 kN/cm2 (compressão)
Rs1 = 106,70 kN (C), Rs2 = 2x1,227x32,67 = 80,16 kN (C), Rs3 = 0

∑Fh=0  Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 + Rs3 = 0


Nd = 874,29 + 106,70 + 80,16 + 0 = 1061,15 kN N ≈ 758 kN (C)

∑MCG=0  Md – Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) - Rs3(h/2 – d’’) = 0


Md = 874,29(20-28,8/2)+106,70(20-4) = 6601,60 kNcm
M ≈ 4715 kNcm

6) Profundidade X = X4aL = h = 40 cm (final domínio 4a)

A seção está inteiramente comprimida, a deformação na fibra inferior é nula e


em um ponto a [(εcu - εc2) / εcu] h = [(3,5 - 2) / 3,5] h = (3/7) h da borda mais comprimida
é igual a εc2 = 2‰, ponto C dos domínios de deformações (figura 2.3). Essa situação
está ilustrada na figura 2.21.

y = 0,8 X = 0,8x40 = 32 cm  Rcc = fcby = 1,518x20x32 = 971,43 kN

ε cu  3,5 ε s1 ε s2 ε s3
  
X  40 X  d'  40  4 X  (h/2)  40  20 X  d  40  36

εs1 = 3,15‰ > εyd = 2,07‰  σs1= fyd = 43,48 kN/cm2 (compressão)
εs2 = 1,56‰ < εyd = 2,07‰  σs2 = 21x1,75 = 36,75 kN/cm2 (compressão)
εs3 = 0,35‰ < εyd = 2,07‰  σs3 = 21x0,35 = 7,35 kN/cm2 (compressão)

2.56
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___________________________________________________________________________

Figura 2.21 – Seção com ELU correspondente a X4aL = 40 cm

Rs1=106,70 kN (C), Rs2=2x1,227x36,75=90,18 kN (C), Rs3=2x1,227x7,35=18,04 kN

∑Fh=0  Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 - Rs3 = 0


Nd = 971,43 + 106,70 + 90,18 + 18,04 = 1186,35 kN N ≈ 847 kN (C)

∑MCG=0  Md – Rcc(h/2-y/2) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) + Rs3(h/2 – d’’) = 0


Md = 971,43(20-32/2)+106,70(20-4)–18,04(20-4) = 5881,56 kNcm
M ≈ 4201 kNcm

7) Profundidade X = X5L = ∞ (final domínio 5)

A seção está uniformemente comprimida, com a mesma deformação tanto para


o concreto quanto para o aço, εc = εs = 2 ‰, conforme figura 2.22, correspondendo à
reta “b” dos domínios de deformações (figura 2.3).

y>h  Rcc = fcby = fcAc = 1,518x20x40 = 1214,29 kN

εs1 = εs2 = εs3 = 2‰ < εyd,  σs1 = σs2 = σs3 = 21x2 = 42 kN/cm2

2.57
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___________________________________________________________________________

Figura 2.22 – Seção com ELU correspondente a X5L = + ∞

Rs1 = Rs2 = Rs3 = 2x1,227x42 = 103,07 kN (C)

∑Fh=0  Nd - Rcc - Rs1 - Rs2 - Rs3 = 0


Nd = 1214,29 + 3x103,07 = 1523,49 kN N ≈ 1088 kN (C)

∑MCG=0  Md – Rcc(0) - Rs1(h/2 – d’) + Rs2(0) + Rs3(h/2 – d’’) = 0


Md = 103,07(20 - 4) – 103,07(20 - 4) = 0
M=0

Com os pares (N, M) calculados nos itens 1 a 7 traça-se o diagrama de intera-


ção mostrado na figura 2.23 em linha mais grossa. Foram traçados, de forma análoga
com linha fina, os outros diagramas para a mesma seção transversal de concreto com
616 mm, 6 10 mm e sem armação (As = 0). Nota-se que os quatros diagramas de
interação são semelhantes, sendo que o diagrama para a seção sem armadura só
apresenta trecho comprimido. Os domínios de deformação 1 a 5 só foram marcados,
nessa figura, para a seção com 6 12.5 mm.

Olhando os gráficos da figura 2.23 nota-se que para um mesmo valor de força
normal N só existe um único valor correspondente de momento M, que a seção su-
porta no estado limite último. Já para um mesmo valor de M existem dois valores de

2.58
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___________________________________________________________________________

N que podem solicitar a seção no ELU. Assim, fixando-se N = 750 kN (compressão),


para a seção com 6 12.5 mm, existe apenas o valor M ≈ 4760 kNcm, obtido na
escala. Fixando-se para essa mesma seção M = 4000 kNcm, existem dois valores
possíveis de força normal que a seção suporta, N ≈ 19 kN e N ≈ 859 kN, ambos de
compressão e obtidos na escala.

Figura 2.23 – Diagramas de interação (N, M)

Para uma força normal N = 750 kN (C) os valores de momentos no ELU para
seções sem armadura, com 6 10 mm e com 6 16 mm são respectivamente, M ≈
1885 kNcm, M ≈ 4000 kNcm e M ≈ 5675 kNcm (valores obtidos na escala).

Na figura 2.23 estão traçados quatro diagramas de interação de forma simplifi-


cada para a mesma seção transversal, um sem armadura e três com seis barras de
bitolas variadas localizadas nas mesmas posições, formando um ábaco. O comum é
que esses ábacos sejam construídos para uma seção retangular (bxh) genérica com
relação (d’/h) prefixada, para um determinado tipo de aço e para uma quantidade e
distribuição das barras preestabelecidas.

2.59
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Nesse exemplo essa relação é igual a (d’/h) = (4/40) = 0,10, o aço é CA 50, e
as seis barras dão as seguintes taxas mecânicas de armação, [ = (As fyd / Ac fcd)]:

 =0 para a seção sem armadura;


  = [4,71x43,5 / 800x(2,5/1,4)] = 0,143 para 610 mm;
  = [7,362x43,5 / 800x(2,5/1,4)] = 0,224 para 6 12,5 mm;
  = [12,066x43,5 / 800x(2,5/1,4)] = 0,367 para 6 16 mm.

Nos ábacos usualmente publicados a taxa  varia de zero, com intervalos ∆


= 0,10, até a taxa máxima, ρmax = (As/Ac)max = 4%, permitida pela NBR 6118:2014 (item
17.3.5.2.4). Nesses ábacos entra-se com os valores de M e N e encontra-se um ponto,
que por interpolação fornecerá taxa . Com essa taxa encontra-se a armadura As =
[ (Ac fcd) / fyd] que resistirá ao par (N, M) solicitante. Com o valor de As escolhe-se a
bitola que satisfaça o mesmo número de barras e o detalhamento da seção transversal
que originou o ábaco.

2.7.2 – Exemplos de flexão normal simples com seção retangular

Calcular as armaduras de flexão para a viga da figura 2.24 abaixo solicitada por
alguns valores de momento fletor M. Para fck = 20 MPa, fc = 0,85x2 / 1,4 = 1,214
kN/cm2; para aço CA 50, fyd = 50 / 1,15 = 43,48 kN/cm2 ≈ 43,5 kN/cm2.

1) M = 2000 kNcm

a) Pela equação de equilíbrio


Supondo armadura simples a equação de equilíbrio ∑ MAs = 0, fica:

Md = Rcc z = fcby(d – y/2)  2000x1,4 = 1,214x20x0,8X (56 – 0,8X / 2)


2800 = 1087,7X – 7,77X2  7,77X2 – 1087,7X + 2800 = 0

2.60
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Figura 2.24 – Seção retangular do exemplo 2.7.2

Resolvendo essa equação do segundo grau encontram-se as duas raízes X’ = 137,76


cm e X’’ = 2,62 cm. Como X tem de ser menor que XL= 0,45 d = 25,2 cm, a raiz possível
é X = 2,62 cm. Para X = 2,62 cm a profundidade relativa vale ξ = 2,62 / 56 = 0,047 <
ξ2L= 0,259, portanto a seção se encontra no domínio 2.

Rcc = 1,214x20x0,8x2,62 = 50,89 kN = Rst = Asfyd  As = 50.89 / 43,5 = 1,17 cm2

b) Pelas fórmulas da flexão simples

Md 2000x1,4
K 2
  0,0368  K L  0,295  K’ = K = 0,0368
fc bd 1,214x20x56 2

A s  A s1  
fc bd
f yd

1  1  2K' 
1,214x20x56
43,5

1  1  2x0,0368  1,17cm2 
A’s = As2 = 0

2.61
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
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A armadura de tração calculada (As,cal) tem de ser maior ou igual a armadura mínima
(As,min) dada na tabela 2.7. Para (d/h) = (56 / 60) = 0,93 ≈ 0,95 e aço CA 50, ρmin =
0,15%:

As,min= ρmin Ac = 0,15% (20x60) = 1,8 cm2 > As,cal = 1,17 cm2  As = As,min = 1,80 cm2

Para atender a armadura final pode-se usar uma das duas hipóteses de bitolas abaixo:

48 mm  As,e = 4x0,503 = 2,01 cm2 > As = 1,80 cm2


3 10 mm  As,e = 3x0,785 = 2,36 cm2 > As = 1,80 cm2

onde As,e é a armadura efetivamente colocada ou existente.

Com o valor de K = 0,0368 calcula-se o valor de  = (y/d) pela equação (2.17):

   
α  1 1 2K'  1 1 2x0,0368  0,0375  y = d = 0,0375x56 = 2,10 cm

X = (y/λ) = (y / 0,8) = (2,10 / 0,8) = 2,62 cm (mesmo valor encontrado anteriormente)

ξ = (X / d) = (2,62 / 56) = 0,0468 < ξ 2L= 0,259

Como X = 2,62 cm < X2L = 0,259x56 = 14,52 cm, a seção trabalha no domínio 2 para
o dimensionamento com M = 2000 kNcm.

Apenas para efeito de verificação das fórmulas de dimensionamento para uma pro-
fundidade X = 2,62 cm no ELU, a seção resiste a um momento (MRes= MRes,d / f):

 y  0,8x2,62 
fcby d   1,214x20x0,8x2,62 56  
MRes   2
  2   2797  2000kNcm
1,4 1,4 1,4

2.62
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2) M = 6000 kNcm

K = 0,134 < KL = 0,295  K’ = K = 0,134

As = As1 = 4,51 cm2 > As,min = 1,8 cm2 A’s = 0

Para atender a armadura final pode-se usar uma das hipóteses de bitolas abaixo:

610 mm  As,e = 6x0,785 = 4,71 cm2 > As = 4,51 cm2


4 12,5 mm  As,e = 4x1,227 = 4,98 cm2 > As= 4,51 cm2
3 16 mm  As,e = 3x2,011 = 6,03 cm2 > As = 4,51 cm2

Considerando-se um cobrimento c = 2,5 cm (tabela 2.8) e estribo com t = 5 mm, o


número máximo de barras longitudinais de flexão com  = 12,5 mm que a seção pode
ter em uma única camada é dada pela equação (2.55), com bútil dada por (2.54) e ah
= 2 cm:

bútil = bw – 2(c + t) = 20 – 2 (2,5 + 0,5) = 14 cm

bútil  ah 14  2
nΦ/cam    4,9  4 barras  = 12,5 mm / camada (OK)
ah   2  1,25

K = 0,174;  = 0,144; X = (0,144x56) / 0,8 = 10,10 cm < X2L = 14,52 cm; domínio 2

3) M = 15000 kNcm

K=0,276 < KL = 0,295  K’ = K = 0,276

As = As1 = 10,33 cm2 > As,min = 1,8 cm2 A’s = 0

Para atender a armadura final pode-se usar uma das hipóteses de bitolas abaixo:

2.63
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912,5 mm  As,e = 9x1,227 = 11,04 cm2 > As = 10,33 cm2


6 16 mm  As,e = 6x2,011 = 12,07 cm2 > As = 10,33 cm2
4 20 mm  As,e = 4x3,142 = 12,57 cm2 > As = 10,33 cm2

Considerando-se os mesmos valores calculados no item anterior tem-se (ver figura


2.24):

N=12,5/cam = 4,9  4 12,5 mm (1a e 2a camadas), 1Φ12,5 mm (3a camada)


n=16/cam = 4,4  4 16 mm (1a camada), 2Φ16 mm (2a camada)
n=20/cam = 4  4 20 mm (só uma camada)

Nota-se pela figura 2.25 que a distância da borda mais tracionada até o centro da
primeira camada para o detalhamento com 9 12,5 mm é dado por [(2,5 + 0,5 +
(1,25/2)] = 3,625 cm. Para as outras duas camadas, considerando o espaçamento
vertical (ah = 2,0 cm), determinam-se os valores 6,975 cm para a segunda camada e
10,125 cm para a terceira. O centro geométrico das nove barras distribuídas em três
camadas, d’’ = h – d, é dado por:

4x3,625  4x6,875  1x10,125


d' '   5,8cm
9

Dessa forma a altura útil fica: d = h – d’’ = (60 – 5,8) = 54,2 cm, menor que o valor
adotado d = 56 cm.

Para os outros detalhamentos, de forma análoga, determinam-se os valores de d = 55


cm e d = 56 cm, para 6 16 mm e 4 20 mm, respectivamente. Redimensionando
apenas para os dois valores diferentes da altura útil adotada, encontra-se:

 12,5 mm dreal = 54,2 cm Kreal = 0,294 < KL = 0,295


As,real = 10,86 cm2 < As,e = 11,04 cm2 (OK)

2.64
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
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 16 mm dreal = 55 cm Kreal = 0,286 < KL = 0,295


As,real = 10,62 cm2 < As,e = 12,07 cm2 (OK)

Figura 2.25 – Detalhamento da Seção transversal para M = 15000 kNcm

Embora diferentes, os novos valores das armaduras calculadas para os valores corri-
gidos de “d” atendem aos detalhamentos para a altura útil adotada d = 56 cm.

Com  12,5 mm K = 0,294 α = 0,358 X = (0,358x54,2) / 0,8 = 24,3 cm2 <


X3L = 0,628x54,2 = 34,0 cm ξ = (24,3 / 54,2) = 0,448.

Com  16 mm K = 0,286 α = 0,346 X = (0,346x55,0) / 0,8 = 23,8 cm2 <


X3L = 0,628x55,0 = 34,5 cm ξ = (23,8 / 55,0) = 0,433.

Om  20 mm K = 0,276 α = 0,331 X = (0,331x56,0) / 0,8 = 23,1 cm2 <


X3L = 0,628x56,0 = 35,2 cm ξ = (23,1 / 56,0) = 0,413

Como todos os valores calculados de ξ estão no intervalo, ξ 2L= 0,259 ≤ ξ ≤ ξ 3L=

0,628, a seção dimensionada para esse momento, com os detalhamentos da figura


2.25, encontra-se no domínio 3.

2.65
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___________________________________________________________________________

4) M = 20000 kNcm

K = 0,381 > KL = 0,295 dadot = 55 cm  K’ = KL = 0,295

A s1 
fcbd
fyd
  f bd
1  1  2K'  c αL 
fyd
1,214x20x55
43,5
0,8x0,45  0,36  11,05cm2

fcbd K  K' 1,214x20x55 0,381 0,295


A s2    2,85cm2
fyd 1  d' 43,5 4
1
d 55

As = As1 + As2 = 11,05 + 2,85 = 13,90 cm2 > As,min

(d / d’) = (55 / 4) = 13,75 > 5,439 ou (d’ / d) = (4 / 55) = 0,073 < 0,184
A s2
Pela tabela 2.4  φ = 1 (tabela 2.4) A' s   2,85cm2
1

Para atender a armadura final de tração As pode-se usar uma das hipóteses de bitolas
abaixo:

716 mm  As,e = 7x2,011 = 14,08 cm2 > As = 13,90 cm2 (3 na 2a camada)
5 20 mm  As,e = 5x3,142 = 15,71 cm2 > As = 13,90 cm2 (2 na 2a camada)
3 25 mm  As,e = 3x4,909 = 14,71 cm2 > As = 13,90 cm2 (só uma camada)

Para atender a armadura de compressão A’s pode-se usar uma das hipóteses de bi-
tolas abaixo:

4 10 mm  A’s,e = 4x0,785 = 3,14 cm2 > A’s = 2,85 cm2


3 12,5 mm  A’s,e = 3x1,227 = 3,68 cm2 > A’s = 2,85 cm2
bútil  ah 14  2
n/cam   4  4 barras  = 20 mm / camada
ah  Φ 22

bútil  ah 14  2,5
n/cam    3,3  3 barras  = 25 mm / camada (OK)
ah  Φ 2,5  2,5

2.66
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O detalhamento com 5 20 mm poderia ter apenas 1 20 mm na segunda camada,


mas da forma como foi detalhado na figura 2.26 é mais comum.

Figura 2.26 – Detalhamento da Seção transversal para M = 20000 kNcm

Os valores de d, d’ e d” para os três detalhamentos estão mostrados na figura 2.26.


Como todos os valores de d são maiores e os de d’ são menores que os valores ado-
tados (d = 55 cm e d’ = 4 cm), o cálculo efetuado das armaduras com esses últimos,
está a favor da segurança.

Fazendo-se o dimensionamento considerando-se KL = 0,376, como já discutido ante-


riormente, obtém-se As = 15,41 cm2 e A’s = 0,17 cm2 cuja soma dá As,total = 15,41 +
0,17 = 15,58 cm2 (< 4% Ac = 48 cm2). Comparando-se com a soma das armaduras
obtidas para KL = 0,295, As,total = 13,90 + 2,85 = 16,75 cm2, observa-se que a diferença
entre ambas é menor que 7% e que ambas são menores que a armadura total exis-
tente em qualquer um dos detalhamentos da figura 2.26. Portanto, do ponto de vista
do consumo de aço os dois dimensionamentos são equivalentes sendo que no dimen-
sionamento com KL = 0,295 chega-se à armadura dupla para momentos menores,
melhorando assim a dutilidade da seção.

2.67
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

KL = 0,295  L = 0,8 (X/d)L= 0,8x0,45 = 0,36  XL = 0,45x55 = 24,75 cm

O valor da profundidade relativa da LN ξ = ξ L= 0,45 está no intervalo ξ 2L= 0,259 ≤ ξ

≤ ξ 3L= 0,628, portanto no domínio 3.

5) Determinar o valor do momento interno resistente para a seção detalhada


do exemplo anterior com 325 mm (As) e 3 12,5 mm (A’s).

Dados: As = 14,71 cm2, A’s = 3,68 cm2, d = 55,75 cm, d’ = 3,625 cm.

Como as armaduras existentes, ou efetivamente colocadas, devem ser maiores ou


iguais às armaduras calculadas, o momento interno resistente será sempre maior ou
igual ao momento externo solicitante. Supondo inicialmente que as armaduras As e
A’s trabalhem com tensões σs = σ’s = fyd = 43,5 kN/cm2, a equação de equilíbrio de
forças horizontais fornece, para Nd = 0:

Rcc + A’s σ’s = As σs, fc b y = (As - A’s) fyd

y = [(14,71 - 3,68)x43,5] / (1,214x20) = 19,8 cm X = y / 0,8 = 24,7 cm

ξ2L = 0,259 < ξ = X / d = 24,7 / 55,75 = 0,443 < ξ3L = 0,628 domínio 3.

Nesse domínio a tensão na armadura As é igual a fyd e a deformação máxima do con-


creto é igual a εcu = 3,5 ‰ (ponto B do dos domínios de deformação, figura 2.3). A
deformação ε’s é obtida por semelhança de triângulos no diagrama de deformações
da seção no ELU:
(ε cu  3,5) ε' s
  ε' s  2,99‰  ε yd  2,07‰ , portanto σ’s = fyd
(X  24,7) (X  d'  24,7  3,625)

Como os valores inicialmente supostos das tensões nas armaduras se confirmaram,


o valor de X é o correto para o equilíbrio. O valor do momento interno resistente será
dado por:

2.68
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Md,Resist = Rcc(d–y/2)+A’sfyd(d-d’)
= 1,214x20x19,8(55,75–19,8/2) + 3,68x43,5(55,75-3,625) = 30386 kNcm
MResist = (Md,Resist / 1,4) = 21704 kNcm > Msolic = 20000 kNcm

2.7.3 – Exemplos de flexão normal simples com seção T ou L

EXEMPLO 1 - Calcular os valores da mesa colaborante bf para as vigas da forma


apresentada na figura 2.27.

Figura 2.27 – Forma para o exemplo 1, seção T ou L

2.69
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Nessa forma todas as vigas têm dois tramos ou vãos. Nas vigas V1, V2 e V3 o primeiro
vão tem comprimento (295 + 20/2 + 20/2) = 315 cm e o segundo (365 + 20/2 + 20/2)
= 385 cm. Nas vigas V3, V4 e V5 o primeiro vão tem comprimentos 315 cm e o se-
gundo 400 cm.

O diagrama genérico de momentos fletores para todas as vigas está apresentado na


figura 2.28. Nessa figura M1 e M2 são os momentos positivos (tracionam a parte infe-
rior da viga) e X é o momento negativo (traciona a parte superior da viga). Os pontos
de momentos nulos do diagrama estão indicados na figura com as distâncias x1 e x2,
referenciadas ao apoio central.

Viga V1 – A mesa está comprimida para os momentos M1 e M2 e tracionada para


o momento negativo X. Essa viga apenas funciona como T, ou no caso viga L, nos
trechos positivos do diagrama de momentos porque só existe laje em um dos lados
da viga. Os valores de a1 e a2 não estão disponíveis no diagrama de momentos, por-
tanto serão obtidos pela recomendação da NBR 6118:2014.

Para M1 a parcela da largura colaborante do lado da nervura em que a laje tem conti-
nuidade, b1, é dada por:

1 = 315 cm 2 = 385 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm a2 = 0,75 2= 0,75x385 = 288,75 cm

b1 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b1 = 24 cm
b1 ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

2.70
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Figura 2.28 – Diagrama genérico de momentos fletores

O lado oposto a b1 não tem laje, portanto: b3 = b4 = 0  b3 = 0

bf = bw + b1 + b3 = 20 + 24 + 0 = 44 cm (nesse caso a viga tem seção L)

Para M2 a parcela da largura colaborante do lado da nervura em que a laje tem conti-
nuidade, b1, é dada por:

b1 ≤ 0,10 a2 = 0,10x289 ≈ 29 cm
b1 = 29 cm
b1 ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

b3 = b 4 = 0  (não tem laje do lado oposto à b1)  b3 = 0

bf = bw + b1 + b3 = 20 + 29 + 0 = 49 cm (nesse caso a viga tem seção L)

2.71
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Para o momento negativo X a seção só pode funcionar como seção retangular 20/40.

Viga V2 – De forma análoga ao calculado para V1, obtém-se:

1 = 315 cm 2 = 385 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm a2 = 0,75 2 = 0,75x385 = 288,75 cm

Para M1 as parcelas da largura colaborante dos lados Esquerdo e Direito da nervura,


são dadas por:

b1,E ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm


b1,E = 24 cm
b1,E ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm

b1,D ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm


b1,D = 24 cm
b1,D ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

bf = bw + b1,E + b1,D = 20 + 24 + 24 = 68 cm

Para M2 tem-se:

b1,E ≤ 0,10 a2 = 0,10x289 ≈ 29 cm


b1,E = 29 cm
b1,E ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm

b1,D ≤ 0,10 a2 = 0,10x289 ≈ 29 cm


b1,D = 29 cm
b1,D ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

bf = bw + b1,E + b1,D = 20 + 29 + 29 = 78 cm

2.72
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

Para o momento negativo X a seção só pode funcionar como seção retangular 20/40.

Viga V3 – Os valores de b1 e b3 são os mesmos já calculados para a viga V1. A dife-


rença deve-se ao novo valor de b2 = 295 cm, que não interfere nos resultados finais
de b1.

Para M1 tem-se:

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 24 + 0 = 39 cm

Para M2 tem-se:

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 29 + 0 = 44 cm

Para o momento negativo X a seção só pode funcionar como seção retangular 15/40.

Viga V4 – Essa viga tem um balanço do lado esquerdo da nervura, que está 30 cm
abaixo do nível das demais lajes. Para os momentos positivos a viga funciona como
viga de seção L, pois a região comprimida (mesa) existe apenas no lado superior di-
reito da viga. Para o momento negativo a viga também funciona como viga de seção
L, só que nesse caso, é o lado inferior esquerdo da viga que está comprimido.

1 = 315 cm 2 = 400 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm a2 = 0,75 2 = 0,75x400 = 300 cm
x1 = 0,25 1= 0,25x315 = 78,75 cm x2 = 0,25 2 = 0,25x400 = 100 cm

Para M1 tem-se:

b1 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b1 = 24 cm
b1 ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm

2.73
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

b3 = b 4 = 0 (a laje L1 está invertida, portanto tracionada)  b3 = 0

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 24 + 0 = 39 cm

Para M2 tem-se:

b1 ≤ 0,10 a2 = 0,10x300 = 30 cm
b1 = 30 cm
b1 ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm

b3 = b 4 = 0 (a laje L1 está invertida, portanto tracionada)  b3 = 0

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 30 + 0 = 45 cm

Para o momento negativo X, como a única laje comprimida (L1) está do lado do ba-
lanço, sem continuidade, tem-se:

b3 ≤ 0,10 (x1 + x2) = 0,10 (78,75 + 100) ≈ 18 cm


b3 = 18 cm
b3 ≤ b4 = 30 cm

b1 = 0 (a laje L2 está tracionada)

bf = bw + b1 + b3 = 15 + 0 + 18 = 33 cm

Viga V5 – De forma análoga ao calculado para V2, obtém-se:

1 = 315 cm 2 = 400 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm a2 = 0,75 2 = 0,75x400 = 300 cm

Para M1 as parcelas da largura colaborante dos lados Esquerdo e Direito da nervura,


são dadas por:

2.74
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

b1,E ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm


b1,E = 24 cm
b1,E ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm
b1,D ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b1,D = 24 cm
b1,D ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

bf = bw + b1,E + b1,D = 20 + 24 + 24 = 68 cm

Para M2 tem-se:

b1,E ≤ 0,10 a2 = 0,10x300 = 30 cm


b1,E = 30 cm
b1,E ≤ (b2/2) = (295/2) = 147,5 cm

b1,D ≤ 0,10 a2 = 0,10x300 = 30 cm


b1,D = 30 cm
b1,D ≤ (b2/2) = (380/2) = 190 cm

bf = bw + b1,E + b1,D = 20 + 30 + 30 = 80 cm

Para o momento negativo X a seção funciona como retangular 20/40.

Viga V6
1 = 315 cm 2 = 400 cm
a1 = 0,75 1 = 0,75x315 = 236,25 cm a2 = 0,75 2 = 0,75x400 = 300 cm

Para M1
b1 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b1 = 24 cm
b1 ≤ (b2/2) = (365/2) = 182,5 cm

2.75
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

b3 ≤ 0,10 a1 = 0,10x236 ≈ 24 cm
b3 = 24 cm
b3 ≤ b4 = 50 cm

bf = bw + b1 + b3 = 20 + 24 + 24 = 68 cm

Para M2

b1 ≤ 0,10 a2 = 0,10x300 = 30 cm
b1 = 30 cm
b1 ≤ (b2/2) = (370/2) = 185 cm

b3 ≤ 0,10 a2 = 0,10x300 = 30 cm
b3 = 30 cm
b3 ≤ b4 = 50 cm

bf = bw + b1 + b3 = 20 + 30 + 30 = 80 cm

Para o momento negativo X a seção só pode funcionar como seção retangular 20/40.

EXEMPLO 2

Calcular as armaduras para uma viga T, com bf = 90 cm, bw = 20 cm, h = 50 cm, d =


45 cm, hf = 10 cm. Concreto fck = 30 MPa, aço CA 50.

fc=0,85x3 / 1,4 = 1,821 kN/cm2 (tabela 1.11)


fyd=50 / 1,15 = 43,48 kN/cm2 (tabela 1.11)

 M = 15000 kNcm

Md  bf  hf  h  15000x1,4  90  10  10 
K    1 1  f     1 1  
2 2
fcb w d  bw d 2d  1,821x20x45  20  45  2x45 

2.76
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

K  0,285  0,691 0  seção retangular bf h  90x50

Md 15000x1,4
K 90x50  2
  0,0632  K < KL = 0,295  K’ = K = 0,0632
fcbf d 1,821x90x452

A s  A s1  
fc b f d
f yd

1  1  2K' 
1,821x90x45
43,5
 
1  1  2x0,0632  11,09cm2

A armadura As tem que ser maior ou igual a armadura mínima As,min. Como os valores
das tabelas 2.6 e 2.7 só valem para seções retangulares, o valor mínimo da armação
em viga de seção T, deve ser calculado como aquela necessária para combater o
momento mínimo dado na equação (2.49). O valor de fctk,sup é dado na equação (2.50).

Md,min = 0,8 W 0 fctk,sup, W 0 = (Ix,cg / ymax,trac), fctk,sup = 0,39 (fck)2/3 (fck < 50 MPa)

O centro geométrico para a seção T de concreto em relação ao limite inferior da ner-


vura, cuja largura vale bw = 20 cm e altura (50 -10) = 40 cm, é dado por:

ycg = (90x10x45 + 20x40x20) / (90x10 + 20x40) = 33,24 cm

Ix,cg = [(90x503)/12+90x50x(33,24-25)2]–[(70x403)/12+70x40x(33,24-20)2]=378873 cm4

fctk,sup = 0,39x302/3 = 3,77 MPa ≈ 0,38 kN/cm2

Md,min = 0,8x[(378873) / 33,24]x0,38 = 3443 kNcm Mmin = 2452 kNcm

Para esse valor de Mmin o coeficiente K para seção T é negativo e, portanto, o dimen-
sionamento será como seção retangular bf x h = 90x50. Assim:

KT < 0, K90x50 = 0,0104 < KL = 0,295, As,min = 1,77 cm2 < As,cal = 11,09 cm2.

A taxa geométrica para a armadura mínima encontrada acima vale:

2.77
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

A s,min 1,77
ρ   0,00104  0,104%  ρmin  0,15%
Ac 90x10  20x40

Portanto atendendo a recomendação do item 17.3.5.2 da NBR 6118:2014 que deve


ser “respeitada a taxa mínima absoluta de 0,15%” além de observar o escrito na NBR
6118:2003 em que “Nas seções tipo T, a área da seção a ser considerada deve ser
caracterizada pela alma acrescida da mesa colaborante” a armadura mínima final
deve ser:

As,min = 0,15%(90x10 + 20x40) = 2,55 cm2 < As,cal = 11,09 cm2

Para M = 15000 kNcm e com K90x50 = 0,0632 , α = 0,0654, X = 0,0654x45/0,8 = 3,68


cm < hf = 10 cm (como esperado).

Outra forma mais simples de dimensionar essa viga T é determinar o momento de


referência, equação 2.47, e compará-lo com o valor de Md.

 h   10 
MdRef  fcbf hf  d  f   1,821x90x10x 45    65556kNcm
 2  2 

MdRef > Md = 15000x1,4 = 21000 kNcm  seção retangular bf x h = 90x50

Calculando essa exemplo como viga de seção retangular 20x50, desprezando-se a


contribuição da mesa, a armadura seria As,20x50 = 12,96 cm2 > As,T = 11,09 cm2 mos-
trando que quando possível, o cálculo como seção T é sempre mais econômico.

 M = 40000 kNcm

Md = 56000 kNcm < Md,Ref = 65556 kNcm  seção retangular bf h = 90x50


K90x50 = 0,169 < KL=0,295  K’ = K = 0,169  As,90x50 = As1 = 31,54 cm2  A’s = 0

Calculando-se com as fórmulas da seção T obtém-se:

2.78
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Flexão Normal Simples
___________________________________________________________________________

K0 = (hf /d)(1 - hf/2d) = (10 / 45)[1-(10 / 2x45)] = 0,198


K = 0,759 – 0,691 = 0,068 <
KL = 0,295  K’ = K = 0,068

Como K < K0 a seção deve ser calculada como seção retangular 90 x50, já calculada
acima, com As,90x50 = 31,54 cm2. Com o valor de K > 0, a armadura calculada como
seção T, será:

1,821x20x45   90  10 
A s,T  A s1  1  1  2x0,0683    1   31,97cm2
43,5   20  45 

A armadura calculada com as fórmulas da seção T (As,T = 31,97 cm2), embora errada
nesse caso, dá praticamente o mesmo valor que a calculada como seção retangular
90/50 (As,90x50 = 31,54 cm2), justificando pois a generalização adotada por Tepedino
(1980) de dimensionar como seção retangular (bf h) apenas quando K < 0.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE

O cálculo como seção T consegue combater grandes momentos fletores apenas com
armadura simples (sem armadura de compressão). Isso pode levar a falsa ideia que
o simples atendimento ao ELU (dimensionamento) garanta também o estado limite de
deformação excessiva (ELS-DEF) do elemento estrutural em análise. Justifica-se, pois
a preocupação que se deve ter no cálculo de vigas de seção T com a verificação do
ELS-DEF, preocupação redobrada no caso de se ter seção T com parte da nervura
comprimida.

Normalmente as vigas das estruturas usuais das edificações apresentam apenas a


mesa parcialmente comprimida. Caso parte da nervura esteja comprimida ou em uma
situação extrema, seja necessária armadura dupla no dimensionamento como T,
deve-se redobrar a atenção com a verificação do ELS-DEF. A verificação do ELS-DEF
será vista no capítulo 9 dessa apostila.

2.79
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 3

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

LAJES
____________________________________________________________________________

3.1 – Definição

Placa é um elemento estrutural laminar, uma dimensão (espessura) bem menor


que as outras duas em planta, solicitada predominantemente por cargas normais ao
seu plano. Quando a placa é de concreto armado ela normalmente recebe o nome de
laje. Como exemplo pode-se citar lajes de piso e forro dos edifícios, lajes de reserva-
tórios, muros de contenção.

3.2 – Histórico

As placas devido a sua importância como elemento de piso, vedação e de trans-


ferência de cargas para a estrutura, tem merecido ao longo dos tempos grande des-
taque dos pesquisadores e constitui ainda hoje um tema inesgotável de pesquisas.

As placas podem ser classificadas segundo a relação entre sua espessura h e


sua menor dimensão em planta a, como:

 Placas muito esbeltas, quando (h/a)  (1/100)


 Placas esbeltas, quando (1/100) < (h/a)  (1/5)
 Placas espessas, quando (h/a) > (1/5)

As placas de concreto, chamadas de lajes, se situam normalmente na faixa de


variação das placas esbeltas, cujo teoria clássica ou de Kirchhoff, interpreta razoável-
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

mente os seus resultados, que são baseados na solução da equação diferencial de


quarta ordem (3.1). Uma apresentação detalhada da teoria de placas pode ser encon-
trada em TIMOSHENKO (1940).

4w 4w 4w p


2   (3.1)
x 4 x 2 y 2 4y D

onde:
 w é o deslocamento transversal (vertical) da placa;
 p é a carga distribuída aplicada normalmente ao plano da placa;
 D é a rigidez da placa à flexão, dada por:

Ecsh 3
D

12 1 - ν 2  (3.2)

Na equação (3.2) Ecs e  são respectivamente, o módulo de elasticidade e o


coeficiente de Poisson do concreto, equações (1.6) e (1.7) respectivamente.

A solução analítica da equação (3.1) só é possível para situações particulares


de carregamento e de condições de contorno. Para a maioria dos casos recorre-se
aos métodos numéricos para a solução da placa baseada nos Método das Diferenças
Finitas (MDF), Método dos Elementos Finitos (MEF) e Método dos Elementos de Con-
torno (MEC).

Normalmente as lajes dos edifícios residenciais são retangulares e para essas


foram produzidas, desde o início, tabelas para cálculo de reações de apoio e de mo-
mentos fletores. Essas tabelas foram elaboradas baseadas na teoria da elasticidade
usando-se integração numérica ou séries duplas de Fourier, para a solução da equa-
ção (3.1).

