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AGROECOLOGIA E SUA EPISTEMOLOGIA

Ricardo Serra Borsatto e Maristela Simões Do Carmo

RESUMO

No escopo do presente trabalho a Agroecologia é consi- plinar para fazer frente à crise socioambiental vivenciada atual-
derada uma ciência que demanda e busca uma epistemologia mente no meio rural. Ao fim, aponta que a teoria do pensamen-
diferenciada das utilizadas pelas ciências convencionais para to complexo, proposta por Edgar Morin, pode se constituir em
construir suas abordagens metodológicas. Dentro desse contexto um interessante arcabouço filosófico onde a Agroecologia pode
apresenta-se o resultado de um esforço teórico no sentido de se assentar com o objetivo de estabelecer um novo paradigma
sistematizar o estado da arte dos debates sobre esse tema. Iden- para se abordar o desenvolvimento do meio rural.
tifica que a Agroecologia demanda uma abordagem transdisci-

Introdução A Agroecologia emerge em ação sobre a realidade que vai ram esse esforço (Gomes e Ro-
um contexto de crise socioam- além desse campo. senstein, 2000; Guzman Casado
Nos últimos anos, em espe- biental que tem afetado a susten- Aqui, como ponto de partida, et al., 2000; Hecht, 2002; Leff,
cial na América Latina, a tabilidade do planeta, fato que, adota-se que a Agroecologia 2002b; Norgaard e Sikor, 2002;
Agroecologia tem se consolida- por sua vez, abre espaço para o pertence também ao campo Sevilla Guzmán, 2002; Dalgaard
do como um campo científico e questionamento da racionalidade científico, não negando que ela et al., 2003; Gomes 2005; Ruiz-
acadêmico. Isso pode ser perce- econômica e tecnológica domi- possa pertencer a outros campos -Rosado, 2006; Sicard, 2009;
bido pelo aumento da oferta de nante. Esta problemática socio- (Wezel et al., 2009). Essa deci- Floriani e Floriani, 2010). Deste
cursos de graduação e pós- ambiental tem levado a socieda- são é corroborada por diferentes modo, o empenho aqui empre-
-graduação, bem como pelo de a internalizar novos valores e autores expoentes que versam endido é mais no sentido de or-
crescente número de publica- princípios epistemológicos que sobre Agroecologia, consideran- ganizar e articular essas diferen-
ções científicas que se apro- orientem a construção de uma do-a como uma ciência emer- tes contribuições.
priam desse termo. nova racionalidade produtiva, gente, ainda em processo de
Dentro desse contexto, a re- sobre bases de sustentabilidade construção e organização (Altie- A Epistemologia Dominante
flexão teórica adiante apresen- ecológica e equidade social ri, 2004; Caporal e Costabeber, Como Causa da Crise
tada justifica-se por a Agroeco- (Leff, 2002a). 2004a; Gliessman, 2005; Gomes,
logia ser um campo de estudos Sendo assim, a presente crise 2005; Caporal, 2008; Salas-Za- Para Leff (2002a) a episte-
relativamente novo, que utiliza socioambiental contribui para o pata et al., 2011). mologia, mais que um projeto
abordagens metodológicas dife- questionamento dos paradigmas Partindo do pressuposto de com a finalidade de apreender
renciadas para a conformação estabelecidos e demanda novas que a Agroecologia pertence um objeto de conhecimento, é
de seus conhecimentos. Kuhn abordagens com capacidade de também ao campo científico e um trajeto para chegar a saber
(2005) já havia diagnosticado orientar um processo de cons- vem constituindo, dentro desse, o que é a realidade que vai ser
que quando novos campos de trução de saberes que permi- um sub-campo específico que estudada.
estudo começam a aparecer, tam enfrentá-la. A Agroecolo- questiona grande parte dos para- A Agroecologia emerge no
seus pesquisadores se dedicam gia se propõe a ser uma dessas digmas dominantes, se faz fun- campo cientifico como uma res-
a teorizá-lo a fim de justificar abordagens. damental a construção de uma posta à crise socioambiental que
as suas novas abordagens. Ainda existe um debate em epistemologia sólida para esse o mundo rural vem atravessan-
Assim, esse texto se estabe- aberto se as abordagens realiza- novo sub-campo, para que o do, para a qual as disciplinas
lece no campo da Epistemolo- das pela Agroecologia devem mesmo não seja renegado e des- convencionais não conseguem
gia e busca sistematizar e evi- pertencer ao campo da ciência, truído pelo campo maior (ciên- encontrar respostas; mais do que
denciar, por meio da revisão da ou se por suas características cia) no qual está inserido. isso, se percebe que foram essas
obra dos principais pesquisado- epistemológicas distintas das Propõe-se aqui contribuir na mesmas disciplinas que contri-
res da área, o estado da arte do dominantes nesse campo, ela consolidação dessa base episte- buíram para o fomento da crise.
debate de como a Agroecologia deveria ser considerada como mológica. É importante ressaltar Deste modo, a Agroecologia in-
gera os seus conhecimentos um processo de compreensão/ que diversos autores já realiza- terroga os paradigmas científicos

PALAVRAS CHAVE / Agroecologia / Crise Socioambiental / Desenvolvimento Rural Sustentável / Epistemologia / Pensamento
Complexo / Transdisciplinaridade /
Recebido: 09/12/2011. Modificado: 06/09/2012. Aceito: 19/09/2012.

