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UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA

CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES


CURSO DE SERVIÇO SOCIAL
DISCIPLINA DE PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL

PROFESSORA RENATA LÍGIA RUFINO


ALUNAS: SUELY MARIA DE FREITAS
E TEREZA CRISTINA

O ESTEREÓTIPO BIZARRO DO ANÃO: ESTUDO SOBRE AS


CONDIÇÕES DE SOCIABILIDADE DO PORTADOR DO NANISMO
ASSOCIADO A INDUSTRIA DO RISO

JOÃO PESSOA - PB
Abril de 2013
SUELY MARIA DE FREITAS
E TEREZA CRISTINA

O ESTEREÓTIPO BIZARRO DO ANÃO: ESTUDO SOBRE AS


CONDIÇÕES DE SOCIABILIDADE DO PORTADOR DO NANISMO
ASSOCIADO A INDUSTRIA DO RISO

Projeto de pesquisa encaminhado para


análise com fins de avaliação para compor
nota da terceira unidade da disciplina de Pes-
quisa em Serviço Social, orientado pela do-
cente Renata Lı́gia Rufino Neves de Souza,
do curso de Bacharelado em Serviço Social
da Universidade Federal da Paraı́ba.

João Pessoa - PB
Abril de 2013
Sumário
1 RESUMO 1

2 INTRODUÇÃO 2

3 JUSTIFICATIVA 4

4 HIPÓTESES 6

5 OBJETIVOS 7
5.1 Objetivos Gerais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7
5.2 Objetivos Especı́ficos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7

6 PROBLEMATIZAÇÃO 8

7 METODOLOGIA 16

8 CONCLUSÃO 17

9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 18

1
1 RESUMO

O trabalho ora apresentado têm como objetivo central, as abordagens de


questões sobre a diversidade humana que envolve as pessoas portadoras de nanismo. Com
a intenção de difundir as condições de sociabilidade desses sujeitos e explicar a condições
reais de invisibilidade dos mesmos. Fez-se, portanto, um levantamento acerca do estado
da arte que envolve essas pessoas. Nesse sentido, definiu-se a pesquisa na modalidade bi-
bliográfica adotando a forma descritiva/qualitativa à partir de levantamentos de materiais
já analisados e publicados. No processo de revisão bibliográfica, relacionou-se os pontos
mais relevantes da leitura, fazendo uma conexão com os problemas propostos pelo tra-
balho e finalmente analisou-se os fundamentos de verdade. Trabalhamos com a hipótese
de que a visibilidade e a inclusão desses sujeitos à sociedade só será possı́vel quando os
diversos sujeitos que a constituem, incorporarem não só de direito, como também de fato,
o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas portadoras de nanismo como parte
da diversidade humana e da humanidade.

Palavras-chave: Nanismo, estereótipo, estigma, diversidade e inclusão.

1
2 INTRODUÇÃO

O projeto apresenta um estudo envolvendo a temática da diversidade humana,


de forma que se identifique, à partir do levantamento feito no estado da arte sobre os
portadores de deficiências, os elementos constitutivos das condições de sociabilidade que
envolvam as pessoas portadoras do nanismo.
Muitos são os questionamentos feitos sobre a invisibilidade desses sujeitos na
atualidade, infelizmente não há uma estatı́stica de quantos Acondroplásicos existem de
fato na sociedade brasileira, isto dificulta a difusão de informações sobre esses sujeitos.
Comunidades de apoio são necessárias para acompanhar os acondroplásicos,
como os familiares, no conhecimento e na aceitação tanto da condição do portador da
doença, como nas formas de trabalhar os problemas de ordem emocional que atinge essas
pessoas.
Os acondroplásicos são pessoas que além de possuı́rem um déficit fı́sico vindo
do nanismo, ap apresentam problemas de ordem psicológica por estarem inseridos em um
contexto paralelo ao encontrado no cotidiano, pois a limitação da doença proporciona
dificuldades de inclusão social, na busca de trabalho e locomoção, além do estereótipo
tradicional acarretado pelo estranhamento de seu fı́sico, onde lhes são conferidos piadas
e o rebaixamento de suas identidades como seres humanos capazes, pois fora a limitação
fı́sica, os processos mentais e cognitivos dos acondroplásicos são normais, ou seja, em sua
maioria não apresentam retraso ou distúrbios mentais graves.
Suas dificuldades emocionais são várias, pois começam na percepção de sua
condição fı́sica às demais pessoas, onde acarreta depressões profundas, isolamento social,
dependência familiar excessiva, dificuldade de trabalhar o processo de sua enfermidade,
como a não aceitação do seu corpo e atrasos escolares, fora às dificuldades de aceitação
da famı́lia que possuem um filho ou filha acondroplásica1 .
Do ponto de vista social, no Brasil, os portadores de acondroplasia sofrem
um esquecimento por parte das autoridades responsáveis pelo desenvolvimento do bem
estar social de seus cidadãos. Segundo consulta, em Curitiba e São Paulo, não exis-
tem programas e nem preparação dos profissionais da área da assistência social, para o
1
Acondroplasia - s.f. Anomalia da ossificação das cartilagens que causa nanismo, sobretudo nos
membros.