As primeiras tabelas utilizadas foram produzidas por Marcus, que resolveu o


problema, substituindo a placa por uma grelha, com vigas ou faixas unitárias perpen-

3.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

diculares e independentes entre si, introduzindo coeficientes semi-empíricos para le-


var em conta a torção entre as mesmas, contemplada na equação (3.1) pela derivada
cruzada, ou seja, em x e y. Esse processo de cálculo para lajes retangulares despre-
zando-se a torção entre as faixas perpendiculares é normalmente conhecido como
teoria da grelha ou dos quinhões de carga.

Para o entendimento desse processo simples e normalmente utilizado para a


solução de lajes nervuradas, seja a figura 3.1 onde tem-se uma laje retangular axb,
simplesmente apoiada em todos os quatro lados e submetida a uma carga total p,
distribuída uniformemente em toda a sua superfície. Essa carga será dividida em duas
parcelas ou quinhões, pa e pb, que atuarão nas faixas das direções a e b respectiva-
mente. As duas faixas perpendiculares estão representadas esquematicamente como
duas vigas biapoiadas. Trata-se de um problema estaticamente indeterminado cuja
única equação de equilíbrio é dada por:

p = pa + pb (3.3)

Para a solução desse problema cujas incógnitas são as parcelas ou quinhões


de carga pa e pb, deve-se lançar mão de uma equação de compatibilidade geométrica,
que nesse caso consiste em igualar as flechas a e b no cruzamento das faixas (vgas)
nas direções a e b, respectivamente (ver figura 3.1), dadas por:

5pa a 4 5p b 4
δa   δb  b (3.4)
384EI 384EI

A expressão genérica para a flecha máxima em uma viga sobre dois apoios
submetida a uma carga vertical uniformemente distribuída é obtida da equação da
linha elástica em vigas, dada por δ = k (pl4) / (384EI), onde k depende dos tipos de
apoios da viga. Para viga biapoiada k = 5, para viga apoiada-engastada k = 2,... (valor
aproximado) e finalmente para viga biengastada, k = 1.

3.3
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___________________________________________________________________________

Figura 3.1 – Quinhões de carga para lajes

De (3.4) obtém-se:
4
b
pa  pb   (3.5)
a

Levando-se (3.5) em (3.3) obtém-se a expressão da parcela de carga na dire-


ção b:

p
pb  4
 k bp (3.6)
b
1 
a

3.4
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1
kb  4
ka  1  kb (3.7)
b
1 
a

onde ka e kb são os coeficientes que determinam os quinhões de cargas, pa e pb, nas


direções a e b respectivamente.

Para a determinação das reações e momentos fletores da laje basta calcular


isoladamente as vigas nas direções a e b, utilizando-se as parcelas ou quinhões de
carga obtidos.

Pela equação (3.7) para uma relação (b/a) = 2 o valor de kb = (1 / 17)  0,06 e
consequentemente ka = 1 – kb  0,94, indicando que a laje funciona praticamente na
direção menor “a”. Conforme será visto adiante, a partir da relação (b/a) > 2 a laje
será considerada armada em uma direção, ou seja a menor dimensão, sendo que
para relações menores, a laje será considerada armada nas duas direções ou em
cruz.

Outras tabelas para o cálculo de reações e momentos em lajes bastante utili-


zadas são as tabelas de Kalmanock, que integrou numericamente a equação dife-
rencial (3.1) e tabelou para diversos tipos de lajes retangulares e de relações (b/a),
variando de 0,5 a 2. Essas tabelas, como outras baseadas na teoria da elasticidade,
são utilizadas no cálculo de lajes em regime elástico.

Existem também as tabelas baseadas no regime rígido-plástico, ou das linhas


de ruptura, ou das charneiras plásticas (Ingerslev, 1923 e Johansen, 1932), onde o
diagrama tensão-deformação do material constituinte da laje é rígido-plástico per-
feito, com um trecho sem deformações (rígido), seguido por um trecho perfeitamente
plástico. Esse processo extremamente simples de cálculo pode ser visto na apostila
de lajes retangulares do Prof. José de Miranda Tepedino (1980). A tabela 3.9, mos-
trada adiante, para o cálculo de momentos fletores no regime rígido-plástico, foi trans-
crita dessa apostila.

3.5
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___________________________________________________________________________

Essa análise plástica é também recomendada na NBR 6118:2014 no item


14.7.4:

“Para a consideração do estado limite último, a análise de esforços pode ser realizada
através da teoria das charneiras plásticas.
Para garantia de condições apropriadas de dutilidade, dispensando a verificação ex-
plícita da capacidade de rotação plástica, prescrita em 14.6.4.4 deve-se ter a posição
da linha neutra limitada em:

x/d ≤ 0,25, se fck ≤ 50 MPa

x/d ≤ 0,15, se fck > 50 MPa

Deve ser adotada, para lajes retangulares, razão mínima de 1,5:1 entre momentos
de borda (com continuidade e apoio indeslocável) e momentos no vão.
Cuidados especiais devem ser tomados em relação à fissuração e verificação das
flechas no ELS, principalmente quando se adota a relação entre momentos muito di-
ferente da que resulta de uma análise elástica. As verificações de serviço e de fa-
diga devem ser feitas baseadas em uma análise elástica”.

Esse item da NBR 6118:2014 reduz drasticamente as profundidades relativas


limites da linha neutra (X/d)L, em relação aos praticados no dimensionamento usando
o regime elástico, (X/d)L = 0,45 para fck ≤ 50 MPa e (X/d)L = 0,35 para fck > 50 MPa.
Caso o dimensionamento da laje seja feito considerando o regime rígido-plástico os
novos valores de KL serão dados pelas equações (3.8) abaixo:

 0,8x0,25
K L  0,8x0,25 1    0,180 Para fck ≤ 50 MPa (3.8a)
 2 

 0,8x0,15
K L  0,8x0,15 1    0,113 Para fck > 50 MPa (3.8b)
 2 

3.6
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Deve-se ressaltar que no dimensionamento de lajes considerando o regime


elástico os valores de KL continuam os mesmos, conforme a tabela 2.3.

3.3 – Laje retangular armada em uma direção

Conforme visto no item anterior as lajes retangulares cuja relação entre os la-
dos for maior que 2 (ou menor que 0,5), serão calculadas como laje armada em uma
direção, no caso, a direção menor. Essas lajes são calculadas supondo vigas de lar-
gura unitária, com o vão correspondente ao lado menor da laje e com as condições
de contorno iguais às do lado maior. Dessa forma as configurações possíveis para
lajes retangulares armadas em uma direção estão indicadas na figura 3.2.

Figura 3.2 – Tipos de lajes armadas em uma direção

3.7
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.1 – Reações e momentos para laje armada em uma direção


Tipo da laje Regime elástico Regime rígido-plástico
R = 0,5 pa R = 0,5 pa
Apoiada-apoiada
M = pa2/8 M = pa2/8
RA = 0,375 pa = (3/8) pa RA = 0,387 pa
RE = 0,625 pa = (5/8) pa RE = 0,613 pa
Apoiada-engastada 2
M = pa /14,22 M = pa2/13,33
X = pa2/8 X = 1,5 M
R = 0,5 pa R = 0,5 pa
Engastada-engastada M = pa2/24 M = pa2/20
X = pa2/12 X = 1,5 M

As reações, RA (apoio) e RE (engaste), e os momentos, M (positivo) e X (nega-


tivo), para os três tipos de lajes da figura 3.2 estão apresentados na tabela 3.1 acima,
uma coluna com os valores para o cálculo no regime elástico e outra para o regime
rígido-plástico, ambas com a carga total p atuando na faixa unitária.

Na tabela 3.1 os valores das reações e dos momentos da coluna correspon-


dente ao regime elástico são os valores conhecidos da análise de estruturas, já os
valores do regime rígido–plástico dependem da relação adotada entre o momento ne-
gativo (X) e o positivo (M) atuantes em uma mesma direção. Essa relação para a
tabela 3.1 vale 1,5 (valor recomendado na NBR 6118:2014) e é a mesma adotada na
elaboração da tabela 3.9 de momentos fletores no regime rígido-plástico, para lajes
retangulares armadas em duas direções. Assim, para a laje apoiada-engastada o mo-
mento máximo positivo M, que ocorre no ponto onde a força cortante se anula, dado
por x0 = RA/p a partir do apoio simples, é dado por:

2 2
 pa X   pa 1,5M 
     
px 0 2 R A 2  2 a  2 a 
M  R A x0     (3.9)
2 2p 2p 2p

Resolvendo-se a equação do segundo grau (3.9), chega-se à raiz possível de


M dada por:
3.8
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pa 2
M (3.10)
13,33

Para a placa engastada-engastada com a relação (X/M) = 1,5, tem-se:

2
 pa 
2  
RA  2  pa 2
M X X   1,5M (3.11)
2p 2p 8

De (3.11) obtém-se o valor de M:

pa 2
M (3.12)
20

3.4 – Laje retangular armada em duas direções ou em cruz

Conforme visto anteriormente, quando a relação entre os lados de uma laje


retangular é maior ou igual a 0,5 e menor ou igual a 2, considera-se a mesma, armada
em duas direções ou em cruz.

3.4.1 – Tipos de lajes retangulares

Os tipos possíveis de lajes retangulares estão mostrados na figura 3.3, onde


“a” é o vão cuja direção tem o maior número de engastes. Caso nas duas direções o
número de engastes seja o mesmo, “a” será considerado o menor vão.

3.9
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Figura 3.3 – Tipos de lajes retangulares armadas em cruz

3.4.2 – Reações de apoio

As reações de apoio para lajes maciças retangulares com carga uniformemente


distribuída podem ser calculadas, de acordo com o item 14.7.6 da NBR 6118:2014,
com as seguintes aproximações:

“a) as reações em cada apoio são as correspondentes às cargas atuantes nos triân-
gulos ou trapézios determinados através das charneiras plásticas correspondentes à
análise efetivada com os critérios de 14.7.4, sendo que essas reações podem ser, de

3.10
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___________________________________________________________________________

maneira aproximada, consideradas uniformemente distribuídas sobre os elementos


estruturais que lhes servem de apoio;
b) quando a análise plástica não for efetuada, as charneiras podem ser aproximadas
por retas inclinadas, a partir dos vértices com os seguintes ângulos:
− 45° entre dois apoios do mesmo tipo;
− 60° a partir do apoio considerado engastado, se o outro for considerado sim-
plesmente apoiado;
− 90° a partir do apoio, quando a borda vizinha for livre”.

Figura 3.4 – Reações de apoio para lajes retangulares armadas em cruz


3.11
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___________________________________________________________________________

Na laje superior da figura 3.4 uma laje do tipo C (ver figura 3.3), foi dividida em
triângulos e trapézios formados com as retas, a partir dos vértices, com os ângulos
definidos de acordo a NBR 6118:2014. A reação genérica R representa a reação por
metro, no lado da laje que tem o comprimento  (a ou b). Quando dois lados paralelos
têm condições de apoios diferentes, R’ sempre representa a reação do lado apoiado
e R’’ representa a do lado engastado. Conforme essa figura, as reações são calcu-
ladas dividindo-se a resultante do carregamento em cada triângulo ou trapézio pelo
respectivo comprimento do lado a que essas figuras pertencem.

Dessa forma foi produzida a tabela 3.8, para o cálculo das reações nos 6 tipos
de lajes retangulares da figura 3.3, com relações b/a dentro da faixa de validade das
lajes armadas em cruz. Os coeficientes r, tabelados para cada tipo de laje e relação
b/a, foram definidos de tal forma que qualquer reação, tanto no lado “a” quanto no
“b”, seja obtida multiplicando-se r pelo produto pa, ou seja, R = r pa.

3.4.3 – Momentos fletores

Os momentos fletores em lajes retangulares são calculados também, por meio


de tabelas produzidas tanto para o regime elástico como para o regime rígido-plástico.
Na tabela 3.11, regime elástico, para a obtenção dos valores dos momentos atuantes
nas duas direções, basta dividir o produto (pa2) pelos valores tabelados para os mo-
mentos positivos ma, mb (armadura de flexão na parte inferior da laje - M = pa2/m)
e para os momentos negativos na, nb (idem na parte superior - X = pa2/n).

Já para o regime rígido-plástico, tabela 3.9, apenas são tabelados os coefici-


entes ma, mb, com os quais se calculam os momentos positivos nas duas direções, da
mesma forma que no regime elástico. Caso exista, o momento negativo em uma de-
terminada direção será obtido multiplicando-se o momento positivo nessa direção pelo
valor 1,5 (conforme recomendação da NBR 6118:2014 para a relação i = X/M = 1,5).

As tabelas 3.8 a 3.11 mostradas adiante, são as mesmas da apostila sobre


lajes retangulares do Prof. José de Miranda Tepedino (1980), salientando-se que as

3.12
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___________________________________________________________________________

do regime rígido-plástico foram produzidas para uma variação contínua do índice de


ortotropia (relação entre os momentos de plastificação ou de ruptura nas duas dire-
ções ortogonais da laje) e para uma relação constante entre os momentos negativo e
positivo em uma mesma direção, adotada igual a 1,5.

3.5 – Cálculo da flecha em lajes retangulares

O cálculo da flecha em lajes retangulares deve naturalmente obedecer ao es-


tado limite de serviço – ELS, nesse caso denominado ELS-DEF, ou seja, de deforma-
ções excessivas, definido no item 3.2.4 da NBR-6118:2014.

As cargas para o cálculo em serviço devem ser afetadas pelo coeficiente de


ponderação, no caso minoração, das ações no ELS, correspondente às combinações
quase permanentes, f = f2 = 2, terceira coluna da tabela 1.7.

Conforme essa tabela, para cargas acidentais em edifícios:


 2 = 0,3 - para edifícios residenciais;
 2 = 0,4 - para edifícios comerciais, de escritório, estações e edifícios
públicos;
 2 = 0,6 - para bibliotecas, arquivos, oficinas e garagens.

O momento de serviço Mserv é obtido somando-se a totalidade (100%) do mo-


mento devido às cargas permanentes (Mg) e a parcela “quase permanente” (2 Mq)
do momento devido às cargas acidentais.

Mserv = Mg + 2 Mq (3.13)

Caso o momento de serviço dado em (3.13) seja menor que o momento de


fissuração Mr, determinado conforme o item 17.3.1 da NBR-6118:2014, a laje estará
trabalhando no Estádio I (concreto trabalhando simultaneamente à tração e compres-
são – concreto não fissurado), caso contrário, no Estádio II (concreto trabalhando à
compressão no regime elástico enquanto as tensões de tração são desprezadas –

3.13
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___________________________________________________________________________

concreto fissurado). O momento de fissuração pode ser calculado pela seguinte ex-
pressão aproximada (NBR 6118:2014):

Ic
M r   fct (3.14)
yt

“onde:
 = 1,2 para seções T ou duplo T;
 = 1,3 para seções I ou T invertido;
 = 1,5 para seções retangulares;

onde:
 é o fator que correlaciona aproximadamente a resistência à tração na
flexão com a resistência à tração direta;
yt é a distância do centro de gravidade da seção à fibra mais tracionada;
Ic é o momento de inércia da seção bruta de concreto;
fct é a resistência à tração direta do concreto, conforme 8.2.5, com o
quantil apropriado a cada verificação particular.

Para determinação do momento de fissuração deve ser usado o fctk,inf no es-


tado limite de formação de fissura e o fctm no estado limite de deformação excessiva
(ver 8.2.5).”

Para o cálculo de lajes, cuja seção transversal para efeito de dimensionamento


é dada por 100 h, o valor de yt no estádio I é aproximadamente igual a h/2, onde h é
a altura da laje, ficando a relação Ic/yt  W0 (módulo de resistência à flexão) dada por:

100h2
W0  (3.15)
6

O valor correto de yt é obtido do cálculo da seção homogeneizada, mas tendo


em vista a pequena quantidade de armadura das lajes, esse valor é muito próximo ao
da seção bruta de concreto, justificando-se adotar yt = h/2.

3.14
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___________________________________________________________________________

Levando-se os valores de , fct = fctm dado nas equações (1.12), e W0 em (3.15)


obtém-se finalmente o momento de fissuração para lajes maciças dado por:

150fctm h 2
Mr   0,75h2 f ck 2/3 (kNcm) para fck ≤ 50 MPa (3.16a)
6x10

150.fctm .h 2
Mr   5,3h2 ln1  0,11fck  (kNcm) para fck> 50 MPa (3.16b)
6x10

As equações (3.16) foram desenvolvidas usando-se fck em MPa para obter Mr


em kNcm (por isso a divisão por 10). Deve-se salientar que as equações (3.16) se
referem a uma faixa de laje de largura b = 100 cm = 1 m.

3.5.1 – Flecha imediata em lajes retangulares armadas em uma direção

Para essas lajes as flechas são calculadas com as expressões obtidas da equa-
ção da linha elástica em vigas, para os três tipos possíveis de condições de contorno
ilustrados na figura 3.2, onde as flechas podem ser agrupadas em uma única expres-
são genérica dada por:

pia4
fi  K (3.17)
384EI eq,t0

com K=5 para laje apoiada-apoiada


K = 2* para laje apoiada-engastada
K=1 para laje engastada-engastada

(*) o valor inteiro 2 foi adotado a partir do valor correto dado por K= 2,079....

onde:
 fi é a flecha imediata;
 pi = g + 2 q é a carga imediata de serviço;

3.15
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___________________________________________________________________________

 a é o vão da laje armada em uma direção;


 (EI)eq,t0 é a rigidez equivalente para o tempo t0, de
aplicação da carga de longa duração.

Normalmente as lajes em edifícios residenciais armadas em uma direção têm


vãos pequenos e consequentemente momentos solicitantes em situação de serviço
menores que o momento de fissuração (equações 3.16), trabalhando, portanto no es-
tádio I. Nesse caso a rigidez equivalente é obtida considerando-se a seção homoge-
neizada, utilizando-se a relação entre os módulos de elasticidade do aço e do con-
creto. Devido à pequena quantidade de armação utilizada nessas lajes, pode-se usar
o momento de inércia da seção bruta de concreto em substituição ao da seção homo-
geneizada. Isso se justifica pela pequena diferença entre as duas.

Caso o momento em serviço supere o momento de fissuração, deve ser consi-


derado o estádio II. O item 19.3.1 da NBR-6118:2014, estado limite de deformação
em lajes, estabelece que devam ser usados os mesmos critérios adotados para as
vigas (item 17.3.2), tanto para o estádio I quanto para o estádio II.

Os critérios para a flecha imediata em vigas se baseiam no cálculo da rigidez


equivalente pela formulação de Branson (1966), dada na NBR-6118:2014 no item
17.3.2.1.1. Para lajes maciças, usuais dos edifícios residenciais, armadas em uma ou
duas direções, pode-se ter momento máximo menor que o momento de fissuração,
ou quando isso não ocorre apenas uma pequena área da laje, próxima ao momento
máximo, encontra-se no estádio II. Grande parte da laje estará sempre no estádio I.
Mesmo a região que se encontra fissurada, segundo alguns autores, tem uma contri-
buição mais efetiva para a rigidez equivalente que no caso das vigas, portanto não
seria muito correto usar o mesmo modelo para vigas e lajes. No entanto, para efeito
dessa apostila, deve-se considerar o estabelecido na NBR 6118:2014:

Estádio I - EI eq,t0  E cs I c (3.18a)

3.16
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___________________________________________________________________________

 M 
3  M 
3 
  I II   E cs I c
Estádio II - EIeq,t0  E cs  r  I c  1   r  (3.18b)
 M a    Ma   
  

onde:
 Ecs é o módulo de elasticidade secante do concreto;
 Ic é o momento de inércia da seção bruta de concreto;
 I II é o momento de inércia da seção fissurada de concreto no está-
dio II, calculada com a relação entre os módulos (n = Es / Ecs);
 Ma é o momento fletor (serviço) na seção crítica do vão considerado,
momento máximo no vão para lajes biapoiadas ou contínuas e momento
no apoio para lajes em balanço, para a combinação de ações conside-
rada nessa avaliação;
 Mr é o momento de fissuração do elemento estrutural;
 t0 é a idade em meses relativa à data de aplicação da carga de longa
duração.

3.5.2 – Momento de Inércia da seção fissurada (lajes)

Na figura 3.5 apresenta-se uma seção transversal genérica 100xh de uma laje
onde o diagrama de tensões de compressão no concreto é linear e o de tração é nulo,
de acordo a premissa básica do Estádio II, seção fissurada. Para um mesmo ponto,
concreto e aço têm a mesma deformação εc = εs, e consequentemente pela lei de
Hooke εc = (σc/Ec) = εs = (σs/Es) de onde resulta σs = (Es/Ec) σc = n σc, com n =
(Es/Ec), relação entre os módulos de elasticidades do aço e do concreto. Com isso, no
diagrama de tensões a linha tracejada representa em uma escala (1/ n) menor, as
tensões no aço.

Para homogeneizar a seção transversal genérica da laje apresentada nessa


figura deve-se inicialmente transformar o material composto, concreto armado (con-
creto e aço), em um único material, normalmente no material com menor módulo de
elasticidade: o concreto. A área de aço As transforma-se em uma área equivalente em

3.17
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

concreto igual a (n As). O centro geométrico (CG) da seção homogeneizada encontra-


se a uma profundidade xII, obtida igualando-se o momento estático da área compri-
mida de concreto com o da área de aço homogeneizada (n As). Assim:

Figura 3.5 – Seção transversal para determinação de III em lajes

xII2
 nA s d  xII   nA s d  x II 
xII
bx II  100
2 2

Resolvendo a equação do segundo grau em xII encontra-se:

1 2
x II   A  A 2  B com: A nA s B ndA s (3.19a)
100 100

Calculando-se o momento em relação a LN obtém-se:

 σ 100xII  2x II 
M LN   c    σ s nA s d  x II 
 2  3 

A partir do diagrama de tensões da figura 3.5, por semelhança de triân-


gulos, obtém-se s em função de c, que levada na equação de MLN resulta:

σc σs d  x II
  σs  σc
x II d  x II x II

3.18
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2
100xII nA s d  x II 2  100xII
3 σ
M LN  σc  σc    nA s d  x II 2  c
3 x II  3  x II

 
 M LN  M
σc    (x II )  LN x II
 100xII
3  I II
  nA s d  x II 2 
 3 

3
100xII
I II   nA s d  x II 2 (3.19b)
3

As equações (3.19) podem ser obtidas por simplificação das equações original-
mente deduzidas para seções retangulares com armadura As e A’s, fazendo-se A’s =
0 e b = 100, conforme apresentado nos capítulos 4 e 9 dessa apostila.

3.5.3 – Flecha imediata em lajes retangulares armadas em duas direções

Normalmente o valor da flecha imediata para essas lajes é obtido usando-se


tabelas para cálculo de flechas em lajes retangulares, baseadas em Bares (1972).
Tepedino (1980), por meio de regressão polinomial, ajustou para a flecha imediata fi,
a seguinte expressão:

pia4
f i  f1 (3.20a)
Ecsh 3

onde pi é o mesmo usado na equação (3.17) e f1 é dado por:

3 2
b b b
K1   K 2    K 3    K 4
f1  a a a
(3.20b)
1000

3.19
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___________________________________________________________________________

com K1, K2, K3 e K4 fornecidos na tabela 3.2 abaixo, não se adotando para o cálculo
valores de (b/a) fora do intervalo 0,5 ≤ (b/a) ≤2.

Tabela 3.2 – Valores dos coeficientes para cálculo das flechas (Tepedino)

LAJE K1 K2 K3 K4

A 0,4 -29,6 156,8 -79,8

B -1,0 -16,0 79,3 -29,9

C 14,4 -84,3 182,1 -87,9

D 7,2 -42,1 83,8 -26,6

E 1,9 -21,2 60,9 -23,3

F 2,0 23,0 69,2 -33,3

Com os valores de K1 a K4, tabelados abaixo, organizou-se a tabela 3.10, mos-


trada adiante, para o cálculo de flechas nos seis tipos de lajes retangulares da figura
3.3. Nessa tabela, a partir do tipo de laje e da relação (b/a), obtém-se o coeficiente f1
que permite o cálculo da flecha com o emprego da equação (3.20a).

A discussão sobre rigidez equivalente, feita anteriormente para lajes armadas


em uma direção, é mais acentuada nas lajes armadas em cruz, tendo em vista que
para as primeiras, o modelo estrutural aproxima-se mais do comportamento das vigas,
onde se aplica efetivamente a formulação de Branson (1966), equação (3.18b).
3.20
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___________________________________________________________________________

Para efeito dessa apostila, quando o momento em serviço for menor que o de
fissuração, ou seja, estádio I, deve-se adotar para a rigidez equivalente a mesma dada
pela equação (3.18a), ou seja, rigidez bruta do concreto. Quando ocorrer o estádio II,
mesmo com toda essa discussão sobre a validade da rigidez equivalente de Branson
(1966) para lajes armadas em cruz, deve-se seguir a recomendação da NBR
6118:2014, ou seja, adotar Branson (1966) também para verificação de flechas nes-
sas lajes.

Assim para lajes armadas em duas direções tem-se as mesmas equações


(3.18a)* e (3.18b)* definidas anteriormente:

Estádio I - EI eq,t0  E cs I c (3.18a)*

 M 
3  M 
3 
  I II   E cs I c
Estádio II - EIeq,t0  E cs  r  I c  1   r  (3.18b)*
 M a    Ma   
  

A equação (3.20a) que calcula a flecha em lajes retangulares, apresenta o valor


do produto Ecsh3 e não a rigidez à flexão EI. Portanto para levar em conta a rigidez
equivalente, conforme equações (3.18a) e (3.18b), basta usar o próprio valor da altura
h da laje no estádio I, e o valor da altura equivalente heq em substituição a h, para o
estádio II, dada por:

3
100heq 12Ieq
I eq   h eq  3 (cm) (3.21)
12 100

com Ieq obtido de (3.18b) e os valores de h e I dados em cm.

3.5.4 – Flecha diferida no tempo para lajes de concreto armado

Segundo o item 17.3.2.1.2 da NBR-6118:2014, a flecha adicional diferida, de-


corrente das cargas de longa duração em função da fluência do concreto, pode ser

3.21
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___________________________________________________________________________

calculada de maneira aproximada pelo produto da flecha imediata fi pelo fator f, dado
pela expressão:

f dif  α f f i (3.22)

com
Δξ
αf  (3.23a)
1  50ρ '
para
A's
ρ'  (3.23b)
bd

onde  é um coeficiente, função do tempo, que pode ser obtido diretamente na tabela
3.3 abaixo, ou ser calculado pelas expressões seguintes:

Δξ  ξ(t)  ξ(t 0 ) (3.24)

ξ(t)  0,680,996t t 0,32 para t ≤ 70 meses (3.25)

ξ(t)  2 para t > 70 meses (3.26)


onde:
t é o tempo em meses em que se deseja o valor da flecha diferida;

t0 é a idade em meses, relativa à data de aplicação da carga de longa


duração. No caso das parcelas das cargas de longa duração serem apli-
cadas em idades diferentes, pode-se tomar para t0 o valor ponderado a
seguir:

 Pi t 0i
t0  (3.27)
 Pi

(Pi representa a parcela de carga “i” aplicada no tempo t0i, em meses)

3.22
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___________________________________________________________________________

Tabela 3.3 – Valores do coeficiente  em função do tempo

Tempo (t)
0 0,5 1 2 3 4 5 10 20 40  70
- meses-
Coefici-
ente 0 0,54 0,68 0,84 0,95 1,04 1,12 1,36 1,64 1,89 2
(t)

O valor da flecha total no tempo t é a soma da flecha imediata fi mais a parcela


adicional diferida (fdif = f fi) resultando ftot = fi + αffi = (1 + αf) fi. Assim para situações
normais em que se deseja a flecha no tempo infinito, para cargas aplicadas a partir
dos 14 dias (tempo mínimo para retirada do escoramento vertical), aproximadamente
t0 = 0,5 mês, com ’ = 0 (não se tem armadura dupla em lajes), obtém-se para f o
seguinte valor:

f = () - (0,5) = 2 – 0,54 = 1,46 (3.28)

Portanto, a flecha total será dada por:

ftotal = (1 + f) fi = 2,46 fi (3.29)

Na expressão (3.29) fi se refere à carga de serviço pi = g + 2q (parcela per-


manente mais a parcela quase permanente da carga acidental da laje), ou seja, as
parcelas afetadas pela fluência do concreto. Portanto, pode-se obter a flecha total no
tempo infinito f usando-se a mesma equação (3.20a) da flecha imediata, substituindo
o valor da carga pi por p (recurso apenas matemático para simplificar o cálculo da
flecha no tempo infinito) da seguinte forma:

pa4
f   1  α f f i  f1 (3.30)
E cs h 3
com
p = (1 + f) pi = (1 + αf) (g + 2 . q) (3.31)

3.23
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___________________________________________________________________________

Para o valor (1 + f) = 2,46 e considerando-se edifícios residenciais, 2 = 0,3,


obtém-se:

p = 2,46 (g + 0,3 q) = 2,46 g + 0,738 q (3.32)

3.6 – Prescrições da NBR 6118:2014 referentes às lajes

3.6.1 – Espessura mínima das lajes maciças

Segundo o item 13.2.4.1 da NBR-6118:2014, “nas lajes maciças devem ser


respeitados os seguintes limites mínimos para a espessura h:

a) 7 cm para lajes de forro não em balanço;


b) 8 cm para lajes de piso não em balanço;
c) 10 cm para lajes em balanço;
d) 10 cm para lajes que suportem veículos de peso total menor ou igual a 30 KN;
e) 12 cm para lajes que suportem veículos de peso total maior que 30 KN;
f) 15 cm para lajes com protensão apoiadas em vigas, (l/42) para lajes de piso bia-
poiadas e (l/50) para lajes de piso contínuas;
g) 16 cm para lajes lisas e 14 cm para lajes-cogumelo.

No dimensionamento das lajes em balanço, os esforços solicitantes de cálculo a se-


rem considerados devem ser multiplicados por um coeficiente adicional n de acordo
com o indicado na tabela 13.2.”

Segundo o item 14.7.8 da NBR 6118:2014 lajes-cogumelo são lajes apoiadas


diretamente em pilares com capitéis, enquanto lajes lisas são as apoiadas nos pilares
sem capitéis. Capitel é o engrossamento da espessura da laje na região dos pilares
efetivando melhorar sua resistência à punção.

3.24
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___________________________________________________________________________

Tabela 3.4 – Valores do coeficiente adicional n para lajes em balanço


Tabela 13.2 da NBR 6118:2014
h
≥19 18 17 16 15 14 13 12 11 10
(cm)
n 1,00 1,05 1,10 1,15 1,20 1,25 1,30 1,35 1,40 1,45
onde
n = 1,95 – 0,05 h;
h é a altura da laje, expressa em centímetros (cm).
NOTA O coeficiente n deve majorar os esforços solicitantes finais de cálculo na
lajes em balanço quando de seu dimensionamento.

3.6.2 – Deslocamentos limites

Segundo o item 13.3 da NBR-6118:2014, deslocamentos limites são valores


práticos para verificação em serviço do estado limite de deformações excessivas da
estrutura. Esses valores devem obedecer aos limites estabelecidos na tabela 13.3 da
NBR-6118:2014. Para o caso das lajes, a flecha máxima em serviço quando atuar a
totalidade das cargas deve ser ( / 250), onde  é o menor vão da laje retangular.

Quando atuar apenas a carga acidental esse limite deve ser considerado igual a ( /
350). Para lajes em balanço o vão equivalente a ser considerado deve ser o dobro
do comprimento do balanço, portanto a flecha na extremidade de um balanço com vão
() deve ser menor que (“2” / 250 =  / 125), quando atuar a carga total.

Deslocamentos excessivos podem ser parcialmente compensados por contra-
flechas, entretanto a sua atuação isolada não pode ocasionar um desvio do plano da
laje maior que ( / 350).

3.6.3 – Cobrimento nominal mínimo

Segundo o item 7.4.7.2 da NBR-6118:2014, cobrimento nominal (cnom) é o co-

3.25
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___________________________________________________________________________

brimento mínimo (cmin) acrescido da tolerância de execução (c), que para obras cor-
rentes deve ser maior ou igual a 10 mm. Quando houver um adequado controle de
qualidade e rígidos limites de tolerância da variabilidade das medidas durante a exe-
cução, pode ser adotado o valor c = 5 mm, mas a exigência de controle rigoroso
deve ser explicitada nos desenhos de projeto. Nesse caso, permite-se então, a redu-
ção dos cobrimentos nominais dados na tabela 2.8 em 5 mm.

Nessa tabela os cobrimentos nominais para as lajes variam de 5 mm em 5 mm,


desde a classe de agressividade CAA I até a classe CAA IV.

Segundo a tabela 7.2 da NBR 6118:2014, transcrita na tabela 2.8 dessa apos-
tila “para a face superior de lajes e vigas que serão revestidas com argamassa de
contrapiso, com revestimentos finais secos tipo carpete e madeira, com argamassa
de revestimento e acabamento tais como pisos de elevado desempenho, pisos cerâ-
micos, pisos asfálticos e outros tantos, as exigências desta tabela podem ser substi-
tuídas por 7.4.7.5, respeitado um cobrimento nominal ≥ 15 mm.”

O item 7.4.7.5 da NBR 6118:2014 estabelece que o cobrimento nominal de


uma barra deve sempre ser maior que o diâmetro da barra (cnom  barra).

3.6.4 – Vãos efetivos de lajes

Segundo o item 14.7.2.2 da NBR-6118:2014, quando os apoios puderem ser


considerados suficientemente rígidos quanto à translação vertical, o vão efetivo deve
ser calculado pela seguinte expressão:

ef = 0 + a1 + a2 (3.33)
onde:
 0 é o vão livre, ou seja, distância entre as faces dos apoios;
 a1 e a2 são em cada extremidade do vão, o menor entre os valores: 0,3h
e ti/2, sendo h a espessura da laje e ti a largura do apoio i.

3.26
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___________________________________________________________________________

3.6.5 – Aproximações para o diagrama de momento fletor

Esse é o item 14.7.6.2 da NBR-6118:2014, que trata da compensação de ne-


gativos entre lajes contíguas.

“Quando houver predominância de cargas permanentes, as lajes vizinhas podem ser


consideradas como isoladas, realizando-se compatibilização dos momentos sobre os
apoios de forma aproximada.
No caso de análise plástica, a compatibilização pode ser realizada mediante alteração
das razões entre momentos de borda e vão, em procedimento iterativo, até a obtenção
de valores equilibrados nas bordas.
Permite-se, simplificadamente, a adoção do maior valor de momento negativo ao in-
vés de equilibrar os momentos de lajes diferentes sobre uma borda comum.”

Figura 3.6 – Compensação de momentos negativos – Regime elástico

3.27
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___________________________________________________________________________

Na figura 3.6 está indicado esquematicamente o diagrama de momentos fleto-


res de duas lajes contíguas calculadas isoladamente no regime elástico e represen-
tado pelo diagrama tracejado. Os valores máximos dos momentos fletores sobre o
apoio central são respectivamente XL1 e XL2 para as lajes L1 e L2. Depois da compen-
sação dos negativos o diagrama final, em linha cheia, apresenta sobre o apoio central
o valor (XFinal compensado) dado pelo maior entre os valores:

XFinal ≥ 0,8 Xmax ou XFinal ≥ Xmed = (XL1 + XL2) /2 (3.34)

No caso das lajes no regime rígido-plástico deve ser feito o procedimento itera-
tivo, para a obtenção dos valores equilibrados nos engastes. Por ser muito trabalhoso,
normalmente esse procedimento é simplificado pela adoção do maior entre os mo-
mentos negativos das lajes que chegam ao mesmo apoio, conforme recomendado na
NBR 6118:2014.

