Anda di halaman 1dari 99

1

UNIVERSIDADE PAULISTA - UNIP


FACULDADE DE ARQUITETURA E URBANISMO

O MODERNISMO NA ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL

GOIÂNIA
2016-2
O MODERNISMO NA ARQUITETURA E URBANISMO DO BRASIL

Projeto desenvolvido para obtenção de nota de


NP-2 da disciplina de História da Arquitetura e
Urbanismo sob orientação do Prof. Ms. Ivan
Grande.

GOIÂNIA
2016-2
Lista de Figuras

Figura 1: Desembarque de imigrantes no Porto de Santos – SP em 1907. ................ 9


Figura 2: Reforma Urbana de Paris em 1854-1870................................................... 10
Figura 3: Reforma Urbana no Rio de Janeiro no início do século XX. ...................... 12
Figura 4: Primeira reunião em La Sarraz, 1928......................................................... 15
Figura 5: Slogans dos CIAM’s. .................................................................................. 16
Figura 6: Carta de Atenas, Le Corbusier. .................................................................. 17
Figura 7: Fim dos CIAM, livro TEAM10. .................................................................... 18
Figura 8: Rua de Londres no início do século XX. .................................................... 20
Figura 9: Cidade Jardim de Hebenezer Howard, 1898. ............................................ 21
Figura 10: Bairro Karl-Marx-Hofs em Viena de 1927................................................. 23
Figura 11: Ville Contemporaine pour trois millions d’habitants de Le Corbusier........ 24
Figura 12: Villa Savoye, casa projetada por Le Corbusier em Possy – Paris. ........... 25
Figura 13: Villa Savoye, rampa central sugere uma organização simétrica. ............. 26
Figura 14: Villa Savoye, vista da parte interna. ......................................................... 27
Figura 15: Paris no início do século XX – transformação urbana. ............................. 30
Figura 16: Plano de Paris, 1851-1870. ...................................................................... 31
Figura 17: Siedlungen - Berlim: blocos de habitação com infraestrutura de uma
minicidade de 1925. .................................................................................................. 32
Figura 18: Edifício do Ministério da Educação e Saúde (Le Corbusier) no Rio de
Janeiro. ..................................................................................................................... 34
Figura 19: Edifício da Sociedade Brasileira de Belas Artes no Rio de Janeiro. ........ 35
Figura 20: Cartazes oficiais da Semana de Arte Moderna de 22 e um anúncio para a
apresentação de Villa-Lobos. .................................................................................... 36
Figura 21: Casa Farnsworth, arquiteto Mies Van der Rohe ...................................... 38
Figura 22: Museu de Arte Moderna (MAM) de Reidy, Rio de Janeiro. ...................... 40
Figura 23: Edifício Copan. Oscar Niemeyer, 1951-1966. .......................................... 41
Figura 24: Unidade de Habitação de Marselha 2 4 metros de largura, 18 níveis, 337
moradias de dimensões variadas – Le Corbusier. .................................................... 41
Figura 25: Uma série de aspectos faz deste edifício um ponto de convergência
social. ........................................................................................................................ 43
Figura 26: Conjunto Habitacional Pedregulho, concebido como um complexo
habitacional para servidores públicos da Prefeitura do então Distrito Federal, RJ. ... 44
Figura 27: Maquete do Conjunto Habitacional Pedregulho. ...................................... 45
Figura 28: Corte do projeto Pedregulho. ................................................................... 46
Figura 29: Vista dos apartamentos do bloco A, Conjunto Habitacional Pedregulho.. 47
Figura 30: Desenvolvimento da malha urbana da cidade de São Paulo (1881-1995).
.................................................................................................................................. 49
Figura 31: Os 1.800 metros de extensão da Avenida Central foram abertos durante a
ampla reforma urbanística do prefeito Pereira Passos. ............................................. 50
Figura 32: Plano das Avenidas, São Paulo em 1920. ............................................... 50
Figura 33: Planos de Embelezamento do Rio de Janeiro: o estilo arquitetônico era
inspirado nos boulevards parisienses. ...................................................................... 51
Figura 34: Alfred Agache, Plano de Extensão, Remodelação e Embelezamento do
Rio de Janeiro e a maquete da Praça do Castelo em 1930. ..................................... 52
Figura 35: Arraial de Belo Horizonte, antes era conhecido por Curral d’El-Rei, 1896.
.................................................................................................................................. 54
Figura 36: Planta Geral da Cidade de Minas: Belo Horizonte, 1895. ........................ 55
Figura 37: Zoneamento desenhado por Aarão Reis para a Belo Horizonte. ............. 56
Figura 38: Mapa do hipercentro de Belo Horizonte. .................................................. 57
Figura 39: Inauguração de Belo Horizonte, 1897 ...................................................... 59
Figura 40: Plano de Attilio Correa Lima para Goiânia, 1933. .................................... 61
Figura 41: A Praça Cívica, elemento central na concepção de Attilio Corrêa Lima,
ainda na década de 1930. ......................................................................................... 62
Figura 42: Goiânia no período de sua inauguração, todas as vias ao encontro do
centro político. ........................................................................................................... 63
Figura 43: Cidade-jardim: o projeto do Setor Sul. ..................................................... 66
Figura 44: Planos de Côrrea e Godoy para Goiânia. ................................................ 67
Figura 45: Detalhe de um atlas escolar luso-brasileiro de 1927, quando não existia
Goiânia. A área prevista para o "Districto Federal” (conhecida como "Retângulo
Cruls" ou "Quadrilátero Cruls") era bem maior que a atual. ...................................... 68
Figura 46: Plano Piloto de Lucio Costa. .................................................................... 70
Figura 47: Riscos Iniciais de Lúcio Costa. ................................................................. 72
Figura 48: Ministério da Justiça. Brasília, 1962. ........................................................ 73
Figura 49: Asas do Plano Piloto, áreas compostas basicamente pelas superquadras
residenciais, quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão, onde há
também escolas e igrejas. ......................................................................................... 75
Figura 50: Palácio da Alvorada, com a capela em fundo. ......................................... 76
Figura 51: Catedral, a torre dos sinos e o batistério são elementos independentes da
construção principal, as nervuras, originalmente, eram de concreto aparente. ........ 76
Figura 52: Ministério das Relações Exteriores (Palácio Itamaraty). Brasília 1962.
Niemeyer projetou arcos curvos com concreto aparente. ......................................... 77
Figura 53: Eixos, setores e quadras - racionalidade do Plano Piloto. ....................... 77
Figura 54: Lançamento da Pedra Fundamental de Palmas. ..................................... 79
Figura 55: Croqui esquemático do partido urbanístico de Palmas. ........................... 81
Figura 56: Croqui esquemático dos Parques Urbanos de Palmas. ........................... 82
Figura 57: Zoneamento de Palmas, Plano Diretor. ................................................... 83
Figura 58: Quadro-Síntese do Memorial do Projeto de Palmas. ............................... 84
Figura 59: Croqui geral da proposta paisagística do Complexo da Praça dos
Girassóis. .................................................................................................................. 85
Figura 60: Foto da Cidade de Palmas mostrando áreas executadas ........................ 86
Figura 61: Palmas na atualidade. .............................................................................. 87
Sumário

Introdução .................................................................................................................. 7

1. As condições socioeconômicas, políticas, urbanísticas e culturais do


Brasil na transição do século XIX para o século XX. .......................................... 8

2. A influência dos CIAM's na transformação da arquitetura e do urbanismo


no início do século XX. ........................................................................................ 14

2.1 As novas propostas da Arquitetura Moderna .......................................... 20

2.2 As novas propostas do Urbanismo Moderno .......................................... 29

3. A modernidade no Brasil................................................................................. 34

3.1 As conexões teóricas com as propostas europeias e as transformações


dos princípios estéticos e formais pelo "modo de fazer" brasileiro. ........... 38

3.2 O urbanismo Moderno Brasileiro .............................................................. 49

4. O plano urbano para Belo Horizonte de Aarão Reis ..................................... 54

5. O plano urbano para Goiânia .......................................................................... 61

6. O Plano piloto para Brasília ............................................................................ 68

7. O plano urbano para Palmas .......................................................................... 79

Conclusão ................................................................................................................ 88

Referências Bibliográficas ..................................................................................... 90


7

Introdução

Arquitetos e historiadores, desde o século XX, dedicam-se diante do tema da


arquitetura e urbanismo moderno no Brasil na tentativa de elucidar as características
que a tornaram conhecida internacionalmente, como foram empregados os
conceitos desse estilo no país, quem foram os personagens principais neste
processo, entre outros aspectos. Seguindo com essas ideias é que este trabalho se
estrutura sob conceitos que sintetizam a trajetória da arquitetura e urbanismo
moderno aqui no Brasil. A Arquitetura Moderna Brasileira se iniciou e consolidou
com a construção do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro que contou
com a participação de Le Corbusier como consultor.
Em seguida, viu as ideias se difundir para outras capitais com a participação
de arquitetos cariocas nesse período e nesse momento o país viu surgir cidades
dentro do embasamento moderno – planos urbanos. Aqui foi um dos lugares que
mais absorveu os ideais da arquitetura moderna de modo mais interessante e esse
estilo colaborou para fortalecer o sentimento de nacionalismo e identidade
legitimamente brasileira. Muitos países estabeleceram, arquiteturas nacionais que
foram entendidas como típicas. No Brasil, mesmo com o passar do tempo o que se
conhece como arquitetura brasileira não é a arquitetura do passado, mas sim a
arquitetura moderna.
Em 1930, a Revolução originou uma liderança política nova no Brasil e ela
buscou romper com a sociedade agrária tradicional, promovendo políticas industriais
e modernizando a administração governamental. Esse novo cenário estimulou os
ideais modernistas juntamente com a nomeação de Lucio Costa para a Escola de
Belas Artes e já demonstrava como os modernistas estavam ganhando cada vez
mais área. O modernismo dessa maneira, contou com o apoio legitimado do governo
federal. A restauração e a apreciação do patrimônio arquitetônico brasileiro de
séculos passados fez parte do plano modernista. Como disse Lucio Costa, “no
Brasil, ao contrário do que acontece na maioria dos países, os poucos que se
esforçaram para abrir o país para a modernidade foram os mesmos que foram às
zonas rurais em busca de suas raízes e tradições”.
8

1. As condições socioeconômicas, políticas, urbanísticas e


culturais do Brasil na transição do século XIX para o século XX.

Chegando ao final do século XIX, o Brasil passou por modificações que


atingiram os mais variados setores da sociedade. Essas mudanças ocorreram
principalmente devido ao novo dinamismo da economia internacional que via uma
alteração na ordem e nas hierarquias sociais. A Revolução Industrial fez com que
novos hábitos, convicções e percepções atingissem as pessoas causando uma
grande transformação na sociedade. Esse período foi marcado por transformações
amplas, complexas e profundas, reconhecidas por alguns teóricos como a revolução
científico-tecnológica - aproximou as descobertas científicas do cotidiano das
populações e estimulou o desenvolvimento de potenciais energéticos, originando
novos campos de exploração industrial.
Surgiram novas áreas dos conhecimentos como: a microbiologia, a
bacteriologia e a bioquímica, que tiveram efeitos fundamentais na produção e
conservação de alimentos, na farmacologia, na medicina, na higiene e profilaxia e
representaram impacto decisivo para o prolongamento da vida humana. A passagem
do século XIX para o século XX no Brasil foi marcante, devida às transformações
políticas ocorridas nos campos: social, econômico e político. O fim da escravidão em
1888 mudou a forma de produção no período colonial, com isso foi intensa a
imigração de europeus e asiáticos para se tornarem mão de obra.
Essa nova gente que foi chegando deixou de morar nas fazendas para
viverem nas cidades, com o passar do tempo, eles fizeram parte dessa nova forma
de viver, o país começou a se industrializar e viu surgir os sindicatos de operários,
da organização de movimentos políticos, como o anarquismo, e da luta por direitos
sociais. Esses acontecimentos colaboraram para a constituição da democracia do
Brasil contemporâneo.
9

Figura 1: Desembarque de imigrantes no Porto de Santos – SP em 1907.

Fonte: Mestre da História

A abolição da escravidão foi um dos fatores primordiais para o fim do regime


monárquico brasileiro. Por meio de um golpe de origem militar, esse regime findou
em 1889. O movimento republicano que era constituído por parte da elite achava
que esse sistema atrasava o desenvolvimento do país. O novo projeto político
republicano queria vencer o atraso econômico e social, por isso estabelece novas
condições para um desenvolvimento capitalista de modelo europeu. A modernização
através do projeto apresentado tinha embasamento positivista e foi apoiado por
militares e por uma burguesia urbana que ainda se desenvolvia de modo lento.
Essa burguesia tinha como integrantes da sociedade: profissionais liberais e
por pessoas ligadas à produção agrícola que não dependiam tanto de mão de obra
escrava. Os Estados Unidos do Brasil iniciam esforços para garantirem sua
autonomia perante o governo central. Essas iniciativas visavam reorganizar a
administração pública e ampliar a formação das elites locais. Assim, a burguesia se
preocupou com a formação de engenheiros e criou escolas com a Escola Politécnica
de São Paulo em1893, a Escola de Engenharia do Pernambuco em1895, a Escola
de Engenharia do Rio Grande do Sul em 1896, entre outras, que dão sequência às
escolas criadas ainda à época imperial, como a Escola Politécnica do Rio de Janeiro
(1810) e a Escola de Minas de Ouro Preto (1876), no estado de Minas Gerais, esta
última fundada pelo engenheiro francês Claude Henri Gorceix, por iniciativa do
Imperador Pedro II.
10

Analisando as pesquisas realizadas é possível observar que as ideias que


influíram nas opções políticas do período foram as de intelectuais positivistas
franceses, discípulos de Saint-Simon, como Augusto Comte e Michel Chevalier. Em
conformidade com esses ideais, os positivistas propunham uma intervenção maior
do Estado na questão socioeconômica como sendo parte de um projeto maior que
queria o progresso do país, tendo por base a Europa.
Nessa ótica positivista, a república, se desenvolveria nos âmbitos da
industrialização, urbanização e teria uma visão racional maior nas decisões políticas
e administrativas para fazer com que o Brasil se transformasse em um país moderno
e urbano e isso envolvia principalmente as cidades brasileiras, pois até o início do
século XX ele era basicamente agrícola. Dessa forma, projetos surgiram com a
intenção de renovar e estruturar as formas urbanas do país, um exemplo
significativo foi o modelo haussmaniano e seu foco na melhoria do saneamento das
cidades e da circulação viária, assim como o embelezamento tendo por base os
princípios estéticos determinados pela École de Beaux-Arts francesa.

Figura 2: Reforma Urbana de Paris em 1854-1870.

Fonte: Arterando Wordpress

O urbanismo visto como meio para redefinir a estrutura da cidade, aparece


em iniciativas de planejamento urbano em algumas cidades brasileiras entre o fim da
monarquia em 1889 e nas primeiras décadas do período republicano. Essas
redefinições da estrutura da cidade foi o conceito básico que norteou os trabalhos do
Barão Haussman em Paris.
11

Características essas que são encontradas nos planos urbanos de cidades


como: Belo Horizonte de 1894 até 1897; nos projetos de ampliação urbana das
cidades de Santos em 1896 até 1910, de Vitória em 1896, de Parayba do Norte,
atual João Pessoa em 1913, de Recife em 1910 até 1914 e de Porto Alegre em
1913. No Rio de Janeiro, como apresenta Andrade, a reforma urbana que ficou
conhecida por Pereira Passos nos anos de 1903 até 1906, teve alguns princípios
urbanísticos haussmanianos, como o alargamento e a retificação de ruas, o
saneamento de bairros insalubres e iniciativas de embelezamento inspiradas na
tradição neoclássica, mas infelizmente não previu um plano para orientar o
desenvolvimento da cidade (ANDRADE, 1991).
A cidade de Belo Horizonte representa muito bem o processo de
transformação e modernização dentro das ideias republicanas do período em
questão, pois foi planejada e construída entre 1894 e 1897 para ser a nova capital
de Minas Gerais, sucedendo Ouro Preto, cidade barroca, com traçado irregular, com
ruas estreitas, becos e com poucas possibilidades de expansão. Em contrapartida, a
capital de Minas surge com traçado regular definido por ruas amplas e grandes
avenidas em diagonal, um parque urbano de significativa extensão e conceitos de
zoneamento urbano, mesmo que de modo simples. À similaridade da reforma
Pereira Passos, no Rio de Janeiro, o plano de Belo Horizonte apresentou-se de
modo insuficiente e vago na tentativa de impulsionar o crescimento da cidade.
A tentativa de reformar as cidades em um país ainda basicamente rural e em
adotar ideais urbanísticos dentro do modelo haussmaniano foi aplicado por razões
ideológicas, apoiadas por uma parcela da elite brasileira, de tentar fazer com que o
país tivesse cidades modernas, saneadas, funcionais, capazes de facilitar e
promover as atividades comerciais e as industriais que estavam se desenvolvendo.
Partindo das necessidades que o país apresentava foram adotados modelos que se
aplicavam nas questões estéticas e de eficiência do traçado urbano, preocupados
com a circulação de veículos, da água, do ar e com o conforto urbano. Essas
transformações urbanas no Brasil não incluíram reformas sociais como acontecia em
outras transformações urbanas europeias, como a cidade jardim de Ebenezer
Howard (HOWARD, 2002) ou a cidade industrial de Tony Garnier (CHOAY, 1965).
12

As intervenções que estavam acontecendo no país eram orientadas para a


drenagem dos terrenos, canalização dos cursos d’água, melhorias no abastecimento
de água e do esgoto sanitário, regulamentação de construções novas dentro das
regras sanitárias, regularização e limpeza de lotes vagos, arborização de praças e
outros espaços públicos, pavimentação de ruas e com a limpeza pública. Dentro
desse cenário, adquiriam grande importância as técnicas de urbanização e gestão
urbana nas áreas do conhecimento por parte de engenheiros e médicos que tinham
interesse em saúde pública e na salubridade das cidades.

Figura 3: Reforma Urbana no Rio de Janeiro no início do século XX.

Fonte: Revista Pré-Univesp

Com base nesse interesse e aplicação do conhecimento, não se pode deixar


de citar Saturnino de Brito, certamente um dos nomes mais importantes na área
desse período. Ele era engenheiro politécnico, intelectual de ciências, formado pela
antiga École Centrale na França e pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Ele
como seus colegas de profissão nesse período tinham um pensamento em comum,
orientavam-se de acordo com os ideais do positivismo que tinham como propósito
principal a modernização do país e a promoção do progresso científico e
tecnológico. Inspirados por esses ideais europeus, eles pegaram para si a
responsabilidade de dirigir as reformas destinadas a modernizar o país.
Nesse período, os intelectuais brasileiros e os políticos – com destaque para
os médicos – firmaram alianças estratégicas que promoveram explicações sobre o
atraso no desenvolvimento brasileiro, também apresentaram ideias sobre as
possibilidades de urbanizar o território.
13

As ideias propostas foram absorvidas em sua grande maioria da Europa e


seriam capazes de modificar a defasagem que se encontrava o país. Introduzir
novas tecnologias e modernizar costumes foi uma opção para esse grupo de
caminho capaz de romper com o passado colonial e iniciar uma nova trajetória para
essa nação que ainda estava começando a se desenvolver.
14

2. A influência dos CIAM's na transformação da arquitetura e do


urbanismo no início do século XX.