Ricardo Serra Borsatto. Doutor (UNICAMP), Brasil. Professor, CEP: 18205-600. e-mail: ricar- cas. Professora, Universidade
em Planejamento e Desenvolvi- FATEC-Itapetininga. Endereço: do.borsatto@fatec.sp.gov.br Estadual Paulista e UNICAMP,
mento Rural Sustentável, Uni- Rua Dr. João Vieira de Camar- Maristela Simões do Carmo. Brasil. e-mail: stella@feagri.
versidade Estadual de Campinas go, 104 - Itapetininga - SP - Doutora em Ciências Econômi- unicamp.br

SEP 2012, VOL. 37 Nº 9 0378-1844/12/09/000-07 $ 3.00/0 711


AGROECOLOGY´S EPISTEMOLOGY
Ricardo Serra Borsatto and Maristela Simões Do Carmo
SUMMARY
In the scope of this work Agroecology is considered as a quires a transdisciplinary approach to deal with the socio-envi-
science that demands and seeks a different epistemology from ronmental crisis currently experienced in the rural environment.
that used by conventional science in order to build its methodo- At the end, it is indicated that the theory of complex thinking,
logical approaches. Within this context, this paper presents the proposed by Edgar Morin, can constitute an interesting philoso-
results of a theoretical effort to systematize the state of the art phical framework wherein Agroecology can be based with the aim
of the debate on this subject. It establishes that Agroecology re- of establishing a new paradigm for addressing rural areas.

LA AGROECOLOGÍA Y SU EPISTEMOLOGÍA
Ricardo Serra Borsatto y Maristela Simões Do Carmo
RESUMEN
En el ámbito de este trabajo se considera a la Agroecología la Agroecología requiere un abordaje transdisciplinario para ha-
como una ciencia que exige y busca una epistemología diferente cer frente a la crisis socio-ambiental actual del medio rural. Al
a las utilizadas por las ciencias convencionales para construir final, se indica que la teoría del pensamiento complejo, propuesta
sus enfoques metodológicos. Dentro de este contexto se presenta por Edgar Morin, puede constituir un interesante marco filosófi-
el resultado de un esfuerzo teórico con el fin de sistematizar el co donde la Agroecología puede basarse con el objetivo de esta-
estado del arte de los debates sobre este tema. Se establece que blecer un nuevo paradigma para abordar el medio rural.

em que se apoiam as ciências tornaram-se o paradigma da nhecimento tivesse valor e acei- vada desse processo de ‘Agroe-
convencionais, requerendo um ciência. Sendo assim, um co- tação científica, ele teria que cologia Dura’ (Dalgaard et al.,
questionamento epistemológico. nhecimento passou a ser consi- possuir uma explicação matemá- 2003), enquanto outros de
Discutir sua base epistemoló- derado científico, quando se tica e ser reproduzível (Leff, ‘Agroecologia Fraca’ (Guzmán
gica e as consequências das utilizava métodos rigorosos, o 2002a). Casado et al., 2000).
pesquisas derivadas desta ma- que permitiu que se atingisse As ciências agrárias absorve- Nessa primeira fase, a Agro-
neira de abordar o universo é um tipo de conhecimento siste- ram em seu âmago essa forma ecologia emerge como um enfo-
fundamental para que a Agroe- mático, preciso e considerado de enxergar o mundo, a qual, se que pluridisciplinar ainda restri-
cologia, enquanto ciência emer- objetivo. por um lado contribuiu significa- to, que buscou na Ecologia suas
gente, consiga atender ao seu Essa abordagem científica tivamente para o aumento da abordagens metodológicas para
objetivo de gerar conhecimentos teve sua base filosófica e meto- produtividade agrícola, por outro fazer frente aos problemas vi-
destinados “a apoiar e dar sus- dológica elaborada por Descar- fomentou a crise socioambiental venciados no campo das ciên-
tentação à transição dos atuais tes (1596-1650), no seu livro vivenciada no meio rural, o que cias agrárias, principalmente no
modelos de desenvolvimento Discurso do Método: Para Bem demonstra a insustentabilidade referente à sua abordagem sistê-
rural e de agricultura conven- Conduzir a Própria Razão e do modelo de desenvolvimento mica do meio ambiente.
cionais para estilos de desenvol- Procurar a Verdade nas Ciên- oriundo dela. Ao incorporar a abordagem
vimento rural e de agriculturas cias. Este livro converteu-se no Observa-se então, que as solu- sistêmica aos estudos das cultu-
sustentáveis.” (Caporal e Costa- libelo revolucionário de liberta- ções para a crise devem partir ras agrícolas, surge o conceito
beber, 2004b, p. 95). ção da escolástica, principal- de uma revisão epistemológica. de agroecossistema, considerado
Evita-se assim, que na busca mente por sua proposta de se- A questão que se coloca é: qual como a unidade fundamental de
de saídas para a crise socioam- parar o sujeito pensante (ego epistemologia pode substituir a análise pela Agroecologia
biental presente no rural, se cogitans) e a coisa extensa (res anterior para a construção de (Gliessman, 2005).
utilize das mesmas ferramentas extensa), isto é, separou a filo- novos paradigmas para abordar Porém, alguns pesquisadores
responsáveis por esta crise (Go- sofia da ciência, e colocou as questões agrárias? identificaram os limites dessa
mes, 2005). como verdade as ideias ‘claras abordagem, que apesar de tentar
Guzmán Casado et al. (2000) e distintas’ (Descartes, 2002). O Caminho Epistemológico superar alguns paradigmas da
e Norgaard e Sikor (2002) ex- Como consequência dessa da Agroecologia ciência convencional, tal qual o
planam que a base epistemológi- epistemologia, o método experi- reducionismo cartesiano, por
ca da ciência convencional está mental surgiu como a ponte de A Agroecologia, desde a sua outro lado se mantinha ainda
assentada no atomismo, meca- união dos diferentes níveis de emergência no campo científico, dominada pelo positivismo e
nismo, universalismo, objetivis- conhecimento e como legitima- tem buscado uma resposta para pelo empirismo.
mo e monismo. ção de todo o conhecimento essa questão. Já era uma evolução, mas não
A epistemologia dominante para um fim prático. A ciência As primeiras respostas se ca- ainda a demandada para enfren-
no campo científico tem a sua fundiu-se com a tecnologia, re- racterizaram ainda por não rom- tar a crise socioambiental. “Há
gestação durante o Renasci- duzindo o conhecimento real a per radicalmente com a episte- um interesse geral em reintegrar
mento, onde a observação ins- simplesmente o saber de como mologia dominante nas ciências uma racionalidade ecológica à
trumentalizada da natureza e a transformar, dominar e controlar convencionais. Alguns autores produção agrícola, e em fazer
experimentação de hipóteses objetos reais. Para que um co- qualificam a Agroecologia deri- ajustes mais abrangentes na agri-