Na figura 3.6, o momento negativo final compensado é menor que o momento


negativo da laje L1 isolada e maior que o da laje L2. No primeiro caso, o diagrama final
de momentos positivos da L1 apresenta momento máximo maior que o diagrama
dessa laje isolada e no segundo caso ocorre exatamente o contrário. Dessa forma
deve-se aumentar o momento positivo da laje L1 isolada da diferença ML1 e diminuir
o da laje L2 em ML2. Na compensação dos momentos positivos das lajes no regime
elástico costuma-se apenas aplicar a diferença MLi quando há acréscimo do mo-
mento positivo. A redução normalmente não se aplica, como medida adicional de se-
gurança. A diferença MLi é dada genericamente pelo valor aproximado e usual: MLi
= 0,3 XLi.

3.6.6 – Armadura longitudinal mínima

Os princípios básicos para o estabelecimento da armadura mínima para lajes


são os mesmos dados para elementos estruturais lineares, item 17.3.5.1 da NBR-

3.28
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___________________________________________________________________________

6118:2014. Como as lajes armadas em duas direções têm outros mecanismos resis-
tentes possíveis, os valores mínimos das armaduras positivas são reduzidos em rela-
ção aos dados para elementos lineares (vigas).

Para melhorar o desempenho e a dutilidade à flexão, assim como controlar a


fissuração, são necessários valores mínimos de armadura passiva, dados na tabela
3.5. Essa armadura deve ser constituída preferencialmente por barras com alta ade-
rência ou por telas soldadas.

Nota-se na tabela 3.5 que os valores das taxas geométricas s para momentos
negativos das lajes em geral e para momento positivo, apenas das lajes armadas em
uma direção, obedecem aos mesmos valores mínimos min que os praticados nas vi-
gas. Já para os momentos positivos das lajes armadas em duas direções e para os
momentos negativos de bordas sem continuidade, esse valor é reduzido em (2/3) =
0,67. Nas lajes armadas em duas direções isso se deve ao seu funcionamento, ou
seja, quando uma direção sofre flexão a outra solidariamente sofre torção, contribu-
indo assim para um maior enrijecimento dessa laje e diminuição dos momentos fleto-
res nas duas direções.

Os valores de min da tabela 2.6 foram calculados para aços CA 50 e CA 60


(normalmente usados no dimensionamento das lajes) pressupondo coeficientes de
minoração dos materiais c = 1,4 e s = 1,15. Caso haja mudança em um dos parâme-
tros que definem a tabela 2.6 ou que a relação (d/h) seja menor que 0,7 devem ser
feitos novos cálculos dos valores de min, usando-se a equação (2.53c).

O valor mínimo possível de s = min = 0,15% também é válido para as lajes,


lembrando-se que no caso dos momentos positivos, daquelas armadas em duas dire-
ções, pode-se reduzir esse valor para s = 0,67 min = 0,67 x 0,15% = 0,10%, conforme
a tabela 3.5.

3.29
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___________________________________________________________________________

Tabela 3.5 – Valores mínimos para armadura passivas em lajes


Adaptada da tabela 19.1 da NBR 6118:2014

Elementos estruturais sem armaduras


Tipo de armadura
ativas
Armaduras negativas s ≥ min
Armaduras negativas de bor-
s ≥ 0,67 min
das sem continuidade
Armaduras positivas de lajes
s ≥ 0,67 min
armadas em duas direções
Armadura positiva (principal)
de lajes armadas em uma dire- s ≥ min
ção
Armadura positiva (secundária) As,sec  0,20 As,princ
de lajes armadas em uma dire- As,sec  0,9 cm2/m
ção s  0,5 min
Onde:
As As
s   (3.35)
bh 100h

é a taxa geométrica de armadura da seção transversal genérica das lajes (100xh).


Os valores de min estão apresentados na tabela 2.6 (armadura mínima para vigas)
observando-se a relação (d/h) da laje considerada.

Adicionalmente o item 19.3.3.2 da NBR 6118:2014, sobre armadura mínima em


lajes, descreve sobre a necessidade de armadura negativa nas bordas de lajes sem
continuidade:

“Para melhorar o desempenho e a dutilidade à flexão, assim como controlar a fissura-


ção, são necessários valores mínimos de armadura passiva definidos na Tabela 19.1

3.30
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___________________________________________________________________________

(tabela 3.5 dessa apostila). Alternativamente, estes valores mínimos podem ser cal-
culados com base no momento mínimo, conforme 17.3.5.2.1 . Essa armadura deve
ser constituída preferencialmente por barras com alta aderência ou por telas soldadas.
Nos apoios de lajes que não apresentem continuidade com planos de lajes ad-
jacentes e que tenham ligação com os elementos de apoio, deve-se dispor de
armadura negativa de borda, conforme Tabela 19.1. Essa armadura deve se es-
tender até pelo menos 0,15 do vão menor da laje a partir da face do apoio.”

3.6.7 – Prescrições gerais sobre detalhamento de lajes

As prescrições gerais sobre o detalhamento de lajes encontram-se no item 20.1


da NBR 6118:2014:

“As armaduras devem ser detalhadas no projeto de forma que, durante a execução,
seja garantido o seu posicionamento durante a concretagem.

Qualquer barra da armadura de flexão deve ter diâmetro no máximo igual a h/8.

As barras da armadura principal de flexão devem apresentar espaçamento no má-


ximo igual a 2h ou 20 cm, prevalecendo o menor desses dois valores na região dos
maiores momentos fletores.

Nas lajes maciças armadas em uma ou duas direções, em que seja dispensada ar-
madura transversal de acordo com 19.4.1 (cisalhamento), e quando não houver ava-
liação explícita dos acréscimos das armaduras decorrentes da presença dos momen-
tos volventes nas lajes, toda a armadura positiva deve ser levada até os apoios, não
se permitindo escalonamento desta armadura. A armadura deve ser prolongada no
mínimo 4 cm além do eixo teórico do apoio.

A armadura secundária de flexão deve ser igual ou superior a 20% da armadura prin-
cipal, mantendo-se, ainda, um espaçamento entre barras de, no máximo, 33 cm. A

3.31
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___________________________________________________________________________

emenda dessas barras deve respeitar os mesmos critérios de emenda das barras da
armadura principal” (grifo nosso).

3.7 – Cargas para o cálculo de estruturas de edificações (NBR-6120:1980)

Essa norma tem como objetivo fixar as condições para determinar os valores
das cargas que atuam nos projetos de estruturas de edificações. Essa norma que vale
desde 1980, teve uma errata publicada em 2000.

A carga permanente, que é devida ao peso próprio da estrutura e de todos os


elementos construtivos fixos, pode ser avaliada com os valores dos pesos específicos
da tabela 1 da NBR 6120:1980, transcrita para a tabela 3.6 dessa apostila.

O item 2.1.2 da NBR 6120:1980 descreve uma forma simplificada de como


considerar as cargas das paredes apoiadas diretamente sobre as lajes armadas em
duas direções:

“Quando forem previstas paredes divisórias, cuja posição não esteja definida no pro-
jeto, o cálculo de pisos com suficiente capacidade de distribuição transversal de carga,
quando não for feito por processo exato, pode ser feito admitindo, além dos demais
carregamentos, uma carga uniformemente distribuída por metro quadrado de piso não
menor que um terço do peso por metro linear de parede pronta, observado o valor
mínimo de 1 KN/m2.”

Para as lajes armada em uma direção com parede paralela a essa direção,
basta considerar na largura unitária onde a parede se apoia, o peso por metro linear
dessa parede somado às demais cargas da laje. Se a parede é normal à direção prin-
cipal da laje deve-se considerá-la no cálculo como uma carga concentrada igual ao
seu peso por metro.

3.32
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

As cargas acidentais verticais que atuam nos pisos das edificações, referentes
aos carregamentos devido a pessoas, móveis, utensílios e veículos, são supostas uni-
formemente distribuídas, com os valores mínimos indicados na tabela 3.6 abaixo,
transcritos da tabela 2 da NBR 6120:1980.

Tabela 3.6 – Peso específico de alguns materiais de construção

Peso específico aparente


Materiais KN/m3
Arenito 26
Basalto 30
Rochas Gneiss 30
Granito 28
Mármore e calcáreo 28
Blocos de argamassa 22
Cimento amianto 20
Blocos Lajotas cerâmicas 18
artificiais Tijolos furados 13
Tijolos maciços 18
Tijolos sílico-calcáreos 20
Argamassa de cimento, cal e areia 19
Argamassa de cimento e areia 21
Revestimentos
Argamassa de gesso 12,5
e concretos
Concreto simples 24
Concreto armado 25
Pinho, cedro 5
Madeiras
Angico, cabriúva, ipê róseo 10
Aço 78,5
Alumínio e ligas 28
Metais
Bronze 85
Chumbo 114

3.33
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___________________________________________________________________________

Tabela 3.7 – Valores mínimos de carga vertical

Carga
Local
KN/m2
1- Arquibancadas 4
Mesma carga da peça com a qual se comunica e as previstas -
2- Balcões
para parapeitos e balcões (ver adiante)
Escritórios e banheiros 2
3- Bancos
Salas de diretoria e de gerência 1,5
Sala de leitura 2,5
Sala para depósito de livros 4
4- Bibliotecas Sala com estantes de livro, a ser determinada em cada caso ou
2,5 kN/m2 por metro de altura observado, porém o valor mínimo
6
de

5- Casa de ma- (incluindo o peso das máquinas) a ser determinada em caso,


quinas porém com o valor mínimo de 7,5
Platéia com assentos fixos 3
6- Cinemas Estúdio e platéia com assentos móveis 4
Banheiro 2
Sala de refeição e assembléia com assentos fixos 3
Sala de assembléia com assentos móveis 4
7- Clubes
Salão de danças e salão de esportes 5
Sala de bilhar e banheiro
2
Com acesso ao público 3
8- Corredores
Sem acesso ao público 2
9- Cozinhas não A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
residenciais
A ser determinada em cada caso e na falta de valores experi- -
10- Depósitos
mentais conforme a tabela 1 da NBR-6120

11- Edifícios resi- Dormitório, sala, copa, cozinha e banheiro 1,5


denciais Despensa, área de serviço e lavanderia 2

3.34
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___________________________________________________________________________

Com acesso ao público 3


12- Escadas
Sem acesso ao público 2,5
Anfiteatro com assentos fixos, corredor e sala de aula 3
13- Escolas
Outras salas 2
14- Escritório Salas de uso geral e banheiro 2
15- Forros Sem acesso a pessoas 0,5
16- Galerias de A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
arte
17- Galeria de lo- A ser determinada em cada caso, porém com o mínimo de 3
jas

18- Garagens e Para veículos de passageiros ou semelhante com carga má-


estacionamento xima de 25 kN. Valores de  indicados adiante 3
19- Ginásio de 5
esporte
Dormitórios, enfermarias, sala de recuperação, saal de cirurgia,
sala de raio X e banheiro 2
20- Hospitais
Corredor 3
Incluindo equipamentos, a ser determinada em cada caso, po-
21- Laboratórios
rém com o mínimo de 3
22- Lavanderias Incluindo equipamentos 3
23- Lojas 4
24- Restaurantes 3
Palco 5
25- Teatros Demais dependências: cargas iguais às especificadas para ci- -
nemas
Sem acesso ao público 2
Com acesso ao público 3
26- Terraços Inacessível a pessoas 0,5
Destinados a heliportos elevados: as cargas deverão ser forne-
cidas pelo órgão competente do Ministério da Aeronáutica
-
Sem acesso ao público 1,5
27- Vestíbulo
Com acesso ao público 3

3.35
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Os itens da NBR 6120:1980 abaixo, referem-se também às cargas sobre as


lajes:

“2.2.1.5 Ao longo dos parapeitos e balcões devem ser consideradas aplicadas uma
carga horizontal de 0,8 kN/m na altura do corrimão e uma carga vertical mínima de 2
kN/m.

2.2.1.6 O valor do coeficiente ϕ de majoração das cargas acidentais a serem conside-


radas no projeto de garagens e estacionamentos para veículos deve ser determinado
do seguinte modo: sendo  o vão de uma viga ou o vão menor de uma laje; sendo 0
= 3 m para o caso das lajes e 0 = 5 m para o caso das vigas, tem-se:

a) ϕ = 1 , 0 0 ....................................quando  ≥ 0
b) ϕ = (0/) ≤ 1,43 ......................... quando  ≤ 0.

Nota: O valor de ϕ não precisa ser considerado no cálculo das paredes e pilares. ”

3.8 – Tabelas para cálculo de reações de apoio e momentos fletores

A tabela 3.8 mostra os coeficientes para cálculo das reações de apoio, con-
forme a recomendação da NBR 6118:2014, figura 3.4. As reações em cada um dos
quatro lados são calculadas multiplicando-se sempre o produto (pa) pelo coeficiente
tabelado para o tipo de laje e de relação (b/a): Ri = ri (pa). A representação das
reações e a sua localização em planta estão indicadas, para uma laje genérica do tipo
C, na figura 3.7.

Os coeficientes para cálculo dos momentos fletores no regime rígido-plástico


estão indicados na tabela 3.9. Nota-se que só aparecem os coeficientes ma e mb. Ao
dividir o produto (pa2) por esses coeficientes obtém-se os momentos positivos na di-
reção a e b, respectivamente. Caso a laje seja engastada, o momento negativo será
obtido multiplicando-se o momento positivo nessa direção por 1,5. Assim: Mi = (pa2) /
mi e, se existir, Xi = 1,5 Mi.

3.36
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Uma forma de mostrar em planta os momentos fletores e as direções em que


os mesmos ocorrem está mostrada na figura 3.7 em que a linha contínua representa
momento positivo (tração na parte inferior da laje) e a tracejada, momento negativo
(tração na parte superior da laje). As direções indicadas em planta dos momentos são
na realidade a disposição das armaduras para combatê-los. As armaduras estão dis-
postas nas direções dos planos de atuação dos momentos, portanto perpendiculares
aos vetores momento que as originaram.

Figura 3.7 – Representação genérica das reações e momentos nas lajes

3.37
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

O cálculo da flecha no regime elástico f = f1 (p a4) / (Ecs h3) depende do coefi-


ciente f1 dado na Tabela 3.10, para cada tipo de laje e relação (b/a).

Os momentos no regime elástico são calculados com os coeficientes mi e ni da


tabela 3.11, os primeiros para os momentos positivos, Mi = (pa2) / mi, e os segundos
para os momentos negativos, Xi = (pa2) / ni.

As tabelas 3.8 a 3.11 foram construídas para lajes retangulares armadas em


duas direções submetidas a uma carga constante, uniformemente distribuída. Já as
tabelas 3.12 A e 3.12 B são utilizadas em lajes retangulares submetidas à carrega-
mento linearmente distribuído (triangular), como é o caso de lajes verticais em caixas
d’água ou em contenções (cortinas).

3.38
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.8 – Reações de apoio em lajes retangulares, carga uniforme (Tepedino)

Tipo
r’a=0,183
ra=0,144
r’’a=0,317
ra=0,25

b/a rb ra r’b r’’b r’b r’’b rb r’a r’’a rb


0,50 - 0,165 0,125 0,217 - - 0,217 0,125 0,217 0,158
0,55 - 0,172 0,138 0,238 - - 0,238 0,131 0,227 0,174
0,60 - 0,177 0,150 0,260 - - 0,259 0,136 0,236 0,190
0,65 - 0,181 0,163 0,281 - - 0,278 0,140 0,242 0,206
0,70 - 0,183 0,175 0,302 - - 0,294 0,143 0,247 0,222
0,75 - 0,183 0,187 0,325 - - 0,308 0,144 0,249 0,238
0,80 - 0,183 0,199 0,344 - - 0,320 0,144 0,250 0,254
0,85 - 0,183 0,208 0,361 - - 0,330 0,144 0,250 0,268
0,90 - 0,183 0,217 0,376 - - 0,340 0,144 0,250 0,281
0,95 - 0,183 0,225 0,390 - - 0,348 0,144 0,250 0,292
1,00 0,250 0,183 0,232 0,402 0,183 0,317 0,356 0,144 0,250 0,303
1,05 0,262 0,183 0,238 0,413 0,192 0,332 0,363 0,144 0,250 0,312
1,10 0,273 0,183 0,244 0,423 0,200 0,346 0,369 0,144 0,250 0,321
1,15 0,283 0,183 0,250 0,432 0,207 0,358 0,374 0,144 0,250 0,329
1,20 0,292 0,183 0,254 0,441 0,214 0,370 0,380 0,144 0,250 0,336
1,25 0,300 0,183 0,259 0,448 0,220 0,380 0,385 0,144 0,250 0,342
1,30 0,308 0,183 0,263 0,455 0,225 0,390 0,389 0,144 0,250 0,348
1,35 0,315 0,183 0,267 0,462 0,230 0,399 0,393 0,144 0,250 0,354
1,40 0,321 0,183 0,270 0,468 0,235 0,408 0,397 0,144 0,250 0,359
1,45 0,328 0,183 0,274 0,474 0,240 0,415 0,400 0,144 0,250 0,364
1,50 0,333 0,183 0,277 0,479 0,244 0,423 0,404 0,144 0,250 0,369
1,55 0,339 0,183 0,280 0,484 0,248 0,429 0,407 0,144 0,250 0,373
1,60 0,344 0,183 0,282 0,489 0,252 0,436 0,410 0,144 0,250 0,377
1,65 0,348 0,183 0,285 0,493 0,255 0,442 0,413 0,144 0,250 0,381
1,70 0,353 0,183 0,287 0,497 0,258 0,448 0,415 0,144 0,250 0,384
1,75 0,357 0,183 0,289 0,501 0,261 0,453 0,418 0,144 0,250 0,387
1,80 0,361 0,183 0,292 0,505 0,264 0,458 0,420 0,144 0,250 0,390
1,85 0,365 0,183 0,294 0,509 0,267 0,463 0,422 0,144 0,250 0,393
1,90 0,368 0,183 0,296 0,512 0,270 0,467 0,424 0,144 0,250 0,396
1,95 0,372 0,183 0,297 0,515 0,272 0,471 0,426 0,144 0,250 0,399
2,00 0,375 0,183 0,299 0,518 0,275 0,475 0,428 0,144 0,250 0,401
O valor da reação é dado por: R = r (pa)
a é o vão com o maior número de engaste. Caso o número de engaste seja o mesmo nas duas direções, a é o menor vão.

3.39
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
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Tabela 3.9 – Momentos fletores, regime rígido-plástico, carga uniforme (Tepedino)

Tipo

b/a ma mb ma mb ma mb ma mb ma mb ma mb
0,50 - - 122,1 50,9 - - 103,2 64,5 215,6 80,8 - -
0,55 - - 92,2 46,5 - - 81,4 61,6 161,2 73,2 - -
0,60 - - 72,6 43,6 - - 66,9 60,2 125,6 67,8 - -
0,65 - -- 59,2 41,7 - - 56,9 60,1 101,4 64,2 - -
0,70 - - 49,7 40,6 - - 49,7 60,8 84,2 61,9 - -
0,75 - - 42,7 40,1 - - 44,3 62,3 71,8 60,6 - -
0,80 - - 37,6 40,1 - - 40,3 64,5 62,5 60,0 - -
0,85 - - 33,6 40,5 - - 37,2 67,2 55,5 60,1 - -
0,90 - - 30,5 41,2 - - 34,8 70,4 50,0 60,8 - -
0,95 - - 28,1 42,3 - - 32,8 74,0 45,7 61,8 - -
1,00 24,0 24,0 26,1 43,6 40,0 40,0 31,2 78,0 42,2 63,3 60,0 60,0
1,05 21,8 24,1 24,5 45,1 36,4 40,1 29,9 82,4 39,4 65,2 54,6 60,2
1,10 20,1 24,3 23,2 46,8 33,5 40,5 28,8 87,1 37,1 67,3 50,2 60,7
1,15 18,6 24,6 22,1 48,8 31,0 41,0 27,9 92,2 35,2 69,8 46,6 61,6
1,20 17,4 25,1 21,2 50,9 29,0 41,8 27,1 97,6 33,5 72,5 43,5 62,7
1,25 16,4 25,6 20,4 53,2 27,3 42,7 26,4 103, 32,2 75,4 41,0 64,4
1,30 15,5 26,3 19,8 55,6 25,9 43,8 25,9 109,
2 31,0 78,6 38,8 65,6
1,35 14,8 27,0 19,2 58,2 24,7 44,9 25,4 115,
2 30,0 82,0 37,0 67,4
1,40 14,2 27,8 18,7 61,0 23,6 46,3 24,9 122,
5 29,1 85,6 35,4 69,4
1,45 13,6 28,6 18,2 63,9 22,7 47,7 24,5 128,
1 28,4 89,4 34,0 71,6
1,50 13,1 29,6 17,8 66,9 21,9 49,3 24,2 136,
9 27,7 93,4 32,8 73,9
1,55 12,7 30,6 17,5 70,1 21,2 50,9 23,9 143,
1 27,1 97,6 31,8 76,4
1,60 12,4 31,6 17,2 73,4 20,6 52,7 23,6 151,
5 26,6 102, 30,9 79,0
1,65 12,0 32,7 16,9 76,8 20,0 54,5 23,4 159,
1 26,1 106,
0 30,0 81,8
1,70 11,7 33,9 16,7 80,3 19,5 56,5 23,2 167,
1 25,7 111,
6 29,3 84,7
1,75 11,5 35,1 16,5 84,0 19,1 58,5 23,0 175,
3 25,3 116,
3 28,7 87,8
1,80 11,2 36,4 16,3 87,8 18,7 60,6 22,8 184,
7 25,0 121,
2 28,1 91,0
1,85 11,0 37,7 16,1 91,7 18,4 62,9 22,6 193,
5 24,7 126,
3 27,6 94,3
1,90 10,8 39,1 15,9 95,8 18,0 65,2 22,5 202,
5 24,4 132,
6 27,1 97,7
1,95 10,7 40,5 15,8 99,9 17,8 67,5 22,3 212,
7 24,1 137,
0 26,6 101,
2,00 10,5 42,0 15,6 104, 17,5 70,0 22,2 222,
2 23,9 143,
6 26,3 105,
3
2
O valor do momento
2 fletor positivo é dado por:
0 M = (pa )/m 3 0
O momento fletor negativo na direção a ou b, se tiver, será dado por: Xi = 1,5 Mi
a é o vão com o maior número de engaste. Caso o número de engaste seja o mesmo nas duas direções, a é o menor vão.

3.40
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.10 – Flecha elástica em lajes retangulares, carga uniforme (Tepedino)

Tipo

b/a f1 f1 f1 f1 f1 f1
0,50 - 0,0068 - 0,0062 0,0033 -
0,55 - 0,0090 - 0,0080 0,0045 -
0,60 - 0,011 - 0,0098 0,0058 -
0,65 - 0,014 - 0,012 0,0073 -
0,70 - 0,017 - 0,014 0,0090 -
0,75 - 0,020 - 0,015 0,011 -
0,80 - 0,022 - 0,017 0,012 -
0,85 - 0,025 - 0,019 0,014 -
0,90 - 0,028 - 0,020 0,015 -
0,95 - 0,030 - 0,021 0,017 -
1,00 0,048 0,033 0,025 0,023 0,018 0,015
1,05 0,053 0,035 0,027 0,024 0,020 0,016
1,10 0,057 0,037 0,029 0,024 0,021 0,018
1,15 0,062 0,039 0,032 0,025 0,022 0,019
1,20 0,066 0,041 0,034 0,026 0,023 0,020
1,25 0,071 0,043 0,036 0,027 0,024 0,021
1,30 0,075 0,044 0,038 0,027 0,025 0,022
1,35 0,079 0,046 0,040 0,028 0,026 0,023
1,40 0,083 0,047 0,041 0,028 0,026 0,024
1,45 0,087 0,049 0,043 0,029 0,027 0,025
1,50 0,090 0,050 0,045 0,029 0,027 0,026
1,55 0,094 0,051 0,046 0,029 0,028 0,027
1,60 0,097 0,052 0,047 0,029 0,028 0,027
1,65 0,100 0,053 0,048 0,030 0,028 0,027
1,70 0,103 0,053 0,049 0,030 0,028 0,028
1,75 0,106 0,054 0,050 0,030 0,028 0,028
1,80 0,109 0,055 0,050 0,030 0,028 0,028
1,85 0,112 0,056 0,051 0,030 0,029 0,029
1,90 0,114 0,056 0,052 0,030 0,029 0,029
1,95 0,116 0,057 0,054 0,030 0,029 0,029
2,00 0,119 0,058 0,055 0,030 0029 0,029
O valor da flecha é dada por: f = f1 (p.a4) / (Ecs h3)
a é o vão com o maior número de engaste. Caso o número de engaste seja o mesmo nas duas direções, a é o menor vão.

3.41
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.11 A – Momentos fletores, regime elástico, carga uniforme (Tepedino)

Tipo

b/a ma mb ma mb na ma mb na nb
0,50 - - 119,0 44,1 32,8 - - - -
0,55 - - 91,7 40,0 27,6 - - - -
0,60 - - 74,1 37,2 23,8 - - - -
0,65 - - 61,7 35,3 20,9 - - - -
0,70 - - 52,1 34,1 18,6 - - - -
0,75 - - 45,2 33,4 16,8 - - - -
0,80 - - 40,2 33,1 15,4 - - - -
0,85 - - 36,1 33,2 14,2 - - - -
0,90 - - 32,9 33,5 13,3 - - - -
0,95 - - 30,3 33,9 12,5 - - - -
1,00 23,6 23,6 28,2 34,4 11,9 37,2 37,2 14,3 14,3
1,10 20,0 23,6 25,1 36,2 10,9 31,3 37,4 12,7 13,6
1,20 17,4 23,7 22,8 38,6 10,2 27,4 38,2 11,5 13,1
1,30 15,5 24,2 21,2 41,4 9,7 24,6 40,0 10,7 12,8
1,40 14,1 25,0 20,0 44,4 9,3 22,6 41,8 10,1 12,6
1,50 13,0 25,7 19,1 47,3 9,0 21,1 44,4 9,6 12,4
1,60 12,1 26,8 18,4 51,4 8,8 20,0 48,2 9,2 12,3
1,70 11,4 27,9 17,8 55,8 8,6 19,2 52,4 9,0 12,3
1,80 10,9 28,8 17,4 59,4 8,4 18,5 56,1 8,7 12,2
1,90 10,5 30,4 17,1 63,0 8,3 18,0 60,2 8,6 12,2
2,00 10,1 31,6 16,8 67,6 8,2 17,5 62,5 8,4 12,2
O valor do momento positivo é dado por: M = pa2/m e do negativo por X = pa2/n
a é o vão com o maior número de engaste. Caso o número de engaste seja o mesmo nas duas direções, a é o menor vão.

3.42
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.11 B – Momentos fletores, regime elástico, carga uniforme (Tepedino)

Tipo

b/a ma mb na ma mb na nb ma mb na nb
0,50 113,6 47,9 33,7 222,2 72,7 49,3 35,2 - - - -
0,55 88,5 44,8 28,6 161,3 64,3 40,5 30,7 - - - -
0,60 73,0 42,9 25,0 123,5 58,4 34,4 27,2 - - - -
0,65 60,2 42,0 22,2 99,0 54,3 29,8 24,6 - - - -
0,70 53,5 41,7 20,1 82,0 51,3 26,2 22,5 - - -
0,75 47,2 42,0 18,5 69,0 49,5 23,4 21,0 - - - -
0,80 42,9 43,0 17,3 59,2 48,4 21,2 19,7 - - - -
0,85 39,4 44,2 16,3 52,4 47,9 19,5 19,2 - - - -
0,90 36,5 45,7 15,5 47,4 48,0 18,1 18,7 - - - -
0,95 34,2 47,8 14,8 43,1 48,6 17,1 18,4 - - - -
1,00 32,4 49,8 14,3 39,7 49,5 16,2 18,3 49,5 49,5 19,4 19,4
1,10 29,9 54,7 13,5 34,8 52,3 14,8 17,7 41,3 50,4 17,1 18,4
1,20 28,0 61,5 13,0 31,6 56,5 13,9 17,4 34,8 53,0 15,6 17,9
1,30 26,7 67,2 12,6 29,4 61,6 13,2 17,4 32,7 56,4 14,5 17,6
1,40 25,8 75,0 12,3 27,9 68,0 12,8 17,4 30,1 60,7 13,7 17,5
1,50 25,3 83,9 12,3 26,7 74,1 12,5 17,5 28,3 67,3 13,2 17,5
1,60 24,8 93,0 12,1 25,9 81,4 12,3 17,7 27,1 73,7 12,8 17,5
1,70 24,4 101,8 12,0 25,3 88,7 12,1 17,9 26,1 82,4 12,5 17,5
1,80 24,2 110,2 12,0 24,9 99,6 12,0 18,0 25,5 88,2 12,3 17,5
1,90 24,0 120,4 12,0 24,5 106,5 12,0 18,0 25,1 98,9 12,1 17,5
2,00 24,0 131,6 12,0 24,3 113,6 12,0 18,0 24,7 104,2 12,0 17,5
O valor do momento positivo é dado por: M = pa2/m e do negativo por X = pa2/n
a é o vão com o maior número de engaste. Caso o número de engaste seja o mesmo nas duas direções, a é o menor vão.

3.43
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Tabela 3.12 A - Momentos fletores em lajes com carga triangular (Bares)

Tipo

b/a ma mb ma mb nb ma mb nb ma mb nbi nbs ma mb na


0,5 62,5 19,5 109 35,6 15,3 78,1 25,4 17,9 147 46,9 19,5 29,8 55,6 16,3 22,6

0,6 54,6 22,1 94,3 37,7 15,9 75,2 27,3 18,8 128 48,1 19,8 30,0 51,5 17,8 28,4

0,7 50,0 25,6 86,2 41,2 16,8 69,0 30,1 20,4 114 50,2 20,3 30,9 50,5 19,2 36,0

0,8 47,8 29,9 81,3 45,7 17,8 64,5 33,6 22,4 105 53,5 21,2 32,4 52,9 21,1 44,2

0,9 46,7 35,0 78,1 51,5 19,1 61,3 37,5 24,9 101 57,5 21,9 34,4 56,5 23,6 53,8

1,0 47,2 41,5 74,6 58,1 20,2 58,8 42,4 28,4 99,0 62,5 23,1 37,5 61,7 26,7 66,2

1,1 36,9 39,5 59,5 54,3 18,4 46,9 39,5 26,7 74,6 55,9 20,2 34,0 55,2 24,9 64,9

1,2 34,5 37,9 48,8 51,0 16,9 39,2 37,3 25,3 59,9 51,5 18,2 31,7 50,8 23,5 64,1

1,3 30,5 37,0 41,7 48,5 15,7 33,8 35,8 24,6 49,5 48,5 16,5 30,2 47,6 22,4 65,8

1,4 27,5 36,2 36,4 46,7 14,7 29,7 35,0 24,3 41,8 46,5 15,1 29,5 44,8 21,4 68,0

1,5 25,2 35,6 32,5 45,2 13,9 26,7 34,1 24,0 36,8 45,2 14,2 28,5 43,1 20,7 69,4

1,6 23,4 34,8 25,6 44,4 13,2 24,4 33,7 24,0 33,0 44,8 13,6 27,7 41,7 19,8 70,9

1,7 21,8 35,3 26,9 44,4 12,9 22,4 34,0 24,5 29,7 45,0 13,2 27,5 40,5 19,1 75,2

1,8 20,6 35,1 25,1 43,5 12,4 21,1 33,6 24,7 27,3 44,1 12,6 26,8 39,8 18,5 76,9

1,9 19,6 35,2 23,6 42,6 12,1 19,9 33,8 25,2 25,3 43,3 12,2 26,7 39,4 18,0 81,3

2,0 18,7 36,0 22,3 43,1 11,9 18,8 34,7 26,6 23,6 43,9 11,9 26,9 38,8 17,5 89,3

O valor do momento positivo é dado por: Mi = pl2/mi e do negativo por Xi = pl2/ni


l é o menor vão entre a (direção horizontal) e b (direção vertical).
Tabela baseada em Bares (1972), apud Pinheiro (2007) e adaptada pelo autor.

3.44
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Tabela 3.12 B - Momentos fletores em lajes com carga triangular (Bares)

b/a ma mb na nb ma mb na nb ma mb na nbi nbs


0,5 104 38,6 27,8 16,3 86,2 27,6 21,6 19,5 125 48,3 34,2 20,2 31,0

0,6 112 44,1 27,9 17,7 76,3 31,9 21,8 22,1 128 52,4 33,7 21,1 32,5

0,7 86,2 52,1 28,8 19,8 68,0 37,5 22,4 26,2 122 58,8 33,6 22,5 36,0

0,8 80,0 63,7 30,5 22,5 64,1 44,1 23,9 31,9 109 65,4 34,4 24,5 40,8

0,9 81,3 75,2 32,7 25,7 64,9 53,2 26,0 39,2 99,0 74,6 35,0 27,0 47,4

1,0 84,0 90,1 35,1 29,4 67,1 64,5 27,7 48,8 97,1 87,7 37,0 30,3 56,8

1,1 72,5 87,0 31,2 27,8 58,5 62,5 25,7 51,8 80,0 83,3 32,4 28,1 57,1

1,2 64,9 86,2 28,5 26,5 52,9 62,9 23,9 53,8 70,4 82,0 29,2 26,6 57,8

1,3 59,9 85,5 26,5 25,4 48,8 63,7 22,4 56,8 63,3 82,0 26,7 25,5 59,9

1,4 55,9 84,0 24,7 24,7 45,7 64,5 21,1 61,3 57,5 83,3 24,7 24,8 62,9

1,5 52,6 82,6 23,4 23,9 43,5 64,5 20,1 64,9 53,2 82,0 23,4 23,9 65,4

1,6 49,5 81,3 22,4 23,4 41,7 64,5 19,3 69,9 49,8 81,3 22,3 23,4 69,0

1,7 46,9 81,3 21,6 23,1 40,2 65,3 18,6 75,2 46,9 81,3 21,5 23,1 74,1

1,8 44,8 79,4 21,1 22,5 39,5 65,8 18,0 76,9 45,2 79,4 21,0 22,5 76,9

1,9 42,9 79,4 20,6 22,2 38,8 69,4 17,5 81,3 43,7 79,4 20,5 22,2 81,3

2,0 41,1 80,6 20,1 22,3 38,0 73,5 16,9 89,3 42,2 80,6 20,0 22,3 92,6

O valor do momento positivo é dado por: Mi = pl2/mi e do negativo por Xi = pl2/ni


l é o menor vão entre a (direção horizontal) e b (direção vertical).
Tabela baseada em Bares (1972), apud Pinheiro (2007) e adaptada pelo autor.

3.45
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3.9 – Exemplos

3.9.1 – Exemplo 1

Para a forma abaixo de uma edificação residencial, pede-se:

Figura 3.8 – Forma para o exemplo 1 – Planta e Cortes

1- Determinar as reações de apoio das lajes, indicando-as em planta;


2- Determinar os momentos fletores no regime elástico, indicando-os em
planta;

3.46
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3- Calcular as armaduras de flexão para os momentos positivos e negativos;


4- Calcular as flechas no tempo infinito;
5- Fazer o detalhamento completo das lajes, inclusive com lista e resumo dos
ferros;
6- Fazer os itens 1,2,3 e 5 para o regime rígido-plástico.

DADOS: fck = 30 MPa (fc = 1,821kN/cm2) Brita Gnaisse Aço CA 60 / CA 50


Revestimento = 1 kN/m2 Sobrecarga = 2 kN/m2 (todas as lajes)

CARGAS: Peso próprio (pp) pp = 1 x 1 x h x c = 1x1x0,10x25 = 2,5 kN/m2


Revestimento = 1,0 kN/m2
Carga permanente g = 3,5 kN/m2
Carga acidental (sobrecarga) q = 2,0 kN/m2
Carga total p = g + q = 3,5 + 2,0 p = 5,5 kN/m2

LAJE L1

Figura 3.9 – Laje L1

3.47
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Conforme a figura 3.9 essa laje em balanço suporta na sua extremidade um parapeito
de alvenaria de tijolos furados (alv = 13 kN/m3) com altura de 1,20 m e espessura de
15 cm. Além das cargas normais da laje devem ser aplicadas, segundo o item 2.2.1.5
da NBR 6120:1980 ao longo de parapeitos e balcões, uma carga horizontal de 0,8
kN/m na altura do corrimão e uma carga vertical mínima de 2 kN/m.