Antes de falar da influência dos CIAM’s na arquitetura e urbanismo do início


do século XX é importante ressaltar algumas informações que precederam esse
momento, pois foi a partir do século XVII que transformações significativas
ocorreram na organização social europeia e modificaram os conceitos de tempo e
espaço, essas mudanças refletiram em todo o mundo e fez com que desencadeasse
diversos processos sociais durante a Revolução Industrial que consequentemente
originou a Modernidade. Em conjunto com a grande expansão do capital, o
crescimento urbano e o poder de acumulação do capital empresarial foram
esculpidos na sociedade preocupações, anseios, visões e manifestações artísticas
como jamais se viu anteriormente. Para Lefebvre (1991),

“A industrialização caracteriza a cidade moderna. [...] ainda que a


urbanização e a problemática do urbano figurem entre os efeitos induzidos e
não entre as causas ou razões indutoras, as preocupações que essas
palavras indicam se acentuam de tal modo que se pode definir como
sociedade urbana a realidade social que nasce a nossa volta”. (LEFEBVRE,
1991, p.3)

Na Arquitetura e no Urbanismo, o Modernismo surgiu como reação às novas


condições de circulação, consumo e produção, impelidas pela Revolução Industrial.
O Modernismo, no final do século XIX, se consolida como um fenômeno urbano com
o crescimento quase que instantâneo das cidades, da migração populacional para
os centros urbanos, da industrialização, dos movimentos urbanos com base política
e da reordenação dos ambientes construídos. A importância da experiência urbana
para a formação da dinâmica cultural dos mais variados movimentos modernistas foi
fundamental, pois a prática e o pensamento moderno foram talhados como reação à
congestão urbana. Segundo Benevolo (2005),

“A arquitetura moderna é a busca de um novo modelo de cidade, alternativo


ao tradicional, e começa quando os “artistas” e os “técnicos” – chamados a
colaborar com a gestão da cidade pós-liberal – se tornam capazes de
15

propor um novo método de trabalho, libertado das anteriores divisões


institucionais”. (BENEVOLO, 2005, p. 615)
O Modernismo se estabeleceu na Arquitetura e no Urbanismo com o
pensamento de transformar a cidade e a forma de conceber moradias. O ato
importante e decisivo para a criação do CIAM foi de Helene de Mandrot. Ela
promoveu uma reunião de grandes nomes da arquitetura em seu castelo La Sarraz,
na Suíça, projeto romântico que, após uma consulta com Giedion e Le Corbusier, foi
materializada em um objetivo concreto.

Figura 4: Primeira reunião em La Sarraz, 1928.

Fonte: Silvio Colim

Foi com a Declaração de La Sarraz, em 1928 que suas atividades de fato se


iniciaram. Essa Declaração defendia a alteração do modo de desordenado de
divisão da terra e da especulação imobiliária. Buscava uma política de terra e suas
divisões de modo mais coletivo, por isso iniciaram métodos que implementavam
meios mais eficientes para a construção de moradia, com racionalização e
padronização da construção. Essa Declaração afirmava que a arquitetura não
poderia ficar isolada das questões políticas, econômicas e sociais, pois todos esses
fatores afetavam os edifícios do futuro.
A Declaração defendia a substituição da divisão desordenada da terra e
especulação imobiliária por uma política de terra coletiva, com a implementação de
métodos mais eficientes para a produção da moradia, com racionalização e
padronização da construção. Segundo Benevolo (1994, p. 478) “Nos anos próximos
a 1930, a arquitetura moderna atinge o máximo de prestígio e de popularidade,
sobretudo na Alemanha e, em medida menor, em outros países”.
16

Os CIAM’s - Congressos Internacionais da Arquitetura Moderna


(do francês Congrès Internationaux d'Architecture Moderne) formaram uma
organização e também uma série de eventos formados pelos principais arquitetos
modernos europeus com a finalidade de discutir os rumos da arquitetura,
do urbanismo e do design visando expandir os princípios do Movimento Moderno.
Os CIAM’s foram fundados em 1928, na Suíça, por um grupo de 28 arquitetos
organizados por Le Corbusier, Hélène de Mandrot e Sigfried Giedion. Essa
organização criou manifestos no século XX e pretendiam evoluir na causa:
arquitetura como arte social, eles buscavam discutir e pesquisar sobre a residência
mínima e o design para as massas transformaram o pensamento estético, cultural e
social do período. De 1928 a 1956, o congresso se reuniu por dez vezes, tratando
de temas como o habitat mínimo, o edifício racional, a cidade funcional, a habitação
coletiva, o núcleo da cidade.

Figura 5: Slogans dos CIAM’s.

Fonte: Archtectureclub

Além da definição daquilo que costuma ser chamado international style:


introduziram e colaboraram na difusão de uma arquitetura limpa, sintética, funcional
e racional. Esses arquitetos foram muito influentes na época, pois fizeram com que a
Arquitetura se transformasse em instrumento político e econômico para colaborar no
desenvolvimento e progresso social. Eles pretendiam melhorar o mundo por meio do
desenho de edifícios e do planejamento urbano.
17

No decorrer de quase trinta anos essas grandes questões da vida urbana e


dos espaços foram discutidos pelos membros da CIAM. Os documentos que
produziu, e as conclusões a que chegou, tiveram uma enorme influência sobre a
forma de cidades e vilas em todo o mundo. As primeiras quatro edições dos CIAM
se sobressaíram pelo teor social e doutrinário que propuseram. Enquanto o mundo
vivenciava a guerras, o Modernismo apresentou uma tendência positivista forte e
estabeleceu um estilo novo de filosofia, que adquire posição central no pensamento
social pós-1945. Dessa forma, no IV CIAM, é elaborada a Carta de Atenas, objeto
que define amplamente a prática arquitetônica modernista e o que é urbanismo
moderno.

Figura 6: Carta de Atenas, Le Corbusier.

Fonte: Archtectureclub

A Carta apresentou diretivas e fórmulas para serem aplicadas no mundo todo.


De acordo com a Carta, o urbanismo moderno tem um modelo de cidade construída
sob a forma do planejamento, da funcionalidade, com espaços bem definidos para a
habitação, trabalho, lazer e circulação. Ficou definido com a Carta de Atenas o que
é o urbanismo moderno e como seus autores deveriam aplicá-las
internacionalmente. Dentre as mais variadas propostas presentes na Carta uma das
mais revolucionárias trata do solo urbano com sendo pertencente da municipalidade,
sendo um bem público. O movimento se expandiu pelo mundo e chegou ao seu
auge em 1968.
18

A partir dos anos 70 ocorreu uma revisão do movimento moderno, os CIAM’s


e todos os seus ideais começaram a ser bastante criticados, seja por causa da
monotonia das paisagens urbanas criadas pelo modernismo, sela pelo fato de que a
Carta exagera na grande quantidade de necessidades dos indivíduos. Com base em
experiências variadas e muitas partes do mundo que se propuseram em fazer a
arquitetura moderna criaram espaços vazios – de ninguém, onde não se sabe se o
espaço é privado ou público.
Os maiores críticos dos CIAM’s afirmam que seus representantes foram
inocentes em confiar no excesso de bem estar social. Alison e Peter Smithson foram
os primeiros a deixarem o grupo e passaram a percorrer o mundo após a guerra
para disseminarem seus ideais novos de urbanismo e arquitetura e muitas de suas
ideias foram aceitas e colocadas em prática na reconstrução da Europa pós-guerra.
Mesmo com o movimento fracassado, foi ele que incitou e culminou como precursor
cultural e político do pós-modernismo. A cidade pós-moderna se distancia da cidade
moderna de forma distinta, pois segue a linha oposta. Na cidade pós-moderna, as
funções se esparramam em manchas urbanas gerando aparentemente num caos de
estilos e atividades. Desse jeito, a cidade passou e retornou como era no passado
no início da industrialização.

Figura 7: Fim dos CIAM, livro TEAM10.

Fonte: ArteCapital

Os trinta anos de atividades internacionais obtiveram resultados que não


foram nem eficazes nem meritórios. A quebra do CIAM deve ser ordenada, em
primeiro lugar, aos seus colaboradores principais, cuja aptidão acadêmica de uma
19

estrutura formal foi imposta ao programa de trabalho do congresso. Mesmo como


toda essa problemática que foi benéfica e satisfatória num determinado período, os
CIAM’s foi o principal instrumento que possibilitou ao mundo uma nova forma de
conhecer os ideais da verdadeira arquitetura moderna e do planejamento urbano.
20

2.1 As novas propostas da Arquitetura Moderna

A Arquitetura Moderna pôs fim numa época que se iniciou no renascimento e


por muito tempo predominou enquanto estilo e deu lugar a uma nova forma de
pensar a cidade: a cidade moderna. Com novos métodos, tecnologias e soluções
para os problemas dos desenhos das cidades. A cidade moderna não se apoiava na
forma ou nas relações que existiam: simetria e rigidez geométrica. Pode-se observar
no projeto de variados arquitetos do século XX uma relação com a geometria nos
desenhos dos edifícios e em sua composição.

Figura 8: Rua de Londres no início do século XX.

Fonte: Portal Arquitetônico

No início do século em questão (XX), a cidade nos moldes modernos é obra


de experimentos e fórmulas teóricas. Esses experimentos renegavam a cidade
antiga e tradicional e almejava substitui-la por um novo modelo, deixando de lado as
formas urbanas formais que eram construídas até aquele momento. Os arquitetos
modernos lutavam contra o estilo formal e se esforçavam para estruturar as cidades
dentro de um novo conceito que rompia com as formas tradicionais das construções
de edifícios e cidades. Nesse período ocorre uma atitude que recusava as formas
das cidades antigas (anti-histórica) – muitos queriam a destruição dos centros
históricos por acreditar que o novo deveria surgir e remodelar as cidades. São
formuladas experiências de abandono e destruição do quarteirão, da rua e também
da praça, pois são apontadas inovações como as novas tipologias das torres, blocos
e conjuntos.
21

A nova cidade passar a ser composta por zonas e assim quebra-se a


interação e integração recíproca de elementos morfológicos variados que
constituíam a estrutura urbana. Já é possível identificar um início de transformação
que seria um prelúdio de mudança no período anterior à Primeira Guerra com a
cidade industrial de Tony Garnier, a cidade jardim de Ebenezer Howard, a cidade
sobre estacas e o urbanismo subterrâneo de Eugène Henard, entre outros.
Esses arquitetos já demonstravam uma recusa com relação às formas
tradicionais de organização espacial das cidades. Passado esse momento, pode-se
ressaltar o período entre guerras que será um momento de reconstrução das
cidades europeias. A partir de agora se faz necessário repensar as cidades com
suas formas tradicionais, pois com os estragos das guerras muitas cidades estavam
destruídas e era hora de reconstruir de modo rápido para abrigar os milhares de
europeus que não tinha onde morar.

Figura 9: Cidade Jardim de Hebenezer Howard, 1898.

Fonte: Portal Arquitetônico

Nesse período viu-se a necessidade de uma recomposição rápida e em larga


escala com novos alojamentos é de extrema importância planificar os bairros e
construir conjuntos urbanos para habitações e que tivessem baixo custo e desse
jeito se iniciaria um novo esquema de ordenação urbana. Assim, o pensamento de
Le Corbusier já em 1920 será colocado em prática para a construção de casas em
série. Dentro dessa visão, são iniciados os debates na busca por soluções para a
pobreza das grandes cidades, a inserção e integração dos avanços tecnológicos, da
22

industrialização de moradias em série e dentro desses debates, avançaram para


discutirem a cidade como um todo.
Os edifícios nesse período passam a ser concebidos de modo isolado, como
numa maquete, de jeito que as peças possam ser deslocadas, bem diferente da
cidade tradicional. As tipologias habitacionais novas passam a serem erguidas no
terreno a partir das necessidades higiênicas, da melhor insolação, de arejamento e
dos acessos. As ruas deixam de pertencer às relações físico-espaciais da cidade e
se restringem a traçados de circulação e serviço. As implantações dos edifícios
ocorrem dentro das condições que ficam melhor para a habitação e não da posição
que está inserida no quarteirão. Diferente da cidade tradicional, onde o edifício de
habitação e o alojamento são determinados pelo lote, gerados pela posição e
implantação previamente determinadas pela forma urbana. Na cidade moderna isso
ocorre de modo contrário, a edificação que determina a forma urbana.
O Modernismo é o período do funcionalismo, do gosto pela abstração até a
extrema essencialidade de um racionalismo exibido em sua pureza esquemática,
onde se exige uma ordem estática. Não se pode confundir o funcionalismo com o
projeto moderno, pois ele só representa uma parcela das ideias, tendo em mente
que o moderno apresenta uma longa história com interpretações variadas. A cidade
moderna se concretiza em uma tabula rasa e faz questão de manter apenas alguns
monumentos – essa era a recomendação da Carta de Atenas de 1933.
Para melhor exemplificar como o modernismo rompe com o tradicional é
possível citar alguns exemplos na Europa dessa nova forma de pensar e reordenar a
cidade: em Viena, a prefeitura socialdemocrata constrói bairros periféricos com
modelos progressistas – por exemplo, bairro Karl-Marx-Hof. Alemanha destruída,
após a guerra, Berlim passa a ser um grande exemplo de renovação na parte da
arquitetura e do urbanismo. Surge nesse período a Bauhaus, escola que ia renovar
os conceitos tradicionais sob a direção de Walter Gropius, a escola passa a ser o
epicentro da pesquisa urbanística. Em 1916, Nova York buscava controlar e ordenar
o caos que a cidade vivia e para isso fixou o uso do solo em três zonas: residencial,
de negócios e livre. Em Tokyo, após o terremoto de 1923 que destruiu metade da
cidade, foram instituídas cinco zonas para o plano de reconstrução: comercial, frente
à baía; industrial, ao norte e ao sul; residencial em volta do Palácio Imperial e mista.
23

Figura 10: Bairro Karl-Marx-Hofs em Viena de 1927.

Fonte: A Verdade

Dentro de todos esses novos ideais modernos de construção, ordenação e


reestruturação das cidades o arquiteto que fica em evidencia é Le Corbusier no
período em questão, pois seu destaque ocorre dentre outros fatores por tratar a
cidade como um objeto arquitetônico e assim ele propunha que os centros fossem
destruídos para que fossem reconstruídos, defendendo a linha reta e o ângulo reto.
Na visão dele a cidade devia ser animada pelo espírito da geometria, com a
uniformidade no detalhe e movimento no conjunto, recomendava que fosse
estabelecida uma média proporcional com uma escala comum entre o homem e a
escala das ruas e de suas construções.
Le Corbusier pode ser consagrado como um dos maiores representantes do
movimento moderno, pois exerceu grande influência sobre arquitetos e urbanistas.
Infelizmente seus projetos urbanos com todas suas ideias de cidade, ficaram no
papel como se fosse um exercício teórico, com exceção da cidade de Chandigarh.
O pensamento dele foi evidenciado por diversas vezes, em 1923 no Congresso de
Urbanismo de Strasbourg e ele estabeleceu 4 pontos com relação aos problemas
urbanos das cidades: 1. Descongestionar o centro da cidade para fazer frente às
exigências do trânsito; 2. Aumentar a densidade do centro das cidades para realizar
o contato exigido pelos negócios; 3. Aumentar os meios de circulação, ou seja,
modificar completamente a concepção atual da rua que se acha sem efeito ante o
fenômeno novo dos meios de transporte modernos como metrô, carros, bondes e
aviões; 4. Aumentar as superfícies arborizadas, único meio de assegurar a higiene
suficiente e a calma útil ao trabalho atento exigido pelo novo ritmo dos negócios.
24

Figura 11: Ville Contemporaine pour trois millions d’habitants de Le Corbusier.

Fonte: Aboratoir e Urbanismein Surrectionnel

A Ville Contemporaine pour trois millions d’habitants, seu primeiro projeto


urbanístico, foi dada a ênfase na circulação e na velocidade. Para ele a cidade
deveria circular como uma máquina. Le Corbusier nesse período demonstrou
preocupação em integrar a natureza em seus projetos, englobou uma árvore em um
edifício e a sua copa saia pelo telhado, era a natureza sendo admitida na
arquitetura. Mas apesar dessa integração ele fez críticas abertas as cidades jardins
que considerava com alto teor de individualismo e passou então a maior parte do
tempo se dedicando a habitação individual que favorecia uma grande densidade e
também promovia uma relação intensa com os equipamentos coletivos. Para o
grande representante do modernismo, a cidade deveria ser transformada num
parque, com o solo livre para a apropriação dos usuários.
Um exemplo típico de arquitetura moderna do período projetada por Le
Corbusier é a Villa Savoye. Essa residência foi projetada e construída entre 1928-29
em Poissy, na região de Paris. Originalmente, foi edificada para ser uma residência
apenas de fim de semana para um casal com um filho, que moravam em Paris. Essa
edificação representa um momento de síntese da obra de Le Corbusier, pois o
arquiteto pela primeira vez o arquiteto teve a oportunidade de colocar em prática na
íntegra seus ideais apresentados nos cinco pontos para uma nova arquitetura.
Esses pontos foram formulados em 1927 e orientavam de modo parcial a percepção
25

das suas primeiras casas, especialmente as novas possibilidades tecnológicas


recém-surgidas, como a impermeabilização e as estruturas em concreto armado.
Os cinco pontos que caracterizam a arquitetura moderna são: 1. Pilotis,
liberando o edifício do solo e tornando público o uso deste espaço antes ocupado,
permitindo inclusive a circulação de automóveis; 2. Terraço jardim, transformando as
coberturas em terraços habitáveis, em contraposição aos telhados inclinados das
construções tradicionais; 3. Planta livre, resultado direto da independência entre
estruturas e vedações, possibilitando maior diversidade dos espaços internos, bem
como mais flexibilidade na sua articulação; 4. Fachada livre, também permitida pela
separação entre estrutura e vedação, possibilitando a máxima abertura das paredes
externas em vidro, em contraposição às maciças alvenarias que outrora recebiam
todos os esforços estruturais dos edifícios; 5. A janela em fita, ou fenêtre en
longueur, também consequência da independência entre estrutura e vedações, se
trata de aberturas longilíneas que cortam toda a extensão do edifício, permitindo
iluminação mais uniforme e vistas panorâmicas do exterior.

Figura 12: Villa Savoye, casa projetada por Le Corbusier em Possy – Paris.

Fonte: Cristina Mello

Para a compreensão da Villa Savoye se faz necessário compreender o


conceito da promenade architecturale (passeio arquitetural) associado aos cinco
pontos que nortearam seu pensamento moderno. Existe na edificação uma
valorização do percurso que foi empregada como estratégia conceitual, isso é
evidenciado desde a chegada com a inversão da posição da entrada principal,
26

contrária à chegada, o percurso após o bosque e a residência pousada sobre a


grama.

