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26/08/2018 A importância da Literatura Visual no processo de ensino-aprendizagem do(a) aluno(a) surdo(a) | Educação Pública

A importância da Literatura Visual no processo de ensino-aprendizagem do(a)


aluno(a) surdo(a)

Rita Wanderline Ferreira


Licenciada em Letras – Libras (UFPB)

Eduardo Beltrão de Lucena Córdula


Doutorando (Prodema/UFPB)

Quando se realiza uma pesquisa social, muitas questões podem surgir, mas as primeiras são inerentes ao objeto do estudo em si.
Estas movem os pesquisadores a buscar respostas para os problemas e fenômenos que ocorrem na sociedade e com o ser
humano (Gil, 2008) (Figura 1).

Muitos problemas enfrentados por grupos sociais são foco de pesquisas para fundamentar os processos e buscas de
transformações tão necessárias, para mudar a situação do paradigma em que se encontram, portanto, papel crucial da ciência e dos
seus processos de investigação (Hauguette, 2010).

Figura 1: Processo de pesquisa


Fonte: Autores (2017).

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26/08/2018 A importância da Literatura Visual no processo de ensino-aprendizagem do(a) aluno(a) surdo(a) | Educação Pública
Este estudo tem como questionamentos iniciais: o que é Literatura Visual? O que ela revela sobre a cultura surda? Que tipos de
obras existem pertencentes a ela? Que efeito a Literatura Visual pode ter na educação e na identidade do aluno surdo?
Antes de responder a essas perguntas, é importante analisar o papel da escola na educação e na formação do cidadão.

Cidadania e escola
O que signi ca a palavra cidadania? Dimenstein (1993, p. 20, apud Souza; Sousa, 2009, p. 3) ressalta que “cidadania é o direito de ter
uma ideia e poder expressá-la”. A escola tem a função não apenas de repassar conteúdos, aplicar provas, visando que seus alunos
ingressem em ótimas faculdades, mas especialmente possibilitar a construção de valores educativos e morais em seus discentes,
preparando-os para a vida, ensinando-os a respeitar e valorizar as diversidades ao seu redor. Cury (2003, p. 142) a rma que

há muitas escolas que só se preocupam em preparar os alunos para entrar nas melhores faculdades. Elas erram por se
focarem apenas nesse objetivo. Mesmo que entrem nas melhores escolas, quando saírem esses alunos poderão ter enormes
di culdades para dar solução a seus desa os pro ssionais e pessoais.

A escola também deve ensinar seus alunos a tomar decisões sábias durante sua vida, motivá-los a ser pessoas boas. Além disso, é
importante trabalhar a autoestima deles. Libâneo (2002, p. 7) declara:

É preciso que a escola contribua para uma nova postura ético-valorativa de recolocar valores humanos fundamentais como a
justiça, a solidariedade, a honestidade, o reconhecimento da diversidade e da diferença, o respeito à vida e aos direitos
humanos básicos como suportes de convicções democráticas.

Na conformação da escola atual, há também alunos com de ciências que conquistaram seu direito de inclusão pela Lei Federal nº
13.146 (Brasil, 2015), aprovada em 6 de julho de 2015. Com essa lei, crianças e jovens com necessidades educacionais especiais
têm o direito de receber qualquer apoio que seja necessário para que tenham acesso a uma educação efetiva. E as escolas, ao lado
do poder público, têm obrigação de preencher essas necessidades.

No que se refere à educação de surdos, o Art. 28 §4 determina: “oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na
modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e classes bilíngues e em escolas inclusivas” (Brasil,
2015). Em especial, os alunos surdos devem aprender duas línguas, a Libras e o português, com a nalidade de estabelecer a
comunicação com as pessoas à sua volta, bem como para estar inseridos na totalidade da sociedade. Sendo assim, eles se tornam
bilíngues (Pereira; Vieira, 2009).

Bilíngue é a pessoa que adquiriu duas línguas, mesmo que seja na modalidade escrita (Quadros; Sousa, 2013). No caso dos surdos,
uma língua deve ser a de sinais e a outra a usada pelos ouvintes ao seu redor – o português. Para Sanches (1993, apud Lima, 2004,
p. 44), “é necessário para o surdo adquirir a língua de sinais e a língua o cial de seu país apenas na modalidade escrita, e não na
oral”.