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cultura convencional, para torná- resto da sociedade por meio dos de coevolução entre seres hu- habrán de frenar selectivamente
-la ambiental, social e economi- sistemas agroalimentares. manos e natureza, o que signi- el desarrollo actual de las fuer-
camente viável. Muitos avanços Propostas epistemológicas fica dizer, como explica Norga- zas productivas para contener
tecnológicos estão sendo intro- interessantes para essa integra- ard (1987), que existe uma in- las formas degradantes de pro-
duzidos, mas há, ainda, muito ção interdisciplinar foram e con- trínseca relação entre esses dois ducción y consumo que han
destaque para os aspectos tecno- tinuam a ser construídas, como componentes. generado la crisis ecológica. Y,
lógicos. O foco é a substituição podem ser encontradas nos tra- O impacto epistemológico por otro lado, tal necesario ma-
de insumos... Este enfoque não balhos de Hecht (2002) e de para a Agroecologia dessa pro- nejo ecológico de los recursos
atinge, no entanto, as causas Guadarrama Zugasti (2007); posta é de fundamental impor- naturales, tendrá igualmente,
ecológicas dos problemas am- inclusive incorporando críticas tância, pois como aludem Nor- una fuerte dimensión local
bientais na agricultura moder- aos limites do pensamento sistê- gaard e Sikor (2002), se faz ne- como portadora de un potencial
na... Para serem eficazes, as es- mico, evidenciando as suas defi- cessária uma abertura epistemo- endógeno, que, a través del co-
tratégias de desenvolvimento ciências e com proposições au- lógica capaz de introspectar os nocimiento campesino (local o
devem incorporar não somente tênticas, com profundidade epis- saberes camponeses. Esses auto- indígena, allá donde pueda aun
dimensões ecológicas, mas tam- temológica, como as presentes res propõem que os agroecólo- existir), permita la potenciación
bém questões sociais e econômi- no trabalho de Bland e Bell gos devem assumir uma postura de la biodiversidad ecológica y
cas.” (Altieri, 2004, p. 16-17) (2007). Porém uma característi- de reconhecer que as comunida- sociocultural y el diseño de sis-
Como pode ser observado ca comum dessas propostas é des tradicionais possuem impor- temas de agricultura sostenible.”
nessa crítica, a Agroecologia que elas ainda mantêm uma re- tantes saberes em relação ao (grifos no original).
reivindica um saber mais inter- lação sujeito-objeto entre o pes- agroecossistema, que a ciência Verifica-se nessa definição,
disciplinar, que abarque formas quisador e o problema estudado, até então não vinha conseguindo que os agricultores são posicio-
de gerar conhecimentos oriundas a geração do conhecimento ain- incorporar. nados no centro das estratégias
das ciências humanas e sociais. da é uma exclusividade da ins- Assumir essa postura gera de ação da Agroecologia, rom-
A fenomenologia, as abordagens tituição de pesquisa. outro impacto de grande enver- pe-se radicalmente com a dico-
históricas, a dialética, a etnogra- Apesar de evidenciar um gadura epistemológica no campo tomia sujeito/objeto, ademais se
fia e diversos outros instrumen- avanço nos debates epistemoló- científico, pois admitir que entre enfrenta também o problema da
tais metodológicos dessas ciên- gicos, esse modo de praticar a os camponeses existem saberes heterogeneidade por meio da
cias são incorporados à episte- Agroecologia ainda a mantém importantes, implica em aceitar valorização do local como porta-
mologia da Agroecologia. atada a um dos fundamentos a existência de uma grande dor de um potencial endógeno.
“…la Agroecología reivindica epistemológicos das ciências quantidade de possibilidades que Agora, a partir do local, passa-se
la necesaria unidad entre las convencionais. A herança positi- variam em função de questões a gerar conhecimentos que po-
distintas ciencias naturales entre vista ainda é um nó que precisa geográficas e culturais. Se a ci- dem ser ou não extrapolados
sí y con las ciencias sociales ser desatado, isto é, ainda falta ência convencional busca um para o global, não mais ao con-
para comprender las interaccio- assumir que a Agroecologia é único caminho para explicar a trário, quando se buscava encon-
nes existentes entre procesos somente mais uma forma de ver realidade, a Agroecologia terá de trar uma teoria geral para tudo,
agronómicos, económicos y so- o mundo, é somente mais uma assumir a complexidade do real que abarcasse todas as realida-
ciales; reivindica, en fin, la vin- forma de saber. na busca desses caminhos. Em des, sempre na busca de uma
culación esencial que existe en- Essa ruptura é a mais difícil suma, ela deve assumir sua in- homogeneidade inexistente em
tre el suelo, la planta, el animal de ser realizada, pois ela impli- capacidade de desenvolver um sistemas socioambientais e cultu-
y el ser humano.” (Guzmán Ca- ca em aceitar que saberes consi- modelo, ou um pacote de inter- rais. O diferente e o único pas-
sado et al., 2000, p. 85). derados como válidos e verda- venções homogêneas. As solu- sam a ter valor.
Por suposto, que esse proces- deiros não estão somente cir- ções estão diretamente relaciona- Derivado desta visão, a Agro-
so de intercambio paradigmático cunscritos ao campo científico, das com a heterogeneidade do ecologia não considera os agri-
não é fácil, mas os pesquisado- mas também estão presentes em rural mundial. cultores como objeto de estudo,
res que se identificam com o outros campos; reconhecer que A partir da necessidade de e sim como sujeitos participantes
campo da Agroecologia, aceitam a busca de soluções para a crise valorizar o conhecimento local da sistematização e concepção
essa possibilidade e se esforçam também está sendo realizada (caracterizado pelo sentir e fa- de novos conhecimentos que
nesse processo. por outros agentes sociais. Mais zer) e colocá-lo em pé de igual- visem a construção de um rural
Dalgaard et al. (2003), bem do que isso, assumir que os sa- dade com o conhecimento cien- mais sustentável.
como Wezel et al. (2009), apon- beres oriundos de outros cam- tífico (caracterizado pelo com- Outro ponto a ser destacado
tam que além de incorporar a pos além do científico, possuem preender racionalmente) erige a se refere à proposição conflitivis-
epistemologia de uma grande a mesma relevância do conheci- definição de Agroecologia de ta ensejada nessa proposta, já
variedade de disciplinas, a mento científico. Sevilla Guzmán (2006, p. 223): que a Agroecologia identifica o
Agroecologia possui outro desa- Ao superar essa última bar- “...definimos la Agroecología paradigma vigente do positivis-
fio, já que sua abordagem se reira epistemológica, a Agroeco- como el manejo ecológico de mo como uma das causas da
propõe a trabalhar em diferentes logia assume uma postura trans- los recursos naturales a través crise socioambiental e se dispõe
escalas. As escalas vão desde disciplinar, sendo mais do que a de formas de acción colectiva a combatê-lo.
uma dimensão mais técnica- união de diferentes pesquisado- para el establecimiento de siste-
-agronômica relacionada às res, ou de diferentes disciplinas, mas de control participativo y Consolidando uma
questões de produção, passando vindo a ser a união de diferen- democrático, en los ámbitos de Epistemologia para a
para uma abordagem em nível tes saberes. la producción y circulación. La Agroecologia
de agroecossistema onde as re- A exigência dessa postura estrategia teórica y metodológica
lações homem-natureza ganham passou a ser demandada a par- así elaborada tendrá, además; Até o momento explanou-se
relevância, atingindo uma esca- tir do momento em que se per- por un lado, una naturaleza sobre as questões epistemológi-
la maior que envolve as rela- cebeu que os agroecossistemas sistémica y un enfoque holístico, cas que a Agroecologia vem
ções dos agricultores com o são resultados de um processo ya que tales formas de manejo enfrentando. Na Tabla I é apre-