O volume principal da casa - massa branca - garante a integridade da forma


somado com essa característica estão os pilotis que garantem uma uniformidade a
edificação. No bloco principal, o recuo do volume define um espaço de transição
entre o interior e o exterior e tem como utilidade mais imediata a de proteger contra
as intempéries de quem chega.
Em seu interior, a rampa central sugere uma organização simétrica para
quem chega através da entrada principal, reforçando a expectativa produzida pela
disposição dos volumes externos, a escada orientada em direção oposta e o hall
assimétrico contrariam de imediato tal expectativa, indicando a complexidade das
articulações do espaço interior. A inversão de sentidos entre escada e rampa
evidencia o conceito da promenade architecturale, ou seja, em cada uma das
possibilidades de percurso, as direções variadas fazem com que a fruição se dê de
forma complexa, produzindo estímulos diversificados e qualitativamente distintos na
medida em que se caminha no espaço interior.

Figura 13: Villa Savoye, rampa central sugere uma organização simétrica.

Fonte: Cristina Mello

A experiência do percurso se faz mais importante do que a apreensão da


forma estática, a relação entre espaço e tempo se faz efetiva também no interior da
residência. As soluções dos espaços internos revelam a máxima exploração do
27

conceito da planta livre, através da manipulação consciente dos elementos de


vedação.

Essa busca constante por uma lógica interna é significativa por revelar a
atitude projetual de Le Corbusier de criar o edifício de maneira integrada,
concebendo-o como volume a ser fruído e também como espaço interior, a ser
percorrido e vivenciado. Tal atitude revela uma profunda consideração das questões
relativas ao uso, buscando propor uma nova forma de vida a partir de uma
articulação diferenciada dos espaços internos.
A disposição dos espaços confere aos aposentos gradações argutas de
abertura e fechamento, expressando graus distintos nas relações entre espaços
públicos e privados, entre individualidade e coletividade. Esse método é fundamental
para a compreensão desse tipo arquitetura como um instrumento que regula as
práticas sociais do ser humano, podendo ser entendida como um artefato ético,
muito mais que estético. A cobertura da residência mostra como o solarium encerra
o passeio arquitetural (promenade architecturale) onde a rampa finaliza o percurso.
A Villa Savoye apresenta um modo novo de se ver e viver no mundo, pois faz uso de
tecnologia de ponta que existia na época.

Figura 14: Villa Savoye, vista da parte interna.

Fonte: Cristina Mello


28

Essa edificação é um manifesto de um novo jeito de vivier que se expressa


em uma nova e diferenciada articulação dos usos que toma lugar nos espaços que o
conceito da promenade architecturale podia chegar.

A Villa cumpriu o papel de ser construída e ser entendida como um manifesto


da arquitetura moderna, ela sempre foi entendida como um manifesto, pois nela foi
inserido o repertório formal dos cinco pontos defendidos por Le Corbusier, mas mais
que isso como as demais casas projetadas por ele foram erguidas para serem
habitáveis. A edificação mostra uma possibilidade de que a arquitetura, através dos
seus elementos regulem as relações humanas e o mais importante, sugere uma
reinvenção dos meios tradicionais de mediação das relações e interações entre os
homens, ou seja, uma reinvenção da finalidade a que a arquitetura deve atender.
29

2.2 As novas propostas do Urbanismo Moderno

Com a II Guerra Mundial aconteceu a consagração do Urbanismo e da


Arquitetura Moderna por vários países do mundo. Isso ocorreu através da criação do
planejamento urbano racional e da reconstrução das cidades destruídas, vários
conjuntos habitacionais foram construídos, seguindo os preceitos modernistas
propostos nos CIAM’s e pela Carta de Atenas. Partindo da premissa da promoção
de um bem estar social, a reconstrução acontece a partir de um estado forte e
intervencionista do ponto de vista político-econômico.
Para muitas cidades do mundo, especialmente as europeias, o século XX foi
um período de grande transformação urbana e a II Guerra Mundial tornou-se o ponto
de partida principal, pois a sociedade vivenciava revolução também e isso
influenciaria de modo decisivo na consolidação de uma arquitetura nova e um
urbanismo novo para as cidades e seus habitantes. Dentro desse panorama é que
uma quantidade considerável de arquitetos tentaria solucionar as ansiedades dessa
nova sociedade – moderna, tendo como personagem principal o arquiteto Le
Corbusier. Assim, as cidades começaram a ser planejadas de acordo com a ordem
apontada por este arquiteto e todos os seus companheiros de ideal. Eles traçavam e
determinavam a setorização espacial do território segundo os cinco pontos
prioritários da arquitetura moderna formulados por Le Corbusier.
O urbanismo moderno tinha como ideal uma cidade que se corporificava na
premissa de transformação social, o que era difundido pelos CIAM’s. Dentro dos
manifestos os objetivos que podem ser considerados mais significativos são:
moradia, trabalho, lazer (nas horas livres) e circulação. O espaço urbano com base
na doutrina dos CIAM’s se constitui numa solução para os problemas sociais que
são causados por conta de interesse privados, pelo acumulo de riqueza e pelo
desenvolvimento da indústria nas cidades. Para os arquitetos modernos o
capitalismo industrial causou uma grave crise que gerou consequências severas na
organização das cidades.
A partir de ideais igualitários e de forma que tentavam combater à crise, os
esforços da arquitetura e urbanismo moderno, convergiram para o surgimento de um
novo tipo de cidade. A cidade planejada modernista passa a existir como
instrumento de política governamental que tenta controlar o fluxo e a organização
30

populacional e tenta também ordenar o espaço urbano, partindo das seguintes


pretensões: sua base é anticapitalista e igualitária e se baseia na confiança na
autoridade estatal como meio de alcançar o planejamento em conjunção com a arte,
com a política e com a vida cotidiana.
Na perspectiva modernista, o planejamento urbano nasce como um novo
estilo de vida, no qual suas novas recomendações de construção urbanística foram
desenvolvidas como meios para uma mudança social, bem representado no jeito
com que se trabalhou o concreto, ou seja, na inserção de novos edifícios,
modificando o tecido urbano por completo.

Figura 15: Paris no início do século XX – transformação urbana.

Fonte: MAC - USP

Antes de se perpetuar como novo ideal a ser seguido e concretizado, o


urbanismo moderno já era prenunciado dentro de um jeito de pensar a cidade de um
modo que fugia do tradicional. No século XIX, surgiram modelos variados de
desenvolvimento urbano, na tentativa de se encontrar solução para os problemas
recorrentes do processo de urbanização das cidades europeias e assim se obter a
cidade ideal: as ideias de Fourier com o falanstério, de Howard que idealizava a
cidade-jardim, e de Tony Garnier com a teoria da cidade industrial.
Nesse período, cidades como Londres e Paris, apresentavam um crescimento
populacional acelerado – Revolução Industrial - e um número grande de pessoas
migravam do campo para a cidade na tentativa de encontrar trabalho. E esse
aumento populacional fez surgir grandes aglomerados, nos quais as pessoas que
eram operárias viviam condições péssimas de vida, principalmente pela falta de
31

higiene e pelo desconforto e insalubridade das moradias. Dentro dessa perspectiva


modernista com seu ideal de planejamento urbano vale citar um grande exemplo
dessa tendência que foi a reforma de Paris realizada pelo barão Georges-Eugène
Haussmann. Ele se encarregou da tarefa de transformar Paris numa cidade
moderna com a abertura de novas avenidas, mais retas e largas e ao mesmo tempo
a arejou os quarteirões insalubres para facilitar a circulação de tropas. Permitindo
desse modo que o transporte fosse rápido da artilharia para qualquer ponto da
cidade que estivesse sob a ameaça de algum revolucionário.
O plano urbano se configurou basicamente a partir de três obras: a reforma
da Cité, o cruzamento viário da cidade e a construção de novos boulevards. Na
periferia, construíram-se grandes jardins como o Bois de Boulogne, e os parques
Monceau, das Buttes-Chaumont e Montsouris.

Figura 16: Plano de Paris, 1851-1870.

Fonte: MAC - USP

Entre 1851 e 1870, uma série de circunstâncias favoráveis, entre elas a


existência da lei sobre a expropriação de 1840 e da lei sanitária de 1850, permitem a
Haussmann e circunvizinhanças, colocar em prática um grande programa de
transformações no espaço urbano de Paris. Plano indicando as novas ruas, os
novos bairros e os dois grandes parques Bois de Boulogne e Bois de Vincennes.
A influência do plano Haussmann foi praticamente universal e se traduziu em
reformas realizadas não só em diversas cidades da França como também em
outras: Roma, Viena, Madri, Barcelona, Cidade do México, Chicago, Nova Delhi
entre outras. No Brasil, Haussmann influenciou vários planos, como o Agache no Rio
de Janeiro em 1928; o Prestes Maia-Uchoa Cintra em São Paulo de 1930; o
Gladosh em Porto Alegre de 1939; e o de Atílio Correia Lima em Goiânia de 1933.
32

O apogeu do Urbanismo Moderno foi atingido a partir da obra teórica de Le


Corbusier que difundiu suas teorias em livros e também em planos urbanísticos
como: Une Ville contemporaine de 1922 que foi concebido para abrigar três milhões
de habitantes; Plan voisin, projeto que visava renovar e modernizar Paris de 1925.
Ele esboçou vários planos urbanísticos para várias cidades, entre elas Argel, Rio de
Janeiro, São Paulo e Montevidéu, mas o único plano urbanístico dele que
efetivamente foi realizado é o Chandigar, capital do estado de Punjab. O plano em
xadrez foi a forma mais comum de planejar a estrutura urbana da América do Norte.
O apogeu desse movimento foi o plano de Daniel Burnhams para Chicago de 1909.
Com a chegada do século XX o que se viu foi um acúmulo considerável de planos
urbanísticos para a construção e reorganização das cidades. Essa estrutura física
moderna se apresentou mais evidentemente nas propostas para novos pedaços de
cidade que respondiam, principalmente, à demanda de habitação decorrente do
grande crescimento urbano que ocorria naquele momento.

Figura 17: Siedlungen - Berlim: blocos de habitação com infraestrutura de uma minicidade de 1925.

Fonte: Angelina Wittmann

Os novos bairros e conjuntos habitacionais, tendo as Siedlungs - termo


alemão para designar um tipo de conjunto habitacional que incorpora, em sua
implantação, juntamente com a unidade de habitação, os mais
variados equipamentos coletivos, como escola, creches, comércio e espaços de
lazer - como organizações pioneiras que se tornaram parte da cena urbana
moderna. Com o Modernismo, nas décadas de 30 e 40, o urbanismo foi estudado e
praticado de acordo com o desejo de inserção dos arquitetos dentro dos problemas
urbanos, para modificar o discurso arquitetônico para o espaço urbanístico, porém a
33

atividade profissional ficou decomposta entre o padrão do individualismo do projeto e


o padrão do urbanismo multidisciplinar.
Assim, essa decomposição seria considerada a divisão da corrente entre
arquitetos, ou arquitetos-urbanistas, que teriam uma visão mais próxima do
individualismo de projeto, e dos urbanistas, mais preocupados com o caráter
multidisciplinar na análise e busca de soluções sobre os problemas da cidade. Com
base nessa explicação, a cidade é pensada e planejada funcionalmente como se
fosse uma edificação. Assim, tais pensamentos revelam uma preocupação
normativa rígida e ultrapassada por não considerarem que as atividades podem
existir harmoniosamente dentro do espaço urbano, sem tamanha rigidez funcional.
34

3. A modernidade no Brasil

A modernidade de fato se iniciou no Brasil em 1920. Esse período de novos


ideais contou com os pensamentos advindos da Escola Carioca seguindo o
pensamento de Lúcio Costa que nesse momento era um grande defensor da
arquitetura de estilo neocolonial e que algum tempo depois se tornou um dos
grandes nomes da arquitetura moderna no Brasil. Em seguida vem o conceito que
elaborou o projeto do Ministério da Educação e Saúde no Rio de Janeiro com uma
linguagem que resumia as influências da arquitetura modernista de Le Corbusier.
Com esse projeto da década de 30 percebeu-se que a arquitetura brasileira surgia
apresentando traços de sua cultura e sendo considerada como única e bem
específica.

Figura 18: Edifício do Ministério da Educação e Saúde (Le Corbusier) no Rio de Janeiro.

Fonte: Cronologia do Urbanismo - UFBA

Na busca por compreender de que maneira essa arquitetura moderna chegou


e se projetou no Brasil faz-se necessário retroceder um pouco no tempo para que se
possa compreender bem esse período tão importante para o cenário brasileiro.
Entre as décadas de 10 e 20 (século XX), o engenheiro português Ricardo
Severo foi convidado para fazer uma palestra no Brasil e abordou as primeiras ideias
sobre a valorização da arte genuína brasileira e que tivesse uma roupagem nacional.
Isso gerou e provocou um sentimento de nacionalismo quase ufânico entre as
pessoas que estavam ligadas as artes e somado a isso, nesse momento, o país
vivia a comemoração do centenário da independência.
35

Até então o Brasil vivia o movimento neocolonial com certa força na década
de 20 e quem apoiava esse movimento era o médico José Mariano Filho que era o
presidente da Sociedade Brasileira de Belas Artes. Ele patrocinava concursos de
arquitetura e sempre selecionava como ganhadores o exemplares neocoloniais. O
presidente da Sociedade de Belas Artes elaborou os 10 mandamentos do estilo
neocolonial que definia as características básicas do neocolonial.

Figura 19: Edifício da Sociedade Brasileira de Belas Artes no Rio de Janeiro.

Fonte: Guia Cultural Centro do Rio

Enquanto isso acontecia, deu-se início em 1922 a Semana de Arte Moderna


que mesmo enfrentando críticas aconteceu e apresentou várias inovações em
diversas áreas: literatura, música e artes visuais que tinha uma postura
questionadora diante do rigor acadêmico do período em questão. Dentro desse
cenário é muito intrigante o relacionamento de Lúcio Costa com a arquitetura, pois
no passado junto com Fernando Valentin projetou e construiu um número
considerável de residências em estilo neocolonial e pouco tempo depois ele passa a
ser consagrado por se tornar um dos percussores da arquitetura moderna brasileira.
36

Figura 20: Cartazes oficiais da Semana de Arte Moderna de 22 e um anúncio para a apresentação de
Villa-Lobos.

Fonte: Ciências da Linguagem – USP

Arquitetura e Estado nesse momento estavam vinculados ao desenvolvimento


de fatores sociais e políticos com uma nova ordem ideológica ocorrida entre os
períodos: República Velha e Estado Novo. A modernização no plano das ideias e
também na parte econômica estava nos planos para o desenvolvimento nacional.
Dessa forma, foi que se definiram os princípios da arquitetura moderna sob o apoio
do governo de Getúlio Vargas em conjunto com as Vanguardas brasileiras que
vinham com força total na defesa de uma mudança no jeito de produzir, criar e
construir no Brasil.
Para o Estado Novo o importante era que o homem brasileiro fosse
construído e parte desse projeto era preciso incentivar e desenvolver a educação, a
cultura, as artes e a música. Do ponto de vista da arquitetura, o projeto do Ministério
da Educação e Saúde seria a obra de maior importância para a renovação do jeito
de pensar e projetar. Nos anos de 1920, o modernismo cultural atingiu seu ápice e
nos anos de 1930 ele conseguiu marcar as formas de se compreender e representar
a realidade do país. Chegando ao final dos anos 30 e iniciando os anos de 1940 é
possível perceber uma diferenciação diante da condição histórica moderna e na
representação da modernidade. No estado de São Paulo, a arquitetura moderna
passou por caminhos diferentes, mesmo com nuances ainda do neocolonial muito
presente.
37

Um exemplo disso é o arquiteto Vítor Dubugras, mesmo tendo desenvolvido


uma série de projetos neocoloniais, ele demonstrou sempre a preocupação com a
revisão das técnicas construtivas tradicionais de modo a adequá-las às condições
específicas do local: clima e mão-de-obra. Preocupou-se em aplicar técnicas
eficientes, revelando-se um seguidor da tradição racionalista, que pregava a
aplicação da verdade construtiva nas obras arquitetônicas e o brutalismo que
empregava o concreto armado aparente como elemento plástico ao projeto (REIS,
1997).
O nascimento da arquitetura moderna brasileira acontecia nesse ambiente
com o intuito de atingir uma identidade cultural nacional que já despontava na
década anterior. Período esse que a sociedade se aproximava da vanguarda por
meio da Semana de Arte Moderna de 1922, dos Manifestos Pau-Brasil e
Antropofágico. Nessas produções eram discutidas se adotavam como estilo
representativo do país o Neocolonial. Tomados pelo clima nacionalista, arquitetos,
como Lucio Costa se associava ao novo pensamento intelectual que propunha uma
nova arquitetura moderna e brasileira.
Os participantes da Semana de Arte Moderna de 1922 tiveram contato com a
vanguarda parisiense e como Paris era a capital do mundo, artistas como Anita,
Tarsila, Oswald, Di Cavalcanti entraram em contato com Picasso, Miró, Dali, Le
Corbusier entre outros. Esses dois últimos eram o ponto de ligação e partida para a
formação de um novo ideal sobre o pensamento da nova República. Os brasileiros
absorveram conceitos essenciais relacionados a arte, literatura e poesia modernas e
aprenderam com a cidade a respeitar suas raízes primitivas e ao chegar no Brasil
começaram a praticar os novos ideais apreendidos. E assim, o Modernismo se
iniciou no Brasil, com uma busca pela identidade cultural e nacional que empregasse
traços e elementos legitimamente brasileiros.
38

3.1 As conexões teóricas com as propostas europeias e as


transformações dos princípios estéticos e formais pelo "modo de
fazer" brasileiro.

Antes de adentrar nas conexões teóricas do Modernismo se faz necessário


abordar o que é a Arquitetura Moderna: é o conjunto de movimentos e escolas
arquitetônicas que vieram a caracterizar a arquitetura produzida durante grande
parte do século XX (especialmente os períodos entre as décadas de 20 e 60),
inserida no contexto artístico e cultural do Modernismo. Apresenta como primeira e
mais clara característica, a negação do repertório formal do passado e uma repulsa
ao estilo anterior.
Os adeptos do moderno iriam criar e estudar espaços abstratos, geométricos,
mínimos e funcionais para ser o novo ideal de arquitetura. Seus representantes
enxergavam o ornamento como algo histórico e ultrapassado. Buscava em seus
projetos fazer tudo para que o edifício fosse habitado, econômico, limpo e útil.
Dentro desse novo conceito, duas máximas permearam o período do moderno:
“Menos é Mais” frase do arquiteto Mies Van der Rohe e “A Forma Segue a Função”,
do arquiteto Louis Sullivan.