2
acompanhamento deste tipo de doença, pois se constatou, infelizmente, que nem o termo
“Acondroplasia” era conhecido de fato.
Portanto, além de identificar os elementos que contribuem para promover a
invisibilidade desses sujeito, também detecta-se um dado muito preocupante acerca da
qualificação dos profissionais da área da assistência social nesses espaços nos quais estamos
inseridos.
Percebe-se então, a necessidade da instrumentalização dos profissionais nesse
sentido, tendo como principal ferramenta os elementos constitutivas de uma pesquisa mais
aprofundada acerca do tema em questão. Reconhece-se portanto, que a temática não será
analisada por completo. O que poderá ser realizado em um estágio superior.

3
3 JUSTIFICATIVA

O estudo ora apresentado, foi motivado por vários questionamentos, quando


em 2010, participei como colaboradora e instrutora de um curso de “corte, costura e
modelagem”, promovido pela Fundação de Ação Comunitária (FAC) em parceria com o
Centro de Apoio a Criança e ao Adolescente (CENDAC)-Programas Oficinas do Saber.
Esse projeto tinha como objetivo geral, a inclusão social dos sujeitos que vi-
viam em condições de vulnerabilidade, sendo que no seu objetivo especı́fico, visava a
capacitação desses sujeitos e sua inserção no mercado de trabalho. Foi mediante essa
realidade contraditória, que me vi obrigada durante o processo de seleção, a excluir o
sujeito portador do nanismo que precisava ser incluı́do, simplesmente porque estava fora
dos padrões de normalidade fı́sica, quando da sua estatura, sob a alegação de que o mesmo
não podia acessar os equipamentos necessários ao curso.
Em virtude dessa experiência, instaurou-se em mim uma inquietude gritante,
na busca de explicações que pudessem suprir minha necessidade de saber sobre o modo
de ser das coisas.
Trata-se, portanto, de uma questão demandada que não pode ser analisada
apenas sob o aspecto da acessibilidade com o único propósito de minimizar as barreiras,
mas como forma de possibilitar igualdade de oportunidades e superação de preconceitos
e estigmas.
A invisibilidade social dos portadores de nanismo é tão intensa que sequer,
existem estatı́sticas sobre a sua quantidade. Quem se encontra hoje, fora dos padrões
convencionais de estatura, peso e medida, fazem parte de um grupo estigmatizado da
sociedade.
Historicamente esses estigmas, refletem a forma como a cultura e os mitos
continuam a influenciar o pensamento do senso comum sobre esses sujeitos, associando-
os ao engraçado e bizarro, ligando-os a indústria do divertimento popular, seja no circo,
ou como personagens de contos de fadas. Mais recentemente, vimos uma relação com
a polı́tica: “os anões do orçamento”, produzindo um efeito de ironia, dando ênfase a
sentidos pejorativos, negativos e lugar para a linguagem estereotipada.
Portanto, faz-se necessário compreender e refletir sobre as questões da diver-

4
sidade humana, buscando explicações nos aspectos de dimensão histórica, biológica e
cultural que possam identificar os elementos de interações que envolvam os portadores do
nanismo.
A pesquisa tem como finalidade a instrumentalização dos sujeitos para uma
prática social crı́tica e transformadora, no sentido de possibilitar a desconstrução desse
olhar perplexo e intolerante que só reconhece como sujeitos sociais, os considerados dentro
dos padrões da normalidade estética, reafirmando uma interpretação perversa e exclu-
dente, condicionando os portadores do nanismo a uma única forma de socialização, que é
por meio da indústria do divertimento.
Destarte, trata-se de um estudo pioneiro no Estado da Paraı́ba, porém é reco-
nhecido que a temática não será analisada por completo. O que poderá ser realizado em
um estágio superior.