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sentada uma síntese das princi- TABLA I
pais características epistemológi- CARACTERÍSTICAS NECESSÁRIAS A UMA EPISTEMOLOGIA DA AGROECOLOGIA
cas que as pesquisas em Agroe- Abordagem sistêmica Relacionar as partes com o todo e o todo com as
cologia têm demandado. partes.
Diversos autores têm se de- Abordagem multidimensional Relacionar diferentes níveis da realidade. Perceber as
bruçado sobre o desafio de con- propriedades emergentes dos sistemas.
solidar uma base epistemológica Abordagem contextualizadora A parte pertence e é resultado de um contexto, assim
para a Agroecologia. Nesse sen- como o contexto é influenciado e constituído pelas
tido um aporte significativo foi partes.
elaborado por Leff (2007) em Aceitação da heterogeneidade Cada lócus tem características singulares.
sua proposta de epistemologia Aceitação da complexidade Impossibilidade de um conhecimento total da
ambiental, com vistas à constru- realidade.
ção de um saber ambiental que Aceitação de que o novo sempre pode surgir.
consiga colocar em comunica- Aceitação de diferentes formas de saber Existem conhecimentos relevantes que o campo
ção o método científico e a ra- cientifico é incapaz de compreender.
cionalidade econômica com os Aceitação de sua incapacidade de compreender A Agroecologia é somente mais uma forma de
saberes populares; a ética com o a totalidade enxergar o mundo.
conhecimento; que busca estabe- Ser interdisciplinar Aceitar e articular conhecimentos, aportes
lecer uma base epistemológica metodológicos e epistemológicos de diferentes
para a articulação teórica das disciplinas ou campos de estudo, e ao mesmo tempo
ciências, abrindo o conhecimen- estar aberta para se modificar.
to até um diálogo de saberes Romper com a dicotomia sujeito/objeto Participação na conformação de seus saberes das
(Leff, 2007). Para sua elabora- pessoas vinculadas ao agroecossistema.
ção teórica, Leff parte do ques- Possuir objetivos de transformação social Impossibilidade da neutralidade.
tionamento das teorias e meto- A Agroecologia não se propõe apenas a analisar a
dologias sistêmicas, já que em realidade, e sim à construção de estratégias na busca
de um rural mais sustentável.
sua opinião as mesmas não
rompem a dicotomia sujeito/ob- Elaborado a partir da sistematização das diferentes fontes citadas no texto.
jeto, deste modo questiona a
interdisciplinaridade. Propõe a
construção de uma nova racio- ambiental não está orientado res. Deste modo, propõe a ne- hegemônica do mundo.” (Sousa
nalidade social, que aceite os em estabelecer um vínculo en- cessidade de um novo compro- Santos, 2009, p. 28-29).
limites da ciência e que se abra tre o conceito e o real; de for- misso social para os pesquisado- Para permitir percepção das
à incerteza e ao risco, à diversi- ma que o saber ambiental res desse campo. ausências, Sousa Santos (2009)
dade e à diferença. emerge fora do logos científico. Alimonda (2006) corrobora propõe cinco ecologias, que po-
Assim, o saber ambiental, não Por sua vez, Gomes e Ro- esse ponto de vista e alerta que deriam inverter essa situação e
geraria somente um conheci- senstein (2000) propõem um a Agroecologia deve manter criar a possibilidade de que as
mento científico mais complexo pluralismo epistemológico e uma vigilância reflexiva sobre a experiências ausentes se tornem
e objetivo, produziria também metodológico, que significa a sua própria prática, de forma a presentes: a ecologia dos sabe-
novas significações sociais, no- utilização de diferentes episte- evitar que se cristalize em um res, onde o saber científico não
vas formas de subjetividades e mologias e metodologias para as saber técnico, auto-referente e é mais uma monocultura e sim
de posicionamentos políticos abordagens agroecológicas, em isolado das demandas e necessi- parte de uma ecologia mais am-
perante o mundo. outras palavras, uma abertura dades sociais. pla, na qual dialoga com o saber
Em suma, propõe que a ciên- metodológica e epistemológica. Apesar de a proposta de plu- laico, com o saber popular, com
cia convencional assuma a sua Com isso não negam a impor- ralismo epistemológico e meto- o saber dos indígenas, com o
incapacidade de enfrentar a tância dos paradigmas vigentes dológico permitir o avanço no saber das populações urbanas
complexidade do real e que se na ciência convencional, mas debate epistemológico da Agro- marginais, com o saber campo-
abra a um diálogo de saberes, identificam que esses são insufi- ecologia, como aponta o próprio nês; a ecologia das temporalida-
buscando entender as vias de cientes para a Agroecologia. Gomes (2005, p.89): “a articula- des; onde se assume a existência
complexificação do real e, a Gomes (2005) expõe que a ção de conhecimentos oriundos de um tempo linear, mas que
partir deste ponto, abrir novas Agroecologia deve caminhar de bases epistemológicas dife- também existem outros; a ecolo-
vias para o saber, no sentido da para pautas temáticas ao invés rentes não é assim uma coisa gia do reconhecimento; que se
reapropriação do mundo. de disciplinarias. O autor ainda tão fácil.” baseia em um processo de acei-
Muitas das propostas de Leff acrescenta que um ponto a ser Outra proposição que contri- tação das diferenças, mas que
são absorvidas pelos agroecólo- destacado na proposta de plura- bui para esse debate vem da estas não são oriundas de uma
gos, principalmente no concer- lismo epistemológico é que o crítica proferida por Sousa San- hierarquia preconcebida; a ecolo-
nente ao diálogo de saberes, paradigma oriundo dessa, obriga tos (2009), com a sua teoria da gia da transescala; que se cons-
porém ele deixa claro que a o agroecólogo a ter em mente ‘Sociologia das ausências’, que titui na possibilidade de articular
sua proposição epistemológica que a escolha da metodologia ele define como, “...um procedi- as escalas locais, nacionais e
não é formulada para o campo influencia o resultado obtido, mento transgressivo, uma socio- globais, desenvolver a capacida-
científico, “...la transición hacia isto é, se faz necessário esque- logia insurgente para tentar mos- de de trabalhar e ver através
una racionalidad ambiental no cer a busca da objetividade e da trar que o que não existe é pro- dessas escalas; e a ecologia das
podría operarse como un cam- neutralidade. Alerta que sempre duzido ativamente como não- produtividades; isto é a recupe-
bio de paradigma dentro del há alternativas em cada fase do -existente, como uma alternativa ração e valorização dos sistemas
mismo orden científico.” (Leff, processo, e a escolha de uma não-crível, como uma alternativa alternativos de produção, das
2007, p. 35), já que o saber delas é opção dos pesquisado- descartável, invisível à realidade organizações econômicas popu-