As cargas em um metro de largura de laje, conforme figura 3.9 a direita, são dadas
por:
P = 4,34 kN M = 0,96 kNm p = 5,5 kN/m

R = P + px1,025 = 4,34 + 5,5 x 1,025 R = 9,98 kN


X = Px1,025 + px(1,025)2 / 2 + 0,96 = 4,34x1,025 + 5,5x(1,025)2 / 2 + 0,96
X = 8,30 kNm

Em algumas situações de projeto pode ser necessário determinar separadamente as


reações e os momentos devidos às parcelas permanente (Rg e Xg) e acidental (Rq e
Xq).

Rg = 2,34 + 3,5x1,025 = 5,93 kN


R = Rg + Rq = 5,93 + 4,05 = 9,98 kN
Rq = 2 + 2x1,025 = 4,05 kN

Xg = 2,34x1,025+3,5x(1,025)2/2 = 4,24 kNm


X = Xq+Xq = 4,24+4,06 = 8,30 kNm
Xq = 2x1,025+2x(1,025)2/2 + 0,96 = 4,06 kNm

O valor do momento de serviço no engaste é dado por:

Xserv = Xg + 2 Xq = 4,24 + 0,3x4,06 = 5,46 kNm (2 = 0,3 - tabela 1.7)

O dimensionamento à flexão em lajes se dá em uma seção retangular 100xh, com a


altura útil dada no mínimo por d = h – 2,5 = 7,5 cm, para um cobrimento c = 2 cm

3.48
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(tabela 2.8 para CAA I). Nota-se que aqui não foi feita a compensação de momentos
negativos por se tratar de uma laje em balanço. Além disso, em laje em balanço (con-
forme NBR 6118:2014), o dimensionamento deve ser feito para um momento final
majorado por um coeficiente adicional n.

X = 830 kNcm Xd = n f X com f = 1,4 e n = 1,45 (tabela 3.4)

Xd = 1,45x1,4x830 = 1685 kNcm

1685
K  0,164  K L  0,295  K'  K  0,164
1,821x100x7,52

A s  A s1 
1,821x100x7,5
43,48
 
1  1  2x0,164  5,68cm2 /m CA 50

A s  A s1 
1,821x100x7,5
52,17
 
1  1  2x0,164  4,73cm2 /m CA 60

Usando-se bitola  = 8 mm (0,503 cm2, conforme tabela 1.4) tanto para aço CA 50
quanto para aço CA 60 obtém-se os seguintes espaçamentos:

s = 100 / (5,68 / 0,503) = 8,9 cm  = 8 mm c/8 cm CA 50 (*)

s = 100 / (4,73 / 0,503) = 10,6 cm  = 8 mm c/10 cm CA 60

Flecha

A flecha máxima na extremidade do balanço, segundo a teoria das estruturas, é dada


por:

f∞ = p∞x4 / (8EIeq) + P∞x 3 / (3 EIeq) + M∞x 2 / (2EIeq), com = 1,025 m.

3.49
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p∞ = 2,46 g + 0,738 q = 2,46x3,5 + 0,738x2 = 10,09 kN/m

P∞ = 2,46 G + 0,738 Q = 2,46x2,34 + 0,738x2 = 7,23 kN equação (3.32)

M∞ = 2,46 Mg + 0,738 Mq = 2,46x0 + 0,738x0,96 = 0,71 kNm

Para o cálculo de EIeq compara-se o valor do momento negativo de serviço, Xserv=


5,46 kNm, com o momento de fissuração Mr dado na equação (3.16a):

Mr = 0,75 h2 (fck)2/3 = 0,75x102x(30)2/3 = 724 kNcm > Xserv = 5,46 kNm Estádio I

EIeq = Ecs Ic rigidez equivalente igual a rigidez da seção bruta de concreto

Ecs = i Eci i = 0,8 + 0,2 (fck / 80) = 0,8 + 0,2x(30 / 80) = 0,875 ≤ 1,0 eq. (1.6b)

Eci = e 5600 (fck)1/2 = 1,0x5600x(30)1/2 = 30672 MPa = 3,07x107 kN/m2 eq. (1.5a)
e = 1,0 concreto com brita gnaisse

Ecs=0,875x3,07x107=2,69x107 kN/m2
Ecs Ic = 2,69x107x8,33x10-5 = 2238 kNm2
Ic = (1,00x0,103 /12) = 8,33x10-5 m4

f∞ = 10,09x1,0254 / (8x2238) + 7,23x1,0253 / (3x2238) + 0,71x1,0252 / (2x2238)

f∞ = 1,95x10-3 m = 1,95 mm ≈ 0,20 cm < fadm =  /125 = 102,5 /125 = 0,82 cm OK!

LAJE L2

A laje L2 é uma laje alongada em que o vão menor vale 2,20 m e o maior 9,00 m,
portanto uma laje armada em uma direção, conforme figura 3.10. O primeiro trecho do
lado direito dessa laje (vão a da viga V5) pode ser considerado engastado (continui-

3.50
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dade com a laje L4), já o segundo, em função do vazado da fôrma, tem de ser consi-
derado simplesmente apoiado (a viga V5 não teria rigidez suficiente à torção para
engastar essa laje).

Figura 3.10 – Laje L2

Como o cálculo de uma laje armada em uma direção é equivalente ao de uma viga
sobre dois apoios com largura b = 100 cm, o primeiro trecho dessa laje pode ser con-
siderado apoiado sobre o vão a de V4 e engastado sobre o vão a de V5 (continuidade
com a laje L4). Do lado esquerdo dessa laje tem-se continuidade com a laje em ba-
lanço L1, que normalmente é considerado como apoio simples.

Pode-se, no entanto, considerar L2 engastada na laje em balanço L1, desde que o


momento de engaste em L2 (com a totalidade das cargas) seja menor que o momento
negativo de serviço da L1 (Xserv,L1 = 5,46 kNm) , ou ainda mais a favor da segurança,
seja menor que o devido apenas às cargas permanentes (Xg,L1 = 4,24 kNm). Conside-
rando nesse caso a pior situação de L2, ou seja, engastada em L1 e apoiada do outro
lado, o seu momento de engaste seria máximo e igual a Xmax,L2 = 5,5x2,22/8 = 3,33
kNm. Esse valor é menor que Xg,L1=4,24 kNm e portanto, poderia considerar a laje L2
engastada em L1.
3.51
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Um cálculo conservador para a laje L2 seria considerá-la simplesmente apoiada em


toda a continuidade com a laje L1 e do lado direito, engastada em L4 (vão a da viga
V5) e simplesmente apoiada no vão b da viga V5, devido ao vazado. Essa considera-
ção será a adotada nesse exemplo, embora exista uma situação ainda mais conser-
vadora que seria também considerar L2 simplesmente apoiada em toda a extensão
da viga V5.

O dimensionamento à flexão da laje L2 será realizado depois da compensação dos


momentos, não realizada na laje L1, por ser uma laje em balanço.

Flecha

Como os momentos positivos acima calculados com a carga total são menores que o
momento de fissuração, Mr = 724 kNcm, essa laje encontra-se no estádio I, sendo a
rigidez equivalente EIeq = EcIc = 2215 kNm2, ambos já calculados no exemplo da laje
L1.

As flechas calculadas para as duas situações da laje L2 são: (o valor de p∞ é o mesmo


da laje L1)

Trecho apoiado-apoiado f∞ = 5x10,09x2,204 / (384 x 2238), eq. (3.17) com K=5


f∞ = 1,4 x 10-3 m ≈ 0,14 cm < fadm = 220 / 250 ≈ 0,9 cm

Trecho apoiado-engastado f∞ = 2x10,09x2,204 / (384x2238), eq. (3.17) com K = 2


f∞ = 5,5x10-4 m ≈ 0,06 cm < fadm = 220 / 250 ≈ 0,9 cm

Obs.: só precisa calcular a flecha no trecho apoiado-apoiado, por ser maior que a do
trecho apoiado-engastado e ter sido atendido o ELS-DEF.

3.52
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LAJE L3

Figura 3.11 – Laje L3

pa = 5,5x4 = 22 pa2 = 5,5x42 = 88

Ra = ra pa = 0,183x22 = 4,03 kN/m Ma = pa2 / ma = 88 / 25,1 = 3,51 kNm


R’b = r’b pa = 0,250x22 = 5,50 kN/m Mb = pa2 / mb = 88 / 36,2 = 2,43 kNm
R’’b = r’’b pq = 0,432x22 = 9,50 kN/m Xa = pa2 / na = 88 / 10,9 = 8,07 kNm

Alternativamente, os coeficientes para os cálculos das reações, dos momentos pode-


riam ser linearmente interpolados nas tabelas correspondentes, resultando ra = 0,183,
r’b = 0,249, r’’b = 0,430 (tab. 3.8), ma = 24,2, mb = 37,2, na = 10,6 (tab. 3.11A).

Flecha

Como os momentos positivos acima calculados com a carga total são menores que o
momento de fissuração Mr = 724 kNcm, essa laje encontra-se no estádio I, sendo o
módulo Ecs = 2,66x107 kN/m2, ambos já calculados no exemplo da laje L1.

pa 4 10,09x44 400


f  f1 3
 0,039 7 3
 3,8x10 3 m  0,4cm   1,6cm OK
Ecsh 2,66x10 x0,1 250

3.53
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O valor de f1 interpolado linearmente na tabela 3.10 resulta f 1 = 0,0386 ≈ 0,039.

LAJE L4

Figura 3.12 – Laje L4

Conforme a figura 3.12 a laje L4 tem uma continuidade com L3, na borda superior,
cuja extensão é de 457,5 cm, maior que (2/3) do comprimento do apoio, ou seja, 457,5
> 0,67x580 = 387 cm. Quando isso ocorre pode-se considerar a laje L4 engastada na
sua borda superior comportando como uma laje do tipo C.

pa = 5,5x5 = 27,5 pa2 = 5,5x52 = 137,5

R’a = r’a pa = 0,183x27,5 = 4,03 kN/m Ma = pa2/ma=137,5/27,4 = 5,02 kNm


R’’a = r’’a pa = 0,317x27,5 = 8,72 kN/m Mb = pa2/mb=137,5/38,2 = 3,60 kNm
R’b = r’b pa = 0,207x27,5 = 5,69 kN/m Xa = pa2/na=137,5/11,5 = 11,96 kNm
R’’b = r’’b pa = 0,358x27,5 = 9,85 kN/m Xb = pa2/nb=137,5/13,1 = 10,50 kNm

3.54
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Obs.: Considerando a direção horizontal, as duas lajes contínuas L2 e L4 têm os seguintes


vãos: L2 = 2,20 m e L4 = 5,80 m. O valor do vão da L2 é maior que [(1/3)L4] = 1,93 m, valor
usualmente adotado para critério de engaste de duas lajes contínuas. Nesse caso, mesmo
que o vão da L2 fosse menor que um terço do vão da L4, ainda assim, poderia considera-la
engastada em L2, porque existe continuidade da L2 com a laje em balanço L1 (ver na figura
3.14 a posição N8, armadura negativa que se estende desde L1 até L4).

Flecha

Como os momentos positivos acima calculados com a carga total são menores que o
momento de fissuração Mr = 724 kNcm, essa laje encontra-se no estádio I, sendo o
módulo Ecs = 2,66x107 kN/m2, ambos já calculados no exemplo da laje L1.

pa 4 10,09x54 500


f  f1 3
 0,032 7 3
 7,6x10 3 m  0,8cm   2cm OK!
Ecsh 2,66x10 x0,1 250

COMPENSAÇÃO DOS MOMENTOS

Compensação dos negativos (Unidade kNcm)


Entre X1 X2 0,8 Xmax Xmed
L2 – L4 333 (L2) 1050 (L4) 840* 692
L3 – L4 807 (L3) 1196 (L4) 957 1002*
(*) momentos finais compensados

Para as lajes L2 e L3, os momentos negativos finais compensados são maiores que
os originais da condição de engaste perfeito. Portanto, os momentos positivos finais
dessas lajes, nas mesmas direções dos negativos correspondentes, deverão ser re-
duzidos de ΔM = 0,3 ΔX em relação aos seus valores iniciais, mas por segurança eles
serão mantidos sem redução.

Para a laje L4 os dois momentos finais negativos compensados são menores que os
de engaste perfeito, portanto, os positivos em cada uma das direções, deverão ser

3.55
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acrescidos do valor ΔM = 0,3 (Xinicial - Xcompensado). Assim para as direções a e b os


valores finais dos momentos positivos ficam:

Ma,final = Ma,inicial + ΔM = 502 + 0,3 (1196 – 1002) = 560 kNcm

Mb,final = Mb,inicial + ΔM = 360 + 0,3 (1050 – 840) = 423 kNcm

Figura 3.13 – Representação em planta das reações e


momentos finais das lajes – Regime Elástico (R – kN/m e M – kNcm)

3.56
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Na figura 3.13 estão representadas as reações de apoio com os seus valores por
metro e a sua localização em planta. Os valores dos momentos finais compensados,
tanto os negativos quanto os positivos, estão também indicados em planta.

DIMENSIONAMENTO

Os momentos finais que aparecem na figura 3.13 foram dimensionados em ordem


decrescente conforme a tabela abaixo. Para os momentos negativos, que são os mai-
ores, o dimensionamento foi obtido considerando-se tanto o aço CA 50, quanto o CA
60. O asterisco entre parênteses (*) indica a opção adotada no detalhamento desses
momentos (a mesma usada para o dimensionamento do momento da laje em balanço
L1).

Dimensionamento à flexão
h = 10 cm, d = 7,5 cm, KL = 0,295, (d/h) = 0,75
Momento
K As,cal (cm2/m) Bitola e espaçamento Aço
kNcm

4,65>(1,58)a Φ 8 c/10 cm CA 50(*)


X=1002 0,137
3,87>(1,50)a Φ 8 c/12,5 cm CA 60

3,84>(1,58)a Φ 8 c/13 cm CA 50(*)


X=840 0,115
3,20>(1,50)a Φ 6,4 c/10 cm CA 60

5,68>(1,58)a Φ 8 c/8 cm CA 50(*)


XBAL=830** 0,164
4,73>(1,50)a Φ 8 c/10 cm CA 60

M=560 0,077 2,11>(1,00)b Φ 6 c/13 cm CA 60

M=423 0,058 1,56>(1,00)b Φ 5 c/12,5 cm CA 60

M=351 0,048 1,29>(1,00)b Φ 5 c/15 cm CA 60

M=333*** 0,046 1,22<(1,50)a Φ 5 c/13 cm CA 60

M=243 0,033 0,88<(1,00)b Φ 5 c/19 cm CA 60

M=187*** 0,026 0,68<(1,50)a Φ 5 c/13 cm CA 60

3.57
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

“a” ρs = ρmin = 0,158% (CA 50), ρs = ρmin = 0,150% (CA 60) (Tab. 2.7)
“b” ρs = 0,67 ρmin = 0,106% (CA 50), ρs = 0,67 ρmin = 0,100% (CA 60)
(*) indica a opção final adotada no detalhamento (só negativos, no caso)
(**) o coeficiente de majoração no balanço p/ h = 10 cm é n f = 2,03 (Tab. 3.4)
(***) momento positivo em lajes armadas em uma direção

A medida que o momento diminui a armadura calculada pode ser inferior à armadura
mínima dada por As,min = ρsAc, conforme equação (3.35) e tabela 3.5.

A letra (a) significa a taxa mínima para momentos negativos em geral ou positivos em
lajes armadas em uma direção, onde ρs ≥ ρmin = 0,158% para aço CA 50 e ρs ≥ ρmin =
0,150% para aço CA 60 (tabela 2.7 para fck = 30 MPa e d’/h = 0,75). Daí resulta As,min(CA
50) = 0,158%x100x10 = 1,58 cm2/m e As,min(CA 60) = 0,150%x100x10 = 1,50 cm2/m.

Analogamente a letra (b) significa a taxa mínima para momentos positivos em lajes
armadas em duas direções, onde ρs ≥ 0,67 ρmin = 0,67x0,158% = 0,106% para aço CA
50 e ρs ≥ 0,67 ρmin = 0,67x0,150% = 0,100% para aço CA 60. Daí resulta As,min(CA 50) =
0,106%x100x10 = 1,06 cm2/m e As,min(CA 60) = 0,100%x100x10 = 1,00 cm2/m. Na coluna
correspondente à armadura calculada, a opção correta para As,cal está em negrito.

DETALHAMENTO

A figura 3.14 apresenta o detalhamento das armaduras positivas e negativas das lajes
calculadas no regime elástico. As armaduras positivas (face inferior da laje) estão in-
dicadas em linha contínua e as negativas (face superior da laje) em linha tracejada.

ARMADURAS POSITIVAS

O espaçamento máximo das barras tem que ser menor que 2h ou 20 cm na região
dos maiores momentos, valor atendido em todo o dimensionamento. Essas barras
deverão ser levadas até os apoios, de acordo o item 20.1 da NBR 6118:2014, não

3.58
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___________________________________________________________________________

sendo possível o escalonamento das mesmas. Ainda de acordo esse item as barras
deverão ser prolongadas no mínimo 4 cm além dos eixos teóricos dos apoios.

Figura 3.14 – Detalhamento das armaduras positivas e negativas


Regime Elástico

Assim a posição N1 da figura 3.14 deve ter o seguinte comprimento mínimo:

N1,min = teórico + 4 + 4 = (200 + 10 + 10) + 8 = 228 cm < adotado = 235 cm

Adotou-se o valor 235 cm, maior que o mínimo necessário de 228 cm, obtido da se-
guinte forma:

3.59
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

adotado = 0 + e1 + e2 – 2 x 2,5* = (200 + 20 + 20) - 5 = 235 cm


(*) maior que o cobrimento mínimo cmin = 2 cm

Dessa forma foram obtidos todos os outros comprimentos das barras positivas.

ARMADURAS NEGATIVAS

As barras negativas deverão, no mínimo, ser prolongadas para cada lado dos eixos
dos apoios um quarto (0,25) do maior dos menores lados (vãos) das lajes contíguas
que se engastam. Nas extremidades, para garantir a perfeita ancoragem, as barras
deverão ser dobradas com um comprimento igual a (h – 2c = 10 – 2 x 2 = 6 cm).
Quando a laje for em balanço, a armadura negativa deve ter o comprimento no mínimo
igual a duas vezes o vão do balanço.

Assim as barras negativas da posição N9, entre L3 (a = 400 cm, b = 457,5 cm) e L4
(a = 500 e b = 580), devem se prolongar no mínimo (0,25x500) = 125 cm para cada
lado do eixo da viga V2. Dessa forma, o comprimento do trecho reto de N9 é de (125x2)
= 250 cm e das duas dobras extremas é de 6 cm, resultando o comprimento final de
C = 262 cm. A posição N7 tem o comprimento reto no mínimo igual a duas vezes o
vão do balanço (2x110) = 220 cm. Com as duas dobras de 6 cm resulta o comprimento
final C=232 cm.

A posição N8 resultou da superposição de N7 com o negativo entre as lajes L2 e L3


( 8 c/13), mantido naturalmente o espaçamento de 8 cm, que é o da laje em balanço.
Assim como N9, a posição N8 deve prolongar 125 cm além do eixo da V5, ficando o
comprimento reto igual a (100 + 20 + 200 + 10 + 125) = 455 cm.

As posições N10 e N11 são armaduras negativas de bordas sem continuidade, con-
forme tabela 3.5, cujo valor mínimo vale As,min(CA 60) = 0,67 ρmin Ac = 0,10%x100x10 =
1,00 cm2/m. Para combater essa armadura mínima negativa adotou-se  5 mm c/19
cm, embora seja comum usar bitola com diâmetro maior para armadura negativa, por

3.60
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

ser mais rígida e deformar menos na montagem, garantindo mais facilmente que a
armadura permaneça na face superior da laje.

A quantidade de barras (positivas ou negativas), em um determinado trecho é obtida


dividindo-se o comprimento livre do trecho pelo espaçamento calculado das barras,
adotando-se o número inteiro imediatamente superior dessa divisão.

LISTA DE FERROS

A lista de ferros mostrada na primeira tabela abaixo apresenta em ordem numérica


todas as posições do desenho de armação com suas bitolas, quantidades e compri-
mentos individuais. A segunda tabela é o resumo da armadura usada no detalhamento
da laje, contendo o tipo de aço, a bitola, o comprimento total de cada bitola e o peso
de cada tipo de aço. Tanto no detalhamento quanto na lista não estão apresentados
os ferros de montagem e amarração das armaduras.

LISTA DE FERROS – REGIME ELÁSTICO


(*) CA 50
Posição  Quantidade Comprimento (cm)
N1 5 68 235
N2 5 10 915
N3 5 20 470
N4 5 30 415
N5 5 39 595
N6 6 44 515
N7 8* 53 232
N8 8* 63 467
N9 8* 44 262
N10 5 66 92
N11 5 56 107

3.61
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

RESUMO AÇO CA 50
 Comprimento (m) Peso (kg)
8 533 211
TOTAL 211
RESUMO AÇO CA 60
 Comprimento (m) Peso (kg)
5 823 127
6 227 51
TOTAL 178

O peso total das armaduras é de 389 kg para um volume de laje igual a 8,1 m3 dando
um consumo de aço (387 / 8,1) = 48 kg/m3.

REGIME RÍGIDO-PLÁSTICO

Quando se usa o regime rígido-plástico o valor limite para a profundidade relativa da


LN para fck ≤ 50 MPa é (x/d)L = 0,25, resultando conforme a equação (3.8a) o valor
KL = 0,180. Esse valor limite supera o máximo valor de K = 0,164, calculado para XL1.
Caso o valor de K fosse maior que KL, o recurso seria aumentar a altura da laje, uma
vez que não se usa armadura dupla em lajes.

A laje em balanço L1 apresenta os mesmos valores calculados para o regime elástico,


tanto para reação de apoio quanto para o momento.

A laje L2 no trecho apoiado-apoiado têm as mesmas reação e momento que a laje no


regime elástico, já no trecho apoiado-engastado as reações e os momentos são dados
por:

RA = 0,387 pa = 0,387x5,50x2,20 = 4,68 kN/m

RE = 0,613 pa = 0,613x5,50x2,20 = 7,42 kN/m

3.62
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

M = pa2 / 13,33 = 5,50x2,202 / 13,33 = 2,00 kNm

X = 1,5 M = 1,5x2,00 = 3,00 kNm

A laje L3 apresenta as mesmas reações de apoio (tabela 3.8) sendo os momentos


obtidos a partir dos coeficientes da tabela 3.9, para relação (b/a) = 1,14 ≈1,15.

ma = 22,1 mb = 48,8 Ma = 88 / 22,1 = 3,98 kNm = 398 kNcm

pa2 = 5,5x42 = 88 Mb = 88 / 48,8 = 1,80 kNm = 180 kNcm

Xa = 1,5 Ma = 1,5x398 = 597 kNcm Xb = 0

A laje L4 apresenta as mesmas reações de apoio sendo os momentos obtidos a partir


dos coeficientes da tabela 3.9, para relação (b/a) = 1,16 ≈1,15.

ma = 31,0 mb = 41,0 Ma = 137,5 / 31,0 = 4,44 kNm = 444 kNcm

pa2 = 5,5x52 = 137,5 Mb = 137,5 / 41,0 = 3,35 kNm = 335 kNcm

Xa = 1,5 Ma = 1,5x444 = 666 kNcm Xb = 1,5 Mb = 1,5x335 = 503 kNcm

As reações e os valores finais dos momentos para o regime rígido-plástico estão apre-
sentados em planta na figura 3.15 lembrando-se que nesse regime, por simplicidade,
não se faz compensação de momentos, adotando-se o maior negativo entre as lajes.

3.63
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Figura 3.15 – Representação em planta das reações e momentos finais das


lajes – Regime Rígido-plástico (R – kN/m e M – kNcm)

DIMENSIONAMENTO

Dimensionamento à flexão
h=10 cm d=7,5 cm KL=0,180 (Rígido-plástico)
Momento
K As,cal (cm2/m) Bitola e espaçamento Aço
kNcm
XBAL=830* 0,164 5,68>(1,58)a Φ 8 c/8 cm CA 50

X=666 0,091 3,00>(1,58)a Φ 8 c/16 cm CA 50

X=503 0,069 2,24>(1,58)a Φ 8 c/20** cm CA 50

M=444 0,061 1,64>(1,00)b Φ 5 c/11 cm CA 60

M=398 0,054 1,47>(1,00)b Φ 5 c/13 cm CA 60

3.64
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
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M=335 0,046 1,23>(1,00)b Φ 5 c/15 cm CA 60

M=333*** 0,046 1,22< (1,50)a Φ 5 c/13 cm CA 60

M=200*** 0,027 0,73 <(1,50)a Φ 5 c/13 cm CA 60

M=180 0,025 0,65 <(1,00)b Φ 5 c/19 cm CA 60


“a” ρs = ρmin = 0,158% (CA 50), ρs = ρmin = 0,150% (CA 60) (Tab. 2.7)
“b” ρs = 0,67 ρmin = 0,106% (CA 50), ρs = 0,67 ρmin = 0,100% (CA 60)
(*) o coeficiente de majoração no balanço p/ h = 10 cm é n f = 2,03 (Tab. 3.4)
(**) o espaçamento para As,cal´´e de 22 cm > smax = 20 cm
(***) momento positivo em lajes armadas em uma direção

DETALHAMENTO

Figura 3.16 – Detalhamento das armaduras – Regime Rígido-plástico

3.65
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
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LISTA DE FERROS

LISTA DE FERROS – REGIME RÍGIDO-PLÁSTICO


(*) CA 50

Posição Φ Quantidade Comprimento (cm)


N1 5 68 235
N2 5 10 915
N3 5 20 470
N4 5 34 415
N5 5 32 595
N6 5 51 515
N7 8* 53 232
N8 8* 63 467
N9 8* 28 262
N10 5 66 92
N11 5 56 107

RESUMO AÇO CA 50
Φ Comprimento (m) Peso (kg)
8 491 194
TOTAL 194
RESUMO AÇO CA 60
Φ Comprimento (m) Peso (kg)
5 1061 164
TOTAL 358

O peso total das armaduras é de 358 kg para um volume de laje igual a 8,1 m3 dando
um consumo de aço (358 / 8,1) = 44 kg/m3.

Nesse exemplo simples nota-se a mesma tendência de redução no consumo de aço

3.66
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

(de 48 kg/m3 para 44 kg/m3) em lajes de edifícios residenciais, quando calculadas no


regime rígido-plástico. A redução foi menor que 10% nesse exemplo porque as posi-
ções N7 e N8, que representam aproximadamente 80% do total da armadura negativa,
não sofreu alteração nos dois casos. A maior diferença encontrada nas armaduras
nos dois regimes de cálculo é justamente na armadura negativa, que em condições
normais leva essa redução para valores entre 10% e 15%.

3.9.2 – Exemplo 2

Calcular a flecha final para uma laje quadrada simplesmente apoiada em todas as
bordas, destinada a um edifício comercial com sobrecarga de 4 kN/m2.

DADOS: fck = 20 MPa (fc = 1,214 kN/cm2) Aço CA 50


Vão a = b = 6 m h = 10 cm d = 7,0 cm Regime elástico
Revestimento 1 kN/m2 brita calcaria

pp = 0,10x25 = 2,5 kN/m2 rev = 1,0 kN/m2 g = 3,5 kN/m2


sobrecarga q = 4 kN/m2 p=g+q p = 7,5 kN/m2

Tabela 3.11 com (b/a) = 1 ma = mb = 23,6


Ma = Mb = pa2/ma = 7,5x62 / 23,6 = 11,44 kNm

K = 0,269 < KL = 0,295 (regime elástico) K’ = K = 0,269 As,cal = 6,27 cm2/m

Adotando-se 10 c/12,5 cm As,e = 6,28 cm2/m

Msev = Ma = (g + 2q) a2 / ma = (3,5 + 0,4x4) x 62 / 23,6 = 7,78 kNm = 778 kNcm


(2 = 0,4 para edifício comercial, tabela 1.7)

Mr = 0,75 h2 (fck)2/3 = 0,75x102x(20)2/3 = 553 kNcm < Mserv Estádio II

i = 0,8 + 0,2 (fck / 80) = 0,8 + 0,2x(20/80) = 0,85 ≤ 1,0 equação (1.6b)

3.67
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

e = 0,9 concreto com brita calcaria


Eci = αe 5600 (fck)1/2 = 0,9x5600(20)1/2 = 22540 MPa = 2,25 x 107 kN/m2 eq. (1.5a)

Ecs = i Eci = 0,85x2,25x107 = 1,91x107 kN/m2

n = (Es / Ecs) = (21x 07 / 1,91x107) = 10,98

nA s 10,98x6,28 2ndAs 2x10,98x7x6,28


A   0,690 B   9,654
100 100 100 100

xII  A  A 2  B  0,690  0,6902  9,654  2,493cm

100xII3 100x2,4933
 nA s d  xII    10,98x6,28x7  2,493  1917cm4
2 2
I II 
3 3

100h3 100x103
Ic    8333cm4
12 12
 M 3   M 3    553 3   553 3 
 r
Ieq    Ic  1   r   III     x8333  1     x1917  4221cm
4

 Ma    Ma     778 
   778  

12Ieq 12x4221
heq  3 3  7,97cm  8cm
100 100

p∞ = 2,46 (g + 0,4q) = 2,46g + 0,984x4 = 12,55 kN/m2

Tabela 3.10 com (b/a) = 1 f1 = 0,048

p a 4 12,55x64 600
f  f1 3
 0,048 7 3
 0,08m  8cm  fadm   2,4cm
Ecsheq 1,90x10 x0,08 250

3.68
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Lajes
___________________________________________________________________________

Como a flecha final total (flecha imediata mais flecha diferida) deu bem maior que a
flecha admissível, o mais efetivo é aumentar a espessura da laje. A partir da relação
(f∞ / fadm) = 3,33, a nova altura (de maneira simplificada) para atender ao ELS-DEF
deve ser hnova = (3,33)(1/3)x10 ≈ 15 cm. Será adotada, no entanto, uma nova altura igual
a 12 cm.

p = 0,12x25 + 1 + 4 = 3 + 1 + 4 = 4 + 4 = 8 kN/m2
pserv = 4 + 0,4x4 = 5,6 kN/m2
p∞ = 2,46x 4 + 0,984x4 = 13,78 kN/m2

M = 8x62 / 23,6 = 12,20 kNm = 1220 kNcm


Mserv = Ma = 5,6x62 / 23,6 = 8,54 kNm = 854 kNcm
Mr = 0,75x122x (20)2/3 = 796 kNcm < Mserv Estádio II

M = 1220 kNcm K = 0,174 < KL As,cal = 4,83 cm2/m (CA 50)


 10 c/16 cm As,e = 5,50 cm2/m
A = 0,604 B = 10,870 xII = 2,783 cm III = 3053 cm4 Ieq =12242 cm4
Ic = 14400 cm4 heq = 11,37 cm f∞ = 0,031 m = 3,05 cm > fadm = 2,4 cm

Como a flecha ainda não foi atendida, pode-se adotar nesse caso uma contra-flecha de pelo
menos (3,05 – 2,40 = 0,65 cm) que é menor que a contra-flecha máxima permitida pela

NBR 6118:2014 (cfmax) = / 350 = 1,71 cm. Adotando-se por exemplo uma contra-
flecha de 1 cm, a flecha final fica:

ffinal = 3,05 – 1 = 2,05 cm < fadm = 2,4 cm OK!

3.69
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 4

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

CONTROLE DA FISSURAÇÃO
____________________________________________________________________________

4.1 – Introdução

Segundo o item 13.4.1 da NBR 6118:2014 a fissuração é um fenômeno inevi-


tável no concreto armado (não protendido), devido à sua baixa resistência à tração,
normalmente desprezada no projeto. Durante muito tempo a fissuração foi conside-
rada uma desvantagem do concreto armado e responsável por uma parcela impor-
tante na corrosão das armaduras. Os estudos mais recentes atribuem à pequena es-
pessura e à qualidade do concreto de cobrimento das armaduras, as parcelas mais
importantes para a corrosão das armaduras, ficando a fissuração responsável por uma
corrosão mais localizada.

A baixa resistência à tração do concreto faz com que as estruturas de concreto


armado funcionem fissuradas já para baixos níveis de carregamento, reduzindo con-
sideravelmente a rigidez da estrutura (estádio II). A partir do início da fissuração, a
distribuição interna das tensões é bastante modificada e o concreto armado passa a
apresentar comportamento não-linear mais acentuado.

A abertura das fissuras deve ser controlada adequadamente, visando um me-


lhor desempenho na proteção das armaduras contra a corrosão e uma aceitabilidade
sensorial dos usuários. Esse controle depende da classe de agressividade ambiental
mostrado na tabela 4.1, respeitando os valores limites das fissuras da tabela 4.2.
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

Tabela 4.1 – Classes de agressividade ambiental (Tab. 6.1 da NBR 6118:2014)

Classe de
Risco de deteri-
agressivi- Agressivi- Classificação geral do tipo de
oração da es-
dade ambi- dade ambiente para efeito de projeto
trutura
ental
Rural
I Fraca Insignificante
Submersa
II Moderada Urbanaa,b Pequeno
Marinhaa
III Forte Grande
Industriala,b
Industriala,c
IV Muito forte Elevado
Respingos de maré

(a) Pode-se admitir um microclima com uma classe de agressividade mais branda (uma
classe acima) para ambientes internos secos (salas, dormitórios, banheiros, cozinhas e
áreas de serviço de apartamentos residenciais e conjuntos comerciais ou ambientes com
concreto revestido com argamassa e pintura).
(b) Pode-se admitir uma classe de agressividade mais branda (uma classe acima) em obras
em regiões de clima seco, com umidade média relativa do ar menor ou igual a 65%,
partes da estrutura protegidas de chuva em ambientes predominantemente secos ou
regiões onde raramente chove.
(c) Ambientes quimicamente agressivos, tanques industriais, galvanoplastia, branquea-
mento em indústrias de celulose e papel, armazéns de fertilizantes, indústrias químicas.

4.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

Tabela 4.2 – Exigências de durabilidade relacionadas à fissuração e à proteção


da armadura passiva, em função das classes de agressividade ambiental.
(Adaptada da tabela 13.4 da NBR 6118:2014)

Tipo de concreto Classe de agressivi- Exigências relativas Combinações de


estrutural dade ambiental à fissuração ações em serviço
(CAA) a utilizar
Concreto simples CAA I a CAA IV Não há -
ELS-W
CAA I
wk,lim≤ 0,4 mm
ELS-W
Concreto armado CAA II a CAA III Frequente
wk,lim≤ 0,3 mm
ELS-W
CAA IV
wk,lim≤ 0,2 mm

Ainda de acordo o item 13.4.1 da NBR 6118:2014:

“ De uma maneira geral, a presença de fissuras com aberturas que respeitem os


limites dados em 13.4.2,” (tabela 4.2) “em estruturas bem projetadas, construídas e
submetidas às cargas previstas na normalização, não implicam em perda de durabili-
dade ou perda de segurança quanto aos estados limites últimos.”
“As fissuras podem ainda ocorrer por outras causas, como retração plástica
térmica ou devido a reações químicas internas do concreto nas primeiras idades, de-
vendo ser evitadas ou limitadas por cuidados tecnológicos, especialmente na defini-
ção do traço e na cura do concreto”.