5
4 HIPÓTESES

Trabalhamos com a hipótese de que a efetiva inclusão desses sujeitos à socie-


dade só será possı́vel quando os diversos sujeitos que a constituem, incorporarem não só,
de direito, como também de fato, o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas
portadoras do nanismo como parte da diversidade humana e da humanidade. Nestes ter-
mos, já preconizado sob a Lei no 7.853/89, Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência
e sua integração social, (BRASIL,1989).

6
5 OBJETIVOS

5.1 Objetivos Gerais

Abordar questões sobre a diversidade humana, comparando os conceitos, pre-


conceitos, estereótipos e estigmas, à partir da forma como acultura e os mitos continuam
a influenciar o pensamento do senso comum sobre as pessoas portadoras do nanismo.

5.2 Objetivos Especı́ficos

• Fazer um levantamento acerca do estado da arte que envolvam as pessoas portadoras


do nanismo.

• Difundir as condições de sociabilidade mais relevantes que possam contribuir para


a construção do processo de interação desses sujeitos.

• Identificar os aspectos que devem ser melhorados na tentativa de elevar a qualidade


de vida dessas pessoas.

7
6 PROBLEMATIZAÇÃO

A inclusão social das pessoas com deficiência exige a aceitação das diversidades,
a integração e o convı́vio com estes indivı́duos, porém estas pessoas ainda encontram
desafios e obstáculos na sociedade para sua aceitação, sendo vı́timas de preconceitos e
discriminações, reflexos das diferentes maneiras pelas quais foram vistas e tratadas ao
longo do tempo.
Na maior parte das sociedades humanas de que se tem documentação histórica,
as reações sobre as diversidades entre as pessoas aparecem de forma variada: tanto no que
se refere às diferenças percebidas entre a mesma população quanto em relação às várias
etnias com as quais mantinham contato.
Segundo (MAIER, 1984; LARAIA, 1986; MAGGIE, 1996), Desde a Antigui-
dade existem relatos de guerreiros, viajantes, comerciante, além dos mitos que relatam
sobre as diferenças fı́sicas e sociais das demais culturas. As reações variam desde o medo
e a repulsa até a curiosidade e o apreço.
Vale salientar que na maioria das vezes as explicações sobre essa diversidade,
enfatizavam os aspectos negativos dos “outros”, que compreendiam suas diferenças através
das caracterı́sticas fı́sicas e culturais dos povos, concebendo-a de forma etnocêntrica, ou
seja:

“A interpretação das ideias ou das


práticas de uma outra cultura em
termos de sua própria cultura. Os
julgamentos etnocêntricos deixam de
reconhecer as verdadeiras qualidades
das outras culturas. Um indivı́duo
etnocêntrico é alguém que não tem
capacidade, ou vontade, de observar
outras culturas nas próprias condições
delas.” (GIDDENS, 2005, p.567).

Portanto, ao tomar como objeto de estudo as condições históricas, culturais e

8
biológicas do portador do nanismo, optou-se por utilizar a história como um instrumento
para auxiliar no entendimento das formas de interpretação da deficiência predominante
ao longo do tempo.
A palavra “Acondroplasia”: do grego a (privação) + chóndros (cartilagem) +
plásis (formação), ou seja, “sem formação de cartilagem”, é uma das mais antigas doenças
de nascença já registrada pelo homem. Ela é conhecida por provocar nos portadores, o
nanismo ou genericamente conhecido como anões.
Pesquisas mostram o aparecimento deste problema antes do império Egı́pcio.
Na Inglaterra, por exemplo, foi encontrado um esqueleto acondroplásico que data da
época neolı́tica, mais de 7.000 anos. Mas foi na idade média e moderna que esta doença
se tornou realmente conhecida, pois pessoas afetadas, geralmente, eram ridicularizadas e
serviam como forma de divertimento em teatros ou como bobos da corte nos reinos da
Europa.
Analisemos então, de que forma no âmbito da cultura, o imaginário da socie-
dade ocidental, por meio de seus mitos, foi construindo, ao longo dos séculos, a imagem
do deficiente fı́sico.
Histórica e simbolicamente, a deficiência fı́sica foi e no caso especı́fico do su-
jeito acondroplásico “ANÃO”, continua sendo, ressalvando algumas regras, considerada
como um fator de exclusão social à exemplo do que afirma Vigarello,