Uma pessoa pode aprender a escrita de outro idioma sem saber pronunciá-lo. Da mesma forma, os surdos podem aprender a
escrever e ler a língua usada pelos ouvintes do seu país sem aprender a pronunciá-la (Cavalcanti, 2010). Werneck (1997, p. 58)
a rma que “incluir não é favor, mas troca. Quem sai ganhando nesta troca somos todos nós, em igual medida. Conviver com as
diferenças humanas é direito do pequeno cidadão, de ciente ou não”. Sanchez (2005, p. 12), ao tratar da educação inclusiva, declara
que

esta visa apoiar as qualidades e necessidades de cada um e de todos os alunos da escola. Enfatizando a necessidade de
pensar na heterogeneidade do alunado como uma questão normal do grupo/classe e pôr em macha um delineamento
educativo que permita aos docentes utilizar os diferentes níveis instrumentais e atitudinais como recursos intrapessoais e
interpessoais que bene ciem todos os alunos.

História da educação dos surdos


Infelizmente, ao longo das primeiras décadas do século passado, os surdos não tiveram direito à educação inclusiva (Perlin; Strobel,
2008). Na Antiguidade, muitos surdos foram mortos, abandonados por seus familiares ou não tinham a oportunidade de estudar
como os ouvintes. Eles eram encarados como de cientes. “Pessoas com de ciência eram discriminadas, abandonadas, eliminadas
por grupos religiosos, excluídas do convívio social e educacional” (Silva; Souza, 2015, p. 3). Ainda de acordo com as autoras, as
crianças com de ciências eram educadas em salas separadas, com o objetivo de permitir que as crianças consideradas normais
tivessem melhor aproveitamento e aprendizado.

Reis (1992, apud Poker, 2011, p. 1) declarou: “Cardano foi o primeiro a a rmar que o surdo deveria ser educado e instruído,
a rmando que era crime não instruir um surdo-mudo”. A primeira escola de surdos do mundo foi criada em 1760, na França, pelo
abade Charles Michael de l’Eppè (Silva; Souza, 2010). Na rua, ele viu duas irmãs gêmeas surdas sinalizando e aprendeu com elas a
língua de sinais. Ele defendia que todas as pessoas surdas tinham direito à educação gratuita, independente da sua classe social.

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Pessoas de vários países viajavam para estudar nessa escola de surdos, onde eles aprendiam e treinavam métodos de ensino. Ao
voltar para seus países, criavam escolas de surdos usando a metodologia que lhes foi ensinada na França. L’Eppè morreu em 1789;
em 29 anos, ele ajudou a criar 21 escolas para surdos na França e na Europa (Possebon; Peixoto, 2013).

Possebon e Peixoto (2013) trazem em sua obra uma passagem da história da comunidade surda: em 1834, dez surdos resolveram
preparar uma grande festa com o objetivo de lembrar a vida e o trabalho de l’Eppè, na França. A festa Banquete de Surdos acontecia
todos os anos. Os surdos tinham a oportunidade de conversar, contar suas histórias, criar e reproduzir suas piadas e poesias. Era a
Literatura Visual. A noção de Literatura Surda começou a se expandir pela Europa, chegando aos Estados Unidos (Mourão, 2012).

Em 1864 foi fundada a Universidade Gallaudet, em Washington D.C., onde os acadêmicos passaram a divulgar materiais baseados
na sua própria experiência e na de outros, distribuindo livros e vídeos da Literatura Visual que trazem a cultura e identidade surda
(Mourão, 2011).

A primeira escola para surdos no Brasil foi fundada em 26 de setembro de 1857, no Rio de Janeiro, por Eduardo Huet, que era
professor surdo, com mestrado e cursos em Paris (Strobel, 2009a, p. 23). Atualmente, o Dia do Surdo é comemorado em 26 de
setembro para homenagear essa escola. Hoje ela é o Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES). Muitos surdos se mudam
para o Rio de Janeiro para estudar no INES. Nesse ambiente, a língua de sinais se desenvolveu, os surdos podiam usar sua língua
livremente, contar suas histórias, piadas.