Figura 21: Casa Farnsworth, arquiteto Mies Van der Rohe

Fonte: Essência Moveis

Dentro do conceito do moderno, a arquitetura brasileira é e ficou famosa, por


causa de trabalhos de arquitetos que conseguiram atingir o ápice do ideal moderno,
39

como Oscar Niemeyer, Lucio Costa, Afonso Reidy dentre outros, cujos projetos
foram construídos em meados do século XX. O Brasil foi o primeiro país a criar um
estilo verdadeiramente nacional de arquitetura moderna. Na década de 20, o
desenvolvimento do modernismo em todas as linhas e expressões artísticas
brasileiras ficou preso à busca de um projeto com identidade nacional. Vale
relembrar que no início dos anos 30 ainda existia conflitos entre o neocolonial que
era o estilo dominante no Brasil com o Modernismo, que começava a ganhar
espaço.
A partir desse momento, o Estado teve um importante papel, pois patrocinou
obras que representavam a modernidade e o progresso do período. A primeira obra
moderna de repercussão nacional foi o prédio do Ministério da Educação e Saúde –
MES, cujo projeto foi realizado em 1936, no governo de Getúlio Vargas, por uma
equipe de arquitetos: Oscar Niemeyer, Affonso Eduardo Reidy, Carlos Leão, Jorge
Moreira e Ernani Vasconcelos, liderados por Lúcio Costa. O projeto do edifício foi
orientado por Le Corbusier que veio ao Brasil a convite do então Ministro da
Educação e Saúde, Gustavo Capanema.
O projeto foi realizado dentro dos fundamentos modernistas e tornou-se um
marco para a arquitetura brasileira, pois representava a ruptura com as formas
arquitetônicas ornamentadas com motivos historicistas e simbólicos que eram
usadas ainda naquela época. A imagem de modernidade e progresso que o prédio
do Ministério transmitia estava vinculada também aos ideais de inovação
pretendidos pelo Estado Novo – regime político autoritário que vigorou até 1945,
quando da deposição de Vargas.
Outra obra moderna brasileira importante que é um ícone da arquitetura
racionalista é o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM-RJ – O museu
ganhou fama internacional e se tornou um marco na carreira de seu
arquiteto, Affonso Eduardo Reidy. As colunas do edifício se projetam por fora,
deixando com o edifício ocupe um espaço maior e, dessa forma, pareça ter uma
escala maior. O arranjo das colunas garante uma ampla área de vão livre no térreo
para convivência e exposições gerando uma sensação de continuidade.
40

Figura 22: Museu de Arte Moderna (MAM) de Reidy, Rio de Janeiro.

Fonte: Instituto Zumbi dos Palmares

O partido adotado nessa obra segue o predomínio da horizontal em oposição


ao movimento das montanhas e o emprego de uma estrutura vazada e transparente,
que permitiu manter a sensação de continuação dos jardins até o mar, e assim o
pavimento térreo tem uma parte para apreciação dessa paisagem. Reidy, não quis
que as obras de arte ficassem fechadas, isoladas do mundo externo e para isso,
adotou uma solução aberta, onde a natureza que está ao redor do edifício fizesse
parte também da apreciação. O Edifício Copan também é um belo exemplo de
arquitetura moderna no Brasil. O Copan possui a maior estrutura de concreto
armado do país, com cerca de 400 quilos por metro cúbico construído.
O prédio tem 115 metros de altura, 120 mil metros quadrados de área
construída, 1.160 apartamentos que variam de 26 a 350 metros quadrados e cerca
de 5 mil moradores distribuídos em seis blocos. No térreo distribuem-se cerca de 70
lojas. Ele representa a cidade moderna com sua estrutura em forma de “S” e não
somente pelas linhas ousadas, mas também por outras características, como
concreto armado, altura, ocupação mista de apartamentos e comércio e alta
densidade populacional.
41

Figura 23: Edifício Copan. Oscar Niemeyer, 1951-1966.

Fonte: Cultura Mix

Para ampliar e exemplificar esse novo conceito de urbanismo moderno


convém citar o exemplo da Unidade de Habitação de Marselha na França.
Terminada a II Guerra Mundial, a Europa tinha um déficit habitacional enorme e Le
Corbusier foi contratado para projetar um conjunto habitacional para a população de
Marselha que naquele momento estava sem moradia. Esse projeto em larga escala,
foi o primeiro dele.

Figura 24: Unidade de Habitação de Marselha 2 4 metros de largura, 18 níveis, 337 moradias de
dimensões variadas – Le Corbusier.

Fonte: Histarq Wordpress

A Unidade de Habitação foi concluída em 1952, o foco desse projeto era a


vida comunitária para todos os moradores. Um lugar para fazer compras, divertir-se,
viver e socializar, uma verdadeira cidade-jardim vertical. Esse projeto foi uma nova
42

abordagem para Le Corbusier para criar um grande complexo residencial que


acomodasse cerca de 1.600 moradores.
Até então ele ainda não havia projetado edifícios numa escala tão importante,
ainda mais se comparar com as moradias dos anos 20. Ao projetar para um número
tão significativo de habitantes, o instinto natural é projetar horizontalmente
espalhando-se sobre a paisagem. Le Corbusier projetou a comunidade que poderia
ser encontrada dentro de um bairro com uso misto, um edifício moderno, residencial
e de grande altura. A ideia dele era de permitir que os habitantes tivessem seus
próprios espaços privados e fora desse setor privado eles poderiam fazer compras,
comer, exercitar-se e reunir-se.
Os 1.600 habitantes foram divididos entre dezoito pavimentos e o projeto
requeria uma abordagem nova para a organização espacial a acomodar os espaços
de estar, os espaços comuns e públicos. A cobertura se transforma num terraço
jardim com pista de corrida, clube, jardim de infância, ginásio e piscina. Ainda
existem lojas ao lado, instalações médicas, e também um hotel pequeno. Essa obra
pode ser considerada como uma cidade dentro da cidade.
A Unidade foi construída em concreto armado aparente, esse era o material
mais acessível na Europa pós-guerra que estava desgastada e devastada. O uso
aparente do concreto armado ressaltando o desenho faz parte da Arquitetura
Brutalista bastante empregada por Le Corbusier em seus projetos e também por
toda a gama de arquitetos modernos que seguiram seus passos.
A unidade habitacional não apresenta as qualidades materialistas dos
projetos de Corbusier, percebe-se uma influência mecanicista, além dos cinco
pontos desenvolvidos por ele no início do século XX, por exemplo, os grandes
volumes dos edifícios apoiados sobre pilotis que permitem a circulação, jardins e
espaços de convívio abaixo do edifício; o terraço jardim cria o maior espaço comum
em todo o edifício, e o pátio incorporado no sistema de fachada minimiza a
percepção da altura da edificação, criando também uma janela fita enfatizando a
horizontalidade do grande volume.
43

Figura 25: Uma série de aspectos faz deste edifício um ponto de convergência social.

Fonte: Histarq Wordpress

Um dos aspectos mais relevantes e significativos do projeto é a organização


espacial das unidades residenciais, diferente de outros projetos habitacionais que
contam com um único corredor com unidades de cada lado, Le Corbusier projetou
as unidades abrangendo toda a largura do edifício.
Essa edificação é um dos projetos de Le Corbusier mais importante e mais
inovador para uma edificação residencial de alta densidade. O projeto é utilizado
como exemplo para habitação coletiva em todo o mundo só que nenhum
empreendimento foi tão bem sucedido como ele, por causa das proporções
modulares que Corbusier estabeleceu durante o projeto. Assim, o primeiro projeto
em grande escala de Le Corbusier provou ser um dos seus mais significativos e
inspiradores. A Unidade de Habitação de Marselha fez com que outros arquitetos em
outros países seguissem essa linha de pensamento sobre habitações que pudessem
abrigar pessoas com renda considerada baixa, mas desde que isso fosse de modo
digno, funcional e acima de tudo acessível.
O Brasil seguiu essa tendência pelas mãos do arquiteto Affonso Eduardo
Reidy em 1947, ele seguia e admirava Le Corbusier. O Conjunto Habitacional de
Pedregulho serviria para abrigar os funcionários públicos do então Distrito Federal.
As obras de Reidy foram quase sempre voltadas no aproveitamento dos espaços de
modo econômico.
44

Esse projeto compõe a fase social da arquitetura de Reidy e é considerado


um marco da arquitetura moderna internacional. Foi desenvolvido sob a visão
pioneira que tinha a uma grande preocupação social com as famílias como aliada da
sua concepção física, semelhante à Unidade Habitacional de Marselha. Essa obra
tem projeto de arquitetura de Afonso Eduardo Reidy, conta com painéis de Anísio
Medeiros, Candido Portinari e Roberto Burle Marx, este último também autor do
projeto de paisagismo do lugar, ou seja, uma verdadeira obra prima da arquitetura
moderna no Brasil.

Figura 26: Conjunto Habitacional Pedregulho, concebido como um complexo habitacional para
servidores públicos da Prefeitura do então Distrito Federal, RJ.

Fonte: Arqguia Rio

Enquanto edifício, Pedregulho ganha destaque pela originalidade encontrada


na solução do bloco serpenteante, de 252 m de extensão, integrado à paisagem
montanhosa do Rio de Janeiro. Pedregulho incorporou elementos que ganharam
repercussão internacional à arquitetura moderna brasileira: plasticidade, integração
entre as artes e maciço rigor construtivo em único empreendimento de habitação
social que estava inserido no contexto urbano da capital, que nesse momento (1950)
passava por uma grande crise de moradia.
O projeto apresentou uma ousadia e grandiosidade pela sua estrutura de
concreto, pousada levemente na topografia acidentada. A integração entre a
paisagem natural e os elementos construídos somados com a qualidade dos
detalhes são pontos fortes da concepção desse arquiteto moderno.
45

Figura 27: Maquete do Conjunto Habitacional Pedregulho.

Fonte: Cronologia do Urbanismo

O projeto estrutural dos blocos serpenteantes de Sidney Sanches foi o que


garantiu fachadas livres – um dos cinco pontos que representam a arquitetura
moderna dentro do ponto de vista de Le Corbusier. Essa estrutura apresentou
solução simples: duas fileiras de pilares afastados a 1,5 m das fachadas,
sustentados por uma laje em balanço. O projeto estrutural garantiu o uso de pilotis
que proporcionou áreas destinadas para as crianças e também garantiu uma boa
ventilação a todo o projeto.
Com essa estrutura foi possível utilizar sem interrupção cobogós na parte
posterior do bloco, detalhes esse que garantiu um efeito lúdico ao projeto. E, ainda,
a permeabilidade visual no piso intermediário, por onde se dá o acesso ao bloco,
interrompida apenas em uma área destinada ao serviço social e ao comércio local,
cujo fechamento de madeira pintada de vermelho mereceu um dos mais belos
desenhos elaborados por Reidy. O corte transversal do bloco serpenteante mostra o
original acesso pelo piso intermediário, espaço público livre situado no terceiro
pavimento, que possibilitou a implantação de um bloco de sete andares sem
elevador. Um aspecto pouco observado nesse corte é a solução estrutural que
previu uma laje em balanço e pilares cilíndricos afastados das fachadas que, livres
de função estrutural, puderam garantir liberdade plástica no fechamento, enriquecida
pela utilização exuberante dos cobogós.
46

Figura 28: Corte do projeto Pedregulho.

Fonte: Cronologia do Urbanismo

O programa do lugar foi concretizado depois de um levantamento rigoroso


sobre as condições existentes e o censo dos moradores. Deste levantamento, foi
realizada a inscrição de 570 famílias (aproximadamente 2.400 pessoas), sendo que
as condições sociais e econômicas foram estudadas e serviram de base para a
elaboração do projeto e sua construção, dessa forma, ficou se sabendo que a taxa
de ocupação do terreno era de 17,3% e a densidade demográfica de 470 habitantes
por hectare. Após esse levantamento o projeto surgiu com quatro blocos de
habitação.
O bloco "A", com 260 m de extensão, contendo 272 apartamentos de
diferentes tipos, fica situado na parte mais elevada do terreno e segue de forma
sinuosa a encosta do morro. Duas pontes dão acesso a um pavimento ocupado
parcialmente pelas instalações do serviço social e da administração, assim como
pela escola maternal jardim de infância e teatro infantil. Os blocos "B1" e "B2", com
cerca de 80 metros de extensão, com duas ordens de apartamentos duplex, contém
56 unidades de dois, três e quatro dormitórios.
O bloco "C", não construído, constitui-se em projeto com 12 pavimentos com
apartamentos de dois, três e quatro dormitórios e elevador. Além dos blocos de
habitação, o projeto apresenta edifícios e instalações para lavanderia mecânica,
mercado, posto de saúde, creche, jardim de infância, escola primária, ginásio,
piscina, clube e campos de jogos e recreação.
47

A circulação dos pedestres foi pensada de modo a ficar separada totalmente


da de veículos, permitindo aos moradores transitar livremente entre todo o conjunto
sem atravessar ruas. Um pequeno túnel, sob a rua que corta o conjunto, permite o
acesso entre o bloco "C" e os serviços comuns.
O complexo habitacional é a primeira experiência onde Reidy expõe o
pensamento concreto que habitar não se resume à vida no interior de uma casa.
Para ele era importante à relação contextual com o espaço externo, local esse que
deveria possuir serviços complementares à vida familiar. A habitabilidade de
Pedregulho não se ateve apenas as características físicas como a instalação das
redes de água e de iluminação, mas também se preocupou com o ensino, a saúde e
o lazer das pessoas que ali iam viver. Esse complexo habitacional foi uma resposta
positiva à problemática da habitação popular brasileira, pois conseguiu unir uma
vanguarda compositiva e respeito à natureza do lugar.

Figura 29: Vista dos apartamentos do bloco A, Conjunto Habitacional Pedregulho.

Fonte: Cronologia do Urbanismo

A relação de Reidy com Le Corbusier foi contínua e intensa, como se


averigua a correspondência entre ambos no início da década de 50. Reidy enviava
fotografias da construção do Conjunto Pedregulho para Le Corbusier e este devolvia
a gentileza enviando fotos da Unidade de Habitação de Marselha, na França. De
fato, a relação entre esses dois projetos é consistente na medida em que ambos
possuem programas similares, que adotam soluções distintas. Os dois edifícios
possuem uma torre com pilotis, mas por causa das diferenças entre os terrenos, o
resultado espacial dos projetos ficou distinto.
Em Pedregulho foi implantado no terceiro pavimento do edifício uma segunda
linha de pilares que originou um pilotis intermediário localizado junto ao pavimento
48

de acesso à edificação, a partir do platô mais elevado do terreno. Essa solução foi
empregada para que o usuário, ao observar a edificação por meio das duas pontes,
tivesse plena consciência de que a tipologia que define a estrutura do objeto é a de
um edifício sobre pilotis. Com esse conceito ficou resolvido a questão da legibilidade
do edifício, pelo fato de fazer o terceiro pavimento com as mesmas características
encontradas no térreo. Outro fator que separa os dois projetos são seus programas
complementares, enquanto a Unidade de Marselha alcança todas as funções
inerentes à moradia num único objeto, Conjunto Pedregulho distribui esses serviços
complementares em edificações distintas que se relacionam entre si relações.
Dessa forma as origens da arquitetura moderna brasileira dentro do
movimento artístico nacional só foram possíveis acontecer por fazer parte de uma
arquitetura intrinsecamente vinculada à arte, e muitas vezes pensada como obra de
arte. O esmero foi tão grande nesse período que a arquitetura, o paisagismo, a
pintura, a escultura, a música, a literatura chegaram ao ponto do cálculo estrutural,
juntando-se assim, seria difícil falar de um sem se lembrar dos demais. A arquitetura
moderna brasileira surge de modo peculiar e distinto, favorecido pela proximidade da
intelectualidade europeia que tanto impulsionou a produção nacional.
49

3.2 O urbanismo Moderno Brasileiro

Em meados do século XIX o Brasil, inicia sua entrada na era do Urbanismo


Moderno de modo tímido e sem grandes atitudes, mas essas pequenas ações já
podem ser consideradas como atitudes modernas, pois se iniciou uma preocupação
com a salubridade urbana. Cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo, Recife,
Santos, Salvador e Manaus apresentaram essa preocupação já é um princípio do
Modernismo Urbano nas cidades. Nas cidades mencionadas anteriormente começou
uma inquietação com relação ao saneamento básico, com o abastecimento da água,
com a drenagem e também com o esgoto.
O Brasil no início do século XX tinha aproximadamente 17 milhões de
pessoas e um pouco mais de 30% dessas pessoas moravam nas cidades. Com as
novas ideias vindas da Europa e se espalhando, coube ao Brasil tomar algumas
atitudes modernas e assim, percebe-se como o pensamento do Iluminismo do
século XVIII com a sua racionalidade e visão ideológica influenciaram essas
primeiras “ações modernas” da Nova República. Dessa forma, nos primórdios da
ordem urbana, entra em cena Francisco Saturnino Rodrigues de Brito que é
considerado por muitos como o fundador da engenharia sanitária no Brasil, pois fez
e criou vários pontos de saneamento.

Figura 30: Desenvolvimento da malha urbana da cidade de São Paulo (1881-1995).

Fonte: Jvillavisencio
Essas intervenções urbanas iniciais foram mais presentes no Rio de Janeiro,
seguindo os moldes de Haussmann pelas mãos do prefeito Pereira Passos, mas
50

deve ser explanado que esse planejamento urbano era de ordem pontual e local,
não houve um planejamento territorial, inicialmente. Em 1931, o arquiteto Frances
Donat Agache criou uma comissão para o estudo do urbano: Plano da Cidade. Esse
plano deveria orientar o desenvolvimento e o crescimento inicial da cidade do Rio de
Janeiro (Rezende 1982, Bruand, 1981, in Segawa 1998:25).

Figura 31: Os 1.800 metros de extensão da Avenida Central foram abertos durante a ampla reforma
urbanística do prefeito Pereira Passos.

Fonte: Jornal Estadão

A cidade de São Paulo também começou a se preocupar com o planejamento


urbano e na década 20, o arquiteto Francisco Prestes Maia apresentou o Plano das
Avenidas que se baseava em construir uma praça circular nas interseções da
Avenida do Estado e com a Avenida da Independência.

Figura 32: Plano das Avenidas, São Paulo em 1920.

Fonte: Jvillavisencio

Villaça (1999), produziu um artigo intitulado “Uma contribuição para a história


do planejamento urbano no Brasil”, fez uma revisão da ideia de planejamento e de
51

planos urbanos brasileiros de 1897 até a atualidade. Seu objeto de estudo separou
as seguintes especificações: zoneamento; planejamento de cidades novas;
urbanismo sanitarista. Dentro dessa visão, Maria Cristina da Silva Leme esboçou e
dividiu de modo aproximado as etapas do planejamento urbano que o Brasil passou
entre os anos de 1895 até1965: 1ª fase – planos de embelezamento (1875 – 1930);
2ª fase – planos de conjunto (1930 – 1965); 3ª fase – planos de desenvolvimento
integrado (1965 – 1971); 4ª fase – planos sem mapas (1971 – 1992).
Os planos de embelezamento eram os que seguiam a tradição europeia e
basicamente consistiam em alargar as vias, erradicar as ocupações de baixa renda
nas áreas mais centrais e assim, retirar os cortiços, implementar com infraestrutura:
saneamento, e ajardinamento de parques e praças (VILLAÇA, 1999; LEME, 1999).