“O corpo é o primeiro lugar onde a


mão do adulto marca a criança, ele
é o primeiro espaço onde se impõe
o limite social e psicológico dados à
sua conduta, ele é o emblema onde a
cultura escreve seus signos tanto como
um brasão”. Vigarello (1978, p.9)

Interpretemos então, de que forma as narrativas mı́ticas abordam sobre a re-


jeição, a punição e a exclusão dos deficientes em consequência de sua aparência fı́sica, por
meio da leitura de alguns mitos constitutivos do imaginário ocidental: mitologia grega e
a bı́blia cristã.
A sociedade ocidental é considerada herdeira das concepções desenvolvidas na

9
Grécia Antiga (séc.XII a.c ao séc.VII a.c), considerada o berço da civilização. O perı́odo
de que se tem notı́cia anterior ao séc.XII a.c é o da civilização micênico-cretense, na
Grécia, com sua estrutura fundada em uma “monarquia divina em que a classe sacer-
dotal tinha grande influência e o poder polı́tico era hereditário”(MARCONDES, 2002,p.
21). Era uma aristocracia militar baseada em uma economia agrária. Nesse perı́odo, o
pensamento mı́tico era a forma como o povo adotava para explicar aspectos essenciais da
realidade, como a criação do mundo, a natureza, as origens do povo e seus valores básicos.
O elemento central do pensamento mı́tico é o apelo ao sobrenatural e ao mistério. “São
os deuses, os espı́ritos e o destino que governam a natureza, o homem e a própria socie-
dade” (MARCONDES, 2002, p.20), e o conhecimento é revelado por esses deuses e por
intermédio deles.
Segundo (CROATO, 2001), é necessário compreender o mito em sua função
simbólica e como relato de um acontecimento originário no qual os deuses agem e cuja
finalidade é dar sentido a uma realidade significativa.
Nessa narrativa, o mito que melhor retrata o tratamento destinado às pessoas
com deficiência é o de Hefestos, que apesar de um deus do Olimpo, recebeu atributos
pejorativos em consequência de sua deformidade e foi desprezado e excluı́do por sua
aparência fı́sica.
Hefestos, é o único deus com uma deficiência fı́sica. Filho de Zeus e Hera, sua
origem é narrada de diferentes formas, mas todas elas estão relacionadas à rejeição por
parte de seus pais: “Nascera coxo e sua mãe sentiu-se tão aborrecida ao vê-lo que o atirou
para fora do céu”.
Outra versão diz que Zeus atirou-o para fora com um pontapé, devido à sua
participação numa briga entre Zeus e Hera. O defeito fı́sico seria consequência dessa
queda (BULFINCH, 2001, p.12-13).
Hefestos habitava a Ilha de Lemnos, à qual chegou após ter sido chutado por
seu pai e rolar pelo Olimpo abaixo durante um dia inteiro. Era o único deus que traba-
lhava, atividade que não era bem vista no panteão,

10
“Mestre das artes do fogo e governando
o mundo industrioso dos ferreiros, dos
ourives e dos operários. É visto so-
prando seu fogo e penando na sua
bigorna, em que fabrica as armas dos
deuses e dos heróis[...]”(CHEVALIER;
GUEERBRANT, 1995,p.485).

O ofı́cio de ferreiro situa-se, entre os ofı́cios ligados a transformação dos me-