Segundo Tepedino (1980) “as aberturas máximas das fissuras, que se pode
admitir sem detrimento à aparência de uma peça e sem acarretar sentimentos de
alarma, depende da posição, profundidade, textura superficial e condições de ilumi-
nação das mesmas. Fatores tais como o tipo e a finalidade da estrutura, bem como o

4.3
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___________________________________________________________________________

próprio ponto de vista dos usuários e seu condicionamento psicológico face ao pro-
blema, influem decisivamente na fixação de limites de aceitabilidade das fissuras, sob
o aspecto estético. A máxima abertura que em quaisquer condições jamais causaria
impacto psicológico está provavelmente compreendida entre 0,1 mm a 0,3 mm” (va-
lores 0,2 mm a 0,4 mm atualizados na NBR 6118:2014).

Segundo o item 13.4.2 da NBR-6118:2014, desde que a abertura máxima ca-


racterística wk,lim das fissuras não exceda valores da ordem de 0,2 mm a 0,4 mm,
conforme a tabela 4.2, sob ação das combinações frequentes, isso não contribui sig-
nificativamente na corrosão das armaduras passivas.

Embora as estimativas de abertura de fissuras, feitas a seguir, devam respeitar


os limites da tabela 4.2, não se deve esperar que as aberturas reais correspondam
aos valores estimados, ou seja, fissuras reais podem ultrapassar eventualmente esses
limites (item 13.4.2 da NBR 6118:2014). De uma maneira geral costumam-se aceitar
valores estimados até 20% superiores aos limites normalizados.

A estanqueidade é um dos aspectos mais importantes nos projetos de reserva-


tórios. Ela pode ser bastante prejudicada por fissuras maiores que os limites aceitá-
veis, em torno de 0,2 mm. Essa situação se agrava porque a percolação de água
acelera a corrosão da armadura. Nesse caso pode-se até adotar o estado limite de
formação de fissuras, que acarretaria paredes com espessuras maiores. Segundo o
item 13.4.3 da NBR 6118:2014 para controle mais efetivo da fissuração nessas estru-
turas é conveniente o uso da protensão.

Segundo a NBR-6118:2014, entende-se controle da fissuração quanto à acei-


tabilidade sensorial, a situação em que as fissuras passam a causar desconforto psi-
cológico aos usuários sem, entretanto comprometer a segurança da estrutura. Limites
mais severos de abertura de fissuras podem ser adotados, de comum acordo com o
contratante.

4.4
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___________________________________________________________________________

4.2 – Tipos de fissuras

As fissuras podem ser classificadas em dois grupos conforme elas sejam ou


não produzidas pela ação de cargas:

4.2.1 – Fissuras não produzidas por cargas


 Fissuras devidas ao abatimento do concreto ainda plástico.
 Fissuras devidas a alterações volumétricas (retração e efeitos térmi-
cos), desde que a peça esteja restrita.
 Fissuras devidas à corrosão das armaduras.

4.2.2 – Fissuras produzidas por cargas

A figura 4,1 mostra uma barra genérica submetida à esforços e as as corres-


pondentes fissuras produzidas pelos mesmos.

Figura 4.1 – Fissuras produzidas por cargas

4.5
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___________________________________________________________________________

4.3 – Estado limite de abertura das fissuras (ELS-W)

4.3.1 - Controle da fissuração através da limitação da abertura estimada das fis-


suras

O item 17.3.3 da NBR-6118:2014 estabelece as condições necessárias para a


verificação dos valores limites para abertura das fissuras (tabela 4.2) nos elementos
estruturais lineares, analisados isoladamente e submetidos à combinação de ações
conforme o item 11, dessa mesma norma.

O valor final da abertura das fissuras pode sofrer a influência de fatores de difícil
determinação, como por exemplo, as restrições às variações volumétricas e também
as condições de execução da estrutura. Por essas razões os critérios definidos a se-
guir, devem ser encarados como uma avaliação aceitável para o comportamento geral
do elemento estrutural, mas não garantem com precisão a abertura específica de uma
fissura.

Para cada elemento isolado ou grupo de elementos da armadura passiva que


controlam a fissuração do elemento estrutural, deve ser considerada uma área Acr do
concreto de envolvimento, formada por um retângulo cujos lados não distam mais que
7,5 do eixo do elemento da armadura, conforme mostrado na figura 4.2.

O valor estimado da abertura característica da fissura k, determinada para


cada parte da área de envolvimento, é a menor entre as obtidas pelas expressões
abaixo:

i σ si 3σ si
k  (4.1)
12,5η1 Esi fctm

i σ si  4 
k    45  (4.2)
12,5η1 Esi  ρri 
Onde:

4.6
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___________________________________________________________________________

 i, si, Esi, ri são definidos para cada área de envolvimento em exame;
 Acri é a área da região de envolvimento protegida pela barra i;
 Esi é o módulo de elasticidade do aço da barra considerada;
 ri é a taxa de armadura passiva em relação à área da região de
envolvimento Acri (ri = Asi / Acri);
 si é a tensão de tração no centro de gravidade da armadura consi-
derada, calculada no estádio II;
 1 é o coeficiente de aderência da armadura considerada;
(1,CA 25 = 1,0 - 1,CA 50 = 2,25 - 1,CA 60 = 1,40) – tab. 1.5
 fctm é o valor da resistência média ou característica do concreto à
tração dada nas equações (1.12).

Figura 4.2 – Concreto de envolvimento da armadura

4.3.1.1 – Cálculo da tensão si de forma aproximada

A tensão si, conforme a NBR 6118:2014, deve ser calculada no estádio II, ou
seja, seção fissurada (ver item 4.3.1.2). Uma maneira de se obter de forma simples e
aproximada essa tensão é, segundo Tepedino (1980), dada por:
4.7
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___________________________________________________________________________

f yd As,cal
σsi,aprox  (4.3)
 f,real Ase
Onde:

 fyd é a tensão de cálculo ao escoamento da armadura;


 f,real é o coeficiente de ponderação aproximado das ações;
 As,cal é a armadura (total) de tração calculada para a seção transversal;
 Ase é a armadura (total) de tração efetivamente colocada ou existente.

Em (4.3) a armadura calculada foi obtida para o aço trabalhando com a tensão
fyd e a solicitação (momento) majorada com o coeficientef. Normalmente o coefici-
ente f é igual a 1,4. A solicitação de cálculo resulta Sd =f Sk = 1,4 Sk = 1,4 (Sgk +
Sqk). A solicitação de serviço é dada por Sserv = Sgk + 1Sqk < Sk, conforme as tabelas
1.8 e 1.9. A solicitação de cálculo pode ser dada por Sd = f,real Sserv, em que o valor
de (f,real = Sd / Sserv) é sempre maior que o def.

As parcelas, permanente (Sgk) e acidental (Sgk) da solicitação (Sk), devem ser


previamente conhecidas, caso contrário, as mesmas podem ser estimadas a partir de
percentuais usuais médios, como por exemplo: (Sgk = 70% Sk) e (Sqk = 30% Sk). Con-
siderando esses valores, a combinação frequente (combinação normalizada para
ELS-W) e edifício residencial, onde o valor 1 = 0,4, o coeficiente (f,aprox) fica:

Sd 1,4(Sgk  Sqk )  1,4Sk 1,4Sk


 f,aprox     1,7 (4.4)
Sserv S gk  0,4Sqk  0,7Sk  0,4  0,3Sk 0,82Sk

No cálculo da abertura estimada das fissuras, deve-se adotar o menor valor


entre as equações (4.1) e (4.2). Nas duas equações aparece a tensão si, que nesse
item é calculada de forma aproximada. Apenas na equação (4.2) aparece a taxa ri =
Asi / Acri, que é obtida individualmente para cada área de envolvimento Acri com sua
armadura Asi. No entanto, no cálculo aproximado da tensão si, equação (4.3), é

4.8
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___________________________________________________________________________

usada a área total de aço Ase (somatório das áreas das barras isoladas Asi). Conside-
rando que Acr é o somatório das áreas de envolvimento Acri, pode-se de forma apro-
ximada ter:

Acr =  Acri (4.5)

Ase A
ρr   ρri  si (4.6)
Acr Acri

Analogamente

A s,cal
ρ r,cal  (4.7)
A cr

Como consequência a equação (4.3) pode ser reescrita:

f yd ρr,cal
σsi  (4.8)
γ f,real ρr

Levando-se a equação (4.8) nas expressões das aberturas estimadas k das


fissuras, equações (4.1) e (4.2), e substituindo k por k,lim (aberturas limites das fis-
suras da tabela 4.2), obtém-se duas novas equações onde a única incógnita será a
relação (rcal / r), ou inversamente (r /rcal) = (Ase /As,cal).

Para calcular a abertura estimada das fissuras adota-se o menor valor de k,
dado nas equações (4.1) ou (4.2). Da mesma forma, para atender a fissuração com a
valor limite k,lim, adota-se a menor relação (Ase /As,cal), dado nas equações (4.13) ou
(4.16) a seguir, lembrando-se que em nenhuma hipótese essa relação poderá ser me-
nor que um, como visto a seguir. Não se pode adotar uma relação menor que um
porque isso significaria usar uma armadura inferior àquela calculada à flexão, que
atende aos requisitos do estado limite último. Do exposto vem:

4.9
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___________________________________________________________________________

 f yd  ρr,cal   f yd ρr,cal 
   
   3  

i  f,real  r   f,real r 
  ρ
k,lim  (4.9)
12,51 Esi fctm

 f yd   ρr,cal 
  

i   f,real   ρr   4 
k,lim    45  (4.10)
12,5η1 Esi  ρr 

Reescrevendo-se a equação (4.9) para (r /r,cal) = (Ase /As,cal) e fazendo-se


conforme Tepedino (1980):

if yd
a  (4.11)
12,5η1 f,realEsik,lim

tem-se:

2
3af yd  A s,cal 
1   (4.12)
 f,realfctm  A se 

Portanto, pela primeira das equações de wk, equação (4.1), a relação entre as
áreas efetivamente colocada ou existente Ase e a calculada As,cal fica:

Ase 3af yd
 1 (4.13)
As,cal  f,realfctm

Analogamente reescrevendo-se a equação 4.10 em função de aw, obtém-se:

ρr,cal  4  ρ
1  a   45   a r,cal 4  45ρr  (4.14)
ρr  ρr  ρr 2

4.10
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___________________________________________________________________________

Resolvendo-se a equação acima do segundo grau em r, obtém-se o valor pos-


sível para r:

ρr  22,5aρr,cal  22,5aρr,cal 2  4aρr,cal (4.15)

ou

ρr

Ase
 22,5a  22,5a 2  4a
1 (4.16)
ρr,cal As,cal ρr,cal

Para atender a fissuração deve-se adotar a menor relação obtida nas equações
(4.13) e (4.16). Caso uma delas inicialmente resulte em um número menor que 1,
significa que a armadura já calculada à flexão As,cal, atende à fissuração e portanto,
Ase = As,cal, não precisando verificar a outra relação.

Particularizando-se a verificação da fissuração para aço CA 50, o valor de a


dado na equação (4.11) fica:

i
a  7,361 105 (4.17)
 f,realk

As equações (4.13) e (4.16) representam a verificação da fissuração quando


se usa de forma aproximada a tensão σsi. Caso essa tensão seja calculada com o
coeficiente f = 1,4, menor que f,real, a verificação ao ELS-W fica a favor da segurança.

4.3.1.2 – Cálculo da tensão si no Estádio II

A tensão de serviço si foi calculada no item anterior com o valor aproximado
dado pela equação (4.3). Essa tensão será calculada agora, como recomenda a NBR-
6118:2014, ou seja, no estádio II. Para isto seja a figura 4.3, onde uma seção trans-
versal está apresentada com sua armadura de compressão A’s e de tração As, assim

4.11
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___________________________________________________________________________

como a profundidade da linha neutra no estádio II, xII. O diagrama de tensões de com-
pressão no concreto é linear (linha cheia) e na tração as tensões são desprezadas
(linha tracejada).

Figura 4.3 – Seção retangular genérica para cálculo de xII

Inicialmente deve-se homogeneizar a seção, isto é, transformá-la em um único


material, normalmente no material com menor módulo de elasticidade, no caso o con-
creto, usando a seguinte relação entre os módulos:

Es
n (4.18)
Ecs

Em seguida obtém-se a profundidade da linha neutra xII, que passa pelo centro
geométrico da seção homogeneizada, igualando-se por definição do CG, o momento
estático das áreas acima da LN (bxII e nA’s) com o da área abaixo (nAs).

bX II  X II  A' s X II  d'  nA' s X II  d'  nA s d  X II  (4.19)


2

O primeiro termo de (4.19) refere-se ao momento estático da área bXII (que


contempla a área A’s) em relação à linha neutra. O segundo termo de (4.19) retira do
primeiro, exatamente o momento estático da área A’s, ocupada pela armadura de

4.12
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___________________________________________________________________________

compressão. Essa área transformada numa área equivalente em concreto resulta em


(n A’s), cujo momento estático em relação a LN é igual ao terceiro termo de (4.19).

Agrupando-se o segundo e terceiro termo de (4.19) obtém-se:

(n – 1) A’s (XII – d’) = n’ A’s (XII – d’) com n’ = (n – 1) (4.20)

Levando-se (4.20) em (4.19) obtém-se a seguinte equação do segundo grau


em XII:
2
bX II
 nA s  n' A' s X II  nA s d  n' A' s d'  0 (4.21)
2

Que depois de resolvida fornece a profundidade da LN no estádio II:

XII   A  A 2  B (4.22a)
Com
nA s  n' A's 
A (4.22b)
b

2nA s d  n' A' s d'


B (4.22c)
b

O momento resistente interno das resultantes de compressão no concreto (Rcc


– A’s σ'c ), da armadura comprimida R’s = A’s σ's , e da armadura de tração Rst = As σ s

, em relação à LN é dado por:

bX II2
M LN  σ c  A's σ'c XII d'  A's σ's XII  d'  Asσ s d  XII  (4.23)
3

Por semelhança de triângulos no diagrama de tensões da figura 4.3, as tensões


de compressão e de tração nas armaduras são obtidas em função da tensão máxima
de compressão no concreto σc, resultando:

4.13
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

σ' σs
σ'c  s
σc n  n
 (4.24a)
X II X II  d' d  X II

σ'c 
X II  d' σ (4.24b)
c
X II

nX II  d'
σ's  σc (4.24c)
X II

nd  X II 
σs  σc (4.24d)
X II

Levando-se esses valores na equação (4.23) obtém-se:

 bX 2 A' X d'2 nA' s X II d'2 nA s d  X II 2  I


M LN   II  s II   σ c  II σ c (4.25)
 3 X II X II X II  X II

De onde se tira o valor do momento de inércia no estádio II (III)

bX II 3
I II   nA s d  X II   n' A' s X II  d'2 (4.26)
3

Para o concreto a tensão máxima de compressão no estádio II, é dada por:

M LN  M serv
σc  X II (4.27)
I II

As tensões nas armaduras são dadas por:

M LN
σ's  n x II  d' Armadura comprimida (4.28a)
I II

4.14
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___________________________________________________________________________

M LN
σ s  σ si  n d - x II  Armadura tracionada (4.28b)
I II

4.3.2 – Controle da fissuração sem a verificação da abertura das fissuras

De acordo o item 17.3.3.3 da NBR 6118:2014, “Para dispensar a avaliação da


grandeza da abertura de fissuras e atender ao estado limite de fissuração (para aber-
turas máximas esperadas da ordem de 0,3 mm para o concreto armado e 0,2mm para
o concreto com armaduras ativas), um elemento estrutural deve ser dimensionado
respeitando as restrições da tabela 17.2”, (4.4) abaixo, “quanto ao diâmetro máximo
(max) e ao espaçamento máximo (smax) das armaduras passivas, bem como as exi-
gências de cobrimento (Seção 7) e de armadura mínima (ver 17.3.5.2). A tensão s
deve ser determinada no estádio II.”

Tabela 4.4 – Valores máximos de diâmetro e espaçamento, com barras de alta


aderência. – Tab. 17.2 da NBR 6118:2014
Valores máximos
Tensão na
Concreto sem armaduras Concreto com armaduras ati-
barra
ativas vas
s ou Δσpi
max (mm) smax (cm) max (mm) smax (cm)
(MPa)
160 32 30 25 20
200 25 25 16 15
240 20 20 12,5 10
280 16 15 8 5
320 12,5 10 6 -
360 10 5 - -
400 8 - - -

Δσpi é o acréscimo de tensão na armadura protendida aderente entre a total


obtida no estádio II e a protensão após as perdas.

4.15
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___________________________________________________________________________

4.4 – Exemplos

4.4.1 – Exemplo 1

Estimar o valor da abertura de fissura para uma viga de seção retangular 20 X40 cm2,
fck = 20 MPa, aço CA 50, momento fletor solicitante M = 4000 kNcm, obra urbana,
cobrimento c = 2,5 cm, para as seguintes bitolas:
a)  = 16 mm
b)  = 12,5 mm

 FLEXÃO - CÁLCULO E DETALHAMENTO DA SEÇÃO TRANSVERSAL

fck = 20 MPa, fc = 1,214 kN/cm2 d = 36 cm k = 0,178 < KL = 0,295


As,cal = 3,97 cm2 2  16 mm (As,e = 4,02 cm2) 7,5 = 12 cm
4  12,5 mm (As,e = 4,91 cm2) 7,5 = 9,375 cm

Figura 4.4 – Opções de detalhamentos da seção transversal para o exemplo 1

4.16
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___________________________________________________________________________

No detalhamento para 2  16 mm (figura 4.4) o valor correto para a distância d’’ seria
(c + t + 0,5L) = (2,5 + 0,5 + 0,5x1,6) = 3,8 cm, mas foi adotado o valor d’’ = 4* cm,
que implica em d = 36 cm, valor considerado no cálculo da armadura. O valor (7,5  =
12 cm) só pode ser aplicado para cima do eixo das duas barras. Para baixo o valor
disponível é de 4* cm, mesmo valor adotado para as distâncias laterais. Entre os cen-
tros das duas barras resulta 12** cm, ficando para cada barra uma região de envolvi-
mento Acr1 = Acr2 = (10x16 = 160 cm2). Nessa situação ρr1 = ρr2 = Asi / Acri = 2,011 / 160
= 0,0126, mesmo valor para ρr = Ase / Acr = 4,02 / 320 = 0,0126.

Analogamente, no detalhamento para 4  12,5 mm, o valor 4* cm foi adotado tanto


para d’’ quanto para as distâncias laterais. Dessa forma resulta para as barras laterais
Acr1 = Acr4 = (4 + 0,5x4)(13,375) = 80,25 cm2. Para as duas barras centrais Acr2 = Acr3
= (4)(13,375) = 53,5 cm2. Assim ρr1 = ρr4 = 1,227 / 80,25 = 0,0153 e ρr2 = ρr3 = 1,227
/ 53,5 = 0,0229. O valor de ρr = Ase / Acr = 4,91 / 267,5 = 0,0183.

 DETALHAMENTO PARA BITOLA  = 16 mm ( σ si de forma aproximada)

Nesse detalhamento tanto faz calcular as aberturas estimadas das fissuras para cada
barra isoladamente ou para as duas conjuntamente, isso porque ρri = ρr = 0,0126. Será
adotada a tensão de serviço no estádio II de forma aproximada, conforme equação
(4.3), com γf = 1,7 (valor aproximado a ser usado quando não se conhece as parcelas
permanente e acidental do carregamento).

Pela equação (1.13a) para fck = 20 MPa < 50 MPa a resistência média à tração é dada
por: fctm = 0,3 (fck)2/3 = 0,3x(20)2/3 = 2,21 MPa = 0,221 kN / cm2. De (4.3) a tensão de
serviço aproximada fica (para f. = f,aprox. = 1,7):

f yd A s,cal 43,48 3,97


σ si    25,26kN/cm2
γ f A se 1,7 4,02

Pela equação (4.1)

4.17
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i σ si 3σ si 16 25,26 3x25,26
k    0,24mm
12,5η1 Esi fctm 12,5x2,25 21000 0,221

Pela equação (4.2)

i σ si  4  16 25,26  4 
k    45     45   0,25mm
12,5η1 Esi  ρri  12,5x2,25 21000  0,0126 

Como se deve adotar o menor dos valores, a abertura estimada da fissura é de k =


0,24 mm < k,lim = 0,3 mm (tabela 4.2 para CAA II, ambiente urbano). Nesse caso o
estado limite de fissuração foi atendido.

Obs. 1: - Como foi pedido o valor estimado da fissura, calculou-se os dois valores para
k, equações (4.1) e (4.2), e adotou-se o menor. Caso fosse pedido apenas a verifi-
cação do ELS-W (exemplo 2) e como já com a primeira equação (4.1), esse estado
limite de utilização foi atendido, k = 0,24 mm < wk,lim, não é necessário calcular k
pela segunda equação.
Obs. 2: - A equação (4.1) não depende de ρr e, portanto, do detalhamento da seção
transversal. Depende apenas da relação (As,cal / Ase), com a qual se obtém a tensão
σ si de forma aproximada.

 DETALHAMENTO PARA BITOLA  = 12,5 mm ( σ si de forma aproximada)

Nesse detalhamento as áreas de envolvimento Acri das barras laterais e das barras
internas são diferentes, assim como as taxas ρri. Essa diferença afeta apenas o cál-
culo da abertura estimada pela equação (4.2). Para f. = f,aprox. = 1,7, obtém-se:

f yd A s,cal 43,48 3,97


σ si    20,68kN/cm2
γ f A se 1,7 4,91

Pela equação (4.1) para as 4 barras

4.18
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i σ si 3σ si 12,5 20,68 3x20,68


k    0,12mm
12,5η1 Esi fctm 12,5x2,25 21000 0,221

Pela equação (4.2) para as barras laterais, ρr1 = ρr4 = 0,0153

i σ si  4  12,5 20,26  4 
k    45     45   0,13mm
12,5η1 Esi  ρri  12,5x2,25 21000  0,0153 

Pela equação (4.2) para as barras internas, ρr2 = ρr3 = 0,0229

i σ si  4  12,5 20,26  4 
k    45     45   0,09mm
12,5η1 Esi  ρri  12,5x2,25 21000  0,0229 

Entre os dois valores obtidos pela mesma equação (4.2), deve-se adotar, a favor da
segurança ao ELS-W, o que conduz à maior abertura estimada da fissura (wk = 0,13
mm). Esse valor é sempre obtido para a barra com a menor taxa ρri, no caso, as barras
1 e 4 desse detalhamento.

O valor final da abertura estimada da fissura é de wk = 0,12 mm < wk,lim = 0,3 mm.

Esse valor é menor que o apresentado para  = 16 mm por dois motivos:


 primeiro, porque  = 12,5 mm <  = 16 mm e a bitola está no numerador nas
duas equações (4.1) e (4.2);
 segundo, porque a relação (As,cal/Ase)=12,5 = (3,97/4,91) = 0,81 < (As,cal/Ase) =16
= (3,97/4,02) = 0,99, que implica em tensão σ si também menor.

Considerando-se o valor total ρr = (Ase / Acr) = 4,91 / 267,5 = 0,0183, valor intermediário
entre os dois anteriormente usados, resulta pela equação (4.2):

i σ si  4  12,5 20,26  4 
k    45     45   0,11mm
12,5η1 Esi  ρri  12,5x2,25 21000  0,0183 

4.19
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

Analisando-se os três valores de abertura estimada da fissura dados pela equa-


ção (4.2), wk = 0,09 mm (ρr2 = ρr3), wk = 0,13 mm (ρr1 = ρr4) e wk = 0,11 mm (ρr), nota-
se que o menor valor, wk = 0,09 mm, é obtido para o maior valor da taxa ρri = ρr2 = ρr3
= 0,0229. Entre os três, deve ser usado o maior valor, por ser a favor da segurança
ao ELS-W.

Obs. 1: - Como comentado pela NBR 6118:2014, a abertura real pode eventualmente
ser maior que a estimada e devido à grande variação dos fatores envolvidos, até 20%
de diferença pode ser aceitável. Comparando as aberturas estimadas das fissuras
com ρr1 = ρr4 = 0,0153 e com ρr = 0,0183 essa diferença fica em torno de 15%. Com
isso, quando se usa a tensão σ si de forma aproximada, pode-se usar apenas a taxa
da armadura total, ρr = (Ase / Acr).
Obs. 2: - Como nesse exemplo não foram fornecidas as parcelas permanente e aci-
dental do momento M = 4000 kNcm, não é possível conhecer o momento de serviço
Mserv = Mg + 1Mq, a não ser que se calculasse de forma aproximada Mserv = (Mserv /
γf,aprox.). Portanto esse exemplo não será avaliado com a tensão σ si calculada no es-

tádio II (ver exemplo 3).

4.4.2 – Exemplo 2

Com os mesmos dados do exemplo 1, verificar a fissuração para a bitola  = 12,5 mm,
usando-se as fórmulas (4.13) e (4.16).

Como foi visto no exemplo 1, a bitola de 12,5 mm atende à fissuração para uma aber-
tura limite k,lim = 0,3 mm para as duas equações de cálculo da abertura estimada das
fissuras. Portanto ao se fazer a verificação pelas fórmulas (4.13) e (4.16), em ambas,
a relação entre as áreas existente e calculada deve ser menor que 1, embora não se
possa adotar essa relação para atender ao ELU de flexão. As equações (4.13) e (4.16)
foram obtidas para a tensão σ si calculada de forma aproximada.

Para f = f,aprox = 1,7, aço CA 50, com k,lim = 0,3 mm de (4.17) resulta:

4.20
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

i 12,5
a  7,361 105  7,361x105  1,804x103
γ f Wk 1,7x0,3

De (4.13):

A se 3afyd 3x1,804x10-3 x43,48 A


   0,79  1  se  1
A s,cal γ f fctm 1,7x0,221 A s,cal

Como a relação das áreas foi menor que 1, a fissuração é aceitável, não sendo ne-
cessário verificar pela segunda equação. Mesmo assim:

22,5 a = 22,5x1,804x10-3 = 0,0406 ρr,cal = As,cal / Acr,=12,5 = 3,97 / 267,5 = 0,0148

-3
A se
 22,5a  22,5a 2  4a
 0,0406  0,04062  4x1,804x10  0,74  1
A s,cal ρr,cal 0,0148

Como esperado a relação também foi menor que 1, implicando em Ase = As,cal = 3,97
cm2. Portanto, o ELS-W é atendido com a armadura calculada, ou seja, o mesmo
detalhamento da figura 4.4 à direita, resultando a armadura efetivamente colocada Ase
= 4,91 cm2 (4  12,5 mm).

4.4.3 – Exemplo 3

Verificar a fissuração para uma viga biapoiada com 6m de vão, carga total p = 40
kN/m, sendo a carga permanente g = 30 kN/m e a acidental q = 10 kN/m, seção de
20x60 cm2, concreto fck = 35 MPa, aço CA 50, destinada a edifício residencial em obra
urbana. Adotar  = 20 mm (3,142 cm2).

Obra urbana  (CAA II)  k,lim = 0,3 mm Cobrimento  c = 3 cm.

Para o cálculo à flexão, considerando-se uma única camada com barras  = 20 mm,
a altura útil será dada por:

4.21
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___________________________________________________________________________

d = h - c - estribo - (0,5 ) = 60 - 3 - 0,5 - 0,5x2 = 55,5 cm

 CÁLCULO À FLEXÃO

fc = 0,85x3,5 / 1,4 = 2,125 kN / cm2

M = 40x62 / 8 = 30x62 / 8 + 10x62 / 8 = 135 (Mg) + 45 (Mq) = 180 kN.m

18000x1,4
K  0,192  KL  0,295  K'  K  0,192
2,125x20x55,52

As 
2,125x20x55,5
43,5
 
1  1  2x0,192  11,71cm2

A’s = As2 = 0

 Usando-se 4  20 mm  Ase = 12,57 cm2

 CÁLCULO DO VALOR f

Fd Md γ gMgk  γ qMqk 1,4x135  1,4x45 252


γf       1,65
Fserv Mserv Mgk  1Mqk 135  0,4x45 153

Os valores de g = 1,4 e q = 1,4 para combinação última normal no ELU, estão apre-
sentados na tabela 1.6 e o valor de 1 = 0,4, para combinação frequente no ELS, na
tabela 1.7.

De qualquer forma o valor final de Md é sempre 252 kNm, ou seja:

Md = 1,4xMk = f x M,serv = 1,4x180 = 1,65x153 = 252 KN.m

4.22
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

 DETALHAMENTO DA SEÇÃO TRANSVERSAL

bútil = b – 2(c + ) = 20 – 2x(3 + 0,5) = 13 cm


3  20 mm na 1a camada
bútil  ah 13  2
nΦ/cam    3,75
ah  long 22

1  20 mm na 2a camada

Figura 4.5 – Detalhamento da seção transversal para o exemplo 3

A armadura, conforme detalhada na fig. 4.5, mostra que os valores corretos de d’’ =
(3x4,5 + 1x8,5) / 4 = 5,5 cm e d = 60 – 5,5 = 54,5 cm, são diferentes dos adotados,
resultando um novo valor corrigido da armadura As,corr = 11,98 cm2 < Ase = 12,57 cm2
(OK).

 Verificação para si aproximado usando-se as equações (4.13) e (4.16)

Conforme a equação (4.8) a tensão si aproximada é dada por:

4.23
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

fyd A s,cal 43,5 11,85


σ si,aprox    24,85kN/cm2
γ f A s,e 1,65 12,57

Para fck = 35 MPa, f = 1,65, aço CA 50, com k,lim = 0,3 mm e

fctm = 0,3 (fck)2/3 = 0,3x(35)2/3 = 3,21 MPa = 0,321 kN / cm2, tem-se:

i 20
a  7,361 105  7,361x105  2,974x103
γ f k 1,65x0,3

A se 3afyd 3x2,974x10-3 x43,48 A se


   0,86  1  1
A s,cal γ f fctm 1,65x0,321 A s,cal

Portanto a fissuração é aceitável, evitando-se assim a verificação pela segunda equa-


ção. Mesmo assim a verificação será feita, usando-se nesse cálculo simplificado o
valor de ρr,cal = As,cal / Acr = 11,85 / 470 = 0,0252. Com (22,5 a) = 22,5x2,97x10-3 =
0,0668, obtém-se:

-3
A se
 22,5a  22,5a 2  4a
 0,0668  0,06682  4x2,974x10  0,76  1
A s,cal ρr,cal 0,0252

Mesmo se nessa segunda equação a relação fosse maior que 1, o ELS-W já foi aten-
dido na primeira.

 Verificação para si no estádio II

Nesse caso não se usam as equações (4.13) e (4.16). O cálculo da tensão si no
estádio II, depende do detalhamento final da armadura (figura 4.5). Conforme o cálculo
à flexão, A’s = 0, mas para a montagem das barras transversais (estribos), deve-se ter
em cada um dos seus vértices uma barra longitudinal, mesmo quando não exigida
pelo cálculo. Nesse caso as duas barras longitudinais superiores, denominadas “porta

4.24
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

estribos” ou “monta estribos”, foram adotadas com bitola no mínimo igual à dos estri-
bos, ou seja,  ≥ 5 mm (procedimento usual). Usando-se então, 2  5 mm, como “porta
estribos”, o valor de A’se = 2x0,196 = 0,39 cm2.

Para fck ≤ 50 MPa e concreto produzido com brita gnaisse (αe = 1,0) vem:

Eci  αe 5600 fck  1,0x5600 35  33130MPa  3313kN/cm2

fck 35
αi  0,8  0,2  0,8  0,2x  0,89 Ecs  αiEci  0,89x3313  2940kN/cm2
80 80

Com n = 21000 / 2940 = 7,14, n’ = n – 1 = 6,14, As = Ase = 12,57 cm2,


A’s = A’se = 0,39 cm2, d = 54,5 cm, d’ = (3 + 0,5 + 0,5/2) = 3,75 cm.

1
A 7,14x12,57  6,14x0,39  4,61
20
2
B 7,14x12,57x54,5  6,57x0,39x3,75  490,09
20

XII  A  A 2  B  4,61 4,612  490,09  18,00cm

20x18,003
 7,14x12,5754,5  18,00  6,14x0,39(18,00  3,75)2  158935 cm4
2
III 
3

Para Mserv = 153 kNm obtém-se:

σ si  n
Mserv
(d  XII )  7,14x
15300
54,5  18,00  25,09kN/cm2
III 158935

si = 25,09 kN/cm2 ≈ si,aprox = 24,85 kN/cm2

Pela equação (4.1) a abertura estimada da fissura independe da taxa ρri de cada barra
da armadura de flexão, tendo um valor único:

4.25
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Fissuração
___________________________________________________________________________

i σ si 3σ si 20 24,85 3x24,85
k    0,20mm  w k,lim  0,3mm
12,5η1 Esi fctm 12,5x2,25 21000 0,321

Como k < k,lim, o ELS-W foi atendido. Mesmo assim, será feita uma nova verificação
pela equação (4.2). Nessa verificação a barra que tiver a menor taxa ρri terá o maior
valor da abertura estimada da fissura, k. Se todas as barras de flexão têm a mesma
bitola, a que apresenta a menor taxa ρri é aquela que tem a maior área de envolvi-
mento Acri. No detalhamento da figura 4.5 essa barra é a da segunda camada (barra
4), cujo valor de ρri = ρr4 = 0,0207.

i σ si  4  20 25,09  4 
k,4    45     45   0,20mm  w k,lim  0,3 mm
12,5η1 Esi  ρri  12,5x2,25 21000  0,0207 

Apenas como exemplo, seja a barra central 2 da primeira camada, que tem a menor
área de envolvimento, portanto, a maior taxa ρr2 = 0,0879 e consequentemente a me-
nor abertura k,2, dada por:

20 25,09  4 
k,2    45   0,08mm
12,5x2,25 21000  0,0879 

A segurança ao estado limite de fissuração, ELS-W, será tanto maior quanto maior for
a abertura estimada da fissura, portanto, a verificação deve sempre ser feita para a
barra que apresentar a menor taxa ρri, ou seja, a barra 4.

Obs.: - Conforme visto acima, a barra 2 é a que individualmente apresenta a maior


abertura estimada da fissura. Usando a forma simplificada e a taxa geométrica total
de armadura (ρr = 0,0267), como feito no cálculo de σsi aproximado, obtém-se o valor
k = 0,16 mm. Esse valor é menor que k,4 = 0,20 mm, portanto contra a segurança
com uma diferença de 20%, ainda considerada aceitável.

4.26
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 5

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

CISALHAMENTO
____________________________________________________________________________

5.1 – Tensões de cisalhamento

Considere, apenas por simplicidade, uma seção retangular submetida à flexão


simples inicialmente no Estádio I, ou seja, o concreto ainda não fissurado (fig. 5.1).
Conforme as hipóteses da Resistência dos Materiais, o diagrama das tensões de ci-
salhamento (ou tangenciais) e o diagrama das tensões normais estão indicados res-
pectivamente nas fig. 5.1b e fig.5.1c. Na fig. 5.1b,  representa a tensão de cisalha-
mento para pontos distantes y da linha neutra LN, dada por:

VQ  V  b w  h  2 
τ      y 2  (5.1)
b w I  b w I  2  2  

Onde V é a força cortante atuante (solicitante) na seção transversal, Q e I são,


respectivamente, o momento estático da área A1 acima de y e o momento de inércia
da seção, ambos em relação à linha neutra LN.

O valor de  atinge o seu valor máximo 0, quando y = 0, ou seja, na linha neutra,
onde Qmax = Q0 = (bw h2 / 8). Nessas condições, a relação (I / Qo) = (2/3) h = Z,
representa o braço de alavanca entre as resultantes de compressão Rcc e de tração
Rtc no concreto, para o diagrama linear de tensões normais, conforme a fig. 5.1c, po-
dendo a equação (5.1) ser reescrita como:
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

Figura 5.1 – Viga com seção retangular submetida à flexão simples (Estádio I)

VQ 0 V V
τ0    (5.2)
bwI I bwZ
bw
Q0

As equações (5.1) e (5.2) foram obtidas com as hipóteses da Resistência dos


Materiais considerando-se material homogêneo, ou seja, concreto não fissurado,
sendo, portanto, só aplicáveis no Estádio I, situação de ocorrência pouco comum para
peças de concreto armado.