Figura 33: Planos de Embelezamento do Rio de Janeiro: o estilo arquitetônico era inspirado nos
boulevards parisienses.

Fonte: Jornal Estadão

Voltando a citar o Rio de Janeiro e o prefeito Pereira Passos, um plano


urbano foi criado já em 1875: Plano de Melhoramentos. Quando se tornou prefeito,
Passos resolveu adotar uma versão nova do plano urbano para o embelezamento
da cidade do Rio de Janeiro. Algumas das principais criações desse plano
destacam-se a criação da Avenida Central, da Avenida Beira Mar, conectando a
Avenida Rio Branco até o fim da Praia de Botafogo, e da Avenida Mem de Sá,
ligando a Lapa à Tijuca e a São Cristóvão (LEME, 1999, p. 24).
Na segunda fase, os Planos de Conjuntos passaram a incluir a cidade toda e
também se ateve na integração de diretrizes para o território todo do Município.
Buscava a articulação do centro com os bairros por meio de vias e que tivessem
transporte. A partir desse período, os zoneamentos começaram a ser realizados e
foi implementada a legislação urbana que controlava o uso e a ocupação do solo, de
52

acordo com Leme (1999). Um exemplo que segue essas características é o Plano
de Avenidas de Prestes Maia para São Paulo que foi elaborado em 1930. Segundo
Villaça (1999), mesmo como esse nome, o plano abrangia vários aspectos do
sistema urbano, como as estradas de ferro e o metrô, a legislação urbana, o
embelezamento urbano e as habitações, mas infelizmente, o destaque foi apenas
para o plano de avenidas, por possuírem um caráter monumental.
O Plano de Alfred Agache, para o Rio de Janeiro apresenta a remodelação
imobiliária, o abastecimento de água, a coleta de esgoto, o combate a inundações e
a limpeza pública realizada. Ocorre nesse momento no Rio um detalhamento das
leis urbanísticas: loteamentos, desapropriações, gabaritos, edificações e estética
urbana. Esse plano foi dividido em três partes: a primeira parte apresenta um estudo
sobre os componentes antropogeográficos do Rio de Janeiro e os problemas
sanitários; a segunda parte define o modelo de cidade ideal e as conjecturas para
atingi-la; a terceira parte é dedicada ao saneamento.

Figura 34: Alfred Agache, Plano de Extensão, Remodelação e Embelezamento do Rio de Janeiro e a
maquete da Praça do Castelo em 1930.

Fonte: Archdaily

Os planos de desenvolvimento integrado, marca a terceira fase. Ela é


caracterizada pela incorporação de aspectos que vão além daqueles físico-
territoriais, tais como os aspectos econômicos e sociais. Entre elas, está a previsão
de acomodação para o crescimento da população em 35 anos, até o ano 2000,
baseada em estimativas numéricas a serem revisadas de 5 em 5 anos.
Para finalizar o quarto plano, plano sem mapas. Para tentar corrigir nas não
aplicações dos planos elaborados anteriormente acabaram por elaborar planos sem
diagnósticos técnicos e extensos sem às vezes utilizarem os mapas das cidades.
53

Esses planos muitas vezes apenas apresentavam um conjunto de objetivos e


diretrizes genéricas e, dessa forma, acabavam camuflando os conflitos inerentes à
diversidade de interesses relacionados ao espaço urbano. (VILLAÇA, 1999, p. 221).
Dessa maneira e com alguns exemplos específicos do modo como o
Urbanismo brasileiro surgiu e vem seguindo ao longo dos anos, pode-se observar
que desde o principio a maioria dos planos urbanos incluíram interesses sobre a
proteção do valor de propriedades fundiárias com a possibilidade de extrair lucros
através da produção imobiliária do que objetivos nobres de função social ou
redistribuição de renda.
54

4. O plano urbano para Belo Horizonte de Aarão Reis

O pensamento de construir uma capital nova para Minas Gerais já era


desejada desde o período da Inconfidência Mineira e só foi retomada quando
chegaram os primeiros anos da República, pois até aquele momento a capital era
Ouro Preto e a cidade apresentava limitações de crescimento. A deliberação para
construir uma capital nova no Arraial de Belo Horizonte que anteriormente era
conhecida por Curral d’El-Rei foi feita com base num criterioso relatório dirigido por
Aarão Reis que era engenheiro. Tempos depois, Reis pediu sua exoneração do
cargo de Chefe da Comissão Construtora e foi substituído pelo também engenheiro
Francisco Bicalho.

Figura 35: Arraial de Belo Horizonte, antes era conhecido por Curral d’El-Rei, 1896.

Fonte: Arquivo Público Mineiro

(...) O planejamento urbano de Belo Horizonte inicia-se com a fundação da


cidade. Nascida do nada, a proposta era uma oposição a Ouro Preto, capital
até aquele momento. Entretanto, as pessoas eram as mesmas que
caminhavam nas ruas tortuosas e inclinadas de uma cidade antiga, cheia de
história de uma região que guardava muita vida. Isto não importou para a
Comissão Construtora da Nova Capital, pois se acreditava que as pessoas
seriam seduzidas por um projeto moderno e a modernidade não cabia em
Ouro Preto. Mas, deveria caber na vida das populações que,
obrigatoriamente, morariam na nova capital. Muito menos caberiam os
antigos moradores do local na nova cidade, “onde não cabia o tortuoso,
nem o estreito, nem o baixo, nem o deselegante” (PENNA, 1997, p. 102).
55

Para a definição do local que seria a nova capital foi realizado um estudo
sobre o potencial de alguns locais como salubridade, facilidades para a construção,
possibilidades de abastecimento, iluminação, articulação viária e também os custos
demandados para a implantação da nova capital. O relatório da Comissão indicou
dois lugares, Várzea do Marçal e o Arraial de Belo Horizonte, sendo o primeiro mais
indicado por possui ligação com a rede ferroviária. Devido a questões políticas, o
Congresso mineiro escolheu o Arraial de Belo Horizonte para ser o lugar da nova
capital mineira.
O plano urbano para a construção de Belo Horizonte, foi o primeiro do gênero
a ser elaborado no Brasil. A Comissão Construtora da Nova Capital elaborou esse
plano urbanístico tendo como chefe Aarão Reis. A comissão que era encarregada
pelos trabalhos de projeção e implantação da nova capital eram engenheiros que
foram convidados por Reis vindos do Rio de Janeiro e eram formados pela Escola
Politécnica. Ele convidou também alguns arquitetos-projetistas e artistas que
possuíam trajetória internacional, como José de Magalhães, que estudou na École
des Beaux-Arts, em Paris, o francês Paul Villon, discípulo de Alphand, e o suíço
João Morandi, com estudos na França e que trabalhou na construção de La Plata,
na Argentina.

Figura 36: Planta Geral da Cidade de Minas: Belo Horizonte, 1895.

Fonte: Museu Histórico Abílio Barreto

O plano urbano da nova capital seguia as regras da ciência, da rigidez das


normas, da ordem racional e despolitização do trabalho técnico, mas o que se
percebeu ao ver o desenho do mapa desenhado por Reis é que o foi planejado não
56

saiu conforme o desejo dele, por inúmeros fatores, como logística, infraestrutura,
orçamento ou prazo, muitos pontos da planta foram improvisados ou mudados. Foi
elaborado para a cidade de Belo Horizonte sintetiza parte da cultura e das
preocupações estéticas do século XIX relativas à cidade.
Esse plano apresenta um o conhecimento sobre os planos de l'Enfant para
Washington, da reforma feita por Haussmann em Paris e, também, do plano de La
Plata, que era contemporâneo e com o qual o plano de Belo Horizonte divide uma
mesma ideia geral. Ele previa a cidade subdividida em três zonas: urbana,
suburbana e de sítios, além do traçado viário e dos equipamentos públicos. A planta
que abarcava parte da área central da cidade envolvia as avenidas do Contorno,
Cristóvão Colombo, Bias Fortes e Francisco Sales essa área estava designada para
30.000 habitantes. Os lotes, quarteirões e seções eram numerados, com lotes
marcados e letras recomendando sua destinação: antigos proprietários do Arraial de
Belo Horizonte, para os funcionários de Ouro Preto ou para a reserva do Estado.

Figura 37: Zoneamento desenhado por Aarão Reis para a Belo Horizonte.

Fonte: Arquivo Público Mineiro

Aarão Reis como chefe da comissão de construção da nova capital, fez o


desenho e o planejamento de planimetria, arquitetura, e construção entre os anos de
1894 até 1897.
O plano dele para a criação de Belo Horizonte consistia na definição de uma
avenida - Avenida do Contorno - para demarcar a futura área urbana da cidade. A
avenida possuía 35 metros de largura e cerca de 10 quilômetros de comprimento.
Essa demarcação serviria para que a cidade fosse construída no espaço dessa
avenida, de acordo como o projeto para bairros, ruas e avenidas. Com o passar dos
57

anos e com o grande crescimento econômico que ocorreu na região de Belo


Horizonte, o projeto que delimitava a área urbana no interior da avenida tornou-se
insustentável e a cidade desenvolveu em meio às montanhas, além do limite
original. Atualmente a avenida que era para ser toda a cidade de Belo Horizonte é
apenas o centro da cidade.

Figura 38: Mapa do hipercentro de Belo Horizonte.

Fonte: UFMG

Essa avenida grande é a Afonso Pena que foi feita aos moldes dos
boulevards parisienses e foi apresentado por Aarão Reis como sendo uma via larga
o bastante para abrigar a faixa central de areia - para passeios a cavalo -, dois
passeios laterais junto à faixa de areia, duas faixas para a circulação de veículos; e
mais dois passeios junto aos prédios. A intensão de Reis para essa grande avenida
não era a mesma como a de Paris que queria uma circulação eficiente, para a
Avenida de Belo Horizonte ela serviu de elemento estético. Mas ficou longe de se
parecer com os boulevards parisienses, pois não se preocupou com a harmonização
entre a largura da via e a altura dos edifícios.
As praças, no plano urbano de Belo Horizonte, cumpriram a função de romper
com a monotonia da superposição das malhas ortogonal e diagonal. A Praça da
Liberdade foi a que mais recebeu atenção no plano urbano da nova capital, pois na
fase construtiva ela se notabilizou como sede do poder público estadual. A presença
do palácio presidencial e das secretarias, que por muitas décadas tornou a praça
símbolo do poder republicano, porém a proposta do engenheiro não foi concretizada
58

por falta de dinheiro. Algumas praças da área central foram substituídas por
construções com o passar do tempo.
Em frente à portaria principal do Parque Municipal, deveria existir a Praça da
República, onde estava previsto a construção do Congresso (Assembleia
Legislativa) e do Palácio da Justiça. O mesmo aconteceu com uma área extensa do
Parque Municipal, cujo tamanho atual é menos de um quarto do que foi colocado no
mapa criado por Reis. A área verde principal da cidade deveria se iniciar na Afonso
Pena e terminaria no Bairro Floresta e o Ribeirão Arrudas que na atualidade é um
dos mais poluídos de Minas deveria cortar o parque.
Com relação à infraestrutura da nova capital, o que se viu foi a pouca
preocupação sob a especulação imobiliária e o preço alto dos lotes na zona urbana.
Acabaram loteando em pouco tempo as colônias agrícolas que rapidamente foram
ocupadas sem o básico de infraestrutura. A administração do espaço e da ocupação
da cidade “deixou” com que o crescimento acontecesse no sentido contrário ao
pretendido. Dessa forma, enquanto o centro se encontrava com muitos lotes vazios,
a periferia recebia um grande número de construções. Uma parcela bem pequena
da população, que pertencia à classe média, conseguiu fixar-se na parte central da
cidade que, mesmo antes de ser inaugurada, já era marcada pela especulação
imobiliária.
O adensamento da nova capital contrariou a previsão de Aarão Reis, pois se
desenvolveu da periferia em direção ao centro e não de modo inverso. Assim, é
possível observar que nos primeiros anos da capital, o centro era bem dotado de
infraestrutura, porém, despovoado, enquanto que a periferia se adensava
rapidamente e não possuía infraestrutura suficiente para atender demanda
populacional que só crescia. Assim, Monte-Mór (1997, p. 475) reitera:

“Foi a população trabalhadora, excluída do espaço central da cidade, do


poder, da cidadania, [...], que de fato determinou a produção da cidade. E
Belo Horizonte cresceu no sentido oposto, da periferia para o centro, num
processo que se repetiu em inúmeras cidades planejadas no Brasil. (...)”
(Monte-Mór,1997, p. 475)
59

Figura 39: Inauguração de Belo Horizonte, 1897

Fonte: Arquivo Público Mineiro

Em dezembro de 1887, data de sua inauguração, Belo Horizonte


apresentava-se inacabada e com muitas construções ainda por concluir. Elas
estavam agrupadas no Bairro do Comércio e no Bairro dos Funcionários: 38 edifícios
públicos, entre os quais se destacam o Palácio do Governo, ainda não concluído, as
quatro Secretarias do Interior, das Finanças, da Agricultura e da Polícia, a Imprensa
Oficial, o Palácio da Relação, o ginásio, o quartel, também ainda não concluído, a
estação de eletricidade, a Igreja do Rosário, 4 palacetes para residência dos
secretários e do chefe de Polícia, estação e armazém da estrada de ferro e cerca de
700 casas de gosto moderno e com uma população de 12.000 habitantes.
Nesses primeiros anos, a população ainda era difusa, a cidade possuía
muitos vazios entre as construções, ruas e avenidas quase desertas e sem
calçamento. Os lotes da zona urbana valorizaram-se muito e assim, tornaram-se
inacessíveis à maioria da população. A antiga população do Arraial e todos que
trabalharam na construção da capital, não foram considerados adequados para o
modelo de cidade moderna que se pensou para Belo Horizonte, e foram dessa
maneira excluídos da Zona Urbana. Belo Horizonte, em 1912, dos seus 38 mil
habitantes possuía 70% deles morando fora da zona urbana.
Fica evidenciado que a construção de Belo Horizonte significou o rompimento
definitivo com a tradição colonial. Nesse contexto, a adoção de novos estilos e o
ecletismo da arquitetura dos primórdios da cidade deve ser compreendida como
reflexos do anseio à modernidade, concebida, naquele período, por uma imagem de
cidade próxima aos padrões europeus. Para isso a nova capital precisava garantir
qualidades de cidade planejada, assim, os regulamentos não ficavam limitados ao
60

espaço urbano e às construções públicas, mas também se praticavam às


construções privadas. Estes preceitos se inscrevem nos ideais e anseios da geração
de Aarão Reis que começou no Rio de Janeiro um movimento pela modernização do
sistema de habitação urbana. Para os engenheiros politécnicos que vieram do Rio
de Janeiro, esta era uma chance única de concretizar seus ideais de cidade
moderna.
61

5. O plano urbano para Goiânia

O primeiro projeto de Goiânia foi preparado pelo o arquiteto-urbanista Attilio


Correa Lima, que teve como inspiração a escola francesa de urbanismo do inicio do
século XX. O arquiteto foi uma pessoa importante na história do desenvolvimento do
modernismo brasileiro. Ele não produziu grandes reflexões teóricas sobre a
arquitetura moderna ou sobre o urbanismo, mas com sua ampla atuação profissional
em seu pouco tempo de vida ele deixou sua contribuição no jeito novo de se fazer e
pensar a arquitetura.

Figura 40: Plano de Attilio Correa Lima para Goiânia, 1933.

Fonte: UCG

Attilio Corrêa Lima foi convidado para elaborar o plano da nova capital do
Estado de Goiás, Goiânia e este foi também um dos seus primeiros trabalho. O
prazo para esse plano ficar pronto era pequeno e a mudança da capital se fazia
necessária na compreensão de uma parte da população que tentava derrubar a elite
rural que dominava o estado. Também existia pressa nessa transferência da capital
para uma cidade totalmente nova por marcar o rompimento com o isolamento e a
estagnação que o Estado vivia até ali. O arquiteto elaborou o plano piloto de Goiânia
entre 1933 – 1934 e entregou ao interventor Pedro Ludovico Teixeira em janeiro de
1935.
62

A partir de então, estava nas mãos de Corrêa Lima o desafio de agradar as


pretensões de uma elite urbana goiana em construção e tentar fazer pelo Estado o
mesmo que a nova capital de Minas Gerais, Belo Horizonte fez ao colocar o Estado
no padrão de expansão. Desse modo, na ótica deste grupo, a cidade projetada por
Lima deveria originar uma ação civilizatória ao antever o espaço adequado para as
funções econômicas e ao organizar de certa forma o desenvolvimento social da
nova região. Attilio seguiu a metodologia instituída pela escola francesa ao propor o
plano de Goiânia ao abordar no início questões de ordem histórica, social,
econômica, e política de Goiás, para justificar o traçado urbanístico. A concepção
urbanística de Attilio Corrêa Lima para Goiânia via como elemento urbano mais
importante a praça central, foco esse que foi privilegiado nos aspectos concebidos
pelas principais vias traçadas: Avenidas Goiás, Tocantins e Araguaia.

Figura 41: A Praça Cívica, elemento central na concepção de Attilio Corrêa Lima, ainda na década de
1930.

Fonte: Arquivo/TV Anhanguera)

Notadamente, a influência francesa foi adotada como solução com relação à


geometria das avenidas, da praça e na solução estética dos bulevares. Para o
planejamento de Goiânia, Attilio fez um levantamento e estudo para um possível
planejamento regional.
Ele levou em consideração a cidade de Campinas nas proximidades do local
que Goiânia seria construída, pois demonstrou interesse em mantê-la para que no
futuro fosse levado em conta o desenvolvimento da capital. E isso fica evidente
quando ele se preocupou em transformar a velha estrada – Avenida Anhanguera -
que dava acesso a Campinas e a outras cidadezinhas do entorno. A Avenida
63

Anhanguera teve por parte do arquiteto a sugestão de um parque linear no


cruzamento do eixo norte-sul, onde se agrupariam o comércio e o tráfego mais
pesado.
Corrêa Lima exprime atenção particular a questões como as de zoneamento,
topografia, áreas verdes, hierarquia das vias e tráfego. Dessa forma, a cidade foi
repartida em cinco grandes zonas com os usos fragmentados: a praça central
reunindo toda a estrutura administrativa do Estado e município; um setor comercial
na convergência da Avenida Pedro Ludovico - atual Avenida Goiás, um dos três
eixos principais que surgem da praça central - com a Avenida Anhanguera; a região
norte da cidade, no outro extremo do eixo principal, próximo à estação de ferro, esta
em posição de destaque fazendo um contraponto com o próprio palácio; os setores
sul e oeste seriam definitivamente voltados para as residências suburbanas e os
demais locais seriam identificados como rurais. Em suas palavras,

“O zoneamento da cidade é feito procurando satisfazer as tendências


modernas de localizar as diversas atividades da cidade em zonas
demarcadas, a fim de não só melhor obter a organização dos serviços
públicos, como também para facilitar certos problemas técnicos,
econômicos e sanitários, não falando aqui na questão estética. Se em todas
as aglomerações existentes, o zoneamento constitui um problema de difícil
solução, para uma cidade que se forma é relativamente fácil, apesar de
exigir que seja observada a mais rigorosa vigilância em torno do
regulamento das zonas”. (LIMA, 1937: 142)

Figura 42: Goiânia no período de sua inauguração, todas as vias ao encontro do centro político.