tais, como “o mais significativo quanto a importância e à ambivalência dos sı́mbolos que
implica”(CHEVALIER;GUERRBRANT, 1991,p.423). Vivia num vulcão, habitando as
sombras e em relação com as entranhas da terra, de onde extraı́a o metal, e com o fogo
subterrâneo, forjava armas maravilhosas para deuses e heróis e joias para deusas e belas
mortais, entre outros objetos. [...] às vezes, os ferreiros são monstros, ou identificam-se
com os guardiões dos tesouros ocultos. Possuem, portanto, um aspecto temı́vel, propri-
amente infernal; sua atividade aparenta-se à magia e à feitiçaria. E é por essa razão
que, muitas vezes, os ferreiros eram mais ou menos excluı́dos da sociedade; e, na mai-
oria dos casos, seu trabalho era rodeado de ritos de purificação, de proibições sexuais e
de exorcismos. Hefestos é apresentado como um demiurgo, criatura intermediária entre
a natureza divina e a humana, sendo descrito por Homero como disforme e claudicante,
“monstro esbaforido e manco, cujas pernas débeis vacilam sob o peso do corpo”. (CHEVA-
LIER; GUEERBRANT, 1991, p.424;485). Logo, a deformidade de Hefestos, inscreve-se
na ausência de integridade corporal, como um elemento de desqualificação e de assimetria
eliminando-o da paridade humana.
Nas narrativas do imaginário religioso da tradição cristã, os valores ligados à
exclusão de doentes e deficientes fı́sicos estão fundamentalmente baseados em critérios
de pureza e impureza, apontado em Levı́tico, nas leis para sacerdotes, pode-se observar
o impedimento de todos os doentes e deficientes para os rituais, por serem considerados
impuros por Deus, quando este pede a Moisés que anuncie a Arão, o sacerdote, e os filhos
de Israel que nenhum de seus descendentes que possuam qualquer defeito poderá oferecer
ofertas a Ele, pois profanariam Seus santuários:

11
“Nenhum homem em quem houver
defeito se chegará: como homem
cego,ou coxo,ou de rosto mutilado,
ou desproporcionado, ou homem que
tiver o pé quebrado ou mão quebrada,
ou corcovado, ou anão, ou que tiver
belida no olho, ou sarna, ou impigens,
ou que tiver testı́culos quebrados”.
Levı́tico 21:16-24 (apud KILLP, 1990)

Percebe-se então, que a visão compartilhada no perı́odo histórico da Grécia


Antiga, é que a deficiência dificultava a sobrevivência/subsistência do povo, visto que um
corpo disforme ou sem as funções que garantiriam o vigor e a força, pouco contribuiria
para a agricultura ou para a guerra.
Adentraremos agora, no Perı́odo Clássico, que, segundo Marcondes (2002),
é aquele compreendido entre o séc.VI a.c e o ano 322 a.c . Por volta de 900 a 750
a.c, começam a surgir na Grécia as cidades-Estado, com uma participação polı́tica mais
ativa dos cidadãos. A Grécia havia sido invadida pelas tribos dóricas, provenientes da
Ásia Central. Começava a surgir uma nova ordem econômica, baseada em atividades
comerciais e mercantis.
O confronto de diversas culturas, devido às atividades econômicas, teria en-
fraquecido o poder explicativo dos mitos, revelando sua origem cultural. O pensamento
mı́tico, como concepção de homem, mundo, sociedade e conhecimento, vai deixando de
satisfazer as necessidades da ordem social e nesse contexto surge então o pensamento
filosófico.
Nesse contexto, buscando examinar a constituição da polı́tica perfeita, Aristóteles
no livro “A Polı́tica”, descreve as ações necessárias para sua ocorrência. Segundo Mar-
condes(2002), a polı́tica de Aristóteles se articula com a ética, pois a polis é o contexto em
que o homem virtuoso deve exercer suas atividades, sendo que o agir virtuoso se caracte-
riza pela relação com os outros, isto é, pela vida social. Que se traduz na sua concepção
de ética da seguinte forma: “quanto a saber quais os filhos que se devem abandonar ou
educar, deve haver uma lei que proı́ba alimentar toda criança disforme”(ARISTÓTELES,
1988,p.135).