Considerando-se agora o concreto já fissurado, funcionando no Estádio II, as


equações (5.1) e (5.2) serão válidas desde que se despreze a resistência do concreto
tracionado abaixo da LN, considere distribuição linear de tensões de compressão no
concreto e, além disso, que a seção seja homogeneizada. A área da armadura de
tração As se transformará em uma nova área equivalente de concreto igual a (nAs),
com “n” igual a relação entre os módulos de elasticidade do aço e do concreto. Nesse
caso, ainda conforme as hipóteses da Resistência dos Materiais para materiais com-
postos, a determinação da LN, que coincide com a profundidade da área comprimida,
é obtida pela igualdade entre os momentos estáticos dessa área e da área tracionada
(n As) em relação à LN.

5.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

O dimensionamento no estado limite último para flexão simples, Estádio III,


pressupõe diagrama parábola-retângulo (simplificado em retangular) de tensões de
compressão no concreto, produzidas pelo momento fletor de cálculo Md, de modo que
não valem mais as equações (5.1) e (5.2), caso se pretenda obter com as mesmas o
braço de alavanca Z, como relação entre I e Qo. No entanto a equação (5.2) continua
válida desde que se adote para Z, no estado limite último, o mesmo valor já obtido no
dimensionamento à flexão, ou seja:

Z = d – 0,4 x = Kz d (5.3)

No intuito de simplificar o cálculo adota-se um valor médio para Kz, que con-
forme a NBR 6118:2014 pode ser igual a 0,9. A tensão máxima de cisalhamento,
equação (5.2), agora na situação de cálculo é dada por:

Vd 1,11 Vd
τ 0d   (5.4)
b w 0,9d bw d

Onde 0d e Vd são, respectivamente a tensão máxima de cisalhamento e a força


cortante de cálculo.

Define-se a partir da equação (5.4) uma tensão convencional de cisalha-


mento de cálculo, dada por:

Vd
τ wd  (5.5)
bw d

Essa tensão não tem significado físico, apenas servirá de referência para verificações
futuras da resistência da peça ao cisalhamento. Já a tensão dada pela equação (5.4)
tem significado físico, representa a máxima tensão de cisalhamento na seção trans-
versal, que pode ser reescrita conforme (5.5) como:

0d = 1,11 wd (5.6)

5.3
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

5.2 – Elementos lineares sujeitos à força cortante (Item 17.4 da NBR 6118:2014)

5.2.1 – Hipóteses básicas (17.4.1 da NBR 6118:2014)

 As prescrições que se seguem aplicam-se a elementos lineares, armados ou proten-


didos, submetidos à força cortante, eventualmente combinada com outros esforços.

 Não se aplicam, portanto, a elementos de volume (ex.: bloco de fundação), lajes (tra-
tada separadamente), vigas parede e consolos curtos (ver figura 5.2).

Figura 5.2 – Elementos estruturais que não atendem as prescrições


regulamentares da NBR 6118:2014 (item 17.4.1)

As condições fixadas pela NBR-6118:2014 pressupõem a analogia com o mo-


delo em treliça de banzos paralelos, conforme fig. 5.3, e admitem dois modelos de
cálculo em função da inclinação “” das “bielas” de compressão. Associados a esses
modelos de treliça existem ainda, mecanismos internos resistentes, complementa-
res aos modelos de treliça, representado por uma componente adicional denominada
Vc (força cortante interna, resistida pelos mecanismos complementares).

5.4
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

Figura 5.3 – Modelo de funcionamento de viga ao cisalhamento como treliça

5.2.2 – Condições gerais (item 17.4.1.1.1 da NBR 6118:2014)

Todos os elementos lineares submetidos à força cortante, com exceção dos


casos indicados no item seguinte, devem conter armadura transversal mínima Asw,min
constituída por estribos com taxa geométrica dada por:

A sw, min 0,2 fctm


sw, min   (5.7)
b w s sen f ywk

onde:
bw - é a largura média da alma;
s - é o espaçamento longitudinal da armadura transversal (estribos);
 - é ângulo de inclinação dos estribos em relação ao eixo da barra;
fctm - é a resistência média à tração do concreto;
fywk - é a resistência característica ao escoamento do aço dos estribos.

A resistência média à tração fctm é dada nas equações (1.12a), para fck ≤ 50
MPa e (1.12b) para fck > 50 MPa (item 8.2.5 da NBR 6118:2014).

5.5
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

fctm = 0,3 (fck)2/3 (MPa) P/ concretos de classes até C50 (1.12a)*


fctm = 2,12 ln(1+0,11fck) (MPa) P/ concretos de classes C55 até C90 (1.12b)*

A resistência de cálculo do aço da armadura transversal passiva fywd = fywk/s,


segundo o item 17.4.2.2 da NBR 6118:2014, é limitada ao valor fyd para estribos e a
70% desse valor no caso de barras dobradas. Em nenhum dos dois casos admite-se
valores superiores a 435 MPa. Na prática, isso significa que a armadura transversal
calculada, será a mesma para aços CA 50 ou CA 60.

fywd = fyd  estribos (5.8)


 435 MPa
fywd = 0,7 fyd  barras dobradas (5.9)

A partir das equações (5.7), (1.12a) e (1.12b) para espaçamento s = 100 cm e


estribos verticais,  = 90o, obtém-se:

b w 100 sen900,2x0,3f ck2/3 


A sw, min   ρ w, min b w (5.10a)
500
Para fck ≤ 50 MPa
w,min = 0,012 fck (2/3) (5.10b)

b w 100 sen900,2x2,12ln1  0,11fck 


A sw, min   ρ w, min b w (5.11a)
500
Para fck > 50 MPa
w,min = 0,0848 ln (1 + 0,11 fck ) (5.11b)

Onde w,min é a taxa mínima de armadura transversal, constituída por estribos


verticais, em um metro de viga.

A partir das equações (5.10b) e (5.11b), com fck expresso em MPa, pode-se
tabelar o valor de w,min para as classes do concreto, conforme tabela 5.1:

5.6
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

TABELA 5.1 – Valores de w,min


Grupo I – fck ≤ 50 MPa Grupo II – fck > 50 MPa
ρw,min = 0,012 fck(2/3) ρw,min = 0,0848 ln(1+0,11fck)
fck (MPa) w,min fck (MPa) w,min

20 0,088 55 0,166

25 0,103 60 0,172

30 0,116 65 0,178

35 0,128 70 0,183

40 0,140 75 0,189

45 0,152 80 0,194

50 0,163 85 0,198

- - 90 0,203

5.2.3 – Exceções às condições gerais (item 17.4.1.1.2 da NBR 6118:2014)

 a) Os elementos estruturais lineares com bw  5d (em que d é a altura útil da


seção), caso que deve ser tratado como laje (ver item 19.4 da NBR 6118);

 b) As nervuras de lajes nervuradas, descritas em 13.2.4.2-a) e b), que também


podem ser verificadas como lajes. Nesse caso deve ser tomada como base a
soma das larguras no trecho considerado, podendo ser dispensada a armadura
transversal, quando atendido o disposto em 19.4.1;

 c) Os pilares e elementos estruturais de fundação submetidos predominante-


mente à compressão, que atendam simultaneamente, na combinação mais
desfavorável das ações em estado limite último, calculada a seção em estádio
I, às condições seguintes:
- nenhum ponto deve ser atingida a tensão fctk;
- Vsd ≤ Vc, sendo Vc definido em 17.4.2.
Neste caso, a armadura transversal mínima é a definida na seção 18. (NBR 6118)

5.7
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5.2.4 – Verificação do estado limite último (item 17.4.2 da NBR 6118:2014)

5.2.4.1 – Cálculo da resistência

A resistência do elemento estrutural, numa determinada seção transversal,


deve ser considerada satisfeita quando são verificadas simultaneamente a ruína por
esmagamento da biela comprimida (eq. 5.12) e pela ruptura da armadura transversal
tracionada (eq. 5.13), traduzidas pelas seguintes condições:

VSd ≤ VRd2 (5.12)

VSd ≤ VRd3 = Vc +Vsw (5.13)


onde:
VSd - é a força cortante solicitante de cálculo, na seção;

VRd2 - é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína das diagonais


comprimidas, obtida de acordo o modelo de cálculo I ou II, descritos adiante;

VRd3 = Vc + Vsw - é a força cortante resistente de cálculo, relativa à ruína por


tração diagonal, onde Vc é a parcela da força cortante resistida por mecanismos
complementares ao da treliça e Vsw é a parcela resistida pela armadura trans-
versal, ambas obtidas de acordo o modelo de cálculo I ou II, descritos adiante.

5.2.4.2 – Modelo de cálculo I

O modelo de cálculo I admite diagonais de compressão inclinadas de um ân-


gulo  = 45o em relação ao eixo longitudinal do elemento estrutural, e ainda que, a
parcela complementar Vc tenha também valor constante, independente de VSd.

a) Verificação da compressão diagonal do concreto:

VSd ≤ VRd2 = 0,27 v2 fcd bw d = wd2 bw d (5.14)

5.8
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onde:
f ck
α v2  1  (fck em MPa) (5.15)
250

VRd2
τ wd2   0,27α v2 f cd (5.16)
bwd

obs.: - embora para o cálculo de v2 a unidade utilizada seja o MPa, para a obten-
ção do esforço VRd2 em kN, deve-se calcular wd2 em kN/cm2.

A tensão wd2 representa a tensão máxima convencional de cisalhamento, aná-


loga à tensão convencional de cisalhamento wd = (Vd / bwd), de tal forma que para se
verificar a resistência da diagonal comprimida, equação (5.12) escrita em termos de
esforços (força cortante), basta atender a expressão (5.17), escrita em termos de va-
lores convencionais de tensões de cisalhamento, ou seja:

VSd ≤ VRd2  (VSd / bw d) ≤ (VRd2 / bw d)  wd  wd2 (5.17)

A tensão máxima convencional de cisalhamento wd2, será usada para verificar


a compressão diagonal do concreto, de forma indireta, e os seus valores encontram-
se tabelados na tabela 5.2 para todas as classes de concreto.

A figura 5.4 representa o mesmo modelo de funcionamento de viga como treliça


da figura 5.3, particularizado para o modelo de cálculo I. A resultante resistente má-
xima na diagonal comprimida, Rcc,max, é dada por:

Rcc,max = cc,max bw z (1 + cotg) sen (5.18)


Onde:
cc,max - é a tensão normal máxima na diagonal comprimida de concreto;
z(1+cotg)sen - é a projeção do comprimento do painel da treliça na direção
normal à essa diagonal.

5.9
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TABELA 5.2 – Valores de wd2 (Modelo I)

Grupo I – fck ≤ 50 MPa Grupo II – fck > 50 MPa

fck (MPa) wd2 (kN/cm2) fck (MPa) wd2 (kN/cm2)


20 0,355 55 0,827

25 0,434 60 0,879

30 0,509 65 0,928

35 0,581 70 0,972

40 0,648 75 1,013

45 0,712 80 1,049

50 0,771 85 1,082

- - 90 1,111

Figura 5.4 – Resultante resistente máxima da diagonal comprimida

Fazendo-se o equilíbrio no “nó” da treliça correspondente ao apoio, resulta:

Vsd = VRd2 = Rcc,max sen = cc,max bw 0,9d (1 + cotg) sen2 (5.19)

5.10
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De (5.14) e (5.19) com  = 45o, obtém-se:

VRd2 = wd2 (bw d) = cc,max (1 + cotg) 0,45 (bw d) (5.20)

wd2 = 0,45 cc,max (1 + cotg) (5.21)

Perpendicularmente à tensão cc,max atua uma tensão máxima de tração (es-


tado duplo de tensões produzido pela flexão nas vigas). Nessa situação não se pode
considerar para cc,max o mesmo valor obtido nos ensaios de compressão simples
(estado simples de tensão), ficando o seu valor reduzido para cc,max = 0,6 v2 fcd
(segundo o CEB). Com esse valor e considerando-se estribos verticais,  = 90o, ob-
tém-se:

VRd2 = wd2 bw d = 0,45x0,6 v2 fcd bw d = 0,27 v2 fcd bw d (5.14)

Que é o mesmo valor dado na equação (5.14), definida pela NBR 6118:2014.

b) Cálculo da armadura transversal

Na equação (5.13) VRd3 = Vc + Vsw, a primeira parcela corresponde a força


cortante resistente absorvida por mecanismos complementares ao da treliça, que é
dada no Modelo I por:

 Vc = 0 nos elementos estruturais tracionados quando a LN se situa fora


da seção;

 Vc = Vc0 na flexão simples e na flexo-tração com a LN cortando a seção;

 Vc = Vc0 (1 + M0 / MSd,max)  2 Vc0 na flexo-compressão

Com

5.11
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Vc0 = 0,6 fctd bw d = c0 bw d (5.22a)


c0 = 0,6 fctd (5.22b)

f ctk,inf 0,7fctm
f ctd   (5.23)
γc γc

0,21 (fck)2/3 (MPa) fck ≤ 50 MPa


fctk,inf = 0,7 fct,m = (1.13a)*
1,484 ln (1 + 0,11fck) (MPa) fck > 50 MPa

Onde fctk,inf é a resistência característica inferior à tração, equações (1.13a).


Tomando-se para o coeficiente de ponderação do concreto c = 1,4, a tensão conven-
cional de cisalhamento correspondente aos mecanismos complementares, (c0), pode
ser dada pela seguinte expressão:

0,6fctd 0,6x0,21 2/3


τ c0   f ck  0,009fck
2/3
fck≤50 MPa
10 1,4x10
(5.24)
0,6fctd 0,6x1,484
τ c0   ln1  0,11fck   0,0636ln1  0,11fck  fck>50 MPa
10 1,4x10

Nas equações (5.24) a unidade da tensão c0 é kN/cm2, motivo pelo qual as
expressões foram divididas por 10. Portanto nas equações (5.24) deve-se usar fck em
MPa, para se obter c0 em kN/cm2. Os valores de c0 para os dois grupos de classe
de concreto estão apresentados na tabela 5.3.

Cabe salientar que as tensões convencionais de cisalhamento wd, wd2 e c0


servem apenas de referência e devem ser usadas para a determinação das resultan-
tes das forças cortantes Vsd = wd (bwd), VRd2 = wd2 (bwd) e Vc0 = c0 (bwd).

5.12
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TABELA 5.3 – Valores de c0

Grupo I Grupo II
c0 = 0,009fck2/3 c0 = 0,0636ln(1+0,11fck)
fck (MPa) c0 (kN/cm2) fck (MPa) c0 (kN/cm2)
20 0,0663 55 0,124
25 0,0769 60 0,129
30 0,0869 65 0,133
35 0,0963 70 0,138
40 0,105 75 0,141
45 0,114 80 0,145
50 0,122 85 0,149
- - 90 0,152

Da equação (5.13) a parcela resistida pela armadura transversal tracionada


(Vsw = Rst sen) é determinada conforme o esquema mostrado na fig. 5.5.

Figura 5.5 – Resultante resistente da diagonal tracionada

A resultante Rst na direção da diagonal tracionada pode ser obtida pelo produto
da área total da armadura transversal, no trecho correspondente ao painel z(1+cotgα),

5.13
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pela tensão de escoamento de cálculo dessa armadura. Considerando que área de


uma barra da armadura transversal vale Asw e que o número de barras no compri-
mento do painel é nb = [z(1+cotgα) / s], com s igual ao espaçamento das barras, a
resultante Rst é dada por:

z1  cotgα 
R st  A sw f ywd (5.25)
s

z1  cotgα  A
Vsw  R st senα  A sw f ywd senα  sw z1  cotgα f ywd senα (5.26)
s s

Dividindo-se os termos da equação (5.13) por (bw d), para transformar as re-
sultantes em tensões convencionais de cisalhamento, fazendo-se z = 0,9 d e consi-
derando-se estribos (CA 50 ou CA 60) verticais (= 90o) em vigas submetidas à flexão
simples, onde Vc = Vc0, obtém-se:

 A sw 
 0,9d(43,5)
Vsd V V
 c0  sw  τ wd  τ c0   s 
(5.27)
bwd bwd bwd bwd

 A sw  τ wd  τ c0
  b w  ρ *w b w (cm2/cm) (5.28)
 s  39,15

Para s = 100 cm, a taxa *w em (5.28) se transforma na taxa w dada por :

τ wd  τ c0
ρw  100 ρ*w  100 (5.29)
39,15

e finalmente

Asw  w bw (cm2 / m) (5.30)

5.14
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Fazendo na equação (5.29) w = w,min, equações (5.10b) e (5.11b), obtém-se


o valor mínimo wd,min, para o modelo I, abaixo do qual a adoção da armadura mínima
Asw,min = w,min bw, absorve a totalidade do esforço de cisalhamento. Assim

39,15ρ w, min
τ wd, min   τ c0 (5.31)
100

Com os valores de w,min, equações (5.10b) e (5.11b), e c0, equação (5.24),


dados em função do grupo de resistência dos concretos, obtém-se duas expressões
para o valor mínimo da resistência convencional de cisalhamento:

Para o grupo I, ou seja, fck ≤ 50 MPa

2/3
39,15x0,012fck
τ wd, min   0,009fck
2/3
 0,0137fck
2/3
(5.32)
100

Para o grupo II, ou seja, fck > 50 MPa

39,15x0,0848ln1  0,11fck 
τ wd, min   0,0636ln1  0,11fck   0,0968ln1  0,11fck 
100
(5.33)

Nas equações (5.32) e (5.33) a unidade de wd,min é kN/cm2 enquanto a unidade


do fck é o MPa, ou seja, entra-se com a resistência do concreto em MPa para obter a
tensão convencional mínima de cisalhamento em kN/cm2. Os valores de wd,min estão
apresentados na tabela 5.4.

5.15
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___________________________________________________________________________

Tabela 5.4 – Valores de wd,min para o Modelo I

Grupo I Grupo II
wd,min=0,0137fck2/3 wd,min=0,0968ln(1+0,11fck)
fck (MPa) wd,min (kN/cm2) fck (MPa) wd,min (kN/cm2)
20 0,101 55 0,189
25 0,117 60 0,196
30 0,132 65 0,203
35 0,147 70 0,209
40 0,160 75 0,215
45 0,173 80 0,221
50 0,186 85 0,226
- - 90 0,231

c) decalagem do diagrama de força no banzo tracionado (item 17.4.2.2 da NBR


6118:2014)

“Quando a armadura longitudinal de tração (flexão) for determinada através do equilí-


brio de esforços na seção normal ao eixo do elemento estrutural, os efeitos provoca-
dos pela fissuração oblíqua podem ser substituídos no cálculo pela decalagem do di-
agrama de força no banzo tracionado, dada pela expressão:

 VSd, max 
a l  d 1  cotgα   cotgα  d

 2 VSd, max  Vc 
(5.34a)

onde:
a= d para VSd,max ≤ Vc (em módulo)
a  0,5 d no caso geral
a 0,2 d para estribos inclinados a 45º

5.16
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___________________________________________________________________________

Essa decalagem pode ser substituída, aproximadamente, pela correspondente deca-


lagem do diagrama de momentos fletores.”

Particularizando a equação (5.34a) para estribos verticais ( = 90o) a decala-
gem do diagrama de momentos fletores pode ser dada, em função das tensões con-
vencionais de cisalhamento, por:
a τ wd, max 1
0,5     1
d 2τ wd, max  τ c0 
(5.34b)
 τ c0 
2 1 
 τ wd, max 

(Para wd,max = wd2 a relação a/d é mínima, 0,61 para fck = 20 MPa e 0,59 para fck = 50

MPa. Para wd,max < 2c0 como a relação a/d fica maior que 1, deve-se ter a/d = 1)

“A decalagem do diagrama de força no banzo tracionado pode também ser obtida


simplesmente empregando a força de tração, em cada seção, dada pela expressão:
M 1  M Sd, max
FSd, cor   Sd  VSd cotgθ  cotgα    (5.35)
 Z 2 Z
Onde
MSd,Max é o momento fletor de cálculo máximo no trecho em análise.”

5.2.4.3 – Modelo de cálculo II

O modelo de cálculo II admite diagonais de compressão inclinadas de , em


relação ao eixo longitudinal da peça, variando livremente entre 30o e 45o. Admite ainda
que a parcela complementar Vc sofra redução com o aumento de VSd.

a) verificação da compressão diagonal do concreto:

A partir da equação (5.19) para valores de  entre 30o e 45o e com cc,max = 0,6
v2 fcd a expressão para VRd2 fica:

Vsd = VRd2 = Rcc,max sen = (0,6 v2 fcd) bw 0,9d (cotg + cotg) sen2 (5.36a)

5.17
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___________________________________________________________________________

VRd2 = 0,54 v2 fcd bw d sen2 (cotg + cotg) = wd2 bw d (5.36b)

Com v2 dado na equação (5.15) e wd2 dado por:

wd2 = 0,54 v2 fcd sen2 (cotg + cotg) (5.37)

Para estribos verticais, ou seja,  = 90o, e para  = 45o, os valores de wd2 são
os mesmos do modelo I, dados na tabela 5.2.

b) – cálculo da armadura transversal

VRd3 = Vc + Vsw (5.38)

 Vc = 0 nos elementos estruturais tracionados quando a LN se situa fora


da seção

 Vc = Vc1 na flexão simples e na flexo-tração com a LN cortando a seção

 Vc = Vc1 (1 + M0 / MSd,max)  2 Vc1 na flexo-compressão

Com

Vc1 = Vc0 quando VSd  Vc0

Vc1 = 0 quando VSd = VRd2, interpolando-se linearmente para valores


intermediários

Definindo-se analogamente uma tensão convencional de cisalhamento proveni-


ente de Vc1, tem-se:

5.18
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___________________________________________________________________________

Vc1
τ c1  (5.39)
bwd

Os valores de Vc1, ou os correspondentes valores de c1, estão representados


na figura 5.6.

Figura 5.6 – Valores de c1

Conforme figura 5.6 os valores de c1 (ou Vc1) quando [c0 (Vc0) ≤ wd (VSd) ≤
wd2 (VRd2)], variam de acordo uma reta (interpolação linear). Portanto, os valores de
c1 entre esses limites (c0 e wd2), são dados por:

 τ  τ c0 
τ c1  τ c0  1  wd  (5.40)
 τ wd2  τ c0 

A parcela de tração absorvida pela armadura transversal Vsw, conforme equa-


ção (5.26), é dada no modelo II por:

zcotgθ  cotgα 
Aswfywd senα  sw zcotgθ  cotgα f ywd senα
A
Vsw  Rstsenα  (5.41)
s s

5.19
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___________________________________________________________________________

Analogamente ao desenvolvido no modelo I, dividindo-se a equação (5.13), VSd


≤ Vc + Vsw, por bw d, fazendo-se em (5.41) z = 0,9 d,  = 90o e s = 100 cm, obtém-se
a equação para a armadura transversal Asw no modelo II.

Asw  w bw (cm2 / m) (5.42)


τ wd  τ c1
ρ w  100 (5.43)
39,15cotg θ

c) – deslocamento do diagrama de momentos fletores:

Se forem mantidas as condições estabelecidas no modelo I, o deslocamento


do diagrama de momentos fletores no modelo II deve ser:

a = 0,5 d (cotg - cotg) (5.44)

onde:

a  0,5 d caso geral

a  0,2 d para estribos inclinados de 45º.

5.2.5 – Cargas próximas aos apoios

Para o cálculo da armadura transversal, no caso de apoio direto, quando a


carga e a reação de apoio estão aplicadas em faces opostas do elemento estrutural,
comprimindo-o, valem as seguintes prescrições:

 no trecho entre o apoio e a seção situada a uma distância (d / 2) da face do


apoio, a força cortante oriunda da carga distribuída pode ser considerada cons-
tante e igual à dessa seção;
 a força cortante devida a uma carga concentrada a uma distância (a  2d) do
eixo teórico do apoio pode, nesse trecho de comprimento “a”, ser reduzida mul-
tiplicando-a por [a / (2d)].

5.20
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___________________________________________________________________________

Figura 5.7 – Redução do cortante próximo aos apoios

O valor final da força cortante com as reduções devidas à carga concentrada


e à carga distribuída deve ser dado por:

cd l -a a 
VS,Red  VS,eixo  p -P 1   (5.45)
2 l  2d 

5.2.6 – Prescrições complementares da NBR 6118:2014

 Item 18.3.3.2
t  5 mm
Diâmetro da armadura transversal Asw
t  bw / 10

5.21
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___________________________________________________________________________

wd  0,67 wd2 smax = 0,6 d  30 cm


Espaçamento máximo dos estribos
wd  0,67 wd2 smax = 0,3 d  20 cm

 Item 17.4.1.1.3

A armadura transversal Asw pode ser constituída por estribos ou pela com-
binação de estribos e barras dobradas, entretanto essas últimas não devem supor-
tar mais do que 60% do esforço total resistido pela armadura.

5.3 – Força cortante em lajes e elementos lineares com bw ≥ 5d (item 19.4 da NBR
6118:2014)

5.3.1 – Lajes sem armadura para força cortante

Dispensa-se armadura transversal para resistir às forças de tração oriundas da


força cortante em lajes maciças ou nervuradas, quando a força cortante de cálculo a
uma distância d da face do apoio, obedecer à expressão:

VSd ≤ VRd1 ou wd ≤ wd1 (5.46)

Sendo VRd1 a força cortante resistente de cálculo dada por:

VRd1 = [Rd k (1,2 + 40 ρ1)] bw d = (wd1) bw d (5.47)

Onde Rd é a tensão resistente de cálculo do concreto ao cisalhamento, dada


por:

Rd = 0,25 fctd = 0,25 (fctk,inf / γc) (5.48)

Para γc = 1,4 e fctk,inf conforme equação (1.13a), obtém-se:

5.22
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___________________________________________________________________________

0,0375 (fck)2/3 (MPa) fck ≤ 50 MPa


Rd = 0,179 fctk,inf = (5.49)
0,265 ln (1 + 0,11fck) (MPa) fck > 50 MPa

ρ1 é a taxa da armadura de tração As1 que se estende até não menos que (d +
b,nec), além da seção considerada. (b,nec é o comprimento necessário de ancoragem,
definido no próximo capítulo).

ρ1 = As1 / (bw d) ≤ 0,02 (5.50)

k é um coeficiente que tem os seguintes valores:

k = 1 - para elementos onde 50% da armadura inferior não chega até o


apoio;

k = (1,6 – d) ≥ 1 - para os demais casos, com d em metros.

Segundo o item 20.1 da NBR 6118:2014, em laje em que seja dispensada a


armadura transversal, toda a armadura positiva deve ser levada até os apoios. Nesse
caso, só a segunda opção para o valor de k deve ser usada.

bw é a largura mínima da seção ao longo da altura útil d.

5.3.2 – Lajes com armadura para força cortante

Aplicam-se os mesmos critérios estabelecidos para vigas, considerando-se


para a resistência de cálculo ao escoamento no cisalhamento (fywd) os seguintes va-
lores máximos:

- 250 MPa, para lajes com espessura até 15 cm;


- 435 MPa, para lajes com espessura maior que 35 cm.

5.23
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___________________________________________________________________________

Para valores intermediários de espessura permite-se a interpolação linear re-


sultando:
435  250
f ywd  250  h  15 (MPa) (5.51)
20

5.4 – Exemplos

5.4.1 - Exemplo 1

Calcular a armadura de cisalhamento para uma viga biapoiada de 4 m de vão, carga


distribuída p = 25 kN/m, seção de 20X40 cm2, d = 36 cm, fck = 20 MPa, aço CA-60. A
largura dos apoios na direção do eixo da viga é c = 20 cm.

 Modelo de cálculo I

 Verificação do concreto

R = p / 2 = 25x4 / 2 = 50 kN

VS,max = VS,face = R – p c / 2 = 50 – 25x0,20 / 2 = 47,5 kN


(A força cortante máxima deve ser calculada na face do apoio)

VSd,max 47,5x1,4
 wd  wd,max    0,092  wd2  0,355 kN/cm2
bw d 20x36

Como o valor da tensão convencional máxima de cisalhamento dado na tabela 5.2,


wd2 = 0,355 kN/cm2, é maior que o valor de wd = 0,092 kN/cm2, o concreto foi verifi-
cado, ou seja, a biela comprimida de concreto não romperá.

 Cálculo da armadura
 wd  c0 0,092  0,0663
Asw = w bw, com ρw  100  100  0,066  ρw, min  0,088
39,15 39,15

5.24
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

Os valores de ρw,min e c0 são fornecidos nas tabelas 5.1 e 5.3, respectivamente. Como
o valor de ρw < ρw,min, isso implica em armadura transversal mínima, ou seja, Asw,min =
w,min bw = 0,088x20 = 1,76 cm2/m. Usando-se estribos simples (com dois ramos), a
armadura será dada por:

(Asw)/2 = 1,76 / 2 = 0,88 cm2/m → s = 100 / (0,88 / 0,196) = 22,2 cm  5 c/ 22 cm

Como wd = 0,092 kN/cm2  wd,min = 0,101 kN/cm2 (tabela 5.4), w = w,min, o que im-
plica em Asw = Asw,min = w,min bw, sem necessidade de calcular Asw.

Como (wd / wd2) = 0,092 / 0,355 = 0,26  0,67, o espaçamento máximo dos estribos
fica:  smax = 0,6d = 0,6x36  22 cm (OK!)

 Modelo de cálculo II ( = 30o)

 Verificação do concreto

VSd,max 47,5x1,4
 wd  wd,max    0,092
bw d 20x36

Pela equação (5.37) para  = 30o, α = 90o e fck = 20 MPa, obtém-se:

 20  20
 wd2  0,54αv2fcdsen2θcotgα  cotgθ   0,541   sen2 30o (0  cotg30o )
 250  1,4

wd2 = 3,07 MPa = 0,307 kN/cm2

wd = 0,092 kN/cm2 < wd2 = 0,307 kN/cm2 OK! concreto verificado

 Cálculo da armadura

5.25
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

Como wd = 0,092 kN/cm2 > c0 = 0,0663 kN/cm2


   c0   0,092  0,0663 
c1  c0 1  wd   0,06631    0,0592
  wd2   c0   0,307  0,0663 

Asw = w bw, com

wd  c1 0,092  0,0592


ρw  100 o
 100  0,048  ρw, min  0,088
39,15cotg30 39,15x1,732

Asw = Asw,min = w,min bw = 0,088 x 20 = 1,76 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos) Asw/2 = 0,88 cm2/m  5 mm c/ 22 cm

Como wd / wd2 = 0,092 / 0,307 = 0,30 < 0,67 smax = 0,6d = 0,6 x 36  22 cm (OK!)

 Modelo de cálculo II ( = 45o)

 verificação do concreto

VSd,max 47,5x1,4
 wd  wd,max    0,092  wd2  0,355 kN/cm2
bw d 20x36

Pela equação (5.37) para  = 45o, α = 90o e fck = 20 MPa, ou simplesmente pela tabela
5.2, obtém-se wd2 = 0,355 kN/cm2.

 Cálculo da armadura

Como wd = 0,092 kN/cm2 > c0 = 0,0663 kN/cm2

 0,092  0,0663 
c1  0,06631    0,0604
 0,355  0,0663 

5.26
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

0,092  0,0604
Asw = w bw com ρ w  100  0,047  ρ w,min  0,088
39,15x1

Asw = Asw,min = w,min bw = 0,088 x 20 = 1,76 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos) Asw/2 = 0,88 cm2/m  5 mm c/ 22 cm


Como wd / wd2 = 0,092 / 0,355 = 0,26 < 0,67 smax = 0,6d = 0,6 x 36  22 cm (OK!)

Observa-se nesse exemplo que o valor calculado de ρw = 0,047 para  = 45o e α =


90o, é menor que o valor calculado nas mesmas condições considerando-se o modelo
de cálculo I, ρw = 0,066. Isso se deve à diferença das teorias adotadas para os dois
modelos.

No modelo II a taxa ρw é menor e consequentemente a armadura também será menor.


O cálculo da armadura transversal de cisalhamento pelo modelo II é sempre mais
econômico, desde que se verifique a tensão no concreto da biela comprimida, uma
vez que a tensão convencional máxima de cisalhamento é menor no modelo II (wd2 =
0,307 no modelo II < wd2 = 0,355 no modelo I, para fck = 25 MPa).

5.4.2 - Exemplo 2

Mesmos dados do exemplo I, com carga distribuída p = 50 kN/m

 Modelo de cálculo I (sem redução da força cortante no apoio)

 verificação do concreto

R = p / 2 = 50x4 / 2 = 100 kN VS,max = R – p c / 2 = 100 – 50 x 0,20 / 2 = 95 kN

VSd,max 95x1,4
 wd  wd,max    0,185  wd2  0,355 kN/cm2 OK!
bw d 20x36

5.27
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

 Cálculo da armadura

Como wd = 0,185 kN/cm2 > wd,min = 0,101 kN/cm2 (tabela 5.4)

 wd  c0 0,185  0,0663


Asw = w bw, com ρw  100  100  0,302  ρw, min  0,088
39,15 39,15

Asw = 0,302x20 = 6,04 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos)


 5 mm s = 100 / (3,02/0,196) = 6,4 →  5 mm c/ 6 cm
Asw/2 = 3,02 cm2/m  6 mm s = 100 / (3,02/0,283) = 9,4 →  6 mm c/ 9 cm
 8 mm s = 100 / (3,02/0,503) = 16,6 →  8 mm c/ 16 cm

Como wd / wd2 = 0,185 / 0,355 = 0,52  0,67 smax = 0,6d = 0,6x36 = 22 cm (OK!)

 Modelo de cálculo I (com redução da força cortante no apoio)

 Verificação do concreto

R = p / 2 = 50 x 4 / 2 = 100 kN VS,max = R – p c / 2 = 100 – 50 x 0,20 / 2 = 95 kN

VS,Red = R – p (c + d) / 2 = 100 – 50x(0,20 + 0,36) / 2 = 86 kN

VSd,max 95x1,4
 wd  wd,max    0,185  wd2  0,355 kN/cm2 OK!
bw d 20x36

Obs.: a verificação do concreto deve ser feita com a força cortante SEM REDUÇÂO.

 Cálculo da armadura

O cálculo da armadura pode ser feito com o cortante reduzido, VS,Red.

5.28
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

VSd,Red 86x1,4
 wd,Red    0,167 kN/cm2  wd,min  0,101 kN/cm2
bw d 20x36

wd,Red  c0 0,167  0,0663


Asw = w bw, ρw  100  100  0,257  ρw, min  0,088
39,15 39,15

Asw = 0,257x20 = 5,14 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos)


 5 mm s = 100 / (2,57/0,196) = 7,6 →  5 mm c/ 7 cm
Asw/2 = 2,57 cm2/m  6 mm s = 100 / (2,57/0,283) = 11,0 →  6 mm c/ 9 cm
 8 mm s = 100 / (2,57/0,503) = 19,6 →  8 mm c/ 19 cm

Como wd / wd2 = 0,185 / 0,355 = 0,52  0,67 smax = 0,6d = 0,6 . 36 = 22 cm (OK!)

 Modelo de cálculo II ( = 30o)

 Verificação do concreto

 20  20
 wd2  0,541   sen2 30o (0  cotg30o )  3,07MPa  0,307 kN/cm 2
 250  1,4

VSd,max 95x1,4
  wd   wd, max    0,185   wd2  0,307 kN/cm 2 OK!
bw d 20x36

b) cálculo da armadura

Como wd = 0,185 kN/cm2 > c0 = 0,0663 kN/cm2

   c0   0,185  0,0663 


c1  c0 1  wd   0,06631    0,0336
  wd2   c0   0,307  0,0663 

5.29
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

0,185  0,0336
Asw = w bw, ρ w  100  0,223  ρ w,min  0,088
39,15xcotg30o

Asw = 0,223x20 = 4,46 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos)


 5 mm s = 100 / (2,23/0,196) = 8,8 →  5 mm c/ 8 cm
Asw/2 = 2,23 cm2/m  6 mm s = 100 / (2,23/0,283) = 12,7 →  6 mm c/ 9 cm
 8 mm s = 100 / (2,23/0,503) = 22,6 →  8 mm c/ 22 cm

Como wd / wd2 = 0,185 / 0,307 = 0,60 < 0,67 smax = 0,6d = 0,6x36  22 cm (OK!)

