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Os sonhos de independência, soberania e fortalecimento da identidade

nacional, os sonhos dum amplo renascimento para o povo angolano e para os


povos de África, são ainda para muito poucos que ousam enveredar pela
crítica ao passado, incluindo o passado recente, numa lógica com sentido de
vida que seja uma antítese à barbárie da “somalização”, mas há que romper
em definitivo com todos os pesadelos que se esbatem desde o passado das
grandes trevas até hoje, pelo que conhecer os termos da evolução de Luanda,
é cultural e inteligentemente indispensável para, começando a romper com
eles, se poder semear civilizadamente em direcção ao futuro!”

Os sonhos motivados a partir da consciência crítica que se esbate na situação


da capital no presente, são contudo sonhos que, pelo desastre ambiental que
se atravessa, deveriam ter sido sonhados ontem e não hoje!

Quero dizer que não foram sonhos capazes de gerar capacidades preventivas e
vontade de vencer assimetrias, motivando um processo inteligente de
independência e soberania que simultaneamente vencesse a inércia colonial
que, em termos infraestruturais e estruturais, vem de longe no tempo e com
imperativos reflexos na sociedade e na economia contemporâneas.

Para mim deveriam ter sido sonhados antes do 4 de Abril de 2002, para serem
implementados desde logo no próprio dia em que se assinou o Entendimento
do Luena!

Se assim não o foi, deve-se sobretudo ao facto de a terapia (de 2002 até aos
nossos dias), se ter imediatamente seguido ao choque neoliberal (de 31 de
Maio de 1991, conforme ao Acordo de Bicesse, até 4 de Abril de 2002, data da
assinatura do Entendimento do Luena).

A manipulada contradição imposta pelo império da hegemonia unipolar,


entre os que em 1992 se barricavam no petróleo, para fazer face aos que se
barricaram nos “diamantes de sangue”, essência dos interesses
multinacionais que inclusive estavam presentes em Angola no momento em
que Angola perdia seus aliados naturais, está na raiz da inibição e essa
inibição todavia, não podia passar despercebida a quem, como eu, por
traumática experiência própria sabia que, ao se julgarem os oficiais presos a 2
de Março de 1986, alguns deles dos que mais combateram em sua época o
tráfico ilícito de diamantes, permitiu-se fazer crescer incomensuravelmente a
deriva da “somalização”!

Sem aliados socialistas geoestratégicos e sem tecido capitalista produtivo pelo


simples facto até de não possuir uma economia diversificada, Angola foi
entregue, de bandeja, ao pior que havia do capitalismo financeiro
internacional.
Os níveis de corrupção actuais, são fruto duma maturidade de 32 anos,
agravados a partir do momento em que, sem alternativas, se enveredou pela
terapia capitalista neoliberal!…

Inaugurou-se assim o caminho da manipulação capitalista neoliberal em


Angola, que se estende até nossos dias!…

2– Aproximando-se do que escrevi em Fevereiro de 2018 sobre o 442º


aniversário de Luanda, está uma entrevista ao Jornal de Angola que se abriu à
consciência crítica do Engenheiro Manuel Resende, o primeiro dos Ministros
da Construção da Angola independente
(http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/luanda_e_desastre_arquitectonic
o).
À pergunta sobre “qual seria a saída, para o ordenamento da cidade e para
dar uma melhor qualidade de vida aos seus habitantes”, ele respondeu com
bastante lucidez, coerência, fundamento e propriedade:

“Para Luanda ser ordenada, teria que haver muita gente a sair daqui, para ir
habitar outros locais, onde tivesse melhores condições de vida.

Nunca uma saída compulsiva, mas voluntária, pois é possível viver melhor
noutros locais que não Luanda.

Digo mesmo que hoje Luanda é o pior sítio para viver em Angola.

Está certo que a guerra foi um factor extremamente negativo, mas não explica
tudo.

Acho que a guerra e o petróleo foram os grandes males que Angola teve.

Em relação à guerra, não há que dar explicações, pois é uma verdade


insofismável.

Mas em relação ao petróleo já não.

Toda a gente, sobretudo a classe dirigente, baseou-se no petróleo para traçar


programas, esquecendo-se de tudo o resto: agricultura, pescas, indústria
transformadora, extractiva, enfim, tudo aquilo que fazia de Angola um país
com um papel importante em toda a África Austral ou mesmo em todo o
continente, pelas suas imensas potencialidades”…

É evidente que, no que ao petróleo diz respeito, para mim são claramente os
procedimentos típicos da terapia neoliberal que são evidentes: fica-se pelo
petróleo, não se diversifica, por que é isso precisamente que corresponde ao
“diktat”neoliberal das “políticas de portas abertas ao capital financeiro
multinacional” de que se anima o império da hegemonia unipolar e dá-se com
isso corpo ao domínio de 1 % sobre tudo o resto, ao sabor dos interesses
exclusivos duma aristocracia financeira mundial que pretende “eternizar”
África como um produtor de matérias-primas e fornecedor de mão-de-obra
barata, movendo inclusive nesse sentido as novas tecnologias empenhadas
nos processos de globalização de acordo apenas com a feição desse domínio!