12
Observa-se então que no perı́odo clássico, a concepção de homem, mundo e
sociedade, calcada na busca de um ideal de sociedade, tem suas repercussões nas ações
e escolhas de um povo. É um perı́odo de formas perfeitas na arquitetura e na arte, de
busca de participação do cidadão na polı́tica. Contudo, é também um perı́odo em que o
regime de escravidão é legitimado como necessário, e em que o valor das pessoas está em
sua função social e na cisão entre o trabalho intelectual e o trabalho manual. Logo, sob
essa narrativa, percebe-se que não há lugar para os deficientes, e seu abandono é encarado
como uma atitude natural e adequada.
Seguindo sistematicamente a mesma linha de análise para a compreensão do
tema em questão, vejamos agora o perı́odo da Idade Média entre, (sec.IV ao sec.XIV),
considerado o corolário da doutrina cristã.
A Idade Média foi marcada pela dissolução do Império Romano, devido às
inúmeras invasões bárbaras. Marcondes (2002), afirma que nesse perı́odo a Igreja foi a
única instituição estável e a principal e quase exclusiva responsável pela educação e pela
cultura.
No ano de 529, foi fundada a Ordem dos Beneditinos, a primeira grande ordem
religiosa, simboliza o momento em que a igreja cristã interdita à filosofia grega e passa
a deter o monopólio da educação, reflexão e meditação (GAARDER, 1995). Segundo
Marcondes (2002), essas Ordens dedicavam-se à vida do mundo leigo, à pregação e à
conversão dos hereges e pagãos.
A prática da magia e das relações com o demônio eram dogmas aceitos, e
o homem “passou a ser considerado como um ser submetido a poderes invisı́veis, tanto
para o bem como para o mal”(AMIRALIAN, 1986). Ao explicar as contradições existentes
nessa época, Pessoti(1984), afirma que a hierarquia clerical, apesar de conhecer a dialética
aristotélica e a escolástica, e de dominar a teologia e os meios de comunicação, não
conseguiu vencer as superstições que condenava, porque, ao perseguir os representantes
do diabo, os feiticeiros, as criaturas bizarras e de hábitos estranhos, reafirmava essas
crenças, pois admitia sua existência.
Portanto nesse contexto, segundo Pessoti (1984), a deficiência era submetida
a superstição, ora sendo entendida como eleição divina, ou ora como danação de Deus ou
possessão diabólica. Durante a inquisição, toda pessoa com deficiência que fosse reconhe-
cida por ser uma encarnação do mal (pecado) era destinada à tortura e à fogueira. Ainda

13
segundo Pessoti (1984), a pessoa com deficiência passou a ser acolhida nos conventos ou
igrejas, onde ganhou a sobrevivência, em troca de pequenos serviços à instituição.
Orientando-nos na direção dos fatos históricos, mergulhamos então, na Idade
Moderna, um perı́odo que compreende grandes mudanças, onde ocorre a transição en-
tre o Feudalismo e o Capitalismo, considerado do ponto de vista econômico, filosófico
e cientı́fico um perı́odo fecundo. Ocorrem grandes descobertas marı́timas, o desenvolvi-
mento do mercantilismo como no modelo econômico em substituição à economia feudal e
o surgimento e consolidação dos Estados Nacionais (Espanha, e Portugal, Paı́ses Baixos,
Inglaterra e França), modelo polı́tico que substituiu o Feudalismo. Ocorrem também o
Humanismo Renascentista, no séc.XV, a Reforma Protestante no séc.XVI e a Revolução
Cientı́fica no séc.XVII. A Revolução Francesa (1789) marca o final da Idade Moderna.
Segundo Japiassu(1991), nesse perı́odo o mecanismo apresenta-se como filosofia
da ciência experimental nascente, opondo-se à magia natural e a alquimia. O termo
mecânico perde seu caráter pejorativo, pois a realidade histórica apresenta-se fértil no
desenvolvimento dos trabalhos práticos de arquitetos, artesãos, relojoeiros e fabricantes
de máquinas e canhões.
Inaugura-se portanto, a concepção cientı́fica do mundo e do homem e instaura-
se a matemática como via preferencial de explicação do conhecimento, adotando-se a
máquina como modelo de funcionamento do mundo. Essa ruptura com a hegemonia da
igreja elimina, no mundo cientı́fico, as explicações sobrenaturais e mágicas, e abre caminho
para o desenvolvimento do conhecimento da técnica, da manufatura e da medicina, além
de garantir à igreja o monopólio do espı́rito.
Nesse sentido, com o advento da medicina, segundo Pessoti(1984), se produz
um deslocamento na concepção de deficiência, que transmuta de seus diversos sentidos
espirituais: possessão demonı́aca, castigo divino ou manifestação das obras de Deus para
uma manifestação da doença, cabendo, portanto, aos médicos o diagnóstico, prognóstico
e tratamento da deficiência, normalmente em instituições destinadas a esse fim. Nessas
narrativas compreende-se então o deficiente nesse perı́odo, pelos critérios de normalidade
definidos pela medicina, promovendo assim uma mudança de status nessas pessoas; de
vı́timas de um poder sobrenatural para o de “desviante” ou doentes.
Portanto, é mediante essas narrativas de diferentes contextos que podemos
identificar alguns elementos de interações desses sujeitos, que justifique, ou pelo menos,