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lares, das cooperativas operárias, ciplinar da realidade (Nico- mentos desunidos, fraciona os pugna que se enfrente a confu-
da economia solidária, isto é, lescu, 2005). A obra de Morin problemas e unidimensionaliza o são, a solidariedade dos fenôme-
assumir que nem tudo deve vi- se caracteriza por sua profundi- multidimensional. Mesmo quan- nos, a bruma, a incerteza, a
sar à maximização produtiva. dade epistemológica e alguns do tenta reuni-los novamente, contradição. É importante ressal-
Verifica-se na elaboração de autores têm proposto que a deixa lacunas enormes. tar que a Teoria do Pensamento
Sousa Santos uma importante Agroecologia poderia se utili- Nesse sentido Morin (2001b) Complexo não condena a espe-
proposição epistemológica, pas- zar de suas proposições para explica que a construção do co- cialização, mas sim a perda da
sível de ser utilizada pela Agro- embasar os seus paradigmas. nhecimento baseado em ideias visão geral.
ecologia, que pavimenta teorica- Simultaneamente Borsatto et claras e distintas, como proposto Na sua construção epistemo-
mente a possibilidade de uma al. (2005), Caporal et al. (2005) por Descartes (2002), cria uma lógica, Morin (2001b) explica
convivência ecológica de dife- e Lima (2005) realizaram tenta- inteligência cega, assim, como que o conhecimento não é um
rentes saberes. tivas ainda iniciais desta aproxi- contraponto, evidencia que é espelho das coisas ou do mundo,
Sousa Santos (2009) ainda mação. Posteriormente Caporal preciso enfrentar a complexidade e sim somente uma tradução e
propõe uma Sociologia das (2008) afirma que a Agroecolo- antropossocial e não dissolvê-la reconstrução cerebral com base
Emergências, na qual se utiliza- gia pertence ao campo do pen- ou ocultá-la. nos estímulos ou sinais captados
ria um procedimento de tradu- samento complexo. Morin se preocupa com a ela- pelos sentidos. Deste modo, de-
ção, que se operacionalizaria por Uma importante contribuição boração de um método capaz de ve-se sempre questionar a atitu-
um esforço de traduzir os sabe- nesse sentido foi realizada por apreender a complexidade do de humana que acata paradig-
res de um determinado grupo Floriani e Floriani (2010), em real, defende a interligação de mas sem questioná-los.
social em saberes assimiláveis um artigo em que evidenciaram todos os conhecimentos, comba- Para o pensamento complexo
por outro grupo. Em suas pala- acoplagens cognitivas a partir do te o reducionismo instalado em o mundo é composto por uma
vras seria buscar a inteligibilida- referencial teórico-metodológico nossa sociedade e valoriza o infinitude de incertezas; a incer-
de sem homogeneização; encon- da Agroecologia, entre a propos- complexo. Propõe uma reforma teza faz parte do mundo, e de-
trar similaridades entre os dife- ta de saber ambiental de Leff e do pensamento por meio do en- ve-se considerar esta realidade.
rentes saberes e a partir daí fa- o paradigma do pensamento sino transdisciplinar, capaz de Isto contraria frontalmente o
zê-los comunicantes, sem que complexo de Morin. formar cidadãos planetários, so- paradigma cartesiano-newtonia-
um se imponha sobre o outro. Em sua obra, Morin (2001a) lidários e éticos, aptos a enfren- no, baseado na existência de
postula que vivemos no paradig- tar os desafios dos tempos atu- certezas para se explicar o fun-
O Pensamento Complexo ma da simplificação, onde impe- ais. Defende a formação do inte- cionamento do universo, onde se
como Proposta ram os princípios de disjunção, lectual polivalente, cujas pesqui- acredita em um futuro que é
Epistemológica de redução e de abstração, que sas visem produzir um conheci- repetitivo ou progressivo. Para a
impede que o ser humano possa mento que não seja fragmentado complexidade o futuro permane-
Aceitando todas as proposi- compreender muitos aspectos da (Morin, 2001c). ce aberto e imprevisível; por
