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ARTIGOS

Coluna de Paris

Assassinos que matam quem expõe opiniões diferentes das suas têm de ser
contidos. Ponto. Quem os compreende pode ter ótimas intenções. Mas é
cúmplice
11/1/2015 - 16:11 - Redação

Por Carlos Brickmann*


Há pouco menos de 80 anos, o primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain
procurou compreender as reivindicações nazistas por mais territórios. Para acalmar
Adolf Hitler, deu-lhe de presente 30% da Tchecoslováquia. E voltou à Inglaterra
orgulhoso de sua façanha, prometendo “paz para nossos tempos”.
Winston Churchill, seu companheiro de partido, mas não de fraqueza moral,
comentou: “Entre a guerra e a desonra, escolheram a desonra. E terão a guerra”.
A Segunda Guerra Mundial veio um ano depois. Ficou a lição: não há o que
compreender quando do outro lado há fanáticos adoradores da morte. Pode-se (e
deve-se) negociar quando possível, mas estando pronto para lutar.
Assassinos que matam quem expõe opiniões diferentes das suas têm de ser contidos.
Ponto. Quem os compreende e justifica pode ter ótimas intenções. Mas é cúmplice.
Há horas em que é inaceitável ser mal informado. E uma professora universitária
especializada em Oriente Médio não é mal informada. Quando diz que exercer a
liberdade de expressão, legalmente garantida, é algo que não se faz, é atrair problema,
põe-se ao lado da barbárie.
Outro professor universitário vai mais longe: os culpados são as vítimas. “Qual a graça
de se fazer charges com Maomé? (...) Quem faz uma provocação dessas não poderia
esperar coisa muito diferente”. É como quem acha que a vítima é culpada pelo estupro,
por ser atraente.
Chega de compreender os coitadinhos dos assassinos. Que se cumpra a lei; que, na
forma da lei, sejam julgados.
Contra a barbárie, sejamos todos Charlie.
*Carlos Brickmann (carlos@brickmann.com.br) é jornalista.