14
explique o estigma imputado àqueles que têm um corpo desviante.
Aqui a história biológica se funde na história cultural do corpo, na experiência,
na expressão da linguagem e na ideologia. Nessa perspectiva, afirma Soares(1999, p.5);
“O corpo marcado pela cultura é um signo polissêmico, uma realidade histórica e multi-
facetada.”
Voltando então ao universo dos anões podemos constatar que desde a anti-
guidade esses sujeitos são marcados pelo estigma de garantir a diversão dos outros, de
fazer rir, expondo-se de qualquer maneira, tornando-se uma condição muito perversa de
inclusão social.
É preciso que se quebre esses paradigmas que só reforçam em nós mesmos o
modelo de imperfeição, como reflexo de nós mesmos, não existe um padrão de beleza ou
perfeição, pois somos imperfeitos por natureza.
E ao aproximarmos essa reflexão de nossas vidas, de nossas organizações, é
evidente que não estamos falando só do respeito à diversidade humana e oportunidades
iguais para todos. É isso e mais um pouco. Abrir espaços, incluir, buscar quem está do
lado de fora, reconhecer identidades, compor equipes caracterizadas pelas diversidades é
um passo muito importante.
Quando falamos numa sociedade inclusiva, pensamos naquela que valoriza a
diversidade humana e fortalece a aceitação das diferenças individuais, já preconizados na
Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, pela Organização das
Nações Unidas. No art. 1o está escrito que: “todos os seres humanos nascem livres e
iguais em dignidade e direitos”. O art.5o da Constituição Brasileira, em 1988, reforça
que: “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”. A mesma
organização formulou, em 1975, a Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, que diz
em seu art.3o : “as pessoas deficientes tem o direito inerente de respeito por sua dignidade
humana. As pessoas deficientes, qualquer que seja a origem, natureza e gravidade de suas
deficiências, tem os mesmos direitos fundamentais que seus concidadãos da mesma idade,
o que implica, antes de tudo, o direito de desfrutar uma vida decente”. E em seu art.8o
está escrito que: “as pessoas deficientes tem o direito de ter suas necessidades especiais
levadas em consideração em todos os estágios de planejamento econômico e social”.
Sendo assim, todas as diferenças inatas aos seres humanos precisam ser respei-
tadas.

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7 METODOLOGIA

Trabalhamos com a hipótese de que a efetiva inclusão desses sujeitos à socie-


dade só será possı́vel quando os diversos sujeitos que a constituem, incorporarem não só,
de direito, como também de fato, o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas
portadoras do nanismo como parte da diversidade humana e da humanidade. Nestes ter-
mos, já preconizado sob a Lei no 7.853/89, Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiência
e sua integração social, (BRASIL,1989).

16
8 CONCLUSÃO

Consideramos que, a promoção de valores como respeito a diversidade cultural,


racial e étnica, entre outros, não podem ser implementados apenas como mero conteúdo,
mas também incorporados na prática, e que para incluir todas as pessoas, a sociedade
deve ser modificada, devendo firmar a convivência no contexto da diversidade humana,
bem como aceitar e valorizar a contribuição de cada um conforme suas condições pessoais,
percebendo-os como sujeitos de direitos, sejam eles constitucionais, sociais ou humanos.

17
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GARCIA, Vinı́cius Gaspar. As Pessoas com Deficiências na História do Mundo.


Bengala Legal, out. 2011. < http://www.bengalalegal.com/pcd-mundial >. Data de
Acesso: 16/04/2013 17:26.

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http://www. bengalalegal.com/pdc-mundial >. Data de Acesso: 16/04/2013 17:26.

FREITAS, Maria Nivalda de Carvalho. Concepçoes de Deficiência: da Grécia An-


tiga aos dias de hoje. Bengala Legal, jun. 2011. < http://www.bengalalegal.com/concep
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de 1989, dispõe sobre a Polı́tica Nacional para a Integração de Pessoa Porta-
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