ções até agora expostas, ultima- realidade. Assim ele alerta que Assim, defende a consolida- mais que se tente controlar todas
mente alguns pesquisadores pre- se faz necessária uma tomada de ção de um novo paradigma, que as variáveis, sempre existirá a
ocupados com a consolidação de consciência radical. contribua para uma melhor com- possibilidade do incerto. A partir
um referencial epistemológico Partindo da crítica ao paradig- preensão do universo, pois o da abordagem complexa, o in-
para a Agroecologia, vêm indi- ma cartesiano, afirma que o atual não consegue mais respon- certo está presente a todo o mo-
cando que esta se caracteriza todo tem qualidades ou proprie- der as demandas sociais. Um mento, e tem-se que ter consci-
por ser uma transdisciplina, já dades que não são encontradas paradigma que seja capaz de ência disto, pois graças ao que
que quer ir além do diálogo en- nas partes se estas estiverem solucionar a dicotomia na qual não pode ser previsto é que sur-
tre diferentes disciplinas e apor- isoladas umas das outras. Ao de um lado estão os saberes ge o novo. Na visão da comple-
tar o saber tradicional (camponês mesmo tempo, certas proprieda- desunidos, divididos e comparti- xidade, o universo é o jogo e o
e/ou indígena) para a conforma- des das partes podem ser inibi- mentalizados e, de outro as rea- risco da dialógica entre a ordem,
ção de conhecimentos (Borsato das pelas restrições provenientes lidades ou problemas cada vez a desordem e a organização
et al., 2005; Feiden, 2005; Ruiz do todo. A visão fragmentada mais globais, multidisciplinares, (Morin, 2001c).
Rosado, 2006; Caporal, 2008). de mundo, oriunda do paradig- transversais, multidimensionais, Como aludem Floriani e Flo-
Como explica Nicolescu ma cartesiano, só consegue en- transnacionais, planetários. riani (2010), a ordem e a desor-
(2001, p. 50), a transdisciplinari- xergar pedaços da realidade, que O pensamento complexo tenta dem, quando isoladas, são duas
dade “diz respeito àquilo que geralmente interessam aos an- lidar com aquilo que o pensa- calamidades, então o pensa-
está ao mesmo tempo entre as seios das classes dominantes mento simplificador desfaz ou é mento complexo alerta sobre a
disciplinas, através das diferentes (Morin, 2001c). incapaz de compreender. De necessidade de conceber o Uni-
disciplinas e além de qualquer Almeida e Carvalho (2002) uma maneira geral, trata da con- verso a partir da noção do te-
disciplina.” A finalidade da corroboram essa perspectiva ao ciliação das várias esferas do tragrama ordem/desordem/inte-
transdisciplinaridade é a com- afirmar que a tradição do pensa- conhecimento e da vida, busca rações/organização. Os mesmos
preensão do mundo atual, inte- mento que forma o ideário de articular, relacionar e contextua- autores explicam que interpre-
ressa-se pela dinâmica decorren- nosso sistema de ensino, ordena lizar o que está dissociado, frag- tar a realidade do espaço rural
te da ação simultânea de diver- que se reduza o complexo ao mentado, separado e distinto e, a partir do paradigma proposto
sos níveis de realidade. simples, que se separe o que distingue o que está indissociado. pelo pensamento complexo im-
O conceito de transdiscipli- está ligado, que se unifique o Deste modo, alerta que se plica, como primeiro passo, a
naridade emerge dos trabalhos que é múltiplo, que se elimine devem considerar todos os diver- desconstrução do saber discipli-
de diferentes autores simultane- tudo o que traz desordens ou sos fatores que possuem alguma nar, simplificador e unitário,
amente, entre eles dos de Ed- contradições para o nosso enten- relação com o objeto e/ou sujei- para posteriormente viabilizar
gar Morin, que elaborou a Teo- dimento. A inteligência, que só to, para que seja possível enten- princípios a partir dos quais
ria do Pensamento Complexo sabe separar, rompe o caráter der de forma mais completa e seja possível pensar a inteligibi-
como uma abordagem transdis- complexo do mundo em frag- correta a sua importância. Pro- lidade do universo.