No entanto, em 1880, um acontecimento lamentável ocorreu quando professores ouvintes se reuniram em um congresso em Milão e
decidiram que o uso das línguas de sinais seria proibido (Cavalcanti, 2010). Os alunos surdos eram obrigados a usar apenas a língua
oral do seu país. Se fosse usada a língua de sinais, seriam punidos. Com essa proibição, houve prejuízos educacionais, culturais e
literários – um retrocesso para o processo que estava se expandindo e as conquistas da comunidade surda. Muitas histórias,
contos, anedotas e poesias foram perdidas. Antes, os surdos podiam se expressar à sua maneira e com seus sinais; a partir desse
período, essas características foram se perdendo, pela não propagação entre os sujeitos (Possebon; Peixoto, 2013). Muito se perdeu
da cultura surda nesse período.

Durante muitos anos, os surdos podiam escrever suas obras, mostrando suas ideias e emoções apenas usando a língua escrita
vernácula do seu país, já que a língua de sinais era proibida. Isso era uma tarefa muito difícil, pois eles precisavam da ajuda de um
intérprete ou conhecer muito bem a língua escrita utilizada pelos ouvintes (Cavalcanti, 2010; Mourão, 2011; Possebon; Peixoto,
2013).

Escritores surdos e a cultura surda


Alguns autores surdos se destacaram ao longo da história: Sérgio L. Guimarães, Ronise Oliveira, Olindina Coelho e Karin Strobel. Em
1961, Sérgio L. Guimarães escreveu um livro contando suas experiências, Até onde vai o Surdo (Strobel, 2009a, p. 26).

O livro Meus sentimentos em Folhas foi escrito em 2005, por Ronise Oliveira. No mesmo ano, Olindina Coelho escreveu No meu
silêncio: ouvi e vivi. Em 2008, Karin Strobel escreveu As imagens do outro sobre a cultura surda. Esses são apenas alguns exemplos
de livros de autores surdos que ajudaram os ouvintes a conhecer a cultura e a sua identidade surda (Possebon; Peixoto, 2013).

Uma vitória para a comunidade surda brasileira foi o reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais em todo o país, pela Lei Federal
nº 10.436, de 24 de abril de 2002. Entretanto, essa lei só foi regulamentada pelo Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005,
quando foi publicado no Diário O cial (Cavalcanti, 2010).

Literatura Visual na prática


Atualmente, os(as) professores(as) podem utilizar inúmeros recursos didáticos e paradidáticos para ampliar a qualidade do ensino,
principalmente para os alunos surdos. Usando esses meios, muitos dos quais estão disponibilizados nas escolas, o(a) professor(a)
ajudará o aluno surdo, facilitando a assimilação do conteúdo que está sendo ministrado. Além disso, a sua criatividade, a ampliação
dos saberes pela formação continuada, sejam teóricos e de utilização de tecnologias, possibilitarão uma atuação mais con ante,
pela ampliação das habilidades e competências pro ssionais.

Muitas escolas, a exemplo das públicas, dispõem, pelos programas do MEC (ProInfo – Portaria MEC nº 522/97, de 9 de abril de
1997; Programa Nacional Biblioteca na Escola – PNBE, Formação Continuada de Professores etc.), de bibliotecas com acervos de
livros didáticos, paradidáticos, de literatura nacional, internacional e de formação pro ssional; de lousas digitais, retroprojetores e
computadores em salas de informática, laboratórios etc. (Souza, 2007). Paraná (2008, p. 66, apud Chio ; Oliveira, 2014, p. 331)
a rma que “o trabalho com as mídias tecnológicas insere diversas formas de ensinar e aprender e valoriza o processo de produção
de conhecimentos” (Figura 2).

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Figura 2: Con uências necessárias para a plena formação do(a) aluno(a) surdo(a) no processo de inclusão na educação formal.
Fonte: Autores (2017).

Os livros paradidáticos, por sua vez, visam suprir ou complementar os conteúdos curriculares de forma ilustrativa; podem ser mais
lúdicos que os recursos didáticos (Laguna, 2001). Menezes e Santos (2001) descrevem os paradidáticos como livros e materiais
que, embora não sejam didáticos, são usados com o mesmo objetivo.
Torres (2012, apud Sousa, 2014, p. 12), a rma que

a importância dos livros paradidáticos aumenta signi cativamente a partir da criação da Lei de Diretrizes e Bases da
Educação (LDB), onde se estabeleceram os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em meados da década de 1990. Isso
trouxe espaço para a produção de obras a serem utilizadas em sala de aula que tratassem de temas transversais.