 Modelo de cálculo II (ângulo qualquer, por exemplo  = 35o)

 Verificação do concreto

 20  20
  wd2  0,541   sen2 35o (0  cotg35o )  3,33 MPa  0,333 kN/cm 2
 250  1,4

VSd,max 95x1,4
  wd   wd, max    0,185   wd2  0,333 kN/cm 2 OK!
bw d 20x36

 Cálculo da armadura

Como wd = 0,185 kN/cm2 > c0 = 0,0663 kN/cm2

 0,185  0,0663 
c1  0,06631    0,0368
 0,333  0,0663 

0,185  0,0368
Asw = w bw, ρ w  100  0,265  ρ w,min  0,088
39,15xcotg35o

5.30
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Cisalhamento
___________________________________________________________________________

Asw = 0,265x20 = 5,30 cm2/m

Para estribos simples (dois ramos)


 5 mm s = 100 / (2,65/0,196) = 7,4 →  5 mm c/ 7 cm
Asw/2 = 2,65 cm2/m  6 mm s = 100 / (2,65/0,283) = 10,7 →  6 mm c/ 10 cm
 8 mm s = 100 / (2,65/0,503) = 19,0 →  8 mm c/ 19 cm

Como wd / wd2 = 0,185 / 0,333 = 0,56  0,67 smax = 0,6d = 0,6x36 = 22 cm (OK!)

Obs.: Nesse capítulo apenas as áreas das armaduras transversais ao cisalhamento


foram calculadas. No capítulo 6 serão calculados os comprimentos de ancoragem das
barras e dos ganchos dos estribos. No capítulo 7 serão detalhadas vigas de concreto
armado contemplando tanto as barras da armadura de flexão quanto os estribos (com-
primentos retos e dobras, espaçamentos, quantidades e distribuiçao no sentido longi-
tudinal das vigas).

5.31
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 6

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

VERIFICAÇÃO DA ADERÊNCIA
____________________________________________________________________________

Segundo o capítulo 9 da NBR 6118:2014, devem ser obedecidas no projeto as


exigências relativas à aderência, ancoragem e emendas das barras das armaduras.

6.1 – Posição da barra durante a concretagem

A aderência entre o aço e o concreto depende fundamentalmente da posição


que a barra ocupa durante a concretagem. Considera-se em boa situação quanto à
aderência os trechos das barras que estejam em uma das posições seguintes:

a) com inclinação superior a 45o sobre a horizontal, independente da altura


do elemento estrutural. Caso h ≤ 30 cm, todas as barras estão numa
zona de Boa aderência (figura 6.1a);
b) horizontais ou com inclinação menor que 45 o sobre a horizontal, desde
que:
 para elementos estruturais com h < 60 cm, localizados no máximo
30 cm acima da face inferior do elemento ou da junta de concretagem
mais próxima (figura 6.1b);
 para elementos estruturais com h  60 cm, localizados no mínimo 30
cm abaixo da face superior do elemento ou da junta de concretagem
mais próxima (figura 6.1c).

Os trechos das barras em outras posições e quando do uso de formas desli-


zantes devem ser consideradas em má situação quanto à aderência.
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

Figura 6.1 – Zonas de Boa e Má aderência

6.2 – Valor da resistência de aderência (item 9.3.2.1 da NBR 6118:2014)

A resistência de aderência de cálculo entre armadura e o concreto na ancora-


gem de armaduras passivas deve ser obtida pela seguinte expressão:

fbd = 1 2 3 fctd (6.1)

onde:
1, 2, 3 – são coeficientes para cálculo da tensão de aderência da armadura
passiva conforme a seguir:

 1 = 1,0 para barras lisas (CA 25);


 1 = 1,4 para barras entalhadas (CA 60);
 1 = 2,25 para barras nervuradas (CA 50);

 2 = 1,0 para situações de boa aderência;


 2 = 0,7 para situações de má aderência;

 3 = 1,0 para  < 32 mm;


 3 = (132 - ) / 100 para  ≥ 32 mm ( em mm).

6.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

0,21 (fck)2/3 / c (MPa) fck ≤ 50 MPa


fctd = fctk,inf / c = (6.2a)
1,484 ln (1 + 0,11fck) / c (MPa) fck > 50 MPa

Para c = 1,4, tem-se:

0,15 (fck)2/3 (MPa) fck ≤ 50 MPa


fctd = (6.2b)
1,06 ln (1 + 0,11fck) (MPa) fck > 50 MPa

TABELA 6.1 – Valores da resistência de aderência fbd


Aço CA 50, boa aderência,  < 32 mm

Grupo I – fck ≤ 50 MPa Grupo II – fck > 50 MPa


fbd = [0,3375 fck(2/3) / 10 fbd = [2,385 ln(1+0,11fck) / 10]
fck (MPa) fbd (kN/cm2) fck (MPa) fbd (kN/cm2)

20 0,249 55 0,466

25 0,289 60 0,484

30 0,326 65 0,500

35 0,361 70 0,516

40 0,395 75 0,531

45 0,427 80 0,544

50 0,458 85 0,557

- - 90 0,570

Segundo o item 9.3.2.3 da NBR 6118:2014:

“No escorregamento da armadura, em elementos estruturais fletidos, devem


ser adotados os valores da tensão de aderência dada acima multiplicada por 1,75.”

6.3
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

6.3 – Ancoragem das armaduras (item 9.4 da NBR 6118:2014)

“Todas as barras das armaduras devem ser ancoradas de forma que os esfor-
ços a que estejam submetidas sejam integralmente transmitidos ao concreto, seja por
meio de aderência ou de dispositivos mecânicos ou combinação de ambos.”

6.3.1 – Ancoragem por aderência

“Acontece quando os esforços são ancorados por meio de um comprimento


reto ou com grande raio de curvatura, seguido ou não de gancho.

Com exceção das regiões situadas sobre apoios diretos, as ancoragens por
aderência devem ser confinadas por armaduras transversais ou pelo próprio concreto,
considerando-se este caso quando o cobrimento da barra ancorada for maior ou igual
a 3 e a distância entre barras ancoradas for maior ou igual a 3 .”

6.3,2 – Ancoragem por meio de dispositivos mecânicos

“Acontece quando as forças a ancorar são transmitidas ao concreto por meio


de dispositivos mecânicos acoplados à barra.”

6.3.3 – Ancoragem de armaduras passivas por aderência

As barras tracionadas podem ser ancoradas ao longo de um comprimento reti-


líneo ou com grande raio de curvatura em sua extremidade, de acordo com as condi-
ções seguintes:
 as barras lisas obrigatoriamente devem ter ganchos;
 as barras que tenham alternância de solicitação, tração e compressão,
não devem ter ganchos
 com ou sem gancho, nos demais casos, não sendo recomendado o gan-
cho para barras de  > 32 mm ou para feixe de barras.

6.4
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

As barras comprimidas devem ser ancoradas sem ganchos.

6.3.4 – Ganchos das armaduras de tração

Os ganchos das extremidades das barras da armadura longitudinal de tração po-


dem ser:
 semicirculares, com ponta reta de comprimento não inferior a 2;
 em ângulo de 45o (interno), com ponta reta de comprimento não inferior a
4;
 em ângulo reto, com ponta reta de comprimento não inferior a 8.

Para as barras lisas, os ganchos devem ser semicirculares.

O diâmetro interno de curvatura dos ganchos das armaduras longitudinais de


tração deve ser pelo menos igual ao estabelecido na tabela 6.2.

Tabela 6.2 – Diâmetro dos pinos de dobramento (D)

Tipo de aço
Bitola
CA - 25 CA - 50 CA - 60
mm
< 20 4 5 6

 20 5 8 -

6.4 – Comprimento de ancoragem básico

Define-se comprimento de ancoragem básico como o comprimento reto, em


barras da armadura passiva, necessário para ancorar a força limite Fd = Asfyd aplicada
a essa barra, admitindo-se ao longo desse comprimento uma tensão de aderência
constante e igual a fbd, conforme apresentado na figura 6.2.

6.5
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

Figura 6.2 – Comprimento de ancoragem reto

Para determinar o comprimento reto básico de ancoragem (b) de uma barra

com diâmetro , basta igualar a força máxima de tração Fd com a força interna produ-
zida pelas tensões de aderência fbd, resultando:

2
Fd   f yd   b fbd (6.3)
4

 f yd
b   25  (6.4)
4 fbd

A partir da equação (6.4) pode-se tabelar os valores do comprimento de anco-


ragem básico para o aço CA-50, situação de boa aderência, s = 1,15, c = 1,4 e  <
32 mm, para concreto com fck ≤ 50 MPa (tabela 6.3).

Calculando-se o valor do comprimento de ancoragem para fck = 50 MPa obtém-


se b = 23,73 < 25, contrariando a prescrição da NBR 6118:2014, ver equação (6.4).
Portanto, na coluna correspondente ao fck = 50 MPa é esse o valor, com asterisco (*),
6.6
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

tabelado. Dessa maneira não é necessário calcular os valores dos comprimentos bá-
sicos para os concretos do grupo II, pois o maior comprimento será para fck = 55 MPa,
com b = 23,35< 25. Portanto para concretos do grupo II (fck > 50 MPa), aço CA-

50, s = 1,15, c = 1,4, boa aderência e  < 32 mm, o valor do comprimento básico é

constante e igual a 25.

Tabela 6.3 – Valores de b para aço CA-50, s = 1,15, c = 1,4, boa aderência,

 < 32 mm e concretos com fck ≤ 50 MPa (p/ fck > 50 MPa b = 25).

Valores de b em função do diâmetro


(arredondados para o múltiplo de 5 cm, imediatamente superior)
Bitola Concreto Classe I (fck ≤ 50 MPa)
(mm)
C 20 C 25 C 30 C 35 C 40 C 45 C 50
(43,71) (37,67) (33,36) (30,10) (27,54) (25,46) (25)*
10 45 cm 40 cm 35 cm 35 cm 30 cm 30 cm 25 cm
12,5 55 cm 50 cm 45 cm 40 cm 35 cm 35 cm 35 cm
16 70 cm 65 cm 55 cm 50 cm 45 cm 45 cm 40 cm
20 90 cm 80 cm 70 cm 65 cm 60 cm 55 cm 50 cm
22 100 cm 85 cm 75 cm 70 cm 65 cm 60 cm 55 cm
25 110 cm 95 cm 85 cm 80 cm 70 cm 65 cm 65 cm

6.5 – Comprimento de ancoragem necessário

O comprimento de ancoragem necessário é um valor menor ou igual ao com-


primento de ancoragem básico que pode ser calculado por:

A s,cal
 b, nec    b   b, min (6.5)
A se
onde:

6.7
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

  = 1,0 - para barras sem gancho;


  = 0,7 - para barras tracionadas com gancho, com cobri-
mento no plano normal ao do gancho ≥ 3;
 α = 0,7 - quando houver barras transversais soldadas, con-
forme item 9.4.2.2 da NBR 6118:2014;
 α = 0,5 - quando houver barras transversais soldadas, con-
forme item 9.4.2.2 da NBR 6118:2014 e gancho com cobri-
mento no plano normal ao do gancho ≥ 3;
 b - é calculado conforme equação (6.4);
 b,min - é o comprimento mínimo de ancoragem, dado por:

0,3 b

 b,min > 10  (6.6)


10 cm

6.6 – Armadura transversal na ancoragem

Para efeito desse item, observado o item 6.3.1, consideram-se as armaduras


transversais existentes ao longo do comprimento de ancoragem, caso a soma das
áreas dessas armaduras seja maior ou igual às especificadas abaixo:

 Barras com  < 32 mm ao longo do comprimento de ancoragem deve ser


prevista armadura transversal capaz de resistir a 25% da força longitudinal de uma
das barras ancoradas. Se a ancoragem envolver barras diferentes, prevalece para
esse efeito, a barra de maior diâmetro.

 Barras com   32 mm deve ser verificada a armadura em duas direções


transversais ao conjunto de barras ancoradas. Essas armaduras transversais devem
suportar os esforços de fendilhamento segundo os planos críticos, respeitando espa-
çamento máximo de 5 .

6.8
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

6.7 – Ancoragem de feixes de barras, por aderência

Considera-se o feixe como uma barra de diâmetro equivalente igual a:

n  f n (6.7)

Onde  n é o diâmetro equivalente do feixe constituído de n barras com diâmetro  f.

6.8 – Ancoragem de estribos (item 9.4.6 da NBR 6118:2014)

A ancoragem dos estribos deve necessariamente ser garantida por meio de


ganchos ou barras longitudinais soldadas.

Os ganchos dos estribos (com diâmetro  t) podem ser:


 Semicirculares ou em ângulo de 45o (interno), com ponta reta de compri-
mento igual a 5  t, porém não inferior a 5 cm;

 Em ângulo reto, com ponta reta de comprimento maior ou igual a 10  t, porém


não inferior a 7 cm (este tipo de gancho não deve ser utilizado para barras e
fios lisos).

O diâmetro interno da curvatura dos estribos deve ser, no mínimo, igual aos
estabelecidos na tab. 6.3.

Tabela 6.3 – Diâmetro dos pinos de dobramento para estribos

Bitola Tipo de aço


(mm) CA - 25 CA - 50 CA - 60
 10 3 t 3 t 3 t
10 <  < 20 4 t 5 t -

 20 5 t 8 t -

6.9
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

6.9 – Emendas das barras

6.9.1 – Tipos

As emendas podem ser:


 Por traspasse (transpasse ou trespasse);
 Por luvas com preenchimento metálico, rosqueadas ou prensadas;
 Por solda;
 Por outros dispositivos devidamente justificados.

6.9.2 – Emendas por traspasse

Esse tipo de emenda não é permitido para barras com bitola superior a 32 mm.
Cuidados especiais devem ser tomados na ancoragem e na armadura de costura dos
tirantes e pendurais (elementos estruturais lineares de seção inteiramente tracionada).

No caso de emenda de feixe de barras, o diâmetro equivalente não deve ser


superior a 45 mm.

6.9.2.1 – Proporção das barras emendadas na mesa seção

São consideradas emendadas numa mesma seção transversal, as barras cujas


emendas superponham efetivamente nessa seção ou cujas extremidades mais próxi-
mas estejam afastadas a menos de 20% do comprimento do trecho do traspasse,
conforme mostrado na figura 6.3.

Quando as barras têm diâmetros diferentes, o comprimento de traspasse deve


ser calculado pela barra de maior diâmetro.

6.10
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

Figura 6.3 – Emendas consideradas na mesma seção transversal

A proporção máxima de barras tracionadas da armadura principal, emendadas


por traspasse na mesma seção transversal do elemento estrutural, está indicada na
tabela 6.4 abaixo:

Tabela 6.4 – Proporção máxima de barras tracionadas emen-


dadas em uma mesma seção
Tipo de
Tipo de barra Situação carregamento
Estático Dinâmico
Em uma camada 100 % 100 %
Alta resistência Em mais de uma
50 % 50 %
camada
 < 16 mm 50 % 25 %
Lisa
  16 mm 25 % 25 %

Quando se tratar de armadura permanentemente comprimida ou de distribui-


ção, todas as barras podem ser emendadas na mesma seção.

6.11
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___________________________________________________________________________

6.9.2.2 – Comprimento de traspasse para barras tracionadas isoladas

Quando a distância livre entre barras emendadas for menor que 4, o compri-
mento do trecho de traspasse para barras tracionadas deve ser:

0t = 0t  b,nec ≥  0t,min (6.8)


onde:
0,3 0t 

 0t,min > 15  (6.9)


20 cm

0t é o coeficiente em função da porcentagem de barras emendadas na


mesma seção, conforme a tabela 6.5.

Quando a distância livre entre barras emendadas for maior que 4, ao compri-
mento calculado acima, deve ser acrescida a distância livre entre barras emendadas.
A armadura transversal na emenda deve ser justificada, atendendo ao estabelecido
em 6.9.2.4.

Tabela 6.5 – Valores do coeficiente 0t

Porcentagem de barras emen-


dadas na mesma seção (%)  20 25 33 50 > 50

Valores de 0t 1,2 1,4 1,6 1,8 2,0

6.9.2.3 – Comprimento de traspasse para barras comprimidas isoladas

Quando as barras estiverem comprimidas, adota-se a seguinte expressão para


o cálculo do comprimento de traspasse:

6.12
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

0c =  b,nec   0c,min (6.10)


onde:
0,6  b

 0c,min > 15  (6.11)


20 cm

6.9.2.4 – Armadura transversal nas emendas por traspasse, em barras isoladas

Figura 6.4 – Armadura transversal nas emendas

6.9.2.4.1 – Emendas de barras tracionadas da armadura principal (ver figura 6.4)

Quando  < 16 mm ou a proporção de barras emendadas na mesma seção for


menor que 25 %, a armadura transversal deve satisfazer ao item 6.6.

Nos casos em que  ≥ 16 mm ou quando a proporção de barras emendadas na


mesma seção for maior ou igual a 25 %, a armadura transversal deve:

 Ser capaz de resistir a uma força igual à de uma barra emendada, considerando
os ramos paralelos ao plano da emenda;

6.13
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Aderência
___________________________________________________________________________

 Ser constituída por barras fechadas se a distância entre as duas barras mais
próximas de duas emendas na mesma seção for < 10 ( = diâmetro da barra
emendada);
 Concentrar-se nos terços extremos das emendas.

6.9.2.4.2 – Emendas de barras comprimidas (ver figura 6.4)

Devem ser mantidos os critérios estabelecidos para o caso anterior, com pelo
menos uma barra da armadura transversal posicionada a 4, além das extremidades
da emenda.

6.14
CONCRETO ARMADO I - CAPÍTULO 7

Departamento de Engenharia de Estruturas – EE-UFMG

Junho 2018

DETALHAMENTO DE VIGAS
____________________________________________________________________________

7.1 - Introdução

O detalhamento de elementos lineares constitui o capítulo 18 da NBR


6118:2014. No intuito de fixar os conceitos para o cálculo das armaduras longitudinais
(destinadas a resistir às forças de tração, produzidas pela flexão) e das armaduras
transversais (para combater a força cortante), são calculadas e detalhadas, nesse ca-
pítulo, vigas biapoiadas e contínuas em concreto armado. O correto detalhamento
dessas armaduras longitudinais e transversais é uma tarefa importante no projeto de
vigas de concreto armado.

Segundo o item 18.2.1 da NBR 6118:2014 “o arranjo das armaduras deve aten-
der não só à sua função estrutural como também às condições adequadas de execu-
ção, particularmente com relação ao lançamento e ao adensamento do concreto. Os
espaços devem ser projetados para a introdução do vibrador e de modo a impedir a
segregação dos agregados e a ocorrência de vazios no interior do elemento estrutu-
ral.”

Algumas barras da armadura longitudinal, tracionadas pela flexão, podem ser


dobradas para resistir à força cortante ou são necessárias em nós de pórticos. Os
diâmetros internos mínimos de dobramento dessas barras (diâmetro dos pinos de do-
bramento para barras curvadas) estão listados na tabela 7.1 (item 18.2.2 da NBR
6118:2014). Esses diâmetros de curvatura podem ser reduzidos proporcionalmente à
redução da tensão de cálculo nessas armaduras, em relação à tensão de escoamento
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

de cálculo fyd, mas nunca a valores inferiores aos exigidos para os ganchos (ver tabela
6.2).

Tabela 7.1 – Diâmetro mínimo dos pinos de dobramento para barras


curvadas

Tipo de aço
CA - 25 CA - 50 CA - 60

10  15  18 

As prescrições que se seguem são válidas para vigas isostáticas com relação
(/h) ≥ 2 e para vigas contínuas com relação (/h) ≥ 3, em que  é o comprimento do
vão teórico (ou o dobro do comprimento teórico, no caso de balanço) e h é a altura
total da viga. Vigas com relações (/h) menores devem ser tratadas como viga parede.

7.2 – Armadura de tração na flexão simples, ancoradas por aderência

Segundo o item 18.3.2.3.1 da NBR 6118:2014, o trecho adicional da extremi-


dade da barra de tração, considerado como de ancoragem, tem início na seção teórica
onde sua tensão σs começa a diminuir, ou seja, a força de tração da armadura começa
a ser transferida para o concreto. Esse trecho deve se prolongar pelo menos 10 além
do ponto teórico de tensão σs nula, não podendo em caso algum, ser inferior ao com-
primento de ancoragem necessário, b,nec, dado na equação (6.5).

Assim, na armadura longitudinal de tração dos elementos estruturais solicitados


por flexão simples, o trecho de ancoragem da barra deve ter início no ponto A (figura

7.1) do diagrama de forças RSd = [(Md) / z] deslocado (decalado) do comprimento a,


conforme equações (5.34) (para modelo I) e (5.44) (para modelo II). Esse diagrama
deslocado equivale ao diagrama de forças corrigido FSd,cor, equação (5.35). Se a barra

7.2
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

não for dobrada, o trecho de ancoragem deve prolongar-se além do ponto B (onde
teoricamente começa o trecho de ancoragem da próxima barra), no mínimo 10.

A partir do ponto A, que pertence ao diagrama de forças de tração decalado,


acrescenta-se o comprimento necessário de ancoragem, b,nec, dado na equação
(6.5). A extremidade dessa barra ancorada deve prolongar-se até pelo menos 10
além do ponto teórico de tensão σs nula, ponto B. Para garantir a perfeita ancoragem,
o trecho além do ponto A não pode em caso algum, ser inferior ao comprimento ne-
cessário de ancoragem.

Figura 7.1 – Cobertura do diagrama de força de tração solicitante pelo dia-


grama resistente (Adaptado da figura 18.3 da NBR 6118:2014)

Nos pontos intermediários entre A e B, o diagrama resistente linearizado (tra-


cejado) deve cobrir o diagrama solicitante (ver figura 7.1). Se o ponto A estiver na face
do apoio ou além dela e a força FSd diminuir em direção ao centro do apoio, o trecho

7.3
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

de ancoragem deve ser medido a partir dessa face e deve obedecer ao disposto no
item 7.3-b, mais adiante.

Na figura 7.1 o apoio da esquerda, em destaque, tem inicialmente um momento

fletor nulo. Considerando o diagrama deslocado de a,esse apoio estará submetido a

um pequeno momento fletor M = RSdZ. O valor médio de Z = 0,9d, já utilizado no


cálculo da armadura de cisalhamento (capítulo 5), pode ser tomado como aproxima-
damente igual a d (z ≈ d), devido ao pequeno valor de M. A armadura de tração
devido à flexão deve sempre trabalhar com σsd = fyd,, que implica em:

RSd = As fyd (7.1)

No triangulo formado pelos catetos a e M, o ângulo  representa a inclinação


do diagrama de momentos na seção do apoio, cuja tangente dá a derivada desse
diagrama em relação ao eixo longitudinal da viga (x). A partir das relações diferenciais
relacionando os esforços solicitantes tem-se:

dM Sd, apoio ΔMd R Sd Z R Sdd


tg   VSd, apoio    (7.2)
dx a a a

De (7.1) e (7.2) calcula-se a armadura de tração necessária no apoio:

apoio
R Sdd As,cal f ydd a  VSd, apoio
VSd, apoio    Aapoio
s,cal  (7.3)
a a d f yd

7.3 – Armadura de tração nas seções de apoio

Segundo o item 18.3.2.4 da NBR 6118:2014, os esforços de tração junto aos


apoios de vigas simples ou contínuas devem ser resistidos por armaduras longitudi-
nais, que satisfaçam a mais severa das seguintes condições:

7.4
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

a) no caso de ocorrência de momentos positivos, as armaduras obtidas atra-


vés do dimensionamento da seção;
b) em apoios extremos, para garantir ancoragem da diagonal de compressão,

armaduras capazes de resistir a uma força de tração FSd = (a/d) Vd + Nd,


onde Vd é a força cortante no apoio e Nd é a força de tração eventualmente
existente, mesma equação (7.3) para N = 0;
c) em apoios extremos e intermediários, por prolongamento de uma parte da
armadura de tração do vão (As,vão), correspondente ao máximo momento
positivo do tramo (Mvão), de modo que:

- As,apoio ≥ (1/3) (As,vão) se (Mapoio ≤ 0) e de valor absoluto Mapoio ≤ 0,5 Mvão;


(na prática válido para apoios extremos)
- As,apoio ≥ (1/4) (As,vão) se (Mapoio < 0) e de valor absoluto Mapoio > 0,5 Mvão.
(na prática válido para apoios intermediários)

7.4 – Ancoragem da armadura de tração no apoio

Quando se tratar do caso de 7.3-a, as ancoragens devem obedecer aos crité-


rios da figura 7.1. Para os casos de 7.3-b e 7.3-c as barras das armaduras devem ser
ancoradas a partir da face do apoio, com comprimentos iguais ou superiores ao maior
dos seguintes valores:
- b,nec conforme equação (6.5);

- (r + 5,5), onde r é o raio de curvatura dos ganchos, conforme tabela 6.2;


- 60 mm.

Quando houver cobrimento da barra no trecho do gancho, medido normalmente


ao plano do gancho, de pelo menos 70 mm, e as ações acidentais não ocorrerem com
grande frequência com seu valor máximo, o primeiro dos três valores anteriores pode
ser desconsiderado, prevalecendo as duas condições restantes.

7.5
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

Para os casos de 7.3-b e 7.3-c, em apoios intermediários, o comprimento de


ancoragem pode ser igual a 10, desde que não haja qualquer possibilidade da ocor-
rência de momentos positivos na região dos apoios, provocados por situações impre-
vistas, particularmente por efeitos de vento e eventuais recalques. Quando essa pos-
sibilidade existir, as barras devem ser contínuas, ou emendadas sobre os apoios.

7.5 - Viga 1

Calcular e detalhar uma viga biapoiada com vão  = 5 m, seção 20x50 cm2 (d
= 46 cm), fck = 25 MPa (brita calcaria), aço CA 50 (flexão) e/ou CA 60 (cisalhamento),
apoio da esquerda com largura cesq = 20 cm e da direita cdir = 30 cm, obra residencial
urbana ( k,lim = 0,3 mm, cnom = 3 cm), reação das lajes RL = GL + QL = 22 + 8 = 30
kN/m, alvenaria de tijolos furados com espessura de 25 cm e altura de 2,8 m sobre a
viga.

7.5.1 – Carga sobre a viga

Peso próprio pp = 0,2x0,5x25 = 2,5 kN/m


Peso da alvenaria palv = 0,25x2,80x13 = 9,1 kN/m g = 2,5 + 9,1 + 22 = 33,6 kN/m
Reação das lajes parcela permanente = 22 kN/m

Reação das lajes parcela acidental q = 8 kN/m

Carga total p = g + q = 33,6 + 8 p = 41,6 kN/m

7.5.2 – Esforços

R = p / 2 = 41,6x5 / 2 = 104 kN

MS,max = p2 / 8 = (33,6 + 8 = 41,6) 52 / 8 = 105 (Mg) + 25 (Mq) = 130 kNm

7.6
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

7.5.3 – Cálculo da armadura de flexão

fc = 1,518 kN/cm2 Tabela 1.11


13000x1,4
K  0,283  KL  0,295  K'  K  0,283
1,518x20x462

A s  A s1
1,518x20x46
43,5
 
1  1  2x0,283  10,96 cm2 - A's  A s2 0

(d/h) = 46 / 50 ≈ 0,90 ρmin = 0,15% (tabela 2.7)


As,min = 0,15%x20x50 = 1,5 cm2 < As = 10,96 cm2
Usando  = 16 mm (2,011 cm2) 6  16 mm Ase = 6x2,011 ≈ 12,1 cm2

As2 = A’s = 0 usando 2  5 mm como “porta-estribo” A’se = 0,39 cm2

7.5.4 – Verificação da fissuração

fctm = 0,3x(25)2/3 = 2,56 MPa = 0,256 kN/cm2


f2 = 1 = 0,4 combinação frequente, edifício residencial
1,4x130
γf   1,58  1,4
105  0,4x25

Usando-se a equação (4.1), que não depende do detalhamento, para i = 16


mm, e tensão σsi calculada de forma aproximada:

fyd A s,cal 43,48 10,96


σ si    24,93kN/cm2
γ f A se 1,58 12,1

i σ si 3σ si 16 24,93 3x24,93
k    0,20mm  0,3mm (OK!)
12,51 Esi fctm 12,5x2,25 21000 0,256

Alternativamente a verificação da fissuração pode ser feita pela equação (4.13),


originada da equação (4.1) acima, resultando:

7.7
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

Φi 16
a  7,361 105  7,361x10 5  2,483x103
γ f k 1,58x0,3

A se 3afyd 3x2,483x103 x43,48


   0,9  A se  A s,cal  10,96cm2
A s,cal  f fctm 1,58x0,256

7.5.5 – Cálculo da armadura de cisalhamento

Para o cálculo da tensão convencional máxima de cisalhamento (wd,max) a força


cortante máxima deve ser obtida na face do apoio:

VS,max = R - p cesq / 2 = 104 - 41,6x0,2 / 2 = 99,84 kN


VSd,max 99,8x1,4
 wd, max    0,152 kN/cm 2
bw d 20x46

Verificação do esmagamento da biela comprimida de concreto


wd,max < wd2 = 0,434 kN/cm2, (tabela 5.2) ( concreto OK!)

Cálculo da armadura de cisalhamento (modelo I)


c0 = 0,0769 kN/cm2, (tabela 5.3)

0,152 - 0,0769
w  100  0,192  w, min  0,103 (tabela 5.1)
39,15

Asw = 0,192x20 = 3,84 cm2/m


Considerando estribo simples (dois ramos) Asw / 2 = 1,92 cm2/m
Usando t = 5 mm (0,196 cm2) s = 100 / (1,92 / 0,196) = 10,2 cm

Espaçamento máximo
wd,max / wd2 = 0,152 / 0,434 = 0,35 < 0,67 smax = 0,6 d = 0,6x46 ≈ 27 cm (OK!)

Estribo final  5 c/10 cm


7.8
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

7.5.6 – Detalhamento da seção transversal

bútil = 20 – 2 (3 + 0,5) = 13 cm
13  2
n,cam   4,2  4 16 mm na 1a e 2 16 mm na 2a camada
1,6  2

43  0,5  1,6   23  0,5  1,6  2  1,6 


  2    2 
d' 'real    5,5 cm  d' 'adotado  4 cm
6
dreal = 50 – 5,5 = 44,5 cm < dadot = 46 cm, d’ = 3 + 0,5 + 0,5 / 2 = 3,75 cm

Kcorrigido = 0,303 > KL = 0,295 K’ = KL = 0,295

A s1
1,518x20x46
43,5
 
1  1  2x0,295  32,10x0,8x0,45  32,10x0,36  11,56 cm2

1,518x20x46 0,303  0,295


A s2  0,28 cm2
43,5 
1  3,75 
 44,5 
As,real = As1 + As2 = 11,56 + 0,28 = 11,84 cm2 < Ase = 12,1 cm2 (OK!)

(d’/d)=(3,75/44,5) = 0,084 < 0,184 =1 A’s = As2 = 0,28 cm2 < A’se = 0,39 cm2 (OK!)

As armaduras efetivamente adotadas ou existentes, calculadas com o valor


adotado dadot = 46 cm, atendem às armaduras corrigidas, calculadas com os valores
reais de dreal = 5,5 cm e d’real = 3,75 cm.

7.5.7 – Cálculo dos comprimentos de ancoragem por aderência

De acordo a tabela 6.3 o comprimento básico de ancoragem para situação de


boa aderência (armadura no fundo da viga) é b = 37,67  = 37,67x1,6 = 60,3 cm (na

tabela 6.3 considera-se o primeiro múltiplo de 5 acima, portanto b = 65 cm).

 Ancoragem no vão
De acordo a equação (6.5) o comprimento de ancoragem necessário sem gan-
cho (1 = 1), para As,cal = As,real = 11,84 cm2, é dado por:

7.9
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

b,nec = 1x60,3(11,84 / 12,1) = 59 cm > b,min = 0,3x60,3 ≈ 18 cm (OK!)

 Ancoragem nos apoios

Conforme equação (5.34a), com VSd,max = R = 104 kN (wd,max=1,4x104 / 20x44,5


= 0,164 kN/cm2) nesse caso calculado no eixo do apoio, onde MS = 0, para estribos
verticais ( = 90o), Vc = Vc0 = c0(bwd) = 0,0769x20x44,5 = 68,44 kN, tem-se:

 
1  cotgα  cotgα  44,5 1  0  0
VSd,max 104x1,4
a  d 
 2VSd,max  Vc    2104x1,4  68,44 

a= 44,5x0,94 = 42 cm < d (a/ d)= 0,94

Alternativamente a relação (a/ d) pode ser obtida pela equação (5.34b), para

 = 90o:
 wd, max 0,164
a  d 44,5  0,94x44,5  42 cm , (a/ d)= 0,94
2 wd, max  c0  20,164  0,0769

a  VSd,apoio 104x1,4
s,cal 
A apoio  0,94  3,15cm2
d fyd 43,5

Levando-se 2 16 mm, (1/3) das 6 barras do vão, até os apoios e considerando
gancho (1 = 0,7 – cesq = 20 cm – cdir = 30 cm), resulta:

b,nec = 0,7x60,3(3,15 / 4,02) ≈ 33 cm > b,min = 0,3x60,3 ≈ 18 cm (OK!)

Além disso, conforme 7.4, o comprimento necessário de ancoragem no apoio


deve ser maior que (r + 5,5) ou 60 mm. De acordo a tabela 6.2, o diâmetro do pino

de dobramento dos ganchos para  = 16 mm < 20 mm e aço CA 50, é D = 5 . Dessa


forma, o raio de curvatura dos ganchos deve ser:

r = D/2 + /2 = 5/2 + /2 = 3 (r + 5,5) = 8,5 = 8,5x1,6 ≈ 14 cm

7.10
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

Portanto o valor b,nec = 33 cm, calculado acima, é maior que todos os demais,
atendendo a NBR 6118:2014. Esse comprimento foi calculado com o número mínimo
de barras levadas até o apoio (duas). No detalhamento final das armaduras de flexão
pode acontecer que mais barras sejam levadas até os apoios, diminuindo esse valor.

7.5.8 - Comprimento das barras, para cobrir o diagrama de momentos fletores

Na figura 7.2 está traçado o diagrama de momentos fletores, em escala, sobre


a vista lateral da viga. Nessa figura o momento máximo no meio do vão representa
em outra escala, a resultante de tração RSd,max = (MSd,max / Z). Como foi adotado 6 16
mm para resistir a esse momento, divide-se o comprimento máximo RSd,max em 6 par-
tes iguais, uma para cada barra do vão. Tem-se então 6 comprimentos em escala no
diagrama de momentos (sem decalagem), variando desde 500 cm (vão teórico da
viga) até 204 cm, para a menor (valores marcados na figura 7.2).

Figura 7.2 – Diagrama de M e comprimento das barras tracionadas

7.11
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

Os números circundados representam as barras conforme recomendado na


figura 18.3 da NBR 6118:2014 (adaptada na figura 7.1), ou seja, 6 = 0. Já os inscritos
em retângulos representam as barras detalhadas de forma mais simplificada, ado-

tando-se para a a metade da altura h, portanto maior que d/2, e considerando-se


como comprimento da barra maior, a distância entre os pontos de momentos nulos
(no caso 1 = 500 cm), e da barra menor, o comprimento 6 = 204 cm (ver figura 7.2).