Fonte: Jornal Opção

O sistema viário foi constituído por vias regulares em forma de xadrez, por ser
um sistema mais eficiente e rápido para a passagem de veículos. As vias em
64

diagonal, como as Av. Araguaia e Tocantins, tinham como objetivo funcional e


estético de fazer com que a pessoa que seguia em direção ao centro administrativo
pudesse enaltecê-lo. A Avenida Paranaíba, com seu formato curvo tinha por objetivo
fazer o desvio dos veículos pesados para fora do Setor Central, conduzindo-os
diretamente para a zona industrial e assim, desafogando o trânsito no núcleo
urbano.
No plano de Attilio, Goiânia apresentava os consecutivos setores: Central –
zona comercial, residencial e centro administrativo; Norte – zona comercial,
residencial popular, zona industrial e estrada de ferro; Sul – zona residencial e
comércio local; Oeste – zona residencial e comércio local. O Setor Oeste não foi
projetado por Godói, pois foi conservado para quando o Setor Sul tivesse sido todo
ocupado e o Setor Leste não foi incluído no plano nesse momento. A arborização da
cidade foi uma preocupação de Corrêa Lima e a saída que ele encontrou foi a
composição de parques e avenidas com parques que tivessem pequenos lagos no
meio. Graeff (1985: 13), ressalta que ao sugerir um tratamento paisagístico de
avenida parque, com renque central de árvores frondosas, Corrêa Lima eliminou a
intenção em dar as três avenidas a expressão monumental.
Outra questão que foi estudada pelo arquiteto foi o abastecimento de água
que deveria se aproveitar e preservar os rios e afluentes que cortavam a cidade de
Goiânia. Dessa forma, Attilio criou uma proposta e apresentou ao governador uma
delimitação rígida do perímetro urbano da cidade para fosse preservada a bacia
hidrográfica da região por meio Nesse sentido, Corrêa Lima apresentou ao
governador uma proposta de delimitação rigorosa do perímetro urbano da cidade
para que fosse prevenida pelo Estado a deterioração a bacia da região através da
obtenção de terrenos.
Nesse ponto, também se pode perceber um planejamento que tinha uma
visão regional. Ele se preocupou em propor ao Estado um projeto de organização
administrativa e normas para as construções dentro da cidade, o primeiro tinha
como finalidade a separação das influências políticas e especulativas e o segundo
propunha um regulamento urbano. Com base nessas propostas, percebe-se uma
apreensão que vai além da arquitetura, pois considera a cidade a partir de suas mais
variadas dimensões, inclusive a política.
Attilio Lima entregou ao governo do Estado um conjunto de projetos que
estabelecia o plano de Goiânia na vanguarda do debate urbano do período entre
65

guerras com a predominação de locais para as vias públicas, jardins e parques. O


plano estruturava uma grande facilidade para o tráfego e tinha uma preocupação
grande com o bem estar da população com base no desenho das ruas de cada
bairro. O arquiteto-urbanista não concluiu a implantação total da capital nova, pois
rompeu o contrato com o governo do Estado antes da finalização. Foi substituído por
Armando de Godói, engenheiro-urbanista, que deu sequência ao plano, mas
diferentemente de Attilio, ele seguiu a orientação de modelo das cidades-jardim
inglesas.
Armando Augusto de Godói fez finalizou o curso de engenharia em 1902. Ele
foi professor no Colégio Militar, autor de artigos variados nas principais revistas e
jornais do país e também foi funcionário público na área de engenharia e urbanismo.
Era influente e foi um dos responsáveis pela vinda de Alfred Agache, urbanista
francês, ao Rio de Janeiro para construir um plano de extensão daquela cidade.
Em meados dos anos de 1930 ele chega a Goiânia, como convidado da
empresa Coimbra Bueno e Cia. Godói, iria dar sequência ao planejamento inicial
feito por Attilio que tinha se baseado no modelo francês de urbanismo. Porém,
Godói, era encantado pelas cidades-jardim de Howard, e resolveu adaptar o projeto
de Goiânia, que já tinha sido implantado parcialmente, ao sistema inglês de cidade.
Armando Godoy já conhecia Goiânia, pois ele participara de discussões
anteriores ao projeto de Attilio, na categoria de consultor do grupo de trabalho que
era responsável por mudar a capital do Estado de Goiás. O novo responsável por
continuar a construção de Goiânia sofreu pressões dos irmãos Coimbra Bueno para
alterar algumas características do plano original de Attilio Corrêa, exemplo disso
ocorreu com a região comercial do setor central, pois de acordo com os irmãos
Coimbra Bueno o local deveria favorecer o livre estabelecimento da oferta e da
procura já que no plano original. O novo responsável por concluir a implantação de
Goiânia defendia que uma área comercial grande em demasia era prejudicial à
cidade por causa do número alto de pequenos comércios que seria necessário para
preencher a área toda e esses locais teriam vendas ineficientes que não traria
desenvolvimento para a cidade.
Godoy fez algumas modificações no plano original de Attilio. Essas mudanças
englobaram pontos referentes ao núcleo de concepção da nova capital. O ponto de
partida de Attilio foi a praça central da cidade, Godoy alterou a parte interna do local
ao eliminar os anéis viários que no plano original tinham como função de proteger os
66

edifícios de possíveis bagunças cotidianas. O novo responsável do plano de Goiânia


faz o inverso tira essa proteção e coloca o trânsito dentro da praça. A alteração
maior no plano de Attilio ocorreu na modificação do Setor Sul que estava desenhado
para moradias unifamiliares de alto nível. Nesse momento, o desacordo de ideias
ocorre sobre as cidades-jardins, pois Godoy retomou sua ideia da cidade jardim para
Goiânia com a adoção do cul de sac. Ele definiu no novo plano para o Setor Sul uma
fragmentação grande entre o tráfego e os locais destinados à moradia. Para ele a
urbanização tinha uma forma dinâmica e demonstrava a necessidade de estabelecer
um maior contato entre os citadinos e a natureza.

Figura 43: Cidade-jardim: o projeto do Setor Sul.

Fonte: Superinteressante

Godoy defendia a tese de que as cidades satélites serviam para controlar a


expansão da cidade, tanto que no relatório de 1937 constava uma cidade satélite,
Campinas. Esse relatório se transformou no plano diretor da de Goiânia, aprovado
em 1938. Godoy sugeriu o controle rígido do parcelamento da cidade para quando
essa chegasse a sua ocupação máxima de loteamento, outro pudesse ser comprado
ou criado pelo próprio estado.
67

Figura 44: Planos de Côrrea e Godoy para Goiânia.

Fonte: Vitruvius

Goiânia, dessa forma, em meio a tantos acontecimentos foi concebida num


sítio sem muita exuberância geográfica, como cadeia de montanhas, acidentes
hidrográficos ou topografia mais acidentada. Os córregos, rios, e quedas d’água
permaneceram próximos da cidade por razões mais técnicas e funcionais do que
estéticas. Mesmo as áreas verdes tinham um como objetivo a salubridade da cidade.
Dessa forma, não se deve deixar de reconhecer que as linhas funcionais que Attilio
Côrrea traçou para Goiânia foram organizadas com elegância e harmonia. O sistema
viário foi projetado para que o tráfego não tivesse desenho monótono e nem rígido,
pois misturado com praças, avenidas com jardins, rotatórias, bosques e parques
deveriam tornar o tráfego mais suave.
Atílio demonstra uma atenção especial com relação à estética ao projetar o
Centro Administrativo com sua praça em forma de ferradura, ponto de encontro das
Avenidas Araguaia, Tocantins e Goiás. Esse desenho faz evocação a cidade
barroca, como exemplo de beleza e harmonia, muito empregada no urbanismo
francês, que prezava no cuidado com o paisagismo, com a arborização das
avenidas e as formas geométricas e simétricas ao criar os espaços públicos de
contemplação das cidades.
68

6. O Plano piloto para Brasília

A cidade de Brasília começou muito antes de sua construção. Foi com José
Bonifácio de Andrade e Silva, em 1823, um dos articuladores da independência, que
a atual capital federal começou a ser delineada. Ele propôs nesse período que a
capital brasileira saísse do Rio de Janeiro e fosse para o interior, longe dos portos
litorâneos. Depois, com o presidente Floriano Peixoto, que possuía inclinações
nacionalistas, seguiu o impetrado constitucional ao criar a Comissão Exploradora do
Planalto Central do Brasil, período esse que foi de junho de 1892 a março de 1893 e
era direcionado pelo astrônomo belga, radicado no Brasil, Louis Ferdinand Cruls.
Com os trabalhos da Comissão que era constituída por médicos, botânicos,
astrônomos e geólogos, estavam criados as condições para que Brasília surgisse
no Pequeno atlas do Brasil, de 1922. Dessa forma, 35 anos antes do início da
construção da futura capital do Brasil, o local apareceu no mapa, bem no interior de
Goiás.

Figura 45: Detalhe de um atlas escolar luso-brasileiro de 1927, quando não existia Goiânia. A área
prevista para o "Districto Federal” (conhecida como "Retângulo Cruls" ou "Quadrilátero Cruls") era
bem maior que a atual.

Fonte: Doc Brasília Jor


69

Essa ideia antiga reapareceu na Constituição de 1934, porém o projeto não


avançou dentro do que se esperava devido o momento difícil que o país vivia. No
governo de Getúlio Vargas foi criada a Marcha para o Oeste em 1940, com o intuito
de incentivar a ocupação do centro-oeste, pois nesse momento grande parte dos
brasileiros se concentrava no litoral ou próxima dele. A ideia de construir Brasília
também fazia desse objetivo maior que era ocupar e desenvolver por completo o
território nacional. Dentro desse cenário de desenvolvimento do território nacional,
em 1946, o assunto voltou à tona quando apareceu no artigo quarto da Constituição.
Assim, em 1953 , foi criado por decreto a Comissão de Localização para a Nova
Capital.
Essa Comissão foi dirigida pelo general José Pessoa e os trabalhos
realizados se prolongaram até 1954. Em dezembro de 1955, antes da posse de
Juscelino Kubistchek foi baixado um decreto que constituía a Comissão de
Planejamento da Construção e da Mudança da Capital Federal. Com Juscelino
Kubistchek na presidência da república foi lançado o concurso nacional do Plano
Piloto de Brasília, em 19 de setembro de 1956.
Nesse momento faz-se necessário falar de Lúcio Costa e um pouco de sua
trajetória. O seu legado merece destaque pelo conjunto de sua obra vitruviana que
reunido aos seus escritos compõem uma série de reflexões que ensinam aos
arquitetos a conceber e pensar a Arquitetura. O projeto do Plano Piloto de Brasília é
a obra de maior destaque na carreira do arquiteto, não apenas pelas dimensões e
funcionalidade, mas também por representar a síntese de sua vivência prática. De
acordo com Lúcio Costa,

“(...) pode-se definir arquitetura como construção concebida com a intenção


de ordenar e organizar plasticamente o espaço, em função de uma
determinada época, de um determinado meio, de uma determinada técnica
e de um determinado programa”. (COSTA, 2001, p. 58)

Lúcio Costa disse, uma vez, que o urbanista bom era aquele que coloca um
pouco da cidade no campo e um pouco do campo na cidade. O projeto do Plano
Piloto é simbiótico, pois procura unir o pensamento urbano moderno: Cidade-linear,
Cidade-jardim e também alguns princípios da Carta de Atenas, de acordo com o
pensamento de Carpintero (1998). Um dos princípios da Carta de
70

Atenas apropriados por Lúcio Costa foi a eliminação dos cruzamentos nas vias. Com
essa saída, o trânsito de veículos foi facilitado, evitando assim, o desgaste da
máquina com excesso de paradas.
O grande eixo que atravessa a cidade de ponta a ponta e divide a área
residencial no sentido transversal, além de ser uma das avenidas principais da
cidade, é uma rodovia federal. A industrialização também fazia parte de seus
pensamentos e ele acreditava que ela representava a salvação da sociedade, e
dessa forma, ele fez a capital federal para a priorização do deslocamento dos
automóveis. O trecho abaixo comprova a relação de Lúcio Costa com esse
pensamento muito comum na época:

“Brasília não é um gesto gratuito da vaidade pessoal ou política, à moda da


Renascença, mas o coroamento de um esforço coletivo em vista ao
desenvolvimento nacional – siderurgia, petróleo, barragens, auto-estradas,
indústria automobilística, construção naval; corresponde assim à chave de
uma abóbada e, pela singularidade da sua concepção urbanística e de sua
expressão arquitetônica, testemunha a maturidade intelectual do povo que a
concebeu, povo então empenhado na construção de um novo Brasil,
voltado para o futuro e já senhor do seu destino”. (COSTA. Op. cit, p. 25)

Figura 46: Plano Piloto de Lucio Costa.

Fonte: Costa, 1995 p. 278

A temporalidade da forma proposta por Lúcio Costa pode ser fundamentada


na relação dos aspectos formais de teorias urbanísticas com as lembranças do
arquiteto advindas de sua vivência na Europa, e das viagens realizados por ele
pelas cidades de Minas Gerais. São essas vivências que ganharam expressividade
no projeto para a construção de Brasília, Lúcio Costa propôs que a nova capital
71

deveria harmonizar-se à paisagem – horizontalidade - e a topografia faria parte dos


elementos compositivos. A cidade e a paisagem natural se entrelaçariam. Com
relação às referências utilizadas na criação do projeto para o Plano Piloto, Lúcio
Costa listou:
“1º – Conquanto criação original, nativa, brasileira, Brasília – com seus eixos,
suas perspectivas, sua ordenance – é de filiação intelectual francesa. Inconsciente
embora, a lembrança amorosa de Paris esteve sempre presente.
2º – Os imensos gramados ingleses, os lawns da minha meninice – é daí que
os verdes de Brasília provêm.
3º – A pureza da distante Diamantina dos anos 20 marcou-me para sempre.
4º – O fato de ter então tomado conhecimento das fabulosas fotografias da
China de começo do século (+- 1900 – terraplenos, arrimos, pavilhões com
desenhos de implantação – contidas em dois volumes de um alemão cujo nome
esqueci).
5º – A circunstância de ter sido convidado a participar com minhas filhas, dos
festejos comemorativos da Parson School of Design de Nova York e de poder então
percorrer de “Grayhound” as auto-estradas e os belos viadutos-padrão de travessia
nos arredores da cidade”. COSTA, Lúcio. Op. cit, p. 93.
Com a relação à sintetização entre as teorias do pensamento moderno sobre
o urbanismo, reunido com o repertório de experiências urbanas de Lúcio Costa, o
projeto para o Plano Piloto com seu conteúdo simbólico faz parte das intenções da
cidade moderna. Isso é evidenciado pelo Congresso Nacional que foi construído
como elemento articulador entre a Praça dos três Poderes e o resto da área
urbanizada. A morfologia de Brasília somada ao apelo forte e simbólico é transmitida
pelas intenções volumétricas destacadas com os edifícios institucionais. Esses
edifícios são, com certeza, a razão de uma expressividade inevitável que
demonstrava a esperança do arquiteto num futuro melhor para o país e isso deveria
ocorrer após a construção da nova capital.
72

Figura 47: Riscos Iniciais de Lúcio Costa.

Fonte: Costa, 1995 p. 284

Dando sequência ao estudo sobre o planejamento da construção de Brasília é


importante compreender como a cidade foi dividida em duas escalas: Residencial e
Monumental. O Plano Piloto da cidade com esses eixos são dispostos em forma de
cruz, abraçados pelo Lago Paranoá e por uma área verde. O eixo residencial
concebe o homem no nível individual de sua vivência, onde ele consegue viver
tendo qualidade de vida, permitindo-o desfrutar de modo pleno de momentos de
descanso e do convívio social mais íntimo. Ele foi organizado em sequências de
superquadras com grandes quarteirões, de 350 por 350 m, ocupados por prédios de
apartamentos, em geral sobre pilotis.
Assim, foram pensadas as superquadras no sentido da curvatura das curvas
de nível, tendo como gabarito máximo seis pavimentos. Dessa forma, as copas das
árvores e as coberturas dos edifícios ficariam em uma altura relativamente próxima
umas das outras. O eixo monumental comporta os principais edifícios institucionais e
os marcos da cidade é a espinha dorsal da malha e representa a dimensão coletiva
da capital federal. Esse eixo foi implantado perpendicularmente às curvas de nível.
No extremo leste do eixo monumental, fica a Praça dos Três Poderes, Esplanada
dos Ministérios, a Catedral Metropolitana e a sede do Governo do Distrito Federal.
73

Nessa área, seguindo a lógica, localizam-se os setores comerciais - bancário, de


escritórios e comercial.
A leste do Eixo Monumental estão os setores culturais da cidade - bibliotecas,
teatros, museus. A escolha desse local foi à preocupação com a segurança. Uma
das hipóteses para a escolha da sua localização é a preocupação com a segurança.
A Praça dos Três Poderes é a continuação da área urbanizada, os cidadãos têm
como palcos da vida social pública os outros centros da cidade: o Setor Comercial
Sul e a Plataforma Rodoviária que é a convergência dos eixos.

Figura 48: Ministério da Justiça. Brasília, 1962.

Fonte: Underwood, 2010, p. 97.