Os materiais paradidáticos podem ser utilizados tanto no âmbito da sala de aula como em atividades extraescolares pela
diversidade temática que possuem. Contos, fábulas também fazem parte do contexto dos materiais paradidáticos, podendo ser
utilizados pelos professores, possibilitando aos alunos momentos de re exão sobre a importância dos valores necessários para o
bom convívio social. Sua riqueza de ilustrações pode levar o leitor a compreender a sua narrativa sem estar estritamente vinculadas
à descrição escrita delas (Machado, 2011; Souza et al., 2012). Além disso, nesse universo paradidático, as leituras e interpretações
podem ser realizadas por meio de um repertório de recursos lúdicos, o que gera encantamento, retendo a atenção do alunado e o
seu envolvimento nesse processo, facilitam e ampliam o processo de aprendizagem pelo alunado (Moreno, 2009; Mateus et al.,
2013).

Mas o que é Literatura Visual (LV)? Antes colocar essa descrição, deve-se compreender primeiramente o que é comunicação,
linguagem, língua, leitura e literatura para depois alcançar propriamente a LV.

Língua – “sistema de signos orais que permitem a comunicação entre membros de uma comunidade” (Cegalla, 2005, p. 541).
Linguagem – “faculdade que tem o ser humano de associar uma imagem acústica de um som vocal a um conceito e de
utilizar o resultado para exteriorização do pensamento e interação social” (Cegalla, 2005, p. 541).
Comunicação – “transmissão de informação” (Cegalla, 2005, p. 219).
Leitura –“arte de ler” (Cegalla, 2005, p. 535).
Literatura – “arte de compor ou escrever trabalhos em prova ou verso com o objetivo de atingir a sensibilidade ou emoção do
leitor ou do ouvinte” (Cegalla, 2005, p. 543).

Portanto, o ser humano desenvolve a sua língua materna, com seus signos e signi cados expressos oralmente (a Libras, como
primeira língua), passando a desenvolver a linguagem, que associa a oralidade à escrita (o visual e os signi cados dos símbolos),
chegando à comunicação para expressarem-se (mãos, expressões faciais e o corpo) e nalmente com a leitura, que é a
compreensão de todo o repertório simbólico (símbolos especí cos, gestos, expressões faciais etc.) fonético e visual (numérico,
alfabético, grá co, pictórico etc.) para realizar o entendimento do mundo à sua volta (Freire, 1989; Córdula, 2011) (Figura 3).

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Figura 3: Construção do processo linguístico e educação do ser humano


Fonte: Autores (2017).

A Literatura é uma linguagem artística e estética que se utiliza de recursos como prosa e verso para narrar ou dissertar
acontecimentos históricos ou da cção, podendo ter um teor educacional, ético ou moral (Eagleton, 2003). Quando se trata da
literatura para a comunidade surda, tem-se a Literatura Visual, que, como descrito anteriormente, é acrescida de uma predominância
visual para sua interpretação, podendo ser imagens estáticas, como fotos e ilustrações, ou dinâmicas, como as produzidas por
slideshows e até vídeos (Karnopp, 2006).

Como o surdo utiliza a visão para obter informações, a união da mídia e da literatura cria condições para que haja um
fortalecimento da identidade, cultura e de conhecimento da surdez. Pesquisar como se desenvolvem estes aspectos
conjuntamente fará com que a expressão da arte e da literatura surda seja registrada em livros e em materiais midiáticos,
capazes de manifestar a diferença linguística e cultural de surdos, através do caminho da autorrepresentação (Rosa, 2006, p.
59).

Inúmeros materiais paradidáticos estão disponíveis na internet, em editoras especializadas, sites, blogs e no YouTube, compondo
acervos crescentes para o ensino, via Literatura Visual (Karnopp, 2006). Quadros e Schmiedt (2006) trazem em sua obra algumas
sugestões de atividade para desenvolver a língua portuguesa com alunos surdos (Quadro 1).

Quadro 1: Sugestões de atividades para desenvolvimento da língua portuguesa e que podem ser adaptadas para a Literatura Visual.

Atividade Objetivo

Saco de novidades Levar o educando a se expressar perante o grupo

Saco de surpresas Estimular a externalização das sensações

Mesas diversi cadas Favorecer a autonomia no desenvolvimento de tarefas

Vivências Promover a aprendizagem por meio de situações signi cativas

Leitura e vocabulário Para a aprendizagem da língua de forma lúdica

Produção escrita Estímulo para produção literária da língua portuguesa

Fonte: Quadros e Schmiedt (2006, p. 45-98).