SEP 2012, VOL. 37 Nº 9 715


Morin (2001a) propõe três tui em um interessante arca- Promoção do Desenvolvimento Leff E (2007) Aventuras de la Episte-
princípios que podem ajudar a bouço filosófico onde a Agroe- Rural Sustentável. MDA/SAF/ mología Ambiental: De la Articu-
DATER-IICA. Brasília, Brasil. lación de Ciencias al Diálogo de
pensar a complexidade: a) o cologia pode se assentar e, a pp. 95-120. Saberes. 2ª ed. Siglo XXI. Méxi-
princípio dialógico se refere a partir dela buscar estabelecer Caporal FR, Costabeber JA, Paulus G co. 138 pp.
manter a dualidade no seio da um novo paradigma para se (2005) Agroecologia como matriz Lima RG (2005) Agroecologia:
unidade, em aceitar que, ao abordar o meio rural. disciplinar para um novo paradig- criando bases epistemológicas
mesmo tempo em que a ordem ma de desenvolvimento rural. para a transição paradigmática.
e a desordem são inimigas que AGRADECIMENTOS Anais Eletrônicos Congresso Anais Eletrônicos Congresso
Brasileiro de Agroecologia. Flo- Brasileiro de Agroecologia. Flo-
suprimem uma a outra, são tam- rianópolis, Brasil. rianópolis, Brasil.
bém, em alguns casos, colabora- Os autores agradecem à Coor- Dalgaard T, Hutchings NJ, Porter JR Morin E (2001a) Introdução ao Pen-
doras e produtoras da organiza- denação de Aperfeiçoamento de (2003) Agroecology, scaling and samento Complexo. 3ª ed. Insti-
ção e complexidade; b) o princí- Pessoal de Nível Superior (CA- interdisciplinarity. Agric. Ecosyst. tuto Piaget. Lisboa, Portugal.
pio autogerativo se refere à cons- PES) e à FEAGRI/UNICAMP Env. 100: 39-51. 177 pp.
ciência de que os produtos e os pelos apoios concedidos para a Descartes R (2002) Discurso do Mé- Morin E (2001b) Ciência com Consci-
efeitos são ao mesmo tempo execução deste trabalho. todo: Para bem Conduzir a Pró- ência. 5ª ed. Bertrand. Rio de
pria Razão e Procurar a Verdade Janeiro, Brasil. 344 pp.
causas e produtores daquilo que nas Ciências. Paulus. São Paulo,
os produziu; e c) o princípio REFERÊNCIAS Morin E (2001c) Os Sete Saberes
Brasil. 159 pp. Necessários à Educação ao Fu-
hologramático é a tomada de Feiden A (2005) Agroecologia: intro- turo. 4ª ed. Cortez/UNESCO.
consciência de que não somente Alimonda H (2006) Una herencia de dução e conceitos. Em Aquino São Paulo/Brasília, Brasil. 116 pp.
a parte está no todo, mas que o Manaos (anotaciones sobre histo- AM, Assis RL (Eds) Agroecolo-
ria ambiental, ecología política y Nicolescu B (2001) O Manifesto da
gia: Princípios e Técnicas para
todo também está nas partes. agroecología en una perspectiva uma Agricultura Orgânica Sus-
Transdisciplinaridade. 2ª ed.
Floriani e Floriani (2010) evi- latinoamericana). Horiz. Antropol. Triom. São Paulo, Brasil. 156 pp.
tentável. Embrapa Informação
denciaram acoplagens cognitivas 25: 237-255. Tecnológica. Brasília, Brasil. pp. Nicolescu, B (2005) Transdiscipli-
entre esses três princípios cogni- Almeida MC, Carvalho EA (2002) 49-70. narity: Past, Present and Fu-
Educação e Complexidade: os ture. www.cetrans.com.br/novo/
tivos do pensamento complexo e Floriani N, Floriani D (2010) Saber
textos/transdisciplinarity-past-
sete saberes e outros ensaios. ambiental complexo: aportes
o referencial teórico-metodológi- Cortez. São Paulo, Brasil. 102 pp. present-and-future.pdf (Cons.
cognitivos ao pensamento agro-
co da Agroecologia, já que os Altieri MA (2004) Agroecologia: A ecológico. Rev. Bras. Agroecol.
15/0382011).
agroecossistemas possuem toda Dinâmica Produtiva da Agricul- 5: 3-23. Norgaard RB (1987) The epistemolo-
uma complexidade tanto intrín- tura Sustentável. 4a ed. UFRGS. Gliessman SR (2005) Agroecologia: gical basis of agroecology. Em
seca quanto extrínseca, onde Porto Alegre, Brasil. 110 pp. Processos Ecológicos em Agri- Altieri MA Agroecology: The
Bland WL, Bell MM (2007) A holon cultura Sustentável. 3ª ed. UFR- Scientific Basis of Alternative
existe uma infinidade de fatores Agriculture. Westview. Boulder,
objetivos e subjetivos presentes. approach to agroecology. Int. J. GS. Porto Alegre, Brasil. 653 pp.
Agric. Sust. 5: 280-294. CO, EEUU. pp. 21-27.
Por fim, o mérito do pensa- Gomes JCC (2005). Bases epistemo-
Borsato AV, Paglia EC, Beraldo lógicas da agroecologia. Em Norgaard RB, Sikor TO (2002) Meto-
mento complexo consiste no fato NA, Fonte NN, Borsatto RS, Aquino AM, Assis RL (Eds.) dologia e prática da agroecologia.