Ao longo do Eixo Rodoviário, conhecido pelos moradores como Eixão,


encontram-se os setores residenciais compostos pelas famosas quadras
residenciais com seus blocos de comércio e serviços. Os espaços de lazer, como
clubes esportivos, foram dispostos, ao redor do lago. Nessa região também foram
implantadas áreas de moradia, chamados residencial Lago Sul e Lago Norte. Para
simplificar mais ainda, os nomes dos setores foram baseados nos pontos cardeais,
com referência na interseção do Eixo Rodoviário com o Monumental. A
nomenclatura foi encurtada com siglas: Comércio Local Norte/Sul e Sudoeste (CLN/
CLS/ CLSW); Setor Comercial Norte/Sul (SCN/ SCS); Setor de Clubes Esportivos
Norte/Sul (SCEN/ SCES).
74

O Setor de Difusão Cultural do lado norte, ou SDCN, contém o Teatro


Nacional; o sul –SDCS - tem a Biblioteca Nacional e Museu Nacional. No O Setor de
Diversões Norte (SDN) é endereço do Shopping Conjunto Nacional, mas há também
um Setor de Diversões Sul (SDS ou Conic). Outros setores importantes que
compõem a cidade são o Setor Hoteleiro Norte/Sul (SHN/ SHS); o Setor de Hotéis
de Turismo Norte (SHTN); Setor Médico Hospitalar Sul (SMHS), Norte (SMHN) e
Hospital Regional da Asa Norte (HRAN). E, é claro, as Superquadras, setores
residenciais Norte/Sul e Sudoeste (SQN/ SQS/ SQSW), conhecidas e copiadas
internacionalmente. Dentro dos setores residenciais, as quadras foram nomeadas
seguindo o mesmo raciocínio lógico. No Memorial do Plano Piloto de Brasília, o
próprio Lucio Costa explica:

“Quanto à numeração urbana, a referência deve ser o Eixo Monumental,


distribuindo-se a cidade em metades Norte e Sul, as quadras seriam
assinaladas por números, os blocos residenciais por letras, e, finalmente, o
número de apartamentos na forma usual, assim, por exemplo: N-Q3 - L –
ap. 201. A designação dos blocos em relação à entrada da quadra deve
seguir da esquerda para a direita, de acordo com a norma”. (COSTA. Op.
cit, p. 93)

Os bairros em Brasílias foram projetados de modo distinto das demais


características que ocorre na maioria das outras cidades, pois lá foram criados
bairros distantes do coração da metrópole. E assim, eles foram criados com o intuito
de permitir que trabalho, casa e espaços coletivos estivessem próximos uns dos
outros e os bairros fossem independentes. Lúcio Costa almejava instituir um espaço
capaz de oferecer os benefícios da modernidade a todos os cidadãos de maneira
equitativa", afirma Aldo Paviani, professor titular da Universidade de Brasília (UnB),
pesquisador associado do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais (Neur) e
organizador de diversas obras sobre a capital. Costa queria uma dimensão
monumental, além de um grande número de superfícies arborizadas.
75

Figura 49: Asas do Plano Piloto, áreas compostas basicamente pelas superquadras residenciais,
quadras comerciais e entrequadras de lazer e diversão, onde há também escolas e igrejas.

Fonte: Blog do Nassif

Essas ideias são resultados da influência forte de Le Corbusier, que ao lado


de Oscar Niemeyer é considerado um dos grandes arquitetos do século XX. O
traçado de ruas de Brasília obedece ao Plano Piloto inserido pela Companhia
Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (NOVACAP). A empresa, foi criada
especialmente para esse grande empreendimento, ficou encarregada de projetar a
nova capital federal a partir do anteprojeto de Lucio Costa. Nesse tempo, Oscar
Niemeyer era o chefe do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da empresa.
Nesse momento, começava a instalação do primeiro acampamento da NOVACAP, a
Candangolândia. Niemeyer concluía o projeto da residência presidencial oficial, o
Palácio da Alvorada, obra-prima de Brasília.
76

Figura 50: Palácio da Alvorada, com a capela em fundo.

Fonte: Underwood, 2010, p. 92.

A produção de Niemeyer e sua equipe eram intensas, indo de prédios de


apartamentos, conjunto comerciais, igrejas, hospitais ou cinemas, até imponentes
obras oficiais. Nessas últimas, Niemeyer buscou dar ênfase ao impacto visual – por
vezes com grande êxito, como na Catedral (1958) ou no Palácio do Itamaraty (1962)
–, o que o colocaria na liderança da tendência formalista que dominava o panorama
arquitetônico internacional na época. Seu prestígio, estabelecido ainda em fins da
década de 1930, seria tal que até hoje exerce um monopólio quase absoluto da
'arquitetura federal' de Brasília.

Figura 51: Catedral, a torre dos sinos e o batistério são elementos independentes da construção
principal, as nervuras, originalmente, eram de concreto aparente.

Fonte: Underwood, 2010, p. 102.


77

Figura 52: Ministério das Relações Exteriores (Palácio Itamaraty). Brasília 1962. Niemeyer projetou
arcos curvos com concreto aparente.

Fonte: Underwood, 2010, p. 99.

Figura 53: Eixos, setores e quadras - racionalidade do Plano Piloto.

Fonte: Uol Notícias

Vale ressaltar que a cidade foi projetada para abrigar no máximo, 600 mil
habitantes, mas ocorreu uma verdadeira explosão demográfica antes mesmo de ser
inaugurada. Um grande número de migrantes foram para Brasília atraídos pela
promessa de empregos e uma vida melhor. Essa situação ocasionou uma exclusão
socioespacial, que acabou por marcar Brasília, tal como ocorre em outros espaços
urbanos. Explica Paviani,
78

"A migração intensa em 1958 exigiu que fosse criado o primeiro núcleo
periférico, Taguatinga. Para lá foram transferidos milhares de trabalhadores
que ocupavam as favelas próximas ao Núcleo Bandeirante, construído para
abrigar os operários que construíram a capital. Com a chegada de mais
migrantes, outras 28 regiões administrativas foram estabelecidas ao redor
do centro". (Aldo Paviani)

Brasília encerra ideias importantes, como integrar e modernizar o país e


construir uma nação a partir de um projeto. A capital, contudo, também revela uma
“vontade de nação”. A cidade é portadora de um projeto de país, de uma ideia de
grandeza. Lucio Costa apresentou uma solução clara e simples que resolvia o
programa do concurso. Niemeyer a vestiu com linhas modernas. E, ainda que os
prédios de traços alongados e curvos carreguem imperfeições, dificultem a vida e
pareçam artificiais, a cidade encerra ideais de beleza, inclusão e convivência.
Ambígua, torta, bela e longe da maioria dos brasileiros, Brasília é brasileiríssima.
79

7. O plano urbano para Palmas

No ano de 1988 foi criado o Estado do Tocantins, a partir da divisão do


Estado de Goiás. Após a criação desse estado que ocorreu sobre um forte clamor
popular do Norte Goiano, a cidade de Palmas foi criada na parte central deste novo
Estado. Algumas cidades disputaram para ser a capital do Tocantins, como
Araguaína, Gurupi e Porto Nacional, mas por decisão das autoridades a capital do
Estado deveria ser construída em umas fazendas na Depressão Tocantins. Para a
construção da cidade um plano urbanístico foi criado rapidamente, assim, uma nova
cidade foi planejada em estilo pós-moderno, aos moldes do projeto
desenvolvimentista de Brasília.
O projeto foi realizado aos cuidados da empresa Grupo Quatro, dos arquitetos
Luís Fernando Cruvinel Teixeira e Walfredo Antunes de Oliveira Filho. Eles
desenharam a malha urbana ao longo de dois eixos principais que se cruzam em
formato de cruz. No centro fica uma das obras principais do Plano Diretor, o Palácio
Araguaia que é sede do governo estadual. O plano urbano previu outras construções
de destaque, como a Prefeitura, o Terminal Rodoviário de Palmas e a Orla de
Palmas sendo essa uma grande área de lazer que fica no lago represado pela usina
hidrelétrica que abastece a região.
A malha urbana de Palmas excede a cidade planejada, de modo que
desenvolve particularidades contraditórias entre o planejamento e a gestão, devidas
a atuação impositiva das políticas regionais e da especulação controlada pelo capital
privado. Apresenta uma ocupação urbana desorganizada em áreas que ficam nos
limites do plano e os vazios urbanos opõem-se com a ideia de cidade planejada.

Figura 54: Lançamento da Pedra Fundamental de Palmas.

Fonte: Conexão Tocantins


80

O centro do Estado do Tocantins foi definido para a construção da cidade e


ficava no município de Porto Nacional. Essa localização foi justificada pelo
isolamento que a região padecia desde a crise econômica da produção do ouro e
também devida a baixa ocupação de suas terras. A construção da nova capital,
Palmas, exigia um projeto que pudesse irradiar um novo tempo e o objetivo mais
significativo desse processo estava à formação de um mercado consumidor e
produtor que fosse capaz de proporcionar um parque industrial no Tocantins.
A cidade de Palmas foi a última capital planejada do Brasil no século XX. Seu
projeto apresentou traços arquitetônicos pós-modernos e grandiosas construções
em meio ao cerrado. A capital se transformou no símbolo de “poder” geoeconômico
que nascia no Tocantins e teria que garantir a consolidação do Estado e também o
início de um tempo novo para a política local. Palmas foi uma cidade que nasceu em
meio ao movimento social pró Reforma Urbana, que teve representatividade nos
Artigos 182 e 183 da Constituição Federal de 1988. Mesmo sendo uma cidade
planejada, não escapou da especulação imobiliária e rapidamente, teve seu espaço
transformado pela intervenção política contraditória. Esse fato propiciou ao Estado
mais poder e este passou a controlar a ocupação da cidade, e isso seria positivo se
não tivesse ocorrido a interferência partidária ideológica.
O partido urbanístico de Palmas, se estruturou sobre a proposta de um
sistema viário hierarquizado e orientado pelos pontos cardeais junto a elementos
paisagísticos importante, como a serra do Lajeado a leste, e o rio Tocantins a oeste,
ambos em paralelo ao sítio plano destinado à cidade que por sua vez, setorizam
quadras organizadas de acordo com os usos, além de áreas grandes de
preservação ambiental junto aos córregos que descem da serra em direção ao rio,
acrescentando-se ainda a determinação de algumas diretrizes de planejamento da
ocupação do espaço urbano futuro, voltadas para o controle da expansão e
otimização dos custos relativos à implantação da infraestrutura.
O escritório de arquitetura Grupo Quatro elaborou um documento intitulado de
Memória do Projeto da Capital do Estado do Tocantins: Palmas - Plano Básico e
apresentou nele as principais orientações para a cidade de Palmas, organizado em
três partes diferentes.
81

Figura 55: Croqui esquemático do partido urbanístico de Palmas.

Fonte: Grupo Quatro

A primeira parte do Memorial é nomeada de Referências da Cidade e está


repartida em Origem de Palmas e Cuidados Regionais. No primeiro item, é
apresentada a metodologia utilizada para a seleção da futura área destinada à
formação do tecido urbano da capital e suas vertentes de expansão.
O segundo item ressalta as preocupações com o crescimento da cidade, sua
área rural e seus impactos na rede de cidades já existente no estado, tendo em vista
o favorecimento delas. A segunda parte do documento aborda os Conceitos do
Planejamento, começando com o título Bases do Projeto. Na sequência, aparecem
os temas Horizontes de Povoamento, Relacionamento Ecológico, Factibilidade e
Viabilidade e finaliza com as Etapas e Modos de Implantação.
O próximo item expõem as pesquisas demográficas e as fases de ocupação
de sua malha urbana de modo progressivo, baseado nas duas décadas seguintes ao
estabelecimento da capital. Nesse tempo, passado os autores do plano urbano
acreditavam que Palmas chegaria numa escala metropolitana. O tema
Relacionamento Ecológico demonstra uma inquietação dos arquitetos com os
embates entre criação da cidade e proteção ambiental das áreas de reserva e do
lago. No item Factibilidade e Viabilidade são abordados aspectos relacionados aos
investimentos governamentais e privados para a instalação da capital. No final da
segunda parte, a questão fundiária é tratada sob o ponto de vista público e privada,
juntamente com as fases de ocupação e sua uniformidade.
O partido urbanístico é apresentado na terceira com as justificativas das
decisões do projeto e se atêm especialmente aos princípios que guiaram o desenho
da cidade de Palmas: a) qualidade ambiental; b) viabilidade; c) flexibilidade da
estrutura da hierarquia viária, e ainda as preocupações amplas quanto ao
parcelamento das quadras residenciais.
82

O segundo ponto, aborda os equipamentos e as características sobre seus


usos, e logo depois trata das áreas verdes e da arborização urbana. Essa parte dá
ênfase na distribuição das densidades de acordo com os usos e o zoneamento do
projeto. Na parte sobre a circulação e transporte é apontado os eixos principais de
tráfego: hierarquização do sistema viário em vias perimetrais, avenidas principais,
vias arteriais e vias locais. Os serviços de saneamento básico são sugeridos
conforme a previsão populacional progressiva, através de cálculo sobre
abastecimento de água potável, redes de coleta e tratamento de esgoto, disposição
do lixo e esquema de drenagem pluvial.

Figura 56: Croqui esquemático dos Parques Urbanos de Palmas.

Fonte: Grupo Quatro

Assim, a cidade começou a ser implantada com a rede básica de quadras,


com base nas aberturas das vias arteriais, cada uma delas seria objeto de
parcelamento interno próprio. Aqui, a questão da flexibilidade surge como um ponto
de destaque, pois possibilita uma variação de soluções para cada caso em
específico, e dessa forma engloba os tipos construtivos permitidos para as
edificações: habitações unifamiliar e multifamiliares e residências geminadas,
seriadas ou isoladas, desde que mantivesse a densidade de 300 habitantes por
hectare.
Com relação à parte central das quadras, foram pensados equipamentos
públicos básicos: praças, escolas, centros comunitários e bibliotecas. Foram
destinados os trechos mais ou menos regulares das vias arteriais para o comércio,
83

serviços de caráter vicinal e a afluência de pessoas de maneira mais rápida. Assim,


delineou-se a feição urbanística das quadras tipicamente residenciais, planejadas
como unidades básicas de organização da vida na cidade (SEGAWA, 1991;
TEIXEIRA, 2009).

Figura 57: Zoneamento de Palmas, Plano Diretor.

Fonte: ArqPlant

Os autores do plano definiram o centro da cidade como o primeiro local para


ser adensada, cuja delimitação seria a área compreendida pelos principais eixos
viários estruturadores. Essa fase inicial previa um total de 100 mil habitantes, pois de
acordo com as estimativas dos autores, esse número poderia ocorrer num prazo
entre 5 a 10 anos. Conforme os autores, a tática de ocupação possibilitaria que o
poder público estadual investisse o mínimo em infraestrutura e a iniciativa privada
viabilizasse a maior parte. Assim, passaria por intervenções as quadras localizadas
nos principais eixos viários, sob a responsabilidade do poder público de proporcionar
a ocupação desses espaços oferecendo uma estrutura geral, a partir da construção
das redes de serviços básicos. Dentro dessa ótica, os investidores privados teriam o
direito de comercializar e parcelar os lotes das áreas internas com a implantação de
infraestrutura básica.
De acordo com o Memorial, a concepção urbanística planejada pelos
arquitetos autores do projeto deveria ser antecedida por um ideal que atendesse a
coletividade e o bem estar do Homem. Os autores do planejamento da nova capital
para o Tocantins refutam uma visão de cidade futurista, que deixa a desejar no
sentido verdadeiro de bem-estar do homem em seu habitat e também de como a
cidade geométrica e sua rigidez racionalista seriam uma injunção contra a natureza.
Ao concluir, eles afirmam que “o projeto da futura capital do estado do Tocantins foi,
84

portanto, precedida de outro tipo de sonho: ecológico e humanístico”


(GRUPOQUATRO, 1989, p. 3). Com a finalidade de estruturar as principais
características do plano/projeto de Palmas, segundo seu Memorial, segue abaixo o
quadro-síntese.

Figura 58: Quadro-Síntese do Memorial do Projeto de Palmas.

Fonte: Elaborado por VELASQUES, A. B. A., 2010.

Fica evidenciado que os recursos hídricos e a segurança das matas de


galeria foram aspectos fundamentais para a configuração urbanística do
macrozoneamento e do desenho da cidade. No projeto de Palmas, a bacia
hidrográfica organiza o território e o sítio urbano apresenta limites bem delimitados
pelo Rio Tocantins e pela Serra do Lajeado, insinuava uma planta linear para a
cidade. O rio, o lago artificial e a serra garantiram enquadramento bom do ponto de
vista urbanístico e paisagístico do lugar.
O eixo da rodovia estadual TO-132, atualmente é a TO-010 foi transferido
para o leste, servindo de correspondência com o traçado viário. Dentro do limite da
cota de enchente do futuro lago foi planejada uma via-parque com a previsão de
áreas verdes para lazer e recreação destinadas ao uso público. As matas ciliares
junto aos ribeirões foram preservadas, compondo grandes faixas verdes,
intercalando as quadras destinadas à edificação.
85

Figura 59: Croqui geral da proposta paisagística do Complexo da Praça dos Girassóis.

Fonte: ArqPlant

Entre a rodovia e a via-parque foi projetada a Avenida Joaquim Teotônio


Segurado, via principal da cidade, homenageando o pioneiro da luta regionalista do
Tocantins. A Avenida Juscelino Kubitschek, cruzando com Avenida Teotônio
Segurado, conclui o traçado viário básico da cidade. No cruzamento dessas duas
avenidas grandes foram implantados os principais edifícios públicos do governo
estadual e a Praça dos Girassóis, que simbolizam a cidade. Nesse lugar estão o
Palácio Araguaia, sede do Poder Executivo, o Palácio João d´Abreu, sede do Poder
Legislativo, e o Palácio Feliciano Machado Braga, sede do Poder Judiciário. Em
volta da Praça dos Girassóis foi pensada a localização de usos e atividades urbanas
como bancos, escritórios, clínicas médicas, restaurantes, cinemas e também
edifícios mistos com apartamentos a partir do primeiro andar.
A malha viária ortogonal em xadrez foi pensada pela questão da economia e
por adequar bem ao sítio urbano, garantindo dessa forma simplicidade na
implantação do plano. No eixo da rodovia foi planejada a implantação de comércio
atacadista, indústrias e outras atividades de caráter regional geradores de tráfego de
carga pesada. A Avenida Teotônio Segurado foi delineada para abrigar grandes
equipamentos públicos, comércio e serviços geradores de muito tráfego, como
hospitais, sede da polícia, hotéis, shopping centers, supermercados, edifícios de
apartamentos, etc. Devido ao tipo de uso previsto para esse eixo e sua posição no
86

conjunto do sistema viário da cidade, a Avenida Teotônio Segurado se consolidará


como o tempo como um grande corredor de transporte coletivo de Palmas.

Figura 60: Foto da Cidade de Palmas mostrando áreas executadas

Fonte: ArqPlant

O plano urbanístico poupou a separação excessiva das funções urbanas,


abrindo probabilidades de convívio entre os usos compatíveis, dentro de limites
mínimos de segurança, conforto, bem-estar e conformação da paisagem urbana.
Palmas foi planejada como uma cidade aberta. O plano urbanístico e a maneira que
se deu a sua implantação analisaram que uma cidade, antes de ser um produto
acabado, é um processo sem fim. Um plano de cidade deve ser um conjunto com
significações básicas com relação ao espaço urbano e também com preceitos
mínimos que orientarão sua implantação no tempo.
87

Figura 61: Palmas na atualidade.