Portanto, a Literatura Visual é usada para se referir às histórias que têm a língua de sinais, a identidade e a cultura surda incluída na
narrativa. Geralmente é registrada em Libras, por meio de lmagens, e em escrita impressa de sinais e em português. Por ser uma
língua visual, suas obras são compostas por várias gravuras, além da sinalização da Libras em desenhos. Rosa (2006, p. 62-63)
relata que:

O desenho é importante para crianças terem o visual e maior facilidade em perceber o conteúdo do livro. Além disso,
desenhos de sinais expressam e marcam a cultura surda. Possuem a possibilidade de leitura, pois dentro tem a escrita de
língua de sinais. (…) Para compreender a escrita da língua de sinais a pessoa precisa conhecer a estrutura da escrita de
Língua de Sinais. E, por último, a leitura do português, que também é importante para aprender a lê-lo. O objetivo desses itens
é ajudar e compreender a cultura surda. (…) Além de material impresso, a mídia (CD/DVD) é muito importante para surdos,
pois apresenta visual para todos do Brasil e é um meio mais fácil para entender o livro.

De acordo com Strobel (2009b, p. 62), a Literatura Surda refere-se “às experiências que o povo surdo passa, suas di culdades e/ou
vitórias das explorações e tiranias dos ouvintes, como reagem diante dessas situações; mostra também as ações de grandes
militares e lideres surdos e valoriza suas identidades surdas”.
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Os “surdos recontam histórias para outros surdos e reconstroem, pela língua e pela cultura, os sentidos veiculados pelo texto que
serviu como ponto de partida para a criação de um outro texto” (Alves; Karnopp, 2002, apud Leite; Guimarães, 2014, p. 9).

A Literatura Visual ou Literatura Surda é importante na formação da identidade e da cultura surda. Citando Leite e Guimarães (2014,
p. 5):

Nesse processo de construção de identidade do sujeito surdo e a sua relação com os seus pares, a contação de histórias e a
Literatura Surda se constituem como fatores relevantes, promovendo a re exão, a criticidade, a autonomia, dentre a
consolidação de outras aprendizagens. Ao considerar a literatura como instrumento essencial na formação do imaginário do
sujeito surdo, o contar e recontar histórias por meio da Língua Brasileira de Sinais possibilita signi car a fantasia e produzir
novos conhecimentos na ressigni cação de outros contextos, utilizando a sua língua natural.

Essa literatura contribui para a aprendizagem dos alunos surdos, no que se refere à sua língua e na sua formação como bilíngue.
Estimula a criatividade, a imaginação e a linguagem (Rosa, 2006). Promove também o desenvolvimento social e afetivo das crianças
surdas e ouvintes (Mourão; Silveira, 2009; Mourão, 2012).

Assim, o ensino da literatura nas escolas promove a formação da identidade e do gosto pela leitura dos ouvintes, e o mesmo
acontece com os alunos surdos. Quanto mais cedo forem expostos a histórias, poesias, contos, fábulas, piadas, dentre outros
textos, mais propensos eles carão a desenvolver o gosto pela leitura na sua língua, a de sinais. Além disso, a literatura tem efeito
positivo na identidade da criança surda. Muitos surdos se acham inferiores aos ouvintes, mas, ao notarem que há obras na sua
língua, eles perceberão que não são inferiores, apenas utilizam uma língua diferente (Laborit, 1994, apud Mourão, 2011).

Considerações nais
A Literatura Visual está ligada a histórias, poesia, contos e outras formas literárias de que a língua de sinais se apropria para
proporcionar o aprendizado, a identidade e a cultura surda. O que é preciso ainda é a ampliação do acervo disponibilizado
gratuitamente na internet, devendo inclusive ser produzidas obras pela própria comunidade surda, para que atendam às
necessidades da geração atual e das futuras e não apenas readaptando e recontando a literatura clássica nacional e internacional,
mas sim criando as próprias histórias de vida em suas comunidades.

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Publicado em 11 de julho de 2017

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26/08/2018 A importância da Literatura Visual no processo de ensino-aprendizagem do(a) aluno(a) surdo(a) | Educação Pública

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