de priorizar o enfoque transdis- Hoeller SC (2005) Agroecolo- Agroecologia: Princípios e Téc- Em Altieri M Agroecologia: Ba-
ciplinar para abordar e propor gia: uma ação transdisciplinar. nicas para uma Agricultura Or- ses Científicas para uma Agricul-
Anais eletrônicos Congresso gânica Sustentável. Embrapa In- tura Sustentável. Agropecuária.
estratégias; portanto, não é um Guaíba, Brasil, pp. 53-83.
Mundial de Transdisciplinari- formação Tecnológica. Brasília,
pacote de intervenções, mas um dade. Vitória, Brasil. Brasil. pp. 73-99. Ruiz Rosado O (2006) Agroecología:
conjunto de reflexões elaboradas Borsatto RS, Fonte NN, Borsato una disciplina que tiende a la
Gomes JCC, Rosenstein S (2000) A
a partir de múltiplas dimensões. AV, Paglia EC, Hoeller SC, geração de conhecimento na tran- transdisciplina. Interciencia 31:
Beraldo NA (2005) Agroecolo- sição agroambiental: em defesa 140-145.
A Guisa de Conclusão gia: o respeito a agrocomplexi- da pluralidade epistemológica e Salas-Zapata W, Rios-Osorio L, Cas-
dade. Anais Eletrônicos Con- metodológica na prática científica. tillo JA (2011) La ciencia emer-
gresso Brasileiro de Agroecolo- Cad. Ciênc. Tecnol. 17: 29-57. gente de la sustentabilidad: de la
Verifica-se que a Agroecolo- gia. Florianópolis, Brasil. práctica científica hacia la consti-
Guadarrama Zugasti C (2007) Agroe-
gia, desde o seu principio, vem Caporal FR (2008) Agroecologia: uma cología en el siglo XXI: confron- tución de una ciencia. Intercien-
debatendo sua epistemologia na nova ciência para apoiar a transi- tando nuevos y viejos paradigmas cia 36: 699-706
busca de outros referenciais fi- ção a agriculturas mais sustentá- de producción agrícola. Rev. Sevillla Guzmán E (2002) A perspec-
losóficos que possam lhe auxi- veis. Em Fakeiro FG, Farias AL Bras. Agroecol. 2: 204-207. tiva sociológica em Agroecologia:
(Orgs.) Savanas: Desafios e Es- uma sistematização de seus mé-
liar em sua tarefa de gerar co- tratégias para o Equilíbrio entre
Guzmán Casado G, González De
Molina M, Sevilla Guzmán E todos e técnicas. Agroecol. De-
nhecimentos capazes de faze- Sociedade, Agronegócio e Recur- senv. Rural Sustent. 3: 18-28.
(2000) Introducción a la Agroe-
rem frente à crise socioambien- sos Naturais. Vol. 1. Embrapa cología como Desarrollo Rural Sevillla Guzmán E (2006) Desde el
tal vivenciada. Cerrados. Brasília, Brasil. pp. Sostenible. Mundi-Prensa. Ma- Pensamiento Social Agrario. Uni-
Por meio da suscitação das 895-929. drid, Espanha. 535 pp. versidad de Córdoba. Córdoba,
bases nas quais se sustentam a Caporal FR, Costabeber JA (2004a) Hecht SB (2002) A evolução do pen- Espanha. 285 pp.
Por uma nova extensão rural: samento agroecológico. Em Altie-
geração de conhecimento das fugindo da obsolescência. Em Sicard TEL (2009) Agroecología:
ciências convencionais, da de- ri M (Ed.) Agroecologia: Bases desafíos de una ciencia ambien-
Caporal FR, Costabeber JÁ Científicas para uma Agricultura tal en construcción. Agroecolo-
monstração de suas deficiências (Eds.) Agroecologia e Extensão Sustentável. Agropecuária. Guaí- gía 4: 7-17.
e da identificação de demandas Rural: Contribuições para a Pro- ba, Brasil. pp. 21-51.
moção do Desenvolvimento Rural Sousa Santos, B. (2009) Renovar a
epistemológicas da Agroecolo- Sustentável. MDA/SAF/DATER- Kuhn TS (2005) Estrutura das Revo- Teoría Crítica e Reinventar a
gia, foi sistematizado o debate -IICA. Brasília, Brasil. pp. 5-15. luções Científicas. 9ª ed. Perspec- Emancipação Social. 1ª ed. 1ª
acerca de novas propostas epis- tiva. São Paulo, Brasil. 260 pp. reimp. Boitempo. São Paulo, Bra-
Caporal FR, Costabeber JA (2004b)
temológicas nas quais a Agroe- Agroecologia: enfoque científico Leff E (2002a) Epistemologia Ambien- sil. 126 pp.
cologia poderia se fundamentar. e estratégico para apoiar o de- tal. 3ª ed. Cortez. São Paulo, Wezel A, Bellon S, Doré T, Francis C,
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Por fim, aponta-se que a Te- ecology as a science, a movement
Em Caporal FR, Costabeber JÁ Leff E (2002b) Agroecologia e saber
oria do Pensamento Complexo, (Eds.) Agroecologia e Extensão ambiental. Agroecol. Desenv. and a practice: a review. Agron.
proposta por Morin, se consti- Rural: Contribuições para a Rural Sust. 3: 36-51. Sust. Dev. 29: 503-515.

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