Fonte: ArqPlant

Dessa maneira, o projeto de Palmas não pode ser qualificado de modo


superficial como uma possível cópia de Brasília e nem poderia significar uma
possível transição entre a mudança dos períodos – moderno e pós-moderno – que
estavam ocorrendo no mundo capitalista: o fim de uma era e início de outra, se
contrapondo de modo crítico entre as novas correntes do urbanismo contemporâneo
e o modelo modernista de até então. As propostas de correntes novas que surgia,
inclusive no urbanismo, não convergiam para uma continuidade moderna dentro de
outros padrões, mas sim com adequações a um período novo do sistema econômico
capitalista, companheiro incontestável da Modernidade.
88

Conclusão

O presente trabalhou buscou apresentar como o Modernismo estruturou e


guiou a Arquitetura e o Urbanismo no Brasil. Na Europa, o modernismo iniciou com a
criação de projetos privados, sociais ou industriais, e demorou certo tempo para que
fosse empregado em projetos de escala maior e monumental. No Brasil, ocorreu de
modo inverso. A Arquitetura Moderna iniciou com um projeto monumental e
governamental, o Ministério da Educação e Saúde, no Rio de Janeiro. O governo
federal teve um papel significativo no apoio da arquitetura modernista no Brasil e
isso acabou gerando interpretações muitas vezes errôneas que apresenta tanto o
Ministério no Rio quanto o plano urbano de algumas capitais como frutos de regimes
autoritários.
A fase mais exuberante da arquitetura modernista brasileira ocorreu durante
anos de democracia, mesmo que ainda representasse uma elite dentro de uma
sociedade desigual, é muito representativa a arquitetura excepcional que foi
produzida no Brasil. O status quase mítico que Modernismo fez nascer no país
deixou um legado sem precedentes na história brasileira – particularmente no campo
da arquitetura e do urbanismo. Esse modernismo fez com o Brasil lidasse frente a
frente com as verdadeiras questões urbanas e arquitetônicas de suas cidades,
principalmente as capitais.
As seguintes palavras de Niemeyer, certamente idealistas quando as
escreveu em 1958, estão muito mais próximas da realidade: “Os arquitetos devem
ser os elementos ativos no momento que atravessamos, familiarizando-se com os
problemas de nossa época e, principalmente unindo-se de modo decisivo àqueles
que, trabalhando sinceramente para o progresso de nosso país, nos propõem um
programa justo e verdadeiramente baseado nas reivindicações mais essenciais de
nosso povo, capaz de garantir à nossa profissão seu caráter humanitário
indispensável.” Não é de admirar que o modernismo tenha se tornado tradição no
Brasil nos campos da Arquitetura e do Urbanismo.
89

Esse trabalho focará na inserção do conhecimento moderno que se propagou


com a construção da cidade de Brasília, considerada uma das cidades com o maior
acervo deste conceito arquitetônico. A ideia geral pode ser resumida em uma única
palavra “conhecimento”, remetendo ao leitor uma perspectiva da cidade de Brasília.
Engloba uma parte bem mais abrangente que apenas a parte histórica da cidade,
como o meio social em que se encontra a Brasília atual.
90

Referências Bibliográficas

Citações:

CHOAY, Françoise. “O urbanismo”. São Paulo: Perspectiva, 1998.

ANDRADE, M. Arquitetura colonial. Arte em Revista, São Paulo, v. 2, n. 4,


1983.

ANDRADE, Rodrigo F., MAGALHÃES, Beatriz de Almeida. In: CASTRIOTA,


Leonardo, op. cit., p.47. Renata Baesso A ARQUITETURA COMPLEMENTANDO O
TRAÇADO URBANO

LEFEBVRE, Henri. A Revolucao Urbana. 5ªed. MG. Ed UFMG, 1991.

Howard, Ebenezer. Tomorrow: A Peaceful Path to Real Reform. London:


Swan Sonnenschein, 1898. X Encontro Nacional da Anpur | ST5, 6 | Cidade,
planejamento e gestão urbana: história das idéias, das práticas e das
representações.

BENEVOLO, Leonardo. “História da Cidade”. São Paulo: Perspectiva, 2001.

REIS, N. G. Racionalismo e protomodernismo na obra de Vitor Dubugras. São


Paulo: FBSP, 1997.

REIS FILHO, Nestor G. Quadro da arquitetura no Brasil. 8 ed.. São Paulo:


Perspectiva, 1997. _____. Panorama de Belo Horizonte: Atlas histórico. BH:
Fundação João Pinheiro, 1997. _____. Saneamento básico em Belo Horizonte. BH:
Fundação João Pinheiro, 1997.

Reis, C.M. Brasília: espaço, patrimônio e gestão urbana. Brasília: Dissertação


de Mestrado, FAU/UnB, 2001.
91

SEGAWA, Hugo. Palmas, cidade nova, ou apenas uma nova cidade? Revista
Projeto. São Paulo, n. 146, out. 1991.

SEGAWA, H. Arquiteturas no Brasil : 1900-1990. São Paulo: Edusp, 1997.

REZENDE, Vera. “Planos e regulação urbanística: a dimensão normativa das


intervenções na cidade do Rio de Janeiro”. In: OLIVEIRA, Lucia Lippi (Org.). Cidade:
história e desafios. Rio de Janeiro: FGV, 2002. SEGAWA, Hugo. “Palmas, cidade
nova, ou apenas uma nova cidade?” Revista Projeto. São Paulo, n. 146, out. 1991.

BRUAND, I. Arquitetura contemporânea no Brasil. São Paulo: Perspectiva,


1997.

LEME, Maria Cristina da Silva. A formação do pensamento urbanístico no


Brasil: 1895-1965. In: LEME, Maria Cristina da Silva; FERNANDES, Ana; GOMES,
Marco Aurelio Filgueiras (org.) Urbanismo no Brasil 1895-1965. São Paulo: Studio
Nobel/FAU USP/FUPAM, 1999.

VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no


Brasil. In: DEÁK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos (org.) O processo de urbanização
no Brasil. São Paulo: EdUSP, 1999. p. 169 – 243.

PENNA, Octavio. Notas cronológicas de Belo Horizonte. BH: Fundação João


Pinheiro, 1997.

MONTE-MÓR, Roberto L. Belo Horizonte, Capital de Minas, século XXI. Nº18,


set/1 1997 p.475.

CORRÊA LIMA, Attilio. Goiânia. Arquitetura e Urbanismo, ano 2. Rio de


Janeiro, 1937. . ... E assim nasceu uma linda cidade no sertão. Correio da Noite,
4.7.1942, Rio de Janeiro.

GRAEFF, Edgard. Goiânia: 50 anos. Série: Oito vertentes e dois momentos


de síntese da arquitetura brasileira. Brasília: MEC-SESU, 1985.
92

CARPINTERO, Antônio Carlos. Brasília: prática e teoria urbanística no Brasil,


1956-1998. Tese de Doutoramento. São Paulo, USP-FAU, 1998.

HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. São Paulo, Companhia das Letras,
2006.

LE CORBUSIER. A carta de Atenas. Tradução: Rebeca Sherer. São Paulo,


Hucitec/Edusp, 1993, p. 98.

COSTA, Lúcio. Com a palavra, Lúcio Costa. Organização: Maria Elisa Costa. 1ª ed.
Rio de Janeiro: Aeroplano, 2001, p. 58.

COSTA, Lúcio. Registro de uma vivência. São Paulo, Empresa das Artes, 1995, p. 5.

Niemeyer, Oscar. Fala Niemeyer sobre o plano de urbanização. Engenharia


no 209, abr. 1960.

Paviani, Aldo (org.). Brasília: a metrópole em crise. Brasília: EDUnB, 1989.


____. Brasília em questão: ideologia e realidade. São Paulo: Projeto, 1985. ____.
Brasília - gestão urbana: conflitos e cidadania. Brasília: EDUnB, 1999. ____. Brasília:
moradia e exclusão. Brasília: EDUnB, 1996. ____. A conquista da cidade:
movimentos populares em Brasília. Brasília: EDUnB, 1991. ____. Urbanização e
metropolização: a gestão dos conflitos em Brasília. Brasília: EDUnB, 1987.

TEIXEIRA, Luiz Fernando Cruvinel. A formação de Palmas. Revista da UFG.


Goiânia, v. 11, n. 6, p. 91-99, jun. 2009.

VELASQUES, Ana Beatriz. Palmas (1989) e sua condição moderna. 245f.


Tese (Doutorado em Urbanismo), Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de
Janeiro, 2010.

GRUPOQUATRO. “Memorial do projeto da capital do estado do Tocantins:


Palmas/Plano Básico.” Goiânia, 1989 (Mimeog.).
93

COSTA, Lúcio. 1902 – Lúcio Costa: registro de uma vivência. São Paulo:
Empresas das Artes, 1995.

Uso para a escrita do texto e imagens:

Jorge Villavisencio, Arquitecto y Urbanista, graduado en 1980 en la Facultad


de Arquitectura y Urbanísmo - Universidad Catolica de Goias - FAU/UCG.,
Brasil. http://jvillavisencio.blogspot.com.br/2010/08/urbanismo-moderno-no-
brasil.html

(http://www.urbanismobr.org/bd/documentos.php?id=2780 e anexos)

(http://www.hcomparada.historia.ufrj.br/revistahc/artigos/volume006_Num001_
artigo004.pdf)

Fiscalização Integrada BH 2011


http://fiscalintegrado.webnode.com.br/estudando-o-planejamento-urbano-de-bh-
parte-ii-/
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/especial/2010/brasilia-50-
anos/2010/04/20/eixos-setores-e-quadras-entenda-a-racionalidade-do-plano-
piloto.jhtm

Alberto Luiz Schneider


http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/brasilia_50_anos_um_sonho_no_ce
ntro_do_brasil.html
94

PREFEITURA MUNICIPAL DE PALMAS. “Caderno de Revisão do Plano


Diretor”. Palmas: Instituto de Planejamento Urbano de Palmas, 2005. 36 p. REVISTA
PROJETO, n. 146, 1991.

ATTILIO CORRÊA LIMA E O PLANEJAMENTO DE GOIÂNIA – UM MARCO


MODERNO NA CONQUISTA DO SERTÃO BRASILEIRO Patrick Di Almeida Vieira
Arquiteto, Doutorando em Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-
Graduação e Pesquisa da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade
de Brasília.

Renato Saboya http://urbanidades.arq.br/2008/11/urbanismo-e-planejamento-


urbano-no-brasil-1875-a-1992/

http://www.cbpf.br/FISCUL/fimsec.html

http://www.ppge.ufpr.br/teses/teses/D09_larocca3.pdf

nascimento, n.o.; bertrand-krajewski, j.l.; britto, a.l. águas urbanas e


urbanismo na passagem do século xix ao xx
https://www.ufmg.br/revistaufmg/downloads/20/6-
_aguas_urbanas_e_urbanismo_nilo_de_oliveira.pdf

Graziela Rossatto Rubin*Movimento Moderno e habitação social no Brasil


file:///C:/Users/larense/Downloads/10772-53412-1-PB.pdf

Silvio Colin CIAM. O Movimento Moderno na Academia


https://coisasdaarquitetura.wordpress.com/2010/07/28/ciam-o-movimento-moderno-
na-academia/

O Desenho da Cidade: o Movimento Moderno e as propostas de uma nova


forma urbana entre 1920 e 1960 Eloísa Petti Pinheiro
95

http://unuhospedagem.com.br/revista/rbeur/index.php/shcu/article/viewFile/1090/106
5

O CONJUNTO PEDREGULHO E ALGUMAS RELAÇÕES COMPOSITIVAS *


THE “CONJUNTO PEDREGULHO” AND SOME COMPOSITIVE RELATIONS Rafael
Spindler da Silva file:///C:/Users/larense/Downloads/776-2558-1-PB.pdf

Célia Helena Castro Gonsales/ Grazielli Bruno Bellorio


https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-
instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=As+novas+propostas+do+Urbanismo+Moderno

ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA, DOS PIONEIROS A BRASÍLIA


(1925-1960) MARIA DA GRAÇA SANTOS Professora - Arquitetura e Urbanismo -
UnicenP/Centro Universitário Positivo mariargs@gmail.com
http://www.up.edu.br/davinci/3/304_arquitetura_moderna_brasileira.pdf

http://www.archdaily.com.br/br/783522/classicos-da-arquitetura-unidade-de-
habitacao-le-corbusier Kroll, Andrew. "Clássicos da Arquitetura: Unite d' Habitation
/ Le Corbusier" [AD Classics: Unite d' Habitation / Le Corbusier] 14 Mar
2016. ArchDaily Brasil. (Trad. Souza, Eduardo) Acessado 9 Nov 2016.
<http://www.archdaily.com.br/br/783522/classicos-da-arquitetura-unidade-de-
habitacao-le-corbusier>

Luís Henrique Haas Luccas é professor adjunto da Faculdade de Arquitetura


da UFRGS e autor da Tese Doutoral intitulada “Arquitetura moderna brasileira em
Porto Alegre: sob o mito do gênio artístico nacional", defendida no PROPAR-
UFRGS. http://www.vitruvius.com.br/revistas/read/arquitextos/06.063/437

Pedro Jorgensen Jr., arquiteto e urbanista pela FAU-UFRJ, MSc em


Engenharia de Transportes pelo PET/COPPE-UFRJ, especializado em Políticas do
Solo Urbano pelo Lincoln Institute of Land Policy
http://abeiradourbanismo.blogspot.com.br/2013/11/pequeno-inventario-de-grandes-
projetos.html
96

AZEVEDO, P. O. D. Diógenes Rebouças: um pioneiro modernista baiano. In:


CARDOSO, L. A. F. (Org.). Discutindo o modernismo. Salvador: Mestrado em
Arquitetura e Urbanismo da UFBA, 1997. BARDI, P. M. Arte no Brasil. São Paulo:
Abril Cultural, 1982.

CAVALCANTI, L. Le Corbusier, o Estado Novo e a formação da arquitetura


moderna brasileira. Projeto, São Paulo,n.102, p. 161-3, ago. 1987.

KUBITSCHEK, J. De Pampulha a Brasília. Revista Módulo, Rio de Janeiro, n.


41, p. 15-9, dez. 1975.

ALVARES, Geraldo Teixeira. A Luta na Epopéia de Goiânia: Uma Obra da


Engenharia Nacional. Rio de Janeiro: Oficina Gráfica do Jornal do Brasil, 1942.
MAIA, Francisco Prestes. O plano regional de Santos. São Paulo: Prefeitura
Municipal, 1950.

O PROJETO ORIGINAL DE GOIÂNIA Tânia Daher1


http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/junho2009/projetooriginal.pdf

BELTRÃO SPOSITO, Maria Encarnação. Espaços urbanos: territorialidades e


representações. In: SPOSITO, Eliseu S. Dinâmicas econômicas, poder e novas
territorialidades. Presidente Prudente: UNESP/FCT: GAsPERR, 1999. p. 13 – 29.
______________. Reflexões sobre a natureza da segregação espacial nas cidades
contemporâneas. In: Revista de Geografia. Dourados: AGB, 1996. p.71 – 85.
______________. O centro e as formas de expressão da centralidade urbana. In:
Revista de Geografia, v. 10, Presidente prudente: UNESP, 1991. p. 1- 18.

BRITO, Eliseu P. de. Planejamento, especulação imobiliária e vazios urbanos


na última cidade planejada do Brasil no século XX. In: X Encontro de Geógrafos da
América Latina, 2007, Bogotá – Colômbia. Anais, Bogotá – Colômbia, 2007.
_______________. Plano Diretor e o processo de ocupação do espaço urbano de
97

Palmas - Tocantins. In: XXIII Semana de Geografia da Universidade Estadual de


Londrina e II Seminário Temático de Geografia do Norte do Paraná, Londrina, 2007.
Anais, Londrina, 2007. _______________. Reprodução espacial da última cidade
planejada na Amazônia brasileira do século XX, Palmas Tocantins. In: VII ENGETO,
Araguaína, 2006. Anais, Araguaína-TO: UFT, 2006. _______________. A (Re)
Produção do Espaço Urbano de Palmas. Monografia (Bacharelado em Geografia).
Porto Nacional: Universidade Federal do Tocantins, 2005.

CORRÊA, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. São Paulo: Hucitec, 1989.

MONTESSORO, Cláudia Cristina Lopes. Centralidade Urbana e Comércio


Informal: Os Novos Espaços de Consumo no Centro de Anápolis-Go. Tese
(Doutorado em Geografia). Presidente Prudente: UNESP, 2006.

SANTOS, Milton. A Natureza do espaço: técnica e tempo/razão e emoção.


São Paulo: Hucitec, 1996. _______________. Da Totalidade ao Lugar. São Paulo:
EDUSP, 2005. (Coleção Milton Santos).

Malagutti, Cecília Juno. Loteamentos clandestinos no DF: legalização ou


exclusão? Brasília: Dissertação de Mestrado, FAU/UnB, 1996.

ALLEN, Katherine. "Em foco: Le Corbusier". Disponível em:


<http://www.archdaily.com.br/144526/em-foco-le-corbusier> Acessado 08 Mai 2015.

ARQUITETURA MODERNA BRASILEIRA, DOS PIONEIROS A BRASÍLIA (1925-


1960. Curitiba: UnicenP/Centro Universitário Positivo, 2006

BRAGA, Aline Moraes Costa. (Im)Possíveis Brasílias: Os Projetos Apresentados no


Concurso do Plano Piloto da Nova Capital Federal. São Paulo: Alameda, 2011. 402
p.: il.
98

ROMULLO, Baratto. "Oscar Niemeyer [1907 - 2012]" Disponível em:


<http://www.archdaily.com.br/br/759030/biografia-oscar-niemeyer-1907-2012>
Acessado 08 Mai 2015.

Francisco Lauande é arquiteto. Formado pela Faculdade de Arquitetura e


Urbanismo, da Universidade de Brasília (1987). Tem curso de pós-graduação em
Sistemas de Construção pela Universidade Metropolitana de Tóquio. Foi membro do
Conselho Fiscal do IAB-DF e Diretor Cultural do IAB-DF. Foi o responsável pela
organização da III Bienal de Arquitetura de Brasília (2001). Foi professor da
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UNIP, campus Brasília. É aluno do curso
de mestrado em Teoria e História da Arquitetura, na Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo da Universidade de Brasília (orientado pelo Professor Antônio Carlos
Carpintero).

Alberto Luiz Schneider


http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/brasilia_50_anos_um_sonho_no_ce
ntro_do_brasil.html

ISIS NÓBILE – Entenda a racionalidade do Plano Piloto


http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/especial/2010/brasilia-50-
anos/2010/04/20/eixos-setores-e-quadras-entenda-a-racionalidade-do-plano-
piloto.jhtm

VILLAÇA, Flávio. Uma contribuição para a história do planejamento urbano no


Brasil. In: DÉAK, Csaba; SCHIFFER, Sueli Ramos (Org.). O processo de
urbanização no Brasil. São Paulo: EdUSP, p. 169-243, 1999.

FELIPE LUCENA HTTP://DIARIODORIO.COM/HISTORIA-DO-


PEDREGULHO-CONJUNTO-RESIDENCIAL-PREFEITO-MENDES-DE-MORAES/
99

UNDERWOOD, David. Oscar Niemeyer e o modernismo de formas livres no Brasil,


Título original: Oscar Niemeyer and Brazilian Free-form Modernism, trad: Betina
Bischof. São Paulo: Cosac Naify, 2010. 160 pp., 86 ils.