Quem tem, como eu, consciência crítica anti-imperialista, deve evidenciar


esses termos, por que o custo em relação a Angola é a introdução de
expedientes de neocolonização, que estão a pôr em causa independência e
soberania, inibindo a se encontrarem capacidades de luta contra o
subdesenvolvimento de acordo com uma lógica com sentido de vida geradora
duma geoestratégia para se alcançar o desenvolvimento sustentável que trará
mais felicidade e identidade ao povo angolano e permitirá um futuro
inteligente, seguro e digno para as novas gerações!

As assimetrias fazem parte desse subdesenvolvimento do presente e, o que é


mais grave, impedem a assunção da independência e da soberania, por que
são ainda os planos coloniais (económicos, infraestruturais e estruturais) que
têm expressão, tendo sido agravados a partir do Acordo de Bicesse a 31 de
Maio de 1991!…

3– Neste mês de Agosto de 2018, o Ministério das Pescas, por causa dum surto
de cólera que surgiu intempestivo na praia da Mabunda, à Samba,
precisamente no lugar de desembarque do pescado de cada dia que em grande
parte alimenta a cidade capital, fechou e isolou o local, obrigando à recepção e
comércio do peixe na Boavista, passando-se assim, para efeitos de
desembarque e comércio, das baías do Mussulo, para a baía de Luanda.
Na praia da Mabunda, ou muito próximo dela, vão desembocar várias valas de
drenagem a céu aberto, pelo que toda a boca da baía do Mussulo, está
contaminada, por tabela a praia que tem servido à recepção e comércio do
pescado…

De facto este assunto merece ser estudado muito para além das medidas
paliativas que se tomaram em tempo oportuno, que ultrapassam em muito,
obviamente, um estudo para além do papel corrente das autoridades e do
próprio Ministério das Pescas!

Não está em causa esse justo papel preventivo, mas avaliar quanto esse papel
continua a ser, ao-fim-e-ao-cabo apenas um paliativo, incapaz de por si dar
ignição a decisões geoestratégicas em relação a Luanda, decisões essas que
são prementes (por que são “para ontem”) e que naturalmente se impõem,
correspondendo à lógica com sentido de vida que urge soberanamente
cultivar!
A concentração populacional em Luanda, à volta de 1/3 da população total de
Angola, deve ser encarada e estudada em todas as suas implicações, tendo em
conta essencialmente três fenómenos naturais e ambientais de vulto:

– A planície do litoral onde se encontra Luanda, a maior da costa de Angola,


que se estende do Dondo, 200 km para o interior, ao oceano;

– A fluência nessa planície do litoral, de norte para sul, dos cursos, num
meridiano com 300km de extensão, do M’Bridge, do Loge, do Dange, do
Bengo, do Cuanza, do Longa e do Queve, o que provoca o lançamento na costa
dum turbilhão sedimentar imenso arrastado pelas suas águas, sedimentos
esses que contribuem para a formação aluvionar das baías do Mussulo e de
Luanda;

– A corrente fria de Benguela que, oriunda do sul, recebe os aluviões desses


rios e deposita sobretudo nas restingas do Mussulo e da Ilha de Luanda
grande parte deles, um fenómeno que aliás se verifica em toda a costa de
Angola, desde a foz do Cunene até à embocadura do poderoso Congo.

Uma das principais conclusões óbvias é que, mesmo que se apliquem as mais
modernas concepções de respeito pela natureza, seguindo as mais
clarividentes trilhas de preservação do ambiente, face aos fenómenos globais
do aquecimento e do desaparecimento das espécies, até aos fenómenos
implicados na planície costeira angolana e no mar territorial do país, é
incomportável para uma planície do litoral conforme a que integra Luanda,
albergar tanta população, sob pena dos riscos ambientais crescerem
exponencialmente e sem remissão!

Neste momento, Luanda deveria já estar a ser encarada como um fulcro


urbano de tal ordem que obriga, mais cedo que tarde, a um ciclo de refugiados
climático-ambientais que farão o percurso inverso ao que fizeram por causa
dos ciclo neoliberal do choque e da terapia!…

4– O Ministério das Pescas, em relação ao casco urbano de Luanda e ao


território angolano, tendo em conta os fenómenos ambientais e humanos,
deve assim, no meu entender, dar início a dois ciclos estratégicos de
orientação de sua premente acção, que deveria estar integrada num programa
muito mais