Teoricamente a barra 6 circundada, tem comprimento inicial “0” (zero), acres-

cido de cada lado, do valor a = 42 cm (ponto A da figura 7.2) e do comprimento ne-

cessário de ancoragem b,nec = 59 cm, resultando 6 = 0 + 2(42 + 59) = 202 cm. Essa

barra, calculada inicialmente com 202 cm, deve ultrapassar em 10 = 16 cm o ponto
B da barra 5, de cada lado do eixo da viga, onde teoricamente a tensão nessa barra
começa a diminuir. Portanto, o comprimento final de 6 fica:,

6 = 204 + 2(42 + 16) = 320* cm > 202 cm.

Analogamente os comprimentos das outras barras circundadas ficam:



5 = 204 + 2(42 + 59) = 406* cm > 289 + 2(42 + 16) = 405 cm.

4 = 289 + 2(42 + 59) = 491* cm > 354 + 2(42 + 16) = 470 cm.

(*) valor adotado das barras.

O comprimento da barra 4, 4 = 491 cm, já é maior que a distância livre entre

as faces internas dos apoios, 0 = 500 – (20 + 30) / 2 = 475 cm. Portanto, não é
necessário calcular os comprimentos das outras três barras (1, 2 e 3), porque elas são
também maiores que o comprimento 0 = 475 cm. Dessa forma serão levadas quatro

7.12
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___________________________________________________________________________

barras até os apoios, resultando em um novo comprimento necessário de ancoragem


nos apoios, dado por:
       (r + 5,5) = 8,5 = 8,5 x 1,6 ≈ 14 cm

b,nec,novo = 0,7x60,3 (3,15 / 8,04) ≈ 17 cm > b,min = 0,3x60,3 ≈ 18* cm (OK!)


6 cm

O comprimento das barras inscritas em retângulos, calculadas de forma simpli-

ficada com a = h/2 = 25 cm, fica:

6 = 204 + 2(25 + 59) = 372* cm > 320 cm (valor da barra circundada).

5 = 289 + 2(25 + 59) = 457* cm > 405 cm (valor da barra circundada).

4 = 354 + 2(25 + 59) = 522* cm (> 0) > 491 cm (valor da barra circundada).

(*) valor adotado das barras

Aqui também não será necessário calcular os comprimentos das outras três
primeiras barras, resultando no valor já calculado, para o comprimento necessário de
ancoragem nos apoios, b,nec = 18* cm (4 barras levadas até aos apoios).

7.5.9 – Detalhamento da viga

7.5.9.1 – Barras de flexão (longitudinais)

O detalhamento inicial será feito considerando as quatro primeiras (maiores)


barras levadas até aos apoios e as outras duas (da segunda camada) com os compri-
mentos já calculados anteriormente, conforme recomendação da NBR 6118:2014 (fi-
gura 7.1). O detalhamento das barras da armadura de flexão da viga V1 está apre-
sentado na figura 7.3, que mostra também o detalhamento e distribuição dos estribos
(apresentado no próximo item).

7.13
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Figura 7.3 – Viga V1 detalhada

As quatro barras da primeira camada, posição N4 da figura 7.3, foram levadas


até os apoios onde foram ancoradas com ganchos em ângulo reto, portanto com ponta
reta não inferior a 8 = 8x1,6 ≈ 13 cm. O novo comprimento de ancoragem com gan-
cho, calculado depois do detalhamento final das barras longitudinais, foi b,nec,c/ gancho

= 17 cm, substituído por b,min = 18* cm.

Essas barras apresentam um trecho maior reto, dois trechos curvos do desen-

volvimento dos ganchos, cujo diâmetro interno do pino de dobramento vale DINT. = 5
(tabela 6.2) e as duas pontas retas dos ganchos (13 cm). Considerando o eixo da

barra longitudinal, o raio de dobramento do gancho vale rgancho = 5/ 2 +  / 2 = 3=


3x1,6 = 4,8 cm ≈ 5 cm. O trecho curvo dos ganchos tem o comprimento igual a um

7.14
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quarto do círculo com raio rgancho = 3, resultando [(1/4) 2 (3)] = 0,25x2x3x1,6 ≈ 8
cm.
Como o apoio da esquerda tem uma largura cesq = 20 cm, o comprimento do
trecho reto da barra N4 dentro desse apoio (a partir da sua face interna) vale (20 – 3
– 0,8 – 4,8) ≈ 11 cm. Somando a esse valor o comprimento do trecho curvo do gancho
que é de 8 cm, resulta (11 + 8) = 19 cm, que já é maior que o b,min = 18* cm, mas
mesmo assim, a NBR 6118:2014 obriga o uso da ponta reta de 13 cm na sua extre-
midade. Dessa forma o comprimento final, a partir da face interna do apoio esquerdo,
é dado por (11 + 8 + 13) = 32 cm.

No apoio da direita, com cdir = 30 cm, a ancoragem pode ser reta sem gancho
resultando o valor b,nec,s/ gancho = (b,nec,c/ gancho) / 0,7 = 17 / 0,7 = 24 cm < (30 -3 ) = 27
cm (comprimento máximo possível da ancoragem reta, sem gancho, dentro desse
apoio). Adotou-se, no entanto, por analogia ao apoio esquerdo, o mesmo detalha-
mento com gancho, ficando o comprimento ancorado dentro desse apoio igual a [(30
– 3 – 0,8 - 4,8) + 8 + 13] ≈ 42 cm.

Finalmente as barras da posição N4 tem o comprimento final dado por:

reto,N4 ≤ (500+20/2+30/2)–2c–2(/2) – 2rgancho = 525–2x3–2x1,6/2–2x4,8 = 507,8 cm

reto,N4,adotado = 507 cm
N4 = reto,N4 + 2 (curvo,ganc + ponta,ganc) = 507 + 2(8 + 13) = 549 cm

Os comprimentos das barras correspondentes às posições N2 e N3 foram cal-


culadas anteriormente, respectivamente as barras circundadas 6 = 320 cm e 5 = 406
cm, da figura 7.2.

7.5.9.2 – Barras da armadura transversal (estribos)

A armadura de cisalhamento foi calculada anteriormente para o máximo valor


da força cortante (na face do apoio), que ocorre no apoio da esquerda (cesq < cdir). O

7.15
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___________________________________________________________________________

valor desse cortante (99,84 kN) é um pouco maior que o da face do apoio da direita
(104 – 41,6x0,15 = 97,76 kN), podendo-se considerar a mesma taxa ρw = 0,192, já
calculada para o apoio da esquerda ( 5 c/10 cm). Esses dois valores são os extre-
mos do diagrama de cortante da viga. Na região central a força cortante diminui, em
módulo, até um valor correspondente ao cortante mínimo, abaixo do qual a utilização
do estribo mínimo absorve o cisalhamento (ver figura 7.4).

Figura 7.4 – Diagrama de V com trechos de estribos máximos e mínimos

Para concreto fck = 25 MPa as tabelas 5.1 e 5.4 fornecem respectivamente os


valores: w,min = 0,103 e wd,min = 0,117 kN/cm2. O cortante VSd,min = wd,min (bw d) =
0,117x20x44,5 = 104,1 kN resultando no valor VS,min = (VSd,min /1,4) = 104,1 / 1,4 = 74,4
kN. A distância, a partir do eixo do apoio, que a força cortante assume esse valor
mínimo, é dada por: VS,min= 74,4 = R – p x = 104 – 41,6x
x = (104 – 74,4) / 41,6 = 0,71 m = 71 cm.

7.16
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Para w,min = 0,103 a armadura Asw,min = 0,103x20 = 2,06 cm2/m. Considerando


estribo simples r(dois ramos), vem:

(Asw,min)/2 = 1,03 cm2/m s = 100 / (1,03 / 0,196) = 19 cm  5 c/19 cm

7.5.9.3 – Desenho da viga

Na figura 7.3 a viga biapoiada desse exemplo é desenhada mostrando-se os


detalhes das armaduras longitudinais e transversais. Para resistir ao momento má-
ximo foi requerida uma armadura tracionada, As,cal = 11,84 cm2 (barras N2 a N4, já
detalhadas) e outra comprimida A’s,cal = 0,26 cm2, resultando a posição N1, com 2
5mm corridos (A’se = 0,39 cm2). Mesmo que a armadura de compressão não fosse
necessária, deve-se usar, por motivos construtivos, duas barras superiores corridas
como “porta-estribos”, que normalmente têm no mínimo a bitola do estribo, portanto,
as mesmas barras da posição N1.

O estribo, posição N5, foi considerado com gancho em ângulo reto que deve
ter ponta reta de comprimento maior ou igual a 10t = 10x0,5 = 5 cm, porém não inferior
a 7 cm, conforme item 9.4.6 da NBR 6118:2014. Assim o comprimento final do estribo
será:
2x(44 + 14) + 2x7 = 130 cm

O detalhamento da figura 7.3 foi feito considerando comprimentos distintos para


as duas barras da segunda camada, posições N2 e N3. Opcionalmente pode-se de-
talhar essas barras, usando-se duas barras com o mesmo comprimento e alternadas
em relação às faces internas dos pilares, conforme posição N6* do desenho 7.3.

A barra N3 está a 35 cm da face do apoio esquerdo e a (475 – 35 – 406) = 34


cm da face direita. A barra N4 está a (35 + 43) = 78 cm da face do apoio esquerdo e
a (475 – 78 – 320) = 77 cm do direito. As duas barras alternadas opcionais, N6*,
devem afastar 35 cm, uma de cada lado das faces dos apoios. Para que elas tenham

7.17
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___________________________________________________________________________

o mesmo comprimento as duas tem que se defasar 35 cm, conforme o detalhamento


alternativo. Dessa forma o comprimento de N6* fica (475 - 3x35) = 370 cm.

7.6 - Viga 2

Calcular e detalhar uma viga contínua de 3 vãos, de um pavimento intermediá-


rio, com pé-direito (distância entre as faces das lajes de piso e forro de um mesmo
pavimento) de 2,80 m, concreto fck = 35 MPa (fc = 2,125 kN/cm2), aços CA 50 / CA 60,
cobrimento adotado cadot = cnom - 0,5 = 2,5 cm. A seção transversal da viga é de 15x50
cm2, d = 45 cm (prevendo armadura tracionada em duas camadas), os pilares (apoios)
são todos de 20x20 cm2. As cargas, vãos e diagramas de força cortante e momento
fletor estão apresentados na figura 7.5.

7.6.1 - Correções no modelo de viga contínua

Conforme o item 14.6.7.1 da NBR 6118:2014 o modelo clássico de viga contí-


nua, simplesmente apoiada nos pilares, para o estudo das cargas verticais, pode ser
utilizado observando-se a necessidade das seguintes correções adicionais:

a) não devem ser considerados momentos positivos menores que os que se ob-
teriam se houvesse engastamento perfeito da viga nos apoios internos;
b) quando a viga for solidária com o pilar intermediário e a largura do apoio, me-
dida na direção do eixo da viga, for maior que a quarta parte da altura do pilar,
não pode ser considerado momento negativo de valor absoluto menor do que
o de engastamento perfeito nesse apoio;
c) quando não for realizado o cálculo exato da influência da solidariedade dos
pilares com a viga, deve ser considerado, nos apoios extremos, momento fletor
igual ao momento de engastamento perfeito multiplicado pelos coeficientes es-
tabelecidos nas seguintes relações:
- na viga:
rsup  rinf
Mvig  Meng
rsup  rinf  rvig

7.18
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___________________________________________________________________________

- no lance (vão) superior do pilar:


rsup
Msup  Meng
rsup  rinf  rvig

- no lance (vão) inferior do pilar:


rinf
Minf  Meng
rsup  rinf  rvig

Onde ri = (Ii / i) é a rigidez do elemento “i” do nó extremo analisado.

Figura 7.5 – Viga 2, cargas e diagramas de esforços solicitantes

Alternativamente, o modelo de viga contínua pode ser melhorado, conside-


rando-se a solidariedade dos pilares com a viga, mediante a introdução da rigidez à
flexão dos pilares extremos e intermediários (pórtico plano).

7.19
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___________________________________________________________________________

Os momentos negativos sobre os apoios extremos para a viga contínua acima,


calculados considerando-se o item de correção “c", são obtidos conforme:

 Apoio extremo da esquerda

rsup = rinf = Isup / sup = (20x203/12) / 280 = 48


rvig = Ivig / vig = (15x503/12) / 600 = 260

Meng 
p1x 2 p2  p1 c cd
12

12x 2

12a b
cd cd
2
 c cd   3bcd 
Paccbcc 2
2

Meng 
20x62 40  20x2
12

12x62

12x5x12
 22
6  3x1 
62

40x4x22
 84,4 kNm

(obtido das tabelas de momentos de engastamento perfeito de barras biengastadas)


48  48
Mvig  84,4  22,8 kNm
48  48  260
(cc – carga concentrada, cd – carga distribuída)
 Apoio extremo da direita
rsup = rinf = Isup / sup = (20 x 203/12) / 280 = 48
rvig = Ivig / vig = (15 x 503/12) / 500 = 313

Meng 
25x52 10x3,5
12

12x52

12x1,752
x3,25  3,52
5  3x1,75  
40x1,752 x3,25
52
 69,6 kNm

(obtido das tabelas de momentos de engastamento perfeito de barras biengastadas)

48  48
Mvig  69,6  16,3 kNm
48  48  313

Segundo a correção “a” o momento positivo máximo no segundo vão conside-


rando engaste perfeito nos apoios é M*max = 30x4,52 / 24 = 25,3 kNm (diagrama trace-
jado na figura 7.5). Esse é o valor a ser dimensionado, que além de positivo é maior
que o encontrado no diagrama de M da figura 7.5, M = - 14,4 kNm (negativo). Para o
primeiro e terceiro vãos não será necessário fazer essa verificação, pois com os mo-

7.20
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___________________________________________________________________________

mentos de extremidades nulos os diagramas de momentos positivos nesses dois tre-


chos resultam em valores maiores que os encontrados na situação de engaste perfeito
(Meng,esq = - 84,4 kNm e Meng,dir = - 69,6 kNm calculados acima).

7.6.2 - Dimensionamento à flexão

Para fck = 35 MPa e (d/h) = (45/50) = 0,9, As,min = 0,15% Ac = 1,13 cm2 (tab. 2,7)

X (momento negativo)
X*esq = 22,8 kNm K = 0,049 < KL As = 1,67 cm2 > As,min = 1,13 cm2
adotar 3 10mm Ase = 2,36 cm2 A’s = 0
X1 = 109,4 kNm K = 0,237 < KL As = 9,07 cm2 > As,min = 1,13 cm2 (OK!)
adotar 5 16mm Ase = 10,06 cm2 (2 na segunda camada) A’s = 0
X* = 14,4 kNm K = 0,031 < KL As = 1,05 cm2 < As,min = 1,13 cm2
adotar 2 10mm Ase = 1,57 cm2 A’s = 0
X2 = 73,6 kNm K = 0,160 < KL As = 5,77 cm2 > As,min = 1,13 cm2 (OK!)
adotar 3 16mm Ase = 6,03 cm2 A’s = 0
X*dir = 16,3 kNm K = 0,035 < KL As = 1,19 cm2 > As,min = 1,13 cm2
adotar 2 10mm Ase = 1,57 cm2 A’s = 0

M (momento positivo)
M1 = 95,5 kNm K = 0,207 < KL As = 7,74 cm2 > As,min = 1,13 cm2 (OK!)
adotar 416mm Ase = 8,04 cm2 (1 na segunda camada) A’s = 0
M*2 = 25,3 kNm K = 0,055 < KL As = 1,86 cm2 > As,min = 1,13 cm2 (OK!)
adotar 3 10mm Ase = 2,36 cm2 A’s = 0
M3 = 115,3 kNm K = 0,250 < KL As = 9,66 cm2 > As,min = 1,13 cm2 (OK!)
adotar 5 16mm Ase = 10,06 cm2 (2 na segunda camada) A’s = 0

7.6.3 – Verificação da fissuração

fctm = 0,3x(35)2/3 = 3,21 MPa = 0,321 kN/cm2

7.21
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γf = 1,4 (como não foram fornecidas as parcelas permanente e acidental das cargas,
adota-se esse valor mínimo, a favor da segurança, na previsão da abertura estimada
das fissuras).

M1 = 95,5 kNm (As,cal = 7,74 cm2 Ase = 8,04 cm2 4 16mm)


43,5 7,74
σ si   29,9 kN/cm 2 k = 0,28mm < 0,3mm (OK!)
1,4 8,04

M3 = 115,3 kNm (As,cal = 9,66 cm2 Ase = 10,06 cm2 5 16mm)


43,5 9,66
σ si   29,8 kN/cm 2 k = 0,28mm < 0,3mm (OK!)
1,4 10,06

X1 = 109,4 kNm (As,cal = 9,07 cm2 Ase = 10,06 cm2 5 16mm)


43,5 9,07
σ si   28,0 kN/cm 2 k = 0,25mm < 0,3mm (OK!)
1,4 10,06

X2 = 73,6 kNm (As,cal = 5,77 cm2 Ase = 6,03 cm2 3 16mm)


43,5 5,77
σ si   29,7 kN/cm 2 k = 0,28mm < 0,3mm (OK!)
1,4 6,03

Todas as aberturas estimadas das fissuras acima foram obtidas com tensão de
serviço na armadura calculada de forma simplificada, usando apenas a equação (4.1),
que não depende do arranjo usado no detalhamento. Embora essa equação forneça
normalmente aberturas estimadas maiores que as obtidas com a equação (4.2), todos
os valores k calculados acima foram aceitáveis. Portanto, não será necessário fazer
a verificação pela equação (4.2), que depende também da taxa ρri, função da área de
envolvimento Acri, ou seja, do detalhamento.

Alternativamente a verificação da fissuração, para a tensão de serviço calcu-


lada de forma aproximada, pode ser feita usando-se a equação (4.13), que não de-
pende do detalhamento, resultando para os três momentos acima:

7.22
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___________________________________________________________________________

16
a  7,361 105  2,804x103 , e
1,4x0,3

A se 3x2,804x10-3 x43,5
  0,90  1 *  Ase  As,cal
A s,cal 1,4x0,321

7.6.4 - Dimensionamento ao cisalhamento (Modelo I)

w,min = 0,128 (Tab. 5.1), Asw,min = 0,128x15=1,92 cm2/m


wd2 = 0,581 kN/cm2 (tab. 5.2), c0 = 0,0963 k/cm2 (tab. 5.3),
wd,min = 0,147 kN/cm2 (tab. 5.4), Vmin = 0,147x15x45 / 1,4 = 70,9 kN

 Verificação do concreto
VS,max = 138,2 - (40 x 0,20 / 2) = 134,2 kN
134,2x1,4
wd,max   0,209 kN/cm2  wd,2  0,581kN/cm2 (tabela 5.2) OK!
20x45

 Cálculo de Asw para cortantes máximos dos vãos

 Vão1
V = 61,8 kN < Vmin = 70,9 kN (estribo mínimo, ver diagrama de V na figura 7.5)
w = w,min Asw,min/2 = 0,96 cm2/m  5 c/20

V = 138,2 kN wd,face = (138,2 – 40x0,1) x1,4 / (15x45) = 0,209 kN/cm2 > wd,min
0,209 - 0,0963
ρw  100  0,465 kN/cm 2  ρw,min Asw/2 = 3,49 cm2/m  8 c/14
43,5

 Vão 2
V = 75,3 kN wd,face = (75,3 – 30x0,1) x1,4 / (15x45) = 0,150 kN/cm2 > wd,min
0,150 - 0,0963
ρw  100  0,137 kN/cm2  ρw,min Asw/2 = 1,03 cm2/m  5 c/19
39,15
V = 59,5 kN < Vmin = 70,9 kN
w = w,min Asw,min/2 = 0,96 cm2/m  5 c/20

7.23
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

A força cortante reduzida no apoio da esquerda fica Vred = 75,3 - 30(0,20 + 0,45) /
2 = 65,6 kN < Vmin, portanto, pode-se ter estribo mínimo em todo o segundo vão.

 Vão 3
V = 115 kN wd,face = (115 – 35x0,1) x1,4 / (15x45) = 0,231 kN/cm2 > wd,min
0,231- 0,0963
ρw  100  0,345 kN/cm 2  ρw,min Asw/2 = 2,59 cm2/m  8 c/19
39,15

V = 95 kN wd,face = (95 – 25x0,1) x1,4 / (15x45) = 0,192 kN/cm2 > wd,min


0,192 - 0,0963
ρw  100  0,244 kN/cm 2  ρw,min Asw/2 = 1,83 cm2/m  5 c/10
39,15

w = 100x(0,192-0,0963)/39,15 = 0,244 Asw/2= 1,83 cm2/m  5 c/10

Em todos os vãos foram determinados os trechos com estribos mínimos, repre-


sentados na figura 7.5 com hachuras menos densas.

7.6.5 – Cálculo dos comprimentos de ancoragem por aderência

O comprimento básico de ancoragem para situação de boa aderência, para fck


= 35 MPa, é igual a b,boa = 30,10, ou podem ser usados os comprimentos arredon-
dados (múltiplos de 5 cm) para as diversas bitolas da tabela 6.3. Para situação de má
aderência b,má = b,boa / 0,7 = 30,10 / 0,7 = 43. Os comprimentos necessários b,nec

= b (As,cal / Ase) para os vãos (positivos), e apoios (negativos) ficam:

 Momentos positivos (região de boa aderência - b,Φ16 = 50 cm, b,Φ10 = 35 cm)

M1 = 95,5 kNm (As,cal=7,74 cm2 Ase 8,04 cm2)  b,nec = 50x7,74 / 8,04 = 48 cm

M3 = 115,3 kNm (As,cal=9,66 cm2 Ase=10,06 cm2)  b,nec = 50x9,66/10,06 = 48 cm

7.24
Departamento de Engenharia de Estruturas (DEEs) Detalhamento
___________________________________________________________________________

 Momentos negativos (região de má aderência - b,Φ16 = 70 cm, b,Φ10 = 45 cm)

X1 = 109,4 kNm (As,cal=9,07 cm2 Ase=10,06 cm2)  b,nec = 70x9,07/10,06 = 63 cm

X2 = 73,6 kNm (As,cal=5,77 cm2 Ase=6,03 cm2)  b,nec = 70x5,77 / 6,03 = 67 cm

 Vão 1 - Apoio da esquerda - Levando-se 3 16mm até os apoios (1a CAM)


VSd,max = 61,8x1,4 = 86,52 kN Vc = Vc0 = 0,0963x15x45 = 65,0kN
a 86,52
  2,01  1 *  a = d = 45 cm FSd = (a/d) VSd = 86,52 kN
d 286,52  65

As,cal = FSd / fyd = 86,52 / 43,5 = 1,99 cm2 b,nec = 50x1,99 / 6,03 ≈ 17 cm >b,min
b,min > (0,3 b = 0,3x50 = 15 cm, ou 10 = 16 cm, ou 10 cm)
Como b,nec calculado sem gancho é menor que a largura do apoio menos o co-
brimento (20 - 2,5) = 17,5 cm, pode-se ancorar as 3 barras no apoio, sem dobra.

 Vão 1 - Apoio da direita


VSd,max = 138,2x1,4 = 193,48 kN Vc = 65 kN
a 193,48
  0,75 a = 0,75 x 45 = 34 cm < d
d 2193,48  65

Conforme figura 7.5, o ponto de momento nulo do diagrama de M (positivo) do


primeiro vão está a 91 cm do eixo do segundo apoio. Deslocando-se esse diagrama

de a= 34 cm, no sentido do apoio, a distância do diagrama decalado até a face desse
apoio fica a (91 – 34 - 10) = 47 cm. Nesse caso, de acordo 7.4, o comprimento de
ancoragem a partir da face do apoio deve ser de 10 = 16 cm, desde que se leve (1/4)
das barras do vão (no mínimo 2 barras) até o apoio (o ponto A está antes do apoio e
não há possibilidade do momento ser positivo nesse apoio).

Além do diagrama deslocado deve ser acrescentado o comprimento b,nec = 48


cm. Com isso, a primeira (maior) barra positiva desse vão deve entrar no apoio (48 -
47) = 1 cm, menor que 10 = 16 cm, mencionado acima. Assim, no detalhamento do

7.25
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primeiro vão, são levadas três barras até o apoio interno, entrando no mínimo 16 cm
a partir da face.

 Vão 3 - Apoio da direita - Levando-se 3 16 mm até os apoios


VSd,max = 95x1,4 = 133 kN Vc = 65 kN
a 133
 45  0,98 < 1 - a = 0,98 x 45 = 44 cm - FSd = 0,98x133 = 130,3 kN
d 2133  65

As,cal = 130,3 / 43,5 = 2,99 cm2 b,nec = 50x2,99 / 6,03 ≈ 25 cm (OK!)

Esse comprimento é maior que (20 – 2,5) = 17,5 cm, devendo a ancoragem no
apoio ser feita com gancho (ver barra N11 da figura 7.6), cujo comprimento vale
b,nec,gancho = 0,7x25 = 17 cm, com ponta reta não inferior a 8 = 13 cm.

 Vão 3 - Apoio da esquerda - Levando-se 3 16 mm até os apoios


VSd,max = 115x1,4 = 161 kN Vc = 65 kN
a 161
 45  0,84 < 1 a = 0,84 x 45 = 38 cm
d 2161 65

Conforme figura 7,5 o ponto de momento nulo no terceiro vão está a 72 cm do


eixo do apoio da esquerda. Deslocando-se o diagrama no sentido do apoio de um

valor a = 38 cm, a face desse apoio fica a uma distância (72 - 38 - 10) = 24 cm, do

diagrama decalado. Com isso a ancoragem a partir da face do apoio pode ser de 10
= 16 cm (o ponto A está antes do apoio e não há possibilidade do momento ser posi-
tivo nesse apoio). Como b,nec = 48 cm, a barra positiva mais comprida desse terceiro
vão pode entrar no apoio (48 - 24) = 24 cm, conforme N11 da figura 7.6.

No segundo vão o diagrama real de momentos é negativo, devendo para efeito


de dimensionamento ser substituído pelo diagrama na situação de engastamento per-
feito (diagrama tracejado na figura 7.5). As três barras positivas N9 da figura 7.6 de-
vem ser levadas até os apoios entrando 10 = 10 cm nos mesmos.

7.26
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As correções adicionais do diagrama de momentos, para o modelo clássico de


viga contínua simplesmente apoiada sobre os apoios, foram feitas na figura 7.5, con-
forme NBR 6118:2014. O ponto de momento nulo, para o diagrama de momento ne-
gativo sobre o apoio extremo esquerdo, fica a 41 cm a partir do seu eixo e a 18 cm,
para o apoio extremo da direita. O comprimento de ancoragem necessário no apoio
esquerdo (região de má aderência,  = 10 mm, As,cal = 1,67 cm2 e As,e = 2,36 cm2 ) é
b,nec = (43x1,0)x(1,67/2,36) = 30 cm e no direito é b,nec = (43x1,0) x (1,19/1,57) = 33
cm. Como os dois valores são maiores que a largura dos apoios (20 cm) essas duas
armaduras (posições N2 e N6 da figura 7.6) devem ser ancoradas com gancho a partir
das suas faces, com ponta reta igual a 8 = 8 cm. No apoio extremo esquerdo b,nec,gan-

cho = 0,7x30 = 21 cm e no direito b,nec,gancho = 0,7x33 = 23 cm. A decalagem do dia-


grama, para detalhamento do trecho reto em ambas posições, foi adotada com o má-
ximo valor a = d = 45 cm (a/d = 1 para V = 68,1 kN e a/d = 0,98 para V= 95 kN).

7.6.6 – Desenho da viga

A figura 7.6 apresenta a viga V2 detalhada mostrando as barras longitudinais


da armadura positiva e negativa e as transversais (estribos). As barras detalhadas
devem satisfazer aos cálculos à flexão e ao cisalhamento cobrindo com segurança os
diagramas desses esforços solicitantes.

Normalmente as curvas do diagrama de momentos para o trecho negativo é


bem próxima da reta que liga o ponto de momento nulo com o ponto de momento
máximo, sobre o apoio. A consideração dessa reta, em substituição ao diagrama curvo
real, além de ser a favor da segurança na cobertura do diagrama, facilita o cálculo dos
comprimentos das barras negativas. Dessa forma foram calculadas as barras das ar-
maduras negativas N2, N3, N4 e N6.

Valores usados no detalhamento das barras longitudinais


 Cobrimento c = 2,5 cm

7.27
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 Ganchos (raio interno ri = 2,5, raio eixo r = 3, raio externo re = 3,5, trecho

curvo c = 1,5, ponta reta p = 8)

Barra 2 ( = 10mm)
distância do eixo ao ponto de momento nulo = 41 cm,

b,nec,vão= 30 cm, b,nec,apoio= 21 cm, a= 45 cm, c = 5 cm,p = 8 cm

Trecho reto 41 + [(20/2)-c] - re + a+ b,nec = 41 + 7,5 - 3,5 + 45 + 30 = 120 cm

Comp. total N2= 120 + c + p = 120 + 5 + 8 = 133 ≈ 135 cm

Verificação do trecho efetivamente ancorado a partir da face do apoio:


apoio= (20 - c - re) + c +p = 14 + 5 + 8 = 27 cm > b,nec,apoio = 21 cm OK!

Barra 6 ( = 10mm)
distância do eixo ao ponto de momento nulo = 18 cm

b,nec,vão= 33 cm, b,nec,apoio= 23 cm, a= 45 cm, c = 5 cm,p = 8 cm

Trecho reto 18 + [(20/2)-c] - re + a+ b,nec = 18 + 7,5 - 3,5 + 45 + 33 = 100 cm

Comp. total N6 = 100 + c + p = 100 + 5 + 8 = 113 ≈ 115 cm


apoio= 27 cm > b,nec,apoio= 23 cm OK!

Barra 3 (= 16mm)


distância entre pontos de momentos nulos (91+450+72 = 613 cm)

a,ap 2= 34 cm,b,nec,ap 2= 63 cm, a,ap 3= 38 cm,b,nec,ap 3= 67 cm

Como o diagrama de momento negativo se estende até o próximo apoio, onde


são necessárias 3 16 mm, prolongam-se as três barras da primeira camada do se-
gundo apoio, pelo trecho total de 613 cm. Dessa forma o comprimento fica:

N3= 613 + a, 2 + b,nec 2 + a, 3 + b,nec 3 = 613 + 34 + 63 + 38 + 68 = 815 cm


7.28
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A barra negativa N3 começa a (91 + 34 + 63 = 188) ≈ 190 cm a esquerda do


eixo do segundo pilar e prolonga-se até (72 + 38 + 67 = 177) ≈ 175 cm, a direita do
terceiro pilar (ver figura 7.6).

Barra 4 ( = 16mm)

a,ap 1= 34 cm,b,nec,ap 1= 63 cm

A posição N4 da figura 7.6, corresponde às duas barras da segunda camada


da armadura negativa do segundo apoio. A distância onde o diagrama de momento
se anula está a 91 cm à esquerda desse apoio. Retificando o diagrama e dividindo-se
em cinco partes iguais (quantidade de barras) a distância fica dividida em cinco com-
primentos de (91 / 5) = 18 cm. Como as três barras maiores (N3, primeira camada) já
foram detalhadas, as duas menores ficam com (18x2) = 36 cm, detalhadas para a
maior das duas, do lado esquerdo do segundo apoio.

Do lado direito o diagrama de momento não se anula. Nesse caso, não é pos-
sível determinar, de forma simplificada (diagrama retificado), os comprimentos das
cinco barras. A partir do diagrama de M do segundo vão, em escala, obtém-se o com-
primento da segunda menor barra, resultando 78 cm, conforme figura 7.5.

N4= (36 + 78) + 2x34 + 2x63 = 308 cm ≈ 310 cm

Essa barra começa a (36 + 34 + 63) = 133 ≈ 135 cm a esquerda do segundo


pilar.

Barras 1 e 5 ( = 5mm)

Os comprimentos das barras para “porta-estribos” N1 e N5 são obtidas com a


distância livre entre barras consecutivas das armaduras negativas, prolongadas de
cada lado, do comprimento de traspasse b = (43) = 43x0,5 ≈ 22 cm (25*). Conforme

7.29
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visto acima a armadura negativa N3 começa a 190 cm a esquerda do segundo apoio


e termina a 175 cm a direita do terceiro apoio.

N1= 600 + [10 - (2,5 + 3,5)] - 120 - 190 + 2x25 = 344 cm (adotar 345 cm)
N5= 500 + [10 - (2,5 + 3,5)] - 100 - 175 + 2x25 = 279 cm (adotar 280 cm)

Barras 7 e 8 ( = 16mm)

a,esq= 45 cm,a,dir= 34 cm,b,nec,vão = 48 cm

São as barras positivas do primeiro vão. A barra N7 está na segunda camada


e as três da primeira camada, N8, são levadas até os apoios. O comprimento das
barras N8 obtém-se somando-se à distância livre entre os apoios (600 - 10 - 10) = 580
cm, os valores 17 cm e 16 cm, que essas barras devem entrar nos apoios da esquerda
e da direita, respectivamente. A menor barra positiva desse vão, N7, segundo o dia-
grama em escala da figura 7.5, está a 154 cm do eixo do apoio da esquerda e a 178
cm do eixo da direita. Os comprimentos dessas duas posições da figura 7.6 ficam:

N7= 600 - 154 - 178 + 45 + 34 + 2x48 = 443 cm


(começa a 154 - 45 - 48 = 61 ≈ 60 cm do eixo do apoio esquerdo, ver figura 7.6)
N8= 580 + 17 + 16 = 613 cm

Barra 9 ( = 10mm)

N9= (450 – 2x10) + 2x10 = 450 cm

Barras 10 e 11 ( = 16mm)

a,esq= 38 cm,a,dir= 44 cm,b,nec,vão = 48 cm

(N11) re = 3,5 = 5,6 cm, c = 1,5 = 8 cm,p = 13 cm, b,nec esq = 24 cm,

b,nec dir = 23 cm (c/ gancho), reto,N11= 480 + 24 + (20 - 2,5 - 5,6) ≈ 515 cm

7.30
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N10= 500 - 166 - 82 + 38 + 44 + 2x48 = 430 cm


(166 e 82 obtidos, em escala, para a maior das duas barras da segunda camada, no
diagrama de M do vão 3 da figura 7.5)
N11= reto,N11 + c + p = 515 + 8 + 13 = 536 cm

Estribos

Analisando o diagrama de força cortante da figura 7.5 notam-se dois trechos


distintos para os dois primeiros vãos e três trechos no terceiro vão. Isso ocorre em
função dos trechos com armadura transversal (estribo) mínima, onde V < Vmin = 70,9
kN, e trechos com armadura maior. O segundo vão, embora com dois trechos, pode
ficar com estribo mínimo em toda sua extensão, conforme mostrado no dimensiona-
mento ao cisalhamento.

Posição N12 – estribo com bitola  = 5mm

Comprimento do gancho g = 10 = 10x0,5 = 5 cm < 7 cm

N12= 2 [(15 – 2x2,5) + (50 – 2x2,5)] + 2x7 = 124 cm

Posição N13 – estribo com bitola  = 8mm

Comprimento do gancho g = 10 = 10x0,8 = 8 cm > 7 cm

N13= 2 [(15 – 2x2,5) + (50 – 2x2,5)] + 2x8 = 126 cm

 Vão 1
Trecho com estribo mínimo (5 c/20) 600 - 10 - 168 = 422 cm
422 / 20 = 21,1 22 N12 c/20
Trecho com estribo 8 c/14 168 - 10 = 158 cm
158 / 14 = 11,3 12 N13 c/14
 Vão 2
Trecho com estribo mínimo (5 c/20) 450 - 10 - 10 = 430 cm
430 / 20 = 21,5 22 N12 c/20

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 Vão 3
Trecho com estribo mínimo (5 c/20) 500 - 126 - 96 = 278 cm
278 / 20 = 13,9 14 N12 c/20
Trecho com estribo 8 c/19 126 – 10 = 116 cm
116 / 19 = 6,1 7 N13 c/19
Trecho com estribo 5 c/10 96 – 10 = 86 cm
86 / 10 = 8,6 9 N12 c/10

Figura 7.6 – Viga V2 detalhada

7.32